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INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 1 APOSTILA DE FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO CURITIBA - 2016 INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 2 SUMÁRIO PLANO DE TRABALHO ANUAL ........................................................................................ 02 PLANO DE TRABALHO DOCENTE DO 1º TRIMESTRE ........................................................ 08 CONCEPÇÕES DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA .............................................................. 13 EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE ORIENTAL ....................................................................... 19 EDUCAÇÃO E SOCIEDADE NA ANTIGA GRÉCIA ................................................................ 22 EDUCAÇÃO E SOCIEDADE NA ROMA ANTIGA ................................................................. 30 PLANO DE TRABALHO DOCENTE DO 2º TRIMESTRE ........................................................ 35 O HOMEM IDEAL NA IDADE MÉDIA ................................................................................ 39 O RENASCIMENTO ......................................................................................................... 52 A EDUCAÇÃO NO INICIO DOS TEMPOS MODERNOS ....................................................... 55 A EDUCAÇÃO NA ÉPOCA DO ABSOLUTISMO .................................................................. 58 A EXPANSÃO COMERCIAL E TERRITORIAL DA EUROPA OCIDENTAL ................................ 62 A EDUCAÇÃO ARISTOCRÁTICA NO BRASIL COLONIAL ..................................................... 65 PLANO DE TRABALHO DOCENTE DO 3º TRIMESTRE ........................................................ 73 A EDUCAÇÃO NO BRASIL DE 1808-1822 ......................................................................... 77 A EDUCAÇÃO DE ELITE NO PERÍODO IMPERIAL (1822 – 1889) ........................................ 77 REPÚBLICA VELHA E A EDUCAÇÃO (1889-1930) ............................................................. 80 ERA VARGAS ................................................................................................................... 84 DITADURA MILITAR ....................................................................................................... 88 EDUCAÇÃO PÓS-DITADURA ........................................................................................... 90 METODOLOGIAS COMPLEMENTARES ............................................................................ 94 ROTEIRO PARA ANÁLISE DE FILMES ............................................................................... 94 MAPAS CONCEITUAIS .................................................................................................... 96 DICAS PARA PRODUÇÃO DE HISTÓRIA EM QUADRINHOS .............................................. 99 Apostila organizada pelas Profª Rosângela Menta, Celeste e Ivonete. As fontes de pesquisas estão logo a seguir dos textos. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 3 PLANO DE TRABALHO DOCENTE ANUAL - 2016 Série: 1º Ano Integrado Carga horária semanal: 2 h/a PRESSUPOSTOS TEÓRICOS Somos seres históricos, pois nossas ações e pensamentos mudam no tempo, à medida que enfrentamos os problemas não só da vida pessoal, como também da experiência coletiva. Assim produzimos a nós mesmos e a cultura a que pertencemos. Cada geração se apropria da herança cultural dos antepassados e estabelece projetos de mudança. Estamos inseridos no tempo: o presente não se esgota na ação que realiza, mas adquire sentido pelo passado e pelo futuro desejado. A história resulta da necessidade de reconstruirmos o passado, relatando os acontecimentos que decorreram da ação transformadora dos indivíduos no tempo, por meio da seleção e da construção dos fatos considerados relevantes e que serão interpretados a partir de métodos diversos. Se somos seres históricos, nada escapa à dimensão do tempo, pois “O tempo é o sentido da vida” (Paul Claudel). Com a história da educação construímos interpretações sobre as formas pelas quais os povos transmitem sua cultura e criam instituições escolares e as teorias que as orientam. Os estudos sobre a história da educação delineiam o fio condutor que nos orienta para a construção de uma escola democrática. CONTEÚDOS ESTRUTURANTES E SEUS DESDOBRAMENTOS 1º TRIMESTRE 1. Concepções de História e Historiografia 1.1 O que é História; a História da História. 1.2 Conceitos de História e Historiografia 2. História da Educação 2.1 Métodos de Pesquisa e de Investigação utilizados no percurso da História da Educação. 3. Educação Clássica 3.1 Grécia: Os períodos Educacionais na Grécia; A educação ateniense e o ideal de homem excelente. Educação Espartana: Heroísmo cívico e o ideal do soldado – cidadão. 3.2 Roma: A Antiga Educação Romana; A Educação Clássica de Roma. 4. Educação na Idade Média 4.1 Contexto Histórico da Educação Medieval: 4.1.1 A Filosofia Patrística e sua contribuição para a educação. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 4 4.1.2 A Filosofia Escolástica princípios e diretrizes. 4.1.3 Fundação da Companhia de Jesus. 4.1.4 As primeiras universidades e sua evolução. 2º TRIMESTRE 5. Renascimento e Educação Humanística 5.1 Contexto Histórico da Educação Renascentista: Pensamento Pedagógico Renascentista; 5.2 A Reforma Protestante e a Contrarreforma; 5.3 História da Educação Brasileira 5.3.1 Período Colonial: A educação jesuítica e as reformas pombalinas. 5.3.2 A Sociedade da Companhia de Jesus e o “Ratio Studiorum”. 6. Educação Moderna. 6.1 A educação realista do Século XVI, Comenius e o Método Moderno de Ensinar. 6.2 O Racionalismo de Descartes e o Empirismo de John Locke. 6.3 O Século XVIII: O Iluminismo e suas relações com a educação: Rousseau e o Naturalismo Pedagógico. 3º TRIMESTRE 7 Educação Brasileira 7.1 Período Imperial: A Educação no Império, a formação da elite. 7.2 Reformas: Couto Ferraz, Leôncio Carvalho e os Pareceres de Rui Barbosa para a organização do ensino. 7.3 Período Republicano (1889 a 1930): O ceticismo pela educação; “o otimismo pedagógico”; as lutas políticas pedagógicas; a transição da Pedagogia Tradicional à Pedagogia Nova. 7.4 Período de 1930 a 1932: A Política Educacional e os conflitos ideológicos dos anos 30; Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova. 7.5 Estado Novo de 1937 a 1945: A Constituição de 1937 e as Leis Orgânicas; A Política Educacional dos governos populistas. 7.6 Período da Ditadura Militar: O fracasso da política educacional. Leis de Diretrizes e Bases nº 4024/61 e nº 5692/71; Tecnicismo. 8. Pedagogias não Liberais 8.1 Contexto histórico e características 8.2 Pedagogia Crítico Produtivista 8.3 Pedagogia Libertadora 8.4 Pedagogia Crítica. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 5 9. Pedagogia Brasileira Contemporânea 9.1 Educação Brasileira a partir da Constituição de 1988 9.2 Redemocratização da Educação Brasileira 9.3 A elaboração da Lei de Diretrizes e Bases nº 9394/96 9.4 Tendências Neo Liberais versus Materialismo Histórico. OBJETIVOS DA DISCIPLINA Promover situações no processo de ensino/aprendizagem que possibilitem ao educando a compreensão das importantes transformações pelas quais passa a humanidade no decorrer de uma idade histórica para outra, para que ele possa identificar a influência desses fatos nos dias atuais. Compreenderas concepções de história e a educação. Analisar a evolução da humanidade, destacando a importância da educação formal e informal em diversos contextos. Relacionar as teorias da educação com os fatos políticos, econômicos e sociais de cada época, situando-se em um contexto geográfico, histórico, político e social. Compreender as contribuições dos grandes teóricos da educação e as relações de trabalho e poder da época do fato estudado. Analisar as pedagogias dominantes e não dominantes de cada época da educação. METODOLOGIA A metodologia será trabalhada numa perspectiva histórica, de forma problematizadora, ou seja, estabelecendo a relação entre a prática e a teoria, entre o conhecimento que o aluno já possui e os conteúdos que precisam ser incorporados para que ele alcance autonomia em seu sentido mais amplo. Assim, a metodologia envolverá diálogo, a contextualização e a problematização de conteúdos, levando em consideração o ponto de partida do conhecimento do aluno e o ponto a que se deseja chegar, instigando o aluno a pesquisa, ao trabalho cooperativo, à reflexão, análises, sínteses, comparações. As atividades serão desenvolvidas por meio da construção dialética do conhecimento, com pesquisa de campo e bibliográfica, aulas práticas, entrevistas, e observações durante o estágio supervisionado. Durante o curso pretende-se que o aluno compreenda a aplicação de todos os temas estudados, com apresentação de trabalhos coletivos, independentes, permeando as ações docentes e publicando seus conhecimentos. O estudante deverá fazer leituras complementares dos documentos propostos, desenvolvendo o gosto pela pesquisa. Serão utilizados os seguintes recursos didáticos: os referenciais teóricos reproduzidos em cópias, vídeos, TV Multimídia, DVDs, quadro de giz, laboratório de informática com acesso a internet e materiais pedagógicos específicos. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 6 As atividades metodológicas privilegiarão a produção escrita e oral, coletiva e individual, oferecendo ao aluno a oportunidade de perceber e analisar o assunto sob diversos ângulos, de forma que o aluno se aproprie dos conhecimentos propostos e/ou apresente suas pesquisas e demais atividades pedagógicas aos colegas. Os procedimentos metodológicos a serem desenvolvidos envolvem: a) Aulas interativas; b) Leituras comentadas; c) Produção escrita e análise de textos em sala de aula individuais e coletivos; produção de histórias em quadrinhos; d) Apresentação de trabalhos desenvolvidos pelos alunos; e) Análise de cenas de filmes, clips, música, etc.; f) Dinâmicas de grupo diversificadas, como por exemplo: seminários; debates; pesquisas; phillips 66... AVALIAÇÃO A avaliação seguirá o que dispõe o Capítulo III do Regimento Escolar deste Estabelecimento de Ensino. Ressalta-se a importância da prevalência dos aspectos qualitativos sobre quantitativos, da relevância à atividade crítica, à capacidade de síntese e à elaboração pessoal, devendo a verificação do aproveitamento escolar incidir sobre o desempenho do aluno, no mínimo, em três experiências de aprendizagem (debates, seminários, relatórios, testes de aproveitamento orais e escritos, trabalhos de criação, observações, etc.), durante cada bimestre. — Concepção de avaliação A avaliação deve ser entendida como um instrumento de estímulo e promoção à aprendizagem, portanto, um processo diagnóstico, formativo, contínuo, contribuindo para o desenvolvimento do aluno e aperfeiçoamento da práxis pedagógica do professor. Assim, a avaliação diagnóstica, possibilita a compreensão do nível de aprendizado em que o aluno se encontra, sendo dinâmica ao fornecer aos professores e alunos meios de intervir e superar as defasagens e dificuldades encontradas. A avaliação não considera apenas o resultado final, mas o processo como um todo. A avaliação é um dos instrumentos que se vale o professor para garantir a qualidade da aprendizagem dos alunos, de modo que permeia o conjunto de todas as ações pedagógicas. A avaliação proposta se caracteriza em diagnóstica, formativa, somativa e contínua, durante todo o processo de ensino-aprendizagem. Serão atendidos os critérios exigidos no Regimento Escolar e no PPP. — Critérios de avaliação Será realizada em função da ementa do curso e dos objetivos propostos, dos planos de trabalho trimestrais, através da apresentação das atividades solicitadas e pela participação de nas propostas de trabalho. O aluno deverá realizar auto-avaliações para que defina o seu grau de envolvimento e aprendizagem. Todos os alunos que não se apropriarem dos temas INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 7 propostos terão oportunidade de recuperação de estudos em prazo estipulado. — Instrumentos Produção textual; Análise (imagens, textos, vídeos); Apresentações orais e escritas; Parecer analítico, relatórios, fichas de observação; Avaliação escrita com/sem consulta com predominância de questões qualitativas. E outros instrumentos a serem sugeridos no decorrer do curso ESTRATÉGIAS DE RECUPERAÇÃO CONCOMITANTE E PARALELA Serão utilizadas práticas diferenciadas considerando as características dos alunos, para melhor intervenção pedagógica e apropriação do conteúdo. O momento mais importante para a recuperação deve ocorrer no período de aula. A revisão diária dos conteúdos, explicações complementares, atividades extraclasse, correção de exercícios e testes de verificação, entre outras, são procedimentos que atuarão preventivamente, contribuindo para a aprendizagem do aluno. Será realizada em função da dos objetivos propostos, através da re-apresentação das atividades solicitadas e pela participação de nas propostas de trabalho específicas para recuperar os conteúdos não apropriados pelo estudante. O aluno deverá refletir sobre o seu grau de envolvimento e comprometimento na aprendizagem, sendo responsável em apresentar as atividades solicitadas pelo Professor no prazo determinado. Não serão aceitas entregas posteriores a estabelecida com a turma. Serão consideradas também as seguintes estratégias: a) atividades diversificadas oportunizadas durante a aula, b) atividades extraclasse, c) planos de estudos entre outras. A atividade de recuperação de estudos é opcional para o estudante. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 8 REFERÊNCIAS BÁSICAS AIRÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia. 3 ed. São Paulo: Moderna, 2006. FRANCISCO FILHO, Geraldo. A Educação Brasileira no contexto histórico. Campinas: Ed. Alínea, 2001. _____. História Geral da Educação. Campinas: Ed. Alínea, 2003. GADOTTI, Moacir. História das ideias pedagógicas. 8 ed. São Paulo: Ática, 2004. GHIRALDELLI JÚNIOR, Paulo. História da educação brasileira. São Paulo: Cortez, 2005. _____. História da educação. São Paulo: Cortez, 1990. HOBSBAWN, Eric. Sobre história. São Paulo: Companhia das letras, 1998. LARROYO, Francisco. História geral da pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1982. LUZURIAGA, Lorenzo. História da educação e da pedagogia. 12 ed. São Paulo: Nacional, 1980. PAIXÃO, Priscilla Campiolo Manesco. Metodologia do Ensino de História. Maringá: CESUMAR, 2012. RIBEIRO, Maria Luisa Santos Ribeiro. História da Educação Brasileira: a organização escolar. Campinas: Cortez, 2010. ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da Educação no Brasil (1930/1973). 29 ed. Petrópolis: Vozes, 2005. SAVIANI, Demerval. História da ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2010. SAVIANI, Dermeval; LOMBARDI, José Claudinei; SANFELICE, José Luís. História e Históriada Educação. Campinas: Autores associados, 2010. VEIGA, Cynthia Greive. História da Educação. São Paulo: Ática, 2007. ZUCCHI, Bianca. O ensino de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental: teoria, conceitos e uso de fonte. São Paulo: Ed. SM, 2012. PLANO DE TRABALHO DOCENTE DO 1º TRIMESTRE – 2016 Série: 1º Ano Integrado - Carga horária semanal: 2 h/a 1. APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Somos seres históricos, pois nossas ações e pensamentos mudam no tempo, à medida que enfrentamos os problemas não só da vida pessoal, como também da experiência coletiva. Assim produzimos a nós mesmos e a cultura a que pertencemos. Cada geração se apropria da herança cultural dos antepassados e estabelece projetos de mudança. Estamos inseridos no tempo: o presente não se esgota na ação que realiza, mas adquire sentido pelo passado e pelo futuro desejado. A história resulta da necessidade de reconstruirmos o passado, relatando os acontecimentos que decorreram da ação transformadora dos indivíduos no tempo, por meio INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 9 da seleção e da construção dos fatos considerados relevantes e que serão interpretados a partir de métodos diversos. Se somos seres históricos, nada escapa à dimensão do tempo, pois “O tempo é o sentido da vida” (Paul Claudel). Com a história da educação construímos interpretações sobre as formas pelas quais os povos transmitem sua cultura e criam instituições escolares e as teorias que as orientam. Os estudos sobre a história da educação delineiam o fio condutor que nos orienta para a construção de uma escola democrática. 2. CONTEÚDOS ESTRUTURANTES E SEUS DESDOBRAMENTOS — Concepções de História e Historiografia — Educação Clássica — Educação na Idade Média FONTE: http://i0.statig.com.br/bancodeimagens/a6/w0/1x/a6w01x72kwpwz2jmj7htwikl8.jpg INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 10 3 . C O N TE Ú D O S B Á SI C O S E ES P EC ÍF IC O S 4 . EN C A M IN H A M EN TO S O U P R O C ED IM EN TO S M ET O D O LÓ G IC O S 5 . R EC U R SO S D ID Á T IC O S 6. AVALIAÇÃO 6 .1 In st ru m e n to s d e a va lia çã o 6 .2 V al o r 6 .3 C ri té ri o s d e av al ia çã o 1. Concepções de História e Historiografia 1.1 O que é História; a História da História. 1.2 Conceitos de História e Historiografia 2. História da Educação 2.1 Métodos de Pesquisa e de Investigação utilizados no percurso da História da Educação. Os Fundamentos Históricos da Educação, enquanto campo de conhecimento que investiga no tempo e no espaço os fenômenos sociais serve de apoio à compreensão da educação na contemporan eidade. Nesse sentido, a disciplina deverá ser conduzida com problematizaç ões, para não ocorrer o reducionismo dos conteúdos. Os estudantes mediados pelo docente perceberão que as explicações do senso comum Leituras orientadas, aulas expositivo- dialogadas, utilização de cine- fórum, leitura contextuali zada de textos, livros, filmes e documentá rios, análise de situações problema, relato de experiência s que possam contribuir para a análise e reflexão sobre os conteúdos curriculares . Cenas de Filmes: 300 Gladiador O nome da Pesquisa em grupos Data: ___/___/16 Apresenta- ção de trabalhos Data: ___/___/16 1,5 1,5 Compreende os conceitos fundamentais necessários à leitura crítica dos processos históricos Faz uso da pesquisa como instrumento investigativo da História da Educação. 3. Educação Clássica 3.1 Grécia: Os períodos Educacionais na Grécia; A educação ateniense e o ideal de homem excelente. Educação Espartana: Heroísmo cívico e o ideal do soldado – cidadão. 3.2 Roma: A Antiga Educação Romana; A Educação Prova escrita Data: ___/___/16 Cine-Forum Data: ___/___/16 3,0 1,0 Compreende as relações de dominação no contexto histórico da Educação Grega e Romana INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 11 Clássica de Roma. não dão conta da visão de totalidade dos fenômenos. rosa Em nome de Deus Missão 4. Educação na Idade Média 4.1 Contexto Histórico da Educação Medieval: 4.1.1 A Filosofia Patrística e sua contribuição para a educação. 4.1.2 A Filosofia Escolástica princípios e diretrizes. 4.1.3 Fundação da Companhia de Jesus. 4.1.4 As primeiras universidades e sua evolução. Cine-fórum Data: ___/___/16 3,0 Identifica por meio de documentos históricos as características que diferenciam as correntes filosóficas e educacionais da Idade Média. 7. RECUPERAÇÃO: Em todas as atividades realizadas para avaliar a aprendizagem dos estudantes serão oportunizadas a recuperação da aprendizagem, logo após o professor comunicar a nota para o estudante, devendo este entrega-las somente no prazo estipulado. A recuperação é individual e em função das temáticas não apropriadas pelo estudante. Esta atividade é opcional para o estudante. 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: AIRÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia. 3 ed. São Paulo: Moderna, 2006. FRANCISCO FILHO, Geraldo. A Educação Brasileira no contexto histórico. Campinas: Ed. Alínea, 2001. _____. História Geral da Educação. Campinas: Ed. Alínea, 2003. GADOTTI, Moacir. História das ideias pedagógicas. 8 ed. São Paulo: Ática, 2004. GHIRALDELLI JÚNIOR, Paulo. História da educação brasileira. São Paulo: Cortez, 2005. _____. História da educação. São Paulo: Cortez, 1990. HOBSBAWN, Eric. Sobre história. São Paulo: Companhia das letras, 1998. LARROYO, Francisco. História geral da pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1982. LUZURIAGA, Lorenzo. História da educação e da pedagogia. 12 ed. São Paulo: Nacional, 1980. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 12 PAIXÃO, Priscilla Campiolo Manesco. Metodologia do Ensino de História. Maringá: CESUMAR, 2012. RIBEIRO, Maria Luisa Santos Ribeiro. História da Educação Brasileira: a organização escolar. Campinas: Cortez, 2010. ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da Educação no Brasil (1930/1973). 29 ed. Petrópolis: Vozes, 2005. SAVIANI, Demerval. História da ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2010. SAVIANI, Dermeval; LOMBARDI, José Claudinei; SANFELICE, José Luís. História e História da Educação. Campinas: Autores associados, 2010. VEIGA, Cynthia Greive. História da Educação. São Paulo: Ática, 2007. ZUCCHI, Bianca. O ensino de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental: teoria, conceitos e uso de fonte. São Paulo: Ed. SM, 2012. ANOTAÇÕES: INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 13 HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO CONCEPÇÕES DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA Conceito de História História é uma ciência humana que estuda o desenvolvimento do homem no tempo. A História analisa os processos históricos, personagens e fatos para poder compreender um determinado período histórico, cultura ou civilização. A origem do termo significou ou esteve relacionado com: — A noção de passado ou “o que aconteceu”. — A capacidade de ver. — O conceito de testemunha. — O ato ou a capacidade de saber, procurar. — A informação e com o ato de procurar. Objetivos Um dos principais objetivos da História é resgatar os aspectos culturais de um determinado povo ou região para o entendimentodo processo de desenvolvimento. Entender o passado também é importante para a compreensão do presente. Fontes O estudo da História foi dividido em dois períodos: a Pré-História (antes do surgimento da escrita) e a História (após o surgimento da escrita, por volta de 4.000 a.C). Para analisar a Pré-História, os historiadores e arqueólogos analisam fontes materiais (ossos, ferramentas, vasos de cerâmica, objetos de pedra e fósseis) e artísticas (arte rupestre, esculturas, adornos). Já o estudo da História conta com um conjunto maior de fontes para serem analisadas pelo historiador. Estas podem ser: livros, roupas, imagens, objetos materiais, registros orais, documentos, moedas, jornais, gravações, etc. Historiografia1 é o registro escrito da história. Podemos dizer que é a arte de 1 FONTE: http://www.suapesquisa.com/o_que_e/historiografia.htm acesso em 01/03/2016. http://www.suapesquisa.com/artesliteratura/historiadaescrita.htm http://www.suapesquisa.com/o_que_e/historiografia.htm INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 14 escrever e registrar os eventos do passado. O termo historiografia também é utilizado para definir os estudos críticos feitos sobre aquilo que foi escrito sobre a História. Um exemplo: se um historiador faz um estudo crítico sobre o trabalho feito por Heródoto (historiador que viveu na Grécia Antiga e escreveu sobre o período), então ele está produzindo um trabalho de historiografia. Principais correntes da historiografia: a) Positivismo: atualmente pouco seguida, privilegia o estudo cronológico dos fatos históricos, sem fazer análises críticas. b) Materialismo histórico: elaborado por Karl Marx, enfatiza o aspecto econômico da sociedade no estudo da História. c) Escola dos Annales: criada em 1929, pelos historiadores franceses Marc Bloch e Lucien Febvre. Incorporou na História aspectos da Antropologia, Psicologia, Geografia e Filosofia. É também conhecida como escola das “Mentalidades”. Ciências auxiliares da História A História conta com ciências que auxiliam seu estudo. Entre estas ciências auxiliares, podemos citar: Antropologia (estuda o fator humano e suas relações), Paleontologia(estudo dos fósseis), Heráldica (estudo de brasões e emblemas), Numismática (estudo das moedas e medalhas), Psicologia (estudo do comportamento humano), Arqueologia (estudo da cultura material de povos antigos), Paleografia (estudo das escritas antigas) entre outras. Periodização da História2 2 FONTE: http://www.suapesquisa.com/historia/conceito_historia.htm acesso em 29/02/2016. http://www.suapesquisa.com/historia/conceito_historia.htm INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 15 Para facilitar o estudo da História ela foi dividida em períodos: Pré-História: antes do surgimento da escrita, ou seja, até 4.000 a.C. Idade Antiga (Antiguidade): de 4.000 a.C até 476 (invasão do Império Romano) Idade Média (História Medieval): de 476 a 1453 (conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos). Idade Moderna: de 1453 a 1789 (Revolução Francesa). Idade Contemporânea: de 1789 até os dias de hoje. FONTE: http://www.geocities.ws/historiaeravirtual/Image14.jpg acessado em 01/03/2016. A HISTÓRIA DA HISTÓRIA A história resulta da necessidade de reconstituirmos o passado, relatando os acontecimentos que decorreram da ação transformadora dos indivíduos no tempo, por meio da seleção (e da construção) dos fatos considerados relevantes e que serão interpretados a partir de métodos diversos. A preservação da memória, porém, não foi idêntica ao longo do tempo, tendo variado também conforme a cultura. 1. A importância da História da Educação Um relato supõe uma seleção de fatos a partir da sua relevância, por critérios estabelecidos por alguém. O que pretendemos enfatizar é que, mais importante do que saber o que o historiador estuda, é perguntar-se como ele o estuda porque, retaguarda da seleção e relato dos fatos, encontram-se sempre pressupostos teóricos que orientam sua interpretação. Estamos nos referindo a uma filosofia da história que se acha subjacente ao processo. A história, sendo uma teoria, uma elaboração intelectual, só pode ser compreendida a partir da análise das condições pelas quais os homens se relacionam para http://www.suapesquisa.com/imperioromano/ http://www.suapesquisa.com/francesa/ http://www.geocities.ws/historiaeravirtual/Image14.jpg INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 16 produzir a existência, ou seja, a partir da divisão social do trabalho. É importante estudar a educação sempre estabelecendo relações com o contexto histórico geral, observando a sincronia existente entre as crises da educação e as crises do sistema. 2. Objeto de estudo da História da Pedagogia A educação é um fato que se verifica desde as origens da sociedade humana. Caracteriza-se como um processo por obra do qual as gerações jovens vão adquirindo os usos e costumes, as práticas e hábitos, as ideias e crenças, numa palavra, a forma de vida das gerações adultas. Há um caráter comum em todo o processo educativo: quer seja espontânea ou reflexiva, a educação é um fenômeno mediante o qual o indivíduo se apropria em quantidade maior ou menor da cultura (língua, ritos religiosos e funerários, costumes morais, sentimentos patrióticos, conhecimentos) da sociedade onde se desenvolve, onde se adapta ao estilo de vida da comunidade, onde se faz o progresso. A teoria pedagógica descreve o fato educativo: busca suas relações com outros fenômenos; ordena-o e o classifica; procura os fatores que o determinam, as leis a que se acha submetido e os fins que persegue. A arte educativa, por sua vez, determina as técnicas mais apropriadas para obter o melhor rendimento pedagógico: é uma aplicação metódica da ciência da educação. A política educativa é o conjunto de preceitos obrigatórios por força dos quais se estabelece uma base jurídica, de Direito, para levar a cabo as tarefas da educação. 3. O método da História da Pedagogia Normalmente se divide a História em grandes unidades: Antiga, Média, Moderna e Contemporânea., colocando a salvo o chamado inflação dos conceitos históricos. A seleção dos fatos é realizada a partir de sua importância. As vertentes que delimitam as unidades históricas na vida da educação são: - O fator pragmático: a eficácia e influência do fato pedagógico na sociedade. - O fator histórico-cultural: alimento do qual se nutre o processo educativo em cada tempo e lugar. - O fator progressivo: o avanço didático e dialético, o acerto educativo que supera ideias ou instituições precedentes. A azáfama3 educativa move-se, sempre, perante fins que se hão de cumprir, perante ideais que se devem realizar, e a ciência da educação tem o dever de indicar a rota para atingir tais desígnios. Deste ponto de vista, a Pedagogia é o problema da realização dos valores, a teoria que trata de fixar os recursos mais firmes e eficazes para introduzir o educando no reino dos bens. 3 Muita pressa; urgência. Grande afã; trabalho muito ativo. Atrapalhação, agitação INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 17 A heurística4 é a técnica que tem por tarefa dar a conhecer a fontes, as quais se definem como tudo quanto de maneira direta ou indireta proporciona notícia de eventos históricos. Outras fontes: restos, utensílios, de toda classe, moedas, costumes, jogos, línguas, documentos, memórias, anais, obras-primas, obras clássicas, legislações, competindo ao historiador comprovara autenticidade das fontes. 4. A educação na antiguidade O objetivo da educação nos povos primitivos é promover o ajustamento da criança ao seu ambiente físico e social por meio da aquisição da experiência de gerações passadas. Entre os povos primitivos a criança adquire o conhecimento necessário por meio da imitação: 1ª fase (primeiros anos de vida) – imitação inconsciente. 2ª fase (adolescência) – imitação consciente. As cerimônias de iniciação possuem especial valor educativo nos seguintes aspectos: moral, social, político e religioso. Animismo é a crença de que tudo possui uma alma. O aprendizado dos métodos que apaziguarão o mundo dos espíritos constitui a parte mais importante da educação. Do animismo provêm as religiões naturais, as primeiras filosofias e as ciências rudimentares Os primeiros professores são: inicialmente, a classe formada pelos chefes de grupos familiares. Posteriormente, a instrução passa a ser dada pelos sacerdotes, que se constituem nos primeiros professores profissionais. 4 arte de inventar, de fazer descobertas; ciência que tem por objeto a descoberta dos fatos. hist ramo da História voltado à pesquisa de fontes e documentos. inf método de investigação baseado na aproximação progressiva de um dado problema. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 18 5. Educação difusa: a primeira forma de ensinar5 Leandro Barcelos De Lima, Lisa Fernanda Meyer Da Silva A educação entre os povos primitivos foi fundamental para o início do desenvolvimento educacional da humanidade, como exemplo básico desta forma de educar, podemos citar as sociedades primitivas localizadas no centro da África, que se educavam de uma maneira bem peculiar e heterogênea através da Educação Difusa ou, como também era chamada, educação por imitação, processo em que os jovens e crianças repetiam os gestos praticados pelos adultos, desenvolvendo assim, habilidades e técnicas necessárias ao seu dia a dia. Todos os integrantes do grupo tribal recebiam esta educação, ou seja, ela era universal, e tal educação era transmitida e recebida inconscientemente pelos indivíduos, porém, havia momentos em que ela era aplicada propositalmente, sobre tudo em rituais de iniciação onde jovens davam início a sua vida adulta. Durante a transmissão dos conhecimentos, os aprendizes, na maioria das vezes não eram castigados fisicamente, caso cometessem erros quando na prática do que lhe fora ensinado. A prática da Educação Difusa por grupos tribais ainda resiste em alguns países, como por exemplo, na Austrália onde tribos primitivas de pigmeus mantêm seus hábitos, já milenares, intactos. Muitos autores apontam a falta de autonomia dos aprendizes como um dos principais fatores responsáveis pelo quase desaparecimento desta forma de educar, pois, afirmam que a subjetividade humana é mola propulsora para o aperfeiçoamento e perpetuação do conhecimento, mesmo assim, a educação por imitação, como única forma de aprendizagem, ainda pode ser encontrada como ponto máximo de algumas culturas. Enfim, como uma das características mais marcantes das civilizações primitivas, as educações difusas, na contramão das novas metodologias pedagógicas da atualidade, ainda se mantem enraizada na cultura de muitos povos, sobretudo descendentes aborígenes, na África, Ásia e América, conforme inúmeras pesquisas antropológicas, deixando claro que não é possível conhecer o ser humano sem antes conhecer a fonte de sua educação. FONTE: http://4.bp.blogspot.com/_MNjvTyDyXgc/TOWVS0TdeNI/AAAAAAAABTw/mTcccSzkkME/s1600/6.jpg 5 FONTE: http://seer.unipampa.edu.br/index.php/siepe/article/view/766 http://seer.unipampa.edu.br/index.php/siepe/article/view/766 INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 19 EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE ORIENTAL 1. ÍNDIA Na Índia dominada pelas castas sociais, ligadas ao bramanismo e ao budismo, a educação era desenvolvida seguindo essas castas que apresentavam a seguinte ordem de importância: - brâmanes: casta dos sacerdotes. Privilegiava-se a educação dos brâmanes, que eram educados a partir dos oito anos de idade, por mestres pertencentes a esta casta, e aprendiam textos sagrados, os Vedas, considerados como a fonte que alimentava o espírito do hindu. - xátrias: casta dos militares ou nobres guerreiros. Acontecia comumente no âmbito familiar. - vaixás: casta dos grandes agricultores e comerciantes - sudras: casta dos operários e camponeses, não recebiam educação. Os párias, que não pertencem a nenhuma casta e, não tendo origem divina, são intocáveis e miseráveis. O Budismo tem como objetivo principal libertar o homem do sofrimento, causado pelo desejo e o apego as coisas transitórias. Libertando-se, o homem atingirá total iluminação, ou seja, o nirvana, que significa para o budismo: a ausência absoluta de sofrimento, é a eterna paz e a realização total da sabedoria que se consegue através da integração do homem com a realidade universal. (COTRIM, 1986, p. 64) 2. CHINA Era conservadora, voltada para a transmissão das experiências acumuladas pelos ancestrais. O objetivo da educação, nessa época, era preparar indivíduos para assessorar o Imperador nas suas funções administrativas e desenvolver nele não o poder da criação, mas o poder da imitação. Iniciava com a leitura do alfabeto chinês, aprendizagem da escrita. A fase superior memorizava-se os textos clássicos e desenvolvia a habilidade de interpreta-los e exalta-los. 3. EGITO Na astronomia destaca-se a substituição do antigo calendário lunar pelo solar e a divisão do ano em 3654 dias e do dia em 24 horas. Desenvolveram a aritimética e a geometria, a técnica da mumificação (anatomia). A cultura egípcia possui um forte caráter religioso. Desenvolveram um tipo especial de escrita, o hieróglifo era composto de sinais e quase sempre utilizada para fins religiosos. A educação formava escribas, funcionários administrativos e legais, médicos, engenheiros e arquitetos. A instrução superior acontecia na Casa da Vida, conhecida como depósito dos saberes. A educação familiar, inicialmente, era da pela mãe e, após, pelo pai, além da educação que se fazia nas oficinas artesanais, destinadas a maioria da população (observar INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 20 para depois reproduzir o processo observado). A música e a ginástica eram apenas para a classe guerreira. A educação era classista, articulada à escrita e desenvolvida de acordo com a classe social. 4. FENÍCIOS E HEBREUS Os Fenícios se destacaram no desenvolvimento do cálculo, escrita, navegação e conhecimentos técnicos. O alfabeto fenício possibilitou a difusão da habilidade de escrever, até então privilégio de uma minoria. Esse alfabeto possuía 22 consoantes (sem as vogais) e, a partir dele, os gregos também organizaram o seu, assim como os europeus o fizeram. A educação era coletiva, ministrada por três figuras-guias das comunidades, o bardo, o profeta e o sábio, tido como educadores de massa. Na família, a autoridade paterna era central, o pai educava com severidade os filhos. A mulher tinha uma condição de subalternidade. Os Hebreus superam a concepção politeísta, desenvolvem uma ética voltada para os valores individuais e preocupada com a interioridade moral. Valorizam o ofício e o reconhecimento do valor da educação manual. ALFABETO 1 INTRODUÇÃO Alfabeto, palavra que, derivada da língua grega e constituída por alpha e beta, suas duas primeiras letras, designa uma série de sinais escritos, representantes de um ou mais sons que, combinados, formam todas as palavras de um idioma. Os alfabetossão diferentes dos silabários, pictogramas e ideogramas: em um silabário, cada sinal representa uma sílaba. No sistema pictográfico, os objetos são representados por meio de desenhos. Nos ideogramas, os pictogramas são combinados para representar o que não pode ser desenhado. Os primeiros sistemas de escrita foram a escrita cuneiforme dos babilônios e assírios, a escrita hieroglífica dos egípcios, os símbolos da escrita chinesa e japonesa e os pictogramas dos maias. 2 ALFABETO DO SEMÍTICO SETENTRIONAL É o primeiro alfabeto de que se tem notícia e surgiu, entre 1700 e 1500 a.C., na região que hoje corresponde à Síria e à Palestina. O alfabeto semítico possui apenas 22 consoantes. Os alfabetos hebraico, árabe e fenício se basearam neste modelo. A escrita é realizada da direita para a esquerda. 3 ALFABETOS GREGO E ROMANO Entre os anos 1000 e 900 a.C., os gregos adotaram a variante fenícia do alfabeto semítico. Depois do ano 500 a.C., o grego se difundiu por todo o mundo mediterrâneo e dele surgiram INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 21 outras escritas, entre elas, a etrusca e a romana. Em conseqüência das conquistas romanas e da difusão do latim, este alfabeto se tornou a base de todas as línguas européias ocidentais. 4 ALFABETO CIRÍLICO Por volta do ano 860 d.C., os religiosos gregos, que viviam em Constantinopla, evangelizaram os eslavos e idealizaram um sistema de escrita conhecido como alfabeto cirílico. Suas variantes são as escritas russa, ucraniana, sérvia e búlgara. 5 ALFABETO ÁRABE Também tem sua origem no semítico e, possivelmente, surgiu no século IV de nossa era. Foi utilizado nas línguas persa e urdu. É a escrita do mundo islâmico. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 22 EDUCAÇÃO E SOCIEDADE NA ANTIGA GRÉCIA FONTE: http://uliani.marques.zip.net/arch2007-06-03_2007-06-09.html 1. A educação na Grécia Antiga 1.1 Educação heroica: A educação na Grécia Antiga, época de Homero, era aristocrática, baseava-se nos feitos bélicos. Os nobres guerreiros tinham bastante destaque, alcançando em dignidade a própria realeza. Eram preparados para formar conselhos, onde se debatiam a paz, a guerra e outros assuntos referentes aos interesses do grupo. Os jovens nobres acompanhavam um mestre, também nobre, como pagem ou familiar seu. O ideal da educação grega daquele tempo estava em consonância com as aspirações da sociedade aristocrática. Os tempos eram heróicos e guerreiros e a educação tinha o mesmo caráter. Era cavalheiresca ou heróica, tinham como fundamento o conceito de honra, valor, espírito de luta, sacrifício, etc. A Aretê significava o grau maior do ideal nobre e uma refinada conduta palaciana. Toda educação era desenvolvida com vista a Aretê. Além de formar heróis cavalheiros, a educação pregava o individualismo, a competição, o ideal de ser o primeiro, ser o melhor entre os melhores. Para muitos estudiosos do assunto, ali estavam as raízes do capitalismo. Os estudos eram divididos em duas partes essenciais: em primeiro lugar, o educando teria que aprender a manejar armas, praticar jogos, esportes e tudo o que pudesse aprimora-lo fisicamente; em segundo lugar, INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 23 mas ao mesmo tempo, ensinavam-lhe músicas, danças, oratória, cortesia, boas maneiras, astúcia etc. Não existiam escolas, como hoje, nos tempo homéricos; a educação era recebida nos palácios ou castelos dos nobres, quando o estudante ingressava na condição de escudeiro. Havia, também, pessoas que trabalhavam como preceptoras e acompanhavam o educando nas guerras e viagens. A educação da mulher, nessa época, era pouco cuidada, limitando-se aos afazeres domésticos. 1.2 A educação espartana Esparta ficou na história, como pátria de um povo rude, inculto e militarizado. O objetivo da educação era formar soldados fortes para manter submetidos os outros povos conquistados. O ideal de estado era o coletivo, ao qual tudo se subordinava, desenvolvendo linhas de infantaria de combate. Era um sistema totalitário, próximo das ditaduras modernas, reduzindo o individualismo a ser quase inoperante. O ideal da Aretê dos tempos homéricos deu lugar ao heroísmo e amor à pátria, de maneira exacerbada. Devido à preparação para ser soldado da pátria, os espartanos não tiveram grandes participações nos jogos olímpicos e a prática de danças foi prejudicada. Quando nascia uma criança, se não fosse robusta seria sacrificada. O menino não seria um soldado forte e a menina não procriaria soldados fortes. O menino robusto ficava até os sete anos de idade com a família e depois era entregue ao Estado, onde permanecia até os vinte anos. Durante esses 13 anos, praticava todos os tipos de exercícios, com o objetivo de ser um bom militar. Nessa época, não havia escolas, o aprendizado era feito em acampamentos militares e, em certos momentos, o educando praticava a guerra, matando escravos. Segundo Plutarco, sobre as letras, os espartanos só aprendiam o indispensável. Acampados tinham que passar por provas difíceis, açoites, fome, frio, descalços, cabelos raspados, dormindo coletivamente em filas e, até os doze anos não usavam roupas. Eram obrigados a roubar para se alimentar, mas quem fosse surpreendido receberia fortes castigos físicos. A menina era educada pela mãe, mas praticava alguns exercícios físicos, lutava e arremessava discos, manejava arco, porém com toda a preocupação de não prejudicar a beleza feminina. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 24 1.3 A educação ateniense Atenas desenvolveu-se culturalmente após a educação cavalheiresca de Homero. Enquanto Esparta evoluiu para o militarismo, Atenas chegou a um estágio superior, político e democrático. Os homens vivam na polis, enquanto, em Esparta, viviam em acampamentos militares. A preocupação era com a educação cívica, espiritual e política da juventude. Os meninos em Atenas ficavam até os sete anos de idade com a família; daí começava a formação com ginásticas, músicas, jogos, etc. A educação musical incluía poesia; o educando passava a freqüentar os ginásios e um mestre elementar, chamado Didaskalo, dava toda a orientação necessária; em seguida, aprendia-se gramática e retórica, com um mestre chamado Grammatikos e, depois, recebiam os ensinamentos do pedagogo, que acompanhava e corrigia a conduta de cada educando. As orientações sobre a educação ateniense se reuniam na Paidéia, onde o ideal educativo diretamente se fixava em função da Cidade-Estado. O cultivo do corpo, moral, poesia, canto, instrumentos musicais, estética, etc., tudo estava subordinado ao espírito cívico e democrático. Aos 18 anos de idade, o jovem entrava para o serviço militar, a efebia, até receber espada e escudo. O trabalho braçal era reservado para os escravos e não cidadãos. Os estudantes aprendiam a respeitar os deuses, fazer apologia aos heróis e antepassados. Conforme foram acontecendo as transformações sociais e políticas, a educação INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 25 também mudava para acompanhar o contexto; apareceram os sofistas, professores que cobravam pelos serviços e preparavam os jovens, principalmente, para a oratória política. Com o desenvolvimento do quinto século antes de Cristo, o ideal de sociedade passou de agrícola aristocrática para comercial marítima. Nessa época, houve grandes avanços, instituíram comunidades ou fundações de cultura superior como a Academia de Platão, Liceu de Aristóteles e Escola de Isócrates. Com as lutas entre as cidades,houve o enfraquecimento geral da Grécia, que acabou dominada pela Macedônia. Naquele momento, a educação grega passou a ser helenística e tentou a ser pública, municipal. Apenas a formação de efebos continuava com o Poder Central. O pedagogo continuava em evidência, era quase sempre um escravo letrado e portador de muito conhecimento. Os métodos de ensino se baseavam na memorização, com dura disciplina e pesados castigos físicos. Formaram-se grandes centros educacionais nos locais conquistados, nasceu a preocupação com as ciências, além da filosofia. Surgiram o Trivium (gramática, retórica e filosofia) e Quadrivium (aritimética, música, geometria e atronomia), chamados posteriormente, de Sete Artes Liberais, ganhando o mundo e perdurando por muitos séculos. A cultura helenística foi uma mescla da grega com a cultura oriental dos países conquistados por Alexandre Magno. Apesar das mudanças políticas, a pedagogia continuou na Grécia Antiga, como uma teoria da educação; os principais representantes foram os sofistas Sócrates, Platão, Aristóteles e Isócrates. As características principais eram a transparência e a clareza sobre os assuntos enfocados. As ideias pedagógicas estavam inseridas nos sistemas filosóficos e estes INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 26 nos ideais políticos. Os sofistas, oradores excelentes, que ensinavam, principalmente, a eloqüência política, preparavam os jovens para ávida pública, são considerados os fundadores do subjetivismo educativo, da educação individualizada e intelectualismo. 1.4 Sócrates e seus princípios Se os sofistas foram considerados grandes professores, Sócrates é o grande educador da época. Nasceu em 469 e morreu em 399 aC. Dedicou sua vida inteira aos aspectos cívicos, intelectuais, políticos e, principalmente, à virtude do educando. Utilizava Maiêutica e Ironia como métodos pedagógicos; fazia perguntas às pessoas e, através da ironia, direcionava as respostas, ou seja, cada um chegava à sua própria resposta. Platão, fazendo apologia de Sócrates, disse que este recomendava aos amigos para ter bastante preocupação com a educação pela virtude e menos com a riqueza. Xenofonte dissera que Sócrates era quem mais tinha cuidado com a virtude, piedoso, dava conselhos, era justo, que sua educação se baseava na troca de ideias e acreditava que Aretê aristocrático pudesse ser de todas as pessoas. Havia grande preocupação com a ética, moral, virtude, verdade, conhecimento comunicável, etc. O fim último não era o Estado e sim a virtude. O diálogo socrático era considerado um dos primeiros aspectos do método indutivo, parte das ideias particulares para chegar a uma conclusão geral, expressando definições; aceito, também, como início da Dialética e, por esses motivos responsáveis pelo começo do ensino dinâmico. Para muitos estudiosos do assunto, Sócrates foi o primeiro humanista da cultura Ocidental. Existiam acusações sobre alguns ângulos do trabalho do grande mestre; críticas dizendo que ele não se preocupava com o ensino religioso, nem com a cultura helenística, porém reconhecem que desenvolveu uma pedagogia intelectualista, dialógica, dialética e indutiva, seduzindo-nos ainda hoje. 1.5 Educação platônica Platão nasceu em 427 e morreu em 347 aC. Era de família nobre, foi discípulo de Sócrates, considerado fundador da pedagogia, chegou a ser escravo, depois, liberado; fundou sua célebre Academia de Atenas, organizando a investigação sistemática, realizando estudos superiores, de caráter político e filosófico; entre seus alunos, deixou Aristóteles e escreveu duas grandes obras: A República e As Leis. Sua pedagogia idealista, mas com fundamentos na realidade. Preocupado com os destinos de Grécia Antiga, pensou em uma educação a serviço do Estado e um Estado a serviço da educação. Refutava a idéia do Estado sem educação e educação sem Estado. Para ele, o Estado era o indivíduo em tamanho grande, coletivo. Acreditava que a pessoa estava constituída em três grandes pontos: Os instintos, de caráter biológico e irracional; O valor ou desejo de combatividade; e INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 27 O racional ou espiritual. Esses três pontos ou porções correspondem a três grupos sociais do Estado: dos instintos: os produtores ou trabalhadores; dos valores: guerreiros; racional: guardiãs e governantes. Cada deveria ter um tipo diferente de educação, os primeiros estudariam até os 10 anos de idade, os segundos até os 20 anos e os terceiros, sempre; seriam os governantes. A educação para Platão começava antes do nascimento, com a regulamentação dos matrimônios. Acreditava que, na primeira infância, deveriam predominar os jogos e o lúdico. Aos 7 anos, com os exercícios físicos, músicas e, aos poucos, introduziram a literatura, até os 18 anos, quando começava a efebia, preparação para o cumprimento cívico e militar. Dentre os melhores desse grupo, seriam escolhidos os governantes, cuja educação devesse prolongar até aos 50 anos de idade ou por toda a vida. Pensava em educação autêntica para homens e mulheres, mas separados. Na obra As Leis desejava que a educação dos 10 aos 13 anos devesse dar ênfase aos estudos das letras, mais 3 anos devesse dar lira. Depois, mais dois cursos de 3 anos cada um. Primeiro, um curso de Geometria, Astronomia e Aritmética, depois Dialética ou Filosofia. Pedia que fosse organizada inspeção; acreditava nos talentos individuais; educação no Estado justo, diferenciado de acordo com a posição da pessoa nas camadas sociais. A crítica, hoje, bate bastante forte nas ideias platônicas de educação diferenciada e, para alguns, aí nasceram os princípios do inatismo, muito refutado hoje. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 28 1.6 A educação aristotélica: Aristóteles nasceu em 384 e morreu em 322 aC. Ingressou na Academia de Platão aos 18 anos de idade, permaneceu por 20 anos e, depois da morte do mestre, encarregou-se da educação de Alexandre Magno, da Macedônia. Retornou à Grécia e fundou o Liceu. Como professor de Alexandre, utilizou princípios da educação heróica de Homero, não se esquecendo das ciências, ética e política, durante os 4 anos em que durou o aprendizado. Sua academia, em Atenas, era um centro de educação e investigação; durante a parte da manhã, havia grupos de estudos e pesquisas e, na parte da tarde, o tempo era dedicado à realização de conferências sobre temas de filosofia e política. Acreditava que a finalidade da educação fosse o bem moral, no que consistia a felicidade e realização humana na plenitude. Pregava a prática do bem e não apenas conhece-lo, nesse sentido, era realista. Dizia que três coisas podiam fazer o homem bom. A natureza, que nos é dada, mas pode ser modificada pelo hábito, que seria a segunda e, pela razão que seria a terceira. Todas devem estar em harmonia, dando mais ênfase a razão. Essas três coisas correspondem a três momentos da educação: a educação física, a do caráter e a intelectual. Deve-se tratar do corpo antes de pensar na alma; depois do corpo, é preciso pensar no instinto, se bem que em definitivo não se forme o instinto senão para servir a inteligência, nem se forme o corpo senão para servir a alma. (Aristóteles, 1980). Aristóteles reconhecia que a família devesse ocupar o primeiro lugar sempre que se falasse em educação, acreditava ser função do Estado; que, quando este se descuidasse da educação, o resultado seria sempre funesto. Pregava uma educação idêntica para todos os cidadãos; defendia que, até os cinco anos de idade, a educação estivesse a cargo da família, que versaria às regras de higiene e bons costumes. As lições devem começar dos cinco aos sete anos, continuar até a puberdade e chegaraté os vinte e um anos. Até a adolescência, os exercícios não devem ser pesados, depois sim; a música influencia a moral e leva ao prazer. Pensava que, para completar a boa educação, seria necessário desenvolver o conhecimento das letras e desenho. Sabemos, também, que, no Liceu, dava-se ênfase à Matemática e ciências naturais. Foi o fundador da Lógica Formal, mas, em aula, usa o método indutivo. Encontramos, em seu livro A Política, suas principais ideias sobre a educação. Exercícios: 1 Compare a educação pratica em Esparta com a educação praticada em Atenas. 2 Relacione as áreas de conhecimento que a Grécia levou à Civilização Ocidental. 3 Enumere os princípios defendidos pela educação ateniense durante o chamado Século do Ouro. 4 Compare as ideais educacionais de Sócrates, Platão e Aristóteles. 5 Em sua opinião, quais princípios educacionais procedentes da Grécia Antiga ainda estão em uso, neste início de século? INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 29 6 ANOTAÇÕES: 7 INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 30 EDUCAÇÃO E SOCIEDADE NA ROMA ANTIGA FONTE: http://dic.academic.ru/dic.nsf/ruwiki/56152 Roma foi imperialista, impôs seu domínio, conquistou Alba Longa, os volscos, écuos, veios, galos, sannitas, épiros, cartagineses, macedônios, sírios, egípcios, ibéricos, gauleses, gregos, etc. Hoje, a Itália tem um território de 301.245 Km² e uma população de aproximadamente 58 milhões de pessoas. 1. A educação e a cultura em Roma As características da cultura romana diferiam em muito, inicialmente, da cultura grega. Os romanos eram pragmáticos, imperialistas, conquistadores, guerreiros, etc. Considerando que a educação estava inserida no contexto cultural, social e político, podemos expor sucintamente os princípios da educação e cultura, no início da história de Roma. Valorizavam, no ser humano, a ação, a vontade e o esforço sobre a reflexão. No campo político, a ênfase era dada na participação no poder, administração e manutenção dos territórios conquistados. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 31 Socialmente, as bases estavam assentadas na família, com finalidade maior, no Estado. No desenvolvimento cultural, a preocupação era com a criação de leis e normas, mas pouco interesse com a pesquisa e com a filosofia que pudesse fornecer as bases epistemológicas. No campo educacional, a ênfase era dada na formação de hábitos, exercícios para a guerra, atitude realista, mas sem grandes reflexões intelectuais dos gregos. Toda a educação estava direcionada à prática. No campo psicológico, enfatizavam o individual, preparando a pessoa para ocupar seu espaço no coletivo, no Estado. O pai tinha suprema autoridade e era responsável pela educação inicial do futuro romano. A mãe, em muitos casos, também tinha papel expressivo. O sistema de educação criado em Roma era exportado para as áreas conquistadas. O Estado era o parâmetro a ser atingido, tudo se subordinava a ele, os meios eram seguidos para se atingir essa finalidade. A idéia de Roma, como cidade eterna, se fazia presente, culturalmente, desde o início da formação educacional. A cultura geral tinha importância à medida que facilitava a manutenção do pragmatismo. Pensavam formar um homem honrado, portador de coragem e virtudes. 2. Evolução da educação em Roma Pouco sabemos sobre a educação na época da Monarquia Romana, embora a sociedade já estivesse dividida em dois principais grupos, patrícios e plebeus. Sabe-se que, inicialmente, a educação era informal, como em outros povos antigos, mas, com o desenvolvimento e a maior complexidade da sociedade, tornou-se formal, sistematizada, começava na família e continuada por mestres encarregados de preparar os mais jovens para a vida adulta, conquista e administração. Com o advento da República Romana, em 509 aC., o pai tornou-se o todo poderoso da família, exercendo toda autoridade. O pai, o pater famílias, exercia a pátria potestas, ou seja, a máxima autoridade. Até os sete anos aproximadamente, a mãe se encarregava da educação dos filhos e em muitos casos, existiam outras mulheres, familiares ou não, para ajudar nesse intento. Plutarco dizia que, aos sete anos, o menino passava aos cuidados do pai, aprendendo as primeiras letras, contar, etc. Em muitos casos, um escravo ajudava nessa tarefa de alfabetizar. Começava-se a entender, também, as leis, usar o arco, praticar ginástica, andar a cavalo, nadar, suportar a dor, frio e calor excessivo. Os filhos acompanhavam os afazeres dos pais, no Senado, nos tribunais, começando por entender os parâmetros da vida civil. Fazia as vezes de escudeiros, participando de festas, etc. As meninas ficavam aos cuidados das mães, onde aprendiam os trabalhos domésticos e alguns conhecimentos elementares. Aproximadamente, aos 17 anos de idade, o jovem podia receber a toga viril, INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 32 abandonando a toga pretexta. Naquele momento, tornara-se um soldado do exército e podia participar da vida pública. Documentos comprovam, que nessa fase, a educação poderia se dar com o jovem acompanhando um político hábil, para ganhar experiência; era uma espécie de estágio, que chegava a durar anos. Durante a República, a preocupação era com a educação voltada para a ação, para a vida e com a vida; o conhecimento das traições, dos heróis criava um tipo de consciência nacional e temor cívico. Não se dava atenção à poesia, ao belo como os gregos, nem à pesquisa desinteressada e à formação intelectual. 3. As influências da educação grega Com a conquista da Grécia, no segundo século antes de Cristo, os gregos tornaram- se escravos dos romanos e grandes modificações foram provocadas na cultura e conseqüentemente na educação. Luzuriaga fala que, com a conquista da Grécia, Roma sofreu uma grande invasão da cultura helênica e essa complexidade foi, até certo ponto, bem aceita devido às necessidades políticas e administrativas do Estado. Horácio disse: que a Grécia vencida conquistou o rude vencedor e levou a civilização ao Bárbaro Letium. A educação anterior do tipo familial e patriarcal sofreu muitas transformações. Os mais ricos tinham mestres gregos imigrados ou escravos de guerra, como preceptores de seus filhos. Nessa época, apareceram as primeiras escolas, ainda particulares; ensinava não só o latim, mas também o grego. O elementar passou a ser dividido em elementar, médio e superior. O elementar ou ludi magister recebia aluno com sete anos ou mais de idade, ministrava um programa de leitura, escrita, cálculo e algumas canções com disciplina rígida e muito castigo físico. Meninas e meninos tinham acesso ao conhecimento, mas estudavam separados. A escola média ou secundária, chamada de escola dos grammaticus, recebia pessoas dos 12 aos 16 anos de idade. Estudavam gramática latina, grega, os clássicos de Homero, retórica, oratória, matemática, estudos jurídicos e pouca música, ao contrário da antiga educação grega. No terceiro grau ou superior ou ainda escola do retor ensinava-se a antiga educação grega. Muitos romanos protestaram com a excessiva influência grega na educação. Catão, o Antigo, apresentou protestos e o Senado Romano chegou a ponto de expulsar alguns grandes mestres dedicados ao ensino em Roma. Apesar da resistência, a cultura romana assimilou a grega e chegou a alcançar grande esplendor e maturidade. O novo espírito da educação seria resumido na palavra humanistas, que corresponderia à paidéia grega. O espírito da cultura romana antiga pouco sobreviveu, predominando oespírito mais liberal inserido na cultura do Estado. 4. A educação no Império Romano INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 33 Com a criação do Império Romano em 27 aC., a educação sempre inserida no contexto, também mudou. Deixou de ser assunto particular e converteu-se em educação pública. Foram fundadas escolas municipais e o Estado fazia a inspeção, sendo seu legislador e, em última instância, diretor. Concedeu direito de cidadania aos mestres, ficando os professores dispensados de pagar impostos; foram criadas cadeiras oficiais de retórica e uma delas foi ocupada pelo Quintilhano, um dos maiores intelectuais e pedagogo da época. Com o tempo também se criaram cadeiras de filosofia e bolsas para estudantes necessitados. As escolas públicas se espalharam pelas terras conquistadas, cada vez mais preparando funcionários à administração romana. A organização do ensino em três níveis continuou, só que agora com um sentido maior de imperialismo. A idéia básica era universalizar a cultura romana, incluindo língua e direito. A escola tornou-se instrumento da romanização. A educação romana não teve grandes teóricos, como os gregos Sócrates, Platão e Aristóteles, mas os seus estavam embebidos dos idealismo pragmático, da idéia de exportar a cultura romana para todo o universo dominado e conhecido. O ideal seria formar o homem bom na palavra, com espírito conservador, valorizando o modo de vida romano, opondo-se à corrente intelectualista helênica. Nesse tempo, os grandes vultos romanos foram grandes oradores, como Catão, o Antigo, Marco Terêncio Varrão, Marco Túlio Cícero, Lúcio Sêneca, Plutarco, Quintilhano, etc., muitos deles se dedicaram a Pedagogia. Quintilhano foi o maiorde todos, escreveu 12 livros sobre pedagogia. Luzuriaga, 1978, sintetizou a pedagogia de Quintilhano, como sendo direcionada ao estudo psicológico do aluno, acentuando o valor humanístico e espiritual da educação, finura em matéria de ensino das letras, reconhecimento do valor da pessoa do educador, iniciador da pesquisa psicológica e o primeiro que se conheceu na história romana a valorizar o trabalho educativo. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 34 Exercícios: 1. Compare a educação romana com a grega, segundo os princípios relacionados no texto. 2. Qual era o ideal de homem na Roma Antiga? Explique-os, durante os períodos Monárquico, Republicano e Império. 3. Analise as transformações ocorridas em Roma com o ingresso da cultura grega. 4. O que você entende por educação pragmática? 5. Por que os romanos pouco se interessavam pela filosofia? 6. Reflita em grupo sobre a importância da cultura romana para a nossa Civilização Ocidental. REFERENCIAL TEÓRICO ARANHA, Maria Lúcia A. História da Educação. São Paulo: Moderna, 1989. FRANCISCO FILHO, Geraldo. História Geral da Educação. Campinas: Ed. Alínea, 2003. MONROE, Paul. História da Educação. São Paulo: Ed. Nacional, 1985. PILETTI, Claudino; PILETTI, Nelson. Filosofia e História da Educação. São Paulo: Ática, 1988. ANOTAÇÕES: INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 35 PLANO DE TRABALHO DOCENTE DO 2º TRIMESTRE – 2016 1. Apresentação da disciplina O Renascimento começou na Itália, no século XIV, e difundiu-se por toda a Europa, durante os séculos XV e XVI. Foi um período da história europeia marcado por um renovado interesse pelo passado greco-romano clássico, especialmente pela sua arte. Para se lançar ao conhecimento do mundo e às coisas do homem, o movimento renascentista elegia a razão como a principal forma pela qual o conhecimento seria alcançado. O renascimento deu grande privilégio à matemática e às ciências da natureza. A exatidão do cálculo chegou até mesmo a influenciar o projeto estético dos artistas desse período. Desenvolvendo novas técnicas de proporção e perspectiva, a pintura e a escultura renascentista pretendiam se aproximar ao máximo da realidade. Em consequência disso, a riqueza de detalhes e a reprodução fiel do corpo humano formavam alguns dos elementos correntes nas obras do Renascimento. O Humanismo* representou tendência semelhante no campo da ciência. O renascimento confrontou importantes conceitos elaborados pelo pensamento medieval. No campo da astronomia, a teoria heliocêntrica, onde o Sol ocupa o centro do Universo, se contrapunha à antiga ideia cristã que defendia que a Terra se encontrava no centro do cosmos. Novos estudos de anatomia também ampliaram as noções do saber médico dessa época. Os humanistas eram homens letrados profissionais, normalmente provenientes da burguesia ou do clero que, por meio de suas obras, exerceram grande influência sobre toda a sociedade; rejeitavam os valores e a maneira de ser da Idade Média e foram responsáveis por conduzir modificações nos métodos de ensino, desenvolvendo a análise e a crítica na investigação científica. FONTE: http://www.oresumodamoda.com/2010/07/idade-contemporanea-sec-xlx-era.html 2. CONTEÚDOS ESTRUTURANTES E SEUS DESDOBRAMENTOS http://www.oresumodamoda.com/2010/07/idade-contemporanea-sec-xlx-era.html INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 36 3 . C O N TE Ú D O S B Á SI C O S E ES P EC ÍF IC O S 4 . EN C A M IN H A M EN TO S O U P R O C ED IM EN TO S M ET O D O LÓ G I C O S 5 . R EC U R SO S D ID Á TI C O S 6. AVALIAÇÃO 6 .1 In st ru m e n to s d e a va lia çã o 6 .2 V al o r 6 .3 C ri té ri o s d e a va lia çã o 1. Renascimento e Educação Humanística 1.1 Contexto Histórico da Educação Renascentista: Pensamento Pedagógico Renascentista; 1.2 A Reforma Protestante e a Contrarreforma Os Fundamentos Históricos da Educação, enquanto campo de conhecimento que investiga no tempo e no espaço os fenômenos sociais serve de apoio à compreensão da educação na contemporanei dade. Nesse sentido, a disciplina deverá ser conduzida com problematizaçõ es, para não ocorrer o reducionismo dos conteúdos. Os estudantes mediados pelo docente perceberão que as explicações do senso comum não dão conta da visão de totalidade dos fenômenos. Os conteúdos curriculares serão trabalhados por meio de leituras orientadas, aulas expositivo- dialogadas, utilização de cine-fórum, leitura contextualizada de textos, livros, filmes e documentários, análise de situações problema, relato de experiências que possam contribuir para a análise e reflexão sobre os conteúdos curriculares. Pesquisa em grupos Data:___/___ /16 Apresentação de trabalhos Data:___/___ /16 Prova escrita¹ 1,5 1,5 Identifica por meio de documentos históricos as características que diferenciam as correntes filosóficas e educacionais da Idade Média. Compreende os ideais do Pensamento Pedagógico Renascentista . Confronta por meio de documentos e referências a importância destes períodos históricos para a transformação da sociedade da época. 1.3 História da Educação Brasileira 1.3.1 Período Colonial: A educação jesuítica e as reformas pombalinas. 1.3.2 A Sociedade da Companhia de Jesus e o “Ratio Studiorum”. Prova escrita¹ Data:___/___ /16 4,0 Estabelece leitura crítica dos documentos e demais referências relacionadas ao Período Colonial da Educação Brasileira. 2. Educação Moderna. 2.1 A educação realista do Século XVI, Seminário Data:___/___ /16 3,0 Reconhece os conceitos fundamentais necessários para a leitura crítica dos INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTOCURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 37 Comenius e o Método Moderno de Ensinar. 2.2 O Racionalismo de Descartes e o Empirismo de John Locke. 2.3 O Século XVIII: O Iluminismo e suas relações com a educação: Rousseau e o Naturalismo Pedagógico. processos históricos elencados na História da Educação Moderna. FONTE: https://www.epochtimes.com.br/curiosidades-genial-leonardo-da-vinci-parte-1/ https://www.epochtimes.com.br/curiosidades-genial-leonardo-da-vinci-parte-1/ INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 38 7. RECUPERAÇÃO: Em todas as atividades realizadas para avaliar a aprendizagem dos estudantes serão oportunizadas a recuperação da aprendizagem, logo após o professor comunicar a nota para o estudante, devendo este entrega-las somente no prazo estipulado. A recuperação é individual e em função das temáticas não apropriadas pelo estudante. Esta atividade é opcional para o estudante. 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: AIRÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia. 3 ed. São Paulo: Moderna, 2006. FRANCISCO FILHO, Geraldo. A Educação Brasileira no contexto histórico. Campinas: Ed. Alínea, 2001. _____. História Geral da Educação. Campinas: Ed. Alínea, 2003. GADOTTI, Moacir. História das ideias pedagógicas. 8 ed. São Paulo: Ática, 2004. GHIRALDELLI JÚNIOR, Paulo. História da educação brasileira. São Paulo: Cortez, 2005. _____. História da educação. São Paulo: Cortez, 1990. HOBSBAWN, Eric. Sobre história. São Paulo: Companhia das letras, 1998. LARROYO, Francisco. História geral da pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1982. LUZURIAGA, Lorenzo. História da educação e da pedagogia. 12 ed. São Paulo: Nacional, 1980. PAIXÃO, Priscilla Campiolo Manesco. Metodologia do Ensino de História. Maringá: CESUMAR, 2012. RIBEIRO, Maria Luisa Santos Ribeiro. História da Educação Brasileira: a organização escolar. Campinas: Cortez, 2010. ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da Educação no Brasil (1930/1973). 29 ed. Petrópolis: Vozes, 2005. SAVIANI, Demerval. História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2010. SAVIANI, Dermeval; LOMBARDI, José Claudinei; SANFELICE, José Luís. História e História da Educação. Campinas: Autores associados, 2010. VEIGA, Cynthia Greive. História da Educação. São Paulo: Ática, 2007. ZUCCHI, Bianca. O ensino de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental: teoria, conceitos e uso de fonte. São Paulo: Ed. SM, 2012. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 39 CURIOSIDADES Naquele tempo, a maioria das pessoas casavam-se no mês de Junho (início do verão), porque, como tomavam o primeiro banho do ano em Maio, em Junho,o cheiro ainda estava mais ou menos... (mais para menos.......- argh!) Entretanto, como já começavam a exalar alguns "odores", as noivas tinham o costume de carregar bouquets de flores junto ao corpo, para disfarçar. Daí temos em maio o "mês das noivas" e a origem do bouquet. Os telhados das casas não tinham forro e as madeiras que os sustentavam eram o melhor lugar para os animais se aquecerem - cães, gatos e outros animais de pequeno porte como ratos e besouros. Quando chovia, começavam as goteiras os animais pulavam para o chão. Assim, a nossa expressão "está a chover a cântaros" tem o seu equivalente em inglês em "it's raining cats and dogs". O HOMEM IDEAL NA IDADE MÉDIA 1. O homem de fé A cultura medieval foi uma síntese dos elementos greco-romanos e também germânicos, alterados segundas novas experiências. Embora haja o predomínio muito forte do sentimento religioso, a cultura medieval é também marcada pelo naturalismo representado pela literatura fantasiosa, lendas, mitos e canções populares. O processo educativo do homem medieval está orientado para a imitação de Jesus Cristo, o fundador do Cristianismo, que levará o homem, através de seus ensinamentos, à perfeição divina. O saber é um instrumento que o cristão deverá usar para justificar a sua fé, as ciências e a filosofia para compreender as verdades da fé. O longo período medieval, quase mil anos, se caracterizou pela passagem do escravismo para o feudalismo. O medo dos ataques bárbaros e das invasões mulçumanas acelerou o processo de ruralização, isto é, a volta para o campo. A consequência disso é que a sociedade passou a ser agrária, autossuficiente, artesanal e quase sem comércio, tornando-se através da relação suserano-vassalagem, uma sociedade aristocrática. Numa época marcada por grandes diferenças, a religião se torna um elemento integrador, estreitando a relação entre a Igreja e o Estado. Como a cultura greco-romana é guardada nos mosteiros, a Igreja vai desempenhar forte influência sobre a moral, política e a educação. As escolas são fundadas perto dos mosteiros e das catedrais. Nessas escolas, os convertidos ao cristianismo passam por um período inicial de preparação na qual recebem instrução na doutrina cristã. Tais escolas são chamadas de catecumenatos. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 40 Todos os padres constituídos para presidir as paróquias, seguindo o hábito que é oportunamente observado na Itália, acolham, nas próprias casas, leitores mais jovens e procurem, alimentando-os espiritualmente como bons pais, ensinar-lhes os salmos, acostuma-los ás divinas leituras e instruí-los na Lei do Senhor, de modo que possam providenciar bons sucessores para si mesmos e, assim, receber de Deus os prêmios eternos”. (CONCÍLIO DE VAISON apud CND, s.d., p. 249) 2. Jesus, o educador: Jesus é modelo perfeito do mestre cristão. Clemente de Alexandria denominou-o o Pedagogo da Humanidade, pois considerou que deu, por seu exemplo e ensino, os princípios eternos da educação e condutas humanas: Cristo como critério e norma de vida.´ A condição de ser Jesus o Filho de Deus, o Verbo encarnado, o Mediador e Redentor, conferiu- lhe a categoria de Mestre por excelência. Vós me chamais o Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 41 A Inglaterra é um país pequeno, e nunca houve espaço suficiente para enterrar todos os mortos. Então, os caixões eram abertos, os ossos retirados e encaminhados ao ossário e, o túmulo era utilizado para outro infeliz (Pessoal, isto é Reciclagem!!). Por vezes, ao abrir os caixões, percebiam que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo. Assim, surgiu a ideia de, ao fechar os caixões, amarrar uma tira no pulso do defunto, tira essa que passava por um buraco no caixão e ficava presa a um sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento do braço faria o sino tocar. Assim, ele seria "saved by the bell", ou "salvo pelo gongo", como usamos hoje. Por isso, o "defunto" de então era previamente colocado sobre a mesa da cozinha (que linda ideia,não?!) por alguns dias (DIAS?!) e a família ficava em volta, em vigília, comendo, bebendo (na boa vida é o que é!) e esperando para ver se o morto acordava ou não. Daí surgiu a vigília do caixão ou velório, que em inglês se diz Wake, de "acordar". Jesus amou com ternura as crianças. Exaltou sua dignidade, recordou, com insistência, o respeito que mereciam e lançou os mais terríveis anátemas6 a quantos por seus atos e palavras as pervertiam. Por outro lado, atraíaas crianças e olhava com profunda satisfação os jovens que se aproximavam dele em busca de uma orientação para a vida. Jesus possuía todas as qualidades do educador consumado. Os recursos pedagógicos que empregou conduziam o educando com grata e profunda alegria à verdade essencial que Ele se propôs a ensinar. Por isso, pôde sacudir e despertar a consciência adormecida de seu povo afogado pela carga exorbitante da Lei mosaica e pela política imperialista da época. Os ensinos de Jesus se adaptavam sempre ao auditório. Pronunciava suas palavras de modo que o ouvinte as compreendesse e nas ocasiões mais oportunas. Recorria, com freqüência, à imagem e à parábola, para tornar mais plásticas suas ideias. A Pedagogia do Mestre foi, também, gradual. Jamais caiu em precipitações que pudessem malograr o bom êxito do aprendizado; lançava a semente e esperava que germinasse e frutificasse: Tenho, ainda, muitas coisas para vos dizer, mas vós, no momento, não estais ainda em condições de compreende-las. Como todo genial educador, Jesus possuía, em alto grau, a arte de interrogar, de expor, de excitar o interesse dos discípulos. Seus colóquios decorriam sempre num ambiente de incomparável simpatia. Era digno, severo, paciente, segundo as circunstâncias e os interlocutores. Tornava sues ensinos claros e 6 Reprovação enérgica INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 42 intuitivos. Forjava figuras literárias e buscava exemplos da vida quotidiana para esclarecer seu pensamento. Aperfeiçoou a parábola em sua forma e revestiu-a de um esplendor incomparável. Seus ensinos possuíam um toque de autoridade. (Eu sou o caminho, a verdade, a vida... Todo poder me foi dado), embora os exercesse de modo suave, doce. Responde com bondade a seus contraditores de boa-fé; com energia, aos que tratam de confundi-lo. Este caráter de seu ensino significava uma ruptura com os velhos quadros da educação judia. Com efeito, nesta prevalecia a erudição, a citação oportuna. Jesus jamais citou uma autoridade superior a Ele, que não fosse a do Pai ou a Escritura Sagrada. Orientou a conduta do indivíduo mediante a prática das virtudes teologais (fé, esperança e caridade) e as crenças sobrenaturais. Recorreu a oração (pedi e recebereis, buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á), ao prêmio (paz, glória e bem-aventurança eternas) e ao castigo (o inferno, onde haverá pranto e ranger de dentes). A doutrina de Cristo teve as seguintes características: Uso de parábolas para facilitar a comunicação com os discípulos7. Valorização do amor ao próximo, da caridade, da justiça, da misericórdia. Não apego aos bens materiais, mas exaltação dos valores espirituais. Busca da grandeza interior, na prática da virtude. Uma doutrina para todos os homens, independentemente da classe social, da cor, de sexo, raça, etc. Por fim, como mestre perfeito, fortaleceu sua doutrina e autoridade com o exemplo. Quem dentre vós me convence a pecar? A afrontosa morte de que foi vítima tem sido a fonte da vida religiosa do Mundo Ocidental. A EDUCAÇÃO NA ALTA IDADE MÉDIA O Cristianismo começou a desenvolver-se durante os últimos séculos do Império Romano, tornando-se religião oficial em 313. Com as invasões dos bárbaros e a destruição das instituições romanas, a igreja foi-se afirmando e passou a desempenhar funções de destaque, inclusive, cristianizando os bárbaros. Os mosteiros, que ainda nessa época, desenvolviam uma educação cristã primitiva, tornaram-se centros únicos de educação e cultura. Entre as ordens religiosas, os beneditinos se espalharam por quase toda a Europa, sendo acompanhados, em menor escala, pelos cluniacenses, cistercienses8. Nos mosteiros, os monges começavam os estudos aos 6 ou 7 anos de idade, como pueri oblati, chegando a estudar, nessa fase, até os 15 anos. Iniciavam com leitura, escrita, contar, trabalhos artísticos, agrícolas etc... Muitos deles se tornavam monges copistas, copiando textos sagrados. Com o passar dos anos, os textos clássicos foram introduzindo como leitura básica, mas, em determinados lugares e diferentes épocas, foram proibidos pela 7 Parábolas são narrações simbólicas que eram utilizadas para exemplificar e fixar o conteúdo da doutrina. 8 Monge da Ordem Cisterciense INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 43 própria igreja. Em alguns mosteiros, existiam aulas externas para pessoas que não estavam dispostas a seguir a vida religiosa. Segundo Piletti, 1988, a igreja Cristã primitiva tinha como missão realizar uma reforma moral do mundo, iniciando com a educação de seus próprios membros. Alguns padres trabalhavam textos clássicos que, depois, foram considerados pagãos. Inicialmente, as pessoas admitidas como membros efetivos da igreja eram chamadas “catecúmenos” e as escolas que as ensinavam eram “catecumenatos”. Com as transformações, os bispos passaram a organizar a escolas e supervisioná-las, nascendo a preocupação de preparar bem os padres. Essas instituições passaram a se chamar “Escola das Catedrais”, porque utilizavam espaço de uma catedral. O autor fala, ainda, dos mosteiros, onde os estudos eram prioridades, seguindo regras rígidas. Luzuriaga, 1978, também falava as escolas catedrais que tinham como principal função formar clérigos e ainda trabalhavam com o Trivium ( Gramática, Retórica e lógica ) e o quadrivium ( Aritmética, Música, Geometria e Astronomia). Existiam, ainda, as escolas paroquiais, dirigidas pelos párocos locais e escolas nas aldeias, sob a direção de sacristãos e outros mestres determinados pela igreja. Nessa época, cada estamento9 recebia um tipo de educação diferenciada. O clero, como já vimos, era propagado principalmente com ensinamentos filosóficos e teológicos, disciplinados e enquadrados nos parâmetros das ordens religiosas. A nobreza recebia outro tipo de educação, era preparada para a guerra, principalmente na arma de cavalaria, para as boas maneiras, defesa dos fracos e das mulheres, lealdade a seu senhor, moral cívica, lançamento de dardos, flechas, corridas, natação etc... . A educação de um nobre começava com uma fase de escudeiro, quando recebia os ensinamentos de um cavaleiro, acompanhando-o nos campos de batalha. Os servos da gleba eram instruídos pelos familiares e por iguais, dentro dos limites do feudo. Esses ensinamentos não abarcavam ler, escrever e contar, apenas sobre a prática agrícola levada a efeito. Embora a igreja, desde o inicio, tivesse-se preocupado com o conhecimento e seus membros, “encontramos” no quinto século, padres e bispos, ainda analfabetos; eram pessoas que procediam da nobreza e conhecimento, como já foi dito, não era a preocupação dos nobres. No ano 400, o Concílio de Cartago proibiu que os homens da igreja estudassem textos clássicos. Era considerado material pagão e distorcia a formação do religioso. 9 Estado em que pode cada um subsistir ou permanecer. Cada um dos grupos da sociedade com status jurídico próprio. Ex.: os burocratas, os militares. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 44 Banho geral apenas no sábado. Sentava- se dentro de uma bacia com água morna, usando a mesma água em que se banhara a família. Usava-se sabão caseiro, feito da nogueira. Perfume era algo apenas na imaginação de quem não podia usar sabonete Eucalol, um luxo. No dia-a-dia, lavava-se apenas os pés. Por isso a expressão "lava os pés e cama". Os banhos eram tomados numa única tina, enorme, cheia de água quente. O chefe da família tinha o privilégio do primeiro banho na águalimpa. Depois, sem trocar a água, vinham os outros homens da casa, por ordem de idade, as mulheres, também por idade e, por fim, as crianças. Os bebês eram os últimos a tomar banho. Quando chegava a vez deles, a água da tina já estava tão suja que era possível "perder" um bebê lá dentro da tina. Para ter uma idéia, no ano 800, Carlos Magno, tornou-se imperador aos 32 anos de idade e ainda era analfabeto. Depois, aprendeu a ler, mas sempre teve dificuldades para escrever. Fundou, em suas terras, três tipos de escolas: 1. Escolas Paroquiais, sob a direção do padre local, uma espécie de escola elementar, que alfabetizava e difundia as primeiras letras; 2. Escolas Episcopais, onde se ensinavam gramática e textos sagrados, sob a supervisão dos bispos; 3. Escolas Cenobiais ou de Mosteiros: uma espécie de curso superior, dirigidas pelas respectivas ordens religiosas.Toda essa estrutura tinha por base os estudos dos cristãos e o latim. Decoravam-se frases e textos sagrados, acompanhados por um mestre. Alguns desses mestres também ensinavam ofícios artesanais e o sadismo pedagógico fazia parte do contexto. Há separação entre o falar e o fazer, o pensar e o trabalhar, a teoria e a prática etc..., formando as principais dicotomias da época. Retornando um pouco, em 527, no Concílio de Toledo, a igreja determinou que a formação do sacerdote devesse começar, ainda na infância, que as crianças e as mulheres eram incapazes, a ociosidade, um perigo para a alma, o ócio, pai do vício e determinou as seguintes providências: Leitura da Bíblia, vida dos santos, salmos, orações etc... Durante três séculos, a partir do ano 500, há altos e baixos na educação cristã medieval, até que Carlos Magno realizasse as mudanças já citadas. Por esse tempo, crianças e mulheres ainda eram vendidas em praça pública como no Império Romano. O fato é que algumas cidades italianas conservaram parte da cultura clássica, o que vai contribuir para o desenvolvimento comercial e humanístico, do século XI em diante. Ainda no século X, o método usado para alfabetizar era do bê-á-bá, ao ar livre; as tabuinhas com letras eram copiadas pelos aprendizes e existiam guardas que vigiavam e aplicavam castigos corporais, quando o educando se desviasse do comportamento esperado. Decoravam-se textos, nas fases seguintes, mas a disciplina continuava apertada. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 45 Aqueles que tinham dinheiro possuíam pratos de estanho. Certos tipos de alimentos oxidavam o material, o que fazia com que muita gente morresse envenenada - lembremo-nos que os hábitos higiênicos da época não eram lá grande coisa... Isso acontecia frequentemente com os tomates, que, sendo ácidos, foram considerados, durante muito tempo, como venenosos. Os copos de estanho eram usados para beber cerveja ou uísque. Essa combinação, às vezes, deixava o indivíduo "no chão" (numa espécie de narcolepsia induzida pela bebida alcoólica e pelo óxido de estanho). Alguém que passasse pela rua poderia pensar que ele estava morto, portanto recolhia o corpo e preparava o enterro. O corpo era então colocado sobre a mesa da cozinha por alguns dias e a família ficava em volta, em vigília, comendo, bebendo e esperando para ver se o morto acordava ou não. Daí surgiu a vigília do caixão. A sociedade era estamental, quase não havia ascensão social: a literatura tinha como eixo dois grandes temas: Vida dos santos, contada em todas as etapas. Histórias de príncipes e princesas que se casam com pessoas não nobres. Existiam, apenas, duas alternativas para conseguir a ascensão social, casar-se com um príncipe ou princesa ou ingressar nos quadros da igreja. Porém esta última não dava grande ascensão, porque as pessoas não nobres, como membros da igreja, formavam o baixo clero, apenas exerciam as funções subalternas, sem muita expressão. A EDUCAÇÃO NA BAIXA IDADE MÉDIA A nobreza continuava a ser treinada como no inicio da idade Média. Preparava-se para guerra, caça, torneios, viver a cavalo, com os códigos de honra e conduta. Um nobre aceitava um menino, também nobre, que ingressava como pajem, de seis aos catorze anos de idade, para aprender boas maneiras, segredos da cavalaria, bem como tratar mulheres e fracos. Aos 14 anos, aquele menino tornava-se um escudeiro, cuidando das armas de seu senhor, servia à mesa e acompanhava- o na caça; aprendia dança e música e, em alguns casos, também aprendia a ler e escrever com o capelão do feudo.Aos vinte e um anos, tornava-se um cavaleiro, tomava um banho de purificação, vestia uma túnica branca simbolizando a pureza e uma túnica vermelha representando o sangue que iria derramar, lutando pela Igreja, pelos fracos, órfãos e mulheres. Terminava fazendo um juramento, sobretudo o que aprendeu e tinha obrigação de fazer a partir daquele momento. No início do feudalismo, a igreja apresentou-se como vanguarda, fundou escolas, ajudou os pobres desamparados, prestou auxilio material e espiritual, mas, com o tempo, tornou-se poderosa e estava mais ligada à nobreza que ao povo. As pessoas idosas deixavam os bens em testamentos, havia o medo do inferno; além disso, a igreja não dividia as terras como os senhores feudais; cobrava o dízimo e outros tributos; recebia grandes doações; conservava o INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 46 conhecimento etc. Com o tempo, tornou-se grande proprietária de terras e, em muitos casos, eram clero e nobreza ao mesmo tempo. Os servos somente recebiam de seus pares ou familiares à instrução, que, na maioria das vezes, não passava de um aprendizado da profissão do pai. Depois de algum tempo, surgiram os vilões, que, por algum motivo, eram dispensados de pagar as banalidades ao senhor feudal, ficando livres e passando a comercializar produtos nas feiras. A marca principal, quando se fala em educação, na Idade Média, foi a fundação das universidades. Eram locais onde se formavam grupos de estudos, com uma cultura superior, acompanhado às condições locais. A primeira universidade da Europa Ocidental de que se têm notícias é a Escola de Medicina de Salermo, na Itália, com algumas influências árabes. Depois, tivemos a Universidade de Bolonha, considerada, por muitos estudiosos, como a primeira direcionada aos estudos do Direito. No século XIII, surgiu a Universidade de Paris, originária da Escola Catedral de Notre Dame e serviram de modelo às universidades européias por no mínimo dois séculos. Surgiram no século XIV, Oxford e Salamanca, depois muitas outras. Para Luziriaga, 1978, a forma de nascimento das universidades foi muito variada. As de Paris, Salermo e Oxford nasceram da autoridade e atração de um mestre; as de Roma, Pisa e Montlellier, surgiram como fundação do papa; Salamanca e Nápoles foram criadas por editos de príncipes; outras pelo poder do papa e ajuda dos príncipes e reis. Umas eram sociedades que agrupavam mestres, como a de Salermo; outras, corporações de estudantes, como a de Bolonha e outras, ainda, como Salamanca, eram corporações de mestres e estudantes. As universidades nasceram como studium generale e, depois, como universitas studiorum, significando o caráter geral dos estudos, não importando a procedência do estudante. Dividiu-se em faculdades, onde era normal haver Artes, Teologia, Medicina e Direito. Passaram a conceder títulos de bacharel, licenciado, mestre e doutor. Muitas universidades europeias nasceram dos grandes colégios e estes, nasceram, de antigas hospedarias ou albergues, como Oxford e Cambridge, na Inglaterra. Algumas surgiram dos ditames da Escolástica, mas, aos poucos, tudo foi sendo transformado a as novas ideias e conhecimentos passarem a ser discutidos mais abertamente, embora a Inquisiçãonão deixasse de perseguir os intelectuais que discordassem da Igreja. No final do século XIV e inicio do XV, foram criadas as primeiras escolas consideradas burguesas. As corporações ou grêmios de diversas profissões criaram suas escolas, de caráter eminentemente profissional, não abandonando a educação geral. O estudante começava a ser educado numa profissão, como aprendiz de um mestre, ficando aos cuidados e orientação dele até os 15 ou 16 anos de idade, para adquirir o status de oficial, condição necessária para exercer a profissão, desde que associada a uma corporação. As corporações faziam exames para promover o oficial a mestre e daí poder estabelecer seu próprio negócio e aceitar aprendizes. Muitas corporações receberam benefícios dos reis e do Papado. No final da Idade Média, os habitantes dos burgos ou cidades firmaram-se como uma classe social. Foram os burgueses, organizados em corporações e grêmios, fundando escolas das referidas profissões. Algumas dessas escolas conseguiram grande reputação INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 47 como a Taylors school, de Londres. Os professores primários da Espanha estavam filiados à Irmandade de São Cassiano e conseguiram privilégios das autoridades, não pagando impostos, nem sendo presos ou recrutados para o serviço militar. Existiam algumas exigências, todos passariam por exames de capacitação e teriam que pertencer aos quadros da Irmandade. Corporações pobres e ricas criaram seus grêmios educacionais e o Estado Moderno, ainda em formação, passou a ajuda-las. Era uma maneira de diminuir as influências da Igreja. Com o crescimento das cidades, criaram-se escolas municipais, independentes das catedrais. A maioria tinha caráter político, mas algumas se dedicavam a ensinar literatura, geografia, história e outras disciplinas consideradas humanísticas. O ensino era promovido na língua local e já existiram diretores e até supervisores, da própria organização. Por este tempo, as escolas recebiam contribuição dos municípios, mas ainda aceitavam doações dos alunos. Havia mestres ambulantes, que circulavam por muitos lugares ou até países, porque eram contratados temporariamente e todos tinham passado por exames criteriosos. Foi o embrião da escola pública, durante a ascensão do capitalismo comercial. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 48 Outra contribuição importantíssima foi à educação árabe principalmente na Península Ibérica. Os muçulmanos estudaram e transmitiram a cultura clássica, para a Europa, como um todo. Já no século X, O Califado10 de Córdoba, na Espanha, havia criado uma grande quantidade de escolas, desde as de primeiras letras até as superiores, onde se especializavam na interpretação dos clássicos e Alcorão principalmente. Criaram, também, muitas bibliotecas e produziram vasta literatura. Os estudos abrangiam ciências, filosofia, matemática e outros conhecimentos, muito antes da cristandade. Os árabes tiveram muito cuidado com a educação da mulher, o que não acontecia com os cristãos. Entre os sábios, figuravam pessoas como Avicena, físico e filósofo; Averróis, que estudou os escritos de Aristóteles, com profundidade; Abentofail, que escreveu tratados de pedagogia e chegou a ser comparado a Rousseau. Outro ponto muito importante, para a cultura, foi à tolerância e aceitação dos muçulmanos, frente às culturas judaicas e cristã. Hoje, ainda é possível ver em Toledo, na Espanha, como as três culturas caminharam paralelamente, sem grandes conflitos. Com a expulsão dos árabes da Península Ibérica, a Inquisição esmagou muitos núcleos culturais, provocando um grande atraso. A PEDAGOGIA MEDIEVAL Durante a Idade Média, muitos religiosos dedicaram-se à educação, sendo considerados bons educadores, mas pouco teóricos. Os primeiros representavam a Patrística, filosofia e pedagogia exercida pelos padres, seguindo os ensinamentos, principalmente de Santo Agostinho. Na segunda metade da Idade Média, os filósofos e educadores pertenciam à Escolástica, seguindo, principalmente, as orientações de Santo Tomás de Aquino. A escolástica compreende três período: O de formação (desde o séc. IX até fins do séc. XII). O do apogeu (1220 a 1347), época de fundação dos grandes sistemas escolásticos. O de decadência (até últimos anos do século XV), caracterizado pela reprodução das doutrinas da fase precedente. Para muitos autores, além da importância da Patrística e Escolástica para a educação cristã, houve um primeiro período, de igual importância, chamado Apostólico, correspondendo a atuação de Jesus de Nazaré e seus apóstolos, durante os primeiros anos do cristianismo, chegando até o quarto século, com outros seguidores. Esses ensinamentos foram anteriores à invasão dos bárbaros e tiveram continuidade com a Patrística. Alguns educadores se destacaram nessa época, além do próprio Jesus e seus 12 apóstolos. Clemente de Alexandria, divulgador dos ideais cristãos e grande pedagogo. Vários educadores se destacaram nas etapas posteriores. 10 Território governado por califa. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 49 Santo Agostinho (354 – 430) foi bispo, lecionou filosofia e teologia e é um dos fundadores da Patrística. Sua obra pertence à patristica11. Seu pensamento reflete os principais passos de sua trajetória intelectual, marcada pelo maniqueísmo12, ceticismo13, o neoplatonismo e, finalmente, o cristianismo, que predominou sobre as fases anteriores. Defendeu as ideais de que: o mal é o afastamento de Deus. Somente o íntimo da alma, iluminada por Deus, pode atingir a verdade das coisas; a alma deve reinar sobre o corpo; nem todos os homens estão predestinados à salvação. Cassiodoro (490 – 583) era monge beneditino, teve grande influência como educador, trabalhava as Artes Liberais e escreveu sobre instituições literárias, divinas e humanas. Santo Isidoro (560 – 636) foi bispo de Sevilha e conhecedor da cultura da época, escreveu textos sobre epistemologia e criou muitas escolas. Beda (673 – 735) foi considerado um dos criadores da cultura inglesa. Escreveu a história eclesiástica da Inglaterra. Alcuino (735 – 804) foi ministro de Carlos Magno, organizou o grande movimento cultural da época, criando centros de ensino. Escreveu várias obras sobre as Sete Artes Liberais. Rábano Mauro (776 – 856) foi discípulo de Alcuino, continuador da obra do mestre e escreveu várias obras sobre as instituições monásticas. Escoto Erigema (813 – 880), dotado de grande cultura, valorizou a filosofia grega e foi grande educador. Santo Anselmo (1033 – 1109) foi arcebispo da Cantuária e um dos fundadores da Escolástica, trabalhou com ideias de fé e razão, sem dicotomia. Abelardo (1074 – 1142) foi mestre na Escola Catedral de Notre Dame, contribuiu e participou para a nascente Universidade de Paris. Usou a dialética na educação e não subordinava a razão à fé. Alberto Magno (1193 – 1280) estudou e divulgou as filosofias grega e árabe. Considerava que o conhecimento pode ser conciliado com a fé. Santo Tomás de Aquino (1225 – 1274) foi o maior pensador da Escolástica de todos os tempos. Suas ideias perpassaram a Idade Média e, ainda hoje, no inicio do século XXI, influencia a Igreja Católica. Procurou, sempre, conciliar a fé e razão. Sua obra pertence a escolástica14 e tem como problemática fundamental a busca de harmonização entre a fé cristã e a razão. Reviveu a filosofia de Aristóteles, utilizando-a como instrumento a serviço da religião católica. No processo de conhecimento da realidade enfatizou a importância dos dados sensoriais. Reafirmou os princípios de contradição, substância, causa eficiente, causa final,ato e potência. Elaborou cinco argumentos para provar a existência de Deus. 11 Textos dos primeiros grandes padres da Igreja Católica 12 Doutrina que se funda em princípios opostos, bem e mal. 13 Estado de quem duvida de tudo, crença 14 Doutrinas teológico-filosóficas dominantes na Idade Média, dos sécs. IX ao XVII, caracterizadas sobretudo pelo problema da relação entre a fé e a razão, problema que se resolve pela dependência do pensamento filosófico, representado pela filosofia greco-romana, da teologia cristã. Tentativa de conciliar o aristotelismo com o cristianismo. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 50 FONTE: http://pt.slideshare.net/nilohistoria/alta-idade-mdia-16813912 RESUMINDO Durante a Idade Média, as atividades comerciais estiveram praticamente extintas. Esse quadro só veio a se alterar a partir dos séculos XI e XII, quando voltaram a se tornar conhecidos alguns dos pensamentos gregos que por muito tempo estiveram censurados. Em função do empobrecimento do solo, do êxodo rural cada vez mais frequente, do surgimento cada vez maior de cidades, do enriquecimento de comerciantes (independentemente do poder político e do clero) chamados de burgueses, o sistema feudal tornou-se cada vez mais decadente e essa decadência atingiria o seu ponto máximo no século XV. Os membros do clero, detentores do saber e até então figuras com poderes incontestáveis começaram a receber críticas, principalmente por possuírem muitos bens materiais (oriundos de doações à Igreja). Tudo isso, somado ao fato de os navegadores trazerem novidades filosóficas do Orienta, provocaram um conjunto de condições transformadoras, caracterizando uma retomada de valores, o que chamamos de Renascimento. http://pt.slideshare.net/nilohistoria/alta-idade-mdia-16813912 INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 51 REFERENCIAL TEÓRICO: COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. São Paulo: Saraiva, 1999. CURIOSIDADES DA IDADE MÉDIA E ALGUMAS EXPRESSÕES USUAIS. Disponível em http://ourblog.blogs.sapo.pt/arquivo/064447.html em 10/04/2004 FRANCISCO FILHO, Geraldo. História Geral da Educação. Campinas: Alínea, 2003. IESDE/CND. Módulo 2. LARROYO, Francisco. História Geral da Pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1982. PILETTI, C.; PILETTI, N. Filosofia e História da Educação. São Paulo: Ática, 1988. PROPOSTA PARA REFLEXÃO 1. Escreva sobre a evolução da educação cristã durante a Alta Idade Média. 2. Qual a importância de Carlos Magno para a educação da época. 3. Explique a educação recebida por cada um dos estamentos. Por que era diferente? Quais eram os objetivos na formação de cada um? 4. Por que a educação está sempre inserida no contexto do educando? Explique. 5. Verifique até que ponto a educação servia de instrumento para discriminar os grupos dominados. 6. Quais foram os períodos do Cristianismo, quanto à evolução educacional? 7. Relate as principais ideias pedagógicas da Patrística comparando com as ideias pedagógicas da Escolástica. 8. Qual foi a importância de Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino para a pedagogia cristã? 9. Como se realizava a formação de um nobre, de um padre e de um servo? 10. Analise criticamente as mudanças que provocaram a passagem da Idade Média para a Moderna. 11. Qual a importância das universidades para a época? Houve apoio? De quem? Por qual razão? 12. Quais as ideias pedagógicas da idade média adotada pelas escolas atuais. ANOTAÇÕES: INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 52 O RENASCIMENTO 1. Tendências gerais do Renascimento Renascimento designa o movimento cultural e artístico que se desenvolveu nos séculos XVI e XVII, que retoma os valores da antiguidade clássica. Segundo Paul Monroe, as atividades do renascimento recorrem a três grandes interesses quase desconhecidos durante a idade média: a) Interesse pela vida real do passado: os Gregos e Romanos tinham um conhecimento mais amplo da vida e de suas possibilidades, do que a humanidade da Idade Média. As idades clássicas expressaram esse conhecimento através de uma literatura e uma arte incorporavelmente superiores as da idade média, que no entanto as ignorava. As literaturas e os tratados clássicos deveriam ser estudados a fim de se tornarem modelo de comportamento social e para a busca de uma intensificação da atividade intelectual e científica (Cambi). A leitura dos clássicos no original permite entrar em comunhão espiritual com os grandes nomes da Antigüidade, ainda que não desapareçam completamente as gramáticas e os compêndios de inspiração escolástico medieval. b) Interesse pelo mundo subjetivo: das emoções, da alegria de viver, dos prazeres e satisfações contemplativas desta vida e da apreciação do belo. O pensamento medieval ignora completamente este mundo (Cambi) O Homem da nova civilização, uma vez adquirida a consciência de poder ser o artífice e de sua própria história, quer viver intensamente a vida da cidade junto com seus semelhantes, para isso , mergulha na cidade civil, engaja-se na política, no comércio e nas artes exprimindo uma vida harmônica e equilibrada dos aspectos multiformes dentro dos quais se desenvolve a atividade humana. É aqui que se faz evidente a diferença com o passado. O homem renascentista libertava-se em direção às conquistas científicas, ao humanismo e ao individualismo moderno. c) Interesse pelo mundo da natureza física: este não só era desconhecido dos povos medievais, como seu estudo era considerado baixo e humilhante. 2. Consequências dos novos interesses Estudo mais amplo e intensivo das línguas grega e latina. Caça aos manuscritos remanescentes desta literatura. Restauração das obras clássicas. Criação na literatura, de um novo interesse por tudo que apelasse para imaginação e para o coração, aos poucos nasce a confiança na razão, a força renovadora da dúvida, o desejo de conhecer, inventar e construir o conhecimento livre da tutela da igreja. Produz-se uma nova ruptura entre mito e razão. O esforço artístico, sob todas as suas formas, passa a predominar como em nenhum outro período da História. A análise introspectiva da vida emocional provoca imensa produção literária (poesia, drama e romance). Desenvolvimento das ciências históricas e sociais. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 53 Deslocamento do centro de gravitação, até então situado nas coisas divinas, para o próprio homem. 3. Consequências Educacionais Uma das principais consequências educacionais do Renascimento, ao lado da exaltação do estudo escolástica é a promoção do ideal de uma nova vida, dos clássicos, é a busca de uma nova educação, que se oponha ao velho e pedante esquema da escolástica. O conteúdo de uma nova educação, que consiste principalmente nas línguas e nas literaturas clássicas dos gregos e romanos, passa a ser designado, durante este período, pelo termo humanidades Batista Guarino – (1459) escreve o seguinte “O conhecimento e a prática da virtude são peculiares ao homem; eis porque os nossos antepassados chamavam humanistas aos propósitos, às atividades específicas da humanidade”. O interesse da nova educação no Renascimento está centrado, portanto, “nos propósitos, nas atividades específicas da humanidade”, e a literatura dos gregos e romanos era apenas um meio para a compreensão de tais atividades. Por isso o aprendizado da língua e da literatura dos gregos e romanos torna-se problema pedagógico mais importante. 4. Alguns representantes do Renascimento A Itália que foi o berço do Renascimento, mais quequalquer outro povo, a língua, a literatura a uniam com a época clássica. 4.1 Literatura Dante Alighieri – (1265 – 1321). Foi o mais antigo dos precursores do Renascimento. Sua obra mais importante, A Divina Comédia, é considerada o ponto mais alto atingido pela poesia italiana. (Porque deu a seu país uma língua nacional). Petrarca – (1304 – 1374) O Florentino Boccáccio (1313 – 1375) ressuscitaram o interesse pelo estudo dos clássicos latinos e gregos. Boccaccio era escritor e poeta e seu texto mais conhecido é O Decameron. 4.2 No campo educacional, porém o mais inovador foi Victorino da Feltre (1378 – 1446), sua maior criação foi uma escola, à qual deu o nome de Casa Giocosa (casa alegre), para diferenciá-la das escolas do tipo medieval, de disciplina rígida e austera. A Casa Giocosa preocupava-se acima de tudo, com a formação integral do homem. Victorino da Feltre costumava dizer: ”Quero ensinar os jovens a pensar, não a delirar”, afirma também, que o ensino deveria ser gradual e de acordo com o desenvolvimento psíquico do aluno, e transcorrer num ambiente de alegria e satisfação. François Rabelais (1494) – O renascentista francês tornou-se conhecido por dois textos, Gargantua e Pantagruel, onde satiriza o comportamento do clero e os dogmas católicos. François Rabelais e Michel de Montaigne (1533-1592) se ocuparam com problemas INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 54 da educação. Rabelais condensa seu pensamento no seguinte princípio: “Ciência sem consciência não é senão ruína da alma”. Para Montaigne, a educação de seu tempo era livresca, cheia de pedantismo, desligada da vida e propensa a punir as crianças com castigos corporais. O ideal educativo de Montaigne é o homem para o mundo. Por isso a educação deve formar o homem completo, de corpo e alma. Em relação ao programa de estudos, Montaigne recomenda o reconhecimento da natureza, da língua materna, da história que é um “espelho onde é preciso olhar para conhecer–nos bem”. Com relação aos métodos de ensino ele reprova os educadores que consideram seus alunos como sujeitos passivos aos quais se tenha que transmitir os conhecimentos como “ideias já feitas”. Recomenda que se procure estimular a atividade espontânea nos meninos e jovens (métodos ativos), mediante a observação direta da natureza e do juízo autônomo da razão. Luís de Camões (1528-1580), a Obra mais conhecida do poeta português é Os Lusíadas. Miguel de Cervantes (1547-1616) O espanhol Cervantes escreveu Dom Quixote, uma verdadeira obra prima literária e histórica que narra de forma sensível à impossibilidade de manter os valores medievais no mundo burguês em formação. William Schakespeare (1564-1616) O mais importante dramaturgo inglês, seus textos mais conhecidos são Romeu e Julieta, Hamlet, a Megera Domada, Henrique V, Otelo, Rei Lear e Macbeth. 4.3 Artes Plásticas Sandro Botticelli (1444-1510). Os principais temas de suas obras foram às cenas religiosas e as cenas mitológicas. Temas a mitologia como nascimento de Vênus e Primavera. Leonardo da Vinci (1452-1519), sua inspiração artística foi notável, assim como nas ciências, o italiano Leonardo foi versátil também nas artes. Suas obras mais conhecidas: A última ceia, Monalisa (ou La gioconda) e a Virgem dos Rochedos. Michelangelo Buonarroti (1475-1564) também conhecido como Miguel Ângelo, suas esculturas traduzem movimento e sentimento, como se o artista, ao moldar a pedra, lhe desse alma. Suas obras mais conhecidas: escultura Pieta, Moisés e David e as mais pinturas o teto da capela Sistina. 4.4 Os Pensadores do Renascimento Erasmo de Roterdã (1466 ou 1467 – 1536) considerado uma dos principais humanistas do renascimento, seu texto mais conhecido é Elogio da Loucura, no qual faz criticas contundentes aos poderes constituídos, inclusive à Igreja católica. Nicolau Maquiavel (1469-1527) escreveu O príncipe, que traça as diretrizes do poder no Estado moderno. Thomas Morus (1480-1535) esse pensador escreveu uma notável critica a sociedade de sua época no livro utopia. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 55 5. O renascimento Cientifico A principal contribuição do renascimento cientifico foi o desenvolvimento da observação e da experimentação, as duas principais figuras do renascimento cientifico foram Leonardo da Vinci e Nicolau Copérnico (1473-1543). Da Vinci inventou inúmeros mecanismos e instrumentos bélicos, dedicou-se ao estudo da anatomia humana, da física, da botânica. Copérnico contribuiu na ampliação do conhecimento da matemática, da mecânica e da astronomia. Formulou em 1543, a teoria heliocêntrica, que afirma que a Terra gira em torno do sol, contrariando a doutrina católica medieval que defendia a idéia de que a terra é o centro do universo. A EDUCAÇÃO NO INICIO DOS TEMPOS MODERNOS 1. A reforma Protestante e a contra-reforma. Até o final da idade media (meados do século XV) todos os cristãos, isto é, aqueles que seguiam os ensinamentos de Jesus Cristo, permaneceram unidos em torno da autoridade do Papa, o bispo de Roma. Entre os séculos XV e XVI, a Igreja Católica viu–se abalada por uma serie de crises internas que culminaram na Reforma protestante e na contra-reforma católica. 2. A reforma Protestante Entre os motivos que determinaram a Reforma, dentre outros podemos destacar: a corrupção do clero, o desvio da igreja e seus principais objetivos, o desenvolvimento da corrente humanista que atribuía ao homem liberdade em relação às expressões exteriores. As autoridades da igreja davam mais importância as tradições eclesiásticas do que do próprio evangelho. O que teria desencadeado a reforma luterana foi à venda de indulgências em favor do Papa Leão X e para o arcebispo da monoécia, sob pretexto de através das obras da igreja, cada cristão conseguir a própria salvação. Alguns líderes religiosos passaram a protestar contra o que consideravam abusos da autoridade papal e não mais obedecer ao Papa, separando da Igreja Católica de Roma. Assim Calvino criou o calvinismo na Suíça, Lutero fundou o luteranismo na Alemanha e Henrique VIII iniciou o movimento Anglicano na Inglaterra. Martinho Lutero elaborou 95 teses opondo-se a venda de indulgências. Os principais pontos de sua doutrina são: a negação da autoridade do Papa, dos padres, e dos conflitos; denúncia do uso das indulgências; livre interpretação do evangelho; maior importância da fé em relação às obras. Lutero escreveu a confissão de Augsburg, que tornou a base da doutrina luterana. Em 1521, por causa das críticas que fazia, Lutero foi excomungado. Outro movimento surgiu INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 56 na Inglaterra liderado por John Wycliffe (ou wyclif) professor da universidade de Oxford, especialista em temas religiosos. Os princípios fundamentais da doutrina de Wycliffe eram: os crentes recebem a graça diretamente de Deus, sem a necessidade de sacerdotes que sirvam de intermediários; a Bíblia é a única fonte das verdades cristãs; a recusa da transubstância (dogma católica segundo o qual a presença de Cristo na eucaristia é real). Embora predominante religiosa, a reforma protestante teve implicações econômicas, políticas e sociais: a expansão marítima e comercial fortaleceu a burguesia européia, interessada na reforma religiosa que lhe desse mais liberdade de ação, para os protestantes; com a queda do feudalismo o surgimento dos estados centralizados, o poder real entrou em conflito com a igreja; o renascimento cultural desenvolveu uma cultura no homem, e não mais em Deus, e favoreceram o surgimento do espírito crítico e do individualismo, aspectos ligados às ideias. FONTE:https://siriusknotts.files.wordpress.com/2011/03/luther5.jpg A reforma gerou algumas transformações culturais, entre elas o crescimento do número de escolas protestantes para alfabetização dos cristãos, que deveriam ler e interpretar a bíblia que foi traduzido por Lutero, para o alemão. Os católicos também viram a necessidade de reformar a igreja. Desse modo, a reforma protestante acelerou o movimento de reforma da própria igreja católica, que ficou conhecida como Contra-reforma; esta procurou evitar que católicos se convertessem ao protestantismo. O processo de reação da igreja acabou sendo liberado pela Companhia de Jesus, uma ordem religiosa que tinha forte apelo à obediência hierárquica e a conduta moral rígida, o que possibilitou uma reestruturação no comportamento dos membros do clero, através de varias providências: o Concilio do Trento (1543-1563), que reorganizou a igreja católica e definiu algumas mudanças: proibição da venda de indulgências; obrigatoriedade de os clérigos fazerem seus estudos nos seminários antes de serem ordenados; proibição das vendas dos cargos do alto clero (bispos, arcebispos e cardeais). Foram também, reafirmados os seguintes dogmas católicos: o principio da salvação pela fé e pelas novas obras; o celibato clerical (proibição de os padres se casarem) a crença na substanciação de Cristo no pão da missa (idéia de que a hóstia é o corpo de Cristo e o vinho o seu sangue; INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 57 a indissolubilidade do casamento; a validade dos sete sacramentos (batismo, confirmação, eucaristia, penitência, extrema-unção, ordem e sacramento). Além disso, o Concílio de Trento reativou o tribunal do santo oficio, ou tribunal da inquisição, instituição criada na idade média para julgar os hereges. O tribunal passou a perseguir, condenar e executar muitos dos que questionavam os dogmas católicos. Os métodos do tribunal eram terríveis, as torturas faziam com que a maior parte dos suspeitos confessasse os piores crimes. A inquisição exerceu severa censura sobre as obras publicadas, em circulação pela Europa e na América. Para tanto foi criado o Índex, lista de livros proibidos aos fieis por serem considerados perniciosos à fé católica. As proibições do índex atingiram os textos escritos por Lutero e seus seguidores. Essa censura atrapalhou bastante o desenvolvimento nos países dominados pelo catolicismo. 3. Religião e Escola Durante a idade moderna a religião não deixou de exercer sua influência quase exclusiva sobre a educação. Entretanto, agora os cristãos estavam divididos e o controle educacional exercido pela igreja de Roma começou a ser contestado pelos protestantes. Para Martinho Lutero (1483-1546), a educação deveria se libertar das amarras que a prendiam à igreja e subordinar-se ao Estado, só assim poderia atingir todo povo, nobres e plebeus, ricos e pobres meninos e meninas. O currículo proposto por Lutero para as escolas protestantes continuava dando preponderância ao grego e ao latim, acrescentou a língua hebraica, incluiu a lógica e as matemáticas e deu grande ênfase a ciência, a música e a ginástica. Os estados alemães foram os que deram mais atenção á educação. A partir da metade do século XVI , previa a instalação de escolas elementares vernáculas em todas as aldeias, com ensino de leitura, escrita, religião e música sacra. Em todas as cidades e vilas havia escolas de latim, divididas em seis classes: escolas superiores de latim, mais tarde juntando com as escolas elementares de latim, passaram a constituir o ginásio. freqüência dos seis anos aos doze anos, no estado de Weimar o ano letivo durava dez meses, horário era das 9h às 12h e das 13h às 16h em todos os dias úteis. Os pais cujos filhos não frequentassem a escola eram multados. A igreja reagiu criando novas ordens religiosas, que dessem especial atenção ao ensino (principal foi a companhia de Jesus). O objetivo principal da ordem era a educação de líderes, tendo, portanto, pouco interesse pela educação elementar. Segundo Paul Monroe a sua perfeita organização, o cuidado na preparação dos professores e os métodos de ensino foram os principais fatores de sucesso na educação jesuítica. O método de ensino principal característica a revisão freqüente da matéria, na semana e no final do ano todo o trabalho anual era revisado. Um dos princípios básicos do ensino jesuítico era o de que é melhor aprender pouco mais bem aprendido do que muito e superficialmente. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 58 Referência Bibliográfica PILETTI, C.; PILETTI, N. Filosofia e História da Educação. São Paulo: Ática, 1988. IESDE. História, Uma abordagem integrada OJEDA, Eduardo Aparecido Baez, Módulo I, UDESC/CND, 1971 ARANHA, Maria Lúcia de Arruda, História da Educação. São Paulo: Moderna 1989. A EDUCAÇÃO NA ÉPOCA DO ABSOLUTISMO O Cardeal Richilieu, primeiro ministro de Luiz XIII, considerava que a educação não deveria ser acessível a todos. Se todas as pessoas fossem sábias, desapareceria a obediência e o Estado seria fraco. A instrução dos pobres seria cara, acabaria com o sossego público, enfraqueceria as forças armadas, comércio, agricultura e não seria possível conseguir professores para todos. Nas cidades menores, a orientação era ter duas ou três classes de alfabetização, não mais para instruir soldados e comerciantes. Havia uma seleção e só os mais talentosos teriam vagas. Para prosseguir nos estudos, haveria nova seleção e, depois, outras. Os que não estivessem aptos a prosseguir, seriam incorporados à força de trabalho. Esse descaso para com a educação dos pobres também esteve presente nas colônias americanas. No Brasil Colonial, os jesuítas apenas se empenhavam na educação dos filhos dos colonos brancos, que prosseguiam estudos na Europa; os filhos dos pobres não recebiam educação formal, apenas uns poucos se alfabetizavam. A educação estava direcionada para os grupos privilegiados economicamente. A Espanha e a Inglaterra não fizeram muito diferente, criaram universidades nas colônias e menos escolas elementares. Para se ter uma idéia, a Espanha fundou a Universidade do México e a de São Marcos em 1551; a de Santo Antônio de Cuzco em 1598; Santo Tomás de Aquino, em 1580, em Bogotá; Córdoba na Argentina em 1613, etc. Nos Estados Unidos, na época da independência, 1776, existiam 8 escolas superiores de iniciativa religiosa e os elementares eram sustentadas pelos moradores locais. Portugal foi mais atrasado ainda, durante todo o período colonial (1500-1808), não se fundou nenhuma universidade e as escolas superiores só apareceram no início do século XIX, com a chegada da família real portuguesa. A nossa primeira universidade iniciou seu funcionamento em 1934, século XX. Durante o século XVII, houve, na França, alguns esforços no sentido de organizar a instrução elementar. Em 1695, um edito determinava esse tipo de organização, mas ainda atrelado às paróquias e bispados. Tais gastos seriam compensados com um imposto. Porém as referidas escolas, em muitos lugares, só existiam no papel. As informações hoje apontam que algumas salas de aula funcionavam nas casas dos referidos mestres e,não raro, nos quartos dos próprios, em condições precárias. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 59 Ideias e movimentos pedagógicos 1.1 Francis Bacon: O Conhecimento em Si Mesmo é Poder. Esse pequeno aforismo aparece em Meditationes Sacrae (1597), um enigmático trabalho de Francis Bacon (1561-1626), advogado, político, ensaísta, e co-inventor do método científico. A frase parece óbvia, especialmente em nossa era de informação. Porém, corremos o risco de entender mal o queBacon está querendo dizer com "poder", que não é "vantagem pessoal ou política", mas "controle da natureza". As teorias de Bacon deixam alguma coisa a desejar. Ele descartou a ciência especulativa, desprezando o papel da hipótese, que ele via como infundado e, portanto, estéril. Todo conhecimento verdadeiro, afirmava ele, deriva da observação e do experimento, e qualquer tipo de suposição prévia só vai provavelmente distorcer a percepção e a interpretação. Porém, sem hipóteses não existem experimentos controlados, que são a essência do método científico moderno. Bacon pensava que o mundo era essencialmente caótico, e que por isso era um erro abordar a natureza com a suposição de leis uniformes. Contudo, a ciência avançou principalmente supondo que o mundo é ordenado, que existem regras e padrões simples inscritos na natureza. 1.2 Wolfgang Ratke (1571 – 1635), alemão idealista, aspirava a uma nova didática, considerando as individualidades, espírito de tolerância, respeito à personalidade de cada um, com fraternidade entre os homens. Defendia que devemos ensinar do fácil para o difícil, do simples para o complexo, na língua materna e, depois, línguas estrangeiras, que a escola devesse ser continuidade do lar, que não devemos impor regras nem memorização, que se deve aprender sem coação, para se chegar aos clássicos, etc. 1.3 René Descartes (1596 – 1650) considerava que as coisas não são importantes, mas as ideias, o ser pensante e não o mundo que o cerca. Sua máxima era “penso, logo existo”. A Admiração é a Primeira de Todas as Paixões: Quando o primeiro contacto com algum objecto nos surpreende e o consideramos novo ou muito diferente do que conhecíamos antes ou então do que supúnhamos que ele devia ser, isso faz que o admiremos e fiquemos espantados com ele. E como tal coisa pode acontecer antes que saibamos de alguma forma se esse objecto nos é conveniente ou não, a admiração parece-me ser a primeira de todas as paixões. E ela não tem contrário, porque, se o objecto que se apresenta nada tiver em si que nos surpreenda, não somos emocionados por ele e consideramo-lo sem paixão. (René Descartes, in 'As Paixões da Alma') 1.4 João Amos Comênio: A obra mais importante de Comênio, Didactica Magna, marca o início da sistematização da pedagogia e da didática no Ocidente. Comênio não foi o único pensador de seu tempo a combater o pedantismo literário e o sadismo pedagógico, mas ousou ser o principal teórico de um modelo de escola que deveria ensinar "tudo a todos", aí incluídos os portadores de deficiência mental e as meninas, na época alijadas da educação. "Ele defendia o acesso irrestrito à escrita, à leitura e ao INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 60 cálculo, para que todos pudessem ler a Bíblia e comerciar", diz Gasparin. Comênio respondia assim a duas urgências de seu tempo: o aparecimento da burguesia mercantil nas cidades européias e o direito, reivindicado pelos protestantes, à livre interpretação dos textos religiosos, proibidos pela Igreja Católica. A obra de Comênio corresponde também a outras novidades, entre elas "o despertar de uma nova concepção de criança", como diz Gasparin. "Ele a trata em seus livros com muita delicadeza, num tempo em que a escola existia sob a égide da palmatória", continua o professor. "A educação era vista e praticada como um castigo e não oferecia elementos para que depois as pessoas se situassem de forma mais ampla na sociedade. Comênio reagiu a esse quadro com uma pergunta: por que não se aprende brincando?" A maior contribuição de Comênio para a educação dos dias de hoje é, segundo o professor Gasparin, a idéia de "trazer a realidade social para a sala de aula, fazendo uso dos meios tecnológicos mais avançados à disposição". De tão fascinado pela invenção da imprensa e pela possibilidade de disseminação de conhecimento que ela representava, Comênio criou a expressão "didacografia" para designar o método universal de ensino que ele pretendia inaugurar. Nos dias de hoje, a tecnologia da informação seria capaz de realizar essa revolução? Qual é sua opinião? 1.5 John Locke: Com respeito à religião, Locke toma uma atitude racionalista moderada. Admite uma religião natural, exigível também politicamente, porquanto fundamentada na razão. E professa a tolerância a respeito das religiões particulares, históricas, positivas. Locke interessou-se especialmente pelos problemas pedagógicos, escrevendo os Pensamentos sobre a Educação. Aí afirma a nossa passividade, pois nascemos todos ignorantes e recebemos tudo da experiência; mas, ao mesmo tempo, afirma a nossa parte ativa, enquanto o intelecto constrói a experiência, elaborando as ideias simples. Afirma-se que todos nascemos iguais, dotados de razão; mas, ao mesmo tempo, todos temos temperamentos diferentes, que devem ser desenvolvidos de conformidade com o temperamento de cada um. Esta educação individual não exclui, mas implica a educação, a formação social, para ampliar, enriquecer a própria personalidade. Tem muita importância a obra do educador, mas é fundamental a colaboração do discípulo, pois trata-se da formação do intelecto, da razão, que é, necessariamente, autônoma. A formação educacional consiste, portanto, fundamentalmente, no desenvolvimento do intelecto mediante a moral, precisamente pelo fato de que se trata de formar seres conscientes, livres, senhores de si mesmos. Por conseguinte, a educação deve ser formativa, desenvolvendo o intelecto, e não informativa, erudita, mnemônica. Igualmente Locke é autor de educação física, mas como o meio para o domínio de si mesmo. 1.6 Fraçõis Fénelon (1615 – 1715), É pedagogo ao serviço da aristocracia, moralista e tratadista político. Na sua época tem grande reputação como pregador, mas conservam- se apenas amostras da sua eloquência. Passa à posteridade graças a As Aventuras de Telémaco, que sob a aparência de uma novela passada na antiga Grécia propõe com verbo fácil e brilhante uma série de ideias políticas e morais para a educação dos príncipes. O seu estilo, que seduz os seus contemporâneos pela suavidade, a elegância e INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 61 a pureza do idioma, está carregado por um excesso de reminiscências clássicas. “Aquele pensa que sabe muito, mas não sabe de nada, e a sua ignorância é tanta que nem sequer está em condições de saber aquilo que lhe falta.” “Nenhum poder humano consegue forçar o impenetrável reduto da liberdade de um coração. Aqueles que nunca sofreram não sabem nada; não conhecem nem os bens nem os males; ignoram os homens; ignoram-se a si próprios. Não basta mostrar a verdade, é preciso apresentá-la amavelmente” FRANCISCO FILHO, Geraldo. A educação na época do absolutismo. In: _____. História Geral da Pedagogia. Campinas: Alínea: 2003. p.139-148. AS FAMÍLIAS NO SÉCULO XVI. FONTE: http://estudodainfancia.blogspot.com.br/2012/08/o-traje-das-criancas.html ANOTAÇOES: http://estudodainfancia.blogspot.com.br/2012/08/o-traje-das-criancas.html INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 62 A EXPANSÃO COMERCIAL E TERRITORIAL DA EUROPA OCIDENTAL Séculos XI ao XIV a Europa sofre grandes transformações, iniciando com o Renascimento Comercial e as Cruzadas. A nobreza está em franca decadência diante da ascensão da burguesia. O humanismo serve de alicerce para o proselitismo15 das novas ideias. O Renascimento fornece bases epistemológicas para as Grandes Navegações, a Reforma Religiosa e as mudanças educacionais. Portugal tem uma posição geográfica privilegiada, voltada para o Oceano Atlântico. Povos de diferentes etnias discutem a próxima expedição. A Vitória da Dinastia de Avis em 1385 sobre a Dinastia deBorgonha, quando D. João I de Avis juntou força com os burgueses e começou a conquista pelas costas da África, chegando ao Brasil em 1500. Idade Moderna: começa no século XV tendo as bases do pensamento econômico assentadas no Mercantilismo, que defendia: balança comercial favorável, estoque de metais, Estado poderoso, mais exportações e menos importações, exaltação ao nacionalismo, governo direcionado aos assuntos econômicos e colônias para atender as necessidades da metrópole. Educação: a hegemonia das sete artes liberais: trivium (gramática, dialética, retórica), quadrivium (aritmética, geometria, música e astronomia). Já não atende ao novo momento histórico. As ideias de Santo Tomás de Aquino, procurando trabalhar conjuntamente fé e razão, não encontravam tantos seguidores. A revolução de Gutenberg (1391-1468) difunde o novo saber com maior velocidade, para que a burguesia pudesse ser mais bem informada, era também, à volta dos estudos clássicos e o saber anterior que se concentrava, em grande parte, nos membros da Igreja, agora sobre mudanças. Alfabetização: passou a ser necessária para a nova classe em ascensão (burguesia). Migração de sábios: por toda a Europa, devido às facilidades, de trabalhar as novas ideias. Brasil em 1500: estava inserido no contexto, fornecendo matérias-primas para Portugal, começando com o pau-brasil, depois açúcar e outro. Monopólio: Brasil passa a existir em função da política econômica, na condição de colônia. A religião: Havia crise no seio da Igreja, que perdia adeptos na Europa Ocidental e necessitava de novas áreas de atuação. Apoia as Grandes Navegações e assume o trabalho educacional e de catequese nas novas terras. FRANCISCO FILHO, Geraldo. A educação brasileira no contexto histórico. Campinas: Alínea, 2001. p. 12-13. 15 Indivíduo que abraçou religião diferente da sua. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 63 ATIVIDADES: 1) Por que a história da educação está inserida no contexto geral? 2) Quais as contribuições das grandes navegações? 3) Reflita sobre a ascensão do capitalismo e as mudanças educacionais? Discuta com seus colegas. 4) Por que Portugal foi pioneiro nas Grandes Navegações? COMO ERA A VIDA NA ARMADA DE PEDRO ÁLVARES CABRAL? por Diogo Antonio Rodriguez FONTE: http://hid0141.blogspot.com.br/2013/07/como-era-vida-na-armada-de-pedro.html FROTA DE RESPEITO Em 9 de março de 1500, 13 navios da expedição de Pedro Álvares Cabral deixaram Lisboa, levando 1,5 mil homens. Eram três caravelas (naves menores e ágeis, com até 50 toneladas) e dez naus (com até 250 toneladas e capacidade para 200 pessoas). Além do tamanho, a principal diferença era o formato das velas. http://hid0141.blogspot.com.br/2013/07/como-era-vida-na-armada-de-pedro.html INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 64 NETUNO DOMINADO A caravela foi o trunfo que fez de Portugal uma potência marítima até o século 18. Ela era leve, mudava de direção com agilidade, navegava rápido contra o vento e chegava mais perto da costa do que navios maiores. Outro fator importante para o domínio naval português foi a utilização de caravelas armadas com canhões. JOGO DA VIDA Entediados pela viagem (cerca de um mês e meio até o Brasil), os marinheiros criavam passatempos. Os preferidos eram apostas, como jogos de cartas e dados. Os padres, responsáveis por manter a moral a bordo, monitoravam a jogatina, celebravam missas e cuidavam dos doentes, já que não havia médicos. CAMA PRA QUÊ? Apenas os mais graduados tinham o luxo de um quarto e uma cama. Os marinheiros dormiam sob o castelo da popa, a estrutura mais alta do navio. Como não cabia muita gente ali, o jeito era dormir no convés, ao relento, em frágeis colchões de palha. Os porões eram reservados para guardar água, mantimentos e munição. DIETA FORÇADA O cardápio era de matar. O principal item era biscoito água e sal duro (600 g diários). A ração ainda incluía 1,5 litro de água e 1,5 litro de vinho por dia e 15 kg de carne por mês. Calcula-se que seriam necessárias 5 mil calorias por dia nessas condições, mas a alimentação nos navios só fornecia 3,5 mil. APOCALIPSE NAU A sujeira reinava. Como não havia banheiros, as necessidades eram feitas no mar ou nos porões. Ratos infestavam os navios e transmitiam doenças. A falta de banho também contribuía para tornar a higiene a bordo calamitosa. Não à toa, das 1,5 mil pessoas que embarcaram, apenas 500 voltaram vivas a Portugal. SAÚDE É O QUE INTERESSA As condições de alimentação e higiene eram precárias e nocivas. A falta de vitamina C causava o escorbuto, doença que provoca perda de dentes, dificuldades de cicatrização, anemia e hemorragias. O contato com bichos a bordo causava diarreia e piolhos. Os males mais frequentes eram enjoos e vômitos. LONGE DE TUDO A viagem de Cabral foi a primeira a usar sistematicamente o astrolábio. Parecido com uma pequena roda, o aparelho mede a altura do Sol ao meio-dia, a das estrelas à noite e fornece a latitude (posição no eixo norte-sul da Terra). Por outro lado, a medição da longitude (posição no eixo leste-oeste) nunca foi precisa. SOY CAPITÁN Cabral era o capitão-mor da armada, mas cada navio tinha um comandante, que não precisava ser expert em navegação. Os capitães eram pessoas próximas da corte portuguesa e do rei, dom Manuel. A função era cerimonial e diplomática. Quem conduzia os navios eram os pilotos, que dominavam mapas, instrumentos de navegação e ventos. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 65 ORDEM NO CONVÉS A hierarquia nos navios de Cabral CAPITÃO: Autoridade máxima da embarcação. PILOTO: Responsável de fato pela navegação. Sabia ler a bússola, as estrelas, os mapas náuticos e o astrolábio. MESTRE: Dava ordens para marinheiros e grumetes e comandava o funcionamento geral da embarcação. SOLDADO: Cuidava de armas e munição. MARINHEIRO: Operário do mar. Fazia tudo no navio, de limpar a subir velas. GRUMETE: Cumpria funções que os marinheiros não curtiam, como lavar o convés, limpar dejetos e costurar as velas. Curiosidades: - Além de marinheiros e nobres, havia escrivães, registrando tudo. O mais famoso, Pero Vaz de Caminha, relatou ao rei dom Manuel a descoberta do Brasil; - Os barbeiros, que aparavam o cabelo e a barba dos marujos, auxiliavam os padres no atendimento aos enfermos; - O castigo para quem não cumpria as regras nos navios era ficar no porão, tirando a água que entrava pelo fundo da embarcação. FONTES: Sites Projeto Memória, Instituto Camões e VEJA na História, Centro de História Além-Mar (Universidade Nova de Lisboa) e livro Brasil: Terra à Vista, de Eduardo Bueno. A EDUCAÇÃO ARISTOCRÁTICA NO BRASIL COLONIAL EM 1500 Portugal vivia sob o as ideias do mercantilismo, que priorizara o comércio. A colonização do Brasil foi feita no sentido de atender às necessidades da metrópole. O ensino difundido pela companhia de Jesus estava fora do contexto, estudava-se grego e latim com os ditames da filosofia de santo Tomás de Aquino, século XIII. O ensino na a colônia atendia a uma elite latifundiária, que completaria os estudos na Europa, aos funcionários da coroa e a formação de padres para a própria ordem. Acaba a colégio da companhia de Jesus tinha um reitor, subordinado ao provincial, auxiliado por um prefeito de estudos, que também, tinha auxiliares para tarefas menores. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 66 Havia a encarregados da disciplina e todos seguiam os estudos determinados pelo Ratio Studiorum (ordemde estudos). Havia um currículo de teologia com quatro anos de estudos, um currículo de filosofia com 3 anos de duração e o currículo humanista com cinco anos, que na prática durava seis ou sete anos, porque não começava a um assunto antes de dominar o anterior. Estudava se latim e grego e existiam castigos, inclusive físicos. A metodologia dia ensino começava com uma preleção. Nas classes elementares após a leitura era feito o resumo do texto, o professor tirava a prazo dúvidas. Mais tarde de chegava-se à retórica, a arte da composição, a síntaxe e ao estilo; o professor aceitava o diálogo. O trabalho de catequese tinha como objetivo converter os indígenas em cristão e em súditos do governo português. Na época da colonização do Brasil a burguesia e estava em ascensão e o renascimento colocava aqui em evidência novos valores. Portugal foi o pioneiro dos descobrimentos, tinha posição geográfica privilegiada, uma burguesia que apoiou e foi apoiada pelo rei desde 1385 com a Revolução Avis. O mercantilismo defendia a balança comercial favorável, o estoque de metais, mais exportações que importações, governo forte direcionando os assuntos econômicos e a criação de colônias para a atender às necessidades da metrópole dentro do estatuto e do monopólio. De 1500 a 1530 Portugal não se interessou pela colonização destas terras, mandou expedições de reconhecimento e para defender o litoral dos invasores. Estava preocupado com as especiarias do oriente. O primeiro ciclo econômico foi do pau-brasil. A madeira era extraída de forma predatória, para fazer corante na Europa. A cessão para a exploração foi feita a favor do burguês Fernão de o Noronha, que obteve o monopólio. O segundo ciclo econômico da colônia e mais forte começa ainda no século XVI, foi o açucareiro. A cana-de-açúcar havia sido testada nas ilhas do atlântico, encontrou aqui condições favoráveis. Os holandeses participaram, inicialmente e, com o refino e distribuição do açúcar nos mercados europeus, depois financiando os senhores de engenho. A colonização do Brasil teve início com a grande propriedade rural, baseada no sistema de capitanias hereditárias e sesmarias. O problema da mão-de-obra foi resolvido com a importação de negro os africanos, na condição de escravos. Discutia-se na época se homem negro tinha ou não a um e não recebia nenhum tipo de educação formal, aprendia no trabalho diário. Sofreu forte alienação cultural. AS PRIMEIRAS SALAS DE AULA EM NOSSA TERRA FORAM CRIADAS PELOS JESUÍTAS PARA EVANGELIZAR OS ÍNDIOS16 Inicialmente, os curumins (filhos dos índios) e órfãos portugueses. Mais tarde, os filhos dos proprietários das fazendas de gado e dos engenhos de cana-de-açúcar e também 16 FONTE: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/serie-especial-historia-educacao-brasil-750345.shtml INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 67 dos escravos. Em todos os casos, apenas meninos. Esses foram os primeiros alunos da Educação formal (e letrada) brasileira. E os padres jesuítas, os primeiros professores. De 1549, quando o padre Manuel da Nóbrega (1517-1570) chegou ao nosso território na caravela do governador-geral Tomé de Sousa (1503-1579), até 1759, quando Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), o marquês de Pombal, expulsou a Companhia de Jesus, a catequização e o ensino se misturaram. Os padres começaram a catequizar os índios logo que desembarcaram no Brasil Franciscanos e outras ordens religiosas chegaram a realizar algumas tentativas pontuais de ensino, como lembra Dermeval Saviani em História das Ideias Pedagógicas no Brasil (Ed. Autores Associados), mas foram os jesuítas que lograram a constituição de uma rede educacional. Os primeiros passos foram dados nas casas de bê-á-bá (ou confrarias de meninos). "Logo após o desembarque, os jesuítas iniciaram a conversão dos índios ao cristianismo ensinando os rudimentos do ler e escrever, numa concepção evangelizadora que se materializaria, depois, nos famosos catecismos bilíngues, em tupi e português", escrevem Amarilio Ferreira Jr. e Marisa Bittar, docentes da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), no artigo A Gênese das Instituições Escolares no Brasil. O objetivo principal era catequizar - afinal, a Igreja Católica se sentia ameaçada pela Reforma Protestante -, mas para isso todos precisavam saber ler. "As letras e a doutrina estavam imbricadas na cultura europeia medieval vigente ainda nos séculos 16 e 17. E a gramática portuguesa também vinha carregada de orações e pensamentos religiosos", explica José Maria de Paiva, da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Nas casas de bê-á-bá, moravam os padres e meninos órfãos trazidos de Portugal. Esses pequenos estudantes ajudavam a despertar a atenção das crianças indígenas. As aulas INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 68 eram bilíngues (em português e tupi, considerada a língua predominante no litoral, onde a ocupação brasileira começou) e o ensino dos dogmas católicos era seguido de perto pela desvalorização dos mitos indígenas. Segundo relato do padre José de Anchieta (1534-1597) a Inácio de Loyola (1491-1556), fundador da Companhia de Jesus, os índios entregavam seus filhos "de boa vontade" para serem ensinados e, ao retornar para o convívio com seus pais, as crianças colaboravam para disseminar o ideário católico entre os adultos. Não havia uma formação específica para que um padre se tornasse professor. "Bastava saber ler e escrever, mas principalmente conhecer as Sagradas Escrituras, já que a escola era quase um sinônimo de sacristia e estudar significava se tornar um bom cristão", comenta Marisa. O método consistia em ouvir e repetir o que os sacerdotes ensinavam. "Quanto mais fiel aos ensinamentos, melhor", complementa Ferreira Jr. Outro marco da didática da época era o uso do teatro e da poesia para ensinar. "Anchieta inspirou-se nos usos e costumes indígenas, utilizando-se das músicas, das danças e dos cantos usados em suas festas cerimoniais em seus autos. Para atingir os objetivos de catequizar e educar, os cânticos e as poesias eram traduzidos e adaptados", contam as pesquisadoras Yara Kassab, Inez Garbuio Peralta e Vera Cecília Machline no artigo O Lúdico Na Festa de São Lourenço de José de Anchieta. Nas cenas, os hábitos dos nativos eram adaptados para uma vida considerada mais cristã e costumes como a nudez e a bigamia eram criticados. "O jesuíta percebe que o teatro podia ser uma estratégia pedagógica promissora e um instrumento de comunicação com os índios para transmissão da doutrina católica, dos valores morais e culturais europeus ocidentais, bem como a propagação da Língua Portuguesa", completam. Saviani lembra que Anchieta17 era um "hábil conhecedor de línguas". Além do espanhol, seu idioma nativo, ele sabia português e latim e, após sua chegada ao Brasil, aprendeu rapidamente a chamada "língua geral" dos indígenas. Foi responsável por elaborar uma gramática do tupi, que facilitou muito o trabalho de evangelização. Na sociedade colonial, com caráter aristocrático e patriarcal, o senhor de engenho tinha todos os direitos ao negro os, a mulheres, mestiços, indígenas etc, só restava obedecer para um dia gozar a eternidade do paraíso cristão. O desenvolvimento artístico sempre acompanhou os ciclos econômicos e foram proibidos. Os jesuítas lideraram as primeiras experiências de ensino no Brasil entre os séculos 16 e 18, mas foram expulsos de Portugal e da colônia em 1759. Responsável por essa determinação, Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), o marquês de Pombal, iniciou uma reforma da Educação com o objetivo de modernizar o reino de dom José I (1714-1777). Para substituir os padres, ele criou as aulas régias, mas os efeitos concretossó foram sentidos alguns anos depois. Em 1760, foi realizado o primeiro concurso para professores públicos (ou régios), em Recife (leia a linha do tempo na página seguinte), mas as nomeações demoraram e o início 17 "(...) o principal cuidado que temos deles (os índios) está em lhes declararmos os rudimentos da fé, sem descuidar o ensino das letras; estimam-no tanto que, se não fosse esta atração, talvez nem os pudéssemos levar a mais nada." INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 69 oficial das aulas só ocorreu em 1774, no Rio de Janeiro. Diante disso, quem tinha condições recorria a professores particulares. Depois que o ensino engrenou, a etapa inicial, chamada de "estudos menores", era formada pelas aulas de ler, escrever, contar e humanidades (gramática latina, grego etc.). Era a primeira vez que a Educação era responsabilidade estatal e objetivava ser laica, mas o catolicismo ainda continuava muito presente. Para se tornar professor, não havia uma formação específica. Por isso, eram selecionados os que tinham alguma instrução, muitas vezes padres. Tereza Fachada Levy Cardoso, doutora em História e docente do Centro de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), no Rio de Janeiro, conta que os professores ganhavam um título de nobreza, que dava direito a alguns benefícios, como a isenção de certos impostos. Mas a atividade era penosa e nem sempre compensadora. As aulas régias aconteciam na casa dos educadores, previamente liberadas pelos inspetores. Eram frequentes as solicitações por melhores salários, especialmente porque havia muita diferença entre o que era pago dependendo do nível em que o educador atuava. O método mútuo, inspirado no sistema fabril Inglês não deu certo no Brasil As orientações de Pombal valeram até a morte de dom José I, em 1777. Quando dona Maria I (1734-1816) assumiu o trono, demitiu o marquês. Apesar da mudança política, no início não houve uma ruptura no sistema de ensino. As aulas deixaram de ser denominadas régias e passaram a ser chamadas de públicas, mas só o nome mudou. Dona Maria I reinou até 1792, quando seu filho dom João VI (1767-1826) assumiu o poder. A vinda da família real para o Brasil, em 1808, impulsionou o desenvolvimento cultural. Logo surgiram a Imprensa Régia e alguns jornais impressos, o Jardim Botânico do Rio INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 70 de Janeiro e o Museu Real. Enquanto isso, as ideias que levariam à independência já se alastravam pelo país e ela se tornou real em 1822. A civilização é obra da escola e a escola é obra do professor. Se quereis elevar a escola e a civilização, começai por elevar o professor à altura da sua missão e lhe dar nas vantagens do seu ofício a coragem, o gosto, a energia e a força que ele demanda." Antônio de Almeida Oliveira Marquês de pombal, primeiro-ministro de D. José I de Portugal, expulsou os jesuítas de todo o território português em 1759, acusando-os de promover a subversão, trabalhar contra o império e ter responsabilidades sobre a formação da elite portuguesa, que se encontrava a em situação inferior dianteira das elites das outras nações européias. O novo sistema educacional e implantado pelo marquês não substituiu a altura o anterior. Cobraram o subsídio literário, o imposto para apagar as aulas régias, que foram poucas e de má qualidade. Em 1808 com a chegada da família real portuguesa ao Brasil estava quebrado o estatuto colonial, começando uma nova fase. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 71 FONTE: http://metalurgicospiracicaba.com.br/n/2015/01/22/familia-real-portuguesa-foge-de-portugal-e-desembarca-no-brasil/ INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 72 Linha do tempo 1500 Os portugueses chegam aqui e encontram vários povos indígenas. 1530 As capitanias hereditárias são criadas e começa o cultivo de cana-de-açúcar. 1549 Primeiro grupo de jesuítas desembarca em solo tupiniquim. 1599 A Companhia de Jesus promulga o Ratio Studiorum. 1759 O marquês de Pombal expulsa os jesuítas do Brasil. Fonte História da Educação (Maria Lúcia de Arruda Aranha, 256 págs., Ed. Moderna) ANOTAÇÕES: INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 73 PLANO DE TRABALHO DOCENTE DO 3º TRIMESTRE – 2016 1. APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Desde que o ensino e a aprendizagem passaram a ser planejados e formalizados, eles sofreram muitas transformações. No terceiro trimestre o foco será na trajetória da Educação brasileira. Veremos as principais características de cada período. "Devemos olhar para a história da Educação pelo tripé de quem faz (o homem), o contexto e o produto (o que foi feito), sempre com a perspectiva de entender o presente", ressalta Gisela Wajskop, diretora do Instituto Singularidades. Compreender a trajetória da Educação é uma parte essencial da formação dos docentes. Por isso, Dermeval Saviani, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sugere que essa área do conhecimento seja o eixo da organização dos conteúdos curriculares de Pedagogia. "De um curso assim estruturado se espera que forme pedagogos com uma aguda consciência da realidade em que vão atuar". Apesar da grande importância, esse conhecimento não tem recebido a devida atenção. "Hoje temos uma memória do esquecimento e o que é velho não é considerado relevante", analisa Maria Helena Camara Bastos, professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). "Passo o semestre lembrando meus alunos que todos acham algo moderno usar jogos, mas Platão (427-347 a.C.) já propunha isso. É fundamental que todos conheçam a história e entendam que ela é feita por nós a cada dia. Caso contrário, nossa identidade não se constrói." Outro estudioso do assunto, Maurice Tardif, docente da Universidade de Montreal (UdeM), no Canadá, lembra que, ao chegar em uma escola, entramos em uma densa cultura educacional com mais de 2,5 mil anos de idade. As ideias e os valores que hoje permeiam o ensino vêm de tradições ocidentais. "Por exemplo, aprender a falar é um valor educativo sofista e socrático que apareceu na Grécia cinco séculos antes de Cristo", resume. FONTE: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/serie-especial-historia-educacao-brasil-750345.shtml 2. CONTEÚDOS ESTRUTURANTES E SEUS DESDOBRAMENTOS: — Educação Brasileira — Pedagogias não-liberais — Pedagogia brasileira contemporânea INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 74 3 . C O N TE Ú D O S B Á SI C O S E ES P EC ÍF IC O S 4 . EN C A M IN H A M EN TO S O U P R O C ED IM EN TO S M ET O D O LÓ G IC O S 5 . R EC U R SO S D ID Á TI C O S 6. AVALIAÇÃO 6 .1 In st ru m en to s d e av al ia çã o 6 .2 V a lo r 6 .3 C ri té ri o s d e av al ia çã o 1 Educação Brasileira 1.1 Período Imperial: A Educação no Império, a formação da elite. 1.2 Reformas: Couto Ferraz, Leôncio Carvalho e os Pareceres de Rui Barbosa para a organização do ensino. Os Fundamentos Históricos da Educação, enquanto campo de conhecimento que investiga no tempo e no espaço os fenômenos sociais serve de apoio à compreensão da educação na contemporaneida de. Nesse sentido, a disciplina deverá ser conduzida com problematizações, para não ocorrer o reducionismo dos conteúdos. Osestudantes mediados pelo docente perceberão que as explicações do senso comum não dão conta da visão de totalidade dos fenômenos. Os conteúdos curriculares serão trabalhados por meio de leituras orientadas, aulas expositivo- dialogadas, utilização de cine-fórum, leitura contextualizada de textos, livros, filmes e documentários, análise de situações problema, relato de experiências que possam contribuir para a análise e reflexão sobre os conteúdos curriculares. Análise de texto Debate/Ro da da conversa Data: ___/___/16 2,0 Analisa consistentemen te os fatores predominantes da educação Brasileira no Período Imperial. Expõe com clareza e objetividade os períodos que caracterizam o período Republicano. 1.3 Período Republicano (1889 a 1930): O ceticismo pela educação; “o otimismo pedagógico”; as lutas políticas pedagógicas; a transição da Pedagogia Tradicional à Pedagogia Nova. 1.4 Período de 1930 a 1932: A Política Educacional e os conflitos ideológicos dos anos 30; Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova. Cine- Fórum: Uma professora maluquinha Data: ___/___/16 3,0 Compreende a importância dos marcos Históricos da Educação Brasileira. Investiga os fatos históricos dos períodos fazendo uso dos instrumentos de pesquisa. 1.5 Estado Novo de 1937 a 1945: A Constituição de 1937 e as Leis Orgânicas; A Política Educacional dos governos populistas. 1.6 Período da Estudo de caso: Zuzu Data: ___/___/16 Zuzu Angel e o militarismo Produção 2,5 Compreende a importância dos marcos Históricos da Educação Brasileira. Investiga os fatos históricos INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 75 Ditadura Militar: O fracasso da política educacional. Leis de Diretrizes e Bases nº 4024/61 e nº 5692/71; Tecnicismo. de História em Quadrinhos . dos períodos fazendo uso dos instrumentos de pesquisa. 2. Pedagogias não Liberais 2.1 Contexto histórico e características 2.2 Pedagogia Crítico Produtivista 2.3 Pedagogia Libertadora 2.4 Pedagogia Crítica. 3. Pedagogia Brasileira Contemporânea 9.1 Educação Brasileira a partir da Constituição de 1988 9.2 Redemocratização da Educação Brasileira 9.3 A elaboração da Lei de Diretrizes e Bases nº 9394/96 9.4 Tendências Neo Liberais versus Materialismo Histórico. Linha do tempo Data: ___/___/16 2,5 Compreende as Pedagogias não Liberais como contraponto à Pedagogia Tecnicista. Estabelece leitura crítica das Pedagogias não Liberais por meio do cruzamento de informações entre artigos, textos e outros recursos. Identifica as Instituições Sociais que dão suporte à disseminação e princípios que norteiam a Pedagogia Brasileira na contemporanei dade. Conhece o processo de redemocratizaç ão da Educação Brasileira. Diferencia as tendências neo liberais das tendências críticas. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 76 7. RECUPERAÇÃO: Em todas as atividades realizadas para avaliar a aprendizagem dos estudantes serão oportunizadas a recuperação da aprendizagem, logo após o professor comunicar a nota para o estudante, devendo este entrega-las somente no prazo estipulado. A recuperação é individual e em função das temáticas não apropriadas pelo estudante. Esta atividade é opcional para o estudante. 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: AIRÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia. 3 ed. São Paulo: Moderna, 2006. FRANCISCO FILHO, Geraldo. A Educação Brasileira no contexto histórico. Campinas: Ed. Alínea, 2001. _____. História Geral da Educação. Campinas: Ed. Alínea, 2003. GADOTTI, Moacir. História das ideias pedagógicas. 8 ed. São Paulo: Ática, 2004. GHIRALDELLI JÚNIOR, Paulo. História da educação brasileira. São Paulo: Cortez, 2005. _____. História da educação. São Paulo: Cortez, 1990. HOBSBAWN, Eric. Sobre história. São Paulo: Companhia das letras, 1998. LARROYO, Francisco. História geral da pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1982. LUZURIAGA, Lorenzo. História da educação e da pedagogia. 12 ed. São Paulo: Nacional, 1980. PAIXÃO, Priscilla Campiolo Manesco. Metodologia do Ensino de História. Maringá: CESUMAR, 2012. RIBEIRO, Maria Luisa Santos Ribeiro. História da Educação Brasileira: a organização escolar. Campinas: Cortez, 2010. ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da Educação no Brasil (1930/1973). 29 ed. Petrópolis: Vozes, 2005. SAVIANI, Demerval. História da ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2010. SAVIANI, Dermeval; LOMBARDI, José Claudinei; SANFELICE, José Luís. História e História da Educação. Campinas: Autores associados, 2010. VEIGA, Cynthia Greive. História da Educação. São Paulo: Ática, 2007. ZUCCHI, Bianca. O ensino de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental: teoria, conceitos e uso de fonte. São Paulo: Ed. SM, 2012. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 77 A EDUCAÇÃO NO BRASIL DE 1808-1822 Em 1808 a família real portuguesa chega ao Rio de Janeiro fugindo da invasão de Napoleão Bonaparte, em Portugal. O mercantilismo tinha perdido espaço para o liberalismo inglês e o estatuto colonial com a escravidão já não interessava a nova teoria. O comércio livre entre as nações era uma das ideias de Adam Smith. A revolução industrial tinha acontecido na Inglaterra no século XVIII, daí todos os interesses nas mudanças. A abertura dos portos às nações amigas em 1808 quebrou o estatuto colonial, mas se beneficiou, principalmente a Inglaterra. Em 1808 o Brasil passou a sediar a monarquia portuguesa, deixando de ser colônia. Em 1800 a colônia passa a Reino Unido de Portugal e Algarve. Com a nova situação do Brasil em 1808, as proibições comerciais e industriais são suspensas. Com a abertura dos portos, as elites se passaram a comprar produtos ingleses, mesmo os não adequados para os trópicos. A corte portuguesa no Rio de Janeiro favoreceu as elites brasileiras, mas não alterou a estrutura no atendimento ao povo. O trabalho escravo sobreviveu às teorias liberais, a vinda da corte portuguesa, a independência, chegando próximo da república. O século 19 foi marcado pelo neocolonialismo e já em 1808, o os ingleses e franceses estavam lutando pela hegemonia, Portugal ficou no caminho dos dois grandes gigantes e sofreu a invasão do seu território. No campo educacional a preocupação continuou com o ensino superior para as elites deixando as camadas menos privilegiadas praticamente e abandonadas. Não houve mudança na estrutura, o ensino elementar não recebeu cuidado. A população brasileira era mais ou menos de 4 milhões de pessoas, sendo mais de um milhão de escravos de negros. O Rio de Janeiro tinha pouco mais de 100.000 habitantes. Logo em 1808, Dom João assinou decreto abrindo os portos às nações amigas, determinou a criação de escolas superiores, museus, jardim botânico, bibliotecas e etc. Era melhorias principalmente para a atender a burocracia palaciana e seus agregados. As melhorias foram rápidas para as elites e as ideias de independência foram reforçadas. A independência política aconteceu dentro da visão de mundo fornecida pelas novas teorias e, foi proclamado pelo príncipe herdeiro da própria coroa, como se fosse uma ironia da história. A EDUCAÇÃO DE ELITE NO PERÍODO IMPERIAL (1822 – 1889) Século XIX surge com grandes transformações, recebeu influências do Liberalismo, completado com os avanços do iluminismo, formando a base da democracia burguesa. É a época do neocolonialismo, principalmente na Ásia e África. Surge o Marxismo com o Manifesto Comunista de 1848 e depois segue coma publicação do primeiro livro O Capital. Foi uma reação contra as péssimas condições de vida dos trabalhadores. São formadas as internacionais socialistas a partir de 1864. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 78 As novas ideias chegaram da Europa e o Positivismo de Comte e Durkheim influenciou a proclamação da República. O café ocupa espaço como ciclo econômico importante e as ferrovias crescem acompanhando a expansão da lavoura cafeeira. A educação continuou de elite no Período Imperial. As aulas avulsas tomaram conta e as escolas confessionais ajudaram a cumprir os objetivos. Em 1837 foi fundado o Colégio D. Pedro II para servir de modelo. Em 1834 o Ato Adicional à Constituição de 1824 centralizou o ensino superior no governo imperial e deu às províncias o direito de legislar e promover o ensino primário e secundário. As escolas de primeiras letras tiveram pouca ascensão, quase foram abandonadas e não havia interesse político. Os projetos de lei para a educação não vingavam e sempre alegavam a falta de verba ou outro motivo para refutar. As meninas da elite recebiam educação sobre afazeres domésticos e as meninas das camadas mais pobres só recebiam a educação informal da mãe para filha. O ensino superior tem prioridade durante todo o século XIX. Logo em 1827 foram fundados os cursos jurídicos de São Paulo e Olinda. Foi instituído o ensino parcelado. Nas bancas das faculdades eram feitas avaliações para ingresse no ensino superior. A preparação, anterior, ficava por cont6a do aluno, que não precisava freqüentar o ensino seriado. Somente a elite tinha condições de pagar professores ou um colégio religioso. Com o tempo, o Colégio D. Pedro II, modelo para os demais, aderiu ao sistema parcelado. Estava com as salas vazias e necessitava acompanhar o bonde da história. Em 1854 a Lei Couto Ferraz criou a obrigatoriedade do ensino primário e reforçou a gratuidade, mas negava o acesso aos filhos de escravos. As Escolas Normais começaram no Período Regencial (1831-1840). Em São Paulo a Escola Normal Caetano de Campos foi fundada em 1894. Existia um dia de aula por semana para os homens e um dia de aula por semana para as mulheres. Em 1881 foi criada a Escola Normal Oficial na Capital do Império para servir de modelo às demais. O conhecimento trabalhado nada tinha com a nossa realidade. As escolas profissionalizantes, inicialmente, foram fundadas para atender os desvalidos, depois aparecem os liceus de arte e ofício. Leôncio de Carvalho em 1879 promoveu a última reforma educacional do Império. Estabeleceu normas para os ensinos primário e secundário da Corte e para o ensino superior em todo o país; dava autonomia ao ensino e pesquisa, autorizava a abertura de escolas particulares; aceitava o aluno filho de escravo e estabelecia a obrigatoriedade de estudos dos 7 aos 14 anos. Na prática não funcionou. O império legou à República um ensino superior de elite, sistema parcelado, baixo nível e nenhuma estrutura para atender os filhos dos trabalhadores. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 79 MESTRES QUASE NOBRES: diverso, mas semelhante A Constituição de 1824 estabeleceu que a Educação deveria ser gratuita para todos os cidadãos. Para cumprir essa determinação, deputados e senadores aprovaram uma lei em 15 de outubro de 1827 que marcou o Dia do Professor e indicou que fossem criadas escolas de primeiras letras em todas as cidades e vilas. Na prática, o ensino permaneceu sem mudanças estruturais até 1834. Nessa data, um ato adicional alterou a Constituição e deu poder para cada província, entre outros aspectos, definir as regras educacionais em seu território. "Elas começaram a criar escolas, mas as diretrizes educacionais eram muito semelhantes", afirma André Paulo Castanha, professor de História da Educação da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e pesquisador do período. "Os presidentes das províncias eram nomeados pelo imperador. Vários circularam por mais de uma região. Então, as medidas eram adotadas em um lugar e, depois, levadas para outros." Como parte do esforço de criar mais escolas, o Colégio Pedro II foi fundado em 1837, no Rio de Janeiro, para ser um modelo para o ensino secundário. E para quem iniciava os estudos havia as escolas de primeiras letras. Nelas, as aulas abordavam temas como a leitura, a escrita e as operações matemáticas e adotavam o método mútuo ou lancasteriano, criado na Inglaterra e muito usado por aqui na primeira metade do século 19. Diana Vidal, professora da Universidade de São Paulo (USP), lembra que ele foi inspirado no sistema fabril. Cada docente tinha vários monitores - estudantes mais experientes que instruíam os demais. "Uma única instituição poderia alfabetizar mil alunos ao mesmo tempo." Castanha enfatiza que esse método foi aplicado aqui porque era o que havia de mais moderno na Europa, mas não deu certo porque muitas famílias não viam a necessidade de colocar os filhos na escola. "A Inglaterra tinha uma população escolar considerável, mas no Brasil as turmas eram pequenas, e isso descaracterizava o método." Linha do tempo 1760 É realizado o primeiro concurso para professores públicos. 1808 A vinda da família real para o Brasil incentiva a cultura no país. 1822 Dom Pedro I (1798-1834) assume o trono após a independência. 1834 As províncias passam a definir as regras educacionais. 1889 A República é decretada e surge um novo modelo de escola. Exemplo de moral e bons costumes Quem desejava ser professor no período imperial tinha de atender a muitas exigências. Os conteúdos cobrados nos concursos públicos eram tantos que em alguns momentos foi difícil encontrar quem passasse nas provas. Diante disso, o Estado foi obrigado a aceitar docentes sem habilitação, que recebiam um salário menor. Apesar do rigor na seleção, as primeiras escolas normais voltadas à formação dos docentes surgiram a partir de 1835. E apenas em 1860 as leis começaram a prever vantagens para quem passava por essas instituições. Mesmo assim, a formação em si não era o principal requisito. "O foco estava no caráter do professor. Ele tinha de ser um exemplo dos valores INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 80 morais e religiosos e de respeito à ordem", avalia Castanha. Após passar pelo rigoroso processo de contratação, o educador poderia conquistar o direito vitalício ao cargo. Mas a remuneração era baixíssima e continuava sendo fonte de reclamação. No artigo Os Professores e Seu Papel na Sociedade Imperial, Castanha e Marisa Bittar, professora da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), resgatam uma análise de Antônio de Almeida Oliveira (1843-1887), que foi deputado federal e presidente da província de Santa Catarina, sobre a importância da valorização desse profissional. Na segunda metade do século 19, várias reformas tentaram dar um rumo mais profícuo para a Educação. Outros métodos foram utilizados, como o simultâneo, em que o professor se dirige a grupos de alunos reunidos pelo tema a ser estudado, e o intuitivo, que propunha o uso dos cinco sentidos para o aprendizado. A reforma instituída na corte em 1854 estabeleceu que aos 5 anos as crianças poderiam ingressar na escola, mas isso não era seguido. Como resultado, adolescentes de até 15 anos chegavam para as primeiras aulas e o docente tinha de lidar com isso. "Era comum que quando a criança aprendesse a ler e escrever os pais a tirassem da escola, porque, naquele contexto de um país ainda excessivamente agrário e escravocrata, a Educação não era uma necessidade de fato", completa o pesquisador. Mesmo com tantas iniciativas e várias mudanças, o desejo de ampliar o nível de instrução da população não foi bem-sucedidodurante o Império. Maria Lúcia de Arruda Aranha apresenta no livro História da Educação (Ed. Moderna) alguns indicadores desse fracasso: em 1867, só cerca de 10% da população em idade escolar estava matriculada e, em 1890, no início da República, a taxa de analfabetismo chegava a 67,2%. À época, o político e escritor Rui Barbosa (1849-1923) se debruçou sobre esses e outros números e produziu pareceres em que concluía que "somos um povo de analfabetos, e que a massa deles, se decresce, é numa proporção desesperadoramente lenta", como Najla Mehanna Mormul e Maria Cristina Gomes Machado apresentam no artigo Rui Barbosa e a Educação Brasileira - Os Pareceres de 1882. A avaliação negativa ocorreu no momento em que o país passava por grandes transformações, como a abolição da escravatura. A REPÚBLICA VELHA E A EDUCAÇÃO (1889-1930) Em 15 de novembro de 1889 foi proclamada a República. As novas lideranças passaram a governar pela Política dos Governadores e a Política do café-com-leite. Os fazendeiros de São Paulo e Minas Gerais estavam em evidência. Distribuíram o poder político da seguinte maneira: São Paulo e Minas forneciam o Presidente da República, alternadamente; Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul “tinham direito” às presidências do Senado e Câmara dos Deputados. Tudo tinha como alicerce o coronelismo, que nomeava autoridades e altos funcionários e em troca apoiava os candidatos aceitos pelas bases do governo. Terminada cada eleição existia a degola dos candidatos da oposição. O deputado mais idoso verificava as fraudes e todos já sabiam o resultado. O voto era de “cabresto” e os coronéis tinham “pequenos exércitos particulares armados” para manter a segurança. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 81 Os partidos políticos não tinham nenhuma ideologia; as pessoas trocavam de partido como se troca de roupa, dependendo da conveniência e compromisso. Cada Estado tinha o seu próprio partido republicano. Nesse período surgiram alguns movimentos de peso, o Tenentismo em 1922 e depois a Coluna Prestes, no campo militar. No plano intelectual surge a Semana da Arte Moderna, também, em 1922, alterando os rumos da cultura. EM ANOS ATRIBULADOS, SURGEM OS GRUPOS ESCOLARES E GANHAM FORÇA OS IDEAIS ESCOLANOVISTAS Com a Proclamação da República, o Brasil adotou o federalismo e o poder, até então centralizado no imperador, foi dividido entre o presidente e os governos. O período foi marcado pelo desenvolvimento da indústria, pela reestruturação da força de trabalho - não mais escrava -, pelas greves operárias e pela Semana de Arte Moderna. No mundo, aconteceu a Revolução Russa, a Primeira Guerra Mundial e a queda da bolsa de Nova York. Essas transformações tiveram ecos na Educação. A ideia do ensino como direito público se fortaleceu e surgiram modelos que se perpetuaram. Benjamim Constant No Brasil, com a Constituição de 1891, a União ficou responsável apenas pela Educação no Distrito Federal (então, o Rio de Janeiro). "Os estados mais ricos assumem diretamente a responsabilidade pela oferta de ensino e os mais pobres repassam-na para seus municípios, ainda mais pobres", comenta Romualdo Portela no livro Educação e Federalismo no Brasil: Combater as Desigualdades e Garantir a Diversidade. Diante da fragmentação organizativa e da falta de uma orientação nacional, surgiram diversas propostas de reforma. Elas eram calcadas em diferentes ideais que passaram a disputar espaço. Os embates principais foram entre o positivismo e o escolanovismo, mas também estavam presentes os ideais católicos e o anarquismo. "Não pode ser uma escola de tempo parcial, nem uma escola somente de letras, nem uma escola de iniciação intelectual, mas uma escola sobretudo prática, de iniciação ao trabalho, de formação de hábitos de pensar, hábitos de fazer, hábitos de trabalhar e hábitos de conviver e participar em uma sociedade democrática, cujo soberano é o próprio cidadão." Anísio Teixeira INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 82 Nos grupos escolares estudavam muitos alunos divididos por série e idade. Diferentes concepções de ensino As ideias positivistas ganharam força com a reforma de 1890, organizada por Benjamin Constant (1833-1891). Adepto das teses do filósofo francês Auguste Comte (1798- 1857), ele foi nomeado chefe do Ministério da Instrução Pública, Correios e Telégrafos - primeiro órgão desse nível a se ocupar da Educação. Propôs mudanças nos ensinos primário (de 7 a 13 anos) e secundário (de 13 a 15 anos) do Distrito Federal, priorizando disciplinas científicas como Matemática e Física, em detrimentos das humanas - que eram o foco das escolas de primeiras letras, criadas no Império. A resistência da elite e da Igreja católica impediram que o projeto de Constant avançasse, mas ele abriu espaço para outras propostas. A que alcançou maior êxito foi a reforma paulista, implementada de 1892 a 1896. Ela tinha como base a criação dos grupos escolares. Como relata Dermeval Saviani no livro História das Ideias Pedagógicas no Brasil (Ed. Autores Associados), esse modelo - que foi replicado na maioria dos estados - reunia em um mesmo espaço as antigas escolas de primeiras letras. O ensino passou a ser organizado em séries e os estudantes foram divididos por faixa etária. Tornou-se necessário formar mais professores. A intenção do governo paulista era abrir quatro novas Escolas Normais, mas só a da capital saiu do papel no início da República. Paralelamente, foi criada uma solução rápida, mas de qualidade inferior: as escolas complementares. Foi preciso, também, estruturar a administração da Educação e formular diretrizes e normas. "Isso gerou novas relações de poder dentro das escolas e, a partir de 1894, surge o cargo de diretor escolar", registra Jorge Uilson Clark, no artigo A Primeira INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 83 República, as Escolas Graduadas e o Ideário do Iluminismo Republicano: 1889-1930. A direção era reservada aos homens. Já as vagas de professores da Educação primária eram amplamente preenchidas por mulheres. Rosa Fátima de Souza, da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), destaca que era um trabalho socialmente aceito e elas concordavam em ganhar salários baixos, pouco atraentes ao público masculino. Na base pedagógica da reforma paulista estavam princípios como a simplicidade, a progressividade, a memorização e a autoridade, fundamentada no poder do professor e em prêmios e castigos aos estudantes. Rosa complementa que os docentes eram bastante pressionados pelo estado. "Notamos uma preocupação nos relatos de professores da época em cumprir o programa. O aluno que repetia trazia um gasto extra que preocupava a escola", ela diz. A Educação, então, tinha um viés excludente, já que quem era reprovado (cerca de 50%) acabava deixavando de estudar. "A exclusão também se dava em função da localização geográfica e do número de unidades escolares", explica Vera Lúcia Gaspar da Silva, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Embora grande parte da população estivesse no campo, os grupos eram construídos nas cidades. Nas áreas rurais, havia apenas escolas isoladas, com uma sala e alunos de diferentes idades. Linha do tempo 1891 É proclamada a Constituição e a Educação fica a cargo de estados e municípios. 1892 A reforma paulista propõe os grupos escolares, com a divisão dos alunos em séries. 1914 Começa a Primeira Guerra Mundial, que segue até 1918. 1920 Ocorre a Reforma Sampaio Dória, em São Paulo, seguida por outras sete. 1930 A revolução e um golpe de estado levam Vargas ao poder. Esforços para democratizar A ideia de uma Educação para todos só ganhou força nadécada de 1920. Nesse período, se destacaram os pioneiros da Escola Nova - Anísio Teixeira (1900-1971), Fernando de Azevedo (1894-1974), Lourenço Filho (1897-1970) e outros -, que defendiam a escola pública e laica, igualitária e sem privilégios. O estopim das mudanças foi a Reforma Sampaio Dória, em São Paulo, em 1920, que leva o nome do então diretor-geral da Instrução Pública do estado, Antonio de Sampaio Dória (1883-1964). Preocupado com o fato de metade da população de 7 a 12 anos estar fora da escola e com um baixo orçamento, ele propôs uma etapa inicial de dois anos (equivalente ao começo do Ensino Fundamental atual), gratuita e obrigatória. O projeto foi engavetado rapidamente, mas abriu espaço para ações estruturais em vários estados. Em um período de seis anos, educadores lideraram reformas no Ceará, no Paraná, no Rio Grande do Norte, na Bahia, em Minas Gerais, no Distrito Federal e em Pernambuco. Segundo Saviani, elas alteraram a instrução pública em aspectos como a ampliação da rede de escolas e a reformulação curricular. Paralelamente, a corrente anarquista conquistou espaço e passou a influenciar a Educação. Foram fundadas escolas operárias em quase todos os estados, geridas pela comunidade. Tendo como base a Pedagogia libertária e as ideias do espanhol Francisco INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 84 Ferrer y Guardia (1859-1909), as instituições fugiam do dogmatismo e fundamentavam o currículo na ciência, como descreve Angela Maria Souza Martins, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), no artigo A Educação Libertária na Primeira República. Incomodada com a perda de espaço, a Igreja católica também orquestrou uma reação, pressionou os governos para o restabelecimento do ensino religioso, publicou livros didáticos e artigos em revistas e jornais e continuou a atuar na formação de professores. Da mesma maneira, as elites tentavam reconquistar seu poder. De outro lado, os escolanovistas cresciam cada vez mais e se preparavam para a publicação do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em 1932, já no governo de Getúlio Vargas (1882-1945). ERA VARGAS As propostas da Escola Nova e de Paulo Freire ganham força, mas não chegam às salas de aulas A disciplina era uma marca das escolas, que tinham muitas salas separadas por gênero A defesa da Educação pública, gratuita e laica ganhou força no país em 1932, com o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (leia a linha do tempo na página seguinte e a pergunta de concurso na última página), introduzido no capítulo anterior desta série. Seus 26 signatários - entre eles Lourenço Filho (1897-1970) e Anísio Teixeira (1900-1971) - combatiam a escola restrita à elite e ligada à religião. Os anseios se justificavam. Afinal, em 1920 o analfabetismo atingia 80%. "O principal mérito do manifesto foi trazer à tona o debate sobre a escola para toda a população independentemente da classe social", diz Maria Cristina Gomes Machado, da Universidade Estadual de Maringá (UEM). INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 85 Nessa mesma época, a crise de 1929, gerada pela queda da Bolsa de Nova York, desencadeou o desgaste da economia cafeeira e, também, do revezamento entre Minas Gerais e São Paulo no poder. Fortalecido por isso, o movimento revolucionário conseguiu derrubar a República Velha e, em 1930, Getúlio Vargas (1882-1954) se tornou chefe do governo provisório. No mesmo ano, foi criado o Ministério da Educação e Saúde Pública, ocupado por Francisco Campos (1891-1968). Embora influenciado pelo manifesto, o novo ministro era católico e antiliberal. Assim, colaborou para o retorno do Ensino Religioso ao currículo. Além da presença na escola pública, a religião exercia influência no ensino privado, pois as igrejas, principalmente a católica, eram proprietárias de muitas instituições e recebiam subvenção do governo. Os escolanovistas eram contra isso e os dois grupos protagonizaram intensos debates. O governo tendia ora para um lado, ora para outro, e a Constituição de 1934 é um exemplo disso. Ela contrariou o princípio da escola laica ao definir que o ensino fosse ministrado segundo a orientação religiosa dos estudantes, mas definiu que a Educação era direito de todos e dever do poder público. Enquanto isso, as doutrinas totalitaristas se expandiam na Europa e, inspirado por elas, Vargas instituiu o Estado Novo (1937-1945). "A nova ideologia proclamava a importância da escola como via de reconstrução da sociedade brasileira", esclarece Silvia Helena Andrade de Brito no artigo A Educação no Projeto Nacionalista do Primeiro Governo Vargas (1930- 1945). Para atender a esse anseio, as Leis Orgânicas do Ensino foram promulgadas a partir de 1942. O ginásio, equivalente ao segundo ciclo do Ensino Fundamental de hoje, passou a ter quatro anos e o colegial - o atual Ensino Médio - três. Foi criado o curso supletivo de dois anos para a população adulta. E a rede pública foi organizada em escolas com uma, duas a quatro e cinco ou mais classes, além da escola supletiva. Na visão bancária da Educação, o 'saber' é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber. (...) O educador, que aliena a ignorância, se mantém em posições fixas, invariáveis. Será sempre o que sabe, enquanto os educandos serão sempre os que não sabem. A rigidez dessas posições nega a Educação e o conhecimento como processos de busca. Paulo Freire ERA VARGAS: PROFUSÃO DE IDEIAS Em 1939, o primeiro curso de Pedagogia do país foi criado na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Num primeiro momento, porém, os professores continuaram a se formar nas escolas normais. Nelas, o currículo era pouco específico, com disciplinas como Higiene e Trabalhos Manuais. Maria Cristina conta que, em geral, as mulheres - maioria entre os que atuavam nos anos iniciais - trabalhavam meio período e muitas abandonavam a atividade quando se casavam. Já o ginásio e o colegial INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 86 contavam com mais professores do sexo masculino formados em outras áreas, como Filosofia e Direito. A separação de gêneros também acontecia entre os alunos. Se até o final do primário aceitavam-se turmas mistas, para os estudantes mais velhos a recomendação era organizar classes separadas. Dos estudantes, exigia-se um comportamento exemplar. A vigilância era grande e a expulsão, possível e grave, já que não havia vagas para todos. Maria Cristina destaca que a retidão chegava às disciplinas do currículo. "A Educação Física, por exemplo, servia como preparo para o trabalho e para o serviço militar, com exercícios como marcha e polichinelo." Linha do tempo 1932 O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova defende a Educação gratuita e laica. 1937 Inspirado pelo totalitarismo europeu, Vargas inicia o Estado Novo, que segue até 1945. 1946 A nova Constituição define que a União legisle sobre a Educação. 1962 Paulo Freire alfabetiza 300 agricultores em 45 dias no estado de Pernambuco. 1964 O golpe militar instaura a ditadura e anos de forte repressão. Fonte História da Educação (Maria Lúcia de Arruda Aranha, ed. Moderna) Com o fim do Estado Novo, o país ganhou outra Constituição. O texto atribuiu à União a função de legislar sobre as bases da Educação, o que antes ocorria de maneira fragmentada. Em 1948, o ministro Clemente Mariani (1900-1981) apresentou o anteprojeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), o que gerou novos conflitos entre os escolanovistas e a Igreja Católica. "Além da manutenção do Ensino Religioso, estava em jogo qual desses grupos era mais capacitado para atuar em espaços de decisão", diz Marcus Levy Bencostta,da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Por causa desse debate acirrado, a LDBEN foi aprovada 13 anos depois, permitindo a pluralidade dos currículos e estabelecendo que o Estado destinaria recursos a entidades privadas. Nos anos 1950 e 1960, a política se caracterizou pelo populismo, com presidentes como o próprio Vargas, eleito para o período de 1951 a 1954, e Juscelino Kubitschek (1902- 1976), de 1956 a 1961. Surgiram aí movimentos de Educação popular, com iniciativas que até hoje estão vivas, como as propostas de Paulo Freire (1921-1997). As primeiras experiências do educador ocorreram em 1962, em Angicos, a 171 quilômetros de Natal, quando 300 trabalhadores rurais foram alfabetizados em 45 dias. Freire considerava as cartilhas incapazes de atender às necessidades dos alunos. Para ele, na sociedade de classes, os privilégios de uns impedem a maioria de usufruir de certos bens, como a Educação, que deveria instigar a reflexão sobre a própria condição social. Esse período também foi fértil em manifestações culturais como o cinema novo e a bossa nova. Foram anos recheados de boas ideias, mas nas salas de aula não houve grandes avanços. E, em 1964, iniciativas como as de Freire esmoreceram totalmente com o golpe militar. O Brasil passou a viver momentos de repressão, cujas repercussões aparecem no próximo capítulo desta série. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 87 DITADURA MILITAR: AULAS PARA O TRABALHO O regime militar se apoiou nos ideais tecnicistas e fez do ensino uma ferramenta de controle O Mobral ampliou a escolarização de adultos, mas gerou analfabetos funcionais As propostas de uma Educação mais democrática foram abandonadas com o início do regime militar, em 1964. Paulo Freire (1921-1997) foi exilado no Chile e a Escola Nova deixou de ser considerada para as políticas públicas. O novo governo manteve a preocupação com a industrialização crescente e o foco em formar um povo capaz de executar tarefas, mas não necessariamente de pensar sobre elas. No primeiro ano de mandato do marechal Humberto de Alencar Castello Branco (1900- 1967), um simpósio do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), ligado à direita governista, deu indicações claras do rumo que se queria tomar. Dermeval Saviani conta no livro História das Ideias Pedagógicas no Brasil (Ed. Autores Associados) que a meta do evento era a elaboração de um plano de Educação com a escola primária voltada para uma atividade prática e o 2º grau técnico que preparasse o estudante para o mercado. Também foram assinados acordos entre os governos brasileiro e norte-americano que vinham sendo discutidos há alguns anos e previam a vinda de técnicos para treinar professores. "As ações visavam transformar o Brasil em uma potência econômica mundial", explica Amarilio Ferreira Jr., da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). Na Educação de adultos, as ideias de Freire deram lugar a um modelo assistencialista por meio do Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral). A leitura passou a ser tratada como uma habilidade instrumental, sem contextualização. Os alunos aprendiam palavras acompanhadas de imagens, faziam a divisão silábica e, por último, trabalhavam com frases e textos. Também eram estudados os cálculos matemáticos, a escrita e hábitos para a melhoria da qualidade de vida. De acordo com o livro História da Educação, de Maria Lúcia de INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 88 Arruda Aranha (256 págs., Ed Moderna, tel. 0800-7707-653, 65,90 reais), em 1970, 33% das pessoas com mais de 15 anos eram analfabetas e, dois anos depois, a taxa caiu para 28,51%. No entanto, a autora ressalta que por causa do método usado muitos alunos mal desenhavam o nome. Paralelamente a isso, o Brasil vivia um momento crítico no ensino universitário. A oferta não acompanhava o crescimento da demanda e a revolta pela falta de vagas ganhou força com as notícias das manifestações ocorridas na França, em maio de 1968, e gerou a chamada "crise dos excedentes". O governo federal assumiu, então, uma postura mais invasiva (leia a pergunta de concurso na última página). A União Nacional dos Estudantes (UNE) foi considerada ilegal e qualquer tentativa de se organizar politicamente era vista como atividade subversiva a ser reprimida. Agora, vossa excelência [presidente Médici] não proporá ao Congresso Nacional apenas mais uma reforma, mas a própria reforma que implica abandonar o ensino verbalístico e academizante, para partir, vigorosamente, para um sistema educativo de 1º e 2º graus voltado para as necessidades do desenvolvimento. Jarbas Passarinho No fim de 1968, o general Arthur da Costa e Silva (1902-1969), na presidência, promulgou o Ato Institucional nº 5 (AI-5), que deu a ele poderes de legislativo e executivo e permitiu o confisco dos bens de quem fosse incriminado por corrupção. E, no ano seguinte, o Decreto-lei nº 477 determinou que "comete infração disciplinar o professor, aluno, funcionário ou empregado de estabelecimento de ensino público ou particular que pratique atos destinados à organização de movimentos subversivos, passeatas, desfiles ou comícios não autorizados". Muitos estudantes e docentes foram presos e torturados por aderirem à oposição ao governo. O incentivo ao patriotismo era uma marca forte nas escolas públicas. Uma vez por semana, meninos e meninas se posicionavam com a mão direita no peito, observavam a bandeira ser hasteada e cantavam o Hino Nacional. Um desejo desde o início do regime, a disciplina de Educação Moral e Cívica (EMC) foi tornada obrigatória em 1969. A maior parte dos que a lecionaram era militar ou religioso e lia na aula cartilhas com temas como cidadania, patriotismo, família e religião. Mas alguns conseguiam burlar o controle e introduzir conteúdos diferenciados. Em julho de 1971, o ministro da Educação e Cultura Jarbas Passarinho (leia a frase dele na primeira página) oficializou o vestibular classificatório nas universidades, algo que se mantem até hoje. No mês seguinte, foi aprovada a Lei nº 5.692 que determinava a organização do ensino em 1º e 2º graus em vez de primário, ginásio e colegial. A obrigatoriedade escolar foi ampliada até os 14 anos de idade e o exame de admissão necessário para entrar no ginásio foi extinto. Para garantir a boa receptividade da legislação, docentes tidos como carismáticos foram convocados para a divulgarem. Francisco Beltramni, então professor de Geografia, foi um deles. "No treinamento, eles nos falavam da maravilha INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 89 que a lei seria e orientavam que não permitíssemos discussões se alguém quisesse questionar aspectos como as condições de trabalho", lembra. A lei ainda estabeleceu a inclusão da disciplina de Estudos Sociais, com conteúdos que seriam de História e Geografia, nos anos iniciais do 1º grau. Os professores polivalentes que atuavam nesse segmento, passaram a ser formados no Magistério, com nível de 2º grau, e as escolas normais foram extintas. Para lecionar para os outros anos, era necessário cursar uma licenciatura em programas de curta ou longa duração. "A ideia era transformar o pedagogo em um técnico em Educação de acordo com a política tecnocrata do governo", explica José Willington Germano, docente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Os concursos públicos eram poucos e não havia professores suficientes para atender a todas as vagas que vinham sendo criadas com a construção de escolas e a oferta de aulas pela manhã, à tarde e à noite. Então, quando não havia profissionais habilitados suficientes era permitido contratar outros temporariamente. Apesar do recurso do salário-educação criado em 1964 e revisto em 1975, peloqual as empresas pagavam imposto relativo aos filhos de funcionários em idade escolar, os investimentos na área decresceram ao longo do regime. No estado de São Paulo, por exemplo, de 8,7 salários mínimos, os docentes passaram a receber 5,7 salários, em 1979, segundo o livro Educação, Estado e Democracia (Luiz Antônio Cunha, Ed. Cortez). Assim, muitos educadores e alunos migraram para escolas privadas. Linha do tempo 1968 O AI-5 é assinado e aumenta a repressão a atos públicos. 1969 A disciplina de Educação Moral e Cívica se torna obrigatória em todas as etapas. 1970 O Mobral é implementado com foco na alfabetização de adultos. 1975 Começa o processo de transição do regime para a democracia. 1985 Tancredo Neves é eleito e morre antes de assumir. DITADURA MILITAR: AULAS PARA O TRABALHO Mobilização e abertura A esse cenário se somou a crise do petróleo, em 1973, que acabou com o chamado milagre econômico, época em que o produto interno bruto (PIB) do país aumentava cerca de 10% ao ano. A militância política ficou mais forte e as pessoas começaram a reivindicar a volta da democracia. Diante do fortalecimento da oposição democrática, o general Ernesto Geisel (1908- 1996) iniciou em seu governo o processo de abertura lenta e gradual que acarretou mudanças educacionais. O ensino de 1º grau foi municipalizado, numa tentativa de descentralizar e democratizar o sistema. Em 1979, o Ministério da Educação e Cultura foi assumido por um professor universitário pouco identificado com o regime, Eduardo Portella, outro indício de que as coisas estavam mudando. E João Figueiredo (1918-1999), último presidente militar, intensificou o processo de abertura, revogou a obrigatoriedade de o 2º INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 90 grau ser profissionalizante e criou programas específicos para o ensino voltados à população de baixa renda, que geraram pouca mudança na prática. Três anos depois, se encerrou a ditadura militar no Brasil. Tancredo Neves (1910- 1985) ganhou a eleição indireta, mas morreu antes da posse e seu vice, José Sarney, se tornou o primeiro presidente da chamada Nova República, que será contemplada no próximo capítulo desta série. EDUCAÇÃO PÓS-DITADURA: QUALIDADE PARA TODOS Universalização do ensino, avaliações externas e piso para professores no período democrático A LDB incluiu a Educação Infantil na Educação Básica Com o fim da ditadura militar, vários aspectos da política nacional foram repensados, e entre eles estava a Educação. Nos primeiros três anos da Nova República, o foco esteve na elaboração da Constituição. Pensando nela, os participantes da 4ª Conferência Brasileira de Educação, realizada pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), a Associação Nacional de Educação (Ande) e o Centro de Estudos Educação e Sociedade (Cedes), em Goiânia, em 1986, finalizaram o evento com uma lista de propostas que incluía a efetivação do direito de todos os cidadãos ao ensino e o dever do Estado em garanti-lo. Em 5 de outubro de 1988, a nova Constituição Federal foi finalmente aprovada (leia a linha do tempo na página seguinte). Entre as principais conquistas, estava o reconhecimento da Educação como direito subjetivo de todos, uma evolução do que os escolanovistas haviam propagado durante a Era Vargas. "Isso significa que qualquer um que queira estudar, mesmo se estiver fora da idade obrigatória, deve ter a vaga garantida", explica Carlos Roberto Jamil Cury, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A legislação tornou urgente a tomada de providências como a abertura de mais escolas e a formação de docentes, o que acarretou a necessidade de investimentos. Para isso, a lei INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 91 indicava a aplicação na área de no mínimo 18% da receita dos impostos pela União e 25% pelos estados e municípios. Dois anos depois, durante a Conferência Mundial sobre Educação para Todos em Jomtien, na Tailândia, foi aprovada uma declaração internacional que levava o nome do evento e propunha ações para os dez anos seguintes com vistas à universalização do ensino nos países signatários. Por aqui, Fernando Collor de Mello assumiu a presidência e criou o Programa Nacional de Alfabetização e Cidadania (Pnac) em substituição à Fundação Educar - versão democrática para o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) -, instituída cinco anos antes por José Sarney. Mas a iniciativa de Collor durou apenas um ano. "A coisa mais simples que tem é criar boas escolas (...) para que cada criança tenha diante dela uma professora capacitada para alfabetizá-la." Darcy Ribeiro Novas leis para a Educação Várias regulamentações surgiram no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), que assumiu a presidência em 1995 com Paulo Renato Souza (1945-2011) como ministro da Educação. Já no segundo ano de mandato, após intensos debates, foi promulgada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), com relatoria do senador Darcy Ribeiro (1922- 1997). "A nova lei reforçou aspectos importantes da Constituição como a municipalização do Ensino Fundamental, estipulou a formação do docente em nível superior e colocou a Educação Infantil na posição de etapa inicial da Educação Básica", lembra Maria Helena Câmara Bastos, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Para financiar os novos projetos, foi criado o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). O 1º e o 2º graus se tornaram Ensino Fundamental e Médio e a recomendação para os estudantes com necessidades especiais passou a ser a de que fossem atendidos preferencialmente na rede regular (leia a pergunta de concurso na última página). FHC emendou um segundo mandato e o ministro Souza incluiu o Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Foi um passo importante para ter uma medida de como estava a Educação nacional, embora o país tenha ficado em último lugar no ano de estreia. Na mesma época, criou-se o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), com resultados por escola e por aluno, que em 2009 passariam a ser considerados até em substituição ao vestibular para o Ensino Superior. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) também nasceram nesse período. Para construí-los, foram reunidos profissionais que tinham referências em boas práticas de sala de aula e diversos especialistas. "Depois da LDB, o Conselho Nacional de Educação (CNE) estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais que deveriam ser traduzidas nos estados e municípios, mas isso não aconteceu. A contradição é que, mesmo elas não INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 92 sendo contempladas na formação docente e nas escolas, são cobradas nas avaliações externas", comenta Cury. Em 2001, foi aprovado o Plano Nacional de Educação (PNE), previsto na Constituição e válido por dez anos. Ele estipulava metas para aumentar o nível de escolaridade dos brasileiros e garantir o acesso à Educação, mas não teve êxito na maioria delas. Um dos motivos apontados por especialistas é o veto do governo ao investimento de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) na área. Apesar disso, houve ganhos. "O documento previa que até 2007 os profissionais da Educação Infantil fossem formados em nível superior, admitindo o nível médio como ação emergencial. Isso reforça um olhar profissional pedagógico para essa etapa", lembra Gisela Wajskop, consultora de Educação Infantil e de formação de professores. Outra conquista foi a determinação de que o Ensino Fundamental fosse ampliado para nove anos, o que vem se concretizandodesde então. Dois anos depois, Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência e levou Cristovam Buarque para o Ministério da Educação (MEC). No lugar da Alfabetização Solidária, criada por FHC em 1997, foi lançado o Brasil Alfabetizado para o combate ao analfabetismo. O esforço contínuo levou à diminuição da taxa de analfabetismo de quem tem 15 anos ou mais, mas em 2012 a queda progressiva foi interrompida e as razões ainda estão sendo analisadas por especialistas. Linha do tempo 1988 A nova Constituição Federal é promulgada com atenção à Educação. 1990 Declaração Mundial sobre Educação para Todos é aprovada na Tailândia. 1996 A LDB indica que docentes tenham formação em nível superior. 2001 Entra em vigor o PNE, com metas para a universalização do ensino. 2010 É aprovado o piso salarial nacional para os docentes. ANOTAÇÕES: INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 93 EDUCAÇÃO PÓS-DITADURA: QUALIDADE PARA TODOS Expansão de investimentos Outro exame nacional foi criado em 2005. Alunos de 4ª e 8ª séries (5º e 9º anos) passaram a ser avaliados na Prova Brasil. Com o desafio de ampliar o acesso à escola e melhorar os índices nas avaliações, viu-se a necessidade de ampliar os recursos da área e alcançar todas as etapas. Assim, o Fundef se tornou Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) em 2007. Outra estratégia presente nesse período foi a das escolas de tempo integral. As primeiras iniciativas foram lideradas por Darcy Ribeiro (leia a frase dele na primeira página) no Rio de Janeiro e José Aristodemo Pinotti (1934-2009) em São Paulo, na década de 1980. Mas, passado o ânimo inicial, elas ficaram restritas a poucas unidades. Assim, em 2007, o MEC criou o Mais Educação, que custeou o aumento da carga horária em 49 mil escolas. Em 2009, a Emenda Constitucional nº 59 determinou a ampliação da obrigatoriedade escolar para 4 a 17 anos até 2016. O assunto foi reforçado pela Lei nº 12.796 em 2013. O piso salarial nacional de 950 reais para os docentes foi aprovado em 2010, com a proposta de que um terço da jornada fosse dedicada a formação e planejamento. Nesse mesmo ano, o ministro Fernando Haddad encaminhou uma nova versão do PNE para o Congresso. Dilma Rousseff se tornou presidente em 2011 e o documento segue em discussão até hoje. Além de todas as mudanças políticas que interferiram na sala de aula, essas décadas incluíram uma grande revolução tecnológica, marcada pelo desenvolvimento da internet, que transformou as relações sociais e, claro, o ensino. Embora 70 mil escolas de Ensino Fundamental ainda não tivessem computador em 2010, essa máquina está na vida de alunos e professores, mudando a maneira como têm acesso à informação e ao conhecimento. Os últimos dois governos distribuíram laboratórios de informática, laptops para alunos e tablets para docentes. Apesar disso, a realidade ainda é plural. Há salas rurais multisseriadas, classes informatizadas, escolas bilíngues, projetos pedagógicos tradicionais e propostas de inspiração democrática. Diante de tamanha diversidade, o novo PNE e a definição de um currículo nacional são algumas das questões urgentes para garantir que todos que vivem a história de hoje sigam no mesmo rumo, com vistas à melhoria da Educação. FONTE: REVISTA NOVA ESCOLA. http://revistaescola.abril.com.br/formacao/serie-especial-historia- educacao-brasil-750345.shtml FRANCISCO FILHO, Geraldo. A educação brasileira no contexto histórico. Campinas: Alínea, 2001. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 94 ROTEIRO PARA ANÁLISE DE FILMES 1 IDENTIFICAÇÃO DO PARTICIPANTE: Aluno(a): Série/Turma: Disciplina: Data: Objetivos: 2 FICHA TÉCNICA Elenco Sinopse Premiações Curiosidades 3 TIPO DE FILME: ( ) histórico sobre as empresas ( ) eventos técnico científicos ( ) teoria das organizações ( ) documentário ( ) adaptação ( ) ficção ( ) outros 4 TIPO DE LINGUAGEM - Vocabulário: ( ) rico ( ) pobre ( ) uso de gíria 5 GRAU DE ENTENDIMENTO: ( ) fácil ( ) razoável ( ) difícil 6 VALORES CINEMATOGRÁFICOS: Assinale com um ( x ) as letras: O = ótimo, B = bom, M = médio, F = fraco e P = péssimo, de acordo com o seu julgamento, Quando os aspectos do filme exigirem: ( ) Música ( )Fotografia ( )Cenários ( ) Efeitos ( ) Diálogos ( ) Enredo 7 TEMAS QUE ESTÃO SENDO TRATADOS: Assinale com um x a(s) palavra(s) que os expressam: ( ) Administrativos ( ) Culturais ( ) Científicos ( ) Econômicos ( ) Políticos ( ) Religiosos INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 95 ( ) Técnológicos ( ) Ecológicos ( ) Psicológicos ( ) Outros 8 Cena de maior influência ou maior impacto. Justificar 9 Ideia ou mensagem central do filme: 10 Enredo: 11 Contribuição do filme para o estudo da disciplina: 12 Relacione as contribuições do filme para a sua formação: 13 As intenções do diretor: Quem é o diretor? Que outros filmes ele já fez? Qual o seu estilo? O que ele pretendia nos mostrar (no todo ou em parte): beleza? denúncia? reflexão sobre um tema? emoção? uma história real? 14 As recursos mais explorados: Desempenho dos atores? música? imagens (enquadramento da câmara, luz)? diálogos? recursos tecnológicos (efeitos especiais)? 15 O conteúdo: O que as imagens, os diálogos e o filme como um todo querem nos dizer? Como uma imagem reforça ou modifica o sentido de um diálogo? Há uma idéia ou valores sendo transmitidos pelo filme(de que maneira e que cenas provam isso)? 16 A qualidade: Pode-se dizer que é um bom filme? Que elementos justificariam nosso julgamento (imagens, atores, enredo, ritmo, caracterização, música, etc.)? 17 A qualidade da sua interação com o filme: Você pôde fazer uma boa apreciação da fita? Que elementos favoreceram ou dificultaram a sua apreciação? O filme lhe trouxe contribuições? Fez você ficar pensando? Foi prazeiroso assisti-lo? 18 Avaliação final: Assinale com um X a palavra que representa a sua avaliação do filme: ( ) Ótimo ( ) Muito bom ( ) Bom ( ) Regular ( ) Sofrível ( ) Péssimo 19 Comentários finais e/ou sugestões destacando as relações entre professores e alunos, entre professores e demais segmentos da escola/sociedade. Observar aspectos da gestão escolar, do processo de ensino-aprendizagem e a valorização da educação e a prática desportiva no cotidiano da escola e na vida acadêmica. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 96 MAPAS CONCEITUAIS O Mapa Conceitual é uma técnica pedagógica para organizar e representar o conhecimento graficamente. Os conceitos e as proposições são os blocos de construção do conhecimento em qualquer domínio. Foi criado por Joseph Donald Novak (1977) com base na aprendizagem significativa de David Ausubel (1968), cuja essência é que as idéias novas ancoram-se em conceitos relevantes que o aprendiz já sabe (subsunsores), pré-existentes na estrutura cognitiva de quem aprende. É uma técnica muito flexível, podendo ser aplicada como instrumento de análise de currículo e recurso de aprendizagem: para orientação; exploração do que os estudantes já sabem; focar um conceito particular; observar a estrutura do pensamento em relação ao tema proposto; ponto de partida para novas pesquisas e aprendizagens; meio de avaliação e auto-avaliação, etc. O trabalho com os conteúdosestruturantes das disciplinas da Educação Básica e seus temas específicos, segundo as Diretrizes Curriculares Estado do Paraná, se dará em quatro momentos: a sensibilização, a problematização, a investigação e a criação de conceitos, desta forma podem observar que a técnica apresentada facilita a compreensão, tanto do aluno como do professor, das construções lógicas que o aprendiz possui no INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 97 momento da elaboração do seu mapa conceitual. A edição de mapas pode ser feita manuscrita, ou com auxílio de softwares apropriados, tais como o Cmap Tool, um programa livre, em português, com possibilidade de inserção de áudio, vídeo, imagens, textos e links disponibilizados on-line; já o Inspiration é um software com linguagem visual, isto é, os conceitos podem ser representados com figuras, pode usar editores de apresentações, mas também existem outros recursos no mercado. A figura acima traz um exemplo de mapa conceitual sobre mapa conceitual, observe que ele é escrito com conceitos destacados e relacionados entre si, através de frases de ligação. Como construir um mapa conceitual18 — Identifique os conceitos-chave do conteúdo que vai mapear e ponha-os em uma lista. Limite entre 6 e 10 o número de conceitos. — Ordene os conceitos, colocando o(s) mais geral(is), mais inclusivo(s), no topo do mapa e, gradualmente, vá agregando os demais até completar o diagrama de acordo com o princípio da diferenciação progressiva. — Conecte os conceitos com linhas e rotule essas linhas com uma ou mais palavras-chave que explicitem a relação entre os conceitos. Os conceitos e as palavras-chave devem sugerir uma proposição que expresse o significado da relação. — Setas podem ser usadas quando se quer dar um sentido a uma relação. No entanto, o uso de muitas setas acaba por transformar o mapa conceitual em um diagrama de fluxo. — Evite palavras que apenas indiquem relações triviais entre os conceitos. Busque relações horizontais e cruzadas. — Exemplos podem ser agregados ao mapa. — Lembre-se que não há um único modo de traçar um mapa conceitual. À medida que muda sua compreensão sobre as relações entre os conceitos, ou à medida que você aprende, seu mapa também muda. Um mapa conceitual é um instrumento dinâmico, refletindo a compreensão de quem o faz no momento em que o faz. — Compartilhe seu mapa com colegas e examine os mapas deles. Pergunte o que significam as relações, questione a localização de certos conceitos, a inclusão de alguns que não lhe parecem — Há aplicativos especialmente desenhados para a construção de mapas conceituais. O mais conhecido deles é o Cmap Toos: http://penta2.ufrgs.br/edutools/tutcmaps/tutindicecmap.htm. Nesta técnica é fácil avaliar a aprendizagem de um aluno com os mapas conceituais, pois ficará claro se ele conseguiu entender e memorizar compreensivamente as relações conceituais e se captou, de fato, os significados básicos que se tentou ensinar-lhe. É um modo de conseguir que os alunos verdadeiramente pensem e sejam ajudados a ver e 18 MOREIRA, M. A. Mapas conceituais e a aprendizagem significativa. Disponível em http://www.if.ufrgs.br/~moreira/mapasport.pdf acessado em 12/10/2009. http://penta2.ufrgs.br/edutools/tutcmaps/tutindicecmap.htm http://www.inspirationbrasil.com.br/ http://penta2.ufrgs.br/edutools/tutcmaps/tutindicecmap.htm http://www.if.ufrgs.br/~moreira/mapasport.pdf INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 98 estabelecer relações nas quais nunca haviam reparado. Destacamos dois princípios19: a) Diferenciação progressiva: “mediante este princípio a aprendizagem significativa é um processo contínuo, em cujo transcurso os novos conceitos alcançam significado à medida que se adquirem novas relações; portanto, os conceitos são aprendidos totalmente, mas vão sendo aprendidos, modificados ou tornando-se mais explícitos à medida que vão diferenciando-se progressivamente.” (NOVAK apud PEÑA, 2005, p. 130). — O professor pode solicitar aos alunos que a partir de um conceito-chave elaborem um mapa conceitual registrando sua aprendizagem, estabelecendo relações do conceito principal com os demais estudados. — Também é possível selecionar vários conceitos do conteúdo selecionado para a avaliação e solicitar que os estudantes elaborem um mapa-conceitual expressando as relações entre estes. b) Reconciliação integrativa: este princípio estabelece que exista uma melhora na aprendizagem significativa quando quem aprende reconhece novas relações ou vínculos conceituais entre conjuntos relacionados de conceitos ou proposições. — O professor pode solicitar que os estudantes elaborem um mapa conceitual antes de iniciar o estudo do tema, demonstrando o seu entendimento do assunto, ou seja, seu conhecimento do senso comum ou pré-conceitos. — Durante o processo de construção do conhecimento ou mesmo, após o término das atividades programadas os estudantes retornam ao primeiro mapa conceitual e acrescentam as novas aprendizagens, reformulam os conceitos anteriores, enriquecem com novos conceitos. O estudante perceberá que poderia ter se equivocado com alguns conceitos ou mesmo estarem expressas de forma incompleta e incorreta. — Podem ser estabelecidas relações cruzadas entre conceitos. Usando um escala de valorização: — As proposições: os conceitos com as palavras-chave apropriadas que nos indicarão as relações válidas ou equivocadas. — A hierarquização: sempre no sentido de que os conceitos mais gerais incluam os mais específicos. — As relações cruzadas: que mostram relações entre conceitos pertencentes a diferentes partes do mapa conceitual. — Os exemplos, em certos casos, para assegurar que os alunos compreenderam, correspondendo à expectativa, o que é conceito e o que não é. 19 PEÑA, A. et all. Mapas Conceituais: uma técnica para aprender. São Paulo: Loyola, 2005. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 99 FONTE: http://ursulabioifam.pbworks.com/w/page/40977545/Trabalhando%20com%20mapas%20conceituais DICAS PARA PRODUÇÃO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS HOTISETE DE HQ: http://tecnologianasaladeaula.pbworks.com/w/page/52014513/Roteiros%20para%20HQ DICAS DE ROTEIRO: http://dicasderoteiro.com/ 1. O ROTEIRO: Syd Field define o Roteiro como sendo "uma história contada em imagens, diálogo e descrição, dentro do contexto de uma estrutura dramática. Um detalhe que todo roteirista sempre esquece (eu mesmo me apanho cometendo este erro muitas vezes) é que um roteiro deve contar uma história como num livro de romance, por exemplo, com a diferença que no roteiro você deve colocar tudo o que a pessoa pode visualizar enquanto lê. Metáforas, divagações ou pensamentos do autor quanto a sentimentos ou situações vividas pelo personagem não podem ser demonstradas, mas "indicadas" pelo autor para que o ator saiba o que seu personagem está vivendo ou sentindo. Como diz Doc Comparato, "o romancista escreve, enquanto o roteirista trama, narra e descreve". O roteirista vai além, pois precisa demonstrar no papel situações concretas que o leitor do roteiro possa visualizar. O roteiro é o filme que transcorre no papel antes de ganhar vida nas telas. 2. ETAPAS: Como toda história possui um começo, meio e fim, um roteiro também é construído por etapas, um passo a passo: a. Idéia ou "o que". O tema ou fato que motiva o autor a escrever. É sobre esta idéia que o autor fixará a atenção durante todo o roteiro pois deseja transmitir algo para o público. b. Conflito ou "onde": o autor tem uma idéia, mas esta deve ser transmitida ao público por meio de um conflito. Se não há conflito,não há interesse por parte do público. O conflito sempre é definido através do story line. É o universo onde se passará a idéia. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ERASMO PILOTTO CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 100 c. Personagens ou "quem": são aqueles que viverão o conflito idealizado pelo autor. São os responsáveis por passar ao público o que o autor está tentando expressar em sua narrativa. d. Ação dramática ou "como": quando o autor já tem definidos a idéia, o conflito que transmitirá a idéia e os personagens que viverão este conflito, chega o momento de definir de que maneira este será vivido pelos personagens. A NÍVEL PRÁTICO, ESTAS ETAPAS PODEM SER DEFINIDAS ASSIM: A. IDÉIA / B. STORY LINE / C. SINOPSE/D. ESTRUTURA/E. PRIMEIRO ROTEIRO E ROTEIRO FINAL A idéia, como foi visto, é o sumo do roteiro, a base onde existirá todo o outro contexto (conflito, personagens e ação dramática). A story line é a forma de contar o conflito motivado pela idéia de maneira objetiva e suscinta. A maioria dos autores é unânime em dizer que uma story line não pode ultrapassar cinco ou seis linhas. Nela deve ser apresentado o conflito, seu desenvolvimento e sua solução. Ex: "A TROCA: Milionária não se conforma com a deficiência visual de seu neto recém- nascido e paga para uma enfermeira trocar a criança por um menino perfeito do berçário, mas vinte anos depois o pai do menino sofre de Leucemia e a esperança de cura está na medula do garoto deficiente e entregue a outra família que é encontrado, salva a vida do pai e a verdade sobre a troca é revelada. "(curta metragem/Romualdo Dropa/1999) A sinopse, também chamada de argumento nada mais é do que o desenvolvimento da story line. Enquanto esta última economiza as palavras ao máximo, a sinopse deve ser justamente o contrário, uma forma de esgotar literalmente a idéia que se pretende transmitir. Assim a sinopse, baseada na story line e de posse do conflito e dos personagens descreve toda a ação dramática de forma a revelar ao leitor a história que virá a ser contada de maneira audio- visual. Como exemplo, publico a sinopse de O Ponto de Tangência, escrito em co-autoria com Homar Paczkowski. É na sinopse também que se define o perfil das personagens. FONTE: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=13667 http://screenwriter.sites.uol.com.br/sinopse.htm http://screenwriter.sites.uol.com.br/perfil.htm