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Dificuldade em manter a atenção em tarefas que não proporcionam um alto nível de estimulação ou recompensa ou requerem esforço mental sustentado, por essa razão percebe-se que o individuo só permanece com foco na atividade realizada quando a mesma é do seu interesse ou há uma recompensa em disputa; TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE- COM PREDOMÍNIO DESATENTO Quem nunca se deparou com um individuo displicente, esquecido, desatento? Pois bem, essas características podem estar implícita e explicitamente l igadas ao Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade com predomínio da desatenção Por essa razão vários sintomas de desatenção que são persistentes e suficientemente graves para terem um impacto negativo direto no funcionamento acadêmico, ocupacional ou social do individuo o qual destacamos, conforme Seabra (2020) Faci lmente distraído por estímulos ou pensamentos estranhos não relacionados à tarefa em questão; Perde com frequência (coisas, objetos, materiais escolares e pessoais) ; Apresenta esquecimento nas atividades do seu dia-a-dia; tem dificuldade em lembrar-se de completar as próximas tarefas ou atividades diárias, o que compromete em algum momento a construção da sua rotina; Tem dificuldade em planejar, gerenciar e organizar trabalhos escolares, tarefas e outras atividades, pertinente a sua trajetória de vida; Frequentemente falta de atenção aos detalhes nas atividades praticadas, principalmente as atividades escolares, cometendo erros considerados bobos, pela falta de atenção aos mínimos detalhes; Tem dificuldades em completar tarefas, sejam elas da sua rotina pessoal , no local de trabalho ou na escola, o que compromete o seu rendimento nesses diferentes locais; Muitas vezes parece não ouvir quando se fala diretamente com ele , por isso é preciso falar sempre diretamente com esse individuo, buscando a fixação do olhar, transmitindo as informações de forma clara; É perceptível que em alguns momentos o individuo parece estar sonhando acordado ou ter a mente em outro lugar, por isso quase sempre não atende quando é chamado pelo nome. No ambiente famil iar, escolar, trabalho ou social quase sempre não consegue lembra do que fora falado, quando é questionado; Os itens aqui elencados são os mais comuns no ambiente escolar, logicamente que há peculiaridades inerentes a outros históricos escolares, que devem ser levados em consideração, a realidade em que o indivíduo está inserido. O reconhecimento dessas particularidades é fundamental para que a relação entre professor e aluno possa render bons frutos em seu processo de aprendizagem. REREFÊNCIA BIBLIOGRÁFICA SEABRA, Magno Alexon Bezerra. Distúrbios e transtornos de aprendizagem: aspectos teóricos, metodológicos e educacionais. Curitiba, PR, Bagai , 2020. TRANSTORNO DE DÉFICTI DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE - COM PREDOMÍNIO HIPERATIVO/IMPULSIVO Algumas das características são primordiais do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e que certamente tem dificultado o processo de ensino aprendizagem não só no ambiente escolar, mas em todos os segmentos da sociedade. A inquietude do seu aluno em sala de aula desorganiza todo o restante do ambiente escolar e tem contribuído para que você disponha um maior tempo para organizar sua sala de aula e assim dar inicio ao conteúdo programático? Pois é, essas são apenas 02 das características do TDAH hiperativo/impulsivo. Identificar algumas dessas situações em sala de aula, significa que você, professor, profissional de educação ou de áreas afins está em coerência com a sua função, a de ir além das interfaces da sala de aula. Vários sintomas de hiperatividade/impulsividade que são persistentes e suficientemente graves para ter um impacto negativo direto no funcionamento acadêmico, ocupacional ou social . Estes tendem a ser mais evidentes em situações estruturadas que requerem autocontrole comportamental . Excesso de atividade motora; deixa o assento quando espera-se que fique parado; muitas vezes corre; tem dificuldade em ficar parado sem se mexer (crianças mais novas) ; sensação de inquietação física, sensação de desconforto em ficar quieto ou sentado (adolescentes e adultos) . E isso é muito comum no ambiente escolar, quando observamos a inquietude do nosso aluno e principalmente a dificuldade em permanecer sentado durante as aulas; Dificuldade em se envolver em atividades silenciosamente; Fala demais, atropela a fala das outras pessoas, tem dificuldade em esperar a sua vez de expressar sua opinião (falar) ; Provoca respostas na escola, comentários no trabalho; dificuldade em esperar a vez de uma conversa, jogos ou atividades; interrompe ou se intromete em outras conversas ou jogos. O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade geralmente se manifesta no início ou no meio da infância. Em muitos casos, os sintomas de hiperatividade predominam na pré-escola e diminuem com a idade, de modo que não são mais proeminentes após a adolescência ou podem ser relatados como sentimentos de inquietação física. Uma tendência a agir em resposta a estímulos imediatos sem deliberação ou consideração de riscos e consequências, mesmo que depois tenha a percepção do erro ou arrependimento do que foi dito ou feito. Por isso, é preciso trabalhar sempre essa questão do reconhecimento dos erros da criança de forma contextualizada e sem que a criança se sinta intimidada pela correção. Em síntese, buscamos esclarecer que a hiperatividade refere-se à atividade motora excessiva e às dificuldades em permanecer parado, mais evidente em situações estruturadas que exigem autocontrole comportamental . A impulsividade é uma tendência a agir em resposta a estímulos imediatos, sem deliberação ou consideração dos riscos e consequências. Essas características precisam acima de tudo ser compreendidas e trabalhadas dentro do ambiente escolar, espelho dos comportamentos sociais que serão postos em prática por essa criança, futuro adulto. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA SILVA, Ana Beatriz Barbosa. TDAH: desatenção, hiperatividade, impulsividade. São Paulo. Editora Globo, 2014. TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE - OBSERVAÇÃO DO PROFESSOR Numa premissa importante nos atentamos a discorrer sobre a importância da observação do professor no ambiente escolar de características que possam auxil iar na identificação do aluno com TDAH, diante disso algumas ponderações devem ser feitas, para que injustiças e até mesmo diagnósticos possam ser evitados, uma vez que o professor não está apto tecnicamente para essa validação. Como mediador do conhecimento, o professor com o seu olhar diferenciado, e sua vasta experiência, mesmo aqueles que estão em início de carreira, conseguem observar algumas condutas em seus alunos, que estão aquém de um padrão normal de aprendizagem, interação e social ização. É preciso ressaltar que, ao mencionarmos um padrão, não estamos considerando que todos os alunos hajam de maneira igual ou que tenham ritmos iguais de aprendizagem, mas que apresentem dificuldades e potencial idades, como qualquer aluno. E, em relação aos aspectos comportamentais e de aprendizagem nos ateamos a alguns deles, feito isso, indagamos: seu(a) aluno(a) apresenta alguma dessas características? Apresenta grande dificuldade para iniciar, intermediar e finalizar uma atividade escrita Apresenta dificuldades organizacional com o seu material escolar Apresenta dificuldades de absorção de conceitos teóricos e práticos de aprendizagem. Apresenta dificuldade de manter a concentração e o foco durante as atividades propostas Apresenta dificuldades em prestar atenção em detalhes, o que leva a cometer erros por desatenção. Apresenta faci l idade em ser distraído por fatores externos, tanto visuais quanto sonoros. Apresenta dificuldades no cumprimento de regras,bem como permanecer na fi la , esperar a sua vez, sentar em um determinada posição na sala de aula, permanecer em silêncio durante a explicação ou participação de um colega Dada a observância das características do educando provavelmente Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é importante que este(a) o(a) professor(a) possa transmitir todas as suas observações ao seu Supervisor Escolar, Coordenador Pedagógico ou Diretor (é preciso ressaltar que essas nomenclaturas vão depender de escola para escola, sejam elas públicas ou privadas) para que a equipe possa se reunir e traçar as ações que serão desenvolvidas com este e aluno caso essa suspeita venha a se confirmar. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA SILVA, Ana Beatriz Barbosa. TDAH: desatenção, hiperatividade, impulsividade. São Paulo. Editora Globo, 2014. TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE - DA SUSPEITA ESCOLAR A COMUNICAÇÃO A FAMÍLIA Nesse momento iremos mensurar uma das funções mais importantes de toda e qualquer instituição de ensino, seja ela pública ou privada. Trata-se da relação de confiabil idade que escola e famíl ia devem ter, em uma ação mútua, para a garantia de direitos e uma aprendizagem condizente com a realidade de cada um dos alunos inseridos no ambiente escolar. Essa política de confiabil idade é extremamente importante para que juntos possam construir novas ferramentas de aprendizagem, levando em consideração as dificuldades e potencial idades de cada aluno, de forma individual e coletiva. Diante dessa confiabil idade é que ao ser identificado pelo professor alguma característica que possa levar a um possível diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, estas informações devem ser compartilhas com os seus gestores, que previamente buscaram contato com os pais do aluno para uma conversa formal . Essa reunião gestora é importante também para definir como será feita a comunicação com a famíl ia para que de forma conceitual e técnica seja informada a suspeita do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Importa ainda salientar que se torna indispensável a presença do professor titular de sala na conversa formalizada com a famíl ia , afinal de contas é ele que está diretamente interl igado com o seu aluno. . . percebendo características de desatenção, hiperatividade, impulsividade ou além mesmo características de um Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade combinado. Não obstante, salienta-se que o professor é um agente mediador do conhecimento e a função de identificação está de acordo com suas atribuições psicopedagógicos, mas a função de diagnosticar não compete as suas atribuições, visto que não tem formação técnica para isso. E nesse campo de visão, é preciso compreender que a criança deve ser preservada em todas as esferas, para que se evite uma rotulação da criança, o que seria altamente prejudicial ao seu desenvolvimento, bem como a sua formação integral . De suma importância que a escola faça o registro formal dessa comunicação a famíl ia , normalmente isso é feito em livro de ata, onde os presentes assinam entre si , bem como é de fundamental importância que a escola elenque as características observadas no ambiente escolar, isso dará um maior respaldo a escola e consequentemente fornecerá informações precisas, que serão, certamente, apresentadas ao médico especial ista para um possível diagnóstico. Dentro dessa perspectiva da comunicação, a escola deve estar preparada para a negação da famíl ia , ou seja, é um momento de dificuldade onde muitas vezes a famíl ia não tem informação nenhuma sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, bem como inicialmente vivencia o luto da negação. Referência Bibliográfica BRESSAN, Rodrigo Affonseca. Saúde mental na escola. Porto Alegre, Artmed, 2014 INDIVIDUOS COM TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERETIVIDADE QUE APRESENTAM CARACTERÍSITCAS DA DISLEXIA É muito comum que indivíduos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade apresentem algumas características da Dislexia, que ocorre em todos os níveis de capacidade intelectual , atingindo cerca de 10% da população, podendo afetar tanto meninos quanto meninas. A Dislexia é uma dificuldade de aprendizagem de origem neurológica. É caracteriza pela dificuldade com a fluência correta na leitura e por dificuldade na decodificação e soletração. Essas dificuldades resultam tipicamente no déficit no componente fonológico na l inguagem que é inesperado a outras habil idades cognitivas consideradas na faixa etária. Essa correlação entre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade com o víeis da Dislexia nos faz perceber que dentro do ambiente escolar, vários fatores devem ser observáveis em nossa prática, para que possamos evidenciar além do conteúdo programático, um processo de ensino e aprendizagem que percorra o seu percurso natural , e quando isso não ocorrer, deve-se l igar o sinal de alerta. Tem dificuldade de copiar palavras do quadro, pode copiar palavras incorretas, pulas palavras ou l inhas. Nem sempre compreende o que leu, por estar mais concentrado em decifrar as palavras, resultando na falta do sentido do que leu Tem dificuldade de recordar um processo quando envolve uma série de etapas Costuma levar mais tempo para responder a perguntas, tanto verbalmente quanto por escrito, isso se deve pela necessidade em processar a pergunta em imagens para que possa compreender o que foi perguntado. Trabalho escritos podem ser mais curtos e mais simples do que o esperado, já que o aluno evitará palavras que não tem a segurança na escrita Pode se sair bem em testes de palavras predeterminadas , mas pode haver uma discrepância muito grande quando é realizado um ditado. É preciso estar atento a todas essas situações que podem ocorrer em sala de aula, para que ações pedagógicas possam ser pensadas, a fim de possibil itar esse educando a um processo de ensino aprendizagem condizente com a sua necessidade. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA DIANA, Hudson. Dificuldades especificas de aprendizagem: ideias práticas para trabalhar com Dislexia, Vozes, 2019 Tomada de decisão impulsiva (agir por impulso, mesmo que depois venha a se arrepender) ; Saída repentina de empregos ou relacionamentos, sem motivo aparente; Dirigir ou guiar de forma imprudente sem que preocupação alguma com a legislação em vigência; Colocam-se faci lmente em situações de perigo, sem ter a noção do que lhe pode acontecer; TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE - LIMITE COM TRANSTORNO DISSOCIAL DE CONDUTA É muitos adolescentes e adultos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, alguns comportamentos que são manifestações de impulsividade chamam bastante atenção. Essas manifestações quase sempre são confl ituosas, seja ela com outras pessoas ou até mesmo com a lei . Dentre essas manifestações destacamos: Age faci lmente pela emoção, por isso fala o que lhe vem à cabeça sem pensar nas consequências; Ignora planos futuros, vive o hoje intensamente, correndo todos os riscos possíveis e imagináveis; Tem baixa tolerância a frustrações, seja em casa, na escola ou nos demais segmentos da sociedade; Age avessamente a chamadas de atenção, seja dos pais, professores ou responsáveis, quase sempre ignorando-as. Em contraste, segundo Seabra (2020, p . 86) os indivíduos com Transtorno Dissocial de Conduta normalmente não apresentam os sintomas de desatenção e hiperatividade e exibem um padrão de comportamento repetitivo e persistente no qual os direitos básicos dos outros ou as principais normas, regras ou leis sociais apropriadas à idade são violados. Normalmente crianças, adolescente e adultos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade l imite com transtorno dissocial de conduta tem baixa tolerância a frustrações,na maioria das vezes são negligentes, desobedecem frequentemente regras e l imites postas pelos pais ou por ele (fi lho) responsáveis; Corrija sem ofender, oriente sem humilhar; Oriente-o a reconhecer o seu erro; direcione-o a pedir desculpas; Mostre-lhe que há sempre um ensinamento a se tirar, mesmo quando se faz algo de errado; Ensine-o que falar o que pensa não é errado, mas a forma como é dita tem que ser lapidada; E o que fazer diante de todos essas características apresentadas? Por fim, tem-se a convicção de que essa tomada de decisão lhe auxil iar a uma relação menos confl ituosa com o seu educando tanto dentro quanto fora da sala de aula, pois certamente o seu educando terá confiabil idade na sua figura de professor. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA SEABRA, Magno Alexon Bezerra. Distúrbios e transtornos de aprendizagem: aspectos teóricos, metodológicos e educacionais. Curitiba, PR, Bagai , 2020. TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE - PERCEPÇÃO DA FORMAÇÃO INICIAL Durante longos 04 anos (no mínimo), nos debruçamos sobre uma formação acadêmica inicial a fim de termos conhecimento técnico/teórico e aplicarmos em nossa prática contínua. No entanto, no que se refere ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividades, infel izmente não está contemplando durante a formação inicial de forma a tender as necessidades que hoje se apresentam na sociedade contemporânea. De forma superficial o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividades é mensurado durante a formação inicial e isso acaba acarretando em um déficit de conhecimento muito grande e incapacitando profissionais, principalmente os de educação a inserir novos procedimentos metodológicos ao universo do aluno com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividades E em razão disso, a formação continuada torna-se essencial aos profissionais que l idam direta e indiretamente com a criança com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividades, em especial aos profissionais de educação. Considerar a escola como um reduto onde as crianças, em processo de formação, estão inseridas diariamente, no faz acreditar que é possível inseri-las de forma igualitária, sem acepção de pessoas, como é o caso da rotulação da criança com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividades. Esses também aprendem, só precisam ser direcionados e acompanhados de forma tal forma em que a equidade ultrapasse as fronteiras do diferente. E, é justamente buscando um aprimoramento durante a sua formação continuada que os conhecimentos adquiridos ao longo da sua formação inicial são fortalecidos, se tornando mais próximos da realidade em que estão vivenciando. A busca continua por novos conhecimentos é relevante no ambiente do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividades, pois a cada dia são apresentadas novas peculiaridades da criança em sala de aula, assim como surgem novas agregados, como é o caso do Autismo, pois é comprovado a prevalência do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividades em algumas crianças com Autismo. Olhar a formação continuada como um investimento e não como um gasto, onde o compromisso com o outro é o ponto de partida para a sua evolução funcional , especificamente lhe garantirá desenvolver suas funções com polidez e destreza REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA SILVA, Ana Beatriz Barbosa. TDAH: desatenção, hiperatividade, impulsividade. São Paulo. Editora Globo, 2014. TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE - LIMITE COM TRANSTORNO DESAFIADOR OPOSITIVO As discussões sobre Transtorno Desafiador Opositivo podem ser consideradas bastante recentes e controversas quanto os debates sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividades pelos mesmos motivos, o comportamento da criança sobre um sistema de regras de comportamento que ela desconhece e podem não compreender e aceita. E, assim como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, trata-se de um transtorno/distúrbio que pode atrapalhar o aproveitamento escolar e os processos de aprendizagem. Indivíduos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade muitas vezes têm dificuldade em seguir instruções, obedecer a regras e se dar bem com os outros, mas essas dificuldades são explicadas principalmente por sintomas de desatenção e/ou hiperatividade- impulsividade (p . seguir instruções longas e complicadas, dificuldade em permanecer sentado ou permanecer na tarefa) . Em contraste, Seabra (2020, p . 38) destaca que a desobediência em indivíduos com Transtorno Desafiador Opositivo é caracterizada por desafio ou desobediência deliberada e não por problemas de desatenção ou controle de impulsos comportamentais ou inibição de comportamentos inadequados. No entanto, a co-ocorrência desses distúrbios é comum. Na concepção de Seabra (2020, p . 102) o Transtorno Desafiador Opositivo se caracteriza por comportamentos desafiadores, irresponsável , agressivo, com dificuldades para assumir erros e responsabil idades, presença de humor irritável e índole vingativa. E são justamente essas características que tem confundido profissionais de educação, dentro e fora do ambiente escolar. No entanto, cabe confrontar essa dificuldade dos profissionais de educação em lidar com esses educandos no âmbito escolar, dada a vasta gama de informações que muitas vezes chega aos ouvidos dos profissionais de forma distorcida, para além do fantástico mundo da formação continuada, mundo esse que muitas vezes o profissional nem tem acesso. O Autor Seabra (2020, p . 12) ainda nos esclarece que muitos para o atendimento educacional especial izado com alunos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade também podem ser colocados em prática com alunos com Transtorno Desafiador Opositivo, tais como o esclarecimento quanto as regras de sala de aula, atuar de forma contextualizada as condições socioeconômicas e culturais da criança, propor combinados para a turma, fazer uso de abordagem multissensoriais, entre outros. Diante de tudo o que fora citado até então, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade com limiar com o Transtorno Desafiador Opositivo precisa ser encarrado com seriedade não somente pelos profissionais de educação, mas por todos aqueles que busca a inserção desses indivíduos no âmbito social REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA SEABRA, Magno Alexon Bezerra. Distúrbios e transtornos de aprendizagem: aspectos teóricos, metodológicos e educacionais. Curitiba, PR, Bagai , 2020. Para que possamos compreender o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade segundo a CID 11 - alguns especificadores devem ser levados em consideração para descrever as características predominantes da apresentação cl ínica: É preciso trazer à baila as características da apresentação clínica atual devem ser descritas usando um dos seguintes especificadores, que se destinam a auxil iar no registro do principal motivo do encaminhamento ou serviços atuais. A predominância de sintomas refere-se à presença de vários sintomas de natureza desatenta ou hiperativa/impulsiva com poucos ou nenhum sintoma do outro tipo. Em razão disso, fique atento a nova classificação segundo a CID 11 em vigor: 6A05 - TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE 6A05.0 - Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, apresentação predominantemente desatenta 6A05.1 - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, apresentação predominantemente hiperativa-impulsiva AS ESPECIFICAÇÕES DO TDAH SEGUNDO A CID-11 Nessa classificação observa-se que todos os requisitos diagnósticos para o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade são atendidos e os sintomas de desatenção são predominantes Nessa classificação observa-seque todos os requisitos diagnósticos para o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade são atendidos e os sintomas de hiperatividade-impulsividade são predominantes. 6A05.2 - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, apresentação combinada 6A05.Y - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, outra apresentação especificada 6A05.Z - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, apresentação não especificada 6A05.0 Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, apresentação predominantemente desatenta 6A05.1 Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, apresentação predominantemente hiperativa-impulsiva 6A05.2 Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, apresentação combinada Nessa classificação todos os requisitos diagnósticos para o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade são atendidos e tanto os sintomas de hiperatividade-impulsividade quanto os de desatenção são aspectos cl inicamente significativos da apresentação cl ínica atual , no entanto observa-se que não há predominância clara de nenhum dos dois tipos característicos Salienta-se ainda que sobre as demais classificações não há especificações claras do ponto de vista a um diagnóstico fechado, sobretudo que possa encerrar do ponto de vista investigatório, visto que o indivíduo pode apresentar outras características atreladas a outros comprometimentos ou características cl ínicas adicionais. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA CID-11 para Estatísticas de Mortalidade e Morbidade. 2022 Entrevista com os pais ( levantamento de queixas e relatos sobre o comportamento da criança em casa ou em atividades sociais) ; Entrevista com professores (relato sobre o comportamento da criança na escola, levantamento, queixa, sintomas, desempenho escolar, relacionamentos com crianças e adultos) ; Questionários e escalas de sintomas a serem preenchidos por pais e professores; Avaliação/observação da criança no consultório; Avaliação neuropsicológica; Avaliação psicopedagógica; Avaliação fonoaudiológica. TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERETIVIDADE E O PRECESSO DIAGNÓSTICO O processo diagnóstico pode ser feito por médicos (psiquiatra da infância e da adolescência, pediatra ou neuropediatra) com ou sem auxíl io de uma equipe multidiscipl inar, que pode ser composta por neuropsicologo, psicólogo, psicopedagogo, terapeuta ocupacional , e ou fonoaudiólogo. A avaliação pode ser composta por um ou mais dos passos compostos a seguir: A criança consegue finalizar sua atividade escolar no tempo estabelecido pelo professor(a) ou sempre precisa de um tempo extra para essa conclusão, ou mesmo com esse tempo extra não consegue finalizar a atividade? Em quais situações em sala de aula parece piorar ou melhorar o seu desempenho escolar? Como são as suas habil idades organizacionais em sala de aula? Costuma ser organizado com o seu material escolar ou deixa tudo bagunçado ou largado durante a aula? Como ela reage quando é questionada pelo professor ou por outros colegas em sala de aula A criança é cooperativa com os demais colegas ou apenas quer ser ajudada? Como a criança se relaciona com os seus colegas? é afetiva, brinca com seus colegas de sala ou prefere se isolar buscando sempre estar sozinha Como a criança é em relação a hierarquia funcional e aplicabil idade das regras? A criança reagem de forma tranquila ou busca sempre questionar batendo de frente com a hierarquia São essas e outras percepções, apontamentos que nos certificam da nossa parcela de contribuição ao processo de diagnóstico da criança. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA BRESSAN, Rodrigo Affonseca. Saúde mental na escola. Porto Alegre, Artmed, 2014 TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE - DESAFIOS ESCOLARES Você, enquanto Profissional de Educação já se sentiu incomodado com a Filosofia de Inclusão que sua escola prega? Pois bem, quantas vezes nos deparamos com situações onde a Inclusão passa longo do que preconiza os marcos legislativos legais, nacionais e internacionais acerca da pessoa com TDAH. Situações em que percebemos nitidamente que a van Filosofia está a anos luz do que preconiza a Constituição Federal de 1988, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) , a Lei Brasileira de Inclusão. Infel izmente essa constatação não incomoda a todos os que participam da promoção do conhecimento como uma ferramenta de equidade e garantia de direitos constituídos por lei , mas somente aos poucos que sonham e trabalham arduamente para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. No meio desse percurso de inclusão ainda nos deparamos como profissionais de educação que fazem vista grossa a esse processo, muitos deles, e aqui diga-se de passagem, boa parcela, não por má vontade, mas por se encontrarem tão perdidos quanto o sistema que versa de forma teórica uma inclusão, que só os olhos dos gestores conseguem enxergar. Raramente nos deparamos com momentos visíveis de inclusão, onde se perpassa as fronteiras onde a teoria é posta em prática de forma simples e contínua, provendo ao público autista condições de estarem inseridos no âmbito escolar, extensão do seio famil iar e consequentemente na sociedade. Nessa premissa, muitos professores/educadores se encontram literalmente perdidos, visto que sua formação inicial não lhe proporcionou mecanismos de ação e tão pouco lhe apresentou a real grandeza e responsabil idade que é estar dentro de uma sala de aula com alunos com deficiência, sedentos de uma inclusão que muitas vezes nunca saí do papel . Muitos dos professores/educadores preocupados com a sua prática e perdidos no ambiente escolar com um aluno com TDAH, busca nos Cursos de Formação Continuada como é o caso deste, informação, orientação, suporte e acima de tudo respaldo técnico, teórico, e prático que esteja de acordo, ou se aproxime da sua realidade. A busca contínua por novos conhecimentos pode equiparar uma formação inicial defasada, principalmente no que se refere a Educação Inclusiva, em especial aos educandos com TDAH, por se tratar de um universo novo em nosso país e que ainda requer investimentos educacionais, capaz de despertar no professor/educador além da responsabil idade o prazer de ver o seu aluno com autismo em plena evolução. Sabe-se que grande parte dessa responsabil idade em prover mecanismos de ação para o desenvolvimento do educando com TDAH não é do professor, embora seja ele o grande mediador do conhecimento, de procedimentos que possam de fato transformar um teoria em prática social , e para isso esse professor tem muitas vezes se sentido angustiado, por não conseguir desenvolver um trabalho condizente com as suas necessidades e principalmente a dos seus alunos com TDAH. No ambiente escolar é muito comum nos depararmos com situações em que o educando com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade aos pulos em sala de aula, inquietos, muito agitados, mexendo em vários materiais escolares, tanto os seus quanto dos seus colegas, estes, infel izmente sofrem com a falta de conhecimentos de muitos profissionais de educação sobre o assunto, ou até mesmo são taxados por termos pejorativos como: elétricos, desengonçados, diabinhos, desajeitados, entre outros. . . Sabemos que não é uma tarefa fáci l para nós professores/educadores, estarmos inseridos em uma sala de aula com um aluno com TDAH sem termos conhecimento suficiente, suporte educacional , profissional de apoio especial izado, negl igência da famíl ia (quando não acompanha o desenvolvimento do fi lho) , bem como a própria dificuldade da escola. Mas, em meio a esse turbilhão de dificuldades e angústias, nosso instinto de professor, mediador do conhecimento, sempre fala mais alto, e isso nos leva a se empenhar, a pesquisar, a pedira ajuda a colegas, a criar, a recriar, a copiar, a prover ações pedagógicas que possam facil itar o seu processo de aprendizagem. E sabe, qual a nossa maior recompensa? Perceber os pequenos/grandes avanços, que embora para muitos possa não parecer muito, para o educando autista é de fato uma grande conquista. Referência Bibliográfica: SILVA, Ana Beatriz Barbosa. TDAH: desatenção, hiperatividade, impulsividade. São Paulo. Editora Globo, 2014. TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE SEGUNDO A LEI 14.254 No dia 30 de novembro de 2021 , o Brasil deu mais um grande passo legal , constitucional em busca de uma igualdade de direitos, tendo como premissa o estabelecimento de avanços significativos, pelos menos normativos, rumo a uma inclusão de fato e de direito. Partindo por esse víeis , a Lei 14,254 de 30 de novembro de 2021 , estabelece novos paradigmas que visão proporcionar a estes indivíduos uma melhoria significativa em sua qualidade de vida, em conformidade com a legislação em vigência na atualidade. A destacar o Art. 1º da lei em questão, fica estabelecidos que o poder público deve desenvolver e manter programa de acompanhamento integral para educandos com dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outro transtorno de aprendizagem. Tendo como aspectos norteadores as seguintes premissas: Parágrafo único. O acompanhamento integral previsto no caput deste artigo compreende a identificação precoce do transtorno, o encaminhamento do educando para diagnóstico, o apoio educacional na rede de ensino, bem como o apoio terapêutico especial izado na rede de saúde. Notadamente da identificação ao diagnóstico precoce, esse espaçamento de tempo é um fator preponderante para que o apoio educacional da rede de ensino em que o individuo está inserido, se torne de fato um mecanismo precursor da sua aprendizagem escolar e em tendo necessidade, um acompanhamento terapêutico conforme suas especificações. Por conseguinte, é preciso que fique claro, em conformidade com o Art. 2º que as escolas da educação básica das redes pública e privada, com o apoio da famíl ia e dos serviços de saúde existentes, devem garantir o cuidado e a proteção ao educando com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem, com vistas ao seu pleno desenvolvimento físico, mental , moral , espiritual e social , com auxíl io das redes de proteção social existentes no território, de natureza governamental ou não governamental . Em razão disso, a famíl ia torna-se muito mais do que um guardião legal do indivíduo com TDAH, mas um verdadeiro elo de l igação, exercendo junto aos profissionais de saúde e de educação uma relação de parceria, essencial ao pleno desenvolvimento do ser humano. Fica estabelecido ainda segundo a Lei 14.254 em seu Art. 3º que os Educandos com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem que apresentam alterações no desenvolvimento da leitura e da escrita, ou instabil idade na atenção, que repercutam na aprendizagem devem ter assegurado o acompanhamento específico direcionado à sua dificuldade, da forma mais precoce possível , pelos seus educadores no âmbito da escola na qual estão matriculados e podem contar com apoio e orientação da área de saúde, de assistência social e de outras políticas públicas existentes no território. Sob esse aspecto é preciso relatar a dificuldade que as famíl ias tem encontrado nas escolas públicas e privadas no que se refere a esse acompanhamento de forma especifica ao individuo com TDAH, Dislexia e outros transtornos de aprendizagem. Por conseguinte ainda se traz à baila o Art. 4º da lei , que especifica de forma clara e direta que, necessidades específicas no desenvolvimento do educando serão atendidas pelos profissionais da rede de ensino em parceria com profissionais da rede de saúde. Por isso a importância do compartilhamento de informações pertinentes destes indivíduos. Parágrafo único. Caso seja verificada a necessidade de intervenção terapêutica, esta deverá ser realizada em serviço de saúde em que seja possível a avaliação diagnóstica, com metas de acompanhamento por equipe multidiscipl inar composta por profissionais necessários ao desempenho dessa abordagem. Em síntese se discorre sobre o Art. 5º No âmbito do programa estabelecido no art. 1º desta Lei , os sistemas de ensino devem garantir aos professores da educação básica amplo acesso à informação, inclusive quanto aos encaminhamentos possíveis para atendimento multissetorial , e formação continuada para capacitá-los à identificação precoce dos sinais relacionados aos transtornos de aprendizagem ou ao TDAH, bem como para o atendimento educacional escolar dos educandos. Dentro dessa premissa, elenca-se a importância da formação continuada para os profissionais atuantes nessa área de conhecimento, em que se necessita estar sempre em processo de atualização. Por fim, que todas as premissas estabelecidas na Lei 14.254 possam ultrapassar as fronteiras da teoria e alcançar a quem de fato necessita do seu cumprimento. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA BRASIL. LEI Nº 14.254, DE 30 DE NOVEMBRO DE 2021 .