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MANEJO DE DOENÇAS VIRÓTICAS 1. Introdução à Fitovirologia........................................................................... 1 2. Definição de vírus......................................................................................... 5 3. Características gerais e especiais................................................................ 6 4. Componentes e estrutura da partícula viral ................................................ 7 5. Modo de atuação do vírus na célula hospedeira.......................................... 10 6. Mecanismos Gerais Empregados Pelos Fitovírus para Multiplicação e Translocação nas plantas hospedeiras...................................................... 12 7. Sintomas Provocados Por Vírus em Plantas................................................ 16 8. Mecanismos de Transmissão de Vírus de Plantas....................................... 22 9. Importância do Tipo de Transmissão na Epidemiologia da Doença.......... 32 10. Métodos de Avaliação Qualitativa e Quantitativa de Doenças Viróticas... 34 11. Detecção, Identificação e Estudo dos Vírus em Plantas............................ 39 12. Importância econômica das Fitoviroses e Métodos de Controle............... 53 13. Literatura Citada…………………………………………………………. 77 1 MANEJO DE DOENÇAS VIRÓTICAS 1. Introdução à Fitovirologia Dentre os patógenos causadores de doenças em plantas os vírus e os viróides podem ser considerados os mais simples em termos de composição e estrutura, o que tem restringido a sua definição como um organismo vivo. Durante muito tempo foram considerados os menores agentes infecciosos capazes de causar doenças em plantas e os únicos a serem parasitas intracelulares obrigatórios. As dificuldades impostas pela escassez de tecnologia disponível na época em que começaram a ser estudados , no final do século 19, fizeram com que muitas de suas características bioquímicas e estruturais permanecessem desconhecidas durante algumas décadas. A primeira notícia que se tem sobre doenças viróticas em plantas foi obtida não através de estudos, mas através de quadros de pintores europeus que retrataram plantas de tulipa com sintomas de variegação que posteriormente foram identificados como causados por virus. Esse fenômeno foi primeiramente descrito na Holanda por Clusius, em 1576, e em 1643 descobriu-se que essa viariegação podia ser transmitida por enxertia, o que fez com que a comercialização de tubérculos de tulipas variegadas fosse bastante desativada. Um outro exemplo antigo de virose é o de plantas de Abutilon striatum, variedade Spurium que foi importado para a Europa em 1868, como uma planta selvagem ornamental, que também apresentava folhas variegadas posteriormente atribuídas à infecção pelo vírus do 2 mosaico do Abutilon. Em 1869 Morren, da Bélgica, e Lemoine, da França, descobriram ao mesmo tempo que essa variegação podia também ser transmitida por enxertia (Bos, 1983). As primeiras transmissões experimentais de vírus foram feitas de um modo acidental por Lawrence (1714) e por Blair (1719), que estavam tentando provar que a seiva deveria circular de uma planta para outra em experimentos de enxertia. Entretanto o primeiro experimento realizado com a finalidade de transmitir o agente causal da doença chamada de mosaico em plantas de fumo foi realizado por Adolf Eduard Mayer, na Holanda em meados de 1882-1886. Ele realizou estudos detalhados conseguindo reproduzir a doença numa planta sadia por meio de transmissão artificial, través da aplicação do suco de plantas doentes com pequenos tubos capilares de vidro. Desses estudos pode concluir que essa doença era causada não por um desequilibrio nutricional mas sim por um agente infeccioso, possivelmente um tipo de enzima solúvel, embora essa afirmação não encontrasse nenhum respaldo científico naquela época (Bos, 1983). Em 1892 Ivanovski, da Russia, conseguiu a transmissão mecânica do agente causador do mosaico do fumo com suco de plantas passado através de filtros de porcelana capazes de reter as bactérias até então conhecidas. Em 1898 Beijerinck, da Holanda, repetiu esse experimento, concluindo também que esse era o menor agente capaz de causar doenças em plantas e lhe deu o primeiro nome, chamando-o e de contagium vivum fluidum. Baur (1904) demonstrou que o agente causal da variegação do Abutilon podia ser transmitido por enxertia mas não por inoculação mecânica. Esses autores passaram então a denominar esse agente causal de vírus para constrastar com bactéria, mas como essa palavra também era utilizada mais ou menos como sinônimo de bactéria, passaram a denomina-lo de “vírus filtráveis”. A palavra vírus era também empregada para qualquer tipo de líquido venenoso ou de natureza infecciosa. 3 Muitas outras doenças de natureza infecciosa foram descobertas no período de 1900-1935, sendo que a dificuldade de se utilizar métodos adequados para a sua identificação gerou bastante confusão na época. Os critérios empregados para se classificar uma doença como sendo de natureza virótica eram a sua natureza infecciosa, uma presumida, evidente ou provável natureza submicroscópica e a impossibilidade de ser cultivado in vitro. Isso fez com que algumas doenças causadas por micoplasmas, espiroplasmas e mesmo algumas bactérias como a que causa o raquitismo da soqueira, em cana-de-açúcar, que tem de 500 a 1000 nm de comprimento por 250 – 450 nm de largura e forma microcolonias no xilema. A descoberta de que os vírus poderiam ser transmitidos por insetos e o uso de plantas indicadoras e de métodos bioquímicos e fisicoquímicos no seu estudo, durante as primeiras décadas do século XX, permitiram os primeiros avanços em fitovirologia. Muitos vetores de diferentes vírus foram detectados e Smith (1931), utilizando vetores e plantas indicadoras, contribuiu de modo efetivo para a diferenciação de doenças viróticas, alertando para a possibilidade de ocorrência de infecções mistas em batata. Beale (1928) detectou um antígeno específico em plantas de fumo infectadas com o vírus do mosaico; poucos anos depois Gratia (1933) descobriu que plantas infectadas com vírus diferentes continha antígenos específicos diferentes. A obtenção da partícula viral em sua forma de cristalização (Stanley, 1935) e a determinação dos componentes da partícula viral como sendo de natureza nucleoproteica (Bawden et al., 1936) foram bambém bastante importantes no estudo dos fitovírus. Finalmente, com a descoberta do microscopio eletrônico em 1939 e a sua evolução no sentido de permitir o uso de técnicas de alta precisão, a fitovirologia passou para uma outra fase em que importantes novas informações se tornaram possíveis. 4 Matthews (1992) dividiu os estudos realizados nos últimos cem anos, em fitovirologia, em cindo fases: 1) 1890 – 1935: período em que foram descritas muitas viroses, sendo que os estudos deram ênfase ao fato dos vírus atravessarem filtros capazes de reter bactérias, motivo pelo qual foram chamados de “vírus filtráveis”. A natureza dos vírus era desconhecida e havia muita confusão entre a distinção da doença e do agente causal em si. 2) 1935 – 1956: o primeiro vírus foi isolado em 1935 e demonstrou ser uma ribonucleoproteína em 1936. Nos anos seguintes numerosos vírus foram isolados e suas propriedades físicas e químicas foram estudadas. Foi demonstrado que todos eles eram constituídos de RNA e proteína e em 1956 foi demonstrado que o RNA sozinho era suficiente para causar infecção. 3) 1956 – 1970: Foram descobertos virus de RNA com genoma multipartido e fitovírus com DNA de fita dupla, mas o principal avanço foi permitido pelo uso da microscopia eletrônica. Foi possível ver o efeito do vírus nos tecidos da planta. 4) 1970 – 1980: O desenvolvimento da cristalografia de alta resoluçãoempregando raios-X permitiu o conhecimento da estrutura tridimensional da capa proteica. Por outro lado o desenvolvimento do sistema de cultura de protoplastos in vitro, permitiu um avanço significativo no conhecimento do modo como o vírus se replica nas células. A tradução in vitro permitiu o começo do entendimento das estratégias da replicação viral. 5) 1980 – 1990: neste período predominou o desenvolvimento de métodos que permitiram o sequenciamento de nucleotídeos do RNA genômico. A possibilidade de produzir RNA infeccioso a partir de cópias do DNA complementar ao genoma permitiu que a manipulação dos genes pudesse ser aplicada nesses estudos. As técnicas moleculares têm permitido não somente o conhecimento do genoma de um grande número de vírus mas também o desenvolvimento de técnicas de diagnose que são mais sensíveis e a possibilidade de se construir plantas transgênicas resistentes a fitoviroses. 5 2. Definição de vírus As primeiras definições sempre se basearam no tamanho do vírus e em algumas caracterísiticas que nem sempre continham as informações necessárias para a sua perfeita caracterização. Baseando-se nisso, Lwoff & Tounier (1966, 1971) propuseram oito características que poderiam ser empregadas para definição de vírus: 1) Os vírus só possuem um tipo de ácido nucleico: DNA ou RNA 2) São incapazes de crescer e se dividir 3) A sua replicação ocorre apenas a partir de material genético 4) Não possuem enzimas para o metabolismo energético 5) Não possuem ribossomos 6) Não possuem informação para a produção de enzimas do ciclo de energia 7) Não possuem informação para a síntese de proteínas ribossomais 8) Não possuem informação para a síntese de RNA ribossomal e RNA transportador. Como se pode observar a definição que esses autores propuseram aponta, em sua maioria, as características que estão ausentes nos vírus. Costa (1978) apresentou a seguinte definição para vírus: “Vírus é uma nucleoproteína, que a nível molecular é geralmente patogênica, cujo ácido nucleico de um só tipo (DNA ou RNA), distribuído em uma ou mais partículas, é capaz de codificar a sua multiplicação utilizando mecanismos normais de células hospedeiras específicas, nas quais for introduzido”. Esta é uma definição que procura englobar as principais características dos vírus em geral. Matthews (1992) define vírus de plantas do seguinte modo: “ Vírus é um conjunto que contem uma ou mais moléculas de ácido nucleico, normalmente envolto por uma capa protetora de proteína ou lipoproteína, que é capaz de promover a sua própria replicação somente em células hospedeiras específicas. Dentro dessas células: 1) a replicação é 6 dependente do mecanismo celular de síntese de proteínas; 2) é derivado do pool de componentes básicos necessários, não de fissão binária; 3) é localizado em sítios que não são separados do conteúdo da célula hospedeira por uma camada dupla de lipoproteína”. De um modo geral nota-se que existe uma certa dificuldade em se definir vírus, porque apesar de ser um patógeno extremamente simples em termos de composição e estrutura, possui diversas propriedades bioquímicas que podem mudar com o tipo de vírus e muitas limitações em relação a maioria dos outros patógenos conhecidos. De qualquer forma ele é capaz de infectar e se multiplicar de modo bastante eficiente nas plantas hospedeiras, causando doenças que às vezes são bastante severas e provocando perdas consideráveis. 3. Características gerais e especiais De um modo geral os vírus que infectam plantas e animais possuem composição e estrutura bastante semelhantes. Porém os tipos de vírus que infectam os vegetais são mais numerosos e mais de 94% das espécies conhecidas não tem envelope e possuem como ácido nucleico o RNA. No caso dos vírus que infectam animais, apenas 72% das familias conhecidas tem como ácido nucleico o RNA, e 68% delas possuem um envelope que recobre a capa proteica viral. Os fitovírus só são capazes de infectar plantas e invertebrados (alguns insetos vetores), e o seu único meio de entrada na célula é através de ferimentos. Isso se dá porque a célula vegetal, ao contrario da célula animal e mesmo a bacteriana, possui uma parede celulósica que é impermeável a eles. Ao contrário, tanto os vírus animais como os de bactérias podem infectar células íntegras e passar para dentro das mesmas de vários modos sem causar danos. 7 4. Componentes e estrutura da partícula viral Apesar de a maioria dos vírus de plantas terem como ácido nucleico o RNA de fita simples, existem alguns gupos de vírus que possuem RNA de fita dupla, DNA de fita simples e também DNA de fita dupla. Em 1987, Zaitlin & Hull fizeram um levantamento dos fitovírus até então descritos e chegaram aos seguintes números: Tipo de ácido nucléico No. de Espécies Porcentagem ssRNA+: RNA de fita simples positivo (infeccioso) 484 76,6 ssRNA- : RNA de fita simpes negativo (não infeccioso) 82 l3,0 dsRNA: RNA de fita dupla 27 4,3 ssDNA: DNA de fita simples 26 4,l dsDNA: DNA de fita dupla 13 2,0 O ácido nucleico geralmente é encapsulado dentro de uma capa proteica que tem o nome de Capsideo (em grego Capsa = caixa). Essa capa é formada de várias subunidades químicas que por sua vez podem se combinar para formar uma subunidade maior, a subunidade estrutural denominada de Capsômero (mero = parte) (Figura 1). Essa subunidade é repetida em arranjos variáveis ao redor do ácido nucleico com a finalidade de protegê-lo. As proteínas dos fitovírus em geral são bem caracterizadas, sendo diferentes da maioria das proteínas conhecidas pelo fato de serem mais ricas em serina e treonina. Os aminoácidos que compõem essas proteínas são os mesmos encontrados em qualquer célula eucariótica, e variam de vírus para vírus, apresentando uma certa semelhança entre vírus 8 que pertencem ao mesmo grupo taxonômico. Alguns vírus como os Tospovirus, possuem proteínas glicosiladas na camada externa do Capsídeo. http://alfa-img.com/show/helical-virus.html Partículas em forma de bastonetes Particulas icosaédricas, Figura 1. Componentes da partícula viral 9 Os vírus podem possuir genoma simples ou genoma subdividido. Os que possuem genoma simples têm o seu ácido nucleico total encapsulado em uma única capa proteica e os que possuem o genoma subdividido podem ser encapsulados em duas ou mais partículas. Outros, porém, como os tospovirus, possuem o genoma tripartido, porém encapsulado em uma única partícula (Figura 2A). O tamanho das partículas podem ser iguais, como é o caso dos cucumovírus que possuem o genoma subdividido em três partículas isométricas iguais com 30nm de diâmetro (Aguzzi et al., 2011) (Figura 2B). Podem também ser diferentes como é o caso dos Tobravirus que tem o genoma subdividido em duas partículas com 190 nm e 110 nm de comprimento, respectivamente (Aguzzi et al., 2011) (Figura 2C). O vírus do mosaico da alfafa contêm uma partícula isométrica de 19nm e três baciliformes com 58, 48 e 36nm respectivamente (Cusack et al., 1983; Aguzzi et al., 2011) (Figura 2D). Figura 2. 2A: Tospovírus com genoma tripartido, encapsulado em uma única partícula. 2B: Cucumovirus com genoma tripartido encapsulado em três partíoculas iguais; 2C: Tobravirus com genoma bipartido encapsulado em duas partículas com tamanhos diferentes; 2D: Alfamovirus com genoma subdividido encapsulado em4 partículas com tamanhos diferentes. 10 A morfologia da partícula viral é diferente para cada grupo/gênero de vírus, podendo ser isométricas, baciliformes, alongadas rígidas (em forma de bastonetes), alongadas flexíveis além de algumas complexas. A proporção de ácido nucleico e proteína na partícula viral variam com o tipo de vírus. As partículas isométicas têm cerca de 15 a 45% e as partículas filamentosas tem cerca de 5% de ácido nucleico. O vírus do mosaico do fumo (“tobacco mosaic virus” – TMV) possui 5% de ácido nucleico e 95% de proteína. Outros componentes também podem estar presentes nas partículas virais. Dentre eles a água ocupa lugar de destaque, entretanto podem também ser encontrados outros como poliaminas, lipídeos e íons metálicos. Os vírus que contêm como ácido nucleico o RNA não infeccioso, ou do tipo negativo, além da proteína da capa contêm em suas partículas uma enzima, a transcriptase reversa. 5. Modo de atuação do vírus na célula hospedeira Os outros fitopatógenos conhecidos, desde os nematoides que são bem mais evoluídos biologicamente, pois já possuem sexos separados e um organismo relativamente mais sofisticado, com sistema nervoso, aparelho digestivo, etc., até os fungos que são pluricelulares e as bactérias que são unicelulares, possuem metabolismo próprio e geralmente necessitam da planta como fonte de carbono e nitrogênio, necessária para a sua sobrevivência. A maioria dos fungos e das bactérias fitopatogênicas são cultiváveis in vitro, bastando para isso a escolha do meio de cultura adequado, contendo os nutrientes necessários ao seu metabolismo. No caso dos vírus, eles são apenas uma macromolécula bioquímica, cujo principal componente é um ácido nucleico, contendo as informações genéticas necessárias para sintetizar as proteínas necessárias para promover a multiplicação 11 da sua partícula. Para isso, utilizam toda a matéria prima, energia e componentes estruturais da célula hospedeira, de modo que possui características bastante peculiares que os diferenciam dos demais fitopatógenos. Não pode ser cultivado in vitro, a não ser em cultura de protoplastos, pois é um parasita obrigatório, capaz de sobreviver somente no interior de células vivas. Alguns vírus mais estáveis, como o TMV, podem se manter intactos e infectivos, mesmo em células mortas. O TMV pode ser transmitido para plantas de fumo sadias através das mãos de trabalhadores que cortam o fumo para fazer cigarros de palha. Entretanto esses exemplos de vírus altamente estáveis são raros, constituindo uma pequena minoria entre os fitovírus. Para iniciar o processo de infecção, primeiramente o vírus tem que entrar na célula pela única via possível, ou seja, através de um ferimento. Como ele é completamente estático, ou seja, não tem a capacidade de se movimentar nem de entrar na célula de modo ativo através da parede celular, ele precisa de um agente externo para fazer a sua inoculação. Os métodos de transmissão serão discutidos posteriormente. Após a entrada do vírus na célula, existe a necessidade da interação inicial vírus- célula. Essa interação somente ocorre nas células hospedeiras, ou seja, mesmo quando colocado dentro de uma célula, se não houver compatibilidade, não haverá infecção. Acredita-se que essa interação inicial com a hospedeira seja feita através de sitios específicos existentes na célula da planta. Muitos desses sítios têm sido descritos para vírus que infectam animais, entretanto não se conhece ainda a natureza desses sítios em células vegetais. Ocorrida a interação, o passo seguinte será a perda da capa proteica. Para que o ácido nucleico possa ser traduzido, ele precisa ser exposto, o que ocorre com a digestão da sua capa proteica por enzimas da propria célula hospedeira. Essa digestão pode ser parcial 12 ou completa, dependendo do vírus. O tempo entre a entrada do vírus na célula hospedeira e a perda da capa proteica é variável, mas alguns vírus, como o TMV podem perder a sua capa aproximadamente 30 minutos após a sua inoculação. O passo seguinte será a sua replicação a partir da mensagem genética contida em seu ácido nucleico, com o auxilio de todo o material e organelas celulares que são envolvidas na síntese de proteínas e ácidos nucleicos. 6. Mecanismos Gerais Empregados Pelos Fitovírus para Multiplicação e Translocação nas plantas hospedeiras O mecanismo de replicação dos fitovírus vai depender do seu tipo de ácido nucleico. A seguir encontram-se descritos os principais passos envolvidos nessa replicação. 6.1. Vírus de RNA de fita simples, infeccioso (ssRNA +) Nesse caso o ácido nucleico viral é um mRNA diretamente traduzível. Conforme já comentado anteriormente, a maioria dos fitovírus possui esse tipo de ácido nucléico, e o seu mecanismo de replicação é o mais simples, facilitando a sua interação com a célula hospedeira. Após a perda da capa proteica, o mRNA viral pode ser imediatamente traduzido no ribossomo. Cada vírus tem em seu ácido nucleico o código para a síntese das proteínas de que necessita, e essas podem variar de vírus para vírus, com exceção da capa proteica viral que deve ser codificada por todos eles. De um modo geral, todos eles necessitam também de codificar uma polimerase para a duplicação do seu ácido nucléico (no caso dos vírus de RNA seria a RNA polimerase dirigida pelo RNA – RdRp), uma proteína de movimento, para permitir a translocação do vírus de uma para outra célula no 13 processo de infecção sistêmica da planta. Dependendo da estratégia de replicação empregada pelo vírus o seu genoma pode codificar proteínas com funções de proteases, helicases, etc., e a grande maioria dos vírus precisa também codificar uma proteína que serve para possilitar a sua transmissão através do vetor. Existem ainda outras proteínas que normalmente são codificadas pelos vírus com outras funções, sendo que algumas delas não são ainda conhecidas. Cada proteína viral pode também ter mais de uma função, podendo também se associar às proteínas das plantas para se tornar biologicamente ativa. Após a síntese das proteínas necessárias o ácido nucleico viral é replicado repetidas vezes, e encapsulado com muita eficiência para formar o vírion. 6.2. RNA de fita simples, não infeccioso (ssRNA-) Os vírus que possuem esse tipo de RNA não são diretamente traduzíveis, portanto, logo após a perda da capa proteica, necessitam ser transcritos para mRNA antes de se dirigirem aos ribossomos para comandar a síntese de suas proteínas. Como as células eucarióticas só são capazes de sintetizar RNA a partir de DNA, o vírus não pode utilizar o mecanismo normal da célula hospedeira para síntese de mRNA. Portando, ele tem que carregar em sua partícula a enzima RNA transcriptase, encapsulada juntamente com o RNA viral. Desse modo, após a perda da capa proteica essa enzima estará presente e fará a síntese do mRNA, a partir do RNA viral. Em seguida, esse mRNA poderá se dirigir aos ribossomas da célula hospedeira, para ser traduzido, gerando as proteínas necessárias para a sua replicação, translocação e transmissão pelo respectivo vetor. Nesse caso, além das proteínas normais codificadas pelos vírus com ssRNA+, todos os vírus de RNA do tipo 14 não infeccioso necessitam sintetizar a RNA transcriptase, que será parte integrante do vírion. 6.3. RNA de fita dupla O mecanismo de replicação destes é bastante parecido com os descritos anteriormente para RNA de fita simples não infeccioso. Eles também precisam carregar em suas partículas a enzima RNA transcriptase, pois também não são do tipo infeccioso. Após a sua transcrição em mRNA, eles são traduzidos nos ribossomos da célula hospedeira e posteriormente replicados e encapsulados. 6.4. Virus de DNA de fita simples Esses vírus, que juntamente com os de RNA de fita dupla compõem a minoria dos fitovírus,podem empregar o mecanismo normal da célula hospedeira para serem transcritos para RNA mensageiro. Portanto eles perdem a capa, são transcritos para mRNA, pela DNA polimerase dirigida pelo DNA da célula hospedeira, e em seguida são traduzidos nos ribossomos. Após a síntese das proteínas necessárias, eles são então replicados e encapsulados. Os vírus do mosaico dourado do feijoeiro (Bean goldem mosaic vírus – BGMV), begomovirus que têm esse tipo de genoma, contêm informação para a síntese de sete proteínas: CP- proteína da capa, Rep: proteína associada à replicação; TrAP: ativadora de transcrição; NSP: proteína de transporte nuclear; MVP: proteína de movimento; REN: potenciador de replicação e AC4, com função pouco conhecida (http://viralzone.expasy.org/viralzone/all_by_species/111.html). 15 6.5. Virus de DNA de fita dupla Apesar de o vírus denominado “Commelina yellow mottle virus” também conter DNA de fita dupla, os Caulimovirus são os mais bem estudados, por serem conhecidos há mais tempo. Eles apresentam um tipo especial de replicação que utiliza um mecanismo denominado de Retrovirus. Inicialmente o vírus perde a capa proteica no citoplasma e o ácido nucleico se transloca para o núcleo onde é transcrito para dois mRNAs: um menor, 19S e um maior 35S, que contém todos os anticódons do genoma viral. Esses mRNAs são transportados para o citoplasma, sendo que o 19S é imediatamente traduzido numa proteína que constituirá o viroplasma, local essencial para o processo de replicação e encapsidação das partículas virais. Por outro lado, o RNA 35S será também traduzido nas demais proteínas necessárias à replicação, translocação e transmissão do vírus. Esse RNA também se associa a um met-tRNA e é transcrito (pela transcriptase reversa codificada por esse vírus) formando primeira fita do novo o DNA viral. Esse met-RNA será então clivado e a fita de DNA recém formada será novamente copiada para dar origem ao dsDNA viral. Após a síntese da Segunda fita do DNA viral, esse é encapsulado durante a formação dos vírions. As proteínas codificadas por esse vírus são seis, sendo uma proteína estrutural associada ao virion, a proteína da capa, a proteína de transmissão, a proteína de movimento uma poliproteína enzimática e a proteína do viroplasma que também tem a função de transativadora (Hull et al., 1986; Daubert et al., 1984; Giband et al., 1986; Mesnard et al., 1990; Franck et al., 1980; Daubert et al., 1982; Toruella et al., 1989; Gordon et al., 1988). 16 7. Sintomas Provocados Por Vírus em Plantas Nem todos os vírus causam sintomas nas plantas. Além das plantas tolerantes, onde os vírus se multiplicam sem causar nenhuma alteração em seus tecidos, as estirpes fracas também podem não causar sintomas nas plantas hospedeiras e, às vezes, podem até mesmo protege-las contra a infeção por estirpes mais severas, como acontece com o vírus da tristeza dos citrus. Para que a virose seja economicamente importante ela tem que causar perdas que sejam superiores aos investimentos financeiros direcionados ao seu controle no campo. A maioria das infecções viróticas são sistêmicas e persistem na planta por toda a vida. Os vírus geralmente tem um ciclo de hospedeiras, que pode ser mais amplo ou mais restrito dependendo do tipo e da estirpe do vírus. O fator que determina esse ciclo de hospedeiras não é conhecido. 7.1. Alterações Apresentadas por Hospedeiras Suscetíveis Os sintomas, apresentados pelas plantas suscetíveis, dependem tanto da planta como do vírus que a está infectando. Na planta, esses podem variar de acordo com a espécie da planta e com a idade em que essa foi infectada. Plantas mais jovens geralmente são mais suscetíveis e apresentam sintomas mais severos, enquanto que plantas infectadas após aproximadamente a metade de seu ciclo vegetativo pode não apresentar perdas significativas. Por outro lado os sintomas podem variar com o tipo e a estirpe do vírus. As plantas geralmente apresentam três tipos de sintomas: os morfológicos ou externos, os fisiológicos e os histológicos ou internos. Normalmente o reconhecimento da doença no campo é feita com base nos sintomas morfológicos ou externos. 17 Os sintomas morfológicos mais comuns são o amarelecimento ou clorose, morte dos tecidos e mudanças na forma de crecimento das plantas. A planta pode também ser afetada em seu crescimento de diversos modos, como apresentando superbrotamento, enfezamento ou nanismo, retardamento do crescimento e subdesenvolvimento de órgãos como folhas, flores e frutos. Pode também haver malformação da planta ou de qualquer um de seus órgãos, como enrolamento da folha, engorvinhamento, encarquilhamento, encurtamento dos internodios, deformação de frutos, etc. Outro sintoma frequentemente encontrado é uma alteração na coloração. Esta pode ocorrer de diversas formas como: - Mosaico: é o sintoma mais comum em plantas infectadas com vírus, e se caracteriza pelo aparecimento de cores verde-normais entremeadas com cores verde-escuras ou com cores verde-claras ou amarelas, variando de um amarelo pálido até amarelo dourado. Existem alguns mosaicos que podem se restringir à áreas específicas como o mosaico das nervuras e o mosaico internerval, de acordo com a parte da folha onde ocorre a alteração da coloração normal. - Variegação: ausência de cor em parte dos tecidos de folhas, flores ou frutos. - Mosqueado: trata-se de uma variegação difusa em tecidos foliares. - Manchas de diferentes formas: circulares, anelares e irregulares, alongadas ou não. - Clorose generalizada ou localizada em partes específicas da folha. - Avermelhamento - Bronzeamento - Virescência: aparecimento de clorofila em órgãos normalmente aclorofilados - Etc. 18 - Ocasionalmente podem aparecer tumores que lembram carcinomas de animais ou do homen. Como já foi dito, os sintomas necróticos são bastante comuns e podem aparecer de diversas formas: streak ou riscas, stripe ou listras, manchas concêntricas e lesões circulares. Alem desses existem ainda outros tipos de necroses como a necrose do topo, necrose das nervuras, etc. Todas essas alterações na estruturara e consequentemente na função das células infectadas são capazes de influenciar de diversas maneiras a fisiologia da planta. Elas podem causar redução da translocação, acúmulo de carboidratos e consequentemente inibição da fotossíntese, diminuição do conteúdo de clorofila e aumento da respiração (Jensen & D’arcy, 1995; Jensen, 1969). O peso seco de folhas infectadas com o vírus do nanismo da cevada aumenta consideravelmente e esse aumento parece ser ligado ao acúmulo de amido e de açúcares como frutose, glicose, sacarose, etc. (Watson & Muligan, 1960; Orlob & Army, 1961; Goodman et al., 1965; Jensen, 1969; Jensen & VanSambeek, 1972; Moline & Gensen, 1975; Fereres et al., 1990). É bastante frequente ocorrer uma alteração no nível de compostos nitrogenados, podendo aumentar ou diminuir dependendo do tecido da planta. Pode-se observar também um aumento no conteúdo de aminoácidos, principalmente alanina e glutamina (Orlob & Arni, 1961b; Ajayi, 1986). A diminuição da área foliar, geralmente causada pelo enfezamento da planta, aliada à sua descoloração, provoca uma diminuição natural da atividade fotossintética. A inibição da fotossíntese e a diminuição do conteúdo de clorofila parecem ser devidas ao acúmulo de carboidratos nos tecidos. Esse acúmulo de carboidratos pode também provocar um aumento na respiração. (Stoy, 1963; Jensen & Van Sambeek, 1972). O acúmulo de carboidrato, a 19 diminuição da fotossíntese e o aumento da respiração parecem ser devidos a uma deficiência da translocação dos compostos fotossintetizados nas folhas (Jensen & D’Arcy, 1995). Os sintomas histológicos provocados pelos vírus nas plantas são bastante peculiares. As células podem diminuir(hipoplasia) ou aumentar número (hiperplasia) e diminuir (hipotrofia) ou aumentar (hipertrofia) em tamanho. Podem ainda morrer ou mostrar diversos tipos de alterações em suas organelas como, por exemplo, a malformação dos tilacoides de cloroplastos infectados com o vírus do mosaico dourado do feijoeiro, vesículas marginais em cloroplastos infectados com Tymovírus e as modificações observadas em mictocondrias infectadas com Tobacco rattle vírus (TRV). É comum o aparecimento de estruturas atípicas como fios lignificados, células cromáticas e os chamados corpos de inclusão. Além disso, as células infectadas apresentam partículas virais e inclusões que estão ausentes nas células sadias. Uma das inclusões mais conhecidas é aquela em forma de catavento que aparece em células infectadas com vírus pertencentes ao grupogênero Potyvirus. Acredita-se que a sua função seja condicionar o metabolismo da célula com a finalidade de facilitar a replicação viral. Corpos de inclusão que estão ligados de algum modo à replicação do vírus na célula (exemplo: corpos X em células infectadas com o vírus do mosaico do fumo – “tobacco mosaic virus” - TMV), são chamados de viroplasmas. 20 7.2. Sintomas Apresentados por Hospedeiras Resistentes Segundo Matthews (1992) existem dois tipos de resposta de resistência à inoculação com vírus: extrema hipersensibilidade e hipersensibilidade. No primeiro caso a multiplicação de vírus é limitada às células inicialmente infetadas porque o vírus não consegue se translocar de uma célula para outra. Nesse resposta nenhum tipo de alteração pode ser observada a olho nu. No segundo caso a infecção é limitada pela resposta da hospedeira nas células vizinhas à célula que foi inicialmente infectada, geralmente dando origem a uma lesão necrótica local que impede o movimento sistêmico do vírus. As plantas tolerantes, permitem a multiplicação do vírus em seus tecidos, entretanto mostram pouco ou nenum sintoma. 7.3. Processos envolvidos na indução da doença Existem muitos trabalhos que mostram evidências de que os genes virais estariam envolvidos na indução da doença. Como exemplo Matthews (1992) cita duas estirpes distintas de TYMV: uma delas faz com que o cloroplasto se torne arredondado e denso, desenvolvendo a seguir um grande vacúolo; a outra faz com que o cloplasto se torne angular antes de ficar granulado e se fragmentar para gerar inúmeros pedaços pequenos. E diz que essa diferença pode ser ativada por um ou vários genes virais. Desse modo, os tipos de efeito dos genes virais seriam: a) efeito baseado numa exigência específica de uma função essencial para o vírus. Ex: pequenas vesículas induzidas em cloroplastos pelo TYMV parecem ser essencial para a atividade da RNA polimerase. b) efeito baseado na deficiência de um gene viral, como a função de transporte célula-à- cécula, que resulta na sua limitação ao ponto de entrada. 21 A maioria dos sintomas que podem ser observados, na verdade, são devidos ao efeito causado pela replicação viral que compete com a célula pelos sítios de síntese de proteína, bem como por todos os elementos envolvidos nessa síntese, desviando para a replicação de suas partículas a energia e a matéria prima que seria empregada pela célula para crescer, dividir e realizar todas as suas funções bioquímicas. Entretanto esse efeito é encarado como uma consequência da atuação do vírus na célula e não como o efeito do gene viral na indução da doença. Embora seja um assunto bastante estudado, não existe ainda uma correlação precisa entre os sintomas e as proteínas codificadas pelos vírus. Os processos relacionados com a indução da doença são: 1) mudança na atividade dos hormônios de crescimento provocada pela diminuição ou aumento da síntese, translocação e efetividade desses hormônios; redução na capacidade de fixação de carbono, e redução no número e superfície das folhas – podendo levar ao enfezamento da planta; 2) crescimento irregular das duas superfícies da folha levando a uma curvatura para baixo, provavelmente devido a uma excessiva produção de etileno, logo após o inicio da infecção – levando à epinastia e abcisão foliar: 3) aparecimento de tumores, comuns na familia Reoviridae – não se sabe como isso ocorre; 4) aparecimento do padrão de mosaico: não se sabe como isso ocorre – seria pela ausência de virus ou pela presença de estirpes defectivas (Matthews, 1992). Dentre os fatores que influenciam o curso da infecção e doença destacan-se a idade e o genótipo da planta e os fatores ambientais como luz, temperatura, nutrição, época do ano, interação com outros agentes ou com outros vírus. 22 8. Mecanismos de Transmissão de Vírus de Plantas Transmissão é a passagem do vírus de uma planta infectada para uma planta sadia. O que é transmitido não é a doença, mas sim o agente incitante do processo doença. O termo perpetuação pode ser empregado tanto em relação à doença como em relação ao seu agente causal. É a passagem de material infectado de uma geração clonal para outra através de métodos de multiplicação vegetativa; Naturalmente a perpetuação de material infectado implica também na continuidade da passagem do patógeno. Os métodos de transmissão e perpetuação podem ser: a) naturais: ocorrem mais frequentemente e sem a intervenção do homem , sendo que poderiam ocorrer considerando- se o estado selvagem da planta na natureza; b) artificiais: quase sempre resultam da intervenção do homem e geralmente como resultado dos métodos utilizados para multiplicação, cultivo e colheita de certas culturas; c) experimentais: são os métodos usualmente empregados na investigação de uma certa doença ou patógeno. 8.1. Métodos de transmissão natural Os métodos de transmissão natural são: 1 - Através das sementes e pólen: apesar de a grande maioria dos vírus invadirem sistemicamente a planta, somente uma pequena minoria deles são transmitidos pelas sementes verdadeiras. Entretanto existem muitos vírus, economicamente importantes, que podem ser transmitidos pelas sementes. Dentre eles podemos citar: vírus do mosaico comum da alface (“lettuce mosaic virus” – LMV), vírus do mosaico comum do feijoeiro (“Common bean mosaic virus” – CBMV), vírus do mosaico comum da soja (“Soybean mosaic virus” – SoyMV), vírus do mosaico da alface (Lettuce mosaic virus – LMV), etc. 23 Ao contrário das sementes verdadeiras, toda e qualquer propagação vegetativa da planta, como através de bulbos, bulbilhos, borbulhas, colmos, raízes, manivas, tubérculos, etc., pode levar à transmissão e perpetuação do vírus. 2 – Através da união de tecidos: em condições naturais são muito raras, como a transmissão por enxertia de duas raízes de árvores vizinhas diferentes que se unem durante seu desenvolvimento e permitem assim a passagem do vírus de uma planta para outra. Ex: transmissão da sorose dos citrus por enxertia subterrânea de raízes. 3 – Transmissão mecânica natural: é tamb~em de menor importância, podendo ocorrer através do atrito entre duas plantas vizinhas, provocado pelo vento, no caso de ser uma planta infectada ao lado de outra sadia. 4 – Através de vetores: dá-se o nome de vetores a organismos que funcionam como agentes de transmissão dos vírus na natureza. De uma certa maneira, para ser vetor o organismo tem que manter uma relação biológica com o vírus ou com a planta hospedeira. Assim sendo, um animal que entra ocasionalmente em uma lavoura e transmite o vírus não pode ser considerado um vetor. Entretanto, um inseto mastigador que o fizesse seria considerado um vetor. Existem dois tipos de vetores: aéreos e de solo. Os vetores aéreos são os mais importantes, ou seja, são os responsáveis pela transmissão da maioria dos vírus na natureza. Os japoneses foram os primeiros a conseguir experimentalmente o envolvimento dos insetos na transmissão de fitovírus. Eles demonstrarama transmissão do vírus do nanismo do arroz (“rice dwarf virus” RDV) pela cigarrinha Inazuma dorsalis e Nephotettix cinctceps em 1895 e 1901. Em seguida os americanos demonstraram a transmissão do vírus do broto crespo da beterraba (“beet curly top virus” – BCTV) pela cigarrinha Eutettix tenellus em 1915 e do vírus do mosaico do pepino (“cucumber mosaic virus” – CMV) pelo 24 pulgão Aphis gossypii e os holandeses conseguiram a transmissão do vírus do enrolamento da folha da batata (“potato leafroll virus” - PLRV) pelo pulgão Myzus persicae. Com o passar do tempo muitos outros vetores foram sendo descobertos. No filum Artropoda, duas classes contêm membros que atuam como vetores: Arachnida e Insecta. Na classe Aracnida, encontramos como vetores os ácaros e os carrapatos. No filum Insecta, existem 8 ordens que contem insetos vetores: Ortoptera, Dermaptera, Coleoptera, Lepidoptera, Diptera, Thysanoptera, Heteroptera e Homoptera. Entretanto a maioria dos vetores são da ordem Homoptera (Pulgões, cochonilhas, cigarrinhas, mosca branca, etc.); Em seguida temos os da ordem Coleoptera, Ortoptera e Tysanoptera, em ordem decrescente de número de vetores. Existem quatro tipos de mecanismos de transmissão por vetores: Tipo de transmissão Período de aquisição Período de latência Período de retenção -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1. Não persistente segundos não tem no máximo algumas horas 2. Semi-persistentes um pouco mais longo não tem alguns dias 3. Persistente circulativo 15 minutos ou mais horas horas a semanas 4. Persistente propagativo 15 minutos ou mais dias por toda a vida -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1: Afídeos 2: Afídeos, cigarrinhas, cochonilhas, moscas brancas 3: Afídeos, cigarrinhas, tripes, moscas brancas 4- Af]íideos, cigarrinhas, falsos besouros (Piesma) Fonte: Bos (1983) 25 Geralmente a especificidade vírus´vetor é bastante alta, sendo que nos vetores do tipo persistente circulativo e persistente propagativo essa especificidade tende a ser maior, devido a maior necessidade de interação entre eles. Um dos mecanismos de transmissão por vetor mais bem estudados é o do vírus do nanismo amarelo da cevada, que pertence ao gênero luteovírus e é transmitido por afídeos de modo persistente circulativo. Para aquisição desses vírus o vetor tem que se alimentar nas células do floema da planta, onde estão as partículas virais. As partículas irão ser ingeridas pelo vetor, passando pelo seu canal alimentar e sendo primeiramente acumuladas no intestino médio ou mesentero (Sylvester, 1980; Power & Gray, 1995). Parte desses virus se movimentam ativamente através da parede do intestino para o hemocele e parte é excretado. A partir do hemocele o vírus pode ser transportado via hemolinfa e ser acumulado em tecidos específicos como por exemplo células fagocíticas ou então passar para o sistema salivar (Sylvester, 1980). A alta especificidade dos vetores na transmissão dos luteovirus, sempre intrigou os pesquisadores (Rochow, 1958; Harrison, 1958). Vetores, com baixa ou nenhuma capacidade de transmitir alguns luteovirus, apresentavam virus na hemolinfa após terem se alimentado em plantas infectadas. Se injetadas com hemolinfa contendo virus, também continuavam incapazes de transmirir os vírus. Macrosiphum euphorbiae é altamente ineficiente para transmitir o PLRV quando injetado com hemolinfa contendo partículas, o que não ocorre com Myzus persicae (Harrison, 1958). Entretanto, após se alimentar em plantas infectadas, uma quantidade razoável de partículas pode ser detectada em M. euphorbiae (Tamada & Harrison, 1981). A mesma especificidade virus vetor foi observada por outros autores (Rochow & Pong, 1961; Rochow,1969) na transmissão do BYDV. Estudando essa relação virus-vetor, diversos autores sugeriram primeiramente que 26 a especificidade observada seria determinada não propriamente pela falha em adquirir o virus, e que a maior barreira estaria não no intestino do inseto, mas na eficiência das partículas passarem da hemolinfa para a saliva e talvez pela interação entre a capa proteica do vírus e as células do plasmalema das flandulas salivares acessorias (Gildow & Rochow, 1980). Tamada & Harrison (1981) sugeriram que a relação virus-vetor dependeria de três fatores principais: a) a restrição de partículas de vírus no floema; b) a habilidade das partículas virais em passar da hemolinfa para a saliva; c) a estabilidade da partícula viral no intestino, hemolinfa e saliva do inseto. Uma série de estudos, incluindo microscopia eletrônica, foram realizados com o BYDV, com a finalidade de se elucidar a relação virus-vetor entre as diferentes estirpes do virus versus diferentes espécies de afideos (Gildow, 1985; 1987; 1991; 1993; Gildow & Rochow, 1980a,; 1980b; 1983; Gildow & Gray, 1993). A sugestão de Rochow (1969) de que a glândula salivar era a principal responsável pela especificidade virus-vetor foi reforçada por Gildow & Rochow (1980) com a visualização de vírions nas glândulas salivares dos vetores. Entretanto, alfum tempo depois, observou-se em experimentos realizados com R. Padi que sómente a estirpe transmissível RPV era encontrada no afídeo, o que não acontecia com as estirpes não transmissíveis. Essas observações indicavam que o vetor não conseguia adquirir as partículas não transmissíveis, ou então a sua concentração no vetor era tão baixa que não eram capazes de se acumular na glândula. Isso levou os autores a suspeitar que o intestino posterior (proctodéu) deveria ter também algum papel na transmissão desse luteovírus. A visualização de vírions passando para o proctodéu e evaginações através do plasmalema apical, cobertos com vesículas os levaram a sugerir que um mecanismo endocítico mediado por um receptor estaria provavelmente envolvido na aquisição de luteovírus (Gildow, 1985; 1993). 27 Ampliando esses estudos Gildow & Gray (1993) chegaram a resultados que os levaram a sugerir o seguinte mecanismo para a transmissão do BYDV por afideos: inicialmente os vírions chegariam ao canal alimentar do afídeo através do estilete, quando estes se alimentassem em células do floema de plantas infectadas. Em seguida eles passariam pelo intestino anteior, médio e chegariam ao intestino posterior, onde estes poderiam se ligar ao plasmalema apical inicando a endocitose dos vírions nas células epiteliais que formam a parede do intestino. Vírions que não entrassem em contacto com essas células e que não fossem reconhecidos, por receptores virais específicos nas membranas, continuariam a se mover através do canal alimentar e seriam excretados. Os vírions que sofressem endocitose seriam então transportados, cobertos em vesículas e agrupados em vesículas tubulares que se moveriam para o plasmalema basal e os vírions seriam liberados na hemolinfa por hexocitose. Para atingir a glândula salivar acessória, primeiro os vírios teriam que ser capazes de penhetrar a lâmina basal extracelular que envolve a glândula salivar acessória. Os que não o fossem ficariam retidos na hemolinfa e não seriam transmitidos . Os que o fossem apenas rara ou ocasionalmente, seriam seriam transmitidos com uma baixa eficiência. Outros ainda seriam capazes de penetrar a lâmina basal, mas não seriam reconhecidos e ficariam aí acululados , portanto não seriam transmissíveis. Os vírions transmissíveis seriam reconhecidos no plasmalema basal, se ligariam à membrana, sofreriam endocitose na célula e se acumulariam em vesículas tubulares adjacentes ao plasmalema apical, chegando ao canal salivar. As vesículas que recobremos vírions, sairiam das vesículas tubulares e transportariam os vírions para o plasmalema apical, onde esses seriam liberados por endocitose no lumem do canal salivar, seguindo para a planta juntamente com a saliva excretada pelo inseto. 28 Estudando tecidos de Myzus persicae que se alimentaram em plantas doentes ou em suspensão de partcículas virais Garret & Thomas (1993) encontraram semelhanças e diferenças dos resultados de Gildow & Gray (1993). As semelhanças foram relacionadas a existência de vesículas recobrindo as partículas e o aparecimento de agregados em vesículas tubulares e o aparecimento de partículas entre o plasmalena e a lamina basal, indicando que o transporte transcelular do PLRV seria semelhante ao do BYDV. Apenas o sítio de passagem do canal intestinal para a hemolinfa seria diferente do observado para o BYDV. Esses autores também não encontraram partículas no núcleo, discordando dos resultados obtidos anteriormente por Weidman (1982) que também estudou a interação PLRV - Myzus persicae a nível de microscopia eletrônica. Eles sugeriram que o mecanismo de passagem do PLRV do lumem intestinal do afideo para a hemocele poderia ser diferente do BYDV, ocorrendo no sómente no intestino e não no hindgut ou outra parte qualquer do canal alimentar. Segundo esses autores, essas diferenças poderiam ser devidas à especificidade virus-vetor, que poderiam apresentar tipos de interações variáveis com diferentes vírus ou mesmo estirpes do mesmo vírus, no caso dos resultados obtidos por Weideman (1982). O envolvimento de sitios específicos de proteinas da capa de luteovírus na transmissão do virus pelo vetor tem sido estudado por diversos autores (Harrison & Robinson, 1988; Van Den Heuvel & Peters, 1993; Jolly & Mayo, 1994; Wang et al., 1995). Entretanto, apesar de haver evidencia de que alguns sitions da capa proteica são capazes de interferir na transmissão do vírus através do vetor, são necessários estudos complementares para uma conclusão definitiva. Considerando-se o mecanismo de transmissão proposto por Gildow & Gray (1993) a existência de sitios específicos de ligação da partícula viral seriam indispensáveis para a passagem do intestino posterior para a hemolinfa, da 29 hemolinfa para a lâmina basal e desta para glandula salivar acessória e para o canal salivar. Receptores virais nas superfícies celulares que se ligam a sítios específicos da capa proteica do vírion é bem melhor conhecido no caso de virus animais (Colonno, 1986; Collono et al., 1988; Murry et al., 1988; Vile & Weiss, 1991). Entretanto, na maioria dos vírus tem sido identificada uma proteína, codificada pelo vírus, que é a responsável pela transmissão do vírus pelo vetor. Os Potyvirus, com raras excessões, codificam uma proteína que é chamada de Hcpro, cuja integridade é necessária para que haja a transmissão do vírus pelo vetor (Pirone, 1981; Sako & Ogata, 1980; Lecoq & Pitrat, 1985; Thornbury et al., 1985). O vírus do mosaico da couve-flor é um Caulimovirus que também necessita de uma proteina específica para a sua transmissão de modo não persistente pelo Myzus persicae (Harker et al., 1987; Woolston et al., 1987). O verdadeiro papel dessa proteína bem como o seu mecanismo de ação na interação vírus- vetor tem sido objeto de estudos intensivos, e deverá ser melhor conhecido num futuro próximo. Os vetores de solo são menos importantes. São eles: nematoides de vida livre, pertencentes ao gênero Xiphinema, Trichodorus e Longidorus e fungos da ordem Chytridiales e Plasmodiophorales. Os métodos de transmissão artificial sâo principalmente aqueles resultantes de operações culturais. São eles: 1) Métodos associados ao plantio e multiplicação. Exs: corte de tubérculos de batata para plantio, quando são grandes, podem transmitir o PVX; toletes de cana-de-açúcar podem ser contaminados pelo facão com o vírus do mosaico comum da cana-de-açúcar; mudas de fumo e tomate podem ser contaminadas pelo TMV caso existam mudas infectadas, etc. 30 2) Métodos associados aos tratos culturais: desbaste poda, repicagem, amarração, desbrota, capação, etc. 3) Métodos associados à colheita: importantes em plantas perenes e semi-perenes ou em plantas nas quais se faz mais de uma colheita durante o ciclo vegetativo. Exs: flores (especialmente orquídeas), frutas (maçãs, peras, etc.), verduras (abobrinha, tomate, etc.). A transmissão experimental é feita com a finalidade de estudar o patógeno e/ou a relação patógeno-hospedeiro, bem como a relação patógeno-vetor-hospedeiro. Os métodos normalmente empregados sâ: 1) Transmissão mecânica: consite na extração do suco da planta doadora do inóculo com o auxilio de uma solução extratora, que normalmente é composta por uma solução tampão com aditivos como oxidoredutores, quelantes, etc. dependendo da estabilidade do vírus in vitro. O extrato contendo o vírus é então aplicado nas folhas das plantas receptoras do inóculo, préviamente polvilhadas com um abrasivo, que normalmente é o carborundum (carbeto de silicio – CSi). Depois as folhas inoculadas são lavadas com água para corrente e as plantas são acondicionadas em ambiente protegido do inseto vetor, como casa-de- vegetação, durante o tempo necessário para se proceder as avaliações desejadas. O método de transmissão mecânica é o mais empregado em estudos experimentais por ser o mais simples e por causa da sua facilidade e eficiência. Entretanto alguns vírus não são capazes de serem transmitidos mecanicamente, o que pode acontecer principalmente por dois motivos: a) vírus extremamente instáveiss in vitro como por exemplo o vírus do mosaico dourado do feijoeiro do Brasil , que perde a sua capacidade de infecção quando em suspensão no extrato de tecidos da planta; b) vírus que colonizam tecidos do floema e ocorrem em baixas concentrações nos tecidos das plantas, como os 31 luveovírus; ex: vírus do enrolamento da folha da batata (potato leafroll virus – PLRV). Então existe a necessidade de se lançar mão de outros métodos de inoculação. 2) Enxertia: o tipo de enxertia não é importante, desde que haja o pegamento do enxerto, constituído por uma parte da planta infectada (haste, borbulha, topo, folha, etc.) sobre a planta sadia. Além de ser empregado para o caso de vírus que não são transmissíveis mecanicamente, a enxertia serve para testar a resistência de uma planta. Se houver o pegamento do enxerto e a planta que serviu como porta-enxerto permanecer sadia, isso significa que ela é realmente resistente. 3) Transmissão através do vetor: é empregado principalmente quando se quer estudar a relação vírus-vetor-planta ou ainda quando a planta é mais difícil de ser enxertada (ex. vírus do mosaico dourado em feijão). Existem alguns vírus que não possuem vetor na natureza. Nesse caso eles são transmitidos na natureza apenas através do contato entre a parte aérea ou mesmo as raízes de plantas infectadas. Por outro lado, podem ser transmitidos de diversos modos através dos métodos classificados anteriormente como métodos artificiais, durante o plantio, tratos culturais e no período pré e pós-colheita, dependendo do vírus e dos produtos em questão. O vírus X da batata (“potato virus X”- PVX), por exemplo, pode ser transmitido mecanicamente no campo tanto pelo contato entre os brotos, durante o armazenamento dos tubérculos, e entre as plantas, no campo, como pela roupa dos trabalhadores e por animais (oberts, 1946; Berks, 1970; Beemster & De Bokx, 1987; Munro, 1981; Banttari et al., 1993; De Bokx & Bus, 1996). Os vírus que infectam os citrus no Brasil, com exceção do vírus da tristeza dos citrus (“citrus tristeza virus”- CTV), também não têm vetores na natureza. Eles são disseminados por ocasião da formação de mudas, podendo ser transmitidos pelo canivete 32 utilizado na enxertia, caso alguma das borbulhas e/ou dos porta-enxertosutilizados estejam infectados. Ocasionalmente tem sido observada também a transmissão do viroide do exocortis dos citrus por contato entre plantas, ou seja, por enxertia subterrânea de raízes. Entretanto, esse é um evento de ocorrência rara. 9. Importância do Tipo de Transmissão na Epidemiologia da Doença Quando os vírus não possuem vetor na natureza a sua disseminação, em lavouras comerciais será, com raríssimas excessões, através dos métodos culturais, colheita e pós- colheita. Isso faz com que a sua epidemiologia seja dependente quase que exclusivamente do homem. Em geral, são doenças que, quando bem conhecidas e estudadas podem ser facilmente controladas e até mesmo erradicadas com sucesso. Entretanto, quando a doença é transmitida através de vetor, uma série de outros fatores influenciam, simultaneamente, a sua disseminação e sobrevivência no período entre uma cultura e outra. A relação vírus-vetor-hospedeiro é afetada de um modo bastante complexo, pelo meio ambiente, de modo que a ocorrência de epidemias nem sempre podem ser previstas e evitadas. Além disso, um vírus transmitido por vetor será sempre transportado da planta cultivada para as outras plantas daninhas, onde permanecerá na natureza como um reservatório de vírus permanente, pronto para atuar como fonte de inóculo. Isso significa que um vírus transmitido através de vetor é de erradicação quase impossível. Um exemplo que pode ser citado é o do vírus do mosaico do mamoeiro (“papaya ringspot virus”- PRSV) no Estado de São Paulo. Quando esse vírus foi detectado por Costa em 1965, no município de Monte alto, Estado de São Paulo, foi recomendado que se fizesse a erradicação imediata das plantas doentes. Entretanto, a sua erradicação 33 somente em plantações comerciais não foi o bastante, pois a permanência de plantas infectadas em fundos de quintais e em hortas particulares, constituíram um npotencial de inóculo suficiente para inviabilizar o cultivo do mamoeiro naquela região. Além disso o PRSV também é capaz de infectar curcubitaceas, podendo essas representar uma adicional e excelente fonte de inóculo. Isso é agravado pelo fato de o mamoeiro ser uma planta semi- perene, ou seja, tendo o ciclo vegetativo mais longo permanecerá mais tempo como reservatório do virus no campo. Esse também é o caso de outras plantas perenes como as cítricas, onde o CTV , que é transmitido pelo pulgão preto Toxoptera citricidus, está sempre presente. O feijoeiro é de ciclo curto, mas a farta oferta de hospedeiras, na natureza, para o vírus do mosaico comum do feijoeiro (“bean common mosaic virus”- BCMV) e para o seu vetor, Myzus persicae, tem inviabilizado o plantio de cultivares mais suscetíveis, como Jalo, e diversas outras que eram bastantes apreciadas na culinária. A cultivar Carioca tem substituído essas outras suscetíveis, por ser uma das poucas cultivares resistentes ao BCMV disponíveis no mercado. Além de ser transmitido pelo vetor, o BCMV é também transmitido pelas sementes o que significa a possibilidade de introdução do inóculo na cultura no início do ciclo vegetativo, na fase em que as plantas são bastante suscetíveis e podem apresentar perdas de até 100% em sua produção. Portanto, os vírus transmitidos por sementes verdadeiras ou por qualquer outra unidade propagativa e também pelo vetor, geralmente são candidatas a provocar grandes epidemias, por serem de mais difícil controle. Em plantio escalonado, se não forem tomadas medidas preventivas de controle, a cultura pode ser inviabilizada. Esse é o caso da alface, em que a maioria das cultivares são 34 suscetíveis ao vírus do mosaico comum da alface (“lettuce mosaic virus”LMV), que é um vírus transmitido pelas sementes e pelo vetor M. persicae. Portanto o conhecimento dos métodos, pelos quais um vírus pode ser transmitido, é um dos pontos mais importantes no estudo da sua epidemiologia e no estabelecimento de medidas de controle com a finalidade de evitar a ocorrência de epidemias. 10. Métodos de Avaliação Qualitativa e Quantitativa de Doenças Viróticas A determinação das perdas provocadas por vírus em plantas apresenta uma série de dificuldades e nem sempre pode ser considerada absolutamente precisa. Entretanto, pode-se Ter uma idéia bastante aproximada do efeito do patógeno na planta. Uma das dificuldades na determinação de perdas é a que se refere à qualidade e quantidade de produção. Por exemplo um mamoeiro infectado com o PRSV, dependendo da idade e da variedade da planta que foi infectada, pode não apresentar diminuição no número e tamanho dos frutos mas, como esses podem apresentar anéis necróticos, o seu aspecto externo pode fazer com que seja regeitado pelo consumidor tornando-se inapropriado para a comercialização. Nesse caso, apesar de não apresentar diminuição de produção, pode-se considerar que a perda foi de 100%. O mesmo raciocínio pode ser utilizado para plantas de alface infectadas com o LMVSe a planta for infectada mais no final do ciclo, pode mostrar uma pequena diminuição no tamanho das folhas, porém estas apresentam mosaico, enrugamento, e não têm valor comercial. A interação de outros fatores, que podem concorrer para causar perdas de produção, também não é muito fácil de ser determinada. Por exemplo na planta de batata quando infectada com o vírus X, isoladamente, não apresenta perdas muito significativas. 35 Entretanto, quando em associação com o vírus Y (“potato virus Y”- PVY) na mesma planta, ocorre um efeito sinérgico fazendo com que a concentração de vírus nos tecidos das plantas seja bem mais alta (Stouffer & Ross, 1961; Ford & Ross, 1962a; 1962b). Sabe-se também que infecções viróticas podem tornar uma planta mais suscetível a outros patógenos (Bateman, 1961; Farley & Lockwood, 1964; Beute, 1970; Reys & Chadha, 1972; Beniwal & Gudauskas, 1974). Quando o vírus é transmitido através do vetor, as avaliações de campo encontram várias dificuldades, pois a interação vírus-vetor-hospedeira, como já foi dito, pode ser bastante afetada pelas condições edafoclimáticas, e levam a resultados diferentes em lugares e climas diferentes. Em adição¸as infecções de campo são graduais, de modo que as plantas poderão ser infectadas em diferentes fases do ciclo. Como existe uma relação direta entre a idade em que a planta é infectada e as perdas por ela sofrida, em geral quando mais velha for a planta menor será a perda. Isso dificulta a avaliação de perdas em plantas estabelecidas no campo, pois a atuação natural do vetor pode prejudicar as avaliações quantitativas. A distribuição da incidência do vírus nas plantas, em condições de campo, também pode afetar a avaliação de perdas. Se a distribuição for ao acaso ou se for em reboleira¸ o resultado pode ser variável. Isso se deve ao efeito da competição entre plantas vizinhas na plantação, ou seja, as plantas sadias ao lado das afetadas podem levar vantagem e produzir mais, compensando em parte as perdas sofridas pela planta doente (Procurar referencia). Quando a colheita é feita várias vezes, como acontece com algumas plantas, como o tomateiro, à medida que o produto amadurece a determinação de perdas torna-se mais difícil e onerosa. Um outro detalhe que não pode deixar de ser considerado quando se pretende fazer uma avaliação de perdas, provocadas por um determinado vírus na planta 36 hospedeira cultivada, é a sua variabilidade biológica e molecular. Um mesmo vírus pode ter estirpes que induzem sintomas com diferentes severidades e estirpes que são incapazes de infectar certas variedades ou espécies, como é o caso das diferentes estirpes do vírus do nanismo amarelo da cevada (“barley yellow dwarf virus”- BYDV).Discriminar. O vírus do mosaico da alface (LMV) também possui diferentes estirpes, classificadas em grupos específicos de patótipos de acordo com a sua capacidade de quebrar a resistência dosgenes até agora conhecidos e estudados, incorporados em variedades melhoradas.(citar referência). Os métodos empregados para a avaliação de perdas causadas por fitoviroses podem compreender o uso de material propagativo infectado ou inoculado experimentalmente, ou ainda pode se fazer o aproveitamento de lavouras infectadas naturalmente no campo pelo inseto pelo vetor. No primeiro caso, quando se emprega o material propagativo infectado, como sementes verdadeiras, tubérculos, manivas¸bulbos, bulbilhos, etc., tem-se que considerar que os resultados provavelmente serão diferentes daqueles obtidos quando se faz a inoculação do vírus após a emergência da planta. Isso porque a semente, ou outra unidade propagativa qualquer, poderá ter uma concentração de vírus variável, dependendo da época em que a planta-mãe foi infectada. Além disso, a multiplicação celular para formação dos primeiros tecidos da plântula, durante a germinação/brotação, será feita na presença do vírus, o que significa que a severidade da doença e consequentemente as perdas serão maiores. Quando se faz a inoculação experimental¸ as plantas podem ser inoculadas na estufa e posteriormente transferidas para o campo ou podem ser inoculadas diretamente no campo, quando essa inoculação é feita por métodos mecânicos. Pode-se montar parcelas com 100% 37 de plantas infectadas e 100% de plantas controle sadias ou pode-se ainda utilizar parcelas com incidências variáveis de vírus, o que permite avaliar também a compensação na produção de uma planta sadia ao lado da planta doente e a disseminação natural, durante o cultivo, que ocorre sob condições experimentais em uma dada região. Lima et al., (1982) encontraram uma perda média de produção da ordem de 63,7% nas plantas de batata cv. Delta com 100% de infecção. Quando utilizaram tubérculos semente de batata infectadas com 0,5% de PVY e com 7,4% de PLRV + PVY, para investigar sua produtividade em campo, +Lima & Hammerschmidt (1982) verificaram que houve uma diminuição nas produções de 16,7 e de 51,1%, respectivamente, quando essas foram comparadas com a produção das plantas sadias. Souza Dias et al. (1983; 1984) também investigaram as perdas de produção causadas pelo PLRV, utilizando sementes com 10 a 60% de incidência e observaram que a redução no número e peso dos tubérculos aumentou com o aumento da incidência do vírus: o número de tubérculos foi de 5 a 29% menor e o seu peso diminuiu de 5,3 a 27,3% em relação às plantas controle. Diversos parâmetros podem ser avaliados para se determinar o efeito quantitativo da infecção virótica na planta como o peso seco da sua parte aérea ou das raízes, o número e o peso dos frutos ou sementes, tubérculos, etc. e comparar os resultados obtidos com as plantas doentes e sadias. Essa comparação pode ser feita individualmente entre as plantas ou entre as produções totais das parcelas. A qualidade da produção pode ser feita através da observação visual da produção, para a detecção das alterações que poderiam depreciar e/ou dificultar a sua aceitação pelo mercado consumidor. Por mais que se tente fazer o controle do vírus nas parcelas experimentais estabelecidas em condições de campo, dificilmente será possível impedir a disseminação natural pelo vetor. Desse modo, às vezes a condução do experimento em estufas e telados 38 pode ser mais vantajosa. Entretanto, apesar de haver a possibilidade de controle da disseminação pelo vetor, não será possível avaliar a influência do meio ambiente nem estudar o fenômeno da compensação, uma vez que na estufa normalmente as plantas são estabelecidas em vasos individuais. A avaliação de plantas naturalmente infectadas em campo pode facilitar a investigação, entretanto não será possível saber quando as plantas foram inoculadas mas tão somente a época do aparecimento dos primeiros sintomas. Essa avaliação demanda um cuidado maior no sentido de se determinar a fase em que houve o aparecimento dos sintomas e de se fazer a escolha adequada das plantas sadias que deverão servir como controle, pois deverão permanecer sadias até o final do seu ciclo vegetativo. Figueira et al. (1996) aproveitaram plantas de batata cv. Achat naturalmente infectadas no campo, nos primeiros 30 dias após a sua emergência no campo. Eles observaram que houve uma diminuição de 23% no número e de 45% no peso dos tubérculos quando esses foram comparados com os das plantas que permaneceram sadias até o final do ciclo. O número de plantas por parcela e o número de repetições a serem empregadas nessas avaliações depende da planta e do tipo de dado que se quer coletar. Portanto deve ser feita uma programação específica para cada experimento a ser montado, com a supervisão de um profissional que tenha conhecimentos de estatística ligados à Fitopatologia. Essa programação é muito importante, pois para que os dados coletados sejam adequadamente interpretados precisam passar por uma análise estatística e essa análise só será possível se o experimento tiver sido corretamente idealizado. 39 11. Detecção, Identificação e Estudo dos Vírus em Plantas A diagnose precoce do vírus é de fundamental importância para o embasamento das medidas de controle a serem tomadas. Dependendo do vírus ele deve ser diagnosticado não só ao nível de espécie, mas também ao nível de estirpe. Isso deve ser feito nos casos em que uma dada hospedeira pode ser resistente ou suscetível a diferentes estirpes do mesmo vírus. Para que se tenha uma noção básica da etiologia da doença, ou seja, saber se essa se trata de uma doença infeciosa e se é causada por fungos, bactérias, vírus ou nematoides, o técnico encarregado da inpeção visual deve ter uma certa prática. É desejável que ele possa reconhecer pelo menos a que grupo de patógenos ela pertenceria, o que pode ser facilitado pelo conhecimento dos principais sintomas que esses patógenos induzem nas hospedeiras suscetíveis. No caso das doenças viróticas o técnico pode obter alguns indícios da sua presença tanto pela distribuição das plantas afetadas no campo como pela observação dos sintomas por elas apresentados. A distribuição das plantas afetadas pode ser em reboleiras, ao longo da linha ou em pontos esparsos distribuidos aleatoriamente na cultura, dependendo do local e do modo/época de introdução do inóculo na cultura. De qualquer modo pode-se encontrar plantas completamente sadias ao lado de uma planta bastante afetada, o que seria praticamente impossível de ocorrer em casos de problemas nutricionais ou fitotoxicidade causada por agroquímicos. Outro importante indicador é a severidade e distribuição dos sintomas nas plantas. Quando as plantas são infectadas precocemente o seu desenvolvimento será afetado de modo mais drástico do que as plantas infectadas mais tarde. Desse modo tenderá a aparecer um gradiente nessa severidade, ou seja, aparecerão plantas que foram infectadas em diversas fases do ciclo, de modo que estas mostrarão sintomas variando de bastante intensos até sintomas em início de aparecimento (somente 40 nas folhas mais novas). Esse é um indício bastante seguro de doenças viróticas transmissíveis por vetor. As que não têm vetor na natureza tendem a aparecer mais ao longo da linha, disseminadas pelo homen em culturas com operações manuais intensas, como é o caso do fumo e do tomate. Após a detecção da doença no campo, a sua diagnose precisa é quase que frequentemente indispensável para que se planeje o seu controle adequado. Para isso as amostras devem ser coletadas e enviadas para um laboratório credenciado para essa finalidade. A coleta e encaminhamento de uma amostra para análise deve seguir as recomendações básicas a seguir: a) se a hospedeira for uma planta de pequeno porte, deve ser arrancada pela raiz para que se possa fazer uma avaliação geral da planta como um todo; caso contrário deve-secoletar amostras de folhas (de preferência as mais jovens), frutos, flores e/ou pedaços do caule que apresentem sintomas mais característicos, de diversas plantas e envia-las separadamente (por planta infectada); b) após a sua coleta as amostras devem ser acondicionadas de modo que não murchem nem sejam amassadas ou danificadas, pois a extração do vírus para os testes diagnósticos deve ser feita de tecidos infectados intactos; por outro lado as vezes pode- se tratar de um vírus não transmissível mecanicamente, o que exigirá outros métodos de transmissão como através do vetor ou por enxertia de parte da planta infectada na hospedeira indicadora sadia; c) o tempo entre a coleta e o processamento da amostra deve ser o mais curto possível, de modo que o envio ao laboratório deve ser imediata; sendo necessário enviar pelo correio deve-se tomar o cuidado de utilizar o meio mais rápido e colocar as amostras em caixas de papelão ou isopor, com paredes resistentes. 41 Existem diversos métodos para diagnose dos fitovírus, entretanto alguns deles só podem ser realizados em laboratórios muito bem equipados. Esses métodos, que empregam técnicas em biologia molecular, têm evoluído muito nesses últimos anos, mas existem alguns testes biológicos que podem ser utilizados em laboratórios relativamente simples, com uma eficiência bastante satisfatória. Mesmo sendo simples, todo laboratório que trabalha com fitovirus deve contar com uma estufa ou telado para manter as plantas hospedeiras protegidas dos insetos vetores. Os principais métodos de diagnose são: 1) Sintomatologia e gama de hospedeiras. 2) Inoculação em plantas indicadoras. 3) Estudo da sua transmissibilidade: tipo de transmissão e identificação do vetor. 4) Determinação da estabilidade do vírus no extrato da planta 4.1. Ponto de inativação térmica do vírus. 4.2. Ponto máximo de diluição 4.3. Longevidade do vírus “in vitro”. 5) Métodos sorológicos. 6) Microscopia eletrônica. 7) Hibridização com cDNA. 8) PCR. 11.1. Sintomatologia e Gama de Hospedeiras Apesar de os vírus poderem causar uma série de diferentes sintomas na planta hospedeira suscetível, os sintomas observados externamente nessa planta são os que servem como indícios da presença da doença no campo. Alguns dos sintomas morfológicos ou 42 externos provocados por vírus são bastante característicos, de modo que podem permitir a sua diagnose imediata. Um exemplo é o do vírus do mosaico do mamoeiro (Papaya ringspot virus – PRSV) que além dos sintomas de mosaico nas folhas, provocam manchas oleosas no caule e no pecíolo e manchas anelares concêntricas no fruto. Esses sintomas são exclusivos dessa virose, de modo que podem ser considerados como uma indicação da infecção da planta pelo PRSV. Outros exemplos podem ser citados como os causados por Tospovírus em tomateiro (tombamento e arroxeamento do topo e anéis necróticos ou descoloridos nos frutos, acompanhados ou não de deformações), os causados pelo vírus do mosaico dourado em feijoeiro e muitos outros. 11.2. Inoculação em plantas indicadoras Nem todos os vírus induzem sintomas característicos que permitem a sua diagnose pela inspeção visual das plantas. Nesse caso, devem ser coletadas amostras das plantas que apresentam alterações morfológicas, semelhantes às causadas por fitoviroses, que serão encaminhadas para serem submetidas a testes de laboratório. Uma das técnicas mais simples é a da utilização de plantas chamadas indicadoras, por reagirem com sintomas característicos a vírus específicos. Ela consiste na inoculação do vírus, por métodos mecânicos, enxertia ou através do vetor nessas plantas hospedeiras experimentais. Quando o vírus é bem conhecido, geralmente é descrito na publicação denominada “Description of Plant Viruses” onde consta, entre outras informações, a planta indicadora específica capaz de diferencia-lo dos demais. Um exemplo pode ser o de plantas indicadoras para três vírus que infectam a batata: a Gonphrena globosa reage com sintomas de lesões locais para o PVX, a Datura stramonium reage com clorose internerval sómente ao PLRV, de modo que esses sintomas indicam a presença desse vírus na planta da qual foi 43 retirado o inóculo. Por outro lado ela é imune ao PVY, portanto se um vírus que causa sintomas de mosaico em batata não for capaz de infectar plantas de Datura stramonium mas infecta e provoca mosaico em plantas de fumo cv. Turkish TNN, ele poderá ser diagnosticado como sendo o PVY. Outro exemplo é o do TMV que induz sintomas de lesões locais em plantas de fumo (Nicotiana glutinosa) cv. Turkish NN e de mosaico na cv. Turkish. Entretanto, apesar de ser simples, é uma técnica demorada e nem sempre apresenta absoluta precisão nos resultados. A diagnose do PLRV por enxertia de hastes de batata em plnatas de D. stramonium demora de 45 a 60 dias para produzir resultados positivos confiáveis, além de mão-de-obra treinada para garantir o sucesso do processo de enxertia. Isso inviabiliza a utilização dessa técnica na indexação de vírus para a certificação de batata-semente, devido ao curto tempo exigido entre a colheita e a comercialização dessas sementes. Outros vírus precisam de testes adicionais para se comprovar a sua identidade. 11.3. Estudo da sua transmissibilidade: tipo de transmissão e identificação do vetor Como já foi dito anteriormente, existe uma grande especificidade entre o vírus e o seu vetor na natureza. Assim, por exemplo, o vírus do mosaico dourado do feijoeiro só é transmitido através da mosca branca Bemisia tabaci, o vírus do mosaico do mamoeiro é transmitido através do pulgão Myzus persicae, o vírus da tristeza dos citrus é transmitido através do pulgão preto Toxoptera citricidus, os Tospovírus através de diversas espécies de Trips e assim por diante. Essa alta especificidade entre o vírus e o vetor faz com que a identificação do vetor e do tipo de transmissão, associada a outros dados como hospedeiras 44 suscetíveis e sintomas por elas apresentados, possa confirmar a identidade do vírus em estudo. A sua capacidade de ser ou não transmissível mecanicamente, também é uma informação relevante. Por exemplo o vírus do mosaico dourado do feijoeiro do Brasil e o vírus do enrolamento da folha da batata, não são transmissíveis mecanicamente. Outros vírus não têm vetor conhecido na natureza como o vírus X da batata e o TMV. 11.4. Determinação da estabilidade do vírus no extrato da planta A estabilidade da partícula varia de vírus para vírus, portanto o seu conhecimento pode contribuir para a caracterização e diagnose do mesmo. As propriedades geralmente estudadas são o seu ponto de inativação térmica, ponto máximo de diluição e longevidade “in vitro”. 11.4.1. Ponto de inativação térmica O ponto de inativação térmica (PIT) é determinado aquecendo-se uma suspensão do vírus durante dez minutos em temperaturas variáveis. Será considerado inativado o vírus que, após esse aquecimento, for incapaz de reproduzir uma infecção quando inoculado na hospedeira suscetível. O vírus mais estável que se conhece é o TMV. Seu PIT é acima de 90 0 C (Zaitlin & Israel, 1975), e mesmo quando aquecido a 100 0 C algumas de suas estirpes ainda continuam sendo capazes de infectar a hospedeira suscetível. O PIT do vírus do enrolamento da folha da batata é em torno de 70 0 C ( Peters, 1970) e o do vírus Y da batata é de 55 - 60 0 C (De Bokx & Hutttinga, 1981). 45 11.4.2. Ponto máximo de diluição O ponto máximo de diluição (PID) é determinado inoculando-se extratos de tecidos infectados com o vírus, em diferentes diluições, até se determinar a última delas que é capaz de reproduzir a infecção quando inoculada na planta hospedeira. Quanto mais estável o vírus maior o ponto de diluição. O TMV tem um PID de 10 -6 (Zaitlin & Israel, 1975), enquanto queo PID do vírus Y da batata é de 10 -2 a 10 –3 (De Bokx & Huttinga, 1981). 10.4.3. Longevidade in vitro A longevidade “in vitro” (LIV) também é tanto maior quanto mais estável for a partícula viral. Para a determinação da LIV faz-se inicialmente a extração do vírus a partir de tecidos infectados e o extrato obtido é armazenado a uma temperatura constante (geralmente 20 - 25 0 C) e inoculado em dias consecutivos até que esse extrato perca a sua infectividade. O número máximo de dias que esse extrato permanecer infectivo é considerado a sua LIV. A LIV do TMV é a maior conhecida, podendo este se manter infectivo no extrato por décadas (Zaitlin & Israel, 1975) enquanto que a LIV do vírus Y da batata é de 48 – 72 horas (De Bokx & Hutinga, 1981) e a do vírus do enrolamento da folha é de 12 a 24 horas a 25 0 C ( Peters, 1970). 11.5. Métodos sorológicos Desde que se descobriu que os vírus de plantas eram capazes de induzir a formação de anticorpos específicos quando inoculados em animais, a sorologia se mostrou uma excelente opção como técnica de diagnose de fitovírus. Então as técnicas de purificação foram se aperfeiçoando no sentido de se conseguir preparações completamente isentas de 46 componentes da planta, de modo que os anticorpos produzidos reagissem somente com o vírus, sem o risco de reagir com componentes da planta sadia, gerando falso positivos. Entretanto, as dificuldades encontradas nessa técnica eram a sua morosidade e a sua baixa sensibilidade, não sendo capaz de detectar baixas concentrações de vírus na planta. Além disso a visualização do resultado nem sempre era fácil, o que tornava pouco eficiente a separação entre amostras sadias e doentes. Até que Voller et all. (1976) desenvolveram uma técnica em que, conjugando o anticorpo desejado com uma enzima tornaram possível o desenvolvimento de uma coloração, resultante da reação da enzima com o seu substrato. As enzimas mais empregadas foram a peroxidase e a fosfatase alcalina, porém, no caso de vírus de plantas a que mais tem sido utilizada é a fosfatase alcalina com o seu substrato p- nitrofenilfosfato. Essa reação, que recebeu o nome de ELISA (Enzyme-linked Immunosorbent Assay), utiliza uma microplaca de poliestireno, com 96 orifícios, o que permite processar 96 amostras ao mesmo tempo. A reação processada em cada um desses orifícios pode ser assim esquematizada Existem diferentes versões dessa técnica, porém a mais empregada rotineiramente é a DAS-ELISA (DAS= double antibody sandwish). O s principais passos dessa técnica podem ser visualizados na Figura 3. 1- Cobertura inicial com o anticorpo produzido Lavagem para retirada dos anticorpos não adsorvidos 2 – O extrato com o vírus é adicionado Lavagem para remoção dos detritos e dos vírus e não capturados pelos anticorpos 47 E E E 3 – O anticorpo conjugado à enzima é adicionado Lavagem para remoção dos anticorpos não ligados às partículas virais E E E 4- O substrato da enzima é adicionado dando origem à cor (amarela quando a enzima é a fosfatase alcalina) Figura 3. Principais passos envolvidos na realização da técnica DAS-ELISA Essa reação é bastante sensível, podendo detectar quantidades pequenas de vírus, como 1ng (Figueira et al., 1997), além de poder ser rápida e poder ser empregada para um grande número de amostras ao mesmo tempo. Tudo isso, aliado a sua facilidade de execução, faz com que essa seja a técnica preferida em testes rotineiros para indexação de vírus como em certificação de batata-semente. 11.6. Microscopia Eletrônica Sabendo-se que a maior partícula de vírus conhecida tem cerca de 300 nm de comprimento, como é o caso dos Closterovírus, estes só podem ser vistos ao microscópio eletrônico. Pode-se observar a sua estrutura, medir o seu tamanho e avaliar a qual dos gêneros ele poderia pertencer. Pode-se também observar a ultraestrutura dos tecidos infectados para procurar alguma alteração específica que contribua para a diagnose dos vírus. Os Potyvirus por exemplo induzem estruturas típicas de cataventos, os Tymovirus induzem a formação de vesículas marginais nos cloroplastos, etc. Entretanto a simples 48 estrutura dos vírus não tem valor diagnóstico definitivo. Para isso outras informações devem ser consideradas como hospedeiras, sintomas e mesmo a sua transmissibilidade. Uma técnica que associa a sorologia à microscopia eletrônica, chamada de microscopia eletrônica de imuno adsorção (MEIAD), pode também ser utilizada. Ela consiste em sensibilizar as telinhas de cobre com os anticorpos e depois colocar essas telinhas sobre uma gota do extrato da planta contendo o vírus. Os anticorpos servem para “capturar” um maior número de partículas virais, o que dá uma maior chance de visualização das mesmas ao microscópio eletrônico. Apesar de ser bastante sensível, é uma técnica cara e morosa, sendo portanto inadequada para utilização como rotina para um grande número de amostras. 11.7. Hibridização com cDNA Essa técnica tem se tornado cada vez mais utilizada por causa da sua grande sensibilidade, eficiência e especificidade. Essa técnica exige o conhecimento do ácido nucleico viral, para que se construa, através de técnicas já bem dominadas, uma fita complementar de DNA que servirá como conda para a diagnose de vírus. Essa deve ser marcada com marcadores radioativos, quimioluminescentes ou colorigênicos, para a sua observação visual. A reação de hibridização com cDNA pode ser visualizada na figura 4. 1 – Inicialmente o vírus é aplicado na membrana de Nitrocelulose ou de Nylon RNA viral Membrana de nylon ou de nitrocelulose 49 2 – Após a fixação e préhibridização do vírus este é incubado com a sonda de DNA biotina cDNA (sonda) marcada com biotina RNA viral membrana de nylon ou de nitrocelulose 3 – Incubação com o anticorpo anti-biotina conjugado com fosfatase alcalina anticorpo conjugado com fosfatase alcalina cDNA (sonda) marcada com biotina Membrana de Nylon ou nitrocelulose 4 – A membrana é finalmente incubada com o substrato da enzima (revelação) Substrato + enzima/anticorpo-biotina RNA viral Membrana de Nylon ou Nitrocelulose Figura 4: Passos envolvidos na técnica de hibridização com cDNA. 11.8. RT – PCR Essa técnica é empregada quando o vírus tem como ácido nucléico o RNA. Primeiramente tem-se que fazer a síntese da primeira fita complementar ao RNA, através do uso da enzima transcriptase reversa. Em seguida essa fita de DNA é multiplicada sucessivamente com o uso da enzima DNA polimerase, pela reaçâo denominada de reação da polimeraseem cadeia. Quando a sequência do ácido nucleico viral é conhecida, pode-se 50 desenhar um par de primers que permita a síntese e extensão de uma determinada região do genoma de modo a se obter um segmento de DNA de tamanho conhecido. Esses primers poderão então ser utilizados para a diagnose de vírus em plantas. Na figura 5 se encontram os principais passos envolvidos nessa técnica. 1) Extração do RNA viral. 2) Síntese da primeira fita de DNA complementar Primer 2 (reverse) Transcriptase Reversa RNA viral cDNA 3) Após essa primeira fase o cDNA será multiplicado através de vários ciclos (PCR) envolvendo os seguintes passos: a) Denaturação do cDNA (normalmente em torno de 94 0 C) 94 0 C b) anelamento dos primers (45 - 60 0 C) 51 c) Extensão (72 0C) No produto da reação haverá uma maior concentração dos fragmentos de DNA com o tamanho delimitado pelos primers no genoma: 1 0 ciclo Primer 2 Primer 1 3 0 ciclo 2 0 ciclo 4 0 ciclo Figura 5. Metodologia de amplificação do DNA na técnica de RT-PCR. 52 E assim, sucessivamente, a cada ciclo aumenta a produção de fragmentos de DNA do tamanho delimitado. Esses ciclos (envolvendo denaturação, anelamento e extensão) são repetidos, geralmente 30 a 40 vezes, para se obter uma quantidade de DNA que possa ser detectado por eletroforese em gel de agarose, como pode ser visto na figura abaixo. Figura 1. Padrão eletroforético dos fragmentos de DNA amplificados por RT-PCR utilizando os primers desenhados a partir da sequência do clone 14, do vírus da mancha anular do cafeeeiro. M: marcador, S: planta sadia, 1 – 3: A seta indica os fragmentos de DNA amplificados com aproximadamente 400 pb. Quando o ácido nucléico viral é DNA, basta extrair o DNA e então partir diretamente para a reação de PCR empregando os primers específicos para cara vírus. 10000- 1000- 500- 250- M S 1 2 3 400 pb 53 12. Importância econômica das Fitoviroses e Métodos de Controle Considerando a importância econômica das fitoviroses e as perdas que elas podem causar nas plantas, o controle das doenças viróticas em campo é muito importante. Algumas culturas apresentam maior ou menor problema com as doenças viróticas, mas a grande maioria das plantas cultivadas estão sujeitas a infecções por vírus que podem causar diminuição na qualidade e na quantidade da produção. Alguns exemplos relevantes merecem ser citados. Quando o vírus da tristeza dos citrus chegou ao Brasil, por volta de 1937, provavelmente proveniente da África do Sul, praticamente todas as plantas cítricas eram enxertadas sobre laranja azeda (Citrus aurantium), devido a sua resistência à Gomose e ao fato de conferir à planta uma copa bastante vigorosa e produtiva. Como a laranja azeda é altamente suscetível a esse vírus, houve a destruição de 9 milhões entre os 11 milhões de plantas cítricas existentes no período de 1939 a 1949. Atualmente o plantio da laranja cv. Pera, a mais importante cultivar para a citricultura nacional, somente é possível devido ao desenvolvimento da medida de controle denominada pré-imunização, que será discutida posteriormente. O vírus do mosaico da cana-de-açúcar chegou ao Brasil entre os anos de 1922 a 1928, introduzido provavelmente através de material importado da Argentina. No período de 1922 a 1925 essa doença provocou uma diminuição de 1.250.000 para 220.000 sacos de açúcar e de 6 para 2 milhões de litros de álcool. O seu controle só foi possível com a utilização de variedades de cana-de-açúcar resistentes a esse víruis. Em 1997 o Brasil gastou cerca de 3,9 milhões de dólares com a importação de 7.000 toneladas de batata-semente. O fato de ser a batata propagada vegetativamente e haver um alto potencial de inóculo nas condições brasileiras de cultivo, estas sofrem uma rápida degenerescência devido ao acúmulo de vírus em gerações sucessivas no campo. Essa 54 importação era bem maior há alguns anos atrás, e só diminuiu devido ao programa de certificação de batata-semente, que monitora o índice de vírus nas sementes de batata comercializadas, estimulando a adoção de métodos adequados de controle. Muitas outras culturas tem importantes viroses, e somente a aplicação de medidas de controle adequadas tem tornado possível a manutenção das perdas num patamar aceitável. Entretanto muito ainda necessitaria ser feito no sentido de evitar as perdas, que geralmente nem sempre são avaliadas, em países como o Brasil em que o agricultor está acostumado com produtividade baixa, de modo que nem sempre questiona as suas causas ou mesmo não está preparado para reconhecêlas. Isso ocorre frequentemente com pequenos produtores, principalmente na produção de hortaliças em geral. Como acontece nas infeções por qualquer outro fitopatógeno, a doença causada por um vírus só deve ser controlada se os custos das medidas de controle definidas não forem superiores às perdas de produção sofridas pela lavoura afetada. Por isso, e para tornar mais eficientes e menos onerosas essas medidas de controle, deve-se ter um conhecimento o mais amplo possível a respeito da epidemiologia da fitovirose que se quer controlar, ou seja, a relação VÍRUS X VETOR X PLANTA e sua interação com o meio ambiente. Devido ao seu modo de interação com a planta, os vírus compõem um grupo especial de patógenos, cujos métodos de controle devem ser, na sua grande maioria, de caráter preventivo. O objetivo maior deve ser o de impedir ou retardar o máximo possível a entrada do vírus na lavoura, pois plantas infectadas mais no final do ciclo não deverão sofrer perdas significativas. Isso pode ser visto na figura 2, que retrata os resultados obtidos por Doodson 55 & Saunders (1970) quando estudaram o efeito da época de infecção com o BYDV na produção de aveia cv. Condor. Existe a necessidade de se adotar um conjunto de medidas, com diferentes abordagens simultâneas, para que sejam satisfatoriamente eficientes. Estágio de crescimento na época da inoculação Figura 2. Efeito do estágio de crescimento em que as plantas foram inoculadas na produção de aveia de primavera cv. Condor. 12.1. Medidas Preventivas As medidas preventivas são direcionadas à uma população de plantas pois geralmente não se justifica uma intervenção individual . A primeira coisa a ser considerada é o tipo de disseminação do vírus: semente, propagação vegetativa, propagação vegetativa e vetores, ou somente vetores. Existem diversas medidas de controle preventivas que serão descritas a seguir. 12.1.1. Exclusão Nesse caso as medidas de controle visam o impedimento da entrada do vírus numa área que esteja isenta do vírus. São elas: 12.1.1.1.Emprego de material propagativo livre de vírus A introdução do vírus via sementes, verdadeiras ou unidades propagativas como bulbos, bulbilhos, tubérculos ou via qualquer outra parte da planta que seja propagada Plantas infectadas Plantas sadias 56 vegetativamente como borbulhas, manivas, caules etc. constitui um fator importante no desenvolvimento de uma epidemia. Isso porque a presença do inóculo noinicio do ciclo de vida da planta, numa fase em que essa geralmente é mais suscetível, além de causar maior dano às plantas infectadas precocemente constitui uma fonte de inóculo que estará presente para ser disseminada durante todo o período em que a planta estiver no campo. Essa é considerada uma das mais importantes medidas para o controle das fitoviroses porque a planta suscetível , após infectada por vírus, não pode ser recuperada e as perdas na sua produção aumentam com a precocidade da infecção. As perdas na produção da planta de batata, provocadas pelo PLRV, podem chegar a mais de 80%, dependendo da cultivar de batata e da porcentagem de infecção dos tubérculos utilizados como semente. Cupertino & Costa (1970) determinaram que a planta de batata infectada pode sofrer uma perda média da produção de 60,8%, variando de 47,6 a 73,4%, dependendo da cultivar. O trabalho com incidências variáveis de PLRV, mostrou ainda que a produção total das plantas decresceu com o aumento do teor de enrolamento nos lotes de sementes utilizados para plantio (Cupertino et al., 1971). Câmara et al. (1986b) investigaram, no estado de Goiás, a perdas causadas pelo de PLRV em quatro cultivares de batata: Bintje, Désirée, Omega e Radosa. Eles observaram que houve uma perda média de 43,2% na produção de planta provenientes de sementes com incidência média de 80,3% de PLRV. A cv. Bintje apresentou a maior e as Cvs. Omega e Désirée as menores perdas de produção. Souza Dias et al. (1983d, 1984b) também investigaram, em São Paulo, a perdas causadas Pelo PLRV em plantas de batata, cv. Aracy, provenientes de sementes com incidências de vírus variando de 10 a 60% e observou que a redução no número e no peso dos tubérculos também aumentou com o aumento da incidência de vírus: o número de 57 tubérculos foi 5 a 29% menor e o seu peso diminiu de 5,3 a 27,3% em relação às plantas controle originadas de sementes sadias. Lima et al. (1982) encontraram uma perda média de produção da ordem de 63,7% nas plantas de batata, cv. Delta, infectadas com o PLRV no estado do Paraná. Infecções primárias, que ocorrem no final do ciclo vegetativo da planta, não causam reduções significativas na produção (Souza Dias et al., 1983d). Porém, infecções na fase jovem do desenvolvimento da planta podem resultar em sintomas semelhantes aos de perpetuação pela batata-semente e apresentarem perdas acima de 20% na produção (Souza Dias et al., 1983c). Outro importante ímportante vírus que pode ser transmitido através das sementes é o vírus do mosaico da alvace (Lettuce mosaic virus – LMV), portanto o uso de sementes de alface sadias é o principal método de controle para esse vírus. Broadbent et al. (1951) utilizaram sementes de alface com 0,5 e 3% de infecção com o LMV e chegaram ao final do ciclo com uma incidência do vírus de 14 e 85% respectivamente. Zink et al. (1956) trabalhando com diferentes níveis de infecção em sementes de alface, observaram que mesmo pequenos índices do LMV em sementes de alface exerciam um efeito significativo na sua disseminação. Eles observaram que plantas de alface provenientes de sementes livres de vírus (0% de infecção) chegavam ao final do ciclo com 3,4% de incidência do LMV devido a inóculo exixstente em hospedeiras selvagens da região. Entretanto a incidência chegou a 7,6 e 29,6% no final do ciclo quando foram empregadas, respectivamente, sementes com 0,1 e 1,6% de infecção com o LMV. Grogan(1983) também observou que o uso de sementes de alface livres ou com índices baixos de LMV garantiu um decréscimo no número de plantas infectadas na ocasião da colheita. Ele observou porém que, mesmo utilizando sementes com apenas 0,1% de incidência do LMV, 58 a cultura apresentava um índice de 23% de plantas infectadas no final do ciclo, indicando que o controle ideal seria mesmo o uso de sementes livres do vírus. 12.1.1.2. Manutenção de estoques vegetativos livres de vírus Para algumas espécies vegetativas a princiapal fonte de inóculo é o propágulo infectado. Esse é o caso dos citrus, onde os viroides do exocortis e da Xiloporose e o vírus da sorose não possuem vetor na natureza, portanto só são disseminados via borbulha infectada. O programa de certificação dos Citrus que está em vigor no Estado do São Paulo inclui a identificação de clones livres de vírus e a sua manutenção em ambientes protegidos, como em telados. Periodicamente esse material é analisado para que seja certificada a sua sanidade. Essas plantas são as doadoras matrizes de borbulhas para posterior multiplicação em borbulheiras, tambem mantidas em telados, que serão as futuras fornecedoras de borbulhas para a formação das mudas a serem plantadas no campo. Outros programas como o de produção de mudas de morangueiro e de videira livres de virus têm sido imploementados. 12.2. Remoção de fontes de infecção. Se as sementes ou mudas plantadas estiverem livres de vírus e não houver nas redondezas nahuma fonte de inóculo, ou seja hospedeiras vivas para o vírus e para o vetor, a chance de se evitar uma epidemia são bem grandes. Sómente uma revoada de insetos vetores trazidos por correntes aéreas poderiam introduzir o vírus na lavoura, e haveria uma grande chance de, se não for possível evitar , pelo menos retardar bastante essa introdução. As hospedeiras que servem de fonte de inóculo geralmente são: 59 a) hospedeiras selvagens perenes b) hospedeiras selvagens não perenes mas que transmitem o vírus pelas sementes c) hospedeiras selvagens escalonadas (sobreposição de ciclo vegetativo: inicio de um com o final do anterior) d) plantas ornamentais perenes e) outras culturas (da mesma espécie ou hospedeiras de outras espécies: ex: batata, jiló, pimentão, tomate, etc.) f) soca da cultura anterior g) culturas bianuais (ex: a beterraba atinge a maturidade por ocasião da emergência das plantas no plantio posterior). As áreas das plantações em qualquer das suas fases (sementeiras, canteiros, viveiros ou plantações definitivas), bem como na que as circunda, devem ser tão livres como possível de vegetação espontânea, ou de outras culturas que possam servir como fontes de vírus ou do vetor. O preparo dessas áreas deve ser bem feito e com antecedência suficiente em relação ao plantio para que a população de vetores do local tenha tempo de perecer. Plantações vizinhas às áreas que vão ser plantadas, se já determinadas, devem ser arrancadas e o terreno também bem preparado. Se as culturas não estão terminadas, o controle dos vetores nelas deve ser feito eficientemente. A vegetação natural que circunda a área deve ser destruída numa faixa razoável (25 – 50 m) e, no caso de pastos, as plantas que possam servir de reservatórios do vírus ou do vetor devem ser arrancadas. A beldroega, por exemplo, é considerada como sendo uma boa fonte do vírus do vira cabeça do tomateiro e os carrapichos de carneiro servem de boa fonte de vírus do mosaico do picão, que pode passar desse para a alface e o girassol, nos quais 60 causa mosaico. Essas fontes são também fontes de vetores, capazes de transmitir o vírus. Joás, Maria Pretinha e outras Solanáceas serevem como fonte de vírus para a cultura da batata; sida e outras malváceas podem também ser hospedeiras de vírus para o algodão, oquiabo e o feijão. As ervas daninhas que crescem dentro da cultura podem também servir de fontes de vírus e do vetor. Em muitos casos essas ervas podem ser infectadas pelo vetor a partir das próprias plantas cultivadas. Posteriormente, ao ser feita a capina, os insetos que se achavam sobre as ervas daninhas voltam de novo para as plantas cultivadas, infectando-as. Por essa razão, tem sido sugerido que não se permita que o mato, que cresce entre as culturas, chegue a formar colonias de vetores, sendo muitas vezes conveniente efetuar a pulverização do mesmo com inseticidaantes da capina. 12.3.. Manipulação e direcionamente das práticas agriculturais Muitas práticas de cultivo são bastante favoráveis à disseminação de vírus, como por exemplo o plantio escalonado. Portanto deve-se tomar o cuidado de fazer um planejamento da cultura procurando adotar algumas mudanças e/ou modificações na rotina normal dessas práticas para evitar essa disseminação. As medidas recomendadas são: 12.4. Quebra de um ciclo de infecção Quando existe uma superposição do ciclo vegetativo da cultura atual com a cultura anterior, a probabilidade dos vetores migrarem para a cultura mais nova, logo após a sua emergência no campo, levando consigo o vírus, é muito grande. Considerando-se que a cultura que está no final pode ter uma alta incidência de vírus e que a outra cultura se 61 encontra em sua fase mais suscetível, por causa da idade das plantas, é muito importante que sejam tomadas de controle visando proteger a cultura nova. Nesse caso o que pode ser feito é ou retardar o plantio para esperar eliminação das plantas da cultura anterior, o que nem sempre é possível, ou realizar um controle rigoroso dos vetores na cultura que está no final do ciclo para impedir a sua migração para a cultura mais nova. Em Alberta, nos Estados Unidos obteve-se um bom controle do vírus do mosaico do trigo evitando que o trigo de inverno fizesse sobreposição de ciclo com o da primavera e fazendo um bom controle químico dos afídeos antes da emergência das plantas na cultura mais jovem (Matthews, 1991). Na california, a principal fonte de inóculo do vírus do amarelo ou vermelho da cenoura também são campos de cenoura contaminados, em final de ciclo. Eles observaram em seus experimentos que quando os campos foram tratados com inseticidas antes do estabelecimento de novos campos, estes apresentaram uma incidência menor que 0,5% (Howell & Mink, 1977; Watson & Falk, 1994). 12.5. Mudança da época de plantio A escolha da época de plantio pode oferecer excelente método de controle. Nos países temperados, onde o inverno é bastante rigoroso e os insetos vetores praticamente desaparecem no inverno, essa prática é mais eficiente porque torna-se mais fácil evitar os picos de alta densidade populacional do vetor no campo. Mesmo no Brasil existem as épocas em que uma virose pode apresentar maior incidência devido a maior ocorrência do vetor: em São Paulo, nos meses de dezembro a fevereiro, que são quentes e chuvosos observa-se uma maior incidência do vírus do vira-cabeça do tomateieo em alface. Abuh Salih et al. (1973) estudou o efeito da época da semeadura sobre a produtividade de feijão tipo fava (Vicia faba), no período de final de novembro a dezembro 62 de 1970 e 1971. Eles observaram que as plantas semeadas após o final de outubro sofreram perdas significativas devido à alta incidência do vírus do mosaico do feijoeiro sudanês (figura 3). Isso aconteceu porque nessa época havia uma maior população do afídeo vetor no campo. Figura 3. Efeito da data de semeadura na produção do feijoeiro no Sudão, nos meses de Outubro a Dezambro/70-71. (Dados de Abu Salih et al., 1973). 12.6. Espaçamento da cultura O aumento da densidade da população de plantas na lavoura, seja pela redução da distância entre as fileiras ou pelo plantio de mais plantas nas fileiras ou na cova, pode ter marcada influência no controle de certas doenças viróticas. O efeito favorável tem sido explicado de várias maneiras e é possível que as razões variem de acordo com a epidemiologia da doença. As explicações poderiam ser: a) a relação entre a população do vetor disponível e o número de plantas é reduzida, havendo maior chance de que muitas plantas escapem à infecção; b) o espaçamento mais fechado pode levar a um microclima desfavorável ao vetor, reduzindo a transmissão dentro da plantação; c) a melhor cobertura Data de semeadura 63 do terreno pode reduzir a descida dos pulgões e de outros vetores; d) a maior densidade pode levar à certa competição entre as mudas novas, aumentando a sua resistência de campo. Brook (1964, 1968) observou que a incidência de plantas de amendoim infectadas com “Groundnut rosette virus”, vírus diminuiu consideravelmente com o aumento da densidade de plantio (figura 4). Semanas após o plantio Figura 4. Efeito da densidade de plantio na incidência de plantas de amendoim infectadas com “Groundnut rsette virus” (Dados de Brook (1964, 1968). 12.7. Plantio de Grandes áreas O plantio de grande áreas da mesma cultura, ao mesmo tempo, contribui para o controle das doenças viróticas. As vantagens do grande plantio são várias: a) a maior contaminação das plantas nas fileiras que ficam próximas às bordaduras fica reduzida em proporção ao aumento da área; b) os focos iniciais na plantação que geralmente ocorrem próximo ao perímetro dessas ficam mais longe das partes centrais da plantação; c) a 9600 plantas/acre 19.050 plantas/acre 38.559 plantas/acre - - - - - - 78.750 plantas/acre 160.200 plantas/acre 64 população de vetores disponíveis, em relação ao número de plantas na população fica menor; d) não há culturas em sucessão, não havendo a possibilidade para que as anteriores forneçam maior quantidade de inóculo e vetores para as posteriores; e) o controle dos vetores nas áreas marginais da plantação facilita a redução da disseminação secundária. 12.8. Isolamento do campo A escolha da área de plantio longe de fontes de vírus e do vetor é também uma excelente medida de controle. Quanto mais longe da cultura estiver a fonte de inóculo menor e mais retardada será a sua introdução na cultura. Um exemplo pode ser dado através dos resultados de Shepherd & Hills, que investigaram a incidência dos vírus do mosaico e do amarelo da beterraba em lavouras situadas a diferentes distâncias da fonte de inóculo. A porcentagem de plantas doentes na lavoura diminuiram com a distancia entre esta e a fonte de inóculo (figura 5). amarelo mosaico mosaico Distância da fonte de inóculo (milhas) Figura 5: Efeito da distância da fonte de infecção com duas viroses na porcentagem de plantas de beterraba infectadas com vírus causadores de amarelo e mosaico. (Dados de Shepherd & Hills, 1970). 65 12.9. Colheita precoce A colheita precoce, isto é, antes mesmo que as plantas completem a sua maturação pode ser feita para certas culturas com vantagem para o controle de doenças viróticas. É método que tem sido utilizado com vantagens na produção de batata semente (Van der Zaag, 1987). Visa evitar a infecção tardia do batatal , caso seja prevista a revoada de pulgões vetores. Mesmo que já tenha havido essa revoada, a destruição rápida das ramas poderá evitar que haja tempo para que o vírus introduzido pelo vetor seja translocado para os tubérculos. Entretanto deve-se considerar que o arranquio precoce corresponde a uma perda na produção, mas para a produção de batata-semente existe a vantagem de padronização do tamanho das sementes produzidas. 12.10. Erradicação das Plantas Doentes ou “Roguing” A ekliminação das plantas afetadas de uma plantação só deve ser feita quando o conhecimento da epidemiologia da doença indica que elas poderão servir de fontes de vírus para disseminação dentro da área. É método trabalhoso e que exige operários treinados no reconhecimento das plantas afetadas. É medida tamém posta em prática com maior frequência na produção de batata-semente ou outro material para reprodução, como touceiras com mosaico da cana-de-açúcar, plantas de mandioca com mosaico, etc. Na erradicação de plantas afetadas deve-se tomar a precaução de coletar as plantas arrancadas imediatamente em um saco e depois eliminá-las longe da plantação. Quandoas plantas afetadas são jogadas no chão, a erradicação pode se tornar uma operação que auxilia a disseminação em lugar de reduzi-la, principalmente se hover vetores apteros nas plantas arrancadas. Prática que tem se tornado comum, em viveiros para produção de 66 material sadio de cana-de-açúcar, é a eliminação de plantas utilizando-se herbicida associado a inseticida sistëmico. 12.11. Proteção da População de Plantas A maioria das medidas utilizadas para a proteção das plantas contra os vírus não se parece com as empregadas para os outros patógenos. Isso porque ainda não se encontrou uma substância capaz de impedir a infecção da planta pelo vírus, quando este é transmitido pelo vetor. Desse modo, as medidas protetivas são direcionadas ao controle do vetor, ao uso de variedades resistentes ou tolerantes e ao emprego da pré-imunização. Apesar do grande número de trabalhos com substâncias antivirais, não existe uma que seja comprovadamente eficiente. 12.11.1. Controle de Vetores Para que o controle seja eficiente, primeiramente é necessário que se conheça bem o vetor e o tipo de interação virus-vetor. Como já foi dito anteriormente, existe a necessidade de se adotar uma série de medidas de controle combinadas, e o controle químico do vetor é uma medida que sempre deve ser associada associada às outras técnicas de controle preventivas. Os vetores podem ser aéreos (insetos) e de solo (fungos e nematoides). 12.11.2. Controle de vetores aéreos O controle químico dos vetores aéreos é útil tanto para impedir a disseminação dentro do campo (Costa et al., 1971; Cancelado & Radcliff, 1979; Flanders et al., 1991; Di Fonzo et al., 1994) como para impedir a disseminação de fora para dentro do campo (Watson & Falk, 1994; Howell & Mink, 1997; Gabriel et al., 1981). Entretanto, para 67 impedir a transmissão de vírus de fora para dentro da cultura o tratamento tem que ser feito na fonte do inóculo, pois se o vetor chegar à cultura trazendo o vírus, o inseticida terá pouco valor, uma vez que antes de morrer ele tem uma grande chance de transmitir o virus (Bacon et al., 1976). Essa abordagem é utilizada para o CLRV na California e em Washington, cuja fonte inóculo está em campos vizinhos contaminados, que se encontram no final do ciclo quando novos campos são estabelecidos. Quando os campos foram tratados com inseticidas antes do estabelecimento de novos campos, estes apresentaram uma incidência menor que 0,5% (Watson & Falk, 1994; Howell & Mink, 1977). Dois problemas podem aparecer, quando se faz uso de inseticidas para controlar insetos: a) a possibilidade de indução de uma mudança no comportamento dos afídeos, estimulando o seu movimento e aumentando a sua disseminação. Isso já foi observado com inseticidas de contacto, os piretroides, e com inseticidas sistêmicos, os organofosforados e os carbamatos (Ferro et al., 1980; Foster, 1981; Lowery & Boiteau, 1988); b) a possibilidade dos afídeos desenvolverem resistência a alguns inseticidas comerciais (Brattsten, 1989; Georghion. 1990; Metcalf, 1989). Por isso o controle deve ser o mais racional possível, acompanhado por especialistas da área que possam orientar quanto à melhor marca de inseticida no mercado, e a sua dosagem aproximada. Um outro efeito que tem sido desconsiderado, é o efeito do inseticida sobre o inimigo natural do vetor , uma vez que um desequilibrio ecológico pode levar a um aumento brusco na população do vetor (Di Fonzo et al., 1994 – Carter, 1987). Para minimizar os efeitos indesejáveis dos inseticidas, existem trabalhos que procuram racionalizar o seu uso, estabelecendo um nível mínimo de insetos que justifica o início do seu controle químico, ou estabelecendo dosagens adequadas dos produtos disponíveis. Na cultura da batata, em campos onde o principal meio de disseminação do vírus é dentro da cultura, as medidas de controle visam aproveitar o período de latênciado vírus no vetor, utilizando inseticida para eliminar o inseto aptero. Cancelado & Randcliff (1979) recomendaram que o controle químico deveria ser feito quando um número de 10 afídeos/105 folhas fosse observado. Flanders et al. (1991), estabeleceram um nível similar de 3 a 10 afídeos/100 folhas como indicativo para iniciar a aplicação de inseticida. Ambos 68 fizeram os seus estudos com a cultirar de batata suscetível Russet Burbank. Di Fonzo et al. (1994) fizemram o mesmo estudo com três cultivares: Russet Burbank (suscetível), Kennebeck (moderadamente resistente) e Cascade (altamente resistente). O nível estabelecido por ele foi igual para a Russet Burbank, ou seja, 10 afídeos apteros/100 folhas, 300 afídeos apteros/300 folhas para a Cascade . Não foi possível chegar a um resultado conclusivo com a cultivar Kennebeck. Vários outros trabalhos investigando as melhores dosagens de inseticidas que devem ser utilizados para otimizar o controle de vetores, também podem ser encontrados na literatura (Lowery & Boiteau, 1988; Rice et al., 1983; Villacarlos, 1987; Vaadeland et al., 1992; Hanaffi et al., 1989). Gourmet (1994) utilizou diferentes dosagens de um inseticida que funciona de ambas as formas, por contato e sistêmico, pertencente à classe das nitroguanidinas (Imidacloprid - Gaucho) que agem diferentemente dos organofosforados e dos carbamatos. Ele atua como estimulante para certas células nervosas exercendo a ação de um receptor proteico na membrana da fibra nervosa. Sua ação prolongada danifica o sistema nervoso do inseto. Ele descobriu uma relação linear significativa entre a dosagem do inseticida e a distância percorrida pelo inseto, após a pulverização do inseticida, e a incidência do vírus. De qualquer forma, a incidência sempre foi maior nas plantas controle não pulverizadas, do que em qualquer das plantas tratadas com diferentes dosagens do ineticida. Dosagens menores resultaram num maior índice de infeção. Além da aplicação do inseticida na parte aérea da planta, a aplicação de inseticidas sistêmicos no solo e nas sementes tem sido uma prática bastante empregada para impedir a disseminação do inóoculo dentro da cultura (Costa et al., 1971; Dewar & Read, 1990; Foster et al., 1981, Schemmer et al., 1990). O controle de vetores pelo uso de predadores ou parasitas tem sido bastante incentivado por ser uma medida de controle que não agride o meio ambiente com substancias poluidoras. Entretanto a sua aplicação atual ainda é incipiente, com poucos exemplos práticos . Evans (1954) estudou o comportamento de colonias de Aphis craccivora 69 em plantas de amendoin na presença de predadores, em condições de campo (figura 6) observando que os predadores foram capazes de destruir completamente os afídeos nas plantas. Figura 6. Crescimento da colônia de afídeos e sua posterior destruição por predadores (Dados de Evans, 1954). 12.11.3. Controle de vetores de Solo Os vírus transmitidos por nematoides persistem por longo período de tempo no solo e em seu nematoide hospedeiro (Martelli, 1978; Satapathy, 1998). Os nematoides geralmente se movimentam muito lentamente e por um raio restrito, o que faz com que o seu controle químico seja o mais eficiente (Lamberti & Basile, 1982). Entretanto o principal fator limitante no tratamento nematicida é que eles se localizam muito abaixo da superfície do solo e se espalham de modo que é muito difícil serem alcançados e eliminados. Isso faz com que mesmo sendo um processo ideal ele quase nunca seja utilizado. Além disso o uso de nematicidas é antieconômico e tem a desvantagem de deixar resíduos químicos no solo, causando poluição ambiental (Satapathy, 1998). Os nematicidas utilizados para o controle de nematoides vetores pertencem a dois grupos: fumigantes e não fumigantes. Os fumigantes comuns são o 1,3-D (1,3 dicloropropano), brometo de metila, EDB (dibrometo de etileno)e DBCP (1,2-dibromo-3- cloropropano) e os não fumigantes são o aldicarbe, oxamyl, plenamiphose quintozone (Satapathy, 1998). predadores afídeos 70 O controle dos fungos transmissores de vírus através de fungicidas não tem sido muito estudado, porém existem evidência de que os fungicidas podem ser utilizados com sucesso (Jones, 1988; Marlat & Mckittrick, 1963; Mckinney et al., 1957; Thomas, 1973; Tomlinson & Thomas, 1986; Walsh, 1998). Entretanto, a maioria dos experimentos são realizados em vasos, sob condições experimentais, de modo que necessitariam ainda ser testados no campo, sob condições comerciais (Walsh, 1998). 12.11.4. Emprego de Variedades Resistentes ou Tolerantes Uma das medidas de controle mais desejáveis para qualquer fitopatógeno é o emprego de plantas resistentes ou tolerantes. Entretanto nem sempre se encontra a resistência desejável nas plantas e quando se encontra às vezes tem que se aceitar perder em qualidade e;ou quantidade de produção. No caso da resistência da cana-de-açúcar ao vírus do mosaico, as variedades antigas que eram altamente suscetíveis produziam em média cerca de 15% a mais de sacarose. A resistência ao vírus do mosaico do feijoeiro em só é possível, no momento, em feijoeiro cv. Carioca. Cultivares muito apreciadas antigamente como a Jalo e Manteiga, são altamente suscetíveis e inviáveis de serem cultivadas. Outro problema que às vezes aparece é que essa resistência nem sempre é durável, pois o vírus pode se tornar capaz de quebrar essa resistência. A utilização de plantas resistentes envolve primeiramente a procura de um genótipo e a submissão deste a um teste adequado de resistência. Tem-se que considerar a variabilidade do vírus porque as vezes uma espécie de vírus e mesmo estirpes da mesma espécie podem ter patogenicidades diferentes. A resistência da planta pode também ser ao vetor, pois isso impediria a inoculação do vírus na planta, pelo vetor. As plantas tolerantes são aquelas que permitem a multiplicação dos vírus em seus tecidos mas não apresentam sintomas severos e consequentemente não mostram perdas significativas. Entretanto, o cultivo de uma planta tolerante significará a existência de um maior número de plantas infectadas no campo, constituindo uma farta fonte de inóculo, além de esta poder ficar mais suscetível ao ataque de um outro patógeno. Com o avanço da biologia molecular surgem novas possibilidades de se obter plantas com resistência e/ou tolerância aos fitovírus, através da manipulação genética do vírus em laboratório e a produção de plantas transgênicas. Dentre todas abordagens 71 possíveis, visando quebrar o ciclo da infecção viral, via a introdução de um gene específico do vírus na planta (Matthews, 1992), a que tem sido mais utilizada é a introdução do gene da capa proteica do vírus na planta (Nelson et al., 1990; Beachy, 1990; Van der Wilk et al., 1991). Kawchuk et al. (1990, 1991) produziram dois tipos de plantas transgênicas de batata, a partir da cultivar Russet Burbank, com resistência ao PLRV: plantas com o gene que codifica o RNA para a produção da capa proteica do vírus e plantas com o gene que codifica a sequência complementar para esse RNA. Em ambas as plantas pode detectar resistência à multiplicação e acúmulo do vírus em infeções primárias. A transmissibilidade do PLRV das plants transgênicas para outras plantas variou de 18 a 85% (Kawchuk et al., 1991). Barker et al. (1992) também construiram plantas de batata transgênicas a partir de duas cultivares de batata, para testar se o gene da capa proteica do PLRV poderia conferir resistência contra a multiplicação do vírus em plantas obtidas a partir de tubérculos infectados (infeção secundária). Os resultados obtidos indicaram que as plantas transgênicas da cultivar Désirée e as da cultivar Pentland Squire apresentarm uma média de 15 e 30%, respectivamente, da concentação do vírus detectada nas plantas controle. Brown et al. (1995) obtiveram resultados semelhantes em plantas de batata das cultivares Russet Burbank e Ranger Russet, transformadas com o gene da capa proteica do PLRV, que apresentaram um máximo de 15 e 31%, respectivamente, do título de vírus detectado nas plantas-controle, tanto em infeção primária quanto em infeção secundária. O mecanismo exato que confere resistência às plantas transgênicas ainda não está bem determinado e necessita de investigações adicionais. Recentemente Presting et al. (1995), realizaram alguns experimentos com a finalidde de investigar porque geralmente as plantas transformadas com o gene, para capa proteica viral, apresentam uma baixa concentração dessa proteina em seus tecidos. Eles construiram três tipos de plantas de batata transgênicas, da cultivar Ranger Russet: uma com o gene para a capa proteica do PLRV, outra com o gene da capa proteica, modificado para otimizar a expressão de proteina, e uma terceira contendo apenas o plasmídeo binário contendo o gene para neomicina fosfotransferase (NPTII). Os resultados obtidos mostraram que todos os três tipos de plantas transgênicas mostraram resistência à multiplicação viral, sendo que as 72 plantas com o gene modificado não mostraram resistência maior que as plantas com o gene nativo para a capa. Entretanto o que causou surpresa foi o fato de que algumas plantas, transformadas sómente com as sequências do vetor e com o gene NPTII, se comportaram como resistentes, e que essa resistência era herdável. Então eles lançaram a hipótese de que um componente da resistência da planta de batata transgênica estaria associada com o DNA vetor ou com o processo de cultura de tecidos empregado para obter a planta trangênica. Essa e outras hipóteses que tem sido formuladas só serão comprovadas com o tempo, através de intensas atividades de pesquisa. Os três genes mais empregados na construção de plantas transgênicas são: o gene da capa proteica, o gene da replicasee o gene da proteína de movimento, envolvida no movimento do vírus célula-à-célula. Outros segmentos do genoma viral como a região não traduzível do Andean potato mottle virus (plantas de fumo) e outros segmentos de RNAs virais (sense e antisense). O mecanismos de resistência mais explorado na construção de plan tas transgênicas tem sido o de resistência derivada do patógeno (PDR= pathogen derived resistance) Embora as plantas transgênicas apresentem um bom potencial para o controle de luteovírus, muitas etapas precisam ainda ser cumpridas antes de terem uso prático ao nível de campo. Muitas perguntas devem ser respondidas como: existiria a possibilidade de transcapsidação (que o ácido nucleico de outro virus possa ser capeado pela capa que está conferindo resistência), e quais seriam as suas consequências; existiria a possibilidade de incorporação de múltiplos genes, para conferir resistência a outros virus, em culturas suscetíveis a diversas viroses; a resistencia observada a nível de casa-de- vegetação seria mantida a nível de ampo; finalmente qual seria o grau de mutabilidade dos virus e a sua habilidade para quebrar a resistência das plantas transgênicas (Matthews, 1992). 12.11.5. Proteção Pelo Uso de Estirpes Fracas: Pré-imunização A pré-imunização consiste na proteção de uma planta pela inoculação de uma estirpe fraca do vírus. Após a invasão sistêmica da planta pela estirpe fraca a estirpe forte não consegue infecta-la. 73 Mais de um mecanismo parece estar envolvido na proteção da planta pela estirpe fraca (Mattews, 1991). Entre eles, cita-se: a) Competição por sítios de replicação Segundo Bawden & Kassanis (1945) deve haver sítios específicos para a replicação viral na célula. Considerando-se que esses sítios poderiam ser limitados, a estirpe fraca se estabelecendo primeiro ocuparia todos os sítios de modo que quando a estirpe forte fosse inoculada ela não encontraria nenhum dessessítios livres para se replicar. b) Deficiência dos Metabólitos Essenciais A estirpe fraca utilizaria todos os metabólitos essenciais primeiro, de modo que não estariam disponíveis quando a estirpe forte chegasse às células. c) Desenvolvimento de substâncias protetoras A planta poderia desenvolver alguma substância, na preseça da estirpe fraca, que funcionaria como inicibidora para a estirpe forte. d) Propriedades de “Adsorção “ das Células infectadas Agregados da partícula viral da estirpe fraca existentes na célula infectada poderia adsorver a partícula quando essa entrasse na célula. e) Encapsidação do RNA da estirpe forte O RNA da estirpe fraca poderia ser imediatamente encapsulado quando ele perdesse a sua própria capa proteica de modo que ele não teria tempo de chegar ao ribossoma para ser traduzido em proteínas, impedindo o início da sua replicação. f) Impedimento da perda da capa proteica da estirpe forte Poderia haver um mecanismo que impediria a estirpe forte de sofrer a perda da capa proteica para dar inicio à sua replicação. g) Inibição da síntese do RNA viral Poderia haver qualquer mecanismo que impedisse a síntese do RNA viral da estirpe forte. Existem alguns estudos que favorecem uma ou outra hipótese. Entretanto não se sabe ao certo qual ou quais dos mecanismos acima poderiam estar envolvidos na proteção da planta pela estirpe fraca. Um exemplo que funciona muito bem no Brasil é a proteção da 74 Laranja cv. Pera pela estirpe fraca do vírus da tristeza dos citrus. Desde 1965 a estirpe selecionada pelo Dr. Gerd W. Miller, no Instituto Agronômico de Campinas, tem funcionado satisfatoriamente, oferecendo um bom controle para esse vírus em condições de campo. Entretanto essa estirpe não tem a mesma eficiência para o limão Galego. 12.11.6. Proteção por agentes antivirais A procura de substâncias capazes de impedir a infecção e ou replicação viral é tem sido incansável, porém poucos progressos tem sido conseguido. Existem inúmeras substâncias, das mais diversas origens, que são capazes de impedir a trasmissão mecânica dos vírus, porém estas substâncias não funcionam na transmissão do vírus através do vetor. Algumas delas parece até ter algum efeito, agindo na diminuição da disseminação de vírus em condições de campo, porém os resultados nem sempre são consistentes, de modo que até o momento ainda não existe um viricida efetivo para emprego no controle de doenças viróticas. Apenas em associação com a técnica de cultura de meristema parece Ter sido conseguido algum sucesso (Faccioli & Marani, 1998). 12.12. Medidas Curativas As medidas curativas só podem ser aplicadas em plantas individuais e só se justificam para plantas propagadas vegetativamente. Isso porque, mesmo que o vírus, do qual se quer livrar a planta, seja transmissível pelas sementes verdadeiras, nunca o será por 100% das sementes.produzidas pela planta infectada. Geralmente esses métodos são caros e morosos e são utilizados somente quando se tem 100% de um clone contaminado e se necessita de plantas sadias para propagação e/ou estudo. Essas medidas podem ser termoterapia, cultura de meristema, quimioterapia e obtenção de clones novos. 12.12.1. Termoterapia 75 Os vírus podem ser inativados na planta hospedeira através de tratamento térmico. As primeiras tentativas de inativação de vírus foram feitas por Kunkel (1935; 1936a; 1936b; 1941; 1943) até que Kassanis (1949) conseguiu efetivamente eliminar o vírus do enrolamento da folha da batata, de tubérculos infectados, através da termoterapia. Em seguida, muitos outros trabalhos foram desenvolvidos para estudar a possibilidade de se utilizar o tratamento térmico na inativação de vírus na planta hospedeira viva ou em um de seus órgãos (Kassanis, 1954, 1957; 1957a. Babos & Dassanis, 1963; Ginza, 1968; Johnstone & Wade, 1974). O tratamento térmico envolve a manutenção da planta inteira ou uma de suas partes, como tubérculos, bulbos, etc., tanto tempo quanto possível numa faixa de temperatura entre 35 a 40 o C. A manutenção de tubérculos infectados por várias semanas, a 37 o C, pode inativar o PLRV de modo que esses darão origem a plantas de batata sadias (Kaiser, 1980). Mesmo que muitas das plantas morram durante o tratamento, algumas delas sobrevivem o tempo necessário para se tornarem livres de vírus (Mink et al., 1998). 12.12.2. Cultura de Meristemas Como os tecidos meristemáticos da planta geralmente não contëm partículas virais, a regeneração de uma planta a partir de cultura de meristema pode dar origem a uma planta livre de vírus. O sucesso dessa técnica na obtenção de plantas livres de vírus dependem de alguns fatores como: a) ausência regular de partículas de vírus no meristema; às vezes este pode ser acidentalmente contaminado; b) alguns meristemas de certas regiões da planta são contaminados e de outras regiões não; c) o vírus sendo inativado durante a cultura de meristema, no meio sintético (Matthews, 1991). 76 Alguns vírus são mais fáceis de serem eliminados via cultura de meristema, como os vírus de Araceae (Hartman, 1974), e o PLRV, por ser um vírus que coloniza células do floema (Quak, 1987), enquanto outros como o “tobacco rattle virus” e o PVX são bem mais difíceis (Matthews, 1991). Uma das maiores dificuldades dessa técnica é a extração do meristema, cujo comprimento varia de 0,1 a 0,5mm. Se for acrescentadauma única célula dos tecidos adjacentes essa pode conter partículas virais que podem contaminar a planta gerada através da cultura de meristema. Para eliminar esse risco, geralmente se faz a associação de tratamento térmico e com substâncias viricidas como o 2-tiouracil e virazole, (Quak, 1961, 1987; Mc Donald, 1973; Stace-Smith & Mellor, 1968; Mur, 1979; Cassels & Long, 1982; Blom-Barnhoorn, G. J. & Aartrijk, 1985; Blom-Barnhoorn et al., 1986). 12.12.3. Obrtenção de clones nucelares Quando uma planta é propagada vegetativamente geralmente é porque se deseja que a filha seja geneticamente idêntica à planta-mãe, como no caso das plantas cítricas. A obtenção de clones nucelares, nesse caso, pode permitir a obtenção de plantas livres dos vírus que não são transmissíveis através das sementes verdadeiras. As mudas provenientes embriões nucelares, que estão presentes em grande quantidade da maioria dos citrus, seria uma copia exata da planta-mãe e poderiam ser distinguidas pela fecundação das flores da árvore matriz com pólem de Poncirus trifoliata, e posterior eliminação das mudas trifoliadas no canteiro. Porém essas mudas possuem a desvantagem de retardar o início da produção, apresentar muitos espinhos, crescerem muito e serem mais suscetíveis à Gomose. 77 13. Literatura Citada A’BROOK, J. 1964. The effect of planting date and spacing on the incidence of groundnut rosette disease and of the vector Aphis craccivora, Koch, at Mokawa, Northern Nigeria. Ann. Appl. Biol. 54Ç 199 – 208. A’BROOK, J. 1968. The effect of plant spacing on the numbers of aphids trapped over the groundnut crop. Ann. Appl. Biol. 61Ç 289 – 294. ABU SALIH, H. S.; ISHAG, H. M. & SIDDIG, S. A. 1973. Effect of sowing date on incidence of Sudanese broad bean mosaic virus in, and yield of, Vicia faba. Ann. Appl. Biol. 74Ç 371 – 378. AGUZZI, A. et al. 2011. Virus Taxonomy. Family Virgaviridae. In: King, A.M.Q.; Lefkowitz, E.; Adams, M.J.; Carstens, E.B. Editors. Ninth Report of the International Committee on Taxonomy of Viruses. Elsevier. Academic Press, London, UK. 1327pp. AJAYI, O. 1986. 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