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06/04/2023 1 Controle da dor e inflamação Aula baseada no livro: Terapêutica Medicamentosa em Odontologia 3 ed. Eduardo Dias de Andrade Introdução Na clínica odontológica, a dor invariavelmente é de caráter inflamatório, e pode ser classificada como aguda, quando é de curta duração, ou crônica, de curso mais prolongado. Introdução Introdução Toda intervenção cirúrgica odontológica provoca destruição tecidual, gerando respostas inflamatórias agudas. Essas reações se caracterizam pela presença de dor, que pode ser acompanhada por edema (inchaço) e limitação da função mastigatória. Introdução Introdução 1 2 3 4 5 6 06/04/2023 2 Mecanismos da dor inflamatória Os nociceptores envolvidos no processo da dor inflamatória são polimodais (sensíveis a diferentes tipos de estímulos) e de alto limiar de excitabilidade. Isso significa que um mínimo estímulo nociceptivo (mecânico, térmico ou químico) é incapaz de ativá-los caso se encontrem em seu estado normal. Mecanismos da dor inflamatória Entretanto, os nociceptores podem se tornar sensíveis ao receber um estímulo que normalmente não provoca dor, condição esta denominada alodinia. Os nociceptores também podem se tornar ainda mais sensíveis aos estímulos nociceptivos (que causam dor), estado que recebe o nome de hiperalgesia. A inflamação é uma resposta normal de proteção às lesões teciduais causadas por trauma físico, agentes químicos ou microbiológicos nocivos. É a tentativa do organismo de inativar ou destruir os organismos invasores, remover os irritantes e preparar o cenário para o reparo tecidual. Mecanismos da dor inflamatória Mecanismos da dor inflamatória A inflamação é desencadeada pela liberação de mediadores químicos a partir dos tecidos lesados e de células migratórias. Todos os anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs) agem inibindo a síntese de prostaglandinas. Mecanismos da dor inflamatória Mecanismos da dor inflamatória 7 8 9 10 11 12 06/04/2023 3 Mecanismos da dor inflamatória Síntese de Prostaglandinas Todos os prostanoides com estrutura de anéis – prostaglandinas, tromboxanos e as prostaciclinas – são sintetizados através da via da cicloxigenase. Foram descritas duas isoformas relacionada às enzimas cicloxigenase. Via da cicloxigenase Síntese de Prostaglandinas A COX-1 é responsável pela produção fisiológica de prostanóides. É descrita como enzima arrumadeira, regulando os processos celulares normais, como a citoproteção gástrica, a homeostase vascular, a agregação plaquetária e a função renal. Via da cicloxigenase Síntese de Prostaglandinas Até 1993, só era conhecido um tipo de cicloxigenase. Atualmente, sabe-se da existência de pelo menos duas isoformas da COX (COX-1 e COX-2), e também se questiona a existência de um novo subtipo de enzima, a cicloxigenase-3 (COX-3), presente nos tecidos do SNC. Estudos recentes sugerem a presença de uma variação enzimática, ou seja, a COX-3 pode ser uma própria variação da COX-1 ou mesmo da COX-2. Via da cicloxigenase A COX-2 provoca produção elevada de prostanóides que ocorre em locais de doença e inflamação. É expressa de maneira constitutiva em alguns tecidos, como cérebro, rins e ossos, sua expressão é aumentada em outros locais é aumentada durante estados inflamatórios. Síntese de Prostaglandinas Via da cicloxigenase 13 14 15 16 17 18 06/04/2023 4 Síntese de Prostaglandinas Via 5-lipoxigenase Por esta via de metabolização do ácido araquidônico, são gerados autacoides denominados leucotrienos (LT), como produtos finais. Dentre eles, o leucotrieno B4 (LTB4) parece estar envolvido no processo de hiperalgesia, sendo também considerado como um dos mais potentes agentes quimiotáticos para neutrófilos. Síntese de Prostaglandinas Via 5-lipoxigenase Atualmente, sabe-se que a dor inflamatória aguda também pode ser prevenida, não apenas amenizada. Há de se convir que a prevenção da dor seja uma conduta muito mais inteligente e conveniente do que tratá-la, após sua instalação. Tipos de regimes analgésicos Nos procedimentos eletivos da clínica odontológica (pré-agendados), que envolvem traumatismos cirúrgicos ou outras intervenções invasivas, a dor inflamatória aguda pode ser prevenida (e posteriormente controlada) por meio de três regimes farmacológicos: Tipos de regimes analgésicos Tipos de regimes analgésicos ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS Fármacos que inibem a COX 19 20 21 22 23 24 06/04/2023 5 25 26 27 28 29 30 06/04/2023 6 Anti-inflamatórios não-esteroidais Os AINEs são um grupo de diferentes agentes químicos que se distinguem por sua atividade antipirética, analgésica e antiinflamatória. Atuam principalmente inibindo as enzimas cicloxigenases que catalisam o primeiro estágio da biossíntese de prostanóides. Isso leva a redução da síntese de prostaglandinas com efeitos benéficos e indesejáveis. O Aas é um ácido orgânico fraco, único entre os AINEs capaz de inativar a COX. Os outros AINEs são inibidores reversíveis da COX. Ácido acetilsalicílico O Aas é rapidamente desacetilado no organismo pelas esterases, produzindo salicilato, que possui efeitos antiinflamatórios, antipiréticos e analgésicos. Os efeitos antipiréticos e anti-inflamatórios dos salicilatos são devidos, principalmente, ao bloqueio da síntese de prostaglandinas nos centros termorreguladores do hipotálamo e nos sítios-alvo na periferia. Ácido acetilsalicílico Os AINEs, inclusive o Aas, realizam três ações terapêuticas principais: reduzem a inflamação (ainti- inflamatória), a dor (analgesia) e a febre (antipirexia). Entretanto, nem todos os AINEs são igualmente potentes em cada uma dessas ações. Ácido acetilsalicílico Ação anti-inflamatória: Como o Aas inibe a atividade da cicloxigenase, ele diminui a formação de prostaglandinas e, assim, modula os aspectos da inflamação nos quais elas agem como mediadores. Ácido acetilsalicílico 31 32 33 34 35 36 06/04/2023 7 Ação analgésica: A PGE2 sensibiliza as terminações nervosas à ação da bradicinina, histamina e outros mediadores químicos liberados localmente pelo processo inflamatórios. Assim, reduzindo a síntese de PGE2, o AAs e outros AINEs reprimem a sensação de dor. Ácido acetilsalicílico Ação antipirética: A febre ocorre quando o ponto de referência do centro termorregulador hipotalâmico anterior é elevado. Ácido acetilsalicílico Ação antipirética: Isso pode ser causado pela síntese de PGE2 estimulada quando um agente endógeno produtor de febre (pirógeno), como a citocina, é liberado pelos leucócitos ativados pela infecção, hipersensibilidade, malignidade ou inflamação. Ácido acetilsalicílico Ação antipirética: Os salicilatos diminuem a temperatura corporal em pacientes febris impedindo a síntese e a liberação de PGE2. O Aas regula o termostato para o normal, baixando rapidamente a temperatura corporal de pacientes febris aumentando a dissipação de calor como resultado da vasodilatação periférica e da sudoração. Ácido acetilsalicílico Efeitos gastrointestinais: Normalmente a prostaciclina PGI2 inibe a secreção de ácido gástrico, enquanto a PGE2 e a PGF2α estimulam a síntese de mucopretetor tanto no estômago quando no intestino delgado. Ácido acetilsalicílico Efeitos gastrointestinais: Na presença de Aas, esses prostanóides não são formados resultando no amento da secreção gástrica e diminuição da proteção da mucosa causando lesões. Ácido acetilsalicílico 37 38 39 40 41 42 06/04/2023 8 Efeito sobre as plaquetas: O tromboxano A2 aumenta a aglutinação plaquetária. Ácido acetilsalicílico Efeito sobre as plaquetas: Como resultado da diminuição de tromboxano A2, a aglutinação plaquetária é reduzida, produzindo um efeito anticoagulante com o tempo de sangramento prolongado. Ácido acetilsalicílico Gastrointestinais: Irritação gástrica náuseas e vômitos. Sangue: A acetilação irreversível da cicloxigenase das plaquetas reduz o nível do TXA2 plaquetário, o queresulta na inibição da agregação plaquetária e no prolongamento do tempo de sangramento. Efeitos adversos Ácido acetilsalicílico Síndrome de Reye: Quando administrado durante infecções virais. Hepatite fulminante com edema cerebral. Efeitos adversos Ácido acetilsalicílico AINES AINES 43 44 45 46 47 48 06/04/2023 9 AINES AINES AINES AINES AINES AINES 49 50 51 52 53 54 06/04/2023 10 AINES AINEs COX-2 seletivos O local de ligação do substrato da COX-1 difere daquele da COX-2. Essa diferença estrutural permitiu o desenvolvinemto de fármacos COX-2 seletivos como o celecoxibe e o valdecoxibe. AINEs COX-2 seletivos Mais moderadamente seletivo para COX-2 AINEs COX-2 seletivos Alguns AINEs tradicionais apresentam um certo grau de seletividade à COX-2. Quando e como empregar os AINES Os AINEs também podem ser úteis no controle da dor já instalada, decorrente de processos inflamatórios agudos (p. ex., pericementites), como complemento dos procedimentos de ordem local (remoção da causa). Os intervalos entre as doses de manutenção deverão ser estabelecidos em função da intensidade do traumatismo tecidual e da meia-vida plasmática de cada medicamento (Tab. 6.2). 55 56 57 58 59 60 06/04/2023 11 Quando e como empregar os AINES Uso em crianças – o ibuprofeno é o único AINE aprovado para uso em crianças, de acordo com as atuais recomendações do FDA (Food and Drug Administration), órgão que controla o uso de medicamentos nos Estados Unidos. Quando e como empregar os AINES Quando e como empregar os AINES Quando e como empregar os AINES No Brasil, o ibuprofeno é agora distribuído na rede pública, em substituição aos AINEs diclofenaco e nimesulida, os quais não são mais recomendados para uso em crianças pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Quando e como empregar os AINES Com base nesse conceito, a duração do tratamento com os AINEs deve ser estabelecida por um período máximo de 48 a 72 h. Se o paciente acusar dor intensa e exacerbação do edema após esse período, o profissional deverá suspeitar de alguma complicação de ordem local e agendar uma nova consulta para reavaliar o quadro clínico. Quando e como empregar os AINES 61 62 63 64 65 66 06/04/2023 12 Apesar disso, a Anvisa faz algumas considerações gerais a respeito da prescrição dos AINEs, que encontram suporte científico na literatura e também interessam ao cirurgião-dentista. Podem ser assim resumidas: Quando e como empregar os AINES A ação analgésica e anti-inflamatória dos inibidores seletivos da COX-2 não é superior àquela apresentada pelos inibidores não seletivos (que atuam na COX-1 e na COX-2). O uso dos coxibes (celecoxibe e etoricoxibe, no Brasil) deve ser considerado exclusivamente para pacientes com risco aumentado de sangramento gastrintestinal, mas sem risco simultâneo de doença cardiovascular. Quando e como empregar os AINES Não há estudos que demonstrem a segurança da utilização dos inibidores seletivos da COX2 em pacientes < 18 anos. Na prescrição de qualquer inibidor da COX-2, deve- se usar a menor dose efetiva pelo menor tempo necessário de tratamento. Quando e como empregar os AINES O uso concomitante de piroxicam, ibuprofeno (e provavelmente outros AINEs) com a varfarina, um anticoagulante, pode potencializar o efeito anticoagulante desta e provocar hemorragia. O uso concomitante dos AINEs com certos anti- hipertensivos pode precipitar uma elevação brusca da pressão arterial sanguínea. Quando e como empregar os AINES Deve-se evitar a prescrição dos inibidores da COX a pacientes com história de infarto do miocárdio, angina ou stents nas artérias coronárias, pelo risco aumentado de trombose, especialmente em idosos Todos os AINEs podem causar retenção de sódio e água, diminuição da taxa de filtração glomerular e aumento da pressão arterial sanguínea, particularmente em idosos. Quando e como empregar os AINES Paracetamol Além do ácido acetilsalicílico e dos AINEs, o paracetamol também é classificado como um inibidor da cicloxigenase, apesar de quase não apresentar atividade anti- inflamatória (é um fraco inibidor da COX-1 e da COX-2). 67 68 69 70 71 72 06/04/2023 13 Paracetamol Por esse motivo, é empregado apenas como analgésico em procedimentos odontológicos em que há expectativa ou presença de dor de intensidade leve a moderada, não interferindo na produção de edema. Paracetamol A cicloxigenase-3 (COX-3), outra isoforma da COX, foi sugerida como sendo a chave para desvendar o mistério do mecanismo de ação do paracetamol. Entretanto, já foi demonstrado que, em humanos, é improvável que a COX-3 exerça um papel relevante nos mecanismos da dor e da febre mediados pelas prostaglandinas. Paracetamol Também há evidências mais recentes de que o efeito analgésico do paracetamol pode ser atribuído a uma ação direta no SNC, pela ativação das vias serotoninérgicas descendentes. Fármacos que deprimem a atividade dos nociceptores Quando os nociceptores já se encontram sensibilizados pela ação das prostaglandinas e de outros autacoides, os corticosteroides não mostram tanta eficácia como na prevenção da hiperalgesia. Portanto, nos quadros de dor já instalada, o emprego de fármacos que deprimem diretamente a atividade dos nociceptores pode ser conveniente, pois conseguem diminuir o estado de hiperalgesia persistente. A substância-padrão desse grupo é a dipirona, empregada rotineiramente no Brasil e em outros países para o controle da dor leve a moderada em ambiente ambulatorial ou hospitalar. Fármacos que deprimem a atividade dos nociceptores Fármacos que deprimem a atividade dos nociceptores 73 74 75 76 77 78 06/04/2023 14 Fármacos que deprimem a atividade dos nociceptores Fármacos que deprimem a atividade dos nociceptores Em nível periférico, alguns trabalhos experimentais iniciais enfatizam a ação da dipirona sobre a hiperalgesia decorrente da lesão tecidual, tanto por inibição da adenilatociclase por substâncias hiperalgésicas, como por bloqueio direto do influxo de cálcio no nociceptor. Fármacos que deprimem a atividade dos nociceptores Outro fármaco que bloqueia diretamente a sensibilização dos nociceptores é o diclofenaco. Fármacos que deprimem a atividade dos nociceptores Isso significa que ele age de duas formas: prevenindo a sensibilização dos nociceptores (pela inibição da COX-2) e deprimindo sua atividade após estarem sensibilizados. Isso talvez possa explicar a boa eficácia do diclofenaco no controle da dor já estabelecida, especialmente quando empregado como complemento do tratamento pré-operatório com os corticosteroides. Fármacos que deprimem a atividade dos nociceptores Considerações sobre: É um analgésico eficaz e seguro para uso em odontologia. Por via IM ou IV, deve ser administrada com cautela a pacientes com condições circulatórias instáveis (pressão arterial sistólica < 100 mmHg). O fato de a dipirona “baixar a pressão arterial”, se empregada por via oral, parece não ter sido ainda demonstrado em ensaios clínicos. DIPIRONA 79 80 81 82 83 84 06/04/2023 15 Considerações sobre: O uso da dipirona deve ser evitado nos três primeiros meses e nas últimas seis semanas da gestação e, mesmo fora desses períodos, somente administrar em gestantes em casos de extrema necessidade. DIPIRONA Considerações sobre: Analgésico seguro para uso em gestantes e lactantes. Pode causar danos ao fígado. Recentemente, o FDA recomendou que as doses máximas diárias de paracetamol, em adultos, fossem reduzidas de 4 g para 3,25 g. Pelo mesmo motivo, deve-se evitar o uso concomitante do paracetamol com álcool etílico ou outras substâncias com potencial hepatotóxico, como o estolato de eritromicina (antibiótico do grupo dos macrolídeos). PARACETAMOL Considerações sobre: PARACETAMOL Considerações sobre: Contraindicado para pacientes fazendo uso contínuo da varfarina sódica, pelo riscode aumentar o efeito anticoagulante e provocar hemorragia. Contraindicado para pacientes com história de alergia ao medicamento ou de alergia aos sulfitos, se empregada a solução oral “gotas” de paracetamol, que contém metabissulfito de sódio em sua composição. PARACETAMOL Considerações sobre: Contraindicado para pacientes com história de gastrite ou úlcera péptica, hipertensão arterial ou doença renal Evitar em pacientes com história de hipersensibilidade ao ácido acetilsalicílico, pelo risco potencial de alergia cruzada. IBUPROFENO Considerações sobre: Não prescrever AINES AINES x Gravidez 85 86 87 88 89 90 06/04/2023 16 Considerações sobre: Prostaglandinas atenuam o efeito vasoconstritor de algumas substâncias endógenas, tais como angiotensina II, noradrenalina e vasopressina, provocando vasodilatação, o que mantém o fluxo sangüíneo renal e a velocidade de filtração glomerular. As prostaglandinas também aumentam a excreção de cloreto de sódio e água AINES x Rim e hipertensão Considerações sobre: Grande afinidade por proteínas plasmáticas. Cuidado com pacientes que possuem alterações nas proteínas plasmáticas: gestantes, renais, hepáticos, tiréoide, infarto, Cronh. Cuidado com suplementação de albumina. AINES x proteínas plasmáticas Considerações sobre: Marevan (Varfarina) Plavix (Clopidogrel) AINES x Anti-coagulantes Considerações sobre: Fluoxetina (Prozac) Paroxetina (Pondera) Diminuem o metabolismo hepático AINES x antidepressivos ANTI-INFLAMATÓRIOS ESTEROIDAIS Fármacos que inibem a ação da fosfolipase A2 Anti-inflamatórios esteroidais Após a lesão tecidual, a inativação da enzima fosfolipase A2 reduz a disponibilidade de ácido araquidônico liberado das membranas das células que participam da resposta inflamatória. Com menor quantidade de substrato, a subsequente ação enzimática da COX-2 e da 5-lipoxigenase fica prejudicada, ou seja, haverá menor produção de prostaglandinas e leucotrienos. Fármacos que inibem a ação da fosfolipase A2 91 92 93 94 95 96 06/04/2023 17 Anti-inflamatórios esteroidais Fármacos que inibem a ação da fosfolipase A2 ou lipocortina ou lipocortina Anti-inflamatórios esteroidais A ação dos corticosteroides é conseguida de maneira indireta. De forma simplificada, primeiramente eles induzem a síntese de lipocortinas (anexina A1), um grupo de proteínas responsáveis pela inibição da fosfolipase A2. Com isso, irão reduzir a disponibilidade do ácido araquidônico e, por consequência, a síntese de substâncias pró-inflamatórias. Fármacos que inibem a ação da fosfolipase A2 Anti-inflamatórios esteroidais Fármacos que inibem a ação da fosfolipase A2 Todo esse processo demanda tempo, pois o corticosteroide deverá atravessar a membrana citoplasmática das células-alvo e ligar-se a receptores específicos no citosol. Na sequência, o complexo corticosteroide-receptor migra para o interior do núcleo da célula-alvo, onde irá se ligar a sítios aceptores nos cromossomos para criar um RNA mensageiro. 97 98 99 100 101 102 06/04/2023 18 Anti-inflamatórios esteroidais Fármacos que inibem a ação da fosfolipase A2 Outro mecanismo anti-inflamatório dos corticosteroides que deve ser levado em consideração é o controle da migração de neutrófilos, pois esta ação, mesmo que indiretamente, resulta na menor produção de mediadores hipernociceptivos, minimizando a dor inflamatória. Anti-inflamatórios esteroidais Fármacos que inibem a ação da fosfolipase A2 Para essa finalidade, a dexametasona ou a betametasona são os fármacos de escolha, pela maior potência anti-inflamatória e duração de ação, o que permite muitas vezes seu emprego em dose única ou por tempo muito restrito. Anti-inflamatórios esteroidais Fármacos que inibem a ação da fosfolipase A2 Anti-inflamatórios esteroidais Fármacos que inibem a ação da fosfolipase A2 Pela necessidade de tempo biológico para exercerem sua ação, como explicado anteriormente, o regime analgésico mais adequado para empregar os corticosteroides é o de analgesia preemptiva (introduzido antes da lesão tecidual). Anti-inflamatórios esteroidais Fármacos que inibem a ação da fosfolipase A2 Em adultos, essa dose é, em geral, de 4 a 8 mg, administrada 1 h antes do início da intervenção. Anti-inflamatórios esteroidais Fármacos que inibem a ação da fosfolipase A2 Quando empregados em dose única pré-operatória ou por tempo restrito, podem ser feitas as seguintes considerações quanto à prescrição dos corticosteroides, comparada ao uso dos AINEs: 103 104 105 106 107 108 06/04/2023 19 Anti-inflamatórios esteroidais Fármacos que inibem a ação da fosfolipase A2 Não produzem efeitos adversos clinicamente significativos. Não interferem nos mecanismos de hemostasia, ao contrário de alguns AINEs, que pela ação antiagregante plaquetária aumentam o risco de hemorragia pós-operatória. Anti-inflamatórios esteroidais Fármacos que inibem a ação da fosfolipase A2 Reduzem a síntese dos leucotrienos C4, D4 e E4, que constituem a substância de reação lenta da anafilaxia (SRS-A), liberada em muitas das reações alérgicas. Ao contrário, a ação inibitória dos AINEs na via cicloxigenase, de forma exclusiva, desvia o metabolismo do ácido araquidônico para a via 5- lipoxigenase, acarretando maior produção de SRS-A e, por consequência, reações de hipersensibilidade. Anti-inflamatórios esteroidais Fármacos que inibem a ação da fosfolipase A2 Muitas das reações adversas dos AINEs ainda não são bem conhecidas (basta lembrar o caso recente com os coxibes), o que não acontece com os corticosteroides, cujo uso clínico teve início na década de 1950. Anti-inflamatórios esteroidais Contra-indicações Os corticosteroides são mais seguros para serem empregados em gestantes ou lactantes, bem como em pacientes hipertensos, diabéticos, nefropatas ou hepatopatas, com a doença controlada. A relação custo/benefício do tratamento é muito menor quando se usam os corticosteroides. Anti-inflamatórios esteroidais Contra-indicações São contraindicações absolutas ao uso dos corticosteroides: pacientes portadores de doenças fúngicas sistêmicas, herpes simples ocular, doenças psicóticas, tuberculose ativa ou os que apresentam história de alergia aos fármacos deste grupo. Anti-inflamatórios esteroidais Contra-indicações Outra consideração importante diz respeito à interferência dos corticosteroides na homeostasia do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA). Como se sabe, o cortisol endógeno é produzido pelo córtex adrenal de forma constante, obedecendo ao ritmo circadiano. Os maiores níveis plasmáticos de cortisol no homem são observados por volta das 8 h, e os menores no início do período da noite. 109 110 111 112 113 114 06/04/2023 20 ANALGÉSICOS OPIOIDES Analgésicos opioides Analgésicos opioides Analgésicos opioides Analgésicos opioides Analgésicos opioides No Brasil, estão disponíveis para uso clínico a codeína (comercializada em associação com o paracetamol) e o tramadol, ambos indicados no tratamento de dores moderadas a intensas, que não respondem ao tratamento com outros analgésicos. 115 116 117 118 119 120 06/04/2023 21 Analgésicos opioides O cloridrato de tramadol possui potência analgésica 5 a 10 vezes menor do que a morfina e seu mecanismo de ação ainda não é completamente conhecido. Analgésicos opioides Sabe-se apenas que ele pode se ligar aos receptores opioides μ e inibir a recaptação da norepinefrina e da serotonina. Atua da mesma forma que as endorfinas e as encefalinas, ativando, com suas moléculas, receptores em células nervosas, o que leva à diminuição da dor. Analgésicos opioides TYLEX®: composição comprimidos de 7,5 mg e 30 mg contêm: paracetamol 500 mg; fosfato de codeína 7,5 mg e 30 mg respectivamente. Analgésicos opioides A dose deve ser ajustada de acordo com a intensidade da dor e a resposta do paciente. De modo geral, de acordo com o processo doloroso, recomenda-se:Tylex 7,5 mg: um comprimido a cada quatro horas. Tylex 30 mg: um comprimido a cada quatro horas. Nas dores de grau mais intenso (como por exemplo, as decorrentes de determinados pós-operatórios, traumatismos graves, neoplasias) recomendam-se dois comprimidos a cada quatro horas. Analgésicos opioides 121 122 123 124 125 126 Slide 1: Controle da dor e inflamação Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37 Slide 38 Slide 39 Slide 40 Slide 41 Slide 42 Slide 43 Slide 44 Slide 45 Slide 46 Slide 47 Slide 48 Slide 49 Slide 50 Slide 51 Slide 52 Slide 53 Slide 54 Slide 55 Slide 56 Slide 57 Slide 58 Slide 59 Slide 60 Slide 61 Slide 62 Slide 63 Slide 64 Slide 65 Slide 66 Slide 67 Slide 68 Slide 69 Slide 70 Slide 71 Slide 72 Slide 73 Slide 74 Slide 75 Slide 76 Slide 77 Slide 78 Slide 79 Slide 80 Slide 81 Slide 82 Slide 83 Slide 84 Slide 85 Slide 86 Slide 87 Slide 88 Slide 89 Slide 90 Slide 91 Slide 92 Slide 93 Slide 94 Slide 95 Slide 96 Slide 97 Slide 98 Slide 99 Slide 100 Slide 101 Slide 102 Slide 103 Slide 104 Slide 105 Slide 106 Slide 107 Slide 108 Slide 109 Slide 110 Slide 111 Slide 112 Slide 113 Slide 114 Slide 115 Slide 116 Slide 117 Slide 118 Slide 119 Slide 120 Slide 121 Slide 122 Slide 123 Slide 124 Slide 125 Slide 126