Prévia do material em texto
Direitos Humanos SISTEMA UNIVERSAL DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS Embora os Direitos Humanos não apresentem um início específico na história, uma vez que acompanham as evoluções sociais, alguns documentos e acontecimentos internacionais foram de extrema importância para a construção do atual sistema global de proteção aos Direitos Humanos. Vejamos quais são eles. HISTÓRICO DE PROTEÇÃO UNIVERSAL DE DIREITOS A Organização das Nações Unidas, fundada pela Carta das Nações Unidas, em 1945, no cenário pós-guerra, é a entidade que estrutura, coordena e produz os documentos internacionais, proporcionando uma noção de sistema global de promoção da paz e da segurança em âmbito internacional. Em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU, 1948) promoveu um grande passo em prol da instrumentalização do sistema universal de direitos humanos, servindo de base fundamental para a formação de valores e princípios que influenciaram mais tarde os demais sistemas (europeu, interamericano e africano) de proteção aos direitos. Nesse sentido, é possível afirmar que essa declaração inovou ao proclamar diretrizes gerais que orbitam em torno da dignidade da pessoa humana, bem como universalizar a proteção aos direitos humanos que devem ser reconhecidos a todos os seres humanos, sem distinção de qualquer natureza. No que se refere à sua natureza jurídica, é importante salientar que, em um primeiro momento, do ponto de vista formal, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi aprovada como uma Resolução, e não um tratado, o que não lhe conferia uma obrigatoriedade vinculante, mas, de antemão, já influenciava o movimento internacional para a criação de sistemas de proteção aos direitos humanos. Porque o cenário encontrava-se ainda bipolarizado quanto à proclamação de direitos de primeira dimensão (direitos liberais) e de segunda dimensão (direitos sociais), tornou-se necessária a adoção de dois tratados distintos de direitos humanos: o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, em 1966 (Brasil, 1992). Como os direitos civis e políticos ensejam medidas de abstenção da atuação do Estado, pois se configuram como direitos de liberdade em sua essência, entende-se que a sua aplicabilidade deve ser imediata, enquanto os direitos econômicos, sociais e culturais devem ter uma aplicação progressiva, já que, para sua garantia, o Estado precisa atuar, planejar e prever leis orçamentárias, políticas públicas e as demais medidas necessárias. Direitos Humanos Entre os direitos reconhecidos pelo Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, podemos citar o direito à vida, à igualdade entre homens e mulheres, à proibição de tortura e de penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, à proibição de escravidão, de servidão e de submissão a trabalho forçado, à liberdade e à segurança pessoal, à integridade do preso, à não prisão por descumprimento de obrigação contratual, ao direito de circulação, ao juízo natural, à presunção de inocência, à tipicidade penal, à personalidade jurídica, à vida privada, à liberdade de pensamento, consciência e religião, à liberdade de expressão, ao direito de reunião (que pode ser objeto de restrições impostas em conformidade com a lei e que são necessárias numa sociedade democrática, no interesse da segurança nacional, da segurança pública ou para proteger a saúde e a moral públicas ou os direitos e as liberdades de outrem), direito de associação, inclusive de constituir sindicatos, proteção à família, proteção à criança, direito de participação política, igualdade perante a lei e igual proteção da lei, proteção às minorias, entre outros. No que tange ao Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, podemos destacar como direitos reconhecidos a igualdade entre homens e mulheres, o direito ao trabalho, o direito a condições de trabalho justas e favoráveis, a liberdade sindical, a segurança social, a proteção e a assistência à família, o direito a um nível de vida adequado de alimentação, vestimenta e moradia, o direito à saúde, à educação, à vida cultural. Para que se garanta, por exemplo, o direito à saúde, é preciso que o Estado adote medidas necessárias para a redução da mortalidade e da mortalidade infantil, buscando melhorias no que se refere ao desenvolvimento da criança e do adolescente, promova melhorias referentes à higiene do meio ambiente e industrial, viabilize a profilaxia, o tratamento e o controle de doenças epidêmicas, assegure o acesso a serviços médicos etc. Nesse sentido, fundamenta-se quanto aos direitos econômicos, sociais e culturais a necessidade de uma aplicação progressiva que adote de maneira efetiva as medidas necessárias para a garantia destes, evitando ao máximo o retrocesso social. A junção de todos os referidos documentos – a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais – constitui a Carta Internacional dos Direitos Humanos (ONU, [S.d.]), também conhecida como International Bill of Rights, que sustenta o Sistema Universal de Direitos Humanos (Fachin, 2019).