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E-Book Completo_Ética e Cidadania

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Prévia do material em texto

Autora: Ana Lúcia Guimarães
ÉTICA E CIDADANIA
Ética e Cidadania
© by Ser Educacional
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser 
reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, 
eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro 
tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia 
autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional.
Imagens e Ícones: ©Shutterstock, ©Freepick, ©Unsplash.
Diretor de EAD: Enzo Moreira.
Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato.
Coordenadora de projetos EAD: Jennifer dos Santos Sousa.
Equipe de Designers Instrucionais: Gabriela Falcão; José Carlos Mello; Lara 
Salviano; Leide Rúbia; Márcia Gouveia; Mariana Fernandes; Mônica Oliveira 
e Talita Bruto.
Equipe de Revisores: Camila Taís da Silva; Isis de Paula Oliveira; José Felipe 
Soares; Nomager Fabiolo Nunes.
Equipe de Designers gráficos: Bruna Helena Ferreira; Danielle Almeida; 
Jonas Fragoso; Lucas Amaral, Sabrina Guimarães, Sérgio Ramos e Rafael 
Carvalho.
Ilustrador: João Henrique Martins.
G963e Guimarães, Ana Lúcia.
Ética e cidadania [recurso eletrônico]:
Recife: Telesapiens, 2022.
120 p.: pdf
ISBN: 978-85-54921-12-5
1.Ética II. Título.
CDU 172
(Bibliotecário responsável: Nelson Oliveira da Silva – CRB 10/854)
Grupo Ser Educacional
Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro
CEP: 50100-160, Recife - PE
PABX: (81) 3413-4611
E-mail: sereducacional@sereducacional.com
Iconografia
Estes ícones irão aparecer ao longo de sua leitura:
ACESSE
Links que 
complementam o 
contéudo.
OBJETIVO
Descrição do conteúdo 
abordado.
IMPORTANTE
Informações importantes 
que merecem atenção.
OBSERVAÇÃO
Nota sobre uma 
informação.
PALAVRAS DO 
PROFESSOR/AUTOR
Nota pessoal e particular 
do autor.
PODCAST
Recomendação de 
podcasts.
REFLITA
Convite a reflexão sobre 
um determinado texto.
RESUMINDO
Um resumo sobre o que 
foi visto no conteúdo.
SAIBA MAIS
Informações extras sobre 
o conteúdo.
SINTETIZANDO
Uma síntese sobre o 
conteúdo estudado.
VOCÊ SABIA?
Informações 
complementares.
ASSISTA
Recomendação de vídeos 
e videoaulas.
ATENÇÃO
Informações importantes 
que merecem maior 
atenção.
CURIOSIDADES
Informações 
interessantes e 
relevantes.
CONTEXTUALIZANDO
Contextualização sobre o 
tema abordado.
DEFINIÇÃO
Definição sobre o tema 
abordado.
DICA
Dicas interessantes sobre 
o tema abordado.
EXEMPLIFICANDO
Exemplos e explicações 
para melhor absorção do 
tema.
EXEMPLO
Exemplos sobre o tema 
abordado.
FIQUE DE OLHO
Informações que 
merecem relevância.
SUMÁRIO
UNIDADE 1
Fundamentos de ética e cidadania � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 11
Conceitos, objetivos e princípios da éticae da moral � � � � � � � � � � 11
Conceito de cidadania � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 18
A ética social e a política � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 27
A ética e a moral na contemporaneidade � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 33
UNIDADE 2
A ética no mundo do trabalho � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 43
A ética e a sociedade globalizada � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 43
Problemas éticos nas profissões � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 49
Código de ética das profissões: conceitose finalidades � � � � � � � � � � � 53
UNIDADE 3
A ética em profissões não regulamentadas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �58
A ética nas relações humanas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �65
Diversidade cultural, étnica, religiosae de gênero � � � � � � � � � � � 65
Ética e cidadania na sociedade tecnológica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �76
A intolerância, o racismo e a xenofobia � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �79
O ensino da ética nas instituições � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �85
UNIDADE 4
Direitos humanos � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 91
Conceituação e princípios dos direitos humanos � � � � � � � � � � � � �91
Ação comunitária e participaçãodemocrática � � � � � � � � � � � � � � � � � � 94
Ética, direitos humanos e violência � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 99
Cenário atual e tendências da éticae da cidadania � � � � � � � � � � � � � �102
Ética e política � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 104
Ética na saúde � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 105
Ética as redes sociais � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 106
Educação, ética e cidadania hoje � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �110
Autoria
Ana Lúcia Guimarães.
Olá, meu nome é Ana Lúcia Guimarães. Sou 
Doutora em Ciências Humanas e possuo 
mais de vinte anos de atuação como pro-
fessora na Educação Superior. Além disso, 
tenho doze anos de militância como diri-
gente sindical da causa dos professores, 
o que me agrega conhecimentos e experiências para localizar-me 
como autora nesta disciplina. Portanto, atuar e defender a causa da 
educação, laica, democrática e de qualidade é mais que um princípio 
em minha formação e trajetória profissional, é um compromisso de 
ofício. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu 
elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar 
você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
UN
ID
AD
E
1
Objetivos
Seja muito bem-vindo(a) à disciplina Ética e Cidadania. 
Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento dos seguintes 
objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos:
1. Diferenciar os conceitos de ética e moral.
2. Identificar o conceito de cidadania.
3. Demonstrar o conceito de ética social e sua relação com a ética 
política.
4. Ilustrar a relação entre ética e moral em tempos contempo-
râneos.
10
Introdução
Olá! Seja bem-vindo(a) à disciplina Ética e Cidadania. A partir de 
agora, daremos início a uma nova etapa de estudos e este vídeo in-
trodutório foi preparado para orientar a sua trajetória na trilha da 
aprendizagem que será percorrida por você ao longo das quatro 
unidades letivas que estão por vir. Assista!
Você sabia que estudar ética e cidadania possui uma impor-
tância significativa nos tempos atuais? Isto porque os indivíduos 
estão cada vez mais confusos em relação a construção de suas atitu-
des e pensamentos quanto às rápidas e volumosas transformações 
de nossa sociedade. Trata-se de entender como e de que forma de-
vemos interagir com os diferentes sujeitos sociais e seus diferentes 
pertencimentos culturais e políticos. Enquanto a ética nos imprime 
uma ideia de valores e normas sociais construídos historicamente 
de acordo com as diferentes demandas sociais dos grupos que inte-
gram a sociedade, a ideia de cidadania nos remete ao pertencimento 
a uma localidade e ao compartilhamento de valores e normas sociais 
da mesma. Portanto, tanto a questão da cidadania quanto a ideia da 
ética nos fornecem mapas referenciais para nossas ações e intera-
ções, com o objetivo de identificar a qual conceito de moral estamos 
submetidos. Entendeu? Vamos explorar mais este debate ao longo 
desta Unidade.
11
Fundamentos de ética e cidadania
Ao término deste capítulo você deverá estar dominando os con-
ceitos de ética e moral, sabendo diferenciá-los e identificando sua 
importância para a vida em sociedade. Na atualidade, quando os in-
divíduos não conseguem perceber situações de caráter moral, eles 
acabam sendo capazes de manifestar posicionamentos ou formas 
de agir que podem acarretar em julgamentos negativos pela ordem 
social constituída. Vamos lá?
Conceitos, objetivos e princípios da ética 
e da moral
Iniciamos os nossos estudos sobreética e moral procurando enten-
der a definição desses conceitos e as diferenças existentes entre eles.
Para o educador Mário Sergio Cortella (2009), a ética é o 
princípio orientador de nossa conduta em sociedade, ela nos per-
mite distinguir e definir nossas ações e pensamentos em relação as 
diferentes experiências no mundo social. A ética está em nosso dia 
a dia e, em qualquer situação ou acontecimento, percebemos várias 
inferências dos moralistas ao solicitarem uma maior necessidade 
de afirmação ética. Realmente há um desgaste em falar de ética em 
tempos atuais, mas ainda é muito necessário entender o conceito 
e valorizar a sua aplicação.
Pode-se ousar dizer que é impossível avançar na compreensão 
do conceito de ética sem abordar a concepção de valores. Mas então, 
o que são valores? Desde quando nascemos somos ensinados sobre 
o que é certo e errado, a partir daí vamos direcionando nosso olhar 
e também disseminando valores impostos pela sociedade. Se con-
OBJETIVO
12
siderarmos que o valor moral é uma 
necessidade para a sobrevivência em 
sociedade, estaremos começando a 
entender mais sobre ética, moral e vida 
social, no sentido relacional – ou seja, 
de interação de uns com os outros.
Ademais, Cortella (2009) também 
vai afirmar que a ética é compreen-
dida no bojo dos estudos da filosofia e 
ela tem uma ligação com a construção 
da moralidade, pois a partir dessa relação nasce a ideia de um “exer-
cício de condutas”. Isto significa, para o autor, que a partir da con-
cepção ética espera-se que um indivíduo aja de forma previsível em 
uma determinada situação, pois entende-se que ele já incorporou as 
regras morais que irão compor o seu comportamento social.
Por meio destas considerações podemos inferir que a ética é 
a vida pensada, isto é, uma proposta de ação a partir do que a moral 
estabelece. Nesse sentido, precisamos reconhecer que a ética está 
no centro da construção de relações sociais harmônicas e benéficas 
para a preservação do todo social, isso porque ela aponta a ideia de 
uma ação que leva em conta o outro e que se fundamenta na forte 
presença dos valores morais.
ÉTICA: define-se como um modo de agir a partir de uma norma 
moral incorporada, refere-se à uma orientação de vida que deve, 
supostamente, levar em consideração a preservação positiva da vida 
em sociedade.
Ainda explorando o conceito de ética como parte da Filosofia, 
a qual fundamentalmente implica em um entendimento do com-
portamento moral, vejamos de forma panorâmica como os clássicos 
filósofos consideravam este conceito.
Figura 1: Ética e vida coletiva
Fonte: Pixabay
DEFINIÇÃO
13
Nos estudos da pesquisadora Marilena Chauí (2010) encon-
tramos que, para os sofistas, a ética era relativista, pois em suas 
concepções não haviam normas universais de definição para a vida 
social. Sócrates, tanto quanto Kant, buscavam o entendimento da 
ética a partir da compreensão da alma humana, eles acreditavam 
que nela residiria os fundamentos da moral. Já nos ideais de Platão, 
vemos a separação entre corpo e alma, para ele o corpo estava su-
jeito as paixões e poderia desviar-se do bem, por isso o homem só 
conseguiria desenvolver a ética para o bem comum na Pólis.
Ainda em Chauí (2010) vemos que, para os estóicos, a ética 
constituía uma ideia de autocontrole que levava à uma aceitação da 
realidade, uma clara noção de destino traçado sob a égide de uma 
razão universal, o que levava a um estado de serenidade da alma. 
Por outro lado, os epicuristas ao falarem de ética e da imperturba-
bilidade da alma mostravam que esta era uma finalidade da mesma.
Entretanto, estes pensadores adotavam quatro princípios 
para entendimento da ética: o primeiro era que o homem não devia 
temer aos deuses; o segundo indicava que o homem não devia te-
mer a morte; o terceiro apontava que a felicidade era possível de ser 
alcançada; e, finalmente, o quarto princípio dizia que qualquer dor 
pode ser suportada. Por meio destas ideias os filósofos pretendiam 
afirmar que a ética enquanto bem fundamental é a defesa do prazer, 
não o prazer sexual, mas, sobretudo, o prazer relacionado ao sen-
timento de amizade. Ademais, em Aristóteles veremos que a ética 
está relacionada à busca pela felicidade, que deve ser encontrada no 
bem comum e na ação do homem na Pólis.
Figura 2 - Reflexão sobre Ética
Fonte: Freepik.
14
Anteriormente falamos sobre o conceito de ética, mas não 
podemos deixar de trazer considerações sobre o conceito de moral. 
Portanto, o que é a moral? Podemos inferir que a moral é um con-
junto de regras, normas de uma sociedade ou localidade, tornando-
-se relevante pela proporção do desrespeito das pessoas às leis. A 
moral funciona como um conjunto de condutas que devem direcio-
nar as diferentes formas de agir dos indivíduos.
MORAL - o conjunto de condutas e normas que os indivíduos costu-
mam aceitar como válidas. Essas regras são adquiridas na educação, 
através da cultura e das tradições dos diferentes grupos sociais. Cada 
grupo tem suas regras e concepções morais.
Para Chauí (2010), o filósofo Immanuel Kant (1921) foi quem 
mais discutiu a ética formal, compreendendo que a moral do com-
portamento reside na vontade e nos motivos do agente considerado.
É importante entender que aquilo que não é moral, pode ser:
IMORAL: com conotação de tudo aquilo que se opõe a moral, por 
exemplo, o questionamento da atuação dos políticos no Brasil.
AMORAL: um homem que se comporta de forma independente dos 
juízos sobre o bem e o mal, ele não considera qualquer parâmetro de 
moral para sua conduta.
DEFINIÇÃO
IMPORTANTE
15
Figura 3 - Regras morais para o erro ou acerto social
Fonte: Pixabay.
A ética e a moral andam de mãos dadas, apesar disso, elas essen-
cialmente possuem conceitos diferentes. É preciso saber que a éti-
ca é importante porque revela o respeito aos outros e a dignidade 
humana. Todos nós possuímos ética, mas temos que desenvolver e 
acreditar no bem, pois ela tanto nos orienta quanto nos ajuda para 
termos uma vida boa.
A seguir, observe o quadro com as principais diferenças entre 
os conceitos de ética e moral:
Tabela 1 - Ética e Moral: apontamentos diferenciais
Fonte: Elaborada pela autora.
Assim, a ética pode ser entendida como um parâmetro, 
a lei do que seja ato moral, o controle de aplicação da morali-
dade. Ou seja, são os códigos de ética que devem ser exercidos 
para os diferentes conjuntos de grupos dentro do sistema social 
EXPLICANDO
ÉTICA
Princípio teórico-reflexivo
Ética é temporal
Ética é universal
MORAL
Regras de condutas específicas
Moral é temporária
Moral é cultural
16
mais abrangente. Já a moral, por sua vez, de acordo com as ideias 
de Kant e sistematizadas por Chauí (2010), é tudo aquilo que precisa 
ser feito, independentemente das vantagens ou prejuízos que pos-
sa trazer. Se praticarmos um ato moral, podemos até sofrer conse-
quências negativas, já que o que é moral para uns pode ser amoral 
ou imoral para outros.
Figura 4 - Diferenças entre Ética e Moral
Fonte: Editorial Telesapiens.
ÉTICA
Lida com o CERTO e o ERRADO
Modo social de agir: implica no 
consenso e na adesão da socie-
dade.
Norma e regras pessoais: é 
guiada pela cultura da socieda-
de.
Coletivo: se constrói a partir do 
consenso de várias morais.
MORAL
Lida com o CERTO e o ERRADO
Modo pessoal de agir: é adqui-
rida e formada ao longo da vida, 
por experiências.
Normas e regras pessoais: é 
guiada pela consciência.
Individual: é o que fundamenta 
a ética.
17
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu um pouco mais? 
Agora, para reforçarmos o tema de estudo desta primeira parte da 
Unidade 1 e termos a certeza de sua fixação, vamos resumir tudo o 
que vimos até aqui. Você deve ter aprendido que ética e moral são 
conceitos complementares, porém, diferentes em sua essência. 
Além disso, procuramos destacar que a ética é uma reflexão e a in-
ternalização dos valores morais, que são específicos para um grupo 
ou sociedade, pois cada grupo social possui suasnormas e orienta-
ções de conduta. Ao escolhermos orientar a nossa ação pensando na 
preservação positiva da interação social e no bem do outro, estamos 
atuando de forma ética. Nem sempre, durante a história, a ideia de 
ética foi pensada e empregada da mesma forma que adotamos nos 
dias de hoje. A ética nos faz discernir entre certo e errado, mas com 
foco na organização e preservação do social, da manutenção do bem 
estar alheio.
RESUMINDO
18
Conceito de cidadania
Pensar em um conceito de cidadania nos remete a um sentimen-
to de pertencimento a um Estado, uma nação ou um Estado-nação. 
Devemos entender que este conceito vem a ser um grande ponto de 
referência para extrairmos a compreensão de direitos, obrigações 
e deveres de cada indivíduo mediante o todo social que, a partir de 
uma representação política, pode direcionar ou não os interesses de 
um grupo de indivíduos em um sistema político. Estes indivíduos 
podem, ou não, se constituírem como cidadãos. A partir destas con-
siderações, levantamos duas questões: o que é ser cidadão? O que 
podemos entender sobre cidadania?
Para o cientista político e historiador brasileiro José Murilo de 
Carvalho (2002), o conceito de cidadania foi relacionado a um cos-
tume de desdobrar a cidadania em direitos civis, políticos e sociais. 
Por meio desta ideia, ele defenderá que o cidadão pleno seria aque-
le que possuísse os três direitos. Contudo, ainda teria os cidadãos 
incompletos, cujos direitos estariam reduzidos em alguns poucos, 
como também aqueles que não teriam nenhum dos direitos, sendo 
considerados não-cidadãos.
Para ele Carvalho (2002), ao resumir o conceito de cidada-
nia a posse e o gozo de direitos civis, políticos e sociais, também é 
preciso compreender o que significa cada um desses direitos. Neste 
sentido, de acordo com o autor, vemos que:
 • Direito civil: é aquele que garante o ir e vir, além da possi-
bilidade de agrupar-se em movimentos, como sindicatos, de 
realizar greve etc; possuir seus próprios bens (propriedade 
privada); livre organização religiosa ou mesmo ideológica.
 • Direito político: é aquele que se realiza no ato de votar e ser 
votado, na participação da vida política do país. O indivíduo 
pode ser candidato à representação e também pode escolher 
quem quer que o represente.
 • Direito social: é aquele que se refere às ações governamentais 
e da sociedade civil organizada em prover serviços ao cidadão, 
como: saúde, educação e políticas (assistências) sociais.
19
Figura 5 - Cidadania e a relação com os direitos
Fonte: Wikimedia Commons.
O sociólogo britânico Thomas Humphrey Marshall (2002), ao 
desenvolver a discussão sobre o conceito de cidadania, mostra que 
essa concepção foi construída na Inglaterra, antes da Revolução In-
dustrial e em um contexto de necessidade de afirmação de direitos, 
uma vez que o reconhecimento de garantias legais aos nobres, pos-
teriormente aos burgueses e até à classe trabalhadora, mostrou-se 
como uma tarefa primordial à organização das relações de produ-
ção, que se consolidariam mais tarde na sociedade moderna.
Para o teórico, a evolução da cidadania só se concretiza com a 
conquista de direitos ao longo da história. A cidadania é pensada por 
ele considerando aspectos civis, políticos e sociais. Por outro lado, 
se nos voltarmos à origem histórica do conceito, partindo da gêne-
se do seu vocábulo, percebemos que ele vem do latim “civitas”, que 
significa cidade. Esta palavra, cidadania, era comumente utilizada 
no contexto da Roma antiga para identificar a situação política de 
uma pessoa e os direitos que ela poderia usufruir.
Com esse histórico de debates e conceitos, vemos que a ideia 
de cidadania não é algo estável, definido ou adquirido sem um en-
tendimento de ação. Com isso, faz-se necessário destacar que não é 
20
a conquista de um direito que significa que ele vá de fato ser efeti-
vado. A cidadania é um exercício de saber agir da forma necessária 
para ser incluído socialmente, ela também se relaciona com o desejo 
do cidadão em participar da construção de novas relações, da sua 
consciência de direitos e a busca por suas possíveis efetivações.
É muito comum acharmos que a ideia de cidadania pode se resumir 
apenas com a efetivação de direitos para cada indivíduo ou grupo 
social. Entretanto, é necessário destacar que a cidadania envolve 
também uma compreensão dos deveres de cada um para com o seu 
país, estado ou a cidade onde habita. Ter deveres é assumir que há 
uma relação de troca recíproca entre receber, obter ou conquistar 
direitos e praticar a realização de deveres. Ao indivíduo cabe exerci-
tar o cumprimento de um papel social que possui tarefas para con-
tinuamente fortalecer e ressignificar a vida social.
SAIBA MAIS
21
Tabela 2 - Direitos e deveres do cidadão brasileiro
Fonte: Tabela elaborada pela autora e baseada nas informações de Tié Lenzi (Toda 
Política/Cidadania).
Direitos civis
direito à vida;
direito à 
liberdade de 
expressão;
liberdade de ir 
e vir;
igualdade 
entre homens e 
mulheres;
proteção da 
intimidade e da 
vida privada;
liberdade para 
exercer sua 
profissão;
direito à 
propriedade.
Direitos 
sociais
educação;
saúde;
alimentação;
trabalho;
moradia;
transporte;
lazer.
Direitos 
políticos
garantia de voto 
direto e secreto, 
com igual valor 
para todos;
direito a ser 
candidato a 
um cargo nas 
eleições.
—
—
—
—
—
Deveres
participar 
das eleições, 
escolhendo e 
votando nos seus 
candidatos;
estar atento ao 
cumprimento 
das leis do país;
pagar os 
impostos 
devidos;
participar 
da escolha 
das políticas 
públicas;
respeitar os 
direitos dos 
outros cidadãos;
proteger o 
patrimônio 
público;
proteger o meio 
ambiente.
22
Figura 6 - Cidade e cidadania
Fonte: Pixabay.
Com toda a discussão apresentada, é importante lembrar da obra “O 
Cidadão de Papel”, do escritor brasileiro Gilberto Dimenstein, pu-
blicada e vencedora do Prêmio Jabuti de Literatura em 1994. O livro 
aborda o fato de que no Brasil a cidadania está no papel, ou seja, não 
existe de verdade. Isso é perceptível uma vez que o autor destaca 
a violência social e a juventude dos anos 90, além da ausência de 
projetos voltados para educação, informação e a pobreza. De lá pra 
cá muitas situações se atualizaram, mas de todo modo esta obra é 
bastante atual e nos faz refletir sobre o quanto ainda temos por con-
quistar por meio da participação e reinvindicação de nossos direitos. 
Vale a pena lê-lo.
IMPORTANTE
23
Figura 7 – Capa da obra “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein
Fonte: Editora Ática.
CIDADANIA: refere-se a um conjunto de ações com caráter de rei-
vindicação que se volta para o interesse coletivo. É em seu exercí-
cio que se aprimoram práticas de convivência melhores e tratam da 
qualidade de vida dos habitantes da cidade. Ademais, trata-se de 
um conceito diretamente ligado a uma ideia de aprendizagem so-
cial, que busca em sua culminância o atendimento de direitos, como 
também a compreensão dos compromissos e deveres a cumprir.
É muito importante também entender sobre a relação entre o 
conceito de cidadania e a educação. Pois durante o processo educa-
tivo se desenvolvem valores e uma maior consciência com relação 
a preocupação com o outro, além da responsabilidade para com a 
vida social. Nesse sentido, no Brasil e na América Latina, a partir das 
décadas de 80 e 90, as discussões sobre cidadania, direitos huma-
nos e democracia ganham muito destaque, sobretudo nos exercícios 
da educação formal e informal. Em decorrência disso, foram criados 
documentos formais com o objetivo de orientar a educação para à 
DEFINIÇÃO
24
formação da cidadania. Exemplos claros dessas iniciativas encon-
tram-se nos documentos listados abaixo:
 • Constituição Federal (1988);
 • Lei de Diretrizes e Bases – LDB (1996);
 • Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (1990);
 • Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH (1996);
 • Propostas de Políticas Educacionais.
É notável que existemsentimentos e valores educacionais 
que podem ser desenvolvidos e aprendidos na família ou na escola, 
tanto pela educação formal quanto pela informal, capazes de cola-
borar para o despertar da cidadania. Neste contexo, destacamos os 
valores da cooperação, perdão, respeito, sinceridade, diálogo, soli-
dariedade, combate à violência, bondade, etc. Tratam-se de valores 
presentes em nossa humanidade e quando eles são bem trabalhados 
podem otimizar responsabilidades e aptidões para o fortalecimento 
de relações sociais pautadas na garantia recíproca de efetivação de 
direitos e deveres.
Veja como a LDB 9.394/96 direciona as suas 
diretrizes para uma educação nacional voltada 
à formação do cidadão, disponível no link ou 
no QR Code ao lado:
O professor José Gimeno Sacristán (2000) infere que a dis-
tância entre os direitos no papel e a efetiva cidadania só é possível 
ser estreitada quando os envolvidos tomam para si a atitude de fo-
mentar ideias práticas.
SAIBA MAIS
25
As autoras Claudia Mara de Almeida e Kátia Cristina Dambiski 
Soares (2010) apontam que a ligação entre a vida individual e a co-
munitária só ocorre quando há um reconhecimento mútuo da rele-
vância recíproca entre os dois. Este, para os autores, é o verdadeiro 
sentido da cidadania, sem exclusões sociais.
Já sobre a relação entre cidadania e educação, o educador 
Paulo Freire (2011) orienta que o homem deve ser o sujeito da sua 
ação, criando e transformando o mundo. Em seu olhar, a escola deve 
funcionar como um espaço que tende a oferecer ao indivíduo o exer-
cício da cidadania e a possibilidade de redefinição da realidade.
Figura 8 - Escola e Cidadania
Fonte: Pixabay.
Saiba mais sobre a cidadania em contexto escolar através do artigo 
acadêmico “Cidadania em contexto escolar: concepções e práticas” 
escrito pelas pesquisadoras Francielle Barrinuevo Zambon e Francieli 
Araujo (Universidade Estadual de Londrina).
SAIBA MAIS
26
E então? Como foi a experiência de aprendizagem com o conceito de 
cidadania? Vamos resumir um pouco do que vimos até aqui, ,para 
que você possa fixar o assunto desta parte da Unidade. Você deve 
ter aprendido que é muito importante compreender que a cidadania 
é um conceito que articula nossos direitos e deveres. Além disso, o 
exercício da mesma torna a coletividade ativa e integrada para uma 
harmonia social. A cidadania destaca a liberdade e a convivência co-
munitária muito mais do que qualquer questão de relações de poder 
ou governo constituído. Ser cidadão é participar de forma ativa da 
realidade social em que se está inserido, protagonizando a busca 
de qualidade de vida para seus membros, pela via da efetivação de 
direitos. No entanto, não devemos esquecer que também possuí-
mos deveres com a nossa comunidade. Por fim, vimos o importante 
papel que a educação ocupa na formação do cidadão, uma vez que 
através da educação formal e informal é possível transmitir os valo-
res para a formação cidadã, oferecendo liberdade e autonomia para 
os indivíduos atuarem na sociedade de forma digna.
RESUMINDO
27
A ética social e a política
Iniciamos nossos estudos sobre a ética e a política considerando 
o pensamento da filósofa alemã Hannah Arendt (2003) que nos 
mostra que política é ação e, portanto, nenhuma questão política 
pode, segundo ela, estar submetida a subjetividade. Na visão des-
ta autora, o entendimento da ideia de práxis é a mola mestra para 
a compreensão de seu conceito de ética, que muito está relacionado 
com o que já vimos aqui. Para ela, a ética envolve-se com o cuidado 
com o mundo, com o espaço das relações humanas e também com 
o local que permite a vida e a singularidade humana.
Arendt (2003) preocupa-se não com a subjetividade do 
homem, mas sim com os homens em pluralidade. Assim, perce-
bemos que o conceito de ética social está direcionado para este 
olhar. A filósofa aponta que as atividades humanas são o resultado 
da produção desenvolvida no mundo da vida ativa, além disso, é no 
mundo (na práxis) que o homem transita e desenvolve atividades 
que condicionam sua existência. O cuidado com o mundo é, por con-
seguinte, o cuidado com a singularidade humana, para a autora.
Permanecendo neste raciocínio, as reflexões de Hannah 
Arendt colaboram para o nosso conhecimento sobre a questão 
política, pois ela define que esta atividade não deve se submeter 
às questões morais, contrapondo-se as ideias do pensador italia-
no e renascentista Nicolau Maquiavel ao afirmar que a política não 
deve ser guiada para atingir meios e fins. Popularmente é atribuída 
a Maquiavel, um dos clássicos da política, a frase de que os fins jus-
tificam os meios, contudo, Arendt (2003) acredita que se a pratici-
dade é o agir, então a forma instrumentalizada de calcular formas 
para atingir objetivos em política acabam por se configurarem em 
pré-ação e teoria para controlar a ação. Segundo a filósofa alemã, 
a política não deve seguir qualquer natureza ou espírito, mas sim ter 
o compromisso com o “espírito correto”, algo que se define em si 
mesmo, sem qualquer teleologia ou previsibilidade. A ação política 
informa a distinção articular de cada homem.
Ainda seguindo o pensamento de Arendt (2003), a ética é a 
pluralidade humana constitutiva do mundo, o que faz a ideia de uma 
28
ética social ser mais forte e presente para que as relações humanas 
se processem de forma operativa. Visto dessa forma, a pensadora 
mostra que a ética varia de acordo com o espaço político e o agir 
é livre de qualquer determinação.
 A discussão que trouxemos até aqui serve para evidenciar 
que a experiência coletiva das pessoas e sua respectiva construção 
cultural têm em si mesmas um valor significativo para a compreen-
são do conceito de ética social. Inclusive, ao abordarmos tal conceito 
estamos, na verdade, no campo do pensamento sobre o que pode 
ou não ser aceitável socialmente. Ademais, isso se deve ao próprio 
princípio que o conceito traz consigo: a ideia de que os membros 
de uma comunidade precisam de cuidados de forma homogênea.
ÉTICA SOCIAL: conjunto de regras e diretrizes que balizam as es-
colhas e comportamentos de uma sociedade que resolveu adotá-los 
como padrões de conduta. Ela funciona como um roteiro, um código 
de práticas, mas sem que haja uma necessidade de dizer o que se 
deve ou não seguir, ou seja, tratam-se dos modelos que são funda-
mentalmente seguidos socialmente.
A ética social apresenta princípios que precisamos conhecer: 
à dignidade da pessoa; o direito de propriedade; a primazia do tra-
balho; a primazia do bem comum; à solidariedade e subsidiariedade.
Em continuidade, o escritor Antônio Lopes de Sá (2009) de-
senvolve a ideia de que existem hábitos dignos de louvor, isto é, 
existe uma conduta virtuosa padrão que serve de referência quan-
do pensamos no respeito a todos os seres humanos. O autor bus-
ca em Aristóteles a lógica da virtude já que, para o filósofo grego, 
se um homem adota uma conduta virtuosa em um local onde não há 
a prática comum desta atitude, então este seria um homem virtuoso.
DEFINIÇÃO
29
Em Aristóteles (1997) vemos também 
uma iniciativa em considerar que o verdadei-
ro sentido da ética é voltar-se para a comuni-
dade na amplitude da mesma e no exercício 
da cidadania, objetivando a formação e or-
ganização da consciência política humana. 
Para ele, “o homem é um animal político”.
Dessa forma, é possível traçar ime-
diatamente uma relação entre a ética social 
e a política, pois, conforme Aristóteles de-
marca em seus estudos, a política é o campo 
da busca do bem comum. Nesse sentido, vale 
a ideia de que ética e política devem caminhar 
lado a lado, uma vez que ambos os conceitos 
apresentam um viés corporativo, aquele que 
conduz ao bem-estar da comunidade, do co-
letivo, do social.
Analisando a etimologia da palavra política, observamos 
que ela é derivada do termo grego pólis (politikós) e seu signifi-
cado diz respeito ao urbano, ao civil, ao que é da cidade (da pólis).
O cientista político Francisco Correia Weffort(2001) mos-
tra que os pensadores clássicos podem nos guiar na compreensão 
do conceito fundamental de política, como também na sustenta-
ção da sua relação com a ética, já iniciada acima. Segundo o autor, 
para Thomas Hobbes a humanidade vivia em estado de anarquia 
e ao criar a sociedade, através do pacto social, formou-se conjunta-
mente a chamada sociedade política. Para o filósofo clássico inglês, 
os homens mediante seu estado de guerra abriram mão de suas de-
cisões e escolhas mais individuais para constituírem o Estado sobe-
rano, que não permitiria a volta ao Estado de natureza (estágio en-
tendido com a ausência de sociedade). Tal movimento fez com que 
a representação política desses homens fosse delegada ao soberano, 
que deveria exercer o seu poder em favor do bem comum, garantin-
do o perfeito funcionamento de todo grupo social.
Em sua obra, o cientista político também revela que em John 
Locke vemos que no Estado de natureza não teria um significado 
Figura 9 – Capa da 
obra “A Política”, de 
Aristóteles
Fonte: Edipro.
30
de caos, mas de ordem e razão. Segundo o filósofo empirista inglês, 
o Estado surgiu para assegurar a lei natural, bem como para man-
ter a harmonia entre os homens. Locke destaca que não houve uma 
transmissão dos direitos naturais ao Estado, pelo contrário, ocorreu 
um cessão temporária deles, pois o pensador acredita que a sobe-
rania é um valor e que deve ser exercido pela maioria, assim como 
o respeito aos direitos à vida, à liberdade, à propriedade.
Weffort (2001) apresenta, ainda, a teoria de Jean Jacques 
Rousseau, que parte do princípio de que houve um Estado de na-
tureza que não se constituía no caos de Hobbes e nem no mundo 
ordeiro e racional, como assegurava John Locke. Os homens viviam 
em caráter de desigualdades, mas eram livres e felizes. A sociedade 
política surge, então, como um mal necessário para manter a ordem 
e evitar o retorno das desigualdades. Assim, na criação do Estado 
a partir do contrato social, o indivíduo cedeu parte de seus direitos 
naturais para a criação de uma entidade detentora de uma vontade 
geral, portanto, a soberania do Estado é a incorporação da vontade 
geral de todos.
John Locke, Thomas Hobbes e Jean Jacques Rousseau integram 
os teóricos do volume 1 da obra “Os clássicos da política”, organi-
zado por Francisco Correia Weffort. Os filósofos clássicos discutem 
a criação do Estado a partir de um pacto social, fomentado pe-
los homens. Para saber mais sobre tais teorias, leia: WEFFORT, 
Francisco Correia (Org.). Os clássicos da política: Maquiavel, 
Hobbes, Locke, Montesqueu, Rousseau, “O federalista”. v. 1. 13 ed. 
São Paulo: Ática, 2001.
Uma questão que merece ser ressaltada é a de que todos es-
ses pensadores falam de política como um lugar de representação 
de todos e essa possibilidade de ação está diretamente vinculada 
à concepção de ética social. Isso pois, quando se analisa a criação 
DICA
31
do contrato social, a organização da sociedade política e a soberania 
da vontade geral, deve-se considerar o princípio de comando polí-
tico com referência da orientação ética, do governar para o outro.
Semelhante ao que pensamos, temos visto nos dias atuais 
a questão da ética social nas empresas e, no interior das socieda-
des empresariais, já existem comportamentos de valorização e di-
mensionamento da preservação ambiental, por exemplo. Ideias 
e projetos ecológicos que, inclusive, fundem-se com perspectivas 
de responsabilidade social, além disso, muitos líderes corporati-
vos precisam, por normas éticas, doar uma porcentagem dos lucros 
anuais para instituições de caridade. Essa pode ser uma ação que 
está diretamente vinculada com a real necessidade de ajuste para 
condutas que são aceitas, valorizadas e instituídas socialmente. 
Temos muitos padrões que fortalecem a ética social e que se in-
cluem nos valores familiares, nas crenças religiosas, na morali-
dade e na integridade.
Figura 10 - Problemas para a Ética Social
Fonte: Elaborada pela autora (2019).
Os desafios para a ética social, aliada a representação políti-
ca, são obstáculos ainda vigentes no mundo atual. Com base neles, 
é preciso rever práticas e condutas de gestão de comunidades, re-
cursos e da própria concepção de coletividade e bem comum.
CLONAGEM 
HUMANA
ECONOMIA
POBREZA
IMIGRAÇÃO
FOME
32
Entendeu um pouco sobre a relação entre ética social e política? Nes-
ta parte da Unidade procuramos demonstrar como os conceitos de 
ética social e política devem estar associados para a prática do bem 
comum. Reforçamos que a ética consiste em uma regra usada para 
focar na construção do relacionamento com os outros, além disso, 
destacamos que. o sentido e conceito de ética social foi desenvolvi-
do como um verdadeiro código de conduta que é aceito e praticado 
pelos membros de um grupo social. Falamos também dos clássicos 
da política: Hobbes, Locke e Rousseau, com o intuito de mostrar que 
em meio ao caos social os homens criaram a ordem e delegaram sua 
concepção de representação ao Estado, acreditando que este pode 
gerir suas vontades comuns. Vimos cada pensador com a sua teoria, 
mas no bojo conceitual, o principal é entender que a política deveria 
conduzir a sociedade pela lente da ética, já que em sua originalidade 
conceitual, ela pode se voltar para o bem comum.
RESUMINDO
33
A ética e a moral na contemporaneidade
Chegamos na parte desta Unidade em que será possível estabe-
lecer uma reflexão muito importante e capaz de promover novos 
olhares sobre as diferentes situações em que vivemos nos tempos 
atuais. Devemos observar a relação sobre ética e moral na sociedade 
contemporânea para que possamos entender melhor os diversos 
posicionamentos em diferentes culturas e grupos sociais.
Anteriormente vimos que existem desafios impostos à aná-
lise da ética social, vinculada à política, mas a partir de agora pre-
cisamos pensar na generalidade das concepções de ética e moral 
já aprendidas e que podem ser utilizadas para o entendimento 
dos diversos desafios.
Vamos iniciar nossa reflexão escolhendo um dos grandes 
problemas da humanidade, cuja dimensão nos entristece: a fome 
mundial. A fome é uma questão social, mas atente-se para a relação 
com que os países de primeiro mundo têm no que se refere ao tra-
to desta problemática. Você poderá entendê-la melhor ao acionar 
os conceitos de ética e moral, aplicando-os tanto para analisar 
quanto para refletir sobre as informações das duas reportagens 
apresentadas abaixo:
 • Primeira reportagem:
Fome extrema atinge mais de 113 milhões no mundo
África é o continente mais afetado Influenciado por conflitos armados
DEUTSCHE WELLE 
02.abr.2019 (terça-feira) - 18h32 
atualizado: 03.abr.2019 (quarta-feira) - 7h12
Mais de 113 milhões de pessoas em 53 países sofreram “insegurança 
alimentar aguda” em 2018, afirma um relatório global da ONU sobre 
a crise alimentar divulgado nesta terça- feira (02/04).
O relatório apresentado pela União Europeia (UE), Orga-
nização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) 
e o Programa Alimentar Mundial (PAM), entre outras organizações, 
destaca que o problema afeta principalmente o continente africano.
34
Os países que atravessaram as mais graves crises alimentares 
são: Iêmen, República Democrática do Congo, Afeganistão, Etiópia, 
Síria, Sudão, Sudão do Sul e o norte da Nigéria.
Dominique Burgeon, chefe de emergências da FAO, afirmou 
que os países africanos são atingidos de forma “desproporcional” 
pela fome aguda, com quase 72 milhões de pessoas afetadas. Segun-
do o documento, nos últimos três anos, cerca de 50 países vivem 
dificuldades cada vez maiores para alimentar a suas populações.
A principal causa da insegurança alimentar em todo o mundo 
foram as guerras. Cerca de 74 milhões de pessoas, ou seja, dois ter-
ços da população que enfrenta a fome aguda, estavam em 21 países 
ou territórios localizados em zonas de conflito, assim como já havia 
ocorrido em 2017.
“Nesses países, até 80% das populações afetadasdependem 
da agricultura”, afirmou Burgeon. “Estas pessoas precisam receber 
assistência humanitária de emergência para poder se alimentar e con-
dições para impulsionar a agricultura.”
Em 2018, o número total de pessoas que sofreram fome aguda 
apresentou leve redução em comparação a 2017 (124 milhões). Isso 
pode ter ocorrido em razão de alguns países estarem menos expos-
tos a riscos climáticos violentos, como secas, inundações ou chuvas.
“Este recuo no valor absoluto é um epifenômeno”, minimizou 
Burgeon. A redução ocorreu “devido à ausência do fenômeno climáti-
co ‘El Nino’, que afetou muito as culturas na África Austral e no Sudeste 
Asiático em 2017”. “Por causa dos violentos ciclones e tempestades em 
Moçambique e no Malawi este ano, já sabemos que esses países estarão 
no relatório do ano que vem”, observou.
José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO, avalia que, ape-
sar da ligeira queda em 2018 no número de pessoas com insegurança 
alimentar aguda, a forma mais extrema de fome, “o número ainda 
é alto demais”.
Ele diz que é preciso investimentos de grande porte no de-
senvolvimento, ajuda humanitária e na construção da paz “para 
construir a resiliência das populações afetadas e pessoas vulneráveis”, 
acrescentando que “para salvar vidas, também temos que salvar 
os meios de subsistência”.
35
O diretor-executivo do PAM, David Beasley, observou que 
para erradicar a fome é necessário atacar suas causas fundamen-
tais. “Conflitos, instabilidade, impacto dos choques climáticos. Rapazes 
e moças precisam ser bem nutridos e educados, as mulheres precisam 
ser verdadeiramente fortalecidas, a infraestrutura rural deve ser forta-
lecida para conseguirmos esse objetivo de fome zero”, destacou.
O relatório pede o fortalecimento da cooperação entre a pre-
venção, preparação e reação no atendimento às necessidades hu-
manitárias urgentes e às causas profundas, que incluem as mudan-
ças climáticas, choques econômicos, conflitos e deslocamentos.
RC/afp/lusa/dpa
Fonte: Poder360. Acesso em 04 de julho de 2022.
 • Segunda reportagem:
Saiba quem é a brasileira que doou R$ 88 milhões a Notre-Dame
Viúva de banqueiro, ela tem sala em sua homenagem no Louvre
Da Redação 
17.04.2019, 18:32:00 
Uma brasileira está entre os bilionários que doaram grandes somas 
para a reconstrução da Catedral de Notre-Dame, de Paris, atingida 
por um grande incêndio na segunda-feira (15). Lily Safra, 81 anos, 
viúva do banqueiro Edmond Safra, enviou para a campanha de re-
construção um cheque de 20 milhões de euros - cerca de R$ 88 
milhões. Segundo o Glamurama, ela tem fortuna estimada em 1,3 
bilhão de dólares (R$ 5,1 bilhões).
A bilionária atualmente se divide entre casas que tem na Eu-
ropa - vive entre Mônaco, Londres, Nova York e a própria Paris. 
Ela já recebeu uma Légion d’Honneur, uma medalha de honra dada 
para pessoas que contribuíram com a França. Uma sala no Museu 
do Louvre, a Galeria Edmond et Lily Safre, é batizada em homena-
gem a ela e ao falecido marido. O ambiente é todo decorado com mo-
biliário do século 18 doado pelo casal.
Um livro da jornalista canadense Isabel Vincent chama a bi-
lionária de “Lily Dourada”, nome da biografia. A escritora, que era 
36
na ocasião repórter do New York Post, passou cerca de um ano no 
Brasil entrevistando pessoas sobre o casal. A publicação traz deta-
lhes sobre o suicídio do segundo marido de Lily, o empresário Alfre-
do Monteverde. No almoço antes da morte, Lily e o marido discuti-
ram detalhes do divórcio. Quando ela saiu, ele tirou a própria vida.
O pai de Lily era um inglês do ramo de ferrovias que che-
gou ao Brasil no início do século XX. Ela nasceu em Canoas, no Rio 
Grande do Sul. Seu primeiro marido, o argentino Mario Cohen, era 
um milionário fabricante de meias de náilon. O casal viveu no Bra-
sil, Argentina e Uruguai e teve três filhos - o mais novo, Claudio, 
morreu em 1986 em um acidente de carro. A relação com Monte-
verde veio depois - ela se divorciou para ir morar no Rio com a nova 
paixão, que era empresário e foi fundador da rede Ponto Frio. Mon-
teverde tirou a própria vida em 1969. Eles tiveram dois filhos.
Depois, Lily se mudou para o Reino Unido, onde morou por 10 
anos. Ela chegou a casar em 1972 com um inglês, mas o casamento 
foi posteriormente anulado. Então conheceu Safra, na época o bra-
sileiro mais rico do mundo. Os dois se aproximaram durante uma 
disputa em um leilão, segundo a revista Joyce Pascowitch. Edmond, 
já quarentão, ganhou e comprou a escultura, mas presenteou Lily 
com a obra. Libanês naturalizado brasileiro, era um homem mui-
to discreto. Viveram muitos anos em Nova York, em uma cobertura 
repleta de pinturas e esculturas — arte era uma paixão de ambos.
O casamento durou 23 anos, até que em 1999 Safra morreu. 
Em Mônaco, onde passavam temporadas, Edmond Safra foi víti-
ma de um incêndio. Seu corpo foi achado na banheira de uma suíte, 
próximo ao de sua enfermeira. O julgamento sobre o caso consi-
derou culpado pelo incêndio um de seus enfermeiros, Ted Mahrer, 
que teria ateado fogo a uma lixeira para salvar o patrão, como herói, 
depois. Trancado no banheiro por seis horas, o empresário morreu 
asfixiado pela fumaça. Safra lutou nos últimos anos de vida contra 
o Mal de Parkinson e tinha acompanhamento especializado em casa. 
Em 1998, ao revelar que sofria a doença, ele fez doação de 50 mi-
lhões de dólares a uma instituição de pesquisa sobre o tema.
Desde a morte do marido, Lily passou a se desfazer de parte 
dos bens e se envolver mais com ações filantrópicas, com a Fun-
37
dação Edmond J. Safra. Em 2004, ela doou 10 milhões de dólares 
à Universidade Harvard e o mesmo valor para uma entidade criada 
pelo ator Michael J. Fox para pesquisar a origem do Mal de Parkin-
son. Em 2005, colocou à venda 800 peças de sua coleção particu-
lar de arte pela casa de leilão Sotheby’s. “Minha vida e meus inte-
resses mudaram, e já não tenho tempo nem escala nas casas para 
apreciar a coleção como fazíamos antes. Tive então que tomar uma 
decisão difícil: é hora de transferir aos outros o prazer de possuir 
estes tesouros”.
Arrecadação
A campanha para reformar Notre-Dame arrecadou até ago-
ra quase 1 bilhão de euros. Entre os doadores famosos está Fran-
çois-Henri Pinault, marido da atriz Salma Hayek, do grupo Kering, 
que afirmou que vai contribuir com 100 milhões de euros. O grupo 
LVMH, da bilionária família Arnault, também doou € 200 milhões 
(R$860 milhões).
A empresa francesa de cosméticos, L’Oréal, dará 200 milhões 
de euros, um valor agregado aos 200 milhões doados
pelo grupo LVMH e aos 100 milhões prometidos respectiva-
mente pela família Pinault e pela petrolífera Total.
O presidente francês Emmanuel Macron disse que a França 
iria contar com ajuda de “talentos” para reconstruir a torre mais 
alta da construção, que ficou destruída. Ela afirmou que em 5 anos o 
local estará totalmente renovado e “ainda mais bonito”.
[...]
Fonte: Correio 24 horas. Acesso em 04 de julho de 2022.
A seguir, observe uma possível análise para à questão da fome, 
em face das circunstâncias expostas nas reportagens anteriormente.
Sob a ética do bem comum, quando comparamos as duas 
reportagens, logo nos vêm uma ideia de que a bilionária que doou 
milhões para a reconstrução da Catedral de Notre Dame, na Fran-
ça, supostamente não está apresentando uma preocupação ética em 
relação aos números da fome africana, problemática apresentada 
na primeira reportagem.
38
Esse tipo de reflexão, na verdade, é um importante exercício 
para a nossa compreensão sobre ética e moral. Em nossa observa-
ção, é possível perceber que devido a bilionária, com toda a sua ri-
queza, em se disponibilizar para ajudar nos custos da reconstrução 
de um patrimônio histórico da humanidade, a Catedral de Notre 
Dame, poderíamos compreender que para sua moral (a moral que 
a formou e a cultura da qual ela pertence) há um sentido de nobreza 
em tal gesto. No entanto, podemos conceber como “imoral” a ati-
tude dela em relação a não se disponibilizarpara doar uma quantia 
similar para o combate à fome na África. Note que esta situação é só 
um exemplo ou uma forma de debatermos questões contemporâ-
neas sob a perspectiva da ética e da moral.
Semelhante a esta reflexão, vemos também a situação da vio-
lência que invade as escolas no mundo inteiro. Há diversos casos de 
jovens e adultos que cometeram atentados sem qualquer escrúpu-
lo, fazendo alunos e alunas inocentes vítimas fatais de suas ações. 
De forma que nos colocamos perplexos, sem palavras, transtorna-
dos e tristes diante destas notícias.
Figura 11 - Violência nas escolas
Fonte: R7.
O fenômeno da violência nas escolas suscita reflexões sobre 
a moralidade presente no contexto em que ocorre, como também 
nos provoca a pensar acerca das nossas crenças éticas e se é possí-
vel traçar explicações para a ocorrência de tais atitudes por parte 
de alguns indivíduos. Tal conduta pode ser uma consequência de 
uma suposta situação de violência vivida na infância ou em decor-
39
rência dos atos de bullying sofridos na adolescência, por exemplo. 
Diante destas circunstâncias violentas é imprescindível que cada 
escola esteja atenta e preparada para acolher e formar os seus alu-
nos, fortalecendo os valores morais de bem comum e de promoção 
pessoal com cada aluno.
O importante em todas essas ideias e reflexões é compreen-
der a relatividade das situações, além da profundidade e contextua-
lização dos conceitos de ética e moral. Com isso, não estamos aqui 
para defender criminosos ou indivíduos negligentes com a questão 
social, pelo contrário, mostramos que matar não é ético, mas bus-
camos pensar sobre qual moral pertence aquele que pratica tal ato. 
Dessa forma, consideramos que na atualidade, com as situações 
desafiadoras trazidas pela era da globalização, a atual crise das re-
presentações políticas, a recessão econômica, a individualização, 
a tendência ao xenofobismo, a intolerância às diferenças, o avanço 
das tecnologias digitais e os estudos das possibilidades de mutações 
genéticas, vemos a grande importância da educação para a forma-
ção ética e da moralidade nos indivíduos.
O professor Marcus Levy Bencostta (2007) afirma que as ins-
tituições educacionais são fundamentais para o aprendizado de co-
nhecimentos específicos na formação de indivíduos autônomos ca-
pazes de interagir com as diferentes situaçsões que podem vivenciar 
no mundo contemporâneo. Ademais, o professor espanhol Adolfo 
Sánchez Vázquez (2003) nos lembra bem que a função social da mo-
ral deve ser a de regulamentação das relações entre os homens para 
contribuir com a manutenção e garantia da sociedade. Da mesma 
forma que é importante relembrar que a ética é uma prática direta-
mente relacionada à ação humana.
Bencostta (2007), em suas considerações, ainda reforça que 
a atividade em sala deve ser capaz de desenvolver habilidades 
e competências que colaborem para a definição de soluções para di-
lemas sociais. Pois é na escola que se pode criar um ambiente ideal 
para o aprendizado e a prática da ética, como também para a for-
mação do caráter e a possibilidade de falar sobre respeito, justiça, 
solidariedade e moral.
40
Por fim, o autor relaciona algumas propostas de trabalho 
para que tudo isso aconteça na escola. Observe:
 • Trabalhar conceitualmente – definir o conceito de ética e pro-
mover o debate criativo. Aceitar e mediar as opiniões das tur-
mas;
 • Construir uma atividade relacional – fornecer desafios para 
que os alunos e alunas convivam com a diferença;
 • Incentivar a tomada de decisões – Levar alunos e alunas a 
pensar nas situações concretas e como seria decidir pelo certo 
ou errado naquela situação. Por exemplo, desde contar uma 
mentira para sair mais cedo da escola até mesmo pensar a 
corrupção na política;
 • Jogar com situações limítrofes – apresentar circunstâncias 
em que o aluno é levado a pensar como se um familiar ou ami-
go estivesse em uma situação de risco, por exemplo;
 • Criação de regras com a turma – essa situação leva a debates 
quanto ao que os alunos querem para suas rotinas em termos 
de normas de conduta e o que realmente fazem, uma reflexão 
sobre o pensamento e ação.
Neste último tópico da Unidade 1 fomos capazes de revisar e exer-
citar a aplicação dos conceitos de ética e moral, você percebeu? 
Pensando sobre situações do contexto contemporâneo, vimos que a 
ética está sempre ligada a nossa formação moral. Compreendemos 
que ética e moral são conceitos que devem ser trabalhados na edu-
cação formal, ou seja, na escola. Além disso, não se pode prescindir 
de considerar que em situações afetadas por uma crise de valores os 
indivíduos podem deixar de agir conforme a moral e a ética social-
mente vigentes.
RESUMINDO
UN
ID
AD
E
2
Objetivos
1. Debater e compreender como o conceito de ética tem sido uti-
lizado na sociedade contemporânea.
2. Exprimir como problemas éticos podem apresentar-se nas 
profissões em cenários atuais.
3. Debater e entender a importância do Código de Ética para as 
diferentes profissões.
4. Demonstrar como se desenvolvem os princípios éticos em 
profissões não regulamentadas.
42
Introdução
Você sabia que pensar sobre ética em tempos atuais nos leva a ter 
que compreender cada vez mais as transformações sociais, econô-
micas e políticas em nossas vidas? No cenário de agudas mudanças 
trazidas pela globalização, vemos uma acentuada necessidade de 
atuar com ética para que a sociedade e as relações humanas possam 
acontecer de forma íntegra. Temos, ainda, a reflexão sobre nossa 
conduta e atuação no mundo profissional, portanto, precisamos 
saber como o conceito de ética colabora para definir determinados 
olhares e ações em diferentes profissões. O mundo do trabalho mudou, 
as situações que se apresentam são inovadoras, mas e quanto aos 
códigos de conduta no ambiente de trabalho? Será que eles possuem 
sua validade? Vamos lá! Esse é um convite para nos aprofundarmos 
nesses temas.
43
A ética no mundo do trabalho
Ao término desta Unidade você deverá estar debatendo e compreen-
dendo como o conceito de ética tem sido utilizado na sociedade con-
temporânea. Além disso, será capaz de avaliar diferentes situações 
que ocorrem no dia a dia das nossas rotinas de trabalho e que susci-
tam frequentemente uma ação fundamentada em uma visão ética, 
que aprendemos anteriormente. Vamos lá! Temos muito a aprender!
A ética e a sociedade globalizada
O filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1999) nos apre-
senta a ideia de que a globalização é um processo do qual não 
conseguimos fugir, ela está em toda parte, seja financeira ou cul-
turalmente, invadindo nossas vidas e intensificando as trocas 
comerciais, culturais, sociais e políticas. Todo esse movimento, 
para o autor, gera mudanças nos costumes, tradições e valores. Ele 
aponta que a globalização tem o mérito de aproximar e distanciar 
culturas e mundos diferentes. Essa dinâmica, em seu olhar, pode 
gerar exclusões e/ou segregações de indivíduos e grupos. Segundo 
o teórico, não há fixidez para os centros de produção de significado 
e valor, pois estes são extraterritoriais e emancipados de restrições 
locais. É a condição humana que dá sentido a esses valores.
Complementando esta visão, vemos em Viviane Forrester 
(1997) que a evolução tecnológica e a globalização trazem além da 
crise de emprego, uma profunda redefinição da humanidade civili-
zada, revelando um mundo em que uma minoria de indivíduos passa 
a ter valor na vida social e produtiva. Os desempregados são os ex-
cluídos e o capitalista não se preocupa com mais nada além do lucro, 
o que agrava a questão dos problemas sociais.
OBJETIVO
44
Figura 1- Globalização
Fonte: Freepik.
Essa introdução marca bem o cenário de expansão econômi-
ca, política e cultural a nível global que vivenciamos nos dias atuais. 
A globalização como processo dinâmico não se manifesta igualmen-
te em todos os lugares, observe as características deste fenômeno:
Homogeneização de centros urbanos e hibridização cultural:uma tendência a considerar países e comunidades como uma al-
deia global, além de uma inclinação a padronizar gostos e prefe-
rências culturais. Por isso, a globalização é também conhecida como 
mundialização, em que há diferentes movimentos de aculturação e 
transculturação, gerando hibridização, apontando novas culturas 
que surgem pelo profundo e intenso contato que os países iniciam 
e investem.
Amplitude de corporações para regiões fora de seus núcleos geo-
políticos: as trocas comerciais se intensificam e, por conta disso, as 
corporações passam a ter sedes, matrizes e pontos de negócios em 
várias localidades em nível mundial.
“Boom” da tecnologia nas comunicações e na eletrônica: a che-
gada da internet torna mais fácil comunicar-se, além de facilitar a 
geração de informações e dados sobre diferentes campos da vida e 
da Ciência com o advento das redes sociais.
IMPORTANTE
45
Redefinição geopolítica do mundo em blocos comerciais: o mundo 
passa a ser considerado a partir das alianças comerciais e financei-
ras que os países conseguem formar.
Figura 2 - Hibridização cultural
Fonte: Freepik.
HIBRIDIZAÇÃO CULTURAL: processo de trocas culturais entre gru-
pos em contato, que gera uma “nova” cultura neles, com diferenças 
nos valores, hábitos e tradições que antes definiam as culturas que 
entraram em contato. Em geral, é como se uma cultura em contato 
com a outra influenciasse na geração de mudanças. Neste processo, 
há uma forte presença de aculturação e transculturação.
Nos perguntamos quais são os tipos de problemas éticos que 
surgem com todas essas transformações. Logo, identificaremos 
uma sucessão deles, já que a ética, dentro de uma perscpectiva glo-
bal, nunca esteve tão evidente, em virtude das redefinições socio-
culturais, misturas de valores e trocas de rotinas culturais que fre-
quentemente confundem os indivíduos. Mas, é preciso atentar que 
a ética continua a informar acerca do bem comum, sobre a preser-
vação do outro e da sociedade em que se situa. Na verdade, é muito 
DEFINIÇÃO
46
mais que isso, trata-se de considerar o bem-estar mundial Pensar 
sobre a globalização pela ótica moral é refletir e situar-se no bojo 
da velocidade de informações, como também da intensidade das 
trocas comunicacionais, pois nada escapa das inferências e posta-
gens trazidas pela facilidade da internet em nosso dia a dia. O neo-
liberalismo e a liberdade de mercado, do ponto de vista econômico 
da globalização, nos leva à uma realidade em que poucos usufruem 
da riqueza geral do planeta e muitos vivem em condições de neces-
sidades extremas. Destas primeiras situações, indagamos que seria 
ético pensar cada vez mais na amplitude de lucros para uma mino-
ria e a precarização ou exclusão social para a grande maioria diante 
de um cenário neoliberal da economia global. Além do mais, quan-
to às redes sociais, as criações e divulgações de notícias, tornam-se 
verdades absolutas para quem as lê e que, muitas vezes, não tem 
acesso a uma educação crítica que permita escrutinar, investigar 
e debater as informações veiculadas, em busca da verdade.
Figura 3 - Social media
Fonte: Freepik.
O professor e geógrafo Milton Santos (2003) afirma que a glo-
balização mostra a face de um mundo mágico em que todos podem 
ter tudo na palma da mão. Contudo, há diferenças locais profun-
das que não se encaixam em homogeneização geopolítica de for-
ma alguma. Existe um incentivo ao consumo exagerado, o que leva 
às pessoas a passarem umas por cima das outras para adquirir coi-
sas e valores que, muitas vezes, não estão ao seu alcance financeiro, 
47
por exemplo. Essa reflexão do autor nos leva a entender que o conceito 
de ética balança e se fragiliza diante de tantas solicitações fantasiosas.
O autor avança em seus estudos e ainda procura demonstrar 
que há um desemprego estrutural, já que algumas profissões se ex-
tinguem e a questão da ocupação profissional tem sido bastante 
problemática, uma vez que os indivíduos entram em um exaustivo 
embate para poder ocupar uma vaga ou conseguir uma reinserção no 
mercado de trabalho com uma alta concorrência e em transformação.
DESEMPREGO ESTRUTURAL: é aquele resultante das transfor-
mações na estrutura econômica mundial ou local, com a intro-
dução de novas tecnologias que inovam e promovem a criação de 
empregos. No caso da globalização, vemos que muitas profissões 
acabam e outras são criadas, mas há um distanciamento entre 
a criação de novos postos de trabalho e a preparação de recursos 
humanos para ocupá-los.
O vídeo acima, é uma boa referência de aprendizagem, por 
trazer algumas reflexões sobre a questão moral, a ética que deve 
prevalecer em nosso mundo globalizado. O que precisamos enten-
der é que a ética a ser trabalhada hoje, é a ética do consenso, da boa 
vontade, da gentileza e da solidariedade. O sentimento de indivi-
dualismo, trazido por este cenário, colabora para um pensamento 
de que “cada um deve ser por si e Deus por todos”. Assim, os indi-
víduos passam a se isentar da responsabilidade de cuidar uns dos 
outros. A solução para os problemas de ordem moral que emanam 
da globalização está no diálogo e reforço de que ainda podemos sus-
tentar um mundo de respeito e cuidado coletivo.
O próprio respeito ao ecossistema do planeta é uma dis-
cussão ética muito longa, pois exige das empresas e dos indiví-
duos, um olhar de sustentabilidade e responsabilidade social com 
o mundo. Isto é, não deveria ser possível avançar economicamente 
DEFINIÇÃO
48
sem impor limites à degradação da natureza. Um caso recente, no 
Brasil, que nos evidencia esta realidade, foi o que ocorreu em 2019, 
em Brumadinho, Minas Gerais.
Concluindo, a globalização é o resultado das relações huma-
nas e precisa então, haver uma tomada de consciência para a busca 
de soluções mais próprias, diferenciais, para os problemas recor-
rentes e emergentes que se desenvolvem em decorrencia das mu-
danças e propostas da mundialização. Se não tomarmos consciên-
cia da necessidade do bem comum, a humanidade terá que pagar 
um preço bastante caro pelas ações irracionais e fora das perspec-
tivas éticas que deveriam ser propagadas.
Sobre o desafio ético na era da globalização, leia o artigo “Um de-
safio (ético) na era da globalização: a Informação” de Paulo Antunes 
e Sara Vargas (2016).
Nos estudos apresentados acima, tratamos de apresentar 
o cenário da globalização e trazer considerações sobre o seu concei-
to e as perspectivas em diálogo com a concepção de ética. Falamos 
sobre o avanço econômico e a sustentabilidade humana, como tam-
bém procuramos perceber que a ética é um princício fundamental 
para este mundo que se transforma em virtude da revolução tecno-
lógica, promovendo de fato uma redefinição e mudanças no mer-
cado de trabalho cada vez mais velozes. E você, como enxerga essa 
relação entre a ética e globalização?
DICA
49
Problemas éticos nas profissões
Iniciaremos o nosso estudo destacando que um problema ético é 
um problema de desvio de conduta. Nesse sentido, ressaltamos 
que a ética, presente em nossa vida e na sociedade como um todo, 
é de vital importância também no mundo do trabalho. Por isso, 
os valores éticos devem ser ensinados, processados e praticados 
para a preservação da sociedade.
Como campo da Filosofia, a ética interpõe-se na relação entre 
os indivíduos e o que pretendemos ensinar é que todo e qualquer 
profissional deve estar atento para manter sua integridade ética 
em qualquer ambiente de trabalho, porque certamente irá encon-
trar com indivíduos que não compartilham da boa ética. Com isso, 
a chamada “boa ética” nos orienta que, no mundo do trabalho, 
é preciso ter honestidade, ser íntegro e um fiel seguidor das regras 
de conduta expressas nas leis, códigos e documentos normativos 
da sua profissão e do seu ambiente de trabalho.
O professor emérito da Universidade de Brasília Vicente 
de Paula Faleiros (2006), teórico do Serviço Social, ao refletir so-
bre inclusão social e cidadania, conceitos chaves para nosso olharsobre ética profissional, orienta que ambos tratam-se de “proces-
sos complexos, históricos, diversificados, de mobilidade, de re-
dução da desigualdade, da polarização, da assimetria, de formas 
desiguais de implicação dos sujeitos e de afirmação da identidade, 
da segurança, do trabalho, da efetivação dos direitos, da criação 
de oportunidades, da formação de conhecimentos, competên-
cias e habilidades, do fortalecimento dos laços sociais, do respeito, 
da vida digna e da justiça, do empoderamento, do acesso a ativos 
e à renda, do respeito à diversidade, à cultura e à vida social e co-
munitária” (FALEIROS, 2006, p. 12). Isto é, conceitos que pensam 
na presença de uma vida coletiva respeitosa.
Os pesquisadores Silveira e Costa (2001) compreendem que 
as modificações sociais são resultantes da interação das pessoas, 
dos sujeitos da sua própria história e que desejam essa transforma-
ção. Desta forma, ao desejarem mudanças de atitudes e de compor-
tamentos, os indivíduos conseguem atingir esse fim. Além disso, 
50
no ambiente de trabalho, consideramos que é um princípio basilar 
a tomada de consciência para práticas e atitudes éticas.
Figura 4 - Pensando ética nas profissões
Fonte: Freepik.
Conforme nos mostra a filósofa espanhola Adela Corti-
na (2005), se formos criar um tipo ideal de profissional virtuoso, 
para destacar a ideia de virtude aristotélica, esse profissional se-
ria o exemplar, aquele que busca atingir suas metas com zelo em 
sua moral. A autora chama atenção para o fato de que, em contexto 
de trabalho, é mesmo necessário exigir que a competência se dê 
não só em relação às atividades materiais a serem desenvolvidas, 
mas também em relação às aptidões envolvidas nelas. Isso, segundo 
a pensadora, pode levar à uma disputa descontrolada, mas que pre-
cisamos ter em destaque o profissional virtuoso que alcança as fina-
lidades internas projetadas. Para tanto, é necessário ter consciência 
que, apesar da concorrência desenfreada, devem ser preservados 
os valores morais presentes no pluralismo social, em detrimento 
de valores e códigos particulares.
A ética das profissões precisa guardar em si, enquanto ma-
nual e roteiro de orientação às diferentes profissões, os valores 
universais como: igualdade, justiça, solidariedade, colaboração, 
honestidade, respeito, entre outros. Da mesma forma que as di-
versas práticas profissionais precisam considerar todos os ângulos 
51
dos envolvidos na profissão, dentro e fora do seu ambiente de tra-
balho, bem como as perspectivas e aprendizagens da moral social.
ÉTICA NA PROFISSÃO: é agir em seu ambiente de trabalho de acordo 
com os valores morais universais e, também, considerando o código 
de conduta específico do mesmo. A conduta profissional virtuosa é 
aquela em que se observa o cumprimento de projetos e metas profis-
sionais com observância da moral social e da profissão em questão.
Na sequência, vamos listar e examinar alguns problemas éti-
cos que ocorrem no mundo do trabalho.
O teórico britânico Gareth Morgan (1996), em seus estudos, 
sinaliza que os empregados podem trazer para o ambiente de traba-
lho visões particulares acerca dos seus projetos de ascensão de car-
reira, mas que por buscar um alvo futuro de progresso profissional, 
as aspirações individuais do empregado podem alinhar-se com as 
aspirações coletivas do ambiente em que trabalha.
Ademais, o escritor Antônio Lopes de Sá (2001), afirma que 
a utilidade individual de quem exerce uma profissão é superada 
pelas características sociais e morais da mesma. Em suas refle-
xões, ele lista os fatores que reforçam esta visão: a profissão provê 
destaque e realização aos indivíduos; o homem eleva seu nível mo-
ral a partir do exercício profissional; na profissão, o homem torna-
-se útil à sua comunidade.
Finalizando estas considerações, vemos em Lisboa et al 
(1997) os quatro elementos necessários à conduta ética nas profis-
sões e que, portanto, devem constar nos manuais normativos das 
empresas: competência, sigilo, integridade e objetividade.
Vislumbrando alguns problemas éticos nas profissões, observe 
os listados a seguir:
DEFINIÇÃO
52
1. Se eu trabalho com transporte público devo considerar o se-
máforo e suas orientações. Entretanto, na prática vemos esses 
veículos avançarem o sinal.
2. Um funcionário vê uma situação prejudicial à empresa, mas o 
colega envolvido o corrompe em troca do seu silêncio.
3. Profissional que fica olhando o relógio e enrolando para pas-
sar seu horário de trabalho, sem produzir.
4. Médico que fica falando no celular e deixa o paciente aguar-
dando na sala de espera.
5. Professor que libera alunos antes do horário de término da aula 
e bate o ponto no horário correto.
6. Vendedor que vende “gato por lebre”, engana o cliente com 
produto de má qualidade.
Esses são apenas alguns exemplos básicos de condutas antié-
ticas em diferentes meios de trabalho e profissões.
Figura 5- Condutas profissionais
Fonte: Freepik.
Nesse tópico da Unidade 2, vimos como é importante combi-
nar a conduta pessoal com a profissional para manter uma harmonia 
tanto no emprego quanto nas aspirações de projeção profissional. 
53
Observamos que não é possível acreditar que em um ambiente pro-
fissional somente os nossos ideais, gostos e desejos devem impe-
rar, pelo contrário, a moral coletiva deve ser mantida e preservada. 
Assim, destacamos a importância em manter os valores de solida-
riedade e companheirismo nas práticas profissionais, uma vez que 
o profissional da atualidade é constantemente exposto a situações 
em que precisa reforçar sua conduta ética.
Então, você percebeu o quanto a ética no ambiente de traba-
lho pode abrir ou fechar portas?
Código de ética das profissões: conceitos 
e finalidades
Tendo aprendido anteriormente sobre o valor da conduta ética 
nas profissões, trataremos agora da normatividade que está pre-
sente no universo profissional, através da discussão e apresentação 
acerca do código de ética.
Um campo da Filosofia que aborda diretamente o conjunto 
de normas éticas na sociedade é a Deontologia.
DEONTOLOGIA: etimologicamente o termo surge das palavras gre-
gas “déon, déontos” que significa dever e “lógos” que se traduz por 
discurso ou tratado. Sendo assim, a deontologia seria o tratado do 
dever ou o conjunto de deveres, princípios e normas adotadas por 
um determinado grupo profissional.
A importância do código de ética para os profissionais e para 
as empresas situa-se no fato de que há um princípio universal que 
devemos usar: bom senso para tomar decisões sem ignorar o bem-
-estar do outro. Nesse sentido, as empresas na atualidade organi-
EXPLICANDO
54
zam os seus códigos de conduta a partir dos pensamentos, valores, 
visão e missão a serem desenvolvidos em suas atividades e no am-
biente de trabalho.
O teórico suíço Jean Piaget (1994) destaca que a importância 
das regras é algo vital, pois as regras funcionam como se fossem 
intangíveis, imutáveis, a moral que impõe a coerção, levando a um 
respeito único. No entanto, se depender de costumes, elas precisam 
da cooperação de todos para se efetivarem.
Segundo Paulo Freire (1996), o respeito ao outro, a coerência, 
a convivência com a diferença, o evitar a antipatia e o mal-estar ao 
outro devem ocupar um lugar especial na ação dos indivíduos em 
qualquer espaço. Para o educador, quem promove intrigas, desa-
venças, atritos, não está no terreno da ética.
Além disso, vemos em Marilena Chauí (2010), que a existên-
cia da conduta ética pressupõe a agência consciente do indivíduo, 
pois só ele tem a capacidade de discernir entre o bem e o mal, entre 
o certo e o errado, o permitido e proibido, a virtude e o vício.
Com estas primeiras reflexões, imaginamos o porquê das 
empresas adotarem códigos de ética. Vejamos alguns dos princi-
pais motivos:
 • Dar um parâmetro de segurança para a condução das relações;
 • Homogeneizar o tratamento de encaminhar as diferentes 
questões profissionais;
 • Incentivar a integração de seus funcionários;• Criar um ambiente de trabalho harmonioso que incremente 
mais a produção;
 • Desenvolver nos funcionários a sensação de que convivem em 
bem-estar e precisam oferecer esse mesmo bem-estar aos 
clientes e fornecedores;
 • Consolidar práticas de comprometimento profissional;
 • Investir em lealdade e fidelidade do cliente;
55
 • Agregar valor à empresa e garantir a existência sustentável 
da mesma.
CÓDIGO DE ÉTICA: define-se como um instrumento de síntese nor-
mativa da filosofia da empresa, de como ela pensa e constrói sua vi-
são e seus valores. Funciona como um verdadeiro roteiro normativo 
para orientar as ações dos funcionários e as ações corporativas em 
relação ao mundo exterior na representação da empresa.
O professor Jean-François Chanlat (1999) apresenta a real 
necessidade de se pensar à questão ética no interior das empre-
sas, ele cita o conceito de ética das responsabilidades do sociólogo 
Max Weber para dizer que esta leva os indivíduos a refletirem sobre 
as consequências de sua ação em relação aos outros.
Além disso, o historiador Ademar Heemann (1993), avalia 
que ao pensar nas atitudes envolvendo o que é certo e o que é er-
rado, os padrões de discernimento dos indivíduos, sejam privados 
ou sociais, consideram três grupos: o teleológico, voltado para 
consequências; o deontológico, o padrão da decisão moral que se 
volta para o bem produzido e sua dimensão coletiva; o relativista, 
envolvendo a recusa de princípios relativistas por conta de estar 
vivenciando um mundo instável.
Figura 6 - Código de Ética e 
as diretrizes profissionais
Fonte: Freepik.
DEFINIÇÃO
56
Com isso, faz-se necessário dizer que os códigos de ética 
das diferentes profissões, bem como das organizações, direcionam 
profissionais para atuações morais no intuito de elevar o padrão 
de existência de seus campos de atuação.
Um código de ética profissional guarda em si normas éticas, 
que devem servir de baliza para profissionais no exercício de seu tra-
balho. Ele é elaborado pelos conselhos das intituições, os quais podem 
fiscalizar o exercício da profissão e de suas respectivas atividades.
A seguir, observe alguns pontos do Capítulo I, Art. 1º sobre 
os “deveres éticos do representante comercial”, presente no código 
de ética e disciplina da referida categoria profissional: 
 • zelar pela existência e finalidade do Conselho Federal e Con-
selho Regional a cuja jurisdição pertença, cumprindo e coope-
rando para fazer cumprir suas recomendações;
 • no âmbito de suas obrigações profissionais, na realização dos 
interesses que lhe forem confiados, deve agir com a mesma 
diligência que qualquer comerciante ativo e probo costuma 
empregar na direção de seus próprios negócios;
 • conduzir-se sempre com lealdade nas suas relações com os 
colegas;
[...]
 • envidar esforços para que suas relações com o representado 
sejam contratadas por escrito, com todos os requisitos legais 
bem definidos;
 • informar e advertir o representado dos riscos, incertezas e de-
mais circunstâncias desfavoráveis de negócios que lhe forem 
confiados, sobretudo em atenção às momentâneas variações 
de mercado local;
 • prestar suas contas na forma legal, com exatidão, clareza, dis-
sipando as dúvidas que surgirem, sem obstáculos ou dilações.
57
É de fundamental importância que se esclareça que o não cumpri-
mento de uma regra, seja ela do código de ética de uma empresa 
na qual se trabalha ou da profissão que se exerce, implica em puni-
ções e sanções que podem ressultar desde o desligamento do fun-
cionário até à cassação de sua licença para atuar em determinada 
profissão. Em alguns casos, a infração pode se estender para uma 
grande celeuma jurídica.
Figura 7 - Julgamento de infração ao código
Fonte: Freepik.
Devemos compreender que o verdadeiro cumprimento da lei 
é uma necessidade e, sobretudo, uma garantia assegurada a todos 
os trabalhadores que se sentem lesados. Nesse sentido, compete aos 
responsáveis pelas tratativas jurídicas observar se o funcionário não 
cumpriu especificamente com a sua função, conforme o que está 
dito na regulamentação da mesma ou, ainda, se a empresa empre-
gadora descumpriu com algum dos direitos do profissional previs-
tos em lei.
Neste tópico, você aprendeu mais sobre Códigos de Ética nas 
profissões e empresas. Como destaque, fizemos um relevo mos-
trando a capacidade de ajuste que o funcionário deve ter para tra-
balhar de acordo com a questão normativa de conduta que cada em-
IMPORTANTE
58
presa demanda. Além disso, mostramos os princípios dos Códigos 
das profissões. É muito importante conhecer o código de Ética da 
profissão que você escolheu seguir, a fim de evitar consequências 
desagradáveis no não cumprimento das normas.
A ética em profissões não 
regulamentadas
Agora que aprendemos sobre o código de ética e seus desdobra-
mentos no cenário profissional, é preciso compreender que existem 
profissões que não possuem uma regulamentação por conselhos 
e órgãos oficiais do governo. Reconhecendo que elas existem, é im-
portante saber como se dá a prática ética nesses casos.
Sobre esta situação de regulamentação e não regulamenta-
ção, podemos entender que todas as profissões possuem direitos 
e deveres tanto para os empregadores quanto para os empregados. 
Ademais, quando uma profissão é regulamentada, pode existir 
uma legislação específica para a sua categoria, como também é ne-
cessário que ela venha a atender algumas demandas trabalhistas, 
conforme as que nomeamos abaixo:
 • Carteira profissional;
 • Cédula profissional e piso salarial;
 • Piso de honorários;
 • Jornada de trabalho;
 • Exames médicos;
 • Órgãos reguladores;
 • Licença.
59
Figura 8 - Ética nas Profissões
Fonte: Freepik.
É fundamental destacar que o fato de uma profissão não ser regu-
lamentada não significa uma inexistência de preocupações com a 
qualidade da formação e com o reconhecimento da atividade profis-
sional. O que garante a inserção e continuidade de um trabalhador no 
mercado não é somente a sua regulamentação ou não, mas a forma 
com ele atua e, sobretudo, a sua competência para atuar na profis-
são que escolheu.
Por que algumas profissões são regulamentadas e outras não? 
Na verdade, a explicação para essa situação volta-se para o fato de 
que o Estado sempre regulamenta uma profissão quando considera 
que seu exercício indiscriminado pode colocar em risco à sociedade. 
Por isso existem os conselhos profissionais, autarquias federais de 
direito público para fiscalizar o exercício profissional. Quando uma 
profissão ainda não é regulamentada não há uma observância nor-
mativa direta sob seu exercício, no entanto, em relação à questão éti-
ca os profissionais devem pautar-se na moral vigente como um todo. 
IMPORTANTE
60
As profissões em si constroem suas rotinas e atribuições enquanto 
se organizam de forma corporativa e acadêmica. No próprio apa-
rato legal da sociedade podemos encontrar a capacidade de julgar 
e condenar pelo olhar o mal exercício de um serviço ou profissão 
em relação ao mundo social.
Na Constituição brasileira, de 1988, identificamos que no capí-
tulo I, artigo 5º, inciso XIII, temos a premissa de que “é livre o exercício 
de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações 
profissionais que a lei estabelecer” (BRASIL, 1988, s. p.). Observamos, 
ainda, que a legislação abre a possibilidade de, no interesse da so-
ciedade, criar restrições em situações especiais por meio de uma 
regulamentação. Pois, anteriormente ao fato de se regulamentar 
qualquer profissão, deve ser considerado se o exercício profissional 
da área pode causar danos sociais ou expor vidas humanas, confor-
me apontamos anteriormente.
A questão da regulamentação das profissões é também muito 
complexa no Brasil. Afinal, existem muito mais de 300 profissões 
no mundo do trabalho, sem falar das novas demandas profissionais 
que surgem de tempos em tempos.
Podemos nos referir ao campo da tecnologia e também 
da internet. Atualmente, por exemplo, jáse fala em regulamentar 
a profissão de Youtuber e, sendo autorizada, também será necessá-
rio estabelecer um código de ética para normatizar essa profissão. 
Contudo, ainda há uma grande discussão sobre o impacto que este 
profissional pode trazer a nossa sociedade, como a disseminação 
e produção de informações que podem ser tidas como verdades ab-
solutas ou que possam mascarar (falsear) a realidade.
Neste tópico aprendemos a diferença entre uma profissão regula-
mentada e uma profissão não regulamentada. Entendemos, ainda, 
que não é porque uma profissão não é regulamentada que deixa 
de ser importante ou passa a ser menos valorizada. Avançamos so-
RESUMINDO
61
bre a inserção profissional sem regulamentação e concluímos que 
o que mantém o indivíduo no mundo do trabalho e o reconhecimen-
to da sua profissão, é muito mais a sua competência e referência 
ética, que pode não estar registrada em um código, mas está em sua 
moral de origem e na preocupação com o seu bem-estar e do outro.
E você, percebeu como é um sujeito ético no mundo das profissões?
62
UN
ID
AD
E
3
Objetivos
1. Especificar os estudos sobre diversidade cultural, étnica, reli-
giosa e de gênero.
2. Debater as questões éticas e a relação com os princípios de ci-
dadania na sociedade tecnológica.
3. Discutir e conhecer questões vinculadas ao debate sobre into-
lerância, racismo e xenofobia.
4. Demonstrar a importância do ensino da ética nas instituições.
64
Introdução
Iniciamos mais uma etapa de estudos e agora vamos pensar sobre a 
questão da ética nas relações humanas. Em nosso debate e aprendi-
zado temos muitos temas para abordar, desde a diversidade cultural 
até a xenofobia. Falamos tanto em considerar o bem comum, em 
construir uma cidadania de liberdade e respeito ao outro e, agora, 
chegamos ao momento de saber se estamos entendendo sobre como 
estão e como devemos considerar as relações humanas do ponto de 
vista moral. Será que ser de uma religião ou cultura diferente nos faz 
tratar nossos vizinhos, parentes e amigos de forma hostil ou segre-
gadora? Vamos estudar e conhecer mais estas realidades e apostar 
no conceito de ética que nos trouxe até aqui. Avante!
65
A ética nas relações humanas
Ao término desta Unidade você deverá dominar a compreensão 
sobre as diferenças culturais, étnicas e religiosas. Além disso, irá 
perceber que é possível conviver com a diferença de forma res-
peitosa e harmônica, como também conceberá a ética como um 
conceito chave para as relações humanas. Vamos lá! Temos muito 
a aprender!
Diversidade cultural, étnica, religiosa 
e de gênero
Nada mais oportuno do que entender cultura e diversidade cul-
tural após termos compreendido as particularidades e demandas 
do conceito de ética. Assim, vamos iniciar as nossas reflexões tra-
zendo para essa discussão a definição de cultura. Logo de início, 
cabe lembrar que cada um de nós temos particularidades e vivências 
ricas e fecundas porque somos diferentes, da mesma forma que nós 
podemos nos comunicar por meio das nossas diferenças e construir 
novas possibilidades de viver.
O professor Clifford Geertz (1989), ao apresentar os seus 
estudos sobre cultura, vai referir que a atividade do antropólogo é 
interpretar e que cada cultura pode ser vista e entendida como um 
texto, no qual cada texto demanda uma interpretação. Para o autor, 
a cultura constitui-se como formas de ações significativas, simbó-
licas e parece estar oculta na mente dos homens, contudo, ela passa 
a ser exposta por meio das suas manifestações, comportamentos, 
atitudes, etc. Ele ainda afirma que é possível observar a cultura de 
um povo porque ela está expressa em suas relações sociais.
OBJETIVO
66
O antropólogo estadunidense mostra que a cultura se revela 
a partir de uma descrição densa, pois são as ações produzidas, 
percebidas e interpretadas que a definem. Em suas considerações, 
Geertz (1989) está, então, atrás da teia de significados de cada so-
ciedade. Além disso, ele não defende a ideia de ter que “se tornar um 
nativo” para conhecer a fundo uma cultura, mas sim estar familia-
rizado com o grupo que se pretende observar e compreender.
Figura 1- Cultura como teia de significados
Fonte: Pixabay.
Cabe ressaltar que é muito importante o destaque dado pelo 
antropólogo sobre a cultura ser compreendida pela teia de significa-
dos, isso porque se as relações são traçadas por meio de interligações 
de valores, símbolos e tradições, logo, tudo o que dá um sentido di-
nâmico à cultura passa a ser visto através o olhar e da necessidade 
de compreensão do que vem a ser a diversidade cultural.
Geertz (1989) também mostra que o ponto de vista do na-
tivo é sempre uma construção cultural e isso pode ser constatado 
através de uma pesquisa. Ademais, cada cultura acolhe todo um 
arsenal simbólico que é próprio do “ser humano”, indivíduo cria-
dor e transformador da cultura e o antropólogo só tem acesso a isso 
a partir desses símbolos. Para o autor, as situações universais são 
sempre descritas de forma singular, seu enfoque privilegia as situa-
ções particulares.
 
67
Dessa forma, a cultura é única para cada grupo e singular em 
cada indivíduo. No mundo existem milhares de tradições, símbolos, 
pensamentos, manifestações e identidades culturais, tal diversida-
de enriquece nosso mundo social.
Para sociólogo e antropólogo francês Denys Cuche (2012), 
o conceito de identidade ganha destaque com o nascimento do 
multiculturalismo, o qual nos mostra a face de que os imigran-
tes e as diversas minorias buscam o direito da diferença, o direito 
de ter uma identidade própria digna de respeito. Por outro lado, 
os grupos maioritários colocam em debate tal pretensão, temendo, 
entre a expansão de múltiplas identidades que competiriam para 
enfraquecer e fragmentar a identidade nacional, a própria susten-
tação do Estado.
Cultura: conjunto de pensamentos, sentimentos, atitudes, tradi-
ções, símbolos, hábitos e valores que pertencem a um grupo. Dão 
sentido a sua identidade cultural, sua marca como grupo.
Diversidade cultural: é o reconhecimento de diferentes culturas 
para diferentes grupos sociais.
Figura 2 - Diversidade cultural
Fonte: Pixabay.
DEFINIÇÃO
68
Para a professora Maria Aparecida Bergamaschi (2008), a di-
versidade cultural e a presença de inúmeros povos indígenas com 
suas tradições e línguas marcam nossa diversidade étnica e cultural.
Ampliando as considerações sobre esse tema, os cientistas 
sociais Amanda Microni Macedo Alves e José Márcio Pinto de Moura 
Barros (2009) definem que a diversidade cultural está relacionada 
aos aspectos distintivos de uma cultura para outra, uma riqueza 
dada pela capacidade dos humanos de criar e transformar o legado 
que receberam. As identidades culturais aparecem a partir das ma-
nifestações culturais.
O debate sobre a questão da diversidade cultural abre todo 
um feixe de outras discussões importantíssimas e nos faz pensar 
que com a educação podemos formar indivíduos capazes de enten-
der que ser diferente é poder trazer algo novo no diálogo e troca 
cultural. Assim, a fundamentação do respeito da ética está no bojo 
dessa compreensão.
Nessa seara de pensamentos e reflexões sobre a diversida-
de, podemos pensar também acerca da pluralidade étnica, religiosa 
e de gênero.
Quanto à diversidade étnica, temos muito a comemorar des-
de que superamos a explicação da existência de diferentes culturas 
pelo conceito de raça, para o conceito de etnia. Uma vez que se con-
cluiu que falar em raça é apontar diferenças puramente biológicas, 
físicas, sem considerar os aspectos culturais para a compreensão 
dos diferentes povos. Com o conceito de etnia é possível alargar essa 
possibilidade de entendimento do outro.
A pedagoga Nilma Lino Gomes (2004) mostra que o uso do 
conceito de etnia se ampliou para fazer referências a povos diferen-
tes como judeus, índios, negros, entre outros, enfatizando os seus 
processos históricos e culturais.
No Brasil, o termo relações étnico-raciais é muito utilizadopara apresentar e debater questões relacionadas à população afro-
-brasileira, indo além dos temas voltados à cor da pele e as origens 
culturais. Ademais, há um misto desses olhares na alocação e inter-
pretação dos lugares sociais que os indivíduos ocupam na sociedade. 
69
Portanto, falar de raça ou de etnia em nossa cultura traz um apa-
nhado de significações de quem fala, como fala e por que fala, 
o chamado “lugar de fala”. É também com estas construções que 
nascem conceitos e atribuições que, culturalmente, vão fundamen-
tar visões preconceituosas e discriminatórias. Estes preconceitos 
e discriminações podem ser racistas, tendo por base algumas per-
cepções sociais e diferenças de raça ou etnia, mas que tendem a ser 
estruturados e explicados pela questão racial.
Enquanto o preconceito é definido como uma interpretação 
sobre as coisas, muitas vezes herdada por conta da socialização 
recebida, a discriminação é a própria manifestação ou prática do 
preconceito. Assim, o racismo trata-se de uma construção ideoló-
gica de que existem raças diferentes e que elas estão submetidas a 
uma hierarquia de classificação como inferiores e superiores. Nesse 
caso, essa teoria sempre acaba por delegar aos negros os status mais 
baixos em nossa sociedade estratificada. O racismo é uma mani-
festação perversa, que separa e agride os indivíduos pertencentes 
a determinados grupos e que estejam vulneráveis a serem discri-
minados em razão da sua raça ou origem étnica.
Figura 3 - Racismo e preconceito
Fonte: Wikicommons.
A diversidade étnico-racial deve ser pensada por toda a comu-
nidade escolar, inclusive pelos professores e gestores educacionais 
que são agentes importantes na formação dos indivíduos.
70
Compreender que negros e brancos têm sua importância 
e valor cultural é colaborar para o entendimento da diversidade 
cultural e étnica. É importante saber que a cultura afro-brasileira 
tem uma grande influência na composição e trajetória da nossa na-
ção. Não é possível falar de diversidade étnica sem considerar que o 
Brasil, após a abolição, atravessou grandes obstáculos para alcançar 
o reconhecimento desta cultura e dos seus praticantes, em decorrên-
cia das lutas sociais, o reconhecimeto da miscigenação, o combate 
à discriminação racial e a intolerância ao sincretismo religioso.
Para saber mais, leia o artigo “Diversidade étnico-racial, inclusão 
e equidade na educação brasileira: desafios, políticas e práticas” 
da pedagoga Nilma Lino Gomes.
De forma muito clara, no Brasil, vemos a existência de um pre-
conceito racial explícito e velado contra os negros. Além disso, esses 
indivíduos ainda não alcançaram uma plena igualdade de oportuni-
dades que tanto é divulgada, mas que atualmente é apenas tolerada.
Veja a Lei 7.716, de 05 de janeiro de 1989, conhecida como a Lei do 
Racismo, que define os crimes resultantes de preconceito de raça 
ou de cor.
Entretanto, cabe ressaltar que as ligações íntimas com pes-
soas negras não são vistas com bons olhos. Os negros de pele mais 
clara são mais aceitos e passam por um número menor de atitudes 
discriminatórias que os negros retintos, mas eles também são ví-
timas do preconceito e da segregação. Constantemente cada um 
SAIBA MAIS
FIQUE DE OLHO
71
de nós já presenciamos discussões que escancaram o preconceito 
racial e a discriminação étnica por parte de alguns indivíduos, com 
falas como: “você é negro”, “você é indígena”, “por isso não con-
seguiram obter êxito em nada…”, entre outras, são extremamente 
recorrentes em nossa sociedade atual.
Seguindo essa discussão, é importante considerar que a dis-
criminação e o preconceito também ocorrem em relação às questões 
religiosas e, como temos visto habitualmente, existe uma maior 
ocorrência de intolerância e perseguição contra as religiões de ma-
triz africana. No entanto, mesmo que normalmente seja entendido 
que uma religião proporciona coisas boas aos seus seguidores, pois 
é nela que eles depositam sua fé espiritual e se dedicam professando 
as suas crenças, há, ainda, muitos indivíduos que por ignorância 
ou maldade promovem guerras, matam e perseguem religiões di-
ferentes das suas em nome da fé. Nesses casos, o etnocentrismo 
predomina e faz com que a religião de uma pessoa ou grupo seja 
considerada a melhor ou a que tem mais pureza, etc.
A superação deste fenômeno de pejoração negativa das dife-
rentes religiões só acontece quando os indivíduos estão disponíveis 
para entender a diversidade religiosa. Conhecer é importante para 
melhor conviver e isto não significa converter-se, mas respeitar 
os diferentes credos.
Quando estudamos um pouco, vemos que o catolicismo tra-
dicional também teve influência religiosa na formação de alguns 
santos de origem étnica africana, como: São Benedito, Santo Elesbão, 
Santa Efigênia e Santo Antônio de Noto (Santo Antônio do Categeró 
ou Santo Antônio Etíope). Ademais, nessa prática de culto aos san-
tos há, ainda, aqueles que podem ser associados aos orixás africanos 
e toda essa combinação religiosa pode ser vista com São Cosme e 
Damião (Ibejis), como também com o próprio São Jorge (Ogum no 
Rio de Janeiro), Santa Bárbara (Iansã), além daqueles oriundos da 
criação de santos populares como a escrava Anastácia.
72
Figura 4 - Diversidade religiosa
Fonte: Rogério Chimello.
É interessante pontuar que, segundo Maisa Cristina de Oli-
veira Meirelles (2020) em algumas “igrejas pentecostais do Brasil, 
que combatem as religiões de origem africana, na realidade têm vá-
rias influências destas como se nota em práticas como o batismo 
do Espírito Santo e crenças como a de incorporação de entidades 
espirituais (vistas como maléficas). Enquanto o Catolicismo nega 
a existência de orixás e guias, as igrejas pentecostais acreditam na 
sua existência, mas como demônios” (MEIRELLES, 2020, p. 379).
O sincretismo religioso é resultante do processo de transcul-
turação das religiões e, conforme ocorre na Umbanda, é possível ver 
uma fusão de diversos elementos provenientes das práticas religio-
sas dos africanos, indígenas e europeus que historicamente também 
formaram o povo brasileiro. Por essa razão, é necessário compreen-
der a existência da diversidade religiosa e a importância dela em 
nossa cultura, logo, é imprescindível que ela seja respeitada.
No cenário relativo à compreensão das relações de gênero e sua di-
versidade também não verificamos a prática do respeito. Nesse contexto, 
sobretudo na atualidade, temos um polêmico e conflituoso tratamento 
dado aos termos orientação sexual e identidade de gênero que abrangem 
concepções diferentes e precisam ser aprendidas corretamente.
73
Orientação sexual refere-se à atração sexual e à afetividade que um 
indivíduo sente por outro.
Identidade de gênero refere-se ao gênero com o qual o indivíduo se 
identifica que pode ter, ou não, relação com seu sexo biológico.
Tabela 1 - Sobre orientação sexual
Fonte: Elaborada pela autora de acordo com https://bit.ly/2SR1o9m (2020).
O professor Marco Antonio Teixeira Gonçalves (1999) fala, 
em seus estudos antropológicos, a respeito de como a sociedade 
Paresi, do grupo indígena denominado Aruak, localizado no estado 
de Mato Grosso, constrói simbólica e culturalmente o dimorfismo 
sexual tendo como base a sua mitologia e seus complexos rituais 
sagrados. Ele demonstra como a categoria da diferença é algo cons-
truído, tal qual nos indica a ideia de gênero sobre os indivíduos 
na vida social. Nessa discussão, Gonçalves (2001) vai acrescentar 
que “em outros termos, analisa-se a construção de gênero como 
fenômeno englobado por um pensamento mais geral sobre o que 
significa a diferença no mundo” (GONÇALVES, 2001, p. 244).
Orientações sexuais
Heterossexual
Bissexual
Assexual
Pansexual
Definições
Indivíduo que sente atração pelo 
sexo oposto.
Indivíduo que sente atração pelos 
dois sexos.
Indivíduo que não sente desejo 
sexual.
Indivíduo que aprecia todos os 
gêneros sexuais.
DEFINIÇÃO
74
Ainda segundo o autor, a diferença que envolveàs questões 
de gênero, ao mesmo tempo que informa ela também produz a sua 
distinção. Além disso, esta ideia da diferença não é universal, mas 
sim construída culturalmente. Dessa forma, as posições cultu-
rais construídas e assumidas por homens e mulheres, a partir do 
compromisso que eles têm com as suas preferências envolvendo a 
diversidade que compreende os aspectos tanto da orientação se-
xual quanto da identidade de gênero, passam a dar sentido às suas 
histórias e lugares nessa discussão. Assim, é importante entender 
como os indivíduos têm se referenciado, a partir das perspectivas 
de identidades de gênero.
Tabela 2 - Sobre identidade de gênero
Fonte: Elaborada pela autora de acordo com https://bit.ly/2SR1o9m (2020).
Identidade de gênero
Cisgênero
Transgênero
Não binário
Definições
Indivíduo que se identifica com seu sexo bio-
lógico.
Masculino é homem. Feminino é mulher.
Indivíduo tem uma identidade diferente do 
seu sexo biológico.
Transexuais - um homem que se enxerga 
como mulher ou uma mulher que se enxerga 
como homem.
Transgênero - deve assumir definitivamente 
o corpo com o qual se identifica e, em muitos 
casos, pode desejar atravessar procedimentos 
de redesignação sexual ou terapias hormonais.
Indivíduo que oscila entre masculino e fe-
minino. Por exemplo, uma mulher que se 
identifica com o gênero masculino, mas não 
realiza procedimentos de readequação física 
(apenas assume um comportamento condi-
zente com seu gênero).
75
Esses conhecimentos são importantes pois levam os indiví-
duos a refletirem sobre esses temas e ajudam no combate de práticas 
preconceituosas e discriminatórias, fundamentadas em ideologias 
homofóbicas e de violências de gênero.
Para saber mais, leia o artigo “Educação, relações de gênero e di-
versidade sexual” de Nilson Fernandes Dinis.
Nesta Unidade trabalhamos com o conhecimento e o debate acerca 
das diversidades cultural, étnica, religiosa e de gênero. Marcamos 
bem a questão da diferença entre discriminação, preconceito e ra-
cismo. Vimos que existem várias religiões e que a pesquisa delas, o 
conhecimento e a forma de olhar fazem com que possamos convi-
ver com elas, ainda que diferentes, de forma respeitosa. Além disso, 
apresentamos as conceituações inerentes à discussão sobre diversi-
dade no âmbito das perspectivas de gênero. Com estes saberes, es-
peramos que você possa ter aprendido que ser diverso faz parte do 
ser humano e que respeitar os outros, com suas particularidades, é 
fundamental.
SAIBA MAIS
RESUMINDO
76
Ética e cidadania na sociedade tecnológica
Iniciaremos agora toda uma reflexão e conceituação sobre a relação 
ética e a sociedade tecnológica que estamos vivendo.
O pensador francês Edgar Morin (2000) nos apresenta às de-
mandas da educação e da sociedade do conhecimento em tempos 
atuais, mostrando que esta impõe aos indivíduos uma escola que 
lhes faça sentido, que lhes seja capaz de resgatar a formação do ser 
completo. Em sua visão, a escola de hoje deve oferecer aos indivíduos 
além do ensino básico com cálculos, língua escrita e falada, como 
também precisa trazer interfaces com as ferramentas e inovações 
tecnológicas promovidas pela era da comunicação e informação.
É importante marcar que o conhecimento e a informação 
estão no centro do mundo atual. O perfil de indivíduo que se exige, 
mediante estas demandas, é de quem consegue ser flexível, poli-
valente, empreendedor e altamente adaptável. Trata-se de alguém 
que é criativo, inovador e está sempre sendo desafiado por ques-
tões profissionais e pessoais, além de estar situado em um mundo 
em que se fala o tempo todo a respeito de busca de soluções viáveis. 
Inclusive, os próprios modelos educacionais voltam-se para esta 
perspectiva e isto significa que o aluno a ser formado tem que ser 
preparado para enfrentar todo um aparato de necessidades impos-
tas pela sociedade do conhecimento e da informação.
Figura 5 - Sociedade do conhecimento
Fonte: Freepik.
77
Nesta sociedade digital, educar um indivíduo para desenvolver 
sua cidadania plena também envolve construir valores de respeito, 
responsabilidade e participação colaborativa com a comunidade.
Assistimos a uma era em que a tecnologia está na base 
de todas as coisas que realizamos no mundo social. Nesse contexto, 
o filósofo Pierre Levy (1999) traz à cena os conceitos de cibercultura 
e ciberespaço para mostrar a amplitude de nossas trocas de conhe-
cimento e aprendizagem na era digital.
Além disso, o autor ainda produz uma associação ao pensa-
mento do professor Derrick de Kerckhove (1995), acerca do conceito 
de inteligência coletiva, que constitui-se em inteligências conec-
tadas, isto é, o uso colaborativo das várias inteligências mediante 
processos de comunicação e tecnologias em rede. Este novo desenho 
pedagógico de formação dos indivíduos propõe uma revisão da forma 
tradicional de ensinar e aprender, nele a construção de saberes e as 
trocas comunicacionais ganham uma dimensão mais personalizada.
Cibercultura: cultura que emerge com o advento das trocas comu-
nicacionais advindas do computador. Conhecimentos, valores, 
informações e saberes que se constroem a partir do mundo virtual.
Ciberespaço é o virtual, as redes de conexão.
O que precisamos entender é como funcionam, nesse caso, 
os princípios da ética e cidadania em um contexto de valorização 
da comunicação virtual.
Com o exposto acima, focamos em mostrar que a ética passa 
a ser uma questão central no contexto das trocas e construções vir-
tuais, tanto no âmbito da vida pública como na vida privada. Nesse 
sentido, ser ético é pensar no que fazemos, à medida com que reali-
zamos as nossas ações, considerando quem somos e com quem nos 
relacionamos. Além da ênfase na reflexão sobre o outro e o planeta 
em que habitamos.
DEFINIÇÃO
78
Figura 6 - Ética e tecnologia
Fonte: Freepik.
Para o pedagogo norte-americano John Dewey (1979) é a partir 
da dúvida, da perplexidade e do ato de pensar que a reflexão emerge. 
Ela também envolve o ato de pesquisar, para esclarecer e resolver 
a tal incerteza. Dessa forma, o autor nos aponta o caminho para 
pensar as nossas questões éticas contemporâneas.
Além dele, também o pensador Cornelius Castoriadis (1999) 
diz que a reflexão deve sinalizar o conhecimento para investigar, 
explicitar e questionar os conteúdos sociais e culturais.
O acadêmico mexicano León Olivé (2000), em seus estudos, 
colabora com nossa reflexão sobre deveres morais do cientista e do 
tecnólogo em nossos tempos. Para ele, cientistas devem ter cons-
ciência da responsabilidade e das consequências do trabalho que 
realizam. Esta responsabilidade inclui informar a sociedade com 
precisão sobre seus experimentos e resultados. Também, os tec-
nólogos devem avaliar com cautela e seriedade as tecnologias 
produzidas e suas amplitudes, avaliando não só a eficiência, mas 
sobretudo, os impactos no meio social e natural.
O autor ainda ressalta que os cidadãos, a grosso modo, também 
têm responsabilidade na avaliação das tecnologias, tanto em termos 
de sua aceitação quanto de sua propagação. Assim, eles devem buscar 
informações adequadas sobre a natureza da ciência e da tecnologia 
que estão propagando, bem como do seu uso e das consequências.
79
Para saber mais, leia a reportagem “O dilema ético dos bebês ge-
neticamente modificados”, por Matheus Gonçalves, no site Tec-
noblog.
Com tantas discussões no terreno da ética, é preciso situar 
que ser cidadão é estar focado na ordem social de forma participati-
va, mas considerando que apesar da evolução tecnológica é preciso 
adequar nossas ações locais e globais, presenciais e virtuais, de for-
ma eticamente responsável.
A intolerância, o racismo e a xenofobia
Olá! Agora vamos refletir sobre algumas questões vinculadas ao de-
bate acerca da intolerância, racismo e xenofobia. Assista à videoaula!.
É muito comum, diante do que vimos até aqui, nós presen-
ciarmos na sociedade globalizada e tecnológica, sentimentos de 
exclusão social, violência e intolerância.No ano de 2001, realizou-se a “Conferência Mundial contra 
o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Conexa”, 
na cidade de Durban, África do Sul. Esta conferência foi determi-
nante para o estabelecer demandas mundiais para o enfrentamento 
de um cenário sociopolítico extremamente grave em nível global: 
o combate ao racismo e à intolerância.
Trata-se de compreender que indivíduos, povos e nações es-
tavam praticando e incentivando cada vez mais atitudes de exclusão 
e segregação social, que em muitos casos chegavam a causar o ex-
termínio de alguns grupos.
Em consequência desta situação, mesmo diante de outros ins-
trumentos legais e históricos para esse fim, foi necessário organizar 
a Conferência de 2001, no intuito de evidenciar, refletir e buscar so-
luções para esta problemática.
SAIBA MAIS
80
A seguir, listamos aqui alguns dos instrumentos que foram 
implementados sob a égide da Organização das Nações Unidas, com 
intuito de promover a igualdade e combater à intolerância:
 • Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Geno-
cídio (1948);
 • Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (1966);
 • Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais 
e Culturais (1966);
 • Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discri-
minação contra as Mulheres (1979);
 • Convenção sobre os Direitos da Criança (1989).
Apesar do aparato legal acima referido, os dados mundiais 
seguiram apontando que seres humanos ainda são vítimas de ideo-
logias racistas e tratamentos segregacionistas, principalmente 
com o surgimento de novas tecnologias e o advento da globalização, 
que trouxeram tanto os benefícios próprios de seus campos quanto 
a evidência de algumas problemáticas globais. Por isso a urgência 
de novas medidas e esforços focados em um nível nacional e inter-
nacional de combate a tais práticas.
Figura 7 - Diversidade racial
Fonte: Nações Unidas.
81
Para avançarmos, consideramos que é preciso definir o que 
vem a ser racismo, xenofobia e intolerância, objetos de nossa dis-
cussão.
Racismo: significa preconceito e discriminação de indivíduos e gru-
pos fundamentados em percepções sociais baseadas em diferenças 
biológicas entre os povos.
Xenofobia: sentimento de desconfiança, antipatia, receio de pessoas 
que não são familiares ao meio de quem julga, ou ainda daqueles que 
não são do país de quem julga.
Intolerância: capacidade mental de não desejar reconhecer e res-
peitar diferentes valores, sentimentos, opiniões de grupos e pessoas 
que não pertencem a quem avalia.
Para um melhor entendimento, vamos pensar a seguinte si-
tuação: em uma sala de aula de uma escola particular, com alunos 
brasileiros, encontramos um aluno muçulmano, que se veste tal 
qual sua cultura, um aluno com autismo e apenas duas crianças 
negras. Todos os dias as crianças negras são isoladas das brancas, 
mas a convivência se dá de forma regular. Ao observar essa situação, 
uma professora de Sociologia começou a incentivar a integração 
desses alunos, crianças de 12 a 14 anos. Então, em conversa com 
uma do grupo de crianças brancas, a mesma falou que não gostaria 
de sentar com seus colegas negros para fazer o trabalho em grupo 
porque seus pais disseram que os negros são menos competentes 
que os brancos. Diante disso, a professora teve a ideia de explicar 
sobre a história dos negros no Brasil e as teorias racistas para seus 
alunos, pois ela estava na presença de a um caso de racismo.
Mas não parou por aí, a mesma professora ainda observou 
o tratamento de exclusão que aquela turma dava ao aluno mu-
çulmano, não satisfeita com aquela situação, chamou um grupo 
SAIBA MAIS
82
de alunos que praticavam a segregação com ele para uma conversa. 
Então, durante uma conversa com os discentes ela descobriu falas 
sobre a ideia de que os estrangeiros que vêm do Oriente Médio 
podem ser “homens-bombas” e que, ainda, os indivíduos prove-
nientes de outro país desrespeitam as regras da nossa pátria. Nesse 
caso, a referida professora estava diante de uma atitude xenofóbi-
ca e de intolerância. Assim, a docente tratou de construir as suas 
próximas aulas baseadas em vídeos e textos que pudessem ensinar 
sobre a cultura oriental, a importância do respeito e da convivência.
Ainda na mesma sala, o aluno autista era um sujeito invisível 
aos olhos dos demais colegas, nenhum aluno demonstrava preocu-
pação com sua presença. Fato este que levou a mesma professora 
a também organizar atividades em que ele pudesse ser incluído 
nas relações sociais entre os discentes. Além disso, ela escreveu um 
projeto e propôs à escola a realização de oficinas e reuniões que in-
cluíssem as temáticas apresentadas, com os pais e responsáveis.
Figura 8 - Ética na sala de aula
Fonte: Pixabay.
Diante de tal conceituação, podemos avaliar o peso negativo 
destas atitudes e práticas em nossa sociedade. Daí a necessidade 
de sabermos que importantes decisões estratégicas de combate 
ao racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância corre-
lata saíram da Conferência de Durban, que em linhas gerais foram:
83
 • Problemas enfrentados pelas vítimas de tais flagelos (com 
particular destaque para as mulheres, pessoas de origem 
africana e asiática, povos indígenas, migrantes, refugiados 
e minorias nacionais) e medidas específicas para aliviar o seu 
sofrimento;
 • Problema da discriminação múltipla;
 • Importância da educação e sensibilização pública no combate 
ao racismo;
 • Problemas particulares colocados pela globalização;
 • Aspectos positivos e negativos das novas tecnologias;
 • Importância da recolha de dados, da pesquisa e do desenvol-
vimento de indicadores no domínio da discriminação;
 • Previsão de medidas destinadas para garantir a igualdade 
nas áreas do emprego, da saúde e do ambiente;
 • Importância de garantir o acesso das vítimas às vias de recurso 
eficazes e de assegurar a sua reparação pelos danos sofridos;
 • Papel dos partidos políticos e da sociedade civil, nomeada-
mente ONG e juventude, na luta contra o racismo.
Fonte: Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia, 
Intolerância Conexa (2001, p. 10), disponível em: https://bit.ly/2F9oyC4. Acesso em: 18 
jul. de 2022.
Ainda temos muito a saber sobre os conceitos de racismo e 
xenofobia que são processados de forma estrutural, fundamentan-
do guerras santas e étnicas, como ocorre no Oriente Médio na atua-
lidade. Tal situação de desumanidade tem tirado a vida de muitas 
famílias, mulheres, homens, jovens e crianças.
84
Para saber mais, leia o artigo “Combates à xenofobia, ao racismo e 
à intolerância”, de Paulo Daniel Farah (USP), e a reportagem da BBC 
“A história por trás da foto do menino sírio que chocou o mundo”.
O professor Boaventura de Sousa Santos (2007) ao descrever 
os motivos pelos quais se pratica o xenofobismo, mostra que o mi-
grante é visto como “de fora” em um território que é dominado por 
alguém que acredita “ser seu”, o que leva a imputar ao estrangeiro 
a aceitação de suas práticas, submetendo-se a seu modo de vida. 
Caso isso não venha a ocorrer, ou seja, quando o imigrado se percebe 
e busca estabelecer-se como um sujeito de direitos, o qual estando 
presente naquela comunidade passa a sentir o desejo de participar 
das decisões da vida política, social etc., o dominante começa a se 
sentir incomodado, buscando nas práticas racistas e xenofóbicas 
uma forma de coação e reação a esse migrante.
Ademais, sobre o entendimento do racismo, o filósofo políti-
co Frantz Fanon (2008), colabora com a ideia de que uma sociedade 
tende a ser racista como um todo, pois, em seu olhar, não existem 
“meios racismos”. Pode ter, também, uma parte da sociedade mais 
racista que a outra. De fato, ainda existem muitas pessoas que 
pensam que o migrante que chega em outra terra, isso vale para 
o Brasil também, consiste em uma ameaça para o trabalhador 
no mercado de trabalho local, o que pode reforçar a xenofobia re-
produzida pela população.
De qualquer forma,é preciso que através da educação e da 
formação de valores morais e éticos, os indivíduos possam receber 
o antídoto para este mal do século XXI: a segregação de pessoas, que 
se redefine como uma realidade de afastamento, isolamento.
SAIBA MAIS
85
O ensino da ética nas instituições
Antes de encerrarmos essa etapa de estudos, vamos verificar a im-
portância do ensino da ética nas instituições. Assista à videoaula!
Para que alcancemos a proposta que abordamos anterior-
mente, de uma formação educacional em nível local e global, que 
alcance a tolerância das diferenças culturais, das perspectivas de 
fluxo migratório, da liberdade de se exercer como ser humano 
portador de direitos em qualquer região do planeta, é importan-
te consolidar matrizes curriculares que incluam conceitos e ensi-
namentos sobre ética, sobretudo, abordagens práticas de vida que 
possibilitem a reflexão com base na moral e na ética.
Como mostramos na Unidade 1, a filósofa Marilena Chauí 
(2010), destaca a importância de ensinar ética por conta da con-
vivência em espaços grupais. Além disso, para Maria do Carmo 
Brant de Carvalho (1999), nas organizações o exercício de ensinar 
e aprender sobre ética fundamenta a regulação e garante qualidade 
nas relações humanas, servindo também como indicativo do desen-
volvimento organizacional.
Olhando mais de perto a inserção da ética nos currículos 
da educação superior, vemos que nos anos 70, no Brasil, ela pas-
sa a fazer parte da grade curricular do curso de Administração 
e negócios, um momento em que se inicia uma ampla iniciativa 
social e educacional para discussão de responsabilidade social, tro-
cas internacionais e desafios éticos regionais do ponto de vista das 
estratégias econômicas.
Para saber mais, leia o texto sobre “Ética, Instituições e Desenvol-
vimento”, de Mendes e Bessa (2011).
SAIBA MAIS
86
O pesquisador Fritjof Capra (2002), destaca que as institui-
ções universitárias precisam reformular currículos que contemplem 
a formação ética pois, segundo ele, elas têm o papel de formar 
os novos profissionais. Já Leandro Sequeiros (2000), prima pelo 
ensino da ética da solidariedade na educação como um todo, pois 
ele acredita que a criança desde cedo deve conhecer a consciência 
ética. No entanto, o professor François Vallaeys (2003) infere que 
os valores dominantes das universidades atuais são o individualis-
mo, a posse, a competência e a dominação.
A partir da década de 1990 e com a massificação da educação 
superior, uma grande amplitude de oportunidades de cursos cursos 
e disciplinas com ênfase mercadológica, muitas instituições viram 
a possibilidade de agregar à sua missão, através da propaganda, 
os valores de formação ética e responsabilidade social, conforme si-
naliza Adolfo Ignácio Calderón (2005).
Figura 9 - Ética e instituições
Fonte: Pixabay.
Para saber mais, leia o artigo “A ética como disciplina de ensino 
fundamental para a construção de uma postura profissional na 
contemporaneidade”, de Thaynara de Melo.
SAIBA MAIS
87
Em uma sociedade baseada no “capitalismo selvagem”, em 
que muitos comportamentos não prezam as relações éticas, é muito 
comum ouvirmos várias reclamações de posturas antiéticas na po-
lítica e na sociedade como um todo. Nesse caso, a inclusão da ética 
nos currículos, sobretudo nos cursos universitários, torna-se uma 
urgência acadêmica, para que continue a se constituir como um ele-
mento fundamental nas relações humanas.
Em conclusão, o filósofo francês Armand Cuvillier (1947) 
marcou os seguintes pontos a serem observados na formação ética 
dos profissionais:
a. Através da profissão o indivíduo se realiza plenamente, pro-
vando sua capacidade, habilidade, sabedoria, inteligência 
e formando sua personalidade para vencer obstáculos;
b. O nível moral dos homens é elevado pelo seu exercício
c. profissional;
d. Na profissão os homens mostram sua utilidade à comunidade.
Neste tópico aprendemos muito sobre diversidade cultural, ra-
cismo, intolerância e xenofobismo. Vimos que esses conceitos 
precisam ser absorvidos e entendidos para que as relações entre 
os seres humanos sejam mais respeitosas, solidárias e colaborati-
vas. A sociedade tecnológica e global traz desafios de enfrentamento 
moral e ético, mas através da educação podemos fortalecer nossa 
capacidade de cuidar e zelar pela boa convivência social, desta 
forma estaremos sustentando um mundo viável para as gera-
ções presentes e futuras. Por fim, é preciso ter um ensino de ética 
acerca do que precisa ser evitado, mas também do que precisa ser 
reforçado para a preservação social.
RESUMINDO
88
UN
ID
AD
E
4
Objetivos
1. Estabelecer o conceito e os princípios dos Direitos Humanos.
2. Relacionar ação comunitária com participação democrática.
3. Refletir questões e situações ligadas à ética, direitos humanos 
e violência.
4. Identificar o cenário atual e as tendências da ética e cidadania.
90
Introdução
Nesta última Unidade de ensino da disciplina, aprenderemos sobre 
a importância dos direitos humanos, que incluem o direito à vida, 
à educação, o direito ao trabalho, à liberdade de opinião, entre ou-
tros. Veremos que é possível construir nossa cidadania zelando pelos 
nossos direitos e dos outros, verificando, ainda, a responsabilidade 
dos governos a fim de garantir esses direitos. Além disso, entende-
remos que só é possível participar das decisões políticas de um país 
a partir do exercício pleno da cidadania, ancorada na ética, quando 
há condições democráticas para esta participação. Por fim, também 
faremos uma reflexão sobre a ausência de direitos e a perpetuação 
da violência para entendermos o que está acontecendo nos dias de 
hoje com as práticas de ética e cidadania. Você também está curioso 
para iniciar o debate acerca desses temas? Vamos lá!
91
Direitos humanos
Ao término desta Unidade você deverá ter adquirido conhecimentos 
sobre os Direitos Humanos, seus princípios, como também, das suas 
conexões com as ações comunitárias e de participação democrática. 
Deverá compreender que só é possível atuar de forma cidadã e ética 
quando há garantias de efetivação dos direitos que possuímos.
Vamos lá! A aprendizagem e o debate nos esperam!
Conceituação e princípios dos direitos humanos
O conhecimento acerca dos direitos humanos acende uma discussão 
em torno da luta social, coletiva e ao mesmo tempo individual. É im-
portante destacar que eles envolvem a proteção de nossa cidadania 
em nível mundial. Por isso não podemos colaborar para que discrimi-
nações, intolerância e opressão aconteçam com qualquer indivíduo.
Mas o que são direitos humanos? Inicialmente convém des-
tacar que eles são a base de uma relação respeitosa entre iguais 
e diferentes no mundo social. Em nossa Constituição Federal, de 
1988, por exemplo, há uma correspondência com a Declaração 
Universal de Direitos Humanos — DUDH, aprovada em 1948, pela 
Assembleia Geral das Organização das Nações Unidas - ONU, que 
preconiza em seu art. 1º que: “[...] todos os seres humanos nascem 
livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de 
consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fra-
ternidade” (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 1948, p. 3).
OBJETIVO
92
Direitos humanos: são aqueles constituídos pelos direitos naturais, 
garantidos a todos os cidadãos e que devem ser estendidos a todos 
os indivíduos, sem distinção de gênero, classe social, posição políti-
ca, etnia, religião ou nacionalidade.
Figura 1 - Dia Internacional dos Direitos Humanos
Segundo a pesquisadora Jackeline Guimarães Almeida 
Franzoi (2003), em pleno contexto pós Segunda Guerra Mundial 
(1939-1945), especificamente em 10 de dezembro de 1948, houve 
a publicação da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela 
ONU. A autora remonta que tal documento se fez necessário para 
que pudéssemos lembrar e combater todo e qualquer ato de atroci-
dade, violência, semelhantes aos que aconteceram durante o conflito 
militar global. Essa declaração é o resultadodas lutas por direitos 
historicamente constituídos e que possibilitou trazer uma perspec-
tiva de igualdade e liberdade entre homens e mulheres.
Mas é preciso compreender o significado desses direitos, 
no sentido de valorizar sua existência e aplicabilidade. Por este ân-
gulo, a jurista Flávia Piovesan (2005), compreende que a efetiva-
DEFINIÇÃO
93
ção dos direitos humanos refere-se a uma aspiração e necessidade 
universal de reconhecermos a nós mesmos como seres humanos, 
únicos, que não são julgados pelas suas diferenças para acessar 
espaços e culturas. Tal movimento diz respeito à valorização da dig-
nidade da pessoa humana.
É importante destacar que, em linhas gerais, os três princípios 
fundamentais apresentados na Declaração Universal dos Direitos 
Humanos são:
 • Inviolabilidade da pessoa: não sacrificar um indivíduo com 
o motivo de que será para o benefício de outro.
 • Autonomia da pessoa: assegura a liberdade de ação para 
qualquer indivíduo desde que este não prejudique outros.
 • Dignidade da pessoa: os indivíduos devem ser julgados e tra-
tados conforme seus atos, unicamente.
Depreende-se que o que aqui chamamos de Direitos Huma-
nos trata-se de direitos e liberdades de todos os seres humanos. 
Ressaltamos, então, algumas características deles:
 • Universalidade: todo e qualquer ser humano é sujeito ativo 
desses direitos, independente de credo, raça, sexo, cor, nacio-
nalidade, convicções;
 • Inviolabilidade: esses direitos não podem ser descumpridos 
por nenhuma pessoa ou autoridade;
 • Indisponibilidade: esses direitos não podem ser renunciados. 
Não cabe ao particular dispor dos direitos conforme a própria 
vontade, devem ser sempre seguidos;
 • Imprescritibilidade: eles não sofrem alterações com o decur-
so do tempo, pois têm caráter eterno;
 • Complementaridade: os direitos humanos devem ser inter-
pretados em conjunto, não havendo hierarquia entre eles.
94
Leia a Declaração Universal dos Direitos Humanos 
(DUDH), documento marco na história dos direitos 
humanos, no site das Nações Unidas - Brasil.
https://bit.ly/3BPeqwn
Ação comunitária e participação 
democrática
O ser humano imagina-se incluído em dois grupos societais: no 
primeiro deles ele se mostra como alguém que sente a necessidade 
de ser conduzido, aceita e espera confortavelmente aquilo que o 
Estado oferece como medidas públicas para garantir os direitos 
da população, bem como, as tomadas de decisões dos governan-
tes no campo econômico, social e político. Já o outro grupo busca 
constantemente a chama acesa do questionamento, da participa-
ção, da vontade de transformar e de estar construindo as decisões 
acima referidas.
Dessa forma, consideramos significativo destacar o conceito 
de comunidade para pensarmos seu papel no âmbito democrático.
Comunidade: sociologicamente trata-se de um grupo de indiví-
duos que, além de possuírem a residência em comum do ponto de 
vista geográfico, compartilham uma cultura e tornam-se parte 
da história dessa coletividade, cujos objetivos e metas partem das 
demandas comuns.
SAIBA MAIS
DEFINIÇÃO
95
Figura 2 - Uma comunidade com pessoas de diferentes idades e raças
Fonte: Freepik
Em continuidade, o pesquisador Samuel Paul (1987) aponta 
que para uma comunidade alcançar um excelente grau de partici-
pação, em um projeto comunitário, por exemplo, deve se voltar e 
direcionar os seus objetivos para os seguintes aspectos:
 • Empoderamento: alto nível de consciência coletiva e de for-
ça política. O autor mostra que precisa de uma forte iniciativa 
com ações e organizações que possam influenciar processos 
de mudanças.
 • Capacity building: compartilhamento de tarefas relacionadas à 
administração do projeto de transformação. Também diz res-
peito a monitoramento e construção da sustentação do projeto.
 • Eficácia: quando o projeto caminha junto com as demandas da 
comunidade. Corresponde e atende essas demandas.
 • Eficiência: a procura de consenso com interação e cooperação 
para avanços e não atrasos. Cumprindo metas e prazos. Inten-
sa participação comunitária.
 • Compartilhamento de custos: compartilhamento de gastos 
do projeto a ser desenvolvido, com a finalidade de barateá-lo. 
96
Quando falamos em “democracia participativa”, estamos li-
dando com a situação de uma participação popular na tomada de 
decisões, sobretudo, no âmbito político. Esse conceito evoca a ideia 
de proporcionar a oportunidade de participação às pessoas, criando 
canais de debate que incentivem o pensar sobre questões políticas, 
diretamente ligadas ao exercício de sua cidadania.
Uma proposta de entendimento e clareza sobre a ideia de 
ação da comunidade em uma perspectiva democrática volta-se 
para a situação do conceito de gestão democrática presente, por 
exemplo, nas escolas.
Segundo Rosineia de Lima Nascimento (2012), o trabalho em 
equipe voltado à qualidade de ensino é a grande base para uma ges-
tão democrática e participativa nas escolas. Além disso, o educador 
Vitor Henrique Paro (2012), considera fundamental que a gestão es-
colar tenha a consciência de que precisa estar sujeita a mecanismos 
de controle e fiscalização pela própria comunidade na qual se insere.
Fortalecendo estas ideias, o professor Moacir Gadotti (1995) 
nos lembra que descentralização e autonomia devem andar lado a 
lado. Da mesma maneira que a luta pela conquista da autonomia 
na escola é também um reflexo dos embates na própria sociedade.
Assim, tal qual apresentamos até aqui, é necessário que o 
entendimento da condução democrática esteja presente no cenário 
educacional, favorecendo o estado de participação da comunidade. 
Na escola, bem como no Estado, uma gestão participativa e democrá-
tica deve envolver: participação propriamente dita, descentralização 
e transparência. Permeado por essa concepção, o educador Paulo 
Freire (1995) mostra que a participação política das classes populares 
deve ocorrer através de seus representantes, seja na tomada de deci-
sões, seja na definição de um projeto de ação.
97
Figura 3 - Gestão democrática
É notável que tanto na escola quanto na sociedade são ne-
cessários canais democráticos que possibilitem a participação 
dos indivíduos no processo de tomada de decisões.
Leia o artigo “A gestão participativa na escola pública: tendências 
e perspectivas”, de Fernando Beraldo e Rita Pelozo (FAHU/ACEG).
Para que a participação da comunidade aconteça de forma 
efetiva, é preciso também que a mesma conheça que canais existem 
para sua atuação. Observe a imagem abaixo e verifique as principais 
formas de participar:
SAIBA MAIS
98
Figura 4 – Formas democráticas de participação da comunidade
Dessa forma, vemos que cada grupo representado nos diálogos 
recebe a oportunidade de apresentar suas ideias e prováveis soluções 
para os entraves comunitários. Isso supera, com certeza, o fato de ter 
uma visão unilateral em que somente uma classe, ou grupo, toma 
decisões e avaliam ações, pois todos os níveis envolvidos podem 
contribuir para a melhoria da qualidade de vida no coletivo.
Conselhos Municipais:
Formulam, acompanham e avaliam as políticas públicas. Neles, 
qualquer cidadão pode participar, apresentar projetos e dar sua opi-
nião.
Audiências públicas:
São obrigatórias para a discussão da lei de Diretrizes Orçamentárias 
(LDO) e também podem ser requisitadas para o debate de proble-
mas que afetem a cidade.
Ouvidoria Pública Municipal:
Atende reclamações de problemas relacionados à prefeitura.
Ação popular:
Permite que o cidadão proponha uma ação contra ato que lese 
o patrimônio público.
Iniciativa popular:
Com o aval de 5% dos eleitores do município, qualquer cidadão 
pode apresentar um projeto de lei na Câmara Municipal.
Representações:
Ao ministério Público, possibilita a abertura de procedimentos 
de investigação de supostos atos irregulares praticados contra 
o interesse público. Caso seja o Tribunal de Contas, o cidadão 
pode denunciar irregularidades ao ilegalidades na administração 
pública.
99
Ética, direitoshumanos e violência
A temática dos direitos humanos possui relevância na constituição 
da lógica jurídica do século XXI e apresenta, na sua essência, traços 
do passado e uma perspectiva de futuro. Nesse sentido, ainda sobre 
os direitos humanos, vemos a necessidade de uma ampla análise 
histórico-filosófica, além de um grande conhecimento jurídico para 
melhor fundamentá-los e compreendê-los.
A violência é uma questão recorrente em nosso dia a dia. Te-
mos assistido muitas cenas de desrespeito aos direitos humanos, 
atitudes de violência e precarização da ordem social. Diante disso, 
como podemos nos posicionar de modo ético em relação às diferen-
tes situações que saltam aos nossos olhos diariamente?
A professora Flávia Schilling (2007) destaca que a violência 
em nossa sociedade está presente desde a fala das pessoas no dia 
a dia, até mesmo na mídia e nos discursos políticos. Para a autora, 
existem diversos tipos de violência, desde a que acontece na família 
até a que configura a criminalidade, abrangendo a violência física, 
psicológica e/ou emocional, moral, sexual, social e doméstica.
Além disso, é importante evidenciar que viver em um Estado 
Democrático de Direito, como o Brasil, é experimentar práticas 
de respeito às diferenças e os preceitos dos direitos humanos. Con-
tudo, isso é muito significativo e completo na letra fria do papel, 
mas na prática assistimos ações violentas contra a mulher, o idoso, 
a orientação sexual ou identidade de gênero das pessoas, além 
dos crimes de intolerância racial, religiosa, corrupção, violência 
policial, entre outros.
O Estado Democrático de Direito é aquele em que os governantes 
seguem o que está previsto nas leis, isto é, respeitam e cumprem 
o que é definido em suas normas, visando à garantia do exercício 
de direitos individuais, sociais e dos poderes instituídos.
DEFINIÇÃO
100
Figura 5 - Estado Democrático de Direito
Fonte: Freepik.
Como entendemos a violência em relação aos Direitos Hu-
manos? Vemos, por exemplo, que a educação é um direito de todos 
e é dever do Estado assegurá-lo. Conforme estabelece o artigo 206 
da nossa Carta Magna, de 1988, o ensino do país será ministrado 
tendo por base os seguintes princípios:
I. igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II. liberdade de aprender, de ensinar, pesquisar e ampliar o pen-
samento, a arte e o saber;
III. pluralismo de ideias e de vertentes pedagógicas; a coexistên-
cia de instituições públicas e privadas de ensino;
IV. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V. valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, 
na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusiva-
mente por concurso público de provas e títulos, aos das redes 
públicas; (Redação da EC 53/2006);
VI. gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII. garantia de padrão de qualidade;
101
VIII. piso salarial profissional nacional para os profissionais da 
educação escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluído 
pela EC 53/2006);
IX. garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da 
vida. (Incluído pela EC n. 108/2020).
Fonte: BRASIL. Constituição (1988), Capítulo III, Seção I, Artigo 206. Constituição da 
República Federativa do Brasil de 1988. Brasília. DF: Presidência da República, [2020]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. 
Acesso em: 22 jul. 2022.
Nesse caso, a infração ao respeito dos direitos humanos está 
diretamente vinculada à impunidade. No Brasil já existe a Emen-
da Constitucional nº 45, de 30 de dezembro de 2004, que federaliza 
crimes contra os direitos humanos. Assim, quando acontece alguma 
violação aos direitos humanos, esta é prontamente transferida para 
o sistema de justiça nacional, ou seja, a esfera federal. Mas o ideal 
seria criar políticas públicas que se voltassem para o combate direto 
à violência. Como o Estado apresenta dificuldades de tornar efeti-
vo esse projeto, assistimos, na maioria das vezes, as pessoas em 
situação de pobreza e outros grupos vulneráveis, sendo a parce-
la da população mais vitimada pela violência. Pois, no fundo, há 
uma inércia das instituições públicas para estabelecer punições 
e, também, um despreparo, omissão ou conivência com ações de 
violência física e simbólica.
Leia o texto “Cidadania e violência: um desafio para os direitos 
humanos”, de Maysa Solheid e Robson Stigar.
No que tange às discussões empreendidas até aqui, perce-
bemos que ética e violência caminham em lados diferentes. Já que 
a violência remete a tudo aquilo que usa a força para ir contra a 
natureza de algum ser, esmagando-o, torturando-o, desorga-
SAIBA MAIS
102
nizando-o. Portanto, podemos afirmar que uma atitude violenta 
em nada colabora para uma vida justa e solidária em sociedade. 
Dessa forma, afirmamos que violência se opõe à ética porque não 
considera o respeito e o compromisso de manter a integridade física 
e moral dos indivíduos.
Cenário atual e tendências da ética 
e da cidadania
A realidade social não está pré-concebida e os indivíduos podem 
atuar sobre os processos coletivos. Assim, é possível que os homens 
criem e recriem novas propostas de convivência que esbarram 
em amplas discussões acerca dos conceitos de ética e cidadania 
com questões, por exemplo, que envolvem os estudos de robótica, 
as investigações científicas sobre células tronco, o estabelecimento 
de poder para certos grupos, como também a autorização do porte 
de armas para os cidadãos em geral.
Segundo o filósofo Peter Singer (2002), uma pessoa vive 
dentro de uma esfera do ético quando se preocupa com a justi-
ficativa de sua ação, já que só o fato da pessoa querer explicá-la, 
podendo estar certa ou errada, demonstra que ela pauta-se em uma 
consciência ética.
Nessa seara de conside-
rações, o professor Álvaro Luiz 
Montenegro Valls (2000) mostra 
que a moral está diretamente li-
gada às ações práticas dos seres 
humanos. Ele chama a atenção 
para o fenômeno da massificação 
e do autoritarismo presente tanto 
nos meios de comunicação quanto 
nas práticas políticas. Pois, se-
gundo o autor, os homens, mesmo 
cientes de seu papel fundamental 
como executores da moral, conse-
Figura 6 - Ética na atualidade
103
guem agir eticamente. Ademais, Valls traz o questionamento sobre 
até que ponto é possível o homem escolher entre o bem e o mal.
Em tempos atuais, a educação ocupa um lugar importante 
para a formação de um cidadão participativo e solidário, consciente 
dos seus deveres e direitos. Em uma proposta de educação pautada 
nos direitos humanos é possível construir uma base para ampliar 
o que vem a ser uma educação democrática, apontando um caminho 
para o exercício efetivo da democracia, regime voltado para uma 
soberania popular, com pleno respeito aos direitos humanos.
No que se refere ao mundo do trabalho, por exemplo, Robert 
C. Solomon (2006) destaca que o estudo da ética se faz primordial 
pelas infrações que aparecem em jornais no mundo dos negócios. 
Tal proposta deveria ocorrer a partir da compreensão profunda das 
experiências práticas.
Ademais, o sociólogo Zygmunt Bauman (2011) também 
colabora com as reflexões entre a “Era da Ética”, típica da mo-
dernidade, e a “Era da Moral”, peculiar da pós-modernidade. Ele 
apresenta a ideia de “ser-junto-com-o-outro” para, finalmente, 
descobrir nossa humanidade. Nesse sentido, a ética e a moral da 
pós-modernidade emerge de uma responsabilidade moral incon-
dicional em que cada pessoa desenvolve por meio de suas atitudes 
o “estar junto com o outro” no dia a dia da sua vida.
Ainda segundo o autor, diferentes sujeitos devem ser capa-
zes de tomar decisões próprias sem serem coagidos por um sistema 
normativo. Eles constroem o senso de responsabilidade que os au-
xilia para lidar com situações que exigem consenso, instituindo a 
questão ética.
Já a moral, pelo olhar de Bauman (2011), consiste em categoria 
contingente e incontível. Para ele, a relação com o desconhecido traza possibilidade de reconhecimento de uma humanidade. Vejamos, na 
sequência, algumas situações em que a ética e a cidadania aparecem, 
exigindo dos sujeitos a utilização desse senso de racionalidade.
104
Ética e política
Um problema que tem incomodado bastante a sociedade brasileira 
está diretamente relacionado com a questão da corrupção na po-
lítica, suscitando alguns questionamentos. Será que os sujeitos 
eleitos democraticamente, por meio do voto direto, com a finalidade 
de representar a vontade geral, mas que executam uma governan-
ça voltada para os seus interesses pessoais estão agindo de forma 
ética? Há uma falta de ética no exercício da política no meio social? 
Como fica a questão da cidadania relacionada à questão ética em 
tempos atuais?
Figura 7 – Poema “O analfabeto político”, de Bertholt Brecht
O analfabeto político
O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, 
da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões 
políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista, pilantra,
corrupto e lacaio das empresas
nacionais e multinacionais.
Bertholt Brecht
Fonte: Elaborada pela autora.
105
Para o jurista Eduardo Carlos Bittar (2010), a questão éti-
ca presente no mundo das atividades políticas pode ser vista como 
a saúde político-institucional que irá se traduzir na saúde social. 
Além disso, deve-se aceitar que a estrutura da éthos de uma socie-
dade fica, em grande parte, na dependência das ações e atitudes 
políticas para alcançar direitos e acessar serviços públicos.
Ainda, Elias Farah (2000) adverte que o cidadão, ou seja, 
o eleitor, é quem recebe o impacto de um ato de corrupção pra-
ticado por um agente público, sobretudo os eleitos. O corruptor, 
durante o exercício das suas atribuições, busca um forte elo 
de captação de recursos para vaidades pessoais, fantasias próprias 
e de sua família, deixando de lado sua função pública.
O teórico Edgar Morin (2000) destaca que o ensino da ética 
é um dos saberes necessários à educação. Para ele, a reflexão no 
campo da ação do homem, em nível das decisões da ação moral dos 
indivíduos, deve ganhar espaço em diferentes níveis da educação.
A corrupção pode ser compreendida como um fenômeno so-
cial, ela consiste em um reflexo da cultura formada sem princípios 
éticos e valores morais. Trata-se de uma prática cultural antiética 
e, no Brasil, observamos que a raiz da corrupção é tanto histórica 
quanto cultural. 
Ética na saúde
O comportamento ético em atividades de saúde deve considerar um 
enfoque de responsabilidade social e também a expansão dos direi-
tos da cidadania, uma vez que a saúde constitui um direito básico 
e proporciona as condições de cidadania à população.
A ética da responsabilidade e a Bioética envolvem o cuidado 
do outro, portanto, compete aos profissionais dessa área ter cons-
ciência em desenvolver esta postura. Dessa forma, vemos que a ética 
deve reconhecer o valor de todos os seres vivos e encarar os huma-
nos como um dos pontos que também formam a base da vida.
O professor Joaquim Clotet (2003) aponta que a “Bioética é 
uma ética aplicada que se ocupa do uso correto das novas tecnolo-
106
gias na área das ciências médicas e da solução adequada dos dilemas 
morais por elas apresentados” (CLOTET, 2003, p. 33).
Leia o artigo intitulado “Princípios da bioética e o cuidado na en-
fermagem”, de Ivanete da Silva Santiago e Karen knopp de Carvalho.
Ética as redes sociais
As redes sociais também têm se mostrado como um importan-
te canal de informação e trocas comunicacionais. Além disso, ao 
mesmo tempo em que elas informam, também desinformam. Re-
lacionando com a questão ética, temos a grande dor de cabeça do 
momento, as chamadas fake news. Estas provocam desequilíbrio, 
afetações emocionais e transtornos, principalmente naqueles que 
são os alvos dessas notícias falsas. Cabe ressaltar que as fake news 
reforçam preconceitos, ódio contra indivíduos ou grupos sociais.
Tomemos o exemplo do impacto que a sociedade teve so-
bre a enganosa notícia da existência de um “kit gay” imposto 
nas escolas. Essa ideia partiu da interpretação equivocada de 
um projeto verdadeiro que fazia parte de um dos programas do 
Governo Federal, intitulado de “Escola sem Homofobia”. Con-
tudo, as informações originais foram manipuladas e disseminadas 
de forma totalmente desvirtuada, com a perspectiva de dizer que 
haveria uma suposta “ideologia de gênero” e o ensino de temáticas 
sobre sexualidade para crianças de seis anos nas escolas. A questão 
ética, sobretudo a sua ausência, aparece fortemente nesse fato em 
decorrência do compartilhamento de notícias inverídicas, causando 
impactos negativos ao projeto e na vida das pessoas. Todavia, tanto 
nessa situação quanto em todas as outras em que compartilhamos 
ou postamos algum conteúdo nas redes sociais, é imprescindível 
conferir a veracidade das informações veiculadas.
SAIBA MAIS
107
Os pesquisadores Michael Schudson e Barbie Zelizer (2017) 
afirmam que a notícia falsa pode interferir no cotidiano do cidadão 
e das redações jornalísticas. Segundo eles, nas atividades periodistas, 
por exemplo, é preciso ter responsabilidade com a questão da re-
produção de notícias falsas, exageradas ou até mesmo corrompidas. 
O sociólogo Michael Kunczik (2001) aplica o termo disfunção 
quando ocorre às notícias são alteradas e servem de ameaça à es-
tabilidade social. Pois, conforme os autores Mauro Wolf e Maria 
Jorge Vilar de Figueiredo (1987), a circulação de notícias falsas 
destrói a cidadania de forma severa. Ainda, em suas considerações, 
os meios de comunicação têm a função de trazer a possibilidade 
de alertar o cidadão e apresentar instrumentos para realizar as 
suas ações diárias.
Na sequência, observe como detectar notícias falsas, segundo 
os jornalistas Eugene Kiely e Lori Robertson (2017):
 • Considere a fonte – veja se tem credibilidade;
 • Considere o autor – faça uma breve pesquisa sobre ele;
 • Confirme a data – verifique a data e qual contexto a notícia 
se enquadra;
 • Fontes de apoio – encontre bases de informações; identifique 
se as fontes estão relacionadas ou tratam do assunto, pois é 
preciso identificá-las;
 • Considere todos os lados – ser contra uma ideologia não quer 
dizer que a notícia é falsa;
 • Verifique se é piada – há sites que fazem piadinhas com de-
terminados temas;
 • Leia mais – é preciso ler sobre o assunto. Quando você pes-
quisa e lê mais sobre um assunto, percebe se a informação 
a ser compartilhada tem ou não veracidade.
108
Leia o artigo intitulado de “O impacto das fakenews e o fomen-
to dos discursos de ódio na sociedade em rede: a contribuição da 
liberdade de expressão na consolidação democrática”, de Isadora 
Forgiarini Balem.
Figura 8 - Fake news
Fonte: Freepik.
Enfim, a discussão sobre ética e cidadania, levando em con-
sideração o que estamos vivendo nos dias de hoje e a necessidade de 
uma convivência harmônica em nossa sociedade, deve observar se 
há uma compatibilidade entre o ideal da comunidade almejada e o 
estilo de vida construído, sem isso não é possível pensar um corpo 
social ético como realidade.
Na atualidade, o sujeito que possui a cidadania é aquele 
detentor de direitos, mas também de deveres. O cidadão deve ter 
ciência de sua participação na sociedade e que precisa contribuir 
coletivamente, pois o desenvolvimento da cidadania só ocorre por 
meio do desejo e colaboração para a efetivação do bem comum.
Uma outra perspectiva tem a ver com os aspectos atrelados 
à sociedade de risco que estamos vivendo. Isto significa que diante 
SAIBA MAIS
109
do crescimento da civilização tecnológica, vemos um número muito 
grande de difusãoe proliferação dos riscos, resultantes da manei-
ra como a sociedade moderna foi se organizando. Riscos que estão 
cada vez mais presentes no nosso dia a dia, afetando as comunida-
des e revelando a crise da sociedade industrial.
Para o sociólogo britânico Anthony Giddens(1991), a socie-
dade moderna organiza-se levando em conta o distanciamento 
tempo-espaço, diferentemente das sociedades pré-modernas, 
nas quais as relações entre os indivíduos eram construídas atra-
vés das referências locais. Nesse caso, a explicação para situações 
e fenômenos que ali se processavam, eram situadas na lógica do 
conhecimento e interações cotidianas que, por sua vez, promoviam 
a organização social com base nas redes de confiança, depositada 
nos laços de parentesco e alianças.
Caso qualquer coisa perturbasse o equilíbrio daquela ordem 
social, o grupo encontraria resolução para aquele problema, valo-
rizando a confiança localizada em seu interior e entre os sujeitos. Já 
nas sociedades atuais, conforme deriva do pensamento de Giddens, 
estas constroem seu esquema de funcionamento e racionalização 
social fundamentadas em uma relação de confiança dos indivíduos 
em sistemas abstratos, fichas simbólicas, que podem ser entendidos 
como o progresso do conhecimento técnico, econômico e científico. 
Portanto, vivemos riscos de acreditar nos sistemas simbólicos, no 
virtual e, a partir destas crenças, também construímos nossas posi-
ções éticas e cidadãs.
Figura 9 - A crença e a 
divulgação de notícias 
falsas prejudicam às 
pessoas
Fonte: Freepik.
110
Educação, ética e cidadania hoje
No texto que segue temos algumas reflexões importantes acerca da 
ação de ensinar a pensar para a vida. Tal reflexão, baseada nas ideias 
do filósofo Immanuel Kant, traz em si a própria valorização da edu-
cação para o bem coletivo.
Ensinar a pensar
Espera-se que o professor desenvolva no seu aluno, em primeiro 
lugar, o homem de entendimento, depois, o homem de razão, e, 
finalmente, o homem de instrução. Este procedimento tem esta 
vantagem: mesmo que, como acontece habitualmente, o aluno 
nunca alcance a fase final, terá mesmo assim beneficiado da sua 
aprendizagem. Terá adquirido experiência e ter-se-á tornado mais 
inteligente, se não para a escola, pelo menos para a vida.
Se invertermos este método, o aluno imita uma espécie de 
razão, ainda antes de o seu entendimento se ter desenvolvido. Terá 
uma ciência emprestada que usa não como algo que, por assim di-
zer, cresceu nele, mas como algo que lhe foi dependurado. A aptidão 
intelectual é tão infrutífera como sempre foi. Mas ao mesmo tempo 
foi corrompida num grau muitíssimo maior pela ilusão de sabedo-
ria. É por esta razão que não é infrequente deparar-se-nos homens 
de instrução (estritamente falando, pessoas que têm estudos) que 
mostram pouco entendimento. É por esta razão, também, que as 
academias enviam para o mundo mais pessoas com as suas cabeças 
cheias de inanidades do que qualquer outra instituição pública.
[...] Em suma, o entendimento não deve aprender pensa-
mentos mas a pensar. Deve ser conduzido, se assim nós quisermos 
exprimir, mas não levado em ombros, de maneira a que no futuro 
seja capaz de caminhar por si, e sem tropeçar.
A natureza peculiar da própria filosofia exige um méto-
do de ensino assim. Mas visto que a filosofia é, estritamente 
falando, uma ocupação apenas para aqueles que já atingiram a ma-
turidade, não é de espantar que se levantem dificuldades quando 
se tenta adaptá-la às capacidades menos exercitadas dos jovens. 
O jovem que completou a sua instrução escolar habituou-se a apren-
111
der. Agora pensa que vai aprender filosofia. Mas isso é impossível, 
pois agora deve aprender a filosofar. [...] Para que pudesse aprender 
filosofia teria de começar por já haver uma filosofia. Teria de ser 
possível apresentar um livro e dizer: “Veja-se, aqui há sabedoria, 
aqui há conhecimento em que podemos confiar. Se aprenderem a 
entendê- lo e a compreendê-lo, se fizerem dele as vossas fundações 
e se construírem com base nele daqui para a frente, serão filóso-
fos”. Até me mostrarem tal livro de filosofia, um livro a que eu possa 
apelar, [...] permito-me fazer o seguinte comentário: estaríamos a 
trair a confiança que o público nos dispensa se, em vez de alargar a 
capacidade de entendimento dos jovens entregues ao nosso cuidado 
e em vez de os educar de modo a que no futuro consigam adquirir 
uma perspectiva própria mais amadurecida, se em vez disso os en-
ganássemos com uma filosofia alegadamente já acabada e cogitada 
por outras pessoas em seu benefício. Tal pretensão criaria a ilusão 
de ciência. Essa ilusão só em certos lugares e entre certas pessoas é 
aceite como moeda legítima. Contudo, em todos os outros lugares 
é rejeitada como moeda falsa. O método de instrução próprio da fi-
losofia é zetético, como o disseram alguns filósofos da antiguidade 
(de zhtein). Por outras palavras, o método da filosofia é o método 
da investigação. Só quando a razão já adquiriu mais prática, e ape-
nas em algumas áreas, é que este método se torna dogmático, 
isto é, decisivo. Por exemplo, o autor sobre o qual baseamos a nossa 
instrução não deve ser considerado o paradigma do juízo. Ao invés, 
deve ser encarado como uma ocasião para cada um de nós formar 
um juízo sobre ele, e até mesmo, na verdade, contra ele. O que o alu-
no realmente procura é proficiência no método de refletir e fazer 
inferências por si. E só essa proficiência lhe pode ser útil. Quanto 
ao conhecimento positivo que ele poderá talvez vir a adquirir ao 
mesmo tempo — isso terá de ser considerado uma consequência 
acidental. Para que a colheita de tal conhecimento seja abundante, 
basta que o aluno semeie em si as fecundas raízes deste método.
Immanuel Kant
Tradução de Desidério Murcho
Texto retirado de “Anúncio do Programa do Semestre de Inverno de 1765-1766” da 
colectânea de textos Theoretical Philosophy, 1755-1770 (edição de David Walford e 
Ralf Merbote, Cambridge University Press, 1992), pp. 2:306-7. 
112
É significativo compreender a criação de novos desenhos de 
sujeitos pensantes e participativos na sociedade atual, em que as 
tecnologias da informação e as comunicações são cada vez mais 
reais, capazes de oferecer uma visão e um maior conhecimento 
acerca das relações e saberes sociais que indicam o progresso da hu-
manidade. Nesse sentido, essa compreensão é fundamental para se 
estabelecer um diálogo entre indivíduo, cultura e educação.
Existem alguns filmes que apresentam alguns aspectos relaciona-
dos à discussão, dentre eles, listamos os seguintes:
A fraude (Filme de 1999, com Ewan McGregor). Aspectos identifica-
dos: Contabilidade; Governança Corporativa; Ética e Responsabilidade 
Social; Evidenciação e Informação à Sociedade
Ameaça Virtual (Filme de 2001, com Tim Robbins e Ryan Phillippe). 
Aspectos identificados: Tecnologias da informação; Liderança; 
Clima organizacional; Ética; Responsabilidade social corporativa; 
Qualidade de vida no trabalho.
Com o dinheiro dos outros (Filme de 1991, com Danny de Vito e 
Gregory Peck). Aspectos identificados: Inovação tecnológica; Ética 
e responsabilidade social; Governança corporativa; Liderança; Fi-
nanças; Globalização e internacionalização dos mercados; Clima 
organizacional.
Erin Brockovich: uma mulher de talento (Filme de 2000, com Julia 
Roberts e Albert Finney). Aspectos identificados: Ética e responsa-
bilidade social corporativa; Gestão ambiental; Liderança; Negociação 
empresarial; Administração de conflitos; Trabalho em equipe.
Minority Report: a nova lei (Filme de 2002, com Tom Cruise). As-
pectos identificados: Tecnologias da informação; Teletrabalho; 
Ética; Invasão de privacidade; Responsabilidade social corporativa.
Náufrago (Filme de 2000, com Tom Hanks e Helen Hunt). Aspectos 
identificados: Qualidade de vida no trabalho; Clima organizacional; 
SAIBA MAIS
113
Planejamento de carreira; Recrutamento e seleção; Treinamento 
e desenvolvimento de pessoal; Planejamento corporativo.Em síntese, nessa etapa de estudos vimos que existem si-
tuações e questões na atualidade que precisam estar pautadas 
pelo olhar da ética e cidadania, afinal, ser cidadão é colaborar 
para a garantia de que o respeito e a preservação das relações seja 
fundamentalmente harmônica. Percebemos que tanto na política, 
quanto na saúde, como também nas trocas via redes sociais, faz-
-se necessário ter compromisso com a ética e a moralidade durante 
as participações e atuações. Finalmente, destacamos o papel que a 
educação tem na formação de indivíduos pensantes e responsáveis 
por suas ações no interior da sociedade.
114
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