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Curso Introdutório de Pesquisa Clínica - Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Material de aula introdutória sobre fases da pesquisa clínica (pré-clínica, fases 1–4): objetivos, participantes, tamanhos e duração típicos, critérios do centro de pesquisa, randomização/controle e pós-comercialização; inclui histórico inicial das Boas Práticas Clínicas e ICH/OMS.

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INTRODUTÓRIO DE PESQUISA CLÍNICA 
AULA 1: FASES DA PESQUISA CLÍNICA 
FASE PRÉ-CLÍNICA: 
→ Avaliação in vitro e em modelos animais; 
→ Fornece informação sobre as atividades 
farmacológica, toxicológica e farmacocinética 
em animais; 
→ Podem continuar paralelamente após iniciada 
a pesquisa em humanos. 
FASE 1: 
→ Primeiros realizados em seres humanos; 
→ Objetivo: avaliar a segurança do medicamento 
e a melhor forma de administração do 
produto. 
→ Avalia toxicidade e tolerância → foco na 
farmacocinética (farmacodinâmica é estudada 
indiretamente); 
→ Participantes: voluntários sadios em período 
de curta duração (de seis a nove meses). 
o Inclui entre 30 e 100 participantes; 
o Sadio: não possui doenças significativas 
ou relevantes para o estudo, medidas 
corporais dentro dos limites de 
normalidade e consciência de suas 
faculdades mentais. Não receberá 
benefício terapêutico com sua 
participação, função cardíaca, hepática 
e renal normais para os estudos de 
farmacocinética. 
o Exceção: fármacos antineoplásicos ou 
antirretrovirais, nos quais há alto risco 
de o participante apresentar efeitos 
secundários. 
→ Única fase que pode ser remunerada no Brasil 
→ o valor não pode ser alto a ponto de induzir 
o participante a entrar na pesquisa. 
→ Centro de pesquisa: idealmente deve ser em 
um hospital ou estar próximo de um, para 
fornecer apoio na ocorrência de eventos 
adversos. O centro deve possuir: 
o Descrição de procedimentos para o 
transporte de material biológico; 
o Certificado de qualidade (se possuir 
laboratório clínico); 
o Equipe treinada em reanimação; 
o Descrição dos procedimentos de 
emergência; 
o Equipamentos para atender 
emergência. 
FASE 2: 
→ Avalia eficácia e relação dose-resposta em 
uma doença definida → verificar a atividade 
do produto nos indivíduos portadores da 
doença a ser tratada. 
→ Estudos exploratórios: essencial para 
determinar e definir a dose terapêutica 
efetiva associada aos menores eventos 
adversos observados. 
→ Menor número possível de participantes, de 
forma que os resultados obtidos ao final do 
estudo sejam estatisticamente significantes; 
 
→ Participantes: portadores da doença para a 
qual o medicamento foi desenvolvido – 
idealmente sem outras alterações; 
o Entre 100 e 400 participantes, dura de 
um a 3 anos. 
FASE 3: 
→ São mais amplos e avaliam de maneira 
definitiva a relação risco-benefício (eficácia e 
segurança) do novo fármaco quando 
comparado aos medicamentos já existentes no 
mercado. 
→ Objetiva reproduzir as condições de uso 
habituais → os participantes selecionados 
devem representar a população para a qual o 
produto é destinado. 
→ Em geral, os participantes são distribuídos 
aleatoriamente em diferentes grupos, dos 
quais um recebe o medicamento em teste e o 
outro, o medicamento já disponível no 
mercado. 
→ São estudos maiores envolvendo centenas a 
milhares de participantes; 
→ Duração varia de 1 a 4 anos; 
→ Em geral, são ensaios clínicos randomizados e 
controlados → cegos ou duplo-cegos; 
→ O avaliador deve ser o mesmo até o final do 
estudo e a equipe de pesquisa deve ser 
padronizada. 
→ Após a comprovação da eficácia do novo 
medicamento, é obtida a aprovação do 
registro por meio do órgão regulatório 
sanitário no Brasil, Anvisa. 
FASE 4: 
→ Realizados após o registro do produto (estudos 
pós-comercialização); 
→ Objetivo: observação rigorosa sobre o 
comportamento e o impacto do produto em 
condições reais. 
o Segurança do produto com uso em 
larga escala, por tempo prolongado e 
em populações variadas 
→ Dividida em 4 grandes campos: 
o Utilização em larga escala: testa 
eficácia em condições reais – podem 
surgir novas dúvidas; 
o Estudos de farmacovigilância: 
monitorar e avaliar reações adversas 
graves. 
o Estudos de marketing; 
o Estudos de farmacoeconomia: a fim de 
otimizar recursos financeiros para uma 
determinada população. 
▪ Minização de custos, custo-
benefício, custo-efetividade e 
custo-utilidade. 
→ Em estudos que incluem o uso de suplementos 
vitamínicos, dispositivos, procedimentos 
(inclusive cirúrgicos) ou intervenções 
comportamentais, não se aplicam a sequência 
das quatro fases. 
AULA 2: BOAS PRÁTICAS CLÍNICAS – PRINCÍPIOS, 
DIRETRIZES E REGULAMENTAÇÕES 
→ Na década de 1980, a Comunidade Europeia 
(CE) foi pioneira na busca pela harmonização 
dos requisitos necessários ao 
desenvolvimento e à comercialização de 
produtos farmacêuticos. 
→ Em 1989, na Conferência da Organização 
Mundial da Saúde (OMS) de Autoridades para 
Regulamentação de Medicamentos, do inglês 
International Conference of Drug Regulatory 
Authorities (ICDRA), foram apresentados 
planos específicos para ações visando à 
harmonização dos requisitos técnicos. 
→ Durante a conferência foi concebido o 
Conselho Internacional para Harmonização 
(ICH): único que reúne autoridades 
regulatórias e indústria farmacêutica para 
discutirem aspectos científicos e técnicos do 
registro de drogas. 
o Missão: conseguir a maior 
harmonização possível entre os 
critérios para medicamentos de 
diversos países, assegurando que 
medicamentos seguros, eficazes e de 
alta qualidade sejam desenvolvidos e 
registrados de forma eficiente, 
inclusive em termos de recursos. 
 
→ Dentro das diretrizes estabelecidas pelo ICH, o 
capítulo E6 é especialmente voltado para as 
Boas Práticas Clínicas (BPC) que foram 
estabelecidas em 1996 para normatizar a 
condução dos estudos clínicos. 
→ As Boas Práticas Clínicas (BPC), do inglês Good 
Clinical Practices (GCP), são um padrão de 
qualidade ética e científica para planejamento, 
condução, registro e relato de estudos clínicos 
que envolvam a participação de seres 
humanos. 
→ A adesão a esse padrão garante que os 
direitos, a segurança e o bem-estar dos 
participantes estejam protegidos, de acordo 
com os princípios originados da Declaração de 
Helsinque, e assegura a credibilidade dos 
dados do estudo clínico. 
 
Pontos de estudos clínicos que devem seguir a 
BPC 
→ Pesquisas que seguem esse padrão garantem 
a credibilidade e precisão de seus dados e 
resultados. 
→ Além disso, prezam para que os direitos, a 
integridade e o sigilo dos participantes da 
pesquisa sejam protegidos. 
PRINCÍPIOS DE BOAS PRÁTICAS CLÍNICAS DO ICH 
1. Os estudos clínicos devem ser conduzidos de 
acordo com os princípios éticos que têm sua 
origem na Declaração de Helsinque e devem 
ser consistentes com as normas de BPC e com 
as exigências regulatórias aplicáveis. 
2. Antes do início, os riscos e inconveniências 
previsíveis devem ser contrapostos aos 
benefícios esperados para o participante da 
pesquisa e para a sociedade. 
3. Os direitos, a segurança e o bem-estar dos 
participantes do estudo são as considerações 
mais importantes e devem prevalecer sobre os 
interesses da ciência e da sociedade. 
4. Deve haver informação clínica e não clínica 
adequada disponível sobre o produto em 
investigação para embasar o estudo clínico 
proposto. 
5. Devem ter bases científicas sólidas, e é 
necessário que sejam descritos em protocolos 
claros e detalhados. 
6. Devem ser conduzidos de acordo com o 
protocolo aprovado por um Comitê de Ética 
em Pesquisa, independente. 
7. Os cuidados e as decisões médicas envolvendo 
os participantes de pesquisa clínica sempre 
serão de responsabilidade de um médico 
qualificado ou, quando apropriado, de um 
dentista qualificado. 
8. Todo indivíduo envolvido na realização de um 
estudo deve ser academicamente qualificado, 
treinado e experiente para desempenhar sua 
função. 
9. Deve ser obtido o consentimento livre e 
esclarecido, por escrito e voluntariamente, de 
cada participante. 
10. Toda informação sobre o estudo deve ser 
registrada, manipulada e arquivada de 
maneira que possibilite a produção de 
relatórios, interpretações e verificações 
precisas. 
11. A confidencialidadede registros que possam 
identificar os participantes deve ser protegida, 
respeitando a privacidade e as normas de 
confidencialidade de acordo com as 
legislações aplicáveis. 
12. Os produtos sob investigação têm de ser 
produzidos, manuseados e armazenados de 
acordo com as normas de Boas Práticas de 
Fabricação (BPF), devendo ser utilizados de 
acordo com o protocolo previamente 
aprovado. 
13. Devem ser implementados sistemas com 
procedimentos que garantam a qualidade de 
todos os aspectos do estudo. O foco desses 
sistemas deve estar nos aspectos essenciais do 
estudo para a proteção dos seres humanos e a 
credibilidade de seus resultados. 
 
4 diretrizes adicionadas ao documento das 
américas 
RESPONSABILIDADES DO INVESTIGADOR 
→ Competências técnicas e recursos adequados: 
o Qualificação: educação, treinamento e 
experiência; 
o Comprovar qualificação com 
curriculum vitae atualizado ou outra 
documentação relevante; 
o Conhecer e agir de acordo com as BPC; 
o Estar familiarizado com o uso 
apropriado dos produtos que serão 
testados; 
o Permitir a monitoria e auditoria pelo 
patrocinador, bem como autorizar 
inspeção pelas autoridades 
regulatórias aplicáveis. 
o Manter uma lista de pessoas 
adequadamente qualificadas para as 
quais delegou tarefas relacionadas ao 
estudo. 
o Recrutar o número exigido de 
participantes apropriados, dentro do 
período acordado. 
o Dispor de tempo suficiente para 
conduzir adequadamente o estudo, 
concluindo-o dentro do período 
acordado. 
o Dispor de um número suficiente de 
pessoas qualificadas e instalações 
adequadas para a condução do estudo. 
→ Processo regulatório: 
o Obter aprovação/parecer favorável do 
Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) 
o Fornecer ao CEP uma cópia atualizada 
da Brochura do Investigador. 
o Fornecer ao CEP todos os documentos 
sujeitos à análise (durante o estudo). 
o Conduzir o estudo em conformidade 
com o protocolo aprovado pelo CEP e 
autoridades regulatórias (se 
necessário) e acordado com o 
patrocinador. 
o Não adicionar alterações ao protocolo 
sem o consentimento do patrocinador 
e análise prévia e parecer favorável do 
CEP. 
o Submeter ao CEP, ao patrocinador e às 
autoridades regulatórias (se 
necessário) qualquer alteração ou 
desvio, suas razões e, se apropriado, as 
emendas ao protocolo propostas. 
→ Produto em teste: 
o Armazenar os produtos como 
especificado pelo patrocinador e de 
acordo com as exigências regulatórias 
aplicáveis; 
o Garantir que os produtos sob 
investigação sejam utilizados em 
conformidade com o protocolo 
aprovado; 
o Explicar a cada participante o uso 
correto dos produtos sob investigação 
e checar, nos intervalos apropriados ao 
estudo, se os participantes estão 
seguindo as instruções 
adequadamente; 
o Seguir os procedimentos de 
randomização, se aplicáveis, e garantir 
que o modo de cegamento seja 
quebrado quando estiver de acordo 
com o protocolo. 
→ Registros e relatórios: 
o Manter os documentos-fonte e 
registros do estudo, que incluem todas 
as observações pertinentes para cada 
participante, de modo adequado. Esses 
documentos devem ser: 
▪ a. legíveis, originais e ter o 
preenchimento completo. 
Qualquer alteração deve ser 
rastreável; 
▪ b. conservados pelo tempo 
requerido pelas exigências 
regulatórias aplicáveis. 
o Submeter resumos escritos do status 
do estudo ao CEP (anualmente, ou com 
maior frequência, caso seja 
requisitado). 
→ Procedimentos Operacionais Padrão (POP): 
corresponde a um passo a passo dos 
procedimentos. Todo procedimento deve ter 
seu POP, e os POPs devem ter incorporados 
em suas descrições os princípios das BPC. 
 
AULA 3: BIOÉTICA E TCLE 
→ Tribunal de Nuremberg: regras de julgamentos 
dos crimes com a humanidade. 
→ Código de Nuremberg: primeira 
recomendação internacional quanto a ética 
nas pesquisas envolvendo seres humanos 
o Descreve 10 principais pontos que por 
lei teriam que ser obedecidos em 
relação aos experimentos médicos com 
participantes humanos. 
o Exemplos: 
▪ Consentimento voluntário do 
ser humano é essencial; 
▪ O experimento deve evitar todo 
o sofrimento e danos 
desnecessários; 
TCLE 
→ Em 1964 foi descrita a Declaração de 
Helsinque e o Termo de Consentimento Livre e 
Esclarecido passou a ser essencial em todas as 
pesquisas com seres humanos; 
→ Pesquisa com ser humano: qualquer tipo de 
pesquisa que envolve seres humanos direta ou 
indiretamente; 
o Envolvimento direto: pesquisa 
interventiva 
o Envolvimento indireto: pesquisa não 
interventiva 
→ É um documento em que a pessoa deve 
concordar, sem nenhuma coação ou pressão e 
após receber as informações necessárias; 
→ No Brasil passou a ser exigida em 1996 
(resolução 196); em 2012 surgiu a resolução 
466 → instituiu a necessidade de aprovação 
pelo CEP e CONEP; 
→ Fornece proteção legal para o participante 
trazendo todas as informações relevantes, tais 
como: 
o Tempo de duração 
o Benefícios aos participantes 
o Riscos 
o Descrição da pesquisa 
o Contato do pesquisador 
o Análise ética do projeto pelo CEP 
→ Os 4 passos do convite para a pesquisa: 
o Convite verbal explicando objetivo e 
metodologia; 
o Apresenta-se termo de consentimento; 
o Verificar se o participante tem dúvidas; 
o Termo é assinado pelo participante e 
pesquisador. 
→ O participante pode se arrepender e retirar o 
consentimento a qualquer momento. 
AULA 4: SISTEMAS REGULATÓRIOS EM PESQUISA 
CLÍNICA E ETAPAS PARA ELABORAÇÃO DE UM 
PROJETO DE PESQUISAARQUIVO 
→ Em 1988, o Conselho Nacional de Saúde do 
Ministério da Saúde (CNS/MS) estabeleceu a 
Resolução CNS nº 1/1988, que mesclava 
questões de natureza ética com problemas de 
vigilância sanitária e de biossegurança; 
o Foco: atenção às pesquisas com seres 
humanos na área da saúde. 
o Instituições de saúde credenciadas 
pelo CNS que realizassem pesquisas 
com seres humanos deveriam contar 
com um Comitê de Ética em Pesquisa 
(CEP). 
→ Na ausência de parecer favorável e por escrito 
do CEP e do Comitê de Segurança Biológica 
(conforme o caso), as pesquisas não poderiam 
ser iniciadas; 
→ No ano de 1996, a Resolução nº 129/1996 
implementa as Boas Práticas Clínicas (BPC) no 
Mercado Comum do Sul (Mercosul); 
o Necessidade de os projetos de 
pesquisa serem submetidos a comitês 
de ética que não tenham ligação ao 
projeto que está sendo avaliado → 
formado por diferentes profissionais 
com trajetória relacionada a ética e 
direitos humanos. 
→ Ainda em 1996, o CNS/MS elabora a Resolução 
CNS n°196/1996, de natureza bioética, que 
esclarece as diretrizes e normas de pesquisas 
específicas para nosso país. 
→ Foi substituída pela Resolução CNS n° 
466/2012. Essas resoluções tiveram como 
base os seguintes referenciais da bioética: 
autonomia, beneficência, não maleficência e 
justiça. 
→ A última resolução versa sobre: 
o Obtenção do Consentimento e 
Assentimento Livre e Esclarecido; 
o Organização e apresentação do 
protocolo de pesquisa; 
o Estabelecimento do fluxo para análise 
e aprovação, sob os aspectos éticos, 
dos protocolos de pesquisa; 
o Criação do CEP e CONEP, e definição de 
suas atribuições; 
o Definição dos termos utilizados na área 
da pesquisa clínica; 
o Requisitos de projetos; 
o Comprometimento dos pesquisadores 
em comunicar às autoridades 
sanitárias os resultados que possam 
trazer benefícios coletivos. 
→ As instituições que realizam pesquisa podem 
ter seu próprio CEP, desde que sigam as 
orientações da CONEP, a quem devem 
responder. 
→ Os CEPs podem avaliar projetos de outras 
instituições que não contem com um comitê 
próprio. 
→ Dependendo da natureza dos projetos de 
pesquisa, além da avaliação do CEP é 
necessária também a avaliação da CONEP. 
→ Norma Operacional do Conselho Nacional de 
Saúde nº 0011/2013: procedimentos para 
submissão, avaliação e acompanhamento da 
pesquisa envolvendoseres humanos no Brasil. 
 
Análise de projetos no CEP 
→ Além da avaliação de projetos, os comitês 
devem promover algumas atividades, como 
seminários, palestras, jornadas, cursos e 
estudos de protocolos de pesquisa; 
→ Suas equipes devem ser compostas por no 
mínimo sete membros, sendo um deles 
representante do usuário. 
 
→ Na avaliação dos projetos de pesquisa, 
somente os membros não relacionados ao 
investigador e ao patrocinador do estudo, ou 
seja, membros que não possuem vínculo com 
o projeto, têm direito a voto e podem fornecer 
o parecer. 
→ Missão do CEP: proteger os participantes, a 
equipe, a instituição, a sociedade e o 
ambiente; 
→ Alguns critérios de avaliação devem ser 
seguidos: devem gerar novos conhecimentos, 
respeitar a vida, ter relevância e serem 
exequíveis; 
→ CONEP: Instância colegiada de natureza 
consultiva, deliberativa, normativa, educativa 
e independente, vinculada ao Conselho 
Nacional de Saúde (CNS). 
o Composição multidisciplinar previsto 
em resolução que são de 27 titulares e 
5 suplementes; 
 
 
→ O sistema CEP/CONEP é, juntamente com o 
investigador principal, corresponsável pela 
implementação do projeto e, caso ocorra 
alguma irregularidade, qualquer um desses 
órgãos pode solicitar a suspensão temporária 
ou definitiva da pesquisa; 
→ Plataforma Brasil: O investigador poderá 
enviar o seu projeto para avaliação do Sistema 
CEP/CONEP por meio da Plataforma Brasil. 
o É de responsabilidade da CONEP e 
compila toda a base de dados da 
comissão, que, por meio de um único 
sistema, consegue acessar as pesquisas 
realizadas no país. 
o Após a realização do cadastro do 
pesquisador e da instituição na 
Plataforma Brasil, o novo projeto já 
pode ser cadastrado, juntamente com 
os documentos necessários, que 
devem ser anexados no site. 
o Documentos: protocolo n íntegra, 
registro do consentimento e 
assentimento ou solicitação de 
dispensa do consentimento, folho de 
rosto gerada pela Plataforma; 
→ A Anvisa foi criada em 1999 e passou a atuar 
como um órgão do Sistema Nacional de 
Vigilância Sanitária (SNVS), definido pela lei nº 
9.782, de 26 de janeiro de 1999; 
 
→ Resolução RDC nº 9, de 20 de fevereiro de 
2015: regulamenta a realização de ensaios 
clínicos com medicamentos e introduz o 
conceito de Dossiê de Desenvolvimento 
Clínico de Medicamento (DDCM). 
→ Resolução RDC nº 10, de 20 de fevereiro de 
2015: regulamenta a realização de ensaios 
clínicos com dispositivos médicos no Brasil e 
introduz o conceito de Dossiê de Investigação 
Clínica de um Dispositivo Médico (DICD). 
o Contemplam os procedimentos e 
requisitos para análise e aprovação da 
Anvisa, para fins de registro. 
→ As Instruções Normativas nº 20 e 21 objetivam 
instituir procedimentos de inspeção para 
harmonizar, orientar e verificar o 
cumprimento das Boas Práticas Clínicas (BPC) 
nos ensaios clínicos com medicamentos e 
dispositivos médicos; 
 
AULA 5: CENÁRIOS SELECIONADOS EM PESQUISA 
CLÍNICA 
→ Em 1958 ocorreu o primeiro ensaio clínico 
randomizado no The National Surgical 
Adjuvant Breast and Bowel Project (NSABP) 
para determinar a eficácia de tratamento 
adjuvante em mulheres com tumores 
operáveis de mama; 
→ Atualmente, em oncologia, podemos 
encontrar as seguintes opções terapêuticas: 
o Cirurgia 
o Quimioterapia 
o Radioterapia 
o Imunoterapia - tratamentos dirigidos a 
alvos moleculares específicos para vias 
de crescimento tumoral (maior 
crescimento nas últimas duas décadas) 
→ Para as pesquisas clínicas em oncologia são 
utilizados delineamentos metodológicos e 
desfechos específicos; 
 
FASE 1 
→ Objetivos: dosagem, tolerabilidade e perfil de 
segurança; 
o Estudo do efeito do corpo sobre a 
droga (farmacocinética); 
→ Amostra: voluntários saudáveis ou com câncer 
(sem opções terapêuticas disponíveis); 
→ Curta duração e a resposta esperada é a 
toxicidade em relação a droga. 
FASE 2 
→ Objetivo: identificar a dose adequada para 
população específica; 
→ Amostra: pacientes com tumores refratários e 
pacientes sem tratamento; 
→ Curta duração e a resposta esperada é a taxa 
de resposta. 
 
FASE 3 
→ Objetivo: determinar eficácia e segurança em 
relação a história natural da doença e ao 
tratamento padrão; 
→ Amostra: pacientes com neoplasias 
específicas; 
→ Centenas a milhares de pacientes; 
→ Longa duração (anos); 
→ Resposta esperada: eficácia. 
FASE 4 
→ Objetivo: avaliar segurança em larga escala e 
longo prazo, novas indicações e formulações; 
→ Longa duração (anos); 
→ Resposta esperada: avaliação a segurança. 
DESFECHOS 
→ Os desfechos podem ser clinicamente 
relevantes, como morte ou sobrevida livre da 
doença, e/ou desfechos substitutos, por 
exemplo, melhoria da qualidade de vida. 
PESQUISA NA PEDIATRIA 
→ Os pais, médicos e cientistas têm a obrigação 
de proteger as crianças dos riscos das 
pesquisas. 
→ A pesquisa em Pediatria é eticamente distinta 
da pesquisa em adultos; 
→ Os pacientes pediátricos devem receber 
medicamentos avaliados, considerados 
apropriados para essa população. 
→ A farmacoterapia segura e eficaz em pediatria 
requer o desenvolvimento oportuno de 
informações sobre o uso adequado dos 
medicamentos em pacientes de várias idades. 
→ A prescrição de medicamentos para crianças, 
sem que haja estudos prévios com essa 
população, significa: 
o Submeter esse público a experimentos 
descontrolados; 
o Privar esse grupo de tratamentos que 
poderiam ser benéficos; 
→ MEDICAMENTOS PARA DOENÇAS 
PREDOMINANTES OU EXCLUSIVAS DE 
PACIENTES PEDIÁTRICOS: os protocolos 
devem ser conduzidos diretamente na 
população pediátrica com exceção dos dados 
de tolerabilidade e de segurança que devem 
vir das pesquisas em adultos e/ou quando as 
pesquisas forem com medicamentos que 
tenham pouca utilidade aos participantes 
adultos ou que os exponham a riscos 
inapropriados. 
→ MEDICAMENTOS VOLTADOS PARA O 
TRATAMENTO DE DOENÇAS GRAVES OU COM 
RISCO À VIDA: a presença de uma doença 
grave ou com risco à vida representa uma 
importante lacuna no conhecimento, o que 
fomenta a necessidade dos estudos clínicos. 
Nesses casos, os dados iniciais de eficácia são 
suficientes para o início da aplicação do 
protocolo em crianças. 
→ MEDICAMENTOS COM O OBJETIVO DE TRATAR 
OUTRAS DOENÇAS E CONDIÇÕES: estes 
estudos são comumente realizados em fases 
mais tardias do desenvolvimento clínico, ou 
seja, em estudos de fase 4. A indústria 
farmacêutica deve ter um plano claro para os 
estudos pediátricos, justificando o período 
proposto para início dos estudos nessa 
população. 
→ Termo de assentimento fornecido para 
criança: o objetivo do assentimento não é 
fornecer um segundo consentimento, como se 
fosse um Termo de Consentimento Livre e 
Esclarecido (TCLE), mas permitir que a criança 
tenha um nível apropriado de envolvimento no 
processo de decisão sobre algo que lhe afeta. 
→ Minimizar a angústia: 
o Equipe capacitada no trato e na 
realização de procedimentos, na 
população pediátrica, considerando 
suas necessidades específicas. 
o Espaço físico com mobília, brinquedos, 
atividades e alimentação adequadas 
para crianças. 
o Condutas que provavelmente 
minimizem desconforto ao realizar 
procedimentos: anestesia tópica, 
cateteres de longa duração e coleta de 
amostras simultâneas. 
VACINAS 
→ Para o licenciamento das vacinas, além da 
avaliação da segurança, imunogenicidade e 
eficácia, é necessária uma avaliação da 
administração simultânea com outras vacinas. 
→ Idealmente, a eficácia deve ser comprovada 
com estudos randomizados, duplo-cegos e 
bem controlados. 
→ A incidência da doença a ser prevenida com a 
vacina é um dado importante no cálculo da 
quantidade de participantes que serão 
necessários para cada fase do estudo. 
AULA 6: CARREIRA PROFISSIONAL EM PESQUISA 
CLÍNICA 
→ Idealmente, as equipes dos centros de 
pesquisasão compostas pelo PI (do inglês 
Principal Investigator), ou Investigador 
Principal, subinvestigadores (ou 
coinvestigadores), coordenadores do estudo, 
enfermeiros, técnicos de enfermagem, 
estatísticos e farmacêuticos. 
→ A quantidade desses profissionais varia 
conforme o tamanho e a necessidade de cada 
centro, e é o PI quem delega as funções aos 
membros dessa equipe. 
→ Em conjunto, o PI e a equipe devem: 
o Estabelecer relações de trabalho com 
os monitores do estudo; 
o Planejar e organizar as estratégias para 
a condução da pesquisa; 
o Comprovar a guarda segura e 
adequada dos materiais do estudo; 
o Revisar o projeto, solucionando 
eventuais dúvidas. 
→ Investigador Principal (PI): é a pessoa 
responsável pela condução de um estudo 
clínico, além de ser encarregado pela equipe 
do centro de pesquisa que está 
conduzindo/executando o estudo. 
o Quando o estudo envolver decisões 
médicas, o PI deverá ser médico. 
→ Coordenador de estudos clínicos: é o 
profissional incumbido do suporte operacional 
das ações relacionadas à condução de projetos 
de pesquisa envolvendo seres humanos → 
suporte a tomada de medidas que auxiliem o 
PI a proceder de acordo com o protocolo. 
→ Monitor de pesquisa clínica: designado pelo 
patrocinador ou pela organização de serviços 
de pesquisa, e é responsável por monitorar e 
comunicar o cumprimento do protocolo 
aprovado, além de acompanhar o progresso 
do estudo. 
→ O Hospital Alemão Oswaldo Cruz, por 
intermédio do Programa de Desenvolvimento 
Institucional do Sistema Único de Saúde 
(PROADI/SUS), disponibiliza mais dois cursos a 
distância relacionados à pesquisa clínica: 
o Curso Intermediário de Pesquisa Clínica 
o Pós-graduação em Pesquisa Clínica

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