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INTRODUTÓRIO DE PESQUISA CLÍNICA AULA 1: FASES DA PESQUISA CLÍNICA FASE PRÉ-CLÍNICA: → Avaliação in vitro e em modelos animais; → Fornece informação sobre as atividades farmacológica, toxicológica e farmacocinética em animais; → Podem continuar paralelamente após iniciada a pesquisa em humanos. FASE 1: → Primeiros realizados em seres humanos; → Objetivo: avaliar a segurança do medicamento e a melhor forma de administração do produto. → Avalia toxicidade e tolerância → foco na farmacocinética (farmacodinâmica é estudada indiretamente); → Participantes: voluntários sadios em período de curta duração (de seis a nove meses). o Inclui entre 30 e 100 participantes; o Sadio: não possui doenças significativas ou relevantes para o estudo, medidas corporais dentro dos limites de normalidade e consciência de suas faculdades mentais. Não receberá benefício terapêutico com sua participação, função cardíaca, hepática e renal normais para os estudos de farmacocinética. o Exceção: fármacos antineoplásicos ou antirretrovirais, nos quais há alto risco de o participante apresentar efeitos secundários. → Única fase que pode ser remunerada no Brasil → o valor não pode ser alto a ponto de induzir o participante a entrar na pesquisa. → Centro de pesquisa: idealmente deve ser em um hospital ou estar próximo de um, para fornecer apoio na ocorrência de eventos adversos. O centro deve possuir: o Descrição de procedimentos para o transporte de material biológico; o Certificado de qualidade (se possuir laboratório clínico); o Equipe treinada em reanimação; o Descrição dos procedimentos de emergência; o Equipamentos para atender emergência. FASE 2: → Avalia eficácia e relação dose-resposta em uma doença definida → verificar a atividade do produto nos indivíduos portadores da doença a ser tratada. → Estudos exploratórios: essencial para determinar e definir a dose terapêutica efetiva associada aos menores eventos adversos observados. → Menor número possível de participantes, de forma que os resultados obtidos ao final do estudo sejam estatisticamente significantes; → Participantes: portadores da doença para a qual o medicamento foi desenvolvido – idealmente sem outras alterações; o Entre 100 e 400 participantes, dura de um a 3 anos. FASE 3: → São mais amplos e avaliam de maneira definitiva a relação risco-benefício (eficácia e segurança) do novo fármaco quando comparado aos medicamentos já existentes no mercado. → Objetiva reproduzir as condições de uso habituais → os participantes selecionados devem representar a população para a qual o produto é destinado. → Em geral, os participantes são distribuídos aleatoriamente em diferentes grupos, dos quais um recebe o medicamento em teste e o outro, o medicamento já disponível no mercado. → São estudos maiores envolvendo centenas a milhares de participantes; → Duração varia de 1 a 4 anos; → Em geral, são ensaios clínicos randomizados e controlados → cegos ou duplo-cegos; → O avaliador deve ser o mesmo até o final do estudo e a equipe de pesquisa deve ser padronizada. → Após a comprovação da eficácia do novo medicamento, é obtida a aprovação do registro por meio do órgão regulatório sanitário no Brasil, Anvisa. FASE 4: → Realizados após o registro do produto (estudos pós-comercialização); → Objetivo: observação rigorosa sobre o comportamento e o impacto do produto em condições reais. o Segurança do produto com uso em larga escala, por tempo prolongado e em populações variadas → Dividida em 4 grandes campos: o Utilização em larga escala: testa eficácia em condições reais – podem surgir novas dúvidas; o Estudos de farmacovigilância: monitorar e avaliar reações adversas graves. o Estudos de marketing; o Estudos de farmacoeconomia: a fim de otimizar recursos financeiros para uma determinada população. ▪ Minização de custos, custo- benefício, custo-efetividade e custo-utilidade. → Em estudos que incluem o uso de suplementos vitamínicos, dispositivos, procedimentos (inclusive cirúrgicos) ou intervenções comportamentais, não se aplicam a sequência das quatro fases. AULA 2: BOAS PRÁTICAS CLÍNICAS – PRINCÍPIOS, DIRETRIZES E REGULAMENTAÇÕES → Na década de 1980, a Comunidade Europeia (CE) foi pioneira na busca pela harmonização dos requisitos necessários ao desenvolvimento e à comercialização de produtos farmacêuticos. → Em 1989, na Conferência da Organização Mundial da Saúde (OMS) de Autoridades para Regulamentação de Medicamentos, do inglês International Conference of Drug Regulatory Authorities (ICDRA), foram apresentados planos específicos para ações visando à harmonização dos requisitos técnicos. → Durante a conferência foi concebido o Conselho Internacional para Harmonização (ICH): único que reúne autoridades regulatórias e indústria farmacêutica para discutirem aspectos científicos e técnicos do registro de drogas. o Missão: conseguir a maior harmonização possível entre os critérios para medicamentos de diversos países, assegurando que medicamentos seguros, eficazes e de alta qualidade sejam desenvolvidos e registrados de forma eficiente, inclusive em termos de recursos. → Dentro das diretrizes estabelecidas pelo ICH, o capítulo E6 é especialmente voltado para as Boas Práticas Clínicas (BPC) que foram estabelecidas em 1996 para normatizar a condução dos estudos clínicos. → As Boas Práticas Clínicas (BPC), do inglês Good Clinical Practices (GCP), são um padrão de qualidade ética e científica para planejamento, condução, registro e relato de estudos clínicos que envolvam a participação de seres humanos. → A adesão a esse padrão garante que os direitos, a segurança e o bem-estar dos participantes estejam protegidos, de acordo com os princípios originados da Declaração de Helsinque, e assegura a credibilidade dos dados do estudo clínico. Pontos de estudos clínicos que devem seguir a BPC → Pesquisas que seguem esse padrão garantem a credibilidade e precisão de seus dados e resultados. → Além disso, prezam para que os direitos, a integridade e o sigilo dos participantes da pesquisa sejam protegidos. PRINCÍPIOS DE BOAS PRÁTICAS CLÍNICAS DO ICH 1. Os estudos clínicos devem ser conduzidos de acordo com os princípios éticos que têm sua origem na Declaração de Helsinque e devem ser consistentes com as normas de BPC e com as exigências regulatórias aplicáveis. 2. Antes do início, os riscos e inconveniências previsíveis devem ser contrapostos aos benefícios esperados para o participante da pesquisa e para a sociedade. 3. Os direitos, a segurança e o bem-estar dos participantes do estudo são as considerações mais importantes e devem prevalecer sobre os interesses da ciência e da sociedade. 4. Deve haver informação clínica e não clínica adequada disponível sobre o produto em investigação para embasar o estudo clínico proposto. 5. Devem ter bases científicas sólidas, e é necessário que sejam descritos em protocolos claros e detalhados. 6. Devem ser conduzidos de acordo com o protocolo aprovado por um Comitê de Ética em Pesquisa, independente. 7. Os cuidados e as decisões médicas envolvendo os participantes de pesquisa clínica sempre serão de responsabilidade de um médico qualificado ou, quando apropriado, de um dentista qualificado. 8. Todo indivíduo envolvido na realização de um estudo deve ser academicamente qualificado, treinado e experiente para desempenhar sua função. 9. Deve ser obtido o consentimento livre e esclarecido, por escrito e voluntariamente, de cada participante. 10. Toda informação sobre o estudo deve ser registrada, manipulada e arquivada de maneira que possibilite a produção de relatórios, interpretações e verificações precisas. 11. A confidencialidadede registros que possam identificar os participantes deve ser protegida, respeitando a privacidade e as normas de confidencialidade de acordo com as legislações aplicáveis. 12. Os produtos sob investigação têm de ser produzidos, manuseados e armazenados de acordo com as normas de Boas Práticas de Fabricação (BPF), devendo ser utilizados de acordo com o protocolo previamente aprovado. 13. Devem ser implementados sistemas com procedimentos que garantam a qualidade de todos os aspectos do estudo. O foco desses sistemas deve estar nos aspectos essenciais do estudo para a proteção dos seres humanos e a credibilidade de seus resultados. 4 diretrizes adicionadas ao documento das américas RESPONSABILIDADES DO INVESTIGADOR → Competências técnicas e recursos adequados: o Qualificação: educação, treinamento e experiência; o Comprovar qualificação com curriculum vitae atualizado ou outra documentação relevante; o Conhecer e agir de acordo com as BPC; o Estar familiarizado com o uso apropriado dos produtos que serão testados; o Permitir a monitoria e auditoria pelo patrocinador, bem como autorizar inspeção pelas autoridades regulatórias aplicáveis. o Manter uma lista de pessoas adequadamente qualificadas para as quais delegou tarefas relacionadas ao estudo. o Recrutar o número exigido de participantes apropriados, dentro do período acordado. o Dispor de tempo suficiente para conduzir adequadamente o estudo, concluindo-o dentro do período acordado. o Dispor de um número suficiente de pessoas qualificadas e instalações adequadas para a condução do estudo. → Processo regulatório: o Obter aprovação/parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) o Fornecer ao CEP uma cópia atualizada da Brochura do Investigador. o Fornecer ao CEP todos os documentos sujeitos à análise (durante o estudo). o Conduzir o estudo em conformidade com o protocolo aprovado pelo CEP e autoridades regulatórias (se necessário) e acordado com o patrocinador. o Não adicionar alterações ao protocolo sem o consentimento do patrocinador e análise prévia e parecer favorável do CEP. o Submeter ao CEP, ao patrocinador e às autoridades regulatórias (se necessário) qualquer alteração ou desvio, suas razões e, se apropriado, as emendas ao protocolo propostas. → Produto em teste: o Armazenar os produtos como especificado pelo patrocinador e de acordo com as exigências regulatórias aplicáveis; o Garantir que os produtos sob investigação sejam utilizados em conformidade com o protocolo aprovado; o Explicar a cada participante o uso correto dos produtos sob investigação e checar, nos intervalos apropriados ao estudo, se os participantes estão seguindo as instruções adequadamente; o Seguir os procedimentos de randomização, se aplicáveis, e garantir que o modo de cegamento seja quebrado quando estiver de acordo com o protocolo. → Registros e relatórios: o Manter os documentos-fonte e registros do estudo, que incluem todas as observações pertinentes para cada participante, de modo adequado. Esses documentos devem ser: ▪ a. legíveis, originais e ter o preenchimento completo. Qualquer alteração deve ser rastreável; ▪ b. conservados pelo tempo requerido pelas exigências regulatórias aplicáveis. o Submeter resumos escritos do status do estudo ao CEP (anualmente, ou com maior frequência, caso seja requisitado). → Procedimentos Operacionais Padrão (POP): corresponde a um passo a passo dos procedimentos. Todo procedimento deve ter seu POP, e os POPs devem ter incorporados em suas descrições os princípios das BPC. AULA 3: BIOÉTICA E TCLE → Tribunal de Nuremberg: regras de julgamentos dos crimes com a humanidade. → Código de Nuremberg: primeira recomendação internacional quanto a ética nas pesquisas envolvendo seres humanos o Descreve 10 principais pontos que por lei teriam que ser obedecidos em relação aos experimentos médicos com participantes humanos. o Exemplos: ▪ Consentimento voluntário do ser humano é essencial; ▪ O experimento deve evitar todo o sofrimento e danos desnecessários; TCLE → Em 1964 foi descrita a Declaração de Helsinque e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido passou a ser essencial em todas as pesquisas com seres humanos; → Pesquisa com ser humano: qualquer tipo de pesquisa que envolve seres humanos direta ou indiretamente; o Envolvimento direto: pesquisa interventiva o Envolvimento indireto: pesquisa não interventiva → É um documento em que a pessoa deve concordar, sem nenhuma coação ou pressão e após receber as informações necessárias; → No Brasil passou a ser exigida em 1996 (resolução 196); em 2012 surgiu a resolução 466 → instituiu a necessidade de aprovação pelo CEP e CONEP; → Fornece proteção legal para o participante trazendo todas as informações relevantes, tais como: o Tempo de duração o Benefícios aos participantes o Riscos o Descrição da pesquisa o Contato do pesquisador o Análise ética do projeto pelo CEP → Os 4 passos do convite para a pesquisa: o Convite verbal explicando objetivo e metodologia; o Apresenta-se termo de consentimento; o Verificar se o participante tem dúvidas; o Termo é assinado pelo participante e pesquisador. → O participante pode se arrepender e retirar o consentimento a qualquer momento. AULA 4: SISTEMAS REGULATÓRIOS EM PESQUISA CLÍNICA E ETAPAS PARA ELABORAÇÃO DE UM PROJETO DE PESQUISAARQUIVO → Em 1988, o Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde (CNS/MS) estabeleceu a Resolução CNS nº 1/1988, que mesclava questões de natureza ética com problemas de vigilância sanitária e de biossegurança; o Foco: atenção às pesquisas com seres humanos na área da saúde. o Instituições de saúde credenciadas pelo CNS que realizassem pesquisas com seres humanos deveriam contar com um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). → Na ausência de parecer favorável e por escrito do CEP e do Comitê de Segurança Biológica (conforme o caso), as pesquisas não poderiam ser iniciadas; → No ano de 1996, a Resolução nº 129/1996 implementa as Boas Práticas Clínicas (BPC) no Mercado Comum do Sul (Mercosul); o Necessidade de os projetos de pesquisa serem submetidos a comitês de ética que não tenham ligação ao projeto que está sendo avaliado → formado por diferentes profissionais com trajetória relacionada a ética e direitos humanos. → Ainda em 1996, o CNS/MS elabora a Resolução CNS n°196/1996, de natureza bioética, que esclarece as diretrizes e normas de pesquisas específicas para nosso país. → Foi substituída pela Resolução CNS n° 466/2012. Essas resoluções tiveram como base os seguintes referenciais da bioética: autonomia, beneficência, não maleficência e justiça. → A última resolução versa sobre: o Obtenção do Consentimento e Assentimento Livre e Esclarecido; o Organização e apresentação do protocolo de pesquisa; o Estabelecimento do fluxo para análise e aprovação, sob os aspectos éticos, dos protocolos de pesquisa; o Criação do CEP e CONEP, e definição de suas atribuições; o Definição dos termos utilizados na área da pesquisa clínica; o Requisitos de projetos; o Comprometimento dos pesquisadores em comunicar às autoridades sanitárias os resultados que possam trazer benefícios coletivos. → As instituições que realizam pesquisa podem ter seu próprio CEP, desde que sigam as orientações da CONEP, a quem devem responder. → Os CEPs podem avaliar projetos de outras instituições que não contem com um comitê próprio. → Dependendo da natureza dos projetos de pesquisa, além da avaliação do CEP é necessária também a avaliação da CONEP. → Norma Operacional do Conselho Nacional de Saúde nº 0011/2013: procedimentos para submissão, avaliação e acompanhamento da pesquisa envolvendoseres humanos no Brasil. Análise de projetos no CEP → Além da avaliação de projetos, os comitês devem promover algumas atividades, como seminários, palestras, jornadas, cursos e estudos de protocolos de pesquisa; → Suas equipes devem ser compostas por no mínimo sete membros, sendo um deles representante do usuário. → Na avaliação dos projetos de pesquisa, somente os membros não relacionados ao investigador e ao patrocinador do estudo, ou seja, membros que não possuem vínculo com o projeto, têm direito a voto e podem fornecer o parecer. → Missão do CEP: proteger os participantes, a equipe, a instituição, a sociedade e o ambiente; → Alguns critérios de avaliação devem ser seguidos: devem gerar novos conhecimentos, respeitar a vida, ter relevância e serem exequíveis; → CONEP: Instância colegiada de natureza consultiva, deliberativa, normativa, educativa e independente, vinculada ao Conselho Nacional de Saúde (CNS). o Composição multidisciplinar previsto em resolução que são de 27 titulares e 5 suplementes; → O sistema CEP/CONEP é, juntamente com o investigador principal, corresponsável pela implementação do projeto e, caso ocorra alguma irregularidade, qualquer um desses órgãos pode solicitar a suspensão temporária ou definitiva da pesquisa; → Plataforma Brasil: O investigador poderá enviar o seu projeto para avaliação do Sistema CEP/CONEP por meio da Plataforma Brasil. o É de responsabilidade da CONEP e compila toda a base de dados da comissão, que, por meio de um único sistema, consegue acessar as pesquisas realizadas no país. o Após a realização do cadastro do pesquisador e da instituição na Plataforma Brasil, o novo projeto já pode ser cadastrado, juntamente com os documentos necessários, que devem ser anexados no site. o Documentos: protocolo n íntegra, registro do consentimento e assentimento ou solicitação de dispensa do consentimento, folho de rosto gerada pela Plataforma; → A Anvisa foi criada em 1999 e passou a atuar como um órgão do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), definido pela lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999; → Resolução RDC nº 9, de 20 de fevereiro de 2015: regulamenta a realização de ensaios clínicos com medicamentos e introduz o conceito de Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento (DDCM). → Resolução RDC nº 10, de 20 de fevereiro de 2015: regulamenta a realização de ensaios clínicos com dispositivos médicos no Brasil e introduz o conceito de Dossiê de Investigação Clínica de um Dispositivo Médico (DICD). o Contemplam os procedimentos e requisitos para análise e aprovação da Anvisa, para fins de registro. → As Instruções Normativas nº 20 e 21 objetivam instituir procedimentos de inspeção para harmonizar, orientar e verificar o cumprimento das Boas Práticas Clínicas (BPC) nos ensaios clínicos com medicamentos e dispositivos médicos; AULA 5: CENÁRIOS SELECIONADOS EM PESQUISA CLÍNICA → Em 1958 ocorreu o primeiro ensaio clínico randomizado no The National Surgical Adjuvant Breast and Bowel Project (NSABP) para determinar a eficácia de tratamento adjuvante em mulheres com tumores operáveis de mama; → Atualmente, em oncologia, podemos encontrar as seguintes opções terapêuticas: o Cirurgia o Quimioterapia o Radioterapia o Imunoterapia - tratamentos dirigidos a alvos moleculares específicos para vias de crescimento tumoral (maior crescimento nas últimas duas décadas) → Para as pesquisas clínicas em oncologia são utilizados delineamentos metodológicos e desfechos específicos; FASE 1 → Objetivos: dosagem, tolerabilidade e perfil de segurança; o Estudo do efeito do corpo sobre a droga (farmacocinética); → Amostra: voluntários saudáveis ou com câncer (sem opções terapêuticas disponíveis); → Curta duração e a resposta esperada é a toxicidade em relação a droga. FASE 2 → Objetivo: identificar a dose adequada para população específica; → Amostra: pacientes com tumores refratários e pacientes sem tratamento; → Curta duração e a resposta esperada é a taxa de resposta. FASE 3 → Objetivo: determinar eficácia e segurança em relação a história natural da doença e ao tratamento padrão; → Amostra: pacientes com neoplasias específicas; → Centenas a milhares de pacientes; → Longa duração (anos); → Resposta esperada: eficácia. FASE 4 → Objetivo: avaliar segurança em larga escala e longo prazo, novas indicações e formulações; → Longa duração (anos); → Resposta esperada: avaliação a segurança. DESFECHOS → Os desfechos podem ser clinicamente relevantes, como morte ou sobrevida livre da doença, e/ou desfechos substitutos, por exemplo, melhoria da qualidade de vida. PESQUISA NA PEDIATRIA → Os pais, médicos e cientistas têm a obrigação de proteger as crianças dos riscos das pesquisas. → A pesquisa em Pediatria é eticamente distinta da pesquisa em adultos; → Os pacientes pediátricos devem receber medicamentos avaliados, considerados apropriados para essa população. → A farmacoterapia segura e eficaz em pediatria requer o desenvolvimento oportuno de informações sobre o uso adequado dos medicamentos em pacientes de várias idades. → A prescrição de medicamentos para crianças, sem que haja estudos prévios com essa população, significa: o Submeter esse público a experimentos descontrolados; o Privar esse grupo de tratamentos que poderiam ser benéficos; → MEDICAMENTOS PARA DOENÇAS PREDOMINANTES OU EXCLUSIVAS DE PACIENTES PEDIÁTRICOS: os protocolos devem ser conduzidos diretamente na população pediátrica com exceção dos dados de tolerabilidade e de segurança que devem vir das pesquisas em adultos e/ou quando as pesquisas forem com medicamentos que tenham pouca utilidade aos participantes adultos ou que os exponham a riscos inapropriados. → MEDICAMENTOS VOLTADOS PARA O TRATAMENTO DE DOENÇAS GRAVES OU COM RISCO À VIDA: a presença de uma doença grave ou com risco à vida representa uma importante lacuna no conhecimento, o que fomenta a necessidade dos estudos clínicos. Nesses casos, os dados iniciais de eficácia são suficientes para o início da aplicação do protocolo em crianças. → MEDICAMENTOS COM O OBJETIVO DE TRATAR OUTRAS DOENÇAS E CONDIÇÕES: estes estudos são comumente realizados em fases mais tardias do desenvolvimento clínico, ou seja, em estudos de fase 4. A indústria farmacêutica deve ter um plano claro para os estudos pediátricos, justificando o período proposto para início dos estudos nessa população. → Termo de assentimento fornecido para criança: o objetivo do assentimento não é fornecer um segundo consentimento, como se fosse um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), mas permitir que a criança tenha um nível apropriado de envolvimento no processo de decisão sobre algo que lhe afeta. → Minimizar a angústia: o Equipe capacitada no trato e na realização de procedimentos, na população pediátrica, considerando suas necessidades específicas. o Espaço físico com mobília, brinquedos, atividades e alimentação adequadas para crianças. o Condutas que provavelmente minimizem desconforto ao realizar procedimentos: anestesia tópica, cateteres de longa duração e coleta de amostras simultâneas. VACINAS → Para o licenciamento das vacinas, além da avaliação da segurança, imunogenicidade e eficácia, é necessária uma avaliação da administração simultânea com outras vacinas. → Idealmente, a eficácia deve ser comprovada com estudos randomizados, duplo-cegos e bem controlados. → A incidência da doença a ser prevenida com a vacina é um dado importante no cálculo da quantidade de participantes que serão necessários para cada fase do estudo. AULA 6: CARREIRA PROFISSIONAL EM PESQUISA CLÍNICA → Idealmente, as equipes dos centros de pesquisasão compostas pelo PI (do inglês Principal Investigator), ou Investigador Principal, subinvestigadores (ou coinvestigadores), coordenadores do estudo, enfermeiros, técnicos de enfermagem, estatísticos e farmacêuticos. → A quantidade desses profissionais varia conforme o tamanho e a necessidade de cada centro, e é o PI quem delega as funções aos membros dessa equipe. → Em conjunto, o PI e a equipe devem: o Estabelecer relações de trabalho com os monitores do estudo; o Planejar e organizar as estratégias para a condução da pesquisa; o Comprovar a guarda segura e adequada dos materiais do estudo; o Revisar o projeto, solucionando eventuais dúvidas. → Investigador Principal (PI): é a pessoa responsável pela condução de um estudo clínico, além de ser encarregado pela equipe do centro de pesquisa que está conduzindo/executando o estudo. o Quando o estudo envolver decisões médicas, o PI deverá ser médico. → Coordenador de estudos clínicos: é o profissional incumbido do suporte operacional das ações relacionadas à condução de projetos de pesquisa envolvendo seres humanos → suporte a tomada de medidas que auxiliem o PI a proceder de acordo com o protocolo. → Monitor de pesquisa clínica: designado pelo patrocinador ou pela organização de serviços de pesquisa, e é responsável por monitorar e comunicar o cumprimento do protocolo aprovado, além de acompanhar o progresso do estudo. → O Hospital Alemão Oswaldo Cruz, por intermédio do Programa de Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI/SUS), disponibiliza mais dois cursos a distância relacionados à pesquisa clínica: o Curso Intermediário de Pesquisa Clínica o Pós-graduação em Pesquisa Clínica