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FILOSOFIA-E-DOCÊNCIA-NA-EDUCAÇÃO-INFANTIL

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1 
 
 
FILOSOFIA E DOCÊNCIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
1 
 
 
 
Sumário 
 
INTRODUÇÃO ......................................................................................... 3 
A EDUCAÇÃO INFANTIL E O SEU CONTEXTO HISTÓRICO ............... 4 
A IMPORTANCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA O 
DESENVOLVIMENTO........................................................................................ 9 
O PAPEL DO PROFESSOR NA EDUCAÇÃO INFANTIL ...................... 12 
COMPETÊNCIAS DO PROFESSOR PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL 16 
O TRABALHO COM O LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL ................ 25 
A IMPORTÂNCIA DE TRABALHAR O BRINCAR NA EDUCAÇÃO 
INFANTIL. ........................................................................................................ 29 
ASPECTOS LEGAIS E METODOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL: 
FILOSOFIA ....................................................................................................... 32 
FILOSOFIA PARA CRIANÇAS .............................................................. 36 
CONCLUSÃO ........................................................................................ 38 
REFERENCIA ........................................................................................ 39 
 
 
 
2 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
A Educação Infantil é entendida em amplo sentido, é na educação infantil 
que se podem englobar todas as modalidades educativas vividas pelas crianças 
pequenas na família e na comunidade, antes mesmo de atingirem a idade da 
escolaridade obrigatória. A Educação Infantil é uma das mais complexas fases 
do desenvolvimento humano, em seus diversos aspectos, tais como intelectual, 
emocional, social e motor. 
A importância do professor na educação infantil se reflete em toda a 
sociedade. Os educadores participam ativamente da formação dos cidadãos e 
desempenham um papel fundamental na difusão de conhecimentos científicos e 
desenvolvimento social das crianças. 
A educação infantil é essencial para a formação de sujeitos respeitosos, 
críticos e reflexivos. Nesse cenário, o professor atua em prol do processo de 
aprendizagem dos alunos, além de trabalhar questões relacionadas aos valores 
sociais e éticos. Dessa forma, os educadores trabalham com a transmissão de 
conhecimentos científicos e sociais, que favorecem a convivência em sociedade. 
Por esse motivo, o momento chamado de primeira infância deve contar 
com atividades e ferramentas que possibilitem o desenvolvimento sadio da sua 
identidade. Professores, escola e familiares devem atuar em parceria para 
auxiliar as crianças em seu processo educativo. 
Ao longo do ensino-aprendizagem, o educador equilibra o brincar e 
ensinar, tendo a sensibilidade para explorar o ambiente, a cultura, equipamentos 
e ferramentas ao seu redor para estimular a criatividade, a linguagem, a cognição 
e imaginação, Como também o uso da filosofia para esse desenvolvimento. 
A figura do professor na vida da criança ao longo do seu desenvolvimento 
é essencial para a o seu autoconhecimento, percepção crítica e construção dos 
relacionamentos interpessoais. Através das atividades realizadas em sala de 
4 
 
 
aula, os educadores participam do aprendizado infantil nas interações pelos 
ambientes escolares e extra sala. 
 
 
A EDUCAÇÃO INFANTIL E O SEU CONTEXTO 
HISTÓRICO 
 
 
 
No Brasil, a educação pública só teve início no século XX. Durante várias 
décadas, houve diversas transformações: a pré-escola não tinha caráter formal, 
não havia professores qualificados e a mão de obra era muita das vezes formada 
por voluntários, que rapidamente desistiam desse trabalho (MENDONÇA, 2012). 
Graças à Constituição de 1988, a criança foi colocada no lugar de sujeito de 
direitos e a educação infantil foi incluída no sistema educacional. 
Os primeiros movimentos voltados para o cuidado da criança foram em 
1874, na qual as Câmaras Municipais do Brasil passaram a destinar uma ajudar 
financeira para as crianças negras, místicas ou brancas que eram rejeitadas, 
5 
 
 
tinha que apresentar periodicamente às crianças as autoridades. Um tempo 
depois foi criada pela a Igreja Católica as Rodas dos Expostos, ou dos rejeitados 
essa instituição era de cunho filantrópico da Santa Casa de Misericórdia, e foram 
se espalhando pelo país no século XVIII. Com o advento da República houve 
uma preocupação maior com educação da criança, mas foi no século XX, que 
há ações que demonstram atuações por parte da administração pública. As 
instituições destinadas ao cuidado da criança eram de cunho preventivo e de 
recuperação das crianças pobres, consideradas perigosas para a sociedade. O 
foco não era a criança, mas naquilo que era denominado como menor 
abandonado e delinquente. (KUHLMANN JR., 2002), demonstra uma imagem 
da criança pobre como delinquente e perigosa em potencial, pois, pois as 
crianças viviam mal alimentadas, em lares nos quais o alcoolismo era uma 
constante e conviviam com país que, muitas vezes não trabalhavam. 
Em 14 de Novembro de 1930 o Ministério da Educação (MEC) é criado 
pelo presidente Getúlio Vargas, que é um órgão do governo federal do Brasil 
fundado no decreto nº 19.402, com o nome Ministério dos Negócios da Educação 
e Saúde Pública, eram encarregados pelo estado e despacho de todos os 
assuntos relativo ao ensino, saúde pública e assistência hospitalar. Nos anos 70, 
o Brasil assimilou as teorias desenvolvidas nos Estados Unidos e Europa, que 
sustentavam que as crianças mais pobres sofriam de privação cultural e eram 
colocadas para explicar o fracasso escolar delas, esta idéia direcionou por muito 
tempo a Educação Infantil, enraizando uma visão assistencialista e 
compensatória foram então adotadas sem que houvesse uma reflexão critica 
mais profunda sobre as raízes estruturais dos problemas sociais. Isto passou a 
influir nas decisões de políticas de educação Infantil. (OLIVEIRA, 2002que vai 
proporcionar PG. 109). Dessa forma, pode-se observar a origem do atendimento 
fragmentado que ainda faz parte da Educação Infantil destinada às crianças 
carentes, uma educação voltada para suprir supostas “carências”, é uma 
educação que leva em consideração a criança pobre como um ser capaz, como 
alguém que não responderá aos estímulos dados pela escola. 
 NA década de 80, com a abertura política, houve pressão por parte das 
camadas populares para a ampliação do acesso à escola. A educação da criança 
pequena passa a ser reivindicada como um dever do Estado, que até então não 
6 
 
 
havia se comprometido legalmente com essa função. Em 1888, devido à grande 
pressão dos movimentos feministas e dos movimentos sociais, a Constituição 
reconhece a educação em creches e pré-escolas como um direito da criança e 
um deverdo Estado. Vejamos o que diz a Constituição. 
Art.205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, 
será provida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e a sua 
qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988, p. 1). 
Em meados dos anos 90, ocorreu uma ampliação sobre a concepção de 
criança. Agora se procura entender a criança como um ser sócio-histórico, onde 
a aprendizagem se dá pelas interações entre a criança e seu entorno social. 
Essa perspectiva sócio-interacionista tem como principal teórico Vigotsky, que 
enfatiza a criança como sujeito social, que faz parte de uma cultura concreta 
(OLIVEIRA, 2002). 
Há um fortalecimento da nova concepção de infância, garantindo em lei 
os direitos da criança enquanto cidadã. Cria-se a ECA (Estatuto da Criança e do 
Adolescente); a nova LDB, Lei nº9394/96, incorpora a Educação Infantil como 
primeiro nível da Educação Básica, e formaliza a municipalização dessa etapa 
de ensino. 
 
7 
 
 
A Lei de Diretrizes e Base da 
Educação foi criada para definir 
e regularizar o sistema de 
educação brasileira com bases 
na Constituição. Observa-se 
uma inversão, na Constituição a 
educação é obrigação em 
primeira instância do Estado, já 
na LDB a obrigação passa a ser 
de responsabilidade da família. 
Vejamos o que o Art. 3º da LDB 
diz acerca da educação 
nacional: 
 
Art. 3º. O ensino será com base nos seguintes princípios: igualdade de 
condição para o acesso a permanência na escola; liberdade de aprender, 
ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, pensamento, a arte e o saber; pluralismo 
de ideias e de concepções pedagógicas; respeito à liberdade e apreço á 
tolerância; coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; gratuidade 
do ensino em estabelecimentos oficiais; valorização do profissional da educação 
escolar; gestão democrática do ensino público, na forma desta lei e da igualdade 
e dos sistemas de ensino; garantia de padrão de qualidade; valorização da 
experiência extraescolar; vinculação entre educação escolar, o trabalho e as 
práticas sociais (BRASIL, 1996, p. 1) 
Em 1998, é criado RCNEI (Referencial Curricular Nacional para 
Educação Infantil), um documento que procura nortear o trabalho realizado com 
crianças de zero a seis anos de idade. Ele representa um avanço na busca de 
se estruturar melhor o papel da Educação Infantil, trazendo uma proposta que 
integra o cuidar e o educar, o que é hoje um dos maiores desafios da Educação 
Infantil. 
 No art. 29 da LDB, foram destinadas às crianças de até seis anos de 
idade, com a finalidade de complementar a ação da família e da comunidade, 
8 
 
 
objetivando o desenvolvimento integral da criança nos aspectos físicos, 
psicológicos, intelectuais e sociais. Isto nos remete à questão da formação 
humana [...] mas que ressalta a necessidade de promover o processo 
humanizado da criança. Esse processo requer e implica em um projeto de 
educação infantil fundamentado em um conceito de educação para a vida, pois 
ele dará os recursos cognitivos iniciais para o pleno desenvolvimento da vida da 
criança. (MENDONÇA, 2012, p. 42). 
De acordo com a citação acima, é na Educação Infantil que a criança irá 
se desenvolver integralmente, pois é durante essa etapa que ocorre o processo 
de humanização e troca de experiências sociais que a tornarão sujeito com 
identidade. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), a educação infantil 
é o sistema destinado à faixa etária de zero a seis anos: as creches para a faixa 
de zero até três anos e as pré-escolas para a faixa de quatro a seis anos 
(MATTIOLI apud TADEI; STORER, 1998). 
A Educação Infantil é fundamental e essencial porque desenvolve um 
papel de destaque no desenvolvimento humano e social da criança. Ela vai 
evoluir de forma cognitiva, tendo contato com diversos objetos e com a arte, 
cultura e a ciência, dando vazão à sua criatividade na escola e essa instituição 
deve ser esse espaço preparado, com professores que levem em conta a 
criatividade e a capacidade dessa criança que já tem um conhecimento prévio, 
tem uma história e a sua própria linguagem. 
 
 
 
 
 
 
9 
 
 
A IMPORTANCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA 
O DESENVOLVIMENTO. 
 
 
 
A Educação Infantil foi, por muito tempo, vista como apenas um local 
específico para cuidado de crianças pequenas, não se levando em conta o 
caráter pedagógico. Com a evolução das políticas educacionais (ainda que 
lentas e engatinhando), através das novas descobertas sobre o desenvolvimento 
infantil, o educar se tornou tão importante quanto o cuidar. 
 
 
Mas como educar, ensinar conteúdos na Educação Infantil, com crianças tão 
pequenas? A criança deve ser vista na sua totalidade. Devemos respeitar o ritmo 
de cada uma, bem como sua história e cultura em que está inserida. Nessa fase 
aprende-se de forma lúdica, através de brincadeiras e atividades que explorem 
a socialização das crianças. É importante que aprendam sobre respeito, 
confiança e aceitação, desde muito pequenos. 
https://psiconlinews.com/wp-content/uploads/2016/12/educa%C3%A7%C3%A3o.jpg
10 
 
 
O professor é um mediador do conhecimento, que auxilia a criança 
nesse processo de experimentação do mundo. O contato com novos ambientes, 
diferentes crianças, regras, é essencial para o desenvolvimento infantil. 
Porém, esse processo não se finda na escola. A família tem papel 
essencial, pois deve dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo professor, 
orientando em atividades “para casa”, e estando sempre presente na 
comunidade escolar. 
A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) assegura o 
desenvolvimento integral da criança, nos aspectos físico, psicológico, intelectual 
e social, orientando a família e a comunidade. Dessa forma, muitos pais são 
negligentes com a vida escolar de seus filhos, deixando toda a responsabilidade 
para a escola. Ou simplesmente não colaboram e não aceitam as orientações 
dadas pelos educadores. Não importa o quanto estes tenham dedicado sua vida 
ao estudo e ao trabalho com o desenvolvimento infantil e conheçam a 
capacidade de cada um de seus educandos. 
Esse desenvolvimento integral é a totalidade já citada no início do texto. 
A criança desenvolve: 
 seu lado afetivo e social, ao lidar com os colegas de turma. 
 sua capacidade de atender a regras e autoridades, ao respeitar o 
professor. 
 o cognitivo ao aprende novos conteúdos que são introduzidos na rotina 
diária, através de atividades lúdicas. 
 a coordenação motora, tão importante para diversos contextos em nosso 
dia a dia, principalmente no que diz respeito ao aprendizado da escrita. 
 sua autonomia. 
E assim por diante. 
Não, não é só brincadeira como muitos pais pensam. Não, as crianças 
não ficam apenas assistindo desenho animado ou dormindo. É aprendizado, é 
11 
 
 
estímulo, é vivência, é amadurecimento! E os professores e toda a comunidade 
escolar estão preparados e compreendem muito bem o assunto! 
A Educação Infantil é de extrema importância para a adaptação à rotina 
pedagógica, e para o aprendizado de conceitos básicos que serão necessários 
nas séries iniciais do Ensino Fundamental. É nela que a criança aprende a 
aprender. E precisa ser uma experiência satisfatória e prazerosa, para que sua 
trajetória escolar seja proveitosa e sem lamentos. Em pesquisas se observa que, 
muitos alunos com alto índice de repetência, são crianças que não frequentaram 
a Educação Infantil. 
É comum ouvirmos que nossas orientações são “besteiras”, e que “é 
assim mesmo” quando sinalizamos algo que pode ser melhorado… Não 
podemos pormenorizar a Educação Infantil. Não podemos agir como ela fosse 
desnecessária. Precisamos valorizar essa fase da criança, e os profissionais que 
dela cuidam e educam. 
Como escola, deve-se sempre buscar atualização e estar à frente do 
nosso tempo.A educação não é mais a mesma, as crianças são mais espertas 
e têm acesso a mais informações que antigamente. A escola precisa investir nos 
profissionais, inclusive em psicólogos e psicopedagogos. Profissionais 
especializados acompanhando a criança desde a Educação Infantil com certeza 
conseguirão obter maior sucesso de uma forma geral com essa criança 
12 
 
 
 
. 
 
O PAPEL DO PROFESSOR NA EDUCAÇÃO 
INFANTIL 
 
O papel do professor é fundamental dentro da escola e se reflete em toda 
a sociedade, pois ele é um agente ativo na formação de um cidadão. As crianças 
necessitam de modelos a serem seguidos para que ajam em prol da equidade 
no mundo, e seus únicos exemplos nos primeiros anos de vida são os pais, 
seguidos dos professores e amizades encontrados no ambiente escolar. 
Além de ser um educador, atuando como gestor de aprendizagem, o 
professor tem influência para orientar e motivar seus alunos desde o primeiro 
contato do seu filho com a escola. É ele quem facilita o acesso a informações e 
dados, ao conhecimento acumulado pela sociedade, conduzindo, avaliando e 
executando experiências, eventos e projetos para que a construção da 
aprendizagem seja completa desde os primeiros anos no colégio. 
13 
 
 
A Educação Infantil é primordial na formação de um indivíduo no que diz 
respeito não somente a transmissão de conhecimento, mas também ao englobar 
questões relacionadas ao amor, fraternidade, dignidade, solidariedade, 
responsabilidade, ética e outros valores fundamentais para a convivência 
harmoniosa do ser humano na sociedade. 
Engana-se quem pensa que o papel do professor é apenas ensinar. Ele 
também é um dos responsáveis por estimular atitudes respeitosas por parte das 
crianças: o professor ensina o seu filho a respeitar os demais colegas de classe, 
a aguardar a vez dele na fila, a ser gentil com as outras pessoas que trabalham 
na escola, entre outras atitudes que, consequentemente, serão levadas para fora 
do ambiente escolar. 
 
O educador também é responsável por proporcionar às crianças 
experiências que auxiliam a desenvolver suas capacidades cognitivas, como 
atenção, memória, raciocínio e o bem estar em um ambiente cheio de 
pluralidade. Para isso, ele promove atitudes, estratégias e comportamentos que 
favorecem a melhor aceitação e desenvolvimento da criança no ambiente 
escolar, sempre de maneira carinhosa, servindo de exemplo para os mais novos. 
É na fase dos 0 aos 6 anos, chamada de primeira infância, que as crianças 
passam a perceber o mundo e despertam uma curiosidade nata e investigativa, 
sempre questionando e querendo saber o porquê das coisas. Com isso, a 
criança constrói sua própria identidade, baseada na exploração do meio em que 
14 
 
 
vive, na construção dos relacionamentos interpessoais, na obtenção do 
conhecimento e valores a ela ensinados, e nas brincadeiras, que são a forma 
mais produtiva de adquirirem conhecimento e se relacionarem com outros. 
Por isso, na primeira infância, é primordial que o educador também 
ofereça, juntamente com os pais, todas as ferramentas necessárias para a 
construção dessa identidade. Vocês podem fazer isso criando situações que 
permitam agregar conhecimento, organizar o espaço físico, ensinar como 
manipular e explorar materiais concretos e harmonizar trocas orais constantes 
com crianças e adultos. 
Dessa forma, ocorrerão as trocas afetivas, enfrentamentos e resoluções 
de conflitos, e vocês perceberão como a criança lida com frustrações e desafios. 
A escola é o segundo ambiente socializador em que a criança é inserida, 
onde o educador pode ajudar a adquirir novos conhecimentos todos os dias e a 
desenvolver interações, impactando em seu modo de perceber o mundo. 
 
 Relação família x escola na educação infantil 
 
 
A escola por si só não é suficiente para suprir todas as necessidades 
educacionais de uma criança, assim como os pais sozinhos não são capazes de 
15 
 
 
oferecer uma educação completa, e é por isso que a relação entre pais e 
educador é tão importante. 
Quando você se relaciona com o profissional que conhece a sua criança, 
é possível abrir um canal de diálogo para saber, por exemplo, se a criança está 
com dificuldade de desenvolver a escrita na escola e pensar em estratégias que 
podem ser feitas dentro de casa para ajudá-la a passar por esse desafio. 
Os pais que se comprometem em saber como está evoluindo o 
desempenho dos filhos estão mais dispostos a ajudarem o professor a vencer 
os desafios educacionais, adotando medidas complementares em casa. Isso é 
fundamental para que as crianças tenham um melhor desenvolvimento não só 
relacionado ao aprendizado intelectual, mas também a preservação de valores 
e atitudes que serão usadas por elas em todos os ambientes os quais estão 
inseridas. 
Quando pais e profissionais da educação interagem de maneira contínua 
e tentam resolver conflitos juntos, considerando sempre as causas e 
dificuldades, é maior a probabilidade de que o problema seja resolvido 
rapidamente e de forma efetiva, favorecendo todos os envolvidos, mas 
principalmente a criança. Além disso, pesquisas comprovam que os pais que 
participam ativamente das atividades escolares das crianças criam filhos mais 
dedicados e esforçados, e eles sentem que recebem mais atenção e apoio dos 
adultos. 
Os ambientes familiar e escolar são parte constante do pequeno universo 
das crianças e, por isso, é imprescindível que pais e professores sistematizem 
um processo educacional conjunto. Se você é pai, vai precisar acompanhar as 
atividades realizadas no colégio, conversar com o professor e discutir as 
melhores formas de aprendizado dos filhos, baseado no perfil da criança. As 
atividades e brincadeiras feitas em casa podem e devem complementar a 
educação da escola, proporcionando um desenvolvimento infantil integral para o 
seu filho. 
 
16 
 
 
COMPETÊNCIAS DO PROFESSOR PARA A 
EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
 O professor da educação infantil exerce o papel de mediador para que 
as crianças se apropriem de conhecimentos mais elaborados, a partir da vivência 
de seu meio social, das intervenções didáticas, de situações de aprendizagem 
por meio do brincar. 
Nesse sentido a organização do trabalho pedagógico realizado pelo 
professor deve contemplar os cuidados necessários para que a criança se 
aproprie dos conhecimentos de maneira lúdica e de acordo com o seu 
desenvolvimento físico, emocional, social e cognitivo. 
A criança, nesse contexto, deve ser vista como um sujeito sócio- histórico, 
de direitos e que constrói sua identidade na relação com outros sujeitos, no meio 
social em que está inserida. 
O professor para mediar a aprendizagem das crianças deve desenvolver 
competências, saberes que o permitam entender como se processa a educação 
da criança e assim, propor situações de aprendizagem, planejadas, evitando a 
improvisação. Para tanto investir em sua formação continuada é condição 
imprescindível. 
Segundo Perrenoud (2000, p. 20), são dez os domínios de competências 
reconhecidas como prioritárias na formação continuada de professores. Observe 
os exemplos abaixo: 
https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/competencias-necessarias-ao-professor-da-educacao-infantil/42285
17 
 
 
 
Competências de referência: 
 
-Organizar e dirigir situações de aprendizagem: 
- Conhecer os conteúdos a serem ensinados e sua tradução em objetivos de 
aprendizagem. 
- Trabalhar a partir das representações dos alunos. 
- Trabalhar a partir dos erros e dos obstáculos à aprendizagem. 
- Construir e planejar dispositivos e sequências didáticas. 
- Envolver os alunos em atividades de pesquisa, em projetos de conhecimento. 
 
Administrar a progressão das aprendizagens: 
 
- Conceber e administrar situações-problema ajustadas ao nível e às 
possibilidades dos alunos. 
- Adquirir uma visão longitudinal dos objetivos do ensino.18 
 
 
- Estabelecer laços com as teorias subjacentes às atividades de aprendizagem. 
- Observar e avaliar os alunos em situações de aprendizagem, de acordo com 
uma abordagem formativa. 
- Fazer balanços periódicos de competências e tomar decisões de progressão.. 
 
Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação: 
 
 
- Administrar a heterogeneidade no âmbito de uma turma. 
- Abrir, ampliar a gestão de classe para um espaço mais vasto. 
- Fornecer apoio integrado, trabalhar com alunos portadores de grandes 
dificuldades. 
- Desenvolver a cooperação entre os alunos e certas formas simples de ensino 
mútuo. 
 
 
 
 
 
 
19 
 
 
Envolver os alunos em sua aprendizagem e em seu trabalho: 
 
- Suscitar o desejo de aprender, explicitar a relação com o saber, o sentido do 
trabalho escolar e desenvolver na criança a capacidade de autoavaliação. 
 
- Instituir e fazer funcionar um conselho de alunos (conselho de classe ou de 
escola) e negociar com eles diversos tipos de regras e de contratos. 
-Oferecer atividades opcionais de formação. 
- Favorecer a definição de um projeto pessoal do aluno. 
 
 
Trabalhar em equipe: 
 
 
- Elaborar um projeto de equipe, representações comuns. 
- Dirigir um grupo de trabalho, conduzir reuniões. 
20 
 
 
- Formar e renovar uma equipe pedagógica. 
- Enfrentar e analisar em conjunto situações complexas, práticas e problemas 
profissionais. 
-Administrar crises e conflitos interpessoais. 
 
Participar da administração da escola: 
 
- Elaborar, negociar um projeto da instituição. 
-Administrar os recursos da escola. 
- Coordenar, dirigir uma escola com todos os seus parceiros. 
- Organizar e fazer evoluir, no âmbito da escola, a participação dos alunos. 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
 
Informar e envolver os pais: 
 
-Dirigir reuniões de informação e de debate. 
-Fazer entrevistas. 
- Envolver os pais na construção dos saberes. 
 
 
Utilizar novas tecnologias: 
 
-Utilizar editores de textos. 
- Explorar as potencialidades didáticas dos programas em relação aos objetivos 
do ensino. 
- Comunicar-se à distância por meio da telemática. 
- Utilizar as ferramentas multimídia no ensino 
 
 
 
22 
 
 
Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão: 
 
- Prevenir a violência na escola e fora dela. 
- Lutar contra os preconceitos e as discriminações sexuais, étnicas e sociais. 
- Participar da criação de regras de vida comum referentes à disciplina na escola, 
às sanções e à apreciação da conduta. 
- Analisar a relação pedagógica, a autoridade, a comunicação em aula. 
- Desenvolver o senso de responsabilidade, a solidariedade e o sentimento de 
justiça. 
 
Administrar sua própria formação contínua: 
 
 
- Saber explicitar as próprias práticas. 
- Estabelecer seu próprio balanço de competências e seu programa pessoal de 
formação contínua. 
23 
 
 
- Negociar um projeto de formação comum com os colegas (equipe, escola, 
rede). 
- Envolver-se em tarefas em escala de uma ordem de ensino ou sistema 
educativo. 
- Acolher a formação dos colegas e participar dela. 
 
 Com as competências propostas por Perrenoud conclui-se que o trabalho 
do professor é um trabalho complexo, que exige conhecimento aprimorado, 
atualizado, participativo. 
Assim a valorização desse profissional pela sociedade é um aspecto 
emergente, pois dele demanda o trabalho de formação científica, política, 
emocional, cultural, tecnológica das crianças e demais alunos de outras etapas 
e nível de educação. 
A formação do professor se faz de extrema relevância na educação infantil, 
pois essa etapa caracteriza-se por crianças em uma faixa etária que se pode 
considerar de maior fragilidade. 
As crianças de zero a cinco anos são indefesas e é o adulto que deve 
protegê-la, atende-la e ser sua “voz”, na garantia de seus direitos. Logo o papel 
do professor da educação infantil vai além de mediar os conhecimentos 
sistemáticos e o saber da criança, ele tem um papel político na proteção e 
formação integral da criança como sujeitos de direitos e cidadãos. 
O trabalho do professor exige intencionalidade, atenção à proposta 
pedagógica e curricular da escola. Atender por meio dos conteúdos trabalhados 
nas situações de aprendizagem do dia a dia, os objetivos propostos para a 
educação da criança em cada faixa etária, respeitando seu desenvolvimento.. 
Vale ressaltar que a formação continuada dos professores não é um ato 
solitário, os estudos e as pesquisas realizadas devem ser compartilhadas no 
grupo de profissionais que atuam na escola infantil, pois por meio da troca de 
ideias e ideais os profissionais se formam, se atualizam, diversificam suas 
opiniões, partilham, são ouvidos e aprendem ouvir. 
24 
 
 
Assim constituem-se em um grupo capaz de problematizar as situações e 
dar respostas a elas, estabelece-se desta forma, o sentido de pertencimento ao 
grupo, à instituição que atuam. 
O resultado desse processo é com certeza positivo e quem 
indiscutivelmente ganhará com isso, serão as crianças. Os desafios da escola 
infantil ainda são grandes, mas a consciência do fazer pedagógico pelo professor 
e uma atuação voltada aos cuidados com a criança, educando por meio do 
brincar, respeitando suas características é uma reunião de fatores que cria a 
possibilidade da superação de outras fragilidades postas como, por exemplo, a 
falta de material didático, de recursos humanos e financeiros, ambiente 
adequado ao desenvolvimento da criança, dentre outros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
 
O TRABALHO COM O LÚDICO NA EDUCAÇÃO 
INFANTIL 
 
 
O lúdico na educação infantil é de fundamental importância, porque 
proporciona uma aprendizagem interativa e prazerosa, pois através do mesmo 
a criança aprende brincando. 
O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”. 
Se achasse confinado a sua origem, o termo lúdico estaria se referindo apenas 
ao jogar, ao brincar, ao movimento espontâneo. O lúdico passou a ser 
reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. 
De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. As 
implicações da necessidade lúdica extrapolaram as demarcações do brincar 
espontâneo (FERREIRA; SILVA RESCHKE [s/d], p.3). 
Soares (2010, p. 18) esclarece que as atividades lúdicas estão presentes 
em todas as classes sociais, crianças de várias idades brincam, se divertem 
através da ludicidade. 
26 
 
 
O lúdico promove a aprendizagem e favorece o desenvolvimento físico 
intelectual e social da criança, ou seja, possibilita um desenvolvimento real, 
completo e prazeroso. 
A atividade lúdica é muito viva e caracteriza-se sempre pelas 
transformações, e não pela preservação, de objetos, papéis ou ações do 
passado das sociedades [...]. Como uma atividade dinâmica, o brincar modifica-
se de um contexto para outro, de um grupo para outro. Por isso, a sua riqueza. 
Essa qualidade de transformação dos contextos das brincadeiras não pode ser 
ignorada. (FRIEDMANN, 2006, p. 43). 
Como cita a autora acima as atividades lúdicas são extremamente 
dinâmicas, pois o brincar as crianças interagem entre si e com isso aprendem de 
maneira significativa. 
Segundo Santos (2002, p. 12) o lúdico facilita a aprendizagem, o 
desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, 
prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, 
comunicação, expressão e construção de conhecimento. 
Pelo exposto acima se entende que as atividades lúdicas divertem e 
proporcionam descobertas através de estímulos propostos pelo professor que 
institui regras e posicionamentos para desenvolver os jogos e brincadeiras de 
forma criativa e divertida. 
 
As atividades lúdicas são muito mais que momentos divertidos ou 
simples passatempos e, sim, momentos de descoberta, construção e 
compreensão de si; estímulosà autonomia, à criatividade, à expressão pessoal. 
Dessa forma, possibilitam a aquisição e o desenvolvimento de aspectos 
27 
 
 
importantes para a construção da aprendizagem. Possibilitam, ainda, que 
educadores e educando se descubram, se integrem e encontrem novas formas 
de viver a educação (PEREIRA, 2005, p. 20). 
De acordo Pereira (2005) que as atividades lúdicas desenvolvem vários 
aspectos no processo de aprendizagem da criança dentre eles podemos elencar 
a atenção, a memorização e imaginação que são de fundamental importância 
para o ensino de qualidade. 
As contribuições das atividades lúdicas no desenvolvimento integral 
indicam que elas contribuem poderosamente no desenvolvimento global da 
criança e que todas as dimensões estão intrinsecamente vinculadas: a 
inteligência, a afetividade, a motricidade e a sociabilidade são inseparáveis, 
sendo a afetividade a que constitui a energia necessária para a progressão 
psíquica, moral, intelectual e motriz da criança (NEGRINE, 1994, p.19). 
Segundo Ribeiro (2013, p.1) o lúdico promove uma alfabetização 
significativa a prática educacional. 
Para que o lúdico auxilie na construção do conhecimento é necessário 
que o professor faça a mediação da atividade planejada por ele e estabeleça os 
objetivos para que a brincadeira tenha um caráter pedagógico promovendo 
dessa maneira interação social e o desenvolvimento intelectual. 
Segundo Kishimoto (1996 p. 83), ao permitir a manifestação do 
imaginário infantil por meio de objetos simbólicos dispostos intencionalmente a 
função pedagógica subsidia o desenvolvimento integral da criança. 
Compreende-se que ao trabalhar o imaginário da criança na educação 
infantil o lúdico desenvolve a criatividade através dos objetos pré-dispostos de 
maneira intencional. 
28 
 
 
 
O lúdico como método pedagógico prioriza a liberdade de expressão e 
criação. Por meio dessa ferramenta, a criança aprende de uma forma menos 
rígida, mais tranquila e prazerosa, possibilitando o alcance dos mais diversos 
níveis do desenvolvimento. Cabe assim, uma estimulação por parte do 
adulto/professor para a criação de ambiente que favoreça a propagação do 
desenvolvimento infantil, por intermédio da ludicidade (RIBEIRO 2013, p.1). 
Matos (2013, p. 139), explica que a ludicidade é uma ferramenta muito 
importante para a formação das crianças, pois é através dela que a criança 
desenvolve seu saber, seu conhecimento e sua compreensão de mundo. 
De acordo com Pereira (2005) que as atividades lúdicas desenvolvem 
vários aspectos no processo de aprendizagem da criança dentre eles podemos 
elencar a atenção, a memorização e imaginação que são de fundamental 
importância para o ensino de qualidade. 
A atividade lúdica funciona como um elo entre os aspectos motores, 
cognitivos, afetivos e sociais, na educação infantil por isto a partir do brincar, a 
criança desenvolve à aprendizagem, através do desenvolvimento social, cultural 
e pessoal, contribuindo para uma vida saudável tanto física como mental. 
As atividades lúdicas auxiliam no processo de aprendizagem do aluno 
na educação infantil, pois trabalham a atenção, a imaginação, os aspectos 
29 
 
 
motores e sociais, visando o pleno desenvolvimento da criança que aprende de 
forma significativa tornando o ensino de qualidade. 
Almeida (2008, p.34), afirma que as atividades lúdicas como recursos da 
prática educativa devem estar presentes no cotidiano das salas de aula da 
Educação Infantil visando não só o desenvolvimento emocional dos alunos, 
como também a compreensão por parte dos educadores sobre os limites e as 
possibilidades de trabalhar as questões afetivas no contexto escolar. 
Na Educação Infantil, o lúdico é importante para o crescimento das 
crianças, inclusive intelectualmente, pois as brincadeiras trazem consigo “um 
brincar compromissado com a qualidade de vida da criança” (MEYER, 2008, p. 
22). 
 
 A IMPORTÂNCIA DE TRABALHAR O BRINCAR NA 
EDUCAÇÃO INFANTIL. 
 
Segundo Correa; Bento ([s/d], p. 1), o brincar é importante, não porque 
é coisa de criança, mas porque é a melhor forma de aproximar o mundo da 
fantasia do mundo real, que mesmo com toda sua complexidade, se torna 
simples pelo olhar de uma criança. 
Brincando a criança aprende regras, sentimentos como frustrações de 
perda e alegrias da vitória assim descobre como lidar com os sentimentos sejam 
eles bons ou ruins. 
30 
 
 
O brincar na educação infantil é de suma importância, porque é a 
maneira mais simples da criança aprender a lidar com as regras, as frustrações 
da perda, a socialização fundamental para vida adulta. 
Segundo Dias (2013, p.13), existem diversas razões importantes para 
destacar o brincar, desde o prazer até a importância do desenvolvimento 
cognitivo, motor, afetivo e social da criança. 
 
O brincar é importante para o desenvolvimento cognitivo, motor, afetivo 
e social da criança, pois através da brincadeira a criança expressa suas vontades 
e desejos. É através da brincadeira que a criança regula suas próprias ações e 
emoções desenvolvendo assim sua autonomia. 
Correa; Bento ([s/d], p.2), esclarece que a liberdade que o brincar é de 
suma importância, pois proporciona o desenvolvimento da criança, essa 
liberdade à leva a conciliar o mundo real e o mundo da imaginação. 
Ao brincar a criança entra no mundo da imaginação, desenvolve a 
autonomia, socializa-se ao meio ambiente que está inserido, desenvolve 
emoções de bem estar e descobre que as frustrações fazem parte do universo 
infantil. 
O brincar contribui para a formação do indivíduo, através da imaginação, 
que proporciona a aprendizagem, pois amplia a capacidade de percepção sobre 
si mesmo. 
31 
 
 
A brincadeira, seja ela qual for, é algo de sumo importância na infância. 
Pelos pais, ela deve ser vista não apenas como um momento de entretenimento 
e lazer de seus filhos, mas também como uma oportunidade de desenvolver nas 
crianças hábitos e atitudes que os façam amadurecer se tornando responsáveis 
(OLIVEIRA 2010, p 14.) 
 
Segundo Correa; Bento ([s/d], p.2), brincando a criança aprende a lidar 
com o mundo, formando sua identidade pessoal e autonomia, experimenta 
sentimentos bons como o amor, e ruins como o medo e a insegurança, 
sentimentos esses presentes na vida cotidiana. 
Souza (2015,), esclarece que o brincar proporciona o prazer e a 
motivação pessoal que dão origem às ações e explorações que realizam ao 
longo da brincadeira. 
O brincar é importante, pois proporciona a aquisição de novos 
conhecimentos, desenvolve habilidades de forma natural e agradável. Ele é uma 
das necessidades básicas da criança, é essencial para um bom desenvolvimento 
motor, social, emocional e cognitivo. (MALUF, 2003, p. 9). 
Ao brincar a criança forma sua identidade pessoal, e adquire 
conhecimentos através dos sentimentos bons e ruins que serão aprendidos e 
trabalhados para sua vida adulta. 
Ao brincar, as crianças repetem, através de imitações, aquilo que já 
conhecem. Ativando sua memória, transformam os seus conhecimentos por 
meio da criação de uma situação imaginária nova. Na brincadeira, a criança 
32 
 
 
amadurece algumas competências para a vida coletiva, através da interação e 
da utilização e experimento das regras e papéis sociais (SOUZA 2015, p.1). 
O Brincar desenvolve as habilidades da criança de forma natural, pois 
brincando aprende a socializar-se com outras crianças, desenvolve a 
motricidade, a mente, a criatividade, sem cobrança ou medo, mas sim com 
prazer (CUNHA 2001, p.14). 
 
 
ASPECTOS LEGAIS E METODOLÓGICOS DA 
EDUCAÇÃO INFANTIL: FILOSOFIA 
 
A educação infantil é a primeira etapa da educação básica. É nesta fase 
que a criança desenvolve suas potencialidades físicas, intelectuais, cognitivas e 
socializadoras, fundamental para o processo de construção de sua identidade. 
Em 1996 a Lei de Diretrizes e Bases, estabelece que a educação infantil 
passe afazer parte do sistema nacional de ensino, sendo considerada a primeira 
33 
 
 
etapa da educação básica, cujo objetivo é o desenvolvimento integral da criança 
de 0 a 6 anos. Em 2006 essa lei foi alterada pela LEI Nº 11.274, de 06 de 
Fevereiro de 2006, destinando, essa etapa às crianças de 0 a 5 anos. 
Conforme a Proposta Pedagógica (2006) da Instituição, os princípios 
que norteiam as práticas pedagógicas estão baseados na perspectiva 
construtiva, que de acordo com Piaget a autonomia é o objetivo maior da 
Educação. 
De acordo com essa perspectiva, a meta do Centro Municipal de 
Educação Infantil é que a partir da vivencia que a criança traz para o espaço, 
possa possibilitar a construção de novos conhecimentos, através da troca de 
experiências, estabelecendo o contato com diversas outras culturas e com isso 
a construção de novos saberes e adquirindo novos conceitos e se apropriando 
de instrumentos para superação da heteronomia e desenvolvimento de sua 
autonomia, tanto moral, quanto intelectual. 
Como podemos perceber a concepção de infância vem sendo construída 
ao longo da história. Entretanto não podemos esquecer que as crianças 
possuem uma identidade singular, que possuem um jeito próprio de sentir e 
pensar, sendo que, um dos grandes desafios da educação infantil hoje é 
conhecer, compreender e reconhecer a forma como as crianças interagem com 
o mundo. 
De acordo com o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil 
(1998, p.23) educar significa: 
 
34 
 
 
 
Dessa forma, o educar tem como objetivo promover o desenvolvimento 
das capacidades físicas, afetivas, éticas, emocionais e estéticas das crianças, 
porém educar não se limita apenas na dimensão pedagógica, é essencial 
contemplar a integração de vários campos de conhecimento, valorizando o 
cuidado para que a criança tenha um desenvolvimento integral. 
 É importante ressaltar que os procedimentos e atitudes de cuidados são 
construídos socialmente com base nas crenças e valores. Para cuidar é 
necessário comprometimento, vínculo entre o educador e a criança, sempre 
levar em consideração singularidades e as necessidades específicas de cada 
criança, buscando contemplar o desenvolvimento biológico, emocional e 
intelectual, nunca se esquecendo que a criança está em um processo de 
crescimento e desenvolvimento. De acordo com o Referencial Curricular 
Nacional da Educação Infantil (1998, p.23): 
 
 
35 
 
 
 
Com isso ela cumpre o papel de socialização, possibilitando que a 
criança desenvolva a sua identidade, por meio da interação e de uma 
aprendizagem diversificada. O professor tem um papel fundamental nesse 
processo, instigando às crianças a investigação, ao questionamento, a 
curiosidade e a situações em que possam desenvolver habilidades para busca 
da compreensão filosófica através de uma metodologia diversificada. De acordo 
com Lipman: 
 
 
 
36 
 
 
FILOSOFIA PARA CRIANÇAS 
 
O Professor norte-americano Dr. Matthew Lipman, preocupado com a 
atuação precária de seus alunos, concebeu o Programa Filosofia para Crianças, 
dispondo-se a ampliar o desenvolvimento das habilidades cognitivas mediante 
discussões de assuntos filosóficos e propondo, com tais discussões, a 
introdução filosófica de crianças e jovens, no final da década de 60. A partir de 
1976 o Programa Filosofia para Crianças, difundiu-se pelo mundo, sendo 
traduzido e colocado em prática em vários países. A finalidade é desenvolver as 
habilidades cognitivas dentro de um contexto significativo, através do diálogo. É 
através de procedimentos dialógicos que, se motiva o aprendizado de um pensar 
ponderado, inventivo, de uma maneira contextualizada e, também se elabora a 
construção do aprendizado da cidadania,através de uma convivência saudável, 
respeitando as idéias divergentes e a variedade cultural, onde as salas de aula 
são transformadas em pequenas comunidades de investigação. 
O Programa de Filosofia para Crianças indica o envolvimento de alunos, 
de maneira reflexiva, com assuntos especificamente formativos de base 
humanística .São trabalhados os temas, que enfatizam os valores 
(especialmente os morais), a coexistência social, a importância do pensar de 
modo reflexivo , autônomo, global e sistemático, propícios ao filosofar. O 
Programa de Filosofia para Crianças colabora na formação de cidadãos 
competentes em solucionar problemas e encontrar saídas criativas e éticas, nos 
diversos contextos em que vivem. 
37 
 
 
O Referencial Nacional para a Educação Infantil afirma que as crianças 
são capazes de construir o conhecimento e o aprendizado através do 
enfrentamento de situações em que elas próprias têm que buscar respostas e 
soluções. A curiosidade da criança busca o questionamento, possui a ânsia de 
compreender os significados e as utilidades da experiência e do mundo, e faz da 
descoberta da linguagem um elemento para capturar as pontes entre ela e o 
outro através da interação social. 
De acordo com Ann Sharp no seu livro "Nova Educação - A comunidade 
de investigação na sala de aula", os materiais devem incorporar personagens, 
situações, experiências e linguagem que permitam a identificação das crianças, 
assim como devem abrir para exploração uma variedade de conceitos e idéias 
que, mesmo baseados nas experiências das crianças, são suficientemente 
intrigantes para levar ao questionamento e à investigação, assim, devem ser 
estimuladas para a curiosidade sobre o mundo e preparadas para embarcar em 
uma investigação colaborativa com os amigos. 
Com a incorporação da Filosofia no currículo da Educação Básica, o que 
se almeja é uma educação voltada para a convivência democrática, para a 
criação de atitudes sociais de respeito aos semelhantes, considerando pontos 
de vista diferentes, a ponto de modificarem seus próprios conceitos a respeito 
de temas significativos e de permitirem conscientemente que suas próprias 
idéias sejam enriquecidas através das interações com seus pares. 
Deve-se enfatizar que, ao se trabalhar a filosofia com as crianças, 
constatamos com facilidade que elas têm uma especial inclinação para a 
curiosidade, para a indagação, investigação, debate e reflexão. Da mesma 
maneira que a criança aprende a falar, a andar, também aprende a filosofar, 
quando indaga sobre as coisas do mundo que a cerca. Portanto a filosofia está 
em tudo, nas cores do arco- íris, no nome de seus familiares e amigos, no canto 
do passarinho, no afago do seu cão. A filosofia faz a criança viajar no imaginário 
infantil. 
 
 
38 
 
 
CONCLUSÃO 
 
A educação voltada para os pequenos só aconteceu devido à mudança 
de olhar da sociedade valorizando-a, caso não houvesse isso á educação infantil 
não teria mudado a sua forma de conduzir o trabalho docente, e não teria surgido 
um novo perfil de educador para essas etapas. 
No Brasil a educação infantil, como Políticas Públicas só desponta 
somente no século XX, demonstrando a falta de cuidado com a infância 
brasileira. Por outro lado, a presença de discussões sobre a educação infantil, 
resultou em leis e documentos como a (Constituição Federal de 1988, ECA, 
Estatuto da Criança e do Adolescente, LDB, Lei de Diretrizes e Bases, RCNEI, 
Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil e a criação do MEC, 
Ministério da Educação), isso mostra que há uma preocupação pelas leis que 
regulamentam a educação infantil no Brasil. 
Educação Infantil, não é possível desassociar o cuidar e o educar, eixos 
centrais que caracterizam e constituem o espaço e o ambiente escolar nesta 
etapa de educação. Ao contrário do que muitos ainda pensam o cuidar e o 
educar não remetem respectivamente ao assistencialismo e ao processo de 
ensino-aprendizagem, pois um complementa o outro e ambos precisam se 
integrar para melhor atender ao desenvolvimento da criança na construção de 
sua totalidade e autonomia. 
São os profissionais de Educação Infantilque promovem, todos os dias, 
atividades na qual irão preparar as crianças para a vida adulta, eles fornecem a 
base para o Ensino Fundamental e estão em constante ligação afetiva-educativa 
com os alunos. Os docentes são os profissionais proporcionam uma educação 
de qualidade, formando assim cidadãos críticos e atuantes, preparados para 
viver em sociedade. 
 
 
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