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EMPREENDEDORISMO 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Paulo Fernando Cherubin 
2 
 
 
CONVERSA INICIAL 
O dimensionamento da demanda é o tema inicial desta aula, tendo como 
base o método de indexação fatorial, cuja simplicidade o torna muito útil para o 
empreendedor. O tema subsequente é o dimensionamento da operação, que 
trata de identificar e quantificar os recursos necessários para a operação do 
empreendimento. Também trata da quantificação do investimento inicial 
necessário em função da estrutura operacional estimada. O próximo tema trata 
da viabilidade econômica financeira do empreendimento, contrapondo a receita 
estimada e as despesas com operação da estrutura. Na sequência, há um tema 
sobre a constituição e o enquadramento jurídicos da empresa, com os principais 
aspectos a serem observados. Por último, vamos abordar as fontes de captação 
de recursos às quais o empreendedor pode recorrer na tentativa de obter 
recursos financeiros de que precisa para criar seu negócio. 
Os objetivos desta aula são: 
• Conhecer e utilizar uma técnica de estimativa e dimensionamento de 
demanda; 
• Entender e importância de se estimar a estrutura operacional futura do 
empreendimento, identificando e quantificando os recursos necessários. 
• Compreender a composição do investimento inicial e quantificar o 
montante desse investimento. 
• Entender como se verificar a viabilidade financeira do futuro 
empreendimento, comparando a receita estimada com as despesas 
estimadas. 
• Compreender o ordenamento jurídico relevante para a constituição da 
empresa, destacando os pontos mais críticos que merecem atenção. 
• Conhecer diversas fontes de captação de recursos para o investimento 
inicial do seu negócio. 
TEMA 1 – DIMENSIONAMENTO DA DEMANDA 
Qual é a dimensão do negócio que você pretende ter? Pequeno, médio 
ou grande? A resposta a essa pergunta depende de duas variáveis: de um lado, 
o tamanho do mercado e, do outro lado, a disponibilidade de recursos. A análise 
dessas duas variáveis permite identificar fatores limitadores ao crescimento do 
3 
 
 
negócio, possibilitando que o empreendedor desenvolva as melhores 
estratégias. 
Uma vez tendo identificado seu público-alvo, seu segmento de mercado, 
é preciso perguntar: Qual é o tamanho dele? Qual receita ele pode proporcionar? 
Essa receita vai depender da quantidade de clientes potenciais no mercado 
dispostos a comprar seu produto ou serviço, a um determinado preço, e do 
volume e da frequência dessa compra. 
Por exemplo, o volume de cafés vendidos por uma cafeteria varia 
conforme a quantidade de clientes que frequentam o negócio, quantos cafés 
cada cliente consume regularmente no decorrer do dia, e qual o volume 
consumido de cada vez (xícaras pequenas, médias ou grandes). 
Quanto menos o cliente consumir (volume x frequência) mais clientes 
desse tipo a cafeteria vai precisar. Por outro lado, quanto mais o cliente 
consumir, menos clientes serão necessários para chegar ao mesmo valor de 
receita (Figura 1). 
Figura 1 – Volume e frequência de consumo determinam a receita da cafeteria 
Crédito: Trong Nguyen / Shutterstock. 
A variável do consumo também estará relacionada ao fato de o público 
alvo estar em um mercado de nicho ou de massa. Mercados massificados 
apresentam grandes quantidades de clientes, que consomem produtos com 
4 
 
 
preços relativamente baixos. No outro extremo, temos o mercado de nichos, com 
poucos clientes e preços relativamente altos. 
Seguindo o mesmo exemplo do café: o café em pó embalado em pacotes 
de 250 gramas, encontrado em qualquer supermercado no Brasil, tem um preço 
baixo, sendo um exemplo de produto massificado. Mas hoje há um mercado para 
cafés gourmets em ascensão no país, com produtos que chegam a custar até 
dez vezes o valor do café comum. Concluímos que, quanto mais valor agregado 
tem o produto, maior o seu preço deste, e menor o volume vendido para atingir 
a mesma receita de um produto de menor valor agregado. 
Há um método simples, mas muito oportuno, para dimensionar uma 
demanda potencial para o negócio, chamado de indexação multifatorial. 
Segundo Cecconello e Ajzental (2008, p. 85), “a indexação multifatorial atribui 
pesos específicos a cada fator, podendo ser utilizados mais de um fator. Os 
pesos utilizados para o índice de poder de compra são arbitrários, empregando-
se outros, caso seja apropriado”. 
O Quadro 1 traz um exemplo do método de indexação fatorial. 
Quadro 1 - Determinação do consumo de calçados femininos na cidade de 
Franca pelo método de indexação fatorial 
Dados 400 mil habitantes na cidade, se destes: 
1º corte - gênero 
50% são mulheres, obtém-se 200 mil pessoas, se destas: 
2º corte - renda 
30% estão na faixa de renda alvo, obtêm-se 60 mil pessoas, se destas: 
3º corte - idade 
80% estão na faixa de idade-alvo, obtêm-se 48 mil clientes de mercado-alvo. 
Se esse produto apresenta um valor médio de R$ 120, e cada cliente alvo consome em média 
dois pares de sapato por ano, estamos falando de um mercado anual de 48.000 x 2 x R$ 120,00, 
o que representa um consumo de R$ 11.520.000 por ano. 
Fonte: Elaborado com base em Cecconello; Ajzental, 2008, p. 85. 
A utilização do método de indexação fatorial para o caso do café em pó 
vendido nos supermercados, seguiria um cálculo similar ao exemplo dos 
calçados, como nos mostra o Quadro 2. Vamos considerar o consumo familiar 
para o produto em questão. 
 
5 
 
 
Quadro 2 – Determinação do consumo de café na cidade de Franca pelo método 
de indexação fatorial 
Dados 400 mil habitantes na cidade, se destes: 
1º corte - consumo familiar 
Média de 4 integrantes por família, obtém-se 100 mil famílias, se destas: 
2º corte - renda 
80% estão na faixa de renda alvo, obtêm-se 80 mil famílias, se destas: 
3º corte - local de compra 
85% compram café no supermercado, obtêm-se 68 mil famílias clientes de mercado-alvo. 
Se esse produto apresenta um valor médio de R$ 7 o pacote, e cada família alvo consome em 
média um pacote de café por semana, estamos falando de um mercado anual de 68.000 x 1 x 
4,5 x 12 x R$ 7,00, o que representa um consumo de R$ 25.704.000 por ano. 
O exemplo para o mercado de massa não quer dizer que um único 
produtor de café torrado e moído alcança essa receita. Se considerarmos uma 
participação de mercado igual entre 20 marcas na cidade, cada uma estaria 
obtendo uma receita anual potencial de R$ 1.285.200. 
Considerando agora o consumo de café na cafeteria, muda-se de um 
mercado de massa para um mercado de nicho. Esse nicho, por sua vez, tem o 
seguinte perfil: bairro predominantemente comercial, com grande concentração 
de edifícios comerciais. A indexação fatorial para esse caso está apresentada no 
Quadro 3. 
Quadro 3 – Determinação do consumo de café para uma cafeteria pelo método 
de indexação fatorial 
Dados 14 mil habitantes no bairro, se destes: 
1º corte - população flutuante 
70% são trabalhadores, obtém-se 9.800 pessoas, se destas: 
2º corte - consumidores de café 
75% possuem o hábito de consumir café, obtêm-se 7.350 pessoas, se destas: 
3º corte - consumo em cafeteria 
50% consomem café em cafeteria, obtêm-se 3.675 clientes de mercado-alvo. 
4º corte - limitação geográfica 
10% se dispõe a deslocar-se até a cafeteria em questão, obtêm-se 367 clientes. 
Se a xícara de café apresenta um valor médio de R$ 4, e cada cliente alvo consome em média 
uma xícara por dia, estamos falando de um mercado anual de 367 x 1 x 5 x 4,5 x 12 x R$ 4,00, 
o que representa um consumo de R$ 396.360 por ano. 
 
6 
 
 
O método da indexação fatorial é bastante prático para auxiliar nas 
análises de receitas potenciais, uma vez que é muito difícil fazer previsões 
precisas. Mais do que um número, esse método ajuda a pensar em variáveis que 
podem afetar a demanda, e com isso o empreendedor ganha mais elementos 
para considerar em suas análises e planejamentos.TEMA 2 – DIMENSIONAMENTO DA OPERAÇÃO 
Uma vez dimensionada a demanda, podemos passar ao 
dimensionamento da estrutura operacional necessária para atender a demanda. 
Isso significa identificar e quantificar todos os recursos que precisam ser 
alocados no empreendimento. 
2.1 Identificação de recursos 
Entre as categorias de recursos a serem trabalhadas, normalmente 
encontramos: instalações; máquinas e equipamentos; móveis; sistemas; 
pessoas. 
Como viemos dizendo, a quantidade de recursos a serem alocados deve 
ser diretamente proporcional ao tamanho da demanda dimensionada. Caso a 
estrutura seja subdimensionada, isso pode implicar perda clientes e de receita, 
diminuindo o lucro potencial. Caso a estrutura seja superdimensionada, ela pode 
ficar ociosa e trazer prejuízos ao empreendedor. 
Ao pensar a estrutura, os recursos devem ser dimensionados na mesma 
proporção da demanda identificada; caso contrário, poderão aparecer gargalos 
na operação, quando um recurso reduz a capacidade instalada do 
empreendimento. 
Para exemplificar esse dimensionamento, vamos continuar com o 
exemplo da cafeteria. O primeiro passo é identificar todos os recursos 
necessários para constituir a operação do negócio. O Quadro 4 mostra uma lista 
não exaustiva dos recursos necessários para a estrutura da cafeteria. 
Quadro 4 – Exemplo de recursos para uma cafeteria 
Tipo Recurso 
Instalações Imóvel 
Equipamentos Espumador de leite 
Kit reposição louças e talheres 
Máquinas Máquina de café expresso 
7 
 
 
Refrigerador expositor vertical 
Estufa para salgados 
Vitrine refrigerada confeitaria 
Forno elétrico 
Forno micro-ondas 
Moedor de café 
Computador 
Impressora fiscal 
Geladeira 
Móveis Balcão cafeteria/clientes 
Conjunto mesa com 2 cadeiras 
Banquetas 
Sistemas Frente de caixa - PDV 
Pessoas Atendente 
2.2 Quantificação dos recursos 
Uma vez identificada a lista inicial dos recursos, o próximo passo é 
quantificar os recursos. Isso implica definir a capacidade instalada do negócio, 
ou seja, a quantidade de clientes que esse negócio poderá atender. Definida a 
capacidade, passamos ao cálculo da quantidade de recursos que permita 
oferecer a capacidade desejada. 
Utilizando o método da indexação fatorial, chegamos à quantidade de 367 
clientes como demanda estimada. Considerando que esses clientes vão 
frequentar a cafeteria diariamente, a capacidade instalada deve atender essa 
quantidade. 
Todavia, os 367 clientes não frequentarão a cafeteria simultaneamente, 
mas em diferentes horários durante o dia. O estabelecimento ficará aberto das 
8:00 às 20:00, totalizando 10 horas diárias de operação, o que resultaria em 
cerca de 36 clientes atendidos por hora. Naturalmente, há uma sazonalidade na 
demanda diária, pois em certos horários a cafeteria estará mais cheia ou mais 
vazia. Mas vamos considerar uma variação de demanda não significativa para o 
nosso exemplo. A Tabela 1 mostra a quantidade de recursos para proporcionar 
uma capacidade instalada de atendimento de 36 clientes por hora. 
Tabela 1 – Quantificação de recursos para capacidade instalada 
Tipo Recurso Quantidade 
Instalações Imóvel 50 m2 1 
Equipamentos Espumador de leite 
Kit reposição louças e talheres 
2 
1 
Máquinas Máquina de café expresso 
Refrigerador expositor vertical 
Estufa para salgados 
1 
1 
1 
8 
 
 
Vitrine refrigerada confeitaria 
Forno elétrico 
Forno micro-ondas 
Moedor de café 
Computador 
Impressora fiscal 
Geladeira 
1 
1 
1 
1 
1 
1 
1 
Móveis Balcão cafeteria/clientes 
Conjunto mesa com 2 cadeiras 
Banquetas 
1 
8 
4 
Sistemas Frente de caixa - PDV 1 
Pessoas Atendente 3 
Entre os recursos listados na Tabela 1, o recurso que vai delimitar a 
capacidade instalada é o tamanho do imóvel, que consequentemente limitará o 
número de lugares para os clientes e a quantidade de funcionários que podem 
trabalhar no estabelecimento. 
Mas, como parte dos clientes não faz o consumo no local, isso permite a 
utilização maior de alguns recursos, como a máquina de café, que precisa ter 
capacidade para atender os clientes que consomem no local e os que pedem 
café para viagem. Isso pode ser resolvido instalando uma máquina de café 
expresso com dois grupos de extração do café (Figura 2), o que permite tirar de 
2 a 4 cafés simultaneamente nos horários de pico. 
Figura 2 – Máquina de café expresso dimensionada para a demanda prevista 
Crédito: saravutpics / Shutterstock. 
Também é importante estar atento ao risco de escassez de recursos, o 
que eleva preços e os indisponibiliza no mercado. Assim, o empreendedor deve 
9 
 
 
estar atento a esse fator, pois ele pode provocar atrasos e/ou aumento do 
investimento necessário para a abertura do negócio. 
Por exemplo, o empreendedor decide pela compra de uma máquina de 
café expresso importada. Porém, no momento do desembaraço aduaneiro, 
surgem complicações que atrasam a liberação em 3 meses. Como a cafeteria 
vai operar sem a máquina de café expresso? Não é possível. 
Além dos recursos tangíveis, há dois recursos intangíveis imprescindíveis 
para o empreendedor: tempo e conhecimento. Eles também devem ser bem 
dimensionados, sendo fornecidos pelo próprio empreendedor ou por terceiros. 
Assim, se o empreendedor não tem tempo para cuidar da abertura do negócio e 
da operação diária, outra pessoa deve se incumbir dessas atribuições. Da 
mesma forma, se o empreendedor não tem os conhecimentos necessários para 
operar o negócio, ele deve assegurar-se de que alguém na empresa tenha esses 
conhecimentos. 
2.3 Definição do investimento inicial 
O investimento inicial é o montante de dinheiro que o empreendedor 
precisará para iniciar a operação do seu negócio. Isso inclui tanto o montante 
para abrir o negócio, ou seja, a constituição jurídica e a constituição física da 
empresa, quanto os recursos monetários para os primeiros momentos da 
operação, que podem ser classificados em duas categorias: 
• Capital inicial: montante necessário para a aquisição de recursos e 
serviços para a abertura do negócio; 
• Capital de giro: montante necessário para manter a empresa operando; 
é o dinheiro que a empresa tem “em estoque” para pagar suas despesas. 
Para calcular o capital inicial, é necessário precificar os recursos 
identificados e quantificados para a abertura do negócio. A Tabela 2 mostra a 
precificação e o total já calculado para as quantidades de cada recurso. 
Tabela 2 – Exemplo de precificação de recursos 
Tipo Recurso Quantidade Preço R$ 
Instalações Imóvel 50 m2 1 —- 
Equipamentos Espumador de leite 
Kit reposição louças e talheres 
1 
1 
65 
600 
Máquinas Máquina de café expresso 
Refrigerador expositor vertical 
Estufa para salgados 
1 
1 
1 
9500 
2800 
950 
10 
 
 
Vitrine refrigerada confeitaria 
Forno elétrico 
Forno micro-ondas 
Moedor de café 
Computador 
Impressora fiscal 
Geladeira 
1 
1 
1 
1 
1 
1 
1 
2300 
680 
450 
1600 
2000 
900 
1300 
Móveis Balcão cafeteria/clientes 
Conjunto mesa com 2 cadeiras 
Banquetas 
1 
8 
4 
6000 
4000 
360 
Sistemas Frente de caixa - PDV 1 3500 
Pessoas Atendente 3 —- 
Reformas Obras no imóvel e instalações 1 10000 
Total 47070 
Totalizando a quantidade de recursos pelo preço unitário, chega-se ao 
montante de R$ 47.070,00 para a aquisição de equipamentos, máquinas, móveis 
e sistemas. Os recursos de instalação e pessoas não foram precificados, porque 
são adquiríveis, afinal o imóvel é alugado e as pessoas são remuneradas por 
meio de salários. Assim, o capital inicial para abrir a cafeteria seria de R$ 
47.070,00. 
O capital de giro precisa contemplar o estoque mínimo de produtos a 
serem vendidos pela empresa. Para quantificar o capital de giro necessário para 
o estoque de produtos, é preciso identificar, quantificar e precificar cada um 
desses itens. A Tabela 3 traz um exemplo resumido de precificação total dos 
produtos para a cafeteria. 
Tabela 3 – Exemplos de precificação de estoques de produtose insumos para 
uma cafeteria 
Produto Total R$ 
Café 400 
Leite 320 
Açucar/adoçante 150 
Salgados 8000 
Doces 10000 
Canela 30 
Chocolate em pó 400 
Licores 200 
Total 19500 
Portanto, o montante necessário do capital de giro para a compra mensal 
de produtos para a cafeteria seria de R$ 19.500,00. Agora, é preciso identificar 
11 
 
 
e quantificar as despesas para a operação do negócio, o que pode ser observado 
na Tabela 4. 
Tabela 4 – Despesas regulares da cafeteria 
Item Valor R$ 
Aluguel imóvel 2000 
IPTU e taxas 500 
Energia elétrica 1000 
Água 600 
Telefone fixo 100 
Telefone celular 60 
Internet banda larga 150 
Contador 400 
Tarifas bancárias 100 
Mensalidade sistema PDV 250 
Produtos de limpeza 600 
Material de escritório 100 
Folha de pagamento 6000 
Total 11860 
O capital de giro necessário para pagamento das despesas mensais é R$ 
11.860,00. A Tabela 5 traz um somatório dos tipos de capital para iniciar um 
negócio. 
Tabela 5 – Exemplo de necessidade de capital para abrir a cafeteria 
Tipo de capital Montante 
Capital inicial R$ 47.070,00 
Capital de giro 
– Produtos R$ 19.500,00 
– Despesas R$ 11.860,00 
Total R$ 78.430,00 
Chegamos assim ao montante de investimento inicial para abrir a 
cafeteria, que é de R$ 78.530,00. Esse valor é uma estimativa e serve como 
referência do valor necessário. Ao longo do tempo, antes de iniciar a criação do 
negócio, esses cálculos acabarão sofrendo ajustes. 
12 
 
 
Reforçamos também que esses valores são ilustrativos e não devem ser 
tomados literalmente como referência para se abrir uma cafeteria. O próprio 
empreendedor é quem vai definir as especificidades de seu negócio, 
determinando os recursos, os produtos e os insumos necessários, em 
quantidades adequadas. 
TEMA 3 – A VIABILIDADE DO EMPREENDIMENTO 
A análise da viabilidade permite verificar a lucratividade do 
empreendimento desejado, ou seja, se a receita obtida é maior do que as 
despesas a serem pagas. Começando por esse princípio básico, é preciso 
estimar as entradas e saídas de caixa e o saldo resultante. 
Vamos retomar o exemplo da cafeteria. Estimamos que, em média, há 
367 clientes diariamente. Cada um deles compra apenas uma xícara de café por 
dia, ao preço de R$ 4,00, resultando em uma receita mensal de R$ 32.296,00. 
Como a cafeteria não vende somente cafés, mas também salgados e doces, 
vamos aplicar o conceito de ticket médio. 
O ticket médio é o gasto médio do cliente, considerando todo o consumo 
em determinado período. Seu cálculo é bem simples: receita mensal/quantidade 
de vendas mensais. Assim, vamos estipular um ticket médio de R$ 10, que 
resultaria em uma receita mensal de R$ 80.740,00. Essa estimativa aparece na 
Tabela 6. 
Tabela 6 – Estimativa de receita mensal para a cafeteria 
Clientes diários 367 
Valor ticket médio R$ 10,00 
Receita diária R$ 3.670,00 
Receita mensal R$ 80.740,00 
Para entender a viabilidade econômica do negócio, vamos utilizar a 
Demonstração de Resultados do Exercício (DRE). Segundo Mendes (2017, p. 
140), “a DRE é um tipo de demonstração financeira que tem como foco principal 
a demonstração das informações financeiras da empresa a fim de formar o 
resultado líquido do exercício, ou seja, o lucro ou prejuízo resultante da 
operação”. 
13 
 
 
Esse tipo de demonstração financeira é muito utilizado por médias e 
grandes empresas nas análises de resultados. Como destaca Mendes (2017, p. 
141): “apesar de não existir uma periodicidade definida por lei, a DRE é 
elaborada uma vez por ano, com o objetivo de divulgar os resultados no período 
que se encerrou. No entanto, ela pode ser elaborada para outras finalidades, em 
períodos variados, dependendo da necessidade da empresa”. 
Entre essas finalidades, a DRE pode ser utilizada pelo empreendedor 
como uma das ferramentas da análise de viabilidade econômica do 
empreendimento. Essa demonstração é muito útil, porque reúne os elementos 
que impactam a sustentabilidade financeira da empresa: entradas e saídas de 
caixa. 
Vamos ver a aplicação da DRE para verificar a viabilidade econômica da 
cafeteria na Tabela 7. 
Tabela 7 – DRE da cafeteria para estimativa plena da quantidade de clientes 
 
 
O ponto de partida na DRE da Tabela 7 é a estimativa de receita definida 
na Tabela 6. Com a empresa é classificada no regime de tributação do Simples, 
a alíquota estipulada é de 8% (esse valor é estimado para esse exemplo; o 
contador é o profissional que auxilia o empreendedor na gestão tributária da 
empresa e a quem cabe calcular as alíquotas de impostos devidos pela 
empresa). Descontando o montante do Simples, chega-se ao valor da receita 
líquida. 
Outro valor estimado para esse exercício é o custo da mercadoria 
vendida, que inclui: preço de compra, fretes e outras despesas diretamente 
Itens Valor 
Receita bruta R$ 80.740,00 
Deduções imposto Simples (8%) R$ 6.459,20 
Receita líquida R$ 74.280,80 
CMV R$ 40.370,00 
Lucro bruto R$ 33.910,80 
Despesas Operacionais 
Diversas R$ 11.860,00 
Taxa máquinas cartão (4%) R$ 3.229,60 
Subtotal R$ 15.089,60 
Lucro líquido R$ 18.821,20 
14 
 
 
relacionadas à compra dos produtos para revenda. No exemplo, trabalhamos 
com o valor de 50%. Com a subtração desse valor, chegamos ao lucro bruto. 
O próximo valor é a subtração das despesas calculadas na Tabela 4, no 
valor de R$ 11.860,00. Aqui também são subtraídas as despesas financeiras. No 
caso, foram consideradas as mais significativas: despesas com as taxas de 
recebimento com cartões de crédito e débito, valoradas em 4% sobre a venda 
bruta. Chega-se, então, ao valor do lucro líquido, que foi de R$ 18.821,20. 
Parece um valor muito interessante para a remuneração do pró-labore do 
proprietário do estabelecimento, já que ele não consta na folha de pagamento 
da empresa. 
Esse valor seria o lucro caso a previsão de 367 clientes/vendas diárias se 
materializasse. Mas se essa estimativa fosse muito otimista e a realidade não 
correspondesse a esse volume? Vamos ver como ficaria com 60% de vendas 
sobre essa estimativa. Nesse caso, seriam 220 vendas diárias, cujos resultados 
podem ser observados na Tabela 8. 
Tabela 8 – DRE da cafeteria para 60% do volume estimado de vendas 
Itens Valor 
Receita bruta R$ 48.444,00 
Deduções imposto Simples (8%) R$ 3.875,52 
Receita líquida R$ 44.568,48 
CMV R$ 24.222,00 
Lucro bruto R$ 20.346,48 
Despesas Operacionais 
Diversas R$ 11.860,00 
Taxa máquinas cartão (4%) R$ 1.937,76 
Subtotal R$ 13.797,76 
Lucro líquido R$ 6.548,72 
 
Subtraindo as mesmas deduções, chega-se a um valor de R$ 6.548,72 de 
lucro líquido, o que ainda é um valor interessante para o pró-labore do 
proprietário. 
Outra aplicação interessante da DRE é verificar em que ponto a empresa 
passa a ter prejuízo, o que pode ser observado na Tabela 9. 
 
15 
 
 
Tabela 9 – DRE com lucratividade tendendo a zero 
ITENS Valor 
Receita bruta R$ 25.836,80 
Deduções imposto Simples (8%) R$ 2.066,94 
Receita líquida R$ 23.769,86 
CMV R$ 12.918,40 
Lucro bruto R$ 10.851,46 
Despesas Operacionais 
Diversas R$ 11.860,00 
Taxa máquinas cartão (4%) R$ 1.033,47 
Subtotal R$ 10.826,53 
Lucro líquido R$ 24,93 
Para uma venda de R$ 25.836,80, a lucratividade da empresa está 
praticamente zerada. A presente receita corresponde a 117,4 vendas diárias, o 
que representa 32% do valor da estimativa inicial de 367 vendas diárias. 
Esses cálculos e demonstrações revelam como pode ser fácil se iludir por 
um cenário mais otimista que a realidade, levando o empreendedor do sonho de 
altos lucros para um prejuízo que nem sequer foi considerado como possível. 
Mas, seguindo a linha de que um planejamento adequado aumenta as 
chances de sucesso do empreendedor, as análises da DRE das Tabelas 7 e 8 
mostram cenários positivos, o que mostra que o exemplo do projeto da cafeteria 
seria viável, podendo assim ser levado adiante. 
TEMA4 – CONSTITUIÇÃO E ENQUADRAMENTO DA EMPRESA 
Quanto à constituição da empresa, o futuro empreendedor precisa estar 
atento para escolher o formato que melhor atenda à sua realidade, evitando 
complicar sua vida futura como empresário. Infelizmente, a legislação brasileira 
é complexa demais para boa parte dos cidadãos comuns. No caso do 
empreendedor, a menos que ele opte por se enquadrar como Micro 
Empreendedor Individual (MEI), é melhor contar com a assessoria de um 
contador, para auxiliá-lo a escolher o melhor enquadramento para seu futuro 
negócio. 
Para começar, o regime tributário brasileiro é classificado em três 
categorias, conforme pode ser visto no Quadro 5. 
16 
 
 
Quadro 5 – Faixas de faturamento por regime tributário 
Regime tributário Faturamento anual 
Simples Nacional Até R$ 4.800.000 
Lucro Presumido Entre R$ 4.800.001 e R$ 
78.000.000 
Lucro Real Acima de R$ 78.000.000 
Fonte: Elaborado com base em Enquadramento..., 2020. 
O Simples Nacional foi criado para atender as empresas de micro e 
pequeno portes, com faixas de tributação menores e impostos inclusos em uma 
alíquota única, o que facilita o trabalho de declaração de tributos. Para as 
empresas com faturamento acima do limite do Simples, as opções são o lucro 
presumido, em que a empresa paga as alíquotas conforme uma presunção de 
sua lucratividade; ou lucro real, quando paga alíquotas relacionadas à 
lucratividade real da empresa. 
Outro aspecto a ser observado é o porte da empresa, o qual, pela 
legislação, é determinado pelo faturamento (receita bruta) e pela quantidade de 
empregados, conforme pode ser observado no Quadro 6. 
Quadro 6 – Classificação de porte por faturamento e quantidade de empregados 
Classificação Limite faturamento anual Quantidade de empregados 
MEI - Micro 
Empreendedor 
Individual 
R$ 81.000 1 pessoa 
ME - Micro Empresa R$ 360.000 Até 9 pessoas - comércio ou 
serviços 
Até 19 pessoas - indústria ou 
construção 
EPP - Empresa de 
Pequeno Porte 
Entre R$ 360.001 e R$ 
4.800.000 
Entre 10 e 49 pessoas - 
comércio ou serviços 
20 a 99 pessoas - indústria ou 
construção 
Empresa sem 
enquadramento 
Acima de R$ 4.800.000 Não tem 
Fonte: Elaborado com base em Enquadramento..., 2020. 
Em relação aos formatos jurídicos de constituição da empresa, há cinco 
opções mais conhecidas e utilizadas, cada qual com diferentes configurações 
em termos de propriedade da empresa e de responsabilidade dos proprietários, 
como podemos observar no Quadro 7. 
 
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Quadro 7 – Opções de formatos jurídicos para constituição de empresa 
Formato Jurídico Propriedade Responsabilidade 
Micro Empreendedor 
Individual (MEI) 
Individual Irrestrita - abrangendo tanto o 
patrimônio empresarial, quanto 
pessoal. 
Micro Empresa (ME) Individual Irrestrita - abrangendo tanto o 
patrimônio empresarial, quanto 
pessoal. 
Empresa Individual de 
Responsabilidade Limitada 
(EIRELI) 
Individual Limitada ao capital integralizado. 
Sociedade Limitada (Ltda.) Coletiva (até 7 sócios) Limitada ao capital integralizado. 
Sociedade Anônima - 
(S.A.) 
Coletiva (acima de 7 
sócios) 
Limitada ao capital integralizado. 
Fonte: Elaborado com base em Enquadramento..., 2020. 
Por fim, confira as opções de enquadramento no regime tributários, de 
acordo com o formato jurídico, no Quadro 8. 
Quadro 8 – Opções de enquadramento dos formatos jurídicos de empresa no 
regime tributário 
Formato Regime tributário 
Micro Empreendedor Individual (MEI) Simples Nacional 
Micro Empresa (ME) Simples Nacional 
Lucro Presumido 
Lucro Real 
Empresa Individual de 
Responsabilidade Limitada (EIRELI) 
Simples Nacional 
Lucro Presumido 
Lucro Real 
Sociedade Limitada (Ltda.) Simples Nacional 
Lucro Presumido 
Lucro Real 
Sociedade Anônima - (S.A.) Lucro Presumido 
Lucro Real 
Fonte: Elaborado com base em Enquadramento..., 2020. 
Como já destacamos, a melhor configuração jurídica para o futuro 
empreendimento deve ser discutida e analisada com o contador escolhido pelo 
empreendedor. Em relação ao formato jurídico a ser escolhido, dois aspectos 
merecem atenção e reflexão por parte do empreendedor. 
O primeiro é a questão da responsabilidade legal do proprietário para 
saldar as dívidas da empresa: pode haver demanda tanto pelo capital da 
empresa quanto por seu capital pessoal. Exceto em situações em que há existam 
impedimentos legais ou outros motivos específicos, não há dúvidas que a melhor 
opção é escolher os formatos jurídicos que limitam essa responsabilidade ao 
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capital da empresa, que hoje são a Eireli, a sociedade limitada e a sociedade 
anônima. 
Outro aspecto é a questão da propriedade da empresa, se será individual 
ou coletiva, com um dois ou mais sócios. O empreendedor vai ter sócios? Em 
que momento a sociedade será estabelecida? Desde a identificação da 
oportunidade, resultado de um esforço conjunto de dois ou mais 
empreendedores? Ou nas próximas etapas do processo empreendedor, em que 
a eventualidade de uma sociedade preencherá uma lacuna nesse processo? 
Um dos motivos mais comuns para se ter um sócio é a busca por capital 
para abrir o negócio – o famoso sócio investidor. A maior parte dos 
empreendedores tem ideias de negócio, mas não tem capital para transformar 
essa ideia em uma empresa. Seguindo essa linha de motivação, não 
necessariamente o sócio entrará com o recurso financeiro. Pode ser que esse 
sócio investidor “invista” com outros recursos, como um imóvel ou máquinas e 
equipamentos. 
Outro motivo para se buscar um sócio é trazer para o negócio 
conhecimentos e habilidades que o empreendedor não tem, que podem ser 
gerenciais ou técnicas. 
Sociedades malsucedidas são famosas por conflitos e por 
desentendimento entre os sócios, pois no momento de se constituir a sociedade 
os futuros sócios estão atentos somente às boas perspectivas do negócio. Tudo 
vai bem, até que surgem conflitos, muitas vezes desavenças motivadas por 
determinadas situações, ou quando a empresa começa a dar prejuízos. 
Para evitar ou minimizar esses conflitos, que podem resultar no fim da 
sociedade, muitas vezes em separações não amigáveis, uma opção é elaborar 
um documento que se chama “Acordo de Sócios” (Carvalho.; Camara; Valentim, 
2019): 
O acordo de sócios é um instrumento particular que usualmente regula 
algumas questões estruturais e de funcionamento da sociedade e que 
são refletidas em seu contrato social, mas também regula as relações 
entre os sócios nas decisões em relação à sociedade (exercício do 
poder de voto e/ou do poder de controle), bem como as regras e 
direitos envolvendo a compra e venda de quotas e preferência (s) para 
adquiri-las, entre outras questões diversas. 
Esse acordo está previsto na Lei das Sociedades Anônimas, mas pode 
ser elaborado para uma sociedade limitada. Mesmo que seja cogitado e não 
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venha a ser assinado, a discussão de temas que fazem parte do acordo já pode 
sinalizar se haverá desacordos potenciais entre os futuros sócios (Figura 3). 
Figura 3 – O acordo de sócios pode evitar conflitos na sociedade empresária 
Crédito: Amnaj Khetsamtip / Shutterstock. 
Considerando o exposto, a melhor configuração de formato jurídico do 
futuro empreendimento seria uma Eireli enquadrada no Simples, pois 
inicialmente há menos trâmites tributários para se lidar, menos impostos a pagar, 
a responsabilidade dos proprietários fica restrita aos bens da empresa, e não há 
sócios, eliminando a possibilidade de conflitos. 
A configuração proposta, considerando esses três aspectos (Figura 4), é 
adequada ao empreendedor individual que está começando seu negócio, com 
poucos recursos e correndo riscos calculados. 
Figura 4 – Aspectos que influenciam a configuração do formato jurídico da 
empresa 
 
Em outras configurações de empreendimentos, a formatação jurídica 
pode e deve ser diferente. Por isso, o planejamento fiscal e tributário é uma tarefa 
importante para todo empreendedor,e nem é tão difícil assim – basta aproveitar 
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o contador que vai ser contratado para fazer a contabilidade da empresa e incluir 
essa questão. 
TEMA 5 – FONTES DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS 
Uma vez calculado o investimento inicial necessário, o próximo passo é a 
captação de recursos. Há várias fontes de recursos e financiamento disponíveis 
para os empreendedores. Mendes (2017) relaciona várias fontes de captação, 
como veremos adiante. 
Vamos separar essas fontes em não-direcionadas e direcionadas. As 
fontes não direcionadas não exigem obrigação legal de uso do recurso no novo 
empreendimento. Já nas fontes direcionadas o recurso obtido precisa 
necessariamente ser investido em um novo negócio. As fontes não-direcionadas 
estão listadas no Quadro 9. 
Quadro 9 – Relação de fontes não direcionadas de captação de recursos 
Fonte Descrição 
Recursos próprios Essa fonte consiste na reserva pessoal do próprio empreendedor, que 
pode ser um montante poupado com o objetivo de abrir um negócio ou 
não. Essa reserva pode estar disponível, ou pode ser formada, dentro 
de um processo de planejamento de médio/longo prazo. 
Bens pessoais Às vezes os recursos disponíveis não são o dinheiro em espécie, mas 
podem ser convertidos a partir de venda, como de um automóvel ou 
imóvel. 
Recursos familiares Membros da família podem dispor do recurso necessário para o 
empreendedor. 
Amigos abastados Amigos do empreendedor também podem dispor dos recursos 
necessários. 
Bancos comerciais Normalmente, oferecem três modalidades de financiamento: 
empréstimos pré-aprovados, nos quais o banco disponibiliza um 
montante que pode ser resgatado pelo cliente sem exigência alguma; 
empréstimos com garantias, que dependem das garantias para que o 
recurso fique disponível para o cliente; e empréstimos sem garantias, 
que são os mais difíceis e os mais caros. 
Fintechs São startups que fornecem serviços financeiros com uso intenso de 
tecnologia, normalmente fazendo tudo pela Internet. Entre os diversos 
serviços oferecidos, há crédito, com empréstimos, em diversos casos 
com taxas menores que as de bancos comerciais. 
Fonte: Elaborado com base em Mendes, 2017. 
Como destacamos, os recursos obtidos com essas fontes não precisam 
ser necessariamente investidos em um novo negócio. No caso dos bancos e 
fintechs, atendidas as garantias, o recurso é de uso livre. O mesmo ocorre com 
o recurso obtido com familiares e amigos, quando a destinação se baseia na 
promessa do empreendedor. 
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Algumas fontes de recursos trabalham especificamente para incentivar o 
empreendedorismo, com linhas de crédito direcionadas para esse fim, 
normalmente com taxas menores, como podemos ver no quadro a seguir. 
Quadro 10 – Relação de fontes direcionadas de captação de recursos 
Fonte Descrição 
Bancos de fomento Possuem linhas de crédito para incentivar o desenvolvimento 
econômico, mas direcionadas para setores específicos e empresas já 
em operação. 
Investidores anjos Pessoas ou empresas que investem em empresas iniciantes, 
normalmente startups, buscando retorno do investimento depois que a 
empresa estiver consolidada. 
Programas de 
aceleração 
Programas que dão o suporte necessário para acelerar o crescimento 
da empresa, por meio de mentorias, know how, netoworking e acesso 
a capital. 
Crowdfunding Trata-se de financiamento coletivo do negócio, normalmente utilizando 
uma plataforma dedicada, por meio da qual apoiadores ou potenciais 
clientes colaboram com contribuições financeiras individuais (Figura 
5). 
Fonte: Elaborado com base em Mendes, 2017. 
No caso das fontes não direcionadas de capital, o crédito depende das 
garantias; no caso das fontes direcionadas, a liberação do crédito depende de 
um modelo e de um plano de negócio consistente, de modo que as fontes 
possam verificar a viabilidade do negócio. 
Figura 5 – O crowdfunding é uma forma de obtenção de capital de apoiadores e 
clientes potenciais 
 
Crédito: Prostock-studio / Shutterstock. 
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Seja qual for a fonte de capital, o empreendedor precisa prestar atenção 
ao custo de obtenção do empréstimo. Se a ideia é pegar um empréstimo 
tradicional, deve atentar às taxas de juros e ao seu impacto na sustentabilidade 
econômica do negócio. Se for participação societária, o empreendedor precisa 
atentar para os termos de remuneração da participação e para os termos de 
saída dos sócios. No caso de fontes como familiares e amigos, deve pensar nos 
custos emocionais desse empréstimo. 
O empreendedor também pode fazer uso de mais de uma fonte de 
captação de recursos para constituir o montante de investimento inicial 
necessário, inclusive algumas fontes não citadas, mas que para pequenos 
montantes podem ser utilizadas, como por exemplo financiamento via 
fornecedores. 
Seja qual for a fonte, o empreendedor precisa assumir riscos calculados. 
Por exemplo, se for utilizar capital próprio, deve ter uma reserva de segurança. 
Ou, ao calcular o montante do investimento inicial, deve adicionar uma margem 
de segurança ao valor, pois sempre surgem gastos que não foram previstos. Ou 
então, ao tomar um empréstimo em um banco com uma taxa elevada, deve ter 
certeza de que o retorno esperado compensará a taxa. 
Caso o empreendedor esteja enfrentando dificuldades para captar 
recursos para o seu empreendimento, ele pode utilizar o conceito de MVP – 
Minimum Viable Product para reduzir o montante de investimento inicial 
necessário. O conceito de Minimum Viable Product, ou Produto Mínimo Viável, 
propõe que, para aumentar as chances de sucesso de um produto ou serviço, o 
empreendedor pode lançar uma versão reduzida, com as funcionalidades 
mínimas que caracterizem o produto completo, como um protótipo funcional. Isso 
permite que um grupo inicial de clientes teste o produto. Assim, o empreendedor 
pode verificar o quanto o produto resolve “as dores” do cliente, para na sequência 
fazer os ajustes necessários para o lançamento da versão definitiva. 
Utilizando o conceito do MVP, com versões mais simples do produto, o 
um investimento inicial será menor. Com isso, fica mais fácil para o 
empreendedor iniciar o seu negócio e depois incrementá-lo e ampliá-lo (Figura 
6). 
 
23 
 
 
Figura 6 – O conceito do MVP permite o lançamento rápido do produto com um 
custo inicial menor 
 
Crédito: librarians / Shutterstock. 
Nos tempos atuais, a velocidade é muito importante. Por isso, o 
empreendedor deve considerar o uso de ferramentas que permitam um rápido 
desenvolvimento e lançamento de seu negócio, como começar com versões 
mais simples do produto ou serviço. 
FINALIZANDO 
Um empreendimento, para ser bem-sucedido, precisa de um bom 
planejamento; um bom planejamento, por sua vez, deve atentar para alguns 
fatores críticos de sucesso. Um deles é o dimensionamento da demanda, já que 
muitos empreendedores imaginam uma demanda e esperam que ela se torne 
realidade. Porém alguns cálculos nem tão complexos já mostram alguma coisa 
sobre essa demanda, como entender se a demanda imaginada é pelo menos 
um pouco realista. 
Outro fator crítico é estimar a receita em função da demanda. Para isso, 
é necessário, além de quantificar a demanda, ter uma noção da precificação dos 
produtos e dos serviços a serem vendidos, o que resultará em uma estimativa 
de receita. 
O outro lado da moeda é a estimativa do investimento inicial para se criar 
o negócio. Além de se ter um montante definido para a captação de recursos 
com terceiros, esse momento pode ser utilizado para estimar as despesas 
regulares do negócio. Juntando a previsão de receita, o investimento inicial e a 
previsão de despesas, é possível analisar a viabilidade do negócio. Utilizando-
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se a DRE, é possível fazer estimativas de receitas e verificar qual o impacto na 
lucratividade da empresa. 
Outro fator crítico de sucesso é a configuração jurídica da empresa, pois 
uma configuração inadequadapode resultar em uma carga tributária maior. 
Também cabe nessa ocasião a decisão por uma empresa individual ou uma 
sociedade. 
Por fim, o empreendedor precisa definir a fonte (ou fontes) de captação 
de recursos para a criação do negócio. As fontes incluem recursos próprios, 
capital de terceiros ou empréstimos de instituições financeiras. 
Uma tomada de decisão, com base em planejamento cuidadoso, 
envolvendo todos esses fatores, aumenta as chances de sucesso do 
empreendedor em seu futuro empreendimento. 
 
 
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REFERÊNCIAS 
CARVALHO, D. P.; CAMARA, D. E. G.; VALENTIM, G. Contrato social e acordo 
de sócios. Espaço Startup, 2019. Disponível em: 
<https://baptistaluz.com.br/espacostartup/contrato-social-e-acordo-de-
socios/#:~:text=O%20acordo%20de%20s%C3%B3cios%20%C3%A9,do%20po
der%20de%20controle)%2C%20bem>. Acesso em: 19 out. 2020. 
CECCONELLO, A. R.; AJZENTAL, A. A construção do plano de negócios: 
percurso metodológico para – caracterização da oportunidade, estruturação do 
projeto conceptual, compreensão do contexto, definição do negócio, 
desenvolvimento da estratégia, dimensionamento das operações, projeção de 
resultados, análise de viabilidade. São Paulo: Saraiva, 2008. 
ENQUADRAMENTO de Empresas em 2020. Abra Contábil, 2020. Disponível 
em: <http://www.abracontabil.com.br/enquadramento-de-empresas/>. Acesso 
em: 19 out. 2020. 
MENDES, G. Empreendedorismo 360º: a prática na prática. São Paulo: Atlas, 
2017.

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