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1 
REGRAS GERAIS DO DIREITO DE EMPRESA 
NO CÓDIGO CIVIL DE 2002 
 I. INTRODUÇÃO 
 A tentativa de unificação do direito privado é apenas formal, 
continuando a existir, como ramos autônomos e independentes da árvore 
jurídica, o direito civil e o direito comercial. A autonomia de um direito 
não é a existência de um diploma legislativo que contemple 
exclusivamente suas regras jurídicas, mas a existência de institutos 
jurídicos e princípios informadores próprios. 
 No Brasil, a tentativa de unificação nem poderá ser afirmada, uma 
vez que o Código Comercial não foi totalmente revogado, restando em 
vigor a parte segunda, relativa ao comércio marítimo. Ademais, existem 
diversas normas de direito comercial espalhadas pelo ordenamento 
jurídico, tais como a Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976), a Lei 
de Propriedade Industrial (Lei 9.279/1996), a Lei de Falência e 
Recuperação de Empresas (Lei 11.101/2005), entre outras. 
 Assim, continuam a existir o direito comercial e o civil 
como disciplinas autônomas e independentes. O fato de grande 
parte das regras que compõem o regime jurídico comercial/empresarial 
estarem hoje espalhadas pelo Código Civi1 e em diversas leis esparsas 
não descaracteriza o direito comercial/empresarial, nem retira a sua 
autonomia e independência. 
 De outro modo, é fato que no CCB/02 estão as regras básicas e 
gerais do direito empresarial brasileiro, isto é, sua matéria nuclear, 
ficando para disciplinamento em leis específicas temas especiais, como o 
direito de propriedade industrial, as sociedades por ações e o direito 
falimentar, por exemplo - Título I do Livro II, da Parte Especial, 
denominado de Direito de Empresa. 
 2 
 Está em tramitação no Congresso Nacional o PL 1.572/2011, que 
visa a instituir um novo Código Comercial no Brasil, o qual revogará 
toda a parte do Direito de Empresa do atual Código Civil, acabando 
inclusive com a unificação legislativa que hoje existe no Direito Privado 
brasileiro. 
 
2. O CONCEITO DE EMPRESÁRIO 
 
 O Código Civil de 2002 adotou a teoria da empresa em substituição 
à antiga teoria dos atos de comércio, suas antigas regras que se referiam 
a ato de comércio e comerciante foram substituídas pelas expressões 
empresa e empresário. 
 O conceito de empresário está no art. 966 do Código Civil 
("considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade 
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de 
serviços"). Dela podemos extrair os principais elementos à sua 
caracterização: a) profissionalidade ; b) atividade econômica organizada 
e c) produção ou circulação de bens ou de serviços. 
 Profissionalidade significa dizer que só será empresário aquele que 
exercer determinada atividade econômica dessa forma (profissional), ou 
seja, se fizer do exercício daquela atividade a sua profissão habitual. O 
exercício de atividade econômica esporádica (venda de um carro, de um 
apartamento), não será considerado empresário, não sendo abrangido 
pelo .regime jurídico empresarial. 
 Atividade econômica organizada representa a empresa como uma 
atividade exercida com intuito lucrativo, pois é característica intrínseca 
das relações empresariais a assunção do risco e a obtenção do lucro. Essa 
atividade é também organizada, ou seja, significa que empresário é 
 3 
aquele que articula os fatores de produção (capital, mão de obra, 
insumos e tecnologia). No mesmo sentido, diz-se que o exercício de 
empresa pressupõe, necessariamente, a organização de pessoas e meios 
para o alcance da finalidade almejada. Como dizia Asquini, o empresário 
é responsável pela "prestação de um trabalho autônomo de caráter 
organizador", e é isso, junto com a assunção dos riscos do 
empreendimento, que justifica a possibilidade de ele auferir lucro. 
 Entretanto, essa ideia fechada de que a organização dos fatores de 
produção é imprescindível para a caracterização do empresário deve ser 
ponderada à luz da economia capitalista. De um lado há os 
microempresários, os quais, não raro, exercem atividade empresarial 
única ou preponderantemente com trabalho próprio. De outro lado, há os 
empresários virtuais, que muitas vezes atuam isoladamente, resumindo-
se sua atividade à intermediação de produtos ou serviços por meio da 
internet. 
 Por fim, em contraposição à antiga teoria dos atos de comércio, a 
qual restringia o âmbito de incidência do regime jurídico comercial a 
determinadas atividades econômicas elencadas na lei, a teoria da 
empresa abrange qualquer atividade econômica e as submete-se ao 
regime jurídico empresarial, bastando que seja exercida 
profissionalmente, de forma organizada e com intuito lucrativo. Sendo 
assim, a expressão produção ou circulação de bens ou de serviços deixa 
claro que nenhuma atividade econômica está excluída, a priori, do 
âmbito de incidência do direito empresarial. 
 A teoria da empresa, além de denotar a abrangência sobre toda 
atividade econômica, também nos permite concluir que só restará 
caracterizada a empresa quando a produção ou circulação de bens ou 
serviços destinar-se ao mercado, e não ao consumo próprio. 
 4 
 
2.1. Empresário individual x sociedade empresária 
 
 O art. 966 do Código Civil, ao conceituar empresário como aquele 
que exerce profissionalmente atividade econômica organizada, não está 
se referindo apenas à pessoa física (ou pessoa natural) que explora 
atividade econômica, mas também à pessoa jurídica. O empresário pode 
ser um empresário individual (pessoa física que exerce profissionalmente 
atividade econômica organizada) ou uma sociedade empresária (pessoa 
jurídica constituída sob a forma de sociedade cujo objeto social é a 
exploração de uma atividade econômica organizada). 
No caso de sociedade empresária importa dizer que seus sócios 
não são empresários: o empresário, nesse caso, é a própria sociedade, 
ente jurídico ao qual a lei confere personalidade e, consequentemente, 
capacidade para adquirir direitos e contrair obrigações. 
Nesse sentido, a expressão empresário designa um gênero, do qual 
são espécies o empresário individual (pessoa física) e a sociedade 
empresária (pessoa jurídica). Confira-se, a esse respeito, o seguinte 
julgado do STJ: 
 
Recurso especial. Ofensa aos arts. Direito Civil e Processual Civil. Insolvência 
civil. Ofensa aos arts. 458, II, e 515, § 1º, do CPC. Alegação genérica. Incidência 
da Súmula 284/STF Omissão. Não ocorrência. Manifestação direta do Tribunal 
acerca do ponto pretensamente causa madura. Aplicação extensiva do art. 
omisso. 515, § 3.º do CPC, Pedido de insolvência civil manejado contra sócio de 
empresa. Possibilidade. Ausência da figura do comerciante. Recurso especial não 
conhecido. 
 
(...) 5. A pessoa física, por meio de quem o ente jurídico pratica a mercancia, por 
óbvio, não adquire a personalidade desta. Nesse caso, comerciante é somente a 
pessoa jurídica, mas não o civil, sócio ou preposto, que a representa em suas 
relações comerciais. Em suma, não se há confundir a pessoa, física ou jurídica, 
que pratica objetiva e habitualmente atos de comércio, com aquela em nome da 
qual estes são praticados. O sócio de sociedade empresarial não é 
comerciante, uma vez que a prática de atos nessa qualidade são 
 5 
imputados à pessoa jurídica à qual está vinculada, esta sim, detentora 
de personalidade jurídica própria. Com efeito, deverá aquele sujeitar-se ao 
Direito Civil comum e não ao Direito Comercial, sendo possível, portanto, a 
decretação de sua insolvência civil. 6. Recurso especial não conhecido (REsp 
785.101/MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, 4.ª Turma, j. 19.05.2009, DJe 
01.06.2009). 
 
A diferença entre o empresário individual e a sociedade empresária 
é que esta, por ser uma pessoa jurídica, tem patrimônio próprio, distinto 
do patrimônio dos sócios que a integram. Assim, os bens particulares dos 
sócios, não podem responder por dívidas da sociedade (nesse sentido,confira-se o disposto no art. 1.024 do Código Civil). 
O empresário individual, por sua vez, não goza dessa separação 
patrimonial, respondendo com todos os seus bens, inclusive os pessoais, 
pelo risco do empreendimento. Por isso se diz que a responsabilidade dos 
sócios de uma sociedade empresária é subsidiária (já que primeiro devem 
ser executados os bens da própria sociedade), enquanto a 
responsabilidade do empresário individual é direta. 
 A respeito do assunto, foi aprovado o Enunciado n° 5 da I Jornada 
de Direito Comercial do CJF, com o seguinte teor: "Quanto às obrigações 
decorrentes de sua atividade, o empresário individual tipificado no art. 
966 do Código Civil responderá primeiramente com os bens vinculados à 
exploração de sua atividade econômica, nos termos do art. 1.024 do 
Código Civil". É preciso destacar que o art. 1.024 do CC é uma regra 
específica para as sociedades. 
 Ademais, a responsabilidade dos sócios de uma sociedade 
empresária, além de ser subsidiária, pode ser limitada, o que ocorre, por 
exemplo, nas sociedades limitadas e nas sociedades anônimas. Nessas 
sociedades, o sócio se compromete a contribuir com determinada quantia 
para a formação do capital social, e sua responsabilidade fica restrita a 
esse valor. Integralizado o capital social (todos os sócios tendo 
 6 
contribuído com suas respectivas quantias), os bens particulares dos 
sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, mesmo que os 
bens sociais não sejam suficientes para pagamento das dívidas. Há 
hipóteses excepcionais de responsabilização pessoal e direta dos sócios 
pela prática de atos ilícitos e a possibilidade de desconsideração da 
personalidade jurídica da sociedade (art. 50 do Código Civil). 
 O empresário individual não goza da prerrogativa de limitação de 
responsabilidade e responder diretamente com todos os seus bens pelas 
dívidas contraídas no exercício de atividade econômica (inclusive seus 
bens pessoais), 
 Portanto, enquanto a responsabilidade do empresário 
individual é direta e ilimitada, a responsabilidade do sócio de 
uma sociedade empresária é subsidiária (seus bens só podem ser 
executados após a execução dos bens sociais) e pode ser limitada, a 
depender do tipo societário utilizado. 
 Por essas razoes, no Brasil, o exercício de empresa em sociedade é 
mais vantajoso do que o exercício de empresa individualmente. E dentre 
os modelos de sociedade empresária existentes, a limitada é a que tem 
mais utilização social. 
 
2.1.1. A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada 
(EIRELI) 
 O legislador brasileiro criou a figura da empresa individual de 
responsabilidade limitada, por meio da Lei 12.441/2011, que alterou 
alguns dispositivos do CC. 
 Há duas hipóteses que poderiam se adotadas pela lei: (i) 
empresário individual de responsabilidade limitada ou (ii) sociedade 
limitada unipessoal. 
 7 
 No primeiro caso, o empresário individual, pessoa física, ao iniciar 
o exercício de uma atividade empresarial, constituiria para tanto um 
patrimônio de afetação, que não se confundiria com seu patrimônio 
pessoal, e o registraria na Junta Comercial. As dívidas adquiridas em 
função do exercício de sua atividade empresarial não poderiam ser 
executadas no seu patrimônio pessoal. 
 No segundo caso, seria suprimida a necessidade de pluralidade de 
sócios para a constituição de sociedade limitada. Um única pessoa seria 
titular de 100% das quotas do seu capital social. Assim, o patrimônio 
social não se confundiria com o patrimônio pessoal do sócio, o qual não 
poderia ser executado para garantia de dívidas sociais. 
 Em ambos os casos, o objetivo seria o mesmo: permitir que um 
determinado empreendedor, individualmente, exercesse atividade 
empresarial limitando sua responsabilidade ao capital investido no 
empreendimento, o que estimularia o empreendedorismo e acabaria com 
a prática, tão comum no Brasil,de constituição de sociedades limitadas 
em que um dos sócios tem percentual ínfimo do capital social 
(geralmente 1%) e nenhuma participação na gestão dos negócios sociais. 
 Em ambos os casos seria possível a execução dos bens pessoais do 
empreendedor que utilizasse qualquer uma dessas figuras jurídicas de 
forma abusiva ou fraudulenta, com desvio de finalidade ou pela confusão 
patrimonial. Para tanto, os credores usariam a regra do art. 50 do CC 
(desconsideração da personalidade jurídica). 
 O legislador brasileiro, porém, acabou criando uma nova figura 
jurídica, a qual se assemelha a essas duas que mencionei acima, como 
veremos a seguir. 
 
 
 8 
Primeiramente, segue o texto da Lei 12.441/2011: 
 
LEI 12.441, DE 11 DE JULHO DE 2011. 
 Altera a Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), para 
permitir a constituição de empresa individual de responsabilidade limitada. 
 A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso 
Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
 Art. 1.º Esta Lei acrescenta inciso VI ao art. 44, acrescenta art. 980-A ao 
Livro Il da Parte Especial e altera o parágrafo único do art. 1.033, todos da 
Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), de modo a instituir a 
empresa individual de responsabilidade limitada, nas condições que especifica. 
 Art. 2.º A Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), passa a 
vigorar com as seguintes alterações: 
 “Art. 44”. 
 (...)responsabilidade 
 VI - as empresas individuais de limitada. 
 (...) 
 "LIVRO II 
 (...) TÍTULO I-A 
 DA EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA 
 Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será 
constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, 
devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior 
salário mínimo vigente no País. 
§ 1.º O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão 
'EIRELI' após a ou a denominação social da empresa individual de 
responsabilidade individual. 
§ 2.º A pessoa natural que constituir empresa individual de 
responsabilidade limitada somente poderá figurar em uma única empresa dessa 
modalidade. 
 § 3.º A empresa individual de responsabilidade limitada também poderá 
resultar da concentração das quotas de outra modalidade societária num único 
sócio, independentemente das razões que motivaram tal concentração. 
 § 4.º (VETADO). 
 § 5.º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade 
limitada constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a 
remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de 
imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, 
vinculados à atividade profissional. 
 § 6.º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade limitada, no 
que couber, as regras previstas para as sociedades limitadas. 
..............................................................” 
 "Art. 1.033 ............................................................................. 
 Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV caso o sócio 
remanescente, inclusive na hipótese de concentração de todas as cotas da 
sociedade sob sua titularidade, requeira, no Registro Público de Empresas 
Mercantis, a transformação do registro da sociedade para empresário individual 
ou para empresa individual de responsabilidade limitada, observado, no que 
couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código. (NR) 
 9 
 Art. 3.º Esta Lei entra em vigor 180 (cento e oitenta) dias após a data de 
sua publicação. 
 Sobre o tema, foram editados alguns Enunciados nas 
Jornadas de Direito Civil e nas Jornadas de Direito Comercial, 
ambas realizadas pelo CJF: 
 
Jornadas de Direito Civil: 
 
 468) Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada só 
poderá ser constituída por pessoa natural. 
 469) Arts. 44 e 980-A. A empresa individual de responsabilidade 
limitada (EIRELI) não é sociedade, mas novo ente jurídico personificado.470) Art. 980-A. O patrimônio da empresa individual de 
responsabilidade limitada responderá pelas dívidas da pessoa jurídica, não se 
confundindo com o patrimônio da pessoa natural que a constitui, sem prejuízo 
da aplicação do instituto da desconsideração da personalidade jurídica. 
 471) Os atos constitutivos da EIRELI devem ser arquivados no registro 
competente, para fins de aquisição de personalidade jurídica. A falta de 
arquivamento ou de registro de alterações dos atos constitutivos configura 
irregularidade superveniente. 
 472) Art. 980-A. É inadequada a utilização da expressão "social" para as 
empresas individuais de responsabilidade limitada. 
 473) Art. 980-A, § 5.º A imagem, o nome ou a voz não podem ser 
utilizados para a integralização do capital da EIRELI. 
 
 Jornada de Direito Comercial 
 3) A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada - EIRELI não é 
sociedade unipessoal, mas um novo ente, distinto da pessoa do empresário e da 
sociedade empresária. 
 4) Uma vez subscrito e efetivamente integralizado, o capital da empresa 
individual de responsabilidade limitada não sofrerá nenhuma influência 
decorrente de ulteriores alterações no salário mínimo. 
 
2.1.1.1. A nomenclatura 
 O legislador não optou por nenhuma das nomenclaturas sugeridas 
acima. Preferiu chamar o novel instituto de "empresa individual de 
responsabilidade limitada". 
 Há um distinção entre empresa (atividade econômica organizada) 
e empresário (pessoa que exerce atividade econômica organizada). 
Infelizmente, o legislador não obedeceu a tal distinção. O correto seria 
chamar o instituto criado de "empresário individual de responsabilidade 
limitada", porque empresa é a atividade desenvolvida. 
 10 
 
2.1.1.2. A exigência de capital mínimo 
 Regra polêmica sobre a EIRELI é a que exige capital mínimo 
(igualou superior a 100 vezes o valor do maior salário mínimo vigente no 
país) para a sua constituição. Com efeito, no Brasil não existe nenhuma 
regra legal que exija capital mínimo para a constituição de sociedades, 
razão pela qual é questionável a referida exigência para a constituição de 
EIRELI, a qual é objeto da ADI 4.637, perante o STF. 
 
 Na ação, proposta pelo PPS, alega-se que "o salário mínimo não pode 
ser utilizado como critério de indexação para a determinação do capital mínimo 
necessário para a abertura de empresas individuais de responsabilidade 
limitada", uma vez que "tal exigência esbarra na notória vedação de vinculação 
do salário mínimo para qualquer fim, prevista no inciso IV do artigo 7° da 
Constituição Federal". Alega-se ainda violação do princípio da livre iniciativa, 
previsto no art. 170 da CF/88, uma vez que a exigência de capital mínimo 
"representa um claro cerceamento à possibilidade de abertura de empresas 
individuais de responsabilidade limitada por pequenos empreendedores". O 
Ministério Público Federal já ofereceu parecer opinando pela improcedência da 
ação. 
 Sobre o assunto, foi editado o Enunciado 4 da I Jornada de Direito 
Comercial: "Uma vez subscrito e efetivamente integralizado, o capital da 
empresa individual de responsabilidade limitada não sofrerá nenhuma 
influência decorrente de ulteriores alterações no salário mínimo ". Tal 
entendimento é corretíssimo. Caso contrário, sempre que houvesse alteração do 
valor do salário mínimo, poderia ser necessária a modificação do capital da 
EIRELL Imagine-se, por exemplo, que uma EIRELI tenha sido constituída com 
capital social de R$ 70 mil. Caso o salário mínimo aumentasse para R$ 800,00, a 
EIRELI teria que aumentar seu capital para R$ 80 mil. 
 
2.1.1.3. Natureza jurídica da EIRELI 
 O legislador criou um novo tipo de pessoa jurídica, acrescentando 
um inciso ao rol das pessoas jurídicas de direito privado constante do art. 
44 do CC. 
 Se o intuito era criar um "empresário individual de 
responsabilidade limitada", não precisava tê-lo colocado no rol de 
pessoas jurídicas de direito privado do art. 44 do CC. O empresário 
 11 
individual de responsabilidade limitada pode perfeitamente ser uma 
pessoa física, e a limitação de sua responsabilidade seria feita por meio 
da constituição de um patrimônio especial, formado pelos bens e dívidas 
afetados ao exercício de sua atividade econômica (patrimônio de 
afetação). 
 De outro modo, se o intuito do legislador era criar uma pessoa 
jurídica constituída por apenas um sócio, também era desnecessário 
acrescentar uma nova espécie de pessoa jurídica no rol do art. 44 do CC. 
Nesse caso, era só permitir que a sociedade limitada pudesse ser 
constituída por apenas um sócio, o qual seria titular de todas as quotas. 
Ter-se-ia, então, uma "sociedade limitada unipessoal". 
Tal com legislado, a EIRELI não é um empresário individual nem 
uma sociedade unipessoal: trata-se de uma nova espécie de pessoa 
jurídica de direito privado, que se junta às outras já existentes 
(sociedades, associações, fundações, partidos políticos e organizações 
religiosas). 
Para alguns autores, o simples fato de a EIRELI ter sido prevista 
em novo inciso acrescentado ao art. 44 do CC não é suficiente para 
caracterizá-la como nova espécie de pessoa jurídica. Para esses autores, 
a EIRELI seria uma subespécie da sociedade, assim como os partidos 
políticos e as organizações religiosas seriam subespécies da associação. 
Entretanto, o entendimento majoritário e expresso no Enunciado 3, da I 
Jornada de Direito Comercial, é o seguinte: "A Empresa Individual de 
Responsabilidade Limitada - EIRELI não é sociedade unipessoal, mas 
um novo ente, distinto da pessoa do empresário e da sociedade 
empresária". 
 
 
 12 
2.1.1.4. . O nome empresarial 
 A EIRELI pode usar tanto firma quanto denominação, assunto 
que será detalhado adiante. 
 
2.1.1.5. O veto ao § 4.º do art. 980-A 
 Houve o veto da Presidenta da República ao § 4.º do art. 980-A, que 
tinha a seguinte redação: "§ 4.º Somente o patrimônio social da empresa 
responderá pelas dívidas da empresa individual de responsabilidade 
limitada, não se confundindo em qualquer situação com o patrimônio da 
pessoa natural que a constitui, conforme descrito em sua declaração 
anual de bens entregue ao órgão competente". 
 Esse dispositivo que permitia a afetação de determinados bens e 
dívidas à "empresa", separando o patrimônio da EIRELI e o patrimônio 
da pessoa física que a constituiu. Das razões do veto, extrai-se a seguinte 
justificativa: "Não obstante o mérito da proposta, o dispositivo traz a 
expressão 'em qualquer situação', que pode gerar divergências quanto à 
aplicação das hipóteses gerais de desconsideração da personalidade 
jurídica, previstas no art. 50 do Código Civil. Assim, e por força do § 6.º 
do projeto de lei, aplicar-se-á à EIRELI as regras da sociedade limitada, 
inclusive quanto à separação do patrimônio". 
 Ainda assim e apesar do veto, deve ser mantido o entendimento de 
que o patrimônio da EIRELI e o patrimônio da pessoal natural que a 
constitui não se confundem, o que garante a possibilidade de limitação 
de responsabilidade, pela aplicação do § 6.º do art. 980-A do CC, o qual 
determina a aplicação à EIRELI das regras da sociedade limitada. 
 
 
 
 13 
 A respeito do tema há o Enunciado 470 da V Jornada de Direito 
Civil: 
“Art. 980-A. O Patrimônio da empresa individual de responsabilidade 
limitada responderá pelas dívidas da pessoa jurídica, não se confundindo com o 
patrimônio da pessoa natural que a constitui, sem prejuízo da aplicação do 
instituto da desconsideração da personalidade jurídica". 
 
2.1.1.6. Constituição por pessoa jurídica 
 Há uma polêmica sobre a possibilidade da EIRELI ser constituída 
por pessoa jurídica. O tema divide a doutrina especializada. 
Pela leitura do caput do art. 980-A do CC, a lei não proibiu que 
pessoa jurídica constituísse uma EIRELI, mas o entendimento que 
prevaleceu na V Jornada de Direito Civil foi o de que "a empresa 
individual de responsabilidade limitadasó poderá ser constituída por 
pessoa natural", conforme já mencionado acima. 
 Esse tem sido também o entendimento adotado pelas Juntas 
Comerciais, em obediência à Instrução Normativa n° 10 do DREI, que no 
item 1.12.11 do anexo V dispões que "não pode ser titular de EIRELI a 
pessoa jurídica, bem assim a pessoa natural impedida por norma 
constitucional ou por lei especial". 
 
2.1.1.7. Constituição de mais de uma EIRELI 
 Outra polêmica sobre a EIRELI é a regra do § 2.° do art. 980-A do 
CC, segundo a qual "a pessoa natural que constituir empresa individual 
de responsabilidade limitada somente poderá figurar em uma única 
empresa dessa modalidade". 
 Se o objetivo da EIRELI é criar uma espécie de patrimônio de 
afetação para permitir que um empreendedor goze da limitação de 
responsabilidade sem precisar constituir sociedade com outrem, por que 
 14 
limitar esse direito? 
A falta de razoabilidade nessa proibição fica aparente quando se 
imagina que um empresário pretenda empreender em áreas distintas, 
como deverá proceder? Constituirá uma EIRELI para explorar um 
empreendimento, mas no segundo terá que constituir sociedade? 
 
2.2. Agentes econômicos excluídos do conceito de empresário 
 A teoria da empresa, sem se preocupar em estabelecer um rol de 
atividades sujeitas ao regime jurídico empresarial, optou por um critério 
material para a conceituação do empresário, critério abrangente e que 
pretende todas as atividade econômica do seu âmbito de incidência. 
 Ocorre que esse critério material - previsto no art. 966 do Código 
Civil - não se aplica a determinados agentes econômicos específicos, 
acerca dos quais nos referiremos adiante. Para estes agentes, a lei optou 
por critérios outros para a determinação de sua submissão ou não ao 
regime jurídico empresarial. 
 O conceito de empresário previsto no art. 966 do Código Civil 
abarca toda e qualquer pessoa, física (empresário individual) ou jurídica 
(sociedade empresária), que exerça toda e qualquer atividade econômica 
organizada. Entretanto - por opção do legislador – determinados agentes 
econômicos não são considerados empresários, embora exercerem 
atividades econômicas. 
 Esses agentes econômicos não são considerados empresários pelo 
Código Civil e são basicamente o profissional intelectual (profissional 
liberal), de natureza científica, literária ou artística, o exercente de 
atividade rural e a sociedade cooperativa. 
 
 
 15 
2.2.1. Profissionais intelectuais 
 A situação específica dos profissionais intelectuais, também 
chamados de profissionais liberais, está disciplinada no art. 966, 
parágrafo único, do Código Civil: "não se considera empresário quem 
exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, 
ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício 
da profissão constituir elemento de empresa". 
 Os profissionais intelectuais (advogados, médicos, professores etc.) 
não são considerados empresários, salvo se o exercício da Profissão 
constituir elemento de empresa. 
 Enquanto o profissional intelectual apenas exerce a sua atividade 
intelectual, ainda que com o intuito de lucro e mesmo contratando 
alguns auxiliares, ele não é considerado empresário para os efeitos 
legais. Um profissional que atua sozinho, faz uso apenas de seu esforço, 
da sua capacidade intelectual, não é considerado empresário, não se 
submetendo, pois, ao regime jurídico empresarial. 
 A empresa é uma atividade econômica organizada, isto é, atividade 
em que há articulação dos fatores de produção. No exercício de profissão 
intelectual essa organização dos fatores de produção assume importância 
secundária, às vezes irrelevante. No exercício de profissão intelectual, o 
essencial é a atividade pessoal do agente econômico, o que não acontece 
com o empresário. 
 Entretanto, a partir do momento em que o profissional intelectual 
dá uma forma empresarial ao exercício de suas atividades 
(impessoalizando sua atuação e assumindo a postura de organizador da 
atividade desenvolvida), será considerado empresário e passará a ser 
regido pelas normas do direito empresarial. 
 
 16 
Nesse sentido, são bastante elucidativos os Enunciados 193, 194 e 
195 do Conselho da Justiça Federal, aprovados na III Jornada de Direito 
Civil, realizada em 2005, os quais dispõem, respectivamente, que: 
 "o exercício das atividades de natureza exclusivamente intelectual 
está excluído do conceito de empresa"; 
"os profissionais liberais não são considerados empresários, salvo 
se a organização dos fatores de produção for mais importante que a 
atividade pessoal desenvolvida"; 
"a expressão 'elemento de empresa' demanda interpretação 
econômica, devendo ser analisada sob a égide da absorção da atividade 
intelectual, de natureza científica, literária ou artística, como um dos 
fatores da organização empresarial". 
 Importa estabelecer critérios minimamente objetivos para aferir se 
o exercício de profissão intelectual configura ou não uma empresa, isto é, 
uma atividade econômica organizada. Deve-se analisar, em cada caso 
concreto, se: 
(i) há mais de um ramo de atividade sendo exercido, ou se 
(ii) há contratação de terceiros para o desempenho da atividade-
fim. 
 A expressão elemento de empresa está intrinsecamente relacionada 
com a organização dos fatores de produção para a caracterização do 
empresário. 
Com efeito, o empresário é a pessoa que exerce atividade 
econômica organizada, ou seja, é quem articula os diversos fatores de 
produção - insumos, mão de obra, capital e tecnologia - tendo em vista a 
exploração de uma determinada atividade econômica. Para tanto, 
constituirá todo um complexo de bens materiais e imateriais e buscará, 
a partir da organização e exploração desse complexo de bens (o 
 17 
estabelecimento empresarial), auferir lucro, porém, sabendo que sofrerá 
também eventuais prejuízos resultantes do fracasso do empreendimento. 
 Em regra essa organização dos fatores de produção inexiste na 
atuação dos profissionais intelectuais,. Esses profissionais não raro 
exercem suas atividades sem a necessidade de organizar um 
estabelecimento empresarial, vale dizer, sem a necessidade de contratar 
funcionários, de criar uma marca, de fixar um ponto de negócio etc. (é o 
caso do professor que ministra aulas particulares, dentre outras 
situações). É por essa razão, em suma, que o profissional intelectual não 
é considerado empresário segundo os fundamentos da teoria da empresa. 
 No entanto, o professor que se torna dono de um cursinho 
preparatório, ainda que continue a ministrar aulas nessa mesma 
instituição, é empresário. O músico que se torna dono de um centro de 
promoção de eventos, ainda que continue a tocar nas festas organizadas 
por ele, é empresário. Isso porque, nesses casos, o exercício da profissão 
intelectual deixa de o ser fator principal do empreendimento, passando a 
ser um mero elemento de uma atividade econômica organizada a partir 
da articulação de outros fatores de produção: contratação de 
funcionários, criação e registro de uma marca, fixação de um ponto de 
negócio. Por mais que o professor ou o músico mencionados acima 
continuem a exercer suas respectivas profissões intelectuais, terão que 
assumir também a posição de organizadores do empreendimento. É isso 
o que caracteriza o empresário, como bem destacava Asquini. 
 
 
 
 
 
 18 
2.2.1.1. A questão da regulamentação das profissões 
 OS profissionais intelectuais (profissionais liberais) não são 
considerados empresários e não precisam se registrar na Junta 
Comercial para que possam exercer suas atividades. No entanto, muitas 
das profissões intelectuais são "regulamentadas", o que exige muitas 
vezes que os profissionais intelectuais (profissionais liberais) se 
registrem nos órgãos regulamentadores de suas respectivas profissões 
(Conselho Federal de Medicina, Ordemdos Advogados do Brasil, entre 
tantos outros). 
 A criação de tais órgãos regulamentadores, com a exigência de 
filiação compulsória dos profissionais restringe a liberdade de exercício 
da profissão, mas essa exigência tem sido admitida no país. A crítica é a 
de que o profissional já está habilitado pela graduação em ensino 
superior e a filiação obrigatória servem para cartelizar determinados 
setores, garantindo reserva de mercado. 
 No Brasil, a regulamentação de profissões tem crescido 
exponencialmente. Se antes apenas profissões mais técnicas, como 
engenharia e medicina, eram regulamentadas, atualmente até os 
simples ofícios estão sendo regulamentados, muitas vezes para obter 
benesses do Estado. 
 O site do Ministério do Trabalho e Emprego informa que existem 
nada menos que 68 profissões regulamentadas no Brasil 
(<http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/regulamentacao.jsf>, acesso 
em: 29 set. 2014), embora acreditemos que esse número seja bem maior. 
Em quase todos os casos, a regulamentação impõe a contratação de 
profissional regulamentado por certas empresas e/ou proíbe o exercício 
da profissão por pessoas não regulamentadas. 
 
 19 
 Uma dessas dezenas de profissões regulamentadas recentemente, 
por exemplo, foi a de sommelier , regulamentada pela Lei 12.467/2011, 
que dispõe: 
 
Art. 1.º Considera-se sommelier, para efeitos desta Lei, aquele que executa o 
serviço especializado de vinhos em empresas de eventos gastronômicos, 
hotelaria, restaurantes, supermercados e enotecas e em comissariaria de 
companhias aéreas e marítimas. 
 Parágrafo único. É opcional aos estabelecimentos referidos no caput deste 
artigo a oferta da atividade exercida pelo provador de vinho ou degustador. 
 
 Art. 2.º Somente podem exercer a profissão de sommelier os portadores de 
certificado de habilitação em cursos ministrados por instituições oficiais públicas 
ou privadas, nacionais ou estrangeiras, ou aqueles que, à data de promulgação 
desta Lei, estejam exercendo efetivamente a profissão há mais de 3 (três) anos. 
 
 
 O Supremo Tribunal Federal também já teve a oportunidade de se 
manifestar em defesa da liberdade de exercício de qualquer arte, oficio 
ou profissão, como aconteceu no julgamento em que se dispensou até 
mesmo a exigência de diploma universitário para o exercício da profissão 
de jornalista. Confira-se: 
 Jornalismo. Exigência de diploma de curso superior, registrado 
pelo Ministério da Educação, para o exercício da profissão de jornalista. 
Liberdades de profissão, de expressão e de informação. Constituição de 
1988 (art. 5.º IX e XIII, e art. 220, caput e § 1.º). Não recepção do art. 4.º, 
inciso V, do Decreto-lei n.º 972, de 1969. 
(...) 
4. Âmbito de proteção da liberdade de exercício profissional (art. 5.º inciso XIII, 
da Constituição). Identificação das restrições e conformações legais 
constitucionalmente permitidas. Reserva legal qualificada. Proporcionalidade. A 
Constituição de 1988, ao assegurar a liberdade profissional (art. 5.º XIII), segue 
um modelo de reserva legal qualificada presente nas Constituições anteriores, as 
quais prescreviam à lei a definição das "condições de capacidade" como 
condicionantes para o exercício profissional. No âmbito do modelo de reserva 
legal qualificada presente na formulação do art. 5.º XIII, da Constituição de 
1988, paira uma imanente, questão constitucional quanto à razoabilidade e 
proporcionalidade das leis restritivas, especificamente das leis que disciplinam 
as qualificações profissionais como condicionantes do livre exercício das 
 20 
profissões. Jurisprudência do Supremo Tribunal Fede-ral: Representação n.º 
930, Redator p/ o acórdão Ministro Rodrigues Alckmin, DJ 02.09.1977. A reserva 
legal estabelecida pelo art. 5.º XIIL não confere ao legislador o poder de 
restringir o exercício da liberdade profissional a ponto de atingir o seu próprio 
núcleo essencial. 
 
5. Jornalismo e liberdades de expressão e de informação. Interpretação do art. 
5º, IX, XIV; 5.º inciso XIII em conjunto com os preceitos do art. 5.º e do art. 220 
da Constituição. O jornalismo é uma profissão diferenciada por sua estreita 
vinculação ao pleno exercício das liberdades de expressão e de informação. O 
jornalismo é a própria manifestação e difusão do pensamento e da informação de 
forma continua profissional e remunerada. Os jornalistas são aquelas pessoas 
que se dedicam profissionalmente ao exercício pleno da liberdade de expressão. 
O jornalismo e a liberdade de expressão, portanto, são atividades que estão 
imbricadas por sua própria natureza e não podem ser pensadas e tratadas de 
forma separada. Isso implica, logicamente, que a interpretação do art. 5.º inciso 
XIII da Constituição, na hipótese da profissão de jornalista, se faça, 
impreterivelmente, em conjunto com os preceitos do art. 5.º incisos IV; IX, XIV, e 
do art. 220 da Constituição, que asseguram as liberdades de expressão, de 
informação e de comunicação em geral. 
 
6. Diploma de curso superior como exigência para o exercício da profissão de 
jornalista. Restrição inconstitucional às liberdades de expressão e de 
informação. As liberdades de expressão e de informação e, especificamente, a 
liberdade de imprensa, somente podem ser restringidas pela lei em hipóteses 
excepcionais, sempre em razão da proteção de outros valores e interesses 
constitucionais igualmente relevantes, como os direitos à honra, à imagem, à 
privacidade e à personalidade em geral. Precedente do STF: ADPF n.º 130, Rel. 
Min. Carlos Britto. A ordem constitucional apenas admite a definição legal das 
qualificações profissionais na hipótese em que sejam elas estabelecidas para 
proteger, efetivar e reforçar o exercício profissional das liberdades de expressão 
e de informação por parte dos jornalistas. Fora desse quadro, há patente 
inconstitucionalidade da lei. A exigência de diploma de curso superior para a 
prática do jornalismo o qual, em sua essência, é o desenvolvimento profissional 
das liberdades de expressão e de informação não está autorizada pela ordem 
constitucional, pois constitui uma restrição, um impedimento, uma verdadeira 
supressão do pleno, incondicionado e efetivo exercício da liberdade jornalística, 
expressamente proibido pelo art. 220, § 1.º da Constituição. 
 
7. Profissão de jornalista. Acesso e exercício. Controle estatal vedado pela 
ordem constitucional. Proibição constitucional quanto à criação de ordens ou 
conselhos de fiscalização profissional. No campo da profissão de jornalista, não 
há espaço para a regulação estatal quanto às qualificações profissionais. O art. 
5.º incisos IV; IX XIV; e o art. 220, não autorizam o controle, por parte do 
Estado, quanto ao acesso e exercício da profissão de jornalista. Qualquer tipo de 
controle desse tipo, que interfira na liberdade profissional no momento do 
próprio acesso à atividade jornalística, configura, ao fim e ao cabo, controle 
prévio que, em verdade, caracteriza censura prévia das liberdades de expressão 
e de informação, expressamente vedada pelo art. 5.º inciso IX, da Constituição. A 
impossibilidade do estabelecimento de controles estatais sobre a profissão 
 21 
jornalística leva à conclusão de que não pode o Estado criar uma ordem ou um 
conselho profissional (autarquia) para a fiscalização desse tipo de profissão. O 
exercício do poder de polícia do Estado é vedado nesse campo em que imperam 
as liberdades de expressão e de informação. Jurisprudência do STF: 
Representação n.º 930, Redator p/o acórdão Ministro Rodrigues Alckmin, DJ, 
02.09.1977. 
 
8. Jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Posição da 
Organização dos Estados Americanos OEA. A Corte Interamericana de Direitos 
Humanos proferiu decisão no dia 13 de novembro de 1985, declarando que a 
obrigatoriedade do diploma universitário e da inscrição em ordem profissional 
para o exercício da profissão de jornalista viola o art. 13 da Convenção 
Americana de Direitos Humanos, que protege a liberdadede expressão em 
sentido amplo (caso "La colegiación obligatoria de periodistas" - Opinião 
Consultiva OC-5/85, de 13 de novembro de 1985). Também a Organização dos 
Estados Americanos - OEA, por meio da Comissão Interamericana de Direitos 
Humanos, entende que a exigência de diploma universitário em jornalismo, 
como condição obrigatória para o exercício dessa profissão, viola o direito à 
liberdade de expressão (Informe Anual da Comissão Interamericana de Direitos 
Humanos, de 25 de fevereiro de 2009). 
Recursos extraordinários conhecidos e providos (RE 511.961, Rel. Min. Gilmar 
Mendes, Tribunal Pleno, j. 17.06.2009, DJe-213, Divulg. 12.11.2009, Publico 
13.11.2009, Ement. vol-02382-04, p. 692, RTJ vol-00213, p. 605). 
 
Outro julgamento em que o Supremo Tribunal Federal garantiu o 
livre exercício de profissão foi aquele no qual se afastou a 
obrigatoriedade de os músicos se filiarem à Ordem dos Músicos para 
poderem exercer a sua atividade artística. Confira-se: 
 
 Direito Constitucional. Exercício profissional e liberdade de expressão. 
Exigência de inscrição em conselho profissional. Excepcionalidade. Arts. 5.º IX e 
XIII, da Constituição. Nem todos os ofícios ou profissões podem ser 
condicionadas ao cumprimento de condições legais para o seu exercício. A regra é 
a liberdade. Apenas quando houver potencial lesivo na atividade é que pode ser 
exigida inscrição em conselho de fiscalização profissional. A atividade de músico 
prescinde de controle. Constitui, ademais, manifestação artística protegida pela 
garantia da liberdade de expressão (RE 414.426, Rel. Min. Ellen Gracie, 
Tribunal Pleno, j. 01.08.2011, DJe-194, Divulg. 07.10.2011, Publico 10.10.2011, 
Ement. vol-02604-01, p. 76). 
 
 
 
 
 22 
Apesar de o Supremo Tribunal Federal, nos dois julgamentos acima 
transcritos, ter assegurado o livre exercício das profissões de jornalista e 
de músico, a leitura dos acórdãos deixa claro que ele não o fez em 
homenagem à livre-iniciativa e à livre concorrência, mas em homenagem 
à liberdade de imprensa e de expressão. Ademais, é possível perceber 
que o STF não comunga do entendimento de que o exercício de 
qualquer profissão deve ser absolutamente livre. Nossa Suprema 
Corte entende que certas profissões são mais nobres do que outras, razão 
pela qual permite que em algumas a liberdade seja tolhida por 
exigências burocráticas impostas pelo Estado, como a posse de um 
diploma, a necessidade de registro em um órgão ou mesmo a submissão a 
um teste, como é o caso do Exame de Ordem, cuja realização é 
imprescindível para todos aqueles que quiserem exercer a profissão de 
advogado. No julgamento do RE 603.583/RS, assim se decidiu: 
 
Trabalho - Oficio ou profissão - Exercício. “Consoante disposto no inciso XIII do 
artigo 5.º da Constituição Federal, que é livre o exercício de qualquer trabalho, 
oficio ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”. 
 Bacharéis em Direito Qualificação. Alcança-se a qualificação de bacharel em 
Direito mediante conclusão do curso respectivo e colação de grau. 
 Advogado Exercício profissional Exame de ordem. O Exame de Ordem, 
inicialmente previsto no artigo 48, inciso III da Lei n.º 4.215/63 e hoje no artigo 
84 da Lei n.º 8.906/94, no que a atuação profissional repercute no campo de 
interesse de terceiros, mostra-se consentâneo com a Constituição Federal, que 
remete às qualificações previstas em lei. Considerações (RE 603.583, Rel. Min. 
Marco Aurélio, Tribunal Pleno, j. 26.10.2011, DJe-102, Divulg. 24.05.2012, 
Publico 25.05.2012). 
 
Em suma: o Supremo Tribunal Federal admite a regulamentação de 
profissões e entende ser legítima a exigência de diploma e/ou de filiação 
compulsória de um determinado profissional ao órgão regulamentador 
quando houver, por exemplo, "potencial lesivo" na atividade que ele 
exerce. 
 
 23 
 
 2.2.2. As sociedades simples (sociedades uniprofissionais) 
 O que se disse até agora se refere a profissionais intelectuais que 
exercem suas atividades individualmente, na qualidade de pessoas 
físicas. Mas a regra do art. 966, parágrafo único, do Código Civil vale 
também para as chamadas sociedades uniprofissionais, ou seja, 
sociedades constituídas por profissionais intelectuais cujo objeto social é 
justamente a exploração de suas profissões (por exemplo, uma sociedade 
formada por médicos para prestação de serviços médicos, uma sociedade 
formada por professores para prestação de serviços de ensino, uma 
sociedade formada por engenheiros para prestação de serviços de 
engenharia etc.). 
 Já se disse que empresário é aquele que exerce atividade 
econômica organizada, a qual pode ser exercida pela pessoa física 
(empresário individual) ou uma pessoa jurídica ( sociedade empresária). 
 Ora, se nem sempre o exercente de atividade econômica é 
considerado empresário, haja vista a regra excludente do parágrafo 
único do art. 966 do Código Civil, isso nos leva à conclusão de que 
também nem sempre uma sociedade será empresária, haja vista a 
possibilidade de se constituírem sociedades cujo objeto social seja a 
exploração da atividade intelectual dos seus sócios. Essas sociedades, 
antes chamadas de sociedades civis, são denominadas pelo atual Código 
Civil de sociedades simples. 
 O Código Civil estabelece, em seu art. 982, que "salvo as exceções 
expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o 
exercício, de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); 
e, simples, as demais". Isso mostra que o que define uma sociedade como 
empresária ou simples é o seu objeto social. 
 24 
 Há apenas duas exceções a essa regra, contidas no seu parágrafo 
único, o qual prevê que "independentemente de seu objeto, considera-se 
empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa". 
 As chamadas sociedades uniprofissionais - sociedades formadas 
por profissionais intelectuais cujo objeto social é a exploração da 
respectiva profissão intelectual dos seus sócios - são, em regra, 
sociedades simples, uma vez que nelas faltará o requisito da organização 
dos fatores de produção, da mesma forma que ocorre com os profissionais 
intelectuais que exercem individualmente suas atividades. 
 No entanto, seguindo a diretriz do art. 966, parágrafo único, do 
Código Civil, nos casos em que o exercício da profissão intelectual dos 
sócios das sociedades uniprofissionais (que compõem o seu objeto social) 
constituir elemento de empresa, ou seja, nos casos em que as sociedades 
uniprofissionais explorarem seu objeto social com empresarialidade 
(organização dos fatores de produção), elas serão consideradas 
sociedades empresárias. 
 É o requisito da organização dos fatores de produção que 
caracteriza a presença do elemento de empresa no exercício de profissão 
intelectual e que, consequentemente, faz com que o profissional 
intelectual receba a qualificação jurídica de empresário. Isso, 
obviamente, vale tanto para o exercício de profissão intelectual 
individualmente quanto para o exercício de profissão liberal em 
sociedade. 
 
2.2.2.1. As sociedades de advogados 
 A Lei 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e da Ordem dos 
Advogados do Brasil) versa, em seus arts. 15 a 17, sobre a sociedade de 
advogados, dispondo que ela é uma "sociedade civil de prestação de 
 25 
serviço de advocacia" submetida à regulação específica prevista na 
referida lei. 
 Diante disso, afirma-se que a sociedade de advogados é uma 
sociedade de natureza civil simples, na dicção do novo Código Civil de 
2002 - e organizada sob a forma de sociedade em nome coletivo, ou seja, 
respondem todos os sócios de maneira solidária e ilimitada pelas 
obrigações sociais. 
 Analisando questões relacionadas ao direito tributário, o Superior 
Tribunal de Justiça já afirmou que as sociedades de advogados ostentam 
"índole empresarial", não se distinguindo, no plano fático, das demais 
sociedades prestadoras de serviçosconstituídas por outros profissionais 
liberais. Confira-se: 
 Tributário. Contribuições ao SESC e ao SENAC. Empresa prestadora de 
serviços advocatícios. Art. 577 da CLT Enquadramento sindical. Vinculação à 
Confederação Nacional do Comércio. Matéria pacificada. 1. As empresas 
prestadoras de serviços advocatícios são estabelecimentos de índole 
empresarial, por exercerem atividade econômica organizada com fins 
lucrativos, estando enquadradas na classificação do artigo 577 da CLT e seu 
anexo, e por conseguinte, vinculadas à Confederação Nacional do Comércio. 
Desta forma, sujeitam-se à incidência das contribuições instituídas pelo art. 3.º 
do DL 9.853/46, bem como pelo art. 4.º do DL 8.621/46. (Precedentes 
 jurisprudenciais). (...) (AgRg nº Ag 518.309/PR, Rel. Min. Teori Albino 
Zavascki, 1.ª Turma, j. 16.12.2003, DJ 02.02.2004, p. 278). 
 
Assim, pode-se dizer que as regras dos arts. 15 a 17 da Lei 
8.906/1994 configuram uma exceção à regra do art. 966, parágrafo único, 
do Código Civil. Tais regras continuam em vigor, mesmo após a edição do 
Código, que é lei posterior, em razão da sua especialidade. Mas é de se 
pensar se não caberia ao legislador reformar a lei para adaptá-la aos 
ditames do novo Código. 1 
1 A Lei 13.247, de 12 de janeiro de 2016, alterou os arts. 15 a 17 da 
Lei 8.906/1994, criando inclusive uma nova figura jurídica, a “sociedade 
unipessoal de advocacia”. 
 26 
 
2.2.3. O exercente de atividade econômica rural 
 
 O Código Civil também se preocupou em dar um tratamento 
especial ao exercício de atividade econômica rural, excluindo aqueles que 
se dedicam a tal atividade da obrigatoriedade de registro na Junta 
Comercial, prevista no art. 967 do Código. 
 Todo empresário, antes de iniciar o exercício da atividade 
empresarial, tem que se registrar na Junta Comercial, seja empresário 
individual ou sociedade empresária. Para aqueles que exercem atividade 
econômica rural, todavia, o Código Civil concedeu a faculdade de se 
registrar ou não perante a Junta Comercial da sua unidade federativa. 
 Assim, se aquele que exerce atividade econômica rural não se 
registrar na Junta Comercial, não será considerado empresário, para os 
efeitos legais (por exemplo, não se submeterá ao regime jurídico da Lei 
11.101/2005, que trata da falência e da recuperação judicial e 
extrajudicial). Em contrapartida, se ele optar por se registrar, será 
considerado empresário para todos os efeitos legais. Esta regra está 
contida no art. 971 do Código Civil: "o empresário, cuja atividade rural 
constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de 
que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro 
Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois 
de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário 
sujeito a registro". 
 Confira-se, a respeito do tema, a seguinte decisão do STJ, na qual 
se entendeu que pequenos pecuaristas não se enquadram no conceito de 
comerciante (hoje substituído pelo conceito de empresário), razão pela 
qual não sé sujeitam às regras do direito empresarial (falência e 
recuperação de empresas), e sim às regras do direito civil: 
 
 27 
 
 Recurso especial. Direito civil e processual civil. Assistência judiciária 
não concedida na origem. Incidência da Súmula 07/STJ. Violação ao art. 538 
do CPC. Multa afastada. Incidência do Enunciado sumular nº 98/STJ. 
Pedido de autoinsolvência formulado por pecuaristas. Possibilidade. 
 Atividade estranha ao direito comercial. Recurso especial parcialmente 
conhecido e, na extensão, provido. (...) 3. A moldura fática delineada no 
acórdão recorrido, de forma incontroversa, sinaliza que os recorrentes são 
pecuaristas que vivem da compra e venda de gado no meio rural, atividade 
 civil típica, com estrutura simples. Com efeito, não sendo comerciantes, estarão 
impossibilitados de se valerem das regras especificas à atividade 
empresarial, como as referentes a falência, concordata ou recuperação judicial, 
aplicando-se lhes o estatuto civil comum, sendo-lhes permitido o pedido de 
autoinsolvência civil. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, na extensão, 
 provido (REsp 474.107/MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, 4.ª Turma, j. 
10.03.2009. DJe 27.04.2009). 
 
Conclui-se, pois, que, para o exercente de atividade econômica rural, 
o registro na Junta Comercial tem natureza constitutiva, e não 
meramente declaratória, como de ordinário. Com efeito, o registro não é 
requisito para que alguém seja considerado empresário, mas apenas 
uma obrigação legal imposta aos praticantes de atividade econômica. 
Quanto ao exercente de atividade rural, essa regra é excepcionada, sendo 
o registro na Junta, pois, condição indispensável para sua caracterização 
como empresário e consequente submissão ao regime jurídico 
empresarial. 
 Regra idêntica foi prevista para a sociedade que tem por objeto 
social a exploração de atividade econômica rural. Dispõe o Código Civil, 
em seu art. 984, que "a sociedade que tenha por objeto o exercício de 
atividade própria de empresário rural e seja constituída, ou 
transformada, de acordo com um dos tipos de sociedade empresária, 
pode, com as formalidades do art. 968, requerer inscrição no Registro 
Público de Empresas Mercantis da sua sede, caso em que, depois de 
inscrita, ficará equiparada, para todos os efeitos, à sociedade 
empresária". 
 
 28 
Sobre os arts. 971 e 984 do Código Civil, dispõem os Enunciados 201 e 
202 das Jornadas de Direito Civil o seguinte, respectivamente: 
Enunciado 201 "O empresário rural e a sociedade empresária 
rural, inscritos no registro público de empresas mercantis, estão sujeitos 
à falência e podem requerer concordata"; 
Enunciado 202 "O registro do empresário ou sociedade rural na 
Junta Comercial é facultativo e de natureza constitutiva, sujeitando-o ao 
regime jurídico empresarial. É inaplicável esse regime ao empresário ou 
sociedade rural que não exercer tal opção". 
 Ainda a propósito do assunto, a Terceira Turma do STJ enfrentou 
uma questão interessante no julgamento do Recurso Especial 
1.193.115/MT: 
 Produtores rurais não registrados na Junta Comercial 
podem obter o beneficio da recuperação judicial, algo típico do 
regime jurídico empresarial? Houve divergência, mas prevaleceu 
justamente a tese que expomos acima: sem registro na Junta, 
produtores rurais não são considerados empresários, para os efeitos 
legais, e não podem obter o beneficio da recuperação judicial. 
 
 
 
Finalmente, registre-se que na II Jornada de Direito Comercial foi 
aprovado o Enunciado 62, com o seguinte teor: "o produtor rural, nas 
condições mencionadas no art. 971 do Código Civil, pode constituir 
EIRELI". 
 
2.2.4. Sociedades cooperativas 
 Conforme já dito, uma sociedade será considerada empresária se 
preencher os requisitos do art. 966 do Código Civil, ou seja, se exercer, 
profissionalmente, uma atividade econômica organizada para a produção 
 29 
ou a circulação de bens ou de serviços. 
 Caso não preencha os requisitos da norma mencionada, estar-se-á 
diante de uma sociedade simples, conforme se extrai do art. 982 do CCB. 
 É o objeto explorado pela sociedade, por conseguinte, que 
define a sua natureza empresarial ou não. 
Se uma sociedade explora atividade empresarial, será considerada 
uma sociedade empresária, registrando-se na Junta Comercial e 
submetendo-se ao regime jurídico empresarial. Se, todavia, uma 
sociedade não explora atividade empresarial, será considerada uma 
sociedade simples terminologia adotada pelo novo Código Civil, 
registrando-se no cartório de registro civil de pessoas jurídicas. 
 Note-se que faz-se uma ressalva, deixando-se claro, portanto, que 
em algumas situações não se deve recorrer ao critério material do art. 
966 do Código Civil para definir se uma determinada sociedade é 
empresária ou não. É o que ocorre, por exemplo, com as cooperativas.Para saber se uma sociedade cooperativa é empresária, não se 
utiliza o critério material previsto no art. 966 do CC, mas um critério 
legal, estabelecido no art. 982, parágrafo único, o qual dispõe que 
"independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade 
por ações; e, simples, a cooperativa". 
 O legislador, por opção política, determinou que a cooperativa é 
sempre uma sociedade simples, pouco importando se ela exerce uma 
atividade empresarial de forma organizada e com intuito de lucro.

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