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Logística e Distribuição Autoria: Leonardo de Souza Vilela LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO ReitoR: Prof. Cláudio ferreira Bastos Pró-reitor administrativo financeiro: Prof. rafael raBelo Bastos Pró-reitor de relações institucionais: Prof. Cláudio raBelo Bastos Pró-reitor acadêmico: Prof. HerBert Gomes martins direção ead: Prof. riCardo ZamBrano Júnior coordenação ead: Profa. luCiana rodriGues ramos Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou parcialmente, por quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotostática ou outros, sem a auto- rização escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Reitoria. expediente Ficha técnica autoria: leonardo de souZa Vilela suPervisão de Produção ead: franCisCo Cleuson do nasCimento alVes design instrucional: Carlos Vieira Projeto gráfico e caPa: franCisCo erBínio alVes rodriGues diagramação e tratamento de imagens: JoCiVan de Castro Costa revisão textual: João Paulo de souZa Correia Ficha catalogRáFica catalogação na publicação biblioteca centRo univeRsitáRio ateneu VILELA, Leonardo de Souza. Logística e distribuição. Leonardo de Souza Vilela – Fortaleza: Centro Universitário Ateneu, 2019. 156 p. ISBN 978-85-64026-32-2 1. Logística; 2. Cadeia de Suprimentos; 3. Serviços Logísticos; 4. Logística Integrada. Centro Universitário Ateneu. II. Título. Caro estudante, é com grande satisfação que apresento o material didático da nossa disciplina Logística e Distribuição. Ao ler e estudar por este material, você terá condições de responder as atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Este livro está dividido em quatro unidades de acordo com a ementa da disciplina. Não é nosso objetivo esgotar todo o assunto, ao contrário, você deverá procurar outras fontes além deste livro para aprofundar seu conhecimento e estar sempre atualizado sobre os temas estudados aqui. A partir da leitura, você estará apto a corresponder às exigências solicitadas nos trabalhos acadêmicos. Bons estudos! Leonardo de Souza Vilela Seja bem-vindo! SSumárioumário UNIDADE 01 - A VISÃO SISTÊMICA DA LOGÍSTICA E LOGÍSTICA NO BRASIL ........... 7 1. Visão sistêmica da Logística ........................................................................................... 8 1.1. Componentes logísticos ............................................................................................... 8 1.2. Tendências e enfoque funcional ................................................................................. 13 1.3. Principais trade-off na logística .................................................................................. 15 1.4. Fluxos logísticos, ambiente e sistema ........................................................................ 17 2. Logística no Brasil ......................................................................................................... 20 2.1. Nível hierárquico do principal executivo de logística ................................................. 20 2.2. Custo logístico ............................................................................................................ 23 2.3. Crescimento da logística na visão dos usuários ........................................................ 25 Referências ....................................................................................................................... 27 UNIDADE 02 - CADEIA DE SUPRIMENTOS, ESTRATÉGIA LOGÍSTICA, PLANEJAMENTO E OPERACIONALIZAÇÃO DO FLUXO DE PRODUTOS ................... 29 1. Cadeia de Suprimentos e Estratégia Logística ............................................................. 30 1.1. Gerenciamento de cadeias de suprimento ................................................................. 30 1.2. Organização do fluxo de produtos ............................................................................. 35 1.3. Canais de distribuição ................................................................................................ 37 1.4. Distribuição física ....................................................................................................... 40 1.5. Localização e dimensionamento de instalações ........................................................ 43 1.6. Benchmarking da cadeia de suprimentos .................................................................. 46 2. Planejamento e operacionalização do fluxo de produtos .............................................. 48 2.1. Embalagens, equipamentos e meios de distribuição ................................................. 48 2.2. Sistema de processamento de pedido e gestão do ciclo de pedido .......................... 52 2.3. Armazenagem e gestão de estoques ......................................................................... 55 2.4. Logística reversa ........................................................................................................ 57 Referências ....................................................................................................................... 62 UNIDADE 03 - PLANEJAMENTO, ADMINISTRAÇÃO DO TRANSPORTE, TERCEIRIZAÇÃO E PROVEDORES DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS ............................... 65 1. Planejamento e Administração do Transporte .............................................................. 66 1.1. Gestão estratégica do transporte ............................................................................... 66 1.2. Custeio do transporte rodoviário de cargas ................................................................ 74 1.3. Etapas do custeio ...................................................................................................... 77 1.4. Ferramenta de planejamento e controle .................................................................... 80 1.5. Oportunidades para redução de custos .................................................................... 82 2. Terceirização e os Provedores de Serviços Logísticos ................................................. 85 2.1. Provedores de serviços logísticos (PSL) .................................................................... 85 2.2. Provedores de serviços logísticos no Brasil ............................................................... 89 2.3. Formas de remuneração de provedores de serviços ................................................. 90 2.4. Gestão do relacionamento ........................................................................................ 92 Referências ....................................................................................................................... 95 UNIDADE 04 - LOGÍSTICA INTEGRADA NO SETOR ATACADISTA, DISTRIBUIDOR E VAREJISTA, SERVIÇO AO CLIENTE NO SISTEMA LOGÍSTICO E PROCESSOS ELETRÔNICOS DE LEITURA DE DADOS ....................... 97 1. Logística Integrada no Setor ......................................................................................... 98 Atacadista/Distribuidor e Varejista .................................................................................... 98 1.1. Caracterização da logística ....................................................................................... 98 1.2. Competitividade ........................................................................................................ 101 1.3. Reposição contínua de mercadorias ....................................................................... 103 1.4. Resposta eficiente ao consumidor (ECR) ............................................................... 106 2. Serviço ao cliente no sistema logístico ........................................................................ 108 2.1. Qualidade do serviço de entrega de bens de consumo ........................................... 109 2.2. Evolução do desempenho logístico físico e virtual ...................................................111 2.3. Oportunidades no setor supermercadista virtual ..................................................... 113 2.4. Gestão da capacidade e da demanda ...................................................................... 115 2.5. Logística de pós-venda ............................................................................................ 119 3. Processos eletrônicos de leitura de dados ................................................................. 121 3.1. Código de barras ...................................................................................................... 122 3.2. Eletronic Data Interchange (EDI) .............................................................................. 124 3.3. Sistemas de apoio à logística e à cadeia de suprimentos ....................................... 126 Referências ..................................................................................................................... 130 MATERIAL COMPLEMENTAR ....................................................................................... 131 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 2929 02 Uni cAdeiA de suprimentos, estrAtégiA LogísticA, pLAnejAmento e cAdeiA de suprimentos, estrAtégiA LogísticA, pLAnejAmento e operAcionALizAção do FLuxo de produtosoperAcionALizAção do FLuxo de produtos ApresentaçãoApresentação Nesta unidade, você perceberá que para reduzir os tempos de fornecimento de materiais, receber produtos de melhor qualidade, reduzir os estoques tanto na empresa quanto no fornecedor, ter produtos disponíveis sempre que necessário, planejar de forma precisa a produção, é vital integrar os processos da empresa com os fornecedores e estabelecer relações estreitas e duradouras. Entenderá que, para suprir a necessidade do cliente e otimizar seus pró- prios resultados, têm-se trabalhado com o gerenciamento da cadeia de suprimen- tos (SCM) que envolve o controle dos fluxos entre os estágios da cadeia em todas as funções envolvidas no pedido do cliente. Esse gerenciamento é definido como a gestão da cadeia completa do suprimento de matérias-primas, manufatura, monta- gem e distribuição ao consumidor final para maximizar a lucratividade total. Perceberá que a proposta desse modelo de gestão considera que a SCM trata basicamente da conexão de recursos humanos e físicos intermediários que possibilitam o alcance do objetivo final de satisfação do cliente, com entregas no prazo e com qualidade, além do compartilhamento dos riscos causados pelas in- certezas da demanda, com objetivo de manter a sobrevivência e competitividade, sendo eficiente e eficaz simultaneamente. 3030 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Objetivos de aprendizagem • Identificar que a eficiência na gestão da cadeia de suprimentos é fonte de vantagem competitiva para as organizações; • Elucidar sobre os canais de distribuição, a importância da escolha do local e dimensionamento das instalações para o atendimento de pedidos, armazenagem e gestão de estoques; • Explicar sobre a importância das embalagens na integridade física do produto e do retorno ao ciclo produtivo de produtos, com a logística reversa. 1. cAdeiA de suprimentos e estrAtégiA LogísticA1. cAdeiA de suprimentos e estrAtégiA LogísticA Neste tópico, você aprofundará seus conhecimentos em relação à cadeia de suprimentos e estratégia logística, ao estudar sobre o gerenciamento de ca- deias de suprimento, organização do fluxo de produtos, canais de distribuição, distribuição física, localização e dimensionamento de instalações e benchmarking da cadeia de suprimentos. 1.1. Gerenciamento de cadeias de suprimento1.1. Gerenciamento de cadeias de suprimento De acordo com Corrêa (2010, p. 07) [...] argumenta-se que a gestão de redes de suprimento não se iniciou a partir de uma “folha em branco”, nos anos 1980, mas que representa mais uma etapa num processo de evolução que teria se iniciado nos anos 1960 e 1970, com o desenvolvimento do conceito de distribuição física. Este conceito procurava de certa forma integrar alguns aspectos da logísti- ca de saída como: a gestão dos transportes e dos armazéns de produtos acabados e a gestão de embalagens de transporte. A atenção sobre a questão da integração sistêmica dessas atividades, por sua vez, teria resultado do desenvolvimento conceitual da “administração sis- têmica” dos anos 1950 e 1960 (COYLE et al., 2007 apud CORRÊA, 2010). Assim, o foco da distribuição física é o dos custos totais (sistêmicos) de distribuição, ana- lisando opções para se chegar ao menor custo total do sistema em vez de tentar reduzir custos dos elementos logísticos envolvidos isoladamente. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 3131 Nos anos 1980, nos Estados Unidos, a desregulamentação dos sistemas de transporte e o desenvolvimento dos sistemas de informação deram aos analis- tas de distribuição física mais ferramentas e opções para a integração. O passo adicional seria, com essas novas opções, procurar integrar também a logística de entrada (insumos) das organizações, já que alguns transportadores poderiam beneficiar-se, por exemplo, de menos fretes vazios de retorno. (CORRÊA, 2010). Além disso, nos anos 1980, a globalização econômica acelerou-se e es- tava em curso a rápida evolução das empresas japonesas. Estas haviam recen- temente sido alçadas à posição de importantes concorrentes globais em merca- dos como o automobilístico, o de produtos eletrônicos e o aço, ganhando fatias importantes de mercados como o americano e o europeu, com líderes até então bem estabelecidos. Corrêa (2010, p. 7) afirma que: [...] empresários, profissionais práticos e acadêmicos ocidentais passaram então a analisar as práticas e técnicas japonesas, responsáveis pelos níveis altíssimos de qualidade e produtividade que seus produtos apresentavam. O ocidente, então, aprendeu que práticas como o Just in Time e a abor- dagem japonesa inovadora para a qualidade eram responsáveis por boa parte do excelente desempenho das fábricas japonesas, mas um aspecto adicional também tinha um papel muito importante, o uso das chamadas redes de com- pradores-vendedores. Portanto, conforme aponta Corrêa (2010, p. 6), [...] usando esse conceito, a Toyota e a Honda terceirizavam a fornecedores algo como 80% do valor dos carros que produziam (valores muito superiores aos 30% de terceirização dos concorrentes ocidentais como general Motors e Ford, que tinham altos níveis de integra- ção vertical, produzindo a grande maioria dos componentes dos seus carros internamente). 3232 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Observa-se a força estratégica da integração de atividades em cadeia, ou seja, considerando os agentes fornecedores, produtores e distribuidores. Segundo Francischini e Gurgel (2002, p. 262) a cadeia de suprimento é um “mecanismo de cooperação entre os fabricantes e distribuidores, para assegurar eficiência geradora de ganhos contínuos no processo de suprimento, desde o primeiro fornecedor até o consumidor final”. Fique atento Desta forma, integrar e inter-relacionar atividades envolvidas com o fluxo de materiais e de produtos para dentro e para fora é o desafio das empresas modernas. O Supply Chain Management (SCM) ou Gestão da Cadeia de Supri- mentos ou ainda Gestão da Cadeia de Abastecimento, é uma filosofia que des- creve como a organização deve gerenciar suas várias cadeias de suprimento para alcançar vantagem estratégica. O objetivo da SCM é sincronizar os requisitos do consumidor final com o fluxo de materiais e de informações ao longo da cadeia de suprimentos para atingir um equilíbrio entre elevada satisfação do consumidor e os custos para gerar essa satisfação. A satisfação do consumidor é a meta do sistema inteiro e os resultados dos esforços combinados de todos os elementos que constituem a cadeia de suprimento. Os grandes objetivos da cadeia de suprimento ou abastecimento são apresentados por Martins e Laugeni (2005): • Reduzir os custos de fornecimento; • Reduzir o tempo total; • Aumentar as margens dos produtos; • Aumentar a produção;• Melhorar o retorno de investimentos. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 3333 Memorize “O objetivo clássico da cadeia de abastecimento é possibilitar que os produtos certos, na quantidade certa, estejam nos pontos-de-venda no momento certo, considerando o menor custo possível.” (BERTAGLIA, 2009). Nogueira (2012) apresenta como principais componentes do SCM os tópi- cos a seguir: • Planejamento de demanda (previsão); • Colaboração de demanda (processo de resolução colaborativa para determinar consensos de previsão); • Promessa de pedidos (quando alguém promete um produto para um cliente, levando em conta tempo de duração e restrições); • Otimização de rede estratégica (para quais produtos as plantas e centros de distribuição devem servir ao mercado) – mensal ou anual; • Produção e planejamento de distribuição (coordenar os planos reais de produção e distribuição para todo o empreendimento) - diário; • Calendário de produção – para uma locação única, criar um calendário de produção viável – minuto a minuto; • Planejamento de redução de custos e gerência de desempenho – diag- nóstico do potencial e de indicadores, estratégia e planifi cação da organização, resolução de problemas em tempo real, avaliação e relatórios contábeis, avalia- ção e relatórios de qualidade. Além disso, Nogueira (2012) afirma que o gerenciamento da cadeia de suprimentos é oferecido como uma ponte de controle entre o fabricante e o dis- tribuidor, e essa coordenação possibilita que o fabricante gerencie o reabasteci- mento de materiais ao distribuidor de forma sincronizada, que por sua vez, envia seus dados de demanda e estoque ao fabricante, que então estabelecerá a melhor sincronização de abastecimento e qualificará cada item. 3434 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Fique atento Segundo Corrêa (2010, p. 15) “gestão de redes de suprimento é a administração integrada dos processos principais de negócios envolvidos com fluxos físicos, financeiros e de informações, englobando desde os produtores originais de insumos básicos até o consumidor final, no forneci- mento de bens, serviços e informações, de forma a agregar valor para todos os clientes - interme- diários e finais – e para outros grupos de interesse legítimos e relevantes para a rede (acionistas, funcionários, gestores, comunidade, governo)”.. Os objetivos/metas e resultados de um gerenciamento de uma cadeia de suprimento, segundo Francischini e Gurgel (2002), estão representados a seguir: Cadeia de Suprimento Requisitos Efeitos Encorajar a troca de informações sobre as empresas. Atender às necessidades de serviços dos diver-sos clientes da cadeia. Conscientizar sobre a necessidade de uma integração. Manter esse serviço dentro do espírito da responsividade. Construir, em conjunto, um modelo de gestão da cadeia de suprimento. Controlar os custos envolvidos nos diversos elos da cadeia. Estabelecer um clima de confi ança entre os parceiros. Reconhecer a importância da função consumidora. Distribuir de maneira adequada os benefícios auferidos pelo sistema. Reconhecer a importância da função supridora. Estabelecer padrões operacionais e de comporta- mento entre os vários participantes da cadeia de suprimento. Atentar para as interligações entre as funções internas e externas às empresas. Possibilitar ao cliente facilidades para a compra. Ter sempre produtos para atendimento ao cliente. Garantir alta qualidade, baixo preço e serviços de alto padrão perceptíveis como valor pelo cliente. Eliminar o repasse de inefi ciências de um elo da cadeia para o elo subsequente. Fonte: adaptado de Francischini e Gurgel (2002). Quadro 01: Requisitos e Efeitos da Cadeia de Suprimento A elaboração de modelos de cadeias de suprimento exige tempo, atenção, dedicação e muita tecnologia. Entretanto, transformar esses modelos em uma re- alidade que opere bem é uma tarefa maior que a concepção teórica. A estreita colaboração entre pessoas de empresas diferentes é sempre dificultada pela dis- cussão de como deverá ser distribuída a vantagem obtida no custo. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 3535 Essa discussão deverá se tornar irrelevante desde que os dirigentes colo- quem à frente a absoluta necessidade de todos de conquistar clientes e, funda- mentalmente, de mantê-los fiéis à empresa. • O que é gerenciamento da cadeia de suprimentos? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 1.2. Organização do fluxo de produtos 1.2. Organização do fluxo de produtos Em toda empresa, os materiais não podem ficar parados ou inutiliza- dos. Manter materiais sem uso representaria um custo desnecessário. Os mate- riais seguem um movimento incessante que vai desde o recebimento do fornece- dor, passando pelas diversas etapas do processo produtivo até chegar ao depósito de produtos acabados. Em outros termos, os materiais entram na empresa, fluem e transitam por meio dela e saem pelo depósito com destino aos clientes como produtos acabados. Logística e operações nunca antes desempenharam papel tão impor- tante nas organizações. Segundo Dornier et al.(2007, p. 37), “mudanças nas expectativas dos clientes ou na localização geográfica continuamente transfor- mam a natureza dos mercados, que por sua vez, geram restrições que alteram o fluxo de mercadorias dentro das empresas.” Mudanças tecnológicas e mercados emergentes abrem novas formas de reorganizar, adaptar e otimizar o fluxo de matérias-primas, produtos semiacabados, produtos acabados, peças de reposi- ção e materiais reciclados. 3636 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Fique atento Segundo Dornier et al.(2007, p. 39) “Logística é a gestão de fluxos entre funções de negócio. A definição atual de logística engloba maior amplitude de fluxos que no passado. Tradicionalmente, as companhias incluíam a simples entrada de matérias-primas ou o fluxo de saída de produtos acabados em sua definição de logística.” As novas definições são significativamente diferentes daquelas que de- terminavam as antigas atividades relacionadas ao fluxo físico. Ferramentas con- ceituais e gerenciais, agora aplicadas à gestão da distribuição física, fornecem interessantes soluções. De acordo com Dornier et al.(2007), essas ferramentas refletem uma nova visão de logística e operações globais. Três principais forças são citadas pelo autor, como raiz dessa evolução: 1. A integração de funções internas – incluindo a gestão da distribuição física, marketing, manufatura etc. – ao longo da cooperação; 2. A cooperação crescente entre as áreas de logística e operações de diferentes elos na cadeia de suprimentos (integração setorial); 3. A busca por melhorias na integração geográfi ca, que vai além das tradicionais áreas de atividade econômica para abranger o mundo inteiro como fonte potencial de clientes, conhecimento, tecnologia, matérias-primas, e assim por diante. O aumento no fornecimento de produtos e a melhoria na gestão do ciclo de vida do produto podem apenas ser realizados mediante a cooperação interfun- cional. Conforme Gonçalves (2013), o fluxo de materiais está voltado para abas- tecimento dos elos da cadeia de forma contínua e deverá ser realizado de forma puxada, ou seja, a demanda do estágio anterior é calculada com base na demanda do estágio que o precede e de forma sintonizada, isto é, toda a cadeia de supri- mentos interligada. SegundoDornier et al.(2007, p. 51), “o desenvolvimento econômico está mudando as características dos fluxos logísticos globais - sua intensidade, ne- cessidades físicas, e assim por diante”. Completando seu pensamento, o referido autor cita que, em relação aos fluxos, duas tendências destacam-se no contexto LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 3737 da globalização. A primeira tendência é a intensificação do tráfego, que está sobre- carregando a capacidade da infraestrutura em muitas áreas. A segunda é o rápido crescimento dos fluxos de retorno causados pela crescente preocupação com os assuntos ecológicos, maior agressividade nas técnicas de vendas e até mesmo pelo desbalanceamento internacional dos fluxos. 1.3. Canais de distribuição1.3. Canais de distribuição A distribuição é, segundo Dias (2010, p. 475), [...] claramente, apenas, mais um aspecto de prestação de serviços à área de marke- ting; é o método pelo qual um produto é distribuído, e o grau de atendimento e confiabilidade apresentado é tão importante no global quanto o preço, a promoção e a qualidade do produto. O referido autor completa afirmando que, devido à natureza geral dos mer- cados, a empresa encontra não apenas um, mas vários tipos de mercado dentro do mercado ou, em outras palavras, vários tipos de clientes dentro de um só mercado e que essas variações muitas vezes constituem agrupamentos e blocos complexos. Assim, para a satisfação de suas necessidades, em alguns casos é ne- cessário utilizar diferentes estratégias de distribuição que atendam às diversas necessidades de serviço. Desta forma, um mesmo tipo de produto pode atender às necessidades de dois segmentos do mercado, porém com distintos métodos de distribuição. Um exemplo, de acordo com Dias (2010), pode ser sentido exatamente no grau de atendimento, pois para determinados clientes, o produto colocado em 24 horas é o mais importante, já para outro cliente, 72 horas é o suficiente; é óbvio que o atendimento em menos tempo deverá incorrer em maior custo. Portanto o sistema de distribuição deverá estar pre- parado para isso, e ter flexibilidade suficiente para atender a um universo de clientes dentro de alguns parâmetros determinados. A grande variação das necessidades do mercado afeta diretamente os ca- nais de distribuição. Conforme explicita a figura a seguir, o aumento de pontos de venda e clientes contribuem para modificar a estratégia de distribuição. 3838 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Fonte: Adaptado de Dias (2010). PRODUTOR Varejista Varejista Atacadista Atacadista Representante Varejista CONSUMIDOR Figura 01: Canais de distribuição Um dos pontos de maior importância na organização de um sistema de distribuição e para a estratégia de Marketing é a definição do canal de distribui- ção. Segundo Dias (2010, p. 476) “as características do mercado e do produto devem ser os principais fatores para a escolha do canal”, assim, pode-se fazer comparações quanto ao efeito das características do produto e do mercado so- bre o tipo de canal empregado. Os pequenos canais, com um pequeno número de fatores intermediários, têm mais condições de ser encontrados onde o pro- duto tem valor mais elevado, ou suas dimensões ou natureza tornam difícil uma estocagem mais prolongada, ou então nos produtos fabricados sob encomenda (SEVERO FILHO, 2006). • Quais os principais componentes do SCM? • O que considera e qual o objetivo de uma cadeia de abastecimento? • O que é um canal de distribuição? Quais são seus níveis? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 3939 Fique atento Atacadistas: De acordo com Bertaglia (2009, p. 139) “os atacadistas são organizações intermediárias que se dedicam às funções de venda a varejistas, usuários comerciais, indústrias e institucionais, agindo também como agentes de compra e venda de grandes volumes para clientes de grande porte em termos de volume físico e financeiro”. Varejistas: De acordo com Bertaglia (2009, p. 143) “o varejo é uma combinação de ativi- dades destinadas a vender produtos e serviços diretamente aos consumidores, para uso pessoal ou doméstico. O papel do varejista consiste em proporcionar contatos com segmentos alvos do mercado consumidor, atuando como intermediário entre a produção e o consumo”. O papel da empresa dentro de um mercado também é importante, pois, de acordo com Dias (2010, p. 477), [...] as pequenas empresas ou as mais novas no mercado têm uma necessidade bem acentuada dos serviços dos atacadistas, distribuidores ou representantes, a fim de assegurar uma distribuição eficiente dos seus produtos, enquanto as empresas maiores ou mais tradicionais podem usar um contato mais direto como consumidor. Desta forma, o referido autor fala que a eficácia e a estrutura da empresa são importantes para determinar até que nível se pode confiar na sua própria ca- pacidade de definir e operar um canal independente de distribuição. Assim, de acordo com Dias (2010), ao escolher o canal de distribuição a ser utilizado, deve-se considerar: • Qual serviço de transporte deve ser utilizado para movimentar os produtos a partir da fábrica? E a partir do armazém? • Quais procedimentos de controles a serem utilizados para os itens de inventário? • Localização dos depósitos, suas dimensões e quantidades. • Quais arranjos para comunicação de pedidos devem existir? E quantos pós-pe- didos são necessários? • Qual nível de serviço deve ser providenciado para cada item de produto? Independente do modelo utilizado, Dornier et al. (2007, p. 305) fala que “os canais de distribuição deveriam ser analisados pela perspectiva do elo mais forte, ou seja, aquele que tem poder de barganha para controlar o canal de distri- buição”. Nesse sentido, o autor comenta que se observa uma concentração cada 4040 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO vez maior dos varejistas que limitam o acesso que os fabricantes podem ter aos clientes finais, pois em qualquer sistema de distribuição, os varejistas representam os fabricantes na frente dos consumidores, o que requer um conjunto complexo de relacionamento entre concorrentes em diferentes níveis, pois o sistema logístico não é propriedade de uma única empresa, mas de muitas organizações diferentes, que podem ter objetivos diferentes. @@ CO NE CT E-S E CO NE CT E-S E • Anote suas ideias e dúvidas para ampliar sua discussão na sala virtual, no fórum tira-dúvidas. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 1.4. Distribuição física1.4. Distribuição física No cenário mercadológico atual, comprar bem, avaliando os melhores pre- ços e prazos de pagamento para as matérias primas e estocar de maneira a evitar perdas e no menor custo, além de representarem ações estratégicas para elevar a lucratividade da empresa, constituem um fator de sobrevivência e permanência no mercado. Muitas empresas não hesitam em afirmar que são seus custos que determinam atualmente a sua rentabilidade. De acordo com Dias (2010, p. 461), “a entrega do produto ao cliente fi-nal, seja ele o consumidor, o varejista ou atacadista, já necessita uma atenção especial”. Para o autor, a distribuição a distribuição, até algum tempo atrás, era considerada uma fonte que gerava custos e engolia os lucros. Porém, quando o objetivo é minimizar os custos totais da empresa e ao mesmo tempo maximizar sua renda, a abordagem deverá ser feita de tal maneira que um aumento de custo em determinado setor seja no mínimo equivalente à redução de custo em outro. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 4141 Perceba, então, que a última fase da logística, antes do começo da utiliza- ção do produto pelo cliente, é a da distribuição, que, segundo Martins e Campos (2009, p. 410), “é o conjunto de atividades entre o produto pronto para o despacho e sua chegada ao consumidor final”. Portanto, a distribuição começa na fábrica do fornecedor e termina nas mãos do cliente final. Como bens estão em constante movimento nesse ínterim, devemos identificar, em cada estágio, como eles se movimentam (o modal de transporte) e quem faz a movimentação (o operador de transporte). A distribuição física representa um custo significativo para a maioria dos negócios, impactando diretamente na competitividade, de acordo com a sua velocidade, confiabilidade e controlabilidade (capacidade de rastreamento e ação), ao entregar bens aos con- sumidores dentro do prazo. (MARTINS; CAMPOS, 2009). De acordo com Bertaglia (2009, p. 33) [...] a distribuição é um processo que está normalmente associado ao mo- vimento de material de um ponto de produção ou armazenagem até o cliente. As atividades de distribuição necessitam do complemento das funções de gestão e controle de estoque, manuseio de materiais ou produtos acabados, armazenagem, administração de pedidos, análises de locais entre outras. O retorno de produtos em bom ou mau estado também é parte desse processo, embora em alguns segmentos, pouca atenção seja dada a essa função. A distribuição física, segundo Bertaglia (2009), consiste basicamente em três elementos globais: • Recebimento: a função recebimento se inicia quando o veículo é liberado para descarregar um produto ou material que está destinado ao armazém ou centro de distribuição, então esse produto é contado ou pesado, e o resultado é com- parado com o documento de transporte, que dependendo da origem e do tipo de produto, são necessárias análises de qualidade, por meio de amostragens, que eventualmente podem ser feitas antes que o produto seja totalmente des- carregado. Quanto à sua origem, os recebimentos podem ser classifi cados em transferências entre fábricas e armazéns ou centros de distribuição, importação, transferências provenientes de terceiros e devolução de clientes; 4242 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • Armazenagem: Após o recebimento, os itens são armazenados em locais específi cos no armazém ou no centro de distribuição, em prateleiras, tanques, estantes, estrados ou até mesmo acondicionados no solo, muitas vezes sobre protetores de umidade. • Expedição: Também conhecida como despacho, esse elemento correspon- de ao processo de separar os itens armazenados em um determinado local, movimentando-os para outro lugar com o objetivo de atender a uma demanda específi ca, que pode ser o envio do produto a um cliente ou a um terceiro com objetivos de agregar valor ao item. Dentro dessa mesma operação, atividades detalhadas, como carregar e pesar veículo, emitir documentação e liberar veículo, são consideradas. Fique atento Desde o instante em que a produção é finalizada até o momento no qual o comprador toma posse dela, as mercadorias são responsabilidade da logística, que deve mantê-las no depósito da fábrica e transportá-las até depósitos locais ou diretamente ao cliente. Ou seja, em todas elas, a logística de distribuição assume parcela considerável do nível de serviço ao cliente. O processo de distribuição tem sido foco permanente das organizações, uma vez que os custos nele existentes são elevados e as oportunidades são muitas. Ber- taglia (2009) diz que modelos de distribuição são discutidos a fim de obter-se a vanta- gem competitiva e colocar os produtos, principalmente bens de consumo, ao alcance dos consumidores. O referido autor classifica os tipos de distribuição em: • Intensiva: é caracterizada pela disponibilidade de bens de conveniência, ou seja, é caracterizada pela facilidade de acesso ao bem através do grande número de pontos de venda. Ex.: Distribuidores, lojas de conveniência, grandes varejistas etc; • Exclusiva: é caracterizada por bens de venda exclusiva através de revendedo- res com direitos a distribuição de produtos/marcas do fabricante. Ex.: Lojas de informática e de confecção; • Seletiva: é caracterizada pela seleção de poucos distribuidores dispostos a trabalhar somente com produtos do fabricante. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 4343 Para Dias (2010), dentro do contexto organizacional, um dos conceitos apli- cados à distribuição, que, inclusive se confunde com a chamada missão logística é termos o produto certo, em lugar certo, na quantidade correta, no tempo certo e ao menor custo. Curiosidade O Brasil tem evoluído no aspecto de distribuição com empresas extremamente profissio- nais, tanto na armazenagem como no transporte. No entanto, nossa infraestrutura para transporte e distribuição contínua ainda é extremamente centralizada nas rodovias, apresentando pontos críticos nas vias, aumentando os custos de transporte pela necessidade de manutenção de veículos que transitam por elas. • Qual a preocupação de uma distribuição física? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 11.5. Localização e dimensionamento de instalações.5. Localização e dimensionamento de instalações A definição da localização de instalações em uma rede logística, sejam elas fábricas, depósitos ou terminais de transporte, é um problema comum e dos mais importantes para os profissionais de logística. De acordo com Fleury, Wanque e Figueiredo (2000), sua importância decorre dos altos investimentos envolvidos e dos profundos impactos que as decisões de localização têm sobre os custos logísticos. Caracterizados por um alto nível de complexidade e pelo intensivo uso de dados, os estudos de localização atualmente dispõem de novas tecnologias de informação, que permitem tratar os sistemas logísticos de forma efetivamente integrada. 4444 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO De forma geral, os estudos de localização tratam do problema de minimi- zar os gastos entre os elos logísticos, estando esta a mercê das restrições de ca- pacidade das instalações, tendo que atender a determinada demanda e devendo satisfazer a certos limites de nível de serviço. Fleury, Wanque e Figueiredo (2000) afirmam que os dados de entrada para análise são as previsões de demanda para cada produto, as limitações de capacidade e as taxas de produção, as prováveis localizações das instalações, as possíveis ligações entre elas e os respectivos custos de transporte de cada modal. De acordo com Corrêa (2010), quando se analisam, por exemplo, alterna- tivas de localização de uma unidade de operação não se devem levar em con- ta apenas os custos iniciais mais visíveis, como o preço das propriedades ou os benefícios mais imediatos, como os incentivos fiscais, mas todos os aspectos de custo que serão afetados pelas duas localizações: os custos da instalação no local, os custos e disponibilidade de mão de obra local no futuro, os custos logísticos futuros, entre muitos outros. Planejar a escolha da unidade de produção ou distri- buição poderácontribuir com a redução dos custos da empresa. E quais aspectos devem fazer parte do planejamento do local das instalações? De acordo com Fleury, Wanque e Figueiredo (2000), para minimizar os problemas de localização é preciso determinar: • Onde as fábricas devem ser localizadas? • Quais fornecedores deverão ser utilizados? • Quantos centros de distribuição a empresa deve operar? • Onde eles devem estar localizados? • Que clientes ou zonas de mercado devem ser supridos de cada centro de distribuição? • Que linhas de produtos devem ser produzidos ou estocados em cada fábrica ou centro de distribuição? • Que modalidades de transporte devem ser usadas para suprimento e para distribuição? Essas questões possuem forte interdependência entre si e não devem, por- tanto, ser analisadas de forma sequencial ou segmentada, pois o que se pretende é obter uma solução ótima, que atenda ao nível de serviço desejado, ao menor custo total da operação. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 4545 Fique atento De acordo com Bertaglia (2009) a localização corresponde à característica de transportar algo. O autor cita como exemplo a transmissão de dados, em que ocorre a mudança do local da informação, e, mais categoricamente, as empresas de movimentação de cargas e encomendas, que mudam o local do material. Perceba que as instalações são locais na rede da cadeia de suprimento onde o estoque é armazenado, montado ou fabricado. Os dois tipos de instalações principais são os locais de produção e os locais de armazenamento. Qualquer que seja a função da instalação, as decisões a respeito da localização, capacida- de e flexibilidade das instalações influenciam significativamente no desempenho da cadeia de suprimento. Por exemplo, um distribuidor de peças automobilísticas, lutando para manter sua responsividade, poderia ter diversas instalações para de- pósitos localizadas próximo aos clientes, mesmo que essa atitude reduzisse sua eficiência. Por outro lado, um distribuidor com alta eficiência manteria menos depó- sitos, apesar de estar, dessa maneira, reduzindo sua responsividade. Memorize Desta forma, perceba que os problemas de localização e dimensionamento de instalações, possuem uma elevada complexidade devido ao fato de a análise desses problemas envolver um conjunto extenso de variáveis de decisão que se influenciam mutuamente. Além disso, de acordo com Fleury, Wanque e Figueiredo (2000), o nú- mero de possíveis alternativas a serem analisadas e comparadas é muito alto, mesmo para problemas de pequeno porte. É comum ter que trabalhar com centenas de produtos, centenas de potenciais locais para terminais, centros de distribuição ou fábricas, dezenas de fornecedores, múltiplos modais de trans- porte e milhares de clientes. Em síntese, a escolha da localização das instalações físicas envolve o pla- nejamento de várias áreas funcionais da empresa (marketing, financeiro, planeja- mento estratégico) e os agentes da cadeia de suprimentos (fornecedores, distribui- dores, clientes). 4646 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO @@ CO NE CT E-S E CO NE CT E-S E • Anote suas ideias e dúvidas para ampliar sua discussão na sala virtual, no fórum tira-dúvidas. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 1.6. 1.6. BenchmarkingBenchmarking da cadeia de suprimentos da cadeia de suprimentos Benchmarking é uma técnica por meio da qual a organização compara o seu desempenho com o de outra. Por meio do benchmarking, uma organização procura imitar outras organizações, concorrentes ou não, do mesmo ramo de ne- gócios ou de outros, que façam algo de maneira particularmente bem feita. Fique atento Segundo Maximiniano (2004, p. 105) “a idéia central da técnica do benchmarking é a busca das melhores práticas da administração, como forma de identificar e ganhar vantagens competitivas”. As melhores práticas podem ser encontradas nos concorrentes, ou numa organização que esteja num ramo completamente diferente de atuação. Já segundo Corrêa e Corrêa (2011, p. 145), “o benchmarking originalmente era usado no Reino Unido na agrimensura e referia-se a determinados marcos de referência sobre cotas de terreno”. Os referidos autores afirmam que ele passou posteriormente a ser usado no mundo industrial como uma contínua busca por me- lhores práticas, interna e externamente à organização, como objetivo de acelerar a aprendizagem e levar a vantagens competitivas sustentáveis. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 4747 O benchmarking pode ser aplicado a qualquer função ou área da empresa de forma isolada ou não, porém os resultados são melhores quando ele é imple- mentado em toda a empresa. Segundo Masiero (2007, p. 68) “o benchmarking permite estabelecer novos objetivos de gerenciamento por meio das comparações com o ambiente externo; ao contrário do estabelecimento convencional de objeti- vos, que considera dados históricos, e está sujeito a se tornar pouco eficaz se o ambiente competitivo mudar rapidamente”. A utilização do benchmarking começa pela definição de como serão pes- quisadas as melhores práticas. Os procedimentos básicos iniciais consistem em selecionar o produto ou processo a ser comparado e o marco de referência (com quem iremos nos comparar?), e escolher um método de obtenção de dados. Não há um método único para a obtenção de dados sobre as empresas que têm as melhores práticas, segundo Maximiniano (2004, p. 65), “alguns dados são públicos, outros podem exigir procedimentos de pesquisa e observação direta, se isso for possível”. Em sequência, são feitas a coleta, estudo e interpretação dos dados sobre a organização escolhida como padrão de referência. Os procedimentos básicos nesta segunda etapa do processo procuram entender em que se fundamenta a superioridade da empresa selecionada para comparação e quais de suas práticas podem ser copiadas e implementadas. O processo completo do benchmarking vai desde essas duas fases iniciais até a implementação e maturação das práticas selecionadas para implementação. De acordo com Christopher (2011), os benefícios que uma empresa obtém com o benchmarking, são: • Permitir que as melhores práticas de qualquer indústria sejam incorporadas de forma criativa aos processos da função aferida; • Fornecer estímulo e motivação aos profissionais cuja criatividade é necessária para executar e implantar resultados de benchmarking; • O benchmarking quebra a relutância enraizada em relação às mudanças em operações. Foi constatado que as pessoas estão mais receptivas a novas idéias e sua adoção criativa quando essas idéias não necessariamente se originam em sua própria indústria; 4848 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • O benchmarking pode também identifi car um avanço tecnológico que não teria sido reconhecido e, portanto, não aplicado na própria indústria de alguém durante algum tempo. Fique atento O benchmarking é um processo gerencial continuado, que visa à melhoria contínua através de informações e inspirações nas melhores práticas. 2. pLAnejAmento e operAcionALizAção do FLuxo de produtos2. pLAnejAmento e operAcionALizAção do FLuxo de produtos Nesse tópico, você aprofundará seus conhecimentos em relação ao planeja- mento e operacionalização do fluxo de produtos, ao estudar sobre as embalagens, equipamentos e meios de distribuição; sistema de processamento de pedido e gestão do ciclo de pedido; armazenagem e gestão de estoques; e logística reversa. 2.1. Embalagens, equipamentos e meios de distribuição2.1. Embalagens,equipamentos e meios de distribuição A escolha da embalagem adequada a um produto, leva em consideração, fundamentalmente, o conhecimento do material que a constituirá, as sua caracte- rísticas e propriedades. Deve ser projetada em função da necessidade do produto, da sua distribuição física, da sua fabricação até a distribuição ao cliente final. A composição das embalagens pode ser de diversos materiais, como: madeira, pa- pel, metal, vidro, plásticos. De acordo com Nogueira (2012), uma embalagem pode ser classificada de diversas maneiras: • Embalagem primária: é a embalagem de contenção, aquela que entra em contato direto com a mercadoria ou contém o produto (vidro, lata, plástico, etc.), sendo a medida de produção e de consumo. Também pode ser a unidade de venda no varejo; • Embalagem secundária: é a embalagem de apresentação, é o acondicionamen- to (contenedor) que protege e/ou apresenta a embalagem primária ao usuário no ponto de venda; LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 4949 • Embalagem terciária (ou unidade de despacho): é a embalagem de comer- cialização, contém um múltiplo da embalagem secundária ou primária; é o caso das caixas de madeira, papelão, plástico ou outro material. A combinação das embalagens primária e secundária acaba sendo a medida de venda ao atacado; • Embalagem quaternária (ou unidade padrão de carga): é a embalagem de movimentação, múltiplo da embalagem terciária, envolve o contenedor, que facilita a movimentação e a armazenagem; • Embalagem quintenária: é a unidade conteinerizada ou as embalagens espe- ciais para envio a longa distância; • Embalagem autoexpositora: é aquela que, além de transportar a mercadoria, visa expor a mesma. É chamada de embalagem de autovenda; Nogueira (2012) cita que a embalagem se caracteriza por: • Ser usada, sobretudo, para as mercadorias de vendas diárias; • Manter unidas e protegidas as embalagens de vendas diárias; • Ser empilhável; • Estar pronta para a venda, exigindo o menor esforço para abri-la; • Ter um texto e decoração atrativos; • Ser de fácil manuseio, tanto em peso quanto em volume. Além disso, a funcionalidade da embalagem reflete na proteção do produto contra avarias e na identificação do produto (marca, empresa, características etc.). Desse modo, a utilização de embalagens representa uma estratégia que confere maior qualidade ao manuseio e à distribuição de materiais. A distribuição de uma empresa varia de acordo com sua estratégia de van- tagem competitiva, levando em consideração aspectos como: localização e a vida útil dos produtos. A vantagem competitiva de uma empresa pode estar na forma de distribuir, na maneira que faz com que o produto esteja disponível nas gôndolas dos distribuidores, na qualidade do seu transporte e na eficiência de entrega de um mate- rial a um fabricante. Para tanto, as empresas podem concentrar suas cargas em cen- tros alimentadores e gerenciadores de cargas, os chamados centros de distribuição. 5050 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO O Centro de Distribuição (CD) é uma configuração regional de armazém onde são recebidas as cargas consolidadas de diversos fornecedores. Essas cargas são fracionadas a fim de agrupar os produtos em quantidade e sortimento corretos e então, encaminhados para os pontos de venda, mais próximos. (BALLOU, 2006). Importantes agentes facilitadores do transporte, os centros de distribuição (CD) são grandes armazéns administrados por operadores logísticos de transporte ou pelo próprio fabricante ou distribuidor dos produtos. De forma geral, todo CD contempla quatro processos principais: • Recebimento: consiste na recepção veículo de transporte das cargas, na inspeção física dos itens e na atualização do estoque. • Armazenagem: corresponde à utilização das instalações físicas para manter, movimentar e guardar estoques, matérias primas e produtos acabados. Pode ser realizada manualmente, semimanual com auxílio de empilhadeira ou totalmente automático, com a utilização de equipamentos constituídos de estruturas para movimentação de cargas agrupadas, como é o caso do transelevador. • Separação: consiste em uma série de atividades que vão desde a retirada do estoque dos produtos a serem enviados aos clientes até sua colocação em determinado local para que seja efetuado o carregamento do veículo. • Expedição: são zonas que servem, principalmente, para o acondicionamento de mercadorias e a preparação de documentos de expedição, ou seja, para a saída dos produtos. Cross-docking é uma atividade que ocorre quando o item é transferido direto do recebimen- to para a expedição, ou seja, o tempo de permanência das mercadorias em armazéns é reduzido. Picking é uma atividade que envolve o processo de obter o produto certo, na quantidade correta para atender a demanda dos pedidos. Fique atento Uma questão básica do gerenciamento logístico é como estruturar siste- mas de distribuição capazes de atender, da forma mais econômica possível, os mercados geograficamente distantes das fontes de produção, oferecendo níveis LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 5151 de serviço cada vez mais altos e competitivos em termos de disponibilidade de estoque e tempo de atendimento. De acordo com Dias (2010), a classificação normalmente adotada para os equipamentos de movimentação e transporte situa-os em grupos bastante amplos, de acordo com uma generalização geométrica e funcional. Nesta classificação são incluídos também os dispositivos de carga, descarga e manuseio que, não sendo máquinas, constituem o meio de apoio à maioria dos sistemas modernos: a) Transportadores – correias, correntes, fitas metálicas, roletes, rodízios, roscas e vibratórios; b) Guindastes, talhas e elevadores – Guindastes fixos e móveis, pontes rolantes, talhas, guinchos, monovias, elevadores etc; c) Veículos industriais – Carrinhos de todos os tipos, tratores, trailers e veículos especiais para transporte a granel; d) Equipamentos de posicionamento, pesagem e controle – Plataformas fixas e móveis, rampas, equipamentos de transferência etc; e) Containers e estruturas de suporte – Vasos, tanques, suportes e plataformas, estrados, pallets, suportes para bobinas e equipamento auxiliar de embalagem. Ainda de acordo com Dias (2010), o problema de movimentação de mate- riais deve ser analisado junto com o layout; para tal, uma série de dados é neces- sária: informações do produto (dimensões, características mecânicas, quantidade a ser transportada), tipo de edificação (espaço entre as colunas, resistência do piso, dimensão de passagens, corredores, portas etc.), método (sequência das operações, método de armazenagem, equipamento de movimentação etc.), levan- tamento de custos com movimentação, definição de área necessária para o funcio- namento do equipamento, fonte de energia necessária, deslocamento, direção do movimento, operador. Neste contexto, a atenção se volta para as instalações de armazenagem e como elas podem colaborar para atender de forma eficiente as metas constituídas de nível de serviço. A funcionalidade destes alojamentos dependerá da estrutura de distribuição escolhida pela empresa. Porém, o centro de distribuição tem um papel fundamental dentro da logística, ao centralizar o estoque de toda a cadeia a fim de obter vantagens de custo e de eficiência. 5252 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • Qual a função da embalagem? Como elas se classificam? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 2.2. Sistema de processamento de pedido e gestão do ciclo de pedido2.2. Sistema de processamento de pedido e gestão do ciclo de pedido Vimos, nos itens anteriores, que a gestão da cadeia de suprimentosé a integração dos processos-chaves dos negócios desde os fornecedores originais que fornecem produtos, serviços e informações, até o usuário final, adicionando valor para todos os elos da cadeia. Memorize Perceba que são os pedidos dos clientes que orientam a movimentação da cadeia. O atendimento ao cliente, de forma eficiente e eficaz, é o primeiro passo para prover o serviço logístico, que deve contar com um adequado gerenciamento de pedidos. E quais as finalidades do correto gerenciamento de pedidos? De acordo com Bertaglia (2009, p.195) [...] o processo de administração de pedidos e de clientes tem como objetivo o plane- jamento e o gerenciamento de vendas, como também a administração do portfólio de clientes, adicionando-os, mantendo-os ou reduzindo-os em função do desempenho destes mesmos, buscando efetivas parcerias que possam gerar condições propícias para ambas as empresas. Segundo Bertaglia (2009), conceitos mais avançados de relacionamen- to com clientes têm provocado mudanças significativas no fluxo e na adminis- tração de pedidos. Questões como “estamos entregando o produto certo ao cliente certo, no momento certo?” são fundamentais no relacionamento e na lucratividade da organização. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 5353 Sabemos que, as características dos pedidos variam de acordo com o tipo de produto ou serviço solicitado. Os pedidos orientados para bens de consumo apresentam variações em relação aos pedidos ou ordens voltados para a indústria de bens de produção. O nível de especificações, tempos de negociação e entrega, valores envolvidos e contratos de implementação ou suporte são algumas das ca- racterísticas presentes. É preciso considerar, então, o ciclo dos pedidos. O ciclo de um pedido apresenta muitas possibilidades que podem cul- minar em erros e insatisfação dos clientes. A demanda por redução dos tempos no ciclo de pedidos e reduções de custos tem levado a importantes mudanças no processo de gerenciamento de pedido nos últimos anos. Outro fator que tem contribuído para o processo é a disponibilização de tecnologia mais adequada aos modelos de negócio atuais. A maneira como o processo de gestão de pedidos é conduzido pode de- finir o valor da empresa para o cliente muitas vezes mais do que o próprio produto vendido, uma vez que o pedido, em muitos segmentos de mercado, é o mecanismo físico pelo qual se retrata o resultado de uma negociação. Os pedidos são produtos intermediários das interações entre clientes e fornecedores. Fique atento Os clientes têm levantado a bandeira, exigindo cada vez mais um nível de serviço elevado, visando garantias com relação à entrega dos produtos solicitados, na data e quantidade requeridas, dentro dos padrões e das especificações exigidas, isentos de problemas e com um nível de serviço adequado. Para tanto, as empresas devem estar equipadas para dar conta das demandas, vencendo barreiras de tempo, número elevado de pedidos etc. De acordo com Bertaglia (2009, p. 198), [...] uma das características usadas no processo de administração de pedidos que leva à vantagem competitiva é a oportunidade relacionada à economia de tempo, por meio de redução ou eliminação de funções efetuadas dentro do ciclo. 5454 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Conforme o referido autor, por meio da evolução de tecnologia, é possível aplicar métodos que podem reduzir o tempo de ciclo, como: • Implementação de sistemas computadorizados, com processamento em tempo real, integrando toda a cadeia de abastecimento e de demanda; • Mudanças organizacionais refl etindo responsabilidades genéricas, eliminando os silos departamentais. Adicionalmente, as equipes funcionais com uma visão mais ampla podem resolver as insatisfações dos clientes, produzindo benefícios importantes para a empresa; • Utilização de programas que utilizem ferramentas suportadas por computadores e sistemas, como Eletronic Data Interface – EDI – (troca eletrônica de dados) e Vendor Managed Inventory – VMI –(estoque administrado pelo fornecedor), O EDI é usado para receber, processar e transmitir um pedido do cliente e para o cliente; • Utilização de programas como ECR (Resposta Efi ciente ao Consumidor); • Implantação de conceitos de relacionamento como Customer Relationship Management – CRM – (gestão de relacionamento com o cliente), que traz importantes vantagens também na área de administração de pedidos. A utilização dos mecanismos e programas mencionados por Bertaglia (2009) podem trazer vantagens e benefícios importantes para a organização e para o cliente. A redução de tempo e custos pode ser obtida por meio da rápida resposta ao cliente, amparada por sistemas, da redução no nível de estoques de produtos obsoletos, melhoria nas estimativas de vendas, disponibilidade de infor- mações em tempo real, permitindo, assim, uma melhor gestão logística que oriente a tomada de decisão de uma maneira consistente e ágil. • Qual a importância do ciclo de pedido? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 5555 22.3. Armazenagem e gestão de estoques.3. Armazenagem e gestão de estoques A armazenagem dos produtos de forma correta é fator importante para que se tenha facilidade no momento de localizar o material desejado. Segundo No- gueira (2012, p. 67), “as empresas têm este conhecimento e procuram facilitar a disposição de seus produtos no local de armazenagem. Para isso, precisamos gerenciar o fluxo físico e de informações”. O referido autor cita os critérios de armazenamento a seguir: • Cada material deverá ter um local definido e demarcado; • Cada produto deve ser identificado e codificado; • Materiais de maior movimentação ou materiais grandes, pesados, de difícil manuseio, deverão localizar-se próximos da entrada e da saída; • Materiais perigosos, produtos químicos e inflamáveis deverão ficar confinados em locais apropriados; • Materiais perecíveis deverão ser organizados em função do critério “o primeiro que entra é o primeiro que sai” para evitar o envelhecimento e a perda do produto. Ao falarmos de armazenagem, não podemos deixar de falar do almoxari- fado, que responde pelas funções de recebimento, armazenamento e distribuição dos materiais. Nogueira (2012) faz um detalhamento das atividades, a seguir: • Entrada da nota fiscal no sistema para conferência dos dados, geração de saldo do material no sistema; • Estantes utilizadas para armazenamento dos materiais; • Descarregamento dos materiais no recebimento; • Equipamento transportando material para o local de armazenagem; • Emissão de radiofrequência para baixa de código de barras para coletor sem fio; • Após inspeção, retirar material para enviar para o local de armazenagem. Com relação à gestão de estoque, Slack et al. (1997, p. 423 apud CHING, 2001) afirmam que esse conceito originou-se na função de compras em empresas que compreendam à importância de integrar o fluxo de materiais às suas funções de suporte, tanto por meio do negócio, como por meio do fornecimento aos clientes imediatos. Isso inclui a função de compras, de acompanhamento, gestão de ar- mazenagem, planejamento e controle de produção e gestão de distribuição física. 5656 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO No momento de sua criação, a gestão de estoque era vista como meio de reduzir os custos totais associados com a aquisição e a gestão de materiais. Quando a gestão de estoques não é colocada como um conceito integrado, esses diferentes estágios são gerenciados geralmente por departamentos diferentes. Assim, por gestão de estoques, entendemos o planejamento do estoque, seu controle e sua retroalimentaçãosobre o planejamento. Ching (2001, p. 36) afirma que [...] o planejamento consiste na determinação dos valores que o estoque terá como correr do tempo, bem como na determinação das datas de entrada e saída dos materiais do estoque e na determinação dos pontos de pedido de material [...] o controle consiste no registro dos dados reais, correspondentes aos planejados mencionados [...] a retroalimentação é a comparação dos dados de controle com os dados do planejamento, a fim de constatar seus desvios e determinar suas causas. Quando for o caso, a empresa deve corrigir o plano para torná-lo mais realista, fazendo com que o planejamento e o controle sejam cada vez mais coincidentes. Memorize Armazenagem: guarda de produtos acabados. Estocagem: guarda de matérias-primas. Desta forma, o estoque pode ser entendido como qualquer quantidade de bens físicos que sejam conservados, de forma improdutiva, por algum intervado de tempo, e também como a quantidade necessária de produtos para atender à demanda dos clientes. Na maioria das vezes, os estoques em uma empresa tradicional são vistos como algo necessário e indispensável ao bom andamento das suas atividades, porém eles podem vir a onerar a empresa de diversas formas como: no custo de armazenagem, na necessidade de controles diversos, na deteriorização, na obso- lescência etc. A existência do estoque nas empresas acontece devido a uma necessi- dade de alinhar suprimento e demanda. Sua presença pode ser considerada in- tencional, por exemplo, em uma siderúrgica, onde é mais econômico fabricar em grandes lotes que serão armazenados para vendas futuras ou para um varejista que geralmente prefere manter seu estoque como antecipação a sua demanda. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 5757 • Qual a diferença entre armazenagem e estoque? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 2.4. Logística reversa2.4. Logística reversa Quando falamos em logística, imaginamos um fluxo de produtos, desde o mo- mento em que é gerada a necessidade de atendimento de um produto até sua entre- ga ao cliente, que estará aguardando a sua chegada. Mas é importante ressaltar que existe um fluxo reverso, do ponto de consumo até o ponto onde esse produto teve seu início de produção. Esse fluxo reverso precisa ser gerenciado para a obtenção de ganho sustentável expressivo nos negócios. Esse fluxo contrário reflete os pro- dutos devolvidos, defeito de fabricação, reciclagem de materiais, embalagens, etc. De acordo com Nogueira (2012), o Brasil se destaca como um dos maio- res recicladores de latas de alumínio, sendo notável o grande aproveitamento de matéria-prima reciclada, tendo desenvolvido meios inovadores na coleta de latas descartadas. “Com o índice de 92,6% na reciclagem de latas de alumínio para bebidas em 2005, o país se manteve pelo quinto ano consecutivo na liderança do ranking mundial dessa atividade”. (NOGUEIRA, 2012) Fique atento De acordo com Leite (2003) apud Nogueira (2012, p.80) “a logística reversa é a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspon- dentes, do retorno dos bens de pós-vendas e de pós-consumo ao ciclo de negócio ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuições reversos, agregando valores a natureza: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem cooperativa, entre outros”. 5858 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Por trás do conceito de logística reversa está um conceito mais amplo, que é o do “ciclo de vida”. A vida de um produto, do ponto de vista logístico, não finaliza com sua entrega ao cliente, uma vez que os produtos ao longo de sua utilização se tornam obsoletos, danificados, ou não funcionam e devem retornar ao seu ponto de origem para serem adequadamente descartados, reparados ou reaproveitados. Do ponto de vista financeiro, fica claro que, além dos custos de aquisição de matéria-prima, de produção, de armazenagem e estocagem, o ciclo de vida de um produto compreende também outros custos que estão relacionados a todo o gerenciamento do seu fluxo reverso. Do ponto de vista ambiental, trata-se de uma forma de avaliar o impacto de um produto sobre o meio ambiente, durante todo o seu ciclo de vida útil Esta abordagem é fundamental para planejar a utilização dos recursos logísticos de forma a contemplar todas as etapas do ciclo de vida dos produtos. Fique atento De acordo com Nogueira (2012), a logística reversa está sendo levada cada vez mais a sério no Brasil. As empresas sabem que para serem competitivas precisam, além de ter um bom produto, disponibilizá-lo no momento certo e conforme a necessidade do cliente. Isso não impede que seus processos possam ser revistos para continuar atendendo as necessidades e obtendo redução de custos, pois quando bem definidos trarão ganhos expressivos para as organizações. A concorrência crescente e o desejo de agradar os clientes geraram signi- ficativos fluxos de produtos retornados, o que faz com que as empresas ofereçam incentivos de vendas que incluam a retirada do estoque que não foi vendido ou excedente de produtos. Essencialmente, o desafio hoje é criar cadeias de supri- mentos do tipo “círculo fechado” que permitirão um nível muito mais elevado de reutilização e reciclagem. A necessidade da empresa ter seu operacional funcio- nando também no fluxo reverso, entendendo o ciclo de vida dos produtos, é de fundamental importância no contexto atual em que o reaproveitamento máximo de resíduos, produtos, embalagens otimiza os gastos com logística. Segundo Christopher (2011, p. 300) “é evidente que os produtos devem ser conce- bidos como fim de sua vida em mente, mas também a rede logística empregada deve reduzir o uso dos recursos” LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 5959 O avanço dos sistemas de produção, de informação e de tecnologia, aliados à escassez de matéria-prima básica, bem como questões de ordem ecológica e ambiental, possibilitou o surgimento de um novo perfil de consumidor, um consu- midor mais consciente e exigente. De acordo com Tadeu (2012), esse novo perfil de consumidor forçou agentes públicos e privados a acompanharem a tendência que, de forma pontual, possibilitou o desenvolvimento dessa nova área da logística empresarial. Assim, agregou-se um novo fluxo de distribuição denominado canal de distribuição reverso. @@ CO NE CT E-S E CO NE CT E-S E • Anote suas ideias e dúvidas para ampliar sua discussão na sala virtual, no fórum tira-dúvidas. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ Tadeu (2012, p. 16) afirma que esse fluxo é a disposição segura de seus componentes e materiais constituintes após o fim de sua vida útil, ou, ainda, após apresentarem não conformidade, defeito, quebra ou inutilização. Com relação ao canal de distribuição reverso, o referido autor, o divide em duas categorias: a) Canais reversos de pós-consumo: trata do fl uxo físico e das informações cor- respondentes aos bens de consumo que perderam suas características básicas de funcionamento e porisso são descartados pela sociedade, em fi m de vida útil ou usados com possibilidade de reciclagem, além dos resíduos industriais, que retornam ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo pelos canais de distribuição reversos específi cos. 6060 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Memorize Reciclagem é o processo em que componentes de produtos já usados sofrem trans- formação de forma que a matéria-prima neles contida possa ser reincorporada à fabricação de novos produtos. Tadeu (2012) observa que, dependendo do grau de sua reutilização, o bem poderá retornar ao ciclo produtivo ou até mesmo ao mercado de produtos de se- gunda mão. Os bens duráveis e semiduráveis chegam até a cadeia reversa de pós-consumo de várias formas, entre as quais o autor destaca: • Acidentes no manuseio em virtude de operações de transporte (destinação, redestinação, transbordo etc.); • Fim de vida útil em função de obsolescência, fadiga, performance etc.; • Final de estação ou modernismo de modelos; • Leilões; • Coleta seletiva; • Coleta informal: pessoas físicas (carroceiros, catadores etc.); • Sistema reverso organizado. b) Canais reversos de pós-venda: trata do fl uxo físico e das informações corres- pondentes aos bens de consumo que possuem pouco ou nenhum uso, nesse caso, pode-se incluir o retorno de embalagens e a devolução de produtos ao varejista ou ao fabricante. A logística reversa de pós-venda, segundo Tadeu (2012) estabelece o fluxo de retorno dos bens devolvidos por alguns motivos, tais como: • Prazo de validade expirado; • Erro de processamento de pedidos; • Falhas/defeitos; • Avarias no transporte (transbordo, redestinação, baldeação etc.); • Problemas de estoque; • Garantias; • Políticas de marketing; • Outros motivos (extravios, furto, roubo, sinistros etc.). LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 6161 Em ambos os casos, as empresas precisam estar atentas aos fluxos rever- sos, levando em conta o consumidor consciente, a responsabilidade pelos resí- duos gerados, a possibilidade de reduzir custos e de gerar receita com venda de resíduos e de produtos que possam ser reciclados ou incorporados aos processos produtivos de outras empresas. • O que é logística reversa? Para que ela serve? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique Relembre Nesta unidade, você percebeu que, à semelhança dos seres vivos, pode-se dizer que as empresas são organismos vivos em constante transformação (evolução das espécies), sujeitas às leis do mercado capitalista (da natureza). Quanto mais livre e dinâmico for, mais forte e resistente estas empresas serão, pois terão de conviver diariamente com oportunidades e ameaças ao seu desempenho produtivo. Compreendeu que a fim de sobreviverem nesse ambiente e se manterem com- petitivas, algumas organizações adotam filosofias e tecnologias de gestão que levam a um maior conhecimento, tanto do ambiente interno, quanto do ambiente externo, de modo que qualidade, rapidez, flexibilidade e custo tornam-se objetivos de desempenho importantes na luta pelo crescimento organizacional. Estas tecnologias permitem que a empresa forme uma cadeia integrada com outras empresas (fornecedores, distribuidores). 6262 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO ReferênciasReferências BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística em- presarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. BERTAGLIA, Paulo Roberto. Logística e gerenciamento da cadeia de abasteci- mento. 2. ed. ver. e atual. São Paulo: Saraiva, 2009. CORRÊA, Henrique Luiz. Gestão de redes de suprimento: integrando cadeias de suprimento no mundo globalizado. São Paulo: Atlas, 2010. CORRÊA, Henrique Luiz.; CORRÊA, Carlos A. Administração de produção e de operações: manufatura e serviços - uma abordagem estratégica. São Paulo: Atlas, 2011. DIAS, Marco Aurélio P. Administração de materiais: uma abordagem logística. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. Desta forma, uma dos mais importantes resultados da gestão de redes de supri- mento é que ela permite que todos na rede ganhem colaborativamente em vez da tradicional abordagem conflituosa na qual, para alguns membros da rede ganhar, outros necessariamente têm que perder. Para concluir, tratou-se também da logística reversa e da sua gradativa importância econômica, legal, ambiental e de competitividade. Além disso, citamos os fluxos reversos como atividades geradoras de valor para os produtos que antes eram descartados na natureza. Entendeu que esse crescimento se desenvolve através de relacionamentos coo- perativos com os diversos participantes da cadeia de suprimentos, baseados na confiança, capacitação técnica e troca de informações, assim, o gerenciamento da cadeia de suprimentos é a coordenação estratégica e sistêmica das funções de negócio tradicionais bem como as ações táticas que perpassam essas funções numa companhia e através de negócios dentro da cadeia logística com o propósito de aprimorar a performance de longo prazo das companhias individualmente e da cadeia de suprimentos como um todo. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 6363 DORNIER, Philippe. et al. Logística e Operações Globais: Texto e Casos. São Paulo: Atlas, 2007. FLEURY, Paulo F.; WANKE, Peter; FIGUEIREDO, Kleber Fossati. Logística Em- presarial: a perspectiva Brasileira. São Paulo: Atlas, 2000. FRANCISCHINI, Paulino G.; GURGEL, Floriano do Amaral. Administração de materiais e do patrimônio. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002. GONÇALVES, Paulo Sérgio. Administração de materiais. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. MARTINS, Petrônio G.; CAMPOS, Paulo R. Administração de materiais e recur- sos patrimoniais. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. MARTINS, Petrônio G.; LAUGENI, Fernando P. Administração da produção. 2. ed., ver. aum. atual. São Paulo: Saraiva, 2005. MASIERO, Gilmar. Administração de Empresas: teorias e funções com exercí- cios e casos. São Paulo: Saraiva, 2007. MAXIMIANO, Antonio Cesar A. Introdução à administração. 6. ed. ver. ampl. São Paulo, 2004. NOGUEIRA, Amarildo de Souza. Logística empresarial: uma visão local com pensamento globalizado. São Paulo: Atlas, 2012. NOVAES, A. G. Gerenciamento da cadeia de distribuição. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2004. PARENTE, Juracy. Varejo no Brasil: gestão e estratégia. São Paulo: Atlas, 2000. SEVERO FILHO, J. Administração de logística integrada: materiais, PCP e marketing. 2 ed. Rio de Janeiro: E-papers, 2006. TADEU, Hugo F. B. Logística reversa e sustentabilidade. São Paulo: Cengage Learning, 2012. 6464 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Anotações:Anotações: _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ ____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ ____________________________________________________ __________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 w w w .U ni AT EN EU .e du .b r