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IANI SOARES LUZ XIII – MED Artropatia - Articulação ou junta: Região anatômica que estabelece a contiguidade entre ossos ou cartilagens, possibilitando que o movimento seja direcionado nesse segmento. • Sinovial/diartrodial: Ossos dessas articulações não se tocam e as articulações têm ampla mobilidade dentro dos limites dos ligamentos circundantes. • Composta por cápsula, membrana sinovial e cartilagem de revestimento, e esta protege a superfície óssea. • Em algumas articulações, entre as cartilagens, existem meniscos fibrocartilaginosos, como, por exemplo, no joelho, no qual também há ligamentos cruzados que estabilizam a junta. ◦ Articulações esferoidais: Configuração de “esfera em um soquete” – uma superfície convexa arredondada que se articula com uma cavidade côncava e cupuliforme, permitindo grande amplitude de movimento de rotação, como no ombro e quadril; ◦ Articulações em gínglimo: Achatadas, planas ou discretamente curvas, permitindo apenas um movimento deslizante em um único plano, como na flexão e extensão do cotovelo; ◦ Articulações condilares: Como a articulação do punho, têm superfícies articulares convexas ou côncavas. Essas articulações permitem flexão, extensão, rotação e movimento no plano coronal. • Articulações cartilagíneas: Discos fibrocartilaginosos separaram as superfícies ósseas dessas articulações, que permitem uma pequena magnitude de movimento. As superfícies dos ossos em cada lado da articulação são cobertas por cartilagem hialina. • A fibrocartilagem nessas articulações é compressível e pode ajudar a absorver o impacto em uma articulação. ◦ Ex: Articulações intervertebrais, sínfise púbica e sínfise manubriesternal. • Articulações fibrosas: Como as suturas do crânio, apresentam camadas interpostas de tecido fibroso ou cartilagem que mantêm os ossos unidos. Os ossos estão quase em IANI SOARES LUZ XIII – MED contato direto, impossibilitando movimento apreciável. • - Bursas ou bolsas serosas: Bolsas periarticulares que servem para facilitar a movimentação, tornando os movimentos suaves e quase sem atrito. • Constituídas de células mesenquimais semelhantes aos sinoviócitos, localizadas próximo às articulações. • As mais importantes são as do ombro, do cotovelo, coxofemorais e as do joelho. - Tendões: Estruturas transmissoras da tensão muscular às partes móveis nas quais se inserem. • Principais características biomecânicas são elasticidade, flexibilidade e resistência à compressão. Principais sinais e sintomas (PORTO) - Dor (artralgia): A dor articular pode ser aguda (gota, bursite, artrite séptica) ou crônica (artrite reumatoide, artrose), em peso (artrose) ou muito intensa (gota, artrite séptica); • Por vezes, acompanhada de outros sintomas, como parestesias (formigamentos) decorrentes da compressão de raízes nervosas na coluna cervical ou lombar. - Sinais inflamatórios (artrite); rigidez pósrepouso, crepitação articular e manifestações sistêmicas, principalmente febre, astenia, perda de peso e anorexia. - Rigidez pós-repouso (rigidez matinal): Em geral, aparece em enfermidades inflamatórias. Resulta do acúmulo de substâncias produzidas pelo processo inflamatório nos locais acometidos. - Crepitação articular: Sinal característico de comprometimento da cartilagem articular e está presente em todos os processos com degeneração daquele elemento, como ocorre nas artroses e nas artropatias neurogênicas. - Manifestações sistêmicas: As mais importantes são: febre, astenia, anorexia e perda de peso. Artralgia x Artrite: • Artralgia: Significa apenas dor na articulação; • Artrite: Indica que estão presentes sinais flogísticos (dor, edema, calor e rubor), aos quais se soma quase sempre a limitação dos movimentos. IANI SOARES LUZ XIII – MED Avaliando se a dor é articular - A dor articular é caracterizada por ocorrer na topografia de uma articulação, relacionada com a mobilização ativa e passiva, melhorando com o repouso. - Ela pode estar associada a processos traumáticos, degenerativos ou inflamatórios. - De todas as situações, certamente o diagnóstico diferencial mais comum é com a síndrome miofascial, a fibromialgia e as síndromes de dor psicogênica. O ponto crítico aqui é a ausência de sinais objetivos de acometimento articular e a presença de áreas de dolorimento localizado ou difuso, com algumas regiões típicas (pontos dolorosos da fibromialgia e pontos-gatilho das dores miofasciais). Exame físico geral das articulações - Ao examinar as articulações, o paciente deve ficar de pé, sentado ou deitado, descobrindo-se de modo suficiente a região em questão. Quando sentado, suas mãos devem repousar sobre as coxas ou sobre o leito, em estado de relaxamento. Inspeção - Avalie visualmente quaisquer sinais de deformidade, edema, cicatrizes, inflamação ou atrofia muscular. Necessário boa iluminação. • Avaliar simetria do envolvimento articular, deformidade ou mau alinhamento dos ossos ou articulações e tecidos circundantes (alterações na pele, nódulos subcutâneos, atrofia muscular e a localização de alguma dor). ◦ Envolvimento agudo de apenas uma articulação sugere trauma, artrite séptica ou artrite induzida por cristais. • O examinador deve comparar articulações homólogas, procurando reconhecer aumento de volume, rubor, atrofia, desalinhamento articular, deformidades, nódulos e fístulas. • Pela análise da postura (com o paciente em posição ortostática), é possível reconhecer genu varum (populares “pernas tortas”, com os joelhos sendo projetados lateralmente), genu valgum desvio para fora da perna com saliência, e para dentro, do joelho), pé plano ou cavo, cifose, escoliose e cifoescoliose. IANI SOARES LUZ XIII – MED • A determinação do peso do paciente com relação à idade e à altura é o indicador mais objetivo de sobrecarga do aparelho locomotor, indubitavelmente prejudicial à coluna lombar e às articulações coxofemorais, assim como aos joelhos, tornozelos e pés. • Observar a marcha do paciente, pois ela costuma modificar-se nas enfermidades vertebrais e osteoarticulares dos membros inferiores (traumáticas, metabólicas, congênitas, inflamatórias e degenerativas). Palpação Use pontos de referência anatômicos na superfície para localizar os locais de dor ou coleção de líquidos. Sentir não apenas as estruturas musculoesqueléticas afetadas, mas também os principais pontos de referência anatômicos nas proximidades. • Determinar a causa do aumento do volume articular, a presença de pontos hipersensíveis no nível da linha interarticular e em outras áreas, a presença de tumorações (nódulos, ossificações, neoplasias) e o aumento da temperatura local. ◦ A presença de calor local é sinal seguro de processo inflamatório. • Caracterizar crepitações (ruído ou sensação de trituração audível ou palpável durante a movimentação de tendões ou ligamentos sobre os ossos ou áreas de perda de cartilagem) que, quando grosseiras e no nível das articulações, denotam comprometimento da cartilagem articular, significando degeneração articular. ◦ Crepitação de um osso significa fratura. IANI SOARES LUZ XIII – MED Avaliação dos quatro sinais de inflamação Edema Pode envolver: a membrana sinovial, que pode parecer amolecida ou pastosa à palpação; derrame decorrente do excesso de líquido sinovial no espaço articular; estruturas de tecido mole, como bolsas, tendões e bainhas tendíneas;Calor Use os dorsos dos dedos para comparar a articulação envolvida com a articulação contralateral não afetada ou com tecidos próximos, se as duas articulações estiverem envolvidas; Rubor Rubor da pele sobrejacente é o sinal menos comum de inflamação próxima às articulações e em geral é observado em articulações mais superficiais como os dedos das mãos ou dos pés e os joelhos; Dor ou hipersensibilidade Tente identificar a estrutura anatômica específica que está dolorida. OBS: Utilizando-se a inspeção e a palpação de modo conjugado, são estudadas as seguintes estruturas: pele e anexos, tecido celular subcutâneo, musculatura, tendões e ligamentos, rede vascular, sistema nervoso, estruturas osteoarticulares, formato e tamanho dos vários segmentos ósseos e pontos dolorosos. Amplitude do movimento Em 2 fases: ativa (pelo paciente) e passiva (pelo examinador). A avaliação dos movimentos das articulações torna possível a verificação de dor e do grau de impotência funcional. • Exemplos de diminuição da amplitude do movimento: Artrite, articulações com derrame, articulações com inflamação tissular ou fibrose periarticular ou fixação óssea (anquilose). • Se um paciente sentir dor nas articulações, mova-as delicadamente ou deixe que o próprio paciente demonstre os movimentos, mostrando como eles lidam com a condição. Manobras especiais. Exame dos movimentos articulares • A movimentação da articulação deve ser feita com máxima delicadeza; • É necessário pesquisar os movimentos ativo e passivo, comparando articulações homólogas; • O médico deve estar atento às reações do paciente, em especial à demonstração de dor; • Sempre que possível, a amplitude dos movimentos precisa ser medida em graus, partindo-se de uma posição neutra que seria o ponto zero; • Não sendo possível medir em graus, pode-se falar em limitação total, quando a articulação está impossibilitada de fazer a mínima movimentação, ou em limitação parcial, que pode ser mínima, moderada ou intensa (quase total). IANI SOARES LUZ XIII – MED Exame das articulações regionais Coluna vertebral - As curvaturas côncavas da coluna vertebral cervical e lombar e as curvaturas convexas da coluna vertebral torácica e sacrococcígea ajudam a distribuir o peso da parte superior do corpo para a pelve e extremidades inferiores e amortecem o impacto de concussão da deambulação ou corrida. Movimentos da coluna vertebral • Cervical (pescoço): Flexão (o mento deve tocar a fúrcula esternal); extensão (o mento deve afastar-se em torno de 18 cm da fúrcula esternal); rotação esquerda e direita (60°); e lateralidade esquerda e direita (30°); • Torácica: Rotação direita e esquerda (75°); flexão e extensão; e lateralidade esquerda e direita; • Lombar: Flexão (meça a distância das polpas digitais-solo); extensão (30°); rotação esquerda e direita (90°); e lateralidade esquerda e direita (35°). Principais componentes do exame físico da coluna vertebral Inspeção • Inspecione a postura do paciente ao entrar na sala, incluindo a posição do pescoço e do tronco. Avalie se o paciente apresenta posição retificada da cabeça, pescoço e dorso, movimentos do pescoço suaves e coordenados e facilidade na marcha. ◦ Cubra o paciente ou forneça uma vestimenta adequada que exponha todo o dorso para uma inspeção completa. ◦ Se possível, o paciente deve ficar em pé, com os pés juntos e os braços ao lado do corpo. A cabeça deve estar na linha mediana do corpo, no mesmo plano que o sacro, e os ombros e a pelve devem estar nivelados. ◦ Observando o paciente por trás: Identificar: ▪ Processos espinhosos, em geral mais proeminentes em C VII e T I, e mais evidentes com a flexão para frente; ▪ Músculos paravertebrais em cada lado da linha média; ▪ Cristas ilíacas (uma linha imaginária traçada acima da superfície posterior das cristas ilíacas deve cruzar o processo espinhoso de L IV); ▪ Espinha ilíaca posterossuperior, geralmente marcada por depressões na pele; ▪ Alinhamento dos ombros; ▪ Pregas cutâneas abaixo das nádegas (pregas glúteas); IANI SOARES LUZ XIII – MED ▪ Inspecionar quaisquer marcas, acrocórdons ou massas na pele. ◦ Observando o paciente pelo lado: Inspecionar as curvaturas cervical, torácica e lombar. Palpação ◦ Sentado ou em pé, palpe os processos espinhosos de cada vértebra com seu polegar; ◦ No pescoço, palpe as facetas articulares situadas entre as vértebras cervicais, 1 a 2 cm ao lado dos processos espinhosos de C II a C VII. ▪ Essas articulações estão localizadas profundamente ao músculo trapézio e podem não ser palpáveis se os músculos do pescoço não estiverem relaxados. ◦ Na região lombar baixa, palpe com atenção para pesquisar “desnivelamentos” vertebrais, verificando se um processo espinhoso parece exibir uma proeminência (ou recesso) anormal em relação à vertebra acima. Identifique qualquer dor. ◦ Palpe a região da articulação sacroilíaca, geralmente identificada pela depressão acima da espinha ilíaca posterossuperior a vários centímetros de distância da linha média, no nível da fenda interglútea. ◦ Palpe os músculos paravertebrais para pesquisar dor e espasmo. ▪ Na presença de espasmo, os músculos exibem firmeza e nodularidade e podem ser visíveis. ◦ Pesquise qualquer outra área sugerida pelos sintomas do paciente. Verifique se há irradiação da dor para as nádegas, o períneo ou os membros inferiores. Amplitude do movimento ◦ Coluna cervical: O pescoço é a porção mais móvel da coluna vertebral. ▪ Flexão e a extensão ocorrem basicamente entre o crânio e a C I (atlas); ▪ Rotação ocorre principalmente em C I-C II (áxis); ▪ Inclinação lateral ocorre principalmente em C II-C VII. IANI SOARES LUZ XIII – MED Coluna toracolombossacral Manobras especiais Coluna cervical - Manobras especiais da coluna cervical: Teste de tração Coloque a mão espalmada sob o queixo da pessoa enquanto a outra mão será colocada na região occipital Em seguida eleve (tracione) a cabeça removendo o peso que ela exerce sobre o pescoço; ◦ Promove alívio da dor. Teste de compressão Pressione para baixo o topo da cabeça da pessoa, que poderá estar sentada ou deitada. Caso haja agravamento da dor, observar a exata distribuição e se é circunscrita a algum dermátomo; ◦ Promove o aumento da dor. ◦ Deve-se evitar tal manobra na suspeita de instabilidade cervical. Teste de deglutição • Solicite à pessoa que degluta, observando se ocorre dor ou dificuldade em tal procedimento; Teste de Valsalva Solicite à pessoa que prenda a respiração e faça força, como se quisesse evacuar, ou que faça uma expiração forçada contra a própria mão, segurando por cerca de 5 a 10 segundos. IANI SOARES LUZ XIII – MED Em seguida, pergunte se houve agravamento da dor, com sua descrição e localização; Teste de Adson Palpe o pulso radial e, ao mesmo tempo, abduza, estenda e rode externamente o braço da pessoa examinada. Em seguida, solicite a ela que prenda a respiração e rode a cabeça para o lado que está sendo testado; ◦ A diminuição ou a ausência de pulso indica compressão da artéria subclávia, caracterizando um teste positivo, sendo sugestivo de síndrome do desfiladeiro torácico. Manobra de Spurling Pesquisa de compressão da raiz nervosa cervical. Peça que o paciente olhe sobre o ombro e depois para o teto. Em seguida, posicione-se atrás do paciente e, com cuidado, aplique uma pressão para baixo na cabeça do paciente e verifique se a manobra reproduz a dor cervical comirradiação para o mesmo lado da cabeça virada. Em seguida, use uma tração delicada após esse teste para liberar a pressão. ◦ Positivo se o paciente sentir dor que desce pelo braço do mesmo lado para o qual a cabeça está virada e indica envolvimento da raiz nervosa cervical. Sinal de Lhermitte Realize a flexão do pescoço, provocando uma sensação, tipo “choque elétrico”, que irradia para toda a coluna vertebral e para os membros. ◦ Promove a sensação de parestesias ou disestesias nas mãos ou nas pernas, durante a flexão cervical. Sinais de risco na cervicalgia Instabilidade da região; fraqueza muscular; e perda progressiva de função. Alertas amarelos na cervicalgia • Atitudes e crenças acerca da dor nas costas: ◦ Crença de que a dor é prejudicial e que deve ser eliminada antes do retorno à atividade normal; ◦ Atitude passiva ante a reabilitação. • Comportamentais: ◦ Descanso prolongado e redução do nível de atividades, com a retirada significativa das atividades da vida diária; ◦ Relato de intensidade extremamente alta da dor; ◦ Qualidade do sono reduzida, desde o início da dor. • Questões compensatórias: ◦ Falta de incentivos financeiros para retorno ao trabalho; ◦ História de pedido(s) e/ou período(s) prolongado(s) de afastamento do trabalho, devido a uma lesão ou a outro problema de dor ◦ Experiência de diagnósticos contraditórios ou explicações para a dor, resultando em confusão; ◦ Conselho para retirar-se do emprego. IANI SOARES LUZ XIII – MED • Emocionais: ◦ Medo do aumento da dor com a atividade ou o trabalho; ◦ Depressão (especialmente baixa autoestima em longo prazo); ◦ Sentimento de incapacidade em manter o senso do controle. • Familiar: ◦ Família superprotetora; ◦ Falta de apoio familiar. • Laborais: ◦ História de trabalho manual; ◦ Insatisfação no trabalho, relações ruins com os colegas ou supervisores e falta de sentido vocacional; ◦ Crença de que o trabalho é prejudicial, que fará dano ou será perigoso; ◦ Ambiente de trabalho atual infeliz; ◦ Baixa escolaridade, baixa condição socioeconômica; ◦ Trabalho envolvendo turnos ou fora do horário normal Alertas vermelhos na cervicalgia Probabilidade de causa grave subjacente: ◦ Sintomas antes dos 20 anos ou após os 55 anos; ◦ Fraqueza envolvendo mais de um miótomo ou perda de sensibilidade envolvendo mais de um dermátomo; ◦ Dor persistente ou crescente. Sugerem compressão da medula espinal (mielopatia): ◦ Evolução insidiosa; ◦ Manifestações neurológicas: distúrbios da marcha, perda da força ou da coordenação nas mãos, perda no controle sexual, vesical ou na função intestinal; ◦ Sinais neurológicos: ▪ Sinal de Lhermitte; ▪ Sinais de neurônio motor superior nos MMII (sinal de Babinski: até curso plantar, hiper-reflexia, reflexo, clônus, espasticidade); ▪ Sinais de neurônio motor inferior nos MMSS (atrofia, hiporreflexia); ▪ As alterações sensoriais são variáveis, com perda de vibração e senso de posição articular mais evidente nas mãos do que nos pés. • Sugerem neoplasia, infecção ou inflamação: ◦ Mal-estar, febre, perda de peso inexplicada; ◦ Dor que aumenta, não cessa ou perturba o sono; ◦ História de artrite inflamatória, neoplasia, TB, imunossupressão, uso de drogas, Aids ou outra infecção; ◦ Linfadenopatia; ◦ Sensibilidade apurada ao longo de um corpo vertebral. • Sugerem trauma ou lesão óssea grave: ◦ História de trauma violento (p. ex., um acidente de trânsito) ou queda de altura (lembrar que um pequeno trauma pode IANI SOARES LUZ XIII – MED fraturar a coluna vertebral em pessoas com osteoporose); ◦ História de cirurgia prévia no pescoço; ◦ Fatores de risco para osteoporose: menopausa precoce, uso de corticoides sistêmicos. • Sugerem insuficiência vascular: ◦ Tonturas e desmaios (restrição da artéria vertebral) em movimento, especialmente na extensão do pescoço, quando olhando para cima; ◦ Quedas. Coluna lombar Manobras especiais • Teste da elevação da perna reta (Lasègue): Dor neste membro a 30 a 60°; Teste de elevação da perna oposta • Dor no membro não elevado a 30 a 60°. - Sinais de alerta vermelho da lombalgia: • Sinais ou sintomas sistêmicos: febre, calafrios, sudorese noturna e/ou perda de peso inexplicada (infecção/malignidade); • Déficit neurológico focal progressivo ou profundo; • Trauma/lesão em alta velocidade; • Dor que é refratária a medicamentos/injeções e persistente por mais de 4 a 6 semanas; • Idade avançada (acima dos 70 anos); • Uso prolongado de corticosteroides; • Contusão ou abrasões na coluna vertebral; • Doença sistêmica que cause imunocomprometimento, como Aids ou uso de drogas intravenosas (aumento do risco de osteomielite, que pode causar abscesso epidural); • História de câncer; • Incontinência ou retenção urinária. IANI SOARES LUZ XIII – MED Ombro A mobilidade do ombro é derivada da cintura escapular. Estabilizadores dinâmicos: Músculos supraespinal, infraespinal, redondo menor e subescapular do manguito rotador; movem o úmero e comprimem e estabilizam a cabeça do úmero na cavidade glenoidal. ◦ Outros músculos, como o bíceps braquial, o latíssimo do dorso e o peitoral maior, também atuam na estabilização do ombro. Estabilizadores estáticos: Ossos (úmero, clavícula e escápula) e ligamentos da cintura escapular (lábio glenoidal, cápsula articular e ligamentos glenoumerais). - Movimentos do ombro: Abdução (110° a 120°); flexão ou elevação anterior (180°); extensão ou movimentação para trás (60°); rotação externa (90°); e rotação interna posterior (180°). - Principais componentes do exame físico do ombro: Inspeção Inspecionar o ombro e a cintura escapular anteriormente e, depois, as escápulas e os músculos relacionados posteriormente. ◦ Verificar se há tumefação, deformidade, atrofia muscular ou fasciculações (tremores finos dos músculos) ou posicionamento anormal. ◦ Examinar todo o membro superior à procura de mudança de cor, alteração da pele ou contornos ósseos não usuais. ◦ Quando os músculos do ombro parecerem atrofiados, pesquise a presença de escápula alada. ▪ Peça que o paciente estenda os 2 braços e empurre sua mão ou uma parede. Observe as escápulas. Normalmente, elas ficam situadas próximas ao tórax. IANI SOARES LUZ XIII – MED ▪ Em indivíduos muito magros, as escápulas podem parecer “aladas” mesmo quando a musculatura está intacta. Palpação Comece palpando os contornos ósseos e as estruturas do ombro; em seguida, palpe qualquer área de dor. ◦ Começando medialmente, na articulação esternoclavicular, siga a clavícula com seus dedos na direção lateral até a articulação acromioclavicular; ◦ Por trás, siga a espinha da escápula na direção lateral e superior até ela se transformar no acrômio, o ponto mais alto do ombro; ▪ A superfície superior é áspera e discretamente convexa. ▪ Identifique a extremidade anterior do acrômio. ◦ Com o dedo indicador acima do acrômio, logo atrás da sua extremidade, faça uma pressão medial com o polegar para encontrar a crista discretamente elevada que marca a extremidade distal da clavícula na articulação acromioclavicular; ◦ Mova o polegar em uma direção medial e descendente por uma distância curta até a proeminência óssea seguinte, o processo coracoide da escápula; ◦ Com o polegar no processo coracoide, deixe os dedos descerem até a superfície lateral do úmero para palpar o tubérculo maior; ◦ Em seguida, para palpar o tendão do músculo bícepsbraquial no sulco bicipital intertubercular do ombro direito, mantenha o polegar no processo coracoide e os dedos na superfície lateral do úmero; ◦ Remova o dedo indicador e posicione-o na metade do caminho entre o processo coracoide e o tubérculo maior na superfície anterior do braço; ▪ Ao verificar a presença de dor no tendão, pode ser útil rolar o tendão sob as pontas dos dedos. ▪ Você também pode fazer uma rotação externa da articulação glenoumeral, localizar o músculo distalmente perto do cotovelo e seguir o músculo e seu tendão na direção proximal até o sulco intertubercular. IANI SOARES LUZ XIII – MED ◦ Para examinar a bolsa subacromial/subdeltóidea e os músculos estabilizadores dinâmicos da cintura escapular, comece com extensão passiva do úmero, levantando o cotovelo posteriormente, o que provoca uma rotação dessas estruturas, fazendo com que fiquem localizadas anteriormente ao acrômio. Palpe com cuidado acima das bolsas subacromial e subdeltóidea ▪ Supraespinal diretamente abaixo do acrômio, também pode ser seguido a partir do ventre muscular acima da espinha da escápula posteriormente; ▪ Infraespinal com localização posterior ao supraespinal, também pode ser seguido a partir do ventre muscular abaixo da espinha da escápula; ▪ Redondo menor com localização posterior e inferior ao supraespinal, de difícil palpação; ▪ Subescapular inserido anteriormente, da superfície medial do úmero até o tubérculo menor; uma rotação externa é necessária para a palpação indireta pelos músculos sobrejacentes. ◦ A cápsula articular fibrosa e os tendões largos e planos do manguito rotador estão localizados de modo tão próximo que devem ser examinados simultaneamente. Palpe a cápsula e a membrana sinovial abaixo das superfícies anterior e posterior do acrômio à procura de lesão ou artrite. IANI SOARES LUZ XIII – MED Amplitude do movimento Flexão: ▪ Principais músculos que afetam o movimento: Deltoide anterior, peitoral maior (parte clavicular), coracobraquial, bíceps braquial ▪ Instruções para o paciente: “Levante seus braços na sua frente e acima da cabeça.” Extensão: ▪ Principais músculos que afetam o movimento: Latíssimo do dorso, redondo maior, deltoide posterior, tríceps braquial (cabeça longa); ▪ Instruções para o paciente: “Levante seus braços atrás de você.” Abdução: ▪ Principais músculos que afetam o movimento: Supraespinal, deltoide médio, serrátil anterior (por rotação da escápula para cima); ▪ Instruções para o paciente: “Levante os braços para os lados e acima da cabeça.” Adução: ▪ Principais músculos que afetam o movimento: Peitoral maior, coracobraquial, latíssimo do dorso, redondo maior, subescapular; ▪ Instruções para o paciente: “Cruze os braços na frente do corpo.” Rotação interna: ▪ Principais músculos que afetam o movimento: Subescapular, deltoide anterior, peitoral maior, redondo maior, latíssimo do dorso; ▪ Instruções para o paciente: “Coloque uma das mãos nas costas e tente tocar sua escápula.” • Identificar o processo espinhoso mais alto que o paciente consegue alcançar na linha média. Rotação externa: ▪ Principais músculos que afetam o movimento: Infraespinal, redondo menor, deltoide posterior, supraespinal (especialmente com o braço acima da cabeça); ◦ Instruções para o paciente: “Levante o braço até o nível do ombro; dobre o cotovelo e vire o antebraço na direção do teto.” OU “Coloque uma das mãos atrás do pescoço ou da cabeça como se estivesse escovando os cabelos.” Manobras especiais: ◦ Teste de provocação de dor: ▪ Teste do arco doloroso (bolsa subacromial e manguito rotador) Abduzir totalmente o braço do paciente de 0 a 180°. • Manguito rotador. Testes de Neer Faça pressão sobre a escápula para impedir o movimento escapular com uma das mãos e levante o braço do paciente com a outra. • Essa manobra causa a compressão do tubérculo maior do úmero contra o acrômio. Teste de Hawkins Flexione o ombro e o cotovelo do paciente em 90° com a palma voltada para baixo. Em seguida, com uma das mãos no antebraço e IANI SOARES LUZ XIII – MED a outra no braço, efetue a rotação interna do braço. • Isto comprime o tubérculo maior contra o tendão do supraespinal e o ligamento coracoacromial. Arco doloroso Neer Hawkins Testes de força ▪ “Lag test” para rotação externa (supraespinal e infraespinal): Com o braço do paciente flexionado em 90° com a palma para cima, gire o braço em uma rotação externa completa e peça que o paciente mantenha o braço nessa posição. ▪ “Lag test” para rotação interna (subescapular): Em pé atrás do paciente, traga o dorso da mão para trás, na região lombar, com o cotovelo flexionado em 90°. Em seguida, segure o punho e levante a mão afastando-a das costas, o que produz uma rotação interna no ombro. Peça que o paciente mantenha a mão nessa posição depois que você soltar o punho. ▪ Teste de queda do braço (supraespinal): Peça que o paciente realize uma abdução completa do braço até o nível do ombro, a 90°, e abaixe-o lentamente. Observe que a abdução acima do nível do ombro, de 90 a 120°, reflete a ação do músculo deltoide. “Lag test” para rotação externa e interna, respectivamente Teste de queda do braço Teste combinado: ▪ Teste de resistência à rotação externa (infraespinal): Peça que o paciente realize a adução e flexão do braço a 90°, com os polegares voltados para cima. Estabilize o cotovelo com uma das mãos e aplique pressão em um ponto proximal ao punho do paciente, enquanto o paciente empurra o punho para fora, em rotação externa. ▪ Teste da “lata vazia” Eleve os braços a 90° e efetue rotação interna dos braços com os polegares voltados para baixo, como se estivesse esvaziando uma lata. Peça que o paciente resista quando você aplicar pressão para baixo nos braços. IANI SOARES LUZ XIII – MED Teste de resistência à rotação externa Teste da “lata vazia” ◦ Outros: ▪ Teste de Gerber: Movimento ativo de afastamento da mão do dorso. Avalia o músculo subescapular. ▪ Teste de Jobe: O paciente mantém o braço em 90° de abdução e 30° de flexão, e então faz uma rotação interna. Serve detectar força do manguito rotador, principalmente, do tendão supraespinhoso ombro. Teste de Gerber Teste de Jobe Cotovelo - Cotovelo ajuda a posicionar a mão no espaço eestabiliza a ação de alavanca do antebraço. Anatomia: • Ossos: Úmero, rádio e ulna; • Articulações: Articulação umeroulnar, articulação umerorradial e articulação radioulnar. ◦ Todas as três compartilham uma grande cavidade articular comum e um extenso revestimento sinovial. • Músculos: Bíceps braquial e braquiorradial (flexão), braquial e tríceps braquial (extensão), pronador redondo (pronação) e supinador (supinação). - Movimentos do cotovelo: Extensão (0° ou 180°); flexão (45° ou 150° a 160°); pronação (90°), supinação (90°); e pronossupinação (90° a 180° para cada movimento). IANI SOARES LUZ XIII – MED - Principais componentes do exame físico do cotovelo: • Inspeção: ◦ Apoie o antebraço do paciente com sua mão oposta de modo que o cotovelo fique flexionado em aproximadamente 70°. ◦ Identifique os epicôndilos medial e lateral e o olécrano da ulna. ◦ Inspecione os contornos do cotovelo, incluindo a superfície extensora da ulna e o olécrano. ◦ Observe a presença de qualquer nódulo ou tumefação. Palpação: ◦ Palpar o olécrano e fazer pressão sobreos epicôndilos para pesquisar dor. ◦ Palpar os sulcos entre os epicôndilos e o olécrano, onde a sinóvia pode ser examinada com mais facilidade. ▪ Normalmente, a sinóvia e as bolsas do olécrano não são palpáveis. ◦ O nervo ulnar, de função sensitiva, pode ser palpado posteriormente entre o olécrano e o epicôndilo medial. ◦ Procurar calor na pele ou ao redor da articulação, que pode sugerir infecção ou inflamação subjacente. ◦ Observe qualquer deslocamento (luxação) do olécrano. ◦ Preste atenção a qualquer estalido ou crepitação que possa sugerir artrite subjacente, corpo livre intra-articular ou possível lesão da cabeça do rádio. Amplitude do movimento: • Manobras especiais: ◦ Testes para afastar a ocorrência de fratura após trauma do cotovelo: ▪ Teste da extensão do cotovelo: Pessoa é posicionada sentada, com ambos os membros superiores expostos e em supinação, solicitando- se a ela que flexione os ombros em 90° e, então, realize extensão completa dos cotovelos e sustente-os. Compara-se o lado atingido em relação ao contralateral, avaliando a existência de diferenças na extensão dos cotovelos. Quando o teste é positivo, com extensão incompleta do lado atingido, devese solicitar radiografia, pois há IANI SOARES LUZ XIII – MED cerca de 50% de chance de haver fratura. ◦ Testes que reproduzem essa dor ao longo do epicôndilo lateral (epicondilite lateral): ▪ Teste de Cozen Estabilize o cotovelo do paciente e palpe o epicôndilo lateral. Em seguida, peça que o paciente realize uma pronação e extensão do punho contra uma resistência. A dor deve ser reproduzida na superfície lateral do cotovelo. Pesquisar epicondilite lateral ou “cotovelo de tenista”. ▪ Teste de Mill (estiramento passivo dos extensores do punho) Examinador palpa o epicôndilo lateral da pessoa com uma mão enquanto a outra prona o antebraço examinado, realizando flexão completa do punho e estendendo passivamente o cotovelo, da mesma forma que no anterior. O relato de dor na região do epicôndilo lateral indica um teste positivo. ▪ Teste de Maudsley (extensão do dedo médio contra uma resistência, com o punho estendido) Paciente realiza força de extensão do 3° dedo (dedo médio) enquanto o examinador realiza contra-resistência. O antebraço fica em posição de pronação e o cotovelo flexionado. A extensão do cotovelo costuma sensibilizar o teste em alguns pacientes e causar mais dor. Teste de Cozen ◦ Teste para epicondilite medial Dor que é piorada pela resistência aplicada pelo examinador quando a pessoa é orientada a realizar pronação do antebraço e flexão do punho com o cotovelo estendido. Teste Pivot-Shift ou teste do pivô do cotovelo Nesse teste, o paciente deve estar em decúbito dorsal, com flexão do cotovelo a 70º e punho supinado. Então, com o antebraço supinado, o examinador segura firmemente o braço do paciente. Assim, evita-se uma rotação externa e com a outra mão, segura o punho do paciente. A seguir, o examinador realiza uma extensão, impondo força de compressão axial sobre o antebraço. O resultado positivo desse teste indica possível subluxação/luxação úmero/ulnar e úmero/radial. IANI SOARES LUZ XIII – MED - Sinais de alerta vermelho: • Tumor: ◦ História, sinais ou sintomas sugestivos de câncer; ◦ Deformidade ou edema significativo inexplicados; ◦ Massa palpável com aumento progressivo; ◦ Dor intensa sem exames de imagem prévios. • Infecção: ◦ Eritema, febre, queda no bom estado geral. • Deslocamento e instabilidade articular: ◦ Trauma sem investigação prévia; ◦ Perda de mobilidade sem diagnóstico; ◦ Alteração dos contornos normais da articulação. • Lesão neurológica: ◦ Trauma, dor aguda incapacitante e perda significativa de força; ◦ Déficits sensitivos ou motores inexplicados. Punho e mão - Anatomia: • Ossos do punho: Porção distal do rádio e da ulna e 8 pequenos ossos carpais; • Ossos da mãos: Ossos carpais, distalmente à articulação do punho, cada um dos 5 ossos metacarpais e falanges proximais, médias e distais. • Articulações do punho: Articulação radiocarpal ou articulação do punho, articulação radioulnar distal e articulações intercarpais. • Articulações das mãos: Articulações metacarpofalângicas (MCFs), articulações interfalângicas proximais (IFPs) e articulações interfalângicas distais (IFDs). IANI SOARES LUZ XIII – MED OBS: Túnel do carpo: Canal abaixo da superfície palmar do punho e região proximal da mão. Contém a bainha e os tendões flexores para o polegar e demais dedos, assim como o nervo mediano. • Nervo mediano é responsável pela sensibilidade da palma da mão e superfície palmar da maior parte do polegar, dedos indicador e médio e metade do dedo anular. • Também inerva os músculos responsáveis pela flexão, abdução e oposição do polegar. - Movimentos do punho: Flexão palmar (90°); extensão dorsal ou dorsiflexão (70°); desvio medial ou radial ou adução (20°); e desvio cubital ou lateral ou abdução (30°). - Movimentos das mãos e dedos: • Metacarpofalangianas: Flexão (90°), extensão (30°); • Interfalangiana proximal: Flexão (90°); • Interfalangiana: Flexão (80°); • Metacarpofalangiana do polegar: Flexão (90°); • Interfalangiana do polegar: Flexão (90°); Abdução do polegar (110°); Oposição do polegar (45°). - Principais componentes do exame físico do punho e das mãos: Inspeção: ◦ Inspecione a posição das mãos durante o movimento, que deve ser suave e natural. Quando os dedos estiverem relaxados, devem permanecer em discreta flexão; as bordas das unhas devem ser paralelas. ◦ Inspecione com atenção as superfícies palmar e dorsal do punho e das mãos. ▪ Procurando edema sobre as articulações, sinais de traumatismo, tumefação, lacerações, punções, marcas de injeção, queimaduras ou eritema. ◦ Observe qualquer deformidade dos ossos do punho, mão ou dedos, assim como qualquer angulação. ◦ Observe os contornos da palma, a saber, as eminências tenar e hipotenar. IANI SOARES LUZ XIII – MED ◦ Observe qualquer espessamento dos tendões flexores ou contraturas em flexão nos dedos. Palpação: ◦ No punho, palpe a porção distal do rádio e da ulna nas superfícies lateral e medial. ◦ Palpe o sulco de cada articulação do punho com os polegares no dorso do punho e os outros dedos abaixo dele. ▪ Observe a presença de qualquer tumefação, consistência pastosa ou dor. ◦ Palpe o processo estiloide do rádio e a tabaqueira anatômica, uma depressão oca imediatamente distal ao processo estiloide do rádio formada pelos músculos abdutor e extensor do polegar. Palpe os ossos carpais, situados distalmente à articulação do punho, e então cada um dos ossos metacarpais e as falanges proximais, médias e distais. ▪ Tente mover os ossos carpais em relação uns aos outros. Deve haver pouco ou nenhum movimento. ◦ Comprima as articulações MCF apertando a mão em cada lado entre o polegar e os dedos. Como alternativa, use seu polegar para palpar cada articulação MCF em um ponto imediatamente distal e em cada lado dos tendões extensores, enquanto seu dedo indicador sente a cabeça dos ossos metacarpais na palma da mão. ▪ Observe a presença de qualquer tumefação, consistência pastosa ou dor. ◦ Palpe as superfícies medial e lateral de cada articulação IFP entre seu polegar e o dedo indicador, mais uma vez pesquisando tumefação, consistência pastosa, aumento ósseo ou dor. ▪ Usando as mesmas técnicas, examine as articulações IFD. ◦ Palpe ao longo dos tendões inseridos no polegar e demais dedos, procurando por dor, eritema ou inflamação. Examine qualquer espessamentofocal. Amplitude do movimento ◦Punho: ◦ Dedos: ▪ Flexão: Para testar os músculos lumbricais e flexor dos dedos, peça ao paciente: “Dobre seus dedos e o polegar na palma de sua mão, fechando o punho.” ▪ Extensão: Para testar a extensão dos músculos extensores dos dedos, peça ao paciente: “Estique os dedos e o polegar.” ▪ Abdução e adução: Peça que o paciente afaste os dedos (abdução dos interósseos dorsais) e aproxime-os outra vez (adução dos interósseos palmares). IANI SOARES LUZ XIII – MED ▪ Polegar: − Peça ao paciente para mover o polegar cruzando a palma da mão e tocar na base do dedo mínimo para testar a flexão e, então, mover o polegar novamente pela palma, afastando-o dos dedos, para testar a extensão. − Em seguida, peça que o paciente coloque os dedos e o polegar na posição neutra, com a palma da mão para cima; então, faça o paciente mover o polegar afastando-o da palma para avaliar a abdução e, em seguida, voltar para testar a adução. − Para testar a oposição, ou os movimentos do polegar cruzando a palma da mão, peça que o paciente toque a ponta de cada um dos outros dedos com o polegar. Manobras especiais: ◦ Teste da força de preensão manual: Peça que o paciente segure seus dedos indicador e médio com a maior firmeza possível. ▪ Testa a função das articulações do punho, flexores do dedo e músculos intrínsecos e articulações da mão. ▪ Dor durante essa manobra identifica a tenossinovite de De Quervain (“polegar do gamer”) decorrente de inflamação dos tendões e bainhas tendíneas dos músculos abdutor longo do polegar e extensor curto do polegar. ◦ Teste de Finkelstein ou de tenossinovite Peça que o paciente segure o polegar de encontro à palma da mão e, então, mova o punho na direção da linha média em desvio ulnar. Teste de orça de preensão manual Teste de Finkelstein Testes para neuropatia por compressão do nervo: ▪ Teste de abdução do polegar: Peça que o paciente levante o polegar reto, afastando-o da palma da mão em um ângulo de 90° enquanto você aplica uma resistência para baixo; ▪ Teste de oposição do polegar: Peça que o paciente toque a ponta do dedo mínimo com o polegar enquanto você aplica uma pressão para fora, contra a base do polegar; ▪ Sinal de Tinel: Percussão delicada e repetida ao longo do trajeto do nervo mediano no túnel do carpo. Dormência e formigamento na distribuição do nervo mediano dentro de 60 segundos constitui um teste positivo; • É importante observar que pode não haver necessidade IANI SOARES LUZ XIII – MED de 60 segundos completos para que o paciente apresente sintomas. ▪ Sinal de Phalen: Peça que o paciente mantenha os punhos em flexão total, com justaposição do dorso de cada mão entre si, durante 60 segundos com os cotovelos totalmente estendidos. Ou, então, peça que o paciente pressione os dorsos das mãos entre si para formar ângulos retos. Essas manobras comprimem o nervo mediano. • Os sinais de Tinel e de Phalen não indicam de modo confiável um eletrodiagnóstico positivo de doença no túnel do carpo. • Trabalhos manuais repetitivos e forçados, com extensão prolongada do punho (como digitação) e separação de correspondência, vibração, exposição ao frio, anatomia do punho, gravidez, artrite reumatoide, diabetes e hipotireoidismo são fatores de risco para a síndrome do túnel do carpo. Sinal de Tinel Sinal de Phalen Tornozelo e pé - O tornozelo e o pé devem equilibrar o corpo e absorver o impacto do toque do calcanhar e da marcha. - Movimentos do tornozelo e do pé: • Articulações dos tornozelos: Dorsiflexão ou flexão dorsal (20°); flexão plantar (50°); inversão; e eversão. • Articulações metatarsofalangianas: Flexão; e extensão. - Tornozelo (articulação em gínglimo): • Ossos: Tíbia (maléolo medial, a proeminência óssea na extremidade distal da tíbia), fíbula (maléolo lateral, na extremidade distal da fíbula) e tálus; • Articulações: Articulação tibiotalar (entre tíbia e o tálus) e articulação talocalcânea (subtalar). - Principais componentes do exame físico dotornozelo e do pé: Inspeção Observar todas as superfícies dos tornozelos e pés, a procura de deformidades, nódulos, tumefações, calosidades ou cornos cutâneos. IANI SOARES LUZ XIII – MED Palpação ◦ Com seus polegares, palpe a superfície anterior de cada articulação do tornozelo, observando a presença de consistência pastosa, tumefação ou dor. Palpar ao longo do tendão do calcâneo a procura de nódulos e dor. Procurar nódulos reumatoides, que podem ser encontrados ao longo do tendão do calcâneo. ▪ Esporões ósseos são comuns no calcâneo e podem não ser patológicos. ◦ Palpar o calcanhar, especialmente as porções posterior e inferior do calcâneo, e a fáscia plantar para pesquisar dor. ◦ Palpar para pesquisar dor nos ligamentos mediais e laterais do tornozelo e no maléolo medial e lateral, especialmente em casos de traumatismo. ▪ Em casos de traumatismo, as extremidades distais da tíbia e fíbula também devem ser palpadas. ◦ Palpar as articulações metatarsofalângicas (MTF) para pesquisar dor. ◦ Comprimir a porção anterior do pé entre o polegar e os outros dedos. ◦ Pressionar a região proximal das cabeças do primeiro e do quinto ossos metatarsais. ◦ Palpar as cabeças dos cinco ossos metatarsais e os sulcos entre eles com seu polegar e indicador. O examinador deve colocar o polegar no dorso do pé do paciente e o dedo indicador na superfície plantar. Movimentar as cabeças dos metatarsais em relação umas às outras, verificando se há maior frouxidão e dor à mobilização. ◦ Palpar os músculos gastrocnêmio e sóleo na região posterior da perna. Seu tendão comum, o tendão do calcâneo (tendão de Aquiles, é palpável a partir do terço inferior da panturrilha até sua inserção no calcâneo. • Amplitude do movimento: Em condições normais, o tornozelo deve apresentar cerca de 20° de dorsiflexão e aproximadamente 50° de flexão plantar em relação à posição neutra. O pé exibe cerca de 35° de inversão e 25° de eversão em relação à posição neutra. Manobras especiais: Teste de integridade da articulação do tornozelo (tibiotalar): Efetuar dorsiflexão e flexão plantar do pé no tornozelo. IANI SOARES LUZ XIII – MED ◦ Teste de integridade da articulação talocalcânea (subtalar): Estabilizar o tornozelo com uma das mãos, segure o calcanhar com a outra e realizar inversão e eversão do pé, virando o calcanhar para dentro e para fora em uma manobra chamada teste de inclinação talar. ◦ Teste de integridade da articulação talocrural: Segurar a porção anterior da perna com uma das mãos e a parte posterior do calcanhar com a outra. Nessa posição, tente tracionar o calcanhar para frente sob a tíbia. Você deve sentir um ponto de parada rígido. ◦ Teste de integridade da articulação transversa do tarso Estabilizar o calcanhar e realizar inversão e e versão da porção anterior do pé. ◦ Teste de integridade das articulações Metatarsofalângicas Mova a falange proximal de cada dedo do pé para cima e para baixo. ◦ Teste de integridade da articulação transversa do tarso por inversão da porção anterior do pé. ◦ Teste de integridade do tendão do calcâneo (tendão de Aquiles): Para testar a integridade, posicionar o paciente em decúbito ventral com o joelho e o tornozelo flexionados a 90° ou, como alternativa, pedir que o paciente ajoelhe sobre uma cadeira. Comprimir a panturrilha e observar a flexão plantar no tornozelo.Testes de entorses do tornozelo: Normalmente, em inversão, em que o ligamento mais envolvido é o fíbulotalar anterior. ▪ Testes da gaveta anterior (teste para estabilidade do ligamento fíbulo-talar anterior): Realizado em posição neutra e com 30⁰ de flexão do tornozelo, estabiliza-se a perna com uma das mãos, e com a outra mão, abraça-se o calcâneo e a borda lateral do pé, promovendo um deslocamento anterior do pé em relação ao tornozelo; ▪ Teste de tilt-talar (teste para estabilidade do complexo lateral do tornozelo, mais especificamente, fíbulo-talar anterior, fíbulocalcaneano e capsula articular): Com o tornozelo em neutro, promove-se um varo do pé em relação ao tornozelo. IANI SOARES LUZ XIII – MED Quadril - A articulação do quadril está inserida profundamente na pelve e é notável por sua força, estabilidade e grande ADM. • A estabilidade da articulação do quadril é derivada do encaixe profundo da cabeça do fêmur no acetábulo, sua forte cápsula articular fibrosa, e os músculos poderosos que cruzam a articulação com inserção abaixo da cabeça do fêmur, fornecendo uma ação de alavanca para o movimento do fêmur. - Movimentos do quadril (paciente em decúbito dorsal): Posição neutra (180°); flexão (110° a 120°); rotação interna em extensão (90°); rotação externa em extensão (90°); rotação interna em flexão (45°); rotação externa em flexão (45°); abdução (45°); adução (30°); hiperextensão em decúbito ventral (30°). - Principais componentes do exame físico doquadril: • Inspeção: ◦ Observação cuidadosa da marcha do paciente ao entrar na sala. ▪ Observe as 2 fases da marcha: apoio e balanço; ▪ A maioria dos problemas do quadril aparece durante a fase de apoio com sustentação do peso. ◦ Inspecione a largura da base na marcha, assim como o desvio da pelve, a extensão do passo e a flexão do joelho. ▪ A largura da base deve corresponder a 5 a 10 cm de um calcanhar para o outro. ▪ A marcha normal tem um ritmo suave e contínuo, obtido em parte pela contração dos músculos abdutores do membro que estiver sustentando o peso. ▪ O joelho deve apresentar uma discreta flexão durante toda a fase de apoio, exceto quando o calcanhar toca o solo para contrabalançar o movimento no tornozelo e durante a saída dos dedos, imediatamente antes do início da fase de balanço. Inspecione a porção lombar da coluna vertebral para determinar o grau de lordose. Com o paciente em decúbito dorsal, avalie a simetria no comprimento dos membros inferiores. ◦ Inspecione as superfícies anterior e posterior do quadril para detectar quaisquer áreas de atrofia muscular ou contusão. ▪ A articulação está situada em um plano muito profundo para a detecção de edema. IANI SOARES LUZ XIII – MED Palpação: ◦ Pontos de referência anteriores: ▪ Identifique a crista ilíaca na margem superior da pelve, no nível de L IV. ▪ Siga a curva anterior para baixo e localize o tubérculo ilíaco, que marca o ponto mais amplo da crista. ▪ Continue seguindo para baixo até a espinha ilíaca anterossuperior. ▪ Coloque seus polegares sobre as espinhas ilíacas anterossuperiores e mova os dedos para baixo e para os lados, a partir dos tubérculos ilíacos até o trocanter maior do fêmur. ▪ Em seguida, mova seus polegares medial e obliquamente até o tubérculo púbico, que está situado no mesmo nível do trocanter maior. ◦ Pontos de referência posteriores: ▪ Palpe a espinha ilíaca posterossuperior diretamente abaixo das depressões visíveis, logo acima das nádegas (pode ser difícil encontrá-la em pacientes com sobrepeso ou obesos). ▪ Colocando o polegar e o indicador esquerdos sobre a espinha ilíaca posterossuperior, localize em seguida o trocanter maior lateralmente, com os dedos no nível da prega glútea, e coloque o polegar medialmente no túber isquiático. A articulação sacroilíaca nem sempre é palpável, mas pode estar dolorosa. ▪ Observe que uma linha imaginária ao longo da espinha ilíaca posterossuperior cruza a articulação em S II. ◦ Com o paciente em decúbito dorsal, peça que coloque o calcanhar da perna examinada sobre o joelho oposto. Em seguida, palpe ao longo do ligamento inguinal, que se estende da espinha ilíaca anterossuperior até o tubérculo púbico. ◦ Se o quadril for doloroso, palpe a bolsa do psoas abaixo do ligamento inguinal. ◦ Com o paciente repousando em decúbito lateral e o quadril em flexão e rotação interna, palpe a bolsa trocantérica situada acima do trocanter maior. ◦ Normalmente, a bolsa isquioglútea, sobre o túber isquiático, não é palpável se não estiver inflamada. • Amplitude do movimento: Avaliar a ADM do quadril e os músculos específicos responsáveis por cada movimento. ◦ Os valores normais para flexão, abdução e adução do quadril correspondem a 120°, 45° e 20°, respectivamente. IANI SOARES LUZ XIII – MED • Manobras especiais: ◦ Teste de distensão da virilha. Quando houver suspeita de distensão da virilha como resultado de abdução forçada e súbita do quadril, provocada em lesões esportivas que exijam movimentos laterais ou de pivô, uma dor reprodutível pode ser testada com o teste FABER (Flexão, Abdução e Rotação Externa – derivado do inglês Flexion, ABduction, External Rotation) ou teste de Patrick. ▪ Com o paciente em decúbito dorsal, posicione a perna em 90° de flexão e realize uma rotação externa e abdução, de modo que o tornozelo ipsilateral repouse distalmente ao joelho da perna contralateral. ▪ Quando houver uma deformidade em flexão do quadril, o quadril afetado levanta da mesa quando o quadril oposto é flexionado. Isso ocorre porque o quadril afetado não permite a extensão total do quadril e não consegue manter contato com a mesa como resultado. ▪ Quando a perna flexionada na extremidade da mesa apresenta extensão além de 90°, o teste é sugestivo de encurtamento do reto femoral. Se a perna estendida for capaz de realizar uma flexão de 90° ou mais, mas a coxa permanecer fora da mesa, o resultado é sugestivo de tensão do iliopsoas. Teste para deformidade em flexão do quadril Isso pode ser avaliado usando o teste de Kendall. Comece com o paciente sentado com a metade das coxas além da borda da mesa de exame. Em seguida, peça que o paciente deite e flexione a perna não envolvida de encontro ao tórax, segurando a o suficiente para nivelar o dorso na mesa. O outro joelho deve estar na borda da mesa e livre para ser flexionado. Normalmente, com a região lombar e o sacro planos sobre a mesa, a superfície posterior da coxa deve tocar a mesa, e o joelho apresenta flexão passiva. Doenças articulares Gota - Artropatia por deposição de cristais de monouratode sódio, é uma doença metabólica e inflamatória, caracterizada por crises recorrentes de mono ou oligoartrite autolimitadas. • É uma doença relacionada ao metabolismo das purinas, caracterizada por um aumento no nível de ácido úrico no sangue (hiperuricemia) e pelo depósito de cristais de urato nas articulações, no tecido periarticular e no trato urinário. • O aumento do ácido úrico sérico, acima de 7 mg/dL, pode levar à sua supersaturação e consequente deposição tecidual. Epidemiologia Estima-se que 1,5% da população apresente gota, com prevalência crescente nas últimas décadas, acompanhando o envelhecimento populacional e o crescimento da síndrome metabólica e da obesidade. • Mais prevalente em homens (3,6 homens para 1 mulher). IANI SOARES LUZ XIII – MED É 20x mais frequente em homens do que em mulheres; • A gota é rara em homens antes dos 25 anose em mulheres pré- menopáusicas. ◦ Nas mulheres este distúrbio metabólicosurge após a menopausa. • O fator hereditário na gota é de caráter autossômico dominante e 25% dos familiares dos pacientes gotosos apresentam hiperuricemia. Fatores de risco Hiperuricemia (principal fator de risco), hipertensão, uso de diuréticos tiazídicos e de alça, obesidade, consumo excessivo de álcool, varfarina, insulina, betabloqueadores e ácido acetilsalicílico (AAS) em dose entre 600 mg e 2,4 g/dia. - Causas de hiperuricemia: • Hiperuricemia primária: Quando os pacientes são hiperprodutores ou hipoexcretores de ácido úrico, tendo como substrato uma anomalia metabólica, de origem genética; ◦ Produção de urato aumentada: Deficiência da enzima hipoxantinaguanina fosforribosiltransferase (síndrome de Lesch-Nyhan); aumento da PRP sintetase; doenças por depósito de glicogênio. • Hiperuricemia secundária: Quando há superprodução de ácido úrico como decorrência de uma enfermidade ou uso de medicamentos que interferem no metabolismo das purinas, entre os quais destacam-se os diuréticos tiazídicos. ◦ Excreção de urato reduzida: - Insuficiência renal; - Hipertensão; - Fármacos (diuréticos e ciclosporina); - Etanol; - Nefropatia por chumbo; - Hipotireoidismo; Produção de urato aumentada: - Ingesta excessiva de purina; doenças linfo/mieloproliferativas (leucemia, mieloma múltiplo); - Psoríase esfoliativa severa; - Fármacos (AAS entre 600 e - 2.400 mg/dia e citotóxicos; - Etanol; - Vitamina B12 - Policitemia. Manifestações clínicas A principal manifestação da gota se dá por episódios de monoartrite aguda, de rápida instalação (12 a 24 horas), evolução autolimitada ao longo de dias ou semanas e recorrente em intervalos variáveis. • A crise típica de gota é caracterizada por episódio de dor intensa monoarticular em membro inferior, com rápida instalação, chegando à dor máxima em 6 a 12 horas, e associada a edema e eritema. • A dor pode acordar, na madrugada, o paciente que foi dormir assintomático, com grande sensibilidade da articulação acometida, mesmo ao toque do lençol e dificuldade de sustentar o peso. Os episódios são autolimitados, durando até 2 semanas. • Esses episódios de monoartrite localizam-se preferencialmente na articulação metatarsofalangiana do primeiro artelho (podagra), mas pode localizar-se nos joelhos (gonagra) e, mais raramente, nos punhos (quiragra). IANI SOARES LUZ XIII – MED ◦ Quando acomete as mãos, a articulação mais afetada é a interfalangiana do dedo mínimo. ◦ As outras regiões mais acometidas são, em ordem decrescente de frequência, dorso do pé, calcanhar, tornozelo, joelho, dedos, punho e cotovelo, seguindo uma lógica ascendente. ◦ Crises simultâneas em mais do que uma região são mais frequentes em pacientes idosos. • Após a primeira crise (monoartrite aguda), passam a surgir crises poliarticulares com intervalos assintomáticos cada vez mais curtos. • Após algum tempo, instala-se uma artrite crônica com crises de agudização e aparecem os tofos em tecidos moles, principalmente nos pavilhões auriculares e primeiro dedo do pé. ◦ Tofos, nódulos firmes de poucos milímetros até vários centímetros de diâmetro causados por deposição crônica de cristais de urato, podem aparecer em pacientes após 10 anos de doença nas orelhas e próximo às articulações das mãos, dos pés e dos cotovelos. • A gota apresenta uma história natural, que pode ser descrita em 3 períodos: ◦ Longo período de hiperuricemia assintomática, antes de manifestar-se a gota; ◦ Episódios de artrite aguda, com intervalos variáveis sem sintomas, de meses a anos (intervalo intercrítico); ◦ Artropatia crônica com formação de tofos, que são nódulos formados por cristais de urato. • Manifestações urinárias, como formação de cálculos de ácido úrico, são raras; • Ainda há controvérsia se a hiperuricemia pode ser um fator de progressão da perda de função renal ou apenas uma consequência. ◦ A progressão para insuficiência renal costuma limitar-se a pessoas não tratadas e com hiperprodução primária de purinas por problemas hereditários. Tofo nodoso (gota crônica) Diagnóstico: Presença de 6 entre os 13 critérios: ◦ Mais de um episódio de artrite aguda; ◦ Inflamação articular máxima dentro de um dia; ◦ Crise de monoartrite; ◦ Rubor observado sobre as articulações; ◦ Dor ou edema na primeira articulação metatarsofalângica; ◦ Crise unilateral da primeira articulação metatarsofalângica; ◦ Crise unilateral de articulação tarsal; ◦ Tofo (provado ou suspeito); ◦ Hiperuricemia; ◦ Edema articular assimétrico em uma articulação à radiografia; IANI SOARES LUZ XIII – MED ◦ Cistos subcorticais sem erosões à radiografia; ◦ Cristais de monourato de sódio em líquido sinovial durante crise; ◦ Cultura do líquido sinovial negativa para microrganismos durante crise. • O padrão-ouro do diagnóstico da artrite por gota é considerado o achado de cristais de monourato de sódio no líquido sinovial, visto à microscopia de luz polarizada. ◦ A pouca praticidade de realização do exame em APS, não se recomenda a realização rotineira de tal exame para o diagnóstico de gota, exceto se houver dúvida diagnóstica e/ou suspeição de artrite séptica. • Sugere-se a avaliação com hemograma (para diagnóstico diferencial de causas secundárias), ácido úrico (útil no monitoramento do tratamento), creatinina e estimativa de função renal (para avaliação do tratamento e de comorbidade), glicemia e perfil lipídico em jejum (para calcular risco cardiovascular global), além de outras avaliações que podem ser necessárias em cada caso, de acordo com a suspeita. ◦ A investigação de uricosúria de 24 horas fica limitada a pacientes com gota antes dos 25 anos, com história familiar de casos precoces, com litíase e sempre antes de se iniciar tratamento com medicações uricosúricas. ◦ A radiografia rotineira não é necessária, sendo útil apenas em quadros com complicações crônicas ou para o diagnóstico diferencial. - A suspeição de artrite séptica deve sempre levar o médico de APS a encaminhar o paciente prontamente a serviço de emergência ou unidade de pronto- atendimento, onde a espera pelo exame não retarde o tratamento de uma eventual artrite séptica. • Artrite séptica e gota podem coexistir, portanto, o diagnóstico prévio de gota não deve afastar a hipótese de sepse em paciente com clínica compatível. • Quando não há suspeição de artrite séptica, sugere-se que a investigação laboratorial do paciente com crise de gota seja realizada de preferência após o término do episódio agudo, pois até 40% dos pacientes podem ter ácido úrico normal no momento da crise, ou, com 2 avaliações, a primeira na apresentação da crise e outra duas semanas após. - O diagnóstico de gota deve sempre representarum alerta ao médico de família e comunidade quanto à avaliação do risco cardiovascular, pois independentemente de dúvidas se a hiperuricemia é um risco per se, ela está frequentemente associada a fatores de risco importantes para doença cardiovascular, como diabetes, obesidade, dislipidemia, hipertensão, consumo inadequado de álcool, além de doença renal. Comparadas a pessoas com osteoartrose, observa-se que pessoas com gota apresentam mais frequentemente doença arterial coronariana, hipertensão, diabetes e lesão renal crônica e também maior número de fármacos prescritos. IANI SOARES LUZ XIII – MED IANI SOARES LUZ XIII – MED IANI SOARES LUZ XIII - MED