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Unidade 1 de Arquitetura Hospitalar sobre o ambiente hospitalar, com histórico, hospedagem, design social, tipologias, cenário brasileiro (SUS e rede privada), representação gráfica e normatização, além de objetivos de aprendizagem e legenda de ícones.

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Arquitetura Hospitalar
Unidade 1
O Ambiente Hospitalar
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
ÉLIDA LACERDA
AUTORIA
Élida Lacerda
Olá! Sou formada em Administração de Empresas e Design de 
Interiores, e pós-graduada em Docência do Ensino Superior, com 
experiência técnico-profissional na área de Design de Interiores há 10 
anos. Atuei em empresas de arquitetura de interiores e, atualmente, tenho 
meu próprio escritório, além de ministrar aulas de Decoração de Interiores. 
Sou apaixonada pela minha profissão, adoro ensinar e estar em constante 
aprendizado. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar 
seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar 
você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Compreendendo o ambiente hospitalar ........................................... 10
O ambiente hospitalar: um pouco de História ........................................................... 10
Hospedagem hospitalar ............................................................................................................. 13
Design social ....................................................................................................................................... 14
Tipologias .............................................................................................................................................. 19
O ambiente hospitalar no Brasil............................................................ 21
O histórico dos modelos de ambiente hospitalar no Brasil ............................. 21
O ambiente hospitalar no SUS e na rede privada .........................29
O ambiente hospitalar no SUS ..............................................................................................29
O ambiente hospitalar na rede privada .......................................................................... 38
Representação gráfica na Arquitetura ............................................... 41
Representação gráfica na análise de projeto ............................................................. 41
Normatização para representação gráfica ...................................................................44
7
UNIDADE
01
Arquitetura Hospitalar
8
INTRODUÇÃO
O conceito de Arquitetura Hospitalar está sendo muito discutido 
na atualidade e, para entender sua importância, é preciso conhecer o 
ambiente ou o sistema de hospedagem hospitalar. Há quem defenda 
que a arquitetura pode auxiliar no tratamento de doenças. E o que dizer 
sobre o ambiente hospitalar no Brasil e no Sistema Único de Saúde 
(SUS)? É importante conhecer a realidade para aplicar os conceitos 
estudados. Mas, além de conhecer esse universo tão importante, faz-
se necessário estudar como representar graficamente um desenho de 
Arquitetura Hospitalar em um projeto arquitetônico. Ao longo desta 
unidade letiva, você vai conhecer e aplicar o que compreendeu, para 
desenvolver plenamente o seu conhecimento.
Arquitetura Hospitalar
9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o 
término desta etapa de estudos:
1. Reconhecer o ambiente de hospedagem hospitalar com suas 
unidades funcionais básicas.
2. Identificar as peculiaridades do ambiente hospitalar no Brasil.
3. Discernir sobre as diferenças entre o ambiente hospitalar no SUS 
e na rede privada.
4. Construir e interpretar representações gráficas em desenhos de 
Arquitetura.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho!
Arquitetura Hospitalar
10 Arquitetura Hospitalar
Compreendendo o ambiente hospitalar
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender 
como funciona o ambiente de hospedagem hospitalar. 
Este tema é fundamental para entender os outros assuntos 
abordados. Não entender o funcionamento do ambiente 
impede que um projeto seja desenvolvido de acordo com 
as reais necessidades. Chegou a hora de desenvolver essa 
competência! Então, vamos lá!
O ambiente hospitalar: um pouco de 
História
As mudanças sucedidas nas edificações hospitalares são uma 
reprodução das melhorias tecnológicas e do desenvolvimento dos 
objetivos da sociedade. É notório que o ambiente hospitalar já foi menos 
humanizado e mais álgido, com o intuito de demonstrar principalmente 
muita higiene. Mas, com o passar do tempo, os arquitetos sentiram a 
necessidade de torná-los menos impessoais e proporcionar mais conforto 
a pacientes e profissionais da saúde. Na Grécia Antiga, dava-se relevante 
valor ao bem-estar dos enfermos, por meio de templos localizados 
próximo a fontes de águas térmicas, o que permitia abundantes vistas 
externas aos usufruidores. Para Maceachern (1951), as enfermidades eram 
conhecidas de maneira holística, precisando, então, que os procedimentos 
fossem dispostos ao corpo e à mente. 
No domínio romano, foram desenvolvidas as valetudinárias, que 
eram enfermarias de combatentes voltadas ao cuidado dos militares 
enfermos, situadas no interior das fortalezas romanas. Por meio dessa 
tipologia, tinham-se adequadas disposições de iluminação e arejamento 
natural dos espaços internos, uma vez que as valetudinárias constituíam 
fundamentos ligados em volta de um recinto principal que garantia a 
todos os quartos a conexão com o lado externo. Além disso, essas áreas 
eram organizadas em todos os lados de uma passagem centralizada de 
distribuição, cujo teto admitia ventilação constante (MIQUELIN, 1992).
11Arquitetura Hospitalar
Na Idade Média, os hospitais reproduziam as construções góticas 
das catedrais por meio de amplos muros assemelhando-se às fortalezas 
e às cadeias. As enfermarias eram cenários nocivos onde a iluminação era 
natural ou por tochas e o ambiente era escuro devido às janelas pequenas, 
construídas assim para evitar as contaminações.
O hospital como instrumento terapêutico é uma invenção 
relativamente nova, que data do final do século XVIII. 
A consciência de que o hospital pode e deve ser um 
instrumento destinado a curar aparece claramente em 
torno de 1780 e é assinalada por uma nova prática: a visita 
e a observação sistemática e comparada dos hospitais 
(FOUCAULT, 199, p. 99). 
Ao final do século XVIII, os ambulatórios passam a ser objeto de 
diversos comentários. A superlotação relacionada com a ventilação 
escassa dificultava o desempenho correto das edificações hospitalares, 
tornando-se pública a necessidade de correção dos princípios 
arquitetônicos. A partir disso, a arquitetura passa a ser vista como essencial 
para a concepção de um espaço apropriado para a cura.
EXPLICANDOMELHOR:
Ocorre a obrigação de eliminar os resultados desfavoráveis 
deixando os espaços funcionais. A edificação hospitalar 
passa a ser constituída de forma a ser estável, com base 
no aperfeiçoamento dos espaços internos e em ações de 
esforços com os enfermos.
Também ao final do século XVIII, após um incêndio no hospital 
Hôtel-Dieu, em Paris, os profissionais de arquitetura junto com os médicos 
observaram que as acomodações preparadas para ventilação máxima 
colaboravam para a recuperação dos pacientes. 
A adoção de ambientes com ventilação cruzada e excelente 
iluminação natural resolveu muitos problemas relacionados a humidade 
e ar parado. Os desenhos de projetos hospitalares começaram a ser 
desenvolvidos pensando no isolamento de doenças e pacientes em 
ambientes separados.
12 Arquitetura Hospitalar
Os estudos de Louis Pasteur, cientista, químico e bacteriologista 
francês, sobre a transmissão de infecções e doenças foram responsáveis 
por essa separação de pacientes. Esses princípios de isolamento foram 
uma grande revolução no design dos ambientes hospitalares e são o que 
se pode chamar de design hospitalar contemporâneo.
Florence Nightingale, enfermeira e escritora que atuou na Guerra da 
Criméia (1853-1856), partindo de suas experiências na guerra, desenvolveu 
conceitos de ventilação, distribuição de pacientes e cuidados com 
higiene que são utilizados por alguns hospitais até hoje, principalmente 
em estruturas horizontais. Ela reduziu o pé-direito das dependências, 
pois assim era possível ter total domínio da temperatura, e arquitetou 
nas enfermarias janelas de todos os lados, para proporcionar ventilação 
cruzada, sol e iluminação natural.
IMPORTANTE:
A Enfermaria Nightingale constituiu o princípio mais 
fundamental e próprio do estudo hospitalar do fim do 
século XIX. O sistema pavilhonar-Nightingale era tratado 
como modelo de arquitetura na saúde (MIQUELIN, 1992).
Diversas unidades de saúde foram construídas com a tipologia 
pavilhão, por meio da qual as enfermarias eram dispostas em retângulos 
estreitos ligados por um corredor. Além das enfermarias, os arquitetos 
começaram a se preocupar com outros departamentos importantes, 
como centros cirúrgicos, ambulatórios, diagnósticos e circulação. 
Na década de 1960, surgiu o que se chamava de “Medicina Centrada 
no Paciente”, o que despertou em arquitetos a ideia de ter o paciente 
como centro do projeto. No entanto, somente a partir da década de 1980 
que se iniciou a preocupação com a experiência sensorial das pessoas.
Antes dos meios de transportes se tornarem frequentes, os hospitais 
eram localizados onde havia maior concentração de pessoas, mas, com o 
tempo, houve uma tendência de se construir as unidades de saúde mais 
próximo à natureza, seguindo a crença de que quanto mais arborizado e 
livre fosse o local, menos seriam os riscos de transmissão de infecções.
13Arquitetura Hospitalar
A tecnologia foi cada vez mais incorporada às construções 
hospitalares, contando com estruturas prediais com o objetivo de 
setorizar, separar pacientes e obter controle no fluxo de circulação. Essa 
tendência dos edifícios verticais apareceu já na metade do século XIX, 
caracterizando o hospital monobloco, que, mais tarde, passou a ser 
múltiplos blocos, tipologia típica do século XX. 
Após 1945, com a arquitetura moderna Brasileira, muitos edifícios 
públicos começaram a ser construídos com estruturas modernas, a 
exemplo do Hospital Clínico de Porto Alegre (1955), projetado por Jorge 
Machado Moreira, e do Hospital da Lagoa (1952), por Oscar Niemeyer.
Hospedagem hospitalar
DEFINIÇÃO:
A palavra “hospital” vem do latim “hospitium”, que quer dizer 
“casa de hóspedes”.
Godoi (2004) faz uma breve definição de hotel e hospital. Para ele, 
hospital recebe as pessoas para tratar da saúde propiciando qualidade 
de vida. Já o hotel hospeda as pessoas com diversos tipos de serviços. A 
busca por hotel ou hospital acontece por necessidades diferentes, mas 
cada vez mais seus serviços são parecidos. 
O serviço de hotelaria tem o objetivo de humanizar o atendimento, 
esse ato de acolher e hospedar de certa forma reduz o sofrimento de 
seus clientes. É necessário, ainda, no estudo da elaboração de um projeto 
de layout, pensar nas subdivisões e nos departamentos que um sistema 
de hospedagem hospitalar deve ter. A seguir, a divisão de departamentos:
 • Hospedagem: orienta e coordena as atividades operacionais de 
recepção.
 • Alimentação: engloba todos os serviços de alimentação e nutrição.
 • Administração: coordena e administra a unidade de saúde.
 • Governança: limpeza, lavadoria e passadoria.
14 Arquitetura Hospitalar
 • Manutenção: preventiva e corretiva.
 • Automação: informatização e tecnologia. 
REFLITA:
Já Parou para pensar em como a arquitetura pode afetar o 
resultado da saúde de um paciente? Esse será o próximo 
assunto!
Design social
A arquitetura dos edifícios determina os espaços em que os 
pacientes são tratados. O tamanho e o layout de uma sala, se uma cama 
fica no meio ou contra uma parede, quanto espaço é mantido para os 
pacientes caminharem, quantos leitos ou equipamentos operacionais 
podem ser acomodados, tudo isso não era considerado nos resultados de 
saúde no passado. Isso mudou à medida que arquitetos e organizações 
de assistência médica se uniram para incorporar os princípios do design 
social ao ambiente de assistência à saúde.
EXPLICANDO MELHOR:
O design social refere-se ao design de relacionamentos, 
incluindo aqueles que são invisíveis e intangíveis. 
Diferentemente do design thinking, que é um processo 
interativo para desenvolver ideias e estratégias alternativas 
com base na compreensão de um usuário e um problema 
específico, o design social atende às necessidades de 
comunidades ou sociedades inteiras. Nos cuidados de 
saúde, isso diz respeito a ressignificar o papel que um 
edifício pode desempenhar na saúde de seus pacientes e 
do local em que está situado.
Diversos princípios-chave do design social podem ser utilizados e 
adaptados a qualquer ambiente construído no qual a assistência à saúde 
é fornecida. Esses princípios incluem:
15Arquitetura Hospitalar
 • Assegurar que sua perspectiva mostre os propósitos finais. Se as 
instituições de saúde são projetadas para oferecer mais saúde 
ou somente mais incumbências de saúde. Por exemplo, os 
hospitais mediram particularmente seu resultado em termos de 
apropriação de leitos. Como resultado, seu design desenvolve 
muitas salas privadas e pequeno espaço para caminhadas. Mas 
o conhecimento médico atual estabelece que para diversos 
pacientes, levantar-se e caminhar é fundamental para a melhoria. 
Os hospitais tradicionais oferecem cuidados de saúde, mas não 
obrigatoriamente saúde, o que precisaria ser sua finalidade.
 • Elaborar pesquisa para compreender como as pessoas pensam 
e do que necessitam. Pacientes, famílias, médicos, enfermeiros, 
administradores e arquitetos têm diferentes formas de enxergar a 
realidade. Eles são todos essenciais para compreender por que as 
coisas sucedem. 
REFLITA:
O que ocorre quando em vez de ficar o dia todo olhando 
para outra pessoa enferma, o paciente observa o exterior 
por uma janela? Por que contratar projetos usuais de 
ventilação quando eles dependem de uma rede elétrica 
que inúmeras vezes falha, expondo os pacientes a doenças 
transmitidas?
 • Elaborar desenhos dos sistemas de trabalho e suas instalações, 
acrescentando padrões de tráfego e layouts de salas e edificações. 
Desenhar é a única maneira certa de assegurar que diversas 
pessoas estejam vendo a mesma coisa. Modificar a linguagem 
usual de verbal para visual revela as dinâmicas ocultas que 
constituem nosso pensamento e comportamento, e provoca um 
novo pensamento.
 • Explorar constantemente o planejamento, especificamente o 
de instalações. O planejamento consiste em deduções sobre o 
amanhã em um tempo em que as coisas se alteram maisrápido 
do que nunca, tanto na área da saúde quanto em outras áreas 
16 Arquitetura Hospitalar
de nossas vidas. É preciso contrapor o planejamento de longo 
prazo, por meio de experiências regulares que partem da certeza 
de que questões complexas podem ser desvendadas. A base 
para isso é realmente ouvir o feedback recebido e a partir disso 
manter o trabalho dos profissionais conectado às necessidades 
das comunidades atendidas.
A adoção desses princípios de design social pode não apenas levar 
a melhores resultados de saúde, mas ajudar os hospitais a prosperar em 
um momento em que os pacientes buscam cada vez mais informações 
para orientar sua escolha de unidades de saúde.
Essas decisões muitas vezes incluem elementos de design – embora 
os consumidores não as enquadrem dessa maneira –, pensando em 
termos mais concretos, por exemplo, se uma instalação disponibiliza vagas 
dedicadas a acelerar a convalescença e encurtar estadas hospitalares ou 
oferece áreas de espera que não parecem estações de ônibus.
Alguns consumidores também incluirão em suas deliberações bens 
sociais maiores, como as relações da unidade com sua vizinhança e sua 
reputação de fornecer saúde, não apenas assistência médica.
O layout e a arquitetura de um centro de saúde podem melhorar 
a vida dos pacientes. A nova concepção de instalações de cuidados 
médicos está se afastando de espaços monótonos, comprometendo-
se com a interpretação da cor e da luz. Dessa forma, os espaços afetam 
o humor e a autoimagem corporal do paciente. Na verdade, isso pode 
ajudar as pessoas a se recuperarem mais rapidamente.
IMPORTANTE:
No passado, o design dessas instalações se concentrava 
mais no apoio aos provedores de saúde dos pacientes do 
que nos próprios pacientes. Muitas das decisões tomadas 
em projeto, execução e operação determinaram a maior 
eficiência dos serviços nas diferentes áreas do hospital. 
Além de poder exibir belas arquiteturas projetadas para 
pessoas, essas construções são funcionais.
17Arquitetura Hospitalar
Atributos arquitetônicos, como a luz natural, cenas da natureza 
e quartos limpos para os pacientes contribuem para uma experiência 
positiva. Projetos arquitetônicos têm aproximado o paciente e a natureza 
com jardins internos e externos, painéis de vidro para aproveitar a luz e a 
paisagem, e o uso de materiais naturais como madeira e pedra.
Por outro lado, instalações que não são projetadas com o paciente 
em seu núcleo podem ser especialmente estressantes e tristes para 
alguém que já está em um estado vulnerável. A criação de um ambiente 
relaxante deve ser prioridade para os hospitais e centros de tratamento, 
pois, se o estresse é reduzido, as estadas dos pacientes são mais curtas.
A Arquitetura Hospitalar sofreu uma mudança em seu foco 
funcional, e os hospitais são concebidos como um conjunto de ambientes 
que tentam proporcionar experiências saudáveis em vez de um espaço 
que contenha saúde. O objetivo é melhorar os processos internos dos 
quais várias áreas do hospital participam, resultando em maior eficiência e 
melhor qualidade percebida pelos usuários.
A integração de pacientes, profissionais de saúde e outros 
funcionários em um edifício flexível, que reúne a paisagem, a luz natural, 
as energias renováveis e as tecnologias mais recentes, mostra as 
particularidades dos hospitais do século XXI.
A importância de construir hospitais energeticamente eficientes, 
colocando indicadores de eficiência juntamente com indicadores de 
qualidade e adequação, cria um valor único.
Atualmente, os projetos arquitetônicos são embasados em 
projeto de construção integrada, um processo que incorpora pessoas, 
estruturas de negócio e procedimentos desde a fase de pré-projeto até a 
operação e manutenção de edifícios. Essa prática ajuda a alcançar maior 
confiabilidade operacional, reduzir custos de manutenção e melhorar a 
eficiência energética do sistema.
18 Arquitetura Hospitalar
IMPORTANTE:
É preciso sempre levar em conta que, para o bom 
funcionamento do prédio, funcionalidade e conforto 
devem prevalecer sobre outros critérios. Seu design será 
determinado primeiro pelas regulamentações urbanas; 
depois, pelas necessidades que o edifício deve satisfazer 
em termos de tipologia, distribuição e volume dos espaços 
necessários; e por último, mas não menos importante, 
por imagem e outros fatores como sustentabilidade, 
confiabilidade, segurança etc.
A acessibilidade das instalações determina sua subsequente 
manutenção. As instalações devem ser acessíveis e permitir a expansão 
e modificação com estruturas flexíveis e modulares que propiciem 
crescimento, caso a população cresça.
Essa percepção da influência dos ambientes na cura fez arquitetos 
e designers reformularem a tipologia de hospitais e instituições de saúde 
em geral para integrar-se com a sociedade. O plano arquitetônico das 
unidades de saúde tem origem já na Grécia Antiga e Roma com templos 
de curas e antigos hospitais militares. Essas duas linhas deram origem às 
ideias do hospital como local de cura ou de receber tratamento.
REFLITA:
Os hospitais são estruturas complexas para dizer o 
mínimo. Uma combinação concisa de forma e função; 
de necessidade social e nuance cultural. Eles são parte 
integrante de toda a sociedade e seus projetos de edifícios 
diferem enormemente de país para país. Apesar disso, um 
conjunto de pré-requisitos recomendados unifica essas 
instituições. Assim como as artérias de um corpo formam 
uma teia complexa de funções desenvolvidas ao longo de 
milhões de anos para agilizar a passagem do sangue entre 
os órgãos, os hospitais estão evoluindo continuamente 
para permitir um ótimo resultado.
19Arquitetura Hospitalar
Tipologias
Tipologia é a ciência que pesquisa os tipos, a diversidade intuitiva 
e conceitual de formas de modelo ou básicas. A tipologia é altamente 
comum na área de análises sistemáticas, para definir diferentes categorias. 
Na área da arquitetura, representa a análise de tipos importantes que 
podem desenvolver um modelo referente à linguagem arquitetônica.
A tipologia (ou especialização) da edificação de saúde é o principal 
item determinado pelo possuidor (rede privada) ou governante (rede 
pública). Veja algumas tipologias dos dias atuais:
 • Clínica médica sem internação, centro médico ou policlínica – 
definição para qualquer trabalho de prestação de atendimento 
médico em sistema ambulatorial, como um grupo de consultórios 
de especialidades diferentes e exames dependentes de 
diagnóstico.
 • Clínica (com especialização) ou policlínica – nesse caso, os 
consultórios geralmente são de mesma atividade e podem ter ou 
não exames adicionais.
 • Hospital de pequeno porte (ou clínica com internação): edificação 
hospitalar de baixa diversidade, dirigida a pacientes sem risco de 
vida e com assistência imediata usando técnicas fáceis. 
 • Hospital geral – edificação hospitalar de mediana e alta dificuldades, 
reservada a receber pacientes portadores de distúrbios das 
diversas particularidades médicas. 
 • Hospital especializado – reservado a receber clientes necessitados 
de atendimento de uma determinada especialidade médica. 
Poderá ser ou não limitado também a um determinado grupo ou 
camada da população.
 • Day-hospital ou hospital-dia – de porte pequeno e médio, são 
dirigidos para execução de práticas cirúrgicas em que o paciente 
permaneça por pouco tempo.
20 Arquitetura Hospitalar
RESUMINDO:
Você viu neste capítulo como funcionou o ambiente 
hospitalar no decorrer da história das unidades de saúde 
e como a arquitetura foi se adequando às necessidades 
dos pacientes e de seus profissionais. Também aprendeu 
as tipologias existentes e pôde ver um pouco do futuro do 
ambiente hospitalar.
21Arquitetura Hospitalar
O ambiente hospitalar no Brasil
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de identificar 
como é o ambiente hospitalar no Brasil. É essencial 
para o desenvolvimentode suas habilidades adquirir 
conhecimento sobre o ambiente que você deverá projetar. 
Chegou a hora de desenvolver essa competência. Então, 
vamos lá!
O histórico dos modelos de ambiente 
hospitalar no Brasil
Os hospitais vieram ao Brasil com a chegada dos evangelizadores 
da Companhia de Jesus – conhecidos como jesuítas –, no século XVI. 
A primeira Santa Casa foi fundada em Santos, por Braz Cubas. Também 
devem ser citadas as Casas da Misericórdia, que são as entidades de 
saúde Brasileiras mais características do país. Esses hospitais têm um 
papel crucial no panorama da saúde no Brasil, mas o contexto da saúde 
pública no país inicia-se de fato ao final do século XIX. 
A unidade de saúde moderna surgiu na transição do modelo 
religioso para o modelo pavilhonar e buscava seguir a trajetória dessas 
edificações na Europa. Lá, inicialmente foram construídas como claustros 
de conventos e tiveram profundas mudanças após os trabalhos de 
Louis Pasteur e a bacteriologia, como visto no capítulo anterior. Também 
seguiram as tendências de edificações dos Estados Unidos, construídas 
em bloco único, modelo hospitalar usado nos dias de hoje.
Acompanhe a história da Arquitetura Hospitalar no Brasil, partindo 
do modelo religioso, chegando ao pavilhonamento e, por último, os 
monoblocos:
 • Modelo hospitalar religioso 
Exemplo: Para compreender exatamente como era o ambiente 
deste modelo hospitalar, é essencial estudar o exemplo do Hospital São 
22 Arquitetura Hospitalar
Cristóvão, na Bahia, sob os cuidados da Santa Casa de Misericórdia de 
1549 a 1893. Segundo Barreto (2011), as enfermarias femininas ficavam na 
catacumba, no subsolo, enquanto os homens eram tratados no fundo do 
edifício. 
Nas últimas décadas apresentaram princípios contemporâneos 
para o traço de hospitais que buscam adquirir para os seus ambientes 
os valores morais que os pacientes passam em suas residências, dessa 
forma: 
 • Os projetos arquitetônicos são capazes de congregar-se ao 
edifício ao ponto de vista do indivíduo que faz uso dos serviços e 
suas concepções cotidianas. 
Essas concepções apresentam também a incorporação dos 
ambientes de saúde com o espaço exterior e incorporam nos setores 
de diagnóstico e tratamento de um conjunto de princípios que são 
estabelecidos como meios de promoção da cura. 
Os estudos mais recentes acerca do tempo de permanência e a 
qualidade da atenção atribuída aos pacientes mostram e pedem atenção 
para a relevância da humanização destes ambientes hospitalares, no 
sentido de reduzir o sofrimento e a angústia no decorrer da internação, 
complementando com:
 • Práticas de convivência familiar 
 • Personalização aos espaços, 
 • Envolvendo equipes de profissionais e de
 • Terapia familiar desenvolvidas para atingir a desejada cura.
Uma construção mais sólida substituiu a primeira por volta do 
século XVII.
As pesquisas feitas acercada arquitetura das instituições de saúde 
não são capazes e não podem progredir se desassociado dos princípios 
e métodos médicas estabelecidas no decorrer de a idealização de seus 
espaços.
23Arquitetura Hospitalar
Figura 1 – Organização hospitalar influência na qualidade do tratamento
Fonte: Unsplash. 
As doenças e a procura de suas curas estão relacionas, pois, são 
compostas por fatores culturais e ideológicos que, no que lhe diz respeito, 
podem gerar diversos tipos de respostas espaciais e construtivas. 
Avaliar a arquitetura para a área de saúde, por conseguinte, deverá 
o igual para aquele que visitar as referências que se incorporaram no meio 
da história da medicina. 
A certificação de que, em arquitetura, o objetivo estabelece a 
maneira não deverá ser mais autêntica do que nas edificações para a 
saúde, onde o certo progredi das atividades sendo capaz de estabelecer 
a vida ou morte de seres humanos. 
Para que associada a esse bom desenvolvimento, é necessário e 
fundamental que exista um bom funcionamento dos serviços oferecidos 
pelo ambiente hospitalar.
É de fundamental importância também que exista um diálogo entre 
o profissional e o paciente, então, em muitos casos a ação de esclarecer 
ao indivíduo acidentado ou do seu tratamento sobre seu estado, sua 
evolução e também como se encontra o quadro em que o mesmo se 
24 Arquitetura Hospitalar
deve ser analisado com discernimento para não gerar ansiedade ou 
apavoramento desnecessários que pode chegar até a causar o pânico na 
situação.
Esse ponto mostra como o diálogo, treinamento, conhecimento e 
boa organização do ambiente de trabalho fazem com que a qualidade do 
serviço oferecido seja melhor, assim como, a experiência e a permanência 
do paciente dentro do hospital.
Figura 2 - Fatores que contribuem para o melhor 
funcionamento e reputação do ambiente hospitalar
Diálogo 
entre 
paciente e 
profissional
Treinamento
Organização 
hospitalar
Conhecimento
Fonte: Elaborada pelo autor (2021).
É importante ressaltar que muitos anos atrás, no período inicial 
em que o Brasil estava ainda estabelecendo um tipo de ambiente 
e organização hospitalar, os lugares mais seguros e que as pessoas 
preferiam frequentar para tratar suas enfermidades eram suas casas.
Ou seja, o atendimento era feito em casa. Agora, por quê?
Isso acontecia porque locais reservados para realizar atendimentos 
médicos necessários para a população eram sujos, causando desconforto 
e deixando os pacientes vulneráveis.
Apenas depois de um tempo houve evolução. Entretanto, isso 
aconteceu porque existiu um incentivo do governo, o qual promoveu esse 
progresso em ambientes hospitalares nos seus mandatos com o intuito 
de se promover na política.
A tipologia era típica de convento, com a igreja no centro do terreno, 
cercada por duas áreas separadas: a administrativa e o hospital. 
O poço que provia o hospital recebia captação particular de água, 
e o esgoto era reservado também para impedir contágio de das águas. 
25Arquitetura Hospitalar
Na segunda metade do século XVIII, ocorreu uma primeira tentativa 
de melhorar esses espaços, com o surgimento do higienismo, que cem 
anos depois deu origem aos hospitais pavilhonares. A arquitetura dos 
dois modelos se distinguia pela sua forma: o higienista tinha enfermarias 
ligadas a uma área central com arquitetura ventilada como era chamado; o 
modelo pavilhonar, de fato, conseguiu manter as enfermarias totalmente 
isoladas de outras áreas.
 • Modelo de isolamento pavilhonar
Este modelo era composto de pavilhões isolados em colônias 
agrícolas, que inclusive se tornaram um ótimo meio de assistência aos 
doentes psiquiátricos, devido aos meios agrícolas.
VOCÊ SABIA?
Segundo os estudos de Venâncio (2001), em 1918 foi 
construída uma nova colônia, no Rio de Janeiro, direcionada 
a pacientes com transtornos mentais, já que o antigo 
Hospital Psiquiátrico Pedro II, mesmo reformado, não 
atendia às novas exigências da psiquiatria.
O local escolhido foi uma antiga fazenda com facilidade para 
captação de água, uma igreja e uma extensa área verde. Foram construídos 
15 pavilhões, além de outras instalações, como cozinha e farmácia.
A distribuição dos pavilhões idealizava aconchego, higiene, 
ventilação e presença de luz solar, aproveitando-se da imediação dos 
rios, dos campos verdes e da topografia do terreno. Esse era o modelo 
preconizado pela arquitetura dos hospitais pavilhonares, que planejava 
dispor de um ambiente familiar, com o estilo rústico das casas dos 
arredores.
O modelo pavilhonar ficou conhecido pelo temor da contaminação 
pelos germes – observando as descobertas de Louis Pasteur. Era 
composto por edificações de, no máximo, dois andares. Neles, regia-se o 
princípio de isolamento, por meio do qual cada doença era tratada em um 
pavilhão diferente, segundo afirma Tollet (1894).
26 Arquitetura Hospitalar
EXPLICANDO MELHOR:
O pesquisador Oswaldo Cruz construiu um hospital em 
Manguinhos, Rio de Janeiro, entre 1912 e 1917, seguindo as 
referênciasde um hospital salubre com extensos terraços, 
pé-direito alto e modelo de refrigeração que ajudavam 
na ventilação e atribuíam mais aconchego aos quartos. 
O projeto norteador foi a bacteriologia preconizada por 
Pasteur, que tratava cada doença em pavilhões separados. 
Ele construiu um só pavilhão, mas seu projeto original 
visava construir outros cinco.
 • Modelo de monobloco vertical
A mais nova inclinação eram as edificações únicas com vários 
andares. Os benefícios dos monoblocos eram a altura, os sistemas de 
aquecimento e iluminação, entre outros mais.
Um dos grandes apoiadores do sistema de monobloco foi o médico 
Ernesto de Sousa Campos, que também foi ministro da saúde em 1946. 
Viajou para os EUA e a Europa no ano de 1925 e lá estudou os modelos 
prediais para implantar no Brasil.
O Ministério da Saúde mantinha em seu quadro de funcionários 
profissionais de arquitetura e engenharia que projetavam hospitais 
por todo o Brasil e o Ministério da Educação e Saúde, mesmo depois 
do desmembramento das duas áreas, em 1953, preservava em seus 
quadros arquitetos, desenhistas e engenheiros que elaboravam 
projetos hospitalares para todo o Brasil e para todas as entidades a ele 
subordinadas, o que certamente incluía as usinas e seus hospitais. 
Esses projetos eram elaborados de forma que economizassem ao 
máximo possível os recursos financeiros. Porém, alguns projetos fugiram 
a essa regra e foram construídos de maneira mais moderna. Conforme 
afirma Monteiro (2011), essas tipologias utilizavam como referência a 
publicação Padrões mínimos de hospitais, da década de 1950.
27Arquitetura Hospitalar
A publicação exercia duas referências para a arquitetura dessas 
fundações, uma com base na junção da metodologia funcionalista 
corbusiana (Le Corbusier) e o rural Brasileiro, proposta por José Oliveira 
Leite; e a outra na construção urbana com traços da arquitetura 
funcionalista de Hamilton Fernandes.
SAIBA MAIS:
Nesta matéria, você vai conhecer os cinco pontos da 
arquitetura de Le Corbusier que influenciaram as construções 
dos edifícios hospitalares. Acesse clicando aqui.
A ideia era uma edificação de traços modernos e durável, como 
as fachadas dos hospitais das beneficências portuguesas. A tipologia 
consistia em um sistema de construção pré-fabricada, com solução 
funcionalista e ênfase na utilização e técnica, com uma construção 
padronizada e anônima.
Esses fundamentos convergiam com as recomendações do 
Ministério da Saúde, isto é, tinham de ser eficazes, com manutenção e 
custo baixos, sem sacrificar sua funcionalidade e qualidade técnica.
Exemplo: O Sanatório de Tuberculosos de Curicica, no Rio de 
Janeiro, particularizou traços funcionalistas e realistas recomendados, 
mas sem desprezar o modelo pavilhonar, mantendo áreas verdes e 
ventilação, mais que a exposição ao sol. 
Em Pernambuco e Alagoas, devido à necessidade de atender aos 
trabalhadores concentrados nos centros urbanos, surgiram edifícios mais 
altos, que não eram associados ao movimento modernista de arquitetura. 
Nascia então a arquitetura projetada por Oscar Niemeyer, Rino Levi, 
Sergio Bernardes e Affonso Eduardo Reidy. Essa tipologia não adotava o 
sistema em pavilhões por exigir grandes terrenos arborizados, mas aliava 
as práticas de ventilação e exposição ao sol. Era um modelo de transição, 
antes do hospital em bloco único se consolidar. 
http://comoprojetar.com.br/o-que-sao-os-5-pontos-de-uma-nova-arquitetura-de-le-corbusier-descubra-como-aplica-los-na-arquitetura-contemporanea/
28 Arquitetura Hospitalar
RESUMINDO:
Neste capítulo, você conheceu um pouco mais sobre o 
histórico da arquitetura do ambiente hospitalar no Brasil 
verificando que os primeiros modelos de hospital foram 
a Santa Casa e as Casas de Misericórdia. Viu que essas 
construções se tornaram possíveis graças a Companhia 
de Jesus e os jesuítas. Também pôde compreender que 
a Arquitetura Hospitalar Brasileira teve como inspiração 
os modelos já instalados na Europa e nos Estados Unidos, 
que surgiram com base nas descobertas de Louis Pasteur. 
Portanto, o ambiente hospitalar no Brasil começou com 
o modelo religioso, seguido pelo pavilhonar e, por fim, o 
monobloco.
29Arquitetura Hospitalar
O ambiente hospitalar no SUS e na rede 
privada
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender 
como funciona o ambiente hospitalar no SUS e na rede 
privada. Esse conhecimento é importante para que o 
profissional compreenda seu campo de trabalho e agregue 
valor a seus projetos. Chegou a hora de desenvolver essa 
competência. Então, vamos lá!
O ambiente hospitalar no SUS
Antes de estudar o ambiente hospitalar no SUS, faz-se necessário 
entender seu significado. O Sistema Único de Saúde (SUS) é uma 
concepção política e organizacional para o coordenar todas as atividades 
e atuações de saúde, acordada pela Constituição de 1988.
É um sistema único, pois, em todo o Brasil, segue os mesmos 
princípios organizacionais e está sob o encargo dos governos Municipal, 
Estadual e Federal. Todas as unidades interagem para promover proteção 
e recuperação da saúde.
IMPORTANTE:
Uma nomenclatura que estará muito presente neste 
capítulo são os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde 
(EAS). Esse título é dado a toda construção dirigida ao 
atendimento à saúde a cidadãos, que demande o ingresso 
de pacientes em processo ou não de internação com 
qualquer grau de dificuldade.
Para elaborar projetos de arquitetura, mais especificamente nesse 
caso de ambientes hospitalares, é necessário conhecer a estrutura e os 
serviços que serão oferecidos nos locais. Por isso, este capítulo mostrará 
como são divididas as EAS presentes no SUS.
30 Arquitetura Hospitalar
A Unidade Básica de Saúde (UBS) executa os serviços de rotina, 
como consultas com o clínico geral e algumas outras especialidades, e 
vacinação. É dividida da seguinte maneira: 
 • UBS I: ao menos, uma equipe de Saúde da Família. 
 • UBS II: ao menos, duas equipes de Saúde da Família. 
 • UBS III: ao menos, três equipes de Atenção Básica. 
 • UBS IV: ao menos, quatro equipes de Atenção Básica.
Para aprimorar a execução das atividades de atenção à saúde, é 
crucial que o projeto arquitetônico pondere o sistema de trabalho e os 
fluxos de pessoas dentro e fora da unidade. 
Adiante está uma sugestão de agrupamento por planos, segundo a 
Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 50/Anvisa/fevereiro/2002, que 
decide sobre a normatização técnica para planejar, programar e avaliar os 
projetos físicos das EAS:
 • 1º plano: recepção e espera. 
 • 2º plano: espera, consultórios médicos e de enfermagem.
 • 3º plano: procedimentos. 
 • 4º plano: áreas de apoio.
A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) atende a emergências e 
urgências 24 horas por dia. Os atendimentos disponíveis são para fraturas, 
cortes, infartos, traumas e derrames. Sua divisão é feita da seguinte forma:
 • UPA Porte I: de 5 a 8 leitos de observação para receber até 150 
pacientes por dia. 
 • UPA Porte II: de 9 a 12 leitos de observação para atender até 300 
pacientes por dia. 
 • UPA Porte III: de 13 a 20 leitos de observação para atender até 450 
pacientes por dia. 
31Arquitetura Hospitalar
A UPA conta com um programa arquitetônico mínimo, conforme o 
Programa Arquitetônico Mínimo das UPA do Ministério da Saúde:
 • Pronto atendimento. 
 • Atendimento de urgência.
 • Apoio diagnóstico e terapêutico.
 • Setor de observação.
 • Apoio técnico e logístico.
 • Apoio administrativo.
DEFINIÇÃO:
Os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) são 
unidades de atendimento que devem ter capacidade de 
resolver ou finalizar um processo, simplificando e agilizando 
procedimentos. Eles disponibilizam consultas, exames e, 
em casos específicos, pequenas cirurgias.
O propósito dos AMEs é oferecer assistência estando próximos às 
residências dos cidadãos. Os serviços devem ser prestados com eficácia 
e rapidez por meio de diagnóstico prematuro.O objetivo é instruir e 
aumentar a oferta de serviços de especializações ambulatoriais que não 
podem ser plenamente diagnosticados ou orientados na rede básica, 
pela sua dificuldade, mas que não necessitam de internação hospitalar 
ou assistência iminente. A seguir estão elencados alguns ambientes que 
compõem os AMEs, segundo a normatização para projetos físicos de 
estabelecimentos assistenciais de saúde do Ministério da Saúde:
 • Apoio ao Diagnóstico e Terapia: patologia clínica, sala para coleta 
de material, área para classificação e distribuição de amostras, 
sala de preparo de reagentes, sala de lavagem, preparo e 
esterilização de material, laboratório de hematologia, laboratório 
de parasitologia (sala de preparo e sala de microscopia), laboratório 
de urinálise, laboratório de imunologia celular e humoral 
(câmara de imunofluorescência), laboratório de bacteriologia ou 
microbiologia, laboratório de micologia, laboratório de virologia 
32 Arquitetura Hospitalar
(antecâmara e sala de manuseio de células), laboratório de 
bioquímica (área para eletroforese), laboratório de suporte à UTI, 
UTQ ou alto risco, laboratório de emergência.
 • Apoio ao Diagnóstico e Terapia: imagenologia, radiologia, salas de 
preparo de pacientes, preparo de contraste, indução anestésica e 
recuperação de exames, de serviços, exames com comando (geral, 
odontológico, mama, outros), sala de exames telecomandados, 
sala de comando, sala de interpretação e laudos, hemodinâmica, 
consultório indiferenciado, área de recepção e preparo de pacientes, 
área de escovação, sala de comando e componentes técnicos, 
sala de exames e terapias, posto de enfermagem e serviços, 
sala de indução e recuperação pós-anestésica, sala de exames, 
sala de interpretação e laudos (leitura de filmes), tomografia, sala 
de exames de tomografia, sala de comando, sala de indução e 
recuperação anestésica, posto de enfermagem e serviços, sala 
de componentes técnicos (computadores etc.), sala de laudos 
e interpretação, ultrassonografia, sala de exames e terapias de 
ultrassonografia (geral, oftalmológico, litotripcia extracorpórea 
e ultrassonografia intervencionista, sala de ecocardiografia, 
sala de interpretação e laudos, ressonância magnética, área de 
detecção de metais, sala de indução e recuperação anestésica, 
sala de exames de ressonância magnética, sala de comando, 
área para atendimentos de urgências, posto de enfermagem e 
serviços, sala de laudos e interpretação, sala de componentes 
técnicos (computadores, compressor hélio etc.), sala de exames 
oftalmológicos (retinografia, paquimetria, campimetria etc.). 
 • Apoio ao Diagnóstico e Terapia: métodos gráficos – cabine 
de audiometria, salas de otoneurologia, potenciais evocados 
equipamento e da demanda, eletroencefalografia, eletromiografia 
de atividades, fluxo vascular contínuo (Doppler), eletrocardiografia 
(ECG), eletrocardiografia contínua (Holter), ergometria, sala de 
fonomecanocardiografia, função pulmonar, estudos do sono, área 
de comando para audiometria, EEG, potenciais evocados e estudo 
do sono, sala de interpretação e laudos.
33Arquitetura Hospitalar
 • Apoio ao Diagnóstico e Terapia: medicina nuclear – laboratório 
de manipulação e estoque de fontes em uso, depósito de 
rejeitos radioativos, box para coleta de sangue, laboratório de 
radioimunoensaio, sala de administração de radiofármacos, sala 
ou box de pacientes “injetados”, sala de exames de medicina 
nuclear (gama-câmara e cintilógrafo), sala de laudos e arquivos.
 • Apoio ao Diagnóstico e Terapia: Reabilitação – fisioterapia, box 
de terapias, sala para turbilhão, piscina, salão para cinesioterapia 
e mecanoterapia, terapia ocupacional, consultório de terapia 
ocupacional (consulta individual), sala de terapia ocupacional 
(consulta de grupo), fonoaudiologia, consultório de fonoaudiologia, 
sala de psicomotricidade e ludoterapia.
Nos hospitais, os usuários do SUS têm atendimento de clínicas 
médicas especializadas, de média ou alta complexidade. E são 
classificados conforme: 
1. Porte 
 • Pequeno porte: de até 50 leitos. 
 • Médio porte: de 51 a 150 leitos. 
 • Grande porte: de 151 a 500 leitos. 
 • Acima de 500 leitos é considerado de capacidade extra.
2. Perfil de assistência
 • clínicas básicas, geral, especializado, urgência, universitário e de 
ensino e pesquisa. 
3. Complexidade dos procedimentos prestados
 • Nível básico ou primário, secundário, terciário ou quaternário.
A seguir, estão alguns ambientes que compõem os hospitais 
segundo a normatização para projetos físicos de estabelecimentos 
assistenciais de saúde do Ministério da Saúde:
34 Arquitetura Hospitalar
 • Atendimentos de urgência e emergência urgências (baixa e média 
complexidade): salas de triagem médica e/ou de enfermagem, 
serviço social, higienização, suturas/curativos, reidratação, 
inalação, aplicação de medicamentos, gesso e redução de fraturas, 
exame indiferenciado, exame diferenciado (oftalmo, otorrino etc.).
 • Atendimentos de urgência e emergência (baixa e média 
complexidade): área externa para desembarque de ambulâncias, 
recepção de pacientes, gesso e redução de fraturas, salas de 
serviço social, coletiva de observação de pediatria/adolescente 
e adulto, isolamento, higienização, posto de enfermagem / 
prescrição médica, emergências (politraumatismo, parada 
cardíaca etc.). 
 • Internação geral: posto de enfermagem/prescrição médica, salas 
de serviço, exames e curativos, preparo e higienização de lactente, 
área para prescrição médica, enfermaria de lactente, quarto de 
criança, enfermaria de criança, quarto para isolamento, quarto 
de adolescente, enfermaria de adolescente, quarto de adulto, 
enfermaria de adulto, área de recreação/lazer/refeitório.
 • Internação-geral de recém-nascido (neonatologia): posto de 
enfermagem/prescrição médica, sala de serviços, área de trabalho 
e higienização, berçário de observação, sadios e de prematuros, 
berçário de patológicos e de isolamento. 
 • Internação intensiva (UTI/CTI): posto de enfermagem, área 
para prescrição médica e serviços, quarto de recém-nascido 
(isolamento), área coletiva de recém-nascido, quarto de lactente, 
criança (isolamento) dos leitos gerais de internação não intensiva, 
área coletiva de lactente criança especializados (cardiologia, 
urgências etc.), quarto de adulto ou de adolescente (isolamento) 
cífico, área coletiva de adulto ou de adolescente.
 • Internação para tratamento de queimados (UTQ): posto de 
enfermagem/prescrição médica, sala de serviços, quarto, 
enfermaria de adulto, de adolescente e criança, sala para 
tratamento de balneoterapia, banco de pele.
35Arquitetura Hospitalar
 • Apoio ao diagnóstico e terapia (anatomia patológica): área de 
guarda de cadáveres (com câmara frigorífica), salas de necrópsia, 
biópsia de congelação (suporte ao centro cirúrgico, clivagem e 
preparo de peças/macroscopia, laboratório de histopatologia 
(peças), laboratório de citopatologia (células), microscopia, arquivo 
de peças, lâminas e fotografias.
 • Apoio ao diagnóstico e terapia (centro cirúrgico): área de recepção 
de paciente, salas de guarda e preparo de anestésicos, indução 
anestésica, área de escovação, sala pequena de Cirurgia 
(oftalmologia, endoscopia, otorrinolaringologia etc.), sala média 
de cirurgia (geral), sala grande de cirurgia (ortopedia, neurologia, 
cardiologia etc.), sala de apoio às cirurgias especializadas, área 
para prescrição médica, posto de enfermagem e serviços, sala de 
recuperação pós-anestésica.
 • Apoio ao diagnóstico e terapia (centro obstétrico): área de recepção 
de parturiente, salas de exame, admissão e higienização de 
parturientes, pré-parto, guarda e preparo de anestésicos, indução 
anestésica, área de escovação, salas de parto normal, parto 
cirúrgico/curetagem, área para assistência de recém-nascido, 
área de prescrição médica, posto de enfermagem e serviços, sala 
derecuperação pós-anestésica.
 • Apoio ao diagnóstico e terapia (hemoterapia e hematologia): sala 
para recepção e registro de doadores, arquivo de doadores, sala 
para triagem hematológica, consultório indiferenciado, sala para 
coleta de sangue de doadores, salas de aféreses, recuperação 
de doadores, sala para processamento de sangue (área para 
fracionamento, área para pré-estocagem e rotulagem), área para 
estocagem de hemocomponentes, laboratório de compatibilidade, 
salas de distribuição, coleta de material, transfusão (box de 
transfusão individual/isolamento e área de transfusão coletiva), 
sala de aféreses terapêutica, posto de enfermagem e serviços.
 • Apoio ao diagnóstico e terapia (radioterapia): consultório 
indiferenciado, sala de preparo de pacientes, posto de enfermagem, 
sala de serviços de braquiterapia, oficina para confecção de 
36 Arquitetura Hospitalar
moldes e máscaras, sala do simulador, sala de planejamento e 
física médica, laboratório (depósito de material radioativo), sala 
de comando, sala de terapia (sala da bomba de cobalto, sala de 
braquiterapia/terapia de contato, sala de hipertermia, sala do 
acelerador linear, sala de raios-X (terapia superficial) e sala de 
raios-X (terapia profunda).
 • Apoio ao diagnóstico e terapia (quimioterapia): consultório 
indiferenciado, sala de aplicação de quimioterápicos (curta 
duração/poltronas, longa duração/leito e criança/leito, depósito 
de quimioterápicos já preparados e posto de enfermagem e 
serviços.
 • Apoio ao diagnóstico e terapia (diálise): consultório indiferenciado, 
área de prescrição médica, sala de recuperação de pacientes, 
sala para tratamento de água e reservatório, sala para diálise 
peritoneal ambulatorial contínua (DPAC), sala para diálise 
peritoneal intermitente, sala para hemodiálise, sala de isolamento 
para hemodiálise, posto de enfermagem e serviços, sala de 
processamento de capilares infectados para reuso, sala de 
processamento de capilares para reuso, sala de treinamento para 
DPAC (CAPD).
 • Apoio ao diagnóstico e terapia (banco de leite): sala para recepção 
e registro de doadores, área de recepção de coleta externa, 
arquivo de doadores, sala para coleta, área para processamento 
de leite (seleção, classificação, pasteurização, liofilização), área 
para estocagem de leite, laboratório de controle de qualidade, 
sala de lavagem, área de distribuição.
Existem outros ambientes gerais nos Estabelecimentos 
Assistenciais de Saúde (EAS):
 • Ambientes de apoio obrigatórios e não obrigatórios, como 
sanitários, vestiários, lanchonete, depósitos, entre outros. 
 • Ambientes de apoio técnico, como nutrição, farmácia, central de 
material esterilizado, ambiente de ensino e pesquisa, serviços 
37Arquitetura Hospitalar
administrativos/serviços clínicos, de enfermagem e técnico, 
processamento de roupa.
 • Apoio logístico, como central de administração de materiais 
e equipamentos, manutenção, necrotério, conforto e higiene, 
limpeza e zeladoria, segurança e vigilância, infraestrutura predial 
etc.
SAIBA MAIS:
Conheça algumas normas para fazer projetos físicos de 
estabelecimentos assistenciais de saúde. Acesse clicando 
aqui.
O Ministério da Saúde desenvolveu, em 2004, o Sistema de Apoio 
à Elaboração de Projetos de Investimentos em Saúde (SomaSUS), que 
oferece livre acesso a gestores e profissionais da saúde, a fim de consultar 
condições relacionadas à estrutura física das EAS.
Figura 3 – Layout do SomaSUS para sala de macroscopia
Fonte: Brasil (2004).
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/normas_montar_centro_.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/normas_montar_centro_.pdf
38 Arquitetura Hospitalar
Esse material é de grande importância para auxiliar no 
desenvolvimento de um projeto, pois traz uma lista de ambientes para cada 
unidade de saúde e as características técnicas desses espaços, que são:
 • Atividades realizadas.
 • Particularidades físicas do ambiente como as dimensões.
 • Obrigações ambientais relacionadas a iluminação, umidade, 
temperatura e transmissão de infecção.
 • Infraestrutura hidráulica, elétrica, sanitária, entre outras.
 • Lista de mobiliário e equipamento.
 • Organograma de relação funcional entre os ambientes.
 • Sugestão de layout.
ACESSE:
Você pode visitar o site do SomaSUS e conferir todas essas 
informações. Acesse clicando aqui.
O ambiente hospitalar na rede privada
Os hospitais particulares se ampliaram a partir da metade dos anos 
1990 junto com a ascensão dos planos particulares de saúde. Com esse 
crescimento dos planos em anos recentes, abrir, aumentar ou diferenciar 
as linhas de assistência médica se tornou lucrativo para as empresas do 
setor.
Contudo, é notória a crescente evolução desses ambientes, bem 
diferente da rede pública, que infelizmente não recebe os recursos 
necessários para investimento em projetos arquitetônicos com tecnologia 
avançada.
A rede privada tem a mesma tipologia dos EAS da rede pública, 
com a diferença de não estarem interligadas entre si. Essa distribuição 
física ocorre da seguinte forma:
https://antigo.saude.gov.br/gestao-do-sus/economia-da-saude/alocacao-de-recursos/somasus
39Arquitetura Hospitalar
 • Clínicas médicas especializadas: consultórios de especialidades 
diversas ou de uma única especialidade.
 • Laboratórios de exames: análises clínicas e exames diversos.
 • Pronto atendimento: atendimento de emergência de baixa 
complexidade.
 • Hospitais: atendimento de emergência de média e alta 
complexidade, consultas de especialidades únicas ou gerais e 
cirurgias e internações.
NOTA:
Cada EAS particular pode modificar sua tipologia. Por 
exemplo, as clínicas médicas especializadas podem 
realizar pequenas cirurgias, desde que estejam de acordo 
com as normas vigentes.
Os EAS da rede privada também devem obedecer à RDC-50 
do Ministério da Saúde e todas as normas de arquitetura vigentes. Em 
questões de funcionalidade de layout, os hospitais particulares, em sua 
maioria, contam com um sistema bem planejado para gerar agilidade e 
conforto, que se divide da seguinte forma:
 • Área de recepção central: disposta logo na entrada.
 • Sala de espera: local para aguardar pelo atendimento.
 • Sala de triagem: onde são feitos exame físico e breve entrevista.
 • Área de cadastro e abertura de ficha.
 • Consultórios: atendimento clínico.
 • Salas de exames: para exames clínicos e gerais.
 • Sala de medicação: atendimento posterior à consulta.
 • Central de internação: para proceder com a documentação.
 • Posto de enfermagem: acomoda enfermeiros e medicações.
 • Unidades de internação: quando existe a necessidade de 
internação.
40 Arquitetura Hospitalar
 • UTI: Unidade de Terapia Intensiva.
 • Centro cirúrgico: para realização de cirurgias.
 • Ambientes de apoio: lanchonete, estoque, entre outros.
Exemplo: O Hospital Sabará, localizado em São Paulo, é referência 
no atendimento privado em pediatria e tem sua distribuição física 
totalmente planejada para ter funcionalidade e conforto para os pacientes. 
Outro ponto importante com relação à distribuição física dos EAS 
particulares é a preocupação com o conforto dos profissionais. Como 
visto no início desta unidade, a grande modificação nos ambientes de 
saúde se deu também com a intenção de proporcionar qualidade de vida 
para esses profissionais.
É claro que nem todas essas unidades particulares fazem o 
investimento necessário para promover o bem-estar para o paciente e 
para os profissionais, mas têm muito mais possibilidades de fazer do que 
as unidades de saúde da rede pública, que nem sempre recebem os 
devidos investimentos para realizar essas ações. 
RESUMINDO:
Você viu neste capítulo como é o ambiente hospitalar em 
questões arquitetônicas no SUS e na rede privada. Agora 
você sabe diferenciar o que são UBS, UOA, AME, EAS e o 
hospital como um todo. Viu que os hospitais podem ser 
classificados de acordo com seu porte, perfil deassistência 
e complexidade dos procedimentos prestados. Pôde 
verificar ainda quais são os espaços que compõem os 
ambientes de diagnóstico e terapia, de apoio obrigatórios e 
não obrigatórios, técnicos e de logística. Além disso, pôde 
perceber que todos esses espaços devem ser projetados 
com base em recomendações criadas pelo Ministério da 
Saúde justamente para padronizar essas construções.
41Arquitetura Hospitalar
Representação gráfica na Arquitetura
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de aprender 
a utilizar as representações gráficas para a elaboração de 
layouts e projetos arquitetônicos. Ter domínio sobre este 
tema é essencial para desenhar corretamente a fim de 
proporcionar um entendimento universal. Não conhecer 
esse conceito pode acarretar interpretações equivocadas 
ao desenho. Chegou a hora de desenvolver essa 
competência! Então, vamos lá!
Representação gráfica na análise de projeto
A importância da pesquisa não se dá unicamente pela percepção 
da arquitetura como estudo, mas também em seu treinamento prático. A 
avaliação na arquitetura é construída com detalhamento, e a classificação 
da reflexão na arquitetura determina a análise como uma tradução do 
significado da mensagem. Na avaliação, o objeto ou meio considerado é 
desvendado para poder chegar à sua compreensão.
Na avaliação de projetos, a representação gráfica é primordial, pois 
é início, meio e fim no estudo, concepção, compreensão e representação 
dos elementos e condições na arquitetura. 
Agora, você vai reconhecer e definir a representação gráfica em três 
dos respeitáveis modelos contemporâneos de avaliação de projetos. 
 • O modelo de Francis Ching (forma, espaço e ordem) 
Francis Ching (2008) sugere a avaliação a partir de um panorama 
teórico dos elementos próprios à arquitetura, considerando-a como um 
método de resolução de questões em que o projeto é uma solução a 
circunstâncias presentes de posição funcional, ideológica ou psíquica. 
Os elementos arquitetônicos apresentam símbolos e conceitos que 
qualificam ou modificam. Esses elementos são classificados e aplicados 
na construção de ideias de forma, espaço e ordem. Todos os elementos 
42 Arquitetura Hospitalar
de um modelo arquitetônico podem ser percebidos e testados, sendo 
alguns mais compreensíveis e outros mais indecifráveis à percepção e à 
consciência.
Os processos arquitetônicos necessitam estar inter-relacionados de 
forma unificada e coesa; devem ser providos de uma metodologia teórica 
para que o espectador tenha boa compreensão. A ordem na arquitetura 
representa não apenas um equilíbrio geométrico, mas também as 
circunstâncias sob as quais os elementos estão dispostos. Veja como a 
representação gráfica é empregada neste modelo.
Exemplo: O desenho é efetuado com um estilo de representação 
gráfica com base em uma espécie de método de escrita que abrange 
desde a base de composição de um elemento no projeto até a sua 
distribuição, sendo o croqui elemento essencial para esse modelo de 
análise.
 • O modelo de Roger Clark e Michael Pause 
Roger Clark e Michael Pause (1996) sugerem e utilizam um método 
de avaliação de projetos especificamente gráfico, fundamentado em uma 
análise da arquitetura que foca os elementos comuns entre trabalhos de 
inúmeros autores, assim como as ligações presentes entre tais elementos.
EXPLICANDO MELHOR:
A base desse método busca encontrar elementos 
formais explícitos e sua interpretação em um modelo de 
representação gráfica padrão.
Os autores listam onze elementos e suas relações e reproduzem 
códigos gráficos em uma legenda: da planta ao corte ou elevação; 
da circulação à área útil; da unidade ao todo; do repetitivo ao único; 
concentração; estrutura; luz natural; simetria e equilíbrio; aditivo e 
subtrativo; geometria; e hierarquia. Veja como a representação gráfica é 
empregada nesse modelo.
43Arquitetura Hospitalar
Exemplo: A representação do projeto nasce a partir da linguagem 
gráfica combinada com a composição de uma legenda que representa 
graficamente cada elemento que o modelo define como sujeito de 
avaliação. Não há reconhecimento de elementos que não sejam os da 
legenda; muito menos são empregadas outras vistas ou desenhos com 
diferenciados padrões de detalhamento para a reconhecimento dos 
elementos.
 • O modelo de Simon Unwin (identificação do lugar)
Legitima o uso de desenhos e croquis como recursos de avaliação e 
utiliza-os ao longo de todo o trabalho. Para difundir o debate da avaliação 
e sua relevância na metodologia de trabalho, o autor parte do princípio 
de que o talento de fazer arquitetura é proporcionado pela reflexão do 
trabalho de outros profissionais.
O autor elaborou um modelo que reparte as condições de avaliação 
em três condições gerais, as quais se inter-relacionam no esquema de 
avaliação:
 • Primeira condição – elementos básicos e suas combinações: 
abertura, caminho, postes ou colunas, teto ou cobertura, barreira 
ou parede, foco, marco, área rebaixada ou fosso, área elevada ou 
plataforma e área definida do solo. 
 • Segunda condição – elementos modificativos: são ações 
modificadoras que atuam sobre os elementos básicos e os lugares 
arquitetônicos que os compõem. Conforme a maneira como 
se relacionam entre si e com os elementos básicos, também 
podem ser classificados como elementos exclusivos. São ainda 
mais genéricos que os elementos básicos e, ao contrário deles, 
não são sujeitos de consideração física ou formal. Os elementos 
modificativos destacados são: luz, cor, temperatura, ventilação, 
som, odor, textura, escala e tempo.
 • Terceira condição – elementos temáticos: não compõem elementos 
especiais ou delimitados, tampouco condições. São temas gerais 
de avaliação que expõem não os elementos que integram o 
todo arquitetônico, mas, sim, o próprio trabalho de arquitetura. 
44 Arquitetura Hospitalar
São elementos auxiliares ou processados, relações concebidas 
ou, ainda, condições teóricas. São os seguintes: elementos que 
realizam mais de uma ocupação; elementos naturais; arquitetura 
enquanto moldura; templos e cabanas; geometrias; estrutura e 
espaço; paredes paralelas; estratificação; transição, hierarquia e 
núcleo. Veja como a representação gráfica é empregada neste 
modelo.
Exemplo: Esse modelo faz uso do desenho como material de 
base ao emprego da avaliação e forma de registro. Evidencia grande 
necessidade de execução e demanda uma constituição formal de 
representação. No entanto, essa amplitude de representação concede 
uma grande análise do projeto averiguado, resultando em avaliações 
profundas, detalhadas e únicas.
Ainda que os modelos e sistemas de avaliação de projetos 
presentes neste material citem sistemas e concepções muito distintos, é 
fato que a representação gráfica é decisiva como metodologia de registro, 
avaliação e transmissão. O desenho é um item claro da pesquisa e deve 
ser empregado conforme os objetivos de cada modelo.
Normatização para representação gráfica
Agora que você já compreendeu os modelos de representação 
gráfica para avaliação de projetos conforme três autores diferentes, é hora 
de conhecer as normatizações que regem essa área tão importante da 
arquitetura. Neste tópico, serão abordados os pontos mais importantes, a 
norma na íntegra você poderá acessar ao final.
DEFINIÇÃO:
As normas são regidas pela Associação Brasileira de Normas 
Técnicas (ABNT), agente privado e sem fins-lucrativos que 
se destina criar padrões técnicos de produção feitas no 
território nacional.
45Arquitetura Hospitalar
Essas normas são conhecidas pela sigla NBR (Norma Brasileira) e 
são aprovadas pela ABNT a partir do senso comum entre pesquisadores e 
especialistas gabaritados, em conjunto com o reconhecimento de órgãos 
nacionais ou internacionais.
A primeira norma que será descrita é a NBR 6492, que regula as 
circunstâncias exigíveis para a representação gráfica de projetos de 
arquitetura,objetivando melhor compreensão.
ACESSE:
Você pode visualizar a NBR 6492 na íntegra. Acesse 
clicando aqui.
Veja algumas definições necessárias para o entendimento da 
norma:
 • Planta de situação: engloba o partido arquitetônico em sua 
totalidade e em diversas condições. Pode incluir referências 
distintas em função do tipo e porte do programa, assim como para 
a objetivo a que se remete. Para ser aprovada em órgãos oficiais, 
deve abranger informações integrais acerca do local do terreno.
 • Planta de locação (ou implantação): compõe-se do projeto total, 
englobando, além do projeto de arquitetura, as informações 
essenciais dos projetos adicionais, como movimento de terra, 
arruamento, redes hidráulica, elétrica e de drenagem, entre outros. 
A locação das propriedades, assim como a das circunstanciais 
edificações complementares, são indicadas nesta planta.
 • Planta de edificação: vista superior do plano secante horizontal, 
posicionado a cerca de 1,50 m do piso em referência. A altura desse 
plano pode variar para cada projeto de forma a evidenciar todos 
os princípios considerados essenciais. As plantas de edificação 
podem ser do subsolo, térreo, andar-tipo jirau, sótão, cobertura, 
entre outros.
https://drive.google.com/file/d/11R3iGNEkPYn9KCMgQcFG4I3swHnZtqoA/view?usp=drivesdk
46 Arquitetura Hospitalar
 • Corte: plano secante vertical que fragmenta a construção em 
dois elementos no sentido longitudinal ou no transversal. Deve 
ser organizado de maneira que o desenho venha a demonstrar 
o máximo de particularidades construtivas. Pode haver 
deslocamentos do plano secante onde for preciso, devendo 
ser apontados de maneira clara o seu começo e fim. Nos cortes 
transversais, podem ser evidenciados os cortes longitudinais e 
vice-versa.
 • Fachada: representação gráfica de planos externos da edificação. 
Os cortes transversais e longitudinais podem ser evidenciados nas 
fachadas.
 • Elevações: representação gráfica de planos internos ou de 
elementos da construção.
 • Detalhes ou ampliações: representação gráfica de todas as 
particularidades essenciais, em escala cabível, para um perfeito 
consenso do projeto e para proporcionar sua apropriada execução.
 • Escala: relação dimensional entre a apresentação de um item no 
desenho e suas medidas existentes.
 • Programa de necessidades: documento inicial que representa o 
projeto-alvo da pesquisa que comporta informações essenciais, 
compreendendo a relação das áreas que o integram, suas 
implicações, necessidades de área, características gerais e 
condições incomuns, posições municipais, regras e normas 
apropriadas.
 • Memorial justificativo: conteúdo que evidencia a assistência 
às circunstâncias estabelecidas no roteiro de necessidades. 
Apresenta o partido arquitetônico escolhido que é determinado 
no estudo introdutório.
 • Discriminação técnica: documento textual do projeto, que, de 
maneira fundamental, integral e organizada, representa os 
materiais de construção a serem utilizados, caracteriza os locais 
onde esses materiais necessitam ser aplicados e define as técnicas 
exigidas para serem empregadas.
47Arquitetura Hospitalar
 • Especificação: tipo de norma indicada a definir as particulares, 
condições ou disposições exigíveis para matérias-primas, 
produtos semifabricados, fundamentos de construção, materiais 
ou produtos industriais semiacabados.
 • Lista de materiais: pesquisa de quantidade de todo o material 
especificado no projeto, com as indicações necessárias para a sua 
obtenção.
 • Orçamento: observação dos custos das atividades materiais, mão 
de obra e taxas pertinentes à obra. 
 • Necessitam ser utilizadas as formas de papel da série A, conforme 
NBR 10068, formato A0 como limite e A4 como mínimo, para evitar 
questões de manipulação e organização.
 • O carimbo deve estar localizado no canto inferior direito das 
folhas de desenho e deve ser reservado à legenda de títulos e 
numeração dos desenhos.
De acordo com a NBR 6492, a representação das escalas se faz da 
seguinte maneira: escalas mais usuais 1/2; 1/5; 1/10; 1/20; 1/25; 1/50; 1/75; 
1/100; 1/200; 1/250 e 1/500. Na seleção da escala, é necessário, contudo, 
lembrar da futura redução do desenho.
As cotas necessitam ser indicadas em metro (m) para as medidas 
similares e superiores a 1 m e em centímetro (cm) para as medidas 
menores que 1 m, e os milímetros (mm) necessitam ser indicados como 
se fossem expoentes.
Exemplo: As linhas de cota têm de estar de qualquer modo fora do 
desenho, salvo em hipóteses de impedimento. E as linhas de chamada 
necessitam concluir de 2 mm a 3 mm do ponto dimensionado. 
2,20²
As cifras têm de ter 3 mm de altura, e a distância entre elas e a linha 
de cota deve ser de 1,5 mm. No momento em que a medida a cotar não 
aceitar a cota na sua espessura, posicionar a cota ao lado, especificando 
seu local exato com uma linha.
48 Arquitetura Hospitalar
Nos cortes, apenas mostrar cotas verticais e evitar a repetição de 
cotas. A cota em vãos de portas e janelas deve ser indicada exatamente 
no vão onde é inserida a esquadria. As cotas de nível são sempre em 
metro. A descrição NA é usada para indicar nível acabado e NO para nível 
em osso. É necessário consultar a NBR 8403, que trata sobre a aplicação 
de linhas em desenhos – Tipos de linhas – Larguras das linhas. Aqui serão 
expostas as informações principais.
Quadro 1 – Características
Linha Denominação espessura Observações
Contorno - 
Contínua
+/- 0,06 mm
Varia conforme 
escala e natureza do 
desenho.
Interna - 
Contínua
+/- 0,04 mm
Menor valor que as 
linhas de contorno.
Além do plano 
Tracejadas
+/- 0,02 mm
Mesmo valor que as 
linhas de eixo.
Projeção
Traço/2 pontos
+/- 0,02 mm Vide nota.
Eixo/
coordenadas
Traço e ponto
+/- 0,02 mm
Espessura inferior às 
linhas internas e com 
traços longos.
Cota - Contínua +/- 0,02 mm
Espessura igual ou 
inferior à linha de eixo 
ou coordenadas.
Auxiliar contínua +/- 0,01 mm
Construção de 
desenhos, guia de 
letras e números.
Indicação 
e chamada 
contínua
+/- 0,02 mm
Mesmo valor que as 
linhas de eixo.
Silhueta +/- 0,02 mm
Mesmo valor que as 
linhas de eixo.
Interrupção de 
desenho
+/- 0,02 mm
Mesmo valor que as 
linhas de eixo.
Fonte: Elaborado pela autora (2021).
49Arquitetura Hospitalar
As linhas tracejadas com 2 pontos, ao se lidar de projeções 
essenciais, necessitam ter valor semelhante ao das linhas de contorno. 
São indicadas para descrever projeções de pavimentos superiores, 
marquises, balanços etc.
ACESSE:
Veja que interessante a entrevista com o arquiteto e 
urbanista Siegbert Zanettini sobre os segredos para um 
bom projeto hospitalar. Acesse clicando aqui.
RESUMINDO:
Neste último capítulo, foram abordadas as diferentes 
formas de analisar um desenho sob as visões de três 
renomados autores e, por fim, foram apresentadas as 
normas para desenvolvimento de representações gráficas. 
Todo o material é essencial para oferecer embasamento 
histórico e técnico, para que você compreenda os assuntos 
que serão abordados nas próximas unidades.
https://saudebusiness.com/mercado/zanettini-revela-os-segredos-de-um-bom-projeto-hospitalar/
50 Arquitetura Hospitalar
REFERÊNCIAS
BARRETO, M. R. N. Hospital São Cristóvão. In: BARRETO, M. R. N.; 
SOUZA, C. M. C. História da saúde na Bahia: instituições e patrimônio 
arquitetônico, 1808-1958. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2011. 
BRASIL. SomaSUS. Ministério da Saúde, 2004. Disponível em: 
https://bit.ly/3C8aymB. Acesso em: 01 nov. 2021.
CHING, F. D. K. Arquitetura: forma, espaço e ordem. São Paulo: 
Martins Fontes, 2008. 
CLARK, R.; PAUSE, M. Precedents in Architecture. New York: John 
Wiley & Sons Inc, 1996. 
FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 
1979.
GODOI, A. F. Hotelaria hospitalar e humanização no atendimento 
em hospitais: pensando e fazendo. São Paulo: Ícone, 2004.
MACEACHERN, M. T. Hospital organization and management.Chicago: Physicians Record, 1951.
MIQUELIN, L. C. Anatomia dos edifícios hospitalares. São Paulo: 
CEDAS, 1992.
MONTEIRO, M. R. Homens da cana e hospitais do açúcar: uma 
arquitetura da saúde no Estado Novo. História, Ciências, Saúde, Rio de 
Janeiro, v. 18, n. 1, p. 67-94, 2011. 
TOLLET, C. Les hôpitaux modernes au XIXe siècle: description plus 
récemment édifiés, divisés en dix sections par contrées, études comparatives 
sur leurs principales conditions d’établissement. Paris: [s. n.], 1894.
UNWIN, S. Vinte edifícios que todo arquiteto deve compreender. 
São Paulo: Martins Fontes, 2013
VENÂNCIO, A. T. A. Da colônia agrícola ao hospital-colônia: 
configurações para a assistência psiquiátrica no Brasil na primeira metade 
do século XX. História, Ciência, Saúde, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 35-52, 2011. 
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