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INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO 
CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 
 
 
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APOSTILA DE FUNDAMENTOS 
HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURITIBA - 2016
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO 
CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 
 
 
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SUMÁRIO 
 
 
PLANO DE TRABALHO ANUAL ........................................................................................ 02 
 
PLANO DE TRABALHO DOCENTE DO 1º TRIMESTRE ........................................................ 08 
CONCEPÇÕES DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA .............................................................. 13 
EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE ORIENTAL ....................................................................... 19 
EDUCAÇÃO E SOCIEDADE NA ANTIGA GRÉCIA ................................................................ 22 
EDUCAÇÃO E SOCIEDADE NA ROMA ANTIGA ................................................................. 30 
 
PLANO DE TRABALHO DOCENTE DO 2º TRIMESTRE ........................................................ 35 
O HOMEM IDEAL NA IDADE MÉDIA ................................................................................ 39 
O RENASCIMENTO ......................................................................................................... 52 
A EDUCAÇÃO NO INICIO DOS TEMPOS MODERNOS ....................................................... 55 
A EDUCAÇÃO NA ÉPOCA DO ABSOLUTISMO .................................................................. 58 
A EXPANSÃO COMERCIAL E TERRITORIAL DA EUROPA OCIDENTAL ................................ 62 
A EDUCAÇÃO ARISTOCRÁTICA NO BRASIL COLONIAL ..................................................... 65 
 
PLANO DE TRABALHO DOCENTE DO 3º TRIMESTRE ........................................................ 73 
A EDUCAÇÃO NO BRASIL DE 1808-1822 ......................................................................... 77 
A EDUCAÇÃO DE ELITE NO PERÍODO IMPERIAL (1822 – 1889) ........................................ 77 
REPÚBLICA VELHA E A EDUCAÇÃO (1889-1930) ............................................................. 80 
ERA VARGAS ................................................................................................................... 84 
DITADURA MILITAR ....................................................................................................... 88 
EDUCAÇÃO PÓS-DITADURA ........................................................................................... 90 
 
METODOLOGIAS COMPLEMENTARES ............................................................................ 94 
ROTEIRO PARA ANÁLISE DE FILMES ............................................................................... 94 
MAPAS CONCEITUAIS .................................................................................................... 96 
DICAS PARA PRODUÇÃO DE HISTÓRIA EM QUADRINHOS .............................................. 99 
 
 
Apostila organizada pelas Profª Rosângela Menta, Celeste e Ivonete. 
As fontes de pesquisas estão logo a seguir dos textos. 
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PLANO DE TRABALHO DOCENTE ANUAL - 2016 
 
Série: 1º Ano Integrado Carga horária semanal: 2 h/a 
 
PRESSUPOSTOS TEÓRICOS 
 
 Somos seres históricos, pois nossas ações e pensamentos mudam no tempo, à 
medida que enfrentamos os problemas não só da vida pessoal, como também da experiência 
coletiva. Assim produzimos a nós mesmos e a cultura a que pertencemos. 
 Cada geração se apropria da herança cultural dos antepassados e estabelece 
projetos de mudança. 
 Estamos inseridos no tempo: o presente não se esgota na ação que realiza, mas 
adquire sentido pelo passado e pelo futuro desejado. 
 A história resulta da necessidade de reconstruirmos o passado, relatando os 
acontecimentos que decorreram da ação transformadora dos indivíduos no tempo, por meio 
da seleção e da construção dos fatos considerados relevantes e que serão interpretados a 
partir de métodos diversos. 
 Se somos seres históricos, nada escapa à dimensão do tempo, pois “O tempo é o 
sentido da vida” (Paul Claudel). 
 Com a história da educação construímos interpretações sobre as formas pelas quais 
os povos transmitem sua cultura e criam instituições escolares e as teorias que as orientam. 
Os estudos sobre a história da educação delineiam o fio condutor que nos orienta para a 
construção de uma escola democrática. 
 
 
CONTEÚDOS ESTRUTURANTES E SEUS DESDOBRAMENTOS 
 
1º TRIMESTRE 
 
1. Concepções de História e Historiografia 
1.1 O que é História; a História da História. 
1.2 Conceitos de História e Historiografia 
 
2. História da Educação 
2.1 Métodos de Pesquisa e de Investigação utilizados no percurso da História da Educação. 
 
3. Educação Clássica 
3.1 Grécia: Os períodos Educacionais na Grécia; A educação ateniense e o ideal de homem 
excelente. Educação Espartana: Heroísmo cívico e o ideal do soldado – cidadão. 
3.2 Roma: A Antiga Educação Romana; A Educação Clássica de Roma. 
 
4. Educação na Idade Média 
4.1 Contexto Histórico da Educação Medieval: 
4.1.1 A Filosofia Patrística e sua contribuição para a educação. 
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4.1.2 A Filosofia Escolástica princípios e diretrizes. 
4.1.3 Fundação da Companhia de Jesus. 
4.1.4 As primeiras universidades e sua evolução. 
 
 
2º TRIMESTRE 
 
5. Renascimento e Educação Humanística 
5.1 Contexto Histórico da Educação Renascentista: Pensamento Pedagógico Renascentista; 
5.2 A Reforma Protestante e a Contrarreforma; 
5.3 História da Educação Brasileira 
5.3.1 Período Colonial: A educação jesuítica e as reformas pombalinas. 
5.3.2 A Sociedade da Companhia de Jesus e o “Ratio Studiorum”. 
 
 
6. Educação Moderna. 
6.1 A educação realista do Século XVI, Comenius e o Método Moderno de Ensinar. 
6.2 O Racionalismo de Descartes e o Empirismo de John Locke. 
6.3 O Século XVIII: O Iluminismo e suas relações com a educação: Rousseau e o Naturalismo 
Pedagógico. 
 
 
3º TRIMESTRE 
 
7 Educação Brasileira 
7.1 Período Imperial: A Educação no Império, a formação da elite. 
7.2 Reformas: Couto Ferraz, Leôncio Carvalho e os Pareceres de Rui Barbosa para a 
organização do ensino. 
7.3 Período Republicano (1889 a 1930): O ceticismo pela educação; “o otimismo 
pedagógico”; as lutas políticas pedagógicas; a transição da Pedagogia Tradicional à Pedagogia 
Nova. 
7.4 Período de 1930 a 1932: A Política Educacional e os conflitos ideológicos dos anos 30; 
Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova. 
7.5 Estado Novo de 1937 a 1945: A Constituição de 1937 e as Leis Orgânicas; A Política 
Educacional dos governos populistas. 
7.6 Período da Ditadura Militar: O fracasso da política educacional. Leis de Diretrizes e Bases 
nº 4024/61 e nº 5692/71; Tecnicismo. 
 
8. Pedagogias não Liberais 
8.1 Contexto histórico e características 
8.2 Pedagogia Crítico Produtivista 
8.3 Pedagogia Libertadora 
8.4 Pedagogia Crítica. 
 
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9. Pedagogia Brasileira Contemporânea 
9.1 Educação Brasileira a partir da Constituição de 1988 
9.2 Redemocratização da Educação Brasileira 
9.3 A elaboração da Lei de Diretrizes e Bases nº 9394/96 
9.4 Tendências Neo Liberais versus Materialismo Histórico. 
 
 
OBJETIVOS DA DISCIPLINA 
 
Promover situações no processo de ensino/aprendizagem que possibilitem ao 
educando a compreensão das importantes transformações pelas quais passa a humanidade 
no decorrer de uma idade histórica para outra, para que ele possa identificar a influência 
desses fatos nos dias atuais. 
Compreenderas concepções de história e a educação. 
Analisar a evolução da humanidade, destacando a importância da educação formal 
e informal em diversos contextos. 
Relacionar as teorias da educação com os fatos políticos, econômicos e sociais de 
cada época, situando-se em um contexto geográfico, histórico, político e social. 
Compreender as contribuições dos grandes teóricos da educação e as relações de 
trabalho e poder da época do fato estudado. 
Analisar as pedagogias dominantes e não dominantes de cada época da educação. 
 
 
METODOLOGIA 
 
 A metodologia será trabalhada numa perspectiva histórica, de forma 
problematizadora, ou seja, estabelecendo a relação entre a prática e a teoria, entre o 
conhecimento que o aluno já possui e os conteúdos que precisam ser incorporados para que 
ele alcance autonomia em seu sentido mais amplo. 
 Assim, a metodologia envolverá diálogo, a contextualização e a problematização de 
conteúdos, levando em consideração o ponto de partida do conhecimento do aluno e o 
ponto a que se deseja chegar, instigando o aluno a pesquisa, ao trabalho cooperativo, à 
reflexão, análises, sínteses, comparações. 
As atividades serão desenvolvidas por meio da construção dialética do 
conhecimento, com pesquisa de campo e bibliográfica, aulas práticas, entrevistas, e 
observações durante o estágio supervisionado. 
 Durante o curso pretende-se que o aluno compreenda a aplicação de todos os 
temas estudados, com apresentação de trabalhos coletivos, independentes, permeando as 
ações docentes e publicando seus conhecimentos. 
 O estudante deverá fazer leituras complementares dos documentos propostos, 
desenvolvendo o gosto pela pesquisa. 
 Serão utilizados os seguintes recursos didáticos: os referenciais teóricos 
reproduzidos em cópias, vídeos, TV Multimídia, DVDs, quadro de giz, laboratório de 
informática com acesso a internet e materiais pedagógicos específicos. 
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As atividades metodológicas privilegiarão a produção escrita e oral, coletiva e 
individual, oferecendo ao aluno a oportunidade de perceber e analisar o assunto sob diversos 
ângulos, de forma que o aluno se aproprie dos conhecimentos propostos e/ou apresente 
suas pesquisas e demais atividades pedagógicas aos colegas. 
Os procedimentos metodológicos a serem desenvolvidos envolvem: 
a) Aulas interativas; 
b) Leituras comentadas; 
c) Produção escrita e análise de textos em sala de aula individuais e coletivos; 
produção de histórias em quadrinhos; 
d) Apresentação de trabalhos desenvolvidos pelos alunos; 
e) Análise de cenas de filmes, clips, música, etc.; 
f) Dinâmicas de grupo diversificadas, como por exemplo: seminários; debates; 
pesquisas; phillips 66... 
 
AVALIAÇÃO 
 
 A avaliação seguirá o que dispõe o Capítulo III do Regimento Escolar deste 
Estabelecimento de Ensino. Ressalta-se a importância da prevalência dos aspectos 
qualitativos sobre quantitativos, da relevância à atividade crítica, à capacidade de síntese e à 
elaboração pessoal, devendo a verificação do aproveitamento escolar incidir sobre o 
desempenho do aluno, no mínimo, em três experiências de aprendizagem (debates, 
seminários, relatórios, testes de aproveitamento orais e escritos, trabalhos de criação, 
observações, etc.), durante cada bimestre. 
 
— Concepção de avaliação 
A avaliação deve ser entendida como um instrumento de estímulo e promoção à 
aprendizagem, portanto, um processo diagnóstico, formativo, contínuo, contribuindo para o 
desenvolvimento do aluno e aperfeiçoamento da práxis pedagógica do professor. 
Assim, a avaliação diagnóstica, possibilita a compreensão do nível de aprendizado 
em que o aluno se encontra, sendo dinâmica ao fornecer aos professores e alunos meios de 
intervir e superar as defasagens e dificuldades encontradas. A avaliação não considera 
apenas o resultado final, mas o processo como um todo. 
 A avaliação é um dos instrumentos que se vale o professor para garantir a 
qualidade da aprendizagem dos alunos, de modo que permeia o conjunto de todas as ações 
pedagógicas. 
 A avaliação proposta se caracteriza em diagnóstica, formativa, somativa e contínua, 
durante todo o processo de ensino-aprendizagem. 
 Serão atendidos os critérios exigidos no Regimento Escolar e no PPP. 
 
— Critérios de avaliação 
 Será realizada em função da ementa do curso e dos objetivos propostos, dos planos 
de trabalho trimestrais, através da apresentação das atividades solicitadas e pela participação 
de nas propostas de trabalho. O aluno deverá realizar auto-avaliações para que defina o seu 
grau de envolvimento e aprendizagem. Todos os alunos que não se apropriarem dos temas 
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propostos terão oportunidade de recuperação de estudos em prazo estipulado. 
 
— Instrumentos 
 Produção textual; 
 Análise (imagens, textos, vídeos); 
 Apresentações orais e escritas; 
 Parecer analítico, relatórios, fichas de observação; 
 Avaliação escrita com/sem consulta com predominância de questões 
qualitativas. 
 E outros instrumentos a serem sugeridos no decorrer do curso 
 
 
ESTRATÉGIAS DE RECUPERAÇÃO CONCOMITANTE E PARALELA 
 
 Serão utilizadas práticas diferenciadas considerando as características dos alunos, 
para melhor intervenção pedagógica e apropriação do conteúdo. O momento mais 
importante para a recuperação deve ocorrer no período de aula. A revisão diária dos 
conteúdos, explicações complementares, atividades extraclasse, correção de exercícios e 
testes de verificação, entre outras, são procedimentos que atuarão preventivamente, 
contribuindo para a aprendizagem do aluno. 
Será realizada em função da dos objetivos propostos, através da re-apresentação 
das atividades solicitadas e pela participação de nas propostas de trabalho específicas para 
recuperar os conteúdos não apropriados pelo estudante. O aluno deverá refletir sobre o seu 
grau de envolvimento e comprometimento na aprendizagem, sendo responsável em 
apresentar as atividades solicitadas pelo Professor no prazo determinado. Não serão aceitas 
entregas posteriores a estabelecida com a turma. 
Serão consideradas também as seguintes estratégias: 
a) atividades diversificadas oportunizadas durante a aula, 
b) atividades extraclasse, 
c) planos de estudos entre outras. 
A atividade de recuperação de estudos é opcional para o estudante. 
 
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REFERÊNCIAS BÁSICAS 
 
AIRÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981. 
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia. 3 ed. São Paulo: 
Moderna, 2006. 
FRANCISCO FILHO, Geraldo. A Educação Brasileira no contexto histórico. Campinas: Ed. 
Alínea, 2001. 
_____. História Geral da Educação. Campinas: Ed. Alínea, 2003. 
GADOTTI, Moacir. História das ideias pedagógicas. 8 ed. São Paulo: Ática, 2004. 
GHIRALDELLI JÚNIOR, Paulo. História da educação brasileira. São Paulo: Cortez, 2005. 
_____. História da educação. São Paulo: Cortez, 1990. 
HOBSBAWN, Eric. Sobre história. São Paulo: Companhia das letras, 1998. 
LARROYO, Francisco. História geral da pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1982. 
LUZURIAGA, Lorenzo. História da educação e da pedagogia. 12 ed. São Paulo: Nacional, 1980. 
PAIXÃO, Priscilla Campiolo Manesco. Metodologia do Ensino de História. Maringá: 
CESUMAR, 2012. 
RIBEIRO, Maria Luisa Santos Ribeiro. História da Educação Brasileira: a organização escolar. 
Campinas: Cortez, 2010. 
ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da Educação no Brasil (1930/1973). 29 ed. 
Petrópolis: Vozes, 2005. 
SAVIANI, Demerval. História da ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 
2010. 
SAVIANI, Dermeval; LOMBARDI, José Claudinei; SANFELICE, José Luís. História e Históriada 
Educação. Campinas: Autores associados, 2010. 
VEIGA, Cynthia Greive. História da Educação. São Paulo: Ática, 2007. 
ZUCCHI, Bianca. O ensino de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental: teoria, 
conceitos e uso de fonte. São Paulo: Ed. SM, 2012. 
 
 
PLANO DE TRABALHO DOCENTE DO 1º TRIMESTRE – 2016 
Série: 1º Ano Integrado - Carga horária semanal: 2 h/a 
 
 
1. APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 
 
 Somos seres históricos, pois nossas ações e pensamentos mudam no tempo, à 
medida que enfrentamos os problemas não só da vida pessoal, como também da experiência 
coletiva. Assim produzimos a nós mesmos e a cultura a que pertencemos. 
 Cada geração se apropria da herança cultural dos antepassados e estabelece 
projetos de mudança. 
 Estamos inseridos no tempo: o presente não se esgota na ação que realiza, mas 
adquire sentido pelo passado e pelo futuro desejado. 
 A história resulta da necessidade de reconstruirmos o passado, relatando os 
acontecimentos que decorreram da ação transformadora dos indivíduos no tempo, por meio 
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da seleção e da construção dos fatos considerados relevantes e que serão interpretados a 
partir de métodos diversos. 
 Se somos seres históricos, nada escapa à dimensão do tempo, pois “O tempo é o 
sentido da vida” (Paul Claudel). 
 Com a história da educação construímos interpretações sobre as formas pelas quais 
os povos transmitem sua cultura e criam instituições escolares e as teorias que as orientam. 
Os estudos sobre a história da educação delineiam o fio condutor que nos orienta para a 
construção de uma escola democrática. 
 
2. CONTEÚDOS ESTRUTURANTES E SEUS DESDOBRAMENTOS 
— Concepções de História e Historiografia 
— Educação Clássica 
— Educação na Idade Média 
 
 
 
 
FONTE: http://i0.statig.com.br/bancodeimagens/a6/w0/1x/a6w01x72kwpwz2jmj7htwikl8.jpg
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1. Concepções de 
História e 
Historiografia 
1.1 O que é 
História; a História 
da História. 
1.2 Conceitos de 
História e 
Historiografia 
 
2. História da 
Educação 
2.1 Métodos de 
Pesquisa e de 
Investigação 
utilizados no 
percurso da 
História da 
Educação. 
Os 
Fundamentos 
Históricos da 
Educação, 
enquanto 
campo de 
conhecimento 
que investiga 
no tempo e 
no espaço os 
fenômenos 
sociais serve 
de apoio à 
compreensão 
da educação 
na 
contemporan
eidade. Nesse 
sentido, a 
disciplina 
deverá ser 
conduzida 
com 
problematizaç
ões, para não 
ocorrer o 
reducionismo 
dos 
conteúdos. 
Os estudantes 
mediados 
pelo docente 
perceberão 
que as 
explicações do 
senso comum 
Leituras 
orientadas, 
aulas 
expositivo-
dialogadas, 
utilização 
de cine-
fórum, 
leitura 
contextuali
zada de 
textos, 
livros, 
filmes e 
documentá
rios, análise 
de 
situações 
problema, 
relato de 
experiência
s que 
possam 
contribuir 
para a 
análise e 
reflexão 
sobre os 
conteúdos 
curriculares
. 
Cenas de 
Filmes: 
300 
Gladiador 
O nome da 
Pesquisa em 
grupos 
Data: 
___/___/16 
 
 
Apresenta-
ção de 
trabalhos 
Data: 
___/___/16 
1,5 
 
 
 
 
1,5 
Compreende 
os conceitos 
fundamentais 
necessários à 
leitura crítica 
dos processos 
históricos 
Faz uso da 
pesquisa como 
instrumento 
investigativo 
da História da 
Educação. 
3. Educação 
Clássica 
3.1 Grécia: Os 
períodos 
Educacionais na 
Grécia; A educação 
ateniense e o ideal 
de homem 
excelente. 
Educação 
Espartana: 
Heroísmo cívico e 
o ideal do soldado 
– cidadão. 
3.2 Roma: A Antiga 
Educação Romana; 
A Educação 
Prova 
escrita 
Data: 
___/___/16 
 
Cine-Forum 
Data: 
___/___/16 
 
3,0 
 
 
1,0 
Compreende 
as relações de 
dominação no 
contexto 
histórico da 
Educação 
Grega e 
Romana 
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 11 
Clássica de Roma. não dão conta 
da visão de 
totalidade dos 
fenômenos. 
 
rosa 
Em nome 
de Deus 
Missão 
4. Educação na 
Idade Média 
4.1 Contexto 
Histórico da 
Educação 
Medieval: 
4.1.1 A Filosofia 
Patrística e sua 
contribuição para a 
educação. 
4.1.2 A Filosofia 
Escolástica 
princípios e 
diretrizes. 
4.1.3 Fundação da 
Companhia de 
Jesus. 
4.1.4 As primeiras 
universidades e 
sua evolução. 
Cine-fórum 
Data: 
___/___/16 
 
3,0 Identifica por 
meio de 
documentos 
históricos as 
características 
que 
diferenciam as 
correntes 
filosóficas e 
educacionais 
da Idade 
Média. 
 
7. RECUPERAÇÃO: 
 Em todas as atividades realizadas para avaliar a aprendizagem dos estudantes serão 
oportunizadas a recuperação da aprendizagem, logo após o professor comunicar a nota para 
o estudante, devendo este entrega-las somente no prazo estipulado. A recuperação é 
individual e em função das temáticas não apropriadas pelo estudante. Esta atividade é 
opcional para o estudante. 
 
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
 
 
AIRÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981. 
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia. 3 ed. São Paulo: 
Moderna, 2006. 
FRANCISCO FILHO, Geraldo. A Educação Brasileira no contexto histórico. Campinas: Ed. 
Alínea, 2001. 
_____. História Geral da Educação. Campinas: Ed. Alínea, 2003. 
GADOTTI, Moacir. História das ideias pedagógicas. 8 ed. São Paulo: Ática, 2004. 
GHIRALDELLI JÚNIOR, Paulo. História da educação brasileira. São Paulo: Cortez, 2005. 
_____. História da educação. São Paulo: Cortez, 1990. 
HOBSBAWN, Eric. Sobre história. São Paulo: Companhia das letras, 1998. 
LARROYO, Francisco. História geral da pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1982. 
LUZURIAGA, Lorenzo. História da educação e da pedagogia. 12 ed. São Paulo: Nacional, 1980. 
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 12 
PAIXÃO, Priscilla Campiolo Manesco. Metodologia do Ensino de História. Maringá: 
CESUMAR, 2012. 
RIBEIRO, Maria Luisa Santos Ribeiro. História da Educação Brasileira: a organização escolar. 
Campinas: Cortez, 2010. 
ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da Educação no Brasil (1930/1973). 29 ed. 
Petrópolis: Vozes, 2005. 
SAVIANI, Demerval. História da ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 
2010. 
SAVIANI, Dermeval; LOMBARDI, José Claudinei; SANFELICE, José Luís. História e História da 
Educação. Campinas: Autores associados, 2010. 
VEIGA, Cynthia Greive. História da Educação. São Paulo: Ática, 2007. 
ZUCCHI, Bianca. O ensino de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental: teoria, 
conceitos e uso de fonte. São Paulo: Ed. SM, 2012. 
 
 
ANOTAÇÕES: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 13 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
 
CONCEPÇÕES DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA 
 
Conceito de História 
 
História é uma ciência humana que 
estuda o desenvolvimento do homem no 
tempo. A História analisa os processos 
históricos, personagens e fatos para poder 
compreender um determinado período 
histórico, cultura ou civilização. A origem 
do termo significou ou esteve relacionado 
com: 
— A noção de passado ou “o que 
aconteceu”. 
— A capacidade de ver. 
— O conceito de testemunha. 
— O ato ou a capacidade de saber, 
procurar. 
— A informação e com o ato de 
procurar. 
 
Objetivos 
 
Um dos principais objetivos da História é resgatar os aspectos culturais de um 
determinado povo ou região para o entendimentodo processo de desenvolvimento. 
Entender o passado também é importante para a compreensão do presente. 
 
Fontes 
 
O estudo da História foi dividido em dois períodos: a Pré-História (antes do 
surgimento da escrita) e a História (após o surgimento da escrita, por volta de 4.000 a.C). 
Para analisar a Pré-História, os historiadores e arqueólogos analisam fontes materiais (ossos, 
ferramentas, vasos de cerâmica, objetos de pedra e fósseis) e artísticas (arte rupestre, 
esculturas, adornos). 
Já o estudo da História conta com um conjunto maior de fontes para serem 
analisadas pelo historiador. Estas podem ser: livros, roupas, imagens, objetos materiais, 
registros orais, documentos, moedas, jornais, gravações, etc. 
 
Historiografia1 é o registro escrito da história. Podemos dizer que é a arte de 
 
1 FONTE: http://www.suapesquisa.com/o_que_e/historiografia.htm acesso em 01/03/2016. 
http://www.suapesquisa.com/artesliteratura/historiadaescrita.htm
http://www.suapesquisa.com/o_que_e/historiografia.htm
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escrever e registrar os eventos do passado. O termo historiografia também é utilizado para 
definir os estudos críticos feitos sobre aquilo que foi escrito sobre a História. Um exemplo: se 
um historiador faz um estudo crítico sobre o trabalho feito por Heródoto (historiador que 
viveu na Grécia Antiga e escreveu sobre o período), então ele está produzindo um trabalho 
de historiografia. 
 
Principais correntes da historiografia: 
 
a) Positivismo: atualmente pouco seguida, privilegia o estudo cronológico dos fatos 
históricos, sem fazer análises críticas. 
b) Materialismo histórico: elaborado por Karl Marx, enfatiza o aspecto econômico da 
sociedade no estudo da História. 
c) Escola dos Annales: criada em 1929, pelos historiadores franceses Marc Bloch e 
Lucien Febvre. Incorporou na História aspectos da Antropologia, Psicologia, 
Geografia e Filosofia. É também conhecida como escola das “Mentalidades”. 
 
 
 
Ciências auxiliares da História 
 
A História conta com ciências que auxiliam seu estudo. Entre estas ciências 
auxiliares, podemos citar: Antropologia (estuda o fator humano e suas 
relações), Paleontologia(estudo dos fósseis), Heráldica (estudo de brasões e 
emblemas), Numismática (estudo das moedas e medalhas), Psicologia (estudo do 
comportamento humano), Arqueologia (estudo da cultura material de povos 
antigos), Paleografia (estudo das escritas antigas) entre outras. 
 
Periodização da História2 
 
 
2 FONTE: http://www.suapesquisa.com/historia/conceito_historia.htm acesso em 29/02/2016. 
http://www.suapesquisa.com/historia/conceito_historia.htm
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 15 
 
Para facilitar o estudo da História ela foi dividida em períodos: 
 Pré-História: antes do surgimento da escrita, ou seja, até 4.000 a.C. 
 Idade Antiga (Antiguidade): de 4.000 a.C até 476 (invasão do Império Romano) 
 Idade Média (História Medieval): de 476 a 1453 (conquista de Constantinopla pelos 
turcos otomanos). 
 Idade Moderna: de 1453 a 1789 (Revolução Francesa). 
 Idade Contemporânea: de 1789 até os dias de hoje. 
 
FONTE: http://www.geocities.ws/historiaeravirtual/Image14.jpg acessado em 01/03/2016. 
 
A HISTÓRIA DA HISTÓRIA 
 
 A história resulta da necessidade de reconstituirmos o passado, relatando os 
acontecimentos que decorreram da ação transformadora dos indivíduos no tempo, por meio 
da seleção (e da construção) dos fatos considerados relevantes e que serão interpretados a 
partir de métodos diversos. A preservação da memória, porém, não foi idêntica ao longo do 
tempo, tendo variado também conforme a cultura. 
 
1. A importância da História da Educação 
 
 Um relato supõe uma seleção de fatos a partir da sua relevância, por critérios 
estabelecidos por alguém. O que pretendemos enfatizar é que, mais importante do que saber 
o que o historiador estuda, é perguntar-se como ele o estuda porque, retaguarda da seleção 
e relato dos fatos, encontram-se sempre pressupostos teóricos que orientam sua 
interpretação. Estamos nos referindo a uma filosofia da história que se acha subjacente ao 
processo. 
 A história, sendo uma teoria, uma elaboração intelectual, só pode ser 
compreendida a partir da análise das condições pelas quais os homens se relacionam para 
http://www.suapesquisa.com/imperioromano/
http://www.suapesquisa.com/francesa/
http://www.geocities.ws/historiaeravirtual/Image14.jpg
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 16 
produzir a existência, ou seja, a partir da divisão social do trabalho. 
 É importante estudar a educação sempre estabelecendo relações com o contexto 
histórico geral, observando a sincronia existente entre as crises da educação e as crises do 
sistema. 
 
2. Objeto de estudo da História da Pedagogia 
 
 A educação é um fato que se verifica desde as origens da sociedade humana. 
Caracteriza-se como um processo por obra do qual as gerações jovens vão adquirindo os usos 
e costumes, as práticas e hábitos, as ideias e crenças, numa palavra, a forma de vida das 
gerações adultas. 
 Há um caráter comum em todo o processo educativo: quer seja espontânea ou 
reflexiva, a educação é um fenômeno mediante o qual o indivíduo se apropria em quantidade 
maior ou menor da cultura (língua, ritos religiosos e funerários, costumes morais, 
sentimentos patrióticos, conhecimentos) da sociedade onde se desenvolve, onde se adapta 
ao estilo de vida da comunidade, onde se faz o progresso. 
 A teoria pedagógica descreve o fato educativo: busca suas relações com outros 
fenômenos; ordena-o e o classifica; procura os fatores que o determinam, as leis a que se 
acha submetido e os fins que persegue. A arte educativa, por sua vez, determina as técnicas 
mais apropriadas para obter o melhor rendimento pedagógico: é uma aplicação metódica da 
ciência da educação. 
 A política educativa é o conjunto de preceitos obrigatórios por força dos quais se 
estabelece uma base jurídica, de Direito, para levar a cabo as tarefas da educação. 
 
3. O método da História da Pedagogia 
 
 Normalmente se divide a História em grandes unidades: Antiga, Média, Moderna e 
Contemporânea., colocando a salvo o chamado inflação dos conceitos históricos. A seleção 
dos fatos é realizada a partir de sua importância. 
 As vertentes que delimitam as unidades históricas na vida da educação são: 
- O fator pragmático: a eficácia e influência do fato pedagógico na sociedade. 
- O fator histórico-cultural: alimento do qual se nutre o processo educativo em 
cada tempo e lugar. 
- O fator progressivo: o avanço didático e dialético, o acerto educativo que 
supera ideias ou instituições precedentes. 
A azáfama3 educativa move-se, sempre, perante fins que se hão de cumprir, 
perante ideais que se devem realizar, e a ciência da educação tem o dever de indicar a rota 
para atingir tais desígnios. Deste ponto de vista, a Pedagogia é o problema da realização dos 
valores, a teoria que trata de fixar os recursos mais firmes e eficazes para introduzir o 
educando no reino dos bens. 
 
3 Muita pressa; urgência. Grande afã; trabalho muito ativo. Atrapalhação, agitação 
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 17 
A heurística4 é a técnica que tem por tarefa dar a conhecer a fontes, as quais se 
definem como tudo quanto de maneira direta ou indireta proporciona notícia de eventos 
históricos. 
Outras fontes: restos, utensílios, de toda classe, moedas, costumes, jogos, línguas, 
documentos, memórias, anais, obras-primas, obras clássicas, legislações, competindo ao 
historiador comprovara autenticidade das fontes. 
 
4. A educação na antiguidade 
 
 O objetivo da educação nos povos primitivos é promover o ajustamento da criança 
ao seu ambiente físico e social por meio da aquisição da experiência de gerações passadas. 
 Entre os povos primitivos a criança adquire o conhecimento necessário por meio da 
imitação: 
 1ª fase (primeiros anos de vida) – imitação inconsciente. 
 2ª fase (adolescência) – imitação consciente. 
 As cerimônias de iniciação possuem especial valor educativo nos seguintes 
aspectos: moral, social, político e religioso. 
 Animismo é a crença de que tudo possui uma alma. O aprendizado dos métodos 
que apaziguarão o mundo dos espíritos constitui a parte mais importante da educação. Do 
animismo provêm as religiões naturais, as primeiras filosofias e as ciências rudimentares 
 
 
 
Os primeiros professores são: inicialmente, a classe formada pelos chefes de grupos 
familiares. Posteriormente, a instrução passa a ser dada pelos sacerdotes, que se constituem 
nos primeiros professores profissionais. 
 
 
 
4 arte de inventar, de fazer descobertas; ciência que tem por objeto a descoberta dos fatos. hist ramo da 
História voltado à pesquisa de fontes e documentos. inf método de investigação baseado na aproximação 
progressiva de um dado problema. 
 
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 18 
5. Educação difusa: a primeira forma de ensinar5 
 
Leandro Barcelos De Lima, Lisa Fernanda Meyer Da Silva 
 
A educação entre os povos primitivos foi fundamental para o início do 
desenvolvimento educacional da humanidade, como exemplo básico desta forma de educar, 
podemos citar as sociedades primitivas localizadas no centro da África, que se educavam de 
uma maneira bem peculiar e heterogênea através da Educação Difusa ou, como também era 
chamada, educação por imitação, processo em que os jovens e crianças repetiam os gestos 
praticados pelos adultos, desenvolvendo assim, habilidades e técnicas necessárias ao seu dia 
a dia. 
Todos os integrantes do grupo tribal recebiam esta educação, ou seja, ela era 
universal, e tal educação era transmitida e recebida inconscientemente pelos indivíduos, 
porém, havia momentos em que ela era aplicada propositalmente, sobre tudo em rituais de 
iniciação onde jovens davam início a sua vida adulta. Durante a transmissão dos 
conhecimentos, os aprendizes, na maioria das vezes não eram castigados fisicamente, caso 
cometessem erros quando na prática do que lhe fora ensinado. A prática da Educação Difusa 
por grupos tribais ainda resiste em alguns países, como por exemplo, na Austrália onde tribos 
primitivas de pigmeus mantêm seus hábitos, já milenares, intactos. 
Muitos autores apontam a falta de autonomia dos aprendizes como um dos 
principais fatores responsáveis pelo quase desaparecimento desta forma de educar, pois, 
afirmam que a subjetividade humana é mola propulsora para o aperfeiçoamento e 
perpetuação do conhecimento, mesmo assim, a educação por imitação, como única forma de 
aprendizagem, ainda pode ser encontrada como ponto máximo de algumas culturas. Enfim, 
como uma das características mais marcantes das civilizações primitivas, as educações 
difusas, na contramão das 
novas metodologias 
pedagógicas da atualidade, 
ainda se mantem enraizada 
na cultura de muitos povos, 
sobretudo descendentes 
aborígenes, na África, Ásia e 
América, conforme inúmeras 
pesquisas antropológicas, 
deixando claro que não é 
possível conhecer o ser 
humano sem antes conhecer 
a fonte de sua educação. 
 
FONTE: 
http://4.bp.blogspot.com/_MNjvTyDyXgc/TOWVS0TdeNI/AAAAAAAABTw/mTcccSzkkME/s1600/6.jpg 
 
5 FONTE: http://seer.unipampa.edu.br/index.php/siepe/article/view/766 
http://seer.unipampa.edu.br/index.php/siepe/article/view/766
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 19 
EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE ORIENTAL 
 
 
1. ÍNDIA 
 
 Na Índia dominada pelas castas sociais, ligadas ao bramanismo e ao budismo, a 
educação era desenvolvida seguindo essas castas que apresentavam a seguinte ordem de 
importância: 
- brâmanes: casta dos sacerdotes. Privilegiava-se a educação dos brâmanes, que 
eram educados a partir dos oito anos de idade, por mestres pertencentes a esta casta, e 
aprendiam textos sagrados, os Vedas, considerados como a fonte que alimentava o espírito 
do hindu. 
- xátrias: casta dos militares ou nobres guerreiros. Acontecia comumente no 
âmbito familiar. 
- vaixás: casta dos grandes agricultores e comerciantes 
- sudras: casta dos operários e camponeses, não recebiam educação. 
Os párias, que não pertencem a nenhuma casta e, não tendo origem divina, são 
intocáveis e miseráveis. 
O Budismo tem como objetivo principal libertar o homem do sofrimento, causado 
pelo desejo e o apego as coisas transitórias. Libertando-se, o homem atingirá total 
iluminação, ou seja, o nirvana, que significa para o budismo: a ausência absoluta de 
sofrimento, é a eterna paz e a realização total da sabedoria que se consegue através da 
integração do homem com a realidade universal. (COTRIM, 1986, p. 64) 
 
2. CHINA 
 
 Era conservadora, voltada para a transmissão das experiências acumuladas pelos 
ancestrais. O objetivo da educação, nessa época, era preparar indivíduos para assessorar o 
Imperador nas suas funções administrativas e desenvolver nele não o poder da criação, mas o 
poder da imitação. 
 Iniciava com a leitura do alfabeto chinês, aprendizagem da escrita. A fase superior 
memorizava-se os textos clássicos e desenvolvia a habilidade de interpreta-los e exalta-los. 
 
3. EGITO 
 
 Na astronomia destaca-se a substituição do antigo calendário lunar pelo solar e a 
divisão do ano em 3654 dias e do dia em 24 horas. Desenvolveram a aritimética e a 
geometria, a técnica da mumificação (anatomia). A cultura egípcia possui um forte caráter 
religioso. Desenvolveram um tipo especial de escrita, o hieróglifo era composto de sinais e 
quase sempre utilizada para fins religiosos. A educação formava escribas, funcionários 
administrativos e legais, médicos, engenheiros e arquitetos. A instrução superior acontecia na 
Casa da Vida, conhecida como depósito dos saberes. 
 A educação familiar, inicialmente, era da pela mãe e, após, pelo pai, além da 
educação que se fazia nas oficinas artesanais, destinadas a maioria da população (observar 
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 20 
para depois reproduzir o processo observado). A música e a ginástica eram apenas para a 
classe guerreira. 
 A educação era classista, articulada à escrita e desenvolvida de acordo com a classe 
social. 
 
4. FENÍCIOS E HEBREUS 
 
 Os Fenícios se destacaram no desenvolvimento do cálculo, escrita, navegação e 
conhecimentos técnicos. 
 O alfabeto fenício possibilitou a difusão da habilidade de escrever, até então 
privilégio de uma minoria. Esse alfabeto possuía 22 consoantes (sem as vogais) e, a partir 
dele, os gregos também organizaram o seu, assim como os europeus o fizeram. 
 A educação era coletiva, ministrada por três figuras-guias das comunidades, o 
bardo, o profeta e o sábio, tido como educadores de massa. 
 Na família, a autoridade paterna era central, o pai educava com severidade os 
filhos. A mulher tinha uma condição de subalternidade. 
 Os Hebreus superam a concepção politeísta, desenvolvem uma ética voltada para 
os valores individuais e preocupada com a interioridade moral. Valorizam o ofício e o 
reconhecimento do valor da educação manual. 
 
ALFABETO 
 
1 INTRODUÇÃO 
Alfabeto, palavra que, derivada da língua grega e constituída por alpha e beta, suas duas 
primeiras letras, designa uma série de sinais escritos, representantes de um ou mais sons 
que, combinados, formam todas as palavras de um idioma. 
Os alfabetossão diferentes dos silabários, pictogramas e ideogramas: em um silabário, cada 
sinal representa uma sílaba. No sistema pictográfico, os objetos são representados por meio 
de desenhos. Nos ideogramas, os pictogramas são combinados para representar o que não 
pode ser desenhado. 
Os primeiros sistemas de escrita foram a escrita cuneiforme dos babilônios e assírios, a 
escrita hieroglífica dos egípcios, os símbolos da escrita chinesa e japonesa e os pictogramas 
dos maias. 
 
2 ALFABETO DO SEMÍTICO SETENTRIONAL 
É o primeiro alfabeto de que se tem notícia e surgiu, entre 1700 e 1500 a.C., na região que 
hoje corresponde à Síria e à Palestina. O alfabeto semítico possui apenas 22 consoantes. Os 
alfabetos hebraico, árabe e fenício se basearam neste modelo. A escrita é realizada da direita 
para a esquerda. 
 
3 ALFABETOS GREGO E ROMANO 
Entre os anos 1000 e 900 a.C., os gregos adotaram a variante fenícia do alfabeto semítico. 
Depois do ano 500 a.C., o grego se difundiu por todo o mundo mediterrâneo e dele surgiram 
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 21 
outras escritas, entre elas, a etrusca e a romana. Em conseqüência das conquistas romanas e 
da difusão do latim, este alfabeto se tornou a base de todas as línguas européias ocidentais. 
 
4 ALFABETO CIRÍLICO 
Por volta do ano 860 d.C., os religiosos gregos, que viviam em Constantinopla, evangelizaram 
os eslavos e idealizaram um sistema de escrita conhecido como alfabeto cirílico. Suas 
variantes são as escritas russa, ucraniana, sérvia e búlgara. 
 
5 ALFABETO ÁRABE 
Também tem sua origem no semítico e, possivelmente, surgiu no século IV de nossa era. Foi 
utilizado nas línguas persa e urdu. É a escrita do mundo islâmico. 
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 22 
EDUCAÇÃO E SOCIEDADE NA ANTIGA GRÉCIA 
 
 
FONTE: http://uliani.marques.zip.net/arch2007-06-03_2007-06-09.html 
 
1. A educação na Grécia Antiga 
 
1.1 Educação heroica: 
 
 A educação na Grécia Antiga, época de Homero, era aristocrática, baseava-se nos 
feitos bélicos. Os nobres guerreiros tinham bastante destaque, alcançando em dignidade a 
própria realeza. Eram preparados para formar conselhos, onde se debatiam a paz, a guerra e 
outros assuntos referentes aos interesses do grupo. Os jovens nobres acompanhavam um 
mestre, também nobre, como pagem ou familiar seu. O ideal da educação grega daquele 
tempo estava em consonância com as aspirações da sociedade aristocrática. Os tempos eram 
heróicos e guerreiros e a educação tinha o mesmo caráter. Era cavalheiresca ou heróica, 
tinham como fundamento o conceito de honra, valor, espírito de luta, sacrifício, etc. A Aretê 
significava o grau maior do ideal nobre e uma refinada conduta palaciana. Toda educação 
era desenvolvida com vista a Aretê. 
 Além de formar heróis cavalheiros, a educação pregava o individualismo, a 
competição, o ideal de ser o primeiro, ser o melhor entre os melhores. Para muitos 
estudiosos do assunto, ali estavam as raízes do capitalismo. Os estudos eram divididos em 
duas partes essenciais: em primeiro lugar, o educando teria que aprender a manejar armas, 
praticar jogos, esportes e tudo o que pudesse aprimora-lo fisicamente; em segundo lugar, 
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 23 
mas ao mesmo tempo, ensinavam-lhe músicas, danças, oratória, cortesia, boas maneiras, 
astúcia etc. Não existiam escolas, como hoje, nos tempo homéricos; a educação era recebida 
nos palácios ou castelos dos nobres, quando o estudante ingressava na condição de 
escudeiro. Havia, também, pessoas que trabalhavam como preceptoras e acompanhavam o 
educando nas guerras e viagens. A educação da mulher, nessa época, era pouco cuidada, 
limitando-se aos afazeres domésticos. 
 
 
1.2 A educação espartana 
 
Esparta ficou na história, como pátria 
de um povo rude, inculto e militarizado. O 
objetivo da educação era formar soldados 
fortes para manter submetidos os outros povos 
conquistados. O ideal de estado era o coletivo, 
ao qual tudo se subordinava, desenvolvendo 
linhas de infantaria de combate. Era um 
sistema totalitário, próximo das ditaduras 
modernas, reduzindo o individualismo a ser 
quase inoperante. 
O ideal da Aretê dos tempos 
homéricos deu lugar ao heroísmo e amor à 
pátria, de maneira exacerbada. Devido à 
preparação para ser soldado da pátria, os 
espartanos não tiveram grandes participações 
nos jogos olímpicos e a prática de danças foi 
prejudicada. 
Quando nascia uma criança, se não 
fosse robusta seria sacrificada. O menino não 
seria um soldado forte e a menina não procriaria soldados fortes. O menino robusto ficava 
até os sete anos de idade com a família e depois era entregue ao Estado, onde permanecia 
até os vinte anos. Durante esses 13 anos, praticava todos os tipos de exercícios, com o 
objetivo de ser um bom militar. Nessa época, não havia escolas, o aprendizado era feito em 
acampamentos militares e, em certos momentos, o educando praticava a guerra, matando 
escravos. Segundo Plutarco, sobre as letras, os espartanos só aprendiam o indispensável. 
Acampados tinham que passar por provas difíceis, açoites, fome, frio, descalços, cabelos 
raspados, dormindo coletivamente em filas e, até os doze anos não usavam roupas. Eram 
obrigados a roubar para se alimentar, mas quem fosse surpreendido receberia fortes castigos 
físicos. A menina era educada pela mãe, mas praticava alguns exercícios físicos, lutava e 
arremessava discos, manejava arco, porém com toda a preocupação de não prejudicar a 
beleza feminina. 
 
 
 
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 24 
1.3 A educação ateniense 
 
Atenas desenvolveu-se culturalmente após a educação cavalheiresca de Homero. 
Enquanto Esparta evoluiu para o militarismo, Atenas chegou a um estágio superior, político e 
democrático. Os homens vivam na polis, enquanto, em Esparta, viviam em acampamentos 
militares. A preocupação era com a educação cívica, espiritual e política da juventude. 
 Os meninos em Atenas ficavam até os sete anos de idade com a família; daí 
começava a formação com ginásticas, músicas, jogos, etc. A educação musical incluía poesia; 
o educando passava a freqüentar os ginásios e um mestre elementar, chamado Didaskalo, 
dava toda a orientação necessária; em seguida, aprendia-se gramática e retórica, com um 
mestre chamado Grammatikos e, depois, recebiam os ensinamentos do pedagogo, que 
acompanhava e corrigia a conduta de cada educando. 
 
 
As orientações sobre a educação ateniense se reuniam na Paidéia, onde o ideal 
educativo diretamente se fixava em função da Cidade-Estado. O cultivo do corpo, moral, 
poesia, canto, instrumentos musicais, estética, etc., tudo estava subordinado ao espírito 
cívico e democrático. Aos 18 anos de idade, o jovem entrava para o serviço militar, a efebia, 
até receber espada e escudo. O trabalho braçal era reservado para os escravos e não 
cidadãos. Os estudantes aprendiam a respeitar os deuses, fazer apologia aos heróis e 
antepassados. 
 Conforme foram acontecendo as transformações sociais e políticas, a educação 
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 25 
também mudava para acompanhar o contexto; apareceram os sofistas, professores que 
cobravam pelos serviços e preparavam os jovens, principalmente, para a oratória política. 
 Com o desenvolvimento do quinto século antes de Cristo, o ideal de sociedade 
passou de agrícola aristocrática para comercial marítima. Nessa época, houve grandes 
avanços, instituíram comunidades ou fundações de cultura superior como a Academia de 
Platão, Liceu de Aristóteles e Escola de Isócrates. 
 Com as lutas entre as cidades,houve o enfraquecimento geral da Grécia, que 
acabou dominada pela Macedônia. Naquele momento, a educação grega passou a ser 
helenística e tentou a ser pública, municipal. Apenas a formação de efebos continuava com o 
Poder Central. O pedagogo continuava em evidência, era quase sempre um escravo letrado e 
portador de muito conhecimento. Os métodos de ensino se baseavam na memorização, com 
dura disciplina e pesados castigos físicos. Formaram-se grandes centros educacionais nos 
locais conquistados, nasceu a preocupação com as ciências, além da filosofia. Surgiram o 
Trivium (gramática, retórica e filosofia) e Quadrivium (aritimética, música, geometria e 
atronomia), chamados posteriormente, de Sete Artes Liberais, ganhando o mundo e 
perdurando por muitos séculos. 
 A cultura helenística foi uma mescla da grega com a cultura oriental dos países 
conquistados por Alexandre Magno. 
 Apesar das mudanças políticas, a pedagogia continuou na Grécia Antiga, como uma 
teoria da educação; os principais representantes foram os sofistas Sócrates, Platão, 
Aristóteles e Isócrates. As características principais eram a transparência e a clareza sobre os 
assuntos enfocados. As ideias pedagógicas estavam inseridas nos sistemas filosóficos e estes 
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 26 
nos ideais políticos. 
 Os sofistas, oradores excelentes, que ensinavam, principalmente, a eloqüência 
política, preparavam os jovens para ávida pública, são considerados os fundadores do 
subjetivismo educativo, da educação individualizada e intelectualismo. 
 
1.4 Sócrates e seus princípios 
 
Se os sofistas foram considerados grandes professores, Sócrates 
é o grande educador da época. Nasceu em 469 e morreu em 399 aC. 
Dedicou sua vida inteira aos aspectos cívicos, intelectuais, políticos e, 
principalmente, à virtude do educando. Utilizava Maiêutica e Ironia como 
métodos pedagógicos; fazia perguntas às pessoas e, através da ironia, 
direcionava as respostas, ou seja, cada um chegava à sua própria resposta. 
Platão, fazendo apologia de Sócrates, disse que este recomendava aos 
amigos para ter bastante preocupação com a educação pela virtude e menos com a riqueza. 
Xenofonte dissera que Sócrates era quem mais tinha cuidado com a virtude, piedoso, dava 
conselhos, era justo, que sua educação se baseava na troca de ideias e acreditava que Aretê 
aristocrático pudesse ser de todas as pessoas. 
 Havia grande preocupação com a ética, moral, virtude, verdade, conhecimento 
comunicável, etc. O fim último não era o Estado e sim a virtude. O diálogo socrático era 
considerado um dos primeiros aspectos do método indutivo, parte das ideias particulares 
para chegar a uma conclusão geral, expressando definições; aceito, também, como início da 
Dialética e, por esses motivos responsáveis pelo começo do ensino dinâmico. Para muitos 
estudiosos do assunto, Sócrates foi o primeiro humanista da cultura Ocidental. Existiam 
acusações sobre alguns ângulos do trabalho do grande mestre; críticas dizendo que ele não 
se preocupava com o ensino religioso, nem com a cultura helenística, porém reconhecem 
que desenvolveu uma pedagogia intelectualista, dialógica, dialética e indutiva, seduzindo-nos 
ainda hoje. 
 
1.5 Educação platônica 
 
Platão nasceu em 427 e morreu em 347 aC. Era de família nobre, foi 
discípulo de Sócrates, considerado fundador da pedagogia, chegou a ser 
escravo, depois, liberado; fundou sua célebre Academia de Atenas, 
organizando a investigação sistemática, realizando estudos superiores, 
de caráter político e filosófico; entre seus alunos, deixou Aristóteles e 
escreveu duas grandes obras: A República e As Leis. 
 Sua pedagogia idealista, mas com fundamentos na realidade. 
Preocupado com os destinos de Grécia Antiga, pensou em uma educação a serviço do Estado 
e um Estado a serviço da educação. Refutava a idéia do Estado sem educação e educação 
sem Estado. Para ele, o Estado era o indivíduo em tamanho grande, coletivo. Acreditava que 
a pessoa estava constituída em três grandes pontos: 
 Os instintos, de caráter biológico e irracional; 
 O valor ou desejo de combatividade; e 
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 27 
 O racional ou espiritual. 
Esses três pontos ou porções correspondem a três grupos sociais do Estado: dos 
instintos: os produtores ou trabalhadores; dos valores: guerreiros; racional: guardiãs e 
governantes. Cada deveria ter um tipo diferente de educação, os primeiros estudariam até os 
10 anos de idade, os segundos até os 20 anos e os terceiros, sempre; seriam os governantes. 
A educação para Platão começava antes do nascimento, com a regulamentação dos 
matrimônios. Acreditava que, na primeira infância, deveriam predominar os jogos e o lúdico. 
Aos 7 anos, com os exercícios físicos, músicas e, aos poucos, introduziram a literatura, até os 
18 anos, quando começava a efebia, preparação para o cumprimento cívico e militar. Dentre 
os melhores desse grupo, seriam escolhidos os governantes, cuja educação devesse 
prolongar até aos 50 anos de idade ou por toda a vida. Pensava em educação autêntica para 
homens e mulheres, mas separados. Na obra As Leis desejava que a educação dos 10 aos 13 
anos devesse dar ênfase aos estudos das letras, mais 3 anos devesse dar lira. Depois, mais 
dois cursos de 3 anos cada um. Primeiro, um curso de Geometria, Astronomia e Aritmética, 
depois Dialética ou Filosofia. Pedia que fosse organizada inspeção; acreditava nos talentos 
individuais; educação no Estado justo, diferenciado de acordo com a posição da pessoa nas 
camadas sociais. 
A crítica, hoje, bate bastante forte nas ideias platônicas de educação diferenciada e, 
para alguns, aí nasceram os princípios do inatismo, muito refutado hoje. 
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1.6 A educação aristotélica: 
 
Aristóteles nasceu em 384 e morreu em 322 aC. Ingressou 
na Academia de Platão aos 18 anos de idade, permaneceu por 20 
anos e, depois da morte do mestre, encarregou-se da educação de 
Alexandre Magno, da Macedônia. Retornou à Grécia e fundou o Liceu. 
Como professor de Alexandre, utilizou princípios da educação heróica 
de Homero, não se esquecendo das ciências, ética e política, durante 
os 4 anos em que durou o aprendizado. 
Sua academia, em Atenas, era um centro de educação e 
investigação; durante a parte da manhã, havia grupos de estudos e 
pesquisas e, na parte da tarde, o tempo era dedicado à realização de 
conferências sobre temas de filosofia e política. 
Acreditava que a finalidade da educação fosse o bem moral, no que consistia a 
felicidade e realização humana na plenitude. Pregava a prática do bem e não apenas 
conhece-lo, nesse sentido, era realista. Dizia que três coisas podiam fazer o homem bom. A 
natureza, que nos é dada, mas pode ser modificada pelo hábito, que seria a segunda e, pela 
razão que seria a terceira. Todas devem estar em harmonia, dando mais ênfase a razão. 
Essas três coisas correspondem a três momentos da educação: a educação física, a do caráter 
e a intelectual. Deve-se tratar do corpo antes de pensar na alma; depois do corpo, é preciso 
pensar no instinto, se bem que em definitivo não se forme o instinto senão para servir a 
inteligência, nem se forme o corpo senão para servir a alma. (Aristóteles, 1980). 
Aristóteles reconhecia que a família devesse ocupar o primeiro lugar sempre que se 
falasse em educação, acreditava ser função do Estado; que, quando este se descuidasse da 
educação, o resultado seria sempre funesto. Pregava uma educação idêntica para todos os 
cidadãos; defendia que, até os cinco anos de idade, a educação estivesse a cargo da família, 
que versaria às regras de higiene e bons costumes. As lições devem começar dos cinco aos 
sete anos, continuar até a puberdade e chegaraté os vinte e um anos. Até a adolescência, os 
exercícios não devem ser pesados, depois sim; a música influencia a moral e leva ao prazer. 
Pensava que, para completar a boa educação, seria necessário desenvolver o conhecimento 
das letras e desenho. 
Sabemos, também, que, no Liceu, dava-se ênfase à Matemática e ciências naturais. 
Foi o fundador da Lógica Formal, mas, em aula, usa o método indutivo. 
Encontramos, em seu livro A Política, suas principais ideias sobre a educação. 
 
 
Exercícios: 
1 Compare a educação pratica em Esparta com a educação praticada em Atenas. 
2 Relacione as áreas de conhecimento que a Grécia levou à Civilização Ocidental. 
3 Enumere os princípios defendidos pela educação ateniense durante o chamado 
Século do Ouro. 
4 Compare as ideais educacionais de Sócrates, Platão e Aristóteles. 
5 Em sua opinião, quais princípios educacionais procedentes da Grécia Antiga ainda 
estão em uso, neste início de século? 
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6 ANOTAÇÕES: 
7 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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EDUCAÇÃO E SOCIEDADE NA ROMA ANTIGA 
 
 
 
FONTE: http://dic.academic.ru/dic.nsf/ruwiki/56152 
 
 
Roma foi imperialista, impôs seu domínio, conquistou Alba Longa, os volscos, écuos, 
veios, galos, sannitas, épiros, cartagineses, macedônios, sírios, egípcios, ibéricos, gauleses, 
gregos, etc. 
Hoje, a Itália tem um território de 301.245 Km² e uma população de 
aproximadamente 58 milhões de pessoas. 
 
1. A educação e a cultura em Roma 
 
 As características da cultura romana diferiam em muito, inicialmente, da cultura 
grega. Os romanos eram pragmáticos, imperialistas, conquistadores, guerreiros, etc. 
Considerando que a educação estava inserida no contexto cultural, social e político, podemos 
expor sucintamente os princípios da educação e cultura, no início da história de Roma. 
 Valorizavam, no ser humano, a ação, a vontade e o esforço sobre a reflexão. 
 No campo político, a ênfase era dada na participação no poder, administração 
e manutenção dos territórios conquistados. 
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 31 
 Socialmente, as bases estavam assentadas na família, com finalidade maior, no 
Estado. 
 No desenvolvimento cultural, a preocupação era com a criação de leis e 
normas, mas pouco interesse com a pesquisa e com a filosofia que pudesse 
fornecer as bases epistemológicas. 
 No campo educacional, a ênfase era dada na formação de hábitos, exercícios 
para a guerra, atitude realista, mas sem grandes reflexões intelectuais dos 
gregos. Toda a educação estava direcionada à prática. 
 No campo psicológico, enfatizavam o individual, preparando a pessoa para 
ocupar seu espaço no coletivo, no Estado. 
 O pai tinha suprema autoridade e era responsável pela educação inicial do 
futuro romano. A mãe, em muitos casos, também tinha papel expressivo. 
 O sistema de educação criado em Roma era exportado para as áreas 
conquistadas. 
 O Estado era o parâmetro a ser atingido, tudo se subordinava a ele, os meios 
eram seguidos para se atingir essa finalidade. A idéia de Roma, como cidade 
eterna, se fazia presente, culturalmente, desde o início da formação 
educacional. 
 A cultura geral tinha importância à medida que facilitava a manutenção do 
pragmatismo. 
 Pensavam formar um homem honrado, portador de coragem e virtudes. 
 
2. Evolução da educação em Roma 
 
 Pouco sabemos sobre a educação na época da Monarquia Romana, embora a 
sociedade já estivesse dividida em dois principais grupos, patrícios e plebeus. Sabe-se que, 
inicialmente, a educação era informal, como em outros povos antigos, mas, com o 
desenvolvimento e a maior complexidade da sociedade, tornou-se formal, sistematizada, 
começava na família e continuada por mestres encarregados de preparar os mais jovens para 
a vida adulta, conquista e administração. 
 Com o advento da República Romana, em 509 aC., o pai tornou-se o todo poderoso 
da família, exercendo toda autoridade. O pai, o pater famílias, exercia a pátria potestas, ou 
seja, a máxima autoridade. 
 Até os sete anos aproximadamente, a mãe se encarregava da educação dos filhos e 
em muitos casos, existiam outras mulheres, familiares ou não, para ajudar nesse intento. 
 Plutarco dizia que, aos sete anos, o menino passava aos cuidados do pai, 
aprendendo as primeiras letras, contar, etc. Em muitos casos, um escravo ajudava nessa 
tarefa de alfabetizar. Começava-se a entender, também, as leis, usar o arco, praticar 
ginástica, andar a cavalo, nadar, suportar a dor, frio e calor excessivo. 
 Os filhos acompanhavam os afazeres dos pais, no Senado, nos tribunais, 
começando por entender os parâmetros da vida civil. Fazia as vezes de escudeiros, 
participando de festas, etc. As meninas ficavam aos cuidados das mães, onde aprendiam os 
trabalhos domésticos e alguns conhecimentos elementares. 
 Aproximadamente, aos 17 anos de idade, o jovem podia receber a toga viril, 
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 32 
abandonando a toga pretexta. Naquele momento, tornara-se um soldado do exército e podia 
participar da vida pública. Documentos comprovam, que nessa fase, a educação poderia se 
dar com o jovem acompanhando um político hábil, para ganhar experiência; era uma espécie 
de estágio, que chegava a durar anos. Durante a República, a preocupação era com a 
educação voltada para a ação, para a vida e com a vida; o conhecimento das traições, dos 
heróis criava um tipo de consciência nacional e temor cívico. Não se dava atenção à poesia, 
ao belo como os gregos, nem à pesquisa desinteressada e à formação intelectual. 
 
3. As influências da educação grega 
 
 Com a conquista da Grécia, no segundo século antes de Cristo, os gregos tornaram-
se escravos dos romanos e grandes modificações foram provocadas na cultura e 
conseqüentemente na educação. Luzuriaga fala que, com a conquista da Grécia, Roma sofreu 
uma grande invasão da cultura helênica e essa complexidade foi, até certo ponto, bem aceita 
devido às necessidades políticas e administrativas do Estado. 
 Horácio disse: que a Grécia vencida conquistou o rude vencedor e levou a 
civilização ao Bárbaro Letium. 
 A educação anterior do tipo familial e patriarcal sofreu 
muitas transformações. Os mais ricos tinham mestres gregos 
imigrados ou escravos de guerra, como preceptores de seus 
filhos. Nessa época, apareceram as primeiras escolas, 
ainda particulares; ensinava não só o latim, mas 
também o grego. O elementar passou a ser dividido 
em elementar, médio e superior. O elementar ou ludi 
magister recebia aluno com sete anos ou mais de idade, 
ministrava um programa de leitura, escrita, cálculo e algumas canções com disciplina rígida e 
muito castigo físico. Meninas e meninos tinham acesso ao conhecimento, mas estudavam 
separados. 
 A escola média ou secundária, chamada de escola dos grammaticus, recebia 
pessoas dos 12 aos 16 anos de idade. Estudavam gramática latina, grega, os clássicos de 
Homero, retórica, oratória, matemática, estudos jurídicos e pouca música, ao contrário da 
antiga educação grega. 
 No terceiro grau ou superior ou ainda escola do retor ensinava-se a antiga 
educação grega. 
 Muitos romanos protestaram com a excessiva influência grega na educação. Catão, 
o Antigo, apresentou protestos e o Senado Romano chegou a ponto de expulsar alguns 
grandes mestres dedicados ao ensino em Roma. Apesar da resistência, a cultura romana 
assimilou a grega e chegou a alcançar grande esplendor e maturidade. O novo espírito da 
educação seria resumido na palavra humanistas, que corresponderia à paidéia grega. O 
espírito da cultura romana antiga pouco sobreviveu, predominando oespírito mais liberal 
inserido na cultura do Estado. 
 
4. A educação no Império Romano 
 
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 33 
 Com a criação do Império Romano em 27 aC., a educação sempre inserida no 
contexto, também mudou. Deixou de ser assunto particular e converteu-se em educação 
pública. Foram fundadas escolas municipais e o Estado fazia a inspeção, sendo seu legislador 
e, em última instância, diretor. Concedeu direito de cidadania aos mestres, ficando os 
professores dispensados de pagar impostos; foram criadas cadeiras oficiais de retórica e uma 
delas foi ocupada pelo Quintilhano, um dos maiores intelectuais e pedagogo da época. Com o 
tempo também se criaram cadeiras de filosofia e bolsas para estudantes necessitados. As 
escolas públicas se espalharam pelas terras conquistadas, cada vez mais preparando 
funcionários à administração romana. 
 A organização do ensino em três níveis continuou, só que agora com um sentido 
maior de imperialismo. A idéia básica era universalizar a cultura romana, incluindo língua e 
direito. A escola tornou-se instrumento da romanização. 
 A educação romana não teve grandes teóricos, como os gregos Sócrates, Platão e 
Aristóteles, mas os seus estavam embebidos dos idealismo pragmático, da idéia de exportar a 
cultura romana para todo o universo dominado e conhecido. O ideal seria formar o homem 
bom na palavra, com espírito conservador, valorizando o modo de vida romano, opondo-se à 
corrente intelectualista helênica. Nesse tempo, os grandes vultos romanos foram grandes 
oradores, como Catão, o Antigo, Marco Terêncio Varrão, Marco Túlio Cícero, Lúcio Sêneca, 
Plutarco, Quintilhano, etc., muitos deles se dedicaram a Pedagogia. Quintilhano foi o maiorde 
todos, escreveu 12 livros sobre pedagogia. Luzuriaga, 1978, sintetizou a pedagogia de 
Quintilhano, como sendo direcionada ao estudo psicológico do aluno, acentuando o valor 
humanístico e espiritual da educação, finura em matéria de ensino das letras, 
reconhecimento do valor da pessoa do educador, iniciador da pesquisa psicológica e o 
primeiro que se conheceu na história romana a valorizar o trabalho educativo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 34 
 
 
Exercícios: 
 
1. Compare a educação romana com a grega, segundo os princípios relacionados no texto. 
2. Qual era o ideal de homem na Roma Antiga? Explique-os, durante os períodos 
Monárquico, Republicano e Império. 
3. Analise as transformações ocorridas em Roma com o ingresso da cultura grega. 
4. O que você entende por educação pragmática? 
5. Por que os romanos pouco se interessavam pela filosofia? 
6. Reflita em grupo sobre a importância da cultura romana para a nossa Civilização 
Ocidental. 
 
REFERENCIAL TEÓRICO 
 
ARANHA, Maria Lúcia A. História da Educação. São Paulo: Moderna, 1989. 
FRANCISCO FILHO, Geraldo. História Geral da Educação. Campinas: Ed. Alínea, 2003. 
MONROE, Paul. História da Educação. São Paulo: Ed. Nacional, 1985. 
PILETTI, Claudino; PILETTI, Nelson. Filosofia e História da Educação. São Paulo: Ática, 1988. 
 
ANOTAÇÕES: 
 
 
 
 
 
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PLANO DE TRABALHO DOCENTE DO 2º TRIMESTRE – 2016 
 
 
1. Apresentação da disciplina 
 
O Renascimento começou na Itália, no século XIV, e difundiu-se por toda a Europa, 
durante os séculos XV e XVI. Foi um período da história europeia marcado por um renovado 
interesse pelo passado greco-romano clássico, especialmente pela sua arte. 
Para se lançar ao conhecimento do mundo e às coisas do homem, o movimento renascentista 
elegia a razão como a principal forma pela qual o conhecimento seria alcançado. 
O renascimento deu grande privilégio à matemática e às ciências da natureza. A exatidão 
do cálculo chegou até mesmo a influenciar o projeto estético dos artistas desse período. 
Desenvolvendo novas técnicas de proporção e perspectiva, a pintura e a escultura 
renascentista pretendiam se aproximar ao máximo da realidade. Em consequência disso, a 
riqueza de detalhes e a reprodução fiel do corpo humano formavam alguns dos elementos 
correntes nas obras do Renascimento. 
O Humanismo* representou tendência semelhante no campo da ciência. O 
renascimento confrontou importantes conceitos elaborados pelo pensamento medieval. No 
campo da astronomia, a teoria heliocêntrica, onde o Sol ocupa o centro do Universo, se 
contrapunha à antiga ideia cristã que defendia que a Terra se encontrava no centro do 
cosmos. Novos estudos de anatomia também ampliaram as noções do saber médico dessa 
época. 
Os humanistas eram homens letrados profissionais, normalmente provenientes da 
burguesia ou do clero que, por meio de suas obras, exerceram grande influência sobre toda a 
sociedade; rejeitavam os valores e a maneira de ser da Idade Média e foram responsáveis por 
conduzir modificações nos métodos de ensino, desenvolvendo a análise e a crítica na 
investigação científica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: http://www.oresumodamoda.com/2010/07/idade-contemporanea-sec-xlx-era.html 
 
2. CONTEÚDOS ESTRUTURANTES E SEUS DESDOBRAMENTOS 
http://www.oresumodamoda.com/2010/07/idade-contemporanea-sec-xlx-era.html
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1. 
Renascimento e 
Educação 
Humanística 
1.1 Contexto 
Histórico da 
Educação 
Renascentista: 
Pensamento 
Pedagógico 
Renascentista; 
1.2 A Reforma 
Protestante e a 
Contrarreforma 
 
Os 
Fundamentos 
Históricos da 
Educação, 
enquanto 
campo de 
conhecimento 
que investiga 
no tempo e no 
espaço os 
fenômenos 
sociais serve de 
apoio à 
compreensão 
da educação na 
contemporanei
dade. Nesse 
sentido, a 
disciplina 
deverá ser 
conduzida com 
problematizaçõ
es, para não 
ocorrer o 
reducionismo 
dos conteúdos. 
Os estudantes 
mediados pelo 
docente 
perceberão que 
as explicações 
do senso 
comum não dão 
conta da visão 
de totalidade 
dos fenômenos. 
Os conteúdos 
curriculares 
serão 
trabalhados por 
meio de leituras 
orientadas, 
aulas 
expositivo-
dialogadas, 
utilização de 
cine-fórum, 
leitura 
contextualizada 
de textos, 
livros, filmes e 
documentários, 
análise de 
situações 
problema, 
relato de 
experiências 
que possam 
contribuir para 
a análise e 
reflexão sobre 
os conteúdos 
curriculares. 
Pesquisa em 
grupos 
Data:___/___
/16 
Apresentação 
de trabalhos 
Data:___/___
/16 
 
Prova escrita¹ 
1,5 
 
1,5 
Identifica por meio 
de documentos 
históricos as 
características que 
diferenciam as 
correntes filosóficas 
e educacionais da 
Idade Média. 
Compreende os 
ideais do 
Pensamento 
Pedagógico 
Renascentista . 
Confronta por meio 
de documentos e 
referências a 
importância destes 
períodos históricos 
para a 
transformação da 
sociedade da época. 
 
1.3 História da 
Educação 
Brasileira 
1.3.1 Período 
Colonial: A 
educação 
jesuítica e as 
reformas 
pombalinas. 
1.3.2 A 
Sociedade da 
Companhia de 
Jesus e o “Ratio 
Studiorum”. 
Prova escrita¹ 
Data:___/___
/16 
 
4,0 Estabelece leitura 
crítica dos 
documentos e 
demais referências 
relacionadas ao 
Período Colonial da 
Educação Brasileira. 
 
2. Educação 
Moderna. 
2.1 A educação 
realista do 
Século XVI, 
Seminário 
Data:___/___
/16 
 
3,0 Reconhece os 
conceitos 
fundamentais 
necessários para a 
leitura crítica dos 
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 37 
Comenius e o 
Método 
Moderno de 
Ensinar. 
2.2 O 
Racionalismo 
de Descartes e 
o Empirismo de 
John Locke. 
2.3 O Século 
XVIII: O 
Iluminismo e 
suas relações 
com a 
educação: 
Rousseau e o 
Naturalismo 
Pedagógico. 
processos históricos 
elencados na 
História da 
Educação Moderna. 
 
 
FONTE: https://www.epochtimes.com.br/curiosidades-genial-leonardo-da-vinci-parte-1/ 
 
 
 
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 38 
7. RECUPERAÇÃO: 
 
 Em todas as atividades realizadas para avaliar a aprendizagem dos estudantes serão 
oportunizadas a recuperação da aprendizagem, logo após o professor comunicar a nota para 
o estudante, devendo este entrega-las somente no prazo estipulado. A recuperação é 
individual e em função das temáticas não apropriadas pelo estudante. Esta atividade é 
opcional para o estudante. 
 
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
 
AIRÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981. 
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia. 3 ed. São Paulo: 
Moderna, 2006. 
FRANCISCO FILHO, Geraldo. A Educação Brasileira no contexto histórico. Campinas: Ed. 
Alínea, 2001. 
_____. História Geral da Educação. Campinas: Ed. Alínea, 2003. 
GADOTTI, Moacir. História das ideias pedagógicas. 8 ed. São Paulo: Ática, 2004. 
GHIRALDELLI JÚNIOR, Paulo. História da educação brasileira. São Paulo: Cortez, 2005. 
_____. História da educação. São Paulo: Cortez, 1990. 
HOBSBAWN, Eric. Sobre história. São Paulo: Companhia das letras, 1998. 
LARROYO, Francisco. História geral da pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1982. 
LUZURIAGA, Lorenzo. História da educação e da pedagogia. 12 ed. São Paulo: Nacional, 1980. 
PAIXÃO, Priscilla Campiolo Manesco. Metodologia do Ensino de História. Maringá: 
CESUMAR, 2012. 
RIBEIRO, Maria Luisa Santos Ribeiro. História da Educação Brasileira: a organização escolar. 
Campinas: Cortez, 2010. 
ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da Educação no Brasil (1930/1973). 29 ed. 
Petrópolis: Vozes, 2005. 
SAVIANI, Demerval. História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 
2010. 
SAVIANI, Dermeval; LOMBARDI, José Claudinei; SANFELICE, José Luís. História e História da 
Educação. Campinas: Autores associados, 2010. 
VEIGA, Cynthia Greive. História da Educação. São Paulo: Ática, 2007. 
ZUCCHI, Bianca. O ensino de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental: teoria, 
conceitos e uso de fonte. São Paulo: Ed. SM, 2012. 
 
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 39 
CURIOSIDADES 
 
Naquele tempo, a maioria das 
pessoas casavam-se no mês de 
Junho (início do verão), porque, 
como tomavam o primeiro 
banho do ano em Maio, em 
Junho,o cheiro ainda estava 
mais ou menos... (mais para 
menos.......- argh!) 
Entretanto, como já 
começavam a exalar alguns 
"odores", as noivas tinham o 
costume de carregar bouquets 
de flores junto ao corpo, para 
disfarçar. Daí 
temos em maio o "mês das 
noivas" e a origem do bouquet. 
Os telhados das casas não 
tinham forro e as madeiras que 
os sustentavam eram 
o melhor lugar para os animais 
se aquecerem - cães, gatos e 
outros animais 
de pequeno porte como ratos e 
besouros. Quando chovia, 
começavam as goteiras os 
animais pulavam para o chão. 
Assim, a nossa expressão "está 
a chover a cântaros" tem o seu 
equivalente em inglês em "it's 
raining cats and dogs". 
 
O HOMEM IDEAL NA IDADE MÉDIA 
 
1. O homem de fé 
 
 A cultura medieval foi uma síntese dos 
elementos greco-romanos e também germânicos, 
alterados segundas novas experiências. Embora 
haja o predomínio muito forte do sentimento 
religioso, a cultura medieval é também marcada 
pelo naturalismo representado pela literatura 
fantasiosa, lendas, mitos e canções populares. 
 O processo educativo do homem 
medieval está orientado para a imitação de Jesus 
Cristo, o fundador do Cristianismo, que levará o 
homem, através de seus ensinamentos, à 
perfeição divina. O saber é um instrumento que o 
cristão deverá usar para justificar a sua fé, as 
ciências e a filosofia para compreender as 
verdades da fé. 
 O longo período medieval, quase mil 
anos, se caracterizou pela passagem do 
escravismo para o feudalismo. O medo dos 
ataques bárbaros e das invasões mulçumanas 
acelerou o processo de ruralização, isto é, a volta 
para o campo. A consequência disso é que a 
sociedade passou a ser agrária, autossuficiente, 
artesanal e quase sem comércio, tornando-se 
através da relação suserano-vassalagem, uma 
sociedade aristocrática. 
 Numa época marcada por grandes 
diferenças, a religião se torna um elemento 
integrador, estreitando a relação entre a Igreja e o 
Estado. Como a cultura greco-romana é guardada 
nos mosteiros, a Igreja vai desempenhar forte 
influência sobre a moral, política e a educação. As 
escolas são fundadas perto dos mosteiros e das 
catedrais. Nessas escolas, os convertidos ao 
cristianismo passam por um período inicial de 
preparação na qual recebem instrução na doutrina 
cristã. Tais escolas são chamadas de 
catecumenatos. 
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 40 
Todos os padres constituídos para presidir as paróquias, seguindo o hábito que é 
oportunamente observado na Itália, acolham, nas próprias casas, leitores mais jovens e 
procurem, alimentando-os espiritualmente como bons pais, ensinar-lhes os salmos, 
acostuma-los ás divinas leituras e instruí-los na Lei do Senhor, de modo que possam 
providenciar bons sucessores para si mesmos e, assim, receber de Deus os prêmios eternos”. 
(CONCÍLIO DE VAISON apud CND, s.d., p. 249) 
 
2. Jesus, o educador: 
 
 Jesus é modelo perfeito do mestre cristão. 
Clemente de Alexandria denominou-o o Pedagogo da 
Humanidade, pois considerou que deu, por seu 
exemplo e ensino, os princípios eternos da educação 
e condutas humanas: Cristo como critério e norma de 
vida.´ 
 A condição de ser Jesus o Filho de Deus, o 
Verbo encarnado, o Mediador e Redentor, conferiu-
lhe a categoria de Mestre por excelência. Vós me 
chamais o Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o 
sou. 
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A Inglaterra é um país pequeno, e 
nunca houve espaço suficiente 
para enterrar todos os mortos. 
Então, os caixões eram abertos, os 
ossos retirados e encaminhados ao 
ossário e, o túmulo era utilizado 
para outro infeliz (Pessoal, isto é 
Reciclagem!!). Por vezes, ao abrir 
os caixões, percebiam que havia 
arranhões nas tampas, do lado de 
dentro, o que indicava que aquele 
morto, na verdade, tinha sido 
enterrado vivo. Assim, surgiu a 
ideia de, ao fechar os caixões, 
amarrar uma tira no pulso do 
defunto, tira essa que passava por 
um buraco no caixão e ficava 
presa a um sino. Após o enterro, 
alguém ficava de plantão ao lado 
do túmulo durante uns dias. Se o 
indivíduo acordasse, o movimento 
do braço faria o sino tocar. Assim, 
ele seria "saved by the bell", ou 
"salvo pelo gongo", como usamos 
hoje. Por isso, o "defunto" de 
então era previamente colocado 
sobre a mesa da cozinha (que 
linda ideia,não?!) por alguns dias 
(DIAS?!) e a família ficava em 
volta, em vigília, comendo, 
bebendo (na boa vida é o que é!) e 
esperando para ver se o morto 
acordava ou não. Daí surgiu a 
vigília do caixão ou velório, que em 
inglês se diz Wake, de "acordar". 
 
 Jesus amou com ternura as 
crianças. Exaltou sua dignidade, recordou, 
com insistência, o respeito que mereciam e 
lançou os mais terríveis anátemas6 a quantos 
por seus atos e palavras as pervertiam. Por 
outro lado, atraíaas crianças e olhava com 
profunda satisfação os jovens que se 
aproximavam dele em busca de uma 
orientação para a vida. 
 Jesus possuía todas as qualidades 
do educador consumado. Os recursos 
pedagógicos que empregou conduziam o 
educando com grata e profunda alegria à 
verdade essencial que Ele se propôs a 
ensinar. Por isso, pôde sacudir e despertar a 
consciência adormecida de seu povo 
afogado pela carga exorbitante da Lei 
mosaica e pela política imperialista da época. 
 Os ensinos de Jesus se adaptavam 
sempre ao auditório. Pronunciava suas 
palavras de modo que o ouvinte as 
compreendesse e nas ocasiões mais 
oportunas. Recorria, com freqüência, à 
imagem e à parábola, para tornar mais 
plásticas suas ideias. 
 A Pedagogia do Mestre foi, 
também, gradual. Jamais caiu em 
precipitações que pudessem malograr o bom 
êxito do aprendizado; lançava a semente e 
esperava que germinasse e frutificasse: 
Tenho, ainda, muitas coisas para vos dizer, 
mas vós, no momento, não estais ainda em 
condições de compreende-las. 
 Como todo genial educador, Jesus 
possuía, em alto grau, a arte de interrogar, 
de expor, de excitar o interesse dos 
discípulos. Seus colóquios decorriam sempre 
num ambiente de incomparável simpatia. 
Era digno, severo, paciente, segundo as 
circunstâncias e os interlocutores. 
 
Tornava sues ensinos claros e 
 
6 Reprovação enérgica 
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intuitivos. Forjava figuras literárias e buscava exemplos da vida quotidiana para esclarecer 
seu pensamento. Aperfeiçoou a parábola em sua forma e revestiu-a de um esplendor 
incomparável. 
 Seus ensinos possuíam um toque de autoridade. (Eu sou o caminho, a verdade, a 
vida... Todo poder me foi dado), embora os exercesse de modo suave, doce. Responde com 
bondade a seus contraditores de boa-fé; com energia, aos que tratam de confundi-lo. Este 
caráter de seu ensino significava uma ruptura com os velhos quadros da educação judia. Com 
efeito, nesta prevalecia a erudição, a citação oportuna. Jesus jamais citou uma autoridade 
superior a Ele, que não fosse a do Pai ou a Escritura Sagrada. 
 Orientou a conduta do indivíduo mediante a prática das virtudes teologais (fé, 
esperança e caridade) e as crenças sobrenaturais. Recorreu a oração (pedi e recebereis, 
buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á), ao prêmio (paz, glória e bem-aventurança eternas) e 
ao castigo (o inferno, onde haverá pranto e ranger de dentes). 
 A doutrina de Cristo teve as seguintes características: 
 Uso de parábolas para facilitar a comunicação com os discípulos7. 
 Valorização do amor ao próximo, da caridade, da justiça, da misericórdia. 
 Não apego aos bens materiais, mas exaltação dos valores espirituais. 
 Busca da grandeza interior, na prática da virtude. 
 Uma doutrina para todos os homens, independentemente da classe social, da 
cor, de sexo, raça, etc. 
 Por fim, como mestre perfeito, fortaleceu sua doutrina e autoridade com o 
exemplo. Quem dentre vós me convence a pecar? A afrontosa morte de que foi vítima tem 
sido a fonte da vida religiosa do Mundo Ocidental. 
 
 
A EDUCAÇÃO NA ALTA IDADE MÉDIA 
 
 
O Cristianismo começou a desenvolver-se durante os últimos séculos do Império 
Romano, tornando-se religião oficial em 313. Com as invasões dos bárbaros e a destruição 
das instituições romanas, a igreja foi-se afirmando e passou a desempenhar funções de 
destaque, inclusive, cristianizando os bárbaros. Os mosteiros, que ainda nessa época, 
desenvolviam uma educação cristã primitiva, tornaram-se centros únicos de educação e 
cultura. Entre as ordens religiosas, os beneditinos se espalharam por quase toda a Europa, 
sendo acompanhados, em menor escala, pelos cluniacenses, cistercienses8. 
 Nos mosteiros, os monges começavam os estudos aos 6 ou 7 anos de idade, como 
pueri oblati, chegando a estudar, nessa fase, até os 15 anos. Iniciavam com leitura, escrita, 
contar, trabalhos artísticos, agrícolas etc... Muitos deles se tornavam monges copistas, 
copiando textos sagrados. Com o passar dos anos, os textos clássicos foram introduzindo 
como leitura básica, mas, em determinados lugares e diferentes épocas, foram proibidos pela 
 
7 Parábolas são narrações simbólicas que eram utilizadas para exemplificar e fixar o conteúdo da 
doutrina. 
8 Monge da Ordem Cisterciense 
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 43 
própria igreja. Em alguns mosteiros, existiam aulas externas para pessoas que não estavam 
dispostas a seguir a vida religiosa. 
 Segundo Piletti, 1988, a igreja Cristã primitiva tinha como missão realizar uma 
reforma moral do mundo, iniciando com a educação de seus próprios membros. Alguns 
padres trabalhavam textos clássicos que, depois, foram considerados pagãos. Inicialmente, as 
pessoas admitidas como membros efetivos da igreja eram chamadas “catecúmenos” e as 
escolas que as ensinavam eram “catecumenatos”. Com as transformações, os bispos 
passaram a organizar a escolas e supervisioná-las, nascendo a preocupação de preparar bem 
os padres. Essas instituições passaram a se chamar “Escola das Catedrais”, porque utilizavam 
espaço de uma catedral. O autor fala, ainda, dos mosteiros, onde os estudos eram 
prioridades, seguindo regras rígidas. 
 Luzuriaga, 1978, também falava as escolas catedrais que tinham como principal 
função formar clérigos e ainda trabalhavam com o Trivium ( Gramática, Retórica e lógica ) e o 
quadrivium ( Aritmética, Música, Geometria e Astronomia). Existiam, ainda, as escolas 
paroquiais, dirigidas pelos párocos locais e escolas nas aldeias, sob a direção de sacristãos e 
outros mestres determinados pela igreja. 
 Nessa época, cada estamento9 recebia um tipo de educação diferenciada. O clero, 
como já vimos, era propagado principalmente com ensinamentos filosóficos e teológicos, 
disciplinados e enquadrados nos parâmetros das ordens 
religiosas. A nobreza recebia outro tipo de educação, era 
preparada para a guerra, principalmente na arma de cavalaria, 
para as boas maneiras, defesa dos fracos e das mulheres, 
lealdade a seu senhor, moral cívica, lançamento de dardos, 
flechas, corridas, natação etc... . A educação de um nobre 
começava com uma fase de escudeiro, quando recebia os 
ensinamentos de um cavaleiro, acompanhando-o nos campos 
de batalha. Os servos da gleba eram instruídos pelos familiares 
e por iguais, dentro dos limites do feudo. Esses ensinamentos 
não abarcavam ler, escrever e contar, apenas sobre a prática 
agrícola levada a efeito. 
 Embora a igreja, desde o inicio, tivesse-se preocupado 
com o conhecimento e seus membros, “encontramos” no 
quinto século, padres e bispos, ainda analfabetos; eram pessoas 
que procediam da nobreza e conhecimento, como já foi dito, 
não era a preocupação dos nobres. No ano 400, o Concílio de 
Cartago proibiu que os homens da igreja estudassem textos clássicos. Era considerado 
material pagão e distorcia a formação do religioso. 
 
9 Estado em que pode cada um subsistir ou permanecer. Cada um dos grupos da sociedade com status 
jurídico próprio. Ex.: os burocratas, os militares. 
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 44 
Banho geral apenas 
no sábado. Sentava-
se dentro de uma 
bacia com água 
morna, usando a 
mesma água em que se 
banhara a família. 
Usava-se sabão 
caseiro, feito da 
nogueira. Perfume 
era algo apenas na 
imaginação de quem 
não podia usar 
sabonete Eucalol, 
um luxo. No dia-a-dia, 
lavava-se apenas os 
pés. Por isso a 
expressão "lava os 
pés e cama". 
Os banhos eram 
tomados numa única 
tina, enorme, cheia de 
água quente. O chefe 
da família tinha o 
privilégio do primeiro 
banho na águalimpa. 
Depois, sem trocar a 
água, vinham os 
outros homens da 
casa, por ordem de 
idade, as mulheres, 
também por idade e, 
por fim, as crianças. 
Os bebês eram os 
últimos a tomar 
banho. Quando 
chegava a vez deles, a 
água da tina já estava 
tão suja que era 
possível "perder" um 
bebê lá dentro da 
tina. 
 Para ter uma idéia, no ano 800, Carlos Magno, 
tornou-se imperador aos 32 anos de idade e ainda era 
analfabeto. Depois, aprendeu a ler, mas sempre teve 
dificuldades para escrever. Fundou, em suas terras, três 
tipos de escolas: 
1. Escolas Paroquiais, sob a direção do padre local, 
uma espécie de escola elementar, que alfabetizava e 
difundia as primeiras letras; 
2. Escolas Episcopais, onde se ensinavam gramática e 
textos sagrados, sob a supervisão dos bispos; 
3. Escolas Cenobiais ou de Mosteiros: uma espécie de 
curso superior, dirigidas pelas respectivas ordens 
religiosas.Toda essa estrutura tinha por base os 
estudos dos cristãos e o latim. Decoravam-se frases 
e textos sagrados, acompanhados por um mestre. 
Alguns desses mestres também ensinavam ofícios 
artesanais e o sadismo pedagógico fazia parte do 
contexto. Há separação entre o falar e o fazer, o 
pensar e o trabalhar, a teoria e a prática etc..., 
formando as principais dicotomias da época. 
Retornando um pouco, em 527, no Concílio de 
Toledo, a igreja determinou que a formação do sacerdote 
devesse começar, ainda na infância, que as crianças e as 
mulheres eram incapazes, a ociosidade, um perigo para a 
alma, o ócio, pai do vício e determinou as seguintes 
providências: Leitura da Bíblia, vida dos santos, salmos, 
orações etc... 
 Durante três séculos, a partir do ano 500, há 
altos e baixos na educação cristã medieval, até que 
Carlos Magno realizasse as mudanças já citadas. Por esse 
tempo, crianças e mulheres ainda eram vendidas em 
praça pública como no Império Romano. O fato é que 
algumas cidades italianas conservaram parte da cultura 
clássica, o que vai contribuir para o desenvolvimento 
comercial e humanístico, do século XI em diante. 
 Ainda no século X, o método usado para 
alfabetizar era do bê-á-bá, ao ar livre; as tabuinhas com 
letras eram copiadas pelos aprendizes e existiam guardas 
que vigiavam e aplicavam castigos corporais, quando o 
educando se desviasse do comportamento esperado. 
Decoravam-se textos, nas fases seguintes, mas a 
disciplina continuava apertada. 
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 45 
Aqueles que tinham dinheiro 
possuíam pratos de estanho. 
Certos tipos de alimentos 
oxidavam o material, o que 
fazia com que muita gente 
morresse envenenada - 
lembremo-nos que os hábitos 
higiênicos da época não eram 
lá grande coisa... 
Isso acontecia frequentemente 
com os tomates, que, sendo 
ácidos, foram considerados, 
durante muito tempo, como 
venenosos. Os copos de 
estanho eram usados para 
beber cerveja ou uísque. Essa 
combinação, às vezes, 
deixava o indivíduo "no 
chão" (numa espécie de 
narcolepsia induzida pela 
bebida alcoólica e pelo óxido 
de estanho). Alguém que 
passasse pela rua poderia 
pensar que ele estava morto, 
portanto recolhia o corpo e 
preparava o enterro. O corpo 
era então colocado sobre a 
mesa da cozinha por alguns 
dias e a família ficava em 
volta, em vigília, comendo, 
bebendo e esperando para ver 
se o morto acordava ou não. 
Daí surgiu a vigília do 
caixão. 
 
 A sociedade era estamental, quase não havia 
ascensão social: a literatura tinha como eixo dois 
grandes temas: 
 Vida dos santos, contada em todas as 
etapas. 
 Histórias de príncipes e princesas que se 
casam com pessoas não nobres. 
 Existiam, apenas, duas alternativas para 
conseguir a ascensão social, casar-se com um príncipe ou 
princesa ou ingressar nos quadros da igreja. Porém esta 
última não dava grande ascensão, porque as pessoas não 
nobres, como membros da igreja, formavam o baixo 
clero, apenas exerciam as funções subalternas, sem 
muita expressão. 
 
A EDUCAÇÃO NA BAIXA IDADE MÉDIA 
 
 
 A nobreza continuava a ser treinada como no 
inicio da idade Média. Preparava-se para guerra, caça, 
torneios, viver a cavalo, com os códigos de honra e 
conduta. Um nobre aceitava um menino, também nobre, 
que ingressava como pajem, de seis aos catorze anos de 
idade, para aprender boas maneiras, segredos da 
cavalaria, bem como tratar mulheres e fracos. Aos 14 
anos, aquele menino tornava-se um escudeiro, cuidando 
das armas de seu senhor, servia à mesa e acompanhava-
o na caça; aprendia dança e música e, em alguns casos, 
também aprendia a ler e escrever com o capelão do 
feudo.Aos vinte e um anos, tornava-se um cavaleiro, 
tomava um banho de purificação, vestia uma túnica 
branca simbolizando a pureza e uma túnica vermelha 
representando o sangue que iria derramar, lutando pela 
Igreja, pelos fracos, órfãos e mulheres. Terminava 
fazendo um juramento, sobretudo o que aprendeu e 
tinha obrigação de fazer a partir daquele momento. 
 No início do feudalismo, a igreja apresentou-se 
como vanguarda, fundou escolas, ajudou os pobres 
desamparados, prestou auxilio material e espiritual, mas, 
com o tempo, tornou-se poderosa e estava mais ligada à 
nobreza que ao povo. As pessoas idosas deixavam os 
bens em testamentos, havia o medo do inferno; além 
disso, a igreja não dividia as terras como os senhores 
feudais; cobrava o dízimo e outros tributos; recebia grandes doações; conservava o 
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 46 
conhecimento etc. Com o tempo, tornou-se grande proprietária de terras e, em muitos casos, 
eram clero e nobreza ao mesmo tempo. 
 Os servos somente recebiam de seus pares ou familiares à instrução, que, na 
maioria das vezes, não passava de um aprendizado da profissão do pai. Depois de algum 
tempo, surgiram os vilões, que, por algum motivo, eram dispensados de pagar as banalidades 
ao senhor feudal, ficando livres e passando a comercializar produtos nas feiras. 
 A marca principal, quando se fala em educação, na Idade Média, foi a fundação das 
universidades. Eram locais onde se formavam grupos de estudos, com uma cultura superior, 
acompanhado às condições locais. 
A primeira universidade da Europa Ocidental de que se têm notícias é a Escola de Medicina 
de Salermo, na Itália, com algumas influências árabes. Depois, tivemos a Universidade de 
Bolonha, considerada, por muitos estudiosos, como a primeira direcionada aos estudos do 
Direito. No século XIII, surgiu a Universidade de Paris, originária da Escola Catedral de Notre 
Dame e serviram de modelo às universidades européias por no mínimo dois séculos. 
Surgiram no século XIV, Oxford e Salamanca, depois muitas outras. 
 Para Luziriaga, 1978, a forma de nascimento das universidades foi muito variada. As 
de Paris, Salermo e Oxford nasceram da autoridade e atração de um mestre; as de Roma, Pisa 
e Montlellier, surgiram como fundação do papa; Salamanca e Nápoles foram criadas por 
editos de príncipes; outras pelo poder do papa e ajuda dos príncipes e reis. Umas eram 
sociedades que agrupavam mestres, como a de Salermo; outras, corporações de estudantes, 
como a de Bolonha e outras, ainda, como Salamanca, eram 
corporações de mestres e estudantes. 
 As universidades nasceram como studium generale e, depois, 
como universitas studiorum, significando o caráter geral dos estudos, 
não importando a procedência do estudante. Dividiu-se em faculdades, 
onde era normal haver Artes, Teologia, Medicina e Direito. Passaram a 
conceder títulos de bacharel, licenciado, mestre e doutor. 
 Muitas universidades europeias nasceram dos grandes colégios e estes, nasceram, 
de antigas hospedarias ou albergues, como Oxford e Cambridge, na Inglaterra. Algumas 
surgiram dos ditames da Escolástica, mas, aos poucos, tudo foi sendo transformado a as 
novas ideias e conhecimentos passarem a ser discutidos mais abertamente, embora a 
Inquisiçãonão deixasse de perseguir os intelectuais que discordassem da Igreja. 
 No final do século XIV e inicio do XV, foram criadas as primeiras escolas 
consideradas burguesas. As corporações ou grêmios de diversas profissões criaram suas 
escolas, de caráter eminentemente profissional, não abandonando a educação geral. O 
estudante começava a ser educado numa profissão, como aprendiz de um mestre, ficando 
aos cuidados e orientação dele até os 15 ou 16 anos de idade, para adquirir o status de 
oficial, condição necessária para exercer a profissão, desde que associada a uma corporação. 
As corporações faziam exames para promover o oficial a mestre e daí poder estabelecer seu 
próprio negócio e aceitar aprendizes. Muitas corporações receberam benefícios dos reis e do 
Papado. 
 No final da Idade Média, os habitantes dos burgos ou cidades firmaram-se como 
uma classe social. Foram os burgueses, organizados em corporações e grêmios, fundando 
escolas das referidas profissões. Algumas dessas escolas conseguiram grande reputação 
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como a Taylors school, de Londres. Os professores primários da Espanha estavam filiados à 
Irmandade de São Cassiano e conseguiram privilégios das autoridades, não pagando 
impostos, nem sendo presos ou recrutados para o serviço militar. Existiam algumas 
exigências, todos passariam por exames de capacitação e teriam que pertencer aos quadros 
da Irmandade. 
 Corporações pobres e ricas criaram seus grêmios educacionais e o Estado Moderno, 
ainda em formação, passou a ajuda-las. Era uma maneira de diminuir as influências da Igreja. 
 Com o crescimento das cidades, criaram-se escolas municipais, independentes das 
catedrais. A maioria tinha caráter político, mas algumas se dedicavam a ensinar literatura, 
geografia, história e outras disciplinas consideradas humanísticas. O ensino era promovido na 
língua local e já existiram diretores e até supervisores, da própria organização. Por este 
tempo, as escolas recebiam contribuição dos municípios, mas ainda aceitavam doações dos 
alunos. Havia mestres ambulantes, que circulavam por muitos lugares ou até países, porque 
eram contratados temporariamente e todos tinham passado por exames criteriosos. Foi o 
embrião da escola pública, durante a ascensão do capitalismo comercial. 
 
 
 
 
 
 
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Outra contribuição importantíssima foi à educação árabe principalmente na 
Península Ibérica. Os muçulmanos estudaram e transmitiram a cultura clássica, para a 
Europa, como um todo. Já no século X, O Califado10 de Córdoba, na Espanha, havia criado 
uma grande quantidade de escolas, desde as de primeiras letras até as superiores, onde se 
especializavam na interpretação dos clássicos e Alcorão principalmente. Criaram, também, 
muitas bibliotecas e produziram vasta literatura. Os 
 estudos abrangiam ciências, filosofia, matemática e outros conhecimentos, muito antes da 
cristandade. Os árabes tiveram muito cuidado com a educação da mulher, o que não 
acontecia com os cristãos. 
 Entre os sábios, figuravam pessoas como Avicena, físico e filósofo; Averróis, que 
estudou os escritos de Aristóteles, com profundidade; Abentofail, que escreveu tratados de 
pedagogia e chegou a ser comparado a Rousseau. Outro ponto muito importante, para a 
cultura, foi à tolerância e aceitação dos muçulmanos, frente às culturas judaicas e cristã. 
Hoje, ainda é possível ver em Toledo, na Espanha, como as três culturas caminharam 
paralelamente, sem grandes conflitos. 
 Com a expulsão dos árabes da Península Ibérica, a Inquisição esmagou muitos 
núcleos culturais, provocando um grande atraso. 
 
A PEDAGOGIA MEDIEVAL 
 
 Durante a Idade Média, muitos religiosos dedicaram-se à 
educação, sendo considerados bons educadores, mas pouco teóricos. 
Os primeiros representavam a Patrística, filosofia e pedagogia 
exercida pelos padres, seguindo os ensinamentos, principalmente de 
Santo Agostinho. 
Na segunda metade da Idade Média, os filósofos e educadores 
pertenciam à Escolástica, seguindo, principalmente, as orientações de 
Santo Tomás de Aquino. A escolástica compreende três período: 
 O de formação (desde o séc. IX até fins do séc. XII). 
 O do apogeu (1220 a 1347), época de fundação dos grandes 
sistemas escolásticos. 
 O de decadência (até últimos anos do século XV), 
caracterizado pela reprodução das doutrinas da fase 
precedente. 
Para muitos autores, além da importância da Patrística e Escolástica para a 
educação cristã, houve um primeiro período, de igual importância, chamado Apostólico, 
correspondendo a atuação de Jesus de Nazaré e seus apóstolos, durante os primeiros anos 
do cristianismo, chegando até o quarto século, com outros seguidores. Esses ensinamentos 
foram anteriores à invasão dos bárbaros e tiveram continuidade com a Patrística. Alguns 
educadores se destacaram nessa época, além do próprio Jesus e seus 12 apóstolos. Clemente 
de Alexandria, divulgador dos ideais cristãos e grande pedagogo. 
 Vários educadores se destacaram nas etapas posteriores. 
 
10 Território governado por califa. 
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 Santo Agostinho (354 – 430) foi bispo, lecionou filosofia e teologia e é um dos 
fundadores da Patrística. Sua obra pertence à patristica11. Seu pensamento reflete os 
principais passos de sua trajetória intelectual, marcada pelo maniqueísmo12, ceticismo13, o 
neoplatonismo e, finalmente, o cristianismo, que predominou sobre as fases anteriores. 
Defendeu as ideais de que: o mal é o afastamento de Deus. Somente o íntimo da alma, 
iluminada por Deus, pode atingir a verdade das coisas; a alma deve reinar sobre o corpo; nem 
todos os homens estão predestinados à salvação. 
 Cassiodoro (490 – 583) era monge beneditino, teve grande influência como 
educador, trabalhava as Artes Liberais e escreveu sobre instituições literárias, divinas e 
humanas. 
 Santo Isidoro (560 – 636) foi bispo de Sevilha e conhecedor da cultura da época, 
escreveu textos sobre epistemologia e criou muitas escolas. 
 Beda (673 – 735) foi considerado um dos criadores da cultura inglesa. Escreveu a 
história eclesiástica da Inglaterra. 
Alcuino (735 – 804) foi ministro de Carlos Magno, organizou o grande movimento 
cultural da época, criando centros de ensino. Escreveu várias obras sobre as Sete Artes 
Liberais. 
Rábano Mauro (776 – 856) foi discípulo de Alcuino, continuador da obra do mestre 
e escreveu várias obras sobre as instituições monásticas. 
Escoto Erigema (813 – 880), dotado de grande cultura, valorizou a filosofia grega e 
foi grande educador. 
Santo Anselmo (1033 – 1109) foi arcebispo da Cantuária e um dos fundadores da 
Escolástica, trabalhou com ideias de fé e razão, sem dicotomia. 
Abelardo (1074 – 1142) foi mestre na Escola Catedral de Notre Dame, 
contribuiu e participou para a nascente Universidade de Paris. Usou a dialética 
na educação e não subordinava a razão à fé. 
Alberto Magno (1193 – 1280) estudou e divulgou as filosofias grega e 
árabe. Considerava que o conhecimento pode ser conciliado com a fé. 
Santo Tomás de Aquino (1225 – 1274) foi o maior pensador da 
Escolástica de todos os tempos. Suas ideias perpassaram a Idade Média e, 
ainda hoje, no inicio do século XXI, influencia a Igreja Católica. Procurou, 
sempre, conciliar a fé e razão. Sua obra pertence a escolástica14 e tem como 
problemática fundamental a busca de harmonização entre a fé cristã e a razão. 
Reviveu a filosofia de Aristóteles, utilizando-a como instrumento a serviço da religião católica. 
No processo de conhecimento da realidade enfatizou a importância dos dados sensoriais. 
Reafirmou os princípios de contradição, substância, causa eficiente, causa final,ato e 
potência. Elaborou cinco argumentos para provar a existência de Deus. 
 
11 Textos dos primeiros grandes padres da Igreja Católica 
12 Doutrina que se funda em princípios opostos, bem e mal. 
13 Estado de quem duvida de tudo, crença 
14 Doutrinas teológico-filosóficas dominantes na Idade Média, dos sécs. IX ao XVII, caracterizadas 
sobretudo pelo problema da relação entre a fé e a razão, problema que se resolve pela dependência do 
pensamento filosófico, representado pela filosofia greco-romana, da teologia cristã. Tentativa de 
conciliar o aristotelismo com o cristianismo. 
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FONTE: http://pt.slideshare.net/nilohistoria/alta-idade-mdia-16813912 
 
RESUMINDO 
 
 Durante a Idade Média, as atividades comerciais estiveram praticamente extintas. 
Esse quadro só veio a se alterar a partir dos séculos XI e XII, quando voltaram a se tornar 
conhecidos alguns dos pensamentos gregos que por muito tempo estiveram censurados. 
 Em função do empobrecimento do solo, do êxodo rural cada vez mais frequente, do 
surgimento cada vez maior de cidades, do enriquecimento de comerciantes 
(independentemente do poder político e do clero) chamados de burgueses, o sistema feudal 
tornou-se cada vez mais decadente e essa decadência atingiria o seu ponto máximo no século 
XV. 
 Os membros do clero, detentores do saber e até então figuras com poderes 
incontestáveis começaram a receber críticas, principalmente por possuírem muitos bens 
materiais (oriundos de doações à Igreja). 
 Tudo isso, somado ao fato de os navegadores trazerem novidades filosóficas do 
Orienta, provocaram um conjunto de condições transformadoras, caracterizando uma 
retomada de valores, o que chamamos de Renascimento. 
 
 
http://pt.slideshare.net/nilohistoria/alta-idade-mdia-16813912
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REFERENCIAL TEÓRICO: 
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. São Paulo: Saraiva, 1999. 
CURIOSIDADES DA IDADE MÉDIA E ALGUMAS EXPRESSÕES USUAIS. Disponível em 
http://ourblog.blogs.sapo.pt/arquivo/064447.html em 10/04/2004 
FRANCISCO FILHO, Geraldo. História Geral da Educação. Campinas: Alínea, 2003. 
IESDE/CND. Módulo 2. 
LARROYO, Francisco. História Geral da Pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1982. 
PILETTI, C.; PILETTI, N. Filosofia e História da Educação. São Paulo: Ática, 1988. 
 
PROPOSTA PARA REFLEXÃO 
 
1. Escreva sobre a evolução da educação cristã durante a Alta Idade Média. 
2. Qual a importância de Carlos Magno para a educação da época. 
3. Explique a educação recebida por cada um dos estamentos. Por que era diferente? 
Quais eram os objetivos na formação de cada um? 
4. Por que a educação está sempre inserida no contexto do educando? Explique. 
5. Verifique até que ponto a educação servia de instrumento para discriminar os grupos 
dominados. 
6. Quais foram os períodos do Cristianismo, quanto à evolução educacional? 
7. Relate as principais ideias pedagógicas da Patrística comparando com as ideias 
pedagógicas da Escolástica. 
8. Qual foi a importância de Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino para a pedagogia 
cristã? 
9. Como se realizava a formação de um nobre, de um padre e de um servo? 
10. Analise criticamente as mudanças que provocaram a passagem da Idade Média para a 
Moderna. 
11. Qual a importância das universidades para a época? Houve apoio? De quem? Por qual 
razão? 
12. Quais as ideias pedagógicas da idade média adotada pelas escolas atuais. 
 
ANOTAÇÕES: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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O RENASCIMENTO 
 
1. Tendências gerais do Renascimento 
 
Renascimento designa o movimento cultural e artístico que se desenvolveu nos 
séculos XVI e XVII, que retoma os valores da antiguidade clássica. 
Segundo Paul Monroe, as atividades do renascimento recorrem a três grandes 
interesses quase desconhecidos durante a idade média: 
a) Interesse pela vida real do passado: os Gregos e Romanos tinham um conhecimento 
mais amplo da vida e de suas possibilidades, do que a humanidade da Idade Média. As 
idades clássicas expressaram esse conhecimento através de uma literatura e uma arte 
incorporavelmente superiores as da idade média, que no entanto as ignorava. As 
literaturas e os tratados clássicos deveriam ser estudados a fim de se tornarem modelo 
de comportamento social e para a busca de uma intensificação da atividade intelectual 
e científica (Cambi). A leitura dos clássicos no original permite entrar em comunhão 
espiritual com os grandes nomes da Antigüidade, ainda que não desapareçam 
completamente as gramáticas e os compêndios de inspiração escolástico medieval. 
b) Interesse pelo mundo subjetivo: das emoções, da alegria de viver, dos prazeres e 
satisfações contemplativas desta vida e da apreciação do belo. O pensamento medieval 
ignora completamente este mundo (Cambi) O Homem da nova civilização, uma vez 
adquirida a consciência de poder ser o artífice e de sua própria história, quer viver 
intensamente a vida da cidade junto com seus semelhantes, para isso , mergulha na 
cidade civil, engaja-se na política, no comércio e nas artes exprimindo uma vida 
harmônica e equilibrada dos aspectos multiformes dentro dos quais se desenvolve a 
atividade humana. É aqui que se faz evidente a diferença com o passado. O homem 
renascentista libertava-se em direção às conquistas científicas, ao humanismo e ao 
individualismo moderno. 
c) Interesse pelo mundo da natureza física: este não só era desconhecido dos povos 
medievais, como seu estudo era considerado baixo e humilhante. 
 
2. Consequências dos novos interesses 
 
Estudo mais amplo e intensivo das línguas grega e latina. 
Caça aos manuscritos remanescentes desta literatura. 
Restauração das obras clássicas. 
Criação na literatura, de um novo interesse por tudo que apelasse para imaginação 
e para o coração, aos poucos nasce a confiança na razão, a força renovadora da dúvida, o 
desejo de conhecer, inventar e construir o conhecimento livre da tutela da igreja. Produz-se 
uma nova ruptura entre mito e razão. 
O esforço artístico, sob todas as suas formas, passa a predominar como em nenhum 
outro período da História. 
A análise introspectiva da vida emocional provoca imensa produção literária 
(poesia, drama e romance). 
Desenvolvimento das ciências históricas e sociais. 
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Deslocamento do centro de gravitação, até então situado nas coisas divinas, para o 
próprio homem. 
 
3. Consequências Educacionais 
 
Uma das principais consequências educacionais do Renascimento, ao lado da 
exaltação do estudo escolástica é a promoção do ideal de uma nova vida, dos clássicos, é a 
busca de uma nova educação, que se oponha ao velho e pedante esquema da escolástica. 
O conteúdo de uma nova educação, que consiste principalmente nas línguas e nas 
literaturas clássicas dos gregos e romanos, passa a ser designado, durante este período, pelo 
termo humanidades 
Batista Guarino – (1459) escreve o seguinte “O conhecimento e a prática da virtude 
são peculiares ao homem; eis porque os nossos antepassados chamavam humanistas aos 
propósitos, às atividades específicas da humanidade”. 
O interesse da nova educação no Renascimento está centrado, portanto, “nos 
propósitos, nas atividades específicas da humanidade”, e a literatura dos gregos e romanos 
era apenas um meio para a compreensão de tais atividades. 
Por isso o aprendizado da língua e da literatura dos gregos e romanos torna-se 
problema pedagógico mais importante. 
 
4. Alguns representantes do Renascimento 
 
A Itália que foi o berço do Renascimento, mais quequalquer outro povo, a língua, a 
literatura a uniam com a época clássica. 
 
4.1 Literatura 
 
Dante Alighieri – (1265 – 1321). Foi o mais antigo dos precursores do 
Renascimento. Sua obra mais importante, A Divina Comédia, é considerada o ponto mais alto 
atingido pela poesia italiana. (Porque deu a seu país uma língua nacional). 
Petrarca – (1304 – 1374) O Florentino Boccáccio (1313 – 1375) ressuscitaram o 
interesse pelo estudo dos clássicos latinos e gregos. Boccaccio era escritor e poeta e seu texto 
mais conhecido é O Decameron. 
 
4.2 No campo educacional, porém o mais inovador foi Victorino da Feltre (1378 – 1446), sua 
maior criação foi uma escola, à qual deu o nome de Casa Giocosa (casa alegre), para 
diferenciá-la das escolas do tipo medieval, de disciplina rígida e austera. A Casa Giocosa 
preocupava-se acima de tudo, com a formação integral do homem. Victorino da Feltre 
costumava dizer: ”Quero ensinar os jovens a pensar, não a delirar”, afirma também, que o 
ensino deveria ser gradual e de acordo com o desenvolvimento psíquico do aluno, e 
transcorrer num ambiente de alegria e satisfação. 
François Rabelais (1494) – O renascentista francês tornou-se conhecido por dois 
textos, Gargantua e Pantagruel, onde satiriza o comportamento do clero e os dogmas 
católicos. François Rabelais e Michel de Montaigne (1533-1592) se ocuparam com problemas 
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da educação. Rabelais condensa seu pensamento no seguinte princípio: “Ciência sem 
consciência não é senão ruína da alma”. Para Montaigne, a educação de seu tempo era 
livresca, cheia de pedantismo, desligada da vida e propensa a punir as crianças com castigos 
corporais. 
O ideal educativo de Montaigne é o homem para o mundo. Por isso a educação 
deve formar o homem completo, de corpo e alma. 
Em relação ao programa de estudos, Montaigne recomenda o reconhecimento da 
natureza, da língua materna, da história que é um “espelho onde é preciso olhar para 
conhecer–nos bem”. 
Com relação aos métodos de ensino ele reprova os educadores que consideram 
seus alunos como sujeitos passivos aos quais se tenha que transmitir os conhecimentos como 
“ideias já feitas”. Recomenda que se procure estimular a atividade espontânea nos meninos e 
jovens (métodos ativos), mediante a observação direta da natureza e do juízo autônomo da 
razão. 
Luís de Camões (1528-1580), a Obra mais conhecida do poeta português é Os 
Lusíadas. 
Miguel de Cervantes (1547-1616) O espanhol Cervantes escreveu Dom Quixote, 
uma verdadeira obra prima literária e histórica que narra de forma sensível à impossibilidade 
de manter os valores medievais no mundo burguês em formação. 
William Schakespeare (1564-1616) O mais importante dramaturgo inglês, seus 
textos mais conhecidos são Romeu e Julieta, Hamlet, a Megera Domada, Henrique V, Otelo, 
Rei Lear e Macbeth. 
 
4.3 Artes Plásticas 
 
Sandro Botticelli (1444-1510). Os principais temas de suas obras foram às cenas 
religiosas e as cenas mitológicas. Temas a mitologia como nascimento de Vênus e Primavera. 
Leonardo da Vinci (1452-1519), sua inspiração artística foi notável, assim como nas 
ciências, o italiano Leonardo foi versátil também nas artes. Suas obras mais conhecidas: A 
última ceia, Monalisa (ou La gioconda) e a Virgem dos Rochedos. 
Michelangelo Buonarroti (1475-1564) também conhecido como Miguel Ângelo, 
suas esculturas traduzem movimento e sentimento, como se o artista, ao moldar a pedra, lhe 
desse alma. Suas obras mais conhecidas: escultura Pieta, Moisés e David e as mais pinturas o 
teto da capela Sistina. 
 
4.4 Os Pensadores do Renascimento 
 
Erasmo de Roterdã (1466 ou 1467 – 1536) considerado uma dos principais 
humanistas do renascimento, seu texto mais conhecido é Elogio da Loucura, no qual faz 
criticas contundentes aos poderes constituídos, inclusive à Igreja católica. 
Nicolau Maquiavel (1469-1527) escreveu O príncipe, que traça as diretrizes do 
poder no Estado moderno. 
Thomas Morus (1480-1535) esse pensador escreveu uma notável critica a 
sociedade de sua época no livro utopia. 
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5. O renascimento Cientifico 
 
A principal contribuição do renascimento cientifico foi o desenvolvimento da 
observação e da experimentação, as duas principais figuras do renascimento cientifico foram 
Leonardo da Vinci e Nicolau Copérnico (1473-1543). Da Vinci inventou inúmeros mecanismos 
e instrumentos bélicos, dedicou-se ao estudo da anatomia humana, da física, da botânica. 
Copérnico contribuiu na ampliação do conhecimento da matemática, da mecânica e 
da astronomia. Formulou em 1543, a teoria heliocêntrica, que afirma que a Terra gira em 
torno do sol, contrariando a doutrina católica medieval que defendia a idéia de que a terra é 
o centro do universo. 
 
A EDUCAÇÃO NO INICIO DOS TEMPOS MODERNOS 
 
1. A reforma Protestante e a contra-reforma. 
 
Até o final da idade media (meados do século XV) todos os cristãos, isto é, aqueles 
que seguiam os ensinamentos de Jesus Cristo, permaneceram unidos em torno da autoridade 
do Papa, o bispo de Roma. Entre os séculos XV e XVI, a Igreja Católica viu–se abalada por uma 
serie de crises internas que culminaram na Reforma protestante e na contra-reforma 
católica. 
 
2. A reforma Protestante 
 
Entre os motivos que determinaram a Reforma, dentre outros podemos destacar: a 
corrupção do clero, o desvio da igreja e seus principais objetivos, o desenvolvimento da 
corrente humanista que atribuía ao homem liberdade em relação às expressões exteriores. 
As autoridades da igreja davam mais importância as tradições eclesiásticas do que do próprio 
evangelho. 
O que teria desencadeado a reforma luterana foi à venda de indulgências em favor 
do Papa Leão X e para o arcebispo da monoécia, sob pretexto de através das obras da igreja, 
cada cristão conseguir a própria salvação. Alguns líderes religiosos passaram a protestar 
contra o que consideravam abusos da autoridade papal e não mais obedecer ao Papa, 
separando da Igreja Católica de Roma. Assim Calvino criou o calvinismo na Suíça, Lutero 
fundou o luteranismo na Alemanha e Henrique VIII iniciou o movimento Anglicano na 
Inglaterra. 
Martinho Lutero elaborou 95 teses opondo-se a venda de indulgências. 
Os principais pontos de sua doutrina são: 
 a negação da autoridade do Papa, dos padres, e dos conflitos; 
 denúncia do uso das indulgências; 
 livre interpretação do evangelho; 
 maior importância da fé em relação às obras. 
Lutero escreveu a confissão de Augsburg, que tornou a base da doutrina luterana. 
Em 1521, por causa das críticas que fazia, Lutero foi excomungado. Outro movimento surgiu 
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na Inglaterra liderado por John Wycliffe (ou wyclif) professor da universidade de Oxford, 
especialista em temas religiosos. 
Os princípios fundamentais da doutrina de Wycliffe eram: 
 os crentes recebem a graça diretamente de Deus, sem a necessidade de 
sacerdotes que sirvam de intermediários; 
 a Bíblia é a única fonte das verdades cristãs; 
 a recusa da transubstância (dogma católica 
segundo o qual a presença de Cristo na 
eucaristia é real). 
Embora predominante religiosa, a reforma 
protestante teve implicações econômicas, políticas e sociais: 
 a expansão marítima e comercial fortaleceu a 
burguesia européia, interessada na reforma 
religiosa que lhe desse mais liberdade de 
ação, para os protestantes; 
 com a queda do feudalismo o surgimento dos 
estados centralizados, o poder real entrou em 
conflito com a igreja; 
 o renascimento cultural desenvolveu uma 
cultura no homem, e não mais em Deus, e 
favoreceram o surgimento do espírito crítico 
e do individualismo, aspectos ligados às 
ideias. 
FONTE:https://siriusknotts.files.wordpress.com/2011/03/luther5.jpg 
A reforma gerou algumas transformações culturais, entre elas o crescimento do 
número de escolas protestantes para alfabetização dos cristãos, que deveriam ler e 
interpretar a bíblia que foi traduzido por Lutero, para o alemão. Os católicos também viram a 
necessidade de reformar a igreja. 
Desse modo, a reforma protestante acelerou o movimento de reforma da própria 
igreja católica, que ficou conhecida como Contra-reforma; esta procurou evitar que católicos 
se convertessem ao protestantismo. O processo de reação da igreja acabou sendo liberado 
pela Companhia de Jesus, uma ordem religiosa que tinha forte apelo à obediência hierárquica 
e a conduta moral rígida, o que possibilitou uma reestruturação no comportamento dos 
membros do clero, através de varias providências: 
 o Concilio do Trento (1543-1563), que reorganizou a igreja católica e definiu 
algumas mudanças: 
 proibição da venda de indulgências; 
 obrigatoriedade de os clérigos fazerem seus estudos nos seminários antes de 
serem ordenados; 
 proibição das vendas dos cargos do alto clero (bispos, arcebispos e cardeais). 
Foram também, reafirmados os seguintes dogmas católicos: 
 o principio da salvação pela fé e pelas novas obras; 
 o celibato clerical (proibição de os padres se casarem) 
 a crença na substanciação de Cristo no pão da missa (idéia de que a hóstia é o 
corpo de Cristo e o vinho o seu sangue; 
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 57 
 a indissolubilidade do casamento; 
 a validade dos sete sacramentos (batismo, confirmação, eucaristia, penitência, 
extrema-unção, ordem e sacramento). 
Além disso, o Concílio de Trento reativou o tribunal do santo oficio, ou tribunal da 
inquisição, instituição criada na idade média para julgar os hereges. O tribunal passou a 
perseguir, condenar e executar muitos dos que questionavam os dogmas católicos. 
Os métodos do tribunal eram terríveis, as torturas faziam com que a maior parte 
dos suspeitos confessasse os piores crimes. 
A inquisição exerceu severa censura sobre as obras publicadas, em circulação pela 
Europa e na América. Para tanto foi criado o Índex, lista de livros proibidos aos fieis por 
serem considerados perniciosos à fé católica. As proibições do índex atingiram os textos 
escritos por Lutero e seus seguidores. Essa censura atrapalhou bastante o desenvolvimento 
nos países dominados pelo catolicismo. 
 
3. Religião e Escola 
 
Durante a idade moderna a religião não deixou de exercer sua influência quase 
exclusiva sobre a educação. Entretanto, agora os cristãos estavam divididos e o controle 
educacional exercido pela igreja de Roma começou a ser contestado pelos protestantes. 
Para Martinho Lutero (1483-1546), a educação deveria se libertar das amarras que 
a prendiam à igreja e subordinar-se ao Estado, só assim poderia atingir todo povo, nobres e 
plebeus, ricos e pobres meninos e meninas. 
O currículo proposto por Lutero para as escolas protestantes continuava dando 
preponderância ao grego e ao latim, acrescentou a língua hebraica, incluiu a lógica e as 
matemáticas e deu grande ênfase a ciência, a música e a ginástica. 
Os estados alemães foram os que deram mais atenção á educação. A partir da 
metade do século XVI , previa a instalação de escolas elementares vernáculas em todas as 
aldeias, com ensino de leitura, escrita, religião e música sacra. 
Em todas as cidades e vilas havia escolas de latim, divididas em seis classes: 
 escolas superiores de latim, mais tarde juntando com as escolas elementares 
de latim, passaram a constituir o ginásio. 
 freqüência dos seis anos aos doze anos, no estado de Weimar o ano letivo 
durava dez meses, horário era das 9h às 12h e das 13h às 16h em todos os dias 
úteis. Os pais cujos filhos não frequentassem a escola eram multados. 
A igreja reagiu criando novas ordens religiosas, que dessem especial atenção ao 
ensino (principal foi a companhia de Jesus). O objetivo principal da ordem era a educação de 
líderes, tendo, portanto, pouco interesse pela educação elementar. 
Segundo Paul Monroe a sua perfeita organização, o cuidado na preparação dos 
professores e os métodos de ensino foram os principais fatores de sucesso na educação 
jesuítica. 
O método de ensino principal característica a revisão freqüente da matéria, na 
semana e no final do ano todo o trabalho anual era revisado. 
Um dos princípios básicos do ensino jesuítico era o de que é melhor aprender 
pouco mais bem aprendido do que muito e superficialmente. 
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Referência Bibliográfica 
 
PILETTI, C.; PILETTI, N. Filosofia e História da Educação. São Paulo: Ática, 1988. 
IESDE. História, Uma abordagem integrada 
OJEDA, Eduardo Aparecido Baez, Módulo I, UDESC/CND, 1971 
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda, História da Educação. São Paulo: Moderna 1989. 
 
A EDUCAÇÃO NA ÉPOCA DO ABSOLUTISMO 
 
 O Cardeal Richilieu, primeiro ministro de Luiz XIII, considerava que a educação não 
deveria ser acessível a todos. Se todas as pessoas fossem sábias, desapareceria a obediência 
e o Estado seria fraco. A instrução dos pobres seria cara, acabaria com o sossego público, 
enfraqueceria as forças armadas, comércio, agricultura e não seria possível conseguir 
professores para todos. Nas cidades menores, a orientação era ter duas ou três classes de 
alfabetização, não mais para instruir soldados e comerciantes. Havia uma seleção e só os 
mais talentosos teriam vagas. Para prosseguir nos estudos, haveria nova seleção e, depois, 
outras. Os que não estivessem aptos a prosseguir, seriam incorporados à força de trabalho. 
 Esse descaso para com a educação dos pobres também esteve presente nas 
colônias americanas. No Brasil Colonial, os jesuítas apenas se empenhavam na educação dos 
filhos dos colonos brancos, que prosseguiam estudos na Europa; os filhos dos pobres não 
recebiam educação formal, apenas uns poucos se alfabetizavam. A educação estava 
direcionada para os grupos privilegiados economicamente. 
 A Espanha e a Inglaterra não fizeram muito diferente, criaram universidades nas 
colônias e menos escolas elementares. Para se ter uma idéia, a Espanha fundou a 
Universidade do México e a de São Marcos em 1551; a de Santo Antônio de Cuzco em 1598; 
Santo Tomás de Aquino, em 1580, em Bogotá; Córdoba na Argentina em 1613, etc. 
 Nos Estados Unidos, na época da independência, 1776, existiam 8 escolas 
superiores de iniciativa religiosa e os elementares eram sustentadas pelos moradores locais. 
 Portugal foi mais atrasado ainda, durante todo o período colonial (1500-1808), não 
se fundou nenhuma universidade e as escolas superiores só apareceram no início do século 
XIX, com a chegada da família real portuguesa. A nossa primeira universidade iniciou seu 
funcionamento em 1934, século XX. 
 Durante o século XVII, houve, na França, alguns esforços no sentido de organizar a 
instrução elementar. Em 1695, um edito determinava esse tipo de organização, mas ainda 
atrelado às paróquias e bispados. Tais gastos seriam compensados com um imposto. Porém 
as referidas escolas, em muitos lugares, só existiam no papel. As informações hoje apontam 
que algumas salas de aula funcionavam nas casas dos referidos mestres e,não raro, nos 
quartos dos próprios, em condições precárias. 
 
 
 
 
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Ideias e movimentos pedagógicos 
 
1.1 Francis Bacon: O Conhecimento em Si Mesmo é Poder. Esse pequeno aforismo aparece 
em Meditationes Sacrae (1597), um enigmático trabalho de Francis Bacon (1561-1626), 
advogado, político, ensaísta, e co-inventor do método científico. A frase parece óbvia, 
especialmente em nossa era de informação. Porém, corremos o risco de entender mal o 
queBacon está querendo dizer com "poder", que não é "vantagem pessoal ou política", 
mas "controle da natureza". As teorias de Bacon deixam alguma coisa a desejar. Ele 
descartou a ciência especulativa, desprezando o papel da hipótese, que ele via como 
infundado e, portanto, estéril. Todo conhecimento verdadeiro, afirmava ele, deriva da 
observação e do experimento, e qualquer tipo de suposição prévia só vai provavelmente 
distorcer a percepção e a interpretação. Porém, sem hipóteses não existem 
experimentos controlados, que são a essência do método científico moderno. Bacon 
pensava que o mundo era essencialmente caótico, e que por isso era um erro abordar a 
natureza com a suposição de leis uniformes. Contudo, a ciência avançou principalmente 
supondo que o mundo é ordenado, que existem regras e padrões simples inscritos na 
natureza. 
 
1.2 Wolfgang Ratke (1571 – 1635), alemão idealista, aspirava a uma nova didática, 
considerando as individualidades, espírito de tolerância, respeito à personalidade de 
cada um, com fraternidade entre os homens. Defendia que devemos ensinar do fácil 
para o difícil, do simples para o complexo, na língua materna e, depois, línguas 
estrangeiras, que a escola devesse ser continuidade do lar, que não devemos impor 
regras nem memorização, que se deve aprender sem coação, para se chegar aos 
clássicos, etc. 
 
 
1.3 René Descartes (1596 – 1650) considerava que as coisas não são importantes, mas as 
ideias, o ser pensante e não o mundo que o cerca. Sua máxima era “penso, logo existo”. 
A Admiração é a Primeira de Todas as Paixões: Quando o primeiro contacto com algum 
objecto nos surpreende e o consideramos novo ou muito diferente do que conhecíamos 
antes ou então do que supúnhamos que ele devia ser, isso faz que o admiremos e 
fiquemos espantados com ele. E como tal coisa pode acontecer antes que saibamos de 
alguma forma se esse objecto nos é conveniente ou não, a admiração parece-me ser a 
primeira de todas as paixões. E ela não tem contrário, porque, se o objecto que se 
apresenta nada tiver em si que nos surpreenda, não somos emocionados por ele e 
consideramo-lo sem paixão. (René Descartes, in 'As Paixões da Alma') 
 
1.4 João Amos Comênio: A obra mais importante de Comênio, Didactica Magna, marca o 
início da sistematização da pedagogia e da didática no Ocidente. Comênio não foi o 
único pensador de seu tempo a combater o pedantismo literário e o sadismo 
pedagógico, mas ousou ser o principal teórico de um modelo de escola que deveria 
ensinar "tudo a todos", aí incluídos os portadores de deficiência mental e as meninas, na 
época alijadas da educação. "Ele defendia o acesso irrestrito à escrita, à leitura e ao 
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cálculo, para que todos pudessem ler a Bíblia e comerciar", diz Gasparin. Comênio 
respondia assim a duas urgências de seu tempo: o aparecimento da burguesia mercantil 
nas cidades européias e o direito, reivindicado pelos protestantes, à livre interpretação 
dos textos religiosos, proibidos pela Igreja Católica. A obra de Comênio corresponde 
também a outras novidades, entre elas "o despertar de uma nova concepção de 
criança", como diz Gasparin. "Ele a trata em seus livros com muita delicadeza, num 
tempo em que a escola existia sob a égide da palmatória", continua o professor. "A 
educação era vista e praticada como um castigo e não oferecia elementos para que 
depois as pessoas se situassem de forma mais ampla na sociedade. Comênio reagiu a 
esse quadro com uma pergunta: por que não se aprende brincando?" A maior 
contribuição de Comênio para a educação dos dias de hoje é, segundo o professor 
Gasparin, a idéia de "trazer a realidade social para a sala de aula, fazendo uso dos meios 
tecnológicos mais avançados à disposição". De tão fascinado pela invenção da imprensa 
e pela possibilidade de disseminação de conhecimento que ela representava, Comênio 
criou a expressão "didacografia" para designar o método universal de ensino que ele 
pretendia inaugurar. Nos dias de hoje, a tecnologia da informação seria capaz de realizar 
essa revolução? Qual é sua opinião? 
 
1.5 John Locke: Com respeito à religião, Locke toma uma atitude racionalista moderada. 
Admite uma religião natural, exigível também politicamente, porquanto fundamentada 
na razão. E professa a tolerância a respeito das religiões particulares, históricas, 
positivas. Locke interessou-se especialmente pelos problemas pedagógicos, escrevendo 
os Pensamentos sobre a Educação. Aí afirma a nossa passividade, pois nascemos todos 
ignorantes e recebemos tudo da experiência; mas, ao mesmo tempo, afirma a nossa 
parte ativa, enquanto o intelecto constrói a experiência, elaborando as ideias simples. 
Afirma-se que todos nascemos iguais, dotados de razão; mas, ao mesmo tempo, todos 
temos temperamentos diferentes, que devem ser desenvolvidos de conformidade com o 
temperamento de cada um. Esta educação individual não exclui, mas implica a 
educação, a formação social, para ampliar, enriquecer a própria personalidade. Tem 
muita importância a obra do educador, mas é fundamental a colaboração do discípulo, 
pois trata-se da formação do intelecto, da razão, que é, necessariamente, autônoma. A 
formação educacional consiste, portanto, fundamentalmente, no desenvolvimento do 
intelecto mediante a moral, precisamente pelo fato de que se trata de formar seres 
conscientes, livres, senhores de si mesmos. Por conseguinte, a educação deve ser 
formativa, desenvolvendo o intelecto, e não informativa, erudita, mnemônica. 
Igualmente Locke é autor de educação física, mas como o meio para o domínio de si 
mesmo. 
 
1.6 Fraçõis Fénelon (1615 – 1715), É pedagogo ao serviço da aristocracia, moralista e 
tratadista político. Na sua época tem grande reputação como pregador, mas conservam-
se apenas amostras da sua eloquência. Passa à posteridade graças a As Aventuras de 
Telémaco, que sob a aparência de uma novela passada na antiga Grécia propõe com 
verbo fácil e brilhante uma série de ideias políticas e morais para a educação dos 
príncipes. O seu estilo, que seduz os seus contemporâneos pela suavidade, a elegância e 
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a pureza do idioma, está carregado por um excesso de reminiscências clássicas. “Aquele 
pensa que sabe muito, mas não sabe de nada, e a sua ignorância é tanta que nem 
sequer está em condições de saber aquilo que lhe falta.” “Nenhum poder humano 
consegue forçar o impenetrável reduto da liberdade de um coração. Aqueles que nunca 
sofreram não sabem nada; não conhecem nem os bens nem os males; ignoram os 
homens; ignoram-se a si próprios. Não basta mostrar a verdade, é preciso apresentá-la 
amavelmente” 
 
FRANCISCO FILHO, Geraldo. A educação na época do absolutismo. In: _____. História Geral 
da Pedagogia. Campinas: Alínea: 2003. p.139-148. 
 
AS FAMÍLIAS NO SÉCULO XVI. 
 
FONTE: http://estudodainfancia.blogspot.com.br/2012/08/o-traje-das-criancas.html 
 
ANOTAÇOES: 
 
 
 
 
 
 
http://estudodainfancia.blogspot.com.br/2012/08/o-traje-das-criancas.html
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 62 
A EXPANSÃO COMERCIAL E TERRITORIAL DA EUROPA OCIDENTAL 
 
Séculos XI ao XIV a Europa sofre 
grandes transformações, iniciando com o 
Renascimento Comercial e as Cruzadas. A 
nobreza está em franca decadência diante da 
ascensão da burguesia. 
O humanismo serve de alicerce para o 
proselitismo15 das novas ideias. 
O Renascimento fornece bases 
epistemológicas para as Grandes Navegações, a 
Reforma Religiosa e as mudanças educacionais. 
Portugal tem uma posição geográfica 
privilegiada, voltada para o Oceano Atlântico. 
Povos de diferentes etnias discutem a próxima expedição. 
A Vitória da Dinastia de Avis em 1385 sobre a Dinastia deBorgonha, quando D. João 
I de Avis juntou força com os burgueses e começou a conquista pelas costas da África, 
chegando ao Brasil em 1500. 
Idade Moderna: começa no século XV tendo as bases do pensamento econômico 
assentadas no Mercantilismo, que defendia: balança comercial favorável, estoque de metais, 
Estado poderoso, mais exportações e menos importações, exaltação ao nacionalismo, 
governo direcionado aos assuntos econômicos e colônias para atender as necessidades da 
metrópole. 
Educação: a hegemonia das sete artes liberais: trivium (gramática, dialética, 
retórica), quadrivium (aritmética, geometria, música e astronomia). Já não atende ao novo 
momento histórico. As ideias de Santo Tomás de Aquino, procurando trabalhar 
conjuntamente fé e razão, não encontravam tantos seguidores. 
A revolução de Gutenberg (1391-1468) difunde o novo saber com maior velocidade, 
para que a burguesia pudesse ser mais bem informada, era também, à volta dos estudos 
clássicos e o saber anterior que se concentrava, em grande parte, nos membros da Igreja, 
agora sobre mudanças. 
Alfabetização: passou a ser necessária para a nova classe em ascensão (burguesia). 
Migração de sábios: por toda a Europa, devido às facilidades, de trabalhar as novas 
ideias. 
Brasil em 1500: estava inserido no contexto, fornecendo matérias-primas para 
Portugal, começando com o pau-brasil, depois açúcar e outro. 
Monopólio: Brasil passa a existir em função da política econômica, na condição de 
colônia. 
A religião: Havia crise no seio da Igreja, que perdia adeptos na Europa Ocidental e 
necessitava de novas áreas de atuação. Apoia as Grandes Navegações e assume o trabalho 
educacional e de catequese nas novas terras. 
FRANCISCO FILHO, Geraldo. A educação brasileira no contexto histórico. Campinas: Alínea, 
2001. p. 12-13. 
 
15 Indivíduo que abraçou religião diferente da sua. 
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 63 
 
ATIVIDADES: 
 
1) Por que a história da educação está inserida no contexto geral? 
2) Quais as contribuições das grandes navegações? 
3) Reflita sobre a ascensão do capitalismo e as mudanças educacionais? Discuta com seus 
colegas. 
4) Por que Portugal foi pioneiro nas Grandes Navegações? 
 
 
 
COMO ERA A VIDA NA ARMADA DE PEDRO ÁLVARES CABRAL? 
 
por Diogo Antonio Rodriguez 
 
 
FONTE: http://hid0141.blogspot.com.br/2013/07/como-era-vida-na-armada-de-pedro.html 
 
 
FROTA DE RESPEITO 
Em 9 de março de 1500, 13 navios da 
expedição de Pedro Álvares Cabral 
deixaram Lisboa, levando 1,5 mil homens. 
Eram três caravelas (naves menores e ágeis, 
com até 50 toneladas) e dez naus (com até 
250 toneladas e capacidade para 200 
pessoas). Além do tamanho, a principal 
diferença era o formato das velas. 
 
 
 
http://hid0141.blogspot.com.br/2013/07/como-era-vida-na-armada-de-pedro.html
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 64 
NETUNO DOMINADO 
A caravela foi o trunfo que fez de Portugal 
uma potência marítima até o século 18. Ela 
era leve, mudava de direção com agilidade, 
navegava rápido contra o vento e chegava 
mais perto da costa do que navios maiores. 
Outro fator importante para o domínio 
naval português foi a utilização de caravelas 
armadas com canhões. 
 
JOGO DA VIDA 
Entediados pela viagem (cerca de um mês e 
meio até o Brasil), os marinheiros criavam 
passatempos. Os preferidos eram apostas, 
como jogos de cartas e dados. Os padres, 
responsáveis por manter a moral a bordo, 
monitoravam a jogatina, celebravam missas 
e cuidavam dos doentes, já que não havia 
médicos. 
 
CAMA PRA QUÊ? 
Apenas os mais graduados tinham o luxo de 
um quarto e uma cama. Os marinheiros 
dormiam sob o castelo da popa, a estrutura 
mais alta do navio. Como não cabia muita 
gente ali, o jeito era dormir no convés, ao 
relento, em frágeis colchões de palha. Os 
porões eram reservados para guardar água, 
mantimentos e munição. 
 
DIETA FORÇADA 
O cardápio era de matar. O principal item 
era biscoito água e sal duro (600 g diários). 
A ração ainda incluía 1,5 litro de água e 1,5 
litro de vinho por dia e 15 kg de carne por 
mês. Calcula-se que seriam necessárias 5 
mil calorias por dia nessas condições, mas a 
alimentação nos navios só fornecia 3,5 mil. 
 
 
 
 
 
 
APOCALIPSE NAU 
A sujeira reinava. Como não havia 
banheiros, as necessidades eram feitas no 
mar ou nos porões. Ratos infestavam os 
navios e transmitiam doenças. A falta de 
banho também contribuía para tornar a 
higiene a bordo calamitosa. Não à toa, das 
1,5 mil pessoas que embarcaram, apenas 
500 voltaram vivas a Portugal. 
 
SAÚDE É O QUE INTERESSA 
As condições de alimentação e higiene 
eram precárias e nocivas. A falta de 
vitamina C causava o escorbuto, doença 
que provoca perda de dentes, dificuldades 
de cicatrização, anemia e hemorragias. O 
contato com bichos a bordo causava 
diarreia e piolhos. Os males mais 
frequentes eram enjoos e vômitos. 
 
LONGE DE TUDO 
A viagem de Cabral foi a primeira a usar 
sistematicamente o astrolábio. Parecido 
com uma pequena roda, o aparelho mede a 
altura do Sol ao meio-dia, a das estrelas à 
noite e fornece a latitude (posição no eixo 
norte-sul da Terra). Por outro lado, a 
medição da longitude (posição no eixo 
leste-oeste) nunca foi precisa. 
 
SOY CAPITÁN 
Cabral era o capitão-mor da armada, mas 
cada navio tinha um comandante, que não 
precisava ser expert em navegação. Os 
capitães eram pessoas próximas da corte 
portuguesa e do rei, dom Manuel. A função 
era cerimonial e diplomática. Quem 
conduzia os navios eram os pilotos, que 
dominavam mapas, instrumentos de 
navegação e ventos. 
 
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 65 
 
ORDEM NO CONVÉS 
A hierarquia nos navios de Cabral 
CAPITÃO: Autoridade máxima da embarcação. 
PILOTO: Responsável de fato pela navegação. Sabia ler a bússola, as estrelas, os mapas 
náuticos e o astrolábio. 
MESTRE: Dava ordens para marinheiros e grumetes e comandava o funcionamento geral da 
embarcação. 
SOLDADO: Cuidava de armas e munição. 
MARINHEIRO: Operário do mar. Fazia tudo no navio, de limpar a subir velas. 
GRUMETE: Cumpria funções que os marinheiros não curtiam, como lavar o convés, limpar 
dejetos e costurar as velas. 
 
Curiosidades: 
- Além de marinheiros e nobres, havia escrivães, registrando tudo. O mais famoso, Pero Vaz 
de Caminha, relatou ao rei dom Manuel a descoberta do Brasil; 
- Os barbeiros, que aparavam o cabelo e a barba dos marujos, auxiliavam os padres no 
atendimento aos enfermos; 
- O castigo para quem não cumpria as regras nos navios era ficar no porão, tirando a água 
que entrava pelo fundo da embarcação. 
 
FONTES: Sites Projeto Memória, Instituto Camões e VEJA na História, Centro de História 
Além-Mar (Universidade Nova de Lisboa) e livro Brasil: Terra à Vista, de Eduardo Bueno. 
 
 
A EDUCAÇÃO ARISTOCRÁTICA NO BRASIL 
COLONIAL 
 
EM 1500 Portugal vivia sob o as ideias 
do mercantilismo, que priorizara o comércio. A 
colonização do Brasil foi feita no sentido de 
atender às necessidades da metrópole. O ensino 
difundido pela companhia de Jesus estava fora 
do contexto, estudava-se grego e latim com os 
ditames da filosofia de santo Tomás de Aquino, 
século XIII. 
O ensino na a colônia atendia a uma 
elite latifundiária, que completaria os estudos 
na Europa, aos funcionários da coroa e a 
formação de padres para a própria ordem. 
Acaba a colégio da companhia de Jesus 
tinha um reitor, subordinado ao provincial, 
auxiliado por um prefeito de estudos, que 
também, tinha auxiliares para tarefas menores. 
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 66 
Havia a encarregados da disciplina e todos seguiam os estudos determinados pelo Ratio 
Studiorum (ordemde estudos). Havia um currículo de teologia com quatro anos de estudos, 
um currículo de filosofia com 3 anos de duração e o currículo humanista com cinco anos, que 
na prática durava seis ou sete anos, porque não começava a um assunto antes de dominar o 
anterior. Estudava se latim e grego e existiam castigos, inclusive físicos. 
A metodologia dia ensino começava com uma preleção. Nas classes elementares após 
a leitura era feito o resumo do texto, o professor tirava a prazo dúvidas. Mais tarde de 
chegava-se à retórica, a arte da composição, a síntaxe e ao estilo; o professor aceitava o 
diálogo. 
O trabalho de catequese tinha como objetivo converter os indígenas em cristão e em 
súditos do governo português. 
Na época da colonização do Brasil a burguesia e estava em ascensão e o 
renascimento colocava aqui em evidência novos valores. 
Portugal foi o pioneiro dos descobrimentos, tinha posição geográfica privilegiada, 
uma burguesia que apoiou e foi apoiada pelo rei desde 1385 com a Revolução Avis. 
O mercantilismo defendia a balança comercial favorável, o estoque de metais, mais 
exportações que importações, governo forte direcionando os assuntos econômicos e a 
criação de colônias para a atender às necessidades da metrópole dentro do estatuto e do 
monopólio. 
De 1500 a 1530 Portugal não se interessou pela colonização destas terras, mandou 
expedições de reconhecimento e para defender o litoral dos invasores. Estava preocupado 
com as especiarias do oriente. 
O primeiro ciclo econômico foi do pau-brasil. A madeira era extraída de forma 
predatória, para fazer corante na Europa. A cessão para a exploração foi feita a favor do 
burguês Fernão de o Noronha, que obteve o monopólio. 
O segundo ciclo econômico da colônia e mais forte começa ainda no século XVI, foi o 
açucareiro. A cana-de-açúcar havia sido testada nas ilhas do atlântico, encontrou aqui 
condições favoráveis. 
Os holandeses participaram, inicialmente e, com o refino e distribuição do açúcar nos 
mercados europeus, depois financiando os senhores de engenho. 
A colonização do Brasil teve início com a grande propriedade rural, baseada no 
sistema de capitanias hereditárias e sesmarias. 
O problema da mão-de-obra foi resolvido com a importação de negro os africanos, na 
condição de escravos. Discutia-se na época se homem negro tinha ou não a um e não recebia 
nenhum tipo de educação formal, aprendia no trabalho diário. Sofreu forte alienação 
cultural. 
 
AS PRIMEIRAS SALAS DE AULA EM NOSSA TERRA FORAM CRIADAS PELOS JESUÍTAS PARA 
EVANGELIZAR OS ÍNDIOS16 
 
Inicialmente, os curumins (filhos dos índios) e órfãos portugueses. Mais tarde, os 
filhos dos proprietários das fazendas de gado e dos engenhos de cana-de-açúcar e também 
 
16 FONTE: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/serie-especial-historia-educacao-brasil-750345.shtml 
 
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 67 
dos escravos. Em todos os casos, apenas meninos. Esses foram os primeiros alunos da 
Educação formal (e letrada) brasileira. E os padres jesuítas, os primeiros professores. De 
1549, quando o padre Manuel da Nóbrega (1517-1570) chegou ao nosso território na 
caravela do governador-geral Tomé de Sousa (1503-1579), até 1759, quando Sebastião José 
de Carvalho e Melo (1699-1782), o marquês de Pombal, expulsou a Companhia de Jesus, a 
catequização e o ensino se misturaram. 
 
 
Os padres começaram a catequizar os índios logo que desembarcaram no Brasil 
Franciscanos e outras ordens religiosas chegaram a realizar algumas tentativas 
pontuais de ensino, como lembra Dermeval Saviani em História das Ideias Pedagógicas no 
Brasil (Ed. Autores Associados), mas foram os jesuítas que lograram a constituição de uma 
rede educacional. Os primeiros passos foram dados nas casas de bê-á-bá (ou confrarias de 
meninos). "Logo após o desembarque, os jesuítas iniciaram a conversão dos índios ao 
cristianismo ensinando os rudimentos do ler e escrever, numa concepção evangelizadora que 
se materializaria, depois, nos famosos catecismos bilíngues, em tupi e português", escrevem 
Amarilio Ferreira Jr. e Marisa Bittar, docentes da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), 
no artigo A Gênese das Instituições Escolares no Brasil. 
O objetivo principal era catequizar - afinal, a Igreja Católica se sentia ameaçada pela 
Reforma Protestante -, mas para isso todos precisavam saber ler. "As letras e a doutrina 
estavam imbricadas na cultura europeia medieval vigente ainda nos séculos 16 e 17. E a 
gramática portuguesa também vinha carregada de orações e pensamentos religiosos", 
explica José Maria de Paiva, da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). 
Nas casas de bê-á-bá, moravam os padres e meninos órfãos trazidos de Portugal. 
Esses pequenos estudantes ajudavam a despertar a atenção das crianças indígenas. As aulas 
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 68 
eram bilíngues (em português e tupi, considerada a língua predominante no litoral, onde a 
ocupação brasileira começou) e o ensino dos dogmas católicos era seguido de perto pela 
desvalorização dos mitos indígenas. Segundo relato do padre José de Anchieta (1534-1597) a 
Inácio de Loyola (1491-1556), fundador da Companhia de Jesus, os índios entregavam seus 
filhos "de boa vontade" para serem ensinados e, ao retornar para o convívio com seus pais, 
as crianças colaboravam para disseminar o ideário católico entre os adultos. 
Não havia uma formação específica para que um padre se tornasse professor. 
"Bastava saber ler e escrever, mas principalmente conhecer as Sagradas Escrituras, já que a 
escola era quase um sinônimo de sacristia e estudar significava se tornar um bom cristão", 
comenta Marisa. O método consistia em ouvir e repetir o que os sacerdotes ensinavam. 
"Quanto mais fiel aos ensinamentos, melhor", complementa Ferreira Jr. 
Outro marco da didática da época era o uso do teatro e da poesia para ensinar. 
"Anchieta inspirou-se nos usos e costumes indígenas, utilizando-se das músicas, das danças e 
dos cantos usados em suas festas cerimoniais em seus autos. Para atingir os objetivos de 
catequizar e educar, os cânticos e as poesias eram traduzidos e adaptados", contam as 
pesquisadoras Yara Kassab, Inez Garbuio Peralta e Vera Cecília Machline no artigo O 
Lúdico Na Festa de São Lourenço de José de Anchieta. Nas cenas, os hábitos dos nativos eram 
adaptados para uma vida considerada mais cristã e costumes como a nudez e a bigamia eram 
criticados. "O jesuíta percebe que o teatro podia ser uma estratégia pedagógica promissora e 
um instrumento de comunicação com os índios para transmissão da doutrina católica, dos 
valores morais e culturais europeus ocidentais, bem como a propagação da Língua 
Portuguesa", completam. 
Saviani lembra que Anchieta17 era um "hábil conhecedor de línguas". Além do 
espanhol, seu idioma nativo, ele sabia português e latim e, após sua chegada ao Brasil, 
aprendeu rapidamente a chamada "língua geral" dos indígenas. Foi responsável por elaborar 
uma gramática do tupi, que facilitou muito o trabalho de evangelização. 
Na sociedade colonial, com caráter aristocrático e patriarcal, o senhor de engenho 
tinha todos os direitos ao negro os, a mulheres, mestiços, indígenas etc, só restava obedecer 
para um dia gozar a eternidade do paraíso cristão. 
O desenvolvimento artístico sempre acompanhou os ciclos econômicos e foram 
proibidos. 
Os jesuítas lideraram as primeiras experiências de ensino no Brasil entre os séculos 16 
e 18, mas foram expulsos de Portugal e da colônia em 1759. Responsável por essa 
determinação, Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), o marquês de Pombal, iniciou 
uma reforma da Educação com o objetivo de modernizar o reino de dom José I (1714-1777). 
Para substituir os padres, ele criou as aulas régias, mas os efeitos concretossó foram sentidos 
alguns anos depois. 
Em 1760, foi realizado o primeiro concurso para professores públicos (ou régios), em 
Recife (leia a linha do tempo na página seguinte), mas as nomeações demoraram e o início 
 
17 "(...) o principal cuidado que temos deles (os índios) está em lhes declararmos os rudimentos da fé, 
sem descuidar o ensino das letras; estimam-no tanto que, se não fosse esta atração, talvez nem os 
pudéssemos levar a mais nada." 
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 69 
oficial das aulas só ocorreu em 1774, no Rio de Janeiro. Diante disso, quem tinha condições 
recorria a professores particulares. 
Depois que o ensino engrenou, a etapa inicial, chamada de "estudos menores", era 
formada pelas aulas de ler, escrever, contar e humanidades (gramática latina, grego etc.). Era 
a primeira vez que a Educação era responsabilidade estatal e objetivava ser laica, mas o 
catolicismo ainda continuava muito presente. Para se tornar professor, não havia uma 
formação específica. Por isso, eram selecionados os que tinham alguma instrução, muitas 
vezes padres. 
Tereza Fachada Levy Cardoso, doutora em História e docente do Centro de Educação 
Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), no Rio de Janeiro, conta que os professores 
ganhavam um título de nobreza, que dava direito a alguns benefícios, como a isenção de 
certos impostos. Mas a atividade era penosa e nem sempre compensadora. As aulas régias 
aconteciam na casa dos educadores, previamente liberadas pelos inspetores. Eram 
frequentes as solicitações por melhores salários, especialmente porque havia muita diferença 
entre o que era pago dependendo do nível em que o educador atuava. 
 
 
O método mútuo, inspirado no sistema fabril Inglês não deu certo no Brasil 
 
As orientações de Pombal valeram até a morte de dom José I, em 1777. Quando dona 
Maria I (1734-1816) assumiu o trono, demitiu o marquês. Apesar da mudança política, no 
início não houve uma ruptura no sistema de ensino. As aulas deixaram de ser denominadas 
régias e passaram a ser chamadas de públicas, mas só o nome mudou. 
Dona Maria I reinou até 1792, quando seu filho dom João VI (1767-1826) assumiu o 
poder. A vinda da família real para o Brasil, em 1808, impulsionou o desenvolvimento 
cultural. Logo surgiram a Imprensa Régia e alguns jornais impressos, o Jardim Botânico do Rio 
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de Janeiro e o Museu Real. Enquanto isso, as ideias que levariam à independência já se 
alastravam pelo país e ela se tornou real em 1822. 
 
A civilização é obra da escola e a escola é obra do professor. 
Se quereis elevar a escola e a civilização, começai por elevar o 
professor à altura da sua missão e lhe dar nas vantagens do 
seu ofício a coragem, o gosto, a energia e a força que ele 
demanda." Antônio de Almeida Oliveira 
 
Marquês de pombal, primeiro-ministro de D. José I de Portugal, expulsou os jesuítas 
de todo o território português em 1759, acusando-os de promover a subversão, trabalhar 
contra o império e ter responsabilidades sobre a formação da elite portuguesa, que se 
encontrava a em situação inferior dianteira das elites das outras nações européias. 
O novo sistema educacional e implantado pelo marquês não substituiu a altura o 
anterior. Cobraram o subsídio literário, o imposto para apagar as aulas régias, que foram 
poucas e de má qualidade. 
 
 
 
 
Em 1808 com a chegada da família real portuguesa ao Brasil estava quebrado o 
estatuto colonial, começando uma nova fase. 
 
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FONTE: http://metalurgicospiracicaba.com.br/n/2015/01/22/familia-real-portuguesa-foge-de-portugal-e-desembarca-no-brasil/ 
 
 
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Linha do tempo 
 
1500 Os portugueses chegam aqui e encontram vários povos indígenas. 
1530 As capitanias hereditárias são criadas e começa o cultivo de cana-de-açúcar. 
1549 Primeiro grupo de jesuítas desembarca em solo tupiniquim. 
1599 A Companhia de Jesus promulga o Ratio Studiorum. 
1759 O marquês de Pombal expulsa os jesuítas do Brasil. 
 
Fonte História da Educação (Maria Lúcia de Arruda Aranha, 256 págs., Ed. Moderna) 
 
ANOTAÇÕES: 
 
 
 
 
 
 
 
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PLANO DE TRABALHO DOCENTE DO 3º TRIMESTRE – 2016 
 
 
1. APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 
 
Desde que o ensino e a aprendizagem passaram a ser planejados e formalizados, 
eles sofreram muitas transformações. No terceiro trimestre o foco será na trajetória da 
Educação brasileira. Veremos as principais características de cada período. "Devemos olhar 
para a história da Educação pelo tripé de quem faz (o homem), o contexto e o produto (o que 
foi feito), sempre com a perspectiva de entender o presente", ressalta Gisela Wajskop, 
diretora do Instituto Singularidades. 
Compreender a trajetória da Educação é uma parte essencial da formação dos 
docentes. Por isso, Dermeval Saviani, professor emérito da Universidade Estadual de 
Campinas (Unicamp), sugere que essa área do conhecimento seja o eixo da organização dos 
conteúdos curriculares de Pedagogia. "De um curso assim estruturado se espera que forme 
pedagogos com uma aguda consciência da realidade em que vão atuar". 
Apesar da grande importância, esse conhecimento não tem recebido a devida 
atenção. "Hoje temos uma memória do esquecimento e o que é velho não é considerado 
relevante", analisa Maria Helena Camara Bastos, professora da Pontifícia Universidade 
Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). "Passo o semestre lembrando meus alunos que todos 
acham algo moderno usar jogos, mas Platão (427-347 a.C.) já propunha isso. É fundamental 
que todos conheçam a história e entendam que ela é feita por nós a cada dia. Caso contrário, 
nossa identidade não se constrói." 
Outro estudioso do assunto, Maurice Tardif, docente da Universidade de Montreal 
(UdeM), no Canadá, lembra que, ao chegar em uma escola, entramos em uma densa cultura 
educacional com mais de 2,5 mil anos de idade. As ideias e os valores que hoje permeiam o 
ensino vêm de tradições ocidentais. "Por exemplo, aprender a falar é um valor educativo 
sofista e socrático que apareceu na Grécia cinco séculos antes de Cristo", resume. 
FONTE: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/serie-especial-historia-educacao-brasil-750345.shtml 
 
2. CONTEÚDOS ESTRUTURANTES E SEUS DESDOBRAMENTOS: 
 
— Educação Brasileira 
— Pedagogias não-liberais 
— Pedagogia brasileira contemporânea 
 
 
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6. AVALIAÇÃO 
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1 Educação Brasileira 
1.1 Período Imperial: 
A Educação no 
Império, a formação 
da elite. 
1.2 Reformas: Couto 
Ferraz, Leôncio 
Carvalho e os 
Pareceres de Rui 
Barbosa para a 
organização do 
ensino. 
Os Fundamentos 
Históricos da 
Educação, 
enquanto campo 
de conhecimento 
que investiga no 
tempo e no 
espaço os 
fenômenos sociais 
serve de apoio à 
compreensão da 
educação na 
contemporaneida
de. Nesse sentido, 
a disciplina deverá 
ser conduzida 
com 
problematizações, 
para não ocorrer 
o reducionismo 
dos conteúdos. 
Osestudantes 
mediados pelo 
docente 
perceberão que 
as explicações do 
senso comum não 
dão conta da 
visão de 
totalidade dos 
fenômenos. 
Os conteúdos 
curriculares 
serão 
trabalhados por 
meio de leituras 
orientadas, 
aulas 
expositivo-
dialogadas, 
utilização de 
cine-fórum, 
leitura 
contextualizada 
de textos, 
livros, filmes e 
documentários, 
análise de 
situações 
problema, 
relato de 
experiências 
que possam 
contribuir para 
a análise e 
reflexão sobre 
os conteúdos 
curriculares. 
Análise de 
texto 
Debate/Ro
da da 
conversa 
Data: 
___/___/16 
 
2,0 Analisa 
consistentemen
te os fatores 
predominantes 
da educação 
Brasileira no 
Período 
Imperial. 
Expõe com 
clareza e 
objetividade os 
períodos que 
caracterizam o 
período 
Republicano. 
1.3 Período 
Republicano (1889 a 
1930): O ceticismo 
pela educação; “o 
otimismo 
pedagógico”; as lutas 
políticas pedagógicas; 
a transição da 
Pedagogia Tradicional 
à Pedagogia Nova. 
1.4 Período de 1930 a 
1932: A Política 
Educacional e os 
conflitos ideológicos 
dos anos 30; 
Manifesto dos 
Pioneiros da Escola 
Nova. 
Cine-
Fórum: 
Uma 
professora 
maluquinha 
Data: 
___/___/16 
 
3,0 Compreende a 
importância dos 
marcos 
Históricos da 
Educação 
Brasileira. 
Investiga os 
fatos históricos 
dos períodos 
fazendo uso dos 
instrumentos 
de pesquisa. 
 
1.5 Estado Novo de 
1937 a 1945: A 
Constituição de 1937 
e as Leis Orgânicas; A 
Política Educacional 
dos governos 
populistas. 
1.6 Período da 
Estudo de 
caso: Zuzu 
Data: 
___/___/16 
Zuzu Angel 
e o 
militarismo 
Produção 
2,5 Compreende a 
importância dos 
marcos 
Históricos da 
Educação 
Brasileira. 
Investiga os 
fatos históricos 
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 75 
Ditadura Militar: O 
fracasso da política 
educacional. Leis de 
Diretrizes e Bases nº 
4024/61 e nº 5692/71; 
Tecnicismo. 
de História 
em 
Quadrinhos
. 
dos períodos 
fazendo uso dos 
instrumentos 
de pesquisa. 
2. Pedagogias não 
Liberais 
2.1 Contexto histórico 
e características 
2.2 Pedagogia Crítico 
Produtivista 
2.3 Pedagogia 
Libertadora 
2.4 Pedagogia Crítica. 
 
3. Pedagogia Brasileira 
Contemporânea 
9.1 Educação 
Brasileira a partir da 
Constituição de 1988 
9.2 Redemocratização 
da Educação Brasileira 
9.3 A elaboração da 
Lei de Diretrizes e 
Bases nº 9394/96 
9.4 Tendências Neo 
Liberais versus 
Materialismo 
Histórico. 
Linha do 
tempo 
Data: 
___/___/16 
 
2,5 Compreende as 
Pedagogias não 
Liberais como 
contraponto à 
Pedagogia 
Tecnicista. 
Estabelece 
leitura crítica 
das Pedagogias 
não Liberais por 
meio do 
cruzamento de 
informações 
entre artigos, 
textos e outros 
recursos. 
Identifica as 
Instituições 
Sociais que dão 
suporte à 
disseminação e 
princípios que 
norteiam a 
Pedagogia 
Brasileira na 
contemporanei
dade. 
Conhece o 
processo de 
redemocratizaç
ão da Educação 
Brasileira. 
Diferencia as 
tendências neo 
liberais das 
tendências 
críticas. 
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 76 
 
7. RECUPERAÇÃO: 
 
 Em todas as atividades realizadas para avaliar a aprendizagem dos estudantes serão 
oportunizadas a recuperação da aprendizagem, logo após o professor comunicar a nota para 
o estudante, devendo este entrega-las somente no prazo estipulado. A recuperação é 
individual e em função das temáticas não apropriadas pelo estudante. Esta atividade é 
opcional para o estudante. 
 
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
 
AIRÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981. 
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia. 3 ed. São Paulo: 
Moderna, 2006. 
FRANCISCO FILHO, Geraldo. A Educação Brasileira no contexto histórico. Campinas: Ed. 
Alínea, 2001. 
_____. História Geral da Educação. Campinas: Ed. Alínea, 2003. 
GADOTTI, Moacir. História das ideias pedagógicas. 8 ed. São Paulo: Ática, 2004. 
GHIRALDELLI JÚNIOR, Paulo. História da educação brasileira. São Paulo: Cortez, 2005. 
_____. História da educação. São Paulo: Cortez, 1990. 
HOBSBAWN, Eric. Sobre história. São Paulo: Companhia das letras, 1998. 
LARROYO, Francisco. História geral da pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1982. 
LUZURIAGA, Lorenzo. História da educação e da pedagogia. 12 ed. São Paulo: Nacional, 1980. 
PAIXÃO, Priscilla Campiolo Manesco. Metodologia do Ensino de História. Maringá: 
CESUMAR, 2012. 
RIBEIRO, Maria Luisa Santos Ribeiro. História da Educação Brasileira: a organização escolar. 
Campinas: Cortez, 2010. 
ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da Educação no Brasil (1930/1973). 29 ed. 
Petrópolis: Vozes, 2005. 
SAVIANI, Demerval. História da ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 
2010. 
SAVIANI, Dermeval; LOMBARDI, José Claudinei; SANFELICE, José Luís. História e História da 
Educação. Campinas: Autores associados, 2010. 
VEIGA, Cynthia Greive. História da Educação. São Paulo: Ática, 2007. 
ZUCCHI, Bianca. O ensino de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental: teoria, 
conceitos e uso de fonte. São Paulo: Ed. SM, 2012. 
 
 
 
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 77 
 
A EDUCAÇÃO NO BRASIL DE 1808-1822 
 
Em 1808 a família real portuguesa chega ao Rio de Janeiro fugindo da invasão de 
Napoleão Bonaparte, em Portugal. 
O mercantilismo tinha perdido espaço para o liberalismo inglês e o estatuto colonial 
com a escravidão já não interessava a nova teoria. 
O comércio livre entre as nações era uma das ideias de Adam Smith. A revolução 
industrial tinha acontecido na Inglaterra no século XVIII, daí todos os interesses nas 
mudanças. 
A abertura dos portos às nações amigas em 1808 quebrou o estatuto colonial, mas se 
beneficiou, principalmente a Inglaterra. 
Em 1808 o Brasil passou a sediar a monarquia portuguesa, deixando de ser colônia. 
Em 1800 a colônia passa a Reino Unido de Portugal e Algarve. 
Com a nova situação do Brasil em 1808, as proibições comerciais e industriais são 
suspensas. Com a abertura dos portos, as elites se passaram a comprar produtos ingleses, 
mesmo os não adequados para os trópicos. 
A corte portuguesa no Rio de Janeiro favoreceu as elites brasileiras, mas não alterou a 
estrutura no atendimento ao povo. O trabalho escravo sobreviveu às teorias liberais, a vinda 
da corte portuguesa, a independência, chegando próximo da república. 
O século 19 foi marcado pelo neocolonialismo e já em 1808, o os ingleses e franceses 
estavam lutando pela hegemonia, Portugal ficou no caminho dos dois grandes gigantes e 
sofreu a invasão do seu território. 
No campo educacional a preocupação continuou com o ensino superior para as elites 
deixando as camadas menos privilegiadas praticamente e abandonadas. Não houve mudança 
na estrutura, o ensino elementar não recebeu cuidado. 
A população brasileira era mais ou menos de 4 milhões de pessoas, sendo mais de um 
milhão de escravos de negros. O Rio de Janeiro tinha pouco mais de 100.000 habitantes. Logo 
em 1808, Dom João assinou decreto abrindo os portos às nações amigas, determinou a 
criação de escolas superiores, museus, jardim botânico, bibliotecas e etc. Era melhorias 
principalmente para a atender a burocracia palaciana e seus agregados. 
As melhorias foram rápidas para as elites e as ideias de independência foram 
reforçadas. A independência política aconteceu dentro da visão de mundo fornecida pelas 
novas teorias e, foi proclamado pelo príncipe herdeiro da própria coroa, como se fosse uma 
ironia da história. 
 
A EDUCAÇÃO DE ELITE NO PERÍODO IMPERIAL (1822 – 1889) 
 
 Século XIX surge com grandes transformações, recebeu influências do Liberalismo, 
completado com os avanços do iluminismo, formando a base da democracia burguesa. É a 
época do neocolonialismo, principalmente na Ásia e África. 
 Surge o Marxismo com o Manifesto Comunista de 1848 e depois segue coma 
publicação do primeiro livro O Capital. Foi uma reação contra as péssimas condições de vida 
dos trabalhadores. São formadas as internacionais socialistas a partir de 1864. 
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 78 
 As novas ideias chegaram da Europa e o Positivismo de Comte e Durkheim 
influenciou a proclamação da República. 
 O café ocupa espaço como ciclo econômico importante e as ferrovias crescem 
acompanhando a expansão da lavoura cafeeira. 
 A educação continuou de elite no Período Imperial. As aulas avulsas tomaram conta 
e as escolas confessionais ajudaram a cumprir os objetivos. 
 Em 1837 foi fundado o Colégio D. Pedro II para servir de modelo. 
 Em 1834 o Ato Adicional à Constituição de 1824 centralizou o ensino superior no 
governo imperial e deu às províncias o direito de legislar e promover o ensino primário e 
secundário. 
 As escolas de primeiras letras tiveram pouca ascensão, quase foram abandonadas e 
não havia interesse político. 
 Os projetos de lei para a educação não vingavam e sempre alegavam a falta de 
verba ou outro motivo para refutar. 
 As meninas da elite recebiam educação sobre afazeres domésticos e as meninas das 
camadas mais pobres só recebiam a educação informal da mãe para filha. 
 O ensino superior tem prioridade durante todo o século XIX. Logo em 1827 foram 
fundados os cursos jurídicos de São Paulo e Olinda. 
 Foi instituído o ensino parcelado. Nas bancas das faculdades eram feitas avaliações 
para ingresse no ensino superior. A preparação, anterior, ficava por cont6a do aluno, que não 
precisava freqüentar o ensino seriado. Somente a elite tinha condições de pagar professores 
ou um colégio religioso. Com o tempo, o Colégio D. Pedro II, modelo para os demais, aderiu 
ao sistema parcelado. Estava com as salas vazias e necessitava acompanhar o bonde da 
história. 
 Em 1854 a Lei Couto Ferraz criou a obrigatoriedade do ensino primário e reforçou a 
gratuidade, mas negava o acesso aos filhos de escravos. 
 As Escolas Normais começaram no Período Regencial (1831-1840). Em São Paulo a 
Escola Normal Caetano de Campos foi fundada em 1894. Existia um dia de aula por semana 
para os homens e um dia de aula por semana para as mulheres. 
 Em 1881 foi criada a Escola Normal Oficial na Capital do Império para servir de 
modelo às demais. O conhecimento trabalhado nada tinha com a nossa realidade. 
 As escolas profissionalizantes, inicialmente, foram fundadas para atender os 
desvalidos, depois aparecem os liceus de arte e ofício. 
 Leôncio de Carvalho em 1879 promoveu a última reforma educacional do Império. 
Estabeleceu normas para os ensinos primário e secundário da Corte e para o ensino superior 
em todo o país; dava autonomia ao ensino e pesquisa, autorizava a abertura de escolas 
particulares; aceitava o aluno filho de escravo e estabelecia a obrigatoriedade de estudos dos 
7 aos 14 anos. Na prática não funcionou. 
 O império legou à República um ensino superior de elite, sistema parcelado, baixo 
nível e nenhuma estrutura para atender os filhos dos trabalhadores. 
 
 
 
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 79 
MESTRES QUASE NOBRES: diverso, mas semelhante 
 
A Constituição de 1824 estabeleceu que a Educação deveria ser gratuita para todos 
os cidadãos. Para cumprir essa determinação, deputados e senadores aprovaram uma lei em 
15 de outubro de 1827 que marcou o Dia do Professor e indicou que fossem criadas escolas 
de primeiras letras em todas as cidades e vilas. Na prática, o ensino permaneceu sem 
mudanças estruturais até 1834. Nessa data, um ato adicional alterou a Constituição e deu 
poder para cada província, entre outros aspectos, definir as regras educacionais em seu 
território. "Elas começaram a criar escolas, mas as diretrizes educacionais eram muito 
semelhantes", afirma André Paulo Castanha, professor de História da Educação da 
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e pesquisador do período. "Os 
presidentes das províncias eram nomeados pelo imperador. Vários circularam por mais de 
uma região. Então, as medidas eram adotadas em um lugar e, depois, levadas para outros." 
Como parte do esforço de criar mais escolas, o Colégio Pedro II foi fundado em 
1837, no Rio de Janeiro, para ser um modelo para o ensino secundário. E para quem iniciava 
os estudos havia as escolas de primeiras letras. Nelas, as aulas abordavam temas como a 
leitura, a escrita e as operações matemáticas e adotavam o método mútuo ou lancasteriano, 
criado na Inglaterra e muito usado por aqui na primeira metade do século 19. Diana Vidal, 
professora da Universidade de São Paulo (USP), lembra que ele foi inspirado no sistema 
fabril. Cada docente tinha vários monitores - estudantes mais experientes que instruíam os 
demais. "Uma única instituição poderia alfabetizar mil alunos ao mesmo tempo." Castanha 
enfatiza que esse método foi aplicado aqui porque era o que havia de mais moderno na 
Europa, mas não deu certo porque muitas famílias não viam a necessidade de colocar os 
filhos na escola. "A Inglaterra tinha uma população escolar considerável, mas no Brasil as 
turmas eram pequenas, e isso descaracterizava o método." 
 
Linha do tempo 
1760 É realizado o primeiro concurso para professores públicos. 
1808 A vinda da família real para o Brasil incentiva a cultura no país. 
1822 Dom Pedro I (1798-1834) assume o trono após a independência. 
1834 As províncias passam a definir as regras educacionais. 
1889 A República é decretada e surge um novo modelo de escola. 
 
 
Exemplo de moral e bons costumes 
 
Quem desejava ser professor no período imperial tinha de atender a muitas 
exigências. Os conteúdos cobrados nos concursos públicos eram tantos que em alguns 
momentos foi difícil encontrar quem passasse nas provas. Diante disso, o Estado foi obrigado 
a aceitar docentes sem habilitação, que recebiam um salário menor. 
Apesar do rigor na seleção, as primeiras escolas normais voltadas à formação dos 
docentes surgiram a partir de 1835. E apenas em 1860 as leis começaram a prever vantagens 
para quem passava por essas instituições. Mesmo assim, a formação em si não era o principal 
requisito. "O foco estava no caráter do professor. Ele tinha de ser um exemplo dos valores 
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 80 
morais e religiosos e de respeito à ordem", avalia Castanha. 
Após passar pelo rigoroso processo de contratação, o educador poderia conquistar 
o direito vitalício ao cargo. Mas a remuneração era baixíssima e continuava sendo fonte de 
reclamação. No artigo Os Professores e Seu Papel na Sociedade Imperial, Castanha e Marisa 
Bittar, professora da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), resgatam uma análise de 
Antônio de Almeida Oliveira (1843-1887), que foi deputado federal e presidente da província 
de Santa Catarina, sobre a importância da valorização desse profissional. 
Na segunda metade do século 19, várias reformas tentaram dar um rumo mais 
profícuo para a Educação. Outros métodos foram utilizados, como o simultâneo, em que o 
professor se dirige a grupos de alunos reunidos pelo tema a ser estudado, e o intuitivo, que 
propunha o uso dos cinco sentidos para o aprendizado. A reforma instituída na corte em 
1854 estabeleceu que aos 5 anos as crianças poderiam ingressar na escola, mas isso não era 
seguido. Como resultado, adolescentes de até 15 anos chegavam para as primeiras aulas e o 
docente tinha de lidar com isso. "Era comum que quando a criança aprendesse a ler e 
escrever os pais a tirassem da escola, porque, naquele contexto de um país ainda 
excessivamente agrário e escravocrata, a Educação não era uma necessidade de fato", 
completa o pesquisador. 
Mesmo com tantas iniciativas e várias mudanças, o desejo de ampliar o nível de 
instrução da população não foi bem-sucedidodurante o Império. Maria Lúcia de Arruda 
Aranha apresenta no livro História da Educação (Ed. Moderna) alguns indicadores desse 
fracasso: em 1867, só cerca de 10% da população em idade escolar estava matriculada e, em 
1890, no início da República, a taxa de analfabetismo chegava a 67,2%. 
À época, o político e escritor Rui Barbosa (1849-1923) se debruçou sobre esses e 
outros números e produziu pareceres em que concluía que "somos um povo de analfabetos, 
e que a massa deles, se decresce, é numa proporção desesperadoramente lenta", como Najla 
Mehanna Mormul e Maria Cristina Gomes Machado apresentam no artigo Rui Barbosa e a 
Educação Brasileira - Os Pareceres de 1882. A avaliação negativa ocorreu no momento em 
que o país passava por grandes transformações, como a abolição da escravatura. 
 
A REPÚBLICA VELHA E A EDUCAÇÃO 
(1889-1930) 
 
Em 15 de novembro de 1889 foi proclamada a República. As novas lideranças 
passaram a governar pela Política dos Governadores e a Política do café-com-leite. Os 
fazendeiros de São Paulo e Minas Gerais estavam em evidência. 
Distribuíram o poder político da seguinte maneira: São Paulo e Minas forneciam o 
Presidente da República, alternadamente; Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul “tinham 
direito” às presidências do Senado e Câmara dos Deputados. Tudo tinha como alicerce o 
coronelismo, que nomeava autoridades e altos funcionários e em troca apoiava os candidatos 
aceitos pelas bases do governo. 
Terminada cada eleição existia a degola dos candidatos da oposição. O deputado 
mais idoso verificava as fraudes e todos já sabiam o resultado. 
O voto era de “cabresto” e os coronéis tinham “pequenos exércitos particulares 
armados” para manter a segurança. 
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 81 
Os partidos políticos não tinham nenhuma ideologia; as pessoas trocavam de 
partido como se troca de roupa, dependendo da conveniência e compromisso. Cada Estado 
tinha o seu próprio partido republicano. 
Nesse período surgiram alguns movimentos de peso, o Tenentismo em 1922 e 
depois a Coluna Prestes, no campo militar. No plano intelectual surge a Semana da Arte 
Moderna, também, em 1922, alterando os rumos da cultura. 
 
EM ANOS ATRIBULADOS, SURGEM OS GRUPOS ESCOLARES E GANHAM FORÇA OS IDEAIS 
ESCOLANOVISTAS 
 
Com a Proclamação da República, o Brasil adotou o federalismo e o poder, até 
então centralizado no imperador, foi dividido entre o presidente 
e os governos. O período foi marcado pelo desenvolvimento da 
indústria, pela reestruturação da força de trabalho - não mais 
escrava -, pelas greves operárias e pela Semana de Arte 
Moderna. No mundo, aconteceu a Revolução Russa, a Primeira 
Guerra Mundial e a queda da bolsa de Nova York. Essas 
transformações tiveram ecos na Educação. A ideia do ensino 
como direito público se fortaleceu e surgiram modelos que se 
perpetuaram. 
Benjamim Constant 
 
No Brasil, com a Constituição de 1891, a União ficou responsável apenas pela 
Educação no Distrito Federal (então, o Rio de Janeiro). "Os estados mais ricos assumem 
diretamente a responsabilidade pela oferta de ensino e os mais pobres repassam-na para 
seus municípios, ainda mais pobres", comenta Romualdo Portela no livro Educação e 
Federalismo no Brasil: Combater as Desigualdades e Garantir a Diversidade. Diante da 
fragmentação organizativa e da falta de uma orientação nacional, surgiram diversas 
propostas de reforma. Elas eram calcadas em diferentes ideais que passaram a disputar 
espaço. Os embates principais foram entre o positivismo e o escolanovismo, mas também 
estavam presentes os ideais católicos e o anarquismo. 
 
"Não pode ser uma escola de tempo parcial, nem uma escola 
somente de letras, nem uma escola de iniciação intelectual, 
mas uma escola sobretudo prática, de iniciação ao trabalho, 
de formação de hábitos de pensar, hábitos de fazer, hábitos 
de trabalhar e hábitos de conviver e participar em uma 
sociedade democrática, cujo soberano é o próprio cidadão." 
Anísio Teixeira 
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 82 
 
Nos grupos escolares estudavam muitos alunos divididos por série e idade. 
 
Diferentes concepções de ensino 
 
As ideias positivistas ganharam força com a reforma de 1890, organizada por 
Benjamin Constant (1833-1891). Adepto das teses do filósofo francês Auguste Comte (1798-
1857), ele foi nomeado chefe do Ministério da Instrução Pública, Correios e Telégrafos - 
primeiro órgão desse nível a se ocupar da Educação. Propôs mudanças nos ensinos primário 
(de 7 a 13 anos) e secundário (de 13 a 15 anos) do Distrito Federal, priorizando disciplinas 
científicas como Matemática e Física, em detrimentos das humanas - que eram o foco das 
escolas de primeiras letras, criadas no Império. 
A resistência da elite e da Igreja católica impediram que o projeto de Constant 
avançasse, mas ele abriu espaço para outras propostas. A que alcançou maior êxito foi a 
reforma paulista, implementada de 1892 a 1896. Ela tinha como base a criação dos grupos 
escolares. Como relata Dermeval Saviani no livro História das Ideias Pedagógicas no 
Brasil (Ed. Autores Associados), esse modelo - que foi replicado na maioria dos estados - 
reunia em um mesmo espaço as antigas escolas de primeiras letras. O ensino passou a ser 
organizado em séries e os estudantes foram divididos por faixa etária. 
Tornou-se necessário formar mais professores. A intenção do governo paulista era 
abrir quatro novas Escolas Normais, mas só a da capital saiu do papel no início da República. 
Paralelamente, foi criada uma solução rápida, mas de qualidade inferior: as escolas 
complementares. Foi preciso, também, estruturar a administração da Educação e formular 
diretrizes e normas. "Isso gerou novas relações de poder dentro das escolas e, a partir de 
1894, surge o cargo de diretor escolar", registra Jorge Uilson Clark, no artigo A Primeira 
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 83 
República, as Escolas Graduadas e o Ideário do Iluminismo Republicano: 1889-1930. A direção 
era reservada aos homens. Já as vagas de professores da Educação primária eram 
amplamente preenchidas por mulheres. Rosa Fátima de Souza, da Universidade Estadual 
Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), destaca que era um trabalho socialmente aceito e 
elas concordavam em ganhar salários baixos, pouco atraentes ao público masculino. 
Na base pedagógica da reforma paulista estavam princípios como a simplicidade, a 
progressividade, a memorização e a autoridade, fundamentada no poder do professor e em 
prêmios e castigos aos estudantes. Rosa complementa que os docentes eram bastante 
pressionados pelo estado. "Notamos uma preocupação nos relatos de professores da época 
em cumprir o programa. O aluno que repetia trazia um gasto extra que preocupava a escola", 
ela diz. A Educação, então, tinha um viés excludente, já que quem era reprovado (cerca de 
50%) acabava deixavando de estudar. 
"A exclusão também se dava em função da localização geográfica e do número de 
unidades escolares", explica Vera Lúcia Gaspar da Silva, da Universidade do Estado de Santa 
Catarina (Udesc). Embora grande parte da população estivesse no campo, os grupos eram 
construídos nas cidades. Nas áreas rurais, havia apenas escolas isoladas, com uma sala e 
alunos de diferentes idades. 
 
Linha do tempo 
1891 É proclamada a Constituição e a Educação fica a cargo de estados e municípios. 
1892 A reforma paulista propõe os grupos escolares, com a divisão dos alunos em séries. 
1914 Começa a Primeira Guerra Mundial, que segue até 1918. 
1920 Ocorre a Reforma Sampaio Dória, em São Paulo, seguida por outras sete. 
1930 A revolução e um golpe de estado levam Vargas ao poder. 
 
Esforços para democratizar 
 
A ideia de uma Educação para todos só ganhou força nadécada de 1920. Nesse 
período, se destacaram os pioneiros da Escola Nova - Anísio Teixeira (1900-1971), Fernando 
de Azevedo (1894-1974), Lourenço Filho (1897-1970) e outros -, que defendiam a escola 
pública e laica, igualitária e sem privilégios. 
O estopim das mudanças foi a Reforma Sampaio Dória, em São Paulo, em 1920, que 
leva o nome do então diretor-geral da Instrução Pública do estado, Antonio de Sampaio Dória 
(1883-1964). Preocupado com o fato de metade da população de 7 a 12 anos estar fora da 
escola e com um baixo orçamento, ele propôs uma etapa inicial de dois anos (equivalente ao 
começo do Ensino Fundamental atual), gratuita e obrigatória. 
O projeto foi engavetado rapidamente, mas abriu espaço para ações estruturais em 
vários estados. Em um período de seis anos, educadores lideraram reformas no Ceará, no 
Paraná, no Rio Grande do Norte, na Bahia, em Minas Gerais, no Distrito Federal e em 
Pernambuco. Segundo Saviani, elas alteraram a instrução pública em aspectos como a 
ampliação da rede de escolas e a reformulação curricular. 
Paralelamente, a corrente anarquista conquistou espaço e passou a influenciar a 
Educação. Foram fundadas escolas operárias em quase todos os estados, geridas pela 
comunidade. Tendo como base a Pedagogia libertária e as ideias do espanhol Francisco 
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 84 
Ferrer y Guardia (1859-1909), as instituições fugiam do dogmatismo e fundamentavam o 
currículo na ciência, como descreve Angela Maria Souza Martins, da Universidade Federal do 
Estado do Rio de Janeiro (Unirio), no artigo A Educação Libertária na Primeira República. 
Incomodada com a perda de espaço, a Igreja católica também orquestrou uma 
reação, pressionou os governos para o restabelecimento do ensino religioso, publicou livros 
didáticos e artigos em revistas e jornais e continuou a atuar na formação de professores. Da 
mesma maneira, as elites tentavam reconquistar seu poder. De outro lado, os escolanovistas 
cresciam cada vez mais e se preparavam para a publicação do Manifesto dos Pioneiros da 
Educação Nova, em 1932, já no governo de Getúlio Vargas (1882-1945). 
 
 
ERA VARGAS 
 
As propostas da Escola Nova e de Paulo Freire ganham força, mas não chegam às 
salas de aulas 
 
A disciplina era uma marca das escolas, que tinham muitas salas separadas por gênero 
A defesa da Educação pública, gratuita e laica ganhou força no país em 1932, com o 
Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (leia a linha do tempo na página seguinte e a 
pergunta de concurso na última página), introduzido no capítulo anterior desta série. Seus 26 
signatários - entre eles Lourenço Filho (1897-1970) e Anísio Teixeira (1900-1971) - combatiam 
a escola restrita à elite e ligada à religião. Os anseios se justificavam. Afinal, em 1920 o 
analfabetismo atingia 80%. "O principal mérito do manifesto foi trazer à tona o debate sobre 
a escola para toda a população independentemente da classe social", diz Maria Cristina 
Gomes Machado, da Universidade Estadual de Maringá (UEM). 
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 85 
Nessa mesma época, a crise de 1929, gerada pela queda da Bolsa de Nova York, 
desencadeou o desgaste da economia cafeeira e, também, do revezamento entre Minas 
Gerais e São Paulo no poder. Fortalecido por isso, o movimento revolucionário conseguiu 
derrubar a República Velha e, em 1930, Getúlio Vargas (1882-1954) se tornou chefe do 
governo provisório. 
No mesmo ano, foi criado o Ministério da Educação e Saúde Pública, ocupado por 
Francisco Campos (1891-1968). Embora influenciado pelo manifesto, o novo ministro era 
católico e antiliberal. Assim, colaborou para o retorno do Ensino Religioso ao currículo. Além 
da presença na escola pública, a religião exercia influência no ensino privado, pois as igrejas, 
principalmente a católica, eram proprietárias de muitas instituições e recebiam subvenção do 
governo. Os escolanovistas eram contra isso e os dois grupos protagonizaram intensos 
debates. O governo tendia ora para um lado, ora para outro, e a Constituição de 1934 é um 
exemplo disso. Ela contrariou o princípio da escola laica ao definir que o ensino fosse 
ministrado segundo a orientação religiosa dos estudantes, mas definiu que a Educação era 
direito de todos e dever do poder público. 
Enquanto isso, as doutrinas totalitaristas se expandiam na Europa e, inspirado por 
elas, Vargas instituiu o Estado Novo (1937-1945). "A nova ideologia proclamava a importância 
da escola como via de reconstrução da sociedade brasileira", esclarece Silvia Helena Andrade 
de Brito no artigo A Educação no Projeto Nacionalista do Primeiro Governo Vargas (1930-
1945). 
Para atender a esse anseio, as Leis Orgânicas do Ensino foram promulgadas a partir 
de 1942. O ginásio, equivalente ao segundo ciclo do Ensino Fundamental de hoje, passou a 
ter quatro anos e o colegial - o atual Ensino Médio - três. Foi criado o curso supletivo de dois 
anos para a população adulta. E a rede pública foi organizada em escolas com uma, duas a 
quatro e cinco ou mais classes, além da escola supletiva. 
 
Na visão bancária da Educação, o 'saber' é uma doação dos 
que se julgam sábios aos que julgam nada saber. (...) O 
educador, que aliena a ignorância, se mantém em posições 
fixas, invariáveis. Será sempre o que sabe, enquanto os 
educandos serão sempre os que não sabem. A rigidez dessas 
posições nega a Educação e o conhecimento como processos 
de busca. 
Paulo Freire 
 
 
ERA VARGAS: PROFUSÃO DE IDEIAS 
 
Em 1939, o primeiro curso de Pedagogia do país foi criado na Pontifícia 
Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Num primeiro momento, porém, os 
professores continuaram a se formar nas escolas normais. Nelas, o currículo era pouco 
específico, com disciplinas como Higiene e Trabalhos Manuais. Maria Cristina conta que, em 
geral, as mulheres - maioria entre os que atuavam nos anos iniciais - trabalhavam meio 
período e muitas abandonavam a atividade quando se casavam. Já o ginásio e o colegial 
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 86 
contavam com mais professores do sexo masculino formados em outras áreas, como Filosofia 
e Direito. A separação de gêneros também acontecia entre os alunos. Se até o final do 
primário aceitavam-se turmas mistas, para os estudantes mais velhos a recomendação era 
organizar classes separadas. 
Dos estudantes, exigia-se um comportamento exemplar. A vigilância era grande e a 
expulsão, possível e grave, já que não havia vagas para todos. Maria Cristina destaca que a 
retidão chegava às disciplinas do currículo. "A Educação Física, por exemplo, servia como 
preparo para o trabalho e para o serviço militar, com exercícios como marcha e polichinelo." 
 
Linha do tempo 
 
1932 O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova defende a Educação gratuita e laica. 
1937 Inspirado pelo totalitarismo europeu, Vargas inicia o Estado Novo, que segue até 1945. 
1946 A nova Constituição define que a União legisle sobre a Educação. 
1962 Paulo Freire alfabetiza 300 agricultores em 45 dias no estado de Pernambuco. 
1964 O golpe militar instaura a ditadura e anos de forte repressão. 
 
Fonte História da Educação (Maria Lúcia de Arruda Aranha, ed. Moderna) 
 
Com o fim do Estado Novo, o país ganhou outra Constituição. O texto atribuiu à 
União a função de legislar sobre as bases da Educação, o que antes ocorria de maneira 
fragmentada. Em 1948, o ministro Clemente Mariani (1900-1981) apresentou o anteprojeto 
da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), o que gerou novos conflitos entre 
os escolanovistas e a Igreja Católica. "Além da manutenção do Ensino Religioso, estava em 
jogo qual desses grupos era mais capacitado para atuar em espaços de decisão", diz Marcus 
Levy Bencostta,da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Por causa desse debate acirrado, 
a LDBEN foi aprovada 13 anos depois, permitindo a pluralidade dos currículos e 
estabelecendo que o Estado destinaria recursos a entidades privadas. 
Nos anos 1950 e 1960, a política se caracterizou pelo populismo, com presidentes 
como o próprio Vargas, eleito para o período de 1951 a 1954, e Juscelino Kubitschek (1902-
1976), de 1956 a 1961. Surgiram aí movimentos de Educação popular, com iniciativas que até 
hoje estão vivas, como as propostas de Paulo Freire (1921-1997). As primeiras experiências 
do educador ocorreram em 1962, em Angicos, a 171 quilômetros de Natal, quando 300 
trabalhadores rurais foram alfabetizados em 45 dias. Freire considerava as cartilhas incapazes 
de atender às necessidades dos alunos. Para ele, na sociedade de classes, os privilégios de 
uns impedem a maioria de usufruir de certos bens, como a Educação, que deveria instigar a 
reflexão sobre a própria condição social. 
Esse período também foi fértil em manifestações culturais como o cinema novo e a 
bossa nova. Foram anos recheados de boas ideias, mas nas salas de aula não houve grandes 
avanços. E, em 1964, iniciativas como as de Freire esmoreceram totalmente com o golpe 
militar. O Brasil passou a viver momentos de repressão, cujas repercussões aparecem no 
próximo capítulo desta série. 
 
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 87 
DITADURA MILITAR: AULAS PARA O TRABALHO 
 
O regime militar se apoiou nos ideais tecnicistas e fez do ensino uma ferramenta de 
controle 
 
O Mobral ampliou a escolarização de adultos, mas gerou analfabetos funcionais 
As propostas de uma Educação mais democrática foram abandonadas com o início 
do regime militar, em 1964. Paulo Freire (1921-1997) foi exilado no Chile e a Escola Nova 
deixou de ser considerada para as políticas públicas. O novo governo manteve a preocupação 
com a industrialização crescente e o foco em formar um povo capaz de executar tarefas, mas 
não necessariamente de pensar sobre elas. 
No primeiro ano de mandato do marechal Humberto de Alencar Castello Branco 
(1900- 1967), um simpósio do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), ligado à direita 
governista, deu indicações claras do rumo que se queria tomar. Dermeval Saviani conta no 
livro História das Ideias Pedagógicas no Brasil (Ed. Autores Associados) que a meta do evento 
era a elaboração de um plano de Educação com a escola primária voltada para uma atividade 
prática e o 2º grau técnico que preparasse o estudante para o mercado. Também foram 
assinados acordos entre os governos brasileiro e norte-americano que vinham sendo 
discutidos há alguns anos e previam a vinda de técnicos para treinar professores. "As ações 
visavam transformar o Brasil em uma potência econômica mundial", explica Amarilio Ferreira 
Jr., da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). 
Na Educação de adultos, as ideias de Freire deram lugar a um modelo 
assistencialista por meio do Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral). A leitura passou 
a ser tratada como uma habilidade instrumental, sem contextualização. Os alunos aprendiam 
palavras acompanhadas de imagens, faziam a divisão silábica e, por último, trabalhavam com 
frases e textos. Também eram estudados os cálculos matemáticos, a escrita e hábitos para a 
melhoria da qualidade de vida. De acordo com o livro História da Educação, de Maria Lúcia de 
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 88 
Arruda Aranha (256 págs., Ed Moderna, tel. 0800-7707-653, 65,90 reais), em 1970, 33% das 
pessoas com mais de 15 anos eram analfabetas e, dois anos depois, a taxa caiu para 28,51%. 
No entanto, a autora ressalta que por causa do método usado muitos alunos mal 
desenhavam o nome. 
Paralelamente a isso, o Brasil vivia um momento crítico no ensino universitário. A 
oferta não acompanhava o crescimento da demanda e a revolta pela falta de vagas ganhou 
força com as notícias das manifestações ocorridas na França, em maio de 1968, e gerou a 
chamada "crise dos excedentes". O governo federal assumiu, então, uma postura mais 
invasiva (leia a pergunta de concurso na última página). A União Nacional dos Estudantes 
(UNE) foi considerada ilegal e qualquer tentativa de se organizar politicamente era vista 
como atividade subversiva a ser reprimida. 
 
Agora, vossa excelência [presidente Médici] não proporá ao 
Congresso Nacional apenas mais uma reforma, mas a própria 
reforma que implica abandonar o ensino verbalístico e 
academizante, para partir, vigorosamente, para um sistema 
educativo de 1º e 2º graus voltado para as necessidades do 
desenvolvimento. 
Jarbas Passarinho 
 
 
No fim de 1968, o general Arthur da Costa e Silva (1902-1969), na presidência, 
promulgou o Ato Institucional nº 5 (AI-5), que deu a ele poderes de legislativo e executivo e 
permitiu o confisco dos bens de quem fosse incriminado por corrupção. E, no ano seguinte, o 
Decreto-lei nº 477 determinou que "comete infração disciplinar o professor, aluno, 
funcionário ou empregado de estabelecimento de ensino público ou particular que pratique 
atos destinados à organização de movimentos subversivos, passeatas, desfiles ou comícios 
não autorizados". Muitos estudantes e docentes foram presos e torturados por aderirem à 
oposição ao governo. 
O incentivo ao patriotismo era uma marca forte nas escolas públicas. Uma vez por 
semana, meninos e meninas se posicionavam com a mão direita no peito, observavam a 
bandeira ser hasteada e cantavam o Hino Nacional. Um desejo desde o início do regime, a 
disciplina de Educação Moral e Cívica (EMC) foi tornada obrigatória em 1969. A maior parte 
dos que a lecionaram era militar ou religioso e lia na aula cartilhas com temas como 
cidadania, patriotismo, família e religião. Mas alguns conseguiam burlar o controle e 
introduzir conteúdos diferenciados. 
Em julho de 1971, o ministro da Educação e Cultura Jarbas Passarinho (leia a frase 
dele na primeira página) oficializou o vestibular classificatório nas universidades, algo que se 
mantem até hoje. No mês seguinte, foi aprovada a Lei nº 5.692 que determinava a 
organização do ensino em 1º e 2º graus em vez de primário, ginásio e colegial. A 
obrigatoriedade escolar foi ampliada até os 14 anos de idade e o exame de admissão 
necessário para entrar no ginásio foi extinto. Para garantir a boa receptividade da legislação, 
docentes tidos como carismáticos foram convocados para a divulgarem. Francisco Beltramni, 
então professor de Geografia, foi um deles. "No treinamento, eles nos falavam da maravilha 
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 89 
que a lei seria e orientavam que não permitíssemos discussões se alguém quisesse questionar 
aspectos como as condições de trabalho", lembra. 
A lei ainda estabeleceu a inclusão da disciplina de Estudos Sociais, com conteúdos 
que seriam de História e Geografia, nos anos iniciais do 1º grau. Os professores polivalentes 
que atuavam nesse segmento, passaram a ser formados no Magistério, com nível de 2º grau, 
e as escolas normais foram extintas. Para lecionar para os outros anos, era necessário cursar 
uma licenciatura em programas de curta ou longa duração. "A ideia era transformar o 
pedagogo em um técnico em Educação de acordo com a política tecnocrata do governo", 
explica José Willington Germano, docente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte 
(UFRN). Os concursos públicos eram poucos e não havia professores suficientes para atender 
a todas as vagas que vinham sendo criadas com a construção de escolas e a oferta de aulas 
pela manhã, à tarde e à noite. Então, quando não havia profissionais habilitados suficientes 
era permitido contratar outros temporariamente. 
Apesar do recurso do salário-educação criado em 1964 e revisto em 1975, peloqual 
as empresas pagavam imposto relativo aos filhos de funcionários em idade escolar, os 
investimentos na área decresceram ao longo do regime. No estado de São Paulo, por 
exemplo, de 8,7 salários mínimos, os docentes passaram a receber 5,7 salários, em 1979, 
segundo o livro Educação, Estado e Democracia (Luiz Antônio Cunha, Ed. Cortez). Assim, 
muitos educadores e alunos migraram para escolas privadas. 
Linha do tempo 
 
1968 O AI-5 é assinado e aumenta a repressão a atos públicos. 
1969 A disciplina de Educação Moral e Cívica se torna obrigatória em todas as etapas. 
1970 O Mobral é implementado com foco na alfabetização de adultos. 
1975 Começa o processo de transição do regime para a democracia. 
1985 Tancredo Neves é eleito e morre antes de assumir. 
 
 
DITADURA MILITAR: AULAS PARA O TRABALHO 
 
Mobilização e abertura 
 
A esse cenário se somou a crise do petróleo, em 1973, que acabou com o chamado 
milagre econômico, época em que o produto interno bruto (PIB) do país aumentava cerca de 
10% ao ano. A militância política ficou mais forte e as pessoas começaram a reivindicar a 
volta da democracia. 
Diante do fortalecimento da oposição democrática, o general Ernesto Geisel (1908-
1996) iniciou em seu governo o processo de abertura lenta e gradual que acarretou 
mudanças educacionais. O ensino de 1º grau foi municipalizado, numa tentativa de 
descentralizar e democratizar o sistema. Em 1979, o Ministério da Educação e Cultura foi 
assumido por um professor universitário pouco identificado com o regime, Eduardo Portella, 
outro indício de que as coisas estavam mudando. E João Figueiredo (1918-1999), último 
presidente militar, intensificou o processo de abertura, revogou a obrigatoriedade de o 2º 
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 90 
grau ser profissionalizante e criou programas específicos para o ensino voltados à população 
de baixa renda, que geraram pouca mudança na prática. 
Três anos depois, se encerrou a ditadura militar no Brasil. Tancredo Neves (1910-
1985) ganhou a eleição indireta, mas morreu antes da posse e seu vice, José Sarney, se 
tornou o primeiro presidente da chamada Nova República, que será contemplada no próximo 
capítulo desta série. 
 
EDUCAÇÃO PÓS-DITADURA: QUALIDADE PARA TODOS 
 
Universalização do ensino, avaliações externas e piso para professores no período 
democrático 
 
A LDB incluiu a Educação Infantil na Educação Básica 
 
Com o fim da ditadura militar, vários aspectos da política nacional foram 
repensados, e entre eles estava a Educação. Nos primeiros três anos da Nova República, o 
foco esteve na elaboração da Constituição. Pensando nela, os participantes da 4ª Conferência 
Brasileira de Educação, realizada pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em 
Educação (Anped), a Associação Nacional de Educação (Ande) e o Centro de Estudos 
Educação e Sociedade (Cedes), em Goiânia, em 1986, finalizaram o evento com uma lista de 
propostas que incluía a efetivação do direito de todos os cidadãos ao ensino e o dever do 
Estado em garanti-lo. 
Em 5 de outubro de 1988, a nova Constituição Federal foi finalmente aprovada (leia 
a linha do tempo na página seguinte). Entre as principais conquistas, estava o 
reconhecimento da Educação como direito subjetivo de todos, uma evolução do que os 
escolanovistas haviam propagado durante a Era Vargas. "Isso significa que qualquer um que 
queira estudar, mesmo se estiver fora da idade obrigatória, deve ter a vaga garantida", 
explica Carlos Roberto Jamil Cury, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A 
legislação tornou urgente a tomada de providências como a abertura de mais escolas e a 
formação de docentes, o que acarretou a necessidade de investimentos. Para isso, a lei 
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 91 
indicava a aplicação na área de no mínimo 18% da receita dos impostos pela União e 25% 
pelos estados e municípios. 
Dois anos depois, durante a Conferência Mundial sobre Educação para Todos em 
Jomtien, na Tailândia, foi aprovada uma declaração internacional que levava o nome do 
evento e propunha ações para os dez anos seguintes com vistas à universalização do ensino 
nos países signatários. Por aqui, Fernando Collor de Mello assumiu a presidência e criou o 
Programa Nacional de Alfabetização e Cidadania (Pnac) em substituição à Fundação Educar - 
versão democrática para o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) -, instituída cinco 
anos antes por José Sarney. Mas a iniciativa de Collor durou apenas um ano. 
 
"A coisa mais simples que tem é criar boas escolas (...) para 
que cada criança tenha diante dela uma professora capacitada 
para alfabetizá-la." 
Darcy Ribeiro 
 
 
 
Novas leis para a Educação 
 
Várias regulamentações surgiram no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), 
que assumiu a presidência em 1995 com Paulo Renato Souza (1945-2011) como ministro da 
Educação. Já no segundo ano de mandato, após intensos debates, foi promulgada a Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), com relatoria do senador Darcy Ribeiro (1922-
1997). "A nova lei reforçou aspectos importantes da Constituição como a municipalização do 
Ensino Fundamental, estipulou a formação do docente em nível superior e colocou a 
Educação Infantil na posição de etapa inicial da Educação Básica", lembra Maria Helena 
Câmara Bastos, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Para 
financiar os novos projetos, foi criado o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino 
Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). O 1º e o 2º graus se tornaram Ensino 
Fundamental e Médio e a recomendação para os estudantes com necessidades especiais 
passou a ser a de que fossem atendidos preferencialmente na rede regular (leia a pergunta 
de concurso na última página). 
FHC emendou um segundo mandato e o ministro Souza incluiu o Brasil no Programa 
Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Foi um passo importante para ter uma medida de 
como estava a Educação nacional, embora o país tenha ficado em último lugar no ano de 
estreia. Na mesma época, criou-se o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), com 
resultados por escola e por aluno, que em 2009 passariam a ser considerados até em 
substituição ao vestibular para o Ensino Superior. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) 
e o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) também nasceram nesse 
período. Para construí-los, foram reunidos profissionais que tinham referências em boas 
práticas de sala de aula e diversos especialistas. "Depois da LDB, o Conselho Nacional de 
Educação (CNE) estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais que deveriam ser traduzidas 
nos estados e municípios, mas isso não aconteceu. A contradição é que, mesmo elas não 
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 92 
sendo contempladas na formação docente e nas escolas, são cobradas nas avaliações 
externas", comenta Cury. 
Em 2001, foi aprovado o Plano Nacional de Educação (PNE), previsto na 
Constituição e válido por dez anos. Ele estipulava metas para aumentar o nível de 
escolaridade dos brasileiros e garantir o acesso à Educação, mas não teve êxito na maioria 
delas. Um dos motivos apontados por especialistas é o veto do governo ao investimento de 
7% do Produto Interno Bruto (PIB) na área. Apesar disso, houve ganhos. "O documento 
previa que até 2007 os profissionais da Educação Infantil fossem formados em nível superior, 
admitindo o nível médio como ação emergencial. Isso reforça um olhar profissional 
pedagógico para essa etapa", lembra Gisela Wajskop, consultora de Educação Infantil e de 
formação de professores. Outra conquista foi a determinação de que o Ensino Fundamental 
fosse ampliado para nove anos, o que vem se concretizandodesde então. 
Dois anos depois, Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência e levou Cristovam 
Buarque para o Ministério da Educação (MEC). No lugar da Alfabetização Solidária, criada por 
FHC em 1997, foi lançado o Brasil Alfabetizado para o combate ao analfabetismo. O esforço 
contínuo levou à diminuição da taxa de analfabetismo de quem tem 15 anos ou mais, mas em 
2012 a queda progressiva foi interrompida e as razões ainda estão sendo analisadas por 
especialistas. 
 
Linha do tempo 
 
1988 A nova Constituição Federal é promulgada com atenção à Educação. 
1990 Declaração Mundial sobre Educação para Todos é aprovada na Tailândia. 
1996 A LDB indica que docentes tenham formação em nível superior. 
2001 Entra em vigor o PNE, com metas para a universalização do ensino. 
2010 É aprovado o piso salarial nacional para os docentes. 
 
ANOTAÇÕES: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 93 
EDUCAÇÃO PÓS-DITADURA: QUALIDADE PARA TODOS 
 
Expansão de investimentos 
 
Outro exame nacional foi criado em 2005. Alunos de 4ª e 8ª séries (5º e 9º anos) 
passaram a ser avaliados na Prova Brasil. Com o desafio de ampliar o acesso à escola e 
melhorar os índices nas avaliações, viu-se a necessidade de ampliar os recursos da área e 
alcançar todas as etapas. Assim, o Fundef se tornou Fundo de Manutenção e 
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação 
(Fundeb) em 2007. 
Outra estratégia presente nesse período foi a das escolas de tempo integral. As 
primeiras iniciativas foram lideradas por Darcy Ribeiro (leia a frase dele na primeira 
página) no Rio de Janeiro e José Aristodemo Pinotti (1934-2009) em São Paulo, na década de 
1980. Mas, passado o ânimo inicial, elas ficaram restritas a poucas unidades. Assim, em 2007, 
o MEC criou o Mais Educação, que custeou o aumento da carga horária em 49 mil escolas. 
Em 2009, a Emenda Constitucional nº 59 determinou a ampliação da 
obrigatoriedade escolar para 4 a 17 anos até 2016. O assunto foi reforçado pela Lei nº 12.796 
em 2013. O piso salarial nacional de 950 reais para os docentes foi aprovado em 2010, com a 
proposta de que um terço da jornada fosse dedicada a formação e planejamento. Nesse 
mesmo ano, o ministro Fernando Haddad encaminhou uma nova versão do PNE para o 
Congresso. Dilma Rousseff se tornou presidente em 2011 e o documento segue em discussão 
até hoje. 
Além de todas as mudanças políticas que interferiram na sala de aula, essas 
décadas incluíram uma grande revolução tecnológica, marcada pelo desenvolvimento da 
internet, que transformou as relações sociais e, claro, o ensino. Embora 70 mil escolas de 
Ensino Fundamental ainda não tivessem computador em 2010, essa máquina está na vida de 
alunos e professores, mudando a maneira como têm acesso à informação e ao 
conhecimento. Os últimos dois governos distribuíram laboratórios de informática, laptops 
para alunos e tablets para docentes. Apesar disso, a realidade ainda é plural. Há salas rurais 
multisseriadas, classes informatizadas, escolas bilíngues, projetos pedagógicos tradicionais e 
propostas de inspiração democrática. Diante de tamanha diversidade, o novo PNE e a 
definição de um currículo nacional são algumas das questões urgentes para garantir que 
todos que vivem a história de hoje sigam no mesmo rumo, com vistas à melhoria da 
Educação. 
 
FONTE: 
REVISTA NOVA ESCOLA. http://revistaescola.abril.com.br/formacao/serie-especial-historia-
educacao-brasil-750345.shtml 
FRANCISCO FILHO, Geraldo. A educação brasileira no contexto histórico. Campinas: Alínea, 
2001. 
 
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 94 
ROTEIRO PARA ANÁLISE DE FILMES 
 
 
1 IDENTIFICAÇÃO DO PARTICIPANTE: 
 
Aluno(a): Série/Turma: 
Disciplina: Data: 
Objetivos: 
 
2 FICHA TÉCNICA 
 Elenco 
 Sinopse 
 Premiações 
 Curiosidades 
 
3 TIPO DE FILME: 
( ) histórico sobre as empresas ( ) eventos técnico científicos 
( ) teoria das organizações ( ) documentário 
( ) adaptação ( ) ficção 
( ) outros 
 
4 TIPO DE LINGUAGEM - Vocabulário: 
( ) rico 
( ) pobre 
( ) uso de gíria 
 
5 GRAU DE ENTENDIMENTO: 
( ) fácil 
( ) razoável 
( ) difícil 
 
6 VALORES CINEMATOGRÁFICOS: 
 
Assinale com um ( x ) as letras: 
O = ótimo, B = bom, M = médio, F = fraco e P = péssimo, de acordo com o seu 
julgamento, 
Quando os aspectos do filme exigirem: 
( ) Música ( )Fotografia ( )Cenários 
( ) Efeitos ( ) Diálogos ( ) Enredo 
 
7 TEMAS QUE ESTÃO SENDO TRATADOS: 
Assinale com um x a(s) palavra(s) que os expressam: 
( ) Administrativos 
( ) Culturais 
( ) Científicos 
( ) Econômicos 
( ) Políticos 
( ) Religiosos 
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( ) Técnológicos 
( ) Ecológicos 
( ) Psicológicos 
( ) Outros 
 
8 Cena de maior influência ou maior impacto. Justificar 
 
9 Ideia ou mensagem central do filme: 
 
10 Enredo: 
 
11 Contribuição do filme para o estudo da disciplina: 
 
12 Relacione as contribuições do filme para a sua formação: 
 
13 As intenções do diretor: Quem é o diretor? Que outros filmes ele já fez? Qual o seu estilo? 
O que ele pretendia nos mostrar (no todo ou em parte): beleza? denúncia? reflexão sobre um 
tema? emoção? uma história real? 
 
14 As recursos mais explorados: Desempenho dos atores? música? imagens (enquadramento 
da câmara, luz)? diálogos? recursos tecnológicos (efeitos especiais)? 
 
15 O conteúdo: O que as imagens, os diálogos e o filme como um todo querem nos dizer? 
Como uma imagem reforça ou modifica o sentido de um diálogo? Há uma idéia ou valores 
sendo transmitidos pelo filme(de que maneira e que cenas provam isso)? 
 
16 A qualidade: Pode-se dizer que é um bom filme? Que elementos justificariam nosso 
julgamento (imagens, atores, enredo, ritmo, caracterização, música, etc.)? 
 
17 A qualidade da sua interação com o filme: Você pôde fazer uma boa apreciação da fita? 
Que elementos favoreceram ou dificultaram a sua apreciação? O filme lhe trouxe 
contribuições? Fez você ficar pensando? Foi prazeiroso assisti-lo? 
 
18 Avaliação final: 
Assinale com um X a palavra que representa a sua avaliação do filme: 
( ) Ótimo 
( ) Muito bom 
( ) Bom 
( ) Regular 
( ) Sofrível 
( ) Péssimo 
 
19 Comentários finais e/ou sugestões destacando as relações entre professores e alunos, 
entre professores e demais segmentos da escola/sociedade. Observar aspectos da gestão 
escolar, do processo de ensino-aprendizagem e a valorização da educação e a prática 
desportiva no cotidiano da escola e na vida acadêmica. 
 
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MAPAS CONCEITUAIS 
 
O Mapa Conceitual é uma técnica pedagógica para organizar e representar o 
conhecimento graficamente. Os conceitos e as proposições são os blocos de construção do 
conhecimento em qualquer domínio. Foi criado por Joseph Donald Novak (1977) com base na 
aprendizagem significativa de David Ausubel (1968), cuja essência é que as idéias novas 
ancoram-se em conceitos relevantes que o aprendiz já sabe (subsunsores), pré-existentes na 
estrutura cognitiva de quem aprende. 
É uma técnica muito flexível, podendo ser aplicada como instrumento de análise de 
currículo e recurso de aprendizagem: para orientação; exploração do que os estudantes já 
sabem; focar um conceito particular; observar a estrutura do pensamento em relação ao 
tema proposto; ponto de partida para novas pesquisas e aprendizagens; meio de avaliação e 
auto-avaliação, etc. 
O trabalho com os conteúdosestruturantes das disciplinas da Educação Básica e 
seus temas específicos, segundo as Diretrizes Curriculares Estado do Paraná, se dará em 
quatro momentos: a sensibilização, a problematização, a investigação e a criação de 
conceitos, desta forma podem observar que a técnica apresentada facilita a compreensão, 
tanto do aluno como do professor, das construções lógicas que o aprendiz possui no 
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momento da elaboração do seu mapa conceitual. 
A edição de mapas pode ser feita manuscrita, ou com auxílio de softwares 
apropriados, tais como o Cmap Tool, um programa livre, em português, com possibilidade de 
inserção de áudio, vídeo, imagens, textos e links disponibilizados on-line; já o Inspiration é um 
software com linguagem visual, isto é, os conceitos podem ser representados com figuras, 
pode usar editores de apresentações, mas também existem outros recursos no mercado. 
A figura acima traz um exemplo de mapa conceitual sobre mapa conceitual, 
observe que ele é escrito com conceitos destacados e relacionados entre si, através de frases 
de ligação. 
Como construir um mapa conceitual18 
— Identifique os conceitos-chave do conteúdo que vai mapear e ponha-os em 
uma lista. Limite entre 6 e 10 o número de conceitos. 
— Ordene os conceitos, colocando o(s) mais geral(is), mais inclusivo(s), no topo 
do mapa e, gradualmente, vá agregando os demais até completar o diagrama 
de acordo com o princípio da diferenciação progressiva. 
— Conecte os conceitos com linhas e rotule essas linhas com uma ou mais 
palavras-chave que explicitem a relação entre os conceitos. Os conceitos e as 
palavras-chave devem sugerir uma proposição que expresse o significado da 
relação. 
— Setas podem ser usadas quando se quer dar um sentido a uma relação. No 
entanto, o uso de muitas setas acaba por transformar o mapa conceitual em 
um diagrama de fluxo. 
— Evite palavras que apenas indiquem relações triviais entre os conceitos. 
Busque relações horizontais e cruzadas. 
— Exemplos podem ser agregados ao mapa. 
— Lembre-se que não há um único modo de traçar um mapa conceitual. À 
medida que muda sua compreensão sobre as relações entre os conceitos, ou à 
medida que você aprende, seu mapa também muda. Um mapa conceitual é 
um instrumento dinâmico, refletindo a compreensão de quem o faz no 
momento em que o faz. 
— Compartilhe seu mapa com colegas e examine os mapas deles. Pergunte o que 
significam as relações, questione a localização de certos conceitos, a inclusão 
de alguns que não lhe parecem 
— Há aplicativos especialmente desenhados para a construção de mapas 
conceituais. O mais conhecido deles é o Cmap Toos: 
http://penta2.ufrgs.br/edutools/tutcmaps/tutindicecmap.htm. 
Nesta técnica é fácil avaliar a aprendizagem de um aluno com os mapas conceituais, 
pois ficará claro se ele conseguiu entender e memorizar compreensivamente as relações 
conceituais e se captou, de fato, os significados básicos que se tentou ensinar-lhe. É um 
modo de conseguir que os alunos verdadeiramente pensem e sejam ajudados a ver e 
 
18 MOREIRA, M. A. Mapas conceituais e a aprendizagem significativa. Disponível em 
http://www.if.ufrgs.br/~moreira/mapasport.pdf acessado em 12/10/2009. 
http://penta2.ufrgs.br/edutools/tutcmaps/tutindicecmap.htm
http://www.inspirationbrasil.com.br/
http://penta2.ufrgs.br/edutools/tutcmaps/tutindicecmap.htm
http://www.if.ufrgs.br/~moreira/mapasport.pdf
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estabelecer relações nas quais nunca haviam reparado. 
 
Destacamos dois princípios19: 
 
a) Diferenciação progressiva: “mediante este princípio a aprendizagem significativa é 
um processo contínuo, em cujo transcurso os novos conceitos alcançam significado à medida 
que se adquirem novas relações; portanto, os conceitos são aprendidos totalmente, mas vão 
sendo aprendidos, modificados ou tornando-se mais explícitos à medida que vão 
diferenciando-se progressivamente.” (NOVAK apud PEÑA, 2005, p. 130). 
— O professor pode solicitar aos alunos que a partir de um conceito-chave 
elaborem um mapa conceitual registrando sua aprendizagem, estabelecendo 
relações do conceito principal com os demais estudados. 
— Também é possível selecionar vários conceitos do conteúdo selecionado para a 
avaliação e solicitar que os estudantes elaborem um mapa-conceitual 
expressando as relações entre estes. 
 
b) Reconciliação integrativa: este princípio estabelece que exista uma melhora na 
aprendizagem significativa quando quem aprende reconhece novas relações ou vínculos 
conceituais entre conjuntos relacionados de conceitos ou proposições. 
— O professor pode solicitar que os estudantes elaborem um mapa conceitual 
antes de iniciar o estudo do tema, demonstrando o seu entendimento do 
assunto, ou seja, seu conhecimento do senso comum ou pré-conceitos. 
— Durante o processo de construção do conhecimento ou mesmo, após o 
término das atividades programadas os estudantes retornam ao primeiro 
mapa conceitual e acrescentam as novas aprendizagens, reformulam os 
conceitos anteriores, enriquecem com novos conceitos. O estudante 
perceberá que poderia ter se equivocado com alguns conceitos ou mesmo 
estarem expressas de forma incompleta e incorreta. 
— Podem ser estabelecidas relações cruzadas entre conceitos. 
 
Usando um escala de valorização: 
— As proposições: os conceitos com as palavras-chave apropriadas que nos 
indicarão as relações válidas ou equivocadas. 
— A hierarquização: sempre no sentido de que os conceitos mais gerais incluam 
os mais específicos. 
— As relações cruzadas: que mostram relações entre conceitos pertencentes a 
diferentes partes do mapa conceitual. 
— Os exemplos, em certos casos, para assegurar que os alunos compreenderam, 
correspondendo à expectativa, o que é conceito e o que não é. 
 
 
19 PEÑA, A. et all. Mapas Conceituais: uma técnica para aprender. São Paulo: Loyola, 2005. 
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FONTE: http://ursulabioifam.pbworks.com/w/page/40977545/Trabalhando%20com%20mapas%20conceituais 
 
 
DICAS PARA PRODUÇÃO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS 
 
HOTISETE DE HQ: 
http://tecnologianasaladeaula.pbworks.com/w/page/52014513/Roteiros%20para%20HQ 
DICAS DE ROTEIRO: http://dicasderoteiro.com/ 
 
1. O ROTEIRO: Syd Field define o Roteiro como sendo "uma história contada em imagens, 
diálogo e descrição, dentro do contexto de uma estrutura dramática. Um detalhe que todo 
roteirista sempre esquece (eu mesmo me apanho cometendo este erro muitas vezes) é que 
um roteiro deve contar uma história como num livro de romance, por exemplo, com a 
diferença que no roteiro você deve colocar tudo o que a pessoa pode visualizar enquanto lê. 
Metáforas, divagações ou pensamentos do autor quanto a sentimentos ou situações vividas 
pelo personagem não podem ser demonstradas, mas "indicadas" pelo autor para que o ator 
saiba o que seu personagem está vivendo ou sentindo. Como diz Doc Comparato, "o 
romancista escreve, enquanto o roteirista trama, narra e descreve". O roteirista vai além, 
pois precisa demonstrar no papel situações concretas que o leitor do roteiro possa visualizar. 
O roteiro é o filme que transcorre no papel antes de ganhar vida nas telas. 
 
2. ETAPAS: Como toda história possui um começo, meio e fim, um roteiro também é 
construído por etapas, um passo a passo: 
 
a. Idéia ou "o que". O tema ou fato que motiva o autor a escrever. É sobre esta idéia que o 
autor fixará a atenção durante todo o roteiro pois deseja transmitir algo para o público. 
 
b. Conflito ou "onde": o autor tem uma idéia, mas esta deve ser transmitida ao público por 
meio de um conflito. Se não há conflito,não há interesse por parte do público. O conflito 
sempre é definido através do story line. É o universo onde se passará a idéia. 
 
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c. Personagens ou "quem": são aqueles que viverão o conflito idealizado pelo autor. São os 
responsáveis por passar ao público o que o autor está tentando expressar em sua narrativa. 
 
d. Ação dramática ou "como": quando o autor já tem definidos a idéia, o conflito que 
transmitirá a idéia e os personagens que viverão este conflito, chega o momento de definir 
de que maneira este será vivido pelos personagens. 
 
A NÍVEL PRÁTICO, ESTAS ETAPAS PODEM SER DEFINIDAS ASSIM: A. IDÉIA / B. STORY LINE / 
C. SINOPSE/D. ESTRUTURA/E. PRIMEIRO ROTEIRO E ROTEIRO FINAL 
 
A idéia, como foi visto, é o sumo do roteiro, a base onde existirá todo o outro contexto 
(conflito, personagens e ação dramática). A story line é a forma de contar o conflito motivado 
pela idéia de maneira objetiva e suscinta. A maioria dos autores é unânime em dizer que uma 
story line não pode ultrapassar cinco ou seis linhas. Nela deve ser apresentado o conflito, seu 
desenvolvimento e sua solução. Ex: 
 
"A TROCA: Milionária não se conforma com a deficiência visual de seu neto recém-
nascido e paga para uma enfermeira trocar a criança por um menino perfeito do 
berçário, mas vinte anos depois o pai do menino sofre de Leucemia e a esperança de 
cura está na medula do garoto deficiente e entregue a outra família que é 
encontrado, salva a vida do pai e a verdade sobre a troca é revelada. "(curta 
metragem/Romualdo Dropa/1999) 
 
A sinopse, também chamada de argumento nada mais é do que o desenvolvimento da story 
line. Enquanto esta última economiza as palavras ao máximo, a sinopse deve ser justamente 
o contrário, uma forma de esgotar literalmente a idéia que se pretende transmitir. Assim a 
sinopse, baseada na story line e de posse do conflito e dos personagens descreve toda a ação 
dramática de forma a revelar ao leitor a história que virá a ser contada de maneira audio-
visual. Como exemplo, publico a sinopse de O Ponto de Tangência, escrito em co-autoria com 
Homar Paczkowski. 
É na sinopse também que se define o perfil das personagens. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=13667 
http://screenwriter.sites.uol.com.br/sinopse.htm
http://screenwriter.sites.uol.com.br/perfil.htm

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