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O U T U B R O D E 2 0 2 1 P R O F. A N D R E A M A K S S O U D I A N CRESCIMENTO Estratégia MED Prof. Andrea Makssoudian | Crescimento 2PEDIATRIA Caro aluno, Nas próximas páginas, vamos enfatizar os assuntos que são mais cobrados nos concursos de Residência Médica sobre o tema CRESCIMENTO. PROF. ANDREA MAKSSOUDIAN INTRODUÇÃO: @estrategiamed /estrategiamed Estratégia Med t.me/estrategiamed @dra.andreamakssoud Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 3 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento SUMÁRIO 1.0 AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO 6 2.0 CURVAS DA OMS 9 3.0 DIAGNÓSTICO NUTRICIONAL 10 4.0 ESTIRÃO 12 5.0 ALVO GENÉTICO 12 6.0 VELOCIDADE DE CRESCIMENTO 13 7.0 MATURAÇÃO ESQUELÉTICA 14 8.0 BAIXA ESTATURA 15 9.0 INVESTIGAÇÃO DA BAIXA ESTATURA 20 10.0 TRATAMENTO DA BAIXA ESTATURA 21 11.0 ALTA ESTATURA 21 12.0 LISTA DE QUESTÕES 24 13.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 25 14.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 26 Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 4 1.0 AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO Vamos iniciar este resumo falando dos PARÂMETROS ANTROPOMÉTRICOS necessários para a avaliação do crescimento. Os principais parâmetros são: Peso Comprimento Perímetro cefálico Os examinadores adoram perguntar sobre a evolução desses três parâmetros durante o primeiro ano de vida! Vamos lá! Peso: O peso médio ao nascimento é de 3.300 g. Nos primeiros dias de vida, observa-se uma perda de peso em torno de 10%, que geralmente é recuperada aos 10 dias de vida. Os bebês prematuros podem perder em torno de 15%. O peso da criança deve dobrar aos 5 meses de vida e triplicar com 1 ano. Por exemplo: Uma criança que nasceu com 3.000 g deve pesar 6.000 g aos 5 meses e 9.000 g aos 12 meses. Uma outra forma de avaliar o ganho de peso no primeiro ano de vida é por meio do ganho de peso por dia. Veja: • Primeiro trimestre: 25 a 30 g por dia • Segundo trimestre: 20 a 25 g por dia Terceiro trimestre: 15 a 20 g por dia • Quarto trimestre: 10 a 15 g por dia Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento CAPÍTULO Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 5 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento • Comprimento: A criança cresce de forma diferente nas diversas fases da vida. Veja: Figura 1. Caro aluno, na tabela abaixo, você poderá observar como a velocidade de crescimento varia de acordo com a idade da criança. Procure memorizar esta tabela, pois estas informações BOMBAM NAS PROVAS. VELOCIDADE DE CRESCIMENTO ESTATURA MÉDIA AO NASCER Menino: 50 cm Menina: 49 cm CRESCIMENTO NO PRIMEIRO ANO 1º semestre: 15 cm 2º semestre: 10 cm CRESCIMENTO NO SEGUNDO ANO 10-12 cm VELOCIDADE DE CRESCIMENTO EM PRÉ-ESCOLARES 5-7 cm/ano VELOCIDADE DE CRESCIMENTO NA ADOLESCÊNCIA (estirão) Meninas: 8,5 cm/ano Meninos: 9,5 cm/ano Tabela 1. Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 6 Vemos que o crescimento, no primeiro ano de vida, é de cerca de 25 cm. No segundo ano, o crescimento varia de 10 a 12 cm. Os pré- escolares apresentam um crescimento constante de 5 a 7 cm/ano, ou seja, a média é de 6 cm/ano. O valor médio de crescimento de uma criança pré-púbere em idade pré-escolar é de 6 cm/ano. Perímetro cefálico: O perímetro cefálico (PC) reflete o crescimento cerebral e é muito acelerado nos dois primeiros anos de vida. Ao nascimento, o PC mede de 33 a 36 cm; aos 2 anos, mede de 47 a 51 cm; e aos três anos, apresenta tamanho semelhante ao do adulto. O esperado para o crescimento do PC no primeiro ano de vida é o seguinte: Primeiro trimestre: 2 cm/mês Segundo trimestre: 1 cm/mês Segundo semestre: 0,5 cm/mês Perímetro cefálico cresce 12 cm no 1º ano. Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 7 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento 2.0 CURVAS DA OMS Pronto! Agora vamos falar sobre as curvas de crescimento e como podemos interpretá-las. As curvas de crescimento que utilizamos em nosso meio são as curvas da OMS, que foram construídas a partir da antropometria de crianças dos seguintes países: Brasil, Gana, Índia, Noruega, Oman e Estados Unidos. Temos curvas disponíveis para peso, estatura, perímetro cefálico, índice de massa corpórea e outras mais específicas. A avaliação do crescimento com base na curva de crescimento permite que se tenha uma visão dinâmica do crescimento, o que facilita o raciocínio diagnóstico e a decisão sobre a conduta. Temos duas formas de avaliar as curvas: A) PERCENTIL O percentil mostra a posição da criança em relação às outras de mesma idade e do mesmo sexo. Sendo assim, quando uma criança se encontra no percentil 25 de estatura, indica que 25% das crianças de mesma idade e do mesmo sexo têm estatura menor que a dela. Do mesmo modo, 75% das meninas apresentam estatura maior que a dela. Veja um exemplo de curva de percentil: Figura 2. Curva de crescimento para meninos (em percentil) de zero a 5 anos. Fonte: WHO Child Growth Standards, 2006. B) ESCORE Z O escore Z quantifica a distância em desvios-padrão do valor encontrado em relação à mediana da população. Dessa forma, uma criança que se encontra no escore Z -2 para estatura indica que se encontra a menos 2 desvios-padrão da média para sua idade e seu sexo. Veja ao lado um exemplo de gráfico representado em escore Z: Figura 3. Curva de crescimento para meninos (em desvio-padrão/escore Z) de zero a 5 anos. Fonte: WHO Child Growth Standards, 2006. CAPÍTULO Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 8 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento Só para você ter uma ideia, no escore Z, zero é equivalente ao percentil 50. 3.0 DIAGNÓSTICO NUTRICIONAL Mas por que precisamos conhecer essas curvas? Ao colocarmos os valores encontrados na antropometria de um paciente nessas curvas de crescimento, podemos obter o diagnóstico nutricional. Veja os quadros abaixo, que ilustram o diagnóstico nutricional em crianças: A) ESTATURA VALORES CRÍTICOS DIAGNÓSTICO NUTRICIONAL < percentil 0,1 < escore Z -3 Muito baixa estatura para a idade ≥ percentil 0,1 e < percentil 3 ≥ escore Z -3 e < escore Z -2 Baixa estatura para a idade ≥ percentil 3 ≥ escore Z -2 Estatura adequada para a idade Tabela 2. Classificação do estado nutricional de crianças, de acordo com percentil e escore Z segundo recomendações do SISVAN – Ministério da Saúde. Querido aluno, agora gostaria de enfatizar uma informação importante que despenca nas provas: Baixa estatura: • escore Z -2 • < percentil 3 CAPÍTULO Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 9 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento B) PESO Os diagnósticos nutricionais de acordo com o peso estão apresentados na tabela abaixo: Percentil Escore Z Zero a 10 anos incompletos < percentil 0,1 < escore Z -3 Muito baixo peso para a idade ≥ percentil 0,1 e < percentil 3 ≥ escore Z -3 e < escore Z -2 Baixo peso para a idade ≥ percentil 3 e ≤ percentil 97 ≥ escore Z -2 e ≤ escore Z +2 Peso adequado para a idade > percentil 97 > escore Z +2 Peso elevado para a idade Tabela 3. Peso adequado entre escore Z -2 e +2. C) ÍNDICE DE MASSA CORPÓREA Observe a tabela abaixo, que mostra os diagnósticos nutricionais de acordo com o IMC. Preste muita atenção, pois os valores de sobrepeso, obesidade e obesidade grave são diferentes para crianças até os 5 anos de idade e para crianças maiores de 5 anos. Percentil Escore Z Zero a 5 anos incompletos 5 a 20 anos incompletos < 0,1 < -3 Magreza acentuada Magreza acentuada ≥ 0,1 e < 3 ≥ -3 e < -2 Magreza Magreza ≥ 3 e ≤ 85 ≥ -2 e ≤ +1 Eutrofia Eutrofia > 85 e ≤ 97 > +1 e ≤ +2 Risco de sobrepeso Sobrepeso > 97 e ≤ 99,9 > +2 e ≤ +3 Sobrepeso Obesidade > 99,9 > +3 Obesidade Obesidade grave Tabela 4. Obesidade • Menores de 5 anos: > escore Z +3 ou > P 99,0 • Crianças de 5 anos ou mais: > escore Z +2 e ≤ +3 OU > P 97 e ≤ 99,9 Querido aluno, essas tabelas precisam ser memorizadas, pois elas despencam nas provas! Prof. Andrea Makssoudian | ResumoEstratégico | Outubro 2021 10 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento 4.0 ESTIRÃO Esse é outro tema muito cobrado nos concursos, fique esperto! Os examinadores querem que você conheça as diferenças entre o estirão de meninas e de meninos e como podemos avaliar se o crescimento está evoluindo normalmente. A velocidade de crescimento em crianças pré-púberes é de 5 a 7 cm/ano. As meninas atingem, no estirão, uma velocidade em torno de 8,5 cm/ano e os meninos, de 9,5 cm/ano. É importante que você saiba que durante a puberdade os adolescentes adquirem 20% de sua estatura final e 50% do peso da vida adulta. 5.0 ALVO GENÉTICO Vamos falar agora sobre o alvo genético. O alvo genético não é uma previsão de altura, ele é uma forma de avaliar o potencial genético da criança ou do adolescente de acordo com sua família. Vou apresentar uma fórmula que vai ajudar você a responder MUITAS questões! Veja: Alvo Genético + Estatura da Mãe - 13 ÷ 2 + 13 + Estatura da Mãe Estatura do Pai Estatura do Pai Alvo Genético Menina Alvo Genético Menino Figura 4. Mas fique atento: ao resultado encontrado devemos somar ou subtrair o número 5. As questões sobre alvo genético “chovem“ nas provas. Com um cálculo muito simples você ganhará pontos preciosos, portanto memorize essa fórmula. Vamos ver um exemplo: Considere uma menina cuja mãe tem 155 cm e o pai tem 170 cm. O cálculo é feito assim: (170 + 155 - 13) ÷ 2 = 156 (± 5) = 151 a 161 cm CAPÍTULO CAPÍTULO Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 11 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento 6.0 VELOCIDADE DE CRESCIMENTO Agora vou dar uma dica sobre o que você precisa saber a respeito da velocidade de crescimento. Muitas questões apresentam um caso clínico com queixa de baixa estatura e apresentam valores de estatura em épocas diferentes, que nos permitem avaliar como seria a velocidade de crescimento em 1 ano. Um dado importante que você não pode esquecer é que a velocidade de crescimento normal em crianças impúberes é de 5 a 7 cm/ ano. Um valor menor que esse indica um problema e torna-se grande a chance de o paciente apresentar uma deficiência hormonal como causa. Uma velocidade de crescimento normal indica que não há problemas hormonais. Por exemplo: Uma criança que mede, agora, 145 cm e que há 6 meses media 143 cm apresenta uma velocidade de crescimento de 2 cm/6 meses, ou seja, 4 cm/ano. É muito provável que exista uma deficiência hormonal subjacente. Velocidade de crescimento normal em pré-púberes: 5 a 7 cm/ano. CAPÍTULO Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 12 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento 7.0 MATURAÇÃO ESQUELÉTICA Vamos conversar agora sobre a idade óssea. Essa avaliação é feita por meio da radiografia de punho esquerdo e indica o potencial de crescimento da criança ou do adolescente. Além disso, com base nela, podemos obter outras informações: • se existe alguma doença hormonal que acelere a maturação óssea, como na puberdade precoce; • se alguma deficiência hormonal está causando atraso da idade óssea. Figura 5. Observe as figuras acima. A imagem à direita mostra maturação óssea completa: os os- sos estão próximos e articulados, mostrando que esse adolescente não vai mais crescer. A figura à esquerda apresenta uma criança com idade óssea mais atrasada em relação à primeira. Os ossos não estão articulados, mostrando um potencial grande de crescimento. Talvez você esteja se perguntando: mas como eu posso avaliar se a idade óssea de uma criança está muito atrasada ou adiantada? Na prática, considera-se normal um atraso ou avanço de 2 anos em relação à idade cronológica. Por exemplo: Uma criança com idade cronológica de 10 anos e idade óssea de 11 anos não apresenta aceleração da idade óssea, pois a diferença é menor do que 2 anos. Essa informação será útil ao resolver questões sobre esse assunto! Tudo certo até aqui? Então vamos conversar sobre o crescimento anormal: baixa estatura e alta estatura. CAPÍTULO Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 13 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento 8.0 BAIXA ESTATURA Causas Genéticas / Cromossômicas Medicamentos Glicecorticoide Anticonvulsivantes Hormônios Sexuais Esqueléticas Nutricional Psicossocial Doenças Crônicas Renais Gastroenterológicas Respiratórias Cardíacas Infecções de Repetição Causas Endocrinológicas Hipotireoidismo Deficiência de GH Síndrome de Cushing Diabetes mellitus Diabetes insipidus Desvios da Normalidade Síndrome de Turner Síndrome de Bloom Síndrome de Down Síndrome de Russel-Silver Síndrome de Noonan Síndrome de Seckel Síndrome de Prader-Will Gene SHOX Atraso constitucional do crescimento e da puberdade (ACCP) Pequenos para a idade gestacional Baixa estatura familiar Baixa estatura idiopática Causas de Baixa Estatura Como vimos, a baixa estatura é definida quando ocorre um desvio maior do que 2 desvios-padrão, ou seja, escore Z menor do que -2. Vamos agora conversar sobre as causas de baixa estatura. Veja a figura abaixo: Figura 6. A) BAIXA ESTATURA EM RAZÃO DOS DESVIOS DA NORMALIDADE Caro aluno, esse tema despenca nas provas. É fundamental que você saiba diferenciar os dois principais desvios da normalidade que são a baixa estatura familiar e o atraso constitucional do crescimento e da puberdade. A baixa estatura familiar (BEF) ocorre porque o potencial genético da criança é baixo, isto é, seu alvo genético é baixo. Nesse caso, o prognóstico de estatura final é baixo. CAPÍTULO Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 14 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento Sendo assim, sua velocidade de crescimento é normal; ela mantém o seu canal de crescimento no gráfico de estatura e não há atraso de idade óssea ou atraso puberal. Você pode observar o gráfico abaixo para compreender melhor: Figura 7. epresentação do crescimento de uma criança com baixa estatura familiar (BEF). O alvo genético está no mesmo canal da criança. Fonte: WHO Child Growth Standards, 2006. Outra dica que preciso lhe dar é que o ACCP também pode ser denominado de “retardo constitucional do crescimento e da puberdade” ou “baixa estatura constitucional”. Na baixa estatura em razão do atraso constitucional do crescimento e da puberdade (ACCP), ocorre um atraso para o início da puberdade; a criança mantém uma adequada velocidade de crescimento, um atraso no início da puberdade e um atraso em idade óssea. Além disso, geralmente há uma história familiar de atraso puberal e os pais têm estatura normal. No ACCP, o prognóstico de estatura final é adequado, semelhante ao alvo genético. Observe o gráfico abaixo, que mostra o crescimento de uma criança com ACCP. Figura 8. Representação do crescimento de uma criança com ACCP. O alvo genético é de estatura normal. Fonte WHO Child Growth Standards, 2006. Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 15 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento Agora observe na tabela a seguir como podemos diferenciar as duas principais formas de baixa estatura em razão de desvios da normalidade: BEF ACCP Estatura < escore Z -2 < escore Z -2 Velocidade de crescimento na pu- berdade Normal Normal Estatura dos pais Baixa estatura em um ou ambos Adequada Idade óssea Compatível com IC Atrasada e compatível com a idade estatura Previsão de estatura final Baixa Normal Puberdade Normal Atrasada História familiar de atraso puberal Não Sim Tabela 5. B) BAIXA ESTATURA PATOLÓGICA Baixa estatura genética Quando existe uma síndrome genética como causa de baixa estatura, estamos diante de um caso de baixa estatura genética. Existem várias síndromes genéticas que cursam com baixa estatura e gostaria de falar de uma delas, que é muito cobrada nas provas e que você precisa conhecer. A síndrome de Turner ocorre em meninas numa prevalência de 1:2000 nascidas vivas e sua causa é perda de um cromossomo X ou parte dele. Sendo assim, a meninacom síndrome de Turner apresenta cariótipo 45X. O diagnóstico da síndrome de Turner deve ser feito por meio do cariótipo. Suas principais características são a baixa estatura e o atraso puberal. Essas meninas apresentam ovários disgenéticos que não são capazes de produzir os hormônios sexuais. Assim, não ocorre o feedback negativo com a hipófise e as gonadotrofinas hipofisárias elevam-se. Dessa forma, temos um hipogonadismo (atraso puberal) hipergonadotrófico (gonadotrofinas aumentadas). Meninas com síndrome de Turner podem apresentar alguns estigmas físicos denominados “estigmas turnerianos”, que são: pescoço alado, nevus pigmentares, implantação baixa dos cabelos e das orelhas, pregas epicânticas cúbito valgo, hipertelorismo mamário, palato em ogiva e 4º metacarpo curto. Elas podem apresentar cardiopatias congênitas e a inteligência é geralmente normal. Veja a figura: Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 16 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento Figura 9. DICA IMPORTANTE Nem todas as meninas com síndrome de Turner apresentam os estigmas citados, pois várias delas apresentam-se como mosaicos, isto é, têm algumas células normais e outras 45X. Sendo assim, diante de uma menina com baixa estatura e atraso puberal, é fundamental lembrar da síndrome de Turner! Baixa estatura causada por doenças endocrinológicas As doenças endocrinológicas são responsáveis por apenas 10% das causas de baixa estatura. As duas principais são o hipotireoidismo e a deficiência de hormônio de crescimento (GH). DICA Crianças com baixa estatura por deficiência de GH ou de hormônios tireoidianos apresentam baixa velocidade de crescimento, além de atraso da idade óssea! Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 17 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento Uma criança com baixa estatura em razão do hipotireoidismo apresenta sintomas de intolerância ao frio, hipoatividade, sonolência, baixo rendimento escolar, constipação intestinal e adinamia e pode ou não apresentar bócio. A deficiência de GH é mais rara e esses pacientes apresentam baixa estatura que se instala por volta dos 2 anos de vida, associada a baixa velocidade de crescimento, atraso da idade óssea e tendência à obesidade, pois o GH é lipolítico. Baixa estatura patológica causada por doenças crônicas A baixa estatura patológica pode ocorrer em razão de uma doença crônica renal, pulmonar, cardíaca, gastrointestinal, entre outras. Gostaria de enfatizar, aqui, que a doença celíaca é uma causa muito frequente de baixa estatura. Muitos pacientes não apresentam a forma clássica da doença, que se manifesta em lactentes após a introdução da alimentação complementar. Nesses casos, os sintomas mais comuns são: diarreia persistente, irritabilidade, distensão abdominal e baixo ganho ponderoestatural. Figura 10. Contudo, a maior parte dos portadores de doença celíaca apresentam sintomas gastrointestinais leves, como distensão abdominal, constipação e dor abdominal recorrente. Cerca de 8 a 10% dos pacientes com baixa estatura idiopática apresentam anticorpos positivos para doença celíaca. Sendo assim, é fundamental que se tenha em mente essa possibilidade diagnóstica em crianças com baixa estatura, mesmo que não apresentem sintomas gastrointestinais típicos. Baixa estatura em razão de doenças esqueléticas A acondroplasia é o exemplo principal dessa causa de baixa estatura. Os membros superiores e inferiores dos pacientes afetados são curtos, há um predomínio do segmento superior sobre o inferior, fronte proeminente e lordose acentuada. Esse é um caso clássico de baixa estatura desproporcionada. Isto é, as relações entre os segmentos superior e inferior não são normais, ocorrendo um predomínio do segmento superior. Além disso, esses pacientes podem desenvolver otites de repetição. Veja a figura abaixo: Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 18 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento 9.0 INVESTIGAÇÃO DA BAIXA ESTATURA Para investigarmos a causa da baixa estatura, uma anamnese completa e um exame físico podem direcionar para os exames necessários em cada caso. Sendo assim, é necessária uma antropometria cuidadosa, com informações sobre estatura e puberdade dos pais, idade óssea e cálculo da velocidade de crescimento.Com essas informações, poderemos diferenciar os desvios da normalidade das causas patológicas de baixa estatura e solicitar exames específicos.O fluxograma abaixo ilustra o que dissemos até aqui: Variantes benignas Endócrino ACCP Baixa estatura familiar Genético Doeças crônicasAtraso puberal, atraso idade óssea atraso puberal familiar, alvo genético adequado Patológico ≥5cm/ano <5cm/ano Avaliar velocidade de crescimento Problema no crescimento Deficiência de GH, hipotireoidismo e Cushing Turnar, Down Noonan Renal, Cardíaco, pulmonar, celíaco, outras Puberdade adequada, alvo genético baixo, idade óssea normal Figura 11. CAPÍTULO Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 19 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento 10.0 TRATAMENTO DA BAIXA ESTATURA O tratamento da baixa estatura vai depender de sua causa. Quando estamos diante de um caso de baixa estatura em razão de doenças crônicas, o tratamento dependerá do controle da doença subjacente. O hipotireoidismo deve ser tratado com reposição de levotiroxina. O uso de GH é indicado na deficiência de GH e, também, em algumas causas genéticas de baixa estatura, como a síndrome de Turner, que se beneficia desse tratamento. Pacientes com acondroplasia podem ser tratados com cirurgias para alongamento ósseo. Crianças com baixa estatura em razão de desvios da normalidade não necessitam de intervenção específica. A conduta adequada diante desses casos é baseada em orientações aos pacientes e familiares, assim como acompanhamento clínico. 11.0 ALTA ESTATURA O diagnóstico é firmado com a constatação de estatura acima de 2 desvios-padrão ou escore Z +2. Embora não seja uma queixa frequente, ela pode refletir doenças que devem ser investigadas e tratadas. Observe abaixo as principais causas de alta estatura: Desvios da Normalidade Genéticas Síndrome de Marfan Alta estatura familiar Puberdade precoce Produção excessiva de GH Hiperplasia adrenal congênita Síndrome de Klinefelter Endocrinológica Obesidade Aceleração constitucional do crescimento e puberdade Alta Estatura Figura 12. Vamos falar agora sobre as principais causas. CAPÍTULO CAPÍTULO Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 20 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento Síndrome de Marfan É uma doença autossômica dominante determinada por mutações no cromossomo 15, em que ocorre a decodificação da proteína fibrilina. Esse defeito resulta em manifestações musculoesqueléticas (hipermobilidade articular, envergadura maior que a estatura e deformidades esqueléticas), cardiovasculares (prolapso de válvula mitral e aneurisma de aorta) e oftalmológicas (subluxação do cristalino). Observe a figura abaixo: Figura 13. Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 21 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento Síndrome de Klinefelter Essa é uma síndrome cromossômica que afeta o sexo masculino. Os pacientes têm mais do que um cromossomo X (47XXY), podendo ocorrer casos com 3 ou 4 cromossomos X. Esses pacientes apresentam alta estatura e envergadura maior que a estatura, ginecomastia, testículos e pênis pequenos, atraso puberal e infertilidade. Além disso, alterações neurológicas são evidenciadas, como atraso intelectual e motor. Você pode observar as principais características dessa síndrome observando a figura abaixo: Figura 14. Gigantismo A alta estatura desencadeada pelo excesso de produção de GH é denominada gigantismo. Sua principal causa é o adenoma hipofisário. Essa condição deve ser tratada adequadamente em razão das consequências deletérias que podeocasionar, como intolerância à glicose, alterações visuais e problemas ortopédicos e vasculares. Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 22 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://bit.ly/3qr9Xrq Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 23 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento 13.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. COELHO, GJ. Crescimento e Puberdade. In: Tratado de Pediatria 4ª. Ed. 2. HOINEF, C; COLLET-SOLBERG, PF. Crescimento normal e alterado. In: Tratado de Pediatria 4ª. Ed. 3. BAMBA, V; KELLY, A. Assessment of growth. In: KLIEGMAN, RM; ST GEMEIII, JW; BLUM, NJ. Nelson Textbook of Pediatrics. 21ed. 4. ALMADJAA, L; AL-AGHA, AE. Growth hormone therapy in child with Russel-Silver: a case report. Intl Jr. Med and Health Res. Vol:3 N37-39 Dec 2017. 5. Orientações para coleta e análise de dados antropométricos em serviços de saúdo- Ministério da Saúde. 6. FERRAN, K; PAIVA, IA. Baixa estatura na adolescência: quando intervir? Revista Residência Pediátrica Ano 2015 Vol.5 Supl1. 7. HOINEFF, C. Baixa Estatura. SOPERJ nº12(supl 1) Ago 2011. CAPÍTULO Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 24 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento 14.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro Estrategista, finalmente chegamos ao final deste resumo. Espero que você tenha compreendido o tema. Saiba que o material completo está disponível no livro digital sobre este assunto. Antes da prova, procure ler as dicas que deixei aqui, neste livro, e memorize os tópicos mais importantes. Para resolver qualquer dúvida que surgir, pode contar comigo! Espero que você tenha um ótimo estudo! Abraços, Andrea Makssoudian. CAPÍTULO Prof. Andrea Makssoudian | Resumo Estratégico | Outubro 2021 25 Estratégia MED PEDIATRIA Crescimento