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Antropologia Cultural
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. Silvio Pinto Ferreira Junior 
Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites
Identidades Culturais
• Introdução;
• O Princípio da Globalização;
• A Globalização dos Dias Atuais;
• Acentuação das Desigualdades Sociais e a Globalização: Migrações;
• Considerações Finais.
• Entender a diversidade cultural e as transformações provocadas no fi nal do século XX, 
cujo modelo econômico neoliberal infl uenciou, e infl uencia, o comportamento e as 
atitudes da sociedade atual através da globalização.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Identidades Culturais 
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e 
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão 
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Identidades Culturais
Introdução
Nesta Unidade, estudaremos os aspectos principais da globalização e como, 
nesse contexto, as desigualdades socioculturais se acentuaram. Iniciaremos nossos 
estudos a partir de uma perspectiva histórica que abrange o século XVI, período 
em que o mercantilismo promoveu o encontro cultural entre diversos povos (co-
lonizadores e colonizados), até os dias de hoje. Nesse contexto, buscaremos uma 
reflexão a respeito dos impactos da globalização nas relações sociais.
O Princípio da Globalização
Tomemos como ponto de partida para compreender a globalização o século XVI, 
quando os europeus começaram a vislumbrar um novo horizonte além do velho 
continente e, com as navegações marítimas, oportunizaram a exploração de um 
mundo até então desconhecido. 
O mercado competitivo de mercadorias, comercializadas em centros importan-
tes como Veneza, Gênova, Pisa, Constantinopla, Barcelona, Marselha e Delft, nos 
países baixos, já estava bastante saturado e transbordou para outras espacializa-
ções geográficas, como a América, recém-conhecida, e a Ásia. 
O contato do europeu com uma natureza exuberante e com os povos autóctones 
de cultura exótica abriu novas possibilidades de relações econômicas, políticas, so-
ciais e culturais entre pessoas das mais diversas e contrastantes regiões do mundo.
As potências europeias que, tecnologicamente, estavam prontas para desbravar 
oceanos eram Inglaterra Espanha, Holanda, França e os ousados portugueses. 
As plantas, animais, ervas e especiarias que os europeus exploravam das regiões 
colonizadas eram expostas e disponibilizadas à venda no mercado europeu, apre-
sentando uma cartela de novidades e produtos tão procurados que estimulavam 
frequentes viagens estabelecendo o que conhecemos como mercantilismo. 
Mercantilismo: É o conjunto de práticas econômicas desenvolvido na Europa na Idade Mo-
derna a partir do processo de colonização.Ex
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Figura 1 – As navegações no renascimento
Fonte: joinville.ifsc.edu.br
À medida que a exploração das terras ocupadas ocorria, extraia-se o que serviria 
ao comércio de venda e troca na Europa, mas, em contrapartida, cada vez que as 
embarcações europeias chegavam aos novos territórios, traziam também muito de 
uma cultura até então desconhecida aos nativos.
A partir do mercantilismo, originou-se a primeira rede global de troca de informa-
ções, experiências e conhecimentos, mas também um cruel processo de exploração 
de mão-de-obra nas colônias, que incluiu o escravo como produto mercantil de grande 
valia. Assim, a primeira onda da globalização se desenhou cada vez mais abrangente 
entre os cinco continentes: europeu, americano, asiático, africano e a Oceania. 
Enquanto a Europa experimentava o doce gosto do renascimento, os territórios 
colonizados, explorados e saqueados, sentiam o gosto amargo da escravidão, cate-
quização, expulsão ou extermínio em nome da civilização. A esse processo de ex-
ploração de mercado e acúmulo de riquezas dos países mais fortes em detrimento 
dos mais fracos chamaremos de capitalismo. 
O que nos interessa aqui, no entanto, não é nos aprofundar no processo históri-
co, mas constatar que as idas e vindas das embarcações levaram e trouxeram mui-
tas transformações para ambos os lados, seja para os colonizadores, seja para os 
colonizados. Aos poucos, as línguas foram se misturando, bem como as diferentes 
etnias, e logo alguns hábitos foram sendo incorporados cá e lá. 
9
UNIDADE Identidades Culturais
A Globalização dos Dias Atuais
Como alguns estudiosos descrevem, a segunda fase da globalização diz respeito 
à reconfiguração geopolítica e econômica a partir do final dos anos 1980. 
O final da Guerra Fria, entre capitalistas e comunistas, teve como ponto crucial 
a queda do simbólico muro de Berlim, em 1989, que separava a Alemanha oriental 
comunista da Alemanha ocidental capitalista. A destruição do muro pela própria 
população alemã definiu um marco para o processo global recente.
Voltemos um pouco na história para compreender a Guerra Fria. Para tanto, 
devemos lembrar que a Guerra Fria foi um pacto entre as potências americana e 
soviética no final da Segunda Guerra Mundial, quando essas uniram força para 
derrotar a Alemanha nazista.
Sabemos que a Segunda Guerra Mundial foi um conflito entre as principais 
potências do mundo em defesa de mercado para suas indústrias e hegemonia polí-
tica. O conflito armado se deu estruturalmente devido a interesses distintos de três 
sistemas econômicos em evidência naquele momento. Vejamos:
• De um lado, os alemães nazistas liderados por Adolf Hitler que não mais se 
subordinariam às duras imposições que lhe foram conferidas pelo Tratado de 
Versalhes, assinado no final da Primeira Guerra Mundial, apoiados pelos paí-
ses fascistas que compunham o eixo Alemanha-Itália-Japão; 
• De outro lado, os capitalistas aliados, liderados pelos EUA que se consolida-
ram, desde a primeira Guerra Mundial, como superpotência econômica; 
• Em oposição aos dois modelos econômicos anteriores, o gigante comunista, 
armado e isolado, representado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéti-
cas (URSS), contraponto mais incômodo à liderança norte-americana. 
Importante!
O principal conflito do século XX se deu por motivos econômicos, geográficos e histórico-
-culturais, dividido entre três sistemas econômicos: nazismo, capitalismo e socialismo.
Em Síntese
Tabela 1 – Modelos econômicos
Capitalismo Socialismo Fascismo
Sistema econômico baseado na 
propriedade privada,produção e 
consumo. A sociedade se divide em 
duas classes sociais: os burgueses, 
detentores dos meios de produção; e 
proletários, trabalhadores assalariados.
Sistema econômico transitório para se 
atingir o comunismo. A sociedade não 
se divide em classes, pois os meios de 
produção são de propriedade comum 
de todos os cidadãos controlados pelo 
Estado. Regime totalitário de ditaduras 
que se mantém no poder até atingir o 
estágio comunista desejado.
Sistema econômico em que um líder 
populista exalta a nação e o Estado e 
usa modernas técnicas de propaganda 
e censura para suprimir pela força a 
oposição política. A maior expressão do 
fascismo foi o nazismo.
Fonte: Acervo do Conteudista
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O fim da guerra entre sistemas econômicos e regimes políticos armados e pode-
rosos só teria fim se dois deles se unissem para derrotar o terceiro. 
Dentre todos esses sistemas que apresentamos, o mais cruel foi o nazismo, pois, 
além de sua disputa política, estratificava a sociedade em raças classificadas em 
superiores e inferiores. 
Os nazistas exterminaram mais de 6 milhões de judeus em campos de concen-
tração, além de perseguir e também assassinar e escravizar ciganos, homossexuais, 
eslavos e comunistas.
Por esse principal motivo, a Segunda Guerra Mundial só poderia ter um fim com 
a derrota dos nazistas, que finalmente ocorreu em 1945, quando os capitalistas 
americanos e os socialistas soviéticos aliaram-se vencendo a guerra e, posterior-
mente, pactuando uma outra, não armada, mas tecnológica – A Guerra Fria.
Os símbolos do Holocausto: https://goo.gl/dNtyao
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O sentido dado à Guerra Fria foi o de uma disputa acirrada de mercado através 
do desenvolvimento tecnológico que marcará as décadas seguintes. Americanos e 
soviéticos influenciaram o mundo todo em uma bipolaridade capitalista-socialista 
imposta a países mais frágeis através de articulações políticas, como, por exemplo, 
as ditaduras militares na América Latina, que foram apoiadas pelos americanos 
temerosos à ameaça socialista/comunista no continente.
A cortina de ferro que separava a URSS dos EUA se rompeu com o governo de 
Mikhail Gorbachev (1985-1991), no final dos anos 1980. Dentre as medidas toma-
das por Gorbachev para sustentar a economia soviética, estão a abertura dos meios 
de comunicação, novas medidas para atuar no mercado internacional favorecendo 
exportação e importação etc. 
Pouco a pouco o mercado soviético foi se abrindo para o mundo, o que provo-
cou os primeiros movimentos separatistas da URSS, enfraquecendo paulatinamen-
te o regime.
Já a Alemanha oriental-socialista e a Alemanha ocidental-capitalista decidiram 
acabar com a separação política em seu território e se uniram com a queda do 
muro de Berlim, símbolo do final da Guerra Fria, um início do processo de globa-
lização contemporâneo.
11
UNIDADE Identidades Culturais
Figura 2 – A queda do muro de Berlim
Fonte: unionromani.org
O final da Guerra Fria reconfigurou o mapa mundial. Uma vez que os EUA se con-
solidavam como potência hegemônica, os países que se dividiam entre capitalistas e 
socialistas passaram a seguir um único rumo: o mercado capitalista globalizado.
Como sobreviver em um mercado capitalista liderado pela superpotência americana?
Bem, a possibilidade que se apresentou para sobreviver em um mundo altamente compe-
titivo projetado pelos americanos foi a de unir forças regionais, dando-se pela formação de 
blocos econômicos como, por exemplo: União Europeia, Mercosul, Tigres Asiáticos, Caribean, 
Alca etc. Esses blocos reconfiguraram a política internacional, no sentindo legislativo, mo-
netário, geográfico e cultural. 
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Vimos até aqui que algumas características da globalização contemporânea são: 
o gradativo fim do socialismo, a hegemonia do capitalismo, o fortalecimento de 
blocos econômicos, a abertura de mercado a ser disputado pelas empresas trans-
nacionais e a abertura dos veículos de comunicação. Somemos a esses outros dois 
fatores que complementam o que descrevemos até aqui sobre a globalização: o 
surgimento da internet como veículo de comunicação de massa no fim dos anos 
1980 e o inglês como idioma universal.
Importante!
Como surgiu a internet?
Lembremos que a internet surgiu de uma experiência militar norte-americana no perí-
odo da Guerra Fria. Inicialmente criou-se uma rede de comunicação entre as bases mi-
litares através de cabos subterrâneos de longo alcance protegida de qualquer ataque 
que pudesse destruí-la. Ao final dos anos 1980, essa tecnologia foi incorporada pelas 
universidades, institutos de pesquisas e, por fim, chegou às empresas para reduzir cus-
tos e agilizar negócios. Nos anos 1990, a internet já era de uso comum no mundo todo.
Você Sabia?
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Segundo Canclini (2003, pg. 29),
A globalização pode ser vista como um conjunto de estratégias para rea-
lizar a hegemonia de conglomerados industriais, corporações financeiras, 
majors do cinema, da televisão, da música e da informática, para apro-
priar-se dos recursos naturais e culturais, do trabalho, do ócio e do dinhei-
ro dos países pobres, subordinando-os à exploração concentrada com que 
esses atores reordenaram o mundo na segunda metade do século XX.
Para o autor, a globalização culminou em um processo de desigualdade e exclu-
são social, conforme veremos a seguir.
Acentuação das Desigualdades Sociais
e a Globalização: Migrações
É indiscutível que muitos benefícios chegaram com a globalização, alterando pro-
fundamente as relações sociais contemporâneas, porém, uma grande parcela da 
sociedade ficou fora dessas benesses sem alcançar um patamar mínimo de sobre-
vivência para uma vida digna e se sentir incluído nesse processo de globalitarismo 
(SANTOS, 2001).
Globalitarismo: imposição da globalização como forma de relação política, econômica e 
sociocultural do mundo atual. Expressão utilizada pelo professor Milton Santos, geógrafo e 
especialista na urbanização e exclusão social nos países periféricos.
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“Existem apenas duas classes sociais, as do que não comem e as que não 
dormem com medo da revolução dos que não comem.”
Milton Santos
Aparentemente, a maioria das pessoas no mundo possuem celulares, notebooks, 
frequentam uma universidade, possuem moradia ou alcançam o sucesso profissio-
nal. No entanto, a grande massa da sociedade está envolvida em uma ideologia que 
a faz acreditar que tudo isso está ao alcance de todos, ignorando o fosso desigual 
que separa aqueles que, ainda no século XXI, não conseguiram sair da linha da po-
breza e do problema do analfabetismo.
Ideologia: Crenças compartilhadas que servem para justifi car os interesses dos grupos do-
minantes. Há ideologias em todas as sociedades em que existem desigualdades enraizadas 
sistemáticas entre os indivíduos. O conceito de ideologia tem uma ligação estreita com o de 
poder, na medida em que os sistemas ideológicos servem para legitimar o poder diferencia-
do detido por grupos (GIDDENS, 2004, p. 694-695).
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UNIDADE Identidades Culturais
A globalização acentuou os problemas sociais que englobam a precarização da 
educação, do trabalho, do acesso à moradia, da saúde e saneamento básico, além 
de permanentes problemas continuarem sem solução, como a fome, o desempre-
go e a discriminação – problemas enfrentados por países de todo o mundo (inclu-
sive os países ricos).
Importante!
Caro aluno, você sabia que um europeu no início do século XX vivia em média até os 
60 anos de idade? Atualmente, sua expectativa de vida já passa dos 80. Voltando mais 
ainda na história, até meados do século XVI, a média de vida das pessoas era de 40-45 
anos. Vivemos hoje o dobro de tempo!
Você Sabia?
Os países mais desenvolvidos, principalmente aqueles que atingiram o Welfere 
State (estado de bem-estar social), enfrentam, por exemplo, problemas com o 
equilíbrio das contas do Estado para arcar com as despesas de uma sociedade en-
velhecida e não sabem lidar com o crescente número de imigrantes que atravessam 
suas fronteirasem busca de trabalho.
Welfare State: Termo utilizado para designar o Estado assistencial que garante padrões 
mínimos de educação, saúde, habitação, renda e seguridade social a todos os cidadãos. 
Somente países desenvolvidos atingiram esse patamar.
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Se, no passado, epidemias, guerras, escravidão, extermínio etc. existiam sem 
controle, hoje podem ser controlados (de certa forma) pelos avanços da medicina, 
da ciência, das leis, da educação, dos organismos internacionais, como a Organi-
zação das Nações Unidas (ONU) e a Organização das Nações Unidas para a Edu-
cação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Organização Mundial do Comércio (OMC), 
Fundo Monetário Internacional (FMI) etc.
Tomemos como exemplo a epidemia da AIDS e os avanços da ciência para 
controlá-la com excelentes resultados; avanços também na legislação para garantir 
o direito às políticas públicas e sociais e a melhora da expectativa de vida do por-
tador do vírus HIV.
As identidades culturais são, portanto, afetadas pela globalização, configurando-
-se como efêmeras e hibridas. 
Parece dicotômico dizer que a globalização, que envolve o mundo todo numa 
rede, deixe tanta gente fora dela. Porém, na sociedade de massa, cidadania se 
confunde com consumo. A principal causa da desigualdade na contemporaneidade 
está justamente ligada à falta de trabalho, inexistência de renda e descrédito no 
cidadão excluído. 
Façamos aqui um parêntese, o termo exclusão social ou excluídos fica sem 
sentido quando compreendemos que o capitalismo é um sistema que produz ricos 
14
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e pobres, burgueses e proletários, consumidores e não consumidores. Pois, se tudo 
isso faz parte de um único sistema econômico, então, a própria pobreza é gerada 
pelo acúmulo de capital e da má distribuição de riquezas. Portanto, como excluir o 
próprio produto do capital, ou seja, os pobres e aqueles tratados com desigualdade?
Esse é o grande enfrentamento dos países do mundo. Quando os países pobres 
não conseguem resolver seus problemas políticos, econômicos e sociais, os países 
ricos precisam socorrê-los para evitar as constantes crises mundiais. Por outro 
lado, os países ricos também vivem crises de desemprego, violência, urbanização 
acelerada, alta densidade demográfica, escassez de recursos naturais, ameaças ter-
roristas etc. 
Como vemos, a globalização envolve todo o mundo e as desigualdades só po-
dem ser combatidas com ações conjuntas entre os países. 
Analisemos, por fim, um dos principais fenômenos da globalização: o aumento 
de indivíduos no mundo na condição de imigrante. 
Resumo das Migrações
Livres - Forçadas
Quanto à tomada
de decisão
Migrações
Internas - Externas
Quanto ao espaço
Cons
equê
ncias
 dem
ográ�
cas
Consequências econômicas
Causa
s Polít
icas
Causas naturais
Causas culturais
Causas Religiosas
Causas econômicas
Cau
sas 
recr
eati
vas
Cau
sas
 bé
lica
s
Consequências sociais
Legais - 
Clandestinas
Quanto à relação 
com o Estado
Temporárias - 
De�nitivas
Quanto à duração
Figura 3 – Motivos para emigrar
À medida que o capital está concentrado em uma determinada zona geográfica 
do planeta, as ondas migratórias confluem nessa direção. Como o capital migra, 
ora investe em países ricos, ora em países pobres, ora em uma determinada região, 
o fluxo migratório também é mutante (HARVEY, 1992).
Imigrantes no Mundo: https://goo.gl/ZA3CEj 
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Os movimentos migratórios, de fato, sempre existiram, porém, a principal razão 
para um indivíduo se deslocar de sua cidade, estado ou país em direção a outro 
lugar está, atualmente, direta ou indiretamente ligada ao trabalho. Nesse sentido, 
concluímos que a principal razão para emigrar é a razão econômica.
15
UNIDADE Identidades Culturais
Lembremos aqui que essa massa migratória é composta também, em crescentes 
percentuais, por refugiados e exilados que migram por questões políticas, culturais 
e religiosas. Esse contato com o outro acaba por gerar choques culturais e atitudes 
extremas, como o surgimento do terrorismo, de políticas racistas, discriminação, 
intolerância, genocídios etc.
Levantadas essas questões que objetivaram a uma reflexão sobre o dualismo 
provocado pela globalização, ou seja, um lado bom e um lado ruim, conforme 
destacamos acima brevemente, é importante direcionarmos nossa atenção para o 
futuro que estamos construindo. Que atitudes e ações podem ajudar a minimizar 
as desigualdades aprofundadas pela globalização? A participação política de cada 
cidadão pode ser um caminho para novos diálogos? Você já notou que há um cres-
cente levante popular que busca se organizar pelas redes sociais para protestar por 
causas em comum?
Essas perguntas podem nos ajudar a refletir um pouco mais sobre os caminhos 
abertos pela globalização contemporânea. 
Considerações Finais
Nesta Unidade, estudamos a formação do processo de globalização em duas 
fases: a primeira, no Renascimento, século XVI; e a segunda, com o fim da Guerra 
Fria no final dos anos 1980.
Procuramos relacionar os dois lados da globalização, ressaltados amplamente 
quando se trata desse tema: o lado positivo, ou seja, dos avanços tecnológicos, da 
comunicação em rede, da internet etc.; e o lado negativo, ou seja, da desigualdade 
causada pelo abismo que separa os “incluídos” dos “excluídos” – ainda que tanto uns 
quanto os outros façam parte de um único sistema político-econômico: o capitalismo.
Objetivamos aqui apresentar a você, caro aluno, argumentos para refletir sobre 
tais aspectos, bem como desenvolver uma visão crítica da globalização contempo-
rânea quanto à ideologia otimista que, normalmente, apresenta apenas os aspectos 
favorecedores do capital; enquanto que as desigualdades, muitas vezes, são apre-
sentadas como descompasso e atraso perante ao encantador mundo globalizado, 
ao qual tantos pensam ilusoriamente fazer parte.
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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Vídeos
O Mundo Global Visto do Lado de Cá 
https://youtu.be/-UUB5DW_mnM
 Leitura
A Globalização Ocidental 
https://goo.gl/RK5b9r
Novas Geopolíticas 
https://goo.gl/U6mXWg
Do Feudalismo ao Capitalismo 
https://goo.gl/JMMqeM
17
UNIDADE Identidades Culturais
Referências
CANCLINI, Nestor. A globalização imaginada. São Paulo: Iluminuras, 2003.
CASTELLS, M. O poder da identidade. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
GIDDENS, Anthony. O mundo na era da globalização. Lisboa: Editorial Pre-
sença, 2000.
HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
HARVEY, D. Condição pós-moderna. São Paulo: Edições Loyola, 1992.
SANTOS, M. Por uma outra globalização. São Paulo: Record, 2001.
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