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Arquitetura Hospitalar Unidade 1 O Ambiente Hospitalar Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria ÉLIDA LACERDA AUTORIA Élida Lacerda Olá! Sou formada em Administração de Empresas e Design de Interiores, e pós-graduada em Docência do Ensino Superior, com experiência técnico-profissional na área de Design de Interiores há 10 anos. Atuei em empresas de arquitetura de interiores e, atualmente, tenho meu próprio escritório, além de ministrar aulas de Decoração de Interiores. Sou apaixonada pela minha profissão, adoro ensinar e estar em constante aprendizado. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Compreendendo o ambiente hospitalar ........................................... 10 O ambiente hospitalar: um pouco de História ........................................................... 10 Hospedagem hospitalar ............................................................................................................. 13 Design social ....................................................................................................................................... 14 Tipologias .............................................................................................................................................. 19 O ambiente hospitalar no Brasil............................................................ 21 O histórico dos modelos de ambiente hospitalar no Brasil ............................. 21 O ambiente hospitalar no SUS e na rede privada .........................29 O ambiente hospitalar no SUS ..............................................................................................29 O ambiente hospitalar na rede privada .......................................................................... 38 Representação gráfica na Arquitetura ............................................... 41 Representação gráfica na análise de projeto ............................................................. 41 Normatização para representação gráfica ...................................................................44 7 UNIDADE 01 Arquitetura Hospitalar 8 INTRODUÇÃO O conceito de Arquitetura Hospitalar está sendo muito discutido na atualidade e, para entender sua importância, é preciso conhecer o ambiente ou o sistema de hospedagem hospitalar. Há quem defenda que a arquitetura pode auxiliar no tratamento de doenças. E o que dizer sobre o ambiente hospitalar no Brasil e no Sistema Único de Saúde (SUS)? É importante conhecer a realidade para aplicar os conceitos estudados. Mas, além de conhecer esse universo tão importante, faz- se necessário estudar como representar graficamente um desenho de Arquitetura Hospitalar em um projeto arquitetônico. Ao longo desta unidade letiva, você vai conhecer e aplicar o que compreendeu, para desenvolver plenamente o seu conhecimento. Arquitetura Hospitalar 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Reconhecer o ambiente de hospedagem hospitalar com suas unidades funcionais básicas. 2. Identificar as peculiaridades do ambiente hospitalar no Brasil. 3. Discernir sobre as diferenças entre o ambiente hospitalar no SUS e na rede privada. 4. Construir e interpretar representações gráficas em desenhos de Arquitetura. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Arquitetura Hospitalar 10 Arquitetura Hospitalar Compreendendo o ambiente hospitalar OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender como funciona o ambiente de hospedagem hospitalar. Este tema é fundamental para entender os outros assuntos abordados. Não entender o funcionamento do ambiente impede que um projeto seja desenvolvido de acordo com as reais necessidades. Chegou a hora de desenvolver essa competência! Então, vamos lá! O ambiente hospitalar: um pouco de História As mudanças sucedidas nas edificações hospitalares são uma reprodução das melhorias tecnológicas e do desenvolvimento dos objetivos da sociedade. É notório que o ambiente hospitalar já foi menos humanizado e mais álgido, com o intuito de demonstrar principalmente muita higiene. Mas, com o passar do tempo, os arquitetos sentiram a necessidade de torná-los menos impessoais e proporcionar mais conforto a pacientes e profissionais da saúde. Na Grécia Antiga, dava-se relevante valor ao bem-estar dos enfermos, por meio de templos localizados próximo a fontes de águas térmicas, o que permitia abundantes vistas externas aos usufruidores. Para Maceachern (1951), as enfermidades eram conhecidas de maneira holística, precisando, então, que os procedimentos fossem dispostos ao corpo e à mente. No domínio romano, foram desenvolvidas as valetudinárias, que eram enfermarias de combatentes voltadas ao cuidado dos militares enfermos, situadas no interior das fortalezas romanas. Por meio dessa tipologia, tinham-se adequadas disposições de iluminação e arejamento natural dos espaços internos, uma vez que as valetudinárias constituíam fundamentos ligados em volta de um recinto principal que garantia a todos os quartos a conexão com o lado externo. Além disso, essas áreas eram organizadas em todos os lados de uma passagem centralizada de distribuição, cujo teto admitia ventilação constante (MIQUELIN, 1992). 11Arquitetura Hospitalar Na Idade Média, os hospitais reproduziam as construções góticas das catedrais por meio de amplos muros assemelhando-se às fortalezas e às cadeias. As enfermarias eram cenários nocivos onde a iluminação era natural ou por tochas e o ambiente era escuro devido às janelas pequenas, construídas assim para evitar as contaminações. O hospital como instrumento terapêutico é uma invenção relativamente nova, que data do final do século XVIII. A consciência de que o hospital pode e deve ser um instrumento destinado a curar aparece claramente em torno de 1780 e é assinalada por uma nova prática: a visita e a observação sistemática e comparada dos hospitais (FOUCAULT, 199, p. 99). Ao final do século XVIII, os ambulatórios passam a ser objeto de diversos comentários. A superlotação relacionada com a ventilação escassa dificultava o desempenho correto das edificações hospitalares, tornando-se pública a necessidade de correção dos princípios arquitetônicos. A partir disso, a arquitetura passa a ser vista como essencial para a concepção de um espaço apropriado para a cura. EXPLICANDOMELHOR: Ocorre a obrigação de eliminar os resultados desfavoráveis deixando os espaços funcionais. A edificação hospitalar passa a ser constituída de forma a ser estável, com base no aperfeiçoamento dos espaços internos e em ações de esforços com os enfermos. Também ao final do século XVIII, após um incêndio no hospital Hôtel-Dieu, em Paris, os profissionais de arquitetura junto com os médicos observaram que as acomodações preparadas para ventilação máxima colaboravam para a recuperação dos pacientes. A adoção de ambientes com ventilação cruzada e excelente iluminação natural resolveu muitos problemas relacionados a humidade e ar parado. Os desenhos de projetos hospitalares começaram a ser desenvolvidos pensando no isolamento de doenças e pacientes em ambientes separados. 12 Arquitetura Hospitalar Os estudos de Louis Pasteur, cientista, químico e bacteriologista francês, sobre a transmissão de infecções e doenças foram responsáveis por essa separação de pacientes. Esses princípios de isolamento foram uma grande revolução no design dos ambientes hospitalares e são o que se pode chamar de design hospitalar contemporâneo. Florence Nightingale, enfermeira e escritora que atuou na Guerra da Criméia (1853-1856), partindo de suas experiências na guerra, desenvolveu conceitos de ventilação, distribuição de pacientes e cuidados com higiene que são utilizados por alguns hospitais até hoje, principalmente em estruturas horizontais. Ela reduziu o pé-direito das dependências, pois assim era possível ter total domínio da temperatura, e arquitetou nas enfermarias janelas de todos os lados, para proporcionar ventilação cruzada, sol e iluminação natural. IMPORTANTE: A Enfermaria Nightingale constituiu o princípio mais fundamental e próprio do estudo hospitalar do fim do século XIX. O sistema pavilhonar-Nightingale era tratado como modelo de arquitetura na saúde (MIQUELIN, 1992). Diversas unidades de saúde foram construídas com a tipologia pavilhão, por meio da qual as enfermarias eram dispostas em retângulos estreitos ligados por um corredor. Além das enfermarias, os arquitetos começaram a se preocupar com outros departamentos importantes, como centros cirúrgicos, ambulatórios, diagnósticos e circulação. Na década de 1960, surgiu o que se chamava de “Medicina Centrada no Paciente”, o que despertou em arquitetos a ideia de ter o paciente como centro do projeto. No entanto, somente a partir da década de 1980 que se iniciou a preocupação com a experiência sensorial das pessoas. Antes dos meios de transportes se tornarem frequentes, os hospitais eram localizados onde havia maior concentração de pessoas, mas, com o tempo, houve uma tendência de se construir as unidades de saúde mais próximo à natureza, seguindo a crença de que quanto mais arborizado e livre fosse o local, menos seriam os riscos de transmissão de infecções. 13Arquitetura Hospitalar A tecnologia foi cada vez mais incorporada às construções hospitalares, contando com estruturas prediais com o objetivo de setorizar, separar pacientes e obter controle no fluxo de circulação. Essa tendência dos edifícios verticais apareceu já na metade do século XIX, caracterizando o hospital monobloco, que, mais tarde, passou a ser múltiplos blocos, tipologia típica do século XX. Após 1945, com a arquitetura moderna Brasileira, muitos edifícios públicos começaram a ser construídos com estruturas modernas, a exemplo do Hospital Clínico de Porto Alegre (1955), projetado por Jorge Machado Moreira, e do Hospital da Lagoa (1952), por Oscar Niemeyer. Hospedagem hospitalar DEFINIÇÃO: A palavra “hospital” vem do latim “hospitium”, que quer dizer “casa de hóspedes”. Godoi (2004) faz uma breve definição de hotel e hospital. Para ele, hospital recebe as pessoas para tratar da saúde propiciando qualidade de vida. Já o hotel hospeda as pessoas com diversos tipos de serviços. A busca por hotel ou hospital acontece por necessidades diferentes, mas cada vez mais seus serviços são parecidos. O serviço de hotelaria tem o objetivo de humanizar o atendimento, esse ato de acolher e hospedar de certa forma reduz o sofrimento de seus clientes. É necessário, ainda, no estudo da elaboração de um projeto de layout, pensar nas subdivisões e nos departamentos que um sistema de hospedagem hospitalar deve ter. A seguir, a divisão de departamentos: • Hospedagem: orienta e coordena as atividades operacionais de recepção. • Alimentação: engloba todos os serviços de alimentação e nutrição. • Administração: coordena e administra a unidade de saúde. • Governança: limpeza, lavadoria e passadoria. 14 Arquitetura Hospitalar • Manutenção: preventiva e corretiva. • Automação: informatização e tecnologia. REFLITA: Já Parou para pensar em como a arquitetura pode afetar o resultado da saúde de um paciente? Esse será o próximo assunto! Design social A arquitetura dos edifícios determina os espaços em que os pacientes são tratados. O tamanho e o layout de uma sala, se uma cama fica no meio ou contra uma parede, quanto espaço é mantido para os pacientes caminharem, quantos leitos ou equipamentos operacionais podem ser acomodados, tudo isso não era considerado nos resultados de saúde no passado. Isso mudou à medida que arquitetos e organizações de assistência médica se uniram para incorporar os princípios do design social ao ambiente de assistência à saúde. EXPLICANDO MELHOR: O design social refere-se ao design de relacionamentos, incluindo aqueles que são invisíveis e intangíveis. Diferentemente do design thinking, que é um processo interativo para desenvolver ideias e estratégias alternativas com base na compreensão de um usuário e um problema específico, o design social atende às necessidades de comunidades ou sociedades inteiras. Nos cuidados de saúde, isso diz respeito a ressignificar o papel que um edifício pode desempenhar na saúde de seus pacientes e do local em que está situado. Diversos princípios-chave do design social podem ser utilizados e adaptados a qualquer ambiente construído no qual a assistência à saúde é fornecida. Esses princípios incluem: 15Arquitetura Hospitalar • Assegurar que sua perspectiva mostre os propósitos finais. Se as instituições de saúde são projetadas para oferecer mais saúde ou somente mais incumbências de saúde. Por exemplo, os hospitais mediram particularmente seu resultado em termos de apropriação de leitos. Como resultado, seu design desenvolve muitas salas privadas e pequeno espaço para caminhadas. Mas o conhecimento médico atual estabelece que para diversos pacientes, levantar-se e caminhar é fundamental para a melhoria. Os hospitais tradicionais oferecem cuidados de saúde, mas não obrigatoriamente saúde, o que precisaria ser sua finalidade. • Elaborar pesquisa para compreender como as pessoas pensam e do que necessitam. Pacientes, famílias, médicos, enfermeiros, administradores e arquitetos têm diferentes formas de enxergar a realidade. Eles são todos essenciais para compreender por que as coisas sucedem. REFLITA: O que ocorre quando em vez de ficar o dia todo olhando para outra pessoa enferma, o paciente observa o exterior por uma janela? Por que contratar projetos usuais de ventilação quando eles dependem de uma rede elétrica que inúmeras vezes falha, expondo os pacientes a doenças transmitidas? • Elaborar desenhos dos sistemas de trabalho e suas instalações, acrescentando padrões de tráfego e layouts de salas e edificações. Desenhar é a única maneira certa de assegurar que diversas pessoas estejam vendo a mesma coisa. Modificar a linguagem usual de verbal para visual revela as dinâmicas ocultas que constituem nosso pensamento e comportamento, e provoca um novo pensamento. • Explorar constantemente o planejamento, especificamente o de instalações. O planejamento consiste em deduções sobre o amanhã em um tempo em que as coisas se alteram maisrápido do que nunca, tanto na área da saúde quanto em outras áreas 16 Arquitetura Hospitalar de nossas vidas. É preciso contrapor o planejamento de longo prazo, por meio de experiências regulares que partem da certeza de que questões complexas podem ser desvendadas. A base para isso é realmente ouvir o feedback recebido e a partir disso manter o trabalho dos profissionais conectado às necessidades das comunidades atendidas. A adoção desses princípios de design social pode não apenas levar a melhores resultados de saúde, mas ajudar os hospitais a prosperar em um momento em que os pacientes buscam cada vez mais informações para orientar sua escolha de unidades de saúde. Essas decisões muitas vezes incluem elementos de design – embora os consumidores não as enquadrem dessa maneira –, pensando em termos mais concretos, por exemplo, se uma instalação disponibiliza vagas dedicadas a acelerar a convalescença e encurtar estadas hospitalares ou oferece áreas de espera que não parecem estações de ônibus. Alguns consumidores também incluirão em suas deliberações bens sociais maiores, como as relações da unidade com sua vizinhança e sua reputação de fornecer saúde, não apenas assistência médica. O layout e a arquitetura de um centro de saúde podem melhorar a vida dos pacientes. A nova concepção de instalações de cuidados médicos está se afastando de espaços monótonos, comprometendo- se com a interpretação da cor e da luz. Dessa forma, os espaços afetam o humor e a autoimagem corporal do paciente. Na verdade, isso pode ajudar as pessoas a se recuperarem mais rapidamente. IMPORTANTE: No passado, o design dessas instalações se concentrava mais no apoio aos provedores de saúde dos pacientes do que nos próprios pacientes. Muitas das decisões tomadas em projeto, execução e operação determinaram a maior eficiência dos serviços nas diferentes áreas do hospital. Além de poder exibir belas arquiteturas projetadas para pessoas, essas construções são funcionais. 17Arquitetura Hospitalar Atributos arquitetônicos, como a luz natural, cenas da natureza e quartos limpos para os pacientes contribuem para uma experiência positiva. Projetos arquitetônicos têm aproximado o paciente e a natureza com jardins internos e externos, painéis de vidro para aproveitar a luz e a paisagem, e o uso de materiais naturais como madeira e pedra. Por outro lado, instalações que não são projetadas com o paciente em seu núcleo podem ser especialmente estressantes e tristes para alguém que já está em um estado vulnerável. A criação de um ambiente relaxante deve ser prioridade para os hospitais e centros de tratamento, pois, se o estresse é reduzido, as estadas dos pacientes são mais curtas. A Arquitetura Hospitalar sofreu uma mudança em seu foco funcional, e os hospitais são concebidos como um conjunto de ambientes que tentam proporcionar experiências saudáveis em vez de um espaço que contenha saúde. O objetivo é melhorar os processos internos dos quais várias áreas do hospital participam, resultando em maior eficiência e melhor qualidade percebida pelos usuários. A integração de pacientes, profissionais de saúde e outros funcionários em um edifício flexível, que reúne a paisagem, a luz natural, as energias renováveis e as tecnologias mais recentes, mostra as particularidades dos hospitais do século XXI. A importância de construir hospitais energeticamente eficientes, colocando indicadores de eficiência juntamente com indicadores de qualidade e adequação, cria um valor único. Atualmente, os projetos arquitetônicos são embasados em projeto de construção integrada, um processo que incorpora pessoas, estruturas de negócio e procedimentos desde a fase de pré-projeto até a operação e manutenção de edifícios. Essa prática ajuda a alcançar maior confiabilidade operacional, reduzir custos de manutenção e melhorar a eficiência energética do sistema. 18 Arquitetura Hospitalar IMPORTANTE: É preciso sempre levar em conta que, para o bom funcionamento do prédio, funcionalidade e conforto devem prevalecer sobre outros critérios. Seu design será determinado primeiro pelas regulamentações urbanas; depois, pelas necessidades que o edifício deve satisfazer em termos de tipologia, distribuição e volume dos espaços necessários; e por último, mas não menos importante, por imagem e outros fatores como sustentabilidade, confiabilidade, segurança etc. A acessibilidade das instalações determina sua subsequente manutenção. As instalações devem ser acessíveis e permitir a expansão e modificação com estruturas flexíveis e modulares que propiciem crescimento, caso a população cresça. Essa percepção da influência dos ambientes na cura fez arquitetos e designers reformularem a tipologia de hospitais e instituições de saúde em geral para integrar-se com a sociedade. O plano arquitetônico das unidades de saúde tem origem já na Grécia Antiga e Roma com templos de curas e antigos hospitais militares. Essas duas linhas deram origem às ideias do hospital como local de cura ou de receber tratamento. REFLITA: Os hospitais são estruturas complexas para dizer o mínimo. Uma combinação concisa de forma e função; de necessidade social e nuance cultural. Eles são parte integrante de toda a sociedade e seus projetos de edifícios diferem enormemente de país para país. Apesar disso, um conjunto de pré-requisitos recomendados unifica essas instituições. Assim como as artérias de um corpo formam uma teia complexa de funções desenvolvidas ao longo de milhões de anos para agilizar a passagem do sangue entre os órgãos, os hospitais estão evoluindo continuamente para permitir um ótimo resultado. 19Arquitetura Hospitalar Tipologias Tipologia é a ciência que pesquisa os tipos, a diversidade intuitiva e conceitual de formas de modelo ou básicas. A tipologia é altamente comum na área de análises sistemáticas, para definir diferentes categorias. Na área da arquitetura, representa a análise de tipos importantes que podem desenvolver um modelo referente à linguagem arquitetônica. A tipologia (ou especialização) da edificação de saúde é o principal item determinado pelo possuidor (rede privada) ou governante (rede pública). Veja algumas tipologias dos dias atuais: • Clínica médica sem internação, centro médico ou policlínica – definição para qualquer trabalho de prestação de atendimento médico em sistema ambulatorial, como um grupo de consultórios de especialidades diferentes e exames dependentes de diagnóstico. • Clínica (com especialização) ou policlínica – nesse caso, os consultórios geralmente são de mesma atividade e podem ter ou não exames adicionais. • Hospital de pequeno porte (ou clínica com internação): edificação hospitalar de baixa diversidade, dirigida a pacientes sem risco de vida e com assistência imediata usando técnicas fáceis. • Hospital geral – edificação hospitalar de mediana e alta dificuldades, reservada a receber pacientes portadores de distúrbios das diversas particularidades médicas. • Hospital especializado – reservado a receber clientes necessitados de atendimento de uma determinada especialidade médica. Poderá ser ou não limitado também a um determinado grupo ou camada da população. • Day-hospital ou hospital-dia – de porte pequeno e médio, são dirigidos para execução de práticas cirúrgicas em que o paciente permaneça por pouco tempo. 20 Arquitetura Hospitalar RESUMINDO: Você viu neste capítulo como funcionou o ambiente hospitalar no decorrer da história das unidades de saúde e como a arquitetura foi se adequando às necessidades dos pacientes e de seus profissionais. Também aprendeu as tipologias existentes e pôde ver um pouco do futuro do ambiente hospitalar. 21Arquitetura Hospitalar O ambiente hospitalar no Brasil OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de identificar como é o ambiente hospitalar no Brasil. É essencial para o desenvolvimentode suas habilidades adquirir conhecimento sobre o ambiente que você deverá projetar. Chegou a hora de desenvolver essa competência. Então, vamos lá! O histórico dos modelos de ambiente hospitalar no Brasil Os hospitais vieram ao Brasil com a chegada dos evangelizadores da Companhia de Jesus – conhecidos como jesuítas –, no século XVI. A primeira Santa Casa foi fundada em Santos, por Braz Cubas. Também devem ser citadas as Casas da Misericórdia, que são as entidades de saúde Brasileiras mais características do país. Esses hospitais têm um papel crucial no panorama da saúde no Brasil, mas o contexto da saúde pública no país inicia-se de fato ao final do século XIX. A unidade de saúde moderna surgiu na transição do modelo religioso para o modelo pavilhonar e buscava seguir a trajetória dessas edificações na Europa. Lá, inicialmente foram construídas como claustros de conventos e tiveram profundas mudanças após os trabalhos de Louis Pasteur e a bacteriologia, como visto no capítulo anterior. Também seguiram as tendências de edificações dos Estados Unidos, construídas em bloco único, modelo hospitalar usado nos dias de hoje. Acompanhe a história da Arquitetura Hospitalar no Brasil, partindo do modelo religioso, chegando ao pavilhonamento e, por último, os monoblocos: • Modelo hospitalar religioso Exemplo: Para compreender exatamente como era o ambiente deste modelo hospitalar, é essencial estudar o exemplo do Hospital São 22 Arquitetura Hospitalar Cristóvão, na Bahia, sob os cuidados da Santa Casa de Misericórdia de 1549 a 1893. Segundo Barreto (2011), as enfermarias femininas ficavam na catacumba, no subsolo, enquanto os homens eram tratados no fundo do edifício. Nas últimas décadas apresentaram princípios contemporâneos para o traço de hospitais que buscam adquirir para os seus ambientes os valores morais que os pacientes passam em suas residências, dessa forma: • Os projetos arquitetônicos são capazes de congregar-se ao edifício ao ponto de vista do indivíduo que faz uso dos serviços e suas concepções cotidianas. Essas concepções apresentam também a incorporação dos ambientes de saúde com o espaço exterior e incorporam nos setores de diagnóstico e tratamento de um conjunto de princípios que são estabelecidos como meios de promoção da cura. Os estudos mais recentes acerca do tempo de permanência e a qualidade da atenção atribuída aos pacientes mostram e pedem atenção para a relevância da humanização destes ambientes hospitalares, no sentido de reduzir o sofrimento e a angústia no decorrer da internação, complementando com: • Práticas de convivência familiar • Personalização aos espaços, • Envolvendo equipes de profissionais e de • Terapia familiar desenvolvidas para atingir a desejada cura. Uma construção mais sólida substituiu a primeira por volta do século XVII. As pesquisas feitas acercada arquitetura das instituições de saúde não são capazes e não podem progredir se desassociado dos princípios e métodos médicas estabelecidas no decorrer de a idealização de seus espaços. 23Arquitetura Hospitalar Figura 1 – Organização hospitalar influência na qualidade do tratamento Fonte: Unsplash. As doenças e a procura de suas curas estão relacionas, pois, são compostas por fatores culturais e ideológicos que, no que lhe diz respeito, podem gerar diversos tipos de respostas espaciais e construtivas. Avaliar a arquitetura para a área de saúde, por conseguinte, deverá o igual para aquele que visitar as referências que se incorporaram no meio da história da medicina. A certificação de que, em arquitetura, o objetivo estabelece a maneira não deverá ser mais autêntica do que nas edificações para a saúde, onde o certo progredi das atividades sendo capaz de estabelecer a vida ou morte de seres humanos. Para que associada a esse bom desenvolvimento, é necessário e fundamental que exista um bom funcionamento dos serviços oferecidos pelo ambiente hospitalar. É de fundamental importância também que exista um diálogo entre o profissional e o paciente, então, em muitos casos a ação de esclarecer ao indivíduo acidentado ou do seu tratamento sobre seu estado, sua evolução e também como se encontra o quadro em que o mesmo se 24 Arquitetura Hospitalar deve ser analisado com discernimento para não gerar ansiedade ou apavoramento desnecessários que pode chegar até a causar o pânico na situação. Esse ponto mostra como o diálogo, treinamento, conhecimento e boa organização do ambiente de trabalho fazem com que a qualidade do serviço oferecido seja melhor, assim como, a experiência e a permanência do paciente dentro do hospital. Figura 2 - Fatores que contribuem para o melhor funcionamento e reputação do ambiente hospitalar Diálogo entre paciente e profissional Treinamento Organização hospitalar Conhecimento Fonte: Elaborada pelo autor (2021). É importante ressaltar que muitos anos atrás, no período inicial em que o Brasil estava ainda estabelecendo um tipo de ambiente e organização hospitalar, os lugares mais seguros e que as pessoas preferiam frequentar para tratar suas enfermidades eram suas casas. Ou seja, o atendimento era feito em casa. Agora, por quê? Isso acontecia porque locais reservados para realizar atendimentos médicos necessários para a população eram sujos, causando desconforto e deixando os pacientes vulneráveis. Apenas depois de um tempo houve evolução. Entretanto, isso aconteceu porque existiu um incentivo do governo, o qual promoveu esse progresso em ambientes hospitalares nos seus mandatos com o intuito de se promover na política. A tipologia era típica de convento, com a igreja no centro do terreno, cercada por duas áreas separadas: a administrativa e o hospital. O poço que provia o hospital recebia captação particular de água, e o esgoto era reservado também para impedir contágio de das águas. 25Arquitetura Hospitalar Na segunda metade do século XVIII, ocorreu uma primeira tentativa de melhorar esses espaços, com o surgimento do higienismo, que cem anos depois deu origem aos hospitais pavilhonares. A arquitetura dos dois modelos se distinguia pela sua forma: o higienista tinha enfermarias ligadas a uma área central com arquitetura ventilada como era chamado; o modelo pavilhonar, de fato, conseguiu manter as enfermarias totalmente isoladas de outras áreas. • Modelo de isolamento pavilhonar Este modelo era composto de pavilhões isolados em colônias agrícolas, que inclusive se tornaram um ótimo meio de assistência aos doentes psiquiátricos, devido aos meios agrícolas. VOCÊ SABIA? Segundo os estudos de Venâncio (2001), em 1918 foi construída uma nova colônia, no Rio de Janeiro, direcionada a pacientes com transtornos mentais, já que o antigo Hospital Psiquiátrico Pedro II, mesmo reformado, não atendia às novas exigências da psiquiatria. O local escolhido foi uma antiga fazenda com facilidade para captação de água, uma igreja e uma extensa área verde. Foram construídos 15 pavilhões, além de outras instalações, como cozinha e farmácia. A distribuição dos pavilhões idealizava aconchego, higiene, ventilação e presença de luz solar, aproveitando-se da imediação dos rios, dos campos verdes e da topografia do terreno. Esse era o modelo preconizado pela arquitetura dos hospitais pavilhonares, que planejava dispor de um ambiente familiar, com o estilo rústico das casas dos arredores. O modelo pavilhonar ficou conhecido pelo temor da contaminação pelos germes – observando as descobertas de Louis Pasteur. Era composto por edificações de, no máximo, dois andares. Neles, regia-se o princípio de isolamento, por meio do qual cada doença era tratada em um pavilhão diferente, segundo afirma Tollet (1894). 26 Arquitetura Hospitalar EXPLICANDO MELHOR: O pesquisador Oswaldo Cruz construiu um hospital em Manguinhos, Rio de Janeiro, entre 1912 e 1917, seguindo as referênciasde um hospital salubre com extensos terraços, pé-direito alto e modelo de refrigeração que ajudavam na ventilação e atribuíam mais aconchego aos quartos. O projeto norteador foi a bacteriologia preconizada por Pasteur, que tratava cada doença em pavilhões separados. Ele construiu um só pavilhão, mas seu projeto original visava construir outros cinco. • Modelo de monobloco vertical A mais nova inclinação eram as edificações únicas com vários andares. Os benefícios dos monoblocos eram a altura, os sistemas de aquecimento e iluminação, entre outros mais. Um dos grandes apoiadores do sistema de monobloco foi o médico Ernesto de Sousa Campos, que também foi ministro da saúde em 1946. Viajou para os EUA e a Europa no ano de 1925 e lá estudou os modelos prediais para implantar no Brasil. O Ministério da Saúde mantinha em seu quadro de funcionários profissionais de arquitetura e engenharia que projetavam hospitais por todo o Brasil e o Ministério da Educação e Saúde, mesmo depois do desmembramento das duas áreas, em 1953, preservava em seus quadros arquitetos, desenhistas e engenheiros que elaboravam projetos hospitalares para todo o Brasil e para todas as entidades a ele subordinadas, o que certamente incluía as usinas e seus hospitais. Esses projetos eram elaborados de forma que economizassem ao máximo possível os recursos financeiros. Porém, alguns projetos fugiram a essa regra e foram construídos de maneira mais moderna. Conforme afirma Monteiro (2011), essas tipologias utilizavam como referência a publicação Padrões mínimos de hospitais, da década de 1950. 27Arquitetura Hospitalar A publicação exercia duas referências para a arquitetura dessas fundações, uma com base na junção da metodologia funcionalista corbusiana (Le Corbusier) e o rural Brasileiro, proposta por José Oliveira Leite; e a outra na construção urbana com traços da arquitetura funcionalista de Hamilton Fernandes. SAIBA MAIS: Nesta matéria, você vai conhecer os cinco pontos da arquitetura de Le Corbusier que influenciaram as construções dos edifícios hospitalares. Acesse clicando aqui. A ideia era uma edificação de traços modernos e durável, como as fachadas dos hospitais das beneficências portuguesas. A tipologia consistia em um sistema de construção pré-fabricada, com solução funcionalista e ênfase na utilização e técnica, com uma construção padronizada e anônima. Esses fundamentos convergiam com as recomendações do Ministério da Saúde, isto é, tinham de ser eficazes, com manutenção e custo baixos, sem sacrificar sua funcionalidade e qualidade técnica. Exemplo: O Sanatório de Tuberculosos de Curicica, no Rio de Janeiro, particularizou traços funcionalistas e realistas recomendados, mas sem desprezar o modelo pavilhonar, mantendo áreas verdes e ventilação, mais que a exposição ao sol. Em Pernambuco e Alagoas, devido à necessidade de atender aos trabalhadores concentrados nos centros urbanos, surgiram edifícios mais altos, que não eram associados ao movimento modernista de arquitetura. Nascia então a arquitetura projetada por Oscar Niemeyer, Rino Levi, Sergio Bernardes e Affonso Eduardo Reidy. Essa tipologia não adotava o sistema em pavilhões por exigir grandes terrenos arborizados, mas aliava as práticas de ventilação e exposição ao sol. Era um modelo de transição, antes do hospital em bloco único se consolidar. http://comoprojetar.com.br/o-que-sao-os-5-pontos-de-uma-nova-arquitetura-de-le-corbusier-descubra-como-aplica-los-na-arquitetura-contemporanea/ 28 Arquitetura Hospitalar RESUMINDO: Neste capítulo, você conheceu um pouco mais sobre o histórico da arquitetura do ambiente hospitalar no Brasil verificando que os primeiros modelos de hospital foram a Santa Casa e as Casas de Misericórdia. Viu que essas construções se tornaram possíveis graças a Companhia de Jesus e os jesuítas. Também pôde compreender que a Arquitetura Hospitalar Brasileira teve como inspiração os modelos já instalados na Europa e nos Estados Unidos, que surgiram com base nas descobertas de Louis Pasteur. Portanto, o ambiente hospitalar no Brasil começou com o modelo religioso, seguido pelo pavilhonar e, por fim, o monobloco. 29Arquitetura Hospitalar O ambiente hospitalar no SUS e na rede privada OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender como funciona o ambiente hospitalar no SUS e na rede privada. Esse conhecimento é importante para que o profissional compreenda seu campo de trabalho e agregue valor a seus projetos. Chegou a hora de desenvolver essa competência. Então, vamos lá! O ambiente hospitalar no SUS Antes de estudar o ambiente hospitalar no SUS, faz-se necessário entender seu significado. O Sistema Único de Saúde (SUS) é uma concepção política e organizacional para o coordenar todas as atividades e atuações de saúde, acordada pela Constituição de 1988. É um sistema único, pois, em todo o Brasil, segue os mesmos princípios organizacionais e está sob o encargo dos governos Municipal, Estadual e Federal. Todas as unidades interagem para promover proteção e recuperação da saúde. IMPORTANTE: Uma nomenclatura que estará muito presente neste capítulo são os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS). Esse título é dado a toda construção dirigida ao atendimento à saúde a cidadãos, que demande o ingresso de pacientes em processo ou não de internação com qualquer grau de dificuldade. Para elaborar projetos de arquitetura, mais especificamente nesse caso de ambientes hospitalares, é necessário conhecer a estrutura e os serviços que serão oferecidos nos locais. Por isso, este capítulo mostrará como são divididas as EAS presentes no SUS. 30 Arquitetura Hospitalar A Unidade Básica de Saúde (UBS) executa os serviços de rotina, como consultas com o clínico geral e algumas outras especialidades, e vacinação. É dividida da seguinte maneira: • UBS I: ao menos, uma equipe de Saúde da Família. • UBS II: ao menos, duas equipes de Saúde da Família. • UBS III: ao menos, três equipes de Atenção Básica. • UBS IV: ao menos, quatro equipes de Atenção Básica. Para aprimorar a execução das atividades de atenção à saúde, é crucial que o projeto arquitetônico pondere o sistema de trabalho e os fluxos de pessoas dentro e fora da unidade. Adiante está uma sugestão de agrupamento por planos, segundo a Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 50/Anvisa/fevereiro/2002, que decide sobre a normatização técnica para planejar, programar e avaliar os projetos físicos das EAS: • 1º plano: recepção e espera. • 2º plano: espera, consultórios médicos e de enfermagem. • 3º plano: procedimentos. • 4º plano: áreas de apoio. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) atende a emergências e urgências 24 horas por dia. Os atendimentos disponíveis são para fraturas, cortes, infartos, traumas e derrames. Sua divisão é feita da seguinte forma: • UPA Porte I: de 5 a 8 leitos de observação para receber até 150 pacientes por dia. • UPA Porte II: de 9 a 12 leitos de observação para atender até 300 pacientes por dia. • UPA Porte III: de 13 a 20 leitos de observação para atender até 450 pacientes por dia. 31Arquitetura Hospitalar A UPA conta com um programa arquitetônico mínimo, conforme o Programa Arquitetônico Mínimo das UPA do Ministério da Saúde: • Pronto atendimento. • Atendimento de urgência. • Apoio diagnóstico e terapêutico. • Setor de observação. • Apoio técnico e logístico. • Apoio administrativo. DEFINIÇÃO: Os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) são unidades de atendimento que devem ter capacidade de resolver ou finalizar um processo, simplificando e agilizando procedimentos. Eles disponibilizam consultas, exames e, em casos específicos, pequenas cirurgias. O propósito dos AMEs é oferecer assistência estando próximos às residências dos cidadãos. Os serviços devem ser prestados com eficácia e rapidez por meio de diagnóstico prematuro.O objetivo é instruir e aumentar a oferta de serviços de especializações ambulatoriais que não podem ser plenamente diagnosticados ou orientados na rede básica, pela sua dificuldade, mas que não necessitam de internação hospitalar ou assistência iminente. A seguir estão elencados alguns ambientes que compõem os AMEs, segundo a normatização para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde do Ministério da Saúde: • Apoio ao Diagnóstico e Terapia: patologia clínica, sala para coleta de material, área para classificação e distribuição de amostras, sala de preparo de reagentes, sala de lavagem, preparo e esterilização de material, laboratório de hematologia, laboratório de parasitologia (sala de preparo e sala de microscopia), laboratório de urinálise, laboratório de imunologia celular e humoral (câmara de imunofluorescência), laboratório de bacteriologia ou microbiologia, laboratório de micologia, laboratório de virologia 32 Arquitetura Hospitalar (antecâmara e sala de manuseio de células), laboratório de bioquímica (área para eletroforese), laboratório de suporte à UTI, UTQ ou alto risco, laboratório de emergência. • Apoio ao Diagnóstico e Terapia: imagenologia, radiologia, salas de preparo de pacientes, preparo de contraste, indução anestésica e recuperação de exames, de serviços, exames com comando (geral, odontológico, mama, outros), sala de exames telecomandados, sala de comando, sala de interpretação e laudos, hemodinâmica, consultório indiferenciado, área de recepção e preparo de pacientes, área de escovação, sala de comando e componentes técnicos, sala de exames e terapias, posto de enfermagem e serviços, sala de indução e recuperação pós-anestésica, sala de exames, sala de interpretação e laudos (leitura de filmes), tomografia, sala de exames de tomografia, sala de comando, sala de indução e recuperação anestésica, posto de enfermagem e serviços, sala de componentes técnicos (computadores etc.), sala de laudos e interpretação, ultrassonografia, sala de exames e terapias de ultrassonografia (geral, oftalmológico, litotripcia extracorpórea e ultrassonografia intervencionista, sala de ecocardiografia, sala de interpretação e laudos, ressonância magnética, área de detecção de metais, sala de indução e recuperação anestésica, sala de exames de ressonância magnética, sala de comando, área para atendimentos de urgências, posto de enfermagem e serviços, sala de laudos e interpretação, sala de componentes técnicos (computadores, compressor hélio etc.), sala de exames oftalmológicos (retinografia, paquimetria, campimetria etc.). • Apoio ao Diagnóstico e Terapia: métodos gráficos – cabine de audiometria, salas de otoneurologia, potenciais evocados equipamento e da demanda, eletroencefalografia, eletromiografia de atividades, fluxo vascular contínuo (Doppler), eletrocardiografia (ECG), eletrocardiografia contínua (Holter), ergometria, sala de fonomecanocardiografia, função pulmonar, estudos do sono, área de comando para audiometria, EEG, potenciais evocados e estudo do sono, sala de interpretação e laudos. 33Arquitetura Hospitalar • Apoio ao Diagnóstico e Terapia: medicina nuclear – laboratório de manipulação e estoque de fontes em uso, depósito de rejeitos radioativos, box para coleta de sangue, laboratório de radioimunoensaio, sala de administração de radiofármacos, sala ou box de pacientes “injetados”, sala de exames de medicina nuclear (gama-câmara e cintilógrafo), sala de laudos e arquivos. • Apoio ao Diagnóstico e Terapia: Reabilitação – fisioterapia, box de terapias, sala para turbilhão, piscina, salão para cinesioterapia e mecanoterapia, terapia ocupacional, consultório de terapia ocupacional (consulta individual), sala de terapia ocupacional (consulta de grupo), fonoaudiologia, consultório de fonoaudiologia, sala de psicomotricidade e ludoterapia. Nos hospitais, os usuários do SUS têm atendimento de clínicas médicas especializadas, de média ou alta complexidade. E são classificados conforme: 1. Porte • Pequeno porte: de até 50 leitos. • Médio porte: de 51 a 150 leitos. • Grande porte: de 151 a 500 leitos. • Acima de 500 leitos é considerado de capacidade extra. 2. Perfil de assistência • clínicas básicas, geral, especializado, urgência, universitário e de ensino e pesquisa. 3. Complexidade dos procedimentos prestados • Nível básico ou primário, secundário, terciário ou quaternário. A seguir, estão alguns ambientes que compõem os hospitais segundo a normatização para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde do Ministério da Saúde: 34 Arquitetura Hospitalar • Atendimentos de urgência e emergência urgências (baixa e média complexidade): salas de triagem médica e/ou de enfermagem, serviço social, higienização, suturas/curativos, reidratação, inalação, aplicação de medicamentos, gesso e redução de fraturas, exame indiferenciado, exame diferenciado (oftalmo, otorrino etc.). • Atendimentos de urgência e emergência (baixa e média complexidade): área externa para desembarque de ambulâncias, recepção de pacientes, gesso e redução de fraturas, salas de serviço social, coletiva de observação de pediatria/adolescente e adulto, isolamento, higienização, posto de enfermagem / prescrição médica, emergências (politraumatismo, parada cardíaca etc.). • Internação geral: posto de enfermagem/prescrição médica, salas de serviço, exames e curativos, preparo e higienização de lactente, área para prescrição médica, enfermaria de lactente, quarto de criança, enfermaria de criança, quarto para isolamento, quarto de adolescente, enfermaria de adolescente, quarto de adulto, enfermaria de adulto, área de recreação/lazer/refeitório. • Internação-geral de recém-nascido (neonatologia): posto de enfermagem/prescrição médica, sala de serviços, área de trabalho e higienização, berçário de observação, sadios e de prematuros, berçário de patológicos e de isolamento. • Internação intensiva (UTI/CTI): posto de enfermagem, área para prescrição médica e serviços, quarto de recém-nascido (isolamento), área coletiva de recém-nascido, quarto de lactente, criança (isolamento) dos leitos gerais de internação não intensiva, área coletiva de lactente criança especializados (cardiologia, urgências etc.), quarto de adulto ou de adolescente (isolamento) cífico, área coletiva de adulto ou de adolescente. • Internação para tratamento de queimados (UTQ): posto de enfermagem/prescrição médica, sala de serviços, quarto, enfermaria de adulto, de adolescente e criança, sala para tratamento de balneoterapia, banco de pele. 35Arquitetura Hospitalar • Apoio ao diagnóstico e terapia (anatomia patológica): área de guarda de cadáveres (com câmara frigorífica), salas de necrópsia, biópsia de congelação (suporte ao centro cirúrgico, clivagem e preparo de peças/macroscopia, laboratório de histopatologia (peças), laboratório de citopatologia (células), microscopia, arquivo de peças, lâminas e fotografias. • Apoio ao diagnóstico e terapia (centro cirúrgico): área de recepção de paciente, salas de guarda e preparo de anestésicos, indução anestésica, área de escovação, sala pequena de Cirurgia (oftalmologia, endoscopia, otorrinolaringologia etc.), sala média de cirurgia (geral), sala grande de cirurgia (ortopedia, neurologia, cardiologia etc.), sala de apoio às cirurgias especializadas, área para prescrição médica, posto de enfermagem e serviços, sala de recuperação pós-anestésica. • Apoio ao diagnóstico e terapia (centro obstétrico): área de recepção de parturiente, salas de exame, admissão e higienização de parturientes, pré-parto, guarda e preparo de anestésicos, indução anestésica, área de escovação, salas de parto normal, parto cirúrgico/curetagem, área para assistência de recém-nascido, área de prescrição médica, posto de enfermagem e serviços, sala derecuperação pós-anestésica. • Apoio ao diagnóstico e terapia (hemoterapia e hematologia): sala para recepção e registro de doadores, arquivo de doadores, sala para triagem hematológica, consultório indiferenciado, sala para coleta de sangue de doadores, salas de aféreses, recuperação de doadores, sala para processamento de sangue (área para fracionamento, área para pré-estocagem e rotulagem), área para estocagem de hemocomponentes, laboratório de compatibilidade, salas de distribuição, coleta de material, transfusão (box de transfusão individual/isolamento e área de transfusão coletiva), sala de aféreses terapêutica, posto de enfermagem e serviços. • Apoio ao diagnóstico e terapia (radioterapia): consultório indiferenciado, sala de preparo de pacientes, posto de enfermagem, sala de serviços de braquiterapia, oficina para confecção de 36 Arquitetura Hospitalar moldes e máscaras, sala do simulador, sala de planejamento e física médica, laboratório (depósito de material radioativo), sala de comando, sala de terapia (sala da bomba de cobalto, sala de braquiterapia/terapia de contato, sala de hipertermia, sala do acelerador linear, sala de raios-X (terapia superficial) e sala de raios-X (terapia profunda). • Apoio ao diagnóstico e terapia (quimioterapia): consultório indiferenciado, sala de aplicação de quimioterápicos (curta duração/poltronas, longa duração/leito e criança/leito, depósito de quimioterápicos já preparados e posto de enfermagem e serviços. • Apoio ao diagnóstico e terapia (diálise): consultório indiferenciado, área de prescrição médica, sala de recuperação de pacientes, sala para tratamento de água e reservatório, sala para diálise peritoneal ambulatorial contínua (DPAC), sala para diálise peritoneal intermitente, sala para hemodiálise, sala de isolamento para hemodiálise, posto de enfermagem e serviços, sala de processamento de capilares infectados para reuso, sala de processamento de capilares para reuso, sala de treinamento para DPAC (CAPD). • Apoio ao diagnóstico e terapia (banco de leite): sala para recepção e registro de doadores, área de recepção de coleta externa, arquivo de doadores, sala para coleta, área para processamento de leite (seleção, classificação, pasteurização, liofilização), área para estocagem de leite, laboratório de controle de qualidade, sala de lavagem, área de distribuição. Existem outros ambientes gerais nos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS): • Ambientes de apoio obrigatórios e não obrigatórios, como sanitários, vestiários, lanchonete, depósitos, entre outros. • Ambientes de apoio técnico, como nutrição, farmácia, central de material esterilizado, ambiente de ensino e pesquisa, serviços 37Arquitetura Hospitalar administrativos/serviços clínicos, de enfermagem e técnico, processamento de roupa. • Apoio logístico, como central de administração de materiais e equipamentos, manutenção, necrotério, conforto e higiene, limpeza e zeladoria, segurança e vigilância, infraestrutura predial etc. SAIBA MAIS: Conheça algumas normas para fazer projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Acesse clicando aqui. O Ministério da Saúde desenvolveu, em 2004, o Sistema de Apoio à Elaboração de Projetos de Investimentos em Saúde (SomaSUS), que oferece livre acesso a gestores e profissionais da saúde, a fim de consultar condições relacionadas à estrutura física das EAS. Figura 3 – Layout do SomaSUS para sala de macroscopia Fonte: Brasil (2004). http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/normas_montar_centro_.pdf http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/normas_montar_centro_.pdf 38 Arquitetura Hospitalar Esse material é de grande importância para auxiliar no desenvolvimento de um projeto, pois traz uma lista de ambientes para cada unidade de saúde e as características técnicas desses espaços, que são: • Atividades realizadas. • Particularidades físicas do ambiente como as dimensões. • Obrigações ambientais relacionadas a iluminação, umidade, temperatura e transmissão de infecção. • Infraestrutura hidráulica, elétrica, sanitária, entre outras. • Lista de mobiliário e equipamento. • Organograma de relação funcional entre os ambientes. • Sugestão de layout. ACESSE: Você pode visitar o site do SomaSUS e conferir todas essas informações. Acesse clicando aqui. O ambiente hospitalar na rede privada Os hospitais particulares se ampliaram a partir da metade dos anos 1990 junto com a ascensão dos planos particulares de saúde. Com esse crescimento dos planos em anos recentes, abrir, aumentar ou diferenciar as linhas de assistência médica se tornou lucrativo para as empresas do setor. Contudo, é notória a crescente evolução desses ambientes, bem diferente da rede pública, que infelizmente não recebe os recursos necessários para investimento em projetos arquitetônicos com tecnologia avançada. A rede privada tem a mesma tipologia dos EAS da rede pública, com a diferença de não estarem interligadas entre si. Essa distribuição física ocorre da seguinte forma: https://antigo.saude.gov.br/gestao-do-sus/economia-da-saude/alocacao-de-recursos/somasus 39Arquitetura Hospitalar • Clínicas médicas especializadas: consultórios de especialidades diversas ou de uma única especialidade. • Laboratórios de exames: análises clínicas e exames diversos. • Pronto atendimento: atendimento de emergência de baixa complexidade. • Hospitais: atendimento de emergência de média e alta complexidade, consultas de especialidades únicas ou gerais e cirurgias e internações. NOTA: Cada EAS particular pode modificar sua tipologia. Por exemplo, as clínicas médicas especializadas podem realizar pequenas cirurgias, desde que estejam de acordo com as normas vigentes. Os EAS da rede privada também devem obedecer à RDC-50 do Ministério da Saúde e todas as normas de arquitetura vigentes. Em questões de funcionalidade de layout, os hospitais particulares, em sua maioria, contam com um sistema bem planejado para gerar agilidade e conforto, que se divide da seguinte forma: • Área de recepção central: disposta logo na entrada. • Sala de espera: local para aguardar pelo atendimento. • Sala de triagem: onde são feitos exame físico e breve entrevista. • Área de cadastro e abertura de ficha. • Consultórios: atendimento clínico. • Salas de exames: para exames clínicos e gerais. • Sala de medicação: atendimento posterior à consulta. • Central de internação: para proceder com a documentação. • Posto de enfermagem: acomoda enfermeiros e medicações. • Unidades de internação: quando existe a necessidade de internação. 40 Arquitetura Hospitalar • UTI: Unidade de Terapia Intensiva. • Centro cirúrgico: para realização de cirurgias. • Ambientes de apoio: lanchonete, estoque, entre outros. Exemplo: O Hospital Sabará, localizado em São Paulo, é referência no atendimento privado em pediatria e tem sua distribuição física totalmente planejada para ter funcionalidade e conforto para os pacientes. Outro ponto importante com relação à distribuição física dos EAS particulares é a preocupação com o conforto dos profissionais. Como visto no início desta unidade, a grande modificação nos ambientes de saúde se deu também com a intenção de proporcionar qualidade de vida para esses profissionais. É claro que nem todas essas unidades particulares fazem o investimento necessário para promover o bem-estar para o paciente e para os profissionais, mas têm muito mais possibilidades de fazer do que as unidades de saúde da rede pública, que nem sempre recebem os devidos investimentos para realizar essas ações. RESUMINDO: Você viu neste capítulo como é o ambiente hospitalar em questões arquitetônicas no SUS e na rede privada. Agora você sabe diferenciar o que são UBS, UOA, AME, EAS e o hospital como um todo. Viu que os hospitais podem ser classificados de acordo com seu porte, perfil deassistência e complexidade dos procedimentos prestados. Pôde verificar ainda quais são os espaços que compõem os ambientes de diagnóstico e terapia, de apoio obrigatórios e não obrigatórios, técnicos e de logística. Além disso, pôde perceber que todos esses espaços devem ser projetados com base em recomendações criadas pelo Ministério da Saúde justamente para padronizar essas construções. 41Arquitetura Hospitalar Representação gráfica na Arquitetura OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de aprender a utilizar as representações gráficas para a elaboração de layouts e projetos arquitetônicos. Ter domínio sobre este tema é essencial para desenhar corretamente a fim de proporcionar um entendimento universal. Não conhecer esse conceito pode acarretar interpretações equivocadas ao desenho. Chegou a hora de desenvolver essa competência! Então, vamos lá! Representação gráfica na análise de projeto A importância da pesquisa não se dá unicamente pela percepção da arquitetura como estudo, mas também em seu treinamento prático. A avaliação na arquitetura é construída com detalhamento, e a classificação da reflexão na arquitetura determina a análise como uma tradução do significado da mensagem. Na avaliação, o objeto ou meio considerado é desvendado para poder chegar à sua compreensão. Na avaliação de projetos, a representação gráfica é primordial, pois é início, meio e fim no estudo, concepção, compreensão e representação dos elementos e condições na arquitetura. Agora, você vai reconhecer e definir a representação gráfica em três dos respeitáveis modelos contemporâneos de avaliação de projetos. • O modelo de Francis Ching (forma, espaço e ordem) Francis Ching (2008) sugere a avaliação a partir de um panorama teórico dos elementos próprios à arquitetura, considerando-a como um método de resolução de questões em que o projeto é uma solução a circunstâncias presentes de posição funcional, ideológica ou psíquica. Os elementos arquitetônicos apresentam símbolos e conceitos que qualificam ou modificam. Esses elementos são classificados e aplicados na construção de ideias de forma, espaço e ordem. Todos os elementos 42 Arquitetura Hospitalar de um modelo arquitetônico podem ser percebidos e testados, sendo alguns mais compreensíveis e outros mais indecifráveis à percepção e à consciência. Os processos arquitetônicos necessitam estar inter-relacionados de forma unificada e coesa; devem ser providos de uma metodologia teórica para que o espectador tenha boa compreensão. A ordem na arquitetura representa não apenas um equilíbrio geométrico, mas também as circunstâncias sob as quais os elementos estão dispostos. Veja como a representação gráfica é empregada neste modelo. Exemplo: O desenho é efetuado com um estilo de representação gráfica com base em uma espécie de método de escrita que abrange desde a base de composição de um elemento no projeto até a sua distribuição, sendo o croqui elemento essencial para esse modelo de análise. • O modelo de Roger Clark e Michael Pause Roger Clark e Michael Pause (1996) sugerem e utilizam um método de avaliação de projetos especificamente gráfico, fundamentado em uma análise da arquitetura que foca os elementos comuns entre trabalhos de inúmeros autores, assim como as ligações presentes entre tais elementos. EXPLICANDO MELHOR: A base desse método busca encontrar elementos formais explícitos e sua interpretação em um modelo de representação gráfica padrão. Os autores listam onze elementos e suas relações e reproduzem códigos gráficos em uma legenda: da planta ao corte ou elevação; da circulação à área útil; da unidade ao todo; do repetitivo ao único; concentração; estrutura; luz natural; simetria e equilíbrio; aditivo e subtrativo; geometria; e hierarquia. Veja como a representação gráfica é empregada nesse modelo. 43Arquitetura Hospitalar Exemplo: A representação do projeto nasce a partir da linguagem gráfica combinada com a composição de uma legenda que representa graficamente cada elemento que o modelo define como sujeito de avaliação. Não há reconhecimento de elementos que não sejam os da legenda; muito menos são empregadas outras vistas ou desenhos com diferenciados padrões de detalhamento para a reconhecimento dos elementos. • O modelo de Simon Unwin (identificação do lugar) Legitima o uso de desenhos e croquis como recursos de avaliação e utiliza-os ao longo de todo o trabalho. Para difundir o debate da avaliação e sua relevância na metodologia de trabalho, o autor parte do princípio de que o talento de fazer arquitetura é proporcionado pela reflexão do trabalho de outros profissionais. O autor elaborou um modelo que reparte as condições de avaliação em três condições gerais, as quais se inter-relacionam no esquema de avaliação: • Primeira condição – elementos básicos e suas combinações: abertura, caminho, postes ou colunas, teto ou cobertura, barreira ou parede, foco, marco, área rebaixada ou fosso, área elevada ou plataforma e área definida do solo. • Segunda condição – elementos modificativos: são ações modificadoras que atuam sobre os elementos básicos e os lugares arquitetônicos que os compõem. Conforme a maneira como se relacionam entre si e com os elementos básicos, também podem ser classificados como elementos exclusivos. São ainda mais genéricos que os elementos básicos e, ao contrário deles, não são sujeitos de consideração física ou formal. Os elementos modificativos destacados são: luz, cor, temperatura, ventilação, som, odor, textura, escala e tempo. • Terceira condição – elementos temáticos: não compõem elementos especiais ou delimitados, tampouco condições. São temas gerais de avaliação que expõem não os elementos que integram o todo arquitetônico, mas, sim, o próprio trabalho de arquitetura. 44 Arquitetura Hospitalar São elementos auxiliares ou processados, relações concebidas ou, ainda, condições teóricas. São os seguintes: elementos que realizam mais de uma ocupação; elementos naturais; arquitetura enquanto moldura; templos e cabanas; geometrias; estrutura e espaço; paredes paralelas; estratificação; transição, hierarquia e núcleo. Veja como a representação gráfica é empregada neste modelo. Exemplo: Esse modelo faz uso do desenho como material de base ao emprego da avaliação e forma de registro. Evidencia grande necessidade de execução e demanda uma constituição formal de representação. No entanto, essa amplitude de representação concede uma grande análise do projeto averiguado, resultando em avaliações profundas, detalhadas e únicas. Ainda que os modelos e sistemas de avaliação de projetos presentes neste material citem sistemas e concepções muito distintos, é fato que a representação gráfica é decisiva como metodologia de registro, avaliação e transmissão. O desenho é um item claro da pesquisa e deve ser empregado conforme os objetivos de cada modelo. Normatização para representação gráfica Agora que você já compreendeu os modelos de representação gráfica para avaliação de projetos conforme três autores diferentes, é hora de conhecer as normatizações que regem essa área tão importante da arquitetura. Neste tópico, serão abordados os pontos mais importantes, a norma na íntegra você poderá acessar ao final. DEFINIÇÃO: As normas são regidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), agente privado e sem fins-lucrativos que se destina criar padrões técnicos de produção feitas no território nacional. 45Arquitetura Hospitalar Essas normas são conhecidas pela sigla NBR (Norma Brasileira) e são aprovadas pela ABNT a partir do senso comum entre pesquisadores e especialistas gabaritados, em conjunto com o reconhecimento de órgãos nacionais ou internacionais. A primeira norma que será descrita é a NBR 6492, que regula as circunstâncias exigíveis para a representação gráfica de projetos de arquitetura,objetivando melhor compreensão. ACESSE: Você pode visualizar a NBR 6492 na íntegra. Acesse clicando aqui. Veja algumas definições necessárias para o entendimento da norma: • Planta de situação: engloba o partido arquitetônico em sua totalidade e em diversas condições. Pode incluir referências distintas em função do tipo e porte do programa, assim como para a objetivo a que se remete. Para ser aprovada em órgãos oficiais, deve abranger informações integrais acerca do local do terreno. • Planta de locação (ou implantação): compõe-se do projeto total, englobando, além do projeto de arquitetura, as informações essenciais dos projetos adicionais, como movimento de terra, arruamento, redes hidráulica, elétrica e de drenagem, entre outros. A locação das propriedades, assim como a das circunstanciais edificações complementares, são indicadas nesta planta. • Planta de edificação: vista superior do plano secante horizontal, posicionado a cerca de 1,50 m do piso em referência. A altura desse plano pode variar para cada projeto de forma a evidenciar todos os princípios considerados essenciais. As plantas de edificação podem ser do subsolo, térreo, andar-tipo jirau, sótão, cobertura, entre outros. https://drive.google.com/file/d/11R3iGNEkPYn9KCMgQcFG4I3swHnZtqoA/view?usp=drivesdk 46 Arquitetura Hospitalar • Corte: plano secante vertical que fragmenta a construção em dois elementos no sentido longitudinal ou no transversal. Deve ser organizado de maneira que o desenho venha a demonstrar o máximo de particularidades construtivas. Pode haver deslocamentos do plano secante onde for preciso, devendo ser apontados de maneira clara o seu começo e fim. Nos cortes transversais, podem ser evidenciados os cortes longitudinais e vice-versa. • Fachada: representação gráfica de planos externos da edificação. Os cortes transversais e longitudinais podem ser evidenciados nas fachadas. • Elevações: representação gráfica de planos internos ou de elementos da construção. • Detalhes ou ampliações: representação gráfica de todas as particularidades essenciais, em escala cabível, para um perfeito consenso do projeto e para proporcionar sua apropriada execução. • Escala: relação dimensional entre a apresentação de um item no desenho e suas medidas existentes. • Programa de necessidades: documento inicial que representa o projeto-alvo da pesquisa que comporta informações essenciais, compreendendo a relação das áreas que o integram, suas implicações, necessidades de área, características gerais e condições incomuns, posições municipais, regras e normas apropriadas. • Memorial justificativo: conteúdo que evidencia a assistência às circunstâncias estabelecidas no roteiro de necessidades. Apresenta o partido arquitetônico escolhido que é determinado no estudo introdutório. • Discriminação técnica: documento textual do projeto, que, de maneira fundamental, integral e organizada, representa os materiais de construção a serem utilizados, caracteriza os locais onde esses materiais necessitam ser aplicados e define as técnicas exigidas para serem empregadas. 47Arquitetura Hospitalar • Especificação: tipo de norma indicada a definir as particulares, condições ou disposições exigíveis para matérias-primas, produtos semifabricados, fundamentos de construção, materiais ou produtos industriais semiacabados. • Lista de materiais: pesquisa de quantidade de todo o material especificado no projeto, com as indicações necessárias para a sua obtenção. • Orçamento: observação dos custos das atividades materiais, mão de obra e taxas pertinentes à obra. • Necessitam ser utilizadas as formas de papel da série A, conforme NBR 10068, formato A0 como limite e A4 como mínimo, para evitar questões de manipulação e organização. • O carimbo deve estar localizado no canto inferior direito das folhas de desenho e deve ser reservado à legenda de títulos e numeração dos desenhos. De acordo com a NBR 6492, a representação das escalas se faz da seguinte maneira: escalas mais usuais 1/2; 1/5; 1/10; 1/20; 1/25; 1/50; 1/75; 1/100; 1/200; 1/250 e 1/500. Na seleção da escala, é necessário, contudo, lembrar da futura redução do desenho. As cotas necessitam ser indicadas em metro (m) para as medidas similares e superiores a 1 m e em centímetro (cm) para as medidas menores que 1 m, e os milímetros (mm) necessitam ser indicados como se fossem expoentes. Exemplo: As linhas de cota têm de estar de qualquer modo fora do desenho, salvo em hipóteses de impedimento. E as linhas de chamada necessitam concluir de 2 mm a 3 mm do ponto dimensionado. 2,20² As cifras têm de ter 3 mm de altura, e a distância entre elas e a linha de cota deve ser de 1,5 mm. No momento em que a medida a cotar não aceitar a cota na sua espessura, posicionar a cota ao lado, especificando seu local exato com uma linha. 48 Arquitetura Hospitalar Nos cortes, apenas mostrar cotas verticais e evitar a repetição de cotas. A cota em vãos de portas e janelas deve ser indicada exatamente no vão onde é inserida a esquadria. As cotas de nível são sempre em metro. A descrição NA é usada para indicar nível acabado e NO para nível em osso. É necessário consultar a NBR 8403, que trata sobre a aplicação de linhas em desenhos – Tipos de linhas – Larguras das linhas. Aqui serão expostas as informações principais. Quadro 1 – Características Linha Denominação espessura Observações Contorno - Contínua +/- 0,06 mm Varia conforme escala e natureza do desenho. Interna - Contínua +/- 0,04 mm Menor valor que as linhas de contorno. Além do plano Tracejadas +/- 0,02 mm Mesmo valor que as linhas de eixo. Projeção Traço/2 pontos +/- 0,02 mm Vide nota. Eixo/ coordenadas Traço e ponto +/- 0,02 mm Espessura inferior às linhas internas e com traços longos. Cota - Contínua +/- 0,02 mm Espessura igual ou inferior à linha de eixo ou coordenadas. Auxiliar contínua +/- 0,01 mm Construção de desenhos, guia de letras e números. Indicação e chamada contínua +/- 0,02 mm Mesmo valor que as linhas de eixo. Silhueta +/- 0,02 mm Mesmo valor que as linhas de eixo. Interrupção de desenho +/- 0,02 mm Mesmo valor que as linhas de eixo. Fonte: Elaborado pela autora (2021). 49Arquitetura Hospitalar As linhas tracejadas com 2 pontos, ao se lidar de projeções essenciais, necessitam ter valor semelhante ao das linhas de contorno. São indicadas para descrever projeções de pavimentos superiores, marquises, balanços etc. ACESSE: Veja que interessante a entrevista com o arquiteto e urbanista Siegbert Zanettini sobre os segredos para um bom projeto hospitalar. Acesse clicando aqui. RESUMINDO: Neste último capítulo, foram abordadas as diferentes formas de analisar um desenho sob as visões de três renomados autores e, por fim, foram apresentadas as normas para desenvolvimento de representações gráficas. Todo o material é essencial para oferecer embasamento histórico e técnico, para que você compreenda os assuntos que serão abordados nas próximas unidades. https://saudebusiness.com/mercado/zanettini-revela-os-segredos-de-um-bom-projeto-hospitalar/ 50 Arquitetura Hospitalar REFERÊNCIAS BARRETO, M. R. N. Hospital São Cristóvão. In: BARRETO, M. R. N.; SOUZA, C. M. C. História da saúde na Bahia: instituições e patrimônio arquitetônico, 1808-1958. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2011. BRASIL. SomaSUS. Ministério da Saúde, 2004. Disponível em: https://bit.ly/3C8aymB. Acesso em: 01 nov. 2021. CHING, F. D. K. Arquitetura: forma, espaço e ordem. São Paulo: Martins Fontes, 2008. CLARK, R.; PAUSE, M. Precedents in Architecture. New York: John Wiley & Sons Inc, 1996. FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979. GODOI, A. F. Hotelaria hospitalar e humanização no atendimento em hospitais: pensando e fazendo. São Paulo: Ícone, 2004. MACEACHERN, M. T. Hospital organization and management.Chicago: Physicians Record, 1951. MIQUELIN, L. C. Anatomia dos edifícios hospitalares. São Paulo: CEDAS, 1992. MONTEIRO, M. R. Homens da cana e hospitais do açúcar: uma arquitetura da saúde no Estado Novo. História, Ciências, Saúde, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 67-94, 2011. TOLLET, C. Les hôpitaux modernes au XIXe siècle: description plus récemment édifiés, divisés en dix sections par contrées, études comparatives sur leurs principales conditions d’établissement. Paris: [s. n.], 1894. UNWIN, S. Vinte edifícios que todo arquiteto deve compreender. São Paulo: Martins Fontes, 2013 VENÂNCIO, A. T. A. Da colônia agrícola ao hospital-colônia: configurações para a assistência psiquiátrica no Brasil na primeira metade do século XX. História, Ciência, Saúde, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 35-52, 2011. _heading=h.1ci93xb _heading=h.3whwml4 Compreendendo o ambiente hospitalar O ambiente hospitalar: um pouco de História Hospedagem hospitalar Design social Tipologias O ambiente hospitalar no Brasil O histórico dos modelos de ambiente hospitalar no Brasil O ambiente hospitalar no SUS e na rede privada O ambiente hospitalar no SUS O ambiente hospitalar na rede privada Representação gráfica na Arquitetura Representação gráfica na análise de projeto Normatização para representação gráfica