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1 2 Imensa Vida A valsa da Família. Uma visão sistêmica de nossa existência. Amar significa dizer “tu não morrerás”. Gabriel Marcel 3 www.imensavida.com tarso.firace@gmail.com http://www.imensavida.com/� 4 Tarso Firace Imensa Vida A valsa da Família. Uma visão sistêmica de nossa existência. Quinta edição 5 Dados Internacionais de Catalografia na Publicação (CIP) __________________________________________________________________ Firace, Tarso 2015 Imensa Vida - A valsa da família – quinta edição Uma visão sistêmica de nossa existência. / Tarso Firace Belo Horizonte, MG 160 páginas 1. Comportamento – Aspectos psicológicos – 2 Irmãos e irmãs 3. Ordem de nascimento 4. Personalidade 5. Temperamento I. Título II. ISBN 978-85-9118932-8 _______________________________________________________ Índice para catálogo sistemático 1.Ordem de nascimento: Personalidade: Psicologia 155.924 Tarso Firace, 1956 - Belo Horizonte, MG e-mail tarso.firace@gmail.com sites www.tarso.firace.org www.imensavida.com Outros livros do autor : Ouvindo as Montanhas Alma de Mestre Escrever e Amar Lições de Aviação Abrindo as Velas Música do Universo Vôo dos Sonhos O Último Segundo Jardim das Empresas Mergulho na Alma A Era do Significado A Última Aula de Dante Alighieri Edição Abrindo as Velas Capa e Ilustrações Júlio César da Silva Diagramação Thales Roscoe e Firace Revisão e contribuições Ivan Doehler Nathália Roscoe e Firace Alexia Durso Fotos e lustrações Arquivo de família Banco de imagens aberto - bia Lenanrt Nilsson Masaru Emoto Direitos franqueados para cópia, sob consulta. 6 Dedicatória Meu avô Domingos Firace, pai do meu pai, foi a pessoa que mais me marcou até a juventude. Brasileiro na Itália, Italiano no Brasil. De sua casa de praia em São Vicente, vêm as mais profundas lembranças do que é ser família. Só ele tirou os meus dentes, nossas conversas me fizeram entender e entrar no mundo. Quando ele ”partiu”, ele estava na sua casa, na sua cama, com toda família e seu médico ao seu redor. Era o dia do meu aniversário. Segurei-o em meus braços até sua última respiração. Suas histórias estão vivas em mim. Mais que histórias, sua força e inteligência. Comigo foi sempre muito amoroso. E o amor que tenho por ele, não cabe nessa vida. A ele dedico esse livro, que originalmente teve o nome de Lembranças Affetuosas, nas palavras que ele usava para se despedir em suas cartas e cartões que mandava da Itália. Por essas lembranças conheci o rio da vida. Quando chegaram meus filhos e me propus subir às suas nascentes, reconheci neles o que já estava em mim mesmo anteriormente. Então, pela mesma forma, dedico também esse livro aos meus netos e bisnetos, que ainda nem nasceram. Em mim eles já fazem parte da vida, estendo a eles estas mesmas Lembranças Affetuosas. Vovô Domingos Firace comigo no colo 7 Sumário 1 – Apresentação 13 A formatação mental 78 Além dos Olhos 15 A formatação emocional 81 O campo 17 Quadro resumido 83 Síntese 21 Cruza e Avança 84 O cérebro 23 Entendendo as conexões 86 2 - Concepção 25 Na física Quântica 87 O estrondo da vida 28 Evolução 89 Simetria 31 Filhos únicos 91 Fratria 32 Mecânica da família 92 Fazendo a história 33 4- O trabalho consigo 93 Casando Sistemas 35 Escrevendo antepassados 96 Pais são pais 36 GPS 100 Ser espelho 38 Abrindo o emocional 102 Primogênito 39 Separando movimentos 103 O gênero das crianças 39 Inclusão 106 A formatação feita pelo primogênito 41 Abrindo o mental Alinhamento 107 110 O impacto nos demais 43 5 - O trabalho no mundo 113 3 - Posicionamento 47 Decifrando profissões 118 Gêmeos 49 Decifrando relacionamentos 122 Identificando os tipos 50 Educação 126 A “primeira” família 51 Abrindo possibilidades 128 Abrindo a visão 54 Filhos adotivos 132 Pêndulo 55 Adicionando vazio 133 Alfa 55 6 - A partida 135 Beta 58 Permissão 137 Gama 59 O meu lugar 138 A subida da montanha 61 O eu 139 O seqüenciamento 62 Morte e partida 140 O campo no corpo 62 Aceitar o destino 142 Os pais 64 Pertencer à vida 144 Os ancestrais no corpo 65 Olhando com outros olhos 145 Campo dos pais 68 7 – Epílogo 147 Entendendo o corpo 70 O atirador sistêmico 147 Os avós no nosso corpo 71 Bibliografia 153 8 Agradecimentos É grande a lista das pessoas para agradecer e que fazem parte desse trabalho junto comigo. Foram muitos anos de pesquisa, tantas conversas, é quase impossível alcançar todos. Aos amigos Domingos Geraldo Barbosa de Almeida Junior, Armando Ennes do Vale Junior, Jose Pio Tamassia, Maria e Américo Nesti, Wendy e Roberto Falzoni, João Eduardo Canova, Moacir Amaral, Farid Barros, Débora e João Guerra, Elaine e José Carlos Kalil, Mary e Délcio Viani, amigos por uma vida. Reginaldo Teixeira Coelho, Miriam Amaro, Celene Thaumaturgo, Rosangela Gualtieri, Haidèe e Luli Rodrigues, Roseli Gualtieri, Luiza Emilia Cambiaghi Achcar, Stephan Hausner, Nereida Vilela, Fernando Villas Boas, Giane Borges, Denny Johnson, Silvana Rizzioli, Antonio Augusto Santos, Maria e Maurício Roscoe companheiros de jornada sistêmica. Agradeço a colaboração das pessoas do convivo diário, Letícia Roscoe, Thales Firace, Nathália Firace, Larissa Firace, Leonardo Chagas, e minha mãe, Edith Firace minha fonte contínua de referências. Da mesma forma, a minha irmã Tarsila, os meus primos e primas, que rodearam a mesma mesa da casa de meu avô. Um carinho especial , in memoriam , aos primos Domingos Firace Neto, que editou meu primeiro livro e para Antonio Carlos Amatucci, que me ensinou abrir as vela para os bons ventos. 9 Comentários Estimado Tarso, Que bom ler você! Estamos com saudade. Me recordo quando ainda muito pequeno, da admiração que tinha para com meu avô, que me ensinava, repassava o que de melhor ele tinha. De pipas a estetoscópio. Tantos trabalhos manuais, brinquedos, miniaturas, bem como contos e estórias que ficaram em minha memória. Deixava fluir ideias, que eram explicadas com palavras amenas, mãos calmas, com movimentos sem pressa, sem ansiedade. Tínhamos todo o tempo para saborear aqueles encantadores momentos, um dos mais sublimes de minha infância. Agora entendo muito mais sobre os benefícios daquela convivência. Experiência que traduzia em equilíbrio, entusiasmo, dedicação e um resultado estimulante com sabor de realização. Hoje não há mais espaçopara tal dedicação e atenção, nem mesmo que para ouvir uma estória. São nossas perdas da identidade social, do afeto, do carinho, atenção, respeito e admiração. De forma profunda isso você traz nesse seu livro, inspiração para as atuais e futuras gerações. Um grande abraço. Délcio Viani Olá Tarso LINNNNDO. Vai ser de muita valia p muita gente. Muiiiit0 Obrigada por partilhar comigo. bjs. Cândida Amaral Caríssimo Tarso, Se alguém te perguntasse em quanto tempo você escreveu, talvez você dissesse, 2 meses, 2 anos mas seja qual foi o tempo, este texto demorou mais de 50 anos para que você pudesse expressar 10 esta realidade, à qual você só conseguiu, por ter passado por onde eles passaram. Cada dia é uma valorosa página de um livro que começamos a escrever, mas nunca vai terminar. Enzo Squillaro Tarso querido! Faço minhas suas palavras e sinto a bênção e a gratidão por ser parte dessa corrente que a família encompassa e que nos une a todos, familiares e amigos, irmãos na nossa humanidade, dentro de uma ordem clara e sábia, que honra nossos ancestrais e ilumina o caminho de nossos filhos e netos "e assim por diante" Meu coração se enche de saúde e amor! Muito agradecido! mo Moacir Amaral Tarso, Que lindo o amor colocado nas palavras de seu livro. Fiquei honrada e muito emocionada quando li o nome do Mingo. Que saudades senti dos almoços na casa do vô Domingos com toda a família reunida. Lembrei inclusive da Pastiera que conheci através de vocês. Gostei muito dos esquemas, pois facilita muito a visualização, é didático. Tive uma imensa vontade de escrever uma carta amorosa de agradecimento para minha mãe.( e vou escrever mesmo). Adorei. Foi uma honra ler seu livro saindo do forno,bem quentinho... Grande beijo Rosangela Gualtieri 11 Meus pais, minha irmã e eu 12 Prefácio Conheci Tarso há seis anos através de minha colega das constelações sistêmicas organizacionais Letícia Roscoe, sua esposa. Houve uma grande empatia e rapport entre nós. Dali pra frente ele se interessou profundamente pelo assunto e logo já começou a participar de grupos e em seguida da formação. Ele não parou mais, um grupo atrás do outro e todos os professores novos internacionais que passavam, ele estava lá com grande interesse e participação. Ele é segundo filho, caçula, depois de irmã, o filho querido de uma mãe sensacional, a Neca. Artista, uma lady, própria figura para ser esposa de Salvador Firace um grande empresário paulista de origem italiana e que por anos esteve no comando da FIESP de São Paulo. Ele cresceu para ser empresário, foi educado no Colégio Dante Alighieri de italianos no endereço mais filosófico e literário. Até foi empresário, mas o destino o levou para o mundo da filosofia e das letras, um poeta das empresas. Depois de um acidente de carro no qual ele rachou a cabeça, parece que realmente se abriu para um universo sistêmico paralelo. Deste ponto em diante ele se tornou uma antena parabólica, radar e sonar do inconsciente coletivo como diriam os astrólogos uma mente Uraniana. Com uma rara capacidade de síntese, em poucos meses, já havia publicado vários livros. E eu ironicamente dizia: “você não escreve, você recebe um download cósmico”. O livro Jardins das Empresas é um poema sistêmico que descreve com nitidez os princípios vitais que regem os sistemas humanos e organizacionais. Nossa amizade se estreitou e sinto uma irmandade que vivi com poucos amigos e os próprios irmãos. Ele escreve o que eu gostaria de escrever, pois ainda não desenvolvi este dom. Mas é ótimo assim, eu o coloco nas situações, nos cursos e nos diálogos e ele desenvolve com grande arte. Imensa Vida merece uma bela edição. Foi minha primeira exigência, realmente merece, Por quê? Ele conseguiu aglutinar, reunir, sintetizar vários segmentos do pensamento sistêmico, além de métodos aparentemente diferentes, mas que seguem uma mesma linha. A tipologia dos padrões Alfa, Beta, Gama para descrever os tipos de filhos e a progressão deste modelo desenvolvida no sistema humano é surpreendente. Descrição simples, mas abrangente e pode ser aplicada em diversos setores da vida familiar, empresarial, nas relações, na escola, nos casamentos e sociedades. As reações comportamentais destes tipos com os 13 laços nos antepassados é uma grande chave de entendimento para nossas “identificações inconscientes”. Propõe também exercícios simples, mas de grande profundidade que pode atingir a alma do sistema e transformar os destinos de uma maneira amorosa e eficaz. Contudo, a meu ver, o clímax desta edição é a carta que ele propõe de inclusão e remissão com nossos avós e bisavós. Maravilhoso poema e oração de reintegração com a nossa origem ancestral, que está na página 94. Nossa cultura diferentemente da cultura oriental ficou pobre de ritos e práticas integrativas. Vemos na cultura japonesa, por exemplo, várias práticas tanto no Xintoísmo, como na ritualística Zen, de promover a integração das gerações e honra da criação através dos ancestrais. Tarso estava realmente inspirado por esta força. Pessoalmente fiz uma copia desta carta e uma vez por semana recito em voz alta no meu altarzinho que contém as fotos dos pais, avós e bisavós. Mantenho no meu quarto num angulo especial. Está fazendo um efeito muito interessante como se passasse a receber uma benção especial destes seres que foram os geradores da minha existência no aqui e agora. Neste momento apocalíptico que estamos vivendo, todos estes saberes estão sendo revelados. Todo o Universo parece estar conspirando através das ciências, das artes, das letras, meios para que nós possamos nos liberar. Liberar de que? De tudo aquilo que nos impede de sermos nós mesmos. Porque até então tivemos uma vida estereotipada por imagens egóicas infantis, modelos familiares inadequados à nossa verdade interior. Modelos sociais baseados no poder e nas máscaras. Agora é a hora de uma grande oportunidade advinda da crise geral do planeta, onde tudo e todos estão em “cheque mate” e temos também esta chance. Hoje em dia não podemos mais nos justificar com o “eu não sabia”, pois temos todos os meios de saber. Mas o “talvez eu não quisesse saber”, vai nos levar todos a ter que confrontar com os efeitos do que causamos a nós mesmos, aos nossos filhos, à natureza e ao planeta. Assim será o advento da quarta dimensão regida pelo quarto chácra, ou seja, pelo coração e não mais pela nossa barriga cheia de nossas imagens de poder que nos levaram a falência. Imensa Vida é uma ode, um convite a este saber e a esta prática de integração conosco mesmos, com nossos ancestrais e com o Cosmo. Desejo a todos os leitores uma boa viagem dentro deste conhecimento que Tarso está nos oferecendo de uma maneira poética, simples e prática. Reginaldo Teixeira Coelho (Regis), Psicólogo clínico UFMG. Vice-presidente ABCSISTEMAS Associação Brasileira de Consteladores Sistêmicos 14 1 - Apresentação Desde criança lembro-me de observar na minha família, principalmente aos domingos, quando todos nos reuníamos na casa de meu avô, as diferenças e semelhanças entre as várias gerações presentes ali. Gostava de ficar observando ”quem puxou quem”. Como poderia um ser tão parecido e outro tão diferente? Já me perguntava. Como sendo o neto mais novo por muito tempo, tinha todos os mais velhos para observar e conjecturar: Como o filho daquele tio poderia ser tão diferente dele e tão parecido com sua mãe. Mais tarde fui observando, com um grupo cada vez maior de pessoas, as conexões, as profissões que pareciamse encaixar para o grupo de irmãos mais velhos, grupo de segundos filhos e assim por diante. Reconheço que tive muita ajuda na minha família e na família de meus amigos, onde os graus de afinidade tornaram-se mais visíveis, tanto como as repetições, as intenções apontando destinos comuns. A minha atração por esse tema me levou a montar a nossa árvore genealógica, com a ajuda de todos. Visitar as cidades onde nasceram meus avós na Itália e na Espanha. Revirar caixas com fotos antigas, pesquisar em arquivos de prefeituras, cemitérios. Buscar a história. Como quem monta um grande quebra cabeça. Tive a oportunidade de escrever e pela bondade de Domingos Firace Neto, o Mingo, publicar o livro Ouvindo as Montanhas, onde as montanhas contam os episódios da nossa família em Santa Maria de Castellabate, no sul da Itália, expondo a nossa saga. Quando conheci as ferramentas sistêmicas pude ver as estruturas invisíveis, intrínsecas da família. Aprendi que no grego, intrínseco é aquilo que abraçamos por dentro. Então dentro de mim descobri minha família, pelos movimentos comuns a todas as famílias. Tomei esse tema como central nos meus estudos e pesquisa, que agora trago ao conhecimento de todos pelo escrito que está em suas mãos. 15 A família, mais do que meio de cultura para o desenvolvimento dos seus participantes, é o vetor principal desse desenvolvimento. Na família estão as marcas e remarcas que nesse estudo ficarão visíveis dos diferentes grupos e tarefas que temos de acordo com a nossa tipicidade e sensibilidade. Não tenho a mínima pretensão de esgotar esse assunto. Estou apenas apresentando um pouquinho a mais com esse estudo, como a ponta de um iceberg que precisa mais tempo e talento para ser compreendido, e esse conteúdo sistêmico poder vir à tona, claro e abrangente, e assim poder atenuar nossos sofrimentos, no que diz respeito ao significado da vida, ordens de origem e destino a que estamos conectados, como empregar bem nossos dias fazendo a “lição de casa” que todos nós recebemos ao nascer, deixando limpo o caminho para os que chegaram depois e mesmo para os que ainda vão chegar. Como numa conversa entre dois velhos amigos, simples e direta, tentaremos cruzar esse assunto desde a concepção até a partida. Sem mexer com as religiões, falando e ouvindo com o coração. Com essas referências podemos ir avançando por esse tema, começando pelo posicionamento dos irmãos, depois o fluxo de conteúdo nas famílias e como lidar com os sofrimentos e lavá- los, até ver e sentir o movimento dessa Imensa Vida. banco de imagens aberto- bia 16 Além dos olhos Mais do que ”ver com os olhos” precisamos aprender a “ver pelo sistema”. Como cegos que precisam se deslocar por um salão com obstáculos, desta mesma maneira, nós caminhamos vendados, tentando mapear as dimensões pelo som, pelo eco das batidas da bengala. E assim aos poucos vamos construindo o mapa interior do mundo em que estamos. Nascemos nas famílias. Chegamos ao mundo nelas. Elas são o veículo para chegarmos aqui, o porto de desembarque e nosso meio de cultura. Trazemos para a nossa família uma mensagem, que se aplica exclusivamente à nossa família. Não somos como escritos colocados em garrafas e lançadas ao mar, que chegam aleatoriamente às mãos de um ou de outro. Somos mensagens claras e precisas que atravessam gerações por onde elas vem sendo formuladas, trabalhadas ou não, resolvidas ou não, evitadas ou intensificadas para poderem ser vividas. Somos as oportunidades para que elas possam vir e ser tratadas, compreendidas, resolvidas em suas questões mais profundas. Se resolvidas elas vão embora, se postergadas elas vão se enraizando e pulando gerações, podendo ficar para sempre. Somos assim como ponteiros de bússola que por magnetismo, apontam a saga comum, o destino de nossa família. Mas para entrar nesse campo é preciso calma. Esta é uma longa viagem que todos já estamos fazendo, e precisamos realmente ir devagar percebendo o que temos lá no fundo, e amorosamente fazer a “lição de casa” de nossas vidas. Precisamos decifrar a mensagem que está inscrita em cada um de nós. Compreendê-la e encontrar um bom lugar para ela. Libertá-la é reconhecê-la. Valorizá-la é apaziguá-la, e assim podemos tomar o que é realmente nosso e devolver o que não é. Amá-la é identificá-la em cada uma das suas formas apresentadas. Assim podemos começar formando o quadro geral, a grande imagem e não um pedacinho dela. Vamos avançando passo a passo entendendo o movimento da vida, como quem segue um rio. 17 Desde sua origem seguimos seu curso, pelo entendimento, e seguimos na direção do destino. Origem e destino tem a mesma mecânica, um aponta para o outro. Entender o que viemos fazer aqui é realizar isso. É a ação primária e fundamental que todos temos em nós. Isso é imperativo. Só entrando nesse processo, nas águas desse rio, é que podemos, sendo levados por elas, encontrar nosso destino, e poder partir. Assim faremos essa jornada. E para instrumentar esse nosso trabalho, precisamos definir a linguagem comum que usaremos. Vamos evitar usar termos e linguagem das religiões, que são cheios de significados secundários, são como cartas marcadas. Vamos tentar evitar rebuscadas filosofias, nos pautando pelo simples, pelo direto, isso não quer dizer o fácil, mas o que nos diz ao coração, mais pelo amoroso do que pelo ortodoxo. A física quântica tem dado uma grande ajuda. O estudo sistêmico tem alcançado um bom nível, apresentando grande avanço no descortínio do que sempre ficou invisível. Compreender o significado das repetições, das mudanças internas, e vislumbrar o movimento familiar como um todo, mais do que ver isoladamente o de cada membro. As ciências terapêuticas nos Alex Grey permitem ir muito mais longe dentro dos sistemas. Os diversos estudos de posicionamento dos filhos na família ganham outra dimensão quando caminham por ressonância. É preciso ainda reconhecer a importância da intuição, da reflexão e do silêncio. Esses são os combustíveis dessa imensa empreitada : captar e descrever o grande movimento da vida. É nesse cenário que iremos bater com nossas bengalinhas brancas para formar as imagens além dos olhos. 18 O campo O campo é equivalente a um conjunto enumeravelmente infinito de osciladores harmônicos Max Planck “Campo” é termo usado pela física para definir as condições favoráveis e o ambiente onde determinado princípio ou causa pode se manifestar. Ali podem se apresentar, ação e reação, princípio e fim. Na física de Isaac Newton, o observador foi retirado do evento. Na física quântica ele é reintroduzido, pois só pode ver o “campo” quem se dá conta que também está no “campo”. Ruppert Sheldrake analisando a ativação dos gens e das proteínas nos tecidos viu que seu desenvolvimento era explicado pela forma das estruturas biológicas, não importando a ordem da entrega do “material de construção” que chegavam as células. Ele viu os campos invisíveis formatadores ou mórficos, por onde são moldados por auto-organização as moléculas e outros organismos vivos, sociedades e até mesmo as galáxias. A homeopatia se baseia na ressonância curativa. O extrato de uma planta que com sua força total pode causar uma determinada doença no corpo é usada em uma fórmula extremamente diluída para curá-lo. Como um diapasão, por ressonância, uma solução vibracional pode atrair e depois devolver as oscilações reformatadas possibilitando que o corpo volte ao seu normal. O milenar sistema de meridianos da medicina chinesa por onde fluem o tchi ou força vital é outro exemplo de “campo”. A estimulação desses pontos energéticos pela acupuntura devolve o balanceamento entre os órgãos e restitue seufluxo original. Energia bloqueada é sinônima de doença. Somos um grande sistema. Karl Pribram afirma que nosso cérebro se comunica consigo mesmo não por palavras, mas por impulsos químicos, onde a “linguagem” nada mais é do que amplitude de frequência, sincronia e ressonância. Pela mesma forma, o que vemos fora de nós, desencadeia sequencias de certo comprimento e frequência, que 19 são captadas por circuitos eletroquímicos no cérebro como vibração de cordas num piano. Linguagem é ressonância. Quando olhamos o universo, algo maravilhoso acontece. Ao mesmo tempo em que o universo é visto, ele também pode se ver. Em certo nível não estamos separados do que vemos. É ao que David Bohm se refere com “o inteiro indivisível”, no qual flutuamos a cada instante de nossa vida. Albert Einstein dizia que “o ser humano é parte do todo a que chamamos universo, suas ideias e sentimentos se veem separados do todo, como uma espécie de ilusão de ótica”. Disso podemos então entender que o “campo” é um todo vibracional onde uma pequena parte pode conhecer por ressonância algo maior do que ela mesma. O campo da família é o campo que estamos estudando, o campo das pessoas, do fluxo continuado de conteúdos, das personalidades, de como são formadas, ao que atendem, de onde isso vem vindo, como desobrigá-las das dores e dos ressentimentos, e para onde tudo está indo. Como uma longa serpente marinha que nada à tona da água em mergulhos e subidas para respirar fazendo com seu trajeto o desenho de uma longa onda que fica parte dentro e parte fora da água, assim é a onda da família há muito tempo. Se olharmos apenas por cima da água veremos suas curvas saindo e voltando para a água como eventos isolados, e não profundamente conectados como de fato são. As existências são individuais, as histórias são individuais, mas escritas no mesmo livro, na mesma saga. Não é fácil ver o conteúdo da continuidade anterior daquilo que vem em cada existência. É um trabalho parecido com o de um geólogo que acompanha a ocorrência de um determinado minério que surge aqui e 20 mais acolá, e visualmente tem que fazer o desenho do que está de baixo da terra e vai unindo as ocorrências. Segue o veio submerso em seu grande e suave movimento. Assim somos. Somos o conteúdo da família que vem à tona em ondas. E no tempo limitado de cada existência, precisa encontrar as suas condições para se expressar e ser compreendido. Depois disso volta para dentro e espera a próxima oportunidade para vir à tona e surgir. Vejamos essa questão profunda pela simplicidade. A física quântica está provando que o DNA não é uma coisa pronta e acabada, mas é um “campo” que é afetado pelo ambiente, por certas substâncias químicas, ocorrências e eventos, traumas e até mesmo pensamentos. Não somos seres prontos constituídos. Vivemos em um estado contínuo de constituição e autoformação. Autopoiética, como a chamaram Francisco Varela e Humberto Maturana. Nossa vida segue as condições sistêmicas autônomas autoproduzidas e autorreguladas.Talvez gostemos da ideia de sermos seres definidos e separados, mas emocionalmente vemos que tudo que mexe ao nosso redor e mesmo dentro de nós, nos afeta, isto é, mexe com nossos afetos. O estado amoroso modifica nossa forma de ver. Os traumas e sentimentos coagulados vividos em nossa família, mais do que elementos a serem observados no passado, estão atuantes no agora e são como lentes de aumento por onde podemos ver as pequenas fissuras que se fizeram no “campo“ da família, e formataram a nossa forma de ser. Foram milênios de experiências vividas, de histórias nem sempre muito bonitas de serem contadas, que estão presas em nosso psiquismo. Nossas emoções e nossos sentimentos seguem por esses resquícios, tomam carona no vácuo dessas histórias, ressonam esses sofrimentos acumulados. Já chegamos ao mundo com uma longa ficha corrida. Vamos ficar com o fato absolutamente irrefutável que nenhum de nós nasceu Adão. Todos nascemos com um cordão umbilical que nos ligou à mãe e ao pai e esses aos que vieram antes deles e assim à montante. 21 Portanto, desde o instante da concepção recebemos uma espécie de capa, já com todos esses sofrimentos, uma casca tão dura quanto a casca de um ovo, que precisa ser superada, rompida de dentro para fora, para que possa nascer quem realmente somos. Por não saber fazer isso temos procurado milhares de explicações, teorias, ritos, crenças e religiões, sempre sem sucesso. Vamos encarar o fato de que a humanidade tem se complicado sempre mais sem resolver essa questão ancestral de origem e destino através de religiões e crenças. Isso só tem disseminado medo e pressão, e vem se complicando cada vez mais. Tantos interesses escusos tem se colocado nessa questão. Temos testemunhado uma infinidade de comportamentos esquisitos, rituais bizarros, uma aparatagem digna de um desfile de escola de samba do Rio de Janeiro. Seria divertido imaginar as escolas de samba realizando desfile cada uma sobre uma religião, nos seus moldes típicos : comissão de frente, destaque, alegorias, porta bandeira, ala das baianas, samba enredo entre outros. Desde os religiosos crentes até os religiosos ateus. Mas no substrato comum somos todos criaturas, fomos criados, nascemos assim, não escolhemos nossas características, viemos convidados à vida. Nascemos de nossos pais e mães, materialmente e psiquicamente e assim vem sendo por milhões de anos. Então, a nossa família é a porta para começarmos a entender nossa origem. Se não acharmos que tudo é obra do acaso, poderemos colocar como ponto de origem uma inteligência criadora, evolutiva, perspicaz que desencadeou um longo processo simétrico com a vida. Por isso sentimos que toda vida é sagrada, tem um sentido emocional de reconhecimento por se estar vivo, é um imenso presente, enquanto mentalmente é apenas algo natural. Entrar pelo fluxo de conteúdo que vem de nossos pais, de nossa família, é uma forma de compreensão e releitura desse processo desde a origem, e vir seguindo nessa direção, mantendo- nos no fluxo continuado do conteúdo familiar, o que nos leva a um entendimento mais profundo sobre nossa vida, jogando luz no que todos temos pela frente, para onde isso vai nos levar. 22 Síntese Para isso precisamos de palavras claras. Já conseguimos complicar tanto com nossa origem, imagine então com o nosso destino. Um terço de nós acredita que quando morremos vamos para algum lugar do tipo céu, se formos bons. Outro terço acha que vamos para algum lugar, no meio do caminho, para reparações e depois voltaremos para cá. O último terço é básico: morreu está tudo acabado, ponto final. Voltando à imagem do desfile das escolas de samba, um grande carnavalesco poderia se aventurar em sintetizar os três conteúdos em um único desfile, mostrando o que os três têm em comum, e organizaria então o desfile composto apenas de três alas. Primeira ala: “campo” físico, mostrando o corpo físico humano, obviamente bem pouco vestido, mostrando desde o nascimento até à morte, com um carro alegórico exibindo a frase: Morreu babau, então vamos aproveitar. Atrás dessa a segunda ala: “campo” mental, apresentando a mente, que se acha maior e mais importante do que o corpo físico, poderosa e ilimitada, no carro alegórico uma cópia enorme do pensador de Rodin, cercado de doutores, advogados, e filósofos, com a frase : Morro, mas volto para o próximo carnaval. E por fim a ala do “campo” emocional, muito anterior ao mental e ao físico, da mesma forma muito além, mais sutil, bem menos visível, viria com muitas luzes, mostrando que é o corpo emocional que move todos três, e-motion, é o que move, e o carro alegórico viria com a festa no céu com a frase: No céu, o melhor do carnaval. Seria divertido, e toda humanidade poderia desfilar. 23 Não são três mundos diferentes, mas três diferentesaspectos do mesmo mundo. Vamos observar a vida com simplicidade. Aceitamos que morrer é quando algo impede o corpo de prosseguir mantendo-se na vida. Algo acontece e abrevia seu tempo de existência, ou então se vive bastante até se esgotarem as condições físicas para mantê-lo. Então depois disso, como diz um amigo, o corpo fica inabitável. A forma como somos dirigidos por nossos sentidos e sentimentos, tem muito a ver com o prazo de validade do corpo. Uma existência em sofrimento é um convite à abreviação. Muitos dos sentidos presentes em nós tem origem em nossos ancestrais e nossa própria origem, podem ser fortes demais, desconfortantes demais para serem carregados, sendo um convite à desistência no meio da caminhada. Isso devido à fidelização aos antepassados e às crenças que resolvemos escolher. Assim funciona a mecânica emocional. O conteúdo que era deles vem para nós e como nós não conseguimos resolver essa batata quente, volta e fica esperando indefinidamente outra oportunidade para se manifestar. Vítimas desse fluxo ou esperanças para ele, cada um de nós pode, com liberdade, encontrar o seu lugar. Se não fazemos nada, não conseguimos nada, seremos mais uma vítima. Mas se entendermos a importância disso e nos dispusermos a quebrar a inércia e nos abrir para essa questão com inteligência e sensibilidade, podemos fazer muito. Resolvendo nosso sistema, nós o desobrigamos deste peso emocional que gera as doenças ao longo de gerações, como afirma o amigo Denny Johnson. A causa do câncer, como diz outro amigo, o Dr. César Cavini, presidente da Associação Brasileira de Radiologia, é sentir o coração pesado. Despertando os recursos interiores facilitamos o entendimento e o trabalho certo a ser feito. E o que conseguirmos se refletirá pelas futuras gerações. Existe um grande bem que podemos fazer se o conteúdo de nosso sistema for reelaborado, entendido, aceito, honrado, concluído, amado, ressignificado, acolhido, explicado e liberado por nossas mãos. Podemos ser essa geração que faz a diferença. Broncas não resolvidas de nossa família se perpetuam, tornam-se 24 saga, depois praga, e seus resquícios são reincorporados e considerados características secundárias de personalidade na família, entraram pelo DNA adentro e vão ficar lá grudadas, ocupando o lugar da personalidade primária, a que veio originalmente junto conosco, e vai ser duro de tirar esses hospedeiros de lá.Todos nós temos dentro essa pulsão original, primária, expressada pelas características Alfa, Beta, Gama, que veremos mais a frente, pelos talentos e pela forma como vemos o mundo, que nos tornam únicos e exclusivos. Ao sermos envolvidos pelos sofrimentos de nossos familiares, medo e resentimentos conscientes e tantos outros inconscientes são “baixados” do nosso inconsciente familiar, e ficamos como aqueles bebês enrolados e apertados em mantinhas, situação conhecida como charutinho, onde a criancinha fica imóvel, com braços e pernas esticadas e imóveis, pescoço rijo sem pode virar, sendo que o único possível é chorar ou aceitar, e como chorar também é impossível, o único jeito mesmo é aceitar. Assim ficamos, sistemicamente por um logo período da existência, atados por nossa mantinha histórica, fidelizados aos sofrimentos, condenados a repeti-los, respeitá-los sem nunca encará-los de frente. Ficamos paralisados, e com isso não desenvolvemos a nossa própria vida. O cérebro O estudo sobre nosso cérebro está em extraordinário desenvolvimento. A neurociência está contando esta história bem do comecinho. O nosso cérebro é um fóssil vivo que conta toda evolução da vida, sua estrutura, suas camadas e suas áreas podem, comparadas a sítios arqueológicos, ser pesquisadas por bioantropólogos. Podemos dizer que temos dois cérebros dentro da nossa caixa craniana. Um cognitivo, consciente, racional, voltado para o mundo exterior, e outro o cérebro emocional, inconsciente, 25 preocupado com a sobrevivência e as grandes causas, ligado aos órgãos do corpo e a tudo que diz respeito ao seu funcionamento. Esses dois cérebros estão conectados e em tudo dependem um do outro. A nossa vida é o resultado integrado deles. Charles Darwin formulou a sequencia da evolução pelas vitórias do mais forte sobre o mais fraco. Porém hoje vemos que outros fatores podem ter sido decisivos na evolução do cérebro como os fatores emocionais, então nem sempre o mais forte tem avançado, mas o mais adaptado, o que mais integra esses dois cérebros. Paul Broca chamou de “o velho cérebro primitivo”, o cérebro límbico, é o que temos em comum com todos os outros mamíferos, em seu núcleo temos a estrutura comum com os répteis. Esse cérebro foi a primeira camada depositada pela evolução. Ao redor dele, no curso de milhões de anos de evolução, uma camada recente se formou, um cérebro novo, neo córtex ou nova camada, um cérebro racional. Ora, o emocional é muito mais antigo. Muito anterior. Ele conta a historia da própria vida em nós, é o motor da evolução, que vem se melhorando a cada geração com filhos sempre melhores que os pais. Como conta em sua poesia Khalil Gibran: Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós.E embora vivam convosco, não vos pertencem. Podeis dar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, Porque eles têm os seus. Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; Pois suas almas moram na mansão do amanhã... Esse fluxo continuado em que estamos vem por milhões de anos, chega até nossa geração e nos convida para irmos além. A inteligência emocional é quando ambos os cérebros interagem em equilíbrio. Para viver bem precisamos de equilíbrio entre nossas reações imediatas, instintivas, emocionais e as racionais que nos protegem e abrem passagens pelo tecido social. Temos que encontrar o balanço, o equilíbrio, para mergulharmos no fluxo de conteúdo familiar, pois precisaremos da mente e do coração, do racional e do emocional para entender e desprender aquilo que nos impede de sermos nós mesmos. 26 2 - Concepção Toda vida vem da poeira das estrelas Michio Kaku Vamos começar pelo começo, pela nossa concepção. No momento da nossa concepção duas células vivas que separadas durariam algumas horas ou dias, juntas desencadeiam um processo biológico que poderá durar décadas. É apenas um ponto vivo, por onde se formatará o corpo, que será o invólucro da vida. Recebemos um corpo projetado por milhões de anos, sempre se aprimorando. Um corpo que traz em sua estrutura, na sua materialidade, a capacidade de atrair uma mente, e de crescer na direção dela. Recebemos um corpo com antenas. Nascemos com o instrumental para nos conectarmos a uma mente, imaterial, consciente, inconsciente, supraconsciente que vem conduzindo esse processo evolutivo. Um corpo, visível desde aquela primeira célula, no “campo” físico. Um “campo” mental, como extensão invisível do cérebro lógico que acessa a mente. E um “campo emocional” pelo cérebro emocional, e suas ramificações pelo corpo, por diversos pontos, centros de força, glândulas, órgãos e sistemas que atuam na sua extensão. Toda evolução, todo embaralhamento de milhares de gerações, produzem no momento da nossa concepção, um ponto de matéria, com imensa informação alojada, bilhões de neurônios prontos para entrar em atuação, tudo ali num punhadinho de células. Assim é a vida manifestando-se a si mesma. Mas para que aquele pequeno ponto de vida, possa se desenvolver como vida humana, precisa desenvolver não só a capacidade do corpo, mas também a capacidade da mente e capacidade de desenvolver as emoções. Essa capacidade não vem com a materialidade, é atraída a ela. Essa capacidade de entender, sentir e amar, já começadesde muito cedo, nos primeiros dias e semanas de vida. O ritmo das células cardíacas começa a pulsar e a integrar com o campo emocional. Essa capacidade humana de entender, de se alegrar, de 27 sofrer, de se dar, de receber, de buscar a liberdade, de buscar conhecimento, de buscar o bom humor, o entendimento, essa capacidade de criatividade, de bom gosto, de apaixonar-se e de maravilhar-se é atraída para aquela vida e a afetará. Como o posicionamento desta criança na família. Se é o primeiro, segundo ou terceiro filho por exemplo. A sequencia dos avôs e avós, como eles estão conectados e que tipo de conteúdo chegará de cada uma destas fontes e formatará os órgãos e sistemas e a estruturará à saúde no corpo material. A personalidade manifestada pelos gostos, interesses desde a pulsão original, ainda no campo imaterial. Essas capacidades e atributos são os nossos drivers, isto é nossos motores e motivadores de nossa vida. Se forem ativados, desencharutados, desenrolados, desenvolvidos, levarão essa pessoa a ter uma compreensão de si mesma, da vida e do mundo ao seu redor e chegará a ser a expressão de si mesma. Mesmo sendo uma vida em continuidade aos seus, poderá dar o salto evolutivo. Caso contrário ela será apenas a expressão dos outros nela. Não dando o salto, ficará presa ao chão, no mesmo lugar em que seu sistema a colocou. Todas essas capacidades e atributos já estão no “campo” desde a primeira célula. A vida é uma aposta na capacidade evolutiva. Essas capacidades esperaram milhões de anos, recolhidas no “campo” e agora tem uma possibilidade concreta para evoluir, uma oportunidade formidável de poder vir à tona, como conteúdo da vida, da família e dela mesma. Este pequeno punhado de células torna-se capacidade de desdobrar a vida. Mas isso não é fácil, nem indolor. Se imaginarmos que esse conteúdo pode ser pesado, doloroso, cheio de incompreensões, violências, injustiças, poderemos imaginar que recobrirá o campo desse punhadinho de células como uma crosta, uma capa sobre a maciez de nossa pulsão original primária. Aquilo pelo qual nascemos e fomos criados, aquilo que deveria nos mover naturalmente, fica desde cedo bloqueado. 28 Essa dor é tão forte que a mente cria uma parede isolante que não deixa o emocional voltar a sentir. Essa dor é grande demais, ela provém do descompasso entre o que vem do pai e o que vem dá mãe. Se essa dor for muito forte, essa vida pode optar por não ficar e pode resolver partir. Ao se retirar, este ser já emocional, pratica um ato heróico de amor aos seus pais, um ato gigantesco de amor, pois irá levar consigo o peso do sistema, afastando-o temporariamente de seus pais, num ato de amor infantil ousado como descreve o amigo Stephan Hausner em seu livro sobre o amor infantil , “Ainda Que Me Custe a Vida”, como no título original alemão, traduzido em português como “ Constelações familiares e o caminho da cura”. Porém se resolver ficar e seguir, essa decisão tomada, difícil e corajosa, pode ser reconhecida no futuro. Em terapias de regressão ao ventre materno, e renascimento, pode-se ver esse movimento, a opção de ficar, e a mente protegendo-se do sofrimento. Essa crosta, esse charutinho, nos afasta de nós mesmos. É comparável à situação de um carro que, sem funcionar seu motor próprio, fica em ponto morto e precisa ser puxado e empurrado pelos outros, que seriam os motivadores externos, os desejos dos outros, que seriam os interesses secundários, os drivers secundários, obviamente levando o carro para um lugar que não é propriamente o dele. A tarefa que temos é equivalente a jogar um amaciante nessa crosta, e conseguir abrir nela uma pequena fresta, muito útil, pois ela, essa “boa ferida” poderá se alastrar, e nos livrar desta pesada manta que carregamos. O processo da saúde emocional começa quando decidimos tomar posse de nosso próprio conteúdo e estabelecemos contato com o fundo do nosso coração. Desativando nossos motivadores secundários, ou hospedeiros, podemos começar a acessar e a permitir os movimentos do motivador primário, o motional, emocional. Para sabermos se é ele mesmo, o nosso driver primário, que esta operando em nós, basta fechar os olhos e respirar calmamente 29 e constatar a presença de uma alegria genuína, simples e boa, desinteressada, leve, desejadora de bem para com todos, cercada de paz. Essa capacidade de amar e evoluir é o recheio de todas as outras e se instalou em nós logo nos primeiros instantes de nossa vida. Por isso não é tão fácil assim ativá-la. Ela está muito perto das dores das questões emocionais não resolvidas acumuladas. Vamos deixar assim por enquanto. Sabemos que ela está lá, e que quando precisarmos de toda nossa capacidade de amar, poderemos contar com ela. Albert Einstein disse certa vez que: “ Viver implica em pagar uma certa dívida a qual pagaremos ao morrer”, então, completou “quanto mais empurrarmos essa dívida, melhor”. Essa dívida, ainda por cima, nem é nossa. E não dá mais para empurrar, temos que mudar nossa atitude interior e encarar. A dor pode durar no máximo um segundo, porém o medo da dor no sistema pode durar cem anos. O que era para chegar vazio chega cheio. Mais que imagem e semelhança da vida em si mesma, nascemos imagem e semelhança das cargas de nossa família. O estrondo da vida Há quem relate ter escutado no momento da chegada e no momento da partida um estrondo. Um barulho que marca a passagem de entrada e de saída do acesso a essa imensa vida. A mãe sente dentro de si uma presença. Sente-se visitada. É um momento muito especial. Ela se relaciona com ele. O corpo, a mente e o emocional se desenvolvem. A vida se aninha num lugar de extrema beleza e delicadeza. A trompa de falópio, um lugar mágico, de pura poesia. Como captado pela lente de Lenanrt Nilsson. 30 A trompa, onde se aninha a vida humana O óvulo e espermazinho O momento da entrada no óvulo 31 Com 24 dias , o coração Quatro meses Seis meses A relação amorosa do feto com a mãe vai marcar a vida desse novo ser. O amor do bebê com a mãe segundo Sigmund Freud, “é a primeira relação de prazer”. Isso vai formatar as capacidades relacionais daquele novo ser. Depois de nascer será o prazer de mamar, o prazer de sentir o carinho dos pais. Tudo isso cooperará para o desenvolvimento psicoafetivo da criança, e vai deixar um rastro sistêmico que o acompanhará por onde o adulto for, permeará suas relações afetivas, e se houver sofrimento, precisará ressignificar esse conteúdo. Mas, pai e mãe entregam as cargas que não são deles, apenas estão nestes. Eles fazem apenas o papel de entregadores sistêmicos de conteúdo. Dão a ele suas feições. Por essa razão, terapias focadas nesses, como se partissem deles essas cargas, turvam mais as águas em que foi despejada a criança. 32 Simetria O todo é necessário para o entendimento das partes como as partes são necessárias para o entendimento do todo. Ernst Mach Para entendermos o movimento de como chega o conteúdo de nossa família a cada novo ser, precisamos voltar a fazer a grande imagem, ver o grande quadro e não ficar no detalhe. Todas as famílias desdobram numa mesma simetria, mesma formatação. Quem já não escutou dizer: “Mães são todas iguais, só mudam de endereço” ? Não é verdade, pois cada mãe tem uma maneira sua de ser com os filhos. Mas por outro ângulo é verdade, pois no fundo há algo em comum em todas as mães. Isso que é comum é simétrico em todas as famílias. Pais, a mesma coisa. Assim também outras figuras como : O filho mais velho, o filho do meio, o caçula. Há também o filho único. Então vemos que a mesma medição servepara todas as famílias. A mesma medição significa simetria, ou mesma medida. Usamos simetrias para expressar o que tem a mesma medida. Nessa condição o que tem a mesma medida pode ser constatado por vibração ou ressonância, indicando afinidade de padrões, repetições, mesma tonalidade ou sintonia, mesma energia ou sinergia. O que vibra junto denota mesma medida. Essa ferramenta é extremamente útil nas abordagens sistêmicas quando se entra em temas ou questões menos conhecidas apenas movidas pela vibração. Existe em “ser pai“ uma vibração comum em todos os pais. Em “ser mãe” a vibração de mãe. A de ser “primeiro filho”, “segundo filho” ou “terceiro filho” também. 33 Fratria Não é ao acaso que as crianças chegam ao mundo, seu posicionamento não é aleatório. Muitos pesquisadores se debruçaram nesse tema. Alfred Adler, (1870-1937) fundador da psicologia do desenvolvimento individual, formulou em seu livro “O que a vida significa para você?” os tipos básicos entre os irmãos: A primeira criança, a criança do meio, a criança caçula e filho único. Segundo Adler os primogênitos são destronados quando chegam o irmão ou irmã. Filhos do meio são pacificadores. Caçulas ficam no trono. Filhos únicos competem com um dos pais. Depois Carl König, (1902-1966) médico e pedagogo antroposófico, observou a repetição de certos padrões do primeiro filho no quarto. Do segundo no quinto. Do terceiro no sexto e assim por diante. Analisou a forma de aprendizado deles em seu livro “Irmãos e Irmãs”. No livro “Jardim das Empresas” de 2008 e no “A Era do Significado” que publicamos em 2011, demos o nome de Alfa, Beta e Gama para essas três categorias de filhos, vendo como fica facilitado o trabalho quando cada um respeita seu posicionamento na empresa. Mas é no presente livro que vamos aprofundar e oferecer a nomenclatura Alfa, Beta e Gama, nas situações (+)yang e (-)yin para o posicionamento dos irmãos na família. Quando mantemos nosso posicionamento de origem, onde quer que estejamos no mundo, estaremos sempre “em casa”. Fazendo como no jardim japonês, onde as pedras são retiradas da natureza e colocadas exatamente na mesma 34 posição no jardim. O posicionamento Alfa, Beta e Gama é a chave para entender a própria pulsão natural, aquilo pelo qual viemos ao mundo e nos realiza, entendendo-o é possível separar os movimentos secundários, menores e circunstanciais, do movimento primário natural, maior e inegociável. Entrar nesse campo é descortinar as verdadeiras riquezas da herança de nossa família, aquelas que apontam as riquezas da vida, nessa nossa conexão com a Imensa Vida. Ao entrar no “campo”, Alfa, Beta e Gama, simultaneamente encontramos o nosso lugar de origem, por onde nos chega o significado, e o nosso lugar de destino, por onde nos descobrimos úteis para levar essas riquezas. Seguiremos nesse compasso ternário, como numa valsa, um-dois-três, quatro-cinco-seis, nesta que poderíamos chamar: A Valsa da Família. Fazendo a história O que cada um aprende na fratria depende, em parte, do lugar único que ocupa nesse primeiro e importante contexto relacional – que é o lugar da sua diferenciação e individuação” J.Fernandes O primeiro momento da família é, via de regra, o sonho do casal. Eles estão aprendendo a conhecer a vida pelas vibrações. E nessa época da vida, as semelhanças são mais valorizadas do que as diferenças. Tudo é uma espécie de aposta que vai dar certo, e dá mesmo. O futuro está sorrindo logo ali na frente. Porém, muito mais do que parece a atração pela mesma forma, é a atração pelo mesmo conteúdo, o que chamamos de afinidade. Mais um pouco de tempo e serão pai e mãe, replicarão o próprio pai e a própria mãe, por igualdade ou oposição nos filhos que irão nascer. Esse é um momento mágico, cheio de significado. Desencadeia-se o movimento do destino pelo desdobramento do movimento da origem. Isto é, só segue para o futuro o que vem do passado. Pura simetria. 35 No casal isso é arranjado, negociado, discutido. Mas agora, com os filhos que estão para chegar, isso é replicado inconscientemente, só será percebido por sensações de conforto ou peso que vierem a sentir. O que se replica não se dá por interesse mental ou físico. Mas pela atração do casal no “campo” emocional onde se revelam os significados. Para fazer uma nova família é preciso dar de si. Ninguém se une só para receber. Não em um casamento válido. Sonham com os filhos, sonham ver na carinha deles a pessoa amada. Abaixam-se as próprias defesas para o outro. Entra no “campo” a aceitação por vibração do que é comum como sendo seu próprio. O homem é criado e formatado emocionalmente por uma mulher, sua mãe, agora usará essa formatação, de um jeito ou de outro, com sua mulher. No marido a esposa replicará a formatação seu pai, e do mesmo modo na figura que este materializará frente a seus filhos. O conteúdo familiar de origem encontra passagem para o destino. Mesmo quando se pensa estar inovando ou inventando. A matriz emocional se replica. O conteúdo sistêmico, inconsciente no casal, se formata agora nas categorias evolutivas da vida, isto é: pai, mãe, primeira criança Alfa, segunda criança Beta e terceira criança Gama. O conteúdo sistêmico cai certinho nessas caixinhas. bia 36 Casando sistemas O casal se replica quando: Tocam-se os pés, para seguir os mesmos caminhos. Tocam-se os joelhos, para lembrar-se de sempre ser humildes frente à vida. Tocam-se o púbis, para criar vida, para eles e para os que chegam, manifestando toda sua criatividade na força da criação. Tocam-se o umbigo, para serem conectados não mais com as sogras, mas um com o outro. Tocam-se o coração para daí entenderem a vida . Tocam-se os lábios para produzirem a mesma linguagem. Tocam-se as testas para que sejam seus pensamentos harmoniosos e amorosos, afinados instrumentos de evolução humana. Viver uma vida relevante é conhecer a imensa alegria de amar, de ser útil, de aprender, de não ficar doente, de ser bem humorado, não ficar velho e se possível, não morrer. Hoje, já é possível não ficar velho, somos a geração que se manterá dentro do espírito jovem até o fim, mas daí a não morrer, isso já é outro assunto. Podemos ressignificar esse não morrer, por não ser surpreendido pela morte, não ser pego de surpresa. E morrer só quando estiver pronto, então não é morrer, é partir. Quem parte não morre. Quem parte, entendeu o movimento da vida. Está sempre no agora, então quando chega sua hora, está pronto para tudo. Algo já morre ao nascer. Ao nascer nasce a capacidade de morrer. O pai e a mãe dão a vida e a morte ao filho, ao mesmo tempo. Se ele não souber partir, morre. 37 Pais são pais Os pais têm o seu lugar como pais. Pais que não assumem o seu lugar como pais, geram filhos travestidos de pseudo pais, crianças travestidas de adultos, forçados a abrir mão da infância para ocupar o papel de salvadores da pátria, e com o tempo correm o risco de nunca ficar realmente adultos. São como abusados, essas crianças. Por seu amor infantil, abrem mão do seu lugar para viver o de outro. Comparando-os ao pão de queijo de Minas, ficam cozidos demais por fora enquanto continuam crus por dentro. Então, terão dificuldades de assumir seu destino como esposos ou esposas, replicarão neles o desacerto de seu sistema. Procurarão parceiros mais velhos, mais complicados, amores seguramente infelizes, onde nunca conseguirão realmente se relacionar. Isso não é exclusividade de filhos que tomaram lugar dos pais, mas de todos os filhos que não tomaram o seu próprio lugar. Casamentos sem amor e paixão, casamentos realizados no luto, na perda, por morte ou não, de amores anteriores, também levamos filhos a representarem ocultamente esses parceiros perdidos, que ainda vivem na mente do pai ou da mãe. Enfim, casamentos onde pai e mãe, não ocupem seus próprios lugares, geram perigosos espaços, armadilhas involuntárias, onde seus filhos podem aumentar ainda mais seus sofrimentos. A gramática do casamento é simples. Bom casamento é o que produz o menor sofrimento para os filhos. Não existe família perfeita. Nem casamento sem perdas. bia 38 Sem se aprender a abrir mão de si não há casamento. E o que não é trabalhado, torna-se mais cargas para os filhos e netos que nascem nessa família. Os filhos sempre são bênçãos que chegam à família. Os filhos viçam o sistema, são seres especiais. Pai e mãe juntos os atraíram, os escolheram, para propiciar as melhores condições para se evoluir. Então quando os pais se amam, os filhos Alfa, nascem com carinha de Alfa. Os Beta e os Gama também. Quando o casamento é conturbado, turvas são as feições dos filhos, são mais difíceis de serem identificados, como também para eles, identificar o seu lugar no mundo. Reconhece-se um Alfa menino pela sua determinação, e por seu queixo mais protuberante. Uma menina Alfa, pela sua maneira de querer tudo do seu jeito. Uma criança Beta pelo sorriso fácil e pelos olhinhos brilhantes. A Gama é uma criança concentrada. Tem um narizinho diferente dos outros irmãos. Aos poucos vamos aprendendo a reconhecer e a dar nomes, ao que sempre passou pelos nossos olhos e não decodificamos. Os pais vivendo emocionalmente, ao ocuparem seu lugar sistêmico, permitem que seus filhos, simultaneamente, ocupem o lugar deles também. Assim, pela amorosidade, o casal provoca uma onda afetiva que leva todos para o seu devido lugar na formatação simétrica, Pai, Mãe, Alfa Beta Gama. Desta forma geram amor evolutivo para o destino comum da família. O amor dá endereço ao sistema familiar. Não basta ser um sentimento parecido com amor, precisa ser amor no duro. Então a fidelidade é sem nenhum esforço. Se não for assim é por que na verdade, não houve entrega suficiente. Viver esta entrega é a base da felicidade de ser pai e mãe. Quem prioriza a carreira profissional, os próprios interesses ou mesmo os próprios filhos e não o cônjuge no casamento gera filhos com dificuldades sistêmicas, que não se desenvolverão bem emocionalmente. Porém quando um entra no seu lugar na família, ele ajuda a colocar todos os outros nos seus devidos lugares. Quando um sai, pelo mesmo modo, dificulta para todos. 39 Ser espelho O mesmo que estamos vendo aqui nas famílias, ocorre também nas empresas, e foi abordado no livro “A Era do Significado”. Quando o empresário encontra seu lugar na empresa, simultaneamente a empresa encontra seu lugar no mercado. Quando a empresa encontra seu equilíbrio interno, encontra ao mesmo tempo o externo. O movimento de afirmação é de querer se ver nos outros. O mundo é seu espelho, nele ele quer se ver. Mas depois, quando já está adulto, algo muda. Ele é que reflete o mundo, passa a ser o espelho do mundo. Enquanto queremos ser amados, valorizados e vistos pelos olhos dos outros permanecemos crianças. Ao nos tornarmos adultos, aprendemos a ver, ouvir, sentir as intenções quase imperceptíveis nossas e dos outros. Aprendemos a nos tornar vazios, a esvaziar os outros em nós e a ficar centrados, prontos para nós e para o outro. Tornamos-nos capazes de captar os menores movimentos, aprendemos a ver por vibração, o que faz sentido. Na família saber escutar é tudo. bia 40 Primogênito O significado do primeiro filho ou primeira filha é muito grande. Ele ou ela salta do campo vibracional existente no casal para a realidade. Atravessa um túnel existencial. Cruza a linha do tempo. Atravessa o “campo” mental cheio de preocupações e ansiedades, lastreadas no medo ancestral: “Será que se completará a gestação?” “Nascerá perfeitinho?“ Por quantas vezes houve crianças com má formação ou crianças que não vingaram em nosso sistema ancestral? “Será menino ou menina?” Quantos pais de nosso sistema não se frustraram ? Sonhavam ter filhos homens para ser cuidados por eles na velhice, e receberam meninas, ou queriam meninas para adocicar o lar e receberam meninos ácidos? De qualquer forma, há que se atravessar esse “campo” mental para se chegar à realidade emocional dos filhos, que é muito mais do que podemos sonhar. Os filhos são sempre os filhos certos para a aquela família; pela mesma forma, os pais são sempre os pais certos para cada filho ou filha na família. O gênero das crianças Cada primeiro filho formata o “campo” de todos os outros irmãos que ainda vão nascer. Dele ou dela será desenrolada a fiada. A filharada. O primeiro filho marca o sistema, quebra, rompe, define, projeta. O primeiro filho ou filha revela de certa forma, a saga da família. O que faz chegar um menino ou menina a uma família? 41 Vamos ver isso no sistema. No pai e na mãe é feita uma leitura interior da história dos homens e mulheres em cada família de origem. Por exemplo, um esposo cujo pai morreu cedo, ou deixou o lar quando ele era criança, tem uma “lição de casa” masculina grande a ser feita. Tem um déficit masculino em seu sistema. A esposa também faz esse escaneamento sistêmico, e avalia em sua história, sua relação e afinidade com os pais, e o peso masculino e feminino em seu sistema. Juntos o casal compõe uma resultante. Se a predominância da “lição de casa” for masculina, chegará um menino. Se a predominância for feminina, chegará uma menina. Simples assim. Essa leitura da “lição de casa” pode ser mais sutil. A relação de afinidade com os pais depende também de como estão esses pais. Quem viveu bem com os pais, mas teve uma mãe mais infeliz, pode ter mais ”lição de casa” feminina, compondo na resultante do casal, a atração por menina. Se a questão é grande, então várias meninas, ou vários meninos. Se a lição de casa é mais ou menos equilibrada, então nascem meninos e meninas, também mais ou menos de forma equilibrada. Quando chega um filho de sexo diferente do anterior, há uma quebra de padrão, e esta criança chega com muita força. Ele soma aos seus os atributos de uma primeira criança. Nele o sistema já está se equilibrando. Uma esposa que foi criada por ambos os pais, mas criou em si uma competição com a mãe, ao criar essa subtração, cria um déficit, uma “lição de casa” feminina, que pode interferir na resultante do casal, por exemplo. A definição do sexo de cada um dos filhos do casal é feita pela consideração de um lado e do outro das famílias dos esposos, pela “lição de casa” resultante, no momento da concepção. A resultante vem do balanço sistêmico. Na concepção é emitido esse sinal, que faz vibrar desde a origem da vida, o “campo” emocional original e, em resposta a isso, as células masculinas ou femininas que estão disponíveis para a vida naquele momento, começam a se expandir, ao “som da música” solicitada, e isso determina um menino ou uma menina. 42 Cada acontecimento gera uma nova configuração a ser confirmada como sendo a melhor para aquele sistema, o melhor para aquele momento, e isso é determinante. Fizemos um estudo com um casal de amigos e vimos que a “lição de casa” bem maior para ambos era a feminina. Trabalhamos sistemicamente essa questão, na mãe. E pudemos trazer alívio ao sistema feminino. Então fizemos outra leitura do casal e a “lição de casa” maior era a masculina. Pouco depois vem o menininho. Portanto é possível antever o sexo dos filhos, tanto quanto é possível sentir o peso do conteúdo da família, como também é possível mudar, fazendo o escaneamento sistêmico, isto é, vendo e fazendo a “lição de casa”. A formatação feita pelo primogênitoO sexo do primeiro filho marca o campo de todos os irmãos que vão chegar. É como quando o juiz joga a moedinha no futebol para definir em que campo o time vai jogar. No campo masculino, com todos irmãos e irmãs mais Yang. Ou no campo feminino com todos irmãos e irmãs mais Yin. Yang e Yin são forças vitais que fazem o equilíbrio segundo a filosofia chinesa do Tao, que quer dizer caminho. Então os irmãos ficam no campo da primeira criança. Campo Yang Campo Yin Yang é difícil Yin é suave Yang é movimento Yin é quietude Sol é Yang Lua é Yin Masculino é Yang Feminino é Yin Rio é Yang Montanha é Yin Pensamento é Yang Intuição é Yin Verão é Yang Inverno é Yin Alguns eventos mudam a resultante. 43 Quando morre um avô ou avó, dependendo de como foi sua vida, isso pode aumentar ou diminuir a “lição de casa”, pois interfere no conteúdo. Quando fazemos a nossa lição sistêmica, estamos aliviando pressões. Isso interfere em nós próprios, em nossos filhos, netos e até mesmo bisnetos que ainda vão demorar décadas para nascer. Mudando a vibração do campo emocional, desobstruímos o fluxo da vida, que sabe de onde veio e para onde deve ir. Para avançar é preciso conhecer mais ferramentas sistêmicas e decidir tratar nossas questões de fundo, sem medo, e querer assumir tudo aquilo que já é nosso. Apenas como curiosidade seguem outras interpretações sobre a definição do sexo dos filhos, mesmo sem serem embora comprovadas. 1- Peso dos cromossomas: Sabemos que são os cromossomas X e Y que definem o sexo dos filhos. Pesquisou-se então sobre o peso, dimensões e características dos cromossomas X e Y. Descobriu-se que os X são mais resistentes e maiores. Os Y são mais leves e, portanto, mais rápidos. Homens mais jovens têm mais cromossomas X, homens mais velhos, mais cromossomas Y. Pais jovens mais meninas, pais mais velhos mais meninos. 2- Hora da ovulação. Quanto mais perto da hora da ovulação, maiores as chances de os espermas com cromossoma Y, mais leves, fecundarem o óvulo. Os portadores de X, mais lentos atuam menos nas vinte primeiras horas e mais no período entre as vinte e as setenta e duas horas férteis do ciclo da mulher. Mais perto da ovulação, mais meninos. 3- Questão alimentar da mulher. A ingestão de comidas mais calóricas e menos nutritivas, como as fast food, faz com que o muco cervical feminino tenha um PH mais básico, o que favorece nascimento de meninos, enquanto mulheres que ingerem alimentos mais saudáveis como frutas e legumes tem PH mais ácido o que favorece ao nascimento de meninas. 44 Na Teoria de Gaia, hipótese formulada por James E. Lovelock e Lynn Margulis em 1979, na qual se refere ao papel dos organismos vivos na manutenção do equilíbrio da Terra, como um ser único e complexo, se apresenta uma teoria em que Gaia, o espírito da Terra, é capaz de se auto-organizar gerando, por exemplo, depois de uma guerra, quando morrem muito mais homens do que mulheres, muito mais meninos do que meninas. Mas isso pode muito bem acontecer por outro motivo. Vidas brutalmente abreviadas dos soldados, fazem pesar muito mais no sistema familiar, o lado masculino do que o feminino, isso por gerações. Então filhos e netos e bisnetos homens continuarão nascendo por amor ao sistema, para equilibrá-lo, produzindo mais primeiros filhos homens. O impacto nos demais O impacto do primeiro filho ou filha no sistema dá o tom para o campo do pai, da mãe e dos filhos. Formata o “campo” da família. E isso é muita coisa. Era assim: Pai Mãe 50 % p = esposo 50 % m = esposa _____________________ 100 % da família 45 Agora fica assim com a chegada da primeira criança : Pai Mãe α β γ 25 % p = pai 25 % m = mãe 50 % α β γ = filhos sendo 16,6 % α = espaço que a primeira criança ocupa para si 16,6% β = espaço formatado para a segunda criança 16,6 % γ = espaço formatado para a terceira criança β, γ = irmãos que ainda não nasceram Curiosidade sobre a origem e o significado dessas letras gregas α = Alfa, no grego vem de Aleph, que quer dizer boi. β = Beta, no grego vem de Beth, que quer dizer casa. γ = Gama, no grego Gamow, quer dizer muito, riqueza. A primeira criança dilata o campo da família, da mesma forma que se for menina dilata por complementaridade o coração do pai, e se for menino, do mesmo modo, dilata o coração da mãe. Se a criança Alfa for menina, todos seus irmãos, meninos ou meninas, terão os lábios mais grossos, com o friso superior do lábio discreto. Seus irmãos, via de regra, serão mais cabeludos, terão menos barba, toda a família terá uma atitude mais emocional, mais redonda. Se a criança Alfa for um menino, seus irmãos e irmãs terão os lábios mais finos, principalmente o superior, que terá contorno bem definido e um pouco saliente, usarão cabelos mais curtos, inclusive as irmãs, toda família terá uma atitude mais mental, mais quadrada. O primeiro filho traz muito forte o conteúdo do avô número um, isto é o pai da mãe, vamos chamá-lo de avô<1> ou número um dentro de um triangulo. 1 46 A primeira filha, por sua vez, é conectada a sua avó número um, a mãe do pai, a avó (1) vamos escrever o número entre parêntesis ou dentro um círculo. Para onde a primeira criança pende, pendem os demais irmãos. É o poder do Alfa. É líder desde seu primeiro momento. Os outros irmãos também ajudam a puxar a fiada, começada pelo Alfa. Cada filho que nasce atrai para si o fluxo de conteúdo de sua frequência, Alfa, Beta e Gama, da família. Tudo o que está no “campo” é captado pelas vibração específicas do seu tipo. É para isso que viemos ao mundo. Para fazer a “lição de casa” que nos compete e aliviar o peso do sistema. O conteúdo sistêmico varia de família em família, mas o “campo” é o mesmo para todas as famílias. Todos os filhos Alfa captam o conteúdo Alfa de suas famílias. Assim também os Beta e os Gama captam pelas conexões ancestrais que são como “antenas” que nos ligam ao passado ancestral. Quando nasce um novo integrante na família, ele abraça o que está disponível na família. O conteúdo é composto do que não ficou compreendido, não ficou em paz e silenciado, portanto precisa voltar. O que não pode ser dissolvido no fluxo familiar. O que ainda é uma pedrinha no sapato sistêmico. A saga da família é expressa pelo que não ficou suficientemente aclarado, honrado, reconhecido, amorizado, resolvido. Tudo isso fica no campo da família, aguardando a oportunidade certa de poder vir à tona, esperando chance de ser trabalhado. Não é automático. Nada na natureza o é. É preciso um tempo para que cada geração possa digerir sua história, transformá-la e irradiá-la para a família e para todas as famílias da humanidade. A nossa história é muito importante, ela é a matéria prima da evolução. A história vivida pelos nossos avós, bisavós, mesmo tendo sido eles pessoas simples é muito importante. Eles permanecem “vivos” dentro de nosso corpo. Essa história está sendo contada em nossas células, nossos órgãos e nossos ossos, que plasmam o nosso “campo” familiar. Uma ferida profunda, não resolvida, pode demorar varias gerações para fechar. 1 47 Com meu filho Thales Letícia Roscoe 48 3 - Posicionamento – A Valsa da Família A simetria é música do universo Stephen Hawking A vida está definida em dois gêneros: masculino e feminino. Essa separação ou divisão é parte de uma estratégia evolutivaque deu certo. Reproduzindo-se podem avançar. Avançando podem reproduzir-se. Todas as espécies tem essa estratégia natural. Porém é nas famílias que vemos melhor a natureza do psiquismo masculino e do feminino, sua forma de atração, sua motivação, seus temperamentos, tanto nos aspectos distintos como nos complementares. Constatamos visualmente a diferença entre o menino e a menina, primeiramente pelos aspectos sexuais primários, mas também temos os secundários: o formato das mãos, os olhos, a voz, o cabelo, a altura, as nádegas, o jeito de andar, da mesma forma constatamos física e psiquicamente as diferenças entre Alfa, Beta e Gama. A sequência de nascimentos é a informação primária. Porém pode ser que o primeiro filho não seja o primeiro filho, pode ser que ele seja o segundo, se houve antes uma gravidez que não se completou por qualquer motivo, ou se houve outro filho ou mesmo gravidez apenas por parte do pai. A contagem sempre parte do pai. E isso é um aspecto importante do sistema familiar. Nisso não vai nenhum anti feminismo. O homem é um XY, a mulher um XX. Toda filha é continuação de sua mãe XX, mas todo filho se diferencia de seu pai, se opõe a ele, quebra a continuidade, e assim a fortalece, como a poda fortalece a planta. Começamos a contar a partir da mudança, da poda, do Y, isto é, do pai. O masculino é o marcador sistêmico. Poeticamente falando todos nós nascemos da mãe e morremos no pai. Nascemos puxando a extensão da vida que está na mãe, materialmente, e morremos na descontinuidade que o pai representa no sistema. O primeiro filho ou filha abre a contagem dos subsequentes irmãos do mesmo pai. A mãe tem seus filhos contados somente pelo pai deles. 49 O pai conta os filhos, os diferencia; a mãe não. Pai com um só casamento, mas teve um filho antes do casamento ou mesmo somente uma gravidez, que ninguém ficou sabendo, o primeiro filho no casamento é na verdade o segundo. Pai com mais de uma mulher conta na ordem dos nascimentos. O pai sabe os filhos que tem. Talvez por isso seja mais fácil para os homens entender posicionamento do que para as mulheres. A realidade precisa vir à tona, para a história poder ser contada, em Alfa, Beta e Gama. E isso traz para os homens uma responsabilidade sistêmica muito grande, pois o que acontece em cada relacionamento precisa ser considerado. Nada passa sem importância, nada passa batido, nessa área. Aqui vemos que o “campo” é tão sensível que é marcado até pelos não nascidos. Essa é a realidade do fluxo continuado das famílias. Pode ser que não queiramos ver essas marcas, mas elas nos veem. Dificilmente deixamos de ver as decorrências e transformações no sistema. Não há uma data na gravidez para o feto ser considerado um ser. Ser é um estado de presença. E presença além do campo físico, é do campo mental e emocional. Então só a leitura emocional pode saber se aquela gravidez marcou ou não marcou o sistema. Mais do que ver de fora para dentro, a maneira mais precisa é ver de dentro para fora. Ver por dentro os eventos que tocaram o emocional. Sem medo. Marcou, conta. Não marcou, não conta. Usando a sensibilidade. Não há outra maneira. Então precisamos abrir horizontes e ver com outros olhos, agradecer todos esses episódios que marcaram nosso sistema, saber ler suas mensagens. Dar a eles um lugar na história. 50 Gêmeos No caso de gêmeos, há uma observação a ser feita. Gêmeos geralmente devem ser contados de forma invertida, o que nasceu primeiro é o Beta o que nasceu em segundo é o Alfa. Há aqui uma curiosidade. Para saber se o primeiro gêmeo que nasceu é um Beta yang (+) ou Beta yin (-), o que veremos mais a seguir, precisamos esperar o nascimento do segundo gêmeo, o Alfa, se for menino, será como todo primeiro menino um Alfa (-) e o gêmeo que nasceu primeiro um Beta (+). Ou se Alfa for uma menina, como toda menina é uma Alfa (+) yang, e o gêmeo já nascido primeiro será um Beta (-), Beta yin. Em trigêmeos ocorre a mesma inversão, porém dos três. O primeiro que nasce é o Gama, o trigêmeo que nasce em segundo é um Beta mesmo e o último a nascer é o Alfa. Essa inversão pode estar ligada a grande inversão que ocorre no parto e na partida que vamos estudar. bia 51 Identificadores dos tipos Primeiro olhamos para a sequencia do nascimento. Mas depois com o tempo aprendemos a identificar Alfa, Beta e Gama. Aspectos físicos : Alfa (boi) Beta (casa) Gama (rico) Queixo Curvamento das costas Mandíbula Forma de andar Olhos Nariz Aspectos da personalidade Arrojo Criatividade Foco Buscar aceitação Querer ajudar Interessar-se Aspectos emocionais Entusiasmo Confiança Equilíbrio Braveza Desânimo Mágoa bia bia bia bia α β α β Os irmãos Ives Gandra e João Carlos Martins, Alfa e Beta. O irmão Gama deles é empresário. Betinho e Henfil, irmãos Alfa e Beta. São muitas características e com o tempo aprendemos a identificá- las por vibração. Fomos alfabetizados, agora seremos alfabetagamizados sistemicamente. α β γ 52 A “primeira” família O “campo” do primeiro filho é o “campo” de Caim. Ele representa o primeiro filho da primeira família, ele é a primeira onda que traz conteúdo para ser trabalhado na família. Vamos entrar por uma abordagem poética, ele é o nome dado à primeira aposta evolutiva de se desenvolver um longo processo chamado humanidade. Chega Caim, o primeiro filho. Seus pais, Adão e Eva, João e Maria, Pedro e Joaquina, são como todos os pais e mãe do mundo. Caim, o primeiro filho, entra na família, mas não se sente amado. Talvez seus pais talvez estivessem ocupados demais com as questões deles mesmos, talvez estivessem intoxicados com a dose que tomaram do fruto da árvore do bem e do mal. Caim é como um filho de pais que bebem muito. Não se sentindo amado, procura fazer coisas para ser reconhecido pelo seu grupo, não desperta nele aquela sensibilidade fina de observar o movimento da vida como aconteceu com seu irmão Abel, que gostava de ver a natureza, reparar nas plantas, nos carneirinhos, nas nuvens, sendo um tipo light, até meio vagabundo. A chegada de Abel incomoda Caim. Abel é mais alto e mais bonito que Caim, como todo segundo irmão. Seus braços são mais fortes, seus dedos mais roliços. Tem o tipo de esportista. Seus olhos são brilhantes, sua pele é lisa. Seus cabelos são meio anelados, ficam bem de qualquer jeito. Já Caim, precisa ficar todo tempo pondo o seu cabelo escorrido de um lado para o outro. Caim é mais peludo. Tem a batata da perna redonda. Gosta de andar com a sandália bem amarrada, Abel gosta de andar com ela desamarrada, de preferência descalço. Caim usa o mesmo tipo de roupa de Abel, mas Abel não liga se ela está meio suja. Caim quer sempre estar mais arrumado. Caim é agricultor, bonitinho. Abel, pastor, bonitão. Veem o mundo de maneiras diferentes e complementares. Caim tem que transformar as coisas, vê o mundo como matéria prima para transformação. A terra está aí para ser cultivada, e com seu suor ele comerá o pão. Precisará ser reconhecido esse suor. 53 Não será de graça. Abel não quer transformar nada, quer levar a vida. Leva um bando de ovelhas para pastar, escolhe lugares bonitos, senta de baixo da árvore, puxa um capinzinho para mascar e olha tudo, acha bonito, se alguma ovelha se afasta ele assobia, e ela volta. Abel se sente amado. Mesmo tendo os pais meio bebuns, ele se sente amado pelo pai, amado pela mãe, pela vida, pelo vento, pelo sol, por tudo. Dentro dele é mais fácil de encontrar a alegria genuína, que todos temos, porém escondida. Ele se sente confortável. Isso é bom, mas incomoda principalmente Caim. Abel canta com os passarinhos, e seu canto se torna insuportávelaos ouvidos de Caim. No seu delírio Caim imagina que a vida seria bem melhor se não tivesse aquele irmão meio hippie, desligado, que não o ajuda em nada, e começa guardar bronca do irmão. Num dia, antes do almoço, com sol quente, enraivecido Caim, hipocalórico, mata Abel. Matou não por falta de espaço, nem por falta de trabalho, mas porque no fundo queria ser leve como ele. Queria cantar tão bonito, queria ter aqueles cachinhos no cabelo, queria ser mais alto e mais loiro. Caim no fundo mata é a si mesmo. Como todo crime no fundo é cometido contra si mesmo. Mata o Caim que há em Caim, e não o Abel que há em Abel. Matando a si mesmo toma agora as feições de Abel, as feições de sua vítima, como todo criminoso consciente ou não, sempre assume as feições de sua vítima. Caim mata Abel. Essa é essência de toda carga emocional humana. Caim conhece a morte, não a do irmão, mas a que entrou nele. Caim fica só. Não vê direito o que fez. Mas no seu desconforto reconhece o erro. Se pudesse gostaria de voltar no tempo e deixar o irmão cantando na dele, nem ligaria mais. Caim fica atormentado. Não que antes fosse um monge tibetano, mas agora está aflito e vê que seu crime tem uma dimensão social. O seu crime impactará o futuro. Esse crime pode ter sido decorrente do crime dos pais dele. Da falta de consciência de seus pais, se provaram uma dose do bem e do mal, ou tomaram uma garrafa inteira. 54 O primeiro filho é sempre mais conectado com a família da mãe. Eva ficou muito brava, ela ficou muito decepcionada com Caim, o filho que ela tanto amava até mesmo um pouco mais do que Abel. Ela sentiu como se ela mesma fosse culpada pelo crime. Já Adão afundou na tristeza. Todo segundo filho depois de irmão mais velho é conectado a família do pai. Adão desejou ter morrido ele no lugar de Abel. Mais do que recriminar Caim, Adão chorou Abel. Adão nunca mais seria o mesmo, ele precisará de uns quinhentos anos para passar a tristeza. Talvez ele só tenha atenuado sua tristeza ao ver nascer entre seus netos, um em especial, um segundo filho, Beta como Abel, ou uma menininha quinta filha, Beta também, loirinha e com os mesmos olhos brilhantes de Abel, que falassem com os pássaros e se daria bem com todos. Adão mataria as saudades de Abel. Com o conteúdo que Abel trouxe ao mundo. Caim matou Abel. Foi o primeiro fraticínio, como fraticínio é todo assassinato. Seth matou Osíris, no mundo egípcio. Na Suméria, Sudari matou Mamrari. Sempre o mesmo crime, o agricultor mata o pastor. Esse é o contínuo conflito entre o agricultor e o pastor. O agricultor planta a comida, o pastor coloca suas ovelhas para pastar soltas e elas vão comer nas plantações. O agricultor manda tirar essas ovelhas. O pastor tira, mas tem pena das ovelhas que estavam apenas buscando algo mais verdinho para comer. Ele bobeia, elas voltam a invadir a plantação. O agricultor está com a enxada na mão, sob o sol escaldante, antes do meio dia, ele levanta a enxada e dá uma só enxadada no pastor, que morre como suas ovelhas, sem berrar. Caim não tem consciência. Não recebe a pena de morte, mas recebe o sinal de Caim, por onde será identificado; recebe o sinal Alfa. Depois de um tempo, Adão e Eva têm outro filho, Seth. Sábio faz a primeira cidade, a constrói, fica rico. Mas seu primeiro habitante é Caim. Pois lá seu sinal fica confundido. E ninguém mais poderá o distinguir e saber qual é o sinal. Para lá vão os seus descendentes, que também cometem crimes iguais ou até maiores 55 que os de Caim. Abel, o pastor, é o primeiro a mergulhar no fluxo continuado do conteúdo e a se dissolver. A marca de Abel é outra. Como é o primeiro a morrer, sua conexão do passado emergirá no futuro, dessas mesmas águas, não mais como Beta que foi, mas como Ômega pelo qual espera toda humanidade. Mas isso é tema que veremos mais adiante. Abrindo a visão Uma vez fui com um biólogo caminhar por umas montanhas de Minas; saímos cedo. A certa hora ele parou e me perguntou : - Você viu a diferença ? Qual diferença? Retruquei. - Deste lado da montanha que estamos com aquele ali que acabamos de passar? Explicou. - Não, respondi. Para mim é tudo igual. Como assim igual? Não tem nada igual. Continuou. Olhe com calma: lá a vegetação é mais alta, aqui é bem baixa. Lá tem plantas com flores vermelhas, aqui as flores são amarelas. Lá as folhas tem a ponta mais arredondada, aqui as folhas são pontudas. Fiquei boquiaberto. Então ele mostrou a regra. - Olhe lá, disse, aquela montanha toma o sol da manhã, sai do frio da noite para o calor da manhã rapidamente, isso faz com que suas plantas sejam Yang. Já essa outra toma o sol da tarde, pela manhã fica na sombra, seu gráfico é suave, sem picos de temperatura, é o lado Yin da montanha. Fiquei maravilhado, e assim aprendi mais uma forma de ver as montanhas. O mesmo ocorre aqui. Ver Alfa, Beta e Gama, Yang e Yin, é entrar numa nova leitura, numa nova gramática que ajuda a desvendar o processo do que os olhos não conseguem ver nas famílias. 56 Pêndulo Existe um movimento pendular Yang e Yin na sequencia dos filhos. Se a primeira criança é menina, o pêndulo vai para o lado Yang, e depois segue alternadamente: Yin, Yang pelos próximos irmãos. Se a primeira criança é menino, o pêndulo vem para o lado Yin e seguirá alternando Yang, Yin pelos irmãos. Cada vez que o pêndulo balança é ativada uma conexão ancestral. Então podemos ver na família as forças Yang e Yin sequenciais e complementares do universo. Numa criança Yang, as meia luas das unhas da mão serão volumosas. Nos dedões a meia lua pequena é Yang, e se bem grande é Yin. São crianças Yang a primeira criança se for uma menina, é o sinal de +, Alfa +, e seus irmãos impares. Terceiro, quinto e assim por diante. Se for um primeiro menino será Yin, Alfa-, e Yin serão seus irmãos impares. Terceiro, quinto e assim por diante. Cada primeiro filho cruza emocionalmente todo o Zenith da evolução humana. É como uma bolhazinha que se solta do fundo do mar, e vem subindo na direção dos pais, cruzando todos os níveis, até encontrar na superfície das águas seu mental e físico, para dali tornar-se um ser humano, capaz de evoluir e amar. Quando está chegando essa bolhazinha, cheia do vazio primordial, é preenchida com o conteúdo emocional ativo que está nas últimas gerações do sistema familiar. Chega à superfície, se houver condições para ela viver ela fica, caso contrário, ela foi mais uma possibilidade não realizada de trazer avanço à vida daquela família e à vida humana. A segunda e as outras crianças já são diferentes. Elas também borbulham no fundo do mar, mas não vem para pai e mãe como os primeiros. Vem na direção das crianças já existentes, tomam carona na trajetória delas. Fazem como nas aves que voam em formação, a que vem na frente faz mais força, e formata em ondas com suas batidas das asas, criando um fluxo laminar por onde vem os que estão atrás, assim também é o papel dos primeiros filhos para com os demais. Já existe o “campo dos irmãos”, na família. Com a chegada da segunda criança ele se expande. Com a chegada da terceira 57 criança ele se expande ainda mais e fecha o primeiro ciclo do Alfa – Beta - Gama. Quando chega a quarta criança ela abre outro ciclo, outro compasso ternário, e vem ocupar o espaço desdobrado da primeira criança, tornando-se como um primeiro filho de novo, Alfa, porém no seu oposto. Por exemplo, o primeiro filho menino, Alfa -, é sempre mais recatado enquanto o quarto irmão ou irmã, Alfa+ é mais extrovertido. O mesmo acontece com o quinto irmão ou irmã, que desdobra em oposição ao segundo. O sexto em oposição ao terceiro e assim por diante. O “campo” da primeira criança chamamos de Alfa. O “campo” da segunda criança chamamos de Beta. O “campo” da terceira criança chamamos de Gama. Então teremos a sequencia: ( E = emocional, M = mental ) EAlfa + primeira menina primeiro menino Alfa - M M Beta - segunda criança Beta + E E Gama + terceira criança Gama - M M Alfa - quarta criança Alfa + E E Beta + quinta criança Beta - M M Gama- sexta criança Gama + E O posicionamento é um tipo de antena que capta o “campo”, Alfa, Beta ou Gama, que traz o conteúdo específico original para esse fluxo continuado. Quando estamos sob um choque emocional não conseguimos fazer nada, nem raciocinar ou ver as coisas simples. Assim acontece quando recebemos a carga ancestral de nossa família, é como se fosse um choque, ficamos paralisados, sem saber bem o que fazer no mundo. Só quando começamos a sair do choque, é que vamos tomando consciência das mensagens que trazemos inscritas em nosso íntimo. Começamos a ver o conteúdo que trouxemos e como ele é necessário para nossa família e para o mundo. Saindo do choque, começamos sentir o nosso imenso potencial emocional e amoroso que nos move e que nos coloca na rota do nosso destino comum. A nossa vida passa para uma dimensão muito maior, da Imensa Vida. Para ler o que está inscrito em nós, para escrever no mundo esse conteúdo, o abecedário que usamos é o do Alfa, Beta e Gama. 58 Alfa Ser Alfa é abrir espaços. É começar, projetar, inventar, empreender e construir a partir da matéria. Alfas são inventivos, audazes, competitivos, adoram desafios, adoram perseguir metas, buscar algo desejado, e para isso eles não tem preguiça de se esforçar para conseguir, sem desanimar, como boi (Aleph) nada os detém quando querem uma coisa. Alfas são batalhadores. São líderes natos, tem facilidade em influenciar os demais. São ousados, independentes, cheios de força de vontade, autoconfiança. Tem facilidade em enfrentar obstáculos. Podem, pelos outros, ser chamados de visionários, mas para eles sonhar é obvio, imaginar e por em marcha suas realizações. Tem a visão das coisas pelo plano da matéria, do concreto. São um tanto vaidosos, charmosos, gostam de se apresentar bem. São carentes de atenção e afeto. Precisam ser notados, e valorizados. Interiormente são mais reservados, eles próprios se blindam para não sofrer e com isso ficam, de certo modo, fechados para receber carinho. São preponderantemente mentais. Isso pode acarretar um certo perfeccionismo ou purismo. Competem com seus pais de mesmo sexo. Como gostam das coisas do seu jeito, podem ser considerados egoístas. Acreditam na sua eficiência. Tomam conta da situação, seja ela fácil ou difícil. Os Alfa aprendem com os adultos. Aprenderam assim desde pequeninos, vendo seus pais. Na sua personalidade isso é formatado desde os primeiros anos de vida. Os Alfa são líderes, tomam as rédeas. São agressivos se precisar. Gostam de impor respeito. Ao mesmo tempo são obedientes, gostam de trabalhar em equipe. Gostam de ter tudo sob controle. Gostam que os outros sejam pontuais. São ambiciosos, são pensadores, não são apressados. 59 Beta Betas são artistas. Tem forte senso estético. São do bem. Ser Beta é mover-se pela energia. O Beta olha com carinho o Alfa que o precedeu, com amizade e uma pitada de veneração. O Alfa veio antes, é maior e mais inteligente, sabe coisas mais interessantes, é mais ativo. O Beta se sabe menor, sabe que com os mais velhos não vai dar pé, então aprendem a ficar na sua. Os Betas fazem com os irmãos Alfa o jogo de oposições e contrapontos. Como o Beta chega depois do Alfa e esse já ocupou o primeiro andar, o espaço da matéria, e do concreto, então procuram se instalar “no andar de cima”, o andar da criatividade, e do pensamento abstrato. Os Betas tem olhos brilhantes. Aspecto meigo. Tem o queixo um pouco para dentro. Crianças Betas são lindas, fofas, boazinhas, mas não são bobas. Mas se preciso põe a boca no mundo. Betas não são bons em guardar segredos. Falam tudo que vem à mente. Betas são generosos, dadivosos, empáticos. São dispostos a ajudar quem precisa. Economizam pouco, sabem esbanjar. Os Betas são desligados, aéreos, adoram olhar para o lado que ninguém está vendo. Distraídos, um pouco desfocados. Não toleram rotina nem regras, preferem as exceções. Aprendem criando suas histórias. São imaginativos. Criativos. Inventam modas. Querem que as coisas tenham o tempo deles. Preocupam-se com questões sociais, mas não curtem política. Suas gavetas são meio bagunçadas. Sua arrumação é sutil. Gostam de roupas diferentes, coloridas. Não tem medo de ficar fora da moda. Betas não priorizam o dinheiro. Fazem amizades com facilidade. São amigos devotados. Apreciam uma boa conversa. Sabem ouvir. Não são bons conselheiros nem estrategistas. São empáticos. Querem mudar o mundo. Mas só se a turma toda for junto. 60 Tem dificuldade em dizer não. Gostam de deixar os deveres para a última hora. Aprendem ensinando. Jogam-se nas coisas. São fascinados pelo que é novo. Apaixonam-se com facilidade, sofrem com a mesma facilidade. Colecionam velharias, não gostam de jogar nada fora. Os Betas sorriem com facilidade, mesmo nas dificuldades. Não pegam a onda de frente, sabem se colocar de modo a evitar o sofrimento. São diplomatas evitam o conflito. Mas a principal característica dos Beta é que eles se sentem amados, estão abertos ao amor dos pais. Ao sentirem-se amados são formatados abertos para as outras relações, o que os fazem ser mais livres e descolados no mundo. É fácil para um Beta ser amado, ele sabe conquistar o amor do outro, sabe elogiar, o mais difícil é ele mesmo reconhecer o próprio valor, sentir o amor próprio, a autoestima. Gama São muito diferentes dos outros dois irmãos mais velhos. Tudo neles é diferente. Escolhem outros times, outras crenças que as habituais na família. Suas feições são diferentes. O narizinho deles não é igual ao de ninguém da família. O pai até o olha com desconfiança. A largura do queixo é maior, a arcada dentária é mais larga, o céu da boca é mais baixo, a boca é mais aberta. O queixo do Alfa tende a ser um pouco para fora, o do Beta para dentro, o do Gama é alinhado. O Gama tem cara de Gama. Quando criança desmontou todos seus brinquedos em menos de vinte e quatro horas depois de ganhá-los. Gamas são sérios, honestos e buscam fazer tudo certinho. Ficam muito aborrecidos quando as coisas não saem como o planejado. Pensam muito antes de agir, mas quando tomam uma decisão, mergulham de cabeça. 61 São ligados a temas como saúde e leis. Sua impaciência pode lavá-los ao stress facilmente. São equilibrados, confiáveis, perspicazes e analíticos. Passam a impressão de ser inteligentes. São intuitivos. Intelectuais, não lhes atraem as atividades de esforço físico. Demonstram ter a vida sob controle. Podem passar a ideia de serem solitários. Não aceitam brincadeiras inoportunas. Adoram segredos, e sabem muito bem guardá-los. Falam pouco, evitam comentários óbvios. São preparados para lidar com a realidade nua e crua. São perseverantes para alcançar seus objetivos. Não gostam de pedir nada aos outros. Os Gama já vem prontos. Não precisam de ninguém para aprender.Aprendem sozinhos, aprendem respirando, sabem onde buscar as informações sobre o que buscam, nunca se apertam. Os Gama nunca ficam sem dinheiro. Sempre tem uma reservinha guardada. Não gostam de emprestar, se preciso eles mentem dizendo que não tem. Os Gama entendem profundamente as regras e as leis. Por isso são ótimos advogados em áreas onde o conhecimento técnico prepondera. Sua praia é o campo técnico. Gostam de matemática e a engenharia. A representação não tem muito valor, o que vale é a realidade. Mesmo que seja dura ou adversa. Sãoexcelentes gestores de dinheiro. Os Gama se tornam ricos se não forem desviados. Ao enriquecerem enriquecem toda a família. Fazem no sistema o upgrade elevando o nível interno desse fluxo. Quando Gama casa com Gama montam um banco. Gama é luz, multiplicação, significado, senso de justiça, foco. Ele tem facilidade para tudo. Sua inteligência o lança para o mundo. Sua posição em relação aos irmãos é independente. Os Gamas são focados. Um Gama na equipe é a certeza que o trabalho chegará ao fim. Nas empresas o Gama deveria ganhar mais. Quando ele está bem consigo mesmo, puxa o sistema para cima apenas com sua presença. 62 A subida da montanha Conta-se uma história que três irmãos resolveram fazer um passeio. O mais velho sugeriu: Vamos subir a montanha mais alta da nossa região. Os outros dois irmãos se entreolharam e aceitaram a ideia. Prepararam as mochilas e partiram. Ao chegar ao pé da montanha viram que era muito alta, mas mesmo assim começaram a subida. Depois de um bom tempo chegaram a uma clareira. A vista era maravilhosa. Tinha flores, um riachinho descendo. O segundo filho falou. Que maravilha, vamos ficar por aqui. Olha quanta beleza, nem lá em cima a vista será tão bonita. O primeiro ficou em dúvida, mas queria continuar. O segundo tirou a mochila e sentou. O terceiro deixou os outros falarem, não se alterou, e quando houve silêncio disse. Viemos para cá para subir a montanha. O topo está nos esperando. E virando as costas para os irmãos, continuou a subida. Assim são os irmãos. O primeiro tem as ideias, monta a expedição e começa. O segundo chega ao meio já se contenta, mas quem chega ao topo é o terceiro. O Alfa tem os pés no chão. O Beta tem a cabeça nas nuvens. O Gama integra chão às nuvens. Todos precisam conviver juntos, só assim são fraternos. Um Gama, precisa ser puxado por uma Alfa, do mesmo modo que um Alfa por um Beta, e um Beta por um Gama, para evoluírem. O Beta evolui o Alfa, O Gama evolui o Beta, O Alfa evolui o Gama. Como num carrossel girando. 63 O sequenciamento e o desdobro O nosso corpo é o encontro em equilíbrio de duas forças básicas da natureza, Yang e Yin. Desde a concepção, é o resultado das forças formadoras da família. O alinhamento dessas forças vai produzir em nós o “campo” Alfa, Beta e Gama, sempre alternando o Yang e Yin. Então temos as polaridades Yang e Yin em ciclos de três, Alfa Beta e Gama fazendo a sequencia de seis possibilidades. Alfa- primeiro filho <1> (1) primeira filha Alfa+ Beta + seguinte <2> (2) seguinte Beta- Gama- seguinte <3> (3) seguinte Gama+ Alfa + seguinte <4> (4) seguinte Alfa- Beta - seguinte <5> (5) seguinte Beta + Gama+ seguinte <6> (6) seguinte Gama- É como um carrossel que sempre continua girando, e recomeça no sétimo novamente. O lugar onde cada filho nasce no posicionamento, se define o seu “campo”, capta um plano vibracional diferente, faz conexões ancestrais diferentes, imprime atributos, prioridades e valores diferentes. Diferentes dos outros irmãos, mas comuns no sequenciamento de todas as famílias. Para estudarmos o “campo” no corpo, veremos várias vertentes de informações, desde a milenar medicina chinesa, até o que há de mais recente em termos de Leitura Corporal. O campo no corpo O nosso corpo abriga diversos planos energéticos e vibracionais, por onde captamos e desdobramos o conteúdo da família. O conjunto desses planos integra o que somos, biologicamente, mentalmente e psiquicamente. São a base, a matrix, de onde operamos. Por suas linhas de força podemos acompanhar os veios de significado e informações de nosso 64 sistema, que podem ser lidos e traduzidas, de forma a gerar saúde, bem estar, autoentendimento e consciência. Existem muitas leituras desses campos. Aqui vamos ver como eles estão relacionados com os casais que nos formaram, o casal dos nossos pais, dois casais de avós e quatro casais de bisavós, que compõe a árvore da vida, ou em outra representação, como um funil de chegada para a nossa existência. Ou escrito também assim ppp mpp pmp mmp ppm mpm pmm mmm <4> (3) <6> (5) <5> (6) <3> (4) pp mp pm mm <2> (1) <1> (2) <p> (m) Onde : <p> pai avôs <pm> avô, pai da mãe <1> <pp> avô, pai do pai <2> <pmm>bisavô pai da mãe da mãe <3> <ppp>bisavô pai do pai do pai <4> <ppm> bisavô pai do pai da mãe <5> <pmp> bisavô pai da mãe do pai <6> (m) mãe avós (mp) avó mãe do pai (1) (mm) avó mãe da mãe (2) (mpp) bisavó mãe do pai do pai (3) (mmm) bisavó mãe da mãe da mãe (4) (mpp) bisavó mãe do pai do pai (5) (mpm) bisavó mãe do pai da mãe (6) Observe e identifique que são casais. 65 <1> (2) são os avós pais da mãe <2> (1) são os avós pais do pai <3> (4) são os bisavós pais da avó materna <4> (3) são os bisavós pais do avô paterno <5> (6) são os bisavós pais do avô materno <6> (5) são os bisavós pais da avó paterna Cada casal atua num determinado aspecto. Abre o “campo” e o formata. A imagem refletida das montanhas no lago é inspiradora para ver o desdobramento, o movimento replicador de conteúdo que vamos estudar. Os pais são a linha d’água, os filhos são imagens reflexas, rebatidas e replicadas das imagens de seus avós e bisavós. bia Nós e nossos pais somos muitíssimos próximos entre nós, somos metade de cada um deles, por isso não temos distância suficiente para ver suas características em nós. Somos quase eles. Eles são a beira do lago. Os nossos avós e bisavós são as montanhas e as nuvens do céu. O conteúdo desses seis casais se replica, se reflete no lago, em nós, nossos filhos e netos. Quando as águas de nossos pais estão tranquilas, então vemos com nitidez. Os pais Acompanhamos um caso de uma criança que era problema na escola. Para tudo que a professora falava ela dizia “é mentira”. A certa altura a professora resolveu chamar uma terapeuta sistêmica para ajudar. Esta, inteirando-se dos sintomas, chamou a mãe para 66 conversar. Perguntou. Qual a mentira na vida dela? Foi quando a mãe disse que a menina é sua filha natural, mas o pai biológico foi o doador anônimo de um banco de sêmem. “Ela sabe disso ? Perguntou a terapeuta. Não, respondeu a mãe, nem sei como e se devo contar. Ela está pedindo a sua verdade, tudo mais para ela, ela chama de mentira. A terapeuta conversou com a menina e contou sua verdade, “seu nome”,o que despertou de imediato a vontade dela de conhecer o pai. A terapeuta disse para a menina que na sessão seguinte ela veria o pai. Assim a menina sossegou. No próximo encontro, a menina chegou radiante de curiosidade. Foi levada a frente de uma cortina, e então a terapeuta disse: “Aqui atrás, você vai ver seu pai”. Puxou a cortina, e tinha ali um espelho. Então disse para a menina. Metade do que você está vendo, é seu pai. bia Os ancestrais no corpo Na milenar medicina chinesa o corpo é o encontro em equilíbrio das duas energias Yang e Yin, a do pai e a da mãe, a do lado masculino da família, e a do lado feminino. As lateralidades se invertem ao nascer. Da concepção até o nascimento, temos o lado Yang, do pai, na parte direita do corpo, e o lado da mãe, Yin, no lado esquerdo. Doenças congênitas e deformações ainda no útero da mãe seguem essa disposição. Uma marca ou doença nolado direito da criança na gravidez até a hora no parto, é referida ao pai. Já uma marca ou doença no mesmo lado direito adquirida após o parto, é referida à mãe. 67 Na hora do nascimento ocorre curiosamente, misteriosamente essa inversão. A mudança do mundo aquático para o mundo aeróbico é um choque muito grande. A mudança de estar conectado visceralmente à mãe e em alguns segundos ser apartado dela, também. Vários elementos marcam essa passagem, produzindo essa inversão, nesse momento tão especial que precisamos entender muito mais, o nascimento. No momento do nascimento o PH da mãe é igual ao PH do bebê. A hora certa do bebê nascer é quando chega essa equivalência. A equivalência é como uma porta que se abre, um “campo” que se cruza, para a migração de sistema. Vamos ver isso novamente quando abordarmos a outra migração que faremos na partida, na passagem para o outro lado. O bom amigo Marcos Fantini, de Belo Horizonte, queria sempre escrever comigo um livro sobre a essa chegada: “morremos ao nascer, morremos como seres das águas para sermos do ar”, dizia ele. Agora foi ele que passou para o outro lado, deixando-nos no “campo” das saudades. Na medicina chinesa o corpo é dividido em áreas Yang e áreas Yin. Campo da Mãe Campo do Pai Emocional Lógico mental Cuidar Prover Qualidade Quantidade Reconhecimento Justiça Afetivo sexual Sexual afetivo Yin Yang 68 Yang ( +) (-) Yin Costas pai (p) (+) mãe (m) (-) Frente Lado direito pai (p) (+) mãe (m) (-) Lado esquerdo Lado superior pai (p) (+) mãe (m) (-) Lado inferior Perna direita m do pai (- +) m da mãe (- -) Perna esquerda Braço direito p do pai (+ +) p da mãe (+ -) Braço esquerdo Coxa direita pmp (+ - +) pmm (+ - -) Coxa esquerda Ombro direito mpp (- + +) mpm (- + -) Ombro esquerdo Mão direita ppp (+ + +) ppm ( + + -) Mão esquerda Pé direito mmp (- - + ) mmm (- - -) Pé esquerdo Visualize essa figura no quadro abaixo e se acostume com esses endereços de nossos ancestrais no nosso corpo. Começamos ver seu lado invisível,o das conexões formadoras, responsável pelo desdobramento e desencadeamento da vida. 69 Campo dos pais Herdamos de nossos pais o eixo da vida. Somos sua extensão. Na medicina chinesa existem quatorze meridianos. Dois meridianos centrais, Yang e Yin, pai e mãe. E mais doze meridianos em seis pares simetricamente lateralizados, posicionando os seis casais de meridianos, os seis casais de avós, que recebem e passam a energia vital, transformando-a e elevando-a para o próximo nível. Somos essa mesma configuração. Nossos pais são esse par e casal central, como o eixo, onde se equilibra a força vital, e conecta com os doze avós e bisavós, em seis pares de casais simetricamente lateralizados, que nos formam. O casal de meridianos de nossos pais não tem lateralidade, são centrais, acompanham a nossa espinha, um pelo lado anterior Yin, outro pelo lado posterior, Yang. Meridiano Vaso Governador Governa a energia Yang Pai Vertical Eixo pelo dorso Segue a coluna Do períneo ao nariz Tem 28 pontos de acupuntura Meridiano de Vaso Concepção Liga todos meridianos Yin Mãe Vertical Eixo pela frente Do púbis ao céu da boca Tem 24 pontos de acupuntura 70 Essa forçaa se equilibra em movimento dinâmico, girando , subindo e descendo no ritmo de nossa respiração. Na respiração, inspiramos pelo meridiano do pai, pelas costas, a energia sobe. Expiramos pelo meridiano da mãe, pela frente, a energia desce e circula. Pai e mãe nos deram a vida e conti- nuam a nos dar vida a cada nova respiração. Pai e mãe são centrais. Estão juntos em nós no céu da boca. São o eixo da vida Dos pais puxamos tudo o que não tem lateralidade. Da energia sexual à capacidade de falar, que são centrais. A energia de caráter, predominantemente Yang, do pai. A energia de abrangência, predominantemente Yin, da mãe. No eixo estão as medidas. A palavra medida vem do radical MÄ ( fala-se mum) em sânscrito que significa mãe. Mãe, medida, meditação, medicina, vem desse mesmo radical. Até mesmo feminino e lua (moon). Pai é Pit. Fala-se piih. Advém dos sons da criança, mamando e respirando, Mum e Piih, para dentro e para fora. Quem mede é a mãe. É o feminino. Mätr. O campo da mãe, o lado direito, depois será o campo da empresa, no trabalho. O sucesso do nosso trabalho, nas empresas e na vida, está sempre associado ao sorriso de nossa mãe. A medida da mãe não é igual à medida do pai. A contabilidade é a medida do pai. Dos números. A medida da mãe é a das vibrações. Quando precisamos ”tomar uma medida”, isso significa que precisamos “vibrar” como nossa mãe. 71 Entendendo o corpo de nova maneira A mentalidade ocidental entende o corpo como um complexo de órgãos e funções integrados que nos mantém vivo, mais ou menos como uma empresa, onde tudo tem que dar certo. A doença é um mal isolado que deve ser eliminado. No oriente, o corpo é o veículo da vida, e a vida é um caminho, um processo. Tudo que acontece é para apontar melhor esse caminho da vida, então as doenças são bem vindas, pois são como professoras que nos ajudam a dar o passo certo. Podemos especular que cada região do corpo, cada órgão e função corresponde a um casal ancestral por onde chegam as mensagens do conteúdo familiar para serem processadas e assim podemos - Seis casais de meridianos - Seis lateralidades - Seis linhas de força - Seis campos energéticos - Seis casais ancestrais 72 seguir nosso caminho. Aqui os seis pares de meridianos colaterais. Os avós no nosso corpo Vamos subir a árvore da vida, vendo a conexão de nossos avós e bisavós. Vamos chamá-los apenas de avós, assim eles ficam mais próximos. Podemos fazer uma correlação entre os seis casais dos sistemas meridianos com os nossos seis casais de avós. Local de origem dos meridianos Pericárdio–Triplo aquecedor <5>(6) bisavós pais do pai da mãe Fígado – Vesícula <6>(5) bisavós pais da mãe do pai Coração – Intestino delgado <3>(4) bisavós pais da mãe da mãe Baço - Pâncreas <4>(3) bisavós pais do pai do pai Rins - Bexiga <1>(2) avós pais da mãe Pulmão - Intestino grosso <2>(1) avós pais do pai Observe que há uma sequencia de avós. Essas mulheres fazem a medida, a leitura de nosso corpo. Essas nossas seis avós fazem a sequencia dos “ centros de força”, ou chácras: (6) Pineal - Pituitária) bisavó mãe do pai da mãe (5) Tireóides - Paratireóides bisavó mãe da mãe do pai (4) Coração – Timo bisavó mãe da mãe da mãe (3) Fígado - Baço bisavó mãe do pai do pai (2) Suprarrenais avó mãe da mãe (1) Gônadas (testículos-ovários) avó mãe do pai 73 Alex Grey Representados nessa imagem de Alex Grey, do livro Sacred Mirrors, vemos os sistemas dos meridianos, os seis centros de força, o “endereço” de cada uma das nossas seis avós no nosso corpo. Nossos avôs, os esposos delas estão também no mesmo Centro de força, discretamente, apenas dando seu contorno. Quem entende do corpo, são as mulheres. (1) (2) (3) (5) (4) (6) 74 Cada um dos seis avós e avôs em sua sequencia corresponde ao campo sequenciado do nascimento dos filhos. <4 > - (3) <6> - (5) <5> - (6) <3> - (4) <ppp> (mpp) <pmp> (mmp) <ppm > (mpm) <pmm> (mmm) <2 > - (1) <1 > - (2) <pp > (mp) <pm > (mm) <p>(m) <6> <5> <4> <3> <2> <1> (1) (2) (3) (4) (5) (6) Nossa avó (1) mp , mãe de nosso pai está presente em nosso corpo no centro (1) nosso aparelho reprodutivo. Nossa avó (2) mm, mãe de nossa mãe, no centro (2) no nível dos nossos rins. A “avó” (3) mpp, na verdade é bisavó, mas para não nos sentirmos longe vamos chamá-la apenas de avó (3) a mãe de nosso avô paterno está no nível no fígado e baço. Nossa “avó” (4) mmm, a mãe de nossa avó materna, está no nível do coração e timo. A “avó” (5) mmp, mãe de nossa avó paterna está no nível das tireóides e paratireoides. E a “avó” (6) mpm, mãe de nosso avô materno está no nível da hipófise e pituitária. Nossas “avós” impares, um, três e cinco, são da família de nosso pai, e as pares, dois, quatro e seis da família de nossa mãe. Sistemicamente as “avós” um, três, cinco: gônadas, fígado - baço, tireóide fazem o caminho Yang, fazem o caminho masculino no nosso corpo, o trabalho duro, cuidando da reprodução, digestão e defesa do corpo. As “avós” dois, quatro e seis, fazem o caminho Yin, fazem o caminho das águas, o caminho feminino, light, rins, coração e pituitária. Identidade, afeto e luz. Quase a totalidade das doenças físicas tem origem psíquica, emocional. Muitos livros descrevem isso. Todas as doenças tem ligação a um centro de força, e podem ser consequência, refletir diretamente a “lição de casa” que temos que fazer no “campo” de conteúdo de uma determinada avó ou avô. A saúde no centro vital é consequência da paz e harmonia de conteúdo emocional com avó e avô correspondentes a esse centro. 75 Toda primeira filha (1) é ligada à avó mãe do pai (1). E todo primeiro filho<1> é ligado ao avô pai da mãe<1>. Dos segundos filhos em diante eles seguem na sequencia iniciada pelo irmão ou irmã que nasceu antes; é a conexão física. Avô Avó Alfa- primeiro filho <1> (1) primeira filha Alfa+ Beta + o seguinte <2> (2) o seguinte Beta- Gama- o seguinte <3> (3) o seguinte Gama+ Alfa + o seguinte <4> (4) o seguinte Alfa- Beta - o seguinte <5> (5) o seguinte Beta + Gama+ o seguinte <6> (6) o seguinte Gama- Familiarize-se com os casais ancestrais na tabela abaixo. <p> pai (m) mãe <1> <pm> pai da mãe (2) (mm) mãe da mãe <2> <pp> pai do pai (1) (mp) mãe do pai <3> <pmm> pai da mãe da mãe (4) (mmm) mãe da mãe da mãe <4> <ppp> pai do pai do pai (3) (mpp) mãe do pai do pai <5> <ppm> pai do pai da mãe (6) (mpm) mãe do pai da mãe <6> <pmp> pai da mãe do pai (5) (mmp) mãe da mãe do pai Seis casais, que viveram uma história de vida, de amor, de alegrias, de superação de dificuldades. Viveram uma vida geradora de vida, da qual viemos. Essas doze figuras, constituem o que poderíamos chamar de zodíaco familiar do qual todos fazemos parte, e se refletirá de muitas maneiras na nossa vida. Cada avô e bisavô recebe um número sequencial de <1> a <6>, sempre entre colchetes, e cada avó e bisavós de (1) a (6), entre parêntesis. Então teremos a seguinte estrutura, apresentado em dois diagramas iguais, apenas com algumas diferentes repre- sentações gráficas. Faça um diagrama seu, coloque o nome de seus a avôs e avós, mesmo se não souber o nome, identifique-os do seu jeito. Use o diagrama da página anterior. 76 Somos o produto da montagem de duas dimensões básicas, Yang e Yin, pelos seis casais ancestrais.. A sequencia Yang pelos nossos “avôs’. A sequencia Yin pelas nossas “avós”, pelos sistemas e órgãos funcionais. Atuação nos seis sistemas Yang e Yin de nosso corpo: Yang Avô Avó Yin Pmp <6> Glandular Nervoso (6) mpm PPM <5> Linfático Metabólico (5) mmp Ppp <4> Circulatório Excretor (4) mmm Pmm <3> Muscular Digestivo (3) mpp PP <2> Sanguíneo Urinário (2) mm Pm <1> Ósseo Respiratório (1) mp (se precisar utilize a tabela ao lado para os códigos m e p) Atuação nos seis órgãos funcionais Yang Avô Avó Yin Pmp <6> Cérebro Pele (6) mpm PPM <5> Baço Laringe (5) mmp Ppp <4> Coração Coração (4) mmm Pmm <3> Fígado Estomago (3) mpp PP <2> Rins Sangue (2) Mm PM <1> Útero Pulmão (1) MP (se precisar utilize a tabela ao lado para os códigos m e p) Como vimos, no “campo” físico somos conectados especificamente a um casal ancestral, isto é um casal de avós ou de bisavós, de acordo com a nossa ordem de nascimento dos irmãos. O “campo” físico é o primeiro “campo” de onde se materializa a vida, a partir dele é que são desenvolvidos os outros. Ele “puxa” uma sequencia de aspectos, a partir de um casal ancestral específico, seguindo a mesma seqüência na nossa ordem de nascimento. Vamos aos poucos entendendo a mecânica constitutiva da vida no nosso campo físico, mental e emocional, como estão conectados aos nossos avós e bisavós seguindo a seqüência do posicionamento como filhos. 77 Seqüência de filhos com conexão com casal ancestral físico Após menina Alfa Beta Gama (1) (Alfa+) <2>(1) avós pais do pai (2) (Beta-) <1>(2) avós pais da mãe (3) (Gama+) <4>(3) bisavós pais do pai do pai (4) (Alfa-) <3>(4) bisavós pais da mãe da mãe (5) (Beta+) <6>(5) bisavós pais da mãe do pai (6) (Gama-) <5>(6) bisavós pais do pai da mãe Seqüência de filhos com conexão com casal ancestral físico Após menino Alfa Beta Gama <1> (Alfa-) <1>(2) avós pais da mãe <2> (Beta+) <2>(1) avós pais do pai <3> (Gama-) <3>(4) bisavós pais da mãe da mãe <4> (Alfa+) <4>(3) bisavós pais do pai do pai <5>) (Beta-) <5>(6) bisavós pais do pai da mãe <6> (Gama+) <6>(5) bisavós pais da mãe do pai Então a nossa identidade vital, nossa conexão mais forte, como o gosto que a vida tem, será feita com esse casal ancestral , e deles com o que tiver o mesmo sexo que o nosso, será nosso ancestral físico, o que é equivalente a dizer que ocupará a posição do sol no nosso zodíaco familiar. Então temos : Seqüência de filhos com conexão com ancestral físico Após menina Alfa Beta Gama (1) (Alfa+) (1)mp avó mãe do pai (2) (Beta-) (2)mm avó mãe da mãe (3) (Gama+) (3)mpp bisavó mãe do pai do pai (4) (Alfa-) (4)mmm bisavó mãe da mãe da mãe (5) (Beta+) (5)mmp bisavó mãe da mãe do pai (6) (Gama-) (6)mpm bisavó mãe do pai da mãe 78 Seqüência de filhos com conexão com ancestral físico Após menino Alfa Beta Gama <1> (Alfa-) <1>pm avô pai da mãe <2> (Beta+) <2>pp avô pai do pai <3> (Gama-) <3>pmm bisavô pai da mãe da mãe <4> (Alfa+) <4>ppp bisavô pai do pai do pai <5> (Beta-) <5>ppm bisavô pai do pai da mãe <6> (Gama+) <6>pmp bisavô pai da mãe do pai São mais que afinidades essas conexões de vida. O que vinha sendo escrito na vida desses avós e bisavós de conexão vital, continua sendo escrito na vida dos filhos, seguindo essa ordem. Uma primeira filha (1) Alfa +, conectada com a avó mãe do pai (1), se beneficiará de todo trabalho que esta avó tiver realizado, facilitando a tarefa da netinha, como um bônus. Ou se essa avó tiver deixado muita “lição de casa” no sistema, do mesmo modo, a netinha (1) receberá isso, porém em forma de ônus. Um segundo filho menino, nascido depois de menina, será um irmão (2) na seqüência, um Beta -, estará conectado com a avó mãe da mãe (2). Ele avançará mais rápido onde esta avó já avançou, porém derrapará também nas áreas onde essa avó derrapou. E assim também com os outros irmãos. Isso não quer dizer que não será conectado às outras avós e avôs, mas que com esses por semelhança tem o mesmo diapasão vibracional. Outro exemplo, um menino primeiro filho <1> Alfa -, conectado com seu avô pai da mãe <1>, poderá ter interesses semelhantes aos dele, escolher uma profissão na mesma área da desse avô. Uma criança quenascer depois desse menino, uma menina, por exemplo, será uma menina <2> conectada ao pai do pai <2> , mais do que afinidades ela terá desse avô o mesmo gosto da vida, pode repetir seu destino, pode repetir doenças, pode repetir seu sofrimento e alegrias, seguirá vivendo sua saga. Mais do que conexão, esses vínculos e ligações revelam as estruturas da vida, passamos a enxergar a continuidade invisível, 79 por marcas e vestígios. O que tem passado despercebido, agora pode ser visto, pelo desdobramento dessa Imensa Vida. A formação de um ser é um processo complexo, que agora começa a ser mapeado, juntando física quântica e ferramentas sistêmicas. Terceiro filho depois de menina, um filho (3) Gama+, seguirá no fluxo continuado de sua avó (3). O (4) Alfa-, da avó (4). E assim por diante. A formatação Mental Vimos a formatação física, agora vamos continuar a montar a árvore ancestral, visualizando o campo mental. O primeiro grande conceito desenvolvido por Sigmund Freud foi o de Inconsciente. Seu pensamento teórico assume que não há nenhuma descontinuidade na vida mental. Nada ocorre por acaso. Há uma causa para cada pensamento, para cada memória revivida, sentimento ou ação. Cada evento é causado pela intenção consciente ou inconsciente e é determinado pelos fatos que o precederam ainda nos pais e ancestrais, no que chamou de determinismo psíquico. Uma vez que alguns eventos mentais "pareceram" ocorrer espontaneamente, Freud começou a procurar e descrever os elos ocultos que ligavam um evento consciente a outro. Quando um pensamento ou sentimento parece não estar relacionado aos pensamentos e sentimentos que o precederam, as conexões estão no inconsciente. Quando estes elos invisíveis são descobertos, a aparente descontinuidade está resolvida. O cérebro racional, o neo córtex, racional, tem seis camadas conectadas aos seis avôs: Molecular superficial <6> pmp Granular externa <5> ppm Molecular piramidal externa <4> ppp Granular interna <3> pmm Ganglionar piramidal interna <2> pp Multiforme <1> pm 80 Considerando o conceito atual de das inteligências múltiplas, podemos identificar seis tipos de inteligências, que acompanham três tipos de vibração. São elas : vibração Cada vibração juntando elementos teóricos da neurologia e da psicologia cognitiva. Os testes de Q.I são incipientes para a medição da inteligência, são restritos em sua abrangência e focam somente o conhecimento linguístico e lógico-matemático. Eles têm a mesma cara da cultura ocidental, com seu viés próprio, que não está dando conta da missão de levar uma vida digna para os bilhões de seres humanos que somos. Para realizar as grandes mudanças que precisamos fazer como indivíduos e como espécie humana, precisamos bem mais do que mentes brilhantes, precisamos de inteligência emocional. Nossa estrutura mental está ligada a outros dos seis casais ancestrais que vem desdobrando o nosso “campo”assim: Sequencia de filhos com conexão com casal ancestral mental Após menina Alfa Beta Gama (1) (Alfa+) <3>(4) bisavós pais da mãe da mãe (2) (Beta-) <4>(3) bisavós pais do pai do pai (3) (Gama+) <5>(6) bisavós pais do pai da mãe (4) (Alfa-) <6>(5) bisavós pais da mãe do pai (5) (Beta+) <1>(2) avós pais da mãe (6) (Gama-) <2>(1) avós pais do pai A inteligência lingüística Alfa A inteligência musical Beta A inteligência lógico-matemática Gama A inteligência a espacial Alfa A inteligência corporal-cinestésica Beta A inteligência Intrapessoal e interpessoal Gama 81 Seqüência de filhos com conexão com casal ancestral mental Após menino Alfa Beta Gama <1> (Alfa-) <4>(3) bisavós pais do pai do pai <2> (Beta+) <3>(4) bisavós pais da mãe da mãe <3> (Gama-) <6>(5) bisavós pais da mãe do pai <4> (Alfa+) <5>(6) bisavós pais do pai da mãe <5> (Beta-) <2>(1) avós pais do pai <6> (Gama+) <1>(2) avós pais da mãe Todos nossos ancestrais fazem conexão mental conosco, formatam nosso “campo”mental. Porém é desse casal ancestral que prepondera o ancestral de mesmo sexo que o nosso, que é mais forte e ganha o apelido de ancestral mental, assim : Seqüência de filhos com conexão com o ancestral mental Após menina Alfa Beta Gama (1) (Alfa+) <3>pmm bisavô pai da mãe da mãe (2) (Beta-) <4>ppp bisavô pai do pai do pai (3) (Gama+) <5>ppm bisavô pai do pai da mãe (4) (Alfa-) <6>pmp bisavô pai da mãe do pai (5) (Beta+) <1>pm avô pai da mãe (6) (Gama-) <2>pp avô pai do pai Seqüência de filhos com conexão ancestral mental Após menino Alfa Beta Gama <1> (Alfa-) (3) mpp bisavó mãe do pai do pai <2> (Beta+) (4)mmm bisavó mãe da mãe da mãe <3> (Gama-) (5)mmp bisavó mãe da mãe do pai <4> (Alfa+) (6)mpm bisavó mãe do pai da mãe <5> (Beta-) (1)mp avó mãe do pai <6> (Gama+) (2)mm avó mãe da mãe Nosso ancestral mental é preponderante no nosso entendimento das coisas, e na maneira como vemos o mundo. 82 A formatação emocional Mas de onde vem o perigo, cresce o que salva também Hölderlin Tudo que existe em nós e ao nosso redor, foi atraído por nós. Se somos infelizes, temos angústia, complexo de inferioridade, pena dos outros, não sabemos dizer não, se temos muitas vezes ódio, rancor, medo, não possuímos capacidade de adquirir riqueza, ou se somos doentes independente de nossa vontade. Tudo isto é reflexo de emoções programadas que estão em nosso inconsciente, estão no nosso sistema e aqui está sua mola mestra. Estudando a estrutura do inconsciente coletivo, Carl Jung juntou a dimensão familiar, no que pode-se chamar de inconsciente familiar. Somos expostos a todo conteúdo familiar, nele levamos como que um choque, que nos paralisa, que tira nossos movimentos. É ele que nos move, nos deixa operando no automático, seguindo seus drivers sociais, circunstanciais e situacionais, e desse modo imergimos no caldo grosso familiar não resolvido. Podemos ficar nele por toda existência, ou podemos mudar isso. Para tanto precisamos entender a dinâmica de como esse conteúdo emocional aflora na nossa árvore familiar, ver seu padrão e posicionamento seqüencial, nos prendendo a seu destino. Vejamos as nossas conexões com o casal ancestral formatador emocional, de onde começa a ser puxado esse conteúdo emocional. Seqüência dos filhos e conexão com casal ancestral emocional Após menina Alfa Beta Gama (1) (Alfa+) <6>(5) bisavós pais da mãe do pai (2) (Beta-) <5>(6) bisavós pais do pai da mãe (3) (Gama+) <2>(1) avós pais do pai (4) (Alfa -) <1>(2) avós pais da mãe (5) (Beta+) <4>(3) bisavós pais do pai do pai (6) (Gama-) <3>(4) bisavós pais da mãe da mãe 83 Seqüência dos filhos e conexão com casal ancestral emocional Após menino Alfa Beta Gama <1> (Alfa -) <5>(6) bisavós pais do pai da mãe <2> (Beta+) <6>(5) bisavós pais da mãe do pai <3> (Gama-) <1>(2) avós pais da mãe <4> (Alfa +) <2>(1) avós pais do pai <5> (Beta-) <3>(4) bisavós pais da mãe da mãe <6> (Gama+) <4>(3) bisavós pais do pai do pai Seqüência dos filhos e conexão com o ancestral emocional Após menina Alfa Beta Gama (1) (Alfa+) (5)mmp bisavó mãe da mãe do pai (2) (Beta-) (6)mpm bisavó mãe do pai da mãe (3) (Gama+) (1)mp avó mãe do pai (4) (Alfa-) (2)mm avó mãe da mãe (5) (Beta+) (3)mpp bisavó mãe do pai do pai (6) (Gama-) (4)mmm bisavó mãe da mãe da mãe Seqüência dos filhos e conexão com o ancestral emocional Após meninoAlfa Beta Gama <1> (Alfa-) <5>ppm bisavô pai do pai da mãe <2> (Beta+) <6>pmp bisavô pai da mãe do pai <3> (Gama-) <1>pm avô pai da mãe <4> (Alfa+) <2>pp avô pai do pai <5> (Beta-) <3>pmm bisavô pai da mãe da mãe <6>(Gama+) <4>ppp bisavô pai do pai do pai O “campo” físico é a primeira onda da vida. O “campo“ mental vem em seguida e o abre. O “campo” emocional abre mais e conecta ao mundo. São como ondas que se mesclam na superfície de um lago. O mental expande o do físico. O emocional expande o mental, e todos juntos formam o movimento da vida. No diapasão com o nosso posicionamento de filhos no nosso sistema, na árvore da família. 84 Quadro resumido <4 > - (3) <6> - (5) <5> - (6) <3> - (4) <ppp> (mpp) <pmp> (mmp) <ppm > (mpm) <pmm> (mmm) <2 > - (1) <1 > - (2) <pp > (mp) <pm > (mm) <p> (m) <6> <5> <4> <3> <2> <1> (1) (2) (3) (4) (5) (6) Onde temos os casais ancestrais Emocional Mental Físico Ordem de Nascimento Físico Mental Emocional <5>(6) <4>(3) <1>(2) <1> (1) <2>(1) <3>(4) <6>(5) <6>(5) <3>(4) <2>(1) <2> (2) <1>(2) <4>(3) <5>(6) <1>(2) <6>(5) <3>(4) <3> (3) <4>(3) <5>(6) <2>(1) <2>(1) <5>(6) <4>(3) <4 > (4) <3>(4) <6>(5) <1>(2) <3>(4) <2>(1) <5>(6) <5> (5) <6>(5) <1>(2) <4>(3) <4>(3) <1>(2) <6>(5) <6> (6) <5>(6) <2>(1) <3>(4) São seis níveis, seis dimensões conectadas como os nossos seis avôs ou as seis avós. A espécie humana é resultado da vontade de duas lateralidades em seis níveis. Seis centros de força. Dualidades, pai e mãe, masculino e feminino, direito e esquerdo, Yang e Yin, convergindo para um inteiro. A lateralidade física tem conexão com a lateralidade energética, pai e mãe. A formatação mental tem sua seqüência, a emocional outra ainda. Cada filho em seu posicionamento abre uma estrutura própria, onde por ressonância recebe o conteúdo da família. Toma-o como seu. Entendendo vê que é de todos. Ressignificando ele se torna leve. A vida não são essas duas ou três gerações. São milhões de anos condensados nos nosso corpo. Fizemos pela ciência uma leitura desse corpo, mental e emocional. Mas o quadro apresentado é como uma pintura rupestre dessa realidade. 85 Cruza e avança ( sobre o eixo imaginário do gênero ) Existem mais leituras que podemos fazer no posicionamento a partir de um eixo do gênero, passando pelo centro imaginário entre pai e mãe, masculino e feminino, que segue pela família do pai e da mãe, e dos filhos nascidos depois da primeira irmã e dos filhos nascidos depois do primeiro irmão. Formando o quadro a seguir: <4 > - (3) <6> - (5) <5> - (6) <3> - (4) <ppp> (mpp) <pmp> (mmp) <ppm > (mpm) <pmm> (mmm) <2 > - (1) <1 > - (2) <pp > (mp) <pm > (mm) <p> (m) <6> <5> <4> <3> <2> <1> (1) (2) (3) (4) (5) (6) A C A C A C C A C A C A C C A A A C C A A A C C C A A C C A A C Onde C = cruza e A = avança Cruza, Cruza, CC como no primeiro filho, <1> Alfa - , é quando um menino está conectado ao pai da mãe, e tem que cruzar duas vezes o eixo imaginário do gênero, uma para sua mãe, masculino- feminino, outra da sua mãe ao pai dela, feminino-masculino. Avança, Avança, AA como nos segundos filhos, (2) e <2>, pois seu de seu lugar de chegada não precisam cruzar nenhum vez esse eixo do gênero, para se conectar com seu ancestral físico (2) ou <2>. C A dos terceiros filhos, (3) e <3>, pois Cruza e Avança esse eixo. A C como nos sextos, (6) e <6>, onde Avançam e Cruzam. 86 Então podemos ver a complementação que ocorre entre os irmãos : quartos e primeiros ( Alfa - Alfa+) quintos e segundos ( Beta + Beta -) sextos e terceiros ( Gama - Alfa+) Isso produz os aspectos abaixo na sequencia após primeiro menino: Alfa - menino <1> CC Alfa+ criança <4> AA Físico franzino Físico forte Tipo mental Tipo emocional Beta+ criança <2> AA Beta- criança<5> CC Físico forte Físico franzino Tipo emocional Tipo mental Gama - criança <3> CA Gama+criança<6> AC Físico franzino Físico forte Tipo mental Tipo emocional E na sequencia após primeira menina: Alfa + menina (1) CC Alfa - criança (4) AA Físico forte Físico franzino Tipo mental Tipo emocional Beta - criança (2) AA Beta + criança(5) CC Físico franzino Físico forte Tipo emocional Tipo mental Gama + criança (3) CA Gama - criança(6) AC Físico forte Físico franzino Tipo mental Tipo emocional Aos poucos vamos montando a grande equação matemática do desdobramento da vida, da replicação. Tudo vai se encaixando numa estrutura, onde se pode ver com novos olhos. 87 Uma estrutura que pode ser observada a partir do íntimo de quem observa, com o observador incluído, como apregoa a física quântica. A matriz Alfa, Beta e Gama, é como um compasso de valsa que a seu ritmo faz dançar tudo ao nosso redor. São os blocos com os quais é constituída a vida. Filhos únicos são Alfas, mas com a não chegada dos irmãos, ele carrega potencialmente os que poderiam chegar. O Beta seu potencial decorrente fica um pouco neles. O Gama que decorreria do Beta, um pouquinho ainda menos. Entendendo as conexões Vimos que o “campo” de nossa avó (1) mãe do pai, no nosso corpo são as gônadas. Para mulheres os ovários, para os homens os testículos. Esse é o campo Alfa. Desse “campo” emana liderança, iniciativa e determinação. Vimos que também é Alfa, o campo do coração, regido pela nossa avó (4) mãe da mãe da mãe. Desse campo emana ritmo, entrega e paixão. Então há uma complementaridade, uma integração a ser feita no nosso “campo” Alfa no corpo. “Campo” Alfa Mãe do pai Mãe da mãe da mãe Complementaridade Avó (1) Avó (4) Campo integrado Gônadas Coração Meridianos 4 e 1 Sexo Amor Sexo integrado ao amor Entrar na vida Entrar no emocional Entrar no cosmos 88 Da mesma maneira vimos o “campo“ Beta regido pela nossa avó (2), mãe da mãe. Desse campo emana identidade, criatividade, aperfeiçoamento. Vimos que é também “campo” Beta, o domínio de nossa avó (5) mãe da mãe do pai, o campo da tireóides. De onde emana defesa imunológica, sensibilidade. Então aqui, há novamente uma complementaridade. “ Campo” Beta Mãe da mãe Mãe da mãe do pai Complementaridade Avó (2) Avó (5) Campo integrado Suprarrenal Tireóides Meridianos 5 – 2 Criatividade Sensibilidade Liberdade criadora Identidade do ser Identidade do sistema Identidade cósmica E no “campo” Gama também. Da avó (3), do domínio do fígado e baço, emana “ordem na casa”, atenção aos detalhes. É também Gama é a nossa avó (6) que rege a Hipófise e Pituitária. Esta controla a pele e a luz interna, o quanto de luz nossa vai em tudo que fazemos. Então temos : Campo “Gama” Mãe do pai do pai Mãe do pai da mãe Complementaridade Avó (3) Avó (6) Campo integrado Fígado - baço Hipófise pituitária Meridianos 6 -3Luz no corpo Luz na mente Iluminar Micro Macro Universal Na física quântica Na física quântica, aprendemos que a luz se comporta ora como onda, ora como partícula. Aprendemos que o estado de consciência e observação interfere na forma como ela se apresenta. Entendemos que antes de se manifestar, a luz envia uma onda invisível, abrindo o campo, e dependendo do que essa onda encontra, a luz se manifesta ou de um jeito ou de outro, onda ou partícula, o que for mais adequado à realidade. 89 Da mesma forma, todo evento é equivalente à luz. Antes de cada coisa acontecer, vem uma onda e “sente” o quanto de observação e consciência está disponível ali, e “puxa” o evento de forma a combinar a melhor forma com o que existe. Cada criança que chega ao mundo é a realização da melhor combinação disponível para aquele sistema. As ondas que antecedem os eventos vêm sendo emitidas pelos pais, avós e bisavós. Eles geram o campo, por onde se incorpora o evento. Essas ondas emanam dos “campos”. Uma primeira criança faz uma varredura da onda Alfa, e vem ao mundo. A segunda, da onda Beta; a terceira da onda Gama, em movimento circular cíclico, que não retorna ao ponto de partida, mas num ponto acima, sempre avançando, como em um movimento helicoidal, semelhante ao hélix do DNA. O que define o sexo das crianças é a leitura do campo Yang e Yin do sistema. Vem a onda, lê o conteúdo, e abre o melhor arranjo para aquela realidade. Do mesmo modo o que define os talentos e qualidades pessoais também, vem a onda, mede a observação e a consciência do sistema e abre a melhor possibilidade para o sistema. Antes da nossa concepção veio a onda, scaneou o sistema, e movida pelas forças de extremo bem, conjugou o melhor arranjo, através da música que compôs em nosso DNA. Doze timbres musicais. Doze avós. Yang e Yin se compõem, numa resultante. Alfa, Beta e Gama, também 90 Como as seis avós, Estão presentes e integradas em nosso corpo. Imagem do livro Sacred Mirrors The Visionary Art of Alex Grey Evolução Amor é evolução. Evolução é amor. Nós é que os separamos. A evolução não desperdiça recursos nem chances para se manifestar, para avançar. Pelo sim ou pelo não, a evolução é sempre pelo sim. Ela está apontando sempre na direção do bem, da harmonia, do entendimento, da inclusão, na esperança de avançar nos níveis de consciência, para colocar o ser humano no patamar mais elevado para o qual ele foi criado. Cada ser humano mais do que o resultado de sua família, é um presente para ela. Suas qualidades sistêmicas que o trouxeram ao mundo são uma mensagem inequívoca de evolução. Se é difícil ver isso, é porque estamos preenchidos pelos sofrimentos de nosso sistema, e com isso ficamos fora de nossa motivação primária, fazendo de nós seres mais superficiais, voltados mais para as circunstâncias do que para a essência. 91 Mas podemos desobrigar o nosso sistema familiar e ampliar a visão do nosso papel no mundo. Para isso usaremos as letras com que se escreve o código da evolução, Alfa, Beta e Gama. O Alfa vai pelo cheio, pela matéria, o Beta vai pelo vazio, pelo invisível, pela energia, o Gama vai pelo nada na direção do abundante, isto é pelo significado. Matéria, energia e significado, são formas para se expressar e ler os elementos da realidade. David Bohm certa vez, perguntado sobre com quais letras escreveria a palavra deus, disse com três letras ou palavras : Matéria, Energia e Significado. São como os três canais, Alfa, Beta e Gama, por onde passa o fluxo continuado do conteúdo de tudo a começar pelas famílias. Ou como na equação mais famosa de Albert Einstein E = m c 2 Prof.David Bohm em sua casa Arya Vihara, Ojai, Califórnia Onde E é energia, M é matéria e c 2, a constante da velocidade da luz ao quadrado, é luz multiplicada por si mesma, luz iluminando a si mesma, isto estamos associando e traduzindo livremente por significado. O princípio formativo da matéria é o significado. O princípio formativo da energia é a matéria. O princípio formativo do significado é a energia. Na física o quarto elemento é o plasma. Mais que outro é a síntese dos três primeiros. Então por milhões de anos percorremos esses princípios formativos. A matéria está no centro, não muda, inscreve. A energia, que o tangencia, o adapta, circunscreve. O significado que torna um em tudo, transcreve. A matéria só pode ser compreendida quando expressa no idioma da energia. A energia no idioma do significado, e o significado no idioma da matéria. 92 Matéria M Alfa Energia E Beta Significado C 2 Gama Filhos únicos Os filhos únicos acabam ocupando uma categoria própria, composta da mescla de dois terços (65%) de Alfa, ( 20%) de Beta, (15%) de Gama, tudo isso junto e misturado. Socialmente eles terão mais dificuldades em ser fraternos. Competirão com seus pais, buscarão muito autoafirmação. Segundos filhos, caçulas (que não tiveram mais irmãos), carregam sistemicamente um tanto de Gama em si. Terão tendência a fazer amigos Gama, casarem com cônjuges Gama. Da mesma forma, sistemicamente, os filhos absorvem o campo dos irmãos mais velhos que morreram antes deles. Uma menina <2> que chega depois de um irmão <1> que morreu, vai trazer consigo esse campo “fantasma” do irmão. Pode mesmo travestir-se dele, isso por amor aos pais, para que assim eles não sintam tanto a falta dele. Isso pode acontecer em qualquer ponto do posicionamento. Um menino (4), depois de (1)menina,(2)menino, (3)menina, que morreu 93 ao nascer, por exemplo, tende assumir parte de seu caráter como (3)menina, mesmo sendo menino, para incluí-la. Ao sair de seu posicionamento vai dificultar sua tarefa de achar o seu conteúdo sistêmico dentro do fluxo familiar. Será como um filho adotivo de de seus pais naturais. Quando os pais desejam a criança de um determinado sexo e nasce do outro, sistemicamente foi gerada uma carga que também vai ser um complicador sistêmico para essa criança achar seu lugar. Mecânica da família Recebemos nosso nome próprio sempre acrescido dos nomes da família da mãe e do pai. Nomes que vieram dos pais deles, e vem vindo na família. Nosso nome é uma chave vibracional que abre a porta da ancestralidade. O “campo” dos avós está disposto em linhas invisíveis chamadas meridianos lateralizados, em centros de força, e áreas físicas espalhadas pelo corpo. O estudo dessas conexões e graus de afinidade com avós e avôs, indicam uma abrangência inesgotável. Esses centros de força, chamados de chákras no oriente, geram linhas de força, chamadas de meridianos na acupuntura, são ligações entre os centros de força. O que podemos concluir é que tudo que sabemos é apenas a ponta do iceberg dessa Imensa Vida que vem vindo se refletindo e replicando por milhares de gerações, lenta e firmemente, se desenvolvendo e se desdobrando até chegar aqui. Assim, desta forma, reincorpora o passado ancestral nas camadas do cérebro, nos centros de força, trazendo energia vital desses nossos doze avôs e avós no nosso corpo. Cada um deixando uma mensagem precisa, num lugar preciso, em nós. Essa diagramação ancestral se cruza com o posicionamento dos irmãos, criando a matriz única e individual que temos. Que é o nosso veículo, nossa chave, para encontrarmos saúde, paz, e o nosso caminho. Nosso centros de força, ou chácras, são conhecidos a milhares de anos. O novo é vê-los com as feições de nossos queridos antepassados. 94 4 - O trabalho consigo Primeiro esvaziar, Depois permanecer no vazio Só do vazio emerge o significado A Era do Significado Diz-se queo maior trunfo de se ganhar a batalha é o de se poder contar a história do seu modo. É a prerrogativa do poder adquirido: da o relevo da historia. Não apenas apresentar os resultados, mas com eles validar as próprias intenções. Contar a história desde o seu primeiro movimento, de origem, é poder ligá-la ao destino, validando os resultados. Quem pode contar a história da família, quem pode dar relevo, e conectar origem ao destino? Só aquele que se sente vitorioso, pode contar a história. Aquele que exerce o poder de colocar as coisas no seu devido lugar. Isso é o que podemos fazer, reescrevendo a história de nossa família. É a nossa primeira tarefa. Vamos ser auxiliados pelo genograma. O levantamento histórico da vida e saga desses seis casais que constituem a base da história. Ler a história é mais fácil. O mais difícil é ler a historicidade, isto é o que ela está querendo dizer, quais as intenções e significado dos movimentos. Como um aperitivo para essa tarefa ofereço a carta para os antepassados do livro “Cartas não entregues”, disponível na internet , nos livros não publicados em : Tarsobh3.blogspot.com. outros livros publicados Outras informações e atualizações do livro e do Instituto Imensa Vida, estão no site: www.imensavida.com Músicas https://soundcloud.com/tarsofirace http://www.imensavida.com/� 95 Carta a meus pais e avós, e a todos os pais e avós e assim por diante, meus e de meus amigos e amigas. Queridos pais e avós e assim por diante. Vou chamá-los apenas de pais e avós. Sei que muito de cada um de nós está em vocês. Dou-me conta que todos vocês estão em mim. Mesmo que tenham vivido em outras épocas, com ideias e idiomas diferentes, outro sexo, mesmo assim. Todos vocês são um em mim. Vocês são a janela de possibilidade por onde eu pude vir. Venho da multiplicação amorosa de vocês. Mesmo que estejamos em mundos distantes, vocês estão no meu mundo. Minha pele é a mistura da pele de vocês. Meu corpo, minhas características físicas todas advém das de vocês. Sou a extensão viva de vocês, fazendo a experiência de viver como sendo eu mesmo. A relação entre vocês seja lá como tenha sido, constitui a minha capacidade de relacionar-me. Seus desejos rondam os meus. Suas crenças contornam as minhas. Suas mágoas ressentem-se nas minhas. Sinto em mim o desejo de realizar o que vocês não puderam. Mais do que prolongação de vocês, sou a chance de ir além. A oportunidade de expandir o amor e a verdade em nossa família, e avançar o nosso destino comum. Por essa razão, terminar um projeto é para mim como concluir, de alguma forma, o projeto de vocês. Superar uma mágoa ou um trauma é curar a nossa vida. Isso me dá muita força para seguir e conseguir. Sinto que ao realizar-me, atenuo, ao menos um pouco, o peso das frustrações e fracassos acumulados em nós. Queridos pais e avós, Sou o amalgama vivo de todos vocês. Mas somente fazendo uma vida com a minha cara, é que posso honrar a vida de vocês. Permitam-me experimentar outras harmonias e ritmos que não os seus, trilhar outros caminhos, ultrapassar o conhecido por vocês. Se me arrisco mais, me exponho mais, se tomo outra rota, se uso outros acordes, saibam que essa 96 minha sonoridade irá compor com a de vocês a grande música do universo. Se eu puder amar com toda força a vida que faço, poderei de algum modo, liberar o amor que não pode ser amado na vida de vocês. Se puder ser útil nessa vida, e produzir algo bom, novo e sincero, poderei fazer isso por todos nós. Sinto que cada célula do meu corpo canta em agradecimento à vida. Porém, se não puder colocar a mim e aos meus filhos na correnteza da evolução, ficaremos todos à deriva nos redemoinhos dos ressentimentos, e do pequeno amor. Para isso preciso da benção de vocês. Para nos colocar nesse fluxo inteiro indivisível. Preciso da essência de vocês para que meus filhos conheçam a própria essência, e juntos possamos acessar nosso destino. Somente por vocês tenho acesso ao primeiro homem. E só quando este passar por todos é que poderemos acessar o último. Que maravilhosa simetria ! O homem se vendo na imensa vida, e a imensa vida se refletindo no homem. Saibam queridos avós, que vocês têm um cantinho aqui comigo. Fico por aqui mais um tempo, até me reunir com vocês mais tarde. Quando todos juntos seremos o rosto vivo da vida. Obrigado, um beijão. Tarso. bia 97 Escrevendo para nossos antepassados Essa carta inspira outras cartas a serem escritas, com o objetivo de quebrar as distancias e estabelecer pontes além da memória e do conhecimento. Escrever para as nossas avós e avôs, é estabelecer contato com o que não está separado emocionalmente. É a oportunidade de agradecer-lhes a vida que nos chega por meio deles. Tive a chance de ir à Itália, e escrever o livro sobre minha avó (1). Pela bondade do primo querido Domingos, o livro foi publicado. Sentado entre o mar e a montanha de Santa Maria de Castellabate, ela, a montanha, “falou” comigo e o que ela contou sobre minha avó(1) e sua mãe a avó (5), escrevi no livro OUVINDO AS MONTANHAS. Disponível na internet em tarsobh3.blogspot , em livros publicados. Estive na Espanha para levantar as informações da avó (2) e sua mãe, a minha bisavó (4). E consegui levantar preciosas informações em sua pequena cidade, algo dela ainda estava lá. Escrever para nossas seis avós é uma viagem no tempo. A escrita é um processo mais lento do que a fala, ao diminuir o ritmo do mental, o conteúdo emocional pode passar por pequeninas frestas e chegar à consciência. Essa é a forma que o emocional tem de cruzar a capa do racional. Uma fresta que depois vai se abrindo mais de forma a deixar passar o seu conteúdo. Pode-se escrever cartas para as seis “avós” e “avôs”, com a sugestão de temas relacionados aos nossos seis centros de força. 98 Temas para se escrever para a nossa avó (1) Manutenção da vida Prazer prazer de viver Água Sexualidade Realização pessoal Mente Saciedade Paladar Amídalas cordas vocais Faringe Minha avó Joseppina (1) e meu avô Domingos <2> Ela morreu com 39 anos. Ele foi minha referência Uma mulher forte. Morreu nos meus braços. Temas sugeridos para avó (2) e o avô <1> seu esposo Adaptação Terra Sobrevivência Individualidade Base de sustentação Conquista Compromisso Força da realização Razão e lógica Nariz olfato Calcanhar Nuca joelhos Cotovelos Minha avó Mercedes (2) Meu avô Manoel <1> Morreu no ano que Maneco, de onde nasci. Minha mãe deriva Maneca, Neca conta que ficava o apelido de minha mãe. horas comigo no colo. 99 Temas sugeridos para a carta para avó (3) e avô <4> Identidade Percepção Senso de presença Sentimentos básicos Entendimento Individualidade Olhos Queixo Músculos abdominais Tornozelo Impulsos da vida Umbigo Diafragma Peito Pessoalidade Minha bisavó (3) Rosalia Amalfi e seu esposo <4> Ela é a responsável pela Ele tinha o mesmo nome de meu vinda da família de Santa pai, Salvador Firace, que aparece Maria Castellabate, Itália ao fundo com minha mãe, ainda para São Paulo, Brasil noivos. Temas sugeridos para carta da avó (4), e seu esposo o avô <3>. Socialização AmorizaçãoEstímulos emocionais Harmonia das relações Intimidade Pele Tato Sensibilização Expressão de afetos Peito Coração Toque Aceitação Pulmão Dar e receber Ubatuba (livre associação) (4) <3> Ourense, Espanha, cidade deles Dessa bisavó sei muito pouco. Onde fui com minha mãe e meu Mas sinto o cheiro de mar quando filho. E encontramos apenas os lembro ou escrevo para ela. vestígios desses bisavós. 100 Temas sugeridos para carta para a avó (5) e seu esposo o avô <6> Fala e gestos Liberdade de criação Audição Linguagem Criatividade Ouvido Virilhas Axilas Garganta Sistema Imune Braços Prazer da expressão O que é profundo Sensibilidade Abundancia Minha bisavó Angela (5) e meu bisavô Domenico <6>) A conheci menino, quando veio ao Brasil em 1965, ano em que morreu. Sua Filha com 92 anos, veio ao lançamento do “Ouvindo as Montanhas”. Temas sugeridos para carta da avó (6) e seu esposo <5> Percepção Síntese Validação Extrassensorial Auto reconhecimento Nobreza Êxtase Sexto sentido Senso de plenitude Luz Cabeça Consciência universal Pele Cada célula do corpo Céu da boca Minha bisavó Ana (6) e meu bisavô Joaquim <5> Nessa foto de 1905, ela e meu bisavô reuniram todos seus dez filhos. De tanto “conversar” e “escrever”para ela, sinto que somos grandes amigos 101 GPS ( Genetic Positioning System ) O genossociograma, uma técnica sugerida pela terapeuta Anne Ancelin Schützenberger, é um detalhado levantamento dos eventos que marcaram a história da família, com muitos símbolos, datas e tudo mais. Nele é possível ver as mudanças ocorridas depois de determinados eventos fortes na família, como repetições de fatos e datas numa reconstrução de investigador policial sobre um crime. Acrescido da leitura das conexões do posicionamento dos filhos com os seis avôs e avós, e localizando o campo F- físico, M- mental, E- emocional gera um quadro, mais que isso um espelho sistêmico de imenso valor. Anne Ancelin costumava perguntar: “Como vocês se chamam?“ Entrar pela identidade do nome, seguindo a vertente sonora, realizando a ressignificação histórica da família. Nisso há uma semelhança com um detalhe na história de Parsifal, cavaleiro medieval do Rei Arthur. Sua mãe temendo que fosse cavaleiro e sumisse como o pai, nunca lhe disse nada sobre ele. O mocinho que se sabia filho único, apesar de ter todas as características de Beta, um dia vê um cavaleiro e, de pronto, sabe o que ele quer ser. Torna-se cavaleiro e vai às Cruzadas e muitos anos depois, lá no Oriente Médio, ele entra num duelo com um cavaleiro mouro. Este o derruba do cavalo e antes de matá-lo, num ato de nobreza, permite que diga seu nome, o que o faria escravo do mouro para sempre. Ao invés disso, Parsifal, faz ele a pergunta que irá salvar sua vida. “ Diga-me o seu nome? “ Como é que vocês se chamam ?“ como diria Anna Ancelin. E o cavaleiro mouro surpreendentemente responde: “Parsifal !”. Ele acabara de encontrar seu irmão mais velho, nascido quando o pai esteve nas Cruzadas, antes dele nascer. Ele não era o filho mais velho, era o segundo, o que condizia com seus atributos pessoais. Como vocês se chamam? Entrar pela vibração do nome, pelo campo, que é como um mantra. As palavras atuam sobre os seres vivos. Veja as fotografias de Masaru Emoto de cristais de água, desde as fétidas até a neve pura. Depois de abençoada e fotografada, a água suja produziu os mesmos cristais da neve. 102 Dar nome é um elemento importante no contar da história. Não ressignificar é se entregar à continuidade da falta de sensibilidade, do emborrachamento, da falta de amororosidade, endurecimento e falta consciência de si mesmo. Podemos com sensibilidade e consciência apontar as boas intenções, as reais motivações, e ir dissolvendo o emaranhado do passado que insiste em se estender rumo ao futuro. Podemos dizer: “ Querida vovó, o sofrimento em sua vida, não foi em vão. Eu sinto em mim como foi difícil para você. Mas foi graças a você vovó, que tantas coisas boas puderam acontecer. Tanta vida. Permita-me trazer à tona o conteúdo mais profundo da nossa história, o amor.” É realizador perceber que pelas nossas narinas, podemos levar oxigênio para nosso sistema, podemos oxidar mágoas dissolvendo eventos e fatos, ou oxigenar, dando novas forças e significado à nossa história, lendo e pontuando as verdadeiras intenções, reescrevendo a evolução emocional mais profunda em nossa família. Precisamos da verdade. Sem medo de ferir e ser ferido. Precisamos não da verdade de alguém, mas da verdade nossa, que brota do silêncio, do vazio e da reflexão, que se pode fazer quando se é tocado pelo senso do dever e importância de se reescrever amorosamente sua própria história. Abrindo o emocional Só tomamos consciência do conteúdo emocional quando isolamos os movimentos secundários do movimento emocional original e genuíno. Só neste temos o conteúdo emocional de nossa família, escrito em Alfa, Beta e Gama. Os outros, os secundários vem pela apropriação ambiental, cultural e situacional do individuo. Vem pela adaptação social à estrutura de valores aceitos e reconhecidos, introjetados que formam a personalidade social, externa, superficial daquela pessoa. É como uma veste resultante da forma como a pessoa quer ser considerada pelos outros, o que ao mesmo tempo ajuda na adequação e inserção do indivíduo no meio em que vive, e atrapalha, pois reprime, abafa, a pulsão 103 original desta pessoa. Esse movimento primário, genuíno tem imenso valor terapêutico, pois aponta os veios por onde caminha o conteúdo da família. Por exemplo, uma bailarina, que é movimento genuíno típico Beta, promove o reequilíbrio dos elementos emocionais na família, onde esses elementos estético e artístico foram menos reconhecidos e valorizados. Então ao se apresentar na leveza de si mesma, sentindo a música e atenta aos seus mínimos gestos, ela traz leveza e solução para seu sistema, atenua a escassez emocional da família, ajuda na “lição de casa”, mesmo sem perceber. Porém outra menina, cuja mãe tenha forçado a dançar não fará a “lição de casa” ao dançar, podendo mesmo até aumentar o entulho familiar à medida que também se afasta de seus predicados próprios. Somente os movimentos primários possibilitam leveza e ressignificado ao seu fluxo familiar. Cada filho, Alfa, Beta ou Gama tem sua forma de ser e atuar nesse fluxo da própria família. Precisamos aprender a saber como. Filhos Alfa Fazem coisas no campo material Fazem o que ninguém espera Fazem coisas grandes, grandes e arrojados projetos grandes realizações Fazem sem dar bola para as dificuldades. Fazem coisas para serem observadas. Filhos Beta Fazem pela energia Fazem pela criatividade Fazem coisas consideradas impossíveis Fazem coisas artísticas Fazem espontaneamente coisas para serem sentidas Filhos Gama Fazem coisas cheias de significado Fazem coisas minuciosas e técnicas Fazem com perfeccionismo Fazem coisas consideradas difíceis Fazem coisas de muito valor 104 Separando os movimentos secundários do primário Existem várias formas de separar os movimentos secundários do primário. Primeiramente é preciso saber que não é necessário brigar com eles. Eles têm raiz mental. Ao nos aproximarmos gentilmente deles, se ficamos atentos conseguimos perceber as suas intenções, o que realmente buscam e não gostam de revelar, e em qual nível está essa busca. Por exemplo, Um Alfa faz coisas para serem observadas, movimento primário; porém se faz as mesmas coisas para ele ser observado, então é um movimento secundário disfarçado de primário. Esse viés pode acontecer para Betas ou Gamas também. Os desejos primários seguem o movimento das pulsões primárias, querem o bem, mas cooptados pelas circunstâncias,meio ambiente, aceitação social, educação, necessidade de prazer e compensações, podem se esvaziar desse conteúdo original, ir se descaracterizando e assim se afastar mais e mais de seu centro. Podendo isso até mesmo tornar-se uma obsessão ou esquizofrenia. O mental pode funcionar muito bem junto com o emocional, esse é o desejável. Mas se o mental, movido pelo medo, por exemplo, assume o emocional, interferindo e bloqueando seu movimento natural, trará desequilíbrios. Um sistema familiar onde os pais, ou mesmo só um deles, deriva facilmente do movimento primário para os secundários, leva os filhos a fazerem o mesmo. Pessoas que passaram privações ou grave falta de recursos, geram no sistema, uma necessidade maior de elementos exteriores de riqueza. Assumem esses drivers secundários. Em nenhuma pulsão original faz parte mostrar riqueza exageradamente. Em nenhuma pulsão primária está evitar críticas, evitar comparações com irmãos ou mesmo evitar o acompanhamento dos pais. Estes são todos drivers secundários. Tomar uma decisão em virtude deles é decidir no sufoco, sem virtudes. Via de regra, toda superioridade externa, secundária aponta para uma inferioridade interna que agora localizada, pode ser ouvida e entendida, e seu conteúdo transgeracional atenuado, e colocado em seu próprio lugar. Assim no seu lugar fica um vazio, 105 um profícuo vazio, por onde o primário lentamente pode se manifestar. Uma pessoa de um sistema familiar onde houve falta de amor, mesmo depois de varias gerações, poderá ainda buscar movimentos secundários compensatórios inconscientes. Se houve fome, pode levar seus descendentes a comerem desmedidamente, tornando-os obesos ou algo assim. Uma pessoa de um sistema onde se provocou um crime, a culpa pode chegar a seus descendentes, principalmente aqueles com quem este criminoso estiver conectado, a uma obsessão como querer lavar as mão compulsivamente. Um alcoólatra pode de alguma forma, mesmo depois de morto, levar ao uso de álcool seus descendentes, é como se ele ainda continuasse bebendo através deles. A presença de movimentos compensatórios detecta pressão no movimento primário genuíno, que são simples como : buscar o bem, a saúde, alimentar-se bem, ser equilibrado, ser gentil e amoroso, ser bem humorado, como já vimos. Com um pouco de treino, os movimentos secundários até ajudam a encontrar os primários, pela forma com que os escondem. Vistos amorosamente eles podem cessar esse paliativo, e se ressignificados aliviam suas cargas e atenuam o peso do sistema. Com entendimento esses movimentos secundários murcham. Os crimes cometidos por nossos antepassados podem estar insepultos ainda em covas abertas e podem muito bem interferir, afetar a nossa existência. Todo criminoso assume as feições de suas vítimas. Quantos crimes estão espelhados em nosso rosto ? Se olharmos nosso rosto no espelho físico, teremos um alívio, “eles não estão lá”, poderíamos dizer. Mas não é isso que ocorre se nos olharmos num espelho sistêmico. O que nossos ancestrais fizeram se reflete em nós. Nossos filhos, netos e bisnetos são nossos espelhos emocionais. O que fizermos aqui se refletirá neles. Crimes insepultos são crimes contra a humanidade, pertencem à grande dívida que a humanidade precisa e espera resolver. Podemos enterrar os cadáveres das vítimas que herdamos. 106 Podemos quitar a nossa parte nessa dívida. Podemos localizar esses crimes nas nossas famílias. Identificar suas causas, colocando-nos frente a frente com a vítima dizer assim: “Eu sinto muito, não era para ser assim“. “Eu sinto o que pode ter sido a sua dor em mim”. “Vamos ficar de mãos dadas e atenuar essa dor e solidão”. “Quero poder ser um contrapeso em seu sofrimento e assim você se lembrar de mim, como seu descendente que traz uma coisa boa, que se aproxima com carinho, e que se empenha em resolver esse episódio doloroso de nossa família”. “Quero poder ser útil e fazer da nossa dor nascer uma flor, que a cultivaremos no canteiro da humanidade”. ”Você pode ficar em paz e ser essa pessoa maravilhosa que você realmente é”. ”Seu rosto pode habitar o meu rosto e do rosto dos meus descendentes, não pela dor, mas pelo amor, no cantinho dos olhos, no cantinho do sorriso, como um gesto de paz.” Do mesmo modo, ficar frente a frente com o causador dos crimes ocorridos em nossa família, ainda que pertencente a ela e lhe dizer: “Eu também sinto muito por você, aquilo não era para ter acontecido, foi uma pena, mas do jeito que aconteceu, mudou a história, produziu dor e até mesmo coisas boas, é preciso se reconhecer”. “Isso foi difícil para todos, pois trouxe tanta dor”. “Por favor, deixe-me ficar um pouco de mãos dadas com você, e atenuar ao menos um pouco, pois quero poder reescrever a nossa história e dar um bom lugar para você.”. “Quero ser o seu descendente que olhou para você com carinho, e se empenhou em aliviar esse episódio doloroso de nossa família, assim você pode ficar em paz e ser essa pessoa boa que você realmente é, muito obrigado. Sua dor pode ir saindo do meu rosto e do rosto dos outros descendentes, e pode pouco a pouco ir produzindo no seu, um gesto de paz.” 107 Inclusão Podemos desativar todos os crimes. Dar lugar aos que não puderam nascer, dar lugar aos que não puderam partir. Graças a todos os eventos que nos antecederam com nossos antepassados, pudemos chegar até aqui, até agora. Agora podemos reconhecer sua importância em nossas vidas. Mas também temos que lidar com os nossos crimes. Mesmo que não sejam cabeludos. Eles escondem nossas vítimas em nosso rosto. Pessoas que fizemos sofrer. Pessoas com as quais não mantivemos nossa palavra. Pessoas que esperavam algo que sinalizamos e não pudemos cumprir. De certo modo, emocionalmente, estão todas lá, escondidas no cantinho das rugas, no sombreado dos olhos, na falta de brilho da pele. Com os nossos crimes podemos fazer o trabalho sistêmico e também reparações pessoais. Podemos dar um telefonema, podemos encontrar e perguntar “o que posso fazer para remediar o que lhe causei ? “. Não é fácil ter esse movimento de encarar, temos mais forte o secundário de escapar, de dizer que está tudo bem. Ao fugir somos obrigados a pagar um preço cem vezes maior, prejudicando e moldando as feições de nossas vitimas, aos nossos inocentes descendentes. O sofrimento pode durar toda a existência, enquanto a decisão de enfrentar e sentir, dura apenas um segundo. O conteúdo do sofrer precisa ser reincluido. O medo de encarar pode ir embora. O movimento de justiça, dessa justiça estabelecida pelos governos, está longe de ser uma justiça emocional. Não existe justiça emocional, nada pode repor o sorriso dos inocentes, ou a alegria e paz de um adulto. Mas existe o reconhecimento, a aceitação, e retorno ao estado emocional amoroso, sem ressentimentos, de quem sabe perdoar o outro, sabendo perdoar a si mesmo. Ver o movimento emocional primário, no outro, pode ser um grande bem e um presente para ele. Mas só o movimento 108 primário em mim, pode encontrar o movimento primário no outro, caso contrário é apenas papagaiada. Hoje estamos nas hostes de outro tempo. Podemos tirar o olhar duro de nossos olhos. Podemos liberar os sofrimentos dos outros tempos, podemos validar o que mudamos, e não precisamos mais, de forma nenhuma, carregar aquele peso para sempre. Bons ventos nos trouxeram até aqui, e podemos ver a resultante positiva de tudo que já foi feito, podemos olhar com bons olhos a nossa história, e ao fazer isso aliviar o nosso sistema. Fechar os olhos dos que se foram, e abrir os dos que virão. Abrindo o mental Outra frente é trabalhar o conteúdo mental. A mente é limitada. Funciona pelo acumulo de informações limitadas, e diante do que é ilimitado como o conteúdo emocional, não sabe bem o que fazer. Liga o seu movimentoautomático, o de buscar o prazer do “mais” e de fugir da dor e do “menos”. A mente para entrar no campo do ilimitado precisa ser convidada pelo emocional primário. Enquanto o emocional puxa a mente ela vai aprendendo; quando a mente quer puxar o emocional, invariavelmente, ela o leva para o medo. O medo começa na negação: “isso não funciona assim” O medo busca escusa: “eu não tenho nada a ver com isso” Em seguida o processo mental passa a hospedar-se no emocional secundário. De ferramenta útil para se resolver problemas, a mente passa a ser problema útil para não se resolver nada com qualquer ferramenta. O medo é antigo. Tem raízes no movimento secundário de outras pessoas. É uma terrível herança, pois ao ser localizado em nós, é reconhecido como nosso, enquanto na verdade não é. O medo é uma trama, uma rede, não funciona sozinho, precisa de outros recursos de outras pessoas, para se somar. O medo é o driver secundário mais poderoso. Ele pode justificar-se como lógico, e assim ficar invisível como gosta de ficar, mas é ele que distorce a lógica. Devemos agradecer ao medo, pelos excelentes serviços 109 prestados à humanidade nesse último um milhão de anos. Ele trouxe a humanidade até aqui, com esse tipo de governo que temos, de economia que temos, de filosofias e crenças que temos. Foi ”muito bom” até aqui, mas agora chega, muito obrigado. Como suas vítimas podemos devolver as suas feições que incorporamos, e ativar as nossas para sermos nós mesmos. Vamos pensar nossa mente como tendo um corpo igual ao nosso corpo físico, só que um pouco maior. Em vez de carne e osso, imagine que ele é feito de uma fumacinha, densa e definida, que pode ultrapassar paredes sem bater, pode fazer um monte de coisas. Pode se relacionar com outras pessoas de outros países, outras línguas sem problema de comunicação, ou mesmo de outro tempo. Para a mente funcionar assim ela precisa de algumas condições. Ela precisa primeiro desgrudar do corpo físico, e geralmente isso só acontece quando estamos dormindo, e quando há uma permissão para que ela saia, para fazer as coisas que precisamos, aliviando as tensões e medos que sentimos e volte, na manhã seguinte, como se não fosse ela quem trabalhou duro, para assim não desestabilizar a estrutura e hierarquia que hospedamos em nós mesmo. Imagine que dentro de nós há uma cadeira, uma poltrona daquelas bem confortáveis, com descanso de pernas, braços e cabeça, uma cadeira confortabilíssima. Quem está sentado nela? Podemos ter um monte de gente sentado nela. Nossa mãe, dando seus palpites. Nosso pai, lembrando os perigos e aconselhando ir com calma e prudência. Aquele professor ou professora que nos convenceu de coisas tão legais que mudou a nossa vida. A esposa ou o esposo, esperando por algo. Ou pode ser a namorada ou o namorado, cobrando ou sugerindo alguma coisa. Quantos mais estão sentados em nossa cadeira? Um pastor, uma psicóloga, um chefe meio mal humorado, o sindico do prédio, um político, quem mais? Tantos, imaginemos quantos hospedeiros, moram com nosso consentimento dentro de nós. Isso fora os hospedeiros de carteirinha que são nossos antepassados que não conseguiram partir. E junto a toda essa multidão, num cantinho 110 menor, perto da motivação primária, estamos nós mesmos, ao vivo, em pessoa. Então precisamos ir pedindo licença com jeito e colocando ordem no nosso condomínio, avisando que houve uma nova convenção, com novas cláusulas, e o movimento primário ganhou um novo espaço, e que o horário de visita diminuiu. Que foi aprovada uma reintegração de posse, uma reincorporação pelo morador principal. Os drivers sempre nos fazem “morar de aluguel” na nossa própria casa. E com todo jeito vamos tirando todas aquelas outras motivações de nossa família, com reconhecimento e agradecimento vão indo, as hospedeiras que dependem de nossas dependências e vícios sistêmicos, vendo que estamos em paz, podem ir se retirando para outros comedores, bebedores compulsivos, podem ir para pessoas que gostam de perigo, pessoas que mentem, pessoas que se arriscam, que jogam, que precisam ser vistas, que precisam ser elogiadas, que precisam de prazer fácil, e que dependem do juízo dos outros para viver. E assim os hospedeiros vão se indo até nosso espaço se tornar vazio de novo, como foi no dia em que foi criado, e resplandecia a beleza das mãos que o criou. Então sem medo de assumirmos o que é nosso, podemos dar uma ajeitada na casa, passar um paninho na poltrona, tirar os últimos resquícios dos outros ocupantes, e então com muita elegância tomar o nosso lugar dentro de nós mesmo. Com a mente quieta, e na possibilidade do upgrade para ela poder ir mais e mais longe durante a noite, à medida que menos visitada de dia. Podemos olhar para os nossos ancestrais habituais, nossos antepassados que não conseguem partir e falar a todos eles: “Vocês podem ficar em paz, podem finalizar a busca de vocês mesmos através dos descendentes. Agora vocês vão procurar o estado de amorosidade de que precisam fazendo também um upgrade para níveis mais evoluídos, e mais próximos de quem os criou.” Todos em nossa família estão buscando fazer o que parece ser o mais apropriado, evoluir. Uma atitude de humildade é 111 sempre acompanhada com o sentimento de tomar posse do que é nosso. Poderíamos dizer para concluir: “obrigado por estarem tanto tempo dentro de mim, cuidando de mim, pensando por mim, mas daqui para frente quero tentar viver eu mesmo. Não tomem isso como arrogância. Abençoem-me para eu conseguir coisas melhores para mim e para os meus. Muito obrigado por terem me trazido até aqui, mas daqui para frente eu quero seguir por mim mesmo“. Então, sentado ali, na nossa poltrona interior, não sentiremos mais medo. Trocaremos os pensamentos automáticos secundários, pela ponderação, pelo ir com calma, em outro ritmo mais lento, descobrindo e decidindo o que fazer, aquilo que tem a nossa cara, a cada hora. É assim como se já estivéssemos lá há muito tempo. Tomamos posse de nosso espaço, e podemos desengatilhar mecanismos automáticos de compensações, e baixar o ritmo do cérebro e das reações mentais, atrasando as respostas, dando tempo para a mente começar a acessar o seu material genuinamente seu, o seu conteúdo original, que sempre aponta para a harmonia com a Imensa Vida. Alinhamento Quando o ritmo que temos é mais lento, poderemos então sentir nossa pulsão natural: Alfa, Beta e Gama. Deixamos de precisar das motivações secundárias sempre mais rápidas, para parecer que somos mais espertos, mais inteligentes, deixando que outra qualidade de inteligência, que não é medida pela velocidade, venha e como uma música de fundo, module a onda da vida mais suavemente, mais integralmente. Então não precisaremos de aceleradores de ritmos, estimulantes, compensadores sejam lá quaisquer que forem aqueles utilizados. Nem de atalhos e correria que apenas simulam estarmos no nosso caminho e nos levam a gastar muita energia para mostrarmo-nos como gostaríamos de ser, apesar de já temos dentro de nós quem realmente somos. 112 Acelerar é abrir mão da prerrogativa de conduzirmos nosso processo com as nossas próprias mãos. Nossa percepção pode ser em muito intensificada se diminuirmos o nosso ritmo. A mente fica mais clara, menos superficial, menos emborrachada. Estar acelerados para provocar atenção é um truque para manter a situação sob controle, enquanto a atenção mais profunda, para perceber coisas novas, depende apenas de estarmos vazios, flutuando no inteiro indivisível, como ensinou o Professor David Bohm, apenas pastoreando o próprio ser. Então esses pequenos ou grandes vícios e programas que aceitamos e que se instalaram e operam em nós, podem ir embora. E assim teremos de volta nós mesmos sentados em nossa poltrona. Se para alguns o transito das grandes cidades é um elemento enervante, podemosver com como isso pode estar atrelado a esses pequenos vícios. Imagine você tirando o carro da garagem, numa manhã colorida com temperatura agradável. Você chega na rua, está satisfeito com você mesmo, não está atrasado para seu compromisso, tudo parece estar bem até que de repente você vê que um caminhão blindado de transporte de valores, parou em fila dupla, provocando o maior congestionamento. Você diminui, para, fica esperando, vê que a coisa está lenta, para de novo, começa a olhar o relógio, vê que se continuar assim você pode chegar atrasado, então você dá uma buzinada leve. O motorista do carro ao lado reclama também e deflagra um buzinaço. O motorista do blindado resolve parar de vez, se está sendo reconhecidamente chato, resolve chatear de vez. Você buzina mais um pouco, abre o vidro gesticula. Onde foi parar aquela linda manhã? O fato é que não basta a sensação de uma linda manhã. É preciso algo mais concreto para o mental se apegar. Ao entrar no engarrafamento, a mente precisa receber um estimulo lembrando-a que o principal elemento em jogo é o emocional. Então ao ficar parada ela põe uma música, fecha a janela, liga o ar condicionado e se conecta com o emocional do motorista do blindado, vê que ali naquela pessoa há uma joia tão valiosa quanto a que você sente dentro de você, que tem o mesmo milhão de anos, e que pode ser que nem tenha sido 113 ainda percebida por seu principal ocupante. Você considera isso, tem mais paciência, se preciso você pode ligar e avisar que inadvertidamente vai atrasar uns minutinhos, mas uma coisa é certa, você não abre mão do seu bom estado de espírito por coisa nenhuma. Se possuirmos muitos dispositivos reativos automáticos é como se tivéssemos dento de nós um tanto de caronas que precisam sentir, raiva, tensão, nervosismo, bronca, sentimento de autopiedade, sentimento de vítima, sentimento de superioridade, sentimento de revanche, todos como caronas. No trânsito você iria correr para dar aquela sensação para alguns, tirar fininha, para atender a outros, pois a sua fratura emocional, de não estar de bem com a sua própria vida, atrai todos esses mecanismos. Quando você está de bem com a vida, e internamente está sentado em sua poltrona, você não sente a necessidade de ficar produzindo adrenalina ou endorfina ao buscar sensações de perigo e excitação, você fica na sua, não alimentando esses mecanismos, então você se torna um cara desinteressante para esses “caronas”, de tal forma que quando você é ultrapassado por um carro dirigido de forma perigosa, todos os seus caronas pulam para o outro carro, deixando você e sua consciência mais leves. Todos esses vícios nos separam da gentileza e da amorosidade de se viver em harmonia e com alegria. Realmente, é muito mais fácil serem vistos os grandes vícios como álcool ou drogas. Difícil mesmo é se desintoxicar desses pequeninos vícios e cacoetes psíquicos, que o mental cria no emocional. Para isso temos que fazer esse trabalho: conhecer, sentir, acolher para desengatilhar todos esses sentimentos mecanizados, drivers, pois são como armas apontadas para nós mesmos, para nossa realização e para o nosso destino. Para sermos capazes de lidar com essas cargas e superá-las, precisamos entrar na dimensão da Imensa Vida. Não basta resolver bronca com bronca, dor com dor. Isso só intensifica mais bronca e mais dor. Precisamos atuar com uma qualidade de vida e gentileza criando um “campo” de amorosidade, um estado de não violência para que aos poucos se dissolvam os nossos complexos, cheios de bronca e intolerância, e possa tomar força quem realmente somos. 114 5 - O trabalho no mundo O trabalho sistêmico para os outros pode ser no máximo 49%, mantendo o mínimo de 51% para si próprio. Stephan Hausner O primeiro filho traz consigo o campo. Surge então a pergunta quem vem primeiro, o filho ou o campo? O ovo ou a galinha? O físico ou o emocional? Como seres visuais, somos acostumados a ver os elementos materiais primeiro e depois os imateriais. Assim a ciência postulou por séculos. Depois da quântica, aprendemos a conhecer o “campo” como sendo o formador da matéria. Isso amplia a leitura do mundo e gera o entendimento sistêmico das famílias. Se não conhecemos nada a respeito de uma criança adotada logo ao nascer, podemos pela leitura sistêmica conhecer o seu campo e até mesmo reconstituir seu passado, trazendo os seus preciosos dados de sistema e devolver essa pessoa ao seu fluxo. O mesmo se pode dizer de nossos ascendentes desconhecidos. Não conhecê-los mentalmente, visualmente, traz uma inibição para a aventura de conhecê-los emocionalmente, onde realmente precisam ser conhecidos e amados. Podemos conhecê-los entrando pelas conexões no próprio corpo, nos órgãos e sistemas que nos interligam. Ou pelas terapias sistêmicas onde podemos rebater essas informações em outra pessoa que aceite simetrizar e dramatizar por ela. Então pela apreciação do leve e do denso, do confortável e do desconfortável é possível identificar as vibrações presentes naquele sistema. Se algo ou alguém precisa ser amado ou reconhecido ou precisa se ajustar, o “campo” está congestionado ou pesado e isso será notado. Ao tratar esse conteúdo, isso replica em bem estar para todo o sistema, incluído os descendentes e se reprogramam desdobramentos mais refinados e úteis à evolução para seus descendentes. Então isso pode ser feito sim. Somos nós os sobreviventes vitoriosos, e aos vitoriosos é dado o direito de reescrever a história. 115 Podemos dar um bom lugar para as dores e sofrimentos das gerações passadas, podemos estancar as lágrimas de nossas avozinhas a incompreensão de nossos avozinhos e assim diminuir as pressões na geração presente. Muitas coisas podem congestionar o fluxo de conteúdo, mas pelos movimentos sistêmicos podemos desobstruí-lo. O movimento de incluir, dar aos fatos e às pessoas, mesmo aquelas que viveram um período bem curto, dar a elas um lugar na história. O movimento de reconhecer que esses fatos e pessoas não foram ou viveram em vão. O movimento de agradecer os esforços dos outros cria uma ponte emocional com fatos e pessoas. O movimento de validar, reconhecer como verdade. O movimento de honrar, plantar no canteiro do nosso íntimo, uma flor que os ressignifique. Existe um mandamento sobre honrar pai e mãe, que pode ser estendido a todos os pais e mães do nosso sistema. Ao honrar nosso sistema despertamos as nossas capacidades regenerativas, trazendo saúde e inteligência emocional. Nosso trabalho no mundo deve ser decorrente de termos chegado ao nosso próprio lugar, de termos acessado nosso conteúdo familiar, de termos descoberto nosso posicionamento. Esse conjunto produz a nossa identidade emocional e libera forças sistêmicas que possibilitam os nossos atributos pessoais. Um sistema bagunçado gera uma personalidade bagunçada. Toda falta de amorosidade e generosidade, mascara o sistema, o deturpa. Então o primeiro a ser feito é devolver amor ao nosso sistema, pois só na paz é que o fluxo volta ao seu próprio veio, seu caminho. As águas do rio da vida saem dos redemoinhos da dor, e voltam às suas 116 próprias corredeiras. E essas corredeiras levam essas águas ao mundo, para irrigar, para lavar e fazer florescer a vida. E depois de tudo isso elas se entregam totalmente ao se desaguar no mar. Mas aí esbarramos nas dificuldades exteriores. Existem muitas injustiças, o mundo faz o jogo de cartas marcadas dos poderosos, existe fome e um grande desconforto. Porém isso é o que torna ainda mais necessário o bom conteúdo dos sistemas, como uma água fresca e pura de um rio que corta um deserto. O rio não pergunta qual o caminho a seguir. Apenas libera suas águas e permite que sigam fazendo seus próprios caminhos. Nossos drivers naturais nos levarão aos nossos caminhos. Precisamos nos aprofundarmais sobre esse tema. Os dois primeiros filhos são ligados aos avôs e avós, depois se pula uma geração, e os seguintes, do terceiro ao sexto, são ligados aos bisavôs e bisavós. Na lenda dos índios americanos, do terceiro filho em diante, “a águia tem que buscar seus espíritos do outro lado do rio”. Os dois primeiros filhos são do lado de cá. Os dois primeiros escolherão formas de vidas mais parecidas com a de seus pais, “ à moda da casa”, serão mais caseiros. Terão o foco no mesmo lado do rio que estão pai e mãe. Os demais são como estrangeiros, de outras terras que não as dos pais. Eles vêm de mais longe, eles vão 117 mais longe. Trazem um conteúdo sistêmico mais profundo, mais evolutivo, menos identificado e relativizado aos pais. Todos os filhos vieram para voar, o alto voo da vida, o voo da evolução, mas alguns voam mais alto, e sendo assim são inspiração para todos os demais. Os dois primeiros filhos são como o elo de ligação entre as gerações. Famílias com até dois filhos são como de velejadores que não se afastam muito da costa, ou mergulhadores de águas mais rasas, que não se lançam no fundo no mar. Com até dois filhos a conexão forte é com os avós. Para muitos deles a chegada dos netinhos muda suas vidas, e isso os ajuda a compreender que a Imensa Vida é uma construção por etapas. Grandes montanhas são escaladas por etapas. A cada altura é feito um acampamento que consolida a subida até ali, e prepara a próxima etapa onde se vai construir um novo acampamento mais acima na montanha. A geração seguinte recebe como herança esse acampamento, o habita. E quando se sente pronta, prepara a construção do próximo nível e parte para alcançar e construir o que deixará para seus filhos. A subida da montanha é a subida evolutiva da Imensa Vida. As gerações vão subindo os níveis emocionais. Essa é a evolução. Vão trabalhando o seu conteúdo e assim o elevam para oferecer às futuras gerações. Chegar ao topo da montanha é o projeto da Imensa Vida. bia 118 Chegar onde o conteúdo emocional não está mais preso a dores, a amarguras ou privações. Não está mais preso a nada. Seu conteúdo agora passa a ser o conteúdo da Imensa Vida. Por seu vazio flui irrefreado, o significado em seus desdobramentos. Então sim, a vida não mais será expressa em Alfa, Beta ou Gama, mas por Ômega. Para isso caminhamos. Para isso fazemos o upgrade emocional em nossas vidas. Para isso construímos o acampamento mais acima na montanha. E quem sabe não seremos nós a geração que chegará ao topo? Por que não? Aprendemos que para dar é preciso primeiro receber, mas aqui é ao contrario, para receber, é preciso primeiro dar. Dar o primeiro passo. Dar o passo apropriado nessa caminhada. Tomar o nosso conteúdo, o receber. Dar o salto quântico, ultrapassando a barreira do sofrimento e da solidão. Tomamos o conteúdo mais antigo a partir da avó (3) mmp, o conteúdo se abre para o passado distante. Entramos assim no domínio dos elementos que não alcançamos pela memória, não ficam presos a fatos isolados que tenham sido ou não contados de pais para filhos. Entramos num “campo” onde somente se pode conhecer por vibrações. A partir das terceiras crianças, e das terceiras avós há uma viagem no túnel do tempo. Por eles se acessa o conteúdo de quando se começou o destino de subir a montanha. O que houve lá em baixo que se precisou subir? O que ficou perdido e precisa ser buscado no topo emocional? Quais perigos rondavam os vales e os pés da montanha? Por que houve a morte e o risco de não ser? A subida começa com a descoberta do fogo. O fogo é o elemento emocional. O fogo uniu a primeira família, a primeira comunidade, pelo calor, pelos sentimentos. A verdadeira história da evolução é a historia das emoções. 119 Decifrando profissões Profissões boas são aquelas que possibilitam a evolução emocional das pessoas. Para Alfas, é sair da matéria para chegar à energia. Para Betas, é sair da energia para chegar ao significado. Para Gamas, é sair do significado para chegar à matéria. Quando um Alfa se realiza no seu trabalho, ele aparenta ser Beta. Ganha olhos brilhantes e sorriso fácil. O mesmo acontece com um Beta. Ao se realizar no seu trabalho ele fica mais sério e focado como um Gama. E o quando um Gama encontra sua profissão certa, ele relaxa seu perfeccionismo, seu pé para trás, supera suas próprias dificuldades se lança e assim se permite ficar rico. Assim eles fazem girar o grande carrossel, mostrando o movimento implícito da vida. O objetivo da matéria é revelar toda energia que há nela, e para isso é preciso o trabalho de um Alfa. O objetivo da energia é disponibilizar todas as capacidades relacionais, e para isso é preciso um Beta. O objetivo do significado é trazer a luz e assim ser ascender uma oitava a mais a realidade, e para isso é preciso um Gama. Todas as profissões têm seu lado Alfa, Beta e Gama. Ser professor, por exemplo. Ensinar é a profissão de se revelar significado, então é preponderantemente Beta. Mas isso não quer dizer que Alfa não possa ser um excelente professor, um chefe de cadeira universitário, um chefe de departamento. Ou que um Gama, não possa também ser um ótimo professor técnico, um coordenador de pesquisa ou de laboratório, por exemplo. Para ser um professor de arte, sendo arte manifestação de energia pura, então será duplamente recomendado que seja um Beta. O mesmo para músicos. Para Alfas melhor do que criar, sabem projetar. Pegar uma ideia pequena e dela fazer um projeto grande e depois construir algo grande. Alfas extraem energia da matéria. Sabem lidar na matéria como ninguém, são incansáveis. Por isso são empreendedores natos. Não sabem lidar bem com as críticas, mas 120 isso não os impedem de ir. Isso não quer dizer que Betas e Gamas não podem ou devem abrir empresas. A diferença é pela forma de ser de um Beta, empreender implica em fazer coisas novas, com pouco risco, fazer coisas que sejam boas para muitos, e o fator dinheiro, o retorno financeiro, fica num plano mais secundário. Já para um Gama empreender significa superar a si mesmo, com inovações, avanço técnico, fazer algo que ninguém fez. Mas sobre tudo o Gama sabe fazer o que nenhum dos outros sabe, isto é, ficar rico. Alfas são líderes natos. Mas isso não quer dizer que Betas não sejam os bons líderes, principalmente líderes carismáticos, sabem como poucos atrair pessoas pelo seu magnetismo pessoal, pela beleza de suas ideias, por sua energia. Gamas são ótimos líderes para situações de crise, complicadas, pois para eles o que é, é. O que não é não é e pronto. Tomam decisões corajosas, sem sentir pena, como fazem os Beta, e sem se preocupar tanto com a popularidade, como os Alfa, mais vaidosos. Os Gama são cientistas. Com facilidade de transitar pelo campo do significado, podem ver mais facilmente os processos. Por esse motivo, são ótimos advogados, acertam o melhor caminho dentro do emaranhado das leis. Isso também não vale dizer que Alfas não possam ser grandes advogados, pois quando eles falam com segurança, parece até que podem mudar as montanhas de lugar. Betas não são bons advogados, ao não ser que tomem causas sociais, filantrópicas ou benemerentes que promovam uma boa causa. Para mexer com dinheiro não há ninguém melhor que um Gama. O dinheiro se multiplica nas mãos deles. Ao serem organizados, eles não esbanjam como Alfas e Betas. Alfas usam dinheiro como alavancas para levantar seus projetos e seu lado pessoal. A falta de dinheiro pode funcionar como estímulo para seguirem mais a frente. Já Betas precisam pelo menos de um pouco de dinheiro, para não desanimarem, Não sabem lidar com muito dinheiro, precisam sempre da consultoria de um Gama. 121 Uma empresa sistêmica bem montada seria: Alfa Beta Gama Iniciativa Recursos Humanos Financeiro DiretoriaMarketing Jurídico Vendas Pós-vendas Venda Técnica Montar processos Propaganda Dept.Técnico Abrir clientes Abrir filiais Abrir produtos Meaning (Gestor do Significado) Meaning (Gestor do Significado) Meaning (Gestor do Significado) Gestão sistêmica implica em haver rodízio do chefe geral. O Alfa eternamente no poder gera grandes problemas para ele e para o sistema da empresa. O rodízio do chefe, ou CEO, conforme apresentado no livro A Era do Significado, deveria ser curto, a cada seis meses, por exemplo. O chefe no seu mandato, só tem o poder de vetar. Ele não faz o que bem quiser, ele nem pode propor nada, ele só tem o poder do veto. Rotacionando a chefia geral, há um desenvolvimento das camadas subjacentes, dando um novo colorido e tônus a toda organização, que passa a cuidar dessas conquistas sistêmicas em um novo departamento, a ser criado só para cuidar de si própria, o departamento de Meaning, posicionado ao lado do departamento de Marketing, na mesma estatura, este porém, o Departamento de Meaning olha para dentro enquanto o outro, o de Marketing , olha para fora. Muitos dos conteúdos sistêmicos das famílias, só conseguem ser vistos nas empresas. A empresa é uma espécie de extensão sistêmica dos conteúdos da família, principalmente da mãe e do lado feminino da família de seus principais colaboradores. 122 A mãe cuida e pede que o filho cuide de si e de suas tarefas. A relação com a empresa é reflexo da mãe, e a relação com o patrão é reflexo do pai. O campo da família está replicado na empresa, na forma essa se justifica, isto é, como fica justa com sua justiça. Dar e receber. Tomar, doar. Extrair transformar. Lidar com fornecedores, clientes, meio ambiente, acionistas, e os próprios colaboradores. O conteúdo que está distorcido numa família, tende a permanecer distorcido numa empresa. Simetricamente, tanto na família como na empresa, o trabalho de desintoxicação sistêmica em uma, ajuda na outra parte. A empresa é um espelho, e apresenta variadas maneiras e chances de acessar o conteúdo emocional a ser trabalhado. Para se ficar rico é preciso ser dada uma permissão, e isso só pode ocorrer dentro do conteúdo da família. Sem essa permissão a empresa pode-se até ter dinheiro, mas nunca fica rica e nem enriquece os seus, pois pode manter o vínculo com a falta de riqueza do seu sistema de origem. Ou pode não ter dinheiro e alcançar a grande riqueza moral para os seus, quando acessa o nível de riquezas pessoais, de caráter, de valores morais, como numa empresas sistêmica ou ONG por exemplo. De qualquer forma, o trabalho é sempre um desdobramento do que existe dentro do sistema da pessoa. O Alfa desdobra o conteúdo Alfa, e assim os demais Beta e Gam. Desdobram o que lhe é implícito. Desdobra aquilo com que está abraçado interiormente. E ao trabalharem juntos, no entrosamento entre si, desdobram o todo e se descobrem fraternos. E somente como irmãos é que podemos enriquecer. Não existe enriquecimento isolado. Só se enriquece com a fórmula matemática: E = V.T . μ Enriquecimento (E) é a multiplicação de valores (V) pelos talentos (T) pelo trabalho (μ) , e poderíamos acrescentar , isso dentro de um grupo que se sente fraterno. 123 Decifrando relacionamentos Os casamentos são áreas emocionais por excelência, de natureza sistêmica, por suposto. Como vamos encontrar a pessoa certa? A pessoa certa é aquela que vai criar as melhores oportunidades evolutivas, sempre. Aquela que junto conosco, nos possibilite desenvolver. Não dá para experimentar todas e depois dizer qual foi a melhor. Temos então que destapar os olhos interiores e começar a ver sistemicamente. Casamentos no tempo de nossos avós eram arranjados pelos seus pais. Com quantos de nossos ancestrais não foi assim. Quantas avós tiveram que aguentar o “até que a morte vos separe”, sem gostar dos maridos, e viveram praticamente em continuo abuso por eles. Quantos avôs não foram jogados numa vida dividida, de ter o casamento de fachada com uma mulher e viver implorando por amor por toda existência. Quantas vidas não foram abreviadas por isso. Como é ressecada essa área emocional de nossas vidas, que falta faz essa água na vida de nossos ancestrais. Então quando bebemos dessa água, nós na nossa geração, matamos tanto a sede nossa como simultaneamente a deles, ou então, caso contrário, por fidelidade a eles, ficarmos todos sedentos de amor. Todas estas pressões estão dentro de nós. Sinceramente, veja o seu sistema familiar. As maiorias dos casamentos no seu sistema são longos, felizes, bem estruturados? Esse é seu cacife sistêmico para entrar no seu casamento. Com a cara e a coragem? Quanto tempo conseguimos nadar contra a correnteza? Não é melhor fazer a “lição de casa” e ter condições interiores para fazer a coisa certa? Então precisamos tratar desse assunto com muita importância. Casar é criar condições evolutivas. Encontrar alguém que possibilite a evolução da Imensa Vida. O casamento une dois gêneros, em seis possibilidades de posicionamento: 124 Casamento Alfa com Alfa: São muito iguais. Geniosos, mesmo tendo gostos diferentes vivem sempre alguma disputa, se um cede muito, pode ser que fique viciado em ceder, e acaba saindo fora de seu lugar. Se o outro quer sempre ganhar, pode o endurecer e cristalizar, fazendo com que perca o gosto pelas coisas. Acaba sendo um casamento muito mental, onde mais que se amarem, os cônjuges ficam habituados um ao outro. E é preciso que esses hábitos sejam desejados pelos dois. O que pode ser feito é o gerenciamento de cabine. Uma técnica usada por pilotos comerciais de grandes jatos. Eles dividem as tarefas pormenorizadamente, para assim deixar claro o que cada um faz e quando. Hora para isso, hora para aquilo, espontaneidade zero. E assim podem seguir a viagem. Quem deve puxar evolutivamente? O que tiver mais pais Beta. Se mesmo assim continuar o empate, o que tiver pais Betas do seu mesmo sexo. Se mesmo assim continuar o empate, o jeito é ir para disputa de pênaltis. O que faz o puxador sistêmico, ou puxador evolutivo? O mesmo que um puxador de escola de samba. Fica cantando o samba enredo para ninguém esquecer. Casamento de Alfa com Beta É o casamento mais comum. Alfa se apaixona pelos olhos brilhantes de Beta. Alfa tão cansado do seu mundo de Alfa, materializado, vê em Beta a possibilidade de um novo cenário para sua vida. Enquanto Beta, resolve dar um tempo de seu mundo mais abstrato de Beta, sente alegria e aceita por os pés no chão no mundo através de Alfa. Então temos Alfa com os pés no chão e mais pragmático, Beta com a cabeça nas nuvens mais sonhador. O feijão e o sonho. Quem puxa o samba? O puxador evolutivo é Beta. 125 Casamento de Beta com Beta É o casamento de irmãos. Beta só se aproxima de Beta se um deles estiver fora de seu lugar, vivendo como Alfa ou Gama. Beta com Beta podem ser os melhores amigos, terem os mesmos gostos, os mesmos interesses, se darem super bem em muitas áreas , mas alguma coisa aconteceu , pode ser uma briga com outro namorado ou namorada anteriores, e de repende um deles pensa: ”porque não como esse outro Beta? Assim não terei que brigar mais”. Beta com Beta se adaptam bem. Como são Betas sabem ceder então a questão não serão as brigas, mas a falta delas. Sendo iguais aos poucos vão tornando-se irmãos. Acostumam-se um com o outro. Mais do que amar o outro pelas qualidades e características do outro, Beta estima outro Beta, pelas semelhanças. E isso é fatal para o amor. Precisam então de um gerenciamento de cabine como apresentado acima. O puxador sistêmico é aquele que tiver menos progenitores Beta, preferencialmente Gama. Ou aquele que estiver deslocado no seu lugar no mundo, mais para o lado do Gama. Casamento de Beta com Gama É o casamento da energia com a luz, o significado. Beta é aéreo,com as nuvens na cabeça e resolve num momento de loucura, jogar a ancora, não na Terra, mas no sol, e a laça em Gama. Gama, como já vem pronto, não precisa de ninguém, mas se for laçado com jeito, pode achar bom ter o conforto de alguém com olhos brilhantes, grande coração, uma vida colorida, tão diferente da vida branco e preta a que os Gama se sujeitam quando vivem sozinhos. Beta se apaixona por Gama. Gama ama Beta. Beta se alegra em fazer as vontades de Gama, Gama gosta de ter suas vontades atendidas por Beta. Gama é o puxador sistêmico, e decide muito melhor nas grandes coisas que Beta. Gama inspira Beta à evoluir. Beta quebra as pedras no coração de Gama. 126 Casamento de Gama com Gama É um casamento de riquezas. Mesmo sendo iguais, Gama com Gama, fazem um casamento diferente. Todos os Gama seguem o seu próprio caminho. Mesmo sem abrir mão dele, pode caminhar junto com o outro Gama. É um mistério quântico. Se souberem compartilhar é muito bom. Caso contrário, como todo casamento de dois tipos iguais, precisa de gerenciamento de cabine, e cuidado para não se anularem mutuamente. Caso consigam superar essas areias movediças, ficarão ricos, montarão um banco com tantas riquezas que juntos podem conseguir. O puxador quântico é o que tiver mais progenitores Alfa, com empate até os pênaltis. Casamento de Alfa com Gama Alfa, com os pés no chão, se apaixona por Gama, num patamar mais alto que o seu, por ter um modo de vida tão curioso. Gama não se chateia facilmente, é uma pessoa focada e se envaidece com esse amor, e vê que Alfa traz possibilidades concretas de vida e sente que pode ser feliz ao seu lado. Gama recebe muita atenção de Alfa, que é sempre carente, desde a infância, e espera receber de volta em carinho e afeto tudo que faz por Gama. Gama não vai se desviar de seus objetivos, vê que com Alfa pode ir mais longe. Alfa é quem provê, mas é Gama que enriquece o casal. Alfa quer liderar, é o puxador sistêmico, se souber puxar o casal, sem ser preponderante, o casal enriquece, caso venha ser muito autoritário, empobrecem juntos. bia 127 Educação É impossível descrever um casamento, apenas com essas pinceladas. Todo casamento é a aposta de ser evolutivo. O casal deve abrir as próprias comportas e juntos incluindo os filhos, fazerem o rio. Devem reconhecer que as dificuldades dos filhos advêm das “lições de casa” que não puderam ser feitas antes, nem por eles nem por seus pais e nem por nenhum de seus antecessores. Educando um Alfa. A primeira atitude dos pais é agradecerem o filho ou a filha Alfa, logo ao nascer. E continuar fazendo isso o resto da vida. A primeira criança fez uma imensa “lição de casa” ao chegar definindo o campo em que se desenvolverá a família. O campo Yang se for menina, o conteúdo feminino de outras gerações predominará. Ou o campo Yin se for menino, então o conteúdo masculino é que vai prevalecer. É ela mesma, a primeira criança, a resultante de um longo processo de escanear as “lições de casa” de um e de outro lado da família, apontando no sexo dela o rumo evolutivo Yang ou Yin da família que o casal está formando. Veio menino, (Alfa-) Yin. Veio menina (Alfa+) Yang. Alfa precisa sempre de reconhecimento para avançar, isto é estímulo, atenção, carinho, sugestão de desafios e objetivos a serem alcançados. Os Alfa são básicos. Precisam de regras claras, precisam ver para crer, precisam quebrar a cara por eles mesmos, para dar valor às coisas. Os Alfa não se sentem amados, então fica bem mais fácil de serem conduzidos: com declarações explicitas de atenção e de afeto. Será como música aos seus ouvidos. Os pais devem ajudá-los a procurar soluções, e evitar ao máximo que eles parem o que começaram. Os Alfa, quando jovens, empacam com facilidade, e não adianta apertar. É sempre preciso doçura para lidar com eles. Uma gora de mel, e os pais terão um grande homem ou uma grande mulher em sua família. 128 Educando um Beta Os Betas são uns amores de filhos ou filhas. São delicados, são sensíveis, são carinhosos. Parece que são anjinhos caídos, e de fato os são. O problema é que esses anjos precisam constantemente de acompanhamento. Quando chegam ao mundo, veem que o primeiro andar, da matéria, está ocupado pelo Alfa, então vão para o segundo andar, o da energia, da criatividade e da imaginação. Eles precisam de pais igualmente amorosos que respeitem essa sua situação que foi tomada por amor, e aos poucos os ajudem a colocar os pés no chão da realidade. Eles adoram fazer coisas não sugeridas, não gostam de ser mandados, detestam rotina, não gostam de desafios. Mas como gostam de ajudar os outros, os pais devem zelar para que esse movimento genuíno não fique forte demais, e acabe prejudicando o próprio Beta. Os pais devem apostar em todos os filhos, mas o Beta é quem mais precisa sentir que os pais apostam neles. E vale a pena. Educando um Gama Os Gamas já nascem prontos. Os pais não precisam fazer nada, apenas não estragar e não deixar que ninguém os estrague. No Gama os pais já aprenderam a cuidar de filhos. Tem a história que um Alfa engoliu uma moeda, os pais levam no hospital para fazer raio-X e se preocupam muito. O Beta engole uma moeda, os pais ficam apreensivos, por uma hora no máximo. O Gama engole uma moeda, os pais apenas descontam da mesada. Os Gama precisam de brinquedos de montar e desmontar caso contrário, eles desmontam a casa toda. Precisam de espaço para seus experimentos, como os outros dois, mas se ele não encontrar, ele vai embora. O Gama não está tão conectado ao espaço do pai ou da mãe, nem a nenhum avô ou avó. Ele é especial. Ele logo cedo fará suas economias, então os pais podem ajudá-lo a ser interna e externamente seguro. Podem pedir que ele ajude algum amigo com dificuldade, desenvolvendo neles um espírito nobre. 129 Abrindo possibilidades Todos os filhos se espelham nos pais, e as atitudes dos pais se refletem nas atitudes dos filhos. Pais amorosos entre si e com os filhos são sinônimos de filhos bem posicionados, Alfa, Beta e Gama. Filhos bem posicionados terão bem menos dificuldades em encontrar parceiros apropriados para se casar. Farão amizades duradoras, e procurarão trabalhar nas áreas que sentirem mais atração e interesse. Com o emocional desobrigado das tensões secundárias, os filhos se dirigirão naturalmente para o seu destino. Porém todos nós sofremos interferências dos aspectos secundários, sociais e ambientais, e todos temos dificuldades em achar nossa pulsão original, todos nós temos hóspedes que se sentam na nossa poltrona existencial, todos nós queremos viver na totalidade do movimento original, o que para muitos é uma utopia. Mas não é. Muitas coisas nós podemos fazer. Podemos fazer a nossa “lição de casa” sistêmica, o que desobrigará muito as pressões sobre nossos filhos, netos e bisnetos. Mesmo se eles ainda não nasceram já podem ir se beneficiando de estar num “campo” mais bem cuidado e assim entrarão em águas mais limpas do fluxo de significados da família. Não podemos fazer chover, mas podemos espantar as nuvens. Podemos educá-los amorosamente. Podemos fazer de nossa existência uma obra de arte. Tão bela que seja boa, primeiro para nós mesmos e depois para os nossos, para que seja como um pãozinho de queijo quentinho. Podemos pedir ajuda a um terapeuta sistêmico para ajudar a marcar alguns pontos na caminhada e facilitar o balizamento das tarefas para nós e para os que vêm conosco também. Campos de atuação Somos esses três campos, Alfa, Beta e Gama. Nossa ação no mundo também pode ser formatada por esses três canais de saída, para todos nós. 130 Trabalho de todos como Alfa, por instinto, por reparação. Honrar pai e mãe Amar os avôs <1> e <4) e as avós (1) e (4) Tomar a iniciativa para por ordem no fluxo de significado Não pararConstruir o que precisa ser feito Trabalho de todos como Beta, por amor, por paixão. Amar as avós (2) e (5) os avôs<2> e <5> Ser amoroso e gentil Ser útil aos outros Promover a união e integração das pessoas Amar o que precisa ser amado Trabalho de todos como Gama, pela mente, por dinheiro. Amar os avôs <3> e <6> e as avós (3) e (6) Trazer equilíbrio ao mundo Enriquecer, juntar energia financeira, saber cobrar o certo Sair do seu mundo e conhecer o mundo Compreender o que precisa ser compreendido bia 131 Então podemos fazer um GPS, para nosso destino Alfa Beta Gama Para o pai Herdeiro Gracinha Orgulho Para a mãe Encanto Encanto Preocupação Para irmãos Mandão Chorão O E.T. Na escola Aplicado Desligado Organizado No namoro Apaixonado Apaixonável Muita paixão No trabalho Lidera Cria Conclui Seu driver Reparação Amor Dinheiro Seus livros Clássicos Romance Técnicos Seus filmes Policiais Comédias Suspense Seus carros Luxuosos Aventureiros Econômicos Dinheiro é Importante Consequência Fundamental Com muito Faz muito Mantém Faz aumentar Com pouco Faz pouco Faz muito Faz nada Aparências Fundamental Que é isso? Enganam Vida é uma Subida Decida Plana Torce para O mais forte O mais fraco Acabar logo Ajudar outros Só pensa Dedica-se Nem pensar Crenças Eu creio Creio eu Creio em mim Objetivos Inalcançáveis Alcançáveis Não conto Viagem férias Sonha em ir Em não voltar Quanto sobra? Quer o mais Alto Próximo Adequado Podemos reprogramar nosso futuro, para que seja leve, mais alegre, mais com a nossa cara. Nossas escolhas não devem ser feitas por honra ao sofrimento, mas por amor. Com a grande imagem da vida, podemos ver com novos olhos: 132 Então: Podemos viver o nosso dia a dia alegres e bem humorados. Podemos desativar esses drivers secundários. Podemos encontrar a melhor forma de evoluir. Podemos encontrar o melhor lugar nas empresas. Podemos educar melhor nossos filhos. Podemos ser os melhores amigos de nossos filhos. Podemos cuidar melhor de nossos pais. Podemos ser esposos melhores. Podemos ser esposos mais emocionais. Podemos ser esposos menos mentais e mais físicos. Podemos ter tempo para nossas capacidades. Podemos ter amigos verdadeiros. Podemos viver uma vida saudável. Podemos ser a cara de nosso futuro. Podemos ser o fluxo familiar de significado. Podemos viver uma vida cheia de sentido. Podemos desejar o bem para todos. Podemos nos empenhar em realizar esse bem. Podemos então no final da existência, não morrer, mas apenas partir. Todas as famílias tem o campo machucado e para curá-lo é que nascemos. Para fazê-lo evoluir, amamos. Destravamos e vivemos o emocional para levarmos a termo o nosso destino. Nossa tarefa pode parecer grande, mas cabe direitinho na nossa existência. Enquanto vivemos só dependemos de querer e dar o próximo passo. Depois que morrermos, já não sabemos. Depois que partirmos o conteúdo volta para o fluxo de onde veio, e pode demorar um milhão de anos ou mesmo nunca mais para poder ser tratado. Ao nos colocarmos em condições de evoluir emocionalmente, estendemos um tapete vermelho para os filhos, já existentes ou não,e aos outros descendentes que por meio deles chegarão e juntos trilharemos o destino evolutivo de nossa família. 133 Filhos adotivos Cabe ainda um tópico que é elucidador. Os filhos adotivos e enteados. Um filho Alfa natural é adotado em nova família, nesta ele é Beta. Naturalmente ele é Alfa, socialmente é Beta. Seu fluxo de conteúdo é o de sua família de origem, Alfa, mas ao receber o amor de seus novos pais, ele por amor a eles, ajuda trazer o conteúdo beta da família adotiva. Se os novos pais não forem atentos, aceitarão esses gestos de amor, e o dispensarão do seu esforço em travestir-se de Beta. Para isso os pais precisam ser “poliglotas” sistêmicos, como educadores, líderes e terapeutas. Precisam falar a linguagem de Alfa para os Alfa, a linguagem de Beta para os Beta, e a de Gama para os Gama. Dispensado de ser quem não é, o filho adotivo e os enteados podem ser quem realmente são, e isso será fundamental em sua vida. Recebendo esse grande bem pode retribuí-lo ao pais, a si mesmo e a todos. O trabalho essencial dos pais é o de ler seus filhos como eles são. A leitura sistêmica sempre aponta na direção do fluxo familiar, na direção do entendimento, da paz, enfim, do conteúdo emocional que é o mais forte. O amor dos pais ensina a ler seus filhos. Só se aprende a ler o sistema quem sabe o idioma do amor. Só o amor lê. Quando o fluxo sistêmico se sente lido ele pode voltar ao seu leito natural. Podemos tomar em nossa casa o filho de outro pai, de outra mãe. Mas isso é tarefa para um grande amor. Um filho adotivo que entra para uma família depois da morte de um filho natural, é atraído para o vazio do sistema, entra como um reparador, ao fazer isso fica mais difícil para ele mesmo encontrar o próprio leito para deixar fluir suas águas. Todos os filhos precisam sentir-se pertencentes e incluídos no seu sistema de origem. O que não pode ser dito buscará outras formas de expressão. Como doenças por exemplo. 134 Adicionando o vazio A solidão é essencial à fraternidade. Gabriel Marcel O movimento automático que fazemos é o do somar. Quanto mais, melhor. Mas aqui é diferente. Precisamos aprender a somar o vazio. Como numa floresta. A diferença da floresta para o jardim é que nela foi adicionado o vazio. O homem veio habitar esse jardim. E só ele pode trazer o vazio para a floresta. A floresta das relações intrincadas dos antepassados. A floresta das solicitações sem fim que nos tiram do sério e do nosso próprio lugar. A floresta do querer ter algo a mais para si mesmo, enquanto o que precisamos mesmo é algo a menos. Do que vamos abrir mão? Precisamos diminuir o ritmo. Precisamos saber o imenso tesouro que temos em nossas vidas. Precisamos fazer uma pequena desconstrução do que vem sendo construído para encontrarmos nas camadas anteriores de nossa estrutura, os veios de significado que correm como rios pela planície, trazendo a mensagem que vem desde a montanha. Nossa família na montanha de Campos do Jordão 135 Luiza Achcar Gerações de Firaces. 136 6 - A partida Morrerei se suspirares Pois és meu grande bem Cecília Meireles Até aqui fizemos a leitura do nosso sistema pela chegada, mas agora precisamos fazer a leitura do mesmo nosso sistema, porém pela partida. Só morre o que nasceu. O que sentimos no coração, não nasceu no coração. O conteúdo que vem pelo fluxo contínuo de significado, não nasceu no dia de nosso aniversário, nem na nossa concepção. Nasceu na aurora da primeira manhã. Nós é que deixamos esse conteúdo misturar-se com tudo o mais e nos confundimos. Achatamos o emocional, fizemos dele uma pizza com a nossa cara. Aceitamos viver por um amor menor, enquanto nosso coração ansiava muito mais. Aceitamos viver por verdades menores, enquanto nossa mente poderia voar muito mais alto. Aceitamos amar um amor menor, um amor técnico, como um beijo de novela. Um amor misturado com medo da solidão, medo de separação, medo de se dar, um amor que não é amor. Acabamos chamando de utopia, aquilo em que acreditávamos possível só porque nos achávamos momentaneamente incapazes. Um mundo melhor. Uma vida com sentido. Amizades verdadeiras, amor verdadeiro, entrega, confiança, dedicação, o bem desinteressado, a empatia, a compaixão. Sexo e amor como uma coisa só. Mente e coração caminhando juntas, com o emocionalvindo à frente. Sem medo de sermos considerados ingênuos e bobos podemos fazer uma vida cheia de significado, tão cheia que ao partir, nós deixaremos para trás apenas a menor parte. 137 Podemos viver uma vida sem limites, se nossos sentimentos forem sem limites, se nossa bondade for sem limites. Se a nossa mente for sem fronteiras. Podemos então, quem sabe, não morrer, mas partir. Algo aqui mudou. E estamos frente a frente com nós mesmos, mas de uma forma diferente. Estamos desarmados e desinteressados. Podemos olhar para nossa vida pelo seu lado inteiro. E pela primeira vez sentimos que o que ficará na nossa partida é menor parte, como a casca da lagarta, sendo que o que vai, é a borboleta. Sentimos uma onda amorosa que nos conecta a tudo. E queremos seguir com ela. Sentimos que todos os seres vivos estão ligados pelo coração. Fazendo a rede da Imensa Vida. Nela há algo de puro que parece que nunca foi tocado. Nela parece que não temos idade. Que somos jovens e belos. Nela queremos o bem para todos. Podemos mudar de uma base mental complicada, secundária e indireta para uma base emocional, primária, simples e direta. Em tudo que tocarmos e olharmos, com essa objetividade e simplicidade reverberará a Imensa Vida. É como a benção que transforma a água podre em grão de neve. Nosso corpo é setenta e cinco por cento água, com cem por cento de água abençoada, cem por cento de benção. E por um momento podemos sentir em nossas vidas que não temos problemas. Temos soluções. Mesmo quando vêm as broncas para cima de nós. É só não nos deixarmos sequestrar por elas. Podemos olhar para elas de frente, cheios do emocional, cheios de bem, de forma que não haverá espaço nenhum para outro elemento em contrário. Daremos a outra face, se preciso. Sem nos desfocar dessa onda amorosa que nos conecta a tudo, saberemos ver mesmo nas adversidades, o que está lá dentro, e também faz parte da Imensa Vida. 138 Permissão Toda partida tem antes uma permissão, um consentimento, claro e indubitável, uma permissão anterior, desde a tênue até a mais explicita aceitação. Só morre o que não conseguiu em vida, nascer de novo. O que está preso ao sistema por uma fidelidade doentia. Ao permanecer fidelizado permite a morte, não a vida. Até mesmo uma vítima de bala perdida, em uma determinada instância, deu permissão para que isso acontecesse. Ou quando um ladrão é atingido por uma bala, e ele diz que não quer morrer, é sua mente que luta contra a morte enquanto seu emocional há muito já permitiu, desde quando ele se tornou ladrão. Quem nega o seu próprio movimento emocional está permitindo a morte. Quem entra no seu genuíno movimento emocional suspende a permissão de morrer na hora, isto significa dizer, cura- se de qualquer doença. Quando alguém está fora de seu lugar, está permitindo os drivers secundários, está permitindo a encarnação do que não é o seu “eu mesmo”, está permitindo a morte. Da mesma forma como o rio que corre fora de seu leito seca. Como a lagarta que sufoca a vida que há dentro dela, mata a borboleta. Viver fora de seu lugar é assumir esse grande risco. É pagar doença com saúde. É subverter a ordem interna. Não caminhar para seu destino, é ficar preso em si mesmo e voltar para as origens, morrer com seus mortos. Ao viver fora de seu lugar, assina-se a própria pena de morte com data em branco. Todo ser vivo sinaliza interiormente sua orientação para vida ou para morte. Dentro de nós, todos nós queremos a Imensa Vida. É da natureza emocional, formatar a nossa inteligência, os tipos de relacionamentos e a saúde. Quem tem claro qual é a sua missão não se permite morrer. Arranja forças e se blinda. Quem se sente desconfortado com sua vida, está sem defesas e qualquer coisa pode atingi-lo. Está exposto. 139 O meu lugar You never see what you want to see Forever playing to the gallery You take the long way home Take the long way home Roger Hodgson Podemos ter escolhido caminho mais longo para ir para casa. Não importa. Ao nos colocarmos frente a frente com o nosso destino, a nossa verdadeira casa, tanto faz o caminho que fizemos. O que importa é o que faremos agora. Podemos olhar para todos as pessoas queridas que já partiram, e ter uma imensa gratidão pelo que elas representam, como sendo os construtores das bases da subida da montanha. Alguém vai ter que chegar ao cume. Arranjar forças, preparar-se e sair do acampamento em que chegamos, e fazer a loucura de ir até o cume sem parar. Sabemos que é loucura, mas loucura é “lo que cura”, em espanhol. Então será uma insanidade não fizermos nada, porém se dermos um passo, ”lo curamos”. Insanidade é aceitar que vamos nos juntar aos que já morreram, se está tão claro que temos de ir na direção oposta. Então brota em nosso íntimo um sentimento vivo, que podemos ser nós os que chegaremos ao topo da montanha, e não morreremos. Vamos encarar seriamente esse assunto, sem empurrar para depois. Nossa verdadeira casa é o cume da montanha. É para lá que anseiam todos que vivem. É para lá que queremos ir, é para lá que podemos ir se mudarmos nossos drivers secundários e atendermos o primário. bia 140 O eu Toda morte aponta um conteúdo. Toda morte tem um por que. Toda morte tem uma permissão para se morrer Era do Significado O eu é a casca do ser. O ser é o alinhamento do corpo, da mente e do emocional. O eu é uma casca necessária, uma identidade externa para ajudar a dar unidade e integrar esses três, pois sem o eu, o conteúdo se derramaria e se fundiria na substância insípida e inodora de numa existência sem graça e sem fundamentos. A evolução é a vontade do ser em se desdobrar a partir da Imensa Vida. O movimento não vem do eu, mas dela. Do ser vem a vontade de conhecer e de se conhecer. Quando o ser desdobra a Imensa Vida, ressignifica os seus sentimentos, sua história e até mesmo a forma de se ver. Quando o ser entra em um estado profundo de gentileza e amorosidade ele se regenera. E quando menos esperarmos, estaremos tocando o topo da montanha. Não precisaremos mais morrer, apenas partiremos. Aquilo que vem se desdobrando desde a origem da vida, desdobra em nós e nos faz vias de acesso por onde pode prosseguir a Imensa Vida. Por vibração. Por simetria. Nossa vida acessa a origem da vida, então quando chega lá, pode seguir para seu destino. O ser acompanha o movimento irrepetido e único do significado, em Alfa, Beta e Gama. A Imensa Vida se expressa ela mesma. Na nossa existência aprendemos, evoluímos, amamos, encontramos outros seres a quem amamos e somos amados e a certa altura da vida, quando somos mais adultos, reconhecemos em nossos movimentos, a assinatura da Imensa Vida. Dela vem a intenção, nela agora se expressa o conteúdo, em harmonioso movimento. 141 Morte e Partida A partida é inexorável. A morte é opcional. A morte é aquela que vem de encontro àqueles que já deram permissão pelo afastamento do seu driver primário, em seu emocional. A partida é o movimento contrário. Ela brota da aproximação emocional do nosso movimento genuíno, único, irrepetido, e ao ressignificar se abre para a Imensa Vida. Viemos do fluxo de nossas famílias, aceitamos fazer nossa “lição de casa”, queremos deixar nosso sistema melhor para os que virão. Então, no íntimo cada um pode dizer: Coloco-me à disposição da vida, Para seguir em algo que não morre. Para onde vou, não tenho outra opção a não ser. Permanecer frente a frente à Imensa Vida Fazer a “lição de casa”, limpar o emocional, melhorar o sistema para minha família epara todos, ser amoroso, sendo um com a Imensa Vida. Este é o significado que não se pode mudar. O que é bom no emocional é bom para sempre, o que precisa melhorar, para sempre precisa melhorar. Quem distingue se o emocional é bom ou se precisa melhorar, somos nós mesmos. O significado que conseguimos fazer vivo em nós, aponta com a nossa vida para o nosso destino. Se entendermos o porquê de estarmos aqui, não há o menor ressentimento ou desinteresse em não precisar partir. Assim como nenhuma criança nasce fora das chances de trazer o bem para seu sistema, da mesma forma, nenhuma partida é feita fora dessas mesmas chances. O sistema é a nossa fonte de referências, é a chave para entender a Imensa Vida. As informações e reconhecimento que vem do emocional validam o fluxo da família. O objetivo comum é a evolução do sistema. Na família, em todas as famílias e no mundo todo. Cada vez que amamos, ou 142 exercitamos nossa capacidade de amar, trazemos leveza ao nosso sistema. Nenhuma criança vem solta do seu sistema, nenhum adulto volta avulso ou sozinho. Só o adulto pode partir. Gostamos de nos pensar indivíduos, pessoas isoladas, singulares, independentes, autônomos que podem fazer o que bem quiser com suas vidas, mas não somos. Temos umbigo e por ele estamos ligados a tudo que veio antes de nós e por ele estamos ligados também a tudo que virá depois. Mais do que a nossa imagem física, refletimos também a imagem de nosso sistema. Nossas conexões ancestrais apontam o conteúdo para o qual foi preciso que viéssemos ao mundo . Nossa tarefa, nosso movimento original, é entender a “lição de casa” que viemos fazer, e ao mesmo tempo entender que é possível dar o salto quântico a cada momento que nos abrimos para a Imensa Vida. Se soubermos fazer isso agora, saberemos também como fazer na hora de nossa partida. bia 143 Aceitar o destino Sede vossas próprias luzes, vosso próprio apoio. Permanecei fieis à verdade que existe dentro de vós como sendo a única luz. Budha. Aceitar o destino, que foi escolhido há muito tempo no fluxo de significado da família, é a base para se tornar adulto. Todas as linhas de força apontam na mesma direção: A história individual dentro da saga comum. O anseio inconsciente em todas as famílias é puxar a fiada dos filhos, é trazer e tratar o conteúdo da família, até que um dia, tendo sido manifesto e tratado, não se encontrem mais barreiras ou resistências para inserção na Imensa Vida. E surgirá o filho ou filha que em última análise, não precisará mais pagar amor com dor, vida com morte. Não precisa mais ser Alfa, Beta ou Gama, poderá ser Ômega, o ser que não precisará mais morrer. Um ser humano que passa direto. Quando isso acontecer, a humanidade inteira passará com ele, estabelecendo outra ordem entre os seres vivos. O Ômega é aquele que é um com a Imensa Vida. O Ômega é aquele que traz o conteúdo do pé da montanha, ao topo da montanha. Ele é a realização do que sentimos, quando vislumbramos o que seja não morrer. Sua identidade não será voltada para os outros, mas para si mesmo, para o conteúdo emocional. Não julgará nada ou ninguém. A tudo responderá com amor. Não se sentirá separado da vida. Corpo, mente e emocional não mais separados. Harmonia no diapasão emocional. Na hora da partida, não precisará se reduzir. Nem falar: ”é hoje que eu vou”. Esse sentimento está presente em cada momento, gerando desdobramento. Em confiança a essa Imensa Vida, sem se mover, dá um salto e mergulha na correnteza do fluxo continuado da vida. 144 Ao dissolver a saga nessa infinita história, por esse salto, ele percebe ser ele mesmo o bem capaz de injetar vida nessa correnteza, ser o amor irresistível às forças evolutivas. Assim podemos todos, deixar o veículo Alfa, Beta e Gama que usamos até aqui com esse corpo, com essa mente, com esse coração, e mergulhar fundo na inteireza indivisível, da qual boiamos e nos destacamos ao nascer. Será um mergulho longo ou curto. Levará o tempo de uma geração ou o de uma respiração. E mergulharemos nesse mar de vida, onde respiraremos por nossas guelras sistêmicas, até o momento em que cheios de amor, aceitaremos o convite como foi aquele que recebemos para nascer, mas desta vez não mais para trazer à tona, mas para fazer de si próprio, o conteúdo mais antigo em corpo novo. E aceitaremos este convite como extensão do convite primeiro. E veremos a Imensa Vida nas feições de nossos familiares, aqueles que amamos tanto. E com os olhos fechados e ardendo de amor, seremos atraídos pela vibração de nossos iguais, até entrarmos naquela célula tão pequenina, e daremos rosto ao fluxo de vida. Para isso precisaremos de coragem. Precisaremos da mesma coragem para partir como precisamos para nascer. A mesma energia. E quando estivermos prontos, o corpo nos levará a beira do rio. E maravilhados pela beleza dele, nos entregaremos à correnteza. Quem chega à nascente do rio. É sua água. Da nascente parte a história do rio, que ao longo do percurso se suja e aprende a se limpar, reescreve sua história, até o momento de desaguar no mar, no oceano da Imensa Vida. E ao abrir os olhos, a água se descobre mar, validando o percurso que fez desde a montanha. 145 Pertencer à vida É uma honra pertencer à vida. Entender-nos como sua extensão criadora. É uma honra descobrir a vida de tantos dos nossos em nós mesmos. É uma honra ser um elemento de mudança, de avanço do nosso próprio sistema. É uma honra exercitar a opção de amar. Então só há um lugar plausível para se ressignificar a morte: é na própria nascente. Ao chegar ao mar, voltamos interiormente para os nossos pais, que por sua vez já deverão ter voltado para os pais deles, e eles também aos pais deles, regressivamente até a nascente. Assim caminhando inversamente o caminho da história, inspiraremos o ar da primeira vida, na nascente da montanha, e ao expirarmos sentiremos o cheiro salgado das águas do mar. A Imensa Vida caminha na direção da convergência. Do nada ao todo. Do tudo ao um. Bia 146 Olhando com outros olhos Então podemos ver a vida com outros olhos. Desde a gravidez até a partida, mas com outros olhos. Na gravidez, todas as influências do universo estão ali presentes. O ato criador de trazer ao mundo outro ser, é a possibilidade de expressão da própria vida. Então podemos ver que tudo já estava na origem da vida, e o que vemos são seus desdobramentos. Podemos ver que se um de nós consegue superar uma barreira emocional, ela se abre para todos. Então entendemos a infusão que ocorre na gravidez. É todo universo contraindo o seu conteúdo, tomando carona no conteúdo daquela família. É o legitimo cenário por onde vem o fluxo da vida. O DNA é uma pequena referência do modelo psicoenergético que se forma. Estamos todos conectados. Nascemos na hora em que ocorre o equilíbrio do PH da mãe e do bebê, a equivalência mãe-filho, é a ponte por onde nascemos. Da mesma forma, ao partir, se nos abre a mesma ponte da equivalência, porém com a Imensa Vida. Quando estamos em equilíbrio, estamos em equivalência com a Imensa Vida. Assim podemos ir. Assim podemos viver. Só quando estamos prontos para partir é que estamos prontos para viver. 147 A equivalência é a ponte que nos permite a inserção na Imensa Vida. A lateralidade formatada na nossa gravidez (lado direito – Yin e esquerdo - Yang) se transpôs, se inverteu na hora do nascimento (ficando lado direito – Yang e esquerdo - Yin) se transpõe e inverte novamente na hora de nossa partida. Fecha o ciclo. A mesma transposição do nascimento ocorre na partida. Por exemplo, uma criança Yin, teve uma gravidez Yang, volta a ser Yang na partida, como num primeiro filho ou segunda ou quartacriança depois de menina. Ou, analogamente, uma criança Yang, como uma primeira filha Alfa+, teve uma gestação consolidadora Yin, uma vida expansora Yang, e partirá Yin como chegou, consolidando seu sistema. A seqüência dos irmãos é Yang e Yin, alternadamente. Expansão e consolidação, Yang e Yin, nascimento e partida, são como a pulsação da Imensa Vida. Partimos como viemos. Alfa, Beta e Gama são apenas estratégias evolutivas da vida para cada um de nós. Foi a maneira como pudemos receber e processar, assimilar, assumir, realizar, resolver, ressignificar o conteúdo da Imensa Vida, que nos chega pela nossa família. Não precisaremos mais ser Alfa, Beta ou Gama ao partir. O que não pudermos fazer, volta para o sistema e ficará esperando por uma próxima chance. Ao partirmos, tudo que aprendemos e nos desenvolvemos emocionalmente não será mais entendido como Alfa, Beta ou Gama, mas como Ômega, o que não morre, a medida do quanto pudemos evoluir, enriquecer e trazer o bem, para a Imensa Vida. Grão de neve 148 7 - Epílogo O Atirador Sistêmico. Imaginemos um atirador sistêmico, diferente de um atirador de elite, que atira no campo físico. Este outro atira no campo do significado. Ele aponta para a origem, a causa das questões. Vamos passear com ele e ver seus tiros. Primeira parada: Uma cadeia com os piores criminosos. Nossos olhos se voltam para os presos, que ali estão pagando com tempo, em pena de reclusão, para mudar algo neles. Pode ser só esperança, mas a apartação física, não aparta o problema do criminoso, aparta somente o criminoso da sociedade. Ali na cadeia suas dores continuam, seus motivos e a falta de entendimento de seus reais motivos continuam. E mesmo se os presos morressem, o sofrimento deles continuaria e se juntaria ao sofrimento de tantos penitentes mortos que não puderam fazer sua “lição de casa” a tempo. Então, o atirador olha para eles não como criminosos, vitimadores de outras pessoas, mas olha para eles como vitimados que foram e ainda são? Podemos vê-los como sendo as verdadeiras vítimas? Eles foram os abusados quando crianças, os que tiveram pais ladrões, mães prostitutas, os que não tiveram bom amigos, não conseguiram sair do redemoinho da própria dor. Eles são as vítimas, e o tempo que eles ficam ali presos deveria ser empregado para serem tratados. Cuidar do vitimado que está dentro do vitimador. Trazer à tona seu conteúdo, ver suas conexões familiares, seu posicionamento fora de lugar, ver as repetições que não foram aprendidas, ler a sua história com dignidade, de quem, a um certo nível de consciência, escolheu esse destino, escolheu pagar o pato, escolheu essa rota cheia de dor. Então para que a prisão possa ser “campo” de atuação da Imensa Vida, é preciso que o atirador sistêmico mire no criminoso, no vitimador e acerte o vitimado, a verdadeira vítima, a criança que precisa se saber quem é, numa verdadeira proeza sistêmica, fazendo o famoso tiro “ errou na mosca”. 149 Continuamos nosso passeio. Entramos numa escola, cheia de crianças com uniforme, salas de aula e professores. Para quem são feitas as escolas? - Para os alunos. Esta é a resposta automática. Mas vamos investigar isso com calma. As crianças estão ali para aprender, e aprender é um fenômeno complexo, onde só se aprende quando se rompe uma barreira interna emocional, quando se abre o mental, quando vibra a pulsão original naquele aluno, ou seja, quando o aluno ou aluna entra no “campo” de atuação da Imensa Vida na escola. Quem está criando esse “campo”? - Os professores. Quando estes se atêm a compreender a realidade da matéria, a realidade dos alunos e deles próprios, eles criam esse “campo” escola. Então é para eles que a escola deve ser feita, pois eles ao gerar o “campo”, geram as condições para que os alunos, ao redor deles, realmente possam aprender. Aprendendo quem são e a que vieram, esses alunos não precisarão conhecer as cadeias. O tiro “errou na mosca” vai no professor. Ele é a origem. E ele pode gerar o “campo”. O atirador sistêmico recarrega sua arma e continua seu passeio. Entra num hospital. “Já sei”, pode dizer alguém. “Se o negócio é mirar numa coisa para acertar na outra, então no hospital deve ser... atirar no médico para acertar o paciente?” – Não ! Passou longe. Segure o atirador um pouquinho. Num hospital o doente vem tratar a doença que contraiu ao longo da vida que leva tão igual a tantos milhares ou milhões que vivem a mesma situação, o mesmo drama. O doente é um representante, um dignitário. Sua dor é a dor do mundo. Sua doença, a doença do mundo. Será que ele veio ali só para tirar os sintomas, tomas umas aspirinas, anestesiar as dores e ser mandado de volta para a fonte da doença que o trouxe ali? Ele e todos os outros colegas de enfermaria? - Não. 150 Não parece verdadeiro que seja este o propósito do hospital: fazer uma meia sola no paciente e mandá-lo de volta ao mundo impaciente. No hospital o nosso atirador sistêmico mira no doente para acertar a sociedade. Só assim ele pode “errar na mosca”. Cada doente é um pedido de socorro de milhões que sofrem do mal de como organizamos o mundo. Do mal do jogo trapaceado do poder, político, econômico e masculino. Do mal que existe em cada um de nós nessa vida em condomínio das cidades, das sociedades, onde somos o que representamos. Podemos demorar até trinta anos numa lenta intoxicação desses valores pífios, para apresentar nossa doença, para vir à tona e poder ser tratada e compreendida, e quando felizmente adoecemos precisamos do “campo” da Imensa Vida para sermos ouvidos em nosso significado, somos remediados, lobotomizados quimicamente, e devolvidos para a cronicidade de nossas doenças, numa vida sem solução e sem remédio. Para acertar na sociedade, o atirador sistêmico atira no doente, para acertar na saúde, atira no compromisso médico, de colocar todas suas forças a serviço da vida. Saindo dali, vamos para a família. (Prepara munição aí, gente!) Para acertar no destino, precisamos mirar na origem. Para acertar na evolução dos filhos, precisamos mirar no amor dos pais. Para acertar no bom desenvolvimento dos filhos, precisamos mirar na “lição de casa” com os avós. Para acertar na comunicação, temos que mirar na observação. Para acertar o diálogo, precisamos mirar no silêncio. Para os filhos acertarem suas profissões, precisamos mirar nas suas conexões ancestrais, e se houver obstáculos, superá-los. Para os filhos encontrarem bons companheiros e companheiras na vida, precisamos mirar no conteúdo emocional não resolvido na vida dos pais, que distorcem o sistema da família. 151 Para acertar na felicidade dos filhos, precisamos mirar na honra dos pais. Para acertar na saúde física, temos que mirar na saúde emocional. Para acertar na saúde da mente, temos mirar no equilíbrio. Para acertar numa vida cheia de significado, precisamos mirar no vazio. Para acertarmos a pulsão original, temos que mirar nos drivers secundários. Para acertar a nossa individualidade, precisamos mirar em todos que compõe a nossa árvore de conexões. Para acertar na realização, precisamos mirar na harmonia. Para acertar na riqueza, precisamos mirar na fraternidade. Para acertar na paz, precisamos mirar na inclusão. Para acertar na evolução temos que mirar no amor. Para acertar no amor, precisamos acertar no posicionamento. E por fim, para não morrer, precisamos mirar na Imensa Vida. Nós somos esse atirador sistêmico. Nós podemos dar o salto, podemos entrar pelo fluxo do significado. Nossos olhos podem ver além da matéria. Podem ver através dos sistemas Nós entendemos que morremos só no que não sabemos viver, no que não sabemos ressignificar, no que não fazemos nascer de novo. Nós somos a correnteza e o rio da vida. Nós somos o presídio em quese curam as vítimas. Nós somos a escola em que se aprende a realidade. Nós somos o hospital que cura fazendo se conhecer o significado da vida. Nós somos o espelho em que toda humanidade pode se ver. Nós somos as perguntas que não aceitam respostas fáceis. Nós somos a ponta do iceberg de nossa imensa família. 152 Nós somos os que podem dissolver o sofrimento coagulado nas células. Nós somos os que deixaram de se ver pelos olhos dos outros. Nós somos o desdobramento de nossos avós, e o que realizarmos em nossa vida será desdobrado em nossos netos. Nós podemos deixar que o conteúdo que está dentro possa vir para fora e comece a aprender por si mesmo. Nós sabemos desconfiar das evidências fáceis. Nós sabemos fazer a pontaria que “erra na mosca”. Nós sabemos apontar para na Imensa Vida. Nós sabemos acertá-la. Podemos contemplá-la, acompanhá-la, essa doce e inconsolada vida. Afinal, para quem essa inefável vida pode se revelar? Oh, bondosa vida. Paciente vida. Vida que se deixou travestir de anjos e divindades. Conspurcada vida que recebeu todo tipo de projeções, cooptações, imaginações e fantasias. Podemos ser este homem, esta mulher. Resolvermos desvendar o que sempre ficou encoberto. Resolvermos tratar desse tema. Resolvermos aliviar a dor da vida. Ao nascer, em nossa família, escolhemos tudo isso. Ser este homem, esta mulher. Ser a dor de meus avôs e avós. Ser o passado cheio de explicações vazias. Ser o que sou. Da mesma forma, ser essa oportunidade. Ser luz para o mundo. Então entendemos o que significa “eu sou”. “Eu sou” a obra prima que a vida faz em meu sistema. “Eu sou” o que a vida consegue se manifestar. “Eu sou” o fluxo evolutivo da vida. “Eu sou” seu endereço. “Eu sou” a parte visível do conjunto da minha família. 153 Então, reconheço em meus filhos e netos, por um milionésimos de segundo, como por um raio de luz, o reflexo da face de Deus. Foto de Masaru Emoto da água suja, agora limpa e abençoada. 154 Final A mecânica da família é um tema inesgotável. O que apresentamos aqui é apenas uma sinalização do estudo que todos, independentemente da fase da vida, crença e cultura precisam conhecer, assim como os povos primitivos precisavam de um espelho. Saber quem somos é a base do conhecimento. Mesmo antes do que cremos e do que pensamos. Só a partir do que realmente somos é que podemos nos considerar fazendo parte da história humana. Desenvolver é uma ampliação de ser quem somos. Não saber para onde vamos, se vamos ou se não há nada após a morte, tem jogado a humanidade no campo das incertezas, da individualidade desconectada do todo da vida, das possibilidades mais diversas. Esquecemos que estas respostas estão em nós mesmos. Estão no entender de quem somos, de onde viemos, a que viemos, e isso só é possível entender a partir da história de nossa família. Somos o melhor arranjo de nossos pais, avós e bisavós, para evoluir o “campo” emocional de nossa família. Nascemos corpo e mente, mas o nosso emocional vem desde a origem da vida. Não nasceu conosco, não morrerá conosco. Só o que já existia antes continuará existindo depois. Nascemos para aprender, para amar e para nos ajudar uns aos outros. Nascemos para desbloquear os entraves físicos e mentais que nos acompanham. Nascemos para nos disponibilizar para o amor. Nascemos para criar o universo. Nascemos para um dia não mais precisar morrer. Se colocarmos o objetivo de nossa vida apenas no nosso bem, ficaremos emocionalmente do mesmo tamanho que nascemos. Então podemos expandir o significado da vida, entendendo nossa vida no contexto da Imensa Vida. Podemos vê-la chegando desde sua origem pelos nossos pais, podemos vê-la seguindo na direção de seu destino pelos nossos filhos. 155 Comentário final da quinta edição A sequencia do estudo apresentado nesse livro, IMENSA VIDA, está nos livros: Pedagogia Sistêmica, depois da última curva do rio o começo, Adultecer e Terapêutica Imensa Vida, uma forma de tratar os saudáveis. No primeiro entendemos como chegamos aqui, como tomamos as cargas emocionais do sistema de origem e produzimos em nós as personalidades Alfa, Beta e Gama. No segundo entendemos que nossa capacidade de aprender nos posiciona no mundo e revela nossa pulsão. No terceiro vemos a física desde o primeiro momento de nossa existência, depois oferece uma forma especial de tratamento pela observação. O Instituto Imensa Vida, promove encontros de Constelações, edita vários livros de conteúdo sistêmico e realiza diversas Formações Sistêmicas no Brasil e no exterior em: Constelações Familiares Sistêmicas, Pedagogia Sistêmica, Sistêmica Organizacional e Direito Sistêmico. Acompanhe pelo site www.imensavida.com Para adquirir os livros, em português, espanhol ou inglês, fazer perguntas ou consultas entre em contato pelo email : Institutoimensavida@gmail.com ou tarsofirace@gmail.com Bom estudo. Tarso Firace http://www.imensavida.com/� mailto:Institutoimensavida@gmail.com� mailto:tarsofirace@gmail.com� 156 Bibliografia Adler, Alfred - What life could mean to you. Amaral, Moacir – Hestória. Bohm, David. Totalidade e a Ordem Implicada. Bohm, David. O pensamento como um sistema. Chardin Teilhard. O Meio Divino. Di Biase, Francisco. O Home Holístico – A unidade mente-natureza. Firace, Tarso. A Era do Significado - Jardim das Empresas - Ouvindo as Montanhas. Fontes Vilela, Nereida. Leitura Corporal – A linguagem da emoção inscrita no corpo. Gibran, Khalil – Uma Antologia Ilustrada. Hawking Stephen. O Universo numa casca de noz. Hausner, Stephan. Constelações Familiares e o caminho da cura. Jaworski, Joseph. Sincronicidade- O caminho interior para a liderança. Johari, Harish. Chakras, - Centro Energéticos de Transformação. Johnson, Denny e Cuffe Edith, The nature of birth order. König, Karl – Irmãos e Irmãs. McTaggart Lynne. O campo – Em busca da força secreta do universe. Odul, Michael - Diga-me onde dói e te direi por que. Peyrot Bruna, La Citadinanza Interiore. Roscoe, Mauricio- A Evolução Humana. Meireles, Cecília – Obras Completas. Schützenberger, Anne Ancelin. La Sindrome degli Antenati Servan-Schreiber, David. Curar – O Stress, A Ansiedade e a depressão sem medicamento nem psicanálise. Stam, Jan Jacob. A Alma do Negócio. Thaumaturgo Celene. Invocações .Evolução, proteção e cura. 157 tarso.firace@gmail.com www.tarso.firace.org Site do autor www.imensavida.com Site do Instituto Imensa Vida tarsobh.blogspot.com Textos variados tarsobh2.blogspot.com Livros não impressos tarsobh3.blogspot.com Livros já publicados Músicas www.soundcloud.com/tarsofirace mailto:tarso.firace@gmail.com� http://www.soundcloud.com/tarsofirace�