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UNEB: Universidade do Estado da Bahia 
Aluna: Vanessa Suelen Silva Reis Lima Matrícula: 231920241 
Professor: Jurandir Antônio Sá Barreto Jr Disciplina: Direito Tributário 
Data: 22 de novembro de 2020 
 
 
 
Conceito de Direito Tributário 
 
1. DIREITO FINANCEIRO E DIREITO TRIBUTÁRIO 
 
- A disciplina jurídica dos tributos, constitui um campo da ciência jurídica. 
- O ​direito financeiro​, abarca, as prestações pecuniárias exigidas pelo Estado, 
conceituadas de tributo. E tem por objetivo a disciplina do orçamento público, das 
receitas públicas, das despesas públicas e da dívida pública. 
- Dado o desenvolvimento do direito no que diz respeito aos tributos, é possível falar 
no ​direito tributário, ​como ramo autônomo da ciência jurídica, segregado do direito 
financeiro. 
- Nossa Constituição deixa isso evidente, contendo: O Título VI da Carta cuida “Da 
Tributação e do Orçamento”, O Sistema Tributário Nacional e As Finanças Públicas. 
- A doutrina, tem buscado explicar, a ideia de que esse ramo do direito compreende 
a disciplina de algumas relações jurídicas que têm por objetivo o dever de prestar e 
definir o tributo. 
- Abrange todo o conjunto de princípios e normas reguladores da criação, 
fiscalização e arrecadação das prestações de natureza tributária. 
- Rubens Gomes de Sousa, define o direito tributário como “ramo do direito público 
que rege as relações jurídicas entre o ​Estado ​e os ​particulares, ​decorrentes da 
atividade financeira do Estado no que se refere à obtenção de receitas que 
correspondem ao conceito de tributos”. 
- Nem sempre é o Estado que figura no polo ativo da relação jurídica; e em alguns 
casos, não são ​particulares os ocupantes do polo passivo, e, às vezes, o produto da 
atividade financeira do Estado, no campo tributário, não é uma ​receita efetiva​. 
- Há espécies tributárias que são arrecadadas por entidade às quais a lei atribui a 
capacidade de tributária​. Em verdade, ao lado das prestações coativas arrecadadas 
pelo Estado, outros ingressos financeiros, também instituídos por lei e absorvidos 
pelo conceito de tributos, são coletados por entidades ​não estatais​. Esse campo, da 
parafiscalidade​, é paralela ao da ​fiscalidade​, ocupado pelos ingressos financeiros 
destinados ao ​Fisco ​ou Tesouro Público. As disciplinas jurídicas das chamadas 
contribuições parafiscais​ integra o direito tributário. 
- Porém, no polo passivo podem figurar ​entes públicos​. As sociedades de economia 
mista, empresas e entidades públicas se sujeitam ao ​mesmo regime tributário das 
empresas privadas, segundo a Constituição. 
- Dino Jarach considera uma contradição lógica a atribuição do fato gerador ao 
Estado ou a outras entidades públicas. Reconhece, porém, esse doutrinador que a 
imunidade não se estende às contradições. 
- As pessoas físicas e jurídicas, nacionais e estrangeiros estão sujeitos à incidência 
de tributos. 
- Não só as ​efetivas receitas que são cuidadas pelo direito tributária, um exemplo 
claro é o empréstimo compulsório. 
- A instituição das diferentes espécies tributárias e sua arrecadação, pelo Estado ou 
por entidades não estatais, perante pessoas públicas ou privadas, regulam-se pelo 
sistema de normas que compõem o direito tributário. 
- Integram esse complexo de normas, a par de preceitos constitucionais que 
delimitam a competência tributária e das regras legais que definem o fato gerador 
do tributo; por isso, o direito tributário engloba as disposições que cuidam das 
obrigações dos contribuintes, e dos poderes e deveres da administração tributária, 
assim como os dispositivos que cuidam da definição de infrações tributárias e 
penalidades, bem como as normas que retratam obrigações ajustada pelo País em 
tratados internacionais. Essa multiplicidade tem dado ensejo a que se fale em direito 
tributário ​material​, ​formal​,​ penal​ e ​internacional​. 
 
2. DENOMINAÇÃO DO DIREITO TRIBUTÁRIO 
 
- O adjetivo “fiscal” é empregada, com frequência, para qualificar assuntos 
relacionados aos tributos. “Fiscal” é relativo ao fisco (do latim fiscus​, cesto para 
guardar dinheiro, e, em sentido figurado, o tesouro público). 
- A expressão ​direito tributário ​firmou-se em 1965, onde foi estruturado o “​Sistema 
Tributário Nacional​”, posteriormente denominada Código Tributário Nacional. 
- Assim, a expressão ​direito tributário cristalizou-se no plano da doutrina e da 
jurisprudência. 
 
3. DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO DIREITO PÚBLICO 
 
- A classificação do direito tributário como ramo do ​direito público não se questiona. 
A ​preponderância​ do interesse coletivo no direito dos tributos é evidente. 
- Se é verdade que o direito privado se tem “publicizado” em vários de seus setores, 
deve apontar-se, como nota característica desse ramo jurídico, pelo menos a 
necessária subjacência do interesse individual​, nessa espécie de relações. Assim, 
há normas cogentes, ou normas de ordem pública, inderrogáveis pela vontade das 
partes, mas nem por isso se deve esquecer que, subjacente à preocupação de 
ordem pública, há o interesse dos indivíduos que participam da relação jurídica. 
- Devido à utilidade que possa ter a divisão do direito, precisa-se da posição do 
direito tributário no campo do direito público. 
 
4. AUTONOMIA DO DIREITO PÚBLICO 
 
- Em razão do desenvolvimento da disciplina jurídica dos tributos, o direito tributário 
acabou ganhando foros de autonomia. 
- Tal autonomia costuma ser ligada às reais ou supostas especificidades ou 
propriedades de um lado conjunto de normas jurídicas. 
- Zelmo Denari reconhece a autonomia do direito tributário, negando-a em relação 
ao direito financeiro. Paulo Carvalho só aceita que se fale em autonomia ​didática do 
direito tributário. Eduardo Jardim, compara o direito tributário “ao sistema 
neurológico ou ósseo, que não possuem vida própria”. 
- O tema da autonomia, porém, no que se refere ao direito tributário, envolve mais 
do que mera pendenga doutrinária. 
- Podemos pôr em discussão a autonomia do direito tributário sob dois ângulos. No 
primeiro, debate-se a questão ​geral ​sobre se pode ou não falar em ​autonomia dos 
ramos do direito. 
- No segundo, cuida-se de investigar se a ​aplicação ​do direito tributário deve ou não 
seguir, diante de fatos disciplinados noutros setores do direito, uma ​principiologia 
específica​, uma​ exegese diferente​, ou uma ​especial valorização fática. 
- Amilcar de Araújo Falcão insistiu, com apoio em Dino Jarach, em que o direito 
administrativo​, ao regular a atividade do agente do Estado, não absorve a relação 
substantiva. Caso se vá além na posição autonomista, pode ainda situar-se a 
disciplina da atuação das autoridades fiscais dentro do campo do direito tributário 
formal ​ou ​instrumental​. Giuliani Fonrouge fez uma sinopse das posições doutrinárias 
em um artigo sob o título: “Direito financeiro: uma nova disciplina jurídica”, onde, em 
texto profético, preconizou que o ​direito financeiro haveria de ramificar-se e o mais 
importante de seus ramos seria o direito tributário. 
 
4.1. Autonomia e a especialização 
 
- Alfredo Augusto Becker denunciou como um falso problema o da autonomia 
qualquer ramo do direito, prelecionado, com apoio de Francisco Calasso, que 
autonomia, ​em sentido jurídico, é acapacidade de criar o ​direito positivo​. Se o 
direito tributário pode ditar tais ou quais regras ​de comportamento, isso não se 
funda em sua autonomia, mas só fato de ser ele ​direito positivo. Ele também afirmou 
que a autonomia do direito tributário é apenas ​didática​. 
- Se o fato de o direito tributário poder ditar ​nomes próprios lhe dá ou não a 
condição de autonomia, Alfredo Becker respondeu negativamente. 
- ​Em termos absolutos​, mesmo a dita ​autonomia didática​ inexiste. 
- Dado que o ordenamento jurídico é um todo ​uno​, não se pode reconhecer vida 
própria e independente a nenhum de seus setores. 
- A segmentação setorial do direito tributário insere-se no fenômeno da 
especialização das disciplinas jurídicas, ​do qual o próprio direito privado oferece 
inúmeros exemplos. Com subdivisões que apenas refletem a necessidade de 
compartimentar a realidade cada vez mais complexa dos fenômenos jurídicos, a fim 
de que o legislador e os destinatários das normas possam assimilá-los mais 
facilmente. Se alguém se dispuser a sustentar a “autonomia” de qualquer desses 
campos de disciplina jurídica, não será difícil encontrar “princípios e conceitos 
próprios”, que irão lastrear a “cientificidade” da tese autônomica. 
- Essa especialização faz que, o mesmo instituto se apresente em “diferentes” 
ramos do direito com a mesma formação. Assim, a categoria jurídica denominada 
tributo não é diferente no direito financeiro e no direito tributário. O direito tributário 
ganhou ainda lugar próprio nos cursos jurídicos de graduação e pós-graduação e é 
objeto de compêndios, tratados, monografias, ensaios, que a ele se dedicam com 
singular atenção. 
- ​Portanto, se quiser dizer que o direito tributário goza de ​autonomia legislativa​, ou 
que possui ​autonomia científica e que desfruta de ​autonomia didática, ​é preciso 
sublinhar que, em todos esses aspectos, a autonomia é sempre relativa​. N​ão se 
legisla, sem se teoriza, nem se ensina matéria tributária sem que se tenham 
presentes ​conceitos estruturados noutros ramos da ciência jurídica. O próprio 
conceito jurídico de pessoa, e inúmeros outros que permeiam a legislação não são 
definidos nas leis tributárias, mas no Código Civil. Isso não impede que, em regra 
geral, a lei tributária possa modificar, para fins tributários, os conceitos dados por 
outros ramos do direito. 
 
4.2. Autonomia, modificação de conceito de direito privado e 
interpretação do direito tributário 
 
- O que importa não é apenas saber se o direito tributário é ou não um ramo jurídico 
específico, mas questionar se as categorias jurídicas reguladas noutros ramos do 
direito, quando referidas na norma tributária, passam por um processo de 
transformação​. 
- Essa questão, desdobra-se em duas ordens de preocupações, uma a propósito do 
exercício da competência tributária ​e outra a respeito da ​interpretação ​da legislação 
tributária. 
- Na primeira, o problema está em saber se os institutos, conceitos e formas do 
direito privado podem ser modificadas ​por norma expressa do direito tributário, se 
positiva a resposta, em que medida podem sê-lo. Registra-se, que, em certas 
situações, à lei tributária é vedado alterar conceitos de outros ramos do direito; 
noutras situações já se reconhece a possibilidade de alteração daqueles conceitos 
pela lei tributária. 
- A segunda questão envolve a problemática da ​interpretação do ​direito tributário​, e 
se traduz na pergunta sobre o intérprete da lei fiscal pode libertar-se dos princípios 
de direito privado na pesquisa dos efeitos na lei federal, quando esta utilize, na 
definição da obrigação tributária, institutos,conceitos e formas de direito privado. Um 
dos temas a examinar nesse contexto é a ​interpretação econômica do direito 
tributário. 
- A polêmica, acerca da autonomia do direito tributário, centrava-se na discussão 
sobre a subserviência do direito fiscal ao direito privado, sobretudo, quanto à 
possibilidade de o ​intérprete ​da lei fiscal desconsiderar os conceitos do direito 
privado. 
 
5. RELAÇÕES DO DIREITO TRIBUTÁRIO COM OUTROS RAMOS DO 
DIREITO 
 
- O direito tributário, se vale das construções elaboradas por outros segmentos do 
direito para, sobre elas, estruturar as relações tributárias. 
- Merecem destaque, as relações do direito tributário com o ​direito constitucional​. 
Porque, se a Constituição contém as bases do ordenamento jurídico, é nela que se 
encontra o próprio fundamento de validade do tributo. Com efeito, é a Constituição 
que, a par da outorga de competência tributária para as várias pessoas políticas, 
define os lineamentos básicos do sistema tributário nacional. É também na 
Constituição que se regulam os modos de expressão. O conjunto de normas sobre 
tributos, contido na Constituição, compõe o que se poderia chamar de direito 
tributário constitucional. 
- A atuação do Estado, visando à arrecadação e fiscalização de tributos, opera-se 
por intermédio dos órgãos que compõem a administração pública. 
- Os conceitos que permanecem na seara do direito financeiro é crucial para 
aplicação da lei tributária que esteja sujeita ao princípio da anterioriedade. 
- Vários princípios da ordem econômica, veiculados pela Constituição, têm efeitos 
de relevo na esfera dos tributos. 
- As relações mais ricas em complexidade aparecem quando se confrota o direito 
tributário com o ​direito privado​, onde o direito tributário importa e nacionaliza, sem 
maiores retoques ou com certas adaptações. 
- O ​direito civil​, fornece farta matéria-prima para a lei fiscal. Assim, a lei tributária 
pode estruturar uma ou mais relações tributárias. 
- A todo momento nos defrontamos com figuras do direito comercial que são 
familiares ao direito tributário. A exemplo temos as sociedades mercantis, os títulos 
de participação societária, as demonstrações financeiras, os atos de comércio. 
- Da coexistência de ordens jurídicas distintas e inter-relacionadas decorrem alguns 
problemas, que devem ser solucionados com harmonia. Assim, os negócios 
jurídicos regidos pela lei privada são afetados pela lei tributária. 
- O ​direito penal, ​além de sancionar criminalmente os ilícitos tributários 
considerados mais graves, fornece ao direito dos tributos um conjunto de princípios 
extremamente útil no campo das infrações e penalidades fiscais de caráter não 
delituoso. 
- No campo do ​direito internacional têm-se avolumado os acordos e tratados que 
versam sobre matéria tributária, com vistas a facilitar o comércio internacional de 
bens, serviços e capitais. O conjunto das normas que regulam os tributos no âmbito 
internacional constitui o que se acostuma chamar de ​direito tributário internacional​. 
- O direito tributário avizinha-se dos demais ramos do direito. A lei fiscal alcança 
atos, situações, negócios que, engendrados embora sob a ótica de outros códigos 
de normas legais, evidenciam um conteúdo econômico que os torna passíveis de 
incidência tributária. 
- As lides tributárias são compostas de acordo com as formas e procedimentos 
ditados pelo ​direito processual civil​, que sejam aplicáveis somente aos litígios de 
natureza tributária. Por fim, na imposição de sanções paraas infrações fiscais 
delituosas opera o ​direito processual penal​.

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