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Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MÓDULO: CORRELAÇÕES ANÁT0MO-CLÍNICAS (CAC) – NEUROANATOMIA 
 
 
Arlindo Ugulino Netto 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
2 
 
 
 
ANATOMIA MACROSCÓPICA DA MEDULA ESPINHAL E SEUS ENVOLTÓRIOS 
 
 
 Etimologicamente, o termo medula significa “miolo”, indicando “o 
que está dentro”. Da mesma forma, temos a medula óssea dentro dos 
ossos; medula suprarrenal, dentro da glândula do mesmo nome; e medula 
espinhal dentro do canal vertebral, canal formado entre o corpo e a lâmina 
das vértebras quando uma está posta sobre a outra. A medula espinhal, 
juntamente ao encéfalo (conjunto do telencéfalo, diencéfalo, tronco 
encefálico e cerebelo), forma o sistema nervoso central ou neuroeixo. 
 A medula espinhal é uma massa cilíndrica de tecido nervoso e que 
está situada dentro do canal vertebral sem, entretanto, ocupá-lo 
completamente. No homem adulto, ela mede aproximadamente 45 
centímetros, sendo um pouco menor na mulher. 
Cranialmente, a medula limita-se com o bulbo, aproximadamente 
em nível do forame magno do osso occipital. O limite caudal da medula tem 
uma grande importância clínica e, no adulto, situa-se ao geralmente ao 
nível da 2ª vértebra lombar (L2). Nesse nível, a medula termina afunilando-
se para formar um cone, o cone medular, que continua com um delgado 
filamento meníngeo, o filamento terminal. Depois desse cone medular, há 
apenas nervos espinhais de grande comprimento formando a cauda 
equina. 
 
OBS
1
: O limite superior da medula pode ser encontrado a partir do primeiro filamento radicular do primeiro nervo cervical (C1): acima 
desse filamento, tem-se o bulbo e abaixo, medula espinhal. 
 
Embriologicamente, a medula é formada a partir da porção mais caudal do tubo neural, porção esta que não sofre as 
dilatações que formam as vesículas prosencefálicas, primórdios do encéfalo. O tubo neural pode não se fechar completamente no 
desenvolvimento fetal (geralmente, por carência de ácido fólico durante a gestação) e, uma vez que a ultima porção a se fechar é a de 
baixo, gera o quadro conhecido como mielomeningocele, que discutiremos mais adiante. 
 
 
FORMA E ESTRUTURA GERAL DA MEDULA 
 A medula apresenta forma aproximadamente cilíndrica, sendo ligeiramente achatada no 
sentido ântero-posterior. Seu calibre não é uniforme, pois apresenta duas dilatações 
denominadas intumescência cervical e intumescência lombar, situadas em nível cervical e 
lombar, respectivamente. Essas intumescências correspondem às áreas em que as raízes 
nervosas que formam os plexos braquial e lombossacral, destinadas a inervação dos membros 
superiores e inferiores, fazem conexão com a medula. A formação dessas intumescências se 
deve à maior quantidade de neurônios e, portanto, de fibras nervosas que entram ou saem destas 
áreas e que são necessárias para a inervação dos membros superiores e inferiores. 
 
OBS
2
: Esta interpretação encontra apoio da anatomia comparada: o estudo dos canais vertebrais 
de dinossauros mostrou que estes animais, dotados de membros anteriores diminutos e membros 
posteriores gigantescos, praticamente não possuíam intumescência cervical, enquanto a 
intumescência lombar competia com o tamanho do próprio encéfalo. Já um animal gigantesco 
como a baleia, mas com massas musculares igualmente distribuídas ao longo do corpo, possui 
medula larga, mas sem dilatações locais. 
 
 A superfície da medula apresenta os seguintes sulcos longitudinais: sulco mediano 
posterior, fissura mediana anterior, sulco lateral anterior e sulco lateral posterior. Na medula 
cervical existe ainda o sulco intermédio posterior, localizado entre o sulco mediano posterior e o 
lateral posterior e que continua em um septo intermédio posterior no interior do funículo posterior 
(porção posterior da medula). Nos sulcos lateral anterior e lateral posterior fazem conexão, 
respectivamente, as raízes ventrais e dorsais dos nervos espinhais. 
 
 
 
MORFOLOGIA MEDULAR EM SECÇÃO TRANSVERSAL 
Na medula, a substância cinzenta localiza-se por dentro da branca e apresenta a forma de uma borboleta (mais semelhante 
com as da família Papilionidae) ou de um H. Nela, distinguimos de cada lado três colunas que aparecem nos cortes como cornos e 
que são as colunas anterior, posterior e lateral (esta existente apenas na medula torácica e parte da alta da medula lombar, por 
estar relacionada com inervação visceral simpática). 
Arlindo Ugulino Netto. 
MÓDULO: CAC – NEUROANATOMIA 2017 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
3 
 
A substância branca é formada por fibras, a maioria mielinizada, que sobem e descem na medula e que podem ser 
agrupadas de cada lado em três funículos ou cordões medulares: 
 Funículo anterior: situado entre a fissura mediana anterior e o sulco lateral anterior. 
 Funículo lateral: situado entre os sulcos lateral anterior e lateral posterior. 
 Funículo posterior: situado entre o sulco lateral posterior e o sulco mediano posterior, este ultimo ligado à substância cinzenta 
pelo septo mediano posterior. Apenas na parte cervical da medula, o funículo posterior é dividido pelo sulco intermédio 
posterior em dois fascículos: o fascículo grácil e fascículo cuneiforme, regiões por onde passarão tratos de mesmo nome 
que carregam estímulos nervosos (relacionados à propriocepção consciente, tato discriminativo ou epicrítico, sensibilidade 
vibratória e estereognosia) a núcleos no bulbo (núcleos grácil e cuneiforme) e destes, ao tálamo, onde serão interpretados. 
 
 
CONEXÕES COM OS NERVOS ESPINHAIS (SEGMENTOS MEDULARES) 
 Nos sulcos lateral anterior e lateral posterior, 
existem as conexões de pequenos filamentos 
radiculares, que se unem para formar, 
respectivamente, as raízes ventral e dorsal dos 
nervos espinhais. As duas, por sua vez, se unem para 
formar os nervos espinhais propriamente ditos. É a 
partir dessa conexão com os nervos espinhais que a 
medula é dividida em segmentos. Portanto, esses 
nervos são importantes por conectar o SNC à periferia 
do corpo. 
 Os nervos espinhais são assim chamados por 
se relacionarem com a medula espinhal, estabelecendo 
uma ponte de conexão SNC-SNP. 
 Existem 31 pares de nervos espinhais aos 
quais correspondem 31 segmentos medulares assim 
distribuídos: 8 cervicais (existem oito nervos cervicais, 
mas apenas sete vértebras, pois o primeiro par cervical 
se origina entre a 1ª vértebra cervical e o osso occipital), 
12 torácicos, 5 lombares, 5 sacrais e 1 coccígeo. 
 
OBS
3
: Na realidade, são 33 pares de Nn. Espinhais se 
forem considerados os dois pares de nervos coccígeos 
vestigiais, justapostos ao filamento terminal da medula. 
 
 
A medula de um adulto tem aproximadamente 45 cm de comprimento. Sabe-se que, pela topografia vertebromedular, a 
medula não ocupa toda a extensão do canal vertebral, sendo explicada pelo desenvolvimento embrionário das vértebras em relação à 
medula. Até o 4º mês de vida embrionária, o crescimento medular se faz concomitantemente com o crescimento vertebral. Porém, ao 
avançar dos meses, pode-se perceber que o crescimento das vértebras é mais avançado do que a medula, explicando o porquê dela 
não ocupar toda a extensão do canal vertebral. Anatomicamente, sabe-se que os nervos espinhais são formados entre os forames 
intervertebrais das vértebras. Como consequência deste crescimento desproporcional entre medula e vértebra, ocorre a formação da 
cauda equina, em que filamentos nervosos formados em segmentos mais caudais da medula descem para alcançar os seus 
respectivos forames intervertebrais e, assim, formar os nervos espinhais baixos. 
 A formação da cauda equina se dá no momento em que as últimas grossas raízes dos nervos espinhais lombossacrais são 
arrastadas pelo rápido desenvolvimento longitudinal das vértebras e da coluna como um todo. Devido aos diferentes comprimentos do 
canal vertebral e da medula, os únicos segmentos medularesque são adjacentes aos respectivos corpos vertebrais são os da região 
cervical. Abaixo desse nível, as vértebras deixam da manter uma relação exata com seus respectivos segmentos medulares e suas 
raízes nervosas espinhais, que seguem cursos descendentes, progressivamente oblíquo, até atingir seus respectivos forames 
intervertebrais. Este fato é mais acentuado na porção caudal da medula (na qual há a formação da cauda equina). Exemplificando tal 
desproporção: uma fratura na vértebra T12 poderia levar a um comprometimento da medula lombar, e não de segmentos torácicos, 
como era de se imaginar. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
4 
 
 Devido a esta discrepância entre vértebra e segmento medular, devemos tomar nota da seguinte regra: entre os níveis das 
vértebras C2 e T10, adiciona-se 2 ao número do processo espinhoso da vértebra e tem-se o segmento medular subjacente (assim, o 
processo espinhoso da vértebra C2 está sobre o segmento medular C4 e o da vértebra T10 está sobre T12). Os processos 
espinhosos de T11 e T12 correspondem aos cinco segmentos lombares, e o processo espinhoso de L1 corresponde aos cinco 
segmentos sacrais. Desta forma, em resumo, temos: 
 Processo espinhoso de C2 a T10 – Segmentos C4 a T12 
 Processos espinhosos de T11 e T12 – Segmentos L1 a L5 
 Processo espinhoso de L1 – Segmentos S1 a S5 
 Vértebras L2 a L5 – Cauda equina. 
 
Cortes transversais de determinadas regiões da medula 
apresentarão características diferentes. Ao nível cervical, a 
substância branca circundante da cinzenta é mais escura, além do 
fato de que o corno anterior e posterior da substância cinzenta é bem 
mais proeminente que em outras regiões (exceto a lombar), devido 
ao fato da presença do plexo braquial. O mesmo vale para a região 
lombar, em que os cornos anterior e posterior são mais robustos, 
mas a substância branca aparece em menor quantidade do que em 
níveis mais altos. Na coluna torácica, além do afinamento do corno 
posterior e corno anterior, há o aparecimento marcante do corno 
lateral (relacionado com o sistema nervoso autônomo simpático: 
inervação de vísceras torácicas e abdominais). 
 Além disso, nota-se um aumento gradativo da substância 
branca medular com relação à cinzenta na medida em que 
observamos cortes cada vez mais altos da medula. Isso acontece 
devido à maior presença de fibras brancas na porção mais alta da 
medula. 
Considerando que, no primeiro segmento cervical, por exemplo, todas as fibras nervosas que vão para o encéfalo ou que 
descem para seus órgãos-alvo, justifica o fato de haver mais substância branca do que cinzenta em tal corte. De modo contrário, em 
cortes lombares mais baixos, observamos mais substância cinzenta do que branca, uma vez que quase todas as fibras descendentes 
já tomaram seu rumo e as fibras ascendentes ainda nem entraram na medula. 
 
 
ENVOLTÓRIOS DA MEDULA 
Assim como todo o SNC, a medula é envolvida por membranas fibrosas conhecidas como meninges. Sendo três, os 
envoltórios da medula, de fora para dentro, são: dura-máter (que corresponde à paquimeninge, sendo ela a mais espessa e a mais 
externa), aracnoide e pia-máter (essas duas últimas denominadas, em conjunto, de leptomeninge). 
A dura-máter tem uma rigidez característica devido à espessura que lhe é 
conferida pela abundância de fibras colágenas encontradas quando realizada cortes 
histológicos. Uma particularidade da paquimeninge é que esta termina em nível de 
S2, de modo que envolve a medula espinhal como se fosse um dedo na luva, o que 
leva à formação do chamado saco dural. 
 
OBS
4
: Os prolongamentos laterais da própria dura-máter formam o epineuro dos 
nervos espinhais. 
 
 A aracnoide-máter se dispõe entre a dura-máter e a pia-máter. Compreende 
um folheto justaposto à dura-máter e um emaranhado de trabéculas, as trabéculas 
aracnóideas, que une este folheto à pia-máter. Já a pia-máter é a meninge mais 
delicada e mais interna. Ela adere intimamente ao tecido nervoso da superfície da 
membrana e penetra na fissura mediana anterior. Quando a medula termina no cone 
medular, a pia-máter continua caudalmente, formando um filamento esbranquiçado 
denominado filamento terminal, que perfura o fundo do saco dural e continua até o 
hiato sacral. Ao atravessar o saco dural, o filamento terminal recebe vários 
prolongamentos da dura-máter e o conjunto passa a ser denominado filamento 
terminal da dura-máter espinhal. Este, ao inserir-se no periósteo da superfície 
dorsal do cóccix, constitui o ligamento coccígeo. 
 Da pia-máter surgem processos triangulares que, em conjunto, formam duas pregas longitudinais denominadas ligamentos 
denticulados, que se dispõem bilateralmente em um plano frontal ao longo de toda a medula. Desta forma, o ligamento coccígeo e os 
ligamentos denticulados constituem os meios de fixação da medula, que têm a finalidade de limitar o deslocamento dessa estrutura no 
seu repouso subaracnóideo. 
 Com relação às meninges que envolvem a medula, existem três cavidades ou espaços: epidural (ou extradural, entre a dura-
máter e o periósteo do canal vertebral), subdural (espaço praticamente virtual entre a dura-máter e a aracnoide, onde corre uma 
pequena quantidade de líquor) e subaracnóideo (espaço maior entre a aracnoide e a pia-máter, onde escorre uma quantidade 
razoavelmente grande de líquido cérebro-espinhal ou líquor). Este último espaço está comunicado com o 4º ventrículo (no tronco 
encefálico) por meio da abertura mediana e de duas aberturas laterais do 4º ventrículo. 
 
OBS
5
: A exploração clínica do espaço subaracnóideo em nível da medula é facilitada por certas particularidades anatômicas da dura-
máter e da aracnóide na região lombar da coluna vertebral. Sabe-se que o saco dural e a aracnóide que o acompanha termina em S2, 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
5 
 
enquanto a medula termina mais acima, em L2. Entre estes dois níveis, o espaço subaracnóideo é maior, contém maior quantidade de 
líquor e nele se encontram apenas o filamento terminal e as raízes que formam a cauda equina. Não havendo perigo de lesão da 
medula, esta área é ideal para a introdução de uma agulha no espaço subaracnóideo, o que é feito nas seguintes finalidades: 
 Retirada de líquor para fins terapêuticos ou diagnósticos de punções lombares (ou raquidianas) 
 Medida da pressão do líquor 
 Introdução de substâncias que aumentam o contraste das radiografias, como ar, hélio e sais de iodo 
 Introdução de anestésicos nas chamadas anestesias raquidianas 
OBS
6
: A introdução de anestésicos no espaço meníngeo da medula de modo a bloquear as raízes nervosas que os atravessam 
constitui um procedimento de rotina na pratica medica, especialmente em cirurgias das extremidades inferiores, da cavidade pélvica e 
em algumas cirurgias abdominais. 
 Anestesias raquidianas: o anestésico é introduzido no espaço subaracnóideo por meio de uma agulha que penetra no 
espaço entre as vértebras L2-L3, L3-L4 ou L4-L5. No seu trajeto, a agulha perfura sucessivamente a pele e a tela celular 
subcutânea, o ligamento interespinhal, o ligamento amarelo (primeira resistência), a dura-máter e a aracnóide (segunda 
resistência). Certifica-se de que a agulha realmente atingiu o espaço subaracnóideo pela presença de líquor que goteja de 
sua extremidade. É comum o paciente relatar dores de cabeça (cefaléia) no pós-operatório com raquianestesia. Esta é 
explicada pelo fato de que, ao perfurar a dura-máter, cria-se um canal de saída que leva a formação de um gradiente de 
pressão, que por sua vez leva à saída do líquor (mesmo que seja em mínima quantidade). Isto desencadeia a dor de cabeça 
no momento em que o líquor puxa junto de si estruturas superiores a favor da gravidade, no momento em que tende a sair 
pelo canal de acesso da anestesia. O paciente relata o desaparecimento da dor quando se deita, diminuindo o efeito da 
gravidade sobre as estruturas cranianas. 
 Anestesias epidurais (ou peridurais):são feitas geralmente na região lombar, introduzindo-se o anestésico no espaço 
epidural, onde ele se difunde e atinge os forames intervertebrais, pelos quais passam as raízes dos nervos espinhais. 
Certifica-se de que a ponta da agulha atingiu o espaço epidural quando se observa uma súbita baixa de resistência, 
indicando que ela acabou de perfurar o ligamento amarelo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CORRELAÇÕES CLÍNICAS 
 
 Mielomeningocele: é uma das lesões congênitas mais comuns da 
medula espinhal. É causada pelo fechamento incompleto do canal 
vertebral. Quando isso acontece, o tecido nervoso é induzido a sair por 
este orifício, formando uma protuberância mole, na qual a medula 
espinhal fica sem proteção (espinha bífida). Embora possa ocorrer em 
qualquer nível da coluna vertebral, é mais comum na região 
lombossacral. A exposição da medula espinhal causada pela espinha 
bífida resulta em deficiências neurológicas, com distúrbios sensitivos e 
ortopédicos (malformações ósseas), geralmente nos membros inferiores. 
A falta de controle das funções intestinal e urinária e a hidrocefalia estão 
presentes em 80% dos casos de mielomeningocele. 
A criança com mielomeningocele pode apresentar graus variáveis de paralisia e ausência de sensibilidade abaixo do nível da 
lesão medular, com preservação da parte superior do abdome, tórax e membros superiores. Torna-se importante a 
assistência precoce em reabilitação para prevenção das deformidades ortopédicas: pé torto, deslocamento do quadril, 
diminuição das amplitudes articulares, deformidades no tronco (cifoscoliose), etc. 
O tratamento da hidrocefalia é uma emergência neurocirúrgica e inclui a monitorização das cavidades cerebrais (ventrículos) 
através de ultrassom, tomografia ou ressonância magnética e a derivação ventricular. Uma das condutas iniciais para um 
recém-nascido com mielomeningocele é o fechamento cirúrgico da lesão com pele. A avaliação da hidrocefalia é uma 
emergência na assistência ao recém-nascido. 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
6 
 
 
ESTRUTURA DA MEDULA ESPINHAL - MICROSCOPIA 
 
 
 O estudo da estrutura microscópica do sistema nervoso central é uma das 
partes mais importantes da neuroanatomia, uma vez que, no sistema nervoso, 
estrutura e função estão intimamente ligadas. Por outro lado, o conhecimento da 
microscopia do SNC é fundamental para a compreensão dos diversos quadros clínicos 
que resultam das lesões e processos patológicos que podem acometê-lo. 
Antes de iniciarmos o estudo mais detalhado da medula espinhal, deverão ser 
conceituados alguns termos que serão largamente utilizados nos capítulos que se 
relacionam com as estruturas microscópicas do SN. 
 Substância cinzenta: refere-se ao tecido nervoso que contém fibras do tipo 
amielínicas, corpos de neurônios, etc. Tem, na medula espinhal, o formato da 
letra H (o chamado “H medular”). Sua localização é mais interna em relação a 
substância branca. Na prática, seria definida como o acúmulo de corpos de 
neurônios. 
 Substância branca: tecido nervoso formado por neuroglia e fibras predominantemente mielínicas. 
 Núcleo: massa de substância cinzenta imersa em substância branca, ou grupo delimitado de neurônios com 
aproximadamente a mesma estrutura e mesma função. Geralmente, formam ou recebem fibras de nervos cranianos. 
 Córtex: Pode ser do tipo cerebelar e cerebral. É uma fina película de substância cinzenta que recobre tais estruturas. 
 Tracto: Seria um agrupamento de fibras nervosas, que tem a mesma origem, mesmo destino e mesma função. Na 
denominação de um tracto, usam-se dois termos ligados por hífen: o primeiro indicando a origem e o segundo a terminação 
das fibras. 
 Fascículo: seria uma formação análoga aos tractos, mas com formato mais compacto ou robusto. 
 Lemnisco: são tractos de natureza geralmente sensitiva, mas que apresentam forma de fita. Os principais lemniscos estão 
localizados no tronco encefálico, e são eles: lemnisco lateral (relacionado com a via auditiva), lemnisco trigeminal, lemnisco 
espinhal (formado pelos tractos espino-talâmico lateral e anterior: dor, temperatura, tato e pressão) e lemnisco medial 
(continuação das fibras arqueadas internas, que são oriundas dos núcleos grácil e cuneiforme: propriocepção consciente, 
tato epicrítico, sensibilidade vibratória). 
 Funículo: é a região da substância branca da medula onde se encontram os tractos, fascículos, etc. 
 Decussação: formação anatômica constituída por fibras nervosas que cruzam obliquamente o plano mediano e que têm 
aproximadamente a mesma direção. 
 Comissura: região anatômica onde fibras cruzam de um lado para o outro paralelamente. 
 Fibras de associação: são fibras que associam pontos mais ou menos distintos de uma determinada área ou órgão, sem, 
entretanto, abandoná-lo. 
 Fibras de projeção: são fibras que saem dos limites da área ou do órgão de onde surgem. 
 
 
ASPECTOS DA ORGANIZAÇÃO MACROSCÓPICA E MICROSCÓPICA DA MEDULA 
 Como já foi visto anteriormente, na superfície da medula existem os sulcos lateral 
anterior, lateral posterior, intermédio posterior (na região cervical), sulco mediano posterior e 
a fissura mediana anterior. A substância cinzenta é circundada pela branca, constituindo, de 
cada lado, os funículos anterior, lateral e posterior, este último compreende os fascículos 
grácil e cuneiforme. Entre a fissura mediana anterior e a substância cinzenta, localiza-se a 
comissura branca (local de cruzamento de fibras principalmente sensitivas). Na substância 
cinzenta, notam-se colunas (cornos) anterior, lateral e posterior. 
 Vale lembrar também que a quantidade de substância branca em relação à cinzenta 
é tanto maior quanto mais alto o nível considerado. Ao nível dos intumescimentos lombares e 
cervicais, a coluna anterior é mais dilatada; a coluna lateral só existe de T1 a L2 (por estar 
relacionada a inervação visceral). 
 
 
SUBSTÂNCIA CINZENTA DA MEDULA 
 A substância cinzenta, como foi dito, tem forma de borboleta ou de um H. Essa 
região cinzenta da medula pode ser dividida, considerando duas linhas que tangenciam os 
contornos anterior e posterior do ramo horizontal do “H”, o que divide a substância cinzenta 
em coluna (corno) anterior, coluna posterior e substância cinzenta intermédia. Por sua 
vez, a substância cinzenta intermédia pode ser dividida em: substância cinzenta intermédia 
central e substância cinzenta intermédia lateral por duas linhas ântero-posteriores. 
De acordo com esse critério, a coluna lateral faz parte da substância cinzenta 
intermédia lateral. Na coluna posterior observa-se de diante para trás uma base, um pescoço 
e um ápice (este último compreende uma área de tecido nervoso translúcido, rico em células 
neurogliais e pequenos neurônios, a substância gelatinosa ou portão da dor). 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
7 
 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS NEURÔNIOS MEDULARES 
 Os elementos mais importantes da substância cinzenta da medula são seus neurônios. Esses neurônios podem ser 
classificados da seguinte maneira: 
1. Neurônios de axônio longo (tipo I de Golgi) 
 Neurônios Radiculares: apresentam axônio muito longo e saem da medula para constituir a raiz ventral. 
o Neurônios radiculares viscerais: são neurônios pré-ganglionares do sistema nervoso autônomo, cujos corpos 
localizam-se na substância cinzenta intermédia lateral (na coluna lateral, ao nível de T1 a L2). Destinam-se a 
inervação de músculos lisos, cardíaco ou glândulas. 
o Neurônios radiculares somáticos (neurônios motores primários/neurônios motores inferiores): destinam-
se a inervação de músculos estriados esqueléticos e tem seu corpo localizado na coluna anterior. Costuma-se 
distinguir na medula dos mamíferos dois tipos de neurônios radiculares somáticos: alfa e gama. Os neurônios 
alfa (fibras extrafusais, ou seja, localizam-se fora dos fusos neuromusculares) são muito grandes e seu axônio, 
bastante grosso, destina-sea inervação de fibras musculares que contribuem efetivamente para a contração 
muscular. Cada neurônio alfa, juntamente com as fibras musculares que ele inerva, constitui uma unidade 
motora. Já os neurônios gama são menores e possuem axônios mais finos (fibras eferentes gama), 
responsáveis pela inervação motora das fibras intrafusais. Tem papel fundamental na regulação da 
sensibilidade dos fusos neuromusculares. Para a execução de um movimento voluntário, eles são ativados 
simultaneamente com os motoneurônios alfa (coativação alfa-gama). Isso permite que os fusos 
neuromusculares continuem a enviar informações proprioceptivas ao sistema nervoso central, mesmo durante a 
contração muscular desencadeada pela atividade dos neurônios alfa. 
 Neurônios Cordonais: são aqueles cujos axônios ganham a substância branca da medula, onde tomam direção 
ascendente ou descendente, passando a constituir as fibras que formam os funículos da medula. 
o Neurônios cordonais de projeção: possuem um axônio ascendente longo que termina fora da medula 
(tálamo, cérebro, etc.), integrando as vias ascendentes da medula. 
o Neurônios cordonais de associação: possuem axônio que, ao chegar à substância branca, se bifurca em um 
ramo ascendente e outro descendente, ambos terminando na substância cinzenta da própria medula. Assim, 
constituem um mecanismo de integração de segmentos medulares, situados em níveis diferentes, 
permitindo a realização de reflexos intersegmentares na medula. As fibras nervosas formadas por estes 
neurônios dispõem-se em torno da substância cinzenta, onde formam os chamados fascículos próprios, 
existentes nos três funículos da medula. 
 
2. Neurônios de Axônio Curto (ou Internunciais): em razão de seu pequeno tamanho, o axônio destes neurônios permanece 
sempre na substância cinzenta. Seus prolongamentos ramificam-se próximo ao corpo celular e estabelecem conexão entre 
as fibras aferentes, que penetram pelas raízes dorsais, e os neurônios motores, interpondo-se, assim, em vários arcos-
reflexos medulares. Além disso, muitas fibras que chegam à medula trazendo impulsos do encéfalo terminam em neurônios 
internunciais. Um tipo especial de neurônio de axônio curto encontrado na medula, por exemplo, é a célula de Renshaw, 
localizada na porção medial da coluna anterior. Os impulsos nervosos provenientes da célula de Renshaw inibem neurônios 
motores. Admite-se, pois, que neurônios motores, antes de deixarem a medula, emitam um ramo colateral recorrente que 
volta e termina estabelecendo sinapse com uma célula de Renshaw. Esta, por sua vez, faz sinapse com o próprio neurônio 
motor que emitiu o sinal. Assim, os impulsos nervosos que saem pelos neurônios motores são capazes de inibir o próprio 
neurônio através do ramo recorrente e da célula de Renshaw. 
 
 
OBS
1
: As informações que chegam à medula por meio de neurônios aferentes podem ser processadas de duas maneiras: podem 
tomar uma trajetória ascendente e serem processadas no encéfalo ou podem ser, de modo instantâneo, avaliadas na própria medula. 
Esta ultima opção é chamada de reflexo. Os reflexos representam uma vantagem evolutiva muito importante para a manutenção da 
integridade do corpo. Ao se discutir a atividade reflexa do músculo esquelético, é importante compreender a lei da inervação 
recíproca (de Sherrington), a qual afirma que a musculatura flexora e extensora de um mesmo membro que está envolvido em um 
reflexo não pode contrair ao mesmo tempo. Para que esta lei funcione, é necessário que as fibras nervosas aferentes responsáveis 
pela ação muscular flexora reflexa, tenham ramos que façam sinapses com neurônios motores extensores do mesmo membro, 
fazendo com que sejam inibidos (e, obviamente, vice-versa). Outra propriedade interessante dos reflexos medulares é o fato de que a 
evocação de um reflexo, em um dos lados do corpo, causa efeito oposto sobre o membro no outro lado do corpo. Esse efeito é dito 
reflexo de extensão cruzada. A partir dessas duas propriedades, temos os seguintes mecanismos reflexos: 
 Arco reflexo cruzado (Reflexo flexor e extensor cruzado): Quando receptores de dor são estimulados (como quando se pisa 
subitamente em um prego ou outra superfície cortante), esse estímulo é transformado em um impulso nervoso que chega à 
medula pela raiz aferente (dorsal), até a região do corno posterior. Isso faz com que esse estímulo também se propague para 
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o corno anterior por meio de interneurônios (internunciais) que fazem conexões entre o neurônio sensitivo que chega à 
coluna posterior e o neurônio motor alfa, ou seja, aquele que se origina na coluna anterior e segue destinado à inervação das 
fibras musculares. Esse estímulo faz com que músculos da coxa, no caso do exemplo, se contraiam para que a perna seja 
retirada do local. Porém, só essa contração não é o suficiente e nunca acontece sozinha: por um ato reflexo, ao retirar o pé 
da superfície cortante, automaticamente, a perna de apoio contrai seus músculos para não cairmos. Pra isso, há um 
prolongamento do interneurônio para o lado contralateral de onde o estímulo chegou. Esse prolongamento, da mesma forma, 
faz sinapse com um neurônio motor alfa para “avisar” à musculatura a necessidade de sua contração. 
 Arco reflexo simples (Reflexo Patelar): quando se percute o tendão da patela, o estiramento de suas fibras gera um 
estímulo de fibras intra-fusais que converte esta estimulação em um impulso nervoso, que viaja até a medula por meio da 
fibra aferente do nervo espinhal, chegando, pois, à coluna posterior da medula. Chegando nesse nível, essa fibra aferente faz 
sinapse com dois tipos de neurônios: (1) os próprios neurônios motores alfa, que fazem contrair a musculatura extensora da 
perna e (2) neurônios inibitórios (internunciais) de segmentos diferentes da medula (se for o caso), responsáveis por inibir a 
contração da musculatura antagonista (promovendo o relaxamento dos flexores), para que a extensão seja possível. Essas 
interligações se dão por meio dos fascículos próprios da medula (neurônios cordonais de associação). Este tipo de reflexo é 
importante para diagnosticar compressões na medula (como em casos de hérnias de disco) verificando se a simetria do 
reflexo de um lado e de outro é realmente verdadeira. 
 
 
 
 
NÚCLEOS E LÂMINAS DA SUBSTÂNCIA CINZENTA 
 Os neurônios medulares não se distribuem de maneira uniforme na substância cinzenta, mas agrupam-se em núcleos ora 
mais, ora menos definidos. Isso mostra que a medula não é inteiramente homogênea quanto às suas funções. 
 Coluna Anterior: A coluna anterior da substância cinzenta divide-se em dois grupos de neurônios: grupo medial e grupo 
lateral. A principal diferença entre tais grupos vai além de suas funções, mas também a sua localização em nível medular: o 
grupo medial de neurônios se localiza em toda extensão da medula, diferentemente do grupo lateral que só faz-se presente 
na região das intumescências. 
o Grupo medial de neurônios: Estão em todos os níveis medulares, e inervam a musculatura axial através das fibras 
que emergem a partir das divisões dorsais dos nervos espinhais. 
o Grupo lateral de neurônios: São as fibras que inervam a musculatura apendicular superior e inferior. Localizam-se 
somente nas regiões das intumescências lombar e cervical. Ainda no grupo lateral, ocorre uma subdivisão, de tal 
modo que os neurônios mais mediais inervam a musculatura proximal, enquanto que os mais laterais têm função 
inervatória para a musculatura distal. 
 Coluna Posterior: são mais evidentes dois núcleos: o núcleo torácico (=núcleo dorsal) e a substância gelatinosa 
o Substância gelatinosa: É a chamada “portão da dor” (pois recebe fibras sensitivas e regula a entrada no sistema nervoso 
de impulsos dolorosos). Nesse local, há liberação da substância P, sendo também o local onde atua a maioria dos 
analgésicos. Para o funcionamento do portão da dor são importantes fibras serotoninérgicasque chegam à substância 
gelatinosa vindas do tronco encefálico. 
o Núcleo torácico: Está anterior a substância gelatinosa, e se relaciona com a propriocepção inconsciente, contendo 
neurônios que se projetam até o cerebelo (na forma do tracto espino-cerebelar posterior). 
 
 
SUBSTÂNCIA BRANCA DA MEDULA 
 As fibras da substância branca da medula agrupam-se em tractos e fascículos que formam verdadeiros caminhos, ou vias, 
por onde passam os impulsos nervosos que sobem e descem. Convém notar, entretanto, que na substância branca, não existem 
septos delimitando os diversos tractos e fascículo, e as fibras da periferia de um tracto se dispõem lado a lado com as do tracto 
vizinho. 
 Temos, assim, tractos e fascículos descendentes e ascendentes, que constituem as vias descendentes e vias ascendentes 
da medula. Estas vias são formadas pelos prolongamentos dos neurônios cordonais de projeção. A seguir, serão estudadas as 
principais vias ascendentes e descendentes da medula. 
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TRACTOS E FASCÍCULOS DA MEDULA 
 
 
VIAS DESCENDENTES DA MEDULA 
 São formadas por fibras que saem do córtex cerebral ou de algumas regiões do tronco encefálico, e terminam fazendo 
sinapses com neurônios medulares. Podem ser do tipo viscerais/somáticos. Quando terminam em neurônios pré-ganglionares são 
classificadas como viscerais. Quando terminam nos neurônios somáticos, classificam-se como somáticos. Quando terminam nesta 
segunda ordem, podem ser divididos em vias piramidais (recebem este nome pois, antes de penetrar na medula, passam pelas 
pirâmides bulbares) ou extrapiramidais. As vias somáticas serão descritas abaixo: 
 
1. Vias descendentes Piramidais 
As vias piramidais na medula compreendem dois 
tractos: córtico-espinhal anterior e córtico-espinhal lateral. 
Tais tractos são classificados como piramidais pela intima 
relação com as pirâmides bulbares. De início, sabe-se que 
tracto seria um conjunto de fibras nervosas que possuem a 
mesma origem e a mesma função, consequentemente o mesmo 
destino. Logo, os tractos córtico-espinais, como o próprio nome 
sugere, saem do córtex cerebral e vão em direção à medula 
espinhal. Tais fibras possuem caráter motor, conferindo a 
motricidade voluntária da musculatura axial e apendicular 
superior e inferior. 
 As fibras do tracto córtico-espinhal seguem o seguinte 
trajeto até a medula: área 4 de Brodmann (córtex motor do 
telencéfalo), coroa radiada, perna posterior da cápsula interna, 
base do pedúnculo cerebral, base da ponte e pirâmide bulbar. 
No trajeto do córtex ao bulbo, as fibras dos tractos córtico-
espinhal lateral e córtico-espinhal anterior constituem um só 
feixe. Ao nível da decussação das pirâmides, uma parte das 
fibras continua ventralmente, constituindo o tracto córtico-
espinhal anterior (10-25% das fibras). Outra parte cruza na 
decussação das pirâmides para constituir o tracto córtico-
espinhal lateral (75-90% das fibras). As fibras do tracto cortico-
espinhal anterior ocupam o funículo anterior da medula, 
enquanto que o córtico-espinhal lateral ocupa o funículo lateral 
da medula. Tradicionalmente, se afirma que o tracto córtico-
espinhal anterior termina ao nível da medula torácica média. 
 O tracto córtico-espinhal lateral é denominado também de piramidal cruzado e o córtico-espinhal anterior, piramidal direto. 
Entretanto, as fibras do tracto córtico-espinhal anterior, pouco antes de terminar, cruzam o plano mediano e terminam em neurônios 
situados no lado oposto àquele no qual entraram na medula. Portanto, em ultima análise, como os dois tractos cruzam o plano 
mediano, o córtex de um hemisfério cerebral comanda os neurônios motores situados na medula do lado oposto, visando à realização 
de movimentos voluntários. 
 É fácil entender, assim, que uma lesão do tracto córtico-espinhal acima da decussação das pirâmides causa paralisia da 
metade oposta (contralateral) do corpo. O tracto córtico-espinhal anterior é muito menor que o lateral, sendo menos importante do 
ponto de vista clínico (pois termina ao nível da medula torácica). Já o tracto córtico-espinhal lateral atinge até a medula sacral e, como 
suas fibras vão pouco a pouco terminando na substância cinzenta, quanto mais baixo, menor o número delas. 
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2. Vias descendentes Extrapiramidais 
São os seguintes os tractos extrapiramidais da medula: tecto-espinhal, vestíbulo-espinhal, rubro-espinhal e retículo-
espinhal. Os nomes referem-se aos locais de onde se originam, e todos seguem até a medula em neurônios internunciais, através 
dos quais eles se ligam aos neurônios motores da coluna anterior e assim exercem sua função motora. 
O tracto tecto-espinhal, retículo-espinhal e vestíbulo-espinhal originam-se, respectivamente, no tecto do mesencéfalo 
(colículo superior), na formação reticular (estrutura que ocupa uma grande extensão no tronco encefálico) e na área vestibular do IV 
ventrículo. Eles ligam-se aos neurônios motores situados na parte medial da coluna anterior e, deste modo, controlam a musculatura 
axial, ou seja, do tronco, assim como a musculatura proximal dos membros. Os tractos vestíbulo-espinhal e retículo-espinhal são 
importantes para a manutenção do equilíbrio e da postura básica, sendo que este último controla também a motricidade voluntária da 
musculatura axial e proximal. Já o tecto-espinhal parece ter funções mais limitadas, relacionadas em certos reflexos em que a 
movimentação decorre de estímulos visuais. O tracto rubro-espinhal: origina-se no núcleo rubro do mesencéfalo e termina na 
medula, onde se liga com neurônios motores situados na região lateral da coluna anterior, os quais controlam os músculos 
responsáveis pela motricidade da parte distal dos membros (movimentos finos). 
 Tracto tecto-espinhal: origina-se no tecto do mesencéfalo (colículo superior) e termina na medula espinhal em neurônios 
internunciais, através dos quais se ligam aos neurônios motores situados medialmente na coluna anterior, controlando a 
musculatura axial, ou seja, do tronco, assim como a musculatura proximal dos membros. 
 Tracto rubro-espinhal: originam-se no núcleo rubro (situado no mesencéfalo) e se dirigem à medula espinhal alcançando 
neurônios internunciais, através dos quais se ligam aos neurônios motores localizados lateralmente na coluna anterior. Estes 
controlam os músculos responsáveis pela motricidade da parte distal dos membros (músculos intrínsecos e extrínsecos da 
mão e do pé). 
 Tractos vestíbulo-espinhal medial e lateral: originam-se nos núcleos vestibulares, situados na área vestibular do quarto 
ventrículo, e irão ligar-se aos neurônios motores situados na parte medial da coluna anterior da medula espinhal, controlando 
a musculatura axial, ou seja, o tronco, assim como a musculatura proximal dos membros. 
 Tracto retículo-espinhal anterior e lateral: aquele, de origem pontina e situa-se no funículo anterior da medula espinhal; e 
este, de origem bulbar, no funículo lateral. Suas fibras originam-se na formação reticular e terminam nos neurônios motores 
situados na parte medial da coluna anterior da medula espinhal, com funções semelhantes ao tracto vestíbulo-espinhal. 
 
 
 
 
 
VIAS ASCENDENTES DA MEDULA 
 As fibras que formam as vias ascendentes da medula relacionam-se direta ou indiretamente com as fibras que penetram pela 
raiz dorsal, trazendo impulsos aferentes de várias partes do corpo. Cada filamento radicular da raiz dorsal, ao ganhar o sulco lateral 
posterior, divide-se em dois grupos de fibras: um grupo lateral e outro medial. 
Antes de penetrar na coluna posterior, cada uma dessas fibras se bifurca, dando um ramo ascendente e outro descendente 
sempre mais curto. Todos esses ramos terminam na coluna posterior da medula, exceto um grande contingente de fibras do grupo 
medial, cujos ramos ascendentes muito longos terminam no bulbo. Estes ramos constituem as fibras dosfascículos grácil e 
cuneiforme, que ocupam os funículos posteriores da medula e terminam fazendo sinapse nos núcleos grácil e cuneiforme, nos 
tubérculos grácil e cuneiforme do bulbo. 
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A seguir, estão relacionadas as diversas 
possibilidades de sinapse que podem fazer as fibras e 
os colaterais da raiz dorsal ao penetrar na substância 
cinzenta da medula: 
 Sinapse com neurônios motores, na coluna 
anterior: para realizar arcos reflexos 
monossinápticos (como os reflexos de 
estiramento ou miotáticos, que o reflexo 
patelar é exemplo); 
 Sinapse com neurônios ineternunciais: para 
realização de arcos-reflexos polissinápticos, 
que envolvem pelo menos um neurônio 
internuncial, cujo axônio se liga ao neurônio 
motor (como o que ocorre no reflexo de flexão 
ou retirada); 
 Sinapse com neurônios cordonais de 
associação: para realização de arcos-reflexos 
intersegmentares; 
 Sinapse com os neurônios pré-ganglionares 
 Sinapse com neurônios cordonais de 
projeção, cujos axônios vão constituir as vias 
ascendentes da medula. 
 
1. Vias Ascendentes do Funículo Posterior 
No funículo posterior existem dois fascículos: o fascículo grácil (mais medial, relacionado com a sensibilidade do membro 
inferior) e o fascículo cuneiforme (mais lateral, relacionado com a sensibilidade do membro superior), separados pelo septo 
intermédio posterior. Estes fascículos são formados pelos ramos ascendentes longos das fibras do grupo medial da raiz dorsal, que 
sobem no funículo para terminar no bulbo. Na realidade, estas fibras nada mais são que os prolongamentos centrais de parte dos 
neurônios sensitivos situados nos gânglios das raízes dorsais dos nervos espinhais. 
O fascículo grácil inicia-se no limite caudal da medula e é formado por fibras que penetram na medula pelas raízes coccígea, 
sacrais, lombares e torácicas baixas, terminando no núcleo grácil, situado no tubérculo do núcleo grácil do bulbo. Conduz, portanto, 
impulsos provenientes dos membros inferiores, da metade inferior do tronco e pode se identificado em toda a extensão da medula. 
O fascículo cuneiforme, evidente apenas a partir da medula torácica alta, é formado por fibras que penetram pelas raízes 
cervicais e torácicas superiores, terminando no núcleo cuneiforme, situado no tubérculo do núcleo cuneiforme do bulbo. Conduz, 
portanto, impulsos originados nos membros superiores e na metade superior do tronco. 
Quando as fibras das raízes dorsais penetram na medula para constituir esses fascículos, elas ocupam inicialmente a parte 
lateral do funículo posterior; mas, no seu trajeto ascendente, elas são pouco a pouco deslocadas medialmente por fibras que 
penetram por raízes situadas cada vez mais acima. Entende-se, assim, porque as fibras do fascículo cuneiforme, que penetram nos 
segmentos mais altos, ocupam ainda a metade lateral do funículo posterior, enquanto as do fascículo grácil, que penetram na metade 
inferior da medula, ocupam a metade medial desse funículo. As fibras desses fascículos continuam até seus respectivos núcleos 
homônimos no bulbo e, a partir deles, por meio das chamadas fibras arqueadas internas, formam o lemnisco medial, que se 
continua até o tálamo. 
O funículo posterior da medula, do ponto de vista funcional, é homogêneo, conduzindo impulsos nervosos relacionados com: 
 Propriocepção consciente ou sentido de posição de movimento (cinestesia): permite, sem o auxilio da visão, situar uma parte 
do corpo ou perceber o seu movimento. 
 Tato discriminativo (epicrítico): permite localizar e descrever as características táteis de um objeto. 
 Sensibilidade vibratória: percepção de estímulos mecânicos repetitivos. 
 Estereognosia: capacidade de perceber com as mãos a forma e tamanho de um objeto. 
 
Portanto, lesão ou compressão no funículo posterior trará prejuízos à percepção de todos esses estímulos, quadro conhecido 
como hipoestesia. 
 
2. Vias Ascendentes do Funículo Anterior 
No funículo anterior localiza-se o tracto espino-talâmico anterior, formado por axônios de neurônios cordonais de projeção 
situados na coluna posterior. Esses axônios cruzam o plano mediano e fletem-se cranialmente para formar o tracto espino-talâmico 
anterior cujas fibras nervosas terminam no tálamo e levam impulsos de pressão e tato leve (tato protopático). A sensibilidade tátil 
tem, pois, duas vias na medula, uma direta (que segue no funículo posterior) e outra cruzada (no funículo anterior). Por isso, 
dificilmente se perde toda a sensibilidade tátil nas lesões medulares, exceto, é obvio, naquelas em que há transecção total do órgão. 
 
3. Vias Ascendentes do Funículo Lateral 
a) Tracto espino-talâmico lateral: neurônios cordonais de projeção situados na coluna posterior emitem axônios que cruzam o 
plano mediano na comissura branca, ganham o funículo lateral da medula donde fletem cranialmente para constituir o tracto 
espino-talâmico lateral, cujas fibras terminam no tálamo e daí, para o córtex. O tracto espino-talâmico lateral (que cresce à 
medida que sobe na medula pela constante adição de novas fibras) conduz impulsos de temperatura e dor (representando 
dores agudas e bem localizadas na superfície corporal). Por isso, em certos casos de dor decorrente principalmente de 
câncer, aconselha-se o tratamento cirúrgico por secção do tracto espino-talâmico lateral, técnica denominada de cordotomia. 
Como a comissura branca é uma região situada entre a substância cinzenta central intermédia e a fissura mediana anterior, 
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em casos de dilatação do canal central da medula, esse tracto pode ser comprimido, e o paciente sentirá anestesia dos dois 
lados da região abaixo do segmento acometido pela compressão. 
b) Tracto espino-reticular: O tracto espino-talâmico lateral constitui a principal via através da qual os impulsos de temperatura 
e dor chegam ao cérebro. Junto dele, seguem também as fibras espino-reticulares, que também conduzem impulsos 
dolorosos. Essas fibras fazem sinapse na chamada formação reticular do tronco encefálico, onde se originam as fibras 
retículos-talâmicas, constituindo-se assim na via espino-retículo-talâmicas. Essa via conduz impulsos relacionados com dor 
do tipo crônica e difusa (“dor em queimação”). 
c) Tracto espino-cerebelar posterior: neurônios cordonais de projeção situados no núcleo torácico da coluna posterior emitem 
axônios que ganham o funículo lateral do mesmo lado, fletindo-se cranialmente para formar o tracto espino-cerebelar 
posterior. As fibras deste tracto penetram no cerebelo pelo pedúnculo cerebelar inferior, levando impulsos de 
propriocepção inconsciente originados em fusos neuromusculares e órgãos neurotendinosos. 
d) Tracto espino-cerebelar anterior: neurônios cordonais de projeção situados na base da coluna posterior e na substância 
cinzenta intermédia emitem axônios que ganham o funículo lateral do mesmo lado ou do lado oposto, fletindo-se 
cranialmente para formar o tracto espino-cerebelar anterior. As fibras deste tracto penetram no cerebelo, principalmente pelo 
pedúnculo cerebelar superior. Admite-se que as fibras cruzadas na medula tornam a se cruzar ao entrar no cerebelo, de tal 
modo que o impulso nervoso termina no hemisfério cerebelar situado do mesmo lado em que se originou, ou seja, o fato de 
tracto espino-cerebelar anterior cruzar na medula e descruzar no cerebelo, faz com que uma lesão no hemisfério de um lado 
cerebelar, trará incoordenação para o mesmo lado da lesão. É importante tomar conhecimento que as fibras do tracto espino-
cerebelar anterior informam também eventos que ocorrem dentro da própria medula relacionados com a atividade elétrica do 
tracto córtico-espinhal. Assim, através do tracto espino-cerebelar anterior, o cerebelo é informado de quando os impulsos 
motores chegam à medula e qual sua intensidade; logo, o tracto espino-cereblar anterior é capaz de realizar a detecção dosníveis de atividade do tracto córtico-espinhal. Essa informação é utilizada pelo cerebelo para controle e modulação da 
motricidade somática. 
 
 
 
CORRELAÇÕES CLÍNICAS 
 Para o estudo das principais correlações clínicas que abordam os principais componentes do sistema nervoso, deveremos 
antes conceituar alguns termos até então desconhecidos por muitos. Estes conceitos servirão para um melhor entendimento não só 
deste assunto, mas de vários outros capítulos que sucedem a este. 
 
ALTERAÇÕES DA MOTRICIDADE 
 A diminuição da força muscular recebe o nome de paresia, e pode ser causada, por exemplo, por uma simples compressão 
nervosa ou lesão de apenas um nervo cuja ação é mimetizada por outros. A ausência total de movimento é denominada de 
paralisia (plegia). Quando estes sintomas atingem toda a metade do corpo, diz-se hemiparesia e hemiplegia. Quando 
apenas os membros inferiores são acometidos de paralisia (por uma secção completa da medula lombar, por exemplo), tem-
se paraplegia. Quando a lesão é mais alta, em nível cervical, por exemplo, tem-se tetraplegia, ou seja, paralisia de todos os 
membros. 
 Tônus significa um estado constante e de relativa tensão em que se encontra um músculo em repouso. As alterações do 
tônus podem ser de aumento (hipertonia), diminuição (hipotonia) ou ausência completa (atonia). 
 Arco-reflexo é qualquer ação decorrente de um estímulo nervoso que não foi processado, necessariamente, em centros 
nervosos superiores, mas sim, na própria medula. Lesões do sistema nervoso podem gerar ausência (arreflexia), diminuição 
(hiporreflexia) ou aumento (hiper-reflexia) dos reflexos músculo-tendinosos. Algumas lesões ainda geram 
o aparecimento de reflexos patológicos: quando se estimula a pele da região plantar com um movimento 
ascendente em forma de interrogação (?), a resposta reflexa normal consiste na flexão plantar do hálux. 
Porém, existem casos de lesão dos tractos córtico-espinhais que, ao se percutir este reflexo, ocorre uma 
flexão dorsal do hálux, que consiste no sinal de Babinski. 
 Síndrome do neurônio motor inferior (SNMI): resulta de lesão dos neurônios motores da coluna anterior da medula (ou 
dos núcleos de nervos cranianos, se for o caso). Este tipo de lesão é caracterizado por hiporreflexia e hipotonia, 
caracterizando esta síndrome como uma paralisia flácida. Neste caso, ocorre ainda atrofia da musculatura inervada por 
perda da ação trófica dos nervos sobre o músculo; perda dos reflexos; fasciculação muscular; reação de degeneração. Na 
SNMI, o sinal de Babinski não está presente. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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 Síndrome do neurônio motor superior (SNMS): resulta em lesões de centros mais superiores do sistema nervoso 
envolvidos com a motricidade, como o caso do córtex motor ou de vias motoras descendentes (como por exemplo, o tracto 
córtico-espinhal). A SNMS é caracterizada como sendo uma paralisia espástica, pois apresenta sinais como hiper-reflexia e 
hipertonia. A atrofia muscular não é presente, uma vez que os músculos continuam inervados por neurônios motores 
inferiores. O sinal de Babinski está presente nesta síndrome. 
 
 
LESÕES DOS TRACTOS CORTICOESPINHAIS (TRATOS PIRAMIDAIS) 
 As lesões restritas aos tractos cortico-espinhais produzem os seguintes sinais clínicos: 
 O sinal de Babinski está presente. O hálux fica dorsiflexionado e os outros artelhos se 
abrem em leque, em resposta ao atrito da pele, ao longo da borda lateral da sola do pé. 
A resposta normal seria uma flexão plantar de todos os artelhos, com exceção para 
pacientes com menos de um ano de vida, em que o sinal é normal em virtude de que o 
tracto corticoespinhal ainda não está devidamente mielinizado. A explicação para este 
sinal é a seguinte: normalmente, os tractos cortico-espinhais íntegros provocam a 
flexão plantar dos artelhos, em resposta à estimulação sensorial da pele do pé. Quando 
os tractos córticoespinhais não estão funcionantes, a influência dos demais tractos 
descendentes sobre os artelhos passa a ser aparente, com um tipo de reflexo de 
retirada, ocorrendo, em resposta à estimulação da sola do pé, com o hálux sendo 
dorsiflexionado e os outros artelhos abrindo em abano. 
 Os reflexos abdominais superficiais estão ausentes. Os músculos abdominais deixam de se contrair quando é atritada a 
pele do abdome. Esse reflexo é dependente da intregridade os tractos corticoespinhais, que exercem influência tônica 
excitatória sobre os neurônios internunciais. 
 O reflexo cremastérico está ausente. O músculo cremáster deixa de se contrair quando a pele na face medial da coxa é 
estimulada. Esse arco-reflexo passa pelo primeiro segmento lombar da medula espinhal. Esse reflexo é dependente da 
integridade dos tractos corticoespinhais, que exercem influência tônica excitatória sobre os neurônios internunciais. 
 Ocorre perda do desempenho dos movimentos voluntários dependentes de habilidade. Isso ocorre, principalmente, nas 
extremidades distais dos membros. 
 
OBS: Principais reflexos medulares e seus respectivos segmentos envolvidos: 
 Reflexo biccipital: C5 e C6, sendo mediado pelo N. Mediano. 
 Reflexo tricipital: C6 e C7, sendo mediado pelo N. Radial. 
 Reflexo patelar: L3 e L4, sendo mediado pelo N. Femural. 
 Reflexo aquileu: S1 e S2, sendo mediado pelo N. Tibial. 
 Reflexo cremastérico: L1 e L2, sendo mediado pelos Nn. Ilioinguinal e Genitofemural. 
 Reflexo anal: S2 a S4, sendo mediado pelo N. Hemorroidário inferior. 
 
 
LESÕES DOS DEMAIS TRACTOS DESCENDENTES (EXTRAPIRAMIDAIS) 
 Os seguintes sinais clínicos estão presentes nas lesões restritas a outros tractos descendentes: 
 Paralisia severa, com pouca ou nenhuma atrofia muscular (exceto a secundária à falta de uso). 
 Espasticidade ou hipertonia dos músculos. O membro inferior é mantido em extensão e o membro inferior é mantido em 
flexão. Na verdade, admite-se que os tractos piramidais normais tendem a aumentar o tônus muscular (por isso, em tese, sua 
lesão causa parasia flácida), ao passo em que os tractos extrapiramidais tendem a diminuí-lo (o que faz com que suas 
afecções gerem paralisia espástica). 
 Reflexos musculares profundos exagerados (hiper-reflexia) e clônus podem estar presentes nos músculos flexores dos 
dedos, no quadríceps femoral e na panturrilha. 
 Reação do canivete. Quando é tentada a movimentação passiva de uma articulação, nota-se reistência devido à 
espasticidade dos músculos. 
 
 
ALTERAÇÕES DA SENSIBILIDADE 
 Anestesia: ausência total de uma ou mais modalidade sensitiva. 
 Analgesia: perda da sensibilidade dolorosa. 
 Hipoestesia: diminuição da sensibilidade no geral (propriocepção, dor, vibração, tato, etc.). 
 Hiperestesia: aumento da sensibilidade 
 Parestesias: surgimento de sensações espontâneas, sem que haja estimulação. 
 Algias: dores em geral. 
 
 
RESUMO DE LESÕES MEDULARES 
 Lesão da Coluna Anterior 
 Ocorre mais frequentemente na poliomielite (paralisia infantil), patologia em que o 
vírus ataca os neurônios motores da coluna anterior, caracterizando uma SNMI no território 
muscular correspondente à área da medula que foi lesada. Quando ocorre a destruição de 
neurônios responsáveis pela inervação de músculos que realizam o movimento respiratório, 
pode haver morte por insuficiência respiratória. 
 
 
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 Hemissecção da medula (síndrome de Brown-Sérquad) 
 A hemissecção da medula, quase sempre 
traumática, produz no paciente um conjunto de 
sintomas conhecido como Síndrome de Brown-
Sérquad. Os sintomas são decorrentes da interrupção 
dos principais tractos, que percorrem uma metade da 
medula. A lesão dos tractos que não cruzam na 
medula gera sinais do mesmo lado da lesão; já a lesão 
dos tractos que cruzam na medula, manifesta sinais do 
lado oposto. Todos os sintomas aparecem somente 
abaixo do nível da lesão. 
 Os sintomas que se manifestam do mesmo 
lado da lesão, ou seja, oriundosda lesão de tractos 
não cruzados na medula, são: 
 Paralisia espástica com aparecimento de sinal 
de Babinski devido à lesão do tracto córtico-
espinhal lateral (que não cruza na medula, 
mas sim, no bulbo); 
 Perda da propriocepção consciente e do tato 
epicrítico devido à lesão de fibras dos 
fascículos grácil e cuneiforme. 
 
 Os sintomas que se manifestam do lado 
oposto ao lesado, ou seja, oriundos da lesão de tractos 
cruzados na medula, são: 
 Perda da sensibilidade térmica e dolorosa a partir de um ou dois dermátomos abaixo do nível da lesão em virtude do 
acometimento de fibras do tracto espino-talâmico lateral (que cruza na comissura branca). 
 Ligeira diminuição do tato protopático e da pressão por comprometimento do tracto espino-talâmico anterior. O 
comprometimento é muito pequeno pois os axônios deste tracto, ao penetrar na medula, enviam ramos ascendentes 
colaterais que desviam do nível da lesão para só então fazer sinapse com a coluna posterior e cruzar para o lado oposto. 
 
 Siringomielia 
 Doença caracterizada pela formação progressiva de uma cavidade no canal central da 
medula, levando a gradativa destruição da substância intermédia central e da comissura branca. 
Por isso, esta destruição interrompe as fibras que formam os dois tractos espino-talâmicos 
laterais. Ocorre, assim, uma perda da sensibilidade térmica e dolorosa de ambos apenas nos 
dermátomos correspondentes aos segmentos medulares acometidos. Contudo, não há nestas 
áreas qualquer perturbação da propriocepção (função dos tracto espino-cerebelar e fascículos 
grácil e cuneiforme, cujas fibras não cruzam ou transitam pela região acometida). 
 A perda da sensibilidade térmica e dolorosa com a persistência da sensibilidade tátil e proprioceptiva é denominada 
dissociação sensitiva. A siringomielia acomete mais frequentemente a intumescência cervical, resultando no aparecimento de 
sintomas na extremidade superior dos dois lados. 
 
 Transecção da medula 
 A secção completa da medula pode ser decorrente de um traumatismo direto na coluna. 
Com esta lesão, o paciente entra em estado de choque espinhal (ou choque medular), 
caracterizado pela perda da sensibilidade, dos movimentos e do tônus nos músculos inervados 
pelos segmentos medulares situados abaixo da lesão. Há ainda retenção de urina e de fezes. 
Após um período variado, reaparecem os reflexos (com hiper-reflexia) e aparece o sinal 
de Babinski (caracterizando uma SNMS). Geralmente, nos casos de secção completa, não há 
recuperação da motricidade voluntária ou da sensibilidade. Entretanto, uma recuperação reflexa do 
mecanismo de esvaziamento vesical pode ocorrer. 
 
 Compressão da medula por tumor 
 Tumores na região do canal vertebral podem comprimir a medula de fora para dentro, resultando em uma sintomatologia 
variável conforme a região comprimida por esta formação neoplásica. Com o progredir da doença, aparecem sintomas de 
comprometimento de tractos medulares. 
 Um tumor que se desenvolve dentro da medula, comprime-a de dentro para fora, causando perturbações motoras por lesão 
do tracto córtico-espinhal lateral. Pode haver também perda da sensibilidade térmica e dolorosa por compressão do tracto espino-
talâmico lateral. Este sintoma aparece nos dermátomos mais próximos ao nível da lesão, progredindo para dermátomos cada vez 
mais baixos, e geralmente, poupando os dermátomos sacrais. A este fato, os neurologistas dão o nome de preservação sacral. Isso 
se deve ao fato em que as fibras oriundas de segmentos sacrais estão localizadas mais lateralmente no tracto espino-talâmico lateral, 
ao passo em que as originadas em segmentos mais altos, ocupam regiões mais mediais deste tracto. Desta forma, quando tumor 
cresce de dentro para fora, o último componente atingido (ou que nem sempre chega a ser atingido) é o componente sacral. Já 
quando o tumor comprime de fora para dentro, as fibras originadas nos segmentos sacrais são lesadas em primeiro lugar. 
 
 
 
 
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 Tabes dorsalis 
 Consequência da neurossífilis, na tabes dorsalis ocorre lesão das raízes dorsais, especialmente da divisão medial destas 
raízes. Como estas divisões contêm fibras que formam os fascículos grácil e cuneiforme, estes também são destruídos, o que leva 
aos seguintes sinais: 
 Perda da propriocepção consciente: quando os olhos estão fechados, o paciente é incapaz de dizer em que posição 
encontra seus membros. Por esta razão, a marcha também se torna defeituosa, especialmente em ambientes escuros. 
 Perda do tato epicrítico: o paciente torna-se incapaz de saber quais são as características táteis de um objeto que toca. 
 Perda da sensibilidade vibratória e da estereognosia. 
 
 Cordotomias 
 As cordotomiais consistem na secção cirúrgica dos tractos espino-talâmicos laterais para o tratamento de dor crônica 
resistente aos medicamentos, como o que ocorre nos casos de tumores malignos. O processo consiste na remoção cirúrgica do tracto 
espino-talâmico lateral, acima e do lado oposto ao processo doloroso. Neste caso, haverá perda de dor e de temperatura do lado 
oposto, a partir de um dermátomo abaixo do nível da secção. Em caso de tratamento de dores viscerais, é imprescindível a cirurgia 
bilateral, uma vez que é grande o número de fibras não cruzadas que se relacionam com este tipo de dor (tracto espino-reticular). 
 
 Polirradiculoneurite aguda (Síndrome de Guillain-Barré) 
 A síndrome de Guillain-Barré ou polirradiculoneurite aguda é caracterizada por uma 
poliradiculoneuropatia de instalação rápida, gerada por inflamação aguda com perda da mielina dos 
nervos periféricos e às vezes de raízes nervosas proximais e de nervos cranianos. 
 A síndrome de Guillain Barré tem caráter autoimune. Acredita-se que sua patogênese seja 
relacionada a uma reação imunológica celular dirigida aos nervos periféricos: o indivíduo produz 
auto-anticorpos contra sua própria mielina devido a uma reação cruzada com antígenos de outras 
infecções. Na maioria dos indivíduos, o início da doença é precedido por infecção de vias 
respiratórias altas ou de gastroenterite aguda, embora outras infecções (CMV, EBV, Campylobacter 
jejuni), cirurgias, transfusões e vacinações também sejam descritas como agentes deflagradores. 
 Os sintomas se caracterizam por parestesias e fraqueza de caráter ascendente, acometendo, primeiramente, os membros 
inferiores, depois os superiores, para só então acometer a face, podendo evoluir para uma insuficiência respiratória. Há, na maioria 
dos casos, retenção urinária devido ao comprometimento da inervação parassimpática (sacral) da bexiga (caracterizando o 
acometimento autonômico). O exame físico revela tetraparesia flácida, com diminuição ou abolição de reflexos profundos e diminuição 
de sensibilidade distalmente. Quando acomete a face, ocorre diplegia ou diparesia facial periférica. 
 É descrito, também, acometimento autonômico na síndrome de Guillain-Barré: taquicardia sinusal e variações de pressão 
arterial são presentes em cerca de 75% dos pacientes e retenção urinária em 15%. Pode haver ainda sudorese profusa. 
 O exame de líquido cefalorraquidiano demonstra dissociação proteína-célula (elevação da proteína sem elevação da 
celularidade) a partir da primeira ou segunda semana. Nas infecções do sistema nervoso central (meningoencefalites), um dos 
diagnósticos diferenciais, a proteína é elevada e o número de células também. Líquido cefalorraquidiano normal não exclui o 
diagnóstico quando este é feito na primeira semana. O aumento máximo de proteínas no líquido cefalorraquidiano acontece após 
quatro a seis semanas de início dos sintomas da doença. Dentre outros exames laboratoriais, nota-se um grande aumento de CPk, 
que pode acontecer em casos de instalação muito rápida devido a desnervação muscular. Nos dias seguintes, os níveis de CPk 
retornam aos valores normais. A eletrofisiologia ou eletroneuromiografia (exame que mede a atividade elétrica dos músculos e a 
velocidadede condução dos nervos) demonstra diminuição da velocidade de condução nervosa (sugestiva de perda de mielina) 
podendo levar várias semanas para as alterações serem definidas. 
 Na fase aguda (primeiras quatro semanas de início dos sintomas) o tratamento de escolha é a plasmaferese ou a 
administração intravenosa de imunoglobulinas. Altas doses de imunoglobulinas (anticorpos), administradas por via intra-venosa 
podem diminuir o ataque imunológico ao sistema nervoso. O tratamento com imunoglobulinas pode ser utilizado em substituição à 
plasmaferese com a vantagem de sua administração ser mais fácil. Não se conhece muito bem o mecanismo de ação deste método. 
Havendo insuficiência respiratória (10 -30% dos casos), o paciente deve permanecer em Unidade de Terapia Intensiva submetido à 
respiração mecânica artificial. 
 
 Esclerose múltipla 
A esclerose múltipla (EM) é uma doença 
comum, mas restrita ao sistema nervoso central, 
caracterizada pela desmielinização autoimune 
dos tractos ascendentes e descendentes. É mais 
incidente em adultos jovens. 
A perda da bainha de mileina resulta na 
degradação do isolamento em torno dos axônios, 
com a consequente redução da velocidade de 
condução dos potenciais de ação que, com o 
decorrer da doença, são bloqueados. A 
desmielinização resulta em diferentes quadros 
clínicos, dependendo da área do SNC mais 
afetada (o cérebro, tronco cerebral, medula 
espinhal, nervo óptico). A EM acomete mais as 
mulheres e vários fatores, entre eles hormonais, 
ambientais e genéticos, estão envolvidos. Trata-
se de um processo de hipersensibilidade tardia, 
mediada por linfócitos Th1. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mielina
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mielina
http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADquido_cefalorraquidiano
http://pt.wikipedia.org/wiki/Imunoglobulina
http://pt.wikipedia.org/wiki/Imunoglobulina
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_nervoso
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Insufici%C3%AAncia_respirat%C3%B3ria&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Unidade_de_Terapia_Intensiva
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A estrutura alvo na EM é proteína básica de mielina. É possível que mutações na estrutura desta proteína possam ocorrer, 
caso em que seriam responsáveis por algumas formas hereditárias de desmielinização. O adenovírus tipo 2 tem uma sequência de 
aminoácidos similar àquela presente na MPB que ativam linfócitos T auxiliares que ultrapassam a barreira hematoencefálica. A 
polimerase do vírus da hepatite B também compartilha seis aminoácidos com uma região da MBP. O tratamento da EM é feito por 
meio do IFN-β justamente por ser um fator antiviral e anti-proliferativo. 
 
 Esclerose lateral amiotrófica (ELA ou Síndrome de Lou Gehrig) 
A ELA é uma doença restrita aos tratos córtico-espinhais e aos neurônios motores 
das colunas cinzentas anteriores da medula espinhal. É uma doença progressiva, de etiologia 
desconhecida. Só raramente apresenta padrão familiar, sendo herdada em apenas 10% dos 
pacientes. De modo típico, ocorre ao fim da meia-idade, sendo inevitavelmente fatal dentro de 
2 a 6 anos. 
Os sinais de síndrome do neurônio motor inferior, de atrofia muscular progressiva, 
paresia e fasciculações são sobrepostos aos sinais e sintomas da doença do neurônio motor 
superior, com paresia, espasticidade e resposta de Babinski. Os núcleos motores de alguns 
nervos cranianos podem ainda ser afetados. 
 
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ANATOMIA MACROSCÓPICA DO TRONCO ENCEFÁLICO 
 
 
O tronco encefálico interpõe-se entre a medula e o diencéfalo, situando-se 
ventralmente ao cerebelo, apoiado sobre a região do clivo do osso occipital, na 
base do crânio. Sua origem embriológica se dá a partir das vesículas primitivas 
prosencefálicas do tubo neural: o rombencéfalo dá origem ao metencéfalo (que 
origina a ponte e o cerebelo) e mielencéfalo (que origina o bulbo); e o 
mesencéfalo, ainda como vesícula primitiva, se continua como mesencéfalo até o 
fim do desenvolvimento embrionário do SNC. 
Na constituição do tronco, entram corpos de neurônios que se agrupam 
em núcleos e fibras nervosas que, por sua vez, se agrupam em tractos, fascículos 
e lemniscos. Estes elementos da estrutura interna do tronco encefálico podem 
estar relacionados com relevos ou depressões de sua superfície macroscópica, e 
devem ser identificados e diferenciados. Muitos dos núcleos do tronco encefálico 
recebem ou emitem fibras nervosas que entram na constituição dos nervos 
cranianos. Dos 12 pares de nervos cranianos, 10 fazem conexão com o tronco 
encefálico. A identificação destes nervos e de sua emergência do tronco encefálico 
é um aspecto importante do estudo deste segmento do sistema nervoso central. 
O tronco encefálico se divide em: bulbo (situado caudalmente, 
estabelecendo relação direta com a medula); ponte (situada entre o bulbo e o 
mesencéfalo); e mesencéfalo (situado cranialmente, apoiando sobre si os 
hemisférios cerebrais), além da presença do IV Ventrículo dorsalmente ao tronco, 
ventralmente, portanto, ao cerebelo. 
 
 
BULBO 
 O bulbo raquídeo ou medula oblonga tem a forma de um tronco de cone, cuja extremidade menor continua caudalmente 
com a medula espinhal. Como não existe uma linha de demarcação nítida entre medula e bulbo, considera-se que o limite entre eles 
está em um plano horizontal que passa imediatamente acima do filamento radicular mais cranial do primeiro nervo cervical (C1), que 
corresponde ao nível do forame magno do osso occipital. O limite superior do bulbo se faz em um sulco horizontal visível no contorno 
ventral do órgão, o sulco bulbo-pontino, que corresponde à margem inferior da ponte. 
A superfície do bulbo é percorrida longitudinalmente por sulcos ora mais, ora menos paralelos, que continuam com os sulcos 
da medula. Estes sulcos, além de delimitar as áreas anterior, posterior e lateral do bulbo, aparecem como uma continuação direta dos 
funículos da medula. A fissura mediana anterior termina cranialmente em uma depressão denominada forame cego. De cada lado da 
fissura mediana anterior existe uma eminência alongada chamada de pirâmide bulbar, formada por um feixe compacto de fibras 
nervosas descendentes (tracto córtico-espinhal) que ligam as áreas motoras do cérebro aos neurônios motores da medula. Na parte 
caudal do bulbo, fibras do tracto córtico-espinhal cruzam obliquamente o plano mediano em feixes que obliteram a fissura mediana 
anterior e constituem a decussação das pirâmides. Lateralmente às pirâmides, observa-se uma eminência oval, denominada oliva 
(formada por uma grande massa de substancia cinzenta, o núcleo olivar inferior). Ventralmente à oliva, emergem do sulco lateral 
anterior os filamentos radiculares do nervo hipoglosso (XII par de nervos cranianos). Do sulco lateral posterior, emergem filamentos 
radiculares que se unem para formar os nervos glossofaríngeo (IX par) e vago (X par), além dos filamentos que constituem a raiz 
craniana ou bulbar do nervo acessório (XI par), a qual se une com a raiz espinhal, proveniente da medula. 
A metade caudal do bulbo ou porção fechada do bulbo é percorrida posteriormente por um estreito canal, continuação direta 
do canal central da medula. Este canal se abre para formar o IV ventrículo, cujo assoalho é em parte constituído pela metade rostral, 
ou porção aberta do bulbo e a outra metade (mais superior), pela porção posterior da ponte. O sulco mediano posterior termina a meia 
altura do bulbo, em virtude do afastamento de seus lábios, que contribuem para a formação dos limites laterais do IV ventrículo. Entre 
este sulco e o sulco lateral posterior, está situada a área posterior do bulbo, continuação direta do funículo posterior da medula e, 
como este, dividida em fascículo grácil e fascículo cuneiforme pelo sulco intermédio posterior. Estes fascículos são constituídos por 
fibras nervosas ascendentes, provenientes da medula, que terminam em duas massas desubstância cinzenta, os núcleos grácil e 
cuneiforme, situados profundamente à região denominada tubérculo do núcleo grácil (medialmente) e tubérculo do núcleo cuneiforme 
(lateralmente). Quando há a formação do assoalho inferior do IV ventrículo, esses tubérculos se afastam do plano mediano e se 
continuam superiormente como o pedúnculo cerebelar inferior. 
A porção aberta do bulbo abriga estruturas de importantes relações anátomo-clínicas, como o trígono do hipoglosso (mais 
medial) e o trígono do vago (mais lateral) que são projeções superficiais dos núcleos do nervo hipoglosso e vago, respectivamente. 
Estes dois trígonos estão separados da área postrema (região triangular mais caudal da porção aberta do bulbo relacionada com o 
reflexo do vômito) por meio do funículo separans, uma crista esbranquiçada de tecido nervoso. 
Quanto à sua função, o bulbo apresenta uma característica que é de controlar o ritmo respiratório, assim como o ritmo 
cardíaco. Tal função é possível ao bulbo pois nele existe neurônios da chamada formação reticular que se agrupa em centros (no 
caso, centro respiratório e centro cardiovascular) responsáveis por receber informações oriundas, principalmente, do núcleo do tracto 
solitário (importante núcleo que recebe fibras viscerais de nervos cranianos) e, em resposta a estas informações, origina estímulos 
que comandam certas funções vitais. Além disso, é no bulbo que se encontra uma área responsável pelo reflexo do vomito, localizada 
profundamente à área postrema, e que também é formada por neurônios da formação reticular. 
 
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PONTE 
 A ponte é a parte do tronco encefálico interposto entre o bulbo e o mesencéfalo. Está situada ventralmente ao cerebelo e 
repousa sobre a parte basilar do osso occipital e o dorso da sela turca do esfenóide. Inferiormente, é delimitada pelo sulco bulbo-
pontino e superiormente, dividida do mesencéfalo pelo sulco ponto-mesencefálico. 
Na sua base (face anterior), apresentam-se estriações transversais em virtude da presença de numerosos feixes de fibras 
transversais que a percorrem. Estas fibras convergem de cada lado para formar um volumoso feixe, o pedúnculo cerebelar médio (ou 
braço da ponte), que penetra no hemisfério cerebelar correspondente. Considera-se como limite entre a ponte e o braço da ponte o 
ponto de emergência do N. trigêmeo (V par craniano). Percorrendo longitudinalmente a superfície ventral da ponte existe um sulco, o 
sulco basilar, que geralmente aloja a artéria basilar (formada pela união das duas artérias vertebrais). 
 A parte ventral da ponte é separada do bulbo pelo sulco bulbo-pontino, de onde emergem de cada lado, a partir da linha 
mediana, o VI (abducente), VII (facial e intermédio) e VIII (nervo vestíbulo-coclear) pares cranianos. O VI par (nervo abducente) 
emerge entre a ponte e a margem superior da pirâmide, bem próximo ao plano mediano. O VIII par (nervo vestíbulo coclear) emerge 
lateralmente, próximo a um pequeno e destacado lóbulo do cerebelo denominado de flóculo. O VII par (facial) emerge medialmente ao 
VIII par, com o qual se relaciona intimamente. Entre os dois, emerge o nervo intermédio, que é a raiz sensitiva e visceral do VII par 
(portanto, quando se fala em nervo facial, se fala, em conjunto, do nervo facial propriamente dito – parte motora – e nervo intermédio – 
parte sensitiva e visceral). Uma compressão nessa região do sulco bulbo-pontino pode levar a uma riqueza de sinais neurológicos 
devido à emergência desses importantes nervos cranianos, levando a chamada síndrome do ângulo ponto-cerebelar (baixa 
acuidade auditiva, dificuldade na marcha, vômitos, paralisia facial periférica). 
 
 
IV VENTRÍCULO 
 A cavidade do rombencéfalo tem uma forma de losango e é denominada de quarto ventrículo, situado entre o bulbo e a 
ponte ventralmente, e o cerebelo, dorsalmente. Continua caudalmente com o canal central do bulbo (que é a continuação do canal 
central da medula) e cranialmente com o aqueduto cerebral (do mesencéfalo), cavidade através da qual o IV ventrículo se comunica 
com o III e recebe o líquor lá produzido para somá-lo ao seu. A cavidade do IV ventrículo se prolonga de cada lado para formar os 
recessos laterais, situados na superfície dorsal do pedúnculo cerebelar. Estes recessos se comunicam de cada lado com o espaço 
subaracnóideo por meio das aberturas laterais do IV ventrículo (forames de Luschka) e uma abertura mediana do IV ventrículo 
(forame de Magendie), situado no meio da metade do tecto do ventrículo. É por meio destas cavidades que o líquido cerebro-espinhal 
(LCR), que enche a cavidade ventricular, passa para o espaço subaracnóideo. 
 
ASSOALHO DO IV VENTRÍCULO 
O assoalho do IV ventrículo, ou fossa romboide, tem forma de losango, sendo formado cranialmente (triângulo superior do 
assoalho do IV ventrículo) pela parte posterior da ponte e caudalmente (triangulo inferior do assoalho do IV ventrículo) pela porção 
aberta do bulbo. Limita-se ínfero-lateralmente pelos pedúnculos cerebelares inferiores e pelos tubérculos do núcleo grácil e 
cuneiforme. Súpero-lateralmente limita-se pelos pedúnculos cerebelares superiores, ou braços conjuntivos, compactos feixes de fibras 
nervosas que, saindo do hemisfério cerebelar, convergem para penetrar no mesencéfalo. O assoalho do IV ventrículo é percorrido em 
toda a sua extensão pelo sulco mediano, que se perde cranialmente no aqueduto cerebral e caudalmente no canal central do bulbo. 
De cada lado do sulco mediano, existe a eminência medial, limitado lateralmente pelo sulco limitante. Este sulco separa núcleos 
motores (núcleo do abducente, por exemplo), mais mediais, dos sensitivos (núcleos vestibulares, por exemplo), mais laterais; ao longo 
de seu trajeto, observa-se a fóvea superior e a fóvea inferior, duas depressões mais evidentes no sulco limitante. 
Medialmente à fóvea superior, a eminência medial dilata-se para constituir de cada lado uma 
elevação arredondada, o colículo facial, formado por fibras profundas do nervo facial que passam 
próximos a região circundando o núcleo do nervo abducente. Na parte mais caudal da eminência 
medial, observa-se uma pequena área triangular de ápice inferior, o trígono do nervo hipoglosso, 
correspondente ao núcleo do nervo hipoglosso. Lateralmente ao trígono do nervo hipoglosso e 
caudalmente à fóvea inferior, existe uma outra área triangular ligeiramente acinzentada, o trígono do 
vago, que corresponde ao núcleo dorsal do nervo vago. Lateralmente ao sulco limitante, identifica-se a 
área vestibular, correspondente aos núcleos vestibulares do nervo vestíbulo-coclear (VIII). Cruzando 
transversalmente a área vestibular, existem finas cordas de fibras nervosas que constituem as estrias 
medulares do IV ventrículo. Estendendo-se da fóvea superior em direção ao aqueduto cerebral, 
lateralmente à eminência medial, encontra-se o locus ceruleus, área de coloração ligeiramente escura, 
cuja função se relaciona com o mecanismo do sono. 
 
TECTO DO IV VENTRÍCULO 
 A metade cranial do tecto do IV ventrículo é constituída por uma fina lâmina de substância branca, o véu medular superior, 
que se estende entre os dois pedúnculos cerebelares superiores. Na constituição da metade caudal do tecto do IV ventrículo, temos 
as seguintes formações: uma pequena parte da substância branca do nódulo do cerebelo; o próprio véu medular inferior; e a tela 
coroide do IV ventrículo (formada pela união do epitélio ependimário que produz líquido cérebro-espinhal e que se acumula na 
cavidade ventricular, passando ao espaço subaracnóideo através das aberturas laterais e mediana do IV ventrículo). 
 
 
MESENCÉFALO 
 O mesencéfalo interpõe-se entre a ponte (sulco ponto-mesencefálico) e o cérebro, do qual é 
separado por um plano que liga os corpos mamilares (diencéfalo) à comissura posterior. 
 É atravessado por um estreito canal, o aqueduto cerebral (ou do mesencéfalo), que liga o III ao IV 
ventrículo. A parte do mesencéfalosituada dorsalmente ao aqueduto é o tecto do mesencéfalo; 
ventralmente temos o pedúnculo cerebral, que por sua vez se divide em uma parte dorsal, 
predominantemente celular, o tegmento, e outra ventral, formada de fibras longitudinais (das quais 
participa o tracto córtico-espinhal), a base do pedúnculo cerebral. Em cortes transversais, vê-se que o 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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tegmento é separado da base por uma área escura, a substância negra, formada por neurônios que contêm melanina. Seguindo essa 
substância negra, externamente, na superfície do mesencéfalo, existem dois sulcos: um lateral, sulco lateral do mesencéfalo e outro 
medial, sulco medial do pedúnculo cerebral (de onde emerge o III par dos nervos cranianos, o oculomotor). 
 Em uma vista dorsal, o tecto do mesencéfalo apresenta eminências arredondadas, os colículos superiores e inferiores 
(corpos quadrigêmeos), separados por dois sulcos perpendiculares em forma de cruz (sulco cruciforme). Acima dos colículos 
superiores, aloja-se o corpo pineal, glândula endócrina que pertence ao diencéfalo. O nervo troclear, que emerge da porção mais 
caudal do colículo inferior, é o único dos pares cranianos que emerge dorsalmente, contorna o mesencéfalo para surgir ventralmente 
entre a ponte e o mesencéfalo. Cada colículo se liga a uma pequena eminência oval do diencéfalo, o corpo geniculado, através de um 
feixe superficial de fibras nervosas que constitui o seu braço: o colículo superior se relaciona com o corpo geniculado lateral; e o 
colículo inferior se relaciona com o corpo geniculado medial. 
 Vistos ventralmente, os pedúnculos cerebrais aparecem como dois grandes feixes de fibras que surgem na borda superior da 
ponte e divergem cranialmente para penetrar profundamente no cérebro. Delimitam assim, uma profunda depressão triangular, a 
fossa interpeduncular. O fundo da fossa interpeduncular apresenta orifícios para a passagem de vasos e denomina-se substância 
perfurada posterior. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ESTRUTURA DO BULBO - MICROSCOPIA 
 
 
 Comparando a estrutura da medula com a do tronco encefálico, 
encontraremos várias diferenças, embora ambos pertençam ao mesmo 
sistema nervoso segmentar. Uma delas é a fragmentação longitudinal e 
transversal da substância cinzenta no tronco encefálico, formando-se 
assim, os núcleos dos nervos cranianos. Com isso, podemos classificar a 
substância cinzenta do tronco encefálico no geral em dois tipos: substância 
cinzenta homóloga à da medula (núcleos que correspondem à substância 
cinzenta da medula) e substância cinzenta própria do tronco encefálico 
(não têm correspondência com nenhuma área espacial da substância 
cinzenta da medula). 
 Outra diferença entre a estrutura da medula e do tronco encefálico 
é a presença, ao nível deste, de uma rede reticular que preenche o espaço 
situado entre os núcleos e tractos mais compactos: a formação reticular 
tem uma estrutura intermediária entre a substância cinzenta e branca, 
podendo ser denominada de substância reticular. Sua principal função é 
conectar vários centros do SNC, incluindo, por exemplo, o hipotálamo e o 
sistema límbico a núcleos viscerais de nervos cranianos ou neurônios 
viscerais (ou mesmo somáticos) da própria medula espinhal. 
 
 
ESTRUTURA DO BULBO 
 A organização interna das porções caudais do bulbo é bastante semelhante à da medula. Entretanto, na medida em que se 
examinam secções mais altas do bulbo, notam-se diferenças cada vez maiores, até que ao nível da oliva, já não existem 
aparentemente qualquer semelhança. As modificações que diferenciam a estrutura do bulbo e da medula são devidas principalmente 
aos seguintes fatores: 
 Aparecimento de novos núcleos próprios do bulbo que não têm correspondência na 
medula, como os núcleos grácil, cuneiforme e o núcleo olivar inferior. 
 Decussação das pirâmides ou decussação motora. Quando as fibras motoras do tracto 
córtico-espinhal cruzam na parte mais caudal das pirâmides, elas atravessam a substância 
cinzenta bem ao nível da coluna anterior, separando esta em duas partes: base e cabeça da 
coluna anterior. 
 Decussação dos lemniscos ou decussação sensitiva: as fibras do fascículo grácil e 
cuneiforme da medula terminam fazendo sinapse em neurônios dos núcleos grácil e cuneiforme, 
que aparecem no funículo posterior, nos níveis mais baixos do bulbo. As fibras que se originam a 
partir destes núcleos são denominadas fibras arqueadas internas. Elas mergulham 
ventralmente, atravessam a coluna posterior (contribuindo para fragmentá-la), se anteriorizam 
definitivamente, cruzam o plano mediano (decussação sensitiva) e infletem-se cranialmente para 
constituir de cada lado, o lemnisco medial. Com isso, cada lemnisco medial conduz ao tálamo 
os impulsos nervosos (propriocepção consciente, tato epicrítico e sensibilidade vibratória) que 
subiram nos fascículos grácil e cuneiforme da medula do lado oposto. 
 Abertura da porção fechada do bulbo para formar o IV ventrículo, e com isso, em níveis 
cada vez mais altos, desaparecem, progressivamente, os fascículos grácil e cuneiforme (que já 
teriam formado as fibras arqueadas internas e o lemnisco medial). 
 
 
 
 
 
SUBSTÂNCIA CINZENTA DO BULBO 
 
SUBSTÂNCIA CINZENTA HOMÓLOGA 
(NÚCLEOS DE NERVOS CRANIANOS) 
 A substância cinzenta homóloga do 
bulbo, ou seja, o conjunto de corpos de neurônios 
semelhantes aos encontrados na medula se 
resume aos núcleos dos nervos cranianos. As 
principais características dos núcleos situados no 
bulbo serão descritos neste momento. 
 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
21 
 
 Núcleo Ambíguo: núcleo motor para a musculatura estriada da laringe e faringe (voluntária). Dele saem fibras eferentes 
viscerais especiais do IX (glossofaríngeo), X (vago) e XI (acessório) pares de nervos cranianos. 
 Núcleo do Hipoglosso: núcleo motor onde se originam fibras eferentes somáticas para a musculatura da língua por meio 
do N. hipoglosso (XII). Situa-se profundamente ao trígono do nervo hipoglosso, no assoalho do IV ventrículo. Origina fibras 
que se dirigem ventralmente, cruzam as fibras arqueadas internas, e emergem na face anterior do bulbo (bem no sulco 
lateral anterior), formando o N. hipoglosso. Recebe fibras do tracto córtico-nuclear de ambos os lados, com exceção feita à 
parte do núcleo que inerva o músculo genioglosso. 
 Núcleo dorsal do vago: núcleo motor pertencente ao parassimpático (coluna eferente visceral geral). Nele estão situados 
neurônios pré-ganglionares cujos axônios saem pelo nervo vago, para encontrar neurônios pós-ganglionares viscerais. Situa-
se profundamente no trígono do nervo vago, no assoalho do IV ventrículo. 
 Núcleo salivatório inferior: origina fibras pré-ganglionares que emergem pelo nervo glossofaríngeo para a inervação da 
glândula parótida (as glândulas sublingual, submandibular e lacrimal são inervadas pelo N. intermédio, componente do nervo 
facial que recebe fibras do núcleo salivatório superior e lacrimal, localizados na ponte). 
 Núcleos vestibulares: são núcleos sensitivos que recebem as fibras que penetram pela porção vestibular do VIII par (nervo 
vestíbulo-coclear), estando relacionado, então, com o equilíbrio. Localizam-se no bulbo apenas os núcleos vestibulares 
inferior e medial, bem na área vestibular (local marcado pelas estrias medulares). 
 Núcleo do tracto solitário: é um núcleo sensitivo que recebe fibras aferentes viscerais gerais e especiais que entram pelo 
VII (facial), IX (glossofaríngeo) e X (vago) pares cranianos, todos responsáveis pela inervação da língua (gustação) e por 
informações viscerais diversas. Contudo, as fibras aferentes viscerais especiais que penetram no tracto solitário estão, 
especificamente, relacionadas com a gustação: VII  2/3 anteriores da língua; IX  1/3 posterior da língua; X  região da 
epiglote. 
 Núcleodo tracto espinhal do nervo trigêmeo: nesse núcleo sensitivo, chegam fibras aferentes somáticas gerais trazendo 
sensibilidade de quase toda a cabeça (principalmente da face) pelos nervos V, VII, IX e X (sendo estes três últimos 
relacionados apenas com a sensibilidade geral do pavilhão e conduto auditivo). Sua correspondência da medula é a relação 
com a substância gelatinosa da coluna posterior. 
 
OBS
1
: Para facilitar a memorização dos nomes e função dos núcleos e nervos cranianos do bulbo, pode-se fazer uso do exercício de 
tentar deduzir a ação de cada um dos núcleos durante o ato de tomar sorvete: Inicialmente, põe-se a língua para fora para lamber o 
sorvete (núcleo do hipoglosso: função motora para os músculos da língua). A seguir é necessário verificar se o sorvete está mesmo 
frio (núcleo do tracto espinhal do trigêmeo: confere sensibilidade à maior parte da cabeça, nesse caso, à própria língua). Feito isso, 
é conveniente verificar o gosto do sorvete (núcleo do tracto solitário: recebe nervos sensitivos do VII, IX e X pares de nervos 
relacionados com a gustação). A essa altura, o indivíduo já deve estar com a boca “cheia d’água” (núcleo salivatório inferior: no 
caso do bulbo, por meio de fibras pré-ganglionares, o nervo glossofaríngeo estimula a secreção de saliva pela gl. parótida). Passadas 
essas fases, já há condições de engolir o sorvete (núcleo ambíguo: inervação motora da musculatura da faringe e laringe). 
Finalmente, o sorvete chega ao estomago e sofre ação do suco gástrico (núcleo dorsal do vago: o nervo vago é, em parte, 
relacionado com a secreção de HCl e de outros estímulos viscerais). Vale lembrar que o indivíduo tomou o sorvete de pé, mantendo o 
equilíbrio (núcleos vestibulares medial e inferior: no caso do bulbo, relacionados com o equilíbrio). 
 
 
SUBSTÂNCIA CINZENTA PRÓPRIA DO BULBO 
 A substancia cinzenta própria do bulbo, ou seja, que não apresenta correspondência na medula, é resumida pelos seguintes 
núcleos: 
 Núcleos grácil e cuneiforme: recebem as fibras aferentes dos fascículos grácil e cuneiforme e dão origem as fibras 
arqueadas internas, que cruzam o plano mediano para formar o lemnisco medial. 
 Núcleo olivar inferior: é uma grande massa retorcida de substancia cinzenta que corresponde à formação macroscópica já 
descrita como oliva. Esse núcleo recebe fibras do córtex cerebral, da medula e do núcleo rubro (mesencéfalo). Liga-se ao 
cerebelo através das fibras olivo-cerebelares, que cruzam o plano mediano, penetram no cerebelo pelo pedúnculo 
cerebelar inferior, distribuindo-se a todo o córtex desse órgão. As conexões olivo-cerebelares estão envolvidas na 
aprendizagem motora repetitiva, fenômeno que nos permite realizar determinada tarefa com velocidade e eficiência cada vez 
maiores quando ela se repete várias vezes. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
22 
 
 Núcleos Olivares acessórios medial e dorsal: formam o complexo olivar inferior junto ao grande núcleo olivar inferior, 
apresentando a mesma função. 
 Núcleo cuneiforme acessório do bulbo: recebe impulsos proprioceptivos do pescoço e membros superiores. Os axônios 
destes neurônios formam o tracto cúneo-cerebelar, que entra no cerebelo pelo pedúnculo cerebelar inferior. 
 
 
SUBSTÂNCIA BRANCA DO BULBO 
 
FIBRAS TRANSVERSAIS 
 As fibras transversais do bulbo são também denominadas fibras arqueadas e podem ser dividias em internas e externas: 
 Fibras arqueadas internas: algumas são constituídas pelos axônios dos neurônios dos núcleos grácil e cuneiforme no 
trajeto entre esses núcleos e o lemnisco medial; outras são constituídas pelas fibras olivo-cerebelares, que do complexo 
olivar inferior cruzam o plano mediano, penetrando no cerebelo do lado oposto pelo pedúnculo cerebelar inferior. 
 Fibras arqueadas externas: têm trajeto próximo à superfície do bulbo e penetram no cerebelo pelo pedúnculo cerebelar 
inferior. Boa parte destas fibras origina-se no núcleo cuneiforme acessório no bulbo, levando ao cerebelo impulsos 
proprioceptivos (inconscientes) do pescoço e membros superiores. 
 
FIBRAS LONGITUDINAIS – VIAS ASCENDENTES 
 São constituídas pelos tractos e fascículos ascendentes oriundos da medula, que terminam no bulbo ou passam por ele em 
direção ao tálamo ou cerebelo. A eles, acrescenta-se o lemnisco medial, originado no próprio bulbo. 
 Fascículo grácil e cuneiforme: visíveis na porção fechada do bulbo. 
 Lemnisco medial: como já foi visto, é formado pelas fibras arqueadas internas do bulbo que se continuam, justamente, dos 
fascículos grácil e cuneiforme. Formam uma feixe compacto (em forma de fita) de fibras de cada lado do plano mediano, 
ventralmente ao tracto tecto-espinhal. 
 Tracto espino-talâmico lateral: situado na área lateral do bulbo, medialmente ao tracto espino-cerebelar anterior. Tem, 
pois, no bulbo uma posição correspondente à sua posição na medula. 
 Tracto espino-talâmico anterior: em situação anterior ao tracto espino-cerebelar anterior. 
 Lemnisco espinhal: corresponde aos tractos espino-talâmicos anterior e lateral que se unem e formam essencialmente uma 
entidade única na área retro-olivar. O lemnisco espinhal conduz, por tanto, impulsos de pressão, tato protopático, dor e 
temperatura dos membros, tronco e pescoço. 
 Tracto espino-cerebelar anterior: situa-se superficialmente na área lateral do bulbo, entre o núcleo olivar (e o tracto espino-
talâmico lateral) e o tracto espino-cerebelar posterior. Continua na ponte, pois entra no cerebelo pelo pedúnculo cerebelar 
superior. 
 Tracto espino-cerebelar posterior: situa-se superficialmente na área lateral do bulbo, entre o tracto espino-cerebelar 
anterior e o pedúnculo cerebelar inferior, pelo qual penetra no cerebelo. 
 Pedúnculo cerebelar inferior (corpo restiforme): proeminente feixe de fibras ascendentes que percorrem as bordas 
laterais da metade inferior do IV ventrículo até o nível dos recessos laterais, onde se flete dorsalmente para penetrar no 
cerebelo. São fibras que constituem o pedúnculo cerebelar inferior: fibras olivo-cerebelares, fibras do tracto espino-cerebelar 
posterior, as fibras arqueadas externas dorsais e fibras do tracto cerebelo-fastígio-bulbar. 
 
FIBRAS LONGITUDINAIS – VIAS DESCENDENTES 
 As principais vias descendentes do bulbo são as seguintes: 
 Tracto córtico-espinhal: constituído por fibras originadas no córtex cerebral que passam no bulbo em transito para a 
medula, ocupando as pirâmides bulbares. 
 Tracto córtico-nuclear: constituído por fibras originadas no córtex cerebral e que terminam em núcleos motores do tronco 
encefálico. No caso do bulbo, estas fibras terminam nos núcleos: ambíguo e do hipoglosso, permitindo o controle voluntário 
da faringe, laringe e da língua. 
 Tractos extra-piramidais: constituídos por fibras originadas em várias áreas do tronco encefálico e que se dirigem à 
medula: tracto tecto-espinhal, rubro-espinhal, vestíbulo-espinhal e retículo-espinhal. 
 Tracto espinhal do N. trigêmeo: fibras sensitivas que penetram na ponte pelo nervo trigêmeo e tomam um curto trajeto 
descendente ao longo do núcleo do tracto espinhal do nervo trigêmeo, onde fazem sinapse e se encerram. 
 Tracto solitário: é formado por fibras aferentes viscerais que penetram no tronco encefálico pelos nervos VII, IX e X e que 
tomam um curto trajeto descendente ao longo do núcleo do tracto solitário, onde fazem sinapse e se encerram. 
 
FIBRAS LONGITUDINAIS – VIAS DE ASSOCIAÇÂO 
 São formadas por fibras que constituem o fascículo longitudinal medial (corresponde ao fascículo próprio que é a via de 
associação da medula), presente em toda a extensão do tronco encefálico e níveis mais altos da medula. O fascículo longitudinal 
medial liga todos os núcleos motores dos nervos cranianos, sendo especialmente importantes suas conexões com os núcleos dos 
nervos relacionados com o movimento do bulbo ocular (III, oculomotor  inerva o M. reto medial do bulbo ocular, M. reto superior, M. 
retoinferior, M. oblíquo inferior e M. levantador da pálpebra; IV, troclear  M. oblíquo superior; VI, abducente  M. reto lateral) e da 
cabeça (núcleo de origem da raiz espinhal do nervo acessório que inerva os músculos trapézio e esternocleidomastoideo). Recebe 
ainda um importante contingente de fibras dos núcleos vestibulares, trazendo impulsos que informam sobre a posição da cabeça. 
Deste modo, o fascículo longitudinal medial é importante para a realização de reflexos que coordenam os movimentos da 
cabeça com os dos olhos (como poder cavalgar, mas continuar mirando um ponto no horizonte), além de vários outros reflexos 
envolvendo estruturas situadas em níveis diferentes do tronco encefálico. Lesões no fascículo longitudinal medial causa a chamada 
oftalmoplegia internuclear, em que os movimentos do olho não mais acompanham os da cabeça ou os do olho do outro lado. 
 
 
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23 
 
FORMAÇÃO RETICULAR DO BULBO 
 Preenche todo o espaço não ocupado pelos núcleos de tractos mais compactos. Na formação reticular do bulbo localiza-se o 
centro respiratório, centro vasomotor e o centro do vômito. 
 
 
CORRELAÇÕES CLÍNICAS 
 
 Lesão da base do bulbo (hemiplegia cruzada com lesão do hipoglosso) 
 Lesões da base do bulbo geralmente acometem a pirâmide e o nervo hipoglosso. A lesão da pirâmide compromete, 
principalmente, o tracto córtico-espinhal e como este se cruza abaixo do nível da lesão, ocorre paresia do lado oposto ao lesado. 
Quando a lesão se estende mais dorsalmente, atingindo os demais tractos descendentes que transitam nas pirâmides, temos um 
quadro de hemiplegia. A lesão do hipoglosso causa paralisia dos músculos da metade da língua situada do lado lesado, que no caso 
se manifesta por hipotrofia destes músculos. Como a musculatura de uma das metades da língua está paralisada, quando o paciente 
faz a protrusão da língua, a musculatura normal desvia a língua para o lado lesado. 
 
 Síndrome bulbar medial (Síndrome de Dejerine) 
A parte medial do bulbo é suprida pela artéria vertebral. A trombose do ramo bulbar produz os seguintes sinais e sintomas: 
hemiparesia contralateral (acometimento do tracto piramidal), comprometimento sensorial contralateral da posição do movimento e da 
discriminação tátil (acometimento do lemnisco medial) e paralisia ipsilateral dos músculos da língua (com desvio para o lado 
paralisado quando a língua é estendida) por lesão do nervo hipoglosso. 
 
 Síndrome da artéria cerebelar inferior posterior (Síndrome de Wallemberg) 
 A artéria cerebelar inferior posterior, ramo mais superior da A. vertebral, irriga a parte dorsolateral do bulbo. Lesões desta 
região geralmente ocorrem por trombose desta artéria. As principais estruturas lesadas com os respectivos sintomas são: 
 Lesão do pedúnculo cerebelar inferior: falta de coordenação de movimentos na metade do corpo situada do lado da lesão. 
 Lesão do tracto espinhal do trigêmeo e seu núcleo: perda da sensibilidade térmica e dolorosa na metade da face situada do 
lado da lesão. 
 Lesão do tracto espino-talâmico lateral: perda da sensibilidade térmica e dolorosa na metade do corpo situada do lado oposto 
da lesão. 
 Lesão do núcleo ambíguo: perturbações da deglutição e da fonação por paralisia dos músculos da faringe e da laringe. 
 Lesão das vias descendentes que do hipotálamo dirigem-se aos neurônios pré-ganglionares relacionados com a inervação 
da pupila: síndrome de Horner (ptose palpebral, miose, vasodilatação e anidrose ou deficiência de sudorese na face). 
 
 
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24 
 
 
ESTRUTURA DA PONTE - MICROSCOPIA 
 
 
 A ponte é formada por uma parte ventral, ou base da ponte, e uma parte dorsal, ou tegmento/tegumento da ponte. O 
tegmento da ponte tem estrutura muito semelhante ao bulbo e ao tegmento do mesencéfalo. Já a base da ponte tem estruturas muito 
diferentes das outras áreas do tronco encefálico. No limite entre o tegmento e a base da ponte observa-se um conjunto de fibras 
mielínicas de direção transversal, o corpo trapezoide, muito evidente em preparações coradas para evidenciação de mielina. 
 
 
PARTE VENTRAL OU BASE DA PONTE 
 A base da ponte é uma área própria da ponte, ou seja, sem correspondente em outros níveis do tronco encefálico. Ela 
apareceu, durante a filogênese, juntamente com o neocerebelo e o neocórtex. 
 
FIBRAS LONGITUDINAIS 
 Tracto córtico-espinhal: constituído por fibras que, das áreas motoras do córtex cerebral, se dirigem aos neurônios motores 
da medula. Na base da ponte, o tracto cortico-espinhal forma vários feixes dissociados, não tendo a estrutura compacta que 
apresenta nas pirâmides do bulbo. 
 Tracto córtico-nuclear: constituído por fibras que se originam nas áreas motoras do córtex e, após cruzarem o plano 
mediano, se dirigem aos neurônios motores situados em núcleos motores de nervos cranianos. No caso da ponte, os núcleos 
do facial, trigêmeo e abducente. Quando desce para o bulbo, distribui fibras para os núcleos ambíguo, hipoglosso e dorsal 
do vago. 
 Tracto córtico-pontino: formado por fibras que se originam em várias partes do córtex cerebral, e terminam fazendo 
sinapse com os neurônios dos núcleos pontinos. 
 
FIBRAS TRANSVERSAIS E NÚCLEOS PONTINOS 
 Os núcleos pontinos são pequenos aglomerados de neurônios dispersos em toda a base da ponte. Neles, terminam fazendo 
sinapse as fibras córtico-pontinas. Os axônios dos neurônios dos núcleos pontinos constituem as fibras transversais da ponte, 
também chamadas de fibras pontinas ou ponto-cerebelares. Estas fibras de direção transversal cruzam o plano mediano e penetram 
no cerebelo pelo pedúnculo cerebelar médio (braço da ponte). Forma-se, assim, a importante via córtico-ponto-cerebelar, que envia 
ao cerebelo informações do plano motor elaborado no telencéfalo. 
 
OBS
1
: A substância cinzenta própria da ponte é correspondida pelos núcleos pontinos, núcleo olivar superior, núcleo do corpo 
trapezoide e núcleo do lemnisco lateral. Com exceção dos núcleos pontinos (que participam da via córtico-ponto-cerebelar e, 
portanto, é responsável pela programação do movimento), os demais núcleos se relacionam, de alguma forma, com a via auditiva. O 
núcleo olivar superior, por exemplo, está relacionado com a contração reflexa do músculo estapédio (inervado pelo N. facial e que se 
fixa ao ossículo estribo) e tensor do tímpano (inervado pelo N. trigêmeo e que se fixa ao ossículo martelo) em resposta a fortes 
estímulos sonoros (reflexo do estribo). 
 
 
PARTE DORSAL OU TEGMENTO DA PONTE 
 Assemelha-se estruturalmente ao bulbo e ao tegmento do mesencéfalo com os quais continua. Apresenta fibras 
ascendentes, descendentes e transversais, além de núcleos de nervos cranianos e substância cinzenta própria da ponte. 
 Núcleos do nervo vestíbulo-coclear: as fibras sensitivas que constituem as partes coclear e vestibular do nervo vestíbulo-
coclear (VIII) terminam, respectivamente, nos núcleos cocleares e vestibulares da ponte. 
a) Núcleos cocleares (relacionado com audição), corpo trapezoide e lemnisco lateral: existem dois núcleos cocleares 
(dorsal e ventral), situados ao nível em que o pedúnculo cerebelar inferior se volta dorsalmente para penetrar no 
cerebelo. A maioria das fibras originadas nos núcleos cocleares dorsal e ventral cruza para o lado oposto, 
constituindo o corpo trapezoide. A seguir, estas fibras contornam o núcleo olivar superior e inflectem-se 
cranialmente para constituir o lemnisco lateral, terminando no colículo inferior, de onde os impulsos nervosos 
seguem para o corpo geniculado medial. Entretanto, um número significativo de fibras dos núcleos cocleares 
termina no núcleo olivar superior, do mesmo lado ou do lado oposto, de onde os impulsos nervosos seguem pelo 
lemnisco lateral. Todas essas formações são parte da via da audição. Através dela, os impulsos oriundos da cóclea 
são interpretados. É interessante assinalar que muitas fibrasoriginadas dos núcleos cocleares sobrem no lemnisco 
lateral do mesmo lado ou terminam nos núcleos Olivares desse mesmo lado. Assim, a via auditiva apresenta 
componentes cruzados e não-cruzados, ou seja, o hemisfério cerebral de um lado recebe informações auditivas 
provenientes dos dois ouvidos. 
b) Núcleos vestibulares e suas conexões: os núcleos vestibulares localizam-se no assoalho do IV ventrículo, onde 
ocupam a área vestibular. São em número de quatro (núcleos vestibulares lateral, medial, superior e inferior). Eles 
recebem impulsos nervosos originados na parte vestibular do ouvido interno e que informam sobre a posição e os 
movimentos da cabeça. Estes impulsos passam pelos neurônios sensitivos do gânglio vestibular e chegam aos 
núcleos vestibulares pelos prolongamentos centrais desses neurônios, que em conjunto, formam a parte vestibular 
do nervo vestíbulo-coclear. Chegam ainda aos núcleos vestibulares fibras provenientes do cerebelo relacionadas 
com a manutenção do equilíbrio. As fibras eferentes dos núcleos vestibulares formam ou entram na composição dos 
seguintes tractos e fascículos: 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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 Fascículo vestíbulo-cerebelar: formado por fibras que terminam no córtex do arquicerebelo. 
 Fascículo longitudinal medial: nos núcleos vestibulares origina-se a maioria das fibras que entram na 
composição do fascículo longitudinal medial. Este fascículo, como já estudado, está envolvido em reflexos 
que permitem ao olho ajustar os movimentos da cabeça. As informações sobre a posição da cabeça 
chegam ao fascículo longitudinal medial através de suas conexões com os núcleos vestibulares. 
 Fibras vestíbulo-talâmicas: admite-se a existência de fibras vestíbulo-talâmicas que levam impulso ao 
tálamo, de onde partem para o córtex. 
 
 Núcleos dos nervos facial e abducente: as fibras que emergem do núcleo do nervo facial têm inicialmente direção dorso-
medial, formando um feixe compacto que logo abaixo do assoalho do IV ventrículo se encurva em direção cranial. Estas 
fibras, após percorrerem uma certa distância, passam a se relacionar com o núcleo do nervo abducente, correndo ao longo 
do lado medial desse núcleo. Ao passar por ele, encurva-se lateralmente sobre a superfície dorsal desse núcleo, contribuindo 
para formar o colículo facial, na região da eminência medial do IV ventrículo. A curvatura das fibras do nervo facial em torno 
do núcleo do abducente constitui o chamado joelho interno do nervo facial, o qual “abraça” o núcleo do abducente 
posteriormente. Após contornar esse 
núcleo, as fibras do nervo facial tomam 
direção ventrolateral e ligeiramente 
caudal para emergir no sulco bulbo-
pontino. Com isso, constitui-se, ao nível 
do colículo facial no IV ventrículo, uma 
relação importante das fibras do nervo 
facial com o núcleo do nervo 
abducente. 
 
 Núcleo salivatório superior e núcleo lacrimal: pertencente à parte craniana do sistema nervoso parassimpático, dão 
origem a fibras pré-ganglionares que emergem pelo nervo intermédio, conduzindo impulsos para a inervação das glândulas 
submandibular, sublingual e lacrimal. 
 
 Núcleos do nervo Trigêmeo: além do núcleo do tracto espinhal do trigêmeo descrito no bulbo, o nervo trigêmeo tem ainda, 
na ponte, o núcleo sensitivo principal, o núcleo do tracto mesencefálico e o núcleo motor. Em uma secção da ponte 
bem ao nível da entrada no nervo trigêmeo, vê-se, medialmente, o núcleo motor e lateralmente, o núcleo sensitivo principal 
(que é uma continuação cranial e dilatada do núcleo do tracto espinhal). A partir do núcleo principal, estende-se cranialmente 
em direção ao mesencéfalo o núcleo do tracto mesencefálico do trigêmeo acompanhado pelas fibras do tracto mesencefálico 
do trigêmeo. O núcleo motor origina fibras para os músculos mastigadores (Mm. temporal, masseter, pterigoideos medial e 
lateral) por meio de seu componente mandibular (o nervo trigêmeo possui três componentes: o n. oftálmico, n. maxilar e o n. 
mandibular, que serão estudados melhor no capítulo de Nervos Cranianos). Os demais núcleos recebem impulsos 
relacionados com a sensibilidade somática geral de grande parte da cabeça. Desses núcleos, partem fibras que se reúnem 
para formar o lemnisco trigeminal, que termina no tálamo. 
 
 
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CORRELAÇÕES CLÍNICAS 
 
 Lesões do nervo facial 
 O nervo facial origina-se no núcleo do facial, situado na ponte. Suas fibras emergem da parte lateral do sulco bulbo-pontino, 
próximo, pois, ao cerebelo (ângulo ponto-cerebelar). Penetra, logo então, no osso temporal por meio do meato acústico interno 
(juntamente ao nervo vestíbulo-coclear) e emerge do crânio pelo forame estilomastoideo, para se distribuir aos músculos mímicos 
após trajeto profundamente à glândula parótida. 
 Lesões do nervo, em qualquer parte deste trajeto, resultam em paralisia total dos músculos da expressão facial na metade 
lesada. Estes músculos perdem o tônus, tornando-se flácidos e, como isto ocorre também com o músculo bucinador, há, 
frequentemente, vazamento de saliva pelo ângulo da boca do lado lesado. Como o músculo elevador da pálpebra (inervado pelo N. 
oculomotor) está normal, a pálpebra permanece aberta, predispondo o olho a lesões e infecções, uma vez que o reflexo corneano 
está abolido. 
 O tipo de paralisia descrito caracteriza lesão do neurônio 
motor inferior do facial e pode ser denominada paralisia facial 
periférica. Deve ser distinguido das paralisias faciais centrais ou 
supranucleares por lesão do neurônio motor superior, como ocorre, 
por exemplo, nas lesões do tracto córtico-nuclear. 
 As paralisias periféricas são homolaterais, ou seja, ocorrem 
do mesmo lado da lesão. As paralisias centrais ocorrem do 
lado oposto ao da lesão, ou seja, são contralaterais. 
 As paralisias periféricas acometem toda uma metade da 
face; as centrais manifestam-se apenas nos músculos da 
parte inferior de uma metade da face, poupando os 
músculos da parte superior como o M. orbicular do olho. Isto 
se explica pelo fato de que as fibras córtico-nucleares que 
vão para os neurônios motores do núcleo do nervo facial 
que inervam a parte superior da face serem homo e 
contralaterais, ou seja, essas fibras terminam no núcleo do 
seu próprio lado e no do lado oposto. Já as fibras que 
controlam os neurônios motores para a metade inferior da 
face são todas contralaterais. Deste modo, quando há uma 
lesão do tracto córtico-nuclear de um lado, há completa 
paralisia da musculatura da mímica da metade inferior da 
face do lado oposto. Em outras palavras, a paralisia ou a 
manutenção dos quadrantes superiores (músculos do olho) 
indicam o tipo da lesão: incapacidade de piscar o olho indica 
lesão periférica; manutenção do piscar indica lesão central. 
 As paralisias periféricas são totais. Nas paralisias centrais, 
entretanto, pode haver contração involuntária da 
musculatura mímica como manifestação emocional (no ato 
de rir ou chorar, por exemplo). Isto se explica pelo fato de 
que os impulsos que chegam ao núcleo do facial para iniciar 
movimentos decorrentes de manifestações emocionais não 
seguem pelo tracto córtico-nuclear, mas por conexões do 
núcleo motor do facial com a formação reticular. 
 
 Convém lembrar ainda que lesões do nervo facial antes de sua emergência do forame estilomastoideo estão, em geral, 
associados a lesões do N. vestibulococlear (VIII par de nervos cranianos) e do nervo intermédio. Neste caso, além dos sintomas já 
vistos, há uma perda de sensibilidade gustativa nos 2/3 anterior da língua (lesão do nervo intermédio), alterações do equilíbrio, enjôos 
e tonteiras decorrentes da parte vestibular do VIII par e diminuição da audição por comprometimento do componente coclear deste 
nervo. 
 
 Lesão da base da ponte (Síndrome de Millard-Gubler) 
 Uma lesão da base da ponte acomete, principalmente, o tracto córtico-espinhal e as fibras do nervo abducente. A lesão do 
tractocórtico-espinhal resulta em hemiparesia do lado oposto ao lesado. A lesão do nervo abducente causa paralisia do músculo reto 
lateral do mesmo lado da lesão, o que impede o movimento do olho em direção lateral (abdução do olho), caracterizando um 
estrabismo convergente (desvio do bulbo ocular em direção medial). É por este motivo que o indivíduo vê duas imagens, fenômeno 
este denominado diplopia. 
 
 Lesão da ponte em nível da emergência do N. trigêmeo 
 Lesões da base da ponte podem comprometer o tracto córtico-espinhal e as fibras do nervo trigêmeo. Além da hemiplegia do 
lado oposto (com síndrome do neurônio motor superior) devido à lesão do tracto córtico-espinhal, os sinais da lesão do N. trigêmeo 
incluem as seguintes causas motoras e sensitivas: 
 Perturbações motoras: lesão do componente motor do trigêmeo causa paralisia da musculatura mastigatória do lado da 
lesão. Por ação dos músculos pterigoideos do lado normal, ocorre desvio da mandíbula para o lado paralisado; 
 Perturbações sensitivas: ocorre anestesia da face do mesmo lado da lesão, no território correspondente aos três ramos do 
trigêmeo. 
 
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27 
 
 
ESTRUTURA DO MESENCÉFALO - MICROSCOPIA 
 
 
 O mesencéfalo é constituído por uma porção dorsal, o tecto do mesencéfalo, e outra ventral muito maior, o pedúnculo 
cerebral, separados pelo aqueduto cerebral (aqueduto do mesencéfalo), canal que percorre longitudinalmente o mesencéfalo e que é 
circundado por uma espessa camada de substância cinzenta central ou periaquedutal. Em cada pedúnculo cerebral distingue-se, a 
partir da substância negra, uma parte ventral, a base do pedúnculo (formada de fibras longitudinais) e uma parte dorsal, o tegmento 
do mesencéfalo, cuja estrutura assemelha-se à parte correspondente na ponte. 
 
 
 
TECTO DO MESENCÉFALO 
 O tecto do mesencéfalo, nos mamíferos, é constituído de 
quatro eminências, os colículos superiores (relacionados com os 
órgãos da visão por meio dos corpos geniculados laterais do 
diencéfalo) e os colículos inferiores (relacionados com a audição 
por meio dos corpos geniculados mediais). Além deles, existe a 
chamada área pré-tectal. 
 Colículo superior: é formado por uma série de camadas 
superpostas constituídas alternadamente por substância 
branca e cinzenta. Suas conexões são complexas, 
destacando-se, entre elas: 
 Fibras oriundas da retina, que atingem o corpo geniculado lateral por meio do tracto óptico e por fim, por meio do 
braço do colículo superior, chegam impulsos ao colículo superior. 
 Fibras oriundas do córtex occipital, que chegam ao colículo pela radiação óptica e braço do colículo superior. 
 Fibras que formam o tracto tecto-espinhal e terminam fazendo sinapse com neurônios motores da medula cervical. 
 
OBS
1
: O colículo superior é importante para certos reflexos que regulam o movimento dos olhos no sentido vertical. Para esta função, 
existem fibras que ligam o colículo superior ao núcleo do nervo oculomotor, situado ventralmente no tegmento do mesencéfalo, bem 
ao nível do colículo. Tumores do corpo pineal podem comprimir os colículos e causar a perda da capacidade de mover os olhos no 
sentido vertical voluntária ou reflexamente. 
 
 Colículo inferior: constituído por uma massa bem delimitada de substância cinzenta, o núcleo do colículo inferior 
(bilateralmente à substância cinzenta central). Esse núcleo recebe fibras auditivas dos núcleos cocleares que sobem pelo 
lemnisco lateral e manda fibras ao corpo geniculado medial através do braço do colículo inferior. Algumas fibras cruzam de 
um colículo para outro, formando a comissura do colículo inferior. Esse colículo é, portanto, um importante relé (interruptor de 
seleção) das vias auditivas. 
 
OBS
2
: Não confundir lemnisco lateral (fibras que levam impulsos de núcleos cocleares da ponte ao colículo inferior) com lemnisco 
medial (formado a partir das fibras arqueadas internas que derivam dos núcleos grácil e cuneiforme, ainda no bulbo). Devemos 
perceber também que o braço do colículo superior é responsável por trazer informações do corpo geniculado lateral para o próprio 
colículo. Enquanto que o braço do colículo inferior leva, do colículo inferior ao corpo geniculado medial, impulsos relacionados com a 
via auditiva. 
 
 Área pré-tectal: também chamada de núcleo pré-tectal, é uma área de limites pouco definidos, situada na extremidade 
rostral dos colículos superiores, no limite do mesencéfalo com o diencéfalo. Relaciona-se com o controle reflexo das pupilas 
por se comunicar com o núcleo acessório do oculomotor (Edinger-Westphal) dos dois lados, estabelecendo conexões entre 
eles e fibras oriundas da retina. 
 
 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
28 
 
BASE DO PEDÚNCULO CEREBRAL 
 A base do pedúnculo é formada por fibras descendentes dos tractos córtico-espinhal, córtico-nuclear e córtico-pontino, que 
formam um conjunto compacto nessa região (diferentemente do que ocorre quando estes passam na base da ponte). Em vista do 
grande numero de fibras descendentes que percorrem a base dos pedúnculos cerebrais, lesões aí localizadas causam paralisias que 
se manifestam do lado oposto da lesão. 
 
 
SUBSTÂNCIA CINZENTA 
 
SUBSTÂNCIA CINZENTA HOMÓLOGA (NÚCLEOS DOS NERVOS CRANIANOS) 
 No tegmento do mesencéfalo estão os núcleos dos pares cranianos III (oculomotor), IV (troclear) e V (trigêmeo). Desse 
ultimo, está apenas o núcleo do tracto mesencefálico, que continua da ponte e recebe informações proprioceptivas que entram pelo 
nervo trigêmeo (informações estas que chegam, por exemplo, pelo nervo oftálmico, trazendo informações proprioceptivas da 
conjuntiva do olho). 
 
 Núcleo do Nervo Troclear: situa-se ao nível do colículo inferior, em posição imediatamente ventral à substância cinzenta 
central e dorsal ao fascículo longitudinal medial. Suas fibras saem de sua face dorsal, contornam lateralmente a substância 
cinzenta central, cruzam (posteriormente a ela) e emergem na porção caudal do colículo inferior. Este nervo – o N. troclear 
(IV) – apresenta, pois, duas peculiaridades: suas fibras são as únicas que saem da face dorsal do encéfalo e trata-se do 
único nervo cujas fibras decussam antes de emergirem do sistema nervoso central. O nervo troclear inerva o músculo 
oblíquo superior do olho. 
 
 Núcleo do Nervo Oculomotor (Complexo óculo-motor): localiza-se ao nível do colículo superior e aparece nos cortes 
transversais em forma de V, estando intimamente relacionado com o fascículo longitudinal medial (com quem faz 
comunicações com os outros nervos que controlam o bulbo ocular: IV e VI; e com o controle do movimento da cabeça: raiz 
espinhal do nervo acessório). O complexo oculomotor pode ser funcionalmente dividido em uma parte somática e outra 
visceral. 
 A parte somática contém neurônios motores responsáveis pela inervação dos músculos reto superior, reto inferior, 
reto medial do olho e levantador da pálpebra. Na realidade, a parte somática do complexo oculomotor é constituída 
de vários subnúcleos, cada um dos quais destina fibras motoras para inervação de um dos músculos acima 
relacionados. Essas fibras – depois de um certo trajeto curvo em direção ventral, no qual muitas atravessam o 
próprio núcleo rubro – emergem na fossa interpeduncular (no sulco medial do pedúnculo cerebral), constituindo o 
nervo oculomotor. 
 A parte visceral do complexo oculomotor é chamado de núcleo de Edinger-Westphal. Esse núcleo contém 
neurônios pré-ganglionares, cujas fibras fazem sinapses no gânglio ciliar e que estão relacionadas com a inervação 
do músculo ciliar e músculo esfíncter da pupila, pertencendo então, ao sistema nervoso parassimpático. 
 
 
SUBSTÂNCIA CINZENTA PRÓPRIA DO MESENCÉFALO 
 Nessa categoria, situam-se dois núcleos importantes, ambos relacionados com a atividade motora simpática: o núcleo rubro 
e a substância negra. 
 
 Núcleo Rubro (núcleo vermelho): é assim denominado emvirtude da tonalidade ligeiramente rósea que apresenta nas 
preparações a fresco. Cada núcleo rubro é abordado na sua extremidade caudal pelas fibras do pedúnculo cerebelar superior 
que o envolve. Essas fibras vão penetrando no núcleo à medida que sobem, mas grande parte delas termina no tálamo. O 
núcleo rubro participa do controle da motricidade somática. Recebe fibras do cerebelo e das áreas motoras do córtex 
cerebral e dá origem ao tracto rubro-espinhal, através do qual influencia neurônios motores na medula, responsáveis pela 
inervação da musculatura distal dos membros (realizando movimentos finos e delicados). O núcleo rubro liga-se também ao 
complexo olivar inferior através das fibras rubro-olivares, que integram o circuito rubro-olivo-cerebelar. 
 
 Substância Negra: situada entre o tegmento e a base do pedúnculo cerebral, a substancia negra é um núcleo compacto 
formado por neurônios que apresentam a peculiaridade de conter inclusões de melanina (produto derivado da tirosina e 
fenilalanina). Isso faz com que esse núcleo apresente nas preparações a fresco uma coloração escura. Uma característica 
importante da maioria dos neurônios da substancia negra é que eles utilizam como neurotransmissor a dopamina (também 
derivada da tirosina e fenilalanina), ou seja, são neurônios dopaminérgicos. A substância negra faz conexões com o corpo 
estriado, através das fibras nigro-estriatais e estriato-nigrais, sendo as primeiras dopaminérgicas. Degenerações dos 
neurônios dopaminérgicos da substancia negra casam uma diminuição de dopamina no corpo estriado, provocando as 
graves perturbações motoras que caracterizam a chamada Síndrome de Parkinson. 
 
 
 
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29 
 
SUBSTÂNCIA BRANCA 
 Assim como na ponte, a maioria dos feixes de fibras descendentes do mesencéfalo não passa pelo tegmento, mas pela base 
do pedúnculo cerebral, o qual já estudamos. Já as fibras ascendentes percorrem o tegmento e representam a continuação dos 
segmentos que sobem da ponte: os quatro lemniscos e o pedúnculo cerebelar superior. Este, ao nível do colículo inferior, cruza com o 
lado oposto na decussação do pedúnculo cerebelar superior e sobe envolvendo o núcleo rubro. 
 Ao nível do colículo inferior, os quatro lemniscos aparecem agrupados em uma só faixa na parte lateral do tegmento, em uma 
sequência médio-lateral, se dispõem os lemniscos medial, espinhal, trigeminal e lateral. Este último, pertencente às vias auditivas, 
termina no núcleo do colículo inferior, enquanto os demais sobem e aparecem ao nível do colículo superior em uma faixa disposta 
lateralmente ao núcleo rubro. Nesse nível, nota-se também o braço do colículo inferior, cujas fibras sobem para terminar no corpo 
geniculado medial. 
 Em toda extensão do tegmento mesencefálico, nota-se, próximo ao plano mediano, o fascículo longitudinal medial, que 
constitui o feixe de associação do tronco encefálico. 
 
 
CORRELAÇÕES CLÍNICAS 
 
 Lesões da base do pedúnculo cerebral (Síndrome de Weber) 
 Uma lesão da base do pedúnculo cerebral geralmente compromete o tracto córtico-espinhal e as fibras do nervo oculomotor. 
Da lesão do nervo oculomotor, resultam os seguintes sintomas do mesmo lado da lesão: 
 Impossibilidade de mover o bulbo ocular para cima, para baixo ou em direção medial por paralisia dos músculos retos 
superior, inferior e medial; 
 Diplopia: visualização de dois campos visuais distintos; 
 Desvio do bulbo ocular em direção lateral (estrabismo divergente), por ação do músculo reto lateral (inervado pelo N. 
abducente) não contrabalanceada pelo reto medial; 
 Ptose palpebral (queda da pálpebra), decorrente da paralisia do músculo levantador da pálpebra; 
 Dilatação da pupila (midríase) por ação do músculo dilatador da pupila (inervado pelo SN simpático), não agonizada pelo M. 
constrictor da pupila cuja inervação parassimpática foi lesada. 
 
 
 Lesão do tegmento do mesencéfalo (Síndrome de Benedikt) 
 Uma lesão no tegmento do mesencéfalo pode facilmente acometer o nervo oculomotor, o núcleo rubro e os lemniscos 
medial, espinhal e trigeminal, resultando nos sintomas descritos a seguir: 
 Lesão do oculomotor: estrabismo divergente; 
 Lesão dos lemniscos medial, espinhal e trigeminal: anestesia da metade oposta do corpo, inclusive da cabeça (por 
acometimento do lemnisco trigeminal); 
 Lesão do núcleo rubro: tremores e movimentos anormais do lado oposto à lesão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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30 
 
 
NERVOS CRANIANOS 
 
 Os nervos cranianos são aqueles que estabelecem conexão direta entre o encéfalo e 
estruturas periféricas. Existem 12 pares de nervos cranianos, que saem do encéfalo e que, 
depois de passar pelos forames e fissuras do crânio, distribuem-se para a cabeça 
(principalmente), pescoço e outras partes do corpo. A maioria deles (do III – XII) liga-se ao 
tronco encefálico, excetuando-se apenas os nervos olfatórios (I par) e ópticos (II par), que se 
ligam, respectivamente, ao telencéfalo e ao diencéfalo. 
 Resumidamente, temos: os pares III (oculomotor), IV (troclear) e VI (abducente) 
inervam a musculatura do olho; o V par (trigêmeo) é assim denominado em virtude de seus 
três ramos: nervos oftálmico, maxilar e mandibular; o VII (facial) compreende o nervo facial 
propriamente dito (raiz motora) e o nervo intermédio (raiz sensitiva e visceral do nevo facial); o 
VIII par (vestíbulo-coclear) apresenta dois componentes distintos: o componente vestibular 
(relacionado ao aparelho vestibular e, portanto, ao equilíbrio) e o coclear (relacionado à cóclea 
e, portanto, à audição); o X par (vago) é também chamado de pneumogástrico (pois é o 
principal componente parassimpático para estruturas viscerais do tórax e abdome); já o XI par 
(acessório) difere dos demais pares cranianos por ser formado por uma raiz craniana (bulbar) 
e outra espinhal; o XII par é motor para a musculatura da língua. 
Abaixo, tem-se uma relação dos 12 pares cranianos e algumas de suas principais 
funções: 
I. Nervo Olfatório: é um nervo totalmente sensitivo que se origina no teto da cavidade nasal e leva estímulos olfatórios 
para o bulbo e trato olfatório, os quais são enviados até áreas específicas do telencéfalo. 
II. Nervo Óptico: nervo puramente sensorial que se origina na parte posterior do globo ocular (a partir de prolongamentos 
de células que, indiretamente, estabelecem conexões com os cones e bastonetes) e leva impulsos luminosos 
relacionados com a visão até o corpo geniculado lateral e, daí, até o córtex cerebral relacionado com a visão. 
III. Nervo Oculomotor: nervo puramente motor que inerva a maior parte dos músculos extrínsecos do olho (Mm. oblíquo 
inferior, reto medial, reto superior, reto inferior e levantador da pálpebra) e intrínsecos do olho (M. ciliar e esfíncter da 
pupila). Indivíduos com paralisia no III par apresentam dificuldade em levantar a pálpebra (que cai sobre o olho), além 
de apresentar outros sintomas relacionados com a motricidade do olho, como estrabismo divergente (olho voltado 
lateralmente). 
IV. Nervo Troclear: nervo motor responsável pela inervação do músculo oblíquo superior. Suas fibras, ao se originarem no 
seu núcleo (localizado ao nível do colículo inferior do mesencéfalo), cruzam o plano mediano (ainda no mesencéfalo) e 
partem para inervar o músculo oblíquo superior do olho localizado no lado oposto com relação à sua origem. Além 
disso, é o único par de nervos cranianos que se origina na parte dorsal do tronco encefálico (caudalmente aos colículos 
inferiores). 
V. Nervo Trigêmeo: apresenta função sensitiva (parte oftálmica, maxilar e mandibular da face) e motora (o nervo 
mandibular é responsável pela motricidade dos músculos da mastigação: Mm. temporal, masseter e os pterigoideos). 
Além da sensibilidade somática de praticamente toda a face, o componente sensorial do trigêmeo é responsável ainda 
pela inervação exteroceptiva da língua (térmica e dolorosa).VI. Nervo Abducente: nervo motor responsável pela motricidade do músculo reto lateral do olho, capaz de abduzir o globo 
ocular (e, assim, realizar o olhar para o lado), como o próprio nome do nervo sugere. Por essa razão, lesões do nervo 
abducente podem gerar estrabismo convergente (olho voltado medialmente). 
VII. Nervo Facial: é um nervo misto e que pode ser dividido em dois componentes: N. facial propriamente dito (raiz motora) 
e o N. intermédio (raiz sensitiva e visceral). Praticamente toda a inervação dos músculos da mímica da face é 
responsabilidade do nervo facial; por esta razão, lesões que acometam esse nervo trarão paralisia dos músculos da 
face do mesmo lado (inclusive, incapacidade de fechar o olho). O nervo intermédio, componente do próprio nervo facial, 
é responsável, por exemplo, pela inervação das glândulas submandibular, sublingual e lacrimal, além de inervar a 
sensibilidade gustativa dos 2/3 anteriores da língua. 
VIII. Nervo Vestíbulo-coclear: é um nervo formado por dois componentes distintos (o N. coclear e o N. vestibular); embora 
ambos sejam puramente sensitivos, assim como o nervo olfatório e o óptico. Sua porção coclear traz impulsos gerados 
na cóclea (relacionados com a audição) e sua porção vestibular traz impulsos gerados nos canais semi-circulares 
(relacionados com o equilíbrio). 
IX. Nervo Glossofaríngeo: responsável por inervar a glândula parótida, além de fornecer sensibilidade gustativa para o 1/3 
posterior da língua. É responsável, também, pela motricidade dos músculos da deglutição. 
X. Nervo Vago: considerado o maior nervo craniano, ele se origina no bulbo e se estende até o abdome, sendo o principal 
representante do sistema nervoso autônomo parassimpático. Com isso, está relacionado com a inervação 
parassimpática de quase todos os órgãos torácicos e abdominais. Traz ainda fibras aferentes somáticas do pavilhão e 
do canal auditivo externo. 
XI. Nervo Acessório: inerva os Mm. esternocleidomastoideo e trapézio, sendo importante também devido as suas 
conexões com núcleos dos nervos oculomotor e vestíbulo-coclear, por meio do fascículo longitudinal medial, o que 
garante um equilíbrio do movimento dos olhos com relação à cabeça. Na verdade, a parte do nervo acessório que 
inerva esses músculos é apenas o seu componente espinhal (5 primeiros segmentos medulares). O componente bulbar 
do acessório pega apenas uma “carona” para se unir com o vago, formando, em seguida, o nervo laríngeo recorrente. 
XII. Nervo Hipoglosso: inerva a musculatura da língua. 
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31 
 
 
 
 A figura anterior mostra, de forma esquemática e reduzida, a origem aparente e a função fisiológica de cada nervo craniano. 
Infelizmente para o estudante, as células nervosas que compõem os nervos cranianos não estão dispostas de forma simples, como 
acontece com os neurônios da medula espinhal: os corpos dos neurônios dos nervos cranianos estão localizados em núcleos 
(conjunto de corpos de neurônios circundados por substância branca) encontrados em diferentes localizações no tronco encefálico. 
 Ainda mais, enquanto que os nervos espinhais têm apenas fibras aferentes somáticas, fibras eferentes somáticas e fibras 
eferentes e aferentes viscerais, os nervos cranianos têm, além destas, fibras aferentes somáticas especiais (por exemplo, as visuais e 
auditivas) e fibras aferentes viscerais especiais (por exemplo, as gustatórias), dentre outras. Além disso, um mesmo nervo craniano 
pode carrear mais de um tipo de fibra. 
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32 
 
 Por essa razão, este capítulo traz, de forma didática e resumida, uma abordagem inicial e simplificada de cada nervo 
craniano, abordando sua origem real e aparente, anatomia descritiva e funcionalidade. Após esta primeira abordagem, faremos alusão 
aos núcleos dos nervos cranianos (e suas relações topográficas) e à classificação de suas fibras. Por fim, abordaremos alguns 
reflexos integrados que estão relacionados às diversas conexões existentes entre alguns dos núcleos dos nervos cranianos. 
 
 
ESTUDO SUMÁRIO DOS NERVOS CRANIANOS 
 Antes de detalhar cada nervo craniano e seus componentes funcionais, devemos entender alguns conceitos que auxiliarão 
no entendimento sistemático dos mesmos: 
 Origem real do nervo craniano: diz respeito aos núcleos (homólogos aos da medula) cujos neurônios entram na 
composição do respectivo nervo craniano. Um mesmo nervo pode ser formado por fibras originadas em vários núcleos e, 
portanto, pode apresentar várias origens reais e, com isso, funcionalidade diversa. 
 Origem aparente no encéfalo: região topográfica da peça anatômica onde, aparentemente, o nervo craniano se origina. 
 Origem aparente no crânio: acidente anatômico por onde o nervo craniano deixa o crânio. 
 Tipo de fibra: é a forma mais didática, do ponto de vista funcional, de classificar as fibras do nervo craniano. Tal 
classificação é feita com relação ao tipo de órgão inervado pelo nervo motor ou aos receptores de onde se origina o nervo 
sensitivo (de um modo geral, os receptores dos órgãos dos sentidos são denominados “especiais” para distingu i-los dos 
demais receptores que, por serem encontrados em todo o resto do corpo, são denominados “gerais”). Desta forma, em 
resumo, temos: 
o Fibras eferentes: levam o impulso nervoso do SNC ao órgão-alvo. Podem ser classificadas da seguinte maneira: 
 Fibras eferentes somáticas: inervam músculos de origem miotômica (musculatura extrínseca dos olhos e 
da língua). 
 Fibras eferentes viscerais gerais: estão relacionadas com a inervação autonômica parassimpática 
(componente craniano do sistema nervoso parassimpático ou crânio-sacral) de músculos lisos, cardíaco 
ou glândulas. 
 Fibras eferentes viscerais especiais: estão relacionadas com a inervação de músculos com origem 
branquiomérica (originados dos arcos faríngeos durante a vida embrionária). 
o Fibras aferentes: levam o impulso nervoso de algum receptor periférico ao SNC. Podem ser classificadas da 
seguinte maneira: 
 Fibras aferentes somáticas gerais: originam-se em exteroceptores e proprioceptores, conduzindo impulsos 
de temperatura, dor, pressão, tato e propriocepção relacionados com a cabeça, de um modo geral. 
 Fibras aferentes somáticas especiais: originam-se na retina e no ouvido interno, relacionando-se, pois, 
com a visão e a audição (sentidos físicos). 
 Fibras aferentes viscerais gerais: originam-se em visceroceptores e conduzem, por exemplo, impulsos 
diversos relacionados com a dor visceral, plenitude gástrica, pressão arterial, osmolaridade, oxigenação 
arterial, etc. Em resumos, são os estímulos com origem em sistema viscerais. 
 Fibras aferentes viscerais especiais: originam-se em receptores gustativos e olfatórios (considerados 
sentidos químicos). 
 
 
NERVO OLFATÓRIO (I PAR) 
 Os nervos olfatórios são representados por numerosos pequenos feixes nervosos que, originando-se na região olfatória (teto) 
de cada fossa nasal, atravessam a lâmina crivosa do osso etmoide e terminam no bulbo olfatório. É um nervo exclusivamente 
sensitivo, cujas fibras (aferentes viscerais especiais) conduzem impulsos olfatórios. 
 As fibras do nervo olfatório, na realidade, nada mais são que os prolongamentos centrais das células receptoras olfatórias, 
que estão dispersas por uma área especial da mucosa nasal que recebe o nome de mucosa olfatória (acima do nível da concha nasal 
superior). Essas células apresentam cílios (olfatórios) imersos em muco capazes de reagir às substâncias aromáticas presentes no ar. 
Quando isso acontece, a informação aromática é convertida em estímulo nervoso, que trafega pelas fibras do nervo olfatório. 
 
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33 
 
 Feixes destas fibras passam pelos orifícios da placa cribriforme do osso etmoide para fazer sinapses com células (mitrais) 
localizadas no bulbo olfatório. Deste, parte o trato olfatório,uma estreita faixa de substância branca formada pelos axônios centrais 
das células mitrais. 
 O trato olfatório, ao atingir a região da substância perfurada anterior, se divide nas estrias olfatórias medial e lateral. A 
divisão lateral conduz axônios à área olfatória do córtex cerebral (áreas periamigdaloide e pré-piriforme – áreas que estabelecem 
conexões com o sistema límbico responsáveis por respostas emocionais e autonômicas a determinadas sensações olfatórias); a 
divisão medial conduz fibras que cruzam o plano mediano através da comissura anterior para alcançar o bulbo olfatório do lado 
oposto. 
 
 
NERVO ÓPTICO (II PAR) 
 As fibras do nervo óptico são axônios das células da camada ganglionar da retina (tais células estabelecem conexões 
indiretas com os fotorreceptores – os cones e bastonetes). Suas fibras (aferentes somáticas especiais) convergem para o disco 
óptico, uma região próxima ao polo posterior de cada bulbo ocular. O nervo óptico, uma vez formado, deixa a cavidade orbitária e 
ganha o crânio ao passar pelo canal óptico. 
 Cada nervo óptico une-se, então, 
com o nervo do lado oposto, formando o 
chamado quiasma óptico, estrutura em 
forma de “X” localizada no assoalho do 
terceiro ventrículo e em que há o 
cruzamento parcial das fibras retinianas: 
apenas as fibras da metade nasal (medial), 
que colhem estímulos luminosos do campo 
de visão temporal, cruzam o plano 
mediano; enquanto que as fibras da retina 
temporal (lateral), que captam estímulos 
luminosos do campo de visão nasal, não 
cruzam. 
 Formam-se, a partir do quiasma, 
os tractos ópticos, que correm 
posteriormente ao quiasma, circundando o 
pedúnculo cerebral (mesencéfalo). É fácil 
perceber que, devido ao cruzamento 
parcial das fibras da retina em nível do 
quiasma, o tracto óptico direito é formado 
por fibras da retina temporal direita e nasal 
esquerda (captando, com isso, o campo de 
visão esquerdo); enquanto que o tracto 
óptico esquerdo é formado por fibras da 
retina temporal esquerda e nasal direita 
(captando, com isso, o campo de visão 
direito). Desta forma, em resumo, temos: 
 
 
 Retina temporal (lateral)  capta estímulos luminosos do campo nasal (campo mais medial)  não cruza. 
 Retina nasal (medial)  capta estímulos luminosos do campo temporal (campo mais lateral)  cruza no quiasma óptico. 
 
 A maioria das fibras do tracto óptico termina por sinapse em neurônios localizados no corpo geniculado 
lateral, uma pequena projeção localizada próxima à parte posterior do tálamo (e de onde parte as radiações 
ópticas ou tracto genículo-calcarino, que segue até o córtex visual primário no sulco calcarino do lobo 
occipital). Contudo, algumas de suas fibras ainda passam para o núcleo pré-tectal e para o colículo superior 
(integrando certos reflexos visuais), além de fibras que seguem para o hipotálamo que estão relacionadas ao ciclo 
circadiano. 
 
 Diante da complexidade anatômica da via óptica, nota-se que lesões em diferentes níveis da mesma 
causarão distúrbios visuais específicos, mas que podem facilmente indicar o ponto acometido. Tais 
lesões serão mais bem detalhadas em próximos capítulos. Contudo, em resumo, temos: 
 Lesão de um nervo óptico (A, na figura ao lado): cegueira total do olho acometido. 
 Lesão da parte mediana ou central do quiasma óptico (B): hemianopsia heterônima bitemporal 
por lesão das fibras da retina nasal (como ocorre no tumor de hipófise com grandes 
dimensões). 
 Lesão da parte lateral do quiasma óptico (C): hemianopsia nasal do olho do mesmo lado da 
lesão (por prejuízo das fibras da retina temporal, que não cruzam no quiasma). 
 Lesão do tracto óptico (D): hemianopsia homônima contralateral à lesão (esquerda, se a lesão 
for no tracto óptico direito, como mostra o exemplo), mas com ausência do reflexo fotomotor 
(pois a lesão acontece antes que as fibras do tracto óptico se destaquem para alcançar a área 
pré-tectal, responsável por integrar tal reflexo, como veremos adiante). 
 Lesão da radiação óptica ou do córtex visual primário (D e F): hemianopsia homônima 
contralateral à lesão com manutenção do reflexo fotomotor. 
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OBS
1
: Neste momento, abordaremos nervos cranianos que apresentam origem real nos chamados núcleos dos nervos cranianos 
(ou núcleos homólogos da medula), localizados, portanto, no tronco encefálico. A figura a seguir diz respeito ao estudo funcional de 
três importantes destes: o N. oculomotor, o N. troclear e o N. abducente. 
 
 
 
NERVOS OCULOMOTOR (III PAR) 
 Pode-se dizer que o nervo oculomotor tem função inteiramente motora, seja ela somática ou visceral. Em resumo, podemos 
destacar as seguintes características acerca do N. oculomotor: 
 
Nervo oculomotor 
Origem real (núcleos) Núcleo principal do nervo ocolomotor (localizado no mesencéfalo) – coluna eferente somática 
Núcleo acessório do oculomotor (Edinger-Westphal) – coluna eferente visceral geral 
Origem aparente no encéfalo Sulco medial do pedúnculo cerebral 
Entrada na dura-máter Tecto do seio cavernoso 
Origem aparente no crânio Fissura orbital superior 
Tipos de fibras Fibras eferentes somáticas e eferentes viscerais gerais 
Função  Somática: motricidade para o M. levantador da pálpebra superior; Mm. retos superior, 
medial e inferior; M. oblíquo inferior. 
 Visceral: atividade parassimpática para o M. ciliar (promove a acomodação do cristalino) e 
M. esfíncter da pupila (promove miose). 
OBS: a inervação simpática relacionada com o diâmetro da pupila (motricidade do 
músculo radial da íris) é oriunda de fibras que se originam do gânglio cervical superior. 
 
 O nervo oculomotor tem dois núcleos motores: o núcleo principal (localizado na parte anterior da substância cinzenta que 
circunda o aqueduto cerebral do mesencéfalo, a altura do colículo superior) e o núcleo parassimpático acessório (núcleo de Edinger-
Westphal). 
 O núcleo principal do oculomotor recebe fibras córtico-
nucleares dos dois hemisférios cerebrais. Também recebe 
fibras tecto-bulbares do colículo superior e, por meio dessa via, 
recebe informações do córtex visual. De igual modo, recebe 
fibras do fascículo longitudinal medial, pelo qual é conectado 
aos núcleos do IV, VI e VIII pares cranianos. 
 O núcleo de Edinger-Westphal, por sua vez, está 
situado por trás do núcleo principal. Nele, estão localizados 
neurônios cujos axônios formam fibras pré-ganglionares que 
acompanham as outras fibras oculomotoras até a órbita. Aí, 
fazem sinapse no gânglio ciliar com as fibras pós-
ganglionares, que cursam pelos nervos ciliares curtos para o 
músculo constrictor da pupila e para os músculos ciliares. O 
núcleo parassimpático recebe fibras córtico-nucleares para o 
reflexo da acomodação e fibras originadas no núcleo pré-tectal 
(responsáveis por integrar os reflexos fotomotor direto e 
consensual). 
 Anatomicamente, o nervo oculomotor emerge da 
superfície anterior do mesencéfalo e, ao sair da fossa 
interpeduncular, estabelece estrita relação com as artérias 
cerebelar superior e cerebral posterior (o que é facilmente visto 
em peças anatômicas). Em seguida, continua pela fossa 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
35 
 
craniana média, na parede lateral do seio cavernoso. Antes de alcançar a órbita pela fissura orbital superior, o nervo se divide em 
ramos para inervar a musculatura extrínseca do olho (M. levantador da pálpebra superior; Mm. retos superior, medial e inferior; M. 
oblíquo inferior); e, por meio dos nervos ciliares curtos, inervar o constritor (esfíncter) da pupila e os músculos ciliares. 
 Por conseguinte, o nervo oculomotor é responsável pela elevação da pálpebra superior, pelo direcionamento dos globos 
oculares pra cima, para baixo e medialmente; pela constrição da pupila e pela acomodação ocular. 
 
 
NERVO TROCLEAR (IV PAR) 
 O nervo troclear tem função inteiramente motora, também estando relacionada com o movimento do globo ocular. Em 
resumo,podemos destacar as seguintes características acerca do N. troclear: 
 
Nervo troclear 
Origem real (núcleos) Núcleo do nervo troclear (localizado no mesencéfalo, ao nível do colículo inferior) 
Origem aparente no encéfalo Dorsalmente, logo abaixo do colículo inferior 
Entrada na dura-máter Margem lateral do seio cavernoso 
Origem aparente no crânio Fissura orbital superior 
Tipos de fibras Fibras eferentes somáticas 
Função Somática: motricidade para o M. oblíquo superior (olhar para baixo e lateralmente). 
 
 O núcleo do nervo troclear fica situado na parte anterior da substância cinzenta que circunda o aqueduto cerebral do 
mesencéfalo. Fica localizado inferiormente ao núcleo do oculomotor, ao nível do colículo inferior. Suas fibras nervosas, após partirem 
do núcleo, cursam para trás, cruzam o plano mediano e saem pela superfície posterior do mesencéfalo. 
 O núcleo troclear recebe fibras córtico-nucleares dos dois hemisférios cerebrais. Recebe fibras tecto-bulbares, que conectam 
ao córtex visual, por meio do colículo superior. Recebe também fibras do fascículo longitudinal medial, pelo qual é conectado aos 
núcleos do III, VI e VIII nervos cranianos. 
 O nervo troclear, além 
de ser o mais delgado de todos 
os nervos cranianos, é o único a 
sair da superfície posterior do 
tronco encefálico e o único a 
cruzar o plano mediano (antes 
mesmo de sair através de sua 
origem aparente). O nervo 
troclear passa, então, pela fossa 
craniana média, cursando pela 
parede lateral do seio cavernoso, 
entrando na órbita pela fissura 
orbitária superior. 
 Tal nervo é responsável 
pela motricidade do M. oblíquo 
superior do globo ocular, tendo 
função inteiramente motora: 
participa dos movimentos 
oculares para baixo e 
lateralmente. 
 
 
 
NERVO ABDUCENTE (VI PAR) 
 O nervo abducente é um pequeno nervo essencialmente motor que inerva o músculo reto lateral do globo ocular. Em resumo, 
podemos destacar as seguintes características acerca do N. abducente: 
 
Nervo abducente 
Origem real (núcleos) Núcleo do nervo abducente (localizado na ponte, profundamente ao colículo facial) 
Origem aparente no encéfalo Sulco bulbo-pontino, entre a ponte e a pirâmide bulbar 
Entrada na dura-máter Entra no terço superior do clivo, passando pelo ápice superior da parte petrosa, passando através 
do seio cavernoso, lateralmente à A. carótida interna (no local onde está se contorce formando um 
sifão). Aneurismas da carótida nessa região podem prejudicar o nervo abducente. 
Origem aparente no crânio Fissura orbital superior 
Tipos de fibras Fibras eferentes somáticas 
Função Somática: motricidade para o M. reto lateral (abdução do olho). 
 
 O nervo abducente é formado por fibras que se originam em um pequeno núcleo situado profundamente na parte superior do 
assoalho do quarto ventrículo, na região conhecida como colículo facial (neste ponto, o núcleo abducente é circundado por fibras do 
nervo facial, sendo estas as responsáveis pela formação deste colículo). 
 O núcleo do nervo abducente recebe fibras do trato córtico-nuclear dos dois hemisférios cerebrais. Recebe ainda o tracto 
tecto-bulbar do colículo superior (por meio do qual o córtex visual é conectado ao núcleo) e fibras do fascículo longitudinal medial 
(pelo qual é conectado aos núcleos do III, IV e VIII pares cranianos). 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
36 
 
 As fibras do nervo abducente passam anteriormente pela ponte, emergindo no sulco entre a borda inferior da ponte e o bulbo. 
Ele passa adiante, através do seio cavernoso, situado abaixo e lateral à artéria carótida interna. Em seguida, o nervo penetra na órbita 
pela fissura orbitária superior. 
 O nervo abducente é inteiramente motor, inervando o músculo reto lateral, sendo, assim, o responsável pelos movimentos 
laterais do globo ocular. 
 
OBS
2
: Como vimos, os nervos troclear, abducente e oculomotor são nervos motores que penetram na órbita pela fissura orbital 
superior, distribuindo-se aos músculos extrínsecos do bulbo ocular, que são os seguintes: elevador da pálpebra superior, reto 
superior, reto inferior, reto medial, reto lateral, oblíquo superior, oblíquo inferior. Todos estes músculos são inervados pelo oculomotor, 
com exceção do reto lateral e do oblíquo superior, inervados respectivamente, pelos nervos abducente e troclear. As fibras que 
inervam os músculos extrínsecos do olho são classificadas como eferentes somáticas. O nervo oculomotor conduz ainda fibras 
vegetativas, que vão à musculatura intrínseca do olho, a qual exerce ação sobre a pupila e o cristalino. O componente oftálmico do 
nervo trigêmeo, por sua vez, traz informações de exteroceptivas da conjuntiva ocular (dor, tato, etc.). 
 
 Em virtude desta distribuição da inervação da musculatura do globo ocular, fica claro notar que lesões nestes nervos causam 
desvios específicos do globo ocular que facilitam o diagnóstico: 
 Lesão do nervo abducente  estrabismo convergente 
 Lesão do nervo oculomotor  estrabismo divergente (com midríase no olho acometido) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NERVO TRIGÊMEO (V PAR) 
 O nervo trigêmeo é um nervo craniano calibroso que contém fibras sensoriais e motoras: é o nervo sensorial para a maior 
parte da cabeça e o nervo motor para diversos músculos, incluindo a musculatura da mastigação. Em resumo, temos: 
 
Nervo trigêmeo 
Origem real (núcleos) É o único nervo craniano que apresenta núcleos localizados nos três componentes do tronco 
encefálico: núcleo mesencefálico do nervo trigêmeo (mesencéfalo); núcleo espinhal do nervo 
trigêmeo (bulbo); núcleo sensitivo principal do trigêmeo (ponte); Núcleo motor do nervo trigêmeo 
(ponte). 
Origem aparente no encéfalo Margem lateral da ponte, dividindo a base dos braços da ponte 
Entrada na dura-máter Penetra na parede lateral do seio cavernoso para formar o gânglio trigeminal. 
Componentes o N. oftálmico (V1): 
 Saída na base do crânio: fissura orbital superior 
 Aferente somático geral: tentório do cerebelo; fronte, pálpebra, dorso do nariz; esclera; 
córnea; células etmoidais, seio esfenoidal, cavidade nasal (parte anterior). 
o N. Maxilar (V2): 
 Saída da base do crânio: forame redondo 
 Aferente somático geral: bochecha, pálpebra inferior, face lateral do nariz, lábio superior; 
dentes e gengiva da maxila, seio esfenoidal, conchas nasais média e superior, palato, 
tonsila palatina, faringe (teto). 
o N. Mandibular (V3): 
 Saída da base do crânio: forame oval 
 Eferente visceral especial: músculos da mastigação, M. tensor do véu palatino, M. milo-
hioideo, M. digástrico (ventre anterior). 
 Aferente somático geral: pele da mandíbula, temporal, bochecha, orelha externa (parte 
superior), meato acústico, membrana timpânica (externa); dentes e gengiva da mandíbula, 
língua (2/3 anteriores), istmo da fauce. 
 
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37 
 
O nervo trigêmeo é considerado um nervo misto, sendo o componente sensitivo consideravelmente maior. Possui, portanto, 
uma raiz sensitiva e uma motora. 
A raiz sensitiva é formada pelos 
prolongamentos centrais dos neurônios sensitivos 
cujos corpos estão situados no gânglio trigeminal 
(ou de Gasser, que se localiza no cavo ou impressão 
trigeminal, sobre a parte petrosa do osso temporal). 
Os prolongamentos periféricos dos neurônios 
sensitivos do gânglio trigeminal formam, distalmente 
ao gânglio, os três ramos do nervo trigêmeo: nervo 
oftálmico, nervo maxilar e nervo mandibular, 
responsáveis pela sensibilidade somática geral de 
grande parte da cabeça, através de fibras que se 
classificam como aferentes somáticas gerais. A raiz 
motora do trigêmeo é constituída de fibras que 
acompanham o nervo mandibular, distribuindo-se aos 
músculos mastigatórios. O problema médico mais 
frequentemente observado em relação ao trigêmeo é 
a nevralgia, que se manifesta por crises dolorosas 
muito intensas no território de um dos ramos do 
nervo. 
 As três divisões primáriasdo nervo trigêmeo 
são: (1) o nervo oftálmico (V1), que após atravessar 
a dura-máter e entrar na parede lateral do seio 
cavernoso, penetra na órbita pela fissura orbital 
superior, onde se divide em três ramos (nervo 
lacrimal, nervo frontal e nervo nasociliar); (2) o nervo 
maxilar (V2) que, ao se afastar do gânglio trigeminal 
penetrando no seio cavernoso, sai do crânio através 
do forame redondo e, a seguir, sai pelo forame infra-
orbital; e (2) o nervo mandibular (V3), que sai da 
base craniana pelo forame oval, inervando a região 
facial inferior e os músculos da mastigação. 
 Como se sabe, os três componentes do N. trigêmeo estabelecem conexões com os quatro núcleos do trigêmeo, que estão 
dispostos ao longo de todo tronco encéfalo praticamente em uma mesma coluna. São eles: 
 Núcleo do tracto mesencefálico: é um núcleo formado por neurônios unipolares que recebem fibras do chamado tracto 
mesencefálico do trigêmeo, formado por fibras do próprio nervo trigêmeo. Este núcleo se estende para baixo, ocupando a 
parte inferior do mesencéfalo e parte superior da ponte, onde é contínuo ao núcleo sensorial principal: 
 Núcleo sensorial principal do trigêmeo: núcleo situado na parte posterior da ponte, lateral ao núcleo motor do trigêmeo. 
Embaixo, é contínuo com o núcleo espinhal do trigêmeo. 
 Núcleo do tracto espinhal do trigêmeo: é um núcleo localizado no bulbo e que é praticamente contínuo ao núcleo sensorial 
principal. Tal núcleo recebe fibras do chamado tracto espinhal do trigêmeo que, além de conter fibras do próprio nervo 
trigêmeo, apresenta ainda terminações dos nervos cranianos VII (intermédio), IX (glossofaríngeo) e X (vago). Estas fibras 
estão relacionadas com a inervação aferente somática geral do pavilhão auditivo. Note, portanto, que embora seja um núcleo 
do V par craniano, o núcleo do tracto espinhal do trigêmeo também representa a origem real de outros nervos cranianos. 
 
 As sensações de dor/temperatura e de tato/pressão originadas na pele da face e nas membranas mucosas são conduzidas 
por axônios cujos corpos celulares estão localizados no gânglio trigeminal. Os prolongamentos centrais dessas células se dividem e 
se distribuem para os núcleos do trigêmeo da seguinte maneira: 
 Os impulsos proprioceptivos originados nos músculos da mastigação e dos músculos da face e extra-oculares são 
conduzidos por fibras dos neurônios unipolares do tracto mesencefálico do trigêmeo; 
 Os impulsos de temperatura e dor cursam por fibras que terminam exclusivamente no núcleo do tracto espinhal do 
trigêmeo (inclusive as fibras dos pares cranianos VII, IX e X que levam informações táteis de parte do pavilhão auricular); 
 Os impulsos de tato discriminativo (epicrítico) terminam exclusivamente no núcleo sensitivo principal do trigêmeo; 
 Os impulsos de tato protopático e pressão cursam por fibras que se bifurcam para ambos os núcleos: sensitivo principal e 
espinhal do trigêmeo. 
 
 Além da face, as fibras sensitivas gerais do nervo trigêmeo 
são responsáveis também pela sensibilidade da região anterior do 
couro cabeludo, da conjuntiva ocular, da mucosa das cavidades 
nasal, oral e dos seios da face, da arcada dentária superior (N. 
maxilar) e inferior (N. mandibular), dos dois terços anteriores da 
língua e da maior parte da dura-máter craniana. 
 As células do núcleo motor do trigêmeo originam axônios 
(fibras eferentes viscerais especiais) que formam a raiz motora. Tal 
função é responsável pela motricidade da musculatura da 
mastigação, do M. tensor do tímpano, M. tensor do véu palatino, M. 
milo-hioideo e o ventre anterior do digástrico. 
 
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38 
 
NERVO FACIAL (VII PAR) 
 O nervo facial é um importante nervo craniano composto por dois componentes distintos: o nervo facial propriamente dito 
(raiz motora) e o nervo intermédio de Wrisberg (raiz sensitiva e visceral). Em resumo, podemos destacar as seguintes características 
acerca do N. facial: 
 
Nervo facial 
Origem real (núcleos) Núcleo do nervo facial (ou motor principal, localizado na ponte); Núcleos parassimpáticos (núcleos 
salivatório superior e lacrimal); Núcleo do tracto solitário; Núcleo do tracto espinhal do trigêmeo. 
Origem aparente no encéfalo Ângulo pontocerebelar, saindo entre o VI e o VIII par. 
Saída da dura-máter e entrada 
na base do crânio 
Fundo do meato acústico interno (junto ao VIII par). 
Trajeto dentro da base do 
crânio e saída 
Canal do nervo facial, saindo no forame estilomastoideo. 
Tipos de fibras Nervo facial propriamente dito: fibras eferentes viscerais especiais. 
Nervo intermédio: fibras eferentes viscerais gerais; fibras aferentes viscerais especiais (gustação); 
fibras aferentes somáticas gerais (sensibilidade do pavilhão auditivo). 
Função  Motor: musculatura da mímica, Mm. auriculares; M. digástrico (ventre posterior); M. 
estiloide; M. estapédio. 
 Sensorial geral: sensibilidade do pavilhão auditivo (junto ao IX e X pares cranianos). 
 Sensorial especial: gustação (2/3 anteriores da língua). 
 Parassimpático: glândula lacrimal, glândulas nasais, palatinas, glândulas submandibular e 
sublingual. 
 
 
 O nervo facial emerge do sulco bulbo-
pontino através de uma raiz motora (o nervo facial 
propriamente dito) e uma raiz sensitiva e visceral 
(o nervo intermédio de Wrisberg). As fibras que se 
originam no núcleo motor do nervo facial 
(localizado na ponte) adotam, inicialmente, um 
trajeto posterior e medial até que, ao nível do 
colículo facial, circunda o núcleo do nervo 
abducente posteriormente (formando o joelho 
interno do nervo facial) para adotar um trajeto 
anterior em direção ao ângulo ponto-cerebelar, 
onde recebe as fibras dos demais núcleos que 
formarão o nervo intermédio. 
 Ao se formar, os dois componentes do 
nervo facial penetram no meato acústico interno 
para alcançar canal facial, onde descreve o 
joelho externo (ou genículo do nervo facial), 
onde existe seu gânglio sensitivo (o gânglio 
geniculado). A seguir, o nervo descreve nova 
curva para baixo, emerge do crânio pelo forame 
estilomastoideo, atravessa a glândula parótida e 
distribui uma série de ramos para os músculos 
mímicos, músculo estilo-hioideo, ventre posterior 
do digástrico e músculo estapédio (estes 
músculos derivam do segundo arco branquial, e 
as fibras a eles destinadas são pois eferentes 
viscerais especiais). 
 Em síntese, os núcleos que formam as fibras do nervo facial e suas respectivas funções são: 
 Núcleo motor principal do nervo facial: situa-se profundamente e anteriormente na ponte. Suas fibras são classificadas 
como eferentes viscerais especiais, pois inervam músculos de origem branquiomérica (músculos da mímica, estilo-hioideo 
e ventre posterior do digástrico). É importante ressaltar que a parte do núcleo responsável pelo suprimento dos músculos da 
parte superior da face recebe fibras córtico-nucleares dos dois hemisférios cerebrais; enquanto que a parte do núcleo que 
supre os músculos da parte inferior da face só recebe fibras córtico-nucleares do hemisfério cerebral oposto. Por esta razão, 
lesões do tracto córtico-nuclear direito (caracterizando a paralisia facial central), por exemplo, só causa paralisa da 
musculatura da parte inferior da face contra-lateral (esquerda), com desvio da rima da boca. Diferentemente deste quadro, se 
o próprio nervo facial é acometido (paralisia facial periférica), toda a hemiface do lado correspondente a lesão sofre 
prejuízo. 
Estas vias explicam o controle voluntário dos músculos faciais. Contudo, existe outra via involuntária estabelecida por 
conexões da formação reticular com o núcleo do nervo facial. Tais conexões controlam as variações miméticas ou 
emocionais da expressão facial (que se manifestam mesmo se o paciente apresentar paralisia facial central). 
 
 Núcleos parassimpáticos: situam-se na ponte e são eles: núcleo salivatório superior (comanda a inervação das glândulas 
sublingual e submandibular) e núcleo lacrimal.Este recebe fibras aferentes do hipotálamo e dos núcleos sensoriais do 
trigêmeo (integrando a lacrimação reflexa). Tais núcleos originam fibras eferentes viscerais gerais, e seguem trajetos 
específicos e complexos: 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
39 
 
 As fibras destinadas às glândulas submandibular e sublingual acompanham o trajeto normal do nervo facial até se 
destacar deste e alcançar o nervo lingual e o gânglio submandibular (gânglio parassimpático anexo ao nervo 
lingual), de onde saem as fibras pós-ganglionares para as glândulas. 
 As fibras destinadas à glândula lacrimal destacam-se do nervo facial ao nível do joelho e percorrem, 
sucessivamente, os seguintes nervos: nervo petroso maior  nervo do canal pterigoideo  gânglio pterigopalatino 
 N. maxilar (V2)  N. zigomático  N. zigomático-temporal  N. lacrimal (ramo de V1)  Glândula lacrimal. 
 
 Núcleo do tracto solitário: importante núcleo localizado no bulbo e que está relacionado com a sensação do paladar (além 
de também estar relacionado com funções aferentes viscerais gerais). No caso do N. facial, o núcleo do tracto solitário 
recebe as fibras aferentes viscerais especiais, responsáveis pelos impulsos gustativos originados nos 2/3 anteriores da 
língua. Tais impulsos são captados, inicialmente, pelo próprio nervo lingual e, logo em seguida, passam para o chamado N. 
corda do tímpano, através do qual ganham o nervo intermédio pouco antes de sua emergência no forame estilomastoideo. 
 
 Núcleo do tracto espinhal do trigêmeo: recebe as fibras aferentes somáticas gerais carreadas pelo N. intermédio e 
relacionadas com a pele de parte do pavilhão auditivo. 
 
 Em resumo, o núcleo motor do facial inerva os músculos da expressão facial, os músculos auriculares, o M. estapédio, o 
ventre posterior do digástrico e o estilo-hioideo. O núcleo salivatório superior inerva as glândulas salivares e sublingual, além das 
glândulas nasais e palatinas. O núcleo lacrimal inerva as glândulas lacrimais. O núcleo do tracto solitário recebe as fibras 
gustatórias dos 2/3 anteriores da língua. 
 
 
NERVO VESTÍBULO-COCLEAR (VIII PAR) 
 Este nervo consiste em duas partes distintas, o nervo vestibular e o nervo coclear, ambos relacionados à transmissão de 
informação aferente do ouvido interno para o SNC. Em resumo, temos: 
 
Nervo vestíbulo-coclear 
Origem real (núcleos) Núcleos cocleares e vestibulares. 
Origem aparente no encéfalo Ângulo ponto-cerebelar (abaixo do flóculo do cerebelo, lateralmente ao VII par). 
Saída da dura-máter e entrada 
na base do crânio 
Fundo do meato acústico interno (junto ao VII par) 
 
Trajeto dentro da base do 
crânio e saída 
Em direção ao labirinto da porção petrosa do osso temporal. 
 
Tipos de fibras Fibras aferentes somáticas especiais (sentido físico). 
Função  Componente coclear: audição. 
 Componente vestibular: equilíbrio e integração com o movimento dos olhos. 
 
 O nervo vestíbulo-coclear é um nervo 
exclusivamente sensitivo, que penetra na ponte na 
porção lateral do sulco bulbo-pontino, entre a 
emergência do VII par e o flóculo do cerebelo (na 
região denominada ângulo ponto-cerebelar). Ocupa, 
juntamente com os nervos facial e intermédio, o meato 
acústico interno, na porção petrosa do osso temporal. 
O componente vestibular é formado por fibras 
que se originam dos neurônios sensitivos do gânglio 
vestibular (de Scarpa), que conduzem impulsos 
nervosos relacionados ao equilíbrio até os núcleos 
vestibulares situados entre bulbo e a ponte, logo 
abaixo do assoalho do quarto ventrículo. Tais núcleos 
recebem as fibras aferentes somáticas especiais 
oriundas do sáculo, do utrículo e dos canais 
semicirculares, além de fibras do cerebelo 
(arquicerebelo). Estes núcleos também enviam fibras 
eferentes para o cerebelo e para a medula espinhal 
(formando o tracto vestíbulo espinhal). Ainda mais, 
fibras eferentes passam para os núcleos dos nervos 
ocolomotor, troclear e abducente, por meio do 
fascículo longitudinal medial (que permite que os 
movimentos dos olhos sejam coordenados aos da 
cabeça). O núcleo vestibular envia, então, todas as 
informações que nele chegam até o córtex cerebral 
(na área vestibular no giro pós-central). 
A parte coclear é constituída de fibras que se originam dos neurônios sensitivos do gânglio espiral (de Corti) e que conduzem 
impulsos nervosos relacionados com a audição originados na cóclea. Grande parte dos estímulos auditivos que chegam nestes 
núcleos cruza o plano mediano e, depois que estabelecem conexões com os núcleos do corpo trapezoide e com o núcleo olivar 
superior, forma o lemnisco lateral, que segue para integrar a via auditiva, que envia informações sensoriais até o córtex auditivo 
primário o giro temporal transverso anterior. A outra parte das fibras que não cruza o plano mediano segue para constituir o lemnisco 
lateral do mesmo lado. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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 Lesões do nervo vestíbulo-coclear causam diminuição da audição, por comprometimento da parte coclear do nervo (contudo, 
o déficit auditivo é pequeno, uma vez que a representação cortical da audição é bilateral). Por comprometimento da parte 
vestibular do nervo, ocorre vertigem (tontura), alterações de equilíbrio e enjoo. Ocorre também um movimento oscilatório dos 
olhos denominado nistagmo. 
 
 
NERVO GLOSSOFARÍNGEO (IX PAR) 
 O nervo glossofaríngeo é um importante nervo sensorial e motor. Em resumo, suas principais características estão descritas 
na tabela a seguir: 
 
Nervo glossofaríngeo 
Origem real (núcleos) Núcleo ambíguo (motor); Núcleo salivatório inferior (parassimpático); Núcleo do tracto solitário 
(sensibilidade especial e visceral); Núcleo do tracto espinhal do trigêmeo (sensibilidade somática 
do pavilhão auditivo). 
Origem aparente no encéfalo Sulco lateral posterior, entre a oliva e o tubérculo cuneiforme. 
Passagem através do crânio Forame jugular (junto ao X e XI) 
Tipos de fibras Fibras eferentes viscerais especiais (para a musculatura da deglutição); Fibras eferentes viscerais 
gerais (para a glândula parótida); Fibras aferentes somáticas gerais (para parte da pele do pavilhão 
auditivo, junto ao VII e X); Fibras aferentes viscerais especiais (gustação); Fibras aferentes 
viscerais gerais (sensibilidade visceral para o seio carotídeo). 
Função  Motor: Mm. da faringe (porção cranial ou motora); M. levantador do véu palatino; M. da úvula, 
M. do palatoglosso, palatofaríngeo, M. constrictor da faringe e M. estilofaringeo 
 Parassimpático: glândula parótida e glândulas linguais. 
 Sensitivo (geral): túnica mucosa da faringe, tonsila palatina, plexo timpânico, seio carotídeo e 
pavilhão auditivo. 
 Sensorial especial: língua (1/3 posterior) 
 
 
O nervo glossofaríngeo é um nervo misto cujas funções podem ser explicadas ao conhecermos seus núcleos: 
 Núcleo ambíguo: este é o núcleo motor principal do glossofaríngeo, estando localizado no bulbo e, ao receber as fibras do 
tracto córtico-nuclear, torna-se responsável por inervar músculos da deglutição (M. constrictor da faringe e M. estilofaríngeo). 
 Núcleo salivatório inferior: localizado no bulbo, este núcleo é responsável pelas fibras parassimpáticas que, por meio do 
nervo glossofaríngeo, inerva a glândula parótida. Contudo, assim como ocorre com a glândula lacrimal, a trajetória destas 
fibras é um pouco complexa: o neurônio parassimpático pré-ganglionar atinge o gânglio ótico por meio do ramo timpânico 
do nervo glossofaríngeo, do plexo timpânico e do nervo petroso menor. As fibras pós-ganglionares passam, então, para a 
glândula parótida através do nervo aurículo-temporal (que, por sua vez, é um ramo do nervo mandibular do trigêmeo). 
 Núcleo do tracto solitário: recebe informações gustatórias (do 1/3 posterior da língua) que trafegam desde os 
prolongamentos periféricos do gânglio inferior do glossofaríngeo. Este núcleo envia as informações até o tálamo e para o 
córtex do giro pós-central.O núcleo do tracto solitário recebe ainda informações viscerais gerais responsáveis pela 
sensibilidade geral do 1/3 posterior da língua, faringe, úvula, tonsila, tuba auditiva, além do seio e corpo carotídeos 
(responsáveis pela percepção da pressão arterial captada por barorreceptores). 
 Núcleo do tracto espinhal do trigêmeo: recebe informações aferentes relacionadas à sensibilidade geral do pavilhão 
auditivo e meato acústico interno, que cursam por neurônios localizados no gânglio superior do glossofaríngeo. 
 
Anatomicamente, o N. glossofaríngeo emerge 
do sulco lateral posterior do bulbo, sob a forma de 
filamentos radiculares, que se dispõem em linha vertical. 
Estes filamentos reúnem-se para formar o tronco do 
nervo glossofaríngeo, que sai do crânio pelo forame 
jugular (junto ao X e XI pares cranianos). 
Próximo ao forame jugular, percebe-se os dois 
gânglios do glossofaríngeo: o superior (cujos neurônios 
estão relacionados com a via exteroceptiva trigeminal) e 
o inferior (cujos neurônios estão relacionados com a via 
gustativa). Em seguida, o nervo desce pela parte 
superior do pescoço, junto com a veia jugular interna e 
com a artéria carótida interna, até atingir a borda 
posterior do músculo estilofaríngeo, que inerva. O nervo, 
então, passa adiante, entre os músculos constrictores 
superior e médio da faringe, para emitir ramos sensoriais 
para a membrana mucosa da faringe e para o terço 
posterior da língua. 
 
 Das afecções do nervo glossofaríngeo, merece 
destaque apenas a nevralgia. Esta caracteriza-
se por crises dolorosas semelhantes às que 
ocorrem com o nervo trigêmeo, mas 
manifestando-se na faringe e no terço posterior 
da língua, podendo irradiar para o ouvido. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
41 
 
NERVO VAGO (X PAR) 
 O nervo vago, o maior dos nervos cranianos (que desce até o abdome), é misto e essencialmente visceral. Em resumo, suas 
principais características estão dispostas na seguinte tabela: 
 
Nervo vago 
Origem real (núcleos) Núcleo ambíguo (motor); Núcleo dorsal do vago (parassimpático); Núcleo do tracto solitário 
(sensibilidade visceral especial e geral); Núcleo do tracto espinhal do trigêmeo (sensibilidade 
somática do pavilhão auditivo). 
Origem aparente no encéfalo Sulco lateral posterior do bulbo. 
Passagem através do crânio Forame jugular (junto ao IX e XI) 
Tipos de fibras Fibras eferentes viscerais especiais (para músculos da faringe e da laringe); Fibras eferentes 
viscerais gerais (para vísceras torácicas e abdominais); Fibras aferentes somáticas gerais (para 
parte da pele do pavilhão auditivo, junto ao VII e IX); Fibras aferentes viscerais especiais (gustação 
na região da epiglote); Fibras aferentes viscerais gerais (parte da faringe, laringe, traqueia, esôfago 
e vísceras torácicas e abdominais). 
Função  Motor: Mm. da faringe (porção caudal), M. levantador do véu palatino, M. da úvula 
 Sensorial: base da língua (região da epiglote) 
 Sensitivo: meato acústico externo 
 Parassimpático: órgãos do abdome, pescoço e tórax. 
 
O nervo vago é misto e essencialmente visceral, apresentando origem real em, basicamente, quatro núcleos: 
 Núcleo ambíguo: localizado profundamente, na formação reticular do bulbo, recebe fibras córtico-nucleares e envia axônios 
que inervam os músculos constrictores da faringe e dos músculos intrínsecos da laringe. 
 Núcleo dorsal do vago: é um núcleo parassimpático localizado abaixo do trígono do vago, no assoalho do quarto ventrículo. 
Este núcleo dá ao nervo vago fibras que são distribuídas para músculos involuntários dos brônquios, do coração, do esôfago, 
do estômago, dos intestinos delgados e grosso, até o terço distal do cólon transverso. Ele recebe também fibras do 
hipotálamo e do nervo glossofaríngeo (integrando o reflexo do seio carotídeo). 
 Núcleo do tracto solitário: recebe as sensações gustatórias que trafegam pelos axônios periféricos das células nervosas 
situadas no gânglio inferior do nervo vago. Este núcleo também recebe informações viscerais gerais relacionadas com a 
sensibilidade geral de vísceras torácicas e abdominais. 
 Núcleo espinhal do trigêmeo: recebe informações somáticas gerais do pavilhão auditivo e do meato acústico interno que 
trafegam por neurônios localizados no gânglio superior do nervo vago. 
 
Anatomicamente, o nervo vago emerge do sulco lateral posterior do bulbo sob a forma de filamentos radiculares que se 
reúnem para formar o nervo vago. Ele emerge, então, do crânio através do forame jugular, percorre o pescoço e o tórax, terminando 
no abdome. 
Neste trajeto o nervo vago dá origem a vários ramos que inervam a faringe e a laringe, entrando na formação dos plexos 
viscerais que promovem a inervação autônoma das vísceras torácicas e abdominais. O vago possui dois gânglios sensitivos: o gânglio 
superior, situado ao nível do forame jugular; e o gânglio inferior, situado logo abaixo desse forame. Entre os dois gânglios reúne-se ao 
vago o ramo interno do nervo acessório (que formará o nervo laríngeo recorrente). 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
42 
 
 O nervo vago desce, verticalmente, pelo pescoço, dentro da bainha carotídea, junto com a veia jugular interna e com as 
artérias carótidas interna e comum. O nervo vago direito entra no tórax, passa posterior ao pulmão direito e, ao entrar no abdome, 
forma o tronco vagal posterior; O nervo vago esquerdo entra no tórax, cruzando o lado esquerdo do arco aórtico e desce para raiz do 
pulmão esquerdo para depois alcançar o abdome (pela abertura esofágica do diafragma) e formar o tronco vagal anterior. 
 
 O palato mole é inervado pelo IX e X pares. Caso haja lesão em algum desses, a úvula, localizada 
no palato mole, devido à paralisia das fibras do lado acometido, vai se projetar para o lado 
contralateral à lesão. O exame é realizado solicitando-se ao paciente que abra a boca e diga “ah”. 
Observa-se que há simetria na elevação do palato, se a úvula continua na linha mediana e se a rafe 
mediana da faringe se eleva. Em lesões unilaterais, o palato do lado afetado não sobe e a úvula 
desvia-se para o lado oposto ao da lesão devido à contração normal do palato. A rafe da faringe é 
desviada para o lado são, lembrando o movimento de uma cortina puxada para um lado (sinal da 
cortina). 
 
OBS
3
: Note que os componentes funcionais das fibras dos nervos facial, glossofaríngeo e vago são semelhantes entre si e estão 
sintetizados na tabela a seguir: 
 
Componente funcional Facial (VII) Glossofaríngeo (IX) Vago (X) 
Eferente visceral geral Glândula submandibular, 
sublingual e lacrimal 
Glândula parótida Músculos da faringe e da 
laringe 
Eferente visceral especial Musculatura da mímica M. constrictor superior da 
faringe e M. estilofaríngeo 
Músculos da faringe e da 
laringe 
Aferente somático geral Parte do pavilhão auditivo e do 
meato acústico externo 
Parte do pavilhão auditivo e do 
meato acústico externo 
Parte do pavilhão auditivo e do 
meato acústico externo 
Aferente visceral geral Parte posterior das fossas 
nasais e face superior do 
palato mole 
1/3 posterior da língua, faringe, 
úvula, tonsilas, tuba auditiva, 
seio e corpo carotídeos 
Parte da faringe, laringe, 
traqueia, esôfago e vísceras 
torácicas e abdominais 
Aferente visceral especial Gustação nos 2/3 anteriores da 
língua 
Gustação no 1/3 posterior da 
língua 
Gustação na epiglote 
 
 
NERVO ACESSÓRIO (XI PAR) 
 Classicamente, o nervo acessório é formado por uma raiz craniana (ou bulbar) e uma raiz espinhal. Em resumo, suas 
principais características estão disponíveis na tabela a seguir: 
 
Nervo acessório 
Origem real (núcleos) Núcleo ambíguo (motor) e Núcleo do nervo acessório. 
Origem aparente no encéfalo Raiz craniana: sulco lateral posterior do bulbo. 
Raiz espinhal: cinco primeiros segmentos da medula cervical. 
Passagem através do crânio Forame jugular (junto ao IX e X) 
Tipos de fibras Fibras eferentes viscerais especiais(para músculos da laringe através do nervo laríngeo recorrente 
e para os músculos trapézio e estenocleidomastoideo); Fibras eferentes viscerais gerais (inervação 
de vísceras torácicas juntamente com fibras vagais). 
Função Motricidade para músculos do palato mole, da faringe e da laringe, controlando também os 
movimentos dos dois grandes músculos do pescoço. 
 
O nervo acessório, essencialmente motor, é 
formado pela união de uma raiz craniana com outra 
espinhal. Ao se unirem, o nervo acessório propriamente 
dito sofre nova divisão, formando um ramo interno e outro 
externo. 
A raiz craniana é formada pelos axônios das 
células nervosas do núcleo ambíguo e dá origem a fibras 
que, após passarem do forame jugular, se separam do 
tronco principal do nervo acessório, formam o ramo 
interno do nervo acessório e se unem ao nervo vago. 
Tais fibras logo se destacarão do nervo vago para compor 
o nervo laríngeo recorrente, inervando músculos da laringe 
relacionados à fonação. 
A raiz espinhal, por sua vez, é formada por 
filamentos que emergem da face lateral dos cinco a seis 
primeiros segmentos cervicais da medula, constituindo um 
tronco que penetra no crânio pelo forame magno. A este 
tronco, unem-se filamentos da raiz craniana que emergem 
do sulco lateral posterior do bulbo. O tronco divide-se, 
então, em um ramo interno e um externo. O ramo interno, 
como vimos, une-se ao vago e distribui-se com ele (para 
formar o nervo laríngeo recorrente); o externo inerva os 
músculos trapézio e esternocleidomastoideo. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
43 
 
Funcionalmente, em resumo, as fibras oriundas da raiz craniana, que formam o ramo interno do nervo acessório, apresentam 
fibras eferentes viscerais especiais (inervam os músculos da laringe através do nervo laríngeo recorrente) e fibras eferentes viscerais 
gerais (inervam viscerais torácicas juntamente com fibras vagais); a raiz espinhal, que forma a raiz externa do nervo acessório, 
apresenta fibras eferentes viscerais especiais por inervar os músculos trapézio e esternocleidomastoideo (que, embora haja 
controvérsias, diz-se que tais músculos apresentam origem branquiomérica). 
 
 
NERVO HIPOGLOSSO (XII PAR) 
 O nervo hipoglosso, essencialmente motor, pode ser resumido às seguintes características: 
 
Nervo hipoglosso 
Origem real (núcleos) Núcleo do nervo hipoglosso (na região do trígono do hipoglosso, medialmente ao trígono do vago 
no assoalho do IV ventrículo). 
Origem aparente no encéfalo Sulco lateral anterior do bulbo (entre a piramide e a oliva bulbar) 
Passagem através do crânio Canal do nervo hipoglosso 
Tipos de fibras Fibras eferentes somáticas (para a musculatura da língua) 
Função Motor: Mm. da língua; M. estiloglosso, M. hioglosso e M. genioglosso. 
 
 O nervo hipoglosso é um nervo motor, 
inervando todos os músculos intrínsecos da língua 
e, além desses, os músculos estilo-hioideo, o 
hioglosso e genioglosso. O núcleo do 
hipoglosso, situado próximo à linha média, está 
localizado profundamente ao trígono do 
hipoglosso (medialmente ao trígono do vago, no 
assoalho do quarto ventrículo). Ele recebe fibras 
córtico-nucleares dos dois hemisférios cerebrais. 
Contudo, vale a pena ressaltar que as células 
responsáveis pela inervação do músculo 
genioglosso só recebem fibras córtico-nucleares 
do hemisfério do lado oposto. 
 As fibras do nervo hipoglosso passam 
anteriormente pelo bulbo, emergindo na como 
uma série de raízes pelo sulco lateral anterior, 
entre a pirâmide e a oliva bulbar. Cruza, então, a 
fossa craniana posterior para entrar no canal do 
hipoglosso. Depois de sair do crânio e passar 
entre a artéria carótida interna e a veia jugular 
interna, ele alcança os músculos relacionados 
com a língua, onde distribui seus ramos. 
 
 
 Quando o nervo hipoglosso é acometido por lesões, há paralisia de metade da musculatura da língua. Este fator faz com que 
a língua, ao ser projetada para fora, se desloque no mesmo sentido da lesão. Isso acontece por ação da musculatura do 
lado normal não contrabalanceada pela musculatura da metade paralisada. Além disso, pode haver atrofia e fibrilação (por 
caracterizar uma síndrome do neurônio inferior) da musculatura paralisada, o que evidencia ainda mais o deslocamento para 
o lado lesado. 
 Devemos lembrar que a maior parte do núcleo do hipoglosso recebe fibras do tracto córtico-nuclear dos dois hemisférios 
cerebrais; contudo, a parte do núcleo que inerva o músculo genioglosso só recebe fibras córtico-nucleares do hemisfério 
cerebral oposto. Se o paciente tiver lesão das fibras córtico-nucleares, não haverá atrofia ou fibrilação da língua (por 
caracterizar uma síndrome do neurônio motor superior) e, ao ser protraída, a língua vai se desviar para o lado oposto ao 
da lesão (note que o genioglosso é o músculo que puxa a língua para diante). Os demais músculos não estarão paralisados 
pois também recebem fibras do tracto córtico-nuclear do outro lado. 
 
OBS
4
: A inervação da língua se dá pelos seguintes nervos: 
 Trigêmeo: sensibilidade geral (dor, temperatura, pressão, tato, propriocepção) nos 2/3 anteriores. 
 Facial: sensibilidade gustativa nos 2/3 anteriores 
 Glossofaríngeo: sensibilidade geral e gustativa no terço posterior 
 Vago: sensibilidade gustativa na base da língua (epiglote). 
 Hipoglosso: motricidade em geral. 
 
OBS
5
: Cabe ressaltar que, embora sejam quatro os nervos cranianos cujas fibras inervam a língua (o vago não entra nesta contagem 
pois é destinado à epiglote), apenas três nervos alcançam este órgão: o hipoglosso, o glossofaríngeo e o lingual. Este último, que é 
um ramo da divisão mandibular do nervo trigêmeo, também e responsável por captar fibras que serão enviadas para o nervo facial 
(nervo intermédio, especificamente) por meio de uma anastomose nervosa denominada nervo corda do tímpano. 
 
 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
44 
 
NÚCLEOS DOS NERVOS CRANIANOS 
 Os núcleos dos nervos cranianos estudados até o momento dispõem-se no tronco encefálico em colunas longitudinais. Tais 
colunas, como podemos observar na figura abaixo, se organizam obedecendo a uma relação funcional: os núcleos eferentes 
somáticos estão sobrepostos, formando uma coluna única, por exemplo. 
 
 Desta forma, existem sete componentes funcionais, mas apenas seis colunas (pois as fibras aferentes viscerais especiais 
e gerais vão para uma mesma coluna, que é formada unicamente pelo núcleo do tracto solitário). 
 As colunas apresentam, portanto, correspondência funcional e, às vezes, continuidade com as colunas (ou cornos) da 
medula. Assim, a coluna aferente somática (coluna do trigêmeo) continua com a substância gelatinosa da medula (que também é 
sensitiva); a coluna eferente visceral geral (representante do sistema nervoso parassimpático) corresponde, na medula, à coluna 
lateral (representante do sistema nervoso simpático); e a coluna eferente somática tem correspondência com o corno anterior da 
medula espinhal. Por esta razão, os núcleos dos nervos cranianos são classificados como núcleos homólogos aos da medula. 
 A seguir, serão estudados os núcleos que compõem cada uma das seis colunas de núcleos e que podem ser resumidas no 
seguinte diagrama: 
 
 
COLUNA EFERENTE SOMÁTICA 
 Todos os núcleos desta coluna dispõem de cada lado próximo ao plano mediano. Eles originam fibras para a inervação dos 
músculos estriados miotômicos do olho e da língua. 
 Núcleo do oculomotor: somente a parte somática pertence a esta coluna. Localiza-se no mesencéfalo (ao nível do colículo 
superior) e origina fibras que inervam todos os músculos extrínsecos do olho, com exceção do reto lateral (N. abducente) e 
obliquo superior (N. troclear). 
 Núcleo do troclear: situado no mesencéfalo ao nível do colículo inferior. Origina fibras que inervam o músculo obliquo 
superior. 
 Núcleo do abducente: situado na ponte (colículo facial). Da origem a fibras para o músculoreto lateral. 
 Núcleo do hipoglosso: situado no bulbo, no trígono do hipoglosso, no assoalho do IV ventrículo. Dá origem a fibras para os 
músculos da língua. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
45 
 
COLUNA EFERENTE VISCERAL GERAL 
 Os núcleos da coluna motora visceral geral formam o componente eferente craniano da parte parassimpática do sistema 
nervoso autônomo. Os núcleos da coluna eferente visceral geral são os seguintes: 
 Núcleo de Edinger-Westphal (núcleo acessório do Oculomotor): pertence ao complexo oculomotor, situado no 
mesencéfalo, ao nível do colículo superior. Origina fibras pré-ganglionares para o gânglio ciliar (através dó nervo oculomotor), 
de onde saem fibras pós-ganglionares para o músculo ciliar e esfíncter da pupila. 
 Núcleo lacrimal: situado na ponte, próximo ao núcleo salivatório superior. Origina fibras pré-ganglionares que saem pelo VII 
par (n. intermédio) e, após complicado trajeto, chegam ao gânglio pterigopalatino, onde têm origem as fibras pós-
ganglionares para a glândula lacrimal. 
 Núcleo salivatório superior: situado na parte caudal da ponte, já no limite com o bulbo, próximo ao próprio núcleo 
salivatório inferior. Origina fibras pré-ganglionares que saem pelo nervo intermédio e ganham o nervo lingual através do 
nervo corda do tímpano. Pelo nervo lingual, chegam ao gânglio submandibular, onde saem as fibras pós-ganglionares que 
inervam as glândulas submandibular e sublingual. 
 Núcleo salivatório inferior: situado na parte mais cranial do bulbo, origina fibras pré-ganglionares que saem pelo nervo 
glossofaríngeo e chegam ao gânglio ótico. Do gânglio ótico saem fibras pós-ganglionares que chegam a parótida pelo nervo 
aurículo-temporal, ramo do nervo mandibular. 
 Núcleo dorsal do vago: situado no bulbo, profundamente ao trígono do vago, no assoalho do IV ventrículo. Origina fibras 
pré-ganglionares que saem pelo nervo vago e terminam fazendo sinapse em um grande numero de pequenos gânglios nas 
paredes das vísceras torácicas e abdominais. 
 
COLUNA EFERENTE VISCERAL ESPECIAL 
 Dá origem a fibras que inervam os músculos de origem branquiomérica (originados dos arcos faríngeos durante a vida 
embrionária, que, no homem, ao invés de dar origem às brânquias, dão origem à músculos da laringe, da face e estruturas do ouvido). 
Ao contrario dos núcleos já vistos, os núcleos desta coluna localizam-se profundamente no interior do tronco encefálico. 
 Núcleo motor do trigêmeo: situa-se na ponte. Dá origem a fibras que saem pela raiz motora do trigêmeo, ganham a divisão 
mandibular deste nevo e terminam inervando músculos derivados do primeiro arco branquial, ou seja, músculos da 
mastigação (temporal, masseter e pterigoideo lateral e medial), músculo tensor do tímpano, ventre anterior do músculo 
digástrico e músculo milo-hioideo. 
 Núcleos do facial: situa-se na ponte. Origina fibras que pelo VII par vão à musculatura mímica (expressão facial), músculo 
estapédio, ventre posterior do músculo digástrico e músculo estilo-hioideo. 
 Núcleo ambíguo: situado no bulbo, dá origem a fibras que inervam os músculos da laringe e da faringe, saindo pelos nervos 
glossofaríngeo, vago e raiz craniana do acessório. 
 
COLUNA AFERENTE SOMÁTICA GERAL 
 Os núcleos desta coluna recebem fibras que trazem grande parte da sensibilidade somática geral da cabeça. A coluna 
aferente somática é a única coluna continua que se estende ao longo de todo o tronco encefálico, continuando-se caudalmente sem 
interrupção com a substancia gelatinosa da medula. Apesar de continua, distinguem-se nela três núcleos, que serão estudados a 
seguir: 
 Núcleo do tracto mesencefálico do trigêmeo: estende-se ao longo de todo o mesencéfalo e a parte mais cranial da ponte, 
posteriormente ao núcleo rubro. Recebe impulsos proprioceptivos originados da mastigação (por meio da ATM) e, 
provavelmente, também dos músculos extrínsecos do bulbo ocular. Há, também, evidencias de neste núcleo chegam fibras 
originadas em receptores dos dentes e do periodonto (importantes na regulação reflexa da mordida) 
 Núcleo sensitivo principal do trigêmeo: localiza-se na ponte, aproximadamente ao nível da penetração da raiz sensitiva do 
nervo trigêmeo, cujas fibras o abraçam. Continua-se caudalmente com o núcleo do tracto-espinhal do trigêmeo. 
 Núcleo do tracto espinhal do trigêmeo: estende-se desde a ponte até a parte alta da medula, onde se continua com a 
substância gelatinosa. Recebe fibras sensitivas tanto do N. trigêmeo quanto de outros pares cranianos (como o VII, o IX e X, 
que trazem sensibilidade do pavilhão auditivo). As fibras sensitivas destes nervos cranianos se agrupam em um tracto, o 
tracto espinhal do nervo trigêmeo que acompanha o núcleo em toda sua extensão. O mesmo acontece com o núcleo do 
tracto mesencefálico, que é acompanhado por fibras ascendentes, que se reúnem no tracto mesencefálico. 
 
 Embora o assunto seja ainda discutido, admite-se que as fibras que terminam exclusivamente no núcleo sensitivo principal 
levam impulsos de tato epicrítico; as que terminam exclusivamente no núcleo do tracto espinhal levam impulsos de dor e temperatura; 
já as fibras que se bifurcam e terminam nos dois núcleos seriam relacionados com pressão e tato protopático. 
 
COLUNA AFERENTE SOMÁTICA ESPECIAL 
 Fibras aferentes somáticas se relacionam com a sensibilidade dos sentidos físicos (visão e audição; contudo, apenas a 
audição e o equilíbrio se relacionam com o tronco encefálico). Nesta coluna estão localizados os dois núcleos cocleares, ventral e 
dorsal, e os quatro núcleos vestibulares: superior, inferior, medial e lateral. Esta coluna, ao contrario das demais, é muito larga, pois 
ocupa toda a área vestibular do IV ventrículo. 
 
COLUNA AFERENTE VISCERAL GERAL E ESPECIAL 
 Esta coluna é formada por um único núcleo, o núcleo do tracto solitário, situado no bulbo. Aí chegam fibras trazendo a 
sensibilidade visceral, seja ela geral (referente aos visceroceptores nas paredes dos órgãos e barorreceptores no seio carotídeo e no 
arco aórtico) e especial (sentido químico da gustação; a olfação, embora também seja sentido químico, não se relaciona com o tronco 
encefálico), que entram pelos nervos facial, glossofaríngeo e vago. Antes de terminar no núcleo, as fibras têm trajeto descendente no 
tracto solitário para, gradativamente, terminarem no núcleo. 
 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
46 
 
CONEXÕES DOS NÚCLEOS DOS NERVOS CRANIANOS 
 O estabelecimento de reflexos geralmente se dá por meio de impulsos trazidos ou gerados por vários núcleos de nervos 
cranianos, que se comunicam entre si de alguma forma. 
 
CONEXÕES SUPRASSEGMENTARES 
 Para que os impulsos aferentes que chegam aos núcleos sensitivos dos nervos cranianos possam se tornar conscientes, é 
necessário que sejam levados ao tálamo e daí a áreas especiais do córtex cerebral. As fibras ascendentes encarregadas de fazer a 
ligação entre estes núcleos e o tálamo agrupam-se do seguinte modo: 
 Lemnisco trigeminal: liga os núcleos sensitivos do trigêmeo ao tálamo. 
 Lemnisco lateral: conduzem impulsos auditivos dos núcleos cocleares ao colículo inferior, de onde vão para o corpo 
geniculado medial, e deste, para o tálamo. 
 Fibras vestíbulo-talâmicas: ligam os núcleos vestibulares ao tálamo. 
 Fibras solitário-talâmicas: ligam o núcleo do tracto solitário ao tálamo. 
 
 Por outro lado, os neurônios situados nos núcleos motores dos nevos cranianos estão sob controle do sistema nervoso 
supra-segmentar, graças a um sistema de fibras descendentes, entre as quais se destacam as que constituem o tracto córtico-
nuclear. Este tracto liga as áreas motoras do córtex cerebral aos neurônios motores situados nos núcleos das colunas eferente 
somática e eferente visceral especial, permitindo a realização do movimento voluntários pelos músculos estriados. 
 
CONEXÕES REFLEXAS 
 Existem muitas conexões entre os neurônios dos núcleos sensitivosdos nervos cranianos e o os núcleos motores (e pré-
ganglionares) dos núcleos das colunas eferentes. Estas conexões são muito importantes para um grande numero de arcos reflexos 
que se fazem ao nível do tronco encefálico. As fibras para estas conexões podem passar através da formação reticular ou do fascículo 
longitudinal medial (como já foi visto, fascículo de associação do tronco encefálico, correspondendo, pois, ao fascículo próprio da 
medula). 
 
 Reflexo Mandibular ou mentual: pesquisa-se este 
reflexo percutindo-se o mento (queixo) de cima para 
baixo, estando a boca entreaberta. A resposta consiste no 
fechamento brusco da boca em por ação dos músculos 
mastigadores, em especial o masseter. As vias aferentes 
e eferentes se fazem pelo trigêmeo. A percussão do 
mento estira os músculos mastigadores, ativando os 
fusos neuromusculares aí localizados. Iniciam-se assim, 
impulsos aferentes que chegam até o núcleo do tracto 
mesencefálico do trigêmeo. Os axônios dos neurônios aí 
localizados fazem sinapse no núcleo motor do trigêmeo, 
onde se originam os impulsos eferentes que determinam 
a contração dos músculos mastigadores (semelhante ao 
reflexo patelar). Este arco-reflexo é importante, pois em 
condições normais matem a boca fechada sem que seja 
necessária uma atividade voluntária. Isso porque, por 
ação da gravidade, a boca tende a abrir, o que causa 
estiramento dos músculos mastigadores, desencadeando 
o reflexo mentual que resulta na contração destes 
músculos, mantendo a boca fechada. 
 
 Reflexo Corneano (corneopalpebral): pesquisa-se este reflexo tocando ligeiramente a córnea com mecha de algodão, o 
que determina o fechamento dos dois olhos por contração bilateral da parte palpebral do músculo orbicular do olho. O 
impulso aferente passa pelo ramo oftálmico do trigêmeo, gânglio trigeminal e raiz sensitiva do trigêmeo, chegando ao núcleo 
sensitivo principal e núcleo do tracto espinhal deste nervo. Fibras cruzadas e não cruzadas originadas nestes núcleos 
conduzem impulsos aos núcleos do facial dos dois lados, de tal modo que a resposta motora faz pelos dois nervos faciais, 
resultando no fechamento dos dois olhos (ocorrendo também lacrimejamento). Entende-se, assim, que a lesão de um dos 
nervos trigêmeos abole a resposta reflexa dos dois lado quando se toca a córnea do lado da lesão, mas não quando se toca 
a córnea do lado normal. Já a lesão do nervo facial de um lado abole a resposta reflexa deste mesmo lado, qualquer que seja 
o olho tocado. O reflexo corneano é diminuído ou abolido nos estados de coma ou nas anestesias profundas (servindo como 
teste de profundidade do anestésico). 
 
 Reflexo lacrimal: o toque na córnea ou a presença de um corpo no olho causa um aumento da secreção lacrimal. Isso 
constitui, junto ao fechamento da pálpebra, um mecanismo de defesa do olho. A via aferente do reflexo lacrimal é idêntica à 
do reflexo corneano. Contudo, as conexões centrais se fazem com o núcleo lacrimal, de onde saem fibras pré-ganglionares 
pelo VII par (intermédio), através dos quais o impulso chega ao gânglio pterigopalatino e daí, à glândula lacrimal. 
 
 Reflexo de piscar: quando um objeto é rapidamente jogado diante do olho a pálpebra de fecha. Isso ocorre porque fibras 
aferentes da retina vão ao colículo superior (através do nervo óptico, tracto óptico e braço do colículo superior), onde saem 
fibras para o núcleo do nervo facial. Pelo nervo facial, o impulso chega ao músculo orbicular do olho, determinado o piscar da 
pálpebra. 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
47 
 
 Reflexo de movimentação dos olhos por estímulos vestibulares (nistagmo): este reflexo tem por finalidade manter a 
fixação do olhar em um objeto que interessa, quando esta fixação tende a ser rompida por movimento do corpo ou da 
cabeça. O reflexo funciona no ato de cavalgar, por exemplo, em que se fixa o olhar a um objeto mas a cabeça tende a retirar 
esse olhar. Assim, quando a cabeça se move para baixo, os olhos se movem para cima (e vice-versa), na tentativa de manter 
a fixação do olhar constante. Se não houvesse este mecanismo automático e rápido para a compensação dos desvios 
causados pela trepidação do cavalo, o objeto estaria sempre saindo da mácula, ou seja, da parte da retina onde a visão é 
mais distinta. Os receptores para este reflexo são os cristais dos canais semicirculares do ouvido interno, que circulam na 
endolinfa desses canais e deslocam cílios de células sensoriais. Isto gera um impulso que chega aos prolongamentos 
periféricos dos neurônios do gânglio-vestibular, originando impulsos nervosos que seguem pela porção vestibular do nervo 
vestíbulo-coclear, através do qual atingem os núcleos vestibulares. Destes núcleos saem fibras que ganham o fascículo 
longitudinal medial e vão diretamente aos núcleos do III, IV e VI pares cranianos, determinando assim o movimento do olho 
em sentido contrário ao da cabeça. 
 
 Reflexo fotomotor direto: quando um olho é estimulado com um feixe de luz, a pupila deste olho contrai-se em virtude do 
seguinte mecanismo: o impulso nervoso originado na retina é conduzido pelo nervo óptico, quiasma óptico e tracto óptico, 
chegando ao corpo geniculado lateral. Entretanto, ao contrário das fibras relacionadas com a visão, as fibras ligadas ao 
reflexo fotomotor não fazem sinapse no corpo geniculado lateral, mas ganham o braço do colículo superior, terminando em 
neurônios da área pré-tectal. Daí, saem fibras que terminam fazendo sinapse com os neurônios do núcleo de Edinger-
Westphal (dos dois lados). Deste núcleo saem fibras pré-ganglionares que pelo III par vão ao gânglio ciliar, de onde saem 
fibras pós-ganglionares que terminam no musculo esfíncter da pupila, determinando sua contração 
 
 Reflexo consensual: pesquisa-se este reflexo estimulando-se a retina de um olho com um jato de luz e observando a 
contração da pupila do outro olho, verificando assim a integridade dos cruzamentos das fibras ópticas no quiasma e na 
comissura posterior. O impulso cruza o plano mediano por meio dessas estruturas, neste caso, da área pré-tectal de um lado, 
cruzando para o núcleo de Edinger-Westphal do lado oposto. 
 
 Reflexo de acomodação: quando os olhos são desviados de um objeto longínquo para objetos próximos, a contração dos 
músculos retos mediais provoca a convergência dos eixos oculares, os cristalinos se espessam para aumentar o seu poder 
refrativo pela contração dos músculos ciliares, e as pupilas se contraem para restringir as ondas luminosas à parte central, 
mais espessa, do cristalino. Os impulsos aferentes deste reflexo de acomodação do cristalino cursam pelo nervo óptico, pelo 
quiasma óptico, tracto óptico, pelo corpo geniculado lateral e pela radiação óptica até o córtex visual no lobo occipital. O 
córtex visual, por sua vez, é conectado ao campo ocular do lobo frontal (área 8 de Brodmann). Desse ponto, as fibras 
corticais descem pela cápsula interna para os núcleos oculomotores no mesencéfalo. O nervo oculomotor, por sua vez, cursa 
fibras para os músculos retos mediais e os ativam. Algumas das fibras corticais descendentes fazem sinapses nos núcleos 
parassimpáticos (núcleos de Edinger-Westphal) do nervo oculomotor dos dois lados. As fibras pré-ganglionares 
parassimpáticas cursam, então, pelo nervo oculomotor para fazer sinapse com o neurônio pós-ganglionar presente no 
gânglio ciliar na órbita. Por fim, as fibras parassimpáticas pós-ganglionares, por meio dos nervos ciliares curtos, chegam até 
o músculo ciliar (responsável por acomodar o cristalino) e o músculo constritor da pupila da íris (responsável por causar a 
miose). 
 
OBS
5
: Sabe-se que os nervos ciliares curtos são pequenos prolongamentos do gânglio ciliar responsáveis por conduzir os neurônios 
pós-ganglionares da inervação simpática e parassimpática da pupila. Já os nervos ciliares longos, muito pouco referidos na literatura, 
são ramos do nervo nasociliar (um dos três ramos do N. oftálmico do trigêmeo). Estesnervos ciliares longos levam algumas fibras 
simpáticas que se destacam diretamente do plexo carotídeo para inervação da musculatura radial da íris além das fibras aferentes 
somáticas gerais referentes à inervação da conjuntiva do olho. 
 
 Reflexo da ânsia: ao se tocar a região a base da língua ou a região do pilar faucial anterior com um objeto, ocorre uma 
constrição e elevação do palato mole e fechamento da glote. O componente aferente deste reflexo se faz pelo N. 
glossofaríngeo (IX par de nervos cranianos), levando impulsos até o centro reflexo do bulbo. As fibras eferentes se fazem 
pelo N. glossofaríngeo e N. vago, estabelecendo três respostas motoras: elevação do palato mole para fechar a nasofaringe, 
fechamento da glote para proteger a via aérea e constrição da faringe para impedir a entrada da substância. O reflexo da 
ânsia é protetor: ele visa a impedir que substâncias nocivas ou objetos estranhos avancem além da cavidade oral. 
 
 Reflexo do vômito: o reflexo do vomito pode ser desencadeado por várias causas, sendo mais frequentes as que resultam 
de irritação da mucosa gastrointestinal. A irritação da mucosa gastrointestinal (como por ingestão demasiada de álcool) 
estimula visceroceptores aí existentes que, pelas fibras aferentes viscerais do vago, chegam ao núcleo do tracto solitário. Daí 
saem fibras que levam impulsos ao centro do vômito (área postrema), na formação reticular do bulbo. Deste centro saem 
fibras que se ligam às áreas responsáveis pelas respostas motoras que vão desencadear o vomito. Estas fibras são: 
 Fibras para o núcleo dorsal do vago: onde os impulsos, por meio das fibras do vago, chegam a parede do 
estomago, aumentando a sua contração e determinando a abertura da cárdia. 
 Fibras que pelo tracto retículo-espinhal chegam a coluna lateral da medula: os impulsos ganham os nervos 
esplâncnicos que o levam aos gânglios celíacos. Daí, o impulso chega ao estomago, determinando o fechamento 
do piloro. 
 Fibras que pelo tracto retículo-espinhal, chegam à medula cervical onde se localizam neurônios motores, cujos 
axônios constituem o nervo frênico, determinando a contração do diafragma. 
 Fibras que pelo tracto retículo-espinhal chegam aos neurônios motores da medula onde se originam os nervos 
tóraco-abdominais, que inervam músculos da parede abdominal, cuja contração, aumenta a pressão intra-
abdominal. 
 Fibras para o núcleo do hipoglosso, cuja atuação resulta da protrusão da língua. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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ESTRUTURA E FUNÇÃO DO CEREBELO 
 
 
 O cerebelo e o cérebro são os dois órgãos que constituem o sistema nervoso supra-segmentar, apresentando uma 
organização bastante semelhante entre si, mas completamente diferente da dos órgãos do sistema nervoso segmentar. Ambos 
apresentam um córtex que envolve um centro de substância branca (centro medular do cérebro e o corpo medular do cerebelo), 
onde são observadas massas de substância cinzenta (os núcleos da base do cérebro e os núcleos centrais do cerebelo). 
Porém, do ponto de vista fisiológico, o cerebelo difere fundamentalmente do cérebro porque funciona sempre em nível 
involuntário e inconsciente, sendo sua função exclusivamente motora (equilíbrio e coordenação motora), embora estudos 
demonstrem funções sensitivas realizadas pelo cerebelo. 
 
 
ASPECTOS ANATÔMICOS DO CEREBELO 
 O cerebelo deriva da parte dorsal do metencéfalo e fica situado 
posteriormente ao bulbo e à ponte, contribuindo, de certa forma, para a formação 
do tecto do IV ventrículo. Repousa na chamada fossa cerebelar do osso occipital e 
está separado do lobo occipital do cérebro por uma prega da dura-máter 
denominada de tenda do cerebelo. 
 Liga-se à medula e ao bulbo através dos pedúnculos cerebelares 
inferiores (corpo restiforme) e à ponte e mesencéfalo pelos pedúnculos 
cerebelares médio (braço da ponte) e superior (braço conjuntivo), respectivamente. 
 Anatomicamente, distingue-se no cerebelo uma porção ímpar e mediana 
conhecida como vérmis, que interliga duas grandes massas laterais – os 
hemisférios cerebelares. A superfície do cerebelo é percorrida por sulcos de 
direção predominantemente transversal, que delimitam lâminas finas denominadas 
de folhas do cerebelo. Existem também sulcos mais pronunciados, as fissuras do 
cerebelo, que delimitam lóbulos maiores, cada um deles podendo conter várias 
folhas. 
 A melhor maneira de estudar a anatomia dos lóbulos cerebelares se faz, 
justamente, através de cortes sagitais deste órgão, de modo que seja possível 
observar os lóbulos do vérmis e, a partir deles, identificar os lóbulos 
correspondentes nos hemisférios cerebelares. 
 
 
 
 
LÓBULOS E FISSURAS 
A divisão do cerebelo em lóbulos não tem nenhum significado funcional e sua importância é apenas topográfica. A 
nomenclatura dos lóbulos e fissuras do cerebelo é bastante confusa, diferindo também entre os autores. Os lóbulos recebem 
denominações diferentes no vérmis e nos hemisférios: a cada lóbulo do vérmis, correspondem dois nos hemisférios (com exceção 
feita à língula), conforme indicado na tabela a seguir, onde estão assinaladas também as fissuras que os separam. 
O estudo dos lóbulos do cerebelo, como vimos, deve ser feito de preferência em peças em que o vérmis é seccionado 
sagitalmente, o que permite uma identificação mais fácil das fissuras. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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A língula está quase sempre aderida ao véu medular superior (em peças em que se retiram o cerebelo do tronco encefálico, 
geralmente ela se mostra como pequenas folhas aderidas ao véu medular superior). O folium consiste apenas de uma folha do 
vérmis. Um lóbulo importante é o flóculo, situado logo abaixo do ponto em que o pedúnculo cerebelar médio penetra no cerebelo, 
próximo ao nervo vestíbulo-coclear. O cúlmen do cerebelo também é facilmente identificado, por ser o lóbulo mais alto deste órgão. 
As tonsilas são bem evidentes na face inferior do cerebelo, projetando-se medialmente sobre a face dorsal do bulbo. Esta 
relação é importante, pois em certos casos de hipertensão craniana as tonsilas podem comprimir o bulbo com graves consequências. 
Isto decorre, por exemplo, de acidente nas punções lombares, quando a retirada do líquor diminui subitamente a pressão no espaço 
subaracnoideo da medula; ou mesmo na presença de massas expansivas intracranianas. Nestes casos, estando aumentada a 
pressão intracraniana, as tonsilas podem ser deslocadas caudalmente, penetrando no forame magno e comprimindo o bulbo. 
 
DIVISÕES FUNCIONAIS DO CEREBELO 
 A divisão puramente anatômica em vérmis e hemisférios cerebelares é inadequada do ponto de vista funcional e clínico. As 
principais divisões funcionais do cerebelo são: 
 Divisão ontogenética: baseia-se principalmente na 
ontogênese do cerebelo e leva em conta o fato de que a 
primeira fissura que aparece durante o desenvolvimento 
embrionário do órgão é a póstero-lateral. Assim, ela 
divide o cerebelo em duas partes muito desiguais: o 
lobo flóculo-nodular, formado pelo flóculo e pelo nódulo; 
e o corpo do cerebelo, formado pelo resto do órgão. A 
seguir, aparece a fissura prima, que divide o corpo do 
cerebelo em lobo anterior e lobo posterior. 
 
 Divisão filogenética: baseia-se na evolução da 
filogênese do órgão, fundamentando-se a partir da 
observação de estudos de anatomia comparada. 
o Arquicerebelo (cerebelo vestibular): 
constituído pelo lobo flóculo-nodular do 
cerebelo e recebe conexões vestibulares. 
Desta forma, o cerebelo recebe impulsos dos 
canais semicirculares (localizados na parte 
vestibular do ouvido interno), que informam 
sobre a posição do animal e permitem ao 
cerebelo coordenar a atividade muscular, de 
modo a manter o animal em equilíbrio. 
o Paleocerebelo (cerebelo espinhal): formado pelo lobo anterior do cerebelo (língula, lóbulo central, cúlmen e os 
respectivoslobos dos hemisférios correspondentes), além da pirâmide e úvula do vérmis. O paleocerebelo recebe 
informações de receptores especiais denominados fusos neuromusculares e órgãos neurotendinosos, que originam 
impulsos nervosos denominados proprioceptivos, os quais, após um trajeto pela medula espinhal e bulbo, chegam 
ao cerebelo, levando informações sobre o grau de contração dos músculos. Estas informações são importantes para 
a regulação do tônus muscular e da postura do animal. 
o Neocerebelo (cerebelo cortical): constituído pelo declive, folium, túber (e seus respectivos lobos correspondentes 
nos hemisférios), além dos lóbulos biventre e tonsilas (o que corresponde à maior parte dos hemisférios 
cerebelares). O neocerebelo relaciona-se com o controle de movimentos em geral (execução orientada ao alvo 
das ações motoras), em vista de suas conexões com o córtex motor e tálamo. Desta forma, o neocerebelo 
(trabalhando em conjunto com os núcleos da base) permite que os mamíferos desenvolvam a capacidade de utilizar 
os membros para movimentos delicados, finos e assimétricos, os quais requerem uma coordenação nervosa muito 
elaborada. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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 Divisão longitudinal do cerebelo: é uma divisão menos anatômica e mais funcional, em que se divide o cerebelo em três 
grandes zonas: uma medial, uma lateral e, entre elas, uma área intermédia. Cada uma dessas zonas estabelece relação 
específica com os núcleos centrais do cerebelo e, desta forma, está relacionada com as conexões eferentes do cerebelo. 
 
 
CITOARQUITETURA DO CÓRTEX CEREBELAR 
 A citoarquitetura do córtex cerebelar é basicamente a mesma em todas as folhas e lóbulos. Da superfície para o interior do 
órgão, temos: 
 Camada molecular: é formada principalmente por fibras de direção paralela e contém dois tipos de neurônios, as células 
estreladas e as células em cesto (apresentam sinapses axossomáticas dispostas em torno do corpo das células de Purkinje 
à maneira de um cesto). 
 Camada de Células de Purkinje: camada média formada por uma fileira apenas de células de Purkinje, os elementos mais 
importantes do cerebelo. As células de Purkinje, piriformes e grandes, são dotadas de dendritos que se ramificam na 
camada molecular e um axônio longo que sai em direção oposta, terminando nos núcleos centrais do cerebelo, onde 
exercem ação inibitória, constituindo as únicas fibras eferentes do córtex do cerebelo. 
 Camada granular: mais interna, é constituída principalmente pelas células granulares ou grânulos do cerebelo, células 
muito pequenas (as menores do corpo humano). Tais células, extremamente numerosas, têm vários dendritos e um axônio 
que atravessa a camada de células de Purkinje e, ao atingir a camada molecular, bifurca-se em T, constituindo as fibras 
paralelas do córtex cerebelar. 
 
 
NÚCLEOS CENTRAIS E CORPO MEDULAR DO CEREBELO 
 São os seguintes os núcleos centrais do 
cerebelo: 
 Núcleo Denteado 
 Núcleo interpósito  Núcleo emboliforme e 
Núcleo globoso 
 Núcleo Fastigial 
 
 O núcleo fastigial localiza-se próximo ao plano 
mediano, enquanto que o núcleo denteado, maior dos 
núcleos centrais do cerebelo (assemelhando-se 
morfologicamente ao núcleo olivar inferior), localiza-se 
mais lateralmente. Entre estes núcleos, localizam-se os 
núcleos globoso e emboliforme, bastante semelhantes do 
ponto de vista funcional e estrutural, sendo frequentemente 
agrupados sob o nome de núcleo interpósito. Nos núcleos 
centrais chegam os axônios das células de Purkinje, e 
deles partem as fibras eferentes do cerebelo. 
 O corpo medular do cerebelo é constituído de 
substância branca e formado por fibras mielínicas, que são 
principalmente as seguintes: 
 Fibras aferentes ao cerebelo: penetram pelos pedúnculos cerebelares e se dirigem ao córtex, onde perdem a bainha de 
mielina. 
 Fibras formadas pelos axônios das células de Purkinje: dirigem-se aos núcleos centrais do cerebelo. 
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CONEXÕES INTRÍNSECAS DO CEREBELO 
 As fibras que penetram no cerebelo se dirigem ao córtex e são de dois tipos: fibras musgosas e fibras trepadeiras. Sabe-se 
hoje que estas últimas são axônios de neurônios situados no complexo olivar inferior, enquanto as fibras musgosas representam a 
terminação dos demais feixes de fibras que penetram no cerebelo (oriundas, basicamente, dos núcleos vestibulares, da medula e da 
ponte). As fibras trepadeiras têm esse nome porque terminam enrolando-se em torno dos dendritos das células de Purkinje, 
exercendo uma potente ação excitatória sobre elas. Já as fibras musgosas, ao penetrar no cerebelo, emitem ramos colaterais que 
fazem sinapses excitatórias com os neurônios dos núcleos centrais. Em seguida, atingem a camada granular, onde se ramificam, 
terminando em sinapses excitatórias axodendríticas, com um grande número de células granulares, que, através das fibras paralelas, 
se ligam às células de Purkinje. 
 Constitui-se assim um circuito cerebelar básico, através do qual os impulsos nervosos que penetram no cerebelo pelas fibras 
musgosas, ativam sucessivamente os neurônios dos núcleos centrais, as células granulares e as células de Purkinje, as quais, por 
sua vez, inibem os próprios neurônios dos núcleos centrais. As informações que chegam ao cerebelo de vários setores do sistema 
nervoso agem inicialmente sobre os neurônios dos núcleos centrais de onde saem as respostas eferentes do cerebelo. A atividade 
desses neurônios, por sua vez, é modulada pela ação inibidora das células de Purkinje. Este balanço entre os estímulos excitatórios e 
inibitórios sobre os núcleos centrais é importante para determinar o funcionamento normal das eferências do cerebelo. 
A união das células granulares com as células de Purkinje é modulada pela ação de três outras células inibidoras: as células 
de Golgi, as células em cesto e as células estreladas. Tais células, assim como as células de Purkinje, agem através da liberação de 
ácido gama-amino-butírico (GABA). Já a célula granular, a única célula excitatória do córtex cerebelar, tem como neurotransmissor o 
glutamato. 
 
 
ORGANIZAÇÃO TRANSVERSAL E LONGITUDINAL DO CEREBELO 
 A divisão filogenética do cerebelo, baseada nas três etapas da história evolutiva o órgão, como vimos anteriormente, 
permitiu distinguir as seguintes partes do mesmo: arquicerebelo (correspondendo ao lobo floculonodular); paleocerebelo 
(correspondendo ao lobo anterior, à pirâmide e à úvula); e o neocerebelo (corresponde ao restante dos hemisférios cerebrais). 
 Porém, com base no estudo das conexões do córtex cerebelar com os núcleos centrais, foi proposta uma nova divisão do 
cerebelo, em que as partes se orientam longitudinalmente e se dispõem no sentido médio-lateral. Distinguem-se uma zona medial, 
ímpar, correspondendo ao vérmis; e, de cada lado, uma zona intermédia paraverminana e uma zona lateral, correspondendo à 
maior parte dos hemisférios. Os axônios das células de Purkinje da zona medial projetam-se para o núcleo fastigial, os da zona 
intermédia para o núcleo interpósito, e os da zona lateral para o núcleo denteado. 
 
CONEXÕES EXTRÍNSECAS DO CEREBELO 
 Chegam ao cerebelo milhões de fibras nervosas trazendo informações dos mais diversos setores do sistema nervoso, as 
quais são processadas pelo órgão, cuja resposta, veiculada através de um complexo sistema de vias eferentes, vai influenciar os 
neurônios motores. Um princípio geral é que, ao contrário do cérebro, o cerebelo influencia os neurônios motores do lado ipsi lateral. 
Para isso, tanto suas vias aferentes como eferentes, quando não são homolaterais, sofrem um duplo cruzamento, ou seja, vão para o 
lado oposto e voltam para o mesmo lado. 
 De um modo geral, para melhor entendimento das conexões cerebelares, temos: 
 Conexões cerebelares aferentes: estão relacionadas com a divisão filogenética do cerebelo. 
 Conexões cerebelares eferentes: estão relacionadascom a divisão longitudinal do cerebelo. 
 
CONEXÕES AFERENTES 
 As fibras aferentes do cerebelo terminam no córtex como fibras trepadeiras (originam-se no complexo olivar inferior e 
distribuem-se a todo cerebelo) ou musgosas (originam-se fundamentalmente de três regiões: núcleos vestibulares, medula espinhal e 
núcleos pontinos; e distribuem-se para áreas específicas do cerebelo). 
 Fibras trepadeiras: são axônios oriundos de neurônios do complexo olivar inferior (que recebem informações provenientes 
do córtex cerebral, da medula espinhal e do núcleo rubro), entram no cerebelo pelo pedúnculo cerebelar inferior e se 
projetam difusamente para todo o córtex cerebelar, realizando ação moduladora sobre os neurônios cerebelares. Acredita-se 
que estas fibras tenham função relacionada com aprendizado motor. 
 Fibras musgosas: são os fascículos vestíbulo-cerebelares, espino-cerebelares e ponto-cerebelares. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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o Fibras aferentes de origem vestibular: essas fibras chegam ao cerebelo pelo fascículo vestíbulo-cerebelar, cujas fibras 
têm origem nos núcleos vestibulares e se distribuem principalmente ao arquicerebelo e em parte à zona medial 
(vérmis). Trazem informações (oriundas na parte vestibular do ouvido interno) sobre a posição da cabeça, importantes 
para a manutenção do equilíbrio e da postura básica. O vestíbulo capta ainda movimentos na articulação atlantooccipital 
contralateral. 
o Fibras aferentes de origem medular: são representadas principalmente pelos tractos espino-cerebelares anterior e 
posterior, que penetram no cerebelo respectivamente pelos pedúnculos cerebelares superior e inferior e terminam no 
córtex do paleocerebelo. Através do tracto espino-cerebelar posterior, o cerebelo recebe sinais sensoriais originados em 
receptores proprioceptivos que permite avaliar o grau de contração dos músculos, a tensão nas cápsulas articulares e 
tendões, assim como as posições e velocidades do movimento das partes do corpo. Já as fibras do tracto espino-
cerebelar anterior são ativadas principalmente pelos sinais motores que chegam à medula pelo tracto córtico-espinhal, 
permitindo ao cerebelo avaliar o grau de atividade neurofisiológica deste tacto. Convém lembrar, entretanto, que essas 
áreas sensoriais do cerebelo são diferentes das que existem no córtex cerebral, pois os impulsos que aí chegam não se 
tornam conscientes, necessariamente. 
o Fibras aferentes de origem pontina (fibras ponto-cerebelares): têm origem nos núcleos pontinos, penetrando no 
cerebelo pelo pedúnculo cerebelar médio, distribuindo-se principalmente ao córtex do neocerebelo. Fazem parte da via 
córtico-ponto-cerebelar, através da qual chegam ao cerebelo informações oriundas do córtex de todos os lobos 
cerebrais, em especial da área motora suplementar (como as informações referentes ao planejamento motor). 
 
CONEXÕES EFERENTES 
 Através de suas conexões eferentes, o cerebelo exerce influência sobre os neurônios motores da medula, não agindo 
diretamente sobre esses neurônios, mas sempre através de relés intermediários, situados em áreas do tronco encefálico, do tálamo 
ou das próprias áreas motoras do córtex cerebral. 
 Conexões eferentes da Zona medial: os axônios das células de Purkinje da zona medial (vérmis) fazem sinapse nos 
núcleos fastigiais (os axônios do lobo flóculo nodular terminam, em grande parte, diretamente nos núcleos vestibulares), de 
onde sai o tracto fastigiobulbar com dois tipos de fibras: fastígio-vestibulares e fastígio-reticulares. Em ambas os casos, 
a influência do cerebelo se exerce sobre os neurônios motores do grupo medial da coluna anterior, os quais controlam a 
musculatura axial e proximal dos membros, no sentido de manter o equilíbrio. 
o As fibras fastígio-vestibulares fazem sinapse nos núcleos vestibulares, a partir dos quais os impulsos nervosos, 
através do tracto vestíbulo-espinhal, se projetam sobre os neurônios motores da medula. 
o As fibras fastígio-reticulares terminam na formação reticular, a partir da qual os impulsos atingem, pelo tracto 
retículo-espinhal, os neurônios motores. 
 Conexões eferentes da Zona intermédia: os axônios das células de Purkinje localizadas na zona intermédia fazem 
sinapses com o núcleo interpósito, de onde saem fibras para o núcleo rubro e para o tálamo do lado oposto. Através das 
primeiras, o cerebelo influencia os neurônios motores pelo tracto rubro-espinhal, constituindo-se a via interpósito-rubro-
espinhal. Já os impulsos que vão para o tálamo (núcleo ventral-lateral) seguem para as áreas motoras do córtex cerebral 
(via interpósito-tálamo-cortical), onde se origina o tracto córtico-espinhal. Assim, através desse tracto, o cerebelo exerce 
sua influência sobre os neurônios motores. A ação do núcleo interpósito (globoso e emboliforme) se faz sobre os neurônios 
motores do grupo lateral da coluna anterior, que controlam os músculos distais dos membros responsáveis pelos 
movimentos finos, delicados e elaborados (depois que o movimento já tiver sido iniciado, como veremos adiante). 
 Conexões eferentes da Zona lateral: os axônios das células de Purkinje da zona lateral do cerebelo fazem sinapse no 
núcleo denteado, de onde os impulsos seguem para o tálamo (núcleo ventral lateral), do lado oposto e daí, para as áreas 
motoras do córtex cerebral (via dendo-tálamo-cortical), onde se origina o tracto córtico-espinhal. Através desse tacto, o 
núcleo denteado participa da atividade motora, agindo sobre a musculatura distal (coordenando o início do movimento). 
 
OBS
1
: Em resumo, temos: 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
54 
 
 O núcleo do fastígio e o subsequente núcleo vestibular lateral influenciam a ação da musculatura esquelética e, portanto, a execução de 
movimentos por meio dos sistemas descendentes mediais; o núcleo emboliforme e os núcleos globosos influenciam a motricidade, por 
intermédio dos sistemas descendentes laterais; 
 O núcleo denteado projeta-se no córtex cerebral e influencia o planejamento e a programação dos movimentos; 
 As eferências provenientes do cerebelo vestibular influenciam o equilíbrio e a motricidade, inclusive a ocular. 
 
OBS
2
: Sinopse dos pedúnculos cerebelares e dos seus tratos. Os pedúnculos cerebelares conduzem tractos ordenados de 
axônios aferentes e eferentes, para dentro e para fora do cerebelo. Como vimos, os axônios aferentes originam-se na medula 
espinhal, nos órgãos vestibulares, na oliva inferior e na ponte, enquanto que os axônios originam-se nos núcleos do cerebelo. 
Pedúnculo cerebelar Relação dos principais tractos 
 
Pedúnculo cerebelar superior 
 Tracto espino-cerebelar anterior 
 Tracto interpósito-rubro-espinhal 
 Tracto interpósito-tálamo-cortical 
Pedúnculo cerebelar médio  Fibras ponto-cerebelares (Tracto córtico-ponto-cerebelar) 
 
 
 
Pedúnculo cerebelar inferior 
 Tracto espino-cerebelar posterior 
 Fibras cúneo-cerebelares (fibras arqueadas externas dorsais, responsáveis por propriocepção 
inconsciente do pescoço e dos membros superiores) 
 Tracto olivo-cerebelar 
 Tracto vestíbulo-cerebelar 
 Tracto cerebelo-olivares 
 Tractos fastígio-bulbares (fastígio-vestibulares e fastígio-reticulares) 
 
 
ASPECTOS FUNCIONAIS DO CEREBELO 
 As principais funções das subdivisões do cerebelo são: manutenção do equilíbrio, controle dos movimentos voluntários e 
aprendizagem motora. 
 Manutenção do equilíbrio: essas funções se fazem basicamente pelo arquicerebelo e pela zona medial (vérmis) que 
promovem a contração adequada e inconsciente dos músculos axiais e proximais dos membros. A influência do cerebelo é 
transmitida aos neurônios motores pelos tractos vestíbulo-espinhais e retículo-espinhais. Tais tractos se originam, 
respectivamente nos núcleos vestibulares (que recebem fibras fastígio-vestibulares) e na formação reticular (que recebem 
fibras fastígio-reticulares). 
 Controle do tônus muscular: os núcleos centrais, em especialo núcleo denteado e interpósito, mantêm, mesmo na 
ausência de movimento, um certo nível de atividade espontânea. Essa atividade, agindo sobre os neurônios motores via 
tractos córtico-espinhal e rubro-espinhal, é importante para a manutenção do tônus. 
 Controle dos movimentos voluntários: lesões do cerebelo têm como sintomatologia uma grave ataxia, ou seja, falta de 
coordenação dos movimentos voluntários decorrentes do erro na força, extensão e direção do movimento. O mecanismo 
através do qual o cerebelo controla o movimento envolve duas etapas: uma de modulação do planejamento motor 
(programação motora) e outra de correção do movimento já em execução. O planejamento do movimento é elaborado 
na zona lateral do órgão, a partir de informações trazidas, pela via córtico-ponto-cerebelar, de áreas do córtex cerebral 
ligadas a funções psíquicas superiores (áreas de associação) e que expressam a intenção do movimento. O ‘plano’ motor já 
processado pelo cerebelo lateral é então enviado às áreas motoras do córtex cerebral pela via dento-talámica-cortical e 
colocado em execução através da ativação dos neurônios apropriados dessas áreas, os quais, por sua vez, ativam os 
neurônios motores medulares através do tracto córtico-espinhal. Uma vez iniciado, o movimento passa a ser controlado pela 
zona intermédia do cerebelo. Esta, através de suas inúmeras aferências sensoriais, especialmente as que chegam pelos 
tractos espino-cerebelares, é informada das características do movimento em execução e, através da via interpósito-tálamo-
cortical, promove as correções devidas, agindo sobre as áreas motoras e o tracto córtico-espinhal. Assim, o papel da zona 
intermédia é diferente da zona lateral, o que pode ser correlacionado com o fato de que a zona intermédia recebe aferências 
espinhais e corticais, enquanto a zona lateral recebe apenas estas últimas. Ratificando esta diferença, temos o fato de que o 
núcleo denteado (ligado ao planejamento motor) é ativado antes do início do movimento, enquanto que o núcleo interpósito 
(ligado a correção do movimento) só é ativado depois que ele se inicia. 
 Aprendizagem motora: o sistema nervoso é capaz de aprender a executar tarefas motoras repetitivas cada vez melhor, o 
que provavelmente envolve modificações mais ou menos estáveis em circuitos nervosos. Admite-se que o cerebelo participa 
desse processo através das fibras olivo-cerebelares, que chegam ao córtex cerebelar como fibras trepadeiras e fazem 
sinapses diretamente com as células de Purkinje. Essas fibras podem modular a excitabilidade das células de Purkinje, em 
resposta aos impulsos que elas recebem do sistema de fibras musgosas e paralelas. Tal ação parece ser muito importante 
para a aprendizagem motora. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
55 
 
CORRELAÇÕES ANÁTOMO-CLÍNICAS 
 Quando o cerebelo é lesado, os principais sintomas que sucedem podem ser agrupados em três categorias: 
 Incoordenação dos movimentos (ataxia). Ela se manifesta principalmente nos membros, sendo característica a chamada 
marcha atáxica. A incoordenação motora pode manifestar-se ainda na articulação das palavras, levando o doente a falar com 
a voz arrastada. É presente também assinergia (incapacidade de coordenação exata de diferentes grupos de músculos, 
principalmente em movimentos mais complexos e precisos). 
 Perda do equilíbrio, diante da dificuldade para se manter em posição ereta. 
 Diminuição do tônus da musculatura esquelética (hipotonia) acompanhada de fraqueza muscular da musculatura ipsilateral. 
 
OBS
3
: A aparência do paciente com lesões cerebelares muito se assemelha àquela observada em indivíduos durante a embriaguez 
aguda, à exceção do quadro psíquico, que é normal. Esse fato não é uma simples coincidência, mas resulta do efeito tóxico que o 
álcool exerce sobre as células de Purkinje, gerando a ataxia característica do indivíduo embriagado. 
 
SÍNDROMES CEREBELARES 
 Síndrome do arquicerebelo: é devida a tumores do teto do IV ventrículo, que comprimem o nódulo e o pedúnculo do flóculo 
do cerebelo. Nesse caso, há somente perda de equilíbrio, e as crianças acometidas não conseguem se manter em pé. Em 
resumo, temos: 
 Ataxia do tronco, da posição ereta e do andar 
 Vertigem 
 Nistagmo 
 Vômitos 
 
 Síndrome do paleocerebelo: ocorre como consequência da degeneração do córtex do lobo anterior do cerebelo que 
acontece no alcoolismo crônico. Manifesta-se por distúrbio do equilíbrio (por provável perda da propriocepção inconsciente), 
o que leva o paciente a andar com a ataxia de membros inferiores. 
 Ataxia do membro inferior 
 Distúrbios da motricidade ocular 
 Distúrbios da fala (falta de sinergia da musculatura da fala) 
 
 Síndrome do neocerebelo: as lesões do neocerebelo cursam com uma incoordenação motora (ataxia) generalizada, que 
pode ser testada por vários sinais: 
 Dismetria: execução defeituosa de movimentos que visam atingir um alvo, pois 
o indivíduo não consegue dosar exatamente a intensidade de movimentos 
necessária para realizar tal fato. Pode-se testar esse sinal pedindo ao paciente 
para colocar o dedo na ponta do nariz e verificar se ele é capaz de executar a 
ordem de olhos fechados. 
 Decomposição: movimentos complexos que normalmente são feitos 
simultaneamente por várias articulações passam a ser decompostos, ou seja, 
realizados em etapas sucessivas por cada uma das articulações. 
 Disdiadococinesia: dificuldade de fazer movimentos rápidos e alternados como, 
por exemplo, tocar rapidamente a ponta do polegar com os dedos indicador e 
médio, alternadamente. 
 Hipotonia muscular e rechaço (fenômeno do rebote positivo): sinal verificado 
pedindo para o paciente forçar a flexão do antebraço contra uma resistência no 
pulso exercida pelo pesquisador. Ao se retirar a resistência, um indivíduo 
normal é capaz de ativar os músculos extensores, coordenada pelo cerebelo. 
Entretanto, no doente, essa coordenação não existe, os músculos extensores 
custam a agir e o movimento é muito violento, levando quase sempre o paciente 
a dar um golpe no próprio rosto. 
 Tremor de intenção (ou tremor de ação): tremor característico que aparece no 
final de um movimento, quando o paciente está prestes a atingir um objetivo, 
como, por exemplo, apanhar um objeto no chão (tremor intencional) ou mesmo 
alcançar a ponta do nariz com o dedo. 
 Nistagmo: movimento oscilatório rítmico dos bulbos oculares, que ocorre especialmente em lesões do sistema 
vestibular do cerebelo. 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
56 
 
OBS
4
: As lesões hemisféricas do cerebelo manifestam-se, de maneira geral, nos membros do lado lesado e dão sintomatologia 
neocerebelar relacionada, pois, à coordenação dos movimentos. Já a lesão do vérmis manifesta-se principalmente por perda do 
equilíbrio com alargamento da base de sustentação e alterações na marcha (marcha atáxica). 
 
 
APLICAÇÕES CLÍNICAS GERAIS 
 
MEDULOBLASTOMA 
 O meduloblastoma é um dos tumores malignos mais comuns na 
infância, sendo considerado um variante dos Tumores Neuroectodérmicos 
Primitivos (TNEP). São mais comuns em crianças do sexo masculino, 
localizando-se, principalmente, na fossa posterior e na linha média. Tal 
apresentação faz com que este tumor desenvolva sintomas relacionados ao 
vérmis cerebelar e à hidrocefalia (hipertensão intracraniana): náuseas, 
vômitos e ataxia. 
 Geralmente, o manejo de tumores nesta topografia exige duas 
etapas de tratamento: (1) instalação de uma derivação ventrículo-externa 
(DVE) para tratar a hidrocefalia; (2) tratamento do tumor propriamente dito. 
Para isto, devemos optar primeiramente pela ressecção cirúrgica, que 
geralmente é incompleta. Como este tumor é propenso a se disseminar 
pelas leptomeninges e pelo líquor, é necessário tratamento adicional: 
irradiação total do cérebro e da medula espinhal; e quimioterapia após 
radioterapia externa, melhorando a sobrevida do paciente. 
 Em linhas gerais,o tratamento do meduloblastoma é programado 
da seguinte maneira: 
 Crianças com menos de 6 anos: cirurgia + QT. 
 Crianças com mais de 6 anos: cirurgia + RT + QT. 
 
 O implante de uma derivação definitiva (geralmente, derivação ventrículo-peritoneal ou DVP) pode ser necessário mesmo 
depois da retirada do tumor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TC mostrando meduloblastoma com captação de contraste na região do IV ventrículo. A dilatação do 
corno temporal indica a presença de hidrocefalia. 
 
 
EPENDIMOMA 
 Os ependimomas são tumores de origem glial (se originam das células 
ependimárias), podendo surgir em qualquer ponto do neuroeixo. Uma localização 
comum dos ependimomas intracranianos é o assoalho do IV ventrículo. Pode 
ocorrer frequentemente na fossa posterior, ao longo dos ventrículos encefálicos e na 
medula (cone medular), principalmente. Na realidade, 2/3 destes tumores se 
desenvolve na fossa posterior (90% deles no IV ventrículo, de fato). 
 É o mais frequente tumor neuroepitelial da medula e é considerado o 3º 
tumor mais comum em crianças (8 – 12%), sendo 30% deles em menores de 3 
anos. A metade deles ocorre na primeira e segunda décadas de vida. Tem um 
primeiro pico ocorrendo entre a 7ª semana de vida e os 16 anos e um segundo pico 
na 3ª década de vida. 
 Sua localização, que se faz principalmente na fossa posterior, gera um 
quadro clínico caracterizado por: 
 Náuseas e vômitos (80%) 
 Cefaleia (30%) 
 Letargia e irritação 
 Desequilíbrio 
 
Ao exame físico, podemos perceber ataxia (45%), nistagmo (40%), sinais de compressão de nervos cranianos baixos (10%), 
hemiparesia (20%) e aumento do perímetro cefálico em crianças menores que 2 anos (10%). 
 O tratamento dos ependimomas envolve, em geral, cirurgia, associada ao uso de esteroides (para a diminuição do edema) e 
radioterapia. Por vezes, é necessária a instalação de uma DVP para tratar a hidrocefalia. Vale salientar que a quimioterapia não 
funciona nestes tumores. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
57 
 
 
ANATOMIA MACROSCÓPICA DO DIENCÉFALO 
 
 
 O diencéfalo e o telencéfalo formam, juntos, o cérebro, que corresponde ao prosencéfalo durante a vida embrionária. O 
cérebro é a porção mais desenvolvida e importante do encéfalo, ocupando cerca de 80% dele. O telencéfalo se desenvolve 
enormemente em sentido lateral e posterior para constituir os hemisférios cerebrais. Deste modo, encobre quase completamente o 
diencéfalo, que permanece em situação ímpar e mediana, podendo ser visto apenas na face inferior do cérebro. 
 O diencéfalo compreende as seguintes estruturas: tálamo, hipotálamo, epitálamo e subtálamo, estando todas relacionadas 
com o III ventrículo. 
 
 
III VENTRÍCULO 
 O III ventrículo representa uma estreita cavidade ímpar e mediana no diencéfalo, comunicando-se com o IV ventrículo por 
meio do aqueduto cerebral e com os ventrículos laterais pelos respectivos forames interventriculares (forames de Monro). Quando o 
cérebro é observado medialmente (através de uma secção no plano sagital), as paredes laterais do III ventrículo são expostas 
amplamente. Nelas, nota-se a presença de uma depressão rasa, o sulco hipotalâmico, que liga o forame interventricular ao aqueduto 
cerebral, determinando o local de escoamento do líquor a partir dos ventrículos laterais até o IV ventrículo. Esse sulco serve como um 
limite: as paredes acima dele pertencem ao tálamo, e as situadas abaixo, ao hipotálamo. Unindo os dois tálamos e, por conseguinte, 
atravessando a cavidade ventricular, observa-se frequentemente a aderência intertalâmica. 
 O assoalho do III ventrículo é composto por, de diante para trás: quiasma óptico, infundíbulo, túber cinéreo e corpos 
mamilares, todos pertencentes ao hipotálamo. 
 A parede posterior do ventrículo, relativamente pequena, é formada pelo epitálamo, que se localiza acima do sulco 
hipotalâmico e posteriormente à massa talâmica. Saindo de cada lado do epitálamo e percorrendo a parte mais alta das paredes 
laterais deste ventrículo, há um feixe ascendente de fibras nervosas, as estrias medulares do tálamo (que seguem desde a área septal 
ao trígono das habênulas), nas quais se insere a tela corioide, que forma o tecto do III ventrículo. A partir da tela corioide, invaginam-
se na luz ventricular os plexos corioides do III ventrículo, que se dispõe em duas linhas paralelas e são contínuos através dos 
respectivos forames interventriculares com os plexos corioides dos ventrículos laterais. 
 A parede anterior do III ventrículo é formada pela lâmina terminal (fina lamina de tecido nervoso que une os dois hemisférios 
e se dispõe entre o quiasma óptico e a comissura anterior). A comissura anterior, a lâmina terminal e as partes adjacentes das 
paredes laterais do III ventrículos pertencem ao telencéfalo, pois derivam da parte central não evaginada da vesícula telencefálica do 
embrião. 
 A luz do III ventrículo 
se evagina para formar quatro 
recessos: na região do 
infundíbulo, o recesso do 
infundíbulo (evidente como um 
orifício no túber cinéreo 
quando a hipófise é arrancada 
das peças anatômicas); outro 
acima do quiasma óptico, o 
recesso óptico; um terceiro na 
haste da glândula pineal, o 
recesso pineal; e o recesso 
suprapineal, localizado acima 
da glândula pineal (impossível 
de ser observado nas peças 
em que o tecto do III ventrículo 
tenha sido removido). 
 
 
TÁLAMO 
 Os tálamos são duas massas volumosas de substância cinzenta, com formato ovoide, dispostas uma de cada lado, na 
porção laterodorsal do diencéfalo. A extremidade anterior de cada tálamo apresenta uma eminência, o tubérculo anterior do tálamo, 
que participa da delimitação do forame interventricular. A extremidade posterior, consideravelmente maior que a anterior, apresenta 
uma grande eminência denominada pulvinar, que se projeta sobre os corpos geniculados lateral e medial (formações talâmicas já 
descritas no estudo do tecto do mesencéfalo). O corpo geniculado medial faz parte da via auditiva; o lateral, da via óptica, e ambos 
são considerados por alguns autores, constituintes de uma divisão do diencéfalo denominada metatálamo. 
 A porção lateral da face superior do tálamo faz parte do assoalho do ventrículo lateral, sendo, por conseguinte, revestido de 
epitélio ependimário (denominado, nessa região, de lâmina afixa); a porção medial, por sua vez, constitui, juntamente com o tecto do 
III ventrículo, o assoalho da fissura transversa do cérebro, cujo tecto é constituído pelo fórnix e pelo corpo caloso, formações 
telencefálicas. A fissura transversa é ocupada por um “fundo-de-saco” de pia-máter, cujo folheto inferior recobre a parte medial da 
face superior do tálamo e, a seguir, entra na constituição da tela corioide. Como se sabe, a tela corioide se prende às estrias 
medulares do tálamo que marcam o limite da face superior e medial do tálamo (tecto do III ventrículo). 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
58 
 
 A face lateral do tálamo é separada do telencéfalo pela cápsula interna, compacto feixe de fibras que liga o córtex cerebral a 
centros nervosos subcorticais. A face inferior do tálamo continua com o hipotálamo e o subtálamo. 
 
 
HIPOTÁLAMO 
 O hipotálamo é uma área relativamente pequena do diencéfalo, estando situada logo abaixo do sulco hipotalâmico, que é 
responsável por separá-lo do tálamo. Ele está relacionado, principalmente, com o controle da atividade visceral, controle da 
homeostase e da temperatura corporal, além do comando de parte do sistema endócrino. O hipotálamo compreende estruturas 
situadas nas paredes laterais do III ventrículo, abaixo do sulco hipotalâmico, além das seguintes formações do assoalho do III 
ventrículo: 
 Corpos mamilares: duas eminências arredondadas de substância cinzenta evidentes anteriormente à fossa interpeduncular 
(mesencéfalo). 
 Quiasma óptico: localizado na parte anterior do assoalho ventricular. Recebe fibras mielínicas dos nervos ópticos, que aí 
cruzam em parte (apenasaqueles oriundos da retina medial ou nasal) e continuam nos tractos ópticos que se dirigem aos 
corpos geniculados laterais, depois de contornar os pedúnculos cerebrais. 
 Túber cinéreo: é uma área ligeiramente cinzenta, mediana, situada atrás do quiasma e dos tractos óticos, entre estes e os 
corpos mamilares. No túber cinéreo prendem-se a hipófise por meio do infundíbulo. 
 Infundíbulo: é uma formação nervosa em forma de funil que se prende ao túber cinéreo, contendo um pequeno 
prolongamento da cavidade ventricular, o recesso do infundíbulo. A extremidade superior do infundíbulo dilata-se para 
constituir a eminência mediana do túber cinéreo, enquanto sua extremidade inferior continua com o processo infundibular, ou 
lobo nervoso da neuro-hipófise. 
 
 
EPITÁLAMO 
 O epitálamo limita posteriormente o III ventrículo, acima do sulco hipotalâmico, já na transição com o mesencéfalo. Seu 
elemento mais evidente é a glândula pineal (epífise ou corpo pineal), glândula endócrina de forma piriforme, ímpar e mediana, que 
repousa sobre o tecto mesencefálico (acima dos colículos superiores). 
 
OBS
1
: A melatonina é um neuro-hormônio que controla os ritmos circadianos (relacionados com a função de regular o sono). Esse hormônio aumenta 
de concentração na falta de luz, sendo produzido pela retina e pela glândula pineal (epitálamo). Na presença de luz, entretanto, é enviada uma 
mensagem neuroendócrina bloqueando a sua formação, portanto, a secreção dessa substância é quase exclusivamente determinada por estruturas 
fotossensíveis, principalmente à noite. Além da pouca luminosidade, grandes exposições ao Sol (como um mecanismo compensatório), banhos 
quentes e dietas ricas em carboidratos estimulam a produção de melatonina. Uma pessoa sob estresse produz normalmente mais adrenalina e cortisol. 
Para cada molécula de adrenalina formada, quatro moléculas de Radicais Livres irão ser produzidas e com isto a probabilidade de lesão nas células 
aumenta. 
 
 A base do corpo pineal prende-se anteriormente a dois feixes transversais de fibras que cruzam o plano mediano, a 
comissura posterior (inferiormente) e a comissura das habênulas (superiormente), entre as quais penetra na glândula pineal um 
pequeno prolongamento da cavidade ventricular, o recesso pineal. A comissura das habênulas interpõe-se entre duas pequenas 
eminências triangulares, os trígonos das habênulas (que continuam anteriormente, de cada lado, com as estrias medulares do 
tálamo), situados entre a glândula pineal e o tálamo. A tela corioide do III ventrículo insere-se, lateralmente, nas estrias medulares do 
tálamo e posteriormente na comissura das habênulas. 
 
 
SUBTÁLAMO 
 O subtálamo compreende a zona de transição entre o diencéfalo e o tegmento do mesencéfalo. É de difícil visualização nas 
peças de rotina uma vez que não está relacionado diretamente com as paredes do III ventrículo. É mais facilmente observado em 
cortes frontais do cérebro. Está localizado abaixo do tálamo, sendo limitado lateralmente pela cápsula interna e medialmente pelo 
hipotálamo. O elemento mais importante do subtálamo é o núcleo subtalâmico. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
59 
 
 
 
 
 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
60 
 
 
ESTRUTURA E FUNÇÕES DO SUBTÁLAMO, EPITÁLAMO E TÁLAMO 
 
 
 Como vimos a propósito do capítulo anterior, quando nos referimos à Anatomia Macroscópica do Diencéfalo, foi feita uma 
divisão desta região do cérebro em quatro importantes componentes: o subtálamo, o hipotálamo, o tálamo e o epitálamo. Estes três 
últimos guardam relação direta com os limites do III ventrículo, também descrito no capítulo anterior. O subtálamo está localizado mais 
profundamente com relação a estas estruturas. Este capítulo tem por objetivo expor, de forma direta, as funções e particularidades 
microscópicas dessas estruturas. O hipotálamo será melhor abordado em um capítulo a parte. 
 
 
SUBTÁLAMO 
 O subtálamo está representado por uma pequena 
área situada na parte posterior do diencéfalo, bem na sua 
transição com o mesencéfalo, limitando-se superiormente 
com o tálamo, lateralmente com a cápsula interna e 
medialmente com o hipotálamo. As formações presentes no 
subtálamo só poderão ser observadas em peças anatômicas 
nas quais o diencéfalo foi seccionado, uma vez que estas 
não se relacionam com estruturas externas ou com a parede 
do III ventrículo. 
 Por estar situado na transição com o mesencéfalo, 
algumas estruturas mesencefálicas estendem-se até o 
subtálamo, como o núcleo rubro, a substância negra e a 
formação reticular, constituindo esta a chamada zona incerta 
do subtálamo. Contudo, o subtálamo apresenta o núcleo 
subtalâmico como uma de suas principais formações 
próprias cinzentas e brancas. Esse núcleo tem conexões nos 
dois sentidos com o globo pálido através do circuito pálido-
subtálamo-palidal, importante para a regulação somática. 
Lesões do núcleo subtalâmico provocam o hemibalismo 
(síndrome caracterizada por movimentos anormais e de 
grandes amplitudes das extremidades). Estes movimentos 
são muito abruptos e muitas vezes não desaparecem com o 
sono, podendo levar o doente à exaustão. 
 
Dos feixes que ultrapassam o subtálamo destacam-se as fibras que do globo pálido se dirigem ao tálamo ou ao núcleo 
subtalâmico. 
 
 
EPITÁLAMO 
 Está localizado na parte mais superior e posterior do 
diencéfalo, contendo formações endócrinas (como a glândula 
pineal e o órgão subcomissural, sendo este representado por um 
espessamento do epêndima situado abaixo da comissura posterior 
e que parece estar envolvido na regulação do metabolismo da água 
e dos sais minerais) e não endócrinas. Estas incluem os núcleos 
da habênula (situados no trígono da habênulas), as estrias 
medulares e a comissura posterior. Com exceção da comissura 
posterior, todas as formações não endócrinas do epitálamo 
pertencem ao sistema límbico, relacionando-se, portanto, com a 
regulação do comportamento emocional. 
 As estrias medulares contêm principalmente fibras originadas na área septal (região localizada anteriormente à lâmina 
terminal do diencéfalo, a parede anterior do III ventrículo) e que terminam nos núcleos das habênulas do mesmo lado ou do lado 
oposto, cruzando-se na comissura das habênulas. Os núcleos das habênulas, por sua vez, ligam-se ao núcleo interpeduncular do 
mesencéfalo através do fascículo retroflexo, constituindo-se, assim, um circuito que liga estruturas do sistema límbico ao 
mesencéfalo (este núcleo, por sua vez, se comunica com a formação reticular, que constitui o “centro eferente” do sistema límbico). 
 A comissura posterior, por meio de uma linha imaginária traçada desde os corpos mamilares, marca o limite entre o 
mesencéfalo e o diencéfalo, sendo constituída por fibras de origem muito variada. Entre estas, destacam-se fibras que, da área pré-
tectal de um lado, cruzam para o núcleo de Edinger-Westphal (núcleo acessório do oculomotor no mesencéfalo), do lado oposto, 
intervindo no reflexo consensual. Tumores da glândula pineal comprimem a comissura posterior e podem lesar estas fibras, abol indo 
este reflexo (ou seja, ao se emitir um feixe de luz em um olho de um lado, não se observa a contração da pupila do outro olho). Já o 
reflexo fotomotor direto pode permanecer intacto (pois os neurônios que comunicam a área pré-tectal, que recebe impulsos visuais do 
corpo geniculado lateral, com o núcleo de Edinger-Westphal o fazem também no mesmo lado, sem ser necessário cruzar na 
comissura posterior). 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
61 
 
GLÂNDULA PINEAL 
 A glândula pineal (corpo pineal ou epífise) origina-se 
embriologicamente de um divertículo ependimário no tecto do III 
ventrículo, entre as comissuras posterior e habenular. Forma-se, 
então, um saco revestido de epêndima em comunicação com essa 
cavidade ventricular. Durante a evolução, o corpo pineal passou de 
um órgão sensorial para um órgão parenquimatosoe secretor, uma 
vez que em vertebrados inferiores recebe estímulos luminosos que 
atravessam a pele e o crânio enquanto que nas aves e mamíferos, 
apresentam células parenquimatosas do corpo pineal (pinealócitos) 
secretoras. 
 A estrutura da pineal é complexa devido à existência de elementos mesodérmicos derivados da pia-máter e elementos derivados do 
epêndima. Entre os elementos derivados neuroectodérmicos, temos células da glia e a célula parenquimatosa própria da pineal, o 
pinealócito. Apresenta também concreções calcárias que aumentam com a idade, sendo importante na identificação dessa glândula por 
exames de imagem, como a tomografia computadorizada. 
 A pineal é muito vascularizada e seu fluxo sanguíneo, segundo algumas pesquisas, é superado apenas pelo rim. Nesta estrutura, 
não encontramos barreira hematoencefálica. A inervação da glândula (oriunda de fibras simpáticas pós-ganglionares do gânglio cervical 
superior, que entram no crânio pelo plexo carotídeo) tem papel importante na síntese do hormônio pineal. 
 A melatonina, hormônio liberado pela glândula pineal, é uma indolamina sintetizada a partir do aminoácido triptofano e serotonina 
por meio dos pinealócitos (que abrigam grandes quantidades dessas substâncias). O processo de síntese é ativado pela noradrenalina 
liberada pelas fibras simpáticas. Durante o dia, essas fibras têm pouca atividade e os níveis de melatonina na pineal e na circulação são muito 
baixos. Entretanto, durante a noite, a inervação simpática da pineal é ativada, liberando noradrenalina, e os níveis de melatonina circulante 
aumentam cerca de 10 vezes, obedecendo a um ritmo circadiano, com pico durante a noite. Entretanto, esse ritmo não é intrínseco da 
pineal, sendo controlado por atividade rítmica do núcleo supraquiasmático do hipotálamo. Esse ritmo, portanto, pode ser abolido seja pela 
destruição desse núcleo supraquiasmático seja pela desenervação simpática da pineal. 
 Nos mamíferos, a luz age sobre a glândula de maneira indireta, ou seja, através de um circuito nervoso que envolve as conexões da 
retina com o núcleo supraquiasmático e deste com a pineal através do sistema simpático. A cegueira ou permanência na escuridão constante 
tem efeito oposto. Demonstra-se, pois, que a luz inibe e o escuro ativa a glândula pineal. 
 
OBS
1
: As primeiras ideias de que a pineal teria uma ação inibidora sobre as gônadas surgiram no início do século, quando se verificou que certos 
tumores da pineal são geralmente associados a um quadro de puberdade precoce. Sabe-se, portanto, que há uma destruição dos pinealócitos pelo 
tumor, cessando assim a ação frenadora que a pineal exerce sobre as gônadas. 
OBS²: Regulação dos ritmos circadianos. Com a descoberta de que o teor de melatonina circulante sofre uma variação circadiana, levantou-se a 
hipótese de que ela poderia estar envolvida na regulação de outros ritmos circadianos existentes no organismo. A pineal, através da liberação cíclica 
de melatonina, age sincronizando os vários ritmos circadianos com o ciclo externo de dia/noite. Assim, nos mamíferos, a pinealectomia causa 
dessincronização de vários ritmos circadianos. Do mesmo modo, a administração de melatonina em horários adequados é capaz de mudar a fase dos 
ritmos circadianos podendo até mesmo corrigir alterações já existentes nesses ritmos. Há evidências de que este efeito se deve à ação da melatonina 
sobre o próprio núcleo supraquiasmático que, como se demonstrou recentemente, é muito rico em receptores desse hormônio. 
OBS³: A melatonina, por exemplo, tem sido usada para melhorar o mal-estar e a insônia observados após voos intercontinentais em aviões a jato, 
quando, de repente, o indivíduo é deslocado de uma região onde já é noite quando, para seu “relógio biológico”, ainda é dia. 
 
 
TÁLAMO 
 O tálamo, também situado no diencéfalo acima do 
sulco hipotalâmico, é constituído por duas grandes massas 
ovoides de tecido nervoso situadas bilateralmente ao III 
ventrículo (compondo, assim, a sua parede lateral). Apresenta 
uma extremidade pontuda, o tubérculo anterior do tálamo e 
outra posterior e bastante proeminente, o pulvinar do tálamo 
(localizado logo acima do corpo geniculado medial). Os dois 
ovoides talâmicos estão unidos pela aderência intertalâmica, 
relacionando-se medialmente com o III ventrículo; 
lateralmente, com a cápsula interna; superiormente, com a 
fissura cerebral transversa e com os ventrículos laterais; e 
inferiormente, com o hipotálamo e subtálamo. 
 
OBS
4
: Os corpos geniculados medial e lateral são 
considerados, por alguns autores, como estruturas talâmicas. 
Porém, outros os consideram como estruturas de uma porção 
independente do diencéfalo denominada de metatálamo. 
 
 O tálamo é fundamentalmente constituído de 
substância cinzenta, na qual se distinguem vários núcleos. 
Contudo, sua superfície dorsal é revestida por uma fina 
lâmina de substância branca, o extrato zonal do tálamo, que 
se estende à sua face lateral, onde recebe o nome de lâmina 
medular externa. O extrato zonal penetra no tálamo formando 
um verdadeiro septo, a lâmina medular interna, que percorre 
o tálamo longitudinalmente. Em sua extremidade anterior, 
esta lâmina bifurca-se em forma de Y, delimitando 
anteriormente uma área onde se localizam os núcleos 
talâmicos anteriores. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
62 
 
 Os núcleos do tálamo são muito numerosos, podendo ser divididos em cinco grupos, de acordo com sua posição: anterior, 
posterior, mediano, medial e lateral. 
 
 
GRUPO ANTERIOR DE NÚCLEOS DO TÁLAMO 
 Compreende núcleos situados no tubérculo anterior do tálamo, sendo limitados posteriormente pela bifurcação em Y da 
lâmina medular interna. Estes núcleos recebem fibras dos núcleos mamilares por meio do fascículo mamilo-talâmico (feixe de Vicq 
d'Azyr) e projetam fibras eferentes para o córtex do giro do cíngulo, integrando o circuito de Papez, relacionando-se, pois, com o 
comportamento emocional. 
 
 
GRUPO POSTERIOR DE NÚCLEOS DO TÁLAMO 
 Situado na parte posterior do tálamo, compreende o pulvinar e os corpos geniculados lateral e medial. 
 Pulvinar: tem conexões recíprocas com a chamada área de associação temporoparietal do córtex cerebral situada nos giros 
angular e supramarginal. Não se sabe ao certo sua função. Contudo, quando é acometido por lesão, há alterações de 
linguagem associadas. 
 Corpo geniculado medial: recebe pelo braço do colículo inferior fibras provenientes do colículo inferior ou diretamente do 
lemnisco lateral. É responsável por projetar fibras (radiações auditivas) para a área auditiva do córtex cerebral (giro temporal 
transverso anterior – áreas 41 e 42 de Brodmann), servindo, portanto, como um relé da via auditiva. 
 Corpo geniculado lateral: recebe, pelo tracto óptico, fibras provenientes da retina. Projeta fibras pelo tracto genículo-
calcarino (radiações ópticas) para a área visual do córtex situada nas bordas do sulco calcarino (área 17 de Brodmann). 
 
 
GRUPO LATERAL DE NÚCLEOS DO TÁLAMO 
 Compreende núcleos situados lateralmente à lâmina medular interna, que podem ser divididos em um subgrupo dorsal e um 
subgrupo ventral. 
 Núcleo ventral anterior (VA): recebe a maioria das fibras que do globo pálido se dirigem para o tálamo. As fibras aferentes, 
portanto, têm origem inicialmente no córtex cerebral, passam pelo núcleo lentiforme através do putâmen e do globo pálido 
lateral, fazem conexão com o núcleo subtalâmico, vão ao globo pálido medial e dirigem-se ao tálamo a partir deste núcleo 
ventral anterior. Suas fibras eferentes dirigem-se para as áreas motoras do córtex cerebral e tem função ligada à motricidade 
somática. 
 Núcleo ventral lateral (VL; núcleo ventral intermédio): se relaciona com o cerebelo, de modo que as fibras do neocerebelo 
que passam pelo núcleo denteado, após conexão no núcleo rubro, se dirigem ao tálamo no núcleo ventral lateral. Suas fibras 
eferentes vão ao córtex cerebral, fechando o circuito eferente do neocerebelo(denteado-rubro-tálamo-cortical e 
interpósito-tálamo-cortical). Além disso, o núcleo ventral lateral recebe parte das fibras que do globo pálido se dirigem ao 
tálamo. Todas estas conexões também estão relacionadas com o planejamento motor. 
 Núcleo ventral póstero-lateral: é um núcleo relé das vias sensitivas, recebendo fibras dos lemniscos medial e espinhal. 
Cabe relembrar que o lemnisco medial leva os impulsos de tato epicrítico e propriocepção consciente conduzidos na medula 
pelos fascículos grácil e cuneiforme. Já o lemnisco espinhal, formado pela união dos tractos espino-talâmicos lateral e 
anterior, conduz impulsos de temperatura, dor, pressão e tato protopático. Esse núcleo projeta fibras para o córtex do giro 
pós-central, na qual se localiza a área somestésica. 
 Núcleo ventral póstero-medial: é também um núcleo relé das vias sensitivas. Recebe fibras do lemnisco trigeminal, 
trazendo sensibilidade somática geral de parte da cabeça e fibras gustativas provenientes do núcleo do tracto solitário. 
Projeta fibras para as áreas somestésicas e gustativa situadas no giro pós-central. 
 Núcleo reticular do tálamo: constituído por uma fina calota de substância cinzenta disposta lateralmente entre a massa 
principal de núcleos que constitui o ovoide talâmico e a cápsula interna. Este núcleo não tem projeções para o córtex 
cerebral. Suas conexões principais são com os demais núcleos talâmicos e admite-se que exerce uma ação moduladora 
sobre a atividade desses núcleos. 
 
 
GRUPO MEDIAL DE NÚCLEOS DO TÁLAMO 
 Compreende os núcleos situados dentro da lâmina medular interna (núcleos intralaminares) e o núcleo dorsomedial, 
situado entre esta lâmina e os núcleos do grupo mediano. 
 Os núcleos intralaminares, dentre os quais se destaca o núcleo centromediano, recebem um grande número de fibras da 
formação reticular (incluindo a via paleoespinotalâmica, isto é: tracto espino-retículo-talâmico) e têm importante papel 
ativador sobre o córtex cerebral. 
 O núcleo dorsomedial recebe fibras principalmente do corpo amigdaloide e do hipotálamo e tem conexões recíprocas com a 
parte anterior do lobo frontal (área pré-frontal). As principais funções desse núcleo relacionam-se com as emoções, a 
atenção e a iniciativa. 
 
 
GRUPO MEDIANO DE NÚCLEOS DO TÁLAMO 
 São núcleos localizados próximos ao plano sagital mediano, na aderência intertalâmica ou na substância cinzenta 
periventricular, medialmente aos núcleos mediais. Os núcleos do grupo mediano são pequenos e de difícil delimitação no homem. 
Estabelecem conexões principalmente com o hipotálamo, relacionando-se, possivelmente, com funções viscerais. 
 
 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
63 
 
METATÁLAMO 
 O metatálamo, componente considerado por alguns autores, é constituído pelos corpos geniculados lateral e medial. O 
corpo geniculado lateral faz parte das vias ópticas. Do nervo óptico, a via passa pelo quiasma com cruzamento parcial das fibras e 
dirige-se pelo tracto óptico até o corpo geniculado lateral. As fibras eferentes vão ao córtex visual nos lábios do sulco calcarino (área 
17 de Brodmann) por meio das radiações ópticas. O colículo superior estabelece, por meio do braço do colículo superior, uma 
conexão secundária com o corpo geniculado lateral, levando informações importantes para os reflexos relacionados com a visão. 
 O corpo geniculado medial faz parte das vias auditivas. Do lemnisco lateral, a via aferente passa pelo colículo inferior e pelo 
braço do colículo inferior, até o corpo geniculado medial. A via eferente é representada pelas radiações auditivas com destino ao 
córtex cerebral do giro transverso anterior do lobo temporal, na área 41 de Brodmann. 
 
 
RELAÇÕES TÁLAMO-CORTICAIS 
 Embora existam núcleos no tálamo que não têm conexões diretas com o córtex, na maioria dos núcleos estas conexões 
existem e geralmente são recíprocas. As radiações talâmicas (fibras tálamo-corticais e córtico-talâmicas) constituem uma grande 
parte da cápsula interna, sendo que o maior contingente delas se destina às áreas sensitivas do córtex. 
 Os núcleos do tálamo que estabelecem conexões apenas com áreas específicas do córtex, realizando funções específicas, 
são denominados núcleos talâmicos específicos. Entre eles temos, por exemplo, o núcleo ventral póstero-lateral e o corpo 
geniculado medial, cuja estimulação evoca potenciais, respectivamente, na área somestésica e na área auditiva do córtex. 
 Por outro lado, existem os núcleos talâmicos inespecíficos, cuja estimulação modifica os potenciais elétricos de territórios 
muito grandes do córtex cerebral e não apenas de áreas especificas deste córtex. Neste grupo estão os núcleos intralaminares. Os 
núcleos talâmicos inespecíficos recebem muitas fibras de formação reticular e sabe-se que o sistema ativador reticular ascendente 
exerce sua ação sobre o córtex através desses núcleos. 
 
 
CONSIDERAÇÕES FUNCIONAIS E CLÍNICAS SOBRE O TÁLAMO 
 O tálamo é, na realidade, um agregado de núcleos de conexões muito diferentes, o que indica funções também diversas. 
Assim, as funções mais conhecidas do tálamo relacionam-se: 
 Com a sensibilidade: as funções sensitivas do tálamo são as mais conhecidas e as mais importantes. Todos os impulsos 
sensitivos, antes de chegar ao córtex, param em um núcleo talâmico, fazendo exceção apenas os impulsos olfatórios. O 
tálamo tem a função de distribuir às áreas específicas do córtex impulsos que recebe as vias lemniscais. Acredita-se mesmo 
que o córtex só seria capaz de interpretar corretamente impulsos já modificados pelo tálamo. Sabe-se também que alguns 
impulsos sensitivos, como os relacionados com a dor, temperatura e o tato protopático, são interpretados já em nível 
talâmico. Entretanto, a sensibilidade talâmica, ao contrário da cortical, não é discriminativa e não permite, por exemplo, o 
reconhecimento da forma e do tamanho de um objeto pelo tato (estereognosia). 
 Com a motricidade: através dos núcleos ventral anterior e lateral, interpostos, respectivamente, com os circuitos pálido-
corticais e cerebelo-corticais. 
 Com o comportamento emocional: através dos núcleos do grupo anterior, integrantes do sistema límbico e do núcleo 
dorsomedial com suas conexões com a área pré-frontal. 
 Com a ativação do córtex: através dos núcleos talâmicos inespecíficos (como os núcleos intralaminares) e suas conexões 
com o sistema ativador reticular ascendente (SARA). 
 
 
APLICAÇÕES CLÍNICAS GERAIS 
 Os tumores da região pineal mais comuns são neoplasias originárias de 
células germinativas, além de frequentes gliomas (astrocitomas e 
oligodendrogilomas) e tumores de pinealócitos. Independente do tipo 
histológico, a sintomatologia mais comum desses tumores é a síndrome de 
hipertensão craniana, em consequência de hidrocefalia não-comunicante 
produzida pela obstrução do aqueduto cerebral. Quando a área pré-tectal 
mesencefálica é afetada, surge a síndrome de Parinaud, caracterizado pela 
paresia do olhar para cima (sinal do “sol poente”), pupilas assimétricas (além 
da perda do reflexo consensual por compressão da comissura posterior) e 
perda da convergência ocular. Isso ocorre porque a hipertrofia neoplásica da 
glândula pineal chega a comprimir os colículos superiores, relacionados com 
os reflexos de movimento do globo ocular. 
 
 Hemibalismo: resulta de lesões no núcleo subtalâmico. Esse núcleo pode 
ser destruído por acidentes vasculares cerebrais isquêmicos ou hemorrágicos 
e, mais raramente, por lesões tumorais, sobretudo metastáticas. A lesão 
aguda do núcleo subtalâmico produz parada da liberação de glutamato, 
interrompendo a excitação do globo pálido medial e parte reticular da 
substância negra. Como essas estruturas usualmente inibem o núcleo ventral 
ântero-lateral do tálamo, o efeito final é sua desinibição com consequente 
excitação das áreas motoras do córtex cerebral. Clinicamente, isto resulta em 
movimentos involuntários, abruptos, irregulares, contínuos e de grande 
amplitudena metade oposta ao local lesado, caracterizando o hemibalismo. 
Na fase aguda, medicamentos bloqueadores de receptores dopaminérgicos 
costumam controlar o hemibalismo. 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
64 
 
 
ESTRUTURA E FUNÇÕES DO HIPOTÁLAMO 
 
 
 O hipotálamo é a porção mais ínfero-anterior do diencéfalo, dispõe-se nas paredes do III ventrículo, abaixo do sulco 
hipotalâmico, que o separa do tálamo, compondo também o assoalho desse ventrículo. As estruturas macroscópicas que o 
caracterizam são, de diante para trás: quiasma óptico, túber cinério (ao qual se liga o infundíbulo e a hipófise) e os corpos 
mamilares. Trata-se de uma parte muito pequena, pois tem apenas 4g de um cérebro de 1200 gramas. Apesar disso, o hipotálamo, 
por suas inúmeras e variadas funções, é uma das áreas mais importantes do sistema nervoso. 
 
 
DIVISÕES E NÚCLEOS DO HIPOTÁLAMO 
 O hipotálamo é constituído fundamentalmente de substância cinzenta que se agrupa em núcleos. É percorrido pelo fórnix, 
que corre de cima para baixo, terminando no respectivo corpo mamilar, dividindo o hipotálamo em duas regiões: uma área medial 
(situada entre o fórnix e a parede lateral do III ventrículo e é compreendida pelos principais núcleos do hipotálamo) e uma área lateral 
(percorrida pelo feixe prosencefálico medial, complexo sistema de fibras que estabelecem conexões nos dois sentidos entre a área 
septal, pertencente ao sistema límbico, e a formação reticular do mesencéfalo). 
 O hipotálamo pode ainda ser dividido por 
três planos frontais relacionados com as suas 
estruturas anatômicas macroscópicas: 
 Hipotálamo supraóptico: compreende o 
quiasma óptico e toda área situada acima 
dele nas paredes do III ventrículo até o 
sulco hipotalâmico. Neste plano, 
encontramos os seguintes núcleos: núcleo 
supraquiasmático, núcleo supraóptico e 
núcleo paraventricular. 
 Hipotálamo tuberal: compreende o túber 
cinéreo e toda a área situada acima dele, 
nas paredes do III ventrículo até o sulco 
hipotalâmico. Neste plano, encontramos os 
seguintes núcleos: núcleo ventromedial, 
núcleo dorsomedial e núcleo arqueado. 
 Hipotálamo mamilar: compreende os 
corpos mamilares com seus núcleos e as 
áreas das paredes do III ventrículo, que se 
encontram acima deles até o sulco 
hipotalâmico. Neste plano, encontramos os 
seguintes núcleos: núcleos mamilares e 
núcleo posterior. 
 
OBS
1
: Próximo da lâmina terminal, existe uma 
pequena área denominada área pré-optica. Esta 
área deriva embriologicamente da porção central da 
vesícula telencefálica e não pertence, pois, ao 
diencéfalo. 
 
 
CONEXÕES DO HIPOTÁLAMO 
 O hipotálamo tem conexões muito amplas, algumas por meio de fibras que se reúnem em feixes bem definidos, outras 
através de feixes mais difusos e de difícil identificação. 
 
CONEXÕES COM O SISTEMA LÍMBICO 
 O sistema límbico compreende uma série de estruturas relacionadas principalmente com a regulação do comportamento 
emocional e, de certa forma, com a memória. As principais estruturas com as quais o hipotálamo se relacionam são: 
 Hipocampo: liga-se pelo fórnix aos núcleos mamilares do hipotálamo, de onde os impulsos nervosos seguem para o núcleo 
anterior do tálamo através do fascículo mamilo-talâmico, integrando parte do chamado circuito de Papez. 
 Corpo amigdaloide: fibras originadas nos núcleos amigdaloides chegam ao hipotálamo principalmente através da estria 
terminal. 
 Área septal: a área septal liga-se ao hipotálamo através de fibras que percorrem o feixe prosencefálico medial. 
 
CONEXÕES COM A ÁREA PRÉ-FRONTAL 
 Estas conexões têm o mesmo sentido funcional das anteriores, visto que o córtex da área pré-frontal também se relaciona 
com o comportamento emocional. A área pré-frontal mantém conexões com o hipotálamo através do núcleo dorsomedial do tálamo. 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
65 
 
CONEXÕES VISCERAIS 
 O hipotálamo mantém conexões aferentes e eferentes com os neurônios da medula e do tronco encefálico, proporcionando 
seu papel básico de controlador das funções viscerais. 
 Conexões viscerais aferentes: por meio de suas conexões diretas com o núcleo do tracto solitário (fibras solitário-
hipotalâmicas), o hipotálamo recebe informações de toda a sensibilidade visceral, tanto geral como especial (como a 
gustação), que entram no SNC pelos nervos facial, glossofaríngeo e vago. 
 Conexões viscerais eferentes: o hipotálamo controla o sistema nervoso autônomo direta (por meio da conexão direta dos 
núcleos hipotalâmicos com a coluna eferente visceral geral do tronco encefálico) ou indiretamente (por meio da formação 
reticular) agindo sobre os neurônios pré-ganglionares dos sistemas simpático e parassimpático. 
 
CONEXÕES COM A HIPÓFISE 
 O hipotálamo tem apenas conexões eferentes com a hipófise, sendo geralmente associadas à síntese e secreção de 
hormônios. As secreções hipotalâmicas são hormônios estimuladores/inibidores da hipófise anterior (andeno-hipófise) ou hormônios 
que são armazenados na hipófise posterior (neuro-hipófise) para que, só depois, sejam secretados por essa glândula. Elas são 
estabelecidas através dos tractos hipotálamo-hipofisário (com a neuro-hipófise) e túbero-infundibular (com a adeno-hipófise). 
 Tracto hipotálamo-hipofisário: é formado por fibras que se originam nos grandes neurônios (magnocelulares) dos núcleos 
supraóptico e paraventricular, e terminam na neuro-hipófise (hipófise posterior). As fibras deste tracto constituem os 
principais componentes estruturais da neuro-hipófise, sendo elas ricas em neurossecreção, sendo as principais o hormônio 
antidiurético (ADH) e a ocitocina. 
 Tracto túbero-infundibular: é constituído de fibras neurossecretoras que se originam em neurônios pequenos 
(parvicelulares) do núcleo arqueado e áreas vizinhas do hipotálamo tuberal (núcleos peri e paraventriculares). Seus axônios 
convergem para a região hipotalâmica chamada de eminência mediana e na haste infundibular, na qual vários hormônios são 
secretados diretamente no sistema porta-hipotálamo-hipofisário. São fatores secretados por esta via: GnRH, TRH, CRH, etc. 
 
 
 
CONEXÕES SENSORIAIS 
 Além das informações sensoriais provenientes das vísceras, diversas outras modalidades sensoriais têm acesso ao 
hipotálamo por vias indiretas, nem sempre bem conhecidas. O hipotálamo recebe informações sensoriais das áreas eretogênicas, 
como os mamilos e órgãos genitais, importantes para o fenômeno da ereção. Por meio do tracto retino-hipotalâmico (que termina no 
núcleo supraquiasmático), o hipotálamo se conecta ao córtex olfatório e à retina (conexão importante para o controle dos ciclos 
circadianos). 
 
CONEXÕES MONOAMINÉRGICAS 
 Vários grupos de neurônios noradrenérgicos da formação reticular do tronco encefálico projetam-se para o hipotálamo, assim 
como neurônios serotoninérgicos oriundos dos núcleos da rafe. 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
66 
 
 
 
FUNÇÕES DO HIPOTÁLAMO 
 As funções do hipotálamo estão relacionadas diretamente com a homeostase, ou seja, com a manutenção do equilíbrio do 
meio interno dentro dos limites compatíveis com o funcionamento adequado dos diversos órgãos. Para isso, o hipotálamo tem um 
papel regulador sobre o sistema nervoso autônomo e o sistema endócrino, controlando ainda vários mecanismos importantes para a 
sobrevivência do indivíduo, como a fome, a sede e o sexo. 
 
CONTROLE DO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 
 O hipotálamo é o principal centro suprassegmentar de regulação do sistema nervoso autônomo, exercendo esse papel 
juntamente a outras áreas do cérebro e estruturas do sistema límbico. De modo geral, o hipotálamo anterior controla principalmente o 
sistema parassimpático, enquanto que o posterior controla principalmente o sistema simpático. 
 
REGULAÇÃO DA TEMPERATURA CORPORAL 
 A capacidade de regular a temperatura corporal, característica especial dos animais homeotérmicos, é exercida pelohipotálamo. Este é informado da temperatura corporal por meio de termorreceptores periféricos e por neurônios localizados no 
hipotálamo anterior que também funcionam como termorreceptores. 
 O hipotálamo funciona como um termostato capaz de detectar variações de temperatura no sangue que por ele passa e 
ativar os mecanismos de perda ou de conservação do calor necessário à manutenção da temperatura normal. Existem, pois, dois 
centros: 
 O centro de perda de calor, situado no hipotálamo anterior, por meio de estímulos, desencadeia fenômenos de vasodilatação 
periférica e sudorese que resultam em perda de calor. 
 O centro de conservação do calor, situado no hipotálamo posterior, que por meio de estímulos, promove em vasoconstricção 
periférica, tremores musculares (calafrios) e até mesmo liberação do hormônio tireoidiano, que funcionam no sentido de gerar 
ou conservar calor. 
 
REGULAÇÃO DO COMPORTAMENTO EMOCIONAL 
 O hipotálamo, juntamente com o sistema límbico e a área pré-frontal, tem papel importante na regulação dos processos 
emocionais, como raiva, medo, prazer, etc. 
 
REGULAÇÃO DA INGESTÃO DE ALIMENTOS 
 Costuma-se distinguir no hipotálamo um centro da fome 
(situado no hipotálamo lateral) e um centro da saciedade 
(correspondendo ao núcleo ventromedial do hipotálamo). A estimulação 
do hipotálamo lateral faz com que o animal se alimente vorazmente, 
enquanto a estimulação do núcleo ventromedial do hipotálamo causa 
total saciedade, ou seja, o animal recusa-se a comer mesmo na 
presença de alimento. 
 Desse modo, lesões na área lateral do hipotálamo causam 
ausência completa do desejo de alimentar-se, levando o animal à 
inanição, enquanto nas lesões do núcleo ventromedial o animal alimenta-
se exageradamente, tornando-se extremamente obeso. 
 
REGULAÇÃO DA INGESTÃO DE ÁGUA 
 A lesão de uma área do hipotálamo lateral, frequentemente 
denominada centro da sede, faz com que o animal perca a vontade de 
beber água, podendo morrer desidratado. 
 Por outro lado, estímulos nesta mesma área, através de 
eletrodos aí implantados, aumentam a sede do animal, que pode morrer 
por excesso de ingestão de água. 
 
REGULAÇÃO DA DIURESE 
 O hipotálamo tem importante papel na regulação da quantidade de água no organismo. Isto se faz não só pelo controle da 
ingestão de água, mas também pela regulação da quantidade de água na urina. Para isto, os núcleos supraóptico e paraventricular 
do hipotálamo sintetizam o hormônio antidiurético (ADH ou vasopressina) e o envia à neuro-hipófise para a sua secreção. Esse 
hormônio age aumentando a absorção de água nos túbulos renais, diminuindo a eliminação de água pela urina. 
 
REGULAÇÃO DO SISTEMA ENDÓCRINO 
 O hipotálamo regula a secreção de todos os hormônios de adeno-hipófise e, desse modo, exerce ação controladora sobre 
quase todo o sistema endócrino. 
 
GERAÇÃO E REGULAÇÃO DE RITMOS CIRCADIANOS 
 Os ritmos circadianos (do latim, circa=cerca e dies=dia) ocorrem em quase todos os organismos e são gerados por marca-
passos ou relógios biológicos. Nos mamíferos, o principal marca-passo circadiano situa-se no núcleo supraquiasmático do 
hipotálamo, cuja destruição abole os ritmos circadianos. 
 Cabe lembrar que o núcleo supraquiasmático recebe informações sobre a luminosidade do ambiente através do tracto retino-
hipotalâmico, o que lhe permite sincronizar os ritmos circadianos por meio do ritmo claro/escuro. 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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RELAÇÕES HIPOTÁLAMO-HIPOFISÁRIAS 
 Importantes são as conexões que o hipotálamo estabelece com a hipófise. Como vimos, o hipotálamo tem apenas conexões 
eferentes com essa glândula, sendo geralmente associadas à síntese e à secreção de hormônios. Basicamente, temos: 
 Os neurônios hipotalâmicos que se relacionam com a neuro-hipófise constituem o sistema magnocelular. Fazem parte deste 
sistema neurônios distribuídos nos núcleos supraópticos e paraventricular. Destes núcleos, partem axônios que se 
projetam pela haste hipofisária até o lobo posterior da hipófise onde os neuro-hormônios são armazenados e liberados para a 
circulação sistêmica pela própria hipófise. 
 Os neurônios hipotalâmicos que se relacionam com a adeno-hipófise constituem o sistema parvicelular ou túbero-
infundibular. Fazem parte deste sistema neurônios difusamente distribuídos nos núcleos arqueados do hipotálamo. Um 
sistema vascular especializado conecta a eminência mediana à adeno-hipófise – o sistema porta hipotálamo-hipofisário, 
onde os hormônios chegam em alta concentração antes de entrarem na circulação sistêmica mais diluídos. 
 
RELAÇÕES DO HIPOTÁLAMO COM A NEURO-HIPÓFISE 
 As ideias de que o hipotálamo teria relações importantes com a neuro-hipófise surgiram a partir da doença conhecida como 
diabete insípido, caracterizada por uma poliúria não relacionada com o aumento de glicose na luz dos túbulos renais, mas sim, devido 
a falta do hormônio ADH. Verificou-se que o diabete insípido ocorre não só em processos patológicos da neuro-hipófise, mas também 
em certas lesões do hipotálamo. Sabe-se hoje que isto se deve ao fato de que o hormônio antidiurético é sintetizado pelos 
neurônios dos núcleos supra-ópticos e paraventricular do hipotálamo e, a seguir, é transportado pelas fibras do tracto hipotálamo-
hipofisário, até a neuro-hipófise; de lá, é secretado para a corrente sanguínea. 
 Na neuro-hipofise, as fibras do tracto hipotálamo-hipofisário terminam em relação com vasos situados em septos conjuntivos, 
o que permite a liberação dos hormônios na corrente sanguínea. Como já foi visto, o hormônio antidiurético age nos túbulos renais 
aumentando a absorção de água. 
 Já a ocitocina, também produzida pelo hipotálamo e secretada pela neuro-hipófise, promove a contração da musculatura 
uterina e das células mioepiteliais das glândulas mamárias, sendo importante no parto e na ejeção do leite. Este fenômeno envolve 
um reflexo neuroendócrino através do qual os impulsos sensoriais, que resultam da sucção do mamilo pela criança, são levados à 
medula e daí ao hipotálamo, no qual estimulam a produção de ocitocina pelos núcleos supraóptico e paraventricular e sua liberação 
na neuro-hipófise. 
 
RELAÇÃO DO HIPOTÁLAMO COM A ADENO-HIPÓFISE 
 O hipotálamo não é o responsável direto pela produção dos hormônios da adeno-hipófise, mas ele regula a produção e 
secreção dos hormônios desse lobo da hipófise por um mecanismo que envolve uma conexão nervosa e outra vascular. Através da 
primeira, neurônios neurosecretores situados no núcleo arqueado e áreas vizinhas do hipotálamo tuberal secretam substâncias ativas 
que descem por fluxo axo-plasmático nas fibras do tracto túbero-infundibular e são liberadas em capilares especiais situados na 
eminência mediana e na haste infundibular. Inicia-se então a conexão vascular que se faz através do sistema porta-hipofisário, 
constituído por veias interpostas entre redes capilares. Os capilares são ramos das artérias hipofisárias e as veias, por sua vez, 
desembocam diretamente no seio cavernoso. 
 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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ANATOMIA MACROSCÓPICA DO TELENCÉFALO 
 
 
 O cérebro, que compõe o SNC junto à medula espinhal, ao tronco encefálico e ao cerebelo, é dividido em diencéfalo e 
telencéfalo. O telencéfalo compreende os dois hemisférios cerebrais, direito e esquerdo, e uma pequena parte mediana situada na 
porção anterior do III ventrículo. Esses dois hemisférios são incompletamente separados entre si pela fissura longitudinal do cérebro 
(fissura inter-hemisférica), cujo assoalho é formado pelo corpo caloso, formado por uma larga faixa de fibras comissurais (que 
atravessam o plano mediano) interligando regiões simétricas do telencéfalo. Os hemisférios cerebrais possuem ainda cavidades, os 
ventrículos laterais esquerdo (I ventrículo) e direito (II ventrículo), que se comunicam com o III ventrículo por meio dos forames 
interventriculares (forame de Monro). 
 Cada hemisfériopossui três pólos: frontal, occipital e temporal; e três faces: face súpero-lateral (convexa); face medial (plana) 
e face inferior ou base do cérebro (de formato irregular) repousando anteriormente nos andares anterior e médio da base do crânio e 
posteriormente na tenda do cerebelo. 
 
 
SULCOS E GIROS – DIVISÃO DO TELENCÉFALO EM LOBOS 
 A superfície do cérebro humano, assim como a de vários animais, apresenta depressões denominadas sulcos responsáveis 
por delimitar os giros (circunvoluções cerebrais). A existência desses sulcos permite considerável aumento de superfície sem grande 
aumento do volume cerebral e sabe-se que cerca de dois terços da área ocupada pelo córtex estão abrigados nesses sulcos. A 
existência desses sulcos armazenando área de tecido nervoso dos giros serve como uma questão estética da natureza: se não 
houvessem essas circunvoluções de tecido nervoso, para abrigar a mesma quantidade de células nervosas, a cabeça humana deveria 
ter uma circunferência cerca de 10 vezes maior que o normal. 
 Muitos desses sulcos não são constantes, não recebendo qualquer denominação. Já outros, que aparecem com maior 
frequência, recebem denominações especiais e ajudam a delimitar os lobos e as áreas cerebrais. De qualquer modo, o padrão de 
sulcos e giros do cérebro varia em cada cérebro, podendo ser diferente nos dois hemisférios de um mesmo indivíduo. Em cada 
hemisfério cerebral, são mais visíveis e mais importantes o sulco lateral (de Sylvius) e o sulco central (de Rolando): 
 Sulco lateral (de Sylvius): amplo sulco, melhor observado na face súpero-lateral do cérebro, que divide o lobo frontal e 
parte do parietal do temporal. Inicia-se ainda na face inferior do telencéfalo, lateralmente à substância perfurada anterior 
(localizada entre as duas estrias olfatórias) como uma fenda profunda que, separando o lobo frontal do temporal, dirige-se 
(em trajeto ascendente) para a face súpero-lateral do cérebro, onde termina dividindo-se em três ramos: anterior, 
ascendente e posterior. Os ramos ascendente e anterior são curtos e penetram no lobo frontal; o ramo posterior é muito 
mais longo, e dirige-se para trás e para cima, terminando no lobo parietal. O sulco lateral é responsável, então, por separar o 
lobo temporal, situado abaixo, dos lobos frontal e parietal, situados acima. 
 Sulco central (de Rolando): é um sulco profundo e geralmente contínuo que percorre obliquamente a face súpero-lateral do 
hemisfério, separando os lobos frontal e parietal. Tem início na face medial do hemisfério cerebral, bem na região do lóbulo 
paracentral, aproximadamente no meio da borda dorsal desse hemisfério e, a partir desse, ponto dirige-se para diante e para 
baixo, em direção ao ramo posterior do sulco lateral, do qual é separado, na maioria dos casos, por uma pequena prega 
cortical. Esse sulco é delimitado por dois grandes giros paralelos a ele: giro pré-central (anteriormente) e o giro pós-central 
(posteriormente). De um modo geral, as áreas situadas adiante do sulco central relacionam-se com a motricidade, enquanto 
que as situadas atrás deste sulco, relacionam-se com a sensibilidade. 
 
 Os lobos cerebrais, delimitados por sulcos e 
linhas imaginárias, recebem sua denominação de 
acordo com os ossos do crânio com os quais se 
relacionam. Assim, temos os lobos frontal, temporal, 
parietal e occipital. Além destes, existe um quinto 
lobo, a ínsula, situado profundamente no sulco lateral e 
que não tem, por conseguinte, relação imediata com os 
ossos do crânio. 
 O lobo frontal localiza-se acima do sulco lateral 
e anterior ao sulco central. 
 Na face medial do cérebro, o limite anterior do 
lobo occipital é o sulco parieto-occipital. Já na 
face súpero-lateral este limite é arbitrariamente 
situado em uma linha imaginária que une a 
terminação do hemisfério, localizada na borda 
superior do hemisfério cerebral, à incisura pré-
occipital, situada na borda ínfero-lateral, cerca de 
4cm adiante do pólo occipital. 
 Do ponto médio desta linha, parte uma segunda 
linha imaginária em direção no ramo posterior do 
sulco lateral e que, juntamente com esse ramo, 
separa o lobo temporal do lobo parietal. 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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MORFOLOGIA DAS FACES DOS HEMISFÉRIOS CEREBRAIS 
 
FACE SÚPERO-LATERAL 
 A face súpero-lateral do cérebro, ou face convexa, é a maior das faces cerebrais, relacionando-se com todos os ossos que 
formam a abóbada craniana. Nela, estão representados os cincos lobos cerebrais que serão estudados a seguir. 
 
1. Lobo frontal 
 Identificam-se em sua superfície três sulcos principais: 
 Sulco pré-central: mais ou menos paralelo ao sulco central, está localizado logo anteriormente ao giro pré-central, sendo, 
por muitas vezes, dividido em dois segmentos. 
 Sulco frontal superior: inicia-se geralmente na porção superior do sulco pré-central e tem direção aproximadamente 
perpendicular a ele. 
 Sulco frontal inferior: partindo da porção inferior do sulco pré-central, dirige-se para frente e para baixo. 
 
 Entre o sulco central e o sulco pré-central está o giro pré-central, onde se localiza a área motora principal do cérebro (área 4 
de Brodmann). Acima do sulco frontal superior, continuando, pois, na face medial do cérebro, localiza-se a face súpero-lateral do 
giro frontal superior e a face medial do giro frontal superior, respectivamente. Entre os sulcos frontal superior e frontal inferior 
está o giro frontal médio. Logo abaixo do sulco frontal inferior, temos o giro frontal inferior que é ainda subdividido pelos ramos 
anterior e ascendente do sulco lateral em três partes: parte orbital (anteriormente ao ramo anterior do sulco lateral), parte triangular 
(entre o ramo anterior e o ramo ascendente) e a parte opercular (entre o ramo ascendente e a parte inferior do sulco pré-central). 
 
OBS: O giro frontal inferior do hemisfério cerebral esquerdo é denominado giro de Broca, pois aí se localiza, na maioria dos 
indivíduos, o centro cortical da palavra falada. 
 
2. Lobo Temporal 
 Apresenta na face súpero-lateral do cérebro dois sulcos principais: 
 Sulco temporal superior: inicia-se próximo ao pólo temporal e dirige-se para trás, paralelamente ao ramo posterior do sulco 
lateral, terminando no lobo parietal (bem no giro angular). 
 Sulco temporal inferior: paralelo ao sulco temporal superior, é geralmente formado por duas ou mais partes descontínuas. 
 
 Entre os sulcos lateral e temporal superior está o giro temporal superior; entre os sulcos temporal superior e temporal 
inferior situa-se o giro temporal médio; abaixo do sulco temporal inferior localiza-se o giro temporal inferior, que se limita com o 
sulco occipito-temporal, geralmente situado na face inferior do hemisfério. Afastando-se os lábios do sulco lateral, aparece seu 
assoalho, que é parte do giro temporal superior. A porção posterior deste assoalho é atravessada por pequenos giros transversais, os 
giros temporais transversos, dos quais o mais evidente, o giro temporal transverso anterior, é também o mais importante, pois 
nele se localiza o centro cortical da audição. 
 
3. Lobos parietal e occipital 
 O lobo parietal apresenta dois sulcos principais: 
 Sulco pós-central: quase paralelo e posterior ao sulco central, é frequentemente dividido em dois segmentos, que podem 
estar mais ou menos distante um do outro. 
 Sulco intraparietal: muito variável e geralmente perpendicular ao pós-central, com o qual pode estar unido, estende-se para 
trás para terminar no lobo occipital. 
 
 Entre os sulcos central e pós-central fica o giro pós-central, onde se localiza uma das mais importantes áreas sensitivas do 
córtex: a área somestésica. O sulco intraparietal, por sua vez, separa o lóbulo parietal superior do lóbulo parietal inferior. Neste 
último, descrevem-se dois giros: o giro supramarginal (curvado em torno do ramo posterior do sulco lateral) e o giro angular 
(curvado em torno da porção terminal e ascendentedo sulco temporal superior). 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
70 
 
OBS
1
: Veremos no próximo capítulo que uma lesão na área correspondente a estes giros pré-citados do hemisfério esquerdo, causa 
o desenvolvimento da Síndrome de Gerstmann, caracterizada por afasia, agnosia, anomia, acalculia e apraxia. Já no hemisfério 
direito, causa a Síndrome da Negligência, em que o indivíduo negligencia toda a parte esquerda do seu corpo e do campo em que 
se situa. 
 
4. Lobo da ínsula 
 Afastando-se os lábios do sulco lateral, ou 
mesmo retirando o opérculo fronto-parieto-
temporal, evidencia-se uma ampla fossa no fundo 
da qual está situada a ínsula, lobo cerebral que 
durante o desenvolvimento cresce menos que os 
demais, razão pela qual é pouco a pouco 
recoberto pelos lobos vizinhos: frontal, temporal e 
parietal. A ínsula tem forma cônica e seu ápice, 
voltado para baixo e para frente, é denominado de 
límen da ínsula (formando pelo encontro anterior 
dos giros curtos da ínsula). 
 São descritos os seguintes giros e sulcos 
da ínsula: sulco circular da ínsula, sulco central da 
ínsula, giros curtos e giros longos da ínsula. 
 
 
FACE MEDIAL 
 Para se visualizar completamente esta 
face, é necessário que o cérebro seja seccionado 
no plano sagital mediano, expondo, assim, a 
metade do diencéfalo e algumas formações inter-
hemisféricas como o corpo caloso, o fórnix e o 
septo pelúcido, que serão descritos a seguir: 
 
 Corpo caloso: maior das comissuras inter-hemisféricas, o corpo caloso é formado por um grande feixe de fibras mielínicas 
que cruzam o plano mediano e penetram de cada lado no centro branco medular do cérebro, unindo áreas simétricas do 
córtex cerebral de cada hemisfério. Observando o corpo caloso em um corte sagital do cérebro, o mesmo apresenta uma 
lâmina branca arqueada dorsalmente: o tronco do corpo caloso, que se dilata posteriormente para formar o esplênio do corpo 
caloso e se flete anteriormente em direção à base do cérebro para constituir o joelho do corpo caloso. Este, mais 
inferiormente, afila-se para formar o rostro do corpo caloso, que continua em uma fina lâmina, a lâmina rostral, até a 
comissura anterior, uma outra comissura inter-hemisférica. Entre a comissura anterior o quiasma óptico temos a lâmina 
terminal, delgada lâmina de substância branca que também une os dois hemisférios e forma o limite anterior do terceiro 
ventrículo. No dorso do corpo caloso, encontramos dois pares de estrias: as estrias longitudinais mediais e laterais. 
 
 Fórnix: emerge abaixo do esplênio do corpo caloso e 
arqueia-se anteriormente em direção à comissura 
anterior. É um feixe complexo de fibras que não pode ser 
visto em toda a sua extensão em um corte sagital do 
cérebro. O fórnix é constituído por dois filetes laterais de 
fibras simétricas afastadas nas extremidades e unidas 
entre si no durante seu trajeto abaixo do corpo caloso. A 
porção intermédia, bem na região em que as duas 
metades se unem no plano mediano, constitui o corpo do 
fórnix; as extremidades que se afastam são, 
respectivamente, as colunas do fórnix, anteriormente, e 
as pernas do fórnix, posteriormente. As colunas do fórnix 
chegam ao corpo mamilar do seu respectivo lado, 
cruzando logo depois, em um trajeto súpero-posterior, a 
parede lateral do III ventrículo, se continuando como 
corpo do fórnix. As pernas do fórnix, formadas a partir do 
corpo, divergem e penetram de cada lado no corno 
inferior do ventrículo lateral, onde fazem conexão com o 
hipocampo, como será discutido logo adiante. Bem no 
ponto onde as pernas do fórnix se separam, algumas 
fibras passam de um lado para outro, formando a 
comissura do fórnix. 
 
OBS
2
: Entre o corpo caloso e o fórnix, estende-se o septo pelúcido, constituído por uma dupla camada de lâminas de tecido nervoso 
que delimitam uma cavidade muito estreita entre elas, a cavidade do septo pelúcido. Esse septo é responsável por separar os dois 
ventrículos laterais. 
 
 
 
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1. Lobo Occipital 
 Apresenta dois sulcos importantes na face medial do cérebro: 
 Sulco calcarino: inicia-se abaixo do esplênio do corpo caloso e tem um trajeto arqueado em direção ao pólo occipital. Nos 
lábios do sulco calcarino, localiza-se o centro cortical da visão (área 17 de Brodmann). Esse sulco tem uma projeção lateral 
encontrada do corno posterior do ventrículo lateral denominada de calcaravis. 
 Sulco parieto-occipital: sulco muito profundo que separa o lobo occipital do parietal, se originando no local onde o sulco 
calcarino faz o seu arqueamento. 
 
 Entre o sulco parieto-occipital e o sulco calcarino, situa-se o cúneus, giro complexo, de forma triangular. Adiante do cúneus, 
já no lobo parietal, temos o pré-cúneos. Abaixo do sulco calcarino, situa-se o giro occipito-temporal medial, que se projeta em 
direção da face inferior do cérebro para se continuar anteriormente com o giro para-hipocampal, já no lobo temporal. 
 
2. Lobos Frontal e Parietal 
 Na face medial do cérebro, existem dois sulcos que passam do lobo frontal para o parietal: 
 Sulco do corpo caloso: começa abaixo do rostro do corpo caloso, contorna o tronco e o esplênio do corpo caloso, no qual 
se continua, já no lobo temporal, com o sulco do hipocampo. Este abriga a artéria pericalosa, ramo da artéria cerebral 
anterior. 
 Sulco do cíngulo: tem curso paralelo ao sulco do corpo caloso, sendo separado deste por meio do giro do cíngulo. Termina 
posteriormente dividindo-se em dois ramos: o ramo marginal, que se curva em direção à margem superior do hemisfério, e o 
sulco subparietal, que continua posteriormente em direção ao sulco do cíngulo. 
 
Entre o sulco do corpo caloso e o sulco do cíngulo, existe o giro do cíngulo, importante estrutura do sistema límbico. 
Destacando-se do sulco do cíngulo em direção à margem superior do hemisfério, existe quase sempre o sulco paracentral, que 
delimita com o sulco do cíngulo e o seu ramo marginal, o lóbulo paracentral, assim denominado em razão de suas relações com o 
sulco central, cuja extremidade superior termina aproximadamente no seu meio. Nas partes anterior e posterior do lóbulo paracentral 
localizam-se, respectivamente, as áreas motora e sensitiva relacionadas com a perna e o pé e órgãos genitais. Adiante do sulco 
paracentral, tem-se a face medial do giro frontal superior. 
 
OBS
3
: Sumariando: acima do corpo caloso temos o giro do cíngulo, delimitado pelo sulco do corpo caloso (inferiormente) e pelo sulco 
do cíngulo (superiormente); mais acima temos, de trás para diante, o pré-cúneus, o lóbulo paracentral e face medial do giro frontal 
superior. A região situada abaixo do rostro do corpo caloso e adiante da comissura anterior e da lâmina terminal é chamada de área 
septal (que compreende o giro paraterminal e a área para-olfatória), um dos centros do prazer do cérebro. 
 
 
FACE INFERIOR 
 A face inferior ou base do hemisfério cerebral pode ser dividida em duas partes: uma pertencente ao lobo frontal (que 
repousa sobre a fossa anterior do crânio) e a outra, muito maior, pertencente quase toda ao lobo temporal e repousa sobre a fossa 
média do crânio e a tenda do cerebelo. 
 
1. Lobo temporal 
 A face inferior do lobo temporal apresenta três sulcos principais de direção longitudinal e que são, da borda lateral para a 
borda medial: 
 Sulco occipito-temporal: delimita, com o sulco temporal inferior, o giro temporal inferior. Medialmente, esse sulco limita 
com o sulco colateral, o giro occipito-temporal lateral (ou giro fusiforme). 
 Sulco colateral: inicia-se próximo ao pólo occipital e se dirige para frente, delimitando com o sulco calcarino e o sulco do 
hipocampo, respectivamente, o giro occipito-temporal medial, que se continua anteriormente como o giro para-
hipocampal, cuja porção anterior se curva em torno do sulco hipocampal para formar o úncos. 
 Sulco do hipocampo: origina-se na região do esplênio docorpo caloso, no qual se continua com o sulco do corpo caloso e 
se dirige para o pólo temporal, e termina separando o giro para-hipocampal do úncos. 
 
 O giro para-hipocampal se liga posteriormente ao giro do cíngulo através de um giro estreito, o istmo do giro do cíngulo. 
Assim, uncos, istmo do giro do cíngulo e o giro do cíngulo constituem uma formação contínua que contorna as estruturas inter-
hemisféricas, formando o lobo límbico, parte importante do sistema límbico, relacionado com o comportamento emocional e o 
controle do sistema nervoso autônomo. 
 
2. Lobo frontal 
 A face inferior do lobo frontal apresenta um único sulco anatomicamente importante, o sulco olfatório, profundo (podendo 
ser observado bem proeminentemente em cortes coronais nesse nível) e de direção ântero-posterior. Medialmente ao sulco olfatório, 
continuando dorsalmente com o giro frontal superior, situa-se o giro reto. O resto da face inferior do lobo frontal é ocupado por sulcos 
e giros irregulares, os sulcos e os giros orbitários. 
 As principais formações encontradas na face inferior do lobo occipital são relacionadas com a olfação, constituindo o 
chamado rinencéfalo (de rhinos = nariz). O bulbo olfatório é uma dilatação ovoide e achatada de substância cinzenta que continua 
posteriormente com o tracto olfatório, ambos alojados no sulco olfatório. O bulbo olfatório recebe os filamentos que constituem o 
nervo olfatório (I par craniano). Estes atravessam pequenos orifícios que existem na lâmina crivosa do osso etmoide para fazer 
sinapses com o bulbo olfatório. Posteriormente, o tracto olfatório se bifurca formando as estrias olfatórias lateral e medial, que 
delimitam uma área triangular, o trígono olfatório, que contém uma área perfurada por pequenos orifícios para a passagem de vasos 
oriundos da artéria cerebral média: a substância perfurada anterior (lembrando que a substância perfurada posterior situa-se na fossa 
interpeduncular, entre os pedúnculos cerebrais do mesencéfalo). 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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74 
 
MORFOLOGIA DOS VENTRÍCULOS LATERAIS 
 Os hemisférios cerebrais possuem cavidades 
revestidas de epêndima e contidas de líquido cérebro-
espinhal, os ventrículos laterais esquerdo e direito, 
que se comunicam com o III ventrículo pelo respectivo 
forame interventricular (forame de Monro). Exceto por 
esse forame, cada ventrículo é uma cavidade 
completamente fechada, apresentando sempre uma 
parte central e três cornos que correspondem aos três 
pólos do hemisfério: cornos anterior, posterior e inferior. 
Com exceção do corno inferior, todas as partes do 
ventrículo lateral têm o teto formado pelo corpo caloso, 
cuja remoção expõe amplamente a cavidade ventricular. 
 
PAREDES VENTRICULARES 
 Os elementos que fazem proeminência nas 
paredes dos ventrículos laterais serão descritos a 
seguir, e servem como referência anatômica: 
 O corno anterior (frontal) é a parte do ventrículo 
lateral que se situa totalmente adiante do forame 
interventricular. Sua parede medial é vertical e 
constituída pelo septo pelúcido. O assoalho, 
inclinado, forma também a parede lateral e é 
constituído pela cabeça do núcleo caudado (um 
dos núcleos da base que ainda serão descritos), 
que é bem proeminente na cavidade ventricular. O 
tecto e o limite anterior do corno anterior são 
formados pelo corpo caloso. 
 A parte central do ventrículo lateral estende-se dentro do lobo parietal do nível do forame interventricular para trás, até o esplênio 
do corpo caloso, no qual a cavidade se bifurca em cornos inferior e posterior na região denominada trígono colateral. O tecto da 
parte central é formado pelo corpo caloso e a parede medial, pelo septo pelúcido. O assoalho apresenta as seguintes formações: 
fórnix, plexo corioide, parte lateral da face dorsal do tálamo, estria terminal, veia tálamo-estriada e núcleo caudado. 
 O corno posterior estende-se para dentro do lobo occipital e termina posteriormente em ponta. Suas paredes, em quase toda a 
extensão, são formadas por fibras do corpo caloso (fórceps do corpo caloso). Na parte medial, descrevem-se duas elevações: o 
bulbo do corno posterior, formado pela porção occipital da radiação do corpo caloso, e o calcar avis, situado abaixo do bulbo e 
formado por uma prega da parede determinada pelo sulco calcarino. 
 O corno inferior curva-se inferior e a seguir, anteriormente em direção ao polo temporal a partir do trígono colateral. O tecto do 
corno inferior é formado pela substância branca do hemisfério e apresenta ao longo de sua margem medial a cauda do núcleo 
caudado e a estria terminal. Na extremidade da cauda do núcleo caudado, observa-se uma discreta eminência arredondada, às 
vezes pouco nítida, formada pelo corpo amigdaloide. O assoalho do corno inferior do ventrículo apresenta duas eminências 
alongadas, a eminência colateral, formada pelo sulco colateral e o hipocampo, situado medialmente a ela. O hipocampo é uma 
elevação curva e muito pronunciada que se dispõe profundamente ao giro para-hipocampal. É constituído de um tipo de córtex muito 
antigo (arquicórtex) e faz parte do sistema límbico. O hipocampo liga-se as pernas do fórnix por um feixe de fibras situadas ao longo 
de sua borda medial, a fímbria do hipocampo. 
 
PLEXOS CORIOIDES DOS VENTRÍCULOS LATERAIS 
 A pia-máter, que ocupa a fissura transversa do cérebro (acima do tálamo, em vista medial), penetra entre o fórnix e o tálamo, 
empurra, de cada lado, o epêndima que reveste a cavidade ventricular, para constituir, com ele, o plexo corioide da parte central dos 
ventrículos. Esse plexo continua, por meio do forame interventricular, até o III ventrículo e, acompanhando o trajeto curto do fórnix e 
da fímbria, atinge o corno inferior do ventrículo lateral. Os cornos anterior e posterior não possuem plexos corioides. 
 
 
ORGANIZAÇÃO INTERNA DOS HEMISFÉRIOS CEREBRAIS 
 Convém estudar agora alguns aspectos da organização interna dos hemisférios cerebrais visíveis macroscopicamente em 
secções horizontais e frontais do cérebro. Assim, cada hemisfério possui uma camada superficial de substância cinzenta, o córtex 
cerebral, que reveste um centro de substância branca, o centro branco medular do cérebro (centro semi-oval), no interior do qual 
existem massas de substância cinzenta, os núcleos da base do cérebro. 
 
NÚCLEOS DA BASE 
 Os núcleos da base são: núcleo caudado, o núcleo lentiforme (putâmen e globos pálidos), o claustrum, o corpo amigdaloide, 
o núcleo accumbens e o núcleo basal de Meynert. 
 Núcleo Caudado: é uma alongada e bastante volumosa massa de substância cinzenta relacionada, em toda sua extensão, 
com os ventrículos laterais. Sua extremidade anterior, muito dilatada, constitui a cabeça do núcleo caudado (bastante 
proeminente no corno anterior do ventrículo). Ela continua gradualmente com o corpo do núcleo caudado (situado no 
assoalho da parte central do ventrículo lateral). Este afina-se pouco a pouco para formar a cauda do núcleo caudado, que 
é longa, delgada e fortemente arqueada, estendendo-se até a extremidade anterior do corno inferior do ventrículo lateral. A 
cabeça do núcleo caudado funde-se com a parte anterior do núcleo lentiforme. 
 Núcleo Lentiforme: tem a forma e o tamanho aproximado de uma castanha-do-pará e se relaciona medialmente com a 
cápsula interna que o separa do núcleo caudado e do tálamo; lateralmente relaciona-se com o córtex da ínsula, do qual é 
separado por substância branca e pelo claustrum. O núcleo lentiforme é dividido em putâmen e globo pálido por uma fina 
lâmina de substância branca, a lâmina medular lateral. O putâmen situa-se mais lateralmente e é maior que o globo pálido, 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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que se dispõe medialmente. O globo pálido é subdividido ainda em globopálido lateral (externo) e globo pálido medial 
(interno) por meio da lâmina medular medial. 
 Claustrum: é uma delgada calota de substância cinzenta situada entre o córtex da ínsula e o núcleo lentiforme. Separa-se 
daquele por uma fina lâmina branca, a cápsula extrema. Entre o claustrum e o núcleo lentiforme existe uma outra lâmina 
branca, a cápsula externa. 
 
OBS
4
: Sumariando, as estruturas que se dispõem do interior de cada hemisfério cerebral vistas em um corte horizontal ao nível do 
corpo estriado (conjunto do núcleo caudado com núcleo lentiforme), da face lateral até a superfície ventricular: córtex da ínsula, 
cápsula extrema, claustrum, cápsula externa, putâmen, lâmina medular lateral, parte externa do globo pálido (globo pálido lateral), 
lâmina medular medial, parte interna do globo pálido (globo pálido medial), cápsula interna, tálamo e III ventrículo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Corpo amigdaloide: é uma massa esferoide de substância cinzenta situada no pólo temporal do hemisfério cerebral, em 
relação com a cauda do núcleo caudado. O corpo amigdaloide faz parte do sistema límbico e é importante centro regulador 
do comportamento sexual e da agressividade. 
 Núcleo accumbens: massa de substância cinzenta situada na zona de união entre o putâmen e a cabeça do núcleo 
caudado. 
 Núcleo Basal de Meynert: macroscopicamente é de visualização difícil. Situa-se na base do cérebro, entre a substância 
perfurada anterior e o globo pálido (região conhecida como substância inonimata). 
 
CENTRO BRANCO MEDULAR DO CÉREBRO 
 O centro branco medular do cérebro é uma extensa área subcortical formado por fibras mielínicas. Distinguem-se dois grupos 
de fibras: de projeção e de associação. As primeiras ligam o córtex cerebral a centros subcorticais; as segundas unem áreas 
corticais situadas em pontos diferentes do cérebro. 
 Entre as fibras de associação, temos aquelas que atravessam o plano mediano para unir áreas simétricas dos dois 
hemisférios, as comissuras telencefálicas: corpo caloso, comissura do fórnix e comissura anterior. As fibras de projeção, por sua 
vez, se dispõem em dois feixes: o fórnix e a cápsula interna. 
 O fórnix une o córtex do hipocampo ao corpo mamilar, integrando o circuito de Papez (conjunto de importantes conexões do 
sistema límbico). A cápsula interna contém a maioria das fibras que saem ou entram no córtex cerebral. Estas fibras formam um feixe 
compacto que separa o núcleo lentiforme, situado lateralmente, do núcleo caudado e tálamo, situados medialmente. Acima do nível 
destes núcleos, as fibras da cápsula interna passam a constituir a coroa radiada. A cápsula interna é dividida ainda em três porções: 
perna anterior, situada entre a cabeça núcleo caudado e o núcleo lentiforme; uma perna posterior, bem maior, situada entre o núcleo 
lentiforme e o tálamo; estas duas porções da cápsula interna encontram-se formando um ângulo que constitui o joelho da cápsula 
interna. 
 
 
 
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ASPECTOS FUNCIONAIS DO CÓRTEX CEREBRAL 
 
 
 O córtex cerebral é a fina camada de substância cinzenta que reveste o centro branco medular do cérebro. No córtex 
cerebral, chegam impulsos provenientes de todas as vias de sensibilidade que aí se tornam conscientes e são interpretadas. Do 
córtex, saem os impulsos nervosos que iniciam e comandam os movimentos voluntários e com ele estão relacionados os fenômenos 
psíquicos. 
 
CITOARQUITETURA DO CÓRTEX 
 No córtex existem neurônios, células neuroglias e fibras. Os neurônios e as fibras distribuem-se de vários modos, em várias 
camadas, sendo a estrutura do córtex cerebral muito complexa e heterogênea. 
 Quanto à estrutura, distinguem-se dois tipos de córtex: isocórtex e alocórtex. No isocórtex, existem seis camadas, o que 
não ocorre no alocórtex. O isocórtex constitui a maioria das áreas corticais. As seis camadas do córtex, numeradas da superfície para 
o interior, são: I- camada molecular; II- camada granular externa; III- camada piramidal externa; IV- camada granular interna; V- 
camada piramidal interna; VI- camada de células fusiformes (ou multiforme). 
 A camada molecular, situada na superfície do córtex, é rica em fibras de direção horizontal e contém poucos neurônios, 
destacando-se as chamadas células horizontais (de Cajal). Nas demais camadas, predomina o tipo de neurônios que lhe dá o nome. 
 Células granulares (células estreladas): possuem dendritos que se ramificam próximo ao corpo celular e um axônio que 
pode estabelecer conexões com células das camadas vizinhas. Admite-se que o aumento de células granulares durante a 
filogênese possibilitou a existência de circuitos corticais mais complexos, isso porque a célula granular é o principal 
interneurônio cortical, estabelecendo conexões entre os demais neurônios e fibras do córtex. Admite-se também que a 
maioria das fibras que chegam ao córtex estabelece sinapse com as células granulares, que são, assim, as principais 
células receptoras do córtex cerebral. Essas células existem em todas as camadas, mas predominam nas camadas granular 
interna e externa. 
 Células piramidais (ou pirâmides): recebem esse nome devido à forma piramidal do corpo celular. Podem apresentar 
corpo celular pequeno, médio, grande e gigante. As células piramidais gigantes são denominadas células de Betz e ocorrem 
apenas na área motora situada no giro pré-central. O dendrito apical dessas células destaca-se do ápice da pirâmide, dirige-
se às camadas mais superficiais onde terminam. Os dendritos basais, muito mais curtos que os primeiros, distribuem-se 
próximo ao corpo celular. O axônio das células piramidais tem direção descendente e, em geral, ganha a substância branca 
como fibra eferente do córtex, por exemplo, as fibras que constituem o tracto córtico-espinhal. Essas células predominam 
nas camadas piramidal externa e interna, que são consideradas camadas predominantemente efetuadoras. 
 Células fusiformes: apresentam axônio descendente que penetra no centro branco-medular, sendo pois células 
efetuadoras. Predominam na camada de células fusiformes (VI camada). 
 Células de Martinotti: possuem dendritos que se ramificam nas proximidades do corpo celular e um axônio de direção 
ascendente que se ramifica nas camadas mais superficiais. Apresenta função sensitiva. 
 Células horizontais (de Cajal): de formato fusiforme, possuem dendritos e axônios de direção horizontal. Predominam na 
camada molecular e são células intracorticais de associação. 
 
 
FIBRAS E CIRCUITOS CORTICAIS 
 As fibras que saem ou que entram no córtex cerebral passam, necessariamente, pelo centro branco-medular. Estas fibras 
podem ser de associação ou de projeção. As primeiras ligam áreas diferentes do córtex cerebral, no mesmo hemisfério ou no 
hemisfério oposto (fibras comissurais); as segundas, ou seja, as fibras de projeção ligam o córtex a centros subcorticais, podendo ser 
aferentes ou eferentes. 
 As fibras de projeção aferentes do córtex cerebral podem ter origem talâmica ou extratalâmica. Essas são fibras 
monoaminérgicas originadas na formação reticular ou fibras colinérgicas do núcleo basal de Meynert. As fibras extratalâmicas 
distribuem-se a todo o córtex cerebral, mas seu modo de terminação não é uniforme. Esse fato indica que elas não exercem uma 
ação generalizada de excitação ou inibição do córtex, mas provavelmente aumentam ou diminuem a atividade em regiões corticais 
específicas durante determinadas etapas da informação. Sua ação sobre o córtex é, portanto, considerada como moduladora, 
modificando as características eletrofisiológicas das células corticais. Assim, a degeneração dessas fibras, como ocorre na doença de 
Alzheimer, associa-se a uma completa deterioração das funções corticais. As fibras aferentes oriundas dos núcleos talâmicos 
inespecíficos (representadas principalmente pelas fibras do tracto espino-retículo-talâmico, que terminam nos núcleos intralaminares 
do tálamo) também se distribuema todo o córtex, sobre o qual exercem ação ativadora, como parte do sistema ativador reticular 
ascendente (SARA), terminando em todas as camadas corticais, principalmente nas três camadas superficiais. Já as radiações 
talâmicas originadas nos núcleos específicos (núcleo ventral-lateral e ventral-medial, principalmente) terminam na camada IV 
(granular interna). Esta camada é muito desenvolvida nas áreas sensitivas do córtex. A maioria das fibras de projeção aferentes do 
isocórtex origina-se no tálamo. Entretanto, admite-se a existência de conexões aferentes diretas com a formação reticular. 
 As fibras de projeção eferentes do córtex estabelecem conexões com vários centros subcorticais: fibras córtico-espinhais, 
córtico-nucleares, córtico-pontinas, córtico-estriadas, córtico-reticulares, córtico-rúbricas, córtico-talâmicas. A maioria dessas fibras 
origina-se na camada V, sendo esta muito desenvolvida nas áreas motoras do córtex. 
 
OBS
1
: Em síntese, a camada IV é a camada receptora de projeção e a camada V, efetuadora de projeção. As demais camadas 
corticais são predominantemente de associação. 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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CLASSIFICAÇÃO ANATÔMICA DO CÓRTEX 
 A divisão anatômica em lobos não corresponde a uma divisão funcional ou estrutural do telencéfalo, pois em um mesmo lobo 
temos áreas corticais de funções e estrutura muito diferentes. Faz-se exceção o córtex do lobo occipital, que, direta ou indiretamente, 
relaciona-se com o sentido da visão. 
 
 
CLASSIFICAÇÃO FILOGENÉTICA DO CÓRTEX 
 Do ponto de vista filogenético, pode-se dividir o córtex em: 
 Arquicórtex: está localizado no hipocampo. 
 Paleocórtex: ocupa o úncos e parte do giro para-hipocampal. 
 Neocórtex: todo o restante do córtex. 
 
 Arqui e paleocórtex ocupam áreas corticais antigas ligadas à olfação e ao comportamento emocional, fazendo parte do 
rinencéfalo e do sistema límbico. 
 
 
CLASSIFICAÇÃO ESTRUTURAL DO CÓRTEX 
 O córtex cerebral tem sido objetivo de meticulosas investigações histológicas, com base na sua composição e características 
das diversas camadas, espessura total e espessura das camadas, disposição e espessura das raias e estrias, etc. 
 A divisão mais aceita da estrutura cortical é a realizada por Brodmann, que identificou 52 áreas citoarquiteturais designadas 
por números. As áreas de Brodmann são muito conhecidas e amplamente utilizadas na clínica e na pesquisa médica. 
 
 O isocórtex é o córtex que tem seis camadas nítidas, ao menos durante o período embrionário. Já o alocórtex é o córtex que 
nunca, em fase alguma de seu desenvolvimento, apresenta as seis camadas. O primeiro (o isocórtex) pode ser dividido em duas 
grandes classificações: isocórtex homotípico e isocórtex heterotípico (que pode ser granular ou agranular). 
 No isocórtex homotípico as seis camadas corticais são sempre individualizadas com facilidade. Já no isocórtex heterotípico 
as seis camadas não podem ser claramente individualizadas no adulto, uma vez que a estrutura laminar típica, encontrada na vida 
fetal, é mascarada pela grande quantidade de células granulares ou piramidais. 
 Isocórtex heterotípico granular: característico das áreas sensitivas; há uma enorme quantidade de células granulares que 
invadem, inclusive, as camadas piramidais. 
 Isocórtex heterotípico agranular: característico de áreas motoras; há considerável diminuição de células granulares e uma 
enorme quantidade de células piramidais que invadem, inclusive, as camadas granulares (II e IV). 
 
OBS
2
: O isocórtex ocupa 90% da área cortical (correspondente ao neocórtex), enquanto que o alocórtex ocupa áreas antigas do 
cérebro e corresponde ao arqui e paleocórtex. 
OBS
3
: As áreas de Brodmann são clinicamente significativas, constituindo mapas citoarquitetônicos do cérebro humano. Em resumo, 
as mais importantes são: 
 Áreas 3,1 e 2 de Brodmann: trata-se do córtex somatossensorial primário (isocórtex heterotípico granular). 
 Áreas 4 de Brodmann: córtex motor primário (isocórtex heterotípico agranular). 
 Áreas 5 e 7 de Brodmann: córtex somatossensorial secundário. 
 Área 6 de Brodmann: área motora suplementar e área pré-motora. 
 Área 8 de Brodmann: campo ocular frontal, responsável, em parte, pelo reflexo de acomodação do cristalino. 
 Áreas 9, 10, 11, 12, 32 e 47 de Brodmann: córtex pré-frontal (parte não-motora do lobo frontal). 
 Área 17 de Brodmann: córtex visual primário (lobo occipital). 
 Áreas 18, 19 (lobo occipital), 20, 21 e 37 (lobo temporal) de Brodmann: córtex visual secundário. 
 Área 40 e parte da área 39 de Brodmann: giro supramarginal e angular, respectivamente. 
 Áreas 41 e 42 de Brodmann: áreas auditivas primárias (giro temporal transverso anterior). 
 Áreas 22 de Brodmann: áreas auditivas secundárias (na sua porção posterior, encontramos a área de Wernicke). 
 Área 43 de Brodmann: córtex gustatório (próximo a representação somestésica da língua no giro pós-central). 
 Área 44 e parte da área 45 de Brodmann: trata-se a área de Broca no hemisfério dominante. 
 Área 27, 28 e 34 de Brodmann: olfatória primária (área entorrinal). 
 Área 23, 24, 31 e 33: sistema límbico. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL DO CÓRTEX 
 Do ponto de vista funcional, as áreas corticais não são homogêneas, como se acreditava no início do século XIX. O cirurgião 
francês Broca, durante seus estudos, pôde correlacionar lesões em áreas restritas do lobo frontal (na área de Broca, no giro frontal 
inferior) com a perda da linguagem falada, por exemplo. Outros trabalhos, realizados por Fritsch e Hitzig, chegam à conclusão de que 
existe correspondência entre determinadas áreas corticais e certas partes do corpo. 
 As áreas funcionais do córtex foram inicialmente classificadas em dois grandes grupos: áreas de projeção e áreas de 
associação. As áreas de projeção teriam conexões com centros subcorticais, enquanto que as áreas de associação teriam conexões 
apenas com outras áreas corticais. Essa conceituação passou por algumas reformas, de modo que: as áreas de projeção são as que 
recebem ou dão origem a fibras relacionadas diretamente com a sensibilidade e com a motricidade. As demais áreas são 
consideradas de associação e, de modo geral, estão relacionadas a funções psíquicas complexas (interpretação e reconhecimento 
dos impulsos sensitivos que chegam à área de projeção primária; formulação do plano motor; memória; inteligência; personalidade; 
emoções; etc.). Assim, lesões nas áreas de projeção podem causar paralisias ou alterações na sensibilidade, o que não acontece nas 
áreas de associação. Lesões dessas áreas, entretanto, podem causar alterações psíquicas complexas. 
 As áreas de projeção podem ser divididas em dois grandes grupos, de função e estruturas diferentes: 
 Áreas sensitivas: nas áreas sensitivas do neocórtex, existe isocórtex heterotípico do tipo granular, o que está de acordo 
com a função primordialmente receptora das células granulares. 
 Áreas motoras: nas áreas motoras, existe isocórtex heterotípico agranular, o que está de acordo com a função 
primordialmente efetuadora das células piramidais, que, como já foi visto, predominam nesse tipo de córtex. 
 
Já nas áreas de associação do neocórtex, existe isocórtex homotípico, pois, não sendo elas nem sensitivas nem motoras, 
não há grande predomínio de células granulares ou piramidais, o que permite a fácil individualização das seis camadas coticais. 
 As áreas ligadas diretamente à sensibilidade e à motricidade (ou seja, as áreas de projeção) são consideradas áreas 
primárias. As áreas de associação podem ser divididas em secundárias (unimodais) e terciárias (supramodais). As conexões de 
uma determinada área de associação secundária se fazem predominantemente com a área primária da mesma função. Já as áreas 
terciárias são supramodais pois não se ocupam mais do processamento motor ou sensitivo, mas estão envolvidascom atividades 
psíquicas superiores, como por exemplo, a memória, os processos simbólicos e o pensamento abstrato. 
 
 
ÁREAS DE PROJEÇÃO (ÁREAS PRIMÁRIAS) 
 Também chamadas áreas primárias, as áreas de projeção relacionam-se diretamente com a sensibilidade ou com a 
motricidade. Existe uma só área primária motora, situada no lobo frontal, e várias áreas primárias sensitivas nos demais lobos. 
 
ÁREAS SENSITIVAS PRIMÁRIAS 
 Como já foi detalhado anteriormente, as áreas sensitivas primárias são responsáveis apenas pela percepção pura da 
modalidade sensitiva, sendo necessárias suas conexões com as áreas secundárias e terciárias para a interpretação deste estímulo 
sensitivo puro. 
 
1. Área Somestésica: a área somestésica primária ou da sensibilidade geral está localizada no giro pós-central (áreas 3, 2 e 1 
de Brodmann). A área 3 localiza-se no fundo do sulco central, enquanto as áreas 1 e 2 aparecem na superfície do sulco 
central. Aí chegam as radiações talâmicas que se originam nos núcleos ventral póstero-lateral e ventral póstero-medial do 
tálamo que trazem impulsos nervosos relacionados à temperatura, à dor, à pressão, ao tato e à propriocepção consciente da 
metade oposta do corpo e da cabeça. É importante ressaltar que existe uma correspondência entre partes do corpo e partes 
da área somestésica (somatotopia). Para representar essa somatotopia, Penfield e Rasmussen imaginaram um “homúnculo 
sensitivo” de cabeça para baixo no giro pós-central, de modo que, na porção superior desse giro, na parte medial do 
hemisfério, localiza-se a área dos órgãos genitais e do pé, seguida, já na parte súpero-lateral do hemisfério, das áreas da 
perna, do tronco e do braço, todas em pequenas dimensões. Mais abaixo vem a área da mão, que é muito grande seguida 
da área da cabeça, na qual a face e a boca têm uma representação também bastante grande. Segue-se, já próxima ao sulco 
lateral, a área da língua e da faringe. Esse fato demonstra o princípio, amplamente confirmado em estudos feitos em animais, 
de que a extensão da representação cortical de uma parte do corpo depende da importância funcional dessa parte para a 
biologia da espécie e não de seu tamanho. 
 
2. Área visual: localiza-se nos lábios do sulco calcarino, correspondendo à área 17 de Brodmann. Tal estrutura recebe fibras 
provenientes do tracto genículo-calcarino (originadas no corpo geniculado lateral), e tem a principal função de uma 
percepção visual primaria, de tal modo que, quando ocorre uma visualização de um foco de luz monocromático, somente 
ocorre ativação desta área (segundo exame de ressonância fisiológica), no entanto quando ocorre uma visualização de 
objetos estereognósicos, com formas, texturas e coloração ocorrerá ativação da área visual secundária, que virtualiza o 
espaço extrapessoal a partir da visualização, de tal modo que é importante para interpretação. A metade superior da retina 
projeta-se no lábio superior do sulco calcarino e a metade inferior, no lábio inferior desse sulco. A parte posterior da retina 
(onde está localizada a mácula) projeta-se na parte posterior do sulco calcarino, enquanto a parte anterior projeta-se na 
porção anterior desse sulco. Existe, pois, correspondência perfeita entre a retina e córtex visual. A ablação bilateral da área 
17 causa, portanto, cegueira completa na espécie humana. 
 
3. Área auditiva: está situada no giro temporal transverso anterior (giro de Heschl) e corresponde às áreas 41 e 42 de 
Brodmann. Nela chegam fibras da radiação auditiva, que se originam no corpo geniculado medial. Lesões bilaterais do giro 
temporal transverso anterior causam surdez completa. Lesões unilaterais causam déficits auditivos pequenos, pois, ao 
contrário das demais vias de sensibilidade, a via auditiva não é totalmente cruzada. Assim, cada cóclea representa-se no 
córtex dos dois hemisférios. 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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4. Área vestibular: localiza-se no lobo parietal, em uma pequena região próxima ao território da área somestésica 
correspondente à face (região mais inferior do giro pós-central). Assim, a área vestibular está mais relacionada com a área 
de projeção da sensibilidade proprioceptiva do que com a auditiva. 
 
5. Área olfatória: muito grande em alguns mamíferos, a área olfatória (áreas 27, 28 e 34 de Brodmann) ocupa no homem 
apenas uma pequena parte da região anterior do úncos e do giro para-hipocampal. É tanto que, em certos casos de epilepsia 
local do úncos ocorrem alucinações olfatórias, nas quais os pacientes subitamente se queixam de odores desagradáveis 
(cacosmia), que na realidade não existem (essas crises são chamadas de crises uncinadas). 
 
6. Área gustativa: corresponde à área 43 de Brodmann e se localiza na porção mais inferior do giro pós-central, bem próximo 
à insula. Essa região corresponde a uma área adjacente à parte somestésica correspondente à língua. Lesões dessa área 
provocam uma diminuição da gustação na metade oposta da língua (isso porque as fibras que trazem os impulsos gustativos 
de um lado da língua até o tracto solitário, cruzam, em parte, logo depois deste, ainda no bulbo, seguindo até o núcleo ventral 
póstero-medial do tálamo do mesmo lado e do lado contralateral, e deles seguem até a área 43 de Brodmann dos dois 
lados). 
 
ÁREA MOTORA PRIMÁRIA 
 Ocupa a parte posterior do giro pré-central correspondente à área 4 de Brodmann. Do 
ponto de vista citoarquitetural, é um isocórtex heterotípico agranular, com a presença das células 
piramidais gigantes (células de Bets). A estimulação elétrica da área 4 determina movimentos de 
grupos musculares do lado oposto, por exemplo, da mão, do braço, etc. 
 Essa somatotopia corresponde à já descrita para a área somestésica e pode ser 
descrita como um homúnculo de cabeça para baixo. É interessante notar a grande extensão da 
área correspondente à mão quando comparada com as áreas do tronco e membro inferior. Isso 
mostra que a extensão da representação cortical de uma determinada parte do corpo não está 
relacionada com o seu tamanho, mas sim, a delicadeza dos movimentos realizados pelos grupos 
musculares aí localizados. 
 No homem, a área 4 dá origem à maior parte das fibras dos tractos córtico-espinhal e 
córtico-nuclear, principais responsáveis pela motricidade somática voluntária. 
 
 
ÁREAS DE ASSOCIAÇÃO DO CÓRTEX 
 São aquelas áreas de córtex cerebral que não estão relacionadas diretamente com a motricidade ou com a sensibilidade 
(considerado, portanto, como áreas silenciosas do córtex). Durante a filogênese, houve um aumento das áreas corticais de 
associação que, no homem, ocupam um território cortical muito maior que o das áreas de projeção. Esse fato está relacionado com o 
desenvolvimento das funções psíquicas do homem. 
 
ÁREAS DE ASSOCIAÇÃO SECUNDÁRIAS 
 Essas áreas são consideradas unimodais, ou seja, relacionam-se, ainda que indiretamente, com alguma modalidade de 
sensação ou com a motricidade, estando geralmente justapostas as áreas primárias correspondentes. 
 
ÁREAS DE ASSOCIAÇÃO SECUNDÁRIAS SENSITIVAS 
São conhecidas, pelo menos, três áreas sensitivas secundárias (ou de associação): 
 Área somestésica secundária: situa-se no lóbulo parietal superior, logo atrás da área somestésica primária, 
correspondendo à área 5 e parte da área 7 de Brodmann (pré-cúneus). 
 
 Área visual secundária: a princípio, acreditava-se que era limitada ao lobo occipital, correspondendo às áreas 18 e 19 de 
Brodmann. Mas nos primatas, inclusive no homem, ela se estende ao lobo temporal, no qual também ocupa as áreas 20, 
21 e 37. 
 
 Área auditiva secundária: situa-se no lobo temporal, circundando a área auditiva primária, e corresponde à área 22 de 
Brodmann. 
 
As áreas secundárias recebem aferências principalmente das áreas primárias correspondentes e repassam as informações 
recebidas às outras áreas do córtex, em especial, às áreas supramodais. Essa identificação se faz em duas etapas: uma de sensação 
e outra de interpretação.Na etapa de sensação, toma-se consciência das características sensoriais do objeto, sua forma, dureza, cor, 
tamanho, etc. Na etapa de interpretação, ou gnosia, tais características sensoriais são ‘comparadas’ com conceito do objeto existente 
na memória do indivíduo. 
A etapa de sensação faz-se em uma área sensitiva em projeção, ou área primária; já a etapa de interpretação, ou gnosia, 
envolve processos psíquicos muito mais complexos, que dependem da integridade das áreas de associação secundárias acima 
descritas e, em consequência disso, são às vezes denominadas áreas gnosicas. 
A existência de duas áreas diferentes envolvidas na identificação de objetos torna possível que elas sejam lesadas 
separadamente. Como já foi visto, a lesão das áreas primárias causa deficiências sensoriais, como cegueira e surdez, o que não 
ocorre em lesões das áreas secundárias. Nesses casos, entretanto, ocorrem os quadros clínicos denominados de agnosias, 
caracterizados pela perda da capacidade de reconhecer objetos, apesar das vias sensitivas e das áreas de projeção cortical estarem 
perfeitamente normais. Deve-se distinguir agnosias visuais, auditivas e somestésicas, estas últimas geralmente táteis. Assim, um 
indivíduo com agnosia visual será incapaz de reconhecer objetos pela visão, embora possa reconhecê-los por outra forma de 
sensibilidade, como pelo tato, olfato, audição, etc. 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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Tipos especiais de agnosias visual e auditiva são os defeitos de linguagem denominados, respectivamente, cegueira verbal 
e surdez verbal, nos quais os indivíduos perdem total ou parcialmente a capacidade de reconhecer os símbolos visuais ou sonoros 
que constituem a linguagem escrita ou falada (afasias). Um aspecto importante relacionado com as áreas secundárias é que, do ponto 
de vista funcional, elas não são simétricas. Assim, lesões da mesma área resultam em sintomatologia diferente conforme o lado 
lesado. 
 
ÁREAS DE ASSOCIAÇÃO SECUNDÁRIA MOTORAS 
Adjacentes à área motora primária, existem áreas motoras secundárias com as quais ela se relaciona sendo responsáveis 
por enviar o planejamento motor ao cerebelo e aos núcleos da base (nos quais o planejamento será processado, modulado e 
reenviado para a área motora primária para que, só então, o programa ou projeto motor seja, enfim, executado). Lesões dessas 
frequentemente causam apraxias, que são quadros clínicos correspondentes às agnosias já descritas a propósito das áreas sensitivas 
secundárias. Nas apraxias há incapacidade de executar determinados atos voluntários, sem que exista qualquer déficit motor. Nesse 
caso, a lesão se localiza nas áreas corticais de associação relacionadas com o planejamento dos atos voluntário e não na execução 
desses atos. Por exemplo, um indivíduo apráxico é incapaz de executar corretamente a sequência de movimentos necessários para 
acender um cigarro e colocá-lo na boca, ou mesmo a sequência prática para se dar partida a um carro. 
 Área motora suplementar: ocupa a parte mais alta da área 6 de Brodmann, situada na face medial do giro frontal 
superior. Suas principais conexões são com o corpo estriado (núcleo caudado e núcleo lentiforme), via tálamo e com a área 
motora primária. Do ponto de vista funcional, relacionam-se com a concepção ou planejamento de sequência complexas de 
movimentos, como o próprio movimento fino dos dedos, por exemplo, e sabe-se que ela é ativada juntamente com a área 
motora primária, quando esses movimentos são executados. Admite-se que para essa função de planejamento de 
movimentos complexos sejam importantes as amplas conexões aferentes que a área motora suplementar recebe o corpo 
estriado, que também está envolvido no planejamento motor. Comparando a realização de um movimento com a 
construção de um prédio, a área motora suplementar funciona como um arquiteto, que planeja a obra e envia para o 
cerebelo e corpo estriado; estes, por sua vez, funcionam como engenheiros, que modulam e estabelecem o programa 
motor para enviar de volta ao córtex, mas dessa vez, para o córtex motor primário; este funciona, nesta metáfora, como o 
peão da obra, que realiza efetivamente a obra – a realização do movimento. 
 
 Área pré-motora: localiza-se no lobo frontal, adiante da área motora primária, e ocupa toda a extensão da área 6, situada 
na face lateral do hemisfério cerebral. É muito menos excitável que a área motora primária, exigindo correntes elétricas 
mais intensas para que se obtenham respostas motoras. As respostas são menos localizadas que as obtidas por estímulo 
da área 4 e estão relacionados a grupos musculares maiores, como no caso dos músculos do tronco ou da base dos 
membros. Esse fato se faz verdade quando nos tratamos de lesões da área pré-motora, em que esses músculos 
apresentam força diminuída (paresia), o que impede que o paciente, por exemplo, eleve os membros. Admite-se que isso 
se deva ao fato de que a área pré-motora tem projeções para a formação reticular, de onde se originam o tracto retículo-
espinhal, principal responsável pelo controle motor da musculatura axial e proximal dos membros no homem. A área pré-
motora projeta-se também para a área motora primária e recebe aferências do cerebelo (via tálamo) e de várias áreas de 
associação do córtex. Através da via córtico-retículo-espinhal, que nela se origina, a área pré-motora coloca o corpo, 
especialmente os membros, em uma postura básica preparatória para a realização de movimentos mais delicados, a cargo 
da musculatura distal dos membros. 
 
 Campo ocular frontal: se estende para frente, a partir de área da face no giro pré-central para o giro frontal médio (área 8 
de Brodmann). Estimulação elétrica dessa região provoca movimentos conjugados dos olhos, em especial, para o lado 
oposto. O campo ocular frontal é considerado controlador dos movimentos voluntários de busca (scanning movements) do 
olho, sendo independentes dos estímulos visuais. Suas conexões com a área visual primária e com os núcleos pré-tectais 
do mesencéfalo (que se ligam, por sua vez, aos núcleos motores e parassimpáticos do N. óculomotor dos dois lados) o 
responsabiliza, em parte, pelo reflexo de acomodação do cristalino. 
 
 Área de Broca: situada nas partes opercular e triangular do giro frontal inferior, correspondendo à área 44 e parte da área 
45 de Brodmann, a área de Broca é responsável pela programação da atividade motora relacionada com a expressão da 
linguagem. Para essa função, a área de Broca localiza-se bem a frente da área motora que controla os músculos 
relacionados com a fonação. Relaciona-se ainda com o lobo da Ínsula (profundamente ao giro frontal inferior), importante 
para o planejamento ou coordenação dos movimentos articulatórios necessários à fala. É comum dizer que os fonemas das 
palavras que foram aprendidas durante toda a vida escolar estão armazenados nesta área. Lesões da área de Broca 
resultam em déficits de linguagem denominados afasias. 
 
ÁREAS DE ASSOCIAÇÃO TERCIÁRIAS 
 As áreas terciárias ocupam o topo da hierarquia funcional no córtex cerebral. Elas são classificadas como supramodais, ou 
seja, não se relacionam isoladamente com nenhuma modalidade sensorial. Recebem e integram as informações sensoriais já 
elaboradas por todas as áreas secundárias e são responsáveis também pela elaboração das diversas estratégias comportamentais. 
 Área pré-frontal: compreende a parte anterior não-motora do lobo frontal, ocupando cerca de 1/4 da superfície do córtex 
cerebral, incluindo as áreas 9, 10, 11, 12, 32 e 47 de Brodmann. Está relacionada diretamente com comportamentos: 
atenção, centro inibitório de atitudes, inteligência, intelectualidade, afetividade, etc. Através dos fascículos de associação 
presentes no córtex, ela recebe fibras de todas as demais áreas de associação do córtex, ligando-se ainda ao sistema 
límbico. Especialmente importantes são as extensas conexões recíprocas que ela mantém com o núcleo dorsomedial do 
tálamoe suas conexões com o hipotálamo. Um indivíduo que sobrevive a um acidente em que haja acometimento dessa 
área, geralmente é acometido de uma perda do senso de responsabilidades sociais e de desinibição para com atos 
obscenos. Seu comportamento habitual e relações sociais e familiares mudam drasticamente. Há cirurgias que consistem em 
uma secção bilateral da parte anterior dos lobos frontais, passando adiante dos cornos anteriores dos ventrículos laterais, 
para o tratamento de doentes psiquiátricos com quadros de depressão e ansiedade. Uma consequência indesejável deste 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
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procedimento (leucotomia) é que muitos pacientes perdem a capacidade de discernir e julgar sobre os comportamentos mais 
adequados diante de cada situação, podendo, por exemplo, com a maior naturalidade, urinar, defecar ou masturbar-se em 
público. Por meio de dados experimentais e clínicos, conclui-se então que esta área está envolvida pelo menos nas 
seguintes funções: 
 Escolha das opções e estratégias de comportamento mais ideais à situação física e social do indivíduo. 
 Manutenção da atenção. Além da área pré-motora, outras áreas cerebrais (como a formação reticular) estão 
envolvidas no fenômeno da atenção. Entretanto, os aspectos mais complexos dessa função, como por exemplo, a 
capacidade de seguir sequências ordenadas de pensamentos depende fundamentalmente da área pré-frontal. 
 Controle do comportamento emocional, função exercida juntamente com o hipotálamo e o sistema límbico. 
 
 Área temporoparietal: compreende o lóbulo parietal inferior, incluindo os giros supramarginal (área 40) e angular (área 39), 
estendendo-se também às margens do sulco temporal superior e parte do lóbulo parietal superior. Situa-se entre as áreas 
secundárias auditiva, visual e somestésica, funcionando como um centro que integra informações recebidas por essas três 
áreas. A área temporoparietal é importante para percepção espacial, permitindo ao indivíduo determinar as relações entre os 
objetos no espaço pessoal e extrapessoal. Ela permite também que se tenha uma imagem das partes componentes do 
próprio corpo, razão pela qual já foi também denominada área do esquema corporal. Lesões nesta área são caracterizadas 
por uma desorientação espacial generalizada, que faz com que o paciente não mais consiga deslocar-se de casa para o 
trabalho, por exemplo. E, nos casos mais graves, o paciente é incapaz de dirigir-se de uma cadeira para a cama. 
Entretanto, o caso clínico mais característico das lesões da área temporoparietal (mais especificamente do 
lado direito) é a chamada síndrome de negligência (síndrome de inatenção), que se manifesta nas lesões 
do lado direito, ou seja, relacionado com os processos vísuo-espaciais. Pode-se considerar um quadro de 
negligência em relação ao próprio corpo ou ao espaço exterior. No primeiro caso, o paciente perde a 
noção do seu esquema corporal, deixa de perceber a metade esquerda de seu corpo como fazendo parte 
de seu ‘eu’ passando a negligenciá-la. Assim, ele deixa de se lavar, fazer barba ou calçar sapatos do lado 
esquerdo, não porque não possa fazê-lo, mas simplesmente porque para ele, a metade esquerda de seu 
corpo não o pertence. No caso da síndrome de negligência em relação ao espaço extrapessoal, que pode 
ser concomitante com o quadro anterior, o paciente passa a agir como se o lado esquerdo do mundo 
deixasse de existir de qualquer forma significativa para ele. Assim, ele só escreve na metade direito do 
papel, só lê metade direita das sentenças e só come o alimento colocado no lado direito do prato. 
 
 Áreas límbicas: as áreas corticais de associação límbicas compreendem o giro do cíngulo (áreas 23, 24, 31 e 33 de 
Brodmann), o giro para-hipocampal e o hipocampo. Essas áreas, relacionadas principalmente com a memória e o 
comportamento emocional, integram o sistema límbico. 
 
OBS
4
: Áreas relacionadas com a linguagem e afasias. A linguagem verbal é um fenômeno complexo do qual participam áreas 
corticais e subcorticais. Porém, sem menor dúvida, o córtex cerebral tem o papel mais importante. Admite-se a existência de apenas 
duas áreas corticais para a linguagem: uma anterior e outra posterior, sendo ambas de associação. A área anterior da linguagem 
corresponde à própria área de Broca (44 e 45 de Brodmann), estando relacionada com a expressão da linguagem. A área posterior da 
linguagem situa-se na junção entre os lóbulos temporal e parietal e corresponde à parte mais posterior da área 22 de Brodmann (Área 
de Wernicke), estando relacionada basicamente com a percepção da linguagem. 
Essas duas áreas estão ligadas pelo fascículo longitudinal superior (fascículo arqueado), através do qual informações relevantes para 
a correta expressão da linguagem passam da área de Wernicke para a área de Broca. Na fala, a região de Broca ativa as regiões da 
boca e da língua do giro pré-central (córtex motor). O giro angular coordena, por sua vez, as entradas no córtex visual, auditivo e 
somestésico para influenciar a região de Wernicke. 
Lesões dessas áreas dão origem a distúrbios de linguagem denominados de afasias. Nas afasias, as perturbações da linguagem não 
podem ser atribuídas a lesões das vias sensitivas ou motoras envolvidas na fonação, mas apenas lesão das áreas corticais de 
associação responsáveis pela linguagem. Distinguem-se alguns tipos básicos de afasias: 
o Afasia motora (afasias de expressão ou de Broca): a lesão ocorre na área de Broca, em que o indivíduo é ainda 
capaz de compreender a linguagem falada ou escrita (pois a área de Wernicke está intacta), mas tem dificuldade de se 
expressar adequadamente, falando ou escrevendo. Nos casos mais comuns, ele consegue apenas produzir poucas 
palavras com dificuldade e tende a encontrar as frases falando ou escrevendo de maneira telegráfica. 
o Afasia sensitiva ou de percepção (afasias de Wernicke): a compreensão da linguagem, tanto falada quanto escrita, 
é deficiente. Há também algum déficit na expressão da linguagem, uma vez que o perfeito funcionamento da área de 
Broca depende de informações que recebe da área de Wernicke, através do fascículo arqueado. 
o Afasia de condução: lesão do fascículo arqueado, em que a compreensão da linguagem é normal (pois a área de 
Wernicke está integra), mas existe um déficit de expressão devido à incapacidade de transporte de impulsos até a área 
de Broca. 
OBS
5
: Além da área de Broca (córtex motor associativo), da área de Wernicke (córtex associativo sensorial) e do fascículo arqueado, 
existem outras áreas corticais – também de associação – que se relacionam com os processos de produção cortical da linguagem e 
que, de alguma forma, se comunicam com essas áreas pré-citadas. 
 Lobo da Ínsula: a ínsula é a área do córtex localizada no fundo do sulco lateral, formando seu assoalho. Histologicamente, 
sua parte posterior é granular e a parte anterior é agranular, semelhante às áreas corticais adjacentes. Suas fibras de 
conexão só são parcialmente conhecidas, mas admite-se que o tractos na substância subcortical da ínsula proporcionam 
conexões adicionais entre as áreas de Broca e de Wernicke. Acredita-se que a ínsula seja importante para o planejamento e 
coordenação dos movimentos articulatórios necessários à fala. Pacientes com lesões na ínsula (que é irrigada pelas artérias 
lentículo-estriadas) apresentam dislalia, ou seja, dificuldade na pronúncia dos fonemas em sua sequência correta, 
produzindo, usualmente, sons que são próximos da palavra-alvo, mas que não são inteiramente corretas (passam a falar 
“tasa” ao invés de “casa”). 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
82 
 
 Giro angular e supramarginal: sabe-se que esses dois giros fazem parte da área de associação terciária temporoparietal e 
que, portanto, integram todas as informações somestésicas, visuais e auditivas pertinentes ao lado oposto do corpo. Mais 
importantes são também as conexões diretas queesses giros (o angular, em especial) realizam entre o córtex visual primário 
e a área de Wernicke. Por essa razão, o giro angular torna-se importante para leitura e funções não verbais semelhantes da 
linguagem (figuras ou fotos). O giro supramarginal também se situa entre o córtex visual e as áreas perisylvianas posteriores 
da linguagem e admite-se que ele esteja envolvido, além de funções visuais, também com funções táteis (leitura braile, por 
exemplo) da linguagem. 
 Centro de Exner: é uma área cortical supostamente relacionada com a escrita que se situa no giro frontal médio do lobo 
frontal dominante (bem próximo ao campo ocular frontal) e imediatamente anterior ao córtex motor primário da mão. Pode 
haver tratos de substância branca ligando as áreas de Wernicke e de Exner ao fascículo arqueado. 
OBS
6
: Um fato importante é que, na maioria dos indivíduos, as áreas corticais da linguagem se localizam apenas no lado esquerdo 
devido à presença de uma assimetria das funções corticais. 
 
 
ASSIMETRIA DAS FUNÇÕES CORTICAIS 
 Desde o século passado, os neurologistas sempre 
constataram que as afasias estão quase sempre associadas a 
lesões no hemisfério esquerdo e que lesões do lado direito só 
excepcionalmente causam distúrbios de linguagem. Com isso, do 
ponto de vista funcional, pode-se chegar à conclusão que os 
hemisférios cerebrais não são simétricos e que na maioria dos 
indivíduos as áreas da linguagem estão localizadas apenas do lado 
esquerdo. 
 Existe, portanto, uma assimetria nas funções corticais: o 
hemisfério esquerdo está mais relacionado com a linguagem, tanto 
na parte motora quanto na compreensão, além de apresentar 
relações com o comportamento intelectual e inteligência; já o 
hemisfério direito está mais relacionado com as tendências musicais, 
artísticas e noções espaciais (pessoal e extrapessoal). 
 Surgiu assim o conceito de que o hemisfério esquerdo seria o 
hemisfério dominante, enquanto o hemisfério direito exerceria um 
papel secundário. Na realidade, sabe-se que, se o hemisfério 
esquerdo é mais importante do ponto de vista da linguagem e do 
raciocínio matemático, o direito é ‘dominante’ no que diz respeito ao 
desempenho de certas habilidades artísticas como música e pintura, 
à percepção de relações espaciais ou ao reconhecimento da 
fisionomia das pessoas. 
 Convém assinalar que a assimetria funcional dos hemisférios cerebrais se manifesta apenas nas áreas de associação, uma 
vez que o funcionamento das áreas das áreas de projeção, tanto motoras como sensitivas, é igual dos dois lados. 
 
OBS
7
: Curiosas são as relações entre dominância cerebral na linguagem e o uso preferencial da mão. Em 96% dos indivíduos 
destros, o hemisfério dominante é o esquerdo, mas nos indivíduos canhotos ou ambidestros esse valor cai para 70%. Isso significa 
que em um canhoto é mais difícil prever o lado em que se localizam os centros da linguagem. Essa informação é importante para um 
neurocirurgião que pretenda operar regiões próximas às áreas de Broca ou de Wernicke de um indivíduo, pois qualquer ação 
intempestiva nessas áreas poderia causar uma afasia. Para saber com segurança o lado em que estão os centros de linguagem, o 
cirurgião injeta em uma das carótidas um anestésico de ação muito rápida enquanto pede ao paciente que comece a contar em voz 
alta (teste de Wada). A droga é levada preferencialmente ao hemisfério do mesmo lado em que foi injetada e nele causa um breve 
período de disfunção; se nesse hemisfério estiverem os centros da linguagem, o paciente para de contar e não responde ao comando 
para continuar. 
 
 Sabe-se hoje que, na maioria das pessoas, a região do lobo temporal correspondente à área de Wernicke é maior à esquerda 
do que à direita. 
 A assimetria funcional entre os dois hemisférios torna mais importante o papel do corpo caloso de transmitir informações entre 
eles. Isso ficou provado pelo estudo de pacientes em que essa comissura foi seccionada cirurgicamente para melhorar certos quadros 
de epilepsia. Esses indivíduos não têm nenhum distúrbio sensitivo ou motor evidente. Entretanto, são incapazes de descrever um 
objeto colocado na sua mão esquerda, embora possam fazê-lo quando o objeto é colocado na sua mão direita. Neste caso, as 
impressões sensoriais do objeto chegam diretamente ao hemisfério esquerdo, dominante, onde estão as áreas de linguagem, o que 
permite a descrição do objeto. Já no caso em que o objeto é colocado na mão esquerda, os impulsos sensoriais chegam ao 
hemisfério direito, onde não existem áreas de linguagem. Como estão lesadas as fibras do corpo caloso, que, no indivíduo normal, 
transmitem as informações aos centros da linguagem no hemisfério esquerdo, o indivíduo, apesar de reconhecer o objeto (no seu 
hemisfério direito), é incapaz de descrevê-lo (utilizando o hemisfério esquerdo) por não haver mais a comunicação comissural entre os 
dois hemisférios. 
 
 
 
 
 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
83 
 
 
APLICAÇÕES CLÍNICAS 
 As lesões cerebrais focais, como por exemplo, causadas por tumores ou por acidente vascular cerebral, produzem três tipos de 
sinais e sintomas clínicos: 
 Crises epiléticas parciais. As descargas repetitivas de grupos de neurônios em uma determinada área do córtex cerebral 
produzem ataques paroxísticos de curta duração e refletem as propriedades funcionais pertinentes àquele grupo de 
neurônios em questão. O paciente pode experimentar ataques súbitos de movimentos ou sensações anormais (crises 
parciais simples) ou breves alterações da percepção do humor ou do comportamento (crises parciais complexas). As 
crises parciais podem desencadear convulsões complexas (crises generalizadas tônico-clônicas), caracterizadas por 
contrações tônicas e movimentos clônicos generalizados. 
 Deficiência sensório-motora. Ocorre perda das sensações e dos movimentos, detectáveis no exame clínico neurológico. 
 Deficiências psicológicas. Ocorrem rupturas nos processos psicológicos, como na linguagem, na percepção e na memória, 
demonstráveis pela avaliação psicológica. 
 
 Lesões do lobo frontal esquerdo 
o Crises parciais: movimentos abruptos paroxísticos dos membros contralaterais (chamados de “motores simples”). 
o Deficiência sensório-motora: ocorre fraqueza da face (musculatura do quadrante inferior) e sinais de neurônio motor 
superior nos membros do lado oposto ao da lesão (hemiplegia contralateral). 
o Deficiência psicológica: a fala só é produzida mediante grande esforço e articulação prejudicada, em trechos breves, 
com erros de palavras (parafasia). A repetição das palavras fica comprometida, mas a capacidade de compreensão 
fica relativamente preservada. Esse quadro é conhecido como afasia de Broca. Também ocorre comprometimento 
da leitura (alexia) e da escrita (agrafia). 
 
 Lesão do lobo parietal esquerdo 
o Crises parciais: ataques paroxísticos de sensações anormais, propagadas pelo lado contralateral do corpo (crises 
sensoriais). 
o Deficiência sensório-motora: perda hemissensorial contralateral e perda contralateral de parte do campo visual 
inferior (quadrantanopsia inferior direita). 
o Deficiências psicológicas: incapacidade de dar nome aos objetos (anomia), com incapacidade de ler (alexia), 
escrever (agrafia) e calcular (acalculia). 
 
 Lesão do lobo parietal direito 
o Crises parciais: ataques paroxísticos de perturbações sensoriais que afetam o lado contralateral do corpo (crises 
sensoriais simples). 
o Deficiência sensório-motora: perda hemissensorial contralateral e perda contralateral de parte do campo visual 
inferior (quadrantanopsia inferior esquerda). 
o Deficiências psicológicas: incapacidade de copiar e de construir esquemas devido à desorientação espacial (apraxia 
de construção). Lesões do lóbulo parietal inferior (responsável pela informação sensorial geral e pelo conhecimento 
consciente da metade contralateral do corpo) comprometem a interpretação e a compreensão das entradas 
sensoriais que nele chegam,e podem causar abandono da outra metade do corpo. 
 
 Lesões do lobo temporal esquerdo 
o Crises parciais: ataques paroxísticos de insensibilidade, de comportamento sem objetividade (automatismos), 
alucinações olfativas e visuais ou auditivas complexas (déjà-vu, do francês, “já visto antes”). Esses ataques são 
referidos como crises parciais complexas. 
o Deficiência sensório-motora: perda contralateral de parte do campo visual superior (quadrantanopsia superior 
contralateral). 
o Deficiência psicológica: a fala é fluente e rápida, mas contém erros de palavras (parafasia) e é incompreensível. 
Existe enorme dificuldade de encontrar palavras, comprometimento da repetição das palavras e perda profunda da 
compreensão. Esse quadro é conhecido como afasia de Wernicke. 
 
 Lesões do lobo occipital: as lesões bilaterais do córtex occipital causam cegueira cortical, da qual o paciente não tem 
conhecimento (anosognosia de cegueira ou síndrome de Anton). Lesões bilaterais parieto-occipitais podem poupar a visão 
elementar, mas impedem o reconhecimento e descrição dos objetos (agnosia visual perceptiva). 
o Crises parciais: alucinações visuais paroxísticas de natureza simples, sem forma, como luzes e cores (crises parciais 
simples). 
o Deficiência sensório-motora: perda do campo visual contralateral (hemianopia homônima contralateral). 
 
 Lesões relacionadas com a parte súpero-lateral giro pré-central, seja ela por trauma direto, tumor ou isquemia da A. cerebral 
média, devido a esta área estar relacionada com o córtex motor primário da região superior do corpo (inclusive membros 
superiores e face), sabidamente causam déficits motores contralaterais (hemiparesias e hemiplegias com predomínio 
braquiofacial), com distribuição e extensão dependentes da área cortical e/ou do contingente de fibras motoras acometidas. 
Se a lesão estiver relacionada com a parte mais anterior do lóbulo para-central, na face medial do encéfalo, seja por 
isquemia da A. cerebral anterior ou qualquer outro motivo, o paciente apresentará hemiplegia relacionado com o membro 
inferior contralateral (hemiplegia crural). 
o Lesões da área motora primária: hemiplegia contralateral. 
o Lesões da área motora suplementar: dificuldade no planejamento do movimento, sem haver paralisia (apraxia). O 
indivíduo acometido, neste caso, sente uma dificuldade imensa de abotoar uma camisa, por exemplo, ou de seguir 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
84 
 
uma sequência lógica de eventos para um determinando fim (atos acender, por o cigarro na boca e fumá-lo, por 
exemplo) 
 
 Lesões da área somatossensitiva (áreas 3, 1 e 2 de Brodmann) causam comprometimento contralateral do tato e da pressão 
particularmente notados ao exame concomitantemente bilateral dessas modalidades sensitivas, observando-se assim o 
chamado fenômeno de extinção da estimulação pertinente ao hemicorpo contralateral à lesão e também comprometimento 
da noção proprioceptiva contralateral. O comprometimento da percepção dolorosa por sua vez se relaciona mais 
particularmente com o acometimento de áreas sensitivas secundárias. 
o Se a lesão ocorrer na área sensitiva primária (área 3, 1 e 2), há perda da sensibilidade relativa ao tato, dor e 
temperatura na metade lateral do corpo. 
o Já se a lesão ocorrer em nível da área sensitiva secundária (áreas 5 e 7), o paciente não tem a perda desta 
sensibilidade, mas se torna incapaz de identificar as características desse estímulo (agnosias). 
 
 Lesões frontoparietais podem causar apraxias (incapacidade de executar determinados atos voluntários sem que exista um 
déficit motor pronunciado) ideomotora e ideativa. 
o Na apraxia ideomotora, o paciente é capaz de elaborar a idéia de um ato e de executá-lo automaticamente, mas 
não é capaz de realizá-lo quando sugerido pelo neurologista. É um déficit motor secundário a uma desconexão 
entre os centros da linguagem ou visuais que compreendem o comando e as áreas motoras solicitadas a executá-lo. 
Em outras palavras, o paciente tem dificuldades em executar um comando complexo (Ex: saudar, dar adeus com a 
mão, estalar os dedos, bater continência, realizar o sinal da cruz, etc.) quando solicitado. Ele é incapaz de executar 
o ato mediante um comando do neurologista, mas pode conseguir imitá-lo. 
o O paciente com apraxia ideativa, por sua vez, não é capaz de planificar e realizar um ato sobre auto-comando. 
Pode ocorrer em casos de lesões da junção temporoparietal posterior esquerda. O paciente consegue executar 
componentes individuais de um ato motor complexo, mas não consegue executar a sequência inteira corretamente: 
quando solicitado a ligar um carro, o paciente pode passar as marchas antes de dar partida; quando solicitado para 
enviar uma carta pelo correio, fecha o envelope antes de por a carta dentro. 
 
 O comprometimento do giro supramarginal (área 40 de Brodmann) do hemisfério dominante, dada a sua maior proximidade 
com as áreas de representação somatossensitiva, pode causar agnosias tácteis e proprioceptivas, distúrbios de 
discriminação direita-esquerda, do próprio esquema corporal e eventualmente quadros apráxicos mais complexos. Por estar 
mais relacionado com as sensibilidades táteis, admite-se que o giro supramarginal seja responsável pelas conexões que 
fazem com que a leitura braile seja interpretada pela área de Wernicke. 
 
 Lesões destrutivas do giro angular (área 39 de Brodmann, considerado, com frequência, parte posterior da área de Wernicke) 
dividem a via que interliga a área visual associativa e a parte anterior da área de Wernicke. Isso faz com que o paciente fique 
incapaz de ler (alexia) ou de escrever (agrafia). Como se sabe, a linguagem escrita é percebida pelo sistema visual e as 
informações transmitidas à área de Wernicke onde são interpretadas. Disfunção dos centros da linguagem ou interrupção 
das conexões destes com o sistema visual (conexões que se fazem por meio, principalmente, do giro angular) podem causar 
alexia. Devemos ter em mente também que o esplênio do corpo caloso é responsável por integrar as informações visuais que 
chegam ao córtex occipital do lado direito com a área de Wernicke do lado esquerdo. Por esta razão, lesões no esplênio 
(irrigado pelo ramo dorsal do corpo caloso, ramo da A. cerebral posterior) também podem causar alexia. Pode ocorrer 
também afasia anômica (incapacidade de dar nomes a objetos). 
 
 Síndrome de Gerstmann: é o distúrbio caracterizado pela incapacidade de distinguir e denominar os dedos da sua própria 
mão (agnosia digital), incapacidade de reconhecimento de direita-esquerda, afasia de compreensão, alexia, acalculia, 
anomia, secundário a lesões parietais posteriores do hemisfério dominante (área terciária temporo-parietal esquerda). 
Dificuldades com a escrita (grafia) é bastante frequente. 
 
 Síndrome da Negligência: lesões parietais posteriores, 
principalmente do hemisfério não-dominante (área terciária 
temporo-parietal direita), podem levar o paciente a se comportar 
como se a metade contralateral do seu corpo estivesse ausente ou 
não a pertencesse. A observação de pacientes com lesões do 
córtex parietal posterior (centro responsável por convergir as fibras 
provenientes da área auditiva, somestésica e visual), geralmente 
no hemisfério direito, tem sido importante para definir melhor a sua 
função. Esses pacientes apresentam uma condição clínica 
conhecida como síndrome da indiferença (ou síndrome da 
negligência). Eles geralmente ignoram tudo o que se passa à 
esquerda: o lado esquerdo do seu corpo, o lado esquerdo dos 
objetos, o lado esquerdo co seu campo visual. Se tomarmos a sua 
mão esquerda e lhes mostrarmos, dirão que não é sua, colocarão 
o braço direito na manga correspondente, mas não o farão para o 
braço esquerdo, que permanecerá desvestido. Se pedirmos que 
desenhem uma flor, colocarão pétalas ao lado direito; um relógio 
será representado com todos os números do lado direito, apenas. 
É como se os pacientes nãoconseguissem posicionar-se em 
relação ao eixo de simetria bilateral das coisas (inclusive do seu 
próprio corpo), e não pudessem perceber o espaço que se localiza 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
85 
 
à esquerda desse eixo. A indiferença à esquerda reflete o fato de que o hemisfério direito é mais importante para a função de 
percepção espacial. Esta indiferença atinge 
tanto o espaço peripessoal, isto é, aquele que 
está ao alcance dos membros, como o espaço 
extrapessoal, aquele que pode ser alcançado 
apenas pelos movimentos oculares. Além 
desses sinais, o paciente apresenta, também, 
um reconhecimento anormal de expressões 
não-orais (expressão facial, tom de voz, humor), 
de modo tal que, ao observar figuras com 
expressões faciais diferentes, para o paciente, 
são todas iguais. Além disso, apresentam uma 
impersistência motora (de modo que, ao ser 
solicitado para elevar os braços, por inquietude, 
ele rapidamente os repõe). Um dos mais 
importantes sinais da síndrome da disfunção 
cortical superior do hemisfério não-dominante é 
a anosognosia, que consiste no 
desconhecimento pelo paciente do seu próprio 
déficit: por exemplo, paciente com hemiplegia 
esquerda evidente (que pode estar comumente 
associada à lesão temporo-parietal esquerda, 
uma vez que os dois quadros podem ser 
causados pela isquemia da mesma artéria), ao 
ser questionado de sua paralisia, ele não 
reconhece, admitindo que tudo está funcionando 
normalmente. Há também apraxia construtiva 
(ou constitucional), em que o paciente é incapaz 
de desenhar uma casa, por exemplo, uma vez 
que ele necessita da integridade neurológica da 
área temporo-parietal esquerda para realizar a 
integração dos atos de imaginar em desenhá-la, 
observar o que estar desenhando e interpretar o 
desenho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Lesões unilaterais restritas ao giro temporal transverso anterior (de Heschl), área auditiva primária, e parte do giro temporal 
superior que abrigam a área auditiva primária (área 41 e 42 de Brodmann) não causam déficit auditivo significativo, dada a 
projeção cortical bilateral das vias auditivas. No entanto, as lesões bilaterais dessas áreas podem causar agnosia auditiva, 
também denominada de surdez verbal. Já se a lesão acontecer na área auditiva secundária, o paciente é capaz de ouvir, 
mas não é capaz de identificar com clareza a origem do som captado. 
 
 Lesões na área visual primária, localizada na porção distal dos lábios do sulco calcarino (área 17 de Brodmann) causam 
agnosia visual, também denominada cegueira ou amaurose cortical (em que o indivíduo é capaz de ver, mas não de 
enxergar). Pacientes com lesões occipitais ou occipitoparietais bilaterais podem não ter consciência de seu déficit ou podem 
ter essa consciência mas negar que o déficit exista (anosognosia de cegueira). Neste caso, o paciente pode comportar-se 
como se conseguisse enxergar – ao tentar andar, esbarra em objetos e cai sobre as coisas (Síndrome de Anton). Já lesões 
nas áreas visuais secundárias (áreas 18 e 19 de Brodmann), podem ser responsáveis apenas por dificuldades de 
reconhecer, identificar objetos e dar nomes aos objetos (anomia), apesar de enxergá-los perfeitamente. 
 
 Recebem o nome de afasias alguns dos distúrbios de linguagem falada. São extremamente comuns, causados por quase a 
metade dos acidentes vasculares cerebrais, pelo menos na fase aguda. As afasias primárias podem então ser classificadas 
de acordo com a natureza dos sintomas apresentados pelos pacientes, e correspondem também à região cerebral atingida. 
o A área de Broca (localizada na parte triangular e opercular do giro frontal inferior esquerdo) é a responsável pelo 
aspecto motor ou de expressão da língua falada. Quando esta é lesada, o paciente apresenta uma afasia de 
expressão (ou afasia de Broca). Sem déficits motores propriamente ditos, torna-se ele incapaz de falar, ou 
apresenta uma fala não-fluente, restrita a poucas sílabas ou palavras curtas sem verbos. O paciente se esforça 
muito para encontrar as palavras, sem sucesso. Como exemplo da linguagem de um paciente acometido, temos: 
“Ah... segunda-feira... ah... Papai e Paulo [o nome do paciente]... e papai... hospital. Dois... ah... E, ah... 
meia hora... e sim... ah... hospital. E, ah... quarta-feira... nove horas. E, ah... quinta-feira às dez horas... 
médicos. Dois médicos... e ah... dentes. É... ótimo.” 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
86 
 
o A área de Wernicke é a responsável, por sua vez, pela compreensão da linguagem falada e escrita e 
anatomicamente se dispõe principalmente sobre a porção posterior do giro temporal superior e do giro temporal 
transverso anterior. Além disso, recebe, via giro angular, fibras oriundas do córtex visual necessárias para a 
compressão da linguagem escrita ou visual. Quando a lesão atinge esta área, o quadro é inteiramente diferente do 
pré-citado, onde o paciente apresenta uma afasia de compreensão. Quando um interlocutor lhe fala, o indivíduo 
não parece compreender bem o que lhe é dito. Não só emite respostas verbais sem sentido, como também é falha 
em indicar com gestos que possa ter compreendido o que lhe foi dito. Sua fala espontânea é fluente, mas usa 
palavras e frases desconexas porque não compreende o que ele próprio está dizendo. É comum o uso de 
neologismos. Como exemplo da linguagem de um paciente acometido, temos: 
“Queria lhe dizer que isso aconteceu quando aconteceu quando ele alugou. Seu... seu boné cai aqui e fica 
estripulo... ele alu alguma coisa. Aconteceu. Em tese os mais gelatinosos estavam ele para alu... é amigo... 
parece é. E acabou de acontecer, por isso não sei, ele não trouxe nada. E não pagou.” 
o Além dessas duas áreas, há a influência anátomo-funcional do fascículo arqueado (fascículo longitudinal superior). 
Wernicke (neurologista alemão que primeiro descreveu a afasia de compreensão) raciocinou que se a expressão é 
função da área de Broca, e se a compreensão é função da área que levou seu nome, então ambas devem estar 
conectadas para que os indivíduos possam compreender o que eles mesmos falam e respondem ao que os outros 
lhes falam. De fato, existem conexões entre essas duas áreas linguísticas através desse feixe ou fascículo 
arqueado. Wernicke previu que a lesão desse feixe deveria provocar uma afasia de condução, na qual os 
pacientes seriam capazes de falar espontaneamente, embora cometessem erros de repetição e de resposta a 
comandos verbais. Em diálogos entre neurologistas e pacientes acometidos deste tipo de afasia, obviamente, é 
capaz de compreender o que o neurologista disse, mas como não foi capaz de repetir, emitiu uma frase diferente, 
mas de sentido equivalente: 
 Neurologista: “Repita esta frase: O tanque de gasolina do carro vazou e sujou toda a estrada”. 
 Paciente: “A rua ficou toda suja com o vazamento”. 
 
OBS
8
: O modelo neurolinguístico de Wernicke considerava, então, que a área de Broca conteria os programas motores da fala, ou 
seja, as memórias dos movimentos necessários para expressar os fonemas que aprendemos ao longo da vida, compô-los em 
palavras e estas em frases (afinal, a área de Broca é adjacente à área pré-motora, em região bastante somatotópica da face). A área 
de Wernicke, por outro lado, conteria as memórias dos sons que compõem as palavras, possibilitando a compreensão (ademais, a 
área de Wernicke fica no giro temporal superior, vizinha às áreas auditivas). Bastaria que esta área fosse conectada com a primeira 
para que o indivíduo pudesse associar a compreensão das palavras ouvidas com a sua própria fala. 
 
 Pronúncia 
e Ritmo da 
fala 
Conteúdo 
Da fala 
Repetição 
Da fala 
Compreensão 
da linguagem 
falada 
Compreensão 
da linguagem 
escrita 
 
Escrita 
 
Nomeação 
Afasia de 
Broca 
Disartria 
gaguejante, 
forçada 
Falta de 
sílabas, sem 
gramática, 
telegráfica 
Anormal, 
mas melhor 
do que 
espontânea 
 
 
Normal 
Não tão boa 
quanto da 
linguagem falada 
Descuidada,sem 
gramática, 
erros de 
ortografia 
 
Melhor do que a 
fala espontânea 
Afasia de 
Wernicke 
Normal, 
fluente, 
loquaz 
Uso de 
palavras 
erradas ou 
inexistentes 
 
Anormal 
 
Muito 
anormal 
Anormal, mas 
melhor do que a 
falada 
Caligrafia 
normal, mas 
com erros de 
ortografia 
 
Nomes errados 
 
Afasia de 
condução 
 
 
Normal 
 
Algumas 
palavras 
erradas 
 
Anormal 
 
Levemente 
anormal 
 
Frequentemente 
normal 
Erros 
ocasionais de 
ortografia e 
linguagem 
 
Ocasionalmente 
nomes errados 
 
 
OBS
9
: Segundo DeJong, a dimensão da linguagem que se localiza no hemisfério não-dominante ainda é uma questão discutida. 
Admite-se que lesões do hemisfério não-dominante (como no giro frontal inferior direito) causam distúrbios da fala que afetam os 
elementos não-linguisticos da linguagem. Há, por exemplo, perda ou comprometimento do ritmo e dos elementos emocionais da 
linguagem. Ocorre, por exemplo, disprosódia (o termo prosódia refere-se aos aspectos melódicos da fala - modulação, entonação, 
volume, conteúdo emocional, etc.). Em outras palavras, os pacientes perdem a capacidade de transmitir emoção pela fala ou de 
detectar a emoção expressa por outras pessoas. A fala disprosódica é plana e monótona, sem inflexão nem emoção. 
OBS
10
: Lesões nos giros angular e supramarginal do lado esquerdo também estão relacionadas com distúrbios da linguagem, uma 
vez que ambas as estruturas apresentam conexões direta com a área Wernicke e com a interpretação de linguagem. Em resumo, 
temos as seguintes relações: 
 A linguagem verbal é primeiramente captada pelas vias auditivas, processada pelas áreas primárias e secundárias da audição 
e, por contiguidade, levada até a área de Wernicke que, como se sabe, localiza-se na própria área auditiva secundária (em 
sua porção mais posterior). 
 A linguagem visual é primeiramente captada pelas vias ópticas, processada pelas áreas visuais primárias e secundárias 
localizadas no lobo occipital e temporal e, posteriormente, via conexões com o giro angular e supramarginal, levada até a 
área de Wernicke, onde é interpretada. E relação anatômica é tamanha que se percebe que o giro angular está situado entre 
as áreas corticais da visão e a área de Wernicke. 
 Admite-se que a linguagem tateada (como a leitura braile) seja processada pelas áreas somestésicas primárias e secundárias 
e, via giro supramarginal, enviada e interpretada pela área de Wernicke. 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
87 
 
 
 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
88 
 
 
ESTRUTURA E FUNÇÕES DOS NÚCLEOS DA BASE 
 
 
 Os núcleos da base são massas de corpos de 
neurônios imersos em substância branca na região da 
base do telencéfalo. Em geral, temos como núcleos da 
base: claustrum, corpo amigdaloide, núcleo caudado, 
putâmen e globos pálidos. O putâmen e o globo pálido, 
em conjunto, formam o núcleo lentiforme; o núcleo 
caudado, em conjunto com o núcleo lentiforme (que 
consiste em putâmen e globo pálido), forma o corpo 
estriado; já o conjunto da cabeça do núcleo caudado 
com o putâmen pode ser chamado de striatum, assim 
como os dois globos pálidos podem ser chamados de 
pallidum. 
Veja o esquema a seguir, que mostra o conjunto 
dos núcleos da base: 
 
 
 Estudos mais recentes, entretanto, permitem 
incluir entre os núcleos da base pelos menos mais duas 
estruturas: o núcleo basal de Meynert e o núcleo 
accumbens, este último integrando o chamado corpo 
estriado ventral, localizando-se bem no local de junção 
da cabeça do núcleo caudado e putâmen. 
 O claustrum, situado entre o putâmen e o córtex 
da ínsula (separado desta por meio da cápsula extrema) 
tem função ainda desconhecida. O corpo amigdaloide é 
um importante componente do sistema límbico, e será 
estudado a propósito deste sistema. 
 
 
 
 
 
 
 
 
CORPO ESTRIADO 
 Tradicionalmente, o corpo estriado é constituído pelo núcleo caudado, putâmen e globo pálido. Estes dois últimos núcleos 
constituem o núcleo lentiforme. Em quase toda a sua extensão, o núcleo caudado é separado do núcleo lentiforme pela perna anterior 
da cápsula interna (estrutura por onde passam a maioria dos tractos descendentes), sendo, entretanto, unido a ele em sua parte mais 
anterior. Do ponto de vista filogenético, estrutural e funcional, as relações do putâmen são mais intensas com o núcleo caudado do 
que com o globo pálido. Por esta razão, pode-se dividir o corpo estriado, então, em uma parte mais recente, o neoestriado (ou 
simplesmente striatum), que compreende o putâmen e o núcleo caudado e, uma parte mais antiga, o paleoestriado (ou pallidum), 
constituída pelos globos pálidos (medial e lateral). 
 Existem muitas fibras ligando o núcleo caudado e o putâmen aos globos pálidos, e são elas que, ao convergirem para o 
globo pálido, lhe dão cor mais pálida nas preparações não-coradas. De um modo geral, os impulsos aferentes do corpo estriado 
chegam ao neoestriado (núcleo caudado e putâmen) e passam ao paleoestriado (globo pálido), de onde sai a maioria das fibras 
eferentes do corpo estriado (que se fazem, em quase sua totalidade, para o tálamo). Portanto, como veremos a seguir, o striatum 
consiste na via de entrada dos circuitos dos núcleos da base, e o pallidum, a via de saída. 
 
OBS
1
: As estruturas do corpo estriado ventral têm conexões com áreas corticais do sistema límbico e, desse modo, participam da 
regulação do comportamento emocional enquanto as estruturas dorsais do corpo estriado são fundamentalmente motoras somáticas. 
O striatum ventral tem como componente principal o núcleo accubens, situado na união entre o putâmen e a cabeça do núcleo 
caudado, que participa de conexões com a via mesolímbica (sistema límbico) e acredita-se que ele seja responsável pelos 
movimentos decorrentes de alguns estímulos emocionais (como tremores em humanos frente a algumas emoções e o balançar da 
cauda em cachorros, por exemplo). 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
89 
 
CONEXÕES DOS NÚCLEOS DA BASE 
 Em resumo, os núcleos da base estão relacionados com a etapa de programação do comando motor, exercendo, junto ao 
cerebelo, a modulação do estímulo excitatório que o tálamo exerce sobre o córtex motor. Tais funções do corpo estriado são 
exercidas através de um circuito básico que o liga ao córtex cerebral, o qual, por sua vez, é modulado ou modificado por circuitos 
subsidiários (satélites) que a ele se ligam. 
1. Circuito básico: origina-se no córtex cerebral e, através das fibras córtico-estriatais, liga-se ao striatum, de onde os impulsos 
nervosos passam para o globo pálido. Este, por sua vez, através das fibras pálido-talâmicas, liga-se aos núcleos ventral 
anterior e ventral lateral (VA e VL) do tálamo, os quais se projetam de volta para o córtex cerebral. Fecha-se, assim, o circuito 
em alça córtico-estriado-tálamo-cortical, considerado o circuito básico do corpo estriado. Neste circuito, as fibras córtico-
estriatais originam-se em virtualmente todas as áreas do córtex cerebral, enquanto as fibras tálamo-corticais convergem para 
a área motora suplementar do córtex e para a própria área motora, onde tem origem o tracto córtico-espinhal. Acredita-se 
que este circuito tenha função importante no planejamento e programação do comando motor, assim como o cerebelo 
também mantém com o córtex cerebral. O corpo estriado pode também influenciar áreas não motoras do córtex, como a área 
pré-frontal ligada exclusivamente a funções psíquicas. 
2. Circuitos subsidiários: podemos citar dois circuitos subsidiários que se ligam ao circuito básico: 
 Circuito nigro-estriato-nigral: estabelece uma conexão recíproca entre a substância negra do mesencéfalo e o 
córtex cerebral. Fato importante é que as fibras nigro-estriatais são dopaminérgicas e exercem ação puramente 
moduladora sobre o circuito básico, fazendo sinapses com os chamados neurônios espinhosos do neoestriado. 
Lesões das fibras nigro-estriatais causam adoença de Parkinson. 
 Circuito pálido-subtalálamo-palidal: por meio deste, o núcleo subtalâmico é capaz de modificar a atividade do 
circuito básico, agindo assim diretamente sobre a motricidade somática. Por esta razão, lesões do núcleo 
subtalâmico causam o hemibalismo, doença em que há grave perturbação da atividade motora. 
 
OBS2: Nos vários componentes do circuito básico e seus circuitos subsidiários, interagem neurônios excitadores e inibidores de uma maneira 
bastante complexa, resultando em uma ação excitatória modulada (ou moderada) sobre as áreas corticais motoras, importante na regulação 
dos movimentos que aí se iniciam. As fibras córtico-estriatais são excitadoras e liberam glutamina. As fibras estriato-palidais são inibitórias, 
gabaérgicas, assim como são as fibras pálido-talâmicas. Já as fibras tálamo-corticais são excitatórias (com neurotransmissor ainda 
desconhecido). Numerosos neuropeptídeos coexistem como cotransmissores com os neurônios gabaérgicos (como a encefalina e a 
substância P). O striatum contém também interneurônios colinérgicos com atividade moduladora sobre o circuito básico. 
 
FUNCIONAMENTO FISIOLÓGICO DOS NÚCLEOS DA BASE 
 Como já se sabe, os núcleos da base estão relacionados diretamente com o controle motor somático. Por meio do seguinte 
resumo, aprenderemos as relações destes núcleos com o córtex motor bem como as patologias que os acometem, causando, assim, 
síndromes hipo ou hipercinéticas. Estudaremos agora apenas a influência desses núcleos na realização do movimento, uma vez que 
esta realização também depende do planejamento e correção realizados pelo cerebelo, abordado em outro capítulo. 
 A função primordial dos núcleos da base é a de modular o planejamento motor gerado pelas áreas motoras do córtex, em 
especial, neste primeiro momento, a área motora suplementar. O estímulo deve passar pelos núcleos da base para que estes (através 
de estruturas subsidiárias a eles, como a substância negra e os núcleos subtalâmicos) modulem o efeito excitatório que, naturalmente, 
o tálamo exerce sobre a área motora primária, para que daí, o comando do movimento seja enviado pelo tracto córtico-espinhal para 
os órgãos efetuadores (músculos). Porém, devemos ressaltar que o tálamo, por si só, tem um efeito altamente excitatório sobre o 
córtex motor, sendo necessária a ação desses núcleos para que haja uma moderação desse estímulo. 
 Portanto, em resumo, os núcleos da base trabalham sobre este mecanismo: o corpo estriado (striatum e pallidum) é ativado 
pelo córtex motor e, em condições normais, exerce uma ação inibitória sobre o tálamo. É válido tomar conta também que, assim como 
o tálamo tem uma natureza excitatória (bem como o núcleo subtalâmico), o striatum e o pallidum apresentam natureza inibitória 
(pois todas as conexões eferentes destes núcleos que veremos aqui se fazem por neurônios gabaérgicos). 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
90 
 
 O planejamento motor é primeiramente elaborado pela área motora suplementar (localizada da face medial do giro frontal 
superior, área 6 de Brodmann), de onde, por meio de fibras córtico-estriatais, chegam estímulos excitatórios (glutaminérgicos) para o 
striatum (núcleo caudado e putâmen). Este striatum estabelece conexões recíprocas com a substância negra (via nigro-striatum-
nigrais), a qual, por meio de fibras dopaminérgicas exercerá efeitos diferentes a depender do receptor dopaminérgico ativado. Desta 
forma, temos: 
 Os receptores D1 do striatum, ao se ligarem a dopamina, são ativados e fazem com que ele exerça sua ação inibitória 
normal sobre o globo pálido medial/parte reticulada da substância negra (GPM), constituindo a chamada via direta. 
 Os receptores D2 do striatum, ao se ligarem a dopamina, são inibidos e reduzem o efeito inibitório que o striatum exerce 
sobre o globo pálido lateral (GPL), dando início à chamada via indireta. 
 
A via direta é, então, estabelecida pelo efeito inibitório (GABA + substância P) que o striatum exerce sobre o GPM graças à 
ativação dos receptores D1 do striatum. No que diz respeito à via indireta, devemos ter a noção que, quando os receptores D2 se 
ligam a dopamina, eles são inativados, e passam a exercer uma ação inibitória fraca (GABA + encefalina) sobre o GPL, liberando a 
sua ação. Este, por sua vez, passa a inibir o núcleo subtalâmico (que, como vimos, também tem natureza excitatória). Como resultado 
final, o núcleo subtalâmico passa a exercer uma ação excitatória moderada sobre o GPM, constituindo o fim da via indireta. 
Veremos, neste momento, que, ao final de tudo, o funcionamento normal deste circuito estabelecido pelos núcleos da base e 
tálamo depende do balanço entre o estímulo exercido pela via indireta e a inibição exercida pela via direta sobre o globo pálido medial 
(que, como vimos, constitui a via de saída dos núcleos da base). 
Portanto, ao término deste esquema, nota-se que a via direta exerce uma ação inibitória sobre o GPM, enquanto que a via 
indireta exerce uma ação excitatória. Do balanço normal destes estímulos, o GPM passa a inibir de forma adequada o tálamo, o qual 
passa a estimular o córtex motor de forma adequada (vale lembrar que, neste momento, o tálamo também recebe informações da 
programação motora gerada pelo cerebelo, enviando, neste momento, tudo de forma organizada para o córtex motor). A partir daí , o 
estímulo é enviado à medula espinhal via tracto córtico-espinhal, determinando a realização do movimento. 
 
SÍNDROMES HIPOCINÉTICAS – LESÃO DA SUBSTÂNCIA NEGRA 
As síndromes hipocinéticas, que tem o 
parkinsonismo como protótipo, ocorrem devido a uma 
depleção dos neurônios dopaminérgicos da substância 
negra (que pode ser idiopática, no caso da doença de 
Parkinson, ou secundária a outros eventos, como nas 
outras formas de parkinsonismo – ver OBS
4
). 
Em decorrência desta lesão, os receptores D1 
do striatum deixam de ser ativados, e passam a inibir o 
GPM de forma inadequada. Já os receptores D2 deixam 
de ser inibidos, e passam a reduzir a ação inibitória que o 
GPL exerce sobre o núcleo subtalâmico. Desta forma, o 
núcleo subtalâmico passa a exercer uma ação 
hiperexcitatória sobre o GPM. 
Ao final de tudo, tem-se um balanço excitatório 
entre a via direta e a via indireta, de modo que o GPM 
passa a ser mais excitado do que inibido. Como a função 
do GPM é inibir o tálamo, ele passará a inibir de forma 
exagerada o tálamo, fazendo com que este estimule de 
maneira deficiente o córtex motor primário, 
caracterizando a bradicinesia (diminuição da amplitude e 
rapidez dos movimentos) característico das síndromes 
hipocinéticas. 
 
 
SÍNDROMES HIPERCINÉTICAS – LESÃO DO NÚCLEO SUBTALÂMICO 
 Na destruição dos núcleos subtalâmicos, como o 
que ocorre nas síndromes hipercinéticas (hemibalismo, 
por exemplo), haverá ao final um efeito inibitório que se 
sobressai no GPM, de modo que este permite que o tálamo 
exerça sua função excitatória sobre o córtex motor. 
 Isso ocorre porque, com a lesão do núcleo 
subtalâmico, este deixa de ativar o GPM. Como o GPM 
ainda recebe a ação inibitória da via direta (pelos neurônios 
dopaminérgicos do striatum), ele passa a trabalhar de 
maneira diminuída e, portanto, deixa de inibir o tálamo. 
 Como sabemos, o tálamo apresenta uma fisiologia 
excitatória, e passa a estimular de forma exagerada do 
córtex motor, gerando os quadros que se caracterizam pelo 
aumento da amplitude e rapidez dos movimentos, como 
ocorre no hemibalismo. 
 Como podemos observar, quando ocorre lesão no 
núcleo subtalâmico, o tálamo passa a trabalhar de forma 
desinibida, como se não existissem os núcleos da base. 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
91 
 
CONSIDERAÇÕES FUNCIONAIS E CLÍNICAS 
 O médico inglês James Parkinson descreveu uma doença cujos principais sintomas são tremores (quando os membros se 
encontram em repouso), aumento do tônus e dificuldade para se dar início aos movimentos voluntários. Quadros clínicoscom essas 
apresentações, caracterizados principalmente por movimentos involuntários, têm sido consistentemente associados a lesões dos 
núcleos da base. 
 A existência dessas síndromes constitui o principal argumento de que a função dos núcleos da base, ou melhor, do corpo 
estriado, é essencialmente motora. Sabe-se hoje que o corpo estriado agindo sobre as áreas motoras do córtex através do circuito 
básico que descrevemos exerce influência não só sobre a execução do movimento voluntário já iniciado, mas também sobre o próprio 
planejamento do ato motor. Para isso, acredita-se que são importantes suas projeções para a área motora suplementar do córtex, 
também envolvida no planejamento motor. Coerente com essas funções, sabe-se que neurônios do corpo estriado são ativados não 
só durante os movimentos, mas também antes de eles se iniciarem, elaborando assim, todo o planejamento de início, realização e 
finalização de movimentos. 
 As síndromes relacionadas a lesões e degenerações do corpo estriado são as seguintes: 
 Doença de Parkinson: também chamada de parkinsonismo primário, aparece geralmente depois dos 
50 anos e caracteriza-se por três sintomas básicos: tremor (manifesta-se nas extremidades quando 
elas estão paradas e desaparece com o movimento), rigidez (resulta de uma hipertonia de toda 
musculatura esquelética) e bradicinesia (manifesta-se por uma lentidão e redução da atividade motora 
espontânea, na ausência de paralisia). Há também uma grande dificuldade para se dar início aos 
movimentos, como o levantar de uma cadeira, o que, para pacientes mais graves, é uma tarefa quase 
que impossível. Verificou-se que na doença de Parkinson a lesão geralmente está na substância negra, 
resultando em diminuição de dopamina nas fibras nigro-estriatais. Tentativas para aumentar o teor de 
dopamina através da administração direta desse neurotransmissor não obtiveram sucesso, pois essa 
amina só atravessa a barreira hematoencefálica em concentrações muito altas e tóxicas para o restante 
do organismo. Verificou-se, entretanto, que o isômero levógero da diidroxifenilalanina (o L-Dopa) 
atravessa com facilidade a barreira hematoencefálica, sendo captado pelos neurônios a fibras 
dopaminérgicas da substância negra e transformando-se em dopamina, o que causa melhora dos 
sintomas da doença de Parkinson. A lesão estereotáxica do globo pálido ou dos núcleos ventral 
anterior e ventral lateral do tálamo tem sido usada no tratamento dos tremores observados na doença 
de Parkinson, principalmente, quando há falhas no tratamento com L-Dopa. 
 
 Hemibalismo: caracteriza-se por movimentos involuntários violentos, abruptos e rápidos (hipercinesia) de uma das 
extremidades que, nos casos mais graves, não desaparecem nem como o sono, podendo levar o doente à exaustão. 
Resulta quase sempre de uma lesão vascular do núcleo subtalâmico contralateral, o que interrompe a atividade moduladora 
desse núcleo sobre o globo pálido. 
 
 Coreia: trata-se de um termo de origem grega que significa dança, uma vez que seus sintomas são caracterizados por 
movimentos involuntários rápidos e de grande amplitude, rápidos e grosseiros. Alguns dados indicam que a coreia é 
causada por lesões nas fibras gabaérgicas que ligam o putâmen à parte lateral do globo pálido. 
 
 Atetose: manifesta-se por movimentos involuntários lentos, sinuosos e rítmicos, especialmente dos antebraços e mãos, 
lembrando os movimentos de um verme. Desaparecem com o sono. Está associada a lesões do corpo estriado. 
 
 
OBS
3
: É fácil perceber na descrição dos quadros clínicos feita até agora que esses sintomas são de dois tipos: hipercinéticos e 
hipocinéticos, em que ocorrem, respectivamente, aumento e diminuição da atividade motora mediada pelo córtex. Sabe-se que nos 
primeiros há um aumento exagerado e, nos segundos, uma diminuição da atividade excitatória que o circuito básico do corpo estriado 
exerce sobre a área motora do córtex cerebral e que a atinge pela parte final desse circuito, ou seja, as fibras tálamo-corticais. 
Mudanças operacionais no circuito básico estriado-tálamo-cortical levariam a uma excessiva inibição ou, no outro extremo, a uma 
desinibição do tálamo, resultando respectivamente nos quadros hipo e hipercinéticos. Daí a designação das síndromes. 
OBS
4
: Note que parkinsonismo não é sinonímia para doença de Parkinson. Na realidade a doença de Parkinson é considerada um 
parkinsonismo idiopático (ou primário), isto é, sem causa conhecida. Quando a causa da síndrome parkinsoniana é identificável (por 
medicamentos, como os antipsicóticos típicos, intoxicações, infecções do SNC, etc.), temos um quadro de parkinsonismo secundário. 
 
 
NÚCLEO BASAL DE MEYNERT E DOENÇA DE ALZHEIMER 
 O núcleo basal de Meynert é constituído de um conjunto de neurônios colinérgicos grandes, situado na chamada substância 
inonimata que ocupa o espaço entre o globo pálido e a superfície ventral do hemisfério cerebral. Recebe fibras de várias áreas do 
sistema límbico e dá origem à quase totalidade das fibras colinérgicas do córtex, que dele se projetam a praticamente todas as áreas 
corticais. 
 Na doença de Alzheimer, seus neurônios degeneram devido a precipitação e deposição de proteínas dos microtúbulos, 
resultando na depleção da acetilcolina no córtex cerebral. Nessa doença, também chamada demência pré-senil, ocorre uma perda 
progressiva de memória e do raciocínio abstrato. Em fases mais avançadas, o paciente torna-se incapaz de reconhecer pessoas mais 
íntimas se houver uma total deterioração das funções psíquicas. O núcleo basal de Meynert, através de suas conexões o sistema 
límbico e córtex cerebral, parece ter um importante papel relacionado com a memória e com as funções psíquicas superiores. 
Coerente com este papel, sabe-se que seu tamanho aumenta progressivamente na escala filogenética, alcançando seu maior 
desenvolvimento nos primatas e especialmente no homem. 
 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
92 
 
 
APLICAÇÕES CLÍNICAS 
 A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa, em geral dos idosos, de causa desconhecida (idiopática). 
Caracteriza-se por bradicinesia ou acinesia, postura em flexão, rigidez muscular e tremores no repouso. O que caracteriza a 
doença de Parkinson é a degeneração dos neurônios dopaminérgicos da parte compacta da substância negra, com depleção 
dos níveis de dopamina do estriado. 
Normalmente, a dopamina parece exercer 
influência excitatória (receptores D1) sobre os 
neurônios de projeção “direta” para o globo 
pálido medial, e efeito inibitório (receptores 
D2) sobre os neurônios da via “indireta”, que 
se projetam para o globo pálido lateral. Por 
conseguinte, a perda da dopamina do 
estriado causa diminuição anormal da 
atividade da via direta, e desinibição dos 
neurônios palidais. Simultaneamente, a 
atividade excessiva da via indireta causa 
inibição dos neurônios palidais laterais, 
desinibição do núcleo subtalâmico, e, 
portanto, atividade excitatória excessiva das 
células palidais mediais. As alterações das 
vias direta e indireta, dessa forma, compõem-
se, para exacerbar a atividade inibitória que o 
globo pálido medial/parte reticulada da 
substância negra estabelece sobre o tálamo. 
Desta forma, o tálamo passa a estimular o 
córtex motor de forma ineficaz, explicando o 
quadro de bradicinesia. 
 
 A doença de Huntington é uma doença 
degenerativa, herdada de modo autossômico 
dominante, caracterizada por coreia e 
demência progressiva. Patologicamente, 
ocorre degeneração progressiva do estriado 
e do córtex cerebral. O desgaste que ocorre 
no estriado, há um acometimento específico 
de células, que se projetam para o segmento 
lateral do globo pálido (projeção “indireta”), 
pelo menos no começo dessa condição. Isso 
causa a desinibição dos neurônios palidais 
laterais e a inibição do núcleo subtalâmico. 
Por conseguinte, os neurônios palidais 
mediais passam a apresentar atividade 
deficiente anormal, ocorrendo, então, 
movimentosinvoluntários indesejados. 
 
 A coreia de Sydenham (doença de São Vito) 
uma das maiores manifestações clínicas da 
febre reumática. É uma complicação tardia e 
não supurativa de infecções das vias aéreas 
superiores por estreptococos beta-
hemolíticos do grupo A. Caracteriza-se 
produzindo comportamento anormal e coreia 
generalizada. O paciente geralmente 
apresenta movimentos rápidos, involuntários 
e esporádicos que diminuem drasticamente 
durante o sono. O haloperidol é tido como 
medicação de escolha no controle da 
incoordenação motora. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
93 
 
 
ESTRUTURA E FUNÇÕES DO CENTRO BRANCO MEDULAR DO CÉREBRO 
 
 
 Em um corte horizontal (axial) do cérebro, o centro branco medular aparece como uma área de substância branca de forma 
oval (centro semi-oval), sendo constituído de fibras mielínicas, que podem ser classificadas em dois grandes grupos: fibras de 
projeção e fibras de associação. As primeiras ligam o córtex a centros subcorticais; as segundas ligam áreas corticais situadas em 
pontos diferentes do cérebro. Estas últimas podem, por sua vez, ser divididas em fibras de associação intra-hemisféricas e fibras de 
associação inter-hemisféricas, conforme associem áreas dentro de um mesmo hemisfério ou entre dois hemisférios. 
 
FIBRAS DE ASSOCIAÇÃO INTRA-HEMISFÉRICAS 
 Conforme o seu tamanho, classificam-se em curtas e longas. As curtas associam áreas vizinhas do córtex como, por 
exemplo, dois giros passando, nesse caso, pelo fundo do sulco. As fibras de associação intra-hemisféricas longas unem-se nos 
seguintes fascículos: 
 Fascículo do cíngulo: percorre o giro de mesmo 
nome, unindo o lobo frontal ao temporal, 
passando pelo lobo parietal. 
 Fascículo longitudinal superior: também 
denominado fascículo arqueado, liga os lobos 
frontal, parietal e occipital pela face súpero-lateral 
de cada hemisfério. Liga, de maneira especial, as 
áreas de linguagem anterior (de Broca) e posterior 
(de Wenicke, localizado na junção dos lobos 
temporal e parietal), tendo um papel importante, 
portanto, com a linguagem. 
 Fascículo longitudinal inferior: une o lobo 
occipital ao lobo temporal, contribuindo para a 
função de reconhecimento visual por ligar áreas 
visuais primárias e secundárias. 
 Fascículo unciforme: liga o lobo frontal ao 
temporal, passando pelo fundo do sulco lateral. 
 
 
FIBRAS DE ASSOCIAÇÃO INTER-HEMISFÉRICAS 
 São também chamadas de fibras comissurais, pois fazem a união entre áreas simétricas dos dois hemisférios. Essas fibras 
agrupam-se para formar as três comissuras do telencéfalo: 
 Comissura do fónix: pouco desenvolvida no homem, essa comissura é formada por fibras que se dispõem entre as duas 
pernas do fórnix e estabelecem conexão entre os dois hipocampos (arquicórtex). 
 Comissura anterior: tem uma porção olfatória, que liga os bulbos e tractos olfatórios, e uma porção não olfatória, que 
estabelece união entre os lobos temporais. 
 Corpo caloso: é a maior das comissuras telencefálicas e também o maior feixe de fibras do sistema nervoso. Estabelece 
conexão entre as áreas corticais simétricas dos dois hemisférios, com exceção daquelas do lobo temporal, que são unidas 
principalmente pelas fibras da comissura anterior. O corpo caloso permite a transferência de informações entre os dois 
hemisférios, fazendo com que eles funcionem harmonicamente. Em animais com secção experimental do corpo caloso, 
pode-se ensinar tarefas diferentes, ou mesmo antagônicas, a cada um dos hemisférios que, nesse caso, funcionariam 
independentes um do outro. Secções do corpo caloso feitas no homem com o objetivo de melhorar certos quadros rebeldes 
de epilepsia não causam alterações evidentes no comportamento ou do psiquismo. Entretanto, nesses casos, não há 
transferência de informações de um hemisfério para o outro. 
 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
94 
 
FIBRAS DE PROJEÇÃO 
 Estas fibras agrupam-se para formar o fórnix e a cápsula interna. O fórnix liga o hipocampo aos núcleos mamilares do 
hipotálamo, integrando o circuito de Papez, parte do sistema límbico. 
 A cápsula interna é um grande feixe de fibras que separa o tálamo, situado medialmente, do núcleo lentiforme, situado 
lateralmente. Acima do núcleo lentiforme, a cápsula interna continua com a coroa radiada; abaixo, com a base do pedúnculo cerebral. 
Distinguem-se na cápsula interna as seguintes partes: a perna anterior, situada entre a cabeça do núcleo caudado e o núcleo 
lentiforme; a perna posterior, que divide o tálamo da porção mais posterior do núcleo lentiforme; e o joelho, situado no ângulo entre 
essas duas pernas. 
 
 
 
A cápsula interna é uma formação 
muito importante porque por ela passa a 
maioria das fibras que saem ou que entram no 
córtex cerebral: tractos córtico-espinhal, córtico-
nuclear e córtico-pontino; além das fibras 
córtico-reticulares, córtico-rubricas e córtico-
estriatais. As fibras que passam na cápsula 
interna e se dirigem ao córtex vêm do tálamo, 
sendo, pois, denominadas radiações. Entre 
estas temos as radiações ópticas e auditiva. 
 As fibras que atravessam a cápsula 
interna apresentam-se individualizadas: as 
fibras do tacto córtico-nuclear ocupam o joelho 
da cápsula interna, sendo seguidas, já na perna 
posterior, das fibras do tracto córtico-espinhal e 
das radiações talâmicas que levam ao córtex a 
sensibilidade somática geral. As radiações 
óptica e auditiva também passam na perna 
posterior da cápsula interna, mas na porção 
situada abaixo do núcleo lentiforme. 
 
OBS
1
: Lesões da cápsula interna decorrentes de hemorragias ocorrem com bastante frequência, causando, geralmente, hemiplegia e 
diminuição da sensibilidade na metade oposta do corpo. 
 
 
APLICAÇÕES CLÍNICAS 
 Lesão cerebral, como a causada pelo envenenamento com monóxido de carbono, pode destruir, bilateralmente, o fascículo 
longitudinal inferior. Nesses casos, a pessoa tem visão elementar intacta, mas fica incapaz de identificar a natureza dos 
objetos (agnosia dos objetos) ou a face das pessoas (prosopagnosia), embora seja capaz de representá-las e de identificá-
las corretamente quando exposta à imagem da mesma pessoa. 
 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2017 ● CAC – NEUROANATOMIA 
95 
 
 Desconexão inter-hemisférica: As cirurgias da transecção das 
comissuras cerebrais são recomendadas para pacientes com 
epilepsias muito graves. Esses pacientes podem ter dezenas de 
crises convulsivas por dia, o que, além de lhes inviabilizar a vida 
social, vai aos poucos causando a morte de contingentes crescentes 
de células nervosas. Verificou-se que a interrupção do corpo caloso 
(calosotomia) impede que o foco epiléptico se espalhe para o 
hemisfério oposto, e com isso, se generalize. Acresce que alguns 
indivíduos que haviam sido submetidos à transecção cirúrgica do 
corpo caloso por indicação terapêutica, apresentaram alterações 
funcionais provenientes de cirurgia tão radical. O que acontecia era 
que seus cérebros estavam “divididos”, como se os seus dois 
hemisférios se comportassem de maneira autônoma e não-
comunicante. Por exemplo, a informação visual, dirigida apenas para 
o hemisfério direito (não-dominante), não produz resposta verbal; 
como resultado, essas pessoas não conseguem dar nome aos 
objetos ou ler palavras apresentadas apenas ao campo visual 
esquerdo. Para um melhor entendimento desses sinais, 
neurologistas desenvolveram um experimento engenhoso utilizando 
como sujeitos os indivíduos com cérebro dividido, isto é, pacientes 
cujas comissuras haviam sido interrompidas cirurgicamente. Depois 
de recuperado da operação, o paciente se senta em frente a uma 
tela translúcida (observe o desenho ao lado), sobre a qual o 
pesquisador pode projetar imagens variadas. Por trás da tela, o 
paciente tem acesso manual a diferentes objetos que possam 
corresponder de algum modo às imagens projetadas. O experimento 
começa com o indivíduo fixando o

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