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VISITA TÉCNICA VIRTUAL Cordenação: João Marcos Andrade Professor: Thiago Martins Pagano Módulo: ANALISTA EM COMÉRCIO EXTERIOR V is it a té cn ic a vi rt ua l 2 E ZONAS SECUNDÁRIAS ZONAS PRIMÁRIAS Sempre quando falamos de comércio exterior brasileiro, temos que ter em mente onde a mercadoria será desembaraçada, sen- do ela para um processo de importação ou mesmo um processo de exportação. Tomando-se por esse ponto e também já sabendo qual modal será feito o transporte, sendo ele em aéreo, marítimo ou mes- mo rodoviário, conseguiremos ter uma definição melhor de onde será o desembaraço da carga. Visita técnica virtual 3 Após esse passo dado e a definição de como será feito o transporte da carga, já podemos discutir se a mesma será desembaraçada em uma zona primária ou mesmo nas chamadas zonas secundárias. Diferença entre zona primária e zona secundária Por definição direta, zona primária é qualquer zona de entrada e saída de mercadoria, ou seja, quaisquer pontos iniciais de entrada e saída do país. Em outras palavras, todo o primeiro ponto em que a carga está em solo brasileiro e ainda “pertence” ao exportador. Parece confuso, porém é simples de explicar. Usando um exemplo simples, quando a carga vem em modal aéreo, a zona primária será o aero- porto onde ele será desembaraçado, ou seja, o ponto em que a carga sofrerá atuações da aduana brasileira. Em outras palavras, qualquer ponto brasileiro onde a carga dará a sua entrada no país. Abaixo, discorreremos sobre alguns pontos de entrada no país, tanto para carga aérea, carga ma- rítima e também as cargas rodoviárias. Um adendo, sim, os pontos de fronteira também são considerados zonas primárias: 4 01 Zona primária para carga aérea Como dito anteriormente, são todos os aeroportos onde as cargas sofrerão ações da aduana brasilei- ra e serão desembaraçadas. Vale lembrar que to- dos os aeroportos que estão autorizados a operar podem ter a passagem de cargas entre si, porém apenas aeroportos que têm origem/destino inter- nacional tem a possibilidade de operar o desemba- raço de cargas. Em outras palavras, aeroportos pe- quenos como o de Congonhas em São Paulo, por exemplo, tem sua nomenclatura “internacional”, mas já não recebe e envia voos internacionais. Vale lembrar que os aeroportos podem ser de con- cessões público-privadas, ou seja, os aeroportos podem ser privatizados. Visita técnica virtual Visita técnica virtual 5 Um outro ponto, é que nos casos de importação, a carga não é automaticamente disponibilizada para desembaraço, ou seja, ela deverá dar entrada e es- perar fisicamente o voo ser finalizado para poder ser mexida. Fonte: Site Duqueestrada: https://duqueestrada.adv.br/ https://duqueestrada.adv.br/ 6 Visita técnica virtual 02 Zona primária para carga marítima Assim como para os aeroportos acima ditos, os portos também são chamados de zonas primárias, já que são as “portas de entrada e saída” de cargas. Um fator diferente dos aeroportos é que todos os portos têm sua aduana específica, porém nem to- das trabalham. Explico: Todos os portos, por se- rem entradas e saídas tem a aduana atuante, po- rém existem portos menores que em momentos de acúmulo de cargas e de operações, “fecham”, obrigando ao navio que vier descarregar a carga vá para o próximo porto indicado. Em relação às exportações, ocorre exatamente a mesma coisa, ou seja, caso o porto esteja totalmente lotado, a carga não será aceita e o exportador será obriga- do a depositar sua carga em um porto próximo. Vale lembrar que alguns portos podem ser dividi- dos por duas cidades, como por exemplo, o maior porto do Brasil e da América Latina, o Porto de Santos, que está dividido em duas margens, à es- querda e a direita, onde a esquerda é a cidade do Guarujá e a margem direita é pertencente à cida- de de Santos. Diferentemente dos aeroportos, os portos em al- guns dos casos ainda não foram totalmente privati- zados e são de poder público. É interessante dizer que quando a carga chega ao país, ela não é automaticamente disponibilizada para desembaraço, ou seja, entre a chegada da carga e a entrada em um armazém alfandegado, leva-se um determinado tempo, conforme o final da operação do navio. Essa operação é de nome Destinação ou Redestinação e o Despachante Aduaneiro deve fazer a mesma em até 48 horas antes da chegada da carga no país. Caso não seja feita, a carga será destinada ao armazém alfandegário mais próximo a atracação do navio. Visita técnica virtual 7 Fonte: Site Globo.Com (http://educacao.globo.com/artigo/portos-brasileiros.html) http://educacao.globo.com/artigo/portos-brasileiros.html 8 Visita técnica virtual 03 Zona primária para carga rodoviária Diferentemente dos itens anteriores, os pontos de fronteiras para rodoviário não se estendem a todo território no qual o Brasil faz fronteira com os demais países da América do Sul. Abaixo estão todos os 24 pontos de fronteira onde as cargas serão desembaraçadas: Fonte: Site Grupo V. Santos (https://www.vsantos.com.br/pontos-de-fronteiras-alfandegados/) https://www.vsantos.com.br/pontos-de-fronteiras-alfandegados/ 9 Visita técnica virtual Cidade UF Região Fiscal Cáceres Mato Grosso 1ª Região Fiscal Bela Vista Mato Grosso do Sul Mundo Novo Mato Grosso do Sul Corumbá Mato Grosso do Sul Ponta Porã Mato Grosso do Sul Porto Murtinho Mato Grosso do Sul Santa Rosa do Purus Acre 2ª Região Fiscal Epitaciolândia AC Acre Assis Brasil AC Acre Guajará-Mirim Rondônia Pacaraima Roraima Bonfim Roraima Santo Antonio do Sudoeste Paraná 9ª Região Fiscal Capanema Paraná Foz do Iguaçu Paraná Foz do Iguaçu Paraná Dionísio Cerqueira – carga Santa Catarina Dionísio Cerqueira – turista Santa Catarina Jaguarão Rio Grande do Sul 10ª Região Fiscal Bagé Rio Grande do Sul Porto Mauá Rio Grande do Sul Porto Xavier Rio Grande do Sul Uruguaiana Rio Grande do Sul Barra do Quaraí Rio Grande do Sul Quaraí Rio Grande do Sul Chuí Rio Grande do Sul Santana do Livramento Rio Grande do Sul Fonte: Receita Federal Brasileira Vale lembrar também que poderíamos sim falar do modal ferroviário e ele entraria em pontos de fronteira também, porém o tamanho das bitolas entre as linhas férreas brasileiras e de outros paí- ses da América do Sul não são compatíveis. Um fator importante é que assim que a carga chega em fronteira ela automaticamente está dis- ponível para desembaraço, diferentemente dos pontos acima (portos e aeroportos). Visita técnica virtual 10 Recapitulando então: Zona primária nada mais é do que o ponto de aduana inicial, tanto para importação quanto para exportação, isso funciona para os três modais utilizados no país (aéreo, marítimo e rodoviário). Zonas secundárias são as chamadas Estações Aduaneiras do Interior (EADI) ou podem ser chama- dos por outro nome, “portos secos”, que nada mais são do que locais autorizados, fora das zonas primárias que podem ocorrer o desembaraço de mercadoria, tanto na importação quanto na ex- portação. Nesses locais, reconhecidos pela Receita Federal Brasileira (Aduana), os desembaraços de merca- doria podem ocorrer normalmente, já que nesses mesmos existem representantes da Aduana, ou seja, os Fiscais da Receita Federal e seus subordinados. Abaixo estão todos os EADIs brasileiros: Fonte: http://www.abepra.org.br/wp-content/uploads/2015/02/abepra_2015.pdf http://www.abepra.org.br/wp-content/uploads/2015/02/abepra_2015.pdf Visita técnica virtual 11 RF UF Cidade Administrador 1 DF Brasília LOGSERVE - Logística Armazenamento e Serviços Ltda. MS Corumbá AGESA – Armazéns Gerais Alfandegados de MS LTDA. GO Anápolis Porto Seco Centro-Oeste S.A. MT Cuiabá Transmino Transportes Ltda. 2 AM Manaus Porto Seco Graman PA Belém Porto Seco - Metrobel 4 PE Ipojuca Wilson Sons Logistica Ltda 4 PE Recife Yolanda Logística, Armazém, Transp. e Serviços Gerais Ltda. 6 MG Juiz de Fora Multiterminais Alfandegados do Brasil Ltda. Uberaba Porto Seco do Triângulo Ltda 7 RJ Mesquita TransportesMarítimos e Multimodais São Geraldo Ltda Resende Terminal Logístico do Vale do Paraíba 8 SP Barueri MULTILOG BRASIL S/A (antiga ELOG S/A, ELOG Sudeste S/A e, antes disso, Armazéns Gerais Columbia S/A) SP São Bernardo do Campo AGESBEC - Armazéns Gerais e Entrepostos São Bernardo do Campo S.A. SP São Bernardo do Campo Lachmann Terminais Ltda SP Bauru Brado Logística S/A) SP Sorocaba Aurora Terminais e Serviços Ltda. SP Taubaté EADI Taubaté Ltda. 9 PR Cascavel Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná - CODAPAR PR Foz do Iguaçu Multilog Sul Armazens Geraiis Ltda PR Curitiba Multilog Sul Armazens Geraiis Ltda SC Itajaí Brasfrigo S/A SC São Francisco do Sul Porto Seco Rocha Terminais de Cargas Ltda Visita técnica virtual 12 10 RS Caxias do Sul EADI - Porto Seco Transportes Ltda. RS Novo Hamburgo Multi Armazéns Ltda. RS Uruguaiana Elog Logística Sul Ltda RS Jaguarão Elog Logística Sul Ltda RS Canoas Banrisul Armazéns Gerais S.A RS Santana do Livramen- to Elog Logística sul Ltda RS Santana do Livramen- to ALL - AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA DO BRASIL S.A Uruguaiana ALL - AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA DO BRASIL S.A Um dado importante é que existe a possibilidade de desembaraço de carga nos portos-secos via fracionada, ou seja, é possível que a carga seja desembaraçada aos poucos, permitindo assim que o importador utilize o espaço do EADI como seu armazém. Outra questão é que para que seja feita a transferência de carga da zona primária para a secun- dária, é necessário que o Despachante Aduaneiro faça uma solicitação de remoção via DTA que é a Declaração de Trânsito Aduaneiro, esse procedimento pode ser aceito ou não (parametrizada em canais). Este tipo de solicitação não tem sua parametrização automática, ou seja, é solicitado pelo Despa- chante no Siscomex e é aguardado o parecer da Receita Federal. Assim como para as cargas aérea e marítima nos “Portos Secos” as cargas também não ficam dis- poníveis automaticamente, ou seja, é necessário que a operação de chegada seja concluída e as- sim a mesma poderá ser mexida. Um fator importante é que normalmente são desembaraçadas cargas vindos dos modais aéreo e marítimo, já que vindas do modal rodoviário, a lei aplicada exige que a mesma seja desembaraça- da em fronteira. Características das zonas primária e secundária É interessante pontuar as diferenças entre as zonas primárias e a zona secundária. Abaixo está um quadro demonstrativo: Visita técnica virtual 13 Zona Primária Zona Secundária Lote desembaraçado totalmente Lote pode ser desembaraçado parcial Altos custos de armazenagem Custos reduzidos de armazenagem Contêiner pode ser desovado Contêiner pode ser desovado Disponível após operação do modal Depende de autorização para remoção Sem custos de transporte Custo de transporte entre zona primária e secundária Volume grande de processos para desembaraço Volume menor de processos para desembaraço Opera em horários maiores Opera apenas em horários comerciais Concessão pública e privada ou mista Concessão privada Atende apenas a grandes centros Capaz de atender cidades distantes dos centros Algumas curiosidades dos EADIs: O Maior Porto Seco do Brasil é o de Uruguaiana; O porto seco mais antigo do Brasil é o Porto Seco de Agesa, localizado em Co- rumbá, no Mato Grosso do Sul; Visita técnica virtual 14 Os Porto Secos foram criados para atender cidades do interior do país; Atualmente existem 63 portos secos em operação e a ideia é realizar o au- mento em exponencial para atender todo o país; Visita técnica virtual 15 A concessão para a construção e ma- nutenção de um porto seco vai até 35 anos, podendo ser renovada; Existe também o CLIA (Centro Logístico In- tegrado Aduaneiro) que é a evolução do EADI, ou seja, onde o contexto é exatamen- te o mesmo que o EADI, porém com a van- tagem dos custos com armazenagem sejam até mais reduzidos que o próprio Porto Seco e, que os valores de transporte podem ser reduzidos mais ainda, devido às distâncias. Visita técnica virtual 16 Um EADI pode passar a ser um CLIA, porém não é obrigatório. O CLIA é mais voltado a empresas que não possuem estoque e precisam fracionar a coleta de cargas. Visita técnica virtual 17 Canais de parametrização Quanto aos tempos dos canais em importação, é normal considerar que: Para casos aéreos, caso seja parametrizado em canais diferentes de verde, os tempos de distribui- ção para fiscais e análise de carga vão de acordo com: Canal Amarelo: De 1 até 2 dias úteis para distribuição e mais 1 até 2 dias para análise de carga ou documen- tal. Esse tempo não é regra, porém por ser carga consi- derada expressa, são mais comuns que sejam com esse tempo. Prazo estimado final de 4 dias úteis, podendo ser estendido. Canal Vermelho: De 1 até 3 dias úteis para distribuição e mais 1 até 3 dias para análise de carga e documen- tal. Esse tempo não é regra, porém por ser carga consi- derada expressa, são mais comuns que sejam com esse tempo. Prazo final de 6 dias úteis previsto, podendo ser prolongado. Esse prazo pode ser estendido, caso o fis- cal assim entenda que precisa de mais informações ou análise pericial, por exemplo. Já para carga marítima, os prazos são diferentes, conforme abaixo: Canal Amarelo: De 1 até 2 dias úteis para distribuição e mais 1 até 3 dias para análise de carga ou documental. Esse tempo não é regra, porém por ser carga considera- da expressa, são mais comuns que sejam com esse tem- po. Prazo final de 5 dias úteis, podendo ser estendido, caso assim seja entendido. Canal Vermelho: De 1 até 3 dias úteis para distribuição e mais 1 até 5 dias para análise de carga e documental. Esse tempo não é regra, porém por ser carga considera- da expressa, são mais comuns que sejam com esse tem- po. Prazo final de 8 dias úteis previstos, podendo ser prolongado. Esse prazo pode ser estendido, caso o fis- cal assim entenda que precisa de mais informações ou análise pericial, por exemplo. Visita técnica virtual 18 Em casos de rodoviário, os prazos são mais curtos, conforme abaixo: Canal Amarelo: De 1 até 2 dias úteis para distribuição e mais 1 até 3 dias para análise de carga ou documen- tal. Esse tempo não é regra, porém por ser carga consi- derada expressa, são mais comuns que sejam com esse tempo. Prazo final de 5 dias úteis. Normalmente a dis- tribuição e análise é bem mais rápida, porém esses pra- zos são de praxe e podem ser prolongados. Canal Vermelho: De 1 até 3 dias úteis para distribui- ção e mais 1 até 5 dias para análise de carga e docu- mental. Esse tempo não é regra, porém por ser carga considerada expressa, são mais comuns que sejam com esse tempo. Prazo final de 8 dias úteis. Este prazo pode ser estendido, caso o fiscal assim entenda que precisa de mais informações ou análise pericial, por exemplo. Acontece mais rapidamente, já que não existem tantos fiscais na fronteira e o processo é mais rápido, porém depende do entendimento do mesmo. Para casos de carga entrepostada (em portos secos) funciona conforme a as cargas em portos. Seguem as Normativas quanto a isto: Art. 22. A DI selecionada para canal diferente de verde será distribuída para Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, que será o responsável pelo despacho (Redação dada pe- lo(a) Instrução Normativa RFB nº 1813, de 13 de julho de 2018). Parágrafo único. A distribuição mencionada no caput poderá ser feita a Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil lotado em unidade da RFB diferente da unidade de despacho, con- forme disciplinado em ato da Coana. (Incluído(a) pelo(a) Ins- trução Normativa RFB nº 1813, de 13 de julho de 2018) Visita técnica virtual 19 E segundo a mesma instrução, vai de acordo, conforme abaixo: De qualquer forma, qualquer canal diferente de verde, quando ocorrido não tem prazo legal determinado para distribuição e análise do fiscal da Receita Federal, o único informativo é que após a definição, o fiscal tem até 8 dias para lançamento do auto de infração,caso assim enten- da que ocorreu. Como funciona após a liberação de carga Após a parametrização de carga e liberação da mesma, em tese, as cargas já estão disponíveis, porém não automaticamente, ou seja, é necessário agendamento para que as cargas sejam cole- tadas pelas transportadoras. No caso das cargas em aeroportos, é necessário apresentar a documentação, juntamente à Re- ceita Federal, para que o “puxe” da carga seja feita. Em outras palavras, tornar a carga disponível para alguém coletar. Um exemplo claro disso é o Aeroporto Internacional de Guarulhos que ape- nas após a entrega de toda a documentação original (AWB, Invoice, Packing List, NFE e demais), a Receita Federal do Brasil (RFB) dá o aceite e a carga sofrerá o puxe. Essa solicitação só poderá ocorrer até determinada hora do dia, porém a disposição pode ser a qualquer momento após o horário comercial. Art. 22. A DI selecionada para canal diferente de verde será distribuída para Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, que será o responsável pelo despacho. Parágrafo único. A distribuição mencionada no caput poderá ser feita a Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil lotado em unidade da RFB diferente da unidade de despacho, con- forme disciplinado em ato da Coana (NR). “Art. 42. § 2º Havendo manifestação de inconformidade, por parte do importador, em relação à exigência de que trata o § 1º, o crédito tributário ou direito comercial será constituído mediante lançamento em auto de infração, que será lavrado em até 8 (oito) dias.” (NR) Visita técnica virtual 20 Para a carga marítima, após liberação da mesma, a documentação deverá ser en- tregue ao recinto alfandegado para que o aceite seja feito. Ultimamente, é solici- tado que o agendamento de coleta seja feito via site dos armazéns e, o mesmo não funciona conforme o aéreo. As cole- tas são de acordo com o horário marcado. Já para casos rodoviários, a mesma é au- tomaticamente liberada para viajar e di- ferentemente das citadas acima, não ge- ram armazenagem. Por fim, no caso das liberações em EA- DIs, funcionam em tese como as libera- ções em portos, porém com a vanta- gem de ser mais acessível e assim que liberadas em sistema podem ser automa- ticamente disponibilizadas. Visita técnica virtual 21 Um bom ponto a ser considerado também é que por mais que se entende que existem os impos- tos no ato do registro de Importação no Siscomex, sendo eles o Imposto de Importação (II), Im- posto sobre Produto Industrializado (IPI), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Ser- viços (ICMS), sendo que apenas o último é um imposto estadual, ou seja, cada Estado brasileiro tem autonomia para cobrar o valor devido, enquanto os outros impostos são federais. Em outras palavras, cada estado cobra o valor do Imposto ICMS no ato do registro da carga de Importação, de acordo com o local de desembaraço, ou seja, em São Paulo, por exemplo, é cobrado 18% de ICMS, enquanto em Santa Catarina, 12% (podendo ter o retorno de 4% a fonte pagadora), en- quanto os demais impostos são federais e são cobrados em seu todo. Vale lembrar que esses im- postos são calculados de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) praticada no ato do registro da carga, que definirá a mesma. Vale lembrar que o ICMS é uma tarifa “Ad Valorem”, ou seja, em todos os numerários enviados por despachantes aduaneiros, ela é cobrada a parte, por ser uma tarifa cobrada por Estado. Abaixo colocamos a tabela de valores por Estado. Notem que o valor em cinza é relacionado ao ICMS de entrada e nacionalização em cada estado. Fonte: https://www.jornalcontabil.com.br/icms-origem-quem-paga-como-funciona-o-recolhimento-difal-e-muito-mais/ https://www.jornalcontabil.com.br/icms-origem-quem-paga-como-funciona-o-recolhimento-difal-e-muito-mais/ Visita técnica virtual 22 Lembramos também que o que define cada alíquota na hora do registro de Entrada da Importa- ção, ou seja, na hora do registro da Declaração de Importação (DI) é o NCM adotado de acordo com a carga e todos os outros impostos (Imposto de Importação, IPI, PIS e Cofins) são vinculados a ele (NCM). O ICMS, como explicado acima, é determinado pelo Estado do Brasil que a mercado- ria dará a sua entrada. Um último fator, como indicado na tabela acima é que caso, por exemplo, exista a venda de um Estado para outro, atendendo ao cliente final, será cobrada a diferença entre as bases de ICMS, ou seja, o de Destino versus o de Origem. Casos de exportação Para casos de exportação, funciona exata- mente como as importações, sim, temos canais de parametrização quando as DU-Es são registradas e os prazos são tão próxi- mos senão os mesmos dos citados acima. A grande diferença é que assim que liberados os processos, fica a disposição do importa- dor em seguir viagem. É bem comum que as exportações sejam consideradas mais fáceis que as importa- ções, em relação ao desembaraço. A grande diferença é que para exportações, não são cobrados impostos e normalmente as arma- zenagens são baixas ou próximas a zero. 23 Visita técnica virtual Envio de cargas entre postadas para clientes em outros países Pela lei nada impede de você utilizar o Entre- posto Aduaneiro (EADI) como seu armazém, porém assim que solicitada, a carga deverá ser totalmente desembaraçada pela empresa para que ela consiga “seguir viagem”. Não é possível fazer o repasse de carga para clientes sem que a mesma não esteja desembaraçada. Em outras palavras, não é possível utilizar o EADI como centro de distribuição de sua car- ga que esteja embaraçada, porém nada impe- de de você desembaraçar a carga e fazer um cross-docking disso. O processo de cross-docking é quando a em- presa utiliza documentos diferentes para se- guir viagem, ou seja, no caso de uma expor- tação por entreposto fiscal, primeiramente a carga deverá ser desembaraçada e ter a docu- mentação de importação entregue à Receita Federal Brasileira. Normalmente o processo de cross-docking funciona em multimodais, por exemplo, supondo que importamos uma carga vinda da China via marítima e a mesma está em um EADI. Ela é desembaraçada e irá para algum clien- te via rodoviário na Argentina, e, entre sair do EADI e seguir viagem, são feitos dois proces- sos, o primeiro de importação, onde a carga sairá do recinto e o segundo de exportação, seguindo viagem com a documentação de ex- portação, porém apenas será desembaraçada quando passar pela fronteira. Visita técnica virtual 24 Como funciona a visita técnica Sim, é bem comum a realização de visitas a Portos, Aeroportos, Fronteiras e Portos Secos (EADIs), prin- cipalmente realizados por grupos de faculdades, cur- sos profissionalizantes e visitas agendadas por Des- pachantes Aduaneiros para seus clientes. Um fator importante é que nessas visitas não é auto- rizado tirar fotos, ou mesmo filmar as cargas e ope- rações que estão acontecendo, já que se tratam de recintos alfandegários confidenciais, ou seja, qual- quer informação “vazada” pode ser caracterizada até como crime. Outra questão é que essas visitas agendadas são soli- citadas por órgãos ou despachantes e, cabe à Receita Federal aprovar ou não, ou seja, é tudo vistoriado e prontamente com acompanhamento. 25 Visita técnica virtual Tipos de equipamentos para embarque de cargas Quando falamos de equipamentos para embarque, logo nos lembramos de contêineres, das suas mais diferentes formas e características. É fato lembrar que para as cargas marítimas e rodoviá- rias, os tipos são completamente diferentes dos contêineres utilizados no modal aéreo e que, de fato, iremos mostrar a sequência, rapidamente, cada característica deles. Vale lembrar que quando se trata de Portos Secos (EADIs) é comum ter todo tipo de contêineres, porém não é normal que cargas rodoviárias, liberadas nesse modal, vão para esse local alfande- gado. Abaixo estão os tipos de equipamentos:Contêineres aéreos: Esse tipo é específico para cargas aéreas, onde tem a capacidade máxima de até 1.6 toneladas e é adaptado apenas para porões de aviões. Vale lem- brar que existem empresas que têm seus aviões próprios, as chamadas couriers, porém as cargas aéreas podem vir em aviões mistos, com aviões de passageiros. Outro aspecto desse tipo de carga é que seu custo é considerado mais caro, já que cabe nesse assun- to a questão “frete-peso”, ou seja, o valor da carga cubada, classificando a mesma como não só pelo peso e sim também quanto o peso vezes a cuba- gem se dará. Por fim, outra situação é que cargas aéreas são consideradas expressas e como dito acima necessi- tam de velocidade para desembaraço, ou seja, seu processo é mais dinâmico e rápido. Para esse tipo de contêiner, é muito comum ter alimentos de vida curta, como congelados, frutas, verduras e legumes; cargas de fator médico, como insumos para vacinas e remédios além de cargas que por algum motivo não podem ter contato com água ou mesmo o sal marinho, por oxidarem ou so- frerem reações químicas. 26 Visita técnica virtual Um fator importante é que cargas consideradas perigosas ou IMO não são aceitas no modal aé- reo, por terem riscos de causas de acidentes como explosões aéreas, corrosões e intoxicações. Contêineres Marítimos: Diferentemente das cargas aéreas, é bem comum se encontrarem em zonas secundárias (EADIs) todo tipo de contêineres marítimos, principalmen- te os de carga seca (Dry) e Reefers (NOR) utiliza- dos normalmente para transporte de cargas. Coloco uma condição especial para os Reefers, já que tem sido muito utilizados; mesmo desligados eles são usados para transportes de cargas de ori- gem destino, ou seja, por uma questão de oferta x procura, são disponibilizados por Armadores, que são empresas donas dos navios e contêineres, em países de origem, a fim de transportar cargas re- frigeradas, porém, podem sim ocupar carga seca, sendo utilizado desligado e barateando a opera- ção. Vale lembrar que esse tipo de contêiner tem seu sistema de resfriamento (geladeira) sendo de- terminado pelo exportador, caso utilize, a quanto a carga deverá ser resfriada. Uma característica interessante para quase todos os contêineres para carga marítima é que as con- figurações de quase todas são de 20 pés e 40 pés, ou seja, em tamanhos diferentes, onde Dry pode chegar até a 45 pés. Não existem contêineres com outras configurações, como 10, 25 ou 60 pés, para cargas em transporte internacional. Vale lembrar que esses contêineres têm seus nú- meros de lacre e número de série colocados no BL e são disponibilizados pelos Armadores dias antes do seu carregamento e precisam cumprir o chamado Deadline (prazo limite) para entrega dos mesmos no porto de origem, para conseguirem viajar. Visita técnica virtual 27 Um fator importante também em dizer é que as cargas marítimas podem ser compartilhadas, ou seja, um LCL (Less Container Loaded), onde o importador “aluga” parte dele e coloca sua carga. A grande desvantagem desse tipo de operação é que o importador “fica na mão” de para onde será redestinado e o prazo para operação do mesmo é maior do que a de processos FCL (Full Container Loaded), onde o importador “alugou” o contêiner por seu todo. Este tipo de operação (LCL) dificilmente terá sua remoção à zona secundária autorizada. Vale lembrar também que normalmente as cargas marítimas terão que ser transportadas em pallets de madeira ou de plástico e, na grande maioria dos casos, terão que ser fumigados na sua origem ou em seu destino, fazendo com que as cargas tenham um tempo de operação mais longo em seu desembaraço. Fonte: Site Grupo AGComex www.grupoagcomex.com.br/containers.pho www.grupoagcomex.com.br/containers.pho Visita técnica virtual 28 Demurrages Uma característica muito comum em relação às importações utilizando esses recursos é que na negociação entre Armadores x Agente de Carga x Importador são concedidos os free-times de ori- gem e destino, ou seja, quanto tempo o baú poderá ficar à disposição para que não sejam geradas multas ou penalidades, chamadas de Demurrages. Demurrage: São as armazenagens das armazenagens, ou seja, é quando um contêiner é utilizado, fora do tempo de free-time e geram-se esses custos. Em outras palavras, a carga está em armaze- nagem, em um porto seco ou zona primária e está dentro de um contêiner que já teve o prazo de free-time não cumprido gerando armazenagem (contêiner - demurrage) dentro da armazenagem (zona primária ou secundária). Muitos operadores acham que esse custo é considerado como pe- nalidade, mas seria se não tivesse saída para utilização do mesmo. Como fugir da Demurrage Antes que o processo chegue ao país de destino, o importador deve solicitar além da redestina- ção, como dito acima, juntamente com o seu despachante aduaneiro, o processo de desova de carga, ou seja, assim que der sua entrada no armazém de desembaraço, sendo ele em zona primá- ria ou zona secundária, a carga é tirada do contêiner, e o mesmo é devolvido ao armador, fazen- do com que a mesma não tenha mais a “proteção” da embalagem, porém escapando totalmente desse custo. Outra saída é trabalhar no tempo do free-time negociado, porém tendo a consciência de que caso esse prazo não seja cumprido, isso gerará esse custo a mais. Para casos de redestinação de carga para zona secundária (EADI), após a liberação da DTA, via Sis- tema, o tempo de trânsito entre zona primária e a secundária deverá estar dentro do free-time negociado e, não é contado apenas o tempo de entrada no EADI e sim o tempo total da operação, entre chegada da carga no país de destino até desova da carga, sendo ela onde for (zona primá- ria, secundária ou destino). 29 Visita técnica virtual Caminhão baú frigorífico Caminhão baú comum Carga Rodoviária: Visita técnica virtual 30 Diferentemente das cargas para aéreo e marítimo, como dito acima, as embalagens para carga rodoviária para exportação são apenas as de caminhões refrigerados (carga refrigerada como carnes, peixes e outros produtos alimentícios) e cargas secas, transportadas em caminhões baús. Normalmente, essas cargas são acompanhadas por placas de identificação, caso sejam necessá- rias, conforme abaixo: Esse tipo de placas sempre vem na parte lateral e traseira do caminhão, mostrando quais as ca- racterísticas da mesma. Assim como nos processos marítimos, todas essas características, além de outras como a placa do caminhão e o número da caçamba, devem constar na DTA que acompanhará a carga até seu des- tino. Vale lembrar que caso falte alguma informação, poderá acontecer multas. É comum que cargas rodoviárias tenham sua capacidade máxima em até 22 toneladas e sim, as cargas podem ser consolidadas com outras de outras espécies, completando assim a viagem em seu total. Em outras palavras, sim, existe carga LCL para rodoviário. Acidentes e problemas no embarque de cargas Antes de qualquer operação acontecer, é mais do que indicado ao importador, dependendo do Incoterm utilizado, contratar o seguro de carga a fim de evitar problemas com as embalagens ou mesmo com a carga em seu manuseio e transporte. Esse serviço costuma ser barato e pode evitar muitas dores de cabeça para Importadores, exportadores, agentes de carga, despachan- tes e armador. É bem comum que em cargas marítimas e rodoviárias, as avarias sejam alegadas pelos donos de suas embalagens e, uma saída para os importadores, é além de contatarem as seguradoras e afirmarem que os contêineres nos casos de marítimos e as caçambas nos casos de rodoviário foram apresentadas daquela forma antes do carregamento da carga. É de praxe solicitar ao exportador ou quem vai fazer a operação de estufagem dos mesmos, envio de fotos. Visita técnica virtual 31 Outra prática comum solicitada pelos armadores e transportadores, em casos de carga rodoviá- ria, é a solicitação de lavagem de suas embalagens após a desova ou devolução dos mesmos. Eminstâncias mais complicadas, é possível contatar as seguradoras para insistir no fato de que não deve ser feita a lavagem ou restauração da embalagem. Normalmente esse tipo de operação (restauração) é cara e complica a operação, pois além de custos, pode gerar sim, demurrages, de- pendendo da negociação feita na hora da contratação do aluguel. Em caso de acidentes no trajeto entre país de origem para o país de destino, ou mesmo entre zonas primárias e zonas secundárias, ou mesmo até o destino final, o importador deve imediata- mente contatar sua seguradora e verificar e garantir-se que está coberto por isso. Outro fato importante também é que o roubo de carga no trajeto entre zona primária e zona se- cundária ou mesmo destino pode acontecer e, o importador deve ser coberto nesse tipo de ope- ração também. Acidentes em zonas primárias ou secundárias Quando se tratam de operações que ocorrem dentro de zonas primárias e zonas secundá- rias, lembramos que outras máquinas podem ser utilizadas, como guindastes, paleteiras, empilhadeiras e pequenos caminhões para transporte da carga. Todas essas máquinas e as demais são operadas por pessoas e podem sim ter seus erros humanos, o que podem ge- rar dores de cabeças como atrasos ou mesmo perda parcial ou total da carga. 32 Visita técnica virtual Abaixo estão algumas fotos de máquinas que operam nesse tipo de local alfandegado. Vale lembrar que apenas em fronteiras, a quantidade de máquinas é menor, por conta da simplicida- de da operação. Máquinas em Portos: Guindastes | Portêineres Esses tipos de máquinas são operados por pessoas e estão colocados estrate- gicamente para coletar os contêineres de navios e os deixar em terra ou mesmo fazer a operação contrária, movimentan- do assim a carga e as colocando em cami- nhões para transportes dos contêineres ou mesmo empilhando-as até que a carga seja removida ou redestinada. Caminhões: É bem comum que as operações em zonas primárias sejam feitas em caminhões, quando os navios estão atracados. Após a utilização de guindastes, os contêineres são colocados em cima dos caminhões e destinados ao armazém de operação. 33 Visita técnica virtual Paleteiras e empilhadeiras: Normalmente utilizados em processos de descarga e desova de contêineres, essas máquinas são utilizadas para direcionar o conteúdo de dentro e depositar em zona de fácil acesso para a operação de desembaraço de mercadoria. Vale lembrar que é comum, dependendo da car- ga desovada, que a mesma vá para uma “zona de quarentena” em algum armazém, caso haja a necessidade de fumigação ou mesmo limpeza por suspeita de contaminação. Nos casos de redestinação de carga para zonas secundárias, o contêiner não é desovado, como explicado acima. Em EADIs existem quase todas as máquinas citadas acima, com um adendo apenas para guindastes que são em menores escalas. Máquinas em aeroportos: Visita técnica virtual 34 Caminhões: Empilhadeiras: Lembrando que em menor escala que os portos, as operações em aeroportos são bem próximas das operadas em outros locais, tendo em mente que para que seja feito o transporte entre arma- zém - aeronave e aeronave - armazém, as cargas são transportadas em pequenas empilhadeiras ou até mesmo pequenos caminhões que podem ou não ter esteiras e elevadores para melhor ma- nuseio da carga. Visita técnica virtual 35 Internamente, dentro dos armazéns, o processo é exatamente igual ao da carga em porto, onde as mesmas são manuseadas por paleteiras e empilhadeiras, sempre colocando as cargas em seus devidos locais, onde após desembaraço serão coletadas. Vale lembrar que tanto em portos, quanto em aeroportos e portos secos, as cargas que estiverem em pequena escala, podem ser colocadas em porta palete, conforme abaixo. Visita técnica virtual 36 Caso essas cargas sejam colocadas em porta palete, as mesmas deverão ser identificadas por in- termédio de códigos de barras ou outros identificadores que facilitem a operação da carga assim que ela for desembaraçada. Assim que desembaraçada a carga apenas operadores autorizados podem fazer a entrega da mesma a transportadora que levará a carga até seu destino. Vale lembrar que apenas transporta- doras autorizadas a transitar em zonas primárias e secundárias poderão fazer essa parte final de entrega de carga. Máquinas em fronteiras: Balanças Visita técnica virtual 37 A grande diferença desse tipo de operação em fronteiras (rodoviária) é que como dito acima, a carga tem giro muito rápido e, os caminhões que estão com a carga apenas precisam fazer o cruze de fronteira e necessariamente passar por balanças, para a sua pesagem e seguir com o desembaraço de carga. Vale lembrar que é comum em todas as estradas federais terem balan- ças espalhadas e que caso seja preciso, a carga rodoviária pode passar por várias pesagens ao longo de seu percurso. É muito comum que os despachantes ou seus representantes tenham seus escritórios próximos a essas balanças em ponto de fronteira, para caso seja necessário, entreguem documentos necessários para o desembaraço de carga. Visita técnica virtual 3838 PROFISSIONAIS AUTORIZADOS A V is it a té cn ic a vi rt ua l CIRCULAR EM LOCAIS ALFANDEGADOS Vale lembrar que para circular em locais alfandegados, apenas pessoal autorizado pode transitar e, neles estão: 39 Visita técnica virtual Fiscais: Pessoas responsáveis por liberar a carga, em caso de canal (parametriza- ção) diferente de verde. O processo é destinado ao mesmo assim que a carga é registrada e não liberada. Cabe ao fis- cal analisar documentalmente ou fisica- mente ou os dois, dependendo de como a carga é parametrizada. Normalmente têm seus escritórios dentro de zonas pri- márias e secundárias. Ajudantes de fiscais: São responsáveis por ajudar os fiscais em seus proces- sos, agendando horários com os des- pachantes aduaneiros, caso solicitado, e analisam as documentações de car- gas. Não respondem pelo processo, porém, podem simplificar a conversa entre os envolvidos. 40 Visita técnica virtual Engenheiros: Caso seja solicitada a análise técnica da carga, os engenhei- ros vinculados à RFB podem e devem transitar nas áreas alfandegárias, para que possam fazer seus laudos técni- cos, visando assim facilitar ou mesmo cumprir as solicitações dos Fiscais. Polícia Federal: Sim, em todos os pontos de aduana (zona primária e secundária) existem postos da Polícia Federal, visan- do verificar caso haja necessidade, o con- teúdo da carga. Além disso, podem dar voz de prisão a quem descumprir qual- quer regra e lei e ainda protegem os co- laboradores do local. 41 Visita técnica virtual Operadores Logísticos: Fazem as devi- das movimentações das cargas e regis- tros em sistemas quanto à entrada e saí- da das mesmas. Despachantes Aduaneiros e seus aju- dantes: É muito comum que despa- chantes aduaneiros circulem nesses recintos, fazendo com que quaisquer situações fora do comum ou mesmo entrega de documentos junto a pos- tos fiscais sejam feitas. Normalmente, em casos de canais diferentes de ver- de, conseguem dialogar com fiscais e seus ajudantes. Visita técnica virtual 42 Transportadoras autorizadas: Assim como dito anteriormente, para fazer a parte final da carga, ou seja, a coleta da mesma em local alfandegado e entrega em seu destino, apenas transportado- ras autorizadas podem entrar nesses re- cintos e com horário marcado no siste- ma. Não se pode entrar em locais assim sem hora marcada. As transportadoras são autorizadas a não entrar em demais locais, apenas na parte final da operação, como armazéns. Grupos de visitas: Como dito anterior- mente, para que se façam visitas a esses locais, é necessário fazer a solicitação juntamente a Receita Federal Brasileira, quaisquer pessoas que tenham interesse, sendo supervisionadas por alguém autori- zado a entrar e circular nesses locais. Fil- magens e fotos não são permitidas e, as- sim que entram, são assinados termos de responsabilidadepara o mesmo. 43 Visita técnica virtual Em casos de aeroportos e zonas secundárias, os escritórios de fiscais ficam internamente nesses locais, porém em zonas separadas de público, ou seja, isolados de contato com público, assim o fazendo caso entendam que seja necessário. Os operadores logísticos (agentes de carga e armadores) podem ter suas salas também nestes locais e sim, são mais acessíveis ao público. Panorama atual É visto que ultimamente os trabalhos em “home office” têm sido adotados fazendo com que as pessoas estejam menos na rua ou em trânsito do que em seus locais de trabalho. Com a pandemia de COVID-19, 90% dos fiscais passaram a operar em suas casas, irem me- nos a locais alfandegados, facilitando assim os processos de desembaraço. Visita técnica virtual 44 Explico anteriormente um processo de canal diferente de verde demorava-se muito tempo entre distribuição e análise do processo, fazendo com que o fiscal necessariamente fosse ao local de desembaraço e vistoriasse a carga. Hoje, isso pode ser feito via teleconferência, ou seja, o fiscal apenas precisa de seu celular ou computador para analisar a carga, solicitando assim que um ope- rador logístico, acompanhado ou não de outros, como Polícia Federal e seus possíveis ajudantes abram o contêiner ou mesmo vão até o local onde a carga está. Ganha-se tempo e dinamismo, ou seja, um processo que pode demorar burocraticamente dias, pode ser reduzido, o que ajuda a to- dos os lados. Outra grande mudança é que hoje em dia não é mais necessário que os documentos sejam físicos, ou seja, um arquivo em pdf, assinado e carimbado pelo exportador já serve como documento ofi- cial para desembaraço, ou seja, não é mais necessário vir os originais da origem da carga, o que facilita o processo. Por fim, outra tecnologia “forçada” neste tempo de pandemia são que as justificativas para canais diferentes de verde, como réplicas de importadores ou explicações por catálogos e laudos técni- cos podem ser colocadas em sistemas, fazendo com que o processo seja mais simples do que an- tes e facilitando quaisquer comunicações entre os envolvidos. Vale lembrar que esses documen- tos podem sim, estar com o “QR Code” que mostrará toda a rastreabilidade da carga e mesmo outros documentos, ou seja, se passada a câmera do celular, terá acesso a toda a documentação da carga, desde a sua origem até a chegada. Outra característica é que caso o fiscal solicite laudos técnicos, por intermédio de engenheiros autorizados, os mesmos disponibilizam via sistemas os laudos técnicos, fazendo com que todos os envolvidos que tenham acesso possam ver e agir de acordo com o processo e tomar as suas devidas providências. Visita técnica virtual 45 PORTAL ÚNICO Onde podemos evoluir Muitas coisas relacionadas ao Comércio Exterior brasileiro têm evoluído e ainda é necessário evoluir em pouco tempo, como por exemplo, os processos que deixaram de ser tão burocráticos para serem mais acessíveis, além da tecnologia aplicada ao processo de desembaraço e estoca- gem em geral. Em alguns países da Europa e Ásia, todo o processo de estocagem em locais alfandegários como aeroportos são feitos por drones e operados automaticamente, a fim de simplificar toda a opera- ção logística. Outro fator que também começa a ser explorado no Brasil é o “desembaraço em transporte” ou em outras palavras, o processo é desembaraço antes mesmo de chegar ao seu destino, facilitando assim a movimentação da carga e encurtando todo o processo logístico. Esse último processo começará a ser implantado em cargas aéreas e, diferentemente do projeto “Operador OEA” que visa desembaraçar cargas em trânsito final para empresas solicitantes disso, esse processo, o de “desembaraço no ar”, visa simplificar toda a operação, ou seja, assim que a carga estiver disponível para operação, será automaticamente, em caso de canal verde, destinada a empresa. Temos mais processos acontecendo, como a facilitação do uso de sistemas, como o Siscomex e o Siscarga, que deixam de ser sistemas complexos e pesados e podendo ser destinados ao portal Único contribuindo para que todo o processo esteja acessível a todos os que estejam autorizados a utilizá-lo, fazendo com que a alimentação por todos os envolvidos seja simples e eficaz. Em ou- tras palavras, caso seja necessária a visita técnica, por intermédio de um canal vermelho, o impor- tador verá o passo-a-passo do status da carga. https://portalunico.siscomex.gov.br/portal/ Visita técnica virtual 46 No caso do operador logístico, é projeto e já em análise pelo portal Único, a verificação do status da carga, sabendo que a mesma já está disponível para retirada e possíveis horários de coleta, por exemplo, facilitando assim a comunicação entre armazém alfandegado e operador logístico, tra- zendo boas consequências para o público. Um ponto também importante em dizer é que antigamente os armazéns demoravam até 48 ho- ras para liberar o carregamento de carga, por conta de transações bancárias e etc. Hoje em dia é facilmente identificável o pagamento de processos e liberação da mesma, fazendo com que o importador não perca mais tempo com burocracias e com falta de comunicação entre as partes. Visita técnica virtual 47 V is it a té cn ic a vi rt ua l CONCLUSÃO Nossas estruturas de zonas primárias e secundárias são grandiosas e estamos em contínua evolução, passando de além de tecnologias externas (aeronaves, navios e máquinas compradas) a parcerias público-privadas, onde tornam esses grandes centros de distribuição e liberação de cargas extremamente atrativas. Vale lembrar que car- gas idas para os EADIs são atrativas não só pela questão de liberação menos corrida, como também pela questão de cobranças de armazenagem e até de distribuição por quem não tem estoque físico é bem chamativo. Visita técnica virtual 48 Temos sim muitos pontos a evoluir, mas o fato de que em sistemas como o Siscomex e o Siscarga serem referência no exterior e, nossa clareza quanto ao jeito correto de atuar, nos tornam um país a ser estudado. Outro fator é que sim, temos o maior porto da América Latina em operação e um dos maiores ae- roportos do mundo para passageiros e cargas no mundo e as operações nessas zonas primárias devem sim ser consideradas efetivas. Atrelados a novas tecnologias e a responsabilidade social e fiscal do Estado e de seus contribuin- tes, juntamente com a Receita Federal brasileira, representada por seus fiscais, a “dor” dos impor- tadores e exportadores passa a ser menor, quando sabemos que passamos por constantes evolu- ções sistêmicas, tecnológicas e administrativas. 49 Visita técnica virtual REFERÊNCIAS E-Books: PAGANO, Thiago. Entrando para o Comércio Exterior: Guia prático digital. Disponível no site da Amazon e Plataforma Eduzz. PAGANO, Thiago. Entrando para o Comér- cio Exterior: Avançando em Novos Ambien- tes. Disponível no site da Amazon e Plata- forma Eduzz. Livro: MINERVINI, Nicola. O Exportador: construin- do o seu projeto de internacionalização. São Paulo: Almedina, 2019. Sites Consultados: Foto 1, página 5: https://duqueestrada.adv. br/site/files/relatorio_2016.pdf Foto 2, página 7: http://educacao.globo.com/ artigo/portos-brasileiros.html Foto 3, pagina 8: https://www.vsantos.com. br/pontos-de-fronteiras-alfandegados/ Foto 4, pagina 10: http://www.abepra.org.br/ wp-content/uploads/2015/02/abepra_2015.pdf Foto 5, página 21: https://www.jornalconta- bil.com.br/icms-origem-quem-paga-como-fun- ciona-o-recolhimento-difal-e-muito-mais/ Foto 7, página 27: https://www.aen.pr.gov. br/modules/noticias/article.php?storyi- d=103063&tit=Paranagua-ganha-dois-novos- -guindastes-para-conteineres Foto 10, página 25:https://www.aen.pr.gov. br/modules/noticias/article.php?storyi- d=103063&tit=Paranagua-ganha-dois-novos- -guindastes-para-conteineres Portal Único: https://portalunico.siscomex. gov.br/portal/ Instrução Normativa nº 680, de 2 de outubro de 2006. Disponível em: http://normas.recei-ta.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?- naoPublicado=&idAto=15618&visao=compilado Instrução Normativa nº 1.813, de 13 de julho de 2018. Disponível em: http://normas.recei- ta.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?- visao=compilado&idAto=93361#1905766 https://duqueestrada.adv.br/site/files/relatorio_2016.pdf https://duqueestrada.adv.br/site/files/relatorio_2016.pdf http://educacao.globo.com/artigo/portos-brasileiros.html http://educacao.globo.com/artigo/portos-brasileiros.html https://www.vsantos.com.br/pontos-de-fronteiras-alfandegados/ https://www.vsantos.com.br/pontos-de-fronteiras-alfandegados/ http://www.abepra.org.br/wp-content/uploads/2015/02/abepra_2015.pdf http://www.abepra.org.br/wp-content/uploads/2015/02/abepra_2015.pdf https://www.jornalcontabil.com.br/icms-origem-quem-paga-como-funciona-o-recolhimento-difal-e-muito-mais/ https://www.jornalcontabil.com.br/icms-origem-quem-paga-como-funciona-o-recolhimento-difal-e-muito-mais/ https://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=103063&tit=Paranagua-ganha-dois-novos-guindastes-para-conteineres https://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=103063&tit=Paranagua-ganha-dois-novos-guindastes-para-conteineres https://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=103063&tit=Paranagua-ganha-dois-novos-guindastes-para-conteineres https://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=103063&tit=Paranagua-ganha-dois-novos-guindastes-para-conteineres https://portalunico.siscomex.gov.br/portal/ https://portalunico.siscomex.gov.br/portal/ http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?naoPublicado=&idAto=15618&visao=compilado http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?naoPublicado=&idAto=15618&visao=compilado http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=compilado&idAto=93361#1905766 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=compilado&idAto=93361#1905766