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________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Plano de Orientação para aprendizagem a Distância – POAD
Etec/CD: Getúlio Vargas
Curso: Ensino Médio com Habilitação em Química
Série/Módulo: 1ª ano
Componente Curricular: História
Docente: Prof. Celso Luiz Lucas
Turma: 1H
Turno: Integral
Plano Didático
Período (Quinzena): 01/07/2020 até 15/07/2020.
	Competência(s)
1-Construir e aplicar conceitos de várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. 2-Selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representadas de diferentes formas para tomar decisões e enfrentar situações problema.
	Habilidade(s)
3-Relacionar informações, representadas em diferentes formas e conhecimentos disponíveis em situações concretas para construir argumentação consistente. 4-Analisar fatores socioeconômicos e ambientais associados ao desenvolvimento, às condições de vida e saúde de populações humanas, por meio da interpretação de diferentes indicadores.
	Base(s) Tecnológica/Base Científica
Idade Moderna A Formação dos Estados Nacionais e o Expansionismo Marítimo e Comercial.
	Atividades Propostas
Ler os textos A Formação do Estado Nacional e O Expansionismo Marítimo e Comercial. Em seguida responder ao questionário que está anexado da seguinte forma: editar e responder no próprio formulário
	Metodologia(s*)
Leitura e discussão de textos, Sugestão de filmes e proposição de preenchimento de questionário.
	Instrumentos de Avaliação
>Apresentar argumentos logicamente encadeados a respeito de um determinado assunto.
 >Contextualização, conteúdo, clareza, coesão e capacidade crítica ao argumentar, elaborar textos e ao realizar as atividades.
 >Apresentação de ideias com clareza e exatidão.
 
A Formação do Estado Nacional: Emergência do Mundo Moderno
	“Concordam os historiadores, de modo geral, que a Idade Média terminou mais ou menos por volta de 1500. Já em 1350, aproximadamente, um novo movimento na Itália, chamado geralmente de Renascença, começara a desafiar e a superar certos pressupostos medievais básicos. Nas alturas de 1500, a Renascença italiana espalhou-se para a Europa Setentrional e a partir de então levou a importantes realizações na ciência, que se tornaram fundamentos do pensamento e da civilização da Europa moderna. Ao mesmo tempo, no século XVI, começou na Alemanha, propagando-se para muitos países, um movimento religioso conhecido como a Revolução Protestante. Esse movimento contribuiu para os primórdios da Era Moderna, ao acabar com a uniformidade religiosa da Idade Média e ao fomentar um surto de individualismo e de consciência racional. Na esfera econômica, por volta de 1500, os europeus navegaram até continentes distantes e começaram a ganhar novas fontes de abastecimento. A descoberta e a colonização de territórios ultramarinos contribuíram para a Revolução Comercial, que durou de mais ou menos 1450 a 1800 e estabeleceu um dinâmico regime de comércio voltado para o lucro. Do ponto de vista da política, o período em torno de 1500 inaugurou uma era de absolutismo que durou até 1800, aproximadamente, e foi marcado pelo desenvolvimento de governos absolutos, encabeçados em alguns casos por reis que se identificavam com o Estado e que professavam governar por direito divino. Finalmente, entre 1600 e 1789, ocorreu uma revolução intelectual, a qual culminou no “Iluminismo”, ou a exaltação da razão.”
BURNS, Edward Mcnall. História da civilização ocidental. 30. ed. São Paulo : Globo, 1993. v. 2. p. 338.
	A leitura do texto introdutório nos permite tomar conhecimento das significativas mudanças que passaram a fazer parte da sociedade ocidental europeia, a partir do século V (Idade Moderna: século XV ao XVIII).
	Antes de iniciarmos nossos estudos referentes a esse período, vamos retomar alguns dos aspectos mais significativos da estrutura da sociedade feudal na Baixa Idade Média. Dessa forma, compreenderemos facilmente o processo de transição do feudalismo para o sistema capitalista a formar-se a partir da Idade Moderna.
Características do Feudalismo
► Economia:	A sociedade feudal era essencialmente agrária; portanto, a terra era a maior riqueza de que alguém poderia dispor, a base econômica desse sistema.
► Política:	O rei, em teoria, era a autoridade máxima; na prática, entretanto, como os senhores feudais detinham o poder militar, o judicial e mesmo o direito de cunhar suas próprias moedas, o rei passou a ser mera figura decorativa.
► Sociedade:	Era formada por ordens bem definidas: “os clérigos rezavam, os nobres guerreavam e os servos trabalhavam”. A servidão foi a forma de trabalho característica do sistema na sociedade feudal; o servo era um camponês que recebia a terra como usufruto para sua exploração; ele não era, portanto, o seu proprietário. Em contrapartida, ficava ligado ao seu senhor, devendo-lhe fidelidade e compromissos pessoais, bem como o pagamento de diferentes tributos (impostos). Os servos poderiam ser ex-escravos, que recebiam casa e terra para cultivar, camponeses ou demais homens livres, que se submetiam (espontaneamente ou não) ao poder de grandes senhores.
► Ideologia:	A Igreja Católica, além de possuir uma grande quantidade de feudos, foi a responsável pela difusão dos valores culturais e religiosos da Idade Média. Dessa forma, direcionava e controlava a mentalidade do homem medieval.
Crise e Decadência do Feudalismo
	Durante a Baixa Idade Média (XI-XIV), houve um grande aumento populacional, as Cruzadas ampliaram o desenvolvimento do comércio, as antigas cidades voltaram a crescer e tantas outras surgiram. Nessas cidades, por meio do comércio, formou-se um outro grupo social, a burguesia. Contudo, a partir do século XIV, o feudalismo entrou em crise, em função de inúmeros acontecimentos ligados à sua economia e à ordem social:
► A Grande Fome ocorrida entre 1315-1317, provocada a partir de mudanças climáticas, da precariedade do sistema de armazenamento e de falta de inovações técnicas nas atividades agrícolas.
►	Em diferentes momentos desse século, a população européia foi atingida por epidemias, entre elas a Peste Negra de 1348, a qual dizimou 1/3 da população do continente.
►	A Guerra dos Cem Anos (1337-1453) entre a França e a Inglaterra.
►	As insurreições camponesas e as revoltas urbanas.
►	A falta de metais preciosos, como o ouro e a prata.
►	A estagnação comercial.
	O historiador Hilário Franco Júnior nos apresenta uma análise sucinta da situação da época:
	“Diante da crise agrária fazia-se necessária a conquista de novas áreas produtoras. Diante da crise demográfica fazia-se necessário o domínio sobre populações não europeias. Diante da crise monetária fazia-se necessária a descoberta de novas fontes de minérios. Diante da crise social fazia-se necessário um monarca forte, controlador das tensões e das lutas sociais. Diante da crise político-militar fazia-se necessária uma força centralizadora e defensora de toda a nação. Diante da crise clerical fazia-se necessária uma nova Igreja. Diante da crise espiritual fazia-se necessária uma nova visão de Deus e do homem. (...)”
FRANCO JÚNIOR, Hilário. O Feudalismo. 10. ed. São Paulo : Brasiliense. 1991. p. 93.
Período de Transição
	Novas estratégias empregadas a partir do século XV, no campo político, econômico, social e cultural, irão redimensionar o antigo mundo feudal. O resultado das medidas adotadas irá demonstrar que a Europa Ocidental passou a viver uma nova fase de sua história, a qual foi denominada pelos historiadores de História Moderna. Vejamos como essas medidas viabilizaram essas transformações:
►	Para solucionar o impasse da necessidade de novas áreas produtoras, novas terras foram incorporadas, na América, a partir da expansão marítima, a qual possibilitou a Revolução Comercial.
►	A necessidade de mão-de-obra para a exploração das novas colônias na América foi solucionadacom a escravização dos africanos e da população ameríndia do novo continente.
►	A crise monetária da Europa foi solucionada, em grande parte, com o ouro e a prata provenientes da América, da África e do Oriente.
►	A implantação de um regime forte que centralizava o poder nas mãos dos reis (absolutismo) resolveu, em grande parte e temporariamente, a crise política e social.
►	A Reforma e a Contra Reforma emergiram no campo religioso como reação à crise espiritual.4
►	O Renascimento e o Humanismo surgiram como resposta ao controle ideológico e cultura da Igreja Católica.
Formação dos Estados Nacionais e o Absolutismo
	O processo desencadeado pela crise do sistema feudal, no final do século XIV, culminou na formação dos Estados Nacionais Modernos em boa parte da Europa. Contudo, é importante saber que esse fato não ocorreu do dia para a noite, e que os novos Estados Nacionais, ao se desenvolverem, não adquiriram características semelhantes. Foi a partir de suas peculiaridades nacionais que eles se consolidaram como tal, e em tempos diferenciados. A Inglaterra e a França, por exemplo, já em meados do século XV tinham estabelecido grande parte de suas fronteiras e eram governadas por reis e instituições políticas bem definidas, como exércitos, funcionários administrativos, ministros e conselhos. Na Itália e na Alemanha, não houve unificação em torno de um único Estado Nacional, as cidades se mantiveram independentes, formando pequenas repúblicas até o século XIX.
	A base política dos Estados Nacionais estava na centralização do poder absoluto e na autoridade dos reis.
Evolução do Processo de Centralização Política na Europa Ocidental
	Essa estrutura política centralizada recebeu amplo apoio da burguesia e da nobreza. Os burgueses ansiavam por um regime forte que lhes garantisse seus negócios e lhes desse segurança; a nobreza buscava, por meio de um regime forte, pôr fim às insurreições camponesas. Os reis, por sua vez, mantiveram uma relação de interesse com os dois grupos; aliaram-se à burguesia economicamente poderosa, que fornecia significativos recursos por meio do pagamento de impostos ao Estado e, ao mesmo tempo, procuraram manter um bom relacionamento com a nobreza e o clero, distribuindo cargos administrativos entre eles. Dessa forma, aos poucos, os monarcas feudais foram reconquistando sua autoridade, unificando o território e centralizando o poder em suas mãos.
	Fases
	Século
	Características
	Feudal
	XIV
	Período em que os reis buscavam fazer valer os seus direitos para serem reconhecidos como tais.
	Moderna
	XV e XVI
	Fase em que os reis buscavam criar e consolidar as suas próprias instituições: exército, funcionários administrativos, ministros e conselhos.
	Fase de consolidação
	XVI ao XVIII
	Fase em que os Estados Nacionais Modernos atingiram o seu apogeu, consolidando o poder absolutista.
	Como podemos perceber, a centralização do poder absoluto dos reis foi se constituindo e consolidando-se ao longo de toda a Idade Moderna. É importante ressaltar que esse “poder absoluto” dos reis, ao menos na fase inicial dos tempos modernos, não significou despostismo, totalitarismo, tirania ou ditadura. Ele era exercido, levando-se em conta limites e regras preestabelecidas juridicamente, como também em função dos costumes, valores e tradições de seu povo.
	
Principais Características dos Estados Nacionais Modernos
	Levando-se em consideração as diferenças próprias na formação e consolidação dos Estados Nacionais Modernos, eles se caracterizaram, basicamente, por adotarem as seguintes medidas:
►	cobrança de impostos reais para cobrir as despesas da nova organização social;
►	formação de um exército nacional profissional, independente dos exércitos dos feudos;
►	instituição de uma justiça real com alcance nacional, acima da justiça dos senhores feudais;
►	centralização e unificação administrativa, com formação de uma burocracia capaz de administrar as leis do Estado;
►	unificação do sistema de pesos e medidas.
Os Pensadores da Época de Transição
	Além do apoio da burguesia e de boa parte da nobreza e do clero, os monarcas contavam com uma importante sustentação teórica, a de pensadores políticos e filósofos da época. Entre eles, destacamos: Nicolau Maquiavel 1469-1527), Jean Bodin (1530-1596), Thomas Hobbes (1588-1679), Jacques Bossuet (1627-1704), os quais defendiam a idéia de um poder centrado nas mãos de um monarca absoluto. Suas teorias irão constituir a base do poder absolutista dos reis dentro dos Estados Nacionais Modernos.
	Nicolau Maquiavel – filósofo e político italiano, reconhecido como um dos maiores teóricos do absolutismo. Seu pensamento foi desenvolvido a partir da realidade política da Itália de seu tempo: dividida, fragmentada e envolvida em guerras e múltiplas invasões. O Príncipe, sua mais importante obra, nasceu do desejo de livrar seu país da anarquia em que se encontrava. Nessa obra, descrevia políticas e práticas ideais para que um governo conseguisse unificar o Estado. Sustentava que a ordem é o bem supremo de uma sociedade e que, para mantê-la ou para defender os interesses públicos, o governo poderia até empregar a força. “A obrigação suprema do governante consiste em manter o poder e a segurança do país por ele governado”, dizia ele.
	Expondo uma visão cínica da natureza humana, a qual, segundo ele, agia basicamente movida pelo egoísmo e pelos interesses materiais, procurou aconselhar os governantes a desconfiarem da lealdade de seus súditos.
	Veja um fragmento de sua obra em que ele evidencia essas idéias:
	“É melhor ser mais amado que temido, ou mais temido que amado? Idealmente, é preciso ser temido e amado, mas é difícil reunir os dois sentimentos. Se um dos dois precisa ser sacrificado, é mais seguro ser temido que amado. Geralmente os homens são ingratos, desonestos, covardes e gananciosos. Enquanto são ajudados, obedecerão às ordens. Oferecerão a você seu sangue, seus bens, suas vidas e seus filhos quando parece que você não tem necessidade de aceitá-los. Mas quando você tenta cobrar, frequentemente voltam atrás. Se um príncipe apoiou-se apenas na boa-fé de outros, estará arruinado. Os homens têm menos medo de ofender um príncipe que amam, que um que temem. Sentem-se livres para romper as obrigações que devem por amor, sempre que lhes seja útil fazê-lo. Mas farão seu dever se temem, pois a ameaça de castigo nunca deixa de fazê-lo submeter-se.”
MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Rio de Janeiro : Bertrand. 1996. p. 96
	Jean Bodin e Jacques Bossuet afirmavam que sendo a autoridade dos reis divina (direito divino), estes poderiam governar como quisessem, pois representavam Deus na Terra.
	“(...) Nada havendo de maior sobre a Terra, depois de Deus, que os príncipes soberanos, e sendo por Ele estabelecidos como seus representantes para governar com os outros homens, é necessário lembrar-se de sua qualidade, a fim de respeitar-lhes e reverenciar-lhes a majestade com toda a obediência, a fim de sentir e falar deles com toda a honra, pois quem despreza se príncipe soberano despreza a Deus, de Quem ele é a imagem na terra.”
BODIN, Jean, In: MARQUES, Adhemar et al. História moderna através de textos. 5. ed. São Paulo : Contexto, 1997. p. 92-93. 
O Expansionismo Marítimo e Comercial
	“A descoberta da América por Cristóvão Colombo faz parte do processo de expansão do capitalismo europeu. O comércio, renascido em fins da Idade Média e desenvolvido no interior da Europa entre as cidades italianas e flamengas, foi deslocado, no século XIV, para o litoral atlântico. A escassez de metais preciosos provocava a falta de moeda em circulação, agravando os problemas já existentes. As nações da costa atlântica (Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Holanda), detentoras do comércio sobrevivente, eram as que mais sofriam com a crise e, para superá-la, precisavam encontrar metais preciosos para valorizar suas moedas. Por outro lado, dependiam das cidades italianas para o fornecimento das mercadorias orientais trazidas pelos árabes, que dominavam o comércio no Mediterrâneo.Assim, a busca de novos caminhos para atingir o Oriente, terra encarada como fonte de riquezas, passou a constituir uma questão de sobrevivência. Era preciso enfrentar o Atlântico, explorá-lo, buscando saídas, e para financiar um empreendimento desse porte era condição prévia a existência de Estados Nacionais com poder político centralizado e recursos financeiros volumosos. Portugal e Espanha formaram os primeiros Estados Nacionais. Estavam, portanto, prontos para liderar o expansionismo marítimo e, levados pela necessidade, assim o fizeram.
PINSKY, Jaime et al. História da América através de textos. 3. ed. São Paulo : Contexto, 1991. p. 23. (contexto@editoracontexto.com.br)
	O texto introdutório nos apresenta, de forma sucinta, os fatos que levaram os governos europeus ao expansionismo marítimo, bem como as condições prévias e necessárias para que conseguissem chegar ao Oriente e aí pudessem tomar posse das riquezas tão necessárias e almejadas por todos.
	Afinal, de que forma a crise econômica e comercial na Europa contribuiu para esse processo? Por que Portugal e Espanha saíram na frente de outros estados aparentemente mais fortes e melhor estruturados, como França e Inglaterra? O que aconteceu com as ricas cidades italianas de Gênova e Veneza, que comercializavam os produtos orientais na Europa?
	Já tivemos oportunidades de estudar em outros momentos a crise européia do final do século XIV e início do XV. Inúmeras foram as suas causas: esgotamento dos solos, uso de técnicas inadequadas, guerras, pestes, fome, revoltas urbanas, insurreições camponesas, declínio do comércio, entre outras. Enfim, a crise tinha conotações de ordem social, econômica e política, era o contexto do mundo feudal e de seu sistema que estava agonizando. A partir dessa crise do sistema feudal, vemos surgir, aos poucos, elementos de um novos sistema econômico em formação, o capitalismo.
	O historiador Edward Mcnall Burns apresenta-nos uma definição de capitalismo mais próxima de sua concepção inicial: “Um sistema de produção, distribuição e troca no qual a riqueza acumulada é investida por seus possuidores privados, com fins lucrativos”.
	Um outro historiador, Marvin Perry, amplia essa definição, ao fazer menção à “lei da oferta e da procura”, uma das características mais marcantes do conceito que se tem de capitalismo, na atualidade: “O Capitalismo também é considerado um sistema da livre empresa: não só as decisões básicas são deixadas aos indivíduos, como também são tomadas em reação às forças do mercado. Em outras palavras, os homens têm liberdade de obedecer à lei da oferta e da procura. Quando as mercadorias e mão-de-obra são escassas, os preços e os salários sobem; quando são abundantes, eles caem”.
	A partir dessas definições de sistema capitalista, fica mais fácil compreender de que forma as atividades comerciais e o lucro proveniente delas foi, aos poucos, conquistando maior importância no mundo moderno.
	Quando o comércio foi reativado na Baixa Idade Média, a burguesia passou a controlar grande parte das atividades econômicas – comércio, transporte de mercadorias, bancos, etc. O lucro obtido por essas transações comerciais assumiu importância cada vez maior com isso, o capital monetário (moeda) passou a concorrer com a maior riqueza existente da época, a posse da terra. A partir da Idade Moderna, com o expansionismo marítimo e a conquista de novas terras, as transações comerciais e monetárias adquiriram um novo e grande impulso, intensificando, assim, a importância do sistema capitalista em formação.
Queda de Constantinopla
	O comércio mantido com o Oriente, de onde chegavam à Europa os mais diversos produtos, como drogas, especiarias e artigos de luxo (tapetes, seda, perfumes e outras matérias-primas), era monopolizado pelas cidades italianas de Gênova e Veneza. Essas cidades, por exigência dos árabes, pagavam em ouro e prata pelos produtos comercializados. Quando em 1453, Constantinopla caiu em mãos dos turcos otomanos, cujo Império estava em expansão, os produtos orientais tornaram-se ainda mais caros e escassos, pois as rotas terrestres das especiarias passaram a ser controladas por aquele povo que, por sua vez, exigia o pagamento de uma sobretaxa aos produtos importados pelos europeus.
	Diante dessa dificuldade, a burguesia, envolvida com as atividades comerciais e dependente dos lucros provenientes dessas transações, aliou-se aos monarcas no intuito de descobrir novos caminhos marítimos que os levassem diretamente às Índias. A aliança firmada entre a burguesia e a monarquia ia ao encontro dos interesses de ambas as partes; a burguesia queria expandir o seu comércio; o rei, conquistar novos territórios e novas fontes de riquezas que possibilitassem a continuidade da sua consolidação política. Dessa forma, movidos por interesses comuns, burgueses e soberanos uniram suas forças para financiar as expedições marítimas.
Pioneirismo Português
	Vários foram os fatores que possibilitaram a Portugal tomar a frente no processo de expansionismo marítimo.
	A localização geográfica de Portugal em relação ao Oceano Atlântico foi sem dúvida um forte aliado de seu pioneirismo.
	Desde o século XIV, o porto de Lisboa era utilizado como importante entreposto comercial para as embarcações italianas que comercializavam com as cidades do norte da Europa. Além disso, uma grande parte da comunidade portuguesa já desenvolvia atividades pesqueira no Atlântico. Essa intensa movimentação no porto de Lisboa impulsionou o desenvolvimento de um poderoso grupo mercantil no país – a burguesia mercantil do Estado.
	A aliança estabelecida entre a monarquia portuguesa e a poderosa burguesia mercantil local foi determinante para que Portugal pudesse se lançar na conquista do Atlântico.
	O infante D. Henrique, filho mais novo do rei de Portugal, não mediu esforços para estimular a criação de um centro de estudos náuticos, a Escola de Sagres. Essa escola representou um laboratório de experiências, um centro de estudos astronômicos e também oficina para a construção de navios. D. Henrique reuniu, ali, os mais destacados geógrafos, cosmógrafos, cartógrafos, matemáticos e marinheiros da época.
Conquistas Portuguesas
1415	-	Conquista de Ceuta – cidade marroquina ao sul do Estreito de Gibraltar, dominada pelos árabes muçulmanos.
1418	-	Ocupação das ilhas de Açores e Madeira, locais onde os portugueses experimentaram, pela primeira vez, o sistema de capitanias hereditárias e desenvolveram o plantio da cana-de-açúcar.
1434	-	Gil Eanes ultrapassa o Cabo Bojador (limite extremo oeste da África, chegando à Guiné, região de grande prospecção de ouro.
1460	-	Descoberta das ilhas de Cabo Verde.
1482	-	Diogo Cão atinge a foz do Rio Zaire (Congo), onde os portugueses constroem a fortaleza de São Jorge da Mina, importante centro do tráfico negreiro.
1485	-	O mesmo Diogo Cão chega a Angola.
0. Bartolomeu Dias atinge o Cabo das Tormentas (posteriormente, Cabo da Boa Esperança), no extremo sul da África.
1498	-	Vasco da Gama chega a Calicute, costa oeste da Índia.
1500	-	Pedro Álvares Cabral chega do Brasil.
	Após chegar às Índias e finalmente ter conseguido desbancar o monopólio das cidades italianas sobre os produtos orientais, os portugueses prosseguiram nas conquistas de outros territórios, formando um vasto império colonial. Assim, fixaram-se em Goa, capital comercial do oeste da Índia, e também em Diu e Cochim. Em 1517, chegaram à China e, a partir de 1520, estabeleceram comércio na região de Cantão.
	O comércio com o Oriente deu aos portugueses grandes lucros. Entretanto, num curto espaço de tempo a realidade das novas conquistas se mostrou menos atraente: era preciso proteger as terras conquistadas, construir fortalezas, feitorias e novas embarcações que pudessem patrulhar essas regiões. O número de funcionários para atenderem a todas essas atividades multiplicou-se e os lucros diminuíram. Não tardou muito para que outras nações também entrassem na disputa pela conquista de novas rotas comerciais. A partir daí, pouco a pouco, Portugal acabousendo superado por outras nações, como França, Inglaterra e Holanda. Foi somente a partir de 1530, quanto as atividades comerciais marítimas começaram a declinar, que Portugal se voltou para a exploração comercial agrícola do Brasil.
Conquistas Espanholas
	A Espanha foi a segunda nação a lançar-se na corrida expansionista, com o objetivo de encontrar um novo caminho marítimo para as Índias. Após ter expulsado, definitivamente, os árabes muçulmanos do seu território (1492) e ter conseguido unificar o seu Estado por meio do casamento da rainha Isabel de Castela com o rei Fernando de Aragão, a Espanha pôde, então, aventurar-se no além-mar.
	Tendo saído após os portugueses na corrida expansionista, a Espanha foi obrigada a buscar outros caminhos que não aqueles percorridos anteriormente por Portugal. O navegador genovês Cristóvão Colombo, que não obtivera êxito com os reis portugueses, parecia possuir a solução para as necessidades da Espanha. Ele afirmava ser possível alcançar as Índias navegando pelo Ocidente, ou seja, sair do Ocidente e chegar ao Oriente sem ter de percorrer o caminho pelo sul da África, como haviam feito os portugueses.
	Nessa época de navegações e conquistas, discussões a respeito da forma da Terra geravam grandes debates. Para a Igreja Católica, ela tinha forma plana; o Grego Ptolomeu defendia a ideia de que era redonda; outros ainda imaginavam que teria a forma de um disco. Colombo concordava com a ideia de Ptolomeu e teve muitas dificuldades para convencer os reis católicos espanhóis da esfericidade da Terra, pois suas ideias eram contrárias à crença da Igreja. Ele teve de esperar alguns anos até que a rainha Isabel se convenceu de seus conhecimentos náuticos e, finalmente, financiou a expedição.
	Assim, no dia 03 de agosto de 1492, uma tripulação de 190 homens, chefiados por Cristóvão Colombo, parte do porto de Palos a bordo de três caravelas – Santa Maria, Pinta e Nina – com o objetivo de chegar às Índias. Todavia, em 12 de outubro do mesmo ano, a expedição chegou à América e aportou na Ilha de Guanaani (nas Bahamas), a qual Colombo denominou São Salvador. Ele realizou ainda outras três viagens para a América; esteve nas Antilhas, Honduras e Porto Rico (América Central) e, como estava convencido de ter chegado às Índias, denominou os nativos que ali encontrou de índios. Foi o navegador Américo Vespúcio, companheiro de Colombo em várias expedições, que, em 1504, concluiu tratar-se de um novo continente entre a Europa e a Ásia, e não das Índias como imaginara Cristóvão Colombo.
Em alusão a América Vespúcio, as novas terras passaram a chamar-se América.
	Após a descoberta do novo continente feita pela expedição de Colombo e a confirmação de sua existência por Américo Vespúcio, iniciou-se a conquista, a exploração e a colonização das novas terras pelos espanhóis. Com esse feito, a Espanha foi elevada à condição de maior potência européia do século XVI.
Viagens de Conquista dos Espanhóis
1492	-	Cristóvão Colombo chega a Ilha de Guanaani na América.
1499 ou 1500		-	Vicente L. Pinzon explorou a costa americana chegando ao Brasil, na região do Amazonas.
1513	-	Vasco Nunez Balboa alcançou o Oceano Pacífico, atravessando o istmo do Panamá.
1515	-	João Dias Sólis chegou ao Rio da Prata.
1519	-	Fernão de Magalhães iniciou a viagem de circunavegação, concluída por Juan Sebastian del Cano em 1522, comprovando, assim, a esferidade da Terra. Fernão Cortez iniciou a conquista do México.
1531	-	Francisco Pizarro conquistou o Peru.
1537	-	João Ayolas chegou ao Paraguai.
1541	-	Francisco Orellana explorou o Rio Amazonas.
	A partir dessas descobertas, iniciou-se um período de grandes disputas entre Portugal e Espanha. Vários tratados foram estabelecidos entre as duas potências expansionistas com o objetivo de delimitar os direitos de cada país sobre as terras descobertas e de outros possíveis descobrimentos. Entre eles, destacamos:
Bula Inter Coetera
	O papa Alexandre VI edita em 1493 o documento conhecido como Bula Inter Coetera, com a qual determina a partilha do mundo ultramarino entre portugueses e espanhóis.
	A partir de um meridiano situado a 100 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde, destinava a Portugal todos os territórios situados a leste, e à Espanha, as terras a oeste.
Sob a contestação de Portugal, que se sentiu prejudicado pelo tratado, foi celebrado outro, em 1494, na cidade espanhola de Tordesilhas, na Espanha.
Tratado de Tordesilhas – 1494
	Por esse novo tratado, a linha divisória anterior foi substituída por outra que definia novas proporções, agora mais favoráveis aos portugueses. A nova demarcação estipulou 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde. Essa nova divisão possibilitou aos portugueses a conquista de terras no Atlântico Ocidental, de cuja existência eles já sabiam.
	Como era de se esperar, outras nações que tinham interesse nas novas conquistas opuseram-se aos tratados que dividiam “o novo mundo a ser descoberto” como sendo exclusivamente de Portugal e Espanha.
	Conta-se que Francisco I, rei da França, teria declarado, ironicamente, que queria conhecer a cláusula do testamento de Adão, que havia legado metade do mundo a seu primo de Castela e a outra ao seu primo de Portugal.
Expansão Marítima Inglesa, Francesa e Holandesa
	A expansão marítima dos ingleses e franceses aconteceu após a dos portugueses e espanhóis.
	A Guerra dos Cem Anos contribuiu, em grande parte, para retardar esse processo, pois enquanto os problemas internos e externos desses dois países não fossem resolvidos, não se conseguiria viabilizar o processo de centralização política, condição indispensável para reunir forças e capital suficiente para investir nas conquistas expansionistas.
	O rei francês Francisco I (1515-1547) contestou o Tratado de Tordesilhas e enviou expedições chefiadas por seus navegadores Giovanni de Verrazano e Jacques Cartier, na busca de uma nova rota marítima para as índias. Esses navegadores chegaram à América do Norte e aí implantaram colônias no Canadá e na região da Luisiana (EUA) a partir do século XVII. Os franceses tentaram também, mas, sem êxito, estabelecer-se no Brasil, primeiramente no Rio de Janeiro (França Antártica) e depois no Maranhão (França Equinocial).
	Na Inglaterra, a expansão marítima começou após a Guerra das Duas Rosas, com a ascensão da dinastia Tudor (1485), quando o absolutismo foi definitivamente implantado. Em 1497, Giovanni Cabotto, a serviço desse país, buscou um cainho para o Oriente a partir do norte e acabou descobrindo o Cabo Labrador na América do Norte. Walter Raleigh, navegador inglês a serviço da rainha Elizabeth I, fundou nesse continente a colônia de Virgínia. Francis Drake realizou a segunda viagem de circunavegação à Terra.
	A França e, principalmente, a Inglaterra, diante da impossibilidade de encontrarem um novo caminho para as Índias e de tomarem posse de novos territórios, além dos já conquistados, preferiram se “especializar” na pirataria contra navios estrangeiros, principalmente espanhóis. No caso da Inglaterra, essas atividades foram, inclusive, garantidas pelo Estado, pois por meio dessa prática conseguia obter altíssimos lucros. No século XVI, a Inglaterra ainda não se dedicou ao tráfico e ao comércio de escravos negros para as Américas. Afinal, como afirmava Walter Raleigh: “Quem controla o mar, controla o comércio, controla as riquezas do mundo e, em consequência, o próprio mundo”.
	A Holanda, que esteve sob o domínio da Espanha, obteve sua independência no século XVI e, rapidamente, tornou-se uma surpreendente força econômica, chegando mesmo a emprestar dinheiro a outras nações, inclusive a Portugal quando da implantação de indústria açucareira no Nordeste brasileiro. Suas companhias marítimas estiveram fortemente ligadas ao comércio das especiarias e ao tráfico negreiro. Eles exploraram o litoral norte-americano, fundando ali a Nova Amsterdã que mais tarde foi transformada pelos ingleses em Nova Iorque.
	Durante o século XVII, o Nordeste brasileiro (1630-1654), o Suriname e algumas regiões das Antilhasna América Central estiveram sob seu domínio.
Leitura Complementar
“Personagens da Epopeia Marítima”
	“Estamos acostumados a associar os descobrimentos com a história de Portugal e Espanha. Embora esses países tenham sido responsáveis pela montagem das frotas de Cristóvão Colombo, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Fernão de Magalhães (entre outros), a presença da Itália e dos italianos nesses empreendimentos foi muito grande.
	As cruzadas e o comércio, realizados especialmente por Gênova e Veneza, permitiram à Europa criar uma política de expansão. A Itália não só centralizou o comércio como todas as atividades culturais. Reunindo esforços, avançou na cartografia, melhorou os instrumentos de navegação e reuniu os conhecimentos necessários aos grandes empreendimentos.
	Portugal e Espanha, de fato, tiveram sua expansão marítima favorecida pela localização geográfica. Os italianos ofereceram apoio financeiro para recuperar o comércio com o Oriente.
	O comércio vivia um período de expansão, encontrando na própria religiosidade da população fortes argumentos que justificavam a expansão da fé.
	As viagens pela costa da África serviram à experimentação portuguesa, testando as naus e os conhecimentos técnicos necessários para a navegação no mar-oceano. Ao romper os limites do cabo da Boa Esperança, os navegadores europeus contaram com o apoio dos pilotos asiáticos. Dessa forma, foi possível a Portugal chegar à China em 15 anos.
	A conquista dos mares e os descobrimentos representam a capacidade dos europeus, envolvidos na arte da navegação, de incorporar conhecimentos de diversas origens, adaptando-os às suas necessidades. Essa tarefa foi realizada, supondo sempre a presença do dedo de Deus, favorecendo, em meio à difusão da fé, a montagem de uma economia mundial.
	A história das armadas portuguesas e espanholas, de seus capitães, dos acertos e desacertos em mar ou em terra, indica a fortuna (destino) daqueles que cumpriam esta nobre missão: descobrir, catequizar, colonizar e transformar, em uma imagem semelhante a si mesmo, o Novo Mundo.”
THEODORO, Janice. Descobrimento e renascimento. Navegações : realidade e fantasia cultura americana X cultura renascentista avanço do conhecimento científico. 3. ed. São Paulo : Contexto, 1995. p. 23-24.
	
	NOME: Amanda Campos de Paiva Almeida
	RM: 101433
	Tipo de Ensino:
	Médio:
	X
	Técnico:
	
	Módulo/Série:
	1º
	X
	2º
	
	3º
	
	4º
	
	Habilitação: História
	Conteúdo: Exp. Marítima e Comercial; Estado Nacional; Absolutismo e Mercantilismo
Competências: Criticar, analisar e interpretar fontes documentais de natureza diversa.
	PROVA:
	Mensal:
	X
	Bimestral:
	
	Prog. Parcial:
	
	Outros:
	
	 
	Menção:
	MB
	
	B
	
	R
	
	I
	
	Professor(a):Celso Luiz Lucas
	Observações: Editem o trabalho e respondam no próprio formulário, estando pronto enviem para o endereço eletrônico do professor; rasura anulam-nas; .
Questão 1:
O 12 de outubro de 1492 tornou-se a data consagrada, tanto na Espanha como em diversos países americanos, para registrar a chegada da expedição de Cristóvão Colombo à América. A pintura histórica reproduzida acima, elaborada na Espanha por ocasião das comemorações de 400 anos desse acontecimento, apresenta uma interpretação do processo de conquista e colonização do continente americano. 
Identifique um elemento da pintura que está associado a essa interpretação, explicitando o significado desse elemento.
Identifique, também, a partir do episódio retratado na reportagem do jornal Daily Detroit, uma crítica à interpretação simbolizada na pintura. 
R: O principal elemento que vemos na pintura, associada a interpretação do pintor, é a cordialidade entre os europeus e povos americanos, onde vemos ambos se cumprimentando em paz e sem agressões. Há também uma cruz empunhada por Cristóvão representando uma mensagem de paz.
A reportagem mostrada no Jornal é uma de muitas noticiais sobre agressões cometidas a monumentos de Cristóvão Colombo. Essas agressões, e outras notícias como alterações de dadas comemorativas em homenagem a Cristóvão, mostram que o papel e legado deixado por Cristóvão estão sendo revistos.
A principal alegação nos protestos é de que o maior genocídio cometido na história, cometido pelos Europeus contra os povos nativos americanos, através de armas de fogo e/ou doenças, teve início com Cristóvão Colombo.
Portanto, essa imagem de paz, cordialidade e tranquilidade passada pela pintura, não é aceita por essa nova revisão do papel de Cristóvão Colombo.
Questão 2:
O escritor Fernão Mendes Pinto não foi o único a criticar a construção de um império que ia da Índia ao Amazonas. Outros – entre os quais se destacam Gil Vicente e Camões – registraram que o reverso da medalha do papel de civilizadores e missionários assumido pelos portugueses era a brutalidade, a covardia, a avareza, a crueldade, a pilhagem e o desprezo pelas sensibilidades, costumes, crenças e propriedades dos locais. A prosa e a poesia do século XVI exprimiram o receio de que o preço a pagar por tal aventureirismo poderia ser a degenerescência moral e o declínio das virtudes cívicas em Portugal.
(Adaptado de A. J. R. Russel-Wood, Reviewed work: The Travels of Fernão Mendes Pinto by Fernão Mendes Pinto, Revecca D. Catz. The International History Review, p. 568-572, ago. 1990.)
a) Explique as críticas de Gil Vicente e Camões à construção do Império português da Época Moderna.
R: Os autores Gil Vicente e Camões criticam o caráter brutal da conquista da América feita pelos portugueses, utilizando métodos violentos para conquistar e manter a submissão desses povos e além de se aproveitar de suas estruturas culturais desorganizadas e a apropriação de suas riquezas naturais para esta mesma finalidade. Além do mais, os autores demostram o temor de que o emprego desses métodos possa refletir na sociedade portuguesa e provocar uma degradação moral e cívica do seu povo. 
b) Cite e explique uma forma de resistência à presença dos portugueses no Ultramar. 
R: As formas de resistência não foram uma ação uniforme, muitos povos recorreram a lutas armadas para impedir o avanço dos colonizadores, como a Confederação dos Cariris ocorrida no Ceará, já outros preferiram fugir para o interior do país, o que também acabou gerando conflitos, só que dessa vez entre os povos indígenas, uma vez que no interior do país já haviam outras tribos previamente instaladas e possuíam o conhecimento do território no qual se encontravam, diferentemente dos indígenas recém chegados que estavam fugindo dos colonizadores portugueses. 
Questão 3:
Sobre o diário do indígena Chimalpahin, o historiador Serge Gruzinski escreveu: Toda a obra do cronista transborda de anotações que desenham um imaginário planetário, cujas referências nos parecem muitas vezes inesperadas. Dois meses depois de ter evocado o assassinato do rei de França, em 15 de novembro de 1610, Chimalpahin dirige seu olhar para o Japão e anota: “Dom Rodrigo de Vivero, vindo do Japão, perto da China, fez sua entrada na Cidade do México. Fez-se amigo do imperador japonês e este lhe emprestou a fortuna que Rodrigo trouxe à Cidade do México; ele trouxe, além disso, alguns japoneses com ele. Todos estavam vestidos como se vestiam lá, com uma espécie de colete e um cinto em torno da cintura, onde levavam sua katana de aço, uma espécie de espada. Não se mostravam tímidos, não eram pessoas calmas ou humildes, tinham, ao contrário, o aspecto de águias ferozes.”
(Adaptado de Serge Gruzinski, As quatro partes do mundo: história de uma mundialização. Belo Horizonte: Editora UFMG, São Paulo: Edusp, 2014, p. 36.)
Considerando o estudo histórico de Gruzinski e seus conhecimentos,
a) Identifique, a partir do texto, dois aspectos que caracterizam os contatos culturais;
R: Um dos aspectos descritos é a chamada alteridade, a caracterização/concepção pela percepção de outra pessoa, e o outro é a sua descrição usando como referência elementos culturais específicos. Esses dois aspectos podem ser observados pela descrição dos japoneses dada por Chimalpahin, descrevendo principalmentesuas vestimentas e gestos. Também é possível observar as consequências da Conquista da América Espanhola, visto nas referências que um habitante originário do continente americano faz à França, ao Japão e à China, demonstrando um conhecimento acerca do mundo que só se tornou possível após as grandes navegações.
b) Explique a importância do diário de Chimalpahin para a compreensão do processo de colonização da América. 
R: O diário de Chimalpahin pode ser considerado uma fonte primária, uma vez que foi escrito por um nativo americano que viveu naquele período, além de conter uma perspectiva acerca daquela época vinda de um indígena, uma vez que grande parte das informações conhecidas sobre as conquistas europeias na América foram produzidas por europeus. 
Questão 4:
Observe a imagem:
Sobre essa imagem, Michel de Certeau, importante historiador no século XX, escreveu: 
“Américo Vespúcio, o Descobridor, vem do mar. De pé, vestido, encouraçado, trazendo as armas europeias do sentido e tendo por detrás dele navios que trarão para o Ocidente os tesouros de um paraíso. Diante dele a América Índia, mulher estendida, nua, presença não nomeada da diferença, corpo que desperta num espaço de vegetação e animais exóticos”. 
(CERTEAU, Michel de. A escrita da história. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 9.)
Considerando a imagem de Theodor Galle o comentário de Michel de Certeau, e tendo como referência as transformações ocorridas no início da Era Moderna, comente o impacto que a Conquista da América teve no continente Europeu, na política, na cultura e na religião. 
R: Antes da era dos descobrimentos, Veneza e outras cidades detinham o poder econômico e comercial europeu, através do mediterrâneo, mas com a queda de Constantinopla em 1453 essa situação se alterou, com uma mudança do centro político, econômico e comercial do mediterrâneo para a Europa ocidental via atlântico. Os portugueses, que já haviam iniciado suas navegações desde a reconquista da península ibérica, aproveitaram criando rotas de comércio e foram seguidos por outros países como a Espanha. Anos depois, as cidades de Antuérpia na Bélgica e Amsterdam na Holanda se tornaram as potências econômicas e comerciais da Europa.
A queda de Constantinopla também foi um baque para a Igreja Católica que buscou uma expansão do Cristianismo através dos territórios descobertos através das navegações.
Mais tarde, a Espanha começou sua extração de prata e ouro a partir de suas colônias americanas, tornando-se uma potência econômica, política e militar. Mas essa condição trouxe problemas econômicos para a Espanha e para a Europa, que até então carecia de moeda e a prata espalhada na Europa pela Espanha provocou uma inflação generalizada.
Questão 5:
A política expansionista empreendida pela Coroa portuguesa desde o início do século XV pelo Atlântico, em direção à África e América Portuguesa, tinha como intuito a exploração econômica, obtida por meio do comércio, sobretudo de produtos tropicais, metais preciosos e escravos; e também objetivos geopolíticos e religiosos com o estabelecimento das novas rotas atlânticas e a expansão do cristianismo.
Com relação à expansão do cristianismo nos continentes americano e africano,
a) Indique duas ações empreendidas pela Coroa portuguesa para expandir o cristianismo na América portuguesa;
R: Incentivo à formação de missões religiosas e à formação de religiosos, cujos objetivos eram realizar a catequização dos indígenas, que também era apoiada pela Coroa. 
b) Explique a relação entre a expansão do cristianismo e os interesses comerciais portugueses em territórios africanos. 
R: Durante a era dos descobrimentos e das grandes navegações portuguesas, houve uma grande expansão do cristianismo com a conversão dos povos africanos. Essa conversão foi utilizada pelos portugueses para estabelecer privilégios comerciais e controle sobre vários povos e territórios africanos. 
Temos como exemplo dessa conversão o reino do Congo. O povo possuía a crença em uma divisão do mundo em dois, um dos vivos e outro dos mortos, separados pelo mar. Em sua primeira visita ao Congo, os portugueses levaram alguns congolenses reféns, e na sua segunda visita, trazendo de volta estes reféns que haviam sido bem tratados, estes reféns foram considerados como que voltando do mundo dos mortos, e os portugueses considerados deuses, sendo a sua religião adotada pelo congolenses, incluindo o rei. A partir daí, houve o estabelecimento de uma relação, onde os portugueses ajudavam os congolenses contra seus inimigos, sendo que os inimigos aprisionados fornecidos como escravos aos portugueses, e os portugueses ganharam vantagens comerciais.
Essa conversão das elites africanas ao cristianismo, garantia vantagens comerciais aos portugueses como: o estabelecimento de feitorias, o controle de rotas comerciais, e o “monopólio” do comércio de alguns produtos.
Questão 6:
Na Europa, até o século XVIII, o passado era o modelo para o presente e para o futuro. O velho representava a sabedoria, não apenas em termos de uma longa experiência, mas também da memória de como eram as coisas, como eram feitas e, portanto, de como deveriam ser feitas. Atualmente, a experiência acumulada não é mais considerada tão relevante. Desde o início da Revolução Industrial, a novidade trazida por cada geração é muito mais marcante do que sua semelhança com o que havia antes.
(Adaptado de Eric Hobsbawm, O que a história tem a dizer-nos sobre a sociedade contemporânea?, em: Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 37-38.)
a) Segundo o texto, como a Revolução Industrial transformou nossa atitude em relação ao passado?
R: O texto afirma que, antes da Revolução Industrial, o passado era visto como um modelo e os velhos representavam a sabedoria, a experiência e a memória, assim as gerações possuíam semelhanças entre si, pois os velhos tinham conhecimento de como as coisas eram feitas, portanto também sabiam como as coisas deveriam ser feitas. Depois da Revolução Industrial, a experiência perdeu importância, porque o mais importante eram as novidades que cada geração trazia, assim a memória do passado e a experiência resultante dela perderam relevância.
b) De que maneiras a Revolução Industrial dos séculos XVIII e XIX alterou o sistema de produção?
R: A Revolução Industrial substituiu as manufaturas e o sistema doméstico de produção pelo sistema fabril, no qual máquinas executavam o processo produtivo. Diferentemente da ferramenta, a máquina possui uma fonte uniforme de energia que impõe um ritmo de produção ao qual o trabalhador deve se subordinar, o que acabou levando à perda do controle do trabalhador sobre o processo de trabalho acarretando no fim do artesanato.
Questão 7:
Nos séculos XIV e XV, o Ocidente cristão passou por crises que levaram ao declínio do modelo social, econômico e político então vigente. Sobre esse período, responda as questões a seguir.
a) A que modelo se refere o enunciado acima?
R: O modelo referente é o feudalismo. 
b) Cite quatro características do modelo acima referido.
R: Podemos citar como características do feudalismo, as relações de suserano e vassalagem, a descentralização política, a economia baseada na agricultura e a influência e dominância da Igreja Católica no pensamento e nas atitudes da população daquela época.
Questão 8:
Entre os séculos XV e XVI, ocorreu a transição da Idade Média para a Idade Moderna. Sintetize as principais características do período Moderno. 
R: Centralização do poder político (absolutismo), reformas religiosas (Reforma e Contrarreforma), expansão marítima (grandes navegações), renascimento cultural (renascimento e iluminismo) e renascimento comercial (reabertura da rota do Mediterrâneo).
Questão 9:
Observe a figura abaixo de Pedro Berruguete, do final do século XV, retratando um auto-de-fé.
Fonte: Francisco Bethencourt, História das Inquisições, Lisboa, Círculo de Leitores, 1994.
a) Identifique, na imagem, os personagens que participam de uma cerimônia pública da Inquisição.
R: O clero, a população,o inquisidor, a burguesia e a nobreza.
b) Explique por que as ações da Inquisição se davam por meio de cerimônias públicas.
R: As ações da Inquisição ocorriam em cerimônias públicas, pois os seus principais objetivos eram de julgar e condenar os que eram considerados hereges pela Igreja Católica. Dessa maneira, a escolha por realizar as ações em local público se mostram como uma demonstração de poder da Igreja e como uma forma de pressão à população, visando manter o seu domínio e a ordem na sociedade.
c) Caracterize a atuação da Inquisição no Brasil colonial. 
R: O desenvolvimento da Inquisição no Brasil difere do que se passou nos países ibéricos, O Brasil recebeu visitações de inquisidores cujo objetivo era investigar comportamentos e inibir qualquer prática alheia aos princípios estabelecidos pela igreja. As suspeitas de heresias investigadas pela Inquisição estavam associadas, em sua imensa maioria, à figura dos cristãos-novos (isto é, judeus convertidos ao cristianismo) acusados de disseminar o judaísmo.
Questão 10:
No ano de 1070, os habitantes da cidade de Mans revoltaram-se contra o duque da Normandia. O bispo fugiu e relatou: "Fizeram então uma associação a que chamam comuna, uniram-se por um juramento e forçaram os senhores dos campos circundantes a jurar fidelidade à comuna. Cheios de audácia, começaram a cometer inúmeros crimes. Até queimaram os castelos da região durante a Quaresma e, o que é pior, durante a Semana Santa".
(Adaptado de J Le Goff, "A Civilização do Ocidente Medieval", Lisboa, Estampa, 1984, vol. 2, p.57.)
a) Qual é o conflito social que está representado nesse texto?
R:  As revoltas urbanas organizadas pelos burgueses, ocorridas durante a Idade Média, chamadas de Movimento Comunal.
b) Relacione esse conflito ao renascimento das cidades a partir do século XII.
R: Essas revoltas estão relacionadas ao Renascimento Comercial e Urbanos ocorridos durante a Baixa Idade Média. Esses movimentos foram comandados pela nova classe social, a burguesia, com o objetivo de libertar as cidades do domínio feudal, pois os senhores feudais cobravam taxas dos habitantes das cidades, e impediam o trânsito livre de mercadorias, impossibilitando o desenvolvimento comercial. Tivemos então a luta entre o feudalismo, que se encontrava em decadência, e o capitalismo, que estava em formação.
c) Por que a Igreja costumava se opor à associação das comunas? 
R: A Igreja validava as relações políticas, sociais e econômicas do Feudalismo, assim o desenvolvimento e o fortalecimento das cidades ameaçavam a hegemonia que a igreja medieval exercia sobre a sociedade feudal.

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