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MODAIS DE TRANSPORTE AULA 4 Prof. Luciano Furtado C. Francisco 2 CONVERSA INICIAL Prezado(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) a esta aula. Como o próprio nome de nossa disciplina sugere, a atividade de transporte é crucial dentro da logística e, embora possa parecer algo simples, requer muito cuidado, para que haja o mínimo possível de interferências que possam comprometer o principal objetivo do transporte: levar o produto ou as pessoas, dentro dos padrões acordados (tempo e demais condições), até o destino, com total segurança. Logo, para a atividade de transporte precisamos ter dois fatores em mente: gestão e planejamento. É o que veremos nesta aula. Vamos entender inicialmente as principais atividades no processo de cargas e os requisitos principais dessa gestão. Na sequência veremos uma das mais importantes formas de racionalização de cargas, a unitização. Veremos que a unitização bem-feita otimiza bastante o processo de carga. Por fim, estudaremos a multimodalidade e a intermodalidade, dois processos expressivos na gestão dos transportes e das cargas. Veremos os principais aspectos, operações e diferenças entre esses dois modelos. Convidamos você a mais uma viagem conosco. Tenha uma ótima aula! CONTEXTUALIZANDO Leia a reportagem do link <https://cranebrasil.com.br/wp- content/uploads/2017/11/HD-CargaExcedente.pdf>. Ela descreve como foi feito o transporte de duas monoboias - espécie de “terminal flutuante” utilizado na amarração de navios-tanque para carregamento e descarga de petróleo e derivados -, entre os estaleiros de Vila Velha (ES) e do Rio de Janeiro (RJ). Perceba que uma operação de transporte dessa natureza requer um extenso planejamento e uma gestão precisa, para que não ocorram imprevistos que possam comprometer o objetivo da ação. Apesar de ser um transporte bastante peculiar, isso nos dá a exata noção de que as atividades de transportes não podem ser feitas de modo empírico, mesmo as mais corriqueiras. 3 TEMA 1 – CARGAS: GESTÃO E ATIVIDADES Transportar uma carga não significa apenas colocar essa carga em um veículo, fazê-lo funcionar e colocá-lo em movimento. Numa estrutura profissional de transporte de pessoas e passageiros, tratá-lo assim, de forma tão simplista, é um erro que pode gerar vários problemas e prejuízos. Há que se ter uma gestão das cargas. A gestão de cargas consiste em controlar a movimentação desta carga entre os pontos de origem e de destino. No âmbito dos bens, significa o processo que abrange o recebimento de matérias-primas ou produtos para revenda para que a indústria possa fabricar e as lojas possam oferecer mercadorias aos seus clientes. No aspecto de transporte de pessoas, o fluxo de informações aos passageiros, para que estes possam embarcar no local e veículos corretos, com segurança e conforto, sendo transportados até o destino dentro da expectativa previamente informada. Mas não apenas o transporte de média e longa distância necessitam dessa gestão, as movimentações internas também, sobretudo nas indústrias, de modo a movimentar as matérias-primas, produtos acabados e semiacabados dentro dos limites da fábrica. A gestão da carga, porém, não acaba neste ponto, em diversos casos tem que se fazer com que os pedidos dos clientes lhes sejam enviados dentro dos níveis de serviços esperados. Uma típica situação vista nos processos de comércio eletrônico, na qual geralmente o transporte é terceirizado, consequentemente parte da gestão de cargas também. Ou seja, a gestão do transporte de cargas deve funcionar de forma eficaz, com qualidade assegurada, de modo que o resultado da operação seja positivo e dentro da expectativa das partes. 1.1 Objetivos e atividades da gestão de cargas O principal objetivo da gestão de cargas é fazer com que a atividade de transporte de bens ou pessoas – um embarque, portanto – seja realizada de forma a cumprir com todos os requisitos necessários ao transporte. Esse transporte deve obedecer às normas legais, atender os níveis de serviço combinados e garantir que a carga tenha segurança em todas as etapas, desde o embarque até ser entregue no destino. Nesse trabalho, diversos setores entram nessa gestão: 4 • Controle de frota; • Planejamento de roteirizações; • Gestão de documentos do transporte; • Rastreamento (de veículos e das cargas); • Controle dos custos; • Gerenciamento de problemas e riscos. Figura 1 – Carga Créditos: cybrain/Shutterstock. 1.2 Como fazer a gestão de cargas Para realizar a gestão de cargas de forma eficaz e com sucesso, ações devem ser feitas cotidianamente. Um processo que não tem final. As principais ações estão no quadro a seguir: Quadro 1 – Ações na gestão de cargas AÇÃO COMO FAZER Metas e objetivos • Estipular metas e objetivos para todas as áreas envolvidas nos processos de transporte; • Metas devem envolver: o Redução de tempos de transporte; o Diminuição de custos operacionais; o Redução de perdas. Trabalhar de maneira planejada • Criar métodos para os processos; • Usar a tecnologia como apoio; • Capacitar as equipes; • Organizar a operação. 5 Controlar os gastos • Organizar e disponibilizar informações; • Rastrear problemas e atividades que possam comprometer a operação; • Buscar a racionalização constante, sem perda de qualidade. Fonte: Francisco, 2021. Vistos os principais aspectos da gestão de cargas, veremos uma forma de organização de cargas que auxilia muito nesse aspecto: a unitização. TEMA 2 – UNITIZAÇÃO: OBJETIVOS E FORMAS Impossível concebermos o transporte de cargas sem abordar a unitização. Trata-se do processo de agrupar diversos produtos, de maneira que formem um volume único e maior. Portanto, chegamos a um outro elemento importante e fundamental no transporte, as embalagens. Isso porque uma carga unitizada não existe sem que esteja embalada. A unitização é um tipo de embalagem para transporte, sendo fundamental para a eficácia das operações. A unitização é importante para a automação da atividade do transporte, facilita o manuseio e a integração multimodal e intermodal. De acordo com Gurgel (2000, p. 28), a unitização “é um sistema estruturado que cria uma corrente de racionalidade com facilidades geradas pela padronização da movimentação, desde os fornecedores até o destinatário final, o último cliente”. Outro fato que comprova a importância da unitização é que as cargas costumam ser muito manuseadas até chegar ao cliente final, em torno de doze vezes, em operações de unitização, retirada de armazéns, acomodação no veículo, retirada do veículo, colocação em depósitos etc. Logo, racionaliza os espaços de armazenagem, torna mais ágil e seguro o manuseio. Isto impacta nos custos e, num cenário de concorrência acirrada como o que vivemos, qualquer redução de centavos pode significar a diferença entre vender e não vender. A unitização contribui com a redução de tempo na logística, o que ajuda a entregar os produtos ao cliente no tempo menor possível. Veja a seguir um exemplo de carga unitizada. Figura 1 – Carga unitizada 6 Créditos: Bjoern Wylezich/Shutterstock. 2.1 Formas de unitização Há mais de um tipo de unitização de cargas, que são expostas no quadro a seguir, junto às suas principais vantagens e desvantagens: Quadro 2 – Formas de unitização FORMA CARACTERÍSTICAS VANTAGENS DESVANTAGENS Pré-lingagem • Carga acondicionada em redes ou cordas; • Própria para manuseio por guindastes. • Menos perdas e avarias; • Rapidez no embarque/desem barque; • Taxas mais baratas nos portos. • Deve-se investir em lingas e equipamentos; • Cistos de manutenção e transporte das lingas é relativamente alto. Paletização • Use de paletes, em geral de madeira; • Paletes têm vãos em sua parte inferior, para facilitarencaixe de garfos de empilhadeiras. • Menos perdas e avarias; • Redução de rotulagens individuais; • Aumento da capacidade de estocagem; • Rapidez no embarque/desem barque; • Pode haver espaços vazios no palete; • Investimentos em equipamentos; • Peso do palete conta nas taxas de frete; • Pode exigir alteração de layout em armazéns. 7 FORMA CARACTERÍSTICAS VANTAGENS DESVANTAGENS • Taxas mais baratas nos portos; • Pode ser usada no transporte “porta a porta”. Conteinerização • Cargas colocadas em um baú (contêiner) fechado; • Fácil manuseio e transporte; • Padronizado mundialmente; • Facilita a intermodalidade; • Unitização mais usada em transportes internacionais; • Buscar a racionalização constante, sem perda de qualidade. • Menos perdas e avarias; • Redução de rotulagens individuais; • Pode ser estocado em áreas abertas; • Rapidez no embarque/desemb arque; • Embarque/desemb arque pode ser feito em condições climáticas adversas; • Redução de taxas portuárias de estiva; • Fretes marítimos menores. • Pode haver espaços vazios no contêiner; • Investimentos em equipamentos; • Peso do contêiner conta nas taxas de frete; • Pagamento de aluguel (se contêiner não é próprio); • Taxas de demurrage, se ultrapassar prazo de armazenamento; • Transporte do contêiner vazio até o local de estufagem; • Peso do palete conta nas taxas de frete; • Pode exigir alteração de layout em armazéns; • Maior custo de manutenção e reparos. Fonte: Francisco, 2021. Por fim, a unitização, além de facilitar o processo de movimentação e manuseio das cargas, permite menor utilização de mão de obra. Imagine um manuseio de centenas ou milhares de produtos individuais, o tempo e a utilização de mão de obra seriam consideravelmente maiores. Saiba mais Paletes e contêineres possuem padrões, isto é, medidas e formatos estabelecidos e que devem ser seguidos pelas empresas no mundo todo; isto facilita o planejamento de transportes e armazenagem. No link <https://www.lemaqui.com.br/news/OS-TIPOS-EXISTENTES-DE-PALETES- 24> pode-se conferir os padrões de paletes, e no link <https://www.guiamaritimo.com.br/utilidades/tipos-containers> os diversos tipos de contêineres. 8 TEMA 3 – TERMINAIS DE TRANSPORTE Todo embarque deve ter um desembarque. O objetivo primordial do transporte de pessoas e cargas é entregar o objeto do transporte em um local específico, seja o ponto final ou intermediário (no qual se embarcará em outro veículo ou se espera algum tempo para prosseguir a viagem). Sendo assim, é necessário que existam os chamados terminais de transporte. Estruturas físicas responsáveis por receber os veículos de transporte, proceder embarques e desembarques, além de funções acessórias como checagens, documentações, procedimentos fiscais etc. É normal associarmos um terminal de transporte com um lugar repleto de cargas, fretes e carregamentos. Claro que isso acontece num terminal, mas nem sempre. No modal rodoviário, por exemplo, existem as cargas, porém não estão ali fisicamente. Inicialmente vamos entender os tipos de terminais de transporte, focando as operações de cargas destes. 3.1 Terminal rodoviário São os terminais que recebem caminhões e ônibus. Composto de três estruturas básicas: agências de cargas, espaços com ofertas de fretes; agenciadores de carga, os profissionais que trabalham para estas agências, responsáveis pela intermediação de fretes com os motoristas ou transportadoras; e os motoristas/transportadoras, que se dirigem ao terminal em busca de cargas. Curiosidade A tecnologia também está mudando a forma como agenciadores e transportadores de cargas se relacionam; veja no link disponível em: <https://braziljournal.com/na-china-o-uber-dos-caminhoneiros-ja-vale-us-12-bi> como esse mercado está se desenvolvendo e promete revolucionar o setor. 3.2 Terminais hidroviários São os portos. Podem ser marítimos (ao largo dos oceanos e mares); fluviais, à beira de rios; e lacustres, que são os portos em lagos. Basicamente 9 são locais onde as embarcações atracam para as operações de carga e descarga. Têm um molde e forma de funcionamento bem diferente dos terminais rodoviários, embora a carga/descarga seja feita em sua maioria diretamente dos veículos de transporte que adentram ao terminal (trens ou caminhões), é comum que existam armazéns dentro dos portos para guardar cargas temporariamente, para embarque ou depois de desembarques, nesse caso, esperam para terem transbordo para trens ou caminhões. 3.3 Terminais aeroviários Os aeroportos são um dos tipos de terminais mais regulamentados, complexos e, consequentemente, de custo de operação mais elevado. Isso se dá pelas necessidades de segurança, áreas físicas e atendimento a uma série de normas e leis, bem como devido ao porte dos veículos que os utilizam. Nem todos os aeroportos operam com cargas, mas aqueles que o fazem são chamados de Teca, sigla de Terminal de Cargas Aéreo. Nestes terminais, existem espaços destinados à consolidação de cargas. Também é comum que haja transportadoras de cargas aéreas ao redor do aeroporto, as quais fazem entregas e retiradas de cargas. Segundo a ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil, são os seguintes os tipos de terminais aeroviários: • Aeródromo: toda área destinada a pouso, decolagem e movimentação de aeronaves. • Helipontos: os aeródromos destinados exclusivamente a helicópteros. • Aeroportos: aeródromos públicos dotados de instalações e facilidades para apoio de operações de aeronaves e de embarque e desembarque de pessoas e cargas. • Heliportos: helipontos públicos dotados de instalações e facilidades para apoio de operações a helicópteros e de embarque e desembarque de pessoas e cargas. 3.4 Terminais ferroviários 10 Os terminais de trens necessitam de uma estrutura de transbordo para realizar embarques e desembarques de cargas. Por isso, em geral existem plataformas de carga e descarga, alinhadas na altura dos vagões. Tal como nos portos, é comum a existência de armazéns para guarda das mercadorias desembarcadas ou prestes a serem carregadas nos vagões. Saiba mais Veja no link <https://www.brasilferroviario.com.br/patios-e-terminais/> mais detalhes sobre os terminais ferroviários. 3.5 Terminais dutoviários No transporte por dutos, os terminais são constituídos por equipamentos de armazenamento, propulsão e desembarque da carga. Normalmente esses terminais ficam anexos às companhias que trabalham no beneficiamento ou distribuição dos produtos transportados pelos dutos, empresas de beneficiamento de óleos ou armazéns graneleiros. No transporte de água, pelas companhias de saneamento, os terminais costumam estar nos locais de captação (rios, nascentes, lagos, represas) e de distribuição e tratamento. TEMA 4 – MULTIMODALIDADE Numa operação de transporte, sobretudo de cargas, quase sempre um único modal não será suficiente para fazer o chamado porta a porta, ou seja, carregar o produto em seu ponto de origem e entregá-lo ao seu cliente. Quase porque esse cenário, conhecido como unimodalidade, acontece apenas no modal rodoviário. Uma das razões pelas quais esse modal inclusive é o mais utilizado. Em todos os outros modais, os embarques dependem de mais de um modal (normalmente um deles será o rodoviário) pelo simples fato de que os modais aquaviários, ferroviário, aeroviário e dutoviário não conseguem fazer o transporte porta a porta, dependem de um terminal onde haverá um transbordo. Para ir até o destino final, usualmente terá de se valer do modal rodoviário. Aqui chegamos ao conceito de integração de transportes ou multimodalidade, que de acordo com Razzolini Filho (2021, p. 186), significa: 11 [...] a integração dos serviços de mais de um modal de transporte,podendo ser, por exemplo, rodoferroviário, rodoaéreo, ferro-hidroviário, hidroaéreo etc., o que implica emissão de um único Conhecimento de Transporte por um único responsável, denominado Operador de Transporte Multimodal (OTM). Desde a origem até o destino final, o OTM deve assumir total responsabilidade pela operação como um transportador principal, e não apenas como um agente. Curiosidade A norma no Brasil que regulamenta a prática dos Operadores de Transporte Intermodal é a Lei n. 9.611/98. Seu texto pode ser conferido em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9611.htm>. 4.1 Evolução da multimodalidade A logística, tal como todas as áreas, progride constantemente. A multimodalidade também teve um desenvolvimento natural. Inicialmente houve o transporte utilizando mais de um modal, contudo com baixa eficiência na atividade de transbordo. Posteriormente, com o surgimento de equipamentos para transbordo e técnicas de unitização (contêineres, sobretudo), o processo multimodal ganha enorme produtividade. Finalmente com o conceito de gerenciamento de cadeia de fornecedores (Supply Chain Management), no qual o objetivo é a integração de toda a cadeia de produção – transporte incluso –, busca-se a máxima eficiência na integração dos modais, fazendo a operação porta a porta por meio de um único documento de transporte. De acordo com Razzolini Filho (2012, p. 189), as possíveis combinações de modais são: • Rodoferroviário (R-F); • Rodoaeroviário (R-A); • Rodo-hidroviário (R-H); • Rododutoviário (R-D); • Ferro-hidroviário (F-H); • Ferroaeroviário (F-A); • Ferrodutoviário (F-D); • Hidrodutoviário (H-D); • Hidroaeroviário (H-A); • Aerodutoviário (A-D). 12 Nem todas as combinações acima são factíveis, como o aerodutoviário (A-D), já que no modal aeroviário se necessita de unitização de cargas, o que teria de ser desfeito ao se passar ao modal dutoviário. Em muitos casos, o conceito de multimodalidade pode ser confundido com outro conceito parecido: a intermodalidade, que veremos na sequência. TEMA 5 – INTERMODALIDADE Na essência, o conceito de intermodalidade e multimodalidade são iguais: trata-se do transporte utilizando mais de um modal. Neste ponto você pode ser perguntar: então por que existem dois conceitos, para significar a mesma coisa? A diferença é apenas de ordem documental e de responsabilidades. Vejamos quais são elas. 5.1 Emissão de documentos Na multimodalidade existe um único documento, chamado Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas (CTMC), emitido pelo OTM (Operador de Transporte Multimodal), que vale para todos os modais utilizados. O que agiliza e facilita a burocracia. Já na intermodalidade, sempre que houver a troca de modal, deve ser emitido um novo CTMC. Como se fosse um novo contrato de transporte. 5.2 Responsabilidades Embora o OTM não realize o transporte em si, na multimodalidade ele é o único responsável pela execução do serviço. Ele planeja e organiza a troca de modais, fazendo uma verificação a cada vez que isso acontece. Tal verificação se dá em razão de checagem de espaços para armazenamento e procedimentos de transbordo. É o OTM que possui os veículos de transporte (caminhões, navios, trens). Na intermodalidade, essa responsabilidade fica dividida entre os transportadores de cada modal. Respondem apenas pelo trecho no qual atuam. 13 5.3 Contratos No multimodal, há apenas um contrato entre o dono da carga e o OTM. Na intermodalidade, há vários contratos, cada um com o transportador do trecho em questão. 5.4 Intermodalidade x multimodalidade Depois de vistas as diferenças entre multimodalidade e intermodalidade, a pergunta natural é: qual é melhor? Isso depende de vários fatores, resumidos no quadro a seguir, no qual se comparam as vantagens de cada um: Quadro 3 – Multimodalidade x Intermodalidade TIPO VANTAGENS MULTIMODALIDADE • Combina modais de forma mais eficiente, inclusive na questão ambiental e energética; • Reduz custos nos transbordos; • Pode agregar valor, oferecendo mais benefícios; • Resolução de problemas mais fácil, por haver um só responsável pelo transporte; • OTMs normalmente têm armazéns próprios, equipamentos de transbordo e plataformas. INTERMODALIDADE • Pode-se reduzir custos de forma individual, em cada trecho, tais como custos de armazenagem; • Menos consumo de energia; • Menos poluição; • Pode reduzir o tráfego rodoviário; • Maior segurança nos trajetos. Fonte: Francisco, 2021. Finalmente, cada embarque é um caso. Para se optar entre o intermodal e o multimodal, deve-se fazer um estudo prévio do trajeto, carga e demais condições, a fim de se escolher uma das duas formas. TROCANDO IDEIAS A multimodalidade, no Brasil, é regulamentada pela Lei n. 9.611/98. No entanto, as leis têm caráter mais abrangente. Por isso mesmo existem os decretos, portarias e resoluções, dispositivos que procuram detalhar a execução das leis. No caso da Lei n. 9.611/98, muitos analistas entendem que ela poderia mais do que apenas atribuir ao OTM uma emissão de Conhecimento de Transporte. Ela deveria ter mais atribuições e responsabilidades. 14 Dessa forma, pesquise o que poderia ser melhorado nesta lei, de forma a ampliar as responsabilidades do OTM e quais seriam os ganhos com isso. Para isso, deve-se ler o texto da lei e confrontar o que ocorre na prática da atividade de transporte, discutindo as possíveis evoluções nessas questões. NA PRÁTICA Sabe-se que a questão tributária no Brasil é complexa. Muitas normas, tributos, exceções etc. fazem com que muitas empresas precisem fazer planejamentos tributários para racionalizar este processo, até mesmo para evitar o pagamento de tributos desnecessariamente. No transporte não é diferente, as empresas da cadeia de suprimentos estão sujeitas a regras de tributações por vezes complicadas. No caso do transporte entre estados diferentes e utilizando inter/multimodalidade, existem regras fiscais que devem ser observadas. Assim, faça uma pesquisa deste tema e responda às seguintes questões: a) A quais regras e tributos o transporte interestadual está sujeito? b) Analisando a questão tributária, em quais situações a intermodalidade seria mais vantajosa que a multimodalidade e vice-versa? FINALIZANDO Iniciamos esta aula entendendo o processo de gestão de cargas, suas atividades e importância para um transporte eficaz. O conhecimento das atividades de gestão de cargas leva a um melhor planejamento das suas ações, conseguindo assim racionalizar recursos e elevar o nível do serviço. Depois, estudamos um dos processos mais comuns no transporte de cargas: a unitização. Significa agrupar as cargas em embalagens específicas, com o objetivo de facilitar o manuseio das cargas. Vimos seus tipos: pré- lingagem, paletização e conteinerização. Entendemos as vantagens e desvantagens de cada tipo. Na sequência conhecemos os terminais de transporte, elemento fundamental na infraestrutura de transportes. Estudamos cada tipo de terminal, que, via de regra, estão associados a cada tipo de modal. 15 Finalmente abordamos o conceito de multimodalidade e intermodalidade, que são os transportes realizados com o uso de mais de um modal. Estabelecemos a diferença entre esses conceitos e as vantagens de cada um. Os temas desta aula nos levaram a observar que o planejamento de transportes é algo primordial nas operações logísticas. Isso porque existe uma variedade de formas de se transportar pessoas e cargas, que não precisam se utilizar de um único modal e, por vezes, nem conseguem. Por isso a importância de gerir as cargas, suas formas de acondicionamento, quais terminais estão associados a cada modal e como optamos por multimodalidade e intermodalidade. Até o próximo encontro! 16 REFERÊNCIAS ANAC. AgênciaNacional de Aviação Civil. Cadastro de Aeródromos, [S.d.]. Disponível em <https://www.anac.gov.br/assuntos/setor- regulado/aerodromos/cadastro-de-aerodromos/cadastro-de-aerodromos>. Acesso em: 22 mar. 2021. BRASIL. Lei Federal n. 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre O Transporte Multimodal de Cargas, e dá outras providências. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9611.htm>. Acesso em: 26 mar. 2021. GURGEL, F. A. Logística industrial. São Paulo: Atlas, 2000. LUCAS, E. Pátios, terminais e estações ferroviárias. Portal Brasil Ferroviário, [S.d.]. Disponível em <https://www.brasilferroviario.com.br/patios-e-terminais/>. Acesso em: 22 mar. 2021. OS TIPOS EXISTENTES DE PALETES. Lemaqui, [S.d.]. Disponível em <https://www.lemaqui.com.br/news/OS-TIPOS-EXISTENTES-DE-PALETES- 24>. Acesso em: 23 mar. 2021. RAZZOLINI FILHO, E. Transportes e modais – com suporte de TI e SI. Curitiba: InterSaberes, 2012. REDAÇÃO HD. "Terminal flutuante" de porto a porto. 2017. Disponível em: <https://cranebrasil.com.br/wp-content/uploads/2017/11/HD- CargaExcedente.pdf>. Acesso em: 16 ago. 2021. TIPOS DE CONTAINERS. Guia Marítimo, [S.d.]. Disponível em <https://www.guiamaritimo.com.br/utilidades/tipos-containers>. Acesso em: 23 mar. 2021. VITORINO, C. M. (Org.). Gestão de transporte e tráfego. Curitiba: InterSaberes, 2015.