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PROGRAMA 
DE EDUCAÇÃO 
PERMANENTE 
EM SAÚDE 
DA FAMÍLIA
UNIDADE 3
Melhoria do acesso 
e qualidade
 
Observação 
na Unidade 
de Saúde
Ana Tânia Sampaio
Aula 1: Atividades e grupos prioritários 
na Atenção Básica
Para iniciarmos esta aula, é importante resgatarmos a reflexão inicial do nosso módulo, 
quando lhe lembrávamos que a nomenclatura “Unidade Básica de Saúde” surge com o SUS, 
ou seja, antes, sequer os municípios eram gestores da saúde e não existia a lógica organiza-
tiva dos serviços em rede.
Até 1988, pouquíssimos municípios brasileiros tinham secretarias de saúde, os que tinham 
eram, a maioria, capitais. Nas cidades do interior, as ações de saúde eram assumidas 
pela ex-Fundação Serviços de Saúde Pública (FSESP), autarquia do Ministério da Saúde, 
ou existiam “Postos de Saúde” herdados do antigo programa ministerial “Programa de 
Interiorização das Ações de Saúde e Saneamento” (PIASS).
Não chame “UBS” de “Posto de Saúde“. Ambos são Estabelecimentos 
de Saúde com nomenclaturas e atribuições diferentes, conforme 
esclareceremos mais à frente.
Uma das necessidades operacionais no decorrer da reforma sanitária brasileira, com a 
implantação de um sistema único, hierarquizado e com comando único em cada esfera 
de governo, foi a instituição de um Cadastro Nacional para os Estabelecimentos de Saúde 
(CNES). Isso aconteceu por meio da publicação da Portaria Nº 511, de 29 de dezembro de 
2000, passando assim o MS a normatizar o processo de cadastramento em todo território 
nacional. Para o Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (SCNES), “Esta-
belecimento de Saúde [é] um espaço físico delimitado e permanente onde são realizadas 
ações e serviços de saúde humana sob responsabilidade técnica” (BRASIL, 2015c).
Vamos, a seguir, estudar a classificação dos estabelecimentos de Saúde na Atenção Básica.
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
A classificação dos estabelecimentos 
de saúde na Atenção Básica
Você já se perguntou se a classificação que temos hoje sempre foi assim?
No Brasil, a classificação dos estabelecimentos de saúde se processou de forma relativamente 
desordenada, sem uma discussão maior acerca do seu significado, na maioria das vezes, sendo 
ajustada apenas com base na realidade contextual do SUS. Lembre-se de que, no modelo anterior 
ao SUS, os serviços eram identificados por Postos de Saúde (PS), Centros de Saúde (CS), Unidades 
Mistas (UM) e Hospitais. Considerando o processo de transição do modelo anterior para o atual, o 
SCNES <http://cnes.datasus.gov.br/> manteve inicialmente a nomenclatura dos Postos de Saúde 
e Unidade Mista, associando a concepção dos antigos Centros de Saúde às atuais Unidades Bási-
cas. Vejam que mesmo assim é completamente diferente a atribuição de um PS para uma UBS.
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
Destarte, a classificação adotada até o momento não retrata a realidade dos serviços não se 
aplicando à totalidade dos estabelecimentos de saúde existentes no país. Assim, o Ministé-
rio da Saúde instituiu um Grupo de Trabalho (GT) para discutir a Revisão das Terminologias 
de Tipos de Estabelecimentos de Saúde. A minuta apresentada pelo GT, você pode acessar 
na íntegra pelo link: http://portalsbn.org/pdf/CNES_consulta_publica.pdf. Ela foi para con-
sulta pública, por meio da publicação Nº 18, de 1º de outubro de 2015 (BRASIL, 2015c, p. 9).
Nessa minuta, a nomenclatura “Posto de Saúde” e “Centro de Saúde” desaparecem e a “UBS” 
fica com uma única conceituação de estabelecimento de saúde na Atenção Primária, pauta-
da nas seguintes atividades (BRASIL, 2015c, p. 9):
UNIDADE BÁSICA
DE SAÚDE
Assistência à Saúde > Atenção Básica.
ATIVIDADE PRINCIPAL
Consulta Ambulatorial.
ATIVIDADE SECUNDÁRIA OBRIGATÓRIA 
(TODAS AS UBS DEVEM REALIZAR)
Assistência Domiciliar;
Assistência Farmacêutica; Apoio Diagnóstico.
ATIVIDADES SECUNDÁRIAS OPCIONAIS 
(PODEM REALIZAR, PORÉM,NEM TODAS REALIZAM)
Internação Hospitalar; Outras Atividades 
Relacionadas à Saúde Humana; Gestão da Saúde. 
ATIVIDADES NÃO PERMITIDAS
(CASO REALIZE, NÃO DEVE SER CLASSIFICADA COMO UBS)
Percebam que com essa alteração no SCNES, finalmente fica caracterizada a macrofunção/ 
atividades da Unidade Básica de Saúde como Estabelecimento de Saúde da Atenção 
Primária na Rede de Serviços de Atenção à Saúde do SUS.
Já refletiu quais serviços sua Unidade de Saúde realiza e qual a sua classificação adequada? 
Vamos continuar nossa explicação.
____________________________________________________________
http://portalsbn.org/pdf/CNES_consulta_publica.pdf
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
Quais as responsabilidades da gestão 
com o funcionamento (atividades) da UBS?
Como você já viu, de acordo com a atual Política Nacional da Atenção Básica –PNAB 
(BRASIL, 2017), é de responsabilidade municipal organizar, executar e gerenciar os serviços 
e ações de Atenção Básicas, em que as Unidades Básicas de Saúde são portas de entrada 
do sistema, e devem oferecer serviços que propiciam o acesso resolutivo em tempo 
oportuno e com qualidade. Seu funcionamento deve incluir as atividades programadas, 
conciliadas com o atendimento não agendado, visando à integralidade da atenção. 
As urgências básicas devem ser acolhidas e receber a atenção necessária na própria UBS 
ou mediante encaminhamento, caso necessite.
De uma forma geral, de acordo com a atual PNAB, a gestão municipal 
tem as seguintes responsabilidades junto às UBS:
• programar as ações da UBS a partir do território adstrito e de 
acordo com as necessidades de saúde das pessoas e das famílias, 
utilizando instrumento de programação nacional ou correspondente 
local e priorizando os parâmetros da Estratégia Saúde da Família 
na organização da UBS;
• garantir a estrutura física necessária para seu funcionamento e para 
a execução do conjunto de ações propostas, podendo contar com 
apoio técnico e/ou financeiro das Secretarias de Estado da Saúde e 
do Ministério da Saúde;
• disponibilizar recursos materiais, equipamentos e insumos suficien-
tes para a execução do conjunto de ações programadas, incluindo 
dispensação de medicamentos pactuados nacionalmente;
• ter equipes multiprofissionais compostas, conforme modalidade 
das equipes, por médicos, enfermeiros, cirurgiões-dentistas, auxiliar 
em saúde bucal ou técnico em saúde bucal, auxiliar de enfermagem 
ou técnico de enfermagem e agentes comunitários de saúde, entre 
outros profissionais em função da realidade epidemiológica, insti-
tucional e das necessidades de saúde da população;
• manter atualizado no sistema de cadastro nacional vigente (CNES) o 
cadastro dos profissionais que compõem as equipes que atuam na 
UBS, de acordo com as normas vigorantes e com as cargas horárias 
de trabalho informadas e exigidas para cada modalidade.
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
Figura 1 - Consultório na Unidade Básica de Saúde.
Existem recomendações específicas para o funcionamento das 
Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF) de acordo com a atual 
PNAB (BRASIL, 2017), disponível por meio da Portaria no. 2.436 de 
21 de setembro de 2017. Brasília: Diário Oficial [da] República Federativa 
do Brasil, 2017.
Mas como deverá ser a rotina do trabalho na Unidade de Saúde? Será que isso foi pensado? 
Será que há alguma recomendação sobre isso? O que deve ser considerado para se pensar 
essa rotina? Por quê? Vamos estudar agora as atividades que devem existir na UBS.
Atividades da UBS
A rotina da Unidade de Saúde deverá atender às características do processo de trabalho na 
Atenção Básica, tendo em vista o diferencial do trabalho em equipe e as recomendações da 
atual PNAB, que orienta implantação de protocolos e registros padronizados, inserção entre 
ações planejadas e atendimento às demandas espontâneas, integralidade e continuidade 
no cuidado, humanização e responsabilização com os usuários, articulação entre ações indi-
viduais e de vigilânciaem saúde, enfoque nas ações de atenção às condições crônicas com 
o objetivo de controlar as doenças e os agravos de maior relevância.
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
Como você já viu em aulas anteriores, em 2011, foi publicado o Decreto Presidencial de 
nº 7.508, que regulamenta a Lei 8080/90 e institui a Relação Nacional de Ações e Serviços de 
Saúde (RENASES) no SUS. Nessa relação, no que se refere às Ações e Serviços da Atenção 
Primária, constam (BRASIL, 2012g, p. 9):
promoção à saúde; 
prevenção de agravos;
vigilância à saúde;
tratamento, acompanhamento, redução de danos e reabili-
tação, com ênfase nas necessidades e problemas de saúde 
de maior frequência e relevância em seu território/contexto, 
observando critérios de riscos e vulnerabilidades;
acolhimento e atenção à demanda espontânea incluindo as 
urgências e emergências nas Unidades Básicas de Saúde;
atenção e cuidado continuado/programado tanto nas unidades 
de saúde como em domicílio (quando for necessário);
indicação, prescrição e realização de procedimentos terapêu-
ticos e diagnósticos no âmbito da Atenção Primária;
atividades de atenção individual e coletivas (ex.: familiar, 
comunitária); atividades de vigilância em saúde;
atenção a todos os cidadãos sob sua responsabilidade, inde-
pendentemente dos ciclos de vida, gênero ou problema de 
saúde apresentados;
ações de atenção domiciliar;
atenção à saúde bucal;
atenção por meio de ações e serviços pertinentes às Práticas 
Integrativas e Complementares;
vigilância nutricional e alimentar e atenção nutricional;
coordenação do cuidado, incluindo o acesso a ações e serviços 
fora do âmbito da Atenção Primária.
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
Você pode acessar a relação completa de todas as Ações e Serviços 
disponibilizados nos diferentes níveis de densidade tecnológica do 
SUS por meio do documento Relação Nacional de Ações de Serviços 
de Saúde:
<http://conitec.gov.br/images/Protocolos/Renases2012.pdf>.
Na sua Unidade de Saúde todas essas Ações e Serviços da Atenção Primária são ofertados 
como previsto?
Especificidade da Estratégia Saúde da Família na UBS
Agora, vamos adentrar nas especificidades da Estratégia de Saúde da Família. Afinal, o que 
não poderá faltar na Estratégia de Saúde da Família? Qual a conformação da equipe?
Lembramos que, de acordo com a atual PNAB (BRASIL, 2017), em uma UBS, são itens neces-
sários à Estratégia Saúde da Família:
http://conitec.gov.br/images/Protocolos/Renases2012.pdf
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
I – Composta no mínimo por médico, preferencialmente da especialidade medicina de família 
e comunidade, enfermeiro, preferencialmente especialista em saúde da família; auxiliar e/
ou técnico de enfermagem e agente comunitário de saúde (ACS). Podendo fazer parte da 
equipe o agente de combate às endemias (ACE) e os profissionais de saúde bucal: cirurgião-
-dentista, preferencialmente especialista em saúde da família, e auxiliar ou técnico em saúde 
bucal. O número de ACS por equipe deverá ser definido de acordo com base populacional, 
critérios demográficos, epidemiológicos e socioeconômicos, de acordo com definição local.
ACS
Agente Comunitário
de Saúde
II – Em áreas de grande dispersão territorial, áreas de risco e vulnerabilidade social, recomenda-
-se a cobertura de 100% da população com número máximo de 750 pessoas por ACS.
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
III – Recomenda-se a população adscrita por equipe de Atenção Básica (eAB) e de Saúde da Famí-
lia (eSF) de 2.000 a 3.500 pessoas, localizada dentro do seu território, garantindo os princípios 
e diretrizes da Atenção Básica. Além dessa faixa populacional, podem existir outros arran-
jos de adscrição, conforme vulnerabilidades, riscos e dinâmica comunitária, facultando aos 
gestores locais, conjuntamente com as equipes que atuam na Atenção Básica e Conselho 
Municipal ou Local de Saúde, a possibilidade de definir outro parâmetro populacional de 
responsabilidade da equipe, podendo ser maior ou menor do que o parâmetro recomenda-
do, de acordo com as especificidades do território, assegurando-se a qualidade do cuidado.
IV – Para equipe de Saúde da Família, há a obrigatoriedade de carga horária de 40 (quarenta) 
horas semanais para todos os profissionais de saúde membros da ESF. Dessa forma, os pro-
fissionais da ESF poderão estar vinculados a apenas 1 (uma) equipe de Saúde da Família, 
no SCNES vigente.
CARGA HORARIA
40 horas semanais
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
As equipes de Saúde da Família devem estar devidamente cadastradas no sistema de cadas-
tro nacional vigente de acordo com conformação e modalidade de inserção do profissional 
médico. O processo de trabalho, a combinação das jornadas de trabalho dos profissionais 
das equipes e os horários e dias de funcionamento das UBS devem ser organizados de 
modo que garantam o maior acesso possível, o vínculo entre usuários e profissionais, a con-
tinuidade, coordenação e longitudinalidade do cuidado.
Além dessas características, a equipe necessita ter um processo de trabalho organizado e 
claramente definido. Vamos estudá-lo?
Processo de trabalho na Unidade Básica de Saúde
Você sabia que o Ministério da Saúde estabelece normas para o processo de trabalho das equipes?
Para atender os diferenciais caracterizados pelas funções da Unidade de Saúde como 
Estabelecimento de Saúde na Atenção Básica, o processo de trabalho das equipes obedece 
a algumas normas e rotinas. Vamos exercitar checando as informações de sua unidade? 
Todos os itens a seguir deveriam estar OK!
A UBS deve funcionar durante toda a semana, os dois 
expedientes.
Os servidores devem usar uniformes e crachás com sua 
identificação.
Se a UBS tiver equipe Saúde da Família deve ter as áreas 
adscritas definidas de acordo com os parâmetros popula-
cionais referenciados na atual PNAB (1 equipe deverá se 
responsabilizar pelo cuidado de, no máximo, 4000 pessoas; 
no entanto, o nº ideal é de 3000 pessoas).
O mapa da comunidade deve ser exposto na UBS de forma a 
identificar o território de abrangência com as áreas adstritas 
das diferentes equipes, bem como as áreas/situações de risco 
e os problemas prioritários.
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
Deverão ser estruturados, na Unidade de Saúde, canais de 
comunicação que possibilitem a avaliação permanente dos 
serviços por parte dos usuários.
Garantir atendimento ininterrupto de todas as atividades ofer-
tadas pela UBS (consultas médicas e de enfermagem, vacinação, 
entre outros) durante todo o seu período de funcionamento.
Acolhimento que possibilite a escuta qualificada de queixas, 
pedidos, demandas, necessidades e manifestações dos 
usuários nas unidades.
Implantar classificação de risco e garantia do 1º atendimento 
nas urgências para demanda espontânea.
Deverão ser definidos como grupos prioritários para ações 
programáticas da UBS: crianças menores de 5 anos, idosos, 
gestantes, pessoas com hipertensão, diabetes, tuberculose 
ou hanseníase.
Implantação de protocolos de atenção organizados sob a 
lógica de linhas de cuidado, discussão e análise de casos tra-
çadores, eventos sentinela e incidentes críticos, entre outros.
Agendar visita e atendimento domiciliar quando necessário 
e a UBS disponibilizar de equipes de Saúde da Família.
As equipes de saúde da Atenção Básica deverão estar sen-
síveis às diferentes situações apresentadas pelos usuários, 
buscando agenciar os tipos de recursos e tecnologias (leves, 
leve-duras e duras) que ajudem a amenizar o sofrimento.
Disponibilizar o Cartão Nacional de Saúde e adotar o novo 
Sistema de Informação da Atenção Básica (e-SUS).
Sendo as equipes da ESF, poderão contar com apoio dos 
Núcleos de Apoio à Saúde da Família – NASF (caso o muni-
cípio tenha aderido), qualificando ainda mais o processo de 
trabalho e ampliando a resolutividadepor meio das Ações de 
Apoio Matricial e de Atenção Referenciada à Saúde.
Disponibilizar as Práticas Integrativas e Complementares 
elencadas no SUS.
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
Realizar a dispensação de medicamentos e controle logístico 
da Farmácia segundo a Relação Municipal de Medicamentos 
da Rede Básica e Especialidades, possibilitando orientação 
individual e coletiva quanto ao uso dos medicamentos.
Realizar atividades de saúde coletiva com a participação da 
equipe multiprofissional.
Disponibilizar ações de atenção à saúde bucal incluindo até 
mesmo o atendimento às urgências básicas.
É importante destacar também que, caso as equipes de Atenção Básica necessitem abor-
dar casos relacionados à saúde mental, devem solicitar apoio às Equipes dos Centros de 
Atenção Psicossocial (CAPS).
Além disso, as equipes de Saúde da Família ou equipes de AB Parametrizadas deverão se 
apossar de dispositivos do tipo Clínica Ampliada, Projetos Terapêuticos Singulares e outros 
para produção de um cuidado qualificado em saúde, resolutivo e integral, ou seja, um cuida-
do humanescente (SAMPAIO, 2009).
É indispensável também que a equipe institua processos autoavaliativos, autoformativos e 
reflexivos permanentes com participação de todos os profissionais da equipe.
O que achou desses itens? Eles estão contemplados em sua Unidade?
Você deve ter lembrado da nossa situação problema, pois o processo de trabalho é muito 
importante para a melhoria do acesso e da qualidade da atenção. A apoiadora institucional 
Betânia reforçou isso com a equipe, e a enfermeira Alice foi fundamental para elencar os 
problemas encarados pela equipe.
As Redes de Atenção à Saúde são funda mentais para a resolutividade e integralidade da 
atenção. Surge então, o papel da regulação.
Processo de Regulação na UBS
Caro aluno, veja que a UBS assume novas e importantes responsabilidades como porta de 
entrada preferencial do usuário na rede de serviços que compõe o SUS. A resolutividade e 
a integralidade da atenção exigirão estratégias que deverão garantir ao usuário o cuidado 
generalista no próprio território adstrito da Atenção Básica ou na Unidade Básica e o aces-
so aos outros níveis de densidade tecnológica para os usuários que precisam da atenção 
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
especializada. Dessa forma, destaca-se a responsabilidade da Unidade de Saúde em propor-
cionar infraestrutura local com logística de acesso ao sistema de regulação (SISREG), o qual 
ampliará a resolubilidade da AB na continuidade do cuidado integral ao usuário.
Destarte, as práticas iniciais de regulação realizadas na Atenção Básica devem ser articula-
das com os processos regulatórios realizados em outros espaços da rede, de modo a per-
mitir, ao mesmo tempo, a qualidade da microrregulação realizada pelos profissionais da 
Atenção Básica e o acesso a outros pontos de atenção nas condições e no tempo adequado, 
com equidade. Nesse sentido, uma estratégia importante a ser incorporada pelas equipes 
que atuam na Unidade Básica de Saúde é manter o monitoramento da gestão das listas 
de espera (encaminhamentos para consultas especializadas, procedimentos e exames) e 
implantar prontuário eletrônico em rede.
Reforça-se a importância de se organizar, no âmbito da UBS, o atendimento local da forma 
mais inclusiva possível. Lembre-se do alerta feito pela atual PNAB no sentido de “evitar a 
divisão de agenda segundo critérios de problemas de saúde, ciclos de vida, sexo e patolo-
gias, dificultando o acesso dos usuários” (BRASIL, 2017).
O agendamento na UBS é essencial para ampliar o acesso do usuário ao sistema e garantir 
o atendimento em dia marcado para aqueles que fazem parte de uma demanda espontâ-
nea (ver Caderno de acolhimento à demanda espontânea na Atenção Básica – MS), não são 
casos agudos ou urgências básicas e podem esperar para ser atendidos em um outro dia. 
Também podem ser agendados aqueles usuários que são vinculados às ações progra-
máticas da Unidade de Saúde. Nesse sentido, a agenda dos profissionais se torna um 
recurso-chave tanto para garantir a retaguarda para o acolhimento quanto para a continui-
dade do cuidado (programático ou não).
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
Figura 2 - Processo de acolhimento e classificação de risco na UBS.
Dessa forma, é fundamental um processo sistemático de planejamento e gestão das agen-
das das equipes que atuam nas Unidades Básicas de Saúde, de forma a contemplar essas 
diferentes situações. Atendendo à recomendação da atual PNAB e seguindo orientação do 
Caderno de acolhimento à demanda espontânea na Atenção Básica, sugere-se a organiza-
ção de agendas inclusivas do tipo:
• Agenda Programática – os casos que não são urgência inserem-se naquele grupo de usuários com 
gestão do cuidado do tipo “autocuidado apoiado” e podem ser inseridos nas ações programáticas 
para grupos específicos, cuja periodicidade de acompanhamento deve se pautar pela avaliação de 
risco e vulnerabilidade e estar de acordo com a rotina dos programas da Unidade. Essas pessoas 
não devem “disputar” as vagas de seu acompanhamento no acolhimento, sendo necessário que já 
saiam de uma consulta com a marcação de seu retorno, com hora e data definidas, inclusive inter-
calando, por exemplo, as consultas médicas com as de enfermagem (sai do consultório do médico 
já com a marcação do retorno para a enfermeira garantido e vice-versa).
• Agenda para Demanda Espontânea – os usuários de atendimentos agudos devem ser atendidos, 
estejam ou não já inseridos em acompanhamento programado, identificados a partir do acolhi-
mento da demanda espontânea, definidas prioridade e cronologia do atendimento, de acordo 
com a estratificação de risco.
• Agenda de retorno/reavaliação e de usuários que não fazem parte de ações programáticas – 
agenda de atendimento para usuários identificados a partir do acolhimento e que não se incluem 
nas categorias anteriores, mas que demandam atenção, como o adulto que utiliza benzodiazepí-
nico sem avaliação médica há sete meses. Deve ser reservada parte dos atendimentos de cada 
profissional para marcação dos retornos dos usuários que precisam voltar para avaliar a eficácia 
de um tratamento prescrito ou analisar a evolução do quadro clínico.
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
USUÁRIO CHEGA À UBS
Usuário tem
atividade
agendada
Precisa de
atendimento
específico da rotina
da unidade?
Encaminhar ou conduzir
usuário a um
espaço adequado
para escuta
- escuta da demanda do usuário;
- avaliação do risco biológico e da
 vulnerabilidade subjetivo-social;
- discussão com equipe, se necessário;
- definição da(s) oferta(s) de cuidado
 com base nas necessidades do usuário
 e no tempo adequado.
O problema é agudo?
Atendimento 
Imediato
- atendimento (médico, enfermagem, 
 odontológico, outros) em um tempo
 que considere riscos, desconfortos,
 vulnerabilidade e oportunidade de
 cuidado;
- permanência em observação, se 
 necessário;
- remoção ou encaminhamento para
 outro serviço, atentando para a 
 necessidade de coordenação do 
 cuidado.
Atendimento 
Prioritário
Atendimento 
no dia
- orientação;
- encaminhamento seguro
 com responsabilização.
Usuário é da
área de abrangência
da UBS?
Usuário é da
área de abrangência
da UBS?
- avaliação da necessidade de
 continuidade do cuidado com
 programação oportuna de ações;
- discussão do “caso” com a 
 equipe de referência do usuário,
 se pertinente.
- orientação especifíca e/ou sobre as ofertas da 
 unidade;
- adiantamento de ações previstas em protocolos;
- inclusão em ações programáticas;
- agendamento de consulta (enfermagem, médica, 
 odontológica e outras) conforme necessidade e em
 tempo oportuno;
- discussão do “caso” com a equipe de referência do
 usuário;
- encaminhamento/orientações para ações/programa
 intersetoriais;
- encaminhamento para outros pontos de atenção,
 conformea necessidade do usuário.
Encaminhar usuário 
para atividade
agendada
Encaminhar usuário 
para setor
requerido
Coleta exame
Farmácia
Inalação/
Nebulização
Sala de vacina
Sala de
procedimento
Sim
Sim
Sim
Sim
Ofertas possíveis:
Ofertas possíveis:
Sim
Não
Não
Não
NãoNão
Fonte: Brasil (2013, p. 28)
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
Como você pode perceber pelo exposto, a UBS para atender às inovações da atual PNAB 
deve ter organizada estrutura física, ambiência e insumos necessários à realização do aco-
lhimento à demanda espontânea, pequenas cirurgias e insumos para urgências básicas. 
O Ministério recomenda que exista sala de espera (para que os usuários possam aguar-
dar confortavelmente, atenuando seus sofrimentos), sala de acolhimento multiprofissional 
(para realização do acolhimento individual da demanda espontânea, por meio da escuta 
qualificada), consultórios (para qualificar as condições de escuta e respeitar a intimidade 
dos pacientes) e sala de observação (para permitir o adequado manejo de algumas situa-
ções mais críticas ou que requerem período maior de intervenção ou acompanhamento). 
Além disso, para viabilizar adequada atenção à demanda espontânea, o MS sugere que as 
Unidades de Atenção Básica sejam equipadas com os seguintes materiais e medicamentos, 
conforme listagem a seguir (BRASIL, 2013i).
• Materiais para atendimento às urgências:
torpedo de oxigênio de 1 m3, com válvula, fluxômetro, umidificador de 250 ml e 2 m de tubo de 
intermediário de silicone; maleta tipo de ferramentas de 16” com alça para carregar; caixa orga-
nizadora com pelo menos oito divisórias; pacotes de gazes estéreis; ampolas de água destilada 
de 10 ml; seringas de 5 ml sem agulha; seringas de 10 ml sem agulha; agulhas 40 x 12; cateter 
para punção periférica tipo Abocath® tamanhos 14 g, 16 g, 18 g, 20 g, 22 g e 24 g; rolo de espa-
radrapo comum; garrote; equipos para soro simples; conexões de duas vias; frascos de soro 
fisiológico 0,9% de 500 ml; sistema bolsa-máscara autoinflável adulto com máscara transparen-
te (AMBU); sistema bolsa-máscara autoinflável pediátrico com máscara transparente (AMBU); 
sistema bolsa-máscara autoinflável neonatal com máscara transparente (AMBU); máscaras de 
nebulização adulta; máscaras de nebulização pediátrica; fios para sutura; pinça Dente de Rato 
12 cm; posta agulhas; tesoura Mayo curva e tesoura Mayo reta; pinça Mosquito Curva.
• Medicamentos para urgências básicas:
ampolas de adrenalina; ampolas de atropina; frasco de hidrocortisona de 100 mg; frasco 
de hidrocortisona de 500 mg; ampolas de glicose 50%; ampolas de soro fisiológico 0,9%; 
frascos de soro fisiológico 0,9% e soro glicosado 5%; ampolas de terbutalina; frascos de 
prometazina; ampolas de diazepam; ampola de haloperidol; frasco de ipratrópio; frasco de 
fenoterol; cartela de dinitrato de isossorbida 5 mg, via sublingual; cartela de ácido acetilsa-
licílico; ampolas de tiamina; medicamentos anti-hipertensivos, hipoglicemiantes e insulina; 
antibióticos (para administrar a primeira dose na própria UBS nos casos de pneumonia em 
crianças); analgésicos (enteral e parenteral); antitérmicos (enteral e parenteral).
• Equipamento de proteção individual:
máscaras descartáveis; luvas de procedimentos e estéreis descartáveis; óculos; avental.
Terminamos nossa aula aqui. Na próxima aula, aprenderemos os parâmetros para a melho-
ria do acesso e da qualidade na Atenção Básica.
Aula 2: Parâmetros para melhoria 
do acesso e da qualidade na AB
Nesta aula, daremos sequência aos conhecimentos relacionados à Unidade de Saúde na 
Atenção Básica. Vamos estudar os parâmetros/estratégias definidos pelo Ministério da 
Saúde como indutores da melhoria do acesso e da qualidade na AB.
O tema da qualidade da atenção à saúde é relativamente novo se comparamos com outros 
setores como, por exemplo, o da indústria. No setor de saúde, a discussão sobre qualidade 
surgiu nos espaços dos hospitais como interesse de pequenos grupos de médicos conside-
rados iluminados. O primeiro método foi desenvolvido originalmente nos Estados Unidos, 
no começo do século XX, o Quality Assurance (garantia de qualidade). Seu objetivo era, por 
meio de um processo formalizado de avaliação do cuidado médico, controlar e reduzir a alta 
variabilidade dos resultados terapêuticos.
Somente nos anos 1980 esse método ganha visibilidade por intermédio dos estudos pionei-
ros de Donabedian (1990), sendo difundido em muitos países do mundo graças ao apoio da 
OMS. Outros métodos foram surgindo posteriormente: do tipo auditoria clínica e auditoria 
médica, acreditação profissional e, mais recentemente, a medicina baseada em evidências. 
Esse autor absorveu da teoria de sistemas a noção de indicadores de estrutura, proces-
so e resultado adaptando-os ao atendimento hospitalar, abordagens que se tornaram um 
clássico nos estudos de qualidade em saúde. Destarte, todos esses métodos focavam inicial-
mente apenas na qualidade técnica, portanto, fortemente focado na clínica.
No Brasil, esse cenário não foi diferente, a qualidade em saúde teve seu foco inicial na clínica 
e na atenção hospitalar. No entanto, com a institucionalização do SUS e mais especificamen-
te com a mudança do modelo de atenção focado na família e na comunidade, novos desa-
fios são assumidos, além da universalização do acesso. Devemos considerar que, apesar da 
grandiosidade do SUS como modelo universal, descentralizado e regionalizado, ele não teve 
na sua gênese, como princípio organizativo, a “qualidade” como parâmetro. A conquista do 
direito universal à saúde foi para os brasileiros a maior conquista dos últimos tempos, no 
entanto, o fato de conquistar o direito ao acesso não garante a qualidade no atendimento.
No SUS, mais especificamente na Atenção Básica, a qualidade passa a ser objeto de discussão 
e investimento apenas a partir dos anos 2000, com o lançamento do Programa de Expansão 
e Consolidação da Saúde da Família (PROESF) em 2003, a publicação do pacto da saúde e 
da primeira Política Nacional de Atenção Básica – PNAB em 2006, além do lançamento dos 
Núcleos de Apoio à Saúde da Família – NASF em 2008, que se constitui como um dispositivo 
estratégico para a melhoria da qualidade da Atenção Básica, uma vez que ampliou o escopo 
de ações desta e, por meio do compartilhamento de saberes, amplia também a capacidade 
de resolutividade clínica das equipes. Assim, destacamos outros avanços significativos no 
âmbito da qualidade na AB ocorridos no ano de 2011 com a publicação da atual PNAB, do 
Programa Nacional de Melhoria do Acesso e Qualidade na Atenção Básica (PMAQ/AB) e do 
Programa de requalificação de UBS.
19
Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
Nesta aula, nos deteremos em apresentar os parâmetros de qualidade na Atenção Básica, 
mas especificamente aos relacionados à estrutura e ao funcionamento da Unidade Básica de 
Saúde, apontados pelo Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade – PMAQ/AB (BRASIL, 
2011e). E por falar em acesso... você observou os problemas relatados em nossa situação pro-
blema? A apoiadora Betânia estimulou o levantamento de problemas pela equipe e também 
identificou outros, por meio dos usuários, ainda não totalmente claros para a equipe.
Qual a relação do NASF com a UBS e com a qualidade? 
A relação que se configura entre o NASF a UBS e a qualidade é uma relação de apoio e de 
qualificação da atenção. O NASF é uma equipe com profissionais de diferentes áreas de 
conhecimento e atua com os profissionais das equipes de Saúde da Família, compartilhando 
e apoiando as práticas em saúde nos territórios sob responsabilidade das equipes de AB. 
Tal composição deve ser definida pelos próprios gestores municipais e as equipes de AB, 
mediante critérios de prioridades identificados a partir das necessidades locais e da dispo-
nibilidade de profissionais de cada uma das diferentes ocupações.
As diferentes possibilidades de composição do NASF são: assistente social;profissional de 
Educação Física; farmacêutico; fisioterapeuta; fonoaudiólogo; profissional com formação 
em arte e educação (arte-educador); nutricionista; psicólogo; terapeuta ocupacional; médi-
co ginecologista/obstetra; médico homeopata; médico pediatra; médico veterinário; médico 
psiquiatra; médico geriatra; médico internista (clínica médica); médico do trabalho; médico 
acupunturista; e profissional de saúde sanitarista, ou seja, profissional graduado na área de 
saúde com pós-graduação em saúde pública ou coletiva ou graduado diretamente em uma 
dessas áreas.
Importante destacar que o NASF não é uma porta de entrada do sistema, nem atua isola-
damente, ele realiza suas atividades de acordo com as agendas priorizadas pelas ESF 
vin culadas à UBS. O trabalho do NASF é orientado pelo referencial teórico-metodológico 
do apoio matricial. Em resumo, no contexto da AB, isso significa uma estratégia de orga-
nização do trabalho em saúde que acontece a partir da integração de equipes de Saúde 
da Família (com perfil generalista) envolvidas na atenção às situações/problemas comuns 
de dado território (também chamadas de equipes de refe rência para os usuários) com 
equipes ou profissionais com outros núcleos de conhecimento diferentes daqueles dos 
profissionais das equipes de AB.
O NASF foi instituído pela Portaria GM/MS nº 154/2008. Atualmente, é regido pela Portaria 
GM/MS nº 3.124/ 2012, que redefinem os parâmetros de vinculação das modalidades 1 e 2, 
além de criar a modalidade 3 e pela Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017 da PNAB. 
Nesse sentido, temos atualmente três modalidades de NASF financiados e reconhecidos 
formalmente pelo MS. O Quadro 1 apresenta informações a respeito de cada uma delas.
20
Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
Modalidades Nº De Equipes Vinculadas
5 a 9 eSF (Equipe Saúde da familia)
e/ou eAB (Equipe de Atenção Básica)
para populações específicas
(eCR (Equipe Consultoria na Rua),
equipe ribeirinha e fluvial).
Mínimo 200 horas semanais.
Cada ocupação deve ter,
no mínimo, 20 horas, e no máximo,
80 horas de carga hóraria semanal.
Mínimo 120 horas semanais.
Cada ocupação deve ter,
no mínimo, 20 horas, e no máximo,
40 horas de carga hóraria semanal.
Mínimo 80 horas semanais.
Cada ocupação deve ter,
no mínimo, 20 horas, e no máximo,
40 horas de carga hóraria semanal.
3 a 4 eSF e/ou eAB
para populações específicas
(eCR, equipe ribeirinha e fluvial).
1 a 2 eSF e/ou eAB
para populações específicas
(eCR, equipe ribeirinha e fluvial).
Somatória De Cargas
Horárias Profisssionais*
* Nenhum profissional poderá ter carga horária semanal menor que 20 horas.
Nasf 1
Nasf 2
Nasf 3
Quadro 1 – Modalidades de NASF, conforme a Portaria nº 3.124/2012.
Fonte: DAB/SAS/MS (2013).
Programa Nacional de Melhoria do Acesso 
e da Qualidade na Atenção Básica – PMAQ
De abrangência nacional, o PMAQ foi instituído pela Portaria GM/MS nº 1.654, em 19 de 
julho de 2011, sendo esta revogada pela Portaria nº 1.645, de 2 de outubro de 2015, que 
trouxe algumas mudanças. O Programa contempla um conjunto de atividades indutoras de 
melhoria do acesso e da qualidade na AB estruturado em três fases. Além disso, apresenta 
um Eixo Transversal de Desenvolvimento, o qual compõe um ciclo contínuo de melhoria do 
acesso e da qualidade da Atenção Básica que deverá ocorrer a cada 24 meses (dois anos).
No Brasil, já foram executados e avaliados dois ciclos do PMAQ, o 1º ciclo se desenvolveu em 
2011-2012 com adesão de 17.482 equipes (53,19%) e o 2º ciclo, em 2013-2014 com adesão 
de 30.552 equipes (81,33%) em todo o Brasil. Encontra-se em desenvolvimento o 3º ciclo, 
que será avaliado em 2017.
O PMAQ é a principal estratégia indutora de mudanças nas condições e nos modos de 
funcionamento das UBS e tem como objetivo geral induzir a ampliação do acesso e a melho-
ria da qualidade da Atenção Básica, com garantia de um padrão de qualidade comparável 
nacional, regional e localmente, de maneira a permitir maior transparência e efetividade das 
21
Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
ações governamentais direcionadas à Atenção Básica em Saúde. A adesão ao programa tem 
caráter voluntário, tanto por parte dos gestores como das equipes, incluindo a pactuação 
de compromisso entre as equipes e os gestores locais e entre estes e o Ministério da Saúde.
Objetivos específicos do PMAQ
I – Ampliar o impacto da AB sobre as condições de saúde da população e sobre a 
satisfação dos seus usuários, por meio de estratégias de facilitação do acesso e de 
melhoria da qualidade dos serviços e das ações da AB.
II – Fornecer padrões de boas práticas e organização das UBS que norteiem a melhoria 
da qualidade da AB.
III – Promover maior conformidade das UBS com os princípios da AB, aumentando a 
efetividade na melhoria das condições de saúde, na satisfação dos usuários, na 
qualidade das práticas de saúde e na eficiência e efetividade do sistema de saúde.
IV – Promover a qualidade e inovação na gestão da AB, fortalecendo os processos de 
Autoavaliação, Monitoramento e Avaliação, Apoio Institucional e Educação Perma-
nente nas três esferas de governo.
V – Melhorar a qualidade da alimentação e o uso dos Sistemas de Informação como 
ferramenta de gestão da AB.
VI – Institucionalizar uma cultura de avaliação da AB no SUS e de gestão com base na 
indução e no acompanhamento de processos e resultados.
VI – Estimular o foco da AB no usuário, promovendo a transparência dos processos de 
gestão, a participação e o controle social, a responsabilidade sanitária dos profis-
sionais e gestores de saúde com a melhoria das condições de saúde, bem como em 
relação à satisfação dos usuários. O compromisso com a melhoria da qualidade 
deve ser permanentemente reforçado com o desenvolvimento e aperfeiçoamento 
de iniciativas mais adequadas aos novos desafios colocados pela realidade, tanto 
em função da complexidade crescente das necessidades de saúde da população, 
devido à transição epidemiológica e demográfica e ao atual contexto sociopolítico, 
quanto em função do aumento das expectativas da população em relação à efeti-
vidade, eficiência e qualidade do SUS.
22
Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
O PMAQ é organizado em fases e eixo, que são descritos a seguir.
Fases e eixo transversal do ciclo contínuo do PMAQ
O Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica na condição 
atual (3º ciclo 2016-2017) está organizado em três fases e um Eixo Estratégico Transversal 
de Desenvolvimento que compõem um ciclo contínuo de melhoria do acesso e da 
qualidade da AB.
As fases são distribuídas em três etapas: adesão/contratualização; avaliação externa/certifi-
cação; recontratualização.
• Adesão/contratualização: municípios aderem ao PMAQ e assumem compromissos da contratuali-
zação para atendimento de padrões e indicadores de acesso e qualidade.
• Avaliação externa/certificação: o município é visitado por equipe de pesquisadores para preen-
chimento de instrumento de avaliação externa e checagem do cumprimento das diretrizes e dos 
padrões pactuados, condição para sua posterior certificação, a qual será emitida pelo MS de acordo 
com análise dos resultados da avaliação externa e do desempenho dos indicadores contratualizados.
• Recontratualização: a terceira fase do PMAQ constitui o processo de recontratualização que se 
caracteriza pela pactuação singular dos municípios (considerando o ciclo anterior) com incremen-
to de novos padrões e indicadores de qualidade, estimulando a institucionalização de um proces-
so cíclico e sistemático a partir dos resultados alcançados pelos participantes do PMAQ.
Já o Eixo Estratégico Transversal de Desenvolvimento consiste em um conjunto de ações 
contínuas que devem ser empreendidas pelas equipes, com apoio da gestão municipal, 
estadual e Ministério da Saúde com o intuito de promover movimento de mudanças na ges-
tão e no cuidado prestado aos usuários do SUS. OEixo de Desenvolvimento Transversal está 
organizado em cinco dimensões: autoavaliação; monitoramento dos indicadores; educação 
permanente; apoio institucional; e cooperação horizontal.
• Autoavaliação – avaliação feita pela própria equipe local, ferramenta potente que auxilia no deba-
te da identificação e priorização das dificuldades – Sistema (AMAQ on-line).
• Apoio institucional – estratégia de suporte às equipes de saúde da Atenção Básica pelos municí-
pios e à gestão municipal pelas Secretarias de Estado da Saúde e Conselho de Secretarias Munici-
pais de Saúde (COSEMS).
• Educação permanente – ação contínua de investimento no trabalhador para melhoria do serviço.
• Monitoramento de indicadores – subsidiar a definição de prioridades e programação de ações 
para melhoria da qualidade da AB (e-SUS AB/SISAB).
• Cooperação horizontal – permitir a troca de experiências e práticas promotoras de melhoria da 
qualidade da Atenção Básica.
23
Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
Lembra da apoiadora institucional de nossa situação problema? 
Betânia tem papel fundamental no município de Luminescência, que 
implantou o apoio institucional. Betânia tem a responsabilidade de 
auxiliar as equipes de Atenção Básica na (re)organização do processo 
de trabalho, melhoria do acesso, da oferta de serviços e da qualidade 
do cuidado aos usuários do SUS.
As fases distribuídas em etapas e o Eixo Estratégico Transversal do PMAQ acontecem a par-
tir de ações de forma contínua, progressiva e cíclica, conforme mostra a Figura 3.
24
Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
ADESÃO E CONTRATUALIZAÇÃO CERTIFICAÇÃO RECONTRATUALIZAÇÃO
Gestão Municipal e Equipe
pactuam os compromissos
Verificação in loco de padrões de
acesso e qualidade (gestão, UBS
e equipe)
Recontratualização com
incremento de padrões de
qualidade
Município faz a adesão e
(re)contratualização das equipes
com o Ministério da Saúde
Certificação das Equipes
Ministério da Saúde homologa a
adesão e (re)contratualização
dos municípios e equipes
Ofertas de Informação para a
ação de gestores e equipes
FASE 1 FASE 2 FASE 3
EIXO ESTRATÉGICO TRANSVERSAL DE DESENVOLVIMENTO
Desenvolvimento do conjunto de
ações para a qualificação da
Atenção Básica envolvendo:
Autoavaliação
Apoio Institucional
Monitoramento de Indicadores de Saúde
Educação Permanente 
Cooperação Horizontal
Figura 3 - Fases do PMAQ 3º Ciclo.
Fonte: Portal da Saúde. Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/Manual_Ins-
trutivo_3_Ciclo_PMAQ.pdf>. Acesso em: 2 jan. 2017.
Por meio da ilustração anterior, as fases e os eixos do PMAQ ficaram claros? Sua equipe 
aderiu ao PMAQ? Vamos então compreender os compromissos assumidos!
Compromissos assumidos pelas equipes 
das unidades básicas na adesão ao PMAQ
Considerando as exigências do Ministério da Saúde no Manual Instrutivo do PMAQ (BRA-
SIL, 2015b), ao completar a etapa de contratualização no sistema de adesão ao PMAQ, os 
municípios e as equipes assumem compromissos voltados para a melhoria do acesso e da 
qualidade no âmbito da Atenção Básica. São compromissos das Equipes de Atenção Básica 
(incluindo as equipes de saúde bucal e NASF):
25
Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
Organizar o processo de trabalho da equipe em conformidade 
com os princípios da Atenção Básica previstos no Programa 
Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção 
Básica e na Política Nacional de Atenção Básica (PNAB).
Implementar processos de acolhimento à demanda espon-
tânea para a ampliação, facilitação e qualificação do acesso.
Alimentar o Sistema de Informação em Saúde para Atenção 
Básica/e-SUS-SISAB de forma regular e consistente, indepen-
dentemente do modelo de organização da equipe e segundo 
os critérios do Manual Instrutivo.
Programar e implementar atividades, com a prioriza-
ção dos indivíduos, famílias e grupos com maior risco e 
vulnerabilidade.
Instituir espaços regulares para a discussão do processo de 
trabalho da equipe e para construção e acompanhamento 
de projetos terapêuticos singulares.
Instituir processos autoavaliativos como mecanismos dispara-
dores da reflexão sobre a organização do trabalho da equipe, 
com participação de todos os profissionais que a constituem.
Desenvolver ações intersetoriais voltadas para o cuidado e 
a promoção da saúde.
Pactuar metas e compromissos para a qualificação da 
Atenção Básica com a gestão municipal.
Identificou os aspectos que sua equipe já contempla? Vamos, então, compreender os 
padrões e indicadores.
Padrões e indicadores para contratualização 
e certificação das equipes
A cada ciclo do PMAQ, um conjunto de padrões e indicadores é pactuado com compromis-
sos a serem assumidos pelas equipes participantes e pelas gestões municipais. A partir da 
avaliação externa que aconteceu nos dois primeiros ciclos do PMAQ foi possível analisar os 
padrões de qualidade do instrumento elaborado. Após reuniões do Grupo de Trabalho de 
Atenção à Saúde composto pelo CONASS, CONASEMS e Ministério da Saúde, foi verificada a 
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
necessidade de adequação dos critérios, parâmetros e das ferramentas de avaliação para o 
terceiro ciclo do PMAQ (BRASIL, 2015b).
Assim, para esse ciclo, os padrões de acesso e qualidade são classificados como:
• Padrões essenciais: são padrões com elevados percentuais de cumprimento pelas equipes e/ou 
relacionados a condições mínimas de acesso e qualidade na AB.
• Padrões estratégicos: considerados estratégicos para se avançar e alcançar padrões elevados de 
acesso e qualidade na Atenção Básica.
• Padrões gerais: são os demais padrões que compõem a matriz de pontuação para a certificação 
das equipes.
• Padrões obrigatórios: esses padrões condicionam a permanência da equipe no Programa.
Os indicadores são definidos visando à incorporação de parâmetros que guardem maior 
correspondência com elementos que integram a fase de desenvolvimento, considerando os 
princípios da Atenção Básica presentes na PNAB e sua relevância para melhoria e ampliação 
do acesso e da qualidade dos serviços de saúde no Brasil. No atual ciclo do PMAQ, o terceiro, 
foram selecionados indicadores de desempenho para as equipes de Atenção Básica e indi-
cador de desempenho para os NASF, que estão subdivididos em quatro grupos:
Grupos de indicadores
• Acesso e continuidade do cuidado
• Coordenação do cuidado
• Resolutividade da equipe de Atenção Básica
• Abrangência da oferta de serviços
Certificação
O processo de certificação do PMAQ deve ser entendido como um momento de reconhe-
cimento do esforço das equipes e do gestor municipal para melhoria do acesso e da quali-
dade da Atenção Básica. Considerando que o conceito de qualidade varia de acordo com o 
contexto, é esperado que o PMAQ esteja em constante aperfeiçoamento, de modo a con-
templar, progressivamente, a diversidade dos cenários em que será implantado e as novas 
demandas e desafios da Política de Atenção Básica, no contexto de implantação do SUS.
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Observação na Unidade de Saúde
Melhoria do acesso e qualidade
As equipes participantes do PMAQ serão certificadas, conforme o seu desempenho, 
considerando:
• avaliação externa de desempenho das equipes de saúde e gestão da Atenção Básica, que será 
coordenada de forma tripartite e realizada por instituições de ensino e/ou pesquisa, por meio 
da verificação de evidências para um conjunto de padrões previamente determinados;
• verificação da realização de momento autoavaliativo pelos profissionais das equipes de Atenção 
Básica;
• avaliação de desempenho do conjunto de indicadores contratualizados na etapa de adesão 
e contratualização.
Como você pode ver, não resta dúvida de que o processo de Melhoria do Acesso e da 
Qualidade na Atenção Básica é hoje uma prioridade nacional e tem a Unidade Básica 
de Saúde como o principal Ponto de Atenção da Rede de Serviços de Saúde do SUS. 
Nas duaspróximas aulas aprofundaremos os temas de autoavaliação, avaliação externa 
e desempenho. Até lá!

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