Prévia do material em texto
Arquitetura de Redes (Infraestrutura de Redes) Aula 10 - Equipamentos de rede - Parte 2 INTRODUÇÃO Nesta aula, descreveremos os principais equipamentos de interconexão de redes, enquanto associamos esses equipamentos ao modelo de camadas TCP/IP. OBJETIVOS Explicar o funcionamento do dispositivo de camada física denominado HUB; Explicar o funcionamento do dispositivo de camada de enlace denominado switch; Explicar o funcionamento do dispositivo de camada de rede denominado roteador. COMPREENDER O FUNCIONAMENTO DO DISPOSITIVO DE CAMADA FÍSICA DENOMINADO HUB O HUB é um dispositivo de camada física. Isso quer dizer que o HUB não tem nenhuma inteligência em relação a qualquer protocolo que não pertença à camada física. Ou seja, o HUB é basicamente capaz de realizar uma tarefa bastante simples: compreende qual bit está chegando por uma de suas portas para retransmitir esse mesmo bit por todas suas outras portas. Além dessa tarefa principal, alguns HUBs são capazes de desabilitar uma porta caso detecte que uma interface de rede defeituosa está conectada a ela, e informar a ocorrência de colisões através de um LED que pisca sempre que uma colisão é percebida. O HUB e seu uso mais comum em topologia estrela Na imagem, temos um exemplo típico de topologia usando um HUB: sempre que um host emite bits, o HUB os repetirá por todas as outras portas. Como sua principal tarefa é repetir um bit por todas as outras portas, os HUBs possuem a vantagem de serem dispositivos simples (glossário) e baratos. Além disso, quando a carga da rede é su�cientemente baixa, os HUBs são capazes de encaminhar pacotes muito rapidamente, como é mostrado na imagem, abaixo. O HUB encaminha cada bit adiante assim que os recebe por uma porta Na imagem, o tempo é representado de cima para baixo. Da esquerda para a direita temos o host/nó transmissor separado por alguns metros até o HUB que, por sua vez, está distante outros tantos metros do host/nó receptor. O nó transmissor, à esquerda, inicia a transmissão de um pacote. Os primeiros bits do pacote demoram algum tempo para propagar pelo meio de transmissão até chegar ao HUB. Esse tempo é denominado tempo de propagação entre o transmissor e o HUB. Imediatamente após receber o primeiro bit do pacote, o HUB inicia a retransmissão desse bit para o receptor. À medida que os bits seguintes vão chegando ao HUB, ele os transmite ao receptor, até que não haja mais dados a serem repetidos. POR SEREM DISPOSITIVOS BASTANTES SIMPLIFICADOS, OS HUBS TAMBÉM POSSUEM DESVANTAGENS Uma delas é que os HUBs não isolam domínios de colisão. Isso quer dizer sempre que um transmissor emite dados, haverá colisão se algum outro transmissor também resolver transmitir dados antes de o primeiro transmissor terminar sua emissão. Lembre-se de que LANs usam a tecnologia Ethernet que emprega o protocolo CSMA/CD para controle de acesso ao meio. Embora o CSMA/CD trabalhe para mitigar a ocorrência de colisões e diminuir o tempo pedido quando há colisões, elas ainda podem ocorrer e são tão mais frequentes quanto for a demanda dos usuários por transmissão de dados. Esse problema é tão mais sério quanto for o número de segmentos de LANs interligadas via HUB. Se 10 segmentos de LAN de 100Mbps estão separados, eles são capazes de alcançar vazão agregada de 1Gbps. Entretanto, se interligarmos os 10 departamentos usando um HUB de backbone, a vazão agregada cairá para 100Mbps, já que todos os 10 departamentos farão parte do mesmo domínio de colisão. Outra desvantagem (glossário) importante é que os HUBs não são capazes de conectar redes de diferentes taxas de transmissão. FUNCIONAMENTO DO DISPOSITIVO DE CAMADA DE ENLACE DENOMINADO SWITCH Fonte da Imagem: Diferente dos HUBs, os switches são dispositivos de camada de enlace. Isso quer dizer que os switches são capazes de compreender e trabalhar com protocolos e cabeçalhos da camada de enlace (exemplo: Ethernet). A ideia fundamental dos switches é tentar contornar as principais limitações dos HUBs. Para isso, os switches encaminham quadros de acordo com o endereço MAC (Medium Access Control) de destino. Para que seja capaz de ler, interpretar e tomar decisões com base em endereços MAC dos cabeçalhos do quadro, o switch é obrigado a armazenar o quadro em sua memória, para depois processar seus cabeçalhos e posteriormente encaminhar o quadro de maneira mais e�ciente do que o HUB. RealVector / Shutterstock Por isso, diz-se que os switchs em geral trabalham com repasse store-and-forward (armazena e reenvia), conforme mostrado no exemplo, abaixo. Ao transmitir o quadro por outra porta, o switch é capaz de usar o protocolo de acesso ao meio (CSMA/CD) para mitigar a ocorrência de colisões no próximo segmento de LAN. Por ser um dispositivo mais inteligente (camada de enlace), o switch é capaz de vencer as principais limitações dos HUBs: isolam domínios de colisão, mesmo quando usado para interligar diferentes segmentos de rede, conforme ilustrado a seguir. COMO OS SWITCHES CONSEGUEM CONTORNAR AS LIMITAÇÕES? Como vimos, os switches possuem diversas vantagens se comparados aos HUBs. Mas como os switches conseguem contornar todas essas limitações? Através do aprendizado (glossário), �ltragem e repasse seletivo. Para facilitar a compreensão, vamos analisar três exemplos. Vamos lá! EXEMPLO 01 Suponha que um switch acaba de receber um quadro Ethernet pela porta de número 1. O switch veri�ca no cabeçalho qual é o endereço MAC remetente (exemplo: AA-AA-AA-AA-AA-AA). Então, o switch registra em sua tabela de comutação que o endereço a interface de rede com endereço MAC AA-AA- AA-AA-AA-AA está pendurado na porta de número 1, conforme ilustrado na tabela abaixo. Ou seja, o switch aprende em qual porta a interface de rede com MAC AA-AA-AA-AA-AA-AA está pendurada. Em seguida, o switch lê o endereço de destino do quadro em questão (exemplo: BB-BB-BB-BB-BB-BB) e procura esse endereço na sua tabela de comutação. Caso o endereço BB-BB-BB-BB-BB-BB-BB não seja encontrado, o switch entende que não sabe em qual porta o destinatário do quadro está pendurado. Então, o quadro será encaminhado e retransmitido por todas as portas do switch, com exceção da porta 1 pela qual o quadro chegou. Note que não houve repasse seletivo nesse caso. EXEMPLO 02 Suponha agora que, após receber o quadro do exemplo anterior, a interface de rede BB-BB-BB-BB-BB-BB envie um quadro destinado à AA-AA-AA-AA-AA-AA. Digamos que esse quadro chegue pela porta de número 5 do switch. Ao receber esse quadro, o switch novamente executará seu algoritmo de aprendizado, e atualizará sua tabela de comutação para incluir a informação de que a interface de rede com MAC BB-BB-BB-BB-BB-BB está pendurada na porta 5, conforme mostrado na tabela abaixo. Em seguida, o switch lerá o endereço MAC de destino do quadro (AA-AA-AA-AA-AA-AA) e realizará uma busca em sua tabela de comutação. Assim, o switch perceberá que a interface de rede com MAC AA-AA-AA-AA-AA-AA está pendurada na porta 1. Então, o switch realiza um repasse seletivo (retransmissão seletiva) do quadro somente por essa porta. Todas as outras portas do switch nem percebem que um host abaixo da porta 5 enviou um quadro que foi seletivamente retransmitido para um host abaixo da porta 1. EXEMPLO 03 Para �nalizar, vamos analisar o terceiro exemplo para compreendermos o processo de �ltragem dos switches. Suponha que a interface de rede com MAC CC-CC-CC-CC-CC-CC também esteja pendurada na porta 1, e transmite um quadro destinado ao MAC AA-AA-AA-AA-AA-AA. Ao chegar no switch, o quadro é processado e o algoritmo de aprendizado entra em ação. Logo, a tabela de comutação será atualizada conforme mostrado abaixo. Em seguida, o switch procurará pelo endereço MAC do destinatário (AA-AA-AA-AA-AA-AA) na tabela de comutação, e notará que ambos (remetente e destinatário) estão pendurados ma mesma porta, ou seja, fazem parte do mesmo segmento de LAN. Dessa forma, o switch entende que não é preciso repassar esse quadro adiante, e simplesmente o descarta. Esseprocesso é denominado �ltragem. Note que nenhuma outra interface de rede pendurada em qualquer outra porta do switch percebe que houve transmissão de dados nesse caso, já que o remetente e o destinatário estavam no mesmo segmento de LAN. O trabalho em conjunto dos algoritmos de aprendizagem, �ltragem e retransmissão (glossário) seletiva é o que, na prática, resulta isolamento de domínios de colisão. Atenção , A este ponto, você já deve ter notado uma característica muito interessante dos switches: eles são plug-and-play., , Em outras palavras, não é necessário realizar nenhum tipo de con�guração em switches para que ele comece a operar em redes. Essa é outra grande vantagens dos switches: facilidade de uso.., , Vale ressaltar que o funcionamento dos switches é transparente. Ou seja, os hosts sequer notam a existência dos switches, e não é necessário con�gurar nos hosts qualquer informação sobre os switches para que a rede funcione., , Além das funções básicas já discutidas, os switches são capazes de implementar funções mais elaboradas. Como essas funções estão fora do contexto desta disciplina, elas serão brevemente comentadas aqui. (galeria/aula10/docs/a10_04_01.pdf) FUNCIONAMENTO DO DISPOSITIVO DE CAMADA DE REDE DENOMINADO ROTEADOR Roteadores são comutadores de pacotes do tipo armazena e repassa, que transmitem pacotes usando endereços da camada de rede. Embora um switch também seja um comutador de pacotes do tipo armazena e repassa, ele é, em essência, diferente de um roteador, pois repassa pacotes usando endereços MAC. Enquanto um roteador é um comutador de pacotes da camada 3, um comutador opera com protocolos da camada 2. Mesmo sendo fundamentalmente diferentes, é comum que os administradores de rede tenham de optar entre um switch e um roteador ao instalar um dispositivo de interconexão. Nos cenários de interconexão de departamentos vistos nesta aula, um roteador permitiria a comunicação interdepartamental sem criar colisões, pois eles isolam o domínio de broadcast. (glossário) Conheça, a seguir, os prós e contras do uso de cada um desses dispositivos: Prós e os contras de switches Vamos considerar os prós e os contras de switches quando comparados aos roteadores. Como já dissemos, comutadores são do tipo plug-and-play, o que é uma importante vantagem. Eles também podem ter velocidades relativamente altas de �ltragem e repasse de pacotes, pois têm que processar quadros apenas até a camada 2 (enlace), enquanto roteadores têm de processar pacotes até a camada 3 (rede). https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/gon628/galeria/aula10/docs/a10_04_01.pdf Por outro lado, para evitar a circulação dos quadros por difusão, a topologia de uma rede de comutação está restrita a uma spanning-tree, que é automaticamente obtida através do protocolo STP, mesmo que o administrador tenha criado uma topologia com ciclos. E, mais, uma rede de comutação de grande porte exigiria, nos hospedeiros e roteadores, tabelas ARP também grandes, gerando tráfego e processamento ARP inviavelmente altos. Além disso, comutadores são suscetíveis a tempestades de difusão — se um hospedeiro se desorganiza e transmite uma corrente sem �m de quadros Ethernet destinados à FF-FF-FF- FF-FF-FF, os comutadores repassam todos esses quadros, causando o colapso da rede inteira. Prós e os contras dos roteadores Agora, vamos considerar os prós e os contras dos roteadores. Como na camada de rede o endereçamento IP é hierárquico (hosts de uma mesma rede possuem a mesma parcela de rede), os pacotes em geral não �cam circulando nos roteadores, mesmo quando a rede tem trajetos redundantes. Assim, a topologia de uma rede interconectada por roteadores não �ca restrita a uma spanning-tree, e podem escolher o melhor caminho, entre os vários trajetos possíveis até o destino. Como roteadores não sofrem essa limitação, eles permitiram que a Internet fosse montada com uma topologia rica que inclui, por exemplo, múltiplos enlaces ativos entre continentes. Isso é de vital importância, tanto para o desempenho otimizado quanto para a robustez da Internet. Outra característica dos roteadores é que eles fornecem proteção de �rewall contra ataques maliciosos, como as tempestades de difusão da camada de enlace. A desvantagem mais signi�cativa dos roteadores talvez seja o fato de não serem do tipo plug-and-play. Ou seja, os hosts que se conectam aos roteadores precisam conhecer um de seus endereços IP para que possam usar seus serviços (default gateway). Além disso, roteadores muitas vezes apresentam tempo de processamento por pacote maior do que comutadores, pois têm de processar até os campos da camada de rede. ATIVIDADE Alguns tipos especiais de switches são vendidos pelos fabricantes como equipamentos que trabalham com cut- through ao invés de store-and-forward, que é em geral usado. Explique a diferença entre essas duas técnicas. Resposta Correta Glossário VANTAGENS DA SIMPLICIDADE DO HUB O funcionamento extremamente simpli�cado do HUB traz algumas vantagens: 1. Não há armazenamento de dados no HUB. Logo, não há como haver formação de �las nos HUBs; 2. O HUB não gasta nenhum tempo para ler e processar cabeçalhos de camada de enlace ou de camada de rede. Então, um pacote que passa por um HUB não sofre desses tipos de atrasos adicionais. Esse tipo de repasse de pacotes bit-a-bit sem que atrasos adicionais sejam gerados é denominado cut-through. OUTRA DESVANTAGEM Por exemplo, suponha que o Departamento 1 da seja 10Base 2, e o Departamento 2 seja 100BaseT. Como as taxas de transmissão são diferentes, é impossível interligar os dois departamentos sem fazer algum buffer de quadros no ponto de interconexão. Como o HUB é um dispositivo cut-through, ele não pode interconectar segmentos de LAN em velocidades diferentes. Outra limitação é que cada tecnologia Ethernet possui restrições quanto ao número máximo de hosts que podem fazer parte do mesmo domínio de colisão.. Se o número de hosts no mesmo domínio de colisão for muito alto, a ocorrência de colisões será tão alta que pode inviabilizar o desempenho da rede. Com isso, o uso de HUBs acaba se tornando uma solução ruim em projetos multiníveis, como apresentado na na imagem anterior, ou maiores. APRENDIZADO É a capacidade que os switches possuem de saber quais são as interfaces de rede (endereços MAC) que estão penduradas em cada uma de suas portas. O algoritmo de aprendizado dos switches é muito simples e e�ciente. APRENDIZAGEM, FILTRAGEM E RETRANSMISSÃO A coluna “horário” da tabela de comutação serve para que o switch saiba há quanto tempo aquele aprendizado ocorreu. Se um aprendizado não for atualizado por um tempo (tipicamente 20 minutos), então a entrada correspondente será removida da tabela de comutação. Isso é feito para evitar que a tabela de comutação �que desatualizada. Lembre-se de que cada placa de rede vem com um endereço MAC. Caso uma placa de rede seja substituída, então aquele endereço MAC não existiria mais na rede e a tabela de comutação do switch �caria com entradas inválidas, se não houvesse remoção de valores não usados há um tempo. EXEMPLO Quadros Ethernet destinados à FF-FF-FF-FF-FF-FF não são repassados adiante por roteadores, além de isolar domínios de colisão.