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UNIVERSIDADE NOVE JULHO – UNINOVE DIRETORIA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE PSICOLOGIA GIOVANNA LOPES PINHO ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE: INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL UNIBES São Paulo 2022 GIOVANNA LOPES PINHO ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE: INTERCONSULTA – MEMORIAL Relatório apresentado à Universidade Nove de Julho – UNINOVE, referente ao Estágio Profissionalizante em Organizações/Clínico como requisito parcial para aprovação no referido semestre , sob orientação da Profa Rosa Maria Lopes Affonso São Paulo 2022 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 4 2. JUSTIFICATIVA 6 3. OBJETIVOS 7 3.1 OBJETIVO GERAL 7 3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 7 4. MÉTODO 8 5. DISCUSSÃO 9 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................................................9 REFERÊNCIAS 10 ANEXOS.................................................................................................................................................11 1. INTRODUÇÃO O presente relatório foi elaborado e composto por estudantes do 8º semestre da graduação de psicologia da Universidade Nove de Julho Giovanna Lopes Pinho e Vitória Régia Pereira dos Santos sob a supervisão da professora Rosa Maria Lopes Affonso e refere-se aos atendimentos psicológicos realizados na instituição UNIBES - União Brasileiro Israelita do Bem-Estar Social, organização filantrópica do terceiro setor com 107 anos de trabalho fundamentados na justiça social. O público atendido pela Unibes é formado por crianças, adolescentes, idosos e famílias que vivem em situação de vulnerabilidade social. A instituição em parceria com a UNINOVE fez seu primeiro projeto de acolhimento e atendimento clínico psicossocial às crianças e adolescentes, cujo qual necessitam de atendimento psicológico por serem indivíduos que se encontram em situação de vulnerabilidade social, econômica e alguns casos serem vítimas de violência doméstica. Winnicott (1987) defende que a brincadeira facilita o crescimento, desenvolvimento e potencial criativo e conduz para relacionamentos grupais, nesse sentido a terapia a partir do brincar tem possibilidades auto curativas, sendo modo de expressão para as crianças de forma que seja possível acessar o simbólico e compreender outros processos complexos da vida. Nas sessões foram utilizada a ferramenta do ludodiagnóstico e tem como objetivo o diagnóstico e a intervenção clínica, através de materiais lúdicos como lápis, folhas em branco, massinha de modelar, tesoura, cola, legos etc que possibilitem a livre expressão dos conteúdos internos do jovem. Por ter um caráter de livre expressão, a criança pode escolher a sua forma de utilizar os materiais disponíveis, podendo dramatizar, conversar e ou desenhar (AFFONSO, 2012). O papel dos profissionais será de interpretar por intermédio da observação e a associação livre de forma que estabeleça uma comunicação e aliança terapêutica com a criança e através da interação lúdica do brincar e das brincadeiras o profissional observe o comportamento, identifique e diagnostique a projeção dos conflitos infantis (WINNICOTT, 1987). 2. JUSTIFICATIVA A população que frequenta o local é heterogênea composta por crianças, adolescentes, adultos e idosos, do sexo masculino e feminino e possui em comum a vulnerabilidade social e economica o que desencadeia várias sensações de impotência e /ou demandas de intervenções familiares, pois muitas vezes, as crianças se encontram desamparadas e com dificuldade de reconhecer e enfrentar seus sentimentos, o que acaba por comprometer o raciocínio, a compreensão de situações, resolução de conflitos, impedindo a clareza na verbalização e compreensão das dificuldades. Além disso, identificamos um histórico de rejeição,comprometendo os vínculos afetivos. 3. OBJETIVOS - Integrar conhecimentos, competências e habilidades profissionais tendo como meta desenvolver intervenções breves por meio de práticas de acolhimento e diagnóstico no apoio a programas do próprio Ambulatório e da comunidade; - Desenvolver competência clínica dentro da perspectiva do Atendimento Breve identificar situações de crise e alcance do apoio profissional da Psicologia aos usuários; - Discriminar especificidades do papel profissional de um Psicólogo ao atuar em equipamento público de atenção à saúde psicossocial tendo o Acolhimento Institucional como referência. 4. MÉTODO A fim de alcançar os objetivos propostos realizou-se análise qualitativa de caráter exploratório utilizando como procedimento técnico o estudo de caso. O fenômeno analisado foi o de intervenções realizadas durante o Estágio Profissionalizante na UNIBES - Centro de Desenvolvimento Social e Produtivo para Adolescentes, Jovens e Adultos/Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo/ CCA - Centro para Criança e Adolescente, cujo foco de atividades teve como base desenvolver a competência clínica dentro da abordagem de psicoterapia breve, identificando situações de crise e alcance do apoio profissional da Psicologia aos usuários da Unidade de Atenção Básica. A partir desta perspectiva foi possível discriminar especificidades do papel profissional de um Psicólogo ao atuar em equipamento público psicossocial como referência. Qualitativamente falando, a proposta de intervenção visou a sistematização e análise do processo terapêutico por meio de acompanhamento supervisionado da relação psicólogo-paciente no momento em que ela ocorre, neste sentido estará em questão a qualidade da interação terapêutica enquanto elemento capaz de prever resultados do acolhimento e demais contribuição dos fatores relacionais que possam contribuir para o sucesso terapêutico. 5. DISCUSSÃO QUADRO ANALÍTICO Sujeito (perfil) Queixa Evolução clínica Estratégia Contextualização N.A.D.C, 8 anos, estudante 2 série fundamental, solteiro, morando com a mãe e os irmãos. Paciente com comportamento agressivo se apresenta retraído e manifesta com a professora agressividade familiar Utilizar através do desenho solicitado a representação do imaginário e trabalhar as relações no seu cotidiano social. N.A.D.C, 8 anos, estudante 2 série fundamental, solteiro, morando com a mãe e os irmãos. Paciente com comportamento agressivo se apresenta retraído e manifesta com a professora agressividade familiar Evidencia sinais significativos de ansiedade e agressividade através dos desenhos realizados. Continuar trabalho lúdico e através dos desenhos realizados utilizar o imaginário para representar e trabalhar suas relações cotidianas sociais. N.A.D.C, 8 anos, estudante 2 série fundamental, solteiro, morando com a mãe e os irmãos. Paciente com comportamento agressivo se apresenta retraído e manifesta com a professora agressividade familiar Evidencia sinais significativos de ansiedade e agressividade através dos seus desenhos. Sua agressividade está relacionada a não admissão dos seus instintos agressivos e além disso, verificamos descontrole emocional em relação aos seus afetos negativos Auxiliar a criança a refletir sobre seus comportamentos no contexto social N.A.D.C, 8 anos, estudante 2 série fundamental, solteiro, morando com a mãe e os irmãos. Paciente com comportamento agressivo se apresenta retraído e manifesta com a professora agressividade familiar Sua agressividade está relacionada a não admissão dos seus instintos agressivos e além disso, verificamos descontrole emocional em relação aos seus afetos negativos Fazê-lo refletir sobre sua própria agressividade e tentar lidar com ela no seu relacionamento social e trabalhar a reflexão sobre ele sempre querer ser o melhor. Prognóstico: Trata-se de uma criança com potencial cognitivo, logo há possibilidades dele elaborar essa situação. N.A.D.C, 8 anos, estudante 2 série fundamental, solteiro, morando com a mãe e os irmãos. Paciente com comportamento agressivo se apresenta retraído e manifesta com a professora agressividade familiar Existe uma fantasia que ele acredita que só pode ajudar alguém se tiver poderes.A professora não mencionou a presença de agressividade no social na última semana Continuar fazê-lo refletir sobre sua própria agressividade e tentar lidar com ela no seu relacionamento social e trabalhar a reflexão sobre ele sempre querer ser o melhor. Toda a população atendida pela Unibes é de alta vulnerabilidade econômica e social, com carências afetivas, expostos a situações de violência e maus tratos psicológicos. A instituição Unibes em parceria com a Uninove implementou o campo de atendimento psicossocial para as crianças e adolescentes, cujo casos foram encaminhados pela assistente social e professoras, sendo que as professoras acompanharam o processo durante todo o período podendo relatar as mudanças ocorridas no período de intervenção. Nesse sentido, o papel desempenhado foi de acolhimento e estratégias lúdicas a fim de investigar a causa das queixas trazidas pelas professoras. O paciente atendido foi encaminhado com queixa de agressividade com seus pares, possuindo 7 anos no momento do encaminhamento e 8 anos ao finalizar o atendimento e está na 2º série e a Assistente Social relatou que a mãe e o paciente sofreram agressões físicas paterna. De acordo com Papalia e Feldman (2013) crianças expostas a discórdia parental podem apresentar comportamentos externalizantes como agressividades, brigas, desobediência e hostilidade. Ao longo das semanas a professora relatou momentos de agressividade e birras, em sessão foi exercitado sua reflexão sobre sua própria agressividade e possibilidades mais adequadas para lidar com seus relacionamentos sociais. Apesar de ser uma criança com baixo controle voluntário de autorregulação, ele possui capacidade cognitiva para elaborar melhor seus comportamentos. Observou-se na sala de convivência comportamento agitado, embora participativo. Apesar dos episódios de agressividade e de birra, ele é percebido como um aluno popular em sala de aula sugerindo que o comportamento “valentão” pode ser visto como “legal”. A intimidação pode refletir uma tendência genética à agressividade combinada com influências ambientais, como seu pai que é coercitivo (Berger, 2007). 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS O estágio foi enriquecedor e desafiador, proporcionando um grande aprendizado na experiência enquanto futuro profissional psicólogo. O trabalho multidisciplinar foi importante para a evolução do paciente. O trabalho lúdico realizado, nos possibilitou um atendimento mais criativo e um cenário mais leve de forma que o paciente consiga se expressar brincando. Toda a bagagem adquirida vai servir para um futuro promissor na atuação com crianças e adolescentes e também para o nosso próprio desenvolvimento como pessoa e também abrindo portas para compreender o funcionamento de CCA e instituições sociais em geral, que é uma vivência imprescindível para todo psicólogo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AFFONSO, Rosa Maria Lopes (org.). Ludodiagnóstico: análise cognitiva das representações infantis. São Paulo: Vetor Editora, 2012. Berger, K. S. (2007). Atualização sobre Bullying na Escola: Ciência Esquecida? Developmental Review, 27, 90-126. https://doi.org/10.1016/j.dr.2006.08.002 Papalia, D. E.; Feldman, R. D. (2013). Desenvolvimento humano. 12ed. Porto Alegre: AMGH. WINNICOTT, D. W. Privação e Delinquência. São Paulo: Martins Fontes, 1987.