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Direitos dos Imigrantes e Orientações para o Atendimento

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What are the units in Module 3 of the course 'Direitos Humanos, Direitos dos Imigrantes e Orientações para o Atendimento'?


a) Unidade 1: O que são os instrumentos internacionais de direitos humanos?; Unidade 2: Os direitos humanos dos migrantes; Unidade 3: Desafios na proteção dos direitos humanos dos migrantes; Unidade 4: O princípio da não devolução; Unidade 5: O direito de solicitar refúgio; Unidade 6: A proibição da expulsão coletiva
b) Unidade 1: Os migrantes na Constituição Federal de 1988; Unidade 2: A Lei de Migração; Unidade 3: A Lei de Refúgio; Unidade 4: Os apátridas na legislação brasileira; Unidade 5: O enfrentamento ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo; Unidade 6: A regularização migratória no Brasil; Unidade 7: Naturalização
c) Unidade 1: O conceito de vulnerabilidade; Unidade 2: Fatores individuais; Unidade 3: Fatores familiares; Unidade 4: Fatores comunitários; Unidade 5: Fatores estruturais; Unidade 6: O Modelo de Determinantes da Vulnerabilidade de Migrantes; Unidade 7: Na origem, em trânsito e no destino; Unidade 8: Vulnerabilidade à violência, exploração e abuso

O curso Direitos dos imigrantes e orientações para o atendimento foi desenvolvido em 2020 pela Enap, em parceria com Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), estando alinhado à competência da Enap de capacitação e de desenvolvimento de servidores para a ética e a cidadania, assim como à missão do MDHC. O curso poderá contribuir para que os direitos das pessoas migrantes, refugiadas e apátridas sejam efetivamente conhecidos e respeitados no Brasil, e para que agentes públicos estejam orientados a atender essas pessoas de forma humanitária, acolhedora, inclusiva e livre de qualquer discriminação; ampliando, desse modo, a equidade social e a cidadania.

O conteúdo foi estruturado em 6 módulos, a saber:

Módulo 1 – Introdução às migrações internacionais
Módulo 2 – Os migrantes no Direito internacional
Módulo 3 – Direitos dos imigrantes na legislação brasileira
Módulo 4 – Vulnerabilidades em contexto migratório
Módulo 5 – Atendimento a imigrantes
Módulo 6 - Direitos Específicos

O objetivo do curso é oferecer conhecimento sobre a questão migratória inter


Identificar quem são os migrantes internacionais.

O conceito de refugiado possui uma definição estabelecida no Direito Internacional para determinado conjunto de pessoas que precisam de proteção internacional. Especificamente, o conceito surgiu na Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados, conhecida como Convenção de 1951. É considerada refugiada a pessoa que, temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, se encontre fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país. Na América Latina, pela Convenção de Cartagena de 1984, e, no Brasil, pela Lei Nº 9.474, DE 22 DE JULHO DE 1997 (Lei de Refúgio), o termo também inclui pessoas que tenham fundado temor de retornar ao seu país devido a uma grave e generalizada violação de direitos humanos.


No entanto, de forma geral, quase todos os países do continente tiveram mais emigrantes do que imigrantes em 2020, isto é, em quase toda a América do Sul, o número de pessoas que foram viver fora de seus países de nacionalidade (emigrantes) é maior do que o número de pessoas de outras nacionalidades que vieram viver nesses países (imigrantes), como se pode ver no gráfico a seguir. No caso do Brasil, os brasileiros que emigraram em 2020 foi maior do que oss imigrantes que o país recebeu. Exceções a essa tendência são a Argentina e o Chile, que receberam mais imigrantes em 2020 do que os argentinos e chilenos que emigraram.


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Questões resolvidas

What are the units in Module 3 of the course 'Direitos Humanos, Direitos dos Imigrantes e Orientações para o Atendimento'?


a) Unidade 1: O que são os instrumentos internacionais de direitos humanos?; Unidade 2: Os direitos humanos dos migrantes; Unidade 3: Desafios na proteção dos direitos humanos dos migrantes; Unidade 4: O princípio da não devolução; Unidade 5: O direito de solicitar refúgio; Unidade 6: A proibição da expulsão coletiva
b) Unidade 1: Os migrantes na Constituição Federal de 1988; Unidade 2: A Lei de Migração; Unidade 3: A Lei de Refúgio; Unidade 4: Os apátridas na legislação brasileira; Unidade 5: O enfrentamento ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo; Unidade 6: A regularização migratória no Brasil; Unidade 7: Naturalização
c) Unidade 1: O conceito de vulnerabilidade; Unidade 2: Fatores individuais; Unidade 3: Fatores familiares; Unidade 4: Fatores comunitários; Unidade 5: Fatores estruturais; Unidade 6: O Modelo de Determinantes da Vulnerabilidade de Migrantes; Unidade 7: Na origem, em trânsito e no destino; Unidade 8: Vulnerabilidade à violência, exploração e abuso

O curso Direitos dos imigrantes e orientações para o atendimento foi desenvolvido em 2020 pela Enap, em parceria com Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), estando alinhado à competência da Enap de capacitação e de desenvolvimento de servidores para a ética e a cidadania, assim como à missão do MDHC. O curso poderá contribuir para que os direitos das pessoas migrantes, refugiadas e apátridas sejam efetivamente conhecidos e respeitados no Brasil, e para que agentes públicos estejam orientados a atender essas pessoas de forma humanitária, acolhedora, inclusiva e livre de qualquer discriminação; ampliando, desse modo, a equidade social e a cidadania.

O conteúdo foi estruturado em 6 módulos, a saber:

Módulo 1 – Introdução às migrações internacionais
Módulo 2 – Os migrantes no Direito internacional
Módulo 3 – Direitos dos imigrantes na legislação brasileira
Módulo 4 – Vulnerabilidades em contexto migratório
Módulo 5 – Atendimento a imigrantes
Módulo 6 - Direitos Específicos

O objetivo do curso é oferecer conhecimento sobre a questão migratória inter


Identificar quem são os migrantes internacionais.

O conceito de refugiado possui uma definição estabelecida no Direito Internacional para determinado conjunto de pessoas que precisam de proteção internacional. Especificamente, o conceito surgiu na Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados, conhecida como Convenção de 1951. É considerada refugiada a pessoa que, temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, se encontre fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país. Na América Latina, pela Convenção de Cartagena de 1984, e, no Brasil, pela Lei Nº 9.474, DE 22 DE JULHO DE 1997 (Lei de Refúgio), o termo também inclui pessoas que tenham fundado temor de retornar ao seu país devido a uma grave e generalizada violação de direitos humanos.


No entanto, de forma geral, quase todos os países do continente tiveram mais emigrantes do que imigrantes em 2020, isto é, em quase toda a América do Sul, o número de pessoas que foram viver fora de seus países de nacionalidade (emigrantes) é maior do que o número de pessoas de outras nacionalidades que vieram viver nesses países (imigrantes), como se pode ver no gráfico a seguir. No caso do Brasil, os brasileiros que emigraram em 2020 foi maior do que oss imigrantes que o país recebeu. Exceções a essa tendência são a Argentina e o Chile, que receberam mais imigrantes em 2020 do que os argentinos e chilenos que emigraram.


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Direitos Humanos
Direitos dos Imigrantes 
e Orientações para o 
Atendimento
Enap, 2023
Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Diretoria de Desenvolvimento Profissional
SAIS - Área 2-A - 70610-900 — Brasília, DF
Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Diretoria de Desenvolvimento Profissional
Conteudista/s 
Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania - MDHC (Conteudista, 2020).
Equipe revisora:
Clarissa Teixeira Araujo do Carmo (Coordenadora-Geral, 2023).
Carlos Alberto Ricardo Júnior (Coordenador, 2023).
Organização Internacional para as Migrações (2023).
Curso desenvolvido no âmbito da Diretoria de Desenvolvimento Profissional – DDPRO
3Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Sumário
Módulo 1 – Introdução às migrações internacionais 
Unidade 1: Quem são os migrantes internacionais? ........................................... 7
Unidade 2: Qual é a dimensão das migrações internacionais? ........................11
Unidade 3: A situação jurídica das pessoas migrantes .....................................15
Unidade 4: Onde encontrar dados sobre as migrações internacionais? .........17
Glossário .......................................................................................................................... 19
Referências ..................................................................................................................... 21
Módulo 2 – Os migrantes no direito internacional 22
Unidade 1: O que são os instrumentos internacionais de 
direitos humanos? ................................................................................................. 22
Unidade 2: Os direitos humanos dos migrantes ................................................ 24
Unidade 3: Desafios na proteção dos direitos humanos dos migrantes .........26
Unidade 4: O princípio da não devolução ........................................................... 27
Unidade 5: O direito de solicitar refúgio ............................................................. 31
Unidade 6: A proibição da expulsão coletiva ...................................................... 32
Glossário .......................................................................................................................... 34
Referências ...................................................................................................................... 35
Módulo 3 – Direitos dos imigrantes na legislação brasileira 36
Unidade 1: Os migrantes na Constituição Federal de 1988 ..............................37
Unidade 2: A Lei de Migração ............................................................................... 38
2.1 Princípios orientadores da Lei de Migração ................................................. 38
2.2 Garantias da Lei de Migração ......................................................................... 40
Unidade 3: A Lei de Refúgio .................................................................................. 45
Unidade 4: Os apátridas na legislação brasileira ............................................... 48
Unidade 5: O enfrentamento ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo ...50
Unidade 6: A regularização migratória no Brasil ............................................... 55
Unidade 7: Naturalização ..................................................................................... 64
Glossário .......................................................................................................................... 68
Referências ...................................................................................................................... 69
4Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Módulo 4 – Vulnerabilidades em contexto migratório
Unidade 1: O conceito de vulnerabilidade .......................................................... 71
Unidade 2: Fatores individuais ............................................................................. 74
Unidade 3: Fatores familiares .............................................................................. 75
Unidade 4: Fatores comunitários ......................................................................... 76
Unidade 5: Fatores estruturais ............................................................................ 77
Unidade 6: O Modelo de Determinantes da Vulnerabilidade de Migrantes ...78
Unidade 7: Na origem, em trânsito e no destino ............................................... 80
Unidade 8: Vulnerabilidade à violência, exploração e abuso ...........................82
8.1 Violência contra mulheres e meninas em contextos de mobilidade ........ 82
8.2 Exploração laboral ........................................................................................... 83
8.3 Tráfico de pessoas ........................................................................................... 84
Unidade 9: Proteção a migrantes em situação de vulnerabilidade .................86
Unidade 10: Princípios orientadores na assistência a imigrantes 
em situação de vulnerabilidade ........................................................................... 88
Glossário .......................................................................................................................... 90
Referências ..................................................................................................................... 91
Módulo 5 – Atendimento a imigrantes
Unidade 1: Documentação .................................................................................... 92
Unidade 2: Acesso à saúde .................................................................................... 98
Unidade 3: Assistência social e moradia ........................................................... 101
Unidade 4: Acesso à educação ............................................................................ 103
Unidade 5: Trabalho e renda .............................................................................. 107
Unidade 6: Assistência jurídica e acesso à justiça ...........................................109
Unidade 7: Reunião familiar e soluções duradouras .......................................113
Glossário ........................................................................................................................ 115
Referências .................................................................................................................... 116
Módulo 6 – Direitos específicos
Unidade 1: Introdução: Além do trabalhador migrante .................................117
Unidade 2: Migração e direitos da criança ........................................................ 118
Unidade 3: Migração e direitos das pessoas com deficiência .........................122
Unidade 4: Migração e direitos indígenas ......................................................... 123
Unidade 5: Migração e igualdade racial ............................................................ 125
Unidade 6: Migração e direitos das mulheres .................................................. 126
Unidade 7: Migração e direitos LGBTQIA+ ........................................................ 128
Unidade 8: Migrantes idosos .............................................................................. 129
Glossário ........................................................................................................................ 131
Referências .................................................................................................................... 133
5Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Olá!
O curso Direitos dos imigrantes e orientações para o atendimento foi 
desenvolvido em 2020 pela Enap, em parceria com Ministério dos Direitos Humanos 
e da Cidadania (MDHC), estando alinhado à competência da Enap de capacitação e 
de desenvolvimento de servidores para a ética e a cidadania, assim como à missão 
do MDHC. O curso poderá contribuir para que os direitos das pessoas migrantes, 
refugiadas eapátridas sejam efetivamente conhecidos e respeitados no Brasil, e 
para que agentes públicos estejam orientados a atender essas pessoas de forma 
humanitária, acolhedora, inclusiva e livre de qualquer discriminação; ampliando, 
desse modo, a equidade social e a cidadania.
O conteúdo foi estruturado em 6 módulos, a saber:
Módulo 1 – Introdução às migrações internacionais
Módulo 2 – Os migrantes no Direito internacional
Módulo 3 – Direitos dos imigrantes na legislação brasileira
Módulo 4 – Vulnerabilidades em contexto migratório
Módulo 5 – Atendimento a imigrantes
Módulo 6 - Direitos Específicos
O objetivo do curso é oferecer conhecimento sobre a questão migratória 
internacional contemporânea, com destaque para o fluxo migratório direcionado 
ao Brasil, conforme os princípios e os instrumentos normativos internacionais e 
nacionais para a promoção, proteção e garantia de direitos humanos de pessoas 
migrantes, refugiadas e apátridas. 
Direitos autorais:
As informações e opiniões emitidas nesta publicação são de exclusiva e inteira 
responsabilidade do(s) autor(es), não exprimindo, necessariamente, o ponto de 
vista da Escola Nacional de Administração Pública (Enap). É permitida a reprodução 
deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte. Reproduções para 
fins comerciais são proibidas.
Desejamos a você um ótimo curso!
6Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
 Módulo
1 Introdução às migrações internacionais 
A migração abarca uma grande variedade de situações. Os contextos de migração 
e deslocamento forçado podem ser traumáticos, tanto pelas condições no país de 
origem que levam à migração (guerras, conflitos, desastres naturais, perseguição)) 
quanto pelas condições da travessia que podem ser difíceis e inseguras, com riscos 
de violência, exploração e abuso. Situações traumáticas dão-se, também por eventos 
ocorridos na chegada ao país de destino, incluindo o medo de deportação ou de 
impedimento à entrada no país, a falta de meios de subsistência, adiscriminação e 
a xenofobia.
Como aponta Cançado Trindade: 
Os testemunhos dos migrantes falam de sofrimentos 
no abandono das suas casas, por vezes com separação 
ou desagregação das famílias, perda de propriedade 
ou bens pessoais, arbitrariedade e humilhações 
de parte de autoridades de fronteira ou forças de 
segurança, gerando um sentimento permanente de 
injustiça.
É importante também ter em mente que, apesar das dificuldades que podem 
caracterizar os processos migratórios, estes também têm um imenso potencial para 
beneficiar tanto os migrantes quanto às sociedades de acolhida e de origem. Nesse 
sentido, o desenvolvimento de capacidades para a acolhida de migrantes contribui 
para promover esse potencial.
Assim, é preciso fortalecer as capacidades no atendimento a migrantes de maneira 
a promover a migração segura, ordenada e digna, que beneficie a todos (migrantes, 
comunidades de acolhida e comunidades de origem). 
Para você começar a se familiarizar com o assunto, sugerimos que 
escute os episódios do podcast “Rádio Orinoco”, que exploram 
os diálogos interculturais entre pessoas do Brasil e da Venezuela 
que vivem em Roraima. 
https://open.spotify.com/episode/6XEDH0zqiIqZWyRkHacupS
7Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 1: Quem são os migrantes 
internacionais?
Identificar quem são os migrantes internacionais.
Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), migrante é um termo 
guarda-chuva, sem definição específica no âmbito do Direito Internacional, que 
reflete o entendimento comum de uma pessoa que se move do seu local habitual de 
residência, dentro de um país ou por fronteiras internacionais, de forma temporária 
ou permanente, por uma variedade de razões. 
O termo inclui grupos bem definidos de pessoas, como trabalhadores 
migrantes(pessoas cuja situação jurídica é claramente definida), vítimas do tráfico 
de pessoas e migrantes contrabandeados, assim como aqueles cuja situação ou 
tipo de movimento não está especificamente definido no Direito Internacional, tais 
como estudantes internacionais.
Assim, segundo essa definição, um migrante é qualquer pessoa que está se 
movimentando ou já se movimentou por uma fronteira internacional ou dentro de 
um Estado, saindo do seu lugar habitual de residência, independentemente: 
• Da situação jurídica da pessoa;
• Se o deslocamento foi voluntário ou involuntário;
• De quais foram os motivos para esse deslocamento;
• Da duração da sua estadia. 
Isso deixa em evidência a grande diversidade de situações que as migrações 
representam.
Eu sou migrante, mas ninguém espera que eu arrisque 
minha vida num barco avariado ou a cruzar um 
deserto num caminhão para encontrar trabalho fora 
do meu país. A migração segura não pode limitar-se à 
elite global. — António Guterres, secretário-geral da 
ONU.
8Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
A migração pode ocorrer dentro das fronteiras de um país ou através de fronteiras. 
Nesse último caso, trata-se de migrações internacionais. Essas migrações abarcam 
uma enorme quantidade de situações, desde trabalhadores que mudam de país 
por motivos laborais, estudantes de intercâmbio, pessoas que precisam migrar para 
fugir da fome ou de contextos de violência e conflito, diásporas, etc.
As motivações são diversas e, na maioria das vezes, a migração responde a 
vários motivos interconectados. Esses deslocamentos podem ser voluntários ou 
involuntários, ou ainda uma mistura complexa entre ambas as situações.
Migrantes venezuelanos esperam transporte para embarcar em voo da estratégia de 
interiorização do governo federal, em Boa Vista - RR. Créditos: Cláudia Giovannetti.
O conceito de refugiado possui uma definição estabelecida no Direito Internacional 
para determinado conjunto de pessoas que precisam de proteção internacional. 
Especificamente, o conceito surgiu na Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados, 
conhecida como Convenção de 1951.
É considerada refugiada a pessoa que, temendo ser perseguida por motivos de raça, 
religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, se encontre fora do país 
de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se 
da proteção desse país. Na América Latina, pela Convenção de Cartagena de 1984, 
e, no Brasil, pela Lei Nº 9.474, DE 22 DE JULHO DE 1997 (Lei de Refúgio), o termo 
também inclui pessoas que tenham fundado temor de retornar ao seu país devido 
a uma grave e generalizada violação de direitos humanos.
9Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
A Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos 
Refugiados foi formalmente adotada em 28 de julho de 1951 para 
resolver a situação dos refugiados na Europa após a Segunda 
Guerra Mundial. Esse tratado global define quem vem a ser um 
refugiado e esclarece os direitos e deveres entre os refugiados e 
os países que os acolhem.
https://www.acnur.org/portugues/convencao-de-1951/
Apátridas são pessoas que não são consideradas nacionais por nenhum Estado, 
segundo a sua legislação, ou seja, são pessoas sem nacionalidade específica l. 
Pessoas apátridas não são necessariamente migrantes. Essas pessoas podem 
ter nascido em situação de apatridia e permanecido nessa situação, mesmo sem 
ter se movimentado. No entanto, muitas vezes as situações de apatridia estão 
relacionadas à migração, por exemplo, quando filhos de migrantes não são 
reconhecidos nem pelo país que confere nacionalidade aos seus pais, nem pelo 
país em que nasceram. A apatridia pode resultar em situações de vulnerabilidade 
e em obstáculos significativos ao acesso a direitos. Por esses motivos, vários países 
no mundo, inclusive o Brasil, comprometeram-se a tomar medidas para eliminá-la.
Por vezes, pessoas que se veem obrigadas a abandonar o seu local de origem ou 
de residência, porque temem pelas suas vidas, não chegam a cruzar uma fronteira 
internacional. Os motivos para esse tipo de deslocamento podem ser diversos,como é o caso de conflitos armados, situações de violência generalizada, violações 
de direitos humanos, desastres naturais ou provocados por ação humana, entre 
outros.Migrantes nessas situações são considerados pessoas em situação de 
deslocamento interno – elas não são migrantes internacionais, mas, em muitos 
casos, uma situação de deslocamento interno pode estar relacionada a uma situação 
de deslocamento internacional.
Por fim, o conceito de diáspora refere-se a migrantes ou descendentes de migrantes 
cuja identidade e sentido de pertencimento, de forma real ou simbólica, foram 
marcadas pela sua experiência e histórico de migração. Eles mantêm vínculos com 
seus lugares de origem e entre si, com base em um sentimento de ter uma história 
compartilhada, identidadeou experiências compartilhadas no local de destino.
Assista ao vídeo “Rostos familiares, lugares inesperados: uma diáspora africana 
global” para saber mais sobre a temática. 
https://www.acnur.org/portugues/convencao-de-1951/
https://www.youtube.com/watch?v=g1BceeLjIRo
https://www.youtube.com/watch?v=g1BceeLjIRo
10Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Vídeo 1 – “Rostos familiares, lugares inesperados: uma diáspora 
africana global” 
Duração: 31:52 
Fonte: ONU Brasil - Documentário da cineasta e antropóloga cultural Dra. 
Sheila S. Walker que conta como centenas de milhares de africanos foram 
arrancados de sua terra natal durante anos ao longo da escravidão. 
https://www.youtube.com/watch?v=g1BceeLjIRo
https://www.youtube.com/watch?v=g1BceeLjIRo
11Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 2: Qual é a dimensão das migrações 
internacionais?
Indicar a dimensão das migrações internacionais.
Antes dos impactos causados pela pandemia da COVID-19 nos fluxos migratórios, 
o número de migrantes internacionais vinha crescendo de forma consistente nas 
duas últimas décadas. Em 2020, segundo os dados do Departamento de Assuntos 
Econômicos e Sociais das Nações Unidas, os migrantes internacionais somavam cerca 
de 281 milhões de pessoas. Esse número equivale a 3,6% da população mundial. Se 
o conjunto de migrantes internacionais fosse a população de um país, este seria o 
quinto mais populoso do mundo. Desses migrantes, estima-se que 264,4 milhões 
são refugiados e 4,1 milhões são solicitantes de refúgio. Calcula-se que cerca de 
89,4 milhões de pessoas estão em situação de deslocamento forçado, interno ou 
internacional. 
De acordo com o Relatório Global sobre Deslocamentos Internos de 2023, no ano de 
2022 verificaram-se cerca de 32,6 milhões de deslocamentos internos relacionados 
a desastres, sendo a maioria relacionados a fenômenos meteorológicos, tais 
como enchentes (19,2 milhões de deslocamentos) e tempestades (9,9 milhões de 
deslocamentos). Os deslocamentos relacionados a desastres, em 2022, foram 41% 
superiores à média anual dos últimos 10 anos. 
O impacto econômico positivo das migrações também é considerável. As remessas – 
o dinheiro enviado pelos migrantes às suas famílias e comunidades no país de origem 
– estão estimadas em cerca de 702 bilhões de dólares apenas no ano de 2020. 
No mesmo ano, segundo o World Migration Report (2022), o Brasil foi o país que 
mais enviou remessas na América Latina e Caribe, com 1,6 bilhões de dólares Para 
alguns países, as remessas recebidas têm um impacto ainda maior no PIB e na vida 
das comunidades.
A América do Sul acolhe mais de 10,9 milhões de migrantes internacionais, que 
compõem cerca de 2,5% da população do continente. O gráfico a seguir representa 
como estão distribuídos esses migrantes pelos diferentes países. Assim, vê-se que a 
Argentina (2,28 milhões é o principal local de residência dos migrantes internacionais 
que vivem na região, seguida pela Colômbia (1, 91 milhões) e Chile (1,65 milhões). O 
Brasil aparece em 6º lugar, depois do Peru (1,22 milhões), com cerca de 1,08 milhões 
de migrantes internacionais.
12Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Gráfico sobre migrantes internacionais na América Latina. Fonte: Elaboração 
própria com dados da UN-DESA: Divisão de População das Nações Unidas, 
Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais, 2021.
No entanto, de forma geral, quase todos os países do continente tiveram mais 
emigrantes do que imigrantes em 2020, isto é, em quase toda a América do 
Sul, o número de pessoas que foram viver fora de seus países de nacionalidade 
(emigrantes) é maior do que o número de pessoas de outras nacionalidades que 
vieram viver nesses países (imigrantes), como se pode ver no gráfico a seguir. 
No caso do Brasil, os brasileiros que emigraram em 2020 foi maior do que oss 
imigrantes que o país recebeu. Exceções a essa tendência são a Argentina e o Chile, 
que receberam mais imigrantes em 2020 do que os argentinos e chilenos que 
emigraram.
13Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
20 principais países de migração na América Latina. Fonte: OIM (2019). "World Migration Report 
2020". https://publications.iom.int/system/files/pdf/wmr_2020.pdf. Acesso em: 9 nov. 2020.
As tendências de deslocamentos internos na região provocados por desastres 
e conflitos são também expressivas na região. Enquanto El Salvador e Colômbia 
tiveram, em 2020, centenas de milhares de pessoas forçosamente deslocadas de seus 
locais de residência por conflitos, na maioria dos demais países, os deslocamentos 
forçados deram-se principalmente por consequência de desastres. 
O Brasil foi o 3º país com mais pessoas afetadas por deslocamentos forçados devido 
a desastres naturais em 2020, quando cerca de 358 mil pessoas foram obrigadas a 
abandonar seus locais habituais de residência por essa razão.
https://publications.iom.int/system/files/pdf/wmr_2020.pdf
14Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Deslocamentos internos por desastres e conflitos na América Latina. OIM (2019). "World Migration 
Report 2020". https://publications.iom.int/system/files/pdf/wmr_2020.pdf. Acesso: 9 nov. 2020.
Agora, assista ao vídeo: "Crise do Clima: Panamá", para saber mais:
Vídeo 2 – "Crise do Clima: Panamá". 
Duração: 05:50 
Fonte: TV Folha - “Como as mudanças climáticas estão forçando indígenas a 
abandonarem suas ilhas.” 22 abr. 2018.
https://publications.iom.int/system/files/pdf/wmr_2020.pdf
https://www.youtube.com/watch?v=NR0yj4iVub4&list=PLEU7Upkdqe7E93XqZVZSMfGjEuuP68pdh&index=1
https://www.youtube.com/watch?v=NR0yj4iVub4&list=PLEU7Upkdqe7E93XqZVZSMfGjEuuP68pdh&index=1
15Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 3: A situação jurídica das pessoas 
migrantes
Reconhecer a situação jurídica das pessoas migrantes.
Ao longo do processo migratório, a situação jurídica da pessoa pode ser alterada. 
Ela pode, por exemplo, chegar ao país com um visto de turista e depois pedir uma 
autorização de residência, ou começar um processo de naturalização no seu país de 
destino. Naturalização é o processo pelo qual uma pessoa migrante internacional 
solicita a nacionalidade do país de residência. 
Por vezes, os migrantes permanecem durante algum período (ou mesmo durante 
toda a sua estadia) sem ter uma autorização formal para residir ou trabalhar no 
país. A situação jurídica é um aspecto importantíssimo da experiência das pessoas 
migrantes, uma vez que pode impactar o acesso a direitos, a serviços e à cidadania 
no país de residência.
No entanto, é importante saber que as pessoas migrantes têm direitos inalienáveis, 
que são independentes da sua situação jurídica. O conjunto de instrumentos de 
direitos humanos que abordaremos no Módulo 2 protege a todas as pessoas sem 
discriminação alguma, o que significa que nenhuma pessoa pode ser discriminada 
por causa da sua nacionalidade ou de sua situação migratória.
No Brasil, as pessoas migrantes têm também garantidos os seus direitos pela 
Constituição Federal de 1988, pela Lei de Migração, entre outras referências. O Módulo 
3 apresentará esses direitos, além de abordar as principais formas de regularizaçãomigratória no Brasil. Por fim, alguns migrantes têm também direitos específicos, a 
exemplo das crianças migrantes. Abordaremos esse tema no Módulo 6.
E os migrantes ilegais?
A expressão "migrantes ilegais" disseminou-se ao longo dos últimos 
anos, fazendo uma referência difusa a pessoas que, presumidamente, 
não têm autorização para estar em um determinado país. A expressão 
passou a estar associada a uma forte carga negativa, gerando um 
estigma, e, por vezes, é inclusive entendida como uma situação 
16Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
inalterável. Apesar da sua ampla disseminação, a expressão é 
incorreta: nenhuma pessoa pode ter a sua existência declarada 
ilegal. Assim, a forma correta de referir-se à situação da pessoa 
migrante no país onde se encontra é situação administrativa 
regular ou irregular.
Migrantes em situação irregular podem estar em uma ou mais das seguintes 
situações. Em muitos casos, os migrantes internacionais transitam entre situações 
administrativas regulares ou irregulares, por exemplo devido a mudanças na sua 
situação pessoal, na legislação do país de acolhida, na situação do país de origem, 
por força de tratados bilaterais entre ambos os países, entre vários outros motivos.
Assista aos dois vídeos a seguir: “Histórias de Venezuelanos no Brasil - 1” e “Histórias 
de Venezuelanos no Brasil - 2”. 
Vídeo 3 – “Histórias de Venezuelanos no Brasil - 1”.
Duração: 01:50. 
Fonte: OIM, 16 out. 2019.
Vídeo 4 – “Histórias de Venezuelanos no Brasil - 2”.
Duração: 01:55. 
Fonte: OIM, 16 out. 2019.
https://www.youtube.com/watch?v=9ZHhxFOArus&feature=emb_logo
https://www.youtube.com/watch?v=vfKHZ02y_0w&feature=emb_logo
https://www.youtube.com/watch?v=vfKHZ02y_0w&feature=emb_logo
https://www.youtube.com/watch?v=9ZHhxFOArus&feature=emb_logo
https://www.youtube.com/watch?v=vfKHZ02y_0w&feature=emb_logo
17Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 4: Onde encontrar dados sobre as 
migrações internacionais?
Identificar dados sobre as migrações internacionais.
Caso você queira pesquisar mais sobre migrações internacionais, há várias fontes 
de dados que podem ser consultadas. A seguir, você encontra alguns lugares por 
onde começar.
No Brasil, os dados sobre migrantes internacionais são compilados pela Polícia 
Federal e trabalhados pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) da 
Universidade de Brasília (UnB). O OBMigra, que é fruto de uma parceria entre a UnB 
e o governo federal, lança, todos os anos, um relatório com os dados atualizados 
sobre migrações internacionais no Brasil.
Como agência líder no tema das migrações, a Organização Internacional para as 
Migrações publica vários dados e resultados de pesquisas sobre migrações. A 
OIM consolida informações de várias fontes diferentes no Portal de Dados sobre 
Migrações. 
Nos países em que essa organização atua, são aplicadas também as Pesquisas de 
Monitoramento de Deslocamentos (DTM). A OIM é a única organização a consolidar 
e monitorar os dados de migrantes desaparecidos durante o trajeto migratório 
por meio do Projeto”Migrantes Desaparecidos” (Missing Migrants Project). Também 
produz, junto a diversos parceiros, dados sobre tráfico de pessoas. A organização 
conta ainda com uma biblioteca virtual de livre acesso.
A nível internacional, a Organização das Nações Unidas (ONU) publica diversos 
dados sobre migrações. A principal referência são os dados da Divisão de População, 
do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (UN-DESA), que consolida as 
informações nacionais fornecidas por todos os Estados-membros da ONU. Os dados 
podem ser acessados livremente.
Outras agências das Nações Unidas produzem dados e estudos sobre temas 
relacionados à migração. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados 
(ACNUR) monitora e consolida os dados sobre refugiados, solicitantes de refúgio, 
pessoas em situação de deslocamento interno e apátridas, incluindo informações 
sobre os seus trajetos. 
https://portaldeimigracao.mj.gov.br/pt/publicacoes-obmigra/publicacoes-do-obmigra
https://migrationdataportal.org/
https://migrationdataportal.org/
https://missingmigrants.iom.int/
https://www.iom.int/counter-trafficking
https://publications.iom.int/
https://www.un.org/en/development/desa/population/migration/data/estimates2/estimates19.asp
https://www.un.org/en/development/desa/population/migration/data/estimates2/estimates19.asp
https://www.un.org/en/development/desa/population/migration/data/estimates2/estimates19.asp
https://www.unhcr.org/figures-at-a-glance.html
18Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) publica pesquisas e dados 
sobre crianças migrantes, destacando-se o relatório A Child is a Child, de 2017. A 
Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) 
dedicou o seu relatório anual de 2018 aos desafios para a educação de crianças e 
adultos migrantes e refugiados.
Para encontrar os dados mencionados acima clique nos links das 
referidas instituições:
1. Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra):
• https://portaldeimigracao.mj.gov.br/pt/dados/1715-
obmigra
2. Organização Internacional para as Migrações (OIM):
• https://brazil.iom.int/pt-br/dados-e-informacoes
3. Divisão de População, Departamento de Assuntos 
Econômicos e Sociais da ONU (UN-DESA):
• https://news.un.org/pt/tags/desa
4. Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados 
(ACNUR):
• https://www.acnur.org/portugues/publicacoes/
5. Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF):
• https://www.unicef.org/brazil/painel-de-dados
https://www.unicef.org/publications/index_95956.html
https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000265996_por
https://portaldeimigracao.mj.gov.br/pt/dados/1715-obmigra
https://portaldeimigracao.mj.gov.br/pt/dados/1715-obmigra
https://brazil.iom.int/pt-br/dados-e-informacoes
https://www.un.org/en/development/desa/population/migration/data/estimates2/estimates19.asp
https://www.un.org/en/development/desa/population/migration/data/estimates2/estimates19.asp
https://news.un.org/pt/tags/desa
https://www.unhcr.org/figures-at-a-glance.html
https://www.acnur.org/portugues/publicacoes/
https://www.unicef.org/brazil/painel-de-dados
19Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Glossário
Verbete Palavra associada Definição/Significado
Migrante Migração
Um termo guarda-chuva, sem definição 
no âmbito do Direito Internacional, que 
reflete o entendimento comum de uma 
pessoa que se move do seu local habitual 
de residência, seja dentro de um país 
ou através de fronteiras internacionais, 
de forma temporária ou permanente, 
por uma variedade de razões. 
O termo inclui um número de categorias 
bem definidas de pessoas, tais como 
trabalhadores migrantes, pessoas cujos 
tipos particulares de movimento são 
legalmente definidos, tais como migrantes 
que cruzaram fronteiras por intermédio 
do contrabando de migrantes, assim 
como aqueles cuja situação ou tipo de 
movimento não estão especificamente 
definidos no Direito Internacional, tais 
como estudantes internacionais.
Refugiado/a
Uma pessoa que se encontra fora 
do seu país de origem e que:
Temendo ser perseguida por motivos de 
raça, religião, nacionalidade, grupo social 
ou opiniões políticas, se encontra fora 
do país de sua nacionalidade e que não 
pode ou, em virtude desse temor, não 
quer valer-se da proteção desse país.
 Não tem nacionalidade e se encontra 
fora do país no qual tinha a sua residência 
habitual, não pode ou, devido ao 
referido temor, não quer voltar a ele. 
Devido à grave e generalizada violação 
de direitos humanos é obrigada a 
deixar o seu país de nacionalidade, 
para buscar refúgio em outro país.
20Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Verbete Palavra associada Definição/Significado
Diáspora
Migrantes ou descendentes de migrantes 
cuja identidade e sentido de pertencimento, 
real ou simbólico, foram marcados pela 
sua experiência migratória ehistória. 
Essas pessoas mantêm vínculos com 
seu lugar de origem e entre membros 
da diáspora, com base em um sentido 
compartilhado da história, identidade ou 
experiências mútuas no país de destino.
Apátrida
Uma pessoa que não é considerada 
sua nacional por nenhum Estado, 
conforme a sua legislação.
Emigrante
Uma pessoa que se move do seu país de 
nacionalidade ou residência habitual para 
outro país, o qual se torna efetivamente 
o seu novo país de residência habitual.
21Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Referências 
UNHCR - The UN Refugee Agency. Figures at a Glance 2019.. Disponível em: http://
www.unhcr.org/figures-at-a-glance.html. Acesso em: 9 nov. 2020.
TRINDADE, C. A. A. Uprootedness and the protection of migrants in the International 
Law of Human Rights. Revista Brasileira de Política Internacional, Brasília, v. 
51, n. 1, 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-73292008000100008. 
Acesso em: 9 nov. 2020.
IOM. International Organization for Migration. Glossary on Migration, n. 34. 
Genebra, 2019.
IOM. International Organization for Migration. World Migration Report 2020. 
Genebra, 2019. Disponível em: https://publications.iom.int/system/files/pdf/
wmr_2020.pdf. Acesso em: 9 nov. 2020.
IOM. International Organization for Migration. World Migration Report 2020 
Interactive page. Genebra, 2019. Disponível em: https://worldmigrationreport.iom.
int/wmr-2022-interactive/ Acesso em:5 jun 2023.
UN DESA. United Nations Department of Economic and Social Affairs. International 
Migration 2020. Department of Economic and Social Affairs, 2019. Disponível em: 
https://www.un.org/development/desa/pd/sites/www.un.org.development.desa.
pd/files/undesa_pd_2020_international_migration_highlights.pdf. Acesso em 28 
mai. 2023. 
MCAULIFFE, M. e TRIANDAFYLLIDOU, A. (eds.). World Migration Report 2022. 
International Organization for Migration (IOM), Genebra, 2021. Disponível em: 
https://publications.iom.int/books/world-migration-report-2022 . Acesso em: 05 jun. 
2023. 
DMC. International Displacement Monitoring Centre. 2023 Global Report on 
Internal Displacement. Disponível em: https://www.internal-displacement.org/
publications/2023-global-report-on-internal-displacement. Acesso em: 28 mai. 
2023. 
UNHCR. United Nations High Commissioner for Refugees. Convention and Protocol 
Relating to the Status of Refugees, 1951. Disponível em: http://www.unhcr.
org/3b66c2aa10. Acesso em: 09 nov. 2020.
VIDAL, E. M.; TJADEN, J. D. Global Migration Indicators. IOM ‘s Global Migration Data 
Analysis Centre: Berlim, 2018. Disponível em: https://publications.iom.int/system/
http://www.unhcr.org/figures-at-a-glance.html
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https://doi.org/10.1590/S0034-73292008000100008
https://publications.iom.int/system/files/pdf/wmr_2020.pdf
https://publications.iom.int/system/files/pdf/wmr_2020.pdf
https://worldmigrationreport.iom.int/wmr-2022-interactive/
https://worldmigrationreport.iom.int/wmr-2022-interactive/
https://publications.iom.int/books/world-migration-report-2022
https://www.internal-displacement.org/publications/2023-global-report-on-internal-displacement
https://www.internal-displacement.org/publications/2023-global-report-on-internal-displacement
http://www.unhcr.org/3b66c2aa10
http://www.unhcr.org/3b66c2aa10
https://publications.iom.int/system/files/pdf/global_migration_indicators_2018.pdf
22Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
files/pdf/global_migration_indicators_2018.pdf. Acesso em: 09 nov. 2020.
Os migrantes no direito 
internacional
Neste módulo, serão apresentados alguns dos principais instrumentos de direitos 
humanos e conceitos importantes para a garantia dos direitos dos migrantes, como 
o princípio da não devolução, o direito a pedir refúgio e a proibição das expulsões 
coletivas. Esses instrumentos e conceitos são fruto de um desenvolvimento do 
Direito Internacional de Direitos Humanos que tem ao menos sete décadas. 
O Brasil foi parte ativa na construção desse marco internacional de direitos 
humanos e, ao longo dos anos, os legisladores no país incorporaram vários 
desses desenvolvimentos no direito doméstico brasileiro. A Lei de Migração (Lei 
nº 13.445/2017), por exemplo, internaliza vários importantes conceitos do Direito 
Internacional dos Direitos Humanos e do Direito Internacional dos Refugiados. 
Unidade 1: O que são os instrumentos 
internacionais de direitos humanos?
Identificar os instrumentos internacionais de direitos humanos.
Antes de entrarmos no tema dos direitos dos migrantes, é importante entender o 
que são os instrumentos internacionais de direitos humanos e como eles funcionam. 
Os instrumentos internacionais de direitos humanos são o marco normativo que 
orienta a atuação dos países em termos de direitos humanos.
Eles são fruto da cooperação dos Estados para a construção conjunta de normas, 
às quais os países aderem de forma voluntária. Assim, surgem do diálogo, das 
negociações e da cooperação entre os países, que escolhem se comprometer com 
os acordos alcançados.
A participação dos Estados nos diversos instrumentos internacionais de direitos 
humanos resulta em um compromisso assumido frente aos seus próprios cidadãos, 
 Módulo
2
https://publications.iom.int/system/files/pdf/global_migration_indicators_2018.pdf
23Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
às pessoas sob sua jurisdição e à comunidade internacional. Em geral, esses 
instrumentos são acordos formais que geram obrigações para os países que aderem 
a eles (MAZZUOLI, 2015). O direito internacional dos direitos humanos inspirou as 
constituições e a construção democrática em muitos Estados nas últimas décadas, 
inclusive no Brasil e na América Latina (TRINDADE, 1996).
No caso brasileiro, a Emenda Constitucional nº 45, de 30 de 
dezembro de 2004, reforça esse compromisso ao estabelecer que 
tratados e convenções internacionais de direitos humanos aos 
quais o país tenha aderido passam a ser equivalentes às emendas 
constitucionais, quando aprovados por maioria qualificada no 
Congresso Nacional. Outras leis brasileiras incorporam princípios 
do Direito Internacional e mencionam a adesão aos direitos 
previstos nos instrumentos internacionais de direitos humanos.
Além dos instrumentos internacionais, o direito internacional consuetudinário 
(também referido como “costume internacional") cria obrigações para os Estados, 
na medida em que representam normas que são de prática geral e consistente por 
parte dos mesmos. Ou seja, práticas comuns que são aceitas e estabelecidas de tal 
maneira que são consideradas obrigações legais
Para que um costume possa ser considerado como tal é 
preciso que se verifiquem dois elementos: a prática reiterada e 
consistente pelos Estados, e a aceitação da prática pelos Estados. 
Esse conjunto de fatores cria a obrigação do país de obedecer a 
determinado costume, que pode ser regional ou internacional.
Os instrumentos internacionais de direitos humanos estabelecem que os direitos 
humanos são inerentes a todos os seres humanos, independentemente de gênero, 
etnia, idioma, nacionalidade, situação migratória ou qualquer outra condição. A 
seguir, estudaremos alguns instrumentos internacionais de direitos humanos e sua 
relação com a migração.
24Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 2: Os direitos humanos dos migrantes
Reconhecer os direitos humanos dos migrantes.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos é o mais importante dos instrumentos 
de direitos humanos. Ela estabelece, no artigo 1º, que todos os seres humanos 
nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Conheça um pouco mais 
sobre os direitos garantidos na Declaração no vídeo: 
Vídeo 5 – “Há 70 anos: adotada a Declaração Universal dos Direitos 
Humanos”. 
Duração: 06:03 
Fonte: ONU Brasil (2018). 
O artigo 2º esclarece que a Declaração protege a todas as pessoas sem distinção 
alguma de origem nacional; incluindo, portanto, a situação migratória.O mesmo 
artigo explicita que nenhuma distinção pode basear-seno status político, jurídico ou 
internacional do país ou território de naturalidade da pessoa em questão.
Art. 1º. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em 
direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros 
em espírito de fraternidade.
Art. 2º. Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades 
proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente 
de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de 
origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra 
situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto 
político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da 
pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autônomo ou sujeito 
a alguma limitação de soberania.
Art. 3º. Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. 
https://www.ohchr.org/EN/UDHR/Pages/Language.aspx?LangID=por
https://www.youtube.com/watch?v=SJy1M4iYiMo
https://www.youtube.com/watch?v=SJy1M4iYiMo
25Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
As obrigações dos Estados não se limitam a seus cidadãos, abarcando todas as 
pessoas sob a sua jurisdição, ou seja, os países têm obrigações de proteger os direitos 
humanos em relação aos seus nacionais e a qualquer pessoa que esteja em seu 
território. Também não dependem da situação administrativa da pessoa migrante, 
pois mesmo que ela não esteja em posse de uma autorização de residência, um 
visto ou qualquer outra forma de regularização da sua situação no país, seus direitos 
humanos devem ser garantidos.
Nas Américas, essa situação foi reafirmada na Convenção Americana de Direitos 
Humanos, também conhecida como Pacto de San José da Costa Rica, de 1969. No 
seu preâmbulo, a Convenção explicita que "os direitos essenciais da pessoa humana 
não derivam do fato de ser ela nacional de determinado Estado, mas sim do fato de 
ter como fundamento os atributos da pessoa humana". 
Decreto Nº 678, de 6 de novembro de 1992, que promulga a 
Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São 
José da Costa Rica), de 22 de novembro de 1969.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d0678.htm
http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/sanjose.htm
http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/sanjose.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d0678.htm
26Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 3: Desafios na proteção dos direitos 
humanos dos migrantes
Indicar os desafios na proteção dos direitos humanos dos 
migrantes.
Ainda existem muitos desafios para a plena garantia dos direitos humanos das 
pessoas migrantes ao longo de todo o ciclo migratório. Por exemplo, migrantes em 
situação administrativa irregular podem estar mais vulneráveis à discriminação, à 
exploração e ao abuso. As violações dos direitos humanos dos migrantes por vezes 
incluem situações de detenção arbitrária ou garantias insuficientes de acesso ao 
devido processo legal.
Agora, assista ao vídeo em que homens com diferentes histórias e origens se 
amontoam em pequenos grupos à espera de um sinal, entre matas e plantações no 
norte da Sérvia:
Vídeo 6 – "Especial Um Mundo de Muros – Sérvia e Hungria". 
Duração: 11:45 
Fonte: TV Folha (2017).
Além de os direitos humanos serem garantias inerentes a todas as pessoas, existem 
algumas obrigações dos Estados que são específicas à proteção dos não nacionais. 
Entre elas, destacam-se a obrigação de não devolução (também conhecida como 
non-refoulement), o direito a solicitar refúgio e a proibição da expulsão coletiva de 
migrantes.
https://www.youtube.com/watch?v=lt_nt4UUmbM
27Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 4: O princípio da não devolução
Conceituar o princípio da não devolução
O princípio da não devolução (non-refoulement) foi descrito pela primeira vez na 
Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951 e, ao longo do tempo, passou 
a ser incorporado em outros instrumentos internacionais de direitos humanos. Hoje 
em dia, a obrigação de não devolução é considerada uma norma peremptória (jus 
cogens) tanto em nível regional quanto internacional, criando,portanto, obrigações 
a todos os Estados.
Em sua redação original, o princípio da não devolução se referia especificamente a 
refugiados e foi definido da seguinte maneira:
“Nenhum Estado-parte pode expulsar ou devolver (‘refouler') um 
refugiado de qualquer maneira para as fronteiras de territórios 
onde a sua vida ou liberdade possa estar ameaçada devido 
à sua raça, nacionalidade, participação em um grupo social 
específico ou opinião política" (Convenção Relativa ao Estatuto 
dos Refugiados, Artigo 33).
Apesar de o princípio da não devolução surgir originalmente como uma proteção 
aos refugiados, com o desenvolvimento do Direito Internacional, esse princípio 
passa a constituir-se uma obrigação dos Estados com respeito a todos os não 
nacionais. Segundo a OIM (2014), isso ocorre porque o princípio da não devolução é 
considerado essencial para a proteção dos direitos humanos, em especial:
 + Direito à vida
O princípio da não devolução impede um Estado de devolver qualquer 
pessoa a um país onde o seu direito à vida possa estar ameaçado por 
situações como a imposição da pena de morte ou o risco de execuções 
extrajudiciais. 
A proteção do direito à vida também tem uma vinculação especial 
com questões de saúde, em especial quando uma pessoa precisa de 
tratamento de saúde o qual ela não poderá acessar caso seja retornada 
para outro país.
Segundo a Corte Interamericana de Direitos Humanos, "a expulsão ou 
devolução de uma pessoa poderia considerar-se violatória das obrigações 
28Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
internacionais, dependendo das circunstâncias concretas da pessoa em 
particular, nos casos em que essa medida leve à afetação ou deterioro 
grave da saúde da mesma, ou inclusive possa resultar na sua morte". 
 + Direito à proteção contra a tortura e o tratamento cruel, desumano e 
degradante
A proibição da tortura e do tratamento cruel, desumano e degradante é 
garantida em muitos instrumentos internacionais e regionais de direitos 
humanos. Essa proibição é absoluta, ou seja, não admite nenhuma 
exceção. Por isso, a devolução de qualquer pessoa a um país onde ela 
possa estar sujeita à tortura ou a qualquer tipo de tratamento desumano 
e degradante também é absolutamente proibida.
Assim como ocorre com o direito à vida, o direito à proteção contra o 
tratamento cruel, desumano e degradante tem uma vinculação especial 
com questões de saúde. Dessa maneira, uma pessoa com condições 
graves de saúde não pode ser retornada a um país onde a falta de acesso 
a um tratamento de saúde do qual necessita implique na sua exposição 
a uma situação cruel, desumana ou degradante.
 + Proteção contra a escravidão e o trabalho forçado
A proteção contra a escravidão e o trabalho forçado também pode ser 
acionada para justificar a aplicação do princípio de não devolução, mas 
é comum que esses casos também possam ser contemplados pela 
proteção contra o tratamento cruel, desumano e degradante. Perceba 
que aqui as proteções se somam. 
 + Direito ao devido processo legal
O risco de obstáculos flagrantes ao direito ao devido processo legal pode 
levar à proibição de devolução de uma pessoa a outro Estado. Esse risco é 
particularmente importante onde existe a possibilidade de que a pessoa 
em questão seja condenada à pena de morte. Assim como ocorre com a 
proteção contra a escravidão e o trabalho forçado, esse aspecto tende a 
ser contemplado pelo direito à vida e à proteção contra a tortura e outras 
formas de tratamento cruel, desumano e degradante.
 + Liberdade de pensamento, consciência e religião
O direito à liberdade de pensamento, consciência e religiãotambém pode 
ser protegido pelo princípio da não devolução, embora a proteção desse 
direito em situações de devolução frequentemente esteja relacionada 
com o direito à vida e à proteção contra a tortura e outros tipos de 
tratamento cruel, desumano e degradante.
 + Proibição dos desaparecimentos forçados
A Convenção Internacional para a Proteção de Todas as Pessoas contra 
os Desaparecimentos Forçados explicita, de maneira similar a outras 
29Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
obrigações de não devolução, que "nenhum Estado-parte pode devolver 
(‘refouler’), entregar ou extraditar uma pessoa para outro Estado em que 
existam motivos substanciais para acreditar que ela possa estar em risco 
de ser submetida a desaparecimento forçado”.
 + Proteções específicas para crianças e adolescentes
Além de todas as proteções listadas anteriormente, que também se 
aplicam as crianças e adolescentes o princípio da não devolução protege 
direitos específicos das crianças e dos adolescentes migrantes. Assim, um 
Estado não pode devolver uma criança ou um adolescente a um país onde 
haja exposição a um risco de dano irreparável. Crianças e adolescentes só 
podem ser retornados a outro país quando isso obedecer estritamente 
ao seu superior interesse.
Igualmente, os Estados são proibidos de retornar qualquer criança ou 
adolescente às fronteiras de um Estado no qual haja risco de recrutamento 
para participação em conflitos armados. Esse recrutamento inclui 
não apenas a participação como combatentes, mas também em todo 
tipo de prestação de serviços para grupos armados que impliquem 
uma participação indireta nas hostilidades, incluída a prostituição. É 
importante notar que essa proteção não se aplica apenas nos casos em 
que o recrutamento é feito por parte do Estado, mas também quando é 
feito por parte de atores não estatais.
Assim, o princípio proíbe os Estados de devolver qualquer pessoa a um território 
ou país no qual a sua vida, integridade física, dignidade ou liberdade possam estar 
ameaçadas, ou no qual ela corra o risco de ser submetida à tortura ou ao tratamento 
cruel, desumano ou degradante.
O caráter obrigatório do princípio de não devolução significa, ainda, que nenhuma 
exceção pode ser invocada para justificar o descumprimento dessa obrigação ou a 
limitação da sua aplicação.
Também é importante notar que, pelo caráter absoluto do princípio da não 
devolução, preocupações com a segurança nacional, mesmo que legítimas, não 
podem ser invocadas para limitar a sua aplicação, sendo necessário nesses casos 
encontrar soluções alternativas que incluam tanto a segurança nacional quanto a 
plena proteção dos direitos humanos da pessoa em questão.
Essa característica deriva da proibição absoluta das violações de direitos que a não 
devolução visa evitar, como as situações de perseguição, as ameaças à vida e à 
dignidade, a tortura, os desaparecimentos forçados, entre outros.
30Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Assim, o princípio da não devolução é uma obrigação dos Estados 
com relação a todos os não nacionais, sejam eles refugiados, 
solicitantes de refúgio, migrantes com situação regular ou 
irregular, pessoas em trânsito pelo país, solicitantes de refúgio 
cujo pedido foi indeferido, entre outros.
Essa obrigação não está vinculada à condição migratória da pessoa no país, 
portanto, não gera uma obrigação de que o migrante faça um pedido de refúgio e 
nem dependa do reconhecimento desse pedido. A proteção independe da situação 
migratória da pessoa no país, da sua capacidade ou intenção de obter o estatuto de 
refugiado, ou da maneira como a pessoa cruzou fronteiras (IOM, 2014).
O princípio da não devolução está presente em vários instrumentos internacionais de 
direitos humanos, dos quais um grande número de Estados é parte, e é reconhecido 
como um dos pilares do Direito Internacional dos Direitos Humanos e do Direito 
Internacional dos Refugiados. Em nível regional, foi incluído explicitamente no artigo 
22.8 do Pacto de San José:
8. Em nenhum caso o estrangeiro pode ser expulso ou entregue a outro país, seja 
ou não de origem, onde seu direito à vida ou à liberdade pessoal esteja em risco 
de violação em virtude de sua raça, nacionalidade, religião, condição social ou 
de suas opiniões políticas.
Vale a pena mencionar ainda que a redação do Pacto de San José utiliza a palavra 
estrangeiros, e não refugiados, com o objetivo de ampliar a proteção a todas as 
pessoas que são não nacionais de um Estado; incluindo, portanto, migrantes, 
refugiados, pessoas em trânsito, etc.
Também está proibida a devolução de uma pessoa a um terceiro país que possa vir 
a enviá-la a outro onde ela estaria exposta a essas violações de direitos. A obrigação 
de não devolução inclui a não devolução indireta.
Da mesma maneira, os Estados têm a obrigação de não rejeitar em suas fronteiras 
qualquer pessoa que, como consequência dessa rejeição, possa estar exposta 
a qualquer das violações de direitos que tratamos anteriormente. A rejeição de 
qualquer pessoa não nacional nas fronteiras de um Estado só pode ocorrer após 
uma análise cuidadosa, que indique não haver risco de violações de direitos da 
pessoa em questão no caso de ela ser devolvida ao país de origem. Embora essa 
situação não seja equivalente a uma obrigação de admissão da pessoa no país, em 
alguns casos, a admissão pode ser inevitável.
31Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 5: O direito de solicitar refúgio
Identificar o direito de solicitar refúgio.
O direito de buscar e receber refúgio está previsto na Declaração Universal dos 
Direitos Humanos, que garante a toda a pessoa sujeita à perseguição o direito a 
buscar e receber refúgio em outros países (artigo 14). Esse direito foi articulado em 
detalhe na Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados, de 1951, a qual define 
a condição jurídica de refugiados e estabelece a proteção internacional dessas 
pessoas. Enquanto noção de proteção, no entanto, o direito a buscar refúgio é mais 
antigo e remonta a épocas muito anteriores à Segunda Guerra Mundial.
Este direito, além do direito de deixar um país (art. 13) e do direito à nacionalidade 
(art. 15), pode ser traçado diretamente aos eventos do Holocausto. Muitos países 
cujos redatores trabalharam na Declaração Universal dos Direitos Humanos 
estavam cientes de que haviam rejeitado muitos refugiados judeus, possivelmente 
condenando-os à morte. Além disso, muitos judeus, roma (ciganos) e outros 
perseguidos pelos nazistas não conseguiram fugir da Alemanha para salvar suas 
vidas.
O direito a buscar refúgio, tal como definido tanto na Declaração Universal dos 
Direitos Humanos quanto na Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados e em 
outros instrumentos, não é irrestrito, não podendo ser utilizado por pessoas que 
cometeram atividades contrárias aos fins e princípios das Nações Unidas ou que 
pretendem evadir um processo existente por crime de direito comum (artigo 14). 
Cabe ainda lembrar que toda pessoa tem direito a solicitar refúgio e a ter o seu pedido 
analisado de maneira individual e de boa-fé, mas isso não implica automaticamente 
em um reconhecimento da condição de refugiado. O reconhecimento pode acontecer 
ou não, dependendo se a pessoa que o solicita cumpre os critérios da definição de 
refugiado.
32Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 6: A proibição da expulsão coletiva
Reconhecer a proibição da expulsão coletiva.
Embora todos os Estados possam decidir sobre a admissão de não nacionais no 
seu território, e essa decisão inclua a possibilidade de definir sobre expulsão de 
não nacionais, tal capacidade encontra alguns limites no Direito Internacional dos 
Direitos Humanos. O Pacto de San José explicitamente proíbe a expulsão coletiva de 
migrantes, no artigo 22.9:
9. É proibida a expulsão coletiva de estrangeiros.
A expulsão coletiva é a retirada compulsória de um grupo de migrantes, sem 
passar pela devida apreciaçãodos casos individuais de cada um dos migrantes 
do grupo.
Muitos termos podem ser usados pelos Estados para se referirem às expulsões: 
deportação, repatriação, "remoção", entre outros. Diversos instrumentos 
internacionais e regionais proíbem explicitamente a expulsão coletiva, e esta 
também está relacionada com o princípio da não devolução, uma vez que para esse 
princípio ser respeitado é preciso fazer uma avaliação individual dos possíveis riscos 
para cada uma das pessoas de um grupo.
Portanto, não se justifica a expulsão coletiva pelo fato de todas as pessoas de um 
mesmo grupo estarem no país sem autorização de residência, visto ou outra forma 
de regularização migratória: cada uma tem sempre o direito a que o seu caso seja 
considerado individualmente.
Na América Latina, também se entende que a proibição da expulsão coletiva deriva 
do direito ao devido processo legal, garantido por diversos instrumentos de direitos 
humanos. Nesse sentido, ao considerar a expulsão de um grupo de migrantes, é 
obrigatório analisar, com a necessária boa-fé e diligência, todas as circunstâncias 
individuais que podem apontar contra a expulsão de cada um dos indivíduos do 
grupo.
33Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Também vale a pena notar que, no sistema interamericano, a expulsão não pode ser 
feita sem a devida análise individual com a justificativa de que o grupo em questão 
tenha características homogêneas de nacionalidade, raça, grupo étnico ou quaisquer 
outras, dado que o artigo 22.9 não coloca esse requisito. Em vista disso, a proibição 
se refere sempre à expulsão (ou não admissão) sem a necessária consideração de 
todas as características individuais de cada uma das pessoas do grupo.
É importante esclarecer que a proibição da expulsão coletiva não impede a expulsão 
de várias pessoas ao mesmo tempo, sempre que cada um dos membros do grupo 
tenha tido o seu caso considerado e decidido de maneira individual.
PACTO GLOBAL PARA UMA MIGRAÇÃO SEGURA, ORDENADA E 
REGULAR
O Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular é o 
primeiro acordo negociado entre governos, elaborado sob os auspícios 
das Nações Unidas, que abrange as dimensões da migração internacional 
de forma holística e ampla. Apresenta uma oportunidade significativa para 
melhorar a governança da migração, enfrentar os desafios associados à 
migração atual e fortalecer a contribuição dos migrantes e da migração para 
o desenvolvimento sustentável. O Pacto Global é enquadrado de forma 
consistente com a meta 10.7 da Agenda 2030 para o Desenvolvimento 
Sustentável, por meio da qual os Estados-membros se comprometem a 
cooperar internacionalmente para facilitar a migração segura, ordenada 
e regular.
O Pacto Global, adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 
2018, é um documento não vinculante (também conhecido como soft 
law), que respeita o direito soberano dos Estados de determinar quem 
entra e permanece no seu território e demonstra o compromisso com a 
cooperação internacional em matéria de migração. Esse instrumento está 
ancorado no Direito Internacional e apresenta diversos objetivos que são 
parte do Direito Internacional Consuetudinário (costumes internacionais). 
Em 2023, o Brasil retornou ao Pacto Global, que contém compromissos já 
contemplados pela Lei de Migração brasileira, como a garantia do acesso 
de pessoas migrantes a serviços básicos. 
O Pacto Global define 23 objetivos e 10 princípios que podem ser 
consultados na página da OIM Brasil: Pacto Global para Migração | OIM 
Brasil (iom.int)
https://brazil.iom.int/pt-br/pacto-global-para-uma-migracao-segura-ordenada-e-regular
https://brazil.iom.int/pt-br/pacto-global-para-uma-migracao-segura-ordenada-e-regular
34Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Glossário
Verbete Palavra 
associada
Definição/Significado
Não 
devolução
É a proibição de que os Estados extraditem, 
deportem, expulsem ou, de qualquer 
outra maneira, retornem uma pessoa a 
um país onde há motivos fundamentados 
para acreditar que ela corra o risco de ser 
submetida à tortura ou outros tratamentos 
cruéis, desumanos ou degradantes, de ser 
submetida ao desaparecimento forçado, ou 
de sofrer outro tipo de dano irreparável.
Expulsão 
coletiva
Qualquer medida que obrigue pessoas 
não nacionais, enquanto grupo, a sair 
de um país, exceto quando essa medida 
é tomada em base a uma avaliação 
razoável e objetiva do caso particular de 
cada um dos indivíduos em um grupo.
Tortura Um ato por meio do qual a dor ou o 
sofrimento severo, seja físico ou mental, é 
infligido a uma pessoa com o propósito de 
obter dela ou de uma terceira pessoa uma 
informação ou confissão, punindo-a por um 
ato que ela ou uma terceira pessoa possa 
ter cometido ou está sob suspeita de ter 
cometido; ou por qualquer motivo baseado 
na discriminação de qualquer tipo, quanto 
essa dor ou sofrimento é infringida por ou 
promovida por ou com o consentimento de 
uma autoridade pública ou outra pessoa 
agindo em nome do Estado. Não inclui a 
dor e o sofrimento que emergem apenas 
de sanções legais, inerentes ou acidentais.
Tratamento 
cruel, 
desumano 
e 
degradante
Um ato por meio do qual a dor ou 
o sofrimento severo, seja físico ou 
mental, é infligido a uma pessoa.
35Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Referências
CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. Parecer Consultivo OC 21-14. 
Disponível em: http://www.corteidh.or.cr/docs/opiniones/seriea_21_por.pdf. Acesso 
em: 9 nov. 2020.
MAZZUOLI, V. O. Curso de direito internacional público. São Paulo: Editora 
Thomson Reuters Revista dos Tribunais, 2015.
IOM. International Migration Law Unit. IML information note on the principle of 
non-refoulement. Genebra, 2014. Disponível em: https://www.iom.int/files/live/
sites/iom/files/What-We-Do/docs/IML-Information-Note-on-the-Principle-of-non-
refoulement.pdf. Acesso em: 9 nov. 2020.
TRINDADE, C. A. A. Direito internacional e direito interno: sua interação na 
proteção dos direitos humanos. Instrumentos internacionais de proteção dos 
direitos humanos. Centro de Estudos da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo. 
São Paulo, 1996. 
TRINDADE, C. A. A. Uprootedness and the protection of migrants in the International 
Law of Human Rights. Revista Brasileira de Política Internacional, Brasília, 
v. 51, n. 1, pp. 137-168, 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-
73292008000100008. Acesso em: 9 nov. 2020.
http://www.corteidh.or.cr/docs/opiniones/seriea_21_por.pdf
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https://www.iom.int/files/live/sites/iom/files/What-We-Do/docs/IML-Information-Note-on-the-Principle-of-non-refoulement.pdf
https://doi.org/10.1590/S0034-73292008000100008
https://doi.org/10.1590/S0034-73292008000100008
36Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Direitos dos imigrantes na 
legislação brasileira
Neste módulo, serão apresentados os direitos dos imigrantes na legislação brasileira 
e o processo de construção de um marco legal sobre migrações. A Lei de Migração 
entende os fenômenos migratórios dentro de um paradigma de direitos e adequa o 
marco legal das migrações à Constituição federal de 1988 e aos direitos fundamentais 
que ela garante, assegurando o devido processo legal migratório no Brasil.
Em consonância com os compromissos que o Brasil assumiu em razão de sua 
participação em diversos instrumentos internacionais de direitos humanos, a nova 
lei repudia explicitamente as expulsões coletivas e incorpora o princípio da não 
devolução (non-refoulement) na sua compreensão mais atual no contexto do Direito 
Internacional.
Assim, é absolutamente proibida qualquer devolução de qualquer pessoa a qualquer 
país onde a sua vida e dignidade possam estar em risco. Apenas depois de uma análise 
sobre possíveisriscos à vida e à dignidade, e garantido o seu direito a ampla defesa, 
o imigrante pode eventualmente ser enviado a outro país de maneira compulsória.
A Lei de Migração introduz também algumas proteções para as crianças migrantes 
como a possibilidade de autorização de residência para crianças separadas e 
desacompanhadas e a realização de análise de proteção, além do acionamento do 
sistema de proteção da infância.
Há ainda elementos de reconhecimento e proteção das pessoas apátridas, assim 
como a possibilidade de que elas possam adquirir a nacionalidade brasileira, em linha 
com o objetivo de erradicação da apatridia assumido em Estatuto correspondente.
Muitos desafios, no entanto, permanecem. Por exemplo, os documentos de que as 
pessoas migrantes dispõem, com frequência, são desconhecidos pelos brasileiros, 
o que pode constituir um obstáculo ao acesso a direitos. Esses obstáculos, por sua 
vez, podem contribuir para reforçar uma situação de vulnerabilidade em contexto 
migratório.
Conheça a Lei de Migração: L13445 (planalto.gov.br)
 Módulo
3
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13445.htm
37Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 1: Os migrantes na Constituição 
Federal de 1988
Identificar os direitos dos migrantes na Constituição Federal de 
1988.
A promulgação da Constituição Federal em 1988 representou um marco na garantia 
de direitos não apenas para os brasileiros, mas para todos os residentes no país, 
inclusive migrantes, refugiados e apátridas. Em vários pontos, o texto constitucional 
afirma a garantia dos direitos de todos, em particular no artigo 5º:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade 
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...)." 
A Constituição permite também o acesso à naturalização aos migrantes provenientes 
de países de língua portuguesaapós um ano de residência, e aos migrantes de 
qualquer nacionalidade que a solicitem após quinze anos de residência no país - 
em ambos os casos, desde que não tenham condenação penal. Permite ainda o 
acesso dos migrantes a cargos, empregos e funções públicas (artigo 37, inciso I), e às 
carreiras de ensino nas universidades (artigo 207, parágrafo 1º). Garante o acesso à 
assistência social, à saúde e à educação.
Apesar dos direitos e das garantias trazidos a migrantes, refugiados e apátridas 
pela Constituição Federal, o marco normativo das migrações vigente à época (a Lei 
nº 6.815/1980, conhecida como Estatuto do Estrangeiro) ficou defasado frente a 
esses direitos fundamentais garantidos pela Constituição de 1988 e pelos diversos 
instrumentos internacionais firmados desde então. Em 2017, com a aprovação da 
Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017), o marco normativo das migrações passou a 
acompanhar o texto constitucional na garantia dos direitos dos migrantes.
38Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 2: A Lei de Migração
Identificar as principais diretrizes da Lei de Migração.
A nova Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017) foi sancionada em 24 de maio de 
2017, depois de um longo processo de construção. Essa lei representa, em muitos 
aspectos, uma mudança de paradigma em comparação à legislação anterior 
(Estatuto do Estrangeiro), ao tratar a migração a partir de um enfoque de direitos. 
Também introduz uma nova terminologia, que utiliza os termos “migrante”, 
“imigrante” e "visitante" em substituição a termos antes usados no ordenamento 
jurídico brasileiro, como "estrangeiro" ou "alienígena".
Por isso, os termos "estrangeiro" e "alienígena", que enfatizam uma percepção 
de não pertencimento da pessoa ao Brasil, estão caindo em desuso e devem ser 
evitados.
Define-se como imigrante o nacional de outro país, ou apátrida, 
que se estabelece no Brasil de forma temporária ou definitiva. É 
importante ressaltar que a definição do imigrante, segundo a lei, 
é independente da situação migratória.
2.1 Princípios orientadores da Lei de Migração
A Lei de Migração é pautada nos direitos humanos das pessoas que migram - uma 
perspectiva marcadamente diferente do anterior Estatuto do Estrangeiro. Assim, 
o artigo 3º estabelece, como primeiro princípio orientador da política migratória 
brasileira, a universalidade, indivisibilidade e interdependência dos direitos 
humanos.
Art. 3º A política migratória brasileira rege-se pelos seguintes princípios e diretrizes:
I - universalidade, indivisibilidade e interdependência dos direitos humanos;
II - repúdio e prevenção à xenofobia, ao racismo e a quaisquer formas de 
discriminação;
III - não criminalização da migração;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13445.htm
39Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
IV - não discriminação em razão dos critérios ou dos procedimentos pelos quais 
a pessoa foi admitida em território nacional;
V - promoção de entrada regular e de regularização documental;
VI - acolhida humanitária;
VII - desenvolvimento econômico, turístico, social, cultural, esportivo, científico e 
tecnológico do Brasil;
VIII - garantia do direito à reunião familiar;
IX - igualdade de tratamento e de oportunidade ao migrante e a seus familiares;
X - inclusão social, laboral e produtiva do migrante por meio de políticas públicas;
XI - acesso igualitário e livre do migrante a serviços, programas e benefícios 
sociais, bens públicos, educação, assistência jurídica integral pública, trabalho, 
moradia, serviço bancário e seguridade social;
XII - promoção e difusão de direitos, liberdades, garantias e obrigações do 
migrante;
XIII - diálogo social na formulação, na execução e na avaliação de políticas 
migratórias e promoção da participação cidadã do migrante;
XIV - fortalecimento da integração econômica, política, social e cultural dos povos 
da América Latina, mediante constituição de espaços de cidadania e de livre 
circulação de pessoas;
XV - cooperação internacional com Estados de origem, de trânsito e de destino de 
movimentos migratórios, a fim de garantir efetiva proteção aos direitos humanos 
do migrante;
XVI - integração e desenvolvimento das regiões de fronteira e articulação de 
políticas públicas regionais capazes de garantir efetividade aos direitos do 
residente fronteiriço;
XVII - proteção integral e atenção ao superior interesse da criança e do adolescente 
migrante;
XVIII - observância ao disposto em tratado;
XIX - proteção ao brasileiro no exterior;
XX - migração e desenvolvimento humano no local de origem, como direitos 
inalienáveis de todas as pessoas;
40Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
XXI - promoção do reconhecimento acadêmico e do exercício profissional no 
Brasil, nos termos da lei; e
XXII - repúdio a práticas de expulsão ou de deportação coletivas.
A migração é abordada a partir de uma perspectiva de direitos humanos, 
incorporando importantes desenvolvimentos do Direito Internacional como a 
universalidade, indivisibilidade e interdependência dos Direitos Humanos, a não 
discriminação, a garantia do direito à reunião familiar, a proteção integral e atenção 
ao superior interesse da criança migrante, a observância do disposto em tratado e 
o repúdio às práticas de expulsão e deportação coletivas. 
Os princípios e as diretrizes também respondem à realidade da migração enquanto 
fenômeno social complexo. Assim, afirmam a não criminalização da migração, a não 
discriminação em razão dos critérios ou procedimentos de entrada no território 
nacional e a promoção da entrada regular e da regularização documental.
Promovem ainda uma perspectiva da migração enquanto vetor de desenvolvimento, 
ao vincular a migração ao desenvolvimento do Brasil, mas também ao promover a 
cooperação internacional com Estados de origem, trânsito e destino, a integração 
e desenvolvimento das regiões de fronteira e ao entender a migração e o 
desenvolvimento humanono local de origem como direitos inalienáveis de todas 
as pessoas. A lei ainda promove o fortalecimento da integração dos povos da 
América Latina. 
Além do mais, a nova Lei de Migração abarca o fenômeno migratório a partir de 
diferentes perspectivas, incluindo não apenas os migrantes internacionais que 
vêm ao Brasil, inclusive os apátridas, mas também as comunidades de emigrantes 
brasileiros em outros países e as pessoas que vivem nas fronteiras do Brasil 
(residentes fronteiriços). No entanto, neste curso focaremos apenas nas pessoas 
que a lei define como "imigrantes", ou seja, os migrantes internacionais que se 
estabelecem no Brasil.
2.2 Garantias da Lei de Migração
A nova Lei de Migração trouxe diversos avanços em relação à legislação anterior. 
Entre eles, a desvinculação dos vistos e das autorizações de residência do modo de 
entrada do migrante no território nacional. Ou seja, é possível buscar a regularização 
migratória mesmo após uma entrada não autorizada no Brasil.
Por meio da figura da acolhida humanitária, a Lei de Migração brasileira permite o 
estabelecimento de residência no Brasil de imigrantes que deixaram os seus países 
de origem por motivos de grave ou iminente instabilidade institucional, conflitos 
41Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
armados, calamidades de grandes proporções, desastres ambientais, grave violação 
de direitos humanos ou de direito internacional humanitário (artigo 14 e artigo 30).
O imigrante que que ingressa no país com o visto por acolhida humanitária ou aquele 
que deseja solicitar a autorização de residência com fins de acolhida humanitária 
pode ser registrado com a apresentação dos documentos de que dispuser, assim 
como ocorre com os solicitantes de refúgio, apátridas e solicitantes de asilo (artigo 
20). Até junho de 2023, a autorização de residência por acolhida humanitária estava 
regulamentada para pessoas afetadas pelo conflito na Síria; para nacionais haitianos 
e apátridas afetados por calamidade de grande proporção, por desastre ambiental ou 
pela situação de instabilidade institucional no Haiti; para nacionais afegãos, apátridas 
e pessoas afetadas pela situação de grave ou iminente instabilidade institucional, 
de grave violação de direitos humanos ou de direito internacional humanitário no 
Afeganistão; e para nacionais ucranianos e apátridas que tenham sido afetados ou 
deslocados pela situação de conflito armado na Ucrânia, nos termos de Portarias 
Interministeriais.
O campo de M'Béra, localizado na Mauritânia, na fronteira com o Mali, onde 
a população da região de Hodh El Chargui recebeu assistência humanitária 
por causa de uma grande seca em 2017. (C) OIM/Sibylle Desjardins
42Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
A migração motivada por desastres ambientais tem ganhado 
importância no debate internacional sobre migrações. Um dos 
grandes desafios é a falta de um respaldo legal que proteja os 
migrantes ambientais, já que estes não se encaixam na definição 
de refugiado, embora muitas vezes estejam em situação de 
migração forçada internacional. Através da acolhida humanitária, 
a Lei de Migração prevê uma hipótese para a regularização 
migratória dessas pessoas no Brasil.
A Lei de Migração garante o direito à convivência familiar através da concessão 
de visto e autorização de residência por reunião familiar (artigo 14 e artigo 30) e 
de garantias como a impossibilidade de expulsão de um migrante que tenha filho 
brasileiro ou outra pessoa brasileira sob sua tutela (artigo 55, inciso II, alínea a), ou 
cujo cônjuge ou companheiro resida no Brasil (artigo 55, inciso II, alínea b).
Com a nova lei, as hipóteses previstas para a concessão de visto e autorização de 
residência vinculadas a critérios objetivos ampliam-se. 
A garantia do direito à convivência familiar para as pessoas migrantes e membros das 
suas famílias consolidou-se no Direito Internacional ao longo das últimas décadas, 
assim como na legislação interna de vários países, que passam a introduzir em seus 
marcos normativos a possibilidade de regularização migratória por reunião familiar.
No caso da legislação brasileira, também foram ampliadas, de forma importante, as 
garantias em casos de retirada compulsória. Isso inclui, por exemplo, a previsão de 
ampla defesa em casos de repatriação, deportação, expulsão ou extradição, sendo 
parte da construção de um devido processo legal migratório. Outro aspecto positivo 
é a reafirmação da garantia de assistência jurídica integral gratuita para os migrantes 
que necessitarem, por meio da Defensoria Pública da União (DPU).
Deportação, Repatriação, Expulsão e Extradição são quatro palavras para a mesma 
coisa? Veja a diferença entre cada um dos termos utilizados pela nova Lei de Migração 
para os casos de retirada compulsória de um migrante do território nacional:
43Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Conceito A que se refere
Deportação Medida administrativa para casos de situação migratória irregular (artigo 50).
Repatriação Medida administrativa para casos de impedimento de ingresso no território nacional (artigo 49).
Expulsão
Medida administrativa para casos de sentença 
transitada em julgado, referente a: crimes de 
genocídio, crime contra a humanidade, crime de 
guerra ou agressão; ou crime comum passível de 
pena privativa de liberdade, consideradas a gravidade 
e possibilidade de ressocialização (artigo 54).
Extradição
Medida de cooperação internacional com outro 
Estado para cumprimento de pena em outro país 
ou para responder a processo penal (artigo 81).
É importante ressaltar que a Lei de Migração oferece garantias de ampla defesa em 
todos esses casos, além de destacar o princípio da não devolução (non-refoulement) 
e a proibição da deportação ou expulsão coletivas, dois temas cuja importância é 
amplamente reconhecida no Direito Internacional.
Cabe ainda notar que a lei não permite a prisão por razões migratórias, também 
conhecida como detenção administrativa de migrantes, ou seja, um imigrante não 
pode ser detido pelo fato de ter entrado de forma irregular no Brasil.
Assim, o artigo 49, parágrafo 4º da Lei de Migração incorpora o princípio da não 
devolução na forma como este é entendido atualmente no Direito Internacional, 
incluindo as proteções a refugiados e apátridas, crianças, adolescentes, pessoas 
em deslocamento forçado por crise humanitária e qualquer pessoa que possa vir a 
estar exposta a riscos à sua vida e dignidade, tais como tortura e outros tratamentos 
desumanos e degradantes.
Art. 49, § 4º. Não será aplicada medida de repatriação à pessoa em situação 
de refúgio ou de apatridia, de fato ou de direito, ao menor de 18 (dezoito) anos 
desacompanhado ou separado de sua família, exceto nos casos em que se 
demonstrar favorável para a garantia de seus direitos ou para a reintegração a 
44Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
sua família de origem, ou a quem necessite de acolhimento humanitário, nem, em 
qualquer caso, medida de devolução para país ou região que possa apresentar 
risco à vida, à integridade pessoal ou à liberdade da pessoa.
Mais adiante, o artigo 62 volta a reforçar essa proteção ao estabelecer o impedimento 
da repatriação, deportação ou expulsão quando tais medidas possam vir a colocar em 
risco a vida ou integridade da pessoa, incluindo tanto imigrantes quanto visitantes.
Acompanhando o entendimento do princípio da não devolução no Direito 
Internacional, a Lei de Migração estende essa proteção que já estava garantida aos 
refugiados (pela Lei nº 9.474/1997) a todos os imigrantes e visitantes. Portanto, 
isso é uma obrigação do Estado brasileiro com relação aos não nacionais, 
independentemente da sua situação migratória, do tempo da sua estadia, ou de 
onde se encontrem no território nacional.
De maneira similar, estão proibidas as práticas de repatriação, deportação ou 
expulsão coletivas (artigo 61), que ficam definidas como todas aquelas que não 
consideram, coma devida atenção, a situação de cada pessoa de maneira individual 
(artigo 61, parágrafo único).
45Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 3: A Lei de Refúgio
Identificar as principais diretrizes da Lei de Refúgio.
No Brasil, a Lei nº 9.474/1997 define os mecanismos para a implementação da 
Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados, de 1951, incluindo o previsto no 
Protocolo adicional a essa convenção, de 1967, e os avanços regionais em matéria 
de refúgio, em especial a Declaração de Cartagena, de 1984.
Ela reflete, desse modo, várias décadas de desenvolvimento na compreensão 
do que é o refúgio, desde as suas origens no pós-Segunda Guerra Mundial, até a 
consolidação da experiência regional com migrações forçadas na segunda metade 
do século XX. Por meio dessa lei, o Brasil define o conceito de refugiado da seguinte 
maneira:
Art. 1º Será reconhecido como refugiado todo indivíduo que:
I - devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, 
nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu país de 
nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país;
II - não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes teve sua residência 
habitual, não possa ou não queira regressar a ele, em função das circunstâncias 
descritas no inciso anterior;
III - devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a 
deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país.
No Brasil, a autoridade responsável por receber o pedido de refúgio é a Polícia 
Federal e, uma vez recebido, o pedido é analisado pelo Comitê Nacional para os 
Refugiados (Conare), que deverá decidir pelo deferimento ou indeferimento do 
pedido. 
Para pedir refúgio no Brasil, é necessário já estar no país!
46Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
A solicitação de reconhecimento da condição de refugiado no Brasil pode ser feita 
com os documentos de que a pessoa dispuser - um direito garantido pela Lei de 
Refúgio e pela Lei de Migração (artigo 20). A solicitação pode ser feita na ausência 
de qualquer documentação.
Assista ao vídeo a seguir e veja como pedir refúgio pela primeira vez, usando o 
Sistema de tramitação de processos de refúgio do Conare, o Sisconare: 
Vídeo 7 – "Pedir refúgio pela primeira vez usando o SISCONARE"
Duração: 01:29 
Fonte: Pedir refúgio pela primeira vez usando o SISCONARE - YouTube.
Uma vez apresentado o pedido de refúgio à Polícia Federal, o solicitante tem acesso 
a um documento de identificação que, enquanto aguarda a decisão do Conare, o 
autoriza a residir no país e a acessar direitos e políticas públicas garantidas aos 
imigrantes, como obter uma Carteira de Trabalho, e utilizar a rede pública de saúde, 
de educação e de assistência social. 
Para conhecer as etapas do processo de refúgio, consulte o site 
do Ministério da Justiça e Segurança Pública, órgão que preside 
o Conare: Etapas do processo de refúgio – Ministério da Justiça e 
Segurança Pública (www.gov.br)
Esse documento de identificação é conhecido como Protocolo de Solicitação de 
Refúgio e é o principal documento de identificação do solicitante e a comprovação 
de que é solicitante de refúgio. . Em muitas regiões, já estásendo emitido outro 
documento de identificação: o Documento Provisório de Registro Nacional 
Migratório (DPRNM), em formato de cédula. Trata-se de documento de identificação 
complementar - que não substitui - o protocolo de refúgio. Conforme mencionado, 
é o protocolo - e não o DPRNM - que atesta a condição de solicitante de refúgio. Uma 
vez reconhecida como refugiada, a pessoa passa a ter acesso à Carteira de Registro 
Nacional Migratório (CRNM) e aos direitos garantidos a refugiados reconhecidos, 
tais como a reunificação familiar e a emissão de passaporte.
Um dos grandes mitos que persistem no Brasil sobre os refugiados é a percepção 
de que eles são fugitivos, ilegais ou terroristas. Essas percepções não poderiam 
estar mais equivocadas. Os refugiados são pessoas que precisaram buscar 
https://youtu.be/NyOHIbr0K2k
https://www.youtube.com/watch?v=NyOHIbr0K2k&t=2s
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/seus-direitos/refugio/o-que-e-refugio/etapas-do-processo-de-refugio
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/seus-direitos/refugio/o-que-e-refugio/etapas-do-processo-de-refugio
47Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
proteção internacional, pois as circunstâncias do seu país de origem fizeram com 
que temessem por sua vida e dignidade, em função de perseguições ou violações 
de direitos humanos (artigo 1º da Lei de Refúgio).
Para obter mais informações sobre o tema, acesse o arquivo PDF 
“Não cabe em mim a alegria de poder dizer que sou Baha'i.pdf”
Ou acesse: “Não cabe em mim a alegria de poder dizer que sou 
Baha'i”
https://articulateusercontent.com/rise/courses/xjj6dpGY2NWZKPa9I0dXP6WewlUoy9zj/HLJpTojCmA9PJIeI-N%25C3%25A3o%2520cabe%2520em%2520palavras%2520a%2520minha%2520felicidade%2520em%2520poder%2520falar%2520que%2520sou%2520Bahai.pdf
https://sur.conectas.org/en/i-cannot-find-the-words-to-express-how-happy-i-am-to-be-able-to-say-that-i-am-a-bahai/
https://sur.conectas.org/en/i-cannot-find-the-words-to-express-how-happy-i-am-to-be-able-to-say-that-i-am-a-bahai/
48Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 4: Os apátridas na legislação brasileira
Identificar as diretrizes dos apátridas na legislação brasileira.
Outra importante novidade da Lei de Migração é o seu compromisso com a 
erradicação da apatridia que, em linha com os compromissos internacionais 
assumidos pelo Brasil enquanto Estado, parte da Convenção sobre o Estatuto dos 
Apátridas, promulgada pelo Decreto nº 4.246/2002. A proteção do apátrida e a 
redução da apatridia estão detalhados no artigo 26, mas a Lei de Migração aborda a 
situação dos apátridas em várias ocasiões, incluindo a seguinte definição:
Artigo 1º, parágrafo 1º, inciso VI - apátrida: pessoa que não seja considerada 
como nacional por nenhum Estado, segundo a sua legislação, nos termos da 
Convenção sobre o Estatuto dos Apátridas, de 1954, promulgada pelo Decreto nº 
4.246/2002, assim reconhecida pelo Estado brasileiro.
Todos os direitos garantidos aos imigrantes que possuem nacionalidade de algum 
país são também garantidos aos imigrantes apátridas na Lei de Migração (artigo 
26, parágrafo 4º). Além do seu direito a pedir o reconhecimento da situação de 
apatridia, a lei também volta a reforçar o direito dessas pessoas pedirem refúgio no 
Brasil, assim como acolhida humanitária.
Para ter mais informações sobre o tema, assista ao vídeo:
Vídeo 8 – “Este é o sonho da minha vida se tornando realidade" 
Duração: 01:30 
Fonte: ONU Brasil. 19/11/2018.
Assim como acontece com a solicitação de acolhida humanitária e de refúgio, a 
solicitação de reconhecimento da condição de apátrida também pode ser feita com 
https://youtu.be/oGIiXZ8nA3o
49Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
os documentos de que o imigrante dispuser (artigo 20) e deve ser apresentada à 
Polícia Federal.
A solicitação de reconhecimento da condição de apátrida é analisada pelo 
Departamento de Migrações da Secretaria Nacional de Justiça (DEMIG/SENAJUS) 
do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Uma vez reconhecida a condição 
de apátrida, o imigrante será consultado sobre o seu interesse em adquirir a 
nacionalidade brasileira, tendo então a opção de se naturalizar. Caso não deseje 
adquirir imediatamente a nacionalidade brasileira, terá acesso à autorização de 
residência permanente.
50Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 5: O enfrentamento ao tráfico de 
pessoas e ao trabalho escravo
Reconhecer o enfrentamento ao tráfico de pessoas e ao trabalho 
escravo no Brasil.
No Brasil, a Lei nº 13.344/2016 estabelece as medidas de proteção, prevenção e 
repressão ao tráfico de pessoas. Esse normativo introduz a definição do crime de 
tráfico de pessoas no Código Penal, revogandoa definição anterior, cujo escopo 
se restringia ao tráfico para fins de exploração sexual. Dessa forma, a legislação 
brasileira passou a adequar-se à definição mais ampla contida no Protocolo de 
Palermo.
No Direito Internacional, o Protocolo de Palermo é a principal 
referência na proteção, prevenção, repressão e punição do 
tráfico de pessoas. Esse protocolo conceituou o crime de tráfico 
de pessoas, abordando a questão do consentimento, que é 
irrelevante na definição da vítima quando sob ameaça, uso de 
força, coação, rapto, fraude, engano, abuso de autoridade ou 
situação de vulnerabilidade, assim como em servidão por dívida 
para fins de exploração. Ou seja, mesmo que a vítima tenha 
concordado com algum elemento do tráfico (por exemplo, ser 
deslocada do local A ao local B), não se pode considerar que 
há consentimento quando uma pessoa concorda sob ameaça, 
fraude ou outras violências. Dessa maneira, a pessoa continua 
a ser vítima de tráfico de pessoas e deve ser protegida como tal.
Assim, ao Código Penal foi adicionado o artigo 149-A-, que define o tráfico de pessoas 
da seguinte maneira:
Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar, 
ou acolher pessoa, mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, 
com a finalidade de:
51Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
I - Remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo;
II - Submetê-la a trabalho em condições análogas à de escravo;
III - Submetê-la a qualquer tipo de servidão;
IV - Adoção ilegal; ou
V - Exploração sexual.
O tráfico de pessoas inclui, portanto, três etapas:
 + Atividade
• O aliciamento consiste no recrutamento, transporte, transferência, 
alojamento ou acolhimento.
• No caso de crianças vítimas de tráfico, basta que se verifique o 
deslocamento e a finalidade de exploração, para que a criança seja 
reconhecida como vítima.
 + Meio
• Pode ser feito por meio do uso de ameaça, uso da força ou outras 
formas de coação, rapto, fraude, engano, abuso de autoridade ou 
de situação de vulnerabilidade ou recebimento de pagamento ou 
benefícios.
 + Finalidade
• As formas de exploração podem ser várias, incluindo o trabalho em 
situação análoga à escravidão, exploração sexual, adoção ilegal ou 
remoção de órgãos.
• No caso de crianças vítimas de tráfico, basta que se verifique a atividade 
e a finalidade de exploração, para que a criança seja reconhecida 
como vítima.
O trabalho escravo é definido, no artigo 149 do Código Penal, como aquele em 
que uma pessoa é submetida a trabalhos forçados ou a uma jornada exaustiva, 
quer sujeitando-a a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por 
qualquer meio, sua locomoção, em razão de dívida contraída com o empregador ou 
representante. O trabalho escravo pode ser uma das modalidades de exploração 
no âmbito do tráfico de pessoas, porém esse crime não é equivalente ao tráfico de 
pessoas. 
52Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Agora, assista ao vídeo: 
Vídeo 9 – "Ciclo do trabalho escravo contemporâneo". 
Duração: 04:35 
Fonte: Escravo, Nem Pensar! - 25/11/2014.
A Lei nº 13.344/2016 também estabelece, entre seus princípios, a promoção e 
garantia dos direitos humanos e a atenção integral às vítimas diretas e indiretas, 
independente de nacionalidade. 
Os artigos 4º ao 6º tratam da prevenção, repressão, e proteção e assistência às vítimas. 
A prevenção se dá a partir de políticas intersetoriais, campanhas socioeducativas 
e de conscientização, incentivo à participação da sociedade civil e a projetos de 
prevenção (artigo 4º).
A repressão inclui medidas de cooperação entre órgãos do sistema de justiça – 
inclusive a cooperação internacional – assim como a integração de políticas e a 
formação de equipes conjuntas de investigação (artigo 5º).
O artigo 6º define a proteção e assistência às vítimas, incluindo:
(...) I - assistência jurídica, social, de trabalho e emprego e de saúde;
II - acolhimento e abrigo provisório;
III - atenção às suas necessidades específicas, especialmente em relação a questões 
de gênero, orientação sexual, origem étnica ou social, procedência, nacionalidade, 
raça, religião, faixa etária, situação migratória, atuação profissional, diversidade 
cultural, linguagem, laços sociais e familiares ou outro status;
IV - preservação da intimidade e da identidade;
V - prevenção à revitimização no atendimento e nos procedimentos investigatórios 
e judiciais;
VI - atendimento humanizado;
VII - informação sobre procedimentos administrativos e judiciais.
https://youtu.be/Q1T9qRb9B8E
53Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
O tráfico de pessoas pode ser interno - quando a vítima é traficada dentro do próprio 
país -, ou internacional - quando a vítima é traficada através de fronteiras. Ou seja, 
independe da nacionalidade, sendo o fator determinante o deslocamento. 
No caso de uma pessoa imigrante traficada para o Brasil, a proteção inclui a 
possibilidade de regularização migratória por autorização de residência específica 
para vítimas de tráfico de pessoas, bem como a possibilidade de reunião familiar. 
Os procedimentos de autorização de residência à pessoa que tenha sido vítima de 
tráfico de pessoas, de trabalho escravo ou de violação de direitos agravada por sua 
condição migratória foram regulados pela Portaria nº 87, de 23 de março de 2020, 
emitida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Em 2022, foi lançada uma nova campanha "Brasil Sem Tráfico Humano", que incluiu 
cards com informações explicando o que é o tráfico de pessoas e onde buscar ajuda. 
Também foi desenvolvido vídeo, explicando a diferença entre tráfico de pessoas e 
contrabando de migrantes.
Campanha Brasil Sem Tráfico Humano. Fonte: CNJ/OIM. Julho de 2022.
54Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Entenda um pouco mais sobre tráfico de pessoas acessando a Lei 
Nº 13.344, de 6 de outubro de 2016, que dispõe sobre prevenção 
e repressão ao tráfico interno e internacional de pessoas e 
sobre medidas de atenção às vítimas; altera a Lei nº 6.815, de 
19 de agosto de 1980, o Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 
1941 (Código de Processo Penal), e o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 
de dezembro de 1940 (Código Penal); e revoga dispositivos do 
Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal). 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/
l13344.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/l13344.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/l13344.htm
55Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 6: A regularização migratória no Brasil
Indicar as formas de regularização migratória no Brasil.
No Brasil, há dois instrumentosde regularização: os vistos e as autorizações de 
residência. Embora ambas permitam ao imigrante se estabelecer no Brasil e 
garantam acesso ao mesmo conjunto de direitos, há algumas diferenças importantes 
entre elas. 
O visto é o documento que dá ao seu titular a expectativa de ingresso no território 
brasileiro (artigo 6º, Lei de Migração), ou seja, é um documento que deve ser 
solicitado antes de o interessado chegar ao Brasil. Por ser solicitado e recebido 
antes da chegada no território brasileiro, o visto é concedido por representações 
diplomáticas brasileiras no exterior (artigo 7º, Lei de Migração) como consulados e 
embaixadas, e é regulamentado e gerido pelo Ministério das Relações Exteriores - 
MRE. O visto sempre possui um fundamento para sua emissão, podendo, portanto, 
ser emitido para fins de turismo, trânsito, visita, estudos, acolhida humanitária, 
exercício de atividade religiosa ou laboral, etc. Quando o fundamento que respalda 
sua emissão implicar residência - ainda que provisória - no país, o imigrante portador 
do visto deve efetuar o seu registro em até 90 dias após a chegada no Brasil, via de 
regra, na Polícia Federal. O registro é, portanto, a solicitação de conversão do visto 
em autorização de residência,a qual terá o mesmo fundamento legal que o visto. 
Todos os migrantes também devem manter atualizados os seus dados de contato 
junto à Polícia Federal.
Assim, a realização do registro junto à Polícia Federal gera uma autorização de 
residência, e, no momento do atendimento, o imigrante já recebe o número de 
Registro Nacional Migratório (RNM). 
A autorização de residência pode ser por prazo determinado (conhecida como 
temporária)temporária ou por prazo indeterminado (também chamada de 
permanente) e é requerida no território nacional, tendo validade neste (artigo 30, 
Lei de Migração). A regulamentação e a gestão das autorizações de residência são 
feitas pelo DEMIG/SENAJUS/MJSP, que delega à Polícia Federal a capacidade de 
decidir sobre a maioria das hipóteses previstas a partir de critérios previstos em 
regulamento. Isso quer dizer que, para os casos já em portarias específicas, a Polícia 
Federal pode diretamente conceder a autorização de residência. Para situações não 
contidas em portarias específicas, sugere-se solicitar apoio à DPU, a outros órgãos 
públicos ou a organizações da sociedade civil, para buscar a regularização migratória.
https://servicos.dpf.gov.br/sismigra-internet/faces/publico/solicitarAlteracaoEndereco/solicitarAlteracaoEndereco.seam
56Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Embora possam ser cobradas taxas pela autorização de residência (artigo 32, Lei de 
Migração), também está garantida a isenção para migrantes com poucos recursos, 
condição de "hipossuficiência econômica" (artigo 4º, inciso XII, Lei de Migração). 
Os pedidos de autorização de residência são entregues à Polícia Federal, exceto 
nos casos de autorização de residência para trabalho, que devem ser dirigidos ao 
Conselho Nacional de Imigração (CNIg). É importante também notar que, embora 
várias hipóteses de autorização de residência já estejam regulamentadas, algumas 
ainda restam pendentes de regulamentação.
Para solicitar uma autorização de residência junto à Polícia Federal, é necessário, 
primeiramente, preencher um formulário on-line do Sistema de Registro Nacional 
Migratório (SISMIGRA) e solicitar o agendamento na unidade da Polícia Federal mais 
próxima. O formulário está disponível em português, inglês, espanhol, francês, 
alemão, árabe e italiano. No dia agendado, o imigrante deve comparecer à Polícia 
Federal com o formulário preenchido e a documentação necessária conforme o tipo 
de autorização de residência a ser requerida. O mesmo sistema também é utilizado 
para renovações e alterações.
Página do SISMIGRA. Fonte: Polícia Federal. https://servicos.dpf.gov.
br/sismigra-internet/home.seam. Acesso em: 9 nov. 2020.
A documentação necessária para requerer autorização de residência normalmente 
inclui fotos 3x4, documento oficial de identificação, certidão de nascimento 
(quando o documento de identificação não inclui os dados de filiação), certidão de 
antecedentes criminais no Brasil, declaração de ausência de antecedentes penais 
no país de origem ou em outros países, comprovante de pagamento das taxas 
correspondentes ou declaração de hipossuficiência econômica.
https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/imigracao/autorizacao-residencia/formularios/capa
https://servicos.dpf.gov.br/sismigra-internet/home.seam
https://servicos.dpf.gov.br/sismigra-internet/home.seam
57Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Em geral, a autorização de residência não pode ser concedida 
a pessoa condenada criminalmente no Brasil ou no exterior 
por sentença transitada em julgado (Lei 13.445/2017, artigo 30, 
parágrafo 1º), desde que a conduta esteja tipificada na legislação 
penal brasileira. São exceções:
• As pessoas condenadas por condutas que caracterizem 
infração de menor potencial ofensivo;
• As pessoas que buscam autorização de residência para 
tratamento de saúde, acolhida humanitária ou reunião 
familiar;
• As pessoas beneficiárias de tratado em matéria de 
residência e livre circulação, como é o caso do Acordo de 
Residência do Mercosul, incorporado ao ordenamento 
jurídico brasileiro pelo Decreto nº 6.975, de 07 de outubro 
de 2009.
Assim, a existência de antecedentes criminais não exclui 
automaticamente a possibilidade de obter autorização de 
residência no Brasil. Imigrantes nessa situação podem solicitar 
apoio da DPU, de órgãos públicos ou de entidades da sociedade 
civil para orientação sobre regularização migratória, caso 
necessário. 
Contudo, de acordo com o tipo de autorização de residência requerida, pode ser 
necessário apresentar documentos específicos. A lista de documentos necessários 
para cada tipo de autorização de residência pode ser acessada no site da Polícia 
Federal.
A autorização de residência com base no Acordo de Residência do Mercosul surgiu 
antes da nova Lei de Migração, a partir do tratado integrado pelos países que 
compõem o Mercosul e pelos Estados associados, promulgado no Brasil mediante o 
Decreto nº 6.975/2009. O acordo é um marco importante para a região e serviu de 
base para outras formas de autorização de residência previstas na Lei de Migração. 
Essa autorização de residência pode ser solicitada por imigrantes nacionais dos 
países do Mercosul e associados: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, 
Paraguai, Peru e Uruguai.
A Portaria Interministerial nº 19/2021 amplia essa autorização de residência a todos 
os países limítrofes do Brasil que não sejam parte ativa do Mercosul: Venezuela, 
https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/imigracao/autorizacao-residencia/documentos
https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/imigracao/autorizacao-residencia/documentos
58Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Guianas e Suriname. Ela inclui algumas inovações importantes, como a flexibilização 
documental para imigrantes indígenas e para crianças imigrantes indocumentadas, 
reconhecendo as dificuldades desses dois grupos no acesso à documentação 
necessária para o pedido de residência.
Pessoas indígenas dos países contemplados pela portaria podem fazer 
o requerimento de autorização de residência com a apresentação de 
autodeclaração dos dados de filiação. Já as crianças imigrantes menores de 
9 anos podem requerer a autorização de residência, apresentando apenas 
a certidão de nascimento original, desde que acompanhadas dos pais.
Também é importante mencionar que as crianças e adolescentes imigrantes 
desacompanhados ou separados que se encontrem no Brasil têm direito a 
autorização de residência, independentemente da sua idade ou nacionalidade.
Criança ou adolescente desacompanhado é aquele que está separado de 
ambos os genitores e de outros parentes, e não está aos cuidados de um 
adulto legalmente responsável. . Já a criança ou adolescente separado é 
aquele que está separado de ambos os pais, mas acompanhado de outros 
membros da família extensa e não está aos cuidados de um adulto a quem 
incumba essa responsabilidade, ou seja, que detenha o poder familiar 
nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente. Ainda, criança ou 
adolescente indocumentado é aquele que não possui documentação 
válida comprobatória de sua identidade ou filiação, independentemente 
de estar acompanhado, desacompanhado ou separado. 
A Resolução nº 232, de 28 de dezembro de 2022, do Conselho Nacional de 
Direitos da Criança e do Adolescente estabelece os procedimentos para 
proteção de crianças e de adolescentes nessas três condições e para a 
solicitação de regularização migratória, a qual pode ser feita por guardião, 
pela Defensoria Pública da União ou outro órgão de proteção.
A Portaria nº 197, de 6 de março de 2019, estabelece os procedimentos para 
solicitação dessa autorização de de residência cujo prazo será objeto de avaliação 
em cada caso, devendo ser fixado até a data em que a criança ou o adolescente 
atinja a maioridade. . Ao atingir a maioridade, e, tendo interesse em permanecer 
no país, a pessoa imigrante deverá comparecer à unidade da Polícia Federal, no 
59Enap Fundação Escola Nacional de AdministraçãoPública
prazo de cento e oitenta dias, a fim de formalizar o pedido de alteração do prazo 
de residência para indeterminado. Nesse processo de regularização migratória, a 
DPU desempenha um papel importante de acompanhamento, incluindo a possível 
representação da criança para fins de regularização migratória e a realização de 
entrevista e de análise de proteção.
A DPU ou outros órgãos de proteção podem atuar como representantes 
legais de crianças desacompanhadas, separadas e indocumentadas para 
fins de regularização migratória no Brasil, incluindo tanto os pedidos de 
autorização de residência quanto as solicitações de reconhecimento da 
condição de refugiado ou de apátrida.
Esse conjunto de normas busca dar resposta a alguns dos desafios específicos 
enfrentados por crianças imigrantes desacompanhadas e separadas. Antes da nova 
Lei de Migração, não estava prevista a possibilidade de regularização migratória da 
criança sem a presença de um responsável legal. Em outras palavras, a regularização 
migratória estava vinculada à guarda, criando um obstáculo à regularização 
migratória.
A partir de então, desvincula-se a regularização migratória da guarda, ao atribuir 
à DPU a possibilidade de representar a criança para fins de regularização migratória, 
independentemente da definição do exercício de guarda. Estabelece-se, ainda, os 
procedimentos para a análise das necessidades de proteção dessas crianças.
Por isso, a DPU e outros órgãos de proteção devem ser acionados em 
todos os casos de regularização migratória de crianças desacompanhadas, 
separadas e indocumentadas, ainda que elas queiram se acolher a uma 
forma de regularização migratória diferente da prevista na Portaria nº 
197/2019, ou que queiram pedir refúgio.
Em resumo, o visto gera uma expectativa de direito de entrada no país, mas, a partir 
do momento em que a pessoa deseja estabelecer residência, ela deve requerer uma 
autorização de residência, independentemente da forma pela qual entrou no país, 
devendo cumprir os requisitos elencados na legislação vigente. 
As pessoas que aguardam decisão sobre o reconhecimento de uma condição 
específica - como solicitantes de reconhecimento da condição de refugiado ou de 
60Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
apátrida - recebem um documento de identificaçãoprovisório. Via de regra, esse 
documento tem validade de 01 ano, devendo ser renovado sucessivamente 
até decisão proferida pela instância competente. 
Por sua vez, as pessoas que se beneficiam de uma autorização de residência com 
fundamento legal previsto em normativo específico recebem um documento 
de identificação definitivo, desde que cumpridos os requisitos documentais, 
uma vez que não se aguarda decisão futura. O documento terá, contudo, prazo 
de validade de até 2 anos (quando a natureza da autorização de residência for 
temporária) ou de 9 anos (quando a natureza da autorização de residência for 
permanente).
A alteração de um prazo para o outro depende de condições diferentes em cada 
caso, podendo ser necessário comprovar que o imigrante dispõe de meios de vida 
no Brasil, não possui antecedentes criminais, entre outros. A Portaria Interministerial 
nº 3/2018, no artigo 6º, lista alguns documentos que podem ser utilizados para 
a comprovação dos meios de vida, tais como contrato de trabalho em vigor, a 
declaração de imposto de renda, entre outros.
Hipótese de 
autorização 
de residência 
(artigo 30)
Critérios de elegibilidade Referência
Acordo de 
Residência Mercosul
Nacionais de países-membros 
do Mercosul ou associados.
Decreto nº 
6.975/2009
Reunião Familiar
Filhos, pais, cônjuges ou 
companheiros, irmãos (quando 
dependentes economicamente) 
de migrante estabelecido/a 
ou de brasileiro/a.
Portaria 
Interministerial 
nº 12/2018
Interesse da Política 
Migratória Nacional
Nacionais de países fronteiriços não 
pertencentes/ativos no Mercosul.
Portaria 
Interministerial 
nº 19/2021
Interesse da Política 
Migratória Nacional
Nacionais do Senegal com 
pedido de refúgio até a data 
de publicação da portaria.
Portaria 
Interministerial 
nº 10/2019
Interesse da Política 
Migratória Nacional
Nacionais de Cuba que tenham 
integrado o programa Mais 
Médicos para o Brasil.
Portaria 
Interministerial 
nº 4/2019
61Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Hipótese de 
autorização 
de residência 
(artigo 30)
Critérios de elegibilidade Referência
Interesse da Política 
Migratória Nacional
Nacionais da República Dominicana, 
que tenham processo de 
reconhecimento da condição de 
refugiado em trâmite no Brasil
Portaria 
Interministerial 
n°5/2019
Criança 
desacompanhada 
ou separada
Criança ou adolescente 
desacompanhada ou separada no 
território nacional ou fronteiras 
de qualquer nacionalidade.
Portaria 
Interministerial 
nº 197/2019
Acolhida 
Humanitária
Pessoas afetadas pelo 
conflito armado na Síria.
Portaria 
Interministerial 
nº 9/2019
Acolhida 
Humanitária
Nacionais do Haiti e apátridas 
residentes no Haiti.
Portaria 
Interministerial 
nº 37/2023
Acolhida 
Humanitária
Nacionais afegãos, apátridas 
e pessoas afetadas pela 
situação no Afeganistão
Portaria 
Interministerial 
n° 24/2021
Acolhida 
Humanitária
Nacionais ucranianos e aos 
apátridas que tenham sido afetados 
ou deslocados pela situação de 
conflito armado na Ucrânia
Portaria 
Interministerial 
n° 36/2023
Tratamento 
de saúde
Nacionais de qualquer país 
com intenção de realizar 
tratamento de saúde no Brasil 
e um acompanhante.
Portaria 
Interministerial 
n° 8 /2018
Estudo
Nacionais de qualquer país 
matriculados em instituições 
de ensino brasileiras para 
estudo ou estágio.
Portaria 
Interministerial 
n° 7/2018
Trabalho
Nacionais de qualquer país 
contratados no Brasil.
Resolução 
Normativa nº 
2/2017 do CNIg
62Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Hipótese de 
autorização 
de residência 
(artigo 30)
Critérios de elegibilidade Referência
Férias-trabalho
Nacionais de países que disponham 
de tratado com o Brasil para 
residência por férias-trabalho.
Portaria 
Interministerial 
nº 3/2018
Realização de 
investimento
Realização de investimento 
de pessoa física em pessoa 
jurídica no país.
Resolução 
Normativa nº 
13/2017 do CNIg
Beneficiários 
de tratado
Nacionais de países com os quais 
o Brasil possuitratado vigente 
em matéria de residência.
De acordo com 
o tratado
Detentores de 
oferta de trabalho
Nacionais de qualquer 
país que detenham oferta 
de trabalho no Brasil.
Resolução 
Normativa nº 
2/2017 CNIg
Caso especial 
para concessão 
de autorização de 
residência associada 
às questões laborais
Pessoa que solicitou 
reconhecimento da condição de 
refugiado antes de 21/11/2017 e 
que possui contrato de trabalho 
vigente anterior a essa data
Resolução 
conjunta 
CNIG CONARE 
n° 1/2018 e 
Resolução 
Conjunta 
CNIG CONARE 
n°2/2020
Refugiados, asilados 
e apátridas
Refugiados, asilados e apátridas 
reconhecidos pelo Brasil ou em 
processo de avaliação de solicitação.
 Lei nº 
9.474/1997
Vítimas de tráfico 
de pessoas
Nacionais de qualquer país 
que sejam vítimas de tráfico de 
pessoas, trabalho escravo ou 
de violação de direito agravada 
por sua condição migratória
Portaria nº 
87/2020 do 
Ministério 
da Justiça e 
Segurança 
Pública
Liberdade provisória 
ou cumprimento 
de pena
Nacionais de qualquer país em 
situação de liberdade provisória ou 
cumprimento de pena no Brasil.
Pendente de 
regulamentação 
específica
63Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Hipótese de 
autorização 
de residência 
(artigo 30)
Critérios de elegibilidade Referência
Pessoa que já teve 
a nacionalidade 
brasileira
Pessoa que já tenha possuído 
a nacionalidade brasileira e 
não deseje ou não reúna os 
requisitos para readquiri-la
Portaria 
Interministerial 
n° 18/2018
Uma vez que a Lei de Migração é bastante recente, nem 
todas as formas de regularização migratória previstas na lei 
estão, atualmente, regulamentadas. Nas hipótesesem que a 
regulamentação esteja pendente, há notícias de solicitações por 
via judicial. Por isso, é importante se manter atualizado sobre 
esse tema.
64Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 7: Naturalização
Diferenciar os tipos de naturalização.
A obtenção da nacionalidade brasileira, por intermédio do processo de naturalização, 
pode dar-se de diversas maneiras: a naturalização ordinária, a naturalização 
extraordinária e a naturalização provisória. 
Há ainda a possibilidade, para imigrantes portugueses que cumpram determinadas 
condições, de solicitar o Estatuto de Igualdade de Direitos e Obrigações Civis e Gozo 
de Direitos Políticos, que é regido por um tratado bilateral entre o Brasil e Portugal. 
Esse tratado foi incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto 
nº 70.391, de 12 de abril de 1972. A pessoa que solicitar a naturalização poderá, 
quando cabível e por meio de requerimento fundamentado, requerer a tradução ou 
a adaptação deseu nome à Língua Portuguesa.
Em todos os casos, a naturalização (assim como o Estatuto de Igualdade de Direitos) 
deve ser solicitada à Polícia Federal, que encaminhará o pedido ao Ministério da 
Justiça e Segurança Pública para análise. A pessoa que obtiver a naturalização ou 
o Estatuto de Igualdade de Direitos passa a ter, como seu principal documento de 
identificação, a carteira de identidade (RG). 
Desde novembro de 2020, os pedidos devem ser feitos 
exclusivamente pelo sistema Naturalizar-se, do Ministério da 
Justiça e Segurança Pública. Para ter acesso à plataforma, é 
necessário ter uma conta Gov.br.
A naturalização ordinária pode ser solicitada por qualquer imigrante que resida 
no Brasil há pelo menos quatro anos, prazo que pode ser reduzido nos casos em 
que a pessoa: 
• Tenha filho ou filha brasileira;
• Tenha cônjuge ou companheiro ou companheira brasileira;
• Seja reconhecida no Brasil como apátrida. 
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/seus-direitos/migracoes/naturalizacao/naturalizar-se
65Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Para solicitar a naturalização, a pessoa deve ainda ter capacidade civil segundo 
a lei brasileira, ser capaz de comunicar-se em língua portuguesa e não possuir 
condenação penal ou estar reabilitada, nos termos da lei.
Nesse caso, é a única modalidade de naturalização que exige do interessado a 
comprovação de que é capaz de se comunicar em língua portuguesa.
 + Para comprovar o domínio do idioma, a pessoa poderá apresentar:
1) Certificado de proficiência em língua portuguesa para estrangeiros 
obtido por meio do exame Celpe-Bras, realizado pelo Instituto Nacional 
de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP;
2) Certificado de conclusão de curso de educação superior ou pós-
graduação, realizado em instituição educacional brasileira, credenciada 
pelo Ministério da Educação; ou realizado em instituição educacional de 
países de língua portuguesa, desde que legalizado no Brasil. O cursoPode 
ser realizado na modalidade a distância, desde que aprovado pelo 
Ministério da Educação;
3) Certificado de aprovação no Exame de Ordem, realizado pelo Conselho 
Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; 
4) Certificado de conclusão, histórico escolar e programa, com 
aproveitamento satisfatório, de curso de língua portuguesa direcionado 
a imigrantes, realizado em instituição de educação superior credenciada 
pelo Ministério da Educação. Poderá ser realizado na modalidade a 
distância, desde que o aluno, previamente identificado, seja submetido 
a pelo menos uma avaliação presencial no estabelecimento responsável 
ou, no caso de discente domiciliado em local diverso da sede, em 
instituição de educação superior à sede conveniadae também 
credenciada pelo Ministério da Educação
5) Comprovante de conclusão do ensino fundamental ou médio por meio 
do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e 
Adultos - ENCCEJA;
6) Nomeação para o cargo de professor, técnico ou cientista decorrente de 
aprovação em concurso promovido por universidade pública brasileira;
7) Histórico escolar ou documento equivalente que comprove conclusão 
em curso de ensino fundamental, médio ou supletivo, realizado em 
instituição de ensino brasileira, reconhecido pela Secretaria de Educação 
competente; ou realizado em instituição educacional de países de língua 
portuguesa, desde que legalizado no Brasil.O curso pode ser realizado 
na modalidade a distância, desde que aprovado pelo Ministério da 
Educação; ou
66Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
8) Diploma de curso de medicina revalidado por instituição de educação 
superior pública após aprovação obtida no Exame Nacional de 
Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de 
Educação Superior Estrangeira - REVALIDA aplicado pelo INEP.
Esses documentos são dispensados às pessoas naturais de países cujo idioma oficial 
é o português. Já a naturalização extraordinária pode ser solicitada por pessoas 
de qualquer nacionalidade que tenham residência no Brasil há pelo menos 15 anos 
ininterruptos e que não tenham condenação penal. Por se tratar de naturalização 
extraordinária, a pessoa interessada resta dispensada da apresentação de certificado 
de sua capacidade de comunicação em Língua Portuguesa. 
A naturalização provisória contempla os casos de crianças que tenham se mudado 
para o Brasil antes de completarem os 10 anos de idade. Ela deverá ser requisitada 
por intermédio do seu representante legal e pode vir a converter-se em naturalização 
definitiva assim que a criança completar a maioridade. Para isso, ela deve pedir a 
naturalização definitiva entre os 18 e os 20 anos de idade.
Tipo de 
naturalização
Casos Requisitos
Ordinária • Qualquer imigrante que 
possua autorização de 
residência por prazo 
indeterminado por pelo 
menos 4 anos;
• Imigrantes que tiverem 
autorização de residência 
por prazo indeterminado 
há pelo menos 1 ano e 
que tiverem filhos/as ou 
cônjuge brasileiro/a;
• Apátridas com situação 
reconhecida pelo Brasil;
• imigrantes originários de 
países de língua 
portuguesa e que tiverem 
autorização de residência 
por prazo indeterminado 
há pelo menos 1 ano.
• Ter capacidade civil.
• Ser capaz de 
comunicar-se em 
língua portuguesa.
• Não possuir 
condenação penal 
ou estar reabilitada 
nos termos da lei.
67Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Tipo de 
naturalização
Casos Requisitos
Extraordinária Qualquer imigrante que resida 
no Brasil há pelo menos 
15 anos ininterruptos.
Não possuir 
condenação penal.
Provisória Crianças que se mudaram 
para o Brasil com menos 
de 10 anos de idade.
Deve ser solicitada 
pela pessoa que 
é representante 
legal da criança.
68Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Glossário
Verbete Palavra associada Definição / Significado
Imigrante
Pessoa nacional de outro país ou apátrida 
que trabalha ou reside e se estabelece 
temporária ou definitivamente no Brasil.
Acolhida 
humanitária
Hipótese de visto ou autorização de residência 
para pessoas apátridas ou nacionais de 
qualquer país em situação de grave ou iminente 
instabilidade institucional, de conflito armado, 
de calamidade de grande proporção, de desastre 
ambiental ou de grave violação de direitos 
humanos ou de Direito Internacional Humanitário, 
ou em outras hipóteses, na forma de regulamento.
Deportação Medida administrativa para casos de situação migratória irregular.
Expulsão
Medida administrativa para casos de sentença 
transitada em julgado, referente a: crimes de 
genocídio, crime contra a humanidade, crime de 
guerra ou agressão ou crime comum passível 
de pena privativa de liberdade, consideradas a 
gravidade e possibilidade de ressocialização.
Repatriação Medida administrativa para casos de impedimento de ingresso no território nacional.
Extradição
Medida de cooperação internacional com outro 
Estado para cumprimento de pena em outro 
país ou para responder a processo penal.
Residentefronteiriço
Pessoa nacional de país limítrofe ou apátrida 
que conserva a sua residência habitual em 
município fronteiriço de país vizinho.
Visto
É o documento emitido por representações 
do Brasil no exterior que dá ao seu portador a 
expectativa de ingresso em território nacional.
Exame 
Celpe-Bras
O Certificado de Proficiência em Língua 
Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras) é o 
exame brasileiro oficial para certificar proficiência 
em português como língua estrangeira.
69Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Referências
OIM. Organização Internacional para as Migrações; CNJ. Conselho Nacional de Justiça. 
Brasil sem Tráfico Humano. Brasília: OIM; CNJ, 2022. Disponível em: https://brazil.
iom.int/pt-br/brasil-sem-trafico-humano. Acesso em: 5 jun. 2023.
VELHO, C.; DIAS, J.; ROCHA, M. O combate ao tráfico de pessoas e a adequação da 
legislação nacional às normas internacionais. In: SCAMPINI, S. F (org.). Tráfico de 
pessoas. Brasília: Ministério Público Federal, 2017. v. 2.
https://brazil.iom.int/pt-br/brasil-sem-trafico-humano
https://brazil.iom.int/pt-br/brasil-sem-trafico-humano
70Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Vulnerabilidades em contexto 
migratório
Neste módulo, será abordado o conceito de vulnerabilidade em contexto migratório, 
entendendo que as situações de vulnerabilidade emergem de um complexo conjunto 
de fatores que interagem entre si de maneira não determinista. É importante 
compreender que a vulnerabilidade é complexa, não devendo ser tratada como 
uma característica inerente ao migrante ou ao refugiado.
Partindo do Modelo de Determinantes da Vulnerabilidade de Migrantes da OIM, serão 
considerados vários âmbitos nos quais os fatores de risco para a vulnerabilidade 
podem surgir, são eles: individuais, familiares, comunitários e estruturais. Essas 
quatro dimensões se articulam entre si e nenhuma delas consegue abarcar a 
vulnerabilidade de maneira isolada. 
Igualmente importante, os fatores que fortalecem a resiliência dos migrantes e 
contribuem para a superação de situações de vulnerabilidade também se articulam 
nesses quatro âmbitos e, portanto, todos devem ser levados em conta ao construir 
respostas programáticas que visem a proteção dos migrantes.
Também será considerada a vulnerabilidade a partir dos trajetos e momentos 
relacionados ao ciclo migratório, levando em consideração a existência de fatores 
de risco na origem, em trânsito e no destino. Logo, as ações de proteção devem 
também estar presentes ao longo de todo o ciclo migratório e não apenas no destino 
desejado pelos migrantes.
Além disso, será abordada a proteção aos migrantes em situação de vulnerabilidade 
a partir da proteção de direitos humanos, a proteção legal, a proteção física e a 
proteção social. O marco internacional de direitos humanos e a legislação brasileira 
garantem aos migrantes uma série de direitos que oferecem proteção nesses 
âmbitos. No entanto, pode ser um desafio considerável encontrar respostas para a 
proteção de migrantes em situação de vulnerabilidade na prática.
 Módulo
4
71Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 1: O conceito de vulnerabilidade
Conceituar o termo vulnerabilidade.
A ONU Migração, no Protocolo de Assistência a Migrantes em Situação de 
Vulnerabilidade, define vulnerabilidade da seguinte forma:
Em um contexto migratório, a vulnerabilidade significa a capacidade limitada 
para evitar, resistir, lidar com ou recuperar-se de danos. Esta capacidade 
limitada é o resultado de uma interação específica de características e condições 
individuais, familiar ou domiciliar, comunitários e estruturais.
Assim, migrantes em situação de vulnerabilidade estão em risco exacerbado 
de violência, exploração e abuso, não conseguindo usufruir plenamente de seus 
direitos humanos e precisando de atenção particular.
É importante entender que o conceito de vulnerabilidade deve servir para 
promover a plena realização dos direitos dessas pessoas e que o fato de uma 
pessoa se encontrar em uma situação de vulnerabilidade não significa que ela seja 
inerentemente vulnerável.
Como explicam Carmo e Guizardi (2018), o conceito de vulnerabilidade se constrói 
nos sistemas de saúde e assistência social no Brasil visando a consolidação dos 
direitos de cidadania:
O ser humano vulnerável, por outro lado, é aquele 
que, conforme conceito compartilhado pelas áreas da 
saúde e da assistência social, não necessariamente 
sofrerá danos, mas está a eles mais suscetível uma vez 
que possui desvantagens para a mobilidade social, não 
alcançando patamares mais elevados de qualidade de 
vida em função da sua cidadania fragilizada. Assim, ao 
mesmo tempo, o ser humano vulnerável pode possuir 
72Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
ou ser apoiado para criar as capacidades necessárias 
para a mudança da sua condição.
Logo, a compreensão das vulnerabilidades deve estar ancorada em uma percepção 
da pessoa como sujeito de direitos e plenamente capaz de realizar o seu potencial, 
de maneira a não promover uma perspectiva de tutela ou assistencialismo que, 
muitas vezes, restringe direitos em vez de promovê-los. 
Dentro dessa perspectiva, a situação de vulnerabilidade não é um sinal de "fraqueza", 
mas sim da existência de desigualdades que podem expor algumas pessoas a 
situações de maior risco de violações dos seus direitos. Os quatro tipos de fatores 
que impactam a vulnerabilidade são: fatores individuais, familiares, comunitários e 
estruturais. Esses fatores constam no Modelo de Determinantes da Vulnerabilidade 
de Migrantes, desenvolvido pela OIM.
É importante destacar que a situação migratória não é o único fator determinante de 
vulnerabilidade. Migrantes em distintas situações migratórias, entre eles solicitantes 
de refúgio, refugiados e migrantes em situação regular ou irregular podem se 
encontrar em situação de vulnerabilidade.
Esse ponto é importante pois muitos migrantes em situação de vulnerabilidade 
também podem precisar de formas específicas de proteção legal, mesmo que não 
se encaixem na definição de refugiado. Para dar apenas alguns exemplos, esse pode 
ser o caso das crianças migrantes desacompanhadas ou separadas, das vítimas de 
tráfico de pessoas, ou dos sobreviventes de tragédias ambientais.
Além disso, um migrante que tenha saído de seu país de origem sem nenhuma 
condição de vulnerabilidade pode se tornar vulnerável no decorrer do percurso 
migratório ou mesmo quando já se encontra no país de destino. Por sua vez, 
refugiados podem chegar ao país em situações extremamente vulneráveis 
relacionadas com múltiplos fatores, como a situação em seu país de origem ou como 
consequência do que a pessoa possa ter sofrido ao estar exposta à perseguição e a 
um ambiente de generalizada violação de direitos humanos.
No entanto, o refugiado não é inerentemente vulnerável, pois nas suas comunidades 
de acolhida, com o apoio adequado, ele tem todo o potencial que necessita para 
superar situações de vulnerabilidade.
A legislação brasileira contempla o refúgio, a apatridia e a acolhida humanitária. 
Esta última permite oferecer proteção a pessoas que são obrigadas a abandonar o 
seu país de origem e buscar acolhimento no Brasil devido a motivos que não estão 
incluídos na definição do refúgio, mas que mesmo assim necessitam de proteção, 
73Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
tais como as pessoas que vêm de países afetados por catástrofes ambientais ou 
grave instabilidade institucional.
O marco de proteção aos direitos humanos se aplica a todas as pessoas sem 
qualquer tipo de discriminação. Entretanto, no caso de migrantes em situação de 
vulnerabilidade, a aplicação desse marco pode ser mais difícil de compreender e, 
em alguns casos, os fluxos de identificação e referenciamento podem inclusive não 
existir.
Ao analisar os fatores de vulnerabilidade, é importante lembrar 
que a análise da situação de vulnerabilidade se faz de maneira 
individual,avaliando como os fatores interagem entre si naquele 
determinado contexto.
74Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 2: Fatores individuais
Identificar os fatores individuais.
Os fatores individuais são aqueles relacionados aos indivíduos, tais como seu 
status socioeconômico, suas características emocionais, psicológicas e cognitivas 
individuais, suas crenças e atitudes, sua história de vida e condições de saúde, assim 
como idade, etnia, identidade de gênero, orientação sexual, entre outros. Essas 
características são essenciais para a compreensão da construção de situações de 
vulnerabilidade, assim como para o fortalecimento das capacidades de resiliência 
dos indivíduos.
Eles não devem ser compreendidos de maneira isolada, pois alguns desses fatores 
podem ser de risco ou protetivos de acordo com o contexto. Por exemplo, o domínio 
de certo idioma pode ser um fator protetivo em contextos nos quais esse idioma 
permite à pessoa se comunicar plenamente e acessar serviços; a situação contrária 
pode ser um fator de risco, quando a pessoa não consegue se comunicar.
Por outro lado, alguns fatores geralmente são protetivos ou 
de risco em praticamente todos os contextos. Um exemplo é a 
literacia (capacidade de ler), que costuma ser um fator protetivo, 
enquanto o analfabetismo é quase sempre um fator de risco. 
75Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 3: Fatores familiares
Identificar os fatores familiares.
Esses fatores se referem às circunstâncias familiares em que os indivíduos estão 
inseridos, tais como o papel e a posição de cada um dos membros dentro da família 
e as histórias e experiências familiares. As famílias são, muitas vezes, a primeira 
opção das pessoas quando precisam de apoio, especialmente as crianças, os jovens 
e os idosos.
Todos os membros de uma família têm direitos e a forma como estes são respeitados 
dentro da família e no contexto social em que se inserem afeta de maneira importante 
os riscos aos quais os indivíduos estão expostos e a sua capacidade de construir 
resiliência.
Assim, o contexto familiar pode incluir tanto fatores de risco 
quanto de proteção contra a violência, a exploração e o abuso. 
A violência ou a desigualdade de tratamento entre membros da 
família, por exemplo, são fatores de risco, enquanto um ambiente 
acolhedor solidário e uma distribuição equitativa de recursos são 
fatores de proteção. Outros exemplos de fatores relacionados 
à família incluem o seu tamanho e a estrutura, históricos de 
violências, as histórias migratórias, os meios de subsistência de 
que a família dispõe e as dinâmicas entre os membros.
76Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 4: Fatores comunitários
Identificar os fatores comunitários.
Os fatores comunitários dizem respeito às sociedades em que os indivíduos e 
famílias se inserem, com suas características econômicas, culturais e sociais. É 
importante notar que, assim como ocorre com os fatores familiares, alguns fatores 
comunitários podem afetar grupos da comunidade de maneira diferente, o que 
torna alguns grupos mais vulneráveis do que outros.
Por exemplo, se em uma comunidade os meninos e meninas têm acesso desigual 
à educação e as meninas não podem estudar, então as meninas estão expostas a 
um fator de risco por conta da falta de acesso à educação, mas para os meninos no 
mesmo exemplo, o acesso à educação é um fator protetivo.
Alguns fatores de risco e de proteção podem se aplicar a todos os 
membros de uma comunidade, de maneira que é a comunidade 
como um todo que se torna mais ou menos vulnerável. Um 
exemplo é a exposição a fatores ambientais como enchentes, 
desertificação e contaminação ambiental, que podem ameaçar 
as formas de vida e os meios de subsistência da comunidade 
como um todo, além de resultar em experiências traumáticas.
Cada um dos membros de uma comunidade tem direitos e a maneira como estes 
são respeitados define como os fatores comunitários podem representar riscos ou 
proteção para os demais membros. Todas as comunidades têm uma combinação 
de fatores de risco e de proteção.
Alguns exemplos desses fatores podem incluir a existência de oportunidades 
educacionais de qualidade, de assistência em saúde, de equipamentos de assistência 
social e psicológica, e a maneira como esses recursos são divididos entre os membros 
da comunidade. Logo, a desigualdade também é de grande relevância para entender 
como esses fatores podem vir a representar risco ou proteção individual.
77Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 5: Fatores estruturais
Identificar os fatores estruturais.
Esse conjunto de fatores se refere, de maneira ampla, às condições históricas, 
sociais, geográficas, políticas, econômicas, sociais e culturais em diferentes níveis 
que conformam o ambiente nos quais os indivíduos, as famílias e as comunidades 
estão inseridos.
Fatores estruturais, de forma geral, são relativamente estáveis e difíceis de alterar. 
Exemplos desses fatores de risco incluem estruturas herdadas de um passado de 
colonização, a existência de leis discriminatórias ou de um estado de direito frágil.
Fatores protetivos podem incluir, por exemplo, uma sólida 
cultura de respeito pelos direitos humanos, de manutenção da 
paz e políticas para a diminuição das desigualdades sociais entre 
grupos.
78Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 6: O Modelo de Determinantes da 
Vulnerabilidade de Migrantes
Conceituar o Modelo de Determinantes da Vulnerabilidade de 
Migrantes.
No Modelo de Determinantes da Vulnerabilidade de Migrantes da OIM, a 
vulnerabilidade em contexto migratório é o resultado da interação de um conjunto 
de fatores de risco e proteção em vários níveis, incluindo os fatores individuais, 
familiares, comunitários e estruturais que acabamos de ver. Esse modelo leva em 
conta como a interação de fatores afeta os riscos de sofrer violência, exploração e 
abuso ao longo de todo o ciclo migratório, mas também as capacidades de resiliência 
dos migrantes.
Assim, a presença de um fator de risco não implica 
automaticamente que o imigrante estará em uma situação de 
vulnerabilidade. Muitas vezes, a situação de vulnerabilidade é 
o produto da atuação simultânea de vários fatores de risco, ao 
mesmo tempo em que os fatores protetivos são insuficientes. 
Igualmente, mesmo quando existem múltiplos fatores de risco, 
a situação de vulnerabilidade pode não vir a ocorrer devido à 
presença de vários fatores protetivos que fortaleçam a capacidade 
de resiliência dos migrantes.
O propósito do Modelo de Determinantes da Vulnerabilidade dos Migrantes é 
facilitar uma análise significativa de como múltiplos fatores se interseccionam de 
maneira dinâmica para influenciar a vulnerabilidade e a resiliência, de maneira a 
encontrar melhores soluções para a proteção dos direitos humanos dos migrantes.
79Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Modelo de determinantes da vulnerabilidade da OIM. 
Fonte: IOM Handbook on Protection and Assistance for Migrants Vulnerable to Violence, Exploitation 
and Abuse (2018). Disponível em: https://publications.iom.int/system/files/pdf/avm_handbook.pdf.
https://publications.iom.int/system/files/pdf/avm_handbook.pdf
80Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 7: Na origem, em trânsito e no destino
Identificar a situação de vulnerabilidade por meio do ciclo 
migratório.
Os fatores que levam a uma situação de vulnerabilidade podem ocorrer ao longo de 
todo o ciclo migratório. Eles podem ser parte do que leva o migrante a sair do seu 
país de origem, mas podem também ocorrer durante o trânsito e no destino.
Situações de vulnerabilidade associadas a múltiplos fatores podem ocorrer ao longo 
de todo o ciclo migratório, mesmo que os fatores associados sejam diferentes. 
Também é importante lembrar que as situações de vulnerabilidade podem se 
formar mesmo nos casos de migrantes que iniciaram o seu processomigratório de 
forma completamente voluntária.
Há pessoas que podem não ter um pedido da condição 
de refugiado, mas que estão, no entanto, vulneráveis 
e precisam de proteção como resultado das condições 
no seu país de origem ou da maneira em que elas são 
levadas a migrar. (UN SG Report A/70/59, parágrafo. 
35).
Ao longo de todo este curso, fomos discutindo a multiplicidade de situações que 
estão relacionadas à migração e os muitos motivos que levam as pessoas a migrar. 
Entre esses motivos, é importante destacar que existem fatores que levam as 
pessoas a migrar porque elas estão impossibilitadas de exercer plenamente os seus 
direitos nos seus países de origem ou de residência habitual.
Esses motivos podem ser muitos, como os desastres ambientais; as degradações 
ambientais e as mudanças climáticas; a falta de acesso à educação e saúde; a 
discriminação por motivos de gênero, raça ou orientação sexual; o recrutamento de 
crianças por parte de grupos armados, entre muitos outros. Migrantes em situação 
de deslocamento forçado estão em maior risco de sofrer violações de direitos 
humanos ao longo do seu ciclo migratório.
Nos trajetos utilizados pelos migrantes, outros fatores de risco podem emergir, 
principalmente se os migrantes estão obrigados ou são induzidos a utilizar formas 
81Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
perigosas de transporte. Em alguns casos, os migrantes fazem uso de coiotes para 
facilitar a sua travessia de fronteiras, que podem vir a colocá-los em situações de 
grande perigo.
Alguns podem ser vitimizados por redes de tráfico de pessoas durante o trajeto. 
Podem também enfrentar períodos sem acesso a condições adequadas de 
alimentação, água ou atendimento médico, por exemplo. Práticas como o fechamento 
de fronteiras, expulsão ou não admissão coletiva ou arbitrária podem colocar em 
grave risco a segurança e a saúde dos migrantes, além de expô-los a situações de 
violações de direitos humanos.
Alguns fatores de risco emergem no destino. Situações que 
podem vir a causar vulnerabilidades na comunidade de acolhida 
incluem a dificuldade no acesso à documentação e à regularização 
migratória em geral, a xenofobia e o racismo, obstáculos no 
acesso à justiça e a serviços básicos. As barreiras linguísticas 
podem ser outro fator de risco importante, assim como a falta de 
locais de referência onde buscar ajuda.
82Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 8: Vulnerabilidade à violência, 
exploração e abuso
Identificar a vulnerabilidade à violência, exploração e abuso em 
contexto migratório.
Vamos conhecer, nesta unidade, a vulnerabilidade à violência, exploração e abuso 
em contexto migratório. 
8.1 Violência contra mulheres e meninas em 
contextos de mobilidade
A violência contra a mulher é entendida como toda violência que é direcionada 
contra uma pessoa por causa do seu gênero. No Brasil, a referência mais conhecida 
para a compreensão desse conceito é a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que 
pretende enfrentar a violência doméstica e familiar contra as mulheres e meninas. 
Apesar de a Lei Maria da Penha ser a referência mais conhecida no Brasil, a violência 
contra a mulher não ocorre apenas no âmbito doméstico ou das relações íntimas. 
Ela ocorre toda vez que uma violência é direcionada contra mulheres e meninas por 
causa do seu gênero.
Segundo o UNFPA, o Fundo de População das Nações Unidas (2017), "a 
violência contra mulheres e meninas é uma das violações de direitos 
humanos mais prevalentes no mundo. Ela não conhece barreiras sociais, 
econômicas ou nacionais".
No contexto das migrações, a violência contra a mulher deve ser entendida de 
maneira transversal; ela pode ser uma das motivações que levam mulheres e 
meninas a migrar, inclusive a buscar proteção internacional como refugiadas. 
A violência contra a mulher pode ocorrer também durante o trajeto: segundo o 
Migration Policy Institute (2017), mais da metade das mulheres migrantes em 
algumas rotas migratórias relataram ter sofrido violência sexual e muitas delas 
adotam alguma estratégia anticoncepcional durante o trajeto para evitar uma 
83Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
gravidez resultante de estupro. Na chegada ao destino, as mulheres podem também 
estar expostas a esse tipo de violência.
Agora, assista ao vídeo da UNFPA Brasil sobre o Dia Internacional da Juventude: 
Violência de Gênero e Migração. 
Vídeo 10 – "Dia Internacional da Juventude: Violência de Gênero 
e Migração”.
Duração: 01:43 
Fonte: UNFPA Brasil (2018).
8.2 Exploração laboral
A exploração laboral consiste em situações de trabalho forçado, servidão por dívida, 
jornadas exaustivas ou em condições degradantes e pode incluir violência, maus-
tratos, restrição de liberdade, retenção de documentos e recusa de pagamento. 
 + Trabalho forçado
É aquele exigido sob ameaça de sanção física ou psicológica e para o 
qual o trabalhador não tenha se oferecido ou não deseje permanecer 
espontaneamente. Ocorre quando a pessoa é coagida a trabalhar 
através do uso de violência ou intimidação, física ou psicológica, ou até 
mesmo por meios mais sutis como a servidão por dívidas, a retenção de 
documentos de identidade ou ameaças de denúncia às autoridades de 
imigração.
 + Jornada exaustiva
É toda forma de trabalho, de natureza física ou mental que, por sua 
extensão ou por sua intensidade, acarrete violação de direito fundamental 
do trabalhador, notadamente os relacionados à segurança, saúde, 
descanso e convívio familiar e social. Ocorre em casos de expediente 
desgastante que supera as horas extras e coloca em risco a integridade 
física do trabalhador, de maneira que o intervalo entre jornadas é 
insuficiente para o descanso e recuperação.
 + Servidão por dívida
É a limitação ao direito fundamental de ir e vir ou de encerrar o contrato 
de prestação do trabalho em razão de dívida imputada pelo empregador 
ou preposto ou da indução ao endividamento com terceiros. Inclui 
https://www.youtube.com/watch?v=ZZCqAhgs55Q&feature=emb_logo
https://www.youtube.com/watch?v=ZZCqAhgs55Q&feature=emb_logo
https://youtu.be/ZZCqAhgs55Q
https://youtu.be/ZZCqAhgs55Q
84Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
a fabricação de dívidas ilegais referentes a gastos com transportes, 
alimentação, aluguel e ferramentas de trabalho. Serviços e itens são 
cobrados de maneira abusiva e descontados do salário do trabalhador.
 + Condição degradante
É qualquer forma de negação da dignidade humana pela violação de 
direito fundamental do trabalhador, notadamente os dispostos nas 
normas de proteção do trabalho e de segurança, higiene e saúde no 
trabalho. Inclui um conjunto de elementos irregulares que caracterizam a 
precariedade do trabalho e das condições de vida sob a qual o trabalhador 
é submetido, por exemplo o alojamento precário, a falta de assistência 
médica, péssimas condições de alimentação, falta de saneamento básico 
e água potável, maus-tratos e violência.
A exploração laboral não ocorre apenas em lugares remotos nem está restrita 
apenas a um setor produtivo. Ela pode ocorrer no campo, em indústrias, no espaço 
doméstico, entre outros. Por isso, é importante conhecer como se caracteriza esse 
tipo de exploração, para saber identificá-la e ativar os canais de denúncia.
Confira dois exemplos de exploração laboral:
• Leitura: Domésticas das Filipinas são escravizadas em São Paulo.
• Vídeo: #NãoSomosEscravosdaModa – Luedji Luna. Fonte: MPTPGT 
(2018).
Caso haja suspeita de uma situação de exploração laboral, é possível denunciar e 
solicitar uma fiscalização para avaliar a existência de irregularidades. A fiscalização 
deve ser solicitada à Superintendência Regional do Trabalho. Denúncias podem ser 
feitas no Disque Direitos Humanos – Disque 100 ou encaminhadas ao Ministério 
Público do Trabalho, de forma presencial ou on-line no site: https://mpt.mp.br/.
8.3 Tráfico de pessoas
Situações de vulnerabilidade e tráfico de pessoas também estão relacionadas,porém não são equivalentes. Redes de tráfico de pessoas podem aliciar, nos locais 
de origem, pessoas que não estão em situação de vulnerabilidade, mas a existência 
de uma situação de vulnerabilidade prévia é um fator de risco, assim como a 
desigualdade entre homens e mulheres, a baixa escolaridade, a falta de acesso à 
informação sobre o tráfico de pessoas, entre muitos outros. Outros fatores de risco 
incluem a situação de indocumentação, como não possuir documento de identidade 
ou certidão de nascimento.
https://www.youtube.com/watch?v=X8aLv19wnBg&list=PLFOKa-Ofll2eqZlTqov8rvqVMrjnp3F75&index=17
https://mpt.mp.br/
85Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Mulheres, crianças e adolescentes são as principais vítimas do tráfico de pessoas. 
Crianças e adolescentes são geralmente recrutados por pessoas adultas, que 
oferecem de forma enganosa melhores condições de vida. No caso das adolescentes, 
outra forma de recrutamento pode ser fingir interesse em iniciar uma relação 
amorosa ou ofertas de trabalho como modelo ou babá em outros lugares.
No entanto, é muito importante compreender que o tráfico de pessoas não abarca 
apenas situações de tráfico de mulheres e meninas para a exploração sexual – esta 
era a única situação reconhecida pela lei brasileira como tráfico de pessoas até 2016, 
de maneira que por vezes ela pode permanecer no imaginário social como a única 
situação associada ao tráfico de pessoas. 
Na maioria das vezes, o aliciador não trabalha isoladamente, mas em uma rede que 
pode incluir transportadores, fornecedores de documentação falsa, encobridores 
de lugares de exploração, entre outros. Ao chegar ao lugar de destino, diferentes 
formas de exploração começam a operar para impedir que a vítima consiga sair do 
lugar.
Saiba mais lendo a reportagem da Polícia Federal sobre a 
desarticulação do esquema criminoso de tráfico internacional de 
pessoas:
• https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/pf-
desarticula-esquema-de-trafico-internacional-de-pessoas-
na-bahia-e-mais-tres-estados/ 
Leia também sobre o combate ao tráfico internacional de pessoas 
e ao trabalho escravo:
• https://exame.com/brasil/pf-deflagra-operacao-contra-
trafico-de-pessoas-e-trabalho-escravo/
• https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/
direitos-humanos/audio/2021-05/pf-faz-operacao-de-
combate-ao-trafico-de-pessoas-e-trabalho-escravo
O crime quase nunca é percebido pelas vítimas, que frequentemente relatam o 
acontecido como má sorte ou desgraça. Assim, é importante conhecer os elementos 
que caracterizam o tráfico de pessoas para poder identificar narrativas que possam 
indicar essas situações.
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/pf-desarticula-esquema-de-trafico-internacional-de-pessoas-na-bahia-e-mais-tres-estados/
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/pf-desarticula-esquema-de-trafico-internacional-de-pessoas-na-bahia-e-mais-tres-estados/
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/pf-desarticula-esquema-de-trafico-internacional-de-pessoas-na-bahia-e-mais-tres-estados/
https://exame.com/brasil/pf-deflagra-operacao-contra-trafico-de-pessoas-e-trabalho-escravo/
https://exame.com/brasil/pf-deflagra-operacao-contra-trafico-de-pessoas-e-trabalho-escravo/
https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/direitos-humanos/audio/2021-05/pf-faz-operacao-de-combate-ao-trafico-de-pessoas-e-trabalho-escravo
https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/direitos-humanos/audio/2021-05/pf-faz-operacao-de-combate-ao-trafico-de-pessoas-e-trabalho-escravo
https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/direitos-humanos/audio/2021-05/pf-faz-operacao-de-combate-ao-trafico-de-pessoas-e-trabalho-escravo
86Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 9: Proteção a migrantes em situação 
de vulnerabilidade
Indicar os diferentes tipos de proteção a migrantes em situação 
de vulnerabilidade.
O termo "proteção" costuma ser utilizado para "descrever as ações que têm como 
objetivo manter a segurança e o bem-estar dos indivíduos, de acordo com os direitos 
reconhecidos.”
Essa proteção está codificada nos diversos instrumentos internacionais de direitos 
humanos, assim como na legislação nacional relevante, mas pode encontrar 
obstáculos como a falta de mecanismos de implementação adequados aos casos 
de migrantes vulneráveis, independente da sua situação migratória.
Os tipos de proteção importantes para migrantes em situação de 
vulnerabilidade incluem a proteção de direitos humanos, a proteção legal, 
a proteção física, a proteção social e a proteção humanitária.
A proteção dos direitos humanos é a obrigação dos Estados de respeitar, proteger 
e cumprir o conjunto de direitos humanos. Portanto, consiste na obrigação de:
➊Respeitar os direitos humanos e não interferir com o pleno usufruto 
destes direitos (por exemplo, banindo as práticas de detenção arbitrária 
ou expulsão coletiva, entre outras).
➋Proteger todas as pessoas na sua jurisdição contra violações de direitos 
que possam ser cometidas por indivíduos ou entes privados (por exemplo, 
combatendo o trabalho escravo e tráfico de pessoas).
➌Cumprir as suas obrigações com respeito a estes direitos de maneira 
positiva, isso é, implementando medidas para a plena realização dos 
direitos humanos.
A proteção legal se dá através do Estado de Direito e da construção de um marco 
legal no direito interno que busque proteger os indivíduos de violações aos seus 
direitos, além de construir as condições para o pleno acesso à justiça e ao devido 
87Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
processo legal. No Brasil, a proteção legal de migrantes vulneráveis se dá de diversas 
maneiras. Como exemplos, além das proteções previstas na Constituição e na Lei 
de Migração, citamos o acesso à assistência jurídica gratuita através da Defensoria 
Pública da União.
A Defensoria Pública da União, o Ministério Público Federal e a Defensoria 
Pública Estadual podem atuar na proteção legal de imigrantes, dentro das 
suas atribuições legais. Essa proteção não se limita a questões estritamente 
ligadas à migração.
A proteção física inclui as medidas para manter a integridade física das pessoas 
e dos seus bens, prevenindo situações de dano ou perigo. Ela pode incluir, por 
exemplo, o abrigamento ou o acesso a programas de proteção para vítimas de 
tráfico de pessoas.
Já a proteção social inclui o apoio aos indivíduos, famílias e comunidades em 
questões relacionadas ao seu bem-estar, prevenindo, gerindo e superando riscos 
nessa área, buscando reduzir a pobreza, a exclusão social e a desigualdade. No 
Brasil, a seguridade social está descrita na Constituição e não diferencia brasileiros e 
imigrantes, de maneira que os imigrantes podem acessar todos os direitos relativos 
à saúde, à previdência e à assistência social (capítulo II, artigo 194).
Pessoas que trabalham na assistência a migrantes têm um importante 
papel na garantia da proteção a migrantes em situação de vulnerabilidade, 
em especial a proteção social e física. 
No âmbito da Operação Acolhida, força-tarefa que atende imigrantes venezuelanos 
especialmente em Roraima e Amazonas, medidas estão em prática para garantir a 
proteção de migrantes vulneráveis em diversos aspectos. 
A proteção legal se dá através da regularização migratória e da presença e atuação 
da Defensoria Pública da União, principalmente em casos de crianças separadas e 
desacompanhadas. A proteção física é garantida pelo Exército Brasileiro através 
da instalação de infraestruturas e da presença nos espaços da Operação. Por fim, 
a proteção social é garantida pela presença de uma equipe de assistentes sociais 
capazes de analisar e encaminhar os casos mais vulneráveis para o pedido de 
benefícios sociais.
88Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 10: Princípios orientadores na 
assistência a imigrantes em situação de 
vulnerabilidade
Reconhecer os princípios orientadores na assistência a imigrantes 
em situaçãode vulnerabilidade.
Os seguintes princípios devem orientar a assistência a migrantes em situação de 
vulnerabilidade:
➊ Enfoque em direitos humanos
O enfoque nos direitos humanos dos imigrantes deve permear todos 
os aspectos da assistência. Isso equivale a dizer que todas as ações 
realizadas no âmbito da assistência devem se preocupar ativamente com 
a garantia dos direitos humanos dos migrantes e tomar as precauções 
necessárias para que eles não sejam desrespeitados ou colocados em 
segundo plano.
➋ Evitar um dano maior
Devido aos riscos associados, ao estado de fragilidade e vulnerabilidade 
das vítimas e à possibilidade de aumentar o trauma, deve-se evitar 
toda ação que possa causar maior dano. É necessário reconhecer que 
a maneira de prestar assistência pode resultar em impactos negativos 
involuntários e atuar para evitar essas situações. Por exemplo, expor uma 
pessoa sobrevivente de uma situação traumática a gatilhos de trauma ou 
pedir-lhe que relate a sua história mais de uma vez e/ou em condições 
inadequadas pode resultar em um impacto muito negativo sobre a sua 
saúde mental. Toda a atuação na assistência deve evitar a revitimização. 
➌ Livre acesso a serviços
Os imigrantes que necessitem devem ter livre acesso aos serviços 
disponíveis. O acesso aos serviços públicos é garantido pela legislação 
brasileira.
➍ Confidencialidade e direito à privacidade
Todos os dados obtidos no contexto da assistência devem ser tratados 
com confidencialidade e com respeito à privacidade. Dados pessoais 
não devem ser divulgados e o imigrante deve ser informado sobre o 
tratamento dos seus dados pessoais. Qualquer divulgação só pode ser 
89Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
feita com o consentimento informado do imigrante e este consentimento 
pode ser retirado a qualquer momento. A confidencialidade se aplica aos 
dados pessoais do imigrante e da sua família.
➎ Assistência e tratamento personalizados, contínuos e integrais
Reconhecer e respeitar a individualidade dos imigrantes e prover cuidado 
e assistência personalizados.
➏ Autodeterminação e participação
Reconhecer o direito e a necessidade do imigrante de participar na 
tomada de decisões na maior medida possível.
➐ Consentimento informado
O imigrante deve sempre ser plenamente informado e consentir com 
qualquer assistência fornecida. Isso deve ser feito tendo atenção às 
diferenças linguísticas, culturais e aos possíveis desafios na comunicação 
com a pessoa imigrante. O consentimento da pessoa imigrante a 
qualquer tipo de assistência fornecida pode ser revisto por ela a qualquer 
momento.
➑ Não discriminação
Por qualquer motivo como gênero, etnia, idade, nacionalidade, situação 
migratória, tempo de estadia no país, entre outros.
➒ Sensibilidade ao gênero
A assistência deve ser feita de forma sensível às desigualdades entre 
homens e mulheres, de maneira a não as exacerbar. Isso implica 
considerar os impactos que cada ação pode vir a ter sobre essas 
desigualdades, mesmo quando se trate de ações que não estão pensadas 
especificamente para atuar na redução de desigualdades.
➓ Superior interesse da criança
Todas as ações envolvendo crianças e adolescentes devem ser tomadas 
considerando o seu superior interesse. O superior interesse da criança 
é um direito da criança e um princípio orientador de todas as ações 
que envolvam crianças. Esse conceito se articula com outros direitos e 
princípios e não pode ser invocado para justificar a limitação dos direitos 
da criança ou ações que possam provocar maior dano. A interpretação 
do superior interesse da criança é individual e coletiva, ou seja, refere-
se ao superior interesse de cada criança – em sua situação particular – 
assim como do grupo de crianças.
90Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Glossário
Verbete Palavra associada Definição / Significado
Vulnerabilidade
Em um contexto migratório, a 
vulnerabilidade é a capacidade 
limitada para evitar, resistir, enfrentar 
ou recuperar-se do dano. Essa 
capacidade limitada é o resultado da 
interação específica de características 
e condições individuais, familiares, 
comunitárias e estruturais.
Proteção
Todas as atividades que visam à 
obtenção do pleno respeito pelos 
direitos do indivíduo de acordo com a 
letra e espírito dos conjuntos legislativos 
relevantes (direitos humanos, Direito 
Internacional Humanitário, Direito 
Internacional dos Refugiados)
Tráfico de 
pessoas
O recrutamento, transporte, 
transferência, alojamento ou acolhimento 
de pessoas recorrendo-se à ameaça, 
ao uso da força ou a outras formas de 
coação, ao rapto, à fraude, ao engano, 
ao abuso de autoridade, à situação de 
vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação 
de pagamentos ou benefícios para obter 
o consentimento de uma pessoa que 
tenha autoridade sobre outra para fins 
de exploração. A exploração pode incluir 
a exploração da prostituição de outros 
ou diferentes formas de exploração 
sexual, o trabalho forçado, a escravidão 
ou práticas análogas à escravidão, a 
servidão, a remoção de órgãos e a adoção 
ilegal.
91Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Referências 
CARMO, M. E.; GUIZARDI, F. L. O conceito de vulnerabilidade e seus sentidos para 
as políticas públicas de saúde e assistência social. Cadernos de Saúde Pública, v. 
34, n. 3. Brasília, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0102-311x00101417. 
Acesso em: 9 nov. 2020.
UNHCR - The UN Refugee Agency. Figures at a Glance. UNHCR - The UN Refugee 
Agency, 2019. Disponível em: http://www.unhcr.org/figures-at-a-glance.html. Acesso 
em: 9 nov. 2020.
IOM. International Organization for Migration. Glossary on Migration, n. 34. 
Genebra, 2019.
IOM. International Organization for Migration. IOM handbook: on protection and 
assistance for migrants vulnerable to violence, exploitation and abuse. Genebra, 
2018. Disponível em: https://publications.iom.int/system/files/pdf/avm_handbook.
pdf. Acesso em: 9 nov. 2020.
OHCHR; GLOBAL MIGRATION GROUP. Principles and guidelines, supported by 
practical guidance, on the human rights protection of migrants in vulnerable 
situations. Genebra. [s. d.].
RUIZ, Suely. Protocolo de assistência a migrantes em situação de vulnerabilidade. 
Brasília: OIM - Brasil, 2018. Adaptado.
TRINDADE, C. A. A. Uprootedness and the protection of migrants in the International 
Law of Human Rights. Revista Brasileira de Política Internacional v. 51, n. 1. 
Brasília, 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-73292008000100008. 
Acesso em: 9 nov. 2020.
UNHCR. United Nations High Commissioner for Refugees. Convention and protocol 
relating to the status of refugees. Genebra, 1951. Disponível em: http://www.
unhcr.org/3b66c2aa10. Acesso em: 9 nov. 2020.
UN. United Nations. International migrant stock 2019. Department of Economic 
and Social Affairs, 2019.
VIDAL, E. M.; TJADEN, J. D. Global Migration Indicators. IOM's Global Migration Data 
Analysis Centre: Berlim, 2018. Disponível em: https://publications.iom.int/system/
files/pdf/global_migration_indicators_2018.pdf. Acesso em: 09 nov. 2020.
https://doi.org/10.1590/0102-311x00101417
http://www.unhcr.org/figures-at-a-glance.html
https://publications.iom.int/system/files/pdf/avm_handbook.pdf
https://publications.iom.int/system/files/pdf/avm_handbook.pdf
https://doi.org/10.1590/S0034-73292008000100008
http://www.unhcr.org/3b66c2aa10
http://www.unhcr.org/3b66c2aa10
https://publications.iom.int/system/files/pdf/global_migration_indicators_2018.pdf
https://publications.iom.int/system/files/pdf/global_migration_indicators_2018.pdf
92Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Atendimento a imigrantes
Neste módulo, será abordada a importância da documentação para assegurar a 
qualidade de vida aos imigrantes. Além disso, serão expostos os direitos que os 
imigrantes possuem à saúde, à assistência social, à moradia, à educação, ao trabalho, 
à renda, à assistência jurídica e à reunião familiar.
Unidade 1: Documentação
Reconhecer a importânciada documentação para a qualidade de 
vida dos imigrantes.
A documentação é um aspecto muito importante para a qualidade de vida dos 
imigrantes e o acesso a direitos. O principal documento de identificação dos 
migrantes no Brasil é chamado Carteira de Registro Nacional Migratório (CRNM). 
Esse documento é padrão, independente da hipótese utilizada pelo migrante para a 
regularização migratória no Brasil. A CRNM é produzida pela Polícia Federal (Decreto 
nº 9.199/2017, artigo 58).
Carteira de Registro Nacional Migratório. https://portaldeimigracao.mj.gov.
br/images/portarias/PORTARIA_N%C2%BA_11.264_DE_24_DE_JANEIRO_
DE_2020.pdf. Portaria nº 11.264, de 24 de janeiro de 2020.
Entre as diferentes formas de regularização migratória no Brasil, podem ser citados 
os vistos temporários (solicitados fora do Brasil) e as autorizações de residência 
(requeridasno Brasil), assim como a solicitação de reconhecimento da condição de 
refugiado e a solicitação de reconhecimento da condição de apátrida.
 Módulo
5
https://portaldeimigracao.mj.gov.br/images/portarias/PORTARIA_N%C2%BA_11.264_DE_24_DE_JANEIRO_DE_2020.pdf
https://portaldeimigracao.mj.gov.br/images/portarias/PORTARIA_N%C2%BA_11.264_DE_24_DE_JANEIRO_DE_2020.pdf
https://portaldeimigracao.mj.gov.br/images/portarias/PORTARIA_N%C2%BA_11.264_DE_24_DE_JANEIRO_DE_2020.pdf
93Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Todos os imigrantes, uma vez que tenham a sua situação 
migratória estabelecida no Brasil, recebem a CRNM. Para tal, é 
importante saber que todos os imigrantes devem realizar o seu 
registro junto à Polícia Federal, inclusive os que entram no país 
portando um visto temporário (Decreto nº 9.199/2017, artigo 62). 
A exceção são os solicitantes de reconhecimento da condição 
de refugiado que receberão um documento de identificação 
provisório enquanto seu pedido é analisado pelo governo 
brasileiro 
Saiba Mais sobre o Decreto nº 9.199/2017 em http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/decreto/D9199.htm
No caso de solicitantes de reconhecimento da condição de refugiado, o protocolo 
recebido tem validade de um ano e funciona como documento de identificação até 
que o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) decida sobre a solicitação de 
reconhecimento da condição de refugiado. Esse documento pode ser em formato 
de cédula, o Documento Provisório de Registro Nacional Migratório (DPRNM). Caso 
essa decisão não ocorra antes da data de vencimento do protocolo de solicitação, 
este poderá ser renovado na Polícia Federal por mais um ano. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/decreto/D9199.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/decreto/D9199.htm
94Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Você conhece o Protocolo de Refúgio? Veja um modelo do documento:
Modelo de protocolo de refúgio. Fonte: https://www.justica.gov.br/seus-direitos/refugio/
integracao-local. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Acesso em: 9 nov. 2020.
O Protocolo de Refúgio e o DPRNMé são os documentos de identificação do 
solicitante de refúgio, e é válidos em todo ono território nacional, para as pessoas 
que estão nessa situação. Por isso, esses documentos deveráão ser aceitos em todas 
as ocasiões em que solicitarem um documento de identificação, como na abertura 
de conta bancária, na realização de contrato de aluguel, na matrícula em um curso 
superior, numa viagem dentro do território brasileiro, entre outros. 
https://www.justica.gov.br/seus-direitos/refugio/integracao-local
https://www.justica.gov.br/seus-direitos/refugio/integracao-local
95Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
📌 Você sabia?
Caso queira comprovar a veracidade de um protocolo de refúgio, 
você pode utilizar os mecanismos de verificação incluídos na 
parte inferior do documento:
Protocolo com a verificação destacada
Também há relatos de pessoas que têm dificuldade de acessar certos direitos por 
conta da palavra "Provisório" no DPRNM, como por exemplo em uma contratação 
para um emprego por tempo indeterminado. Vale lembrar que "Provisório" não diz 
respeito ao tempo de estadia da pessoa no Brasil. 
Para acesso a direitos básicos, não há diferença entre migrantes irregulares ou 
regulares, ou autorizações de residência provisórias ou definitivas, por tempo 
determinado ou indeterminado. 
96Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Modelo atual de documento provisório. 
Fonte: https://portaldeimigracao.mj.gov.br/images/portarias/PORTARIA_N%C2%BA_11.264_
DE_24_DE_JANEIRO_DE_2020.pdf. Portaria nº 11.264, de 24 de janeiro de 2020.
De posse da CRNM ou de algum dos protocolos provisórios, o imigrante pode exercer 
atos da vida civil normalmente, além de conseguir acessar sem restrição serviços, 
programas e benefícios vinculados aos sistemas públicos. Importante lembrar que, 
mesmo que não tenham esses documentos, os direitos básicos devem ser garantidos, 
de preferência identificando o imigrante com o documento que dispuser. 
Por conta dos prazos de validade e hipóteses definidas para a regularização migratória 
no Brasil, pode ser necessário encaminhar a mesma pessoa para a regularização 
migratória mais de uma vez. Isso pode se dar por vários motivos, entre eles o fim do 
prazo de residência ou o surgimento de uma hipótese de regularização migratória 
mais vantajosa para o imigrante.
Assim como os brasileiros, os imigrantes podem solicitar o CPF na Receita Federal e, 
para isso, devem apresentar a CRNM, DPRNM, Certificado de inscrição consular ou o 
protocolo de que disponham. São aceitos também documentos de viagem admitidos 
em acordos internacionais, que se aplica aos documentos de identificação do país 
de origem de Estados Partes do MErcosul e Estados associados. Para imigrantes em 
trânsito ou residentes no exterior, é possível emitir com passaporte, documento 
de identificação do país de origem ou outros documentos de viagem admitidos 
em tratado (Instrução Normativa SRFB nº 2.034 em junho de 2021). Para fazer a 
inscrição no CPF, o imigrante pode se dirigir às agências do Banco do Brasil, da Caixa 
Econômica Federal ou dos Correios e deverá pagar uma taxa de R$7,00 ou apresentar 
a Declaração de Hipossuficiência Econômica, em igual modelo à apresentada junto 
à Polícia Federal para fins de regularização migratória. Os menores de 16 anos 
deverão apresentar também o documento de identificação de um dos pais ou de 
outro responsável legal que detenha sua guarda. É possível fazer a inscrição no CPF 
de forma virtual, gerando um protocolo de atendimento no site da Receita Federal 
e fazendo o encaminhamento dos documentos por e-mail.
O imigrante pode também solicitar a carteira de trabalho digital. O procedimento 
para obtenção por via digital exige que a pessoa tenha CPF e uma conta Gov.br e 
https://www.gov.br/pt-br/servicos/inscrever-no-cpf
https://www.gov.br/pt-br/servicos/inscrever-no-cpf
https://www.gov.br/pt-br/servicos/obter-a-carteira-de-trabalho
97Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
acesso a um meio digital (celular, computador).Em todos os casos, a CTPS emitida 
para imigrantes tem a mesma validade do documento de regularização migratória 
e pode ser renovada quando a CRNM for renovada.
O Cartão Nacional de Saúde também pode ser obtido por todos os imigrantes que 
residam no Brasil. Para solicitar o cartão, o imigrante pode se dirigir à Secretaria 
de Saúde do município ou a qualquer unidade de saúde do SUS. Será necessário 
apresentar um documento de identificação e o CPF. Uma vez feito o cadastro, também 
será possível acessar o Portal de Saúde do Cidadão. A pessoa também pode fazer um 
pré-cadastro através do portal. Caso a pessoa não possua documentos migratórios, 
o cadastro deve ser feito apenas com o CPF e o documento de identificação que o 
imigrante dispuser. Se a pessoa não tiver CPF, o cadastro deve ser feito ainda assim, 
constando como incompleto e o atendimento não deve ser negado em razão da 
condição migratória.De qualquer maneira, é importante lembrar que ninguém será impedido 
de receber atendimento de saúde por não portar ou ter um cartão do SUS.
Já o cadastramento no CadÚnico deve ser feito pelo responsável pela unidade 
familiar através da apresentação do CPF nos Centros de Referência de Assistência 
Social (CRAS). Os demais membros da família devem apresentar qualquer um 
dos seguintes documentos de identificação: certidão de nascimento, certidão de 
casamento, CPF, carteira de identidade (RG), carteira de registro nacional migratório 
(CRNM), carteira de trabalho ou título de eleitor.
A pessoa que será registrada como responsável pela unidade familiar deve ser 
maior de 16 anos e preferencialmente mulher. Embora não sejam documentos 
indispensáveis, a apresentação de comprovante de endereço, comprovante de 
matrícula escolar das crianças de 4 a 17 anos e carteira de trabalho agilizam a inclusão 
da família em programas sociais. Caso a pessoa não tiver CPF, o cadastro deve ser 
realizado, constando como incompleto e a família orientada a realizar a inscrição. 
Qualquer atendimento que não exija o cadastro completo deve ter seguimento 
normalmente, independente da condição migratória da pessoa.
A abertura de conta bancária também é garantida pela nova Lei de Migração. No 
entanto, às vezes os imigrantes podem encontrar obstáculos para a abertura de 
conta, inclusive por desconhecimento acerca dos documentos de que eles dispõem.
Por regulamentação, as instituições financeiras têm autonomia para definir a 
documentação necessária para identificação de clientes, sendo hábeis para essa 
identificação qualquer documento reconhecido pela legislação vigente no País 
(Instrução Normativa BCB n°2 de 3 de agosto de 2020). Via de regra, a CRNM, DPRNM 
e protocolos devem ser aceitos normalmente, sendo a sua recusa uma violação 
dessa norma. Em alguns casos, agências bancárias podem aceitar passaporte ou 
documento do país de origem, de forma discricionária.
http://mds.gov.br/assuntos/cadastro-unico/o-que-e-e-para-que-serve/como-se-cadastrar
98Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 2: Acesso à saúde
Identificar o direito de acesso à saúde dos imigrantes.
No Brasil, a saúde é direito de todos e dever do Estado (Constituição federal, 
artigo 196). O SUS pode, portanto, ser acessado por todos os imigrantes no Brasil, 
independente da sua nacionalidade, condição migratória ou tempo de estadia. 
Assim como os brasileiros, os imigrantes podem ser atendidos gratuitamente em 
todos os equipamentos de saúde da rede pública, como ter acesso às consultas, aos 
exames, à internação, aos programas de vacinação e aos remédios disponibilizados 
nas farmácias populares da rede pública e todos os outros serviços de que a rede 
pública dispõe.
Em caso de urgência ou emergência, a pessoa deve ser atendida 
independente da sua situação migratória e documentação.
Igualmente, tal como descrita na Constituição federal, a saúde pública no Brasil tem 
um componente de participação da comunidade (artigo 198, inciso II). Imigrantes 
podem integrar as iniciativas de participação comunitária no sistema público de 
saúde em igualdade com os demais membros da comunidade.
Também não existe impedimento à participação de imigrantes nos processos seletivos 
para profissionais de saúde, desde que cumpridos os requisitos. A contratação de 
imigrantes no SUS pode, de fato, fortalecer o acesso à saúde de parte da população 
imigrante, além de enriquecer o Sistema como um todo. Particularmente, destaca-
se o papel que agentes comunitários de saúde imigrantes podem ter na promoção 
do acesso à saúde de outros imigrantes e na superação de barreiras linguísticas e 
culturais entre os imigrantes e os serviços.
Saiba mais com a leitura recomendada: Agentes de saúde 
estrangeiros atendem uma crescente população imigrante em 
São Paulo.
https://epoca.globo.com/saude/noticia/2018/01/agentes-de-saude-estrangeiros-atendem-uma-crescente-populacao-imigrante-em-sao-paulo.html
https://epoca.globo.com/saude/noticia/2018/01/agentes-de-saude-estrangeiros-atendem-uma-crescente-populacao-imigrante-em-sao-paulo.html
https://epoca.globo.com/saude/noticia/2018/01/agentes-de-saude-estrangeiros-atendem-uma-crescente-populacao-imigrante-em-sao-paulo.html
99Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Além de o acesso à saúde estar garantido a todas as pessoas que se encontrem 
no território brasileiro, ele também é uma das hipóteses de concessão de visto 
e autorização de residência previstas na nova Lei de Migração (artigo 14, inciso I, 
alínea b e artigo 30, inciso I, alínea b).
Para acessar essa hipótese de regularização migratória, o imigrante deve comprovar 
que dispõe de meios próprios para custear o tratamento de saúde e que o tratamento 
necessário tem indicação médica. No caso de tratamento feito pelo SUS, será possível 
dispensar a comprovação de meios de subsistência (Portaria Interministerial nº 3, 
de 27 de fevereiro de 2018).
Essa hipótese de regularização migratória prevê, ainda, que nos casos em que o 
tratamento necessário seja decorrente de uma situação provocada por traumas ou 
condições de saúde ocorridas já no Brasil e que impossibilitem a remoção do paciente 
para o país de origem – por representar riscos à sua saúde ou integridade física – 
é possível flexibilizar a exigência documental e substituir alguns dos documentos 
necessários por relatório médico que explicite o impedimento de retorno ao país 
de origem, incluindo prova de que o paciente está sob responsabilidade médica 
(Portaria Interministerial nº 3, de 27 de fevereiro de 2018, anexo I). Os vistos e as 
autorizações de residência para tratamento de saúde podem incluir o paciente e um 
acompanhante, caso necessário.
Os imigrantes que buscarem atendimento de saúde no Brasil após 
um agravo ou trauma ocorridos no território nacional não podem ser 
removidos ao país de origem caso a remoção possa resultar risco à vida ou 
integridade física do paciente ou ameaçar à saúde pública. Essas pessoas 
têm direito a concluir o tratamento médico no Brasil, ou seja, a situação 
migratória em que se encontra a pessoa no momento do atendimento não 
é obstáculo para que o tratamento prossiga. Pode ser necessário que as 
equipes de saúde forneçam relatório médico para que o imigrante possa 
concluir o pedido de autorização de residência para tratamento de saúde.
Além da possibilidade de regularização migratória para tratamento de saúde, o 
acesso à saúde é também uma consideração importante na admissão ao território 
nacional, em particular no caso de crianças, conforme o princípio de não devolução 
e o seu entendimento no Direito Internacional e na legislação brasileira. O conceito 
também tem interpretação relacionada à saúde, em particular no caso de crianças.
Na compreensão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o princípio de 
não devolução impede a devolução de crianças a países em que elas possam 
estar privadas de um tratamento médico indispensável à sua saúde ou expostas a 
100Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
condições de insuficiência de serviços alimentares ou sanitários. Nesses casos, uma 
das possibilidades de autorização de entrada no território nacional é a admissão 
excepcional (Lei nº 13.445/2017, artigo 40), ainda pendente de regulamentação.
Assim, saúde pode ser um dos fatores que motiva a migração, como contemplado 
na legislação brasileira através da hipótese de regularização migratória por 
tratamento de saúde. Porém, o nexo entre migração e saúde inclui outras questões 
igualmente complexas, como pode ser a incidência de questões de saúde mental 
entre migrantes, em especial aqueles que viveram situações de migração forçada, 
incluindo o refúgio.
Agora, assista ao vídeo: "Pieter Ventevogel (ACNUR) sobre saúde mental dos 
refugiados". 
Vídeo 11 – "Pieter Ventevogel sobre saúde mental dos refugiados"
Duração: 02:29 
Fonte: ACNUR (2017).
Os profissionais de saúde também desempenham um papel importanteno 
enfrentamento ao tráfico de pessoas. Em algumas ocasiões, a identificação de 
vítimas pode ser feita por profissionais de saúde. Em outros casos, a vítima precisará 
acessar serviços de saúde durante o processo de assistência.
Diagnosticar as necessidades de saúde de uma vítima de tráfico de pessoas é 
complexo, já que o processo de tráfico geralmente leva a efeitos cumulativos de 
danos à saúde. A maioria das vítimas de tráfico de pessoas são expostas a riscos 
para a saúde antes, durante e, inclusive, após o período de exploração.
A Organização Internacional para as Migrações disponibiliza 
um Manual para a Assistência às Vítimas de Tráfico de Pessoas, 
direcionado a profissionais de saúde. Você pode consultar o 
manual na bibliografia deste curso ou através do link.
https://www.youtube.com/watch?v=xyQp0a2WeXQ
https://www.youtube.com/watch?v=xyQp0a2WeXQ
https://youtu.be/xyQp0a2WeXQ
https://publications.iom.int/system/files/pdf/guia_para_profissionais_da_saude.pdf
https://publications.iom.int/system/files/pdf/guia_para_profissionais_da_saude.pdf
101Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 3: Assistência social e moradia
Identificar o direito de assistência social e moradia dos imigrantes.
O imigrante tem direito a acessar os programas de inclusão social no Brasil por 
meio da inserção do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal 
(CadÚnico), em conformidade com os critérios de cada programa. Essa previsão já 
existia antes da Lei de Migração e a nova lei reforça a possibilidade de inclusão de 
imigrantes e refugiados na assistência social.
O atendimento aos imigrantes está garantido em todos os níveis de proteção, 
respondendo às demandas apresentadas, inclusive em casos de abrigamento 
emergencial e acomodações de médio e longo prazo. Algumas localidades dispõem 
de abrigos específicos para imigrantes em situação de vulnerabilidade. Onde esses 
abrigos específicos não estão disponíveis, os imigrantes poderão acessar os abrigos 
existentes de acordo com seu perfil.
A partir de 2014, a expansão e o reordenamento do Serviço de Acolhimento para 
Adultos e Famílias passou a contemplar a migração e, em especial, os migrantes em 
situação de vulnerabilidade.
A Portaria nº 70 do Ministério do Desenvolvimento e Assistência 
Social, Família e Combate à Fome, de 11 de junho de 2014, incluiu 
novos critérios de partilha do cofinanciamento federal por meio 
do Piso de Alta Complexidade II – PAC II.
Entre os serviços aos quais os imigrantes podem acessar na proteção social básica, 
destacam-se o Benefício de Prestação Continuada e o Programa Bolsa Família. Cabe 
lembrar que nenhum dos dois está condicionado ao tempo de residência no Brasil. 
Assim como ocorre com os brasileiros, os critérios de concessão estão relacionados 
aos aspectos de vulnerabilidade social.
Por vezes, podem surgir dúvidas com respeito ao acesso dos imigrantes ao Benefício 
de Prestação Continuada (BPC), já que a redação do Decreto nº 6.214/2007 estipula 
que o benefício é exclusivo para brasileiros natos ou naturalizados e portugueses 
residentes no Brasil.
102Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
No entanto, a Constituição federal e a Lei Orgânica da Assistência Social não 
restringem o benefício por motivo de nacionalidade ou situação migratória, 
determinando que a concessão obedecerá a critérios de vulnerabilidade social. 
Em 2017, de forma unânime, o Superior Tribunal Federal decidiu sobre a questão, 
estipulando que o BPC deve ser concedido a imigrantes residentes no Brasil que 
atendam aos requisitos estabelecidos para a concessão.
Assim como acontece com outros direitos sociais, os imigrantes também têm 
o direito ao acesso igualitário à moradia no Brasil. No entanto, não é raro que 
imigrantes e refugiados encontrem obstáculos consideráveis no acesso à moradia, 
em particular devido a uma dificuldade para cumprir as exigências praticadas para 
o aluguel, como apresentar um fiador (que por vezes deve ter um imóvel na mesma 
cidade), realizar o pagamento de seguros-fiança com altos custos, ou mesmo para 
cumprir requisitos para obter crédito imobiliário no caso de compra de imóvel.
103Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 4: Acesso à educação
Identificar o direito de acesso à educação dos imigrantes.
O acesso à educação é garantido aos imigrantes no Brasil em todos os níveis e a 
Lei de Migração assegura o direito dos imigrantes à educação pública, vedada a 
discriminação em razão da nacionalidade e da condição migratória. 
No caso das crianças imigrantes, a educação é um direito fundamental garantido 
pela Convenção dos Direitos da Criança, pela Constituição federal e pelo Estatuto 
da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990), que não estabelecem nenhuma 
diferença entre crianças no acesso à educação com base na nacionalidade, situação 
migratória ou tempo de residência no país, e que determinam o acesso igualitário à 
educação básica gratuita dos 4 aos 17 anos de idade.
Portanto, todas as crianças imigrantes nas idades de escolaridade 
obrigatória podem fazer a matrícula em estabelecimentos da rede 
escolar, independente da sua nacionalidade, condição migratória e de que 
documentos possuam.
Agora, assista ao vídeo: "#EducaçãoEmMovimento: migração, deslocamento e 
educação: construir pontes, não muros”. 
Vídeo 12 – "#EducaçãoEmMovimento: migração, deslocamento e 
educação: construir pontes, não muros"
Duração: 03:26 
Fonte: UNESCO (2018).
A criança imigrante não precisa apresentar documentos como o histórico escolar ou 
traduções para efetivar a sua matrícula na rede escolar. De fato, como estabelece 
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996, artigo 24, inciso II), a 
classificação de série do aluno, incluindo o aluno imigrante, pode ser feita mediante 
avaliação realizada pela escola para a determinação da série adequada.
https://www.youtube.com/watch?v=jjDXwSyj_1I
https://www.youtube.com/watch?v=jjDXwSyj_1I
https://youtu.be/jjDXwSyj_1I
https://youtu.be/jjDXwSyj_1I
104Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Além de garantir o acesso à educação, a escola tem também a obrigação de cumprir 
o direito da criança imigrante à não discriminação, incluindo por motivos de 
nacionalidade, idioma, religião, situação migratória, entre outras.
O princípio da não discriminação deve ser respeitado dentro do ambiente escolar e 
em sala de aula, o que quer dizer que a criança não pode ser excluída do processo 
educativo em razão de barreiras linguísticas, culturais ou de qualquer outro tipo. A 
escola deve ser inclusiva e contemplar as necessidades e potencialidades específicas 
dessas crianças.
Agora assista ao vídeo: "Quem não é migrante? Migração e educação em São Paulo". 
Vídeo 13 – "Quem não é migrante? - Migração e educação em São 
Paulo (SP)".
Duração: 04:08 
Fonte: Escravo, Nem Pensar! (2018).
Caso ocorram situações de violência discriminatória entre alunos (bullying) por 
nacionalidade, etnia, religião ou condição migratória, entre outros motivos, é 
possível solicitar à escola que desenvolva soluções de proteção e prevenção contra a 
violência. Assim como ocorre com qualquer criança no Brasil, as crianças imigrantes 
também podem recorrer ao Conselho Tutelar, à Defensoria Pública Estadual e à 
Defensoria Pública da União para garantir os seus direitos de acesso à educação em 
condições igualitárias e não discriminatórias.
O ensino fundamental e médio pode também ser acessado por imigrantes 
adolescentes e adultos que não tenham completado os estudos nas idades 
previstas para sua realização. Nesses casos, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) 
se apresenta como uma modalidade de ensino alternativa, que permite retornar 
à escola e terminar as séries necessárias em tempo reduzido (em cada ano letivo, 
podem ser cursadas até duas séries nessa modalidade). A inscrição na EJA pode ser 
feita diretamente nas escolas que oferecem essa modalidade, com matrículas duas 
vezes ao ano:• Primeiro semestre: janeiro a fevereiro.
• Segundo semestre: junho a julho.
Para realizar a matrícula na EJA, a pessoa interessada deve apresentar um 
documento de identificação com foto (CRNM, passaporte ou a carteira de trabalho), 
CPF e histórico escolar.
https://www.youtube.com/watch?v=TgfOl1dpwo0
https://youtu.be/TgfOl1dpwo0
https://youtu.be/TgfOl1dpwo0
105Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Agora, assista ao vídeo: "Haitianos: migração e educação em São Paulo (SP)". 
Vídeo 14 – "Haitianos: migração e educação em São Paulo (SP)"
Duração: 04:53 
Fonte: Escravo, Nem Pensar! (2018).
Imigrantes que não tiveram acesso ao ensino regular na idade própria ou não 
possuem histórico escolar podem certificar as suas competências através do Exame 
Nacional para a Certificação de Competências para Jovens e Adultos (Encceja), de 
maneira gratuita e voluntária. A inscrição para o exame ocorre várias vezes por ano 
e é informada através da página do Inep, responsável pela realização da prova.
Imigrantes que tenham completado os seus estudos de ensino fundamental e médio 
em outros países podem solicitar o reconhecimento dos seus estudos no Brasil. 
No caso dos ensinos fundamental e médio, a revalidação é feita pelas Secretarias 
Estaduais de Educação, que devem ser procuradas diretamente para a realização 
do trâmite. 
No geral, será preciso apresentar: 
➊Tradução do histórico escolar e diploma, de preferência por tradutor 
público juramentado ou escola de língua estrangeira idônea, cujo tradutor 
tenha o curso de Letras com diploma registrado no MEC.
➋Estar de posse do histórico escolar relativo aos estudos realizados 
anteriormente no Brasil. 
➌Documento de identificação e CPF. Pode ser também necessário 
apresentar um comprovante de residência no estado em que se solicita 
a revalidação do diploma.
Da mesma maneira, os imigrantes podem acessar cursos universitários no Brasil 
e realizar a matrícula com os documentos que mencionamos antes (CRNM ou 
Protocolo de Residência ou de Refúgio).
Várias universidades brasileiras dispõem de políticas de promoção do acesso 
ao ensino superior para refugiados e imigrantes. Esses processos incluem a 
disponibilização de vagas remanescentes, o processo seletivo facilitado e o 
estabelecimento de cotas.
https://www.youtube.com/watch?v=TN3QSzObLSs
https://youtu.be/TN3QSzObLSs
http://www.inep.gov.br/
106Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Saiba mais com a leitura recomendada: UFPR abre 10 vagas para 
migrantes e refugiados.
A Lei nº 12.711/2012, conhecida como Lei de Cotas, dispõe sobre o ingresso no 
ensino superior de alunos provenientes de escolas públicas (artigo 1º) e alunos 
autodeclarados pretos, pardos e indígenas e por pessoas com deficiência (artigo 3º). 
O direito a acessar a política de ação afirmativa para o ingresso no ensino superior 
também é garantido a imigrantes que cumpram os requisitos especificados, já que 
a Lei de Cotas não estipula a nacionalidade brasileira como um requisito de acesso.
Vale mencionar a existência de projetos que promovem a integração de imigrantes 
por meio do ensino de português como língua de acolhimento em diversas 
localidades do país, oferecendo a possibilidade de aprender o idioma de maneira 
gratuita e utilizando uma metodologia própria, adaptada à realidade de imigrantes 
e refugiados.
Cursos de português como língua de acolhimento são oferecidos gratuitamente 
por diversas universidades no país, assim como algumas ONGs e organizações da 
sociedade civil. No caso de cursos oferecidos por universidades reconhecidas pelo 
MEC, a conclusão do curso pode ser utilizada como comprovante de domínio do 
idioma para pedidos de naturalização.
https://www.plural.jor.br/noticias/vizinhanca/ufpr-abre-10-vagas-para-migrantes-e-refugiados/
https://www.plural.jor.br/noticias/vizinhanca/ufpr-abre-10-vagas-para-migrantes-e-refugiados/
107Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 5: Trabalho e renda
Identificar os direitos laborais dos imigrantes.
Os imigrantes, refugiados e solicitantes de refúgio no Brasil têm garantidos todos 
os seus direitos laborais. De fato, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) garante 
igualdade de direitos e condições dignas de trabalho, sem fazer discriminação por 
nacionalidade, condição migratória ou tempo de estadia no país. Isso significa que 
os imigrantes estão protegidos contra a exploração laboral, independente da sua 
condição migratória.
O imigrante pode ser encaminhado à participação em programas de qualificação 
profissional, quando for esse o caso, e ao cadastro no Sistema Nacional de 
Emprego (Sine). Para o processo de contratação em uma empresa, o imigrante 
terá de apresentar a Carteira de Trabalho, a CRNM ou protocolo de solicitação de 
residência ou refúgio e o CPF. Alguns documentos que costumam ser apresentados 
pelos trabalhadores brasileiros, como o título de eleitor e o certificado de reservista, 
devem ser dispensados para os trabalhadores imigrantes.
Ao enviar os dados do trabalhador para o eSocial, pode ser informado o tipo de visto 
ou autorização de residência. Atualmente, o número do CRNM ou protocolo não é 
um campo obrigatório, sendo obrigatório informar apenas o CPF.
Por vezes, o sistema informático das empresas não está adaptado ao tipo de 
numeração dos documentos apresentados pelos migrantes. Esses sistemas podem 
ser ajustados para permitir a contratação, quando necessário.
Confira o passo a passo para a contratação de imigrantes nesta 
Cartilha.
A revalidação de diplomas permanece como um dos grandes obstáculos à 
integração laboral de imigrantes em postos de trabalho compatíveis com a sua 
qualificação. No Brasil, a revalidação é realizada por instituições públicas de ensino 
superior através de regras próprias estabelecidas por cada uma delas, incluindo o 
valor das taxas a serem cobradas.
Para fazer a revalidação do diploma, em geral será necessário apresentar ao menos 
o diploma original e histórico escolar apostilados de acordo com as normas da 
Convenção de Haia, um processo que deve ser feito no país de origem.
https://brazil.iom.int/sites/default/files/Publications/OIM - Folder Contrata%C3%A7%C3%A3o de Migrantes.pdf
108Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
A Plataforma Carolina Bori reúne informações sobre os processos de reconhecimento 
de diplomas disponíveis em várias universidades brasileiras, além de incluir um 
processo simplificado de revalidação ou reconhecimento de diplomas. Podem 
ser consultados na plataforma os cursos que já foram reconhecidos por cada 
universidade e se alguma universidade já reconheceu o diploma de que o imigrante 
dispõe.
Embora o processo de revalidação de diplomas normalmente exija o pagamento 
de taxas, vários estados do Brasil aprovaram leis que determinam a isenção de 
taxas de revalidação de diplomas para refugiados e imigrantes em situação de 
vulnerabilidade ou acolhida humanitária. Algumas universidades também adotaram 
a mesma isenção de forma autônoma.
Imigrantes e refugiados também podem se registrar como Microempreendedores 
Individuais (MEI) para trabalhar por conta própria nas profissões incluídas na 
categorização do MEI. Assim como os brasileiros, os imigrantes inscritos como 
Microempreendedores Individuais podem se registrar no Registro Nacional de 
Pessoas Jurídicas (CNPJ). Os imigrantes e refugiados empreendedores também 
podem acessar linhas de crédito e microcrédito no Brasil, em conformidade com as 
normativas de cada serviço.
http://plataformacarolinabori.mec.gov.br/usuario/acesso
109Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 6: Assistência jurídica e acesso à justiça
Reconhecer o direito de assistência jurídica dos imigrantes.
O acesso à justiça pode ser definido como "a capacidade das pessoas de fazer pleno 
uso dos processos legais existentes, desenhados formal ou informalmente para 
proteger os seus direitos de acordo com critérios subjetivos de equidade e justiça".Inclui, portanto, todas as esferas nas quais uma pessoa pode entrar em contato 
com o Sistema de Justiça, incluindo os procedimentos de regularização migratória e 
outras questões tais como decisões de admissão no território, processos de retirada 
compulsória ou situações de conflito com a lei.
A Lei de Migração garante o pleno acesso à assistência jurídica, inclusive à 
assistência jurídica gratuita para os imigrantes que dela necessitarem. Nesse 
contexto, a Defensoria Pública da União (DPU) tem um papel de destaque na defesa 
dos direitos dos imigrantes e pode ser procurada para questões relacionadas à 
regularização migratória e ao acesso a direitos como educação, saúde, assistência 
social, entre outros.
Saiba mais com a leitura recomendada: O trabalho da DPU na 
defesa dos direitos dos migrantes venezuelanos.
Especialmente em algumas localidades, o acesso à assistência jurídica oferecida pela 
DPU pode encontrar obstáculos significativos, uma vez que a Defensoria tem uma 
presença limitada no território nacional. Assim, é importante saber que além da 
DPU, vários projetos de extensão universitária e organizações não governamentais 
oferecem assessoria jurídica solidária a migrantes e refugiados no Brasil.
Ao pedir a regularização migratória no Brasil, é comum que o migrante deva 
apresentar um comprovante de antecedentes penais e uma declaração de ausência 
de antecedentes penais em qualquer país ao longo dos últimos 5 anos.
No entanto, a existência de antecedentes não é necessariamente um impedimento 
para a regularização migratória no Brasil. Segundo a Lei de Migração, a regularização 
migratória é possível para pessoas que: 
a. Tenham antecedentes por condutas de menor potencial delitivo.
https://www.conjur.com.br/2018-nov-06/tribuna-defensoria-trabalho-dpu-defesa-direitos-migrantes-venezuelanos
https://www.conjur.com.br/2018-nov-06/tribuna-defensoria-trabalho-dpu-defesa-direitos-migrantes-venezuelanos
110Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
b. Sejam beneficiárias de tratado de livre circulação e residência.
c. Busquem residência no Brasil por reunião familiar, acolhida humanitária 
ou tratamento de saúde. 
Nesses casos, se for necessário, a assistência jurídica pode ser procurada para 
auxiliar o processo de regularização migratória.
Embora muitas hipóteses de regularização migratória estejam regimentadas e 
possam ser solicitadas diretamente na Polícia Federal, em alguns casos, pode ser 
preciso recorrer ao Sistema de Justiça para solicitar uma autorização de residência. 
Isso pode se dar nos casos em que uma hipótese de autorização de residência está 
pendente de regulamentação ou quando a regulamentação existente não abrange 
algum caso específico.
É o caso também quando a pessoa tem motivos fundamentados para solicitar uma 
flexibilização documental. Nesse último contexto, a Associação de Juízes Federais 
(Ajufe) recomenda que "a exigência documental de migrantes em situação de 
vulnerabilidade deve ser relativizada diante das circunstâncias do caso concreto e 
da dificuldade de obtenção de documentos no país de origem".
A pessoa que precisar de assistência jurídica para a regularização migratória pode 
procurar a Defensoria Pública da União, além de advogados particulares, inclusive 
aqueles que oferecem assistência jurídica solidária (pro bono).
A regularização migratória e a guarda de uma criança não são a 
mesma coisa, nem estão diretamente vinculadas. Mesmo quando 
uma criança solicita a autorização de residência por reunião 
familiar – ou é listada como dependente de um ou uma solicitante 
de refúgio –, esse ato não garante a guarda à pessoa adulta que 
apresenta o pedido. Assim sendo, entende-se que geralmente é 
suficiente a presença do pai ou da mãe (não sendo necessário 
que estejam ambos) para solicitar a regularização migratória da 
criança; na ausência de ao menos um dos progenitores, a DPU 
deve ser acionada para representar a criança para propósitos de 
regularização migratória. Isso ocorre porque se entende que a 
regularização migratória é parte da proteção integral da criança 
imigrante. Essa regularização não constitui um obstáculo para 
uma posterior determinação da guarda. Igualmente, ela não 
impede o retorno da criança que se encontre em situação de 
sequestro internacional quando essa for a solução que responda 
ao seu superior interesse.
111Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
É importante lembrar que crianças migrantes que não estejam 
acompanhadas dos pais devem também buscar a regularização 
da guarda, além da regularização migratória. Para isso, a pessoa 
adulta que a acompanha pode solicitar assistência jurídica da 
Defensoria Pública Estadual para o processo de determinação da 
guarda.
Como vimos em diversos âmbitos até aqui, a nova Lei de Migração representou um 
avanço importante nos direitos dos imigrantes. Isso também é certo no caso dos 
imigrantes em conflito com a lei, inclusive aqueles em cumprimento de pena.
Segundo a Lei de Migração (artigo 30, inciso II, alínea h), é permitida a regularização 
migratória da pessoa que esteja em liberdade provisória ou em cumprimento de 
pena no Brasil, autorizando também a essas pessoas o acesso à carteira de trabalho 
e aos demais documentos. É importante lembrar que a Convenção de Viena garante 
o direito à assistência consular do país de origem e que a jurisprudência regional da 
Corte Interamericana de Direitos Humanos reforça a importância de que se garanta 
a assistência consular.
A nova Lei de Migração prevê a autorização de residência para cumprimento de 
pena no Brasil, permitindo à pessoa imigrante em conflito com a lei ter acesso à 
carteira de trabalho e facilitar o seu acesso à progressão de regime, pena alternativa 
à prisão, entre outros. Enquanto a regulamentação dessa hipótese de autorização 
de residência estiver pendente, o acesso a essa forma de regularização migratória 
deve ser obtido por decisão judicial.
A pessoa imigrante condenada por crimes no Brasil pode ser alvo de medida de 
retirada compulsória. No entanto, é importante lembrar que mesmo nesses casos 
não se pode em nenhuma hipótese devolver uma pessoa a um país onde ela possa 
vir a estar sujeita à tortura ou a outras penas cruéis, desumanas e degradantes, ou 
a qualquer das violações de direitos humanos contra as quais o princípio de não 
devolução oferece proteção.
A nova Lei de Migração oferece garantias de ampla defesa em todos os casos em que 
um imigrante possa estar sujeito a processos de remoção compulsória do território 
nacional. A lei também destaca o princípio de não devolução (non-refoulement) e 
a proibição da deportação ou expulsão coletivas. Segundo o Enunciado nº 5 do 
Fonadirh, em todos os casos, o princípio de não devolução oferece proteção a 
todos os não nacionais, inclusive às pessoas em trânsito pelo Brasil, assim como os 
brasileiros naturalizados.
112Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Cabe ainda notar que a lei não tem previsão de prisão por razões 
migratórias, ou seja, um imigrante não pode ser penalizado pela forma que 
entra no país ou por permanecer no país sem regularização migratória, 
por exemplo. Nesse sentido, a Associação dos Juízes Federais (Ajufe), de 
acordo com o Enunciado nº 2 do Fonadirh, esclarece que não se admite a 
prisão de imigrantes para fins de deportação ou expulsão.
113Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 7: Reunião familiar e soluções 
duradouras
Reconhecer o direito à reunião familiar dos imigrantes.
Os imigrantes têm garantido o seu direito à reunião familiar. Esta pode se dar através 
da vinda ao Brasil dos membros da família que ficaram no país de origem, através de 
vistos de reunião familiar, autorizações de residência por reunião familiar ou outras 
formas de regularização migratória. A reunificação familiar pode ter um impacto 
muito positivo, em especial para imigrantes em situações vulneráveis.
Agora, assista ao vídeo: Congolês conta como foi sagapara trazer sua família ao 
Brasil. 
Vídeo 15 – " Congolês conta como foi saga para trazer sua família 
ao Brasil".
Duração: 05:12 
Fonte: TV Folha (2016).
Por vezes, no entanto, os imigrantes podem perder contato com os membros 
de suas famílias durante o processo migratório. Isso pode ocorrer em diversos 
momentos durante o ciclo migratório e pode levar a uma necessidade de apoio para 
o reestabelecimento de laços familiares.
Instituições de assistência a migrantes desempenham um papel importante no 
reestabelecimento de laços familiares, por meio de variadas formas de busca, 
inclusive em contato e colaboração com embaixadas e consulados dos países de 
origem e organizações da sociedade civil, entre outros.
Quando o imigrante expressa a vontade de retornar ao seu país de origem, a 
orientação para a assistência consular também se faz importante, assim como o 
apoio para garantir o contato com as representações diplomáticas do país de origem. 
A assistência consular pode variar de país a país, mas em alguns casos, os consulados 
podem apoiar no reestabelecimento de laços familiares e no auxílio ao retorno, 
https://www.youtube.com/watch?v=9YX6ADUcTbQ
https://www.youtube.com/watch?v=9YX6ADUcTbQ
https://youtu.be/9YX6ADUcTbQ
https://youtu.be/9YX6ADUcTbQ
114Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
inclusive assumindo custos de transporte. A assistência consular também pode 
fornecer apoio com a documentação necessária para o retorno e a garantia de 
assistência no país de origem.
É importante ter em mente que, no caso de pessoas refugiadas ou solicitantes de 
refúgio, o retorno ao país de origem implica, em geral, na perda da condição de 
refúgio, já que é assumido o fim do temor de voltar ao país de origem que justificava 
a condição de refúgio. 
Pessoas com a condição de refugiado reconhecida ou solicitantes de refúgio podem, 
no entanto, retornar ao seu país de origem por breves períodos e manter a sua 
condição reconhecida no Brasil, desde que obtenham autorização prévia do Conare.
Para tal, é essencial ter em mente que todo retorno ao país de origem deve ser 
absolutamente voluntário e acompanhado de avaliações para determinar a 
existência de possíveis riscos. Também se deve garantir que o imigrante se encontra 
em condições de saúde adequadas para realizar a viagem.
O retorno e reintegração voluntários também podem ser apoiados por 
organismos não governamentais ou internacionais, como a Organização 
Internacional para as Migrações - OIM, que tem um programa de apoio ao 
retorno e reintegração voluntária para migrantes em situação de grande 
vulnerabilidade. Para solicitar o apoio do programa, os migrantes podem 
contatar diretamente o escritório da organização em Brasília. Consulte o 
site do programa. 
https://reintegracaobrasil.com/
115Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Glossário
Verbete Palavra associada Definição/Significado
Assistência 
ao retorno e 
reintegração 
voluntários
Apoio administrativo, logístico e 
econômico, incluindo a assistência à 
reintegração para migrantes que não 
podem ou não querem permanecer 
no país de destino ou de trânsito e que 
decidem retornar ao país de origem.
CRNM Carteira de Registro Nacional Migratório, também conhecida como RNM.
Integração
Um processo de dois sentidos de adaptação 
mútua entre as pessoas migrantes e as 
sociedades nas quais elas vivem, em que 
as pessoas migrantes são incorporadas à 
vida social, econômica, cultural e política 
da comunidade de acolhida. Implica 
um conjunto de responsabilidades 
compartilhadas entre a pessoa migrante e 
as comunidades, e incorpora outras noções 
relacionadas, tais como a coesão social e 
a inclusão social (GLOSSÁRIO OIM, 2019).
116Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Referências
BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário. O papel da assistência 
social no atendimento aos migrantes. Ministério do Desenvolvimento Social 
e Agrário: Brasília, 2016. Disponível em https://www.mds.gov.br/webarquivos/
publicacao/assistencia_social/Guia/guia_migrantes.pdf. Acesso em 5 jun 2023. 
CATHY, Z.; BORLAND, R. Assistência às vítimas de tráfico de pessoas: guia para 
profissionais da saúde. Organização Internacional para as Migrações: Genebra, 
2017.
ITCC. Instituto Terra, Trabalho e Cidadania. De estrangeiras a migrantes: os 15 
anos de luta do Projeto Estrangeiras. Instituto Terra, Trabalho e Cidadania: São 
Paulo, 2016.
IOM. International Organization for Migration. IML Information note on Access to 
Justice: a migrant’s right. International Migration Law Unit: Genebra, 2019
SOUZA, A. B. G. O Ministério Público Federal e os direitos do preso estrangeiro. 
Ministério Público Federal: Brasília, 2018.
https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Guia/guia_migrantes.pdf
https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Guia/guia_migrantes.pdf
117Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Direitos específicos
Neste módulo, serão abordados os direitos específicos de alguns grupos de 
migrantes, tais como crianças, pessoas com deficiência, indígenas, mulheres, 
LGBTQIA+ e idosos. Também será apresentada a relação entre migração e igualdade 
racial. Todos esses direitos devem ser levados em conta na assistência a migrantes.
Unidade 1: Introdução: Além do trabalhador 
migrante
Reconhecer as diferentes situações dentro do conjunto de 
trabalhadores migrantes.
Por muito tempo, a palavra imigrante remetia principalmente à ideia do trabalhador 
que partia para buscar melhores oportunidades econômicas em outro país. Muitas 
vezes, ela ainda é retratada como se referindo apenas aos trabalhadores que buscam 
oportunidades laborais em outros países, às vezes descritos por uma falsa oposição 
aos refugiados. Muitos já terão ouvido a seguinte descrição: "o refugiado é obrigado 
a sair do seu país, enquanto o migrante sai buscando melhores oportunidades 
econômicas".
Isso é uma falsa oposição: as situações que levam as pessoas a migrar são muito 
variadas e incluem por vezes a migração forçada, assim como a migração por 
busca de melhores oportunidades laborais, em meio a um grande leque de outras 
motivações e contextos. 
É também importante lembrar que a migração pode ter como 
pano de fundo diversas motivações interconectadas e, por isso, 
muitas vezes é difícil estabelecer uma diferença clara entre 
migrações forçadas ou não.
Igualmente, dentro do conjunto de trabalhadores migrantes, uma série de situações 
podem coexistir: assim como o grupo de migrantes, o grupo de trabalhadores 
migrantes é muito diverso. A nova Lei de Migração contempla essa diversidade de 
várias maneiras e deve ser levada em conta no atendimento a migrantes.
 Módulo
6
118Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 2: Migração e direitos da criança
Relacionar a migração e os direitos da criança. 
Os direitos das crianças, incluídas as crianças migrantes, são objetos de um 
instrumento próprio de direitos humanos: a Convenção dos Direitos da Criança 
(CDC), de 1989, é o instrumento internacional de direitos humanos mais ratificado 
a nível mundial, ou seja, com o maior número de Estados que aderiram a ela. No 
Brasil, a Convenção inspirou a redação do Estatuto da Criança e do Adolescente 
(ECA), referência para os direitos da criança na legislação nacional.
A Convenção define uma criança como "todo ser humano menor de dezoito anos, 
a não ser que, pela lei aplicável à criança, a maioridade seja atingida antes" (artigo 
1º). No ECA, "considera-se criança, para efeitos desta lei, a pessoa até doze anos de 
idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade" (artigo 
2º). Ambos reconhecem a criança como sujeito de direitos e protegem a todas, sem 
distinção alguma de nacionalidade ou condição migratória.
Agora, assista ao vídeo A Viagem de Kahuany. 
Vídeo 16 – "A viagem de Kuarahy".
Duração: 04:01
Fonte: OIM.
Em todas as questões relacionadas às criançasmigrantes, é preciso ter em 
consideração primordial a sua condição de criança. O marco normativo e 
institucional de proteção à infância tem sempre prioridade em relação a outros 
marcos normativos, por exemplo, à legislação migratória.
A Convenção conta com quatro princípios orientadores que, além de serem direitos 
definidos em artigos específicos, são transversais à interpretação de todos os temas 
relacionados aos direitos da criança. São eles:
 + O superior interesse da criança
• Deve ser encarado como um direito substantivo da criança que o seu 
superior interesse seja uma consideração primordial em todos os 
https://youtu.be/SjhpADTbvzs
119Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
assuntos que lhe digam respeito.
• Ao mesmo tempo, é também um princípio interpretativo, o que 
implica que sempre se deve escolher a interpretação que satisfaça o 
maior interesse da criança.
• Igualmente, é uma norma de procedimento, ou seja, todos os 
processos de tomada de decisões devem incluir uma avaliação das 
possíveis repercussões para a criança, sem prejuízo das garantias 
processuais.
 + A não discriminação
• Os direitos de todas as crianças devem ser respeitados e assegurados 
sem discriminação de nenhum tipo, incluindo por etnia, religião, 
gênero, idioma, opinião política, nacionalidade, origem, classe social, 
situação migratória, estrutura familiar, entre muitos outros exemplos.
• A responsabilidade dos Estados pelos direitos das crianças abarca 
todas as crianças na sua jurisdição, independente de nacionalidade 
ou situação migratória; 
• A não discriminação se refere à criança e se amplia a seus pais, 
representantes legais e membros da família.
 + O direito à vida, à sobrevivência e ao desenvolvimento
• Todas as crianças têm o direito a estarem vivas, a sobreviverem e a se 
desenvolverem da melhor maneira possível.
• Esse direito e princípio é de particular importância no caso das crianças 
migrantes, na garantia do seu acesso ao território e permanência, em 
particular no que diz respeito ao princípio de não devolução.
• Ele está também relacionado ao acesso a necessidades básicas como 
a saúde, o abrigamento, a alimentação, entre outros.
 + O direito a ser escutada
• O direito a ser escutada é ao mesmo tempo individual e coletivo, ou 
seja, de cada criança e do conjunto de crianças.
• É um processo participativo, e não um ato pontual. Portanto, implica 
o desenvolvimento de mecanismos de escuta e participação das 
crianças nos assuntos que sejam relevantes para elas.
• Deve levar em consideração, reconhecer e respeitar as formas de 
comunicação próprias das crianças, inclusive as não verbais, por 
exemplo, as brincadeiras, a linguagem corporal e facial, o desenho, a 
pintura, o teatro e qualquer outra maneira que possa ser usada pela 
criança para expressar compreensão e opinião.
• Há a obrigação de proteger a criança de eventuais consequências 
negativas que possam se derivar da expressão da sua opinião e 
narrativas.
• Deve ocorrer em ambiente amigável para a criança.
120Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Por serem transversais a todos os temas relacionados aos direitos da criança, os 
quatro princípios também devem orientar a interpretação dos direitos da criança 
migrante, incluídas nesse conceito todas as pessoas menores de 18 anos.
O superior interesse da criança tem como objetivo assegurar a garantia de todos os 
direitos previstos na Convenção, além do desenvolvimento físico, mental, espiritual, 
moral, psicológico e social da criança. Assim, a interpretação dada ao superior 
interesse não deve resultar em um obstáculo ao acesso aos outros direitos da 
criança.
A Lei de Migração inclui a proteção integral e atenção ao superior interesse da criança 
e do adolescente migrante como um dos seus princípios (artigo 3º, inciso XVII). Esse 
princípio é também mencionado ao estabelecer que uma criança ou adolescente 
migrante separado ou desacompanhado só poderá ser devolvida ao seu país de 
origem ou a um terceiro país se a devolução se mostrar favorável à garantia dos 
seus direitos.
Um dos grandes desafios suscitados pela proteção dos direitos da criança é a 
compreensão da criança como sujeito de direitos, e não apenas como dependente 
dos pais, ou seja, os direitos da criança não são uma extensão ou continuação dos 
direitos dos pais. Assim, a criança migrante também tem garantidos os seus direitos 
humanos, os seus direitos enquanto criança e os seus direitos enquanto migrante.
Agora, assista ao vídeo: Quero começar minha vida novamente: 
usar crianças-soldado é crime. 
Duração: 01:01
Fonte: ONU Brasil (2019).
A criança e o adolescente podem fazer pedidos de refúgio independentes e têm 
direito a ter os seus pedidos considerados, levando em consideração a sua condição 
de criança. Crianças que estão sob ameaça de recrutamento para conflitos armados 
podem pedir refúgio no Brasil, mesmo que o recrutamento seja feito por grupos 
paraestatais.
A criança migrante que se encontre em situação de risco para a sua integridade 
física ou emocional requer proteção toda vez que:
• Manifeste ter sido vítima de violência ou apresente lesões físicas visíveis 
ou dano psicológico que possam indicar situações de violência.
https://www.youtube.com/watch?time_continue=61&v=iiSttg-LENo
https://www.youtube.com/watch?time_continue=61&v=iiSttg-LENo
121Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
• Manifeste necessitar e não estar recebendo algum tipo de atenção em 
saúde, inclusive se o trajeto migratório foi longo e arriscado para a sua 
integridade física e psíquica.
• Manifeste ou mostre sinais de estar desarraigada, sem comunicação ou 
sem recursos e querer reunir-se com sua família.
• Manifeste ou mostre sinais de precisar de outros tipos de proteção.
122Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 3: Migração e direitos das pessoas 
com deficiência
Relacionar a migração e os direitos das pessoas com deficiência.
No Brasil, as pessoas com deficiência possuem plena capacidade legal, de maneira 
que podem realizar todos os procedimentos relativos à regularização migratória 
em condições de igualdade e sem discriminação alguma. Elas ainda são protegidas 
pela Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Pessoas imigrantes com 
deficiência podem também acessar todas as políticas públicas de inclusão social 
da pessoa com deficiência. Aquelas que cumpram os requisitos podem acessar o 
Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Segundo o Estatuto da Pessoa com Deficiência (2015):
Art. 2º. Consideram-se pessoas com deficiência aquelas que têm impedimentos 
de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, 
em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e 
efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
Para os imigrantes com deficiência, o processo migratório pode ser particularmente 
desafiador, especialmente em contextos de migração forçada. Por vezes, a deficiência 
pode ser consequência de eventos ocorridos ao longo do processo migratório, como 
acidentes ou doenças.
Pessoas com deficiência podem estar mais vulneráveis ao abuso e à exploração 
durante o processo migratório; elas também sofrem com o risco de serem excluídas 
do acesso a serviços, particularmente em contextos de crise, se não houver uma 
consideração adequada aos aspectos de acessibilidade, visando à redução das 
barreiras ao acesso dos imigrantes com deficiência aos serviços.
Igualmente, é importante notar que para alguns imigrantes, viver com uma deficiência 
pode ser uma importante motivação para migrar: por exemplo, para obter serviços 
médicos ou de reabilitação aos quais não têm acesso no seu país de origem ou para 
participar em um mercado laboral que possa ser mais inclusivo, entre muitos outros 
motivos.
123Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 4: Migração e direitos indígenas
Relacionar a migração e os direitosindígenas.
Os direitos dos povos indígenas no Brasil são garantidos pela Constituição federal, 
sem prejuízo da aplicação dos demais artigos, nos artigos 231 e 232; também 
promulgada atualmente no Brasil pelo Decreto Presidencial nº 10.088 de 2020 a 
Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela Lei nº 
6.001/1973 conhecida como Estatuto do Índio. A legislação brasileira reconhece 
o princípio da não discriminação e o direito dos povos indígenas à livre escolha 
dos seus meios de vida e subsistência, além do acesso à educação, saúde, justiça, 
assistência social e aos demais serviços.
Segundo a Funai (s.d.), no Brasil, os critérios utilizados para a 
definição de indígena se baseiam em dois elementos principais: 
1. A autodeclaração e a consciência da sua identidade 
indígena.
2. O reconhecimento dessa identidade por parte do 
grupo de origem.
Os povos indígenas transfronteiriços são os que habitam territórios atravessados 
pelos limites dos Estados nacionais e cuja mobilidade, ainda que cruze fronteiras 
internacionais, é produzida dentro de áreas territoriais ancestrais e das fronteiras 
étnicas onde esses povos exerceram e exercem o direito consuetudinário.
Os povos indígenas são protegidos por instrumentos específicos, tais como a 
Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, a Declaração 
sobre os Direitos das Pessoas Pertencentes a Minorias, a Convenção nº 169 da OIT e 
a Convenção Americana sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Neles, destacam-se 
o respeito ao caráter pluricultural dos povos indígenas, o reconhecimento da sua 
personalidade jurídica, o direito a manter os seus sistemas específicos de família e 
organização social e o direito à sua cultura, idioma e tradições.
124Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Nenhum dos direitos dos imigrantes no Brasil está restrito a não indígenas. 
Indígenas migrantes devem ter seus direitos fundamentais protegidos pela 
legislação migratória e pela legislação indigenista. Um desafio importante 
é a superação de visões assimilacionistas que, embora superadas pela 
Constituição federal, podem continuar a fazer parte do imaginário social 
brasileiro.
Como apontado por Yamada e Torelly no estudo Aspectos jurídicos da atenção aos 
indígenas migrantes da Venezuela para o Brasil (2018), ao pensar o acolhimento, 
atendimento e acompanhamento dos fluxos migratórios indígenas, a proteção da 
identidade indígena e o direito à autonomia devem ser entendidos como direitos 
fundamentais, no sentido de garantir o respeito às formas diferenciadas de vida 
e organização de cada povo indígena, assim como o esforço para superar visões, 
ideários e práticas assimilacionistas.
 
Síntese das recomendações na assistência a indígenas migrantes. Yamada e 
Torelly (2018). OIM. Aspectos jurídicos da atenção aos indígenas migrantes da 
Venezuela para o Brasil. Disponível em: https://publications.iom.int/books/aspectos-
juridicos-da-atencao-aos-indigenas-migrantes-da-venezuela-para-o-brasil.
125Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 5: Migração e igualdade racial
Relacionar a migração e igualdade racial.
Migrantes podem se encontrar particularmente expostos à discriminação, seja por 
dinâmicas de opressão relacionadas à sua etnia, religião ou origem. O racismo, 
assim como todas as formas de discriminação, é um dos fatores estruturais que 
podem contribuir para a vulnerabilidade em contexto migratório. 
Segundo a Convenção Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de 
Discriminação Racial, discriminação racial significa:
Qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência, baseadas em raça, cor, 
descendência, origem nacional ou étnica que têm por objetivo ou efeito anular ou 
restringir o reconhecimento, gozo ou exercício num mesmo plano (em igualdade 
de condição), de direitos humanos e liberdades fundamentais no domínio político, 
econômico, social, cultural ou em qualquer outro domínio de vida pública.
No Brasil, a Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Decreto nº 4.886/2003) 
pressupõe que o combate às desigualdades raciais e a promoção da igualdade racial 
devem ser considerados no conjunto das políticas de governo, portanto, incluindo 
a migração. A PNPIR reconhece o peso do racismo contra a população negra e 
afrodescendente no Brasil, enfocando esforços na superação do racismo contra 
esse grupo.
As ações de proteção contra o racismo, as ações afirmativas para a efetivação da 
igualdade de oportunidades e as políticas de promoção da igualdade racial podem 
ser acessadas também pela população imigrante, em especial pela população 
imigrante negra e indígena.
126Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 6: Migração e direitos das mulheres
Relacionar a migração e os direitos das mulheres.
As mulheres compõem cerca de 48% do total de migrantes internacionais no 
mundo. Mulheres migram sozinhas ou acompanhadas de suas famílias por muitos 
motivos, incluindo a busca de condições de vida mais igualitárias ou para escapar de 
violações dos seus direitos humanos nos países de origem.
Gráfico com a proporção de homens e mulheres entre migrantes internacionais 
em 2000, 2005, 2010, 2015 e 2020. Fonte: OIM (2022). "World Migration Report 
2022".https://publications.iom.int/books/world-migration-report-2022
127Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Gráfico com a proporção de homens e mulheres entre migrantes internacionais. Fonte: OIM (2019). 
"World Migration Report 2020". https://publications.iom.int/system/files/pdf/wmr_2020.pdf. 
As violações dos direitos humanos das mulheres no país de origem são capazes 
de gerar uma reivindicação de proteção internacional como refugiada, já que pode 
ser considerada perseguição por pertencimento a um determinado grupo social. 
As mulheres e as meninas migrantes podem estar mais expostas à discriminação, à 
violência, ao tráfico de pessoas e ao abuso sexual durante o ciclo migratório.
Assim como ocorre nos demais casos, todos os direitos garantidos às mulheres no 
Brasil protegem também as mulheres imigrantes. Ou seja, elas têm acesso a todas 
as políticas públicas intersetoriais que buscam promover a igualdade, implementar 
oportunidades de projeção econômica e social e garantir proteção contra a violência.
Igualmente, as mulheres e as meninas imigrantes têm direito a acessar os serviços 
públicos de saúde caso queiram recorrer às hipóteses de interrupção de gravidez 
admitidas no Direito brasileiro: gravidez decorrente de estupro, risco à vida da 
mulher ou anencefalia do feto. Uma vez que a legislação pode variar entre países, a 
mulher imigrante que relate a necessidade de buscar esse serviço de saúde deve ser 
informada das hipóteses existentes segundo a legislação brasileira.
https://publications.iom.int/system/files/pdf/wmr_2020.pdf
128Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 7: Migração e direitos LGBTQIA+
Relacionar a migração e os direitos LGBTQIA+.
As pessoas LGBTQIA+ no Brasil têm garantidas uma série de direitos e proteções 
sociais que também incluem as pessoas imigrantes sem discriminação alguma em 
razão da sua nacionalidade ou situação migratória.
Em diversas ocasiões, o STF já se pronunciou no sentido de reforçar que ninguém 
pode sofrer restrições aos seus direitos por causa da orientação sexual. Nesse 
contexto, a Lei de Migração é clara ao estipular que as proteções e garantias relativas 
à reunião familiar protegem a cônjuges e companheiros sem discriminação alguma, 
incluindo todas as famílias de maneira igualitária.
O direito ao uso do nome social está garantido nos documentos da administração 
federal, incluindo a CRNM. O sistema utilizado pela Polícia Federal (SISMIGRA) está 
adaptado à garantia desse direito e permite a realização do agendamento utilizando 
o nome social.
A violação dos direitos humanos das pessoas LGBTQIA+ no país de origem pode ser 
uma importante motivação que as leva a migrar.Atualmente, as relações consensuais 
entre pessoas do mesmo sexo são criminalizadas em 72 países, incluindo diversas 
formas de perseguição como prisão, punições corporais e inclusive pena de morte. 
Essas perseguições podem ocorrer pelo Estado ou por parte de grupos paraestatais.
Segundo um levantamento realizado pelo Alto Comissariado das Nações 
Unidas para os Refugiados (ACNUR) e pelo Ministério da Justiça e Segurança 
Pública, o Brasil recebeu ao menos 369 solicitações de refúgio motivadas 
pela perseguição por orientação sexual, tendo deferido a maioria (143) 
das cerca de 170 que foram analisadas. Isso permite dizer que o país 
tem um histórico sólido de reconhecimento da necessidade de proteção 
internacional de pessoas com um fundamentado temor de perseguição 
devido à sua orientação sexual ou identidade de gênero.
129Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Unidade 8: Migrantes idosos
Identificar os direitos dos migrantes idosos.
A migração de pessoas idosas, segundo alguns autores, pode ser pensada em 
relação com as fases do ciclo de vida e as necessidades específicas das pessoas 
idosas. Elas podem incluir, por exemplo, a migração após a aposentadoria, a 
migração para reunir-se com familiares que haviam migrado antes ou a migração 
motivada pela busca do acesso a serviços de saúde que podem estar indisponíveis 
ou ser de mais difícil acesso no local de origem. Por outro lado, os migrantes idosos 
podem ser pessoas que migraram em fases anteriores da vida e vivem o processo 
de envelhecimento no país de destino.
Cabe ainda mencionar que a migração pode ser um projeto familiar intergeracional; 
por vezes, migrantes em idade ativa se estabelecem primeiro em um lugar, para 
depois trazer os seus pais idosos e/ou filhos pequenos. Assim, em muitos casos, os 
avós e netos migram juntos em um momento posterior, para reunir-se com seus 
familiares. Isso pode criar situações particulares em termos de guarda das crianças, 
podendo estar temporária ou definitivamente sob a responsabilidade dos avós.
Os imigrantes idosos no Brasil têm acesso aos direitos garantidos aos idosos 
brasileiros, tais como o acesso a bens culturais e às políticas de integração 
na comunidade, a proteção contra a discriminação, o direito ao acesso 
ao transporte público, o atendimento preferencial nos estabelecimentos 
públicos, comerciais, de prestação de serviços, entre outros. As pessoas 
imigrantes idosas residentes no Brasil têm direito ao acesso ao Benefício de 
Prestação Continuada, à Aposentadoria e à Aposentadoria Rural, sempre 
que cumprirem os requisitos de cada benefício.
Pessoas idosas que tenham exercido sua profissão no Brasil e desejem retornar 
aos seus países de origem podem se beneficiar dos acordos internacionais em 
matéria de previdência social que o Brasil mantém com diversos países. Entre eles, 
estão incluídos os acordos Iberoamericano (do qual são parte a Argentina, Bolívia, 
Brasil, Chile, El Salvador, Equador, Espanha, Paraguai, Peru, Portugal e Uruguai) e do 
Mercosul (do qual são parte a Argentina, Paraguai e Uruguai), ambos multilaterais. 
https://www.inss.gov.br/orientacoes/assuntos-internacionais/acordos-internacionais/
https://www.inss.gov.br/orientacoes/assuntos-internacionais/acordos-internacionais/
130Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
O Brasil tem ainda acordos bilaterais em matéria de previdência com a Alemanha, 
Bélgica, Cabo Verde, Canadá, Chile, Coreia, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, 
Itália, Japão, Luxemburgo, Portugal e Suiça. Outros Acordos de Previdência Social 
foram assinados pelo Brasil mas ainda esperam a ratificação pelo Congresso 
Nacional para entrar em vigor. Esses acordos incluem tanto os segurados quanto os 
seus dependentes e, em geral, cobrem:
• Aposentadoria por invalidez.
• Prestações decorrentes por acidente de trabalho e doenças profissionais.
• Aposentadoria por tempo de serviço.
• Aposentadoria por idade.
• Pensão por morte.
• Reabilitação profissional.
A pessoa imigrante idosa que queira retornar ao seu país de origem, inclusive 
beneficiando-se de um dos acordos internacionais em matéria de previdência, 
pode também solicitar assistência para o retorno e a reintegração voluntária, como 
mencionamos. Esse apoio pode ser buscado nas representações consulares do país 
de origem ou em organizações internacionais, como a OIM. 
131Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Glossário
Verbete Palavra associada Definição/Significado
Assimilacionismo
O assimilacionismo é uma política de 
perspectiva unidirecional de integração por 
meio da qual um grupo social ou étnico 
(geralmente uma minoria) adota as práticas 
culturais de outra – geralmente do grupo 
étnico ou social majoritário. Assimilacionismo 
envolve a absorção da língua, tradições, 
valores, moral e comportamento, geralmente 
levando a parte assimilada a se tornar menos 
distinguível socialmente em relação às outras 
partes da sociedade (GLOSSÁRIO OIM, 2019).
Indígena
De acordo com a Convenção nº 169 da OIT 
sobre Povos Indígenas e Tribais, povos 
indígenas são: a) Povos tribais em países 
independentes, cujas condições sociais, 
culturais e econômicas os distingam 
de outros setores da coletividade 
nacional e que estejam regidos, total ou 
parcialmente, por seus próprios costumes 
ou tradições ou por legislação especial.
b) Povos em países independentes, 
considerados indígenas pelo fato de 
descenderem de populações que habitavam 
o país ou uma região geográfica pertencente 
ao país na época da conquista ou da 
colonização ou do estabelecimento das atuais 
fronteiras estatais e que, seja qual for sua 
situação jurídica, conservam todas as suas 
próprias instituições sociais, econômicas, 
culturais e políticas, ou parte delas.
Na legislação brasileira, é todo indivíduo de 
origem e ascendência pré-colombiana que se 
identifica e é identificado como pertencente 
a um grupo étnico cujas características 
culturais o distinguem de outros setores 
da coletividade nacional. Os critérios 
utilizados consistem na autodeclaração e 
consciência de sua identidade indígena, 
somada ao reconhecimento dessa 
identidade por parte do grupo de origem.
132Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Verbete Palavra associada Definição/Significado
Criança
A Convenção dos Direitos da Criança 
define uma criança como todo ser humano 
com menos de 18 anos de idade, a não 
ser que pela lei aplicável a maioridade 
seja atingida antes. Segundo o Estatuto 
da Criança e do Adolescente, criança é a 
pessoa de 12 anos de idade incompletos. 
Adolescente
Segundo o Estatuto da Criança e do 
Adolescente, adolescente é a pessoa 
entre 12 anos e 18 anos de idade. Uma 
vez que o Brasil é parte da Convenção 
dos Direitos da Criança, a definição 
da Convenção também é aplicada ao 
Brasil, de maneira que os adolescentes 
também estão protegidos por ela.
Pessoa com 
deficiência
Considera-se pessoa com deficiência aquela 
que tem impedimento de longo prazo 
de natureza física, mental ou sensorial, 
o qual, em interação com uma ou mais 
barreiras, pode obstruir sua participação 
plena e efetiva na sociedade em igualdade 
de condições com as demais pessoas.
LGBTQIA+
Um acrônimo para as pessoas lésbicas, 
gays, bissexuais, travestis, transexuais, 
queer intersex e assexuais. 
133Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Referências
ACNUR. Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Perfil das 
solicitações de refúgio relacionadas à orientação sexual e à identidade 
de gênero (OSIG), 2018. Disponível em: https://datastudio.google.com/u/0/
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Revista Brasileira de Estudos de População, Rio de Janeiro, v. 30, 2013.
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QUAIS os critérios utilizados para a definição de indígena? Fundação Nacional do 
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https://publications.iom.int/books/aspectos-juridicos-da-atencao-aos-indigenas-migrantes-da-venezuela-para-o-brasil
https://publications.iom.int/books/aspectos-juridicos-da-atencao-aos-indigenas-migrantes-da-venezuela-para-o-brasil
	Introdução às migrações internacionais 
	Unidade 1: Quem são os migrantes internacionais?
	Unidade 2: Qual é a dimensão das migrações internacionais?
	Unidade 3: A situação jurídica das pessoas migrantes
	Unidade 4: Onde encontrar dados sobre as migrações internacionais?
	Glossário
	Referências 
	Os migrantes no direito internacional
	Unidade 1: O que são os instrumentos internacionais de direitos humanos?
	Unidade 2: Os direitos humanos dos migrantes
	Unidade 3: Desafios na proteção dos direitos humanos dos migrantes
	Unidade 4: O princípio da não devolução
	Unidade 5: O direito de solicitar refúgio
	Unidade 6: A proibição da expulsão coletiva
	Glossário
	Referências
	Direitos dos imigrantes na legislação brasileira
	Unidade 1: Os migrantes na Constituição Federal de 1988
	Unidade 2: A Lei de Migração
	2.1 Princípios orientadores da Lei de Migração
	2.2 Garantias da Lei de Migração
	Unidade 3: A Lei de Refúgio
	Unidade 4: Os apátridas na legislação brasileira
	Unidade 5: O enfrentamento ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo
	Unidade 6: A regularização migratória no Brasil
	Unidade 7: Naturalização
	Glossário
	Referências
	Vulnerabilidades em contexto migratório
	Unidade 1: O conceito de vulnerabilidade
	Unidade 2: Fatores individuais
	Unidade 3: Fatores familiares
	Unidade 4: Fatores comunitários
	Unidade 5: Fatores estruturais
	Unidade 6: O Modelo de Determinantes da Vulnerabilidade de Migrantes
	Unidade 7: Na origem, em trânsito e no destino
	Unidade 8: Vulnerabilidade à violência, exploração e abuso
	8.1 Violência contra mulheres e meninas em contextos de mobilidade
	8.2 Exploração laboral
	8.3 Tráfico de pessoas
	Unidade 9: Proteção a migrantes em situação de vulnerabilidade
	Unidade 10: Princípios orientadores na assistência a imigrantes em situação de vulnerabilidade
	Glossário
	Referências 
	Atendimento a imigrantes
	Unidade 1: Documentação
	Unidade 2: Acesso à saúde
	Unidade 3: Assistência social e moradia
	Unidade 4: Acesso à educação
	Unidade 5: Trabalho e renda
	Unidade 6: Assistência jurídica e acesso à justiça
	Unidade 7: Reunião familiar e soluções duradouras
	Glossário
	Referências
	Direitos específicos
	Unidade 1: Introdução: Além do trabalhador migrante
	Unidade 2: Migração e direitos da criança
	Unidade 3: Migração e direitos das pessoas com deficiência
	Unidade 4: Migração e direitos indígenas
	Unidade 5: Migração e igualdade racial
	Unidade 6: Migração e direitos das mulheres
	Unidade 7: Migração e direitos LGBTQIA+
	Unidade 8: Migrantes idosos
	Glossário
	Referências

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