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i c h . b p - snnmZza" 5 ALTA R E N A S t s E E R A nO pa o ES EU R À hua a Pe o 7 ai n u e T R ç a E € e D R F P e r e O m e r A E dá 4 a o a d e ' E Ee = ' A s a É u t i P e g a ” a s cê E SA S Aa - + 7 ) f a | L Rei d R E e d " N e . = AR at, z te Ne A MISSA PARTE POR PARTE "ENE GES NINO E OD) CONTO) ATUALIZADA E MELHORADA Es ATO Composição: GRÁFICA COLETTA LTDA, Rua Tiradentes, 603 - CEP 17250 - Bariri-SP. Fone (0146) 62-1297 - Fax (0146) 62-1937 - Telex 146-126 DLCL Editoração Eletrônica: Wilson José Germin A MISSA PARTE POR PARTE Pe. Luiz Cechinato 17a. Edição Atualizada e melhorada. / Petrópolis 1991 (c) 1979, Editora Vozes Ltda. Rua Frei Luís, 100 25689 Petrópolis, RJ Brasil Aprovo e Recomendo São Carlos, 1º de julho de 1979 + Constantino Amstalden Diagramação - Valdecir Mello O QUE "ATUALIZAMOS" Este livro, lançado em 1980, continua sendo muito lido. Por isso, achamos que merecia ser melhorado. Algumas expressões foram mudadas. Por exemplo: “celebrante" por "presidente da Celebração”. Dois Encontros novos foram acrescentados, a pedido de alguns leitores. São o Encontro 28: "Ceia Eucarística: Sua Origem" e o 39: "Eucaristia: dos Apóstolos até nós. Atualizamos o texto litúrgico, de acordo com o novo Missal. O livroficou enriquecido e com menos páginas, porque demos uma enxugada no texto. Tiramos coisas repetidas e, onde havia dois ou três exemplos semelhantes, deixamos apenas um. Colocamos também alguns desenhos explicativos de autoria da Professora Nice Therezinha Gírio Milani. A supervisão da doutrina é do Cônego Bruno Gamberini e a revisão literária é da Professora Edna Pellegrini. O Autor. EM MEMÓRIA Ele me ensinou a ir à igreja e a gostar da Missa. Não tinha diplomas e não fazia discursos, mas crendo me ensinou a crer, e amando me ensinou a amar. Nunca ficou sem a Missa, mesmo quando chovia. Ãos 82 anos de idade ( 13/06/1979) encerrou sua caminhada terrena. A última vez que saiu de casa foi para ir à Missa. Durante a Celebração, quando o padre proclamava o Evangelho, ele caiu, precisamente na hora em que eu escrevia o último encontro deste livro. A ele, o meu pai, Domingos Cechinato, eterna gratidão! 01. 02. OS. 04. 05. 06. 07. 08. 09. a Tt: 12. 13. 14. 15. 16. tz. 18: 19. 20. El: Ze. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 24. 30. 31. 32. 33. 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40. 41. SUMÁRIO Visão geral sap ronraa arena ra gua uns puta reg 9 Pocque A deneias sneeeossrrsrs masmorras ne 18 Gestos o atitudes aquasas-ssssssensanasa es eras 16 Posições do COFpO...............sseseereeeees O mamas 19 orcanto IITGICO sessacasaesescesanarreneaee rea aos 22 O sacerdote, as vestes e o altar Objetos usados na Missa....................ceseeecereereecesserereasenseneensss 29 O Sinal da CHE SEND orem ata censo sessao 34 Acolhida e saudação ..........iimesesiseseseieeneererererraes 37 Ato: PERA Ri ses nose Ega Se ICEDIS Eras npc am 40 Glória a Deus nas Alturas ...............iiseeeeeecesermeneereness eee 43 A IaEao "COIGLA! cusamanenescanesrarnascaraceceraioasemmaas ar ureranmraanansmaas 46 Liturgia-da Palavra.....semeeresoresmeenrcorearbeitiananpoeasama ars a a 49 Ena LONA ESSO. sessao erre Rr poa caes E? Segunda Leitura e Aclamação ig Riso Creu ts E aj PR 58 HOMO. mera ereomeemra sirene mmasarenor àrifirs 61 Pratica gude O even erros ses e serena perene 84 Grer na IGteja....eesesmesirmsii CE US as 68 Oração dos FIG. esses nano cmo masc rp rr ercns RR Etútgia EUCANSHGA .-sepameousesaseeossas asonoavesusassrasarossvarcuzassenosam emas 5 Procissão das Oferendas.............. eee TB Apresentação do pão € dO VINHO: ssssascermaseaasasasescananas san] Ultimas viagõoes do UfErorio su seca DA Prefácio e Santo 87 ECC EEE ERES EEE EEE EEE TE Consagração do pão sido VINHO asus aereas qaaçecas 90 "Eis o Mistério da Fé!" eee eeereeaaeaanos Cela Bucal Be asse nanasavarasar eos arara O Eucaristia: dos Apóstolos até NÓS... ii00000:00... 100 Orações pela Igreja... eres 104 Por Cristo, Com CiiStO spears O? Pai-Nosso.. = SM era en peçá Saudação e Fração d do Pão. asescuerereacagpossepesncanemeszegaas esc PES Cordeiro de Deus.. Comunhão... e. nn A Missa, O Banquete de Deus... avecacennercasncaceenas ren T2S Eucaristia: unidade e fraternidade... 127 Rito Final... e O Dia do Senhor... aerea mensal Missas de Formatura € e Defuntos.. e a asa IGO O Ano Litúrgico ........... eres 139 01. VISÃO GERAL Numa cidade estava sendo construída uma bela cate- dral feita de pedras. Os operários iam e vinham no meio da grande construção. Certo dia, chegou aquela cidade uma importante autoridade e foi ver a obra. O ilustre visitante entrevistou três operários que carregavam pedras. Aos três fez esta pergunta: - Amigo, o que está fazendo? O primeiro respondeu-lhe: - Estou carregando pedras. O segundo disse: - Estou ganhando o meu pão de cada dia. E o terceiro falou: - Estou construindo uma catedral, onde muitas pes- soas encontrarão a salvação. E, aqui, eu e minha família nos reuniremos para louvar a Deus. DEUS QUER AMIGOS E NÃO ESCRAVOS Estão vendo? Os três operários faziam o mesmo serviço, mas com espírito diferente. A Missa também é assim. Ela é a mesma para todos, mas a maneira de cada um participar pode ser diferente. Depende da fé que as pessoas têm. Existe quem vai à Missa apenas para cumprir o preceito, como aquele operário que simplesmente carregava pedras. Existe também quem vai à Missa para fazer pedidos a Deus, como o operário que trabalhava tão somente para ganhar seu salário. E existe a pessoa que participa da Missa com fé e alegria, louvando e bendizendo a Deus, à semelhança do operário que trabalhava contente porque estava construindo a casa do Senhor. Veja bem como está sendo a "sua Missa". Deus quer amigos e não escravos. O escravo obedece, o amigo ama e participa. Às vezes vamos fazendo muitas coisas sem saber por quê. Principalmente quando se trata da religião. Muitos confundem fé com superstição. Observe o que acontece em certos enterros. Na hora em que se 09 coloca o defunto na sepultura, muita gente joga um pouco de terra sobre o caixão. Esse gesto deve simbolizar uma obra de misericórdia (sepultar os mortos), mas a maioria nem sabe disso e o faz com um sentido supersticioso que nada tem a ver com a verdadeira fé. NINGUÉM AMA O QUE NÃO CONHECE Assim pode estar acontecendo na Missa. Alguém entra na igreja, olha, acompanha tudo, faz os mesmos gestos, mas sem saber o que está dizendo e o que está fazendo. Por isso aproveita muito pouco da Celebração. Fizemos uma pesquisa sobre a Missa. Perguntamos a diversas pessoas: "Por que você foi à Missa?" E as respostas foram as seguin- tes: - Fui à Missa porque era dia de preceito. - Fui à Missa para agradecer a Deus. - Fui à Missa para pagar uma promessa. - Fui à Missa porque eram Bodas de meus amigos. - Fui à Missa porque era formatura de meu filho. - Fui à Missa para pedir saúde. - Fui à Missa porque era de "sétimo dia" do colega. - Fui à Missa porque era Natal. - Fui à Missa para louvar e bendizer a Deus. - Fui à Missa porque meu colega me convidou. E você, por que vai à Missa? Qual das respostas mencionadas acima seria a sua? Você vai de vez em quando ou todos os domingos”? Vai para cumprir preceito ou para adorar a Deus? A Celebração Eucarística é muito mais que uma oração. Precisamos conhecê-la melhor. Ninguém ama o que não conhece. Pode ser que muita gente não entenda nem o roteiro da Missa. Fica meio "perdido" dentro da Celebração. Por isso, vamos apresentar um esquema ou roteiro da Missa. É claro que esse esquema não é o mais importante, mas é O primeiro passo para começarmos a compreendermelhor a Celebração. 10 RITOS INICIAIS LITURGIA DA PALAVRA LITURGIA EUCARÍS- TICA RITOS FINAIS ESQUEMA OU ROTEIRO DA MISSA Preparação das Oferendas Oração Eucarística ou Anáfora Rito da Comunhão - Monição ambiental - Canto de entrada - Acolhida e saudação - Áto penitencial - Hino de louvor (Glória) - Oração "Coleta" - Monição para a 1º Leitura - Proclamação da 1º Leitura - Salmo Responsorial - Monição para a 2º Leitura - Proclamação da 2º Leitura - Monição para o Evangelho - Canto de aclamação ao Evangelho - Proclamação do Evangelho - Homilia (pregação) - Profissão de fé (Creio) - Oração dos fiéis - Canto e Procissão das Oferendas - Apresentação do pão e do vinho - Presidente lava as mãos - Orai, irmãos! - Oração sobre as Oferendas - Prefácio e "Santo" - Invocação do Espirito Santo - Narrativa da Ceia - Consagração do pão e do vinho - "Eis o Mistério da fé!" - Lembra Morte e Ressur. de Jesus - Orações pela Igreja - Louvor Final (Por Cristo..) - Pai-Nosso e oração seguinte - Saudação da Paz - Fração do Pão - Cordeiro de Deus - Felizes os convidados! - Distribuição da Comunhão - (Canto de ação de graças) - Oração após a Comunhão - Comunicados e convites - Bânção final - Despedida (Ide em paz!) 11 - de pé - de pé - de pé - de pé - de pé - de pé - sentados - sentados - sentados - sentados - sentados - sentados - de pé - de pé - sentados - de pé - de pé - sentados - sentados - sentados - de pé - de pé - de pé - de pé - de joelhos ou de pé - de joelhos ou de pé - de joelhos ou de pé - de pé - de pé - de pé - de pé - de pé - de pé - de pé - de pé - sentados - sentados - de pé - de pé - de pé - de pé O CORPO E A ALMA DA MISSA Vimos o esquema da Missa, onde se destacam duas partes: a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística. Este esquema nos ajuda a ter uma visão global da Celebração, mas lembramos que esses atos exteriores (gestos, palavras, sinais, objetos) são como o "corpo" da Missa, enquanto a fé e o amor são a "alma" desse corpo. Se alguém comunga sem crer na presença real de Jesus, recebe sim o Corpo do Senhor, mas não participa da Salvação contida no Sacramento. Por isso, muita gente vai à igreja e dela sai do jeitinho que entrou, porque não faz seu "encontro pessoal" com a Graça de Deus. Fica apenas na exterioridade. Às vezes, até peca, porque vai para criticar as falhas humanas do rito: a falta de inspiração do padre, o canto desafinado e o comportamento dos irmãos. Mais adiante vamos ver a espiritualidade ou Mistério da Missa. Ela torna presente a Ceia do Senhor e o seu Sacrifício redentor. É o nosso encontro com Deus e com os irmãos, reunidos no amor de Jesus Cristo. São Paulo fala que, na pregação do Evangelho, não devemos buscar a sabedoria humana, mas acolher com fé a Palavra de Deus. Ela tem o poder de transformar a nossa mente e o nosso coração. TESTE 1. Que é superstição? Dê um exemplo. 2. Que é a Missa? É algo mais que uma oração? 3. Como se divide a Missa? 4. Que é "corpo" e "alma" da Missa? 5. O que acontece a quem comunga sem fé? 6. Como você participa da Missa? 7. Você tem criticado ou vivido a Missa? LEITURA BÍBLICA: 1 Cor 1, 17-25 12 02. POR QUE IR À IGREJA? Certo dia, Jesus contou a seguinte parábola a alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: Dois homens foram ao Templo para orar. Um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava interiormente deste modo: "Ó Deus, eu te dou graças porque não sou como o resto dos homens: ladrões, injustos, adúlteros, e nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos”. O publicano ficou um pouco para trás e não ousava sequer levantar os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo: "Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!" Aí Jesus falou: "Eu vos digo que este último foi para casa justificado e o outro não. Pois aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lc 18, 9-14). NÃO BASTA REZAR EM CASA? A igreja foi sempre a casa de Deus e o lugar de oração. Jesus frequentava o Templo de Jerusalém com Maria, José e os Apóstolos. Há gente que diz: "Eu rezo em casa. Não gosto de aparecer. Deus está em todos os lugares". E ainda cita as palavras de Jesus, que disse: "Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai que está presente em lugar secreto. E teu Pai, que vê o que é secreto, te recompensará" (Mt 6, 5-6). Como se vê, Jesus está falando aos fariseus, que eram fingidos. O que o Senhor condena não é a oração na igreja, mas a oração sem sinceridade. Cristo quer nos dizer que a oração não pode ser da boca para fora, mas deve sair de dentro do coração. Referindo-se às orações rotineiras e vazias dos fariseus, Ele fez suas as palavras de Isaías, que disse: “Este povo me louva com a boca, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15,8; Is 29,13). 13 REZAR COM OS OUTROS Jesus fala claramente da importância da oração em comunidade Eis suas palavras: "Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, o que seja, conseguirão de meu Pai que está nos céus. Porque onde dois outrês estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mt 18, 19-20). O próprio "Pai-Nosso", ensinado pessoalmente por Jesus, é uma oração comunitária. Ninguém pode rezá-lo pensando só em si. Ou reza com os outros ou pelo menos pensando nos outros. pois Jesus mandou dizer Pai "nosso" e não Pai "meu", venha a "nós" o vosso Reino, e não venha a "mim" o vosso Reino. E quem não disser “o pão nosso" não pode dizer "Pai nosso”. O individualismo não tem lugar no Evangelho, pois a Palavra de Deus nos ensina a viver fraternalmente. O próprio céu é visto como uma multidão em festa e não como indivíduos isolados em apartamen- tos. Olhando para a História, vemos que a religião teve sempre um sentido de comunidade. Notável é o "Povo de Israel". Deus constituiu um "povo" e caminhava com esse povo, que teve sua origem com Abraão. E o Povo de Deus ia em caravanas para o Templo de Jerusalém, cantando salmos de louvor, de súplicas e de ação de graças. A esse Povo Deus prometeu o Salvador. E Jesus veio, e nele se cumpriram as promessas feitas a Israel. SOMOS UMA "IGREJA" A Igreja é o novo Povo de Deus. Com ela Jesus fez a Nova e Eterna Aliança no seu Sangue. À palavra "Igreja" significa Assembléia. E um Povo reunido na fé, no amor e na esperança pelo chamado de Jesus Cristo. Os Apóstolos reuniam a comunidade cristã para ouvir a Palavra de Deus, orar e celebrar a Eucaristia. A Missa foi sempre o centro da comunidade e o sinal da unidade, pois é celebrada por aqueles que receberam o mesmo batismo, vivem a mesma fé e se alimentam do mesmo Pão. Todos os fiéis formam um só "corpo". São Paulo disse aos cristãos: "Agora não há mais judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher. Pois todos vós sois UM SÓ em Cristo Jesus" (GI 3, 28). 14 VIVEMOS EM SOCIEDADE Deus nos fez para o convívio humano e não para o isolamento Nossa natureza é "social". Gostamos de ir ao estádio para torcermos juntos, gostamos de ir ao clube a fim de encontrar os amigos, traba» lhamos em equipe porque rende mais, vamos à escola porque sozinho é difícil de aprender, tomamos um aperitivo no bar porque com os amigos é mais gostoso, fugimos da solidão porque viver sozinho é triste. Ora, se em tudo eu gosto de estar com os outros, por que hei de sufocar minha fé fechando-me num quarto e orando sempre sozinho? Esse Deus em quem eu creio não é Aquele que fez todos os homens como irmãos, "à sua imagem e semelhança"? "Entrar no quarto e fechar a porta” pode significarque eu devo ter "interioridade" em minha oração, isto é, entrar dentro de mim mesmo, para que minha oração na comunidade não seja falsa, da boca para fora, como disse o próprio Cristo: "Esse povo me louva com a boca, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15, 8). Devemos orar individualmente, mas só isso não basta. TESTE 1. O que disse Jesus da oração comunitária? 2. Como deve ser nossa oração? 3. Que significa a Eucaristia para a Comunidade? 4. Que disse São Paulo aos cristãos sobre a unidade? 5. Que quer dizer “entrar no quarto e fechar a porta”? 6. Como eram os fariseus e sua oração? 7. Você se sente membro da Comunidade Paroquial? 8. Você gosta de rezar com os outros? LEITURA BÍBLICA: Lc 2, 22-38 15 03. GESTOS E ATITUDES Você sabe como é uma grande partida de futebol. Antes do jogo, há concentração para os atletas e um preparativo psicológico para os torcedores. A televisão dá notícias da situação histórica das duas equipes: pontos ganhos e pontos perdidos, titulares que vão começar jogando e reservas que vão para o banco. De repente, as equipes entram em campo. Muitas palmas, rojões, bandeiras se agitam e a emoção toma conta de todos. Começa a partida. Bola na trave, a torcida vibra, grita, pula. Alguém aproveita o rebote, enche o pé... é gol! Um mar humano se levanta e delira, agitando as mãos e gritando em coro. O artilheiro dá cambalhotas, cai de joe-lhos, jogadores se abraçam. É festa! Uma grande “celebração”, num rito solene de alegria expressado por todos os gestos. Se é fim de campeonato, há sempre alguém atravessando o estádio de joelhos com as mãos erguidas para o céu, o povão invadindo o gramado e carregando os heróis. ORAR COM A ALMA E O CORPO O homem é corpo e alma. Há nele uma unidade vital. Por isso ele age com a alma e com o corpo ao mesmo tempo. O seu olhar, as suas mãos, a sua palavra, o seu silêncio, o seu gesto... tudo é expressão de sua vida. Quando o jogador consegue mandar a bola para o fundo da rede, ele vibra, pula, abraça, dá cambalhota, ajoelha-se, ergue as mãos, atira os braços para o alto, saudando a torcida. Por que isso? Não basta que tenha feito o gol? Não. Ele não está sozinho. O gol é uma vitória que precisa ser comemorada entusiasticamente com uma espécie de "celebração" coletiva. Por isso há toda aquela festa e confraternização. E tem uma coisa: o futebol é algo instável, sem lógica. Hoje ganha, amanhã perde. Ao passo que, na Missa, torcemos para um Herói que venceu e nunca será derrotado: é Jesus Cristo, morto e ressuscitado, vencedor da morte e Senhor da Vida. Ele nos disse: "Coragem! Eu venci o mundo" (Cf. Jo 16,33). 16 Na Missa fazemos parte de uma grande "torcida": Assembléia dos filhos de Deus, que tem como herança o Reino dos céus. Porisso, na Celebração Eucarística, não podemos ficar isolados, mudos, cada um no seu cantinho. Ou será que há mais razões para comemorarmos a vitória de um gol do que a Vitória de Cristo Ressuscitado, presente no meio de nós? A nossa fé, o nosso amor e os nossos sentimentos são manifestados através dos gestos, das palavras, do canto, da posição do corpo e também do silêncio. GESTO, SINAL DE LIBERTAÇÃO INTERIOR Tanto o canto como o gesto, ambos dão força à palavra. À oração não diz respeito apenas à alma do homem, mas ao homem todo, que é também corpo. O corpo é expressão viva da alma: uma alegria intensa nos faz cantarolar. É pelo nosso corpo que somos membros de uma comunidade, e é pela nossa exteriorização que participamos de uma Assembléia que louva a Deus, numa igreja. Uma espiritualidade que não dá testemunho, é omissa; e uma manifestação exterior que não venha de dentro, é falsa. Por isso, a Liturgia tem uma alma: a fé. Toda expressão do culto, sem a fé, é um corpo sem alma. Seria uma religiosidade fingida, que Deus não aceitaria. Com palavras severas Ele condenou essa falsa piedade dos fariseus: "Esse povo me louva com os lábios, mas seu coração está longe de mim" (Mt 15,8). Nós, porém, estamos falando dos gestos sinceros, que são expressão de nossos sentimentos. Esses gestos têm sentido. Eles exteriorizam o que está em nossa alma. Completam e reforçam a nossa oração. Tais gestos são mencionados na Bíblia Sagrada em momentos de oração. Os reis Magos, ao verem o Menino Jesus nos braços de Maria, “ajoelharam-se e o adoraram” (Cf. Mt 2,11). São Paulo recomendou a oração com mãos levantadas. Ele escreveu a Timóteo: “Quero que os homens orem em todo lugar, erguendo as mãos santas, sem ira e sem animosidade” (1 Tm 2,8). O próprio Jesus, mergulhado em tristeza profunda, no Horto das Oliveiras, “prostrou- se com o rosto em terra e orou” ao Pai (Cf. Mt 26,39). Deus é Senhor do homem todo. Então, a expressão corporal é também colocada a serviço da glória de Deus. Mas a Igreja é moderada nessa questão de gestos, porque seria um desastre, no 17 culto divino, a determinação de gestos que saíssem forçados. O gesto só tem sentido, quando manifesta uma libertação interior. Por isso entram como normas apenas alguns gestos, que são comuns e frequentes no comportamento humano: ficar de pé, sentar-se, ajoe. lhar-se, levantar as mãos, fazer a genuflexão. E, numa celebração, não pode cada um fazer o gesto que deseja, na hora que quiser. Nesse caso, o gesto perderia seu sentido de unidade eclesial. O Missal Romano diz o seguinte: "A posição comum do corpo, que todos os participantes devem observar, é sinal da comunidade e da unidade da assembléia, pois exprime e estimula os pensamentos e sentimentos dos participantes". E, para que haja na missa essa unifor- midade nos gestos e posições do corpo, existem algumas normas, Veja o Esquema ou Roteiro da Missa, página 11. Quanto ao significado dos gestos e posições do corpo, vamos ver isso no próximo Encontro. TESTE 1. Por que rezamos com a alma e o corpo? 2. Por que devemos glorificar a Deus com o corpo? 3. Que é farisaismo? 4. Quando o gesto tem sentido? 5. Que disse Jesus aos fariseus? 6. Você participa da Missa com toda a Assembléia ou fica isolado no seu cantinho? 7. A Missa tem, para você, sentido de alegria ou é apenas o cumprimento de um preceito? LEITURA BÍBLICA: Mt 21, 1-11 18 04. POSIÇÕES DO CORPO Certo dia, um leproso, vendo Jesus, prostrou-se com a face em terra e dirigiu-lhe esta súplica: "Senhor, se queres, tu podes curar-me!” Então Jesus, estendendo-lhe a mão, tocou-o, dizendo: "Eu quero. Fica purificado!" E imediatamente a lepra o deixou [Lc 5, 12-13). O SIGNIFICADO DOS GESTOS A religião assume o homem todo, como ele é: corpo e alma. A Graça não destrói a natureza humana, mas a completa e aperfeiçoa. Por isso, rezamos com o corpo também, dizendo palavras e fazendo gestos. A Misssa é o louvor visível do Povo de Deus. Vejamos o significado dos gestos. Sentado: De pé: É uma posição cômoda que favorece a catequese, boa para a gente ouvir as Leituras, a homilia e meditar. É a atitude de quem fica à vontade e ouve com satisfação, sem pressa de sair. Em celebrações especiais, com pequena comunidade, o Presidente, às vezes, faz a homilia sentado. É uma posição de quem ouve com atenção e respei- to, tendo muita consideração pela pessoa que fala. Indica prontidão e disposição para obedecer. Foi, desde o início da Igreja, a posição do "orante". A Bíblia diz: "Quando vos puserdes em pé para orar, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, para que também vosso Pai que está nos céus vos perdoe as vossas ofensas" (Mc 11, 25). Falando dos bem-aven- turados, João vê uma multidão, de vestes brancas, "de pé, diante do Cordeiro", que é Jesus (Ap 7,9). 19 De joelhos: Genutflexão: Inclinação: Procissão: Mãos levantadas: Mãos juntas: De início, o cristão ajoelhava-se somente nas orações particulares. Depois toda a comunidade passou a ajoe- lhar-se em tempo de penitência. Agora essa posição é comum diante do Santíssimo Sacramentoe durante a consagração do pão e do vinho. Ajoelhar-se perante alguém era sinal de homenagem a um soberano. Hoje significa adoração a Deus. São Paulo diz: “Ao nome de Jesus, se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra" (FI 2, 10). Rezar de joelhos é mais comum nas orações individuais. "Pedro, tendo mandado sair todos, pôs-se de joelhos para orar" (Cf. At 9, 40). É um gesto de adoração a Jesus na Eucaristia. Fazemos quando entramos na igreja e dela saímos, se ali existe o sacrário. Também fazemos genuflexão diante do crucifixo na Sexta-Feira Santa, em sinal de adoração. (Não é adoração à cruz, mas a Jesus que nela foi pregado). Inclinar-se diante de alguém é sinal de grande respeito É também adoração, diante do Santíssimo Sacramento. Os fiéis podem inclinar a cabeça para receber a bênção solene. Na Missa podemos fazer diversas procissões, se forem convenientes: na Entrada do Presidente, no Evangelho, no Ofertório, na Comunhão. A História da Salvação começou com uma "procissão": Abraão e sua família a caminho da Terra Prometida. As nossas procissões simbolizam a peregrinação do Povo de Deus para a casa do Pai. Somos uma Igreja “peregrina”. É atitude dos "orantes". Significa súplica e entrega a Deus. É o gesto aconselhado por Paulo a Timóteo: "Quero, pois, que os homens orem em qualquer lugar, levantando ao céu as mãos puras, sem ira e sem con- tendas" (1 Tm 2,8). Significam recolhimento interior, busca de Deus, fé, súplica, confiança e entrega da vida. É atitude de profunda pledade. 20 Prostração: Gesto muito antigo, bem a gosto dos orientais. Estes se prostravam com o rosto na terra para orar. Assim fez Jesus no Horto das Oliveiras. Hoje essa atitude é própria de quem se consagra a Deus, como na ordenação sacerdotal. Significa morrer para o mundo e nascer para Deus com uma vida nova e uma nova missão. Silêncio: O silêncio tem seu valor na oração. Ajuda o aprofunda- mento nos mistérios da fé. "O Senhor fala no silêncio do coração". É oportuno fazer silêncio depois das Leituras, da homilia e da Comunhão, para interiorizar o que o Senhor disse. Meditar é também uma forma de participar. Uma Missa que não tivesse nenhum momen- to de silêncio, seria como chuva forte e rápida que não penetra na terra. TESTE 1. O que a Graça de Deus faz na pessoa? 2. Que significa "rezar também com o corpo"? 3. Cite alguns exemplos de gestos na Bíblia. 4. Qual a importância do silêncio na oração? 5. Diga o significado de algumas posições do corpo. 6. Você gosta de rezar? Como reza? LEITURA BÍBLICA: Mt 9, 18-26. 21 05. O CANTO LITÚRGICO Existem certas normas para as vestes. Deve haver harmonia nas cores, bom gosto no feitio, atualidade quan- to à moda e conveniência com relação ao ambiente. Ninguém põe qualquer gravata com qualquer camisa nem qualquer calça com qualquer paletó. Para tal terno, tal camisa. Tal meia para tal sapato. Ainda, ninguém coloca uma rosa no vestido só porque a rosa é bonita. Precisa ver se vai combinar. Há também uma roupa para o clube, outra para o velório, outra para a praia e outra para a Missa. Uma roupa pode ser muito bonita, mas não é por isso que vai ficar bem em todos os lugares. Você não acha? O CANTO NA IGREJA O que dissemos das vestes aplica-se também ao canto Litúrgico. Há um tipo de canto que é próprio para a Liturgia O Conciio Vaticano Il vê, na Liturgia, o próprio Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, exercendo no meio de nós a sua ação salvadora. Liturgia é, pois, O culto público da Igreja, que assume oficialmente as palavras e os gestos de Jesus, bem como a fé e os sentimentos do Povo de Deus, tornando presente e atuante a Obra da Salvação. Como se vê, a Liturgia inclui dois elementos: o divino e o humano. Ela nos leva ao encontro pessoal com Deus, tendo como Mediador O próprio Cristo, que, nascido de Maria, reúne em Si a Divindade e a Humanidade. Portanto, a Missa é mais do que um conjunto de orações: ela é a grande Oração do próprio Jesus, que assume todas as nossas orações individuais e coletivas para nos oferecer ao Pai, juntamente com Ele. 22 CANTAR "A MISSA" E NÃO "NA MISSA” E aqui vem o papel do canto na Missa: ele está a serviço do louvor de Deus e de nossa santificação. Não é apenas para embelezar a Missa, mas para nos ajudar a rezar. E cada canto deve estar em plena sintonia com o momento litúrgico que se celebra, a fim de que não se cante "na Missa” mas se cante "a Missa”, Portanto, um Canto Peniten- cial deve nos ajudar a pedir perdão de coração arrependido; um Canto de Ofertório deve nos ajudar a fazer nossa entrega a Deus; um Canto de Comunhão deve nos colocar em maior intimidade com Deus e expressar nossa adoração e ação de graças. O Concílio Vaticano ll diz que "a música sacra será tanto mais santa quanto mais intima- mente estiver ligada à ação litúrgica". Assim ela favorece a unidade do Povo de Deus e dá maior solenidade e beleza aos ritos sagrados. O canto, na Liturgia, não é só para enfeitar e fazer a Celebração ficar mais bonita. E mais que isso. Ele “é” oração, pois “quem canta reza duas vezes”. CANTO, ORAÇÃO DO POVO DE DEUS O canto litúrgico não tem o sabor de canto teatral. Deve estar isento de vaidade e exibição. Convém que se ouça o conjunto todo das vozes e não apenas uma ou duas vozes que se sobrepõem. Também, o som dos instrumentos é para ajudar as vozes e não para abafar o canto. O que se deve ouvir é um povo cantando, a não ser quando um salmista está fazendo o solo. A Equipe de Liturgia não é para “substituir” o canto da Assembléia, mas para animá-la a cantar. Não pode ser um grupo separado, fora do corpo da comunidade, mas uma "equipe de animação" que leva todo o Povo de Deus a cantar. Para isso, o Concílio recomenda que se use inteligentemente do canto religioso popular, que está mais na alma do povo. Mas, se quisermos que toda a assembléia cante, precisamos ter "paciência". Não pode haver muitos "lançamentos" de cantos litúrgicos. O povo não consegue aprender tantas novidades. O canto da Missa fica “elitizado", cantado só pelos grupinhos especializados. E é mais bonito ouvir toda a assembléia cantar. Assim diz o Salmista: "Feliz o povo que vos sabe louvar! Ele caminha na luz da vossa face, Senhor!" (SI 89 ou 88, 16). 23 CANTAR FAZ BEM Vamos cantar em nossas celebrações litúrgicas! Cantar faz bem Até o canto profano, que cantamos varrendo a casa ou trabalhando na fábrica, tem um sentido de desabafo e libertação, que nos faz bem psicologicamente. Imagine então o que será o canto litúrgico, que é oração. Um santo disse: "Quem canta, reza duas vezes”. O canto religioso é o termômetro da piedade de um povo. Santo Agostinho disse que “cantar é próprio de quem ama". Cantemos nas celebrações litúrgicas! Não porque Deus necessite de nosso louvor, mas porque nós nos sentimos felizes louvando a Deus. Para cantar na igreja não é preciso ter uma bela voz: basta ter fé. Louvar a Deus cantando é coisa que nos faz mais felizes. Por isso o Salmista recomenda: “Louvai a Deus, pois é bom cantar ao Senhor, doce é seu louvor. Entoai ao Senhor o louvor, cantai ao nosso Deus com a harpa! Glorifica o Senhor, Jerusalém, louva teu Deus, 6 Sião!” (Sl 147 ou 146, 1.7.12). TESTE 1. Que é Liturgia? 2. Que disse o Concílio sobre o canto na Missa? 3. Que tem a ver o canto com as partes da Missa? 4. Como os instrumentos se relacionam com o canto? 5. Você canta na Celebração? Por quê? 6. O que está certo ou errado no canto em sua comunidade paroquial? 7. Que solução você apresenta para melhorar? LEITURA BÍBLICA: SI 148 24 06. O SACERDOTE, AS VESTES E O ALTAR Houve pessoas que se tornaram inesquecíveis por causa de sua sabedoria e realizações. Santa Catarina de Sena é uma delas. Ficou famosa pela sua intervenção na História da Igreja, pedindo ao Papa para que saísse do cativeiro de Avinhão e voltassepara o seu lugar, em Roma. É de Santa Catarina esta frase: "Se um dia eu encontrar no caminho um sacerdote e um anjo, primeiro saudarei o sacerdote, depois o anjo”, porque o sacerdote representa Jesus Cristo. O PADRE: SUA HISTÓRIA Desde os primeiros tempos da humanidade existiram sacerdotes, tanto entre os judeus como entre os pagãos. Sua função principal era oferecer sacrifícios à divindade. Por isso eles se revestiam de um sentido sagrado. Com o passar dos tempos, o sacerdócio tornou-se uma consagração de vida. A grandeza do sacerdócio atingiu o seu ponto máximo em Jesus Cristo, o Sacerdote por excelência. Os demais sacerdotes do Novo Testamento são apenas "participantes" desse único e eterno sacerdócio de Jesus. Pois foi de Cristo que recberam tal poder, através dos Apóstolos, que têm nos Bispos os seus legítimos suces- sores. O Concílio Vaticano Il diz que o padre age "in persona Christi", isto é, em lugar da pessoa de Jesus, o qual disse aos Apóstolos: "Quem vos ouve, a mim ouve, e quem vos rejeita, a mim rejeita. E quem me rejeita, rejeita o Pai que me enviou" (Lc 10, 16). O padre é constituído tal por meio da imposição das mãos do Bispo sobre sua cabeça, proferindo a oração consagradora. Além de sacerdote, o padre é presbítero e profeta. Como sacerdote, administra os Sacramentos, preside o culto divino e cuida da santificação da comunidade; como profeta, anuncia o Reino de Deus e denuncia as injustiças e tudo O que é contra o Reino; como presbítero, o padre administra e governa a Igreja. 25 Túnica: Estola: Casula: Âmito: Cíngulo: AS VESTES LITURGICAS Para lidar com as coisas santas, o padre usa de sinais sagrados, pondo vestes que o distinguem das outras pes- soas. A túnica é uma dessas vestes. É um manto geralmente branco, longo, que cobre todo o corpo. Lembra a túnica de Jesus, "sem costura de alto a baixo”, sobre a qual os sol- dados tiraram sorte, para ver a quem caberia. É uma faixa vertical, separada da túnica, a qual desce do pescoço do padre, com duas pontas na frente. Sua cor varia de acordo com a Liturgia do dia. Existem quatro cores na Liturgia: verde, branco, roxo e vermelho. A estola simboliza o poder sacerdotal. Vai sobre todas as vestes. Cobre todo o corpo. A cor varia, conforme a Liturgia, como a estola. É uma veste solene, ampla, que deve ser usada nas Missas dominicais e dias festivos. r Há padres que usam também o amito. E um pano branco que envolve o pescoço do celebrante. Veste-se antes da túnica ou da alva. É um cordão que prende aalva oua túnica à altura da cintura. (A alva é uma veste semelhante à túnica. Usa-se uma ou outra). O ALTAR O altar representa a mesa da Ceia do Senhor. Lembra também a cruz de Jesus, que foi como um "altar" onde o Senhor ofereceu o Sacrifício de sua própria vida. Em geral, o altar fica num plano mais elevado, para ser visto por toda a Assembléia. A existência do altar é tão antiga quanto a história da humanidade, pois está ligada aos sacrifícios, que sempre existiram tanto entre os judeus quanto entre os pagãos. A primeira menção de altar, na Bíblia, aparece com Noé, que ofereceu um sacrifício sobre um “altar” (Cf. Gn 8, 20). 26 Os primeiros altares eram de pedras rústicas. Depois apareceram os de madeira. Hoje existe ainda preferência pelos altares de granito ou de mármore. O altar deve ter o sentido de uma mesa de refeição, para celebrar a Ceia do Senhor. Com a formação das "Comunidades Eclesiais de Base" (CEBs), a Missa passou a ser celebrada também em pequenas comunidades, em escolas, centros comunitários ou casas de família. Com isso são improvisados muitos “altares”. É bom lembrar que se deve ter o máximo de consideração com a Eucaristia. Não se pode celebrar a Missa sobre uma mesa velha e suja, que a família nem usa mais. À Deus se dá o que há de mais digno. Sobre o altar vai a toalha, geralmente branca, comprida, com as pontas quase tocando o chão. Deve ser limpa, condizente com a grandeza da Ceia do Senhor. Imagine como você prepararia a mesa, se fosse servir um banquete para ilustres convidados! Pois bem, a Missa é muito mais que isso. TESTE 1. Que disse Santa Catarina? Por quê? 2. Que faziam os sacerdotes antigos? 3. Quem elevou a dignidade sacerdotal? Por quê? 4. O que constitui a ordenação sacerdotal? 5. Além de sacerdote, o padre é o que mais? Explique. 6. Conte alguma coisa das vestes sacerdotais. 7. Como deve ser o altar? Por quê? 8. Você vê no padre o representante de Jesus? 9. Conhece o pároco de sua cidade? LEITURA BÍBLICA: Hb 4,12 - 5,10 27 2 - Estola Amito Sacerdote revestido com à casula 28 07. OBJETOS USADOS NA MISSA Deus fez o mundo com muito amor. Ele viu que todas as coisas criadas “eram boas" (Cf. Gn 1,25). Mas o pecado original trouxe a morte para a humanidade, além de causar uma ruptura com Deus e uma desarmonia entre as criaturas. Jesus, porém, veio “recriar” o mundo, restituindo a vida aos homens e reconciliando toda a obra da Criação. As pessoas que mais se aproximam do amor de Deus sabem amar todas as criaturas, ao passo que as mais egoístas continuam depredando tudo. São Francisco de Assis conseguiu viver a fraternidade até com os animais e a natureza. Ele dizia "Mãe Terra”, "Irmão Sol”... OBJETOS LITÚRGICOS E SEU USO Neste Encontro vamos ver os objetos usados na Missa e para que serve cada um deles. Na Celebração Eucarística Jesus se oferece ao Pai por nós, e reúne, nesse grande Oferecimento, a Humanidade e toda a Criação: os reinos mineral, vegetal e animal, pois "do Senhor é a terra e tudo O que ela contém, o universo e seus habitantes” (SI 24,1). Eis os objetos usados na Missa: Hóstia: É pão de trigo puro. Há uma hóstia grande para o Presidente da Celebração e as pequenas para o povo. A do padre é grande para ser vista de longe, na elevação, e ser repartida entre alguns participantes da Celebração. Vinho: É vinho puro, de uva. Assim como o pão se muda no Corpo de Cristo na consagração, o vinho se muda no Sangue do Senhor, vivo e ressuscitado. Cálice: É uma "taça" revestida de ouro ou prateada. Nele se deposita o vinho a ser consagrado. Âmbula: É semelhante ao cálice, mas tem uma tampa. Nela se colocam as hóstias. Após a Missa é guardada no sacrário com as hóstias consagradas. 29 Patena: Água: Pala: Sanguinho: Corporal: Galhetas: Manustérgio: Missal: Crucifixo: Velas: Flores: É um "pratinho" de metal. Sobre ele se coloca a hóstia grande. É água natural. Serve para purificar as mãos do sacer- dote e ser colocada no vinho (umas gotas só), para simbolizar a união da humanidade com a Divindade, em Jesus. Também é usada para purificar o cálice e a âmbula. E uma peça quadrada, dura, (um cartão revestido de linho). Cobre o cálice. E uma toalhinha comprida, branca. Serve para enxugar o cálice e a âmbula. É uma toalhinha quadrada. Chama-se corporal porque sobre ela coloca-se o Corpo do Senhor (âmbula e cálice), no centro do altar. São como duas jarrinhas de vidro. Numa vai a água,na outra, o vinho, Elas estão sempre juntas, num pratinho, ao lado do altar. Vem da palavra latina “ manus”, que quer dizer “mao”. E para enxugar as mãos do Presidente, no ofertório. Acompanha as galhetas. É um livro grosso que tem orito da Missa, menos as Leituras, que estão num outro livro chamado Lecionário. Nosso Missal é o "Romano", porque é aprovado pelo Papa, que tem sua sede em Roma, embora a Missa seja na língua pátria. Sobre o altar ou acima dele deve haver um crucifixo, para lembrar que a Ceia do Senhor é inseparável do seu Sacrifício Redentor. Na Ceia, Jesus deu aos discípulos o "Sangue da Aliança, que ia ser derramado por muitos para o perdão dos pecados" (Cf. Mt 26,28). Sobre o altar vão duas velas. A chama da vela é o sím- bolo da fé, que recebemosde Jesus, "Luz do Mundo”, no Batismo e na Crisma. É um sinal de que a Missa só tem sentido para quem vive a fé. Em dias festivos, podem-se colocar flores. O certo não é "sobre" o altar, mas ao lado dele, pois o altar não é para pôr "coisas. 30 ALGUMAS OBSERVAÇÕES Dissemos que não se deve pôr muita coisa sobre o altar, sobretudo quando são objetos grosseiros e pesados. O que fica bem é a decoração com motivos litúrgicos, como o trigo e a uva, ou o pão e o vinho, além das velas e o crucifixo. Lembramos também que as flores são permitidas somente nos dias festivos. Na Quaresma não se podem colocar flores. No Advento podem-se colocar, mas com moderação, "para não se antecipar a alegria do Natal”. Dos objetos mencionados para a Celebração Eucarística nem todos são necessários. É claro que não pode haver Missa sem pão ou sem vinho. Também o Missal é necessário, a não ser que o padre saiba tudo de cor. TESTE 1. Por que a hóstia do Presidente é maior? 2. Como se chama o livro que contém o rito da Missa? 3. E o livro que tem as Leituras Bíblicas”? 4. Que simboliza a chama da vela? 5. Que santo chamava os animais de "irmãos"? 6. Quando não se podem pór flores no altar? 7. Diga duas coisas sem as quais não há Missa. 8. Para você, a Missa é realmente a Ceia do Senhor? LEITURA BÍBLICA: Hb 3, 1-14 31 1 - Patena; 2 - corporal: 3 - Pala 33 08. O SINAL DA CRUZ Muitas pessoas de fé livraram-se do demônio fazen- do o “sinal da cruz" na hora da tentação. São Geraldo Magela é um deles. Certa vez alguém o cercou junto a uma floresta. O santo fez o sinal da cruz e apresentou o crucifixo, invocando o poder de Deus. Imediatamente aquele bandido o deixou. Conta-se também que o famoso Constantino, impe- rador de Roma, teve um dia esta visão: viu no céu uma cruz com a inscrição: "Com este sinal vencerás". Com ele deu-se a conversão do império. É bom lembrar que a cruz, para nós, cristãos, não é mais aquele instrumento de morte e humilhação. É a “cruz gloriosa” de Cristo Ressuscitado, que venceu a morte. A IGREJA, CASA DE ORAÇÃO É domingo, Dia do Senhor. Que alegria! Vamos à Missa! Entremos com respeito. Junto à porta há um capacho para limpar os pés. Não podemos levar sujeira para a casa de Deus. O Senhor disse: "Moisés, tira as sandálias, porque o lugar onde pisas é santo!" (Ex 3,5). Nada de toco de cigarro, nem balas, nem chiclete, nem pipoca, nem sorvete. Lá no altar está o sacrário. Aí mora o Dono da casa. À luzinha é o sinal da presença de Jesus, o Deus vivo, no Pão con- sagrado. Por isso fazemos uma genuflexão, isto é, dobramos o joelho direito até tocar o chão. É um gesto de adoração ao Senhor. A pessoa de fé entra na igreja alguns minutos antes de começar a Missa, para se preparar e participar melhor. Ela se coloca na presença de Deus e se desliga das preocupações que a podem distrair: 'O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O Senhor é a segurança de minha vida; frente a quem temerei? (Sl270U26,1). Que alegria estar na igreja! E um lugar de paz. Jesus disse: “A minha casa é casa de oração” (Cf. Lc 19,46) 34 MISSA, A CEIA DE JESUS Vai começar a Celebração. É nosso encontro com Deus, marcado pelo próprio Cristo, que, no fim da Ceia, disse aos discípulos: "Fazei isto em memória de mim" (Cf. Lc 22,19). Toca o sininho, anunciando que deve cessar a oração individual para começar a oração oficial da Comunidade. Jesus é o ORANTE MÁXIMO que assume a Liturgia oficial da Igreja e consigo a oferece ao Pai. Ele é a Cabeça e nós os membros do grande Corpo, que é a Igreja. Por isso nos '"incor- poramos" a Ele para que nossa vida tenha sentido e nossa oração seja eficaz. Ao lado do Presbitério surge o Comentarista. (Presbitério é aquele espaço mais elevado onde fica o presbítero). O Comentarista não deve chamar a atenção dos presentes sobre si, mas ser discreto, pois sua função é ajudar a comunidade a celebrar o Mistério de Deus. Ele inicia com a "Monição Ambiental", convidando a Assembléia a par- ticipar da Celebração e procurando criar um clima de oração e de fé. Pede a todos que, de pé, recebam o Presidente da Celebração com os Ministros, mencionando o nome do Presidente. CANTO DE ENTRADA E "SINAL DA CRUZ" Durante o Canto de Entrada, o padre que preside a Missa, acom- panhado dos Ministros ou Acólitos, dirige-se para o altar. Faz uma inclinação profunda e depois beija o altar. O beijo tem um endereço: não é propriamente para o mármore ou a madeira do altar, mas para o Cristo, que é o centro de nossa piedade. Essa procissão de entrada convém que seja solene, passando pelo meio do povo, especialmente nos dias festivos. Em seguida o padre dirige-se para as cadeiras, que ficam diante do altar ou junto à estante, ao lado. Aí o Presidente faz o sinal da cruz e todo o povo faz com ele, mas sem dizer palavras. Responde, isto sim, o Amém. Essa expressão "Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", tem um sentido bíblico. Não quer dizer apenas o “nome”, como para nós, ocidentais. "Nome", em sentido bíblico, quer dizer a própria pessoa. Isto significa que nós iniciamos a Missa colocando a nossa vida e toda a nossa ação nas mãos da Santíssima Trindade. 35 Esse "sinal" lembra o nosso Batismo, quando o padre nos chamou cada um pelo nome e nos disse: "Nós te recebemos com grande alegria na comunidade cristã. Nosso sinal é a cruz de Cristo. Porisso, eu, teus pais e padrinhos, te marcamos agora com o sinal do Cristo Salvador!". Em seguida faz o sinal da cruz na fronte do batizando. Precisamos fazer corretamente o sinal da cruz. É uma coisa muito significativa. Quer dizer que nós colocamos a nossa vida debaixo da proteção de Deus e passamos a agir com o poder do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Há gente que faz o sinal da cruz com um sentido de magia e superstição. Nem fazem direito a cruz; fazem uma caricatura, como se estivessem espantando moscas. Às vezes o fazem com vergonha de serem vistos. Lembramos que não é preciso beijar a ponta da mão nem fazer o sinal da cruz na hora de comungar, ou quando se faz a genuflexão. Se vivermos bem o sentido do sinal da cruz, começamos a ser mais santos. TESTE 1. Que é presbitério? E sacrário? 2. Que disse Jesus sobre a Igreja (templo)? 3. Quando e por que fazemos genufiexão? 4. Que disse o padre em nosso Batismo sobre a cruz? 5. Qual o sinal da presença de Jesus na Igreja? 6. Que é "monição ambiental" na Missa? 7. Você chega adiantado ou atrasado à Missa? LEITURA BÍBLICA: Sl 15 (14) 36 09. ACOLHIDA E SAUDAÇÃO O "seu Pereira” morava num povoado. Era muito co- nhecido pela sua maneira alegre de cumprimentar a todos. Dizia "bom dia" com tanta franqueza e felicidade que chegava a desarmar muita cara feia. Um dia foram pergun- tar-lhe como ele conseguia ser feliz daquele jeito e comunicar tanto otimismo. À resposta do seu Pereira foi imediata: - Trago a paz dentro de mim e desejo que os outros sejam felizes como eu. Às vezes meu coração está meio amargurado, mas o meu rosto pertence aos outros e deve estar sempre alegre. REUNIDOS NO AMOR DE CRISTO A essa filosofia do seu Pereira, acrescentamos a dimensão da alegria cristã, decorrente da Boa Nova, que é o Evangelho. A Missa deve ser celebrada num clima de fé, de amor e de esperança, espa- lhando aquela paz que vem de Deus e que o mundo não pode dar (Cf. Jo 14,27). O cristão fechado e triste é um contratestemunho. "Um santo triste é um triste santo", diz o ditado. No Encontro anterior vimos que o Presidente começa a celebração com o “sinal da cruz", lembrando que colocamos nossa vida em Deus. Em seguida, o padre acolhe e saúda a Assembléia com palavras espontâneas ou com esta forma litúrgica: - À graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco!É todos respondem com imensa alegria: - Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo! 37 SAUDAR: UM GESTO HUMANO Infelizmente, nas grandes cidades está desaparecendo o bom costume de saudar a pessoa que encontramos. À nossa sociedade vai ficando egoísta, fechada, cada um se isolando no seu cantinho e nos seus interesses individuais. O clima é de desconfiança, tensão, violência. Em vez de uma saudação de paz, às vezes há troca de ofensas e agressividade. Mas ainda há muita gente boa que faz tudo para humanizar a sociedade. É tão gostoso ouvir um "bom dia” alegre, que levanta o ânimo da gente. Às vezes a saudação é mais à vontade: "Oi!”, "Tudo bem?", "Um abraço!", "Paz e amor!", um aceno de mão, ou até a belíssima saudação dos judeus: "Shalom!”, que quer dizer "Paz! Saúde! Bênção! Prosperidade! Felicidade!" Quebre o gelo de uma sociedade materialista e fria. Cumprimente o seu semelhante. Falamos tanto da necessidade de solidariedade e de comunhão entre as pessoas. Pois bem, a comunicação é o primeiro passo para a comunhão. Uma palavra boa valoriza uma pessoa e pode despertá-la para viver melhor aquele dia. SAUDAR: UM GESTO DIVINO A Liturgia não é só uma oração. É também uma “escola” para a verdadeira vida. Ela nos ensina a sermos melhores no convívio com Oo próximo. Jesus costumava saudar as pessoas, desejando-lhes a paz. À Bíblia Sagrada coloca em nossa boca as mais belas saudações. Assim disse Booz, de Belém, aos que colhiam trigo: "O Senhor esteja convosco!" Ao que os trabalhadores responderam: “O Senhor te abençoe!" (Rt2,4). O anjo Gabriel saudou a Maria, dizendo-lhe: "Salve, ó cheia de graça, o Senhor é contigo!" (Cf. Lc 1,28). Jesus saudou os discípulos, dizendo-lhes: "A paz esteja convosco!" (Cf. Jo 20,19). São Paulo terminava suas Cartas com esta saudação à comunidade: “À graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!" E recomendava que os cristãos se saudassem uns aos outros “com o ósculo da paz (Cf.2Cor13, 11-13). É dessas fontes bíblicas que foítirada a saudação que o Presidente da Missa faz ao povo no início da Celebração. Ela tem um valor muito 38 grande. É de inspiração divina. Infelizmente, muita gente fica calada e não responde a essa belíssima saudação. Se uma pessoa nos disser "bom dia" e a gente não responder, a pessoa pode até sentir-se ofendida. É uma falta de educação primária. A mesma coisa a gente diria a respeito da saudação litúrgica, quando o Presidente da Celebração nos acolhe na casa de Deus, dizendo-nos: "A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco!" Não podemos deixar de responder aquela belíssima frase: "Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!" Às vezes, o Presidente da Celebração “cria” uma saudação diferente daquela que está no Missal. Ele pode saudar a Assembléia com palavras suas, adequadas às circunstâncias. Por exemplo: “Meus irmãos e minhas irmãs, sejam bem-vindos à casa de Deus para esta Missa! Nós os acolhemos com alegria e lhes desejamos o amor do Pai, a Salvação trazida por Jesus e a paz do Espírito Santo!” Mesmo que o padre nos saúde com outras palavras, a resposta nossa é sempre a mesma. E ela nos lembra que a Missa é uma Assembléia diferente de todas as outras reuniões: é a reunião dos filhos e filhas de Deus no amor de Jesus Cristo. Estamos incorporados ao Cristo, como povo em oração, vivendo uma hora especial da graça de Deus. TESTE 1. Qual nossa resposta à saudação do sacerdote? 2. Que significa não responder a uma saudação? 3. Você responde à saudação na Missa? 4. Dê alguns exemplos de saudações bíblicas. 5. Que quer dizer "Shalom'? 6. Você saúda os outros nas ruas e praças? 7. À Missa é diferente de outra reunião? No quê? 8. O padre pode variar a saudação inicial? LEITURA BÍBLICA: Lc 10, 1-16 39 10. ATO PENITENCIAL Certa vez os escribas e fariseus levaram a Jesus uma mulher adúltera e lhe disseram: "Mestre, esta mulher foi surpreendida em adultério. Segundo a Lei, Moisés manda apedrejar tais mulheres. Tu, porém, o que dizes? Eles diziam assim para pô-lo à prova, a fim de terem motivo para acusá-lo. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo. Como insistissem numa resposta, o Senhor er- gueu-se e lhes disse: Quem de vós não tem pecado, atire a primeira pedra! Em inclinando-se de novo, escrevia na terra. Eles, porém, ouvindo isto, saíram um após o outro, a começar pelos mais velhos. Ele ficou sozinho, e a mulher permanecia lá. Então, erguendo-se, Jesus lhe disse: Mu- lher, onde estão eles? Ninguém te condenou? Disse ela: Ninguém, Senhor! Aí Jesus lhe disse: Nem eu te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais" (Jo, 8,3-11). A CONVERSÃO DE VIDA Ao fazermos o Ato Penitencial, lembremo-nos do que Jesus nos disse: "Não julgueis, e não sereis julgados. Porque, com o juízo com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que medirdes, sereis medidos. Por que vês o cisco no olho de teu irmão e não percebes a trave que está no teu olho? Ou, como podes dizer a teu irmão: Deixa-me tirar o cisco de teu olho, enquanto tu tens uma trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho, e então verás melhor para tirar o cisco do olho de teu irmão" (Mt 7,1-5). O Ato Penitencial é um convite para cada um olhar dentro de si mesmo diante do olhar de Deus. Reconhecer e confessar os "seus" pecados, e não os pecados dos outros. Há um provérbio que diz: "Se cada parisiense limpar a frente de sua casa, toda a cidade de Paris ficará limpa". Assim também, se cada católico, com a ajuda da graça de Deus, corrigir os seus defeitos, a Igreja toda ficará mais santa. Dizem que a gente chega ao céu, ou pela inocência ou pela penitência. Ora, a inocência já perdemos, Só nos resta a penitência. 40 | O Ato Penitencial não é mera formalidade ou rito externo. Na oração falamos com Deus, que vê até os nossos pensamentos. Nosso arrependimento deve ser sincero. É um pedido de perdão que parte do coração, com um sentido de mudança de vida, como o profeta Davi, que assim falou a Deus: "Tem piedade de mim, ó Deus, por teu amor! Apaga minhas transgressões, por tua compaixão! Ra Lava-me inteiro da minha iniquidade e er e puritica-me do meu pecado! 2 a fel Pois reconheço minhas transgressões EN CARS e diante de mim está sempre o meu pecado. “O São Caro Pequei contra ti, contra ti somente, INFIST, A pratiquei o que é mau a teus olhos” (5/1 51 ou 50, 3-6). Há um ditado que diz: "Errar é humano; reconhecer o erro é próprio do santo; permanecer no erro é diabólico". Se soubermos aproveitar desse momento da graça, que é o Ato Penitencial, sairemos da igreja melhores do que entramos. Os hebreus, quando se dirigiam para o Templo de Jerusalém em caravanas, cantando Salmos, assim diziam: “Felizes aqueles que escolheis, Senhor, e acolheis para habitar em vossos átrios! Queremos saciar-nos dos bens de vossa casa, da santidade do vosso Templo" (Sl 65 ou 64,5). Ora, em nossas igrejas mora Alguém que é maior que o Templo de Jerusalém: é o próprio Deus vivo, na Eucaristia. Não estamos apenas na casa do Senhor, mas com o Senhor da casa. Assim como limpamos os pés no capacho junto à porta, precisamos pedir que Jesus purifi- que o nosso coração, para termos parte com Ele, que é o "Santo dos Santos". DIMENSÃO SOCIAL DO PECADO Muita gente pensa que o seu pecado é tão somente uma ofensa a Deus, ou então é uma questão pessoal, consigo mesmo, sem ter nada a ver com ninguém. Não é verdade. Todo pecado tem uma dimensão social. Sempre afeta alguém: ou a esposa, ou o marido, ou os filhos, ou os vizinhos, ou outras pessoas distantes que a gente nem conhece. O pecado fere o Projeto de Amor do Criador, que nos pede uma q1 verdadeira e permanente comunhão, não só com Deus, mas com todas as pessoas, que são “imagem e semelhançade Deus". São João escreve: "Se alguém disser que ama a Deus, mas odeia o seu irmão, é um mentiroso. Pois, quem não ama o seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê" (1 Jo 4,20). Portanto, a nossa reconciliação é com Deus e com nossos irmãos É o próprio Jesus quem nos fala: “Se estás diante do altar para apresentar a tua oferta e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa tua oferta lá diante do altar. Vai primeiro recon- ciliar-te com teu irmão, depois volta para apresentares tua oferta (Mt 5, 23-24). Finalmente, uma observação: a absolvição geral que o Presidente da Celebração dá no Ato Penitencial não é um Sacramento. Trata-se de uma confissão genérica da fraqueza humana e uma purificação das faltas leves. Os pecados graves necessitam de uma confissão sacramental, pessoal. TESTE 1. Quais são os dois caminhos para se entrar no céu? 2. O que nossas igrejas têm de muito importante? 3. Como deve ser o verdadeiro Ato Penitencial? 4. Que é "dimensão social do pecado"? 5. O que nosso pecado "ofende"? 6. Você tem inimigos? Conserva ódio? 7. Que disse Jesus sobre o julgamento do próximo? 8. Qual a grande lição dos fariseus e da adúltera? LEITURA BÍBLICA: Ez 18, 19-32. 42 41. GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS! Santa Isabel da Turíngia era filha do rei André ll da Hungria, e casada com o Duque Luís Hesse da Turíngia. Empolgados pela fé, os cristãos da Europa organizaram exércitos e partiram para a Terra Santa, a fim de libertar o Santo Sepulcro, que estava em poder dos infiéis. O Duque Luís partiu para a guerra. Certo dia, Isabel recebeu um mensageiro com esta triste notícia: o seu marido havia morrido no combate. Era o dia 11.09.1227. Mas o seu calvário estava apenas no começo. Logo em seguida, o cunhado Henrique expulsou-a do castelo de Wartburg e se apossou de todos os bens dela. Isabel saiu com quatro filhos menores à procura de abrigo. Um camponês lhe cedeu um rancho para defender-se do frio. Por volta da meia-noite, Isabel ouviu o sino de um convento, anunciando a oração dos frades. Imediatamente Isabel se dirigiu para lá e pediu aos frades que cantassem o "Glória" a fim de louvar e bendizer a Deus por estar livre das vaidades e compromissos da corte. HINO DE LOUVOR O Glória é um hino de louvor à Santíssima Trindade. Louvamos O Pai, o Filho e o Espírito Santo, expressando através do canto, a nossa alegria de filhos de Deus. Vem logo depois do Ato penitencial, porque o perdão de Deus nos faz felizes e agradecidos. É motivado por uma alegria que transborda de nosso coração de maneira espontânea. O paralítico, curado à porta do templo, "deu um salto, pôs-se de pé e começou a andar, entrou no templo, saltando e louvando a Deus. E todo povo viu-o a caminhar e a louvar a Deus" (At 3,8-9). Maria, ao anúncio do anjo, exclamou: "Minha alma engrandece o Senhor e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador!" (Lc 1,46-47). Os anjos can- taram o glória no nascimento de Jesus (Cf. Lc 2,14). E Simeão proferiu um hino de alegria ao ver Jesus (Cf. Lc 2,29-32). 43 Na Bíblia Sagrada lemos esta recomendação: "Sob a inspiração da graça, cantai a Deus de todo o coração: salmos, hinos e cânticos espirituais" (CI 3,16b). O "Glória" é um hino de louvor dos mais antigos. Vem desde os primeiros cristãos. Certamente foi inspirado no canto dos anjos que louvaram a Deus no nascimento de Jesus em Belém: "Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por Ele amados" (Lc 2,14). Primeiro se dizia “paz na terra aos homens de boa vontade”. Agora se diz “aos homens por Ele amados". As palavras são diferentes, mas o sentido é o mesmo. Na verdade, o amor de Deus é para todos, mas nem todos aceitam o amor de Deus, Somente as pessoas “de boa vontade" se deixam amar por Ele. E quem não tem no coração o amor de Deus, não consegue glorificá-lo. O "Glória" é uma das mais perfeitas formas de louvor, porque se dirige ao Pai e a Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Até a oitava linha, nós glorificamos ao Pai; a seguir, dirigimos súplicas a Jesus, porque Ele é nosso MEDIADOR e intercede por nós junto ao Pai, no Espírito Santo. Veja: Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por Ele amados! Senhor Deus, rei dos céus, Deus Pai todo-poderoso, nós vos louvamos, nós vos bendizemos, nós vos adoramos, nós vos glorificamos, nós vos damos graças por vossa imensa glória. Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito, Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai. Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. Vós que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica. Vós que estais à direita do Pai, tende piedade de nós. Só vós sois o Santo. Só vós o Senhor. Só vós o Altíssimo, Jesus Cristo, Com o Espírito Santo, na glória de Deus Pai. Amém! 44 QUANDO SE DIZ O "GLÓRIA"? O "Glória" é cantado ou recitado nas Missas solenes, seja nos domingos e sábados ou nas festas dos santos. Não se diz na Quares- ma e no Advento, porque não são tempos próprios de se expressar alegria. E o "Glória" é um hino de alegria. Não se diz em dias de semana porque, se for cantado ou recitado em dias comuns, perderia o seu sentido de festa e solenidade. O "Glória" expressa, pois, a grande alegria da Assembléia solene dos filhos de Deus, o que acontece aos domingos e festas. Outra coisa: o "Glória" é um hino oficial da Liturgia. Tem uma fórmula fixa. Às vezes se cantam outros hinos um pouco diferentes. Lembramos então que devem, pelo menos, conservar o mesmo sen- tido de louvor e de glorificação de Deus que tem o Glória oficial, escrito no Missal Romano. TESTE 1. Que é que faz o homem feliz? 2. Dê exemplos bíblicos de glorificação a Deus. 3. Quem cantou o "Glória" pela primeira vez? 4. Que contém o "Glória"? 5. Quando se diz o "Glória" na Missa? 6. Qual foi o exemplo de Santa Isabel da Turíngia? 7. Pode-se mudar a fórmula do "Glória"? 8. Você canta na Missa? LEITURA BÍBLICA: Lc 2, 1-32. 45 12. A ORAÇÃO "COLETA" Certa cidade estava precisando de uma escola. To- dos sabiam disso, mas ninguém tomava a iniciativa de ir ao Governo do Estado para pedir a construção da tal escola. Um dia o Ildefonso criou coragem e foi falar com o governador. Seu pedido, porém, não obteve sucesso imediato. O governador disse-lhe: - Meu amigo, eu gostaria de ouvir mais gente sobre a necessidade dessa escola. Faça uma coleta de as- sinaturas e volte aqui com uma comissão. Aívamos pensar no assunto. O "seu" Ildefonso conseguiu três mil assinaturas e voltou ao palácio do governo com uma caravana bem representativa: prefeito, vereadores, professores, pais, crianças... E a escola foi aprovada e construída. QUE QUER DIZER “COLETA? Todos sabem o que é o caminhão "coletor' do lixo ou uma "coleta" de assinaturas. Vêm do verbo latino "collígere", que quer dizer reunir, recolher, coletar. É daí que vem também o sentido da Oração "Coleta". Ela quer reunir, numa só oração, todas as orações da Assembléia. Por isso, ela começa com o "Oremos". É o convite do Presidente da Celebração para que todos os presentes se coloquem em oração. Esse "Oremos" é segundo de uma pausa, para que durante esse tempo de silêncio cada pessoa faça mentalmente a sua oração pes- soal. Em seguida, o padre eleva as mãos e profere a oração, oficialmente, em nome de toda a Igreja. Nesse ato de levantar as mãos, o Presidente está assumindo e elevando a Deus todas as intenções dos fiéis. Tanto é que, no final da “Coleta”, todos respondem “Amém!", para dizer que aquela oração é também sua. E como se cada um estivesse "assinando" a oração proferida pelo Presidente. Há certas "Coletas" que mostram bem como essa oração supõe as intenções da Assembléia, e, portanto, é uma oração de todos os 46 presentes. Veja, por exemplo, esta Coleta do Segundo Domingo do Tempo Comum: “Deus eterno e todo-poderoso,que governais os céus e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo, e dai ao nosso tempo a vossa paz... A "Coleta" é rezada de pé e vem logo após o "Glória" (ou após o Ato Penitencial, nas Missas simples em que não há o Glória). Além da Coleta, existem mais duas orações oficiais na Missa, proferidas pelo Presidente, sem falar da Oração Eucarística, que é toda de competência daquele que preside a Celebração. As outras duas orações são: a Oração Sobre as Ofertas, no Ofertório, e a Oração Depois da Comunhão. O Missal Romano diz: "O sacerdote, presidindo a comunidade como representante de Cristo, dirige a Deus estas orações em nome de todo o povo santo e de todos os circunstantes”. Por isso se chamam "orações presidenciais”. Essas orações proferidas pelo Presidente da Celebração têm três partes: invocação, pedido e conclusão. Vejamos, por exemplo, como aparecem distintamente essas três partes nesta Coleta do Segundo Domingo depois do Natal: “Deus eterno e todo-poderoso, esplendor dos vossos fiéis, irradiai por todo o mundo a vossa glória e manifestai-vos a todos os povos, no fulgor de vossa luz! Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo". Nas duas primeiras linhas está a invocação; nas três do meio, o pedido; e nas duas finais, a conclusão. As orações são dirigidas ao Pai em nome de Jesus (que é o nosso MEDIADOR), na unidade do Espírito Santo. A MISSA E A VIDA Estamos falando de uma oração da Missa, que é a Coleta. Mas a Missa toda é uma grande oração: a oração de Jesus e de sua Igreja, pois “a Igreja é o Corpo de Cristo que preenche todo o universo" (Cf.Ef1, 22-23). 47 O certo é irmos à Igreja um pouco antes de a Missa começar, para nos colocarmos em clima de oração. Dificilmente consegue orar quem chega atrasado e se põe junto à porta de entrada, de onde fica "espiando" a Missa. Quando Deus passou pela tenda de Abraão em Mambré, sob a aparência de homem, disse a Abraão que ele iria ter um filho dentro de um ano. Abraão levou a sério, mas Sara não acreditou. Achou gozado e acabou rindo, porque ela estava mais distante da presença de Deus. Ficou ouvindo a conversa e espiando por detrás da cortina da tenda. Então Deus a repreendeu (Cf. Gn 18, 9-15). Na verdade, pouca gente sabe orar. Muitos nem dão condições para que Deus lhes fale. E o mais importante na oração não é o que dizemos a Deus, mas o que Deus tem a nos falar. A oração não é para que Deus faça a nossa vontade, mas para que nós façamos a vontade de Deus. O Padre Fulgêncio Piacentini, CP, costuma dizer que, para ser cristão, a gente precisa "fazer o que Deus quer e querer o que Deus faz". TESTE 1. Por que o padre diz "Oremos" e faz uma pausa? 2. Quais as três partes de uma oração? 3. Que quer dizer Oração "Coleta'? E o "Amém"? 4. Qual é a mais perfeita oração? 5. Que disse o Padre Fulgêncio? 6. Você costuma rezar na igreja e em casa? LEITURA BÍBLICA: Lc 1, 5-25 48 13. LITURGIA DA PALAVRA Santo Agostinho nasceu na África, no ano 354. Patrí- cio, seu pai, era pagão. Sua mãe, Mônica, era cristã. Agostinho cresceu pagão. Mônica rezou durante vinte anos pela conversão do filho. Agostinho era muito in- teligente. Um orador eloquente. Dava aulas de oratória em Roma e em Milão. A hora da graça chegou através da pregação da Palavra de Deus. Certo dia, Agostinho entrou na Catedral de Milão durante a Missa, quando o famoso Bispo Santo Ambrósio pregava o Evangelho. A Palavra de Deus tocou o coração de Agostinho. Ele disse que, diante da beleza do Evangelho, a sua sabedoria não era nada. Ficou apaixonado pela causa de Cristo. Converteu-se e recebeu o Batismo no Domingo da Páscoa de 387, com 33 anos de idade. E veio a ser o grande Bispo de Hipona e Doutor da Igreja. A PALAVRA DE DEUS TEM PODER Após o "Amém" da Oração Coleta, a comunidade senta-se. Mas primeiro deve esperar o Presidente dirigir-se à sua cadeira. Só depois que o sacerdote tiver sentado é que a Assembléia pode sentar-se. E uma norma de "educação litúrgica". Agora terminam os "Ritos Iniciais" que nos introduzem na Celebração e, com a Primeira Leitura, começa a Liturgia da Palavra. A Liturgia da Palavra tem um conteúdo de maior importância. Nesta hora, Deus nos fala solenemente. Fala a uma comunidade reunida como “Povo de Deus" e fala intimamente a cada um dos presentes. E a Palavra de Deus deve ser ouvida com fé. Ela "é viva e eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes" (Cf. Hb 4,12). Temo mesmo poder do Senhor que fala. Jesus disse: "Moço, eu te ordeno, levanta-te! E o morto se levantou e se pôs a falar (Cf. Lc 7, 14-15). 49 ANTES E DEPOIS DO CONCÍLIO Antes do Concílio Vaticano Il não se dava muita importância à Liturgia da Palavra. Para muitos, a Missa era só a Liturgia Eucarística Até chamavam a Liturgia da Palavra de "Antemissa” ou "Missa dos Catecúmenos”. Ainda hoje a Liturgia da Palavra continua sendo uma preparação para a Eucaristia, mas de importância vital, como duas partes que se completam. Santo Agostinho já dizia: 'À Palavra de Deus não é menos importante que o Corpo de Cristo”. Hoje até se fala em “Pão da Palavra e Pão da Eucaristia” para se referir à importância das duas partes. Pois o Sacramento sem a Palavra de Deus perderia o seu sentido e a sua eficácia. A PALAVRA DE DEUS E A FE Jesus insistia muito na necessidade da fé como meio de salvação Ao fazer um milagre, Ele dizia: "Seja feito conforme tua fé' (CfMtB, 13). ou ainda: “A tua fé te salvou" (Cf Mc 10, 52). Disse também o Senhor. "Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado (Mc 16,16). Sabemos que a Eucaristia é o "Mistério de nossa fé' e que a fe vem pela Palavra de Deus (Cf. Rm 10, 14). Daí a importância da pregação. E a nossa fé é em Jesus Cristo, não apenas em verdades abstratas. A fé não é uma teoria, mas é vida. Jesus é a Palavra de verdade e a Vida eterna. Ele mesmo diz: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida Ninguém vai ao Pai senão por mim" (Jo 14,6). Falando da necessidade de se crer na Palavra e na Pessoa de Jesus, São Paulo escreve: "Que seus corações se conformem, de sorte que, intimamente unidos na caridade, sejam enriquecidos da plenitude da inteligência, para atingirem o conhecimento do Mistério de Deus, que é o Cristo, no qual se encontram depositados todos 05 tesouros da sabedoria e da ciência" (Cl 2, 2-3). A seu amigo Timóteo, o mesmo São Paulo escreve: 'Tu, porém. permanece firme em tudo o que aprendeste e creste. Sabe de quem aprendeste. E desde a infância conheces as Escrituras, e sabes que elas têm o dom de proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil 50 para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela o homem de Deus se torna perfeito e capacitado para toda boa obra” (2 Tm 3, 14-17). São Gregório diz que "a Bíblia é a carta de amor de nosso Pai, & nós a deixamos fechada no envelope". O próprio Jesus nos fala esta famosa frase: "Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4,4). Ele diz também que suas palavras não são apenas palavras como as nossas, mas são "espírito e vida” (Cf. Jo 6,63). COMO PROCLAMAR A PALAVRA DE DEUS Pelo que vimos, a Palavra de Deus merece 0 máximo de respeito. Na Missa, sobretudo, não é para ser apenas "lida", mas “proclamada” ou anunciada com o poder do Espirito Santo. Portanto, até a posição do leitor precisa ser digna: jamais com a mão no bolso, coçando a cabeça, de camisa aberta ao peito, ou de qualquer outro modo que não seja condizente com o nobre exercício desse ministério, A proclamação deve ser feita solenemente, com voz clara, pausada, com boa pronúncia, bem ajustada ao microfone, de tal modo que todos possam ouvir e entender. TESTE 1. Quem veio valorizar a Liturgia da Palavra? 2. Que disseSanto Agostinho sobre a Palavra de Deus? 3. Como se relacionam a fé e a pregação? 4. Que disse São Gregório sobre a Bíblia? 5. Em quem ou em que devemos crer? 6. Você crê e vive a Palavra de Deus? LEITURA BÍBLICA: 2 Tm 4, 1-8. 51 14. PRIMEIRA LEITURA E SALMO Cada povo tem sua história:história do Japão, história da Alemanha, história do Brasil... Mas a história mais falada e abrangente acho que é a História da Salvação. Ela tem sua origem no começo da humanidade e irá até o tim do mundo. Abrange a História de Israel, que é o povo mais antigo existente até hoje, e engloba também toda a história do Cristianismo, incluindo muitos povos, de todos os Continentes. Embora o Povo de Deus tenha sua origem com Abraão, a História da Salvação começa com Adão e Eva no paraíso terrestre, passa por Abraão, por Moisés, pelos Profetas e Reis de Israel, por Jesus e os Apóstolos, está passando por nós e irá até o fim do mundo. Estamos Jizendo isso porque vamos falar da Primeira Leitura, que, em geral, é tirada do Antigo Testamento, onde se encontra o passado remoto da História da Salvação. IMPORTÂNCIA DO ANTIGO TESTAMENTO Um grande benefício que a reforma litúrgica nos trouxe é a Missa em língua pátria. Quando era em latim, não se entendia quase nada Até a Bíblia passou a ser mais lida. Todas as famílias têm em casa a sua Bíblia. Muitas pessoas se reúnem semanalmente em círculos bíblicos para estudar a Palavra de Deus. Contudo, uma coisa que, talvez, não tenha sido devidamente en- tendida até hoje é a importância do Antigo Testamento. Muitos vêem nele um texto do passado, hoje substituído pelo Novo Testamento. Uma das razões é porque no Antigo Testamento encontram-se pas- sagens difíceis de entender, com aparentes contradições e maus exemplos de homens que deveriam ser santos. Mas, apesar de o Antigo Testamento não ser atraente como o Novo, precisamos conhecê-lo para entender a história de nossa Salvação € vermos o longo caminho andado até a chegada do Messias. Aquele passado distante faz parte do processo amoroso de Deus, que quis caminhar conosco falando a nossa linguagem. Deus poderia muito bem, de repente, descer de pára-quedas” para salvar cada pessoa, individualmente, revelando-se a cada uma delas, sem estar preso a nada. Mas Ele prefere fazer história conosco, agindo com paciência milenar e usando de muita misericórdia. Por isso, Deus dialogou com Adão e Noé, caminhou com Abraão, amassou barro com os hebreus no Egito, peregrinou com Moisês pelo deserto, falou pelos Profetas, dormiu nos braços de Maria, anunciou o Reino de Deus na Galiléia e na Judéia, carregou nossos pecados no caminho do Calvário e ressuscitou para ser a nossa esperança. Quantas Alianças rompidas e refeitas para chegar até a Nova e Eterna Aliança em Jesus Cristo! JESUS E O ANTIGO TESTAMENTO Jesus mesmo nos fala que veio, não para abolir o Antigo Testamen- to mas para cumpri-lo. Ele disse: "Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim para abolir mas para cumpri-los plenamente (Mt5,17). Por isso, os evangelistas, ao narrarem os fatos da vida de Jesus, lembram que aquilo aconteceu para se cumprir o que estava predito. Vejam, por exemplo, João, quando escreve que os soldados dividiram entre si as vestes de Jesus e sobre a sua túnica lançaram sorte. Ele observa que isto aconteceu para se cumprir o que O Salmista havia profetizado no Salmo 21 ou 22,19 (Cf. Jo 19, 23-24). À respeito do cumprimento das profecias sobre Jesus, o famoso orador Bossuet diz o seguinte: "Os judeus crucificaram Jesus porque Ele se apresentava como Filho de Deus. E foi matando-O que real- mente provaram que Jesus era o Messias, pois também Sua morte estava profetizada tal qual aconteceu”. O próprio Jesus nos fala que nele se cumpriu o que foi predito pelos Profetas a respeito do Messias. Naquela tarde, a caminho de Emaús, quando os dois peregrinos manifestavam dúvidas sobre a Ressurreição do Senhor, Jesus se pôs a caminhar com eles e foi dizendo-lhes: "Ô homens sem inteligência! Como sois tardos de coração para crer tudo o que anunciaram os Profetas! Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse na sua Glória? E, começando por Moisés, percorreu todos os Profetas, explicando-lhes O que se achava dito em todas as Escrituras a seu respeito” (Lc 24, 25-27). 53 O SALMO RESPONSORIAL Após a Primeira Leitura, vem o "Salmo Responsorial'. É uma espécie de eco ou resposta à mensagem proclamada. Alguém chamou esse Salmo de "oração" da Leitura. Como se vê, não pode ser um canto qualquer, só para preencher o espaço e variar um pouco Às vezes, canta-se outro "Canto de Med tação”, que pode ser também válido, desde que sua mensagem esteja dentro do tema da Leitura & ajude a Assembléia a rezar e a meditar na Palavra de Deus que acabou de ser proclamada. Nota: A Leitura pode ser proclamada por um cristão leigo. E o Salmo pode ser cantado ou recitado. Se for cantado, é bom que toda a Assembléia cante o refrão. TESTE 1. Diga um grande benefício da reforma litúrgica. 2. Por que é importante o Antigo Testamento” 3. O que Jesus fala da Lei e dos Profetas? 4. Em que episódio Jesus mostra ser o Messias? 5. O que disse Bossuet sobre Jesus? 6. Que função tem o Salmo Responsorial? 7. Você tem lido o Antigo Testamento? Gosta de ler? 8. Como Deus tem agido na nossa Salvação? LEITURA BÍBLICA: Lc 4, 1:21. 54 15. SEGUNDA LEITURA E ACLAMAÇÃO Carta é a correspondência entre duas ou mais pes- soas. E a carta exige uma resposta. Por isso é chamada “correspondência”. Certa vez um noivado quase terminou porque a noiva escreveu três cartas e não obteve nenhuma resposta. Vamos falar da Segunda Leitura da Missa, que, em geral, é uma carta. As Cartas ou "Epístolas" da Bíblia Sagrada foram escritas pelos Apóstolos. Eles também pedem uma resposta de nossa parte. Certamente você ainda se lembra do que disse São Gregório: 'A Bibliaé a carta de amor de nosso Pai. E, muitas vezes, nós a deixamos fechada no envelope. OS LIVROS DA BÍBLIA Antes de falarmos do Novo Testamento, lembramos que o Antigo Testamento é formado por 46 livros, sendo 5 do Pentateuco, 16 da História do Povo de Deus, 7 Sapienciais e 18Livros Proféticos. O Novo Testamento tem 27 Livros: os 4 Evangelhos, o Livro dos Atos dos Apóstolos, 21 Cartas e o Apocalipse. Total de Livros da Bíblia: 73. Há Bíblias católicas que apresentam só 72 Livros, porque ajuntam Jeremias e Lamentações num só Livro. A Bíblia Evangélica ou dos Protestantes traz apenas 66 Livros, porque ela não tem sete Livros do Antigo Testamento. E o motivo dessa diferença é o seguinte: os Evangélicos adotam a Bíblia dos judeus, os quais não aceitam como inspirados por Deus os Livros escritos fora do território de Israel ou em outra língua que não seja o hebraico. UMA "ESCOLA BÍBLICA" Estamos falando das Missas dominicais ou das Missas de dias festivos, que têm três Leituras. Nas missas “feriais”, ou do meio da semana, só há uma Leitura e o Evangelho. Então não há a chamada 55 "Segunda Leitura". No Encontro anterior dissemos que a Primeira Leitura, em geral, é tirada do Antigo Testamento. Agora dizemos que a Segunda Leitura, também em geral, é tirada das Cartas. Dissemos “em geral”, porque há exceções. Às vezes, a Primeira Leitura é de outro Livro, como dos Atos, por exemplo; e a Segunda Leitura também pode ser dos Atos, do Apocalipse ou de outro Livro. Alguns chamam a Segunda Leitura de "Leitura do Apóstolo”, porque, seja das Cartas ou dos Atos ou do Apocalipse, é sempre escrita por um Apóstolo. À Liturgia da Palavra é uma verdadeira "Escola Bíblica”, porque, no decorrer do ano, nos dá uma visão da História da Salvação, recordan- do quase toda a Bíblia. ATOS, CARTAS E APOCALIPSE O Livro dos Atos, escrito por São Lucas, mostra-nos a experiência viva da Igreja primitiva: a vinda do Espírito Santo, os Apóstolos dandotestemunho da Ressurreição de Jesus, a formação das primeiras comunidades cristãs e a difusão da Igreja. Apresenta-nos aqueles quatro pontos fundamentais na vida da Igreja: 1) o “quérigma” ou primeiro anúncio do Evangelho, chamando à conversão; 2) a cate- quese ou educação permanente na fé; 3) a vida comunitária, começando pela Comunidade de Jerusalém; 4) a missão apostólica, destacando a ação de Pedro e de Paulo. O centro do Livro dos Atos é Jesus Cristo, morto e ressuscitado; e, em consequência da fé no Senhor, a fidelidade à Igreja e o amor aos irmãos. As Cartas ou Epístolas têm um conteúdo precioso: a doutrina cristã e as orientações práticas para a vida das comunidades, dando-lhes estímulo para viverem a fé. Há Carta dirigida a uma pessoa como, por exemplo, a Carta de São Paulo a Timóteo; há Carta dirigida a uma comunidade, como a Carta aos Filipenses; e há Carta destinada a toda a Igreja, sem mencionar nenhuma comunidade, como é o caso das sete últimas Cartas, ditas "Católicas" ou universais. As 14 primeiras Cartas são chamadas "Epístolas Paulinas" ou Cartas Paulinas, pois. embora não sejam todas de autoria de São Paulo, elas conservam aquele estilo do Apóstolo. Assim, por exemplo, a Carta aos Hebreus. deve ter sido escrita por algum discípulo de Paulo e não pessoalmente 56 por ele. O nome da Carta é tirado do autor ou do destinatário da mesma. Por exemplo: Carta de Tiago e Carta aos Romanos. E, quando ouvimos a "Carta", ela é para nós e não para os romanos. O Apocalipse é o último Livro da Bíblia. Foi escrito por Joao, o Evangelista, por volta do ano 100, quando ele estava exilado na ilha de Patmos. “Apocalipse” é uma palavra grega. Quer dizer 'revelação”. É um livro profético. Convida os cristãos a estarem preparados para o regresso de Jesus que deve ser breve. É uma verdadeira “carta de encorajamento". Fol escrita para que os cristãos permanecessem fiéis a Jesus e à sua Igreja no meio das provações, pois estavam sendo perseguidos, especialmente pelos pagãos. CANTO DE ACLAMAÇÃO Terminada a Segunda Leitura, vem primeiro a Monição ao Evange- lho. Só depois é que vem o canto. E a Monição não é uma espécie de homilia, mas um breve “comentário”, convidando e motivando a Assembléia para ouvir o Evangelho. A Monição é feita com a Assembléia sentada, mas a Aclamação canta-se de pé. Na Quaresma e no Advento o Canto de Aclamação não tem "Aleluia". TESTE 1. Por que a Liturgia da Palavra é "Escola Bíblica? 2. Quantos Livros tem a Bíblia e como se divide? 3. Quem escreveu os Atos”? E para quê? 4. Qual o sentido do Apocalipse? 5. Que é uma Monição ao Evangelho? Como deve ser? 6. Quando a Aclamação não tem "Aleluia'? 7. Você ouve as Cartas como sendo para você? LEITURA BÍBLICA: Ap 22,1-21. 57 16. O EVANGELHO Um sábio do Oriente tinha o dom de ensinar. E gos tava de ensinar por meio de parábolas. Certo dia. e contou esta parábola: Dona Verdade, vendo que havia muita coisa era? na face da terra, resolveu sair pelo mundo para ensinar os homens a viver. Ela saiu nua, despida de qualquer adomo como ela é, na verdade. Foi um fracasso. Ninguém à recebia. Todos viravam o rosto. Alguns até lhe bateram 2 porta na cara. E assim, Dona Verdade foi andando, andem do, sem encontrar acolhida. Estava já terminando a volta ao mundo, quando 3º encontrou com Dona Parábola. Por mais amigas q? sempre foram, Dona Parábola quase não a reconheceu É lhe disse assustada: - Dona Verdade, a senhora está tão abatida, tão triste Ô que anda acontecendo? E Dona Verdade respondeu amargurada: - Porque estou velha e feia, ninguém me recebe à me cansei de peregrinar inutilmente, Então Dona Parábola disse-lhe: - Não seja por isso! Vista a minha roupagem bonita & verá como vai ficar simpática. Dito e feito. Coma vistosa roupagem de Dona Pará bola, Dona Verdade foi bem acolhida. O EVANGELHO, PALAVRA DE VIDA Jesus, o Mestre dos mestres, não poderia ter deixado de falar em parábolas. Sua palavra, cheia do poder do Espírito e de sabedoria por si só já atrala as multidões. Mais ainda porque usava de parábolas ou comparações liradas da vida do seu povo. E, quando falava, Jesus costumava se colocar num lugar mais elevado para ver e ser visto pela multidão, l0sse num pequeno monte ou no barco. | 1) Assim deve ser ainda hoje, quando se proclama a Boa Nova em nossas Missas. Toda a Assembléia está de pé, numa atitude de expectativa para ouvir a Mensagem. E o padre ou o diácono proclama o Evangelho, junto da estante, num lugar mais elevado, para ser visto e ouvido claramente por todos. Essa Palavra, solenemente anunciada, nao pode estar “dividida com nada: com nenhum barulho, com nenhuma distração, com ne- nhuma preocupação. É como se Jesus, em Pessoa, se colocasse diante de nós para nos falar daquilo que mais nos interessa. À Palavra do Senhor é luz para nossa inteligência, paz para nosso espírito e alegria para nosso coração. Por isso, essa Palavra do Evangelho deve ser esperada com fé e alegria. O Canto de Aclamação é uma espécie de “aplausos” para o Senhor que vai nos falar, Em ambientes devida- mente conscientizados até se costuma bater palma nessa hora da Aclamação. PODE-SE FAZER UMA “PROCISSÃO” Após o Conciio Vaticano Il, a Liturgia deixa uma certa liberdade para a criatividade, possibilitando assim algumas iniciativas que ve- nham trazer mais vida e participação ao culto divino. Por isso, antes da proclamação do Evangelho, pode-se fazer uma procissão com a Bíblia ou Lecionário e as velas. Para se dar mais destaque ao anúncio da Palavra de Jesus, é bom que dols ministros ou acólitos segurem uma vela em cada lado da estante onde se faz a proclamação do Evangelho. A Liturgia precisa destes "sinais" para ressaltar a grandeza do rito. Para a proclamação do Evagelho o leitor saúda a Assembléia e esta responde da seguinte maneira: Padre: O Senhor esteja convosco! Todos: Ele está no meio de nós! Padre: Evangelho de Jesus Cristo, segundo (Mateus)! Todos: Glória a vós, Senhor! No final do Evangelho, o padre diz: Padre: Palavra da Salvação! (E beija o Livro Sagrado) Todos: Glória a vós, Senhor! 59 OS QUATRO EVANGELHOS O Evangelho, como Mensagem de Salvação, é um só Mas foi escrito por quatro evangelistas. Por isso falamos que há quatro "Evangelhos": o de Mateus, ode Marcos, ode Lucas eo de João. Dois desses evangelistas fazem parte do grupo dos doze Apástolos Mateus e João. Marcos e Lucas não são do grupo dos Doze. Os três primeiros Evangelhos têm muita semelhança entre si conservam o mesmo estilo e narram quase todos os mesmos fatos Por isso são chamados de "slnóticos', O Evangelho escrito por São João tem um estilo diferente e focaliza outros fatos e palavras de Jesus, dando destaque para a divindade do Senhor e penetrando mais o Mistério do Filho de Deus. Lembramos que um evangelista dã mais minúcias do que outro na narração do mesmo fato; um omite algumas palavras de Jesus, outro as coloca; um conta um acontecimento, outro omite. Mas não ha contradição entre os quatro. Eles apenas se completam e comprovam que Jesus é o Messias e que anunciou o Reino de Deus. Queremos também lembrar que o simples anúncio do Evangelho já é, em si, uma graça de Deus. Mais ainda se for vivido. Jesus disse “"Bem-aventurados os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11,28). TESTE 1. Que significa a Monição ao Evangelho? 2. E a Aclamação? Que sentido tem? à. Qual o valor das velas na hora do Evangelho? 4. Qualis evangelistas não eram Apóstolos? 5, Que são os “sinóticos'? 6. Que significa o Evangelho em sua vida? 7. Existe um ou quatro Evangelhos”? Explique. LEITURA BÍBLICA: Mt 13, 1:23 60 17. HOMILIA Amadeu começou a sentir algumas dores pelo corpo e muito desânimo. Procurou o médico e contou tudo. O médico pegou um papel e foi ouvindo e escreven- do ao mesmotempo. Acabada a consulta, o médico mandou fazer uma porção de exames no laboratório e tomar outros tantos remédios. Na hora Amadeu parece que tinha entendido tudo Mas, em casa, pegou a receita, leu, releu, e acabou sem saber que exames fazer e que remédios tomar. A! ficou com vontade de jogar a tal receita no lundo da gaveta e esquecer lá. Mas, pensando bem, resolveu ir até a farmácia para decifrar aquela escrita complicada. O farmacêutico foi lendo e explicando cada coisa. Era tudo muito fácil. Assim pe acontecer a muita gente que tem a Bíblia nas mãos; lê, mas não entende. Ou acaba guardando o Livro Sagrado numa estante para nunca mais pegá-lo; ou pede uma explicação a quem entende, e põe em prática. uma questão de vida ou morte, como o remédio receitado. A ORDEM DE JESUS Jesus tinha encerrado sua missão na terra. Havia ensinado o povo & particularmente os discípulos. Tinha morrido e ressuscitado dos mortos. Missão cumprida! Mas sua obra da Salvação não podia parar ali. Devia continuar até o fim do mundo. Por isso, Ele passou aos Apóstolos o seu poder recebido do Pai e lhes deu ordem para que pregassem o Evangelho a todos os povos. Assim lhes falou o Senhor: “Todo o poder me fol dado no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pal e do Filho e do Espírito Santo, e fazei com que obedeçam a tudo quanto ensinei. Eis que eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo" (Mt 28, 18-20). “Depois de lhes falar, o Senhor Jesus fol elevado ao céu, e está sentado à direita de Deus. Os discípulos partiram e pregaram por toda 51 a parte. O Senhor cooperava e lhes confirmava a palavra com sinais (Mc 16, 19-20). Como se vê, a Igreja recebeu pessoalmente de Jesus, de viva voz a missão de evangelizar os povos. E, desde aquele dia até hoje, ela vem realizando essa missão. Os bispos são os responsáveis direlos pela continuidade da obra missionária de Jesus, Com eles trabalham os padres e os cristãos leigos engajados na pastoral, E Jesus tem dado prova de que caminha com a Igreja e a sustenta com seuy poder divino, pois, se ela estivesse por conta somente dos homens, já se teria acabado hã muito tempo, como todos os reinos do tempo de Jesus. FILIPE EXPLICA Se um homem do povo pegar a Constituição Brasileira e a ler todinha, pouca coisa ele val entender. Se uma pessoa qualquer pegar o projeto de um edifício com todos aqueles cálculos, também terá muitas dúvidas. Assim acontece com a Bíblia Sagrada. Precisamos de quem a explique. Os próprios Apóstolos, depois de ouvirem as parábolas pediam a Jesus que lhes explicasse o que elas queriam dizer. Há uma passagem da Biblia que mostra como é essa expolicação ou homilia, É o caso do ministro da rainha Candace, da Etiópia, que descia de Jerusalém a Gaza. Ele tinha ido ao templo para adorar à Deus e voltava lendo a Sagrada Escritura no trecho do profeta Isaias. que diz: “Como ovelha foi levado ao matadouro. E, como cordeiro mudo diante de quem o tosquia, ele não abriu a sua boca. Na sua humilhação foi consumado o seu julgamento. Quem poderá contar a sua descendência? Pois a sua vida foi tirada da terra”. Inspirado por Deus, Filipe aproximou-se da carruagem e perguntou ao ministro: "Porventura entendes o que estás lendo” Respondeu-lhe o elíope: Como é que posso entender, se não há ninguém que me explique?" E pediu a Filipe que subisse ao carro, sentasse ao lado del? e lhe explicasse aquele trecho. Então Filipe explicou que aquela profecia referia-se a Jesus Cristo, levado ao martírio da Cruz. Nessa hora a graça de Deus moveu o ministro para a fé em Jesus, e ele pediu o Batismo. Havia all uma água corrente. Eles pararam e Filipe 0 batizou (Cl. At 8, 26-38). 62 A homilia é isso: a Interpretação de uma profecia ou a explicação de um texto bíblico. É difícil entender hoje aquilo que foi dito há muitos séculos. Cada época tem seus costumes e sua linguagem. No tempo de Jesus, a mentalidade era outra. E a língua também. Para entender- mos o que foi dito por Ele, precisamos estudar os costumes e a lingua daquela época. E só Isso não basta. A Bíblia não é um Livro de sabedoria humana, mas de Inspiração divina. Precisamos da graça de Deus. Quem taz a homilia fala oficialmente em nome da Igreja, movido pelo Espírito Santo, como foi o diácono Filipe. O sacerdote é esse "homem de Deus". Na homilia, ele “atualiza O que foi dito há dois mil anos. Diz o que Deus está querendo “hoje com aquela mensagem proclamada àquela comunidade ali presente. E os fiéis não devem levar em conta a pessoa do padre, em si, com seus defeitos, mas o próprio Cristo, que disse a seus discípulos: Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos rejeita, a mim rejeita” (Cf. Lc 10,16). Nota: O Presidente da celebração Eucarística sempre deve fazer a homilia, mesmo que seja numa Missa simples. E, durante a homilia, a Assembléia fica sentada. TESTE 1. Com que palavras Jesus enviou 05 Apóstolos”? 2. Que é uma homilia? Dê um exemplo biblico. 3. Por que a homilia é necessária? 4. Pode alguém crer em Jesus e rejeitar os padres? 5. Basta ter conhecimento científico para lazer homilia? 6. Você ouve com atenção a homilia? LEITURA BÍBLIA: 1 Cor 1, 10-31 63 18. PROFISSÃO DE FE Um edilício estava em chamas. No segundo andar havia uma menina de dez anos. O fogo estava no primeiro andar, e a fumaça, subindo, envolvia todo o prédio, aumen- tando a confusão. Ninguém via nada. A menina gritou, pedindo socorro ao pai, que estava na praça. Ouvindo a voz da filha, o pal correu, colocou-se embaixo da janela e disse: - Filha, pode saltar que eu pego você! À menina respondeu apavorada: - Tenho medo, papal, não estou vendo você! E o pai disse: - Não se preocupe, filha! Pode saltar que eu estou vendo você. A menina pulou e caiu nos braços do paí. Assim deve ser a vida do cristão: um salto para os braços do Pal. Mesmo que a gente não esteja vendo a Deus, basta reconhecer a sua voz. Ele não nos engana O SÍMBOLO APOSTÓLICO A fe é a base da religião, o fundamento do amor e da esperança cristã. Jesus disse: “Tudo é possível a quem crê" (Mc 9, 23). E São João fala que a fé é “a arma que vence o mundo” (Cf. 1 Jo 5,4) À verdadeira fé supõe a confiança. Crer em Deus é também confiar nae Um dos momentos mais belos da Liturgia da Palavra é, sem duvica logo após a homilia, quando toda a Assembléia se levanta e faz solenemente a sua Prolissão de Fé, recitando em voz alta “Creio em Deus Pai". Com essa atitude queremos dizer que cremos na Palavia de Deus que fol proclamada e estamos prontos para pô-la em prática É como um juramento público, Há dois textos dilerentes para a Prolissão de Fé: o Simbos Apostólico e o Simbolo Niceno-Constantinopolitano. E O primeiro vem do tempo dos Apóstolos. Por isso se chama “Simbolo dos Apóstolos". É um resumo das verdades de fé protessada pelos primeiros cristãos É também o mais curto e mais recitado nas Missas. Vamos recordá-lo: Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra; e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os morios. Creio no Espirito Santo, na santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém! SÍMBOLO NICENO-CONSTANTINOPOLITANO No século quarto, um teólogo chamado Ário começou a ensinar que Jesus era apenas Homem e não Deus. Isso é uma heresia, (Heresia é a negação de uma ou mais verdades da fé). Para alirmar a divindade de Cristo e combater o “arianismo”, foi feito o Concílio de Nicéia, no ano 325. Aía Igreja colocou no"Creio" algumas palavras a mais, acentuando a divindade de Jesus, como estas: "Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro..." Logo depois surgiu outro herege, de nome Macedônio, que negava a divindade do Espírito Santo. Então a Igreja se reuniu no Concílio de Constantinopla, no ano 381, e acrescentou umas palavras, afirmando que o Espírito Santo é verdadeiro Deus. São estas as palavras: “Senhor que dá a vida e procede do Pai e do Filho, ecomoPaie o Filho é adorado e glorificado; ele que falou pelos profetas”. Daí resultou essa Profissão de Fé mais extensa, que chamamos de “Simbolo Niceno-Constantinopolitano”, por ter sua origem nos Concílios de Nicéia e Constantinopla. Vamos recordá-o: Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra; de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubsiancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos céus: e se encarnou pelo Espirito Santo no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar Os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. Creio no Espirito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e como Pale o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas. Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém! Este Simbolo é recitado apenas alguns domingos, geralmente quando se fala de Jesus como Messias, o Filho de Deus. Como º 56 Símbolo dos Apóstolos, ele é uma sintese das verdades fundamentais da fé, para manter os cristãos unidos, na medida em que foram se espalhando pelo mundo. É bom recitarmos sempre o “Creto”, mesmo fora da Missa, pois ele tem o poder de alugentar O Maligno, assim como o “Sinal da Cruz”, feito com tê. Hoje há seitas religiosas modernas que, como o arianismo, afirmam que Jesus não é Deus. Para as Testemunhas de Jeová, por exemplo, Jesus é o “Primogênito das Criaturas", mas não é Deus. Ele é criatura e não Criador. É um homem privilegiado pelo Pai, mas não é Deus como o Pai. Tal heresia se basela nesta frase de Jesus: "O Pai é maior que eu” (Jo 14,28b). Mas é preciso entender que Jesus disse isso como Homem, na condição de 'servo' de Deus, pondo-se a serviço de nossa salvação. Não podemos ficar com uma frase isolada. Temos que ver todo 0 contexto bíblico. Em outros lugares Jesus afirmou que é Deus como o Pal. Por exemplo: “Eu e o Pai somos UM" (Jo 10,30). Disse também: Pal, glorifica-me junto de ti, com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse" (Jo 17,5). Negar a divindade de Cristo é erro grave, pois, se Ele não é Deus, não pode nos salvar. Só Deus salva. TESTE 1. Quais os dois Símbolos que recitamos na Missa? 2 Que você sabe do Simbolo dos Apóstolos”? 3. Como surgiu o Simbolo Niceno-Constantinopolitano? 4. Que é arianismo? 5. Que é uma heresia? 6. Qual o grande erro das Testemunhas de Jeová? 7. Você tem pensado nas palavras da Prolissão de Fé? 8. Você vive, no dia a dia, a sua fé? LEITURA BÍBLICA: Hb 11, 1-20 67 19. CRER NA IGREJA O bar do seu" Candinho é o mais movimentado da vila. É um ponto de encontro dos amigos. Ali todo o mundo entende de qualquer assunto, sobretudo depois de tomar uma branquinha. Ontem o “seu” Braulino saiu com esta - O padre mandou um convite lá em casa, pra gente irá Missa, Mas não vou, não. Onde já se viu padre de bigode? É uma pouca vergonha! Aí aproveitaram para descarregar uma porção de coisa contra a Igreja. O Joaquim até levantou o copo com dois dedos da "51º para brindar. Um outro disse: - Esse negócio de muita reza é bobagem. A minha vizinha não saí da Igreja e vive brigando com o marido. Quase se pegaram. O "seu" Diógenes deu contra, dizendo: - Vocês não sabem o que estão falando! A Igreja é coisa santa. Vem de Deus. A coisa ficou pior: acendeu a fogueira mais ainda Alguém respondeu imediatamente: - Se a Igreja fosse santa e viesse de Deus, o padre Pino não teria casado, o Papa não moraria num palácio. O CAMINHO DA DESCRENÇA Na Profissão de Fé, dizemos: “Creio na santa Igreja Católica Estamos certos ou errados? Se os cristãos têm tantos pecados. podemos chamar a Igreja de "santa"? Sim. Da nossa parte a Igreja é pecadora, porque feita de criaturas humanas imperfeitas. Mas, da parte de Deus, a Igreja é santa, porque Jesus caminha com ela “até o fim do mundo”, e ela tem a presença do Espírito Santo que a ilumina e santifica. Quando falamos "crelo na santa Igreja Católica”, estamos dizendo que aceitamos a Igreja como obra de Jesus e instrumento de salvação, sustentada pela graça de Deus, apesar de suas falhas humanas. Crer em Deus é fácil. O difícil é crer na Igreja, porque ela tem sua face manchada pelo nosso pecado Por isso, o caminho da descrença é este: primeiro o ateu deixa de crer na Igreja, depois em Jesus Cristo, finalmente não crê em Deus. Dizer simplesmente que não tem fé é coisa que não fica bem ao ser humano. O homem, em geral, não tem coragem de dizer “eu não acredito em Deus", porque ele se sente rebaixado, parecendo um irracional. Então ele diz que tem fé, mas não crê na Igreja, pois a sua descrença na Igreja ele consegue justificar apontando falhas que, de fato, existem nas pessoas da Igreja. Depois, ainda com certa boa aparência de inteligente, o homem consegue dizer que crê em Deus, mas não em Jesus Cristo, Pois acha impossível" de se explicar que alguém seja homem e Deus ao mesmo tempo. Então nega a divindade de Jesus. Diz que aceita Cristo como um profeta ou “primogênito das Criaturas”, como dizem as Testemu- nhas de Jeová, ou como um “Vidente e Grande Médium”, segundo os Espíritas. Finalmente, o terceiro passo da descrença consiste ainda em se dizer que tem fê em Deus, mas é um Deus vazio, distante, frio, impessoal, uma espécie de “energia” solta no espaço, um Deus lgórico que não significa nada. Um Deus que é produto da imaginação de poeta e que não exige nenhum relacionamento pessoal nem compromisso de vida de ninguém. E simplesmente um modo elegante de ser ateu sem precisar dizer que não tem fé. QUEM NÃO CRÊ NA IGREJA NÃO CRÊ EM DEUS Vimos, no Encontro 17, que a Igreja é a portadora da Salvação. Quem crê em Deus Pai, crê em Jesus, enviado pelo Pai para salvar; e quem crê em Jesus deve crer na Igreja, que Ele fundou, e à qual entregou a Sua missão de salvar a humanidade. Jesus, quando enviou os Apóstolos para anunciarem o Evangelho, disse-lhes: “Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita o Pal que me enviou" (Lc 10,16). A Salvação é obra de Deus, vem de Jesus, mas o próprio Cristo quis ter os homens como colaboradores nessa obra, anunciando e levando a Salvação a todos os povos. Para isso Ele enviou os Apóstolos, dizendo-lhes: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura, Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer será condenado" (Mc 16, 15-16). A São Pedro, primeiro chele visível da Igreja depols de Jesus. O Senhor disse: 'Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e o poder do inferno não dominará sobre ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus; tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus (Mt16,18-19). O próprio Deus quer que acreditemos na Igreja. E isto provamos através de um fato bíblico. É ocaso de Tomé. Depois da Ressurreição Jesus apareceu aos discípulos que estavam reunidos numa sala. Estavam todos, menos Tomé. E quando Tomé chegou, disseram-lhe “Nós vimos o Senhor!" Ao que Tomé respondeu-lhes: 'Se eu não vit nas suas mãos os sinais dos pregos e não colocar o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!” Oito dias depois, estavam os discípulos novamente reunidos no mesmo lugar, e Tomê com eles. Estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco!" Depois disse a Tomé: “Põe aquio teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé!” Respondeu-lhe Tomé: "Meu Senhor e meu Deus!' É Jesus acrescentou: 'Tu creste, Tomé, porque viste. Felizes os que crêem sem me terem visto" (Jo 20, 19-29). O QUE TOMÉ NEGOU Agora perguntamos: em quem Tomé não acreditou? Em Cristo” Não. Ele duvidou da palavra dos colegas, os Apóstolos, que eram 3 Igreja, oficialmente all reunida. Por isso Jesus repreendeu-o & chamou-o de incrédulo, pois não crer na Igreja é o mesmo que não crer em Deus. Cristo é inseparável do Pai, e a Igreja é inseparável de Cristo. Quem despreza a Igreja, despreza Jesus, do qual procede à Salvação. À comunhão com a Igreja é garantia de Salvação, porque o Senhor lhe disse: "Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20). Lembramos que a nossa fé na Igreja é só naquilo que se refere à nossa Salvação, pois em assunto de Política, de Economia ou dê ro Ciências a Igreja pode errar como qualquer outra empresa humana. A assistência do Espírito Santo é para que a Igreja não erre emassunto de fé. Não podemos rejeitar a Igreja por causa dos pecados pessoais de seus membros. Isso não nega que a Igreja seja divina. Pelo contrário: prova que ela é sustentada por Deus e não pelos homens, pois se fosse pelos homens já teria pifado há muito tempo. Quando os judeus queriam matar os Apóstolos por darem testemunho de Jesus, Gamaliel achou melhor não matá-los. Ele disse que, se a Igreja fosse uma obra de Deus, não adiantaria combalê-la; e se fosse obra dos homens, ela se acabaria por si mesma. (Cf. At 5, 34-42). Pois bem, aí está a Igreja, atravessando já vinte séculos! TESTE 1. Por que é díficil crer na Igreja” 2. Qual é o caminho da descrença”? 3. Como é o Deus de um ateu? 4. Que aconteceu com Tomé? Ele duvidou de quem? 5. Que disse Jesus sobre sua Igreja? 6. À Igreja não erra quando fala sobre o quê? 7. Você crê na Igreja? Participa ativamente dela? 8 Você se considera membro da Igreja? LEITURA BÍBLICA: Jo 21, 15-25 71 20. ORAÇÃO DOS FIÉIS Arquimedes nasceu no ano 2A7 antes de Cristo e é respeitado até hoje como físico, geômetra e matemático É dele esta famosa frase: "Dá-me um ponto de apoio e, com uma alavanca, eu levantarei o mundo”, Os movimentos religiosos da Igreja aplicaram essa palavra “alavanca” para a oração, porque a oração tem poder de “remover montanhas" ou até de expulsar o demônio. Certa vez um homem levou seu lilho possesso para os Apóstolos curarem. Estes ordenaram para que o demônio saísse do menino, mas o demônio não saiu Depois o homem levou o filho a Jesus, e Jesus expulsou o diabo. Então, no tim do dia, os Apóstolos perguntaram ao Mestre: - Por que nós não conseguimos curar o menino, e o senhor conseguiu? E Jesus respondeu-lhes: - Essa casta de demônio não se expulsa a não ser com muita oração e jejum (Cf. Mc 9, 14-29). AS PRINCIPAIS INTENÇÕES No começo da Missa vimos que existe a Oração Coleta. É uma oração breve, proferida pelo Presidente, a fim de colocar a Assembléia em clima de fé para ouvir a Palavra de Deus. Ágora vem um espaço mais abrangente para a oração, onde os fiéis também colocam publicamente as suas intenções. Por isso se chama "Oração dos Fiéis". Vem logo após a Profissão de Fé (ou após a homilia, se não houver Profissão de Fé). A Oração dos Fiéis encerra a Liturgla da Palavra, É a Palavra de Deus feita oração. Depois de ouvirmos a Palavra de Deus e de professarmos nossa fé e confiança em Deus que nos falou, nós colocamos em Suas mãos as nossas preces de maneira oficial & 72 coletiva E fazemos essas orações confiando em Jesus, que disse “Pedi e recebereis, buscai e encontrareis, batei e a poria se abrira Porque todo o que pede, recebe, o que busca, encontra, e a quem bate se abrirá" (Mt 7,7-8). Essa Oração dos Fiéis é também chamada "Oração Universal”, ou mesmo, como dizem alguns, 'Preces da Comunidade”. O Missal Romano, falando sobre a Oração dos Fiéis, diz o seguinte: 'Na Oração Universal ou oração dos fiéis, exercendo a sua função sacerdotal, O povo suplica por todos os homens. Convém que, normalmente, se faça esta oração nas Missas como povo, de tal sorte que se reze pelas seguintes intenções: - pelas necessidades da Igreja; - pelos poderes públicos e pela salvação de todo o mundo; - pelos que sofrem qualquer necessidade, - pela comunidade local. LITURGIA E VIDA Cabe à Equipe de Liturgia a iniciativa de ver as intenções próprias nas diversas circunstâncias naquela Igreja local, pois a Missa deve ser algo que interesse à comunidade, que toque à vida de seus participantes. Em outras palavras, a Missa é um ato litúrgico de uma Igreja “viva”, concreta, encarnada, que enfrenta os problemas reais do dia a dia. Por isso, o Concílio permite maior criatividade em certas partes da Missa, como na Oração dos Fiéis, possibilitando que a fé expresse algo vivencial, Acabou aquele tempo em que os leigos iam à Igreja para "assistir" à Missa de maneira passiva. O Concílio lembrou que os fiéis par- tlcipam ativamente do culto, em decorrência de seu Batismo. Como balizados, todos nós participamos da missão do próprio Cristo, que é Sacerdote, Profeta e Rel. O leigo pode e deve exercer o "sacerdócio comum”, pelo qual celebra a santa Missa juntamente como sacerdote. O cristão leigo é co-responsável na Igreja. Assume com alegria e responsabilidade aquilo que é do Interesse de sua comunidade. À Paróquia é uma comunidade viva, que tem na Missa o seu ponto mais elevado. 73 REZAR JUNTOS À Liturgia deve ter a força de converter os que duvidam e fortalecer os que vacilam. Quem entrasse na Igreja, por engano, na hora da Missa, deveria sentir-se atraído pela fé viva e alegria contagiante que unem a todos num só coração e numa só alma. Mesmo que o meu pedido não seja pronunciado em voz alta, eu posso colocá-lo na grande oração da comunidade, Assim, minha oração se torna oração de toda a Igreja e adquire um crédito maior O que não posso fazer na Missa são as orações pariculares, como leitura de livros piedosos, novenas e mesmo a oração do terço. Na Missa, reza-se “a Missa”. Na Oração dos Fiéis, a introdução e a conclusão são feitas pelo Presidente. As outras preces são feitas pelos fiéis, em voz alta Em geral, as preces terminam com um apelo à comunidade, como este “Rezemos ao Senhor!" Ao que a Assembléia responde, mais ou menos assim: "Senhor, escutal a nossa prece!”. Durante a Oração dos Fiéis, todos ficam de pé, pois é a posição própria do orante. Assim rezavam os primeiros cristãos. TESTE 1. O que Jesus falou sobre a oração? 2. Por que se compara a oração a uma alavanca? 3. O que o Batismo nos faz? 4. Como deve ser a Liturgia? 5. Em que lugar da Missa está a Oração dos Fiéis? 6. Quais as intenções fundamentais da Oração dos Fiéis? 7. Você gosta de orar com a comunidade? Por quê? 8. A comunidade paroquial tem sentido para você? LEITURA BÍBLICA: 1 Tm 2, 1-0 74 | 214. LITURGIA EUCARÍSTICA Dizem que um egoísta chamado Tifão morreu e foi direto para o inferno. Um dia, porém, reconheceu seu pecado e pediu perdão a Deus. Imediatamente apareceu- lhe um anjo e lhe disse: - Tifão, Deus ouviu sua prece e enviou-me para ver se você praticou algum ato bom quepossa justificar sua entrada no céu. - O Senhor da Misericórdia, que ato bom poderei ter feito? Minha vida foi só egoísmo. Estou perdido! - respon- deu Tifão. E o anjo insistiu: - Mas, Tilão, alguma coisinha, como dar à alguém um copo de água, nem isso você fez? - Nem isso - respondeu ele. - É como você tratou os animais, Tifão? - Bendito seja Deus! - respondeu ele - Um dia tirei o pé para não pisar numa aranha. - Bem-aventurado é você, Tifão! - disse o anjo - Só por isso Deus lhe dará o céu, com uma condição: nunca mais seja egoísta. E, no mesmo instante, desceu do céu uma corda grossa, feita de fios de aranha. Tifão agarrou-se nela e começou a subir. Foi subindo, subindo... Quando estava perto do céu, olhou para baixo e viu alguns companheiros de sofrimento tentando pegar a ponta da corda para subir também. Então lhes disse; - Larguem! Essa corda é só para mim! Imediatamente a corda rompeu-se, e ele caiu. CEIA E SACRIFÍCIO A lenda da corda nos ajuda a entrar no espírito da Liturgia Eucarística, onde o mesmo pão é repartido para muitos Irmãos. A Eucaristia reúne duas coisas: como Sacramento, renova a Cela Pas- 75 cal; e. como Sacrifício, renova o ato redentor de Cristo na Cruz. Pois na Ceia, Jesus deu aos discípulos 0 seu sanque que ia ser "derramado pela redenção da humanidade. Dai a Íntima ligação da Eucaristia com o Sacrifício de Jesus, A Missa, porém, mesmo como Sacriticio, não tem aquele sentido de “morte”, próprio dos sacrifícios dos pagãos Ela é o Sacrifício de louvor' do Cristo Ressuscitado que venceu a morte Graças a Deus, hoje temos a “Missa Comunitária”. Ela é para todos. Ninguém pode ficar “dono” da Missa, Não pode querer que ela seja só para si ou só para um determinado falecido. O Sacrifício redentor de Cristo é universal. Destina-se a toda a humanidade. E não é coma um bolo que, sendo repartido para muitos, reduz o tamanho da fatia O valor da Missa é espiritual, infinito para todos. ASSEMBLÉIA CELEBRATIVA Na Liturgia Eucarística, todos são “celebrantes" do Mistério da Salvação. Ninguém “assiste” passivamente. Sao todos convivas do divino banquete. Cada um deve sentir-se convidado pessoalmente por Jesus, que é o Presidente “invisivel' da Celebração. O Missal Romano diz: “Na Missa ou Ceia do Senhor, à Povo de Deus é convidado e reunido, sob a presidência do sacerdote, que representa a Pessoa de Cristo para celebrar a memória do Senhor ou Sacrifício eucarístico. Por isso, a esta reunião local da santa Igreja aplica-se, de modo eminente, a promessa de Cristo: "Onde dois ou mais estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mt 18,20). Ninguém se sinta isolado e esquecido dentro da Missa: Jesus reuniu em torno da Mesa os seus amigos. Em Cristo, todos se fazem irmãos, filhos do mesmo Pai, sem distinção entre ricos e pobres doutores e analfabetos. É como está escrito: “Há um só corpo e um só espírito, assim como, graças à vossa vocação, fostes chamados à uma só esperança. Há também um só Senhor, uma só fé, um só Batismo, um só Deus e Pal de todos, que está acima de todos, por todos e em todos" (Ef 4, 4-6). Todos os gestos, palavras, preces e cantos realizados na Liturgia da Palavra devem levar a Assembléia a participar da Ceia que o Senhor desejou “ardentemente” celebrar com seus discípulos. E a Missa não pode ficar reduzida somente àquela hora de rito. Ela deve dar sentido 76 a toda a nossa vida, assim como em todos os dias da semana devemos estar vivendo a nossa Missa, Liturgia não êsóro e palavras é sobretudo “vida”. PRESENÇA DE DEUS E EXULTAÇÃO DA VIDA Dissemos que Deus está presente na Celebração E esta presença se manisfesta de vários modos. Jesus se faz presente pelo sacerdote, que é seu representante; presente pela Assembléia, no meio da qual o Senhor prometeu estar; presente pela Palavra, que é viva e eficaz; presente pelo Pão e Vinho consagrados, que são o Corpo e 0 Sangue do Senhor, Vivo e Ressuscitado. E a presença de Deus na Missa não é “estática”, mas dinâmica. Não é uma presença de quem apenas “está all, mas de quem age e provoca uma grande alegria. À palavra Eucaristia quer dizer “ação de graças". Mas para os primeiros cristãos significa muito mais: era a “berakah” dos hebreus. É a Intervenção divina que provoca em nós a "exultação da vida". É Deus vivo que passa por nós, toca nossa vida com a sua graça, arrastando-nos para Si e provocando em nós uma verdadeira “festa”. E essa alegria imensa nos leva a dar graças e a louvar a Deus. Esse é o sentido original de “Eucaristia”. TESTE 1. Como é a lenda da corda? 2. Quais os dois aspectos da Missa? 3. Como se manifesta a presença de Deus na Missa? 4. Por que ninguém pode ficar “dono” da Missa? 5. Que é "Eucaristia" ou a "berakah' dos judeus”? 6. Você participa da Missa em comunhão com os outros? LEITURA BÍBLICA: At 2, 42-47 77 22. PROCISSÃO DAS OFERENDAS Quando eu estudava no Ipiranga, em São Paulo, um dia saí para uma caminhada em direção a São Bernardo Era uma manhã tria do início de maio do ano 1959. À beira da estrada, havia montes de lixo. E ali estavam dois meninos lotando de papel um carrinho feito de caixole sobre duas rodinhas de rolamento. Os meninos eram muito pobres: cinta de barbante, camisa sem botão, pés descalços. Olhei para eles e perguntei-lhes: - O que vocês estão lazendo? O mais velho pensou um pouco e disse: - Eu vou falar, mas é segredo: nós estamos catando papel para vender e comprar um presente para nossa mãe no dia das mães. Ela não sabe. Foi uma grande lição para mim. Aqueles meninos pobres não estavam pensando neles, mas no presente que iriam dar à sua mãe. Presente de pobre, dado com amor e carinho. Lembrava a oferta da viúva no templo, elogiada por Jesus. Ela deu duas moedinhas pobres, mas valiam mais que os donativos caros dos ricos, porque, como disse Jesus, ela "dava tudo o que possuia” [Lc 21,1-4). O QUE DIZER DA PROCISSÃO DAS OFERENDAS? A procissão das oferendas não é colsa que precisa ser realizada. Não faz parte essencial da Missa. É um ato opcional. Faz-se quando tem uma razão especial, Se estiver virando rotina e perdendo o sentido, até é bom não se lazer mais. E, quando há Procissão do Ofertório, deve haver alguma colocação do Comentarista, explicando o sentido das ofertas, sobretudo quando se leva alguma coisa não litúrgica, como em caso de Missa de formatura ou aniversário da cidade. As ofertas não podem ficar “isoladas”, mas devem ter um significado e ajudar a participação da comunidade na Liturgia. 78 No Início da Missa o Presidente com os Ministros ficam nas cadeiras em frente do altar. Eles não vão para o altar porque este representa a mesa da Cela, que começa propriamente na Liturgia Eucarística. Mas, terminada a Oração dos Fiéis, o Presidente e os Ministros vão para o altar a fim de prepararem as oferendas Nesta altura o altar está preparado: corporal estendido no centro, como uma toalhinha, missal aberto, o cálice e a patena com a hóstia grande do sacerdote. Segundo alguns entendidos, a hóstia grande não deve ser separada na patena, mas vir junto, na âmbula, com as hóstias dos fiéis, para não tirar o sentido de unidade do Presidente com a Assembléia, na comunhão. Às pessoas que trazem as oleren- das em procissão, não as trazem apenas em seu nome, mas representando toda a comunidade. Por isso, as pessoas que trazem as ofertas devem ser dignas representantes da comunidade, pois O seu trabalho, a sua fé, o seu amor, a sua vida cristã devem cor- responder aquilo que, realmente, é o povo de Deus ali presente. Durante essa procissão, canta-se o Canto do Ofertório. As principais ofertas são O pão e o vinho. Podem-se trazer outas coisas, como ramos de trigo, cachos de uva, água, flores... Antiga- mente os cristãos traziam de suas casas o pão a ser consagrado. Hoje esse sentido de trazer" fica simbolizado pela Procissão das Ofertas.Essa caminhada, levando para o altar as ofertas, significa que o pão e o vinho estão saindo das mãos do homem que trabalha. Às demais oferendas representam igualmente a vida do povo: a flor, simbolo do amor e da gratidão; a coleta em dinheiro, fruto do trabalho e da generosidade dos fiéis; os alimentos e vestes são o gesto concreto da fraternidade dos cristãos. NOSSA OFERTA É UM DIREITO DIVINO Na hora do Ofertório, colocamos na cesta a nossa oferta para conservação e manutenção da casa de Deus. Não é uma “esmola”. Deus não é mendigo: é o Senhor de nossa vida. Ele não precisa de uma esmolinha, mas merece nossa gratidão, em sinal de retribuição a tantos benefícios que dele recebemos. Infelizmente há quem dá um miudinho" que, se desse a uma criança, esta não o aceitaria. É hora de mostrarmos a nossa generosidade. A oferta tem também um To senti á pipa educativo. É um gesto espontâneo e consciente, bem ngeénco, que deve representar nosso desapego e nossa libertação Assim está na Biblia: “Cada um dé com liberdade de coração, sem constrangimento, pois Deus ama a quem dá com alegria (2 Cor97) Se nossa oferta não for sinalde amor e gratidão, é melhor não darmos nada. Olhe o que o Senhor nos fala através do Proleta Malaquias: Quando ofereceis em sacrifício um anima! cego, não é isto um mal? E quando trazeis um animal coxo ou doente, isto não é mai? Vamos, oferecei-o ao vosso governador para ver se ele ficará con- tente convosco e vos dará, de bom grado, a recompensa!” (MI 1,8) Outra condição para Deus aceitar a nossa oferia é que estejamos em paz com nossos irmãos. A [é não pede apenas a minha comunhão com Deus, mas também com os irmãos. Jesus disse: “Se ao apresentares a tua oferenda ao altar, aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa aí a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-le com teu irmão. Depois vem e apresenta a tua oferenda” (Mt 5, 23-24). TESTE 1. Quais as ofertas sem as quais não há Missa? 2. Como era a oferta do pão antigamente? 3. É necessário fazer Procissão das Oferendas? 4. Que significam as diversas oferendas? 5. Que sentido tem nossa oferta em dinheiro? 6. Que disse o Profeta Malaquias sobre a oferta? 7. Você dá sua oferta com generosidade e alegria? B. E o dízimo, você paga? LEITURA BÍBLICA: At 5, 1:11 23. APRESENTAÇÃO DO PÃO E DO VINHO Um mendigo caminhava pela estrada na esperança de ganhar alguma esmola. Na sua sacola ele levava um pão velho. Cansado e sujo, o andarilho, cada pouco, olhava para frente e para trás, a fim de ver se apontava alguém no caminho deserto. De repente, avistou uma carruagem ao longe, na curva da estrada. E, na medida em que a carruagem se aproximava, ele ficava mais feliz, pois havia percebido que era o príncipe com sua comitiva. O mendigo pôs-se à beira da estrada e ficou acenando para que parassem. A carruagem parou. O mendigo, cheio de esperança, estendeu a mão e disse ao príncipe: - Dá-me uma ajuda, por misericórdia! Com muita surpresa, porém, ouviu o príncipe dizer- lhe sorrindo: - Eu é que te peço um pedaço de pão! O mendigo ficou desapontado. Quebrou uma ponti- nha do seu pão e deu ao principe: À carruagem seguiu em frente. Desapareceram na estrada empoeirada. Depois de andar muito, o mendigo levou a mão na sacola, pegou o pão, olhou e teve grande surpresa: havia um pedacinho minúsculo de ouro, do tama-nho da pontinha de pão que ele havia dado ao principe. Então, muito arrependido, pensou: "Que burro tui eu! Por que não dei o pão inteiro?" O NOSSO PÃO E O NOSSO VINHO Na Missa nós oferecemos a Deus o pão e o vinho que, pelo poder do mesmo Deus, mudam-se no Corpo e no Sangue do Senhor. Deus aceita a nossa oferta e a transforma numa dádiva de valor infinito, que é a própria Divindade. Sempre que colocamos nas mãos de Deus aquilo que está em nossas mãos, acontece a maravilha do milagre, como aconteceu com os cinco pães e os dois peixes. si O President “ta Celebração recebe as ofertas da comunidade e as apresenta a Deu: Um povo de fé não traz apenas pão e vinho mas no pão e no vinho, oferece a sua vida Um dia o pão foi uma semente que 0 lavrador semeou na terra e cultivou com amor e esperança. Depois colheu com alegria o fruto de seu trabalho e o colocou sobre o altar, Deus pega nossa olerta e a transforma em “pão da vida e vinho da salvação”. RITO DO PÃO E DO VINHO O Presidente olerece o pão a Deus, dizendo: “Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão que recebemos de vossa bondade, fruto da terra e do trabalho do homem, que agora vos apresentamos e para nós se vai tornar pão da vida! E a Assembléia responde: - Bendito seja Deus para sempre! Al o sacerdote coloca a hóstia dobre o corporal e prepara o vinho para oferecé-lo do mesmo modo. Antes, porém, ele põe algumas gotas de água no vinho, dizendo: “Pelo mistério desta água e deste vinho, possamos participar da divindade de vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade”. Como se vê, a mistura da água no vinho simboliza a união da natureza humana com a natureza divina. Na sua Encarnação, Jesus assumiu a nossa humanidade e reuniu, em Si, Deus e o Homem. E, assim como a água colocada no cálice torna-se uma só colsa com 0 vinho, também nós, na Missa, nos unimos a Cristo para formar um só Corpo com Ele. Em seguida, o Presidente eleva o cálice e diz: "Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo vinho que recebemos de vossa bondade, fruto da videira e do trabalho do homem, que agora vos apresentamos e para nós se vai tornar vinho da salvação!" Aqui também a Assembléia responde: - Bendito seja Deus para sempre! 52 O povo pensa que a bênção é sempre alguma coisa que desce de Deus para os homens. Mas não é só Isso. No sentido bíblico, à bê nção pode subir dos homens para Deus, em forma de louvores e ação de graças. Abençoar é bendizer. Então o homem bendiz ou abençoa à Deus, porque em vão seria o seu trabalho de semear e cultivar a terra. se Deus não fizesse a semente nascer e a planta crescer. Nós bendizemos a Deus nessa hora, não só porque Ele fez cair a chuva e produzir trigo e uva, mas, sobretudo, porque Ele faz o milagre de mudar o nosso pão e o nosso vinho no Corpo e no Sangue do Senhor. Nós bendizemos a Deus porque o pão comum que oferecemos val se tornar para nós o “Pão da Vida”, e o vinho vai se tornar “Vinho da Salvação”. Essa é a grande dádiva: nós recebemos incomparavelmente mais do que aquilo que oterecemos. Por isso bendizemos. Nota: O vinho deve ser puro, de uva. E as hóstias também devem ser de trigo puro, não fermentado. Antes da consagração, as hóslias são simplesmente pão, como qualquer outro pao sem mistura. O cálice com vinho e a âmbula com as hóstias para a comunidade ficam sobre o corporal, no centro do altar, junto da hóstia grande do Presidente, que é colocada sobre a patena. TESTE 1. O que o Presidente diz ao apresentar o pao? 2. E que diz ao apresentar o vinho? 4. Por que se mistura um pouco de água no vinho? 4. Que significa "Bênção? Quais os sentidos? 5. Como devem ser o vinho e as hóstias? 6. Como se chama o objeto onde ficam as hóslias? 7. Você sabia que sua vida deve estar unida à de Jesus? LEITURA BÍBLICA: Mt 14, 13-21 83 24. ÚLTIMAS ORAÇÕES DO OFERTÓRIO Adão e Eva tiveram muitos filhos e filhas. À Biblia menciona especialmente dois: Caim e Abel, pela seguinte razão: o primeiro representa o mal, O segundo representa o bem, Caim era agricultor e Abel era pastor de ovelhas. Certo dia eles ofereceram sacrifícios a Deus. Abe! ofereceu uma ovelha e Caim ofereceu frutas. Deus aceitou o sacrifício de Abel e ndo aceitou o de Caim, certamente porque Abel ofereceu a ovelha com alegria e Caim ofereceu suas frutas com má vontade. Porisso, Caimlicou revoltado. O seu coração se encheu de ciime e de ódio contra seu irmão. Tanto é que um dia ele acaboumalando Abel com uma paulada. A OFERTA AGRADÁVEL A DEUS Quando oferecemos um presente, devemos fazer duas coisas: ver se o presente é agradável à pessoa que vai receber, e dar ess presente com amor e alegria. De fato é assim que procuramos fazer Antes de dar uma camisa a alguém, procuramos saber que número aquela pessoa veste e de que cor ela gosta. Santa Teresinha dizia que queria não só obedecer aos Mandamen- tos mas fazer o “capricho” de Deus até nas menores coisas. E, quanto áquilo que agrada a Deus, podemos adiantar uma coisa: Ele não aceita sacrifícios de quem não sabe amar. Jesus disse: "Quero misericórdia e não sacrifício" (Mt 12,7). Deus não aceita sacrilícios de quem não tem reta intenção ou o faz por mera formalidade. São Paulo escreveu aos cristãos de Roma: “Eu vos exorto, irmãos, pela misericórdia de Deus, que apresenteis vossas vidas como hóstia viva, santa e agradável a Deus. Seja este o v0559 culto espiritual* (Am 12,1). Neste Encontro vamos ver as últimas orações do Ofertório. Elas falam que nosso sacrifício é aceito por Deus quando temos um coração purificado e humilde. Depois de ter colocado o cálice sobrê o corporal, o Presidente Inclina-se diante do altar e reza em voz baixa 84 “De coração contrito e humilde, sejamos, Senhor, acolhidos por vos, e seja o nosso sacrifício de tal modo oferecido que vos agrade, Senhor, nosso Deus!" Essa oração é tirada do Livro de Daniel. Depor- tado para Babilônia, o Povo de Israel estava longe do Templo e não podia oferecer a Deus os sacrifícios de cordeiros e bois. Então Azarias fez essa bela oração, oferecendo a Deus o seu sacrifício espiritual. INCENSAÇÃO E PURIFICAÇÃO DAS MÃOS Quando a Missa é solene e festiva, costuma-se fazer a incensação do altar, do Presidente da Celebração e da Assembléia. O incenso tem um simbolismo: significa que aquele sacrifício deve subir até Deus, como a fumaça. Não tem nada de magia, de coisa de macumba, de relação com os espíritos maus. Não é uma “defumação”. Antigamente a comunidade levava para o altar ofertas como alimentos e outros objetos que poderiam sujaras mãos do Presidente. Por isso, ele lavava as mãos. Hoje, além da purificação das mãos, tem também o sentido de uma purificação espiritual do ministro de Deus, Por isso, ao lavar as mãos, o Presidente ora em voz baixa: 'Lavai-me, Senhor, das minhas faltas e purificai-me do meu pecado”. Essa oração é tirada do Salmo 50,4. Lembra Davi pedindo perdão de seu pecado. O sacerdote não está junto do altar como alguém que intercede por um povo passivo. Não. A oração deve partir também da comu- nidade, que se constitui numa "Assembléia celebrativa”. Por isso, O Presidente se volta para o povo e pede: "Oral, irmãos, para que O nosso sacrifício seja aceito por Deus Pai todo-poderoso!" E a Assembléia responde: “Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para glória de seu nome, para nosso bem e de toda a santa Igreja". Veja que, em primeiro lugar, está a glória de Deus. ORAÇÃO SOBRE AS OFERTAS Esta oração chamada “Sobre as Ofertas" tinha, antigamente, O nome de “Secreta”, porque era rezada em voz baixa pelo celebrante. Pode-se também dizer “Oração Sobre os Dons”. A finalidade dessa oração é colocar nas mãos de Deus os dons que trouxemos para O santo Sacrifício, como vimos já nas orações anteriores. É um modo de Insistir na mesma colsa diante de Deus, bem ao gosto do Evange. lho, como ensina Jesus na parábola do homem que foi pedir ao amigo um pão, altas horas da noite. Este estava dormindo, mas o homem bateu até que ele veio atender (Lc 11,5-8). Ou como está na parábola do juiz e da viúva, o qual a atendeu devido à sua insistência (Lc 18,1-8) Com a Oração sobre as Ofertas termina a parte do Olertário Inicia-se agora a Oração Eucarística ou Anáfora, que começa como Prefácio. Estamos entrando no "coração" da Celebração, que é o Mistério da presença real de Jesus no pão e no vinho consagrados. Para isso é que fizemos toda essa purificação de vida. Todo respeito ainda é pouco para entrarmós no “santo dos Santos' da Celebração. TESTE 1. Qual a condição para Deus aceitar nossa oferta? 2. Como deve ser o sacrifício? Que pede Deus? 3. Ao darmos um presente, o que devemos saber? 4. Que disse Santa Teresinha? E São Paulo? 5. Que signífica o incenso? 6. Por que o Presidente lava as mãos? 7. Por que se faz a Oração sobre as Ofertas? 8. Você se prepara espiritualmente para a Missa? 9. A sua oferta é agradável a Deus? LEITURA BÍBLICA: Is 1, 10-20 25. PREFÁCIO E SANTO Moisés pastoreava o rebanho de seu sogro Jetro, em Madian. Foi avançando pelo deserto e chegou ao Monte Horeb, que é o Monte de Deus. Ali viu uma sarça de fogo E ficou admirado, porque o arbusto eslava em chamas e não se consumia. Então Moisés pensou: Quero chegar mais perto para ver como é isso”. Vendo que Moisés se aproximava da sarça ardente, Deus lhe disse: "Moisés, Moisés!" Ele respondeu: “Eis-me aqui!" Ai o Senhor lhe disse: “Não te aproximes deste lugar! Tira as sandálias, pois o lugar onde estás é santo” (Cf. Ex 3, 1-5). O TEMPLO DE JERUSALEM E NOSSAS IGREJAS Para os judeus, santo era todo o lugar onde Deus se manifestava, porque Deus é santo. De maneira especial, santo era o Templo. E, no Templo. havia uma parte santíssima, chamada “o santo dos santos”. Ai só o sumo sacerdote entrava, e uma vez por ano apenas, para O sacrifício expiatório. Era uma sala que ficava bem no interior do Templo, cercada de muito respeito e relevância, pois ali estava a Árca da Aliança. Tinha também o nome de Tabernáculo. Só depois de se purificar é que o sacerdote podia entrar ali, Era um lugar temível, intocável, pois Deus tinha ordenado a Moisés: “Diga a toda a assembléia dos filhos de Israel: Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19, 1-2). Lembramos que hoje, em termos de presença de Deus, o mais simples templo católico é mais Importante que o Templo de Jerusalém, porque tem dentro de sl, não a Árca da Aliança, mas O próprio Cristo, Deus Vivo, presente no sacrário, com aquela luzinha acesa ao lado. Ele é o verdadeiro "Santo dos Santos”. Estamos fazendo esta observação porque agora vamos estudar O Prefácio e o "Santo" da Missa, 87 O PREFÁCIO Terminada a Oração sobre as Ofertas, começa o diálogo que nos introduz no Prefácio. É o seguinte: Presidente: O Senhor esteja convosco! Assembléia: Ele está no meio de nós. Presidente: Corações ao alto! Assembléia: O nosso coração está em Deus. Presidente: Demos graças ao Senhor nosso Deus! Assembléia: É nosso dever e nossa salvação Esse dialogo é sempre o mesmo em todos os tempos do Ano Litúrgico. Em seguida vem o Prefácio, que é variável. Há um ou mais para cada tempo da Liturgia. Por exemplo: Prefácios do Advento. do Natal, da Epifania, da Quaresma, da Paixão, da Páscoa, da Ascensão do Senhor, do Pentecostes, de Cristo Rei, da Eucaristia, da Santissima Trindade, de Nossa Senhora, de São José, dos Apóstolos, dos Santos. dos Mártires, dos Pastores, das Virgens e Religiosos, dos Anjos, dos Mortos e diversos Prefácios do Tempo Comum, além de alguns Prefácios especiais que fazem parte da Oração Eucarística O Presidente reza o Prefácio de braços abertos. E cada Prefácio tem algumas palavras próprias, relerentes à festa que se celebra. Por exemplo, no Natal fala do nascimento de Jesus, na Páscoa faz referência a Cristo ressuscitado. O Prefácio é um hino de "abertura" que nos introduz no Misterio Eucarístico. Por Isso, o presidente convida a Assembléia para elevar os corações a Deus, dizendo: "Corações ao alto!”. E um hino que proclama a santidade de Deus e dá graças ao Senhor. O "SANTO" O final do Prefácio é sempre igual. Termina com esta aclamação "Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus do universo! O céu e a terra proclamam a vossa glória. Hosana nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!"Às vezes, quando o "Santo" é cantado, mudam-se algumas pala vras. Mas o sentido deve permanecer o mesmo. Em geral, é cantado SR nas Missas dominicais e recitado nas Missas simples do meio da semana, O "Santo" é tirado do profeta Isalas (6,3), o qual teve a seguinte visão: Serafins, no Templo, aclamavam em alta voz: "Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos exércitos! Toda a terra está cheia de sua glória!” A repetição, dizendo três vezes “Santo”, é um reforço de expressão para significar o máximo de santidade. É como se dissesse que Deus é “Santíssimo”. O que o profeta Isaías deixa bem claro, nessa passagem, é que ele é um homem de lábios impuros, indigno de falar em nome de Deus, e que, no entanto. viu a glória do Senhor no templo. Por isso estava atemorizado e dizia: “Ai de mim, estou perdido!” Então veio um anjo e purificou os seus lábios com uma brasa viva. Esta passagem & uma lição para nós, que participamos da Eucaristia. Também nós somos pecadores, de lábios impuros, e estamos nos preparando para receber o Corpo do Senhor em nossa boca. Não nos esqueçamos de que Deus é “três vezes Santo”, isto é, Santíssimo, Senhor do céu e da terra, e que em seu nome vem a nós o Cristo, a quem devemos bendizer: “Bendito o que vem em nome do Senhor!" TESTE 1. O que é o Prefácio? Como começa” 2. Há um só ou mais Prelácios? Dê exemplos? 3. Como termina o Prefácio? 4. De onde velo o “Santo? 5. Por que se diz três vezes “Santo”? 6. Que era o “Santo dos Santos" no Templo? 7. Por que Isalas ficou atemorizado em sua visão? 8. Você respeita e reverencia o nome de Deus? LEITURA BÍBLICA: Is 6, 1-8 B9 26. CONSAGRAÇÃO DO PÃO E DO VINHO Na Copa do Mundo de 1974, uma hora antes de começar o jogo da Polônia, eu disse a um artista polonês que decorava o painel da Igreja de Barirl, SP; - Aristark, o senhor não vai ver o jogo? - Não vou - respondeu-me ele - pois existe mais beleza num grão de feijão que nasce do que numa bola que bate na rede. Acho que o pintor polonês tinha razão. O nascimento e o crescimento de uma semente é um espetacular milagre. Nós só não ficamos admirados porque virou rotina. Um eucalipto de vinte metros de altura, um dia esteve todinho dentro de uma pequenina semente. À chuva, a terra, o sol e o tempo deram condições para que aquela sementinha viesse a ser uma gigantesca árvore Tanto é que, se a semente fosse de laranja ou de abacate, à árvore seria uma laranjeira ou um abacateiro, porque a árvore estava todinha concentrada dentro daquela se- mente. ASSIM É NA CONSAGRAÇÃO De maneira mais admirável ainda é a transformação do pão e do vinho na hora da consagração, na Missa. Por ordem de Cristo, o Presidente da Celebração pega o pão e o apresenta à Assembléia, falando as palavras que Jesus mandou dizer: “Tomai, todos, e come, istO é O meu corpo que será entregue por vós”. E aquele pão se muda no Corpo do Senhor. À mesma coisa o sacerdote faz com o cálice de vinho, que se torna o Sangue de Jesus. Mais eficaz que a terra e a chuva, que translormam a semente em árvore, é a Palavra de Deus, que muda o pão e o vinho no Corpo e sangue do Senhor. À Palavra de Deus é eficaz, Isto é, realiza aquio que diz. Deus disse: "Haja luz!" E imediatamente houve luz (Gn 1,3). Lembramos que, especialmente na Missa, o sacerdote age “in per- sona Christi", isto é, em lugar da pessoa de Cristo. É como se Jesus 80 estivesse pessoalmente presidindo a Celebração. Tanto é que o padre diz “Isto é o meu corpo, e aquele pão não se torna o corpo do padre, mas o Corpo de Cristo. Porque ele celebra por ordem Jesus. que disse: “Fazei isto em memória de mim" (CI. Lc 22,15). ORAÇÃO EUCARÍSTICA Com o Prefácio entramos na Oração Eucarística ou Anafora, que val até as palavras: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo”, antes do Pai Nosso. À Oração Eucarística é o centro e o coração da Celebração. Não é “mais uma oração” da Missa, mas a Própria Missa. Antes do Concílio havia uma só forma de Oração Eucarística. Agora existem várias. À mais comum é a Segunda, da qual são tirados muitos exemplos aqui citados. Momentos antes da Consagração, o Presidente estende as mãos sobre o pão e o vinho e pede ao Pai que os santífique, enviando sobre eles o Espírito Santo. Depois recorda o que Jesus fez na Ceia e pronuncia as palavras da Consagração, que agora, no novo Missal Romano, são: "TOMAI, TODOS, E COMEI: ISTO É O MEU CORPO, QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS". Em seguida, o Presidente recorda que Jesus tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente, e o deu a seus discípulos, dizen- do: “TOMAI, TODOS, E BEBEI: ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE, O SANGUE DA NOVA E ETERNA ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR TODOS, PARA REMISSÃO DOS PECADOS. FAZEL ISTO EM MEMÓRIA DE MIM". Depois da consagração do pão, o Presidente levanta a hóstia à vista da Assembléia. Em seguida faz uma genullexão para adorar Jesus presente no Santíssimo Sacramento. O mesmo ele faz após a consagração do vinho. No momento da Consagração, a Assembléia deve ajoelhar-se e levantar-se logo em segulda. Em certas celebrações, como nas comu- nidades neocatecumenais, costuma-se ficar de pé, mesmo na hora da Consagração. Nesse caso, a Assembléia faz uma profunda 91 inclinação de cabeça no momento em que o Presidente eleva a hóstia e o cálice. O texto escrito com letras malúsculas constitui propria- mente a Consagração. Aí é que o pão e o vinho se mudam no Corpo e no Sangue do Senhor. Nessa hora deve haver silêncio total. Nada de “fundo musical”. As palavras da Consagração não podem ficar divididas com nada, "FAZELISTO!" Queremos chamar a atenção para esta ordem que Jesus deu no final da Ceia: “Fazei Isto em memória de mim!" A Igreja celebra a Missa não só porque é um ato de pledade bom e bonito, mas para cumprir a vontade expressa de Jesus, que mandou celebrar a Ceia, E sabemos que, desde o início da Igreja, a Missa foi celebrada, começando pela primeira comunidade crista, que foi a de Jerusalém No início, os cristãos não falavam "Missa", mas fração do pao, porque o pão consagrado era partido e distribuído (Cl. Al 2,42). São Paulo fala da Missa celebrada na comunidade de Corinto no seu tempo (Cf. 1 Cor 11, 17-34). Menciona também Missas celebradas por ele (Cf. AL 20, 7-11). TESTE 1. Que é Oração Eucarística? 2. O padre faz a vez de quem? Explique isso. 3. Com que palavras o padre consagra o Pão? 4. E com que palavras consagra o vinho? 5. Que ordem Jesus deu no final da Ceia? 6. Qual foi o primeiro nome da Missa? 7. Você crê na presença de Jesus na Eucaristia? Por quê”? LEITURA BÍBLICA: Mt 26, 17-23 27. "EIS O MISTÉRIO DA FE!" Certa vez, na velha Grécia, um mestre perguntou a seus alunos: Quando um homem e um bo! olham para um prédio, eles estão vendo o mesmo prédio ou vêem duas coisas diferentes? - Estão vendo o mesmo prédio - disseram. Mas o mestre não concordou. E explicou: -O prédio é o mesmo, mas a maneira de ver é diferente. O homem vê o prédio como homem e o boivê o prédio como boi. O prédio que está na cabeça do homem pode ser diferente do prédio que está na cabeça do boi. De fato, quando uma coisa entra na mente da pessoa, toma a forma do pensamento daquela pessoa. À mesma música é triste, se a pessoa está triste, e é alegre, se a pessoa está alegre. Passando agora para o assunto do nosso Encontro, vamos ver que uma coisa de fé pode ter muito sentido para quem crê e pode não signilicar nada para quem não crê. ASSIM É DIANTE DA EUCARISTIA Terminada a Consagração, o Presidente da Celebração proclama solenemente, mostrando o Sacramento: - Eis o Mistério de nossa fé! E a Assembléia responde: - Ânunciamos, Senhor, a vossa morte e proóclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus! Nota: Há outras formas de resposta além desta. Sabemos que o Cristo presente no Pão consagrado é um só e o mesmo paratodos. Mas nem todos o estão vendo com a mesma fé. Tanto é que alguns não respondem nada. Pode ser que nem estejam crendo. E entre as pessoas que vão comungar? Será que todas estão comungando com té? Nem sempre. O Cristo é o mesmo, mas alguns podem estar comungando sem fé. E quem O recebe sem fé, não O recebe para a sua salvação. Pelo contrário: se estiver comungando com pouco caso, até faz um pecado. São Paulo diz que tal pessoa “será réu do Corpo e do Sangue do Senhor" (Cf. | Cor 11,27). 93 DIANTE DA NATUREZA Existem na natureza muitos lugares lamosos pela sua beleza extraordinária. Chegam a emocionar o turista. Por exemplo, o Crista Redentor, no Rio de Janeiro, a Foz do Iguaçu, o Monte Serrat, em Santos. Os turistas chegam, olham, admiram, tiram fotos e filmam aquelas paisagens maravilhosas. Mas a pessoa que nasceu nesses lugares e ali mora há muito tempo, nem liga para aquilo Até não entende por que os turistas ficam tão admirados. Na verdade, para quem mora ali ao lado, aquela paisagem extraordinária se lomou comum. É rotina. Não impressiona. Coisa semelhante pode acontecer com o cristão diante da Missa De tanto ir à Missa, já se acostumou com ela. À mudança do pão edo vinho no Corpo e no Sangue do Senhor virou rotina. Não diz nada Principalmente, se nunca procurou estudar nada da Missa e tem ido por simples cumprimento de preceito dominical. Nesse caso, além de a Missa não ter sentido, passa a ser uma coisa cansativa. Para la! pessoa a Celebração não val além de um rito vazio que não lhe ci nada. É mera exterioridade. Ela não descobre a beleza do Mistério porque não vê com os olhos da fé, nem experimenta a presença de Deus, porque está totalmente desligada, O mesmo rosto santo de Jesus foi visto diferentemente por Maria e por Judas, por Pedro (que chorou) e por Herodes (que fez gozação), por Gestas (que blasfemou) e por Dimas (que ganhou o paraiso). UM olhou com ódio e revolta, outro com amor e fé. Por isso os efeitos do olhar foram contrários e produziram reações diferentes. Santo Agostinho tala que no Calvário havia três condenados, um ao lado do outro, na mesma posição, os três crucificados, com uma diferença: um estava dando a Salvação, outro a estava recebendo, & o outro a estava perdendo, A PRESENÇA DO MISTÉRIO Assim acontece com as pessoas na Missa. Uns olharão para à hóstia com fé, outros sem fé. Para uns, aquele Pão é o Corpo do Senhor; para outros, é simplesmente um pedaço de pão comum. Uns sq RT aceitam o Mistério, outros só “acreditam” no que estão vendo com os olhos e apalpando com as mãos, como Tomé. Por isso, a Missa não diz nada para algumas pessoas. E tais pessoas saem da igreja dizen- do: “Acho a Missa uma colsa tão vazia, tão chocha' O fato é que estamos diante do Mistério de Deus. E o Mistério so é aceito por quem crê. À presença real de Jesus no Pão e no Vinho consagrados é o Mistério dos mistérios. O Presidente da Celebração oapresenta à Assembléia à manelra de um desafio à té: 'Eis o Mistério da fá!” Há um canto eucarístico muito bonito, que se intitula Deus de Amor, O qual diz assim: "No Calvário se escondia tua divindade, mas aqui também se esconde tua humanidade: creio em ambas e peço, como a bom ladrão, no teu reino, eternamente, tua salvação!” Essa é a verdade: na Cruz se via a divindade de Jesus, mas se via a sua humanidade. Na Eucaristia, porém, não se vê nem a divindade nem a humanidade do Senhor, mas apenas as aparências do pão e do vinho, que por milagre são o Corpo e o Sangue de Jesus. TESTE 1. Que é preciso ter para participar da Missa? 2. O que acontece a quem vai à Missa sem fé? 3. Explique a comparação da natureza com a Missa. 4. O que disse Santo Agostinho? 5. Qual a diferença de Jesus na cruz e na Eucaristia? 6. Você crê no Mistério da Eucaristia? LEITURA BÍBLICA: Mt 14, 22-36 85 28. CEIA EUCARÍSTICA: SUA ORIGEM Certo dia, Deus começou a formar um Povo e a fazer a História com seu Povo: é a História da Salvação Teve início com Abraão. Abraão morava em Ur, na Caldéia, e Deus o chamou para habitar uma terra desconhecida, chamada Canaã. Mais tarde, José, descendente de Abraão, foi para o Egito e lá o Faraó, que era o rei nomeou-o Primeiro Ministro do reino. Então José levou para o Egito seu pai Jacó e seus irmãos. No começo eram bem iratados. Mas, depois de muitos anos, os descendentes de Abraão passaram a ser escravos dos egípcios. Eram obrigados a cuidar de reba- nhos e a amassar o barro para fazer tijolos. Nessa altura, já somavam meio milhão de pessoas e ficaram conhecidos com o nome de Povo Hebreu, Povo de Israel, Povo Judeu ou Povo de Deus. Um dia, Deus leve pena de seu Povo e mandou Moisés tirá-lo da escravidão do Egito. O Faraó não quis deixar os hebreus sairem, pois, como escravos, traba- lhavam de graça. Fo! preciso Deus punir o Egito com dez castigos ou “pragas”. O último castigo foi a morte dos primogênitos dos egípcios. Morreu até o filho do Faraó Então o Faraó deixou Israel sair. A PÁSCOA DOS JUDEUS Na noite da partida, os judeus fizeram a Ceia Pascal. Páscoa quer dizer “passagem”. Aqui, é a passagem do Senhor como Libertador Na Ceia, eles comeram o cordeiro pascal. E, com o sangue do cordeiro, tingiram o batente da porta de suas casas. Nas casas onde não houvesse o sangue do cordeiro, quando passasse o “anjo exter- minador', morreria o primogênito, isto é, o filho mais velho. Foi assim que morreram todos os primogênitos dos egípcios. Essa famosa Ceia Pascal passou a ser celebrada todos os anos, no dia catorze do mês de Nizã. (Fim de março ou começo de abri. E 26 na lua cheia da primeira semana da Primavera, no hemistério Norte). Isto em cumprimento de uma ordem que Deus havia dado, nodeseno do Sinai, no segundo ano da saída do Egito, no primeiro mês”. Assim falou o Senhor a Moisés: "Celebrem os filhos de Israel a Páscoa, no tempo determinado. No dia catorze deste mês, no crepúsculo (Cf. Nm 9, 1-5). E foi dentro dessa Ceia Pascal Hebraica que teve origem a Ceia Eucarística, celebrada por Jesus com os Apóstolos. Por isso, vamos ver resumidamente como era (e é até hoje) a Ceia Pascal dos judeus. E uma Ceia suculenta, muito mais que a nossa Ceia de Natal. Sua celebração atravessa a noite. Termina ao surgir a primeira estrela da manhã. Dela participa toda a família, incluindo as crianças. Não é uma Ceia feita simplesmente de comida e bebida. Nela, toda a História da Salvação é recordada e vivida, de pai para filho, ALGUM AITO DA CEIA HEBRAICA O judeu participa da Cela Pascal, não como quem recorda um passado que se foi, mas como quem celebra um acontecimento que se faz presente, Quem preside começa dizendo: "Hoje saberão que é o Senhor (Javé) quem vai passar. Ele val passar e nos libertar da escravidão e da morte”. Não se trata do deus estático e morto dos pagãos, mas do Deus vivo, que passa, arrasta e liberta com mao forte, dando um sentido novo à vida. E a passagem desse Deus libertador provoca no seu Povo uma grande alegria ou “exultação da vida”, como já dissemos. O judeu senta-se à mesa da Cela Pascal para fazer a sua história”, não apenas para recordá-la. Na Ceia, ele conta a seus filhos pequenos O que aconteceu, pois Deus lhe ordenou: "Contarás a teu filho tudo o que o Senhor fez por ti". Então as crianças perguntam: “Por que esta noite é tão diferente de todas as outras noites? Nas outras noites nós vamos para a cama cedo; nós não temos esta Cela..." E os pais explicam a seus filhos de maneira bem vivencial, colocando-se dentro da História da Salvação: "Porque fomos escravos no Egito. Se o Senhor não tivesse tirado nossos pais, nós, nossos filhos e os filhos de nossos filhos ainda seríamos escravos do Faraó”. O judeu não diz que Deus tirou daquela escravidão somente Os antigos. Não. O judeu de hoje estava lá também. Ele se coloca junto 97 dos libertados daquela noite, pols,se não fizer assim, quer dizer que ainda continua escravo. E uma história viva, Inacabada, que passa pelos judeus de hoje e para seus filhos como coisa do presente e não de um passado que se foi. Um dos momentos bastante significativos da Ceia Hebraica é 3 queima do pão velho. O chefe da família, que preside o riual da Ceia, percorre todas as partes da casa com uma vela acesa na mão, bendizendo a Deus e queimando todo resto de pão fermentado que encontrar. Ele diz: "Senhor, se houver alguma coisa escondida dentro de mim, que ainda não encontrei ou que eu ignore, faça-a desaparecer de meu interior". Porque comer do pão velho significa voltar a ter parie na escravidão do Egito. A CEIA EUCARÍSTICA Como bom judeu, Jesus mandou os discípulos prepararem a mesa para a Ceia Judaica, como ela é. Sobre à mesa mandou Pedro e João colocarem tudo o que os judeus põem: ervas amargas, que sim- bolizam o sofrimento na escravidão do Egito, pães ázimos, isto é, sem fermento; vaso com água; vinagre, sal, ovo cozido e quatro taças ou cálices com vinho. O terceiro era chamado “cálice da bênção”. Este é que Jesus mudou no seu sangue. E por isso que São Lucas menciona mais de um cálice (Cf. Lc 22, 17-20). A Eucaristia deve ser celebrada com alegria. Mais que a Ceia Hebraica, ela tem o sentido de “ação de graças”, de exultação plena da vida diante do infinito amor que Jesus manifesta por nós. A Páscoa dos judeus é o "memorial" da saída do Egito, celebrada como a maior festa de Israel. A Eucaristia é o “memorial” de Cristo Ressuscitado, libertador do pecado e da morte. Tanto é que, na Ceia, o Senhor disse aos Apóstolos: "Fazei isto em memória de mim” (Cf. Lc 22,19). E esta “memória” não é só a recordação da Cela, mas da vida, da mensagem, da morte e da Ressurreição do Senhor, É o testamento global de seu amor por nós. A Eucaristia não é simplesmente uma das coisas que Jesus fez por nós: é a grande surpresa que Ele nos preparou durante toda a sua vida. Bem antes, já havia prometido que haveria de nos dar um “pão vivo descido do céu" e que esse pão seria a sua carne “para a nossa 98 salvação” (Cf. Jo 6,35-69). E, quando se aproximava a hora de realizar a sua promessa, Ele mandou Pedro e João prepararem a sala, no “andar superior, para a Cela, dizendo-lhes: "Eu desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco” (Lc 22,15). Como se vê, a Ceia Pascal já existia antes de Cristo, Jesus lhe deu um novo sentido, introduzindo nela a 'novidade' do seu Corpo e do seu Sangue. A Ceia Pascal Hebralca deu lugar à Ceia Eucarística. Os evangelistas não contam como era a Ceia Hebraica porque era demais conhecida no seu tempo. Eles apenas escrevem o que foi acrescentado por Jesus, isto é, a novidade do Corpo e do Sangue do senhor. Outra coisa: assim como a Páscoa dos judeus unia passado, presente e futuro, também a Eucaristia tem essas três dimensões. Pois recorda o que Jesus fez e o torna presente sobre o altar, enquanto esperamos a sua vinda”. Lembramos que "Eucaristia' não é sóo Pao e o Vinho consagrados, mas toda a Celebração ou Missa. TESTE 1. Como e com quem começou a História da Salvação? 2. O que faziam os hebreus no Egito? 3. Quem levou e quem tirou Israel do Egito? 4. Que quer dizer Páscoa”? E Eucaristia? 5. Como Jesus introduziu na Ceia a Eucaristia? 6. Quais os nomes do Povo de Deus? 7. À Missa tem, para você, um sentido de alegria? LEITURA BÍBLICA: Le 22,1-20 99 29. EUCARISTIA: DOS APÓSTOLOS ATÉ NÓS Sdo Justino escreveu coisas interessantes sobrea Eucaristia celebrada na igreja Primitiva. Seu testemunho é importante, porque ele nasceu na Samaria, de pais gre gos, escreveu em Roma, viveu antes do ano 150 e conheceu todos os lugares por onde se espalhou a Igreja Primitiva São Justino não escreveu minúcias da Celebração mas só o essencial, porque sua intenção era dizer ao imperador romano como os cristãos laziam a sua “reunião”, pois eram acusados de fazer uma reunião “estranha”. O QUE SÃO JUSTINO ESCREVEU Na Igreja Primitiva, a Eucaristia não tinha a roupagem ritual de hoje Era bem simples, mas cheia de vida. Ao celebrá-la, os cristãos faziam a experiência profunda de Cristo Ressuscitado. Era como pôr os pés na porta da eternidade e contemplar o Mistério. Nos escritos de São Justino aparecem as seis partes principais da Celebração Eucarística: a Assembléia celebrativa, a Proclamação da Palavra de Deus, a Homilia, a Oração dos Fiéis, o Beijo da Paz, a Anáfora ou Oração Eucarística. Vejamos como ele escreve: 1. Assembléia: São Justino escreveu: “No dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que habitam nas cidades e nas roças". Al aparece uma “reunião” celebrada no “dia do sol, que é o domingo. Trata-se de uma Assembléia celebrativa. 2. Palavra de Deus: Ele diz que os cristãos "proclamam os escritos dos profetas ou as lembranças dos Apóstolos". Temos aí a Palavra de Deus, que não era simplesmente lida, mas proclamada com fé Era a História da Salvação, vivida e testemunhada com fatos. 3. Homilia: São Justino diz: “Terminada a Leitura, o presidente faz a exortação”. É a Homilia, onde se colocava a “experiência” da Palavra de Deus, sem moralismos, Sempre foi feita pelo Presidente. 4. Oração dos Fiéis: São Justino escreveu: "Depois nos levantamos e elevamos todos juntos as nossas orações”. Chama-se “Oração dos 100 m m a Fiéis: porque era feita pelos batizados, não pelos catecumenos. Era uma Assembléia que intercedia por toda a comunidade. 5. Beijo da Paz: Diz São Justino: “Terminada à oração, raras uns aos outros o beijo da paz'. Para eles tinha muito sentido, pois lormavam uma comunidade de irmãos. E a saudação biblica men- cionada nas Cartas de São Paulo. É a hora certa é realmente apos a Oração, e não antes da Comunhão, como fazemos. 6. Anáfora: São Justino escreveu; “Em seguida, como já dissemos, toma-se o pão e o vinho, e o presidente, com todas as suas forças, faz igualmente subir a Deus a ação de graças. É todo o povo aclama dizendo Amém". É a Anáfora ou Oração Eucarística. Na Igreja Primitiva, O Presidente, inspirado por Deus, “criava' a Oração na hora. Depols foi feito o “"cânon' ou fórmula fixa, para evitar abusos de improvisações. De fato, a Oração Eucarística é uma exultante ação de graças, seguida da Comunhão. DO SÉCULO TERCEIRO AO VATICANO II Com a conversão do imperador Constantino, no ano 314, a Igreja, que era perseguida, passou a ser protegida. O povo, em massa, começou a pertencer à Igreja, sem ter sido devidamente catequizado. Foram construídas as grandes basílicas. A Eucaristia perdeu aquela sua pureza e simplicidade para se tornar uma Liturgia solene com muita pompa social. Eis as coisas que foram introduzidas na Celebração e que en- cobriram o genuíno sentido Pascal da Eucaristia: 1. À Procissão de Entrada com cantos, pois muitas vezes o im- perador entrava solenemente para a Celebração. 2. À Procissão das Oferendas, levando coisas a Deus. Não é que seja uma coisa má oferecer dons a Deus, mas, como muitos pagãos convertidos entravam para a Igreja sem a devida catequese, eles acabavam fazendo no Ofertório da Missa aquele sentido do culto pagão, que oferecia coisas a Deus para aplacar a ira divina. 3. À Missa em latim trouxe outro problema. Não sendo uma língua conhecida por todos, muita gente não entendia nada da Celebração. AÍ surgiu a pintura nos templos. Eram quadros que representavam à 101 vida e os milagres de Jesus, para que vissem com os olhos o que não entendiam com os ouvidos. Passou-se da “escuta” da Palavra pata a imaginação de cada um. 4. As orações particulares: foram colocadas orações no início da Missa, ao pé do altar, e no final da Celebração, além das devoções individuais. como o terço, as novenas e leituras piedosas. Com isso o sentido Pascal da Eucaristia diminuiu, e cresceu o sentido sacrifical nem semprebem entendido, 5. Os altares laterais, sobre os quais cada sacerdote rezava separadamente a sua Missa, fizeram desaparecer mais ainda o sen- tido da Assembléia na Eucaristia. O coroinha passou a fazer a vez da Assembléia. 6. Em 1415, o Concllio de Constança definiu que a Comunhão eucarística fosse dada somente sob a espécie do pão e não do vinho, o que velo empobrecer o sentido dos "sinals" sacramentais. 7. Finalmente, o Conclio de Trento, realizado em 1542, quis dar uma resposta aos problemas de seu tempo, considerando mais a “validade” dos Sacramentos do que o sentido dos “sinais' sacramen- tais, muito importantes para a Igreja Primitiva. Com isso, a Eucaristia perdeu bastante de sua vitalidade. Aquele sentido original de “experiência de Cristo Ressuscitado" deu lugar a um rito muitas vezes frio e formalístico, com mais sabor de sacrifício do que de exultante Ação de Graças. Não queremos desprezar as Missas daquele tempo, nem dizer que aquele povo não era pledoso. Cada época tem suas virtudes e suas falhas. Nós também temos as nossas. Estamos apenas olhando historicamente e vendo como a poeira do tempo apagou aquele brilho original da Eucaristia, a fim de resgatarmos o que foi perdido. RENOVAÇÃO DA LITURGIA A reforma litúrgica começou com Plo XIl, em 1955. Ele recuperou o sentido forte de Noite Pascal, mudando da manhã para a noite a solene Vigília pascal. Depois, o Concílio Vaticano Il (1962-1965) lez estas reformas: 102 1. Tirou as coisas secundárias, introduzidas no decorrer dos séculos. como as orações ao pé do altar, o último Evangelho e as Ave-Marias no final da Missa. 2. Recuperou a participação da Assembléia, fazendo a Missa na lingua de cada país, como padre de frente para a comunidade, tirando os altares laterais, valorizando o altar central e as Missas con celebradas. 3. Resgatou alguns sinals, como a Comunhão sob as duas espécies em circunstâncias especiais. (Nas comunidades Neocatecumenais, todos comungam o Pão e o Vinho). 4. Deu mais importância à Celebração Eucarística do que à Bênção com o Santíssimo e orações diante do sacrário. 5. Igualmente insistiu na Comunhão dentro da Missa, deixando a comunhão fora da Missa para os doentes. 6. Resgatou o Abraço da Paz, embora não tenha ainda alcançado o sentido original, porque os participantes da Missa não formam verdadeira comunidade. 7. Introduziu a Oração dos Fiéis e procurou tirar da Missa as devoções e orações paralelas, como o terço, as novenas e leituras piedosas. TESTE 1, Quais os seis pontos da Missa citados por Justino? 2. Por que se chama “Oração dos Fiéis"? 3. O que aconteceu com a conversão de Constantino? 4. Quais as alterações do século 3º até o Vaticano II? 5. Com quem e quando começou a reforma litúrgica? 6. Diga alguns pontos da renovação litúrgica? 7. Hoje a Missa tem sentido para você? Por quê? LEITURA BÍBLICA: 1 Cor 11,17-34 103 30. ORAÇÕES PELA IGREJA Quando colocamos água nas forminhas de gelo para congelar, vemos que existe uma intercomunicação entre aqueles quadradinhos da forma. A água passa de uma forminha para a outra e fica distribuída igualmente por todos os quadradinhos da peça. As forminhas não são estanques ou fechadas. São “vasos comunicantes”. Coisa semelhante acontece com a circulação do sangue em nosso corpo, Uma veia se liga às outras e a todos Os vasos sangúineos. Se tirarmos uma Totogralia' da corrente sangúinea, vamos ver que é como uma árvore com milhares de raminhos. O sangue percorre todo o corpo. Há uma perleita intercomunicação. Se faltar sangue em alguma parte do organismo, essa parte fica doente. Às vezes é até preciso amputar um dedo ou um pé. ASSIM É NA IGREJA A Igreja é comparada a um corpo: o “corpo místico de Cristo”. Nela circula, não o sangue físico, mas a vida da graça. E o que chamamos de Comunhão dos Santos, conforme dizemos em nossa Profissão de Fé: “Creio na santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos... A própria Bíblia Sagrada fala que a Igreja é o Corpo de Cristo: Com efeito, o corpo é um e, apesar de ser um, tem muitos membros. Mas todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo. Assim também acontece com Cristo. Polis fomos batizados todos num só Espírito para ser um só corpo: judeus e gregos, escravos e livres, todos recebemos um só espírito” (1 Cor 12, 12-13) "Ora, vós sois o corpo de Cristo, e sols os seus membros, cada um por sua pane” (1 Cor 12,27). A Igreja está espalhada por toda a terra e além dos limites geográficos: está na terra, como Igreja peregrina e militante; está no purgatório, como Igreja padecente; e está no céu, como Igreja 104 gloriosa e triunfante. Entre todos os membros dessa Igreja, que está no céu e na terra, existe a intercomunicação da graça ou Comunhão dos Santos. Uns oram pelos outros, pois somos todos irmaos, membros da grande Familia de Deus. PELO PAPA E PELOS BISPOS A primeira oração é pelo Papa e pelo Bispo Diocesano porque eles têm maior responsabilidade na Igreja. São os pastores do rebanho. Sua missão é ensinar, santificar e governar o Povo de Deus. Por isso a comunidade precisa orar muito por eles. Quando São Pedro estava preso no cárcere, por ordem de Herodes, “a Igreja pedia a Deus por ele sem cessar” (Cf. At 12,5). A oração foi ouvida por Deus, pols Pedro foi posto em liberdade, milagrosamente, por um anjo. O próprio Cristo orou por Pedro, para que não caísse na tentação. Disse Jesus: “Simão, Simão, eis que Satanás te procurou para te peneirar como trigo. Mas eu roguei por 4, a fim de que a tua fé não vacile, e tu, uma vez convertido, confirme os teus irmãos“ (Lc 22, 31-32). Mas não é só pelo Papa e pelo Bispo Diocesano que devemos rezar. Precisamos orar também por todos os evangelizadores e evangelizados, pela conversão dos pagãos e pela perseverança dos cristãos. Jesus pediu ao Pai pelos Apóstolos e por todos os que iriam ouvir a sua pregação, pelos fiéis e pela unidade de todos os que formam a sua Igreja. Assim orou Jesus: “Pai, não peço que os tires cio mundo, mas que os livres do Maligno. Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. Consagra-os na verdade, a tua Palavra é a verdade. Não rogo somente por eles, mas por todos aqueles que, por meio de sua palavra, hão de crer em mim, a fim de que todos sejam um. Como tu, Pal, estás em mim e eu em Ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17, 15-17.20-21). 105 PELOS FALECIDOS Rezar pelos mortos é um ato de caridade. Os mortos de hoje foram os vivos de ontem, e os vivos de hoje serão os morios de amanhã E todos juntos somos uma só Família. Encontramos na Bíblia um elogia a Judas Macabeu por ter feito uma coleta e mandado oferecer um “sacrifício explatório pelos que haviam morrido, a lim de que lossem absolvidos do seu pecado” (2 Mc 12, 45-46). É claro que O mais importante é a própria vida da pessoa falecida, aquilo que ela foi e que ela fez em vida. É Isso que val pesar da "balança" dlante de Deus. Mas a Igreja & mais para interceder do que para julgar. Por isso nós rezamos na Missa pelos falecidos. POR NÓS E PELOS SANTOS Finalmente pedimos por nós mesmos como “povo santo e pecador”, a fim de que um dia estejamos reunidos com a Virgem Maria, os Apóstolos e todos os bem-aventurados no céu, para com eles louvarmos e bendizermos a Deus. Nossa oração termina “por Jesus Cristo nosso Senhor”, porque Ele mesmo disse; “Em verdade, em verdade, vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pal em meu nome, ele vos dará. Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis" (Cf. Jo 16, 23-24). TESTE 1. Que é Comunhão dos Santos? A que a comparamos? 2. Quais são as 'três Igrejas"? 3. Quando a Igreja rezou por Pedro? 4. Que oração fez Jesus pelos Apóstolos e por nós? 5. A Bíblia fala da oração pelos mortos? Onde? 6. Que mais pesará na balançaem nosso julgamento? 7. Por que nossa oração termina “por Jesus Cristo"? B. Você reza pelos falecidos? LEITURA BÍBLICA: 1 Cor 12, 4:27 106 31. POR CRISTO, COM CRISTO... Certa vez foi raptado o filho de um homem muito rico Era um menino que o pai amava imensamente. Para aquele pai, não tinha mais sentido a sua vida. Estava tudo acadabo. Só havia um jeito de restituir-lhe a felicidade: a volta de seu filho para casa. Os sequestradores conheciam bem a siluação da- quela família: a Imensa riqueza que o pai possuía e O grande amor pelo filho. Então mandaram um recado sigiloso ao pai do menino: "Dê-nos a quantia de duzentos mil dólares e nós devolveremos o menino. Se não os der dentro de 24 horas, o menino será morto”. Nem precisaria dizer nada. O pai se virou e arrumou os duzentos mil dólares rapidamente. E o menino foi res- gatado com vida. JESUS É O NOSSO REDENTOR A palavra "Redentor" vem do verbo redimir, que quer dizer “res- gatar* ou adquirir de novo aquilo que já era seu e que estava perdido. Redentor, portanto, é aquele que paga o preço do resgate e readquire o que estava perdido. Na estorinha que contamos, o preço do resgate era duzentos mil dólares; na nossa redenção, o preço do resgate toi o sangue redentor de Jesus. Assim nos fala São Paulo: "Sabeis que não foi com coisas perecíveis, isto é, com prata ou com ouro, que fostes resgatados da vida fulil que herdastes de vossos pais, mas pelo sangue precioso de Cristo, o cordeiro Imaculado" (1Pe 1, 18-19). Jesus é o nosso Mediador. Ele mesmo nos disse: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém val ao Pai a não ser por meio de mim” (Jo 14,6). No Livro do Apocalipse, Ele diz: "Eu sou o Alfae o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim" (Ap 22,13). O alta e o Ômega são, respectivamente, a primeira e a última letras do alfabeto grego. Com isso, Jesus quer dizer que nele está a vida e, fora dele, tudo perece. O Apóstolo São Pedro não só fala que Jesus é o nosso Salvador, mas que é o único capaz de nos salvar. Dirigindo-se aos Judeus, ele 107 diz: "E Ele (Jesus) a pedra que vós, os construtores, rejeitastes e que se tornou a pedra principal. Pois não há sob o céu outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos" (At 4,11-12). Aliás, queremos lembrar que a própria palavra "Jesus" quer dizer “Deus salva”. São Paulo fala de maneira clara sobre essa mediação de Jesus entre nós e o Pal, Diz que pelo pecado de um só homem entrou no mundo a morte, mas por meio de um só homem, Cristo, entrou a Graça e, pela Graça, a Vida. Por um homem veio a escravidão, e por um homem veio a liberdade. Por Isso, aqueles que com Cristo morrem para o pecado, com Cristo ressuscitarão para a Vida. Assim como pela desobediência de um só veio o pecado para todos, assim também, pela obediência de um só, Cristo, veio a santidade para todos (Cf. Rm 5, 17-19). ELE DÁ SUA VIDA POR NÓS Em nossa salvação Jesus não age como um Mediador distante. Não é um advogado, que faz a defesa juridicamente, sem entrar com sua vida em favor do réu, Jesus age pessoalmente. Ele intercede, com sua vida, morrendo por nós. Como vimos, Ele não apenas indica O caminho nem só diz a verdade nem só fala da Vida. Ele diz “EU SOU o Caminho, a Verdade e a Vida". Diz: “EU SOU a porta. Se alguém entrar por mim será salvo” (Jo 10,9). Fala também “EU-SOU a ressurreição e a vida. Quem crê em MIM, ainda que morra, viverá” (Jo11, 25). Ele não apenas promete salvação: Ele "é" a Salavação. E este resgate Jesus o faz obrigado por uma lei externa. Ele dá a vida por nós de modo consciente e livre, como gratuidade do seu amor. Jesus fala: "Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá sua vida por suas ovelhas" (João 10,11). “Minha vida ninguém a tira de mim: eu à dou livremente” (Jo 10,1Ba). Alguém fez uma observação Interessante. Disse: “É costume mor- rer um escravo para resgatar o filho do rel. Na obra da Redenção. porém, o Filho do rel ofereceu sua vida para resgatar os escravos. De fato, o Rel, aqui, é Deus, e Os escravos somos nós. O Filho do Rei é Jesus. O raptor é o Maligno, que nos enganou e nos levou à abandonar a casa do Pal. 108 E Jesus não é nosso Mediador somente na cruz, mas em todo O nosso relacionamento com Deus. Sem Ele, simplesmente não existe salvação, como lemos em Atos 4,12: “Não há sob o céu outro nome dado aos homens pelo qual devemos ser salvos”. É por meio de Jesus que damos graças e louvores ao Pai. Ele é nosso Pontífice, isto ê a nossa “ponte” entre o céu e a terra, como Ele mesmo disse: * Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (Jo 14,6), Por isso encerramos a grande Oração Eucarística ou Análora, proclamando solenemente: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo...” Esse ato de louvor é dito de pé, sendo que o Presidente da Celebração levanta a Hóstia e o cálice. E um louvor solene, proclamado pelo Presidente. A participação da Assembléia estã no “Amém!", que pode ser cantado. O Missal Romano mudou um pouco a ordem das palavras. Agora é assim: Presidente: Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a vós, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e toda a glória, agora e para sempre! Assembléia: Amém! TESTE 1. Que significa "Redenção? 2. Qual foi o preço de nosso resgate? 3. O que Jesus nos disse como nosso Salvador? 4. Que disse São Paulo sobre nossa Salvação? 5. De que modo Jesus nos salva? 6. Que quer dizer: Jesus é o nosso "Pontiice'? 7. Você coloca sua vida nas mãos de Jesus? LEITURA BÍBLICA: FI 2, 1-18 diz: “É Ele (Jesus) a pedra que vós, os construtores, rejeitastes e que se tornou a pedra principal. Pols não há sob o céu outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos" (At 4,11-12). Aliás, queremos lembrar que a própria palavra "Jesus" quer dizer "Deus salva”. São Paulo fala de maneira clara sobre essa mediação de Jesus entre nós e o Pai. Diz que pelo pecado de um só homem entrou no mundo a morte, mas por meio de um só homem, Cristo, entrou a Graça e, pela Graça, a Vida, Por um homem veio a escravidão, e por um homem veio a liberdade. Por isso, aqueles que com Cristo morrem para o pecado, com Cristo ressuscitarão para a Vida. Assim como pela desobediência de um só veio o pecado para todos, assim também, pela obediência de um só, Cristo, veio a santidade para todos (Cf. Rm 5, 17-19). ELE DÁ SUA VIDA POR NÓS Em nossa salvação Jesus não age conio um Mediador distante, Não é um advogado, que faz a defesa juridicamente, sem entrar com sua vida em favor do réu. Jesus age pessoalmente. Ele intercede, com sua vida, morrendo por nós. Como vimos, Ele não apenas indica o caminho nem só diz a verdade nem só fala da Vida. Ele diz "EU SOU o Caminho, a Verdade e a Vida". Diz: “EU SOU a porta. Se alguém entrar por mim será salvo" (Jo 10,9). Fala também "EU .SOU a ressurreição e a vida. Quem crê em MIM, ainda que morra, viverá" (Jo11, 25). Ele não apenas promete salvação: Ele "é" a Salavação. E este resgate Jesus o faz obrigado por uma lei externa. Ele dá a vida por nós de modo consciente e livre, como gratuidade do seu amor. Jesus fala: "Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá sua vida por suas ovelhas" (João 10,11). "Minha vida ninguém a tira de mim: eu a dou livremente" (Jo 10,18a). Alguém fez uma observação interessante. Disse: "É costume mor- rer um escravo para resgatar o filho do rel, Na obra da Redenção, porém, o Filho do rei ofereceu sua vida para resgatar os escravos”. De fato, o Rei, aqui, é Deus, e os escravos somos nós. O Filho do Rei é Jesus. O raptor é o Maligno, que nos enganou e nos levou à abandonar a casa do Pal, 108 E Jesus não é nosso Mediador somente na cruz, mas em todo | nosso relacionamento com Deus. Sem Ele, simplesmente nao existe salvação, como lemos em Atos 4,12: “Não há sob o ceu outro nome dado aos homens pelo qual devemos sersalvos”. E pormelo de Jesus que damos graças e louvores ao Pal. Ele é nosso Pontífice, isto é a nossa “ponte” entre o céu e a terra, como Ele mesmo disse. " Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (Jo 14,6). Por isso encerramos a grande Oração Eucarística ou Anáfora, proclamando solenemente: “Por Cristo, com Unsto e em Cristo...” Esse ato de louvor é dito de pé, sendo que o Presidente da Celebração levanta a Hóstia e o cálice. E um louvor solene, proclamado pelo Presidente. A participação da Assembléia está no “Amém!", que pode ser cantado. O Missal Romano mudou um pouco a ordem das palavras. Agora é assim: Presidente: Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a vós, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e toda a glória, agora e para sempre! Assembléia: Amém! TESTE 1. Que significa “Redenção? 2. Qual foi o preço de nosso resgate? 3. O que Jesus nos disse como nosso Salvador? 4. Que disse São Paulo sobre nossa Salvação”? 5. De que modo Jesus nos salva? 6. Que quer dizer. Jesus é o nosso "Pontilice? 7. Você coloca sua vida nas mãos de Jesus? LEITURA BÍBLICA: FI 2, 1-18 109 32. PAI-NOSSO No tempo de Jesus, o mestre não comunicava apenas ensinamentos teóricos, mas um modo de viver. Até entre Os pagãos era assim. Platão, Aristóteles, Epicuro, Diógenes... todos eles tinham sua escola e seus discípulos. Mais ainda se entramos no campo da religião. O discípulo era aquele que ouvia e procurava seguir o sis- tema de vida do seu mestre. Sobretudo quanto a Jesus Cristo: o díscipulo era um aprendiz prático, que devia ir seguindo o Mestre, passo a passo. A Simão e André, que pescavam no Mar da Galiléia, o Senhor disse: "Vinde após mim, e eu vos farei pes- cadores de homens! Eles deixaram as redes imediatamente e seguiram Jesus (Mc 1, 16-15). Esse seguimento era necessário até nas coisas mais difíceis. Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quer ser meu discípulo, renuncie-se a si mesmo, pegue sua cruz e siga-me" (Mt 16, 24). PREPARAÇÃO PARA A COMUNHÃO Estamos falando do relacionamento do discipulo com o mestre para podermos entender melhor o sentido do "Pai-Nosso'. O Pal Nosso não é uma simples fórmula de oração nem um ensinamento teórico de doutrina. Antes de ser ensinado por Jesus, o Pai-Nosso loi vivido plenamente pelo mesmo Cristo. Portanto, deve ser vivido também pelos seus discípulos. Com o Pai-Nosso começa a preparação para a Comunhão Eucarística. Essa belíssima oração é a síntese do Evangelho. Para rezarmos bem o Pal-Nosso, precisamos entrar no pensamento de Jesus e na vontade do Pal. E uma coisa bem clara no Pal-Nosso é que ele é uma oração de sentido comunitário e não individualista. Mesmo quando rezo sozinho, estou Incluindo nessa oração todos os meus irmãos. Pols eu digo Pal "Nosso" e não Pal “meu”, venha “a nós' o tio vosso Reino e não venha “a mim”: Digo o pão “nosso”, não o pão “meu”. É Impossível alguém rezar o Pai-Nosso somente para si. Portanto, para eu comungar o Corpo do Senhor na Eucaristia, preciso estar em “comunhão” com meus Irmãos, que são os membros do Corpo Místico de Cristo. No Pai-Nosso, Jesus nos ensinou a pedir: “Yenha a nós o vosso Reino". Pois bem, o Reino de Deus é um Reino de amor e de paz, de justiça e de perdão. Devemos afastar O egoismo com todas as suas formas de manifestação: o orgulho, a vaidade, a falsidade, a mentira, o ciúme, a discórdia, o Ódio, a vingança. "DÍVIDAS" E OFENSAS O perdão das ofensas é o “coração” do Evangelho. Sem a prática da misericórdia, ninguém entra no céu: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mt 5,7). Quem reza o Pai-Nosso e não perdoa as ofensas recebidas, estã pedindo a própria condenação, pois ele diz a Deus: 'Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Depois de nos ensinar o Pal-Nosso, Jesus acrescentou: Pois, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas, se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não vos perdoara as vossas olensas' (ML 6, 14-15). Como se vê, o perdão das ofensas é condição para ser perdoado e alcançar a salvação. O evangelista escreveu com outras palavras: "Perdoai-nos as nos- sas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores". E como nós rezávamos anos atrás. Às palavras são diferentes, mas O sentido é o mesmo. Na linguagem bíblica, todo pecado é uma “dívida” contraída diante de Deus. Portanto, ficamos “devendo” quando pecamos. Quando alguém passa por nós e pisa em nosso pé, esse alguém nos ofendeu e, portanto, ficou "devendo". Por isso ele volta e pede desculpas. Assim ele repara a ofensa ou paga a dívida. EUCARISTIA: SACRAMENTO DA UNIDADE Em nossas casas, a hora da refeição é sagrada. Para comer, lavamos as mãos e fazemos uma oração. É uma hora, não só de 1 encher o estômago, mas de reunir a família e partilhar a vida. Se alguém bate à porta nessa hora, é só lhe dizer: “Eles estão almoçando”, e a visita volta mais tarde. A maior tristeza para os pais é verem os filhos brigando nessa hora, comendo como gato e cachor- ro, ou cada um no seu cantinho. De maneira semelhante é a hora da Comunhão na Missa. Como poderá cada um tomar a sua Hóstia e sair para o seu cantinho, alimentando ciúme, inveja, mágoa, revolta e inimizade? Será que existe um Deus para cada um. Não seria isto destruir o sentido da Eucaristia, que é o "Pão da unidade fraterna”? Como poderá ser o “alimento para a vida eterna"? Pois “nós passamos da morte para a vida porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte Todo aquele que odela seu irmão é homicida, e sabeis que nenhum homicida possui dentro de sia vida eterna” (1 Jo 3, 14-15). O Pai-Nosso é recitado de pé, com as mãos erguidas, na posição de orante. Pode ser recitado ou cantado, mas sem alterar sua fórmula. Conforme o costume, pode-se também rezá-lo dando-se as mãos. TESTE 1. Como o discípulo se relaciona com o Mestre? 2. Que contém o Pal-Nosso? 3. Qual o sentido do Pai-Nosso na Missa”? 4. "Dívidas" e ofensas são a mesma colsa? Explique. 5. O que faz quem reza o Pai-Nosso com ódio? 6. Podemos alterar a fórmula do Pai-Nosso? Por quê”? 7. Quando você reza o Pal-Nosso, pensa nas palavras? LEITURA BÍBLICA: Mt 6, 1-15 112 33. SAUDAÇÃO E FRAÇÃO DO PÃO Certo rei tinha muita riqueza, mas não era feliz. Um dia reuniu os sábios do reino para que lhe dissessem onde poderia encontrar a felicidade. Uns sugeriram que viajasse para o exterior. Outros, que fizesse uma cami- nhada pelos bosques. Outros ainda, que fizesse festas no palácio. O rei fez tudo isso. E continuava triste. Aí o jardineiro lhe disse: - Majestade, só uma pessoa feliz poderá dizer-lhe o segredo da felicidade. Descubra um homem feliz e peça- lhe a camisa, pois a camisa fica sobre o coração e poderá revelar-lhe o segredo da felicidade. Imediatamente O rei enviou seus servos à procura de uma pessoa feliz. Depois de percorrerem longas estradas, ouviram um homem cantarolando à beira do caminho. Era um lenhador descalço e sem camisa. Perguniaram-ihe: - O senhor é feliz? - Sou, e muito! - respondeu o velhinho. - É o senhor tem uma camisa para vender? - Não. Nunca tive camisa - respondeu ele. Os servos do rei lhe disseram: - Então nos diga: o que é que o senhor tem que o faz tão feliz? - Eu tenho a paz - respondeu o lenhador. A PAZ, O MAIOR BEM A paz é um dom de Deus. É o maior bem que há sobre a terra. Vale mais que todas as receitas, todos os remédios e todo o dinheiro do mundo. A paz foi o que Jesus deu aos Apóstolos como presente de sua Ressurreição. Logo que ressuscitou dos mortos, o Senhor foi ao encontro deles e lhes disse: "A paz esteja convosco!" E Jesus falou que a paz é um dom precioso que só Deus pode dar. Assim disse Ele aos Apóstolos: "Deixo-vosa paz. Dou-vos a minha paz. Não a dou como o mundo a dá” (Jo 14,27). 3 | Depois do Pai-Nosso, o Presidente reza uma oração, pedindo a Deus que nos livre de todos os males. Porque só quando estamos libertos do mal é que podemos experimentar a paz e dara pa? Assim como só Deus pode dar a verdadeira paz, também só quem está em comunhão com Deus é que pode comunicar a seus Irmãos a paz. Antes da saudação, o Presidente recorda as palavras de Jesus fazendo este diálogo com a Assembléia: Presidente: Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos Apóstolos: Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Não olheis Os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja; dai-lhe, segundo o vosso desejo, a paz e a unidade. Vós, que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo. Assembléia: Amém! Presidente: À paz do Senhor esteja sempre convosco! Assembléia: O amor de Cristo nos uniu. Aí o Presidente convida a Assembléia para que se saúdem uns aos outros no amor de Cristo. FRAÇÃO DO PÃO Terminada a saudação, o celebrante parte a hóstia grande e coloca um pedacinho da mesma dentro do cálice com vinho consagrado. Esse ato de partir o pão chama-se “Fração do Pão”. Vem do latim, do verbo “Trangere", que quer dizer "quebrar, Na Igreja primitiva, esse gesto era uma necessidade. Os cristãos lraziam de suas casas o pão para ser consagrado. Pão grande, que na hora da comunhão era partido em pedaços, num belíssimo sinal de I[raternidade, como se parte o pão em nossas casas para todos os irmãos. São Paulo dizia: "E o pão que partimos não é a comunhão do corpo do Senhor? Assim 114 como há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos nós comungamos do mesmo pão” (1Cor 10, 16-17). Hoje, não temos mais a necessidade de quebrar o pão em pedaços, na hora da comunhão, porque usamos as hóstias, feitas já em tama- nho pequeno, para cada pessoa. Mas, mesmo assim, o Presidente repete o gesto da "fração do pão” partindo a Hóstla grande pelo meio. Este gesto lembra duas coisas: que Jesus partiu o Pão e o deu aos discípulos na Ceia e que os discípulos de Emaús reconheceram Jesus no momento em que partiram o pão em sua casa, Depois o Presidente põe um pedacinho da Hóstia no cálice. Quan- to a isso, existem diversos simbolismos. Antigamente, alguns disseram que significava a descida de Jesus na sepultura. Hoje, há quem diga que representa a união do Corpo e do Sangue do Senhor num mesmo Sacrifício e mesma Comunhão. Tudo isso, porêm, não passa de simbolismo. É coisa sem muita Importância. TESTE 1. Que é a paz” De onde vem? 2. Qual foi o presente de Cristo Ressuscitado? 3. O que é que nos tira a paz? 4. Que é fração do pão”? 5. Por que, no início da Igreja, havia fração do pão? 6. Que fala São Paulo sobre a fração do pão? 7. Você é feliz? Tem a paz? LEITURA BÍBLICA: At 20, 7-12. 115 34. CORDEIRO DE DEUS... À Arca da Aliança era cercada de grande respeito pelo Povo de Deus. Ninguém podia tocar nela. Era con- siderada “santa”, porque trazia as pedras da Lei ou Decálogo, que Moisés havia recebido de Deus no Monte Sinai. Certa vez, o rei Davi tinha que transportar a Arca de Judá para o Monte Sião, de maneira solene. A Arca foi colocada sobre um carro puxado por dois bois Oza e Aio conduziam o carro, enquando Davi e uma caravana iam juntos, cantando louvores a Deus. Num dado momento, os bois escorregaram e a Arca balançou. Então Oza estendeu a mão para segurar a Arca. E, imediatamente, caiu morto! Pois ninguém podia tocar na Arca. Davi ficou com medo de levar a Arca para a sua cidade. Achando-se indigno dela, mandou que a levassem para a casa de Obededon, na cidade de Gal, na Filistéia (Cf. 2 Sm 6, 1-10). HUMILDADE E FÉ Neste Encontro vamos falar do Corpo do Senhor, que é apresen- tado a todos os que desejam recebê-lo. Logicamente que só poderão recebê-lo aqueles que estiverem devidamente preparados, isto é, em estado de graça ou em paz com Deus e seus irmãos. Pois o Corpo de Cristo é incomparavelmente mais santo que a Arca da Aliança. Ele não é apenas um objeto de respeito, mas o próprio Deus Vivo. Quem ousará recebê-lo em pecado grave? Enquanto o Presidente da Celebração coloca dentro do cálice um pedacinho da Hóstia, ele reza em voz balxa: “Esta união do Corpo e do Sangue de Jesus, o Cristo e Senhor, que vamos receber, nos sirva para a vida eterna!" Ao mesmo tempo, a Assembléia recita ou canta o “Cordeiro de Deus". Embora no Ato Penitenclial todos já se tenham purificado, ao aproximar-se o momento da Comunhão os liéis sen- tem-se indignos de receber o Corpo do Senhor e pedem perdão mais uma vez, dizendo: 118 na d a m a “Cordeiro de Deus, que lirais o pecado do mundo, tende piedade de nós! Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós! Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz!" Enquanto isso, o sacerdote se inclina diante do Santissimo Sacramento e pede a Jesus que aquela comunhão seja para a sua salvação. Ninguém se atreva a receber o Corpo do Senhor indigna- mente. Imagine se acontecesse de cada país. a quem comunga levianamente o que aconteceu com Oza! Quanta gente poderia cair morta diante do altar! Terminado o “Cordeiro de Deus", o Presidente levanta a Hostia consagrada e a apresenta à Assembléia, dizendo: “Felizes os convidados para a Ceia do Senhor! Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” E a Assembléia responde: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo. Esta resposta da comunidade é lirada da resposta que aquele oficial romano, o centurião, deu a Jesus: "Senhor, eu não digno de receber-te em minha casa. Basta que digas uma palavra e o meu servo ficará curado" (Mt 8,8). Na verdade, ninguém é digno de comungar. É só por bondade de Jesus que Ele vem até nós. Por isso, nós nos aproximamos da Comunhão com fé e humildade. A comunhão eucarística não é um “prêmio” para os justos que já se libertaram de todos os pecados, mas um Alimento que fortalece os pecadores na sua caminhada em busca da libertação de todo o mal. JESUS É O CORDEIRO PASCAL Tanto no Antigo como no Novo Testamento, Jesus é apresentado como o “Cordeiro de Deus". Sete séculos antes de Cristo, o profeta Isaías predisse que o Messias seria levado à morte, “sem abrir a boca, 117 como um cordeiro conduzido ao matadouro" (Cl. Is 53,7). João Batista, ao ver Jesus que la passando, disse aos seus ouvintes: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). O Apóstolo São Paulo disse: “Cristo, nossa Páscoa, foi imolado” (1Cor.5,7b). De fato, na hora em que Jesus morria na cruz, era imolado no Templo o cordeiro Pascal para os judeus comemorarem a Páscoa. E você certamente se lembra das palavras de São Pedro, o qual disse que não fomos resgatados pelo preço vil de ouro ou de prata, mas “pelo sangue precioso de Cristo, o Cordeiro sem mancha” (Cf.1Pe1,18-19). De fato, Jesus é o verdadeiro Cordeiro Pascal. O cordeiro imolado pelos hebreus no Egito foi um sinal de libertação. O seu sangue nos batentes das portas das casas dos judeus livrara os primogênitos da morte. Assim também o sangue de Jesus na cruz foi o preço do nosso resgate. Pelo seu sangue fomos salvos. Jesus é nosso Libertador. Dele nos aproximamos com alegria. Por isso, o Presidente da Celebração nos convida para a Comunhão dizendo: “Felizes os con- vidados para a Cela do Senhor!" TESTE 1. Quem pode comungar? 2. O que aconteceu a Oza? Por quê? 3. A Eucaristia é menos ou mais que a Arca? 4. De onde vem a resposta “Senhor eu não sou digno"? 5. Quem disse que Jesus é o Cordeiro Pascal? 6. Fale um pouco do sangue do cordeiro. 7. À comunhão significa alguma alegria para você? LEITURA BÍBLICA: Mt 8, 5-13. 35. COMUNHÃO Antigamente, quando os homens andavam a pé ounolombo de animais, as estradas eram cheias de curva. Por isso, muitas lendas surgiram à beira das estradas. Conta-se que certo mendigo passou a vida inteira sentado sobre uma enorme pedra à beira do caminho, pedindo esmolas. Essa pedra até ficou conhecida com o nome de "Pedra do Mendigo”. Um dia, porém,o rei precisou daquela pedra para construir um monumento. Então enviou uma multidão de operários com grandes alavancas para removerem a enorme pedra. E que surpresa! A Pedra do Mendigo estava fechando a boca de uma urna cheia de ouro, que um rei muito antigo havia escondido por ocasião de uma guerra. O TESOURO DO REINO DOS CEUS A Eucaristia é esse tesouro que Jesus, o Reiimortal e eterno, deixou como Mistério da Salvação para todos os que nele crêem. Alguns, porém, colocam diante da Eucaristia a pesada pedra de sua descrença. Pela sua falta de fé, enxergam apenas o pão material e não o Deus Vivo ali presente. Por Isso, fazem como o mendigo, que passou a vida toda sentado sobre o tesouro, pedindo esmola, porque via somente a pedra. Comungar é receber Jesus Cristo, Rel dos reis, para alimento de vida eterna. Quem comunga deve meditar um pouco nesse Mistério da presença real do Senhor em sua vida. Não pode comungar e já ir saindo da Igreja, ou ficar conversando e se distraindo, Nem convém ir rezar diante de alguma imagem, pois Jesus deve ser o centro de sua atenção e piedade, sobretudo nessa hora. Ele é o Hóspede divino que acaba de ser recebido, 119 O MODO DE COMUNGAR Depois que o padre apresenta a Hóstia para o povo, dizendo “Felizes os Convidados”, reza em voz baixa: 'Que o Corpo de Cristo me guarde para a vida eterna". Em seguida comunga o Corpo e o sangue do Senhor. Depois o padre e os ministros dão a comunhão para os fiéis. Mostrando a Hóslia a cada um diz: “O Corpo de Cristo! E quem comunga responde: "Amém!" Não é para lazer o sinal da cruz E não laz mal que a hóstia toque nos dentes. Quanto ao modo de receber a comunhão, na boca ou na mão, compete a cada Bispo determinar em sua Diocese, Quem comunga recebendo a hóslia na mão, deve elevar a mão esqueda aberta, para o padre colocar a comunhão na palma da mão. O comungante, imediatamente, pega a Hóstia com a direita e comunga ali mesmo, na frente do padre. Não pode sair com a Hóstia na mão e comungar andando. Para comungar é preciso estar na graça de Deus (sem pecado grave) e em jejum (sem comer e sem beber bebida alcoólica uma hora antes da comunhão). Deveria ser dada a comunhão da Hóstia e do Vinho, mas se dá só a Hóstia por uma questão prática, pois ficaria difícil dar a todos o Vinho Consagrado. Lembramos, porem, que na Hóstia está o Cristo inteiro e vivo, COM seu corpo, sangue, alma e divindade. COMUNHÃO: SACRAMENTO DE VIDA Para comungar, cada um se examine bem. Pense naquilo que acabou de dizer: "Senhor eu não digno”... Na verdade, quem é digno de receber o Corpo do Senhor? Só aquele que se converte Inteira- mente para Deus, como fez Zaqueu que, tendo recebido em sua casa a Jesus, disse-lhe: "Senhor, dou aos pobres metade de meus bens e, se explorei alguém em alguma coisa, vou restituir-lhe quatro vezes mais". E Jesus, voltando-se para ele, disse-lhe: "Hoje entrou a salvação nesta casa” (Cf. Lc 19, 8-10). Na verdade, cada vez que comungamos, deve significar um passo na direção de nossa perfeição. É uma dádiva da parte de Deus e uma responsabilidade muito grande de nossa parte. No dizer de São Paulo, quem comunga 120 indignamente comunga para sua condenação e não para à salva ção Ora, Jesus nos deixou a Eucaristia para a vida e não para a more Assim Ele nos falou: “Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná do deserto e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que todo aquele que dele comer não morra. Eu sou O pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá eternamente. E o pão que eu vou dar é a minha carne, para a vida do mundo (J0.6,47.51). Muitos que ouviram Jesus fazer essa promessa ficaram escan- dalizados. Começaram a salr, dizendo: "Esta palavra é dura. Quem pode acreditar nisso?” E Jesus não retirou a sua palavra. Pelo contrário, Ele lançou um desafio, dizendo aos Apóstolos: Vocês também não querem ir embora?" Então São Pedro respondeu-lhe: “Senhor, a quem iremos nós? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos e sabemos que tu és o Messias" (Cf. Jo E, 60-69). Essa descrença de alguns judeus trouxe um benefício para a nossa fé na presença real de Jesus no Pão consagrado. Pois, se Jesus estivesse falando em linguagem figurada, na hora em que começaram a duvidar e Ir embora, Ele teria dito: "El gente, podem voltar! Não fiquem escandalizados, não! Eu estou falando uma linguagem figurada. TESTE 1. Que respondemos ao receber a Comunhão? 2. Que devemos fazer longo após a Comunhão? 3. Qual deve ser a disposição para comungar? 4. Como fol o caso de Zaqueu? 5. Que disseram quando Jesus prometeu a Eucaristia? 6. E que respondeu São Pedro? 7. Você cré na presença real de Jesus na Hóslia? LEITURA BÍBLICA: Jo 6, 22-71 121 122 Modo errado de comungar Modo errado de comungar Modo certo de comungar Hodo certo de comungar 36. A MISSA, O BANQUETE DE DEUS Um dia Jesus contou a seguinte parábola: Certo homem preparou um grande banquete e convidou muita gente. Quando chegou a hora do banqueie, mandou seus servos dizer aos conviciados: Venham, a mesa esta pron- ta!" Os convidados, porém, começaram a recusar-se Disse o primeiro: “Comprei um campo e preciso ir vê-lo. Peço-lhe que me dispense”. O outro falou: Compreicinco juntas de bois e vou experimentá-los. Peço-lhe que me dispense". E o terceiro falou: "Casei-me e, por isso, não posso ir. O empregado voltou e contou tudo ao seu senhor. Então, indignado, disse o dono da casa: Saia depressa, vá pelas praças e ruas da cidade e traga para cá os podres, os aleijados, Os cegos e os coxos". Assim fez o servo. É depois disse ao dono da casa: "Senhor, fiz como me ordenou, e ainda há lugares”. Disse então o dono da casa: “Saia pelos caminhos e atalhos e insista para que venham, a fim de que a casa se encha. Pois lhes digo que nenhum daqueles primeiros convidados provará o meu banquete” (Lc 14, 16-24), ASSIM ACONTECE COM A MISSA Jesus falava referindo-se ao banquete do Reino dos céus, onde o Pal reunirá os amigos que aceitaram o seu convite. Quem convida é Deus. Os primeiros convidados foram os judeus, que na sua maioria rejeitaram o convite. Os segundos convidados, Isto é, os cegos e coxos, são os pagãos, muitos dos quais creram em Cristo. O servo que salu a convidar é Jesus, que na verdade veio "para servir e não para ser servido" (Cf Mt 20, 28). Hoje, os servos que saem convidando para o banquete são os Bispos, os padres e todos os agentes da pastoral. Aqui, na terra, a Missa ou Cela do Senhor é esse banquete do reino de Deus. E muita gente acaba fazendo como aqueles con- 123 vidados que desprezaram o convite. Um val experimentar a moto, outro vai polir o carro, outro vai fazer uma cerca na casa de campo, outro val à prala... Na hora da Comunhão, o padre levanta a Hóstia é apresenta-a solenemente, dizendo; "Felizes os convidados para a Ceia do Senhor!" E pouca gente se interessa por aquele presente divino. Imagine se, em vez de ser o Corpo do Senhor, fosse uma moeda de ouro! Quanta gente iria correndo buscar. Horas antes da Missa já haveria uma fila esperando na porta, estendendo-se até a praça Muitas mães iriam pedir para seus filhos guardarem o lugar na fia Acho que até seria necessário a colaboração da polícia para pór ordem na multidão. E, se pudesse repetir, muitas pessoas iriam diversas vezes à Missa no mesmo dia, para pegar quantas moedas fossem possíveis. Ora, eu pergunto: será que Jesus vale menos que uma moeda de ouro? Onde está minha fé? Sou cristão ou soupagão? AS PRIMEIRAS COMUNIDADES O Livro dos Atos mostra coma os primeiros cristãos valorizavam a Missa. Eles se reuniam com frequência e celebravam a Eucaristia. Não se entendia uma comunidade cristã sem a Ceia do Senhor. Tanto é que São Paulo, convertido depols que Jesus havia subido ao céu, aprendeu das comunidades a prática da Eucaristia. Ele mesmo diz: “O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto É o meu corpo, que é entregue por vós. Fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue. Todas as vezes que beberdes, fazei-o em memória de mim. Assim, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, lembrareis a morte do Senhor, até que Ele venha. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo e assim coma deste pão e beba deste cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação (1Cort1,23-29). 124 A posição da Assembléia durante a Comunhão é sentada. Não ê preciso ficar de joelhos. A Comunhão é o "banquete divino”. E a posição de quem está à mesa da refeição é sentado. Outra coisa: não tem muito sentido uma pessoa comungar por alguém. Há gente que comunga pelo esposo falecido ou pelo filho que não val à Igreja. É mais ou menos como alguém almoçar por outra pessoa. O certo é rezar por alguém. Finalmente, gostaria de dizer que a Comunhão não deve ser recebida por tabela". Deve ser buscada por causa de simesma e não de outras intenções. Por exemplo: há quem faz uma novena de comunhão para consequir um emprego. Depois que termina a novena, não volta mais à Igreja, nem mesmo para as Missas dominicais. Será que essa pessoa entendeu o que é a Eucaristia? Tem sentido tal novena de comunhões? TESTE 1. Como é a parábola do banquete? 2. À que se compara esse "banquete" da parábola? 3. Por que o Livro dos Atos é importante para a Missa? 4. Que diz São Paulo sobre a Eucaristia? 5. À Missa é importante para você? 6. Se a Comunhão fosse uma moeda de ouro, você entraria na fia para pegá-la? LEITURA BÍBLICA: Mt 22, 1-14 125 A LENDA DO AMOR Era uma vez o amor... O amor morava numa casa assoalhada de estrelas e toda enfeitada de sóis. Mas não havia luz na casa do amor, porque a luz era o próprio amor. E uma vez o amor queria uma casa mais linda para si. - Que estranha mania essa do amor! E fez a terra, e na terra fez a carne, e na carne soprou a vida, e na vida imprimiu a imagem da sua semelhança. E a chamou de homem. E, dentro do peito do homem, o amor construiu sua casa, pequenina, mas palpitante, inquieta e insatisfeita como o próprio amor. E o amor foi morar no coração do homem e coube todinho lá dentro porque o coração do homem foi feito para o infinito. Uma vez... o homem ficou com inveja do amor. Queria para si a casa do amor, só para si, Queria para si a felicidade do amor, como se o amor pudesse viver só. E o homem sentiu a fome torturante e comeu!... O amor foi-se embora do coração do homem. O homem começou a encher seu coração: encheu-o com as riquezas da terra e ainda ficou vazio. E o homem, triste, derramou suor para ganhar a comida. Ele sempre tinha fome e continuava com o coração vazio. E uma vez... resolveu repartir o seu coração inútil com as criaturas da terra. O amor soube... Vestiu-se de carne e veio também receber o coração do homem. Mas o homem reconheceu o Amor e O pregou numa cruz. E continuou a derramar o suor para ganhar a comida. O amor então teve uma idéia: vestiu-se de comida, disfarçou-se de pão e ficou quietinho. Quando o homem faminto ingeriu a comida, o amor voltou à sua casa, no coração do homem. E o coração do homem se encheu de plenitude. Côn. Ápio Pais Campos Costa 126 37. EUCARISTIA: UNIDADE E FRATERNIDADE Certa vez o Apóstolo São Paulo repreendeu dura- mente os cristãos da Comunidade de Corinto, por causa do abuso no ágape. "Ágape' é uma palavra grega. Quer dizer “amor fraterno” ou caridade. Era uma refeição que a comunidade fazia juntamente com a Celebração da Ceia do Senhor. Cada família levava seu prato e comiam juntos. Em si, era uma coisa boa: uma contraternização para ressaltar a alegria da Eucaristia. Mas começou a haver abusos. Os ricos levavam pratos finos e comiam separados, fazendo suas 'panelinhas”, enquanto os pobres ficavam marginalizados. Então São Paulo escreveu-lhes o seguinte: “Enquanto vos faço estas admoestações, não posso louvar-vos, pelo fato de que as vossas reuniões não são para vós de proveito espiritual, mas sim de prejuízo. Ouço dizer, em primeiro lugar, que, quando vos reunis em assembléia, há divisões entre vós... Portanto, quando vos reunis em comum, não é tanto para celebrar a ceia do Senhor, pois cada um põe à mesa e toma, antes que os outros, a própria ceia, de modo que um passa fome, enquanto o outro se embriaga. Não tendes então casa para comer e beber? Ou quereis desprezar a Igreja de Deus e humilhar os pobres? Que vos direi? Hei de louvar- vos? Não, nisso não vos louvo!" (ICor 11,17-22). DIVISÃO: OBRA DO MALIGNO Aquilo que era para ajudar o espírito de fraternidade acabou crian- do discórdia e divisão na comunidade. É uma obra diabólica, porque age diretamente contra o amor, que é o grande Mandamento do Senhor e o sinal distintivo dos cristãos. São Paulo lembra: “O pão que partimos não é a comunhão do Corpo de Cristo? Uma vez que há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos nós comungamos do mesmo pão” (1 Cor 10, 16b-17). 127 Por isso, devemos afastar da Missa tudo aquilo que tem o fermento da divisão. Por exemplo: na homilia, não tratar de política partidária, de críticas e assuntos polêmicos que criam a confusão e a divisão; não dizer piadas, ou coisa parecida, que possam escandalizar as pessoas; não carregar a homilia de coisas negativas, mas dar mais destaque à mensagem positiva do Evangelho; acolher bem, em nome do Senhor, todos os que vêm à Missa, pois, na verdade, são con- vidados de Deus mais do que convidados nossos. Quanto possível, tratar Igualmente a todos, sem desprezar ninguém; que a saudação da paz não seja mera formalidade, com a frieza da ponta da mão, mas um gesto de irmão que reconhece o irmão na alegria da fraternidade fundamentada no amor de Jesus Cristo e não em nossas simpatias e antipatias. OS SINAIS DA UNIDADE A Eucaristia é o momento forte da fraternidade. Ela é, por simesma, o “sinal da unidade e o vínculo da caridade”, segundo nos ensina O Concílio Vaticano Il. O próprio Cristo fez um "gesto concreto” desse amor, o qual deve ser visível como se fosse o “distintivo” dos cristãos. Momentos antes de celebrar a Cela, ele fez o famoso Sermão do Mandamento Novo, durante o qual lavou os pés dos discípulos. Isto para mostrar que amar é servir, e servir na humildade, quebrando todas as arestas do orgulho que divide a comunidade. Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus perguntou-lhes: "Sabeis o que vos liz? Vós me chamais Mestre e Senhor e dizei bem, porque eu o sou. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei 05 pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos O exemplo, para que, como eu fiz, assim façais também vós. Em ver- dade, em verdade vos digo: o servo não é maior do que o seu senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou. Se compreender- des estas coisas, sereis felizes, sob a condição de as praticardes. (Jo13, 12-17). O MANDAMENTO NOVO Vimos um defeito que surgiu na comunidade de Corinto. Mas poderíamos citar muitos outros exemplos positivos das comunidades primitivas da Igreja, sobretudo da Comunidade de Jerusalém, da qual 128 está escrito:“A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma Ninguém considerava seu o que possula, mas tudo era em comum entre eles" (At 4, 32). Eles puseram em prática, radicalmente, o Mandamento do Senhor: “Dou-vos um Mandamento Novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13, 34-35). O Mandamento Novo está na homilia que Jesus fez na Ceia. O clima da Ceia do Senhor é a unidade no seu amor, tanto para os doze Apóstolos como para nós. Essa unidade é condição para que o mundo creia em Jesus. Assim orou o Senhor ao Pai, na hora da Ceia: "Não rogo somente por eles (Apóstolos), mas por todos aqueles que, por meio de sua palavra, hão de crer em mim: a lim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste (Jo 17, 20-21). TESTE 1. Que era o ágape? E o que aconteceu no ágape? 2. Com que palavras Paulo repreendeu os corintios? 3. O que deve entrar e O que não deve entrar na homilia? 4. Qual deve ser o clima na Celebração Eucarística”? 5. Como o Mandamento Novo se relaciona com a Ceia? 6. Que gesto concreto fez Jesus antes da Ceia? 7. Que comunidade cristã deu grande exemplo de unidade? 8. Por que é necessária nossa unidade? 9. Você tem Inimigos ou está aberto ao amor? LEITURA BÍBLIA: Jo 15, 1-17 129 38. RITO FINAL A Bíblia Sagrada é o Livro da Vida. Contém a Men- sagem de Deus para seu Povo. Mensagem de amor e sabedoria. E uma das coisas antigas que vamos encontar na Bíblia é a bênção de Deus para seu Povo. Vem desde o começo da História de nossa Salvação. Para iniciar à História da Salvação, Deus chamou Abraão, que morava em Ur, na Caldéia, e lhe disse: "Sai da tua terra, da tua pátria e da lua casa paterna, e vai para a região que eute mostrarel. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei. Engrandecerei O teu nome, e serás uma bênção. Abençoarei quem te abençoar e amalidiçoarei quem te amaidiçoar. E por ti serão abençoadas todas as nações da terra” (Gn 12, 1-3). Portanto, a bênção vem de Deus, passando por Abraão, até o dia de hoje. Ela é destinada a um Povo nascido de Abraão. Essa bênção tem sua plenitude em Jesus. Jesus é a própria bênção. É o DOM do amor do Pai. A HORA DOS AVISOS Antes de falarmos do rito da bênção, lembramos que, terminada a Comunhão do povo, convém haver alguns momentos de silêncio para interiorização da Palavra de Deus é ação de graças. Pode-se também recitar algum salmo ou cantar algum canto de ação de graças. Mas não é o momento de dar avisos ou prestar homenagens a alguém. Depois da ação de graças vem a “Oração Após a Comunhão", de pé. Terminada a Oração, que é proferida pelo Presi- dente, então sim, podem-se dar avisos e lazer convites. Se for coisa breve, a Assembléia pode ouvir de pé. Caso contrário, pode sentar-se. Em seguida vem a bênção final, que é solene, dada pelo Presidente da Celebração. 130 BENÇÃO FINAL Antes da bânção, o Presidente da Celebração saúda a Assembléia, dizendo: "O Senhor esteja convosco!" E todos respondem: Ele esta no meio de nós". Nesta hora, se a comunidade estiver sentada, deve levantar-se. Aí vem a bênção, que pode ser com uma fórmula simples ou solene. Por exemplo, uma fórmula simples é esta: “Abençoe-vos Deus toto-poderoso, Pal, Filho e Espírito Santo!". E todos respondem “Amém!". Ao dar a bênção, o padre traça uma cruz sobre a Assembléia, e todos podem Inclinar a cabeça. Existem outras fórmulas de bênçãos mais solenes, de acordo com a festa litúrgica. Eis, por exemplo, a bênção que o Missal Romano traz para o primeiro dia do ano: Presidente: Que Deus todo-poderoso, fonte e origem de toda à bênção, vos conceda a sua graça, derrame sobre vós as suas bênçãos e vos guarde sãos e salvos todos os dias deste ano! Assembléia: Amém! Presidente: Que vos conserve íntegros na fê, pacientes na es- perança e perseverantes até o fim na caridade! Assembléia: Amém! Presidente: Que Ele disponha na sua paz os vossos atos e vos- sos dias, atenda sempre vossas preces e vos con- duza à vida eterna! Assembléia: Amém! Presidente: A bênção de Deus todo-poderoso, Pai, Filho e Espíri- to Santo, desça sobre vós E permaneça para sem- pre! Assembléia: Amém! O Presidente pode também abençoar com outas palavras, de acordo com as circunstâncias. Liturgia é vida. O próprio Deus man- dou o sacerdote Aarão abençoar os filhos de Israel com as seguintes palavras: "O Senhor te abençoe e le guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e le seja benigno; o Senhor mostre para tl a sua face & te conceda a paz" (Cf. Nm 6, 22-27). 131 COMO RECEBER A BENÇÃO Chamamos a atenção para a importância da bênção de Deus dada solenemente na Missa. Muita gente não loma consciência de que essa bênção é para sl. Fica distraída. E, acabada a Missa, val à sacristia e diz: "Padre, o senhor pode dar uma bênção para O meu menino? Ora. para quem foi então aquela bênção solene que acabou de ser dada na Missa? Não foi para aquela mãe com seu filho”? Sel que cada um gosta de ser tocado pessoalmente. Quer que o padre coloque as mãos sobre sua cabeça e lhe diga uma palavra só para si, Tudo bem, É um direito que tem. E não custa nada o padre abençoá-lo. Mas é preciso valorizar mais e receber com fé a bênção solene dada no final da Missa. Ela é para cada pessoa que está ali Que cada um se coloque pessoalmente sob aquela bênção, com seu nome e sua vida. Outra coisa: é feio ir saindo da Igreja antes da bênção final. A missa termina com a bênção. Em sequida vem o canto final, que deve ser alegre, pois foi uma felicidade ter participado da Missa, TESTE 1. Onde está a origem da bênção? 2. Quala hora própria para avisos e comunicações? 3. Diga uma fórmula de bênção. 4. O padre pode 'invenlar' bênçãos? 5. Lembra-se da bênção bíblica? Diga-a. 6. Como se deve receber a bênção solene na Missa? 7. Você valoriza a bênção de Deus? LEITURA BÍBLICA: Ef 1, 3-14 132 39. O DIA DO SENHOR Quando compramos um carro ou um apareiho ele- trânico, recebemos um manual que nos ensina o mado de usá-lo corretamente. Se não usarmos de acordo com a orientação do fabricante, estragamos à máquina. Pior ainda se quisermos consertar com nossas proprias maos Perdemos a “garantia”, porque alteramos o mecanismo do aparelho. O homem não é uma máquina. Mas seu funciona- mento" é mais delicado ainda, porque é, ao mesmo tempo, corpo e espírito. Um corpo com um “mecanismo com- plexo, reunindo muitos organismos: a respiração, a corrente sangúínea, o aparelho digestivo, o cérebro, (que é muito delicado) e a nossa alma ou espírito, que precisam ser respeitados no seu modo de ser e de agir. Por isso, o divino Fabricante, quando fez o homem, deu-lhe também um manual para orientação de seu devido funcionamento: é o Decálogo ou Dez Mandamentos. E um desses Dez Mandamentos nos manda descansar um dia por semana, como veremos a seguir. UM DIA DE DESCANSO Deus, que criou o homem e conhece bem as suas limitações, deu-lhe esta ordem: "Lembra-te do dia de sábado, para santilicá-lo. Trabalharás durante seis dias e farás todas as tuas obras. O sétimo dia, porém, é o dia do Senhor, teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu animal, nem o estrangeiro que está nas tuas portas. Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, O mar e tudo o que eles contêm, mas repousou no sétimo dia. Por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou" (Ex20,8.11). Duas coisas aparecem no Dia do Senhor: o descanso e a santificação da vida. Deus lala que é para a gente não trabalhar e lembra que é para se renovar espiritualmente, pois o Senhor 133 “abençoou e santilicou" esse dia. Não adianta trabalhar no domingo para ganhar mais dinheiro. Esse dinheiro,mais tarde, será gasto em remédio, para consertar o desgaste do corpo e da mente. E nunca mais se recupera a saúde perdida. Deus não faz leis para prejudicar a vida, mas para protegê-la e ajudar o homem a viver feliz. SÁBADO OU DOMINGO? Alguns dizem: "Se Deus mandou guardar o sábado, por que a Igreja guarda o domingo?" Explico. O sábado era o dia que lembrava a Aliança de Deus (Javé) com seu povo Israel (Cf. Ex 31, 16-17). Jesus, porém, é a plenitude da Lei e da Aliança. E ele ressuscitou no domingo. Ora, a Ressurreição do Senhor é o acontecimento máximo na História da Salvação. Por isso, ficou sendo o dia festivo dos cristãos. Era o dia em que eles se reuniam para celebrar a Eucaristia, que é o centro da piedade crista. Já no tempo dos Apóstolos o domingo passou a ser o dia principal da semana, o dia em que se celebrava solenemente a Eucaristia. Lemos no Livro dos Atos: "No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o pão” (At 20,7a). No começo, os cristãos quar- davam o sábado e celebravam a Missa no domingo. Depois O domingo passou a ser o dia do Senhor. Santo Inácio de Antioquia, que viveu no primeiro século da Igreja, escreveu: “Os judeus, que chegaram à nova esperança, não celebram mais o sábado, mas observam o dia do Senhor, no qual, através de Cristo, surgiu a vida". E um famoso escritor pagão chamado Plínio, escrevendo ao imperador Trajano (98-117), diz: "Os cristãos reúnem se num dia determinado, o que lembra a Ressurreição de Cristo”. Outro documento antigo, chamado Didascália siríaca ensina: "Não é permitido jejuar no primeiro dia da semana, porque é minha Ressurreição". Já no ano 321, o imperador Constantino oficializou O domingo como sendo o dia do descanso. Jesus mesmo disse que Ele era "Senhor do sábado" (Cf. Mt 12,8). E São Paulo escreve: “Portanto, ninguém vos julgue por questões de comida e de bebida, ou a respeito de festas anuais ou de lua nova ou de sábados, que são apenas sombra das coisas que haviam de vir, sendo que a realidade é o Cristo" (Cl 2, 16-17). Dar mais importância 134 ao sábado do que à Ressurreição do Senhor é dar mais importância à sombra do que ao corpo que projeta a sombra. VALORIZAR O DIA DO SENHOR Precisamos resgatar o verdadeiro sentido do domingo, como Dia do Senhor. Infelizmente, para muitos, o domingo não passa de um simples feriado pagão. Não se expressa nenhum sinal de fe: nem oração, nem Evangelho, nem Missa. É apenas uma parada, como param as máquinas. Além do descanso, o domingo é um dia de alegria e festa cristã. O Concílio Vaticano |l diz: “Neste dia os cristãos devem reunir-se para ouvirem a Palavra de Deus e participarem da Eucaristia, e assim lembrarem-se da Paixão, Ressurreição e Glória do Senhor Jesus, e darem graças a Deus que os regenerou para a viva esperança” (SC 106). "Domingo" é uma palavra de orlgem latina. Quer dizer “Dia do Senhor". E um dia destinado à renovação espiritual. E o ato mais importante do domingo é a Missa, que o Concílio chama de “centro e ápice" da piedade crista, TESTE 1. Que disse Deus sobre o Dia do Senhor (sábado)? 2. Quais os dois aspectos do Dia do Senhor? 3. Por que o domingo tomou o lugar do sábado” 4. Que disseram Plínio e Inácio de Antioquia? 5. Que disse São Paulo sobre o sábado” 6. Que sentido tem o domingo para você? LEITURA BÍBLICA: Lc 10, 38-42 135 40. MISSAS DE FORMATURA E DEFUNTOS Em certa cidade, havia um bairro pobre onde faltava água no tempo da seca. Então, uma ver por semana, a Prefeitura Municipal mandava um caminhão-pipa. Quando a pipa chegava, as mulheres e crianças faziam fila para pegar água. Cada um levava quanto podia. Havia mulheres com uma lata na cabeça e um balde na mão. E havia crianças com latinhas e baldinhos, de acordo com suas forças. Vi um menininho com um canecão de apenas um litro. O caminhão soltava água por uma mangueira grossa, sem miséria. Não havia límite de quantidade. A pessoa levava quanto queria. ASSIM E NA MISSA Passando da água do caminhão-tanque para a Missa, eu diria que Deus também não põe limite na sua graça. À pessoa que vai à Missa pode encher o seu coração, quanto quiser. Depende do tamanho do recipiente. Se tiver o coração fechado, pode até voltar para casa sem nada. É o que algumas pessoas dizem: "Eu não acho nada na Missa. É uma coisa tão vazia. Saio do jeito que entro”. Eu pergunto: Será que essa pessoa foi disposta a ouvir a Palavra de Deus e receber os dons do Espírito Santo? Teve uma atitude de abertura e acolhimento da graça de Deus? Jesus nos fala abertamente: “Quem tiver sede, venha a mim e beba!" (Cf. Jo 7,37). Falando da água do poço de Jacó, disse o Senhor à samaritana; "Aquele que beber desta água terá sede novamente; mas quem beber da água que eu darei, nunca mais terá sede. Pois a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna" (Jo 4, 13-14). O mesmo Jesus ainda diz: 'Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim; a quem tem sede, eu darel gratuita- mente da fonte de água viva" (Ap 21,6). 136 MISSAS DE AÇÃO DE GRAÇAS Nada mais louvável do que celebrar uma Missa de Ação de Graças por ocasião de uma formatura, de bodas, ou de outro evento como aniversário de nascimento, aniversário da cidade, ou coisa parecida A própria Eucaristia, como vimos, já tem em si o sentido de ação de graças. Mas é preciso uma condição: que a Missa seja celebrada com lé, sem desviar o seu sentido espiritual, Há quem “manda rezar uma Missa de aniversário com um sentido não muito convenlente, Por exemplo: para dar destaque à sua festa, sem a devida fê. E quanto às Missas de formatura? Aí então acontece de tudo. É uma coisa muito bonita e digna de apoio. Nada mais justo do que uma turma se reunir, como turma que caminhou junto vários anos, para conjuntamente louvar, bendizer e agradecer a Deus... e também pedir pelo bom sucesso da prolissão que vão exercer. Mas, no meio de uma formatura, há sempre alguns que lá estão como se fosse um evento simplesmente social. Nada de mistério. Nada de fé. Nada de oração. É pura formalidade. Há formandos mais preocupados com a pose para o fotógrafo do quem com sua atitude de participação na Missa. Chegam a fazer sinal para o fotógrafo como se estivessem num clube ou num restaurante. Às vezes, há quem vá comungar sem saber O que esta fazendo. Por isso, lembramos que, ao marcar uma Missa de formatura, é preciso tomar certas providências no sentido de preparar bem a Celebração: as leituras, o canto, o papel do comentarista, as preces da comunidade... para que um Mistério tão sublime, como é a Eucatis- tia, não cala no vazio nem venha a dar uma imagem negativa da Igreja e uma idéia ridícula da Liturgia. MISSA PELOS DEFUNTOS Hoje quase não se celebra mais Missa de corpo presente. Em geral se faz a Celebração da Palavra ou "encomendação” no velório. Mas temos as Missas de sétimo dia de falecimento, de mês, de ano ou de qualquer data. É justo e bom orarmos pelos falecidos. Já vimos isso no Encontro 30. 137 E sabemos que a Oração tem efeito retroativo, isto é, vale lambém para O passado. Podemos rezar hoje para que uma pessoa falecida há dez anos tenha encontrado o perdão junto de Deus na hora de sua morte. À oração não está presa ao lempo. Ela vale para o passado. para o futuro e para o presente. À mãe pode orar hoje para que o seu filho que lez vestibular ontem tenha passado. O exame não será mais alterado, Já foi entregue. Mas podemos rezar para que 0 moço tenha acertado as questões, Sem dúvida, rezar pelos defuntos é certo e bom. Mas tem uma coisa: O mais importante é a nossa vida. Precisamos estar “em dia com a nossa vida, para que, na hora em que Deus nos chamar, estejamos preparados para partir em paz. Está escrito: “Bem-aven- turados os mortos que morrem na paz do Senhor. Sim, diz o Espirito, que descansem de suas ladigas, pois suas obras os acompanham'(Ap 14, 13). Diz ainda o Senhor a todos nós que ainda caminhamos na terra: “Eis que venho em breve, e trago comigo a recompensa para dar a cada um segundo as suas obras" (Ap 22, 12). Creio firmemente no poder da oração, mas não sei se alguém que viveu como pagão, desprezando a graça de Deus, será salvo com Missa de sétimo dia e aquela cruz sobre sua sepultura. TESTE 1. A que Jesus se compara? 2. Por que alguns entram e saem da Missa vazios? 3. Convém celebrar Missa de formatura e aniversário? 4. Que cuidado devemos ter com Missa de formatura? 5. Vale a oração pelos defuntos? Por quê? 6. Você reza pelos falecidos? 7. Como deve ser vivida a nossa vida presente? LEITURA BÍBLICA: Lc 12, 35-48 138 41. O ANO LITÚRGICO O povo de Israel esperou a vinda do Salvador durante milhares de anos. E “quando chegou a plenitude do lempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher (Gl 4,4) O Filho eterno de Deus "se tez came e habitou no meio de nós" (Cf. Jo 1, 14). Na terra, Ele recebeu o nome de Jesus e “foi verdadeiro homem, provado como nós em tudo, menos o pecado” (Cf. Hb 4,15). Tornou-se o centro da História da humanidade, Senhor do tempo e da eter- nidade. Por isso, chamou-se "o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Principio e o Fim' de todas as coisas (Apea,13). Ressuscitando dos mortos e subindo ao ceu, Ele prometeu voltar no fim dos séculos. Mas, ao mesmo tempo, nunca se separou de nós. Pelo contrário, caminha com a Igreja “até o fim do mundo” (Cf. Mt 28, 20). ANO CIVIL E ANO LITÚRGICO Para celebrar a vida de Jesus, com suas obras e sua Mensagem, sua permanência no meio de nós e seu regresso no fim da História, nós temos o Ano Litúrgico, que revive anualmente todo o Mistério da Salvação centrado na Pessoa de Jesus, o Messias ou Filho de Deus. - É isso que vamos ver neste Encontro. O Ano Litúrgico é o “Calendário Religioso". Contém as datas dos acontecimentos da História da Salvação. Não coincide com o ano civil, que começa no dia primeiro de janeiro e termina no dia 31 de dezembro. O Ano Litúrgico começa e termina quatro semanas antes do Natal. Tem como base as lases da Lua. Compõe-se de dois grandes ciclos: o Natal e a Páscoa. São como dois polos em torno dos quais gira todo o Ano Litúrgico. O Natal tem um tempo de preparação, que é o Advento; e a Páscoa tem também um tempo de preparação, que é a Quaresma. Ao lado do Natal e da Páscoa está um período longo, de 34 semanas, 139 chamado Tempo Comum, O Ano Litúrgico começa com o Primeiro Domingo do Advento e termina com o último sábado do Tempo Comum, que é na véspera do Primeiro Domingo do Advento A sequência dos diversos tempos” do Ano Litúrgico é a seguinte: ADVENTO Compõe-se de quatro semanas. Começa quatro domingos antes do Natal e termina no dia 24 de dezembro. A cor das vestes litúrgicas é roxa. Não é propriamente um tempo de penitência, mas de purificação da vida pela justiça e pela verdade, preparando os cami- nhos do Senhor. Também não é tempo de festa, mas de esperança e alegria moderada, pois arrumamos a “casa” para receber a mais nobre Visita, anunciada pelos Profetas. As personagens biblicas em desta- que nas Leituras são: Isaias, João Batista, a Virgem Maria e o Messias. NATAL Começa aos 25 de dezembro e se prolonga por três domingos. A cor é branca. Celebra, com grande alegria, O nascimento de Jesus, que se fez Homem para nossa Salvação. Nossa atitude é de gratidão e de glorificação de Deus “no mais alto dos céus”. Nesse tempo estão também as festas da Sagrada Familia, de Santa Maria Mãe de Deus, da Epitania e do Batismo de Jesus. TEMPO COMUM (PRIMEIRA PARTE) Começa logo após o batismo de Jesus e se interrompe na lerça- feira antes da Quarta-Feira de Cinzas. Depois recomeça na segunda-feira após o Pentecostes e val até o sábado antes do Primeiro Domingo do Advento. À cor é verde. Tempo Comum é um periodo sem grandes acontecimentos. AÍ se apresenta a vida e a pregação de Jesus na rotina do seu dia a dia, É um tempo de esperança e de acolhimento da Palavra de Deus, que anuncia longa- mente o Reino dos céus. 140 QUARESMA Começa na Quarta-Feira de Cinzas é termina na quarta-feira da Semana Santa. A cor é roxa. É tempo forte de conversão e penitência, de jejum e de oração. Precisamos renunciar ao mal e aderir a Jesus que carrega sua cruz. É o tempo de preparação da Páscoa. Compõe- se de cinco semanas. Na Quaresma não se diz O Aleluia”, nem se colocam flores na igreja. Os instrumentos musicais devem ser moderados: somente para sustentar o canto. PÁSCOA A Páscoa começa com o Triduo Pascal, na quinta-feira da Semana Santa. O ponto alto desse triduo é a Ressurreição do Senhor, na Vigília Pascal. O período pascal dura 50 dias. Val até a festa de Pentecostes, que é a vinda do Espírito Santo. À cor é branca, simbolo da alegria Devemos ressuscitar com Cristo. Na segunda-feira após o Pentecostes recomeça a segunda parte do Tempo Comum. TESTE 1. Que é Ano Litúrgico? 2. Quais os tempos do Ano Litúrgico? 3. Diga alguma coisa do Advento e da Quaresma. 4. Que é Tempo Comum? E Páscoa” 5. Que é Pentecostes”? 6. Você vive a Liturgia? Ela tem sentido para você? LEITURA BÍBLICA: Jo 1, 1:18. 141 ESQUEMA DO ANO LITÚRGICO Início - 4 domingos antes do Nataí Término - 24 do dezembro À tarde Advento Espiritualiciade s Esperança & purificação da vida Ensinamento - Anúncio da vinda do Messias CICLO ai -Foxa a Inicio - 25 de dezembro Término - Na lésia do Batismo de Jesus Espiritualidade - Fá, alegria e acolhimento Natal Ensinamento - O Filho de Deus se fez Homem Cor - Branca Início - Bt feira após o Batismo de Jesus Tempo Término - Véspera da 4º Feira das Cinzas Comum Espiritualidade - Esperança e escuta da Palavra (1º Parte) Ensinamento - Anúncio do Reino de Deus Cor - Verde Início - Quarta-Feira das Cinzas Término - 4º loira da Semana Santa Quaresma |Espirilualldade - Penliência e conversão Ensinamento - À misericórdia de Deus CICLO Cor « Roxa DA PÁSCOA Infeio - St feira santa (Triduo Pascal) Término - No Pentecostes Espirilualidade - Alegria em Cristo Ressustilado Páscoa lEnsinamento - Ressurreição e vida elerna Cor - Branca Início - Br feira após o Pentecostes Tempo Término - Véspera do 1º Domingo da Advento Comum Espiritualidade - Vivência do Reino de Deus (2º Parte) Ensinamenlo - Os crislãos são o sinal do Reino Cor - Verde e NOTA: Além das festas de Jesus, dentro do Ano Litúrgico estão as festas da Virgem Maria, dos Apóstolos e dos outros santos. Nas Livrarias católicas encontra-se um livro chamado “Diretório Liúrgico” que contém o calendário com todas as festas e comemorações da Liturgia. 142 ; Vozes MATRIZ RJ, Petrópolis (25689) RA Frei Luis, 100 Cama Postal, 90023 Tel: (0242/43-5112 Fax: (0242/42-D692 FILIAIS AJ, Rio de Janeiro (20031) A. Senador Dantas, 118-| Tol: [021)220-6445 A. Joaquim Palhares, 227 (20260) Estácio de Sá Tel, (021]273-3156 A Joana Angélica, 63 (22420) Ipanema Tel.: (021)267-5397 A Moura Brito, 30, loja C (20520) Tijuca Tel.: (021)248-1061 SP, São Paulo (01006) A. Senador Feijó, 158 e 168 Tels.: (011)35-7144 o 36-2288 (01414) R. Haddock Lobo, 360 Tel.: (011)258-0511 (03031) À. Thiers, 310 - Pari Tal.: (011]229-9578 SP, Bragança Paulista (12900) Av. 5. Francisco de Assis, 218 Tel.: (011)433-3675 (12900) A. Cal, Teólilo Lomo, 1055 Tol.: (011/433-3675 SP, Bauru (17015]Av. Rodrigues Alvos, 10 — 37 Tel.: (0142)34-2044 MG, Belo Horizonte (30150) A. Tupis, 85, Loja 10 Tels.: (031)273-2232 (30190) A. Tupis, 114 Tol.: (031)273-2538 (30140) R. Almorós, 1583 Tols.: (031)222-4152 o 2224452 MG, Julz de Fora 135013) A. Espirrto Santo, Bhs Tel: (032/72 15-8D61 (36010) Av, Barao do Rio Branco. 451 Tol.: (032/211-7652 AS, Porio Alegre (90210) R. Ramiro Barcelos, 150 Tel. (0512)]21-6522 (50010) A. Fuachucio,1280 Tal: (0512/26-3911 AS, Novo Hamburgo (93310) A. Joaquim Nabuco, 343 Tol: (0512)53-8143 AS, Pelotas (38010) Rua 7 de Sotembro, 145 Tol,: (0532/22.5341 DF, Brasilia CLR'None. OQ. 704 (70730) Bloco A, N, 15 Tol.: (D61]223-72436 GO, Golânia (740D0) A, 3, N. 231 Tol,: (QEe)22s-3077 PE, Recife (50050) R, do Principe, 482 Boa Vista Tel.: (081)221-4100 (50020) R, da Concórdia, 167 Tol.: (DB1)224-3524 PA, Curliiba (80230) A. 24 de Maio, 55 Tol.: (D41j233-1392 (80020) À. Voluntários da Pátria, 39 Tol.: (041)223-6059 S€, Blumenau (89010) AR. 15 de Novembro, 963 Tel.: (D473)22-3471 CE, Fortaleza (60015) Av. Tristão Gonçalves, 1158 Tol.: (085)231-9321 (60025) A. Major Facundo, 730 Tol.: (085)221-4877 BA, Salvador (40110) A. Carlos Gomes, 698-A Tols.: (071)241-B666 MT, Culabá (78025) Av. Getúlio Vargas, 381 Tols.: (065/322-6809 e 3272.6567 MS, Campo Grande (79013) R. Br. do Rio Branco, 1231 Tols.: (D67/384-1535 e 384-1593 O VIStIN! E Rem ha] F; - Es Fm , É = [] A Mi parte [9,04 parte PHINÃO=O: NYO No meio do caminho havia uma pedra. Aparentemente uma simples pedra Os que passavam tropassavam nela. E ela la rolando para frente e para trás. Um dia alguém parou, pegou aquela pedra e a limpou da poeira. Então viu que era uma pedra preciosa. À Missa é semelhante a essa pedra. Não qua ela esteja suja, mas 05 nossos olhos estão cobertos da poeira da Ignorância ou do preconceito, o que nos impede de vera Missa tal qual ela é, na pureza de sua origem divina e na beleza de seu mistério. A Missa, vivida segundo o pensamento de Deus, tem a força de transformar a nossa vida. Ela deixaria de ser um desgastado preceito para se tomar a pérola rara de que fala o Evangelho. Mas, ninguém ama o que não conhece. Por isso, está aí este livro, que poderá ajudá-lo muito no conhecimento e na vivência da Missa. O Autor; Luiz Cechinato - Padre e Jornalista. Nasceu em Leme, SP, Bos 27-07-1991. Estudou no Seminário Diocesano de São Carlos, SP, e no Seminário Central do Ipiranga, em $ão Paulo. Fol ordenado Presblero sos 24-12-1961. Fol Pároco de Borborema, SP (1962-1972), Pároco de Barr, SP, e de ltaju, SP (1972-1981). Atualmente é Pároco da Catedral de São Carlos, SP, e Vigário Geral da Diocese. Pela Editora Vozes publicou os livros: O Reino de Deus, Puebla ao Alcance de Todos, A Quem Iremos, Senhor? O Sacramento da Confirmação, Reconcilia-vos, Conheça Melhor a Bíblia, A Bondade Faz Maravilhas, Caminhando com Jesus, Valorizando a Vida o Tia Alta. (4