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Mara Dubugras Machado Comunicação institucional Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Simone M. P. Vieira – CRB 8a/4771) Machado, Mara Dubugras Comunicação institucional / Mara Dubugras Machado. – São Paulo : Editora Senac São Paulo, 2021. (Série Universitária) Bibliografia. e-ISBN 978-65-5536-665-5 (ePub/2021) e-ISBN 978-65-5536-666-2 (PDF/2021) 1. Comunicação 2. Comunicação institucional 3. Comunicação em marketing 4. Comunicação organizacional : Setor público 5. Comunicação no trabalho remoto I. Título. II. Série. 21-1287t CDD – 658.45 658.81 BISAC BUS043000 BUS007000 Índice para catálogo sistemático 1. Comunicação institucional 658.45 2. Gestão de marketing : Comunicação 658.81 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL Mara Dubugras Machado M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor do Departamento Regional Luiz Francisco de A. Salgado Superintendente Universitário e de Desenvolvimento Luiz Carlos Dourado M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . Editora Senac São Paulo Conselho Editorial Luiz Francisco de A. Salgado Luiz Carlos Dourado Darcio Sayad Maia Lucila Mara Sbrana Sciotti Luís Américo Tousi Botelho Gerente/Publisher Luís Américo Tousi Botelho (luis.tbotelho@sp.senac.br) Coordenação Editorial/Prospecção Dolores Crisci Manzano (dolores.cmanzano@sp.senac.br) Administrativo grupoedsadministrativo@sp.senac.br Comercial comercial@editorasenacsp.com.br Acompanhamento Pedagógico Otacilia da Paz Pereira Designer Educacional João Francisco Correia de Souza Perla Rodrigues Mota de Oliveira Revisão Técnica Denis Alves Rodrigues Colaboração Ana Paula Papalia Preparação e Revisão de Texto Janaina Lira Projeto Gráfico Alexandre Lemes da Silva Emília Corrêa Abreu Capa Antonio Carlos De Angelis Editoração Eletrônica Rodrigo Benites da Silva Ilustrações Rodrigo Benites da Silva Imagens Adobe Stock Photos E-pub Ricardo Diana Proibida a reprodução sem autorização expressa. Todos os direitos desta edição reservados à Editora Senac São Paulo Rua 24 de Maio, 208 – 3o andar Centro – CEP 01041-000 – São Paulo – SP Caixa Postal 1120 – CEP 01032-970 – São Paulo – SP Tel. (11) 2187-4450 – Fax (11) 2187-4486 E-mail: editora@sp.senac.br Home page: http://www.livrariasenac.com.br © Editora Senac São Paulo, 2021 Sumário M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 1 Os tipos e as direções da comunicação organizacional, 7 1 A comunicação organizacional, 8 2 Tipos de comunicação, 13 3 Direção da comunicação organizacional, 18 Considerações finais, 22 Referências, 22 Capítulo 2 O processo da comunicação, 25 1 Os elementos do processo de comunicação, 26 2 Elementos constituintes da mensagem, 28 3 O processo de comunicação e a comunicação organizacional, 31 Considerações finais, 39 Referências, 39 Capítulo 3 Mensagem e feedback, 41 1 Detalhando a mensagem, 42 2 Conceito de feedback, 45 3 Comunicação interpessoal e intrapessoal, 47 4 Comunicação para liderança, 50 Considerações finais, 52 Referências, 52 Capítulo 4 A comunicação interna e externa, 55 1 Comunicação interna, 56 2 Comunicação externa, 60 Considerações finais, 67 Referências, 67 Capítulo 5 Comunicação e gerenciamento de crise, 69 1 Diferenciando conflito de crise, 70 2 Governança corporativa, 77 3 Compliance, 81 4 Ética na comunicação, 82 Considerações finais, 83 Referências, 84 Capítulo 6 Comunicação escrita e oral, 85 1 A comunicação verbal escrita e o uso correto dos códigos, 86 2 A comunicação verbal oral na organização, 96 3 Boas práticas, 98 Considerações finais, 99 Referências, 100 Capítulo 7 Comunicação no trabalho remoto e segurança da informação, 101 1 A comunicação no trabalho remoto, 102 2 Segurança da informação, 109 Considerações finais, 116 Referências, 117 Capítulo 8 Comunicação em organizações públicas, 119 1 O papel da comunicação no setor público, 120 2 Comunicação de programas públicos, 122 3 Lei de Acesso à Informação, 126 4 Lei da Transparência, 129 5 Dados abertos governamentais, 131 Considerações finais, 132 Referências, 133 Sobre a autora, 137 7 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 1 Os tipos e as direções da comunicação organizacional Neste livro, estudaremos os caminhos, as ferramentas e as meto- dologias da comunicação e como aplicá-las para o sucesso de uma or- ganização pública ou privada. Será possível perceber que, utilizando os processos adequados, conseguimos comunicar o propósito institucio- nal para o público essencial (consumidor ou cidadão). A comunicação é poderosa quando aplicada com eficiência e eficácia. 8 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Conforme o autor Gaudêncio Torquato (2015, p. 10): O poder é a capacidade de uma pessoa influenciar outra para que esta aceite as razões da primeira, isso ocorre, inicialmente, por força da argumentação. A relação de poder estabelece-se em de- corrência do ato comunicativo. O poder da comunicação apresen- ta-se ainda no carisma, esse brilho extraordinário que os líderes exprimem e se faz presente na eficiência do discurso, na maneira de falar, na gesticulação, na apresentação pessoal. O carismático possui imensa capacidade para integrar e harmonizar os discursos semântico e estético. E, ainda, detém a condição de animar os am- bientes, atrair a atenção e a simpatia de ouvintes e interlocutores. Para ser carismático, é necessário dominar as ferramentas da co- municação – especialmente dentro de uma organização – e conhecer a evolução do significado das palavras ao longo do tempo (semântica), bem como a melhor maneira de apresentá-las (estética). A alta lideran- ça e todos que pretendem destacar-se no mercado precisam ser bons comunicadores. Para iniciar nossos estudos, veremos o que significa comunicação organizacional, seus tipos e direções. No final deste capítulo, você esta- rá apto a classificar os tipos de comunicação e a relação deles com os diferentes stakeholders dentro e fora da instituição. 1 A comunicação organizacional De maneira geral, uma organização é formada por um conjunto de recursos e pessoas com o mesmo objetivo. Esse conjunto de pessoas,independentemente da estrutura, deve comunicar-se uniformemente. O principal objetivo da organização é ser corretamente percebida pelos seus stakeholders, que são os grupos com os quais ela quer se rela- cionar. Os stakeholders variam conforme o propósito, mas, em linhas gerais, “podem ser: empregados, público essencial, fornecedores, gover- no, organizações do terceiro setor, órgãos de defesa do consumidor ou 9Os tipos e as direções da comunicação organizacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. regulatórios, como aqueles que estabelecem as regras para o funciona- mento de determinado setor [...]” (MAFEI; CECATO, 2011, p. 19). Observe a figura 1. Figura 1 – Representação da posição dos shareholders e stakeholders na empresa Fonte: adaptado de Silva e Machado (2017, p. 26). Percebe-se por meio da figura que os stakeholders dividem-se em dois grandes grupos, os internos e os externos. Os internos atuam dire- tamente dentro da organização e os externos atuam fora dela e ainda em ambientes diferentes e com propósitos completamente distintos entre si. Na figura, aparecem também os shareholders, que são investidores e acionistas quando a empresa é privada e de capital aberto. Eles são separados dos stakeholders, uma vez que não se envolvem na gestão, apenas têm interesse nos lucros. Consumidor Shareholders (investidores e acionistas) ORGANIZAÇÃO STAKEHOLDERS Governo Sindicatos Parceiros Sociedade Mídia Órgãos de classe Outros (dependendo da estrutura) Cliente interno, colaboradores ou funcionário 10 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .No ambiente interno de uma organização, as pessoas podem ser divididas em equipes, setores, ambientes, ou até países distintos, e hie- rarquias, como mostrado na figura 2. Figura 2 – Desmembramento dos níveis hierárquicos da empresa na formação da marca Presidência NÍVEL ESTRATÉGICO NÍVEL TÁTICO NÍVEL OPERACIONAL Diretoria Líder Setores PROPÓSITO ORGANIZAÇÃO Fonte: adaptado de Silva e Machado (2017, p. 15). Pela estrutura apresentada na figura 2, nota-se que existe uma di- visão interna por níveis de atuação. Os níveis hierárquicos estratégico, tático e operacional possuem foco e expectativas diferentes em tempo de realização, tipos de tarefa e preocupações profissionais, embora fun- cionem com o mesmo propósito. Cabe ao setor estratégico comunicar esse propósito por meio de objetivos e metas ao setor tático e ao setor tático comunicar ao setor operacional, traduzindo a mensagem de acor- do com o entendimento de cada setor. Mafei e Cecato (2011, p. 19) afirmam que a comunicação organi- zacional é “um conjunto de ações que ela executa para interagir com 11Os tipos e as direções da comunicação organizacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. os públicos que são essenciais para a sua reputação (imagem) [...] e sustentabilidade”. No ambiente externo da organização, o “cliente” ou “cidadão” repre- senta o público essencial para o propósito, a imagem e a sustentabili- dade e é pensando nele que se define o posicionamento institucional. IMPORTANTE Posicionamento é a arte de projetar na mente do público essencial a satisfação que ele terá com a realização de seus desejos e necessi- dades, por meio da criação da comunicação integrada (institucional, interna, administrativa e mercadológica), perpetuada pelos meios verbais, digitais e impressos. O propósito organizacional é reconhecido pelos públicos essenciais por meio da criação de uma marca. “As marcas se tornaram, nas últi- mas décadas, um dos ativos intangíveis mais valiosos das organiza- ções” (GARCIA, 2016, p. 12). Com essa valorização, uma marca pode ser uma representação que utiliza um ou mais elementos como nome, símbolo, desenho, cores, etc. dos exemplos a seguir: • Produto (bem adquirido). • Serviço (tempo pago por determinado benefício). • Pessoa (personalidade famosa – artista, empresário, persona- gem – que empresta sua credibilidade para uma organização, causa, ideia, lugar, etc., aumentando o valor desta). • Projeto (descrição formal e escrita, com objetivo, metas, método, pessoas e verba necessária para sua realização). 12 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . • Evento (show, feira de negócios, teatro, apresentação, etc.). • Ideia (criação de um conceito que valorize a marca, a pessoa, o lugar, etc. Exemplo: sustentabilidade, TI verde). • Lugar (cidade de Aparecida, interior de São Paulo, conhecida como lugar de fé e promessas). • Causa (sacola reciclável para não poluir o meio ambiente, pas- seio coletivo de bicicleta para angariar fundos para determinada situação). Conforme analisa Fernanda Garcia: A competição acirrada, o desenvolvimento da tecnologia e da inova- ção em uma sociedade altamente interconectada, o perfil do clien- te ou cidadão cada vez mais exigentes e a quantidade crescente de informações disponíveis vêm fazendo com que as estratégias de marketing relativas às marcas tenham um papel significativo no sucesso ou fracasso das organizações. (GARCIA, 2016, p. 12) PARA PENSAR Quando você vê uma propaganda de uma marca que está poluindo o ambiente ou explorando a mão de obra, continuará a consumi-la? Para que uma organização seja bem-sucedida na estratégia de mar- ca, é essencial que haja coerência entre os objetivos, o que ela transmite para o mercado e o que oferece na prática ao seu público essencial (GARCIA, 2016). Essa coerência só é possível se houver sintonia entre os interesses de cada stakeholder, construída por meio de ações de comunicação e tipos de comunicação emitida. Além disso, 13Os tipos e as direções da comunicação organizacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. os objetivos da comunicação são os de modificar e adaptar o com- portamento das pessoas às normas traçadas, influenciar atitudes e preferências, carrear todos os atos com vistas à execução das metas programadas. (TORQUATO, 2015, p. 77) 2 Tipos de comunicação Existem vários tipos de comunicação, cada um com uma função es- pecífica. O uso de vários tipos combinados e planejados de acordo com o perfil do receptor torna o processo de comunicação possível. O principal motivo da comunicação é a troca de informações que sejam úteis para ambas as partes. O sucesso dessa troca ocorrerá quando o receptor da mensagem entender exatamente o que o emissor pretendia dizer. Observe a figura 3. Figura 3 – Emissor, mensagem e receptor EMISSOR RECEPTOR MENSAGEM Analisando o rascunho da cabeça do emissor, pode-se dizer que a maioria das pessoas visualizao que quer informar, mas, na mensagem, 14 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .passa uma informação difícil de entender da mesma forma que ela visualiza. Vamos supor que o receptor que acha que entendeu a ideia parta para a execução. Podem acontecer infinitas possibilidades, até mesmo a de sair a coisa certa, mas o que ocorre na maioria das vezes é muito diferente. Essa diferença de entendimentos poderá representar perda de tempo ou dinheiro, retrabalho, logística reversa, demissões, descren- ça do público essencial, etc. O que faltou nesse processo? No mínimo, podemos dizer que não houve um diálogo, que seria uma troca de informações para chegar ao entendimento comum. Embora pareça fácil nos comunicarmos, existem habilidades que são requeridas, e a mais menosprezada é a escuta ativa, que é o saber ouvir, ter paciência para escutar e ter empatia em relação ao emissor. Observe os elementos que, conforme Mesquita (2004 apud LUIZARI 2014, p. 23), são essenciais no processo de comunicação: • Emissor: o que envia a mensagem. • Receptor: quem recebe a mensagem. • Mensagem: conteúdo das informações transmitidas. • Código: linguagem utilizada. • Canal: meio de transmissão da mensagem. • Retorno: resposta do receptor. A seguir, veremos os tipos de comunicação mais relevantes para o meio organizacional. 15Os tipos e as direções da comunicação organizacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 1 – Tipos de comunicação organizacional pessoal COMUNICAÇÃO VERBAL É feita pelo uso de palavras entre o emissor e o receptor. Pode ser oral ou escrita. Oral: é uma comunicação de caráter natural que envolve a fala, a visão e a audição usando palavras com sons, que podem ser altos, baixos ou em tons toleráveis. É expressa por meio da emoção (alegria, seriedade, raiva, dor). Pode ser séria ou informal. Escrita: a comunicação escrita é menos pessoal e, dentro da organização, é formal. Nela, são usados códigos, como o alfabeto. É por meio desse tipo de linguagem que são transmitidas políticas, metas, objetivos, normas e procedimentos. COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL É realizada por gestos corporais, sinais, movimento dos olhos, postura, comportamento, estilo de roupa, cabelo, maquiagem, uso de marcas, etc. COMUNICAÇÃO VISUAL É expressa por imagens, como fotografias, desenhos, gráficos, placas de sinalização, esculturas, etc. COMUNICAÇÃO AUDITIVA É a habilidade de interpretar o que ouve. COMUNICAÇÃO FORMAL É técnica, séria e respeitosa. Usada em manuais, contratos, reuniões com clientes e fornecedores, etc. COMUNICAÇÃO INFORMAL É o bate-papo entre colegas de trabalho, conversas no cafezinho e no almoço, entre outras. COMUNICAÇÃO COLOQUIAL Usada em reportagens, mídias sociais, propagandas e conversas que não exigem formalidades. 16 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Durante um dia, podemos utilizar todos esses tipos de comunicação sem perceber e de forma natural. Imagine que, antes de ir para o trabalho, foi tomar café da manhã com os amigos. Você utilizará uma linguagem informal, verbal e oral, certo? Afinal, é um momento de descontração. Quando chegou ao trabalho, postou informações novas no blog da empresa. Utilizou linguagem oral, escrita e coloquial. Lembra? Em redes sociais e revistas, a linguagem precisa ser mais leve, porém não pode ser muito descontraída. Logo em seguida, seu líder lhe chama para ver o relatório semanal, cuja função de preparar e apresentar é sua. Você utilizará linguagem verbal oral e formal para explicar o relatório e linguagem verbal escrita, formal e visual (gráficos) para mostrar os resultados atingidos. Seu líder encontrou algumas divergências e quer que você corrija. Ele utilizará a linguagem verbal oral e formal, podendo até escrever algu- mas observações dentro do relatório (linguagem verbal escrita e visual, se grifar alguns itens). E você terá que utilizar sua comunicação auditiva para entender o que ele quer ajustar. Agora, para transmitir o posicionamento da marca aos stakeholders, a organização precisa seguir um processo de comunicação que envolva todos os colaboradores, o marketing e a mídia. Esse processo chama-se “Comunicação Integrada de Gestão” e é ex- plicado a seguir. 17Os tipos e as direções da comunicação organizacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 4 – Elementos envolvidos no processo de comunicação organizacional Público internoSociedade Co m un ic aç ão in st itu ci on al Co m un ic aç ão a dm in is tra tiv a Comunicação integrada Imagem/Reputação Público externo Organização Co m un ic aç ão in te rn a Co m un ic aç ão m er ca do ló gi ca Fonte: adaptado de Silva e Machado (2017, p. 11). Neste contexto, podemos definir: • Comunicação institucional: na comunicação institucional, tudo é pensado para desenvolver e manter a imagem perante a socieda- de e seus stakeholders, por meio de patrocínio de esportes, cultu- ra, ações sociais, assessoria de imprensa e benefícios desenvol- vidos para a sociedade. • Comunicação administrativa: é na comunicação administrativa que são criados manuais, memorandos e procedimentos para 18 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .o funcionamento da empresa e para o relacionamento com os stakeholders internos. • Comunicação interna: a comunicação interna envolve todas as ações da empresa para ensinar, motivar, valorizar e engajar os colaboradores. • Comunicação mercadológica: a comunicação mercadológica é aquela que expressa seu posicionamento para o público essen- cial pelo uso de propagandas na TV, rádio, revistas, mídias sociais, promoções de vendas, merchandising, etc. 3 Direção da comunicação organizacional Voltando para a figura 1, na qual apresentamos a posição dos sha- reholders e dos stakeholders na organização, pudemos reparar que, além dos dois grupos de stakeholders, os internos e os externos, existe dentro do grupo interno uma divisão por setores, líderes e alta direção. Para que a comunicação seja eficiente e eficaz tanto dentro quanto fora da empresa, é necessário direcionar o tipo de comunicação de acor- do com o perfil dos stakeholders e o nível hierárquico. Assim, existem basicamente três direções da comunicação que são mais conhecidas, conforme descrito a seguir. 3.1 Direção de cima para baixo A direção de cima para baixo, também chamada de descendente, acontece daalta direção para os níveis hierárquicos inferiores. Nessa direção, é usada a linguagem formal e verbal, tanto oral quanto escrita, que serve para disseminar os objetivos, as metas, as políticas, as diretri- zes, os procedimentos e os princípios orientadores da empresa. Assim, “os gestores modernos preferem não fazer muito uso da comunicação 19Os tipos e as direções da comunicação organizacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. de cima para baixo, uma vez que ela pode parecer uma prática opresso- ra” (SILVA; MACHADO, 2017, p. 82). Para a alta liderança das empresas mais conservadoras, esse tipo de prática permite o feedback (retorno do que foi entendido) de forma ime- diata e interpessoal na troca de ideias e discussão de problemas. A re- presentação gráfica comentada dessa direção será tratada na figura 5. 3.2 Direção de baixo para cima A comunicação de baixo para cima, também chamada de ascenden- te, tem caráter informal, é verbal e expressa opiniões, atitudes, ações importantes para o funcionamento da empresa, queixas, reclamações, e sugestões. Ocorre dos níveis inferiores para a alta direção. Conforme pontuam Silva e Machado (2017, p. 82): “Há uma dificul- dade natural nesse tipo de comunicação devido à tendência dos cola- boradores informarem apenas aquilo que acreditam que os superiores desejam saber”. Por isso: [...] geralmente, esse fluxo de comunicação é mais eficaz quando acontece de maneira informal e espontânea (conversas em encon- tros sociais, eventos, happy hour, jogos de futebol dos funcionários, competições esportivas, etc.). A comunicação ascendente cor- responde ao processo de feedback, ou seja, é o retorno do corpo funcional sobre o modelo de gestão, ações administrativas, políti- cas e planos organizacionais determinados pelo corpo diretivo da empresa. (MATOS, 2014, p. 113-114 apud SILVA; MACHADO, 2017, p. 83) A representação gráfica comentada dessa direção será tratada na figura 5. 20 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . 3.3 Direção horizontal A comunicação horizontal acontece entre pessoas de mesmo nível hierárquico dentro ou fora da empresa e permite o fluxo de informações entre departamentos, combinação de ações e procedimentos e produ- ção de boletins, manuais e projetos. De acordo com o PMI (Project Management Institute), uma equipe de projetos pode reunir pessoas que não trabalhem juntas, mas se unem com o objetivo específico de “apresentarem os resultados, aprendizado e integração necessários para as organizações dentro do prazo e do orçamento previstos”. Desde que todos estejam no mesmo nível hierárquico, ocorre a comunicação horizontal. (SILVA; MACHADO, 2017, p. 85) Nessa direção da comunicação, é preciso tomar cuidado para que pessoas do mesmo nível hierárquico não escondam informações com medo de perderem seus cargos. Conforme analisam Silva e Machado (2017, p. 84): “Apesar de a comunicação horizontal acontecer entre pa- res – hierarquicamente falando –, nas empresas mais burocráticas é possível que, devido a certa concorrência interna, as pessoas tendam a ‘manter a informação como propriedade secreta’ (MATOS, 2014, p. 114)”. A integração das três direções da comunicação está representada na figura 5. 21Os tipos e as direções da comunicação organizacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 5 – Representação gráfica das direções da comunicação dentro da organização PRODUTO / SERVIÇO M ARCA POSICIONAM ENTO Canal verbal oral de caráter natural, pessoal e inform al Produz: • objetivos; • m etas; • políticas; • diretrizes; • norm as; • procedim entos; • princípios orientadores. Perm ite: • feedback im ediato; • troca de ideias; • discussão de problem as. Perm ite: • opiniões; • sugestões; • queixas. Produz: • ideias; • feedback da burocracia; • ações corretivas. Canal verbal escrito, visual e form al COMUNICAÇÃO DE BAIXO PARA CIMA COMUNICAÇÃO DE CIMA PARA BAIXO Usa todos os tipos de com unicação e produções necessárias para o funcionam ento entre departam entos. NÍVEL OPERACIONAL NÍVEL TÁTICO NÍVEL ESTRATÉGICO Alta liderança Liderança m édia Operação Canal verbal oral de caráter natural, pessoal e form al Fala Visão A udição Fala Visão A udição & Códigos (alfabeto) G ráficos e im agens 22 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Pudemos observar na figura que as diferentes direções da comuni- cação acontecem respeitando não só o nível hierárquico, mas também a opinião das diferentes áreas da instituição. Isso é essencial para que o processo dê certo, pois a comunicação deve acontecer de forma cíclica. Quando a comunicação ocorre de forma somente linear, ela passa a ser apenas informação. Cabe à alta liderança, então, criar a cultura de uma comunicação transparente dentro e fora da organização. Considerações finais Podemos concluir que o planejamento das ações de comunicação que a organização define baseada no posicionamento da marca deve ser estrategicamente transmitido para cada perfil de stakeholder, com o intuito de torná-los parceiros. Como foi descrito, a organização é a formação de um grupo de pes- soas e recursos para atingir um objetivo, e essas pessoas, atuando den- tro ou fora da empresa, sendo parceiras, tornam o sucesso, a inovação e o crescimento possíveis. Referências GARCIA, Fernanda Cunha. Identidade e imagem da marca: uma análise compa- rativa em uma empresa do setor de serviços de telecomunicações. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, 2016. LUIZARI, Kátia. Comunicação empresarial eficaz: como falar e escrever bem. Curitiba: Intersaberes, 2014. MAFEI, Maristela; CECATO, Valdete. Comunicação corporativa: gestão, imagem e posicionamento. São Paulo: Contexto, 2011. 23Os tipos e as direções da comunicação organizacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. REZ, Rafael. A imagem e a marca. NMKT (Nova Escola de Marketing), 2017. Disponível em: https://novaescolademarketing.com.br/imagem-marca/. Acesso em: 24 out. 2020. SILVA, Luciana Fátima da; MACHADO, Mara Dubugras. Comunicação empresa- rial. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2017. (Série Universitária). TORQUATO, Gaudêncio. Comunicação nas organizações: empresas privadas, instituições e setor público – conceitos, estratégias, planejamento e técnicas. São Paulo: Summus, 2015. 25 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo2 O processo da comunicação No capítulo anterior, abordamos a importância da comunicação or- ganizacional e dos tipos de comunicação e as direções que são aplica- das dentro da empresa. Com isso, constatamos que são muitos deta- lhes para conhecer e que existem grupos diferentes de stakeholders, os internos e os externos, com expectativas diferentes, cabendo à orga- nização posicionar todos eles sobre os objetivos e as metas traçados. Estruturar e colocar em prática um trabalho de comunicação re- quer escolhas nem sempre fáceis de fazer quanto aos caminhos a seguir, ferramentas adequadas, relacionamentos e públicos que precisam ser atingidos. A boa notícia é que há paramêtros que aju- dam muito. (MAFEI; CECATO, 2011, p. 41) 26 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Neste capítulo, vamos nos debruçar mais sobre os elementos da mensagem e explicar os processos de comunicação, além de algumas metodologias para o monitoramento dos resultados. Esses novos co- nhecimentos ajudam a empresa a evitar desgastes desnecessários. Então vamos nos aprofundar mais nesse oceano de possibilidades. 1 Os elementos do processo de comunicação Um processo é uma sequência de ações interligadas com começo, meio e fim seguindo determinados procedimentos (descrição da forma de executar o processo), para que todos os que a executem obtenham o mesmo resultado e a mesma qualidade dentro do objetivo. Os processos são aplicados em diversas situações, como em uma padaria no horário do café da manhã para que os pães estejam quen- tinhos, por exemplo. O padeiro da noite vai até a cozinha (local especí- fico), pega uma receita (procedimento), separa os ingredientes (logísti- ca), separa os utensílios – colheres, facas, etc. (ferramentas/logística), prepara a massa (método), formata os pãezinhos (metodologia) todos do mesmo tamanho (padrão/qualidade) e os deixa descansar em uma fôrma (ferramenta) a noite toda (método). Pela manhã, o padeiro do tur- no (equipe) coloca os pães no forno (ferramenta), no tempo estipulado na receita (procedimento) e com a antecedência de tempo suficiente (metodologia) para os clientes chegarem (controle) e ficarem satisfei- tos (cuidado) com a recepção olfativa (diferencial). Quais elementos foram necessários nesse processo? Objetivo, local, equipe, tempo, espaço, ferramentas, procedimento, métodos, metodologias, padrão, qualidade, controle, medição, cuidado, preocupação e atenção. Esses elementos, em ordem diferente, suprimidos ou acrescentados, formam um processo de gestão. Perceba que o processo não é uma tarefa mecânica e objetiva, ele envolve elementos subjetivos relaciona- dos à satisfação do público essencial (cliente ou cidadão). 27O processo da comunicação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Além do planejamento, da execução, do acompanhamento e da cor- reção, que são tarefas humanas dentro do processo de gestão, a sub- jetividade entra para mapear todo o ciclo de produção. Tudo isso junto forma o processo de comunicação organizacional, o qual se inicia com o propósito institucional, que é o objetivo da existência da organização para a satisfação do público essencial. Esse propósito é transformado em posicionamento e transmitido para todos os stakeholders pela co- municação integrada (institucional, interna, administrativa e mercado- lógica). Após essa etapa, acontece a medição dos resultados por meio de relatórios, pesquisas e conversas. É um processo cíclico, mesmo que cada etapa tenha começo, meio e fim. Os resultados medidos no final de cada processo podem gerar ações corretivas, ainda mais em um cenário atual de constantes mudanças globais. Assim, o fim de um processo pode gerar um novo começo. Em uma conversa, verbal e oral, o processo de comunicação é mais simples e com menos elementos, como mostrado na figura 1. Figura 1 – Processo de comunicação em uma coversa Feedback Feedback Mensagem (informação) DecodificaçãoCodificaçãoEMISSOR RECEPTOR Fonte: adaptado de Matos (2014, p. 27). Nesse processo de comunicação, aparecem os elementos: emissor, codificação (fala em determinado idioma), mensagem, decodificação (entender o idioma e os sinais ou símbolos), receptor e feedback (res- posta se entendeu a mensagem). Esse processo básico aparece em várias fases dos processos mais complexos, principalmente na análise de relatórios para a tomada de decisão. 28 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Agora, vamos para os elementos necessários para a transmissão da mensagem. 2 Elementos constituintes da mensagem Já vimos anteriormente que uma mensagem tem um emissor, um receptor e a informação que se pretende transmitir. Vimos também que, de acordo com Mesquita (2004 apud LUIZARI, 2014, p. 23), os elemen- tos essenciais para comunicação e interação são: • Emissor: o que envia a mensagem. • Receptor: quem recebe a mensagem. • Mensagem: conteúdo das informações transmitidas. • Código: linguagem utilizada. • Canal: meio de transmissão da mensagem. • Retorno: resposta do receptor. Já segundo Matos (2014, p. 27): • Fonte: é a nascente, a origem das mensagens, e inicia o ciclo comunicacional. • Emissor: um dos protagonistas da comunicação. • Receptor: é outro protagonista; aquele a quem a mensagem se dirige. • Mensagem: comunicação, notícia ou recado verbal ou escrito. • Código: é o conjunto de signos que compõem a mensagem, po- dendo ser escrito, sonoro, etc. • Canal: são os meios pelos quais a comunicação é veiculada. 29O processo da comunicação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Codificação: é o ato de transformar a mensagem de forma a con- vertê-la em uma linguagem. A decodificação seria a interpretação. • Signos: são compostos por uma convenção social e arbitrária, eles referem-se à combinação de dado conceito e uma imagem ou forma física. • Linguagem: é qualquer sistema de signos utilizado para a comu- nicação. Pode ser escrito, sonoro, gestual, etc. Já a língua refere- -se ao idioma falado em uma sociedade. Comparando os dois autores, percebemos que Matos desmembra o código em codificação, signos e linguagem, e não coloca retorno, mais conhecido como feedback, um assunto tão importante, que será o tema do próximo capítulo. Percebemos, então, que os elementos constituintes da mensagem variam de acordo com o autor e com a necessidade de análise da in- formação, ou seja, não existe um modelo único. Para entender quais elementos fazem parte de um processo de comunicação, o ideal é ob- servá-lo, perceber o contexto, o cenário, a tarefa feita, as pessoas envol- vidas e a cultura da organização. Por exemplo, se você estiver conversando com um colega no corre- dor da sala de aula após uma avaliação para comparar as respostas e tentar prever sua nota, quais elementos utilizará? 30 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o excl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Figura 2 – Tipo de comunicação verbal: elementos 1 Fonte: a prova 2 Emissor: você ou seu colega, dependendo de quem começou a comparação das respostas 3 Receptor: idem ao emissor 4 Mensagem: as respostas da prova 5 Código: língua portuguesa 6 Canal: oral 7 Linguagem: informal No exemplo da figura, podemos identificar os elementos citados pelos autores. No entanto, existe um elemento novo e tão importante e forte que pode alterar toda a mensagem: os aspectos emocional e comportamental do ser humano. E esse elemento pode mudar todo o processo de comunicação. Os colegas não estão preocupados com a veracidade das informações, visto que a resposta correta só poderá ser dada pelo professor, eles querem diminuir a ansiedade que o tem- po de espera causa nos mais aflitos. Esses aspectos podem mudar todo o processo de comunicação, e isso acontece muito dentro de uma organização. Parece fácil se comunicar dentro ou fora da organização, mas não é. A complexidade cognitiva do ser humano é uma área vasta e muitas vezes desrespeitada pela organização em razão da “falta de tempo” da vida con- temporânea e tecnológica. O resultado disso, geralmente, é o retrabalho, ou seja, custará duas vezes em tempo e dinheiro a execução de determinada tarefa, além da possível perda de confiabilidade na marca. 31O processo da comunicação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. IMPORTANTE Cognição significa a maneira que cada pessoa tem de interpretar e aprender ou processar determinadas informações, pois leva em consideração a influência que recebeu de seus grupos de influência desde o nascimento. Conforme explica Torquato: Nas organizações, a comunicação é usada de diversas formas. De- senvolve-se, de um lado, um conjunto de comunicações técnicas, instrumentais, burocráticas e normativas. Em paralelo, ocorrem situações de comunicação expressiva, centrada na capacidade e nas habilidades, nos comportamentos e na postura das fontes. A comunicação expressiva humaniza, suaviza, coopta, diverte, agra- da, converte, impacta, sensibiliza. (TORQUATO, 2015, p. 10) Por esses e outros motivos que devem existir processos de comuni- cação dentro da organização que respeitem a diversidade de seus co- laboradores e, ao mesmo tempo, a cultura institucional. Dessa forma, o público essencial perceberá que o propósito institucional é satisfazer a seus desejos e suas necessidades. 3 O processo de comunicação e a comunicação organizacional De acordo com João Carneiro Júnior, Nayra de Oliveira e Sofia Niveiros: As organizações buscam ser competitivas no mercado e para isso procuram ter um diferencial que agregue valor em suas atividades ou produtos. Uma importante ação para lhes proporcionar um melhor desempenho e o alcance dos objetivos almejados é o planejamento. Ter conhecimento de informações relevantes para suas tomadas de decisões e processar objetivos para se alcançar o sucesso pretendido é um dos aspectos mais importante para as organizações. Planejar 32 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .é determinar o caminho a ser seguido com o objetivo de alcançar re- sultados almejados atingindo o sucesso nas ações desempenhadas. O Planejamento representa uma das formas mais significantes de melhoria de qualidade nas ações decisórias dos gestores, pois opera como uma ferramenta de análise de futuras situações da empresa. (CARNEIRO JÚNIOR; OLIVEIRA; NIVEIROS, 2020, p. 83). Observe a seguir um fluxo de processo de comunicação estratégi- co utilizando elementos constituintes da mensagem necessários para transmitir ao público essencial o propósito institucional. Figura 3 – Fluxograma dos elementos constituintes do posicionamento Organização Emissor Fonte Mensagem, código, signos, linguagem CanalReceptor, codificação Feedback, retorno Propósito (base: missão, visão e valores) Posicionamento (como a organização quer ser vista pelo cliente) Comunicação integrada (institucional, mercadológica, interna, administrativa) Público essencial (cliente ou cidadão) Resultado (vendas, opiniões positivas, valor da marca) Esse fluxo começa mostrando que a organização emite sua mensa- gem usando o propósito de sua existência com base na sua missão, vi- são e valores. Depois, cria um posicionamento que vai determinar todas as diretrizes de comunicação da instituição. O posicionamento é definido usando o código, os signos e a lingua- gem de cada região, cidade, estado ou país onde a organização atua. Com o posicionamento definido, os canais de comunicação são esco- lhidos de acordo com o público essencial. Por exemplo, se o produto/ 33O processo da comunicação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. projeto for para crianças, serão utilizados programas infantis, horários de veiculação apropriados para a idade, eventos e patrocínios com brin- cadeiras e diversão. As cores serão alegres e os programas curtos e rápidos para reter a atenção delas. Tudo isso requer muito investimento e é a estratégia mais importante da agenda organizacional. O resultado, que é o feedback, aparecerá nas pesquisas, na satisfa- ção dos stakeholders e ainda no aumento do valor da organização. É preciso medir e acompanhar os resultados definindo indicadores-chave, os chamados key performance indicators (KPI), ou indicadores-chave de desempenho. Alguns exemplos de KPI: 9 índice de satisfação do público essencial; 9 tempo médio de atendimento; 9 retorno do investimento, também chamado de ROI, de return on investment. Esses indicadores medem o desempenho da organização e devem ser monitorados com atenção e cuidado para auxiliar no rumo certo a ser seguido. Funcionam como a engrenagem que move a organização. Existem diversas metodologias para isso, e uma das ferramentas mais utilizadas é o balanced scorecard (BSC), ou indicadores balanceados de desempenho, que analisa as relações de causa e efeito dentro de uma empresa sob quatro pilares: financeiro, cliente, processos internos e aprendizado e crescimento. Desse modo, a ferramenta permite geren- ciar todos os processos simultaneamente e de forma estratégica. NA PRÁTICA O BSC foi originalmente criado pelos professores da Harvard Business School, Robert Kaplan e David Norton em 1992 e, desde então, vem sendo aplicado com sucesso no mundo inteiro em centenas de organizações do setor privado, público e em organizações não governamentais. (MENEZES, 2010). 34 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Analise a representação gráfica doBSC. Figura 4 – Os quatro pilares do BSC A figura 4 mostra os quatro pilares do BSC circundando a visão e a estratégia. Em cada pilar, aparece uma pergunta que gera nas respostas os indicadores de medição do desempenho no quesito específico. No pilar financeiro, a perspectiva é avaliar a rentabilidade organizacional e atrair possíveis investimentos. Na perspectiva do cliente, o objetivo prin- cipal é entender como satisfazer a suas necessidades e desejos com excelência. Na perspectiva dos processos, o foco é priorizar os mais importantes e aprimorar os necessários. Já em aprendizado e cresci- mento, a perspectiva está na capacidade de inovar, treinar e motivar os colaboradores. Observe no quadro 1 a comparação dos indicadores aplicados a em- presas privadas e instituições públicas. Financeiro Para ter sucesso financeiramente, como nós devemos aparecer para os nossos investidores? Aprendizado e crescimento Para alcançar nossa visão, como sustentar a habilidade de mudar e progredir? Processos internos do negócio Para satisfazer os clientes, em quais processos devemos nos sobressair? Cliente Para alcançar nossa visão, como devemos ser vistos pelos clientes? Visão e estratégia 35O processo da comunicação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 1 – Exemplos de indicadores BSC em empresa privada × instituição pública PILAR EMPRESA PRIVADA INSTITUIÇÃO PÚBLICA Financeiro Produtos mais vendidos no mês Serviços públicos prestados no mês Cliente Quantidade de clientes Quantidade de cidadãos Processos internos Processos de inovação Implantação do orçamento participativo Aprendizado e crescimento Colaboradores treinados Servidores públicos treinados Fonte: adaptado de Brum (2012, p.11-15). O quadro demonstra que o BSC pode ser adaptado para diferentes organizações. O importante é alinhá-lo aos processos já existentes, e não implantar modelos de outras instituições, mesmo que tenham tido sucesso nelas. Nenhuma metodologia deve ser “copiada”, é sempre pre- ciso respeitar as práticas do local, as pessoas e a tecnologia disponível para que a metodologia vire uma ferramenta. Outra metodologia muito utilizada é o PDCA (plan, do, check, act, ou pla- nejar, executar, checar e agir). Veja sua representação gráfica na figura 5. Figura 5 – Metodologia PDCA • Padronização dos resultados positivos • Tratamento dos desvios • Verificação dos resultados • Definição da meta • Análise do problema • Análise das causas • Elaboração dos planos de ação • Treinamento • Execução dos planos de ação A C D P Fonte: TCR-PR (2020). 36 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) utiliza essa fer- ramenta e explica em seu site detalhadamente como funciona. O PDCA se apresenta em círculo justamente para passar o entendi- mento de que ele gira para a melhoria contínua, conforme a explicação a seguir de suas etapas. 1. P – Plan (planejar): é onde tudo começa. O objetivo a ser realiza- do é dividido em meta (objetivo com data) e método (os passos para realizar o objetivo no prazo). Aqui também são definidos os indicadores de desempenho. 2. D – Do (executar): é a executação do planejado. 3. C – Check (verificar): é o momento de monitorar os indicadores de desempenho, comparar a medição inicial e a final de cada um, preparar as análises e os relatórios e apresentá-los nas reuniões para a alta liderança. 4. A – Act (agir): aqui são definidos os pontos a serem ajusta- dos, que não deram os resultados esperados, e voltá-los para o planejamento. “Existem dois tipos de meta que se procuram atingir em qualquer organização: resultados que desejamos melhorar e resultados que de- sejamos manter. Para os dois casos, é possível a aplicação do método” (TCE-PR, 2020). PDCA é uma metodologia japonesa que serve de base para várias outras, como o Six Sigma, o CCQ, etc., e para algumas normas também, como a família ISO. Pode ser aplicada nos três níveis de gestão (estraté- gico, tático e operacional) e em múltiplos objetivos ao mesmo tempo. É muito flexível e, por isso, muito utilizada. Na fase C, de checagem, a organização pode analisar o ciclo de vida de seus produtos, serviços ou projetos. Para isso, ela pode usar a meto- dologia ciclo de vida do produto e/ou a matriz BCG, que tem o nome de seus idealizadores Boston Consulting Group. 37O processo da comunicação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. De acordo com Pedro Janot (2020): “Alguns produtos já nascem com data prevista para serem retirados do mercado. Sim, produtos têm ciclo de vida e precisamos saber a hora certa de encerrar alguns ciclos”. A organização precisa conhecer profundamente seu portfólio para geri-lo adequadamente. Cada produto, serviço ou projeto tem um papel a desempenhar no mercado. Observe na figura 6 a integração das duas metodologias. Figura 6 – Representação gráfica do ciclo de vida do produto × matriz BCG Introdução Crescimento Maturidade Declínio Incógnita Estrela Vaca leiteira Pet A figura mostra um gráfico separado pelas fases do ciclo de vida do produto/serviço em comparação com a matriz BCG, que atribui ima- gens para as mesmas fases do ciclo de vida. Algumas fases podem ser mais longas ou mais curtas que outras, dependendo do produto/ser- viço/mercado, por exemplo, alguns produtos ou marcas permanecem centenários na fase da maturidade. O importante é a gestão dessas fa- ses de acordo com o crescimento e a rentabilidade da empresa. 38 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Quando o produto/serviço é lançado, isso requer muito investimento e gera pouco lucro até ser conhecido. Essa fase é chamada “introdução” ou “incógnita”, porque é uma aposta sem certeza de sucesso, mesmo com muita pesquisa e planejamento antes do lançamento. Quando o produto/serviço dá certo, vende muito e começa a ser grande fonte de lucro para a empresa, é a fase chamada “crescimento” ou “estrela”. Essa fase durará até que todo o público-alvo seja atingido, mas se a marca acompanhar as tendências e evoluir com o público-al- vo, ela atingirá a fase da maturidade, também chamada de “vaca lei- teira”. Produtos/serviços ou marcas bem gerenciados e de qualidade costumam permanecer no mercado por um longo tempo, como Leite Moça, Bombril, Minancora, Havaianas, Senac, etc., alguns já são até cen- tenários. É nessa fase que passa a ser a pagadora dos passivos das empresas (contas de luz, água, impostos, salários, aluguel, etc.). Existe ainda uma fase que nenhuma empresa quer cair, chamada “declínio” ou também “pet”. Quem tem animais de estimação sabe que são maravilhosos, porém, tirando a alegria, a parceria, a companhia e o amor que temos por eles, o restante são muitos gastos. A comparação parece injusta, mas é para fazer uma analogia que, quando a empresa se apega ao produto/serviço, ela demorapara enxergar, ou não quer enxergar, que está tendo prejuízo e pode até ir à falência. PARA SABER MAIS Existem muitas ferramentas para gestão, é preciso conhecer o pro- pósito da organização e sua capacidade tecnológica e intelectual para definir as mais adequadas. Os autores Julian Birkinshaw e Ken Mark escreveram o livro 25 fer- ramentas de gestão (2017), da editora HSM. É um guia prático sobre ferramentas para a tomada de decisão empresarial. Vale muito a pena para quem quer conhecer mais sobre o assunto. 39O processo da comunicação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Toda gestão precisa investir tempo na monitoria de seus processos escolhendo metodologias adequadas à sua realidade, conforme já dito, respeitando sua condição financeira, intelectual e tecnológica. Considerações finais Atualmente, as coisas parecem mudar tão rápido que ficamos con- fusos quanto ao caminho a seguir. Imagine uma organização com diver- sas pessoas e processos. Administrar uma empresa é complexo e exige muita organização e controle. São diversos processos, metodologias, ferramentas, indicadores, níveis hierárquicos, stakeholders, concorrên- cia, microambiente, macroambiente, etc. Apesar de toda a tecnologia, inteligência artificial, comunicação a distância, entre outras inovações, ainda são as pessoas que fazem as coisas acontecerem. E pessoas precisam se comunicar, dialogar, dis- cutir ideias e “baterem papo” para que os insights (ideias espontâneas) surjam e ajudem na inovação das coisas. Toda comunicação entre pessoas precisa de troca de ideias para en- tenderem se falam a “mesma linguagem”, ou seja, se estão no mesmo caminho. Por isso, o feedback, ou retorno do que foi entendido, é funda- mental. E esse será o assunto do próximo capítulo. Referências BIRKINSHAW, Julian; MARK, Ken. 25 ferramentas de gestão: um guia sobre os conceitos mais importantes ensinados nos melhores MBAs do mundo. São Paulo: HSM, 2017. BRUM, Caetano dos Santos. Balanced scorecard: uma nova abordagem de ges- tão para a administração pública municipal. Revista EGP, 2012. Disponível em: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/sma/revista_EGP/88_Balanced_scorecard_ abordagem_gestao.pdf. Acesso em: 26 nov. 2020. 40 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .CARNEIRO JÚNIOR, João Bosco Arbués; OLIVEIRA, Nayra Angélica de; NIVEIROS, Sofia Ines. Balanced scorecard em uma empresa do ramo de trans- porte revendedor retalhista. Revista Brasileira de Administração Científica, v. 11, n. 2, p. 81-97, 2020. Disponível em: http://doi.org/10.6008/CBPC2179- 684X.2020.002.0006. Acesso em: 15 nov. 2020. JANOT, Pedro. Ciclo de vida do produto: existe hora certa pra encerrar a venda de alguns deles. Endeavor, 2020. Disponível em: https://endeavor.org.br/opera- coes/ciclo-de-vida-do-produto/?gclid=Cj0KCQiAwf39BRCCARIsALXWETyQxb- 4298mWEM6d8am9jQ4ielnh-i3g4DS_3RyvbN-0Qz25j3ks4UIaAvvyEALw_wcB. Acesso em: 26 nov. 2020. LUIZARI, Kátia. Comunicação empresarial eficaz: como falar e escrever bem. Curitiba: Intersaberes, 2014. MAFEI, Maristela; CECATO, Valdete. Comunicação corporativa: gestão, imagem e posicionamento. São Paulo: Contexto, 2011. MATOS, Gustavo Gomes de. Comunicação empresarial sem complicação: como facilitar a comunicação na empresa, pela via da cultura e do diálogo. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Ágora, 2014. E-book. MENEZES, Cristian. O que é o balanced scorecard? Administradores.com, 2010. Disponível em: https://administradores.com.br/artigos/o-que-e-o-balan- ced-scorecard. Acesso em: 11 nov. 2020. SILVA, Luciana Fátima da; MACHADO, Mara Dubugras. Comunicação empresa- rial. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2017. (Série Universitária). TORQUATO, Gaudêncio. Comunicação nas organizações: empresas privadas, instituições e setor público. São Paulo: Summus, 2015. TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO PARANÁ (TCE-PR). Ciclo PDCA. 2020. Disponível em: www1.tce.pr.gov.br/conteudo/ciclo-pdca/235505/area/46. Acesso em: 15 nov. 2020. 41 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 3 Mensagem e feedback Estamos vivendo em um cenário altamente tecnológico, em que as relações humanas acontecem cada vez mais a distância e as habili- dades de se comunicar parecem desnecessárias mediante os inúme- ros algoritmos que comandam as inteligências artificiais que estão por toda parte. O smartphone tornou-se nosso mentor. Ele nos diz a hora de acordar, os compromissos do dia, nossa localização, quantos passos precisamos dar por dia para sair do sedentarismo, mede a pressão ar- terial e os batimentos cardíacos, traduz palavras, corrige nossos erros ortográficos, pede-nos para meditar, diz se dormimos bem, enfim, aca- bamos por ficar acomodados e achar que ele resolve todos os proble- mas. Contudo, a tecnologia não substitui a necessidade humana de se esforçar para aprender, evoluir e se relacionar, ela é apenas uma ferra- menta que nos ajuda em diversas atividades. 42 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Como disse Aristóteles (IV a.C.), “somos seres sociais”. Conforme José Luiz Ames (2006) “O homem tende à vida em sociedade porque nela, e somente nela, se torna plenamente humano [...] Um homem vi- vendo em sociedade está no seu lugar na hierarquia dos seres”. Nas organizações, o relacionamento e a comunicação entre seus co- laboradores são essenciais para a sua sobrevivência. Isso acontece por meio da troca de ideias, da aceitação das diferenças culturais, da empa- tia e do respeito mútuo. E a melhor maneira de colocá-los em prática é expressando a mensagem e o feedback. No capítulo anterior, estudamos os elementos da mensagem e do processo de comunicação e como todos eles se relacionam dentro da comunicação organizacional, seja no setor privado, no terceiro setor ou no setor público. Neste capítulo, falaremos sobre o exercício da mensa- gem e do feedback, abordando como as habilidades humanas de saber ouvir, ter empatia e respeitar as diversidades são importantes para esse processo. 1 Detalhando a mensagem Para que a mensagem seja recebida, isto é, compreendida, é neces- sário ter alguns cuidados: ela deve ser emitida de maneira a ser decodi- ficada pelo receptor, o que inclui aspectos como clareza e objetividade, o idioma, a linguagem utilizada, entre outros (SILVA; MACHADO, 2017). IMPORTANTE Decodificar, segundo o dicionário Michaelis, significa: 1. Converter em linguagem comum e inteligível uma mensagem redi- gida em código; decifrar, decodizar. 2. Interpretar o sentido de palavras ou frases de uma língua que é considerada um código. 43Mensagem e feedback M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quando emitimos uma mensagem, seja elaformal ou informal, oral ou escrita, on-line ou off-line, temos que pensar em quem a receberá, isto é, no receptor. Dentro da organização, podemos focar os níveis es- tratégico, tático e operacional, mas fora da organização, é para o público essencial (cliente ou cidadão) que a mensagem tem que ser planejada. E se esse público pode estar em cidades, países e territórios diferentes, ou possuem faixas de idade distintas, então o fator cultural é outra ca- racterística a ser analisada. O nível de conhecimento de comunicadores e receptores é outra variável. Nível de conhecimento que pode redundar em sucesso e fracasso do ato comunicativo, aí se incluindo as barreiras semânti- cas, o nível intelectual e cultural, o grau de especialização, a capa- cidade de transformar o conteúdo de mensagens numa proposta inteligível. Quando se fala em nível de conhecimento, não se pensa apenas no domínio temático, mas na capacidade de entendimento do interlocutor. Conhecer, portanto, o interlocutor, descobrir suas capacidades, seus anseios, saber fazer interferências e ilações: eis aí o âmbito do conceito de nível de conhecimento. (TORQUATO, 2015, p. 55) Nessa citação, Torquato (2015) chama a atenção para o conheci- mento, indicando que quanto mais conhecimento o emissor tem do assunto, mais simples ele consegue tornar a mensagem para o recep- tor. Isso significa que o emissor consegue “codificar” a mensagem para qualquer contexto que facilite o entendimento. Ele domina tão bem o assunto que pode usar infinitos exemplos de aplicação. Paulo Freire, educador brasileiro muito conhecido no Brasil e no mundo, transferia a sala de aula para o contexto de vida de seus alunos. A boa comunicação somente se estabelece a partir do momento em que o emissor tem certeza de que o receptor conseguiu decodificar a mensagem e compreender o que foi transmitido. Para isso, é preciso ter o feedback (retorno) do que ele entendeu (SILVA; MACHADO, 2017). 44 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Figura 1– Pensamentos velhos geram resultados ultrapassados O mesmo velho pensamento Os mesmos velhos resultados Na figura 1, é mostrado o ciclo de que o mesmo velho pensamento resulta nos mesmos velhos resultados. Parece tão obvio, mas o ser hu- mano resiste à mudança de ideias no decorrer do tempo e isso também atrapalha a boa comunicação. Quando encontra uma maneira certa de fazer as coisas, ele quer conservar desse jeito o máximo possível e, para isso, evita falar sobre o assunto. Pode negar o feedback e muitas vezes também não repassar seu conhecimento para os outros colegas de tra- balho com medo de perder sua posição e não ser mais necessário. Na raiz de grande parte ou talvez de toda violência – verbal, psico- lógica ou física, entre familiares, tribos ou nações – está um tipo de pensamento que atribui a causa do conflito ao fato de os adversá- rios estarem errados e a correspondente incapacidade de pensar em si mesmos ou nos outros em termos de vulnerabilidade – o que a pessoa pode estar sentindo, temendo, ansiando, do que pode es- tar sentindo falta, e assim por diante. (ROSENBERG, 2003, p. 466) É também para inovar e quebrar paradigmas que o feedback existe. Quando conversamos com alguém sobre nossas ideias, e a pessoa faz perguntas ou expressa opiniões, isso nos permite formatar melhor o 45Mensagem e feedback M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. que estávamos pensando, enxergar novas possibilidades e colocá-las em prática. Conforme Rosenberg (2003, posição 2.271): “A empatia nos permite perceber nosso mundo de uma maneira nova e ir em frente”. Para que uma mensagem seja eficiente e eficaz, é pre ciso haver empa- tia de ambos os lados. O que significa se colocar no lugar do outro, e a me- lhor maneira de fazer isso é por meio da escuta ativa, ou seja, ouvir mais e falar menos, deixando de lado os julgamentos e os preconceitos para entender o real conteúdo da mensagem e, se ainda tiver dúvida, perguntar. 2 Conceito de feedback O feedback é um retorno sobre o entendimento de uma mensagem ou sobre o desempenho pessoal dentro de certo ambiente. Em uma or- ganização, de forma geral, é uma maneira de medir se os processos de comunicação estão sendo entendidos pelos colaboradores; de forma forma específica, é enaltecer talentos internos. A comunicação, antes de ser instrumental, é humana. Necessita de resposta para se realizar, pois a informação sem retorno é uma co- municação falha e incompleta. Infelizmente, de um modo geral, é a comunicação formal e burocrática que as empresas mais utilizam no seu cotidiano. Há uma grande preocupação com a eficácia dos mecanismos de transmissão da mensagem e não, propriamente, com a reflexão e a compreensão do seu conteúdo e, consequen- temente, com a mobilização e retorno engajado. Dessa forma, fica difícil motivar pessoas e equipes para superar desafios e alcançar metas. (MATOS, 2014, posição 1.065) Conforme colocado por Matos (2014), “a comunicação é humana” e “precisa de feedback”; se não há retorno, é apenas transmissão de informações, sem a preocupação da retenção do conteúdo pelo recep- tor. Isso reflete em desperdício de tempo e dinheiro para as organiza- ções, além de ser um desrespeito com seus colaboradores e demais 46 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .stakeholders, que passam a se sentir em segundo plano. Dar abertura para o feedback pode demandar mais tempo a curto prazo, mas, a lon- go prazo, é uma ação estratégica que evita desperdícios e retrabalho, valoriza as pessoas, motivando-as, e permite que elas aflorem talentos e permaneçam mais tempo na instituição. Vamos analisar o feedback dentro do processo de comunicação com base na figura 2. Figura 2 – O feedback no processo comunicativo Feedback Feedback ReceptorEmissor Mensagem • Preciso pensar. • Não compreendi. • Podemos fazer de outro jeito? • Sim, eu concordo. • Mas por quê? • Poderia repetir? • Compreende? • O que acha? • Tem outra sugestão? • Você concorda? • Entendeu? • Qual sua opinião? Fonte: Silva e Machado (2017, p. 44). A figura mostra que o feedback, além de fornecer o retorno do que foi entendido, também possibilita opiniões e sugestões. O emissor, ge- ralmente o líder imediato, emite a mensagem ao receptor (liderado) e lhe dá abertura para respostas, fazendo perguntas e incentivando a par- ticipação dele no processo. Também dá abertura para perguntas de seu liderado, tornando esse processo de comunicação cíclico. O feedback não é um processo de mão única, requer abertura para a troca de ideias, o que valoriza os participantes e faz dele uma 47Mensagem e feedback M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. ferramenta fundamental para o crescimento da organização. Ele ajuda tanto o líder quanto o liderado a se conhecerem melhor e possibilita o autoconhecimento. 3 Comunicaçãointerpessoal e intrapessoal A comunicação interpessoal (você com os outros) e a comunicação intrapessoal (você com você) são duas das competências mais reque- ridas no mercado de trabalho. Uma complementa a outra, visto que é mais fácil relacionar-se bem em equipe quando se conhecem os pró- prios pontos fortes e fracos. Conforme afirma Moscovici (1980, p. 17): “Competência interpessoal é a habilidade de lidar eficazmente com relações interpessoais, de lidar com outras pessoas de forma adequada às necessidades de cada um e às exigências da situação”. É preciso considerar que, às vezes, no mo- mento de receber um feedback, se o gestor comenta algum ponto a ser melhorado que incomoda o colaborador, ele pode se sentir ofendido e levar para o lado pessoal. Contudo, segundo Moscovici (1980, p. 17): “O autoconhecimento só pode ser obtido com a ajuda dos outros, por meio de feedback, o qual precisa ser elaborado para autoaceitação de componentes do eu cego”. Dessa maneira, aplicar feedback em pessoas requer conhecimento técnico, habilidades humanas e muita empatia. É preciso encontrar o melhor modo de conversar com cada um dos membros da equipe, va- lorizando seus pontos fortes para ajudá-los a lidar com seus pontos fracos. O verdadeiro líder desenvolve pessoas, e não apenas fica apon- tando o dedo para as coisas erradas. Não existe nada pior para uma organização que líderes negativos, eles acabam com suas equipes e vão corroendo o local de trabalho de dentro para fora. A habilidade de lidar com situações interpessoais engloba várias habilidades, entre as quais: flexibilidade perceptiva e comporta- mental, que significa procurar ver vários ângulos ou aspectos da mesma situação e atuar de forma diferenciada, não rotineira, ex- 48 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .perimentando novas condutas percebidas como alternativas de ação. Desenvolve-se, concomitantemente, a capacidade criativa para soluções ou propostas mais originais, menos convencionais, com resultados duplamente compensadores: da resolução dos problemas e da autorrealização pelo próprio ato de criação, alta- mente gratificante para as necessidades do ego (estima), na hierar- quia de Maslow. (MOSCOVICI, 1980, p. 17) PARA SABER MAIS Abraham Maslow (1908-1970) foi um psicólogo norte-ame- ricano, conhecido pela Teoria da Hierarquia das Necessida- des Humanas ou a Pirâmide de Maslow. Foi um psicólogo de referência na Psicologia Humanista. (FRAZÃO, 2016) Figura 3 – Pirâmide da hierarquia de necessidades de Maslow Autorrealização Moralidade, criatividade, espontaneidade,solução de problemas, ausência de preconceito Autoestima, confiança, conquista, respeito dos outros, respeito aos outros Amizade, família, intimidade sexual Segurança do corpo, do emprego, de recursos, da moralidade, da família, da saúde, da propriedade Respiração, comida, água, sexo, sono, homeostase, excreção Estima Sociais Segurança Fisiológicas Fonte: adaptado de Adm Fácil (2021). Somente por curiosidade, traremos um exemplo da pirâmide da hierarquia de necessidades de Maslow para expressar que o homem é um ser insaciável. Vamos pensar no exemplo: enquanto o homem não tem recursos para comer, ele só pensa em saciar sua fome e comerá 49Mensagem e feedback M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. qualquer coisa que aparecer na sua frente. Ao conseguir um emprego, por exemplo, deseja escolher o tipo de comida que vai comer, já garan- tindo um estoque suficiente para não passar mais fome. Depois que já tem a garantia de renda e moradia, passa a querer formar amizades, ter relacionamentos íntimos, etc., e, então, vem a autoestima, a necessida- de de ser elogiado e, em um estágio mais acima, a autoconfiança. Conforme já mencionado, “somos seres sociais”, precisamos nos comunicar, receber elogios e expressar emoções, como mostrou a pirâ- mide de Maslow. Tudo isso funciona como um combustível para man- termos a automotivação necessária para tudo na vida. A automotivação vem do autoconhecimento e faz parte da comu- nicação intrapessoal. Conhecendo nossos gatilhos emocionais, temos consciência da nossa personalidade e, assim, podemos controlar nos- sas atitudes e contribuir para um ambiente de trabalho saudável. Vamos ver alguns exemplos de competências na comunicação inter- pessoal e intrapessoal no quadro a seguir. Quadro 1 – Exemplos de competências nas comunicações interpessoal e intrapessoal INTERPESSOAL INTRAPESSOAL Comunicação verbal Comunicação não verbal Habilidades auditivas Negociação Solução de problemas Empatia Autocontrole Autoconhecimento emocional Controle emocional Automotivação Capacidade de se relacionar com os outros Respeito pelos limites pessoais As competências são compostas por conhecimento (saber), habili- dade (fazer) e atitude (colocar em prática), então as pessoas que conse- guem desenvolvê-las tendo como base as competências interpessoais e intrapessoais são mais felizes em todas as áreas da vida e principal- mente na liderança. Existem profissionais qualificados para ajudar nes- se desenvolvimento, como psicólogos, coaches e psicanalistas. 50 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . 4 Comunicação para liderança Existem pessoas que são inspiradoras. Elas são visionárias, estão sempre se transformando, modificam positivamente o ambiente onde atuam e provocam em nós a vontade de melhorar e de segui-las por onde vão. São verdadeiras líderes. Um gestor faz a equipe cumprir sua função, mas um líder a faz supe- rar as expectativas. Líderes têm automotivação, acreditam em si mesmos e têm um pro- pósito maior que guia suas vidas. Eles se comunicam de acordo com as pessoas e o local onde estão, observam o que não é dito por palavras, as expressões corporais, ouvem mais do que falam e enxergam nos outros potenciais que eles mesmos não tinham percebido. Um bom gestor consegue fazer com que os colaboradores batam a meta conforme suas especificações; um líder consegue fazer com que os colaboradores ultrapassem a meta com ganhos de qualida- de além do esperado. E você sabe por que o líder consegue fazer isso (motivar os colaboradores a produzirem mais e melhor)? Por- que somos neurologicamente programados para fazer conexões e os líderes nos conectam. Os líderes nos conectam e nos oferecem um propósito. Um objetivo em comum. (SFALSIN, 2019, p. 291) NA PRÁTICA Jack Welch (quando era presidente da GM – General Motors) disse que a GM se tornou o “celeiro” de bons profissionais e referência or- ganizacional por causa do prazer que ele sentia em ver as pessoas crescerem e prosperarem. Para ele, as pessoas precisam de um pro- pósito (SFALSIN, 2019, p. 296). 51Mensagem e feedback M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Cabe ao líder engajar seus liderados no propósito organizacional de forma clara e transparente. Paraisso, o feedback é sua ferramenta es- tratégica, pois é por meio dele que conhecerá mais a fundo sua equipe, entenderá qual a melhor maneira de conversar com cada um e poderá aperfeiçoar seu próprio desempenho. O líder usa muito bem as comu- nicações intrapessoal e interpessoal, não tem medo de se expressar, coloca a “mão na massa”, compromete-se e defende sua equipe. Por outro lado, existem os líderes negativos, que têm o mesmo poder de persuasão que o líder positivo, só que o usam para benefício próprio. Ou seja, esse tipo de líder trabalha para agradar seu “ego”, retém infor- mações importantes, rouba as ideias dos liderados, deixa-os desanima- dos e acaba por desintegrar sua equipe. Seu único propósito é o status. Símbolo de status: muitos chefes retêm informações na pretensão de que com isso tornem-se mais importantes, transmitindo-as, muitas vezes, apenas quando as mesmas podem garantir-lhes prestígio junto aos subordinados. Acredita, dessa forma, que a “confiabilidade” que atribuem às informações reforçam seu poder. (MATOS, 2014, posição 1.226) Podemos perceber que a comunicação é uma ferramenta poderosa e fundamental para a vida da organização. Portanto, cabe à alta direção valorizar os colaboradores que merecem e eliminar lideranças negati- vas. Um bom programa de ética e responsabilidade social ajuda muito. Na grande aldeia global do mundo digital, nós, cidadãos do planeta Terra, devemos intensificar o debate sobre a ética na comunicação, buscando a consolidação dos valores humanistas nas relações pessoais e de trabalho, tais como os de tolerância, solidariedade e cooperação. Esses princípios favorecem o resgate do conceito de comunicação plena e integral. (MATOS, 2014, posição 636) Quando a organização implanta a cultura da transparência nos processos de comunicação, todos os colaboradores se sentem parte das decisões e se envolvem na resolução dos problemas, além de se 52 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .manterem mais unidos e com foco no propósito principal, que é satisfa- zer aos desejos e às necessidade de seu público essencial Considerações finais Discutimos neste capítulo as questões que envolvem as relações humanas nos processos de comunicação organizacional e pudemos perceber que é a inteligência humana e sua capacidade de se relacionar e se colocar no lugar do outro que conduz a organização ao sucesso. Nesse sentido, a tecnologia evolui para dar mais condições de o ser hu- mano pensar em fatores mais importantes, como melhorar a qualidade de vida de todos a sua volta. Essa capacidade humana de se relacionar é fundamental para qualquer cargo, principalmente para a liderança, que motiva muitas pessoas para a realização de suas tarefas. Referências ADMFÁCIL. Pirâmide das necessidades de Maslow. 2021. Disponível em: https://www.admfacil.com/piramide-das-necessidades-de-maslow/. Acesso em: 26 maio 2021. AMES, José Luiz. Aristóteles: por que vivemos coletivamente? Tribuna, 2006. Disponível em: https://www.tribunapr.com.br/noticias/aristote- les-por-que-vivemos-coletivamente/#:~:text=Essa%20li%C3%A7%C3%A3o%20 de%20Arist%C3%B3teles%20nos,merece%20uma%20reflex%C3%A3o%20 mais%20profunda. Acesso em: 30 nov. 2020. DECODIFICAR. In: DICIONÁRIO Michaelis, 2020. Disponível em: https://micha- elis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=decodificar. Acesso em: 1 dez. 2020. FRAZÃO, Dilva. Abraham Maslow: psicólogo norte-americano. Ebiografia, 2016. Disponível em: https://www.ebiografia.com/abraham_maslow/. Acesso em: 2 dez. 2020. 53Mensagem e feedback M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. MATOS, Gustavo Gomes. Comunicação empresarial sem complicação: como facilitar a comunicação na empresa, pela via da cultura e do diálogo. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Ágora, 2014. E-book. MOSCOVICI, Fela H. Desenvolvimento interpessoal. 2. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1980. ROSENBERG, Marshall B. Comunicação não violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Ágora, 2003. E-book. SFALSIN, Eliana. O papel do gestor e o impacto do líder sobre os resultados organizacionais: por que é importante entender a diferença entre gestão e lide- rança? [S. l.: s. n.], 2019. E-book. SILVA, Luciana Fátima da; MACHADO, Mara Dubugras. Comunicação empresa- rial. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2017. (Série Universitária). TORQUATO, Gaudêncio. Comunicação nas organizações: empresas privadas, instituições e setor público. São Paulo: Summus, 2015. 55 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 4 A comunicação interna e externa Neste capítulo, estudaremos como usar as ferramentas contidas nos pilares da gestão da comunicação integrada, dividindo-as em duas gran- des vertentes, a da comunicação interna e a da comunicação externa. Na comunicação interna estão os pilares interno e administrativo e na comunicação externa estão os pilares institucionais e mercadológico. A comunicação interna busca valorizar o colaborador e lhe conceder o status de cliente interno. Ja a comunicação externa cuida da imagem e da reputação organizacional e as propaga, valorizando e disseminan- do os atributos do produto, serviço ou projeto da instituição por meio de seu posicionamento. 56 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1 Comunicação interna A comunicação interna é voltada para o público interno da organiza- ção, também chamado de colaboradores. É ela que dá a sustentação para o funcionamento da organização. No primeiro capítulo do nosso estudo, foram debatidos os quatro tipos de comunicação organizacional, ilustran- do-as nos quatro pilares de sustentação da organização: a comunicação institucional, a comunicação mercadológica, a comunicação administrati- va e a comunicação interna. Conforme define Marcélia Lupetti: A comunicação interna é voltada a todos os colaboradores da em- presa, ou seja, à diretoria, à gerência, aos coordenadores e aos au- xiliares – e tem como finalidade propiciar meios para promover a integração entre eles, compatibilizando os interesses dos funcioná- rios aos da empresa. Incentiva a troca de informações e estimula as experiências e o diálogo, bem como a participação de todos, a fim de atingir os objetivos gerais da organização. (LUPETTI, 2007, p. 21) Assim, dos quatro pilares, dois se referem à comunicação com os colaboradores, observe o destaque na figura 1. Figura 1 – Gestão da comunicação interna Gestão da comunicação integrada Comunicação institucional Comunicação administrativa Comunicação interna Comunicação mercadológica Identidade e imagem Propaganda institucional Jornalismo empresarial Assessoria de imprensa Editoração multimídia Marketing social, cultural e esportivo Relações públicas Fluxos: redes formal e informal (normas, instruções, portarias, memorandos, regulamentos, avisos,etc.) Programas sociais Incentivos Desenvolvimento de pessoas Padrões culturais Endomarketing Propaganda Promoção de vendas Venda pessoal Merchandising Eventos Marketing direto de relacionamento Gestão estratégica Fonte: adaptado de Lupetti (2007, p. 16). 57A comunicação interna e externa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Os colaboradores precisam acreditar no propósito organizacional e serem informados de todos os acontecimentos e mudanças que envol- vam a estrutura interna, de modo geral, ou o seu departamento, em es- pecífico. Uma gestão transparente e receptiva é a melhor maneira de fa- zer isso acontecer, e algumas ações ajudam muito, tais como promover programas sociais, incentivos, desenvolvimento de pessoas, padrões culturais e endomarketing, conforme ilustrado na figura 1. Além dessas ferramentas, eles precisarão de diretrizes e procedimentos claros para a execução de suas tarefas, os quais são mostrados no pilar da comu- nicação administrativa. São os fluxos formais e informais de normas, instruções, portarias, memorandos, regulamentos, avisos, etc. Para Torquato (apud LUPETTI, 2007, p. 20), a comunicação admi- nistrativa é o eixo principal de tramitação da informação do trabalho rotineiro – normas, instruções, portarias, memorandos, cartas técnicas, índices, taxas, regulamentos, avisos, racionalização de rede, etc. NA PRÁTICA De maneira geral, quando um colaborador ingressa em uma organi- zação, seu primeiro contato deve ser com um processo de ambien- tação, em que são apresentadas a missão, a visão, os valores, as políticas, a infraestrutura, as lideranças e a cultura interna. Será tam- bém o momento de receber seus acessos e senhas, uniforme (se for o caso) e todas as demais diretrizes necessárias para executar suas tarefas. O próximo passo será conhecer seu departamento e os cole- gas de trabalho, ingressar no aprendizado de suas atividades diárias e ir integrando-se ao funcionamento normal da equipe. Todos os colaboradores devem ser constantemente atualizados de quaisquer mudanças que possam afetar suas tarefas, por exemplo, ino- vação em produtos, serviços ou projetos, modificações hierárquicas, fu- sões ou terceirizações, comunicações midiáticas, etc. Isso deve ser fei- to para que ele possa acompanhar a evolução organizacional e, mesmo que não seja afetado diretamente, sentir-se parte do processo maior. 58 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1.1 Intranet A intranet é uma rede de comunicação análoga à internet porque utiliza os mesmos esquemas de protocolos para funcionar, porém seu acesso é restrito aos colaboradores autorizados mediante identificação de usuário e senha e ela só pode ser acessada dentro do espaço físico da organização. Quando um funcionário acessa seu holerite de paga- mento de casa, por exemplo, está usando a extranet, que é uma rede de comunicação igualmente restrita aos colaboradores, com o uso de usuário e senha, mas que pode ser acessada fora da organização. NA PRÁTICA A internet é uma rede de acesso público, já a intranet é uma rede de acesso privado e interno da organização e a extranet é uma rede de acesso privado e externo da organização. Por meio da intranet, o colaborador pode ter acesso aos documen- tos institucionais, como declaração de missão, visão, valores e políticas, manuais de qualidade e programas de ética e responsabilidade social, e a todos os demais fluxos indicados na figura 1, no pilar da comuni- cação administrativa. A intranet permite também a comunicação entre departamentos e funcionários internos, dando agilidade ao fluxo de in- formações e à solicitação de serviços, como abrir um chamado para re- paros técnicos, solicitar reembolso de despesas com viagens a trabalho e acessar modelos de documentos de trabalho (templates). 1.2 Endomarketing O endomarketing faz parte do pilar da comunicação interna e signi- fica o marketing voltado para dentro, pensando no colaborador como cliente interno. Para isso, podem ser desenvolvidas campanhas de 59A comunicação interna e externa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. aperfeiçoamento profissional premiando os funcionários com ingressos para programas culturais, cursos, workshops e bolsas de estudos, confor- me seu desempenho ou o tempo de serviço prestado. Pode-se ainda in- centivar o colaborador a participar da inovação dos produtos, serviços ou projetos e criar murais, jornais, ou revistas on-line ou off-line, mostrando as melhores práticas internas e destacando os colaboradores participantes. Para Cerqueira (apud LUPETTI, 2007, p. 21), o endomarketing visa [...] à manutenção de um clima ideal de valorização e reconheci- mento dos colaboradores, à obtenção de índices maiores de produ- tividade, qualidade e redução de custos, além dos canais de comu- nicação adequados para a eliminação de conflitos e insatisfações. Programas de bem-estar, estimulando a prática de esportes e a ali- mentação saudável, são ótimas opções também. Essas práticas podem se estender para os familiares e para a comunidade local, criando laços emocionais com a organização e possibilitando tornar os participantes “embaixadores” da marca. As melhores ações de endomarketing são aquelas voltadas para a melhoria da qualidade de vida dos colaboradores e seus familiares, per- mitindo um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. NA PRÁTICA Acompanhe o seguinte exemplo de endomarketing na prática: A Brandili, marca brasileira de vestuário infantil, viu seu número de demissões cair 20% quando criou o programa “Valeu!”. Demitir pode ser algo bem caro no Brasil, principal- mente quando somados os custos com a demissão e com a contratação de um novo funcionário. Além disso, afeta o clima da empresa, criando um estigma negativo! O programa “Valeu!” estimulava a troca de elogios pelas boas ações executadas. Era uma forma de os próprios funcionários reconhecerem uns aos outros, que obviamente resultou em um aumento do clima da empresa! 60 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Além disso, foram implementadas outras pequenas mudan- ças, como votações para melhor funcionário do mês, e um novo uniforme reconhecia os funcionários como “gente que faz a diferença”. (LASMAR, 2018) 2 Comunicação externa A comunicação externa tem o objetivo de criar uma boa reputação pública para a organização. Envolve dois pilares da comunicação inte- grada, comunicação institucional e comunicação mercadológica, con- forme mostra a figura 2. Voltando para os pilares da comunicação integrada, analise os seguintes. Figura 2 – Gestão da comunicação externa Gestão da comunicação integrada Comunicação institucional Comunicação administrativa Comunicação interna Comunicação mercadológica Identidade e imagem Propaganda institucional Jornalismo empresarial Assessoria de imprensaEditoração multimídia Marketing social, cultural e esportivo Relações públicas Fluxos: redes formal e informal (normas, instruções, portarias, memorandos, regulamentos, avisos, etc.) Programas sociais Incentivos Desenvolvimento de pessoas Padrões culturais Endomarketing Propaganda Promoção de vendas Venda pessoal Merchandising Eventos Marketing direto de relacionamento Gestão estratégica Fonte: adaptado de Lupetti (2007, p. 16). Na comunicação institucional, acontece uma espécie de prestação de contas sobre o propósito da organização para todos os stakeholders 61A comunicação interna e externa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. e, de certa forma, para a sociedade como um todo. Isso é feito por meio de propagandas institucionais, jornalismo empresarial (press releases), assessoria de imprensa, editoração multimídia e patrocínios culturais, sociais e esportivos. Todas as ações realizadas na comunicação insti- tucional devem refletir a imagem e a identidade da instituição, incluindo os patrocínios. Na comunicação mercadológica, a organização divulga os benefí- cios e as vantagens que seu público essencial (cliente ou cidadão) terá com a escolha de seu produto, serviço ou projeto. Os instrumentos uti- lizados são a propaganda on-line e off-line (TV, rádio, revistas, jornais, mídias sociais, sites, e-mails, etc.), a promoção de vendas (descontos), a venda pessoal (catálogos), o merchandising (exposição do produto, ser- viço ou projeto por celebridades e/ou dentro de outras programações, como novelas, programas de auditório, etc.), os eventos e o marketing direto (e-mail marketing). O posicionamento da organização, que é a declaração de como ela quer ser vista por seus stakeholders, é a base para a formulação de to- das as ações dentro dos quatro pilares da comunicação integrada. 2.1 Ouvidoria e canais de atendimento A ouvidoria e os canais de atendimento ao público essencial da or- ganização (cliente ou cidadão) fazem parte do pilar da comunicação institucional, embora não apareçam na figura 2. As organizações se formam para oferecer produtos, serviços ou projetos que satisfarão aos desejos e às necessidades de seu público essencial (cliente ou cidadão). Faz parte dessa satisfação os esclare- cimentos de dúvidas e a resolução de queixas por meio de canais de atendimento gratuitos e sem quaisquer ônus. 62 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .O telefone é o único canal de serviço de atendimento ao cliente ou cida- dão (SAC) obrigatório, conforme o decreto no 6.523, de 31 de julho de 2008, com base no Código de Defesa do Consumidor (CDC). Esse canal deve oferecer serviços gratuitos e sem ônus, qualidade no atendimento, proto- colo de registro do atendimento e resolução da reclamação, que pode ser o ressarcimento do valor gasto pelo cliente ou cidadão pelo bem, serviço ou tempo disponibilizado na aquisição, ou devolução, se for um produto. PARA SABER MAIS “Predecessor do SAC, no Brasil, foi o Centro Nestlé de Informação ao Consumidor, criado em 1978. Em 1990, ano da promulgação da Lei no 8.078 (Código de Defesa do Consumidor – CDC)” (RODAS, 2020). A figura 3 apresenta os principais canais de atendimento ao cliente. Figura 3 – Principais canais de atendimento ao cliente Similar ao chat, porém respondidos por robôs com padrões de respostas similares aos do FAQ. Contato de voz, direto e em tempo real, obrigatório para as organizações. Mensagens de texto trocadas digitalmente, que não acontecem em tempo real. Mensagens de texto trocadas digitalmente, que não acontecem em tempo real. Também se tornou um canal de relacionamento na era digital para dúvidas; no caso de reclamações, expõe coletivamente a imagem corporativa. Mensagens de texto trocadas digitalmente, que não acontecem em tempo real. Canal on-line, escrito e em tempo real. Canal de atendimento em que são publicadas perguntas e respostas às dúvidas mais frequentes. A Unidade de Resposta Audível, uma tecnologia digital e de autoatendimento. Canais de atendimento ao cliente Telefone Chatbots URA FAQ Chat Redes sociaisE-mail SMS Sites de reclamações 63A comunicação interna e externa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. É importante destacar que as redes sociais assumiram também um papel de SAC. O consumidor, quando se sente lesado, procura todos os canais possíveis para reclamar e, quando encontra algum colabora- dor da organização, não se preocupa se a página é pessoal. Sobre isso, Bueno (2014, p. 150 apud SILVA; MACHADO, 2017, p. 115) atesta que: Muitas páginas no Facebook acabam sendo utilizadas como canal de interação com consumidores insatisfeitos ou interessados em maiores informações sobre produtos e se transformam em instru- mento de atendimento – uma nova proposta de Serviço de Atendi- mento ao Consumidor (SAC). As redes sociais se tornaram canais de comunicação para as pes- soas expressarem seu perfil social e profissional, portfólio, produções profissionais ou amadoras, sentimentos, perspectivas, reclamações, insatisfações, enfim, seu mundo. É importante que as organizações respeitem esses canais e, ainda, passem a monitorá-los com mais se- riedade para obter um retrato mais relevante de sua imagem perante a sociedade. Esse monitoramento requer profissionais capacitados e tec- nologia compatível, o que consequentemente exige altos investimentos. Mas, por outro lado, as pesquisas de satisfação também exigem altos investimentos e muitas vezes não mostram os resultados tão claramen- te quanto as redes sociais. O SAC é o primeiro canal procurado pelo cliente ou cidadão para ser atendido por uma organização. Quando não é obtido sucesso por esse canal, o próximo passo é a ouvidoria. Ouvidoria é um serviço prestado aos clientes e cidadãos por meio do qual é possível apresentar reclamações, críticas, sugestões e até mesmo elogios à qualidade das trocas empreendidas. Para tanto, atua como mídia, produzindo, reproduzindo e reformulando senti- dos. Seu objetivo principal é curar vínculos estremecidos no relacio- namento entre as organizações e seus públicos. (IASBECK, 2010) 64 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Quando nenhum desses canais resolve o problema, o cliente/con- sumidor pode procurar por canais jurídicos, tais como a Defensoria Pública, o Ministério Público ou demais entidades civis de defesa do consumidor, como o Procon, órgão de proteção e defesa do consumi- dor, que tem o objetivo principal de proteger o consumidor dos abusos nas relações com o fornecedor. É um órgão público que tem autorida- de para multar a organização infratora quando necessário. Na primeira instância, convoca o consumidor e o fornecedor para uma audiência de conciliação. O que a organização deve ter claro na execução de seu propósito é que precisa dar muita atençãoao monitoramento da satisfação de seu público essencial e direcionar para ela todos os seus esforços nos pro- cessos de comunicação. No caso do setor público: [...] as ouvidorias possibilitam aos cidadãos o direito de participar na administração pública direta e indireta, estabelecido no § 3o do art. 37 da Constituição, especialmente no que se refere ao acesso a registros administrativos e informações sobre atos de governo; apresentação de reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral ou de denúncias do exercício negligente ou abu- sivo de cargo, emprego ou função pública. São instituídas com a finalidade de viabilizar os direitos dos cidadãos de serem ouvidos e terem suas demandas pessoais e coletivas tratadas adequa- damente no âmbito do órgão ou entidade a que pertencem. Sua função é intermediar as relações entre os cidadãos que as deman- dam e os órgãos ou entidades aos quais pertencem, promovendo a qualidade da comunicação entre eles e a formação de laços de confiança e colaboração mútua. (OUVIDORIA PORTAL UFES, 2020) A ouvidoria no setor público ou privado tem um papel dinâmico e pro- ativo de intermediar as relações que contêm dúvidas ou insatisfações entre o cliente ou cidadão e o prestador do serviço. Deve ter a compe- tência de reestabelecer o convívio entre as partes e evitar medidas ju- rídicas, que só prolongam o processo e podem romper definitivamente as relações de consumo ou de satisfação do cidadão, além de causar prejuízos financeiros para as partes envolvidas. 65A comunicação interna e externa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 2.2 Assessoria de imprensa A assessoria de imprensa é um setor das organizações formada por profissionais de comunicação e tem caráter estratégico, uma vez que suas ações afetam diretamente a imagem e a reputação institucional. É o setor que se relaciona diretamente com a imprensa, portanto exercer um bom relacionamento é uma das habilidades fundamentais dos pro- fissionais da área. A assessoria de imprensa é formada por jornalistas, cujo objetivo está em lidar com o processo das informações, mantendo contato direto com repórteres e veículos de comunicação em geral – rádio, televisão, impresso –, além de estar por dentro de atividades, even- tos, projetos, elaborar releases e sugerir pautas que podem servir de notícia para a mídia. O papel do assessor é amplo e fundamen- tal para toda a organização, uma vez que também dão orientações valiosas sobre como os executivos e funcionários devem se rela- cionar com a mídia. (TIME COMUNIQUE-SE, 2018) Uma das estratégias mais utilizadas para chamar a atenção da im- prensa é a criação de releases (textos jornalísticos) com conteúdo rele- vante sobre as ações institucionais. Toda comunicação externa acontece por meio da assessoria de im- prensa para tratar as informações fornecidas de modo que valorizem a imagem e a reputação da organização perante seus stakeholders. A imprensa também é um stakeholder, e é muito importante para a comu- nicação externa, pois pode tanto valorizar quanto desvalorizar a organi- zação, dependendo de como se relacionam. Todos os eventos e comemorações externas promovidos pela orga- nização devem contar com a participação da imprensa, para divulgação e promoção dos acontecimentos importantes. De acordo com o jornalista e escritor norte-americano Gay Talese: “Se a imprensa está ausente, políticos cancelam seus discursos, 66 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .manifestantes em defesa dos direitos civis adiam suas marchas, alar- mistas deixam de fazer suas previsões” (TALESE, 1990 apud MAFEI; CECATO, 2015, p. 82). PARA PENSAR Ainda sobre a importância da imprensa: Quando decidiu divulgar milhares de mensagens secretas trocadas entre integrantes do corpo diplomático norte-ame- ricano, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, negociou a sua publicação com alguns dos mais importantes veícu- los da mídia tradicional mundial. Elas foram contextuali- zadas e tornaram-se reportagens com repercussão global. “Um casamento feliz – e interessado – da nova e da ‘velha’ mídia”, escreveu Suzana Singer, ombudsman da Folha de S. Paulo, em uma de suas colunas. “O WikiLeaks sozinho não faz chover. Sem o prestígio da melhor mídia impressa, não teria obtido a repercussão que almejava” (MAFEI; CECATO, 2015, p. 82). Não se pode duvidar do poder da imprensa, principalmente em situ- ações de crise. Ela deve ser a primeira a ser notificada do discurso ins- titucional, antes que providencie seu próprio, que pode ser de conteúdo negativo para a organização, e divulgue para os canais midiáticos, que vão espalhá-lo rapidamente. 2.3 Newsletter Newsletter é uma palavra do inglês que significa boletim de notícias. Por meio dessa ferramenta é fornecido conteúdo relevante e periódico para seu público essencial no intuito de criar e manter um relaciona- mento sólido e progressivo. Enviando periodicamente notícias sobre a organização e/ou assuntos que tenham afinidade com o propósito 67A comunicação interna e externa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. institucional, haverá uma fixação da marca (produto, serviço, projeto, pessoa, etc.) na mente do cliente ou cidadão. “O objetivo principal da newsletter é criar um relacionamento de lon- go prazo e despertar a admiração de seu público, para então pensar em outras estratégias de marketing” (SILVA; MACHADO, 2017, p. 119). A newsletter também pode ser um filtro útil para manter as pesso- as informadas dos principais acontecimentos locais e globais, já que o excesso de informações na era digital causa estresse. Nesse sentido, a organização está, de certo modo, prestando um serviço útil para seu público essencial. A falta de tempo é um problema muito comum, mas isso não pode ser uma desculpa para você não ficar por dentro das principais no- vidades sobre o mercado. Para solucionar esse problema, assinar uma newsletter é uma excelente alternativa. Desse modo, você já recebe um conteúdo separado, com os destaques e as principais novidades sobre determinado assunto. (BORGES, 2019) Considerações finais Neste capítulo, abordamos que tanto a comunicação interna quanto a externa exercem papéis fundamentais no sucesso da organização e no relacionamento com seus stakeholders, cada uma com sua especifi- cidade e fazendo uso de uma série de ferramentas táticas e estratégicas. Referências BORGES, Clara. As 9 newsletters que você precisa acompanhar. Rockcontent, 2019. Disponível em: https://rockcontent.com/br/blog/melhores-newsletters/. Acesso em: 11 dez. 2020. 68 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .BRASIL. Ministério da Justiça. Decreto no 6.523, de 31 de julho de 2008. Regulamenta a Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, para fixar normas gerais sobre o serviço de atendimento ao consumidor – SAC. Diário Oficial daUnião, Brasília, DF, 1 ago. 2008. IASBECK, Luiz Carlos Assis. Ouvidoria é comunicação. Revista Organicom, v. 7, n. 12, 2010. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/organicom/article/ view/139045. Acesso em: 10 dez. 2020. LASMAR, Isadora. Endomarketing: 7 exemplos de ações para marketing interno em empresas. UFMG Consultoria Junior, 2018. Disponível em: https://ucj.com. br/blog/endomarketing-exemplos/. Acesso em: 10 dez. 2020. LUPETTI, Marcélia. Gestão estratégica da comunicação mercadológica: plane- jamento. São Paulo: Thompson, 2007. MAFEI, Maristela; CECATO, Valdete. Comunicação corporativa: gestão, imagem e posicionamento. São Paulo: Contexto, 2015. OUVIDORIA PORTAL UFES. O que é ouvidoria pública? Universidade Federal Do Espírito Santo (Ufes), 2020. Disponível em: https://ouvidoria.ufes.br/o-que-%- C3%A9-ouvidoria-p%C3%BAblica. Acesso em: 11 dez. 2020. RODAS, João Grandino. O serviço de atendimento ao consumidor com vistas ao futuro. Consultor Jurídico, 2020. Disponível em: https://www.conjur.com.br/ 2020-abr-09/olhar-economico-servico-atendimento-consumidor-vistas-futuro. Acesso em: 10 dez. 2020. SILVA, Luciana Fátima da; MACHADO, Mara Dubugras. Comunicação empresa- rial. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2017. (Série Universitária). TIME COMUNIQUE-SE. Assessoria de imprensa ou assessoria de comunica- ção? Comunique-se, 2018. Disponível em: https://www.comunique-se.com.br/ blog/assessoria-de-imprensa-ou-assessoria-de-comunicacao/. Acesso em: 11 dez. 2020. 69 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 5 Comunicação e gerenciamento de crise Até agora, estudamos o que é a comunicação organizacional e quais são os seus elementos, tipos e processos. Abordamos também o re- lacionamento da organização com todos os seus stakeholders. Nosso aprendizado foi focado em elementos para a eficiência, a eficácia, o de- senvolvimento e o crescimento institucional. Neste capítulo, o foco será um pouco diferente, pois trataremos de assuntos relacionados a conflitos, crises, prevenções de fraudes, cor- rupções e outros elementos que podem prejudicar tanto as organiza- ções como a sociedade no geral. Além disso, veremos também que a governança corporativa, o compliance e a ética na comunicação são ferramentas estratégicas 70 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .na gestão, prevenção e extinção de conflitos, crises, fraudes, corrup- ções e outras atividades ilícitas que podem prejudicar a organização e todos os envolvidos no processo. 1 Diferenciando conflito de crise O conflito é um desentendimento que ocorre entre as pessoas quan- do tentam impor seu ponto de vista como verdade única. Quando a dis- cussão muda para um aspecto de construção de algo novo entre as partes, isso passa a ser positivo para o ambiente em que elas estão inseridas. Os conflitos surgem quando existem discordâncias de opiniões e/ ou perspectivas divergentes entre as instituições sociais (pessoas, grupos, organizações). Portanto, para que haja conflito, é preciso que pessoas tenham interesses diversificados ou desenvolvam ati- vidades incompatíveis com os interesses de outras, as quais não se complementam ou não podem existir simultaneamente, origi- nando disputa entre as partes envolvidas. (GARBELINI, 2016, p. 20 apud SILVA; MACHADO, 2017, p. 152) Nenhuma pessoa é igual a outra. Geralmente, agimos de forma pa- recida nos relacionamentos pessoais e profissionais, para uma melhor convivência. O que significa que cada um de nós cede um pouco nos seus interesses e opiniões pessoais, mas isso não nos torna iguais. A diferença de cada um contribui tanto para uma organização como para a vida pessoal, em termos de propiciar inovação, diversidade e criativi- dade. Pela nossa própria natureza, se tudo for igual, ficamos desmo- tivados e sem perspectiva. O problema é quando nenhum dos lados quer ceder e/ou, pelo contrário, quer impor seu ponto de vista a qualquer custo. É aí que o conflito ruim se estabelece. As diferenças de idade, cor, sexo, cultura, hierarquia, entre outras, já ocasionam conflitos muitas vezes silenciosos que nos perturbam men- talmente e geram estresse, o que pode resultar em doenças e prejuízos 71Comunicação e gerenciamento de crise M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. pessoais, que também se proliferam pela organização. Nosso cenário globalizado, altamente tecnológico e móvel, contribui muito para isso e faz muita gente se sentir empoderada, mas individualista. No entanto, como já citado no capítulo anterior, “o homem é um ser social”, então precisa das outras pessoas para viver. Assim, é possível afirmar que o conflito ocorre a partir de uma di- vergência de opiniões ou de pontos de vista diferentes. Trata-se de um fenômeno social, contudo não necessariamente negativo. Se pensarmos que um conflito pode levar pessoas a rever ações, a mudar suas atitudes ou seus comportamentos, ele pode acabar sendo positivo. (SILVA; MACHADO, 2017, p. 152) Já a crise pode acontecer por má gestão ou corrupção interna da empresa, o que pode levar a organização à falência e gerar muito de- semprego, afetando a economia do mercado. Todavia, as crises são, geralmente, desencadeadas por fatores do macroambiente, como mu- danças políticas, tecnológicas e culturais, catástrofes, pandemias, etc., e, portanto, são incontroláveis; alguns deles podem ser previstos, o que ajuda a minimizar os problemas organizacionais, mas, de qualquer for- ma, causam medo e incertezas. Mafei (2012, p. 111 apud SILVA; MACHADO, 2017, p. 153) define crise como “o acontecimento que estimula grande cobertura da imprensa, com prejuízo para o desempenho da organização”. A autora também menciona o Institute for Crisis Management (Instituto de Gerenciamento de Crises), que classifica alguns tipos de crise, desde simples problemas mecânicos até erros humanos ou deci- sões administrativas desastrosas (MAFEI, 2012 apud SILVA; MACHADO, 2017). Já Matos (2015, p. 83 apud SILVA; MACHADO, 2017, p. 153) trata do termo “crise financeira”, que pode ser “aplicado a uma variedade de situações, nas quais instituições ou ativos financeiros se desvalorizam repentinamente”. Entretanto, o que realmente nos interessa é analisar a possibilidade de solucionar esses problemas utilizando a comunicação como principal ferramenta. 72 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Vivemos em um cenário de alta competitividade e com problemas cotidianos, como atraso para chegar ao trabalho por causa do trânsito intenso, demissões, mudanças na gestão, chuvas fortes, etc., mas nada disso é crise. Assim, podemos entender que a crise surge de um problema gigan- tesco que acontece de uma hora para outra e faz a organização inter- romper bruscamente suas atividades normais. Como exemplo, Forni (2019) comenta a crise no Rio de Janeiro, em 2011, causada por fortes chuvase deslizamentos de terras sobre a po- pulação residente no local: Chuvas e deslizamentos no verão do Rio de Janeiro são históricos. Em anos anteriores, ocorreram tragédias com dezenas de mortes. Quando aconteceu a enxurrada de 2011, ficou evidente a falta de ações preventivas do governo para minimizar a tragédia. Como culpar a Mãe Natureza? As autoridades prometeram medidas de prevenção e não cumpriram; mesmo com zonas de risco, não hou- ve ações para reduzir a possibilidade de uma tragédia. Havia sinais, nos anos anteriores, não levados em conta. Na época da tragédia, no Rio, sequer sistemas de alerta ou aviso para a população exis- tiam, em zonas de risco. (FORNI, 2019, p. 5) Podemos perceber que, nesse exemplo, essa circunstância envolveu muitas vidas e poderia ter sido evitada se o poder público tivesse colo- cado a situação já conhecida no topo da lista de tarefas prioritárias. 1.1 O papel da comunicação no conflito O conflito, na pior das hipóteses, pode virar uma crise, mas, se forem tomadas as devidas providências, ele pode até ser positivo para o cres- cimento da organização Conhecer e acreditar no propósito da organização (sua missão, visão e valores pensados no público essencial: cliente ou cidadão), ver que as 73Comunicação e gerenciamento de crise M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. políticas definidas para cumprir o propósito funcionam realmente, além de ter um plano de carreira promissor, com uma gestão baseada na comunicação transparente e, principalmente, em gestores líderes, são alguns dos requisitos básicos para evitar conflitos. Os conflitos positivos colaboram para a inovação e o crescimento da organização, porque podem gerar competições internas saudáveis. Com isso, podem levar à criação e à inovação de produtos, serviços e atendimento ao cliente/cidadão, além de possibilitarem inovações no segmento, a participação nos lucros, premiações e a valorização da marca. Acompanhe na figura 1 alguns efeitos positivos dos conflitos. Figura 1 – Efeitos positivos dos conflitos Servem de indicadores para analisar o que precisa ser melhorado Proporcionam a coesão entre as pessoas envolvidas, na medida em que se unem para obter uma resposta positiva Contribuem para que os objetivos e as metas sejam alcançados Estimulam a criatividade dos envolvidos Auxiliam os crescimentos individual e organizacional Fonte: Silva e Machado (2017, p. 155). É mais difícil criar essa competição saudável no setor público por causa do tipo de contrato de trabalho, que é por tempo indeterminado. Além disso, nesses casos, para o profissional mudar de função, muitas vezes, há a necessidade de prestar outro concurso, e a demora para isso acontecer pode desmotivá-lo enquanto aguarda. 74 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . Assim, o setor público possui suas especificidades, como a relação entre funcionário de carreira, o comissionado e o político, que possuem lógicas e orientações distintas, e por isso, muitas vezes, podem ter con- flitos, que, quando bem tratados, levam a uma boa relação entre técni- co × político e a ganhos para a sociedade na implantação de políticas públicas. 1.2 O papel da comunicação na crise As crises repercutem amplamente e causam danos à imagem e à reputação da organização perante seus stakeholders e a opinião públi- ca. A comunicação institucional surge para reverter essa situação. O primeiro passo para a empresa, quando uma crise acontece, é assu- mir sua parte na culpa e divulgar publicamente o ocorrido, sempre por meio da assessoria de imprensa, que é o setor especializado para isso. Dificilmente é possível esconder o fato, pois a imprensa pode divulgar massivamente o ocorrido por meio de uma visão negativa. A opinião pública também divulga sua visão pelas redes sociais, WhatsApp, tele- fones, etc. São muitas visões diferentes e negativas que poluem vários canais midiáticos imensa e intensamente. Por maior que seja o contexto de turbulências e ameaças, uma em- presa nunca deve abandonar os canais de comunicação com o seu público interno e externo. Muito pelo contrário, um quadro de crise pode ser superado por novas ideias e soluções, que podem surgir por meio de contatos favorecidos por uma bem-estruturada políti- ca de comunicação empresarial. (MATOS, 2014, p. 134 apud SILVA; MACHADO, 2017, p. 158) Nas crises que envolvem a perda de vidas, é fundamental que a or- ganização dê suporte emocional às famílias, e uma das soluções é de- senvolver e treinar previamente uma equipe para possíveis situações assim. Alguns tipos de crise são considerados críticos, conforme ilustra a figura 2. 75Comunicação e gerenciamento de crise M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 2 – Crises consideradas críticas Acidentes com danos às pessoas, como vazamento de petróleo, queda de avião, incêndios em grandes proporções, entre outros Empresas e pessoas em meio a escândalos de corrupção, com o envolvimento de órgãos públicos Empresas e pessoas em meio a escândalos financeiros ou a brigas familiares Operações de fusão ou de aquisição de empresas que levem à concentração de mercado Crise de qualidade em empresas prestadoras de serviços públicos Empresas e pessoas alvos de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) ou de outras investigações públicas Produtos adulterados, falsificados ou com problemas de qualidade Personalidades vítimas de acusações de cunho pessoal (assédio sexual, suborno, etc.) Empresas cujo produto principal é questionado publicamente por órgãos reguladores ou de defesa da saúde (bebidas alcoólicas, cigarro, etc.) Empresas sob forte ataque difamatório da concorrência Fonte: Silva e Machado (2017, p. 158). Fica difícil encontrar um padrão para as crises críticas, mas podemos perceber que envolvem vidas, corrupção, danos ao meio ambiente, pira- taria e prejuízo financeiro a um número grande de pessoas e ao mercado. 76 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Especialistas em gestão de crises são unânimes em afirmar que a prevenção e o treinamento para tais situações devem integrar os planos de contingência das corporações. A prevenção é um dos pilares do que se convencionou chamar de gestão de riscos. O objetivo da boa gestão de riscos é evitar que a crise aconteça; mas se ela ocorrer, assumir o controle da situação para minimizar o potencial de dano causado ao negócio e à reputação da organi- zação. O plano de contingência deve não apenas conter o elenco das ações preventivas, mas considerar também o treinamento da equipe de crise e dos empregados para situações de emergência. (FORNI, 2019, p. 57) O papel da comunicação na crise se dá não só pela transparência na culpa (pela equipe de assessoria de imprensa) e no atendimento às famílias em acidentes fatais (formação e treinamento de equipe de cri-se), mas em outras ações de gestão de riscos preventivas, que são o treinamento dos empregados para situações de emergência. A gestão preventiva (riscos) pode evitar a crise e a gestão eficiente da crise pode reverter os riscos à imagem e à reputação da organização, mas uma coisa é certa, a situação estará “marcada” para sempre em sua história. Em resumo, há três níveis básicos ou processos interligados que compõem a gestão de crises: a gestão de risco, compreendendo prevenção, auditoria de crise, planos de crise, preparação, treina- mento ou simulações de crise; a gestão da comunicação de cri- se, que perpassa todas as fases, parte do processo de gestão, até porque a comunicação representa a resposta da organização à opinião pública frente ao evento negativo; a gestão da crise pro- priamente dita, que compreende a resposta rápida, a reação da or- ganização e o apoio aos atingidos pela crise. Nesta fase, sobressai quem realmente se preparou para eventos negativos; ela compre- ende, além das ações de reparação, a fase de recuperação ou pós- -crise. (FORNI, 2019, p. 58) Dessa forma, Forni ressalta que as organizações que se preparam para possíveis crises se sobressaem na reparação e recuperação pós- -crise. Não é uma questão de ser negativo e acreditar que realmente acontecerá uma crise, mas de se prevenir, por respeito aos seus stake- holders e à sociedade de modo geral. 77Comunicação e gerenciamento de crise M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 2 Governança corporativa A governança corporativa foi criada pela necessidade de transparên- cia, demandada pelos shareholders (investidores, acionistas e cotistas), para evitar crises financeiras causadas pela alta liderança de uma orga- nização, em casos de desvio de dinheiro e manipulação das informa- ções financeiras, sob a conivência de auditorias externas. O uso do termo surgiu primeiramente nos Estados Unidos no início de 1990 e no Brasil a partir de 1999, com a criação do Instituto Brasileiro das Melhores Práticas de Governança Corporativa (IBGC). Governança Corporativa envolve um conjunto de relacionamentos en- tre a direção de uma empresa, seus acionistas e outras partes interes- sadas. A Governança Corporativa também fornece a estrutura pela qual os objetivos da empresa são estabelecidos, e são determinados os meios para se alcançarem esses objetivos e para se monitorar o desempenho. (OCDE, 2004, p. 11 apud VALENTE, 2018, posição 80) A governança corporativa (GC) faz a gestão do relacionamento entre os shareholders e a alta liderança, desde a implantação de ferramen- tas de incentivo e monitoramento do comportamento dos executivos, com relação ao cumprimento das obrigações legais das organizações. Resumidamente, é um método de gestão criado pelos acionistas para fiscalizar seus interesses nos investimentos organizacionais. Segundo Castro (2014), “as práticas da boa governança são base- adas em quatro princípios básicos e fundamentais, que são: a trans- parência (disclosure), a equidade (fairness), a prestação de contas (accoun tability) e o respeito ao cumprimento das leis (compliance)”. Pela transparência, são disponibilizados para os shareholders o de- sempenho econômico e financeiro da corporação, bem como os demais fatores que envolvem o valor da marca (gestão da imagem e reputação da empresa). 78 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .A equidade caracteriza-se pelo tratamento justo e isonômico (to- dos os indivíduos são iguais perante a lei) de todos os shareholders e stakeholders. A prestação de contas (accountability) é um conjunto de atividades relacionadas à responsabilidade pela prestação de contas de todas as ações dentro da organização que envolvam seu crescimento econômi- co e financeiro, bem como à responsabilidade e às consequências dos atos dos envolvidos. E compliance significa que a organização precisa estar em conformi- dade com as leis e as regras mercadológicas. Essas questões também são fortemente debatidas no setor público, que possui, primordialmente, o dever de prestar contas e ter uma gestão transparente para toda a sociedade. Figura 3 – Princípios básicos da governança corporativa (GC) na empresa privada Transparência – Equidade – Prestação de contas – Responsabilidade Só cio s Ge st ão Au di to ria Co ns elh o fis ca l Co nd ut a e c on fli to de in te re ss es Co ns elh o de a dm in ist ra çã o Pilares da governança Fonte: adaptado de MarliKPD (2018). Perceba na figura que a base está nos quatro princípios básicos e fun- damentais da GC, os quais sustentam a estrutura humana (os pilares), que faz parte da gestão das ações da organização. 79Comunicação e gerenciamento de crise M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A GC é uma estrutura externa à organização que fornece as diretri- zes para a alta liderança gerir dentro da instituição. O conselho de acio- nistas (os investidores que têm maior número de ações da organização) elege os representantes do conselho de administração. O conselho de administração nomeia o diretor-presidente e demais diretores-executi- vos que vão atuar dentro da organização, além de quem aprova o orça- mento anual e as diretrizes de gestão, providencia a auditoria externa e depois a prestação de contas anuais. Agora vamos entender a governança em um dos setores do poder público. Primeiro, observe a figura com os pilares da gestão pública do Distrito Federal. Figura 4 – Princípios básicos da governança pública (GP) Princípios da boa governança Procuradoria-geral do Distrito Federal Le gi tim id ad e Eq ui da de Re sp on sa bi lid ad e Ef ici ên cia Pr ob id ad e Tr an sp ar ên cia Pr es ta çã o de co nt as Fonte: adaptado de GDF (2020b). Na governança pública (GP), os princípios básicos estão representa- dos por pilares e, além dos quatro princípios da GC, há mais três: legiti- midade, eficiência e probidade. 80 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .A Procuradoria-geral do Distrito Federal (PGDF) define GP como um conjunto de mecanismos de liderança, estratégia e controle voltado para avaliar, direcionar e monitorar a gestão, com vistas à condução e à geração de resultados nas políticas públicas e à prestação de serviços de interesse da sociedade. Em 28 de março de 2019, foi editado o Decreto no 39.736, que ‘‘dis- põe sobre a Política de Governança Pública e Compliance no âm- bito da Administração Direta, Autárquica e Fundacional do Poder Executivo do Distrito Federal’’, que estabeleceu a obrigatoriedade da implementação de política de governança e programa de integri- dade nos órgãos da Administração Pública do Distrito Federal. Para cumprir essa obrigação normativa, a Procuradoria-Geral do Distrito Federal editou a Portaria no 250, de 31 de maio de 2019, alterada pela Portaria no 308/2020, que disciplina oSistema de Governança Pública da PGDF – SGP-PGDF. (GDF, 2020a) A PGDF é um órgão do sistema jurídico do Distrito Federal ligado ao Poder Executivo “sua organização e estrutura estão previstas na Lei Complementar no 395, de 31 de julho de 2001 e no Decreto no 40.408, de 23 de janeiro de 2020” (GDF, 2020c). Integram o SGP-PGDF (i) o Comitê Interno de Governança Pública (CIG-PGDF), formado pelo Procurador-Geral do DF, pelos Procura- dores-Gerais Adjuntos do Contencioso, do Consultivo e da Fazen- da Distrital, pelo Secretário-Geral e pelo Procurador-Corregedor da PGDF; (ii) a Comissão Técnica do Comitê Interno, formada por meio de indicação do Comitê Interno; (iii) o Núcleo Especial de Go- vernança e Integridade Pública da PGDF (NUGIP-PGDF), formado pelo Procurador Corregedor, pelo Ouvidor, pelo Assessor de Comu- nicação e por representante da Comissão de Ética da Procurado- ria-Geral do Distrito Federal, a partir de sua instalação. Há ainda os Núcleos de Governança da Procuradoria-Geral do DF, nas se- guintes áreas: Contencioso; Consultivo e de Tribunais de Contas; Cobrança e Recuperação de Crédito; Pessoas, Orçamento e Aquisi- ções; e Digital. (GDF, 2020c) 81Comunicação e gerenciamento de crise M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Na PGDF, os cidadãos são representados pela administração pública direta, autarquias e fundacional do poder executivo do Distrito Federal e têm o mesmo papel da assembleia de acionistas da GC; o conselho especial exerce um papel parecido ao do conselho de administração na GC; a alta administração exerce papel semelhante ao do diretor-presi- dente na GC; e, por fim, o sistema de gestão pública (SGP) tem o papel de prestar contas à sociedade por meio do Portal da Transparência do Governo do Distrito Federal, disponível em seu endereço oficial. 3 Compliance Compliance é um dos princípios básicos da GC e significa estar ali- nhado com um conjunto de medidas e procedimentos cujo objetivo é evitar, detectar e remediar a ocorrência de irregularidades, fraudes e cor- rupção no ambiente organizacional, ou seja, para todos os stakeholders. O conceito surgiu nos Estados Unidos, em 1950, e no Brasil em 2013 com a Lei Anticorrupção (nO 12.846), que define a responsabilidade das organizações por atos contra a administração pública. O conceito de compliance ficou mais conhecido por causa do escân- dalo na companhia americana de energia Enron Corporation, em 2001, que causou um desastroso efeito cascata financeiro global, divulgado amplamente pela imprensa mundial. No setor público brasileiro, houve o escândalo da Petrobras em 2016. PARA SABER MAIS Para entender mais sobre a crise mundial financeira causada pelos Estados Unidos, assista ao documentário de 2010 Trabalho interno (Inside Job), dirigido por Charles Ferguson. 82 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .O cenário de corrupção e fraudes nas organizações, segundo Geovana Donella (2019) obrigou investidores a serem cada vez mais exigentes e cuidado- sos em suas avaliações financeiras. Da mesma forma, colaborado- res perceberam que nem toda empresa é o que aparenta ser. A saí- da encontrada por ambos foi pressionar as companhias na criação de mecanismos de controle capazes de colocá-las em conformida- de com regras e boas práticas – os programas de compliance. Tais programas seriam baseados, é claro, em princípios de governança corporativa. Hoje, não se preocupar em desenvolver programas de compliance nas companhias pode gerar diversos tipos de riscos, entre eles sofrer sanções regulatórias, perda financeira e perda de reputação. O programa de compliance funciona como uma “gestão de riscos” para enfrentar possíveis crises econômico-financeiras organizacionais, além de dar mais tranquilidade aos shareholders e à sociedade no geral, visto que quase o mundo todo sofreu e ainda sofre com os efeitos da crise norte-americana de 2011. 4 Ética na comunicação Ética significa um conjunto de normas, padrões, valores morais e leis que regem as ações humanas no convívio social para gerar um ambien- te equilibrado. Na organização, a ética permite o desenvolvimento e o crescimento tanto interno quanto externo para a construção de relacio- namentos contínuos. A ética organizacional não constitui um campo recente, embora possa parecer, pela sequência de escândalos, percepção de redu- ção da escala de erros cometidos por organizações e pelo contínuo surgimento de padrões, índices e leis que têm como objetivo avaliar e direcionar na atuação responsável das organizações. Todas as organizações têm em sua cultura organizacional um padrão moral valorizado e recomendado, seja ele adequado para seu contexto ou não. (MOREIRA, 2002, p. 28 apud KUNSCH, 2016, p. 137) 83Comunicação e gerenciamento de crise M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A organização deve usar seu poder e influência para o bem de todos, stakeholders, shareholders e opinião pública. Por exemplo, não espa- lhando informações perigosas, sigilosas ou mentirosas para prejudicar um concorrente. A confiança é a base para a construção de todo rela- cionamento humano e organizacional em qualquer segmento. Sendo assim, a responsabilidade com os stakeholders e a sociedade inclui não criar práticas abusivas que prejudiquem ninguém moral, financeira e/ou economicamente. Considerações finais Este capítulo foi mais denso com relação aos elementos que ferem o relacionamento da organização com seus stakeholders, shareholders e a sociedade no geral. Aprendemos que os conflitos podem ser positivos e possibilitar o crescimento dos colaboradores e da organização, mas, quando são negativos, podem gerar crises desastrosas para a imagem e a reputação da organização ou, ainda, levá-la à falência, o que causa um grande prejuízo financeiro e econômico para a sociedade. Pudemos entender que a boa gestão de riscos pode preveni-los ou recuperar a imagem e a reputação de uma organização. Vimos a importância e o papel da governança corporativa em nortear as organizações públicas e privadas de capital aberto para proteger shareholders e a população de modo geral. Aprendemos também que o compliance é um dos princípios da go- vernança corporativa que cria um conjunto de medidas para prevenir fraudes, corrupções e outras práticas que prejudicam as atividades fi- nanceiras e a economia de todos os envolvidos com a organização e a sociedade. Por fim, fechamos nossos estudos tratando da ética na co- municação, que exige responsabilidade e confiança no uso do poder e da influência pela organização para com todos que se relacionam direta ou indiretamente com ela. 84 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . Referências CASTRO, Helder. Como surgiu a governança corporativa? Uma breve discussão contextual. Administradores.com, 2014. Disponível em: https:// administradores.com.br/artigos/como-surgiu-a-governanca-corporativa-uma-breve-discussao-contextual. Acesso em: 15 dez. 2020. DONELLA, Geovana. Compliance: descubra o significado desse conceito e por que sua aplicação é crucial dentro das empresas. Portal Capital Aberto, 2019. Disponível em: https://capitalaberto.com.br/secoes/explicando/o-que-e-com- pliance/. Acesso em: 15 dez. 2020. FORNI, João José. Gestão de crises e comunicação: o que gestores e profissio- nais de comunicação precisam saber para enfrentar crises corporativas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL (GDF). O que é governança pública. Governança PGDF, 2020a. Disponível em: http://governanca.pg.df.gov. br/%e2%9c%8d-o-que-e-governanca-publica/. Acesso em: 15 dez. 2020. GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL (GDF). Princípios da governança. Governança PGDF, 2020b. Disponível em: http://governanca.pg.df.gov.br/%E2%98%9D- principios-da-governanca/. Acesso em: 15 dez. 2020. GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL (GDF). Procuradoria-geral do DF. Governança PGDF, 2020c. Disponível em: http://www.governanca.pg.df.gov.br/procuradoria- geral-do-df/. Acesso em: 15 dez. 2020. KUNSCH, Margarida Maria Krohling (org.). Comunicação organizacional estratégica, aportes conceituais e aplicados. São Paulo: Summus, 2016. E-book. MARLIKPD. Governança corporativa é para minha empresa? KPD Consultoria, 2018. Disponível em: http://kpdconsultoria.com.br/kpdblog/2018/09/16/ governanca-corporativa/. Acesso em: 15 dez. 2020. SILVA, Luciana Fátima da; MACHADO, Mara Dubugras. Comunicação empresarial. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2017. (Série Universitária). VALENTE, Paulo Gurgel. Governança corporativa: guia do conselho para empresas familiares ou fechadas. 1. ed. Rio de Janeiro: Alta Books, 2018. E-book. 85 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 6 Comunicação escrita e oral No capítulo anterior, aprendemos sobre a gestão de conflitos e cri- ses, que é um assunto bem delicado para a organização. Vimos tam- bém que a comunicação está no centro de todo esse processo, seja para o seu sucesso, seja para o seu fracasso. Neste capítulo, estudare- mos a comunicação verbal escrita e oral mais detalhadamente. As redes sociais trouxeram uma nova forma de comunicação, mais enxuta para economizar tempo e com novos códigos, como as abrevia- ções e os emoticons, que, muitas vezes, expressam frases inteiras com suas “carinhas” cheias de emoções. Mesmo com todas essas mudan- ças, a comunicação verbal escrita e oral ainda requer padrões tradicio- nais em seu formato. 86 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Podemos conversar por emoticons com os colegas de trabalho e os fornecedores informalmente, mas, quando se trata de documentos administrativos, para ser levado a sério, é preciso usar os padrões esta- belecidos pelo mercado, com uma redação impecável. Como afirma Luizari (2014, p. 47) “A linguagem transformou-se, mais do que nunca, em uma ferramenta indispensável para aqueles que de- sejam conquistar e manter seu sucesso no mercado e também a exce- lência de sua imagem pessoal”. Então vamos entender melhor o que isso significa. A fala veio antes da escrita e ambas são importantes. Mas enquanto a escrita registra, documenta e organiza, a fala se perde no ar. Assim, a escrita é um pro- duto, a fala é um processo. 1 A comunicação verbal escrita e o uso correto dos códigos Aprendemos no primeiro capítulo que, de maneira geral, a comuni- cação escrita é feita pelo uso de palavras entre o emissor e o receptor, é verbal e menos pessoal e, ainda, quando realizada dentro da organi- zação é (ou deveria ser) formal, a não ser que seja um bate-papo entre colegas por mensagem instantânea, por exemplo. Também foi dito que nela são usados códigos, tal como o alfabeto da língua portuguesa, e que é por esse tipo de comunicação que são transmitidos as políticas, as metas, os objetivos, as normas, os procedimentos e os demais docu- mentos organizacionais. A fala pode se perder no ar, mas é tão fundamental quanto a escri- ta, e uma completa a outra. No entanto, a escrita registra, documen- ta, divulga, organiza e arquiva; por isso, é preciso ter atenção para que o conteúdo esteja de acordo com a gramática normativa e contenha congruência e estilo. Quando escrevemos para amigos, principalmente por mensagens instantâneas, por exemplo, erros são toleráveis, mas 87Comunicação escrita e oral M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. em documentos administrativos não, pois fazem a organização perder a credibilidade. Isso vale para documentos tanto internos quanto exter- nos, inclusive comentários em redes sociais feitos por representantes organizacionais. Observe o exemplo a seguir. Figura 1 – Erros ortográficos que causam repercussão na mídia Ministro da Educação comete erro de português em rede social e depois apaga mensagem Abraham Weintraub escreveu 'imprecionante' ao enviar mensagem ao deputado Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro. Esta não é a primeira vez que ministro comete erro de grafia. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, cometeu um erro de português nesta quarta-feira (8) ao escrever em uma rede social que um fato era "imprecionante". Ele redigiu a palavra impressionante de maneira incorreta ao enviar uma mensagem ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Após a mensagem ter sido publicada, diversos usuários da rede social responderam, informando a ele o erro. A publicação foi apagada posteriormente. [...] Abraham Weintraub, então, respondeu: "Caro @BolsonaroSP, agradeço seu apoio. Mais imprecionante: Não havia a área de pesquisa em Segurança Pública. Agora, pesquisadores em mestrados, doutorados e pós doutorados poderão receber bolsas para pesquisar temas, como o mencionado por ti, que gerem redução da criminalidade." Na mesma publicação, Weintraub não utilizou hífen na palavra pós-doutorados. Esta não é a primeira vez que Weintraub comete esse tipo de erro. Ele já escreveu, por exemplo, "paralização" e "suspenção". As palavras corretas são paralisação e suspensão. Fonte: adaptado de G1 (2020). Esse erro passaria despercebido na rede social de uma pessoa co- mum, o que não acontece com personalidades públicas (políticos, artis- tas e celebridades). Quando aprendemos sobre a assessoria de impren- sa, vimos que nada deve ser falado fora da organização sem que um profissional qualificado faça a revisão. Atualmente, existem muitos corretores ortográficos digitais que nos auxiliam na escrita, e isso é bom. Mas, por outro lado, deixam-nos acostumados e desatentos com a forma correta de escrever. A melhor 88 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .maneira de não depender somente dessa opção é pedir para alguém ler o texto antes de enviar, caso não tenha um assessor de imprensa, ou ainda lê-lo para si, quando não puder contar com ninguém no momento. Com o surgimento da internet, o volume de informaçõestransmi- tidas é cada vez maior e, pela falta de tempo, muitas vezes lemos so- mente os links das notícias. Assim, acabamos nos acostumando com essa fragmentação na leitura. Ler para estudar, por entretenimento ou se informar é fundamental para adquirir conhecimento e vocabulário. As criações e as inovações não saem de mentes vazias, pelo contrário, quem lê muitos textos e livros completos, além de melhorar seu senso crítico, tem mais vocabulário e possibilidade de participar de diálogos, debates e reuniões importantes, além de produzir comunicados e rela- tórios mais inteligíveis, por exemplo. Também tem maiores chances de se destacar no mercado de trabalho, tomando a frente de quem tem um vocabulário limitado. NA PRÁTICA Washington Olivetto, um dos maiores profissionais de comunicação do Brasil, tem uma mente extremamente criativa, vinda de muitos livros lidos, principalmente de clássicos literários. “Se minha vida é uma referência de êxito, parte dele devo a Monteiro Lobato, o maior escritor dedicado ao público infantil que o Brasil já teve. Eu tinha uns 5 anos e já folheava os livros dele” (OLIVETTO, 2011, p. 14). Nesse sentido, temos também a corroboração de Garcia (2011): Mas parece não restar dúvida de que, dispondo de palavras sufi- cientes e adequadas à expressão do pensamento de maneira clara, fiel e precisa, estamos em melhores condições de assimilar con- ceitos, de refletir, de escolher, de julgar, do que outros cujo acervo léxico seja insuficiente ou medíocre para a tarefa vital da comuni- cação. (GARCIA, 2011, posição 4.534) 89Comunicação escrita e oral M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Os meios de comunicação têm evoluído muito ao longo dos anos, principalmente depois do surgimento da internet. A figura 2 ilustra essa evolução. Figura 2 – Evolução dos meios de comunicação 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Explosão do Google Em 2000, o site atingiu a marca de 1 bilhão de páginas indexadas Difusão da banda larga Em 2008, 20 milhões de casas com banda larga Pendrives de memória flash Disquetes frágeis, nunca mais LCD ultrapassa CRT Primeiros iPods Espaço para 1.250 músicas e visor preto e branco Primeiros smartphones No início, eles eram apenas empresariais e blackberry era o nome do jogo! Popularização do GPS Você sabia que todo satélite envia dois sinais para os aparelhos de GPS, mas eles só captam um deles, porque o outro só é decodificado por militares? Barateamento dos notebooks e netbooks Boom das placas gráficas O avanço nas tecnologias e os jogos multiplayers foram os grandes responsáveis pela explosão dos chips gráficos Fonte: adaptado de Hamann (2010). Percebemos, pela figura, que a evolução dos meios de comunicação após o surgimento da internet aumentou vertiginosamente a quantidade de informação circulante. Muitas organizações ficam perdidas no trata- mento dessas informações sem conseguir inserir ou obter resultados condizentes, por não saber como filtrá-las. Em tempos de mercados mundiais e de luta por sobrevivência na era da globalização, não basta apenas investir em informatização e tecnologia, mas naquilo que, dentro da sociedade humana, tem valor de troca: a comunicação. Em termos empresariais, essa co- municação tem valores bem definidos: a clareza e a objetividade das informações proporcionam e impulsionam a fidedignidade das mensagens e a agilidade das decisões, molas da sobrevivência e do lucro. (GOLD, 2010, p. 5 apud SILVA; MACHADO, 2017, p. 169) 90 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Essa mudança toda requer cada vez mais profissionais qualifica- dos, capazes de entender a dinâmica do mercado e de produzir a co- municação com mais agilidade e clareza dentro e fora da organização, tais como os especialistas em search engine optimization (SEO) que escrevem textos mais qualificados e formatados para os buscadores na internet. Os termos prolixos estão sendo eliminados cada vez mais, mesmo em simples avisos, mostrando respeito ao tempo e à inteligên- cia das pessoas. Analise o exemplo trazido na figura 3. Figura 3 – Aviso aos funcionários Por unânime decisão de todos os interessados da Cipa, solicitamos aos usuários dos banheiros do pátio de manobras, nos dias de expediente, que, após usarem os banheiros, limpem não só a parte interna, mas também a parte externa da pia, bem como o espelho, e enxuguem o chão caso haja respingos de água, pasta dental, sabonete ou outro produto, para o bem-estar e a saúde de todos. Fonte: adaptado de Luizari (2014, p. 51). Quanto tempo será necessário para ler esse aviso? Esse tempo pode prejudicar a produtividade de algum colaborador? Será que alguém vai ler toda a informação dele? Ou, ainda, será que o aviso está claro? Como esse aviso poderia ser otimizado? Vejamos o seguinte exemplo. 91Comunicação escrita e oral M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 4 – Aviso aos funcionários otimizado CONSERVE O BANHEIRO LIMPO Ficou mais claro, rápido e eficiente. O colaborador olha e entende a mensagem instantaneamente até mesmo fixando os olhos rapidamen- te. Até o aviso ficou limpo. “A própria clareza das ideias (se é que as te- mos sem palavras) está intimamente relacionada com a clareza e a pre- cisão das expressões que as traduzem” (GARCIA, 2011, posição 4.540). No aviso da figura 4, foi usada a língua portuguesa como código, por meio de um aviso, que também é um código, e aprendemos desde criança a dar atenção aos avisos. Mas não basta só usar o código, é preciso saber como. Vejamos outro exemplo. Figura 5 – Proibido o uso de celular 92 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Sabemos o que significa esse aviso mesmo sem nenhum texto, por- que entendemos o signo social, que é o desenho de um celular dentro de um círculo com uma reta inclinada cortando o círculo ao meio, am- bos na cor vermelha, indicando advertência ou pare, similar a uma placa de trânsito (que é outro signo social). A linguagem – seja ela oral ou escrita, seja mímica ou semafórica – é um sistema de símbolos, signos ou signos-símbolos, voluntaria- mente produzidos e convencionalmente aceitos, mediante o qual o homem se comunica com seus semelhantes, expressando suas ideias, sentimentos ou desejos. (GARCIA, 2011, posição 4.588) Países, estados, cidades e até bairros possuem códigos, símbolos e signos sociais diferentes. Em uma sociedade globalizada, é preciso estar atento a essa questão para não desrespeitar ninguém, sofrer san- ções e advertências ou até mesmo perder um negócio. Existem muitas maneiras de usar a comunicação verbal escrita den- tro e fora das organizações, vejamos alguns exemplos mais utilizados. 1.1 Correio eletrônico e chats O correio eletrônico (e-mail) foi uma das primeiras ferramentas tecno- lógicas que surgiram após a internet, utilizada parase comunicar rapida- mente. Seu uso causou uma revolução se comparado ao envio de cartas físicas. Mesmo com a invenção de várias outras ferramentas, o e-mail continua importante no processo de comunicação organizacional. Assim, para tornar esse canal de comunicação mais qualificado profissionalmen- te, existe uma espécie de “código de etiqueta”. Vejamos um exemplo a seguir por Braga (2013, p. 72-73 apud SILVA; MACHADO, 2017, p. 173): Não escrever tudo em letra maiúscula, evitando, assim, passar para o leitor a impressão de que o “som” está acima do ideal; não enviar fotos ou qualquer imagem sem informação ou solicitação prévia, além de deselegante, o arquivo pode causar vários transtornos, como a perda de tempo ao baixá-lo; é recomendável digitar uma in- 93Comunicação escrita e oral M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. trodução para qualquer mensagem repassada; deixar de responder às mensagens dos e-mails recebidos soa desinteresse ou descor- tesia; informar a origem de avisos sobre possíveis vírus; não enviar piadas e correntes, é invasivo e constrangedor; não elaborar textos longos e sem correção, além da perda de tempo, foge ao estilo da linguagem organizacional, a qual prima pela objetividade e clareza; enviar mensagens personalizadas demonstra atenção e interesse. Embora não seja obrigatório, esse “código de etiqueta” é muito utili- zado dentro das organizações, principalmente no diálogo com superio- res e clientes. Mas com o surgimento das ferramentas de mensagens instantâneas (WhatsApp, Telegram, Messenger, Skype, Hangouts, etc.), o e-mail dei- xou de ser uma forma de apenas se comunicar mais rapidamente para ser uma maneira de registrar o envio de informações importantes entre stakeholders nas organizações. No dia a dia, essas ferramentas ganha- ram um papel de atuação maior. Já os canais de mensagens instantâneas privadas são feitos por chats, desenvolvidos por profissionais capacitados e de forma perso- nalizada para cada organização, com linguagens de programação se- melhantes às dos sites. No chat, a organização pode interagir exclusi- vamente com seus clientes e vice-versa, o que não é o caso dos canais públicos, em que pessoas desconhecidas podem interagir. Nos últimos anos, as organizações têm substituído as pessoas por sistemas de inte- ligência artificial, que atendem os clientes com respostas programadas, criadas com o objetivo de economizar recursos financeiros e humanos, visto que eles respondem instantaneamente, 24 horas por dia e por pa- drões de perguntas. Em casos extremos, um colaborador pode substi- tuir o robô. 94 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .NA PRÁTICA O robô pioneiro no uso da inteligência artificial é o Watson, da empre- sa IBM. Ele responde a perguntas em diversas áreas, como jurídicas, financeiras, etc. Agora, as grandes redes já têm seus próprios robôs de comunicação on-line, por exemplo, a Lu, de Magalu (Magazine Luiza). 1.2 Cartas e memorandos As formas de comunicação organizacional tradicionais vêm ganha- do espaço dentro dos meios digitais de forma gradativa, requerendo ainda mais segurança para a proteção de dados corporativos e leis de regulamentação para a sua utilização. No entanto, existem regiões no Brasil e no mundo que são desconectadas tecnologicamente e exigem esse tipo de comunicação analógica. Por isso, os documentos adminis- trativos impressos ainda são extremamente necessários. A maioria das organizações cria templates (modelos de documen- tos administrativos) para padronizar os documentos e facilitar sua pro- dução, economizando tempo e evitando erros gramaticais (pontuação, verbos, pronomes, gerundismo, etc.). Emitir, receber, atualizar, distribuir, organizar, selecionar e arquivar os documentos administrativos é um trabalho secretarial. Porém, nem todas as organizações têm um secre- tário para isso. No setor privado de grandes empresas, as secretárias- -executivas se qualificam para isso em cursos certificados. Os documentos administrativos organizacionais do setor privado são classificados como correspondência comercial/empresarial. No setor público, civil e militar, são classificados como correspondência oficial. Esses documentos têm por objetivo manter o relacionamento interno e externo da organização, construir sua memória e promover uma imagem positiva perante seus stakeholders. Dessa forma, sua con- fecção é tratada como uma redação e, como tal, alguns cuidados são 95Comunicação escrita e oral M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. essenciais: evitar erros gramaticais, como de pontuação, mal-uso dos verbos e de pronomes, etc.; ter clareza para que o receptor entenda a mensagem; ter concisão, ou seja, manter apenas o assunto necessário; ter precisão com o uso de palavras concretas e específicas; ter coesão, que é a coerência das ideias; e ter cortesia, que aqui representa a educa- ção, a civilidade ou a fineza no momento de se expressar. A carta é o principal documento administrativo externo para oficia- lizar uma transação entre empresas (pessoa jurídica) ou com o cliente (pessoa física). É dividida em carta comercial e carta circular, conforme descrito na figura 6. Figura 6 – Carta comercial e carta circular A carta comercial é a correspondência tradicionalmente utilizada pela indústria e pelo comércio com a finalidade de solicitar providências, encaminhar propostas, informar, etc. [...] A carta circular possui a mesma diagramação visual da carta de rotina, o que as diferencia são os destinatários. O conteúdo, de interesse geral, é direcionado a várias pessoas simultaneamente. Fonte: Silva e Machado (2017, p. 175). A carta comercial serve para enviar documentos para fora da organi- zação e a carta circular é para uso interno, entre os colaboradores. Outro documento é o memorando, que é o principal documento inter- no da empresa para circular informações entre setores e filiais. No se- tor público, é chamado de ofício. Esse documento de circulação interna tem por finalidade informar ou convocar colaboradores para reuniões ou implantação ou atualização de normas, procedimentos e rotinas de tra- balho e/ou chamar a atenção para a eliminação de retrabalho, etc. Esse tipo de documento administrativo vem sendo substituído por e-mails. 96 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Figura 7 – Memorando Memorando, ou comunicação interna (CI), é a correspondência informal e interna de uma organização. Possui a função de lembrete e registro do que foi combinado ou solicitado a alguém ou a alguma área. Esse tipo de documento pode ser utilizado entre setores de uma empresa ou servir de comunicação entre matriz e filiais. O memorando geralmente convoca, pergunta, responde, providencia, ordena, informa, encaminha ou estabele- ce normas, entretanto ele vem sendo substituído pelas mensa- gens via correio eletrônico:os e-mails. Fonte: Silva e Machado (2017, p. 177). No setor público, existem documentos oficiais, como leis, decretos, ofícios, etc., com padrões de formatação próprios. A Presidência da República criou o Manual de redação da Presidência da República com modelos, redação e dicas específicas para a confecção desses docu- mentos oficiais. PARA SABER MAIS Para saber mais sobre o Manual de redação da Presidência da Repú- blica, acesse o site oficial do governo, na seção “Centro de estudos”. 2 A comunicação verbal oral na organização Aprendemos a falar muito antes de escrever, e isso, com gestos e expres- sões corporais, vai se tornando uma maneira natural de comunicação e for- mando nossa personalidade. Quando estimulada pelos grupos de referên- cia de contato no decorrer da infância (família, amigos, clubes, igreja, escola, etc.), é possível a formação de maiores habilidades na comunicação oral. A aquisição da linguagem é um processo espontâneo que se de- senvolve em ambiente natural, pela interação com a família e com a comunidade. Nesse processo, a criança desenvolve a familiarida- 97Comunicação escrita e oral M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. de com a fonologia da língua, com sua estrutura e com seu vocabu- lário, reforçando seu entendimento oral e o desenho da escrita com o propósito de compreender e de ser compreendida nas diferentes situações de comunicação. (ROSSI, 2015, p. 22-23 apud SILVA; MA- CHADO, 2017, p. 184) A comunicação não acontece somente pela fala, escrita ou gestos, pode se expressar pela música, dança, arte, moda e todas as demais for- mas, conforme Matos (2014, posição 350) “[...] tudo o que é vida é comu- nicação, porque implica necessariamente a transmissão de informações, sentimentos, ideias e conceitos, de um ponto para o outro. O sangue transporta oxigênio para as células e, ao fazê-lo, está a comunicar vida”. Figura 8 – Atributos do bom comunicador Evidencia conhecimentos Proporciona melhor relacionamento interpessoal Projeta personalidade forte e segura Convence e direciona o ouvinte Inspira credibilidade QUEM FALA BEM... Consolida seu prestígio profissional Gera cooperação Fonte: Silva e Machado (2017, p. 187). O bom comunicador lidera e se expressa bem em todas as direções. Conforme indicado na figura 8, fala com segurança quando conhece o assunto e tem a personalidade forte e segura que convence e dire- ciona o ouvinte, por saber usar ênfase, entonação, pronúncia e ritmo 98 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .das palavras. Essas habilidades melhoram cada vez mais seu relaciona- mento interpessoal, e as pessoas à sua volta passam a admirá-lo, con- solidando seu prestígio profissional e sua credibilidade, o que gera cada vez mais a colaboração de seus liderados. Parece que ele nasceu assim e faz tudo com naturalidade sem precisar de esforço nenhum, porém toda habilidade requer esforço, reforço e dedicação. É uma ilusão achar que certas habilidades são inatas e não podem ser desenvolvidas no decorrer da vida. Trata-se de querer desenvolver a competência neces- sária em determinado assunto e isso requer: conhecimento (aprender), habilidade (exercitar) e ação (prática). Um bom orador é, em suma, aquele que consegue se expressar com clareza, lidando com os mais diversos tipos de público e de situações de exposição de fala. [...] tem alto poder de persuasão e não apenas expressa suas ideias e argumentos com assertividade, mas, ao mes- mo tempo, logra convencer os demais sobre eles. (BELLO, 2019) 3 Boas práticas No setor privado, alguns fatores de formatação são essenciais para apresentar qualidade e seriedade na comunicação verbal escrita, entre eles o formato do papel, que geralmente é a folha A4 na cor branca, e o uso de fonte Arial ou Times New Roman, com tamanho variando en- tre 11 e 14. Em um texto pequeno, o tamanho da letra pode ser maior para aproveitamento do espaço e estética. Os demais critérios de for- matação ficam por escolha do setor que emite o documento. Por isso, os templates são importantes quando a organização quer manter um padrão, criando identidade para a marca. O nome do destinatário é es- sencial para que o documento não vá parar em mãos erradas, principal- mente no setor público e em grandes empresas do setor privado com muitos departamentos ou filiais. No setor público, houve mudança no uso de alguns termos da comunica- ção verbal escrita na abertura dos documentos oficiais, como: “Esta tem por 99Comunicação escrita e oral M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. finalidade”, “Servimo-nos da presente”, “Vimos por intermédio desta” e “Venho por meio desta”. Essas expressões foram substituídas por: “Convidamos”, “Encaminhamos”, “Solicitamos”, “Informamos” e “Agradecemos”. No fecha- mento do documento não se utiliza mais: “Sem mais para o momento”, “Sem mais” e “Aproveitamos o ensejo”. Essas expressões foram substituídas por: “Atenciosamente”, “Cordialmente”, “Atenciosas saudações” e “Respeitosas saudações”. Já na comunicação verbal oral, alguns tratamentos ainda são essenciais para demonstrar respeito: “Excelentíssimo Senhor”, para chefes de poder (presidente da república, congresso, supremo tribunal); “Vossa Excelência”, para autoridades (ministros, senadores, juízes); e “Vossa Senhoria”, para demais autoridades e particulares (antes era usado ilustrís- simo). Vale ressaltar que “doutor” não é forma de tratamento para autorida- des, conforme muitos cidadãos utilizam, e sim um título acadêmico. Considerações finais Vimos que as duas formas de comunicação verbal, escrita e oral, são ferramentas utilizadas pelo ser humano para fazer o mundo funcionar. Uma complementa a outra, sendo a escrita um produto pronto com fi- nalidades específicas e a oral um processo de comunicação em cons- tante evolução. Comunicar-se oralmente não se limita à fala, mas inclui também o uso de gestos, expressões corporais, emoções, entonação de voz e, ainda, o toque, podendo ser todos ao mesmo tempo ou um ou mais desses elementos, dependendo sempre do respeito aos limites do ouvinte. Percebemos também que, na comunicação escrita, o processo para obter o produto necessário requer formalidade, preparo e estudo. É preciso conhecer o contexto e o destinatário para usar os códigos e os signos necessários para atingir o objetivo pretendido. Podemos concluir que a comunicação verbal é inerente à vontade humana, basta estar perto de outra pessoa para haver diálogo, seja ex- plícito pela fala, troca de olhares ou gestos, seja implícito pelo ambiente que se dá pela proximidade ou pelo distanciamento e/ou pela postura rígida ou descontraída. 100 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . Referências BELLO, Livia. As diferenças entre o bom orador e o orador convincente. Blog The Speaker – Portal Terra, 26 jun. 2019. Disponível em: https://www.terra.com.br/economia/vida-de-empresario/blog-the-speaker/as-diferencas-entre-o-bom- orador-e-o-orador-convincente,e8dff6aec6c89ec0ec3e193e7b0c947704or7 ec2.html#:~:text=Um%20bom%20orador%20%C3%A9%20aquele,contexto%20 no%20qual%20est%C3%A1%20inserido. Acesso em: 5 jan. 2021. BRASIL. Casa Civil. Manual de redação da Presidência da República. 3. ed. Brasília, DF: Presidência da República, 2018. Disponível em: http:// www4.planalto.gov.br/centrodeestudos/assuntos/manual-de-redacao-da- presidencia-da-republica. Acesso em: 2 jan. 2021. G1. Ministro da educação comete erro de português em rede social e depois apaga mensagem. G1 Política, 2020. Disponível em: https://g1.globo.com/ politica/noticia/2020/01/08/ministro-da-educacao-comete-erro-de-portugues- em-rede-social-e-depois-apaga-mensagem.ghtml. Acesso em: 29 dez. 2020. GARCIA, Othon Moacyr (org.). Comunicação em prosa moderna. 27. ed. São Paulo: Editora FGV, 2011. E-book. HAMANN, Renan. 10 tecnologias que mudaram a década. Tecmundo, 2010. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/lcd/5785-10-tecnologias-que- mudaram-a-decada.htm. Acesso em: 16 maio 2021. LUIZARI, Kátia. Comunicação empresarial eficaz: como falar e escrever bem. 2. ed. Curitiba: InterSaberes, 2014. MATOS, Gustavo Gomes. Comunicação empresarial sem complicação: como facilitar a comunicação na empresa, pela via da cultura e do diálogo. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Ágora, 2014. E-book. OLIVETTO, Washington. O que a vida me ensinou: credibilidade não se ganha, se conquista. São Paulo: Saraiva: Versar, 2011. E-book. SILVA, Luciana Fátima da; MACHADO, Mara Dubugras. Comunicação empresa- rial. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2017. (Série Universitária). 101 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 7 Comunicação no trabalho remoto e segurança da informação Neste capítulo, aprenderemos sobre a comunicação no trabalho re- moto, modalidade que vem crescendo cada vez mais nos grandes cen- tros por causa do trânsito intenso ou de organizações que já nascem 100% digitais ou, ainda, de crises globais. Assim como no trabalho remo- to, as organizações têm usado a internet para se comunicar e fazer ne- gócios, circulando na rede digital muitos dados e informações sigilosas. Desse modo, é necessário criar formas de gerir e proteger essas infor- mações de ataques maliciosos, que são aqueles feitos por pessoas mal- -intencionadas. Veremos como gerir e evitar crises, bloqueando esses ataques com a implantação de políticas de boas práticas, normas e leis. 102 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1 A comunicação no trabalho remoto O trabalho remoto, ou seja, feito fora das dependências físicas da organização, é intitulado home office (escritório em casa) e pode ser re- alizado basicamente de três formas: como i) funcionário da instituição, ou como ii) autônomo/freelancer (trabalho independente de contrato e registro na organização, podendo ser sem CNPJ – registro de pessoa jurídica), ou, ainda, como iii) empresário (com CNPJ), que também pode ser chamado de home-based (organização com sede na residência). Embora muita gente pense que o trabalho remoto nasceu com a inter- net, ele já acontecia na Idade Média quando os artesãos montavam suas oficinas no andar térreo de suas casas. Esse tipo de trabalho foi pratica- mente extinto com a Revolução Industrial, iniciada na segunda metade do século XVIII, que possibilitou grandes avanços tecnológicos no mundo e fez os artesãos abandonarem suas oficinas para trabalhar nas indústrias. Alvin Toffler, em um livro publicado no ano de 1980 com o título A terceira onda (The third wave), previu que o trabalho remoto aconteceria no mundo, ocasionado pelo que chamou de “a terceira onda” evolutiva, que surgiria com a internet. Ele define as ondas pela base econômica do país, sendo a primeira onda a da sociedade agrária, a segunda a da revolução industrial e a terceira a da era digital. De acordo com Alvin Toffler – o analfabeto do século XXI não será aquele que não sabe ler nem escrever, mas aquele que não for ca- paz de aprender, desaprender e reaprender. Na terceira onda, o tra- balho do homem é substituído pelas inovações tecnológicas, pos- sibilitando o aparecimento da sociedade da informação. Vivemos um período fortemente caracterizado pela internacionalização do comércio proporcionado pela globalização. (HAMZE, 2020) Percebemos que após a popularização da internet, o ambiente de trabalho tem sido alterado cada vez mais para modelos de trabalho 103Comunicação no trabalho remoto e segurança da informação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. e aprendizado híbridos (organização/academia e casa), que servem também para acompanhar a demanda global. A forma de se atualizar profissionalmente e se manter empregável tem exigido mais agilidade, quebrando paradigmas de como é a melhor maneira de adquirir conheci- mento e de ser autodidata. “Essas constantes atualizações tecnológicas obrigam os funcionários a se atualizarem mais frequentemente para se manterem no mercado [...]” (ALMEIRA; BRASIL; NOGUEIRA, 2017, p. 34). Desde o início do século XXI, o modo e o ambiente de trabalho têm sido alterados e desenvolvidos para que acompanhassem as no- vas demandas de mercado surgidas em virtude da globalização. Os avanços tecnológicos tiveram uma grande influência sobre a vida do trabalhador. O fluxo de informações, cada vez mais intenso, exi- ge que o colaborador tenha mais tempo à disposição da empresa e também uma ampla qualificação para atender às novas e diferen- tes necessidades que surgem no dia a dia corporativo. Para alcan- çar mais satisfação dos clientes, as empresas investem mais nos colaboradores de forma que o desempenho de suas atribuições esteja sempre melhorando. Com essa perspectiva, a autonomia e a flexibilidade do colaborador tem aumentado e novas formas de trabalhar surgiram. (ALMEIRA; BRASIL; NOGUEIRA, 2017, p. 32) Com a pandemia causada pelo vírus da covid-19, que colocou o mundo em quarentena no início de 2020, organizações, academias e pessoas tiveram que criar, de um dia para outro, formas de trabalho re- moto e de autoaprendizado. [...] nenhuma estratégia mostrou-se mais eficaz ao combate do Co- ronavírus do que o isolamento social de toda a população contida nos limites de suas residências, sem que nem sequer possam tran- sitar entre casas de amigos e familiares [...] essas medidas eficazes de combate à proliferação do Coronavírus impactam, sobremanei- ra, a vida de toda a sociedade, produzindo efeitos avassaladores não só no emocional de cada indivíduo, que ainda tenta assimilar os impactos dessas medidas restritivas no dia a dia, mas também, e de forma igualmente devastadora, na economia dos países e [...] no mundo do trabalho. (MARTINEZ; POSSÍDIO, 2020, p. 17-19) 104 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Algumas organizaçõescom mais recursos financeiros enviaram fer- ramental e infraestrutura para seus funcionários. Conforme mostrado nos gráficos da figura 1, quase 52% das pessoas entrevistadas pelos pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) tiveram gas- tos pessoais e 58,50% receberam as ferramentas e os materiais neces- sários para o trabalho remoto. Figura 1 – Gastos pessoais com o trabalho remoto Disponibilização de ferramentas/materiais necessários para a execução do trabalho remoto 51,88% 48,12% SIM NÃO 58,50% 41,50% SIM NÃO Fonte: adaptado de Bridi, Bohler e Zanoni (2020, p. 31). Do ponto de vista do funcionamento, várias organizações no Brasil e no mundo não foram tão impactadas com a crise gerada pela pandemia do covid-19 porque já estavam adaptadas ao trabalho remoto. Além das empresas 100% digitais que foram previstas por Alvin Toffler, quando escreveu sobre a terceira onda, também surgiram as 105Comunicação no trabalho remoto e segurança da informação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. start-ups (empresas rápidas) no mercado profissional e as edtechs (educação tecnológica) no mercado acadêmico. As start-ups trabalham por projetos independentes de uma organização e em equipes, com pessoas diversificadas, podendo ser só de estudantes, só de freelan- cers ou mistas, inclusive pode haver pessoas com contratos formais em outras organizações, sem envolver ou atrapalhar o trabalho nelas. Grandes empresas têm investido nesse tipo de negócio para inovações e pesquisas, já que o custo é bem menor do que com uma equipe e estrutura próprias. As edtechs possibilitam cursos de aperfeiçoamento profissional realizados de forma rápida, por meio da internet em compu- tadores ou aparelhos móveis, que podem ser pagos ou gratuitos. 1.1 Aplicativos de comunicação para o trabalho remoto Com o surgimento dos dispositivos móveis, a comunicação ganhou um novo formato. Poderíamos dizer que foi uma espécie de “quarta onda”, que mudou tanto a maneira de comunicação quanto os negócios e a educação. O surgimento do app (aplicativo), software para dispositi- vos eletrônicos, foi o grande agente dessa mudança. É possível realizar infinitas tarefas por aplicativos, como usar a geolocalização, fazer pedi- do de comida, solicitar transporte, jogar, aprender, etc. [...] o celular é um meio de comunicação que possibilita usos que envolvem uma rede conectada por meio da internet móvel, na qual cada pessoa pode se comunicar com outras, além de captar, aces- sar, publicar, compartilhar e difundir informações. [...] Em linhas gerais, existe uma correlação entre o desenvolvimento socioeco- nômico dos países e o acesso às tecnologias móveis por suas po- pulações. (SATO, 2017, pp. 44 e 76). Os aplicativos funcionam como apoio para a realização de tarefas pessoais e organizacionais e ajudam muito no trabalho a distância. Para realizar um trabalho remoto, é preciso ter espaço físico, que pode ser na residência, nos coworkings (espaços e recursos compartilhados e 106 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .networking), em cafés, em bibliotecas, entre outros. Além do local, tam- bém é necessária uma infraestrutura que inclui gadgets (dispositivos eletrônicos portáteis, como laptop, tablet, smartphone, smartwatches, e-readers, video games, etc.), móveis, rede Wi-Fi ou internet via cabo na residência e nos espaços de coworking. Aplicativos são programas de software presentes em celulares An- droid, iPhone (iOS) e em outros diversos dispositivos inteligentes, como smart TVs. Os apps podem ser gratuitos ou pagos e desem- penham diversas funções: mensageiros on-line, streaming, geren- ciadores, editores de fotos e vídeos, etc. Alguns já vêm instalados de fábrica, enquanto outros podem ser obtidos na Apple Store ou na Play Store. (DÂMASO, 2019). Quando o profissional tem um contrato de trabalho com carga horá- ria obrigatória e metas específicas, há a necessidade da gestão remota desse trabalho. De acordo com o blog DocuSign (2018), sete ferramen- tas são necessárias para isso: • Gestão de projetos – softwares que monitoram os prazos esti- pulados para cada colaborador, agrupados por tipo de projeto. Mostra quem está executando cada parte do trabalho e adverte para os atrasos que atrapalhem a sequência das tarefas por ou- tras pessoas. • Compartilhamento de documentos em nuvem – são “espaços” na web alugados para guardar e compartilhar documentos. • Delegação de tarefas – são softwares para a delegação e o moni- toramento de tarefas. • Gestão de compromissos – soluções que ajudem o profissional na gestão de suas tarefas e prazos. • Monitoramento de tempo – para gerir remotamente as horas tra- balhadas dos profissionais contratados. 107Comunicação no trabalho remoto e segurança da informação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Assinatura eletrônica – software com validação jurídica para a as- sinatura de documentos eletronicamente. • Comunicação via internet – são aplicativos VoIP (voz sobre protocolo de internet) para videoconferências e mensagens instantâneas. Durante uma pandemia, em que se exige o distanciamento social, as pessoas devem usar espaços residenciais para o trabalho, e as fer- ramentas apresentadas são fundamentais para as empresas gerirem o trabalho remoto. 1.2 Etiqueta digital A internet trouxe, além da possibilidade de trabalho remoto, a pos- tagem de vários tipos de conteúdo pagos ou gratuitos. Podemos com- partilhar ideias, interesses e conhecimento de forma abrangente e massificada. Nesse contexto, é preciso ter cuidado com a maneira de se expressar para não ferir moralmente ninguém. Postagens precon- ceituosas e interesseiras causam muitos prejuízos pessoais, sociais e econômicos, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas. É preciso ter ética ao responder posts e visitar sites ou redes sociais de colegas, familiares, organizações ou pessoas desconhecidas a que te- nhamos acesso. O mesmo deve acontecer com as nossas postagens. A etiqueta social é saber se portar educadamente perante outras pessoas. Na internet, também existe a etiqueta digital. A etiqueta digital aparece quando pensamos no outro e considera- mos diversas perspectivas sobre um mesmo assunto, ou seja, dife- rentes compreensões de mundo. A partir dessa prática, passamos a defender as nossas opiniões com civilidade, respeito e argumen- tação, não com radicalismo, intransigência ou fanatismo [...] trata-se da reflexão antes que qualquer conteúdo seja publicado na internet. Nada além do bom senso – criticidade necessária para conduzir ações e reações respeitosas, íntegras e coerentes. (NOGUEIRA, 2019) 108 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .De acordo com a Declaração universal dos direitos humanos, da ONU, “todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e de expressão; esse direitoinclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de pro- curar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”. Isso pode ser positivo ou negativo, dependendo do grau de educação do indivíduo, o que não significa nível de formação, mas a consciência de que vivemos em sociedade e deve- mos respeitar o outro. Essa falta de senso comunitário atrapalha o cres- cimento social e faz o poder público criar leis para que as pessoas sejam punidas por não cumprir uma atitude que deveria ser “natural”, apren- dida desde o nascimento por meio dos grupos de referência (família, religião, clubes, escola, amigos, etc.). A liberdade de opinião e expressão fica limitada e questionável diante da lei, e isso se torna um paradoxo. A internet intensificou a liberdade de expressão e abriu muitas por- tas para o acesso à informação e ao conhecimento, mas temos que ter cuidado com a veracidade dessas informações e por isso buscamos respaldo em autores conhecidos. Já poderíamos ter evoluído nesse as- pecto se todas as pessoas que usam a internet de fato aplicassem a etiqueta digital. Tim O’Reilly, em 2005 (apud Gabriel, 2018, p. 27), classificou a evolu- ção da web em 1.0 (estática), 2.0 (participativa) e 3.0 (semântica). Isso não se trata de mudanças técnicas, mas de comportamento das pesso- as na rede. Segundo Gabriel (2018), estamos evoluindo para a web 3.0, que favorece um cenário computacional colaborativo em que pessoas, animais, objetos, lugares ou virtualmente “qualquer coisa” poderá ser parte da internet [...] para gerar resultados semânticos, com sentido e significado para os auxiliar a solucionar problemas – encontrar a melhor rota para o aeroporto, traduzir um texto, escolher a melhor foto para um perfil de mídias sociais, nos aconselhar sobre qual o melhor período de plantio, etc. (GABRIEL, 2018, p. 27-28) 109Comunicação no trabalho remoto e segurança da informação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Já poderíamos estar na web 4.0, denominada por Philip Kotler, consi- derado o “pai do marketing”, como a “web colaborativa”. Contudo, ainda precisamos ter e utilizar muita etiqueta digital para evitar a proliferação de notícias mentirosas e interesseiras, as fake news, e melhorar a qualidade dos conteúdos postados, que seriam feitos com foco na qualidade de vida da humanidade e na ajuda às organizações para a tomada de decisão. PARA PENSAR O documentário O dilema das redes, disponível na Netflix, é uma fonte de conhecimento sobre o uso da inteligência artificial para coletar nossos dados pessoais de preferências e comportamento na internet visando vender produtos e serviços de forma “personalizada” e invasiva. 2 Segurança da informação A informação “vale ouro” nesta época e as organizações têm que ga- rantir aos seus clientes confidencialidade, integridade e disponibilidade. Por exemplo, queremos ter acesso às nossas informações bancárias 24 horas por dia pela internet, a garantia de que ninguém mais tenha acesso a elas além de nós e que o banco seja íntegro ao cobrar taxas, ou seja, queremos que a instituição bancária garanta a segurança dos nossos dados e informações e seja transparente nas suas ações. No setor público, por exemplo, quem declara imposto de renda anualmen- te fornece muitas informações sigilosas, enviadas digitalmente para a Receita Federal, e não quer que nenhuma dessas informações vá parar em mãos erradas, que podem usá-las para benefício próprio. Temos uma quantidade de informações que circula na internet em abundância e a informação tornou-se o recurso mais importante para as organizações. 110 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .No ambiente corporativo, a informação é um recurso essencial para qualquer tipo de organização independente do tipo do seu mercado de atuação ou do seu porte econômico. Nenhuma orga- nização funciona sem a informação. Ela é um recurso utilizado por todos os níveis organizacionais: estratégico, tático e operacional. (FONTES, 2020, p. 21) Tamanha é a importância dessas informações, que se tornou ne- cessário tomar medidas de segurança para resguardá-las no ambien- te virtual (nuvem) e nos sistemas de dados das organizações. Vimos no capítulo anterior que propostas e contratos, tipos de documentos administrativos, já circulam por meio eletrônico. Se esses documen- tos forem violados, isso pode prejudicar fortemente a organização. Por exemplo, se uma proposta com preços e condições cair nas mãos da concorrência, poderá acontecer a perda do cliente, o que trará prejuízos financeiros. Para evitar a violação de dados e informações sigilosas, as empresas implantam programas para a segurança da informação. Segundo Fontes (2020, p. 23) “Segurança da informação é um pro- grama organizacional que tem por objetivo permitir e possibilitar que a organização alcance seus objetivos no que depende da informação e dos recursos de informação”. A organização que protege as informações de seus clientes tem uma possibilidade maior de atrair investidores e, consequentemente, de inovar e crescer, mantendo-se altamente competitiva no mercado. 2.1 Proteção de dados na rede corporativa e na nuvem Para Fontes (2020, p. 31), a informação torna-se confiável quando garantimos sua confidencialidade, integridade, autenticidade, legalida- de e auditabilidade. A confidencialidade assegura que somente pessoas autorizadas acessem as informações que necessitam para suas funções organiza- cionais e por meio de identificação e senha. A integridade garante que 111Comunicação no trabalho remoto e segurança da informação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. as informações não sejam corrompidas. A disponibilidade permite que os usuários acessem as informações necessárias para o desenvolvi- mento de seu trabalho sempre que precisarem. A autenticidade permite que os usuários tenham acesso a informações sigilosas somente com identificação e permissão para assuntos da competência de seu cargo. A legalidade garante que a organização disponibilize as informações de seus clientes somente por necessidade jurídica, de saúde ou sanitária, mediante solicitação formal dos órgãos competentes. E a auditabilida- de é a auditoria de todo o trajeto da informação dentro dos meios digi- tais da organização por usuário. Fontes (2020, p. 26) apresenta, ainda, três elementos que considera fundamentais para um programa de segurança da informação, confor- me mostra a figura 2. Figura 2 – Elementos do programa organizacional de segurança da informação Programa organizacional de segurança da informação Governança da segurança da informação Riscos da segurança da informação Gestão da segurança da informação Fonte: adaptado de Fontes (2020, p. 26). A governança da segurança da informação é responsável por estabe- lecer as diretrizes e administrar os resultados estratégicos do programa de segurança da informação. A alta liderança da organização faz o ge- renciamento de riscos e o gestor do setor de tecnologia da informação 112 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed eSe na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .define as ferramentas necessárias para implantação, execução e mo- nitoramento dos programas de segurança de banco de dados, compu- tadores, provedores e servidores, de contra-ataques de hackers, da pro- teção das informações disponibilizadas nas nuvens e da prevenção de acessos não autorizados a informações sigilosas. Com base na Cartilha de segurança para internet do Centro de Estudos, Respostas e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.BR, 2012), dentre as ferramentas básicas utilizadas para contro- lar o acesso indevido às informações organizacionais estão: • Softwares antivírus, que bloqueiam ameaças externas que ten- tem acessar informações da organização ou implantar malwares (programas maliciosos), que invadem, infectam e roubam dados do sistema da empresa. • Firewalls, que são softwares que têm a função de bloquear o acesso a conteúdos maliciosos durante a navegação na internet. O contro- le de acesso e o monitoramento do tráfego dos colaboradores tam- bém são feitos por softwares desenvolvidos para essas funções. • Criptografia, que são softwares que utilizam técnicas que cifram in- formações, dados e senhas de acesso, usando algarismos e/ou códi- gos para torná-los ininteligíveis. Todo tráfego de rede das informações sigilosas de uma organização pode ser protegido por criptografia. • Protocolos de segurança, que são requisitos de segurança cripto- grafados para a navegação em rede que utilizam certificados digi- tais para garantir a confidencialidade, aplicando os cinco objetivos de funcionamento, que são confidencialidade, integridade, autenti- cidade, legalidade e auditabilidade e protocolos (regras de conduta). A organização pode contratar terceiros ou desenvolver por conta própria softwares que contemplem uma ou mais soluções para a segurança da informação, dependendo de seu tamanho e de sua capacidade financeira. 113Comunicação no trabalho remoto e segurança da informação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 2.1.1 Boas práticas para a proteção de dados A organização pode estabelecer uma política de boas práticas para a segurança da informação, a conservação da infraestrutura de tecno- logia da informação (TI) e a navegação na web, que criem uma cultura interna de prevenção de riscos e danos. As boas práticas podem ser implantadas sem a necessidade de uma norma ou metodologia certificadora. A única diferença é que os selos de certificação para a organização e os profissionais são requisitos essen- ciais para a participação na maior parte das concorrências de prestação de serviços em organizações multinacionais. Dentre as metodologias e normas de boas práticas utilizadas para a segurança da informação estão: • As normas ABNT NBR ISO/IEC 27002 e 27001, que fornecem dire- trizes básicas para a implantação de boas práticas para a gestão da segurança da informação. • A Certified Ethical Hacker (CEH), certificação para comprovar ha- bilidades técnicas para profissionais que analisam vulnerabilida- des em sistemas e infraestruturas de TI. • A Certified Information System Security Professional (CISSP), que é uma certificação rigorosa para profissionais experientes na área de segurança da informação que tenham no mínimo 5 anos de prática. • A metodologia Common Objectives for Information and Related Technology (Cobit), que é baseada em estruturas de controles para a governança de tecnologia da informação. • A metodologia Information Technology Infrastructure Library (ITIL), cujo objetivo é estabelecer práticas na entrega dos serviços de tecnologia da informação com qualidade. 114 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . • A lei Sarbanes-Oxley (SOx), que regula as ações de negociações das organizações de capital aberto para que não ocorram mani- pulações financeiras que causem a perda de acionistas. • O Certified Information Security Manager (CISM), que certifica o profissional para o gerenciamento e o controle da segurança da informação no nível corporativo. O órgão internacional que controla e monitora a certificação na área de TI é a Information Systems Audit and Control Association (Isaca), ou Associação de Auditoria e Controle de Sistemas de Informação. Essas boas práticas não são obrigatórias nas organizações. As ações que elas contemplam fazem parte de uma série de práticas de várias ins- tituições que trouxeram ótimos resultados. Por meio do benchmarking, que é o levantamento das melhores práticas do mercado, formaram-se organizações para criar padrões em forma de metodologias e selos para qualificar as organizações que implementam essas práticas. 2.2 Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) A Lei Geral de Proteção de Dados brasileira (LGPD) tem como objetivo principal proporcionar segurança e transparência para as relações entre usuários e organizações que lidem com os dados pessoais desses usuá- rios, principalmente crianças e adolescentes, além de dar autonomia aos clientes para pedir a exclusão de seus dados das bases de organizações que forneçam crédito, bens e serviços e tenham dados profissionais. A LGPD, lei no 13.709, foi promulgada em 14 de agosto de 2018 e entrou em vigor com todos os seus artigos 24 meses depois de sua criação, ou seja, dia 14 de agosto de 2020. Porém, as punições entrarão em vigor em 14 de agosto de 2021, o que dá o prazo de um ano para as organizações se adaptarem. 115Comunicação no trabalho remoto e segurança da informação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A lei possibilita a aplicação de sanções, que podem ser advertências ou multas, calculadas em até 2% do faturamento das organizações que não protegerem os dados pessoais de seus clientes, principalmente de crianças e adolescentes, não importando se estão localizadas no Brasil ou no exterior, desde que sejam brasileiras. Algumas exceções são per- mitidas se forem para cumprir obrigações legais na área da saúde ou sanitária, se não afetarem os direitos fundamentais do cidadão. Qualquer tipo de tratamento com os dados dos clientes precisa ter autorização prévia deles. Para fiscalizar o cumprimento das exigências da lei, existe a Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANPD) e os agentes de tratamento de dados que atuam dentro das organizações, que são: • controlador, que decide sobre o tratamento dos dados; • operador, que realiza o tratamento dos dados; e • encarregado, que interage com os cidadãos e as autoridades nacionais. Além disso, as organizações que gerirem bases de dados pessoais de clientes deverão administrar riscos e falhas e adotar as medidas a seguir: • Estabelecer normas de governança corporativa – garantir que um padrão de gestão transparente seja praticado pela organização e que seja documentado. • Adotar medidas preventivas de segurança de dados – criar con- troles de acesso de usuário com senha, por nível hierárquico e de necessidade para o cargo, além de garantir que o percurso feito para a consulta de dados confidenciais de clientes sejarastreável. • Replicar boas práticas e certificações no mercado – manter o mercado atualizado sobre as ações que gerem bons resultados na organização e informar as atualizações feitas na qualificação 116 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .de setores e profissionais que possam trazer mais visibilidade para a instituição e, consequentemente, seus stakeholders. • Elaborar planos de contingência – são ações preventivas de cri- ses que afetem tanto a organização como o mercado. • Fazer auditorias – periodicamente verificar se as normas e os pa- drões estabelecidos estão sendo cumpridos pelos colaboradores de todos os níveis hierárquicos. • Ter agilidade na resolução de incidentes com os dados pessoais – criar ações preventivas para o caso de perda de dados, por exemplo, fazendo backups e mantendo-os em locais seguros. As instituições financeiras comerciais mantêm servidores de dados em várias regiões diferentes para que, caso haja incidentes em um local, possa acionar o outro. Considerações finais Neste capítulo, aprendemos sobre a comunicação no trabalho re- moto e a segurança da informação por meio do uso de aplicativos, softwares e metodologias para melhores práticas na execução das ta- refas, adaptando-se ao momento social e global e buscando sempre atingir os melhores resultados. Sabemos que a internet e os dispositivos móveis nos possibilitaram uma maior liberdade de expressão, acesso ilimitado a informações, co- nhecimento, lazer e entretenimento. No entanto, todo direito traz consi- go obrigações, que poderíamos resumir nas práticas da etiqueta digital, que presume que, desde o nosso nascimento, somos dignos de respeito e devemos respeitar os outros, expondo nossas opiniões de maneira educada, sem usar informações das pessoas e organizações de forma errada ou abusar do poder. No fim, toda forma de lei e controle estabele- cida indica que a etiqueta digital não está sendo cumprida. 117Comunicação no trabalho remoto e segurança da informação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Referências ALMEIRA, Rhanna Ellen Silva; BRASIL, Rhannah Santos; NOGUEIRA, Ursulla dos Anjos. Novas carreiras em contraste com formas de trabalho tradicionais: home office e freelancer. Revista C@LEA, n. 6, dez. 2017, p. 21-46. Disponível em: http://periodicos.uesc.br/index.php/calea/article/view/1552. Acesso em: 8 jan. 2021. BLUM, Renato Opice (org.). Proteção de dados: desafios e soluções na adequa- ção à lei. Rio de Janeiro: Forense, 2020. BRASIL. Presidência da República. Secretaria-Geral. Lei no 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). 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Rio de Janeiro: Record, 1981. 119 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 8 Comunicação em organizações públicas Neste capítulo, estudaremos a comunicação em organizações pú- blicas, analisando o papel da União e do Estado na divulgação dos pro- gramas públicos, o marketing político e as leis de acesso à informação e transparência que possibilitam à sociedade o acesso às ações do governo e ao uso feito do dinheiro público, por meio da internet. Além disso, serão vistas mais algumas ações que tentam aproximar a popu- lação do poder público e propiciar uma gestão compartilhada. Nesse sentido, propomos a seguinte reflexão do jornalista Jorge Duarte. O cidadão parece considerar os governos como algo não relacio- nado à sua vida e torna-se um tanto cínico com relação à política e à capacidade dos governantes de buscar o interesse público. Mais do que simples desinteresse do indivíduo em ser sujeito da ação, 120 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .muitas vezes a apatia e a falta de formação política são resultado do cruzamento entre desinformação, falta de oportunidades de par- ticipação e descrédito com a gestão pública. (DUARTE, 2007, p. 1) A gestão pública de um país democrático, como é o caso do Brasil, deve ser feita em conjunto com a sociedade, permitindosua participa- ção na decisão de projetos e abrindo canais para sugestões, reclama- ções e solicitações. 1 O papel da comunicação no setor público O setor público é formado por vários órgãos, pessoas e projetos praticados dentro dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), formando o que é denominado Estado. Tem o papel de administrar as atividades públicas, inclusive o espaço público, onde temos o direito de permanecer e circular livremente, respeitando as leis, uma vez que “a política é a atividade de governar as situações sociais, sua gestão e con- trole” (DIAS, 2017, p. 3). O papel da comunicação no setor público é manter a sociedade in- formada de todos os seus direitos e de como é usado o dinheiro público, tendo por norte a transparência em todos os canais de comunicação e clareza sobre o que informa, estimulando a participação, o monitora- mento e o feedback das ações realizadas pelo Estado em seus projetos de políticas públicas. Para criarem e implantarem políticas públicas para melhorar o am- biente de convivência social, os políticos propõem projetos que são de- batidos em vários órgãos a fim de concluir se são viáveis ou não e então virarem políticas públicas. Nesse sentido, o “projeto é a proposta de ati- vidade com o objetivo de criar, inovar, orientar ou melhorar determinado setor ou atividade de trabalho” (LUIZARI, 2014, p. 140). Além de adminis- trar, os políticos precisam criar os mecanismos para prestar contas do 121Comunicação em organizações públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. uso do dinheiro público, ou seja, todo aquele recurso que é recolhido do povo pelo pagamento de impostos. O mundo é cada vez mais uma aldeia global onde todos influen- ciam tudo e são influenciados, por sua vez, por tudo que ocorre [...], criando uma rede de relações sociais que afetam [...] todos os aspectos da vida humana: cultura, lazer, entretenimento, tecnolo- gia, etc. [...] onde o ser humano encontra-se imerso na busca da satisfação de suas necessidades. A atividade política tem o papel de orientar, integrar, atribuir papéis, recompensas e resolver confli- tos para que essas relações sociais funcionem adequadamente. E para isso são elaboradas políticas públicas e estratégias para sua implementação, execução de programas e projetos, monito- ramento e avaliação dos resultados. [...] Podemos entender política pública como um instrumento de trabalho utilizado pelo Estado, de forma sistemática e coerente, com a qual se pretende alcançar determinados objetivos que são de interesse comum de toda a so- ciedade civil. (DIAS, 2017, pp. 2 e 108) Assim, fica claro que oferecer à sociedade serviços públicos de qua- lidade é um dever do Estado. Esses serviços permitem que os cidadãos tenham acesso a aspectos básicos da vida em sociedade como edu- cação, transporte, moradia, segurança, saneamento, saúde, etc. Cabe ainda ao Estado criar meios “reais” para que a sociedade participe da vida pública e usufrua de todos os produtos e serviços a que tem di- reito natural e que muitas vezes desconhece. Sendo assim, os órgãos públicos precisam encontrar mecanismos de divulgação que façam a comunidade se interessar em participar da administração pública. É aí que entra o programa denominado comunicação pública (CP), que, no Brasil, só se estabeleceu após o fim do período da Ditadura em janeiro de 1985, quando foi retomada a democracia no país. A CP é feita por meio da criação de canais abertos para informação, diálogo e feedback entre os órgãos públicos e a população, os quais podem ser portais de transparência, aplicativos, conselhos, controladorias, abertura de dados e demais formas de prestar contas, bem como promover a participação da sociedade. 122 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . 2 Comunicação de programas públicos Ninguém vai procurar um serviço público se não sabe que ele existe. Parece óbvio falar isso, mas é o que acontece em um país com pou co acesso à cultura e à educação e as pessoas não sabem de seus direitos básicos. Cabe ao poder público criar canais para resolver essa questão e estimular a participação de todos para que expressem o que esperam das decisões e políticas públicas, além de proporcionar transparência das informações e acesso e abertura para a participação da sociedade nas decisões. Assim, prestar contas do que faz e se responsabilizar pelo que faz deve sempre ser pautado por transparência, participação, aber- tura de dados, accountability, inovação e tecnologia. Segundo Silveira (2020) para o site do G1, “quase 46 milhões de bra- sileiros ainda não tinham acesso à internet em 2018”. Então, além do uso da tecnologia, o governo precisa dar abertura à participação da so- ciedade por meio de audiências públicas, controladorias, ouvidorias, ob- servatórios de dados, redes de monitoramento, conferências e demais canais que permitam ao governo e à sociedade trabalharem juntos. Existem múltiplas formas de fortalecer a interlocução. Quanto maior a variedade, a especificidade e a facilidade de acesso e uso dos instrumentos de CP pelos diferentes interessados, mais forta- lecida a cidadania. Para garantir o sucesso do empreendimento, a comunicação deve, necessariamente, ser assumida com visão glo- bal, papel estratégico, planejamento, ação integrada e visão de lon- go prazo. É obrigação dos agentes públicos, em particular dos pro- fissionais de comunicação, encontrar as maneiras adequadas de fazer a informação circular e chegar aos interessados. (DUARTE, 2007, p. 5) Quando o setor público é transparente com a sociedade e coloca em prática formas legítimas de interação e prestação de contas, ele gera maior confiança e permite a participação de vários atores (cidadãos, 123Comunicação em organizações públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. órgãos públicos, organizações, etc.), diminui espaço para a corrupção, realiza políticas públicas mais efetivas e possibilita questionamentos e melhorias, o que é um real avanço para a democracia. A imprensa cria espaços de debates propiciando a formação de opi- nião da população mais fortemente antes das campanhas eleitorais, e o marketing político se encarrega disso. Contudo, a publicidade deve acontecer a todo momento e por meio de canais de comunicação que facilitem a participação da sociedade, o que deveria ser um trabalho constante na agenda dos governantes. A comunicação pública diz respeito à interação e ao fluxo de in- formação relacionados a temas de interesse coletivo. O campo da comunicação pública inclui tudo que diga respeito ao aparato esta- tal, às ações governamentais, aos partidos políticos, ao terceiro se- tor e, em certas circunstâncias, às ações privadas. A existência de recursos públicos ou interesse público caracteriza a necessidade de atendimento às exigências da comunicação pública. (DUARTE, 2007, p. 3) As redes sociais permitem uma maior ligação entre os agentes pú- blicos, os grupos de interesse e os cidadãos, pois têm sido um meio de comunicação que atrai a população em massa, visto que a comunica- ção móvel feita por smartphones cresce vertiginosamente. Sociedades democráticas como a brasileira exigem refinamento nas estratégias comunicativase diversidade de instrumentos, pro- cessos e agentes; que a transparência e o compromisso com o cidadão sejam pré-requisitos; que os públicos tenham respeitada sua heterogeneidade; e que não seja subestimada a capacidade de interesse e participação. [...] A comunicação diz respeito à criação de formas de acesso e participação. [...] O estímulo à controvérsia, ao debate, ao confronto de opiniões, à consciência e ao exercício da cidadania é apenas parte da pedagogia que busca compreen- são, entendimento, satisfação e avanço no estabelecimento do in- teresse social. (DUARTE, 2007, p. 4-5) 124 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Ou seja, é necessário mapear os públicos de interesse e separar as ações por segmento (idosos, adolescentes, crianças, mulheres, ho- mens, etc.), definindo qual o melhor meio de comunicar. Para uma es- tratégia de alcance mais eficiente, podem ser utilizados muitos canais, além da televisão e das redes sociais, entre eles, boletins eletrônicos, malas diretas, fôlderes, folhetos, cartazes, guias, eventos, audiências públicas, oficinas de mobilização social, rádios comunitárias, mutirões, vídeos, filmes, agentes sociais e até os básicos, como central de aten- dimento ao cidadão e ouvidorias. Além desses, a divulgação dos pro- gramas públicos na mobilidade urbana (como em ônibus, metrô, trens, bancos de praças e parques) e em postos de saúde pode atingir muitos trabalhadores, o que é verdadeiramente a prática do marketing público. Por meio da comunicação pública, as campanhas e estratégias de marketing tornam-se conhecidas pelos cidadãos, podendo esses participarem até mesmo de sua construção por meio de feedbacks contínuos. Atualmente, a alta difusão de inúmeras redes sociais como, por exemplo, o Facebook, Instagram, Twitter e YouTube, entre inúmeras outras, permite que a comunicação pública circu- le entre seus diferentes públicos gerando feedbacks instantâneos. (MAIA, 2008a apud CEZAR, 2019, p. 20) Assim, para articular todas essas atividades/ações, é necessário ter uma rede de serviços especializados ligada ao poder público. Essa rede será a responsável por planejar, produzir as campanhas e publicar nos meios de maior relevância. Observe a estrutura de uma rede de marke- ting pública no organograma apresentado na figura 1. 125Comunicação em organizações públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 1 – Organograma do marketing público Marketing público Marketing de organizações e serviços públicos • Marketing institucional • Marketing de empresas, fundações e autarquias • Marketing de causas • Marketing turístico • Marketing de espaços urbanos e rurais • Marketing partidário • Marketing eleitoral • Marketing governamental Marketing social Marketing de lugares Marketing político Fonte: adaptado de Cezar (2019, p. 19). Os marketings de organizações e serviços públicos, social e de lu- gares se encaixam no pilar da comunicação institucional no fluxo da comunicação integrada que estudamos no capítulo 4. Eles são empre- gados para melhorar a imagem e a reputação dos órgãos públicos. O marketing político entra no pilar da comunicação mercadológica, no qual são utilizadas estratégias para destacar os atributos entre partidos, políticos, estados, municípios e União. Além disso, no marketing de organizações e serviços públicos, são divulgados os feitos dos órgãos públicos para melhorar a vida da socie- dade. No marketing social, são utilizadas causas específicas e pontuais para melhorar determinada situação de carência social. No marketing de lugares, são utilizadas localizações para valorizar a conservação do meio ambiente e divulgar programas públicos. Já o marketing político é utilizado principalmente perto das eleições para a mudança de poderes entre os governantes. Dentre os canais de divulgação de programas públicos, o Estado en- controu na internet um meio rápido e de fácil acesso para prestar con- tas à sociedade. Por isso, criou um programa de acesso à informação por meio da Lei de Acesso à Informação, como veremos a seguir. A internet, ao adquirir um papel para além do simples processo de informação dos seus públicos, traz à tona cidadãos mais ávidos por respostas para suas demandas (SORJ, 2006). A fluidez de in- 126 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .formações que a internet traz, principalmente por meio das redes sociais, permite criar um espaço público virtual no qual os cida- dãos são elevados dos seus postos de simples leitores de notícias para uma atuação mais ativa, participando de amplas discussões, debates, expressando suas opiniões e respondendo suas indigna- ções. (KUNSCH; FERNANDES, 1989 apud CEZAR, 2019, p. 20) 3 Lei de Acesso à Informação A Lei no 12.527, de 18 de novembro de 2011, conhecida como Lei de Acesso à Informação (LAI), traz em seu artigo 5o “É dever do Estado ga- rantir o direito de acesso à informação, que será franqueada mediante procedi mentos objetivos e ágeis, de forma transparente, clara e em lin- guagem de fácil compreensão” (BRASIL, 2011). Seu artigo 8 diz respeito à transparência ativa, ou seja, a disponibilização da informação sem a exigência de requerimento. Mas caso o cidadão não encontre alguma informação pública, pode solicitá-la e o órgão terá até 20 dias para dis- ponibilizá-la ou poderá sofrer sanções previstas na lei, além de correr o risco de poder ser caracterizado como má-fé. O acesso à informação é um direito do cidadão para que acesse to- das as informações públicas de alcance nacional. Ou seja, quaisquer notícias provenientes da União (Governo Federal), dos estados, dos municípios e do Distrito Federal, tanto do poder Executivo como do Legislativo e do Judiciário, inclusive entidades sem fins lucrativos que recebam dinheiro do poder público, conforme prevê a lei. Para o setor público, tem sido um processo gradual e de mudança cultural ter que informar todas as atividades que envolvem o uso do dinheiro público. 127Comunicação em organizações públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 2 – Quem tem que dar acesso às informações públicas? União EstadosDistrito Federal Municípios • Entidades sem fins lucrativos • Empresas privadas (somente da parte recebida do órgão público) Lei de Acesso à Informação No artigo 4o da lei (BRASIL, 2011), é apresentado um glossário com a explicação dos significados de alguns termos para que seu entendimen- to seja claro, conforme o quadro 1. Quadro 1 – Significados de alguns termos para o entendimento da Lei de Acesso à Informação INFORMAÇÃO Dados, processados ou não, que podem ser utilizados para a produção e a transmissão de conhecimento, contidos em qualquer meio, suporte ou formato. DOCUMENTO Unidade de registro de informações, qualquer que seja o suporte ou formato. INFORMAÇÃO PESSOAL Aquela relacionada à pessoanatural identificada ou identificável. INFORMAÇÃO SIGILOSA Aquela submetida temporariamente à restrição de acesso público em razão de sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado. TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO Conjunto de ações referentes à produção, recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, transporte, transmissão, distribuição, arquivamento, armazenamento, eliminação, avaliação, destinação ou controle da informação. DISPONIBILIDADE Qualidade da informação que pode ser conhecida e utilizada por indivíduos, equipamentos ou sistemas autorizados. AUTENTICIDADE Qualidade da informação que tenha sido produzida, expedida, recebida ou modificada por determinado indivíduo, equipamento ou sistema. INTEGRIDADE Qualidade da informação não modificada, inclusive quanto à origem, ao trânsito e ao destino. PRIMARIEDADE Qualidade da informação coletada na fonte, com o máximo de detalhamento possível, sem modificações. Fonte: adaptado de Brasil (2011). 128 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .Esses termos servem para que o cidadão tenha uma melhor inter- pretação do contexto em que são utilizados nos portais de acesso às informações públicas. O cidadão precisa saber o quanto paga de im- posto, onde e quando buscar uma vacina ou, ainda, como discutir as políticas públicas, conhecer as mudanças na legislação e como usufruir de seus direitos e expressar sua opinião. Enfim, ele precisa ser atendido, orientado, ter a possibilidade de falar e saber que prestam atenção ao que ele diz. Assim, é espantoso como a comunicação de muitas institui- ções ainda se limite a apenas informar. Para muitos, qualificar a comu- nicação ainda é aumentar o aparato tecnológico e o número de fontes de emissão da informação e investir em bombardeio de informações persuasivas, que só visam convencer sobre as qualidades da instituição em vez de mostrar seus feitos e cumprir as promessas de campanhas e propagandas. Parte disso tem origem na compreensão de comunica- ção como sinônimo de divulgação, na busca de convencimento. A Constituição de 1988, em seu artigo 37, estabelece a publicidade como um dos princípios da administração pública, e que ela deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social. Surpre- endentemente, entretanto, a amplitude do direito à comunicação muitas vezes é reduzida à tese de que o cidadão precisa ser infor- mado, assumindo-o como simples receptor e não reconhecendo sua capacidade de ser emissor, produtor de informações e agente ativo na interação. (DUARTE, 2007, p. 4) Esse relacionamento mais transparente, no que diz respeito à dispo- nibilização de dados em formatos abertos, começou a ser mais pauta- do no início dos anos 2000 e a ser praticado a partir de 2003 quando “a Public Sector Information Directive (PSI Directive), uma diretriz da União Europeia para a abertura de dados dos países membros, iniciou na re- gião a implementação da política de informação pública do setor pú- blico, concluída em 2013” (JANSSEN et al., 2015 apud MATHEUS et al., 2016, p. 3). Esse evento desencadeou uma série de ações pelo mundo e, no Brasil, também em 2003, foi criada a Controladoria-geral da União (CGU), encarregada de defender o patrimônio público e promover a 129Comunicação em organizações públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. transparência da gestão e a prevenção e o combate à corrupção. Pouco antes, em 2000, foi criada a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que foi complementada pela Lei Complementar no 131, de 2009. Em 2011, o Brasil entra na Open Government Partnership (OGP), ou parceria para governo aberto, com a participação de 70 países. Essa iniciativa interna- cional tem a proposta de que as entidades governamentais participan- tes assumam compromissos de transparência em relação aos dados públicos, que devem ser convertidos em planos de ação, com duração de três anos (BRASIL, 2021). Também em 2011, o Brasil criou a Lei de Acesso à Informação. 4 Lei da Transparência A Lei Complementar no 131, de 27 de maio de 2009, conhecida como Lei da Transparência, altera a redação da Lei de Responsabilidade Fiscal, Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, com relação à transpa- rência da gestão fiscal. O texto inova e determina que sejam disponíveis, em tempo real, informações detalhadas sobre a execução orçamentária e financeira da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. De acordo com a Confederação Nacional de Municípios (CNM), a di- ferença entre a Lei da Transparência (LC 131/2009) e a Lei de Acesso a Informação (Lei 12.527/2011) é: Ambas tratam dos direitos dos munícipes de saber o que está sen- do feito com o dinheiro público. A Lei da Transparência é uma Lei Complementar que altera a re- dação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) no que se refere à transparência da gestão fiscal. [...] Já a Lei Federal 12.527/2011, a Lei da Informação, regula o acesso a informações e dispõe sobre os procedimentos a serem observa- dos pela União, estados, Distrito Federal e municípios. Regulariza o 130 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .direito do cidadão em solicitar os documentos que tiver interesse sem justificar o pedido. (CNM, [s. d.]) Sobre a clareza e a disponibilidade dessas informações que podem ser acessadas, copiadas e transformadas, os dados precisam ser lidos pelo ser humano e por máquinas. Tim Berners-Lee (criador do world wide web e de protocolos de navegação para a internet virar pública) estabeleceu, em 2010, formas de classificar os dados disponibilizados pela transparência: “As cinco estrelas dos dados abertos”. São elas: • Uma estrela – arquivos para leitura, disponibilizados com licença aberta e legível ao humano, mas ilegível para as máquinas. Por exemplo, PDF. • Duas estrelas – arquivos em planilha eletrônica, disponibilizados com licença aberta e legível ao humano, mas ilegível para as má- quinas. Por exemplo, XLS. • Três estrelas – arquivos com licença aberta, estruturada e não proprietária. Por exemplo, CVS. • Quatro estrelas – arquivos em identificador uniforme de recursos (URI). Por exemplo, RDF. • Cinco estrelas – arquivos com dados estruturados e linkados para ser combinado com outros arquivos. Por exemplo, LOD. Os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal tiveram até 2013 para se adequarem à lei, que funciona como um mecanismo que dá à popu- lação a oportunidade de exercer seu poder de controle nos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário. Podem ser encontrados nos meios eletrônicos oficiais, por exemplo, o dinheiro que foi disponibilizado para cada estado, o que eles compraram, de quem e em qual quantidade; horários de transporte público e de plantões médicos; gastos com me- renda escolar; e quaisquer outros tipos de uso do dinheiro público. 131Comunicação em organizações públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham entodigital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. PARA SABER MAIS Acesse o site da CGU, responsável pela defesa do patrimônio públi- co, transparência e combate à corrupção. Nele, são encontradas to- das as informações sobre o uso do dinheiro público, os direitos dos cidadãos e os estados e municípios que aderiram à lei. 5 Dados abertos governamentais No portal da transparência da CGU, podem ser visualizados todos os gastos públicos federais e por estado, detalhadamente, como: benefícios ao cidadão, cartões de pagamento, contratos, convênios e outros acor- dos, despesas públicas, emendas parlamentares, imóveis funcionais, lici- tações, orçamento, pessoas físicas, pessoas jurídicas, receitas públicas, recursos transferidos, sanções, servidores públicos e viagens a serviço. Um exemplo de dado aberto do governo é o site do Cadastro, que mostra dados rurais de proprietários, como eles podem comprar pro- priedade ou posse, perímetro do imóvel, áreas de interesse social e pú- blico, localização de vegetação nativa, áreas de preservação, etc. Os dados abertos do governo precisam ser padronizados e atualiza- dos para conseguirem cumprir o papel de ser acessíveis, transparentes, claros, modificáveis e redistribuídos. E este é um desafio ainda presen- te: o de ter esses dados padronizados e atualizados. Por exemplo, se- gundo Natália Mazote, diretora-executiva da Open Knowledge Brasil, se forem buscados dados do censo agropecuário e de assentamento em dois órgãos diferentes e oficiais, como o IBGE e o INCRA, percebe-se que as metodologias são diferentes, o que exige um trabalho manual para cruzar os dados. Esse exemplo demonstra que fica a critério de cada órgão a criação de seu portal de transparência e os serviços e as informações contidas nele, desde que, no mínimo, seja feita a prestação de contas do dinheiro público utilizado. 132 Comunicação institucional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo .As informações que envolvam diplomacia e causem prejuízos a ou- tros países, segredos comerciais como know-how (diferencial no saber fazer), fórmulas de produtos, informações pessoais do cidadão, como renda, bens, etc. não são de acesso público, embora isso às vezes gere polêmica, dependendo da informação. Por exemplo, se ela pode servir para saber o uso social da terra e se há especulação imobiliária, no caso de dados do IPTU. Desse modo, conclui-se que ainda há muita discussão a ser feita so- bre abertura de dados versus privacidade. Considerações finais Percebemos que muitas mudanças foram feitas no país após o fim da Ditadura, mesmo que estejam acontecendo lenta e gradativamente. Com a globalização, a internet e os aparelhos eletrônicos móveis (gadgets), principalmente os smartphones e os tablets, a população participa cada vez mais da vida pública conhecendo e exigindo seus direitos, além de poder denunciar, nos canais midiáticos e redes sociais, os atos de corrupção nos setores públicos. Assim, quanto maior for a transparência e a publicação de dados governamentais, maior a possi- bilidade de fiscalização por parte da sociedade e, assim, de desenvolvi- mento da democracia. Logicamente que é um começo, já que ainda nem todos os cidadãos brasileiros estão conectados à internet. Porém, quem tem acesso pode atuar na cobrança de melhorias para essa parte da população ainda prejudicada de diversas formas, principalmente pela falta de conheci- mento de seus direitos básicos. E assim encerramos o último capítulo da nossa jornada pelos cami- nhos da comunicação institucional nas organizações. 133Comunicação em organizações públicas M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Referências BRASIL. Lei Complementar no 131, de 27 de maio de 2009. Acrescenta disposi- tivos à Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, que estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências [...]. Brasília, DF, 2009. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp131.htm. Acesso em: 16 jan. 2021. BRASIL. Lei no 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a in- formações previsto no inciso XXXIII do art. 5o, no inciso II do § 3o do art. 37 e no § 2o do art. 216 da Constituição Federal; [...]. Brasília, DF, 2011. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm. Acesso em: 16 jan. 2021. BRASIL. Senado Federal. Open Government Partnership – OGP. 2021. Disponível em: https://www25.senado.leg.br/web/atividade/sinfleg/relatorio-de-gestao/ saiba-mais-23#:~:text=Lan%C3%A7ada%20em%202011%2C%20a%20 Open,em%20rela%C3%A7%C3%A3o%20aos%20dados%20p%C3%BAblicos. Acesso em: 19 maio 2021. CEZAR, Layon Carlos. Comunicação e marketing no setor público: di- ferentes abordagens para a realidade brasileira. Brasília, DF: Enap, 2019. Disponível em: https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/4279/1/3_Livro_ Comunica%C3%A7%C3%A3o%20e%20Marketing%20no%20Setor%20 P%C3%BAblico%20diferentes%20abordagens%20para%20a%20realidade%20 brasileira.pdf. Acesso em: 24 set. 2020. 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Revista Eletrônica de Sistemas de Informação, v. 15, n. 2, maio-ago. 2016. SILVEIRA, Daniel. Em 2018, quase 46 milhões de brasileiros ainda não tinham acesso à internet, aponta IBGE. G1, 29 abr. 2020. Disponível em: https://g1. globo.com/economia/tecnologia/noticia/2020/04/29/em-2018-quase-46-mi- lhoes-de-brasileiros-ainda-nao-tinham-acesso-a-internet-aponta-ibge.ghtml. Acesso em: 19 fev. 2021. 137 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Sobre a autora Mara Dubugras Machado é publicitária e mestre em comunicação contemporânea. Possui MBA em gestão da qualidade em sistemas de informação. Em seus mais de 15 anos de atuação profissional, passou por diversos cargos que lhe trouxeram forte experiência nas áreas de marketing, relacionamento com clientes, logística e tecno- logias da informação e comunicação. Atuou em grandes empresas como OAB, Mills Equipamentos, Atento, Vasp e GOL e nas universida- des UAM, Unip, Senac, Etec, FAB, Unib, Fatef. Foi sócia-fundadora da Entice Eventos Corporativo. Atualmente, é microempreendedora em e-commerce, conteudista, escritora e docente universitária. COM_INS_ACE_01_2020 COM_INS_ACE_02_2020COM_INS_ACE_03_2020 COM_INS_ACE_04_2020 COM_INS_ACE_05_2020 COM_INS_ACE_06_2020 COM_INS_ACE_07_2020 COM_INS_ACE_08_2020