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1 BRIEFING E PLANEJAMENTO AULA 5 Prof. Alexandre Correia dos Santos 2 CONVERSA INICIAL Como construir o passo a passo de um planejamento? Reforçamos que o marketing (como conceito) advém do final dos anos 1950, início dos anos 1960, com grande contribuição de Jerome McCarthy, autor da Teoria dos 4Ps, utilizada em larga escala até hoje. Esse termo completa mais de 60 anos e, até hoje, ninguém ousou apresentar um modelo ideal de plano ou planejamento de comunicação simplesmente porque trabalhamos com arte, com indivíduos, com hábitos, com comportamentos, o que torna essa atividade (da ciência exata) uma tarefa impossível. Assim, reforçamos que não há um planejamento ideal (exato) que traga resultados assertivos e exatamente como o determinado. E querem realmente saber? Este é o grande desafio que devemos enfrentar diariamente e, por sua vez, é a motivação necessária para, cada vez mais, usarmos todas as estratégias e táticas possíveis para alcançar todos os resultados esperados. Vamos lá conhecer novas ações e formas de comunicação! CONTEXTUALIZANDO Como não há uma receita exata de bolo, para resolvermos os problemas de comunicação, não há um roteiro pré-definido e engessado que o atendimento e o planejamento devam seguir para o atingimento de objetivos. Os passos do atendimento a uma marca e o Brief se naturalizam a partir da prática diária das ações relacionadas com planejamento. Se, no início, os profissionais precisam de um pedaço de papel que oriente todas as suas ações, com o passar do tempo, isso se torna automático, justamente pela prática. Desta forma, o que pretendemos aqui é criar o escopo, o “esqueleto” dos passos da construção de um planejamento para que cada profissional desenvolva a sua própria forma de levantamento e projeto de informações. Além disso, mostramos a importância da pesquisa em comunicação, a definição dos “problemas” a serem enfrentados pelos diferentes profissionais da agência e a definição dos objetivos para que encontremos sempre as melhores soluções para os problemas dos nossos clientes, afinal, esta é a verdadeira razão da nossa profissão. Buscar as melhores soluções para o enfrentamento dos problemas de nossos clientes, ressaltando a importância do relacionamento neste importante contrato de trabalho. Bons estudos, excelentes trabalhos! 3 TEMA 1 – PASSO A PASSO DE UM JOB Agora vamos acompanhar um desenho de um possível roteiro passo a passo da formulação de um planejamento de comunicação. Claro que os passos são os básicos para uma relação comercial e pode variar de práticas conforme a leitura do ambiente e da experiência dos envolvidos na negociação. Em primeiro lugar, o atendimento faz a prospecção1, ou seja, escolhe um cliente potencial e investe na conquista da conta, lembrando que os clientes (ou possíveis clientes) vêm principalmente da indicação de outros clientes da agência, da prospecção direta e por consulta direta do cliente à agência. Uma vez o cliente conquistado, surge o primeiro Job2 de um cliente Y, que está pronto para ser trabalhado pela agência. Assim, o atendimento conversa pela primeira vez com o cliente para conhecer o “objeto” da comunicação, ou aquilo que deverá ser trabalhado pela agência. Pode ser a promoção de uma marca (institucional) ou promoção de produto ou serviço do portfólio dessa marca. Ou ainda, trabalhar a marca e seus produtos simultaneamente. Aqui é o momento de ouro: o atendimento deve extrair e ser capaz de bem formular as principais características do “objeto”, levantando o histórico, especificidades, características, ações já realizadas etc. Como vimos, nessa etapa, é imprescindível pontuar tudo aquilo que possa servir de subsídio para os profissionais da agência conseguirem trabalhar o “problema comunicacional” dentro da empresa. Em seguida, é realizada uma reunião de pauta (Briefing) com as diversas áreas da agência, para que todos os responsáveis pelos departamentos conheçam o novo cliente, o Brief recém-desenhado e o Job a ser realizado. Nesta reunião, encontram-se diretor de criação, o atendimento, o planejamento, a mídia, a pesquisa, enfim, todas as áreas que farão parte do projeto. Como já vimos, dependendo do tamanho da agência, é possível que atendimento e planejamento estejam personificados em uma mesma pessoa. O atendimento, responsável direto pela conta do cliente, primeiro apresenta tudo o que levantou em termos de dados com o cliente, apresenta o objeto da discussão e debate com os demais todas as características: É um produto? Um 1 Prospecção é a atividade de buscar novos clientes para compor a carteira da agência. 2 Job, “trabalho” em inglês, em uma agência de publicidade, é o projeto a ser desenvolvido. A mesma definição é utilizada por outras áreas. 4 serviço? É vender a marca? É posicionamento? É tudo ao mesmo tempo? Além, obviamente, de estabelecer qual o orçamento ou a verba de campanha. Aqui, devem ser discutidas práticas, conceitos e estratégias que devem ser desenvolvidas para aquele caso ou problema específico. Esse exemplo deixa clara a necessidade de se pensar job por job, cliente por cliente. Hoje, a máxima de que “todos os clientes são praticamente iguais” não cabe mais nas agências, ou, pelo menos, nas boas agências. Como são todos diferentes, partimos do pressuposto de que os problemas serão distintos e, por consequências, as soluções também serão diferenciadas. Problemas, históricos, características conhecidas e verba e formato de campanhas definidas, as equipes se dividem para cada departamento discutir quais soluções serão importantes especificamente para aquele cliente. Que linha de criação devemos seguir? Quais as melhores mídias para programar? Quais plataformas serão ideais para a presença online? Quais as principais características da concorrência? Quais os dados de pesquisa serão importantes para subsidiar o planejamento de comunicação do cliente? Este é o momento da ajuda mútua: o planejamento distribui entre os seus pares as possibilidades, formas e possíveis formatos de comunicação, a pesquisa subsidia todos os departamentos com pesquisa inerentes àquilo que o cliente pretende ou deseja, dados sobre mercado, sobre público, dados a respeito da concorrência entre outros; a criação começa a esboçar as possibilidades de motes de campanha e a mídia procura os melhores canais e mídias para a promoção do objeto. Vale lembrar que diferentes departamentos podem subsidiar o trabalho de escolha de mídia. A pesquisa, por exemplo, deverá entregar relatórios relacionados ao cliente e ao projeto em andamento, que deixe claro o perfil do público, do cliente ou do público-alvo que a campanha deva atingir. Claro que o(a) profissional de mídia também utilizará recursos de percepção pessoal ou feeling daquilo que possa ser a melhor solução para o cliente. Dados de mídia digital, por exemplo: devo anunciar no Facebook, no Instagram ou em ambos? É tarefa da expertise ou experiência do(a) profissional de mídias em saber traduzir o momento de mercado em oportunidade para o cliente. Agora, todos os departamentos estão empenhados em definir qual o melhor plano para o cliente: quais meios, quais veículos, quais motes ou temas, quais ações devem ser escolhidas desde que estejam adequadas às verbas, aos públicos-alvo, além de alinhada com os planos e objetivos do cliente. 5 Na sequência, o profissional de mídia começa a elaborar orçamentos e cotação de preços, online e offline para aquela campanha; para aquela necessidade pontual, ou para as soluções elencadas pelos profissionais da agência para o cliente. Descontos são negociados, prazos de pagamento estipulados e cronograma de ações ajustados. Assim que todos os departamentos finalizam a sua parte,o plano é apresentado ao atendimento e ao diretor da agência para que sejam aparadas possíveis “arestas” ou pequenas falhas possíveis de projeto. Vale lembrar que, dependendo do organograma ou fluxograma da agência (ou até mesmo do modelo e planta arquitetônica do escritório), nem todos os departamentos possuem interface direta uns com os outros. Em outras palavras, é possível que os diferentes departamentos tenham trabalhado o mesmo job, de formas distintas, e essa reunião serve justamente para todos alinharem os discursos e soluções que têm um mesmo fim, que é (ou deve ser) contemplar os desejos e necessidades do cliente da pauta. Uma vez tudo alinhado e aparado, é hora de preparar as artes e layouts, mockups, pilotos, enfim, tudo o que possa servir de apoio para o atendimento e (normalmente) o planejamento (se não forem a mesma pessoa), saírem e defender com afinco e convicção a campanha frente ao cliente. Se o atendimento comprar as boas ideias da agência, isso facilitará em muito a sua apresentação perante o cliente. Agora é a hora que esse profissional precisa vender, de fato, as soluções para os problemas comunicacionais do cliente. O atendimento sai para o cliente e, por meio de mais uma reunião, apresenta a nova campanha: o cliente analisa as possibilidades, checa as ações e confere valores de mídia. Alterações invariavelmente são solicitadas e fazem parte do dia a dia desses profissionais. O cliente recebe o plano adequado às suas solicitações e pedidos. Uma vez aprovada, o cliente assina os documentos que validam as ações, dando aval para a continuidade da implantação da campanha. Agora, a mídia renegocia mais uma vez com os veículos, na esperança de ainda conseguir mais alguma vantagem para o seu cliente. Essa negociação deve ser o mais transparente possível, e o cliente deve acompanhar todos os passos. A criação e a arte-final preparam os materiais para produção e impressão em gráficas, por exemplo, se a demanda for offline, além disto, também preparam as artes para veiculação na rede e nas mídias sociais, checam ações, cronograma e posição e agendamento dos posts nas diferentes redes sociais; checam as 6 demais ações de mídias digitais ou sociais. A agência envia uma autorização por meio de carta-acordo aos veículos, ou autoriza as plataformas para veiculação dos materiais dos clientes, resumindo e explicitando todas as condições combinadas entre as partes, como descontos, bonificações por veiculação e o valor total acordado com aquele veículo. É importante saber que com cada veículo é realizada uma negociação. O veículo devolve a carta-acordo assinada pelo seu departamento comercial ou departamento de vendas ou, ainda, formaliza a negociação final de veiculação. O mesmo vale para a maioria das ações realizadas com plataformas online de mídia. Agora, a mídia está apta a começar a preparar os pedidos de inserção (PIs3) que autoriza os fornecedores a veicular os comerciais do cliente da agência. Cada veículo possui o seu modelo próprio de PI Em tese, os mapas são muito semelhantes, sendo que o que troca é o nome e a marca do veículo ou algumas formas de preenchimento do pedido. Alguns veículos possuem sistema próprio de autorização e pedido de inserção, que devem ser preenchidos e demandados online. Isso serve para veículos ou meios tradicionais ou digitais. O próximo passo é a formalização das veiculações junto ao cliente. A agência envia as autorizações de pagamento (APs), para que os clientes assinem ainda antes das veiculações. Agora, a campanha está pronta para ir ao ar, ou passar a ser veiculada digitalmente nas múltiplas plataformas comunicacionais. Uma vez veiculado, o checking realiza a conferência para verificar se todos os espaços que foram contratados, foram disponibilizados, veiculando o material do cliente. Neste caso, no online, os relatório são acessados dentro das próprias ferramentas. Avaliação de checking, analytics e criação de relatórios é imprescindível com material de comprovação de veiculação e como base para análise de resultados. O departamento operacional ou administrativo da agência emite os documentos para que o cliente pague pelas veiculações. O departamento de mídia realiza o trabalho de pós-veiculação, orientando planilhas que comprovem todas as ações. E, por fim, são apresentados os resultados coletados ao longo de todo o processo em reuniões para os envolvidos na agência (até como forma de agradecimento pelo empenho e envolvimento no 3PIs – Entende-se como pedido(s) de inserção(ões). 7 projeto) e para avaliar resultados junto ao cliente para que sejam demandadas novas ações ou revisadas as que entregaram pouco resultado efetivo para as soluções propostas para o cliente. Prontos para iniciar um novo job, de preferência do mesmo cliente, porque é sinal de que estamos no caminho certo do relacionamento de longo prazo. TEMA 2 – A PRÉ-CAMPANHA Avaliar o Brief, tanto na construção junto ao cliente, quanto junto aos profissionais da agência para start do projeto, é importantíssimo para o projeto em andamento. Esperamos que, a essa altura, já esteja completamente compreendida a importância e a função do Brief como marco inicial (e vital) para qualquer projeto. Nunca é demais lembrar que o Brief tem como função principal evidenciar as características e os requisitos principais de um cliente, marca, produto ou serviço e que deve ser na medida, ou seja, sem exagerar ou nem mesmo economizar nos detalhes ali apontados. Como já visto também, não há um modelo base para a criação de um Brief. Não há uma receita ou fórmula pronta. Como vimos, com o passar do tempo, a formulação dos questionamentos mais importantes do documento passará a ser natural, a fluir tranquilamente no discurso corrente do atendimento e/ou planejamento, tornado essa atividade algo simples, mas necessário para o levantamento prévio de dados. Esse documento, além de norteador de campanhas, serve como um acordo formal de contratação do serviço indicando para os profissionais envolvidos no projeto que há um trabalho em tráfego naquele momento dentro dos processos da agência de comunicação, servindo com uma “declaração de trabalho”. Aqui cabe uma importante observação: na grande área da educação, o Brief também tem um conceito de Behavior Rating Inventory of Executive Function4, que é um relatório de comportamento de crianças e adolescentes e na área da administração, Brief assume um caráter de Sumário Executivo muito parecido com o formato utilizado na comunicação, com a diferença que é um documento usado pela alta administração de uma empresa para organizar dados e documentos de um projeto executivo. Como dito há pouco, o Brief, além de servir como documento referencial de 4 Inventário de classificação de comportamento da função executiva. 8 dados do cliente (histórico, características etc.), pode (e deve) servir como um norteado dos objetivos do projeto. Desta forma, serve como documento que ordenará, inclusive, o cronograma de atividades e de entrega (veiculação) da campanha do cliente. Isto dá um caráter formal ao projeto, alinhando as tarefas diárias com a nova demanda, ou novo job. Ainda que tenhamos pensado exaustivamente na importância desse documento, não custa reforçar que, para se conseguir uma boa avaliação nesse roteiro, ou processo, há características que devem ser respeitadas: a) Mantenha apenas texto relevante: detalhes que não serão importantes para os times da agência também não são relevantes nesse documento. O trabalho do atendimento (ou do planejamento) é justamente identificar quais os pontos mais importantes para compor o Brief. b) Deixar muito claro quais são os objetivos a serem alcançados com aquele job, com aquele trabalho que está sendo discutido. Como já dito, quando não temos um objetivo aonde chegarmos com o nossoprojeto “está ok”, justamente porque não definimos uma meta alcançável. c) Ao criar um cronograma, o foco não deve ser apenas no início da prospecção, tempo de criação e produção e, por fim, entrega. d) Devemos incluir marcos principais e/ou datas importantes para nortear as equipes e apontar estágios do andamento do projeto. e) O segredo do sucesso de um Brief é conectar as pessoas certas e os times ao momento da verdade do projeto. Todos os interessados e envolvidos devem ter acesso às informações da marca, produto ou serviço. Você sabe de fato qual o tipo de conteúdo que os clientes (ou personas) da marca que você promove consome? Ainda que pareça básico isto, devemos lembrar que raramente os times estão com demanda apenas de um Job. Na correria diária, os profissionais, geralmente, estão envolvidos com uma série de trabalhos com diferentes temáticas e objetivos. TEMA 3 – A PESQUISA E OS PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS Metaforicamente falando, a pesquisa está para o planejamento como o queijo está para a goiabada. Os dois separados funcionam, mas juntos, então, fica melhor ainda! O departamento de pesquisa, hoje, se tornou uma ferramenta importantíssima para qualquer profissional de comunicação. Seja como suporte 9 para o planejamento, buscando novas ferramentas, casos de sucesso, dados de mercado, dados de consumidores, relatórios de BI (Business Intelligence) entre outros, essa área serve de “bandeja” dados para que o planner possa trabalhar ainda mais assertivamente. Para a mídia offline ou online, a pesquisa pode fomentar novas oportunidades de espaços comerciais e publicitários, pode buscar melhores encaixes com melhores preços, investigar o que já foi veiculado pelo cliente, marca ou empresa. Para a criação, pode servir como base e ponto de partida para a criação de grandes campanhas, realizando um levantamento criativo do que já fora criado para determinado segmento de mercado, por exemplo. Lembrando que o planejamento é a equação do “passado com o futuro”. Ou seja, passado é o padrão, ou tudo o que a marca já realizou em termos de campanhas online, por exemplo. Futuro são os planos, ou aquilo que planejamos para a marca daqui para a frente. Em resumo, a função principal da pesquisa é retroalimentar todos os departamentos de uma agência, ao longo dos processos operacionais, informando- os continuamente com dados sobre os clientes, a concorrência, o mercado e os consumidores. Como já dito antes, o mercado das mídias sociais vive em ebulição com lançamentos diários de novas oportunidades em termos de campanhas e possibilidades de mídias para anunciantes. Uma das premissas importantes para qualquer profissional de comunicação é a “referência”. Ou seja, nossa sugestão é que antes de se esboçar um planejamento, desenhar uma campanha, sugerir uma mídia, uma plataforma, que essas áreas se municiem de ferramentas que “norteiem” suas ações. Por melhor que seja o repertório do profissional ter bases relacionadas à área, ao produto e ao mercado, inspirarão ainda mais a tarefa. Nas pequenas agências digitais, essa tarefa ainda é realizada pelo planejamento ou por alguém do atendimento. Mas a sugestão é que, independentemente de um departamento estruturado, as pessoas busquem por si novas referências. A nova geração de criativos, planners e atendimentos está ricamente subsidiada com o que há de melhor em termos de inteligência de mercado. Os veículos e plataformas se especializaram, os meios se expandiram e as fontes dessas informações estão cada vez mais precisas, por uma necessidade latente de mercado. Quanto mais assertivas as informações, mais altas as chances de a campanha publicitária impactar, ou seja, acertar precisamente aquilo que os 10 clientes esperavam em termos de conceito, em termos de conteúdo e de forma para suas empresas e marcas. Exemplo prático: você sabe, de fato, que tags e hashtags utilizar em cada uma das mídias para alinhar os conceitos e promover a convergência entre as publicações? Hoje, os veículos e plataformas, por exemplo, disponibilizam online mapas completos de programação em seus Mídia Kits, divididos por audiência, por público, por segmento, facilitando a vida de quem precisa de dados precisos (e preciosos) sobre os meios para defesa de seus planejamentos e mídias. Como são inúmeras as possibilidades de veiculação em mídias sociais, a intenção está longe de ser elencar ou listar quais as possibilidades disponíveis no mercado. Vale lembrar que, quando falamos de mídias sociais, falar em presença na rede não significa a marca figurar em todos os canais possíveis e imaginários. Não é, inclusive, essa a função do planejamento. Como visto, tudo dependerá da verba, do tamanho da marca, das possibilidades de criação e geração de conteúdo, entre outras possibilidades e oportunidades para os planos de comunicação. TEMA 4 – PROBLEMAS E OPORTUNIDADES Quanto mais competitivo o mercado que o nosso cliente esteja inserido, mais complexos são os diagnósticos e formas de se pensar o marketing ou o plano de comunicação para aquele cliente. Hoje, vivemos um mundo cada vez mais competitivo, acirrado, onde marcas – produtos e serviços – batalham por consumidores cada vez mais informados. Uma empresa que não invista em desenvolvimento de planos estratégicos, seja contratando especialistas externos ou preparando pessoal interno, para pensar e estruturar estratégias relacionadas ao mercado de atuação, tende a disputar espaço com players que investem pesadamente em diferentes rotinas de marketing, aumentado a sua capacidade de previsibilidade e de ação, num mercado hostil, competitivo, que não aceita erros. Para Kotler (2009), não basta simplesmente uma empresa sugerir que atua em “negócios”, aquela revenda de carros que está no “negócio de automóveis”, ou de roupas que está no “negócio de vestuário”. Esses negócios precisam ser percebidos como oportunidades e processos de satisfação de um cliente e não apenas como uma unidade de processo de produção de mercadorias ou serviços. Com isto, é certo afirmar que é o marketing (o seu diagnóstico assertivo e suas ações eficientes) que, na grande maioria das vezes, garante público para as 11 marcas, seus produtos e serviços, porque partimos do pressuposto que não existem meios ou formas mais viáveis de crescimento e percepção de marca, sem se investir em ações mercadológicas, sejam de cunho estratégico (posicionamento, desenvolvimento de novos produtos), sejam com objetivos de divulgação: promoção e veiculação da marca. Compreender como os nossos clientes chegam até os nossos produtos, consomem nossos serviços e percebem a nossa marca, é objetivo do diagnóstico mercadológico, afinal, determinada organização pode investir milhares de reais em comunicação, promoção, e não conseguir resultados esperados (isto é mais comum do que parece). Quando não há planejamento efetivo, gastar verbas milionárias com ações equivocadas, infelizmente, fazem parte do negócio. Com isso, o diagnóstico prevê ações possíveis de investimentos, rotas (e mudanças de rumo), timing, entre outras variáveis que poderão influenciar diretamente no negócio. Diagnosticar é muito mais que validar relatórios, gráficos ou planilhas, é compreender quais as necessidades (daquele momento) para o estabelecimento de divulgação, lançamento de novos produtos, posicionamento, alteração de ações de uma empresa. Um diagnóstico, ou plano estratégico, deve seguir um fluxo, como sugere Kotler (2009): Fonte: Santos, 2022. 12 Precisamos, primeiro, compreender qual a missão, visão e valores do negócio. Falaremos desses processos mais para frente, mas adiantamos que o bom estabelecimento desses fatores é imprescindível para um bom diagnóstico. Em seguida, devemos relacionar os objetivos e missões da organização, com uma perfeita análisediagnóstica de dois ambientes: internos – relacionados à empresa e ao mercado de atuação; e externos – diretamente influenciado por fenômenos ou processos externos e, muitas vezes, incontroláveis. Em seguida, definir logicamente metas e objetivos, afinal, sem um norte para se seguir ou alcançar, é impossível se traçar objetivos (em outras palavras, para onde a empresa estiver seguindo, “deve” estar bom). Com metas bem estabelecidas e alcançáveis, devemos formular as estratégias que serão recomendadas e aplicadas à organização. Próximo passo: o estabelecimento e a elaboração de programas de desenvolvimento, incentivo, relacionamento, comunicação e mercado. Por fim, a implementação dos planejamentos: com suas estratégias e táticas claras, bem formuladas e a mensuração de resultados, ou seja, o feedback de resultados, avaliando a continuidade (ou não) das ações propostas e implementadas até aquele momento da organização. Pensar em relacionamento com clientes, por exemplo, faz parte de um planejamento iniciado após um amplo diagnóstico de que a empresa precisa iniciar um tratamento mais próximo junto aos seus clientes, visando uma melhor interação, estreitando a relação da marca com aquele público-alvo. Estamos acostumados a pensar na pré-venda e na venda. Será que não deveríamos nos preocupar também com o pós-venda para, de alguma forma, garantir que o nosso cliente retorne a transacionar com a nossa organização? Nós estabelecemos metas para campanhas e promoções porque, com base em diagnósticos relacionados com a organização, o mercado de atuação e comportamento de compra do público-alvo foi levado em consideração. Aliás, ignorar ou desprezar tais dados em estabelecimento de metas e construção de novos planejamentos também é uma forma de virar as costas para o mercado, dando margem de atuação para a concorrência que, certamente, estará atenta a qualquer vacilo dos demais players de mercado. 13 TEMA 5 – PONTOS FORTES E FRACOS, OPORTUNIDADES E AMEAÇAS Uma das ferramentas mais utilizadas estrategicamente para definição de cenários de atuação de uma organização ou empresa é a matriz SWOT. A Matriz SWOT – formada pelas iniciais de Strenghts, Weaknesses, Opportunities and Treaths – tem sua definição em português como PFOA – Potencialidades, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças – ou, ainda, FOFA – Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças. Essa matriz auxilia os consultores e/ou gestores a terem uma visão sistêmica e holística da empresa, desde que todos os departamentos estejam envolvidos na produção, análise e mensuração dos resultados dessa ferramenta analítica. Por ser uma ferramenta de aplicação relativamente simples, ela pode ser usada em diferentes cenários e momentos de uma empresa. Da criação de um novo produto, análise de uma loja em e-commerce, até a verificação de rotinas de uma grande empresa, é a ferramenta mais indicada e largamente utilizada para esses fins justamente para a perfeita compreensão do posicionamento que a empresa deve ter no ambiente em que ela atua. A seguir, o modelo básico da matriz SWOT: Fonte: Santos, 2022. Dentro ainda do nosso exemplo desta etapa, um restaurante de “comida caseira”, situado em Curitiba, capital do Paraná: vamos preencher cada um dos quadrantes da matriz para facilitar o seu entendimento: vamos tentar imaginar o seguinte cenário (ainda que hipotético): restaurante pequeno, que atende até 80 14 pessoas simultaneamente, localizado em um bairro de classe média, com bom atendimento, que atende de segunda a sábado, apenas na hora do almoço, com estacionamento para 20 carros, com bom preço (compatível com a qualidade da comida servida) e que tem espaço físico e potencial para crescer, desde que seus proprietários invistam em obras e desenvolvimento de um novo buffet. Comida por quilo e com buffet livre, reconhecida pela sua qualidade e sabor. Concorrência grande no entorno pela sua localização, concorrendo inclusive com shoppings e players diretos. Ainda que com uma reflexão bem superficial do ambiente interno e externo do nosso objeto de análise, nossa matriz SWOT ficaria mais ou menos como no próximo exemplo, sendo que a análise pode até ser realizada com o auxílio de uma empresa consultora ou um analista de marketing, porém, o seu preenchimento, produção e mensuração dos resultados obtidos deve contar com todas as instâncias de uma organização. Qualquer cenário diferente deste pode supor uma não participação efetiva de todas as partes, comprometendo os resultados obtidos, por mais subjetiva que seja essa forma de verificação. Fonte: Santos, 2022. Neste caso específico, ficam claros os quadrantes de oportunidades e 15 pontos fortes, com a clara distinção dos pontos fracos e ameaças. Assim, estão ressaltados todos os pontos fortes ou forças que são, entre outros, diferenciais do restaurante. Em oportunidades, abrir o cardápio para atendimento à noite pode ser uma oportunidade, bem como a ampliação do espaço físico do salão de atendimento, o que implicaria no imediato aumento do número de mesas a ser atendidas. Cabe ressaltar que grande parte das empresas peca em aumentar o seu espaço físico e manter o seu antigo corpo técnico e de atendimento. Como ponderamos anteriormente, não há sentimento pior do que ser mal atendido, não é mesmo? Trabalhar com delivery, atualmente, também é diferencial competitivo frente aos diversos novos pedidos feitos via aplicativos. Como fraquezas ou pontos fracos, pontuamos não estar atento aos movimentos da concorrência, não se preocupar a médio e longo prazo com a possibilidade de aumento da demanda e, por isso mesmo, da ampliação de espaço físico (que implica em crescer e contratar), não se preocupar com serviços de entrega, frente a uma concorrência que cada vez mais usa os aplicativos desse tipo de serviço e que vigoram no mercado, mudar esse cenário é imprescindível para o cumprimento da métrica de ir até onde o consumidor se encontra. O item recessão implica diretamente no consumo de refeições fora de casa e, normalmente, é um dos itens revistos por grande parte da população assalariada. O delivery, novamente, toma forma como ameaça por tirar parte dos consumidores que poderiam estar consumindo na casa. Uma boa análise desses fatores, conjuntamente dentro de uma organização, favorece a compreensão de um cenário mais claro, mais objetivo, em que os pontos preponderantes, sejam eles positivos ou não, saltam aos olhos de todos os envolvidos nessa atividade analítica. Realizar esse tipo de reflexão é fundamental para compreendermos os diferentes níveis de interação organizacional, seja com o mercado, seja com os nossos consumidores. Agora vem a pergunta mais importante neste exercício: Que ações promocionais eu posso desenvolver para posicionar esse restaurante? Pelo visto, o serviço e os produtos entregues pela marca são bons. E sua presença na rede? E o conteúdo e a informação que a marca entrega em termos de comunicação para os seus clientes? Percebem? Aqui, exatamente aqui, começa o nosso trabalho enquanto profissionais de comunicação. Temos os dados e as análises do cliente. Agora é preencher bem o Brief com informações importantes e que subsidiem a criação e o planejamento e pensar nas ações de divulgação da marca, quais conteúdos podemos gerar e em quais plataformas o cliente pode (e deve) ter 16 presença. Use essa ferramenta, sem moderação, mas com parcimônia e cuidado na colocação dos itens para que sejam todos contemplados em um futuro planejamento da organização. Dar o feedback para os funcionários que participaram da construção desse cenário, no sentido de deixar claras quais as mudanças possíveis, são fundamentais para conseguir um retorno efetivo desta prática! Exercite! Você vai perceber que é muito enriquecedor esse momento de análise e reflexão.Surgirão pontos que talvez não sejam percebidos no dia a dia da organização. TROCANDO IDEIAS Já não é mais segredo que quanto melhor conhecermos o nosso objeto (cliente, marca, produto ou serviço) mais potencializamos a chance de criar uma campanha online ou offline assertiva, objetiva com focos claros, bem desenhados. NA PRÁTICA A sugestão aqui é que você pratique, mesmo que mentalmente, ações possíveis para pequenos clientes do seu entorno. Exemplo: certamente, você mora em um bairro (ou município) que é cercado por pequenos comércios, correto? Faça um passeio a pé, de bicicleta, carro ou ônibus (aqui não importa o meio de transporte) e gere insights mentais de que ações online você realizaria para cada um daqueles clientes, marcas ou fachadas visitadas por você. Perceberá que, muito em breve, você estará (ainda que não perceba) formulando pequenos planos de comunicação para marcas que você tem maior contato ou proximidade. Teste. É uma sensação muito bacana. FINALIZANDO Nesta etapa, percebemos que ferramentas, como o modelo SWOT, são importantes aliados na compreensão e no levantamento de dados das marcas que queremos promover. Além disso, não nos cansamos de reforçar que o levantamento prévio de mercado (Brief) e as reuniões de discussão com o cliente e com os pares da agência são fundamentais para iniciar um projeto de comunicação. 17 Com isso, atrair os nossos diferentes públicos para nossos verdadeiros intentos que nada mais é que aproximar as marcas que representamos ou promovemos, estabelecendo verdadeiras conversações e relacionamentos entre as partes! Bons estudos! 18 REFERÊNCIAS KOTLER, P. Marketing para o século XXI. São Paulo: Ediouro, 2009. MINI MICHAELIS. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2009.