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Júlia Demuner - MED XXIX Piodermites - Sampaião, cap. 37 e Fitzpatrick, cap. 25 A pele é normalmente habitada por bactérias que podem ser classificadas como residentes , isto é, bactérias que têm a pele como hábitat e nela se multiplicam, e transitórias , que nela se alojam ocasionalmente. A flora cutânea habita a camada córnea ou no folículo pilossebáceo , sendo que essas últimas não são atingidas por antissépticos ou desinfetantes e servem para recompor a flora bacteriana normal. As bactérias gram‐positiva s, como Staphylococci coagulase‐negativos, Staphylococcus aureus, corinebactérias e propionibactérias , são os organismos mais comumente encontrados na superfície da pele. Além disso, Clostridium perfringens e os fungos Candida e Malassezia são também encontrados na superfície da pele, principalmente em áreas úmidas. Barreira Cutânea Existem vários mecanismos de defesa da pele a infecções: - as características mecânicas da camada córnea , dificultam a penetração das bactérias depositadas em sua superfície. - o baixo pH (5,5) da pele também é considerado mecanismo defensivo, embora muitas bactérias patogênicas sejam capazes de multiplicar-se em pH baixos. - presença de substâncias constituintes da secreção sebácea como ácidos graxos insaturados, que são dotados de propriedades antibacterianas. - peptídeos antimicrobianos na superfície cutânea produzidos pelos queratinócitos que, além de ação antibacteriana direta, são ativadores potentes da resposta imune. Impetigo O impetigo é dermatose infecciosa por estafilococos plasmo-coagulase positivos e, ocasionalmente, por estreptococos hemolíticos . Há duas formas, uma com bolhas (impetigo bolhoso) e outras com vesicocrostas (impetigo não bolhoso): - Bolhoso: os responsáveis são os estafilococos , principalmente o Staphylococcus aureus , ocorrendo inicialmente colonização da mucosa nasal e, a partir desta, há contaminação da pele, com surgimento das lesões cutâneas. - Não-Bolhoso: os responsáveis são misturas de estafilococos e estreptococos do grupo A , principalmente o Streptococcus pyogenes . Com relação ao impetigo estreptocócico, verifica-se a colonização da pele previamente ao aparecimento das lesões cutâneas, que são favorecidas por solução de continuidade por picadas de insetos ou outros traumas . Após a introdução desses germes na pele, pode, eventualmente, ocorrer disseminação para o trato respiratório. Patogenia O impetigo apresenta como porta de entrada o local de colonização por S. aureus, as narinas , uma infecção secundária de soluções de continuidade mínimas na epiderme (impetiginização), dermatoses preexistentes e outras infecções , como eczema herpético ou feridas. A colonização da pele pelos estreptococos e estafilococos se faz através da ligação entre os ácidos teicoicos da parede celular das bactérias com a fibronectina da pele . Na pele intacta a fibronectina não está exposta , mas com rupturas da barreira cutânea há possibilidade da ligação entre essas moléculas e os ácidos teicoicos, produzindo-se colonização da pele por bactérias. 43 Júlia Demuner - MED XXIX A infecção por impetigo é contagiosa , particularmente em crianças, e a falta de higiene costuma ser fator predisponente. Condições de imunossupressão como infecção pelo HIV, pós-transplantes, diabetes, quimioterapia, hemodiálise, radioterapia ou corticoterapia prolongada são favorecedores das piodermites em geral, inclusive de impetigo, sendo que formas recorrentes de impetigo podem ocorrer em indivíduos com deficiência de IgA, IgM ou IgG . O impetigo não bolhoso é a forma mais comum e mais contagiosa, sendo neste tipo de impetigo que se encontram com mais frequência estafilococos resistentes à meticilina. Manifestações Clínicas Bolhoso No impetigo estafilocócico, predominam lesões vesicobolhosas flácidas . Bolhas superficiais contendo líquido ligeiramente turvo ou amarelo transparente com halo eritematoso que surge na pele de aspecto normal. É frequente que se observem áreas com as bolhas recentemente rotas , revelando erosões rasas e úmidas. Não Bolhoso No impetigo não bolhoso, a lesão inicial é mácula eritematosa que logo se transforma em vesicopápula ou mesmo bolha purulenta, bastante superficial, por isso mesmo, de duração efêmera. O conteúdo seroso ou seropurulento pelo dessecamento forma crosta melicérica (erosões com crostas cor de mel ), característica do impetigo. É comum o aparecimento de lesões satélites que podem permanecer isoladas ou coalescer, sendo mais comuns em áreas expostas, particularmente na face especialmente nas áreas perinasal e perioral e extremidades , mas qualquer área corpórea pode ser atingida. Fig.1: Erosões eritematosas e crostosas que se tornam confluentes no nariz, na região malar, nos lábios e no mento. Fig.2: Erosões crostosas e eritematosas que se tornam confluentes na fossa antecubital. Diagnose e Tratamento O diagnóstico é, em geral, clínico. Em casos especiais, pode ser feito exame bacterioscópico e culturas para identificação do agente causal. Como diagnóstico diferencial tem-se as micoses superficiais e herpes simples. Para o tratamento, medidas essenciais são a limpeza e a remoção das crostas com água morna e sabão, seguida da aplicação de pomada ou creme de antibiótico. 44 Júlia Demuner - MED XXIX Ectima Tem algumas semelhanças com o impetigo, a partir do qual, pode iniciar-se, sendo causado principalmente por estreptococos, predominantemente o S. pyogenes . A lesão inicial, fugaz, é uma vesícula ou vesicopústula que, estendendo-se mais profundamente ao romper-se, deixa uma ulceração . As crostas formam-se precocemente e são secas, duras e aderentes. As crianças e pessoas em situação de rua são as mais sujeitas e a localização mais frequente é nas pernas , mas também coxas e nádegas podem ser afetadas. Hábitos de coçagem e má higiene favorecem evolução mais protraída. Síndrome Estafilocócica da Pele Escaldada Quadro causado por exotoxinas esfoliativas A e B do Staphylococcus aureus . Em geral, o foco infeccioso não se encontra na pele, mas em outros pontos, sob a forma de otites, conjuntivites e outras infecções. Alguns dias após início de faringites, conjuntivites, otites ou outras infecções estafilocócicas, surgem febre e eritema difuso, sobre o qual se formam grandes bolhas flácidas, que rapidamente se rompem, originando grandes áreas erosivas circundadas por retalhos epidérmicos, correspondentes à epiderme destacada. Fig.1: Úlcera com crosta espessa na perna Fig.2: Desprendimento e descamação. Neste lactente, o eritema difuso, sensível e doloroso foi seguido de desprendimento generalizado da epiderme e erosões. Abscesso, Foliculite, Furúnculo e Carbúnculo Infecções em camadas mais profundas da pele que podem ocorrer após inoculação traumática da pele ou extensão de uma infecção nos folículos pilosos. A foliculite, o furúnculo e o carbúnculo representam um espectro de gravidade da infecção por S. aureus , sendo o óstio dos folículos pilosos a principal porta de entrada. Abscesso Inflamação localizada, aguda ou crônica, associada a um acúmulo de pus em um tecido , é uma resposta inflamatóriaa um processo infeccioso ou material estranho . Foliculite Infecção do folículo piloso , sendo o germe habitualmente encontrado o estafilococo plasmocoagulase positivo . Compreendem forma superficial (ostiofoliculite) e duas formas profundas (sicose e hordéolo). Furúnculo Nódulo ou abscesso agudo, de localização profunda, vermelho, quente e hipersensível, que se origina de foliculite estafilocócica , do folículo piloso e da glândula sebácea anexa. A infecção d estrói esses anexos da pele e deixa cicatriz. Carbúnculo (antraz) 45 Júlia Demuner - MED XXIX Aparecimento simultâneo de múltiplos furúnculos em um mesmo local , comprometendo mais que um folículo pilossebáceo. A área apresenta-se eritematosa, edematosa, com múltiplos pontos de drenagem de pus, sendo a nuca, a principal região atingida. Fig.1: Abscesso muito doloroso com eritema circundante no calcanhar. Fig.2: Pústulas e pápulas foliculares múltiplas encontradas na axila depilada. Fig.3: Múltiplos furúnculos na parte inferior do tórax. Fig.4: Grande placa inflamatória, salpicada de pústulas com drenagem de pus na nuca. Erisipela e Celulite A celulite é uma infecção aguda da derme e dos tecidos subcutâneos com progressiva expansão, caracterizada por uma área de pele avermelhada, quente e sensível. A porta de entrada da infecção é, em geral, aparente e o patógeno mais comum é S. aureus . Já a erisipela é uma variante da celulite, que acomete os vasos linfáticos cutâneos e é habitualmente causada por estreptococos β‐hemolíticos do grupo A . São portas de entrada frequentes, nos membros inferiores, ulcerações, dermatomicoses e a infecção por tinea pedis . A principal diferença entre as duas enfermidades é a profundidade que a infecção atinge . A erisipela e a celulite ocorrem quase sempre nas pernas , principalmente quando há condições locais favoráveis ao desenvolvimento da infecção como edema e estase venosa . Doenças gerais, cardiorrespiratórias, hematológicas, diabetes e imunodeficiências são condições que facilitam o desenvolvimento da infecção. Manifestações Clínicas Erisipela A instalação e a evolução são agudas , com sintomas e sinais gerais de infecção . Há febre, calafrios, mal-estar e adenite-satélite à região comprometida. A área comprometida tem eritema, rubor, edema, dor, com aumento da temperatura . A zona afetada apresenta borda nítida , a qual avança com a progressão da moléstia. 46 Júlia Demuner - MED XXIX Celulite Placa vermelha, quente, edemaciada e brilhante, que surge na porta de entrada. Em geral, as bordas são nitidamente demarcadas, irregulares e ligeiramente elevadas. Pode haver formação de vesículas, bolhas, erosões, abscessos, hemorragia e necrose na placa. Tratamento Na erisipela, o repouso é essencial, principalmente quando o processo acomete o membro inferior, sendo a penicilina a droga de escolha para o tratamento. Na celulite, usar antibiótico quando há edema, eritema e aumento local da temperatura, como cefalosporina ou macrolídeos. 47 Júlia Demuner - MED XXIX Micoses Superficiais - Sampaio, cap.41 e Fitzpatrick, cap.26 Micoses superficiais compreendem grupos de afecções causadas por fungos limitadas às camadas queratinizadas ou semiqueratinizadas da pele , ou localizadas na sua superfície, atingindo pele e mucosas. Fungos Possuem uma parede rígida composta por quitina e glucana , fator que favorece sua sobrevivência no corpo humano. Diferenciam-se de outros eucariotos pois apresentam células com uma parede celular rígida , composta por quitina e glucana e, também, uma membrana plasmática com ergosterol como principal esteróide, o que confere flexibilidade à estrutura. Essas características são empregadas para fins diagnósticos e tratamentos antifúngicos. Classificação das Micoses - O primeiro grupo consiste nas dermatofitoses , afecções produzidas por vários gêneros de parasitas, denominados, em conjunto, dermatófitos, que utilizam a queratina como fonte de subsistência e, por esta razão, parasitam as porções queratinizadas ou semiqueratinizadas da epiderme, dos pelos e das unhas. - O segundo grupo consiste nas moléstias causadas por fungos sem afinidade micológica ou clínica. Como esses fungos não têm poder queratolítico, vivem sobre a pele, penetrando nos interstícios da camada córnea ou ao redor dos pelos. Compreendem a pitiríase versicolor, a tínea negra e as piedras . - O terceiro grupo abrange infecções cutaneomucosas que podem atingir tanto a pele e seus apêndices como as mucosas. São determinadas por leveduras do gênero Candida . - Há um quarto grupo constituído por fungos filamentosos e leveduriformes, em geral geofílicos, que podem acometer pele, unhas e, menos frequentemente, os pelos, de modo similar aos dermatófitos. As infecções desse grupo designam-se, atualmente, como dermatomicoses . Dermatofitoses Os dermatófitos constituem um grupo singular de fungos que têm a capacidade de infectar estruturas cutâneas ceratinizadas não viáveis, incluindo o estrato córneo, as unhas e os pelos . São produzidas por dermatófitos, fungos dos gêneros Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton . As lesões decorrem da presença do próprio fungo ou em virtude da reação de hipersensibilidade específica ao agente causal ou a seus produtos, as dermatofítides. Fatores locais que favorecem a infecção por dermatófitos são sudorese, oclusão e exposição ocupacional, localização geográfica, alta umidade (climas tropicais ou semitropicais). O termo tinea é apropriadamente reservado para as dermatofitoses e adjetivado de acordo com o local anatômico da infecção, por exemplo, tinea pedis. Os agentes tópicos para o tratamento das dermatofitoses epidérmicas são definidos em dois grupos: - Grupo 1: atualmente pouco usadas, como ácido salicílico, ácido benzoico, iodo, derivados mercuriais, violeta de genciana, fucsina fenolizada, ácido undecilênico, haloprogin, tolnafato e tolciclato. São menos ativas e mais irritantes. - Grupo 2: são os derivados imidazólicos , como o isoconazol, tioconazol, econazol, bifonazol e outros, com alta eficácia e excelente tolerância . Tinea Pedis Infecção dermatofítica dos pés, também conhecida como frieira ou pé de atleta. Os agentes mais frequentes são o Trichophyton rubrum, Trichophyton mentagrophytes e Epidermophyton floccosum . Manifestações Clínicas - Forma intertriginosa: apresenta descamação e maceração da pele dos espaços interdigitais , podendo 48 Júlia Demuner - MED XXIX ocorrer fissuração e prurido. Os locais mais comuns são entre quarto e quinto dedos dos pés , mas a infecção pode se disseminar para áreas adjacentes. - Tipo vesico-bolhoso: ocorre geralmente em associação com a forma anterior. É um tipo agudo constituído por lesões vesico-bolhosas que complica-se frequentemente por infecção bacteriana. - Tipo escamoso: de evolução crônica, apresenta lesões escamosas, geralmente pruriginosas. A reação inflamatória é discreta e, frequentemente, há onicomicose acompanhando o quadro. Diagnóstico e Tratamento Demonstração das hifas na microscopia direta e isolamento dos dermatófitos em cultura. O tratamento baseia-se em medicamento tópicos derivado dos imidazólicos (cetoconazol), pelo períodode 6 a 8 semanas . Como diagnósticos diferenciais têm-se: psoríase vulgar e dermatite eczematosa (pés), e dermatite de contato, dermatite atópica, psoríase vulgar (mãos). Tínea Crural ou Inguinal Dermatofitose subaguda ou crônica da parte superior das coxas e regiões inguinais e púbica adjacentes. Está geralmente associada à tinea pedis, que é a fonte da infecção . O comprometimento é geralmente bilateral e, nas formas extensas, há propagação para o períneo, regiões glúteas e parede abdominal . Os agentes mais frequentes, em nosso meio, são o Trichophyton rubrum, Epidermophyton floccosum e o Trichophyton mentagrophytes. Manifestações Clínicas Apresenta meses a anos de duração e, com frequência, história de tinea pedis de longa duração e história pregressa de tinea cruris. As lesões caracterizam-se por placas descamativas grandes, bem demarcadas, vermelho-escuras/castanhas/marrons com clareamento central e, às vezes, encontram-se pequenas vesículas. As lesões antigas tornam-se escuras ou mesmo liquenificadas , em virtude do prurido. Diagnóstico e Tratamento Demonstração das hifas na microscopia direta e isolamento dos dermatófitos em cultura. O tratamento baseia-se em medicamento tópicos derivado dos imidazólicos (cetoconazol), pelo período de 6 a 8 semanas . Como diagnósticos diferenciais têm-se outros processos habituais na região, como dermatite seborreica, dermatite de contato e eritrasma. 49 Júlia Demuner - MED XXIX Tínea da Unha Tínea da unha é a denominação da infecção da lâmina ungueal por dermatófito. Onicomicose designa infecção da unha por dermatófito ou por outros fungos, como leveduras do gênero Candida, leveduras exógenas e outros gêneros de fungos existentes na terra e em madeiras podres. Manifestações Clínicas O início mais frequente é pela borda distal, que se torna opaca com detritos córneos sob a placa ungueal. Diagnóstico e Tratamento É sempre preferível associar o tratamento tópico ao sistêmico quando há preocupação e indicação para cura. Nesse caso, o sistêmico pode ser feito com itraconazol, terbinafina e fluconazol, e o tópico, com amorolfina a 5% ou a ciclopirox olamina a 8% . Tínea Corporis Placas descamativas nitidamente demarcadas. O crescimento periférico e o clareamento central produzem uma configuração anular, com anéis concêntricos ou lesões arquiformes, sendo que a fusão das lesões produz padrões circinados. - Forma vesiculosa: a lesão primária é a vesícula . Evoluindo, várias delas se fundem e, rompendo-se, deixam superfícies exulceradas sobre as quais podem-se formar crostas. Essa forma é bastante inflamatória e pode evoluir para cura espontânea. - Forma anular: inicia-se por lesão eritematopapulosa que cresce centrifugamente , com cura central à medida que há progressão pela periferia. As lesões podem ser múltiplas, ocorrendo frequentemente sua confluência. Essas manifestações são, na maioria das vezes, acompanhadas de prurido . - Forma em placas: nesse caso, inverso aos dos anteriores, não há tendência à cura espontânea do centro da lesão. As placas são essencialmente descamativas e eritematosas e aumentam tanto em tamanho que podem chegar a comprometer extensas áreas do tegumento. Diagnóstico e Tratamento Demonstração das hifas na microscopia direta e isolamento dos dermatófitos em cultura. O tratamento baseia-se em medicamento tópicos derivado dos imidazólicos (cetoconazol), pelo período de 2 a 4 semanas . Como diagnósticos diferenciais têm-se pitiríase versicolor e rósea e eritema multiforme . Pitiríase Versicolor Afecção fúngica extremamente comum na camada córnea da epiderme , determinada pela Malassezia furfur , levedura encontrada em grande quantidade nas lesões. Quase sempre assintomática, é evidenciada geralmente após exposição solar , quando surgem manchas discrômicas na pele.. 50 Júlia Demuner - MED XXIX De ocorrência universal, tem maior prevalência em regiões de clima quente e úmido . Compromete adultos de ambos os sexos, sendo menos frequente em crianças e idosos , devido à característica da M. furfur ser uma levedura lipofílica e ao aumento dos lipídeos que ocorre pós-puberdade e diminui no idoso. Aspectos como má nutrição, hiper-hidroses e imunodepressão são fatores predisponentes . Patogênese Malassezia furfur é um fungo dimórfico (pode existir em várias formas) e, normalmente, é um componente inofensivo da flora cutânea, mas em alguns indivíduos causa tinha versicolor. O fungo muda sua forma de levedura muda para hifas sob a influência de fatores predisponentes , como calor, umidade e imunossupressão e, em seguida, produz ácido dicarboxílico, o qual inibe a tirosinase nos melanócitos epidérmicos, causando hipomelanose. Manifestações Clínicas Máculas nitidamente demarcadas , redondas ou ovais, com dimensões variáveis. Nos indivíduos de pele clara, as máculas são acastanhadas , cor de café com leite ou hipocrômicas, e nos de pele escura ou negra, são hipocrômicas e, menos frequentemente, hipercrômicas. Passando-se a unha sobre a mancha, surge uma descamação furfurácea ( sinal da unha ), que pode ser observada pelo estiramento da pele ( sinal de Zileri ). As lesões situam-se, geralmente, no pescoço, no tórax e em porções proximais dos membros superiores, porém, as regiões palmoplantares e as mucosas nunca são afetadas. Fig.1: Lesões castanho‐alaranjadas na região cervical e parte superior do tórax. Máculas descamativas nitidamente demarcadas. Fig.2: Múltiplas máculas descamativas rosadas a castanhas e bem demarcadas que se tornam confluentes na região cervical, no tórax, no flanco e no braço. Diagnóstico e Tratamento O diagnóstico da tinha versicolor baseia-se no aspecto clínico e na identificação de hifas e células embrionárias (“espaguete e almondegas”) no exame micológico dos raspados de escama fina . Além disso, o exame em luz de Wood pode revelar fluorescência rósea-dourada característica. Como diagnose diferencial tem-se a pitiríase alba e o vitiligo . O tratamento tópico é feito com tioconazol, isoconazol e bifonazol , diariamente após o banho. Candidose Também conhecida como candidíase ou monilíase, designa infecção cutânea, cutâneo-sistêmica ou sistêmica por leveduras do gênero Candida, sendo a C. albicans a mais frequente, porém, outras espécies podem ser também encontradas. Patogenia A C. albicans é uma levedura de ocorrência universal, saprófita (decomposição de matéria morta), 51 Júlia Demuner - MED XXIX eventualmente patógena, que habita a superfície da pele, mucosa oral, intestino e mucosa vaginal. A C. albicans é mais virulenta que outras espécies devido a produção de proteinases ácidas por certas cepas. Além disso, existem receptores e adesinas que facilitam a invasão do epitélio pela Candida, mananas da parede celular, proteína de superfície ligante de C3 e proteinases. As condições que facilitam a proliferação de leveduras do gênero Candida são: menor grau de defesa , como na criança e no idoso (indivíduos muito jovens, muito velhos ou muito doentes), gravidez (pelo aumento de glicídios na vagina), uso de anticoncepcionais e diabetes . Manifestações Clínicas CandidoseOral / Estomatite Cremosa (Sapinho) Caracteriza-se por placas cremosas esbranquiçadas, circulares ou ovais, isoladas ou confluentes, que podem comprometer toda a cavidade oral. Distribuem-se em dorso da língua, mucosa oral, palato mole/duro, faringe, descendo até o esôfago e a árvore traqueobrônquica. Candidíase Genital O quadro caracteriza-se pela leucorreia e pelas placas esbranquiçadas cremosas na vulva e na mucosa vaginal, além de prurido intenso, dor vaginal, ardência vulvar, dispareunia e disúria externa. Candidose Intertriginosa Ocorre nas dobras axilares, inguinais e submamárias, caracterizando-se por lesões eritematosas, úmidas, secretantes, que podem destruir a epiderme, formando erosões ou fissuras, que são envoltas por um colarete córneo, bastante sugestivo. Candidíase Disseminada Pequenas pápulas cutâneas eritematosas disseminadas. Associada a defeitos nos mecanismos de defesa do hospedeiro, particularmente neutropenia. Infecção ocorre habitualmente após invasão do trato gastrointestinal (GI). Fig.1: Material branco semelhante à coalhada na superfície da mucosa do lábio, o material pode ser removido com gaze (pseudomembranoso), expondo o eritema subjacente. Fig.2: lesões eritematosas psoriasiformes que tornaram‐se confluentes na vulva coxas. Fig.4: Várias pápulas eritematosas na mão. Tratamento Para o tratamento tópico, os imidazólicos são os agentes mais eficientes e, em caso de tratamento sistêmico, o fluconazol é a primeira escolha. 52