Logo Passei Direto
Buscar

GUIA COLORIMETRIA

Material sobre colorimetria e coloração capilar. Abrange fundamentos de cor, luz e percepção; cromologia; sistema e nomenclatura de colorações; ação dos pigmentos; tipos e propriedades do cabelo; danos, cuidados e processos (pré‑pigmentação, tonalizantes e tinturas permanentes).

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
SUMÁRIO 
SOBRE A PROFESSORA ............................................................................................... 6 
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA ........................................................................... 12 
Conceitos e princípios .................................................................................................... 13 
Cor, luz, volume e textura .............................................................................................. 13 
Fundamentos de colorimetria e cromologia ................................................................... 13 
Cor no sistema visual e nos processos cerebrais ............................................................ 14 
Colorimetria: um estudo sobre a percepção física da cor ............................................... 15 
Propriedades das cores.................................................................................................... 15 
Cromologia: um estudo sobre a percepção psíquica da cor ............................................ 18 
Arquétipo de cores .......................................................................................................... 18 
Cor e personalidade ........................................................................................................ 21 
Fundamentos de luz e sombra ........................................................................................ 22 
Linguagem visual sobre volumes e texturas ................................................................... 24 
Volume ........................................................................................................................... 24 
Textura ............................................................................................................................ 25 
Conceito e princípios da colorimetria capilar ................................................................. 25 
Colorimetria capilar ........................................................................................................ 26 
Origem da cor do cabelo ................................................................................................. 26 
Definição e conceitos em colorimetria capilar ............................................................... 27 
Sistema internacional de nomenclatura de colorações ................................................... 33 
Ação dos pigmentos na haste capilar .............................................................................. 34 
Tipos de cabelo ............................................................................................................... 35 
Quanto ao formato .......................................................................................................... 35 
Quanto à porosidade ....................................................................................................... 37 
Quanto ao diâmetro ........................................................................................................ 38 
Quanto à elasticidade ...................................................................................................... 38 
Quanto ao grau de oleosidade e hidratação .................................................................... 38 
Danos da colorimetria e cuidados ................................................................................... 39 
Cuidados com a haste capilar pós-coloração .................................................................. 41 
Produtos e técnicas de transformação de cor: colorantes e clareadores ......................... 43 
Colorimetria: processo de formação da cor das hastes capilares.................................... 44 
Princípios de formação da cor ........................................................................................ 46 
Transformação da cor das hastes capilares ..................................................................... 48 
Colorações: ação de formulações temporárias e tonalizantes semipermanentes ............ 49 
3 
 
Colorações permanentes ................................................................................................. 50 
Pré-pigmentação e pigmentação ..................................................................................... 52 
Pré-pigmentação e cuidados capilares ............................................................................ 52 
Processo de coloração ..................................................................................................... 52 
Técnica de pré-pigmentação ........................................................................................... 53 
Cuidados com o cabelo antes da pré-pigmentação ......................................................... 55 
Tinturas permanentes oxidativas .................................................................................... 56 
Mecanismo de ação de tinturas permanentes oxidativas ................................................ 57 
Composição .................................................................................................................... 58 
Forma de apresentação ................................................................................................... 59 
Precauções no uso de tinturas permanentes .................................................................... 59 
Indicações das tinturas permanentes............................................................................... 59 
Vantagens e desvantagens do uso ................................................................................... 59 
Tinturas temporárias e mecanismo de ação .................................................................... 60 
Mecanismo de ação ........................................................................................................ 60 
Indicações das tinturas temporárias ................................................................................ 62 
Vantagem e desvantagem ............................................................................................... 62 
Apresentação e formulação ............................................................................................ 62 
Tinturas semipermanentes e mecanismo de ação ........................................................... 63 
Formulação e apresentação ............................................................................................. 65 
Luzes e mechas capilares ................................................................................................ 67 
Tendências em luzes e mechas ....................................................................................... 67 
Ombré hair ...................................................................................................................... 68 
Californianas ................................................................................................................... 69 
Sombre hair .................................................................................................................... 69 
Balaiagem ....................................................................................................................... 69 
Mechas marcadas ............................................................................................................ 70 
Texanas ........................................................................................................................... 70 
Efeito tartaruga ou tortoiseshell hair .............................................................................. 70 
Dip-dye ........................................................................................................................... 71 
Produtos utilizados na realização de luzes e mechas ...................................................... 71 
Descoloração.................................................................................................................. 71 
Técnicas de aplicação de luzes e mechas ....................................................................... 76 
Técnica de desfiar, eriçar ou de empilhamento junto à raiz do cabelo ........................... 77 
Mechas costuradas ou tricotadas .................................................................................... 78 
4 
 
Mechas em véu, transparência ou lâminas ..................................................................... 78 
Free hands ....................................................................................................................... 78 
Mechas na touca ............................................................................................................. 79 
Mechas com uso de papel alumínio ................................................................................ 79 
Mechas com uso de plaquetes ........................................................................................ 80 
Matização e correção de cores ........................................................................................ 81 
Princípios de colorimetria para a correção de cores ....................................................... 82 
Erros nos resultados finais de colorações ....................................................................... 82 
Correção de cores ........................................................................................................... 83 
Matização........................................................................................................................ 85 
Tintura permanente oxidativa para correção de cores .................................................... 87 
Tintura semipermanente ou temporária para a correção de cores .................................. 89 
Cobertura de cabelos brancos e grisalhos ....................................................................... 92 
Envelhecimento capilar .................................................................................................. 92 
Produtos para cobertura de cabelos brancos e grisalhos................................................. 96 
Técnicas empregadas na cobertura de cabelos brancos e grisalhos................................ 97 
Técnica de mordaçagem ................................................................................................. 98 
Técnica de pré-pigmentação ......................................................................................... 100 
Técnica de adição de base ............................................................................................ 101 
Técnica de redução ....................................................................................................... 102 
Técnica de deposição de pigmento ............................................................................... 103 
Técnica de rinsagem ..................................................................................................... 103 
Colorimetria na maquiagem ......................................................................................... 106 
Conceitos de cor ........................................................................................................... 106 
Teoria das cores ............................................................................................................ 107 
Colorimetria e maquiagem ........................................................................................... 108 
Temperatura das cores .................................................................................................. 109 
Pele: tipos cromáticos ................................................................................................... 109 
Aplicando a colorimetria à maquiagem ........................................................................ 110 
Estações: classificação de peles brancas ...................................................................... 110 
Classificação de peles negras ....................................................................................... 111 
Camuflagem de disfunções estéticas faciais ................................................................. 113 
Disfunções estéticas da pele ......................................................................................... 113 
Acne .............................................................................................................................. 113 
Rosácea ......................................................................................................................... 114 
5 
 
Psoríase ......................................................................................................................... 115 
Olheiras pigmentares e vasculares ................................................................................ 115 
Manchas vinho do porto e hemangiomas ..................................................................... 116 
Equimoses e hematomas ............................................................................................... 116 
Discromias .................................................................................................................... 116 
Hiperpigmentação ......................................................................................................... 117 
Hipopigmentação .......................................................................................................... 119 
Acromias ....................................................................................................................... 120 
Camuflagem cosmética................................................................................................. 121 
Colorimetria para camuflagem cosmética .................................................................... 121 
Técnicas de camuflagem .............................................................................................. 122 
Referências ................................................................................................................... 124 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
SOBRE A PROFESSORA 
 
Daniani Boscaini Lira, proprietária de um Estúdio de Maquiagem e 
uma pequena Clínica de Estética na Cidade de Tucuruí. Ministra 
cursos na área da Maquiagem em seu Estúdio. Atualmente também 
trabalha na Faculdade de Teologia Filosofia e Ciências Humanas - 
Gamaliel, como coordenadora e professora no curso de Tecnologia em 
Estética e Cosmética. Concluiu em 2011 a Especialização em Estética 
e Cosmetologia pelo Instituto Brasileiro de Estética e Cosmetologia – IBECO, São 
Paulo. Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade de Rio Preto - UNIRP, São 
Paulo no ano de 2007. Formada pelo Senac e Catharine Hill em Maquiagem 
Profissional e Especialista em Maquiagem Air Brush também pela escola Catharine 
Hill, São Paulo. Possui muitos cursos de Extensão em Estética e já atua na área a 8 
anos. Nos anos de 2012 a 2016 foi professora de Cursos Técnicos em Estética, tanto em 
Tucuruí como em Parauapebas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
PLANO DE ESTUDO 
O plano de estudos visa orientá-lo (a) no desenvolvimento da Disciplina. Nele, 
você encontrará elementos que esclarecerão o contexto da Disciplina e sugerirão formas 
de organizar o seu tempo de estudos. 
O processo de ensino e aprendizagem na Faculdade Gamaliel leva em conta 
instrumentos que se articulam e se complementam. Assim, a construção de 
competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas 
de ação/mediação. 
São elementos desse processo: 
a) O Guia didático de estudos; 
b) O Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA, onde você encontrará as atividades 
virtuais de verificação da aprendizagem; 
c) A prova presencial.ATIVIDADES WEB 
AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM 
No Ambiente Virtual de Aprendizagem da Faculdade Gamaliel, você terá o 
conteúdo da disciplina e as atividades a serem realizadas. Discriminamos abaixo cada 
uma delas: 
 Fórum da Disciplina: é um espaço web de discussão-interação-reflexão de temas 
relativos ao conteúdo, com mediação do tutor EaD. É uma ferramenta 
importante para o desenvolvimento da aprendizagem no processo educativo à 
distância. O Fórum é parte do processo de avaliação da aprendizagem, tendo em 
vista que através dele não só a escrita é exercitada, mas o exercício da análise, 
da reflexão, permitindo o debate plural de ideias e a crítica coletiva do grupo. 
Quando o estudante participa das discussões, trocando ideias e experiências, 
contribui, também, com a consolidação da aprendizagem de seus pares. O fórum 
é elemento avaliativo e vale 01 (um ponto). 
 Na prática: esse elemento consiste em um exercício em que a questão elaborada 
pelo professor-autor permitirá ao estudante mobilizar os conhecimentos tratados 
8 
 
e analisar, na prática, um caso (estudo de caso), voltado ao ambiente 
organizacional educacional. Essa atividade avaliativa vale 02 (dois pontos). 
 Exercite: trata-se de um exercício nos moldes de um questionário com questões 
a serem resolvidas e terá um único formato de resposta: o de escolha múltipla, 
ou seja, você escolherá a resposta correta dentre quatro opções. Essa ferramenta 
será usada como exercício de fixação de conteúdos e fará parte do processo de 
avaliação web. Tem o valor de 01 (um) ponto. 
 Prova presencial: a prova encerra o conjunto de atividades avaliativas da 
disciplina e deve ser realizada no Polo de Apoio Presencial. A prova vale 06 
(seis) pontos. 
O conjunto de atividades avaliativas e sua pontuação estão resumidas na tabela 
abaixo: 
 
Fórum da 
disciplina 
Na prática Exercite Prova 
presencial 
Total de pontos 
1.0 2.0 1.0 6.0 10.0 
Para aprovação na disciplina o estudante deve obter aproveitamento final de no mínimo 7.0 (sete) 
 
 
INFORMAÇÕES IMPORTANTES 
Nossos fóruns temáticos terão data de início e término, por isso você deve ficar 
atento aos avisos e comunicados disponibilizados no AVA. Assim, o acesso a esse 
ambiente deve ser diário. 
Cada contribuição nos fóruns não poderá conter mais de 200 palavras, pois este 
limite é importante para garantir-lhes uma maior e mais leve dinâmica. Contribuições 
formadas por um número de palavras maior do que 200 deverão ser divididas em mais 
de uma postagem ou serão penalizadas ao final da avaliação. 
Postagens e tarefas têm caráter autoral, ou seja, devem ser opiniões próprias e inéditas, 
sendo desejável o uso de citações para corroborá-las com referências seguindo as 
normas da ABNT. 
Sobre a avaliação da participação nos fóruns: 
 Serão consideradas para aferição de notas somente as postagens consistentes 
feitas pelo aluno. Considera-se postagem consistente aquela que faça referência 
9 
 
à temática exigida, respondendo às questões norteadoras do fórum ou em 
debates com os colegas e tutor. 
 O aluno deverá participar com, no mínimo, três postagens consistentes e 
distintas, e em três dias diferentes de cada semana de vigência do fórum 
temático. A participação concentrada em apenas 2 dias distintos reduzirá a nota 
total na atividade em 20%, e se concentrada em apenas 1 dia, a redução será de 
40%. Por fim: postagens concentradas apenas no último dia do fórum sofrerão 
redução de 50%. 
 As postagens nos fóruns deverão ser de caráter autoral sendo facultado o direito 
de inclusão de citações de acordo com as Normas da ABNT, portanto 
acompanhadas de citação de autoria. 
 Serão considerados para a avaliação dos fóruns, além da frequência e da 
realização das atividades propostas, a interação com colegas e tutor, a clareza e 
correção das postagens, a proatividade e a cortesia no trato com os colegas e 
com o tutor. 
 Na correção das tarefas, além da realização das atividades propostas, serão 
considerados na avaliação das notas os seguintes critérios, no que tange à forma 
e ao conteúdo da tarefa: estrutura do texto, clareza, correção gramatical, 
bibliografia, linha de raciocínio, coerência com as orientações, embasamento no 
conteúdo e exemplificação. 
 
 
CUIDADOS NO ENVIO DAS ATIVIDADES AVALIATIVAS 
 
Cada contribuição nos fóruns que contiver trechos retirados de textos de outros 
autores (incluindo referências eletrônicas) deverá conter, obrigatoriamente, a fonte da 
qual estes foram retirados, explicitada em acordo com as normas de citação (NBR 
10520) e de referências (NBR 6023) da ABNT. 
É extremamente importante destacar que cópias de livros (digitadas e/ou 
digitalizadas), artigos, dissertações, teses e textos da internet serão detectadas 
facilmente e acarretarão na nota zero ao aluno, sem oportunidade de substituição do 
trabalho. Recomendamos que o envio das tarefas não seja feito na última hora, a fim de 
10 
 
evitar que eventuais transtornos (problemas com internet, falta de luz, sobrecarga da 
rede, etc.) inviabilizem o envio. Se, no horário final de entrega, ocorrer algum problema 
com a plataforma, o prazo de envio será dilatado e devidamente comunicado em nossa 
plataforma/e-mail. 
Não será permitido o envio de tarefas por qualquer outro meio que não o local 
específico para isso na plataforma ou fora do prazo. O não envio de uma tarefa no prazo 
acarretará na nota zero ao aluno sem oportunidade de substituição do trabalho. 
Só serão aceitos tarefas e trabalhos enviados em doc, docx ou rtf. Não enviem 
tarefas em pdf, odt ou nenhum outro formato que não os especificados, pois não serão 
aceitas e acarretarão na nota zero ao aluno sem oportunidade de substituição do 
trabalho. 
As notas de fóruns/tarefas serão divulgadas posteriormente ao 
encerramento/envio dos mesmos. Fique atento aos calendários. 
O aluno terá o direito de, junto ao tutor, requerer a revisão de sua nota. Para 
tanto há um "Fórum de Pedido de Revisão de Notas" onde o aluno deverá postar seu 
requerimento até 4 (quatro) dias depois de liberada a nota que será questionada. Em 
qualquer pedido de revisão devem ser informados o nome do aluno, seu grupo e os 
comentários necessários à revisão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
EMENTA 
Teorias da cor. Princípios de colorimetria. Natureza, estrutura e propriedades. Tintas e 
corantes. As cores na moda. Aplicações da cor em materiais diversos. Análise de 
resultados. Tendências em coloração para os diferentes tipos de cabelo. Coloração e 
alergias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 
 Bem vindos ao mundo das cores! Esse mundo é fascinante e de extrema 
importância para o profissional da beleza. 
 Nossa disciplina será dividida em 3 unidades temáticas: 1 – Conceitos e 
princípios: • Cor, luz, volume e textura; • Conceitos e princípios da colorimetria capilar; 
• Produtos e técnicas de transformação da cor. 
2 – Técnicas capilares: • Pré pigmentação e pigmentação; • Luzes e mechas capilares; • 
Matização e correção de cores; • Cobertura de cabelos brancos e grisalhos. 
3 – Teorias e aplicabilidade: • Colorimetria em Maquiagem; • Camuflagem em 
disfunções estéticas faciais. 
 Mergulhe de cabeça nos estudos e venha se aprimorar e aperfeiçoar nesse 
assunto tão complexo e importante. 
Bons estudos! 
Professora Daniani Boscaini Lira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
 
Conceitos e princípios 
Cor, luz, volume e textura 
 
Aqui você compreenderá os conceitos de cor, como funciona sua percepção 
visual e cerebral e qual a relação das cores com a luz. Além disso, aprenderá sobre as 
propriedades físicas da cor e a respeito de sua percepção psíquica, ou seja, como ela é 
percebida de forma psicológica pelos seres humanos e como elas influenciam no 
comportamento e na expressão visual. 
Complementando o assunto, falaremossobre volume, que abrange luz, sombra e 
textura, e veremos como essas características influenciam também na composição de 
uma imagem, pois são elas que conferem movimento, ritmo, profundidade, emoção e 
até sensações táteis para o objeto observado. É por meio dos requisitos de cor, luz, 
sombra e textura que se dá vida ao conjunto visual tridimensional. São basicamente 
esses atributos que serão utilizados na imagem pessoal para a execução de um trabalho 
de visagismo, ou qualquer outra forma de se personalizar uma composição visual, 
somados às linhas e às formas. 
Fundamentos de colorimetria e cromologia 
 
Quando falamos em cor, é preciso, inicialmente, entender a diferença entre cor–
luz (ou cor–energia) e cor–pigmento. A cor–pigmento é a substância material refletida 
por um objeto, isto é, sua cor, seu pigmento. Já a cor–luz é aquela que se forma pela 
emissão direta de luz difundida sobre o objeto, ou seja, a cor–energia da fonte de luz 
antes do objeto e a cor–luz modificada pela cor–pigmento do objeto, e, então, aquela 
que o olho humano percebe. Cor, então, é o resultado da interação da luz com um 
objeto, que reflete, então, a sua cor–pigmento, modificando a cor–luz incidida sobre 
este. Cor é pura energia, do ponto de vista físico, e é pura emoção, do ponto de vista 
psíquico. É algo que vemos com os olhos e traduzimos com o cérebro. 
A ciência da cor estuda o efeito físico e psíquico das cores, e está relacionada a 
física, ótica, anatomia, ciência cognitiva e psicologia. São processos complexos, assim 
como o funcionamento de todo e qualquer sistema orgânico do ser humano. Pode-se 
dizer, então, que as cores e suas percepções permeiam diversas áreas de estudo, da 
ciência à arte, no âmbito técnico ao estético (PEDROSA, 2009). Neste capítulo, será 
14 
 
abordada a colorimetria em relação à percepção física das cores, e a cromologia, cujos 
fundamentos são relacionados à parte psicológica da cor. 
Cor no sistema visual e nos processos cerebrais 
 
Obviamente, as cores não existiriam sem os sistemas visual e cerebral, pois é 
neles onde toda a percepção da cor começa e encerra. Até o século XVI, as pessoas 
acreditavam que os olhos emitiam luz, quando, na verdade, os olhos são apenas 
receptores de luz. Para que a visão ocorra, é necessário que haja uma fonte de luz que 
possa conduzir a energia da cor até os nossos olhos. É assim que a comunicação visual 
se inicia. Sem o condutor da cor (a luz), a única coisa que veríamos seria a cor preta, 
que significa o vácuo, a ausência de cor, a ausência de energia. 
A luz é uma fonte de energia que, quando refletida em um objeto qualquer, tem 
sua cor modificada. Este novo feixe de luz, agora colorido, será recebido fisicamente 
pelo sistema visual e processado emocionalmente pelo cérebro. Os olhos captam 
informações externas e as codifica para, depois, serem processadas pelo sistema 
cerebral (Figura 1) (RIBEIRO, 2011). 
 
Dessa forma, e de acordo com o objeto de estudo, podemos relacionar a 
colorimetria com o processo físico e visual da percepção da cor–luz, ao passo que a 
cromologia tem ligação com o processo cerebral, ou seja, psicológico, da cor–luz em 
relação à cor–pigmento. 
15 
 
Colorimetria: um estudo sobre a percepção física da cor 
 
 Colorimetria é a parte da ciência das cores que estuda sua utilização com o 
propósito de especificar numericamente a cor de um determinado estímulo visual, e se 
preocupa em especificar pequenas diferenças de cor que um observador pode perceber 
e, assim, chegar a efeitos de acordo com a necessidade de tal criação (ESQUERRE 
MENDOZA, 2017). 
 A colorimetria trata da cor em um nível físico, em relação a matiz, saturação, 
intensidade, tom, luminosidade. Neste capítulo, foram adicionados, ainda, os conceitos 
de temperatura, contraste e harmonia das cores. O conhecimento e a aplicação da 
colorimetria são essenciais em áreas de atuação artística, como fotografia, decoração, 
publicidade, artes, beleza, moda, arquitetura, decoração, entre outras. 
Propriedades das cores 
 
A seguir, serão descritas as principais propriedades das cores. 
Tom, matiz ou tonalidade é a cor em si, em seu estado puro, sem adição de 
outras cores. Essa é a propriedade que diferencia uma cor da outra. Podemos dizer que é 
o ―nome principal da cor‖ (Figura 2a). 
 Saturação ou intensidade é a característica de pureza ou mistura de uma cor, ou, 
ainda, a quantidade de cinza em sua composição. Demonstra a vivacidade ou a palidez 
da cor e transmite sensação de maior ou menor movimento. Quanto mais saturada uma 
cor, maior é a sensação de que o objeto está se movendo. O amarelo, por exemplo, é 
uma cor muito viva. A vibração de sua cor–luz é bastante agitada. Conforme a Figura 
2b, o mais saturado é o terceiro tom no caso apresentado — menos calmo que os outros 
para nossa visão. 
Valor, luminosidade ou brilho é a característica de claridade ou escuridão de 
uma cor, ou a quantidade de preto ou de branco que a cor contém. É um termo que se 
usa para descrever quão clara ou escura parece uma cor (Figura 2c). 
A temperatura indica a movimentação energética da cor, ou seja, cores quentes 
são mais estimulantes e energéticas, já cores consideradas frias são mais calmas e 
refrescantes (Figura 2d). As cores consideradas neutras são o preto, o branco e suas 
misturas, sendo, então, o cinza também um neutro, por derivar da mistura de preto e 
branco em diferentes tonalidades claro–escuro. As tonalidades de marrom (que vão do 
16 
 
marrom ultra escuro ao bege mais claro) também são consideradas neutras, pois nada 
mais são do que cinzas com pitadas de cores primárias. Os marrons são neutros muito 
versáteis, mas já possuem certa característica de temperatura em decorrência desta 
mistura, que não é 100% neutra. 
Contraste é a relação entre cores que, quando combinadas, ressaltam ou 
amenizam as diferenças entre elas, dependendo da combinação. As Figuras 2e e 2f 
demonstram alguns tipos de contraste. 
 
 
17 
 
 
Harmonia são formas diferentes de combinar as cores do círculo cromático. 
Cada uma das combinações passa uma sensação diferente em relação à sua percepção, 
como descrito a seguir: 
• Harmonia monocromática: são variações de força e luminosidade da cor, 
dentro de seu próprio tom. Revela médio a baixo contraste (Figura 3a). 
 • Harmonia análoga: combinações de uma cor primária e duas outras vizinhas 
no círculo cromático. Revela baixo a médio contraste (Figura 3b). 
 • Harmonia complementar: combinações de duas cores complementares entre si, 
normalmente quente e fria. São as que estão localizadas em oposição no círculo 
cromático. Revela alto contraste (Figura 3c). 
• Harmonia triádica: combinações formadas por três cores equidistantes no 
círculo cromático. Causa bastante impacto e revela alto contraste (Figura 3d). 
• Harmonia tetrádica: combinação de dois pares de cores complementares — 
uma combinação muito rica e não fácil de aplicar, uma vez que pode causar peso visual, 
dependendo de como for apresentada. Revela alto contraste (Figura 3e). 
 
18 
 
Cromologia: um estudo sobre a percepção psíquica da cor 
 
Também chamada de psicologia da cor, cromologia é a ciência que estuda as 
reações humanas diante das cores, ou seja, trata da cor em um nível psíquico, em 
relação às emoções e aos comportamentos que elas desencadeiam em nós. 
Johann Wolfgang Goethe concluiu com suas pesquisas que a cor vai além de um 
fenômeno físico, sendo também um fenômeno fisiológico e psíquico. Goethe define cor 
como ―uma informação visual, causada por um estímulo físico, percebida pelos olhos e 
decodificada pelo cérebro‖ (GOETHE, 2013). 
A cor é um meio para exercer uma influência direta sobre a alma. A cor é a tecla, 
o olho, o martelo, e a alma, o instrumento das mil cordas. O artista é a mão que, ao tocar 
nesta ou naquela tecla, obtém da alma a vibração justa. A alma humana, tocada no seu 
pontomais sensível, responde (KANDINSKY, 2015). 
Arquétipo de cores 
 
Assim como acontece com as linhas e formas, as cores são também consideradas 
símbolos arquétipos reconhecidos universalmente e que agem no inconsciente coletivo 
por meio da linguagem visual, comunicando uma ideia, conceito ou sensação, com 
poderes de estimular, acalmar, atrair e trazer à tona emoções e comportamentos de 
acordo com sua tonalidade e energia (HALLAWELL, 2010a; AGUIAR, 2006). Veja, a 
seguir, o significado das cores segundo seus arquétipos, de acordo com Bartlett (2000), 
Aguiar (2006) e Hallawell (2010a). Observe também a Figura 4. 
Vermelho: ligada ao calor e à energia do sangue e do coração, esta cor 
representa a paixão, o desejo, a excitação, e tem o poder, inclusive, de mexer com o 
ritmo cardíaco e a frequência respiratória das pessoas. Embora muito estimulante, é uma 
cor que pode aguçar a raiva, a impaciência e a agressividade. 
Cor de laranja: a cor que dá nome à fruta (ou seria o contrário?) está ligada aos 
sentimentos de energia, vitalidade, entusiasmo e criatividade. É quente como o 
vermelho, mas possui um frescor que a diferencia. Por outro lado, é uma cor que, 
devido à sua própria característica, pode provocar ansiedade, aumentar o apetite e deixar 
as pessoas agitadas. 
Amarelo: uma cor muito quente, energética e alegre, imprime otimismo e bom 
humor. O amarelo tem o poder de nos fazer sentir positivos. No entanto, para algumas 
19 
 
pessoas, pode revelar sensações de inquietação, estresse e nervosismo. 
Verde: uma cor fria, ligada à cor predominante na natureza, e que revela o 
mesmo frescor, equilíbrio, vivacidade e saúde. Está ligada à juventude, remetendo à 
primeira fase do amadurecimento dos frutos. Pode revelar imaturidade e ciúmes 
excessivo. 
Azul: relacionada ao céu e à água, o azul é uma cor fria relacionada ao racional, 
ao progresso, à tranquilidade e à inteligência. Tem o poder de transmitir sensações de 
calma, suavidade, integridade e respeito. Algumas vezes, pode evidenciar características 
de ingenuidade e medo. 
Violeta: essa cor fria está ligada a mistério, intuição, espiritualidade e ajuda na 
concentração. É um tom introspectivo que estimula o pensamento e a estabilidade. Além 
disso, é considerada uma cor nobre e rara, por questões históricas (o roxo era um tom 
muito difícil de ser aplicado em roupas, e isso o tornava valioso). Pode transmitir 
sensações de penitência e culpa. 
Cor-de-rosa: um tom frio com diversas variações, mas, basicamente, sugere 
romantismo, doçura, feminilidade, delicadeza, inocência e ternura. Faz-nos pensar 
positivamente e nos leva de volta à infância. Simboliza o amor romântico, ao passo que 
o vermelho simboliza o amor carnal. Pode ser ingênuo, lúdico e inocente demais. 
Preto: o preto é um neutro luxuoso e ao mesmo tempo depressivo. É uma cor 
ligada ao masculino e demonstra poder, mistério, dominação, dignidade, elegância, 
formalidade. Pode ser excessivamente dramática. Revela autoridade. 
Branco: uma cor neutra, feminina, pura, que estimula a autoestima, o êxito, a 
esperança, a clareza. É a cor da integridade e inspira renovação, mas pode acentuar 
sentimentos de solidão. 
Cinza: é a cor neutra do respeito e da maturidade. Ajuda-nos a encontrar o 
equilíbrio, é repousante, intelectual, eficiente e conservadora. Pode ser considerada uma 
cor indiferente ou triste. 
Marrom: está ligado à terra, e, assim como ela, é seguro, confortável, humilde, 
resistente. Passa uma sensação de simplicidade, qualidade e seriedade. Pode ser formal 
demais e envelhecer a aparência. 
20 
 
 
21 
 
Cor e personalidade 
 
As cores, por revelarem emoções, estão absolutamente ligadas à personalidade, 
portanto, podem complementar os conhecimentos da teoria dos quatro temperamentos e 
suas características particulares (HALLAWELL, 2010b). 
Sanguíneos: características positivas do temperamento: leveza, alegria, 
comunicabilidade, extroversão. Características negativas do temperamento: distração, 
persuasão, inconveniência. Cor que representa o temperamento: amarelos (energético). 
Cor que equilibra o temperamento: roxos (estabilidade) (ver Figura 5a). 
Coléricos: características positivas do temperamento: força, determinação, 
sensualidade, poder. características negativas do temperamento: autoritarismo, 
explosividade, impaciência. Cor que representa o temperamento: vermelho 
(estimulante). Cor que equilibra o temperamento: verde-musgo (estabilidade/ 
refrescante) (ver Figura 5b). 
Melancólicos artísticos: características positivas do temperamento: detalhista, 
romântico, sensível. Características negativas do temperamento: perfeccionismo, 
introversão, altruísmo. Cor que representa o temperamento: azul-claro (calma). Cor que 
equilibra o temperamento: fúcsia (coragem). Melancólicos científicos: características 
positivas do temperamento: confiança, segurança, coerência. Características negativas 
do temperamento: controle, introspecção, arrogância. Cor que representa o 
temperamento: azul- -escuro (confiança). Cor que equilibra o temperamento: rosados 
(ternura) (ver Figura 5c). 
Fleumáticos: características positivas do temperamento: dedicado, pacífico, 
realizador. Características negativas do temperamento: imóvel, desleixado, distante. Cor 
que representa o temperamento: roxos (equilibrado). Cor que equilibra o temperamento: 
amarelos (energético) (ver Figura 5d). 
22 
 
 
Fundamentos de luz e sombra 
 
A luz e a sombra são elementos complementares e fundamentais da linguagem 
visual. O preto é a ausência de luz, ou seja, o que se vê é sombra. O branco é a união de 
todas as cores e é considerado pura luz. São ambiguidades absolutamente 
23 
 
complementares, assim como Yin-Yang, o símbolo do equilíbrio, da reciprocidade, da 
interdependência. Embora opostas, constituem uma relação agradável, e não de 
rivalidade. É como um abraço recíproco, em que uma coisa contém a outra, sem 
prejuízo a nenhuma parte (Figura 6). 
 
Basicamente, a luz é utilizada para destacar um elemento, ampliá-lo, evidenciá-
lo, ao passo que a sombra é usada para afastar, afundar ou diminuir sua percepção. A 
partir do momento que se deseja criar uma imagem como algo tridimensional, ou seja, 
com volume, automaticamente se torna necessário o estudo da luz e da sombra para a 
composição de um desenho ou a criação de um design. Diferentemente das linhas e 
formas abstratas, compostas somente com linhas unidimensionais, o objeto desenhado 
com volume é muito mais realista. Quando olhamos para um objeto, o que vemos é a 
luz refletida em sua face, e, quando falamos de um objeto em três dimensões, 
entendemos que ele projetará uma sombra, posicionada de acordo com o ângulo que a 
luz o atinge. Quanto mais escura a sombra, menos luz está atingindo aquele espaço 
(HALLAWELL, 2010b). Ou seja, quando um foco luminoso alcançar um objeto real, 
apresentar-se-ão uma zona iluminada e uma zona sombreada, que é a projeção da 
sombra do próprio objeto, tanto nele mesmo quanto no ambiente que o cerca. O 
tamanho da sombra e a sua intensidade dependem da intensidade e do posicionamento 
da luz que incide nele (Figura 7) (HALLAWELL, 2017). 
24 
 
 
Linguagem visual sobre volumes e texturas 
Volume 
Luz e sombra são os elementos básicos para produzir o efeito de volume e 
realidade em um desenho ou criação. É o contraste dos requisitos de luz e sombra que 
cria a ilusão de volume e, então, as sensações de aumentar, diminuir, aproximar, afastar, 
afinar, engrossar, etc., além de tornarem as criações mais realísticas e equilibradas. 
Tudo o que tem luz se destaca, se aproxima, ao passo que tudo o que está na 
sombra se afasta, se apaga. Na construção de volume, é assim também que ocorre. Esta 
técnica do jogo ―claro–escuro‖ foi denominada chiaroscuro por Leonardo da Vinci, no 
século XV, e se define pela construção do pinturas utilizando o contraste entre luz e 
sombra.Também chamada de perspectiva tonal, exige técnica, conhecimento e 
experiencia na aplicação dos fundamentos de luz e sombra, sendo utilizada por artistas, 
desenhistas, arquitetos, maquiadores, cabeleireiros, etc. A Figura 9 traz exemplos de uso 
das técnicas aqui descritas. 
 
25 
 
Textura 
 
O requisito textura confere uma sensação visual e tátil de ritmo e densidade, 
criando a sensação de aspereza, maciez, dinamismo, frieza, etc. Composta de pontos, 
linhas, formas, padrões, curvas, cores e técnicas de luz e sombra, as texturas resultam 
em ilusão de movimento e ritmo ao conjunto tridimensional, de uma forma visual e 
cinestésica. Além de relacionada com a linguagem visual, a textura tem também um 
aspecto tátil, podendo passar uma sensação de toque, mesmo sem serem tocadas, 
somente vistas. 
No design, a textura é muito importante e precisa ser considerada para reforçar 
uma ideia, sendo o conjunto de elementos que indica o grau de polidez do objeto, a 
composição química, o nível de rigidez, o estado físico, a direção e intensidade do 
movimento e sua percepção tátil, e se parece fofo, áspero, fluido, rígido. Promove uma 
experiência sensorial e ativa nossa memória tátil, trazendo sensações e vivacidade ao 
objeto ou à imagem. Algumas vezes, no entanto, a textura não traz sensações táteis, e 
sim ópticas, mas em todos os casos, as texturas nos passam a vibração, visual ou tátil, 
de determinado material ou composição artística (LAMP, c2019). 
As texturas, devido à sua própria característica visual e tátil, também podem ser 
estratégias para a criação de volume, ou seja, ampliando ou reduzindo a ilusão de 
aumentar, diminuir, afinar ou expandir as proporções de um objeto ou de uma pessoa 
que veste uma roupa. 
Conceito e princípios da colorimetria capilar 
 
Tem sido muito grande a procura por tratamentos na área da estética. Os clientes 
buscam técnicas e tratamentos para mudar a cor dos cabelos, melhorando contraste, 
reflexos e tons de acordo com as características pessoais e a moda. Muitos profissionais 
apostam no uso da colorimetria para garantir tratamentos mais eficazes. Trata-se de uma 
ciência que estuda as cores e suas combinações; entretanto, para que possa ser 
empregada corretamente, precisa levar em consideração os diferentes tipos de cabelo e 
os danos que podem ocorrer na haste capilar. 
O futuro profissional da área de estética aplicada à área capilar terá, neste 
capítulo, uma introdução aos princípios da ciência da colorimetria, entenderá sua 
aplicação, conhecerá os diferentes tipos de cabelo e verá também os principais agentes 
26 
 
lesivos da haste capilar, podendo orientar e prevenir danos através de alguns cuidados 
diários. 
Colorimetria capilar 
Origem da cor do cabelo 
 
A coloração natural do cabelo se deve a particularidades nos pigmentos que se 
encontram dentro da fibra capilar, que ao absorverem raios luminosos, são responsáveis 
pelas variações de cores dos cabelos. Esses pigmentos são derivados de uma substância 
chamada melanina. São produzidos por células chamadas de melanócitos, que se 
encontram dentro do bulbo do cabelo e que através de processos químicos naturais 
desencadeiam a formação de dois tipos distintos de melanina: a eumelanina e a 
feomelanina. Os pigmentos de melanina encontram-se em formato de grânulos e em 
diferentes concentrações, de acordo com a cor do cabelo. A presença de maior 
quantidade de eumelanina gera a formação de cabelos nas cores marrom para preto e a 
maior quantidade de feomelanina gera a formação de cabelos nas cores amarelo a 
avermelhado. 
Além do tipo de pigmento encontrado, a cor do cabelo será definida por outras 
variáveis, como: espessura, quantidade de pigmento e a razão entre a quantidade de 
feomelanina e eumelanina. Sobre a quantidade de grânulos, cabelos mais escuros 
possuem um maior número de grânulos de melanina, enquanto cabelos claros contêm 
poucos grânulos de melanina. 
A cor do cabelo ainda é influenciada por fatores genéticos e fisiológicos, que 
determinarão que tipo de melanina será mais encontrada, variando também com a idade, 
uma vez que à medida que envelhecemos, a concentração de pigmentos se reduz de 
modo a causar a despigmentação dos cabelos e os surgimento de cabelos brancos. 
Algumas disfunções capilares podem gerar também o aparecimento precoce dos cabelos 
brancos. 
Inúmeras pessoas buscam tratamentos artificiais para corrigir os cabelos brancos 
ou até mesmo mudar a cor natural, de acordo com tendências estéticas e com as 
preferências pessoais, uma vez que a coloração dos cabelos desempenha um papel 
importante na autoestima. Diante disso, a colorimetria é uma ciência que trata 
especificamente desses tratamentos, que envolvem basicamente a coloração artificial 
27 
 
dos fios e que busca garantir a qualidade, satisfação e segurança (COLORDESIGN, 
c2002; TERRIBILE, 2013). 
Definição e conceitos em colorimetria capilar 
 
A colorimetria é a ciência que estuda as características da cor da haste capilar 
aplicadas na área da estética. É conhecida desde a antiguidade, quando as primeiras 
colorações foram utilizadas pelos egípcios, que foram os precursores dessa ciência. O 
primeiro corante sintético utilizado para colorir os cabelos foi utilizado em 1883, a 
partir daí houve um intenso desenvolvimento da ciência, o que possibilitou a criação de 
colorações cada vez mais efetivas e seguras (HALAL, 2011). 
Sabe-se que o termo cor trata de uma definição subjetiva, uma vez que a cor é 
uma informação visual e depende da presença de luz, que resulta num estímulo físico 
percebido pelos olhos e interpretado pelo cérebro. Inicialmente, nossos olhos recebem 
uma energia em forma de onda eletromagnética de diferentes comprimentos, capazes de 
excitar o sistema visual e neurológico. Para tanto, o olho humano capta apenas parte dos 
feixes de ondas eletromagnéticas, chamada de faixa visível, através de células 
especializadas chamadas de bastonetes e cones, que após serem captadas pelo olho 
humano, enviam o sinal ao cérebro onde ocorre o processamento da formação da cor. 
Considerando que o olho capta apenas as cores da faixa visível, a imensa variedade de 
cores que vemos é resultante da interpretação que nosso cérebro produz após o 
recebimento de combinações de diferentes comprimentos de onda de três cores 
primárias, a partir dessas três cores, formam-se cores secundárias, terciárias e inúmeras 
combinações. 
As cores e a relação entre elas constituem a base de estudo da colorimetria 
capilar. Através de suas leis, surge em uma variedade ilimitada de novas cores. Nesse 
sentido, as colorações químicas alteram a estrutura do cabelo de forma que ele absorva 
algumas ondas e reflita outras, assim, a cor do cabelo após a coloração é exatamente a 
cor do comprimento de onda de luz disponível e da luz que é absorvida por ele. 
Qualquer mudança realizada a fim de alterar a luz disponível, alterará a cor que vemos 
no cabelo. 
Baseando-se nesse entendimento, as cores podem ser classificadas em primárias, 
secundárias, terciárias e complementares. As cores primárias são cores puras e não 
podem ser produzidas por qualquer mistura. São a origem de todas as colorações, dos 
28 
 
tons mais claros aos mais escuros, sendo sempre produzidas a partir das cores primárias: 
azul, vermelho e amarelo em diferentes concentrações. Recebem esta denominação 
porque ao se misturar cada uma delas entre si, criam-se cores e ao dilui-las obtêm-se as 
mesmas cores iniciais. A partir da mistura de duas cores primarias se originam cores 
secundárias. 
As cores secundárias são resultado da mistura de duas cores primárias em 
quantidades iguais. As cores secundárias são: magenta, amarelo e ciano — também 
chamadas de roxo, laranja e verde (Figura 1). As cores terciárias são as demais cores 
produzidas que não se encaixam em primárias ou secundárias. Sua origem se dá pela 
mistura de uma corsecundária e uma primária, em proporções iguais, formando as 
cores: vermelho-violeta, violeta-azul, verde-azulado, verde-amarelado, laranja-
amarelado, e laranja-avermelhado. Além disso, pode-se criar uma cor terciária 
misturando-se duas primárias em proporções diferentes ou misturando as três primárias 
de modo a criar a cor marrom, por exemplo (Figura 2). 
Além da definição de cores primárias, secundárias e terciárias, existe a definição 
de cores complementares, que se referem à interação e combinação dessas cores e pode 
ser representada por uma imagem, chamada de círculo cromático ou estrela de Oswald, 
que serve basicamente como um gráfico para auxiliar o profissional da colorimetria 
(Figura 3). As cores complementares referem-se às cores primárias e secundárias que se 
encontram dispostas opostamente no círculo cromático, formando um par. Os pares de 
cores complementares são formados por uma cor primária e uma cor secundaria. Por 
exemplo: os pares complementares são o verde e o vermelho, o laranja e o azul, e 
amarelo e violeta. Possuem relevância na colorimetria, pois quando misturadas 
neutralizam uma à outra, o azul, por exemplo, é utilizado para neutralizar a cor laranja 
ou podem também potencializar uma cor desejada. 
29 
 
 
 
30 
 
 
É desse raciocínio das cores complementares que se busca um equilíbrio nos 
tratamentos de coloração, através da neutralização de uma cor indesejada, ou seja, a 
busca por equilibrar e uniformizar a cor por meio das cores primárias. Além disso, os 
pigmentos utilizados nas colorações podem ser classificados em acromáticos ou 
cromáticos. Os acromáticos, que não possuem cor, referem- -se à mistura do preto e do 
branco em diferentes concentrações, que resulta nos pigmentos preto, branco e cinza. 
Enquanto que os pigmentos cromáticos podem ser de cores primárias, secundárias ou 
terciárias. 
A cor ou pigmento ainda possui dois componentes importantes na área da 
colorimetria, e referem-se ao nível ou saturação e à tonalidade ou nuance. O nível, ou 
saturação, também é chamado de altura de tom e a tonalidade ou nuance também é 
chamada de reflexos da cor. O nível/saturação ou altura de tom é a concentração de cor, 
informando a intensidade e quantidade de cor existente. Esses termos indicam o quanto 
uma cor é clara ou escura. Nesse aspecto, quando o uso de proporções iguais e puras de 
cores primárias tem como resultado tons de cinza, preto ou branco, o branco é a 
ausência de cor e preto e cinza se diferenciam pela concentração de pigmento. 
Entretanto, esse sistema não é tão simples, uma vez que em alguns dos métodos 
de coloração utilizados na área capilar, mesmo dentro as leis de colorimetria, a 
formação da cor não ocorre apenas pela mistura de pigmentos, mas também por um 
processo químico chamado de oxidação. Dessa maneira, misturar cores é muito mais 
simples do que controlar reações químicas de oxidação, que se darão pela mistura de 
31 
 
pigmentos e agentes intermediários. Na prática clínica da colorimetria capilar, a cor 
marrom representa a cor de equilíbrio das colorações, por isso, os tons de marrom são 
chamados de fundamentais ou cores bases e se formam a partir da mistura das três cores 
primárias em diferentes concentrações e determinando os vários tons existentes, 
chamados de altura de tom. 
Para graduar a altura de tom, é utilizado um esquema numérico de 1 a 10, sendo 
que o preto refere-se a maior concentração de pigmento, recebendo o número 1 e o 
branco refere-se ao número 10, que é a cor sem pigmento, a mais clara de todas, 
enquanto que do 2 ao 9 tem-se as mais variadas graduações de cinza (Figura 4). 
 
Além disso, a altura de tom traz uma outra definição importante para a prática 
clínica da colorimetria, que é o fundo de clareamento. Foi visto que a cor do cabelo é 
formada, naturalmente, pela combinação dos tipos de melanina. 
Quando o cabelo é exposto a um processo de descoloração, com finalidade de 
clareá-lo, as concentrações de melanina são reduzidas, o que resulta na alteração da cor 
dos cabelos, obtendo-se uma coloração mais fraca que a natural. À medida que o cabelo 
é descolorido, outras cores vão surgindo, o que é chamado de fundo de clareamento. 
Para compreender melhor, observe o Quadro 1 e compare com a Figura 5. 
32 
 
 
 
 
 
33 
 
A variação do fundo de clareamento será sempre de tonalidades vermelhas, no 
caso de alturas de tons baixas, ou seja, mais escuras, enquanto que as alturas de tons de 
louros terão como fundo de clareamento cores na altura de amarelo. Por exemplo, em 
um cabelo preto com altura de tom número 1, à medida em que vai sendo clareado surge 
o vermelho, podendo apresentar várias tonalidades durante o processo. O amarelo 
aparece e também apresenta algumas tonalidades no processo de clareamento dos fios 
louros. São justamente essas cores ―de fundo‖, que o cabelo apresenta, que são 
chamadas de fundo de clareamento. 
 A tonalidade, também chamada de nuance ou reflexo da cor, refere-se a um 
pequeno desequilíbrio nas cores, e recebe a denominação de reflexos primários, 
secundários, podendo ser suaves, intensos ou profundos. Nesse caso, estes termos 
informam a quantidade de cores existentes na haste capilar. Por exemplo: o cabelo de 
cor castanho ou louro pode ser formado por variações do amarelo, vermelho e azul, 
conforme o objetivo desejado. Todas as cores naturais se formam do balanço de cores, 
variando apenas o nível de cor. 
Vale lembrar que esses reflexos não modificam a cor do cabelo, mas sim a altura 
de tom do mesmo. Por ser uma matriz muito fraca, ela não chega a ter profundidade na 
cor. São utilizadas com intuito de causar mais brilho, intensidade e ser um diferencial 
das alturas de tons. Como visto anteriormente, a altura de tom de um cabelo é definida 
por numerações. Os reflexos podem ainda ter predominância de cores, nesse caso a 
predominância quente inclui a formação de reflexos nas cores amarelo, laranja ou 
vermelho, e a predominância fria, inclui reflexos nas cores: azul, verde ou roxo 
(COLORDESIGN, c2002). 
Sistema internacional de nomenclatura de colorações 
 
Existe um sistema internacional através de números com o objetivo principal de 
universalizar a leitura das colorações. Um exemplo de código de cor é mostrado na 
imagem a seguir (Figura 6). 
 Nesse sistema, a partir da leitura do número você define a altura de tom e o 
reflexo primário e secundário. O primeiro número antes da vírgula, refere-se à altura de 
tom. O primeiro número após a vírgula, refere-se ao reflexo primário. O segundo 
número após a vírgula representa o reflexo secundário. Nesse caso o 4 representa a 
altura de tom que é o castanho-médio, o número 6 representa o reflexo primário que é o 
34 
 
vermelho e o número 5 representa o reflexo secundário que é o mogno. Para tanto, a 
leitura dessa numeração é feita da seguinte forma: castanho-médio, vermelho-mogno. 
Vale lembrar que se pode ter apenas um reflexo, nesse caso terá apenas o número 
antecedendo a vírgula e, após, um número que representará o reflexo principal. 
 
Ação dos pigmentos na haste capilar 
 
Quanto às ações dos pigmentos na haste capilar, elas irão agir inicialmente na 
cutícula e algumas atuarão na camada intermediária da haste capilar chamada de córtex. 
Algumas moléculas de pigmentos existentes nos colorantes conseguem atravessar a 
cutícula do cabelo e difundir-se através do córtex, gerando efeitos de coloração mais 
duradouros, enquanto outras permanecem na camada mais externa das cutículas, tendo 
efeitos a curto prazo. A imagem a seguir (Figura 7) mostra a cutícula, que é a camada 
mais externa da haste capilar, seguida pelo córtex e medula. 
35 
 
 
As colorações existentes são classificadas conforme o objetivo de tratamento e o 
tempo de duração na haste capilar, podendo ser permanentes, semipermanentes ou de 
tom sobre tom. As colorações de tom sobre tom apenas acentuam osreflexos naturais, 
sem alterar a cor do cabelo (GOMES, 2018). 
Diante dessas informações, é essencial que o profissional da área capilar entenda 
os princípios de colorimetria antes da realização de qualquer tratamento, uma vez que 
envolve uma série de conhecimentos prévios. 
Tipos de cabelo 
 
Assim como é importante conhecer os princípios da colorimetria, faz-se 
necessário conhecer os mais diferentes tipos de cabelo, uma vez que cada um responde 
aos tratamentos de colorimetria de maneiras distintas. Existem várias classificações 
acerca dos tipos de cabelo e elas envolvem diferentes características, como formato, 
porosidade, diâmetro, elasticidade, grau de oleosidade e hidratação, dentre outras. 
Quanto ao formato 
 
O formato é uma característica natural dos fios e se refere às diferentes 
elipticidades do fio. A diferença dos fios se dá pelos formatos dos bulbos capilares e 
pelas inclinações destes na superfície cutânea, características que sofrem influências 
36 
 
étnicas. Quanto à forma, o cabelo pode ser: liso, encaracolado, ondulado ou em espiral. 
O cabelo liso é também chamado de mongol ou oriental. Possui forma reta, 
nenhuma onda é evidenciada na haste capilar. O modo como o folículo está implantado 
faz com que o cabelo cresça reto e perpendicular ao coro cabeludo. Possui uma taxa de 
crescimento média de 1,3 cm/mês. Representado na Figura 8 pelo número 1. 
O cabelo ondulado é também chamado de caucasiano. Há sempre a formação de 
―S‖ quando está curto e uma série de ondas quando é de comprimento longo. Seu 
crescimento se dá num ângulo oblíquo ao couro cabeludo e é levemente curvado e com 
uma taxa de crescimento de 1,2 cm/mês. Conforme a Figura 8, o cabelo 2a é um cabelo 
ondulado que não tem muito volume, a raiz é mais oleosa, porém o comprimento possui 
uma oleosidade adequada. O fio é fino e possui um formato de ―S‖, mas bem alongado. 
Por já possuir uma ondulação natural, é mais fácil de modelar. No cabelo 2b é mais 
evidente a tendência a ter frizz e a modelagem fica um pouco mais comprometida, pois 
o ―S‖ já é mais definido, assim o cabelo tem basicamente uma ―memória‖ da sua 
curvatura original. No 2c a forma de ―S‖ ―começa a apresentar alguns cachos espaçados 
ao longo do cabelo. A formação dos cachos faz com que os fios já não fiquem mais tão 
grudados na cabeça, resultando em um cabelo com mais volume e movimento. 
No cabelo encaracolado há presença de ondas e assume um formato semelhante 
a um ―C‖ quando o comprimento é curto e um formato semelhante a ―S‖ quando possui 
comprimento mais longo. Representado na Figura 8 pelo número 3. Esse tipo de cabelo 
ainda apresenta uma subdivisão, de 3a, 3b e 3c. O primeiro deles, o 3a, possui raiz mais 
lisa, porém, logo na sequência, os cachos já começam a aparecer. Normalmente, são 
bem grandes e largos. O tipo 3b possui cachos desde a raiz, com textura áspera, não tão 
sedosa quanto os fios 3a. O fio é mais encorpado e forma cachos mais fechados, alguns 
formam até ―molinhas‖. E o tipo 3b apresenta cachos muito fechados desde a raiz. Por 
estar se aproximando do cabelo espiral, já possui um nível de ressecamento maior do 
que as subcategorias anteriores, principalmente nas pontas. 
No cabelo espiral, também chamado de crespo, afro-americano ou étnico, a haste 
capilar se apresenta como uma onda contínua que, tal como o nome, assume uma forma 
em espiral desde o momento de saída da haste do couro cabeludo. Pode ocorrer a 
formação de ondas da largura de um anel. Como o cabelo cresce quase paralelo ao coro 
cabeludo, ele cresce enrolado nele mesmo e tem uma taxa de crescimento média de 0,9 
cm/mês. São representados na Figura 8 pelo número 4. O tipo 4a se caracteriza por 
possuir cachos bem estruturados, independente se estão molhados ou secos. O tipo 4b 
37 
 
possui muito volume e é conhecido como cabelo black power, são mais frágeis e 
merecem muitos cuidados. Já o cabelo 4c, caracteriza-se por alternar entre mechas que 
seguem o padrão zigue-zague e fios que não possuem nenhuma definição. Pela 
curvatura estar ainda mais junta, os cabelos 4c sofrem com o fator encolhimento e 
ressecamento, e por sua estrutura, podem ser muito difíceis de cuidar (BIOQUÍMICA 
da beleza, 2005; FERREIRA, 2018; TERRIBILE, 2013). 
 
As diferenças nos formatos dos cabelos afetam diretamente as características dos 
fios como a resistência, oleosidade, fragilidade, influenciando também na reatividade a 
agentes químicos. As colorações, alisamentos e outros procedimentos químicos, devem 
ser indicados considerando a forma, uma vez que alguns cabelos apresentarão maior 
fragilidade quando comparados a outros. 
Quanto à porosidade 
A porosidade é a capacidade da haste capilar de absorver água. Essa 
característica da haste capilar é determinada pelas condições da cutícula do cabelo, que 
é a parte mais externa da haste capilar. Nos cabelos com porosidade normal, a cutícula é 
compacta e impede de maneira semipermeável a penetração de umidade dentro do 
cabelo, seja para entrar no cabelo ou para sair. Nos cabelos com porosidade baixa, a 
cutícula é muito compacta e impede esta penetração. Nesse caso, a haste capilar é de 
difícil tratamento com coloração, uma vez que dificulta a penetração. Esse tipo de 
cabelo pouco poroso necessita de tratamentos prévios à coloração para melhorar sua 
38 
 
porosidade, assim como os cabelos com alta porosidade, pois são cabelos com a cutícula 
muito aberta e, portanto, absorvem e perdem muita umidade, tornando-se facilmente 
desidratados e frágeis. 
Quanto ao diâmetro 
Essa classificação define os cabelos em grossos, médios ou finos, de acordo com 
a circunferência da haste capilar. Cabelos grossos possuem maior circunferência, sendo 
mais fortes. Na colorimetria, é este tipo de cabelo que resiste mais às colorações quando 
comparado aos demais. Cabelos médios possuem uma circunferência média em 
diâmetro e normalmente não apresentam problemas nos tratamentos capilares. Enquanto 
que os cabelos finos são os que possuem menor circunferência. Tem como característica 
a maior possibilidade de dano por tratamentos químicos, pois perdem densidade muito 
fácil. Nas colorações, são os que respondem mais rapidamente aos tratamentos, uma vez 
que são mais finos e mais fáceis de modelar. 
Quanto à elasticidade 
A elasticidade é a capacidade que a haste capilar possui de ser distendida e 
voltar ao seu comprimento normal sem lesões em sua estrutura. Nas condições normais 
de um cabelo saudável, ele é elástico. Os cabelos de baixa elasticidade, ao serem 
distendidos, quebram facilmente e é difícil realizar tratamentos químicos. O cabelo de 
alta elasticidade apresenta um efeito chamado chicletes, pois ao distender o fio ele 
retorna muito facilmente, o que é um sinal de alerta, pois pode estar relacionado ao 
excesso de porosidade do fio. A elasticidade em excesso pode ocorrer após alguns 
tratamentos químicos de descoloração. 
Quanto ao grau de oleosidade e hidratação 
O grau de oleosidade e hidratação do cabelo é decorrente da atividade das 
glândulas sebáceas e sudoríparas da pele do couro cabeludo. De acordo com a função 
desempenhada pelas glândulas, o cabelo pode ser classificado em: normal, seco, oleoso 
ou misto. Os cabelos normais possuem um equilíbrio na quantidade de substâncias 
produzidas, enquanto que os cabelos oleosos se caracterizam por uma hiperfunção 
dessas glândulas e cabelos secos por uma redução na função. Os cabelos mistos 
39 
 
associam caraterísticas de cabelos oleosos na raiz e secos nas pontas (FERREIRA, 
2018; O ASPECTO dos cabelos, 2018). 
Percebe-se que a haste capilar se apresenta com diferentes classificações e 
características, sendo que alguns tipos de cabelo são mais sensíveis enquanto outros são 
mais resistentes aos tratamentos de coloração. Conhecer os tipos de cabelo antes da 
realização de tratamentos de colorimetria é essencial para realizar um tratamentoindividualizado e que atenda às reais necessidades do cliente, respeitando as 
características naturais do mesmo. 
Danos da colorimetria e cuidados 
 A haste capilar é formada por três camadas distintas, com funções especificas. 
A camada mais externa é chamada de cutícula e é formada por células sobrepostas, 
dando a aparência de escamas à haste capilar. Possui como função regular a entrada e 
saída de água da haste, de modo a manter um equilíbrio hídrico. A camada intermediária 
é o córtex, que possui como função primordial abrigar os grânulos de melanina que são 
responsáveis pela coloração dos fios, assim como é responsável pelas funções 
mecânicas de cada fio de cabelo, como a elasticidade, permeabilidade, resistência e 
também fotoproteção. A camada mais interna, chamada de medula, possui alto teor de 
lipídios e há relatos de que as células dessa camada podem sofrer desidratação e seus 
espaços serem preenchidos por ar, de modo que afete o brilho e a cor do cabelo. Em 
uma haste capilar saudável, o córtex é inatingível, pois está totalmente isolado do meio 
externo pelas camadas de células da cutícula. São essas camadas, formadas por células 
especializadas, que garantem ao cabelo condições favoráveis ao desempenho de suas 
funções (SANTOS, 2017). 
 Inicialmente, os agentes lesivos, que podem ser químicos, físicos ou térmicos, 
causam agressões na camada externa da haste capilar, danificando a cutícula, alterando 
a efetividade das mesmas na função de proteção, tornando assim as camadas mais 
internas (córtex e medula) mais facilmente expostas aos danos. Os danos na cutícula 
geram como consequência o aumento da fragilidade capilar. 
Basicamente, tratamentos de origem química, mesmo que bem indicados e 
realizados com segurança, geram alterações na estrutura da haste capilar, em suas 
40 
 
características, e predispondo ao aparecimento de danos e disfunções. A aplicação de 
produtos químicos nos cabelos pode ser realizada com o objetivo de colorir os cabelos, 
mas para gerar os efeitos esperados os agentes químicos precisam chegar ao córtex e 
gerar reações químicas, para tanto fazem a abertura das cutículas e expõem córtex e 
medula. A abertura das cutículas gera maior fragilidade local, tornando a haste ainda 
mais suscetível a agentes externos, como umidade, poluição, calor etc. Essa exposição 
tende a tornar o cabelo cada vez mais poroso e frágil. 
Além dos tratamentos químicos de coloração, os cabelos estão expostos a 
agentes químicos diariamente, através do uso de cosméticos capilares, que quando não 
bem indicados, podem tornar-se vilões para os cabelos. A escolha e uso correto dos 
produtos cosméticos capilares tendem a reduzir danos e também prevenir os mesmos. A 
escolha de produtos específicos para tratamentos capilares é o primeiro passo, uma vez 
que as características do couro cabeludo e da haste capilar se diferenciam de outras 
regiões do corpo humano, principalmente referente ao pH. Portanto, é importante 
selecionar produtos cosméticos capilares com pH neutro, pois produtos muito ácidos 
contraem e endurecem o cabelo, enquanto produtos alcalinos dilatam e amaciam. Dessa 
maneira, os produtos escolhidos devem considerar o pH natural do cabelo, em torno de 
5, para evitar muitos danos (LOPES et al., 2018). 
Na escolha de xampus, que por possuem função tensoativa acabam causando 
ressecamento dos fios por alterarem as cutículas, é necessário escolher os que tenham 
um pH indicado para o cabelo, principalmente para cabelos coloridos, a fim de evitar a 
descoloração precoce. Xampus que possuem silicone em sua formulação podem 
amenizar os efeitos de ressecamento. Além disso, o ideal é utilizar cosméticos 
condicionadores após a aplicação do xampu, pois estes amenizam os danos, uma vez 
que são formulados à base de gorduras e de um detergente diferente dos usados nos 
xampus. Os condicionadores fecham as cutículas, aumentando a capacidade dos fios de 
refletirem a luz e, consequentemente, ficarem mais brilhantes. Além disso, o 
condicionador altera as propriedades mecânicas do cabelo, deixando os fios mais 
homogêneos em sua capacidade de resistir ao estiramento, tornando assim o cabelo 
menos frágil. 
Além dos danos químicos, cabelos quimicamente tratados com coloração estão 
predispostos a agentes lesivos, uma vez que estão mais fragilizados. Dentre os agentes 
41 
 
físicos causadores de danos, estão hábitos diários como lavar os cabelos, secar com a 
toalha, pentear, passar as mãos, exposição à água do mar ou água tratada, vento, 
poluição provocam um desgaste que vai se tornando perceptível à medida em que os 
fios crescem. Esse desgaste físico causa um levantamento das cutículas e aumenta a 
porosidade dos fios, tornando-os mais suscetíveis à desidratação e ao ressecamento, 
surgindo sinais como frizz e aparência nitidamente danificada do fio. O fato de 
friccionar os fios do cabelo exageradamente durante a lavagem ou na secagem com uso 
de toalhas é prejudicial, pois a fricção causa aproximadamente 90% das lesões nas 
cutículas (SANTOS, 2017). 
 O uso de cabelos presos por longos períodos de tempo também causa danos na 
haste capilar, uma vez que a predispõem a quebras e podem levar à queda de cabelo 
quando a tração é exagerada. Cabelos tratados com coloração apresentam como 
resultado uma redução na elasticidade e hidratação, fazendo com que a tração quebre 
mais facilmente os fios. Os traumas físicos citados anteriormente, inicialmente alteram a 
camada de proteção, mas a longo prazo levam à ruptura e ao desprendimento dessa 
camada da haste, causando disfunções capilares comuns como, por exemplo, as pontas 
duplas. 
Além disso, os cabelos tratados quimicamente com coloração devem evitar 
danos adicionais de origem térmica, como a exposição ao calor do secador, chapinha e 
radiação solar. O calor excessivo em contato com a cutícula rompe imediatamente a 
camada de proteção, reduzindo a hidratação do cabelo, deixando mais facilmente 
exposto o córtex e as camadas mais internas dos fios. 
Cuidados com a haste capilar pós-coloração 
Diante dos possíveis danos encontrados na haste capilar após tratamentos 
químicos com a coloração, alguns cuidados podem amenizar ou retardar o aparecimento 
de sinais de lesões, incluindo cuidados para evitar danos adicionais, como térmicos e 
físicos. A seguir são descritos alguns cuidados. Lembre-se que cabelos tratados com 
coloração possuem uma fragilidade aumentada e estão mais expostos a outros agentes 
lesivos, portanto é importante considerar os cuidados para garantir uma coloração mais 
efetiva, duradoura e saudável ao cabelo. 
42 
 
Quanto ao uso de produtos químicos para coloração, é importante que o cliente 
busque profissionais capacitados e que se faça utilização de produtos adequados e 
seguros, visando fornecer ao cliente tratamentos de qualidade e segurança, que possam 
causar o mínimo de danos à haste capilar. 
Na lavagem dos cabelos, dê preferência à água morna, nem fria, nem quente, 
pois previne lesões no couro cabeludo e também na haste capilar. Indica-se o uso de 
água com temperatura um pouco menor que 25°C e mantendo o chuveiro a uma 
distância adequada do couro cabeludo, pois a própria pressão da água pode causar 
danos. A água muito quente, além desses danos, causa descoloração precoce nos fios 
submetidos à coloração. 
Utilize para a higiene dos fios xampus que possuam indicações específicas para 
o cabelo colorido, aplicando na raiz do cabelo com movimentos de massagem. Após o 
uso, utilize produtos cosméticos que amenizam os efeitos do xampu sobre os cabelos, 
como o uso de desembaraçante, hidratante e redutor de volume, assim como cremes 
capilares sem enxágue, pois ajudam a proteger os fios. Além de proteger os cabelos das 
agressões externas, preservam as cutículas íntegras e formam um filme protetor que 
simula as cutículas perdidas durante o tratamento de coloração. 
Como os cabeloscoloridos possuem uma tendência à desidratação, há de se 
enfatizar o uso de hidratantes capilares, que aumentam o poder de retenção de água, 
evitando o ressecamento. Para tanto, ele deve ser aplicado sobre os cabelos limpos e 
levemente umedecidos, enfatizando a aplicação nas pontas, uma vez que esta região da 
haste é a que mais possui lesões nas cutículas. Além do xampu, condicionadores, 
cremes, existe no mercado uma variedade de produtos para proteger e tratar os fios, 
como leave in, mousses, máscaras, destinados a cabelos pós-coloração e que devem ser 
utilizados seguindo a orientação do profissional da área capilar. 
No processo de secagem dos cabelos, é importante evitar friccionar os fios. A 
secagem deve ser feita com toalha macia, mas sem exageros de fricção, apenas retirar o 
excesso de água com a toalha e após utilizar-se do secador. Sobre o uso do secador, 
recomenda-se manter a distância mínima de 30 centímetros da raiz dos cabelos, sempre 
em movimento e em temperatura morna e a chapinha a cerca de um centímetro e meio 
do couro cabeludo. Sobre o uso de modeladores e alisadores, é necessário fazer uso 
43 
 
moderado dessas técnicas. Para amenizar os efeitos do aquecimento provocados por 
secadores, chapinhas e modeladores, deve-se fazer uso de cosméticos com proteção 
térmica prévia à aplicação dessas técnicas. 
Não exagere no número de vezes em que realiza a escovação capilar e dê 
preferência ao uso de pentes e escovas de dentes largos. Quando necessário o uso de 
penteados presos, evite excesso de tração e também a permanência do penteado por 
períodos longos. 
É importante evitar a exposição exagerada ao sol, devido aos efeitos nocivos 
para a haste capilar. Na necessidade de expor-se ao sol, é necessário o uso de chapéus, 
bonés e produtos cosméticos protetores da haste capilar. 
Um último cuidado a ser citado na redução de danos à haste capilar, são os 
cuidados referentes à alimentação, que quando balanceada, rica em vitaminas, nutrientes 
e proteínas, é fundamental para garantir a integridade da fibra capilar, principalmente 
em cabelos tratados quimicamente e que estão mais predispostos à perda de substâncias. 
A ingestão adequada de aminoácidos e proteínas, como carnes, ovos e leite, estimulam o 
crescimento e o fortalecimento dos fios, enquanto a ingestão de zinco, através das 
nozes, frutos do mar, gérmen de trigo e levedo de cerveja, estimula o crescimento e 
reduz a oleosidade. A ingestão de óleos funcionais, como o ômega-3 e o ômega-6, 
ajudam na hidratação dos fios. 
Adotar uma rotina diária de cuidados com o cabelo, que inclui uso de cosméticos 
adequados a cabelos tratados com coloração, cuidados com lavagem, secagem e 
escovação, assim como evitar a exposição solar e alimentar-se adequadamente, são 
ações essenciais para amenizar os danos à haste capilar e garantir cabelos coloridos 
artificialmente saudáveis e bonitos (CALEFFI; HELDMANN; MOSER, 2009; HALAL, 
2011; PAGAN, 2016; PAULA, 2001). 
 
Produtos e técnicas de transformação de cor: colorantes e clareadores 
A tendência de modificação da cor dos cabelos nunca esteve em baixa no 
mercado, e os profissionais da beleza, cada vez mais, são procurados com o intuito de 
44 
 
promover a coloração e descoloração dos fios, de uma forma que ofereça ao consumidor 
menos riscos à saúde das fibras capilares e do couro cabeludo. O conhecimento técnico 
e teórico do processo de modificação de cor e as reações químicas que acontecem nos 
fios são de extrema importância para que haja a compreensão de como o procedimento 
pode ou não ser efetivo. 
Neste tópico, você estudará a importância da colorimetria e as suas reações no 
processo de modificação da cor, compreendendo como os pigmentos naturais dos 
cabelos influenciam nos resultados das colorações temporárias e permanentes. Você 
entenderá o processo de oxidação de produtos clareadores, como ocorre a permeação de 
novos pigmentos e os danos causados a essas fibras, tornando-se apto a identificar as 
possíveis alterações causadas à estrutura capilar. 
Colorimetria: processo de formação da cor das hastes capilares 
A importância dos cabelos para as pessoas vai além de um ponto de vista social, 
onde os indivíduos se encontram em determinado grupo social e cultural, não apenas 
estética e afirmação de autoestima. Diante das inúmeras revoluções que a indústria 
cosmética tem passado, sem sombra de dúvidas, a que sempre esteve em ascendência 
foi de consumo de produtos responsáveis pela coloração e descoloração dos fios. 
Mesmo com a instabilidade econômica dos últimos anos, observou-se que o Brasil é o 
terceiro maior consumidor do mercado da beleza do mundo e estima-se que metade das 
mulheres da população realiza procedimentos de coloração e descoloração dos fios — 
esse número tem crescido entre os homens também (ROZÁRIO, 2017). 
Diante de todas as características físicas que o corpo apresenta, o cabelo é uma 
das poucas estruturas que podem sofrer alteração parcial ou total em sua morfologia, 
muitas vezes, seguindo tendências de humor, moda, cultura e meio social. Uma das 
funções das hastes capilares é de proteção contra os raios solares, e isso se dá em 
virtude da melanina, responsável pela coloração natural dos fios. 
A melanina presente nos fios é atribuída a fatores genéticos de cada indivíduo e 
produzida por uma célula chamada melanócito, responsável pela pigmentação não só do 
cabelo, mas, também, da pele e dos olhos. O pigmento presente na base do folículo 
piloso é transferido para as células do córtex e da medula durante os estágios de 
45 
 
formação das hastes — isso só não ocorre quando temos a presença dos cabelos 
brancos, que são totalmente ausentes de pigmentos. Existem dois tipos de melanina, que 
formam a cor dos cabelos, chamados de eumelanina, que confere os tons castanhos e 
pretos, e feomelanina, que caracteriza os fios de tons avermelhados e loiros. 
A espessura das hastes capilares, o tamanho dos grânulos de pigmento e a 
proporção na combinação de eumelanina e feomelanina são fatores que determinam a 
cor natural, e esse processo acontece por uma cadeia de hidroxilação e oxidação de um 
dos 20 aminoácidos do nosso organismo, conhecido como tirosina — conforme 
demonstrado na Figura 1. As tonalidades escuras, como castanhos e pretos, 
normalmente encontradas nos fios negroides, são as mesmas dos cabelos castanhos de 
indivíduos caucasianos, sendo que a diferença está na maior quantidade de grânulos de 
pigmento (HALAL 2016). Quando cosméticos são utilizados para a alteração da cor, a 
quantidade dos fios deve ser levada em consideração, pois fará diferença no resultado 
final, facilitando ou dificultando o processo químico. 
 
46 
 
Princípios de formação da cor 
A ciência que realiza o estudo das cores chama-se colorimetria, a qual 
desenvolve métodos de quantificação da cor e suas medidas, de maneira que sejam 
levados em consideração fatores de transformação das cores cruas, seus reflexos e 
efeitos de luz. Cada indivíduo tem uma percepção particular dos tons e subtons da cor 
que vê, pois essa visão é causada por estímulos físicos que provocam sensações 
cromáticas em virtude da emissão e reflexão da luz — também chamados de ―cor-luz‖ e 
―cor-pigmento‖. 
Newton foi o primeiro estudioso a desenvolver percepções de cores, seguido de 
Johann Wolfgang Von Goethe (Figura 2), que propôs uma nova abordagem do 
entendimento do estudo, trazendo conceitos de psicologia e fisiologia na aplicação do 
cotidiano. Houve inúmeros estudiosos da teoria das cores, empíricas ou não, mas todos 
analisavam comportamentos e suas formações básicas, como, em 1916, com o círculo 
cromático de Oswald e o utilizado no sistema RYB. Em todos os casos, os estudos 
serviram para simplificar e explicar a origem das cores e as suas atribuições (HALAL, 
2016). 
 
47 
 
O sistema RYB, que é utilizado pelo setor cosmético para desenvolver ascolorações e os neutralizantes, tem base em três cores que podemos chamar de 
primárias, pois elas são puras e dão origem a todas as outras, que são o vermelho, o 
amarelo e o azul. A mistura ou a superposição dessas cores, em partes iguais, cria 
variações de marrom, conforme a quantidade de pigmento mais escuro ou mais claro. A 
combinação de duas cores primárias dá origem às secundárias — verde, roxo e cor de 
laranja —, e a mistura de duas cores secundárias originam as terciárias, criando o que 
chamamos de subtons. Todas as variações dessas cores, como o marrom, dependem da 
quantidade de pigmento mais claro ou mais escuro a ser utilizado na mistura — no caso 
o preto e o branco — de onde são criadas as nuances (Figura 3). 
 
A aplicação de técnicas que modificam as cores dos cabelos tem como ponto de 
partida os pigmentos naturais dos fios, atribuindo a isso a importância do conhecimento 
dos fundos de clareamento de cada tonalidade para resultados satisfatórios, 
principalmente nas técnicas realizadas com agentes descolorantes. A cor natural dos 
cabelos tem seus próprios reflexos, herdados geneticamente e transformados pela 
melanina. As colorações aplicadas às hastes são misturas de corantes, gerando duas ou 
mais nuances: a primeira delas é chamada de cor-fundo (natural) e a segunda é a 
tonalidade (reflexos), para que haja transformação da cor. 
48 
 
 Todas as tonalidades de cabelo têm uma altura de tom, que varia de 1 (preto) a 
10 (loiro claríssimo) e são variações de marrons, sendo que os cabelos mais escuros são 
ricos em pigmentos de tons de azul, e os mais claros, de vermelho a amarelo. Nos casos 
de clareamento dos fios, você consegue eliminar os pigmentos naturais ou artificiais da 
fibra capilar. À medida que esses pigmentos são retirados, o cabelo vai alterando a cor e 
evidenciando seu fundo de clareamento, onde os tons mais próximos de 10 são amarelo 
claro, e os próximos de 1 são vermelho, como pode ser visualizado na Figura 4. 
 
Transformação da cor das hastes capilares 
No fim do século XIX, foram desenvolvidas as bases das colorações de cabelo 
que temos hoje. Com o movimento crescente do mercado, são vistos novos produtos 
cada vez mais eficazes e com partículas menores de pigmentos, oferecendo, assim, 
menos danos aos fios. Quando falamos em transformação da cor, você deve conhecer os 
componentes químicos de colorantes e descolorantes, pois os fatores de danos às hastes 
só são minimizados se utilizados de maneira consciente e responsável. 
Nas colorações ditas permanentes, há a combinação de um agente alcalino, 
normalmente amônio, e peróxido de hidrogênio, que servem tanto para clarear como 
depositar novos pigmentos no córtex ou nas cutículas das hastes. Em colorações 
temporárias, não são utilizados peróxidos para a fixação dos pigmentos, sendo, assim, 
menos agressivas, mas menos duradoura. 
Já no processo de descoloração dos fios, o intuito não é dar nova cor aos fios, 
mas, sim, remover pigmentos. Em formulações de clareamento, além do uso de 
peróxido de hidrogênio, pode existir a combinação de persulfatos para acelerar o 
processo de remoção de cor. O uso de água oxigenada auxilia os persulfatos durante o 
49 
 
processo de oxidação, dissolvendo grânulos de melanina, completa ou parcialmente, do 
córtex capilar. Nesse processo de reação, as eumelaninas são mais sensíveis, e as 
feomelaninas mais resistentes de remoção, fazendo com que sejam notados resquícios 
de pigmento nos fios, identificados como fundo de clareamento. 
Colorações: ação de formulações temporárias e tonalizantes 
semipermanentes 
Diante da crescente tendência de modificar a cor da haste de tempos em tempos, 
tem-se optado por utilizar produtos que não contenham permeação e fixação tão intensa 
nos fios, diminuindo os danos causados na hora da aplicação, bem como no momento 
da retirada desses pigmentos por processo de descoloração. Com isso, a procura por 
colorações chamadas de tonalizantes têm aumentado significativamente, principalmente 
pelo fato de servirem como base para amenizar fundos de clareamentos e realçar 
nuances na cor dos fios. 
As colorações ditas temporárias atuam sobre a superfície da fibra capilar e, em 
suas formulações, contêm ácidos de alto peso molecular ou tintas dispersas, os quais 
têm afinidade com os fios e alta solubilidade. Os pigmentos, por terem alto peso 
molecular e não sofrerem ação de oxidantes, possibilitam o processo de fixação no 
córtex, são eliminados em poucas lavagens e normalmente vêm prontos para aplicação 
(DRAELOS, 2012). 
Os tonalizantes, as colorações tom sobre tom ou os semipermanentes atuam na 
superfície dos pigmentos e têm moléculas de tamanho intermediário — uma pequena 
parte dos materiais tem tamanho molecular suficientemente pequena para penetrar no 
cabelo, com características não iônicas —, não sendo aderidas internamente nos fios, 
pois estes têm alta carga negativa. São utilizados com reveladores específicos de baixa 
volumagem, contendo ou não peróxidos, que possibilitam a cobertura por transparência 
dos fios brancos, apenas para uso de camuflagem. 
Essas formulações contêm uma determinada absorção nas cutículas, por 
permitirem a abertura das mesmas, tornando os fios mais porosos e rígidos. O tempo de 
durabilidade é menor que o de uma coloração permanente e é muito utilizado em 
processos de neutralização e ênfase de nuances após o uso de descolorantes, atribuindo 
cor novamente aos fios, a fim de tornar o trabalho do profissional mais harmonioso. 
50 
 
Quando os tonalizantes são misturados com reveladores de cores sem peróxido, 
podem ser utilizados em cabelos que passaram por processos de alisamento, pois eles 
são mais seguros e se tornam menos invasivos e com risco menor de ocorrem quebras 
nas hastes. Todavia, não se deve deixar de realizar o teste de mecha para verificar a 
resistência do fio. 
Colorações permanentes 
Há cerca de um século, surgiam as primeiras colorações de cabelo à base de 
pigmentos extraídos da natureza, os quais passaram por processos de aprimoramentos 
ao longo dos anos, surgindo novas tecnologias e métodos que reinventaram o processo 
de pigmentação das hastes. Muitos corantes sintéticos foram surgindo e formando as 
cartelas numerosas de nuances que você observa na hora de escolher a mudança mais 
procurada das mulheres em salões de beleza. O crescimento da tecnologia foi 
extremamente necessário, principalmente para a evolução no processo de fixação de 
pigmentos no córtex e permeação através das cutículas. 
As colorações permanentes ou de oxidação são as mais utilizadas em 
procedimentos domésticos ou de salão de beleza, pois apresentam maior resistência de 
fixação dos pigmentos em fatores externos, como secadores de cabelos e indutores de 
calor, radiação do sol, lavagens e procedimentos, como alisamentos e hidratações. A 
mudança de tonalidade com esse tipo de procedimento é efetiva de qualquer cor, tanto 
de cabelos já coloridos para mais escuros quanto de cabelos naturais para tonalidades 
mais claras e cobertura de até 100% dos fios brancos. 
O processo de formação de cor ocorre por sobreposição de duas cores: a dada 
pelos pigmentos derivados da melanina natural ou os depositados por processos de 
colorações anteriores nas hastes, a qual será a base de cor dos fios que deve ser levada 
em consideração no momento da transformação, pois é com eles que agirão os 
pigmentos secundários que estão contidos nas formulações das colorações. Quando há 
presença de fios brancos, devemos levar em consideração que ali não existe cor, o que 
tende a ter uma fixação mais pura da cor sintética. 
As colorações por oxidação têm mecanismo de ação bem específico, pois são 
formadas por substâncias intermediárias ou precursoras de cor e acopladores. A maioria 
51 
 
dos produtos utiliza amônia para promover a tumefação e abertura das cutículas, com o 
intuito de facilitar o processode absorção dos corantes e do peróxido de hidrogênio 
(OX). Algumas novas tecnologias já se utilizam de ativos, como a anilina, que não são 
tão irritantes, para substituição da amônia. Porém, tendem a ter uma menor durabilidade 
e menos opções de cores em cartela. 
Para que haja a reação do pigmento com os fios, o pH é alterado para um meio 
mais alcalino, fazendo com que as escamas das cutículas se abram, e as pequenas 
partículas de cor interajam com o córtex. Para você obter o efeito desejado da coloração, 
é necessário o uso do peróxido, disponível no mercado com porcentagens diferentes, 
que vão das volumagens mais baixas ao 40. Isso significa que, por exemplo, em uma 
OX de 20 volumes, cada de litro de peróxido, numa concentração de 6%, é capaz de 
liberar 20 litros de oxigênio. 
Sempre que são realizados procedimentos que envolvem o couro cabeludo, 
devemos levar em consideração que ele apresenta aquecimento natural, diferentemente 
das hastes que são consideradas ―células mortas‖ e não sofrem aceleração química. 
Indica-se a aplicação da mistura de coloração mais oxidante próxima do couro 
cabeludo, após ser feita ao longo das hastes. 
É importante ressaltar que a cor obtida no processo de coloração não será a 
mesma reproduzida nos catálogos. Deve-se levar em consideração a cor natural ou 
sintética dos fios, as químicas utilizadas anteriormente, como alisamentos e 
permanentes, o tamanho das moléculas utilizadas em colorações anteriores e um fator 
determinante: os fundos de clareamento revelados nos processos de modificação de cor. 
Assim como todo procedimento químico, é necessário realizar o teste de 
sensibilidade, para prevenir de qualquer possível alergia ou, até mesmo, de reação com 
as possíveis químicas contidas nos fios. Esse processo é realizado em uma mecha na 
parte de trás dos cabelos ou em alguma parte do corpo, caso os fios sejam naturais, e 
deve-se analisar fatores como ardência, irritabilidade e vermelhidão. Se o cliente não 
demonstrar nenhuma reação, o procedimento pode seguir em frente após apresentar as 
tonalidades reveladas no teste de mecha. 
 
52 
 
Pré-pigmentação e pigmentação 
Tinturas são amplamente utilizadas por indivíduos que buscam alterar a cor 
natural dos cabelos, evitar o aparecimento de cabelos brancos decorrentes do processo 
de envelhecimento e ainda experimentar novas cores de acordo com tendências da 
moda. As tinturas podem ser classificadas em permanentes oxidativas, temporárias ou 
semipermanentes, de acordo com o tempo que permanecem no cabelo e a maneira pela 
qual promovem a coloração. Além disso, também pode ser aplicada a técnica de pré-
pigmentação, que é uma técnica utilizada como pré- tratamento de coloração. 
Neste capítulo, você vai estudar as técnicas de tintura, entendendo suas 
definições, indicações, vantagens e, principalmente, o mecanismo de ação através do 
qual elas promovem os efeitos desejados. 
Pré-pigmentação e cuidados capilares 
Processo de coloração 
O uso de tinturas, as chamadas colorações, é significativo em dias atuais, 
considerando a importância que o cabelo possui na aparência humana e a 
disponibilidade de colorações e técnicas cada vez mais seguras e efetivas. As tinturas 
são utilizadas como agentes transformadores, para mudar as cores naturais dos cabelos e 
com a finalidade de mascarar os sinais de envelhecimento, como o aparecimento de 
cabelos brancos (MILIAUSKAS, 2017). 
Para entender todas as técnicas de tinturas disponíveis, é importante saber como 
a coloração age no fio de cabelo, de maneira geral. Naturalmente, a coloração do fio é 
determinada pelos grânulos de pigmentos existentes na haste, mas especificamente na 
camada intermediária, chamada de córtex. Esses pigmentos são formados pelos 
melanócitos, células que se encontram no interior do bulbo capilar (HALAL, 2011). 
Nos processos de coloração artificial, toda a coloração, seja ela pré-pigmentação, 
permanente oxidativa, temporária ou semipermanente, age na haste capilar de maneira a 
alterar a cor existente no fio de cabelo. Ela atua inicialmente na camada mais externa da 
haste capilar, chamada de cutícula, abrindo esta camada para as moléculas de pigmentos 
agirem. Dependendo o tipo de tintura, elas terão influências em regiões específicas da 
53 
 
haste capilar, sendo que se diferenciarão entre si pela intensidade, durabilidade e tipo de 
modificação na haste capilar. 
Dentre as pinturas ou coloração existentes, podemos citar as tinturas vegetais, as 
metálicas, as compostas e as sintéticas. As sintéticas são as mais utilizadas pela 
facilidade de aplicação, segurança, resultados imediatos, por possuírem baixa toxicidade 
e pela variedade de cores. Com as tinturas sintéticas é possível aplicar as técnicas de 
tinturas permanentes oxidativas, semipermanentes e as temporárias (MILIAUSKAS, 
2017). 
A primeira delas é utilizada para clarear ou escurecer a haste capilar de maneira 
bastante efetiva e duradoura, sendo que o processo de tintura permanente pode ocorrer 
mediante mecanismo de oxidação. As tinturas semipermanentes, também popularmente 
chamadas de tonalizantes, objetivam neutralizar reflexos indesejados, pois cobrem de 
maneira discreta os fios brancos e também podem ser utilizadas para realçar a cor e 
brilho do cabelo. E a última delas, as temporárias, caracterizam-se por agir muito 
superficialmente e com resultados não duradouros, um exemplo desse tipo de tintura é o 
uso de xampus destinados a alterar levemente os reflexos dos cabelos (TIPOS de 
coloração..., 2013). 
Técnica de pré-pigmentação 
A pré-pigmentação é uma técnica que objetiva devolver os pigmentos retirados 
do cabelo, ou seja, escurecer os cabelos. A retirada de pigmentos pode ser decorrente do 
processo de descoloração ou, ainda, decorrente da falta de pigmentos nos cabelos 
brancos. O objetivo é obter um resultado final com uma cor uniforme, indicado quando 
há uma porcentagem grande de cabelos brancos, considerando que os cabelos brancos 
possuem mais dificuldade de fixação de pigmento. Pode ainda ser utilizada em situações 
que tenham por finalidade pré-colorir o cabelo, funcionando como uma preparação com 
aplicação de uma coloração prévia para o cabelo receber a coloração definitiva. Essa 
técnica possibilita um resultado satisfatório, uma vez que garante uma cor uniforme e 
mais duradoura. Quanto à sua utilização, exige sempre a aplicação de uma coloração 
pura e de um tom mais claro em relação à coloração que será aplicada posteriormente e 
sem fazer uso de produto oxidante, apenas água. O Quadro 1 apresenta quais as cores 
que devem ser aplicadas na pré-pigmentação, garantindo cores duradouras, sem 
54 
 
manchas e tons indesejados (ROCHA, 2016; TERRIBILE, 2013). 
 
Essa técnica é muito importante para bons resultados, pois o cabelo descolorido 
e com falta de pigmento, encontra-se normalmente danificado e não consegue absorver 
adequadamente a tintura definitiva, pois a estrutura dos fios repele a cor da tintura ou 
não a absorve de maneira uniforme, acarretando manchas e o desbotamento fácil. Se o 
cabelo que está sem pigmentos receber a coloração definitiva, possivelmente os fios 
continuarão danificados e claros, ao contrário do que ocorre quando a pré-pigmentação 
é realizada. É indicada também para pré-tratamentos de colorações permanentes 
oxidativas, pois são as colorações que mais exigem mudanças nas cores. A pré-
pigmentação possui uma grande aplicação na área da colorimetria (ROCHA, 2016; 
TERRIBILE, 2013). Por exemplo, em um cliente que tem o cabelo loiro e deseja ficar 
moreno, a técnica de pré-pigmentação é uma boa solução para garantir a cor desejada. A 
seguir você confere um exemplo de pré-pigmentação, onde um cabelo naturalmente 
loiro claríssimo é transformado em castanho-claro, ou seja, escurecido. 
55 
 
Cuidados com o cabelo antes da pré-pigmentação 
Para garantir os efeitos desejados na pré-pigmentação,alguns cuidados devem 
fazer parte do procedimento (PIRES et al., 2018). A pré-pigmentação, mesmo não 
fazendo uso de produtos muito agressivos, demanda alguns cuidados. Nesse 
procedimento capilar, ocorre a inserção de pigmentos de natureza artificial, de modo a 
colorir o cabelo, logo, trata-se de um processo químico. Portanto, os cabelos precisam 
estar preparados para receber a técnica, evitando assim efeitos negativos. 
Dentre as recomendações importantes, o cliente deve evitar realizar outros 
procedimentos químicos antes da pré-pigmentação, como alisamentos e permanentes, 
por um período mínimo de 30 dias. Nos clientes que realizam tratamentos químicos 
prévios, é possível visualizar fios em sua maioria muito porosos e sem resistência, o que 
é um grande desafio à técnica de escure cimento. Isto é causado pela maior abertura das 
cutículas, ou até a falta de algumas delas, o que facilita o desbotamento pós-química, 
além do que a perda associada de nutrientes e constituintes da fibra capilar dificulta a 
penetração e fixação do pigmento. 
Como essa técnica é aplicada em cabelos que já foram despigmentados 
anteriormente, é esperado que se encontrem bastante danificados pela ação dos agentes 
descolorantes. Uma solução é indicar ao cliente uma hidratação profunda pré-
tratamento, de modo a fortalecer o cabelo para os tratamentos futuros. O número e a 
intensidade das hidratações dependerão da condição em que se encontra o cabelo. Além 
de hidratados e sem química recente, é importante que o cabelo esteja o mais limpo 
possível para a aplicação da técnica de pré-pigmentação. Para tanto, é necessária uma 
lavagem com xampu antirresíduos e condicionador, fazendo uso de água fria ou morna. 
Os cabelos devem ser secos com uso de uma toalha, apenas para retirar o excesso de 
água. A presença de resíduos no cabelo como sujidade, cosméticos e poluição, reduzem 
a qualidade do procedimento. 
A escolha de produtos deve ser feita com cautela, optando sempre por produtos 
de boa qualidade, destinados especificamente a cada tipo de cabelo e, ainda, que 
possuam registro junto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), garantindo 
assim produtos testados e seguros. 
Além do registro na Anvisa, os produtos utilizados devem estar com validade 
56 
 
dentro do prazo estipulado e seguir todos os cuidados de armazenamento descritos pelo 
fabricante. Em algumas situações, principalmente naquelas em que o crescimento do 
cabelo é rápido, será necessário realizar retoques de pré-pigmentação na raiz do cabelo, 
sendo indicado o uso de pigmento igual ao utilizado na primeira aplicação. 
Existe ainda um cuidado especial com os cabelos brancos ou grisalhos, pois 
estes oferecem maior resistência à absorção da coloração ou tintura, pois perderam 
completamente a pigmentação natural e precisam ser pigmentados em etapas para 
garantir o resultado esperado. Principalmente nesses casos, orienta-se fazer a pré-
pigmentação com cores quentes como, por exemplo, tons de vermelho, acobreado e 
dourado. Dessa maneira, cria-se a possibilidade de gerar cores escuras em cima de 
nuances claras. Após a aplicação de pigmentos quentes, o profissional pode dar 
continuidade ao tratamento com cores mais fortes, escurecendo os cabelos de maneira 
gradual até atingir a tonalidade esperada pelo cliente. Esse cuidado evita, por exemplo, 
que a coloração seja aplicada de uma única vez e cause manchas e pouca absorção. 
Outro cuidado especial refere-se aos cabelos com mechas. Muitos clientes não 
gostam dos resultados das mechas e após um período querem retirá-las. Nesse caso, 
assim como os cabelos grisalhos ou brancos, a pré-pigmentação deve ser feita em 
etapas, onde os pigmentos serão aplicados mais de uma vez. Além disso, dependendo a 
cor das mechas, será necessário aplicar mais de uma tonalidade de pigmento. Um 
exemplo disso seria aplicar um tom quente em cima das mechas (vermelho, por 
exemplo) e após um tom mais escuro e frio no restante do cabelo até que seja possível 
igualar e deixar os fios com uma cor uniforme. 
Tinturas permanentes oxidativas 
As tinturas permanentes podem ser classificadas em graduais ou oxidativas. As 
tinturas permanentes oxidativas se caracterizam por resistirem à lavagem com produtos 
cosméticos como xampus, condicionadores e outros fatores externos sem perder com 
facilidade a cor. É a técnica de tintura mais utilizada, chegando a representar de 70 a 
80% das colorações realizadas. Quanto à aplicação, ela é considerada rápida e seu efeito 
é permanente. Entretanto, com o processo de crescimento da haste capilar, é necessária 
a reaplicação da técnica nas regiões de crescimento, no caso a raiz capilar. Esse 
processo, em média, necessita ser repetido a cada 30 dias, mas pode variar de acordo 
57 
 
com o crescimento do cabelo (MILIAUSKAS, 2017). 
Mecanismo de ação de tinturas permanentes oxidativas 
Conforme Bailer, Dognini, Moser (2009), Gama (2010), Miliauskas (2017) e 
Terribile (2013), a tintura permanente oxidativa possui moléculas de tamanho pequeno, 
que ao penetrarem na haste capilar agem na camada intermediária, o córtex. Essas 
moléculas da tintura permanente não são coloridas, mas ao atingir o córtex sofrem um 
processo químico, chamado de oxidação, e o resultado desse processo é a formação de 
moléculas grandes e coloridas que permanecem no córtex dando cor ao cabelo. Seu 
efeito é considerado permanente porque ao se formar no córtex, essas moléculas não 
podem difundir-se através da cutícula durante os processos de lavagem do cabelo. Para 
gerar o processo de oxidação, faz-se necessária a atuação de três substâncias químicas, 
que juntas induzem o processo de oxidação no córtex capilar. A primeira delas é 
chamada de bases ou intermediários e acopladores ou modificadores, a segunda 
substância é o agente oxidante e a terceira é o agente alcalinizante. 
Em sua maioria, as bases ou intermediários são compostos aromáticos, são 
exemplos dessas substâncias: p-fenilenodiamina, p-aminofenol, o-fenilenodiamina e o 
o-aminofenol. Os agentes acopladores ou modificadores também são compostos 
aromáticos quase que exclusivamente derivados do benzeno. As bases ou intermediários 
ligam-se aos agentes acopladores ou modificadores durante o processo de oxidação e 
produzem a cor desejada. 
Como agente oxidante faz uso do peróxido de hidrogênio (H2 O2 ). Este 
composto age de modo a oxidar os corantes, dessa maneira, o processo de tintura 
permanente inclui sempre a descoloração pela ação dessa substância. É esta ação que 
permite que a tintura permanente seja a única a permitir o clareamento da cor natural do 
cabelo. 
Como agente alcalinizante faz uso do hidróxido de amônia. Sua ação no 
processo diz respeito à criação de um ambiente alcalino, com pH entre 8 e 10, isso 
permite que as cutículas do cabelo se abram de modo que as moléculas de corantes 
possam adentrar na haste capilar até chegarem ao córtex. Portanto, o pH adequado é 
muito importante para uma perfeita intensidade da cor. 
58 
 
Dessa maneira, para que ocorra o efeito desejado, é necessária a presença 
obrigatória dessas três substâncias. A Figura 1 traz esse processo, representado pela 
haste capilar, presença dos pigmentos fora da haste e abertura das cutículas. Quando em 
condições alcalinas os precursores representados por A reagem à presença dos 
acopladores, representados por B, criando uma molécula maior que irá tingir o cabelo. 
 
Na sequência, a Figura 2 mostra o processo de tintura permanente oxidativa, 
onde é possível visualizar os pigmentos formados pelo processo de oxidação dentro do 
córtex capilar. 
 
Composição 
Além desses três compostos essenciais, as tinturas permanentes oxidativas 
podem apresentar outros compostos que atuam de maneira secundária na haste capilar, 
são eles: substâncias antioxidantes, surfactantes, solventes, agentes espessantes, agentes 
quelantes, além de substâncias condicionadoras,alguma fragrância e água com efeitos 
59 
 
diversos. 
Os antioxidantes são empregados nas tinturas permanentes para proteger o produto 
da oxidação, pois são formulações muito sensíveis e ao ficarem expostos ao ar podem 
perder efetividade. Os agentes espessantes atuam de modo a aumentar a viscosidade das 
substâncias líquidas sem alterar sua formulação. Os solventes atuam na solubilidade de 
corantes, os quelantes evitam a presença de traços de algum metal pesado que possa 
causar toxicidade, os condicionadores atuam na redução do ressecamento do fio durante 
o processo de tintura. Pode-se ainda fazer uso de fragrâncias para reduzir o odor 
desagradável desse processo de tintura. 
Forma de apresentação 
As tinturas permanentes são encontradas em diferentes formas de apresentação, 
de acordo com o fabricante, podendo ser: líquida, creme, pó, gel ou xampu. Sendo que a 
forma mais utilizada ainda é o creme. 
Precauções no uso de tinturas permanentes 
Os principais corantes utilizados nas tinturas permanentes como, p-fenileno e 
ptoluenodiamina, possuem uma capacidade de sensibilização alta, podendo causar 
dermatites de contato. Como medida de precaução, é importante que o profissional de 
colorimetria realize o teste de contato prévio à aplicação, evitando assim uma reação 
alérgica. 
Indicações das tinturas permanentes 
As indicações do uso de tinturas permanentes são para coloração de cabelos 
brancos ou grisalhos e também para clareamento ou escurecimento da cor natural dos 
fios. É a técnica mais indicada para quem objetiva cobrir 100% dos fios brancos ou 
passar por mudanças de coloração mais radicais, mudando intensamente de tonalidade. 
Vantagens e desvantagens do uso 
As vantagens do uso desse tipo de tintura são: grande variedade de tons naturais, 
a facilidade na aplicação, não causa alterações na estrutura molecular de queratina, gera 
60 
 
a formação de cores com aspectos naturais. E as desvantagens são: o cheiro forte 
durante a aplicação, o risco de alergias e o uso de um meio alcalino para a coloração, 
que torna essa técnica mais agressiva aos fios do cabelo (MILIAUSKAS, 2017). Além 
disso, por gerar o processo de oxidação, essa técnica deve ser utilizada com cautela em 
clientes que já possuam muitas químicas no cabelo, uma vez que acumulam mais danos 
à haste capilar. 
Tinturas temporárias e mecanismo de ação 
As tinturas temporárias são empregadas com o objetivo de promover efeitos 
especiais nos cabelos, como adicionar reflexos, remover tons amarelados de cabelos 
grisalhos e também com o objetivo de cobrir estes de maneira temporária e quando a 
quantidade de fios grisalhos não ultrapassar 15%. Além disso, pode ser empregada de 
modo a modificar a cor alaranjada dos cabelos após os processos de descoloração. Sua 
principal caraterística é que é facilmente removida da haste capilar. Normalmente na 
primeira lavagem a tintura temporária já sai do cabelo (BAILER; DOGNINI; MOSER, 
2009; GAMA, 2010; MILIAUSKAS, 2017; TERRIBILE, 2013). 
Mecanismo de ação 
As moléculas dos compostos utilizados nas tinturas temporárias possuem alto 
peso molecular, por isso, não são capazes de atravessar a camada das cutículas do 
cabelo em condições normais. Portanto, ao ser aplicada sobre o fio de cabelo, esses 
compostos depositam-se na superfície do fio, sendo geralmente removidos na primeira 
lavagem. Dessa maneira, seu mecanismo de ação se dá na cutícula do cabelo, apenas 
pela deposição de corante sobre a haste capilar, como mostrado na Figura 3. 
61 
 
 
Além da utilização de corantes, a tintura temporária faz uso de resinas de 
copolímero filmógenos, que possuem a função de aumentar a aderência do corante na 
haste capilar, de modo que a tintura final seja resistente e fique aderida ao fio evitando 
que manche as roupas e os locais de contato, mas ao mesmo tempo garantindo uma 
aderência relativa, para que os corantes possam ser removidos com o uso de xampu 
(TERRIBILE, 2013). Nesse tipo de aplicação, o cabelo não é lavado após o término do 
procedimento, apenas é submetido à lavagem quando o cliente objetivar retirar a 
coloração. Na sequência, a Figura 4 representa como os corantes permanecem na 
superfície da haste capilar, não penetrando nas camadas mais internas, como o córtex e 
a medula. 
 
62 
 
Esse é o principal mecanismo de ação das tinturas temporárias. Há uma outra 
maneira de ação em tinturas temporárias que é aplicada através do método de rinsagem. 
Nesse caso, se faz uso, além do corante, de um produto condicionador e é indicado para 
situações de cabelos com haste muito porosas, neutralizando reflexos indesejados, 
principalmente após a realização de mechas. No processo de tintura temporária por 
rinsagem, as moléculas de corante e condicionador unidas se depositam entre a cutícula 
e o córtex, uma vez que com o aumento exagerado da porosidade as cutículas se 
encontram mais abertas, facilitando a entrada do produto. Sua ação também é 
temporária, mas costuma durar mais do que uma lavagem, diferenciando-se do 
mecanismo de ação mais comum com a aplicação única do corante (BAILER; 
DOGNINI; MOSER, 2009). 
Indicações das tinturas temporárias 
São indicadas para: corrigir ou melhorar o aspecto de uma coloração permanente 
realizada anteriormente; eliminar ou atenuar o tom amarelado dos cabelos brancos, 
proporcionando cabelos grisalhos com aspecto mais límpido; reduzir a descoloração 
excessiva depois de tons de vermelho ou amarelo; permitir maior brilho e reflexo a um 
cabelo opaco ou desbotado. 
Vantagem e desvantagem 
Dentre a principal vantagem está a aplicação rápida, segura e sem muitos 
processos químicos. Entretanto, a principal desvantagem nesse tipo de tintura é a 
remoção muito fácil dos corantes, de modo que a pouca umectação dos cabelos, em 
condições de chuva leve, por exemplo, pode remover o pigmento. 
Apresentação e formulação 
Segundo Gama (2010), apresentam-se normalmente na forma de gel, creme 
fluido, spray ou mousses. São feitos a partir de corantes diretos, podendo fazer uso de 
corantes básicos, ácidos e os pertencentes às antraquinonas, trifenilmetanos, 
fenazínicos, garantindo a coloração dos fios. Os produtos da coloração temporária estão 
prontos para a aplicação, e não possuem em sua formulação hidróxido de amônio ou 
peróxido de hidrogênio, como nas tinturas permanentes. Exemplo: xampus tonalizantes. 
63 
 
Precauções 
Como não faz uso de substâncias muitos agressivas, o risco de lesões de pele por 
dermatite de contato é muito pequeno. Mas ainda podem ocorrer processos alérgicos ao 
corante utilizado. 
Tinturas semipermanentes e mecanismo de ação 
As tinturas semipermanentes são formadas por substâncias sintéticas derivadas 
do petróleo. Se caracterizam por possuírem de baixo a médio peso molecular, possuindo 
natureza ácida ou catiônica, associada ou não a derivados de substâncias como 
nitroanilinas, nitrofenilenediamidas e nitroaminofenois. As tinturas semipermanentes 
são também chamadas de tonalizantes. Seu uso pode ser feito pelo cliente no ambiente 
domiciliar, com o objetivo de realçar uma cor, modificar uma cor existente ou até 
mesmo cobrir cabelos grisalhos. Sua principal característica é que resistem a várias 
lavagens, em média de 20. Quanto a sua fixação, ela é menor quando comparada às 
tinturas permanentes. 
Mecanismo de ação 
Suas moléculas, por possuírem de baixo a médio peso molecular, conseguem 
penetrar na cutícula e adentrar na camada mais periférica do córtex. Dessa maneira, a 
coloração pode resistir de 10 a 20 lavagens em média. Entretanto, como esse processo 
não ocorre dentro do córtex, as cutículas permanecem abertas e o pigmentos ou corantes 
vão saindo pelas aberturas à medida que o cabelo é lavado. A Figura 5 exemplifica esse 
mecanismo de ação das tinturas semipermanentes. 
64 
 
 
É possível visualizar na Figura 5 que a molécula de pigmento, nesse tipo de 
coloração, apresenta um tamanhomédio, logo consegue adentrar na haste capilar, 
atravessando a cutícula e permanecendo depositada no córtex. Entretanto, é possível ver 
na segunda parte da figura a cutícula aberta de modo que essa molécula de pigmento 
pode sair livremente, conforme forem realizadas as lavagens no cabelo. Esses corantes 
possuem uma afinidade com a queratina do cabelo, por isso não são eliminados 
facilmente, e são chamados de colorações semipermanentes. A Figura 6 mostra como 
ficam depositadas as moléculas de corante na haste capilar nos processos de tintura 
semipermanente. 
 
Indicação 
São muito utilizadas para disfarçar os primeiros fios brancos, indicadas para 
65 
 
situações onde há presença de cabelos brancos em até 50% dos fios. Indicada também 
para cabelos grisalhos, com intuito de retirar o aspecto amarelado que surge ao longo do 
tempo. 
Formulação e apresentação 
A formulação nas tinturas semipermanentes se faz através da tintura a ser 
utilizada associada a um veículo cosmético que pode ser um xampu, gel ou loção. Para 
gerar os efeitos, deve permanecer em contato com os fios de cabelo por 20 a 40 
minutos, e deve ser enxaguado para ser eliminado o excesso de tintura. O processo de 
tintura semipermanente não envolve nenhuma reação de oxidação, como ocorre na 
tintura permanente. Apenas faz uso de uma solução alcalina, de modo a alcançar um pH 
entre 6 e 8,5, permitindo assim uma abertura leve das cutículas para que as moléculas de 
corante possam adentrar na haste. 
O corante final utilizado nas tinturas semipermanentes faz uso de vários corantes 
unidos, de tamanhos e pesos moleculares diferentes. Isso permite que as moléculas de 
corantes maiores se depositem nas pontas dos cabelos, local onde as cutículas costumam 
estar mais abertas pelo processo de danificação natural. Em sua composição, é 
necessária a presença de corante, substância alcalina, solventes, surfactantes, fragrâncias 
e água. 
Os principais corantes utilizados na formulação de colorações semipermanentes 
são: nitrobenzênicos, nitrofenilenodiamina, nitroaminofenol, aminoantraquinona, dentre 
outros. Os primeiros deles possuem moléculas bastante pequenas e foram os primeiros a 
serem empregados nas tinturas semipermanentes e até hoje são os mais utilizados por 
apresentar bastante afinidade com a queratina dos fios, além de possuir um alto poder de 
coloração, formando só corantes nas cores amarela, laranja e vermelho. Os corantes 
derivados de naftênicos e antraquinônicos, apresentam moléculas de maior tamanho, 
sendo necessária a presença de de solventes para garantir a penetração. 
Os principais solventes encontrados nas soluções de tinturas semipermanentes 
são: álcool furfurílico, álcool benzílico, ciclo-hexanol, éteres de glicol, dentre outros, e 
quando combinados com os corantes aumentam a afinidade do corante pela queratina 
presente no fio. Além disso, os solventes aceleram a velocidade de absorção da tintura 
66 
 
durante a aplicação, permitindo diminuir a concentração do corante com melhores 
resultados de coloração. 
Quanto à apresentação, podem ser encontradas na forma de creme, xampu, 
aerossol, espuma, loção, spray ou gel. 
Vantagens e desvantagens 
A principal desvantagem da técnica da tintura semipermanente é que por 
proporcionar a abertura das cutículas de modo a otimizar a absorção das moléculas pelo 
córtex capilar, como consequência existe a diminuição da maciez e do brilho, 
decorrentes da maior porosidade capilar. Entretanto, é um método de tintura seguro, 
eficaz e com resultados a médio prazo. O Quadro 2 traz um breve resumo dos três tipos 
de tintura elencados neste capítulo, as tinturas permanentes oxidativas, as 
semipermanentes e as temporárias, de modo a permitir uma comparação breve entre as 
técnicas, melhorando o entendimento. 
 
 
67 
 
Luzes e mechas capilares 
O mercado da estética capilar é cada vez mais promissor, uma vez que oferece a 
possibilidade de transformações de cabelos que acompanham as tendências de cores da 
moda e as preferências pessoais. O público desse mercado é diversificado, incluindo os 
clientes clássicos que buscam tratamentos para valorizar a cor sem grandes mudanças 
ou os clientes modernos, que seguem as tendências da moda. Os serviços de mechas e 
luzes proporcionam beleza e luminosidade aos cabelos, através de processo de 
clareamento mediante o uso de produtos químicos específicos. 
Neste capítulo, você vai conhecer os princípios básicos para a realização de 
luzes e mechas capilares, incluindo as tendências existentes; entenderá os produtos 
cosméticos aplicados e conhecerá as técnicas empregadas pelos profissionais de estética 
capilar. Ter conhecimento desse processo é uma garantia de resultados que satisfaçam o 
desejo dos clientes. 
Tendências em luzes e mechas 
De acordo com Ayres (2015), Marques (2018), Medeiros (2014) e Ribeiro 
(2014), as luzes e mechas são uma boa opção para quando o cliente busca uma mudança 
de visual, mas não de maneira acentuada. Desta maneira, ele pode optar por luzes e 
mechas ou invés de realizar uma total descaracterização com mudança geral da 
coloração capilar. Por isso, opta-se pela descoloração de apenas alguns fios. As luzes e 
mechas são alguns dos vários estilos de descoloração. 
O processo de descoloração visa alterar os pigmentos naturais dos fios de cabelo. 
Neste processo, os pigmentos de melanina presentes no córtex sofrem uma reação 
química de oxidação, deixando os cabelos mais claros, preparando- -os para receber 
uma coloração de tonalidade mais clara posteriormente. 
A escolha do tipo de mechas ou luzes capilares deve levar em consideração 
alguns aspectos, dentre eles: o tom da pele do cliente, a cor natural dos fios de cabelo, a 
rotina de cuidados com os fios, estilo do cliente, além dos tipos de luzes e mechas 
disponíveis no mercado, que seguem tendências da moda. 
Quanto às luzes, são definidas como mechas bem definidas, realizadas em pouca 
68 
 
quantidade de fios e até três tons abaixo do natural, para dar luminosidade ao cabelo, 
além de clareá-los. Sua principal caraterística é a sutileza, sendo que são finas e 
realizadas em uma parte dos fios. 
As mechas podem ser feitas em várias espessuras ou em diversas regiões do 
cabelo. Outra característica das mechas é que elas podem ser criadas de qualquer cor, 
como o caramelo e o vermelho, e não apenas com intuito de clareamento dos fios com 
as tonalidades loiras. 
A seguir são listados alguns dos tipos de mechas e luzes que atualmente são 
consideradas as mais utilizadas pelos clientes. 
Ombré hair 
Estilo de origem francesa, também chamado de cabelo sombreado (Figura 1). É 
realizado um dégradé que tem um início suave na região da raiz do cabelo ou logo 
abaixo dela, a fim de mantê-la próxima da cor natural e, dependendo do comprimento, 
intensifica-se a partir da região das orelhas ou dos ombros, até chegar às pontas dos fios. 
Sua principal característica é a sutileza, uma vez que é difícil saber onde começam as 
luzes no cabelo. Seu início, seja ele próximo à raiz ou logo abaixo, inicia numa 
tonalidade de cor próxima à cor natural dos fios. Apresenta como vantagem a não 
necessidade de muitos retoques, sendo indicado o retoque apenas quando atingirem a 
altura mais próxima dos ombros. Sua principal indicação é para cabelos de 
comprimento mais longo e cortados em camadas. 
 
69 
 
Californianas 
Chamado de sun kisses, refere-se a um estilo inspirado na aparência das surfistas 
da Califórnia, nos Estados Unidos, que passavam parafina nas pontas dos fios de cabelo 
para deixá-las com tonalidade mais clara. Na versão utilizada atualmente, o clareamento 
atinge também o comprimento da haste capilar. 
As luzes californianas são semelhantes à ombré hair, a diferença é que nas 
californianas a linha em que o cabelo começa a ser clareado não tem uma delimitação. 
Podem ser aplicadas em qualquer altura do cabelo,de acordo com as preferências do 
cliente. Além disso, a tonalidade utilizada pode ser destacada do restante do cabelo, 
tornando-se uma técnica menos sutil do que a ombré hair. Por não ter uma altura 
demarcada com precisão, as californianas são indicadas para cabelos de comprimento 
longo, mas também nos cabelos de cortes médios. 
Sombre hair 
O nome da técnica é semelhante à ombré hair e suas características também. A 
sombre hair se caracteriza por um clareamento dos cabelos a partir de certo ponto, mas 
se diferencia da ombré hair, porque este estilo é mais sutil ainda. A graduação de 
tonalidade é normalmente dois ou três tons mais claros do que o restante dos fios de 
cabelo, de modo que gere apenas maior luminosidade aos fios. Por ser um dos estilos 
que menos têm mudanças na tonalidade do cabelo, é indicado para todos os 
comprimentos de cabelo, além de poder ser aplicado em praticamente todos os cortes e 
tipos de cabelos também: dégradés, desfiados, assimétricos, lisos ou ondulados. Quanto 
aos cuidados, a hidratação deve ser intensificada visando reduzir os efeitos dos produtos 
químicos, mas sem outros cuidados especiais. 
Balaiagem 
Nesse estilo, as mechas são mais definidas, finas e espalhadas por todo o cabelo. 
Dando um ar ainda mais natural à cor dos cabelos. As mechas nesse estilo são realizadas 
em dois ou três tons, sendo que seu objetivo é a iluminação dos fios e a quebra da 
uniformidade da cor do cabelo. Normalmente, utilizam-se luzes no comprimento da 
haste capilar e nas pontas, mas ainda pode-se encontrar mechas próximas à raiz. Como 
essa técnica não possui tanta definição, não precisa ser sempre retocada, sendo indicado 
70 
 
o retoque em situações de desbotamento da cor ou quando as luzes se afastarem demais 
da raiz. Por não ser tão uniforme, ela é indicada para cabelos de quaisquer cortes ou 
comprimentos. É um processo indicado para quem deseja iniciar o clareamento dos fios, 
mas não quer uma mudança muito radical. 
Mechas marcadas 
Também chamadas de reflexo, essas mechas são semelhantes às luzes tradicionais, 
mas são mais largas e delimitadas nos cabelos. Quanto aos cuidados, esse estilo 
necessita de retoques mais frequentes, pois há um contraste maior da raiz com o restante 
dos fios. São indicadas para todo o tipo de cabelo, mas são mais aceitas por cabelos com 
cortes retos e sem presença de camadas. 
Texanas 
Esse estilo apresenta mechas no mesmo estilo de californiana e do ombré, mas 
seu início ocorre cinco dedos abaixo da raiz, dando um efeito de que os fios foram 
desbotados pelo sol. Nesse estilo, as poucas mechas são feitas na região superior da 
cabeça, com característica de serem finas, seguindo até as pontas, todas clareadas com 
tonalidades mais leves ou claras, podendo chegar à tonalidade de loiros claríssimos. 
Considerando que esse estilo atinge as pontas da haste capilar e podem ser utilizadas 
tonalidades bastante claras, é indicado o uso de reparador de pontas com regularidade. 
Esse estilo de mechas é indicado para cabelos de comprimento curto ou médio e possui 
maior afinidade com cortes assimétricos. 
Efeito tartaruga ou tortoiseshell hair 
Refere-se à técnica de casco de tartaruga, sendo que a técnica se espelha 
exatamente nesta característica. Nesse caso, utiliza-se dois a três tons, e as tonalidades 
utilizadas possuem a base castanha como tons de dourado, caramelo e mel. É também 
considerada uma técnica mais moderna do que balaiagem e o ombré hair. Como são 
utilizadas tonalidades em castanho, necessitam ser retocadas assim que ocorrer 
desbotamento. Esse estilo é indicado para cabelos longos e médios cortados em 
camadas, pois envolvem uma gama de colorações. 
71 
 
Dip-dye 
Esse estilo traz a sensação de que os fios de cabelo foram imersos na tintura, 
pois se caracteriza por mudar completamente a cor dos fios a partir de certa altura. É 
utilizado em clientes que objetivem deixar os fios de cabelo coloridos com diferentes 
tonalidades, como azul, rosa, verde, mas também pode ser indicado para clientes que 
queiram este efeito mas com tonalidades de escurecimento ou clareamento do cabelo. 
Esse estilo não busca a naturalidade e pode gerar resultados divertidos de acordo com a 
tonalidade escolhida pelo cliente. Além disso, envolve alguns cuidados mais intensivos 
nas escolhas de produtos capilares de uso diário, pois normalmente utiliza-se produtos 
especiais para conseguir as tonalidades desejadas. É indicado para cabelos de 
comprimento médio a longo e cortes assimétricos ou ainda em camadas. Cabelos com 
cortes mais retos e com ondulações também podem se beneficiar desse estilo. 
Os estilos e tendências de mechas e luzes devem ser indicados aos clientes 
levando em consideração alguns fatores, como: preferência do cliente, tonalidade dos 
fios e cor da pele. 
Sobre a indicação de acordo com a cor da pele, clientes de pele negra se 
beneficiam do estilo ombré hair ou estilo sombre hair, sendo que o primeiro é mais 
indicado para clientes mais ousados, enquanto o segundo mais indicado para clientes 
que buscam luzes e mechas mais clássicas. Quanto à cor, deve- -se evitar mechas de 
coloração cinza em pessoas morenas, pois o cinza não cria uma harmonia com esse tom 
de pele. Os clientes loiros são privilegiados quando se fala de mechas e luzes, podendo 
ser aplicados praticamente todos os estilos sem muitos riscos. 
Produtos utilizados na realização de luzes e mechas 
Basicamente, os produtos utilizados no processo de mechas e luzes capilares irão 
realizar a descoloração dos fios e os produtos utilizados posteriormente para colorir os 
fios, ou seja, dar a cor desejada, usarão tonalizantes. Esses processos podem ser 
chamados de descoloração e tonalização, respectivamente. 
Descoloração 
Conforme Dantas (2018), Jardim (2017), Lagune Cosmetics (2016) e Rocha 
72 
 
(2016) a descoloração capilar é o primeiro processo a ser realizado. É definida como um 
processo químico no qual ocorre a retirada dos pigmentos de melanina dos fios de 
cabelo por meio da associação de dois produtos: o agente alcalinizante e o agente 
oxidante. Esses produtos devem ser misturados previamente à aplicação até a completa 
mistura, tornando-a homogênea na forma de um creme que será aplicado nas regiões 
que serão clareadas, distribuindo a solução uniformemente. A quantidade de cada um 
dos produtos dependerá do volume, quantidade e comprimento do cabelo onde serão 
realizadas as mechas ou luzes. A mistura deverá ter concentrações de 1/1, ou seja, uma 
parte de agente alcalinizante para uma parte de agente oxidante ou ½, com uma porção 
de agente alcalinizante para duas de agente oxidante. 
Esses dois produtos possuem mecanismo de ação distintos e que unidos 
promovem a descoloração capilar. Quanto ao mecanismo de ação desses produtos: 
Agente oxidante: os produtos descolorantes são substâncias com características 
oxidantes que atuam através de uma reação de oxidação, que se refere ao processo no 
qual o oxigênio, contido no agente oxidante, reage com o pigmento que existe no fio de 
cabelo, removendo-o por meio de um processo químico que descaracteriza a cor natural 
do cabelo. Basicamente esses produtos irão agir sobre a melanina presente na camada 
média da haste capilar, chamada de córtex. Para tanto, a solução precisa penetrar na 
haste capilar e passar pela camada mais externa chamada de cutícula até adentrar no 
córtex, de modo a degradar a melanina, tendo como resultado esperado o clareamento 
do fio de cabelo. 
Sobre o agente oxidante, podem ser empregadas várias substâncias com função 
descolorante, mas a mais utilizada é a água oxigenada (H2 O2 ) em diferentes volumes, 
sendo encontrada no mercado na forma líquida ou cremosa. 
Para saber a concentração de água oxigenada utiliza-se o cálculo de volume, o 
qual indica o número de litros de oxigênio que podem ser desenvolvidos em condições 
normais. Para tanto, indica-se águaoxigenada de 10 volumes, que é a mais branda de 
todas e serve para quem vai tonalizar o cabelo ou reforçar a cor que está ficando 
desbotada. Utiliza-se a de 20 volumes para clareamento de um nível, 30 volumes para 
clarear dois níveis e 40 volumes para clarear de três a cinco níveis. Desta maneira, a 
água oxigenada pode garantir diferentes níveis de clareamento, que são: descoloração 
73 
 
forte, quando descolore de cinco a oito tons, descoloração média quando descolore de 
três a quatro tons e a descoloração fraca, quando descolore dois tons. 
A ação dos agentes descolorantes ainda vai depender da altura de tom dos fios, 
pois cabelos loiros são fáceis de descolorir, porque naturalmente possuem poucos 
pigmentos. Em contrapartida, os cabelos de coloração mais escura apresentam maior 
dificuldade porque apresentam mais pigmentos. 
Agente alcalinizante: refere-se ao produto também chamado de pó descolorante, 
é utilizado para clarear o cabelo em conjunto com o oxidante (água oxigenada), pois 
auxilia na retirada dos pigmentos dos fios de cabelo. Essa ação se dá através da abertura 
das cutículas, ou seja, permite um maior distanciamento das células da camada externa 
do fio de cabelo e auxilia na criação de um ambiente alcalino, aumentando o pH do 
cabelo, por isso é chamado de agente alcalinizante, de modo que o agente oxidante 
possa atuar nos pigmentos, degradando-os. 
Esses pós descolorantes podem ou não possuir em sua formulação a amônia, 
sendo que pós descolorantes com amônia são indicados para tratamentos globais, como: 
mechas com descolorações e mechas californianas, entretanto, os cabelos não devem ter 
químicas, pois agridem mais a fibra capilar. Para cabelos que já possuam algum 
tratamento químico, para reduzir os danos na haste capilar, são indicados pós 
descolorantes sem amônia. Basicamente, o pó descolorante possui duas funções básicas: 
abrir as cutículas de modo que o agente oxidante possa entrar e liberar o oxigênio 
contido nesse agente oxidante (descolorante). 
O tempo em que a solução clareadora permanecerá nos fios dos cabelos, 
dependerá de vários fatores: incluindo a cor natural dos fios e a cor desejada, e deverá 
ainda seguir as orientações dos fabricantes dos produtos. Mas, no geral, a solução não 
deve permanecer por tempo superior a 30 minutos. Após a aplicação da solução 
descolorante, é importante ficar atendo ao tempo e verificar a cada cinco minutos a 
tonalidade das luzes e mechas, até que elas cheguem na cor certa, ou até que alcance o 
fundo de clareamento desejado. 
O Quadro 1 traz fundos de clareamento que servem como regra para o 
profissional saber quanto tempo é preciso deixar a solução clareadora agindo no cabelo. 
Nele, você visualiza a altura de tom desejada pelo cliente e ao lado o fundo de 
74 
 
clareamento necessário. Por exemplo: se o cliente deseja mechas ou luzes na coloração 
louro-claro, o cabelo deverá ser descolorido até chegar a uma cor laranja-amarelo. 
 
Quanto ao uso da solução clareadora, formada pelo agente oxidante e pelo 
agente alcalinizante, alguns cuidados devem ser tomados, dentre eles: misturar os 
produtos em uma cubeta plástica, utilizar uma capa protetora no cliente, passar um 
creme nas orelhas e testa do cliente para evitar manchas, aplicar sempre em cabelos 
secos e sem lavar, utilizar luvas, realizar um teste de alergia aos produtos antes da 
aplicação, não aplicar a solução descolorante em cabelos que apresentem couro 
cabeludo irritado ou com feridas e não aplicar em sobrancelhas ou cílios (LAGUNE 
COSMETICS, 2016). Os produtos utilizados em luzes e mechas devem ainda estar 
devidamente registrados junto à Anvisa, bem armazenados e seguir as orientações do 
fabricante, para garantirem a segurança e não causar problemas. 
Além dos cuidados citados anteriormente, outras medidas são essenciais para um 
resultado adequado nas descolorações. Os cuidados a seguir consideram a anatomia e 
fisiologia da haste capilar. A raiz do cabelo descolore mais rapidamente em relação ao 
comprimento e pontas, e isso ocorre por conta da temperatura maior na região mais 
próxima à raiz. Isso é justificado porque a temperatura do corpo humano é de 37°C, e 
estando à raiz mais próxima do couro cabeludo se sente mais o calor nesta região. 
Portanto, a aplicação deve considerar essa informação, aplicando-se primeiramente nas 
pontas e haste. Há a necessidade de considerar que a parte posterior da cabeça, na 
maioria dos casos, possui densidade capilar maior, o que diminui a penetração dos 
agentes descolorantes. Portanto, a aplicação deve, na maioria dos casos, iniciar na parte 
75 
 
posterior da cabeça e após seguir em direção à anterior. 
Após a aplicação dos produtos descolorantes, é necessário retirá-los dos cabelos. 
Para tanto, usa-se o uso de xampu durante o processo de lavagem capilar. 
Xampu: após as mechas ou luzes chegarem na descoloração desejada, o cabelo 
deve ser lavado com água fria, com auxílio de um xampu para remover os produtos 
aplicados anteriormente nos fios de cabelo. Vale ressaltar que quando for realizar a 
lavagem do cabelo, após o processo de descoloração, o profissional deve estar atento a 
este procedimento, não deve ter pressa e deve certificar-se que o cabelo ficou bem 
limpo. Pois, quando se descolore o cabelo, por mais que se utilize produtos de boa 
qualidade, o cabelo perde muito de sua proteção natural, fica poroso com as cutículas 
abertas, e isso propicia que partículas de pó descolorante fiquem presas dentro do fio e 
possam agir posteriormente. 
Tonalização: este processo anterior, de descoloração com auxílio de agente 
oxidante e pó descolorante, objetiva descolorir os cabelos do cliente até a cor do fundo 
de clareamento do cabelo. Isso explica, por exemplo, porque ao descolorir os fios alguns 
cabelos ficam com diferentes tonalidades de vermelho ou amarelo. Por isso, após o 
procedimento de descoloração, é necessário realizar a aplicação de uma coloração de 
modo a atingir a cor desejada pelo cliente. 
Tonalizante: quando se descolore o cabelo, a fibra da haste capilar é 
despigmentada e, após este processo, é necessário personalizar a cor das mechas ou 
luzes. Esta personalização pode se dar com aplicação de um tonalizante. Esse processo 
tem uma importância grande, uma vez que resulta em cabelos mais amarelados ou 
avermelhados e nem sempre é o que o cliente espera. Com a tonalização, utiliza-se um 
produto para conseguir a cor desejada pelo cliente, e é feita de maneira rápida no 
lavatório, durando cerca de cinco minutos, sendo que o tempo varia de acordo com o 
fabricante. É possível chegar ao tom desejado pelo cliente de maneira rápida. Um 
exemplo de necessidade de tonalização é quando o cliente realiza a descoloração e a cor 
alcançada foi de mechas com fundo amarelo (douradas), mas o cliente desejava um 
resultado mais natural, com mechas na tonalidade bege. Logo, neste caso, a tonalização 
é necessária. 
Produtos para higiene dos fios e hidratação: após a coloração, seja com uso de 
76 
 
tonalizante ou tintura permanente, o cabelo deve ser lavado com xampu e condicionador 
específicos para cabelos recém coloridos, e de acordo com as características do cabelo 
do cliente (oleosos, secos, mistos, enrolados, lisos etc.). O passo seguinte é a secagem 
dos fios com secador, lembrando de fazer o uso de protetor térmico prévio à aplicação 
do secador, considerando que o cabelo encontra-se mais fragilizado em virtude da 
coloração. É importante realizar com regularidade a hidratação profunda dos fios, de 
acordo com as orientações do profissional e considerando a avaliação dos fios de cabelo 
do cliente. Além desses produtos cosméticos necessários para a realização de mechas e 
luzes, há a necessidade de outros materiais que irão auxiliar no procedimento: luvas, 
pincel, papel alumínio, plaquetes, cubetas e toalhas. Os produtos e materiais necessários 
para o procedimento de luzese mechas são: 
• água oxigenada — agente oxidante; 
• pó descolorante — agente alcalinizante; 
• tonalizante; 
 • papel alumínio ou touca; 
• pente; 
• plaquete; 
 • cubeta; 
 • pincel; 
 • luvas. 
Técnicas de aplicação de luzes e mechas 
Existem algumas técnicas para a realização de luzes e mechas consideradas mais 
clássicas e outras mais inovadoras. Isso é empregado também, no momento de divisão 
dos fios de cabelo que receberão o tratamento, existindo algumas técnicas com 
finalidades específicas, dependendo do tipo de mechas ou luzes que serão utilizadas e 
das preferências do profissional. 
Quanto à maneira de divisão, seleção e separação dos fios de cabelo, ela pode 
77 
 
ser feita através da técnica de desfiar, costurar, mechas em véu ou free hands (mãos 
livres). Essas técnicas propiciam ao profissional a organizar e tornar o trabalho mais 
exato. Quanto à aplicação, pode-se ainda fazer o uso da touca, do papel alumínio, e 
ainda uma aplicação com a plaquete. As técnicas que fazem uso do papel alumínio e 
touca são consideradas mais tradicionais e antigas quando comparadas à técnica de free 
hands e com uso das plaquetes (FERREIRA, c2015; MARQUES, 2018; PRINCIPAIS 
técnicas..., 2018). 
Técnica de desfiar, eriçar ou de empilhamento junto à raiz do cabelo 
Nesta técnica, conforme a Figura 2, o profissional deve fazer a separação de uma 
mecha fina de cabelo. Posterior à separação, deve-se utilizar um pente e deslizá-lo 
levemente das pontas em direção a raiz do cabelo, de modo que seja possível separar 
uma menor quantidade de fios para a aplicação da coloração. A principal característica 
desta técnica é a formação de mechas mais distantes da raiz e com efeito mais natural. 
O estilo das californianas pode fazer uso dessa técnica de aplicação. Nesse caso, 
o cabelo é desfiado com um pente fino, passando das pontas em direção ao 
comprimento dos fios, e o descolorante é aplicado apenas nos fios que ficarem presos 
entre os dedos do profissional. As luzes ombré hair também fazem uso dessa técnica. A 
separação e o ato de eriçar os fios com o pente fino das pontas em direção à raiz, reduz a 
área a ser descolorida, e só recebem o produto descolorante os fios de cabelo que 
permanecerem na mão do profissional. Essa técnica promove no estilo ombré hair o 
efeito de sutileza. 
 
78 
 
Mechas costuradas ou tricotadas 
O profissional deve separar uma parte de fios de cabelo, posterior a isso, deve 
utilizar o cabo de um pente e fazer movimentos de costura, de modo a separar fios e 
cabelo de maneira intercalada. Nesta técnica, como mostra a Figura 3, as mechas 
chegam bem próximas da raiz dos cabelos. 
 
Mechas em véu, transparência ou lâminas 
Nessa técnica, o produto é aplicado em toda a mecha de cabelo sem que sejam 
feitas separações de fios de maneira costurada ou desfiada como as anteriores, 
entretanto, para que garanta os resultados esperados, necessita de uma mecha realmente 
bastante fina, quase que transparente, para evitar assim uma marcação exagerada. 
Quanto à aplicação do produto, nessa técnica é utilizada a aplicação em diagonal, 
criando desenhos no cabelo, como, por exemplo, um desenho em forma de ―v‖. 
Free hands 
Como o próprio nome diz, essa técnica é chamada de mãos livres e se caracteriza 
pela aplicação do produto sobre os fios de cabelo à mão livre, sem utilização de papel 
alumínio, plaquetes ou outros equipamentos. O resultado encontrado é mais natural e 
com tom mais próximo da cor natural dos fios de cabelo, uma vez que não faz uso de 
79 
 
equipamentos que mantenham a temperatura capilar, o clareamento não é tão intenso, 
garantindo a naturalidade. O estilo balaiagem pode ser feito com a técnica free hands. 
Como na balaiagem, os fios ficam mais claros da região do meio para as pontas e os fios 
próximos à raiz permanecem naturais ou com um leve sombreado, assim é indicado o 
uso da mão livre. Além disso, a técnica de mãos livres pode ser empregada também na 
coloração estilo californiana. 
Mechas na touca 
É uma das técnicas de aplicação mais clássicas. Faz uso de uma touca feita de 
silicone e que possui pequenos furos em toda a sua extensão. O profissional deve 
colocar a touca no cliente e retirar através dos furos pequenas mechas de cabelos com 
uso de uma agulha de crochê, colorindo posteriormente as mechas de cabelo que foram 
retiradas pelos furos. As luzes podem ser realizadas com a técnica da touca, por 
exemplo. 
Esta técnica de aplicação permite que apenas os cabelos que foram retirados da 
touca sejam descoloridos ou tonalizados, de modo que ficam separados daqueles que 
devem ser preservados, logo, não há risco de manchar a raiz dos cabelos e os demais 
fios. É a técnica considerada mais segura, pois é pouco provável que ocorram erros 
decorrentes de manchas nas hastes capilares que não deveriam receber o descolorante. 
Uma característica dessa técnica é que ela não pode ser aplicada na nuca, pois a 
touca não alcança esta região. A região da nuca permanece com fios mais escuros e se o 
cliente optar por utilizar os cabelos presos eles ficarão mais evidentes. Além disso, 
como a retirada dos fios de cabelo da touca é um pouco desconfortável, não deve ser 
indicada para clientes que possuam muita sensibilidade no couro cabeludo. 
A touca deve permanecer na cabeça do cliente até o processo de lavagem, pois 
evita que haja contato do produto descolorante com os demais fios que não receberão o 
tratamento. Após a retirada do produto descolorante com a lavagem, a touca pode ser 
retirada. 
Mechas com uso de papel alumínio 
Considera-se uma técnica clássica de aplicação de mechas e luzes. Essa técnica 
80 
 
se caracteriza pela colocação de papel alumínio envolto na mecha de cabelo, 
previamente separada, de modo que ele acelere o processo de descoloração ou coloração 
da haste capilar. A colocação do papel alumínio aumenta a temperatura local e facilita a 
abertura das cutículas, de modo que os produtos ajam com mais velocidade. 
O resultado com esta técnica é bem variado, podendo ser empregada nas mechas 
ombré hair, californianas, mechas com diferentes características. Apresenta como 
vantagem, quando comparada à técnica da touca, a aplicação na região da nuca de modo 
que o resultado é mais uniforme e ideal para clientes que utilizam cabelos presos. Além 
disso, o resultado com o uso do papel alumínio é mais rápido, reduzindo o tempo de 
tratamento, uma vez que ele acelera o processo de descoloração capilar. 
Nessa técnica, o risco de manchar os fios é maior, uma vez que o papel alumínio 
pode abrir-se ou escorregar, provocando um vazamento do produto e, 
consequentemente, alterando o resultado esperado. Além disso, essa técnica exige a 
abertura do papel alumínio para checagem dos fios. 
Para retoques de luzes e mechas é melhor utilizar a técnica com papel alumínio, 
plaquetes ou mãos livres, pois a técnica de uso de touca não é a mais indicada, pois cada 
vez que for aplicada novas mechas de cabelo serão novamente descoloridas e não 
somente a raiz das descoloridas anteriormente. Dessa maneira, se o cliente fizer 
retoques frequentes, cada retoque representará maior descoloração e muitas vezes esse 
não é o objetivo. 
Mechas com uso de plaquetes 
Plaquete é um instrumento, como vemos na Figura 4, que pode ser usado para 
auxiliar no processo de luzes e mechas, pois serve de suporte para os fios que receberão 
os produtos cosméticos que atuarão na descoloração ou tintura. 
81 
 
 
Pode ser empregada associada com outras utilizações, como com o papel 
alumínio, de modo que a plaquete sirva de base para a mecha de cabelo envolta no papel 
alumínio, dando mais segurança para trabalhar. 
Existem disponíveis na área de estética capilar várias técnicas destinadas à 
realização de luzes e mechas. A escolha de cada uma delas dependerá de vários fatores, 
dentre eles: estilo das mechas e luzes, preferência do profissional,vantagens e 
desvantagens e indicações, como retoques ou outros. 
 
Matização e correção de cores 
O uso de colorações e descolorações é muito frequente entre pessoas que 
buscam alterar a aparência através da modificação ou intensificação das cores do 
cabelo, objetivando um aumento da autoestima. Entretanto, esses tratamentos, quando 
não são bem realizados, podem trazer uma série de problemas que resultam em uma cor 
indesejada. 
Considerando esses problemas, neste capítulo você irá conhecer os princípios 
básicos para realizar a correção das cores indesejadas após tratamentos de coloração e 
descoloração, e aprenderá como fazer uso de diferentes tipos de tinturas, incluindo 
permanentes, temporárias e semitemporárias, para garantir os efeitos corretivos nos fios, 
82 
 
de modo a atender os objetivos dos clientes. 
Princípios de colorimetria para a correção de cores 
Erros nos resultados finais de colorações 
Diariamente chegam aos salões de beleza clientes que procuram o serviço de 
estética capilar por estarem insatisfeitos com os resultados de coloração realizados, 
buscando tratamentos para a correção da cor. As causas dessas insatisfações podem ser 
decorrentes de vários fatores, incluindo falta de conhecimento de princípios básicos da 
colorimetria, falta de análise prévia do cabelo, métodos incorretos, produtos de má 
qualidade ou até mesmo por tratamentos realizados no ambiente domiciliar pelo próprio 
cliente. Esses erros podem acometer todo o cabelo, ou regiões específicas como raíz ou 
as mechas e luzes. Alguns dos problemas de coloração mais encontrados são: 
• Cabelos com coloração final demasiadamente clara: nesse caso, as possíveis 
causas estão na escolha errada do tom ou utilização de um oxidante muito forte. 
• Cabelos que desbotaram muito rápido: a perda muito rápida da cor é causada 
por tempo insuficiente da ação do produto ou oxidante muito forte. 
 • Cabelos com coloração final muito escura: normalmente causado por erro na 
escolha do tom, utilização de um oxidante muito suave ou excesso de pigmentos cinza 
na mistura preparada. 
 • Cobertura insuficiente de cabelos brancos: nesse caso, o erro mais comum está 
relacionado à falta de adição de cor base extra na mistura do produto. 
• Cabelos loiros demasiadamente amarelos: problema normalmente causado por 
falta de neutralização de pigmentos amarelos, geralmente por falta de adição extra de 
pigmentos violeta na mistura da tintura. 
Esses problemas com coloração podem, em sua maioria, ser evitados com a 
realização de um procedimento considerando as leis de colorimetria, técnica adequada e 
a escolha de produtos de qualidade. O conhecimento das leis de colorimetria utilizando 
o círculo cromático, garante maior exatidão na escolha da cor desejada e prevê o 
resultado e a cor real que será revelada após o tratamento com coloração (ANEETHUN, 
83 
 
2016; CASTRO; DE SANTIS, 2017; COMO matizar o cabelo..., 2017; FREITAS; 
PEREIRA; PIMENTEL, 2016). 
Correção de cores 
Quando esses problemas surgem, pode-se fazer uso da colorimetria para tentar 
corrigir os resultados indesejados das colorações. Para tanto, utilizam-se técnicas de 
correção de cores baseadas no princípio das cores representadas na estrela de Oswald. A 
estrela de Oswald é uma representação esquemática da matemática das cores e 
representa as cores básicas e as que são possíveis alcançar por meio da mistura das 
tonalidades. A estrela é utilizada para se chegar ao resultado desejado, intensificar uma 
cor natural, além de ser possível também fazer a correção de uma tintura que deu 
errado. Sobre sua formação, é composta por seis pontos, sendo que cada um representa 
uma cor. O princípio de correção de cores utiliza a definição de cores complementares 
existentes na estrela de Oswald. 
A teoria das cores complementares diz que duas cores neutralizam a cor que se 
encontra na linha convergente, de modo que cada cor possui uma cor oposta e quando 
aplicada sobre ela possui o poder de neutralizá-la, proporcionando assim um equilíbrio 
de cor. A estrela de Oswald e as cores complementares podem ser vistas na Figura 1. 
Essa neutralização é importante no momento em que se deseja realizar a correção de 
cores indesejadas no cabelo. É possível observar que as cores opostas a cada tom, são os 
tons que podem ser anulados ou neutralizados com aquela cor. Por exemplo, o vermelho 
possui a capacidade de neutralizar a cor verde, o roxo consegue neutralizar o amarelo e 
o azul neutraliza a cor laranja (ANEETHUN, 2016; CASTRO; DE SANTIS, 2017; 
COMO matizar o cabelo..., 2017; FREITAS; PEREIRA; PIMENTEL, 2016). 
84 
 
 
A estrela de Oswald permite que o profissional utilize os princípios de cores 
quentes e frias para auxiliar na correção das cores. Para entender melhor esse processo, 
confira a Figura 2. 
 
Lembre-se que na colorimetria é possível separar na representação esquemática 
as cores quentes e frias, sendo que tons ou cores quentes são aqueles que possuem 
grande saturação de pigmentos de alta vibração, como amarelo, vermelho e laranja, 
enquanto que as tonalidades frias são tons mais fechados, geralmente utilizados para 
85 
 
equilibrar ou corrigir tonalidades que ficaram muito quentes, reduzindo assim a sua 
intensidade e deixando o cabelo com tonalidades menos vibrantes. 
O princípio básico de correções de cores baseia-se nas cores complementares da 
estrela de Oswald, que se encontram dispostas opostamente na representação gráfica. 
Dessa maneira, o profissional que conhece e entende esses princípios é capaz de corrigir 
quaisquer erros de coloração que possam ter ocorrido. Para tanto, os produtos utilizados 
para as correções podem ser tinturas de diferentes características, como as tinturas 
permanentes oxidativas, as tinturas semipermanentes, tinturas temporárias ou ainda a 
matização, sendo que cada uma possui mecanismos de ação diferenciados sobre os 
cabelos, o que permite que algumas tenham maior durabilidade que outras, de acordo 
com os objetivos do profissional e do cliente. 
Matização 
Além da correção de cor aplicada a cabelos que receberam colorações e que não 
ficaram da tonalidade desejada, existe a definição de matização. Matizar significa 
neutralizar uma cor no cabelo e, nesse caso, é aplicado a cabelos descoloridos, coloridos 
ou aos cabelos loiros naturais. A indicação se dá em virtude de que estes cabelos estão 
mais expostos à oxidação devido a fatores externos como: poluição, radiação UV, cloro 
da água, dentre outros fatores e que provocam o desbotamento da cor com o passar dos 
dias. 
Os produtos matizadores são capazes de agir tanto na correção da cor quanto na 
nutrição dos cabelos. O termo ―matizar‖ refere-se a um processo de correção da cor do 
cabelo através do uso de produtos como: xampus, máscaras ou cremes sem a utilização 
de água oxigenada. O procedimento é de fácil funcionamento, uma vez que consegue 
tirar o amarelado dos fios e dar um ar mais platinado ou apenas proporcionar a cor 
desejada aos fios. 
A matização é indicada principalmente para os cabelos que tenham tendência ao 
desbotamento, pois intensifica a cor que parece estar apagada e neutraliza o fio de 
cabelo. O procedimento de matização é rápido, com duração de aproximadamente cinco 
minutos. Além disso, é um processo que traz muitos benefícios para os fios que já 
possuem tintura, já que auxilia tanto na manutenção da cor, quanto na obtenção do tom 
86 
 
desejado. Permite que os fios coloridos, independentemente da cor, possam ser 
realçados, ficando com um tom muito mais brilhante, luminoso e vivo. 
Essas indicações da matização permitem, por exemplo, que um cabelo loiro 
natural ou um cabelo que foi descolorido recentemente, não necessite passar novamente 
por um processo de tintura, reduzindo assim os danos químicos à haste capilar. 
Basicamente, o processo de matização pode ser aplicado em poucas mexas para gerar 
um efeito maisuniforme ou mesmo aplicado em todo o cabelo dando um visual ainda 
melhor para os fios. A indicação principal da matização é para casos de mechas e luzes 
capilares que obtiveram a tonalidade desejada no dia do procedimento, mas que com o 
passar dos dias acabaram desbotando. Dessa maneira, as mechas e luzes devem ser 
matizadas com o produto adequado, para eliminar os efeitos negativos anteriores, 
refazendo os tons mais adequados para o cabelo. Um exemplo de matização é de 
clientes que realizaram mechas loiras, mas que ficaram amareladas ou mesmo com 
tonalidades alaranjadas após certo tempo. Utilizando a matização esses efeitos são 
amenizados e dão lugar a mechas com o tom escolhido pelo cliente. 
Uma diferença importante entre a aplicação de correção de cores com uso de 
tinturas para o uso de matização é que neste último caso os resultados não são tão 
imediatos como na aplicação das tinturas, uma vez que os produtos matizadores agem 
de forma gradual durante as lavagens dos fios. 
O princípio da matização também é o uso das cores complementares que se 
neutralizam. Se difere do uso de tinturas corretivas porque, nesse caso, a matização 
possui mais a função de corrigir a cor do cabelo que já possui coloração e o processo 
pode, inclusive, ser feito em diversos momentos, antes ou depois da coloração, 
dependendo do objetivo do profissional, ao contrário da tintura, que caracteriza-se por 
ser uma técnica que causa mudança na cor dos fios. 
Quanto ao uso de máscaras matizadoras, mesmo a aplicação sendo simples, é 
importante que o cliente seja orientado sobre o seu uso, uma vez que a aplicação errada 
pode gerar a formação de reflexos indesejados. Por exemplo: máscaras azuis 
neutralizam cabelos com tonalidade laranja, mas quando aplicadas a cabelos amarelados 
o cabelo pode ficar verde. Máscaras violetas neutralizam amarelo, mas se aplicadas a 
cabelos com fundo de clareamento laranja, não vai corrigir, apenas manter a coloração 
87 
 
laranja. 
Considerando que a correção de cores pela matização ocorre de maneira igual a 
das tinturas aplicadas na correção, ou seja, pelo uso de cores complementares ou 
também chamadas de opostas, o Quadro 1 apresenta o uso de cores corretivas na 
colorimetria capilar (ANEETHUN, 2016; CASTRO; DE SANTIS, 2017; COMO 
matizar o cabelo..., 2017; FREITAS; PEREIRA; PIMENTEL, 2016). 
 
O uso de corretores, sejam eles tinturas ou matização, é muito importante para o 
profissional de estética capilar em sua prática diária, considerando as demandas desse 
procedimento no dia a dia dos salões, como maneira de corrigir uma coloração não 
desejada e até mesmo de evitar que esses efeitos ocorram. Os exemplos a seguir trazem 
situações bastante comuns que demandam de correções de colorações. 
Tintura permanente oxidativa para correção de cores 
As tinturas permanentes oxidativas possuem como principal característica um 
efeito mais duradouro, resistente a lavagens com xampu e outros fatores externos, tais 
como: aplicação de temperatura de secador de cabelo, fricção, luz, entre outros. Isso se 
deve ao mecanismo de ação das mesmas, que por atuarem através de um processo 
químico chamado de oxidação, o qual ocorre no córtex do cabelo, permite que as 
moléculas de pigmentos formadas em seu interior sejam grandes o suficiente para não 
saírem dos cabelos tão facilmente no processo de lavagem, por isso seu efeito é 
considerado permanente. 
Entretanto, a vantagem de ter um efeito mais duradouro traz consigo uma 
88 
 
desvantagem, que é a maior agressão química aos fios. Pois, para garantir o processo de 
oxidação que resultará na coloração dos fios, os produtos utilizados nesse tipo de 
coloração torna esta técnica mais agressiva aos fios de cabelo, quando comparadas às 
demais. Não obstante, esta técnica deve ser utilizada com precaução em clientes que já 
possuam muitas químicas no cabelo, uma vez que acumulam mais danos à haste capilar 
e podem predispor ao aparecimento novos danos. 
O uso de tinturas permanentes oxidativas pode ser aplicado em correções 
capilares, mas deve se levar em conta a agressão causada aos fios. Desta maneira, deve-
se realizar, por exemplo, uma avaliação prévia dos fios e verificar se os mesmos 
possuem condições de passar por dois processos químicos no mesmo dia. Ou seja, se o 
cliente realizou uma coloração permanente nos fios em um dia e não gostou do 
resultado, pode-se aplicar nova coloração permanente nos fios, mas é necessário 
verificar se os mesmos estão aptos a passar por novo processo químico. 
Indica-se, em casos de cabelos que se encontram muito danificados, um 
tratamento prévio, com uso de hidratação profunda antes da correção da cor com tintura 
permanente. Além disso, este tratamento é indicado para correções consideradas mais 
difíceis de serem realizadas, como nos casos de cabelos brancos. Considerando a alta 
resistência que os fios brancos possuem ao serem coloridos, a utilização da correção de 
cores pode ser empregada nesses casos. Muitos clientes realizam luzes e mechas com 
intuito de esconder os fios brancos, mas em situações em que eles continuam 
aparecendo, pode-se empregar a tintura permanente, aplicando uma tonalidade num tom 
mais claro que a cor natural antes das luzes ou mechas. Dessa forma, o profissional 
utilizará a tintura permanente apenas nas áreas de cabelos brancos, visando ―apagá-los‖, 
garantindo assim maior uniformidade na coloração. 
No caso de colorações que foram aplicadas em todo o cabelo, visando esconder 
os fios brancos e o resultado foi de cabelos não uniformes, pode-se fazer a aplicação da 
tintura permanente caso a quantidade de fios brancos seja relevante, uma vez que aplicar 
outras tinturas de efeitos menos duradouro não cobrirá esses fios. 
Cabelos que ficaram com tonalidades mais claras que dois tons do desejado 
também necessitam de tinturas oxidativas permanentes para correção, uma vez que é a 
única alternativa que consegue escurecer mais tons. Nesse caso, se for aplicado 
89 
 
tonalizante (tintura semipermanente), possivelmente não se alcançará a cor desejada. O 
indicado nesse caso é, após realizar a avaliação dos fios, reaplicar a tintura permanente 
oxidativa. 
 Para cabelos coloridos com tonalidades marrons e que equivocadamente 
ficaram muito avermelhados, com tonalidades acobreadas, indica-se a aplicação de 
tintura permanente, considerando as condições dos fios, utilizando pigmentos de 
coloração verde, para amenizar os reflexos vermelhos e muito quentes, gerando como 
resultado um cabelo marrom e menos intenso. Todas essas correções com uso de tintura 
oxidativa permanente devem seguir as regras de colorimetria apresentadas na estrela de 
Oswald, através do princípio de cores complementares (GAMA, 2010; GOZ 
COSMÉTICOS, 2018; MILIAUSKAS, 2017; PORTAL EDUCAÇÃO, 2012). 
Além de saber qual a tonalidade adequada a ser aplicada, a técnica de utilização 
também é importante. A seguir você confere um exemplo de correção de cor utilizando 
tintura oxidativa. 
Tintura semipermanente ou temporária para a correção de cores 
Outras tinturas que podem ser empregadas em tratamentos capilares de correção 
de cores são as tinturas semipermanentes, também chamadas de tonalizantes ou tinturas 
temporárias. Quanto à cor escolhida para a correção, também serão utilizadas as regras 
de colorimetria considerando o princípio de cores complementares. Quando comparadas 
às correções com tinturas oxidativas permanentes, as tinturas temporárias ou 
semitemporárias possuem uma duração de coloração nos fios menor em virtude de 
mecanismos de atuação diferenciados. 
Quanto à ação nos fios de cabelos, essas tinturas agem sem que ocorra um 
processo de oxidação no interior da haste capilar, logo os pigmentos ficam armazenados 
na camada externa da haste capilar, nas cutículas capilares. No caso de tinturas 
temporárias e no caso de tinturas semipermanentes, as moléculas de pigmentoschegam 
ao córtex e permanecem depositadas lá, entretanto, como as moléculas são 
relativamente pequenas, com os processos de lavagem elas vão saindo do fio 
gradativamente, durando aproximadamente um mês, além do que, permitem apenas o 
escurecimento ou clareamento de tom sobre tom. Enquanto que as temporárias são 
90 
 
removidas com um único processo de lavagem. 
A vantagem de utilizar a tintura semipermanente, também chamada de 
tonalizante, e a tintura temporária é por ser mais facilmente aplicada e não causar tantos 
danos na haste capilar, quando comparada à tintura permanente. Entretanto, sua 
desvantagem nas correções de coloração é que não possuem um poder muito alto de 
transformação, não sendo efetivas em situações onde se necessita escurecer ou clarear 
mais tons, como três ou mais e em cabelos com muitos fios brancos, visto sua 
resistência à coloração. As tinturas semipermanentes podem ser aplicadas a fios brancos 
em casos onde não são expressivos, de maneira que o tonalizante consiga cobri- -los e 
corrija este efeito indesejado. 
As tinturas semipermanentes são ainda empregadas principalmente no caso de 
mechas ou luzes que não chegaram a uma tonalidade adequada. Durante o processo de 
descoloração dos fios, que ocorre inicialmente nas luzes e mechas, a cor de fundo de 
clareamento dos mesmos é evidenciada. Algumas tonalidades de cabelo possuem 
fundos de clareamento que não são desejados normalmente pelo cliente, como amarelos 
e vermelhos. Dessa maneira, indica-se o uso de tonalizantes aplicados às luzes e mechas 
de cabelos descoloridos previamente, utilizando-se a cor para neutralizar a cor de fundo 
e também para se alcançar a tonalidade desejada pelo cliente. 
Além disso, com o passar dos dias e das lavagens, os cabelos com luzes e 
mechas podem ir perdendo a coloração inicial, de modo que ficam algumas vezes com 
mechas amareladas, dando um aspecto inestético dos fios. Nesse caso, pode-se indicar 
ao cliente o uso de uma tintura temporária encontrada na forma de xampu, máscaras ou 
cremes e que irão ser aplicados nos fios durante o processo de lavagem, evitando assim 
esse efeito indesejado. Esses xampus aplicados a luzes e mechas loiras, mas que estão 
amareladas, podem ainda ser empregados em cabelos descoloridos ou coloridos com 
tonalidades claras e que passem pelo mesmo processo de amarelamento dos fios. 
Cabelos que foram coloridos e estão com cores indesejadas, e que não possuam 
condições de serem submetidos a novo tratamento com tintura permanente, podem ser 
tratados com tonalizantes, que possuem menos agentes agressivos ao fio de cabelo. Essa 
indicação é aplicada, por exemplo, a um cliente que tonalizou o cabelo de marrom no 
dia de hoje e que resultou em um marrom extremamente avermelhado. Na avaliação, 
91 
 
percebe-se que o cabelo está fragilizado e não deve passar por mais um processo 
químico agressivo. Este cliente não quer esperar até no dia seguinte para a correção 
definitiva, logo, pode-se fazer a aplicação do tonalizante ainda no salão, desde que bem 
explicado ao cliente que o efeito não é definitivo. 
Considerando o princípio de cores complementares, essas tinturas aplicadas aos 
fios loiros e amarelados devem possuir pigmentos em tonalidades violeta, visando 
amenizar o efeito amarelo. 
Para cabelos com tonalidade marrom, é normal que ocorra o processo de 
desbotamento natural e demonstre, com o passar dos dias, o fundo de clareamento 
avermelhado. Neste caso, indica-se o uso de tonalizantes ou tinturas temporárias de 
tonalidades que possuam a cor verde em sua estrutura. Além disso, os cabelos de 
tonalidade marrom (castanhos) podem sofrer um processo de descoloração dos fios pelo 
processo de exposição solar pela ação da radiação, de modo que adquiram reflexos 
avermelhados. Quando indesejados, também pode-se fazer o uso de tonalizantes ou 
tinturas temporárias para amenizar esses danos. 
O uso de tinturas temporárias para correção de cores é também chamado de 
banho de brilho, pois faz uso de xampus tonalizantes que podem ser aplicados 
facilmente pelo cliente no processo de lavagem dos fios no ambiente domiciliar 
(GAMA, 2010; GOZ COSMÉTICOS, 2018; MILIAUSKAS, 2017; PORTAL 
EDUCAÇÃO, 2012). 
Diante dessas informações, é possível verificar que a correção das cores 
indesejadas dos fios se faz baseando-se no princípio de cores complementares que se 
encontram distribuídas de maneira oposta na estrela de Oswald, também chamada de 
círculo cromático. 
A escolha do tipo de tintura que será utilizado em cada correção dependerá de 
alguns fatores, como: condições do fio de cabelo, que irão determinar se este cabelo 
pode ou não passar por um processo de coloração com tintura permanente oxidativa, o 
tipo de erro que aconteceu e a duração que se espera da correção. Considera-se, ainda, 
que alguns tipos de tinturas podem ser facilmente utilizados, desde que bem indicados, 
pelo próprio cliente, como o caso de xampus tonalizantes, que por serem tinturas 
temporárias possuem poucos riscos de erros. Enquanto que tinturas oxidativas 
92 
 
permanentes demandam um processo de correção mais específico e não devem ser 
orientadas a serem realizadas no ambiente domiciliar. 
Cobertura de cabelos brancos e grisalhos 
O processo de envelhecimento capilar traz consigo uma série de alterações nos 
fios de cabelo, incluindo o aparecimento de fios brancos e grisalhos. Estes fios têm 
características específicas, que precisam ser consideradas no momento de se realizar 
qualquer tratamento de coloração, uma vez que os cabelos brancos são mais resistentes 
às colorações. 
Aqui, você vai estudar o processo de envelhecimento capilar e entender por que 
surgem os fios de cabelos grisalhos e brancos, conhecerá os produtos aplicados, as 
colorações e, ainda, conhecerá as principais técnicas aplicadas aos tratamentos de 
cobertura de fios brancos, garantindo, assim, maiores chances de cobertura uniforme 
dos fios. 
Envelhecimento capilar 
Segundo Halal (2011), Rivitti (2018) e Terribile (2013), o processo de 
envelhecimento afeta todos os sistemas do organismo, incluindo os cabelos. O 
envelhecimento capilar desencadeia vários acontecimentos, incluindo principalmente a 
perda do pigmento natural dos cabelos, resultando em cabelos grisalhos e brancos. Esse 
é um processo fisiológico do organismo, também chamado de canície ou encanecimento 
e tem início assim que começam a surgir os primeiros cabelos grisalhos e brancos, 
sendo um processo que ocorre de maneira progressiva e permanente no organismo 
humano. 
Em condições normais, o processo tem início, em média, na terceira década de 
vida, mas pode surgir os primeiros sinais mais precocemente ou mais tardiamente, 
dependendo de alguns fatores, como raça e sexo. Em pessoas brancas, o processo tem 
início em média aos 30 anos, em pessoas asiáticas tem início ao final dos 30 anos e por 
volta dos 40 anos em pessoas negras. Ainda há diferenças significativas entre gêneros, 
sendo que homens apresentam maior intensidade e incidência de cabelos brancos 
quando comparado às mulheres. 
93 
 
Algumas doenças podem induzir ao aparecimento de cabelos brancos e grisalhos 
mais precocemente, como em casos de doenças autoimunes como hipertireoidismo, 
hipotireoidismo e anemia perniciosa, além de fatores hereditários que podem induzir ao 
envelhecimento capilar prematuro. 
Basicamente, o surgimento de fios acinzentados, também chamados de 
grisalhos, e posteriormente de cabelos brancos, dá-se pela perda de pigmentos dos fios 
de cabelo, pigmento chamado de melanina. A melanina é uma substância responsável 
justamente por garantir a coloração dos fios de cabelo e essa perda de pigmento ocorre 
devido à deficiência ou ausência da sua produção, o que altera a coloração capilar. 
A melanina é produzida de forma natural pelos melanócitos, que são células 
especializadas que se localizam no bulbo capilar (raiz docabelo), através de um 
processo chamado de melanogênese. Essas células são responsáveis pela produção de 
melanina, substância que dá cor ao cabelo. A produção de melanina pelos melanócitos é 
ativada através de uma enzima chamada de tirosinase, que age sobre outra substância, 
chamada de tirosina, que é convertida em outras substâncias subsequentes, como a dopa 
e dopaquinona, que por fim irão dar origem à molécula de melanina. A molécula de 
melanina, que servirá como um pigmento para os fios de cabelo, é armazenada dentro 
de organelas especializadas, os melanossomos, que irão incorporar o pigmento de 
melanina nas fibras capilares em crescimento para produzir uma gama de tonalidades 
naturais de cabelo. 
Na Figura 1 é possível visualizar um melanócito, célula responsável pela 
produção de melanina, que dá cor aos cabelos. Eles encontram-se localizados abaixo da 
pele do couro cabeludo, entre a derme e a epiderme. 
Com o envelhecimento, o processo de melanogênese fica alterado, gerando a 
redução e posterior perda dos pigmentos de melanina. A perda é desencadeada pela 
redução e posterior ausência na atividade da enzima tirosinase, que é responsável pela 
síntese de melanina, substância que dá cor aos cabelos, desencadeando, assim, 
progressivamente, cabelos acinzentados e brancos. A redução da enzima tirosinase 
ocorre em virtude do progressivo processo de envelhecimento, e que associado à 
predisposição genética, resulta em menor atividade dos melanócitos e, 
consequentemente, o aparecimento dos fios brancos. 
94 
 
A redução de tirosinase e consequente redução na quantidade de melanina dos 
fios é desencadeada pela redução na quantidade de grânulos de melanina que ocorre de 
maneira gradual. O surgimento de cabelos grisalhos, de coloração acinzentada, ocorre 
inicialmente no processo de envelhecimento capilar e é quando já se produz uma 
quantidade menor de melanina. Nessa fase, os melanócitos, células responsáveis por 
armazenar a melanina produzida, encontram- -se em atividade, mesmo que reduzida. E 
o surgimento de fios brancos ocorre quando há ausência na síntese de melanina, de 
maneira que os melanossomos não tenham como armazenar essas substâncias, ficando 
sem atividade celular. 
 
Alguns hábitos podem resultar no aumento da produção de radicais livres, como 
95 
 
exposição excessiva ao sol, má alimentação, tabagismo, alcoolismo e poluição do ar. O 
aumento de radicais livres atua de maneira negativa sobre a tirosinase, desestabilizando-
a e reduzindo sua função e consequentemente induzindo o envelhecimento capilar 
precoce. Quanto à localização dessas alterações, o aparecimento dos fios brancos ocorre 
inicialmente nas têmporas e progride para o restante do couro cabeludo, e 
posteriormente para os demais pelos do corpo, como barba, por exemplo. 
Os cabelos brancos se diferenciam dos demais por apresentarem características 
específicas, além da perda do pigmento de melanina. O envelhecimento capilar, além de 
causar o embranquecimento dos fios, gera outras manifestações, como a perda da 
densidade máxima do cabelo e da espessura. A espessura reduzida é causada porque, 
com o envelhecimento capilar, os folículos terminais transformam-se em cabelos mais 
finos. Há ainda redução do crescimento dos fios com o processo de envelhecimento, 
sendo que a partir dos 70 anos de idade há redução no crescimento capilar de ambos os 
gêneros com média de aproximadamente 0,33 mm ao dia. 
Todas essas mudanças ocorrem pelo fato de as células dos folículos capilares 
diminuírem suas atividades de maneira fisiológica, com o passar do tempo. Há ainda a 
redução na produção das proteínas que constituem a haste capilar, além de redução de 
lipídios. Esta redução leva a uma desorganização das estruturas que constituem a haste 
capilar, tornando o cabelo mais frágil e envelhecido. Somado a isso, o organismo ainda 
se apresenta com redução progressiva de alguns hormônios, como os hormônios 
sexuais, que estão envolvidos na formação e no desenvolvimento dos cabelos. 
Não obstante, o cabelo branco é muito mais poroso e armazena maior quantidade 
de ar em seu interior. Isso se deve ao fato da sua camada externa (cutícula) apresentar 
células menos compactadas, de modo que a luz não pode ser refletida, porque não se 
encontra na presença de uma superfície lisa. Estas duas características resultam em um 
cabelo branco que possui ausência de refração ou reflexo, por isso, sua característica é 
―apagada‖. 
Diante disso, o cabelo grisalho ou branco, além de não possuir ou possuir uma 
quantidade de melanina menor que o esperado para a coloração dos fios, apresenta 
outras características decorrentes de outras modificações que ocorrem no processo de 
envelhecimento capilar, citadas a seguir: cabelos com brilho reduzido, maior 
96 
 
ressecamento, afinamento dos fios, diminuição do volume e da densidade capilar, 
redução na velocidade de crescimento capilar e maior fragilidade do fio por sua 
porosidade aumentada. 
Essas características precisam ser consideradas nos processos de coloração, 
considerando que são necessárias algumas precauções para os tratamentos voltados para 
cabelos brancos. Um exemplo disso é que se uma coloração for aplicada aos cabelos 
brancos, o cabelo se transformará na tonalidade aplicada, mas conservará menos brilho 
em seus fios. Além disso, muitas vezes, a coloração quando aplicada aos cabelos 
brancos fica com característica transparente, não cobrindo bem todos os fios de cabelo. 
Produtos para cobertura de cabelos brancos e grisalhos 
Quanto aos produtos cosméticos utilizados nas colorações para cobertura de fios 
brancos e grisalhos, dependerão da escolha da técnica de cobertura que será empregada, 
mas todos farão uso de colorações (BEAUTTY COLOR, 2018). 
Tintura ou coloração: existe no mercado três tipos de coloração destinadas á 
cobertura de fios brancos, as semipermanentes, as temporárias e as permanentes. Para a 
escolha, indica-se para quem possui mais de 30% dos fios brancos as colorações 
permanentes. Isso porque esse tipo de tintura penetra na fibra capilar e muda a 
pigmentação do fio, o que garante maior durabilidade e maior cobertura. A tonalização 
através do uso de tinturas semipermanentes deve ser indicada para clientes que possuam 
menos de 30% de fios brancos. A tintura temporária é encontrada sob a forma de xampu 
totalizante e não apresenta um resultado muito efetivo, uma vez que sua duração é de 
apenas uma lavagem e não garante cobertura uniforme. 
Agente oxidante (água oxigenada): utilizada em todas as colorações e ainda na 
técnica de cobertura de fios brancos através da mordaçagem e da pré- -pigmentação. 
Sua ação no cabelo é desencadeada pela alteração do pH do cabelo, criando um 
ambiente mais alcalino e pela abertura das cutículas da camada externa dos fios de 
cabelo, de modo que os pigmentos da coloração possam adentrar mais facilmente no 
córtex e gerar efeitos mais efetivos. Além disso, é utilizada em uma das técnicas de 
cobertura chamada de mordaçagem, gerando um efeito de abertura de cutículas prévia à 
coloração final. A escolha da volumagem dependerá da tonalidade de cabelo 
97 
 
apresentada pelo cliente e da coloração final desejada. Indica-se água oxigenada de 10 
volumes, por ser mais branda em situações onde se objetive tonalizar os cabelos, ou se 
já foi aplicada tintura semipermanente. O volume de 10 é empregado ainda para a 
técnica de mordaçagem. Para reforçar a cor e clarear um nível se indica a de 20 
volumes, para clarear dois níveis a de 30 volumes e para clarear três a cinco níveis, 
indica-se o uso de 40 volumes. 
Água morna: a água morna pode ser empregada na técnica de pré-pigmentação e 
seu uso justifica-se pelo efeito do calor gerado pela água ao dilatar as cutículas, 
possibilitando uma maior abertura das mesmas e facilitando a penetração do pigmento 
da coloração. 
Além dos produtos elencados anteriormente,outros produtos são utilizados no 
processo de cobertura de cabelos brancos e grisalhos como coadjuvantes, como: 
xampus, condicionares, cremes de tratamento, máscaras e produtos para uso domiciliar. 
A escolha desses produtos deve atender às características dos cabelos brancos e 
grisalhos, como a porosidade e a resistência aumentada, a redução na hidratação e 
tendência ao ressecamento, de modo que possam atuar de maneira complementar nos 
tratamentos para coloração de cobertura de fios brancos e grisalhos. Pode-se indicar o 
uso de produtos de uso domiciliar para o cliente. 
Os produtos utilizados devem atender às normas de regulamentação e ter registro 
na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de ter um armazenamento 
correto conforme orientação do fabricante, de modo a garantir resultados seguros na 
utilização. 
Técnicas empregadas na cobertura de cabelos brancos e grisalhos 
As técnicas empregadas na coloração de cabelos grisalhos e brancos possuem 
como finalidade a melhor cobertura dos fios, uma vez que fios grisalhos e brancos 
possuem características distintas dos demais cabelos, incluindo maior porosidade e 
maior resistência à coloração. O efeito mais indesejado que pode surgir nas colorações 
desses tipos de cabelo é o efeito transparência, que é caracterizado pela não cobertura de 
todos os fios, resultando em cabelos brilhantes e com reflexos não desejados. 
Muitos clientes optam por fazer a cobertura dos fios brancos no ambiente 
98 
 
domiciliar com a aplicação de tonalizantes, entretanto, essa técnica por si só não garante 
a cobertura ideal. Existem algumas técnicas que podem ser associadas à coloração dos 
fios e que evitam o efeito transparência no resultado final. 
Alguns parâmetros precisam ser considerados no momento de se fazer a escolha 
da melhor técnica de cobertura de fios brancos entre eles está a concentração de fios 
brancos e a espessura dos fios, que podem ser finos, médios ou grossos. A concentração 
e cabelos brancos pode ser classificada em baixa, quando o cliente possui de 0 a 30% 
dos fios brancos, média, quando o cliente possui de 30 a 70% dos fios embranquecidos 
e alta quando a porcentagem é superior a 70%. 
Sobre a coloração escolhida, para garantir uma cobertura total e obter uma altura 
de tom natural, é preciso considerar também a porcentagem de fios brancos. Clientes 
com baixa porcentagem de fios brancos devem fazer o uso de uma tonalidade cerca de 
um tom mais claro, cabelos com média porcentagem devem fazer uso de uma tonalidade 
igual à natural e cabelos com alta porcentagem de brancos devem receber tonalidades 
um tom mais escuro que o natural, quando o objetivo é apenas esconder os fios brancos 
sem mudar a tonalidade natural dos fios. 
Dentre as técnicas que podem ser empregadas nas colorações de cabelos brancos 
e grisalhos, cita-se: a mordaçagem, a pré-pigmentação, adição de base, técnica de 
redução, técnica de deposição e a rinsagem. Essas técnicas podem ser utilizadas de 
maneira isolada ou associadas em tratamentos de coloração de cabelos brancos, 
considerando que em algumas situações a utilização de apenas uma técnica não será 
suficiente para garantir o resultado desejado. 
Técnica de mordaçagem 
Conforme Bellkey (2018), Rocha (2016) e Unilever (2017), a técnica de 
mordaçagem auxilia na coloração de fios brancos, uma vez que propicia que o pigmento 
penetre mais profundamente nos fios de cabelo mais resistentes, que é o caso dos fios de 
cabelo branco. Trata-se de procedimento realizado antes da aplicação da coloração, 
facilitando a penetração posterior da coloração nos fios e garantindo ao cliente melhor 
cobertura de fios brancos. 
A técnica é realizada através da aplicação de um agente oxidante de baixo 
99 
 
volume, normalmente dez volumes, sobre os cabelos brancos previamente à coloração. 
No caso de cabelos brancos grossos, aplica-se a água oxigenada em todo o cabelo e em 
casos de alguns fios brancos mais resistentes, pode-se aplicar apenas nas áreas que 
possuam maior resistência à coloração. A aplicação deve ser feita com auxílio de um 
pincel ou de algodão. Após a aplicação do oxidante se espera o cabelo secar por 
completo de maneira natural ou com uso de secador. Com o oxidante seco nos fios de 
cabelo e sem realizar enxague, o profissional aplica a coloração desejada seguindo as 
orientações do fabricante. 
O mecanismo de ação da técnica de mordaçagem se baseia no princípio de que a 
água oxigenada de baixo volume, que atua como agente oxidante nesse caso, quando 
aplicada aos fios de cabelos brancos, age nas cutículas da camada externa da haste 
capilar, dilatando-as e promovendo a sua abertura, de modo que a coloração aplicada 
posteriormente possa atuar de maneira mais efetiva no córtex e reduzindo a chance do 
cabelo ficar com um resultado muito transparente no final da coloração. 
A indicação da técnica de mordaçagem é destinada a clientes que possuam alta 
porcentagem de fios brancos, entre 70 e 100% dos fios, e destinada a cabelos brancos 
mais resistentes, que possuam história de colorações prévias com resultado final com 
presença de transparência e cobertura inadequada dos cabelos brancos. Isso se justifica 
porque cabelos brancos mais resistentes e grossos possuem brilho excessivo e 
quantidade de queratina aumentada, que na verdade funciona como uma barreira para a 
coloração, de modo que a aplicação de coloração nesses fios, sem a técnica de 
mordaçagem prévia, resulta normalmente em cobertura comprometida dos fios brancos. 
Assim, é necessária uma avaliação prévia dos cabelos brancos para que a indicação seja 
feita adequadamente, pois nem para todo o cabelo branco deve ser indicada a técnica de 
mordaçagem, apenas para os cabelos mais grossos e resistentes. 
O fato de não se realizar a mordaçagem em todos os clientes com cabelos 
brancos parte do princípio de que a mordaçagem é um procedimento que causa como 
consequência uma maior fragilidade dos fios de cabelo, pela abertura intensificada das 
cutículas, tornando o cabelo mais poroso e com tendência a fragilização. 
A mordaçagem mesmo sendo considerada um procedimento simples, é uma 
técnica que demanda alguns cuidados, como orientar o cliente para que realize o 
100 
 
procedimento com o auxílio de um profissional, pois a realização incorreta da técnica 
pode resultar em cabelos manchados. Além disso, é essencial que essa técnica não seja 
aplicada a cabelos brancos, finos e fragilizados. A mordaçagem acaba resultando em 
maior fragilidade dos fios, é importante que após a coloração, o cabelo passe por 
tratamentos de hidratação intensiva, visando o cuidado com os fios de cabelo. 
Técnica de pré-pigmentação 
De acordo com Rocha (2016), Silva (2017) e Terribile (2013), a técnica de pré-
pigmentação é uma técnica utilizada para devolver os pigmentos que se encontram em 
falta no cabelo branco, sendo o objetivo principal garantir ao cliente que possua cabelos 
brancos e vai se submeter a coloração dos mesmos, um resultado final mais duradouro e 
com uma cor uniforme. É indicada em situação de elevada percentagem de cabelos 
brancos, entre 70% e 100% dos fios. Nessa técnica o pigmento faltante é devolvido ao 
fio de cabelo antes da aplicação da coloração final. Basicamente, a pré-pigmentação é 
uma técnica que pré-colore o cabelo antes da aplicação da coloração escolhida pelo 
cliente e é indicada principalmente para quem possui cabelos brancos mais 
concentrados em uma região do couro cabeludo. 
Quanto à técnica, sempre se fará a aplicação de uma coloração prévia à 
definitiva, sendo que a coloração escolhida para a pré-pigmentação deve ser pura, sem 
reflexos ou nuances, e de um tom mais claro em relação à tonalidade que será aplicada a 
seguir. Após a aplicação da pré-pigmentação e de um intervalo de pausa, é aplicada a 
coloração com a cor desejada pelo cliente. Indica-se o uso de tonalidades com matizes 
quentesnos cabelos brancos, como por exemplo, dourado, vermelho ou cobre, pois a 
aplicação de tonalidades frias, como as graduações de cinza, pode deixar o cabelo com 
reflexos esverdeados ou chumbados, resultando em cabelos opacos e sem brilho. 
 Existe a opção de realizar a aplicação da coloração na pré-pigmentação 
associada a agente oxidante (água oxigenada) de baixa volumagem ou apenas água 
morna. Após a aplicação da pré-pigmentação, espera-se o produto agir por dez minutos 
(tempo de pausa) e se aplica a coloração final sem realizar o enxague dos cabelos. 
A aplicação da pré-pigmentação deve ser feita nas regiões de maior 
concentração de fios brancos com o auxílio de um pincel. Após a aplicação é importante 
101 
 
que o profissional realize a massagem nas mechas de cabelos com as mãos e uso de 
luvas, para garantir uma cobertura uniforme dos fios brancos. Um exemplo de aplicação 
de pré-pigmentação em fios brancos com utilização apenas de água morna é descrito a 
seguir: 
Quanto à escolha da tonalidade a ser utilizada na pré-pigmentação, o Quadro 1, a 
seguir, traz um esquema informativo sobre as tonalidades a serem utilizadas, 
considerando os fundos de clareamento dos fios. Vale ressaltar que tons claros como 8, 
9 e 10, por serem muito claros, não devem ser indicados para o cliente fazer a cobertura 
de fios brancos, pois não apresentam cobertura suficiente. 
 
Técnica de adição de base 
Segundo Silva (2017), outra técnica empregada na cobertura dos fios brancos é a 
técnica de adição de base. Trata-se da adição extra de uma tonalidade de cor base, ou 
seja, uma cor pura, sem nuances ou reflexos, juntamente com a coloração desejada. O 
mecanismo de atuação dessa técnica se baseia no princípio de que a cor base tem maior 
poder de cobertura de fios brancos e grisalhos do que as tonalidades com reflexos e 
nuances. Contudo, alguns clientes optam por cores não puras no momento da coloração, 
e estas não oferecem potencial pleno de cobertura de brancos, principalmente quando o 
102 
 
cliente opta por cores frias com nuances. Dessa maneira, a técnica de adição de base 
consiste em adicionar uma quantidade extra de coloração de cor base junto à cor 
escolhida pelo cliente. 
Como, por exemplo: o cliente possui cabelos com 30% de fios brancos e quer 
colori-los com uma cor 6.7 (louro-escuro com nuances em marrom). Por não ser uma 
cor base, é possível que a cobertura dos fios não seja perfeita. Logo, o profissional pode 
adicionar um pouco mais de coloração número 6 (louro-escuro) na coloração 6,7 (que é 
a cor desejada pelo cliente). 
A técnica é destinada a clientes que possuam 30% ou mais de fios brancos, e a 
quantidade de coloração base adicionada à coloração desejada pelo cliente dependerá do 
percentual de cabelos brancos a cobrir. Cliente com menos de 30% de cabelos brancos 
não se beneficiam dessa técnica. Para cabelos com 30% a 50% de brancos, adiciona-se 
30% de cor base na mistura, de 50 a 70% de fios brancos adiciona-se 50% de cor base e 
acima de 70% de fios brancos, pode-se adicionar 70% de base na mistura. 
Técnica de redução 
A técnica de redução, de acordo com Silva (2017), se resume a alterar a 
concentração de produto na solução de coloração, reduzindo a quantidade de agente 
oxidante utilizada. Em condições normais, utiliza-se a proporção 1/1,5, ou seja, uma 
porção de coloração para uma parte e meia de agente oxidante (água oxigenada). Na 
técnica de redução faz-se o uso da proporção 1/1, de modo que a redução na quantidade 
de agente oxidante na mistura aumenta a concentração de amônia e garante maior 
cobertura dos fios brancos, uma vez que abre de maneira mais efetiva as cutículas do fio 
e age na oxidação no córtex capilar. 
Como exemplo de técnica de redução pode-se citar: utiliza-se para cada tubo de 
60 gramas de coloração, 60 gramas de agente oxidante. Entretanto, ao optar pela técnica 
de redução, é necessário aumentar a volumagem de água oxigenada. Se a indicação 
anterior era de 30 volumes, na técnica de redução faz-se o uso de água oxigenada de 40 
volumes, por exemplo. 
Resumidamente, a técnica de redução é descrita como: a proporção da mistura 
deve ser substituída de 1/1,5 para 1/1 e aumentada uma volumagem do agente oxidante 
103 
 
(água oxigenada). 
Técnica de deposição de pigmento 
Ainda conforme Silva (2017), a técnica de deposição é também chamada de 
depósito. Em condições de colorações de cabelos não brancos, a indicação é que o 
profissional passe nos fios uma quantidade padrão de produto, sem exageros, mas com 
cobertura uniforme dos fios. Nos casos de colorações que objetivem a cobertura de 
cabelos brancos, a aplicação não será efetiva se aplicada da maneira considerada 
tradicional, uma vez que os cabelos brancos são mais resistentes. 
Logo, na técnica de deposição, o profissional irá aplicar o produto em maior 
quantidade nos fios de cabelo branco, com abundância de produto, de maneira que os 
fios fiquem completamente envolvidos no produto de coloração. Essa técnica, por ser 
muito simples, e apenas tratar de maior quantidade de produto disponibilizado aos fios, 
pode ser utilizada em associação a todas as demais técnicas. 
Técnica de rinsagem 
Segundo De Caprio e Menezes (2011) e Instituto Embelleze (2011), a técnica de 
rinsagem consiste na aplicação de uma coloração semipermanente (tonalizante) de cor 
acinzentada nos fios de cabelos brancos, com objetivo de envernizar os fios de cabelo e 
remover o aspecto branco. Nesse caso, o produto utilizado não possui amônia e possui 
coloração fria (cinza). Atualmente não é tão utilizado, uma vez que o cabelo branco com 
a aplicação de tonalidades frios o torna facilmente mais opaco. Por isso, atualmente, 
indica-se o uso de tonalizantes com brilho e em outras tonalidades. 
A rinsagem é indicada para cabelos que possuam até 30% de fios brancos, uma 
vez que a técnica não permite uma cobertura tão intensa dos fios brancos, apenas os 
tonaliza. 
Considerando todas essas técnicas, vale ressaltar que cada aplicação possuirá 
etapas específicas de acordo com a técnica de cobertura de fios brancos e grisalhos 
escolhida pelo profissional, conforme a avaliação do cabelo do cliente. A seguir, é 
apresentado um esquema das etapas envolvidas no processo de tratamento de cobertura 
de fios brancos. 
104 
 
Passo 1: avaliação do cabelo do cliente — Inicialmente, o profissional deve 
submeter o cliente a uma avaliação rigorosa do cabelo, incluindo: queixa do cliente, 
análise física de condições de saúde dos fios (elasticidade, porosidade, porcentagem de 
fios brancos, fundo de clareamento dos fio, altura de tom, etc), tratamentos químicos 
realizados previamente, alergias a produtos cosméticos (devendo ser realizado o teste do 
produto na pele do cliente antes da aplicação definitiva); dentre outros fatores que irão 
definir a escolha da técnica a ser utilizada e o plano de tratamento. No plano de 
tratamento o profissional deverá elencar qual a técnica utilizada para a cobertura dos 
fios grisalhos e brancos, escolha dos produtos cosméticos e os resultados esperados. 
Passo 2: escolha dos produtos cosméticos capilares — Após definido o plano de 
tratamento, o profissional irá realizar a escolha dos produtos cosméticos a serem 
utilizados de acordo com a avaliação. Para cada uma das técnicas serão utilizados 
produtos específicos e que devem ser separados previamente à realização do tratamento. 
A escolha inclui, por exemplo, a altura de tom que será utilizada na coloração. De 
acordo com a técnica escolhida, há a necessidade de diferentes produtos. Para a técnica 
de mordaçagem são utilizados: água oxigenada 10 volumes e coloração a ser aplicada 
posteriormente. Para a técnica de pré-pigmentação: a coloração prévia e a coloração a 
ser aplicada de acordo com a escolha do cliente. Para a técnica de adição de base: além 
da coloração escolhida pelo cliente, é importante que o profissional realizea separação 
de uma coloração de tonalidade base para ser adicionada ao produto. Na técnica de 
rinsagem é necessário selecionar o tonalizante a ser aplicado. E na técnica de deposição 
de pigmento há necessidade apenas da escolha da coloração a ser aplicada. 
Passo 3: preparação do cliente, do cabelo e separação das mechas — O cliente 
deve ser protegido com uso de uma capa impermeável, que deverá prevenir que 
produtos utilizados possam cair sobre a roupa. Além disso, aplique uma solução 
protetora na região de orelhas e pescoço, para evitar que o produto entre em contato 
com essas regiões e cause irritação, podendo ser utilizada vaselina. É importante que os 
cabelos estejam higienizados para receber o produto cosmético capilar, uma vez que a 
higienização remove resíduos de poluição, sujidade e oleosidade dos fios, tornando-os 
preparados para receber a coloração, entretanto, não podem estar úmidos. Os cabelos 
devem ser penteados para evitar embaraçamento durante a aplicação. Além disso, é 
necessário que os cabelos sejam divididos em mechas de modo a organizar a aplicação 
dos produtos. Pode-se dividir os cabelos em quatro seções, utilizando o cabo de um 
105 
 
pente fino, seguindo uma linha imaginária da frente até a nuca e outra de uma orelha até 
a outra. As mechas devem ser presas com grampos de modo a não atrapalhar a 
aplicação. 
Passo 4: início do tratamento de cobertura de fios brancos — Nessa etapa, os 
cabelos recebem os produtos previamente preparados. No caso da escolha da técnica de 
mordaçagem, será aplicada a água oxigenada aos fios com os cabelos secos. Para 
clientes com poucos fios brancos a água oxigenada deve ser aplicada somente nessas 
mechas com cabelos brancos com auxílio de um algodão embebido na solução e, para 
clientes com grande quantidade de fios brancos e cabelos grossos, a solução pode ser 
aplicada em todo o cabelo. Mantêm-se uma pausa após esse processo até que o produto 
seque completamente nos fios e não é realizada a lavagem antes da aplicação da 
coloração definitiva. 
 Na técnica de pré-pigmentação, a coloração escolhida é passada nos fios, com 
auxílio de um pincel, espalhando a coloração completamente de maneira uniforme. 
Após os procedimentos prévios na técnica de mordaçagem e pré-pigmentação e 
considerando os tempos de pausa, é feita a aplicação da coloração escolhida. 
Para a aplicação da coloração, utiliza-se o produto previamente preparado e faz-
se a aplicação nas mechas de cabelo com auxílio de um pincel de cerdas macias, 
distribuindo de maneira uniforme o produto de sobre os fios, sempre seguindo a direção 
de crescimento dos fios, iniciando pela raiz capilar. Devem ser aplicados primeiramente 
na região de nuca e posteriormente nas outras regiões, em pequenas mechas de cabelo 
finas. À medida que são coloridas, devem ser soltadas lentamente e em camadas, de 
modo que nenhuma mecha fique sem coloração. Para evitar que algumas regiões 
permaneçam com muito produto, o profissional pode pentear os fios, retirando o 
excesso de produto. 
Para a aplicação na técnica de deposição de pigmento, os cabelos brancos 
receberão o produto normalmente e, após, o profissional dá pequenas ―batidinhas‖ com 
o pincel nos fios de cabelo, de modo a depositar mais quantidade de coloração. Após a 
aplicação em todo o cabelo, o profissional deve fazer a conferência, de modo que 
nenhuma região permaneça sem o produto. Deve-se respeitar o tempo de pausa do 
produto no cabelo de acordo com as orientações do fabricante. 
106 
 
Passo 5: higienização do cabelo — Após a pausa, o profissional deve fazer a 
lavagem dos cabelos. Nessa etapa é importante que todo o produto seja retirado dos fios 
em água corrente, com a posterior utilização de xampus e agente condicionador. Vale 
lembrar que se deve evitar o uso de xampus antirresíduos logo após a coloração, pois, 
por possuírem uma ação mais intensa, podem induzir ao desbotamento dos fios mais 
rapidamente. A aplicação de um agente condicionador é essencial, já que após o 
tratamento químico de coloração, os fios de cabelo tendem a ficar mais fragilizados e 
necessitam de hidratação intensiva. 
Passo 6: secagem do cabelo, verificação dos resultados e orientações ao cliente 
— Após concluir o tratamento, os cabelos devem ser secos e cabe ao profissional 
conferir se a cobertura dos fios de cabelos brancos e grisalhos atendeu às exigências do 
cliente. Nessa etapa o profissional deve repassar as orientações necessárias ao cliente, 
incluindo os cuidados diários com os cabelos após a coloração. 
Colorimetria na maquiagem 
As cores têm um papel importante na nossa vida, influenciando em vários 
aspectos. Não se pode fugir do impacto que elas têm: sejam na moda, nos carros, nos 
alimentos, na maquiagem, entre outros, as cores estão muito presentes e podem 
influenciar, inclusive, em nosso humor. 
Os maquiadores profissionais devem ter um entendimento completo sobre a 
teoria das cores, pois é crucial para resolução de problemas e para criar um trabalho 
harmonioso em cada rosto. Além disso, as cores auxiliam na criatividade na hora da 
maquiagem e ajudam a aprimorar o tom de pele dos clientes e acentuar as características 
desejadas. 
Aqui você vai conhecer os conceitos de cor, entender a aplicabilidade da 
colorimetria à maquiagem e aprender as técnicas de colorimetria para a maquiagem. 
Conceitos de cor 
Conceitualmente, cor, segundo o dicionário Priberam on-line, é a impressão que 
a luz refletida pelos corpos produz no órgão da vista. Cor não tem existência material: é 
apenas uma sensação produzida por certas organizações nervosas sob a ação da luz. Ou 
107 
 
seja, é a sensação provocada pela ação da luz sobre o órgão da visão. A luz é física e 
vibra em diferentes faixas de frequência (radiações). 
O aparecimento da cor, então, está condicionado à existência de dois elementos: 
a luz (objeto físico, agindo como estímulo) e o olho (aparelho receptor, funcionando 
como decifrador do fluxo luminoso, decompondo-o ou alterando-o por meio da função 
seletora da retina) (PEDROSA, 1995). Dessa forma, as cores de um objeto não são 
apenas o resultado do objeto propriamente dito, mas o ambiente, incluindo a iluminação 
e as cores ao redor. Os olhos e o cérebro do indivíduo também afetam a percepção. 
Segundo Pedrosa (1995), os estímulos que causam a sensação cromática se 
dividem em dois grupos: cores-luz e cores-pigmento. Cor-luz ou luz colorida é a 
radiação luminosa visível que tem como síntese aditiva a luz branca. Por reunir de 
forma equilibrada todos os matizes existentes na natureza, a melhor expressão é a luz 
solar. Cor-pigmento é a substância material que absorve e reflete os raios luminosos 
componentes da luz que se difunde sobre ela. 
Um dos elementos mais importantes da imagem é a cor. A característica 
principal da pintura é a construção das formas pela cor. No visagismo, trabalha- -se a 
imagem do rosto, sendo essencial saber como a cor funciona e como usá-la para 
conseguir diversos efeitos de maquiagem. A pele já é pigmentada, então é necessário 
saber como as cores da maquiagem reagem com o tom de pele. Também é muito 
importante conhecer as propriedades da cor e saber quais impressões transmitem 
(HALLAWELL, 2010). 
Teoria das cores 
O primeiro estudo sistemático dos efeitos fisiológicos das cores, Theory of 
colours (Teoria das cores) foi feito em 1810. Embora seja uma teoria complexa, os 
princípios são constantes e têm como base a teoria de Isaac Newton, que deu nome às 
cores primárias e que dão base a todas as outras cores (D’ALLAIRD et al., 2017). Além 
das cores primárias, podem-se classificar também as cores secundárias, terciárias, 
complementares e análogas, que podem ser estudadas por meio do círculo cromático. 
O círculo cromático é a representação gráfica das cores e vem do original círculo 
das cores, elaborado por Isaac Newton em 1666. Tem como base as três cores primárias:108 
 
vermelho, amarelo e azul. O tradicional círculo cromático é a criação de várias 
combinações de cores, que derivam de três matizes primários, resultando em 12 
principais divisões. 
As cores primárias são as cores puras, indecomponíveis, que não têm 
absolutamente nenhuma outra cor combinada com ela. São as mais nítidas e muito 
usadas como senso de urgência, além de logotipos e sinais. 
As cores secundárias são aquelas formadas por duas cores primárias e incluem o 
laranja, o verde e o violeta. Por exemplo, laranja é a mistura do vermelho com o 
amarelo, verde é o resultado do amarelo com azul e violeta (ou roxo) é a mistura do azul 
com o vermelho. 
Misturando uma cor primária com uma cor secundária, surgem as cores 
terciárias. Exemplos dessa classificação incluem azul-esverdeado, amarelo- -
esverdeado, vermelho-alaranjado, azul-violeta, vermelho-violeta e amarelo- -alaranjado. 
Essas são as cores finais do círculo cromático apresentado acima. Cores terrosas como 
marrom e cáqui são cores terciárias formadas pela mistura das três cores primárias. 
Cores complementares são aquelas que estão opostas umas às outras no círculo 
cromático. Quando são utilizadas próximas umas das outras, criam um contraste 
distinto, intensificando a aparência uma da outra. No visual e na maquiagem, 
principalmente, podem ser usadas quando se quer que uma cor em especial se destaque 
claramente ou quando se quer uma maquiagem com visual vibrante, dinâmico e 
dramático (D’ALLAIRD et al., 2017). 
As cores análogas são aquelas encontradas uma ao lado da outra no círculo 
cromático, como o amarelo e o verde, o laranja e o vermelho e o violeta e o azul. Essas 
cores criam o mínimo de contraste e combinam entre si. Essas cores são utilizadas na 
maquiagem para dar suavidade e sutileza, como maquiagens para o dia, por exemplo. 
Também pode ser usada para dar ênfase a alguma característica facial, e não para a 
maquiagem em si. 
Colorimetria e maquiagem 
Na arte da maquiagem não existem muitas regras, mas a teoria das cores sempre 
109 
 
permanece. O uso errado das cores, deixando de lado a teoria, pode trazer resultados 
insatisfatórios, como peles envelhecidas e com aparência doente. D’Allaird et al. (2017) 
destacam que as cores são utilizadas para criar humor, emoção, harmonia e perfeição. 
Dessa forma, ter percepção das cores é praticamente um dom para um maquiador, pois 
isso permite que ele conheça totalmente o conceito da teoria e o modo como esta se 
aplica a indivíduos e ambientes específicos. 
Temperatura das cores 
Quando o assunto é maquiagem, é fundamental conhecer a temperatura das 
cores, que se dividem entre quentes e frias. É necessário entender sobre isso para 
determinar os tons de pele e cores apropriadas para criar um visual harmonioso e bonito. 
Uma combinação inadequada de base, por exemplo, quase sempre é o resultado de 
incompatibilidade de cores quentes e frias. 
As cores quentes vão do amarelo-dourado, passando pelo laranja, até alguns 
amarelos-esverdeados. São quentes, pois o vermelho e o amarelo remetem a calor e 
coisas quentes, como o sol e o fogo. Essas cores representam energia, ousadia, vibração, 
excitação e até mesmo raiva (D’ALLAIRD et al., 2017). 
Já as cores frias, formadas por azuis e verdes, são o oposto das cores quentes, 
remetendo a água, grama, ar e gelo. Representam calma, tranquilidade e natureza, mas 
quando utilizadas na maquiagem podem representar também excitação. 
As cores neutras são as que não complementam nem contrastam com nenhuma 
outra cor. Marrom, cinza e nudes, assim como suas variações, são exemplos de cores 
neutras. Na maquiagem, atingem uma cor natural e suave e são opções aceitáveis em 
qualquer tom de pele. 
Pele: tipos cromáticos 
No visagismo, o tom da pele é classificado de acordo com a temperatura da sua 
cor, da cor e do reflexo do cabelo e da cor dos olhos. A classificação das cores no 
visagismo é baseada no sistema color key, específico para o visagismo, o qual classifica 
as cores em temperaturas: quente e fria, assim como a pele. Essa teoria afirma que a 
pele tem uma tonalidade base, que é azulada (fria) ou dourada (quente), e uma 
110 
 
intensidade que vai do claro ao escuro. As cores azuladas harmonizam com magenta, já 
as cores douradas harmonizam com laranja (HALLAWELL, 2010). 
As classificações de cores da pele, dos cabelos e dos olhos são feitas em quatro 
grupos, sendo que cada um deles é conhecido pelo nome de uma estação do ano. Essa 
classificação se aplica basicamente às peles claras. 
As peles negras têm tonalidades muito variadas, contendo outras cores na sua 
composição, além da cor de base, por isso não são analisadas pelo sistema de estações. 
Por ser mais escura, a pele negra contém na sua mistura de cor mais da tonalidade 
marrom e pouco de branco, que só aparece nas áreas de brilho. Todas as peles negras 
são puras de algum tipo de marrom, variando desde marrom-dourado a marrom-azulado 
muito escuro. Dessa forma, os tons de pele negros são classificados em seis grupos 
básicos, dos quais dois são de peles quentes, dois de peles frias e dois de peles neutras 
(HALLAWELL, 2009). 
Aplicando a colorimetria à maquiagem 
Estações: classificação de peles brancas 
As peles brancas classificadas pelas estações são as peles primavera, outono, 
inverno e verão. As peles do grupo primavera pertencem à categoria das cores quentes e 
têm tonalidade básica dourado-amarelado. São luminosas e quando expostas ao sol 
produzem um bronzeado dourado. É comum encontrar esse tipo de pele nos países 
mediterrâneos, especialmente na Itália, mas também entre ingleses, franceses e 
portugueses claros (ESTER, 2010). Já no Brasil, se encontra esse tipo de pele no 
Sudeste e no Sul. A pele primavera é relacionada com o temperamento sanguíneo, além 
de os cabelos serem geralmente claros, castanhos claros ou médios e os olhos serem 
verdes, azuis ou castanhos claros (HALLAWELL, 2009). As cores que combinam com 
peles tipo primavera são luminosas, tenras e delicadas, como: coral, amarelo, pêssego, 
rosa-alaranjado, azul-esverdeado, azul-lavanda, etc. 
A pele do tipo outono também é quente, da classificação dos avermelhados. É 
viva e caracterizada por tons de terra e ferrugem. As pessoas mais claras com esse tom 
de pele se queimam facilmente no sol, enquanto as mais escuras tendem a conseguir um 
111 
 
bronzeado tom de cobre. 
Há dois tipos de pele outono: pele clara, ruivos com sarda, típico dos vikings e 
eslavos do norte da Europa, especialmente Polônia e Rússia; e os de pele mais escura, 
originários de Espanha ou Portugal. Ambos são associados ao temperamento colérico. 
Os cabelos geralmente são ruivos, loiros avermelhados e castanhos claros/médios para 
peles outono mais claras, assim como os olhos são claros. Já para as peles mais escuras, 
os cabelos são escuros, até mesmo pretos, e os olhos são castanho-escuros. As cores que 
combinam com peles tipo outono são basicamente avermelhadas e quentes, tais como: 
amarelo-dourado, bege-escuro, verde-musgo, bronze, entre outras (HALLAWELL, 
2010). 
Opacas e pálidas, as peles do tipo inverno são frias e da categoria das 
amareladas, com fundo roxo. Orientais e árabes tem esse tipo de pele, mas também há 
peles inverno em alguns países da Europa central. Associada ao temperamento 
fleumático é uma pele sem brilho, e pessoas desse tipo devem evitar usar roupas roxas. 
Os olhos de pessoas com pele inverno são escuros, em geral pretos ou castanhos, assim 
como os cabelos. As cores que combinam com o tipo inverno são vivas e fortes, 
caracterizadas pelo azul puro: rosa, violeta-escuro, amarelo-limão, azul-gelo, verde-
água, entre outras. 
As peles do tipo verão são frias, delicadas e rosadas. Com fundo azulado, se 
expostas ao sol queimam com facilidade e não conseguem bronzear. Os olhos 
geralmente são claro e frios, em tons de azul, verde, azul cinzento e violeta. 
Eventualmentepodem ser castanho-claros ou cor de avelã. O cabelo também é 
naturalmente claro: loiro, loiro-claro, cinza-prateado ou castanho-claro. 
As peles do tipo verão combinam com cores suaves e delicadas, caracterizadas 
por tons pastéis: tons de rosa, verde-água, azul-céu, magenta, azul-cinzento, amarelo-
claro, ameixa, marrom-rosado, entre outras (HALLAWELL, 2010). 
Classificação de peles negras 
As peles do tipo Nilo são neutras, com tendência a serem frias, com tonalidades 
muito claras, aproximando-se da cor marfim. O fundo é azul-claro cinzento, mas, apesar 
disso, não há muita semelhança com a pele tipo verão. Os olhos podem ser cinzentos, 
112 
 
esverdeados, azulados ou castanho-claros. O cabelo é castanho-claro ou médio ou, 
ainda, acinzentado. Esse tipo de pele não é muito comum, especialmente no Brasil 
(HALLAWELL, 2009). A pele Nilo combina apenas com cores claras ou neutras-frias, 
como cinza-azulado ou marrom- -esverdeado-claro, por exemplo. As cores escuras 
ficam muito contrastadas, tornando a pele mais pálida e opaca. 
A pele do tipo blues refere-se a um tipo de pele de fundo azul e muito escura e 
fria, correspondendo ao temperamento fleumático. Os olhos são marrom-escuros, quase 
pretos, da mesma forma que o cabelo geralmente é preto, marrom-escuro ou 
acinzentado-escuro. As cores frias vivas e que contrastam, que contêm azul, verde e 
carmim, harmonizam muito bem com esse tipo de pele. 
A pele tipo jazz é um pouco mais clara que a do tipo blues. Tem fundo verde, o 
que a torna fria. Os olhos são marrom-escuros ou pretos e o cabelo é preto, marrom-
médio ou escuro ou cinza-azulado (HALLAWELL, 2009). As cores que harmonizam 
com esse tipo de pele são frias, vivas e puras, tais como magenta e roxo. Corresponde 
ao temperamento melancólico-colérico. 
O tipo Saara corresponde a peles de tom amarelado-claro com tendência a frio, 
tem um fundo roxo e se assemelha a algumas peles do tipo inverno. Remete à cor do 
deserto e trata-se de uma pele com misturas de raças. Os olhos geralmente são marrom-
amarelados ou esverdeados e os cabelos são castanhos ou marrom-claros, loiro-escuros 
ou ruivo-médios. É um tipo de pele muito encontrado no Brasil (HALLAWELL, 2009). 
As cores que harmonizam com o tipo de pele Saara são frias, semelhantes às da pele 
inverno, porém menos intensas e mais neutras, permanecendo o roxo, o magenta, os 
amarelos-claros, os verdes-claros e os vários tons de bege. 
A pele do tipo calipso é quente e dourada. Semelhante à pele primavera, parece 
bronzeada, pois tem um tom mais escuro. É uma pele vibrante e luminosa, de tom 
médio. Os olhos são pretos, castanhos, marrom-amarelados ou marrom-esverdeados 
mais escuros. O cabelo é preto, castanho-médio ou escuro ou ruivo-escuro. Harmoniza 
basicamente com cores quentes, mas especialmente com as mais brilhosas, nas quais 
predominam o amarelo- -dourado e os tons quentes de rosa, como salmão, coral e 
pêssego. 
A última pele da classificação de peles negras é a spike, que se trata de uma pele 
113 
 
avermelhada com fundo verde-terra, semelhante às peles mais escuras do tipo outono. É 
muito encontrada no Brasil. Os olhos são castanho-escuros, pretos ou esverdeados. O 
cabelo é preto, castanho-médio ou escuro, ruivo- -médio ou escuro, vermelho ou cinza 
(HALLAWELL, 2009). As peles spike harmonizam muito bem com cores 
avermelhadas e alaranjadas, vivas e quentes. 
Camuflagem de disfunções estéticas faciais 
Assim como os outros órgãos do corpo, a pele é suscetível a diversos problemas, 
como as disfunções estéticas. Como profissional maquiador, você deve estar preparado 
para reconhecer as alterações de pele mais comuns e distinguir entre aquelas que pode 
lidar e as que devem ser tratadas por um médico, assim como as disfunções que podem 
ser disfarçadas através da maquiagem. Embora você possa reconhecer determinados 
problemas, não estará qualificado a diagnosticá-los. Em alguns casos, o seu trabalho 
poderá ajudar. Por isso, é importante reconhecer e saber identificar em quais situações 
se pode ou não realizar a camuflagem dessas disfunções. 
Neste item, você identificará as diferentes disfunções estéticas faciais que podem 
ser camufladas com maquiagem, entenderá como aplicar a colorimetria para a 
camuflagem e conhecerá as técnicas de camuflagem cosmética. 
Disfunções estéticas da pele 
Existem diversas disfunções estéticas da pele que podem ser ocasionadas por 
alterações orgânicas ou funcionais. A maior parte das disfunções pode ser camuflada, 
cada uma de acordo com suas características. É importante entender como se dá cada 
uma das disfunções, para que o profissional saiba escolher a camuflagem correta para 
cada uma delas, utilizando a colorimetria. 
Acne 
A acne é uma condição inflamatória crônica do folículo pilossebáceo, de 
natureza genética e hormonal, que pode ser agravada por alguns fatores como 
alimentação inadequada, estresse e medicamentos. Possui quatro fatores etiopatogênicos 
fundamentais: hiperprodução sebácea, hiperqueratinização folicular, aumento da 
114 
 
colonização por Propionibacterium acnes e inflamação dérmica periglandular. É uma 
disfunção muito comum entre adolescentes e adultos jovens, sendo mais frequente na 
idade adulta entre mulheres, apresentando maior tendência a deixar cicatrizes no sexo 
masculino. 
O quadro clínico da acne é estabelecido de acordo com o grau de lesão, sendo 
que algumas pessoas podem desenvolver manifestações mais graves da disfunção, com 
ocorrência de cicatrizes, manchas e alterações na superfície da pele (SABATOVICH; 
KEDE, 2009). As características de vários estágios da acne incluem comedões abertos e 
fechados (cravos), pápulas (pequenas saliências sólidas), pústulas (regiões inchadas e 
com pus) e cistos (D’ALLAIRD et al., 2016). 
A acne pode provocar agravos de natureza física e psicológica, principalmente 
em decorrência das marcas que permanecem após a regressão dos quadros inflamatórios 
mais graves, tratados tardiamente. Para o tratamento existem disponíveis no mercado 
vários cosméticos, e para casos mais graves podem ser oferecidos esquemas 
terapêuticos sistêmicos, com o uso de medicamentos orais específicos (SABATOVICH; 
KEDE, 2009). Aplicações de maquiagem em pele com acne podem ser satisfatórias no 
sentido de disfarçar as lesões, porém, o uso contínuo e a remoção inadequada de 
produtos oleosos pode agravar o quadro. 
Rosácea 
A rosácea é uma dermatose inflamatória crônica que aparece nas bochechas e no 
nariz. É caracterizada por rubor (vermelhidão), telangiectasia (vasos sanguíneos 
superficiais distendidos ou dilatados) e, em alguns casos, a formação de pápulas e 
pústulas. Não pode ser confundida com a acne e não é o mesmo problema de pele que 
acomete adolescentes. Costuma se manifestar após os 35 anos, e é mais comum em 
mulheres do que em homens. Exposição ao sol, ao calor ou ao clima muito frio, a 
ingesta de alimentos muito apimentados, cafeína, álcool e o estresse são alguns fatores 
que podem agravá-la. Indivíduos com rosácea costumam ser sensíveis aos componentes 
da maquiagem, embora produtos adequados ajudem a reduzir o rubor constante 
(D’ALLAIRD et al., 2016). 
115 
 
Psoríase 
A psoríase (Figura 1) é uma doença frequente (prevalência mundial de 2%), cuja 
causa não é totalmente compreendida, sendo caracterizada por lesões avermelhadas 
recobertas por escamas. O curso da doença é crônico e imprevisível, também 
caracterizado por exacerbações e remissões dos sintomas, não tendo idade específica de 
início. A disfunção acomete homens e mulheres, embora o início seja mais precoce nas 
mulheres. Apesar de a causa ser desconhecida, a doença está associada à predisposição 
genética, pois um terço dos pacientes refere algum parente acometido pela doença. 
 
Olheiras pigmentares e vasculares 
Denominada também melanose periocular, a olheira é uma hipercromia na 
região periocular. A causa mais comum de hiperpigmentaçãoda pele resulta do depósito 
de melanina na derme, sendo denominada olheira pigmentar, mas outra possibilidade é a 
presença da grande vascularização superficial, visível através da fina pele palpebral, 
chamada olheira vascular. Outras causas podem ser: doenças sistêmicas, incluindo 
doença de Addison, tumores pituitários, distúrbios tireoideanos e síndrome de Cushing, 
bem como doenças sistêmicas autoimunes e neoplasias. As olheiras também podem ser 
pós-inflamatórias ou pós-traumáticas, por medicações fotossensibilizantes como 
arsênicos, fenotiazidas e hidantoína (SAMPAIO; RIVITTI, 2000). A hipercromia da 
116 
 
região orbital, além de ter aspecto escurecido, proporciona uma aparência cansada e 
triste à face. Existem alguns tratamentos clínicos disponíveis, porém apresentam 
dificuldade na melhora e os resultados não são muito duradouros. 
Manchas vinho do porto e hemangiomas 
As manchas vinho do porto são malformações maculosas vermelhas ou 
violáceas, de forma irregular, comuns (acometem 0,3% dos recém-nascidos) e que não 
desaparecem espontaneamente. Podem estar associadas à malformação vascular nos 
olhos e nas leptomeninges (síndrome de Sturge-Weber) (WOLFF; JOHNSON; 
SAAVEDRA, 2016). As lesões das manchas vinho do porto são maculosas com tons 
variáveis de rosa a púrpura. Lesões grandes seguem a distribuição dos dermátomos e 
são habitualmente unilaterais (85%). Acometem a face na distribuição do nervo 
trigêmeo e, em geral, nos ramos superior e intermediário. Com o aumento da idade do 
indivíduo podem surgir pápulas ou nódulos de consistência elástica, que causam 
desfiguração estética significativa. Os hemangiomas são caracterizados por acúmulo 
anormal de vasos sanguíneos na pele, que pode ocorrer em qualquer parte do corpo, 
causando uma mancha avermelhada ou arroxeada. 
Equimoses e hematomas 
Quando a pele sofre uma lesão por um golpe ou choque contra um corpo resistente 
sem que exista ferimento aberto na pele, pode ocorrer o rompimento dos vasos 
sanguíneos e o consequente extravasamento de sangue no tecido, responsável pelo 
surgimento de equimoses (quando há rompimento de vasos de pequeno calibre), ou 
hematomas (quando há rompimento de vasos de maior calibre). São caracterizados por 
manchas de cor violácea que, com o transcurso do tempo, tornam-se esverdeadas e 
depois amarelas, até desaparecer. Pode haver, além disso, dor e ligeira tumefação da 
zona lesada. 
Discromias 
Os pigmentos podem ser afetados por diversos fatores, incluindo hereditariedade, 
oscilações hormonais, exposição a raios UV, medicamentos, doenças sistêmicas e 
inflamações. Embora algumas vezes sejam mais difíceis de serem cobertos, distúrbios 
117 
 
de pigmentação não têm contraindicação para aplicação de maquiagem, inclusive são 
motivo de muita procura por maquiadores profissionais. Entre as alterações pigmentares 
estão a hiperpigmentação, hipopigmentação e acromias. 
Hiperpigmentação 
Hiperpigmentação significa uma pigmentação mais escura do que a normal, que 
aparece como manchas escuras na pele. A melanose (Figura 2), também conhecida 
como mancha senil, é uma pigmentação escura, geralmente circunscrita e definida, que 
pode atingir a pele exposta ao sol. 
O melasma, que também pode ser denominado cloasma quando desenvolvido na 
gravidez (Figura 3), é uma hipermelanose adquirida que ocorre predominantemente na 
face e é exacerbada pela luz. Caracteriza-se por manchas acastanhadas, irregulares e 
assimétricas, normalmente localizadas nas regiões centrofacial, malar e mandibular 
(SABATOVICH; KEDE, 2009). 
 
118 
 
 
Clinicamente, as lesões se manifestam sob a forma de manchas marrom- -
escuras e marrom-acizentadas, são simétricas, de bordas irregulares e geográficas e 
ocorrem na fronte, regiões zigomáticas, masseterianas, nasal, temporal, mandibular, 
mentoniana e supralabial. O melasma pode ser classificado pela localização do 
pigmento melânico nas camadas da pele (epidérmico, dérmico e misto). Vários fatores 
estão relacionados ao seu desenvolvimento, mas a exposição à radiação ultravioleta 
parece ser o mais importante, além da genética, gravidez, o uso de anticoncepcionais 
hormonais e a terapia de reposição hormonal em mulheres pós-menopausadas. O 
melasma acomete principalmente mulheres (90% dos casos). Essa condição é muito rara 
antes da puberdade e ocorre em qualquer tipo de pele, mas há prevalência em fototipos 
mais altos, em pessoas de origem hispânica e oriental, ou que vivem em locais com 
altos índices de radiação ultravioleta. As efélides (Figura 4), mais conhecidas como 
sardas, são pequenas manchas planas, de cor marrom-ocre que aumentam quando em 
exposição aos raios ultravioletas, disseminadas no rosto e nas partes descobertas do 
corpo. 
Segundo Wolff, Johnson e Saavedra (2016), a hiperpigmentação melânica pós-
inflamatória da epiderme é um problema importante para os fototipos cutâneos IV, V e 
VI. Essa pigmentação pode se desenvolver com a acne, psoríase, dermatite atópica ou 
de contato, ou ainda, depois de qualquer tipo de traumatismo na pele. Pode persistir por 
semanas a meses, sendo que as lesões permanecem no local da inflamação anterior e 
119 
 
possuem limites imprecisos e desbotados. Dependendo da etiologia da 
hiperpigmentação, o pigmento pode ser depositado na derme ou na epiderme e isto 
implica no tratamento das alterações da pigmentação. Segundo Wolff, Johnson e 
Saavedra (2016), na hiperpigmentação epidérmica os pacientes apresentam máculas 
castanhas a castanho-escuras pouco demarcadas, já na hiperpigmentação dérmica a 
tonalidade é mais castanho-acinzentada. 
 
Hipopigmentação 
Hipopigmentação é a diminuição do pigmento que resulta em manchas claras ou 
brancas. Inclui pitiríase versicolor e hipopigmentação ou hipomelanose pós-
inflamatória. 
A pitiríase versicolor, conhecida também como pano branco ou micose de praia, 
é causada por um fungo que deixa manchas circunscritas, ovais e mais claras sobre a 
pele. São mais comuns no pescoço, peito, costas e braços, e as cores podem variar entre 
120 
 
branco, rosa, laranja e marrom, dependendo o tom da pele que é atingida. 
Segundo Wolff, Johnson e Saavedra (2016) a hipomelanose pós-inflamatória 
sempre está relacionada à perda de melanina. É frequentemente observada na dermatite 
atópica, psoríase, dermatite seborreica dentre outras afecções. Também pode surgir após 
a dermoabrasão e peelings químicos, sendo que nessas condições existe um bloqueio de 
transferência no qual os melanossomas estão presentes nos melanócitos, porém não são 
transferidos para os queratinócitos. Em geral, as lesões são esbranquiçadas e possuem 
limites imprecisos. 
Acromias 
O vitiligo (Figura 5) é um problema clínico importante e pode acarretar graves 
dificuldades no ajuste social, principalmente em pessoas com pele parda e negra. 
Caracteriza-se clinicamente pelo desenvolvimento de máculas totalmente brancas, 
microscopicamente pela ausência completa de melanócitos e sistematicamente por 
frequente associação com determinadas doenças clínicas, principalmente distúrbios 
como o da tireoide (WOLFF; JOHNSON; SAAVEDRA, 2016). 
 
É uma doença multifatorial, onde estão envolvidos fatores genéticos, 
hereditários, imunológicos e ambientais. Inicialmente, as lesões são hipocrômicas; em 
121 
 
algumas lesões recentes pode ocorrer uma borda discretamente eritematosa, seguida da 
instalação da mancha acrômica com borda, em geral hipercrômica. Há localizações 
preferenciais como face, punhos, dorso dos dígitos, genitália, dobras naturais da pele e 
eminências ósseas como cotovelos. Há também o albinismo, condição genética causada 
pela deficiência na produção de melanina, resultando em uma pele totalmente branca, e 
dependendo do grau, pode interferir até mesmo na cor dos olhos e dos cabelos. Pessoas 
albinas não apresentarão hipercromias. 
Camuflagem cosmética 
Existem alguns métodos básicos para a aplicaçãoda camuflagem cosmética, 
como a alta cobertura e o uso de produtos HD, onde são usados produtos da cor da pele, 
com alta tecnologia, diferentes da maquiagem regular e o uso de corretivos coloridos. 
Os cosméticos para camuflagem têm uma consistência mais densa do que os produtos 
comuns, e normalmente estão disponíveis em forma de creme, bastão ou compacto. 
Segundo Silveira (2014), esses produtos contêm 25% a mais de pigmento em suas 
formulações, além de conter substâncias dotadas de capacidade óptica. Há os que são da 
cor da pele, que contém maior concentração de pigmentos, dando um alto grau de 
cobertura, chamados de produtos de alta cobertura. Há os produtos HD (primers, bases e 
corretivos cor da pele, e pós) com pigmentos fotocromáticos, que fazem o rebate de luz, 
cobrindo as manchas. E há, ainda, os corretivos coloridos. 
Colorimetria para camuflagem cosmética 
A camuflagem com corretivos coloridos ocorre por meio da colorimetria e do 
uso do círculo cromático, que consiste no uso de corretivos coloridos que são capazes 
de neutralizar manchas coloridas. A potência da neutralização é baseada no conceito 
colorimétrico, ou seja, de acordo com a cor da lesão que necessita ser neutralizada, 
deve-se usar a cor localizada no lado oposto do círculo cromático. Dessa forma, existem 
diversas cores de corretivos que podem ser usados na camuflagem de disfunções 
estéticas: verde, amarelo, laranja, lilás ou roxo, coral ou salmão, vermelho e branco. Na 
cor, o todo é compreendido pelas cores primárias, portanto, quando uma delas estiver 
presente, como o amarelo, por exemplo, será necessário ter as outras duas cores (azul e 
magenta) para completar a totalidade de cores. Assim, a cor complementar é sempre a 
oposta no triângulo/roda das cores, as quais, sobrepostas, se neutralizam. 
122 
 
Dessa forma, o corretivo amarelo é usado para neutralizar hematomas (manchas 
roxas) e olheiras vasculares. Com o corretivo verde é possível camuflar manchas 
avermelhadas de acne, cicatrizes, sinais e vasos. O corretivo vermelho auxilia na 
neutralização de manchas esverdeadas e é próprio para manchas de vitiligo ou psoríase, 
ajudando a cobrir as manchas brancas ou ausência de cor na pele. Para neutralizar 
hematomas mais esverdeados, manchas no tom marrom quente, sardas, imperfeições 
amareladas ou alaranjadas e manchas de sol, pode-se utilizar corretivos na cor roxa ou 
lilás. Para imperfeições em tons azulados, como um hematoma, marcas de barbas em 
homens e até mesmo olheiras pigmentares ou vasculares, pode-se utilizar o corretivo 
coral. O corretivo coral ou salmão pode ser utilizado para cobrir olheiras que são 
azuladas ou arroxeadas, e marrons mais escuras/frias que tenham na composição mais 
pigmentos azulados do que amarelados. Também é usado para evitar que peles negras 
fiquem acinzentadas. 
Além dos corretivos coloridos, existe ainda o corretivo branco, que é utilizado 
como base para a aplicação de sombra. Ajuda a apagar manchas escuras da pálpebra, 
evidenciando a cor da sombra usada. 
Técnicas de camuflagem 
O resultado da maquiagem para camuflagem muitas vezes pode dar uma 
aparência pesada ao cliente, por isso, o profissional deve buscar equilíbrio entre a 
cobertura e o peso da aplicação, para alcançar uma aparência que seja aceitável e esteja 
em equilíbrio. Em geral, a maquiagem para camuflagem precisa preencher uma série de 
pré-requisitos, como: combinar com a cor da pele do cliente, oferecer a aparência mais 
natural possível e ser à prova d’água, aderente, de longa duração e de fácil aplicação 
(SILVEIRA, 2014). 
Para realizar a camuflagem, o passo a passo consiste em higienizar a pele e 
aplicar um primer HD em todo o rosto (outras características ainda devem ser 
observadas na escolha do primer, por isso é importante que o profissional conheça a 
composição dos produtos com que trabalha). Em seguida, deve-se analisar quais são as 
disfunções e características que a pele apresenta para que sejam selecionados os 
produtos ideais. Se as disfunções apresentarem cores ou discrepâncias amenas em 
relação à cor de pele do cliente, e o profissional tiver produtos de alta cobertura ou 
123 
 
produtos HD, a camuflagem poderá ser realizada utilizando apenas corretivos e bases na 
mesma cor da pele. Se, porém, as alterações de cor forem muito intensas em relação ao 
tom da pele, a camuflagem pode ser realizada com o uso dos corretivos coloridos, 
usando sempre a regra da colorimetria e neutralização das cores. Escolhidas as cores dos 
corretivos necessários para o cliente, estes devem ser aplicados utilizando um pincel 
língua de gato ou kabuki, com batidinhas para aderir bem à pele. 
Após a etapa da camuflagem, faz-se a aplicação da base com pincel duo fiber, 
kabuki ou esponja úmida, sempre com batidinhas, sem arrastar o pincel, para não 
transferir o corretivo de camuflagem anteriormente aplicado. A base deve ser aplicada 
de maneira a aderir bem à pele e cobrir bem os camufladores. Em seguida, aplica-se o 
pó, bem fino, translúcido ou do tom da pele do cliente, em toda a sua face. O pó deve 
ser evitado em peles secas e maduras ou cuja aplicação da base já tenha oferecido um 
resultado seco, sem brilho e com boa fixação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
124 
 
Referências 
ACÁCIO, J. Sandbag, cutcrease, olho cachorrinho: confira as 6 técnicas de maquiagem 
mais comentadas do momento. 2016. Disponível em: http://www.juacacio.com/ 
beauty/sandbag-cutcrease-olho-cachorrinho-confira-as-6-tecnicas-de-maquiagem- -
mais-comentadas-do-momento/. Acesso em: 25 set. 2020. 
AGUIAR, T. Personal stylist: guia para consultores de imagem. 4. ed. São Paulo: Senac, 
2006. 
ANEETHUN. Matizar os cabelos: por que e como fazer? 2016. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 25 set 2020. 
AYRES, N. Cabelo com luzes: guia sobre os principais métodos. 2015. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 25 set 2020. 
BAILER, A. C.; DOGNINI, L.; MOSER, D. K. Coloração sintética capilar: uma 
abordagem sobre os conceitos, classificação e suas funções. 2009. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . 26 set 2020. 
BARTLETT, S. Feng Shui e o amor. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Era, 2000. 
BEAUTY COLOR. Saiba como cobrir cabelo branco com tinta loira. 2018. Disponível 
em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 27 set 2020. 
BELLKEY. Mordaçagem. 2018. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 27 set 2020. 
BIOQUIMICA da beleza. 2005. (Apostila de Curso de Verão — Bioquímica da Beleza, 
Departamento de Bioquímica, Instituto de Química, Universidade de São Paulo). 
Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 27 set 2020. 
BORGES, L. Aula de colorimetria. 2014. Disponivel em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 28 set 2020. 
CALEFFI, R.; HELDMANN, T. R.; MOSER, D. K. Cloreto de sódio: análise de sua 
função na formulação de xampus para manutenção de cabelos quimicamente tratados. 
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Tecnologia, Cosmetologia e Estética) 
— Universidade Vale do Itajaí. Itajaí, SC, 2009. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 28 set 2020. 
CAMADAS da haste capilar. Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . 
Acesso em: 29 set 2020. 
CASTRO, J. M.; DE SANTIS, S. A. C. A importância do estudo de colorimetria para a 
realização de procedimentos de coloração permanente de cabelos. 2017. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 29 set 2020. 
COLORDESIGN. A estrutura do cabelo. c2002. (Apostila técnica Colordesign). 
125 
 
Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 30 set 2020. 
COMO matizar o cabelo com tinta. 2017. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 01 out 2020. 
CRISTINA, D. Cabelo degrade loiro:passo a passo. 2011. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 01 out 2020. 
DANTAS, B. Saiba como fazer descoloração perfeita em três passos. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 01 out 2020. 
D’ALLAIRD, M. et al. Milady maquiagem: teoria das cores, maquiagens especiais 
evolução da maquiagem. São Paulo: Cengage Learning, 2017. 
DE CAPRIO, D.; MENEZES, L. Cabelo branco: dicas para cuidar ou disfarçar. 2011. 
Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 02 out 2020. 
DRAELOS, Z. Dermatologia cosmética: produtos e procedimentos. São Paulo: Santos, 
2012. 
ESTER, D. Como escolher e harmonizar as cores: loiras, ruivas, morenas, negras, 
orientais. 2010. Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 03 
out 2020. 
FALCÃO, J. De loira para morena: use a técnica da pré-pigmentação. c2018. 
Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 04 out 2020. 
 FERREIRA, A. P. Noções de tricologia. (Apostila de Treinamento Cabelos: Noções de 
Tricologia — Parte 1, Masterview Equipamentos Ópticos Ltda). Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 05 out 2020. 
FERREIRA, S. Como fazer luzes! Aprenda as 3 técnicas mais usadas!!! c2015. 
Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 06 out 2020. 
FREITAS, K. T.; PEREIRA, S.; PIMENTEL, T. T. Tricologia - o estudo da 
colorimetria capilar e a visão docente. Interdisciplinar (Revista Eletrônica da UNIVAR), 
v. 2, n. 15, p. 103-110, 2016. Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . 
Acesso em: 06 out 2020. 
GAMA, R. M. Avaliação do dano a haste capilar ocasionado por tintura oxidativa 
aditivada ou não de substâncias condicionadoras. 160 p. Dissertação (Mestrado em 
Farmácia) – Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo. São 
Paulo, 2010 Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 06 out 
2020. 
GOMES, G. Colorimetria sem segredo — do básico ao avançado. (Apostila de 
colorimetria 1). Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 06 
out 2020. 
126 
 
GOZ COSMÉTICOS. Blond supreme. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 06 out 2020. 
HALAL, J. Tricologia e a química cosmética capilar. 5. ed. São Paulo: Cengage 
Learning, 2016. 
HALLAWELL, P. Visagismo: harmonia e estética. 6. ed. São Paulo: Senac, 2010. 
HALLAWELL, P. Visagismo integrado: identidade, estilo e beleza. 2. ed. São Paulo: 
Senac, 2009. 
INSTITUTO EMBELLEZE. Colorimetria. 2011. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 06 out 2020. 
JARDIM, E. S. C. Mechas: você dá atenção ao correto enxague das mechas? 2017. 
Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 06 out 2020. 
LAGUNE COSMETICS. Apostila descoloração. Santo André, SP: CSA Cosmétics, 
2016. Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 06 out 2020. 
LOPES, F. M. et al. Introdução e fundamentos da estética e cosmética. Porto Alegre: 
Sagah, 2018. 
O ASPECTO dos cabelos. Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . 
Acesso em: 06 out 2020. 
MARQUES, R. Técnicas e arte da cor. 2018. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 07 out 2020. 
MARTINI, F. H.; TIMMONS, M. J.; TALLITSCH, R. B. Anatomia humana. 6. ed. 
Porto Alegre: Artmed, 2009. 
MEDEIROS, C. Mechas: descubra a melhor técnica de acordo com o tom de pele de sua 
cliente. 2014. Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 07 
out 2020. 
MILIAUSKAS, R. Princípios básicos da coloração e suas aplicações. In: SEMANA 
PAGAN, M. Sete cuidados com o couro cabeludo garantem cabelos mais bonitos e 
saudáveis. 2016. Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 
07 out 2020. 
PAULA, C. M. S. S. Alterações na ultra-estrutura do cabelo induzidas por cuidados 
diários e seus efeitos na propriedade de cor. 119 p. Tese (Doutorado em Química) — 
Instituto de Química, Universidade Estadual de Campinas. Campinas, SP, 2001. 
Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 07 out 2020. 
PEDROSA, I. Da cor à cor inexistente. 6. ed. Rio de Janeiro: Leo Christiano Editorial, 
1995. 
127 
 
PIRES, L. et al. Técnicas de escurecimento. Revista Cabeleireiros, n. 6, 2018. 
Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 07 out 2020. 
PORTAL EDUCAÇÃO. Colorações capilares. Campo Grande: Portal Educação, 2012. 
Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 07 out 2020. 
PRIBERAM DICIONÁRIO. Cor. c2018. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 07 out 2020. 
QUEIROZ, M. Círculos cromáticos. 2014. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home. Acesso em: 07 out 2020. 
RIVITTI, E. Dermatologia de Sampaio e Rivitti. 4. ed. São Paulo: Artes Médicas, 2018. 
ROCHA, L. M.; MOREIRA, L. M. A. Diagnóstico laboratorial do albinismo 
oculocutâneo. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 43, n. 1, p. 25-
30, fev. 2007. ROZÁRIO, M. Nutricosméticos ganham a atenção dos consumidores 
brasileiros. Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home. Acesso em: 07 out 
2020. 
ROCHA, D. Colorimetria na prática. 2016. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 08 out 2020. 
SABATOVICH, O.; KEDE, M. P. V. Dermatologia estética. 2. ed. Rio de Janeiro: 
Atheneu, 2009. 
SAMPAIO, S.; RIVITTI, E. Dermatologia. 2. ed. São Paulo: Artes Médicas, 2000. 
SILVA, E. A. Princípios básicos da colorimetria. 2012. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 08 out 2020. 
SILVEIRA, G. Que pele! Tudo o que você precisa saber para ter a pele bonita, firme e 
saudável. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2014. 
TECNOLÓGICA, 3., 2017, Diadema; MOSTRA DE TRABALHOS CIENTÍFICOS E 
INOVAÇÃO TECNOLÓGICA, 1., 2017, Diadema. Trabalhos apresentados... Diadema, 
SP: Fatec Diadema - Luigi Papaiz, 2017. Disponível em: 
https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso em: 05 out 2020. 
TERRIBILE, C. Colorimetria applicata. Città di Castello (PG): Nouva Prhormos, 2013. 
Disponível em: . Acesso em: 31 out. 2018. TIPOS de coloração e seus diferentes efeitos 
aos cabelos. 2013. Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home. Acesso em: 
26 set 2020. 
UNILEVER. Tem cabelo branco? Conheça a mordaçagem, técnica que pode te ajudar 
com a coloração. 2017. Disponível em: https://catalogo.grupoa.education/home . Acesso 
em: 27 set 2020. 
WOLFF, K.; JOHNSON, R. A.; SAAVEDRA, A. P. Dermatologia de Fitzpatrick: atlas 
128 
 
e texto. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2016.

Mais conteúdos dessa disciplina