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CONTABILIDADE DAS 
ORGANIZAÇÕES 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. André Júnior de Oliveira
 
 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, falaremos sobre o plano de contas, um assunto muito 
importante, afinal, para tudo o que queiramos fazer, tanto no plano pessoal como 
profissional, precisamos de planejamento. Na contabilidade não é diferente, e é 
aí que entra o papel do plano de contas, uma ferramenta que contém códigos e 
classificações usados para o registro das entradas e saídas financeiras de uma 
empresa. Esses códigos, chamados de contas, são categorizados em grupos, 
servindo de base para estruturar os relatórios contábeis das organizações, como 
o seu balanço patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). 
CONTEXTUALIZANDO 
 O primeiro passo para a contabilização das empresas é a configuração do 
plano de contas, pois a gestão precisa estabelecer quais contas farão parte do 
sistema de contabilidade. Por meio das contas elencadas no plano de contas, as 
empresas têm condições de saber de onde vem (receitas, origens de recursos) 
e para onde vai o seu dinheiro (despesas, aplicação de recursos). Para tanto, a 
estrutura do plano de contas precisa ser atual e conveniente, de acordo com a 
realidade das operações da organização. 
O plano de contas dá direcionamento aos trabalhos contábeis executados 
nas empresas, servindo de modelo para a confecção das demonstrações 
financeiras. Ele organiza as finanças da entidade e segrega as despesas, 
receitas, ativos e passivos, com a finalidade de proporcionar aos usuários destas 
informações uma maior e melhor compreensão da saúde financeira da empresa. 
O plano de contas é flexível, uma vez que pode ser adaptado a qualquer 
hora, a fim de atender às necessidades da organização. Isso significa que as 
contas podem ser adicionadas contas de acordo com as exigências, contudo, as 
contas que um dia foram criadas podem mudar de nomenclatura, mas não 
podem ser excluídas, visto que já possuem registros anteriores. 
TEMA 1 – PLANO DE CONTAS: OBJETIVO E AGRUPAMENTOS 
 O plano de contas pode ser definido como o conjunto de contas, 
previamente estabelecido, com a finalidade de nortear os trabalhos contábeis de 
registro dos fatos e atos inerentes à entidade, servindo de parâmetro para a 
elaboração das demonstrações contábeis. É importante salientar que a 
 
 
montagem do plano de contas deve ser feita de forma personalizada, de acordo 
com a necessidade e realidade de cada empresa, uma vez que os usuários das 
informações podem precisar de detalhamentos específicos. Se o modelo de 
plano de contas for geral, ele não pode atender às necessidades dos usuários. 
 O plano de contas busca, então, estabelecer normas de conduta para o 
registro de operações da organização, e, na sua montagem, ele deve: 
• atender às necessidades de informação da administração da empresa; 
• ser elaborado de acordo com formato compatível com as normas legais 
de elaboração do balanço patrimonial e demais demonstrações contábeis, 
especificamente aos princípios de contabilidade; 
• adaptar-se tanto quanto possível às exigências dos agentes externos, 
principalmente às da legislação do imposto de renda. 
 O plano de contas pode ser entendido como um elenco de contas, ou 
conjunto de normas, do qual devem fazer parte as descrições de funcionamento 
de cada conta, ou seja, deve estar sempre acompanhado de um manual, com 
comentários e indicações acerca da aplicação e do uso de cada uma das contas. 
 O plano de contas deve estar estruturado de acordo com o conceito legal 
da Lei 6.404/1976 (artigos 176-182 e 187), sendo composto da seguinte forma 
no tocante ao balanço patrimonial: 
Quadro 1 – Elementos do Balanço Patrimonial 
BALANÇO PATRIMONIAL – MX LTDA 
ATIVO PASSIVO 
 Circulante Circulante 
 Não circulante Não circulante 
 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO + PL 
Fonte: André Júnior de Oliveira 
Conforme mencionado anteriormente, cada conta é um elemento, e o 
patrimônio é composto por estes elementos. Cada inclusão ou alteração é feita 
por meio das contas e tem por objetivo registrar as movimentações patrimoniais. 
Dessa forma, é possível expor bens, direitos, obrigações, fazer o lançamento 
das receitas e das despesas, de forma que os resultados sejam apurados 
mediante o confronto destas, decorrentes das atividades da empresa. 
 Ao estruturar um plano de contas, deve ser observado que: a) as 
necessidades das empresas são diferentes, então, um plano de contas 
 
 
elaborado para a empresa A pode não ser útil para a empresa B; b) o ponto 
inicial para a elaboração do plano de contas é a movimentação da empresa, 
assim, o papel do contador é de monitorar e ser uma peça consultiva; c) a 
classificação deve partir do geral para o específico, dessa forma, existirá um 
grupo de contas, um subgrupo, e, neste subgrupo, as contas que são passiveis 
de lançamentos; d) a nomenclatura de cada conta deve ser de rápida 
identificação para os usuários deste plano de conta e para os que forem utilizar 
essa informação contábil. 
 O plano de contas pode ser entendido também como o agrupamento 
ordenado de todas as contas utilizadas pela contabilidade dentro das empresas, 
isto é, as contas de ativo, passivo, receita e despesas. 
 Para classificar os ativos e passivos em um plano de contas contábil, é 
preciso saber quais são os códigos referentes à classe deles. O plano de contas 
é dividido em grupos, subgrupos e contas, conforme o exemplo a seguir: 
• 1º dígito – classe (1 – ativo); 
• 2º dígito – grupo (1.1 – ativo circulante); 
• 3º dígito – subgrupo (1.1.1 – disponível); 
• 4º dígito – conta (1.1.1.01 – caixas e equivalentes de caixa); 
• 5º dígito – subconta (1.1.1.01.001 – caixa). 
 No geral, as contas são classificadas da seguinte forma: o classificador 1 
para o grupo do ativo; 2 para o grupo do passivo; 3 para as despesas e custos; 
4 para as receitas; e 5 para as contas de compensação, conforme quadro a 
seguir. 
Quadro 2 – Classificações do plano de contas 
1. Ativo: 
• Circulante 
• Não circulante 
2. Passivo: 
• Circulante 
• Não circulante 
• Patrimônio Líquido 
3. Despesas: 
• Custos das mercadorias vendidas 
• Despesas operacionais 
• Despesas Financeiras 
4. Receitas: 
• Receita de vendas e serviços 
• Receita operacional 
• Receita Financeira 
5. Contas de compensação 
Fonte: André Júnior de Oliveira 
 
 
TEMA 2 – RAZONETES 
 Razonete é uma versão simplificada ou até mesmo uma forma didática do 
livro Razão, fundamental ao processo de escrituração contábil, sendo exigido 
pela legislação brasileira para empresas enquadradas no regime tributário lucro 
real. O razonete também pode ser chamado de gráfico ou conta em T, sendo 
bastante utilizado pelos contadores, pois é por meio dele que são feitos os 
registros de forma individual por conta. 
O razonete foi criado com a finalidade de ajudar no entendimento da 
mecânica dos lançamentos contábeis. O controle individualizado das contas é 
importante para se conhecer os saldos, de forma a possibilitar a apuração dos 
resultados e a elaboração de demonstrações contábeis, como o balancete de 
verificação do razão e do balanço patrimonial. 
Figura 1 – Estrutura do Razonete 
CONTA 
 
DÉBITO 
 
 
 
CRÉDITO 
 
 
Fonte: André Júnior de Oliveira 
 Para creditarmos ou debitarmos, devemos saber de que tipo de venda ou 
compra se trata. Em uma compra a prazo de mercadorias, no valor de R$ 
10.000,00, com 12% de ICMS, por exemplo, teremos os seguintes razonetes: 
Figura 2 – Compra de mercadorias 
ESTOQUES ICMS A RECUPERAR FORNECEDORES 
8.800,00 
 
 
 
 
 1.200,00 
 
 
 
 
 
 
 
10.000,00 
 
 
Fonte: André Júnior de Oliveira 
 
 
 
 
 
 Conforme podemos observar nos lançamentos efetuados, para cada 
conta do balanço patrimonial utiliza-se um razonete e, nele, realiza-se a 
movimentação. De umlado, registram-se os aumentos e de outros as 
diminuições. Como saber em que lado colocar o acréscimo ou decréscimo? Tudo 
dependerá da natureza da conta, se esta pertence ao grupo do ativo, passivo, 
receita, despesa ou patrimônio líquido. Por exemplo, se a conta a ser utilizada 
for de ativo (natureza devedora), os aumentos serão registrados no lado 
esquerdo do razone-te, e as diminuições do lado direito. Contudo, se a conta for 
de passivo ou PL (natureza credora), os lados serão invertidos: os aumentos 
serão registrados no lado direito do razonete e as diminuições no lado esquerdo. 
 A importância dos razonetes na atualidade é didática, sendo amplamente 
utilizados para o auxílio na compreensão de como as operações de uma 
empresa são processadas pela contabilidade. Na realidade prática, a fonte dos 
dados para a obtenção do balancete, do balanço patrimonial ou DRE – 
Demonstração do Resultado do Exercício é o livro diário. 
TEMA 3 – LANÇAMENTOS DE ABERTURA DE EMPRESA (INTEGRALIZAÇÃO 
DE CAPITAL) 
A constituição de uma empresa se dá com a abertura de atos constitutivos 
junto à Junta Comercial, sendo esta a responsável pelo registro do comércio, ou 
nos órgãos responsáveis pelo registro civil das pessoas jurídicas. Contabilmente, 
para a abertura da escrita contábil, tem-se os lançamentos de subscrição do 
capital e a integralização do capital social da empresa. Esta integralização pode 
ser total ou parcial, efetuada em espécie ou bens móveis e imóveis. 
Vejamos o seguinte exemplo: a empresa Ciranda LTDA. possui dois 
sócios, Alberto e Bertoldo, que, no ato de constituição da referida empresa, 
integralizaram a quantia total de R$ 600.000,00, cada um com R$ 300.000,00, 
correspondente a 50% do valor total. Dessa forma, na cláusula do contrato social 
da empresa Ciranda LTDA. consta o seguinte: 
Cláusula QUARTA – O capital social é de R$ 600.000,00 (seiscentos mil 
reais), dividido em 600.000 quotas de R$ 1,00 (um real) cada uma, a ser 
integralizado da seguinte forma: 
 
 
➢ Alberto, 300.000 quotas de R$ 1,00 cada uma, totalizando R$ 300.000,00, 
sendo integralizados neste ato em moeda corrente do país. 
➢ Bertoldo, 300.000 quotas de R$ 1,00 cada uma, totalizando R$ 
300.000,00, sendo que R$ 100.000,00 são integralizados neste ato em 
moeda corrente do país e R$ 200.000,00 são integralizados nesta data 
por meio de incorporação de imóvel localizado na Rua Paulino Matos, 151, 
Centro – Rio Grande, RS, conforme laudo pericial. 
Vejamos agora como fica registrada esta integralização do capital social 
da empresa Ciranda LTDA.: 
• Débito: bancos conta movimento: R$ 400.000,00. 
• Débito: imóveis: R$ 200.000,00. 
• Crédito: capital social: R$ 600.000,00. 
• Histórico: valor integralização do capital social no valor de R$ 
600.000,00, dividido em 600.000 quotas de R$ 1,00 cada uma, conforme 
contrato social, registrado junto à Junta Comercial do estado do Rio 
Grande do Sul, cabendo 300.000 quotas ao sócio Alberto e 300.000 
quotas ao sócio Bertoldo. 
Em razonetes, representaremos assim: 
Figura 3 – Integralização de capital 
BANCOS CONTA 
MOVIMENTO 
 
IMÓVEIS CAPITAL SOCIAL 
400.000,00 
 
 
 
 
 200.000,00 
 
 
 
 
 
 
 
600.000,00 
 
 
Fonte: André Júnior de Oliveira 
O capital inicial da empresa representa os recursos próprios iniciais, por 
onde as atividades começarão, e este será o único capital enquanto não houver 
entrada de outros recursos, tais como aqueles advindos de receitas das 
atividades desenvolvidas. Este investimento inicial é a composição primária do 
patrimônio líquido das organizações. 
 
 
O capital declarado no contrato social precisa ser integralizado, mediante 
depósito de dinheiro em conta da empresa, por meio da transferência de bens 
móveis ou imóveis, ou por meio de participação societária em outras empresas. 
TEMA 4 – LANÇAMENTO DE AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO 
 Os ativos nomeados como imobilizados são aqueles bens necessários à 
manutenção das atividades da empresa, apresentando-se na forma de bens 
tangíveis, como os edifícios, as máquinas, os veículos, entre outros. 
 No ato de aquisição de cada item considerado imobilizado, é efetuado um 
registro no grupo do ativo do balanço patrimonial. Cada conta recebe o registro 
do valor de incorporação do bem, assim como dos custos das benfeitorias 
realizadas nesses bens ou em bens locados de terceiros ou arrendados. 
 Os bens de natureza tangível, mesmo que ainda não estejam em 
operação, também são classificados no ativo imobilizado, por exemplo, as obras 
em andamento, importações em andamento etc. 
 Os bens classificados como ativo imobilizado são mantidos por uma 
empresa para uso na produção ou comercialização de mercadorias e serviços, 
locação ou finalidades administrativas. São bens cuja expectativa de vida útil 
mínima é de 12 meses e são registrados a valor contábil, sendo este o montante 
pelo qual o ativo está registrado na contabilidade. 
 No ato de aquisição de bens para o ativo imobilizado, são efetuados os 
seguintes lançamentos contábeis: 
a) Aquisição à vista: 
• Débito: imobilizado (descrição do bem a ser adquirido); 
• Crédito: Caixa e equivalentes. 
b) Aquisição a prazo: 
• Débito: imobilizado (descrição do bem a ser adquirido); 
• Crédito: fornecedores. 
c) Aquisição a prazo por meio de financiamento. 
 Quando acontecer aquisição por meio de financiamento, deve ser 
considerado como o valor do bem imobilizado, acrescido de outras despesas, 
tais como frete cobrado à parte. As despesas financeiras decorrentes de 
empréstimo contraído para a aquisição de bens do ativo imobilizado não devem 
 
 
fazer parte do valor de aquisição do bem, e sim devem ser lançadas na conta de 
despesa financeira da empresa. 
 Contudo, os encargos financeiros de empréstimos e financiamentos de 
terceiros com a finalidade de construir ou montar bens que comporão o ativo 
imobilizado devem ser capitalizados até o momento considerado ideal para 
operação. 
Se a aquisição do bem do ativo imobilizado for contraída, com prazo de 
vencimento final após o término do exercício social, as parcelas que vencem em 
período posterior ao término do exercício devem ser contabilizadas no passivo 
não circulante, e, ao encerramento de cada balanço, cada parcela liquidada deve 
ser transferida para o passivo circulante. 
 Dessa forma, no ato de aquisição do bem, via financiamento: 
• Débito: imobilizado; 
• Crédito: empréstimos e financiamentos (passivo circulante/passivo não 
circulante). 
TEMA 5 – LANÇAMENTO DE DEPRECIAÇÃO 
 A depreciação refere-se ao encargo que determinados bens sofrem 
periodicamente, seja por uso, obsolescência ou desgaste natural. Cada bem tem 
uma taxa anual de depreciação, que é fixada em função do prazo de vida útil, 
durante o qual este bem possa servir para a empresa detentora dele, ou seja, 
durante o período em que se possa esperar sua utilização econômica. 
 A taxa de depreciação a ser registrada na escrituração contábil da pessoa 
jurídica deve ser contabilizada como despesa operacional, mas, em 
contrapartida, é registrada no grupo do ativo não circulante, demonstrando assim 
a desvalorização do bem – e o valor da depreciação é determinado mediante a 
aplicação de uma taxa de depreciação sobre o valor desse bem. A taxa é 
determinada por critérios estabelecidos no Pronunciamento Contábil 27 (CPC, 
2009), que classifica o imobilizado como sendo um bem palpável, destinado para 
o uso de produção ou fornecimento de mercadorias e serviços, para aluguel ou 
fins administrativos, devendo ser utilizado por mais de um período. 
 O valor máximo de depreciação é o valor limite do bem menos o valor 
residual. O valor residual pode ser entendido como o valor estimado que a 
entidade obteria com a venda do ativo, após deduzir despesas de venda, 
 
 
considerando que o bem esteja com tempo de uso e condição esperada para o 
fim de sua vida útil. 
 Você podeestar se perguntando: em que momento os bens começam a 
depreciar? No ato de aquisição? Não, o item é considerado depreciável quando 
está em condições de operação, ou seja, quando está em uso, e o prazo final 
será o dia em que este item for baixado ou transferido. Quando o ativo é 
considerado obsoleto, ele continua a ser depreciado, assim como se 
determinado bem tiver utilização interrompida temporariamente, ainda assim 
continua em depreciação. 
 A vida útil de determinado bem é estimada de acordo com o seu período 
de uso e nível de uso – uma máquina que trabalha 8 horas por dia tem 
depreciação menor do que uma máquina que trabalha 12 horas por dia. Contudo, 
existem aspectos não controláveis relacionados à vida útil dos bens, tais como 
a obsolescência tecnológica, resultante de mudanças ou melhorias na produção, 
quando o mercado exige que o produto tenha características que a máquina não 
tem condições de atender. 
 Vejamos o seguinte exemplo: 
• Valor do imóvel: R$ 200.000,00. 
• Taxa anual de depreciação: entende-se que o bem será depreciado ao 
longo de 25 anos, ou seja 100% (valor total do imóvel) dividido por 25 
(anos de vida útil estimada) = 4% ao ano. 
• Valor da depreciação no ano: R$ 8.000,00 (R$ 200.000 x 4%). 
• Valor da depreciação mensal: R$ 666,66 (8000 / 12 meses). 
 Como seriam os lançamentos desta depreciação? O registro contábil deve 
ser efetuado a débito de uma conta de despesa operacional e a crédito em conta 
redutora do ativo imobilizado, chamada depreciação acumulada. 
Contas redutoras referem-se a contas que, embora sejam classificadas 
em determinado grupo patrimonial, ativo ou passivo, têm saldo contrário ao saldo 
determinado naquele grupo. Em nosso caso, a conta depreciação acumulada é 
classificada no grupo do ativo, mas possui natureza credora, com saldo inverso 
à natureza das demais contas de ativo. 
• Débito: despesas com depreciação (despesa operacional/conta de 
resultado) – R$ 666,66. 
 
 
• Crédito: depreciação acumulada – imóveis (conta redutora – ativo 
imobilizado) – R$ 666,66. 
 Ao final do lançamento, percebemos que o valor do imóvel não é mais R$ 
200.000,00, e sim R$ 199.333,33, visto que reduz o valor referente à depreciação 
acumulada do mês que contabilizamos. Assim, vejamos como ficariam tais 
lançamentos nos razonetes: 
Figura 4 – Registro de depreciação mensal 
DESPESA COM 
DEPRECIAÇÃO 
 (-) DEPRECIAÇÃO 
ACUMULADA 
666,66 
 
 
 
 666,66 
 
Fonte: André Júnior de Oliveira 
Para melhor demonstração e entendimento dos itens demonstrados, 
vejamos o balanço parcial a seguir: 
Quadro 3 – Balanço parcial – Ciranda LTDA 
 Saldo inicial Debitado Creditado Saldo final 
ATIVO 0,00 600.000,00 666,66 599.333,34 
Circulante 0,00 400.000,00 0,00 400.000,00 
Banco conta movimento 0,00 400.000,00 0,00 0,00 
Não circulante 0,00 200.000,00 666,66 199.333,34 
Imobilizado 0,00 200.000,00 0,00 200.000,00 
(-) Depreciação Acumulada 0,00 0,00 666,66 (666,66) 
PASSIVO 0,00 0,00 0,00 0,00 
Circulante 0,00 0,00 0,00 0,00 
Não circulante 0,00 0,00 0,00 0,00 
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 0,00 666,66 600.000,00 599.333,34 
Capital social 0,00 0,00 600.000,00 600.000,00 
Prejuízo acumulado 0,00 666,66 0,00 (666,66) 
Fonte: André Júnior de Oliveira 
Conforme visto no balancete, o valor do imóvel registrado é de R$ 
200.000,00, mas, considerando o valor referente à depreciação acumulada de 
R$ 666,66, o valor do imóvel atualizado é de R$ 199.333,33. Nota-se ainda que, 
por se tratar de balancete, o ativo e passivo ainda não batem, pois a diferença é 
 
 
justamente o valor referente à despesa da depreciação. Para que tais valores 
sejam equacionados, o lucro deve ser apurado por meio da Demonstração do 
Resultado do Exercício (DRE). 
TROCANDO IDEIAS 
Ao longo desta aula percebemos que o papel do contador teve grande 
importância no passado, e continua tendo no presente. Por meio do trabalho do 
contador, a empresa tem as informações adequadas para a tomada de decisões. 
Em notícia veiculada na revista Veja do dia 30/01/2018, profissões da área 
administrativa, tais como as funções do contador, tendem a acabar, visto que 
“até 2030, as máquinas devem acabar com metade dos trabalhos existentes 
hoje”. De acordo com a matéria, o cenário previsto é de grande desemprego, 
forçando profissionais a serem mais produtivos. Já em 2012, na revista Exame, 
foi publicada uma matéria intitulada: “Tem coisas que só um contador pode fazer 
por sua empresa”. Então, de um lado, cientistas preveem um cenário em que a 
inteligência artificial tomará conta dos trabalhos existentes, e, do outro, exalta-
se o trabalho dos contadores, dizendo que estes cuidam dos impostos a pagar 
e auxiliam nas decisões do negócio, sendo fundamentais às organizações. 
Assim, reflita sobre essas duas posições, após a leitura dos artigos 
(disponíveis em: <https://exame.abril.com.br/pme/3-coisas-que-so-um-contador-
pode-fazer-por-sua-empresa/> e <http://fliphtml5.com/cegbf/exnu>), acesse o 
fórum, por meio do Ambiente Virtual da Aprendizagem (AVA), e discuta com os 
colegas acerca da importância do contador nas organizações. Aproveite e 
responda às seguintes perguntas: em meio à evolução tecnológica, qual a 
importância do contador nas empresas? E qual influência a informação contábil 
pode exercer dentro das organizações? 
NA PRÁTICA 
A empresa Sonare LTDA apresentava o seguinte balanço patrimonial no 
dia 31/12/2020: 
BALANÇO PATRIMONIAL –SONARE LTDA 
ATIVO 256.000,00 PASSIVO 12.000,00 
Circulante 256.000,00 Circulante 12.000,00 
Caixa e equivalentes 250.000,00 ICMS a recolher 12.000,00 
ICMS a recuperar 6.000,00 Não circulante 0,00 
 
 
Não circulante 0,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 244.000,00 
Imobilizados 0,00 Capital social 200.000,00 
(-) Depreciação acum. 0,00 Lucro acumulado 44.000,00 
TOTAL DO ATIVO 256.000,00 TOTAL DO PASSIVO + PL 256.000,00 
 
No decorrer do 1º trimestre de 2021 ocorreram as seguintes situações: 
a) Aumento de capital social, via depósito bancário, no valor de R$ 
100.000,00, no dia 10/01/2021; 
b) Aquisição de imobilizado (veículo), à vista, no valor de R$ 60.000,00, 
01/02/2021; 
c) Depreciação do veículo (20% ao ano) no valor de R$ 1.000,00, 
01/03/2021. 
Com base nisso, calcule a depreciação do veículo adquirido, efetuando 
os lançamentos no razonete. Por fim, apresente o Balanço Parcial e a 
Demonstração do Resultado do Exercício: 
SOLUÇÃO: 
a) Aumento de capital social, via depósito bancário, no valor de R$ 
100.000,00, no dia 10/01/2021; 
CAIXA E EQUIVALENTES CAPITAL SOCIAL 
250.000,00 
100.000,00 
 
 
 200.000,00 
100.000,00 
350.000,00 300.000,00 
Obs.1: os valores grifados referem-se aos lançamentos desta data, já os 
demais, são saldos do período anterior e/ou de movimentações anteriores 
dentro do mesmo período. Sempre que começamos a escrituração, é 
necessário verificar saldos anteriores, para que seja dada sequência, de 
modo que os lançamentos sejam cumulativos. 
Obs.2: a conta de “Caixa e equivalentes” apresenta os valores registrados 
nas contas de Caixa bem como Bancos conta movimento. 
Obs.:3 o traço duplo ao final do razonete, serve para apurar o saldo final 
da conta, sendo à esquerda quando se tratar de conta de natureza 
devedora e à direita para contas de natureza credora. 
b) Aquisição de imobilizado (veículo), a vista, no valor de R$ 60.000,00, 
01/02/2021; 
 
 
 
IMOBILIZADOS CAIXA E EQUIVALENTES 
60.000,00 
 
 
 
 250.000,00 
100.000,00 
60.000,00 
60.000,00 290.000,00 
Obs.4: note que no razonete de “Caixa e equivalentes” repetimos os 
valores anteriormente registrados a débito, adicionando o valor creditado 
neste item. 
c) Depreciação do veículo (20% ao ano) no valor de R$ 1.000,00, 
01/03/2021. 
DESPESA COM 
DEPRECIAÇÃO 
 (-) DEPRECIAÇÃO 
ACUMULADA 
1.000,00 
 
 
 
 1.000,00 
 
1.000,00 1.000,00 
Obs.5: a conta de Despesa com depreciação é uma conta de resultados, 
portantoserá escriturada na DRE, enquanto a (-) Depreciação acumulada 
refere-se a uma conta patrimonial, redutora do ativo. 
Balanço parcial – SONARE LTDA 
 Saldo inicial Debitado Creditado Saldo final 
ATIVO 256.000,00 160.000,00 61.000,00 355.000,00 
Circulante 256.000,00 100.000,00 60.000,00 296.000,00 
Caixa e equivalentes 250.000,00 100.000,00 60.000,00 290.000,00 
ICMS a recuperar 6.000,00 0,00 0,00 6.000,00 
Não circulante 0,00 60.000,00 1.000,00 59.000,00 
Imobilizados 0,00 60.000,00 0,00 60.000,00 
(-) Depreciação acum. 0,00 0,00 1.000,00 (1.000,00) 
PASSIVO 12.000,00 0,00 0,00 12.000,00 
Circulante 12.000,00 0,00 0,00 12.000,00 
ICMS a recolher 12.000,00 0,00 0,00 12.000,00 
Não circulante 0,00 0,00 0,00 0,00 
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 244.000,00 1.000,00 100.000,00 343.000,00 
Capital social 200.000,00 0,00 100.000,00 300.000,00 
Lucro acumulado 44.000,00 1.000,00 0,00 43.000,00 
 
 
 
 
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO - SONARE LTDA 
Receita de vendas 0,00 
(-) ICMS sobre vendas 0,00 
(=) Receita Bruta 0,00 
(-) Custo das mercadorias vendidas 0,00 
(=) Lucro Bruto 0,00 
(-) Despesas 1.000,00 
(=) Lucro operacional (1.000,00) 
(+) Receita Financeira 0,00 
(-) Despesa Financeira 0,00 
(=) Lucro Líquido (1.000,00) 
 
FINALIZANDO 
 Os objetivos desta aula foram trazer conceitos importantes acerca do 
plano de contas e mostrar que a contabilidade nas organizações somente 
acontece devido à sistemática de classificação das contas contidas nele. 
Observamos ainda que o plano de contas é previamente estabelecido, sendo o 
que orienta os trabalhos de registro de atos e fatos contábeis inerentes à 
entidade e servindo de parâmetro para a elaboração das demonstrações 
contábeis. 
 O balanço patrimonial tem origem no plano de contas, ou seja, os grupos 
do ativo e do passivo, assim como o patrimônio líquido é composto a partir dos 
lançamentos efetuados nas contas constantes do plano de contas. Os 
lançamentos iniciais da empresa, que trazem a integralização de capital social, 
assim como os lançamentos da aquisição de imobilizado, são demonstrações da 
dinâmica existente, no que diz respeito à utilidade do plano de contas para as 
organizações. 
Já vimos em aulas anteriores que o balanço patrimonial indica equilíbrio 
entre as contas, sendo demonstrado pela equação: ativo – passivo = patrimônio 
líquido. A equação patrimonial promove o equilíbrio entre as contas do ativo, e 
tal equilíbrio deve ser evidenciado em cada lançamento. Como ferramenta 
auxiliar neste processo temos o razonete, que serve para demonstrar a 
funcionalidade do método das partidas dobradas: do lado esquerdo, lançamos a 
débito e, do lado esquerdo, lançamos a crédito. 
 
 
Por fim, cabe destacar que todo bem tem prazo de vida útil, e como a 
contabilidade analisa, registra e evidencia o patrimônio das organizações, esta 
desvalorização dos bens do ativo imobilizado é contabilizada de acordo com 
prazos determinados pela política da empresa, considerando o laudo de 
avaliação que cada bem possui. No Brasil, as empresas observam tais critérios 
de acordo com o pronunciamento contábil de número 27, que permite 
contabilizar valores de depreciação de acordo com a realidade vivenciada pela 
organização. 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
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ÁLVARES, D. 3 coisas que só um contador pode fazer por sua empresa. Exame, 
2012. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/pme/3-coisas-que-so-um-
contador-pode-fazer-por-sua-empresa/>. Acesso em: 20 jul. 2019. 
FEA/USP. Contabilidade introdutória. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2006. 
FRANCO, H. Contabilidade geral. 23. ed. São Paulo: Atlas, 1996. 
GASPARINI, C. O novo perfil de uma das profissões mais estáveis do Brasil. 
Exame, 2017. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/carreira/o-novo-perfil-
de-uma-das-profissoes-mais-estaveis-do-brasil/>. Acesso em: 20 jul. 2019. 
IUDÍCIBUS, S. de. Teoria da contabilidade. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2011. 
IUDÍCIBUS, S de; MARION, J. C. Contabilidade comercial. 9. ed. São Paulo: 
Atlas, 2010. 
LOPES. A. Elas vão substituir você. Veja. Disponível em: 
<http://fliphtml5.com/cegbf/exnu>. Acesso em: 20 jul. 2019. 
MARION, J. C. Contabilidade básica. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2009. 
______. Contabilidade empresarial. 15. ed. São Paulo: Atlas. 2009. 
PRONUNCIAMENTO técnico CPC 27. Comitê Pronunciamentos Contábeis. 
Disponível em: 
<http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/316_CPC_27_rev%2003.pdf>. 
Acesso em: 20 jul. 2019.