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Técnicas e Ferramentas
do Coaching
Estudo de 
Caso
Professor Esp. Felipe de Lima Soares
2
Unicesumar
estudo de 
caso
Ana era uma jovem de 25 anos. Ela chegou na primeira sessão de Coaching cheia de espe-
rança para promover as mudanças necessárias para realizar os seus sonhos, mas com medo 
do processo não funcionar.
 Era nítido que ela queria confiar no processo, mas tinha receio de perder ainda mais 
tempo, dinheiro e de não conseguir superar as suas dificuldades.
 O seu crítico interno era um juiz afiado. Ela julgava tudo e todos. O autojulgamento era 
intensamente destrutivo. A culpa da culpa destruía a sua autoimagem e minava a sua au-
toconfiança. Tudo o que ela queria era voltar a acreditar em si mesma e manter a disciplina 
nas ações estratégicas para a realização dos seus objetivos de vida, mas ela se sentia literal-
mente travada, sem conseguir seguir em frente.
 Ela adoraria empreender em um negócio próprio, mas a família fazia pressão para que 
passasse em um concurso público por conta da estabilidade financeira. Ana não tinha dis-
ciplina para estudar e também estava indecisa sobre se e como enfrentaria a família para 
seguir o caminho do empreendedorismo.
 Alguns anos atrás ela tentou criar o seu próprio negócio, mas não deu certo. Os pais 
tiveram que ajudar para pagar as dívidas da empresa falida e eles faziam questão de lem-
brá-la desse fato constantemente com duras críticas.
Toda a família é de servidores públicos e buscar a aprovação em um concurso público 
seria um ato de lealdade a esse padrão familiar.
Ana estava se dedicando aos estudos para concursos públicos há três anos e já tinha 
sofrido algumas reprovações. Em cada insucesso nas provas, a família aumentava a cobran-
ça e as críticas eram cada vez mais frequentes e duras.
O crítico interno destrutivo dela tinha um padrão de referência claro nos seus pais. Mas 
esse crítico tinha um padrão de cobrança interna excessiva ainda mais severo que os da 
família. Ana não dava um sorriso. Ela era nitidamente uma pessoa triste, excessivamente 
preocupada, insegura, impaciente e com um alto nível de ansiedade.
Quando perguntei sobre quais são os seus objetos de sucesso mais importantes e as 
suas necessidades de mudanças ela foi muito direta: ter disciplina para cumprir o planeja-
mento de estudos para passar em um concurso público.
A busca por uma solução rápida para resolver a situação atual da sua vida era evidente. 
Ela nem cogitava a possibilidade de desistir dos concursos, o que não fazia por vergonha da 
família. Voltar a empreender era uma possibilidade impensável.
Unicesumar
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estudo de 
caso
Quando tocamos no assunto da falência da empresa que ela tentou abrir, Ana se sentiu 
ofendida e questionou o motivo daquele questionamento, visto que o objetivo dela é con-
cursos públicos e não voltar a empreender.
Levou um tempo para ela se desarmar e começar a entender que, ressignificar as tantas 
culpas do passado, era necessário para que ela superasse os medos do futuro.
Esse processo durou 2 meses e ao final dele ela era outra Ana, leve, sorridente, feliz, alta-
mente motivada e disciplinada.
Antes de abordamos sobre como o processo dela foi conduzido, reflita sobre o que você 
faria. Qual estratégia você adotaria?
O caso da Ana não foi nada simples. Depois de tanto sofrer na vida ela desenvolveu 
um crítico interno que além de destrutivo, era autoimune. O nível de julgamento interno e 
externo dela dificultava gravemente qualquer ferramenta de Coaching ou estratégia aplicada.
Quando apliquei a ferramenta do estado atual e estado desejado, ela tinha muita dificul-
dade em imaginar um futuro feliz e até tinha medo de acreditar e gerar expectativas sobre 
ter sucesso na vida. Ana tinha desenvolvido um pessimismo intenso para se proteger de 
novas frustrações pelas expectativas frustradas.
Porém, o pessimismo, apesar de ter uma intenção positiva de não gerar ainda mais frus-
trações, ele acaba gerando desânimo e desmotivação por não se acreditar que aquele esforço 
pode valer a pena.
A cobrança interna excessiva de Ana era tão forte que ela não valorizava absolutamente 
nada do que conseguia fazer, nada do que estudou e focava exclusivamente na culpa das 
metas de horas de estudo não batidas.
Você pode estar se perguntando se o ideal não era ajudá-la a seguir o caminho que ela 
tinha vocação e coração, que era empreender. Mas, eu vou te deixar com essa opção em 
aberto para que você possa pensar se intervir diretamente nisso é um papel seu ou não.
Ana tinha muita dificuldade para começar a estudar, pois a angústia de olhar para o livro 
trazia toda a culpa da falência da empresa, a culpa das reprovações e também a culpa pela 
indisciplina.
O seu nível de ansiedade durante os estudos era tão grande que ela não conseguia se 
concentrar e isso agravava ainda mais a ansiedade. A memória também sofria as consequên-
cias da ansiedade e isso gerava uma frustração ainda maior por perceber que ela não estava 
rendendo nos estudos. Aquilo tudo parecia jogar ainda mais tempo fora e o sentimento de 
incapacidade só crescia.
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Unicesumar
estudo de 
caso
Descansar para ela era algo raro e quando travava nos estudos pela exaustão física e 
mental ela sempre se sentia culpada, o que gerava ainda mais ansiedade.
Quando Ana se encontrava com pessoas da família, a pergunta sobre os concursos gerava 
um sentimento de fracasso tão grande que ela não conseguia conter o choro e passava dias 
sem estudar pelo desânimo.
Toda vez que ela se deparava com outras pessoas que também estavam estudando para 
concursos, Ana sempre se sentia inferior. Até quando as pessoas a elogiavam pela sua dedi-
cação e nível de conhecimento, ela se sentia pressionada e se irritava com isso.
Quando apliquei a ferramenta do cartaz dos sonhos, ela colocou uma única imagem 
do Diário oficial, simbolizando a sua aprovação. Quando usamos a ferramenta do cartaz dos 
modelos, ela criticava tanto os modelos que ninguém servia de exemplo ou inspiração para 
ela.
A mente de Ana parecia um labirinto sem saída, mas duas estratégias me permitiram 
fazer dar certo, até dar certo, e conseguir ajudá-la a reescrever completamente a sua vida.
A primeira estratégia foi a certeza de que para todo problema há soluções. Ela só preci-
sava encontrar ou criar essas soluções. A segunda foi a do prazer do difícil. Quanto mais Ana 
se mostrava resistente às estratégias de Coaching que eu aplicava, mais aquilo aumentava 
o meu ânimo para ajudá-la.
Chega de falar de problemas e vamos passar para as soluções. O primeiro passo para 
começar as mudanças foi ressignificar o crítico interno dela. Promover a demissão do seu 
crítico interno foi um desafio, pois essa referência foi criada por amor aos pais e à família, 
mas funcionou.
Ela só aceitou condicionar o seu crítico para que ele fosse incentivador, usando sempre 
a tríade da gentileza incentivadora (parabéns, calma e evolua) por amor à família. Usei o 
argumento de que por amor aos seus pais ela precisava parar de se julgar e se culpar des-
trutivamente para poder se perdoar pelos seus erros e seguir em frente.
O problema é que os erros fazem parte do passado, do presente e também farão do 
futuro. Errar é humano. Todo mundo, cedo ou tarde, vai cometer erros.
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estudo de 
caso
Após o ajuste do seu crítico interno, as outras ferramentas começaram a funcionar grada-
tivamente. Ela refez o seu cartaz dos sonhos e o seu nível de motivação começou a aumentar. 
Quando o cartaz dos modelos começou a gerar uma conexão, foi um renascimento. Ana 
começou a permitir que os seus modelos gerassem a influência, inspiração e orientação para 
que fosse possível dominar os seus pensamentos e sentimentos e não permitir que eles a 
dominassem.
A Imunidade Emocional dela cresceu rapidamente, o seu nível de ansiedade caiu bas-
tante. Ana voltou a sorrir, mas ela ainda tinha alguns medos. Medo de voltar a ter ansiedade, 
medo de ter medo.Aos poucos ela percebeu que bastava continuar a persistir com a prática 
das conexões com os modelos, a intensificar a autovalorização por meio do PARABÉNS e a 
manter a gentileza de não se exigir a perfeição e nem se julgar quando as coisas derem errado.
O seu nível de disciplina tinha subido bastante quando Ana teve uma recaída. Ela tinha 
recebido a visita de parentes e um tio fez questão de pegar no pé dela sobre os estudos. 
Logo no início das perguntas do tio ela se manteve bem. Mas parecia que ele estava decidi-
do a incomodá-la com o assunto. Ele parecia mais um lutador que batia sem parar em vários 
locais do corpo até acertar um golpe. E ele conseguiu.
Quando o seu tio falou sobre a falência da empresa, parece que o seu mundo desabou. 
Ana começou a chorar na frente dele por se sentir ofendida e começou a ofender o tio de 
uma forma dura. Aquilo tinha desestabilizado ela de uma tal forma que o crítico interno 
antigo, cruel, duro, tinha sido convocado para se proteger do tio. Aquele era um crítico juiz e 
do mesmo jeito que ele julgava o tio para se proteger, o que gerava raiva e irritação, propor-
cionando a volta da ansiedade, ele também gerava o autojulgamento. A culpa tinha voltado.
De certa forma, aquele episódio foi bom para Ana. Dois dias depois, ela sozinha se reer-
gueu. Quando fizemos a sessão de Coaching seguinte ela já estava rindo de toda a briga 
com o tio e da forma como ela tinha o colocado “no lugar dele”.
O meu foco como Coach foi blindar a Imunidade Emocional da Ana para que ela re-
construísse a sua autoimagem. Mais autoconfiante, Ana percebeu de forma autônoma que 
a jornada para os concursos não fazia nenhum sentido para ela.
Em uma sessão de Coaching isso ficou tão claro para ela, pelo alinhamento das suas três 
partes internas: crítico, realizador e sonhador. Ana tinha voltado a ficar em pé com as pró-
prias pernas na vida. Ela sabia ser a dona da régua que a media, sabia valorizar a sua história, 
erros e acertos.
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Ana reuniu a família e comunicou a sua decisão de voltar a empreender. Mas dessa vez 
tudo seria diferente, pois ela estava diferente. A sua capacidade de aprender com os seus 
erros, o controle da ansiedade e o seu nível de motivação e disciplina tinham criado uma 
nova Ana.
Em poucos meses ela tinha criado um novo negócio e conseguiu devolver aos pais o di-
nheiro que eles tinham ajudado a pagar as dívidas da empresa antiga.
Ana fez as pazes com o tio, mas aquela briga ainda é motivo de boas risadas.
Ela tinha me contratado para ser aprovada em concursos, mas Coaching não é sobre ob-
jetivos e sim sobre pessoas. Depois que reconstruímos a Ana por dentro, tudo se encaixou 
por fora, na sua vida, nos seus relacionamentos, no seu sucesso e felicidade.
A conexão com o Cartaz dos Modelos permitiu que ela voltasse a se amar e se perdoar 
pelos seus erros do presente, passado e previamente pelos do futuro.
O cartaz dos sonhos hoje tem itens de todas as áreas da sua vida. A tríade da gentile-
za incentivadora (parabéns, calma e evolua) é praticada constantemente com ela mesma e 
também com outras pessoas.
As mudanças internas e externas na vida da Ana foram tão intensas e sólidas que o pai 
dela me contratou em um processo de Coaching.
Ele ama a carreira pública, tem vocação para isso, mas ele acabava se desentenden-
do e se irritando muito com algumas pessoas do seu trabalho. Mas isso é assunto para um 
próximo estudo de caso.
REFERÊNCIAS
LIMA, F. Imunidade Emocional. 1. ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2018.
DILTS, R; HALLBOM T.; SMITH, S. Crenças: caminhos para a saúde e o bem-estar. 7. ed. São 
Paulo: Summus Editorial, 1993.

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