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1 CIÊNCIAS DO AMBIENTE CLÉLIO RODRIGO PAIVA RAFAEL EDUCAÇÃO A DISTÂNCIAFACULDADE ÚNICA 1 CIÊNCIAS DO AMBIENTE CLÉLIO RODRIGO PAIVA RAFAEL 1 Clélio Rodrigo Paiva Rafael Pós-Graduando em Building Information Model (BIM). Bacharel em Ciências e Tecnologia (2017) e Engenharia Civil (2019) pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Pós Júnior atuante do Movimento Empresa Júnior (MEJ) (2017-2019), exercendo cargo de assessor a membro da diretoria executiva. 2 CIÊNCIAS DO AMBIENTE 1° edição Ipatinga, MG Faculdade Única 2021 3 FACULDADE ÚNICA EDITORIAL Diretor Geral: Valdir Henrique Valério Diretor Executivo: William José Ferreira Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Cristiane Lelis dos Santos Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Gilvânia Barcelos Dias Teixeira Revisão Gramatical e Ortográfica: Izabel Cristina da Costa Revisão/Diagramação/Estruturação: Bruna Luiza Mendes Leite Carla Jordânia G. de Souza Guilherme Prado Salles Rubens Henrique L. de Oliveira Design: Aline de Paiva Alves Bárbara Carla Amorim O. Silva Élen Cristina Teixeira Oliveira Maria Luiza Filgueiras Taisser Gustavo Soares Duarte © 2021, Faculdade Única. Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autorização escrita do Editor NEaD – Núcleo de Educação a Distância FACULDADE ÚNICA Rua Salermo, 299 Anexo 03 – Bairro Bethânia – CEP: 35164-779 – Ipatinga/MG Tel (31) 2109 -2300 – 0800 724 2300 www.faculdadeunica.com.br 4 LEGENDA DE Ícones Trata-se dos conceitos, definições e informações importantes nas quais você precisa ficar atento. Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão do conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para determinado trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, mostradas a seguir: São opções de links de vídeos, artigos, sites ou livros da biblioteca virtual, relacionados ao conteúdo apresentado no livro. Espaço para reflexão sobre questões citadas em cada unidade, associando-os a suas ações. Atividades de multipla escolha para ajudar na fixação dos conteúdos abordados no livro. Apresentação dos significados de um determinado termo ou palavras mostradas no decorrer do livro. FIQUE ATENTO BUSQUE POR MAIS VAMOS PENSAR? FIXANDO O CONTEÚDO GLOSSÁRIO 5 SUMÁRIO UNIDADE 1 UNIDADE 2 UNIDADE 3 1.1 Introdução ao Meio Ambiente ............................................................................................................................................8 1.2 Ecologia e Ecossistemas ........................................................................................................................................................11 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................................................................................20 2.1 Ciclos Bioquímicos ...................................................................................................................................................................24 2.2 Recursos Renováveis ..............................................................................................................................................................31 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................................................................................34 3.1 Impacto das atividades humanas no ambiente ................................................................................................38 3.2 Degradação Ambiental e os problemas sociais .................................................................................................39 3.3 Características evolutivas dos ecossistemas humanos ................................................................................42 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................................................................................45 MEIO AMBIENTE CICLOS E RECURSOS NATURAIS NATUREZA E RELAÇÕES SOCIAIS UNIDADE 4 4.1 Introdução aos Recursos Energéticos .......................................................................................................................50 4.2 Recursos Energéticos Renováveis ...............................................................................................................................58 4.3 Recursos Energéticos Não Renováveis ....................................................................................................................62 FIXANDO O CONTEÚDO .............................................................................................................................................................65 RECURSOS ENERGÉTICOS UNIDADE 5 IMPORTANTES CONCEITOS DA CIÊNCIA AMBIENTAL 5.1 Desenvolvimento Sustentável .........................................................................................................................................69 5.2 Gestão Ambiental ....................................................................................................................................................................72 FIXANDO O CONTEÚDO .............................................................................................................................................................77 UNIDADE 6 SAÚDE PREVENTIVA E LEGISLAÇÃO 6.1 Saúde Preventiva ......................................................................................................................................................................82 6.2 Política Ambiental ..................................................................................................................................................................86 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................................................................................89 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO ....................................................................................................................93 REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................................................................94 6 UNIDADE 1 Nesta unidade você irá aprender os conceitos e processos a res-peito dos aspectos básicos que regem a vida em nosso planeta. Serão abordados desde meio ambiente e fundamentos ecológicos até estruturas e funcionamento dos ecossistemas. UNIDADE 2 Recursos provenientes da natureza. Esta será a temática aborda¬da neste capítulo. Será mostrado como funciona a reciclagem de elementos naturais no meio ambiente e como são classificados os recursos ofertados pela natureza, bem como suas características. UNIDADE 3 Nesta unidade introduziremos o homem como autor principal das alterações do meio ambiente natural. Discutiremos os impactos das atividades humanas e as relações socioambientais.UNIDADE 4 Os recursos energéticos naturais são fontes renováveis e não renováveis de energia. Discutiremos nesta unidade quais os principais usos destes recursos e quais seus impactos no meio ambiente. UNIDADE 5 Este capítulo trata do desenvolvimento humano e sustentável, da gestão ambiental e das importâncias destes conceitos para a redução dos impactos ambientais. UNIDADE 6 Saúde e meio ambiente estão totalmente interligados. Nossa última unidade trará uma discussão de como o meio ambiente influencia na saúde de uma população e quais os meios legais são utilizados para proteger o meio ambiente. C O N FI R A N O L IV R O 7 MEIO AMBIENTE UNIDADE 01 8 1.1 INTRODUÇÃO AO MEIO AMBIENTE Por quantas vezes você já deve ter ouvido falar sobre meio ambiente? Por quantas vezes você viu na televisão, na internet ou em outros locais alguma coisa referente a esse tema? Mas de fato, o que será que é meio ambiente? Muito se fala que é a natureza, outros dizem ser tudo que está no nosso planeta ou o local onde vivemos. O Art. 3°, paragráfo I da Lei no. 6.938 (1981), descreve que “[...] meio ambiente é o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. Definir meio ambiente não é tão difícil, porém, existem fatores que se quer observamos ou percebemos e que devem ser relacionados. Ao olharmos para a Figura 1, rapidamente, conseguimos associar a paisagem ao meio ambiente, onde vemos a natureza, os animais, as plantas e o ar puro. Figura 1: Meio ambiente natural Fonte: Disponível em: https://bit.ly/2SMtIxm. Acesso: 05 mar. 2021. É comum dizermos que essa imagem (Figura 1) se trata de uma definição do que é meio ambiente, porém, para os profissionais que escolhem a carreira na área ambiental é preciso conhecer muitos mais do que o que se vê no primeiro momento. É necessário enxergar além do que está visível na imagem, na paisagem, na natureza. Existem outros fatores de grande importância para a composição am-biental como a luminosidade, o clima, o habitat, a água, sem falar nas relações ecológicas que existem entre os organismos e as interações artificiais criadas pelo homem. Quando vemos uma abelha, muitas vezes não conseguimos enxergar os fatores que influenciam a sua sobrevivência e, assim, os serviços ambientais prestados por um organismo tão pequeno (Figura 2). Figura 2: Abelha promovendo a polinização Fonte: Disponível em https://bit.ly/3vDeuJQ. Acesso em: 05 mar. 2021. https://bit.ly/2SMtIxm https://bit.ly/3vDeuJQ 9 O meio ambiente não é formado exclusivamente de elementos bióticos naturais como a fau- na e a flora, por exemplo. Mas abrange também fatores artificiais, não vivos, oriundos da necessidade do homem, como a água que bebemos e o ar que respiramos e expressões po- pulacionais tais como os mais diversos tipos de construções. FIQUE ATENTO Nesse caso, as abelhas são parte de um meio ambiente e que precisa de muitos fatores e interações para realizar seus serviços ambientais. As abelhas necessitam do néctar das plantas para produzir o seu alimento, enquanto muitas plantas são polinizadas quando as abelhas visitam outras flores, deixando o pólen. Acabamos de ver dois belos exemplos de meio ambiente, e suas interações concordam? Mas se agora olharmos para a Figura 3, você consegue associar a imagem à ideia de meio ambiente? Figura 3: Meio ambiente urbano Fonte: Disponível em https://bit.ly/2TwlDxt. Acesso em: 05 mar. 2021. Essa imagem (Figura 3) evidencia prédios e ruas e se trata de mais um exemplo de meio ambiente, resultante da manifestação humana e suas necessidades, bem como suas expressões culturais e de trabalho. Você consegue agora perceber que o conceito geral de meio ambiente vai além dos elementos naturais e daquilo que nós podemos ver? Que existem outros fatores significativos para caracterizar e classificar o meio ambiente, seja de forma natural, artificial ou cultural? Uma vez compreendida a amplitude do conceito geral de meio ambiente, finalizaremos esse tópico trazendo definições sucintas quanto a essas classificações de acordo com aspectos físicos, metafísicos e populacionais. Stein et al., (2018) classifica o meio ambiente natural de uma determinada região como o conjunto formado por componentes físicos, sendo eles o ar, a água e o solo e integrantes populacionais constituídos pela fauna e flora. No Brasil a tutela do ambiente natural se dá a partir da Constituição Federal que em seu artigo 225, parágrafo 1°, cita que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente https://bit.ly/2TwlDxt 10 equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qua-lidade de vida, impondo- se ao poder público e à coletividade o dever de defende-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (BRASIL, 1988). A parcela formada pela parte não viva de origem antropogênica do meio ambiente, denominada de meio ambiente artificial, são espaços urbanos construídos, seja na cidade ou campo, em que podem constituir-se de espaços urbanos fechados, formados por conjuntos de edificações, bem como espaços urbanos abertos formados por equipamentos públicos, como ruas e praças (FIORILLO, 2013). O meio ambiente artificial recebe tratamento não apenas no artigo 225 da Constituição Federal, que aborda especificamente o Meio Ambiente, mas também nos artigos 21, inciso XX e no artigo 182 ao iniciar o capítulo relacionado à Política Urbana (BRASIL, 1988). Já sabemos que o meio ambiente não se restringe aos ambientes físico e biológico. Nessa percepção introduziremos o conceito de meio ambiente a parcela referente a manifestações do homem como civilização, em que chamaremos de meio ambiente cultural. Segundo Robrahn-González (2013) o meio ambiente cultural é o resultado da somatória do ambiente físico e expressões culturais, ou seja, a composição do ambiente geológico, geomorfológico, hidrológico, fauna e flora a paisagens construídas por diferentes povos que se desenvolveram numa região ao longo do tempo. Para o autor o resultado desse somatório representa bases para uma estruturação socioeconômica e ritual ao ambiente físico. Logo, cultura e ambiente compõem processos socionaturais formados pelo conjunto de manifestações físicas e culturais de uma paisagem sendo, dessa maneira, indissociáveis. No Brasil, a proteção do meio ambiente cultural está resguardada, especificamente, pelo artigo 216 da Constituição Federal (1988) ao citar que: [...] constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira. Por fim, definiremos o meio ambiente do trabalho, que nada mais é do que o ambiente em que as pessoas exercem suas atividades como trabalhador, sejam elas remuneradas ou não, “cujo equilíbrio está baseado na salubridade do meio e na ausência de agentes que comprometam a incolumidade físico-psíquica dos trabalhadores, independentemente da condição que ostentem” (FIORILLO, 2013, p. 53). O meio ambiente do trabalho também está cuidado pela Constituição Federal nos artigos 225 e 200. No dia 05 de junho é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. A criação dessa data foi inspirada na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Huma- no, que aconteceu em 1972 na Suécia, na cidade de Estocolmo. Veja mais a respeito da conferência de Estocolmo em: https://bit.ly/3fX6DA9. Acesso em: 05 mar. 2021. FIQUE ATENTO https://bit.ly/3fX6DA9 11 1.2 ECOLOGIA E ECOSSISTEMAS Pensamentos ecológicos estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano. Mas não é de hoje que o homem estuda as relações dos seres vivos e meio ambiente. Essa prática vem sendo aperfeiçoada desde os primórdios quando civilizações utilizavam métodos ecológicos para combater as pragas que atacavam suas lavouras. Um dos pontos mais importantesdo estudo da ecologia está em revelar as teias de relações que existem entre os seres vivos e o ambiente em que estão inseridos. O saber das ideias ecológicas é imprescindível não só aos profissionais ambientais, mas àqueles que têm ciência da importância desses conceitos ecológicos para o futuro do planeta (STEIN, 2018). De acordo com Lago e Pádua (2017) o número de pessoas interessadas nas ideologias ecológicas é cada vez maior. Está mais perceptível o impacto da ecologia na cultura humana, nas diversas áreas das ciências, nas discussões políticas e no comportamento dos diferentes tipos de grupos sociais. As pessoas es-tão questionando suas visões de mundo e como realizam suas atividades, seja no trabalho, ou em busca de lazer, consumo ou saúde. Mas, o que é ecologia afinal? Citando uma definição contida num dicionário, vemos que o termo ecologia é originário do grego oikos ao qual significa casa, e logos que significa estudo (MERRIAM-WEBSTER’S COLLEGIATE DICTIONARY, 1996). Portanto, podemos dizer que ecologia significa estudo da casa. Essa casa nada mais é do que a natureza, e os habitantes da casa somos nós e todos os organismos vivos. Assim, a ecologia pode ser definida como o estudo dos seres vivos, do meio ambiente e das relações entre os seres vivos e entre os seres vivos e o ambiente em que estão inseridos, sejam esses ambientes orgânicos ou inorgânicos. Compreendemos o conceito de ecologia, agora passaremos a estudar a respeito dos sistemas ecológicos, ou melhor dizendo, ecossistemas, que se trata dos conjuntos de interações entre organismos bióticos e abióticos. Para Odum e Barrett (2020) o ecossistema é a primeira unidade completa, na hierarquia ecológica, pois possui todos os componentes necessários à sua sobrevivência, sendo esses componentes biológicos e físicos. Esses componentes são conhecidos como biótopo e comunidade. De maneira geral, os biótopos são regiões que apresentam condições harmônicas ambientais à sobrevivência de determinadas comunidades. Já as comunidades, ou biocenose de um ecossistema se trata dos seres vivos que habitam um determinado biótopo. É notório que o biótopo e a biocenose se destacam dentro de um ecossistema, mas o que de fato caracteriza-o são as relações que ocorrem entre as partes componentes do ecossistema, tais como: • Relações entre os seres vivos; • Relações entre os fatores ambientais; • Relações dos seres vivos sobre as condições ambientais; • Relações dos aspectos abióticos sobre os seres vivos. Agora que já sabemos o que é um ecossistema, falaremos um pouco sobre os tipos de ecossistemas encontrados em nossa biosfera. Os ecossistemas podem ser identificados ou classificados de duas formas: ecossistemas terrestres e ecossistemas aquáticos. Eles são 12 bastante parecidos em seus componentes, tendo a principal diferença a presença ou não de água. Os ecossistemas terrestres são aqueles compostos por seres vivos e fatores bióticos e abióticos, encontrados em uma porção de terra. As diferenças encontradas em ecossistemas terrestres são relacionadas aos biomas (abordaremos o conceito de biosfera e bioma mais adiante). A facilidade ou dificuldade de incidência de raios solares em determinadas regiões promovem o clima que, por sua vez, define o tipo de fauna e flora daquela região. Os principais ecossistemas terrestres de nosso planeta são: montanhas, florestas, pradarias, estepe, desertos, tundras e savanas. Já os ecossistemas aquáticos, como o próprio nome sugere, são aqueles encontrados em ambientes aquáticos e subdividem-se de duas maneiras: ecossistemas marinhos que englobam todos os seres vivos que habitam em águas salgadas (mares e oceanos) e ecossistemas de água doce que envolvem os seres vivos que vivem em águas doces como lagos e rios. Possuindo uma vasta extensão territorial, o Brasil apresenta uma boa variedade de biomas, que são conjuntos de ecossistemas (vegetal e animal) com aspectos próprios como solo, cli- ma, fauna e flora. Consequentemente, em nosso país é possível encontrar uma diversificada gama de biomas, sendo os principais: Amazônia, caatinga, cerrado, mata atlântica, panta- nal, mata dos cocais, mata de araucárias, pampa e mangue. FIQUE ATENTO Veja mais a respeito dos ecossistemas aquáticos e terrestres de forma simples e descontraída no curso Organização dos Seres Vivos: Dos átomos aos ecossistemas, disponibilizado no canal Mais Ciências - Profa Rafaela Lima, através do link: http:// gg.gg/orgseresvivos. (ep16 e 17). Acesso: 20 fev. 2021. BUSQUE POR MAIS Apesar dos ecossistemas serem observados com um certo destaque, como citado por Odum e Barrett (2020), é importante que entendamos como funciona todos os níveis de hierarquização contidos na estrutura da organização biológica, desde o átomo até o bioma, como ilustrado na Figura 4. http://gg.gg/orgseresvivos http://gg.gg/orgseresvivos 13 Figura 4: Estrutura de hierarquia dos níveis biológicos Fonte: Acervo pessoal (Arte de Pedro Fonseca, 2021). Nessa imagem (Figura 4) podemos ver a estrutura dos níveis de organização biológica, dispostos de forma hierárquica, iniciando do nível mais simples que é o átomo, até o nível mais composto, a biosfera. Adiante explicaremos cada um desses níveis. O átomo, representante do primeiro nível da estrutura (Figura 4), pode ser definido como unidade básica que dá origem à matéria, composto por um núcleo central e órbitas. A molécula é uma estrutura formada por dois ou mais átomos, podendo ser iguais ou diferentes. Já a organela se trata da estrutura conhecida como pequenos órgãos e que desenvolve atividades vitais para as células. Entrando, no campo da vida definimos célula como unidade básica estrutural e funcional da vida. Se trata da menor unidade classificada como ser vivo nos níveis de organização biológica. Classificam seres vivos como unicelulares, quando são formados por apenas uma célula que tem como exemplos fungos e bactérias e seres multicelulares, que • Organismos Bióticos: Conjunto de seres produtores (autótrofos) e consumidores (heteró- trofos). • Organismos Abióticos: Fatores físico, químico, ou geológico do ambiente, como água, ar e solo. • Níveis de organização biológica: Sistema de níveis hierárquico das estruturas biológicas, em que o grau de complexidade aumenta a cada nível, devido ao nível subsequente acu- mular as unidades dos níveis anteriores GLOSSÁRIO 14 são formados por conjuntos de células, como o homem, os animais e as plantas (NICOLAU, 2017). A união de células especializadas dá origem aos tecidos, que estão presentes em apenas alguns organismos multicelulares, como os animais e as plantas, por exemplo. Por sua vez, os tecidos quando organizados e unidos dão origem aos órgãos que são constituídos de vários tipos de tecidos. A união de vários órgãos forma os sistemas, que têm a função de trabalhar em conjunto para uma dada função corporal (STEIN, 2018). O organismo, segundo Nicolau (2017) é caracterizado por possuir um arranjo único de informação genética. Trata-se do sistema básico da vida correspondente a cada um dos seres vivos tomados individualmente. Para o autor, um grupo de organismos da mesma espécie pode ser denominado de população, sendo esses indivíduos semelhantes que se relacionam e dão origem a uma descendência fértil. Como já falado neste capítulo, a comunidade, também conhecida como biocenose ou biota, é composta por diversas populações que habitam um mesmo ambiente e que os indivíduos interagem uns com os outros. Dispensando a definição de ecossistema, uma vez que também está disposto neste capítulo, abordaremos agora, para finalizar as explanações referentes aos níveis biológicos (Figura 4), os conceitos de bioma e biosfera. Para Maarel (2005), de forma direta, um bioma se trata de uma formação vegetal que não inclui apenas plantas, mas também os demais organismos que podem ser identificados em nível regional. A biosfera, por sua vez, é definida como o conjunto de todos os ecossistemasde nosso planeta, sendo o maior ecossistema da terra. Dentro de um ecossistema, com exceção de espécies vegetais, todas as outras são conhecidas como espécies consumidoras, sendo o consumo a principal relação existente entre diferentes populações de um ecossistema. A exploração dos recursos (consumo) se dá de maneira diferenciada e, com isso, queremos dizer que organismos diferentes não podem possuir as mesmas necessidades e limitações, ou melhor, ter o mesmo nicho ecológico num ecossistema. É isso que promove a seleção ou a mutação de uma determinada espécie. Acabamos de falar que dois organismos diferentes não podem ter o mesmo nicho ecológico, isso quer dizer que dois organismos diferentes não podem viver no mesmo habitat? A respos- ta é: depende. O caso de habitarem no mesmo local não significa que possuam as mesmas necessidades (nicho ecológico). O fato é que dois organismos diferentes, com o mesmo nicho ecológico não conseguem povoar o mesmo local. Um dos organismos vencerá a competição e fará com que o outro seja extinto ou migre para outro local. Em situações de organismos diferentes viverem no mesmo local, isto é, coexistirem, significa dizer que eles não apresentam o mesmo nicho ecológico, ou seja, não existe uma competição entre eles. VAMOS PENSAR? 15 Nicho Ecológico ≠ Habitat : Enquanto esse se relaciona com o papel de uma espécie no ecos- sistema, aquele se trata do local (ambiente físico) que uma determinada espécie habita. FIQUE ATENTO Para Cain (2018) nicho ecológico trata-se das condições bióticas e abióticas necessárias para um organismo crescer, sobreviver e se reproduzir. Em outras pal-vras, a grosso modo, podemos definir nicho ecológico como a profissão das espécies na natureza. Finalizando a aprendizagem deste tópico, referente à ecologia e aos ecossistemas, estudaremos um pouco a respeito das relações alimentares, abordando como ocorrem os níveis tróficos, as teias e as cadeias alimentares nos ecossistemas. As relações alimentares encontradas entre as espécies das comunidades biológicas refletem o fluxo de energia unidirecional que ocorre ao longo dos produtores, passando pelos consumidores até os decompositores. Os seres vivos que utilizam matéria inorgânica para produzir matéria orgânica são chamados de seres produtores. Esses organismos são autotróficos fotossintetizantes ou quimiossintetizantes e são capazes de transformar substâncias como a água, os sais minerais do solo e o gás carbônico do ar em substâncias orgânicas, como açúcares e proteínas. Esse é o primeiro nível trófico e é composto pelos organismos encarregados por sustentar todo o alimento do ecossistema, como os vegetais, as algas e alguns tipos de bactérias O segundo nível trófico é ocupado por seres consumidores. Nesse nível estão os seres heterótrofos, ou seja, os que utilizam a matéria orgânica fabricada por outros seres e a transformam em sua própria matéria, já que não são capazes de produzir seu próprio alimento. Dentro desse nível encontramos três categorias: Consumidores primários: são os organismos que se alimentam diretamente dos produtores. Nesse nível encontram-se os herbívoros, ou seja, os animais que se alimentam de plantas. A importância desses seres está, principalmente, em levar a energia contida nas plantas para a próxima categoria, dos consumidores secundários. Outro fato é que esses seres, como os insetos, controlam o nível de população de alguns tipos de plantas, seja para o aumento ou diminuição de sua taxa populacional. Consumidores secundários: de forma subsequente são os que se alimentam dos consumidores primários. São conhecidos como carnívoros de primeira ordem. Nesse nível temos como exemplo o sapo que se alimenta de insetos (consumidor primário). Consumidores terciários: são os carnívoros de segunda ordem, que se alimen-tam dos consumidores secundários, como a cobra que se alimenta do sapo, por exemplo. De forma análoga ao que ocorre com os consumidores secundários e terciários, podemos ter outros tipos de consumidores de formas sucessivas? A resposta é sim, mas devemos nos aten- tar que não existem cadeias com muitos níveis tróficos, uma vez que a energia e a matéria se perdem ao longo da cadeia. Um exemplo de um próximo nível sequente ao terciário seria no caso da águia se alimentando da cobra, sendo nesse caso, o consumidor quaternário. VAMOS PENSAR? 16 Por fim, nas relações alimentares temos os decompositores. São organismos heterótrofos, em geral, bactérias e fungos encarregados de decompor a matéria orgânica, isto significa que os animais e as plantas mortas (Figura 5), bem como os restos deixados pelos seres do ecossistema. Dessa maneira, quando mortos, tanto os produtores, como os consumidores servem de alimentos para os decompositores. Sua função não se trata de limpeza. Os decompositores devolvem ao solo o material que foi retirado pelos produtores para fazer a síntese da matéria orgânica. Apesar de se tratarem de seres pequenos (microscópicos) sua importância é grande e vital para o planeta, uma vez que permitem a reciclagem da matéria. Figura 5: Processo de decomposição Fonte: Soeiro (2018, online) Dessa forma, podemos notar que é possível diferenciar uma série de níveis tróficos contidos na comunidade de um ecossistema. Os níveis são agrupados pelas espécies que possuem a mesma alimentação, ao qual os alimentos tratam-se dos seres do nível trófico, imediatamente, anterior. Assim, o fluxo de matéria e de energia ocorre de um nível trófico ao seguinte. Como já sabemos, cada nível trófico representa um elo da cadeia alimentar, mas devido à grande perda nas transferências de energia entre um nível e outro (cerca de 90% de perdas), o número de elos possíveis numa determinada cadeia é limitado chegando, geralmente, a no máximo cinco elos. Ilustraremos agora por meio do esquema abaixo (Figura 6) cada nível trófico que vimos, anteriormente, onde os seres vivos são classificados em categorias com base na maneira de produção, obtenção ou transformação dos nutrientes: Figura 6: Esquema dos níveis tróficos Fonte: Autor (2021) 17 Mas, o que são cadeias alimentares afinal? De acordo com Oliveira et al. (2003) uma cadeia alimentar (Figura 7) consiste em uma representação conceitual esquemática de uma situação real, em que existe um curso de seres vivos relacionados de forma unidirecional através de fluxo de energia. Figura 7: Cadeia alimentar Fonte: Acervo pessoal (Arte de Pedro Fonseca, 2021) Existem dois tipos de cadeias que se diferenciam a partir do primeiro nível trófico, como explanado a seguir: • As cadeias de herbívoros ou de pastejo são aquelas em que o primeiro nível, primordialmente, será constituído por seres produtores, ou seja, a energia que sustenta a cadeia é dada por plantas, algas etc. Desses se alimentam os herbívoros que em sequência servem de alimento para outros organismos. • Já a outra categoria é denominada de cadeia de detritívoros ou de detritos. Nesse tipo a base da cadeia é a matéria orgânica não viva, quais sejam, restos de qualquer organismo, como animais mortos, folhas caídas no solo ou fezes, por exemplo. Esses restos servem de alimentos e são processados por microrganismos decompositores como fungos e bactérias que liberam alimento como forma de nutrientes para as plantas ou como detritos para organismos detritívoros, que em sequência será o alimento de carnívoros. Geralmente, essas duas categorias de cadeias são encontradas de forma interligada na natureza, como mostrado na Figura 8. Figura 8: Tipos de cadeia alimentar Fonte: Autor (2021) 18 Assim como já dito, em um ecossistema cada espécie pode servir de alimento para uma variedade de organismos, bem como se alimentar de uma diversidade de alimentos. Por esse motivo as relações lineares que vimos, anteriormente, (cadeia alimentar) podem facilmente ser convertidas em um emaranhado de caminhos, que dão origem a uma teia alimentar formada por diversas cadeias correlacionadas(Figura 9). Figura 9: Teia alimentar Fonte: Acervo pessoal (Arte de Pedro Fonseca, 2021) Essas inter-relações de cadeias alimentares (teias) como mostradas na Figura 9 descrevem a realidade das relações alimentares de maneira mais adequada, em relação às cadeias isoladas e, por isso, podem se tornar bastante complexas. As setas partem dos organismos que servem de consumo e apontam para os que são consumidores. Para uma aprendizagem mais aprofundada sobre as relações alimentares, veja a respeito das pirâmides ecológicas no capítulo Estrutura e Funcionamento de Ecos- sistemas (página 111), contido na unidade 2 do livro “Ecologia Geral” (STEIN, 2018). Disponível na em: https://bit.ly/2R6oj3Q. Acesso em: 05 mar. 2021. BUSQUE POR MAIS As cadeias alimentares também podem ser classificadas como terrestres (Figura 7), aquá- ticas (Figura 10) ou mistas (Figura 9). FIQUE ATENTO https://bit.ly/2R6oj3Q 19 Figura 10: Cadeia alimentar aquática Fonte: Acervo pessoal (Arte de Pedro Fonseca, 2021) 20 1. “Muito se fala que é a natureza, outros dizem ser tudo que está no nosso planeta, ou o local onde vivemos”. Trata-se de um trecho recortado deste capítulo e fala a respeito de uma definição imprecisa do termo “Meio Ambiente”. Dentre as alternativas abaixo, assinale a que melhor explica o conceito geral de Meio Ambiente. a) Se trata do conjunto de todos os seres bióticos existentes no planeta, tais como os animais e a vegetação. b) É o local em que a vida é desenvolvida no planeta terra, ou seja, o habitat para todos os seres vivos, desde microrganismos, animais e humanos. c) Se trata do conjunto de todos os seres abióticos existentes no planeta, tais como água, luz e calor. d) É o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, envolvendo aspectos bióticos e abióticos que regem a vida na Terra. e) É o conjunto das relações entre os seres vivos do planeta. 2. Apesar de estar envolto em um contexto amplo, envolvendo vários fatores, o meio ambiente pode ser classificado com base em aspectos físicos, metafísicos e populacionais, em meio ambiente: natural, artificial, cultural e de trabalho. A partir disso, qual das alternativas contém a definição correta a respeito destas classificações? a) O meio ambiente artificial é formado pela parcela abiótica do meio ambiente, como construções urbanas e rurais. b) O meio ambiente natural é definido apenas por componentes físicos, sendo eles o ar, a água e o solo. c) A composição do ambiente geológico, geomorfológico, hidrológico, fauna e flora a paisagens construídas por diferentes povos é chamado de meio ambiente artificial. d) O meio ambiente natural é o definido apenas por componentes populacionais, sendo eles a fauna e a flora. e) O meio ambiente de trabalho é a classificação dada à parcela natural existente em ambientes que o homem exerce funções trabalhistas, como jardins criados em prédios corporativos. 3. O meio ambiente é formado de elementos _____ como a _____ e a _____, por fa-tores artificiais, _____, que são vitais para o homem, como a água que bebemos e o ar que respiramos e por expressões _____ como os mais diversos tipos de construções. Marque a alternativa que preenche as lacunas de maneira correta. a) Bióticos, Fauna, Flora, Abióticos, Naturais. b) Bióticos, Fauna, Flora, Abióticos, Populacionais. c) Abióticos, Fauna, Flora, Bióticos, Naturais. d) Abióticos, Fauna, Flora, Não vivos, Populacionais. FIXANDO O CONTEÚDO 21 e) Abióticos, Fauna, Flora, Não vivos, Naturais. 4. Para Odum e Barrett (2020) o ecossistema é a primeira unidade completa, na hierarquia ecológica, pois possui todos os componentes necessários à sua sobrevivência, sendo esses componentes biológicos e físicos. Sobre estes componentes que integram os ecossistemas é possível dizer que são: a) Fauna e Flora. b) Flora e Homem. c) Biótopo e Biocenose. d) Fauna e Homem. e) Biótopo e Flora. 5. Organismos diferentes que possuam uma relação de competição não conseguem povoar o mesmo local, fazendo com que uma espécie cause a extinção ou expulsão da outra. Isto ocorre devido às espécies terem o mesmo ou a mesma: a) Capacidade de adaptação. b) Cardápio. c) Capacidade de reprodução. d) Habitat. e) Nicho ecológico. 6. As relações alimentares encontradas entre as espécies das comunidades bioló-gicas refletem o fluxo de energia unidirecional que ocorre ao longo dos produtores, passando pelos consumidores até os decompositores. A respeito dos consumidores, assinale a alternativa correta. a) São organismos autotróficos fotossintetizantes ou quimiossintetizantes e são capazes de transformar substâncias como a água, os sais minerais do solo e o gás carbônico do ar em substâncias orgânicas, como açúcares e proteínas. b) Consumidores primários são organismos que recebem este nome por serem os primeiros seres a se alimentarem de outros consumidores. c) São de organismos heterótrofos, em geral, bactérias e fungos encarregados de decompor a matéria orgânica, isto significa, os animais e as plantas mortas, bem como os restos deixados pelos seres do ecossistema. d) São seres heterótrofos, ou seja, os que utilizam a matéria orgânica fabricada por outros seres e a transformam em sua própria matéria, já que não são capazes de produzir seu próprio alimento. e) O tamanho da cadeia alimentar varia de acordo com a quantidade de consumidores contidos nela, assim, existem cadeias com níveis tróficos ilimitados em que a energia e a matéria são repassadas de forma total ao longo da cadeia. 7. Consiste em uma representação conceitual esquemática de uma situação real, em que existe um curso de seres vivos relacionados de forma unidirecional através de fluxo de energia (DE OLIVEIRA et al., 2003). O trecho citado faz menção a definição de 22 a) cadeia alimentar. b) teia alimentar. c) nicho ecológico. d) nível trófico. e) ecossistema. 8. A imagem (Figura 11) ilustra uma cadeia alimentar em que é possível notar a pre-sença de produtor(s), consumidor(s) e decompositor(s). Analisando os organismos presentes nesta cadeia, julgue as afirmativas a seguir: I. A cadeia é iniciada com as plantas, que são organismos autotróficos fotossintetizantes. II. Os fungos e bactérias tratam-se dos consumidores finais da cadeia. III. O grilo, o sapo, a cobra e a águia são os consumidores da cadeia sendo, respectivamente, consumidor primário, secundário, terciário e consumidor final, ou quaternário. IV. A cadeia se inicia com os produtores sendo representados pelas plantas e pelo grilo. V. Os fungos e bactérias são o último nível trófico desta cadeia, sendo chamados de decompositores. Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas: a)Somente I, III e IV estão corretas. b)Somente II e IV estão corretas. c)Somente II, III e V estão corretas. d)Somente I, III e V estão corretas. e)Somente III e V estão corretas. 23 CICLOS DE RECURSOS UNIDADE 02 24 2.1 CICLOS BIOGEOQUÍMMICOS Certamente, você já se deparou em meio à natureza e a observou e admirou à sua volta. Talvez até tenha se perguntado quando e como tudo aquilo foi formado e como se mantém até hoje. Há grandes chances dessas respostas, ou parte delas estarem contidas nos ciclos naturais. Você sabia que são eles os responsáveis por manter a água que bebemos e o oxigênio que respiramos? Pois bem, são esses ciclos que possibilitam a interação entre os elementos (químicos), o meio ambiente e os seres vivos. São os ciclos naturais os responsáveis pela reciclagem dos elementos químicos, através de processos naturais. Esses ciclos, também chamados de biogeoquímicos, asseguram que os elementos interajam com componentes vivos e não vivos, bem como circulem pela atmosfera, hidrosfera, litosfera e biosfera. Os ciclos biogeoquímicos mais comuns na natureza são o da água, do oxigênio, do nitrogênio, do carbono e do fósforo. De acordo com os seus reservatórios, os ciclos biogeoquímicos podem ser agrupados em duas categorias. Emuma categoria estão os ciclos no qual a atmosfera é o seu principal reservatório, já a outra categoria pertence aos ciclos que têm como principal reservatório a crosta terrestre. São denominados de ciclos gasosos e ciclos sedimentares, respectivamente. Os elementos indispensáveis à vida: água (H2O), fósforo (P), carbono (C), nitrogênio (N) e oxigênio (O) compõem os principais ciclos biogeoquímicos e estão agrupados da seguinte maneira: • Ciclos sedimentares: ciclo da água e ciclo do fósforo. • Ciclos gasosos: ciclo do carbono, ciclo do nitrogênio e ciclo do oxigênio. Ao falar em elementos indispensáveis à vida, rapidamente, vem à nossa mente: água. Esse será o nosso ponto de partida em nossa discussão a respeito dos ciclos biogeoquímicos de forma individualizada. Da totalidade de água existente no planeta (Figura 11), a parcela de água doce é de cerca de 2,5% e a maior parte desta água é encontrada em geleiras ou depósitos subterrâneos, enquanto apenas 0,4% da água doce é encontrada em rios, lagos ou na atmosfera, em que é de fácil acesso ao consumo humano. O outro restante (97,5%) trata-se de água salgada e é encontrada em mares e oceanos (GURGEL, 2014). Figura 11: Distribuição de água no planeta Fonte: Gurgel (2014) 25 O ciclo hidrológico pode ser definido como o fenômeno que promove a circulação da água entre a superfície do planeta e a atmosfera. O movimento ocorre, basicamente, pela influência da energia advinda do sol e da gravidade. Este conceito está ilustrado na Figura 12 e explicado nos pontos logo abaixo. Figura 12: Ciclo Hidrológico Fonte: Acervo pessoal (Arte de Pedro Fonseca, 2021) • Precipitação: A água presente na atmosfera dá origem a nuvens (condensação do vapor d’água) que com uma elevada massa de ar úmida provocam a precipitação, seja na forma de chuva, granizo, orvalho ou neve. Os ventos atuam na distribuição dessas precipitações, carregando as nuvens pelos continentes. A precipitação é o fenômeno responsável por devolver a parcela mais significativa de água doce ao planeta. • Infiltração e percolação: A água ao entrar em contato com a superfície natural, seja ela solo ou rocha, infiltra, tendo potencial de formar aquíferos e, posteriormente, ressurgirem nas superfícies na forma de nascentes, bem como alimentarem rios e lagos. A percolação trata-se da passagem, de maneira lenta, por entre um meio. • Escoamento: Em solos naturais, quando o nível da precipitação é mais elevado que o nível de absorção do solo, provoca a saturação desse solo e, consequentemente, diminuindo sua capacidade de absorção, a água tende a um fluxo de movimentação sob a superfície do terreno, de acordo com a topografia. Esse fenômeno de deslocamento das águas sob a superfície pode ser aumentado devido à impermeabilização do solo. • Evapotranspiração: A incidência dos raios solares faz com que parte da água contida na terra de forma superficial como em rios, lagos e mares evapore e retorne à atmosfera. A evaporação também pode ocorrer quando águas ficam retidas nas folhagens das árvores, após a precipitação (principalmente aquelas com possuem grandes folhas). Somado a evaporação o retorno da água para atmosfera também é causado pela absorção da água pelas plantas e liberação desta através da transpiração. A união da evaporação com a transpiração é chamada de evapotranspiração. 26 Existem ainda outras situações em que podemos encontrar a água de forma natural, como em geleiras e depósitos subterrâneos. Para alguns autores essas situações não fazem parte do ciclo hidrológico, pois a água se encontra armazenada, fugindo do conceito de ciclo (movimento). Existe um movimento das águas subterrâneas que se deslocam por percolação, de acordo com a morfologia do terreno em direção aos rios, lagos e oceanos, mas por esse fluxo ser, demasiadamente, lento acaba-se considerando o ciclo hidrológico fechado. Dando seguimento ao estudo dos ciclos naturais iremos iniciar nossa conversa a respeito dos ciclos gasosos, tendo como assunto o ciclo do carbono. Esse elemento (carbono) tem como símbolo a letra C e se trata do quarto elemento químico mais abundante no universo. São comumente encontrados de duas maneiras, em organismos vivos ou mortos, na forma orgânica ou ainda na forma inorgânica presentes nas rochas. São vários motivos importantes que nos levam a estudar o ciclo do carbono. Primeiramente, o carbono trata-se do principal bloco de construção de toda a vida conhecida e, ainda, é o segundo elemento mais importante nos organismos em termos de massa (ficando atrás do oxigênio). Além do mais, o carbono é capaz de formar uma matriz diversificada de compostos orgânicos e inorgânicos, se tornando um elemento quimicamente versátil. Na atmosfera, o dióxido de carbono e metano (compostos de carbono) são potentes gases do efeito estufa, os quais estão em incremento devido à atividade humana. Ainda, em várias perspectivas, o estudo das mudanças climáticas trata- se do estudo do ciclo do carbono (global) (WEATHERS et al., 2015). Apesar de estarem interligados, o processo de reciclagem do carbono pode ser analisado de duas maneiras, com velocidades distintas, e as identificamos como ciclo geológico do carbono e ciclo biológico do carbono. O ciclo geológico do carbono ocorre de maneira lenta e tem o papel de regular a movimentação do carbono pela atmosfera, hidrosfera e litosfera. Já no processo do ciclo biológico o carbono pode ser devolvido ao meio praticamente de maneira instantânea, com a mesma velocidade em que é sintetizado pelos organismos autótrofos. Mais adiante iremos abordar a respeito desses dois processos de forma individual. Iniciaremos com a forma mais rápida, o ciclo biológico do carbono. Neste método Continue o estudo dos ciclos sedimentares através do capítulo 8 – Ciclo do Fósforo (página 163) escrito por Bennett e Schipanski (2015), do livro “Fundamentos de Ci- ências dos Ecossistemas”. Disponível em: https://bit.ly/3p3KILS. Acesso em: 10 mar. 2021. BUSQUE POR MAIS O ciclo hidrológico tem sofrido alterações, como o aumento do escoamento superficial e a redução da infiltração da água no solo. As alterações ocorrem em virtude do processo de urbanização que propicia a redução das áreas verdes e o acréscimo da taxa de solo impermeabilizado. FIQUE ATENTO https://bit.ly/3p3KILS 27 o carbono existente na atmosfera e os compostos como carbonatos dissolvidos na água são absorvidos por seres autótrofos fotossintetizantes, nos quais utilizam a fotossíntese para transformar esses elementos em matéria orgânica que, posteriormente, por meio da cadeia alimentar é passado a outros organismos (STEIN, 2018). Na cadeia alimentar a matéria orgânica é absorvida na ingestão de vegetais pelos organismos herbívoros e pela digestão dos animais herbívoros que ocorrem nos animais carnívoros. A produção de compostos orgânicos também acontece por organismos quimiossintetizantes que têm como principal composto orgânico a produção dos carboidratos por meio da quimiossíntese. Uma vez assimilado pelos seres vivos, o carbono retorna ao ambiente por diversas formas, tal qual o processo de respiração e decomposição. Na respiração o carbono é liberado na forma de CO2, que é um dos produtos finais do processo. Na decomposição ocorre de maneira semelhante, liberação de gás carbônico e água (MARTINS; LOPES; ANDRADE, 2003) No processo geológico do carbono a movimentação é realizada através de uma troca contínua do gás carbônico (CO2) existente na atmosfera e hidrosfera, através do processo de difusão, que acontece até que a quantidade de CO2 contida na atmosfera acima da água e a do meio aquático entrem em equilíbrio. Isso ocorre devido à capacidade da água em dissolver o CO2 presente na atmosfera. Além disso, o fluxo pode ocorrer pela dissolução do gás carbônico na água da chuva, o que acaba por produzir uma solução ácida (H2CO3), que contribui para a erosão de rochas silicatadas (TONIOLO; CARNEIRO, 2015) O processo de desintegraçãodas rochas (intemperismo) faz com que ocorra a liberação de íons Ca2+ e HCO3. Esses íons ficam sujeitos a serem levados aos oceanos que, nesse caso, passam a ser utilizados na formação de conchas por organismos marinhos. Essas conchas, posteriormente, são acumuladas e passam a fazer parte do sedimento do fundo dos oceanos, quando os animais morrem. Futuramente, esses sedimentos podem deslocar-se para regiões que existam altas pressões e temperaturas, fazendo com que os carbonatos se fundam, parcialmente, podendo chegar a formar rochas calcárias. O gás carbônico pode ser liberado novamente para a atmosfera através de atividade (TONIOLO; CARNEIRO, 2015). De forma geral e resumida, o ciclo do carbono (Figura 13) se inicia pela absorção do gás carbônico (CO2) da atmosfera pelos organismos autótrofos como plantas e bactérias, que utilizam o gás em seus processos de fotossíntese e quimiossíntese. Esses seres sintetizam os compostos orgânicos como os carboidratos, por exemplo, que fazem parte da formação de seus tecidos. A última etapa, a mais rápida, é o uso dos carboidratos pelos animais que devolvem o CO2 à atmosfera através da respiração. Figura 13: Ciclo do carbono Fonte: Acervo pessoal (Arte de Pedro Fonseca, 2021). 28 É importante frisar que atividades antropogênicas têm influenciado no ciclo global do car- bono, especialmente, nos últimos anos. Estas atividades, como o desmatamento e a utili- zação de combustíveis fósseis, propiciam a elevação dos níveis de gás carbônico presentes na atmosfera e, consequentemente, geram um agravamento do efeito estufa. Isso ocorre devido às atividades humanas retirarem o carbono disposto em depósitos fósseis em uma velocidade maior que a absorção do carbono pelo ciclo, que ainda é comprometida pelo des- matamento, ou seja, ao mesmo tempo que a emissão de carbono aumenta, a capacidade de absorção é diminuída. FIQUE ATENTO O nitrogênio (N), por sua vez, se trata do gás com maior abundância presente no ar. Geralmente, é um nutriente limitante de plantas e integra o grupo dos aminoácidos, ácidos nucleicos e proteínas, tornando-se, portanto, essencial à sobrevivência dos seres vivos. A atmosfera é o mais notável depósito de nitrogênio, em que em sua composição possui 80% do gás de nitrogênio (N2). Os demais reservatórios pertencem aos solos, sedimentos de lagos, rios e oceanos; o nitrogênio dissolvido em água superficial; e a biomassa dos organismos vivos (REECE et al., 2015). É importante notar que o ciclo do nitrogênio (Figura 14) também retrata um curso de matérias e energia que são constantes na natureza e fundamental ao equilíbrio dos ecossistemas, análogo aos demais ciclos biogeoquímicos. O ciclo do nitrogênio é constituído de etapas, sendo elas: fixação, amonização, nitrificação e desnitrificação. Figura 14: Ciclo do nitrogênio Fonte: Acervo pessoal (Arte de Pedro Fonseca, 2021) 29 A primeira etapa é a fixação, onde acontece a fixação do nitrogênio atmosférico. A quantidade de nitrogênio nos ecossistemas pode ser decorrente das altas temperaturas dos relâmpagos. Dos fertilizantes com nitrogênio, precipitações e poeiras que contribuem com quantidade significativas de amônia, nitritos e nitratos. Das bactérias presentes no solo que convertem o N2 atmosférico em formas que podem ser aproveitadas para sintetizar compostos orgânicos de nitrogênio como: amônia (NH4+), nitritos (NO2-), e nitratos (NO3- ). Já o processo de amonificação promove a fixação do nitrogênio inorgânico no solo em amônia (NH4+). Na nitrificação ocorre a conversão da amônia em nitritos (NO2-) e nitratos (NO3-). Por fim, a desnitrificação reinicia o ciclo convertendo nitratos de volta a nitrogênio inorgânico (STEIN, 2018). As bactérias são essenciais no ciclo do nitrogênio. As principais são as Rhizobium que convi- vem com as plantas leguminosas e colaboram com a fixação do nitrogênio. Na amonização, as bactérias decompositoras são as autoras que agem sobre a matéria orgânica, liberando amônia ao ambiente. Na nitrificação são as bactérias que convertem amônia em nitrito e nitrito em nitrato. Já no final do ciclo, no processo de desnitrificação existem bactérias que garantem a liberação de nitrogênio para a atmosfera. FIQUE ATENTO O oxigênio é o elemento químico mais abundante da superfície terrestre. Se trata do elemento que forma gases vitais à sobrevivência dos seres humanos e diversos outros organismos vivos, como o gás oxigênio (O2) e o ozônio (O3). Estudaremos aqui, finalizando o conteúdo dos ciclos biogeoquímicos, como funciona a reciclagem do oxigênio em nosso planeta. A atmosfera é o principal depósito de oxigênio para os seres vivos. Esse elemento químico (O) pode ser encontrado em várias formas, sendo o oxigênio molecular (O2) a principal delas, já que é usado no processo de respiração. São exemplos de outros gases o gás carbônico (CO2), ozônio (O3) e o dióxido de nitrogênio (NO2). No ciclo do oxigênio (Figura 15), plantas e animais utilizam o oxigênio em suas respirações aeróbias, em que átomos de oxigênio são combinados a átomos de hidrogênio e dão origem a moléculas de água (H2O). Essas moléculas podem ser utilizadas na síntese de outras substâncias, dessa forma, fazendo com que essas substâncias incorporem átomos de oxigênio provenientes, originalmente, do gás atmosférico. As plantas através da fotossíntese utilizam o gás carbônico em que os átomos de oxigênio passam a fazer parte da matéria orgânica das plantas. O oxigênio é restituído à atmosfera na forma de moléculas de água e de gás carbônico, pela respiração celular (AMABIS; MARTHO, 2006). 30 Figura 15: Ciclo do oxigênio Fonte: Acervo pessoal (Arte de Pedro Fonseca, 2021) Neste ciclo (Figura 15) o principal autor pela criação de oxigênio são as plantas que absorvem gás carbônico (CO2) e luz solar (fotossíntese) e liberam gás oxigênio (O2). O oxigênio também é transmitido pelas plantas através da cadeia alimentar, com o consumo da matéria orgânica. Organismos aeróbios, por meio da respiração celular, absorvem o gás oxigênio e liberam gás carbônico no final do processo, fazendo com que o ciclo do oxigênio e carbono estejam interligados. Atividades humanas afetam diretamente o ciclo do oxigênio. Indústrias mediante a proces- sos de combustão utilizam O2 atmosférico e liberam CO2. A prática do desmatamento tam- bém é outro fator antropogênico que interfere significativamente neste ciclo, comprometen- do nossa camada de ozônio que é o filtro protetor de nosso planeta FIQUE ATENTO Os gases lançados pelo homem na atmosfera potencializam o efeito estufa. Dian- te disto, é de suma importância o processo de sequestro de carbono, que se trata da remoção do gás carbônico e lançamento de oxigênio na atmosfera. Continue o estudo a respeito do sequestro de carbono através da dissertação disponível em: https://bit.ly/3uxUkiV. Acesso em: 15 mar. 2021. BUSQUE POR MAIS https://bit.ly/3uxUkiV 31 2.2 RECURSOS RENOVÉVEIS E NÃO RENOVÁVEIS Falamos no tópico anterior sobre fundamentos naturais, essenciais à manutenção da vida sob o ponto de vista de elementos químicos. Continuaremos nessa temática, mas em uma perspectiva diferente, no panorama que tange aos recursos naturais finitos e não finitos, usufruídos pelo homem na construção e desenvolvimento de sociedades. Recursos disponibilizados pela natureza, quais sejam, matéria ou energia, explorados pelo homem com fim de suprir seus desejos e necessidades, podendo ser classificados em grupos distintos chamados de renováveis e não renováveis, esta é a definição do conteúdo abordado neste tópico: recursos naturais renováveis e não renováveis. Além disto, os recursos naturais também possuem a função de possibilitar condições adequadas à sobrevivência de todos os seres vivos que compreendem as populações biológicas e dos ecossistemas, tendo papel fundamental no equilíbrio ecológico. Para a Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA), instituída a partir da Lei 6.938/81, recursos naturais sãoos inúmeros componentes ecológicos da natureza, como as reservas hídricas superficiais e subterrâneas, as florestas, os minérios etc. Ou seja, nossa diversidade biológica (BRASIL, 1981). A taxa de consumo dos recursos naturais pelo homem caminha de forma crescente. Nos primórdios as civilizações utilizaram os recursos encontrados na natureza como forma de subsistência, mantendo uma relação de equilíbrio com a natureza. Ao passar do tempo foram sendo criadas técnicas que possibilitaram o acúmulo dos materiais provenientes da natureza, possibilitando ao homem cada vez mais transformações no ambiente e, consequentemente, desbalanceando a relação harmônica existente com a natureza. Podemos definir os recursos naturais renováveis como aqueles cuja capacidade de ser regenerado na natureza é superior ou, pelo menos, igual à taxa que a humanidade consome este recurso. Englobam os recursos inesgotáveis, os que conseguem ser renovados pela natureza ou aqueles possuem a regeneração dada por ações antrópicas, tendo como exemplo, respectivamente, a água e vegetais advindos da agricultura. Recursos renováveis são sinônimos de recursos sustentáveis? Embora intuitivamente ache- mos que sim, existe um detalhe substancial que pode nos levar a diferenciá-los. Embora o re- curso renovável seja dito como infinito, se o seu uso for realizado de forma desordenada sem respeitar o tempo de restauração pela natureza ou que seja reabastecido pelo homem, este recurso virá a faltar e podemos citar como exemplo a madeira. Já os recursos sustentáveis são aqueles em que podemos, de fato, utilizar sem nos preocupar com o seu esgotamento devido ao uso, que é o caso do calor do sol e o vento que empregamos na geração de energia solar e eólica, respectivamente. VAMOS PENSAR? Fazendo uma analogia inversa aos recursos renováveis, os não renováveis como carvão mineral, por exemplo, são aqueles limitados na natureza. Estes recursos não possuem a habilidade de restauração ou seu nível de renovação é inferior ao de consumo pelo homem. Assim, o uso não consciente destes recursos pode levar rapidamente ao seu perecimento. A grande razão pela qual os recursos não renováveis podem chegar a sua extinção se deve ao motivo do homem não conseguir sintetizar, isto é, desenvolver ou acelerar alguns processos que de formas naturais são lentos. Uma boa amostra deste contexto é o uso de combustíveis fósseis. O homem faz uso deste recurso de maneira consideravelmente alta, enquanto a natureza o recria, mediante processos de calor e pressão, de forma lenta. De forma geral, os recursos naturais renováveis são encontrados dos mais diversos 32 tipos na natureza, sejam eles biológicos, minerais, energéticos e hídricos. Os recursos naturais não renováveis, por sua vez, comumente, são encontrados os tipos minerais e energéticos. Confira no Quadro 1 abaixo alguns exemplos de recursos naturais com sua classificação e tipo, as formas em que são encontrados na natureza, como podem ser utilizados pelo homem e quais seus impactos no meio ambiente. RECURSOS NATURAIS CLASSIFICAÇÃO RECURSO TIPO USO IMPACTO Renovável Animais Biológico Alimentação e Comércio Extinção de Espécies Renovável Areia Mineral Construção Civil Descaracterização de Relevo Renovável Luz Solar Energético Energia Solar Alteração da Fauna e Flora Renovável Rios Hídrico Transposições Perda de Biodiversidade Não Renovável Ouro Mineral Mineração para Comécio Aumento na Turbidez de águas Não Renovável Carvão Mineral Energético Combustível Fóssil Poluição Atmosférica Quadro 1: Recursos Naturais Fonte: Autor (2021) Em todo o mundo os animais são grandes fontes de alimento e renda para o homem. Em boa parte dos casos os impactos estão relacionados ao uso de animais de maneira econômica, tendo como exemplo o ramo de vestuários, em que podemos citar a utilização de couros para confecção de casacos de pele. Esta prática tem como consequência alterações no equilíbrio ecológico de uma região e, em caso mais extremos, a extinção de espécies. A utilização da areia na construção civil quando realizada em terra pode resultar em descaracterização do relevo na destruição da vegetação local e quando realizada em rios pode aumentar o percentual de partículas em suspensão e contribuir para o assoreamento do rio. Apesar da energia solar ser considerada uma fonte limpa de energia, a mesma está ligada a impactos ao ambiente devido à necessidade da utilização de grandes áreas para a disposição de placas, fazendo com que a vegetação e os animais sejam retirados. Obras de transposição são muito utilizadas pelo homem de forma a redistribuir suas reservas hídricas, levando água a locais que este recurso é escasso. No entanto, transposições de rios estão intimamente ligadas a impactos como o desmatamento, a desertificação e a diminuição da biodiversidade. Isso acontece devido às obras de transposição necessitarem de grandes hectares de terra em seus projetos, destruindo a fauna e a flora e aumentando processos de extinções de espécies. O ofício da mineração para extração de metais de reservas geológicas tem como causa principal de impacto ambiental a utilização do mercúrio que facilmente se torna uma substância tóxica contaminando o solo e quando há presença de escoamento de rios, além do aumento da turbidez. A utilização de combustíveis fósseis como o carvão mineral e o petróleo estão relacionados, principalmente, à geração de efluentes altamente tóxicos, resultantes da queima destes combustíveis e com a poluição atmosférica causada pela emissão de CO2, o que agrava problemas como o aquecimento global e a chuva ácida. 33 • Até mesmo recursos renováveis estão sujeitos a escassez em caso do uso errôneo do recur- so. Como é a situação de florestas, com o desmatamento exacerbado; solos improdutivos por falta de preservação; ou até mesmo falta de água para consumo humano, causado sobretudo, pelo mau uso e poluição. • Além de renováveis e não renováveis, os recursos naturais possuem outras nomenclatu- ras, sendo chamados de biológicos quando se tratam de animais vegetais; hídricos refe- rente a todas a reservas de água (subterrânea e superficial); minerais quando voltado aos recursos geológicos e energéticos em ocasiões de recursos que proporcionam energia FIQUE ATENTO 34 1. Fenômenos naturais são responsáveis pela reciclagem dos elementos químicos, através de processos naturais. Estes processos asseguram que os elementos interajam com componentes vivos e não vivos, bem como circulem pela atmosfera, hidrosfera, litosfera e biosfera. Este conceito relaciona-se com: a) ciclos biogeoquímico. b) fenômenos naturais. c) revitalização. d) ciclos da matéria. e) ciclos do elemento. 2. Os elementos indispensáveis à vida como a água, o fósforo, o carbono, o nitrogênio e o oxigênio compõem os principais ciclos naturais de nosso planeta. A respeito da classificação destes ciclos, marque a alternativa correta. a) Podem ser chamados de ciclos sedimentares e rudimentares, sendo a água e o carbono, respectivamente, exemplos destes ciclos. b) Os ciclos possuem classificações de acordo com o grau de importância para o homem, sendo o da água e do oxigênio chamados de essenciais. c) Os ciclos da água e do fósforo são chamados de sedimentares e os do carbono, nitrogênio e oxigênio de gasosos. d) Os ciclos gasosos compreendem os elementos chamados não essenciais e são compostos pelo carbono e nitrogênio. e) Os ciclos da água e do fósforo são chamados de gasosos e os do carbono, nitrogênio e oxigênio de sedimentares. 3. O ciclo hidrológico pode ser definido como o fenômeno que promove a circulação da água entre a superfície do planeta e a atmosfera. O movimento ocorre, basicamente, pela influência da energia advinda do sol e da gravidade. De acordo com ciclo da água, assinale a opção correta. a) Da totalidade de água existente no planeta, a maior parcela se trata de água salgada, encontrada nos mares e oceanos. Já a menor parcela, aágua doce, a maior parte encontra- se em rios e lagos, e a menor parte desta água em reservas subterrâneas e geleiras. b) A incidência dos raios solares faz com que parte da água contida na terra de forma superficial como em rios, lagos e mares evapore e retorne à atmosfera, sendo esta a única forma de retorno da água para atmosfera. c) O ciclo hidrológico sofre alterações em virtude do processo de urbanização que propicia a redução das áreas verdes e o acréscimo da taxa de solo impermeabilizado. d) O fenômeno de deslocamento das águas sob a superfície pode ser aumentado devido à impermeabilização do solo e é chamado percolação. e) A água ao entrar em contato com a superfície natural, seja ela solo ou rocha, infiltra e forma aquíferos sendo impossível retornar à superfície de forma natural. FIXANDO O CONTEÚDO 35 4. A importância de todos os ciclos biogeoquímicos para o nosso planeta está na capacidade de reciclagem dos elementos químicos de forma natural, sem necessitar da ajuda do homem. Marque a alternativa correta relacionada aos ciclos naturais. a) O ciclo geológico do carbono ocorre de maneira rápida e tem o papel de regular a movimentação do carbono pela atmosfera, hidrosfera e litosfera. b) No ciclo do nitrogênio, a primeira etapa é a fixação e promove a fixação do nitrogênio inorgânico no solo em amônia (NH4+). c) Apesar da prática do desmatamento diminuir a população de árvores, esta atividade não interfere, significativamente, no ciclo do oxigênio. d) Apesar de ser possível, o homem não interfere e nem influencia os ciclos biogeoquímicos de nenhuma forma. e) No ciclo do oxigênio o principal autor pela criação de oxigênio são as plantas que absorvem gás carbônico (CO2) e luz solar (fotossíntese) e liberam gás oxigênio (O2). 5. Desde de o início de sua existência o homem retira da natureza todos os recursos necessários à sua subsistência e o suficiente para a construção e desenvolvimento de sociedades. Dentre as alternativas abaixo, assinale a correta a respeito dos recursos naturais. a) Recursos renováveis são disponibilizados pela natureza, quais sejam, matéria ou energia, são os únicos recursos explorados pelo homem com fim de suprir seus desejos e necessidades. b) Ao passar do tempo foram criadas técnicas voltadas ao acúmulo dos materiais provenientes da natureza, possibilitando ao homem cada vez mais transformações no ambiente e, consequentemente, desbalanceando a relação harmônica existente com a natureza. c) Os recursos encontrados na natureza podem ser classificados como naturais e artificiais. d) A única função dos recursos naturais é possibilitar condições adequadas à sobrevivência de todos os seres vivos que compreendem as populações biológicas e dos ecossistemas. e) Atualmente, o homem utiliza os recursos encontrados no meio ambiente como forma de subsistência, mantendo uma relação de equilíbrio com a natureza. 6. Podemos definir os recursos naturais renováveis como aqueles cuja capacidade de ser regenerado na natureza é superior ou, pelo menos, igual à taxa que a humanidade consome este recurso. Sabendo do que se trata os recursos renováveis, marque a opção correta. a) Se recursos renováveis forem utilizados de maneira desordenada, sem respeitar o tempo de restauração pela natureza, ou que seja reabastecido pelo homem, este recurso pode faltar no meio ambiente. b) Os recursos que possuem a regeneração dada por ações antrópicas não podem ser classificados como renováveis. c) Recursos renováveis são sinônimos de recursos sustentáveis. d) Devido ao recurso renovável ser produzido rapidamente na natureza, sendo considerado infinito, este nunca deixará de existir no planeta. e) O petróleo é um dos combustíveis fósseis mais utilizados pelo homem e se enquadra nos recursos renováveis. 36 7. De maneira inversa aos recursos renováveis, os não renováveis são aqueles limitados na natureza. Estes recursos não possuem a habilidade de restauração ou seu nível de renovação é inferior ao de consumo pelo homem. Assinale a alternativa que contenha somente exemplos de recursos não renováveis. a) Luz solar e Água. b) Carvão mineral e Petróleo. c) Combustível fóssil e Vento. d) Gás natural e Vegetais. e) Petróleo e Madeira. 8. Os recursos naturais são elementos vitais para que o homem e toda a vida no planeta possam existir. Podem ser classificados em renováveis e não renováveis, mas também podem ser divididos em outros grupos. Marque a opção que contenha classificações para os recursos naturais e respectivos exemplos: a) Terrestres e Aquáticos: Plantas e Petróleo. b) Biológicos e Hídricos: Rochas e Oceanos. c) Hídricos e Minerais: Argila e Rios. d) Minerais e Energéticos: Rochas e Vento. e) Minerais e Biológicos: Luz solar e Animais. 37 NATUREZA E RELAÇÕES SOCIAIS UNIDADE 03 38 3.1 IMPACTO DAS ATIVIDADES HUMANAS NO AMBIENTE Qualquer atividade que venhamos a desenvolver no meio ambiente irá causar um impacto ambiental, podendo ser de ordem positiva ou negativa, sobre o segundo tipo, infelizmente, é o que sobressai e acaba prejudicando o ambiente. Os impactos positivos são caracterizados por modificações que buscam a preservação ou recuperação do ambiente como obras de revitalização, reflorestamento e criação de espaços verdes em meio a centros urbanos, por exemplo. No Brasil, para prevenir o excesso de impactos negativos no ambiente, a legislação ambiental determina medidas a serem tomadas de forma a diminuir os danos causados ao meio ambiente. No entanto, a preocupação a respeito da mitigação dos impactos ambientais negativos não cabe somente a nossos governantes, é necessário que seja uma preocupação que se estenda a toda população. Muitas das atividades que realizamos em nosso dia a dia resultam em impactos ambientais negativos, como o descarte inadequado de nossos resíduos e o uso não consciente da energia elétrica. O esquema abaixo (Figura 16) retrata alguns outros exemplos de atividades presentes no cotidiano das pessoas, que causam impactos negativos ao ambiente. Figura 16: Atividades que causam impactos negativos Fonte: Autor (2021) Por outro lado, atitudes positivas (preventivas) podem nos auxiliar na balança dos impactos ambientais e, na maioria das vezes, são simples de serem realizadas, como o uso racional da água e energia elétrica, separação de resíduos orgânicos e não orgânicos, revezamento do uso de automóveis de maneira individual com transportes coletivos ou que não emitam poluições, não jogar lixo nas ruas, não utilizar atitudes consumistas e optar por doação de materiais que já não lhe servem mais ao invés do descarte. Poluição e impacto ambiental tem o mesmo significado? Embora possam parecer, estes termos não possuem igualdade. São significados diferentes que possuem um certo nível de relação entre si. A poluição se trata da emissão de matéria e energia além da capacidade do meio ambiente em absorver, já o impacto engloba um conceito mais amplo com outras componentes além da poluição. Desta forma, temos que toda poluição resulta em impacto ambiental, mas nem todo impacto ambiental é resultante de poluição. VAMOS PENSAR? 39 O Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) na Resolução 001 (1986) fala que impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causadas por qualquer forma de energia ou matéria resultante das atividades humanas que direta ou indiretamente afetam: • A saúde, a segurança e o bem-estar da população; • As atividades sociais e econômicas; • A biota (conjunto de plantas e animais de uma determinada área); • As condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; • A qualidade dos recursos ambientais. Visto o potencial do homem em provocar efeitos negativos no meio ambiente foi necessária a criação de uma série de procedimento legais, institucionais e técnico- científicos, objetivando evitar, reduzir ou compensar estes efeitos na natureza. Estas medidas fazem parte da Avaliação de Impacto Ambiental(AIA) e são oficializadas por meio da Lei nº 6.938/1981 (BRASIL, 1981). O uso da AIA é imprescindível para toda a atividade que possua capacidade de poluir ou degradar o meio ambiente e estudaremos mais a respeito deste instrumento no tópico introdução à gestão ambiental, contido na UNIDADE 5 deste livro. 3.2 DEGRADAÇÃO AMBIENTAL E OS PROBLEMAS SOCIAIS Extinções, esgotamento de água e solo e destruição de ecossistemas e habitats são exemplos recorrentes de impactos ambientais de origem antrópicas e que podem ser chamados de degradação ambiental. “Degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das características do meio ambiente” (BRASIL, 1981, Art. 3º, parágrafo II). Esta é a menção referente ao conceito de degradação ambiental contido na Política Nacional do Meio Ambiente. Meneguzzo e Chaicouski (2010) comentam que a lei não indica o agente causador da degradação, ou seja, se a degradação foi decorrente do ser humano ou de um fenômeno natural, como queimadas geradas por raios atmosféricos, por exemplo. O que esse conceito contido na lei quer dizer é que degradação ambiental trata- se de algo negativo (SÁNCHEZ, 2013). Assim, podemos definir degradação ambiental como alterações, geralmente, de causas humanas, das características físicas, químicas e biológicas de cunho prejudicial ao ambiente e/ou de forma socioeconômica. Degradação ambiental ≠ impacto ambiental: Comumente se vê pessoas utilizando esses dois termos para definir uma mesma situação. Embora sejam parecidos, são conceitos dife- rentes e possuem definições distintas em forma de lei. A principal diferença é que a degra- dação ambiental faz alusão a fenômenos negativos, enquanto no impacto ambiental pode haver aspectos positivos, além dos negativos. FIQUE ATENTO 40 As alterações dos aspectos ambientais naturais oriundas de ações humanas são inúmeras, dos mais variados tipos, em que podemos destacar: poluição, desmatamento, queimadas, salinização e efeito estufa. Pequenas definições a respeito destes tipos de degradações ambientais estão descritas, respectivamente, no Quadro 2 abaixo. TIPO DESCRIÇÃO CONSEQUÊNCIA Poluição Contaminação do meio ambiente por meio de elementos ou energia, de efeito negativo, causado pelo homem de forma direta ou indireta. Contaminação do solo e de reser- vatórios de águas superficiais e subterrâneas. Desmatamento Desflorestamento de grandes áreas. Reti- rada total ou parcial da vegetação de um determinado local. Empobrecimento do solo e des- truição de habitats. Queimada Prática da queima de biomassa vegetal, geralmente utilizada pela agricultura para limpeza de terrenos Poluição do ar e aumento da ero- são no solo. Salinização Efeito, comumente ligado à agricultura, causado pelo acúmulo de sais no solo. Infertilidade do solo e morte de culturas. Efeito Estufa Processo físico natural que controla a tem- peratura do planeta. Ondas de calor e ocorrência de fe- nômenos naturais como furacões e tsunamis. Quadro 2: Tipos de degradação ambiental de origem antropogênica Fonte: Autor (2021) A degradação ambiental está ligada somente a ações antrópicas? Apesar do homem ser autor principal das alterações ambientais, existem também efeitos negativos causados de forma natural, embora sejam agravados por atividades humanas, como é o caso de terre- motos, tsunamis e chuvas ácidas, por exemplo. VAMOS PENSAR? A depender do grau de alteração do ambiente é possível que ele se recupere de forma espontânea, no entanto, existem certos níveis de degradação que a recuperação espontânea pode não ser possível ou ser dependente de um longo prazo com a fonte de perturbação retirada ou reduzida, havendo na maioria das vezes, a necessidade de uma ação corretiva (SÁNCHEZ, 2013). As atividades de forte potencial destrutivo ao meio ambiente, desenvolvidas pelo homem na busca incessável de suprir suas vontades levaram as nações a repensar se os acordos ambientais idealizados na conferência de Estocolmo em 1972 estavam de fato sendo cumpridos. Esta análise resultou na conclusão, 10 anos depois, na Conferência de Nairóbi no Quênia em 1982, que os ideais combinados em Estocolmo de fato não estavam sendo praticados. O desfecho da Conferência de Nairóbi, em virtude do resultado negativo dos últimos anos, foi a priorização da criação de unidades voltadas à conservação e recuperação de áreas degradadas. Em nosso país a legislação assegura a recuperação dos impactos negativos causados ao meio ambiente por intermédio do segundo parágrafo do art. 225 da Constituição Federal de 1988 ao citar: “As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente 41 sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados” (BRASIL,1988, Art. 225, § 3º). No que diz respeito à reparação dos danos, é possível ser realizada com o reestabelecimento do equilíbrio ambiental mediante a criação de um projeto ambiental que englobe premissas ambientais, estéticas e sociais, a depender da função dada à área em questão. Já sabemos como acontecem as degradações ambientais e quais suas consequ- ências. Aprofunde o estudo desta temática lendo sobre restauração das áreas de- gradadas, contido na unidade 2 (página 106), do livro “Responsabilidade Socioam- biental” (MIRANDA, 2017). Disponível em: https://bit.ly/3fCh0dA. Acesso em: 20 mar. 2021. BUSQUE POR MAIS Apesar de associarmos, frequentemente, o termo degradação ambiental a assuntos de fato ambientais, este conceito está ainda intimamente ligado a questões sociais como consta na Agenda 21, documento derivado da ECO-92 (Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento) que fora assinado por 179 países: A pobreza e a degradação do meio ambiente estão es- treitamente relacionadas. Enquanto a pobreza tem como resultado determinados tipos de pressão ambien- tal, as principais causas da deterioração ininterrupta do meio ambiente mundial são os padrões insustentáveis de consumo e produção, especialmente nos países in- dustrializados (CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1992, p. 21). O que este trecho da Agenda 21 ressalta é que a degradação ambiental é resultante de ações das diferentes classes sociais, no entanto, é importante destacar que populações que ocupam os níveis mais baixos não têm capacidade de causar degradação ambiental como as pessoas de poder aquisitivo mais elevado, uma vez que os níveis mais altos das classes sociais possuem maior facilidade em produzir e consumir bens materiais gerando, por exemplo, mais resíduos (MENEGUZZO, 2006). Rodrigues e Silva (2020) corroboram este pensamento ao contrariarem o dizer do Ministro da Economia Paulo Guedes, de que a degradação é causada pela pobreza, ao falarem que a degradação, na verdade, é uma das mais perversas consequências da pobreza. A degradação decorrente da pobreza é uma parcela muito pequena, como por exemplo, quando a mata de zonas de risco é retirada para ocupação trata-se de um componente mínimo se comparado à destruição ambiental que o país testemunha há séculos, em que se pode citar o caso da Amazônia, que embora sejam pessoas pobres que executam o serviço de desma-tamento, são pessoas de alto nível social os responsáveis, uma vez que são os financiadores (RODRIGUES; DIAS, 2020)). Assim, podemos dizer que o que realmente acontece é pobreza oriunda de degradação ambiental. Tomemos como exemplo comunidades de mesmo poder aquisitivo vivendo https://bit.ly/3fCh0dA 42 em condições ambientais distintas. Uma está inserida num contexto de preservação do meio ambiente, a outra na circunstância da degradação ambiental. Podemos dizer que ambas populações possuem exatamente o mesmo nível social? Há quem diga que sim, já que possuem a mesma renda. Mas vamos analisar através de outro ângulo, considerando os recursos ofertados pelo meio ambiente preservado. A comunidade que vive em um ambienteconservado pode retirar do meio recursos de subsistência como alimento e até mesmo medicamentos, além da saúde preventiva decorrente da qualidade de vida existente em áreas verdes. Por sua vez, a comunidade estabelecida no meio ambiente degradado necessita usar parte dos seus recursos financeiros para adquirir alimentos e medicamentos para doenças que podem ter sido causadas pelo ambiente insalubre podendo, desta maneira, propiciar pobreza. 3.3 CARACTERÍSTICAS EVOLUTIVAS DOS ECOSSISTEMAS HUMANOS Parafraseando Lavoisier, famoso cientista considerado pai da química, que em sua lei chamada lei da conservação da matéria fala: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Desde o princípio de sua existência que o homem transforma a natureza ao seu redor, causando mudanças proporcionais para suas necessidades e a sua força em converter a natureza naquilo que deseja. O homem primitivo (Figura 17) pode ser caracterizado por sua relação não agressiva com a natureza e, em alguns casos, pelo papel de submissão que assumia perante a formas ineficientes de transformação do meio ambiente. Portanto, no cenário que estavam inseridos, na maioria das vezes, as primeiras civilizações retiravam do meio somente o suficiente a sobrevivência e o necessário à sua proteção, logo, não geravam excedentes. Figura 17: Homem primitivo Fonte: Disponível em https://bit.ly/3vJSihm. Acesso em: 20 mar. 2021 Ao transcorrer do tempo as sociedades passaram a ter cada vez mais poder sobre a natureza e começaram a produzir além da subsistência. No período escravocrata já foi possível observar instrumentos de exploração da natureza mais eficientes, em que escravos além de produzir o suficiente para sobrevivência de seus senhores, ainda geravam excedentes que davam origem à parte do capital dos reinos. A partir daí foram inúmeros eventos que culminaram para a relação desarmônica entre o homem e a natureza causada, principalmente, pela exploração exponencial do meio ambiente. Um artesão produz peças decorativas de madeira. Um certo dia, resolveu que iria https://bit.ly/3vJSihm 43 dobrar diariamente sua produção durante os próximos quinze dias. Então, no primeiro dia produziu uma peça. No segundo dia, dobrando sua produção do dia anterior, fez duas peças. No terceiro dia são quatro peças e no final do dia seguinte devem ser totalizadas oito peças. Seguindo este ritmo, ao final do dia 15 ele deverá ter produzido 16.384 (dezesseis mil trezentos e oitenta e quatro) peças. Fazendo o somatório de todas as peças produzidas nesta semana, chegamos a um valor de 32.767 (trinta e dois mil setecentos e sessenta e sete) peças produzidas, número inferior à quantidade de peças que deveriam ser produzidas, na adoção do décimo sexto dia, que seria de 32.768 (trinta e dois mil setecentos e sessenta e oito) peças somente neste dia (décimo sexto dia). Este conto retrata o conceito de crescimento exponencial, no qual um valor aumenta a uma taxa constante por período de tempo. No início os aumentos parecem ser pequenos, entretanto, com apenas alguns loopings os resultados gigantescos já começam a aparecer, uma vez que o resultado atual é sempre maior que a soma total de todos os resultados anteriores. Este é o crescimento (exponencial) que as atividades humanas vêm tomando ao passar das décadas, acarretando em alterações ambientais como extinções em massa, poluições, desmatamentos e mudanças climáticas. A preocupação na continuação deste ritmo de transformação da natureza se deve, em grande parte, à questão da diminuição dos insumos fornecidos, naturalmente, pelo meio ambiente, como as reservas hídricas e a biodiversidade; a possibilidade de alterações socioeconômicas a níveis mundiais impostas pela indisponibilidade de recursos; e devido ao comprometimento das condições vitais à sobrevivência humana, em que mais uma vez podemos citar como exemplo os efeitos oriundos das alterações em nossa camada de ozônio. Passados os períodos de exploração de recursos do meio ambiente como forma de subsistência e depois pequenas quantidades excedentes, o crescimento exponencial da ação humana na natureza começa a acelerar através do chamado processo de industrialização, ou revolução industrial. A produção deixou de ser manual e se tornou mecanizada. Este processo proporcionou ao homem grandes avanços econômicos e sociais. Mas como ocorre em grande parte dos mais expressivos propulsores de desenvolvimento socioeconômico, não existe apenas o bônus como resultado deste processo. Há o ônus e foi o meio ambiente que pagou e paga esta conta, passando por alterações desfavoráveis vindas do consumo exagerado de recursos naturais e da geração de resíduos e rejeitos industriais. As consequências de um sistema remanescente da Revolução Industrial puderam ser acompanhadas a partir de meados do século passado. Visando somente o crescimento econômico, este processo de industrialização não zelou pela qualidade do meio ambiente e, consequentemente, a saúde da população, provocando a contaminação de rios, poluição do ar e vazamento de produtos químicos nocivos à saúde (POTT; ESTRELA, 2017). Ainda houve vários outros eventos causadores de degradação ambiental em busca do rápido desenvolvimento econômico. Hogan (2007) cita alguns, como a chamada “A Névoa Matadora” que em Londres em 1952 ocasionou a morte de mais de quatro mil pessoas, o que promoveu a movimentação das autoridades de saúde e chamou a atenção quanto à qualidade do ar. O Vale do Meuse em 1930 na Bélgica que acarretou na morte de 60 pessoas e as 107 mortes registradas e três mil casos em verificações devido à contaminação de água na Baía de Minamata no Japão em 1956. Portanto, não há dúvidas de que a sede do homem pelo desenvolvimento trouxe 44 grandes danos ambientais e, consequentemente, a saúde e qualidade de vida dos inseridos nestes contextos, bem como a todo o planeta. Ainda assim, os avanços tecnológicos não foram a única causa dos resultados negativos no ambiente, é necessário citar que as guerras também facilitaram a degradação ambiental. Outra conjuntura que deve ser mencionada é o surgimento da globalização criadora de sociedades consumistas que potencializaram a desarmonia na relação entre o homem e a natureza. Para estas populações o necessário já não era mais o suficiente. Assim, a demanda do homem na natureza tornou-se uma busca em suprir além da subsistência, todos os seus desejos, ou pelo menos grande parte deles. Os efeitos do suprimento destes desejos estão atrelados não só à retirada de matéria do meio ambiente, mas também aos prejuízos levados em forma de geração de resíduos e poluição, seja ela na terra, na água ou no ar. O problema não é o homem buscar inteirar algumas de suas aspirações. A questão está no fato dos desejos das civilizações terem se tornado infinitos, não acompanhando a matéria prima finita ofertada pela natureza. O resultado destas subtrações feitas em prol do consumismo está vinculado, além das poluições já citadas, à extinção de várias espécies. O homem deixou um rastro de destruição em altos níveis de escala, com grandes casos de degradação ambiental, em seu processo de transformação dos recursos naturais, guiado em especial pelo trabalho (CIDREIRA-NETO; RODRIGUES, 2017). Os rastros deixados pelo homem na extração de recursos da natureza em favor de benefícios próprios passaram a ser mensurados para que se fosse possível compreender o consumo das populações sobre os recursos naturais, a este processo damos o nome de pegada ecológica. Portanto, a Pegada Ecológica é uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a pressão do consumo das sociedades humanas sobre os recursos naturais. Para tanto, os resultados são expressos em hectares globais (gha), permitindo comparar diferentes padrões de consumo e verificar se estão dentro da capacidade ecológica do planeta (WWF-BRASIL, c2021). Para compreender melhor como a sua Pegada Ecológica, a dos países ecidades são men- suradas acesse os links disponibilizados abaixo. No primeiro link você poderá realizar o cálculo da sua pegada ecológica apenas respondendo algumas perguntas do seu dia a dia. O segundo link contém informações dos componentes da pegada ecológica. BUSQUE POR MAIS Link1: https://bit.ly/34EacG6. Acesso em: 22 mar. 2021. Link2: https://bit.ly/3fCPZ9T. Acesso em: 22 mar. 2021. Analisando tudo que já estudamos até aqui você consegue notar o quão grave vem sendo a passagem do homem pelo planeta e como podemos ser prejudiciais para a natureza e, consequentemente, para nós mesmos? A boa notícia é que ainda existe solução para todos os problemas que estudamos neste capítulo, que é encontrada no desenvolvimento sustentável, conceito de um modelo desenvolvido que já deveria estar implementado há décadas e que ainda será abordado neste livro. https://bit.ly/34EacG6 https://bit.ly/3fCPZ9T 45 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Qualquer atividade que o homem desenvolva no meio ambiente e acarrete em alterações irá provocar um impacto ambiental, por vezes de pequenos graus e outras de caráter mais significativo. A respeito do conceito do termo impacto ambiental, assinale a alternativa correta. a) Impacto ambiental é alteração positiva a fim da preservação ou recuperação do ambiente como obras de revitalização, reflorestamento e criação de espaços verdes em meio a centros urbanos, por exemplo. b) Impacto ambiental são alterações negativas que causam prejuízos ao meio ambiente. Atividades do dia a dia podem resultar em impactos ambientais como o descarte inadequado de nossos resíduos e o uso não consciente da energia elétrica. c) Impacto ambiental trata-se da emissão de matéria e energia lançada no meio ambiente pelo homem além da capacidade da natureza de absorver. d) Impacto ambiental é qualquer modificação de aspectos físicos, químicos e biológicos do meio ambiente, podendo ser de ordem positiva ou negativa. e) Impacto ambiental é a retirada da cobertura vegetal de solos, causando o desmatamento de muitas florestas no mundo. 2. Impactos ambientais podem ser classificados em positivos ou negativos, de acordo com o tipo de alteração no meio ambiente. Diante disso, assinale a alternativa que contenha um exemplo de impacto ambiental positivo e impacto ambiental negativo, respectivamente: a) Uso de transporte coletivo e fazer a separação do lixo doméstico. b) Jogar lixo nas ruas e utilizar caixa de som em volume alto. c) Uso consciente de água e praticar reflorestamento. d) Obras de revitalização e lançar esgoto doméstico em rios. e) Uso exagerado de automóveis e não adotar práticas consumistas. 3. Extinções, esgotamento de água e solo e destruição de ecossistemas e habitats são exemplos recorrentes de atividades antrópicas e que podem ser chamados de degradação ambiental. Marque a opção abaixo que representa o conceito de degradação ambiental. a) Qualquer modificação de aspectos físicos, químicos e biológicos do meio ambiente, podendo ser de ordem positiva ou negativa. b) Alterações geralmente de causa humana das características físicas, químicas e biológicas de cunho prejudicial ao ambiente e/ou de forma socioeconômica. c) Emissão de matéria e energia lançada no meio ambiente pelo homem além da capacidade da natureza em absorver. d) Alterações positivas a fim da preservação ou recuperação do ambiente como obras de revitalização e reflorestamento. e) Procedimentos legais, institucionais e técnico-científicos, objetivando evitar, reduzir ou 46 compensar efeitos negativos na natureza. 4. No Brasil a legislação assegura a recuperação dos impactos negativos causados ao meio ambiente através do texto contido no segundo parágrafo do art. 225 da Constituição Federal de 1988. Assinale a alternativa que contenha este texto. a) As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente, da obrigação de reparar os danos causados. b) Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de naturezas material e imaterial, tomados, individualmente, ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira. c) Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. d) Qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causadas por qualquer forma de energia ou matéria resultante das atividades humanas. e) O uso da AIA é imprescindível para toda a atividade que possua capacidade de poluir ou degradar o meio ambiente. 5. As alterações dos aspectos ambientais naturais oriundas de ações humanas são inúmeras, dos mais variados tipos, em que podemos destacar: poluição, desmatamento, queimadas, salinização e efeito estufa. Julgue as afirmativas a seguir analisando os conceitos referentes aos termos citados, anteriormente. I. Desmatamento: Prática da queima de biomassa vegetal, geralmente, utilizada pela agricultura para limpeza de terrenos. II. Poluição: Contaminação do meio ambiente através de elementos ou energia de efeito negativo, causada pelo homem de forma direta ou indireta. III. Salinização: Efeito comumente ligado à agricultura, causado pelo acúmulo de sais no solo. IV. Queimada: Processo físico natural que controla a temperatura do planeta. V. Efeito estufa: Poluição do ar e aumento da erosão no solo. Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas. a) Apenas I e V estão corretas. b) Apenas II e IV estão corretas. c) Apenas II e III estão corretas. d) Apenas I, II e IV estão corretas. e) Apenas II, III e V estão corretas. 6. Desde o princípio de sua existência que o homem transforma a natureza ao seu redor, 47 causando mudanças proporcionais a suas necessidades e a sua força em converter a natureza naquilo que deseja. A respeito do homem primitivo, assinale a alternativa correta. a) Pode ser caracterizado por sua relação não agressiva com a natureza e, em alguns casos, pelo papel de submissão. b) As primeiras civilizações retiravam do meio o suficiente à sobrevivência, para armazenar e para, futuramente, ser comercializado. c) Sempre tiveram grande poder de alteração sobre a natureza, mas não retiravam da natureza recursos além da subsistência. d) Sempre existiu uma relação desarmônica entre o homem e a natureza causada, principalmente, pela exploração exponencial do meio ambiente. e) O homem primitivo utilizava instrumentos bastante eficientes, o que possibilitava a exploração da natureza em grande escala. 7. A civilização humana passou por diversas formas de exploração da natureza desde o seu surgimento. Em alguns períodos a exploração de recursos do meio ambiente funcionava como forma de subsistência, já em outros a retirada dos recursos era tão grande que causava danos ao ambiente. A partir disso, julgue as sentenças abaixo como verdadeiro ou falso. ( ) As primeiras civilizações retiravam do meio somente o suficiente a sobrevivência e o necessário à sua proteção. ( ) Apesar de atualmente o homem possuir grande poder de retirar recursos da natureza, as sociedades estão explorando a natureza sem gerar prejuízos ao meio ambiente. ( ) No período da revolução industrial a produção deixou de ser manual e se tornou mecanizada. Este processo proporcionou ao homem grandes avanços econômicos e sociais sem danos à natureza. ( ) O crescimento exponencial que as atividades humanas vêm tomando ao passar das décadas vem acarretando em alterações ambientais como extinções em massa, poluição, desmatamentos e mudanças climáticas ( ) No período escravocrata já foi possível observar instrumentos de exploração da natureza mais eficientes, em que escravos além de produzir o suficiente para sobrevivência de seus senhores,ainda geravam excedentes que davam origem à parte do capital dos reinos. Assinale a alternativa correta abaixo: a) V – V – F – F – V. b) F – F – F – V – V. c) F – V – F – V – V. d) V – V – F – V – V. e) V – F – F – V – V. 8. É uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a pressão do consumo das sociedades humanas sobre os recursos naturais. Para tanto, os resultados são expressos em hectares globais (gha), permitindo comparar diferentes padrões de consumo e verificar 48 se estão dentro da capacidade ecológica do planeta (WWF-BRASIL, 2021). Assinale a alternativa em que o texto faz referência. a) Reflorestamento. b) Recuperação de áreas degradadas. c) Medição de áreas degradadas. d) Comunidade ecológica. e) Pegada ecológica. 49 RECURSOS ENERGÉTICOS UNIDADE 04 50 4.1 INTRODUÇÃO AOS RECURSOS ENERGÉTICOS Já sabemos que a natureza proporciona uma série de recursos que são indispensá- veis ao homem. A ingestão de substância orgânica proporciona energia para que nosso metabolismo funcione corretamente. Florestas são grandes produtoras de matéria prima para os mais diversos tipos de indústrias. Rios e lagos são fontes de águas que utilizamos nas reações químicas de nosso corpo. Mas será que é possível usarmos estes mesmos recursos, no entanto, de maneiras diferentes das citadas? Sem dúvidas sua resposta foi sim, afinal, já estudamos bastante a respeito dos recursos ofertados pela natureza e pudemos notar o quão vasto é seu uso pelo homem. Neste capítulo veremos os chamados recursos energéticos (Figura 19) que são os insumos naturais que servem como fonte geradora de energia para atividades humanas. As fontes energéticas não possuem relação apenas com o desenvolvimento das atividades humanas, mas estão também intimamente ligadas ao meio ambiente, pois dependendo de como os recursos energéticos são utilizados pelo homem graves danos à natureza po- dem ser causados. Figura 18: Recursos naturais energéticos Fonte: Acervo pessoal (Arte de Pedro Fonseca, 2021) Em meio às várias maneiras que podem ser encontradas na natureza, os recursos energéticos podem ser utilizados de forma instantânea ou serem transformados em pro- cessos de conversão de energia. As principais formas de energia utilizadas pelo homem são a eólica, solar, atômica ou nuclear, química, elétrica, térmica, mecânica e magnética. Estes recursos energéticos (Figura 19) podem ser classificados como renováveis e não renováveis, de acordo com a capacidade da natureza em restituí-los. Também pode- mos caracterizar as fontes energéticas em primárias e secundárias. Conforme Reis (2011) a energia primária são os produtos energéticos fornecidos pela natureza e que podem ser utilizados de forma imediata, ao passo que os recursos secundários são os produtos ener- géticos consequentes dos diferentes centros de transformação dos recursos primários, tendo como finalidade os vários setores de consumo e, ocasionalmente, outros centros de transformação, ou seja, as fontes secundárias são fontes energéticas derivadas das fontes primárias. 51 Figura 19: Recursos energéticos renováveis e não renováveis Fonte: Acervo pessoal (Arte de Pedro Fonseca, 2021) Embora os recursos energéticos tenham seu uso potencializado a partir da revolu- ção industrial, seu emprego nas atividades humanas data desde as civilizações mais anti- gas, quando o homem alcançou o domínio do fogo e passou a utilizar da energia térmica para preparação de alimentos e aquecimento do corpo. Posteriormente, o homem dominou a energia mecânica através da domesticação de animais, utilizando para atividades como transporte e agricultura. As energias hidráuli- ca e eólica são outros exemplos e são utilizadas há alguns milênios. No entanto, há apenas três séculos que a energia assumiu conotação diferente e fundamental na substituição de homens e animais pelas máquinas (SILVA et al., 2003). Para Silva et al. (2003) desde o domínio do fogo há cerca de 750.000 anos até o sur- gimento da revolução industrial não existiu evolução significativa na forma do homem utilizar a energia. Contudo, o advento do processo de industrialização trouxe à tona a gran- de necessidade de energia, forçando o surgimento de novas fontes primárias, com maior densidade energética. Desse jeito, a introdução do carvão mineral marcou o fim da era da energia renovável representada pela madeira e pelos insuficientes aproveitamentos hi- dráulicos e eólicos, para estrear a era da energia não renovável, ou melhor, dos combustí- veis fósseis. O Sol se trata da mais antiga e importante fonte de energia do nosso planeta, tem papel fun- damental no processo de reciclagem das águas, que por sua vez geram energia hidráulica e maremotriz. Participa na formação dos ventos, que é o insumo da energia eólica. É utilizado na fotossíntese, possibilitando a energia a partir da biomassa. Existem ainda inúmeros ou- tros exemplos de fontes primárias que só são existentes devido ao sol e esse o motivo que o faz tão importante. FIQUE ATENTO Entretanto, os combustíveis fósseis como o petróleo, o gás natural e o carvão mineral não são as únicas fontes de energia que merecem destaque. Podem ser citados o urânio, a energia hidráulica, lenha e produtos da cana-de-açúcar e os resíduos vegetais e indus- triais como principais fontes de energia primária. No grupo das fontes de energia secundá- rias têm-se o óleo diesel, óleo combustível, gasolina GLP, nafta, querosene, gás, coque de carvão mineral, urânio contido no UO2 dos elementos combustíveis, eletricidade, carvão vegetal, álcool etílico e outras fontes secundárias de petróleo (gás de refinaria, coque etc.). Bem como o alcatrão obtido na transformação do carvão metalúrgico (REIS, 2011). 52 As energias primárias e secundárias citadas no parágrafo anterior compõem a ca- deia energética, que segundo Moreira, Grimoni e Rocha (2019) se trata da sequência do movimento e dos tipos de energia, desde a fonte ou produção, como é o caso da energia primária, passando pela transformação, que são energias derivadas, até a sua utilização final. As etapas da cadeia energética estão ilustradas na Figura 20 abaixo. Figura 20: Etapas da cadeia energética Fonte: Moreira, Grimoni e Rocha (2019) Transformação: correspondem aos processos industriais de transformação das fontes primárias de energia, como plan- tas de beneficiamento de petróleo, plantas de transforma- ção de carvão mineral (coqueria) e vegetal (carvoaria), plan- tas de geração de energia termelétrica (usinas termelétricas a carvão, óleo mineral, gás natural, biomassa, nuclear, solar), plantas de transformação e beneficiamento de combustível nuclear e plantas de geração de energia hidrelétrica, eólica e maré motriz. Consumo final total: corresponde ao consumo final que, por sua vez, pode ser dividido em consumo final não energético e consumo final energético. (MOREIRA; GRI- MONI; ROCHA, 2019, p. 06). Com a chegada da Revolução Industrial o carvão mineral passou a ser uma das prin- cipais fontes energéticas. Passou a ser utilizado para dar movimento aos automóveis da época (locomotivas), além de dar vida às máquinas a vapor e aos teares mecânicos da indústria têxtil. Posteriormente, ao passar dos anos as hidrelétricas e o petróleo passaram a integrar a matriz energética mundial e em pouco tempo o petróleo atingiu o ápice e se tornou o recurso energético mais utilizado no planeta. Com o surgimento dos motores a gasolina e a outros derivados do petróleo, o com- bustível fóssil passou a ser primordial. De acordo com Mancini e Cruz (2012) o ponto nega- tivo do petróleo está no mineral ser bastante suscetível a crises, apresentando aumentos de preços, muitas vezes, de forma artificial. Segundo os autores, esse fato ocasionou a pri- meira crise do gênero, em que elevou o preço médio do barril de petróleo de US$2,8 para US$12, em 1973. Foi a partir daí que o mundo conheceu a sigla OPEP (Organização dos Países Expor- tadores de Petróleo) tendo como componentes:Irã, Iraque, Kwait, Líbia, Nigéria, Catar, Ará- bia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Venezuela, Angola, Argélia e Equador. Estima-se que aproximadamente 75% das reservas mundiais e cerca de 40% da produção do óleo estão sob responsabilidade dos países da OPEP (MANCINI; CRUZ, 2012). De acordo com balanços estatísticos de energia mundial realizado pela Agência In- ternacional de Energia (2021a) (sigla em inglês IEA – International Energy Agency), o óleo e 53 o carvão vêm sendo as principais fontes fornecedoras de energia como mostra a Figura 21 abaixo. Figura 21: Fornecimento total de energia (TES) por fonte, Mundo 1990-2018. Fonte: IEA (2021a) Notas: TES aqui exclui eletricidade e comércio de calor. O carvão também inclui turfa e xisto betuminoso, quando relevante. FIQUE ATENTO O gráfico ilustrado acima (Figura 21) tem como unidade a Tonelada Equivalente de Petróleo – TOE. Apesar do TOE não ser uma unidade do SI (Sistema Internacional de Uni- dades) a utilização da mesma corrobora a importância do petróleo no mundo atual. Na Figura 24 é possível notar que o óleo, o carvão e o gás natural tiveram papel de destaque no fornecimento de energia, ressaltando a exclusão do uso das energias para eletricidade e comércio de calor. Já o uso da energia elétrica a nível mundial (Figura 22), de acordo com os dados do IEA (2021b) tem como destaque nos últimos anos (1990 – 2018) o carvão, o gás natural e a hidro. É possível observar também que entre os anos de 1998 e 2000 o gás natural ganhou destaque, ultrapassando as fontes hidráulica e nuclear. Notas: Outras fontes incluem geração de calor químico e outras fontes. Hydro inclui geração de usinas hidrelétricas bombeadas. O carvão também inclui turfa e xisto betuminoso, quan- do relevante. FIQUE ATENTO 54 Figura 22: Geração de eletricidade por fonte, Mundo 1990-2018 Fonte: IEA (2021b) Outra informação relevante que podemos tirar da Figura 22 é a presença de uma energia renovável no ranking das três primeiras fontes mais utilizadas, como é o caso da energia hídrica, ocupando a segunda posição até meados dos anos 2000 e nos últimos anos a terceira posição. Vale salientar que outras fontes renováveis como as provenientes do vento, do sol e dos biocombustíveis apesar de apresentarem um crescimento, infeliz- mente, ainda não apresentam papel de destaque na geração de energia elétrica a nível mundial. Mancini e Cruz (2012) falaram que a demanda energética mais atual apresenta uma grande tendência para a utilização de fontes renováveis, de forma contrária ao ciclo ener- gético de décadas passadas, que se baseiam especialmente no petróleo. Entretanto, fazendo uma análise de um panorama mais recente, do ano de 2018, o mundo ainda possui uma matriz energética composta, sobretudo, de fontes não renová- veis de energia, como o carvão, o petróleo e o gás natural, como é possível identificar na Figura 23 abaixo. Figura 23: Matriz energética mundial, ano 2018 (INTERNATIONAL ENERGY AGENCY, 2021a) Fonte: Empresa de Pesquisa Energética (2020, elaborado com dados da International Energy Agency) 55 Neste gráfico (Figura 24) vemos que da totalidade da matriz energética mundial, mais de 86% se trata de energia não renovável somadas pelo uso do carvão mineral (26,9%), petróleo e seus derivados (31,5%), gás natural (22,8%) e nuclear (5,0%). A outra parcela, mi- noria, resulta em aproximadamente 14% e são referentes às fontes renováveis de energia como biomassa (9,3%), hidráulica (2,5%) e o grupos outros (2,0%) que compreendem outras fontes renováveis como solar, eólica e geotérmica. Este cenário nos faz refletir sobre que, embora o homem demonstre a intenção em tornar as fontes renováveis como principais, em substituição à posição das fontes não renováveis, como citado por Mancini e Da Cruz (2012), a realidade atual não está compatível com a idealizada e estudos que promovam essa substituição em prol do maior uso de fontes renováveis de energia precisam estar mais presentes. Na conjuntura local os dados do Balanço Energético Nacional (BEN) para o ano de 2018 mostram resultados como os observados pelo IEA a nível mundial, caracterizando a maior parcela da matriz energética brasileira por energias não renováveis, como nuclear (1,4%), carvão mineral (5,3%), gás natural (12,2%), petróleo e seus derivados (34,3%) e outras fontes não renováveis (0,6%) atingindo, aproximadamente, a marca de 54% do total da ma- triz energética brasileira (Figura 25). Figura 24: Matriz energética brasileira, ano 2018 Fonte: Empresa de Pesquisa Energética (2020) Apesar da maior parcela da matriz energética brasileira ser oriunda de fontes de energia não renováveis, é importante destacar que a nossa matriz se diferencia muito da mundial, em relação aos números. Os dados do BEN (2020) expostos nas Figura 27 acima mostram que mais de 46% da matriz energética nacional é de fontes renováveis de ener- gia, formado pelas energias lenha e carvão vegetal (8,8%), hidráulica (12,4%), derivados da cana-de-açúcar (18%) e outras fontes renováveis (7,0%). Para um melhor entendimento a respeito das diferenças das matrizes energéticas (mundial e nacional) organizamos os dados citados, anteriormente, em forma de gráfico, exposto na Figura 25. 56 Figura 25: Matrizes energéticas no ano de 2018: Mundial e Brasileira Fonte: Elaborado pelo Autor com dados da Internatoional Energy Agency (2021a) e da Empresa de Pesquisa Energética (2020) Segundo Empresa de Pesquisa Energética (2020) que tem por finalidade prestar serviços ao Ministério de Minas e Energia (MME), a característica de quase metade da ma- triz energética brasileira ser de fontes renováveis de energia é muito importante, pois as fontes não renováveis de energia são as maiores responsáveis pela emissão de gases do efeito estufa (GEE). Esse fato faz com que nosso país emita menos GEE por habitante que a maioria dos outros países, em que esse resultado é obtido através da divisão da emissão de gases de efeito estufa pelo número total de habitantes do país. Matriz energética e matriz elétrica possuem o mesmo significado? Segundo EPE (2021a), mui- tas pessoas confundem a matriz energética com a matriz elétrica, mas elas são distintas. A matriz energética compreende o conjunto de fontes de energia necessário para movimentar os carros, preparar a comida no fogão e gerar eletricidade, enquanto a matriz elétrica é for- mada pelo conjunto de fontes disponíveis apenas para a geração de energia elétrica. Assim, pode-se dizer que a matriz elétrica faz parte da matriz energética. VAMOS PENSAR? Pode-se dizer que o homem passou a desenvolver fontes de energia renováveis como maneira de minimizar os impactos ambientais resultantes do uso de recursos ener- géticos não renováveis que vinham causando desastres ambientais a contar da descober- ta dos combustíveis fósseis. Estes desastres estão ligados ao fato dos combustíveis fósseis e as demais fontes de energia não renováveis serem limitados, ou seja, não se renovarem rapidamente e, em grande parte dos casos, propiciam o aumento do aquecimento global com a queima na produção de combustíveis. Entretanto, apesar dos recursos energéticos renováveis reduzirem alguns danos ao meio ambiente, estas fontes ainda são vetores de danos ambientais (JESUS, 2021). O Quadro 3 e o Quadro 4 a seguir mostram algumas das vantagens e desvantagens dos recursos energéticos renováveis e não renováveis, respectivamente, em que tratare- mos destes recursos de maneira individual nos tópicos seguintes deste capítulo. 57 RECURSOS RENOVÁVEIS Vantagens Desvantagens São renováveis e suas reservas podem ser repostas em um curto espaço de tempo O uso de fontes renováveis ainda não é feito em larga escala, pois depende de avanços tecnológi- cos que as viabilizem economica- mente. Provocam poucos impactos ambientais negativos quando comparados às fon- tes não renováveis de energia. Sendo assim, são aliadas da sustentabilidade. Oferecem menos riscos deacidentes quando comparadas, por exemplo, à energia nuclear. O uso de biomassa gera impac- tos ambientais, visto que é neces- sário que haja desflorestamento de áreas, além de necessitar de um elevado uso de água. Possibilitam geração de empregos em zonas mais afastadas Diminuem a dependência da socieda- de em relação ao uso dos combustíveis fósseis O uso da hidroeletricidade pro- voca danos ao solo que, uma vez erodidos, impactam toda a re- gião. Quadro 3: Recursos energéticos renováveis Fonte: Adaptado de https://bit.ly/3i98p46. Acesso em: 20 mar. 2021 Fazendo um histórico rápido, notamos que em pouco tempo o homem desenvolveu e aper- feiçoou diversas tecnologias voltadas ao uso dos recursos energéticos. Com isso foi possível a utilização de novas fontes de geração de energia e o seu uso racional, empregando a ener- gia de modo eficiente de acordo com a sua finalidade. Continue seus estudos fazendo uma leitura sobre quais as possibilidades futuras de energia e sobre eficiência energética através dos links abaixo. BUSQUE POR MAIS • “Possibilidades futuras de energia” https://bit.ly/ 2TA7SOf. (MOREIRA; GRIMONI; ROCHA, 2019). Acesso em: 20 mar. 2021. • “Eficiência energética” https://bit.ly/3fH7dmS. (HER- NANDEZ NETO et al., 2019) Acesso em: 20 mar. 2021. https://bit.ly/3i98p46. https://bit.ly/2TA7SOf https://bit.ly/2TA7SOf https://bit.ly/2TA7SOf 58 RECURSOS NÃO RENOVÁVEIS Vantagens Desvantagens São de fácil implementação e ma-nu- tenção, visto que são mais viáveis, eco- nomicamente, que as demais formas de energia. Não são renováveis, possuindo reservas limi- tadas. Possuem alto rendimento energético quando comparados às fontes de ener- gia renováveis. O uso de fontes não renováveis provoca gran- des impactos negativos no meio ambiente, em virtude da emissão de gases poluentes na atmosfera, agravando problemas como aquecimento global e efeito estufa. O seu uso gera muitos empregos, me- lhorando a economia, visto que são uti- lizadas em larga escala no mundo todo O mau uso e a má exploração desses recur- sos energéticos podem provocar acidentes devastadores. São exemplos o derramamen- to de petróleo nas águas oceânicas e explo- sões em usinas nucleares.No caso do petróleo, além de gerar combustíveis, gera também outros de- rivados, como a parafina. Quadro 4: Recursos energéticos não renováveis Fonte: Adaptado de https://bit.ly/3i98p46. Acesso em: 20 mar. 2021 Vejamos a um pouco sobre os recursos energéticos renováveis. 4.2 RECURSOS ENERGÉTICOS RENOVÁVEIS Como o próprio nome sugere, as fontes de energia renováveis são aquelas que a natureza consegue regenerar em uma velocidade maior que o seu uso pelo homem. Isso não significa dizer que são ilimitados. Realmente existem recursos energéticos renováveis que são infinitos, como é o caso do vento e do sol, entretanto, outros como a água, senão utilizado de maneira respeitosa perante a natureza, podem faltar. A utilização de recursos energéticos renováveis é um assunto antigo. Verdadeiramen- te, os primeiros usos marcam há muitos séculos, fazendo parte da história da humanida- de. Mais recentemente essas fontes energéticas foram revisitadas e adaptadas, recebendo inúmeras melhorias tecnológicas. Esta circunstância é decorrente da crescente deman- da por alternativas energéticas, principalmente, sustentáveis (DUPONT; GRASSI; ROMITTI, 2015) Por serem energia limpa, isto é, causarem um menor impacto ambiental e reduzi- rem o uso de produtos derivados do petróleo, as fontes energéticas renováveis se tornam a opção mais indicada para a substituição dos combustíveis fósseis com o objetivo da gera- ção de energia. Destaca-se ainda o uso de energias renováveis por poderem ser alternativa para geração de energia em locais isolados que não têm disponibilidade de combustíveis fósseis. Ainda assim, é importante que, como as fontes não renováveis, as renováveis sejam de maneira sustentável e econômica para que possam garantir a utilização de forma con- tínua e segura (GUARDABASSI, 2006). Os impactos ambientais decorrentes das fontes de energia renovável variam de acordo com alguns fatores como o tipo de fonte de energia e localização geográfica, por https://bit.ly/3i98p46. 59 exemplo. Mas a importância do uso destes recursos está na questão de todos serem mais favoráveis do que os que ocupam o topo da matriz energética mundial. As fontes renováveis e/ou alternativa de energia mais conhecidas são eólica, solar, geotérmica, hídrica, maremotriz e biocombustível (Figura 26). Adiante falaremos um pou- co sobre algumas dessas fontes de energia e seus impactos no meio ambiente. Figura 26: Recursos energéticos renováveis Fonte: Acervo pessoal (Arte de Pedro Fonseca, 2021) Energia eólica: Os primeiros sinais do uso da energia eólica são questionáveis, entre- tanto, acredita-se que uma das primeiras máquinas foram as Heron de Alexandria, há cer- ca de dois mil anos (PINTO, 2012). Em seguida a energia advinda dos ventos foi largamen- te utilizada em moinhos, em substituição a tração animal. Porém, foi apenas nos últimos anos que foi possível notar o uso significativo da energia eólica, tornando-se uma peça fundamental na geração de energia, em especial, elétrica. Credita-se isso à expansão na pesquisa e no desenvolvimento para transformar a energia fornecida pelo vento (DUPONT; GRASSI; ROMITTI, 2015). Basicamente, a obtenção da energia eólica é dada a partir da transformação da ener- gia do vento em energia útil. Para isto, utiliza-se do vento para gerar energia cinética em turbinas eólicas, que por sua vez, transforma em mecânica por intermédio de movimentos de rotação, e com o uso de um gerador, em energia elétrica. Devido ao vento ser um re- curso inesgotável, é comum ouvir dizer que a energia eólica não causa danos ambientais. Contudo, existem vários impactos ambientais causados pelo uso desta energia, com os chamados parques eólicos (Figura 27) que propiciam a poluição visual, a destruição de habitats e acidentes envolvendo aves que não percebem os aerogeradores e se chocam contra suas pás. 60 Figura 27: Parque Eólico Fonte: CerneBrasil (2021) Energia solar: Se trata da utilização do calor e da luz propiciada pelo sol para gerar energia. Para isso são usados painéis para captação da luz solar, que através de um inversor solar transforma em energia elétrica. Dentre os recursos energéticos renováveis, a energia solar ganha destaque com a utilização da energia fotovoltaica, por ser uma das mais abundantes na superfície terrestre e infinita na escala de tempo humana. Isso faz com que esta energia seja uma das alter- nativas mais promissoras na formação de uma nova matriz energética mundial, tendo seu aproveitamento consolidado em vários países (VERMA; MIDTGARD; SATRE, 2011). Espera-se que até 2040 a energia solar seja a fonte renovável de energia mais significativa e impor- tante para o mundo (DE BRITO et al., 2011). De maneira análoga como acontece com a eólica, é seguro dizer que a energia eólica é inesgotável e que também possui seus pontos negativos. Entre os impactos ambientais decorrentes da energia solar podem ser citados os que estão ligados à remoção da fauna e flora para dar lugar a grandes quintais solares (Figura 28) e a vulnerabilidade causada pela forma de instalação e utilização das placas solares que podem necessitar de quantidades significativas de água para fazer o seu arrefecimento e o uso de materiais perigosos para a sua confecção. Figura 28: Parque de geração de energia solar Fonte: Gitel (2020, online) 61 Energia hídrica: O fundamento deste tipo de energia consiste na transformação da força da água em energia elétrica. Segundo Reis (2019) a energia hídrica é uma das formas mais antigas de aproveitamento energético a grande escala, sendo considerada como uma energia renovável. A geração de energia hídrica acontece, principalmente, por meio de centrais hidro- elétricas, ligadas a barragens de grande ou média capacidade. Estas barragensrepresam a água dos rios, formando um reservatório de água e interrompendo pontualmente o fluxo d’água. As centrais utilizaram a energia diferencial, entre os níveis da água represada e o rio, a jusante central, fazendo com que as turbinas rodem e seus respectivos geradores produzam eletricidade (REIS, 2019). Como as demais fontes de energia renovável, a energia hidráulica também causa impactos ambientais, sendo considerada uma das que mais geram impactos negativos na natureza. Estes impactos acontecem devido à necessidade de criar barreiras para reter água (Figura 29), o que faz com que acabem ocupando outras zonas ambientais. Esta água retida irá substituir toda a sociedade que estava inserida naquele local, isto é, a fauna, a flo- ra e os moradores nativos da região, diminuindo a biodiversidade da natureza e forçando uma relocalização da população ribeirinha. Figura 29: Usina Hidrelétrica Fonte: Borges (2017) Estudamos neste tópico a respeito das fontes energéticas renováveis e seus impactos am- bientais. Entretanto, para que possamos de fato usufruir das fontes energéticas estudadas ainda se faz necessário passar alguns processos, como o de transformação e distribuição, em que a energia gerada por um determinado recurso será convertida em energia elétrica, ou na energia almejada e, posteriormente, levada até os pontos de utilização. Continue seus estudos fazendo a leitura a respeito das formas de conversão e aplicação destas energias, contido nos livros indicados nos links abaixo: BUSQUE POR MAIS Livro 1: https://bit.ly/3i9vXFG. (MOREIRA, 2019). Acesso em: 19 mar. 2021. Livro 2: https://bit.ly/3p7T7Oi (SANTOS, 2013). Acesso em: 19 mar. 2021. https://bit.ly/3i9vXFG https://bit.ly/3p7T7Oi 62 4.3 RECURSOS ENERGÉTICOS NÃO RENOVÁVEIS De forma antagônica aos recursos energéticos renováveis, os não renováveis são aqueles que não estão disponíveis na natureza de maneira contínua, em outras palavras, a natureza não consegue renovar de maneira rápida, em escala de tempo humana. São fontes naturais esgotáveis que podem acabar a curto, médio ou longo prazos, sendo con- sideradas fontes energéticas sujas por causarem grandes impactos ambientais. Quanto mais o homem utiliza as energias não renováveis, menores são os depósitos totais na natureza. Estas energias também são chamadas de fontes de energia conven- cionais, quando formam a base de suprimento (fornecimento) de energia. Atualmente, a maior parte da energia utilizada mundialmente é oriunda de fontes energéticas não re- nováveis, devido a fortes características na geração de energia como: elevado rendimento energético, ou seja, poucas perdas de energia no processo de transformação; preços atra- entes; geração de muitos empregos; e por possuírem infraestrutura construída para gera- ção e distribuição (usinas, dutos, ferrovias e rodovias). Os principais usos dos recursos ener- géticos não renováveis em respectiva ordem a começar das mais utilizadas, são: geração de eletricidade (primeira), combustível nos transportes de cargas e de pessoas (segundo), aquecimento de casas (terceiro) (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, 2020). Podemos citar como exemplos de fontes não renováveis de energia o petróleo, carvão mineral, gás natural e nuclear (Figura 30). Figura 30: Recursos energéticos não renováveis Fonte: Acervo pessoal (Arte de Pedro Fonseca, 2021) Algumas dessas fontes, como é o caso do petróleo e do carvão mineral, por serem combustíveis (necessitam ser queimados para produzir energia) liberam gases poluentes que afetam a saúde do homem e da natureza, o que os torna responsáveis pela emissão de grande parte da emissão de gases de efeito estufa. A seguir faremos uma breve discussão a respeito das fontes energéticas não renováveis. Petróleo: O petróleo possui grande potencial energético, garantido a produção de energia a nível global. Trata-se de um combustível fóssil que apresenta diversos usos e aplicabilidade, como a utilização na indústria automobilística e matéria-prima e/ou consti- tuinte de diversos produtos como plásticos, calçados e cosméticos (MARTINS et al., 2015). 63 Os danos causados ao meio ambiente por causa do uso do petróleo estão relaciona- dos desde o processo de extração até o consumo final. Entre os vários impactos ambientais podemos citar a poluição de mares e oceanos ocasionados devido aos grandes vazamen- tos de navios petroleiros (Figura 31) e a emissão de gases de efeito estufa oriundos da quei- ma deste combustível fóssil. Figura 31: Vazamento de petróleo Fonte: Revista Galileu. Disponivel em https://glo.bo/3uGfZWq. Acesso em: 20 mar. 2021 Gás natural: O Gás Natural (GN) é caracterizado por se tratar de uma mistura leve de hidrocarbonetos na forma gasosa. Geralmente, seus reservatórios são encontrados em locais onde também existe petróleo. A utilização do GN foi potencializada nas últimas dé- cadas, especialmente, na produção de energia elétrica e combustível automotivo. Embora seja parecido com o petróleo, o gás natural é considerado menos poluente, ou seja, menos agressivo ao meio ambiente e a sua utilização na geração de energia possui custo mais baixo. Como os demais combustíveis fósseis, a utilização do gás natural pode causar graves danos à natureza. Estes impactos podem estar relacionados a vazamentos em navios, pla- taformas ou gasodutos, ocasionando na poluição do meio ambiente em que estão inseri- dos. Também estão ligados ao uso excessivo de água nas usinas termelétricas, bem como a emissão de gases poluentes como o dióxido de carbono e óxidos de nitrogênio. Carvão mineral: O carvão mineral é formado da mesma forma que o petróleo, atra- vés da decomposição da matéria orgânica de vegetais depositada em bacias sedimentares há milhões de anos. A matéria orgânica soterrada é submetida a altas pressões e tempera- turas que em contato com o ar é transformada em um produto sólido de coloração escura, no qual suas propriedades físico-químicas dependem da formação geológica (REIS, 2011). O carvão mineral é considerado o maior detentor de reservas mundiais e o mais po- luidor, dentre os combustíveis fósseis. Pode-se citar os impactos ambientais relacionados ao uso do carvão mineral na emissão de dióxido de carbono (Figura 32) o que agrava o aquecimento global e a liberação de efluentes altamente tóxicos. https://glo.bo/3uGfZWq 64 Figura 32: Usina Termoelétrica Fonte: Disponível em https://bit.ly/2RUAscO. Acesso em: 20 mar. 2021 Energia nuclear: Geralmente, a energia nuclear é oriunda de reações de fissão com efeito em cadeia de modo controlado. Este tipo de produção de energia gera incontáveis dúvidas. Por um lado, a energia nuclear proporciona uma alternativa para suprir as deman- das energéticas das sociedades modernas. Porém, por causa dos diferentes tipos de radia- ções emitidos no processo de geração de energia, e os riscos voltados a acidentes radioati- vos com proporções catastróficas coloca em xeque a utilização desta fonte energética. Um dos principais impactos ambientais decorrentes da utilização da energia nuclear é a contaminação por rejeitos radioativos que permanecem nocivos ao meio ambiente por milhares de anos. Outros efeitos negativos provenientes da energia nuclear é a geração de resíduos, denominados lixo atômico (Figura 33), que ficam no local onde ocorre a queima do urânio no processo de fissão, além da possibilidade de acidentes nestas usinas. Figura 33: Manejo de resíduo radioativo Fonte: Disponível em https://bit.ly/3yUPqzR. Acesso em: 20 mar. 2021 https://bit.ly/2RUAscO 65 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Os recursos energéticos podem ser agrupados em diferentes grupos de classificação, analise a sentença a seguir e assinale a alternativa correspondente ao grupo que esta afir- mativa se enquadra. “São os produtos energéticos fornecidos pela natureza e que podem ser utilizados de forma imediata”. a) Fontes energéticas não renováveis b) Fontes energéticas renováveis c) Fontes energéticas primárias d) Fontesenergéticas secundárias e) Fontes energéticas processadas 2. Os recursos secundários são produtos energéticos consequentes dos diferentes centros de transformação dos recursos primários. Com base nesta definição do que se trata recur- sos secundários, marque a alternativa que contenha dois exemplos de recursos energéti- cos secundários. a) Nuclear e Solar b) Gás Natural e Eólica c) Petróleo e Hídrica d) Gasolina e Carvão vegetal e) Eletricidade e Hidrelétrica 3. As energias primárias e secundárias compõem a cadeia energética, que segundo Morei- ra., et al. (2017) se trata da sequência do movimento e dos tipos de energia, desde a fonte ou produção, passando pela transformação, até a sua utilização final. Sobre as etapas da cadeia energética assinale a opção correta. a) Na primeira etapa da cadeia energética tem-se as fontes energéticas nos quais são co- nhecidas como fontes secundárias. b) As chamadas fontes primárias que compõem o primeiro grupo da cadeia energética podem ser utilizadas de forma imediata ou transformadas em outros tipos de energia, con- tinuando com a mesma classificação em ambos os usos. c) A última etapa da cadeia energética é chamada consumo final e se trata do consumo da energia gerada e pode ser dividida em duas maneiras, sendo elas: consumo final energéti- co renovável e consumo final energético não renovável. d) A cadeia energética é dividida em quatro (04) etapas que são: Fontes energéticas, Sele- ção do tipo de fontes, Transformação e Consumo final. e) A Transformação corresponde aos processos industriais de transformação das fontes primárias de energia. 4. Matriz energética compreende o conjunto de fontes de energia necessárias para movi- mentar os carros, preparar a comida no fogão e gerar eletricidade. Assinale a alternativa correta a respeito da matriz energética brasileira. 66 a) Embora a maior parcela da matriz energética brasileira seja de fontes não renováveis, ela se diferencia muito da matriz mundial devido às fontes renováveis se aproximarem de quase metade da sua composição. b) A atual matriz energética brasileira é composta por mais de 80% de fontes não renová- veis, tendo como principais o petróleo e o carvão mineral. c) A matriz energética brasileira possui um grande ponto positivo em relação à matriz mun- dial, que é ser formada em grande parte por recursos renováveis, no entanto, a parcela não renovável é muito prejudicial ao meio ambiente por ser formada basicamente de energia nuclear e petróleo. d) O Brasil possui uma matriz energética composta, parcialmente, de fontes renováveis de energia, em que a maior parte desta parcela se trata de lenha e carvão vegetal provenien- tes da floresta amazônica e da mata atlântica. e) Com o avanço tecnológico nacional e o incentivo em estudos e exploração de combus- tíveis fósseis a matriz energética brasileira apresenta grande tendência em se tornar cada vez mais não renovável, se assemelhando à matriz energética mundial. 5. A prática da eficiência energética faz parte do caminho da sustentabilidade por meio da geração de energia, minimizando o uso de recursos e, consequentemente, de impactos ambientais. Em relação à definição de eficiência energética, marque a opção correta. a) A eficiência energética acontece quando são utilizados recursos que a natureza conse- gue regenerar em uma velocidade maior que o seu uso pelo homem. b) Esta prática consiste na obtenção da mesma quantidade desejada de energia, no en- tanto, com a utilização menor de recursos, isto é, o uso racional dos recursos energéticos, fazendo mais com menos. c) A eficiência energética acontece somente com o uso de fontes naturais esgotáveis que podem acabar a curto, médio ou longo prazos, em que esta prática busca um uso econô- mico para que os recursos não venham a se esgotar na natureza. d) A eficiência energética é obtida pelo conjunto de fontes disponíveis apenas para a ge- ração de energia elétrica. e) Esta prática tem como objetivo a diminuição dos recursos financeiros na obtenção de energia, independentemente se irá necessitar de mais ou menos recursos na geração de energia. 6. Como o próprio nome sugere, as fontes de energia renováveis (Figura ZX) são aquelas que a natureza consegue regenerar em uma velocidade maior que o seu uso pelo homem. Embora estes recursos energéticos possuam bastantes pontos positivos, sendo considera- das energias limpas, ainda causam impactos negativos ao ambiente. Analise as sentenças a seguir sobre as características positivas e negativas dos recursos energéticos renováveis. I. Suas reservas podem ser repostas em um curto espaço de tempo. II. Possuem alto rendimento energético quando comparado às fontes energéticas. III. O uso de fontes provoca grandes impactos negativos no meio ambiente, em virtude da emissão de gases poluentes na atmosfera, agravando problemas como aquecimento global e efeito estufa. 67 IV. O uso destas fontes ainda não é feito em larga escala, pois depende de avanços tecno- lógicos que as viabilizem economicamente. V. Diminuem a dependência da sociedade em relação ao uso dos combustíveis fósseis. De acordo com as sentenças acima, julgue a opção correta. a) Estão corretos somente I, IV e V. b) Estão corretos somente II e III. c) Estão corretos somente IV e V. d) Estão corretos somente III, IV e V. e) Estão corretos apenas I, II e V. 7. Aqueles que não estão disponíveis na natureza de maneira contínua, em outras palavras, a natureza não consegue renovar de maneira rápida, em escala de tempo humana. Essa definição faz jus ao conceito de a) Recursos energéticos renováveis. b) Recursos naturais. c) Fontes primárias de energia. d) Recursos energéticos não renováveis. e) Fontes secundária de energia. 8. As fontes energéticas não renováveis são esgotáveis e podem acabar a curto, médio ou longo prazos, sendo consideradas fontes energéticas sujas por causarem grandes impac- tos ambientais. Em relação às fontes não renováveis, julgue os itens abaixo em V (verdadeiro) ou F (falso). I. A biomassa é um exemplo de fonte energética não renovável e gera impactos ambien- tais relacionados ao desflorestamento de áreas e uso elevado de água. II. Estes recursos possuem alto rendimento energético quando comparados às fontes de energia renováveis. III. São exemplos de fontes energéticas não renováveis: petróleo, gás natural, carvão mine- ral, energia nuclear. IV. Estas energias também são chamadas de fontes de energia não convencionais, quando formam a base de suprimento (fornecimento) de energia. V. O mau uso e a má exploração desses recursos energéticos podem provocar acidentes devastadores. São exemplos o derramamento de petróleo nas águas oceânicas e explo- sões em usinas nucleares. Assinale a alternativa correta. a) V – V – V – F – V. b) F – V – V – F – V. c) V – V – V – V – F. d) F – F – V – F – V. e) V – F – V – F – V. 68 IMPORTANTES CONCEITOS DA CIÊNCIA AMBIENTAL UNIDADE 05 69 5.1 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Estudamos até aqui a respeito dos elementos que regem a vida no planeta, de como o meio ambiente se comporta de acordo com a sua natureza, de como se dá às relações entre os seres vivos e o meio ambiente e como a natureza oferta seus recursos para o uso humano em suas múltiplas atividades. Foram visto também os efeitos do homem sobre a natureza, em sua maioria, negativos. Agora passaremos a dialogar sobre quais os passos que devem ser dados para um contínuo uso dos recursos naturais, melhor dizendo, para um desenvolvimento sustentável. A ideia de desenvolvimento sustentável foi trazida à tona na Conferência de Estocolmo em 1972. A declaração do conceito foi importante para conectar os princípios de desenvolvimentos social e econômico com a conservação do meio ambiente, temas estes que eram vistos de maneira individual. Anos depois, em 1987, o termo desenvolvimento sustentável foi formalizado no Relatório Brundtland, ou Relatório Nosso Futuro Comum, que apresentou a expressão para o mundo. Posteriormente, no anode 1992, na famosa ECO-92, surgiu umas das principais premissas e conceitos norteadores do desenvolvimento sustentável. “Satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades” (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1991, p. 46). Com a atenção mundial voltada a este anseio, elaborou-se a Agenda 21, trazendo soluções para minimizar efeitos ambientais negativos decorrentes da maximização do consumo e do desenvolvimento econômico das nações. Alcançar o desenvolvimento sustentável significa conciliar métodos de proteção ambiental e isonomia social e econômica de maneira a possibilitar as inserções econômica e social da população aos meios de produção, cidadania e consumo. Este tipo de desenvolvimento necessita ofertar uma conjuntura abrangente de políticas públicas capazes de universalizar o acesso dos indivíduos aos serviços de infraestruturas econômica e social, utilizando os recursos, racionalmente, sem deixar de pensar nas próximas gerações (CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1992). Portanto, pode-se definir desenvolvimento sustentável como a exploração dos recursos naturais de forma a atender às necessidades da geração atual sem comprometer a existência de futuras gerações. Resultados pessimistas dos últimos anos quanto ao futuro das próximas gerações, resultantes de indicadores econômicos, sociais e ambientais fizeram com que, em setembro de 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) propusesse que os 193 países membros assinassem um plano chamado de Agenda 2030. Este plano é composto por 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ilustrados na Figura 34 e 169 metas para que todos os países membros alcancem o desenvolvimento sustentável em todos os âmbitos até o ano de 2030 (PLAN INTERNATIONAL, 2017). 70 Figura 34: Objetivos de Desenvolvimento Sustentável Fonte: Plan International (2017, online) Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e suas respectivas definições de acordo com as Nações Unidas estão citados nos pontos abaixo. • Objetivo 1 – Erradicação da pobreza: Erradicar a pobreza em todas as formas e em todos os lugares. • Objetivo 2 – Fome zero e agricultura sustentável: Acabar com a fome, alcançar a segu- rança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável. • Objetivo 3 – Saúde e Bem-Estar: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades. • Objetivo 4 – Educação de qualidade: Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos. • Objetivo 5 – Igualdade de gênero: Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas • Objetivo 6 – Água potável e saneamento: Assegurar a disponibilidade e gestão susten- tável da água e saneamento para todos. • Objetivo 7 – Energia limpa e acessível: Assegurar o acesso confiável, sustentável, mo- derno e a preço acessível à energia para todos • Objetivo 8 – Trabalho decente e crescimento econômico: Promover o crescimento eco- nômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho de- cente para todos. • Objetivo 9 – Indústria, inovação e infraestrutura: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação. • Objetivo 10 – Redução das desigualdades: Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles. • Objetivo 11 – Cidades e comunidades sustentáveis: Tornar as cidades e os assentamen- tos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. • Objetivo 12 – Consumo e produção responsáveis: Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis. • Objetivo 13 – Ação contra a mudança global do clima: Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos. • Objetivo 14 – Vida na água: Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. 71 • Objetivo 15 – Vida terrestre: Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecos- sistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade. • Objetivo 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes: Promover sociedades pacíficas e inclu- sivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis. • Objetivo 17 – Parcerias e meios de implementação: Fortalecer os meios de implemen- tação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável. O maior desafio da Agenda 2030 consiste na erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões. Além disso, o pacto busca consolidar a paz universal. Entenda mais a respeito destes e outros objetivos da Agenda 2030 através da Pla- taforma Agenda 2030. Disponível em: http://www.agenda2030.com.br/. Acesso: 23 mar. 2021. BUSQUE POR MAIS Embora não dito de maneira explícita, todas as pautas já trazidas neste capítulo sur- giram em contraposição à ideia do desenvolvimento humano, conceito que é sinônimo de crescimento econômico. Quando notamos o termo desenvolvimento sustentável, instan- taneamente, nos vêm o pensamento de preservação do meio ambiente. Infelizmente, para alguns o ato de proteger a natureza significa limitar o seu crescimento. Mas, o que precisa- mos, verdadeiramente, compreender é que não se trata apenas do meio ambiente e que o homem está incluído no grupo de beneficiários dessa metodologia de desenvolvimento, na realidade o que precisamos é do Desenvolvimento Humano Sustentável (DHS). Conforme Benvenuti (2008), devido a suas características multidisciplinares e a sua grande abrangência, o Desenvolvimento Humano Sustentável não possui um conceito bem formado e envolve fatores como questões sociais, ambientais e culturais, delineado com a individualidade de vivência dos indivíduos, seu estilo de vida e suas vontades. Em poucas palavras, o conceito de Desenvolvimen- to Humano Sustentável abrange meios e fins; justiça social e desenvolvimento econômico; bens materiais e o bem-estar humano; investimento social e o em- poderamento das pessoas; atendimento das neces- sidades básicas e estabelecimento de redes de segu- rança; sustentabilidade ambiental para as gerações atuais e futuras; e a garantia dos direitos humanos − civis, políticos, sociais, econômicos e ambientais (OLIVEIRA, 2008, p. 08). Não dá mais para pensarmos apenas no hoje. Mais do que nunca é indispensável que coloquemos em prática atitudes responsáveis que não comprometam o pre- sente das futuras gerações. Para tanto, é necessária a adoção do Desenvolvimento Sustentável. Veja mais sobre a importância deste meio de progresso fazendo a lei- BUSQUE POR MAIS tura do Capítulo 6 do livro “Introdução à Engenharia Ambiental: o desafio do desenvolvimento sustentável” (BRAGA et al., 2005). Disponível em: https://bit.ly/2TpXIj2. Acesso: 24 mar. 2021. http://www.agenda2030.com.br/ https://bit.ly/2TpXIj2 72 Uma questão dificultosa e que corrobora ainda mais a importância do desenvolvi- mento sustentável é encontrada na concepção de superpopulação. Este termo traz con- sigo a incerteza da capacidade do planeta em sustentar seus habitantes em um futuro próximo. O aumento contínuo da população mundial em larga escala levanta indagações sobre a escassez do básico: alimento, água e moradia. Uma das principais inquietações provocadas pela superpopulação está na produção de alimento, que para não deixar faltar, é necessária a destinação de grandes áreas volta- das à agricultura, especialmente, monoculturas que fomentam para o empobrecimento de solos e desequilíbrio de ecossistemas; no aumento da probabilidade de grandes epide- mias; e na adição de cada vez mais novos centros urbanos, que além da grande emissão de poluentes, podem nascer emlugares que eram inabitados pelo homem, causando um amplo processo de degradação. Você sabia que a população mundial se aproxima de atingir o número de 8 bi- lhões de pessoas? Além dos inúmeros impactos ambientais, o crescimento po- pulacional desordenado está fortemente ligado com a diminuição da qualidade de vida e a segurança social. Apronte a câmera do seu celular para o QR CODE abaixo e veja o número exato de habitantes no planeta. VAMOS PENSAR? 5.2 GESTÃO AMBIENTAL O início da revolução industrial foi um marco na linha de desenvolvimento do ho- mem, dando start a grandes crescimentos econômicos. O domínio do homem sobre a na- tureza foi visto como uma grande oportunidade de se atingir altos níveis de produção. Este feito não foi limitado a mudanças econômicas, houve frutos de ordens social e ambiental. A utilização de recursos naturais em forma desonesta com a natureza fez com que o ponteiro da balança apontasse para um significativo prejuízo ao meio ambiente, na re- lação humano-natureza (Figura 35). Foi aí com as notórias consequências, como graves problemas de poluição, degradações social e ambiental e influência negativa na qualida- de de vida que o homem despertou sobre a necessidade de aperfeiçoar seus métodos de crescimento, fazendo com que surgisse a Gestão Ambiental (GA), importante instrumento no que concerne ao desenvolvimento sustentável. Figura 35: Relação Homem-Natureza Fonte: Acervo pessoal (Arte de Pedro Fonseca, 2021) 73 A Gestão Ambiental é uma ciência voltada ao estudo e administração do exercício de atividades socioeconômicas, buscando utilizar os recursos naturais de maneira racional, renováveis ou não, visando alcançar um meio ambiente saudável para todas as gerações. Nesta ciência almeja-se o uso de práticas que resguardem a conservação e a preservação da biodiversidade, a reciclagem das matérias-primas, bem como a redução do impacto ambiental das atividades antropogênicas sobre os recursos naturais (ROBERTO; PEREIRA, 2014). A Gestão Ambiental é composta por diversas esferas, as quais podemos citar os estu- dos de técnicas voltadas à recuperação de áreas degradadas; estudos de risco e impactos ambientais, reaproveitamento de resíduos inservíveis, bem como os pontos citados abaixo. • Uso racional dos recursos naturais; • Planejamento a longo prazo; • Monitoramento; • Licenciamento e fiscalização; • Ordenamento de espaços; • Qualidade ambiental; • Instrumentos econômicos; • Instrumentos legais; • Redução de impactos ambientais; • Administração. Os objetivos da gestão ambiental estão voltados à conservação e preservação da bio- diversidade, na redução do uso das matérias-primas e dos impactos ambientais e, é claro, no desenvolvimento sustentável. Para se alcançar estes objetivos, a GA utiliza três pilares norteadores, conhecidos como 3R’s da sustentabilidade: Reduzir, Reutilizar e Reciclar e que deram origem a várias outras bases da sustentabilidade, como a inserção de termos como Repensar e Recusar, por exemplo. Podemos citar como exemplos de ações de ges- tão ambiental mostradas no esquema da Figura 36 abaixo. GERENCIAMENTO ENERGÉTICO USO E OCUPAÇÃO DO SOLO GESTÃO AMBIENTAL GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS RACIONALIZAÇÃO DO USO DE ÁGUAS EDUCAÇÃO AMBIENTAL GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS LIQUÍDOS Figura 36 – Ações de Gestão Ambiental. Fonte: Autor (2021). 74 A inserção da Gestão Ambiental em organizações leva consigo a variável valorização ambiental no planejamento da empresa, o que a torna capaz de conquistar vários certifi- cados de excelência, como a série ISO 14000. O planejamento bem aplicado contribui com uma drástica redução de custos diretos (desperdício de matérias-primas e de recursos cada vez mais escassos e mais dispendiosos, como água e energia) e de custos indiretos (representados por sanções e indenizações judiciais relacionadas a danos ao meio ambien- te ou à saúde de funcionários e da comunidade que tenha proximidade geográfica com as unidades de produção da empresa). A gestão ambiental se trata do caminho para que uma empresa atinja a almejada excelência ambiental (ROBERTO; PEREIRA, 2014). A ISO 14000 é uma norma de uso voluntário que orienta a respeito da criação e implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) a nível empresarial, sendo esta, uma norma inter- nacional com amplo aceite e aplicação relacionado ao SGA. Sua obtenção acontece de ma- neira parecida com outras certificações ISO, através de etapas formais de implementação, aferidas por meio de auditorias externas. FIQUE ATENTO Sabemos que gestão é gerir, gerenciar, planejar, administrar, organizar, pensar o pro- cesso e ver este processo de maneira eficiente. O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) en- globa tudo isso, frisando o ponto de vista do ambiente do qual serão retirados os recursos naturais que se pretende transformar. A ISO 14001, no item 3.5 traz a seguinte definição para Sistema de Gestão Ambien- tal: “a parte do sistema de gestão global que inclui estrutura organizacional, atividades de planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para de- senvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a política ambiental”. Esta norma, ISO 14001, se aplica a qualquer organização que pretenda implementar, manter e aprimorar um SGA ou garantir sua conformidade com a política ambiental que se enqua- dre (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2015). Algumas das áreas da ISSO 14000 estão descritas no Quadro 5 a seguir. ÁREA ISO Sistemas de Gestão Ambiental Série ISO 14.001 e 14.004 Auditorias Ambientais ISO 14.010, 14.011, 14.012 e 14.015 Rotulagem Ambiental Série ISO 14.020, 14.021, 14.021 e 14.025 Avaliação de Desempenho Ambiental Série ISO 14.031 e 14.032 Avaloiação de Ciclo de Vida de Produtos Série ISO 14.040, 14.041, 14.042 e 14.043 Termos e Definições Série ISO 14.050 Quadro 5: Áreas da ISO 1400 Fonte: Autor (2021) 75 Outro instrumento importante na gestão ambiental é o AIA – Avaliação de Impac- to Ambiental –. Trata-se de uma ferramenta preventiva voltada à avaliação de possíveis alterações ambientais, sejam elas positivas ou negativas, de uma determinada atividade. O objetivo da AIA está em antecipar, evitar, minimizar ou compensar os efeitos negativos relevantes nos meios físico, biológico e social. Suas características estão em ser: • Conjunto estruturado de Procedimentos; • Regido por lei ou regulamentação específica; • Documentado: estabelecimento prévio e sob registros; • Envolver diversos participantes: o proponente; a autoridade responsável; consultores, público afetado; grupos de interesse etc; • Voltado à análise da viabilidade de uma proposta em particular: são requisitos concre- tos e não procedimentos vazios. Dentre as necessidades podemos citar como exemplos em que a Avaliação de Im- pactos Ambientais se faz necessária, quando organizações pretenderem: alterar caracte- rísticas físicas, químicas ou biológicas do meio; quando forem passíveis de causarem da- nos significativos e quando promoverem a supressão ou inserção de algum elemento do meio ou ainda quando provocarem sobrecarga. Geralmente a AIA é composta por dois instrumentos, sendo eles o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). O EIA é utilizado para o planejamento ambiental, avaliação de impactos e delimi- tação de áreas de influência, além de definir mecanismos de compensação e mitigação dos danos previstos em decorrência da implantação de atividades/empreendimentos de grande potencial poluidor e degradação do meio ambiente. As informações relevantes apresentadas no EIA e a sua conclusão devem ser apresentadas no RIMA, mostrando de maneira clara as vantagens e desvantagens do projeto, bem como todas as consequências ambientais de sua implementação (INSTITUTO ESTADUAL DO AMBIENTE (RJ), 2021). Apesar do AIA ser um dos instrumentos mais conhecidos da gestão ambiental, exis- tem vários outros que se fazem necessários no desenvolvimentode atividades, sejam elas no âmbito público ou privado. O Quadro 6 abaixo traz exemplos de alguns instrumentos da GA utilizados nestas áreas. ÁREA PÚBLICA ÁREA PRIVADA Licenciamento e Avaliação de Impactos Ambientais Desepenho Sustentável Zoneamento Ambiental Análise Ambiental Auditoria Ambiental Normas ISO de Gestão Ambiental Compensação Ambiental Sistema de Gestão Ambiental Monitoramento Ambiental Produção Mais Limpa(P+L) Protocolo Verde Auditoria Ambiental Príncipio Poluidor-Pagador Monitoramento Ambiental Valoração Ambiental Rotulagem Ambiental (Selos Verde) 76 Quadro 6: Instrumentos da Gestão Ambiental Fonte: Autor (2021) Educação Ambiental Avaliação do ciclo de V ida do Produto(AVC) Entenda mais sobre a Gestão Ambiental e seus instrumentos fazendo a leitura a respeito de algumas das ferramentas contidas no Quadro 6 como: Rotulagem e Certificação Ambiental, Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), Valorização Ambiental e outros como a Avaliação de Desempenho Ambiental (ADA), contidos no Livro “Gestão Ambiental” (BARSANO; BARBOS, 2014). Disponível em: https://bit.ly/2Rb8FnR. Acesso: 26 mar.2021. BUSQUE POR MAIS https://bit.ly/2Rb8FnR 77 1. Desde o seu surgimento que o homem utiliza a natureza, fazendo a exploração dos recursos de acordo com a sua capacidade de domínio sobre o meio ambiente. No entanto, a condição dos recursos de estarem cada vez mais escassos levou o homem a seguir passos que devem ser dados para um contínuo uso dos recursos naturais, sendo assim, voltados para um desenvolvimento sustentável. Diante disso, assinale a alternativa que melhor se enquadre no conceito de Desenvolvimento Sustentável. a) Se trata da melhora na qualidade de vida e bem-estar geral das pessoas, as quais são monitoradas somente por indicadores quantitativos da economia, como o PIB, por exemplo: b) É um processo que envolve várias vertentes, com a finalidade de se obter um produto final de um desejado estilo de vida. c) Está voltado à exploração dos recursos naturais de forma a atender às necessidades da geração atual sem comprometer a existência de futuras gerações. d) Diz respeito à produção de um produto de forma racional, com o mínimo de recursos, sem que o processo resulte em desperdícios e perda de dinheiro. e) É o processo de desenvolvimento das sociedades, organizado de acordo com as classes sociais de uma determinada comunidade. 2. Com o intuito de melhorar os resultados negativos no que diz respeito ao desenvolvimento sustentável, a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs que os seus 193 países membros assinassem um plano composto por 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Em relação aos ODS, julgue as afirmações a seguir: I. Objetivo 1 – Erradicação da pobreza: Erradicar a pobreza em todas as formas e em todos os lugares. II. Objetivo 8 – Trabalho decente e crescimento econômico: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação. III. Objetivo 11 – Cidades e comunidades sustentáveis: Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. IV. Objetivo 15 – Ação contra a mudança global do clima: Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos. V. Objetivo 2 – Fome zero e agricultura sustentável: Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável. Assinale a alternativa que contenha os itens corretos. a) Somente III e V estão corretos. b) Somente I e II estão corretos. c) Somente I, II e V estão corretos. d) Somente I, III e IV estão corretos. e) Somente I, III e V estão corretos. 3. Alcançar o desenvolvimento sustentável significa conciliar métodos de proteção ambiental e isonomia social e econômica de maneira a possibilitar a inserções econômica FIXANDO O CONTEÚDO 78 e social da população aos meios de produção, cidadania e consumo. Este trecho trata-se de uma abordagem do desenvolvimento sustentável contido na Agenda 21 e busca ser alcançado pela Agenda 2030. Sobre a Agenda 2030, marque a opção correta. a) A Agenda 2030 é um plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade, que busca fortalecer a paz universal. b) O plano indica 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODS, e 149 metas. c) A Agenda 2030 objetiva erradicar a pobreza e promover vida digna para todos, independentemente, da forma que for necessária para isto. d) É o plano que reconhece que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global, mas é requisito dispensável para o desenvolvimento sustentável. e) É um plano de ação para todas as pessoas e o planeta, que foi coletivamente criado para colocar o mundo em um caminho mais sustentável e resiliente em até 30 anos após sua criação. 4. Uma questão dificultosa e que corrobora ainda mais a importância do desenvolvimento sustentável, é encontrada na concepção de superpopulação. Este termo traz consigo a incerteza da capacidade do planeta em sustentar seus habitantes em um futuro próximo. A respeito do termo Superpopulação, julgue em Verdadeira ou Falso as afirmativas a seguir: ( ) O aumento contínuo da população mundial em larga escala levanta indagações sobre a escassez do básico: alimento, água e moradia. ( ) Uma das principais inquietações provocadas pela superpopulação está na produção de alimento, no aumento da probabilidade de grandes epidemias e na adição de cada vez mais novos centros urbanos. ( ) A necessidade de produção alimentar em larga escala exige a destinação de grandes áreas voltadas à agricultura, especialmente monoculturas, que causam pequenos impactos ambientais como o empobrecimento de solos e o desequilíbrio de ecossistemas. ( ) A problemática da criação de novos centros urbanos está na grande emissão de poluentes, a questão de ocuparem lugares que eram inabitados pelo homem não causam danos significativos ao meio ambiente. ( ) Além dos inúmeros impactos ambientais, o crescimento populacional desordenado está fortemente ligado com a diminuição da qualidade de vida e a segurança social. Assinale a alternativa correta em relação aos itens acima. a) V – F – F – F – V. b) V – V – F – F – V. c) V – V – V – F – V. d) F – V – F – V – F. e) F – V – V – F – V. 5. Foi com as notórias consequências, como graves problemas de poluição, degradações social e ambiental e influência negativa na qualidade de vida que o homem despertou sobre a necessidade de aperfeiçoar seus métodos de crescimento, fazendo com que surgisse a Gestão Ambiental (GA), importante instrumento no que concerne ao desenvolvimento 79 sustentável. Assinale a alternativa que contém o conceito do termo Gestão Ambiental. a) Se trata do planejamento ambiental, avaliação de impactos e delimitação de áreas de influência, além de definir mecanismos de compensação e mitigação dos danos previstos em decorrência da implantação de atividades/empreendimentos de grande potencial poluidor e degradação do meio ambiente. b) Se trata de uma ferramenta preventiva voltada à avaliação de possíveis alterações ambientais, sejam elas positivas ou negativas, de uma determinada atividade. c) É a parte do sistema de gestão global que inclui estrutura organizacional, atividades de planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a política ambiental. d) A Gestão Ambiental é uma ciência voltada ao estudo e administração do exercício de atividades socioeconômicas, buscando utilizar os recursos naturais de maneira racional, renováveis ou não, visando alcançar um meio ambiente saudável para todas as gerações. e) Se trata de uma ferramenta para elaboração de documentos que mostram de maneira clara as vantagens e desvantagens do projeto, bem como todas as consequências ambientais de sua implementação. 6. Os objetivos da gestão ambiental estão voltadosà conservação e preservação da biodiversidade, na redução do uso das matérias-primas e dos impactos ambientais e, é claro, no desenvolvimento sustentável. Para alcançar estes objetivos, a GA utiliza três pilares norteadores conhecidos como 3R’s da sustentabilidade. Marque a opção que contenha os termos componentes do 3R’s. a) Reduzir, Reciclar e Recusar. b) Reciclar, Repensar e Reutilizar. c) Reduzir, Reciclar e Reutilizar. d) Repensar, Reciclar e Reutilizar. e) Recusar, Repensar e Reduzir. 7. Um instrumento importante na gestão ambiental é o AIA – Avaliação de Impacto Ambiental que tem como objetivo antecipar, evitar, minimizar ou compensar os efeitos negativos relevantes nos meios físico, biológico e social. Em relação ao conceito da AIA, marque a opção correta. a) Se trata do planejamento ambiental, avaliação de impactos e delimitação de áreas de influência, além de definir mecanismos de compensação e mitigação dos danos previstos em decorrência da implantação de atividades/empreendimentos de grande potencial poluidor e degradação do meio ambiente. b) Se trata de uma ferramenta preventiva voltada à avaliação de possíveis alterações ambientais, sejam elas positivas ou negativas, de uma determinada atividade. c) É a parte do sistema de gestão global que inclui estrutura organizacional, atividades de planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a política ambiental. d) É uma ciência voltada ao estudo e administração do exercício de atividades socioeconômicas, buscando utilizar os recursos naturais de maneira racional, renováveis ou não, visando alcançar um meio ambiente saudável para todas as gerações. 80 e) Se trata de uma ferramenta para elaboração de documentos que mostram de maneira clara as vantagens e desvantagens do projeto, bem como todas as consequências ambientais de sua implementação. 8. Geralmente a AIA é composta por dois instrumentos, sendo um deles voltado ao planejamento ambiental e o outro para mostrar em forma de relatório de maneira clara as vantagens e desvantagens de projetos, bem como todas as consequências ambientais de sua implementação. Assinale a alternativa que contenha estes instrumentos de acordo com suas respectivas atribuições. a) RIMA e EIA. b) AIA e EIA. c) EIA e SGA. d) EIA e RIMA. e) RIMA e SGA. 81 SAÚDE PREVENTIVA E LEGISLAÇÃO UNIDADE 06 82 6.1 SAÚDE PREVENTIVA Figura 37: Componentes do saneamento básico Fonte: Acervo pessoal (Arte de Pedro Fonseca, 2021) As diretrizes do saneamento básico em âmbito nacional estão contidas na lei Nº 14.026 (2020), que no Artigo 3º traz as seguintes considerações em relação ao saneamento básico: Que as boas condições ambientais interferem positivamente na qualidade de vida e, consequentemente, na saúde de uma população já sabemos, mas se questionado agora, você saberia responder quais os pontos que interligam estas questões? Certamente o que você pensou está correto, afinal, são inúmeros fatores que regem esta conexão. Iniciaremos a nossa conversa deste capítulo falando sobre a relação entre meio ambiente e saúde abordando, especialmente, a respeito dos componentes do termo saneamento básico e seus objetivos em promover a sadia qualidade de vida da população por meio de medidas que estimulem a preservação das condições ambientais, bem como suas relações com a saúde pública e ambiental. Métodos de saneamento são utilizados desde a idade antiga. Até por volta do século V d.C o homem desenvolveu tecnologia para irrigação, construção de diques e canalizações superficiais e subterrâneas. Filósofos da época como Platão e Aristóteles demonstravam suas preocupações com a qualidade da água e aspectos sanitários. Outra medida sanitária observada nesta época foi o tratado de Hipócrates chamado “Ares, Águas e Lugares”, que tinha o objetivo de levar informação aos médicos sobre a relação entre o meio ambiente e a saúde. Às civilizações antigas já tinham o costume de enterrar suas fezes ou as afastarem para um local longe de suas residências, utilizar ruas encanadas para servir de fontes públicas e separavam as águas servidas do abastecimento de água como forma de evitar doenças. Pode-se dizer que o saneamento está diretamente relacionado ao surgimento e desenvolvimento de cidades, em que eram normalmente formadas em lugares próximos a grandes rios, já que em suas atividades o homem, primordialmente, necessitava da água, seja para suprir suas necessidades básicas ou para limpar seus dejetos. No Brasil o primeiro sinal de saneamento aconteceu com a escavação do primeiro poço de abastecimento de água em 1951 no Rio de Janeiro, por ordem do fundador da cidade, Estácio de Sá. Embora as pessoas, habitualmente, definam saneamento básico em abastecimento de água e esgotamento sanitário, existem outros itens que o compõem. O Saneamento Básico é formado por vertentes (Figura 37) que envolvem serviços, infraestruturas e instalações operacionais, sendo eles: Abastecimento de Água, Drenagem de Águas Pluviais, Manejo de Resíduos Sólidos e Esgotamento Sanitário. 83 I - Saneamento básico: conjunto de serviços públicos, infraes- truturas e instalações operacionais de: a) abastecimento de água potável: constituído pelas ativida- des e pela disponibilização e manutenção de infraestruturas e instalações operacionais necessárias ao abastecimento públi- co de água potável, desde a captação até as ligações prediais e seus instrumentos de medição; b) esgotamento sanitário: constituído pelas atividades e pela disponibilização e manutenção de infraestruturas e instala- ções operacionais necessárias à coleta, ao transporte, ao trata- mento e à disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até sua destinação final para pro- dução de água de reuso ou seu lançamento de forma adequa- da no meio ambiente; c) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: constituí- dos pelas atividades e pela disponibilização e manutenção de infraestruturas e instalações operacionais de coleta, varrição manual e mecanizada, asseio e conservação urbana, transpor- te, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmen- te adequada dos resíduos sólidos domiciliares e dos resíduos de limpeza urbana; e d) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas: cons- tituídos pelas atividades, pela infraestrutura e pelas instala- ções operacionais de drenagem de águas pluviais, transpor- te, detenção ou retenção para o amortecimento de vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais dre- nadas, contempladas a limpeza e a fiscalização preventiva das redes. A Resolução A/RES/64/292 de 28 de julho de 2010 da Assembleia Geral das Nações Unidas define e classifica o saneamento básico como um serviço indispensável à vida e, portanto, um direito humano. Dando destaque ao saneamento básico por ser um serviço que, de forma análoga à saúde e à educação, influencia a vida da população de maneira direta e visível. Isto porque todas as esferas fundamentais que tangem à vida do homem estão ligadas a práticas de saneamento como questões de habitação, alimentação, saúde e condições de trabalho. A Organização Mundial de Saúde (OMS) expõe que o investimento em saneamento básico gera economia em saúde, estimando que para cada US$ 1 investido em saneamento tem-se um retorno de quase seis vezes, considerando os menores custos de saúde, aumento da produtividade e um número menor de mortes prematuras. A utilização de recursos financeiros em medidas voltadas ao saneamento básico é consi- derada gasto ou economia? Há quem diga que se trata de gasto, pois envolve custos. En- tretanto, podemos dizer que se trata de um investimento que, futuramente, trará uma con- siderável economia. Lugares não saneados são insalubres e, consequentemente, passíveis dos mais variados tipos de doenças, sejam elas físicas ou mentais. A população que vive VAMOS PENSAR? 84 A falta desaneamento e o uso de água imprópria ao consumo humano são a causa da morte de mais de um quarto de crianças com menos de cinco anos. Cerca de 1,7 milhões de meninos e meninas nesta faixa etária perdem suas vidas porque moram em locais insalubres. A diarreia, doença frequentemente presente em lugares insalubres no mundo, é a causa de 20% das mortes de crianças abaixo dos cinco anos, por ano. Esta circunstância crítica pode ser melhorada, consideravelmente, com a adoção da prática de lavar as mãos e com a implementação de soluções voltadas ao esgotamento sanitário, impedindo a contaminação das fontes de água (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2016). nestas áreas está vulnerável e quando acometidas por quaisquer destas doenças, terão que buscar um tratamento individual, gerando gastos individuais particulares e, especialmente, públicos que quando somados ultrapassam, consideravelmente, os custos de investimento em saneamento básico, sendo este, uma ação coletiva e preventiva. Apesar de estar diretamente ligado ao bem-estar da população, a saúde promovida pelo sa- neamento básico não deve ser confundida com as ofertadas em centros de saúde. Ao passo que esses locais ofertam melhorias a pessoas que já estão acometidas por doenças, o sane- amento básico proporciona uma saúde preventiva que diminui as chances de a população adquirir doenças, o que torna locais saneados mais propícios a uma saudável qualidade de vida. FIQUE ATENTO Outras doenças que possuem relação direta com o saneamento são as arboviroses como a dengue, zika e chikungunya. Isto porque estas doenças são transmitidas por vetores (mosquitos) que vivem, especialmente, em locais onde os serviços de saneamento são precários ou inexistentes, propiciando muitas das vezes lixões e esgotos a céu aberto, que são berços para estes e outros vetores de doenças. Sob a perspectiva da saúde pública, os Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) têm papel fundamental na estrutura epidemiológica de uma comunidade. Apesar de ser um componente indireto, os RSU’s se destacam no processo de transmissão de doenças devido aos vetores encontrarem as condições adequadas para a sua proliferação, ou seja, seu habitat no lixo. Na esfera ambiental, os resíduos contaminam desde ambientes diretamente expostos como o ar, solo e águas superficiais até locais que, no campo da visão estão protegidos, como solos e águas subterrâneas. Apesar do lixo ser coletado, frequentemente, nas áreas urbanas das cidades, muitas vezes são levados para áreas de destinação final inapropriadas, que não possuem estrutura para proteger o ambiente, formando lixões a céu aberto (SIQUEIRA; MORAES, 2009). Ainda no ponto de vista de saúde pública, o desafio está no surgimento de várias doenças como dengue, febre amarela, zika e chikungunya, parasitoses e tantas outras, somadas ao déficit estrutural e de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) e a altos custos sociais e econômicos nas esferas municipais, estaduais e nacionais. Não esperávamos ter que travar uma luta contra um inimigo invisível, o novo coronavírus. Acontece que o mundo já vive consequências drásticas de uma pandemia desde antes da covid-19, embora alguns não acreditem. São infinitas dúvidas a respeito de como começou e qual a cura para o novo coronavírus, entretanto, muitos especialistas creditam a origem da pandemia à degradação ambiental, englobando fatores como o crescimento urbano desordenado e a insuficiência 85 dos investimentos em vigilância sanitária. As inquietações com problemas voltados ao meio ambiente fazem parte da saúde pública desde seus primórdios, no entanto, foi somente na segunda metade do século XX que surgiu uma estruturação de uma área específica para tratar da inter-relação entre saúde e meio ambiente, cha¬mada de Saúde Ambiental (RIBEIRO, 2004). De acordo com a OMS a saúde ambiental é um campo de ação da saúde pública, envolvendo formas de vida, substâncias e condições ao redor do ser humano, que podem ter certos impactos na saúde e no bem-estar das pessoas (BRASIL, 1999). A crescente demanda relacionada a questões de saúde ambiental em ordens mundial e nacional aumentou a cobrança do empenho de instâncias governamentais para colocar em prática ações voltadas ao controle e à prevenção de riscos ambientais resultantes de efeitos negativos na saúde da população. Neste panorama, a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) passou a ter a competência para planejar, coordenar, supervisionar e monitorar a execução das atividades relativas à promoção da Saúde Ambiental, conforme estabelecido no Decreto nº 8.867 (2016) Art. 11, paragráfo I que fala: “[...] a formulação e implementação de ações de promoção e proteção à saúde relacionadas ao Subsistema de Vigilância em saúde Ambiental”. De acordo com o Decreto nº 8.867/2016, Art. 12 e através do Departamento de Saúde Ambiental (DESAM), que cabe à Funasa planejar, coordenar, supervisionar e monitorar a execução das atividades relativas a: I. Formulação e implementação de ações de promo- ção e proteção à saúde ambiental, em consonância com a política do Subsistema Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental; II. Controle da qualidade da água para consumo huma- no proveniente de sistemas de abastecimento pú- blico, conforme critérios e parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde; III. Apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas na área de atuação da Funasa; e IV. Fomento à educação em saúde ambiental. Você pode se aprofundar mais nas relações de saúde pública e meio ambiente através dos livros: BUSQUE POR MAIS • “Poluição Ambiental e Saúde Pública” (BARSANO; BARBOS; VIANA, 2014). Disponível em: https://bit.ly/3yS6oyZ. Acesso em: 31 mar. 2021. • “Saneamento, Saúde e Ambiente: Fundamentos para um Desenvolvimen- to Sustentável”. Disponível em: https://bit.ly/2SNySt8. Acesso em: 31 mar. 2021. https://bit.ly/3yS6oyZ https://bit.ly/2SNySt8 86 6.2 POLÍTICA AMBIENTAL Medidas voltadas ao direito ambiental existem desde que o homem notou sua relação desarmônica com a natureza. Já tivemos inúmeros eventos internacionais voltados à proteção do meio ambiente, que por sinal foram vetores de grandes medidas no que aponta à sustentabilidade. Mas, mesmo que parâmetros de desenvolvimento sustentável tenham sido criados há muito tempo, foi recente na história do homem que se passou a dar real importância aos efeitos das ações antropogênicas no meio ambiente. Foram as políticas ambientais que vieram para gerir e balancear a relação homem-natureza. A política ambiental de uma nação dita como a utilização dos recursos naturais, que são passíveis de causar efeitos degradantes na natureza, será empregada no desenvolvimento de atividades humanas (FERREIRA; SALLES, 2016). O nosso país detém uma boa legislação para reger as relações socioambientais e assegurar os direitos do meio ambiente saudável, mas, como acontece com várias outras políticas brasileiras, falta competência no que diz respeito à implementação das medidas criadas. Para Barsano, Barros e Viana (2014), a Política Ambiental pode ser conceituada como uma forma de administrar, legitimada por um determinado governo ou empresa, para que possa guiar as suas relações com os recursos naturais e o meio ambiente. Ainda segundo os autores, no Brasil, a quantidade de estratégias diferentes utilizadas, individualmente, nas esferas municipais, estaduais e federais resultaram em ações não coordenadas e em conflitos de poder. E relatam que visando à integração das políticas vigentes no Brasil, foi criada uma Política Nacional para ser referência e ditar princípios, objetivos, instrumentos e diretrizes a serem seguidos pelos municípios e estados de todo o país. Assim, surgiu a Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA), por meio da Lei N° 6.938, de 31 de agosto de 1981, que regulamenta as atividades que envolvem o meio ambiente. Os objetivos desta lei estão descritos em seu 4° Artigo que fala que a PNMA visará: I. À compatibilização do desenvolvimentoeconô- mico-social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico; II. À definição de áreas prioritárias de ação gover- namental relativa à qualidade e ao equilíbrio ecológico, atendendo aos interesses da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios; (Vide decreto nº 5.975, de 2006). III. Ao estabelecimento de critérios e padrões de qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais; IV. Ao desenvolvimento de pesquisas e de tecnolo- gias nacionais orientadas para o uso racional de recursos ambientais; V. À difusão de tecnologias de manejo do meio am- biente, à divul¬gação de dados e informações ambientais e à formação de uma consciên¬cia pública sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico; VI. À preservação e restauração dos recursos am- 87 bientais com vistas à sua utilização racional e disponibilidade permanente, concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida; VII. À imposição, ao poluidor e ao predador, da obri- gação de recuperar e/ou indenizar os danos causados e, ao usuário, da contribuição pela uti- lização de recursos ambientais com fins econô- micos. Outras leis que possuem destaque no que diz respeito à legislação ambiental são a Lei N° 12.305, de 2 de agosto de 2010, chamada de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a Lei Nº 12.187, de 29 de dezembro de 2009, intitulada Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), e que fazem parte da PNMA e a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA) sob a Lei N° 14.119, de 13 de janeiro de 2021. A PNRS objetiva uma gestão adequada do gerenciamento dos resíduos sólidos envolvendo integralizar as medidas ambientais individuais adotadas pelos estados, distritos, municípios ou particulares. A PNMC, por sua vez, visa à gestão da emissão de gases poluentes lançados na atmosfera, que provocam alterações climáticas e, consequentemente, a degradação ambiental a nível global, em toda a biosfera (BARSANO; BARBOS; VIANA, 2014). Já a PNPSA é uma importante melhoria das políticas ambientais brasileiras, que abre várias possibilidades compensatórias e aumenta as oportunidades para a aplicação de um mercado sustentável (MATTEI, 2021). Outras leis ambientais com suas respectivas áreas de atuação estão mostradas no Quadro 7 abaixo. LEI (NÚMERO) NOMECLATURA 12.651/12 Novo Código Florestal Brasileiro 9.605/98 Crimes Ambientais 7.802/89 Agrotóxicos 7.735/89 IBAMA 9.433/97 Política Nacional de Recursos Hídricos 6.902/81 Área de Proteção Ambiental 8.171/91 Política Agrícola 6.803/80 Zoneamento Industrial 5.197/67 Fauna 9.985/00 Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza Quadro 7: Leis Ambientais Fonte: Autor (2021) 88 A Política Nacional do Meio Ambiente surgiu para assegurar a preservação e me- lhorar as condições da recuperação da qualidade ambiental. Para isso, a PNMA conta com, de forma geral, com três instrumentos: Comando-Controle, Econô- mico e Comunicação. Você pode entender a respeito de todos os instrumentos da PNMA através da leitura do capítulo 6 do livro “Direito Ambiental” (OLIVEIRA, 2017). Disponível em: https://bit.ly/3wOg2kf. Acesso 25 mar. 2021. BUSQUE POR MAIS https://bit.ly/3wOg2kf 89 1. O saneamento básico é extremamente importante para se ter uma boa qualidade ambiental e de vida. Para isso, as diretrizes do saneamento bá¬sico em âmbito nacional foram estabelecidas através da lei Nº 14.026, de 15 de julho de 2020. Marque a alternativa que traz a definição de sanea¬mento básico de acordo com a lei Nº 14.026/20. a) É composto por duas áreas que envolvem serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água e esgotamento sanitário. b) Se trata de um serviço indispensável à vida e, portanto, um direito humano que consiste em tornar locais com o meio ambiente preservado em centros urbanizados. c) É o conjunto de serviços públicos, infraestruturas e instalações operacionais de: abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana de manejo de resíduos sólidos, drenagem e manejo de águas pluviais. d) São serviços que buscam utilizar os recursos naturais de maneira racional, renováveis ou não, visando alcançar um meio ambiente saudável para todas as gerações. e) É o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos, drenagem de águas pluviais e controle de vetores que proporcionam uma boa qualidade de vida através da promoção do meio ambiente insalubre. 2. O Saneamento Básico é formado por cinco vertentes que envolvem serviços, infraestruturas e instalações operacionais, capazes de promover a preservação do meio ambiente e uma boa qualidade de vida da população. A respeito dos componentes do saneamento básico julgue as sentenças abaixo: I. O abastecimento de água potável é constituído pelas atividades e pela disponibilização e manutenção de infraestruturas e instalações operacionais necessárias ao abastecimento privado de água potável, a partir das ligações prediais até os instrumentos de medição nas residências. II. O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades e pela disponibilização e manutenção de infraestruturas e instalações operacionais necessárias à coleta, ao transporte, ao tratamento e à disposição final adequada dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até sua destinação final para produção de água de reuso ou seu lançamento de forma adequada no meio ambiente. III. A limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos são constituídos pelas ati¬vidades e pela disponibilização e manutenção de infraestruturas e insta¬lações operacionais de coleta, varrição manual e mecanizada, asseio e conservação urbana, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos domiciliares e dos resíduos de limpeza urbana. IV. O controle de vetores é constituído pelas atividades e pela disponibilização e manutenção de infraestruturas e instalações operacionais necessárias para promover a saúde pública por meio da eliminação ou redução de vetores de transmissão e disseminação de doenças, com o uso de inseticidas. V. A drenagem e manejo das águas pluviais urbanas são constituídas pelas atividades, FIXANDO O CONTEÚDO 90 pela infraestrutura e pelas instalações operacionais de drenagem de águas pluviais, transporte, detenção ou retenção para o amortecimento de vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas, contempladas a limpeza e a fiscalização preventiva das redes. Assinale a alternativa correta. a) Estão corretos somente os itens I, III e V. b) Estão corretos somente os itens II, III e V. c) Estão corretos somente os itens III, IV e V. d) Estão corretos somente os itens I, III e IV. e) Estão corretos somente os itens II, III e IV. 3. A Resolução A/RES/64/292 da Assembleia Geral das Nações Unidas define e classifica o saneamento básico como um serviço indispensável à vida e, portanto, um direito humano. Dando destaque ao saneamento básico por ser um serviço que, de forma análoga à saúde e à educação, influencia a vida da população de maneira direta e visível. Sobre o saneamento básico, julgue os itens a seguir em verdadeiro (V) ou falso (F). ( ) Todas as esferas fundamentais que tangem à vida do homem estão ligadas a práticas de saneamento como questões de habitação, alimen¬tação, saúde e condições de trabalho. ( ) O investimento em saneamento básico gera economia em saúde, es¬timando que para cada US$ 1 investido em saneamento tem-se um retorno de quase seis vezes, considerando os menores custos de saúde, aumento da produtividade e um número menor de mortes prematuras. ( ) O saneamento básico está diretamente ligado ao bem-estar da população. A saúde promovida pelo saneamento acarreta em melhorias para pessoas que já estão acometidaspor doenças. ( ) O saneamento básico proporciona uma saúde preventiva que diminui as chances de a população adquirir doenças, o que torna locais saneados mais propícios a uma saudável qualidade de vida. ( ) A diarreia, doença frequentemente presente em lugares sem saneamento básico no mundo, é a causa da morte de muitas crianças abaixo dos cinco anos, sendo esta questão resolvida através do uso de inseticidas para o combate a moscas. Assinale a alternativa correta. a) F – V –F – V – V. b) F – V – F – V – F. c) V – V –V – F – F. d) V – F – V – F – V. e) V – V – F – V – F. 4. A falta de saneamento e o uso de água imprópria ao consumo humano são causas de morte de mais de um quarto de crianças com menos de cinco anos. Cerca de 1,7 milhões de meninos e meninas nesta faixa etária perdem suas vidas porque moram em locais insalubres (ONU, 2017). Muitas pessoas, especialmente, crianças perdem suas vidas por 91 viverem em locais não saneados. Dentre as alternativas abaixo, assinale a que contém exemplos de doenças comuns em lugares sem saneamento bá¬sico. a) Diarreia e Chikungunya. b) Zika e Asma. c) Dengue e Surdez. d) Câncer e Leptospirose. e) Lúpus e Febre amarela. 5. Sob a perspectiva da saúde pública, têm papel fundamental na estrutura epidemiológica de uma comunidade. Apesar de ser um componente in¬direto, se destaca no processo de transmissão de doenças devido aos vetores encontrarem as condições adequadas para a sua proliferação, ou seja, seu habitat. Este trecho faz alusão ao componente do saneamento básico contido na alternativa: a) Abastecimento de água. b) Esgotamento sanitário. c) Drenagem urbana. d) Resíduos sólidos urbanos. e) Nenhum dos itens anteriores. 6. Embora parâmetros de desenvolvimento sustentável tenham sido criados há muito tempo, foi recente na história do homem que se passou a dar real importância aos efeitos das ações antropogênicas no meio ambiente. Foram as políticas ambientais que vieram para gerir e balancear a relação homem-natureza. Dentre as alternativas abaixo, assinale a que representa um conceito de política ambiental. a) Política Ambiental trata da gestão da emissão de gases poluentes lançados na atmosfera, que provocam alterações climáticas e, conse¬quentemente, a degradação ambiental a nível global em toda a biosfera. b) Política Ambiental é o campo de atuação voltado à promoção da saúde pública que se ocupa das formas de vida, das substâncias e das condições em torno do ser humano, que podem exercer alguma influência sobre a sua saúde e o seu bem-estar. c) Política Ambiental é uma ferramenta que faz parte da AIA para elaboração de documentos que mostram de maneira clara as vantagens e desvantagens de projeto ambientais, bem como todas as consequências ambientais de sua implementação. d) Política Ambiental é definida como o instrumento de gestão adequada de resíduos sólidos, envolvendo integralizar as medidas ambientais individuais adotadas pelos estados, distritos, municípios ou particulares. e) Política Ambiental pode ser conceituada como uma forma de administrar, legitimada por um determinado governo ou empresa, para que possa guiar as suas relações com os recursos naturais e o meio ambiente. 7. A Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA), por meio da Lei N° 6.938, de 31 de agosto de 1981, regulamenta as atividades que envolvem o meio ambiente. Julgue os itens a seguir sobre os objetivos desta lei que estão descritos em seu 4° Artigo. 92 I. A PNMA objetiva o desenvolvimento de pesquisas e de tecnologias nacionais orientadas para o uso irracional de recursos ambientais. II. A PNMA objetiva a imposição, ao poluidor e ao predador, de forma facultativa de recuperar e/ou indenizar os danos causados e, ao usuário, da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econô¬micos. III. A PNMA objetiva a preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização racional e disponibilidade permanente, con¬correndo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida. IV. A PNMA objetiva o estabelecimento de critérios e padrões de qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais. V. A PNMA objetiva a compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico. Assinale a alternativa que contenha alguns objetivos da PNMA com sua correta descrição. a) Estão corretos somente os itens II, IV e V. b) Estão corretos somente os itens I, III e IV. c) Estão corretos somente os itens III, IV e V. d) Estão corretos somente os itens III e V. e) Estão corretos somente os itens IV e V. 8. A política ambiental de uma nação dita como a utilização dos recursos naturais que são passíveis de causar efeitos degradantes na natureza será empregada no desenvolvimento de atividades humanas. Para isso, são diversas leis e medidas que constituem a política ambiental de um país. Em relação à legislação ambiental brasileira, julgue em verdadeiro (V) ou falso (F) as sentenças abaixo: ( ) A PNRS objetiva uma gestão adequada do gerenciamento dos resíduos sólidos envolvendo integralizar as medidas ambientais individuais adotadas pelos estados, distritos, municípios ou particulares. ( ) A PNMA regulamenta as atividades humanas que envolvem o meio ambiente, visando a diminuição de efeitos degradantes através da lei 7.802/89. ( ) A PNMC visa a gestão da emissão de gases poluentes lançados na atmosfera, que provocam alterações climáticas e, consequentemente, a degradação ambiental a nível global, em toda a biosfera. ( ) São exemplos que compõem a legislação ambiental brasileira a lei de Crimes Ambientais e a lei de Área de Proteção Ambiental regidos, respec¬tivamente, pelos números: 6.902/81 e 9.605/98. ( ) A PNPSA é uma importante melhoria das políticas ambientais brasilei¬ras, que abre várias possibilidades compensatórias e aumenta as oportunidades para a aplicação de um mercado sustentável. Assinale a alternativa correta. a) V – F – V – F – V. b) F – F – V – F – V. c) V – F – V – F – F. d) F – V – V – F – V. e)V – F – V – V – V. 93 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO UNIDADE 1 UNIDADE 3 UNIDADE 5 UNIDADE 2 UNIDADE 4 UNIDADE 6 QUESTÃO 1 D QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 B QUESTÃO 4 C QUESTÃO 5 E QUESTÃO 6 D QUESTÃO 7 A QUESTÃO 8 D QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 C QUESTÃO 3 C QUESTÃO 4 E QUESTÃO 5 B QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 B QUESTÃO 8 D QUESTÃO 1 D QUESTÃO 2 D QUESTÃO 3 B QUESTÃO 4 A QUESTÃO 5 C QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 E QUESTÃO 8 E QUESTÃO 1 C QUESTÃO 2 D QUESTÃO 3 E QUESTÃO 4 A QUESTÃO 5 B QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 D QUESTÃO 8 B QUESTÃO 1 C QUESTÃO 2 E QUESTÃO 3 A QUESTÃO 4 B QUESTÃO 5 D QUESTÃO 6 C QUESTÃO 7 B QUESTÃO 8 D QUESTÃO 1 C QUESTÃO 2 B QUESTÃO 3 E QUESTÃO 4 A QUESTÃO 5 D QUESTÃO 6 E QUESTÃO 7 C QUESTÃO 8 A 94 AMABIS, J. M.; MARTHO, G. R. Fundamentos da Biologia Moderna. 4. ed. São Paulo: Moderna, v. Único, 2006. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14001: Sistemas de Gestão Ambiental - Especificação e Diretrizes para Uso., Rio de Janeiro, 2015. BARSANO, P. R.; BARBOS, R. P. Gestão ambiental. 1. ed. São Paulo: Érica, 2014. BARSANO, P. R.; BARBOS, R. P.; VIANA, A. V. J. Poluição Ambiental e Saúde Pú́blica. São Paulo: Érica, 2014. BENNETT, E. M.; SCHIPANSKI, M. E. O ciclo do fósforo. In: WEATHERS, K. C.; STRAYER, D. L.; LIKENS, G. E. Fundamentos da Ciência do Ecossistema. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. Cap. 8, p. 162-180. BENVENUTI, C. Desenvolvimento Humano Sustentável. In: II Encontro de Sustentabilidade em Projeto do Vale do Itajaí, Florianópolis. Anais [...]. Florianópolis: UFSC, 2008. Disponível em: https://bit.ly/3p83phw. Acesso em: 20 maio 2021. BORGES, L. Usinas Hidrelétricas: Geração de Energia Limpa?. Autossustentável, 2017. Disponível em: https://bit.ly/2S056Bq. Acesso em: 20 maio 2021. BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental: o desafio do desenvolvimento sustentável. 2. ed. São Paulo: Pearson, 2005. 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