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UNIVERSIDADE PAULISTA SERVIÇO SOCIAL DAYANE CAROLINA DA SILVA PEREIRA ADRIANA INGRID VITÓRIA TAVARES PANDEMIA DA COVID-19: AUMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER E A IMPORTÂNCIA DO ASSISTENTE SOCIAL NESSE CONTEXTO. DISTRITO FEDERAL 2023 DAYANE CAROLINA DA SILVA PEREIRA ADRIANA INGRID VITÓRIA TAVARES PANDEMIA DA COVID-19: AUMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER E A IMPORTÂNCIA DO ASSISTENTE SOCIAL NESSE CONTEXTO. Trabalho Monográfico apresentado a Universidade Paulista – UNIP EAD como exigência parcial para obtenção do título de Bacharel em Serviço social. Orientador: Prof. ª Nanci Prieto Moreira Cesar. DISTRITO FEDERAL 2023 .... PANDEMIA DA COVID-19: AUMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER E A I MPORTÂNCIA DO ASSISTENTE SOCIAL NESSE CONTEXTO.: Capítulo I – O Aumento da violência doméstica durante a pandemia COVID-19. / Dayane Carolina da Silva Pereira, Adriana Ingrid Vitória Tavares. - 2023. ....40 f. .... Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) apresentado ao curso de Serviço Social da Universidade Paulista, Brasília-DF, 2023. .... Orientadora: Prof.ª Nanci Prieto Moreira Cesar. ....1. Capítulo I – O Aumento da violência doméstica. 2. 1.1 Violência psicológica... 3. Capítulo II – A importância do Assistente Social n. 4. 2.1 Teoria Feminista. 5. Capítulo III- A ética na atuação do Assistente Soc. I. Vitória Tavares, Adriana Ingrid. II. Moreira Cesar, Nanci Prieto (orientadora). III. Título. Elaborada de forma automática pelo sistema da UNIP com as informações fornecidas pelo(a) autor(a). DAYANE CAROLINA DA SILVA PEREIRA ADRIANA INGRID TAVARES VITÓRIA TAVARES PANDEMIA DA COVID-19: AUMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER E A IMPORTÂNCIA DO ASSISTENTE SOCIAL NESSE CONTEXTO. Trabalho Monográfico apresentado a Universidade Paulista – UNIP EAD como exigência parcial para obtenção do título de Bacharel em Serviço social. Orientador: Prof. ª Nanci Prieto Moreira Cesar. Aprovado em: BANCA EXAMINADORA _________________________ Prof.ª ª (Nanci Prieto Moreira Cesar) Universidade Paulista – UNIP ____________________________ Prof. (Examinador) ___________________________ Prof. (Examinador) Dedico essa conquista primeiramente a mim, pois trilhei um grande caminho para chegar até aqui, e estou muito orgulhosa. Dedico também ao meu primo, irmão e amigos que me apoiaram e me ajudaram para este trabalho ganhar vida. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a minha família, Maria Carmem (mãe), Junior (irmão) e Ismael Rodrigues (amigo) agradeço pela confiança no meu progresso e pelo apoio durante a elaboração do projeto. As minhas queridas e presentes amigas Michelle, Natália e Katia que acima de tudo sempre estão me apoiando e estão sempre presentes nos momentos difíceis da minha vida com uma palavra de incentivo e mão amiga. Agradeço as minhas supervisoras de estágio acadêmico, Louise e Maria Aparecida, pela grande atenção e carinho que tornaram a conclusão desse curso mais especial. Aos meus colegas do curso de Marcelo, que realizou o estágio do 05 semestre comigo, sempre com o bom humor e piadas diárias, pelas trocas de ideias e ajuda mútua. Juntos conseguimos avançar e ultrapassar todos os obstáculos. Também agradeço ao meu time no instituto inclusão, minha supervisora Ellen, estão todos os dias comigo, me ensinando cada vez mais as experiências de ser uma Assistente Social. Dedico esse trabalho a todo o esforço que eu (Dayane Carolina) tive e tenho todos os dias para fazer esse TCC acontecer. Entender que é um privilégio contribuir direta ou indiretamente com a sociedade. Que o serviço público seja visto como uma oportunidade de entregar tempo, conhecimento ideias, inovações, sentimentos positivos para dias melhores. Se for pra ser, seja sempre melhor a cada dia. -Andrelina Lima RESUMO O presente trabalho de conclusão de curso tem por tema O aumento da violência contra a mulher no decorrer da pandemia COVID-19 e a importância do Assistente Social nesse contexto. Tema escolhido em meu período de estágio, presenciando relatos e elaborando diariamente relatórios e encaminhamentos das vítimas para setores responsáveis. Em 11 de março de 2020 a Organização Mundial da Saúde decretou estado de pandemia devido ao novo coronavírus (covid-19), estados e municípios começaram a declarar lockdown (confinamento). O isolamento tornou-se a maior medida de precaução contra o vírus, fazendo com que muitas pessoas tivessem suas atividades interrompidas naquele momento, algumas delas mulheres. A violência contra a mulher é um fenômeno global, os números triplicaram de forma potencializada durante o isolamento social. Este estudo tem por objetivo, relatar o quanto a violência contra a mulher é uma das problemáticas mais preocupantes na atualidade, e o transcrever o trabalho do Assistente Social por trás, atuando com o trabalho de prevenção e combate à violência doméstica contra a mulher. Palavras-chaves: Serviço Social. Violência doméstica. Covid-19. Mulheres. ABSTRACT This course conclusion work has as its theme The increase in violence against women during the COVID-19 pandemic and the importance of the Social Worker in this context. Theme chosen during my internship period, witnessing complaints and preparing daily reports and referrals of victims to the responsible sectors. On March 11, 2020, the World Health Organization declared a state of pandemic due to the new coronavirus (covid-19), states and municipalities declared lockdown (confinement). Isolation became the biggest measure against the virus, causing many people to have their activities interrupted at that time, some of them women. Violence against women is a global phenomenon, numbers have tripled in a potentialized way during social isolation. This study aims to report how violence against women is one of the most worrying problems today, and to transcribe the work of the Social Worker behind it, which occurred with the work of preventing and combating domestic violence against women. Keywords: Social work. Domestic violence. COVID-19. Women SUMÁRIO Introdução.................................................................................................................................10 Capítulo I – O Aumento da violência doméstica durante a pandemia COVID-19..................13 1.1 Violência psicológica. 13 1.2 Violência Sexual. 15 1.3 Violência Física. 15 1.3.1Violência Patrimonial. 16 1.3.2Violência Moral. 17 1.3.3Violência de gêneros, violência contra a mulher e aspectos conceituais. 18 1.3.4Feminicídio contra a mulher. 19 Capítulo II- A importância do Assistente Social no contexto da violência contra a mulher.......................................................................................................................................20 2.1 Teoria Feminista............................................................................................................ 21 2.2 A teoria prática do Serviço Social na violência contra a mulher.................................. 21 2.3 Prática Profissional do assistente social no contexto da violência contra a mulher.......22 2.4 A importância do trabalho em rede de intervenção do assistente social em casos de violência contra a mulher........................................................................................................................24 2.5 O impacto da violência contra a mulher na saúde mental: A atuação do Assistente social na promoção da saúde integral......................................................................................................25Capítulo III- A ética do Assistente Social na violência contra a mulher..................................26 3.1 Moral e Ética no Serviço social..........................................................................................27 3.2 O enfrentamento a violência contra a mulher como questão ética e política: A atuação do Assistente Social no fortalecimento dos direitos humanos.....................................................28 3.3 Direitos humanos................................................................................................................29 3.4 Questão social.....................................................................................................................30 Considerações finais.................................................................................................................31 Referências Bibliográficas........................................................................................................33 INTRODUÇÃO O Trabalho de conclusão de Curso é uma exigência fundamental do Curso de Serviço Social da Universidade Paulista – UNIP, para a obtenção do título de Bacharel em Serviço Social. O tema foi escolhido por mim com base em minhas determinadas experiências de casos em campo de estágio sobre o assunto no período de 2021 a 2022, um tema reflexivo e presente cada vez mais em nossa realidade. Este trabalho tem por objetivo apresentar o seguinte tema: Pandemia da COVID- 19: Aumento da violência contra a mulher e a importância do Assistente Social nesse contexto. A violência contra a mulher, é qualquer tipo de ação danosa seja ela física, sexual, psicológica, patrimonial ou moral cometida por ser uma mulher. No período de 2020 ano em que a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou estado de pandemia, os estados adotaram as medidas do isolamento social. A pandemia do COVID-19 trouxe consigo diversas mudanças na rotina de pessoas ao redor do mundo, ou seja, o isolamento social e as medidas de distanciamento impostas, impactaram diretamente a vida de muitas mulheres, que passaram a conviver cada vez mais tempo com seus companheiros violentos dentro de casa, enfrentando situações de violência doméstica de forma mais intensa e recorrentes. Nesse período o Brasil registrou um aumento de 431% nos relatos de terceiros tratados por registros de violência doméstica. (Pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.). Esses dados revelam a seriedade e gravidade do problema. A violência contra a mulher é um fenômeno global e sempre esteve presente em nossa sociedade, fruto das desigualdades históricas entre homens e mulheres. A pandemia da COVID-19 trouxe inúmeros impactos em todo o mundo, incluindo o aumento da violência doméstica contra a mulher. Esse aumento é resultado de diversos fatores, incluindo o isolamento social, a convivência prolongada com os agressores e a dificuldade em buscar ajuda e proteção. Nesse contexto, é fundamental discutir a importância do papel do assistente social no enfrentamento da violência contra a mulher durante a pandemia. Esse profissional pode atuar de forma remota, oferecendo orientações, acolhimento e apoio psicossocial às mulheres vítimas de violência, bem como contribuir para a prevenção da violência contra a mulher através da realização de campanhas de conscientização e articulação com outros serviços de atendimento. Além disso, é importante ressaltar que a violência contra a mulher não se restringe apenas à violência física, mas também pode assumir diversas formas, como a violência psicológica, física e sexual. Essas formas de violência estão interligadas e muitas vezes ocorrem de forma simultânea, tornando a situação das mulheres ainda mais difícil. Diante desse cenário, o objetivo deste trabalho é analisar o aumento da violência contra a mulher na pandemia da COVID-19, com foco nas diferentes formas de violência e no papel do assistente social no enfrentamento dessa questão. Espera-se contribuir para a discussão sobre a importância do trabalho do assistente social na prevenção e combate à violência contra a mulher, especialmente em tempos de pandemia, em que as mulheres viveram constantemente com seus agressores. Em consideração, antes de expor, de fato, a pesquisa empírica em que emerge esse trabalho. No primeiro capítulo será abordada de forma breve a questão do aumento da violência doméstica durante a pandemia do COVI-19, será aprofundado mais sobre a questão do isolamento social e a violência doméstica, que tem sido objeto de diversos estudos e reportagens em todo o mundo. Outro ponto importante, é a diversidade de formas de violência que as mulheres passam diariamente. Segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o número de denúncias de violência contra a mulher no Brasil, teve um aumento de em média 17% no período da pandemia em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto esses números não representam a realidade, já que muitas mulheres não conseguem denunciar ou pedir ajuda por estarem vivendo sobre pressão e vigilância constante de seus agressores. A violência contra a mulher é uma questão de gênero e está enraizada em nossa sociedade devido as questões culturais e estruturais. É necessário buscar soluções para prevenir e combater a violência contra a mulher. No segundo capítulo será abordado a questão do Assistente Social nesse contexto, É um profissional que atua diretamente no atendimento às vítimas de violência doméstica, auxiliando as mulheres a superar as situações de violência. Durante a pandemia, o aumento da violência contra a mulher se tornou uma preocupação mundial. Nesse sentindo, as políticas públicas e as ações de prevenção e combate à violência contra a mulher são fundamentais para garantir a proteção e o bem-estar dessas mulheres. O Estado tem um papel fundamental na implementação dessas políticas e ações, através da criação de leis e da destinação de recursos para a proteção das vítimas. Além disso, as organizações da sociedade civil também têm um papel importante na prevenção e no combate à violência contra a mulher, também através da mobilização social para a denúncia desses. Buscar enriquecer e apresentar mais sobre as políticas públicas, levantamentos de dados estatísticos e análises de estudos sobre o aumento da violência, tanto no Brasil quanto em outros países. O terceiro capítulo tem como objetivo analisar o papel do assistente social no atendimento às mulheres vítimas de violência durante a pandemia, considerando as duas estratégias de intervenção e os desafios entrados na sua prática profissional. Para isso será realizada uma determinada revisão bibliográfica e uma análise de estudo de caso, a fim de compreender as possibilidades e os limites da atuação do assistente social nesse contexto. Além disso, serão apresentados exemplos de projetos e programas de intervenção desenvolvidos por assistentes sociais, com o objetivo de prevenir e combater a violência contra a mulher e fortalecer as redes de proteções e apoio às mulheres. Este trabalho será realizado a partir de uma pesquisa bibliográfica, que consistirá em uma revisão sistemática da literatura disponível sobre o tema da violência contra a mulher durante a pandemia, com foco no papel do assistente social. A pesquisa será realizada em base de dados especializados, como Biblioteca Virtual em Saúde, OMS (Organização Mundial da Saúde), Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre outros, utilizando as palavras chaves relacionadas ao tema. Por fim, serão realizadas reflexões críticas sobre as possibilidades e os desafios da atuação do assistente social nesse contexto. Espera-se que este trabalho contribua para a compreensão da importância do papel do assistente social na proteção das mulheres vítimas de violência durante a pandemia e para aprimoramento da atuação desses profissionais nesse campo. Capítulo I – O Aumento da violência doméstica durante a pandemia COVID-19. Desdeo início da pandemia, houve um aumento significativo dos casos de violência doméstica em todo o mundo, e o Brasil não foi exceção. A pandemia COVID-19 e as medidas de isolamento social que foram adotadas para conter sua disseminação teve um impacto significativo nos relacionamentos interpessoais e, consequentemente, na violência doméstica. O estresse financeiro, o aumento do tempo gasto em casa e a falta de apoio social e psicológico são alguns dos fatores que contribuíram para o aumento da violência doméstica. Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2020 mostrou que, em muitos casos, a violência doméstica foi desencadeada ou exacerbada pelo estresse financeiro causado pelo caos da COVID 19. O aumento do desemprego e da insegurança financeira colocou uma pressão extra em cima de seus companheiros. O que pode ter levado ao aumento da violência doméstica dentro de seus lares. Além disso, o aumento do tempo que as pessoas passaram em casa devido às medidas de isolamento social, aumentaram as tensões nos relacionamentos. A falta do contato social com familiares também pode ter levado muitas mulheres a se sentirem mais isoladas e vulneráveis a tais violências. Em muitos casos, as vítimas não tiveram a oportunidade de denunciar a violência sofrida ou de procurar ajuda, devido ao fato de estarem isoladas em casa com seus agressores. As vítimas também enfrentarem barreiras adicionais para obter ajuda, como o fechamento de abrigos para mulheres e a redução do acesso aos serviços de apoio. Além disso, a falta de privacidade pode ter impedido muitas mulheres de buscar ajuda ou apoio por telefone e internet. Os casos de violência doméstica durante a pandemia no Brasil, incluem uma série de casos chocantes, como o caso de uma mulher moradora de São Paulo, a vítima foi mantida em cárcere de privado pelo marido por mais de 20 dias, em abril de 2020 período pandêmico. Ela foi agredida diariamente e foi resgatada por polícias depois de enviar um bilhete pedindo ajuda para uma vizinha. (Reportagem publicada pelo G1 em 26 de abril de 2020.) Outro caso trágico, envolveu uma mulher que foi assassinada pelo marido em março de 2020, em Porto Alegre – Brasil. O casal estava em processo de separação e o agressor não aceitava o fim do relacionamento. Ele a atacou com facadas na frente dos filhos do casal. Esses são apenas alguns exemplos de milhões de casos de violência doméstica que ocorreram durante a pandemia COVID -19 no Brasil. Infelizmente, muito casos semelhantes não são relatados ou investigados adequadamente. É essencial que as autoridades estejam atentas e trabalhem para prevenir e punir a violência doméstica. O governo brasileiro reconheceu a violência doméstica como um problema emergencial de saúde pública e tomou várias medidas para enfrentar o problema durante a pandemia. Em março de 2020, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) lançou uma campanha nacional de conscientização do combate à violência doméstica. A campanha enfatizou a importância de denunciar a violência e forneceu informações sobre como obter ajuda em situações de angústia. É importante destacar que as mulheres são as principais vítimas. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, houve um aumento de 40,9% nos casos de feminicídio no primeiro semestre de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019. Além disso, o número de ligações para o Ligue 180, canal de denúncias de violência contra a mulher, aumentaram em 36%, entre março e abril de 2020, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados representam apenas uma parte do problema, pois muitas mulheres não denunciam as agressões sofridas. É importante destacar que a violência doméstica não é um problema novo, mas a pandemia COVID-19 pode ter exacerbado o problema, expondo a necessidade de um esforço conjunto para combater a violência doméstica e garantir a segurança das mulheres. O aumento da violência doméstica durante a pandemia, não foi um problema exclusivo do Brasil, mas uma tendência global. Em muitos países, a imposição de medidas de isolamento social e um convívio maior com seus parceiros ocasionaram o aumento da violência, especialmente contra mulheres e crianças. Em alguns lugares, como na Índia e no Reino unido, houveram um aumento de mais de 30% nas chamadas para serviços de apoio a vítimas de violência doméstica durante o período de lockdown. E os números são alarmantes, em todo o mundo. Quando se fala em violência doméstica, precisa-se entender que violência não é caracterizada somente por agressões físicas. Segundo a Lei Maria da Penha - n° 11.340/06 são formas de violência contra a mulher à violência física, psicológica, sexual, a patrimonial e a moral. A Lei nº 11.340/06 define cada uma como: Violência psicológica. A violência psicológica é uma forma de abuso que pode ser tão destrutiva quanto a violência física. Ela ocorre quando uma pessoa é constantemente submetida a comportamentos que minam a auto estima da mulher, segurança e bem estar emocional. Essa forma de violência pode ser manifestada de várias maneiras, quando o agressor despeja críticas diárias, controle excessivo, manipulação emocional, humilhação pública, chantagem emocional, isolamento social, entre outras. A violência física pode afetar não só as mulheres vítimas violência, mas pessoas de todas as idades, gêneros e culturas. Ela ocorre em relacionamentos íntimos, na família, trabalho, escolas ou em qualquer outro ambiente. Os efeitos podem ser devastadores e duradouros. As vítimas se sentem desvalorizadas, sem confiança em si mesmas, ansiosas, deprimidas e até mesmo, correm o risco de desenvolver problemas de saúde mental. Em alguns casos, as vítimas de violência psicológica não reconhecem o abuso ou relutam em denunciar por medo das consequências e falta de apoio. É importante reconhecer que a violência psicológica é uma forma de violência e que ninguém merece ser submetido a ela. É importante buscar ajuda e apoio para lidar com os efeitos do abuso e para interromper o ciclo de violência. O combate à violência psicológica requer um esforço coletivo, incluindo medidas legais, políticas públicas, campanhas de conscientização e educação. As mulheres são frequentemente alvo de violência psicológica em todo o mundo, e essa forma de abuso, acaba sendo uma questão de gênero comum. As mulheres são mais vulneráveis a violência psicológica devido a muitos fatores, um deles inclui a desigualdade de gêneros, discriminação e a falta de acesso aos recursos necessários para se protegerem e buscar a ajuda necessária. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma em cada três mulheres em todo o mundo sofre violência psicológica em algum momento de suas vidas. Além disso, muitas mulheres não reconhecem que estão sendo abusadas, o que pode dificultar a obtenção de ajuda e proteção. A mulher vítima, acaba desenvolvendo efeitos em sua saúde mental, incluindo ansiedade, depressão, distúrbios alimentares, distúrbios do sono e outras condições psicológicas que afetam negativamente sua qualidade de vida. É de extrema importância que as autoridades em conjunto com a sociedade e as instituições de apoio a mulher, trabalhem juntos para combater a violência psicológica que atinge milhares de mulheres em todo o mundo. Através de campanhas de conscientização, programas educacionais. Educação sobre gênero, fortalecimento de leis de proteção e penalização dos agressores e manter o fornecimento dos serviços de apoio e proteção cada vez mais amplos para as maiores vítimas da violência psicológica, mulheres. Violência Sexual. A violência sexual contra mulheres é uma forma grave de abuso que afeta milhões de mulheres em todo o mundo. A violência sexual pode ocorrer em diferentes contextos, incluindo em relacionamentos pessoais, em ambientes de trabalho, espaços públicos, como ruas e transportes públicos. A violência pode incluir diferentes tipos de comportamentos, como o estupro, coerção sexual, assédio sexual, exploração sexual e tráfico sexual. As vítimas,geralmente lidam com traumas psicológicos graves, incluindo ansiedade, depressão, distúrbios mentais, problemas de relacionamento e outros demais problemas de saúde. Um caso de violência sexual muito comentado no ano de 2020, conhecimento como O caso de Harvey Weinstein, um produtor de cinema de Hollywood que foi condenado por agressão sexual e estupro. Weinstein foi acuso por mais de 80 mulheres de abuso sexual ao longo de décadas, e o caso levou um movimento global de denúncias. Conhecido como #MeToo, o movimento surgiu em forma de hashtag em redes sociais e movimentou o mundo. O caso de Weinstein é apenas um exemplo de muitos outros casos de violência sexual que ocorrem pelo o mundo, muitos dos quais nunca são denunciados e punidos. É importante que a sociedade trabalhe para combater esse tipo de violência. Assim como a hashtag criada, com tamanha proporção, logo chamou a atenção internacional. A violência sexual contra as mulheres teve um aumento durante a pandemia COVID-19. O isolamento social, o aumento do convívio com companheiros agressivos, a falta de serviços de apoio, podem ter contribuído para esse aumento em todo o mundo. De acordo com a Organização das Nações Unidades (ONU), em alguns países, as chamadas para linhas de apoio às vítimas de violência sexual aumentaram em até 300% durante a pandemia. A restrição de movimento e a necessidade de distanciamento social, tornaram situação cada mais difíceis de serem vividas. Violência Física. A violência física, é entendida como qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher. A violência física contra as mulheres é uma forma de violência de gênero que afeta desproporcionalmente as mulheres em todo o mundo. Estudos mostram que as mulheres são mais propensas a serem vítimas de violência física em comparação com os homens, e a maioria dos agressores são do sexo masculino. Durante a pandemia de COVID-19, houve um aumento alarmante nos casos de violência física contra mulheres em todo o mundo. A violência, pode levarem as vítimas a danos físicos, permanentes, incluindo lesões corporais, desfiguração e até mesmo a morte. Além disso, a violência física pode ter diversos outros efeitos douradores, como ansiedade, casos graves de depressões profundas. Um exemplo, o caso do DJ Ivis, cujo nome é Iverson de Souza Araújo, ganhou grande repercussão no Brasil em julho de 2021. O DJ foi acusado de agredir fisicamente a sua ex- esposa. Na época foram divulgadas na internet para o Brasil e mundo, as imagines das agressões, que teriam ocorrido diversas vezes ao longo do relacionamento de Pamela e DJ ivis, que durou cerca de três anos. As imagens chocantes mostram o DJ, dando socos, chutes e empurrões em Pamela, que tenta se defender. Além disso o DJ, ameaçava a vítima e sua família. Após a divulgação das imagens e toda comoção da internet e mídia o DJ foi preso e indiciado por lesão corporal, ameaça e injúria. O caso gerou grande repercussão no Brasil e gerou diversos debates sobre a violência doméstica e física contra as mulheres. Mulheres pelo Brasil inteiro compartilharam em suas redes sociais suas próprias histórias de violência e pediram por medidas mais efetivas para protegerem as vítimas de violências físicas, prestaram também apoio a Pamela naquele momento tão delicado. Além disso, o caso também levantou discussões sobre a cultura do machismo e da violência cometida contra a mulher no Brasil. A sociedade brasileira tenta avençar na luta contra a violência de gênero. O caso do DJ Ivis, é um lembrete importante, de que denunciar a violência sofrida dentro de casa é preciso. É fundamental que a sociedade como todo trabalhe para prevenir cada vez mais casos como esse pelo Brasil e mundo. Violência Patrimonial. A violência patrimonial é um tipo de violência doméstica que pode ser menos visível do que as outras formas de violência, como a física e sexual. Isso acontece porque muitas vezes a violência patrimonial não deixa marcas físicas evidentes e acaba sendo mais difícil de ser percebida por pessoas de fora do ciclo familiar. Além disso, a violência patrimonial pode ser confundida com outras formas de controle financeiro, como a gestão controlada de finanças domésticas ou a destruição desigual de recursos entre os membros da família, o que pode dificultar a identificação da violência patrimonial. No caso, a violência patrimonial é um tipo de violência doméstica que ocorre quando a pessoa exerce total controle abusivo sobre o patrimônio de outra pessoa. Isso pode incluir apropriação indébita de bens, destruição de propriedade, proibição do uso de bens e recursos financeiros, entre diversas outras formas... Algumas das formas mais comuns de violência patrimonial incluem: 1. Controle financeiro: O agressor pode controlar as finanças da vítima, limitando o acesso dela ao seu próprio dinheiro ou exigindo que ela peça permissão para gastar. 2. Apropriação indébita: O agressor pode roubar ou se apropriar de bens da vítima, como dinheiro, joias, eletrodomésticos, carros etc... 3. Desqualificação: O agressor pode diminuir o valor dos bens da vítima, depreciando suas posses ou questionando sua capacidade de tomar decisões financeiras. A violência patrimonial é uma forma de violência que pode afetar a vida das pessoas de maneira significativa, causando estresse financeiro, perda de bens e recursos, além de afetar a auto estima da vítima e a independência financeira das vítimas. Um dos fatos que contribuem com a invisibilidade da violência patrimonial, é o fato de que as vítimas se sentem envergonhadas ou culpadas por tal situação, ou têm medo de compartilhar determinada situação com outras pessoas, o que muitas vezes pode dificultar a denúncia e a busca por ajuda. Violência Moral. A violência moral pode ser um componente da violência doméstica, que é um padrão de comportamento abusivo que ocorre dentro de um relacionamento íntimo, incluindo casamento, namoro, união estável, entre outros. Na violência doméstica, a violência moral pode ser uma forma de controle emocional do agressor sobre a vítima, e pode ocorrer justamente com outras formas de violência, física, sexual, patrimonial etc... No caso da violência moral doméstica, o agressor pode utilizar a humilhação, a desvalorização, o isolamento social, a intimidação, a difamação e outras formas de comportamentos abusivos para controlar a vítima e impor sua vontade. O objetivo do agressor é causar dano emocional e psicológico a vítima, diminuindo sua autoestima, confiança e independência. A violência moral é um tipo de violência que se caracteriza pela exposição da vítima a situações humilhantes, vexatórias e constrangedoras que visam a desvalorização da sua autoestima e integridade psicológica. Violência de gêneros, violência contra a mulher e aspectos conceituais. A violência de gênero é uma forma específica de violência contra a mulher que ocorre devido à discriminação baseada no gênero, ou seja, pela condição de ser mulher em uma sociedade patriarcal. Essa violência é uma manifestação da desigualdade entre homens e mulheres e está presente em diferentes esferas da vida, como na família, no trabalho, na escola, na rua e em outras situações sociais. A violência de gênero se manifesta em diferentes casos de diversas formas, como física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Na violência física, o agressor utiliza força física para machucar a mulher, causando lesões corporais, mutilações ou até a morte. A violência psicológica é a que afeta a saúde mental da mulher, incluindo ameaças, humilhações, isolamento, chantagem emocional e outros comportamentos que causam sofrimento. A violência sexual é caracterizada pela violação da liberdade sexual da mulher, seja através de coerção, ameaças ou violência física. A violência patrimonial é aquela em que o agressor controla o acesso da mulher aos bens materiais, financeiros e patrimoniais, como por exemplo impedindo o acesso a contas bancárias ouexigindo que ela abra mão de seus bens. Já a violência moral é a que prejudica a reputação da mulher, através de difamação, calúnia, ou qualquer outro comportamento que a exponha ao ridículo ou à vergonha. O combate à violência de gênero é uma questão de direitos humanos e de justiça social. É fundamental que as mulheres sejam protegidas e amparadas diante de todas as formas de violência e discriminação baseadas no gênero. A violência de gênero tem ligação com patriarcado excessivo exposto por nossa sociedade, homens tendem a sentirem suas companheiras como posse e desde de a pandemia até agora os casos de feminicídio, tiveram um aumento crescente. Feminicídio contra a mulher. O termo feminicídio foi criado nos anos 1970 pela ativista feminista americana Diana Russell, para se referir aos casos de assassinatos de mulheres por parceiros ou ex-parceiros, que são marcados por uma violência extrema e brutalidade. No entanto, o termo só foi oficialmente adotado no Brasil em 2015, quando foi aprovada a Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015), que incluiu o crime de feminicídio no Código Penal Brasileiro. A lei brasileira que foi aprovada em março de 2015, e entrou em vigor em março do mesmo ano. Ela foi criada para criminalizar o assassinato de mulheres em razão de gênero, reconhecendo a gravidade e a especificidade da violência contra as mulheres. A lei define o feminicídio como "o assassinato de uma mulher cometido por razões da condição de sexo feminino", e estabelece que o crime é hediondo, ou seja, é considerado um dos mais graves do ordenamento jurídico brasileiro. Além disso, a lei prevê pena de reclusão de 12 a 30 anos para os casos de feminicídio, que podem ser aumentadas em algumas circunstâncias, como quando o crime for cometido na presença de familiares da vítima, quando a vítima é menor de 14 anos ou maior de 60 anos, ou quando o crime é praticado com o uso de arma de fogo. A lei também prevê agravantes para casos de violência doméstica e familiar, abuso sexual, gravidez, entre outros. A ideia é reconhecer que o feminicídio é uma forma extrema de violência de gênero, que precisa ser combatida de forma mais efetiva. O feminicídio é considerado um dos crimes mais graves contra a mulher, pois revela a persistência de uma cultura de violência de gênero e a desigualdade entre homens e mulheres. Além disso, o feminicídio é um indicador da violência estrutural e sistêmica contra as mulheres, que se manifesta de diversas formas, como o assédio sexual, a violência doméstica, o tráfico de mulheres, entre outras. A luta contra o feminicídio envolve a mobilização de diversos atores sociais, como o Estado, a sociedade civil, os movimentos feministas, a academia, entre outros. É importante que a sociedade em geral se conscientize sobre a gravidade e a extensão do feminicídio, e que haja um comprometimento efetivo das instituições e organizações em prevenir e combater a violência de gênero. A luta contra o feminicídio é uma luta por direitos humanos, pela igualdade de gênero e pelo fim da violência contra as mulheres. Capítulo II – A importância do Assistente Social no contexto da violência contra a mulher. Segundo a teoria feminista, a violência contra a mulher é resultado da subordinação e desigualdade de gênero, sendo uma expressão da relação de poder patriarcal e existente na sociedade. Segundo Madeira; Costa (2012) A violência contra mulher é determinada por aspectos sociais e culturais que definem e legitimam lugares, direitos, deveres e papéis diferenciados para mulheres e homens, embasando a desigualdade de gênero presente historicamente na sociedade contemporânea. (p.87) Nesse sentido, o assistente social deve atuar na defesa dos direitos das mulheres e na promoção da equidade de gênero, por meio de ações de prevenção, intervenção e garantia de direitos. Uma das principais atribuições do assistente social no contexto da violência contra a mulher é o acolhimento e atendimento das vítimas, oferecendo suporte emocional, orientações jurídicas e encaminhamentos para serviços especializados de saúde, assistência social e segurança pública. Esse trabalho é realizado de forma ética, humanizada e empática, respeitando a autonomia e a privacidade das mulheres atendidas. Além disso, o assistente social tem como responsabilidade a elaboração e implementação de políticas públicas voltadas para a prevenção e enfretamento da violência contra a mulher, em parceria com outros profissionais e setores da sociedade. É necessário que as políticas sejam elaboradas a partir da escuta e participação das mulheres, considerando suas necessidades e demandas específicas. É importante destacar que os assistentes sociais enfrentam diversos desafios e limitações na abordagem da violência contra a mulher. Um dos principais é a falta de recursos financeiros e humanos, o que dificulta o atendimento e o acompanhamento das mulheres em situação de violência. Além disso, muitas vezes o assistente social não possui uma formação específica na área de gênero e violência, o que pode limitar sua atuação e compreensão das complexidades dessas questões. Outro desafio é a dificuldade em estabelecer parcerias e redes de proteção efetivas para as mulheres em situação de violência, envolvendo diferentes atores sociais, como o sistema de justiça, a saúde, a educação e as organizações da sociedade civil. A falta de articulação entre esses setores pode prejudicar a identificação e o encaminhamento adequado das mulheres em situação de violência. Para superar esses desafios e limitações, é necessário investir na formação e capacitação dos assistentes sociais, garantindo uma abordagem qualificada e sensível à questão de gênero e violência. Além disso, é importante garantir a ampliação dos recursos financeiros e humanos, para que o atendimento e o acompanhamento das mulheres em situação de violência possam ser efetivados. Outra estratégia importante é a articulação entre diferentes atores sociais e a construção de redes de proteção e enfrentamento à violência contra a mulher. Isso pode ser feito através da criação de protocolos de atendimento e encaminhamento, da realização de campanhas de conscientização e prevenção da violência e da garantia de uma maior participação da sociedade civil nas políticas públicas. Por fim, é importante ressaltar a importância da sensibilização da sociedade como um todo para a questão da violência contra a mulher. A luta pelo fim dessa violência deve ser uma responsabilidade coletiva, e o assistente social tem um papel fundamental nesse processo, atuando na conscientização e mobilização da sociedade para a erradicação dessa violência. 2.1 Teoria Feminista. A teoria feminista se desenvolveu a partir do movimento feminista, que ganhou força na década de 1960 nos Estados Unidos e na Europa. Desde então, a teoria feminista se expandiu e se diversificou em várias correntes, cada uma com suas próprias abordagens, teóricas e objetivos. A teoria feminista é um campo de estudo que se concentra em entender e desafiar as desigualdades de gênero na sociedade. Ela se baseia na ideia de que as mulheres têm sido historicamente subordinadas aos homens, e que a luta pelos direitos das mulheres é uma luta por justiça social e tem sido fundamental em todo o mundo. Ela influenciou políticas públicas, legislações e mudanças culturais. 2.2 A teoria prática do Serviço Social na violência contra a mulher. A teoria do serviço social tem sido aplicada ao estudo da violência contra a mulher de diferentes maneiras. A violência de gênero é uma questão central para a profissão do serviço social, já que as mulheres representam a maioria das pessoas que buscam assistência social e os assistentes sociais muitas vezes trabalham com mulheres que são vítimas de violência. Para o Serviço Social, a abordagem da violência contra a mulher requer uma compreensão crítica das relaçõesde gênero e uma intervenção pautada nos direitos humanos e na defesa dos interesses das mulheres em situação de violência (NETTO; BRAVO, 2011, p. 129). Uma das principais contribuições do serviço social para o estudo da violência contra as mulheres é a sua abordagem interdisciplinar e crítica, que incorpora uma compreensão dos fatores sociais, culturais, econômicos e políticos que contribuem para a violência de gênero. Essa perspectiva ajuda a compreender como as relações de poder e dominação influenciam a violência contra as mulheres e as formas como as instituições sociais, como a família, o Estado e o sistema jurídico, lidam com a violência. O serviço social também enfatiza a importância da prática baseada em evidências e da intervenção em rede para combater a violência contra as mulheres. Os assistentes sociais trabalham em conjunto com outras profissões e instituições, como a polícia, o sistema de saúde, organizações da sociedade civil e grupos de mulheres, para fornecer serviços de proteção, apoio emocional, aconselhamento e encaminhamentos. Além disso, a teoria do serviço social também destaca a importância da participação ativa das mulheres no processo de tomada de decisão e no desenvolvimento de políticas e práticas que visam combater a violência de gênero. A perspectiva de empoderamento e o diálogo crítico são fundamentais na abordagem do serviço social para a violência contra as mulheres. Assim, a teoria do serviço social pode fornecer uma base teórica sólida para a compreensão da violência contra as mulheres e a construção de práticas profissionais mais efetivas e baseadas em evidências para a prevenção e intervenção na violência de gênero. 2.3 Prática Profissional do assistente social no contexto da violência contra a mulher. A prática do assistente social é o exercício profissional voltado para a intervenção em diferentes áreas e contextos com o objetivo de garantir direitos e melhorar as condições de vida de pessoas, grupos e comunidades em situação de vulnerabilidade social. (IAMAMOTO; CARVALHO, 2011, p. 96). A prática do Serviço Social é uma atividade complexa e multidimensional, que requer uma formação sólida e atualizada, bem como uma constante reflexão crítica sobre a realidade social e as demandas colocadas pelos usuários e pela sociedade em geral. Nesse sentido, a prática do Serviço Social deve ser pautada pelos valores éticos e pelos princípios teórico-metodológicos que orientam a profissão, visando sempre à promoção da autonomia e dos direitos dos sujeitos sociais com os quais se trabalha. É possível destacar que o assistente social desempenha um papel crucial na prevenção, intervenção e combate à violência de gênero. No âmbito da prevenção, o assistente social pode desenvolver ações educativas e de conscientização sobre a violência contra a mulher, promovendo a igualdade de gênero e a não-violência como valores fundamentais da sociedade. Essas ações podem ser realizadas em diferentes espaços sociais, como escolas, empresas, organizações comunitárias, entre outros. Na intervenção, o assistente social pode atuar em conjunto com outras instituições e profissionais para garantir a proteção e a segurança das mulheres que estão em situação de violência. Isso inclui o acompanhamento psicossocial, a orientação jurídica e a oferta de serviços de saúde. Por fim, no combate à violência contra a mulher, o assistente social pode ser um importante agente de mudança social, contribuindo para o fortalecimento de políticas públicas que promovam a igualdade de gênero e o enfrentamento à violência. Além disso, pode também participar de movimentos sociais e coletivos que lutam pelos direitos das mulheres e pelo fim da violência de gênero. Assim, a teoria do serviço social pode ser aplicada de forma efetiva na prática profissional do assistente social no contexto da violência contra a mulher, proporcionando uma atuação crítica, reflexiva e comprometida com a transformação social e a garantia dos direitos humanos das mulheres. É importante destacar que a violência contra a mulher é um problema estrutural e complexo, que está relacionado com as desigualdades de gênero e estar presente em nossa sociedade. Nesse sentido, a atuação do assistente social deve levar em consideração a perspectiva feminista e a crítica ao patriarcado, que é o sistema social que legitima e perpetua a violência de gênero. Para isso, é fundamental que o assistente social tenha uma formação sólida em gênero, feminismo e direitos humanos, além de estar atualizado sobre as políticas públicas e a legislação que garantem os direitos das mulheres. É preciso também ter sensibilidade e acolhimento para atender as mulheres em situação de violência, garantindo a confidencialidade e a privacidade no atendimento. Por fim, é necessário ressaltar que a atuação do assistente social no contexto da violência contra a mulher é uma ação interdisciplinar, que envolve o trabalho em rede com outros profissionais e instituições. É importante, portanto, o estabelecimento de parcerias e o trabalho em conjunto para garantir uma intervenção efetiva e comprometida com a proteção e a promoção dos direitos das mulheres em situação de violência. 2.4 A importância do trabalho em rede na intervenção do assistente social em casos de violência contra a mulher. O trabalho em rede é fundamental para a prática do assistente social na intervenção com indivíduos, grupos e comunidades em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Isso porque, para atender às necessidades desses grupos, é necessário um olhar interdisciplinar e a cooperação entre diferentes profissionais e instituições. As atividades em rede são fundamentais na abordagem da violência contra as mulheres, pois permitem uma troca de informações e a coordenação de ações para prevenir e enfrentar essa violência. Além disso, a atuação conjunta de diferentes profissionais e instituições pode contribuir para uma abordagem mais completa e efetiva, que levam em consideração as necessidades específicas das mulheres em situação de violência. Entre os profissionais, destacam-se os assistentes sociais, que têm como função identificar as necessidades e demandas das mulheres em situação de violência, promover ações de acolhimento e orientação, e encaminhá-las para os serviços necessários. Além disso, os psicólogos, médicos e enfermeiros são importantes para o atendimento e cuidado da saúde física e mental das mulheres. Já os advogados e defensores públicos são fundamentais para garantir o acesso das mulheres aos seus direitos e à justiça. No âmbito institucional, os centros de referência de assistência social e as casas-abrigo são essenciais para oferecer apoio e proteção às mulheres em situação de violência. As organizações não-governamentais também desempenham um papel da intervenção importante ao oferecer serviços de orientação, capacitação e mobilização comunitária para a prevenção e o enfrentamento da violência. Por fim, os juízes, promotores e delegados de polícia são responsáveis por garantir a aplicação da lei e punir os agressores. A intervenção do assistente social é um processo sistemático e planejado que busca promover mudanças na vida dos indivíduos, grupos e comunidades em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Essa intervenção pode envolver diferentes estratégias, como a mobilização e participação da comunidade, a orientação e encaminhamento para serviços e recursos disponíveis, a realização de visitas domiciliares e o acompanhamento psicossocial. O objetivo principal da intervenção do assistente social é promover a autonomia e o bem-estar dos sujeitos envolvidos, garantindo o acesso a direitos e recursos que possam contribuir para a superação das dificuldades enfrentadas. A intervenção deve ser pautada pelos princípios éticos e políticos da profissão, buscando sempre respeitar as singularidades e necessidades de cada pessoae grupo atendido. 2.5 O impacto da violência contra a mulher na saúde mental: a atuação do Assistente Social na promoção da saúde integral. O impacto da violência contra a mulher na saúde mental é um tema importante a ser abordado na prática profissional do Assistente Social no contexto da violência de gênero. A violência pode causar diversos danos à saúde mental das mulheres, incluindo transtornos de ansiedade, depressão, estresse pós-traumático, entre outros. Nesse caso, o Assistente Social tem um papel fundamental na promoção da saúde mental das mulheres em situação de violência, através da oferta de um acolhimento empático e humanizado, que valorize a singularidade e as necessidades individuais de cada mulher. Além disso, o Assistente Social pode contribuir para a identificação e prevenção de agravos à saúde mental das mulheres vítimas de violência, através da realização de avaliações e encaminhamentos para atendimento psicológico e psiquiátrico, quando necessário. Outro aspecto importante é o trabalho em rede, como já citado anteriormente, que pode ser fundamental para garantir um atendimento integral e integrado às mulheres em situação de violência, incluindo serviços de saúde mental, como psicólogos e psiquiatras, bem como outros serviços de proteção e atendimento, como delegacias especializadas, Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), entre outros. Com tudo, também é falado sobre saúde mental e principalmente a saúde mental de mulheres que já presenciaram algum tipo de violência contra a si mesma. A violência presenciada pela vítima (mulher), pode ter um impacto significativo em sua saúde mental. A exposição à violência pode causar estresse, ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático, além de outros problemas de saúde mental. Muitas mulheres que sofrem violência ou já sofreram possuem o medo de falar sobre o que estão passando e de buscar ajuda, o que pode e acabam agravando os problemas de saúde mental. É válido ressaltar que cada mulher é única e pode reagir de maneira diferente aos traumas. Algumas mulheres podem ser capazes de lidar com esses eventos sem sofrer consequências de longo prazo, enquanto outras podem enfrentar problemas de saúde mental significativos. É fundamental buscar ajuda profissional se os sintomas persistirem ou se interferirem na vida cotidiana. É importante deixar claro que o trauma pode afetar todos os aspectos da vida da mulher e que cada pessoa pode ter necessidades diferentes em termos de tratamento e apoio. É fundamental que as mulheres que passaram por traumas recebam apoio adequado e que os serviços de saúde mental sejam acessíveis, inclusivos e culturalmente responsivos para atender às necessidades de todos os grupos de mulheres. Capítulo III- A ética na atuação do Assistente Social na violência contra a mulher. A ética do assistente social é uma parte fundamental da prática profissional, pois orienta e define as diretrizes que devem ser seguidas no trabalho com os clientes e comunidades atendidas. Na prática, os assistentes sociais são frequentemente confrontados com desafios éticos que exigem a aplicação de seus valores e princípios éticos. Um dos exemplos mais comuns de desafios éticos enfrentados pelos assistentes sociais é a necessidade de equilibrar a privacidade do cliente com a obrigação de relatar abuso ou negligência. Os assistentes sociais devem garantir que a privacidade e confidencialidade do cliente sejam protegidas, mas também têm a responsabilidade legal de denunciar casos de abuso ou negligência. Nesses casos, é importante que o assistente social discuta as opções disponíveis com o cliente e tome medidas para garantir que o cliente esteja ciente das implicações de cada decisão. Outro exemplo de desafio ético enfrentado pelos assistentes sociais é a necessidade de equilibrar a autonomia do cliente com a obrigação de proteger o bem-estar do cliente. Por exemplo, se um cliente com uma condição de saúde mental grave se recusa a procurar tratamento, o assistente social pode sentir a pressão de intervir e tomar medidas para proteger o bem-estar do cliente. No entanto, o assistente social também deve respeitar a autonomia do cliente e envolvê-lo ativamente no processo de tomada de decisão. Os assistentes sociais trabalham com clientes de diferentes origens e culturas, o que pode apresentar desafios éticos adicionais. É importante que o assistente social reconheça as diferenças culturais e sejam sensíveis às perspectivas e crenças de seus clientes. Eles também devem garantir que suas próprias crenças e valores pessoais não influenciem seu trabalho com os clientes. A ética do assistente social é importante principalmente na maneira em como ele se relaciona com a comunidade em geral. O profissional deve ser transparente e responsável em suas práticas e se esforçar para manter a confiança e respeito daqueles que servem. Ele deve ser capaz de trabalhar em parceria com a comunidade para entender suas necessidades e ajudar a desenvolver soluções eficazes para os desafios que enfrentam. 3.1 Moral e Ética no Serviço Social. Moral e ética são conceitos interligados que têm grande importância no serviço social. A moral refere-se às normas, valores e princípios que governam o comportamento humano em uma sociedade, enquanto a ética refere-se ao estudo dessas normas e princípios, bem como à aplicação desses valores na prática profissional. O Barroco aborda a moral e a ética na profissão de serviço social, e define a moral como um conjunto de princípios, valores e normas que guiam o comportamento humano. Em outras palavras, a moral refere-se aos padrões e valores que regem a conduta das pessoas em relação ao que é certo e errado, bom e mau, justo e injusto. Para o Barroco, a moral é fundamental para a prática do serviço social, pois orienta a tomada de decisões e as ações dos assistentes sociais em relação aos clientes e à sociedade em geral. ....] a relação entre a ação profissional do indivíduo singular (derivado de determinado comportamento prático objetivado de decisões, escolhas, juízos e ações de valor moral), os sujeitos nela envolvidos (usuários, colegas, etc.) e o produto concreto da intervenção profissional (avaliado em função de suas consequências éticas, da responsabilidade profissional, tendo por parâmetros valores e referenciais dados pela categoria profissional, como o Código de Ética, etc. (BARROCO, 2009, p. 175) A ética profissional, por sua vez, tem como objetivo estabelecer os princípios, valores e normas que orientam o comportamento dos assistentes sociais em sua prática profissional. Em outras palavras, a ética profissional busca definir as responsabilidades e deveres do assistente social em relação aos clientes, à sociedade e à sua profissão como um todo, garantindo a conduta ética e a integridade do profissional. como a ação moral, através da prática profissional, como normatização de deveres e valores, através do Código de Ética Profissional, como teorização ética, através das filosofias e teorias que fundamentam sua intervenção e reflexão e como ação ético-política. (BARROCO, 2009, p. 175). De acordo com Barroco (2010), historicamente a profissão de Serviço Social era considerada uma profissão "feminina" e de cunho católico. Nas primeiras escolas de Serviço Social, apenas mulheres ingressavam, e essas mulheres eram influenciadas pelo pensamento conservador da Igreja Católica e da classe dominante. Do ponto de vista moral, é preciso ter em mente que a violência contra as mulheres é inaceitável e constitui uma violação dos direitos humanos. Assim, é necessário que os profissionais de Serviço Social atuem com a ética e moral da profissão no sentido de desconstruir a cultura patriarcal e machista que naturaliza a violência contra as mulheres, e que sejam sensíveis às diversas formas de violência que as mulheres podem sofrer, incluindo a violência psicológica, sexual, física e patrimonial.O trabalho com as mulheres deve ser pautado pelo respeito à sua autonomia e pela promoção da sua emancipação, para que possam exercer plenamente seus direitos e viver em condições de igualdade e liberdade. 3.2 O enfrentamento à violência contra a mulher como questão ética e política: a atuação do Assistente Social no fortalecimento dos direitos humanos. O enfrentamento à violência contra a mulher é uma questão ética e política, pois envolve não só o combate a uma prática violenta e injusta, mas também a promoção da igualdade de gênero e da não discriminação. Essa luta é um compromisso ético e político do Assistente Social, que deve atuar de forma comprometida e engajada na defesa dos direitos humanos e na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A atuação do assistente social é fundamental no fortalecimento dos direitos humanos, uma vez que a profissão tem como objetivo principal promover a igualdade social e o acesso aos direitos, bem como lutar contra as desigualdades e exclusões sociais. O assistente social em seus diversos campos de atuação pode atuar na saúde, educação, justiça, entre outros, e tem como atribuição identificar e denunciar violações aos direitos humanos, bem como desenvolver ações para garantir a sua efetivação. Uma das principais formas de atuação do assistente social na promoção dos direitos humanos é por meio do trabalho de conscientização e mobilização da população sobre a importância da garantia desses direitos. O profissional pode realizar atividades de educação em direitos humanos, como palestras, oficinas e grupos de discussão, para sensibilizar e capacitar as pessoas a identificar situações de violação de direitos e a buscar meios de denunciá-las. Além disso, o assistente social pode atuar na garantia dos direitos humanos por meio da prestação de serviços sociais diretos, como o atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade, a orientação jurídica, o acompanhamento psicossocial, a garantia do acesso a políticas públicas e a mediação de conflitos. Outra importante atuação do assistente social na defesa dos direitos humanos é a participação em movimentos sociais, fóruns e conselhos que lutam pela garantia desses direitos. Através desses espaços, o profissional pode articular ações coletivas, denunciar violações e pressionar as autoridades para que sejam tomadas medidas para a efetivação dos direitos humanos. Pode se afirmar que o assistente social tem um papel fundamental no fortalecimento dos direitos humanos, atuando na denúncia e prevenção das violações, na mobilização e conscientização da população, na garantia do acesso a serviços e políticas públicas, na mediação de conflitos e na articulação de ações coletivas em defesa desses direitos. 3.3 Direitos humanos. A história dos direitos humanos remonta ao século XVIII, com a Declaração de Independência dos Estados Unidos e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão na França. No entanto, foi apenas após a Segunda Guerra Mundial e os horrores do Holocausto que a comunidade internacional percebeu a necessidade de estabelecer normas internacionais para proteger os direitos humanos. Os direitos humanos se tornam um conjunto de garantias universais, inalienáveis e inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, etnia, gênero, orientação sexual, religião, nacionalidade ou qualquer outra condição social. Esses direitos são protegidos por leis e tratados internacionais e têm como objetivo assegurar a dignidade e o respeito à vida de todas as pessoas. Podemos dividir os direitos humanos em diferentes categorias, como os direitos civis e políticos, que incluem a liberdade de expressão, a liberdade de religião, o direito à vida, o direito ao devido processo legal e a proteção contra a tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. Também há os direitos econômicos, sociais e culturais, que incluem o direito ao trabalho, o direito à saúde, o direito à educação e o direito à moradia. Os defensores dos direitos humanos são pessoas e organizações que trabalham para garantir que esses direitos sejam protegidos e respeitados. Eles lutam contra a discriminação, a violência, a injustiça e a desigualdade e promovem a igualdade, a justiça e a liberdade para todos, podemos citar o assistente social como um dos profissionais que trabalham com os direitos humanos lado a lado. O trabalho desses profissionais defensores é essencial para a proteção e a promoção dos direitos humanos em todo o mundo. Os direitos humanos também são protegidos por leis nacionais e pela jurisprudência dos tribunais. No entanto, a proteção dos direitos humanos é um desafio constante, pois ainda existem muitas violações desses direitos em todo o mundo, como a discriminação racial, a violência de gênero, a tortura, a prisão arbitrária e a falta de acesso aos serviços básicos de saúde e educação. 3.4 Questão Social A questão social é um fenômeno que surgiu no contexto da sociedade capitalista, marcado pela desigualdade social e pela exploração da classe trabalhadora. Ela se refere aos problemas e conflitos sociais decorrentes da desigualdade, da exclusão social, da pobreza, da falta de acesso a bens e serviços básicos, da violência, entre outros aspectos. É resultado da contradição entre as classes sociais, ou seja, entre os que possuem os meios de produção e os que vendem sua força de trabalho para sobreviver. Essa contradição se manifesta em diversas formas, como a exploração do trabalho, a exclusão social, a falta de acesso a serviços básicos como saúde e educação, a discriminação de gênero, raça e orientação sexual, entre outras. O Assistente Social é um dos profissionais que atuam na área da questão social, buscando identificar e compreender as expressões da questão social, bem como as condições e formas de enfrentamento desses problemas. O trabalho do Assistente Social consiste em analisar e intervir nas situações de desigualdade e exclusão social, buscando promover a garantia e ampliação de direitos sociais, a participação popular, a proteção social e o acesso aos serviços públicos. A questão social é uma das principais áreas de atuação do Assistente Social, que desenvolve um trabalho de análise e intervenção para a transformação das condições de vida da população, por meio do enfrentamento das desigualdades e da promoção de políticas públicas voltadas para a garantia de direitos. Entre as principais intervenções do Assistente Social na questão social, destacam-se a elaboração de projetos e programas sociais, o acompanhamento de famílias em situação de vulnerabilidade, o atendimento a pessoas em situação de rua, a orientação e acompanhamento de grupos de mulheres, crianças e adolescentes em situação de risco, entre outras ações. Acaba se tornando um desafio a questão social no Brasil em dias atuais. É um desafio para a sociedade como um todo, que deve se empenhar na busca de soluções para a garantia de direitos e da justiça social. O Assistente Social, como um agente transformador da realidade social, tem um papel importante na luta pela superação da questão social, por meio de sua atuação profissional comprometida com a defesa dos direitos humanos e da justiça social. 3.5 Ética, Igualdade de Gênero e Justiça Social Ética, igualdade de gênero e justiça social são valores fundamentais que caminham juntos na busca por uma sociedade mais justa, equitativa e inclusiva. Quando esses princípios são colocados em prática, criamos um ambiente em que todas as pessoas têm as mesmas oportunidades, direitos e dignidade, independentemente de seu gênero, orientação sexual, origem étnica, religião ou qualquer outra característica. A ética, como um guia moral, nos lembra da importância de agir de maneira responsável, consciente e compassiva. Ela nos encoraja a considerar o impacto de nossas ações no bem-estar dos outros e a tomar decisões baseadas na justiça e no respeito aos direitos humanos. Na busca pela igualdade de gênero, a ética nosimpulsiona a questionar e desafiar os estereótipos de gênero, bem como a combater a discriminação e a violência de gênero. Ela nos incentiva a promover relações igualitárias e respeitosas, onde todas as pessoas possam exercer sua autonomia e ter voz ativa na sociedade. A igualdade de gênero é um princípio que visa garantir que homens, mulheres e pessoas de outras identidades de gênero tenham os mesmos direitos, oportunidades e poder de decisão. Significa superar as desigualdades históricas e estruturais que afetam negativamente as mulheres e pessoas marginalizadas por questões de gênero. A igualdade de gênero promove o acesso igualitário à educação, ao emprego, à saúde, à participação política e a todas as esferas da vida social. É uma luta pela desconstrução de estereótipos, preconceitos e normas sociais opressivas que limitam o potencial humano. A justiça social está intrinsecamente ligada à ética e à igualdade de gênero. Ela busca a equidade na distribuição de recursos, oportunidades e benefícios na sociedade. Isso implica na superação das desigualdades socioeconômicas, étnicas, raciais e outras, bem como na garantia de direitos básicos para todos. A justiça social requer políticas e práticas que promovam inclusão, respeito à diversidade e acesso igualitário aos serviços essenciais. Ela envolve a defesa dos direitos humanos, a luta contra a discriminação e a busca por soluções coletivas para os problemas sociais Em termos éticos, a violência contra a mulher é inaceitável e contrária aos princípios de respeito, dignidade e não violência. A ética nos chama a agir de forma ética, consciente e compassiva, rejeitando qualquer forma de violência e buscando o bem-estar de todas as pessoas. Isso implica em denunciar e combater a violência de gênero, apoiar as vítimas e promover uma cultura de respeito e igualdade. Considerações finais. Este projeto teve como tema principal: PANDEMIA DA COVID-19: AUMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER E A IMPORTÂNCIA DO ASSISTENTE SOCIAL NESSE CONTEXTO. O objetivo central do seguinte trabalho foi explorar a relação entre a pandemia da COVID-19 e o aumento da violência contra a mulher, destacando a importância do assistente social nesse contexto. Em outras palavras, buscar compreender como a pandemia contribuiu negativamente para vida de milhares de mulheres pelo Brasil e mundo. A pandemia da COVID-19 afetou a vida de milhões de pessoas em todo o mundo, trazendo impactos sociais, econômicos e políticos sem precedentes. No contexto da violência contra a mulher, a pandemia também teve um efeito significativo, aumentando as taxas de violência de gênero em muitos países. Nesse cenário, o papel do assistente social se tornou ainda mais importante, já que esse profissional é essencial para garantir a proteção e o bem-estar das mulheres vítimas de violência. Ao longo deste trabalho, foi possível concluir que a pandemia da COVID-19 gerou um ambiente propício para o aumento da violência contra a mulher, em função de diversos fatores, como o isolamento social, o desemprego, o estresse e a ansiedade. Foi possível observar também que as políticas públicas adotadas para enfrentar a violência de gênero foram insuficientes para atender às demandas das mulheres nesse contexto. Nesse contexto, a atuação do assistente social se mostrou fundamental para garantir a proteção das mulheres vítimas de violência, como apresentado durante o trabalho proposto. Foi possível verificar que esse profissional tem um papel importante na prevenção e no combate à violência de gênero, atuando tanto na esfera pública quanto na esfera privada. Em muitos casos, o assistente social é o primeiro profissional a entrar em contato com a vítima de violência, e sua atuação pode ser decisiva para garantir a segurança e a proteção dessas mulheres. Diante disso o objetivo fundamental é que o assistente social esteja preparado para enfrentar os desafios impostos pela pandemia da COVID-19, adaptando suas práticas e estratégias de trabalho para atender às necessidades das mulheres vítimas de violência. É preciso investir em capacitação e formação profissional, garantindo que os assistentes sociais estejam preparados para lidar com as situações de violência que surgem em decorrência da pandemia. Outro aspecto importante do trabalho é que o assistente social tenha um olhar crítico e reflexivo sobre a realidade social em que está inserido, buscando compreender as causas da violência contra a mulher e as desigualdades de gênero que permeiam a sociedade. É preciso que esse profissional atue como agente transformador, buscando mudanças estruturais que possam contribuir para a construção de uma sociedade mais igualitária e justa. Por fim, é fundamental que sejam adotadas medidas efetivas para enfrentar a violência contra a mulher durante a pandemia da COVID-19 e no pós-pandemia. Isso inclui o fortalecimento das políticas públicas, diretos humanos, questões sociais e a proteção às mulheres, o investimento em serviços de atendimento e acolhimento, a ampliação das redes de proteção e o combate ao machismo e à cultura da violência de gênero. . REFERÊNCIAS ANDRADE, Aline Riccelli; VIEGAS, Cláudia Mara de Almeida Rabelo; DE SOUZA, Thalita Pereira. O impacto da violência doméstica na vida da mulher que exerce o trabalho remoto em tempos de pandemia de covid-19. Revista de Estudos Jurídicos UNA, v. 8, n. 2, p. 145-160, 2021. Blay, E. A. (2003). Violência contra a mulher e políticas públicas. Estudos avançados, 17, 87-98. COMPARATO, Fábio Konder. Fundamento dos direitos humanos. Cultura dos Direitos Humanos. São Paulo: Editora LTr, 1998. DAL PONTE, Fabiana. 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