Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Curso  
FORMAÇÃO 
EM 
PSICANÁLISE 
___ 
Versão 1.4 
 
 
 
 
 
2 
 
NE@D Formação em Psicanálise Clínica - Curso de 
Formação em Psicanálise Clínica  
Elaborado pelo IPAVIAMG por meio do Núcleo de Educação à Distância ​IPAVIAMG - Instituto 
Psicanalítico AVia Minas Gerais  
Tutor​ - Prof. Alexandre Motta Alonso  
Coordenador Acadêmico​ - Prof. Alexandre Motta Alonso  
Coordenação do Núcleo de Educação a Distância e Direção Acadêmica​ - Prof. Dr. 
Alexandre Motta Alonso  
Conteudista​ - Prof. Dr. Alexandre Motta Alonso  
Desenvolvimento do Material Instrucional ​- Prof. Alexandre Motta Alonso  
Suporte Pedagógico​ - Prof. Alexandre Motta Alonso e Prof. Gustavo Ribas Rezende 
Revisão​ - Prof. Gustavo Ribas Rezende 
Projeto Gráfico -​ Equipe do Núcleo de Educação a Distância do IPAVIAMG 
 
 
 
 
3 
 
Conteúdo Programático 
Aula 02 
O que veremos nesta aula? 
1. Psicanálise em Definição 
2. Id, Ego e Superego 
3. Histeria 
 
1. OBJETIVO 
Para iniciar no caminho da formação em Psicanálise               
Clínica, é importante que se faça muita leitura,               
reflexão e análise crítica. 
Compreender e conhecer a definição da psicanálise             
e os três níveis de consciência segundo Freud.               
Ampliar alguns conceitos como a histeria para a               
teoria psicanalítica. 
 
 
   
 
 
 
4 
 
2. RESUMO 
Esperamos que, ao final, você possa ter acrescentado novas                 
perspectivas sobre o tema aos diversos conhecimentos e               
experiências que já possui. Assim, construiremos um perfil de um                   
profissional mais ético, respeitoso e justo.  
Vamos começar?  
 
 
“O afeto estrangulado é convertido nos sintomas físicos da histeria por 
estímulo inconsciente.”   
Freud 
   
 
 
 
5 
 
 
NE@D Formação em Psicanálise Clínica - Curso de Formação em Psicanálise Clínica 2 
Elaborado pelo IPAVIAMG por meio do Núcleo de Educação à Distância IPAVIAMG - 
Instituto Psicanalítico AVia Minas Gerais 2 
Conteúdo Programático 3 
O que veremos nesta aula? 3 
OBJETIVO 3 
RESUMO 4 
“O afeto estrangulado é convertido nos sintomas físicos da histeria por estímulo 
inconsciente.” 4 
Freud 4 
TEORIA PSICANALÍTICA 6 
INCONSCIENTE, PRÉ-CONSCIENTE, CONSCIENTE 10 
TEORIA ESTRUTURAL OU DINÂMICA 13 
ID 13 
EGO 14 
SUPEREGO 15 
ID, EGO, SUPEREGO 16 
ID OU ISSO 17 
CONCEITO DE ID 18 
EGO OU EU 19 
CONCEITO DE EGO 21 
SUPEREGO OU SUPEREU 25 
CONCEITO DE SUPEREGO 25 
REFLEXÕES SOBRE A HISTERIA 29 
HISTERIA EM DEFINIÇÃO 32 
HISTÓRIA DO PRIMEIRO VIBRADOR 35 
ESTUDOS SOBRE A HISTERIA (1895) 35 
FREUD E BREUER 36 
PROGRESSOS DA HISTERIA 42 
Referências: 42 
Tutores: 44 
Dúvidas Frequentes: 44 
 
 
 
6 
 
 
Psicanálise em Definição 
 
TEORIA PSICANALÍTICA 
A metodologia científica em Psicanálise         
confunde-se com a própria pesquisa, ou           
seja, a psicanálise é uma pesquisa.  
A Psicanálise aplicada é o tratamento           
psicanalítico. Tudo aquilo que escapa ao           
tratamento psicanalítico é a teoria         
psicanalítica. 
O anterior no leva a importante reflexão,             
pois quer dizer, que o psicanalista pode             
aprender através da investigação da cultura           
humana, ou seja, das atividades humanas,           
como fez o ilustre Freud com a obra de                 
Sófocles com o Édipo Rei.  
Ao longo da próxima unidade será possível             
um mergulho na mitologia grega e sua             
relação com a psicanálise, bem como,           
ampliar a noção e compreensão do           
“Complexo de Édipo” para a psicanálise. 
Ainda pensando no campo da investigação é             
que Pinheiro (1999), comenta em seu artigo             
que a cada momento de elaboração teórica             
corresponde uma proposta terapêutica       
específica, implicando no avanço paralelo         
de seu corpo teórico e de suas aplicações               
práticas. Na verdade esta proposição, por           
um lado, impede que a teoria psicanalítica,             
desvinculada de sua prática, se transforme,           
conforme nos advertiu Freud (1933[1932]),         
em uma visão de mundo (Weltanschauung). 
No artigo “O ensino da teoria psicanalítica:             
falar sobre o inconsciente com o discurso             
lógico do consciente”, Chiapello (2012),         
apresenta algumas alusões acerca da teoria           
psicanalítica e esclarece, que as dificuldades           
que caracterizam o saber a ser transmitido             
referem-se à especificidade das descobertas         
psicanalíticas: seu caráter de ser do registro             
do agir, ou seja, de uma práxis e não                 
unicamente do saber.  
Segundo Petry (2006), A teoria psicanalítica,           
ainda que fique entre a reinvenção e a               
repetição, continua parte da formação         
analítica e seu ensino é exigido por várias               
instituições psicanalíticas.  
Pelo anterior, se observa que surge a             
importância deste presente capítulo e do           
 
 
 
7 
 
ensino da teoria psicanalítica como parte da             
formação de novos psicanalistas. 
Ainda segundo é possível observar o           
constructo teórico que nos espera e o             
quanto o saber psicanalítico requer leitura,           
busca pelo conhecimento, investigação e         
aprendizado constante. 
Vemos em Safouan (1985) apud Petry           
(2006), defende que um dos três pontos que               
seriam admitidos pelos analistas é o de que               
um psicanalista, independente de sua linha           
teórica, necessariamente deve passar       
previamente por uma análise que o habilite,             
de alguma forma, a analisar outros.  
Todos os psicanalistas em formação se           
deparam com está parte da tradição das             
instituições psicanalíticas e na aposta no           
chamado tripé da formação do analista,           
composto de análise didática, análise de           
controle (supervisão, a partir de Lacan) e             
estudo teórico.  
Segundo vemos por meio dos autores,           
também se pode considerar consenso entre           
psicanalistas de diferentes orientações       
teóricas que a formação de novos analistas             
não é comparável à simples aprendizagem           
de conceitos psicanalíticos ou de uma           
técnica de trabalho, uma vez que a formação               
não é redutível ao ensino ou à             
aprendizagem de conceitos e métodos. 
O ensino desses conceitos ou do que poderia               
ser considerada uma técnica psicanalítica         
nunca foi, portanto, considerado suficiente         
para a formação de analistas, mas tampouco             
foi abandonado pelas instituições       
psicanalíticas (PRETY, 2006). 
Freud não é apenas o pai da psicanálise, mas                 
o fundador de uma forma muito particular e               
inédita de produzir ciência e conhecimento. 
Ele reinventou o que se sabia sobre a alma                 
humana (a psique), instaurando uma         
ruptura com toda a tradição do pensamento             
ocidental, a partir de uma obra em que o                 
pensamento racional, consciente e       
cartesiano perde seu lugar exclusivo e           
egrégio. 
Seus estudos sobre a vida inconsciente,           
realizados ao longo de toda a sua vasta obra,                 
são hoje referência obrigatória para a           
ciência e para a filosofia contemporâneas. 
Na leitura do “Compêndio da psicanálise”,           
vemos que as formulações da psicanálise se             
apoiam numa profusão imensa de         
observações e de experiências, e só quem             
repete essas observações em si mesmo e em               
outros tomou o caminho que leva a um juízo                 
próprio. 
De qualquer forma surge um alerta           
interessante no artigo “Entre o necessário e             
o impossível: o ensino da teoria           
psicanalítica na formaçãode psicanalistas”,         
que defende que a impossibilidade de           
reduzir a psicanálise a uma ciência preditiva             
e o ofício do psicanalista ao exercício de               
uma técnica pode, num extremo, levar a             
minimizar a importância da teoria         
 
 
 
8 
 
psicanalítica na formação de novos analistas           
e na própria prática analítica. 
Em toda a história do movimento           
psicanalítico que será estuda nas próximas           
unidades com mais profundidade, aponta a           
partir da dissensão de Jung e Adler, a               
questão de como proteger a psicanálise das             
resistências que podem surgir internamente         
ao movimento que foi alvo de muitos             
ataques. 
Nesse ínterim, foi quando Ferenczi destacou           
a necessidade de uma primeira forma de             
controle: que um pequeno grupo fosse           
analisado pessoalmente por Freud, de modo           
que estes pudessem se tornar referências de             
confiança nos vários centros psicanalíticos         
– nascia aqui o paradigma da formação             
embutida da ideia de que “a transmissão da               
psicanálise é regulada pela transferência, e           
que a transferência (a Freud) seria o melhor               
instrumento para evitar “adulterações       
teóricas” com base em complexos pessoais”.  
Pelo anterior, é possível deduzimos que as             
bases da continuidade da psicanálise se           
encontram, primeiramente, na própria       
experiência analítica como apontado por         
seu fundador no texto bem como na             
questão da análise leiga (1926), mas           
também na reunião daqueles que se           
propõem trabalhar os desdobramentos       
dessa prática nas chamadas instituições         
psicanalíticas, espaço no qual o ensino e a               
transmissão da psicanálise ocupam lugar         
privilegiado. 
A amplitude e complexidade do conceito           
freudiano de inconsciente, e       
consequentemente, de sua invenção teórica         
– a psicanálise – logo produziu           
interlocuções com outros saberes e         
interesses variados, até o momento em que             
veio a ser absorvida pelo discurso das             
massas, embora frequentemente permeada       
por certos equívocos, como bem exemplifica           
o famoso dito: Freud explica! 
De todo modo, a psicanálise hoje ocupa um               
lugar no discurso social.  
A fim de compreender o que é a psicanálise,                 
destaca-se que a psicanálise é:   
Psicanálise é um ramo clínico teórico que se               
ocupa em explicar o funcionamento da           
mente humana, ajudando a tratar distúrbios           
mentais e neuroses. O objeto de estudo da               
psicanálise concentra-se na relação entre os           
desejos inconscientes e os comportamentos         
e sentimentos vividos pelas pessoas. (Fonte:           
https://www.significados.com.br/psicanalise
/) 
Procedimento para investigação de       
processos mentais, os quais são         
praticamente inacessíveis de outra forma,         
especialmente de vivências internas e         
profundas, como pensamentos,     
sentimentos, emoções, fantasias e sonhos.   
A criação da Psicanálise se deve ao             
desenvolvimento do método psicanalítico. 
 
 
 
9 
 
Este método nasce de uma prática,           
consistindo em três fatores fundamentais: 
observação, investigação e interpretação.       
Portanto complementando um método       
(baseado nessa investigação) para o         
tratamento das neuroses;   
De acordo com Kabori (2013), Por meio             
desta lente (psicanálise), foi possível         
entender a histeria e, a partir daí a psique                 
humana. Até o momento pré-psicanalítico,         
apenas existiam noções nosográficas a         
respeito desta patologia e tentativas de           
tratamento sem muito sucesso, como a           
hipnose por exemplo. 
Uma observação importante para todos nós,           
é que o material clínico e teórico em seus                 
escritos sempre que possível era         
acompanhado de mitos, obras literárias e           
estudos antropológicos, como forma de         
comparação, ilustração ou exemplo, tanto         
para facilitar o entendimento da         
comunicação, quanto para reforçar seu         
argumento, o que na época, era necessário             
devido à grande oposição à Psicanálise no             
meio científico (Mezan, 1985). 
De outro modo, gostaríamos também de           
destacar a relação dialética existente entre           
teoria e clínica encontrada na obra           
freudiana. Em nenhum momento desta, os           
campos teórico e clínico se afastam. De tal               
forma que, encontra-se nas possibilidades e           
limites circunscritos pela prática clínica, o           
espaço no interior do qual a teoria pode ser                 
construída por meio da escuta psicanalítica           
e dos casos clínicos essenciais à transmissão             
da psicanálise enquanto saber.  
Portanto, a psicanálise, é um método de             
investigação que busca evidenciar o         
significado inconsciente das palavras, atos         
e produções imaginárias (sonhos,       
devaneios) de um indivíduo, baseado na           
associação livre.   
Então surge a seguinte pergunta: qual é o               
objetivo da atividade psicanalítica e como           
podemos interpretar o papel do         
psicanalista? 
De acordo com o artigo “"A análise é o que                   
se espera de um psicanalista”, vemos que a               
análise é o que se espera de um               
psicanalista": das múltiplas definições que         
Lacan pôde dar, essa talvez seja a mais               
certeira. Ela precisa, com humor e rigor, a               
especificidade da psicanálise, fazendo-a       
depender do que é um psicanalista, ou seja,               
da sua formação, que não é senão o               
resultado de uma análise. 
Em outras palavras e buscando uma           
simplificação podemos dizer de forma         
simples: psicanalista = espelho   
Complementando o anterior, nosso objetivo         
claramente posto está em tornar consciente           
o inconsciente.   
  
 
 
 
10 
 
INCONSCIENTE, 
PRÉ-CONSCIENTE, 
CONSCIENTE  
Sigmund Freud empregou a palavra         
"aparelho" para definir uma organização         
psíquica dividida em sistemas, ou instâncias           
psíquicas, com funções específicas, que         
estão interligadas entre si, ocupando certo           
lugar na mente. Assim, o modelo tópico             
designa um "modelo de lugares"; Freud           
formulou primeiramente a primeira tópica,         
conhecida como Teoria Topográfica, e         
posteriormente apresentou a segunda       
tópica, conhecida como Teoria Estrutural ou           
Dinâmica. 
Na primeira tópica de Freud, de acordo com               
a obra freudiana vemos que o aparelho             
psíquico é composto por três sistemas: o             
inconsciente, o pré-consciente e o         
consciente.  
As tópicas serão objetivo de estudo nas             
próximas unidades e seguiremos       
aprofundando em um dos pilares mais           
importantes da psicanálise e de toda a obra               
freudiana. 
De acordo com o pai da psicanálise, o               
consciente é somente uma pequena parte da             
mente, incluindo tudo aquilo de que           
estamos cientes num dado momento. Do           
ponto de vista tópico, o sistema           
percepção-consciência está situado na       
periferia do aparelho psíquico, recebendo,         
ao mesmo tempo, as informações do mundo             
exterior e as provenientes do interior.  
Na proposta topográfica apresentada por         
Freud, o pré-consciente foi concebido como           
articulado com o consciente e funciona           
como uma espécie de barreira que selecionaaquilo que pode ou não passar para o               
consciente.  
O pré-consciente seria uma parte do           
inconsciente que pode tornar-se consciente         
com relativa facilidade, ou seja, seus           
conteúdos são acessíveis, podem ser         
evocados e trazidos à consciência. O sistema             
inconsciente designa a parte mais arcaica do             
aparelho psíquico.  
Ainda segundo Freud, é possível constatar           
que por herança genética, existem         
elementos instintivos ou pulsões, acrescidos         
das respectivas energias.No inconsciente       
estariam os elementos instintivos não         
acessíveis à consciência. Além disso, há           
também material que foi excluído da           
consciência pelos processos psíquicos de         
censura e repressão. Esse conteúdo         
"censurado" não é permitido ser lembrado,           
mas não é perdido, permanecendo no           
inconsciente. Para Freud, a maior parte do             
aparelho psíquico é inconsciente. 
Freud em a interpretação dos sonhos (1900)             
aponta que “a maior parte do aparelho             
psíquico é inconsciente”. Esta afirmação no           
remete a reflexão sobre o fato de que há                 
 
 
 
11 
 
também material que foi excluído da           
consciência pelos processos psíquicos de         
censura e repressão. Além do mais, esse             
conteúdo "censurado" não é permitido ser           
lembrado, mas não é perdido,         
permanecendo no inconsciente. 
Pelo anterior exposto, sintetizamos       
inicialmente conforme estudo e       
levantamento bibliográfico em Freud a         
distinção proposta de três níveis de           
consciência, em sua inicial divisão         
topográfica da mente:   
Consciente ​- Diz respeito à capacidade de             
ter percepção dos sentimentos,       
pensamentos, lembranças, ações     
intencionais e fantasias do momento;   
Pré-consciente - Relaciona-se aos       
conteúdos que podem facilmente chegar à           
consciência. São pensamentos que, apesar         
de temporariamente inconscientes, não são         
reprimidos. O pré-consciente é como uma           
peneira entre os níveis consciente e           
inconsciente; 
Inconsciente ​- Refere-se ao material não           
disponível à consciência ou ao escrutínio do             
indivíduo.   
Cabe ressaltar que Sigmund Freud         
empreendeu todo um esforço para         
desenvolver a teoria psicanalítica tendo         
como base a sua experiência clínica, a qual               
foi por ele amplamente registrada e           
divulgada.  
No texto, A história do movimento           
psicanalítico, Freud (1914/1996) nos relata         
que durante dez anos seu trabalho foi             
solitário; de início, não aceitaram a           
natureza peculiar das descobertas       
principalmente por revelarem o papel         
fundamental da sexualidade na etiologia das           
neuroses. 
O ponto central dessa teoria é o postulado               
da existência do inconsciente como:   
a) um receptáculo de lembranças         
traumáticas reprimidas;   
b) um reservatório de impulsos que           
constituem fonte de ansiedade, por         
serem socialmente ou eticamente       
inaceitáveis para o indivíduo.   
O estudo do inconsciente, aos poucos vai             
demonstrando que as modificações       
inconscientes estão disponíveis para a         
consciência e podem ser acessadas por meio             
da análise e da livre associação, e que               
geralmente estão sob a forma disfarçada.  
Freud conclui que tanto os os sonhos, os               
atos falhos e o chiste são também uma               
forma de expressão do inconsciente. 
Muitos experimentos da psicobiologia       
(neurociência comportamental) vêm     
corroborando a validade das ideias         
psicanalíticas sobre o inconsciente.   
Segundo Lima (2010), Insatisfeito com o           
"Modelo Topográfico", porquanto esse não         
 
 
 
12 
 
conseguia explicar muitos fenômenos       
psíquicos, Freud elaborou uma segunda         
teoria, a segunda tópica. Na segunda tópica,             
Freud estabeleceu a sua clássica concepção           
do aparelho psíquico, conhecido como         
"modelo estrutural" ou "dinâmico", tendo         
em vista que a palavra "estrutura" significa             
um conjunto de elementos que têm funções             
específicas, porém que interagem       
permanentemente e se influenciam       
reciprocamente. Essa concepção     
estruturalista ficou cristalizada em "O ego e             
o id", de 1923, e consiste em uma divisão da                   
mente em três instâncias psíquicas: o id, o               
ego e o superego. 
Os conceitos ora apresentados, serão         
discutidos nas próximas páginas e ao longo             
de toda a formação. 
 
 
  
 
   
 
 
 
13 
 
 
Id, Ego, Superego 
TEORIA ESTRUTURAL OU 
DINÂMICA 
Conforme estudado nos capítulos       
anteriores, Sigmund Freud formulou       
primeiramente a primeira tópica, conhecida         
como Teoria Topográfica. Nessa primeira         
tópica proposta por Freud, o aparelho           
psíquico é composto por três sistemas: o             
inconsciente, o pré-consciente e o         
consciente. 
E como vimos anteriormente, foi que Freud,             
insatisfeito com o "Modelo Topográfico",         
porquanto esse não conseguia explicar         
muitos fenômenos psíquicos, elaborou uma         
segunda teoria, a segunda tópica. 
Foi quando apresentou a segunda tópica, e             
esta ficou conhecida como Teoria Estrutural           
ou Dinâmica. De acordo com a segunda             
tópica, ou a teoria estrutural da mente, é               
possível inferir que o id, o ego e o superego                   
funcionam em diferentes níveis de         
consciência. Ainda no sentido de retomar a             
palavra "estrutura" cabe esclarecer que esta           
significa um conjunto de elementos que têm             
funções específicas, porém que interagem         
permanentemente e se influenciam       
reciprocamente. Essa concepção     
estruturalista ficou cristalizada em "O ego e             
o id", de 1923, e consiste em uma divisão da                   
mente em três instâncias psíquicas: o id, o               
ego e o superego. Portanto, há um             
constante fluxo, um movimento de         
lembranças e impulsos de um nível para o               
outro.   
 
 
 
ID   
Estabelecido no nível inconsciente, o id é o               
reservatório das pulsões, as quais estão           
sempre ativas. Regido pelo princípio do           
 
 
 
14 
 
prazer, o id exige satisfação imediata desses             
impulsos, sem levar em conta a           
possibilidade de consequências     
indesejáveis.   
Ampliando mais esta construção, o artigo           
“O modelo estrutural de Freud e o cérebro:               
uma proposta de integração entre a           
psicanálise e a neurofisiologia”, apresenta         
uma consolidação do ID de acordo com             
Freud. 
O id foi concebido como um conjunto de               
conteúdos de natureza pulsional e de ordem             
inconsciente, constituindo o polo       
psicobiológico da personalidade. É       
considerado a reserva inconsciente dos         
desejos e impulsos de origem genética,           
voltados para a preservação e propagação da             
vida. Contém tudo o que é herdado, que se                 
acha presente no nascimento, acima de tudo             
os elementos instintivos que se originam da             
organização somática. Do ponto de vista           
"topográfico", o inconsciente, como       
instância psíquica, virtualmente coincide       
com o id. Portanto, os conteúdos do id,               
expressão psíquica das pulsões, são         
inconscientes, por um lado hereditários e           
inatos e, por outro lado, adquiridos e             
recalcados. Do pontode vista "econômico",           
o id é, para Freud, a fonte e o reservatório                   
de toda a energia psíquica do indivíduo, que               
anima a operação dos outros dois sistemas             
(ego e superego). Do ponto de vista             
"dinâmico", o id interage com as funções do               
ego e com os objetos, tanto os da realidade                 
exterior como aqueles que, introjetados,         
habitam o superego. Do ponto de vista             
"funcional", o id é regido pelo princípio do               
prazer, ou seja, procura a resposta direta e               
imediata a um estímulo instintivo, sem           
considerar as circunstâncias da realidade.         
Assim, o id tem a função de descarregar as                 
tensões biológicas, regido pelo "princípio do           
prazer" (Freud - “O ego e o id”) 
EGO   
Funciona principalmente a nível       
consciente e pré-consciente, embora       
também contenha elementos     
inconscientes, pois evoluiu do id. Regido           
pelo princípio da realidade, o ego cuida dos               
impulsos do id, tão logo encontre a             
circunstância adequada. Desejos     
inadequados não são satisfeitos, mas         
reprimidos.   
Ainda segundo o artigo de Lima (2010), O               
ego se desenvolve a partir da diferenciação             
das capacidades psíquicas em contato com a             
realidade exterior. Sua atividade é, em           
parte, consciente (percepção e processos         
intelectuais) e, em parte, pré-consciente e           
também inconsciente. É regido pelo         
princípio da realidade, que é o fator que se                 
incumbe do ajustamento ao ambiente e da             
solução dos conflitos entre o organismo e a               
realidade. O ego lida com a estimulação que               
vem tanto da própria mente como do             
mundo exterior. Desempenha a função de           
obter controle sobre as exigências das           
 
 
 
15 
 
pulsões, decidindo se elas devem ou não ser               
satisfeitas, adiando essa satisfação para         
ocasiões e circunstâncias mais favoráveis ou           
reprimindo parcial ou inteiramente as         
excitações pulsionais. Assim, o ego atua           
como mediador entre o id e o mundo               
exterior, tendo que lidar também com o             
superego, com as memórias de todo tipo e               
com as necessidades físicas do corpo. Como             
o ego opera de acordo com o princípio da                 
realidade, seu tipo de pensamento é verbal e               
se caracteriza pela lógica e pela           
objetividade. Dinamicamente, o ego é         
pressionado pelos desejos insaciáveis do id,           
pela severidade repressiva do superego e as             
ameaças do mundo exterior. Assim, a           
função do ego é tentar conciliar as             
reivindicações das três instâncias a que           
serve, ou seja, o id, o mundo externo e o                   
superego. Para Freud, estamos divididos         
entre o princípio do prazer (que não             
conhece limites) e o princípio de realidade             
(que nos impõe limites). Com referência aos             
acontecimentos externos, o ego       
desempenha sua função armazenando       
experiências sobre os diferentes estímulos         
na memória e aprendendo a produzir           
modificações convenientes no mundo       
externo em seu próprio benefício. A teoria             
psicanalítica procura explicar a gênese do           
ego como um sistema adaptativo,         
diferenciado a partir do id em contato com a                 
realidade exterior. 
SUPEREGO   
Apenas parcialmente consciente, o superego         
serve como um censor das funções do ego               
(contendo os ideais do indivíduo derivados           
dos valores familiares e sociais), sendo a             
fonte dos sentimentos de culpa e medo de               
punição.   
Apoiando no esforço do artigo de Lima             
(2010) e na consolidação apresentada com           
base em Freud, O superego desenvolve-se a             
partir do ego, em um período que Freud               
designa como período de latência, situado           
entre a infância e o início da adolescência.               
Nesse período, forma-se nossa       
personalidade moral e social. O superego           
atua como um juiz ou um censor             
relativamente ao ego. Freud vê na           
consciência moral, na auto-observação, na         
formação de ideais, funções do superego.  
Classicamente, o superego constitui-se por         
interiorização das exigências e das         
interdições parentais. Num primeiro       
momento, o superego é representado pela           
autoridade parental que molda o         
desenvolvimento infantil, alternando as       
provas de amor com as punições, geradoras             
de angústia. Num segundo tempo, quando a             
criança renuncia à satisfação edipiana, as           
proibições externas são internalizadas. Esse         
é o momento em que o superego vem               
substituir a instância parental por         
intermédio de uma identificação da criança           
 
 
 
16 
 
com os pais. Freud salientou que o superego               
não se constrói segundo o modelo dos pais,               
mas segundo o que é constituído pelo             
superego deles. O superego estabelece a           
censura dos impulsos que a sociedade e a               
cultura proíbem ao id, impedindo o           
indivíduo de satisfazer plenamente seus         
instintos e desejos. É o órgão psíquico da               
repressão, particularmente a repressão       
sexual. 
 
ID, EGO, SUPEREGO 
Pelo exposto até o momento, a           
representação tópica exposta no capítulo         
VII de “A Interpretação dos Sonhos” fixa a               
ordem de coexistência das diferentes         
regiões do aparelho psíquico, entre cujas           
extremidades - sensível e motora - se             
desenrolam os processos. No entanto, em           
nota introduzida numa edição posterior,         
Freud ressalta a insuficiência do esquema           
anteriormente construído.  
Segundo Freud, “o desenvolvimento       
posterior deste esquema desdobrado       
linearmente”, sinaliza o pai da psicanálise,           
“deverá levar em conta esta suposição de             
que o sistema que sucede ao pré-consciente             
é aquele a que devemos atribuir a             
consciência”. A primeira tópica - teoria           
topográfica -, que foi inspirada pela análise             
do sonho e da histeria, dará lugar logo após                 
1920, em função da insatisfação com o             
"Modelo Topográfico", já que esse, como           
vimos, não conseguia explicar muitos         
fenômenos psíquico. Daí a origem de uma             
segunda tópica, elaborada em resposta aos           
problemas da psicose.  
Como exposto nos parágrafos anteriores,         
esta abrange o id, o ego, e o superego.  
Segundo dizeres de Freud, sobre a primeira             
tópica ou teoria topográfica acreditava que           
tinha um valor descritivo, ao passo que na               
segunda tópica -Teoria Estrutural ou         
Dinâmica - reconhece um valor sistemático.  
Freud, afirma: 
“Daremos o nome de inconsciente”,         
escrevia ele em 1900, “ao sistema situado             
mais atrás; ele não poderia ter acesso à               
consciência, a não ser passando pelo           
pré-consciente, e durante essa passagem o           
processo de excitação deverá se submeter a             
certas modificações”. 
O contexto histórico e a construção das             
tópicas propostas por Freud se deu           
gradativamente e desde o momento em que             
ele vinha trabalhando e elaborando uma           
nova concepção, mas, foi por volta de 1920 -                 
mais precisamente a partir do importante           
trabalho metapsicológico “Além do       
Princípiodo Prazer” - que Freud estabeleceu             
de forma definitiva a sua clássica concepção             
do aparelho psíquico, conhecido como         
modelo estrutural (ou dinâmico), tendo em           
vista que a palavra “estrutura” significa um             
 
 
 
17 
 
conjunto de elementos que separadamente         
tem funções específicas, porém que são           
indissociáveis entre si, interagem       
permanentemente e influenciam-se     
reciprocamente. Ou seja, diferentemente da         
Primeira Tópica, que sugere uma         
passividade, a Segunda Tópica é         
eminentemente ativa, dinâmica. Essa       
concepção estruturalista ficou cristalizada       
em “O ego e o id” de 1923, e consiste em                     
uma divisão tripartite da mente em três             
instâncias: o id, o ego e o superego. 
 
ID OU ISSO 
Georg Groddeck, foi quem introduziu este           
termo em 1923 e posteriormente         
conceituado por Sigmund Freud no mesmo           
ano. A construção do termo se deu a partir                 
do pronome alemão neutro da terceira           
pessoa do singular (Es), para designar uma             
das três instâncias da segunda tópica           
freudiana, ao lado do ego (eu) e do superego                 
(supereu). O id (isso) é concebido como um               
conjunto de conteúdos de natureza         
pulsional e de ordem inconsciente. O id             
neste ínterim constitui o polo pulsional da             
personalidade. De acordo ao exposto nos           
parágrafos anteriores, os seus conteúdos,         
expressão psíquica das pulsões, são         
inconscientes, por um lado hereditários e           
inatos e, por outro, recalcados e adquiridos. 
 
 
 
Do ponto de vista "econômico", o id é, para                 
Freud, a fonte e o reservatório de toda a                 
energia psíquica do indivíduo, que anima a             
operação dos outros dois sistemas (ego e             
superego).  
Do ponto de vista "dinâmico", o id interage               
com as funções do ego e com os objetos,                 
tanto os da realidade exterior como aqueles             
que, introjetados, habitam o superego.  
Do ponto de vista "funcional", o id é regido                 
pelo princípio do prazer, ou seja, procura a               
 
 
 
18 
 
resposta direta e imediata a um estímulo             
instintivo, sem considerar as circunstâncias         
da realidade. Assim, o id tem a função de                 
descarregar as tensões biológicas, regido         
pelo "princípio do prazer". 
De acordo com a representação topográfica,           
O id foi concebido como um conjunto de               
conteúdos de natureza pulsional e de ordem             
inconsciente, constituindo o polo       
psicobiológico da personalidade. 
CONCEITO DE ID 
Ampliando as noções anteriores e o           
contexto histórico, vemos que o termo das             
Es (isso, aquilo) é introduzido em “O Ego e o                   
Id” (Das Ich und das Es, 1923). Neste               
contexto, Freud vai buscá-lo em Georg           
Groddeck e cita o precedente de Nietzsche,             
que designaria assim “... o que há de não                 
pessoal e, por assim dizer, de necessário por               
natureza do nosso ser”.  
Entre 1920 e 1923, vemos um reformulação             
que deu lugar ao conceito de id (isso) por                 
Freud dentro teoria psicanalítica.  
Todo o movimento anterior e revisão           
culminou na modificação da teoria das           
pulsões, e na elaboração de uma nova             
psicologia do ego, que levava em conta suas               
funções inconscientes de defesa e recalque,           
e pela definição de uma nova tópica             
(segunda tópica), na qual o id veio a ocupar                 
o lugar que antes era do inconsciente na               
tópica anterior (primeira tópica). 
Uma revisão da obra freudiana, demonstra           
que foi seu ensaio sobre “O Ego e o Id” que                     
Freud introduziu o termo pela primeira vez,             
refutando o fundamento da acepção         
definida por Groddeck: a de uma vivência             
passiva do indivíduo, confrontado com         
forças desconhecidas e impossíveis de         
dominar. 
A teoria topográfica, denominada também         
de primeira tópica, pretendia uma descrição           
cômoda dos processos psíquicos. Esta         
permitia distinguir entre o consciente e           
duas modalidades de inconsciente - o           
inconsciente propriamente dito, cujos       
conteúdos só raramente (ou nunca) podiam           
ser transformados em pensamentos       
conscientes, e o pré-consciente, feito de           
pensamentos latentes, passíveis de se tornar           
ou de voltar a se tornar conscientes. Por               
volta de 1915, resultado de uma lenta             
evolução fundamentada na experiência       
clínica, foi que Freud chegou à conclusão de               
que partes do ego e do superego eram               
inconscientes. Todo o processo e descoberta           
tornou impossível afirmar a existência de           
uma identidade entre o ego e o consciente,               
de um lado, e o recalcado e o inconsciente,                 
de outro.  
Após todas as revisões e dos avanços             
clínicos e teóricos, percebe-se que foi           
preciso revisar por completo a concepção           
das relações consciente-inconsciente     
 
 
 
19 
 
expressa pela primeira tópica. Daí a           
introdução do termo id para designar o             
inconsciente, considerado um reservatório       
pulsional desorganizado, semelhante a um         
verdadeiro caos, sede de “paixões         
indomadas” que, sem a intervenção do eu,             
seria um joguete de suas aspirações           
pulsionais e caminharia inelutavelmente       
para sua perdição. Ao mesmo tempo, o ego               
perdeu sua autonomia pulsional,       
tornando-se o id a sede da pulsão de vida e                   
da pulsão de morte.  
Diferente da abordagem descritiva da         
primeira tópica, a abordagem dinâmica da           
segunda não instaurou nenhuma separação         
radical entre as instâncias que a           
compunham: os limites do id deixaram de             
ter a precisão dos que marcavam a             
separação entre o inconsciente e o sistema             
consciente-pré-consciente, e o ego deixou         
de ser estritamente diferenciado do id, no             
qual o superego mergulha suas raízes.  
Foi através das “Novas Conferências         
Introdutórias sobre Psicanálise”, que       
versava sobre “A decomposição da         
personalidade psíquica”, que Sigmund       
Freud inaugurou uma reflexão sobre os           
respectivos futuros do ego e do id e sobre a                   
missão que, sob esse ponto de vista, cabia à                 
psicanálise.  
Nesse contexto, enunciou sua célebre frase           
“Wo Es war, soll Ich werden” ( “Aonde o                 
Isso estava, deve advir o Eu”), que daria               
margem a diversas leituras, por sua vez             
articulada com as modalidades de         
interpretação da segunda tópica.  
 
EGO OU EU 
Sigmund Freud, retomou esse termo         
amplamente utilizado e empregado na         
filosofia e na psicologia para designar a             
pessoa humana como consciente de si e             
objeto do pensamento, designando-o num         
primeiro momento como a sede da           
consciência. O ego (eu) foi então delimitado             
num sistema chamado primeira tópica, que           
abrangia o consciente, o pré consciente e             
inconsciente.  
A partir de 1920, o termo mudou de               
estatuto, sendo conceituado por Freud como           
uma instância psíquica, no contexto de uma             
segunda tópica que abrangia outras duas           
instâncias: o superego e o id. Sua atividade               
é, em parte, consciente (percepçãoe           
processos intelectuais) e, em parte,         
pré-consciente e também inconsciente. Essa         
segunda tópica “Teoria Estrutural ou         
Dinâmica” (id, ego, superego) deu origem a             
três leituras divergentes da doutrina         
freudiana: a primeira destaca um eu           
concebido como um polo de defesa ou de               
adaptação à realidade (Ego Psychology,         
annafreudismo); a segunda mergulha o ego           
no id, divide-o num ego (eu) [moi] e num                 
Ego (Eu) [je] -sujeito, este determinado por             
um significante (lacanismo); e a terceira           
 
 
 
20 
 
inclui o ego numa fenomenologia do si             
mesmo ou da relação de objeto (Self             
Psychology, kleinismo).  
Ampliando um pouco mais essa discussão,           
do ponto de vista tópico, o ego está numa                 
relação de dependência tanto para com as             
reivindicações do id, como para com os             
imperativos do superego e exigências da           
realidade. Embora se situe como mediador,           
encarregado dos interesses da totalidade da           
pessoa, a sua autonomia é apenas relativa.  
Do ponto de vista dinâmico, o ego             
representa eminentemente, no conflito       
neurótico, o polo defensivo da         
personalidade; põe em jogo uma série de             
mecanismos de defesa, estes motivados pela           
percepção de um afeto desagradável (sinal           
de angústia).  
Do ponto de vista econômico, o ego surge               
como um fator de ligação dos processos             
psíquicos; mas, nas operações defensivas, as           
tentativas de ligação da energia pulsional           
são contaminadas pelas características que         
especificam o processo primário: assumem         
um aspecto compulsivo, repetitivo, desreal.  
Pelo anterior, concluímos que a teoria           
psicanalítica, parte essencial da formação de           
novos psicanalistas, procura explicar a         
gênese do ego em dois registros           
relativamente heterogêneos, quer vendo       
nele um aparelho adaptativo, diferenciado a           
partir do id em contato com a realidade               
exterior, quer definindo-o como o produto           
de identificações que levam à formação no             
seio da pessoa de um objeto de amor               
investido pelo id.  
Relativamente à primeira teoria do aparelho           
psíquico, o ego é mais vasto do que o                 
sistema pré-consciente-consciente, na     
medida em que as suas operações defensivas             
são em grande parte inconscientes. Neste           
contexto, S. Freud descreveu o ego como             
uma parte do id, que por influência do               
mundo exterior, ter-se-ia diferenciado.  
O id tem a função de descarregar as tensões                 
biológicas, regido pelo "princípio do prazer.  
Partindo do suposto, que o ser humano é               
um animal social e, se quiser viver com seus                 
congêneres, não poderia se instalar nessa           
espécie de nirvana, que é o princípio de               
prazer, ponto de menor tensão, assim como             
lhe é impossível deixar que as pulsões se               
exprimem em estado puro.  
Um clássico exemplo que nos ajuda a             
ilustrar melhor as ideias ora apresentadas, é             
se de fato, o mundo exterior impõe à criança                 
pequenas proibições que provocam o         
recalcamento e a transformação das         
pulsões, na busca de uma satisfação           
substitutiva que irá provocar no eu, por sua               
vez, um sentimento de desprazer. O           
princípio de realidade substitui o princípio           
de prazer.  
O princípio do prazer e o princípio da               
realidade podem ser considerados       
importantes conceitos psicanalíticos. 
 
 
 
21 
 
Compreende-se que o princípio do prazer           
descrito por Freud ([1920] 1969) direciona           
toda a ação psíquica e orgânica, com a               
intenção de atingir um prazer idealizado,           
ignorando ou mesmo evitando as         
frustrações. 
 
CONCEITO DE EGO 
Como conseguimos observar ao longo deste           
estudo, existem em Freud duas teorias           
tópicas do aparelho psíquico, a primeira           
(Teoria Topográfica) das quais faz intervir           
os sistemas inconscientes, pré-consciente,       
consciente e a segunda (Teoria Estrutural ou             
Dinâmica) as três instâncias id, ego e             
superego. 
Este arcabouço teórico é bem vasto e requer               
muita leitura e esforço de compreensão por             
parte do leitor tanto nas obras de Freud               
como dos pós freudianos.  
É unânime na psicanálise admitir que a             
noção de ego só se teria revestido de um                 
sentido estritamente psicanalítico, técnico,       
após aquilo a que se chamou a “virada” de                 
1920, aquela virada marcada pela revolução           
sinalizada no conceito de id. 
Não menos evidente, conforme revisão         
bibliográfica, é que Freud utilizava a noção             
de ego desde os seus primeiros trabalhos e é                 
interessante ver destacarem-se dos textos         
relativos ao período de 1894-1900 certos           
temas e problemas que se reencontraram           
depois, resultado de um esforço permanente           
de Freud inclusive em uma das suas últimas               
publicações “O compêndio da psicanálise”.  
O Compêndio da psicanálise, em seu vigor,             
apresenta esse mesmo tom de afirmação de             
verdades e, assim, seu novo título em             
português restitui ao leitor de língua           
portuguesa o sentido pleno de um texto que               
traz a última exposição da doutrina           
psicanalítica, estabelecida pelo próprio       
Freud, sem embargo, foi a experiência           
clínica das neuroses que levou Freud a             
transformar radicalmente a concepção       
tradicional do ego.  
Algumas contribuições da psicologia,       
sobretudo a psicopatologia, por volta de           
1880, aponta as “alterações e         
desdobramentos da personalidade”, dos       
“estatutos segundos”.  
Todo o movimento psicanalítico, foi Por           
outro lado, inclusive por ser inovador em             
muitos sentidos dentro da psicologia e dos             
estudos sobre a mente humana, o           
movimento foi atacado e difamado por           
psiquiatras, psicólogos e pela imprensa da           
época. Um exemplo deste foi Henri F.             
Ellenberg que dá mostras de excessiva           
severidade ao escrever, a propósito da           
segunda tópica freudiana, que “o ego (eu)             
não passa de um antigo conceito filosófico,             
vestido numa nova roupagem psicológica”.  
 
 
 
22 
 
Não parece fazer sentido atribuir à Freud a               
invenção do termo “eu” ou mesmo a noção               
do inconsciente e consciente, tampouco,         
pareceria se essa a sua intenção com o               
advento do psicanálise.  
Um revisão histórica é capaz de apresentar             
que a ideia do ego, muitas vezes sinônima               
da de consciência, de fato está presente nas               
obras da maioria dos grandes filósofos,           
sobretudo os alemães, desde meados do           
século XVIII. E, ante a constatação das             
experiências das experiências mesmerianas,       
Wilhelm von Schelling (1775-1854) e         
Johann Gottlieb Fichte (1762-1814)       
relativizam a importância do eu em sua             
concepção do funcionamento mental.  
Freud era incontestavelmente um       
admirador da filosofia e ao longo das             
próximas unidades veremos um pouco das           
influências da filosofia em Freud e na             
psicanálise. Por outro lado, essas         
referências filosóficas constituem o pano de           
fundo contrao qual se desenvolveram as             
primeiras etapas de uma psiquiatria         
dinâmica que procurava desvincular-se das         
concepções organicistas do funcionamento       
do espírito humano.  
Assim, podemos considerar que Wilhelm         
Griesinger (1817-1869), inspirador de       
Theodor Meynert, foi um dos ancestrais de             
Freud. Nomeado diretor, em 1860, do           
novíssimo hospital psiquiátrico de Zurique,         
o Burghölzli, Griesinger foi um dos           
primeiros psiquiatras a afirmar que a           
maioria dos processos psicológicos decorria         
de uma atividade inconsciente. Ele elaborou           
uma psicologia do eu cujas distorções são             
tidas como resultantes do conflito que opõe             
esse eu a representações que ele não             
consegue assimilar. Meynert, cujas aulas  
Foi em 1883 que Freud acompanhou e             
formulou, por sua vez, uma concepção dual             
do ego, fazendo uma distinção entre o ego               
primário, parte inconsciente da vida mental           
que tem sua origem na infância, e o ego                 
secundário, ligado à percepção consciente.  
Encontramos a marca desse ensino na           
primeira grande elaboração teórica de         
Freud, seu “Projeto para uma psicologia           
científica”. Desde esse momento, o ego se             
inscreve na trama da análise do conflito             
psíquico. Assim, nessa primeira síntese         
teórica, evocando o conflito entre a “atração             
provocada pelo desejo” e a tendência ao             
recalcamento, cujo teatro é o sistema           
neuronal concernido nas excitações       
endógenas, Freud discerne a existência de           
uma “instância” cuja presença entrava a           
passagem das quantidades energéticas,       
quando esse fluxo é acompanhado de           
sofrimento ou de satisfação.  
Pelo anterior, é que Freud esclarece: “Essa             
instância - chama-se o ego (eu)”. Para             
Sigmund Freud, esse ego tem um modo             
duplo de funcionamento: esforça-se por se           
livrar dos investimentos dos quais é objeto,             
procurando a satisfação, e tenta por meio do               
 
 
 
23 
 
processo que Freud denomina de inibição,           
evitar a repetição de experiências dolorosas.  
No conceito de id e do ego, abordamos a                 
questão da reformulação. Em 1914,         
introduz conceito de narcisismo que acabou           
contribuindo para conferir ao ego um lugar             
de primeiro plano.  
Posteriormente, os trabalhos de Karl         
Abraham, no estudo das psicoses permitiu           
estabelecer que o ego podia ser sede de um                 
investimento libidinal, como qualquer       
objeto externo.  
O anterior, favoreceu o surgimento de uma             
libido do ego, oposta à libido objetal, como               
proposta por Freud enunciando a hipótese           
de um movimento de balança entre as duas.  
Todo o movimento anterior, levou o eu a               
deixar de ter apenas o papel de mediador               
perante a realidade externa, sendo também           
objeto de amor e se tornando, em virtude da                 
distinção entre narcisismo primário - que se             
pressupõe a existência de uma libido no ego               
- e narcisismo secundário, um reservatório           
de libido.  
Depois de Freud, o ego, sua concepção e as                 
funções de que ele é supostamente a sede               
iriam constituir um desafio teórico e           
político a partir do qual se instituiu algumas               
correntes contraditórias nos movimento       
psicanalítico e que embora não         
aprofundaremos nestas correntes no       
presente estudo, é importante que se sabia             
quais foram e o que propunham. 
Como dito anteriormente, se formaram duas           
correntes, destinadas a se tornar         
dominantes na psicanálise     
norte-americana: o “annafreudismo” e a         
“Ego Psychology”, em torno de Anna Freud,             
por um lado, e de “Heinz Hartmann”, por               
outro, para privilegiar o ego e seus             
mecanismos de defesa, em detrimento do id,             
do inconsciente e do sujeito. Dessa maneira,             
elas contribuíram para fazer da psicanálise           
uma terapia da adaptação do eu à realidade.  
Em reação a essa normalização, Heinz           
Kohut retomou o conceito de self (o si               
mesmo), introduzido em 1950 por         
Hartmann, para assinalar uma distinção em           
relação ao ego, e elaborou uma teoria do               
aparelho psíquico em que o self se tornou               
uma instância particular, que permite         
explicar os ataques narcísicos.  
Além das duas correntes anteriores, outras           
correntes surgiram, como o kleinismo e o             
lacanismo, correntes estas que adotam uma           
orientação radicalmente oposta, na       
perspectiva de um “retorno ao         
inconsciente”, seguindo caminhos que por         
outro lado, são bem distintos entre si.  
Se por um lado Melanie Klein enfatiza a fase                 
pré-edipiana do desenvolvimento psíquico,       
consagrando sua atenção ao estudo das           
relações arcaicas mãe-filho e a seu conteúdo             
pulsional negativo, por outro, o         
procedimento de Jacques Lacan volta-se         
desde logo para a análise das condições de               
 
 
 
24 
 
emergência de um sujeito do inconsciente,           
apanhado, em sua origem, na armadilha do             
ego (eu), que é constitutivo do registro do               
imaginário, este conclamado, desde 1953, a           
se tornar uma das instâncias da tópica             
lacaniana, ao lado do real e do simbólico.  
Nossa formação básica não irá aprofundar           
em Lacan, mas é muito comum entre os               
círculos psicanalíticos a defesa da bandeira:           
“Freudianos” e “Lacanianos”. De outro lado,           
é comum que os pacientes questionem qual             
“linha” seguimos. 
Embora na atualidade nos deparamos com           
estas bandeiras, retomamos um dizer de           
Lacan sobre esta divisão: 
“se vocês quiserem podem ser lacanianos,           
eu de minha parte sou freudiano.” 
Lacan teve um papel muito importante para             
a psicanálise, quando por volta da década de               
1950, demarca este fenômeno de resistência           
à psicanálise dentro do próprio campo das             
sociedades psicanalíticas – representados       
pelos modelos anti freudianos adotados pela           
IPA – é por um retorno à Freud que ele                   
apoia sua proposta.  
O interessante de se observar, é que a               
questão introduzida por Lacan parece recair           
justamente sobre a questão da formação e             
as contradições do arranjo institucional da           
IPA com o próprio discurso analítico.  
Retomando o anterior, para Lacan, o eu             
(ego) se distingue, como núcleo da instância             
imaginária, na fase chamada de estádio do             
espelho. A criança se reconhece em sua             
própria imagem, caucionada nesse       
movimento pela presença e pelo olhar do             
outro (a mãe ou um substituto) que a               
identifica, que a reconhece       
simultaneamente nessa imagem.  
Não pretendemos contudo confundi-los       
com outras abordagens, porém, ilustrar         
especialmente a imagem do “espelho” em           
Lacan que permeia nosso acionar e ofício. 
Retomando o postulado por Lacan, o Eu             
(ego) [je] - sujeito - é como que captado por                   
esse eu (ego) [moi] imaginário: de fato, o               
sujeito, que não sabe o que é, acredita ser                 
aquele eu (ego) [moi] a quem vê no espelho.  
Através do discurso desse eu [moi] como um               
discurso consciente, que faz “semblante” deser o único discurso possível do indivíduo,             
enquanto existe, como que nas entrelinhas,           
o discurso não controlável do sujeito do             
inconsciente. Consideradas essas bases,       
podemos compreender a interpretação       
lacaniana da célebre frase de Freud nas             
“Novas conferências introdutórias sobre       
psicanálise”: “Wo Es war, soll Ich werden”.             
Lacan traduz essa frase da seguinte           
maneira: “Ali onde isso (id) era, eu (ego)               
devo advir”. Para ele, trata-se de mostrar             
que o ego não pode surgir no lugar do id,                   
mas que o sujeito (je) deve estar ali onde se                   
encontra o id, determinado por ele, pelo             
significante.  
 
 
 
25 
 
Ainda segundo Lacan, pode-se acrescentar         
que a criança se banha em um mundo de                 
linguagem, que veicula as proibições e que é               
somente porque o ser humano é um ser               
falante que se instaura o recalcamento e,             
por meio dele, a divisão do sujeito.  
 
SUPEREGO OU SUPEREU 
Freud vê na consciência moral, na           
auto-observação, na formação de ideais,         
funções do superego. 
Aqui nos deparamos com uma das           
instâncias da personalidade tal como Freud           
a descreveu no quadro da sua segunda teoria               
do aparelho psíquico: o seu papel é             
assimilável ao de um juiz ou de um censor                 
relativamente ao ego.  
De acordo com Lima (2010), classicamente,           
o superego constitui-se por interiorização         
das exigências e das interdições parentais.           
Num primeiro momento, o superego é           
representado pela autoridade parental que         
molda o desenvolvimento infantil,       
alternando as provas de amor com as             
punições, geradoras de angústia. Num         
segundo tempo, quando a criança renuncia           
à satisfação edipiana, as proibições externas           
são internalizadas. Esse é o momento em             
que o superego vem substituir a instância             
parental por intermédio de uma         
identificação da criança com os pais. Freud             
salientou que o superego não se constrói             
segundo o modelo dos pais, mas segundo o               
que é constituído pelo superego deles. O             
superego estabelece a censura dos impulsos           
que a sociedade e a cultura proíbem ao id,                 
impedindo o indivíduo de satisfazer         
plenamente seus instintos e desejos. É o             
órgão psíquico da repressão,       
particularmente a repressão sexual 
 
CONCEITO DE SUPEREGO 
Conforme revisão histórico-bibliográfica, o       
termo Über-Ich foi introduzido por Freud           
em O ego e o id (Das Ich und das Es, 1923).  
Como observamos no tópico do superego,           
este apresenta que a função crítica, assim             
designada, constitui uma instância que se           
separou do ego e que parece dominá-lo,             
como demonstram os estados de luto           
patológico ou de melancolia em que o             
sujeito se vê criticar e depreciar.  
Em 1924, Freud declarou sobre a economia             
do masoquismo:  
“O imperativo categórico de Kant é herdeiro             
direto do complexo de Édipo”.  
Ainda segundo revisões da obra freudiana,           
vemos o conceito de superego, que           
apareceu em 1923, em “O ego e o id”.  
O anterior, foi segundo se desprende o             
produto de uma longa elaboração, iniciada           
 
 
 
26 
 
em 1914 no artigo “Sobre o narcisismo: uma               
introdução”.  
Em Freud nasce a noção de ideal, substituto               
do narcisismo infantil e que seria,           
supostamente, o instrumento de medida         
utilizado pelo ego para observar a si mesmo. 
Em 1933, na intitulada trigésima primeira           
conferência de introdução à psicanálise,         
que, depois de haver apresentado a           
instância do superego (particularmente em         
“O mal-estar na cultura”) como um censor,             
por delegação das instâncias sociais, junto           
ao ego, Freud forneceu o quadro exaustivo             
da formação do superego e de suas funções.  
 
 
 
O mal-estar na cultura" não é apenas o               
ensaio mais célebre de Freud, mas uma das               
obras seminais do século XX. Sem a             
categoria de "mal-estar" não é possível           
pensar os destinos do sujeito na atualidade. 
A formação é correlata do apagamento da             
estrutura edipiana. Se num primeiro tempo,           
o superego é representado pela autoridade           
parental que dá ritmo à evolução infantil,             
alternando as provas de amor com as             
punições, geradoras de angústia. Num         
segundo tempo, quando a criança renuncia           
à satisfação edipiana, as proibições externas           
são internalizadas. Esse é o momento em             
que o superego vem substituir a instância             
parental por intermédio de uma         
identificação.  
Sigmund Freud distinguiu bem o processo           
de identificação do processo de escolha do             
objeto, ele se revelou insatisfeito,         
entretanto, com sua explicação, e manteve a             
ideia de uma instituição do superego “como             
um caso bem-sucedido de identificação com           
a instância parental”. Na medida em que o               
supereu é concebido como herdeiro da           
instância parental e do Édipo, como o             
“representante das exigências éticas do         
homem”, seu desenvolvimento é distinto no           
menino e na menina.  
Pelo anterior, enquanto, no menino, o           
superego se reveste de um caráter rigoroso,             
às vezes feroz, que resulta da ameaça de               
castração vivida durante o período edipiano,           
na menina o percurso é diferente: o             
complexo de castração instala-se muito         
antes do Édipo. O supereu feminino, por             
conseguinte, seria menos opressivo e menos           
implacável.  
 
 
 
27 
 
Outro ponto importante sobre o conceito,           
está em que Freud sublinhou também que o               
superego não se constrói segundo o modelo             
dos pais, mas segundo o que é constituído               
pelo superego deles.  
Nos livros “O mal estar na cultura” e “O mal                   
estar na civilização” é possível entender que             
para Freud, a transmissão dos valores e das               
tradições perpetua-se, dessa maneira, por         
intermédio dos superegos, de uma geração           
para outra.  
 
 
 
O mal-estar na civilização nos apresenta a             
teoria freudiana de que o conflito entre as               
regras sociais e as pulsões primitivas do             
homem seria a principal causa dos           
distúrbios psicológicos de nosso tempo. 
Adicionalmente, cabe destacar, que o         
superego é particularmente importante no         
exercício das funções educativas.  
Em ambas publicações, Freud censurou as           
“chamadas concepções materialistas da       
história”, por ignorarem a dimensão do           
superego, veículo da cultura em seus           
diversos aspectos, em prol de uma           
explicação fundamentada unicamente na       
determinação econômica. A concepção       
freudiana do supereu não obteve         
unanimidade entre os psicanalistas.  
Sandor Ferenczi, Em 1925, insistiu na           
internalização de certas proibições muito         
antes da dissolução do Édipo, em particular             
aquelas que dizem respeito à educação           
esfincteriana: “A identificação anal e uretral           
com os pais, que já apontamos antes, parece               
constituir uma espécie de precursora         
fisiológica do Ideal do ego ou do Superego               
no psiquismo da criança”.  
Melanie Klein situouas “primeiras fases do             
superego” no momento das “primeiras         
identificações da criança”, quando, muito         
pequena, ela “começa a introjetar seus           
objetos”; o medo que ela sente em             
decorrência disso determina processos de         
rejeição e projeção cuja interação parece ter             
“uma importância fundamental, não       
somente para a formação do superego, mas             
também para relações com as pessoas e a               
adaptação à realidade”.  
 
 
 
28 
 
Na obra de Jacques Lacan, o conceito de               
superego é objeto de múltiplas elaborações,           
relacionadas com a teorização do par           
supereu/ideal do eu. Nessa perspectiva, o           
supereu continua dominante, mas,       
diferentemente de Freud, Lacan o concebe           
como a inscrição arcaica de uma imagem             
materna onipotente, que marca o fracasso           
ou o limite do processo de simbolização. 
Nessas condições, o supereu encarna a           
falha da função paterna e esta, por             
conseguinte, é situada do lado do ideal do               
eu. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
 
 
Histeria 
 
REFLEXÕES SOBRE A 
HISTERIA 
O presente capítulo tem o propósito           
oferecer algumas reflexões sobre o tema           
Histeria a partir de diferentes enfoques: as             
concepções tanto históricas quanto atuais         
da histeria. 
No artigo “Histeria”, apresenta o contexto           
histórico e o fato de que a histeria vem                 
sendo objeto de estudo desde os primórdios             
da medicina, na Grécia Antiga com           
Hipócrates. O diagnóstico para a pessoa           
histérica era conhecido como neurose         
histérica ou histeria de conversão. Hoje o             
diagnóstico é nomeado como transtorno         
dissociativo ou conversivo. 
Segundo Belintani (2003), foi por meio dos             
atendimentos às histéricas, que Sigmund         
Freud, no final do século XIX, descobriu o               
inconsciente, elaborando um método de         
tratamento, a Psicanálise. E desde a época             
de Freud que esse tratamento vem sendo             
utilizado em pacientes com o referido           
diagnóstico. 
Observa-se por meio da revisão bibliográfica           
e por meio dos relatos de documentários             
que Freud estava feliz realizando seu           
trabalho científico no laboratório de         
Brucke, na Universidade, quando em 1885,           
Brucke ajuda-o com uma bolsa de estudo             
para um estágio em Paris, juntamente com o               
célebre Joseph Charcot.   
O termo histeria é derivado da palavra grega               
hystera e significa matriz. De acordo com             
Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, matriz           
é o "lugar onde algo se gera ou cria; órgão                   
das fêmeas dos mamíferos onde se gera o               
feto; útero" (1988, p. 422) 
Segundo o artigo, Hipócrates, médico         
renomado da Grécia Antiga (460-377 a.C)           
entendia a histeria como sendo uma doença             
orgânica de origem uterina e, portanto,           
especificamente feminina que afetava todo         
o corpo por sufocação da matriz. Ele             
supunha que a histeria se desenvolvia pela             
privação de relações sexuais, dissecando o           
útero, que perderia peso e se deslocaria pelo               
corpo em busca da umidade necessária. A             
paciente teria sua respiração afetada,         
desenvolvendo convulsões se o útero         
subisse até o hipocôndrio e estacionasse           
 
 
 
30 
 
nesse órgão. Caso o útero prosseguisse sua             
subida e atingisse o coração, a paciente             
emitiria sinais de ansiedade, opressão e           
vômitos. 
Na Idade Média, "período histórico         
compreendido entre o começo do séc. V e               
meados do séc. XV" (Ferreira, 1988, p.             
348-349), a histeria deixou de ser abordada             
pela medicina e, sob a influência das idéias               
religiosas mais especificamente as       
concepções agostinianas, passou a ser         
objeto da Teologia. De acordo com as             
concepções religiosas da época: "O homem,           
dotado de uma alma imortal, seria sujeito a               
tentação pelo não cumprimento de seus           
deveres religiosos ou por não conduzir a sua               
vida dentro do espírito cristão" (Ramadam,           
1985, p. 55). 
Elisabeth Roudinesco e Michel Plon         
afirmam apud Belintani (2003), que "as           
convulsões e as famosas sufocações da           
matriz eram consideradas a expressão de           
um prazer sexual e, por conseguinte, de um               
pecado" (1998, p. 338). A mulher era vista               
como sendo possuída por um demônio, que             
a fazia agir involuntariamente, simulando         
doenças. 
A Igreja Católica Romana, por meio da             
Inquisição, investigava e reconhecia os         
casos de bruxaria e mandava para a fogueira               
todos aqueles que se comportavam         
histericamente. Durante mais de dois         
séculos, a caça às bruxas fez muitas vítimas,               
mesmo a opinião médica se opondo contra             
essa concepção demoníaca da possessão. 
Ramadam considera que no período clássico           
(século XVII até parte do século XVIII), a               
histeria era entendida como desenvolvida         
pelo efeito de "um calor interno que             
propagaria através de todo o corpo uma             
efervescência, uma ebulição,     
manifestando-se sem cessar em convulsões         
e espasmos" (1985, p. 56). Esse calor seria               
representante da paixão, entusiasmo ou         
ardor amoroso. Sob essa perspectiva, a           
histeria é associada a moças que procuram             
namorados, jovens viúvas ou separadas. 
Em meados do século XVIII com as             
colaborações de Franz Anton Mesmer apud           
Belintani (2003), as concepções demoníacas         
da histeria cederam às concepções         
científicas da mesma. A histeria deixa de ser               
objeto de investigação da Igreja para ser             
uma doença dos nervos, cabendo à medicina             
estudá-la e tratá-la. 
Ainda na segunda metade do século XVIII             
segundo o presente artigo, com os estudos e               
pesquisas do neurologista francês       
Jean-Martin Charcot, a histeria é tratada           
como uma neurose. A moderna noção de             
uma neurose histérica subentendia uma         
causa traumática de ordem genital         
tornando-se uma doença funcional, de         
origem hereditária, afetando tanto os         
homens quanto as mulheres. Charcot         
utilizava a hipnose para demonstrar o           
fundamento de suas hipóteses. Ele         
 
 
 
31 
 
hipnotizava as loucas do hospital parisiense           
Salpêtrière, fabricando sintomas histéricos       
para suprimi-los de imediato, comprovando         
o caráter neurótico da doença. 
Reforçando o anterior, Charcot era o médico             
que mais entendia das questões da histeria,             
e utilizava a hipnose como técnica básica             
para tratamento dos seus pacientes. Sua           
figura causou grande impressão em Freud.   
O que parece ter afetado os avanços e               
pesquisas dele é que apesar de Charcot lidar               
com os histéricos de forma mais humana e               
de acreditar que podiam ser tratados, ele se               
prendia à opinião de que a histeria era uma                 
degeneração hereditária.  
Sigmund Freud, médico austríaco, entre         
1888 a 1893, usufruindo dos achados de             
Charcot sobre os aspectos traumáticos da           
histeria, afirma com sua Teoria da Sedução             
que o trauma vivido pelo paciente histérico             
era de origem sexual, sublinhando quea             
histeria era fruto de um abuso sexual             
realmente vivido pelo sujeito na infância           
(sedução real). Num segundo momento,         
apresentando a noção de fantasia, renúncia           
à teoria da sedução, introduzindo as idéias             
de um trauma, não de ordem física, mas sim                 
de ordem psíquica. Na Comunicação         
Preliminar dos Estudos sobre a histeria,           
Freud nos alerta para o fato de que a                 
conexão entre o acontecimento precipitante         
e o desenvolvimento da histeria         
freqüentemente é bem clara. E completa           
que "em outros casos, a conexão causal não               
é tão simples. Consiste somente no que             
poderia ser denominado uma relação         
simbólica entre a causa precipitante e o             
fenômeno patológico - uma relação tal           
como as pessoas saudáveis forma os sonhos"             
(Freud, 1895/1974, p. 45). 
Um registro histórico de Abril de 1886             
indica que Freud inicia sua clínica privada             
como neuropatologista e encontra seu         
primeiro paciente histérico.   
Sem se dar conta, tinha se deparado com               
um fato revolucionário. A verdadeira         
explicação dos sintomas histéricos não era           
biológica, nem mecânica. 
Roudinesco e Plon (1998, p. 340) apud             
Belintani (2003), escrevem que foi nos           
Estudos sobre a histeria, que Freud propôs             
"os grandes conceitos de uma nova           
apreensão do inconsciente: o recalcamento,         
a ab-reação, a defesa, a resistência e, por               
fim, a conversão". Citam também que com a               
publicação, em 1900, de A Interpretação dos             
Sonhos, "o conflito psíquico inconsciente é           
que foi reconhecido por Freud como a             
principal causa da histeria" (Roudinesco &           
Plon, 1998, p. 340). E continuam           
enfatizando os achados de Freud, que "ao             
lado da realidade material, existia uma           
realidade psíquica do sujeito", que era de             
igual importância na história do seu           
desenvolvimento. E afirmam que "em         
seguida, a teorização da sexualidade infantil           
permitiu a Freud identificar o conflito           
nuclear da neurose histérica, desenvolvendo         
 
 
 
32 
 
os conceitos de Complexo de Édipo e             
Angústia de Castração" (Roudinesco & Plon,           
1998, p. 340). 
 
HISTERIA EM DEFINIÇÃO   
Histeria ou neurose histérica é uma           
psiconeurose caracterizada por alterações       
transitórias da consciência, como períodos         
de amnésia ou perda de memória, e por               
várias manifestações sensitivas ou motoras,         
também passageiras, como tiques, perda da           
sensibilidade cutânea, paralisia dos       
membros, cegueira ou convulsões. 
Freud, em 1895, publica seus Estudos sobre             
a histeria em que apresenta seus achados e               
conclusões a respeito da histeria. Essa obra             
é composta pelo relato de cinco casos             
clínicos, sendo que quatro deles foram           
atendidos pelo próprio Freud. As pacientes           
de Freud foram Frau Emmy von N., Miss               
Lucy R., Katharina e Fraülein Elisabeth von             
R. O caso Anna O. é o primeiro caso clínico                   
citado na obra. Ela foi atendida por Josef               
Breuer, médico austríaco, que teve com           
Freud uma relação bastante significativa,         
tanto afetiva quanto profissional.   
Freud (1895/1974), nessa obra enfatiza a           
importância que suas pacientes tiveram         
para a construção da teoria e técnica             
psicanalítica. As histéricas ensinaram a         
Freud alguns dos principais rudimentos da           
Psicanálise. Emmy von N., por exemplo, se             
aborrecia quando Freud a questionava de           
onde veio isto ou aquilo e pedia para ele que                   
a deixasse falar o que ela tinha a dizer.                 
Assim, ouvir para Freud, "tornou-se mais do             
que uma arte, tornou-se um método, uma             
via privilegiada para o conhecimento, à qual             
os pacientes lhe davam acesso" (Gay, 1989,             
p. 80). A escuta do terapeuta e a fala do                   
paciente foram ganhando reconhecimento       
de tal forma que a hipnose, como técnica               
terapêutica, foi perdendo seu valor, sua           
importância. Com a ajuda de Emmy von N.,               
reconhece a hipnose como sendo um           
procedimento inútil e sem sentido. Ao           
abandonar gradualmente a hipnose, Freud         
adota um novo modelo de tratamento: a             
técnica da associação livre. 
Seja porque a histeria fosse mais freqüente             
entre as mulheres, seja porque, como para             
todo homem, a mulher era um enigma para               
Freud. O anterior, nos leva a constatação de               
que a histeria era um problema muito mais               
comum nas mulheres do que nos homens,             
realidade que não se aplica aos dias de hoje                 
e esta premissa não faz mais sentido.  
Freud, quando começou a tratar as           
primeiras histéricas de que nos deu notícia -               
Emmy de N., Lucy R., Catalina, Isabel de R. -                   
estava fundamentalmente preocupado com       
a questão do trauma. Embora muito já se               
tenha falado a respeito do engano de Freud               
- e ele mesmo foi o primeiro a reconhecê-lo                 
- sobre a veracidade das cenas de sedução               
 
 
 
33 
 
sofridas pelas histéricas, o pai da psicanálise             
já destacava então que o traumático não era               
a sedução em si, mas a recordação da cena.                 
As histéricas sofriam então de         
reminiscências. Isso porque Freud       
reconheceu que a sexualidade humana         
acontecia em dois tempos marcantes: a           
infância e a puberdade (SCOTTI, 2002). 
Importante destacar que a psicanálise         
começou tratando do problema dos         
sofrimentos neuróticos histéricos que o         
médico tentava diminuir ou eliminar, e não             
pela construção de um sistema teórico —             
seja empírico seja especulativo — sobre a             
organização do psiquismo humano. 
Segundo Scotti (2002), A psiquiatria alemã           
considerava, grosso modo, que as doenças           
das quais se ocupava eram causadas por             
algum dano no sistema nervoso,         
constitucional ou devido a uma lesão ou a               
uma inflamação. É neste ambiente que           
Freud se forma e, como pesquisador,           
começa a se aproximar do problema das             
histerias. Nele encontra Breuer, que já era             
um médico extremamente bem-sucedido e         
de renome, que se torna para ele um amigo,                 
conselheiro e protetor. Nesse momento,         
Freud, ainda residente de medicina, não           
tinha seu próprio consultório, mas Breuer           
tem pacientes histéricas, o que colaborou           
para aproximar Freud desse problema. 
Normalmente a histeria afeta pessoas com           
personalidade histérica, ou seja, com uma           
forte tendência para ser o centro das             
atenções, seduzir e sensualizar as reações           
sociais e afetivas, manipular ou confundir a             
realidade e ​teatralizar os conflitos, porém,           
não pretendemos com isto incorrer num           
reducionismo infundado e tampouco       
conclusivo sobre o tema, senão que dar             
mostras de possíveis sintomas e sinais. 
O artigo “Histeria” traz importantes         
considerações e informações a respeito de           
um, entre muitos outros, transtorno mental           
e de comportamento, o transtorno         
dissociativo (ou conversivo), a antiga         
neurosehistérica ou histeria de conversão. 
De modo complementar, o artigo atesta e             
alerta para o fato de que hoje, quando temos                 
um paciente com tais manifestações em           
tratamento psicoterapêutico, devemos     
pensar na responsabilidade que nos cabe           
como profissional e ser humano para com             
aquela pessoa e tentar ajudá-la na           
elaboração dos seus traumas, não somente           
físicos, mas também de ordem psíquica. 
Outra alusão, diz respeito, aos avanços da             
medicina e com os da psicologia, mais             
especificamente os da psicanálise,       
avançamos que no permitem oferecer aos           
nossos pacientes, além de um tratamento           
mais adequado e aprimorado, compreensão,         
acolhimento e respeito. 
Complementando o anterior acerca das         
características e sintomatologia     
predominante, é o outro traço importante           
desse tipo de personalidade, marcado por           
 
 
 
34 
 
um evidente poder de autossugestão,         
fazendo assim com que esses indivíduos se             
tornem vulneráveis e dependentes nas suas           
relações pessoais, o que lhes pode perturbar             
as suas percepções sensoriais. 
A clínica da histeria configura-se uma das             
bases principais da Psicanálise. No entanto,           
do ponto de vista clínico, considera-se que a               
histeria possa ser causada por conflitos           
vividos durante a infância, os quais foram             
reprimidos e esquecidos mas, depois de           
alguns anos, foram inconscientemente       
ativados diante de determinadas situações. 
É necessário reservar um espaço importante           
dentro da formação para a compreensão           
dessa patologia, sua etiologia,       
desenvolvimentos, formas de intervenção e         
interpretação, além do tratamento. Dizemos         
que foi a primeira patologia estudada por             
Freud e especialistas dos estudos da mente.             
E, desde então, o conceito de Histeria foi               
desdobrado, revelando-se outras patologias,       
de modo que os psiquiatras atuais preferem             
não adotar esta terminologia. (Fonte:         
https://www.psicanaliseclinica.com/o-que-e
-histeria-conceitos-e-tratamentos/) 
Com base no que foi desenvolvido até aqui,               
podemos pressupor que o significado de           
Histeria está ligado: 
● a um trauma na idade infantil 
● de que a pessoa adulta não consegue             
se lembrar muito bem (recalque) 
● este afeto se desprende da         
lembrança original, isto é, da         
representação “verdadeira” 
e acaba se manifestando no corpo, isto é,               
com incômodos físicos (somatização). 
A histeria pode apresentar diversos tipos de             
manifestações psíquicas e físicas sob a           
forma de episódios passageiros, designados,         
respectivamente, por: 
Acidentes psíquicos: 
● Perdas da memória de uma         
determinada fase da vida; 
● Situações de multiplicação da       
personalidade; 
● Estados de sonambulismo; 
● Crises de perda da consciência; 
● Alucinações. 
Acidentes somáticos - Podem afetar o           
funcionamento de todos os órgãos ou           
sistemas do organismo, manifestando-se       
como: 
● Perda da mobilidade ou contraturas         
musculares de um membro; 
● Crises de dor abdominal; 
● Estados de cegueira passageira; 
● Perda da sensibilidade cutânea. 
● Perda da fala 
Apesar da personalidade histérica ser         
crônica, por definição, a histeria não           
costuma prolongar-se por muitos anos,         
 
 
 
35 
 
exceto em alguns casos em que predominam             
as manifestações físicas.  
 
HISTÓRIA DO PRIMEIRO 
VIBRADOR 
 
 
 
O Filme “Histeria”, dirigido por Tanya           
Wexler, retrata o tratamento das histéricas e             
de neuroses. É um filme contemporâneo e             
muito divertido que ajuda a ilustrar algumas             
definições apresentadas neste estudo.  
A trama se passa na Londres vitoriana,             
quando dois médicos (Dancy e Jonathan           
Pryce) se juntam para tratar de histeria -               
condição que, na época, se associava à             
irritabilidade das mulheres. Inicialmente o         
personagem Pryce "alivia" as suas pacientes           
manualmente, mas o parceiro inventa um           
aparato elétrico que pode revolucionar o           
tratamento desse mal. 
 
ESTUDOS SOBRE A HISTERIA 
(1895)   
Apesar de relutante, Breuer foi persuadido           
por Freud a escrever com ele o livro               
“Estudos sobre a Histeria” (1895). Alguns           
termos e ideias-chave:   
1. Os histéricos padecem de recordações           
dolorosas e desprazerosas de natureza         
traumática (trauma, palavra grega que         
designa “ferida”)   
2. As lembranças traumáticas são         
patogênicas, ou seja, produzem doença.         
Esta foi uma noção anti mecanicista           
revolucionária, a qual implicava em que           
um agente psíquico (estritamente mental)         
influencia diretamente os processos       
orgânicos do corpo.   
3. As lembranças traumáticas não se           
desgastam normalmente, mas     
permanecem como uma força ativa         
 
 
 
36 
 
inconsciente motivadora do     
comportamento. (O que não pode ser           
lembrado também não pode ser esquecido).   
4. A retirada da consciência de lembranças             
dolorosas carregadas de afeto requer a ação             
de um mecanismo de repressão num nível             
inconsciente da vida mental.   
5. Enquanto negativas, as lembranças         
inconscientes não podem se expressar         
normalmente, e sua carga emocional ou           
afeto é represado, estrangulado.   
6. O afeto estrangulado é “convertido” nos             
sintomas físicos da histeria por estímulo           
inconsciente.   
7. Os sintomas estimulados pelo         
inconsciente desaparecerão se ocorrer a         
ab-reação. Ab-reação é o processo de           
liberação de um afeto reprimido relativo           
a um acontecimento anteriormente       
esquecido. O problema da terapia é levar o               
paciente a reviver a experiência original           
traumática que causou o sintoma.   
Uma das coisas mais importantes que Freud             
e Breuer descobriram foi que o gatilho que               
aciona a histeria também podia ter origem             
psicológica.   
Também se observou que os pacientes não             
se lembravam deste evento. Isto fez com             
que Freud começasse a pensar na noção de               
processos inconscientes de memória e na           
idéia de repressão.  
Constatou-se mais de uma vez que depois             
de se trabalhar uma memória, ou dela se               
tornar consciente através da hipnose, ela           
desaparecia.  
A única maneira de explicar isso era             
reconhecer o fato de que as memórias são               
reprimidas e distorcidas.   
O grande avanço neste ponto foi o             
desenvolvimento da noção de RECALQUE         
(ligada à sexualidade).   
  
FREUD E BREUER   
Assim, nos Estudos sobre a histeria           
(1895/1969), Freud e Breuer introduzem         
suas idéias sobre a doença, como sendo             
originária de uma fonte da qual os pacientes               
relutam em falar ou mesmo não conseguem             
discernir sua origem.  
 
 
 
 
 
37 
 
No final do século XIX as neuroses que se                 
manifestavam através de somatizações,       
alucinações e angústias eram chamadas de           
"histerias". Para estudar esse fenômeno,         
Freud escreveu junto com o médico Breuer             
os Estudos sobre a histeria — obra essencial               
para compreensão da psicanálise. Relatando         
os casos de cinco pacientes — entre elas a                 
célebre Anna O. —, eles argumentam que oshistéricos sofrem por haverem sufocado a           
memória dos eventos que originaram a           
doença. É preciso, então, trazer à luz esses               
traumas, inicialmente por meio da hipnose.           
Mas, como isso não funciona com alguns             
pacientes, Freud passa a recorrer à           
associação livre, tornando seu método ainda           
mais complexo. 
Retomando o anterior, observa-se que tal           
origem seria encontrada em um trauma           
psíquico ocorrido na infância, em que uma             
representação atrelada a um afeto aflitivo           
teria sido isolada do circuito consciente de             
idéias, sendo o afeto dissociado desta e             
descarregado no corpo. Através da hipnose,           
os pacientes conseguiam reencontrar a         
lembrança traumática, tendo assim a         
oportunidade de reagir a esta por suas             
palavras, aliviando seus sintomas. 
Levantamentos históricos e revisões       
bibliográficas, dão conta de que ao observar             
seus pacientes, Freud chegou à conclusão de             
que ela derivava de desejos sexuais que             
estes não queriam admitir.  
Quando pensamos no fato de Breuer se             
recusar a aceitar esta hipótese, apesar de             
todas as provas, parece corroborar o           
argumento de que a resistência e o recalque               
são características gerais da mente         
humana.   
Em 1886, Freud apresentou uma palestra           
sobre histeria masculina na sociedade de           
medicina de Viena, onde expôs algumas de             
suas idéias. A reação do público não foi               
muito entusiástica. Para Freud, foi         
completamente hostil. Ele começou a         
perceber que estava trilhando um caminho           
solitário e que a recompensa pelas suas             
ideias radicais poderia ser a ridicularização,           
em vez da fama. 
A etiologia sexual da histeria e das neuroses               
em geral adquiriu tal peso para Freud, que               
ele chegou a dedicar-lhe trabalho         
específico: “La Sexualidad en la Etiologia de             
las Neurosis” (A Sexualidade na Etiologia           
das Neuroses), editado em 1898         
(1898/1973). Além dos mais, importa         
considerar o contexto histórico, social e           
político daquela época, já que sexualidade           
recalcada não podia ser um assunto popular             
numa época que dava uma importância           
enorme à respeitabilidade.   
O ano de 1887, foi marcado por alguns               
acontecimentos históricos como o momento         
em que Freud ganhou uma filha, mais             
pacientes e um novo amigo, um certo             
 
 
 
38 
 
Wilhelm Fliess, (1858 - 1928) um famosos             
otorrinolaringologista de Berlim.   
Fliess foi mais que um amigo, mas o               
interlocutor de todo o período em que Freud               
se debruçou sobre a psicanálise. Ele foi “um               
amigo íntimo e um inimigo odiado e sempre               
foram requisitos necessários de minha vida           
afetiva”, revela Freud em “A Interpretação           
dos Sonhos”.  
Fliess ocuparia o cargo de amigo íntimo;             
inimigos ele conseguia encontrar em todos           
os cantos. Fliess manteve uma         
correspondência constante com Freud.   
Freud relatava que todas as suas reflexões             
e investigações direcionadas a Fliess,         
forma muito importantes, já que Fliess           
assumiu o importante papel de confidente,           
ou de “termômetro” de suas teorias. É             
através das cartas que escreveu para Fliess             
que podemos saber dos avanços que Freud             
estava fazendo nesta época. Fliess lia e             
comentava todos os seus trabalhos,         
atuando como um bom crítico e editor.   
O artigo “A invenção da psicanálise e a               
correspondência Freud/Fliess”, busca     
demonstrar que a correspondência       
Freud/Fliess foi um dispositivo essencial         
para invenção da psicanálise por Freud. A             
leitura das cartas nos permite acompanhar a             
emergência dos novos conceitos (fantasia,         
Édipo etc.) e como seu surgimento exigiu de               
Freud um percurso subjetivo que culminou           
na invenção do analista, lugar que não cabe               
na relação entre médico e paciente. 
Na carta de 06/12/1896, o mau encontro             
com a sexualidade, com o gozo do Outro –                 
tomado no sentido subjetivo, do Outro que             
goza – é imputado explicitamente ao pai, ao               
pai perverso sedutor: "Parece-me cada vez           
mais que o aspecto essencial da histeria é               
que ela decorre da perversão por parte do               
sedutor, e parece cada vez mais que a               
hereditariedade é a sedução pelo pai"           
(Freud, 1986, p. 213). Ao redefinir em             
termos de sedução paterna a         
hereditariedade, Freud torce, subverte a         
teoria de seu mestre Charcot, que faz da               
disposição neuropática – uma       
potencialidade hereditária atualizada por       
agentes provocadores (o trauma por         
exemplo) – a causa necessária da histeria. 
Pouco depois, em 08/02/1897, a teoria da             
sedução leva de roldão o próprio pai de               
Freud, não sem que ele deixe transparecer o               
quanto a hipótese da sedução paterna o             
divide: "a freqüência dessa situação, muitas           
vezes, causa-me estranheza" (Freud, 1986,         
p. 232). Portanto, pode-se perceber a           
estranha influência de Fliess no drama           
da teoria da sedução.  
Na carta de 06/12/1896, o mau encontro             
com a sexualidade, com o gozo do Outro –                 
tomado no sentido subjetivo, do Outro que             
goza – é imputado explicitamente ao pai, ao               
pai perverso sedutor: "Parece-me cada vez           
mais que o aspecto essencial da histeria é               
 
 
 
39 
 
que ela decorre da perversão por parte do               
sedutor, e parece cada vez mais que a               
hereditariedade é a sedução pelo pai"           
(Freud, 1986, p. 213). Ao redefinir em             
termos de sedução paterna a         
hereditariedade, Freud torce, subverte a         
teoria de seu mestre Charcot, que faz da               
disposição neuropática – uma       
potencialidade hereditária atualizada por       
agentes provocadores (o trauma por         
exemplo) – a causa necessária da histeria             
(VIDAL, 2010). 
Realizando algumas inferências, é possível         
perceber que Freud chegara à conclusão de             
que todas as neuroses eram conseqüência de             
um abuso sexual sofrido na infância,           
cometido na maioria das vezes pelo pai.   
Segundo Vidal (2010), o pecado original da             
análise estava no fato de que ao desistir da                 
sugestão hipnótica como instrumento       
terapêutico, Freud limitou os meios do           
tratamento a uma fala convidada a dizer o               
que não sabe saber. Para dar conta do que                 
assim encontrava, do que as histéricas lhe             
sopravam aos ouvidos, ele conjeturou a           
hipótese do pai sedutor, na qual ainda             
ecoam resquícios da terapia hipnótica,         
baseada na extração de um segredo do             
paciente. Já a noção de fantasia enquanto             
teoria graças à qual os sujeitos interpretam,             
inscrevem o trauma, faz do inconsciente um             
texto, verdadeiro palimpsesto que a fala do             
sujeito traz para ser lido e reescrito na               
prática analítica. 
O artigo ainda traz outras reflexões como a               
ficção investida afetivamente que tem curso           
na realidade de quem a narra, a fantasia é                 
um conceito que obriga a considerar que, naconfiguração da realidade, falta o referente:           
onde se esperava a coisa do mundo, a               
exatidão do fato a ser verificado, o que se                 
encontra é o fato fantasmático. A           
conceituação do inconsciente como saber         
referencial, presente ainda na teoria da           
sedução, é substituída pela do inconsciente           
como saber textual a ser decifrado no             
dispositivo analítico. 
Retomando o tema da sedução, parece que             
essa idéia foi aplaudida por Fliess e o               
próprio Freud parecia acreditar que ela           
oferecia uma explicação satisfatória para         
muitos fatores complexos. O escândalo da           
Teoria da Sedução não foi esquecido até             
hoje e Freud se arrependeu profundamente           
de ter aceito esta noção de forma tão               
precipitada.   
Freud no processo investigativo, possuia a           
característica de sempre revisar suas ideias,           
teorias e construções teóricas, e durante           
uma das revisões sobre a teoria da sedução,               
Freud desistiu da mesma.   
Aos 40 anos Freud tinha 6 filhos, a esposa,                 
pais e irmãs para sustentar. Não ganhava             
muito dinheiro com suas teorias.   
Dados da história e biografia de Freud,             
trazem indícios de que suas diversões eram             
poucas. Um jogo de cartas num sábado à               
 
 
 
40 
 
noite, caminhadas pelo campo, ou sair à             
cata de cogumelos e colecionar         
antiguidades.   
O ano de 1892 é o ano marcado pela                 
Técnica da Pressão. Pela primeira vez Freud             
usa o divã. Pressiona a mão sobre a cabeça                 
do paciente e faz perguntas.   
Em uma das cartas a Fliess, datada em               
21/09/1897, Freud anuncia a Fliess que           
chegou o momento de lhe revelar o "grande               
segredo" – é a segunda vez que faz uso da                   
expressão – que nele vinha tomando forma             
nos últimos meses: "Eu não acredito mais             
em minha neurótica" (1986, p. 265). São             
quatro as razões que o levaram a tal               
conclusão: primeiramente, a fuga dos         
pacientes diante das suas tentativas de           
chegar às cenas infantis; em segundo lugar,             
a inverossimilhança da generalização a         
todos os pais da perversão; em terceiro             
lugar, a impossibilidade de distinguir, no           
inconsciente, a verdade da ficção         
afetivamente investida; em quarto lugar, a           
impossibilidade de fazer emergir tal cena           
inconsciente até mesmo na psicose, de tal             
forma que "o segredo das experiências da             
infância não é revelado nem mesmo no mais               
confuso delírio" (Freud, 1986, p. 266). 
Foi então após alguns ensaios clínicos, que             
Sigmund Freud descobriu que podia fazer           
o paciente concentrar-se sem hipnotismo         
- e as recordações começavam a emergir -               
e o significado da lembrança foi se             
aprofundando.   
Freud cunhou o termo Psicanálise em 1896.   
Pertence a paciente Anna O. a expressão             
que dá o título a este trabalho, quando               
nomeou “a cura pela fala” e empregou o               
termo “limpeza de chaminé” ao referir-se ao             
tratamento que lhe foi dado por meio da               
palavra. Segundo Peter Gay (1989), um dos             
motivos que fizeram de Anna O. uma             
paciente tão ilustre refere-se ao fato de que               
ela realizou sozinha grande parte do           
trabalho de imaginação. 
Pelo avanço na cura pela fala, aos poucos a                 
Técnica da Pressão teve que ser           
abandonada.  
 
 
 
A fala mostrava reminiscências, concluiu         
Freud. Portanto, precisava ser anunciada         
como um segredo, patogênico ou         
inconsciente, que o deixava em estado de             
alienação. 
 
 
 
 
41 
 
Foi, também, em uma das sessões com a               
paciente Emmy que Freud percebeu que           
deveria deixá-la falar livremente, quando         
ela própria sugeria que ele a deixasse falar               
sem interrompê-la com perguntas. Segundo         
Peter Gay (1989), foi essa paciente que             
permitiu a Freud ver que a hipnose era de                 
fato “inútil e sem sentido”. Até o início dos                 
anos 90 do século XIX, Freud tentara             
extrair, à maneira de Breuer, através da             
hipnose, as lembranças significativas que os           
pacientes relutavam em apresentar. As         
cenas trazidas à mente tinham         
frequentemente, um efeito catártico. Mas,         
alguns pacientes não eram hipnotizáveis e a             
fala sem censuras pareceu a Freud um meio               
de investigação muito superior. Ao         
abandonar, aos poucos, a hipnose, Freud           
caminhava para a adoção de um novo modo               
de tratamento. Delineava-se a associação         
livre que, nos anos posteriores, passou a ser               
considerada a regra fundamental da         
Psicanálise. Segundo Freud, a livre         
associação permitia atingir com maior         
facilidade os elementos que estavam em           
condições de liberar os afetos, as           
lembranças e as representações. Segundo  
Segundo Roudinesco (1998), dessa forma         
Freud foi levado a escutar os sonhos que               
seus pacientes passaram a lhe contar. 
Em 1912, no texto “Recomendação aos           
Médicos que Exercem a Psicanálise”, Freud           
introduziu a noção de uma escuta que não               
privilegiava nem um nem outro conteúdo. É             
a atenção flutuante. Diz ele sobre isso: 
Consiste em simplesmente não dirigir o           
reparo para algo específico e em manter a               
mesma ‘atenção uniformemente suspensa’       
em face de tudo que se escuta [...] Ver-se-á                 
que a regra de prestar igual reparo a tudo                 
constitui a contrapartida necessária da         
exigência feita ao paciente, de que           
comunique tudo o que lhe ocorra, sem             
crítica ou seleção (FREUD, 1911, p.125-26). 
Segundo o artigo A cura pela fala”, Freud               
nos ensina que escutamos o paciente com o               
nosso inconsciente e, por isso, não devemos             
nos preocupar em memorizar o que o             
paciente diz. O analista, da mesma forma             
que o paciente, utiliza-se da associação livre             
como se naquele momento abrisse mão de             
seu pensamento consciente. A escuta, assim           
como a fala, assume um lugar central na               
Psicanálise. 
Segundo Fochesatto (2011), É difícil falar           
sobre a cura pela fala e a técnica da livre                   
associação sem mencionar um dos pilares           
que balizam os estudos psicanalíticos: a           
descoberta do inconsciente. Com a noção de             
inconsciente, o discurso freudiano       
descentrou o sujeito do registro da           
consciência e do eu.  
Segundo Roudinesco (2000) apud       
Fochesatto (2011), Freud introduziu a noção           
de “um lugar” desligado da consciência,           
povoado por imagens e paixões e           
 
 
 
42 
 
perpassado por discordâncias. O sujeito         
freudiano é um sujeito livre, dotado de             
razão. Porém, sua razão vacila no interior de               
si mesma. É de sua fala e de seus atos, não                     
de sua consciência alienada, que pode surgir             
o horizonte de sua própria cura. 
Portanto, tecendo algumas considerações       
adicionais, entendemos que no momento         
que entra em cena a Técnica da associação               
livre - os pacientes devem se sentir livres,               
sem nada que os censure ou pressione,             
para falarem sobre o que quer quevenha às                 
suas mentes.   
 
PROGRESSOS DA HISTERIA   
Vejamos de modo sintético alguns         
progressos que marcaram o estudo e           
tratamento da histeria para a psicanálise. 
Charcot foi quem deu o primeiro passo em               
direção a um tratamento mais humano para             
as neuroses .   
Aos poucos, pela vivência da clínica, a             
hipnose e a técnica da pressão foram             
deixadas para trás.   
Nasce a técnica da Associação Livre -             
A escuta, assim como a fala, assume um               
lugar central na Psicanálise. A associação           
livre ou “livre associação” foi empregada           
para recordar eventos traumáticos e era           
completamente nova e revolucionária.   
Segundo Roudinesco (2000), o método         
psicanalítico é um tratamento baseado na           
fala, um tratamento em que o fato de se                 
verbalizar o sofrimento, de encontrar         
palavras para expressá-lo, permite, senão         
curá-lo, ao menos tomar consciência de sua             
origem e, portanto, assumi-lo.   
A resistência aparece no setting, na medida             
que o Paciente, se tornar menos cooperante             
e à medida que o material do inconsciente               
parece emergir.   
A partir deste referencial, “o ego não é amo                 
em sua própria morada” (FREUD apud           
OGDEN, 1996), é que Freud dá outro lugar               
às palavras e vai além delas, buscando             
aquilo que é dito, mas, também, aquilo que               
é não dito.  
As palavras falam de algo que o sujeito quer                 
falar e, também, daquilo que ele quer             
esconder. Assim, a escuta em Psicanálise           
não é qualquer escuta. Segundo Siqueira           
(2007), o psicanalista se propõe escutar o             
que não ouve, ir além do que se vê,                 
escutando o conflito, o sofrimento humano. 
Referências: 
APARICIO, Sol. A análise é o que se espera                 
de um psicanalista. Stylus (Rio J.), Rio de               
Janeiro , n. 33, p. 67-75, nov. 2016 .                 
Disponível em   
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script
=sci_arttext&pid=S1676-157X201600020000
 
 
 
43 
 
6&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 21 ago.         
2020. 
BELINTANI, Giovani. Histeria. Psic, São         
Paulo , v. 4, n. 2, p. 56-69, dez. 2003 .                     
Disponível em   
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script
=sci_arttext&pid=S1676-7314200300020000
8&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 21 ago.         
2020. 
CHIAPELLO, Cora Sophia de Toledo Piza           
Schroeder. O ensino da teoria psicanalítica:           
falar sobre o inconsciente com o discurso             
lógico do consciente. J. psicanal., São Paulo             
, v. 45, n. 83, p. 145-155, dez. 2012 .                   
Disponível em   
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script
=sci_arttext&pid=S0103-5835201200020001
3&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 21 ago.         
2020. 
FREUD S. A interpretação dos sonhos. 2. ed.               
Rio de Janeiro: Imago; 1987. 
FREUD S. O ego e o id. Rio de Janeiro:                   
Imago; 1976.   
FREUD, S. (1974). Estudos sobre a histeria             
(Edição Standard Brasileira da Obras         
Completas e de Sigmund Freud, Vol. 2). Rio               
de Janeiro: Imago. [ Links ] 
FREUD, S. (1972). Um caso de histeria.             
(Edição Standard Brasileira da Obras         
Completas e de Sigmund Freud, Vol. 7). Rio               
de Janeiro: Imago.   
FERREIRA, A. B. H. (1988) Novo dicionário             
básico da Língua Portuguesa Folha/Aurélio.         
Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 
FOCHESATTO, Waleska Pessato Farenzena.       
A cura pela fala. Estud. psicanal., Belo             
Horizonte , n. 36, p. 165-171, dez. 2011 .                 
Disponível em   
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script
=sci_arttext&pid=S0100-3437201100030001
6&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 21 ago.         
2020. 
GAY, P. Freud, uma vida para nosso tempo.               
São Paulo: Companhia das Letras, 1989. 
KABORI, Eduardo Toshio. Algumas       
considerações sobre o termo Psicanálise         
Aplicada e o Método Psicanalítico na análise             
da Cultura. Revista de Psicologia da UNESP             
12(2), 2013. 73 
LIMA, Andréa Pereira de. O modelo           
estrutural de Freud e o cérebro: uma             
proposta de integração entre a psicanálise e             
a neurofisiologia. Rev. psiquiatr. clín., São           
Paulo , v. 37, n. 6, p. 280-287, 2010 .                   
Available from   
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0101-60832010000600005&ln
g=en&nrm=iso>. access on 21 Aug. 2020. 
MEZAN, R. (1985). Freud, pensador da           
cultura. São Paulo: Brasiliense. 
PETRY, Paulo Padilla. Entre o necessário e o               
impossível: o ensino da teoria psicanalítica           
 
 
 
44 
 
na formação de psicanalistas. Estilos clin.,           
São Paulo , v. 11, n. 21, p. 24-47, dez. 2006                     
. Disponível em     
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script
=sci_arttext&pid=S1415-7128200600020000
3&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 21 ago.         
2020. 
PINHEIRO, Nadja Nara Barbosa. Psicanálise,         
teoria e clínica: reflexões sobre sua proposta             
terapêutica. Psicol. cienc. prof., Brasília , v.             
19, n. 2, p. 20-29, 1999 . Available from                 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S1414-98931999000200004&ln
g=en&nrm=iso>. access on 21 Aug. 2020. 
ROUDINESCO, E., & Plon, M. (1998).           
Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro:           
Jorge Zahar.   
ROUDINESCO, E. Por que a psicanálise? Rio             
de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.   
SCOTTI, Sérgio. A histeria em Freud e             
Flaubert. Estudos de Psicologia 2002, 7(2). 
VIDAL, Paulo Eduardo Viana. A invenção da             
psicanálise e a correspondência       
Freud/Fliess. Estilos clin., São Paulo , v. 15,               
n. 2, p. 460-479, dez. 2010 . Disponível em                 
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script
=sci_arttext&pid=S1415-7128201000020001
2&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 21 ago.         
2020. 
Tutores: 
Habilitados ao exercício da profissão e           
membros da ONP – Ordem Nacional dos             
Psicanalistas. 
 
Dúvidas Frequentes: 
Dúvidas ou esclarecimentos fale direto com           
o nosso suporte ao aluno do IPAVIAMG             
clicando aqui​. 
 
 
https://chat.whatsapp.com/HOr9MYoIPj03FcP1fGdetd

Mais conteúdos dessa disciplina