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BIOQUÍMICA 2 – BQM103 Gliconeogênese e Metabolismos do Glicogênio Aula 2 p2 – 10/10/2022 GLICONEOGÊNESE Síntese de glicose a partir de precursores que não são carboidratos → lactato | piruvato | glicerol | aminoácidos “Nova formação de açúcar”. Em mamíferos, alguns tecidos dependem quase completamente de glicose para sua energia metabólica A glicose do sangue é a principal ou a única fonte de combustível para: • Cérebro humano e o sistema nervoso; • Eritrócitos; • Testículos; • Medula renal; • Tecidos embrionários. O cérebro requer mais da metade de toda a glicose estocada como glicogênio (nos músculos e no fígado). o. No entanto, o suprimento de glicose a partir desses estoques não é sempre suficiente; entre as refeições e durante períodos de jejum mais longos, ou após exercício vigoroso, o glicogênio se esgota. Para esses períodos, os organismos precisam da gliconeogênese. ↪ Ciclo de Cori: Após exercícios vigorosos, o lactato produzido pela glicólise anaeróbia no músculo vai para o fígado e é convertido a glicose, que volta para os músculos como glicose e é convertida a glicogênio. ↪ Glicólise vs Gliconeogênese: A gliconeogênese é o inverso da glicólise, mas não de forma idêntica, pois compartilham 7/10 etapas. Isso porque na glicólise há 3 etapas irreversíveis (1, 3, 10). Então como essas etapas irreversíveis são contornadas para que a gliconeogênese seja possível? Na gliconeogênese, as três etapas irreversíveis são contornadas por um grupo distinto de enzimas, catalisando reações suficientemente exergônicas para serem efetivamente irreversíveis no sentido da síntese de glicose. Não podem ocorrer por uma simples inversão da reação das enzimas da glicólise (Hexocinase | PFK1 | Piruvato-cinase) porque tem uma grande variação negativa da energia livre e é, portanto, irreversível Assim, tanto a glicólise quanto a gliconeogênese as etapas 1, 3 e 10 são processos irreversíveis nas células. Se não fosse irreversível na gliconeogênese, os produtos dessas etapas iriam retornar para o ciclo da glicólise ao invés de produzir glicose. Há três reações de contorno da gliconeogênese, que são os contornos das reações irreversíveis da via glicolítica. Reações de contorno 1ª reação de contorno: parte 1 e parte 2 Requer 2 reações exergônicas (catabólicas) – liberam energia na vizinhança a partir da quebra de macromoléculas. Piruvato → Oxaloacetato → Fosfoenolpiruvato Lactato → Oxaloacetato → Fosfoenolpiruvato Corresponde a etapa 10 da glicólise Parte 1: Piruvato → Oxaloacetato→ Fosfoenolpiruvato O piruvato é o precursor glicogênico. Ou o piruvato será transportado do citosol à mitocôndria, ou o piruvato será produzido a partir da alanina dentro da mitocôndria. O piruvato transportado ou gerado será convertido em oxaloacetato a partir da piruvato-carboxilase, que é a primeira enzima de regulação nessa via. Essa enzima será responsável pela reação de carboxilação na molécula de piruvato. O intermediário do processo é o carboxi- fosfato. Essa enzima mitocondrial requer a coenzima biotina. Esse grupo prostético será responsável por carrear o CO2 ativado. O íon bicarbonato irá se ligar ao sítio catalítico 1 da enzima piruvato-carboxilase. Esse HCO3- irá ser fosforilado (ainda na enzima) pelo ATP, formando o carboxifosfato (intermediário). Esse intermediário será transformado em CO2, porque ele é mais ativo. Esse CO2 irá reagir com a biotina presente na enzima, formando carboxibiotina. A biotina irá transportar esse CO2 do sítio catalítico 1 ao 2. Nesse processo, a biotina irá ser descarboxilada, deixando o CO2 e retorna ao sítio 1, sendo reciclada. Esse CO2 irá reagir com o piruvato ainda na enzima, transformando-o em oxaloacetato, que será liberado. Além disso, como a membrana mitocondrial não tem transportador para o oxaloacetato, antes de ser exportado para o citosol o oxaloacetato formado a partir do piruvato deve ser reduzido a malato pela malato- desidrogenase mitocondrial, com o consumo de NADH. Ao passar da mitocôndria ao citosol, o malato é revertido em oxaloacetato rapidamente. Isso porque a reação de oxaloacetato em malato é altamente reversível ao analisar a variação da energia livre. Então, o malato deixa a mitocôndria por meio de um transportador presente na membrana mitocondrial interna, e no citosol ele é reoxidado a oxaloacetato, com a produção de NADH novamente. O oxaloacetato é então convertido a PEP pela fosfoenolpiruvato-carboxicinase. Esta reação é dependente de Mg2+ e requer GTP como doador de grupo fosforil. °。°。°。° Então, até agora analisamos que: O investimento da gliconeogênese é muito caro. °。°。°。° Parte 2: Lactato → Oxaloacetato → Fosfoenolpiruvato (PEP) O lactato é o precursor glicogênico. Essa via faz uso do lactato produzido pela glicólise nos eritrócitos ou no músculo em anaerobiose – exercício físico vigoroso. O lactato será oxidado pela lactato- desidrogenase, produzindo NADH e piruvato. O piruvato, já dentro da mitocôndria, será transformado em oxaloacetato pela piruvato- carboxilase (conversão ao usar CO2), não necessitando, portanto, da redução do oxaloacetato em malato ou do uso de transportadores de membrana específicos. Sendo assim, esse oxaloacetato será convertido diretamente em PEP pela enzima mitocondrial PEP-carboxicinase mitocondrial, e o PEP é transportado para fora da mitocôndria para dar continuidade à via. À esquerda: parte 1 | À direita: parte 2 Pode ocorrer a parte 1 ou a parte 2, vai depender das condições do meio, como a presença da enzima, do lactato etc. 2ª reação de contorno Frutose-1,6-bifosfato → Frutose-6-fosfato Corresponde a etapa 3 da glicólise A enzima frutose-1,6-bifosfatase (FBPase-1) – dependente de Mg2+ – irá catalisar essa reação: ela irá promover a hidrólise irreversível do fostato em C-1 3ª reação de contorno Glicose-6-fosfato → Glicose Corresponde a etapa 1 da glicólise Desfosforilação da glicose-6-fosfato para formar glicose. Não requer a síntese de ATP (seria apenas se fosse o inverso idêntico da glicólise), apenas requer a hidrólise simples de uma ligação éster fosfato. A reação será catalisada pela glicose-6- fosfatase, enzima ativada pelo Mg2+. Essa enzima (glicose-6-fosfatase) é encontrada apenas no lúmen do retículo endoplasmático de hepatócitos, de células renais e das células epiteliais do intestino delgado. É essencial que apenas estes tecidos tenham a capacidade de formar glicose a partir da glicose-6-fosfato! °。°。°。° O que aconteceria se outros tecidos tivessem a glicose-6-fosfatase? A glicólise seria comprometida. Isso porque toda vez que tivesse glicose-6-fosfato no meio, ela não necessariamente iria percorrer a via da glicólise, se transformando em frutose-6- fosfato, mas ela seria quebrada, transformando-se em glicose. Então, o indivíduo iria se alimentar, aumentando os índices de glicose no sangue, que iria virar glicose-6-fosfato pela hexocinase, mas iria voltar a ser glicose pela glicose-6- fosfatase, tornando isso um ciclo. Assim, toda a respiração celular seria comprometida. ↪ Energia da gliconeogênese: A gliconeogênese é energeticamente favorável? Não! Utiliza-se 4 ATPs, 2 GTPs, 2 NADH e 2 piruvatos para formar apenas 1 molécula de glicose, sendo o ATP e GTP grupos fosfatos altamente energéticos! A maior parte desse alto custo energético é necessária para assegurar a irreversibilidade da gliconeogênese. A conversão de glicose em piruvato pela glicólise exige apenas 2 moléculas de ATP! Então, a gliconeogênese é mais custosa que a glicólise, mas ela ainda assim é necessária! Se ficarmos muito tempo em jejum, sem a gliconeogênese não sobreviveríamos tanto tempo. Então, ela é essencial para mantermos o nível de açúcar no sangue estável mesmo sem que haja glicogênio estocado. °。°。°。° Resumo da gliconeogênese• A gliconeogênese é um processo em que a glicose é produzida a partir de lactato, piruvato ou oxaloacetato. • 7 etapas da gliconeogênese são catalisadas pelas mesmas enzimas usadas na glicólise; essas são as reações reversíveis. 3 etapas irreversíveis na glicólise são contornadas por reações catalisadas pelas enzimas gliconeogênicas: (1) a conversão de piruvato em PEP via oxaloacetato, catalisada pela piruvato-carboxilase e pela PEP- carboxicinase; (2) a desfosforilação da frutose-1,6-bifosfato pela FBPase-1; (3) a desfosforilação da glicose-6-fosfato pela glicose- 6-fosfatase. • A formação de uma molécula de glicose a partir de piruvato requer 4 ATP, 2 GTP e 2 NADH, o que é dispendioso. • Em mamíferos, a gliconeogênese no fígado, nos rins e no intestino delgado gera glicose para uso pelo cérebro, músculos e eritrócitos. • A glicólise e a gliconeogênese são mutuamente reguladas para prevenir o gasto operacional com as duas vias ao mesmo tempo. °。°。°。° REGULAÇÃO DA GLICONEOGÊNESE A glicólise e a gliconeogênese são mutuamente reguladas! Quando o fluxo de glicose por meio da glicólise aumenta, o fluxo de piruvato em direção à glicose diminui, e vice-versa. 1º PFK-1 e FBPase-1: glicólise vs gliconeogênese Se ↑ a quantidade de ATP sintetizado, a glicólise é inibida porque já tem energia o suficiente. Então, a PFK-1 (fosfofrutocinase-1) é inibida. Quando a PFK-1 é inibida, a FBPase-1 é ativada! Ambas as enzimas catalisam reações opostas. Então, quando a glicólise é inibida, a gliconeogênese é estimulada. Se ↑ a quantidade de AMP sintetizado, significa baixa de ATP e, portanto, pouca energia. Assim, a PFK-1 é ativada, estimulando a glicólise. Em paralelo, a FBPase-1 é inativada, parando a gliconeogênese. ~ 2º Ademais, a PFK-1 e FBPase-1 podem ser inibidas ou estimuladas pela F26BP. Se a F26BP estiver ativa: estimula a glicólise. Ativa a PFK-1. Se a F26BP estiver inativa: estimula a gliconeogênese. Porque não ativa a PFK-1. ~ 3º Por fim: piruvato-cinase. Nos vertebrados são encontradas pelo menos três isoenzimas da piruvato-cinase, como a isoenzima do fígado (forma L) e a do músculo (forma M). Todos os tecidos glicolíticos: todas as isoenzimas, incluindo L e M, são inibidas por ATP, acetil-CoA e ácidos graxos de cadeia longa (sinais de um suprimento abundante de energia). Somente no fígado: aumento de AMP cíclico ativa a isoenzima L. Glucagon aumenta quando níveis de glicose no sangue diminui! Glucagon presente: fosforila a isoenzima L da piruvato- cinase (fígado), inativando-a. Estimula a gliconeogênese. Glucagon ausente: com os níveis baixos de glucagon há a desfosforilação da isoenzima L da piruvato-cinase (fígado), reativando-a. No músculo: o efeito do aumento da [cAMP] é bem diferente. Em resposta à adrenalina, o cAMP ativa a degradação do glicogênio e a glicólise e fornece o combustível necessário para a resposta de luta ou fuga. Há 2 destinos alternativos para o piruvato: O piruvato pode ser convertido em glicose e glicogênio via gliconeogênese, ou oxidado a acetil-CoA para a produção de energia. É o primeiro ponto de controle que vai determinar o destino do piruvato na mitocôndria. Ou o piruvato será convertido em acetil-CoA pelo complexo da piruvato-desidrogenase a fim de produzir energia; Ou o piruvato será convertido em oxaloacetato pela piruvato-carboxilase a fim de produzir glicose pela gliconeogênese. A acetil-CoA é um modulador alostérico positivo da piruvato-carboxilase e negativo da piruvato- desidrogenase, ou seja, a acetil-CoA, produzida tanto pela oxidação dos ácidos graxos como pelo complexo da piruvato-desidrogenase, estimula a piruvato- carboxilase e inibe a piruvato-desidrogenase. Então, quanto mais ácidos graxos disponíveis, maior será a produção de acetil-CoA. Sendo assim: ↑ a quebra de ácidos graxos ~ ↑ acetil-CoA ~ inibe a piruvato-desidrogenase e ativa a piruvato- carboxilase A concentração aumentada da acetil-CoA inibe o complexo da piruvato-desidrogenase, diminuindo a formação de acetil-CoA a partir de piruvato, e estimula a gliconeogênese pela ativação da piruvato- carboxilase, permitindo a conversão do excesso de piruvato em oxaloacetato (e no final, em glicose). O oxaloacetato assim formado é convertido em fosfoenolpiruvato (PEP) na reação catalisada pela PEP-carboxicinase. °。°。°。° Resumo da regulação • A PFK-1 é inibida alostericamente por ATP e citrato. Na maioria dos tecidos dos mamíferos, incluindo o fígado, a frutose-2,6-bifosfato é um ativador alostérico dessa enzima. • A piruvato-cinase é inibida alostericamente por ATP, e a isoenzima do fígado (L) também é inibida por fosforilação dependente de cAMP. • A gliconeogênese é regulada no nível da piruvato- carboxilase (ativada por acetil-CoA) e da FBPase-1 (inibida por frutose-2,6-bifosfato e AMP). • Para limitar a alternância de substrato entre a glicólise e a gliconeogênese, as duas vias estão sob controle alostérico recíproco, obtido principalmente pelos efeitos opostos da frutose-2,6-bifosfato sobre a PFK-1 e a FBPase-1. • O glucagon ou a adrenalina reduzem a [frutose-2,6- bifosfato] pela elevação da [cAMP] e promoção da fosforilação da enzima bifuncional PFK-2/FBPase-2. A insulina aumenta a [F26PB] pela ativação da fosfoproteína-fosfatase que desfosforila e assim ativa a PFK-2. °。°。°。° METABOLISMO DO GLICOGÊNIO ↪ Glicogênio: síntese e degradação. Muito presente no fígado (principalmente) e músculo. É a forma que a glicose é armazenada. Os grânulos de glicogênio são agregados complexos de glicogênio + enzimas que os sintetizam e os degradam. Por que armazenar glicose na forma de glicogênio? Se toda essa glicose fosse dissolvida no citosol de um hepatócito, sua concentração seria absurdamente maior do que quando organizada na forma de glicogênio (polímero), sendo suficiente para influenciar nas propriedades osmóticas da célula: haveria um desbalanço osmótico, acarretando a deformação e/ou morte celular. ↪ Glicogênio hepático vs muscular: No músculo: fornece uma fonte de energia rápida para o metabolismo aeróbio e anaeróbio. Hepático: serve como um reservatório de glicose para os outros tecidos quando não há glicose disponível (entre as refeições ou no jejum); isto é especialmente importante para os neurônios do cérebro, que não podem usar ácidos graxos como combustível. Glicogenólise Degradação do glicogênio em glicose-1-fosfato. ~ 1º - A enzima glicogênio-fosforilase catalisa a reação na qual uma ligação glicosídica (α1→4) entre dois resíduos de glicose em uma extremidade não redutora do glicogênio é atacada por um fosfato inorgânico (Pi), removendo o resíduo terminal na forma de α-D-glicose- 1-fosfato. Glicogênio-fosforilase age repetidamente até que alcance um ponto de ramificação α1→6. Quando alcança, é interrompida para que uma outra enzima começa a atuar, sendo específica para esse tipo de ligação. A degradação pela glicogênio-fosforilase continua somente depois que a enzima de desramificação, conhecida formalmente como oligo (α1→6) a (α1→4) glican-transferase, catalisa duas reações sucessivas que removem as ramificações. Logo que as ramificações são removidas, a atividade da glicogênio-fosforilase pode continuar. ~ 2º - A enzima glicogênio-fosforilase, como dito acima, irá catalisar a reação de quebra do glicogênio em glicose-1-fosfato. Agora, a glicose-1-fosfato será convertida em glicose- 6-fosfato pela fosfo-glicomutase. A enzima (fosforilada em um resíduo de Ser/serina) doa um grupo fosforil ao C-6 do substrato e aceita um grupo fosforil do C-1. 1º a glicose-1-fosfato recebe um grupo fosfato no carbono 6 a partir do aminoácido Ser que doa esse grupo, se tornando glicose-1,6- bifosfato. 2º a glicose-1,6-bifosfato perde seu grupo fosfato do carbono 1, doando esse grupo ao aminoácido Ser presente na enzima, se tornando,no fim, glicose-6-fosfato. ~ 3º - A glicose-6-fosfato pode entrar na glicólise ou, no fígado, repor a glicose sanguínea. Glicose-6-fosfato formada no músculo: pode entrar na glicólise e serve como fonte de energia para a contração muscular. Glicose-6-fosfato formada no fígado: pode liberar glicose para o sangue quando o nível de glicose sanguínea diminui, como acontece entre as refeições. Isso requer a presença da enzima glicose-6- fosfatase. A hexocinase, durante todo o processo de transporte, está inativa para que esse produto não sofra glicólise. ↪ Transporte da glicose-6-fosfato do fígado para o sangue: i) A glicose-6-fosfato formada no citosol é transportada para o lúmen do retículo por um transportador específico (T1). ii) Já no lúmen do RE, a glicose-6-fosfato é hidrolisada na superfície lumenal pela glicose-6-fosfatase. Os produtos são: Glicose + Pi. O sítio catalítico da glicose-6-fosfatase está voltado para o lúmen do RE. Isso evita que ocorra a hidrólise da G6P no citosol – se houvesse enzima no citosol, a G6P iria sempre ser degradada em glicose + pi. Lembrando que a glicólise ocorre no citosol do RE, e ela utiliza a G6P mas não a partir da hidrólise! iii) Os produtos resultantes, Pi e glicose, são transportados de volta para o citosol por dois transportadores diferentes (T2 e T3). iv) A glicose deixa o hepatócito pelo transportador GLUT2 na membrana plasmática. Então, a [glicose] no sangue aumenta. O músculo e o tecido adiposo não convertem a glicose- 6-fosfato em glicose pois não têm a enzima glicose-6- fosfatase, logo esses tecidos não fornecem glicose para o sangue. Glicogênese Síntese do glicogênio, ou seja, polimerização da glicose. Muitas das reações pelas quais as hexoses são transformadas ou polimerizadas envolvem nucleotídeos de açúcar. Os nucleotídeos de açúcar são os substratos para a polimerização – é a forma ativada dos monossacarídeos, é o início da glicogênese. O carbono anômero do açúcar é ativado pela união a um nucleotídeo por meio de uma ligação éster de fosfato. Exemplo: UDP-glicose. A energia de ligação dessa molécula é utilizada pelo glicogênio para catalisar a incorporação da glicose em uma molécula já existente de glicogênio. ↪ Formação de um nucleotídeo de açúcar: Inicia-se na glicose-6-fosfato, que pode ser derivada da glicose livre em uma reação catalisada pelas isoenzimas hexocinase I e hexocinase II no músculo e hexocinase IV (glicocinase) no fígado. Parte da glicose faz via indireta para o glicogênio! ↪ Via indireta: Eritrócitos → lactato → fígado → glicose-6-fosfato (gliconeogênese). Ela é captada primeiro pelos eritrócitos e transformada em lactato, que é captado pelo fígado e convertido em glicose-6-fosfato pela gliconeogênese. Etapas 1) A glicose-6-fosfato é convertida em glicose-1- fosfato pela fosfoglicomutase. 2) A glicose-1-fosfato (G1P) é convertida em UDP- glicose pela UDP-glicose-pirofosforilase. A UDP-glicose é o doador imediato de glicose na glicogênio-sintase. 3) A enzima glicogênio-sintase promove a transferência da glicose da UDP-glicose para uma extremidade não redutora de uma molécula ramificada de glicogênio. Essa enzima só irá formar ligações do tipo α1→4. 4) A enzima amilo (1→4) a (1→6) transglicosilase irá catalisar a formação das ramificações, ou seja, a transferência de um fragmento terminal da extremidade não redutora para o grupo hidroxil C-6. Mas por que ramificar? Os efeitos da ramificação tornam a molécula mais solúvel, além de aumentar o número de sítios acessíveis à glicogênio-fosforilase e à glicogênio- sintase, as quais agem somente nas extremidades não redutoras. Enzima glicogênio-sintase Ela necessita de um iniciador para conseguir transferir a glicose do nucleotídeo UDP-glicose e assim formar glicogênio. Esse iniciador será: cadeia poliglicosídica (α1→4) ou ramificação (α1→6) de 8 resíduos de glicose. Então, como se inicia uma nova molécula de glicogênio? A proteína Glicogenina terá função tanto de iniciador, o qual são montadas novas cadeias, e como de enzima, que catalisa essa montagem, sendo, portanto, responsável por iniciar a glicogênese de fato. Etapas até a possível atuação da glicogênio- sintase Glicose da UDP-glicose → para o grupo hidroxil da Tyr da glicogenina (glicosil-transferase) → adição sequencial de 7 glicoses da UDP-glicose → alongamento da cadeia (glicogênio- sintase). 1) A primeira etapa na síntese de uma nova molécula de glicogênio é a transferência de um resíduo de glicose da UDP-glicose para o grupo hidroxil da Tyr da glicogenina, catalisada pela atividade enzimática intrínseca da proteína. 2) A cadeia nascente se alonga pela adição sequencial de mais sete resíduos de glicose, cada um derivado de uma UDP-glicose; as reações são catalisadas pela atividade de extensão de cadeia da glicogenina. 3) Neste ponto, a glicogênio-sintase age, alongando ainda mais a cadeia de glicogênio. °。°。°。° Resumo do metabolismo do glicogênio • Armazenado no músculo e fígado junto com enzimas reguladoras e enzimas que metabolizam o glicogênio; • A glicogênio-fosforilase catalisa a fosforólise nas extremidades não redutoras das cadeias do glicogênio, produzindo glicose-1-fosfato; • A fosfo-glicomutase interconverte a glicose-1-fosfato em glicose-6-fosfato; • O nucleotídeo de açúcar UDP-glicose doa resíduos de glicose para a extremidade não redutora do glicogênio na reação catalisada pela glicogêniosintase. Uma enzima de ramificação distinta produz as ligações (α1→6) nos pontos de ramificação; • Novas partículas de glicogênio se iniciam com a formação autocatalítica de uma ligação glicosídica entre a glicose da UDP-glicose e um resíduo de Tyr na proteína glicogenina, seguida pela adição de glicose. °。°。°。° REGULAÇÃO glicogênio-fosforilase | glicogênio-sintase Regulação da síntese e degradação do glicogênio. Regulação da glicogênio-fosforilase Essa enzima possui 2 formas interconversíveis: glicogênio-fosforilase a (ativa) e a glicogênio- fosforilase b (menos ativa). Ativar é SIM fosforilar! Músculo em repouso: fosforilase b. A fosforilase-afosfatase (PP1) remove os grupos fosforil da fosforilase a convertendo-a em sua forma b (menos ativa). Atividade muscular: fosforilase a. Ocorre a fosforilação da Ser em b convertendo-a em sua forma a (mais ativa). Regulação da glicogênio-sintase Glicogênio-sintase a: forma ativa, ou seja, não fosforilada. Glicogênio-sintase b: forma inativa, ou seja, fosforilada. Ativar NÃO é fosforilar! A fosforilação das cadeias laterais hidroxílicas de vários resíduos de Ser de ambas as subunidades converte a glicogênio-sintase a em glicogênio-sintase b. Insulina ativa a glicogênio-sintase a ao desfosforilar, e o glucagon e a adrenalina inibem, fosforilando. i) Insulina: aumento de [glicose] – estimula a PP1. Assim, ativa a glicogênese-sintase. Desfosforila (a) e ativa! ii) Glucagon e adrenalina: não quer estocar glicogênio, quer usar! Então, inativa a PP1 e ativa a GSK3. Fosforila (b) e inativa! °。°。°。° Resumo da regulação • A glicogênio-fosforilase é ativada em resposta ao glucagon ou à adrenalina, que aumentam a [cAMP] e ativam PKA. A PKA fosforila e ativa, que converte a glicogênio-fosforilase b em sua forma ativa a. A PP1 reverte a fosforilação da glicogênio- fosforilase a, inativando-a. • A glicogênio-sintase a é inativada por fosforilação catalisada pela GSK3. A insulina bloqueia a GSK3. A PP1, que é ativada pela insulina, reverte a inibição pela desfosforilação da glicogênio-sintase b. • A insulina aumenta a captação da glicose pelos miócitos e adipócitos por provocar o deslocamento do transportador GLUT4 para a membrana plasmática. • A insulina estimula a síntese das hexocinases II e IV, PFK-1, piruvato-cinase, e várias enzimas envolvidas na síntese de lipídeos. A insulina estimula a síntesede glicogênio no músculo e no fígado. • No fígado, o glucagon estimula a degradação do glicogênio e a gliconeogênese, enquanto bloqueia a glicólise, poupando, dessa forma, glicose para exportá- la para o cérebro e outros tecidos. • No músculo, a insulina estimula a degradação do glicogênio e a glicólise, fornecendoATP para sustentar a contração. °。°。°。°