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Transtorn� d� ansiedad�
Introdução
Os transtornos de ansiedade constituem uma das principais
causas de incapacidade ao redor do mundo. Como características
essenciais desses transtornos, podemos citar o medo excessivo e
persistente.
Embora a neurobiologia dos transtornos de ansiedade
individuais não seja totalmente conhecida, algumas generalizações
foram identificadas para a maioria deles, como alterações no
sistema límbico, fatores genéticos e disfunção do eixo
hipotálamo-hipófise-adrenal.
Quando não tratados, esses transtornos tendem a evoluir
para cronicidade. Comprometimentos associados a transtornos de
ansiedade variam de limitações no funcionamento social a
prejuízos graves, como a incapacidade do paciente de sair de
casa.
A ansiedade ocasional, ou adaptativa, é parte normal da
experiência humana,quando persistente, disruptiva ou
desproporcional ao perigo real, ela pode ser debilitante e
considerada patológica.
Atualmente, os critérios diagnósticos para transtornos de
ansiedade são muito semelhantes nos dois principais sistemas de
classificação de saúde mental – o Manual diagnóstico e estatístico
de transtornos mentais (DSM-5) e a Classificação internacional de
doenças e problemas relacionados à saúde (CID-11, em sua
versão beta).
O DSM-55 divide a ansiedade patológica nos seguintes
transtornos: transtorno de ansiedade de separação (TAS), mutismo
seletivo, fobia específica, transtorno de pânico (TP), agorafobia,
transtorno de ansiedade generalizada (TAG), transtorno de
ansiedade devido a outra condição médica, outro transtorno de
ansiedade não especificado.
Os transtornos de ansiedade podem ser conceituados não
apenas de modo categorial, mas também de modo dimensional,
variando, dentro do espectro, de formas subclínicas a
apresentações muito graves.
Epidemiologia
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em
cada quatro indivíduos apresenta ou já apresentou um transtorno
de ansiedade.
Mais da metade dos pacientes com um transtorno de
ansiedade apresenta múltiplos transtornos de ansiedade
comórbidos.
Grande parte dos transtornos de ansiedade se manifesta já
na infância, sendo que sua prevalência de 12 meses na infância e
na adolescência é semelhante à observada em adultos.Fobias e
TAS têm início particularmente precoce, com maior risco de
incidência entre os 6 e os 17 anos de idade. No entanto, para
alguns transtornos de ansiedade, como o TAG, os sintomas podem
surgir na idade adulta e no final da vida.
A idade de início média estimada para os transtornos de
ansiedade, de modo geral, foi de 21,3 anos. Tal estimativa é menor
para o TAS (10,6 anos), seguido por fobia específica (11,0 anos).9
Por sua vez, as idades de início médias estimadas foram maiores
para o TP (30,3 anos) e o TAG (34,9 anos).
Fatores de risco
Diversos fatores de risco podem favorecer a modificação do
curso da ansiedade normal para a patológica, incluindo ser do sexo
feminino, utilizar drogas e apresentar histórico familiar de
transtornos de ansiedade ou depressão. Ser do sexo feminino
duplica o risco de desenvolver transtornos de ansiedade.
Ter pais com ansiedade e depressão aumenta o risco de
desenvolver um transtorno de ansiedade, particularmente TP e
TAG. Os filhos de indivíduos que apresentam pelo menos um
transtorno de ansiedade têm risco aumentado em duas a quatro
vezes para esses transtornos.
Outros fatores de risco incluem alterações tempera mentais
específicas, como temperamento inibido, inte rações entre pais e
filhos caracterizadas por controle e negatividade, além de
sociabilidade reduzida.
Em adultos jovens, fatores estressores da vida, como
estresse financeiro, doença familiar e divórcio, podem prever
sintomas e diagnósticos de transtornos de ansiedade
subsequentes.
O tabagismo e o abuso de álcool também são fatores de
risco para esses transtornos.
Fisiopatologia
Circuitos neurais
Sabe-se que, quando estímulos ambientais são
interpretados como ameaçadores, se origina a ansiedade. Para
que essa interpretação ocorra, uma pessoa deve primeiro detectar
que os estímulos existem por meio de seus sistemas sensoriais,
por meio do córtex sensorial, do tálamo e dos folículos superior e
inferior.
Se os eventos são ou não interpretados como ameaçadores
depende do equilíbrio entre os circuitos de apoio e o circuito de
comportamentos defensivos.
Um mecanismo importante que pode permitir que um
sistema se sobreponha ao outro é o recrutamento de determinadas
populações definidas pela projeção de neurônios na amígdala
basolateral. A valência positiva e a negativa são codificadas por
neurônios da amígdala basolateral, sendo interpretadas como
situações de recompensa ou medo.
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