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A MISSA PARTE POR PARTE 
"ENE GES NINO 
E OD) CONTO) 
ATUALIZADA E MELHORADA 
Es 
ATO 
Composição: 
GRÁFICA COLETTA LTDA, 
Rua Tiradentes, 603 - CEP 17250 - Bariri-SP. 
Fone (0146) 62-1297 - Fax (0146) 62-1937 - Telex 146-126 DLCL 
Editoração Eletrônica: Wilson José Germin
A MISSA 
PARTE POR PARTE 
Pe. Luiz Cechinato 
17a. Edição 
Atualizada e melhorada. 
/ 
Petrópolis 
1991
(c) 1979, Editora Vozes Ltda. 
Rua Frei Luís, 100 
25689 Petrópolis, RJ 
Brasil 
Aprovo e Recomendo 
São Carlos, 1º de julho de 1979 
+ Constantino Amstalden 
Diagramação 
- Valdecir Mello
 
O QUE "ATUALIZAMOS" 
Este livro, lançado em 1980, continua sendo muito lido. Por isso, 
achamos que merecia ser melhorado. 
Algumas expressões foram mudadas. Por exemplo: “celebrante" 
por "presidente da Celebração”. 
Dois Encontros novos foram acrescentados, a pedido de alguns 
leitores. São o Encontro 28: "Ceia Eucarística: Sua Origem" e o 39: 
"Eucaristia: dos Apóstolos até nós. 
Atualizamos o texto litúrgico, de acordo com o novo Missal. 
O livroficou enriquecido e com menos páginas, porque demos uma 
enxugada no texto. Tiramos coisas repetidas e, onde havia dois ou 
três exemplos semelhantes, deixamos apenas um. 
Colocamos também alguns desenhos explicativos de autoria da 
Professora Nice Therezinha Gírio Milani. 
A supervisão da doutrina é do Cônego Bruno Gamberini e a revisão 
literária é da Professora Edna Pellegrini. 
O Autor.
EM MEMÓRIA 
Ele me ensinou a ir à igreja e a gostar da Missa. Não tinha diplomas 
e não fazia discursos, mas crendo me ensinou a crer, e amando me 
ensinou a amar. Nunca ficou sem a Missa, mesmo quando chovia. 
Ãos 82 anos de idade ( 13/06/1979) encerrou sua caminhada terrena. 
A última vez que saiu de casa foi para ir à Missa. Durante a 
Celebração, quando o padre proclamava o Evangelho, ele caiu, 
precisamente na hora em que eu escrevia o último encontro deste 
livro. 
A ele, o meu pai, Domingos Cechinato, eterna gratidão! 
 
01. 
02. 
OS. 
04. 
05. 
06. 
07. 
08. 
09. 
a 
Tt: 
12. 
13. 
14. 
15. 
16. 
tz. 
18: 
19. 
20. 
El: 
Ze. 
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32. 
33. 
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37. 
38. 
39. 
40. 
41. 
 
SUMÁRIO 
Visão geral sap ronraa arena ra gua uns puta reg 9 
Pocque A deneias sneeeossrrsrs masmorras ne 18 
Gestos o atitudes aquasas-ssssssensanasa es eras 16 
Posições do COFpO...............sseseereeeees O mamas 19 
orcanto IITGICO sessacasaesescesanarreneaee rea aos 22 
O sacerdote, as vestes e o altar 
Objetos usados na Missa....................ceseeecereereecesserereasenseneensss 29 
O Sinal da CHE SEND orem ata censo sessao 34 
Acolhida e saudação ..........iimesesiseseseieeneererererraes 37 
Ato: PERA Ri ses nose Ega Se ICEDIS Eras npc am 40 
Glória a Deus nas Alturas ...............iiseeeeeecesermeneereness eee 43 
A IaEao "COIGLA! cusamanenescanesrarnascaraceceraioasemmaas ar ureranmraanansmaas 46 
Liturgia-da Palavra.....semeeresoresmeenrcorearbeitiananpoeasama ars a a 49 
Ena LONA ESSO. sessao erre Rr poa caes E? 
Segunda Leitura e Aclamação 
ig Riso Creu ts E aj PR 58 
HOMO. mera ereomeemra sirene mmasarenor àrifirs 61 
Pratica gude O even erros ses e serena perene 84 
Grer na IGteja....eesesmesirmsii CE US as 68 
Oração dos FIG. esses nano cmo masc rp rr ercns RR 
Etútgia EUCANSHGA .-sepameousesaseeossas asonoavesusassrasarossvarcuzassenosam emas 5 
Procissão das Oferendas.............. eee TB 
Apresentação do pão € dO VINHO: ssssascermaseaasasasescananas san] 
Ultimas viagõoes do UfErorio su seca DA 
Prefácio e Santo 87 ECC EEE ERES EEE EEE EEE TE 
Consagração do pão sido VINHO asus aereas qaaçecas 90 
"Eis o Mistério da Fé!" eee eeereeaaeaanos 
Cela Bucal Be asse nanasavarasar eos arara O 
Eucaristia: dos Apóstolos até NÓS... ii00000:00... 100 
Orações pela Igreja... eres 104 
Por Cristo, Com CiiStO spears O? 
Pai-Nosso.. = SM era en peçá 
Saudação e Fração d do Pão. asescuerereacagpossepesncanemeszegaas esc PES 
Cordeiro de Deus.. 
Comunhão... e. nn 
A Missa, O Banquete de Deus... avecacennercasncaceenas ren T2S 
Eucaristia: unidade e fraternidade... 127 
Rito Final... e 
O Dia do Senhor... aerea mensal 
Missas de Formatura € e Defuntos.. e a asa IGO 
O Ano Litúrgico ........... eres 139
 
01. VISÃO GERAL 
Numa cidade estava sendo construída uma bela cate- 
dral feita de pedras. Os operários iam e vinham no meio 
da grande construção. Certo dia, chegou aquela cidade 
uma importante autoridade e foi ver a obra. O ilustre 
visitante entrevistou três operários que carregavam 
pedras. Aos três fez esta pergunta: 
- Amigo, o que está fazendo? 
O primeiro respondeu-lhe: 
- Estou carregando pedras. 
O segundo disse: 
- Estou ganhando o meu pão de cada dia. 
E o terceiro falou: 
- Estou construindo uma catedral, onde muitas pes- 
soas encontrarão a salvação. E, aqui, eu e minha família 
nos reuniremos para louvar a Deus. 
DEUS QUER AMIGOS E NÃO ESCRAVOS 
Estão vendo? Os três operários faziam o mesmo serviço, mas com 
espírito diferente. A Missa também é assim. Ela é a mesma para todos, 
mas a maneira de cada um participar pode ser diferente. Depende da 
fé que as pessoas têm. Existe quem vai à Missa apenas para cumprir 
o preceito, como aquele operário que simplesmente carregava 
pedras. Existe também quem vai à Missa para fazer pedidos a Deus, 
como o operário que trabalhava tão somente para ganhar seu salário. 
E existe a pessoa que participa da Missa com fé e alegria, louvando 
e bendizendo a Deus, à semelhança do operário que trabalhava 
contente porque estava construindo a casa do Senhor. 
Veja bem como está sendo a "sua Missa". Deus quer amigos e não 
escravos. O escravo obedece, o amigo ama e participa. Às vezes 
vamos fazendo muitas coisas sem saber por quê. Principalmente 
quando se trata da religião. Muitos confundem fé com superstição. 
Observe o que acontece em certos enterros. Na hora em que se 
09
coloca o defunto na sepultura, muita gente joga um pouco de terra 
sobre o caixão. Esse gesto deve simbolizar uma obra de misericórdia 
(sepultar os mortos), mas a maioria nem sabe disso e o faz com um 
sentido supersticioso que nada tem a ver com a verdadeira fé. 
NINGUÉM AMA O QUE NÃO CONHECE 
Assim pode estar acontecendo na Missa. Alguém entra na igreja, 
olha, acompanha tudo, faz os mesmos gestos, mas sem saber o que 
está dizendo e o que está fazendo. Por isso aproveita muito pouco da 
Celebração. 
Fizemos uma pesquisa sobre a Missa. Perguntamos a diversas 
pessoas: "Por que você foi à Missa?" E as respostas foram as seguin- 
tes: 
- Fui à Missa porque era dia de preceito. 
- Fui à Missa para agradecer a Deus. 
- Fui à Missa para pagar uma promessa. 
- Fui à Missa porque eram Bodas de meus amigos. 
- Fui à Missa porque era formatura de meu filho. 
- Fui à Missa para pedir saúde. 
- Fui à Missa porque era de "sétimo dia" do colega. 
- Fui à Missa porque era Natal. 
- Fui à Missa para louvar e bendizer a Deus. 
- Fui à Missa porque meu colega me convidou. 
E você, por que vai à Missa? Qual das respostas mencionadas 
acima seria a sua? Você vai de vez em quando ou todos os domingos”? 
Vai para cumprir preceito ou para adorar a Deus? A Celebração 
Eucarística é muito mais que uma oração. Precisamos conhecê-la 
melhor. Ninguém ama o que não conhece. Pode ser que muita gente 
não entenda nem o roteiro da Missa. Fica meio "perdido" dentro da 
Celebração. Por isso, vamos apresentar um esquema ou roteiro da 
Missa. É claro que esse esquema não é o mais importante, mas é O 
primeiro passo para começarmos a compreendermelhor a 
Celebração. 
10
RITOS 
INICIAIS 
LITURGIA 
DA 
PALAVRA 
LITURGIA 
EUCARÍS- 
TICA 
RITOS 
FINAIS 
 
ESQUEMA OU ROTEIRO DA MISSA 
 
Preparação 
das 
Oferendas 
Oração 
Eucarística 
ou Anáfora 
Rito da 
Comunhão 
- Monição ambiental 
- Canto de entrada 
- Acolhida e saudação 
- Áto penitencial 
- Hino de louvor (Glória) 
- Oração "Coleta" 
- Monição para a 1º Leitura 
- Proclamação da 1º Leitura 
- Salmo Responsorial 
- Monição para a 2º Leitura 
- Proclamação da 2º Leitura 
- Monição para o Evangelho 
- Canto de aclamação ao Evangelho 
- Proclamação do Evangelho 
- Homilia (pregação) 
- Profissão de fé (Creio) 
- Oração dos fiéis 
- Canto e Procissão das Oferendas 
- Apresentação do pão e do vinho 
- Presidente lava as mãos 
- Orai, irmãos! 
- Oração sobre as Oferendas 
- Prefácio e "Santo" 
- Invocação do Espirito Santo 
- Narrativa da Ceia 
- Consagração do pão e do vinho 
- "Eis o Mistério da fé!" 
- Lembra Morte e Ressur. de Jesus 
- Orações pela Igreja 
- Louvor Final (Por Cristo..) 
- Pai-Nosso e oração seguinte 
- Saudação da Paz 
- Fração do Pão 
- Cordeiro de Deus 
- Felizes os convidados! 
- Distribuição da Comunhão 
- (Canto de ação de graças) - Oração após a Comunhão 
- Comunicados e convites 
- Bânção final 
- Despedida (Ide em paz!) 
11 
- de pé 
- de pé 
- de pé 
- de pé 
- de pé 
- de pé 
- sentados 
- sentados 
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- de joelhos ou de pé 
- de joelhos ou de pé 
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- sentados 
- de pé 
- de pé 
- de pé 
- de pé
O CORPO E A ALMA DA MISSA 
Vimos o esquema da Missa, onde se destacam duas partes: a 
Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística. Este esquema nos ajuda 
a ter uma visão global da Celebração, mas lembramos que esses atos 
exteriores (gestos, palavras, sinais, objetos) são como o "corpo" da 
Missa, enquanto a fé e o amor são a "alma" desse corpo. Se alguém 
comunga sem crer na presença real de Jesus, recebe sim o Corpo do 
Senhor, mas não participa da Salvação contida no Sacramento. 
Por isso, muita gente vai à igreja e dela sai do jeitinho que entrou, 
porque não faz seu "encontro pessoal" com a Graça de Deus. Fica 
apenas na exterioridade. Às vezes, até peca, porque vai para criticar 
as falhas humanas do rito: a falta de inspiração do padre, o canto 
desafinado e o comportamento dos irmãos. 
Mais adiante vamos ver a espiritualidade ou Mistério da Missa. Ela 
torna presente a Ceia do Senhor e o seu Sacrifício redentor. É o nosso 
encontro com Deus e com os irmãos, reunidos no amor de Jesus 
Cristo. São Paulo fala que, na pregação do Evangelho, não devemos 
buscar a sabedoria humana, mas acolher com fé a Palavra de Deus. 
Ela tem o poder de transformar a nossa mente e o nosso coração. 
TESTE 
1. Que é superstição? Dê um exemplo. 
2. Que é a Missa? É algo mais que uma oração? 
3. Como se divide a Missa? 
4. Que é "corpo" e "alma" da Missa? 
5. O que acontece a quem comunga sem fé? 
6. Como você participa da Missa? 
7. Você tem criticado ou vivido a Missa? 
LEITURA BÍBLICA: 1 Cor 1, 17-25 
12
02. POR QUE IR À IGREJA? 
Certo dia, Jesus contou a seguinte parábola a alguns 
que se consideravam justos e desprezavam os outros: 
Dois homens foram ao Templo para orar. Um era fariseu e 
o outro publicano. O fariseu, de pé, orava interiormente 
deste modo: "Ó Deus, eu te dou graças porque não sou 
como o resto dos homens: ladrões, injustos, adúlteros, e 
nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana 
e pago o dízimo de todos os meus rendimentos”. 
O publicano ficou um pouco para trás e não ousava 
sequer levantar os olhos para o céu, mas batia no peito, 
dizendo: "Meu Deus, tem piedade de mim, que sou 
pecador!" 
Aí Jesus falou: "Eu vos digo que este último foi para 
casa justificado e o outro não. Pois aquele que se exalta 
será humilhado, e quem se humilha será exaltado” 
(Lc 18, 9-14). 
NÃO BASTA REZAR EM CASA? 
A igreja foi sempre a casa de Deus e o lugar de oração. Jesus 
frequentava o Templo de Jerusalém com Maria, José e os Apóstolos. 
Há gente que diz: "Eu rezo em casa. Não gosto de aparecer. Deus 
está em todos os lugares". E ainda cita as palavras de Jesus, que 
disse: "Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam 
de orar de pé nas sinagogas. Em verdade vos digo: já receberam a 
sua recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, 
fecha a porta e ora a teu Pai que está presente em lugar secreto. E 
teu Pai, que vê o que é secreto, te recompensará" (Mt 6, 5-6). 
Como se vê, Jesus está falando aos fariseus, que eram fingidos. O 
que o Senhor condena não é a oração na igreja, mas a oração sem 
sinceridade. Cristo quer nos dizer que a oração não pode ser da boca 
para fora, mas deve sair de dentro do coração. Referindo-se às 
orações rotineiras e vazias dos fariseus, Ele fez suas as palavras de 
Isaías, que disse: “Este povo me louva com a boca, mas o seu coração 
está longe de mim” (Mt 15,8; Is 29,13). 
13
REZAR COM OS OUTROS 
Jesus fala claramente da importância da oração em comunidade 
Eis suas palavras: "Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem sobre a 
terra para pedir, o que seja, conseguirão de meu Pai que está nos 
céus. Porque onde dois outrês estão reunidos em meu nome, aí estou 
eu no meio deles" (Mt 18, 19-20). 
O próprio "Pai-Nosso", ensinado pessoalmente por Jesus, é uma 
oração comunitária. Ninguém pode rezá-lo pensando só em si. Ou 
reza com os outros ou pelo menos pensando nos outros. pois Jesus 
mandou dizer Pai "nosso" e não Pai "meu", venha a "nós" o vosso 
Reino, e não venha a "mim" o vosso Reino. E quem não disser “o pão 
nosso" não pode dizer "Pai nosso”. 
O individualismo não tem lugar no Evangelho, pois a Palavra de 
Deus nos ensina a viver fraternalmente. O próprio céu é visto como 
uma multidão em festa e não como indivíduos isolados em apartamen- 
tos. 
Olhando para a História, vemos que a religião teve sempre um 
sentido de comunidade. Notável é o "Povo de Israel". Deus constituiu 
um "povo" e caminhava com esse povo, que teve sua origem com 
Abraão. E o Povo de Deus ia em caravanas para o Templo de 
Jerusalém, cantando salmos de louvor, de súplicas e de ação de 
graças. A esse Povo Deus prometeu o Salvador. E Jesus veio, e nele 
se cumpriram as promessas feitas a Israel. 
SOMOS UMA "IGREJA" 
A Igreja é o novo Povo de Deus. Com ela Jesus fez a Nova e Eterna 
Aliança no seu Sangue. À palavra "Igreja" significa Assembléia. E um 
Povo reunido na fé, no amor e na esperança pelo chamado de Jesus 
Cristo. Os Apóstolos reuniam a comunidade cristã para ouvir a Palavra 
de Deus, orar e celebrar a Eucaristia. 
A Missa foi sempre o centro da comunidade e o sinal da unidade, 
pois é celebrada por aqueles que receberam o mesmo batismo, vivem 
a mesma fé e se alimentam do mesmo Pão. Todos os fiéis formam um 
só "corpo". São Paulo disse aos cristãos: "Agora não há mais judeu 
nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher. Pois 
todos vós sois UM SÓ em Cristo Jesus" (GI 3, 28). 
14
VIVEMOS EM SOCIEDADE 
Deus nos fez para o convívio humano e não para o isolamento 
Nossa natureza é "social". Gostamos de ir ao estádio para torcermos 
juntos, gostamos de ir ao clube a fim de encontrar os amigos, traba» 
lhamos em equipe porque rende mais, vamos à escola porque sozinho 
é difícil de aprender, tomamos um aperitivo no bar porque com os 
amigos é mais gostoso, fugimos da solidão porque viver sozinho é 
triste. Ora, se em tudo eu gosto de estar com os outros, por que hei 
de sufocar minha fé fechando-me num quarto e orando sempre 
sozinho? Esse Deus em quem eu creio não é Aquele que fez todos os 
homens como irmãos, "à sua imagem e semelhança"? 
"Entrar no quarto e fechar a porta” pode significarque eu devo ter 
"interioridade" em minha oração, isto é, entrar dentro de mim mesmo, 
para que minha oração na comunidade não seja falsa, da boca para 
fora, como disse o próprio Cristo: "Esse povo me louva com a boca, 
mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15, 8). Devemos orar 
individualmente, mas só isso não basta. 
TESTE 
1. O que disse Jesus da oração comunitária? 
2. Como deve ser nossa oração? 
3. Que significa a Eucaristia para a Comunidade? 
4. Que disse São Paulo aos cristãos sobre a unidade? 
5. Que quer dizer “entrar no quarto e fechar a porta”? 
6. Como eram os fariseus e sua oração? 
7. Você se sente membro da Comunidade Paroquial? 
8. Você gosta de rezar com os outros? 
LEITURA BÍBLICA: Lc 2, 22-38 
15
03. GESTOS E ATITUDES 
Você sabe como é uma grande partida de futebol. 
Antes do jogo, há concentração para os atletas e um 
preparativo psicológico para os torcedores. A televisão dá 
notícias da situação histórica das duas equipes: pontos 
ganhos e pontos perdidos, titulares que vão começar 
jogando e reservas que vão para o banco. 
De repente, as equipes entram em campo. Muitas 
palmas, rojões, bandeiras se agitam e a emoção toma 
conta de todos. Começa a partida. Bola na trave, a torcida 
vibra, grita, pula. Alguém aproveita o rebote, enche o pé... 
é gol! Um mar humano se levanta e delira, agitando as 
mãos e gritando em coro. O artilheiro dá cambalhotas, cai 
de joe-lhos, jogadores se abraçam. É festa! Uma grande 
“celebração”, num rito solene de alegria expressado por 
todos os gestos. Se é fim de campeonato, há sempre 
alguém atravessando o estádio de joelhos com as mãos 
erguidas para o céu, o povão invadindo o gramado e 
carregando os heróis. 
ORAR COM A ALMA E O CORPO 
O homem é corpo e alma. Há nele uma unidade vital. Por isso ele 
age com a alma e com o corpo ao mesmo tempo. O seu olhar, as suas 
mãos, a sua palavra, o seu silêncio, o seu gesto... tudo é expressão 
de sua vida. Quando o jogador consegue mandar a bola para o fundo 
da rede, ele vibra, pula, abraça, dá cambalhota, ajoelha-se, ergue as 
mãos, atira os braços para o alto, saudando a torcida. Por que isso? 
Não basta que tenha feito o gol? Não. Ele não está sozinho. O gol é 
uma vitória que precisa ser comemorada entusiasticamente com uma 
espécie de "celebração" coletiva. Por isso há toda aquela festa e 
confraternização. E tem uma coisa: o futebol é algo instável, sem 
lógica. Hoje ganha, amanhã perde. Ao passo que, na Missa, torcemos 
para um Herói que venceu e nunca será derrotado: é Jesus Cristo, 
morto e ressuscitado, vencedor da morte e Senhor da Vida. Ele nos 
disse: "Coragem! Eu venci o mundo" (Cf. Jo 16,33). 
16
Na Missa fazemos parte de uma grande "torcida": Assembléia dos 
filhos de Deus, que tem como herança o Reino dos céus. Porisso, na 
Celebração Eucarística, não podemos ficar isolados, mudos, cada um 
no seu cantinho. Ou será que há mais razões para comemorarmos a 
vitória de um gol do que a Vitória de Cristo Ressuscitado, presente no 
meio de nós? A nossa fé, o nosso amor e os nossos sentimentos são 
manifestados através dos gestos, das palavras, do canto, da posição 
do corpo e também do silêncio. 
GESTO, SINAL DE LIBERTAÇÃO INTERIOR 
Tanto o canto como o gesto, ambos dão força à palavra. À oração 
não diz respeito apenas à alma do homem, mas ao homem todo, que 
é também corpo. O corpo é expressão viva da alma: uma alegria 
intensa nos faz cantarolar. É pelo nosso corpo que somos membros 
de uma comunidade, e é pela nossa exteriorização que participamos 
de uma Assembléia que louva a Deus, numa igreja. Uma 
espiritualidade que não dá testemunho, é omissa; e uma manifestação 
exterior que não venha de dentro, é falsa. Por isso, a Liturgia tem uma 
alma: a fé. Toda expressão do culto, sem a fé, é um corpo sem alma. 
Seria uma religiosidade fingida, que Deus não aceitaria. Com palavras 
severas Ele condenou essa falsa piedade dos fariseus: "Esse povo me 
louva com os lábios, mas seu coração está longe de mim" (Mt 15,8). 
Nós, porém, estamos falando dos gestos sinceros, que são 
expressão de nossos sentimentos. Esses gestos têm sentido. Eles 
exteriorizam o que está em nossa alma. Completam e reforçam a 
nossa oração. Tais gestos são mencionados na Bíblia Sagrada em 
momentos de oração. Os reis Magos, ao verem o Menino Jesus nos 
braços de Maria, “ajoelharam-se e o adoraram” (Cf. Mt 2,11). São 
Paulo recomendou a oração com mãos levantadas. Ele escreveu a 
Timóteo: “Quero que os homens orem em todo lugar, erguendo as 
mãos santas, sem ira e sem animosidade” (1 Tm 2,8). O próprio Jesus, 
mergulhado em tristeza profunda, no Horto das Oliveiras, “prostrou- 
se com o rosto em terra e orou” ao Pai (Cf. Mt 26,39). 
Deus é Senhor do homem todo. Então, a expressão corporal é 
também colocada a serviço da glória de Deus. Mas a Igreja é 
moderada nessa questão de gestos, porque seria um desastre, no 
17
culto divino, a determinação de gestos que saíssem forçados. O gesto 
só tem sentido, quando manifesta uma libertação interior. Por isso 
entram como normas apenas alguns gestos, que são comuns e 
frequentes no comportamento humano: ficar de pé, sentar-se, ajoe. 
lhar-se, levantar as mãos, fazer a genuflexão. E, numa celebração, não 
pode cada um fazer o gesto que deseja, na hora que quiser. Nesse 
caso, o gesto perderia seu sentido de unidade eclesial. 
O Missal Romano diz o seguinte: "A posição comum do corpo, que 
todos os participantes devem observar, é sinal da comunidade e da 
unidade da assembléia, pois exprime e estimula os pensamentos e 
sentimentos dos participantes". E, para que haja na missa essa unifor- 
midade nos gestos e posições do corpo, existem algumas normas, 
Veja o Esquema ou Roteiro da Missa, página 11. Quanto ao significado 
dos gestos e posições do corpo, vamos ver isso no próximo Encontro. 
TESTE 
1. Por que rezamos com a alma e o corpo? 
2. Por que devemos glorificar a Deus com o corpo? 
3. Que é farisaismo? 
4. Quando o gesto tem sentido? 
5. Que disse Jesus aos fariseus? 
6. Você participa da Missa com toda a Assembléia ou fica isolado no 
seu cantinho? 
7. A Missa tem, para você, sentido de alegria ou é apenas o 
cumprimento de um preceito? 
LEITURA BÍBLICA: Mt 21, 1-11 
18
 
04. POSIÇÕES DO CORPO 
Certo dia, um leproso, vendo Jesus, prostrou-se com 
a face em terra e dirigiu-lhe esta súplica: 
"Senhor, se queres, tu podes curar-me!” Então Jesus, 
estendendo-lhe a mão, tocou-o, dizendo: "Eu quero. Fica 
purificado!" E imediatamente a lepra o deixou [Lc 5, 12-13). 
O SIGNIFICADO DOS GESTOS 
A religião assume o homem todo, como ele é: corpo e alma. A 
Graça não destrói a natureza humana, mas a completa e aperfeiçoa. 
Por isso, rezamos com o corpo também, dizendo palavras e fazendo 
gestos. A Misssa é o louvor visível do Povo de Deus. Vejamos o 
significado dos gestos. 
Sentado: 
De pé: 
É uma posição cômoda que favorece a catequese, 
boa para a gente ouvir as Leituras, a homilia e meditar. 
É a atitude de quem fica à vontade e ouve com 
satisfação, sem pressa de sair. Em celebrações 
especiais, com pequena comunidade, o Presidente, às 
vezes, faz a homilia sentado. 
É uma posição de quem ouve com atenção e respei- 
to, tendo muita consideração pela pessoa que fala. 
Indica prontidão e disposição para obedecer. Foi, 
desde o início da Igreja, a posição do "orante". A Bíblia 
diz: "Quando vos puserdes em pé para orar, se tendes 
alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, para que 
também vosso Pai que está nos céus vos perdoe as 
vossas ofensas" (Mc 11, 25). Falando dos bem-aven- 
turados, João vê uma multidão, de vestes brancas, "de 
pé, diante do Cordeiro", que é Jesus (Ap 7,9). 
19
De joelhos: 
Genutflexão: 
Inclinação: 
Procissão: 
Mãos 
levantadas: 
Mãos juntas: 
De início, o cristão ajoelhava-se somente nas orações 
particulares. Depois toda a comunidade passou a ajoe- 
lhar-se em tempo de penitência. Agora essa posição é 
comum diante do Santíssimo Sacramentoe durante a 
consagração do pão e do vinho. Ajoelhar-se perante 
alguém era sinal de homenagem a um soberano. Hoje 
significa adoração a Deus. São Paulo diz: “Ao nome de 
Jesus, se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo 
da terra" (FI 2, 10). Rezar de joelhos é mais comum nas 
orações individuais. "Pedro, tendo mandado sair todos, 
pôs-se de joelhos para orar" (Cf. At 9, 40). 
É um gesto de adoração a Jesus na Eucaristia. Fazemos 
quando entramos na igreja e dela saímos, se ali existe 
o sacrário. Também fazemos genuflexão diante do 
crucifixo na Sexta-Feira Santa, em sinal de adoração. 
(Não é adoração à cruz, mas a Jesus que nela foi 
pregado). 
Inclinar-se diante de alguém é sinal de grande respeito 
É também adoração, diante do Santíssimo Sacramento. 
Os fiéis podem inclinar a cabeça para receber a bênção 
solene. 
Na Missa podemos fazer diversas procissões, se forem 
convenientes: na Entrada do Presidente, no Evangelho, 
no Ofertório, na Comunhão. A História da Salvação 
começou com uma "procissão": Abraão e sua família a 
caminho da Terra Prometida. As nossas procissões 
simbolizam a peregrinação do Povo de Deus para a 
casa do Pai. Somos uma Igreja “peregrina”. 
É atitude dos "orantes". Significa súplica e entrega a 
Deus. É o gesto aconselhado por Paulo a Timóteo: 
"Quero, pois, que os homens orem em qualquer lugar, 
levantando ao céu as mãos puras, sem ira e sem con- 
tendas" (1 Tm 2,8). 
Significam recolhimento interior, busca de Deus, fé, 
súplica, confiança e entrega da vida. É atitude de 
profunda pledade. 
20
Prostração: Gesto muito antigo, bem a gosto dos orientais. Estes 
se prostravam com o rosto na terra para orar. Assim 
fez Jesus no Horto das Oliveiras. Hoje essa atitude é 
própria de quem se consagra a Deus, como na 
ordenação sacerdotal. Significa morrer para o mundo 
e nascer para Deus com uma vida nova e uma nova 
missão. 
Silêncio: O silêncio tem seu valor na oração. Ajuda o aprofunda- 
mento nos mistérios da fé. "O Senhor fala no silêncio 
do coração". É oportuno fazer silêncio depois das 
Leituras, da homilia e da Comunhão, para interiorizar o 
que o Senhor disse. Meditar é também uma forma de 
participar. Uma Missa que não tivesse nenhum momen- 
to de silêncio, seria como chuva forte e rápida que não 
penetra na terra. 
TESTE 
1. O que a Graça de Deus faz na pessoa? 
2. Que significa "rezar também com o corpo"? 
3. Cite alguns exemplos de gestos na Bíblia. 
4. Qual a importância do silêncio na oração? 
5. Diga o significado de algumas posições do corpo. 
6. Você gosta de rezar? Como reza? 
LEITURA BÍBLICA: Mt 9, 18-26. 
21
05. O CANTO LITÚRGICO 
Existem certas normas para as vestes. Deve haver 
harmonia nas cores, bom gosto no feitio, atualidade quan- 
to à moda e conveniência com relação ao ambiente. 
Ninguém põe qualquer gravata com qualquer camisa nem 
qualquer calça com qualquer paletó. Para tal terno, tal 
camisa. Tal meia para tal sapato. Ainda, ninguém coloca 
uma rosa no vestido só porque a rosa é bonita. Precisa ver 
se vai combinar. Há também uma roupa para o clube, outra 
para o velório, outra para a praia e outra para a Missa. Uma 
roupa pode ser muito bonita, mas não é por isso que vai 
ficar bem em todos os lugares. Você não acha? 
O CANTO NA IGREJA 
O que dissemos das vestes aplica-se também ao canto Litúrgico. 
Há um tipo de canto que é próprio para a Liturgia O Conciio 
Vaticano Il vê, na Liturgia, o próprio Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, 
exercendo no meio de nós a sua ação salvadora. Liturgia é, pois, O 
culto público da Igreja, que assume oficialmente as palavras e os 
gestos de Jesus, bem como a fé e os sentimentos do Povo de Deus, 
tornando presente e atuante a Obra da Salvação. 
Como se vê, a Liturgia inclui dois elementos: o divino e o humano. 
Ela nos leva ao encontro pessoal com Deus, tendo como Mediador O 
próprio Cristo, que, nascido de Maria, reúne em Si a Divindade e a 
Humanidade. Portanto, a Missa é mais do que um conjunto de 
orações: ela é a grande Oração do próprio Jesus, que assume todas 
as nossas orações individuais e coletivas para nos oferecer ao Pai, 
juntamente com Ele. 
22
CANTAR "A MISSA" E NÃO "NA MISSA” 
E aqui vem o papel do canto na Missa: ele está a serviço do louvor 
de Deus e de nossa santificação. Não é apenas para embelezar a 
Missa, mas para nos ajudar a rezar. E cada canto deve estar em plena 
sintonia com o momento litúrgico que se celebra, a fim de que não se 
cante "na Missa” mas se cante "a Missa”, Portanto, um Canto Peniten- 
cial deve nos ajudar a pedir perdão de coração arrependido; um Canto 
de Ofertório deve nos ajudar a fazer nossa entrega a Deus; um Canto 
de Comunhão deve nos colocar em maior intimidade com Deus e 
expressar nossa adoração e ação de graças. O Concílio Vaticano ll 
diz que "a música sacra será tanto mais santa quanto mais intima- 
mente estiver ligada à ação litúrgica". Assim ela favorece a unidade 
do Povo de Deus e dá maior solenidade e beleza aos ritos sagrados. 
O canto, na Liturgia, não é só para enfeitar e fazer a Celebração 
ficar mais bonita. E mais que isso. Ele “é” oração, pois “quem canta 
reza duas vezes”. 
CANTO, ORAÇÃO DO POVO DE DEUS 
O canto litúrgico não tem o sabor de canto teatral. Deve estar isento 
de vaidade e exibição. Convém que se ouça o conjunto todo das 
vozes e não apenas uma ou duas vozes que se sobrepõem. Também, 
o som dos instrumentos é para ajudar as vozes e não para abafar o 
canto. O que se deve ouvir é um povo cantando, a não ser quando 
um salmista está fazendo o solo. A Equipe de Liturgia não é para 
“substituir” o canto da Assembléia, mas para animá-la a cantar. Não 
pode ser um grupo separado, fora do corpo da comunidade, mas uma 
"equipe de animação" que leva todo o Povo de Deus a cantar. 
Para isso, o Concílio recomenda que se use inteligentemente do 
canto religioso popular, que está mais na alma do povo. Mas, se 
quisermos que toda a assembléia cante, precisamos ter "paciência". 
Não pode haver muitos "lançamentos" de cantos litúrgicos. O povo 
não consegue aprender tantas novidades. O canto da Missa fica 
“elitizado", cantado só pelos grupinhos especializados. E é mais 
bonito ouvir toda a assembléia cantar. Assim diz o Salmista: "Feliz o 
povo que vos sabe louvar! Ele caminha na luz da vossa face, Senhor!" 
(SI 89 ou 88, 16). 
23
CANTAR FAZ BEM 
Vamos cantar em nossas celebrações litúrgicas! Cantar faz bem 
Até o canto profano, que cantamos varrendo a casa ou trabalhando 
na fábrica, tem um sentido de desabafo e libertação, que nos faz bem 
psicologicamente. Imagine então o que será o canto litúrgico, que é 
oração. Um santo disse: "Quem canta, reza duas vezes”. O canto 
religioso é o termômetro da piedade de um povo. Santo Agostinho 
disse que “cantar é próprio de quem ama". Cantemos nas celebrações 
litúrgicas! Não porque Deus necessite de nosso louvor, mas porque 
nós nos sentimos felizes louvando a Deus. Para cantar na igreja não 
é preciso ter uma bela voz: basta ter fé. 
Louvar a Deus cantando é coisa que nos faz mais felizes. Por isso 
o Salmista recomenda: 
“Louvai a Deus, 
pois é bom cantar ao Senhor, doce é seu louvor. 
Entoai ao Senhor o louvor, 
cantai ao nosso Deus com a harpa! 
Glorifica o Senhor, Jerusalém, 
louva teu Deus, 6 Sião!” (Sl 147 ou 146, 1.7.12). 
TESTE 
1. Que é Liturgia? 
2. Que disse o Concílio sobre o canto na Missa? 
3. Que tem a ver o canto com as partes da Missa? 
4. Como os instrumentos se relacionam com o canto? 
5. Você canta na Celebração? Por quê? 
6. O que está certo ou errado no canto em sua comunidade paroquial? 
7. Que solução você apresenta para melhorar? 
LEITURA BÍBLICA: SI 148 
24
06. O SACERDOTE, AS VESTES E O ALTAR 
Houve pessoas que se tornaram inesquecíveis por 
causa de sua sabedoria e realizações. Santa Catarina de 
Sena é uma delas. Ficou famosa pela sua intervenção na 
História da Igreja, pedindo ao Papa para que saísse do 
cativeiro de Avinhão e voltassepara o seu lugar, em Roma. 
É de Santa Catarina esta frase: "Se um dia eu encontrar no 
caminho um sacerdote e um anjo, primeiro saudarei o 
sacerdote, depois o anjo”, porque o sacerdote representa 
Jesus Cristo. 
O PADRE: SUA HISTÓRIA 
Desde os primeiros tempos da humanidade existiram sacerdotes, 
tanto entre os judeus como entre os pagãos. Sua função principal era 
oferecer sacrifícios à divindade. Por isso eles se revestiam de um 
sentido sagrado. Com o passar dos tempos, o sacerdócio tornou-se 
uma consagração de vida. 
A grandeza do sacerdócio atingiu o seu ponto máximo em Jesus 
Cristo, o Sacerdote por excelência. Os demais sacerdotes do Novo 
Testamento são apenas "participantes" desse único e eterno 
sacerdócio de Jesus. Pois foi de Cristo que recberam tal poder, 
através dos Apóstolos, que têm nos Bispos os seus legítimos suces- 
sores. 
O Concílio Vaticano Il diz que o padre age "in persona Christi", isto 
é, em lugar da pessoa de Jesus, o qual disse aos Apóstolos: "Quem 
vos ouve, a mim ouve, e quem vos rejeita, a mim rejeita. E quem me 
rejeita, rejeita o Pai que me enviou" (Lc 10, 16). O padre é constituído 
tal por meio da imposição das mãos do Bispo sobre sua cabeça, 
proferindo a oração consagradora. Além de sacerdote, o padre é 
presbítero e profeta. Como sacerdote, administra os Sacramentos, 
preside o culto divino e cuida da santificação da comunidade; como 
profeta, anuncia o Reino de Deus e denuncia as injustiças e tudo O 
que é contra o Reino; como presbítero, o padre administra e governa 
a Igreja. 
25
Túnica: 
Estola: 
Casula: 
Âmito: 
Cíngulo: 
AS VESTES LITURGICAS 
Para lidar com as coisas santas, o padre usa de sinais 
sagrados, pondo vestes que o distinguem das outras pes- 
soas. A túnica é uma dessas vestes. É um manto geralmente 
branco, longo, que cobre todo o corpo. Lembra a túnica de 
Jesus, "sem costura de alto a baixo”, sobre a qual os sol- 
dados tiraram sorte, para ver a quem caberia. 
É uma faixa vertical, separada da túnica, a qual desce do 
pescoço do padre, com duas pontas na frente. Sua cor varia 
de acordo com a Liturgia do dia. Existem quatro cores na 
Liturgia: verde, branco, roxo e vermelho. A estola simboliza 
o poder sacerdotal. 
Vai sobre todas as vestes. Cobre todo o corpo. A cor 
varia, conforme a Liturgia, como a estola. É uma veste 
solene, ampla, que deve ser usada nas Missas dominicais e 
dias festivos. 
r 
Há padres que usam também o amito. E um pano branco 
que envolve o pescoço do celebrante. Veste-se antes da 
túnica ou da alva. 
É um cordão que prende aalva oua túnica à altura da 
cintura. (A alva é uma veste semelhante à túnica. Usa-se uma 
ou outra). 
O ALTAR 
O altar representa a mesa da Ceia do Senhor. Lembra também a 
cruz de Jesus, que foi como um "altar" onde o Senhor ofereceu o 
Sacrifício de sua própria vida. Em geral, o altar fica num plano mais 
elevado, para ser visto por toda a Assembléia. 
A existência do altar é tão antiga quanto a história da humanidade, 
pois está ligada aos sacrifícios, que sempre existiram tanto entre os 
judeus quanto entre os pagãos. A primeira menção de altar, na Bíblia, 
aparece com Noé, que ofereceu um sacrifício sobre um “altar” 
(Cf. Gn 8, 20). 
26
Os primeiros altares eram de pedras rústicas. Depois apareceram 
os de madeira. Hoje existe ainda preferência pelos altares de granito 
ou de mármore. O altar deve ter o sentido de uma mesa de refeição, 
para celebrar a Ceia do Senhor. 
Com a formação das "Comunidades Eclesiais de Base" (CEBs), a 
Missa passou a ser celebrada também em pequenas comunidades, 
em escolas, centros comunitários ou casas de família. Com isso são 
improvisados muitos “altares”. É bom lembrar que se deve ter o 
máximo de consideração com a Eucaristia. Não se pode celebrar a 
Missa sobre uma mesa velha e suja, que a família nem usa mais. À 
Deus se dá o que há de mais digno. 
Sobre o altar vai a toalha, geralmente branca, comprida, com as 
pontas quase tocando o chão. Deve ser limpa, condizente com a 
grandeza da Ceia do Senhor. Imagine como você prepararia a mesa, 
se fosse servir um banquete para ilustres convidados! Pois bem, a 
Missa é muito mais que isso. 
TESTE 
1. Que disse Santa Catarina? Por quê? 
2. Que faziam os sacerdotes antigos? 
3. Quem elevou a dignidade sacerdotal? Por quê? 
4. O que constitui a ordenação sacerdotal? 
5. Além de sacerdote, o padre é o que mais? Explique. 
6. Conte alguma coisa das vestes sacerdotais. 
7. Como deve ser o altar? Por quê? 
8. Você vê no padre o representante de Jesus? 
9. Conhece o pároco de sua cidade? 
LEITURA BÍBLICA: Hb 4,12 - 5,10 
27
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 - Estola 
 
 
 
 
Amito 
 
Sacerdote revestido com 
à casula 
 
 
28
07. OBJETOS USADOS NA MISSA 
Deus fez o mundo com muito amor. Ele viu que todas 
as coisas criadas “eram boas" (Cf. Gn 1,25). Mas o pecado 
original trouxe a morte para a humanidade, além de causar 
uma ruptura com Deus e uma desarmonia entre as 
criaturas. 
Jesus, porém, veio “recriar” o mundo, restituindo a 
vida aos homens e reconciliando toda a obra da Criação. 
As pessoas que mais se aproximam do amor de Deus 
sabem amar todas as criaturas, ao passo que as mais 
egoístas continuam depredando tudo. São Francisco de 
Assis conseguiu viver a fraternidade até com os animais e 
a natureza. Ele dizia "Mãe Terra”, "Irmão Sol”... 
OBJETOS LITÚRGICOS E SEU USO 
Neste Encontro vamos ver os objetos usados na Missa e para que 
serve cada um deles. Na Celebração Eucarística Jesus se oferece ao 
Pai por nós, e reúne, nesse grande Oferecimento, a Humanidade e 
toda a Criação: os reinos mineral, vegetal e animal, pois "do Senhor 
é a terra e tudo O que ela contém, o universo e seus habitantes” 
(SI 24,1). Eis os objetos usados na Missa: 
Hóstia: É pão de trigo puro. Há uma hóstia grande para o 
Presidente da Celebração e as pequenas para o povo. 
A do padre é grande para ser vista de longe, na 
elevação, e ser repartida entre alguns participantes da 
Celebração. 
Vinho: É vinho puro, de uva. Assim como o pão se muda no 
Corpo de Cristo na consagração, o vinho se muda no 
Sangue do Senhor, vivo e ressuscitado. 
Cálice: É uma "taça" revestida de ouro ou prateada. Nele se 
deposita o vinho a ser consagrado. 
Âmbula: É semelhante ao cálice, mas tem uma tampa. Nela se 
colocam as hóstias. Após a Missa é guardada no 
sacrário com as hóstias consagradas. 
29
Patena: 
Água: 
Pala: 
Sanguinho: 
Corporal: 
Galhetas: 
Manustérgio: 
Missal: 
Crucifixo: 
Velas: 
Flores: 
É um "pratinho" de metal. Sobre ele se coloca a hóstia 
grande. 
É água natural. Serve para purificar as mãos do sacer- 
dote e ser colocada no vinho (umas gotas só), para 
simbolizar a união da humanidade com a Divindade, em 
Jesus. Também é usada para purificar o cálice e a 
âmbula. 
E uma peça quadrada, dura, (um cartão revestido de 
linho). Cobre o cálice. 
E uma toalhinha comprida, branca. Serve para enxugar 
o cálice e a âmbula. 
É uma toalhinha quadrada. Chama-se corporal porque 
sobre ela coloca-se o Corpo do Senhor (âmbula e 
cálice), no centro do altar. 
São como duas jarrinhas de vidro. Numa vai a água,na 
outra, o vinho, Elas estão sempre juntas, num pratinho, 
ao lado do altar. 
Vem da palavra latina “ manus”, que quer dizer “mao”. 
E para enxugar as mãos do Presidente, no ofertório. 
Acompanha as galhetas. 
É um livro grosso que tem orito da Missa, menos as 
Leituras, que estão num outro livro chamado 
Lecionário. Nosso Missal é o "Romano", porque é 
aprovado pelo Papa, que tem sua sede em Roma, 
embora a Missa seja na língua pátria. 
Sobre o altar ou acima dele deve haver um crucifixo, 
para lembrar que a Ceia do Senhor é inseparável do seu 
Sacrifício Redentor. Na Ceia, Jesus deu aos discípulos 
o "Sangue da Aliança, que ia ser derramado por muitos 
para o perdão dos pecados" (Cf. Mt 26,28). 
Sobre o altar vão duas velas. A chama da vela é o sím- 
bolo da fé, que recebemosde Jesus, "Luz do Mundo”, 
no Batismo e na Crisma. É um sinal de que a Missa só 
tem sentido para quem vive a fé. 
Em dias festivos, podem-se colocar flores. O certo não 
é "sobre" o altar, mas ao lado dele, pois o altar não é 
para pôr "coisas. 
30
ALGUMAS OBSERVAÇÕES 
Dissemos que não se deve pôr muita coisa sobre o altar, sobretudo 
quando são objetos grosseiros e pesados. O que fica bem é a 
decoração com motivos litúrgicos, como o trigo e a uva, ou o pão e 
o vinho, além das velas e o crucifixo. Lembramos também que as 
flores são permitidas somente nos dias festivos. Na Quaresma não se 
podem colocar flores. No Advento podem-se colocar, mas com 
moderação, "para não se antecipar a alegria do Natal”. 
Dos objetos mencionados para a Celebração Eucarística nem 
todos são necessários. É claro que não pode haver Missa sem pão 
ou sem vinho. Também o Missal é necessário, a não ser que o padre 
saiba tudo de cor. 
TESTE 
1. Por que a hóstia do Presidente é maior? 
2. Como se chama o livro que contém o rito da Missa? 
3. E o livro que tem as Leituras Bíblicas”? 
4. Que simboliza a chama da vela? 
5. Que santo chamava os animais de "irmãos"? 
6. Quando não se podem pór flores no altar? 
7. Diga duas coisas sem as quais não há Missa. 
8. Para você, a Missa é realmente a Ceia do Senhor? 
LEITURA BÍBLICA: Hb 3, 1-14 
31
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 - Patena; 2 - corporal: 3 - Pala 
 
33 
 
08. O SINAL DA CRUZ 
Muitas pessoas de fé livraram-se do demônio fazen- 
do o “sinal da cruz" na hora da tentação. São Geraldo 
Magela é um deles. Certa vez alguém o cercou junto a uma 
floresta. O santo fez o sinal da cruz e apresentou o 
crucifixo, invocando o poder de Deus. Imediatamente 
aquele bandido o deixou. 
Conta-se também que o famoso Constantino, impe- 
rador de Roma, teve um dia esta visão: viu no céu uma cruz 
com a inscrição: "Com este sinal vencerás". Com ele 
deu-se a conversão do império. 
É bom lembrar que a cruz, para nós, cristãos, não é 
mais aquele instrumento de morte e humilhação. É a “cruz 
gloriosa” de Cristo Ressuscitado, que venceu a morte. 
A IGREJA, CASA DE ORAÇÃO 
É domingo, Dia do Senhor. Que alegria! Vamos à Missa! Entremos 
com respeito. Junto à porta há um capacho para limpar os pés. Não 
podemos levar sujeira para a casa de Deus. O Senhor disse: "Moisés, 
tira as sandálias, porque o lugar onde pisas é santo!" (Ex 3,5). 
Nada de toco de cigarro, nem balas, nem chiclete, nem pipoca, 
nem sorvete. Lá no altar está o sacrário. Aí mora o Dono da casa. À 
luzinha é o sinal da presença de Jesus, o Deus vivo, no Pão con- 
sagrado. Por isso fazemos uma genuflexão, isto é, dobramos o joelho 
direito até tocar o chão. É um gesto de adoração ao Senhor. 
A pessoa de fé entra na igreja alguns minutos antes de começar a 
Missa, para se preparar e participar melhor. Ela se coloca na presença 
de Deus e se desliga das preocupações que a podem distrair: 'O 
Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O 
Senhor é a segurança de minha vida; frente a quem temerei? 
(Sl270U26,1). Que alegria estar na igreja! E um lugar de paz. Jesus 
disse: “A minha casa é casa de oração” (Cf. Lc 19,46) 
34
MISSA, A CEIA DE JESUS 
Vai começar a Celebração. É nosso encontro com Deus, marcado 
pelo próprio Cristo, que, no fim da Ceia, disse aos discípulos: "Fazei 
isto em memória de mim" (Cf. Lc 22,19). Toca o sininho, anunciando 
que deve cessar a oração individual para começar a oração oficial da 
Comunidade. Jesus é o ORANTE MÁXIMO que assume a Liturgia 
oficial da Igreja e consigo a oferece ao Pai. Ele é a Cabeça e nós os 
membros do grande Corpo, que é a Igreja. Por isso nos '"incor- 
poramos" a Ele para que nossa vida tenha sentido e nossa oração seja 
eficaz. 
Ao lado do Presbitério surge o Comentarista. (Presbitério é aquele 
espaço mais elevado onde fica o presbítero). O Comentarista não 
deve chamar a atenção dos presentes sobre si, mas ser discreto, pois 
sua função é ajudar a comunidade a celebrar o Mistério de Deus. Ele 
inicia com a "Monição Ambiental", convidando a Assembléia a par- 
ticipar da Celebração e procurando criar um clima de oração e de fé. 
Pede a todos que, de pé, recebam o Presidente da Celebração com 
os Ministros, mencionando o nome do Presidente. 
CANTO DE ENTRADA E "SINAL DA CRUZ" 
Durante o Canto de Entrada, o padre que preside a Missa, acom- 
panhado dos Ministros ou Acólitos, dirige-se para o altar. Faz uma 
inclinação profunda e depois beija o altar. O beijo tem um endereço: 
não é propriamente para o mármore ou a madeira do altar, mas para 
o Cristo, que é o centro de nossa piedade. Essa procissão de entrada 
convém que seja solene, passando pelo meio do povo, especialmente 
nos dias festivos. 
Em seguida o padre dirige-se para as cadeiras, que ficam diante 
do altar ou junto à estante, ao lado. Aí o Presidente faz o sinal da cruz 
e todo o povo faz com ele, mas sem dizer palavras. Responde, isto 
sim, o Amém. 
Essa expressão "Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", 
tem um sentido bíblico. Não quer dizer apenas o “nome”, como para 
nós, ocidentais. "Nome", em sentido bíblico, quer dizer a própria 
pessoa. Isto significa que nós iniciamos a Missa colocando a nossa 
vida e toda a nossa ação nas mãos da Santíssima Trindade. 
35
Esse "sinal" lembra o nosso Batismo, quando o padre nos chamou 
cada um pelo nome e nos disse: "Nós te recebemos com grande 
alegria na comunidade cristã. Nosso sinal é a cruz de Cristo. Porisso, 
eu, teus pais e padrinhos, te marcamos agora com o sinal do Cristo 
Salvador!". Em seguida faz o sinal da cruz na fronte do batizando. 
Precisamos fazer corretamente o sinal da cruz. É uma coisa muito 
significativa. Quer dizer que nós colocamos a nossa vida debaixo da 
proteção de Deus e passamos a agir com o poder do Pai, do Filho e 
do Espírito Santo. Há gente que faz o sinal da cruz com um sentido 
de magia e superstição. Nem fazem direito a cruz; fazem uma 
caricatura, como se estivessem espantando moscas. Às vezes o 
fazem com vergonha de serem vistos. 
Lembramos que não é preciso beijar a ponta da mão nem fazer o 
sinal da cruz na hora de comungar, ou quando se faz a genuflexão. 
Se vivermos bem o sentido do sinal da cruz, começamos a ser mais 
santos. 
TESTE 
1. Que é presbitério? E sacrário? 
2. Que disse Jesus sobre a Igreja (templo)? 
3. Quando e por que fazemos genufiexão? 
4. Que disse o padre em nosso Batismo sobre a cruz? 
5. Qual o sinal da presença de Jesus na Igreja? 
6. Que é "monição ambiental" na Missa? 
7. Você chega adiantado ou atrasado à Missa? 
LEITURA BÍBLICA: Sl 15 (14) 
36
09. ACOLHIDA E SAUDAÇÃO 
O "seu Pereira” morava num povoado. Era muito co- 
nhecido pela sua maneira alegre de cumprimentar a todos. 
Dizia "bom dia" com tanta franqueza e felicidade que 
chegava a desarmar muita cara feia. Um dia foram pergun- 
tar-lhe como ele conseguia ser feliz daquele jeito e 
comunicar tanto otimismo. À resposta do seu Pereira foi 
imediata: 
- Trago a paz dentro de mim e desejo que os outros 
sejam felizes como eu. Às vezes meu coração está meio 
amargurado, mas o meu rosto pertence aos outros e deve 
estar sempre alegre. 
REUNIDOS NO AMOR DE CRISTO 
A essa filosofia do seu Pereira, acrescentamos a dimensão da 
alegria cristã, decorrente da Boa Nova, que é o Evangelho. A Missa 
deve ser celebrada num clima de fé, de amor e de esperança, espa- 
lhando aquela paz que vem de Deus e que o mundo não pode dar (Cf. 
Jo 14,27). O cristão fechado e triste é um contratestemunho. "Um 
santo triste é um triste santo", diz o ditado. 
No Encontro anterior vimos que o Presidente começa a celebração 
com o “sinal da cruz", lembrando que colocamos nossa vida em Deus. 
Em seguida, o padre acolhe e saúda a Assembléia com palavras 
espontâneas ou com esta forma litúrgica: 
- À graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a 
comunhão do Espírito Santo estejam convosco!É todos respondem com imensa alegria: 
- Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo! 
37
SAUDAR: UM GESTO HUMANO 
Infelizmente, nas grandes cidades está desaparecendo o bom 
costume de saudar a pessoa que encontramos. À nossa sociedade 
vai ficando egoísta, fechada, cada um se isolando no seu cantinho e 
nos seus interesses individuais. O clima é de desconfiança, tensão, 
violência. Em vez de uma saudação de paz, às vezes há troca de 
ofensas e agressividade. 
Mas ainda há muita gente boa que faz tudo para humanizar a 
sociedade. É tão gostoso ouvir um "bom dia” alegre, que levanta o 
ânimo da gente. Às vezes a saudação é mais à vontade: "Oi!”, "Tudo 
bem?", "Um abraço!", "Paz e amor!", um aceno de mão, ou até a 
belíssima saudação dos judeus: "Shalom!”, que quer dizer "Paz! 
Saúde! Bênção! Prosperidade! Felicidade!" 
Quebre o gelo de uma sociedade materialista e fria. Cumprimente 
o seu semelhante. Falamos tanto da necessidade de solidariedade e 
de comunhão entre as pessoas. Pois bem, a comunicação é o 
primeiro passo para a comunhão. Uma palavra boa valoriza uma 
pessoa e pode despertá-la para viver melhor aquele dia. 
SAUDAR: UM GESTO DIVINO 
A Liturgia não é só uma oração. É também uma “escola” para a 
verdadeira vida. Ela nos ensina a sermos melhores no convívio com 
Oo próximo. Jesus costumava saudar as pessoas, desejando-lhes a 
paz. À Bíblia Sagrada coloca em nossa boca as mais belas saudações. 
Assim disse Booz, de Belém, aos que colhiam trigo: "O Senhor esteja 
convosco!" Ao que os trabalhadores responderam: “O Senhor te 
abençoe!" (Rt2,4). O anjo Gabriel saudou a Maria, dizendo-lhe: "Salve, 
ó cheia de graça, o Senhor é contigo!" (Cf. Lc 1,28). Jesus saudou os 
discípulos, dizendo-lhes: "A paz esteja convosco!" (Cf. Jo 20,19). São 
Paulo terminava suas Cartas com esta saudação à comunidade: “À 
graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do 
Espírito Santo estejam com todos vós!" E recomendava que os 
cristãos se saudassem uns aos outros “com o ósculo da paz 
(Cf.2Cor13, 11-13). 
É dessas fontes bíblicas que foítirada a saudação que o Presidente 
da Missa faz ao povo no início da Celebração. Ela tem um valor muito 
38
grande. É de inspiração divina. Infelizmente, muita gente fica calada 
e não responde a essa belíssima saudação. Se uma pessoa nos disser 
"bom dia" e a gente não responder, a pessoa pode até sentir-se 
ofendida. É uma falta de educação primária. 
A mesma coisa a gente diria a respeito da saudação litúrgica, 
quando o Presidente da Celebração nos acolhe na casa de Deus, 
dizendo-nos: "A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai 
e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco!" Não podemos 
deixar de responder aquela belíssima frase: "Bendito seja Deus que 
nos reuniu no amor de Cristo!" 
Às vezes, o Presidente da Celebração “cria” uma saudação 
diferente daquela que está no Missal. Ele pode saudar a Assembléia 
com palavras suas, adequadas às circunstâncias. Por exemplo: 
“Meus irmãos e minhas irmãs, 
sejam bem-vindos à casa de Deus para esta Missa! 
Nós os acolhemos com alegria 
e lhes desejamos o amor do Pai, 
a Salvação trazida por Jesus 
e a paz do Espírito Santo!” 
Mesmo que o padre nos saúde com outras palavras, a resposta 
nossa é sempre a mesma. E ela nos lembra que a Missa é uma 
Assembléia diferente de todas as outras reuniões: é a reunião dos 
filhos e filhas de Deus no amor de Jesus Cristo. Estamos incorporados 
ao Cristo, como povo em oração, vivendo uma hora especial da graça 
de Deus. 
TESTE 
1. Qual nossa resposta à saudação do sacerdote? 
2. Que significa não responder a uma saudação? 
3. Você responde à saudação na Missa? 
4. Dê alguns exemplos de saudações bíblicas. 
5. Que quer dizer "Shalom'? 
6. Você saúda os outros nas ruas e praças? 
7. À Missa é diferente de outra reunião? No quê? 
8. O padre pode variar a saudação inicial? 
LEITURA BÍBLICA: Lc 10, 1-16 
39
10. ATO PENITENCIAL 
Certa vez os escribas e fariseus levaram a Jesus uma 
mulher adúltera e lhe disseram: "Mestre, esta mulher foi 
surpreendida em adultério. Segundo a Lei, Moisés manda 
apedrejar tais mulheres. Tu, porém, o que dizes? Eles 
diziam assim para pô-lo à prova, a fim de terem motivo para 
acusá-lo. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com 
o dedo. Como insistissem numa resposta, o Senhor er- 
gueu-se e lhes disse: Quem de vós não tem pecado, atire 
a primeira pedra! Em inclinando-se de novo, escrevia na 
terra. Eles, porém, ouvindo isto, saíram um após o outro, 
a começar pelos mais velhos. Ele ficou sozinho, e a mulher 
permanecia lá. Então, erguendo-se, Jesus lhe disse: Mu- 
lher, onde estão eles? Ninguém te condenou? Disse ela: 
Ninguém, Senhor! Aí Jesus lhe disse: Nem eu te condeno. 
Vai, e de agora em diante não peques mais" (Jo, 8,3-11). 
A CONVERSÃO DE VIDA 
Ao fazermos o Ato Penitencial, lembremo-nos do que Jesus nos 
disse: "Não julgueis, e não sereis julgados. Porque, com o juízo com 
que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que medirdes, 
sereis medidos. Por que vês o cisco no olho de teu irmão e não 
percebes a trave que está no teu olho? Ou, como podes dizer a teu 
irmão: Deixa-me tirar o cisco de teu olho, enquanto tu tens uma trave 
no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho, e então verás 
melhor para tirar o cisco do olho de teu irmão" (Mt 7,1-5). 
O Ato Penitencial é um convite para cada um olhar dentro de si 
mesmo diante do olhar de Deus. Reconhecer e confessar os "seus" 
pecados, e não os pecados dos outros. Há um provérbio que diz: "Se 
cada parisiense limpar a frente de sua casa, toda a cidade de Paris 
ficará limpa". Assim também, se cada católico, com a ajuda da graça 
de Deus, corrigir os seus defeitos, a Igreja toda ficará mais santa. 
Dizem que a gente chega ao céu, ou pela inocência ou pela penitência. 
Ora, a inocência já perdemos, Só nos resta a penitência. 
40 |
O Ato Penitencial não é mera formalidade ou rito externo. Na 
oração falamos com Deus, que vê até os nossos pensamentos. Nosso 
arrependimento deve ser sincero. É um pedido de perdão que parte 
do coração, com um sentido de mudança de vida, como o profeta 
Davi, que assim falou a Deus: 
"Tem piedade de mim, ó Deus, por teu amor! 
Apaga minhas transgressões, por tua compaixão! Ra 
Lava-me inteiro da minha iniquidade e er 
e puritica-me do meu pecado! 2 a fel 
Pois reconheço minhas transgressões EN CARS 
e diante de mim está sempre o meu pecado. “O São Caro 
Pequei contra ti, contra ti somente, INFIST, A 
pratiquei o que é mau a teus olhos” (5/1 51 ou 50, 3-6). 
Há um ditado que diz: "Errar é humano; reconhecer o erro é próprio 
do santo; permanecer no erro é diabólico". Se soubermos aproveitar 
desse momento da graça, que é o Ato Penitencial, sairemos da igreja 
melhores do que entramos. Os hebreus, quando se dirigiam para o 
Templo de Jerusalém em caravanas, cantando Salmos, assim diziam: 
“Felizes aqueles que escolheis, Senhor, 
e acolheis para habitar em vossos átrios! 
Queremos saciar-nos dos bens de vossa casa, 
da santidade do vosso Templo" (Sl 65 ou 64,5). 
Ora, em nossas igrejas mora Alguém que é maior que o Templo de 
Jerusalém: é o próprio Deus vivo, na Eucaristia. Não estamos apenas 
na casa do Senhor, mas com o Senhor da casa. Assim como limpamos 
os pés no capacho junto à porta, precisamos pedir que Jesus purifi- 
que o nosso coração, para termos parte com Ele, que é o "Santo dos 
Santos". 
DIMENSÃO SOCIAL DO PECADO 
Muita gente pensa que o seu pecado é tão somente uma ofensa a 
Deus, ou então é uma questão pessoal, consigo mesmo, sem ter nada 
a ver com ninguém. Não é verdade. Todo pecado tem uma dimensão 
social. Sempre afeta alguém: ou a esposa, ou o marido, ou os filhos, 
ou os vizinhos, ou outras pessoas distantes que a gente nem conhece. 
O pecado fere o Projeto de Amor do Criador, que nos pede uma 
q1
verdadeira e permanente comunhão, não só com Deus, mas com 
todas as pessoas, que são “imagem e semelhançade Deus". São João 
escreve: "Se alguém disser que ama a Deus, mas odeia o seu irmão, 
é um mentiroso. Pois, quem não ama o seu irmão a quem vê, não 
pode amar a Deus a quem não vê" (1 Jo 4,20). 
Portanto, a nossa reconciliação é com Deus e com nossos irmãos 
É o próprio Jesus quem nos fala: “Se estás diante do altar para 
apresentar a tua oferta e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma 
coisa contra ti, deixa tua oferta lá diante do altar. Vai primeiro recon- 
ciliar-te com teu irmão, depois volta para apresentares tua oferta 
(Mt 5, 23-24). 
Finalmente, uma observação: a absolvição geral que o Presidente 
da Celebração dá no Ato Penitencial não é um Sacramento. Trata-se 
de uma confissão genérica da fraqueza humana e uma purificação 
das faltas leves. Os pecados graves necessitam de uma confissão 
sacramental, pessoal. 
TESTE 
1. Quais são os dois caminhos para se entrar no céu? 
2. O que nossas igrejas têm de muito importante? 
3. Como deve ser o verdadeiro Ato Penitencial? 
4. Que é "dimensão social do pecado"? 
5. O que nosso pecado "ofende"? 
6. Você tem inimigos? Conserva ódio? 
7. Que disse Jesus sobre o julgamento do próximo? 
8. Qual a grande lição dos fariseus e da adúltera? 
LEITURA BÍBLICA: Ez 18, 19-32. 
42 
 
 
 
41. GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS! 
Santa Isabel da Turíngia era filha do rei André ll da 
Hungria, e casada com o Duque Luís Hesse da Turíngia. 
Empolgados pela fé, os cristãos da Europa organizaram 
exércitos e partiram para a Terra Santa, a fim de libertar o 
Santo Sepulcro, que estava em poder dos infiéis. 
O Duque Luís partiu para a guerra. Certo dia, Isabel 
recebeu um mensageiro com esta triste notícia: o seu 
marido havia morrido no combate. Era o dia 11.09.1227. 
Mas o seu calvário estava apenas no começo. Logo em 
seguida, o cunhado Henrique expulsou-a do castelo de 
Wartburg e se apossou de todos os bens dela. 
Isabel saiu com quatro filhos menores à procura de 
abrigo. Um camponês lhe cedeu um rancho para 
defender-se do frio. Por volta da meia-noite, Isabel ouviu 
o sino de um convento, anunciando a oração dos frades. 
Imediatamente Isabel se dirigiu para lá e pediu aos frades 
que cantassem o "Glória" a fim de louvar e bendizer a Deus 
por estar livre das vaidades e compromissos da corte. 
HINO DE LOUVOR 
O Glória é um hino de louvor à Santíssima Trindade. Louvamos O 
Pai, o Filho e o Espírito Santo, expressando através do canto, a nossa 
alegria de filhos de Deus. Vem logo depois do Ato penitencial, porque 
o perdão de Deus nos faz felizes e agradecidos. É motivado por uma 
alegria que transborda de nosso coração de maneira espontânea. O 
paralítico, curado à porta do templo, "deu um salto, pôs-se de pé e 
começou a andar, entrou no templo, saltando e louvando a Deus. E 
todo povo viu-o a caminhar e a louvar a Deus" (At 3,8-9). Maria, ao 
anúncio do anjo, exclamou: "Minha alma engrandece o Senhor e meu 
espírito exulta em Deus, meu Salvador!" (Lc 1,46-47). Os anjos can- 
taram o glória no nascimento de Jesus (Cf. Lc 2,14). E Simeão proferiu 
um hino de alegria ao ver Jesus (Cf. Lc 2,29-32). 
43
Na Bíblia Sagrada lemos esta recomendação: "Sob a inspiração da 
graça, cantai a Deus de todo o coração: salmos, hinos e cânticos 
espirituais" (CI 3,16b). O "Glória" é um hino de louvor dos mais antigos. 
Vem desde os primeiros cristãos. Certamente foi inspirado no canto 
dos anjos que louvaram a Deus no nascimento de Jesus em Belém: 
"Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por 
Ele amados" (Lc 2,14). 
Primeiro se dizia “paz na terra aos homens de boa vontade”. Agora 
se diz “aos homens por Ele amados". As palavras são diferentes, mas 
o sentido é o mesmo. Na verdade, o amor de Deus é para todos, mas 
nem todos aceitam o amor de Deus, Somente as pessoas “de boa 
vontade" se deixam amar por Ele. E quem não tem no coração o amor 
de Deus, não consegue glorificá-lo. 
O "Glória" é uma das mais perfeitas formas de louvor, porque se 
dirige ao Pai e a Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Até a 
oitava linha, nós glorificamos ao Pai; a seguir, dirigimos súplicas a 
Jesus, porque Ele é nosso MEDIADOR e intercede por nós junto ao 
Pai, no Espírito Santo. Veja: 
Glória a Deus no mais alto dos céus 
e paz na terra aos homens por Ele amados! 
Senhor Deus, rei dos céus, Deus Pai todo-poderoso, 
nós vos louvamos, 
nós vos bendizemos, 
nós vos adoramos, 
nós vos glorificamos, 
nós vos damos graças por vossa imensa glória. 
Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito, 
Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai. 
Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. 
Vós que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica. 
Vós que estais à direita do Pai, tende piedade de nós. 
Só vós sois o Santo. 
Só vós o Senhor. 
Só vós o Altíssimo, Jesus Cristo, 
Com o Espírito Santo, na glória de Deus Pai. 
Amém! 
44
 
QUANDO SE DIZ O "GLÓRIA"? 
O "Glória" é cantado ou recitado nas Missas solenes, seja nos 
domingos e sábados ou nas festas dos santos. Não se diz na Quares- 
ma e no Advento, porque não são tempos próprios de se expressar 
alegria. E o "Glória" é um hino de alegria. Não se diz em dias de 
semana porque, se for cantado ou recitado em dias comuns, perderia 
o seu sentido de festa e solenidade. O "Glória" expressa, pois, a 
grande alegria da Assembléia solene dos filhos de Deus, o que 
acontece aos domingos e festas. 
Outra coisa: o "Glória" é um hino oficial da Liturgia. Tem uma 
fórmula fixa. Às vezes se cantam outros hinos um pouco diferentes. 
Lembramos então que devem, pelo menos, conservar o mesmo sen- 
tido de louvor e de glorificação de Deus que tem o Glória oficial, 
escrito no Missal Romano. 
TESTE 
1. Que é que faz o homem feliz? 
2. Dê exemplos bíblicos de glorificação a Deus. 
3. Quem cantou o "Glória" pela primeira vez? 
4. Que contém o "Glória"? 
5. Quando se diz o "Glória" na Missa? 
6. Qual foi o exemplo de Santa Isabel da Turíngia? 
7. Pode-se mudar a fórmula do "Glória"? 
8. Você canta na Missa? 
LEITURA BÍBLICA: Lc 2, 1-32. 
45
 
12. A ORAÇÃO "COLETA" 
Certa cidade estava precisando de uma escola. To- 
dos sabiam disso, mas ninguém tomava a iniciativa de ir 
ao Governo do Estado para pedir a construção da tal 
escola. Um dia o Ildefonso criou coragem e foi falar com 
o governador. Seu pedido, porém, não obteve sucesso 
imediato. O governador disse-lhe: 
- Meu amigo, eu gostaria de ouvir mais gente sobre 
a necessidade dessa escola. Faça uma coleta de as- 
sinaturas e volte aqui com uma comissão. Aívamos pensar 
no assunto. 
O "seu" Ildefonso conseguiu três mil assinaturas e 
voltou ao palácio do governo com uma caravana bem 
representativa: prefeito, vereadores, professores, pais, 
crianças... E a escola foi aprovada e construída. 
QUE QUER DIZER “COLETA? 
Todos sabem o que é o caminhão "coletor' do lixo ou uma "coleta" 
de assinaturas. Vêm do verbo latino "collígere", que quer dizer reunir, 
recolher, coletar. É daí que vem também o sentido da Oração "Coleta". 
Ela quer reunir, numa só oração, todas as orações da Assembléia. 
Por isso, ela começa com o "Oremos". É o convite do Presidente 
da Celebração para que todos os presentes se coloquem em oração. 
Esse "Oremos" é segundo de uma pausa, para que durante esse 
tempo de silêncio cada pessoa faça mentalmente a sua oração pes- 
soal. Em seguida, o padre eleva as mãos e profere a oração, 
oficialmente, em nome de toda a Igreja. Nesse ato de levantar as 
mãos, o Presidente está assumindo e elevando a Deus todas as 
intenções dos fiéis. Tanto é que, no final da “Coleta”, todos respondem 
“Amém!", para dizer que aquela oração é também sua. E como se cada 
um estivesse "assinando" a oração proferida pelo Presidente. 
Há certas "Coletas" que mostram bem como essa oração supõe as 
intenções da Assembléia, e, portanto, é uma oração de todos os 
46 
 
presentes. Veja, por exemplo, esta Coleta do Segundo Domingo do 
Tempo Comum: 
“Deus eterno e todo-poderoso,que governais os céus e a terra, 
escutai com bondade as preces do vosso povo, 
e dai ao nosso tempo a vossa paz... 
A "Coleta" é rezada de pé e vem logo após o "Glória" (ou após o 
Ato Penitencial, nas Missas simples em que não há o Glória). Além da 
Coleta, existem mais duas orações oficiais na Missa, proferidas pelo 
Presidente, sem falar da Oração Eucarística, que é toda de 
competência daquele que preside a Celebração. As outras duas 
orações são: a Oração Sobre as Ofertas, no Ofertório, e a Oração 
Depois da Comunhão. O Missal Romano diz: "O sacerdote, presidindo 
a comunidade como representante de Cristo, dirige a Deus estas 
orações em nome de todo o povo santo e de todos os circunstantes”. 
Por isso se chamam "orações presidenciais”. 
Essas orações proferidas pelo Presidente da Celebração têm três 
partes: invocação, pedido e conclusão. Vejamos, por exemplo, como 
aparecem distintamente essas três partes nesta Coleta do Segundo 
Domingo depois do Natal: 
“Deus eterno e todo-poderoso, 
esplendor dos vossos fiéis, 
irradiai por todo o mundo a vossa glória 
e manifestai-vos a todos os povos, 
no fulgor de vossa luz! 
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, 
na unidade do Espírito Santo". 
Nas duas primeiras linhas está a invocação; nas três do meio, o 
pedido; e nas duas finais, a conclusão. As orações são dirigidas ao 
Pai em nome de Jesus (que é o nosso MEDIADOR), na unidade do 
Espírito Santo. 
A MISSA E A VIDA 
Estamos falando de uma oração da Missa, que é a Coleta. Mas a 
Missa toda é uma grande oração: a oração de Jesus e de sua Igreja, 
pois “a Igreja é o Corpo de Cristo que preenche todo o universo" 
(Cf.Ef1, 22-23). 
47
 
O certo é irmos à Igreja um pouco antes de a Missa começar, para 
nos colocarmos em clima de oração. Dificilmente consegue orar 
quem chega atrasado e se põe junto à porta de entrada, de onde fica 
"espiando" a Missa. Quando Deus passou pela tenda de Abraão em 
Mambré, sob a aparência de homem, disse a Abraão que ele iria ter 
um filho dentro de um ano. Abraão levou a sério, mas Sara não 
acreditou. Achou gozado e acabou rindo, porque ela estava mais 
distante da presença de Deus. Ficou ouvindo a conversa e espiando 
por detrás da cortina da tenda. Então Deus a repreendeu 
(Cf. Gn 18, 9-15). 
Na verdade, pouca gente sabe orar. Muitos nem dão condições 
para que Deus lhes fale. E o mais importante na oração não é o que 
dizemos a Deus, mas o que Deus tem a nos falar. A oração não é para 
que Deus faça a nossa vontade, mas para que nós façamos a vontade 
de Deus. O Padre Fulgêncio Piacentini, CP, costuma dizer que, para 
ser cristão, a gente precisa "fazer o que Deus quer e querer o que 
Deus faz". 
TESTE 
1. Por que o padre diz "Oremos" e faz uma pausa? 
2. Quais as três partes de uma oração? 
3. Que quer dizer Oração "Coleta'? E o "Amém"? 
4. Qual é a mais perfeita oração? 
5. Que disse o Padre Fulgêncio? 
6. Você costuma rezar na igreja e em casa? 
LEITURA BÍBLICA: Lc 1, 5-25 
48
 
13. LITURGIA DA PALAVRA 
Santo Agostinho nasceu na África, no ano 354. Patrí- 
cio, seu pai, era pagão. Sua mãe, Mônica, era cristã. 
Agostinho cresceu pagão. Mônica rezou durante vinte 
anos pela conversão do filho. Agostinho era muito in- 
teligente. Um orador eloquente. Dava aulas de oratória em 
Roma e em Milão. A hora da graça chegou através da 
pregação da Palavra de Deus. Certo dia, Agostinho entrou 
na Catedral de Milão durante a Missa, quando o famoso 
Bispo Santo Ambrósio pregava o Evangelho. A Palavra de 
Deus tocou o coração de Agostinho. Ele disse que, diante 
da beleza do Evangelho, a sua sabedoria não era nada. 
Ficou apaixonado pela causa de Cristo. Converteu-se e 
recebeu o Batismo no Domingo da Páscoa de 387, com 33 
anos de idade. E veio a ser o grande Bispo de Hipona e 
Doutor da Igreja. 
A PALAVRA DE DEUS TEM PODER 
Após o "Amém" da Oração Coleta, a comunidade senta-se. Mas 
primeiro deve esperar o Presidente dirigir-se à sua cadeira. Só depois 
que o sacerdote tiver sentado é que a Assembléia pode sentar-se. E 
uma norma de "educação litúrgica". Agora terminam os "Ritos Iniciais" 
que nos introduzem na Celebração e, com a Primeira Leitura, começa 
a Liturgia da Palavra. 
A Liturgia da Palavra tem um conteúdo de maior importância. Nesta 
hora, Deus nos fala solenemente. Fala a uma comunidade reunida 
como “Povo de Deus" e fala intimamente a cada um dos presentes. E 
a Palavra de Deus deve ser ouvida com fé. Ela "é viva e eficaz, mais 
penetrante do que uma espada de dois gumes" (Cf. Hb 4,12). Temo 
mesmo poder do Senhor que fala. Jesus disse: "Moço, eu te ordeno, 
levanta-te! E o morto se levantou e se pôs a falar (Cf. Lc 7, 14-15). 
49
 
ANTES E DEPOIS DO CONCÍLIO 
Antes do Concílio Vaticano Il não se dava muita importância à 
Liturgia da Palavra. Para muitos, a Missa era só a Liturgia Eucarística 
Até chamavam a Liturgia da Palavra de "Antemissa” ou "Missa dos 
Catecúmenos”. Ainda hoje a Liturgia da Palavra continua sendo uma 
preparação para a Eucaristia, mas de importância vital, como duas 
partes que se completam. Santo Agostinho já dizia: 'À Palavra de Deus 
não é menos importante que o Corpo de Cristo”. Hoje até se fala em 
“Pão da Palavra e Pão da Eucaristia” para se referir à importância das 
duas partes. Pois o Sacramento sem a Palavra de Deus perderia o seu 
sentido e a sua eficácia. 
A PALAVRA DE DEUS E A FE 
Jesus insistia muito na necessidade da fé como meio de salvação 
Ao fazer um milagre, Ele dizia: "Seja feito conforme tua fé' (CfMtB, 13). 
ou ainda: “A tua fé te salvou" (Cf Mc 10, 52). Disse também o Senhor. 
"Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado 
(Mc 16,16). 
Sabemos que a Eucaristia é o "Mistério de nossa fé' e que a fe vem 
pela Palavra de Deus (Cf. Rm 10, 14). Daí a importância da pregação. 
E a nossa fé é em Jesus Cristo, não apenas em verdades abstratas. 
A fé não é uma teoria, mas é vida. Jesus é a Palavra de verdade e a 
Vida eterna. Ele mesmo diz: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida 
Ninguém vai ao Pai senão por mim" (Jo 14,6). 
Falando da necessidade de se crer na Palavra e na Pessoa de 
Jesus, São Paulo escreve: "Que seus corações se conformem, de 
sorte que, intimamente unidos na caridade, sejam enriquecidos da 
plenitude da inteligência, para atingirem o conhecimento do Mistério 
de Deus, que é o Cristo, no qual se encontram depositados todos 05 
tesouros da sabedoria e da ciência" (Cl 2, 2-3). 
A seu amigo Timóteo, o mesmo São Paulo escreve: 'Tu, porém. 
permanece firme em tudo o que aprendeste e creste. Sabe de quem 
aprendeste. E desde a infância conheces as Escrituras, e sabes que 
elas têm o dom de proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, 
pela fé em Jesus Cristo. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil 
50
 
para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. 
Por ela o homem de Deus se torna perfeito e capacitado para toda 
boa obra” (2 Tm 3, 14-17). 
São Gregório diz que "a Bíblia é a carta de amor de nosso Pai, & 
nós a deixamos fechada no envelope". O próprio Jesus nos fala esta 
famosa frase: "Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra 
que sai da boca de Deus" (Mt 4,4). Ele diz também que suas palavras 
não são apenas palavras como as nossas, mas são "espírito e vida” 
(Cf. Jo 6,63). 
COMO PROCLAMAR A PALAVRA DE DEUS 
Pelo que vimos, a Palavra de Deus merece 0 máximo de respeito. 
Na Missa, sobretudo, não é para ser apenas "lida", mas “proclamada” 
ou anunciada com o poder do Espirito Santo. Portanto, até a posição 
do leitor precisa ser digna: jamais com a mão no bolso, coçando a 
cabeça, de camisa aberta ao peito, ou de qualquer outro modo que 
não seja condizente com o nobre exercício desse ministério, A 
proclamação deve ser feita solenemente, com voz clara, pausada, 
com boa pronúncia, bem ajustada ao microfone, de tal modo que 
todos possam ouvir e entender. 
TESTE 
1. Quem veio valorizar a Liturgia da Palavra? 
2. Que disseSanto Agostinho sobre a Palavra de Deus? 
3. Como se relacionam a fé e a pregação? 
4. Que disse São Gregório sobre a Bíblia? 
5. Em quem ou em que devemos crer? 
6. Você crê e vive a Palavra de Deus? 
LEITURA BÍBLICA: 2 Tm 4, 1-8. 
51
 
14. PRIMEIRA LEITURA E SALMO 
Cada povo tem sua história:história do Japão, história 
da Alemanha, história do Brasil... Mas a história mais 
falada e abrangente acho que é a História da Salvação. Ela 
tem sua origem no começo da humanidade e irá até o tim 
do mundo. Abrange a História de Israel, que é o povo mais 
antigo existente até hoje, e engloba também toda a história 
do Cristianismo, incluindo muitos povos, de todos os 
Continentes. 
Embora o Povo de Deus tenha sua origem com 
Abraão, a História da Salvação começa com Adão e Eva 
no paraíso terrestre, passa por Abraão, por Moisés, pelos 
Profetas e Reis de Israel, por Jesus e os Apóstolos, está 
passando por nós e irá até o fim do mundo. 
Estamos Jizendo isso porque vamos falar da Primeira 
Leitura, que, em geral, é tirada do Antigo Testamento, onde 
se encontra o passado remoto da História da Salvação. 
IMPORTÂNCIA DO ANTIGO TESTAMENTO 
Um grande benefício que a reforma litúrgica nos trouxe é a Missa 
em língua pátria. Quando era em latim, não se entendia quase nada 
Até a Bíblia passou a ser mais lida. Todas as famílias têm em casa a 
sua Bíblia. Muitas pessoas se reúnem semanalmente em círculos 
bíblicos para estudar a Palavra de Deus. 
Contudo, uma coisa que, talvez, não tenha sido devidamente en- 
tendida até hoje é a importância do Antigo Testamento. Muitos vêem 
nele um texto do passado, hoje substituído pelo Novo Testamento. 
Uma das razões é porque no Antigo Testamento encontram-se pas- 
sagens difíceis de entender, com aparentes contradições e maus 
exemplos de homens que deveriam ser santos. 
Mas, apesar de o Antigo Testamento não ser atraente como o Novo, 
precisamos conhecê-lo para entender a história de nossa Salvação € 
vermos o longo caminho andado até a chegada do Messias. Aquele 
passado distante faz parte do processo amoroso de Deus, que quis 
caminhar conosco falando a nossa linguagem.
Deus poderia muito bem, de repente, descer de pára-quedas” para 
salvar cada pessoa, individualmente, revelando-se a cada uma delas, 
sem estar preso a nada. Mas Ele prefere fazer história conosco, 
agindo com paciência milenar e usando de muita misericórdia. 
Por isso, Deus dialogou com Adão e Noé, caminhou com Abraão, 
amassou barro com os hebreus no Egito, peregrinou com Moisês pelo 
deserto, falou pelos Profetas, dormiu nos braços de Maria, anunciou 
o Reino de Deus na Galiléia e na Judéia, carregou nossos pecados 
no caminho do Calvário e ressuscitou para ser a nossa esperança. 
Quantas Alianças rompidas e refeitas para chegar até a Nova e Eterna 
Aliança em Jesus Cristo! 
JESUS E O ANTIGO TESTAMENTO 
Jesus mesmo nos fala que veio, não para abolir o Antigo Testamen- 
to mas para cumpri-lo. Ele disse: "Não julgueis que vim abolir a Lei ou 
os Profetas. Não vim para abolir mas para cumpri-los plenamente 
(Mt5,17). Por isso, os evangelistas, ao narrarem os fatos da vida de 
Jesus, lembram que aquilo aconteceu para se cumprir o que estava 
predito. Vejam, por exemplo, João, quando escreve que os soldados 
dividiram entre si as vestes de Jesus e sobre a sua túnica lançaram 
sorte. Ele observa que isto aconteceu para se cumprir o que O 
Salmista havia profetizado no Salmo 21 ou 22,19 (Cf. Jo 19, 23-24). 
À respeito do cumprimento das profecias sobre Jesus, o famoso 
orador Bossuet diz o seguinte: "Os judeus crucificaram Jesus porque 
Ele se apresentava como Filho de Deus. E foi matando-O que real- 
mente provaram que Jesus era o Messias, pois também Sua morte 
estava profetizada tal qual aconteceu”. 
O próprio Jesus nos fala que nele se cumpriu o que foi predito pelos 
Profetas a respeito do Messias. Naquela tarde, a caminho de Emaús, 
quando os dois peregrinos manifestavam dúvidas sobre a 
Ressurreição do Senhor, Jesus se pôs a caminhar com eles e foi 
dizendo-lhes: "Ô homens sem inteligência! Como sois tardos de 
coração para crer tudo o que anunciaram os Profetas! Não era preciso 
que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse na sua Glória? E, 
começando por Moisés, percorreu todos os Profetas, explicando-lhes 
O que se achava dito em todas as Escrituras a seu respeito” 
(Lc 24, 25-27). 
53
 
 
O SALMO RESPONSORIAL 
Após a Primeira Leitura, vem o "Salmo Responsorial'. É uma 
espécie de eco ou resposta à mensagem proclamada. Alguém 
chamou esse Salmo de "oração" da Leitura. Como se vê, não pode 
ser um canto qualquer, só para preencher o espaço e variar um pouco 
Às vezes, canta-se outro "Canto de Med tação”, que pode ser também 
válido, desde que sua mensagem esteja dentro do tema da Leitura & 
ajude a Assembléia a rezar e a meditar na Palavra de Deus que acabou 
de ser proclamada. 
Nota: A Leitura pode ser proclamada por um cristão leigo. E o 
Salmo pode ser cantado ou recitado. Se for cantado, é bom que toda 
a Assembléia cante o refrão. 
TESTE 
1. Diga um grande benefício da reforma litúrgica. 
2. Por que é importante o Antigo Testamento” 
3. O que Jesus fala da Lei e dos Profetas? 
4. Em que episódio Jesus mostra ser o Messias? 
5. O que disse Bossuet sobre Jesus? 
6. Que função tem o Salmo Responsorial? 
7. Você tem lido o Antigo Testamento? Gosta de ler? 
8. Como Deus tem agido na nossa Salvação? 
LEITURA BÍBLICA: Lc 4, 1:21. 
54
15. SEGUNDA LEITURA E ACLAMAÇÃO 
Carta é a correspondência entre duas ou mais pes- 
soas. E a carta exige uma resposta. Por isso é chamada 
“correspondência”. Certa vez um noivado quase terminou 
porque a noiva escreveu três cartas e não obteve nenhuma 
resposta. 
Vamos falar da Segunda Leitura da Missa, que, em 
geral, é uma carta. As Cartas ou "Epístolas" da Bíblia 
Sagrada foram escritas pelos Apóstolos. Eles também 
pedem uma resposta de nossa parte. Certamente você 
ainda se lembra do que disse São Gregório: 'A Bibliaé a 
carta de amor de nosso Pai. E, muitas vezes, nós a 
deixamos fechada no envelope. 
OS LIVROS DA BÍBLIA 
Antes de falarmos do Novo Testamento, lembramos que o Antigo 
Testamento é formado por 46 livros, sendo 5 do Pentateuco, 16 da 
História do Povo de Deus, 7 Sapienciais e 18Livros Proféticos. O Novo 
Testamento tem 27 Livros: os 4 Evangelhos, o Livro dos Atos dos 
Apóstolos, 21 Cartas e o Apocalipse. Total de Livros da Bíblia: 73. Há 
Bíblias católicas que apresentam só 72 Livros, porque ajuntam 
Jeremias e Lamentações num só Livro. A Bíblia Evangélica ou dos 
Protestantes traz apenas 66 Livros, porque ela não tem sete Livros do 
Antigo Testamento. E o motivo dessa diferença é o seguinte: os 
Evangélicos adotam a Bíblia dos judeus, os quais não aceitam como 
inspirados por Deus os Livros escritos fora do território de Israel ou 
em outra língua que não seja o hebraico. 
UMA "ESCOLA BÍBLICA" 
Estamos falando das Missas dominicais ou das Missas de dias 
festivos, que têm três Leituras. Nas missas “feriais”, ou do meio da 
semana, só há uma Leitura e o Evangelho. Então não há a chamada 
55
"Segunda Leitura". No Encontro anterior dissemos que a Primeira 
Leitura, em geral, é tirada do Antigo Testamento. Agora dizemos que 
a Segunda Leitura, também em geral, é tirada das Cartas. Dissemos 
“em geral”, porque há exceções. Às vezes, a Primeira Leitura é de 
outro Livro, como dos Atos, por exemplo; e a Segunda Leitura também 
pode ser dos Atos, do Apocalipse ou de outro Livro. Alguns chamam 
a Segunda Leitura de "Leitura do Apóstolo”, porque, seja das Cartas 
ou dos Atos ou do Apocalipse, é sempre escrita por um Apóstolo. 
À Liturgia da Palavra é uma verdadeira "Escola Bíblica”, porque, no 
decorrer do ano, nos dá uma visão da História da Salvação, recordan- 
do quase toda a Bíblia. 
ATOS, CARTAS E APOCALIPSE 
O Livro dos Atos, escrito por São Lucas, mostra-nos a experiência 
viva da Igreja primitiva: a vinda do Espírito Santo, os Apóstolos dandotestemunho da Ressurreição de Jesus, a formação das primeiras 
comunidades cristãs e a difusão da Igreja. Apresenta-nos aqueles 
quatro pontos fundamentais na vida da Igreja: 1) o “quérigma” ou 
primeiro anúncio do Evangelho, chamando à conversão; 2) a cate- 
quese ou educação permanente na fé; 3) a vida comunitária, 
começando pela Comunidade de Jerusalém; 4) a missão apostólica, 
destacando a ação de Pedro e de Paulo. 
O centro do Livro dos Atos é Jesus Cristo, morto e ressuscitado; 
e, em consequência da fé no Senhor, a fidelidade à Igreja e o amor 
aos irmãos. 
As Cartas ou Epístolas têm um conteúdo precioso: a doutrina cristã 
e as orientações práticas para a vida das comunidades, dando-lhes 
estímulo para viverem a fé. Há Carta dirigida a uma pessoa como, por 
exemplo, a Carta de São Paulo a Timóteo; há Carta dirigida a uma 
comunidade, como a Carta aos Filipenses; e há Carta destinada a toda 
a Igreja, sem mencionar nenhuma comunidade, como é o caso das 
sete últimas Cartas, ditas "Católicas" ou universais. As 14 primeiras 
Cartas são chamadas "Epístolas Paulinas" ou Cartas Paulinas, pois. 
embora não sejam todas de autoria de São Paulo, elas conservam 
aquele estilo do Apóstolo. Assim, por exemplo, a Carta aos Hebreus. 
deve ter sido escrita por algum discípulo de Paulo e não pessoalmente 
56
 
por ele. O nome da Carta é tirado do autor ou do destinatário da 
mesma. Por exemplo: Carta de Tiago e Carta aos Romanos. E, quando 
ouvimos a "Carta", ela é para nós e não para os romanos. 
O Apocalipse é o último Livro da Bíblia. Foi escrito por Joao, o 
Evangelista, por volta do ano 100, quando ele estava exilado na ilha 
de Patmos. “Apocalipse” é uma palavra grega. Quer dizer 'revelação”. 
É um livro profético. Convida os cristãos a estarem preparados para 
o regresso de Jesus que deve ser breve. É uma verdadeira “carta de 
encorajamento". Fol escrita para que os cristãos permanecessem fiéis 
a Jesus e à sua Igreja no meio das provações, pois estavam sendo 
perseguidos, especialmente pelos pagãos. 
CANTO DE ACLAMAÇÃO 
Terminada a Segunda Leitura, vem primeiro a Monição ao Evange- 
lho. Só depois é que vem o canto. E a Monição não é uma espécie de 
homilia, mas um breve “comentário”, convidando e motivando a 
Assembléia para ouvir o Evangelho. A Monição é feita com a 
Assembléia sentada, mas a Aclamação canta-se de pé. Na Quaresma 
e no Advento o Canto de Aclamação não tem "Aleluia". 
TESTE 
1. Por que a Liturgia da Palavra é "Escola Bíblica? 
2. Quantos Livros tem a Bíblia e como se divide? 
3. Quem escreveu os Atos”? E para quê? 
4. Qual o sentido do Apocalipse? 
5. Que é uma Monição ao Evangelho? Como deve ser? 
6. Quando a Aclamação não tem "Aleluia'? 
7. Você ouve as Cartas como sendo para você? 
LEITURA BÍBLICA: Ap 22,1-21. 
57
 
16. O EVANGELHO 
Um sábio do Oriente tinha o dom de ensinar. E gos 
tava de ensinar por meio de parábolas. Certo dia. e 
contou esta parábola: 
Dona Verdade, vendo que havia muita coisa era? 
na face da terra, resolveu sair pelo mundo para ensinar os 
homens a viver. Ela saiu nua, despida de qualquer adomo 
como ela é, na verdade. Foi um fracasso. Ninguém à 
recebia. Todos viravam o rosto. Alguns até lhe bateram 2 
porta na cara. E assim, Dona Verdade foi andando, andem 
do, sem encontrar acolhida. 
Estava já terminando a volta ao mundo, quando 3º 
encontrou com Dona Parábola. Por mais amigas q? 
sempre foram, Dona Parábola quase não a reconheceu É 
lhe disse assustada: 
- Dona Verdade, a senhora está tão abatida, tão triste 
Ô que anda acontecendo? 
E Dona Verdade respondeu amargurada: 
- Porque estou velha e feia, ninguém me recebe à 
me cansei de peregrinar inutilmente, 
Então Dona Parábola disse-lhe: 
- Não seja por isso! Vista a minha roupagem bonita & 
verá como vai ficar simpática. 
Dito e feito. Coma vistosa roupagem de Dona Pará 
bola, Dona Verdade foi bem acolhida. 
O EVANGELHO, PALAVRA DE VIDA 
Jesus, o Mestre dos mestres, não poderia ter deixado de falar em 
parábolas. Sua palavra, cheia do poder do Espírito e de sabedoria 
por si só já atrala as multidões. Mais ainda porque usava de parábolas 
ou comparações liradas da vida do seu povo. E, quando falava, Jesus 
costumava se colocar num lugar mais elevado para ver e ser visto pela 
multidão, l0sse num pequeno monte ou no barco. 
 
| 
1)
 
Assim deve ser ainda hoje, quando se proclama a Boa Nova em 
nossas Missas. Toda a Assembléia está de pé, numa atitude de 
expectativa para ouvir a Mensagem. E o padre ou o diácono proclama 
o Evangelho, junto da estante, num lugar mais elevado, para ser visto 
e ouvido claramente por todos. 
Essa Palavra, solenemente anunciada, nao pode estar “dividida 
com nada: com nenhum barulho, com nenhuma distração, com ne- 
nhuma preocupação. É como se Jesus, em Pessoa, se colocasse 
diante de nós para nos falar daquilo que mais nos interessa. À Palavra 
do Senhor é luz para nossa inteligência, paz para nosso espírito e 
alegria para nosso coração. Por isso, essa Palavra do Evangelho deve 
ser esperada com fé e alegria. O Canto de Aclamação é uma espécie 
de “aplausos” para o Senhor que vai nos falar, Em ambientes devida- 
mente conscientizados até se costuma bater palma nessa hora da 
Aclamação. 
PODE-SE FAZER UMA “PROCISSÃO” 
Após o Conciio Vaticano Il, a Liturgia deixa uma certa liberdade 
para a criatividade, possibilitando assim algumas iniciativas que ve- 
nham trazer mais vida e participação ao culto divino. Por isso, antes 
da proclamação do Evangelho, pode-se fazer uma procissão com a 
Bíblia ou Lecionário e as velas. Para se dar mais destaque ao anúncio 
da Palavra de Jesus, é bom que dols ministros ou acólitos segurem 
uma vela em cada lado da estante onde se faz a proclamação do 
Evangelho. A Liturgia precisa destes "sinais" para ressaltar a grandeza 
do rito. Para a proclamação do Evagelho o leitor saúda a Assembléia 
e esta responde da seguinte maneira: 
Padre: O Senhor esteja convosco! 
Todos: Ele está no meio de nós! 
Padre: Evangelho de Jesus Cristo, segundo (Mateus)! 
Todos: Glória a vós, Senhor! 
No final do Evangelho, o padre diz: 
Padre: Palavra da Salvação! (E beija o Livro Sagrado) 
Todos: Glória a vós, Senhor! 
59
 
OS QUATRO EVANGELHOS 
O Evangelho, como Mensagem de Salvação, é um só Mas foi 
escrito por quatro evangelistas. Por isso falamos que há quatro 
"Evangelhos": o de Mateus, ode Marcos, ode Lucas eo de João. Dois 
desses evangelistas fazem parte do grupo dos doze Apástolos 
Mateus e João. Marcos e Lucas não são do grupo dos Doze. 
Os três primeiros Evangelhos têm muita semelhança entre si 
conservam o mesmo estilo e narram quase todos os mesmos fatos 
Por isso são chamados de "slnóticos', O Evangelho escrito por São 
João tem um estilo diferente e focaliza outros fatos e palavras de 
Jesus, dando destaque para a divindade do Senhor e penetrando mais 
o Mistério do Filho de Deus. 
Lembramos que um evangelista dã mais minúcias do que outro na 
narração do mesmo fato; um omite algumas palavras de Jesus, outro 
as coloca; um conta um acontecimento, outro omite. Mas não ha 
contradição entre os quatro. Eles apenas se completam e comprovam 
que Jesus é o Messias e que anunciou o Reino de Deus. 
Queremos também lembrar que o simples anúncio do Evangelho 
já é, em si, uma graça de Deus. Mais ainda se for vivido. Jesus disse 
“"Bem-aventurados os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em 
prática” (Lc 11,28). 
TESTE 
1. Que significa a Monição ao Evangelho? 
2. E a Aclamação? Que sentido tem? 
à. Qual o valor das velas na hora do Evangelho? 
4. Qualis evangelistas não eram Apóstolos? 
5, Que são os “sinóticos'? 
6. Que significa o Evangelho em sua vida? 
7. Existe um ou quatro Evangelhos”? Explique. 
LEITURA BÍBLICA: Mt 13, 1:23 
60
 
17. HOMILIA 
Amadeu começou a sentir algumas dores pelo 
corpo e muito desânimo. Procurou o médico e contou 
tudo. O médico pegou um papel e foi ouvindo e escreven- 
do ao mesmotempo. Acabada a consulta, o médico 
mandou fazer uma porção de exames no laboratório e 
tomar outros tantos remédios. 
Na hora Amadeu parece que tinha entendido tudo 
Mas, em casa, pegou a receita, leu, releu, e acabou sem 
saber que exames fazer e que remédios tomar. A! ficou 
com vontade de jogar a tal receita no lundo da gaveta e 
esquecer lá. Mas, pensando bem, resolveu ir até a 
farmácia para decifrar aquela escrita complicada. O 
farmacêutico foi lendo e explicando cada coisa. Era tudo 
muito fácil. 
Assim pe acontecer a muita gente que tem a Bíblia 
nas mãos; lê, mas não entende. Ou acaba guardando o 
Livro Sagrado numa estante para nunca mais pegá-lo; ou 
pede uma explicação a quem entende, e põe em prática. 
uma questão de vida ou morte, como o remédio 
receitado. 
A ORDEM DE JESUS 
Jesus tinha encerrado sua missão na terra. Havia ensinado o povo 
& particularmente os discípulos. Tinha morrido e ressuscitado dos 
mortos. Missão cumprida! Mas sua obra da Salvação não podia parar 
ali. Devia continuar até o fim do mundo. Por isso, Ele passou aos 
Apóstolos o seu poder recebido do Pai e lhes deu ordem para que 
pregassem o Evangelho a todos os povos. Assim lhes falou o Senhor: 
“Todo o poder me fol dado no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a 
todos os povos, batizando-os em nome do Pal e do Filho e do Espírito 
Santo, e fazei com que obedeçam a tudo quanto ensinei. Eis que eu 
estou convosco todos os dias até o fim do mundo" (Mt 28, 18-20). 
“Depois de lhes falar, o Senhor Jesus fol elevado ao céu, e está 
sentado à direita de Deus. Os discípulos partiram e pregaram por toda 
51
 
a parte. O Senhor cooperava e lhes confirmava a palavra com sinais 
(Mc 16, 19-20). 
Como se vê, a Igreja recebeu pessoalmente de Jesus, de viva voz 
a missão de evangelizar os povos. E, desde aquele dia até hoje, ela 
vem realizando essa missão. Os bispos são os responsáveis direlos 
pela continuidade da obra missionária de Jesus, Com eles trabalham 
os padres e os cristãos leigos engajados na pastoral, E Jesus tem 
dado prova de que caminha com a Igreja e a sustenta com seuy poder 
divino, pois, se ela estivesse por conta somente dos homens, já se 
teria acabado hã muito tempo, como todos os reinos do tempo de 
Jesus. 
FILIPE EXPLICA 
Se um homem do povo pegar a Constituição Brasileira e a ler 
todinha, pouca coisa ele val entender. Se uma pessoa qualquer pegar 
o projeto de um edifício com todos aqueles cálculos, também terá 
muitas dúvidas. Assim acontece com a Bíblia Sagrada. Precisamos 
de quem a explique. Os próprios Apóstolos, depois de ouvirem as 
parábolas pediam a Jesus que lhes explicasse o que elas queriam 
dizer. 
Há uma passagem da Biblia que mostra como é essa expolicação 
ou homilia, É o caso do ministro da rainha Candace, da Etiópia, que 
descia de Jerusalém a Gaza. Ele tinha ido ao templo para adorar à 
Deus e voltava lendo a Sagrada Escritura no trecho do profeta Isaias. 
que diz: “Como ovelha foi levado ao matadouro. E, como cordeiro 
mudo diante de quem o tosquia, ele não abriu a sua boca. Na sua 
humilhação foi consumado o seu julgamento. Quem poderá contar a 
sua descendência? Pois a sua vida foi tirada da terra”. 
Inspirado por Deus, Filipe aproximou-se da carruagem e perguntou 
ao ministro: "Porventura entendes o que estás lendo” Respondeu-lhe 
o elíope: Como é que posso entender, se não há ninguém que me 
explique?" E pediu a Filipe que subisse ao carro, sentasse ao lado del? 
e lhe explicasse aquele trecho. Então Filipe explicou que aquela 
profecia referia-se a Jesus Cristo, levado ao martírio da Cruz. Nessa 
hora a graça de Deus moveu o ministro para a fé em Jesus, e ele pediu 
o Batismo. Havia all uma água corrente. Eles pararam e Filipe 0 
batizou (Cl. At 8, 26-38). 
62
 
A homilia é isso: a Interpretação de uma profecia ou a explicação 
de um texto bíblico. É difícil entender hoje aquilo que foi dito há muitos 
séculos. Cada época tem seus costumes e sua linguagem. No tempo 
de Jesus, a mentalidade era outra. E a língua também. Para entender- 
mos o que foi dito por Ele, precisamos estudar os costumes e a lingua 
daquela época. E só Isso não basta. A Bíblia não é um Livro de 
sabedoria humana, mas de Inspiração divina. Precisamos da graça de 
Deus. Quem taz a homilia fala oficialmente em nome da Igreja, movido 
pelo Espírito Santo, como foi o diácono Filipe. 
O sacerdote é esse "homem de Deus". Na homilia, ele “atualiza O 
que foi dito há dois mil anos. Diz o que Deus está querendo “hoje com 
aquela mensagem proclamada àquela comunidade ali presente. E os 
fiéis não devem levar em conta a pessoa do padre, em si, com seus 
defeitos, mas o próprio Cristo, que disse a seus discípulos: Quem vos 
ouve, a mim ouve; quem vos rejeita, a mim rejeita” (Cf. Lc 10,16). 
Nota: O Presidente da celebração Eucarística sempre deve fazer a 
homilia, mesmo que seja numa Missa simples. E, durante a homilia, a 
Assembléia fica sentada. 
TESTE 
1. Com que palavras Jesus enviou 05 Apóstolos”? 
2. Que é uma homilia? Dê um exemplo biblico. 
3. Por que a homilia é necessária? 
4. Pode alguém crer em Jesus e rejeitar os padres? 
5. Basta ter conhecimento científico para lazer homilia? 
6. Você ouve com atenção a homilia? 
LEITURA BÍBLIA: 1 Cor 1, 10-31 
63
 
18. PROFISSÃO DE FE 
Um edilício estava em chamas. No segundo andar 
havia uma menina de dez anos. O fogo estava no primeiro 
andar, e a fumaça, subindo, envolvia todo o prédio, aumen- 
tando a confusão. Ninguém via nada. A menina gritou, 
pedindo socorro ao pai, que estava na praça. Ouvindo a 
voz da filha, o pal correu, colocou-se embaixo da janela e 
disse: 
- Filha, pode saltar que eu pego você! 
À menina respondeu apavorada: 
- Tenho medo, papal, não estou vendo você! 
E o pai disse: 
- Não se preocupe, filha! Pode saltar que eu estou 
vendo você. 
A menina pulou e caiu nos braços do paí. 
Assim deve ser a vida do cristão: um salto para os 
braços do Pal. Mesmo que a gente não esteja vendo a 
Deus, basta reconhecer a sua voz. Ele não nos engana 
O SÍMBOLO APOSTÓLICO 
A fe é a base da religião, o fundamento do amor e da esperança 
cristã. Jesus disse: “Tudo é possível a quem crê" (Mc 9, 23). E São 
João fala que a fé é “a arma que vence o mundo” (Cf. 1 Jo 5,4) À 
verdadeira fé supõe a confiança. Crer em Deus é também confiar nae 
Um dos momentos mais belos da Liturgia da Palavra é, sem duvica 
logo após a homilia, quando toda a Assembléia se levanta e faz 
solenemente a sua Prolissão de Fé, recitando em voz alta “Creio em 
Deus Pai". Com essa atitude queremos dizer que cremos na Palavia 
de Deus que fol proclamada e estamos prontos para pô-la em prática 
É como um juramento público, 
Há dois textos dilerentes para a Prolissão de Fé: o Simbos 
Apostólico e o Simbolo Niceno-Constantinopolitano. 
E
O primeiro vem do tempo dos Apóstolos. Por isso se chama 
“Simbolo dos Apóstolos". É um resumo das verdades de fé protessada 
pelos primeiros cristãos É também o mais curto e mais recitado nas 
Missas. Vamos recordá-lo: 
Creio em Deus Pai todo-poderoso, 
criador do céu e da terra; 
e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, 
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, 
nasceu da Virgem Maria, 
padeceu sob Pôncio Pilatos, 
foi crucificado, morto e sepultado; 
desceu à mansão dos mortos; 
ressuscitou ao terceiro dia; 
subiu aos céus, 
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, 
donde há de vir a julgar os vivos e os morios. 
Creio no Espirito Santo, 
na santa Igreja Católica, 
na comunhão dos santos, 
na remissão dos pecados, 
na ressurreição da carne, 
na vida eterna. 
Amém! 
SÍMBOLO NICENO-CONSTANTINOPOLITANO 
No século quarto, um teólogo chamado Ário começou a ensinar 
que Jesus era apenas Homem e não Deus. Isso é uma heresia, 
(Heresia é a negação de uma ou mais verdades da fé). Para alirmar a 
divindade de Cristo e combater o “arianismo”, foi feito o Concílio de 
Nicéia, no ano 325. Aía Igreja colocou no"Creio" algumas palavras a 
mais, acentuando a divindade de Jesus, como estas: "Deus de Deus, 
luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro..." Logo depois surgiu 
outro herege, de nome Macedônio, que negava a divindade do 
Espírito Santo. Então a Igreja se reuniu no Concílio de Constantinopla, 
no ano 381, e acrescentou umas palavras, afirmando que o Espírito 
Santo é verdadeiro Deus. São estas as palavras:
 
“Senhor que dá a vida 
e procede do Pai e do Filho, 
ecomoPaie o Filho é adorado e glorificado; 
ele que falou pelos profetas”. 
Daí resultou essa Profissão de Fé mais extensa, que chamamos 
de “Simbolo Niceno-Constantinopolitano”, por ter sua origem nos 
Concílios de Nicéia e Constantinopla. Vamos recordá-o: 
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, 
criador do céu e da terra; 
de todas as coisas visíveis e invisíveis. 
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, 
Filho unigênito de Deus, 
nascido do Pai antes de todos os séculos: 
Deus de Deus, luz da luz, 
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; 
gerado, não criado, consubsiancial ao Pai. 
Por ele todas as coisas foram feitas. 
E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos céus: 
e se encarnou pelo Espirito Santo 
no seio da Virgem Maria, e se fez homem. 
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; 
padeceu e foi sepultado. 
Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, 
e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. 
E de novo há de vir, em sua glória, 
para julgar Os vivos e os mortos; 
e o seu reino não terá fim. 
Creio no Espirito Santo, Senhor que dá a vida, 
e procede do Pai e do Filho; 
e como Pale o Filho é adorado e glorificado: 
Ele que falou pelos profetas. 
Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. 
Professo um só batismo para remissão dos pecados. 
E espero a ressurreição dos mortos 
e a vida do mundo que há de vir. Amém! 
Este Simbolo é recitado apenas alguns domingos, geralmente 
quando se fala de Jesus como Messias, o Filho de Deus. Como º 
56
 
Símbolo dos Apóstolos, ele é uma sintese das verdades fundamentais 
da fé, para manter os cristãos unidos, na medida em que foram se 
espalhando pelo mundo. É bom recitarmos sempre o “Creto”, mesmo 
fora da Missa, pois ele tem o poder de alugentar O Maligno, assim 
como o “Sinal da Cruz”, feito com tê. 
Hoje há seitas religiosas modernas que, como o arianismo, afirmam 
que Jesus não é Deus. Para as Testemunhas de Jeová, por exemplo, 
Jesus é o “Primogênito das Criaturas", mas não é Deus. Ele é criatura 
e não Criador. É um homem privilegiado pelo Pai, mas não é Deus 
como o Pai. 
Tal heresia se basela nesta frase de Jesus: "O Pai é maior que eu” 
(Jo 14,28b). Mas é preciso entender que Jesus disse isso como 
Homem, na condição de 'servo' de Deus, pondo-se a serviço de nossa 
salvação. 
Não podemos ficar com uma frase isolada. Temos que ver todo 0 
contexto bíblico. Em outros lugares Jesus afirmou que é Deus como 
o Pal. Por exemplo: “Eu e o Pai somos UM" (Jo 10,30). Disse também: 
Pal, glorifica-me junto de ti, com aquela glória que eu tinha contigo 
antes que o mundo existisse" (Jo 17,5). 
Negar a divindade de Cristo é erro grave, pois, se Ele não é Deus, 
não pode nos salvar. Só Deus salva. 
TESTE 
1. Quais os dois Símbolos que recitamos na Missa? 
2 Que você sabe do Simbolo dos Apóstolos”? 
3. Como surgiu o Simbolo Niceno-Constantinopolitano? 
4. Que é arianismo? 
5. Que é uma heresia? 
6. Qual o grande erro das Testemunhas de Jeová? 
7. Você tem pensado nas palavras da Prolissão de Fé? 
8. Você vive, no dia a dia, a sua fé? 
LEITURA BÍBLICA: Hb 11, 1-20 
67
 
19. CRER NA IGREJA 
O bar do seu" Candinho é o mais movimentado da 
vila. É um ponto de encontro dos amigos. Ali todo o mundo 
entende de qualquer assunto, sobretudo depois de tomar 
uma branquinha. Ontem o “seu” Braulino saiu com esta 
- O padre mandou um convite lá em casa, pra gente 
irá Missa, Mas não vou, não. Onde já se viu padre de 
bigode? É uma pouca vergonha! 
Aí aproveitaram para descarregar uma porção de 
coisa contra a Igreja. O Joaquim até levantou o copo com 
dois dedos da "51º para brindar. Um outro disse: 
- Esse negócio de muita reza é bobagem. A minha 
vizinha não saí da Igreja e vive brigando com o marido. 
Quase se pegaram. 
O "seu" Diógenes deu contra, dizendo: 
- Vocês não sabem o que estão falando! A Igreja é 
coisa santa. Vem de Deus. 
A coisa ficou pior: acendeu a fogueira mais ainda 
Alguém respondeu imediatamente: 
- Se a Igreja fosse santa e viesse de Deus, o padre 
Pino não teria casado, o Papa não moraria num palácio. 
O CAMINHO DA DESCRENÇA 
Na Profissão de Fé, dizemos: “Creio na santa Igreja Católica 
Estamos certos ou errados? Se os cristãos têm tantos pecados. 
podemos chamar a Igreja de "santa"? Sim. Da nossa parte a Igreja é 
pecadora, porque feita de criaturas humanas imperfeitas. Mas, da 
parte de Deus, a Igreja é santa, porque Jesus caminha com ela “até o 
fim do mundo”, e ela tem a presença do Espírito Santo que a ilumina 
e santifica. 
Quando falamos "crelo na santa Igreja Católica”, estamos dizendo 
que aceitamos a Igreja como obra de Jesus e instrumento de 
salvação, sustentada pela graça de Deus, apesar de suas falhas 
humanas. Crer em Deus é fácil. O difícil é crer na Igreja, porque ela
tem sua face manchada pelo nosso pecado Por isso, o caminho da 
descrença é este: primeiro o ateu deixa de crer na Igreja, depois em 
Jesus Cristo, finalmente não crê em Deus. 
Dizer simplesmente que não tem fé é coisa que não fica bem ao ser 
humano. O homem, em geral, não tem coragem de dizer “eu não 
acredito em Deus", porque ele se sente rebaixado, parecendo um 
irracional. Então ele diz que tem fé, mas não crê na Igreja, pois a sua 
descrença na Igreja ele consegue justificar apontando falhas que, de 
fato, existem nas pessoas da Igreja. 
Depois, ainda com certa boa aparência de inteligente, o homem 
consegue dizer que crê em Deus, mas não em Jesus Cristo, Pois acha 
impossível" de se explicar que alguém seja homem e Deus ao mesmo 
tempo. Então nega a divindade de Jesus. Diz que aceita Cristo como 
um profeta ou “primogênito das Criaturas”, como dizem as Testemu- 
nhas de Jeová, ou como um “Vidente e Grande Médium”, segundo os 
Espíritas. 
Finalmente, o terceiro passo da descrença consiste ainda em se 
dizer que tem fê em Deus, mas é um Deus vazio, distante, frio, 
impessoal, uma espécie de “energia” solta no espaço, um Deus 
lgórico que não significa nada. Um Deus que é produto da imaginação 
de poeta e que não exige nenhum relacionamento pessoal nem 
compromisso de vida de ninguém. E simplesmente um modo elegante 
de ser ateu sem precisar dizer que não tem fé. 
QUEM NÃO CRÊ NA IGREJA NÃO CRÊ EM DEUS 
Vimos, no Encontro 17, que a Igreja é a portadora da Salvação. 
Quem crê em Deus Pai, crê em Jesus, enviado pelo Pai para salvar; 
e quem crê em Jesus deve crer na Igreja, que Ele fundou, e à qual 
entregou a Sua missão de salvar a humanidade. Jesus, quando enviou 
os Apóstolos para anunciarem o Evangelho, disse-lhes: “Quem vos 
ouve, a mim ouve; quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, 
rejeita o Pal que me enviou" (Lc 10,16). 
A Salvação é obra de Deus, vem de Jesus, mas o próprio Cristo 
quis ter os homens como colaboradores nessa obra, anunciando e 
levando a Salvação a todos os povos. Para isso Ele enviou os 
Apóstolos, dizendo-lhes: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho
 
a toda criatura, Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer 
será condenado" (Mc 16, 15-16). 
A São Pedro, primeiro chele visível da Igreja depols de Jesus. O 
Senhor disse: 'Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha 
Igreja, e o poder do inferno não dominará sobre ela. Eu te darei as 
chaves do Reino dos céus; tudo o que ligares na terra será ligado nos 
céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus 
(Mt16,18-19). 
O próprio Deus quer que acreditemos na Igreja. E isto provamos 
através de um fato bíblico. É ocaso de Tomé. Depois da Ressurreição 
Jesus apareceu aos discípulos que estavam reunidos numa sala. 
Estavam todos, menos Tomé. E quando Tomé chegou, disseram-lhe 
“Nós vimos o Senhor!" Ao que Tomé respondeu-lhes: 'Se eu não vit 
nas suas mãos os sinais dos pregos e não colocar o meu dedo no 
lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não 
acreditarei!” Oito dias depois, estavam os discípulos novamente 
reunidos no mesmo lugar, e Tomê com eles. Estando as portas 
trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja 
convosco!" Depois disse a Tomé: “Põe aquio teu dedo, e vê as minhas 
mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem 
de fé!” Respondeu-lhe Tomé: "Meu Senhor e meu Deus!' É Jesus 
acrescentou: 'Tu creste, Tomé, porque viste. Felizes os que crêem 
sem me terem visto" (Jo 20, 19-29). 
O QUE TOMÉ NEGOU 
Agora perguntamos: em quem Tomé não acreditou? Em Cristo” 
Não. Ele duvidou da palavra dos colegas, os Apóstolos, que eram 3 
Igreja, oficialmente all reunida. Por isso Jesus repreendeu-o & 
chamou-o de incrédulo, pois não crer na Igreja é o mesmo que não 
crer em Deus. Cristo é inseparável do Pai, e a Igreja é inseparável de 
Cristo. Quem despreza a Igreja, despreza Jesus, do qual procede à 
Salvação. À comunhão com a Igreja é garantia de Salvação, porque 
o Senhor lhe disse: "Eis que estou convosco todos os dias até o fim 
do mundo” (Mt 28,20). 
Lembramos que a nossa fé na Igreja é só naquilo que se refere à 
nossa Salvação, pois em assunto de Política, de Economia ou dê 
ro 
 
Ciências a Igreja pode errar como qualquer outra empresa humana. 
A assistência do Espírito Santo é para que a Igreja não erre emassunto 
de fé. 
Não podemos rejeitar a Igreja por causa dos pecados pessoais de 
seus membros. Isso não nega que a Igreja seja divina. Pelo contrário: 
prova que ela é sustentada por Deus e não pelos homens, pois se 
fosse pelos homens já teria pifado há muito tempo. Quando os judeus 
queriam matar os Apóstolos por darem testemunho de Jesus, 
Gamaliel achou melhor não matá-los. Ele disse que, se a Igreja fosse 
uma obra de Deus, não adiantaria combalê-la; e se fosse obra dos 
homens, ela se acabaria por si mesma. (Cf. At 5, 34-42). Pois bem, aí 
está a Igreja, atravessando já vinte séculos! 
TESTE 
1. Por que é díficil crer na Igreja” 
2. Qual é o caminho da descrença”? 
3. Como é o Deus de um ateu? 
4. Que aconteceu com Tomé? Ele duvidou de quem? 
5. Que disse Jesus sobre sua Igreja? 
6. À Igreja não erra quando fala sobre o quê? 
7. Você crê na Igreja? Participa ativamente dela? 
8 Você se considera membro da Igreja? 
LEITURA BÍBLICA: Jo 21, 15-25 
71
 
20. ORAÇÃO DOS FIÉIS 
Arquimedes nasceu no ano 2A7 antes de Cristo e é 
respeitado até hoje como físico, geômetra e matemático 
É dele esta famosa frase: "Dá-me um ponto de apoio e, 
com uma alavanca, eu levantarei o mundo”, 
Os movimentos religiosos da Igreja aplicaram essa 
palavra “alavanca” para a oração, porque a oração tem 
poder de “remover montanhas" ou até de expulsar o 
demônio. 
Certa vez um homem levou seu lilho possesso para 
os Apóstolos curarem. Estes ordenaram para que o 
demônio saísse do menino, mas o demônio não saiu 
Depois o homem levou o filho a Jesus, e Jesus expulsou 
o diabo. Então, no tim do dia, os Apóstolos perguntaram 
ao Mestre: 
- Por que nós não conseguimos curar o menino, e o 
senhor conseguiu? 
E Jesus respondeu-lhes: 
- Essa casta de demônio não se expulsa a não ser 
com muita oração e jejum (Cf. Mc 9, 14-29). 
AS PRINCIPAIS INTENÇÕES 
No começo da Missa vimos que existe a Oração Coleta. É uma 
oração breve, proferida pelo Presidente, a fim de colocar a Assembléia 
em clima de fé para ouvir a Palavra de Deus. Ágora vem um espaço 
mais abrangente para a oração, onde os fiéis também colocam 
publicamente as suas intenções. Por isso se chama "Oração dos 
Fiéis". Vem logo após a Profissão de Fé (ou após a homilia, se não 
houver Profissão de Fé). 
A Oração dos Fiéis encerra a Liturgla da Palavra, É a Palavra de 
Deus feita oração. Depois de ouvirmos a Palavra de Deus e de 
professarmos nossa fé e confiança em Deus que nos falou, nós 
colocamos em Suas mãos as nossas preces de maneira oficial & 
72
coletiva E fazemos essas orações confiando em Jesus, que disse 
“Pedi e recebereis, buscai e encontrareis, batei e a poria se abrira 
Porque todo o que pede, recebe, o que busca, encontra, e a quem 
bate se abrirá" (Mt 7,7-8). 
Essa Oração dos Fiéis é também chamada "Oração Universal”, ou 
mesmo, como dizem alguns, 'Preces da Comunidade”. O Missal 
Romano, falando sobre a Oração dos Fiéis, diz o seguinte: 'Na Oração 
Universal ou oração dos fiéis, exercendo a sua função sacerdotal, O 
povo suplica por todos os homens. Convém que, normalmente, se 
faça esta oração nas Missas como povo, de tal sorte que se reze pelas 
seguintes intenções: 
- pelas necessidades da Igreja; 
- pelos poderes públicos e pela salvação de todo o mundo; 
- pelos que sofrem qualquer necessidade, 
- pela comunidade local. 
LITURGIA E VIDA 
Cabe à Equipe de Liturgia a iniciativa de ver as intenções próprias 
nas diversas circunstâncias naquela Igreja local, pois a Missa deve 
ser algo que interesse à comunidade, que toque à vida de seus 
participantes. Em outras palavras, a Missa é um ato litúrgico de uma 
Igreja “viva”, concreta, encarnada, que enfrenta os problemas reais 
do dia a dia. Por isso, o Concílio permite maior criatividade em certas 
partes da Missa, como na Oração dos Fiéis, possibilitando que a fé 
expresse algo vivencial, 
Acabou aquele tempo em que os leigos iam à Igreja para "assistir" 
à Missa de maneira passiva. O Concílio lembrou que os fiéis par- 
tlcipam ativamente do culto, em decorrência de seu Batismo. Como 
balizados, todos nós participamos da missão do próprio Cristo, que 
é Sacerdote, Profeta e Rel. O leigo pode e deve exercer o "sacerdócio 
comum”, pelo qual celebra a santa Missa juntamente como sacerdote. 
O cristão leigo é co-responsável na Igreja. Assume com alegria e 
responsabilidade aquilo que é do Interesse de sua comunidade. À 
Paróquia é uma comunidade viva, que tem na Missa o seu ponto mais 
elevado. 
73
 
 
REZAR JUNTOS 
À Liturgia deve ter a força de converter os que duvidam e fortalecer 
os que vacilam. Quem entrasse na Igreja, por engano, na hora da 
Missa, deveria sentir-se atraído pela fé viva e alegria contagiante que 
unem a todos num só coração e numa só alma. 
Mesmo que o meu pedido não seja pronunciado em voz alta, eu 
posso colocá-lo na grande oração da comunidade, Assim, minha 
oração se torna oração de toda a Igreja e adquire um crédito maior 
O que não posso fazer na Missa são as orações pariculares, como 
leitura de livros piedosos, novenas e mesmo a oração do terço. Na 
Missa, reza-se “a Missa”. 
Na Oração dos Fiéis, a introdução e a conclusão são feitas pelo 
Presidente. As outras preces são feitas pelos fiéis, em voz alta Em 
geral, as preces terminam com um apelo à comunidade, como este 
“Rezemos ao Senhor!" Ao que a Assembléia responde, mais ou menos 
assim: "Senhor, escutal a nossa prece!”. 
Durante a Oração dos Fiéis, todos ficam de pé, pois é a posição 
própria do orante. Assim rezavam os primeiros cristãos. 
TESTE 
1. O que Jesus falou sobre a oração? 
2. Por que se compara a oração a uma alavanca? 
3. O que o Batismo nos faz? 
4. Como deve ser a Liturgia? 
5. Em que lugar da Missa está a Oração dos Fiéis? 
6. Quais as intenções fundamentais da Oração dos Fiéis? 
7. Você gosta de orar com a comunidade? Por quê? 
8. A comunidade paroquial tem sentido para você? 
LEITURA BÍBLICA: 1 Tm 2, 1-0 
74 
 
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214. LITURGIA EUCARÍSTICA 
Dizem que um egoísta chamado Tifão morreu e foi 
direto para o inferno. Um dia, porém, reconheceu seu 
pecado e pediu perdão a Deus. Imediatamente apareceu- 
lhe um anjo e lhe disse: 
- Tifão, Deus ouviu sua prece e enviou-me para ver se 
você praticou algum ato bom quepossa justificar sua 
entrada no céu. 
- O Senhor da Misericórdia, que ato bom poderei ter 
feito? Minha vida foi só egoísmo. Estou perdido! - respon- 
deu Tifão. 
E o anjo insistiu: 
- Mas, Tilão, alguma coisinha, como dar à alguém um 
copo de água, nem isso você fez? 
- Nem isso - respondeu ele. 
- É como você tratou os animais, Tifão? 
- Bendito seja Deus! - respondeu ele - Um dia tirei o 
pé para não pisar numa aranha. 
- Bem-aventurado é você, Tifão! - disse o anjo - Só 
por isso Deus lhe dará o céu, com uma condição: nunca 
mais seja egoísta. 
E, no mesmo instante, desceu do céu uma corda 
grossa, feita de fios de aranha. Tifão agarrou-se nela e 
começou a subir. Foi subindo, subindo... Quando estava 
perto do céu, olhou para baixo e viu alguns companheiros 
de sofrimento tentando pegar a ponta da corda para subir 
também. Então lhes disse; 
- Larguem! Essa corda é só para mim! 
Imediatamente a corda rompeu-se, e ele caiu. 
CEIA E SACRIFÍCIO 
A lenda da corda nos ajuda a entrar no espírito da Liturgia 
Eucarística, onde o mesmo pão é repartido para muitos Irmãos. A 
Eucaristia reúne duas coisas: como Sacramento, renova a Cela Pas- 
75
cal; e. como Sacrifício, renova o ato redentor de Cristo na Cruz. Pois 
na Ceia, Jesus deu aos discípulos 0 seu sanque que ia ser "derramado 
pela redenção da humanidade. Dai a Íntima ligação da Eucaristia com 
o Sacrifício de Jesus, A Missa, porém, mesmo como Sacriticio, não 
tem aquele sentido de “morte”, próprio dos sacrifícios dos pagãos Ela 
é o Sacrifício de louvor' do Cristo Ressuscitado que venceu a morte 
Graças a Deus, hoje temos a “Missa Comunitária”. Ela é para todos. 
Ninguém pode ficar “dono” da Missa, Não pode querer que ela seja 
só para si ou só para um determinado falecido. O Sacrifício redentor 
de Cristo é universal. Destina-se a toda a humanidade. E não é coma 
um bolo que, sendo repartido para muitos, reduz o tamanho da fatia 
O valor da Missa é espiritual, infinito para todos. 
ASSEMBLÉIA CELEBRATIVA 
Na Liturgia Eucarística, todos são “celebrantes" do Mistério da 
Salvação. Ninguém “assiste” passivamente. Sao todos convivas do 
divino banquete. Cada um deve sentir-se convidado pessoalmente 
por Jesus, que é o Presidente “invisivel' da Celebração. O Missal 
Romano diz: “Na Missa ou Ceia do Senhor, à Povo de Deus é 
convidado e reunido, sob a presidência do sacerdote, que representa 
a Pessoa de Cristo para celebrar a memória do Senhor ou Sacrifício 
eucarístico. Por isso, a esta reunião local da santa Igreja aplica-se, de 
modo eminente, a promessa de Cristo: "Onde dois ou mais estão 
reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mt 18,20). 
Ninguém se sinta isolado e esquecido dentro da Missa: Jesus 
reuniu em torno da Mesa os seus amigos. Em Cristo, todos se fazem 
irmãos, filhos do mesmo Pai, sem distinção entre ricos e pobres 
doutores e analfabetos. É como está escrito: “Há um só corpo e um 
só espírito, assim como, graças à vossa vocação, fostes chamados à 
uma só esperança. Há também um só Senhor, uma só fé, um só 
Batismo, um só Deus e Pal de todos, que está acima de todos, por 
todos e em todos" (Ef 4, 4-6). 
Todos os gestos, palavras, preces e cantos realizados na Liturgia 
da Palavra devem levar a Assembléia a participar da Ceia que o Senhor 
desejou “ardentemente” celebrar com seus discípulos. E a Missa não 
pode ficar reduzida somente àquela hora de rito. Ela deve dar sentido 
76
a toda a nossa vida, assim como em todos os dias da semana 
devemos estar vivendo a nossa Missa, Liturgia não êsóro e palavras 
é sobretudo “vida”. 
PRESENÇA DE DEUS E EXULTAÇÃO DA VIDA 
Dissemos que Deus está presente na Celebração E esta presença 
se manisfesta de vários modos. Jesus se faz presente pelo sacerdote, 
que é seu representante; presente pela Assembléia, no meio da qual 
o Senhor prometeu estar; presente pela Palavra, que é viva e eficaz; 
presente pelo Pão e Vinho consagrados, que são o Corpo e 0 Sangue 
do Senhor, Vivo e Ressuscitado. 
E a presença de Deus na Missa não é “estática”, mas dinâmica. Não 
é uma presença de quem apenas “está all, mas de quem age e 
provoca uma grande alegria. À palavra Eucaristia quer dizer “ação de 
graças". Mas para os primeiros cristãos significa muito mais: era a 
“berakah” dos hebreus. É a Intervenção divina que provoca em nós a 
"exultação da vida". É Deus vivo que passa por nós, toca nossa vida 
com a sua graça, arrastando-nos para Si e provocando em nós uma 
verdadeira “festa”. E essa alegria imensa nos leva a dar graças e a 
louvar a Deus. Esse é o sentido original de “Eucaristia”. 
TESTE 
1. Como é a lenda da corda? 
2. Quais os dois aspectos da Missa? 
3. Como se manifesta a presença de Deus na Missa? 
4. Por que ninguém pode ficar “dono” da Missa? 
5. Que é "Eucaristia" ou a "berakah' dos judeus”? 
6. Você participa da Missa em comunhão com os outros? 
LEITURA BÍBLICA: At 2, 42-47 
77
 
22. PROCISSÃO DAS OFERENDAS 
Quando eu estudava no Ipiranga, em São Paulo, um 
dia saí para uma caminhada em direção a São Bernardo 
Era uma manhã tria do início de maio do ano 1959. À beira 
da estrada, havia montes de lixo. E ali estavam dois 
meninos lotando de papel um carrinho feito de caixole 
sobre duas rodinhas de rolamento. Os meninos eram 
muito pobres: cinta de barbante, camisa sem botão, pés 
descalços. 
Olhei para eles e perguntei-lhes: 
- O que vocês estão lazendo? 
O mais velho pensou um pouco e disse: 
- Eu vou falar, mas é segredo: nós estamos catando 
papel para vender e comprar um presente para nossa mãe 
no dia das mães. Ela não sabe. 
Foi uma grande lição para mim. Aqueles meninos 
pobres não estavam pensando neles, mas no presente que 
iriam dar à sua mãe. Presente de pobre, dado com amor 
e carinho. Lembrava a oferta da viúva no templo, elogiada 
por Jesus. Ela deu duas moedinhas pobres, mas valiam 
mais que os donativos caros dos ricos, porque, como 
disse Jesus, ela "dava tudo o que possuia” [Lc 21,1-4). 
O QUE DIZER DA PROCISSÃO DAS OFERENDAS? 
A procissão das oferendas não é colsa que precisa ser realizada. 
Não faz parte essencial da Missa. É um ato opcional. Faz-se quando 
tem uma razão especial, Se estiver virando rotina e perdendo o 
sentido, até é bom não se lazer mais. E, quando há Procissão do 
Ofertório, deve haver alguma colocação do Comentarista, explicando 
o sentido das ofertas, sobretudo quando se leva alguma coisa não 
litúrgica, como em caso de Missa de formatura ou aniversário da 
cidade. As ofertas não podem ficar “isoladas”, mas devem ter um 
significado e ajudar a participação da comunidade na Liturgia. 
78
 
No Início da Missa o Presidente com os Ministros ficam nas 
cadeiras em frente do altar. Eles não vão para o altar porque este 
representa a mesa da Cela, que começa propriamente na Liturgia 
Eucarística. Mas, terminada a Oração dos Fiéis, o Presidente e os 
Ministros vão para o altar a fim de prepararem as oferendas 
Nesta altura o altar está preparado: corporal estendido no centro, 
como uma toalhinha, missal aberto, o cálice e a patena com a hóstia 
grande do sacerdote. Segundo alguns entendidos, a hóstia grande 
não deve ser separada na patena, mas vir junto, na âmbula, com as 
hóstias dos fiéis, para não tirar o sentido de unidade do Presidente 
com a Assembléia, na comunhão. Às pessoas que trazem as oleren- 
das em procissão, não as trazem apenas em seu nome, mas 
representando toda a comunidade. Por isso, as pessoas que trazem 
as ofertas devem ser dignas representantes da comunidade, pois O 
seu trabalho, a sua fé, o seu amor, a sua vida cristã devem cor- 
responder aquilo que, realmente, é o povo de Deus ali presente. 
Durante essa procissão, canta-se o Canto do Ofertório. 
As principais ofertas são O pão e o vinho. Podem-se trazer outas 
coisas, como ramos de trigo, cachos de uva, água, flores... Antiga- 
mente os cristãos traziam de suas casas o pão a ser consagrado. Hoje 
esse sentido de trazer" fica simbolizado pela Procissão das Ofertas.Essa caminhada, levando para o altar as ofertas, significa que o pão 
e o vinho estão saindo das mãos do homem que trabalha. Às demais 
oferendas representam igualmente a vida do povo: a flor, simbolo do 
amor e da gratidão; a coleta em dinheiro, fruto do trabalho e da 
generosidade dos fiéis; os alimentos e vestes são o gesto concreto 
da fraternidade dos cristãos. 
NOSSA OFERTA É UM DIREITO DIVINO 
Na hora do Ofertório, colocamos na cesta a nossa oferta para 
conservação e manutenção da casa de Deus. Não é uma “esmola”. 
Deus não é mendigo: é o Senhor de nossa vida. Ele não precisa de 
uma esmolinha, mas merece nossa gratidão, em sinal de retribuição 
a tantos benefícios que dele recebemos. Infelizmente há quem dá um 
miudinho" que, se desse a uma criança, esta não o aceitaria. É hora 
de mostrarmos a nossa generosidade. A oferta tem também um 
To
 
senti á 
pipa educativo. É um gesto espontâneo e consciente, bem 
ngeénco, que deve representar nosso desapego e nossa libertação 
Assim está na Biblia: “Cada um dé com liberdade de coração, sem 
constrangimento, pois Deus ama a quem dá com alegria (2 Cor97) 
Se nossa oferta não for sinalde amor e gratidão, é melhor não darmos 
nada. Olhe o que o Senhor nos fala através do Proleta Malaquias: 
Quando ofereceis em sacrifício um anima! cego, não é isto um 
mal? E quando trazeis um animal coxo ou doente, isto não é mai? 
Vamos, oferecei-o ao vosso governador para ver se ele ficará con- 
tente convosco e vos dará, de bom grado, a recompensa!” (MI 1,8) 
Outra condição para Deus aceitar a nossa oferia é que estejamos 
em paz com nossos irmãos. A [é não pede apenas a minha comunhão 
com Deus, mas também com os irmãos. Jesus disse: 
“Se ao apresentares a tua oferenda ao altar, aí te lembrares de que 
teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa aí a tua oferta diante do 
altar e vai primeiro reconciliar-le com teu irmão. Depois vem e 
apresenta a tua oferenda” (Mt 5, 23-24). 
TESTE 
1. Quais as ofertas sem as quais não há Missa? 
2. Como era a oferta do pão antigamente? 
3. É necessário fazer Procissão das Oferendas? 
4. Que significam as diversas oferendas? 
5. Que sentido tem nossa oferta em dinheiro? 
6. Que disse o Profeta Malaquias sobre a oferta? 
7. Você dá sua oferta com generosidade e alegria? 
B. E o dízimo, você paga? 
LEITURA BÍBLICA: At 5, 1:11 
 
23. APRESENTAÇÃO DO PÃO E DO VINHO 
Um mendigo caminhava pela estrada na esperança 
de ganhar alguma esmola. Na sua sacola ele levava um 
pão velho. Cansado e sujo, o andarilho, cada pouco, 
olhava para frente e para trás, a fim de ver se apontava 
alguém no caminho deserto. De repente, avistou uma 
carruagem ao longe, na curva da estrada. E, na medida em 
que a carruagem se aproximava, ele ficava mais feliz, pois 
havia percebido que era o príncipe com sua comitiva. O 
mendigo pôs-se à beira da estrada e ficou acenando para 
que parassem. A carruagem parou. O mendigo, cheio de 
esperança, estendeu a mão e disse ao príncipe: 
- Dá-me uma ajuda, por misericórdia! 
Com muita surpresa, porém, ouviu o príncipe dizer- 
lhe sorrindo: 
- Eu é que te peço um pedaço de pão! 
O mendigo ficou desapontado. Quebrou uma ponti- 
nha do seu pão e deu ao principe: 
À carruagem seguiu em frente. Desapareceram na 
estrada empoeirada. Depois de andar muito, o mendigo 
levou a mão na sacola, pegou o pão, olhou e teve grande 
surpresa: havia um pedacinho minúsculo de ouro, do 
tama-nho da pontinha de pão que ele havia dado ao 
principe. Então, muito arrependido, pensou: "Que burro tui 
eu! Por que não dei o pão inteiro?" 
O NOSSO PÃO E O NOSSO VINHO 
Na Missa nós oferecemos a Deus o pão e o vinho que, pelo poder 
do mesmo Deus, mudam-se no Corpo e no Sangue do Senhor. Deus 
aceita a nossa oferta e a transforma numa dádiva de valor infinito, que 
é a própria Divindade. Sempre que colocamos nas mãos de Deus 
aquilo que está em nossas mãos, acontece a maravilha do milagre, 
como aconteceu com os cinco pães e os dois peixes. 
si
O President “ta Celebração recebe as ofertas da comunidade e as 
apresenta a Deu: Um povo de fé não traz apenas pão e vinho mas 
no pão e no vinho, oferece a sua vida Um dia o pão foi uma semente 
que 0 lavrador semeou na terra e cultivou com amor e esperança. 
Depois colheu com alegria o fruto de seu trabalho e o colocou sobre 
o altar, Deus pega nossa olerta e a transforma em “pão da vida e vinho 
da salvação”. 
RITO DO PÃO E DO VINHO 
O Presidente olerece o pão a Deus, dizendo: 
“Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, 
pelo pão que recebemos de vossa bondade, 
fruto da terra e do trabalho do homem, 
que agora vos apresentamos 
e para nós se vai tornar pão da vida! 
E a Assembléia responde: 
- Bendito seja Deus para sempre! 
Al o sacerdote coloca a hóstia dobre o corporal e prepara o vinho 
para oferecé-lo do mesmo modo. Antes, porém, ele põe algumas 
gotas de água no vinho, dizendo: “Pelo mistério desta água e deste 
vinho, possamos participar da divindade de vosso Filho, que se 
dignou assumir a nossa humanidade”. 
Como se vê, a mistura da água no vinho simboliza a união da 
natureza humana com a natureza divina. Na sua Encarnação, Jesus 
assumiu a nossa humanidade e reuniu, em Si, Deus e o Homem. E, 
assim como a água colocada no cálice torna-se uma só colsa com 0 
vinho, também nós, na Missa, nos unimos a Cristo para formar um só 
Corpo com Ele. Em seguida, o Presidente eleva o cálice e diz: 
"Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, 
pelo vinho que recebemos de vossa bondade, 
fruto da videira e do trabalho do homem, 
que agora vos apresentamos 
e para nós se vai tornar vinho da salvação!" 
Aqui também a Assembléia responde: 
- Bendito seja Deus para sempre! 
52 
 
 
 
O povo pensa que a bênção é sempre alguma coisa que
 desce de 
Deus para os homens. Mas não é só Isso. No sentido bíblico, à bê
nção 
pode subir dos homens para Deus, em forma de louvores e ação
 de 
graças. Abençoar é bendizer. Então o homem bendiz ou abençoa à 
Deus, porque em vão seria o seu trabalho de semear e cultivar a terra. 
se Deus não fizesse a semente nascer e a planta crescer. 
Nós bendizemos a Deus nessa hora, não só porque Ele fez cair a 
chuva e produzir trigo e uva, mas, sobretudo, porque Ele faz o milagre 
de mudar o nosso pão e o nosso vinho no Corpo e no Sangue do 
Senhor. Nós bendizemos a Deus porque o pão comum que 
oferecemos val se tornar para nós o “Pão da Vida”, e o vinho vai se 
tornar “Vinho da Salvação”. Essa é a grande dádiva: nós recebemos 
incomparavelmente mais do que aquilo que oterecemos. Por isso 
bendizemos. 
Nota: O vinho deve ser puro, de uva. E as hóstias também devem 
ser de trigo puro, não fermentado. Antes da consagração, as hóslias 
são simplesmente pão, como qualquer outro pao sem mistura. 
O cálice com vinho e a âmbula com as hóstias para a comunidade 
ficam sobre o corporal, no centro do altar, junto da hóstia grande do 
Presidente, que é colocada sobre a patena. 
TESTE 
1. O que o Presidente diz ao apresentar o pao? 
2. E que diz ao apresentar o vinho? 
4. Por que se mistura um pouco de água no vinho? 
4. Que significa "Bênção? Quais os sentidos? 
5. Como devem ser o vinho e as hóstias? 
6. Como se chama o objeto onde ficam as hóslias? 
7. Você sabia que sua vida deve estar unida à de Jesus? 
LEITURA BÍBLICA: Mt 14, 13-21 
83
 
24. ÚLTIMAS ORAÇÕES DO OFERTÓRIO 
Adão e Eva tiveram muitos filhos e filhas. À Biblia 
menciona especialmente dois: Caim e Abel, pela seguinte 
razão: o primeiro representa o mal, O segundo representa 
o bem, 
Caim era agricultor e Abel era pastor de ovelhas. 
Certo dia eles ofereceram sacrifícios a Deus. Abe! 
ofereceu uma ovelha e Caim ofereceu frutas. Deus aceitou 
o sacrifício de Abel e ndo aceitou o de Caim, certamente 
porque Abel ofereceu a ovelha com alegria e Caim 
ofereceu suas frutas com má vontade. Porisso, Caimlicou 
revoltado. O seu coração se encheu de ciime e de ódio 
contra seu irmão. Tanto é que um dia ele acaboumalando 
Abel com uma paulada. 
A OFERTA AGRADÁVEL A DEUS 
Quando oferecemos um presente, devemos fazer duas coisas: ver 
se o presente é agradável à pessoa que vai receber, e dar ess 
presente com amor e alegria. De fato é assim que procuramos fazer 
Antes de dar uma camisa a alguém, procuramos saber que número 
aquela pessoa veste e de que cor ela gosta. 
Santa Teresinha dizia que queria não só obedecer aos Mandamen- 
tos mas fazer o “capricho” de Deus até nas menores coisas. E, quanto 
áquilo que agrada a Deus, podemos adiantar uma coisa: Ele não 
aceita sacrifícios de quem não sabe amar. Jesus disse: "Quero 
misericórdia e não sacrifício" (Mt 12,7). 
Deus não aceita sacrilícios de quem não tem reta intenção ou o faz 
por mera formalidade. São Paulo escreveu aos cristãos de Roma: “Eu 
vos exorto, irmãos, pela misericórdia de Deus, que apresenteis vossas 
vidas como hóstia viva, santa e agradável a Deus. Seja este o v0559 
culto espiritual* (Am 12,1). 
Neste Encontro vamos ver as últimas orações do Ofertório. Elas 
falam que nosso sacrifício é aceito por Deus quando temos um 
coração purificado e humilde. Depois de ter colocado o cálice sobrê 
o corporal, o Presidente Inclina-se diante do altar e reza em voz baixa 
84 
 
“De coração contrito e humilde, sejamos, Senhor, acolhidos por vos, 
e seja o nosso sacrifício de tal modo oferecido que vos agrade, 
Senhor, nosso Deus!" Essa oração é tirada do Livro de Daniel. Depor- 
tado para Babilônia, o Povo de Israel estava longe do Templo e não 
podia oferecer a Deus os sacrifícios de cordeiros e bois. Então Azarias 
fez essa bela oração, oferecendo a Deus o seu sacrifício espiritual. 
INCENSAÇÃO E PURIFICAÇÃO DAS MÃOS 
Quando a Missa é solene e festiva, costuma-se fazer a incensação 
do altar, do Presidente da Celebração e da Assembléia. O incenso tem 
um simbolismo: significa que aquele sacrifício deve subir até Deus, 
como a fumaça. Não tem nada de magia, de coisa de macumba, de 
relação com os espíritos maus. Não é uma “defumação”. 
Antigamente a comunidade levava para o altar ofertas como 
alimentos e outros objetos que poderiam sujaras mãos do Presidente. 
Por isso, ele lavava as mãos. Hoje, além da purificação das mãos, tem 
também o sentido de uma purificação espiritual do ministro de Deus, 
Por isso, ao lavar as mãos, o Presidente ora em voz baixa: 'Lavai-me, 
Senhor, das minhas faltas e purificai-me do meu pecado”. Essa oração 
é tirada do Salmo 50,4. Lembra Davi pedindo perdão de seu pecado. 
O sacerdote não está junto do altar como alguém que intercede 
por um povo passivo. Não. A oração deve partir também da comu- 
nidade, que se constitui numa "Assembléia celebrativa”. Por isso, O 
Presidente se volta para o povo e pede: "Oral, irmãos, para que O 
nosso sacrifício seja aceito por Deus Pai todo-poderoso!" 
E a Assembléia responde: “Receba o Senhor por tuas mãos este 
sacrifício, para glória de seu nome, para nosso bem e de toda a santa 
Igreja". Veja que, em primeiro lugar, está a glória de Deus. 
ORAÇÃO SOBRE AS OFERTAS 
Esta oração chamada “Sobre as Ofertas" tinha, antigamente, O 
nome de “Secreta”, porque era rezada em voz baixa pelo celebrante. 
Pode-se também dizer “Oração Sobre os Dons”. A finalidade dessa 
oração é colocar nas mãos de Deus os dons que trouxemos para O
santo Sacrifício, como vimos já nas orações anteriores. É um modo 
de Insistir na mesma colsa diante de Deus, bem ao gosto do Evange. 
lho, como ensina Jesus na parábola do homem que foi pedir ao amigo 
um pão, altas horas da noite. Este estava dormindo, mas o homem 
bateu até que ele veio atender (Lc 11,5-8). Ou como está na parábola 
do juiz e da viúva, o qual a atendeu devido à sua insistência (Lc 18,1-8) 
Com a Oração sobre as Ofertas termina a parte do Olertário 
Inicia-se agora a Oração Eucarística ou Anáfora, que começa como 
Prefácio. Estamos entrando no "coração" da Celebração, que é o 
Mistério da presença real de Jesus no pão e no vinho consagrados. 
Para isso é que fizemos toda essa purificação de vida. Todo respeito 
ainda é pouco para entrarmós no “santo dos Santos' da Celebração. 
TESTE 
1. Qual a condição para Deus aceitar nossa oferta? 
2. Como deve ser o sacrifício? Que pede Deus? 
3. Ao darmos um presente, o que devemos saber? 
4. Que disse Santa Teresinha? E São Paulo? 
5. Que signífica o incenso? 
6. Por que o Presidente lava as mãos? 
7. Por que se faz a Oração sobre as Ofertas? 
8. Você se prepara espiritualmente para a Missa? 
9. A sua oferta é agradável a Deus? 
LEITURA BÍBLICA: Is 1, 10-20 
 
 
25. PREFÁCIO E SANTO 
Moisés pastoreava o rebanho de seu sogro Jetro, em 
Madian. Foi avançando pelo deserto e chegou ao Monte 
Horeb, que é o Monte de Deus. Ali viu uma sarça de fogo 
E ficou admirado, porque o arbusto eslava em chamas e 
não se consumia. Então Moisés pensou: Quero chegar 
mais perto para ver como é isso”. Vendo que Moisés se 
aproximava da sarça ardente, Deus lhe disse: "Moisés, 
Moisés!" Ele respondeu: “Eis-me aqui!" Ai o Senhor lhe 
disse: “Não te aproximes deste lugar! Tira as sandálias, 
pois o lugar onde estás é santo” (Cf. Ex 3, 1-5). 
O TEMPLO DE JERUSALEM E NOSSAS IGREJAS 
Para os judeus, santo era todo o lugar onde Deus se manifestava, 
porque Deus é santo. De maneira especial, santo era o Templo. E, no 
Templo. havia uma parte santíssima, chamada “o santo dos santos”. 
Ai só o sumo sacerdote entrava, e uma vez por ano apenas, para O 
sacrifício expiatório. Era uma sala que ficava bem no interior do 
Templo, cercada de muito respeito e relevância, pois ali estava a Árca 
da Aliança. Tinha também o nome de Tabernáculo. Só depois de se 
purificar é que o sacerdote podia entrar ali, Era um lugar temível, 
intocável, pois Deus tinha ordenado a Moisés: “Diga a toda a 
assembléia dos filhos de Israel: Sede santos, porque eu, o Senhor 
vosso Deus, sou santo” (Lv 19, 1-2). 
Lembramos que hoje, em termos de presença de Deus, o mais 
simples templo católico é mais Importante que o Templo de 
Jerusalém, porque tem dentro de sl, não a Árca da Aliança, mas O 
próprio Cristo, Deus Vivo, presente no sacrário, com aquela luzinha 
acesa ao lado. Ele é o verdadeiro "Santo dos Santos”. 
Estamos fazendo esta observação porque agora vamos estudar O 
Prefácio e o "Santo" da Missa, 
87
 
O PREFÁCIO 
Terminada a Oração sobre as Ofertas, começa o diálogo que nos 
introduz no Prefácio. É o seguinte: 
Presidente: O Senhor esteja convosco! 
Assembléia: Ele está no meio de nós. 
Presidente: Corações ao alto! 
Assembléia: O nosso coração está em Deus. 
Presidente: Demos graças ao Senhor nosso Deus! 
Assembléia: É nosso dever e nossa salvação 
Esse dialogo é sempre o mesmo em todos os tempos do Ano 
Litúrgico. Em seguida vem o Prefácio, que é variável. Há um ou mais 
para cada tempo da Liturgia. Por exemplo: Prefácios do Advento. do 
Natal, da Epifania, da Quaresma, da Paixão, da Páscoa, da Ascensão 
do Senhor, do Pentecostes, de Cristo Rei, da Eucaristia, da Santissima 
Trindade, de Nossa Senhora, de São José, dos Apóstolos, dos Santos. 
dos Mártires, dos Pastores, das Virgens e Religiosos, dos Anjos, dos 
Mortos e diversos Prefácios do Tempo Comum, além de alguns 
Prefácios especiais que fazem parte da Oração Eucarística 
O Presidente reza o Prefácio de braços abertos. E cada Prefácio 
tem algumas palavras próprias, relerentes à festa que se celebra. Por 
exemplo, no Natal fala do nascimento de Jesus, na Páscoa faz 
referência a Cristo ressuscitado. 
O Prefácio é um hino de "abertura" que nos introduz no Misterio 
Eucarístico. Por Isso, o presidente convida a Assembléia para elevar 
os corações a Deus, dizendo: "Corações ao alto!”. E um hino que 
proclama a santidade de Deus e dá graças ao Senhor. 
O "SANTO" 
O final do Prefácio é sempre igual. Termina com esta aclamação 
"Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus do universo! O céu e a terra 
proclamam a vossa glória. Hosana nas alturas! Bendito o que vem em 
nome do Senhor! Hosana nas alturas!"Às vezes, quando o "Santo" é cantado, mudam-se algumas pala 
vras. Mas o sentido deve permanecer o mesmo. Em geral, é cantado 
SR 
 
 
 
nas Missas dominicais e recitado nas Missas simples do meio da 
semana, 
O "Santo" é tirado do profeta Isalas (6,3), o qual teve a seguinte 
visão: Serafins, no Templo, aclamavam em alta voz: "Santo, Santo, 
Santo é o Senhor Deus dos exércitos! Toda a terra está cheia de sua 
glória!” A repetição, dizendo três vezes “Santo”, é um reforço de 
expressão para significar o máximo de santidade. É como se dissesse 
que Deus é “Santíssimo”. 
O que o profeta Isaías deixa bem claro, nessa passagem, é que ele 
é um homem de lábios impuros, indigno de falar em nome de Deus, 
e que, no entanto. viu a glória do Senhor no templo. Por isso estava 
atemorizado e dizia: “Ai de mim, estou perdido!” Então veio um anjo 
e purificou os seus lábios com uma brasa viva. Esta passagem & uma 
lição para nós, que participamos da Eucaristia. Também nós somos 
pecadores, de lábios impuros, e estamos nos preparando para 
receber o Corpo do Senhor em nossa boca. Não nos esqueçamos de 
que Deus é “três vezes Santo”, isto é, Santíssimo, Senhor do céu e da 
terra, e que em seu nome vem a nós o Cristo, a quem devemos 
bendizer: “Bendito o que vem em nome do Senhor!" 
TESTE 
1. O que é o Prefácio? Como começa” 
2. Há um só ou mais Prelácios? Dê exemplos? 
3. Como termina o Prefácio? 
4. De onde velo o “Santo? 
5. Por que se diz três vezes “Santo”? 
6. Que era o “Santo dos Santos" no Templo? 
7. Por que Isalas ficou atemorizado em sua visão? 
8. Você respeita e reverencia o nome de Deus? 
LEITURA BÍBLICA: Is 6, 1-8 
B9
26. CONSAGRAÇÃO DO PÃO E DO VINHO 
Na Copa do Mundo de 1974, uma hora antes de 
começar o jogo da Polônia, eu disse a um artista polonês 
que decorava o painel da Igreja de Barirl, SP; 
- Aristark, o senhor não vai ver o jogo? 
- Não vou - respondeu-me ele - pois existe mais beleza 
num grão de feijão que nasce do que numa bola que bate 
na rede. 
Acho que o pintor polonês tinha razão. O nascimento 
e o crescimento de uma semente é um espetacular 
milagre. Nós só não ficamos admirados porque virou 
rotina. Um eucalipto de vinte metros de altura, um dia 
esteve todinho dentro de uma pequenina semente. À 
chuva, a terra, o sol e o tempo deram condições para que 
aquela sementinha viesse a ser uma gigantesca árvore 
Tanto é que, se a semente fosse de laranja ou de abacate, 
à árvore seria uma laranjeira ou um abacateiro, porque a 
árvore estava todinha concentrada dentro daquela se- 
mente. 
ASSIM É NA CONSAGRAÇÃO 
De maneira mais admirável ainda é a transformação do pão e do 
vinho na hora da consagração, na Missa. Por ordem de Cristo, o 
Presidente da Celebração pega o pão e o apresenta à Assembléia, 
falando as palavras que Jesus mandou dizer: “Tomai, todos, e come, 
istO é O meu corpo que será entregue por vós”. E aquele pão se muda 
no Corpo do Senhor. À mesma coisa o sacerdote faz com o cálice de 
vinho, que se torna o Sangue de Jesus. 
Mais eficaz que a terra e a chuva, que translormam a semente em 
árvore, é a Palavra de Deus, que muda o pão e o vinho no Corpo e 
sangue do Senhor. À Palavra de Deus é eficaz, Isto é, realiza aquio 
que diz. Deus disse: "Haja luz!" E imediatamente houve luz (Gn 1,3). 
Lembramos que, especialmente na Missa, o sacerdote age “in per- 
sona Christi", isto é, em lugar da pessoa de Cristo. É como se Jesus 
80 
 
estivesse pessoalmente presidindo a Celebração. Tanto é que o padre 
diz “Isto é o meu corpo, e aquele pão não se torna o corpo do padre, 
mas o Corpo de Cristo. Porque ele celebra por ordem Jesus. que 
disse: “Fazei isto em memória de mim" (CI. Lc 22,15). 
ORAÇÃO EUCARÍSTICA 
Com o Prefácio entramos na Oração Eucarística ou Anafora, que 
val até as palavras: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo”, antes do Pai 
Nosso. À Oração Eucarística é o centro e o coração da Celebração. 
Não é “mais uma oração” da Missa, mas a Própria Missa. 
Antes do Concílio havia uma só forma de Oração Eucarística. Agora 
existem várias. À mais comum é a Segunda, da qual são tirados muitos 
exemplos aqui citados. 
Momentos antes da Consagração, o Presidente estende as mãos 
sobre o pão e o vinho e pede ao Pai que os santífique, enviando sobre 
eles o Espírito Santo. Depois recorda o que Jesus fez na Ceia e 
pronuncia as palavras da Consagração, que agora, no novo Missal 
Romano, são: 
"TOMAI, TODOS, E COMEI: ISTO É O MEU CORPO, QUE SERÁ 
ENTREGUE POR VÓS". 
Em seguida, o Presidente recorda que Jesus tomou o cálice em 
suas mãos, deu graças novamente, e o deu a seus discípulos, dizen- 
do: 
“TOMAI, TODOS, E BEBEI: ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE, O 
SANGUE DA NOVA E ETERNA ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO POR 
VÓS E POR TODOS, PARA REMISSÃO DOS PECADOS. FAZEL ISTO EM 
MEMÓRIA DE MIM". 
Depois da consagração do pão, o Presidente levanta a hóstia à 
vista da Assembléia. Em seguida faz uma genullexão para adorar 
Jesus presente no Santíssimo Sacramento. O mesmo ele faz após a 
consagração do vinho. 
No momento da Consagração, a Assembléia deve ajoelhar-se e 
levantar-se logo em segulda. Em certas celebrações, como nas comu- 
nidades neocatecumenais, costuma-se ficar de pé, mesmo na hora 
da Consagração. Nesse caso, a Assembléia faz uma profunda 
91
 
inclinação de cabeça no momento em que o Presidente eleva a hóstia 
e o cálice. O texto escrito com letras malúsculas constitui propria- 
mente a Consagração. Aí é que o pão e o vinho se mudam no Corpo 
e no Sangue do Senhor. Nessa hora deve haver silêncio total. Nada 
de “fundo musical”. As palavras da Consagração não podem ficar 
divididas com nada, 
"FAZELISTO!" 
Queremos chamar a atenção para esta ordem que Jesus deu no 
final da Ceia: “Fazei Isto em memória de mim!" A Igreja celebra a Missa 
não só porque é um ato de pledade bom e bonito, mas para cumprir 
a vontade expressa de Jesus, que mandou celebrar a Ceia, 
E sabemos que, desde o início da Igreja, a Missa foi celebrada, 
começando pela primeira comunidade crista, que foi a de Jerusalém 
No início, os cristãos não falavam "Missa", mas fração do pao, 
porque o pão consagrado era partido e distribuído (Cl. Al 2,42). São 
Paulo fala da Missa celebrada na comunidade de Corinto no seu 
tempo (Cf. 1 Cor 11, 17-34). Menciona também Missas celebradas por 
ele (Cf. AL 20, 7-11). 
TESTE 
1. Que é Oração Eucarística? 
2. O padre faz a vez de quem? Explique isso. 
3. Com que palavras o padre consagra o Pão? 
4. E com que palavras consagra o vinho? 
5. Que ordem Jesus deu no final da Ceia? 
6. Qual foi o primeiro nome da Missa? 
7. Você crê na presença de Jesus na Eucaristia? Por quê”? 
LEITURA BÍBLICA: Mt 26, 17-23 
 
 
27. "EIS O MISTÉRIO DA FE!" 
Certa vez, na velha Grécia, um mestre perguntou a 
seus alunos: Quando um homem e um bo! olham para um 
prédio, eles estão vendo o mesmo prédio ou vêem duas 
coisas diferentes? 
- Estão vendo o mesmo prédio - disseram. 
Mas o mestre não concordou. E explicou: 
-O prédio é o mesmo, mas a maneira de ver é 
diferente. O homem vê o prédio como homem e o boivê o 
prédio como boi. O prédio que está na cabeça do homem 
pode ser diferente do prédio que está na cabeça do boi. 
De fato, quando uma coisa entra na mente da pessoa, 
toma a forma do pensamento daquela pessoa. À mesma 
música é triste, se a pessoa está triste, e é alegre, se a 
pessoa está alegre. Passando agora para o assunto do 
nosso Encontro, vamos ver que uma coisa de fé pode ter 
muito sentido para quem crê e pode não signilicar nada 
para quem não crê. 
ASSIM É DIANTE DA EUCARISTIA 
Terminada a Consagração, o Presidente da Celebração proclama 
solenemente, mostrando o Sacramento: - Eis o Mistério de nossa fé! 
E a Assembléia responde: 
- Ânunciamos, Senhor, a vossa morte e proóclamamos a vossa 
ressurreição. Vinde, Senhor Jesus! 
Nota: Há outras formas de resposta além desta. Sabemos que o 
Cristo presente no Pão consagrado é um só e o mesmo paratodos. 
Mas nem todos o estão vendo com a mesma fé. Tanto é que alguns 
não respondem nada. Pode ser que nem estejam crendo. E entre as 
pessoas que vão comungar? Será que todas estão comungando com 
té? Nem sempre. O Cristo é o mesmo, mas alguns podem estar 
comungando sem fé. E quem O recebe sem fé, não O recebe para a 
sua salvação. Pelo contrário: se estiver comungando com pouco 
caso, até faz um pecado. São Paulo diz que tal pessoa “será réu do 
Corpo e do Sangue do Senhor" (Cf. | Cor 11,27). 
93
DIANTE DA NATUREZA 
Existem na natureza muitos lugares lamosos pela sua beleza 
extraordinária. Chegam a emocionar o turista. Por exemplo, o Crista 
Redentor, no Rio de Janeiro, a Foz do Iguaçu, o Monte Serrat, em 
Santos. Os turistas chegam, olham, admiram, tiram fotos e filmam 
aquelas paisagens maravilhosas. Mas a pessoa que nasceu nesses 
lugares e ali mora há muito tempo, nem liga para aquilo Até não 
entende por que os turistas ficam tão admirados. Na verdade, para 
quem mora ali ao lado, aquela paisagem extraordinária se lomou 
comum. É rotina. Não impressiona. 
Coisa semelhante pode acontecer com o cristão diante da Missa 
De tanto ir à Missa, já se acostumou com ela. À mudança do pão edo 
vinho no Corpo e no Sangue do Senhor virou rotina. Não diz nada 
Principalmente, se nunca procurou estudar nada da Missa e tem ido 
por simples cumprimento de preceito dominical. Nesse caso, além de 
a Missa não ter sentido, passa a ser uma coisa cansativa. Para la! 
pessoa a Celebração não val além de um rito vazio que não lhe ci 
nada. É mera exterioridade. Ela não descobre a beleza do Mistério 
porque não vê com os olhos da fé, nem experimenta a presença de 
Deus, porque está totalmente desligada, 
O mesmo rosto santo de Jesus foi visto diferentemente por Maria 
e por Judas, por Pedro (que chorou) e por Herodes (que fez gozação), 
por Gestas (que blasfemou) e por Dimas (que ganhou o paraiso). UM 
olhou com ódio e revolta, outro com amor e fé. Por isso os efeitos do 
olhar foram contrários e produziram reações diferentes. 
Santo Agostinho tala que no Calvário havia três condenados, um 
ao lado do outro, na mesma posição, os três crucificados, com uma 
diferença: um estava dando a Salvação, outro a estava recebendo, & 
o outro a estava perdendo, 
A PRESENÇA DO MISTÉRIO 
Assim acontece com as pessoas na Missa. Uns olharão para à 
hóstia com fé, outros sem fé. Para uns, aquele Pão é o Corpo do 
Senhor; para outros, é simplesmente um pedaço de pão comum. Uns 
sq 
 
RT 
aceitam o Mistério, outros só “acreditam” no que estão vendo com os 
olhos e apalpando com as mãos, como Tomé. Por isso, a Missa 
não 
diz nada para algumas pessoas. E tais pessoas saem da igreja dizen- 
do: “Acho a Missa uma colsa tão vazia, tão chocha' 
O fato é que estamos diante do Mistério de Deus. E o Mistério so é 
aceito por quem crê. À presença real de Jesus no Pão e no Vinho 
consagrados é o Mistério dos mistérios. O Presidente da Celebração 
oapresenta à Assembléia à manelra de um desafio à té: 'Eis o Mistério 
da fá!” 
Há um canto eucarístico muito bonito, que se intitula Deus de 
Amor, O qual diz assim: 
"No Calvário se escondia tua divindade, 
mas aqui também se esconde tua humanidade: 
creio em ambas e peço, como a bom ladrão, 
no teu reino, eternamente, tua salvação!” 
Essa é a verdade: na Cruz se via a divindade de Jesus, mas se via 
a sua humanidade. Na Eucaristia, porém, não se vê nem a divindade 
nem a humanidade do Senhor, mas apenas as aparências do pão e 
do vinho, que por milagre são o Corpo e o Sangue de Jesus. 
TESTE 
1. Que é preciso ter para participar da Missa? 
2. O que acontece a quem vai à Missa sem fé? 
3. Explique a comparação da natureza com a Missa. 
4. O que disse Santo Agostinho? 
5. Qual a diferença de Jesus na cruz e na Eucaristia? 
6. Você crê no Mistério da Eucaristia? 
LEITURA BÍBLICA: Mt 14, 22-36 
85 
28. CEIA EUCARÍSTICA: SUA ORIGEM 
Certo dia, Deus começou a formar um Povo e a fazer 
a História com seu Povo: é a História da Salvação Teve 
início com Abraão. Abraão morava em Ur, na Caldéia, e 
Deus o chamou para habitar uma terra desconhecida, 
chamada Canaã. Mais tarde, José, descendente de 
Abraão, foi para o Egito e lá o Faraó, que era o rei 
nomeou-o Primeiro Ministro do reino. 
Então José levou para o Egito seu pai Jacó e seus 
irmãos. No começo eram bem iratados. Mas, depois de 
muitos anos, os descendentes de Abraão passaram a ser 
escravos dos egípcios. Eram obrigados a cuidar de reba- 
nhos e a amassar o barro para fazer tijolos. Nessa altura, 
já somavam meio milhão de pessoas e ficaram conhecidos 
com o nome de Povo Hebreu, Povo de Israel, Povo Judeu 
ou Povo de Deus. 
Um dia, Deus leve pena de seu Povo e mandou 
Moisés tirá-lo da escravidão do Egito. O Faraó não quis 
deixar os hebreus sairem, pois, como escravos, traba- 
lhavam de graça. Fo! preciso Deus punir o Egito com dez 
castigos ou “pragas”. O último castigo foi a morte dos 
primogênitos dos egípcios. Morreu até o filho do Faraó 
Então o Faraó deixou Israel sair. 
 
A PÁSCOA DOS JUDEUS 
Na noite da partida, os judeus fizeram a Ceia Pascal. Páscoa quer 
dizer “passagem”. Aqui, é a passagem do Senhor como Libertador 
Na Ceia, eles comeram o cordeiro pascal. E, com o sangue do 
cordeiro, tingiram o batente da porta de suas casas. Nas casas onde 
não houvesse o sangue do cordeiro, quando passasse o “anjo exter- 
minador', morreria o primogênito, isto é, o filho mais velho. Foi assim 
que morreram todos os primogênitos dos egípcios. 
Essa famosa Ceia Pascal passou a ser celebrada todos os anos, 
no dia catorze do mês de Nizã. (Fim de março ou começo de abri. E 
26
na lua cheia da primeira semana da Primavera, no hemistério Norte). 
Isto em cumprimento de uma ordem que Deus havia dado, nodeseno 
do Sinai, no segundo ano da saída do Egito, no primeiro mês”. Assim 
falou o Senhor a Moisés: "Celebrem os filhos de Israel a Páscoa, no 
tempo determinado. No dia catorze deste mês, no crepúsculo 
(Cf. Nm 9, 1-5). 
E foi dentro dessa Ceia Pascal Hebraica que teve origem a Ceia 
Eucarística, celebrada por Jesus com os Apóstolos. Por isso, vamos 
ver resumidamente como era (e é até hoje) a Ceia Pascal dos judeus. 
E uma Ceia suculenta, muito mais que a nossa Ceia de Natal. Sua 
celebração atravessa a noite. Termina ao surgir a primeira estrela da 
manhã. Dela participa toda a família, incluindo as crianças. Não é uma 
Ceia feita simplesmente de comida e bebida. Nela, toda a História da 
Salvação é recordada e vivida, de pai para filho, 
ALGUM AITO DA CEIA HEBRAICA 
O judeu participa da Cela Pascal, não como quem recorda um 
passado que se foi, mas como quem celebra um acontecimento que 
se faz presente, Quem preside começa dizendo: "Hoje saberão que é 
o Senhor (Javé) quem vai passar. Ele val passar e nos libertar da 
escravidão e da morte”. Não se trata do deus estático e morto dos 
pagãos, mas do Deus vivo, que passa, arrasta e liberta com mao forte, 
dando um sentido novo à vida. E a passagem desse Deus libertador 
provoca no seu Povo uma grande alegria ou “exultação da vida”, como 
já dissemos. 
O judeu senta-se à mesa da Cela Pascal para fazer a sua história”, 
não apenas para recordá-la. Na Ceia, ele conta a seus filhos pequenos 
O que aconteceu, pois Deus lhe ordenou: "Contarás a teu filho tudo o 
que o Senhor fez por ti". Então as crianças perguntam: “Por que esta 
noite é tão diferente de todas as outras noites? Nas outras noites nós 
vamos para a cama cedo; nós não temos esta Cela..." E os pais 
explicam a seus filhos de maneira bem vivencial, colocando-se dentro 
da História da Salvação: "Porque fomos escravos no Egito. Se o 
Senhor não tivesse tirado nossos pais, nós, nossos filhos e os filhos 
de nossos filhos ainda seríamos escravos do Faraó”. 
O judeu não diz que Deus tirou daquela escravidão somente Os 
antigos. Não. O judeu de hoje estava lá também. Ele se coloca junto 
97
 
dos libertados daquela noite, pols,se não fizer assim, quer dizer que 
ainda continua escravo. E uma história viva, Inacabada, que passa 
pelos judeus de hoje e para seus filhos como coisa do presente e não 
de um passado que se foi. 
Um dos momentos bastante significativos da Ceia Hebraica é 3 
queima do pão velho. O chefe da família, que preside o riual da Ceia, 
percorre todas as partes da casa com uma vela acesa na mão, 
bendizendo a Deus e queimando todo resto de pão fermentado que 
encontrar. Ele diz: "Senhor, se houver alguma coisa escondida dentro 
de mim, que ainda não encontrei ou que eu ignore, faça-a desaparecer 
de meu interior". Porque comer do pão velho significa voltar a ter parie 
na escravidão do Egito. 
A CEIA EUCARÍSTICA 
Como bom judeu, Jesus mandou os discípulos prepararem a mesa 
para a Ceia Judaica, como ela é. Sobre à mesa mandou Pedro e João 
colocarem tudo o que os judeus põem: ervas amargas, que sim- 
bolizam o sofrimento na escravidão do Egito, pães ázimos, isto é, sem 
fermento; vaso com água; vinagre, sal, ovo cozido e quatro taças ou 
cálices com vinho. O terceiro era chamado “cálice da bênção”. Este 
é que Jesus mudou no seu sangue. E por isso que São Lucas 
menciona mais de um cálice (Cf. Lc 22, 17-20). 
A Eucaristia deve ser celebrada com alegria. Mais que a Ceia 
Hebraica, ela tem o sentido de “ação de graças”, de exultação plena 
da vida diante do infinito amor que Jesus manifesta por nós. A Páscoa dos judeus é o "memorial" da saída do Egito, celebrada como a maior 
festa de Israel. A Eucaristia é o “memorial” de Cristo Ressuscitado, 
libertador do pecado e da morte. Tanto é que, na Ceia, o Senhor disse 
aos Apóstolos: "Fazei isto em memória de mim” (Cf. Lc 22,19). E esta 
“memória” não é só a recordação da Cela, mas da vida, da mensagem, 
da morte e da Ressurreição do Senhor, É o testamento global de seu 
amor por nós. 
A Eucaristia não é simplesmente uma das coisas que Jesus fez por 
nós: é a grande surpresa que Ele nos preparou durante toda a sua 
vida. Bem antes, já havia prometido que haveria de nos dar um “pão 
vivo descido do céu" e que esse pão seria a sua carne “para a nossa 
98 
 
 
 
 
 
salvação” (Cf. Jo 6,35-69). E, quando se aproximava a hora de 
realizar 
a sua promessa, Ele mandou Pedro e João prepararem a sala,
 no 
“andar superior, para a Cela, dizendo-lhes: "Eu desejei ardentemente 
comer esta Páscoa convosco” (Lc 22,15). 
Como se vê, a Ceia Pascal já existia antes de Cristo, Jesus lhe deu 
um novo sentido, introduzindo nela a 'novidade' do seu Corpo e do 
seu Sangue. A Ceia Pascal Hebralca deu lugar à Ceia Eucarística. Os 
evangelistas não contam como era a Ceia Hebraica porque era 
demais conhecida no seu tempo. Eles apenas escrevem o que foi 
acrescentado por Jesus, isto é, a novidade do Corpo e do Sangue do 
senhor. 
Outra coisa: assim como a Páscoa dos judeus unia passado, 
presente e futuro, também a Eucaristia tem essas três dimensões. Pois 
recorda o que Jesus fez e o torna presente sobre o altar, enquanto 
esperamos a sua vinda”. 
Lembramos que "Eucaristia' não é sóo Pao e o Vinho consagrados, 
mas toda a Celebração ou Missa. 
TESTE 
1. Como e com quem começou a História da Salvação? 
2. O que faziam os hebreus no Egito? 
3. Quem levou e quem tirou Israel do Egito? 
4. Que quer dizer Páscoa”? E Eucaristia? 
5. Como Jesus introduziu na Ceia a Eucaristia? 
6. Quais os nomes do Povo de Deus? 
7. À Missa tem, para você, um sentido de alegria? 
LEITURA BÍBLICA: Le 22,1-20 
99
 
29. EUCARISTIA: DOS APÓSTOLOS ATÉ NÓS 
Sdo Justino escreveu coisas interessantes sobrea 
Eucaristia celebrada na igreja Primitiva. Seu testemunho é 
importante, porque ele nasceu na Samaria, de pais gre gos, 
escreveu em Roma, viveu antes do ano 150 e conheceu 
todos os lugares por onde se espalhou a Igreja Primitiva 
São Justino não escreveu minúcias da Celebração 
mas só o essencial, porque sua intenção era dizer ao 
imperador romano como os cristãos laziam a sua 
“reunião”, pois eram acusados de fazer uma reunião 
“estranha”. 
O QUE SÃO JUSTINO ESCREVEU 
Na Igreja Primitiva, a Eucaristia não tinha a roupagem ritual de hoje 
Era bem simples, mas cheia de vida. Ao celebrá-la, os cristãos faziam 
a experiência profunda de Cristo Ressuscitado. Era como pôr os pés 
na porta da eternidade e contemplar o Mistério. 
Nos escritos de São Justino aparecem as seis partes principais da 
Celebração Eucarística: a Assembléia celebrativa, a Proclamação da 
Palavra de Deus, a Homilia, a Oração dos Fiéis, o Beijo da Paz, a 
Anáfora ou Oração Eucarística. Vejamos como ele escreve: 
1. Assembléia: São Justino escreveu: “No dia que se chama do sol, 
celebra-se uma reunião de todos os que habitam nas cidades e nas 
roças". Al aparece uma “reunião” celebrada no “dia do sol, que é o 
domingo. Trata-se de uma Assembléia celebrativa. 
2. Palavra de Deus: Ele diz que os cristãos "proclamam os escritos 
dos profetas ou as lembranças dos Apóstolos". Temos aí a Palavra de 
Deus, que não era simplesmente lida, mas proclamada com fé Era a 
História da Salvação, vivida e testemunhada com fatos. 
3. Homilia: São Justino diz: “Terminada a Leitura, o presidente faz 
a exortação”. É a Homilia, onde se colocava a “experiência” da Palavra 
de Deus, sem moralismos, Sempre foi feita pelo Presidente. 
4. Oração dos Fiéis: São Justino escreveu: "Depois nos levantamos 
e elevamos todos juntos as nossas orações”. Chama-se “Oração dos 
100 
 
 
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a
 
 
Fiéis: porque era feita pelos batizados, não pelos catecumenos. Era 
uma Assembléia que intercedia por toda a comunidade. 
5. Beijo da Paz: Diz São Justino: “Terminada à oração, raras 
uns aos outros o beijo da paz'. Para eles tinha muito sentido, pois 
lormavam uma comunidade de irmãos. E a saudação biblica 
men- 
cionada nas Cartas de São Paulo. É a hora certa é realmente apos a 
Oração, e não antes da Comunhão, como fazemos. 
6. Anáfora: São Justino escreveu; “Em seguida, como já dissemos, 
toma-se o pão e o vinho, e o presidente, com todas as suas forças, 
faz igualmente subir a Deus a ação de graças. É todo o povo aclama 
dizendo Amém". É a Anáfora ou Oração Eucarística. Na Igreja 
Primitiva, O Presidente, inspirado por Deus, “criava' a Oração na hora. 
Depols foi feito o “"cânon' ou fórmula fixa, para evitar abusos de 
improvisações. De fato, a Oração Eucarística é uma exultante ação 
de graças, seguida da Comunhão. 
DO SÉCULO TERCEIRO AO VATICANO II 
Com a conversão do imperador Constantino, no ano 314, a Igreja, 
que era perseguida, passou a ser protegida. O povo, em massa, 
começou a pertencer à Igreja, sem ter sido devidamente catequizado. 
Foram construídas as grandes basílicas. A Eucaristia perdeu aquela 
sua pureza e simplicidade para se tornar uma Liturgia solene com 
muita pompa social. 
Eis as coisas que foram introduzidas na Celebração e que en- 
cobriram o genuíno sentido Pascal da Eucaristia: 
1. À Procissão de Entrada com cantos, pois muitas vezes o im- 
perador entrava solenemente para a Celebração. 
2. À Procissão das Oferendas, levando coisas a Deus. Não é que 
seja uma coisa má oferecer dons a Deus, mas, como muitos pagãos 
convertidos entravam para a Igreja sem a devida catequese, eles 
acabavam fazendo no Ofertório da Missa aquele sentido do culto 
pagão, que oferecia coisas a Deus para aplacar a ira divina. 
3. À Missa em latim trouxe outro problema. Não sendo uma língua 
conhecida por todos, muita gente não entendia nada da Celebração. 
AÍ surgiu a pintura nos templos. Eram quadros que representavam à 
101
vida e os milagres de Jesus, para que vissem com os olhos o que não 
entendiam com os ouvidos. Passou-se da “escuta” da Palavra pata a 
imaginação de cada um. 
4. As orações particulares: foram colocadas orações no início da 
Missa, ao pé do altar, e no final da Celebração, além das devoções 
individuais. como o terço, as novenas e leituras piedosas. Com isso 
o sentido Pascal da Eucaristia diminuiu, e cresceu o sentido sacrifical 
nem semprebem entendido, 
5. Os altares laterais, sobre os quais cada sacerdote rezava 
separadamente a sua Missa, fizeram desaparecer mais ainda o sen- 
tido da Assembléia na Eucaristia. O coroinha passou a fazer a vez da 
Assembléia. 
6. Em 1415, o Concllio de Constança definiu que a Comunhão 
eucarística fosse dada somente sob a espécie do pão e não do vinho, 
o que velo empobrecer o sentido dos "sinals" sacramentais. 
7. Finalmente, o Conclio de Trento, realizado em 1542, quis dar 
uma resposta aos problemas de seu tempo, considerando mais a 
“validade” dos Sacramentos do que o sentido dos “sinais' sacramen- 
tais, muito importantes para a Igreja Primitiva. Com isso, a Eucaristia 
perdeu bastante de sua vitalidade. Aquele sentido original de 
“experiência de Cristo Ressuscitado" deu lugar a um rito muitas vezes 
frio e formalístico, com mais sabor de sacrifício do que de exultante 
Ação de Graças. 
Não queremos desprezar as Missas daquele tempo, nem dizer que 
aquele povo não era pledoso. Cada época tem suas virtudes e suas 
falhas. Nós também temos as nossas. Estamos apenas olhando 
historicamente e vendo como a poeira do tempo apagou aquele brilho 
original da Eucaristia, a fim de resgatarmos o que foi perdido. 
RENOVAÇÃO DA LITURGIA 
A reforma litúrgica começou com Plo XIl, em 1955. Ele recuperou 
o sentido forte de Noite Pascal, mudando da manhã para a noite a 
solene Vigília pascal. Depois, o Concílio Vaticano Il (1962-1965) lez 
estas reformas: 
102 
 
 
 
1. Tirou as coisas secundárias, introduzidas no decorrer dos 
séculos. como as orações ao pé do altar, o último Evangelho e as 
Ave-Marias no final da Missa. 
2. Recuperou a participação da Assembléia, fazendo a Missa na 
lingua de cada país, como padre de frente para a comunidade, tirando 
os altares laterais, valorizando o altar central e as Missas con 
celebradas. 
3. Resgatou alguns sinals, como a Comunhão sob as duas espécies 
em circunstâncias especiais. (Nas comunidades Neocatecumenais, 
todos comungam o Pão e o Vinho). 
4. Deu mais importância à Celebração Eucarística do que à Bênção 
com o Santíssimo e orações diante do sacrário. 
5. Igualmente insistiu na Comunhão dentro da Missa, deixando a 
comunhão fora da Missa para os doentes. 
6. Resgatou o Abraço da Paz, embora não tenha ainda alcançado 
o sentido original, porque os participantes da Missa não formam 
verdadeira comunidade. 
7. Introduziu a Oração dos Fiéis e procurou tirar da Missa as 
devoções e orações paralelas, como o terço, as novenas e leituras 
piedosas. 
TESTE 
1, Quais os seis pontos da Missa citados por Justino? 
2. Por que se chama “Oração dos Fiéis"? 
3. O que aconteceu com a conversão de Constantino? 
4. Quais as alterações do século 3º até o Vaticano II? 
5. Com quem e quando começou a reforma litúrgica? 
6. Diga alguns pontos da renovação litúrgica? 
7. Hoje a Missa tem sentido para você? Por quê? 
LEITURA BÍBLICA: 1 Cor 11,17-34 
103
 
30. ORAÇÕES PELA IGREJA 
Quando colocamos água nas forminhas de gelo para 
congelar, vemos que existe uma intercomunicação entre 
aqueles quadradinhos da forma. A água passa de uma 
forminha para a outra e fica distribuída igualmente por 
todos os quadradinhos da peça. As forminhas não são 
estanques ou fechadas. São “vasos comunicantes”. 
Coisa semelhante acontece com a circulação do 
sangue em nosso corpo, Uma veia se liga às outras e a 
todos Os vasos sangúineos. Se tirarmos uma Totogralia' 
da corrente sangúinea, vamos ver que é como uma árvore 
com milhares de raminhos. O sangue percorre todo o 
corpo. Há uma perleita intercomunicação. Se faltar sangue 
em alguma parte do organismo, essa parte fica doente. Às 
vezes é até preciso amputar um dedo ou um pé. 
ASSIM É NA IGREJA 
A Igreja é comparada a um corpo: o “corpo místico de Cristo”. Nela 
circula, não o sangue físico, mas a vida da graça. E o que chamamos 
de Comunhão dos Santos, conforme dizemos em nossa Profissão de 
Fé: “Creio na santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos... 
A própria Bíblia Sagrada fala que a Igreja é o Corpo de Cristo: Com 
efeito, o corpo é um e, apesar de ser um, tem muitos membros. Mas 
todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só 
corpo. Assim também acontece com Cristo. Polis fomos batizados 
todos num só Espírito para ser um só corpo: judeus e gregos, 
escravos e livres, todos recebemos um só espírito” (1 Cor 12, 12-13) 
"Ora, vós sois o corpo de Cristo, e sols os seus membros, cada um 
por sua pane” (1 Cor 12,27). 
A Igreja está espalhada por toda a terra e além dos limites 
geográficos: está na terra, como Igreja peregrina e militante; está no 
purgatório, como Igreja padecente; e está no céu, como Igreja 
104 
 
 
 
 
gloriosa e triunfante. Entre todos os membros dessa Igreja, que está 
no céu e na terra, existe a intercomunicação da graça ou Comunhão 
dos Santos. Uns oram pelos outros, pois somos todos irmaos, 
membros da grande Familia de Deus. 
PELO PAPA E PELOS BISPOS 
A primeira oração é pelo Papa e pelo Bispo Diocesano porque eles 
têm maior responsabilidade na Igreja. São os pastores do rebanho. 
Sua missão é ensinar, santificar e governar o Povo de Deus. Por isso 
a comunidade precisa orar muito por eles. Quando São Pedro estava 
preso no cárcere, por ordem de Herodes, “a Igreja pedia a Deus por 
ele sem cessar” (Cf. At 12,5). 
A oração foi ouvida por Deus, pols Pedro foi posto em liberdade, 
milagrosamente, por um anjo. O próprio Cristo orou por Pedro, para 
que não caísse na tentação. Disse Jesus: “Simão, Simão, eis que 
Satanás te procurou para te peneirar como trigo. Mas eu roguei por 
4, a fim de que a tua fé não vacile, e tu, uma vez convertido, confirme 
os teus irmãos“ (Lc 22, 31-32). Mas não é só pelo Papa e pelo Bispo 
Diocesano que devemos rezar. Precisamos orar também por todos 
os evangelizadores e evangelizados, pela conversão dos pagãos e 
pela perseverança dos cristãos. Jesus pediu ao Pai pelos Apóstolos 
e por todos os que iriam ouvir a sua pregação, pelos fiéis e pela 
unidade de todos os que formam a sua Igreja. Assim orou Jesus: 
“Pai, não peço que os tires cio mundo, 
mas que os livres do Maligno. 
Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. 
Consagra-os na verdade, 
a tua Palavra é a verdade. 
Não rogo somente por eles, 
mas por todos aqueles que, por meio de sua palavra, 
hão de crer em mim, 
a fim de que todos sejam um. 
Como tu, Pal, estás em mim e eu em Ti, 
que eles estejam em nós, 
para que o mundo creia que tu me enviaste” 
(Jo 17, 15-17.20-21). 
105
 
PELOS FALECIDOS 
Rezar pelos mortos é um ato de caridade. Os mortos de hoje foram 
os vivos de ontem, e os vivos de hoje serão os morios de amanhã E 
todos juntos somos uma só Família. Encontramos na Bíblia um elogia 
a Judas Macabeu por ter feito uma coleta e mandado oferecer um 
“sacrifício explatório pelos que haviam morrido, a lim de que lossem 
absolvidos do seu pecado” (2 Mc 12, 45-46). É claro que O mais 
importante é a própria vida da pessoa falecida, aquilo que ela foi e 
que ela fez em vida. É Isso que val pesar da "balança" dlante de Deus. 
Mas a Igreja & mais para interceder do que para julgar. Por isso nós 
rezamos na Missa pelos falecidos. 
POR NÓS E PELOS SANTOS 
Finalmente pedimos por nós mesmos como “povo santo e 
pecador”, a fim de que um dia estejamos reunidos com a Virgem 
Maria, os Apóstolos e todos os bem-aventurados no céu, para com 
eles louvarmos e bendizermos a Deus. Nossa oração termina “por 
Jesus Cristo nosso Senhor”, porque Ele mesmo disse; “Em verdade, 
em verdade, vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pal em meu nome, 
ele vos dará. Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e 
recebereis" (Cf. Jo 16, 23-24). 
TESTE 
1. Que é Comunhão dos Santos? A que a comparamos? 
2. Quais são as 'três Igrejas"? 
3. Quando a Igreja rezou por Pedro? 
4. Que oração fez Jesus pelos Apóstolos e por nós? 
5. A Bíblia fala da oração pelos mortos? Onde? 
6. Que mais pesará na balançaem nosso julgamento? 
7. Por que nossa oração termina “por Jesus Cristo"? 
B. Você reza pelos falecidos? 
LEITURA BÍBLICA: 1 Cor 12, 4:27 
106 
31. POR CRISTO, COM CRISTO... 
Certa vez foi raptado o filho de um homem muito rico 
Era um menino que o pai amava imensamente. Para aquele 
pai, não tinha mais sentido a sua vida. Estava tudo 
acadabo. Só havia um jeito de restituir-lhe a felicidade: a 
volta de seu filho para casa. 
Os sequestradores conheciam bem a siluação da- 
quela família: a Imensa riqueza que o pai possuía e O 
grande amor pelo filho. Então mandaram um recado 
sigiloso ao pai do menino: "Dê-nos a quantia de duzentos 
mil dólares e nós devolveremos o menino. Se não os der 
dentro de 24 horas, o menino será morto”. 
Nem precisaria dizer nada. O pai se virou e arrumou 
os duzentos mil dólares rapidamente. E o menino foi res- 
gatado com vida. 
JESUS É O NOSSO REDENTOR 
A palavra "Redentor" vem do verbo redimir, que quer dizer “res- 
gatar* ou adquirir de novo aquilo que já era seu e que estava perdido. 
Redentor, portanto, é aquele que paga o preço do resgate e readquire 
o que estava perdido. Na estorinha que contamos, o preço do resgate 
era duzentos mil dólares; na nossa redenção, o preço do resgate toi 
o sangue redentor de Jesus. Assim nos fala São Paulo: "Sabeis que 
não foi com coisas perecíveis, isto é, com prata ou com ouro, que 
fostes resgatados da vida fulil que herdastes de vossos pais, mas pelo 
sangue precioso de Cristo, o cordeiro Imaculado" (1Pe 1, 18-19). 
Jesus é o nosso Mediador. Ele mesmo nos disse: "Eu sou o 
Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém val ao Pai a não ser por meio 
de mim” (Jo 14,6). No Livro do Apocalipse, Ele diz: "Eu sou o Alfae o 
Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim" (Ap 22,13). O alta 
e o Ômega são, respectivamente, a primeira e a última letras do 
alfabeto grego. Com isso, Jesus quer dizer que nele está a vida e, fora 
dele, tudo perece. 
O Apóstolo São Pedro não só fala que Jesus é o nosso Salvador, 
mas que é o único capaz de nos salvar. Dirigindo-se aos Judeus, ele 
107
diz: "E Ele (Jesus) a pedra que vós, os construtores, rejeitastes e que 
se tornou a pedra principal. Pois não há sob o céu outro nome dado 
aos homens pelo qual devamos ser salvos" (At 4,11-12). Aliás, 
queremos lembrar que a própria palavra "Jesus" quer dizer “Deus 
salva”. 
São Paulo fala de maneira clara sobre essa mediação de Jesus 
entre nós e o Pal, Diz que pelo pecado de um só homem entrou no 
mundo a morte, mas por meio de um só homem, Cristo, entrou a 
Graça e, pela Graça, a Vida. Por um homem veio a escravidão, e por 
um homem veio a liberdade. Por Isso, aqueles que com Cristo morrem 
para o pecado, com Cristo ressuscitarão para a Vida. Assim como 
pela desobediência de um só veio o pecado para todos, assim 
também, pela obediência de um só, Cristo, veio a santidade para 
todos (Cf. Rm 5, 17-19). 
ELE DÁ SUA VIDA POR NÓS 
Em nossa salvação Jesus não age como um Mediador distante. 
Não é um advogado, que faz a defesa juridicamente, sem entrar com 
sua vida em favor do réu, Jesus age pessoalmente. Ele intercede, com 
sua vida, morrendo por nós. Como vimos, Ele não apenas indica O 
caminho nem só diz a verdade nem só fala da Vida. Ele diz “EU SOU 
o Caminho, a Verdade e a Vida". Diz: “EU SOU a porta. Se alguém 
entrar por mim será salvo” (Jo 10,9). Fala também “EU-SOU a 
ressurreição e a vida. Quem crê em MIM, ainda que morra, viverá” 
(Jo11, 25). Ele não apenas promete salvação: Ele "é" a Salavação. 
E este resgate Jesus o faz obrigado por uma lei externa. Ele dá a 
vida por nós de modo consciente e livre, como gratuidade do seu 
amor. Jesus fala: "Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá sua vida por 
suas ovelhas" (João 10,11). “Minha vida ninguém a tira de mim: eu à 
dou livremente” (Jo 10,1Ba). 
Alguém fez uma observação Interessante. Disse: “É costume mor- 
rer um escravo para resgatar o filho do rel. Na obra da Redenção. 
porém, o Filho do rel ofereceu sua vida para resgatar os escravos. 
De fato, o Rel, aqui, é Deus, e Os escravos somos nós. O Filho do Rei 
é Jesus. O raptor é o Maligno, que nos enganou e nos levou à 
abandonar a casa do Pal. 
108
 
E Jesus não é nosso Mediador somente na cruz, mas em todo O 
nosso relacionamento com Deus. Sem Ele, simplesmente não existe 
salvação, como lemos em Atos 4,12: “Não há sob o céu outro nome 
dado aos homens pelo qual devemos ser salvos”. É por meio de Jesus 
que damos graças e louvores ao Pai. Ele é nosso Pontífice, isto ê a 
nossa “ponte” entre o céu e a terra, como Ele mesmo disse: * Eu sou 
o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por 
mim” (Jo 14,6), Por isso encerramos a grande Oração Eucarística ou 
Análora, proclamando solenemente: “Por Cristo, com Cristo e em 
Cristo...” 
Esse ato de louvor é dito de pé, sendo que o Presidente da 
Celebração levanta a Hóstia e o cálice. E um louvor solene, 
proclamado pelo Presidente. A participação da Assembléia estã no 
“Amém!", que pode ser cantado. O Missal Romano mudou um pouco 
a ordem das palavras. Agora é assim: 
Presidente: Por Cristo, com Cristo e em Cristo, 
a vós, Deus Pai todo-poderoso, 
na unidade do Espírito Santo, 
toda honra e toda a glória, 
agora e para sempre! 
Assembléia: Amém! 
TESTE 
1. Que significa "Redenção? 
2. Qual foi o preço de nosso resgate? 
3. O que Jesus nos disse como nosso Salvador? 
4. Que disse São Paulo sobre nossa Salvação? 
5. De que modo Jesus nos salva? 
6. Que quer dizer: Jesus é o nosso "Pontiice'? 
7. Você coloca sua vida nas mãos de Jesus? 
LEITURA BÍBLICA: FI 2, 1-18 
 
diz: “É Ele (Jesus) a pedra que vós, os construtores, rejeitastes e que 
se tornou a pedra principal. Pols não há sob o céu outro nome dado 
aos homens pelo qual devamos ser salvos" (At 4,11-12). Aliás, 
queremos lembrar que a própria palavra "Jesus" quer dizer "Deus 
salva”. 
São Paulo fala de maneira clara sobre essa mediação de Jesus 
entre nós e o Pai. Diz que pelo pecado de um só homem entrou no 
mundo a morte, mas por meio de um só homem, Cristo, entrou a 
Graça e, pela Graça, a Vida, Por um homem veio a escravidão, e por 
um homem veio a liberdade. Por isso, aqueles que com Cristo morrem 
para o pecado, com Cristo ressuscitarão para a Vida. Assim como 
pela desobediência de um só veio o pecado para todos, assim 
também, pela obediência de um só, Cristo, veio a santidade para 
todos (Cf. Rm 5, 17-19). 
ELE DÁ SUA VIDA POR NÓS 
Em nossa salvação Jesus não age conio um Mediador distante, 
Não é um advogado, que faz a defesa juridicamente, sem entrar com 
sua vida em favor do réu. Jesus age pessoalmente. Ele intercede, com 
sua vida, morrendo por nós. Como vimos, Ele não apenas indica o 
caminho nem só diz a verdade nem só fala da Vida. Ele diz "EU SOU 
o Caminho, a Verdade e a Vida". Diz: “EU SOU a porta. Se alguém 
entrar por mim será salvo" (Jo 10,9). Fala também "EU .SOU a 
ressurreição e a vida. Quem crê em MIM, ainda que morra, viverá" 
(Jo11, 25). Ele não apenas promete salvação: Ele "é" a Salavação. 
E este resgate Jesus o faz obrigado por uma lei externa. Ele dá a 
vida por nós de modo consciente e livre, como gratuidade do seu 
amor. Jesus fala: "Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá sua vida por 
suas ovelhas" (João 10,11). "Minha vida ninguém a tira de mim: eu a 
dou livremente" (Jo 10,18a). 
Alguém fez uma observação interessante. Disse: "É costume mor- 
rer um escravo para resgatar o filho do rel, Na obra da Redenção, 
porém, o Filho do rei ofereceu sua vida para resgatar os escravos”. 
De fato, o Rei, aqui, é Deus, e os escravos somos nós. O Filho do Rei 
é Jesus. O raptor é o Maligno, que nos enganou e nos levou à 
abandonar a casa do Pal, 
108
 
 
 
E Jesus não é nosso Mediador somente na cruz, mas em todo | 
nosso relacionamento com Deus. Sem Ele, simplesmente nao existe 
salvação, como lemos em Atos 4,12: “Não há sob o ceu outro nome 
dado aos homens pelo qual devemos sersalvos”. E pormelo de Jesus 
que damos graças e louvores ao Pal. Ele é nosso Pontífice, isto é a 
nossa “ponte” entre o céu e a terra, como Ele mesmo disse. " Eu sou 
o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por 
mim” (Jo 14,6). Por isso encerramos a grande Oração Eucarística ou 
Anáfora, proclamando solenemente: “Por Cristo, com Unsto e em 
Cristo...” 
Esse ato de louvor é dito de pé, sendo que o Presidente da 
Celebração levanta a Hóstia e o cálice. E um louvor solene, 
proclamado pelo Presidente. A participação da Assembléia está no 
“Amém!", que pode ser cantado. O Missal Romano mudou um pouco 
a ordem das palavras. Agora é assim: 
Presidente: Por Cristo, com Cristo e em Cristo, 
a vós, Deus Pai todo-poderoso, 
na unidade do Espírito Santo, 
toda honra e toda a glória, 
agora e para sempre! 
Assembléia: Amém! 
TESTE 
1. Que significa “Redenção? 
2. Qual foi o preço de nosso resgate? 
3. O que Jesus nos disse como nosso Salvador? 
4. Que disse São Paulo sobre nossa Salvação”? 
5. De que modo Jesus nos salva? 
6. Que quer dizer. Jesus é o nosso "Pontilice? 
7. Você coloca sua vida nas mãos de Jesus? 
LEITURA BÍBLICA: FI 2, 1-18 
109
 
 
32. PAI-NOSSO 
No tempo de Jesus, o mestre não comunicava apenas 
ensinamentos teóricos, mas um modo de viver. Até entre 
Os pagãos era assim. Platão, Aristóteles, Epicuro, 
Diógenes... todos eles tinham sua escola e seus 
discípulos. 
Mais ainda se entramos no campo da religião. O 
discípulo era aquele que ouvia e procurava seguir o sis- 
tema de vida do seu mestre. Sobretudo quanto a Jesus 
Cristo: o díscipulo era um aprendiz prático, que devia ir 
seguindo o Mestre, passo a passo. 
A Simão e André, que pescavam no Mar da Galiléia, 
o Senhor disse: "Vinde após mim, e eu vos farei pes- 
cadores de homens! Eles deixaram as redes 
imediatamente e seguiram Jesus (Mc 1, 16-15). Esse 
seguimento era necessário até nas coisas mais difíceis. 
Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quer ser meu 
discípulo, renuncie-se a si mesmo, pegue sua cruz e 
siga-me" (Mt 16, 24). 
PREPARAÇÃO PARA A COMUNHÃO 
Estamos falando do relacionamento do discipulo com o mestre 
para podermos entender melhor o sentido do "Pai-Nosso'. O Pal 
Nosso não é uma simples fórmula de oração nem um ensinamento 
teórico de doutrina. Antes de ser ensinado por Jesus, o Pai-Nosso loi 
vivido plenamente pelo mesmo Cristo. Portanto, deve ser vivido 
também pelos seus discípulos. 
Com o Pai-Nosso começa a preparação para a Comunhão 
Eucarística. Essa belíssima oração é a síntese do Evangelho. Para 
rezarmos bem o Pal-Nosso, precisamos entrar no pensamento de 
Jesus e na vontade do Pal. E uma coisa bem clara no Pal-Nosso é que 
ele é uma oração de sentido comunitário e não individualista. Mesmo 
quando rezo sozinho, estou Incluindo nessa oração todos os meus 
irmãos. Pols eu digo Pal "Nosso" e não Pal “meu”, venha “a nós' o 
tio 
 
 
 
vosso Reino e não venha “a mim”: Digo o pão “nosso”, não o pão 
“meu”. É Impossível alguém rezar o Pai-Nosso somente para si. 
Portanto, para eu comungar o Corpo do Senhor na Eucaristia, 
preciso estar em “comunhão” com meus Irmãos, que são os membros 
do Corpo Místico de Cristo. No Pai-Nosso, Jesus nos ensinou a pedir: 
“Yenha a nós o vosso Reino". Pois bem, o Reino de Deus é um Reino 
de amor e de paz, de justiça e de perdão. Devemos afastar O egoismo 
com todas as suas formas de manifestação: o orgulho, a vaidade, a 
falsidade, a mentira, o ciúme, a discórdia, o Ódio, a vingança. 
"DÍVIDAS" E OFENSAS 
O perdão das ofensas é o “coração” do Evangelho. Sem a prática 
da misericórdia, ninguém entra no céu: “Bem-aventurados os 
misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mt 5,7). Quem reza 
o Pai-Nosso e não perdoa as ofensas recebidas, estã pedindo a 
própria condenação, pois ele diz a Deus: 'Perdoai-nos as nossas 
ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. 
Depois de nos ensinar o Pal-Nosso, Jesus acrescentou: Pois, se 
perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste 
vos perdoará. Mas, se não perdoardes aos homens, também o vosso 
Pai não vos perdoara as vossas olensas' (ML 6, 14-15). Como se vê, 
o perdão das ofensas é condição para ser perdoado e alcançar a 
salvação. 
O evangelista escreveu com outras palavras: "Perdoai-nos as nos- 
sas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores". E 
como nós rezávamos anos atrás. Às palavras são diferentes, mas O 
sentido é o mesmo. Na linguagem bíblica, todo pecado é uma “dívida” 
contraída diante de Deus. Portanto, ficamos “devendo” quando 
pecamos. Quando alguém passa por nós e pisa em nosso pé, esse 
alguém nos ofendeu e, portanto, ficou "devendo". Por isso ele volta e 
pede desculpas. Assim ele repara a ofensa ou paga a dívida. 
EUCARISTIA: SACRAMENTO DA UNIDADE 
Em nossas casas, a hora da refeição é sagrada. Para comer, 
lavamos as mãos e fazemos uma oração. É uma hora, não só de 
1
 
encher o estômago, mas de reunir a família e partilhar a vida. Se 
alguém bate à porta nessa hora, é só lhe dizer: “Eles estão 
almoçando”, e a visita volta mais tarde. A maior tristeza para os pais 
é verem os filhos brigando nessa hora, comendo como gato e cachor- 
ro, ou cada um no seu cantinho. 
De maneira semelhante é a hora da Comunhão na Missa. Como 
poderá cada um tomar a sua Hóstia e sair para o seu cantinho, 
alimentando ciúme, inveja, mágoa, revolta e inimizade? Será que 
existe um Deus para cada um. Não seria isto destruir o sentido da 
Eucaristia, que é o "Pão da unidade fraterna”? Como poderá ser o 
“alimento para a vida eterna"? Pois “nós passamos da morte para a 
vida porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte 
Todo aquele que odela seu irmão é homicida, e sabeis que nenhum 
homicida possui dentro de sia vida eterna” (1 Jo 3, 14-15). 
O Pai-Nosso é recitado de pé, com as mãos erguidas, na posição 
de orante. Pode ser recitado ou cantado, mas sem alterar sua fórmula. 
Conforme o costume, pode-se também rezá-lo dando-se as mãos. 
TESTE 
1. Como o discípulo se relaciona com o Mestre? 
2. Que contém o Pal-Nosso? 
3. Qual o sentido do Pai-Nosso na Missa”? 
4. "Dívidas" e ofensas são a mesma colsa? Explique. 
5. O que faz quem reza o Pai-Nosso com ódio? 
6. Podemos alterar a fórmula do Pai-Nosso? Por quê”? 
7. Quando você reza o Pal-Nosso, pensa nas palavras? 
LEITURA BÍBLICA: Mt 6, 1-15 
112 
 
 
 
33. SAUDAÇÃO E FRAÇÃO DO PÃO 
Certo rei tinha muita riqueza, mas não era feliz. Um 
dia reuniu os sábios do reino para que lhe dissessem onde 
poderia encontrar a felicidade. Uns sugeriram que 
viajasse para o exterior. Outros, que fizesse uma cami- 
nhada pelos bosques. Outros ainda, que fizesse festas no 
palácio. 
O rei fez tudo isso. E continuava triste. Aí o jardineiro 
lhe disse: 
- Majestade, só uma pessoa feliz poderá dizer-lhe o 
segredo da felicidade. Descubra um homem feliz e peça- 
lhe a camisa, pois a camisa fica sobre o coração e poderá 
revelar-lhe o segredo da felicidade. 
Imediatamente O rei enviou seus servos à procura de 
uma pessoa feliz. Depois de percorrerem longas estradas, 
ouviram um homem cantarolando à beira do caminho. Era 
um lenhador descalço e sem camisa. Perguniaram-ihe: 
- O senhor é feliz? 
- Sou, e muito! - respondeu o velhinho. 
- É o senhor tem uma camisa para vender? 
- Não. Nunca tive camisa - respondeu ele. 
Os servos do rei lhe disseram: 
- Então nos diga: o que é que o senhor tem que o faz 
tão feliz? 
- Eu tenho a paz - respondeu o lenhador. 
A PAZ, O MAIOR BEM 
A paz é um dom de Deus. É o maior bem que há sobre a terra. Vale 
mais que todas as receitas, todos os remédios e todo o dinheiro do 
mundo. A paz foi o que Jesus deu aos Apóstolos como presente de 
sua Ressurreição. Logo que ressuscitou dos mortos, o Senhor foi ao 
encontro deles e lhes disse: "A paz esteja convosco!" E Jesus falou 
que a paz é um dom precioso que só Deus pode dar. Assim disse Ele 
aos Apóstolos: "Deixo-vosa paz. Dou-vos a minha paz. Não a dou 
como o mundo a dá” (Jo 14,27). 
3
 
| 
Depois do Pai-Nosso, o Presidente reza uma oração, pedindo a 
Deus que nos livre de todos os males. Porque só quando estamos 
libertos do mal é que podemos experimentar a paz e dara pa? Assim 
como só Deus pode dar a verdadeira paz, também só quem está em 
comunhão com Deus é que pode comunicar a seus Irmãos a paz. 
Antes da saudação, o Presidente recorda as palavras de Jesus 
fazendo este diálogo com a Assembléia: 
Presidente: Senhor Jesus Cristo, 
dissestes aos vossos Apóstolos: 
Eu vos deixo a paz, 
eu vos dou a minha paz. 
Não olheis Os nossos pecados, 
mas a fé que anima a vossa Igreja; 
dai-lhe, segundo o vosso desejo, 
a paz e a unidade. 
Vós, que sois Deus, com o Pai 
e o Espírito Santo. 
Assembléia: Amém! 
Presidente: À paz do Senhor esteja sempre convosco! 
Assembléia: O amor de Cristo nos uniu. 
Aí o Presidente convida a Assembléia para que se saúdem uns aos 
outros no amor de Cristo. 
FRAÇÃO DO PÃO 
Terminada a saudação, o celebrante parte a hóstia grande e coloca 
um pedacinho da mesma dentro do cálice com vinho consagrado. 
Esse ato de partir o pão chama-se “Fração do Pão”. Vem do latim, do 
verbo “Trangere", que quer dizer "quebrar, Na Igreja primitiva, esse 
gesto era uma necessidade. Os cristãos lraziam de suas casas o pão 
para ser consagrado. Pão grande, que na hora da comunhão era 
partido em pedaços, num belíssimo sinal de I[raternidade, como se 
parte o pão em nossas casas para todos os irmãos. São Paulo dizia: 
"E o pão que partimos não é a comunhão do corpo do Senhor? Assim 
114 
 
 
como há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só 
corpo, porque todos nós comungamos do mesmo pão” 
(1Cor 10, 16-17). 
Hoje, não temos mais a necessidade de quebrar o pão em pedaços, 
na hora da comunhão, porque usamos as hóstias, feitas já em tama- 
nho pequeno, para cada pessoa. Mas, mesmo assim, o Presidente 
repete o gesto da "fração do pão” partindo a Hóstla grande pelo meio. 
Este gesto lembra duas coisas: que Jesus partiu o Pão e o deu aos 
discípulos na Ceia e que os discípulos de Emaús reconheceram Jesus 
no momento em que partiram o pão em sua casa, 
Depois o Presidente põe um pedacinho da Hóstia no cálice. Quan- 
to a isso, existem diversos simbolismos. Antigamente, alguns 
disseram que significava a descida de Jesus na sepultura. Hoje, há 
quem diga que representa a união do Corpo e do Sangue do Senhor 
num mesmo Sacrifício e mesma Comunhão. Tudo isso, porêm, não 
passa de simbolismo. É coisa sem muita Importância. 
TESTE 
1. Que é a paz” De onde vem? 
2. Qual foi o presente de Cristo Ressuscitado? 
3. O que é que nos tira a paz? 
4. Que é fração do pão”? 
5. Por que, no início da Igreja, havia fração do pão? 
6. Que fala São Paulo sobre a fração do pão? 
7. Você é feliz? Tem a paz? 
LEITURA BÍBLICA: At 20, 7-12. 
115
 
34. CORDEIRO DE DEUS... 
À Arca da Aliança era cercada de grande respeito 
pelo Povo de Deus. Ninguém podia tocar nela. Era con- 
siderada “santa”, porque trazia as pedras da Lei ou 
Decálogo, que Moisés havia recebido de Deus no Monte 
Sinai. 
Certa vez, o rei Davi tinha que transportar a Arca de 
Judá para o Monte Sião, de maneira solene. A Arca foi 
colocada sobre um carro puxado por dois bois Oza e Aio 
conduziam o carro, enquando Davi e uma caravana iam 
juntos, cantando louvores a Deus. 
Num dado momento, os bois escorregaram e a Arca 
balançou. Então Oza estendeu a mão para segurar a Arca. 
E, imediatamente, caiu morto! Pois ninguém podia tocar 
na Arca. Davi ficou com medo de levar a Arca para a sua 
cidade. Achando-se indigno dela, mandou que a levassem 
para a casa de Obededon, na cidade de Gal, na Filistéia 
(Cf. 2 Sm 6, 1-10). 
HUMILDADE E FÉ 
Neste Encontro vamos falar do Corpo do Senhor, que é apresen- 
tado a todos os que desejam recebê-lo. Logicamente que só poderão 
recebê-lo aqueles que estiverem devidamente preparados, isto é, em 
estado de graça ou em paz com Deus e seus irmãos. Pois o Corpo de 
Cristo é incomparavelmente mais santo que a Arca da Aliança. Ele não 
é apenas um objeto de respeito, mas o próprio Deus Vivo. Quem 
ousará recebê-lo em pecado grave? 
Enquanto o Presidente da Celebração coloca dentro do cálice um 
pedacinho da Hóstia, ele reza em voz balxa: “Esta união do Corpo e 
do Sangue de Jesus, o Cristo e Senhor, que vamos receber, nos sirva 
para a vida eterna!" Ao mesmo tempo, a Assembléia recita ou canta 
o “Cordeiro de Deus". Embora no Ato Penitenclial todos já se tenham 
purificado, ao aproximar-se o momento da Comunhão os liéis sen- 
tem-se indignos de receber o Corpo do Senhor e pedem perdão mais 
uma vez, dizendo: 
118 
 
 
na
 
d
a
m
a
“Cordeiro de Deus, que lirais o pecado do mundo, 
tende piedade de nós! 
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, 
tende piedade de nós! 
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, 
dai-nos a paz!" 
Enquanto isso, o sacerdote se inclina diante do Santissimo 
Sacramento e pede a Jesus que aquela comunhão seja para a sua 
salvação. Ninguém se atreva a receber o Corpo do Senhor indigna- 
mente. Imagine se acontecesse de cada país. a quem comunga 
levianamente o que aconteceu com Oza! Quanta gente poderia cair 
morta diante do altar! 
Terminado o “Cordeiro de Deus", o Presidente levanta a Hostia 
consagrada e a apresenta à Assembléia, dizendo: 
“Felizes os convidados para a Ceia do Senhor! 
Eis o Cordeiro de Deus, 
que tira o pecado do mundo!” 
E a Assembléia responde: 
"Senhor, eu não sou digno 
de que entreis em minha morada, 
mas dizei uma palavra e serei salvo. 
Esta resposta da comunidade é lirada da resposta que aquele 
oficial romano, o centurião, deu a Jesus: "Senhor, eu não digno de 
receber-te em minha casa. Basta que digas uma palavra e o meu servo 
ficará curado" (Mt 8,8). Na verdade, ninguém é digno de comungar. 
É só por bondade de Jesus que Ele vem até nós. Por isso, nós nos 
aproximamos da Comunhão com fé e humildade. A comunhão 
eucarística não é um “prêmio” para os justos que já se libertaram de 
todos os pecados, mas um Alimento que fortalece os pecadores na 
sua caminhada em busca da libertação de todo o mal. 
JESUS É O CORDEIRO PASCAL 
Tanto no Antigo como no Novo Testamento, Jesus é apresentado 
como o “Cordeiro de Deus". Sete séculos antes de Cristo, o profeta 
Isaías predisse que o Messias seria levado à morte, “sem abrir a boca, 
117
como um cordeiro conduzido ao matadouro" (Cl. Is 53,7). João 
Batista, ao ver Jesus que la passando, disse aos seus ouvintes: “Eis 
o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). O 
Apóstolo São Paulo disse: “Cristo, nossa Páscoa, foi imolado” 
(1Cor.5,7b). De fato, na hora em que Jesus morria na cruz, era imolado 
no Templo o cordeiro Pascal para os judeus comemorarem a Páscoa. 
E você certamente se lembra das palavras de São Pedro, o qual disse 
que não fomos resgatados pelo preço vil de ouro ou de prata, mas 
“pelo sangue precioso de Cristo, o Cordeiro sem mancha” 
(Cf.1Pe1,18-19). 
De fato, Jesus é o verdadeiro Cordeiro Pascal. O cordeiro imolado 
pelos hebreus no Egito foi um sinal de libertação. O seu sangue nos 
batentes das portas das casas dos judeus livrara os primogênitos da 
morte. Assim também o sangue de Jesus na cruz foi o preço do nosso 
resgate. Pelo seu sangue fomos salvos. Jesus é nosso Libertador. 
Dele nos aproximamos com alegria. Por isso, o Presidente da 
Celebração nos convida para a Comunhão dizendo: “Felizes os con- 
vidados para a Cela do Senhor!" 
TESTE 
1. Quem pode comungar? 
2. O que aconteceu a Oza? Por quê? 
3. A Eucaristia é menos ou mais que a Arca? 
4. De onde vem a resposta “Senhor eu não sou digno"? 
5. Quem disse que Jesus é o Cordeiro Pascal? 
6. Fale um pouco do sangue do cordeiro. 
7. À comunhão significa alguma alegria para você? 
LEITURA BÍBLICA: Mt 8, 5-13. 
 
 
35. COMUNHÃO 
Antigamente, quando os homens andavam a pé ounolombo de animais, as estradas eram cheias de curva. Por 
isso, muitas lendas surgiram à beira das estradas. 
Conta-se que certo mendigo passou a vida inteira 
sentado sobre uma enorme pedra à beira do caminho, 
pedindo esmolas. Essa pedra até ficou conhecida com o 
nome de "Pedra do Mendigo”. 
Um dia, porém,o rei precisou daquela pedra para 
construir um monumento. Então enviou uma multidão de 
operários com grandes alavancas para removerem a 
enorme pedra. E que surpresa! A Pedra do Mendigo estava 
fechando a boca de uma urna cheia de ouro, que um rei 
muito antigo havia escondido por ocasião de uma guerra. 
O TESOURO DO REINO DOS CEUS 
A Eucaristia é esse tesouro que Jesus, o Reiimortal e eterno, deixou 
como Mistério da Salvação para todos os que nele crêem. Alguns, 
porém, colocam diante da Eucaristia a pesada pedra de sua 
descrença. Pela sua falta de fé, enxergam apenas o pão material e 
não o Deus Vivo ali presente. Por Isso, fazem como o mendigo, que 
passou a vida toda sentado sobre o tesouro, pedindo esmola, porque 
via somente a pedra. 
Comungar é receber Jesus Cristo, Rel dos reis, para alimento de 
vida eterna. Quem comunga deve meditar um pouco nesse Mistério 
da presença real do Senhor em sua vida. Não pode comungar e já ir 
saindo da Igreja, ou ficar conversando e se distraindo, Nem convém 
ir rezar diante de alguma imagem, pois Jesus deve ser o centro de 
sua atenção e piedade, sobretudo nessa hora. Ele é o Hóspede divino 
que acaba de ser recebido, 
119
O MODO DE COMUNGAR 
Depois que o padre apresenta a Hóstia para o povo, dizendo 
“Felizes os Convidados”, reza em voz baixa: 'Que o Corpo de Cristo 
me guarde para a vida eterna". Em seguida comunga o Corpo e o 
sangue do Senhor. Depois o padre e os ministros dão a comunhão 
para os fiéis. Mostrando a Hóslia a cada um diz: “O Corpo de Cristo! 
E quem comunga responde: "Amém!" Não é para lazer o sinal da cruz 
E não laz mal que a hóstia toque nos dentes. 
Quanto ao modo de receber a comunhão, na boca ou na mão, 
compete a cada Bispo determinar em sua Diocese, Quem comunga 
recebendo a hóslia na mão, deve elevar a mão esqueda aberta, para 
o padre colocar a comunhão na palma da mão. O comungante, 
imediatamente, pega a Hóstia com a direita e comunga ali mesmo, na 
frente do padre. Não pode sair com a Hóstia na mão e comungar 
andando. Para comungar é preciso estar na graça de Deus (sem 
pecado grave) e em jejum (sem comer e sem beber bebida alcoólica 
uma hora antes da comunhão). 
Deveria ser dada a comunhão da Hóstia e do Vinho, mas se dá só 
a Hóstia por uma questão prática, pois ficaria difícil dar a todos o Vinho 
Consagrado. Lembramos, porem, que na Hóstia está o Cristo inteiro 
e vivo, COM seu corpo, sangue, alma e divindade. 
COMUNHÃO: SACRAMENTO DE VIDA 
Para comungar, cada um se examine bem. Pense naquilo que 
acabou de dizer: "Senhor eu não digno”... Na verdade, quem é digno 
de receber o Corpo do Senhor? Só aquele que se converte Inteira- 
mente para Deus, como fez Zaqueu que, tendo recebido em sua casa 
a Jesus, disse-lhe: "Senhor, dou aos pobres metade de meus bens e, 
se explorei alguém em alguma coisa, vou restituir-lhe quatro vezes 
mais". E Jesus, voltando-se para ele, disse-lhe: "Hoje entrou a 
salvação nesta casa” (Cf. Lc 19, 8-10). Na verdade, cada vez que 
comungamos, deve significar um passo na direção de nossa 
perfeição. É uma dádiva da parte de Deus e uma responsabilidade 
muito grande de nossa parte. No dizer de São Paulo, quem comunga 
120
 
 
 
indignamente comunga para sua condenação e não para à salva ção 
Ora, Jesus nos deixou a Eucaristia para a vida e não para a more 
Assim Ele nos falou: “Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram 
o maná do deserto e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para 
que todo aquele que dele comer não morra. Eu sou O pão vivo que 
desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá eternamente. E o 
pão que eu vou dar é a minha carne, para a vida do mundo 
(J0.6,47.51). 
Muitos que ouviram Jesus fazer essa promessa ficaram escan- 
dalizados. Começaram a salr, dizendo: "Esta palavra é dura. Quem 
pode acreditar nisso?” E Jesus não retirou a sua palavra. Pelo 
contrário, Ele lançou um desafio, dizendo aos Apóstolos: Vocês 
também não querem ir embora?" Então São Pedro respondeu-lhe: 
“Senhor, a quem iremos nós? Tu tens palavras de vida eterna. Nós 
cremos e sabemos que tu és o Messias" (Cf. Jo E, 60-69). 
Essa descrença de alguns judeus trouxe um benefício para a nossa 
fé na presença real de Jesus no Pão consagrado. Pois, se Jesus 
estivesse falando em linguagem figurada, na hora em que começaram 
a duvidar e Ir embora, Ele teria dito: "El gente, podem voltar! Não 
fiquem escandalizados, não! Eu estou falando uma linguagem 
figurada. 
TESTE 
1. Que respondemos ao receber a Comunhão? 
2. Que devemos fazer longo após a Comunhão? 
3. Qual deve ser a disposição para comungar? 
4. Como fol o caso de Zaqueu? 
5. Que disseram quando Jesus prometeu a Eucaristia? 
6. E que respondeu São Pedro? 
7. Você cré na presença real de Jesus na Hóslia? 
LEITURA BÍBLICA: Jo 6, 22-71 
121
 
122 
 
 
 Modo errado de comungar Modo errado de comungar 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Modo certo de comungar Hodo certo de comungar 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
36. A MISSA, O BANQUETE DE DEUS 
Um dia Jesus contou a seguinte parábola: Certo 
homem preparou um grande banquete e convidou muita 
gente. Quando chegou a hora do banqueie, mandou seus 
servos dizer aos conviciados: Venham, a mesa esta pron- 
ta!" 
Os convidados, porém, começaram a recusar-se 
Disse o primeiro: “Comprei um campo e preciso ir vê-lo. 
Peço-lhe que me dispense”. O outro falou: Compreicinco 
juntas de bois e vou experimentá-los. Peço-lhe que me 
dispense". E o terceiro falou: "Casei-me e, por isso, não 
posso ir. 
O empregado voltou e contou tudo ao seu senhor. 
Então, indignado, disse o dono da casa: Saia depressa, 
vá pelas praças e ruas da cidade e traga para cá os podres, 
os aleijados, Os cegos e os coxos". Assim fez o servo. É 
depois disse ao dono da casa: "Senhor, fiz como me 
ordenou, e ainda há lugares”. Disse então o dono da casa: 
“Saia pelos caminhos e atalhos e insista para que venham, 
a fim de que a casa se encha. Pois lhes digo que nenhum 
daqueles primeiros convidados provará o meu banquete” 
(Lc 14, 16-24), 
ASSIM ACONTECE COM A MISSA 
Jesus falava referindo-se ao banquete do Reino dos céus, onde o 
Pal reunirá os amigos que aceitaram o seu convite. Quem convida é 
Deus. Os primeiros convidados foram os judeus, que na sua maioria 
rejeitaram o convite. Os segundos convidados, Isto é, os cegos e 
coxos, são os pagãos, muitos dos quais creram em Cristo. O servo 
que salu a convidar é Jesus, que na verdade veio "para servir e não 
para ser servido" (Cf Mt 20, 28). Hoje, os servos que saem convidando 
para o banquete são os Bispos, os padres e todos os agentes da 
pastoral. Aqui, na terra, a Missa ou Cela do Senhor é esse banquete 
do reino de Deus. E muita gente acaba fazendo como aqueles con- 
123
vidados que desprezaram o convite. Um val experimentar a moto, 
outro vai polir o carro, outro vai fazer uma cerca na casa de campo, 
outro val à prala... Na hora da Comunhão, o padre levanta a Hóstia é 
apresenta-a solenemente, dizendo; "Felizes os convidados para a 
Ceia do Senhor!" E pouca gente se interessa por aquele presente 
divino. 
Imagine se, em vez de ser o Corpo do Senhor, fosse uma moeda 
de ouro! Quanta gente iria correndo buscar. Horas antes da Missa já 
haveria uma fila esperando na porta, estendendo-se até a praça 
Muitas mães iriam pedir para seus filhos guardarem o lugar na fia 
Acho que até seria necessário a colaboração da polícia para pór 
ordem na multidão. E, se pudesse repetir, muitas pessoas iriam 
diversas vezes à Missa no mesmo dia, para pegar quantas moedas 
fossem possíveis. 
Ora, eu pergunto: será que Jesus vale menos que uma moeda de 
ouro? Onde está minha fé? Sou cristão ou soupagão? 
AS PRIMEIRAS COMUNIDADES 
O Livro dos Atos mostra coma os primeiros cristãos valorizavam a 
Missa. Eles se reuniam com frequência e celebravam a Eucaristia. Não 
se entendia uma comunidade cristã sem a Ceia do Senhor. Tanto é 
que São Paulo, convertido depols que Jesus havia subido ao céu, 
aprendeu das comunidades a prática da Eucaristia. Ele mesmo diz: 
“O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois 
de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto É o meu corpo, que é 
entregue por vós. Fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo, 
depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice 
é a nova aliança no meu sangue. Todas as vezes que beberdes, 
fazei-o em memória de mim. Assim, todas as vezes que comerdes 
deste pão e beberdes deste cálice, lembrareis a morte do Senhor, 
até que Ele venha. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber 
o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do 
Senhor. Que cada um se examine a si mesmo e assim coma deste 
pão e beba deste cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir 
o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação 
(1Cort1,23-29). 
124 
 
 
A posição da Assembléia durante a Comunhão é sentada. Não 
ê 
preciso ficar de joelhos. A Comunhão é o "banquete divino”. E a 
posição de quem está à mesa da refeição é sentado. 
Outra coisa: não tem muito sentido uma pessoa comungar por 
alguém. Há gente que comunga pelo esposo falecido ou pelo filho 
que não val à Igreja. É mais ou menos como alguém almoçar por outra 
pessoa. O certo é rezar por alguém. 
Finalmente, gostaria de dizer que a Comunhão não deve ser 
recebida por tabela". Deve ser buscada por causa de simesma e não 
de outras intenções. Por exemplo: há quem faz uma novena de 
comunhão para consequir um emprego. Depois que termina a 
novena, não volta mais à Igreja, nem mesmo para as Missas 
dominicais. Será que essa pessoa entendeu o que é a Eucaristia? Tem 
sentido tal novena de comunhões? 
TESTE 
1. Como é a parábola do banquete? 
2. À que se compara esse "banquete" da parábola? 
3. Por que o Livro dos Atos é importante para a Missa? 
4. Que diz São Paulo sobre a Eucaristia? 
5. À Missa é importante para você? 
6. Se a Comunhão fosse uma moeda de ouro, você entraria na fia para 
pegá-la? 
LEITURA BÍBLICA: Mt 22, 1-14 
125
 
A LENDA DO AMOR 
Era uma vez o amor... 
O amor morava numa casa assoalhada de estrelas 
e toda enfeitada de sóis. 
Mas não havia luz na casa do amor, 
porque a luz era o próprio amor. 
E uma vez o amor queria uma casa mais linda para si. 
- Que estranha mania essa do amor! 
E fez a terra, 
e na terra fez a carne, e na carne soprou a vida, 
e na vida imprimiu a imagem da sua semelhança. 
E a chamou de homem. 
E, dentro do peito do homem, o amor construiu sua casa, 
pequenina, mas palpitante, 
inquieta e insatisfeita como o próprio amor. 
E o amor foi morar no coração do homem 
e coube todinho lá dentro 
porque o coração do homem foi feito para o infinito. 
Uma vez... o homem ficou com inveja do amor. 
Queria para si a casa do amor, só para si, 
Queria para si a felicidade do amor, 
como se o amor pudesse viver só. 
E o homem sentiu a fome torturante e comeu!... 
O amor foi-se embora do coração do homem. 
O homem começou a encher seu coração: 
encheu-o com as riquezas da terra e ainda ficou vazio. 
E o homem, triste, derramou suor para ganhar a comida. 
Ele sempre tinha fome e continuava com o coração vazio. 
E uma vez... resolveu repartir o seu coração inútil 
com as criaturas da terra. 
O amor soube... Vestiu-se de carne 
e veio também receber o coração do homem. 
Mas o homem reconheceu o Amor e O pregou numa cruz. 
E continuou a derramar o suor para ganhar a comida. 
O amor então teve uma idéia: 
vestiu-se de comida, disfarçou-se de pão e ficou quietinho. 
Quando o homem faminto ingeriu a comida, 
o amor voltou à sua casa, no coração do homem. 
E o coração do homem se encheu de plenitude. 
Côn. Ápio Pais Campos Costa 
126 
 
37. EUCARISTIA: UNIDADE E FRATERNIDADE 
Certa vez o Apóstolo São Paulo repreendeu dura- 
mente os cristãos da Comunidade de Corinto, por causa 
do abuso no ágape. "Ágape' é uma palavra grega. Quer 
dizer “amor fraterno” ou caridade. Era uma refeição que a 
comunidade fazia juntamente com a Celebração da Ceia 
do Senhor. Cada família levava seu prato e comiam juntos. 
Em si, era uma coisa boa: uma contraternização para 
ressaltar a alegria da Eucaristia. Mas começou a haver 
abusos. Os ricos levavam pratos finos e comiam 
separados, fazendo suas 'panelinhas”, enquanto os 
pobres ficavam marginalizados. Então São Paulo 
escreveu-lhes o seguinte: 
“Enquanto vos faço estas admoestações, não posso 
louvar-vos, pelo fato de que as vossas reuniões não são 
para vós de proveito espiritual, mas sim de prejuízo. Ouço 
dizer, em primeiro lugar, que, quando vos reunis em 
assembléia, há divisões entre vós... Portanto, quando vos 
reunis em comum, não é tanto para celebrar a ceia do 
Senhor, pois cada um põe à mesa e toma, antes que os 
outros, a própria ceia, de modo que um passa fome, 
enquanto o outro se embriaga. Não tendes então casa 
para comer e beber? Ou quereis desprezar a Igreja de 
Deus e humilhar os pobres? Que vos direi? Hei de louvar- 
vos? Não, nisso não vos louvo!" (ICor 11,17-22). 
DIVISÃO: OBRA DO MALIGNO 
Aquilo que era para ajudar o espírito de fraternidade acabou crian- 
do discórdia e divisão na comunidade. É uma obra diabólica, porque 
age diretamente contra o amor, que é o grande Mandamento do 
Senhor e o sinal distintivo dos cristãos. São Paulo lembra: “O pão que 
partimos não é a comunhão do Corpo de Cristo? Uma vez que há um 
único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque 
todos nós comungamos do mesmo pão” (1 Cor 10, 16b-17). 
127 
 
Por isso, devemos afastar da Missa tudo aquilo que tem o fermento 
da divisão. Por exemplo: na homilia, não tratar de política partidária, 
de críticas e assuntos polêmicos que criam a confusão e a divisão; 
não dizer piadas, ou coisa parecida, que possam escandalizar as 
pessoas; não carregar a homilia de coisas negativas, mas dar mais 
destaque à mensagem positiva do Evangelho; acolher bem, em nome 
do Senhor, todos os que vêm à Missa, pois, na verdade, são con- 
vidados de Deus mais do que convidados nossos. Quanto possível, 
tratar Igualmente a todos, sem desprezar ninguém; que a saudação 
da paz não seja mera formalidade, com a frieza da ponta da mão, mas 
um gesto de irmão que reconhece o irmão na alegria da fraternidade 
fundamentada no amor de Jesus Cristo e não em nossas simpatias e 
antipatias. 
OS SINAIS DA UNIDADE 
A Eucaristia é o momento forte da fraternidade. Ela é, por simesma, 
o “sinal da unidade e o vínculo da caridade”, segundo nos ensina O 
Concílio Vaticano Il. O próprio Cristo fez um "gesto concreto” desse 
amor, o qual deve ser visível como se fosse o “distintivo” dos cristãos. 
Momentos antes de celebrar a Cela, ele fez o famoso Sermão do 
Mandamento Novo, durante o qual lavou os pés dos discípulos. Isto 
para mostrar que amar é servir, e servir na humildade, quebrando 
todas as arestas do orgulho que divide a comunidade. 
Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus perguntou-lhes: 
"Sabeis o que vos liz? Vós me chamais Mestre e Senhor e dizei bem, 
porque eu o sou. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei 05 
pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos O 
exemplo, para que, como eu fiz, assim façais também vós. Em ver- 
dade, em verdade vos digo: o servo não é maior do que o seu senhor, 
nem o enviado é maior do que aquele que o enviou. Se compreender- 
des estas coisas, sereis felizes, sob a condição de as praticardes. 
(Jo13, 12-17). 
O MANDAMENTO NOVO 
Vimos um defeito que surgiu na comunidade de Corinto. Mas 
poderíamos citar muitos outros exemplos positivos das comunidades 
primitivas da Igreja, sobretudo da Comunidade de Jerusalém, da qual 
128
está escrito:“A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma 
Ninguém considerava seu o que possula, mas tudo era em comum 
entre eles" (At 4, 32). Eles puseram em prática, radicalmente, o 
Mandamento do Senhor: “Dou-vos um Mandamento Novo: que vos 
ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos 
outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes 
amor uns pelos outros” (Jo 13, 34-35). 
O Mandamento Novo está na homilia que Jesus fez na Ceia. O clima 
da Ceia do Senhor é a unidade no seu amor, tanto para os doze 
Apóstolos como para nós. Essa unidade é condição para que o 
mundo creia em Jesus. Assim orou o Senhor ao Pai, na hora da Ceia: 
"Não rogo somente por eles (Apóstolos), mas por todos aqueles que, 
por meio de sua palavra, hão de crer em mim: a lim de que todos 
sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam 
em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste (Jo 17, 20-21). 
TESTE 
1. Que era o ágape? E o que aconteceu no ágape? 
2. Com que palavras Paulo repreendeu os corintios? 
3. O que deve entrar e O que não deve entrar na homilia? 
4. Qual deve ser o clima na Celebração Eucarística”? 
5. Como o Mandamento Novo se relaciona com a Ceia? 
6. Que gesto concreto fez Jesus antes da Ceia? 
7. Que comunidade cristã deu grande exemplo de unidade? 
8. Por que é necessária nossa unidade? 
9. Você tem Inimigos ou está aberto ao amor? 
LEITURA BÍBLIA: Jo 15, 1-17 
129
38. RITO FINAL 
A Bíblia Sagrada é o Livro da Vida. Contém a Men- 
sagem de Deus para seu Povo. Mensagem de amor e 
sabedoria. E uma das coisas antigas que vamos encontar 
na Bíblia é a bênção de Deus para seu Povo. Vem desde 
o começo da História de nossa Salvação. Para iniciar à 
História da Salvação, Deus chamou Abraão, que morava 
em Ur, na Caldéia, e lhe disse: "Sai da tua terra, da tua 
pátria e da lua casa paterna, e vai para a região que eute 
mostrarel. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei. 
Engrandecerei O teu nome, e serás uma bênção. 
Abençoarei quem te abençoar e amalidiçoarei quem te 
amaidiçoar. E por ti serão abençoadas todas as nações da 
terra” (Gn 12, 1-3). Portanto, a bênção vem de Deus, 
passando por Abraão, até o dia de hoje. Ela é destinada 
a um Povo nascido de Abraão. Essa bênção tem sua 
plenitude em Jesus. Jesus é a própria bênção. É o DOM 
do amor do Pai. 
A HORA DOS AVISOS 
Antes de falarmos do rito da bênção, lembramos que, terminada 
a Comunhão do povo, convém haver alguns momentos de silêncio 
para interiorização da Palavra de Deus é ação de graças. Pode-se 
também recitar algum salmo ou cantar algum canto de ação de 
graças. Mas não é o momento de dar avisos ou prestar homenagens 
a alguém. Depois da ação de graças vem a “Oração Após a 
Comunhão", de pé. Terminada a Oração, que é proferida pelo Presi- 
dente, então sim, podem-se dar avisos e lazer convites. Se for coisa 
breve, a Assembléia pode ouvir de pé. Caso contrário, pode sentar-se. 
Em seguida vem a bênção final, que é solene, dada pelo Presidente 
da Celebração. 
130
 
BENÇÃO FINAL 
Antes da bânção, o Presidente da Celebração saúda a Assembléia, 
dizendo: "O Senhor esteja convosco!" E todos respondem: Ele esta 
no meio de nós". Nesta hora, se a comunidade estiver sentada, deve 
levantar-se. Aí vem a bênção, que pode ser com uma fórmula simples 
ou solene. Por exemplo, uma fórmula simples é esta: “Abençoe-vos 
Deus toto-poderoso, Pal, Filho e Espírito Santo!". E todos respondem 
“Amém!". Ao dar a bênção, o padre traça uma cruz sobre a 
Assembléia, e todos podem Inclinar a cabeça. Existem outras 
fórmulas de bênçãos mais solenes, de acordo com a festa litúrgica. 
Eis, por exemplo, a bênção que o Missal Romano traz para o primeiro 
dia do ano: 
Presidente: Que Deus todo-poderoso, fonte e origem de toda à 
bênção, vos conceda a sua graça, derrame sobre 
vós as suas bênçãos e vos guarde sãos e salvos 
todos os dias deste ano! 
Assembléia: Amém! 
Presidente: Que vos conserve íntegros na fê, pacientes na es- 
perança e perseverantes até o fim na caridade! 
Assembléia: Amém! 
Presidente: Que Ele disponha na sua paz os vossos atos e vos- 
sos dias, atenda sempre vossas preces e vos con- 
duza à vida eterna! 
Assembléia: Amém! 
Presidente: A bênção de Deus todo-poderoso, Pai, Filho e Espíri- 
to Santo, desça sobre vós E permaneça para sem- 
pre! 
Assembléia: Amém! 
O Presidente pode também abençoar com outas palavras, de 
acordo com as circunstâncias. Liturgia é vida. O próprio Deus man- 
dou o sacerdote Aarão abençoar os filhos de Israel com as seguintes 
palavras: 
"O Senhor te abençoe e le guarde; 
o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti 
e le seja benigno; 
o Senhor mostre para tl a sua face 
& te conceda a paz" (Cf. Nm 6, 22-27). 
131
COMO RECEBER A BENÇÃO 
Chamamos a atenção para a importância da bênção de Deus dada 
solenemente na Missa. Muita gente não loma consciência de que essa 
bênção é para sl. Fica distraída. E, acabada a Missa, val à sacristia e 
diz: "Padre, o senhor pode dar uma bênção para O meu menino? Ora. 
para quem foi então aquela bênção solene que acabou de ser dada 
na Missa? Não foi para aquela mãe com seu filho”? 
Sel que cada um gosta de ser tocado pessoalmente. Quer que o 
padre coloque as mãos sobre sua cabeça e lhe diga uma palavra só 
para si, Tudo bem, É um direito que tem. E não custa nada o padre 
abençoá-lo. Mas é preciso valorizar mais e receber com fé a bênção 
solene dada no final da Missa. Ela é para cada pessoa que está ali 
Que cada um se coloque pessoalmente sob aquela bênção, com seu 
nome e sua vida. Outra coisa: é feio ir saindo da Igreja antes da bênção 
final. A missa termina com a bênção. Em sequida vem o canto final, 
que deve ser alegre, pois foi uma felicidade ter participado da Missa, 
TESTE 
1. Onde está a origem da bênção? 
2. Quala hora própria para avisos e comunicações? 
3. Diga uma fórmula de bênção. 
4. O padre pode 'invenlar' bênçãos? 
5. Lembra-se da bênção bíblica? Diga-a. 
6. Como se deve receber a bênção solene na Missa? 
7. Você valoriza a bênção de Deus? 
LEITURA BÍBLICA: Ef 1, 3-14 
132
 
 
39. O DIA DO SENHOR 
Quando compramos um carro ou um apareiho ele- 
trânico, recebemos um manual que nos ensina o mado de 
usá-lo corretamente. Se não usarmos de acordo com a 
orientação do fabricante, estragamos à máquina. Pior 
ainda se quisermos consertar com nossas proprias maos 
Perdemos a “garantia”, porque alteramos o mecanismo do 
aparelho. 
O homem não é uma máquina. Mas seu funciona- 
mento" é mais delicado ainda, porque é, ao mesmo tempo, 
corpo e espírito. Um corpo com um “mecanismo com- 
plexo, reunindo muitos organismos: a respiração, a 
corrente sangúínea, o aparelho digestivo, o cérebro, (que 
é muito delicado) e a nossa alma ou espírito, que precisam 
ser respeitados no seu modo de ser e de agir. 
Por isso, o divino Fabricante, quando fez o homem, 
deu-lhe também um manual para orientação de seu devido 
funcionamento: é o Decálogo ou Dez Mandamentos. E um 
desses Dez Mandamentos nos manda descansar um dia 
por semana, como veremos a seguir. 
UM DIA DE DESCANSO 
Deus, que criou o homem e conhece bem as suas limitações, 
deu-lhe esta ordem: "Lembra-te do dia de sábado, para santilicá-lo. 
Trabalharás durante seis dias e farás todas as tuas obras. O sétimo 
dia, porém, é o dia do Senhor, teu Deus. Não farás nenhum trabalho, 
nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu animal, nem o estrangeiro 
que está nas tuas portas. Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a 
terra, O mar e tudo o que eles contêm, mas repousou no sétimo dia. 
Por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou" 
(Ex20,8.11). 
Duas coisas aparecem no Dia do Senhor: o descanso e a 
santificação da vida. Deus lala que é para a gente não trabalhar e 
lembra que é para se renovar espiritualmente, pois o Senhor 
133
 
“abençoou e santilicou" esse dia. Não adianta trabalhar no domingo 
para ganhar mais dinheiro. Esse dinheiro,mais tarde, será gasto em 
remédio, para consertar o desgaste do corpo e da mente. E nunca 
mais se recupera a saúde perdida. Deus não faz leis para prejudicar 
a vida, mas para protegê-la e ajudar o homem a viver feliz. 
SÁBADO OU DOMINGO? 
Alguns dizem: "Se Deus mandou guardar o sábado, por que a Igreja 
guarda o domingo?" Explico. O sábado era o dia que lembrava a 
Aliança de Deus (Javé) com seu povo Israel (Cf. Ex 31, 16-17). Jesus, 
porém, é a plenitude da Lei e da Aliança. E ele ressuscitou no 
domingo. Ora, a Ressurreição do Senhor é o acontecimento máximo 
na História da Salvação. Por isso, ficou sendo o dia festivo dos 
cristãos. Era o dia em que eles se reuniam para celebrar a Eucaristia, 
que é o centro da piedade crista. 
Já no tempo dos Apóstolos o domingo passou a ser o dia principal 
da semana, o dia em que se celebrava solenemente a Eucaristia. 
Lemos no Livro dos Atos: "No primeiro dia da semana, estando nós 
reunidos para partir o pão” (At 20,7a). No começo, os cristãos quar- 
davam o sábado e celebravam a Missa no domingo. Depois O 
domingo passou a ser o dia do Senhor. 
Santo Inácio de Antioquia, que viveu no primeiro século da Igreja, 
escreveu: “Os judeus, que chegaram à nova esperança, não celebram 
mais o sábado, mas observam o dia do Senhor, no qual, através de 
Cristo, surgiu a vida". E um famoso escritor pagão chamado Plínio, 
escrevendo ao imperador Trajano (98-117), diz: "Os cristãos reúnem 
se num dia determinado, o que lembra a Ressurreição de Cristo”. 
Outro documento antigo, chamado Didascália siríaca ensina: "Não é 
permitido jejuar no primeiro dia da semana, porque é minha 
Ressurreição". Já no ano 321, o imperador Constantino oficializou O 
domingo como sendo o dia do descanso. 
Jesus mesmo disse que Ele era "Senhor do sábado" (Cf. Mt 12,8). 
E São Paulo escreve: “Portanto, ninguém vos julgue por questões de 
comida e de bebida, ou a respeito de festas anuais ou de lua nova ou 
de sábados, que são apenas sombra das coisas que haviam de vir, 
sendo que a realidade é o Cristo" (Cl 2, 16-17). Dar mais importância 
134
ao sábado do que à Ressurreição do Senhor é dar mais importância 
à sombra do que ao corpo que projeta a sombra. 
VALORIZAR O DIA DO SENHOR 
Precisamos resgatar o verdadeiro sentido do domingo, como Dia 
do Senhor. Infelizmente, para muitos, o domingo não passa de um 
simples feriado pagão. Não se expressa nenhum sinal de fe: nem 
oração, nem Evangelho, nem Missa. É apenas uma parada, como 
param as máquinas. Além do descanso, o domingo é um dia de alegria 
e festa cristã. O Concílio Vaticano |l diz: “Neste dia os cristãos devem 
reunir-se para ouvirem a Palavra de Deus e participarem da Eucaristia, 
e assim lembrarem-se da Paixão, Ressurreição e Glória do Senhor 
Jesus, e darem graças a Deus que os regenerou para a viva 
esperança” (SC 106). 
"Domingo" é uma palavra de orlgem latina. Quer dizer “Dia do 
Senhor". E um dia destinado à renovação espiritual. E o ato mais 
importante do domingo é a Missa, que o Concílio chama de “centro e 
ápice" da piedade crista, 
TESTE 
1. Que disse Deus sobre o Dia do Senhor (sábado)? 
2. Quais os dois aspectos do Dia do Senhor? 
3. Por que o domingo tomou o lugar do sábado” 
4. Que disseram Plínio e Inácio de Antioquia? 
5. Que disse São Paulo sobre o sábado” 
6. Que sentido tem o domingo para você? 
LEITURA BÍBLICA: Lc 10, 38-42 
135
 
40. MISSAS DE FORMATURA E DEFUNTOS 
Em certa cidade, havia um bairro pobre onde faltava 
água no tempo da seca. Então, uma ver por semana, a 
Prefeitura Municipal mandava um caminhão-pipa. Quando 
a pipa chegava, as mulheres e crianças faziam fila para 
pegar água. Cada um levava quanto podia. Havia mulheres 
com uma lata na cabeça e um balde na mão. E havia 
crianças com latinhas e baldinhos, de acordo com suas 
forças. Vi um menininho com um canecão de apenas um 
litro. O caminhão soltava água por uma mangueira grossa, 
sem miséria. Não havia límite de quantidade. A pessoa 
levava quanto queria. 
ASSIM E NA MISSA 
Passando da água do caminhão-tanque para a Missa, eu diria que 
Deus também não põe limite na sua graça. À pessoa que vai à Missa 
pode encher o seu coração, quanto quiser. Depende do tamanho do 
recipiente. Se tiver o coração fechado, pode até voltar para casa sem 
nada. É o que algumas pessoas dizem: "Eu não acho nada na Missa. 
É uma coisa tão vazia. Saio do jeito que entro”. Eu pergunto: Será que 
essa pessoa foi disposta a ouvir a Palavra de Deus e receber os dons 
do Espírito Santo? Teve uma atitude de abertura e acolhimento da 
graça de Deus? 
Jesus nos fala abertamente: “Quem tiver sede, venha a mim e 
beba!" (Cf. Jo 7,37). Falando da água do poço de Jacó, disse o Senhor 
à samaritana; "Aquele que beber desta água terá sede novamente; 
mas quem beber da água que eu darei, nunca mais terá sede. Pois a 
água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água jorrando para 
a vida eterna" (Jo 4, 13-14). O mesmo Jesus ainda diz: 'Eu sou o Alfa 
e o Ômega, o Princípio e o Fim; a quem tem sede, eu darel gratuita- 
mente da fonte de água viva" (Ap 21,6). 
136
 
MISSAS DE AÇÃO DE GRAÇAS 
Nada mais louvável do que celebrar uma Missa de Ação de Graças 
por ocasião de uma formatura, de bodas, ou de outro evento como 
aniversário de nascimento, aniversário da cidade, ou coisa parecida 
A própria Eucaristia, como vimos, já tem em si o sentido de ação de 
graças. Mas é preciso uma condição: que a Missa seja celebrada com 
lé, sem desviar o seu sentido espiritual, Há quem “manda rezar uma 
Missa de aniversário com um sentido não muito convenlente, Por 
exemplo: para dar destaque à sua festa, sem a devida fê. 
E quanto às Missas de formatura? Aí então acontece de tudo. É uma 
coisa muito bonita e digna de apoio. Nada mais justo do que uma 
turma se reunir, como turma que caminhou junto vários anos, para 
conjuntamente louvar, bendizer e agradecer a Deus... e também pedir 
pelo bom sucesso da prolissão que vão exercer. 
Mas, no meio de uma formatura, há sempre alguns que lá estão 
como se fosse um evento simplesmente social. Nada de mistério. 
Nada de fé. Nada de oração. É pura formalidade. Há formandos mais 
preocupados com a pose para o fotógrafo do quem com sua atitude 
de participação na Missa. Chegam a fazer sinal para o fotógrafo como 
se estivessem num clube ou num restaurante. Às vezes, há quem vá 
comungar sem saber O que esta fazendo. 
Por isso, lembramos que, ao marcar uma Missa de formatura, é 
preciso tomar certas providências no sentido de preparar bem a 
Celebração: as leituras, o canto, o papel do comentarista, as preces 
da comunidade... para que um Mistério tão sublime, como é a Eucatis- 
tia, não cala no vazio nem venha a dar uma imagem negativa da Igreja 
e uma idéia ridícula da Liturgia. 
MISSA PELOS DEFUNTOS 
Hoje quase não se celebra mais Missa de corpo presente. Em geral 
se faz a Celebração da Palavra ou "encomendação” no velório. Mas 
temos as Missas de sétimo dia de falecimento, de mês, de ano ou de 
qualquer data. É justo e bom orarmos pelos falecidos. Já vimos isso 
no Encontro 30. 
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E sabemos que a Oração tem efeito retroativo, isto é, vale lambém 
para O passado. Podemos rezar hoje para que uma pessoa falecida 
há dez anos tenha encontrado o perdão junto de Deus na hora de sua 
morte. À oração não está presa ao lempo. Ela vale para o passado. 
para o futuro e para o presente. À mãe pode orar hoje para que o seu 
filho que lez vestibular ontem tenha passado. O exame não será mais 
alterado, Já foi entregue. Mas podemos rezar para que 0 moço tenha 
acertado as questões, 
Sem dúvida, rezar pelos defuntos é certo e bom. Mas tem uma 
coisa: O mais importante é a nossa vida. Precisamos estar “em dia 
com a nossa vida, para que, na hora em que Deus nos chamar, 
estejamos preparados para partir em paz. Está escrito: “Bem-aven- 
turados os mortos que morrem na paz do Senhor. Sim, diz o Espirito, 
que descansem de suas ladigas, pois suas obras os acompanham'(Ap 14, 13). Diz ainda o Senhor a todos nós que ainda caminhamos 
na terra: “Eis que venho em breve, e trago comigo a recompensa para 
dar a cada um segundo as suas obras" (Ap 22, 12). 
Creio firmemente no poder da oração, mas não sei se alguém que 
viveu como pagão, desprezando a graça de Deus, será salvo com 
Missa de sétimo dia e aquela cruz sobre sua sepultura. 
TESTE 
1. A que Jesus se compara? 
2. Por que alguns entram e saem da Missa vazios? 
3. Convém celebrar Missa de formatura e aniversário? 
4. Que cuidado devemos ter com Missa de formatura? 
5. Vale a oração pelos defuntos? Por quê? 
6. Você reza pelos falecidos? 
7. Como deve ser vivida a nossa vida presente? 
LEITURA BÍBLICA: Lc 12, 35-48 
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41. O ANO LITÚRGICO 
O povo de Israel esperou a vinda do Salvador durante 
milhares de anos. E “quando chegou a plenitude do lempo, 
Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher (Gl 4,4) 
O Filho eterno de Deus "se tez came e habitou no meio de 
nós" (Cf. Jo 1, 14). Na terra, Ele recebeu o nome de Jesus 
e “foi verdadeiro homem, provado como nós em tudo, 
menos o pecado” (Cf. Hb 4,15). Tornou-se o centro da 
História da humanidade, Senhor do tempo e da eter- 
nidade. Por isso, chamou-se "o Alfa e o Ômega, o Primeiro 
e o Último, o Principio e o Fim' de todas as coisas 
(Apea,13). 
Ressuscitando dos mortos e subindo ao ceu, Ele 
prometeu voltar no fim dos séculos. Mas, ao mesmo 
tempo, nunca se separou de nós. Pelo contrário, caminha 
com a Igreja “até o fim do mundo” (Cf. Mt 28, 20). 
ANO CIVIL E ANO LITÚRGICO 
Para celebrar a vida de Jesus, com suas obras e sua Mensagem, 
sua permanência no meio de nós e seu regresso no fim da História, 
nós temos o Ano Litúrgico, que revive anualmente todo o Mistério da 
Salvação centrado na Pessoa de Jesus, o Messias ou Filho de Deus. 
- É isso que vamos ver neste Encontro. 
O Ano Litúrgico é o “Calendário Religioso". Contém as datas dos 
acontecimentos da História da Salvação. Não coincide com o ano 
civil, que começa no dia primeiro de janeiro e termina no dia 31 de 
dezembro. O Ano Litúrgico começa e termina quatro semanas antes 
do Natal. Tem como base as lases da Lua. Compõe-se de dois 
grandes ciclos: o Natal e a Páscoa. São como dois polos em torno 
dos quais gira todo o Ano Litúrgico. 
O Natal tem um tempo de preparação, que é o Advento; e a Páscoa 
tem também um tempo de preparação, que é a Quaresma. Ao lado 
do Natal e da Páscoa está um período longo, de 34 semanas, 
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chamado Tempo Comum, O Ano Litúrgico começa com o Primeiro 
Domingo do Advento e termina com o último sábado do Tempo 
Comum, que é na véspera do Primeiro Domingo do Advento A 
sequência dos diversos tempos” do Ano Litúrgico é a seguinte: 
ADVENTO 
Compõe-se de quatro semanas. Começa quatro domingos antes 
do Natal e termina no dia 24 de dezembro. A cor das vestes litúrgicas 
é roxa. Não é propriamente um tempo de penitência, mas de 
purificação da vida pela justiça e pela verdade, preparando os cami- 
nhos do Senhor. Também não é tempo de festa, mas de esperança e 
alegria moderada, pois arrumamos a “casa” para receber a mais nobre 
Visita, anunciada pelos Profetas. As personagens biblicas em desta- 
que nas Leituras são: Isaias, João Batista, a Virgem Maria e o Messias. 
NATAL 
Começa aos 25 de dezembro e se prolonga por três domingos. A 
cor é branca. Celebra, com grande alegria, O nascimento de Jesus, 
que se fez Homem para nossa Salvação. Nossa atitude é de gratidão 
e de glorificação de Deus “no mais alto dos céus”. 
Nesse tempo estão também as festas da Sagrada Familia, de Santa 
Maria Mãe de Deus, da Epitania e do Batismo de Jesus. 
TEMPO COMUM (PRIMEIRA PARTE) 
Começa logo após o batismo de Jesus e se interrompe na lerça- 
feira antes da Quarta-Feira de Cinzas. Depois recomeça na 
segunda-feira após o Pentecostes e val até o sábado antes do 
Primeiro Domingo do Advento. À cor é verde. Tempo Comum é um 
periodo sem grandes acontecimentos. AÍ se apresenta a vida e a 
pregação de Jesus na rotina do seu dia a dia, É um tempo de 
esperança e de acolhimento da Palavra de Deus, que anuncia longa- 
mente o Reino dos céus. 
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QUARESMA 
Começa na Quarta-Feira de Cinzas é termina na quarta-feira da 
Semana Santa. A cor é roxa. É tempo forte de conversão e penitência, 
de jejum e de oração. Precisamos renunciar ao mal e aderir a Jesus 
que carrega sua cruz. É o tempo de preparação da Páscoa. Compõe- 
se de cinco semanas. Na Quaresma não se diz O Aleluia”, nem se 
colocam flores na igreja. Os instrumentos musicais devem ser 
moderados: somente para sustentar o canto. 
PÁSCOA 
A Páscoa começa com o Triduo Pascal, na quinta-feira da Semana 
Santa. O ponto alto desse triduo é a Ressurreição do Senhor, na Vigília 
Pascal. O período pascal dura 50 dias. Val até a festa de Pentecostes, 
que é a vinda do Espírito Santo. À cor é branca, simbolo da alegria 
Devemos ressuscitar com Cristo. 
Na segunda-feira após o Pentecostes recomeça a segunda parte 
do Tempo Comum. 
TESTE 
1. Que é Ano Litúrgico? 
2. Quais os tempos do Ano Litúrgico? 
3. Diga alguma coisa do Advento e da Quaresma. 
4. Que é Tempo Comum? E Páscoa” 
5. Que é Pentecostes”? 
6. Você vive a Liturgia? Ela tem sentido para você? 
LEITURA BÍBLICA: Jo 1, 1:18. 
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ESQUEMA DO ANO LITÚRGICO 
 
 
Início - 4 domingos antes do Nataí 
Término - 24 do dezembro À tarde 
Advento Espiritualiciade s Esperança & purificação da vida 
Ensinamento - Anúncio da vinda do Messias 
CICLO ai -Foxa 
a Inicio - 25 de dezembro 
Término - Na lésia do Batismo de Jesus 
Espiritualidade - Fá, alegria e acolhimento 
Natal Ensinamento - O Filho de Deus se fez Homem 
Cor - Branca 
Início - Bt feira após o Batismo de Jesus 
Tempo Término - Véspera da 4º Feira das Cinzas 
Comum Espiritualidade - Esperança e escuta da Palavra 
(1º Parte) Ensinamento - Anúncio do Reino de Deus 
Cor - Verde 
Início - Quarta-Feira das Cinzas 
Término - 4º loira da Semana Santa 
Quaresma |Espirilualldade - Penliência e conversão 
Ensinamento - À misericórdia de Deus 
CICLO Cor « Roxa 
DA 
PÁSCOA Infeio - St feira santa (Triduo Pascal) 
Término - No Pentecostes 
Espirilualidade - Alegria em Cristo Ressustilado 
Páscoa lEnsinamento - Ressurreição e vida elerna 
Cor - Branca 
Início - Br feira após o Pentecostes 
Tempo Término - Véspera do 1º Domingo da Advento 
Comum Espiritualidade - Vivência do Reino de Deus 
(2º Parte) Ensinamenlo - Os crislãos são o sinal do Reino 
Cor - Verde 
e NOTA: Além das festas de Jesus, dentro do Ano Litúrgico estão as 
festas da Virgem Maria, dos Apóstolos e dos outros santos. Nas 
Livrarias católicas encontra-se um livro chamado “Diretório Liúrgico” 
que contém o calendário com todas as festas e comemorações da 
Liturgia. 
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; 
Vozes 
MATRIZ 
RJ, Petrópolis 
(25689) RA Frei Luis, 100 
Cama Postal, 90023 
Tel: (0242/43-5112 
Fax: (0242/42-D692 
FILIAIS 
AJ, Rio de Janeiro 
(20031) A. Senador Dantas, 118-| 
Tol: [021)220-6445 
A. Joaquim Palhares, 227 
(20260) Estácio de Sá 
Tel, (021]273-3156 
A Joana Angélica, 63 
(22420) Ipanema 
Tel.: (021)267-5397 
A Moura Brito, 30, loja C 
(20520) Tijuca 
Tel.: (021)248-1061 
SP, São Paulo 
(01006) A. Senador Feijó, 158 e 168 
Tels.: (011)35-7144 o 36-2288 
(01414) R. Haddock Lobo, 360 
Tel.: (011)258-0511 
(03031) À. Thiers, 310 - Pari 
Tal.: (011]229-9578 
SP, Bragança Paulista 
(12900) Av. 5. Francisco de Assis, 218 
Tel.: (011)433-3675 
(12900) A. Cal, Teólilo Lomo, 1055 
Tol.: (011/433-3675 
SP, Bauru 
(17015]Av. Rodrigues Alvos, 10 — 37 
Tel.: (0142)34-2044 
MG, Belo Horizonte 
(30150) A. Tupis, 85, Loja 10 
Tels.: (031)273-2232 
(30190) A. Tupis, 114 
Tol.: (031)273-2538 
(30140) R. Almorós, 1583 
Tols.: (031)222-4152 
o 2224452 
MG, Julz de Fora 
135013) A. Espirrto Santo, Bhs 
Tel: (032/72 15-8D61 
(36010) Av, Barao do Rio Branco. 451 
Tol.: (032/211-7652 
AS, Porio Alegre 
(90210) R. Ramiro Barcelos, 150 
Tel. (0512)]21-6522 
(50010) A. Fuachucio,1280 
Tal: (0512/26-3911 
AS, Novo Hamburgo 
(93310) A. Joaquim Nabuco, 343 
Tol: (0512)53-8143 
AS, Pelotas 
(38010) Rua 7 de Sotembro, 145 
Tol,: (0532/22.5341 
DF, Brasilia 
CLR'None. OQ. 704 
(70730) Bloco A, N, 15 
Tol.: (D61]223-72436 
GO, Golânia 
(740D0) A, 3, N. 231 
Tol,: (QEe)22s-3077 
PE, Recife 
(50050) R, do Principe, 482 
Boa Vista 
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(50020) R, da Concórdia, 167 
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PA, Curliiba 
(80230) A. 24 de Maio, 55 
Tol.: (D41j233-1392 
(80020) À. Voluntários da Pátria, 39 
Tol.: (041)223-6059 
S€, Blumenau 
(89010) AR. 15 de Novembro, 963 
Tel.: (D473)22-3471 
CE, Fortaleza 
(60015) Av. Tristão Gonçalves, 1158 
Tol.: (085)231-9321 
(60025) A. Major Facundo, 730 
Tol.: (085)221-4877 
BA, Salvador 
(40110) A. Carlos Gomes, 698-A 
Tols.: (071)241-B666 
MT, Culabá 
(78025) Av. Getúlio Vargas, 381 
Tols.: (065/322-6809 e 3272.6567 
MS, Campo Grande 
(79013) R. Br. do Rio Branco, 1231 
Tols.: (D67/384-1535 e 384-1593 
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No meio do caminho havia uma pedra. Aparentemente uma simples 
pedra Os que passavam tropassavam nela. E ela la rolando para 
frente e para trás. Um dia alguém parou, pegou aquela pedra e a 
limpou da poeira. Então viu que era uma pedra preciosa. 
À Missa é semelhante a essa pedra. Não qua ela esteja suja, mas 05 
nossos olhos estão cobertos da poeira da Ignorância ou do 
preconceito, o que nos impede de vera Missa tal qual ela é, na pureza 
de sua origem divina e na beleza de seu mistério. 
A Missa, vivida segundo o pensamento de Deus, tem a força de 
transformar a nossa vida. Ela deixaria de ser um desgastado preceito 
para se tomar a pérola rara de que fala o Evangelho. Mas, ninguém 
ama o que não conhece. Por isso, está aí este livro, que poderá 
ajudá-lo muito no conhecimento e na vivência da Missa. 
O Autor; Luiz Cechinato - Padre e Jornalista. Nasceu em Leme, SP, 
Bos 27-07-1991. Estudou no Seminário Diocesano de São Carlos, SP, 
e no Seminário Central do Ipiranga, em $ão Paulo. Fol ordenado 
Presblero sos 24-12-1961. Fol Pároco de Borborema, SP 
(1962-1972), Pároco de Barr, SP, e de ltaju, SP (1972-1981). 
Atualmente é Pároco da Catedral de São Carlos, SP, e Vigário Geral 
da Diocese. Pela Editora Vozes publicou os livros: O Reino de Deus, 
Puebla ao Alcance de Todos, A Quem Iremos, Senhor? O Sacramento 
da Confirmação, Reconcilia-vos, Conheça Melhor a Bíblia, A 
Bondade Faz Maravilhas, Caminhando com Jesus, Valorizando a 
Vida o Tia Alta. 
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