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Operantes verbais Classificações do comportamento verbal – Operantes verbais: Ecoico: • Estímulo antecedente é um verbal vocal (sonoro) e a resposta verbal é sempre vocal, reproduzindo o estímulo sonoro. • Similaridade formal (repetir a fala de outra pessoa). • A consequência é um reforço generalizado. • Estabelecido através do reforço “educacional”, por ser útil aos pais e professores. • Muito importante quando a criança está iniciando a emissão de certas palavras e no aprendizado de um novo idioma. • Exemplo: Antecedente Resposta Mãe fala “mamãe”. Criança diz “mamãe”. Textual: • O estímulo antecedente é um estímulo verbal escrito ou impresso, e a respos é verbal-vocal (falada). • Resposta verbal do leitor (o falante) controlada pelo texto, um estímulo verbal. • Correspondência formal que foi arbitrariamente estabelecida. • O comportamento textual pode colaborar na emissão de outros operantes. Como encontrar um caminho a partir de orientação por escrito. • O operante textual é inicialmente reforçado por motivos educacionais (como o ecoico). Transcrição: • É um estímulo verbal que pode ser sonoro ou escrito e uma resposta verbal que é sempre escrita. • Subdividido em cópia e ditado: o Cópia: estímulo verbal escrito e uma resposta verbal escrita (ex.: ler “flores” e escrever “flores”). Tem similaridade formal entre o estímulo e a resposta. o Ditado: estímulo verbal sonoro e uma resposta verbal escrita (ex.: ouvir “mesa” e escrever “mesa”). Não há similaridade formal. • A consequência também é um reforçador generalizado, denominado como reforço educacional. Intraverbal: • Não há correspondência ponto a ponto entre a resposta verbal e o estímulo verbal. • É controlado por estímulo discriminativo verbal, que pode ser tanto vocal quanto escrito. • O estímulo verbal se trata da ocasião para que determinada resposta verbal particular seja emitida – sem correspondência ponto a ponto com o estímulo verbal que a evocou – e essa resposta é mantida por um estímulo reforçador generalizado como no caso de todos os outros operantes verbais sob controle de estímulos antecedentes verbais descritos até aqui. • Exemplos: quando a plateia continua a música iniciada pelo cantor, quando a criança responde “quatro” diante da questão “dois mais dois é igual a...” e em interações sociais simples (quando perguntam “como você está?” – “Bem”) • Exemplo clínico: nem sempre quando o cliente responde uma pergunta ele está respondendo de acordo com o que realmente está acontecendo com ele, mas pode estar emitindo um intraverbal. Quando se pergunta como ele está se sentindo: se o cliente dizer que está bem, mas apresenta indícios de que não está realmente bem, o cliente parece estar emitindo um intraverbal sob controle de um estímulo verbal antecedente (a pergunta). Se, ao contrário, o cliente dissesse que se sente mal (sob controle de eventos ou sensações), classificaríamos sua resposta verbal como um tato. • O comportamento intraverbal desempenha papel importante em muitas das interações sociais (conversas, canções, descrição de uma história) e na aquisição de várias habilidades acadêmicas (recitar o alfabeto, contar, responder questões). Mando: • A resposta verbal ocorre sob controle de condições específicas de privação ou da presença de estimulação aversiva. • Não é a estimulação antecedente (verbal ou não verbal) o determinante principal do mando, mas sim uma consequência específica que tem relação com a operação motivadora que vigora. • Mando é quando uma resposta verbal é emitida sob controle de uma operação motivadora específica, tendo como determinante principal a consequência específica relacionada a operação motivadora. • O repertório de mandos em geral beneficia o falante, uma vez que a consequência mediada é a retirada da condição aversiva a qual o falante está exposto ou a disponibilização de reforçadores que tem alto valor reforçador para o falante no momento. • Exemplo: quero flores vermelhas; me ajude a carregar a mala. • Pedidos, orientações, instruções e ordens são exemplos de mando. o Ordem: há punição quando não é cumprido. o Pedido: não há consequências punitivas fornecidas por aquele que pediu. • Um cliente que apresenta déficits no repertório de mandos, tais como pedir, orientar e ordenar, poderá ficar carente de certas consequências reforçadoras necessárias. • Mando disfarçado: quando é distorcido, ocorre de acordo com as contingências punitivas que vigoram sobre o comportamento verbal. Tato: • A resposta emitida é controlada por um estímulo antecedente (discriminativo) específico não verbal (objeto, evento) e produz como consequência um reforço condicionado generalizado ou estímulos reforçadores não específicos. • O falante está dizendo a respeito de algo, descrevendo o que é sentido ou um evento ocorrido. • O tato opera em função do ouvinte, pois permite acesso aos acontecimentos (não vivenciados pelo ouvinte, mas pelo falante). • Respostas de autodescrição. • Tato distorcido: não está sob controle específico do estímulo antecedente não verbal e sim das operações motivadoras vigentes. • Extensão metafórica do tato (linguagem metafórica) o É um tipo de tato ampliado. o Estímulos discriminativos compostos podem controlar diferentes respostas verbais de tato. Na linguagem metafórica, o falante fica sob controle de alguma propriedade deste estímulo e utiliza este como forma de falar sobre algum aspecto da sua vida, aspecto que tem alguma relação (geralmente funcional) com a propriedade do estímulo em questão. o A linguagem metafórica possibilita compreender de maneira mais rápida o controle que um dado evento pode exercer sobre o comportamento de uma pessoa. o O uso de metáfora permite ao clínico, por vezes, discutir assuntos que, se fossem abordados diretamente, poderiam gerar esquiva ou ser aversivo para o paciente • Extensão metonímica (metonímia) o Um tato emitido sob controle de parte ou partes da estimulação complexa não verbal. o Ocorre sob controle de um estímulo que geralmente acompanha ou compõe o estímulo discriminativo principal, ao qual o reforço é contingente. Ao invés de se referir ao estímulo principal diretamente, o indivíduo se refere ou a uma parte do estímulo ou a um estímulo que o acompanha frequentemente. o Ex.: cabeça de gado; meu coração ainda pertence ao meu ex. Autoclítico: • Operante verbal secundário. • O falante organiza seu discurso, a sua fala, inserindo expressão ao tato ou ao mando no sentido de aumentar a precisão da influência de seu comportamento verbal sobre o ouvinte (controlar mais o comportamento do ouvinte). • Característica de editar a própria verbalização: rearticular, seccionar, articular, organizar sua própria fala. • O falante, em uma esfera privada, é ouvinte de si mesmo. Precisa ouvir suas próprias verbalizações, avaliar as possíveis consequências de cada uma sobre o comportamento do ouvinte, reorganizar sua verbalização que produzirá as consequências mais reforçadoras ou mais efetivas. • Quatro tipo: o Autoclíticos descritivos: ▪ O falante conse4gue explicitar as fontes de controle do seu comportamento (de falante). ▪ Função de clarificar para o ouvinte as condições sob as quais um comportamento está sendo emitido. ▪ Podem informar: o que determinou a resposta; um estado interno (ansiedade), as fontes de um dado comportamento (escutei no jornal...) o Autoclíticos qualificadores: ▪ Qualificam os tatos, alterando o seu valor. ▪ O comportamento do ouvinte pode ser afetado de acordo com o autoclítico qualificador que o falante utilizar. ▪ Ex.: “acredito que ele esteja correto” X “Certamente ele está correto” o Autoclíticos quantificadores: ▪ Artigos de número e gênero (o, a, os, as, um, uns, uma, umas...) e os adjetivos e advérbios de quantidade ou tempo (pouco, muito, todos, sempre, talvez).o Autoclíticos que funcionam como mandos: ▪ Usado quando se pretende chamar a atenção do ouvinte para algo ▪ Ex.: “Fiquem atentos ao que vou explicar agora” • A função autoclítica pode aparecer também em comportamentos como um sorriso sedutor, uma risada nervosa ou um tom de voz específico. • Na clínica o paciente geralmente usa autoclíticos quando está relatando ou prestes a relatar um assunto desconfortável ou passível de punição. Então tenta suavizar o desconforto ou a punição por parte do clínico usando autoclíticos. • Em relação ao clínico, pode ser usado como forma de colocar o cliente mais sob controle do que será dito logo em seguida, ou mesmo como uma forma de amenizar uma fala mais confrontadora por parte do clínico, tentando manter a amenidade e o conforto da relação entre os dois. Tato distorcido: • Operantes verbais básicos • Emitidos sob controle de estimulação não verbal antecedente e mantidos por reforçadores sociais generalizados • Não há um reforçador específico. Muitas vezes bastam o olhar do ouvinte. • O tato distorcido são respostas verbais com topografia de tato, mas funcionalmente diferentes. São relatos do que o ouvinte gostaria de ouvir e não do que ocorreu na realidade. O falante relata eventos de maneira a produzir reforçadores positivos ou se esquivar de punições. É um típico comportamento de contracontrole. • São emitidos mais sob controle de reforçadores sociais generalizados do que dos estímulos não verbais antecedentes • Tatos distorcidos são emitidos com muita frequência – produto das contingências aversivas às quais estamos expostos constantemente. Mantidos por reforçamento negativo. • Também podem ser mantidos por reforçadores positivos • Pode tanto ser o relato de um evento que não ocorreu quanto também a descrição exagerada, minimizada, parcial, enfim, destorcida, de propriedades do evento relatado. Mando disfarçado: • Guarda semelhança topográfica com o tato, mas o efeito que tem sobre o ouvinte pode ser de um mando. • Muitas vezes a comunidade verbal considera mandos disfarçados como maneiras mais educadas, polidas ou delicadas de fazer pedidos, e acaba reforçando-os. Mas por não especificar claramente o reforço, o mando disfarçado nem sempre é efetivo na produção de reforçadores, e no médio e longo prazo a alta emissão de mandos disfarçados pode resultar em punições ou escassez de reforçadores. • Na prática clínica, o mando disfarçado pode evidenciar dificuldade por parte do cliente de se comportar assertivamente como clínica (que geralmente é comum em sua vida nas relações estabelecidas com as outras pessoas) ou evidenciar uma maneira de se esquivar de punição advinda do clínico.