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MODAIS DE TRANSPORTE 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Luciano Furtado C. Francisco 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Prezado(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) a esta aula. 
Como o próprio nome de nossa disciplina sugere, a atividade de 
transporte é crucial dentro da logística e, embora possa parecer algo simples, 
requer muito cuidado, para que haja o mínimo possível de interferências que 
possam comprometer o principal objetivo do transporte: levar o produto ou as 
pessoas, dentro dos padrões acordados (tempo e demais condições), até o 
destino, com total segurança. 
Logo, para a atividade de transporte precisamos ter dois fatores em 
mente: gestão e planejamento. É o que veremos nesta aula. 
Vamos entender inicialmente as principais atividades no processo de 
cargas e os requisitos principais dessa gestão. Na sequência veremos uma das 
mais importantes formas de racionalização de cargas, a unitização. Veremos que 
a unitização bem-feita otimiza bastante o processo de carga. 
Por fim, estudaremos a multimodalidade e a intermodalidade, dois 
processos expressivos na gestão dos transportes e das cargas. Veremos os 
principais aspectos, operações e diferenças entre esses dois modelos. 
Convidamos você a mais uma viagem conosco. Tenha uma ótima aula! 
CONTEXTUALIZANDO 
Leia a reportagem do link <https://cranebrasil.com.br/wp-
content/uploads/2017/11/HD-CargaExcedente.pdf>. Ela descreve como foi feito 
o transporte de duas monoboias - espécie de “terminal flutuante” utilizado na 
amarração de navios-tanque para carregamento e descarga de petróleo e 
derivados -, entre os estaleiros de Vila Velha (ES) e do Rio de Janeiro (RJ). 
Perceba que uma operação de transporte dessa natureza requer um 
extenso planejamento e uma gestão precisa, para que não ocorram imprevistos 
que possam comprometer o objetivo da ação. 
Apesar de ser um transporte bastante peculiar, isso nos dá a exata noção 
de que as atividades de transportes não podem ser feitas de modo empírico, 
mesmo as mais corriqueiras. 
 
 
 
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TEMA 1 – CARGAS: GESTÃO E ATIVIDADES 
Transportar uma carga não significa apenas colocar essa carga em um 
veículo, fazê-lo funcionar e colocá-lo em movimento. Numa estrutura profissional 
de transporte de pessoas e passageiros, tratá-lo assim, de forma tão simplista, 
é um erro que pode gerar vários problemas e prejuízos. Há que se ter uma gestão 
das cargas. 
A gestão de cargas consiste em controlar a movimentação desta carga 
entre os pontos de origem e de destino. No âmbito dos bens, significa o processo 
que abrange o recebimento de matérias-primas ou produtos para revenda para 
que a indústria possa fabricar e as lojas possam oferecer mercadorias aos seus 
clientes. No aspecto de transporte de pessoas, o fluxo de informações aos 
passageiros, para que estes possam embarcar no local e veículos corretos, com 
segurança e conforto, sendo transportados até o destino dentro da expectativa 
previamente informada. 
Mas não apenas o transporte de média e longa distância necessitam 
dessa gestão, as movimentações internas também, sobretudo nas indústrias, de 
modo a movimentar as matérias-primas, produtos acabados e semiacabados 
dentro dos limites da fábrica. 
A gestão da carga, porém, não acaba neste ponto, em diversos casos tem 
que se fazer com que os pedidos dos clientes lhes sejam enviados dentro dos 
níveis de serviços esperados. Uma típica situação vista nos processos de 
comércio eletrônico, na qual geralmente o transporte é terceirizado, 
consequentemente parte da gestão de cargas também. 
Ou seja, a gestão do transporte de cargas deve funcionar de forma eficaz, 
com qualidade assegurada, de modo que o resultado da operação seja positivo 
e dentro da expectativa das partes. 
1.1 Objetivos e atividades da gestão de cargas 
O principal objetivo da gestão de cargas é fazer com que a atividade de 
transporte de bens ou pessoas – um embarque, portanto – seja realizada de 
forma a cumprir com todos os requisitos necessários ao transporte. 
Esse transporte deve obedecer às normas legais, atender os níveis de 
serviço combinados e garantir que a carga tenha segurança em todas as etapas, 
desde o embarque até ser entregue no destino. 
Nesse trabalho, diversos setores entram nessa gestão: 
 
 
4 
• Controle de frota; 
• Planejamento de roteirizações; 
• Gestão de documentos do transporte; 
• Rastreamento (de veículos e das cargas); 
• Controle dos custos; 
• Gerenciamento de problemas e riscos. 
Figura 1 – Carga 
 
Créditos: cybrain/Shutterstock. 
1.2 Como fazer a gestão de cargas 
Para realizar a gestão de cargas de forma eficaz e com sucesso, ações 
devem ser feitas cotidianamente. Um processo que não tem final. As principais 
ações estão no quadro a seguir: 
Quadro 1 – Ações na gestão de cargas 
AÇÃO COMO FAZER 
Metas e objetivos 
• Estipular metas e objetivos para todas as áreas envolvidas nos 
processos de transporte; 
• Metas devem envolver: 
o Redução de tempos de transporte; 
o Diminuição de custos operacionais; 
o Redução de perdas. 
Trabalhar de 
maneira planejada 
• Criar métodos para os processos; 
• Usar a tecnologia como apoio; 
• Capacitar as equipes; 
• Organizar a operação. 
 
 
5 
Controlar os gastos 
• Organizar e disponibilizar informações; 
• Rastrear problemas e atividades que possam comprometer a 
operação; 
• Buscar a racionalização constante, sem perda de qualidade. 
Fonte: Francisco, 2021. 
Vistos os principais aspectos da gestão de cargas, veremos uma forma 
de organização de cargas que auxilia muito nesse aspecto: a unitização. 
TEMA 2 – UNITIZAÇÃO: OBJETIVOS E FORMAS 
Impossível concebermos o transporte de cargas sem abordar a 
unitização. Trata-se do processo de agrupar diversos produtos, de maneira que 
formem um volume único e maior. 
Portanto, chegamos a um outro elemento importante e fundamental no 
transporte, as embalagens. Isso porque uma carga unitizada não existe sem que 
esteja embalada. A unitização é um tipo de embalagem para transporte, sendo 
fundamental para a eficácia das operações. 
A unitização é importante para a automação da atividade do transporte, 
facilita o manuseio e a integração multimodal e intermodal. De acordo com 
Gurgel (2000, p. 28), a unitização “é um sistema estruturado que cria uma 
corrente de racionalidade com facilidades geradas pela padronização da 
movimentação, desde os fornecedores até o destinatário final, o último cliente”. 
Outro fato que comprova a importância da unitização é que as cargas costumam 
ser muito manuseadas até chegar ao cliente final, em torno de doze vezes, em 
operações de unitização, retirada de armazéns, acomodação no veículo, retirada 
do veículo, colocação em depósitos etc. Logo, racionaliza os espaços de 
armazenagem, torna mais ágil e seguro o manuseio. Isto impacta nos custos e, 
num cenário de concorrência acirrada como o que vivemos, qualquer redução 
de centavos pode significar a diferença entre vender e não vender. A unitização 
contribui com a redução de tempo na logística, o que ajuda a entregar os 
produtos ao cliente no tempo menor possível. Veja a seguir um exemplo de carga 
unitizada. 
Figura 1 – Carga unitizada 
 
 
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Créditos: Bjoern Wylezich/Shutterstock. 
2.1 Formas de unitização 
Há mais de um tipo de unitização de cargas, que são expostas no quadro 
a seguir, junto às suas principais vantagens e desvantagens: 
Quadro 2 – Formas de unitização 
FORMA CARACTERÍSTICAS VANTAGENS DESVANTAGENS 
Pré-lingagem 
• Carga 
acondicionada em 
redes ou cordas; 
• Própria para 
manuseio por 
guindastes. 
• Menos perdas e 
avarias; 
• Rapidez no 
embarque/desem
barque; 
• Taxas mais 
baratas nos 
portos. 
• Deve-se investir em 
lingas e 
equipamentos; 
• Cistos de 
manutenção e 
transporte das lingas 
é relativamente alto. 
Paletização 
• Use de paletes, 
em geral de 
madeira; 
• Paletes têm vãos 
em sua parte 
inferior, para 
facilitarencaixe 
de garfos de 
empilhadeiras. 
• Menos perdas e 
avarias; 
• Redução de 
rotulagens 
individuais; 
• Aumento da 
capacidade de 
estocagem; 
• Rapidez no 
embarque/desem
barque; 
• Pode haver espaços 
vazios no palete; 
• Investimentos em 
equipamentos; 
• Peso do palete 
conta nas taxas de 
frete; 
• Pode exigir 
alteração de layout 
em armazéns. 
 
 
7 
FORMA CARACTERÍSTICAS VANTAGENS DESVANTAGENS 
• Taxas mais 
baratas nos 
portos; 
• Pode ser usada 
no transporte 
“porta a porta”. 
Conteinerização 
• Cargas colocadas 
em um baú 
(contêiner) 
fechado; 
• Fácil manuseio e 
transporte; 
• Padronizado 
mundialmente; 
• Facilita a 
intermodalidade; 
• Unitização mais 
usada em 
transportes 
internacionais; 
• Buscar a 
racionalização 
constante, sem 
perda de 
qualidade. 
• Menos perdas e 
avarias; 
• Redução de 
rotulagens 
individuais; 
• Pode ser estocado 
em áreas abertas; 
• Rapidez no 
embarque/desemb
arque; 
• Embarque/desemb
arque pode ser 
feito em condições 
climáticas 
adversas; 
• Redução de taxas 
portuárias de 
estiva; 
• Fretes marítimos 
menores. 
• Pode haver espaços 
vazios no contêiner; 
• Investimentos em 
equipamentos; 
• Peso do contêiner 
conta nas taxas de 
frete; 
• Pagamento de 
aluguel (se contêiner 
não é próprio); 
• Taxas de 
demurrage, se 
ultrapassar prazo de 
armazenamento; 
• Transporte do 
contêiner vazio até o 
local de estufagem; 
• Peso do palete 
conta nas taxas de 
frete; 
• Pode exigir 
alteração de layout 
em armazéns; 
• Maior custo de 
manutenção e 
reparos. 
Fonte: Francisco, 2021. 
Por fim, a unitização, além de facilitar o processo de movimentação e 
manuseio das cargas, permite menor utilização de mão de obra. Imagine um 
manuseio de centenas ou milhares de produtos individuais, o tempo e a 
utilização de mão de obra seriam consideravelmente maiores. 
Saiba mais 
Paletes e contêineres possuem padrões, isto é, medidas e formatos 
estabelecidos e que devem ser seguidos pelas empresas no mundo todo; isto 
facilita o planejamento de transportes e armazenagem. No link 
<https://www.lemaqui.com.br/news/OS-TIPOS-EXISTENTES-DE-PALETES-
24> pode-se conferir os padrões de paletes, e no link 
<https://www.guiamaritimo.com.br/utilidades/tipos-containers> os diversos tipos 
de contêineres. 
 
 
 
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TEMA 3 – TERMINAIS DE TRANSPORTE 
Todo embarque deve ter um desembarque. O objetivo primordial do 
transporte de pessoas e cargas é entregar o objeto do transporte em um local 
específico, seja o ponto final ou intermediário (no qual se embarcará em outro 
veículo ou se espera algum tempo para prosseguir a viagem). 
Sendo assim, é necessário que existam os chamados terminais de 
transporte. Estruturas físicas responsáveis por receber os veículos de transporte, 
proceder embarques e desembarques, além de funções acessórias como 
checagens, documentações, procedimentos fiscais etc. 
É normal associarmos um terminal de transporte com um lugar repleto de 
cargas, fretes e carregamentos. Claro que isso acontece num terminal, mas nem 
sempre. No modal rodoviário, por exemplo, existem as cargas, porém não estão 
ali fisicamente. 
Inicialmente vamos entender os tipos de terminais de transporte, focando 
as operações de cargas destes. 
 
3.1 Terminal rodoviário 
São os terminais que recebem caminhões e ônibus. Composto de três 
estruturas básicas: agências de cargas, espaços com ofertas de fretes; 
agenciadores de carga, os profissionais que trabalham para estas agências, 
responsáveis pela intermediação de fretes com os motoristas ou 
transportadoras; e os motoristas/transportadoras, que se dirigem ao terminal em 
busca de cargas. 
Curiosidade 
A tecnologia também está mudando a forma como agenciadores e 
transportadores de cargas se relacionam; veja no link disponível em: 
<https://braziljournal.com/na-china-o-uber-dos-caminhoneiros-ja-vale-us-12-bi> 
como esse mercado está se desenvolvendo e promete revolucionar o setor. 
3.2 Terminais hidroviários 
São os portos. Podem ser marítimos (ao largo dos oceanos e mares); 
fluviais, à beira de rios; e lacustres, que são os portos em lagos. Basicamente 
 
 
9 
são locais onde as embarcações atracam para as operações de carga e 
descarga. 
Têm um molde e forma de funcionamento bem diferente dos terminais 
rodoviários, embora a carga/descarga seja feita em sua maioria diretamente dos 
veículos de transporte que adentram ao terminal (trens ou caminhões), é comum 
que existam armazéns dentro dos portos para guardar cargas temporariamente, 
para embarque ou depois de desembarques, nesse caso, esperam para terem 
transbordo para trens ou caminhões. 
3.3 Terminais aeroviários 
Os aeroportos são um dos tipos de terminais mais regulamentados, 
complexos e, consequentemente, de custo de operação mais elevado. Isso se 
dá pelas necessidades de segurança, áreas físicas e atendimento a uma série 
de normas e leis, bem como devido ao porte dos veículos que os utilizam. 
Nem todos os aeroportos operam com cargas, mas aqueles que o fazem 
são chamados de Teca, sigla de Terminal de Cargas Aéreo. Nestes terminais, 
existem espaços destinados à consolidação de cargas. Também é comum que 
haja transportadoras de cargas aéreas ao redor do aeroporto, as quais fazem 
entregas e retiradas de cargas. 
Segundo a ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil, são os seguintes 
os tipos de terminais aeroviários: 
• Aeródromo: toda área destinada a pouso, decolagem e movimentação de 
aeronaves. 
• Helipontos: os aeródromos destinados exclusivamente a helicópteros. 
• Aeroportos: aeródromos públicos dotados de instalações e facilidades 
para apoio de operações de aeronaves e de embarque e desembarque 
de pessoas e cargas. 
• Heliportos: helipontos públicos dotados de instalações e facilidades para 
apoio de operações a helicópteros e de embarque e desembarque de 
pessoas e cargas. 
3.4 Terminais ferroviários 
 
 
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Os terminais de trens necessitam de uma estrutura de transbordo para 
realizar embarques e desembarques de cargas. Por isso, em geral existem 
plataformas de carga e descarga, alinhadas na altura dos vagões. 
Tal como nos portos, é comum a existência de armazéns para guarda das 
mercadorias desembarcadas ou prestes a serem carregadas nos vagões. 
Saiba mais 
Veja no link <https://www.brasilferroviario.com.br/patios-e-terminais/> 
mais detalhes sobre os terminais ferroviários. 
3.5 Terminais dutoviários 
No transporte por dutos, os terminais são constituídos por equipamentos 
de armazenamento, propulsão e desembarque da carga. Normalmente esses 
terminais ficam anexos às companhias que trabalham no beneficiamento ou 
distribuição dos produtos transportados pelos dutos, empresas de 
beneficiamento de óleos ou armazéns graneleiros. 
No transporte de água, pelas companhias de saneamento, os terminais 
costumam estar nos locais de captação (rios, nascentes, lagos, represas) e de 
distribuição e tratamento. 
TEMA 4 – MULTIMODALIDADE 
Numa operação de transporte, sobretudo de cargas, quase sempre um 
único modal não será suficiente para fazer o chamado porta a porta, ou seja, 
carregar o produto em seu ponto de origem e entregá-lo ao seu cliente. 
Quase porque esse cenário, conhecido como unimodalidade, acontece 
apenas no modal rodoviário. Uma das razões pelas quais esse modal inclusive 
é o mais utilizado. Em todos os outros modais, os embarques dependem de mais 
de um modal (normalmente um deles será o rodoviário) pelo simples fato de que 
os modais aquaviários, ferroviário, aeroviário e dutoviário não conseguem fazer 
o transporte porta a porta, dependem de um terminal onde haverá um 
transbordo. Para ir até o destino final, usualmente terá de se valer do modal 
rodoviário. 
Aqui chegamos ao conceito de integração de transportes ou 
multimodalidade, que de acordo com Razzolini Filho (2021, p. 186), significa: 
 
 
11 
[...] a integração dos serviços de mais de um modal de transporte,podendo ser, por exemplo, rodoferroviário, rodoaéreo, ferro-hidroviário, 
hidroaéreo etc., o que implica emissão de um único Conhecimento de 
Transporte por um único responsável, denominado Operador de 
Transporte Multimodal (OTM). Desde a origem até o destino final, o 
OTM deve assumir total responsabilidade pela operação como um 
transportador principal, e não apenas como um agente. 
Curiosidade 
A norma no Brasil que regulamenta a prática dos Operadores de 
Transporte Intermodal é a Lei n. 9.611/98. Seu texto pode ser conferido em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9611.htm>. 
4.1 Evolução da multimodalidade 
A logística, tal como todas as áreas, progride constantemente. A 
multimodalidade também teve um desenvolvimento natural. 
Inicialmente houve o transporte utilizando mais de um modal, contudo 
com baixa eficiência na atividade de transbordo. 
Posteriormente, com o surgimento de equipamentos para transbordo e 
técnicas de unitização (contêineres, sobretudo), o processo multimodal ganha 
enorme produtividade. 
Finalmente com o conceito de gerenciamento de cadeia de fornecedores 
(Supply Chain Management), no qual o objetivo é a integração de toda a cadeia 
de produção – transporte incluso –, busca-se a máxima eficiência na integração 
dos modais, fazendo a operação porta a porta por meio de um único documento 
de transporte. 
De acordo com Razzolini Filho (2012, p. 189), as possíveis combinações 
de modais são: 
• Rodoferroviário (R-F); 
• Rodoaeroviário (R-A); 
• Rodo-hidroviário (R-H); 
• Rododutoviário (R-D); 
• Ferro-hidroviário (F-H); 
• Ferroaeroviário (F-A); 
• Ferrodutoviário (F-D); 
• Hidrodutoviário (H-D); 
• Hidroaeroviário (H-A); 
• Aerodutoviário (A-D). 
 
 
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Nem todas as combinações acima são factíveis, como o aerodutoviário 
(A-D), já que no modal aeroviário se necessita de unitização de cargas, o que 
teria de ser desfeito ao se passar ao modal dutoviário. 
Em muitos casos, o conceito de multimodalidade pode ser confundido 
com outro conceito parecido: a intermodalidade, que veremos na sequência. 
TEMA 5 – INTERMODALIDADE 
Na essência, o conceito de intermodalidade e multimodalidade são iguais: 
trata-se do transporte utilizando mais de um modal. 
Neste ponto você pode ser perguntar: então por que existem dois 
conceitos, para significar a mesma coisa? 
A diferença é apenas de ordem documental e de responsabilidades. 
Vejamos quais são elas. 
5.1 Emissão de documentos 
Na multimodalidade existe um único documento, chamado Conhecimento 
de Transporte Multimodal de Cargas (CTMC), emitido pelo OTM (Operador de 
Transporte Multimodal), que vale para todos os modais utilizados. O que agiliza 
e facilita a burocracia. 
Já na intermodalidade, sempre que houver a troca de modal, deve ser 
emitido um novo CTMC. Como se fosse um novo contrato de transporte. 
5.2 Responsabilidades 
Embora o OTM não realize o transporte em si, na multimodalidade ele é 
o único responsável pela execução do serviço. Ele planeja e organiza a troca de 
modais, fazendo uma verificação a cada vez que isso acontece. Tal verificação 
se dá em razão de checagem de espaços para armazenamento e procedimentos 
de transbordo. É o OTM que possui os veículos de transporte (caminhões, 
navios, trens). 
Na intermodalidade, essa responsabilidade fica dividida entre os 
transportadores de cada modal. Respondem apenas pelo trecho no qual atuam. 
 
 
 
 
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5.3 Contratos 
No multimodal, há apenas um contrato entre o dono da carga e o OTM. 
Na intermodalidade, há vários contratos, cada um com o transportador do trecho 
em questão. 
5.4 Intermodalidade x multimodalidade 
Depois de vistas as diferenças entre multimodalidade e intermodalidade, 
a pergunta natural é: qual é melhor? Isso depende de vários fatores, resumidos 
no quadro a seguir, no qual se comparam as vantagens de cada um: 
Quadro 3 – Multimodalidade x Intermodalidade 
TIPO VANTAGENS 
MULTIMODALIDADE 
• Combina modais de forma mais eficiente, inclusive na questão 
ambiental e energética; 
• Reduz custos nos transbordos; 
• Pode agregar valor, oferecendo mais benefícios; 
• Resolução de problemas mais fácil, por haver um só responsável 
pelo transporte; 
• OTMs normalmente têm armazéns próprios, equipamentos de 
transbordo e plataformas. 
INTERMODALIDADE 
• Pode-se reduzir custos de forma individual, em cada trecho, tais 
como custos de armazenagem; 
• Menos consumo de energia; 
• Menos poluição; 
• Pode reduzir o tráfego rodoviário; 
• Maior segurança nos trajetos. 
Fonte: Francisco, 2021. 
Finalmente, cada embarque é um caso. Para se optar entre o intermodal 
e o multimodal, deve-se fazer um estudo prévio do trajeto, carga e demais 
condições, a fim de se escolher uma das duas formas. 
TROCANDO IDEIAS 
A multimodalidade, no Brasil, é regulamentada pela Lei n. 9.611/98. No 
entanto, as leis têm caráter mais abrangente. Por isso mesmo existem os 
decretos, portarias e resoluções, dispositivos que procuram detalhar a execução 
das leis. 
No caso da Lei n. 9.611/98, muitos analistas entendem que ela poderia 
mais do que apenas atribuir ao OTM uma emissão de Conhecimento de 
Transporte. Ela deveria ter mais atribuições e responsabilidades. 
 
 
14 
Dessa forma, pesquise o que poderia ser melhorado nesta lei, de forma a 
ampliar as responsabilidades do OTM e quais seriam os ganhos com isso. Para 
isso, deve-se ler o texto da lei e confrontar o que ocorre na prática da atividade 
de transporte, discutindo as possíveis evoluções nessas questões. 
NA PRÁTICA 
Sabe-se que a questão tributária no Brasil é complexa. Muitas normas, 
tributos, exceções etc. fazem com que muitas empresas precisem fazer 
planejamentos tributários para racionalizar este processo, até mesmo para evitar 
o pagamento de tributos desnecessariamente. 
No transporte não é diferente, as empresas da cadeia de suprimentos 
estão sujeitas a regras de tributações por vezes complicadas. No caso do 
transporte entre estados diferentes e utilizando inter/multimodalidade, existem 
regras fiscais que devem ser observadas. 
Assim, faça uma pesquisa deste tema e responda às seguintes questões: 
a) A quais regras e tributos o transporte interestadual está sujeito? 
b) Analisando a questão tributária, em quais situações a intermodalidade 
seria mais vantajosa que a multimodalidade e vice-versa? 
FINALIZANDO 
Iniciamos esta aula entendendo o processo de gestão de cargas, suas 
atividades e importância para um transporte eficaz. O conhecimento das 
atividades de gestão de cargas leva a um melhor planejamento das suas ações, 
conseguindo assim racionalizar recursos e elevar o nível do serviço. 
Depois, estudamos um dos processos mais comuns no transporte de 
cargas: a unitização. Significa agrupar as cargas em embalagens específicas, 
com o objetivo de facilitar o manuseio das cargas. Vimos seus tipos: pré-
lingagem, paletização e conteinerização. Entendemos as vantagens e 
desvantagens de cada tipo. 
Na sequência conhecemos os terminais de transporte, elemento 
fundamental na infraestrutura de transportes. Estudamos cada tipo de terminal, 
que, via de regra, estão associados a cada tipo de modal. 
 
 
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Finalmente abordamos o conceito de multimodalidade e intermodalidade, 
que são os transportes realizados com o uso de mais de um modal. 
Estabelecemos a diferença entre esses conceitos e as vantagens de cada um. 
Os temas desta aula nos levaram a observar que o planejamento de 
transportes é algo primordial nas operações logísticas. Isso porque existe uma 
variedade de formas de se transportar pessoas e cargas, que não precisam se 
utilizar de um único modal e, por vezes, nem conseguem. Por isso a importância 
de gerir as cargas, suas formas de acondicionamento, quais terminais estão 
associados a cada modal e como optamos por multimodalidade e 
intermodalidade. 
Até o próximo encontro! 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
ANAC. AgênciaNacional de Aviação Civil. Cadastro de Aeródromos, [S.d.]. 
Disponível em <https://www.anac.gov.br/assuntos/setor-
regulado/aerodromos/cadastro-de-aerodromos/cadastro-de-aerodromos>. 
Acesso em: 22 mar. 2021. 
BRASIL. Lei Federal n. 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre O 
Transporte Multimodal de Cargas, e dá outras providências. Disponível em 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9611.htm>. Acesso em: 26 mar. 2021. 
GURGEL, F. A. Logística industrial. São Paulo: Atlas, 2000. 
LUCAS, E. Pátios, terminais e estações ferroviárias. Portal Brasil Ferroviário, 
[S.d.]. Disponível em <https://www.brasilferroviario.com.br/patios-e-terminais/>. 
Acesso em: 22 mar. 2021. 
OS TIPOS EXISTENTES DE PALETES. Lemaqui, [S.d.]. Disponível em 
<https://www.lemaqui.com.br/news/OS-TIPOS-EXISTENTES-DE-PALETES-
24>. Acesso em: 23 mar. 2021. 
RAZZOLINI FILHO, E. Transportes e modais – com suporte de TI e SI. Curitiba: 
InterSaberes, 2012. 
REDAÇÃO HD. "Terminal flutuante" de porto a porto. 2017. Disponível em: 
<https://cranebrasil.com.br/wp-content/uploads/2017/11/HD-
CargaExcedente.pdf>. Acesso em: 16 ago. 2021. 
TIPOS DE CONTAINERS. Guia Marítimo, [S.d.]. Disponível em 
<https://www.guiamaritimo.com.br/utilidades/tipos-containers>. Acesso em: 23 
mar. 2021. 
VITORINO, C. M. (Org.). Gestão de transporte e tráfego. Curitiba: 
InterSaberes, 2015.

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