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GAU Espaço e Evolução Urbana - Moderna e Contemporânea

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Cidades modernas no mundo
Apresentação
O urbanismo modernista é um movimento que trouxe novas visões e diferentes estratégias para a 
organização das cidades, destacando fortemente a necessidade do planejamento urbano. Essa 
vertente se consolidou apresentando algumas caraterísticas marcantes como, por exemplo, o 
zoneamento, a racionalidade e a funcionalidade, as quais puderam ser aplicadas em porções de 
cidades existentes e também em novas cidades. Apesar de suas contribuições, esse movimento 
também sofreu duras críticas de outros estudiosos.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você entenderá o que é o urbanismo modernista, 
compreendendo suas principais características e identificando sua aplicação em cidades do Brasil e 
do mundo que foram criadas com base nesse pensamento. Você ainda reconhecerá quais foram as 
críticas levantadas sobre esse movimento e seus motivos.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer as características do urbanismo modernista.•
Exemplificar aplicações dos conceitos do urbanismo modernista em cidades existentes.•
Identificar o movimento de crítica às cidades modernistas.•
Infográfico
O urbanismo moderno, apesar de ter significativa relevância na história do urbanismo e na 
introdução da importância do planejamento urbano para as cidades, também foi duramente 
criticado por suas ideias utópicas e padronizadas.
Neste Infográfico, entenda melhor quais foram as principais críticas relacionadas aos princípios 
desse movimento.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/7078db88-a06b-4395-9c72-8c39b5c84273/f257de2f-d8dd-4d8b-ab05-948ec4f19fbb.jpg
Conteúdo do livro
O movimento moderno teve como grande personagem o arquiteto e urbanista Le Corbusier, que 
trouxe novos conceitos e estratégias para o melhoramento das cidades, sendo considerado o pai do 
modernismo. Essa vertente de pensamento urbanismo tinha como característica a racionalidade e o 
funcionalismo, e aliava suas propostas a setorização, a padronização, a grandes quadras e espaços 
livres, tudo com o intuito de melhorar a qualidade das cidades. Mesmo com um pensamento 
inovador, algumas soluções desse urbanismo não obtiveram tanto sucesso, trazendo outros 
problemas para as cidades e sendo criticadas por isso.
No capítulo Cidades modernas no mundo, da obra Estudo da cidade, você poderá compreender 
melhor as principais características do urbanismo moderno, identificando sua aplicação em duas 
cidades que são referência – Brasília, no Brasil, e Chandigarh, na Índia. Você ainda poderá 
reconhecer as principais críticas tecidas à esse movimento, entendendo as considerações de 
importantes autores sobre o modernismo.
Boa leitura.
ESTUDO 
DA CIDADE 
Vanessa Guerini Scopell
Cidades modernas 
no mundo
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Reconhecer características do urbanismo modernista.
  Exemplificar aplicações dos conceitos do urbanismo modernista em 
cidades existentes. 
  Identificar o movimento de crítica às cidades modernistas.
Introdução
O movimento moderno foi uma vertente que surgiu após a Revolução 
Industrial com o objetivo principal de criar soluções e estratégias para 
melhorar as cidades, demonstrando a importância do planejamento 
urbano e do estudo sobre diversos aspectos da cidade, como ruas, quadras 
e habitações. Esse movimento foi um marco para o século XX porque 
trouxe novas visões sobre a vida nos centros urbanos; por outro lado, após 
alguns anos, sofreu duras críticas em virtude de uma nova perspectiva 
levantada por outros estudiosos.
Neste capítulo, você entenderá o que foi o urbanismo modernista e 
quais foram as principais características desse movimento. Você também 
identificará exemplos de cidades que foram projetadas com base nesse 
conceito, no Brasil e no mundo. Ainda, você poderá perceber as críticas 
que esse movimento recebeu ao passar dos anos. 
1 Características do urbanismo modernista
O urbanismo modernista surgiu, conforme Abiko, Almeida e Barreiros (1995), 
a partir de um contexto onde, entre os anos de 1800 a 1914, a população da 
Europa aumentou de 180 milhões de habitantes para 460 milhões. Conside-
rando essa realidade e a consolidação dos processos histórico e civilizatório 
que ocorreram ao fi nal do XIX, por meio da revolução industrial, a busca 
por soluções dos problemas relacionados à cidade foi uma ação obrigatória. 
Para Ultramari (2009), o fenômeno socioeconômico desse período resultou 
em uma intenção de um tipo de cidade requerida, o que necessitava de novos 
procedimentos de análise e de intervenção. 
A cidade do momento da Revolução Industrial traz como consequências 
o congestionamento, a insalubridade, a falta de espaços livres de qualidade, 
a má preservação de edificações históricas, o surgimento de construções de 
baixa habitabilidade, a carência de sistemas de esgoto e abastecimento, a 
proliferação de doenças, entre outros. Esse reflexo se dá pela intenção de uma 
cidade almejada pela iniciativa privada que busca o máximo aproveitamento 
do espaço urbano visando ao lucro, sem qualquer organização ou controle. 
Nesse contexto e diante das novas necessidades, surgiram diferentes ex-
periências para encontrar modelos de cidades ideais que pudessem combater 
e mudar a realidade dos centros urbanos, evitando seus problemas. “Surge 
então a necessidade de uma ação pública, ordenando e propondo soluções que 
até o momento eram implementadas apenas pelo setor privado, com objetivos 
individuais, de curto prazo e em escala reduzida” (ABIKO; ALMEIDA; 
BARREIROS, 1995, documento on-line).
Com isso a disciplina do urbanismo passa a ser considerada, sendo um 
meio para entender e buscar soluções para esses problemas urbanos. Benevolo 
(2001) destaca que o urbanismo surgiu muito antes desse momento, mas foi 
nesse período que ele adquiriu importância. Conforme Abiko, Almeida e 
Barreiros (1995), em um primeiro momento surgiram algumas ideias urba-
nísticas sanitaristas, priorizando abastecimento de água e melhoramento do 
sistema de esgoto, com a intenção de promover a salubridade das cidades. 
Nesse momento legislações relacionadas a esse assunto também foram criadas 
e cidades industriais como Londres, Manchester e Liverpool puderam criar 
estratégias para combater tais problemas.
Ao nível das ideias, os primeiros intelectuais a estudar e a propor formas para 
corrigir os males da cidade industrial polarizaram-se em dois extremos: ou se 
defendia a necessidade de recomeçar do princípio, contrapondo à cidade existente 
novas formas de convivência ditadas exclusivamente pela teoria, ou se procurava 
resolver os problemas singulares e remediar os inconvenientes isoladamente, 
sem ter em conta suas conexões e sem ter uma visão global do novo organismo 
citadino (ABIKO; ALMEIDA; BARREIROS, 1995, documento on-line).
Um dos exemplos de planos desenvolvidos nesse momento foi a proposta 
de cidades-jardins de Ebenezer Howard, que tinha como objetivo, segundo 
Cidades modernas no mundo2
Abiko, Almeida e Barreiros (1995), a eliminação da especulação dos terrenos, 
o controle do crescimento através da limitação da população e o equilíbrio 
funcional entre as atividades. 
Outro exemplo foi a proposta de cidade industrial de Tony Garnier, que, 
com base no urbanismo progressista e racionalista, buscou a ordenação das 
cidades através de soluções plásticas e utilitárias. Esse pensamento de urba-
nismo culminou na criação dos Congressos Internacionais de Arquitetura, 
que iniciaram no ano de 1928 com a junção de arquitetos e urbanistas que 
conceituam o urbanismo e deram origem ao conceito modernista. Segundo 
a Declaração de La Sarraz, de junho de 1928, o urbanismo pode ser definido 
como “[…] a disposição dos lugares e dos locais diversos que devem resguardar 
o desenvolvimento da vida material,sentimental e espiritual, em todas as suas 
manifestações individuais e coletivas” (BIRKHOLZ, 1967, p. 33). Ainda, no 
documento foi destacado que tanto as aglomerações urbanas quanto rurais 
interessam ao urbanismo, e que suas três funções principais são habitar, recrear 
e trabalhar. Com os objetivos do urbanismo foram definidas as ações de uso 
e ocupação do solo e a organização da circulação e legislação.
Já no ano de 1933, o 4º Congresso Internacional da Arquitetura Moderna 
(CIAM), ocorrido na Grécia, originou a Carta de Atenas que, conforme ressal-
tam Abiko, Almeida e Barreiros (1995), foi a chave para mudanças qualitativas 
nas cidades. Dentre as principais características do urbanismo modernista, 
demonstradas nesse documento, pode-se destacar:
  a cidade como parte do conjunto político, econômico e social;
  o urbanismo não pode se submeter às regras estéticas gratuitas;
  o urbanismo deve ser sua própria essência, tendo ordem funcional;
  as cidades devem ter quatro funções principais, as quais o urbanismo 
deve zelar: habitar, trabalhar, circular e cultivar o corpo e o espírito;
  o parcelamento do solo fruto de partilhas, vendas e especulações deve 
ser alterado por uma economia de reagrupamento;
  o urbanismo deve dar condições para criação de circulações modernas;
  deve priorizar a criação de espaços livres;
  obrigatoriedade do planejamento regional;
  submissão da propriedade privada do solo urbano aos interesses 
coletivos, a industrialização dos componentes e a padronização das 
construções;
  edificação concentrada, mas adequadamente relacionada com amplas 
áreas de vegetação;
3Cidades modernas no mundo
  admite ainda o uso intensivo da técnica moderna na organização das 
cidades, o zoneamento funcional, a separação da circulação de veículos 
e pedestres, a eliminação da rua corredor e uma estética geometrizante;
  zonas urbanas definidas e separadas;
  grandes espaços livres entre as edificações;
  circulações bem definidas.
Ainda, conforme acrescenta Choay (2007), é importante compreender 
que a linha de urbanismo progressista/funcionalista/racionalista que deu 
origem ao urbanismo moderno acreditava que suas estratégias poderiam ser 
utilizadas em qualquer cidade e qualquer local, tendo um caráter universal. 
Nesse sentido, outra característica dessa vertente é que ela é marcada por uma 
simplificação funcional.
Como grandes objetivos do modernismo para as cidades, pode-se destacar 
a ocupação racional do uso do solo, a organização da circulação urbana e a 
criação de meios legais para a atuação de melhoria tanto no território da cidade 
como do campo. Através disso, busca-se promover o desenvolvimento da via 
material, espiritual e sentimental.
Pode-se afirmar que esse foi um momento onde os arquitetos e urbanistas 
puderam colocar suas ideias em prática, tirando muitas propostas do papel: 
assim, as características mais marcantes desse movimento foram sendo incor-
poradas em propostas e planos urbanos com o intuito de resolver os problemas 
e criar melhores condições de moradias nesses locais.
2 Urbanismo modernista em cidades existentes
O urbanismo modernista foi importante porque trouxe uma nova visão sobre o 
funcionamento das cidades, demonstrando a relevância de se projetar para uma 
melhor qualidade de vida e de pensar questões relativas a recuos, afastamentos, 
ajardinamentos, insolação, ventilação natural e outros aspectos. Com isso, os 
conceitos do urbanismo modernista refl etiram em planos para cidades existentes 
e, igualmente, em planos para novas cidades. A importância desse movimento 
foi tão grande para o período pós-revolução industrial que cidades projetadas 
com base nesse pensamento modernista surgiram no Brasil e no mundo.
Dois grandes exemplos de cidade modernistas são Brasília, capital do Brasil, 
que foi inaugurada no ano de 1960 e atualmente é o centro político do país, 
tendo quase dois milhões e meio de habitantes, e Chandigarh, que é a capital 
dos estados de Punjabe e de Haryana, na Índia. A cidade de Chandigarh foi 
Cidades modernas no mundo4
fundada no ano de 1947, após a divisão do país com o objetivo de servir de 
capital à porção indiana de Punjabe.
Cidade de Brasília
Brasília foi inaugurada no dia 21 de abril do ano de 1960 e é Patrimônio Cultural 
da Humanidade, tendo a maior área urbana inscrita na lista de Patrimônio 
Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a 
Cultura (UNESCO). De acordo com Buchmann (2002), a ideia de construir uma 
nova capital para o Brasil surgiu ainda no ano de 1789, em virtude de acharem 
o Rio de Janeiro muito vulnerável a ataques, por estar situado no litoral. Foi 
sugerido que a nova capital fosse localizada na região do planalto central. 
Através da Constituição de 1891, defi ne-se que a Capital deve ser transferia ao 
Planalto Central do país. Porém, somente no ano de 1955 Juscelino Kubitschek 
promete, como campanha para ser eleito, construir a nova capital. Assim, no 
ano de 1956, o então presidente do Brasil anuncia o Concurso Nacional do 
Plano Piloto da Capital do Brasil, que já estabelecia os contornos do Lago 
Paranoá, as localizações do aeroporto, do Palácio da Alvorada e do Brasília 
Palace Hotel. A Figura 1 mostra uma vista aérea de Brasília.
Figura 1. Vista aérea de Brasília.
Fonte: Wagner Santos de Almeida/Shutterstock.com.
5Cidades modernas no mundo
Conforme Buchmann (2002), a ideia da comissão organizadora e julgadora 
do concurso era que a capital fosse diferente de qualquer outra cidade de 500 
mil habitantes (que era a população estimada para habitar esse novo local). O 
local deveria ser uma cidade funcional, com base nos preceitos da Carta de 
Atenas, e que fosse a própria expressão da sua arquitetura. Com a principal 
função governamental, as demais — habitar, trabalhar, recrear e circular — 
deveriam coexistir e formar um traçado moderno, com as funções integradas 
de uma maneira racional. Outra exigência da comissão para o novo Plano 
era que a proposta apresentasse grandeza e unidade, através da hierarquia e 
clareza de elementos.
Deste modo, o plano piloto que melhor integra os elementos monumen-
tais na vida cotidiana da cidade como Capital Federal, apresentando 
composição coerente, racional, de essência urbana, baseado na teoria do 
urbanismo moderno, é o projeto do arquiteto e urbanista Lucio Costa. 
Como o urbanismo moderno/funcionalista trata a cidade como máquina, 
onde o autoritarismo espacial visa um rendimento máximo das funções 
urbanas, o projeto da cidade moderna de Lucio Costa vai ao encontro 
também com os anseios do Governo do então presidente Juscelino Ku-
bitschek (SABBAG, 2012, p. 60).
Sabbag (2012) complementa que essa proposta foi escolhida porque acre-
ditaram que a monumentalidade das edificações e a forma do traçado urbano 
iriam impulsionar a concretização da nova capital. Ainda, além do projeto, 
foram estabelecidas estratégias para o crescimento da capital para os próximos 
40 anos. 
As principais características modernistas na cidade dizem respeito à 
setorização extrema e à funcionalidade rígida do traçado. As áreas são 
definidas em áreas residenciais, administrativa e comercial/serviços. 
A estrutura hierárquica do Plano evidencia a parte residencial disposta no 
eixo rodoviário e a parte administrativa e comercial no eixo monumental. 
Sabbag (2012) destaca que o Plano é resultado do eixo rodoviário, eixo 
monumental e da plataforma, que é a área que faz a ligação entre os dois 
eixos e onde se encontra a rodoviária. Segundo o autor, a proposta foi 
concebida de um gesto que traça dois eixos que se cruzam, formando uma 
cruz, adaptando o Plano à topografia local, considerando o escoamento 
das águas e a orientação solar. Na Figura 2, vemos o croqui do projeto do 
Plano Piloto de Brasília, de 1957.
Cidades modernas no mundo6
Figura 2. Croqui do projeto do Plano Piloto de Brasília (1957), em que se observam o eixo 
monumental (ao centro), com setores de comércio, hotelariae lazer, e as asas nas laterais, 
compostas pelo setor residencial.
Fonte: Sabbag (2012, p. 64).
Outra característica marcante da cidade de Brasília é a utilização de quatro 
escalas, sendo elas: monumental, residencial, gregária e bucólica. A monumen-
tal refere-se ao eixo monumental, que se estende desde a Praça dos Poderes 
até a Praça do Buriti. A escala residencial é representada pelas superquadras 
das asas norte e sul. A gregária, também chamada como escala de convívio 
refere-se aos setores comercial, hoteleiro, de diversão, plataforma rodoviária 
e antenas. Já a escala bucólica é definida pelas grandes áreas verdes presentes 
e espalhadas por toda a cidade. 
O eixo rodoviário tem como função a integração da circulação e contém 
pistas centrais de velocidade e pistas laterais para tráfego local, substituindo 
as ruas corredor e incorporando sistemas de trevos. A parte administrativa e 
governamental da cidade é composta pelos centros cívico, cultural, de diversões, 
de esportes, entre outros. 
7Cidades modernas no mundo
Conforme Sabbag (2012), a cidade de Brasília é considerada o maior 
exemplo brasileiro do urbanismo modernista, porque além de apresentar 
os preceitos dessa vertente, com a separação de funções e setores na ci-
dade, e das grandes edificações soltas nos espaços verdes e circulações de 
dimensões largas, ela apresenta os ideais de integração, desenvolvimento e 
modernização nacional. Atualmente, Brasília contém mais de 2,5 milhões 
de habitantes que estão situados, além do Plano Piloto, nas adjacências 
através de cidades-satélites. Essas cidades, diferentemente da parte central, 
não foram planejadas e sofrem com diversos problemas relacionados ao seu 
crescimento desordenado.
Cidade de Chandigarh
A cidade de Chandigarh, na Índia, cuja planta vemos na Figura 3, é um dos 
grandes exemplos internacionais de urbanismo moderno. O local foi projetado 
por Le Corbusier, o maior representante dessa vertente urbanista. A cidade, 
que fi ca aos pés da Cordilheira do Himalaia, foi totalmente planejada. Segundo 
Pacca (2016), a proposta de planejamento dessa cidade passou pela mão de 
diversos profi ssionais até chegar para Le Corbusier. O local foi considerado um 
grande laboratório para levantar e aplicar conceitos do urbanismo modernista 
relacionados a densidade, relação entre espaço público e privado, cidade e 
natureza, circulações, entre outros.
O núcleo original da cidade também foi pensado para abrigar 500 mil 
habitantes, e o traçado, segundo Semin (2012), deu-se através da malha orto-
gonal desenhada com base no cardo e no decumano (conceito da morfologia 
romana), considerando hierarquia de circulações e superquadras. 
As unidades de vizinhança explicitam os princípios do movimento mo-
derno e da nova condição política pós-colonial dos indianos. Os centros 
comerciais (inner market) são mais atraentes e dinâmicos que em Brasília 
por terem mais andares com escritórios e com mais ruas internas com 
estacionamento formando um conjunto muito movimentado por pedestres 
que percorrem as galerias e as ruelas cheias de árvores (SEMIN, 2012, 
documento on-line).
Cidades modernas no mundo8
Figura 3. Chandigarh, planta da cidade projetada.
Fonte: Semin (2012, documento on-line).
As edificações projetadas para a cidade também expressam o momento 
e a ideia do urbanismo, representando um momento de libertação da popu-
lação da Índia através da implantação, das proporções e do tratamento das 
superfícies como, por exemplo, as cores, os volumes, etc. A cidade conta com 
artérias de circulação muito bem definidas que dão origem às superquadras, e 
essas são definidas por setores, como por exemplo, comerciais, institucionais, 
residenciais, entre outros. As áreas verdes contam com enormes canteiros e 
um paisagismo projetado. 
Suas superquadras têm dimensões de 800 × 1200 metros, rodeadas por 
estradas que não dão acesso direto às residências. Cada setor foi pensado para 
atender às necessidades dos seus habitantes e é composto por faixas verdes para 
acomodar equipamentos, com tráfego proibido. As estradas são classificadas 
em algumas categorias, sendo divididas em vias rápidas, arteriais, caminhos 
de pedestres e ciclovias, entre outros. 
9Cidades modernas no mundo
Conforme Semin (2012), existem ainda áreas de interesse arquitetônico 
especial, que contam com uma harmonização e unificação nas construções, 
além do controle arquitetônico e também do rígido zoneamento. Nas áreas 
industriais, as indústrias devem ser movidas à eletricidade, para evitar a 
poluição. A cidade ainda conta com um lago, com o objetivo de promover aos 
cidadãos o contato com a natureza. O paisagismo foi pensado tendo em vista 
as espécies da Índia, que foram escolhidas para cada porção, considerando 
a composição e o esquema de cores para embelezar a cidade. A Figura 4, a 
seguir, mostra o zoneamento de Chandigarh.
Figura 4. Zoneamento de Chandigarh.
Fonte: Adaptada de Fiederer (2017).
Cidades modernas no mundo10
A duas cidades demonstradas como exemplo são referências no Brasil e no 
mundo porque foram projetadas levando em conta os princípios do urbanismo 
modernista e se tornaram um marco para o momento em que foram construídas, 
de forma a demonstrar novas visões em novas formas de planejar as cidades 
que até então eram tradicionais.
3 Crítica às cidades modernistas
O urbanismo modernista foi referência por trazer novas formas de pensar 
às cidades e discutir assuntos importantes que até então não eram tão con-
siderados. Ainda, esse planejamento permitiu a valorização e destacou a 
importância e a necessidade de um planejamento urbano para que os centros 
urbanos pudessem estar adequados à necessidade dos habitantes.
Apesar de trazer diversas contribuições, com o passar do tempo seus prin-
cípios passaram a ser discutidos e analisados, tendo em vista que tudo pode 
ser melhorado e evoluído. Dessa maneira, e conforme as novas necessidades 
da população e também questões mal resolvidas ou problemas que foram 
surgindo nas cidades modernas, alguns estudiosos e críticos começaram a 
elaborar novos conceitos e novas formas de planejar as cidades, criticando o 
urbanismo modernista. 
Uma das grandes críticas às cidades modernistas, e principalmente ao fun-
cionalista, é feita por Henry Lefebvre (2001, p. 185), que afirma que essa ideia 
trata-se de uma “[...] inteligência analítica”, e que quem determina os setores e 
suas funções acha-se um expert por acreditar que tudo pode prever e organizar, 
quando na verdade um centro urbano é muito mais complexo do que isso.
Lefebvre (2001) complementa ainda que nesse modelo de cidade as pessoas 
e as habitações funcionam como se fossem anexos e auxiliares da organiza-
ção técnica do trabalho. Dessa forma, esses planos ortogonais e setorizados 
acabaram dissociando as atividades da cidade, que antes se comportavam 
de forma orgânica e espontânea. Ele destaca ainda que são as cidades que 
devem adaptar-se aos moradores, e não o contrário. E ainda que essas questões 
acabam contribuindo para a segregação social, na medida em que cada classe 
e cidadão tem o seu lugar específico na cidade.
A segregação […] hierarquiza os grupos e classes sociais e desfaz as formas 
tradicionais de sociabilidade espontânea — cafés, pequenos comércios e as 
próprias ruas. É, neste sentido, uma força no desenraizamento, na dissociação 
de vínculos, além de retirar parcelas da população da arena das decisões co-
11Cidades modernas no mundo
letivas e excluí-las dos bens socialmente produzidos na cidade. Deste modo, 
a segregação contribui para instalar no urbano a cotidianidade — o trabalho 
estranhado, o lazer passivo e a vida privada reclusa — e, com isto, a fragmen-
tação interna e externa dos sujeitos, o tédio e a monotonia, características da 
modernidade capitalista industrial (COLOSSO, 2016, p. 83).
Um exemplo de cidade projetada em que Lefebvre (2001) critica ainda mais o urbanismo 
modernista é Mourenx, localizada nos Pirineus-Atlânticos, que foielaborada para os 
trabalhadores da indústria de gás natural. Segundo o autor, a cidade é composta por 
um conjunto de edifícios e torres que alternam as linhas verticais e horizontais da 
cidade e rompem com a paisagem e com a porção antiga, não estabelecendo qualquer 
conexão. Com isso, a cidade não contava com algum passado, porque não tinham 
monumentos, igrejas, cemitérios, e, portanto, não tinha vida urbana, e prevalecia a 
monotonia e o tédio. 
Outro ponto criticado pelos estudiosos pós-modernos diz respeito à des-
consideração da análise do lugar para a implantação dos planos, na medida 
em que o urbanismo modernista acreditava que seus princípios seriam os mais 
adequados para qualquer situação. Com isso, eles não consideravam as espe-
cificidades de cada local, o contexto, a vida urbana, a história e os elementos 
naturais dos sítios. “A ideologia urbanística decorre, em grande medida, do 
fato de o urbanismo se pretender um saber cujas decisões são estritamente 
técnicas, portanto, pautadas por um conhecimento científico exato, indepen-
dente do solo histórico-social no qual foi erigido” (COLOSSO, 2016, p. 82).
Outra grande crítica do urbanismo modernista foi Jane Jacobs, uma jor-
nalista norte-americana que escreveu o Livro Morte e Vida das Grandes 
Cidades (2007), o qual traz diversos aspectos das cidades modernas com 
os quais ela não concorda. A autora destaca a prevalência do automóvel nas 
cidades modernas, evidenciando que o pedestre se perde nesse meio de grandes 
superfícies vazias e superquadras.
Em seu livro, Jacobs (2007) critica que uma política urbana voltada para o 
automóvel e determinada pelo capital despreza os valores sociais e prejudica 
a moradia, a mobilidade e o lazer, desprezando, acima de tudo, o cidadão. 
Cidades modernas no mundo12
Nesse sentido, o urbanismo modernista acaba originando cidades que não 
valorizam a escala humana. Ela complementa que os espaços monumentais e a 
setorização urbana geram uma monotonia na cidade, originando locais vazios 
onde as pessoas não vão e nem permanecem. Isso acaba negando a vitalidade 
e também a interação de funções, negando a diversidade.
A autora acredita que as ruas e a calçadas são os espaços vitais de uma 
cidade, e que a convivência e a integração social se desenrolam por meio 
desses elementos. Na cidade moderna esses espaços não são pensados para 
as pessoas, nem com relação à escala e nem com relação aos usos, o que faz 
com que as cidades se tornem cada vez mais inseguras e tediosas. Para Jacobs 
(2007), uma cidade deve ser pensada considerando o pedestre, as distâncias 
caminháveis, a variedade de usos, quarteirões curtos, valorização e conservação 
de prédios antigos, entre outros elementos. 
O urbanismo modernista surgiu com uma ótima intenção, que era a de 
melhorar as condições das cidades existentes, que estavam sofrendo com a 
desordem e o caos provocados pela revolução industrial. Com ideias inovadoras 
e diferenciadas, os modernistas demonstraram os problemas das cidades, 
propondo soluções. Seus planos, muitas vezes utópicos e ilusórios, serviram 
para demonstrar alternativas e estratégias que melhorariam a salubridade, os 
congestionamentos, as edificações e a qualidade de vida.
Mesmo com todas essas contribuições, na medida em que esse tipo de 
urbanismo foi sendo aplicado, uma nova vertente passou a discutir essas 
propostas inovadoras, percebendo os outros problemas que elas causavam, 
como a falta da sensação de pertencimento na cidade, a insegurança gerada 
pelos grandes espaços abertos e livres, e também a escala voltada para o 
automóvel. 
Assim, críticas a esse movimento surgiram para que o planejamento urbano 
pudesse evoluir mais uma vez e tornar-se mais adequado às necessidades do 
período. Tanto Jacobs, como Lefebvre e outros pesquisadores e estudiosos 
começaram a trazer novos elementos para serem pensados nos planos urbanos, 
como por exemplo, uma escala voltada para o pedestre, a diversificação de 
usos, entre outros elementos. De qualquer forma, todos os pensamentos, seja 
da vertente modernista como da pós-modernista, trouxeram contribuições para 
o urbanismo e serviram para os estudos e a evolução a respeito da qualidade 
das cidades.
13Cidades modernas no mundo
ABIKO, A. K.; ALMEIDA, M. A. P.; BARREIROS, M. A. F. Urbanismo: história e desenvolvimento. 
São Paulo: EPUSP, 1995. (Texto técnico TT/PCC/16). Disponível em: http://www.pcc.usp.
br/files/text/publications/TT_00016.pdf. Acesso em: 27 jan. 2020.
BENEVOLO, L. Histórica da arquitetura moderna. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 2001.
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http://www.revistas.usp.br/posfau/article/view/43614/47236. Acesso em: 27 jan. 2020.
Cidades modernas no mundo14
Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
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local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
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15Cidades modernas no mundo
Dica do professor
Os conceitos do urbanismo modernista podem ser identificados na cidade de Chandigarh, na Índia. 
Contudo, eles também foram referências para a criação e o planejamento de outras cidades do 
mundo.
Na Dica do Professor, veja exemplos de cidade que utilizaram alguns dos conceitos do urbanismo 
moderno, entendendo como ele pode ser aplicado no urbanismo atual.
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Na prática
O urbanismo modernista foi marcado por apresentar características distintas do que vinha sendo 
feito e visto nas cidades tradicionais. Esses princípios puderam ser aplicados em cidades novas e 
em porções existentes, mas também foram adaptados para contextos e realidades locais.
Neste Na Prática, veja como algumas características primárias dourbanismo modernista podem ser 
adaptadas para o contexto atual do planejamento urbano.
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Os projetos modernos que alteraram a hidrografia da cidade de 
Águas de Lindóia
Uma das características do urbanismo modernista era negar o contexto e as características da área 
de intervenção. Isso foi o que ocorreu em Águas de Lindóia, no estado de São Paulo. Veja mais 
sobre as reformas urbanistas para essa cidade abaixo.
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A ‘Brasília indiana’ de Le Corbusier
A cidade modernista de Chandigarh, na Índia, representa a ascensão e a consolidação do urbanismo 
modernista no mundo. Veja mais sobre a cidade e seus elementos nesta matéria.
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A pré-história de Brasília
A cidade de Brasília é o maior exemplo de urbanismo moderno do Brasil, e por isso se tornou 
importante referência também para o mundo. Veja mais sobre seu surgimento neste vídeo.
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https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/18.215/6936
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Crítica ao urbanismo moderno
Apresentação
O urbanismo moderno, criado no início do século XX, foi desenvolvido para resolver os problemas 
ocasionados pelo grande crescimento das cidades após a revolução industrial. A solução foi a 
separação das funções e a ligação por vias de alta velocidade. Isso resultou em cidades com pouca 
vitalidade e espaços aparentemente abandonados.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai ver alguns projetos realizados em Nova Iorque como 
exemplo de interferências bem e malsucedidas. Além disso, vai conhecer como Jan Gehl e Jane 
Jacobs, dois críticos de urbanismo, recomendam que seja feito o planejamento urbano.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer os planos para Nova Iorque.•
Identificar os geradores de vitalidade.•
Comparar espaços que obedeçam ou não às premissas de Jacobs.•
Infográfico
Nas cidades, os espaços públicos abertos devem oferecer boas condições de conforto aos 
pedestres, para que as pessoas possam usufruir dos espaços e praticar as atividades essenciais do 
cotidiano. Além disso, deve-se assegurar que o espaço público seja seguro e prazeroso de se 
frequentar.
No infográfico a seguir, você vai conhecer os critérios de qualidade para a paisagem dos pedestres, 
de acordo com as premissas do arquiteto e urbanista Jan Gehl.
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Conteúdo do livro
 Desde os anos 1960, a cidade moderna recebeu muitas críticas devido a sua pouca vitalidade no 
nível do pedestre, que muitas vezes fica desamparado entre grandes edifícios sem conexão com o 
térreo. Para solucionar este problema, muitos teóricos do urbanismo identificaram os elementos 
que podem ser os causadores da diversidade nas cidades.
No capítulo Crítica ao urbanismo moderno, da obra Estudo da Cidade, você vai ver como Nova 
Iorque pode servir como exemplo de intervenção bem e malsucedida. Você também vai conhecer o 
pensamento de dois teóricos do urbanismo, a americana Jane Jacobs e o dinamarquês Jan Gehl, 
que até hoje estão entre os mais importantes autores na crítica do urbanismo moderno. 
ESTUDO DA 
CIDADE
Anna Carolina Manfroi Galinatti
Crítica ao urbanismo 
moderno
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Reconhecer os planos para Nova York.
  Identificar os geradores de vitalidade.
  Comparar espaços que obedeçam ou não às premissas de Jacobs.
Introdução
Durante o início do século XX, acreditava-se que o desenho das cidades 
deveria focar a distribuição mais eficiente dos usos que seriam ligados por vias 
veiculares de alta velocidade. No entanto, algumas experiências de cidades 
modernas falharam ao gerar espaços urbanos onde as pessoas se sentem 
seguras e confortáveis. Com isso, diversos urbanistas estudaram o que fazia as 
melhores cidades tão atrativas, criando guias de como agir nessas situações.
Neste capítulo, você identificará alguns planos realizados na cidade de 
Nova York com exemplos de boas e más práticas de urbanismo. Também 
conhecerá critérios estabelecidos por dois dos mais importantes críticos 
do urbanismo moderno: Jane Jacobs e Jan Gehl. Com esses saberes, você 
será capaz de avaliar sua cidade e propor soluções mais qualificadas.
1 Planos urbanos de Nova York
Nova York é uma das cidades com maior vitalidade do mundo. Suas ruas são 
famosas pela animação e pela mistura de povos e costumes durante grande parte 
do dia. Ao longo dos anos, diversos pesquisadores voltaram sua atenção para o 
fenômeno da qualidade urbana dessa cidade, que contrasta com a maioria das 
metrópoles norte-americanas, com base no uso do automóvel. Para compreender 
como a cidade chegou ao século XXI com essa qualidade, é preciso conhecer um 
pouco de sua história, além de alguns eventos-chave que moldaram sua evolução 
urbana. Nova York é dividida em cinco regiões: Bronx, Brooklyn, Queens, 
Staten Island e Manhattan, que representa o maior interesse para os estudantes 
de urbanismo devido à sua alta densidade e diversidade tipológica (Figura 1). 
Figura 1. Mapa de New York.
Fonte: Weredragon/Shutterstock.com.
A ilha de Manhattan foi a primeira parte da região a ser colonizada, ainda 
no início do século XVII, por trinta famílias holandesas. Entre elas, estava 
o engenheiro Cryn Fredericksz, que trazia as instruções de como a cidade 
deveria ser traçada, seguindo as diretrizes do urbanismo holandês daquele 
Crítica ao urbanismo moderno2
século, com um forte pentagonal e casas em estilo holandês em volta de um 
canal artificial, assim como a paisagem de Amsterdã. Dessa tentativa de 
transportar a cidade europeia para o novo mundo, surgiu o primeiro nome da 
região: Nova Amsterdã (KOOLHAAS, 2008).
Já no século XIX, foi criado o plano que definiria a morfologia urbana da ilha 
de Manhattan: o Plano dos Comissários de 1811. O projeto definiu a grelha de 
quadras regulares que dividiria toda a ilha em uma malha de 2028 quarteirões 
retangulares de 80 m × 274 m. Esse esquema é um dos motivos da grande varie-
dade de possibilidades arquitetônicas da ilha de Manhattan e, consequentemente, 
de sua vitalidade (KOOLHAAS, 2008). O resultado em Manhattan é uma malha 
homogênea cortada por algumas avenidas diagonais, como a Broadway, e com 
um parque em seu centro, o Central Park, configurando um grande evento 
urbanístico na estrutura rígida do Plano dos Comissários (Figura 2).
Figura 2. Imagem aérea de Manhattan com destaque para 
o Central Park.
Fonte: TierneyMJ/Shutterstock.com.
No século XX, com o crescimento da densidade populacional, princi-
palmente, na região Sul da ilha, projetos de infraestrutura urbana e demoli-
ções de zonas da cidade foram realizados sob o comando de Robert Moses. 
As intervenções de Moses focavam a resolução de problemas de tráfego e 
3Crítica ao urbanismo moderno
remoção de favelas, sob o viés do sanitarismo, que via na limpeza urbana a 
solução para grande parte dos problemas.
Um ponto de inf lexão no trabalho de Moses como Comissário dos 
Parques de Nova York ocorreu na metade da década de 1950, quando ele 
propôs a criação de uma via expressarebaixada que passaria pelo meio 
do Washington Square, uma praça na região universitária do Greenwich 
Village. Nessa ocasião, uma jornalista residente na área e ativista pela pre-
servação da vitalidade urbana chamada Jane Jacobs iniciou uma campanha 
para evitar a construção da nova via e garantir a manutenção da praça. 
Em seu livro Morte e vida de grandes cidades, publicado originalmente 
em 1961, Jacobs (1992) narra os acontecimentos que fizeram com que 
Moses recuasse e mantivesse o Washington Square Park intocado e as 
consequências do fechamento do parque para veículos: 
Todas as medições no volume de veículos em volta do parque desde o seu 
fechamento não mostram aumento de tráfego; na maioria dos casos, mostra 
redução. […] Longe de trazer mais problemas de tráfego, o fechamento aliviou 
os congestionamentos (JACOBS, 1992, p. 362, tradução nossa).
Os esforços de Jacobs e seu livro criaram uma geração de planejadores 
urbanos engajados na preservação da vitalidade dos centros urbanos estabe-
lecidos, colocando em segundo plano as intervenções sanitaristas defendidas 
por planejadores como Moses, que dominaram o discurso urbano na primeira 
metade do século XX.
Atualmente, a cidade de Nova York recebeu uma série de intervenções 
urbanas pontuais para melhorar o conforto de pedestres e ciclistas, garan-
tindo que as ruas tenham sempre pessoas realizando atividades, mantendo a 
vitalidade e segurança do espaço. Um dos exemplos mais emblemáticos foi 
o fechamento para veículos da Times Square, o encontro entre a Broadway 
e a Sétima Avenida, mundialmente famoso pelos letreiros publicitários. O 
projeto de fechamento da Times Square considerou a instalação de mesas 
e cadeiras móveis, f loreiras e desenhos no piso, todas intervenções muito 
simples, mas que tornaram o espaço muito mais atrativo para os pedestres 
(Figura 3).
Crítica ao urbanismo moderno4
Figura 3. Times Square.
Fonte: Martin Kovacik/Shutterstock.com.
A cidade de Nova York é bastante utilizada como referência em estudos de 
urbanismo pela sua singularidade: dividida em cinco regiões distintas e com 
a terceira maior população das américas, ela consegue manter a vitalidade e 
qualidade espacial ao longo de sua extensão. As zonas com maior densidade, 
como Manhattan, são provas de que a aglomeração populacional pode gerar 
situações positivas na vida urbana. 
2 Geradores de vitalidade
Ao longo da construção e atividade das cidades planejadas do período moderno, 
foi possível observar o fracasso de algumas diretrizes, como a prioridade 
dos carros e a setorização do território. A partir dessas observações, alguns 
autores passaram a interpretar o que, de fato, tornaria uma cidade aprazível. 
Entre os principais autores, destaca-se Jane Jacobs, jornalista americana, 
nascida em 1916, reconhecida mundialmente por seu livro Morte e vida de 
grandes cidades (1961). 
5Crítica ao urbanismo moderno
Jane Jacobs dedicou-se a observar de forma rigorosa o território urbano e 
concluiu que a paisagem planejada do modernismo era muito monótona e des-
comprometida com a vitalidade e diversidade, tanto estética quanto funcional, 
que uma cidade exige. A autora também concluiu que o planejamento urbano 
precisa considerar de forma aprofundada o usuário em si e cada ação dele dentro 
da cidade para, então, poder oferecer diretrizes e equipamentos que possam tornar 
o cotidiano mais fácil e agradável. Uma das diretrizes que, segundo a autora, é 
fundamental para as cidades e para as pessoas é que o próprio ambiente urbano 
seja responsável por gerar vitalidade (JACOBS, 1992). Assim, a diversidade 
urbana é um dos principais fatores geradores da vitalidade:
A mistura de usos, se for suficientemente complexa para sustentar a segu-
rança, contato e usos diversos, deve acomodar uma enorme diversidade de 
ingredientes. Então, a primeira pergunta […] sobre planejamento urbano é 
essa: como as cidades podem gerar suficiente mistura de usos — diversidade 
suficiente — por parte suficiente de seu território para manter sua própria 
civilidade? (JACOBS, 1992, p. 144, tradução nossa).
Didaticamente, a autora lista uma série de condições para a geração de 
diversidade nos espaços urbanos, sempre utilizando experiências reais obser-
vadas por ela para ilustrar o porquê da necessidade de cada condição.
Necessidade de usos mistos
Para que exista diversidade em um espaço urbano, é preciso que essa zona 
atenda a mais de um uso. Você já passou por uma rua onde só existiam prédios 
residenciais? Geralmente, as calçadas fi cam desertas durante toda a manhã 
e tarde, quando os moradores estão em seus trabalhos. Essa situação só se 
transforma no início da manhã, quando todos saem, e ao fi nal do dia, no retorno 
do trabalho. Agora, imagine que exista uma fruteira, uma pequena loja e um 
sapateiro nessa rua. Algumas pessoas de regiões próximas vão acabar se des-
locando para essa rua durante a tarde para consumir nesses estabelecimentos, 
gerando movimentação na rua em horários diferentes (Figura 4).
Em uma das mais icônicas passagens de Morte e vida de grandes cidades, 
Jacobs (1992) narra o que ela chama de ballet da rua Hudson, mostrando como 
as crianças saem para a escola, alguns moradores colocam o lixo nas calçadas, 
o dono da ferragem expõe suas mercadorias na frente da loja e diferentes 
pessoas vão até a fruteira, em uma sequência contínua de atores realizando 
seus papéis na calçada e, ao mesmo tempo, gerando vitalidade e aumentando 
a sensação de segurança.
Crítica ao urbanismo moderno6
Figura 4. Greenwich Village (Manhattan).
Fonte: Photo Kit/Shutterstock.com.
Necessidade de quadras curtas
Uma das observações menos óbvias que Jacobs (1992) narra em seu livro é a 
necessidade de as quadras serem curtas. Segundo ela, quanto menores forem 
as distâncias entre as esquinas, maior o número de possibilidades de caminhos 
diferentes que os pedestres podem tomar, aumentando a quantidade de calça-
das com pessoas caminhando (JACOBS, 1992). Essa afi rmação fi ca clara ao 
observar os diagramas apresentados pela autora na defesa de seu argumento, 
reproduzidos na Figura 5. Observe como, nos dois primeiros exemplos, a 
maioria das pessoas acaba passando apenas pela avenida vertical, enquanto 
que, no terceiro exemplo, existe a possibilidade de movimento extra nas ruas 
87 e 86. Dessa maneira, essas duas ruas que fi cariam apenas com o tráfego 
de seus moradores ganham novas oportunidades de animação.
Figura 5. Mudança no tráfego conforme o tamanho das quadras.
Fonte: Jacobs (1992, p. 179–181).
7Crítica ao urbanismo moderno
Necessidade de edifícios antigos
Ao misturar edifícios antigos com edifícios novos, é facilitada a instalação de 
moradores e empresas com diferentes níveis de poder aquisitivo, aumentando a 
diversidade das pessoas que transitam por suas calçadas e, consequentemente, 
a vitalidade do espaço. Edifícios novos tendem a ser mais caros do que espaços 
em edifícios existentes, difi cultando a presença de empresas novas, de famílias 
com renda mais baixa e de comércio de pequeno porte, todos tipos de usuários 
que necessitam de custos imobiliários baixos. 
Necessidade de concentração
Para que exista vitalidade, é preciso que exista vida. Parece uma afi rmação 
óbvia, mas nem sempre foi levado em consideração no planejamento urbano. 
A maneira de aumentar a concentração de habitantes é pelo controle da den-
sidade populacional. Jacobs (1992, p. 201, tradução nossa) demonstra como a 
densidade poder ser responsável pela vitalidade da seguinte maneira:
A relação entre alta densidade e conveniências e outros modos de diversidade 
é geralmente bem entendida nos centros urbanos. […] Mas a relação entre 
concentração e diversidade é pouco considerada em distritos onde a moradia 
é o principal uso. […] Sem a ajuda da concentração de pessoas que moram 
nessa região, só pode existir poucas conveniências ou diversidade nos locais 
onde eles habitam e precisam delas. 
Os princípios de Jacobs (1992) são facilmente adaptados para grandeparte 
das situações urbanas, uma vez que as quatro condições são simples e exigem 
poucas mudanças de infraestrutura. 
Crítica ao urbanismo moderno8
3 Espaços ativos e inativos
Muitas críticas ao urbanismo moderno baseiam-se no planejamento do tipo "de 
cima para baixo" que os arquitetos da primeira metade do século XX defen-
diam, no qual um plano abstrato de ruas e quadras era desenhado, e a cidade 
aconteceria de maneira controlada e paralisada, obedecendo a regras rígidas 
de distribuição de usos. Segundo Jan Gehl (2010), esse tipo de planejamento 
levou ao que ele chama de síndrome de Brasília, um efeito negativo desse tipo 
de projeto no qual edifícios são implantados distantes uns dos outros sem que 
existam atrativos para os pedestres entre eles, gerando espaços urbanos com 
pouca vitalidade e, de modo geral, desertos, como você pode ver na Figura 6.
Figura 6. Síndrome de Brasília.
Fonte: Victor Hugo K F/Shutterstock.com.
9Crítica ao urbanismo moderno
Em seu clássico Cidades para pessoas, publicado em 2010, Gehl atribui o 
fracasso de muitos projetos urbanos modernistas à negligência com a pequena 
escala em favor da macroescala do desenho das vias. Segundo o dinamarquês, 
essa é a escala das pessoas: “Essa é a cidade que as pessoas que a usarão vão 
perceber no nível dos olhos. Não são as grandes linhas das cidades ou o po-
sicionamento espetacular de edifícios que são interessantes, mas a qualidade 
da escala humana, como essa é percebida por pessoas caminhando e paradas 
na cidade” (GEHL, 2010, p. 195).
Para garantir que a pequena escala seja atendida, Gehl (2010) defende que 
o planejamento urbano seja feito partindo dessa escala e, somente quando ela 
estiver resolvida, seguir para o desenho das demais dimensões do projeto 
urbano. O planejamento urbano deve, segundo o autor, obedecer a ordem: 
vida, espaço e edifícios (Figura 7).
Figura 7. Vida, espaço e edifícios.
Fonte: Adaptada de Gehl (2019).
A criação de espaços ativos no nível dos olhos nas cidades contemporâneas 
pode ser garantida por uma série de dispositivos de projeto que Gehl (2010) 
apresenta em seu livro. A seguir, você poderá conhecer alguns exemplos de 
Crítica ao urbanismo moderno10
estratégias que aumentam as chances de um espaço ter qualidade ao nível 
do pedestre. A Figura 8 traz exemplos de estratégias simples de desenho que 
podem tornar um espaço convidativo ou repulsivo para o pedestre.
Figura 8. Espaços convidativos e repulsivos.
Fonte: Adaptada de Gehl (2010).
Seguindo o preceito de vida, espaço e edifícios, é preciso adaptar os edi-
fícios — principalmente, os térreos — para que as pessoas se sintam atraídas 
por aquele espaço. Os espaços convidativos para os pedestres precisam ser 
combinados com térreos estimulantes que apresentem usos interessantes e não 
sejam apenas paredes fechadas. Como mostra o Quadro 1, existe uma escala 
de atratividade de fachadas de térreos que vai desde o ativo até o inativo.
11Crítica ao urbanismo moderno
Fonte: Adaptado de Gehl (2010).
Ativo:
  pequenas unidades com muitas portas;
  bastante variedade de funções;
  estilos diferentes de fachadas.
Amigável:
  unidades relativamente pequenas;
  alguma variação de funções;
  poucas janelas fechadas;
  bastante detalhes.
Uso misto:
  unidades médias e grandes;
  variação de uso modesta;
  poucos detalhes.
Entediante:
  grandes unidades com poucas portas;
  quase nenhuma variação de função;
  poucos detalhes.
Inativa:
  grandes unidades, com poucas ou 
nenhuma porta;
  sem variação de função identificável;
  fachadas uniformes, sem detalhes.
Quadro 1. Fachadas ativas e inativas
Existem muitas críticas à cidade moderna, principalmente, no que tange 
ao planejamento feito com foco nos veículos automotores e divisão de funções 
rígida. No entanto, desde a metade do século passado, diversos críticos têm 
se esforçado para identificar e codificar elementos que possam melhorar a 
vitalidade de cidades existentes e de novos assentamentos. 
Crítica ao urbanismo moderno12
GEHL. Disponível em: https://gehlpeople.com/blog/ucsd-envisions-new-college-with-
-public-life-as-the-driver/attachment/life-space-buildings/. Acesso em: 28 dez. 2019.
GEHL, J. Cidade para pessoas. São Paulo: Perspectiva, 2010.
JACOBS, J. The death and life of great american cities. New York: Random House, 1992.
KOOLHAAS, R. Nova York delirante. São Paulo: Cosac & Naify, 2008.
Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
13Crítica ao urbanismo moderno
Dica do professor
Gentrificação é uma palavra temida por todos os urbanistas por tratar-se do fenômeno da 
substituição de populações existentes em um local por outra com maior poder aquisitivo, devido 
ao aumento do custo de vida em uma região.
Nesta dica, você vai ver como surgiu a palavra e um exemplo contemporâneo do fenômeno na 
cidade de Nova Iorque. Além disso, verá que o medo da gentrificação não deve impedir o 
desenvolvimento das cidades, bastando utilizar ferramentas que mitiguem o efeito.
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Na prática
Uma das grandes críticas ao urbanismo moderno é o protagonismo dos carros dentro das cidades. 
Amsterdã, capital da Holanda, foi tão bem sucedida em seus projetos de incentivo ao uso das 
bicicletas que entrou no século XXI com um problema: a necessidade de infraestrutura específica 
para o ciclismo.
Neste Na Prática, você vai ver os desafios enfrentados e os investimentos feitos pelo governo 
holandês para garantir que os ciclistas sigam utilizando esse meio de transporte com segurança e 
conforto.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Jane Jacobs e a humanização da cidade
No artigo a seguir, o arquiteto Martín Marcos discorre sobre o trabalho da jornalista Jane Jacobs e 
a sua relação com a humanização das cidades.
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Organização de Nova Iorque
No link a seguir, você conhecerá um pouco mais sobre a cidade de Nova Iorque e a sua organização 
em cinco burgos.
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Cidade cheia de vida, segura, sustentável e saudável
A reportagem a seguir ilustra os princípios defendidos por Jan Gehl no seu livro "Cidade para as 
Pessoas" e explica o conceito de "cidade viva" criado pelo autor.
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https://portal.aprendiz.uol.com.br/2018/07/24/jane-jacobs-e-humanizacao-da-cidade/?v=1652556543
https://contramapa.com/2015/10/12/como-e-que-nova-iorque-esta-organizada/?v=2073581068
https://medium.com/des-conex%C3%A3o-crici%C3%BAma/cidade-cheia-de-vida-segura-sustent%C3%A1vel-e-saud%C3%A1vel-49b8aa542ad4
Estudo da cidade como fato 
econômico, político, social e cultural
Apresentação
As cidades são organismos completos, ocorrendo, nelas, as mais diversas relações – sejam elas 
sociais, políticas e econômicas, ou de caráter cultural, ambiental, comercial, entre outros. Nesse 
local, as pessoas podem realizar suas atividades e ter suas rotinas, buscando atender suas 
necessidades de moradia, lazer, estudo, trabalho e assim por diante. Para que as pessoas possam 
ter qualidade nos centros urbanos, é imprescindível que elas sejam consultadas sobre o 
planejamento e as ações de melhoramento, a fim de que essas propostasestejam adequadas aos 
interesses dos cidadãos.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você entenderá como ocorreu a participação da população no 
desenvolvimento das cidades e a importância dessa contribuição para a criação de centros urbanos 
melhores. Você ainda vai compreender quais são os instrumentos legislativos do Brasil que 
garantem a atuação dos cidadãos nos processos de planejamento, identificando, também, reflexos 
dessas participações nas cidades da atualidade.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer a importância da participação popular nos processos 
de urbanização.
•
Definir os instrumentos de participação popular previstos na 
legislação brasileira.
•
Identificar reflexos da participação popular nas cidades.•
Infográfico
A Lei 10.257, denominada Estatuto da Cidade, foi sancionada, no ano de 2001, com o objetivo de 
tornar o espaço urbano mais igualitário, por meio da gestão democrática. Gestão essa que ocorre, 
dentre outros princípios, por meio da participação popular.
Neste Infográfico, veja mais sobre o Estatuto da Cidade e os Planos Diretores, que são 
instrumentos que garantem a participação da população nos processos de planejamento urbano.
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Conteúdo do livro
A cidade é o organismo de maior representatividade para a vida em sociedade, pois é esse espaço 
que possibilita as trocas sociais e comerciais, os acordos econômicos, a vida em família, a produção 
do trabalho e o desenvolvimento. Para que esse local esteja cada vez mais adequado a essas 
possibilidades, é fundamental que os cidadãos possam dar suas opiniões acerca dos problemas 
urbanos, discutindo soluções para dar mais qualidade à cidade.
No capítulo Estudo da cidade como fato econômico, político, social e cultural, da obra Estudo da 
Cidade, você vai entender a importância da participação popular nos processos de desenvolvimento 
urbano, identificando os instrumentos que garantem esse direito e as formas em que isso pode 
acontecer. Ainda, você vai perceber, por meio de alguns exemplos atuais, como a participação 
popular muda e melhora a realidade das cidades.
Boa leitura.
ESTUDO 
DA CIDADE
Vanessa Guerini Scopell 
Estudo da cidade como 
fato econômico, político, 
social e cultural
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Reconhecer a importância da participação popular nos processos 
de urbanização.
  Definir os instrumentos de participação popular previstos na legislação 
brasileira.
  Identificar reflexos da participação nas cidades.
Introdução
O surgimento das cidades está relacionado com questões econômicas e 
sociais. Com o passar do tempo, esse organismo foi incorporando novas 
funções, representando a política, a cultura, o conhecimento e outros 
elementos. Desde o princípio, a população contribui para a evolução 
dos espaços urbanos, seja de forma orgânica e natural ou por meio de 
ideias e intenções de alguma parte dos cidadãos, geralmente, aqueles 
de classe social privilegiada. Para garantir a participação de todos nas 
decisões sobre as cidades, colaborando com a elaboração de ações de 
melhoramento, surgiram instrumentos de consulta popular, uma vez que 
todos têm esse direito, sem exceções.
Neste capítulo, você compreenderá a importância da participação 
popular para os sistemas e processos da cidade, entendendo o motivo 
pelo qual essa ação é fundamental nos dias de hoje. Identificará os ins-
trumentos da legislação brasileira que determinam essa participação, 
entendendo de que maneira isso pode ocorrer. Também conhecerá 
algumas iniciativas públicas e privadas que incluem a população na 
elaboração de propostas de melhoramento, buscando cidades mais 
justas e igualitárias, onde o direito de todos é garantido. 
1 Participação popular nos processos 
de urbanização
Quando se fala sobre o estudo da cidade e a evolução dos centros urbanos, 
é importante relacionar esses temas à produção do espaço urbanizado para 
compreender o seu surgimento. Em seus livros, Henri Lefrebvre, David Harvey 
e Karl Marx escrevem e analisam a produção do espaço urbano, defendendo 
a ideia de que esse espaço é produzido a partir das relações sociais. Desde o 
princípio, com o nascimento das primeiras aglomerações urbanas, a partici-
pação das pessoas foi fundamental para a organização e o mantimento das 
cidades, quando as comunidades se fi xaram em porções do território, defi nindo 
os locais de moradias, convívio, alimentação, entre outros. 
Com o passar dos anos e conforme essas aglomerações foram adquirindo 
importância, a vida em sociedade passou por mudanças e, além de espaços para 
moradias, surgiu a necessidade de áreas comerciais para a troca de produtos, 
originando as relações econômicas. Para Carlos (1994, p. 14), esse fenômeno está 
relacionado com questões que vão além da necessidade das pessoas, envolvendo 
também relações de capital, ressaltando que a produção do espaço urbano é 
“[…] produto de contradições emergentes do conflito entre as necessidades da 
reprodução do capital e as necessidades da sociedade como um todo”.
Diante da necessidade de espaços mais apropriados para as moradias, para 
o lazer, para o trabalho, para o comércio e para a política, as cidades passaram 
a se organizar de forma mais complexa, com alguns responsáveis que detinham 
o poder e definiam questões relativas ao funcionamento desses locais. Na 
sociedade grega, segundo Vieira et al. (2013), a cidade estava vinculada a uma 
forma de governo exercida pelos cidadãos que, conforme Aristóteles, tinham 
por intuito alcançar uma igualdade social. Assim, o termo política advém 
desse momento da história e deriva de assembleia de cidadãos, que deve ser 
parte dos processos do governo. Ao longo dos anos e por meio de diferentes 
momentos da história, a participação dos cidadãos no desenvolvimento das 
cidades expressou-se de maneiras distintas. Entretanto, na maior parte do 
tempo, questões relativas à cidade eram definidas por membros dos governos, 
que tinham interesses particulares ou que privilegiavam determinadas classes 
da sociedade, descaracterizando um processo igualitário e democrático.
Na cidade do período da Revolução Industrial, por exemplo, Vieira et al. 
(2013, p. 117) ressaltam que havia uma fala política, pois a dita democracia era 
marcada pelo patrimonialismo e individualismo, “[…] cujas origens remetem ao 
Renascimento, quando as classes emergentes perceberam que seu envolvimento na 
política poderia lhes proporcionar vantagens na seguridade de seus patrimônios”. 
Estudo da cidade como fato econômico, político, social e cultural2
Com isso, surgiram políticas centralizadoras, em que a individualidade permaneceu 
sobre as intenções públicas, enfatizando ainda mais a segregação social. 
Nos anos de 1930, as ideias do urbanismo modernista buscavam uma 
sociedade mais igualitária a partir da padronização arquitetônica, que visava 
proporcionar igualdade. Segundo Holston (1993), por meio da Carta de Ate-
nas, que foi o documento que traçou os princípios do urbanismo modernista, 
a cidade poderia ser organizada e projetada de acordo com as necessidades 
humanas universais do século XX, visando às quatro funções: trabalhar, habitar, 
locomover-se e recrear. Conforme Oliveira Filho (2009, p. 123): 
[…] este conceito recebeu fácil aceitação pelo Estado, especialmente no caso 
brasileiro, graças ao intenso conteúdo técnico que ganhou alcance mundial, 
havendo uma renovação jurídica e política pela forma inovadora destes pro-
jetos, que respondia à racionalidade dominante naquele momento histórico.
Contudo, mesmo que a intenção de urbanismo igualitário do modernismo 
tenha sido interessante, essa vertente urbanística conformou-sede uma ma-
neira muito engessada, e a gestão continuou autoritária, o que desfavoreceu 
a participação popular nas ações de planejamentos urbano. 
No Brasil, importante expoente mundial do Modernismo, essa vertente se 
expressa em um período que o interesse do país voltou-se ao ambiente urba-
no (não mais rural), havendo forte concordância com as políticas nacionais. 
Esses projetos reformadores eram regidos por meio de planos, zoneamentos, 
leis de ocupação e ordenação do solo e que, por isso, tinham um respaldo 
jurídico complexo. A concordância desses projetos com a política resultou 
na supervalorização dos planos diretores, sem o entendimento do que esse 
instrumento realmente era pela maior parte da população, bem como pelos 
técnicos e gestores municipais (VIEIRA et al., 2013, p. 117).
Esses planos foram submetidos a interesses imobiliários, sem comprometi-
mento com todas as classes sociais. Essa falta de engajamento desmobilizou a 
população, que não encontrava representatividade ou resultados políticos. As leis 
de zoneamento, por exemplo, apesar de serem desenvolvidas com bastante rigor, 
ignoravam as questões de ilegalidade de moradias, comuns em muitas cidades 
brasileiras, excluindo a porção da população que convivia com esse problema. 
Vieira et al. (2013) ressaltam que as primeiras críticas à qualidade dos espa-
ços das cidades no mundo iniciaram por volta dos anos de 1960, fortalecendo-se 
em 1970, fomentando o debate sobre novos conceitos de planejamento urbano 
que incluíssem a participação popular em 1980. Rolnik (2006) acrescenta que 
os anos de 1990 foram marcados por muitos avanços relacionados à moradia e 
3Estudo da cidade como fato econômico, político, social e cultural
ao direito à cidade, discutindo o importante papel dos cidadãos na gestão dos 
espaços. O movimento se fortaleceu por meio da participação da população 
nos orçamentos, programas de autogestão, conselhos gestores, entre outros. 
Os anos de 1990 foram marcados por muitos avanços no direito à moradia 
e em seu fortalecimento jurídico, bem como no direito à cidade, com debates 
partindo da sociedade civil acerca do papel dos cidadãos na gestão, com a 
reestruturação de um movimento pela reforma urbana e pela constituição de 
um fórum. Esse movimento se fortaleceu, havendo a participação popular em 
orçamentos, conselhos gestores e programas de autogestão de forma efetiva 
em diversos municípios, não restrita ao campo parlamentar. 
Nesse momento em que a participação popular era discutida e implementada no Brasil, 
em países mais industrializados, como na Europa, já surgiam linhas de pensamento 
buscando um planejamento urbano colaborativo, incluindo a população por meio de 
discussões e ações colaborativas acerca da organização das cidades. 
Torres (2009) destaca que o modelo de planejamento colaborativo se caracterizava 
pela criação de relações e pelo compartilhamento de conhecimentos entre diferentes 
agentes da população, a fim de criar argumentos para confrontar e resolver situações 
emblemáticas nas cidades, priorizando sempre o diálogo, buscando soluções comuns 
e compartilhadas (VIEIRA et al., 2013).
Diante dessa explanação, é possível perceber que a cidade é caracterizada por 
um conjunto indissociável de elementos, de sistemas, de objetos e de ações. Por 
isso, esses locais necessitam da interação das pessoas e de suas contribuições para 
adquirir funcionalidade. Assim, a cidade se comporta como um território onde 
ocorrem acontecimentos econômicos, sociais, políticos e culturais, diretamente 
ligados ao espaço construído, responsáveis pelas mudanças e pela evolução 
desses locais, seja pela relação de poder nas comunidades, pelas trocas, pelas 
apropriações ou até mesmo pelo domínio de áreas da cidade. Assim, não existe 
uma cidade sem a participação da população, seja ela planejada e requerida ou 
desenvolvida de modo orgânico, afinal os espaços são produzidos por meio da 
expressão dos povos e influenciam diretamente a reprodução da sociedade. 
Para Lefebvre (2008, p. 26), o espaço como produto de uma sociedade é 
“[…] um modo e um instrumento, um meio e uma mediação. […] O espaço é 
um instrumento político intencionalmente manipulado, mesmo se a intenção 
Estudo da cidade como fato econômico, político, social e cultural4
se dissimula sob as aparências coerentes da figura espacial”. Isso quer dizer 
que, quando analisamos um espaço que é produto das ações de pessoas sobre 
determinada área, podemos tirar dessa análise conclusões sobre como as 
pessoas se sentem em relação àquela porção da cidade. Soja (1993, p. 38) 
acrescenta ainda que: 
O espaço social e político tornou-se cada vez mais reconhecido como uma 
força material (e não material, isto é, ideológico) influente, ordenando e re-
ordenando as próprias relações sociais produtivas. Longe de ser um reflexo 
passivo, incidental, um “espelho”, a espacialidade tornou-se ativa como uma 
estrutura concreta e repositório de contradições e conflitos, um campo de luta 
e estratégia política. As relações sociais e espaciais, a divisão social e espa-
cial do trabalho, a práxis social e espacial estão deste modo interativamente 
engajadas e concatenadas, ao invés de reduzidas a simples gênese-reflexo, 
causa inicial e efeito subsequente. 
Assim, a produção dos espaços urbanos é contínua e acontece por meio 
da ordenação das coisas, a partir das necessidades das pessoas, o espaço é 
“[…] visto como um receptáculo no qual o mundo avança, mas também como 
coproduto dos processos, ressaltando a importância de se entender o espaço 
como construção da sociedade e que consequentemente tem influência sobre 
esta” (THRIFT, 2007, apud SILVA, 2010, p. 29).
Lefebvre (2008) ressalta também que o espaço urbano tem papel ativo e 
passivo com relação à reprodução da sociedade. Pode ser considerado passivo 
porque está em segundo plano, tendo em vista as relações sociais que ocorrem 
nesses espaços. Também pode ser considerado um local ativo por exercer forte 
papel no cotidiano da sociedade.
Apesar de a população sempre estar presente no desenvolvimento das cidades, 
dando formas e gerando apropriações em espaços, a discussão sobre o planeja-
mento urbano e sobre a participação efetiva de todos só foi confirmada a partir 
da criação do Estatuto da Cidade. Trata-se da Lei nº. 10.257, de julho de 2001 
(BRASIL, 2001), que regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição Federal, 
estabelecendo diretrizes gerais da política urbana, entre outras providências. 
Klink (2011, apud VIEIRA et al., 2013, p. 118) ressalta que “[…] a inclusão de 
um modelo de construção através da participação, conforme o Estatuto da Cidade 
exige, já após o ano 2000, tendo como princípio a ideia de rompimento com as 
estruturas de poder vigente produtoras das lógicas de segregação socioespacial”. 
Com esse instrumento e essa legalização, a participação da população nos 
processos da cidade passou a ser regulamentada, coerente e exigida para fo-
mentar os avanços e o desenvolvimento necessários ao meio urbano e voltados 
5Estudo da cidade como fato econômico, político, social e cultural
às carências e aos problemas dos cidadãos. Quando a população participa dos 
processos, ela dá sua voz para as ações, demonstrando suas opiniões e permi-
tindo que o planejamento urbano esteja adequado a todas as classes e situações.
2 Instrumentos de participação popular 
da legislação brasileira
O planejamento pode ser compreendido como a “[…] ação de preparar um 
trabalho, ou um objetivo, de forma sistemática, ou efeito de planejar, de ela-
borar um plano” (DICIO, c2020, documento on-line). Quando relacionado 
às cidades, o planejamento refere-se à organização de atividades para o seu 
melhoramento. O planejamento urbano, portanto, permite que a cidade possa 
ser pensada sob diversos aspectos que gerem qualidade de vida e melhorem o 
espaço urbano. Para isso, é fundamental que a população esteja engajada na 
elaboração das ações de planejamento urbano, tendo em vista que essa açãoé realizada para o melhoramento da vida nas cidades.
Para planejar, é preciso um vasto estudo sobre os diferentes contextos, 
áreas e realidades de cada região. Atualmente, as cidades brasileiras ainda são 
reflexo da falta de organização e de planos específicos de crescimento, e seu 
tecido urbano é o resultado da vinda da população rural para a cidade, que não 
tinha estrutura para receber tantas pessoas. Com o advento da industrialização 
no país e com o êxodo rural, as cidades tiverem que se adequar ao aumento 
da população de forma muito rápida, e isso ocasionou diversos problemas de 
infraestrutura, saneamento e densidades. 
O planejamento urbano no Brasil é uma atividade recente cuja necessidade pas-
sou a se fazer sentir com intensidade cada vez maior nas últimas décadas sob o 
impacto do crescimento rápido e desordenado das nossas cidades. Com efeito, em 
consequência do crescimento econômico e físico e da industrialização, as cidades 
brasileiras perderam o caráter de organismo dotado de funções urbanas diferen-
ciadas e específicas, capazes de satisfazer a uma ampla gama de necessidades, 
para se transformarem nos aglomerados uniformemente caóticos e congestionados 
que todos nós conhecemos (OLIVEIRA; BOLAFFI, 1970, p. 155).
Todo o debate sobre a importância e necessidade do planejamento urbano 
aliado à participação popular resultou na inclusão dos artigos 182 e 183, que 
tratam da política urbana na Constituição Federal de 1988, com o objetivo 
de “[…] ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade” 
(BRASIL, 1988, documento on-line). Com isso, a Constituição evidenciou 
Estudo da cidade como fato econômico, político, social e cultural6
que o Plano Diretor é o principal instrumento para o desenvolvimento e para 
a expansão das cidades, e que os municípios são os atores principais dessa 
política de gestão urbana, devendo sempre considerar a opinião da população. 
Somente a partir do ano de 2001, com a implementação do Estatuto da Cidade, 
é que o planejamento urbano passou a ser valorizado em políticas urbanas e, 
com isso, sofreu algumas mudanças significativas. O Estatuto da Cidade é o 
nome dado à Lei Federal nº 10.257 (BRASIL, 2001). Em seu art. 2º, ele ressalta 
que a política urbana tem como objetivo principal o desenvolvimento das fun-
ções sociais da cidade e também da propriedade urbana por meio de algumas 
diretrizes gerais, como a “[…] gestão democrática por meio da participação da 
população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade 
na formulação, execução e acompanhamento de planos, programas e projetos 
de desenvolvimento urbano” (BRASIL, 2001, documento on-line). Esse artigo 
ressalta também a necessidade de se promover audiências com a população 
interessada nos processos de implantação de empreendimentos ou atividades com 
efeitos potencialmente negativos sobre o meio ambiente natural ou construído. 
Esse Estatuto foi criado com o intuito de democratizar a gestão das cidades 
no país, exigindo que os municípios com mais de vinte mil habitantes tenham 
um Plano Diretor que normatize e especifique as áreas e ações futuras para 
a cidade (BRASIL, 2001). Os Planos Diretores, que são instrumentos do 
Estatuto da Cidade, há alguns anos, passaram a regulamentar e normatizar 
usos e índices. Assim, a ação de planejar a cidade fica assegurada por esse 
documento, que configura um planejamento municipal com orientações e 
normativas. Villaça (1999, p. 238) acrescenta que o Plano Diretor refere-se a:
[…] um diagnóstico científico da realidade física, social, econômica, política 
e administrativa da cidade, […] apresentando um conjunto de propostas para 
o futuro desenvolvimento socioeconômico e futura organização espacial dos 
usos do solo urbano, das redes de infraestrutura e de elementos fundamentais 
da estrutura urbana, […].
Nos processos de elaboração dos Planos Diretores, conforme dita o art. 40 
do Estatuto da Cidade, os Poderes Legislativo e Executivo garantirão:
I – a promoção de audiências públicas e debates com a participação da popu-
lação e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade; 
II – a publicidade quanto aos documentos e informações produzidos; 
III – o acesso de qualquer interessado aos documentos e informações produ-
zidos (BRASIL, 2001, documento on-line).
7Estudo da cidade como fato econômico, político, social e cultural
Ainda, para garantir a gestão democrática da cidade, deverão ser utilizados 
os seguintes instrumentos:
  órgãos colegiados de política urbana, em níveis nacional, estadual e municipal; 
  debates, audiências e consultas públicas; 
  conferências sobre assuntos de interesse urbano, em níveis nacional, 
estadual e municipal; 
  iniciativa popular de projeto de lei e de planos, programas e projetos 
de desenvolvimento urbano.
É imprescindível que a população seja consultada nas fases de elaboração 
do Plano, bem como na proposição de projetos urbanos ou qualquer ação de 
melhoramento, seja para toda a cidade ou para porções e áreas específicas. 
O art. 44 do Estatuto da Cidade ainda complementa, evidenciando que a 
realização dos debates, a promoção das audiências e as consultas públicas 
sobre as diretrizes orçamentarias, plano plurianual e orçamento anual são 
fundamentais para a sua aprovação da Câmara Municipal (BRASIL, 2001). 
Assim: 
[...] os organismos gestores das regiões metropolitanas e aglomerações urbanas 
incluirão obrigatória e significativa participação da população e de associações 
representativas dos vários segmentos da comunidade, de modo a garantir o 
controle direto de suas atividades e o pleno exercício da cidadania (BRASIL, 
2001, documento on-line).
O melhor modo de tratar das questões urbanas é com a participação de todos 
os cidadãos interessados. Segundo Clark (1985, p. 37), “[...] a imagem que o 
indivíduo tem da cidade determina se ela é amada ou odiada, e onde dentro 
dela, ou se em alguma outra parte, ele escolherá para morar, comprar, traba-
lhar e passear.” [...] As análises sobre a percepção do ambiente resultam em 
informações mais confiáveis e legítimas para proposições futuras em relação 
à melhoria da qualidade ambiental, ou seja, as propostas estarão mais próxi-
mas das expectativas daqueles que vivenciam os problemas dos lugares e que 
utilizam o ambiente projetado, pois, eles estarão participando ativamente do 
que será planejado (ABRANCHES, 2013, p. 5).
 Compreender a importância das especificidades de cada região e comuni-
dade, considerar a participação efetiva da população, promovendo encontros 
para que sua voz seja ouvida e, acima de tudo, considerada efetivamente nos 
processos de projeto garantirá que o planejamento urbano atue nos pontos 
principais de cada contexto, garantindo a melhora dos espaços.
Estudo da cidade como fato econômico, político, social e cultural8
3 Reflexos da participação popular nas cidades
O processo de produção do espaço urbano não é homogêneo, mas fragmentado 
e articulado de acordo com as necessidades. Da mesma forma, a produção 
do espaço urbano é desigual, pois refl ete as ações de cada grupo social em 
detrimento a uma área. De acordo com Carlos (1994, apud SILVA, 2010, p. 41), 
“[...] cada sociedade produz e reproduz sua existência de modo determinado, 
deixando no espaço as marcas de suas características históricas específi cas”. 
Os instrumentos reguladores que exigem a participação popular nos processos 
de planejamento da cidade têm por intuito permitir que todos possam ser 
ouvidos, evitando que a produção do espaço urbano seja voltada para apenas 
alguns privilegiados. 
É importante destacar que o Estado deve se impor no sentido da ação de 
planejar, evitando conflitos e benefícios a privilegiados, mas isso não significa 
que essa tarefa represente uma hierarquia de poder sob os demais agentes. 
O Estado tem papel fundamental na produção dos espaços, pois ele decide 
por quê, quando, como e onde intervir, considerando também a opinião dos 
cidadãos, semprelevando em conta a distribuição igual dos benefícios e áreas, 
assim como dos investimentos. Afinal, os espaços urbanos são a garantia 
da manutenção da vida, do solo como moradia e fonte de riqueza, portanto, 
possui um valor importante para as cidades, devendo ser gerido de maneira 
eficaz e apropriada.
Nem sempre o Estado estará inserido nas ações de melhoramento, isso 
pode acontecer por meio de iniciativas privadas que, apesar de não haver 
obrigatoriedade da participação da população nessas ações, já percebeu a 
necessidade de ouvir os principais interessados. Um bom exemplo é a inicia-
tiva de se projetar um conjunto de casas impressas em 3D (GRACE, 2019), 
elaborado pela organização filantrópica New Story (Figura 1). 
Atualmente, a organização está realizando testes no México, mas já en-
tregou mais de 2.500 casas em pelo menos quatro países. A ideia é utilizar a 
ferramenta para solucionar a falta de moradia digna, oferecendo abrigo seguro. 
Para isso, a empresa realiza o projeto com base nas características e realidade 
de cada local. Depois, realiza testes com a participação da população para 
compreender o que pode ser melhorado. Só assim, por meio da opinião e da 
colaboração da população beneficiada, é que eles prosseguem com o projeto, 
compartilhando a ideia (GRACE, 2019). 
9Estudo da cidade como fato econômico, político, social e cultural
Figura 1. Projeto de moradias impressas em 3D no México.
Fonte: Perez (2019).
O projeto “O coque que queremos” é outro exemplo de como a comunidade 
pode ser engajada nos processos e demonstrar suas vontades para o melhoramento 
das cidades (COURB BRASIL, 2019a). A ideia partiu de um trabalho de conclusão 
de curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco, a 
fim de engajar os moradores para discutir melhorias para os espaços públicos da 
comunidade. O trabalho contou com o apoio de duas instituições que promovem 
projetos sociais e foi realizado a partir de debates e colagens. A intenção é partir para 
a execução das propostas elaboradas com a participação dos moradores (Figura 2).
Figura 2. Projeto com participação popular em Pernambuco.
Fonte: Courb Brasil (2019b).
Estudo da cidade como fato econômico, político, social e cultural10
A proposta do Coletivo Massapê, em Olinda, foi engajar a população para 
a realização do projeto “Meu bairro brincante” (COURB BRASIL, 2019a). 
A ideia era pensar o espaço público para as crianças, envolvendo-as em todas 
as fases do processo, que consistiram na realização de oficinas buscando as 
ideias de professores, crianças e cuidadores, a validação do projeto junto aos 
moradores, a realização de mutirões para a construção e a pintura do local, 
além da celebração do local pronto. A última etapa buscou avaliar tanto o 
processo de criação e elaboração da proposta quanto os resultados da sua 
execução (Figura 3).
Figura 3. Revitalização de espaço público com base na partici-
pação popular em Olinda.
Fonte: Courb Brasil (2019c).
O “Transforma Brasília” é outro exemplo de projeto que conta com a cola-
boração da população, que busca ser agente ativo na construção de soluções 
para os problemas atuais da cidade (COURB BRASIL, 2019a). No projeto, 
a premissa é compreender de forma empática as necessidades das pessoas, 
buscando uma alternativa em que prevaleça o equilíbrio entre o que é desejável 
e o que pode ser executável no aspecto financeiro. 
No ano de 2013, a cidade de São Paulo convocou sua população para par-
ticipar da revisão de seu Plano Diretor Estratégico, buscando sugestões por 
meio do mapeamento colaborativo. Com isso, as pessoas puderam participar 
de três maneiras diferentes: 
11Estudo da cidade como fato econômico, político, social e cultural
  por meio do mapeamento colaborativo, em que se pode apontar dire-
tamente no mapa municipal os locais que apresentam deficiências e 
propor soluções para os problemas identificados;
  por meio do Formulário de Propostas, em que as pessoas puderam 
contribuir para o Plano Diretor Estratégico com um enxuto texto que 
aponta as carências e propõe alguma intervenção;
  por meio da agenda de atividades, cujo objetivo foi levantar propostas 
e contribuições em oficinas realizadas nas 31 Subprefeituras.
Com base nesses exemplos, é possível afirmar que a participação da 
população em ações de planejamento urbano é imprescindível para que essas 
propostas de fato contribuíam para gerar uma melhor qualidade de vida aos 
seus moradores. A participação pode ocorrer de diferentes maneiras, seja 
por meio de ideias, debates, discussões, desenhos, entrevistas, encontros ou 
qualquer outra maneira em que as pessoas se sintam importantes e inseridas 
no processo. Buscar a opinião e a participação das comunidades permite 
que cada um se sinta parte do projeto e com isso se envolva mais, ajude a 
realizar e a manter, entendendo que o que será realizado é para um bem 
comum e maior. 
Com isso, nota-se que o planejamento urbano está diretamente relacionado 
à produção do espaço urbano, e a atividade de planejar tem o poder de induzir, 
limitar e direcionar investimentos, opções e usos de forma distribuída por 
todo o território da cidade, de maneira a evitar ao máximo as desigualdades 
sociais, muitas vezes, intensificadas pela influência dos agentes nos órgãos 
públicos e na sociedade em geral. O planejamento urbano deve entrar e se 
impor, a fim de organizar as políticas, analisar situações e viabilizar o que 
for do interesse de todos, ou da grande maioria, afinal, o espaço público é 
um bem comum da sociedade. 
Estudo da cidade como fato econômico, político, social e cultural12
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Estudo da cidade como fato econômico, político, social e cultural14
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cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
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sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
15Estudo da cidade como fato econômico, político, social e cultural
Dica do professor
Quando a população participa dos processos e das ações de planejamento urbano, ela contribui 
para que a gestão democrática do solo aconteça. Assim, garante que ocorra uma justa distribuição 
de benefícios e investimentos nas áreas da cidade.
Na Dica do Professor, veja a importância da participação popular nos processos de urbanização. 
Também, entenda como isso pode ocorrer por meio do urbanismo tático.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/84cc6770f7ff811df01afa0df0947ae1
Na prática
Quando a população se engaja em ações urbanas, elas se tornam mais adequadas às necessidades 
dos próprios cidadãos. Além disso, a participação possibilita uma melhor relação com o espaço 
urbano, permitindo a convivência em sociedade.
Na Prática, veja como é possível envolver a população local em uma proposta de melhoria de um 
assentamento precário.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Participação Popular e Plano Diretor
Para que o Plano Diretor seja elaborado e esteja adequado as necessidades dos cidadãos, é preciso 
que os mesmo contribuam com suas ideias através da participação popular. Neste artigo, leia mais 
sobre o assunto.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Instrumentos de promoção da participação popular
Buscar alternativas para facilitar a participação dos cidadãos nas decisões das cidades é importante 
para que esse direito se torne cada vez mais presente. Veja uma ideia nesta matéria.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/direitoambiental/article/view/4322/3219
https://www.archdaily.com.br/br/897115/plataforma-inovadora-e-gratuita-de-participacao-popular-deve-ser-usada-em-cidades-brasileiras?ad_source=search&ad_medium=search_result_all
Estudo das formas urbanas: Le 
Corbusier e a Carta de Atenas
Apresentação
A forma das cidades sofreu diversas alterações ao longo dos anos, se modificou e foi responsável 
por novas paisagens urbanas. Essas formas influenciaram diretamente a vida nas cidades e a 
qualidade de habitabilidade desses locais, por isso o estudo delas é fundamental para a melhoria 
das localidades.
Após a Revolução Industrial e o surgimento de problemas de salubridade nos centros urbanos, 
nasceram movimentos e urbanistas que tinham por intuito entender melhor os processos e elaborar 
os planos de reformas. A grande figura desse momento foi Le Corbusier que, por meio da Carta de 
Atena, introduziu um urbanismo diferente para a época.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você entenderá quem foi Le Corbusier e do que se trata a Carta 
de Atenas, além de compreender a sua origem e as suas diretrizes principais. Também estudará as 
críticas dos urbanistas modernos às cidades industriais e a importância e a superação desse 
movimento.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer as diretrizes da Carta de Atenas, de Le Corbusier.•
Identificar os precedentes criticados pelos modernistas.•
Entender a superação e a importância do movimento moderno.•
Infográfico
Os urbanistas modernistas foram estudiosos da cidade industrial, porque viam nela muitos 
problemas e tinham por objetivo criar melhores condições de vida nesses centros urbanos, 
garantindo a qualidade e o bem-estar da população.
O pensadores e estudiosos modernistas, que se reuniram no Congresso Internacional de 
Arquitetura Moderna no ano de 1933, desenvolveram críticas referente aos principais aspectos das 
cidades naquele período, a fim de embasarem suas visões e opiniões sobre um novo urbanismo.
No Infográfico a seguir, veja as principais críticas desse urbanismo às cidades do momento pós-
industrialque serviram para a consolidação das visões modernas sobre as cidades.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Conteúdo do livro
A morfologia urbana é importante por vários fatores, mas principalmente para compreender a 
evolução das cidades e também porque a forma dos espaços urbanos acaba influenciando 
diretamente a vida e a qualidade urbana. Esse assunto passou por um aprofundamento após a 
Revolução Industrial, adquirindo grande importância nos Congressos Internacionais de Arquitetura 
Moderna, que discutiram profundamente o tema trazendo novas estratégias para o melhoramento 
das cidades. Nesse momento, o arquiteto e urbanista Le Corbusier foi um personagem importante, 
que trouxe novas visões sobre o tema e oficializou essas alternativas por meio da Carta de Atena, 
no ano de 1933.
No Capítulo Estudo das formas urbanas: Le Corbusier e a Carta de Atenas, da obra Estudo da 
Cidade, você vai entender esse momento do estudo do urbanismo, as visões e a influência de Le 
Corbusier e da Carta de Atenas, bem como as críticas que os urbanistas modernistas teceram sobre 
a cidade desse momento.
Boa leitura.
ESTUDO DA 
CIDADE
Vanessa Guerini Scopell
Estudo das formas 
urbanas: Le Corbusier 
e a Carta de Atenas
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Reconhecer as diretrizes da Carta de Atenas, de Le Corbusier.
  Identificar os precedentes criticados pelos modernistas.
  Demonstrar a superação do movimento moderno.
Introdução
O desenvolvimento dos centros urbanos passou por diversos estágios 
e estudos, recebendo contribuições de todos os momentos da história 
e das sociedades. Em virtude da Revolução Industrial e dos problemas 
oriundos da urbanização acelerada, do aumento populacional e da falta 
de infraestrutura urbana, estudiosos do século XIX passaram a analisar 
e estudar as cidades com o intuito de melhorar suas condições de vida, 
proporcionando mais qualidade à população. Nesse contexto, surgiu o 
pensamento modernista de urbanismo, e um dos grandes marcos desse 
momento histórico foi a Carta de Atenas, bem como a atuação de Le 
Corbusier como urbanista.
Neste capítulo, você estudará o momento da história e os motivos 
que levaram à criação dos congressos de arquitetura, entendendo o que 
foi a Carta de Atenas e suas diretrizes, bem como a importância de Le 
Corbusier para as novas visões sobre as cidades. Também identificará as 
críticas que os urbanistas modernistas teceram sobre as condições das 
cidades daquele momento, demonstrando a sua superação com relação 
aos estudos e às análises realizadas nesse período. 
1 Carta de Atenas
A partir dos problemas ocasionados nas cidades pelos efeitos da Revolução 
Industrial, surgiram diversos planos e reformas de estudiosos e urbanistas para 
melhorar os aspectos dos centros urbanos e tentar resolver seus problemas. 
Como exemplo, tem-se o denominado urbanismo moderno, que surgiu após 
esse momento industrial.
O movimento, segundo Castelnou (2013), surgiu paralelamente a uma evolu-
ção tecnológica, em que se consolidaram os princípios do urbanismo moderno 
e do funcionalismo. Os problemas de moradia, nesse início do século XX, 
tornaram-se bastante preocupantes em muitos países da Europa. Porções da 
população das cidades não tinham casa e, com o aumento do preço dos materiais 
de construção, foi necessária a intervenção do governo para assegurar um local 
de moradia para as classes mais baixas. Para melhorar a situação, o governo 
contribuiu por meio de créditos concedidos às associações particulares ou da 
construção de alojamentos por iniciativa das entidades públicas que, na maioria 
das vezes, localizavam-se em regiões insalubres, próximas às fábricas (Figura 1).
Figura 1. Proposta urbanística para um distrito em Viena 
(1911).
Fonte: Castelnou (2013, documento on-line).
Diante desse contexto, as iniciativas públicas controlavam a maior parte das 
construções nas cidades e, conforme destaca Castelnou (2013), nesse momento, 
começaram a surgir também leis e planos de regulação do crescimento e do 
uso do solo, mesmo que com pouca intensidade e de forma gradual. Segundo 
o autor, a Inglaterra foi o país pioneiro na elaboração desses planos, enquanto 
Estudo das formas urbanas: Le Corbusier e a Carta de Atenas2
os outros países da Europa só começaram a se preocupar com esses aspectos 
décadas mais tarde.
Nesse período, surgiu o denominado urbanismo moderno, amadurecendo 
ideias que buscavam alternativas para as cidades burguesas, estudando e conside-
rando o urbano a partir da sua decomposição. Esse urbanismo buscava também 
discutir temas importantes para o melhoramento e desenvolvimento da cidade, 
elaborando alternativas para que a qualidade desses locais fosse aumentada. 
Como exemplos de primeiros urbanistas desse momento pós-Revolução 
Industrial, pode-se citar Camillo Sitte e Ebenezer Howard, que trouxeram 
algumas ideias de melhoramento para as cidades. Entretanto, com a ascensão 
do movimento moderno, foi Le Corbusier que se destacou como personagem 
principal, um dos nomes mais importantes desse tipo de urbanismo. Corbusier 
foi um arquiteto, urbanista, escultor e pintor, considerado um grande talento 
do século XX. Suas ideias revolucionaram a forma de pensar a arquitetura e 
de considerar os aspectos de estética e funcionalidade.
Assim, o urbanista foi o responsável pelos princípios do urbanismo raciona-
lista, que considerava aspectos quantitativos da cidade e defendia a eficiência 
e a densidade demográfica. Segundo Castelnou (2013), os fundamentos desse 
urbanismo eram:
  melhorar as demandas de circulação, descongestionando o centro;
  aumentar a densidade do centro, facilitando as comunicações e os 
negócios;
  mudar a concepção original da rua para que ela possa atender a mais 
tipos de transportes;
  aumentar a área de superfícies verdes para assegurar a higiene e a 
salubridade nas cidades.
Esses ideais foram consagrados por meio da realização do 4º CIAM, ou 
Congresso Internacional de Arquitetura Moderna, realizado no ano de 1933. 
Segundo Gurgel (2019), esse Congresso, com o tema “cidade funcional”, deu 
origem à Carta de Atenas, um marco para o urbanismo moderno e para a 
evolução e os estudos sobre as cidades. A Carta de Atenas traz, inicialmente, 
diversas observações sobre as condições das cidades e os seus problemas, 
discutindo-os em pontos como lazer, circulação, transportes, entre outros. 
Os participantes ponderaram sobre os critérios levados por Le Corbusier, 
examinando 33 cidades do mundo, com o objetivo de abordar a experiência 
individual de 33 arquitetos e urbanistas. Foi considerado, até aquele momento, 
o Congresso mais abrangente do ponto de vista urbanístico.
3Estudo das formas urbanas: Le Corbusier e a Carta de Atenas
A Carta fez uma análise das condições das cidades da época, elencando 
aspectos que deveriam ser respeitados para o seu melhoramento. Ao final, 
concluiu que o Estado é o responsável por garantir a supremacia dos interesses 
coletivos sobre os privados e individuais, assegurando que “[…] a violência 
dos interesses privados provoca um desastroso desequilíbrio entre o ímpeto 
das forças econômicas, de um lado e, de outro, a fraqueza do controle admi-
nistrativo e a imponente solidariedade social” (CARTA de Atenas, 1933, p. 
28). Ainda, a Carta determina que a medida natural do homem deve servir 
como base para escalas relacionadas à vida e às funções da cidade. 
Escala das medidas, que se aplicarão às superfícies ou às distâncias; escala 
das distâncias, que serão consideradas em sua relação com o ritmo natural do 
homem; escalas dos horários, que devem ser determinados considerando-se 
o trajeto cotidiano do sol (CARTA de Atenas, 1933, p. 28).
A Carta complementa que as chaves do urbanismo estão em quatro funções 
principais: habitar, trabalhar, recrear e circular. No item habitar, a Carta de 
Atenas ressalta que é preciso, primeiramente, assegurar moradias sustentáveisaos cidadãos, ou seja, edificações com o espaço adequado, o ar puro e tam-
bém a insolação essencial. No trabalho, o documento afirma que eles sejam 
organizados, sem representar uma tarefa penosa, mas retomando o seu caráter 
de atividade humana natural. Para a atividade de recrear, deve-se prever ins-
talações que possam ser utilizadas pelos cidadãos para que passem suas horas 
de folga, que sejam espaços que tragam benefícios e conexões entre o cidadão 
e a natureza. Já a ação de circular deve ser resolvida com base na criação de 
redes de circulação que assegurem as trocas, respeitando as prerrogativas de 
cada um. Foram essas diretrizes que inspiraram planos ideais para as cidades, 
com o intuito de melhorar as condições de vida, gerando maior qualidade nos 
espaços urbanos do século XX.
Como exemplo do surgimento desses pontos da Carta de Atenas de 1933, 
pode-se citar a Cidade Radiante, ou Ville Radieuse (seu nome original). Trata-se 
de um plano urbano não construído, elaborado e apresentado por Le Corbu-
sier no ano de 1924 (Figura 2). A ideia desse plano era proporcionar meios 
eficientes de transporte, abundância de espaços verdes e luz solar para que os 
habitantes tivessem uma qualidade de vida melhor. O plano tem como base 
a ordem, a padronização e a simetria e foi pensado para ser construído em 
áreas de cidades ou cidades inteiras destruídas pela guerra. 
O autor do projeto propunha edificações altas, densas e idênticas, organi-
zadas a partir de uma malha cartesiana e locadas soltas em grandes espaços 
Estudo das formas urbanas: Le Corbusier e a Carta de Atenas4
verdes. O plano ainda demonstra claramente o conceito do zoneamento, divi-
dindo e segregando a cidade em áreas determinadas a partir de suas funções, 
evitando a mistura e a diversidade. 
O setor de negócios contava com grandes arranha-céus, com 200 metros 
de altura, que tinham capacidade para abrigar de cinco a oito mil pessoas, 
localizados no centro da cidade. As áreas habitacionais eram compostas por 
apartamento pré-fabricados, com altura de 50 metros e capacidade para abrigar 
em torno de 2.700 moradores. Os blocos eram espaçados com dimensões que 
permitiam a luz e a ventilação natural por meio de parques. Nos pavimentos 
térreos, estariam as áreas de uso comum. 
Figura 2. Projeto da Cidade Radiante para Meux.
Fonte: Panerai, Castex e Depaulo (2013, p. 146).
Conforme Panerai, Castex e Depaule (2013), o plano da cidade representa 
claramente a obsessão pela ordem, materializando um controle total do arqui-
teto sobre o espaço urbano. Os autores ainda afirmam que Le Corbusier não 
respeita o meio rural, reduzindo a cidade a alguns monumentos importantes, 
à sua arquitetura e ao seu aspecto monumental. O zoneamento, elemento 
fundamental nesse plano e no urbanismo modernista, é visto por eles como a 
maior segregação, expondo a incapacidade da arquitetura em atender várias 
funções com uma única forma. Algumas críticas de Panerai, Castex e Depaule 
5Estudo das formas urbanas: Le Corbusier e a Carta de Atenas
(2013) em relação à ideia da Cidade Radiante de Le Corbusier representam o 
posicionamento de outros estudiosos, que passaram a analisar os princípios da 
Carta de Atenas e do urbanismo modernista discutindo os ideais propostos para 
as cidades, trazendo novos questionamentos e alternativas para o melhoramento 
dos espaços e demonstrando algumas incongruências desse movimento.
2 Críticas do urbanismo modernista
O movimento moderno e o urbanismo racionalista surgiram com o intuito 
de melhorar a realidade das cidades, que estavam apresentando cada vez 
mais problemas. A Carta de Atenas, formulada no ano de 1933, cita diversas 
observações sobre o estado crítico das cidades naquele período.
Entre as situações criticadas pelos modernistas, pode-se citar a alta den-
sidade nos núcleos históricos das cidades e também em porções de expansão 
industrial, que contavam com até 1.500 habitantes por hectare. Essa situação 
se agravava porque, além da insuficiência de superfície habitável por pessoa, 
as edificações tinham poucas aberturas para o exterior, não recebiam luz solar, 
não tinham um sistema de esgoto ou contavam com um sistema ineficiente, o 
que acabava colaborando para a proliferação de doenças. 
Nos setores urbanos congestionados, as condições de habitação são nefastas 
pela falta de espaço suficiente destinado à moradia, pela falta de superfí-
cies verdes disponíveis, pela falta, enfim, de conservação das construções 
(exploração baseada na especulação). Estado de coisas ainda agravado pela 
presença de uma população com padrão de vida muito baixo, incapaz de 
adotar, por si mesma, medidas defensivas (a mortalidade atinge até vinte por 
cento) (CARTA de Atenas, 1933, p. 6).
Os cortiços, já com a sua pouca infraestrutura, tinham sua miséria pro-
longada pelas partes externas que eram constituídas por ruas estreitas e 
sombrias, sem qualquer área verde livre que pudesse oferecer oxigênio e 
ar puro à população. A crítica do movimento advinha não só da falta de 
espaços verdes disponíveis, mas por conta da tomada do espaço verde pelas 
edificações que cresciam progressivamente sobre essas porções. Segundo a 
crítica da Carta, “[…] esse afastamento cada vez maior dos elementos naturais 
Estudo das formas urbanas: Le Corbusier e a Carta de Atenas6
aumenta proporcionalmente a desordem higiênica” (CARTA de Atenas, 1933, 
p. 7). Os congressistas complementam que essa falta de elementos naturais 
cria uma atmosfera insalubre tanto para o corpo quanto para a mente. 
Além disso, os bairros com mais população estavam localizados em zonas 
muito desfavorecidas, próximos a encostas e áreas invadidas por nevoeiros, 
gases das indústrias, passíveis de inundações. Essas condições não asseguravam 
proteção ao habitante, desrespeitando as condições mínimas de habitabilidade. 
Isso acontecia, principalmente, em bairros de operários, o que colocava a vida 
desses trabalhadores em risco.
Já as classes mais ricas ocupavam áreas privilegiadas da cidade, com 
construções arejadas, próximas a locais bonitos como mares, lagos e montes, 
com vistas para espaços graciosos, privilegiando a perspectiva paisagística 
e com insolação em abundância. A distribuição dos pobres em zonas mais 
afastadas com poucas condições de habitualidade e dos ricos em áreas 
privilegiadas das cidades era reavaliada por meio do zoneamento, ou seja, 
“[…] a operação feita sobre um plano de cidade com o objetivo de atribuir a 
cada função e a cada indivíduo seu justo lugar” (CARTA de Atenas, 1933, p. 
8). Essa condição evitava que a cidade fosse acessível a todos, uma vez que 
as condições justas de distribuição das terras estavam diretamente ligadas 
ao poder aquisitivo. 
Outro precedente criticado pelo movimento moderno diz respeito ao ali-
nhamento tradicional das habitações que, por estarem encostadas nas ruas, 
não recebiam a insolação adequada. Ainda, a locação dos equipamentos de 
uso coletivo nas cidades foi fortemente criticada, alegando que a maioria deles 
se encontrava muito distante das habitações, além da negação dos subúrbios, 
que não tinham qualquer planejamento ou ligação com o restante da cidade. 
A Carta de Atenas (1933, p. 11) traz que “[...] frequentemente os subúrbios 
nada mais são do que uma aglomeração de barracos onde a infraestrutura 
indispensável dificilmente é rentável”.
As críticas às cidades existentes são relacionadas a todos os problemas 
de falta de planejamento que resultam na má qualidade de vida. Todas estão 
voltadas à ocupação da edificação no lote, à carência de áreas verdes e ele-
mentos naturais, bem como à precariedade de sistemas. Assim, o urbanismo 
modernista pretende elaborar planos para melhorar todas essas questões e 
mudar a maneira de organização das cidades.
7Estudo das formas urbanas: Le Corbusier e a Carta de Atenas
Os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAMs) foram fundados em 
1928, na Suíça, por 28 arquitetos — entre eles, Le Corbusier. Esses congressos tinhampor objetivo avançar nas discussões sobre a arquitetura vista como uma arte social. 
Assim, os CIAMs foram responsáveis por pesquisas e discussões inéditas até aquele 
momento, revolucionado a forma de pensar o social, o estético e o cultural desse 
período (CASTELNOU, 2013).
3 Superação do movimento moderno
O movimento moderno foi considerado revolucionário por representar um 
marco para a evolução das cidades, além de introduzir a atividade de pensar 
e analisar os espaços urbanos, demonstrando a importância dessa ação para 
o meio urbano. A evolução do movimento moderno está ligada aos CIAMs 
que, a cada ano, traziam debates e novidades ao estudo das cidades.
Os CIAMs eram de proveniência francesa, e toda a sua documentação estava 
em francês. Durante e após a Segunda Guerra Mundial, os aliados ocidentais 
impuseram o inglês como língua internacional, e a arquitetura e a arte que, 
ao final da década de 1940, giravam em torno de Paris debilitaram-se. Assim, 
os debates arquitetônicos passaram a ser proferidos em inglês (SPELLMAN; 
UNGLAUB, 2004).
A Declaração do Habitat foi um dos aspectos que demonstrou a superação 
desse movimento. Essa declaração foi produzida nos anos de 1950 por parte dos 
integrantes do Team 10. Segundo Ramos (2013), Team 10 foi o nome dado ao 
grupo de jovens arquitetos encarregados de organizar o X CIAM. Essa decla-
ração encerra um momento de manifestos que expressavam ideias e propostas 
de urbanismo geradas ao longo de anos durante outros CIAMs, trazendo o 
conceito de habitat e o entendimento sobre a importância do ambiente como 
fatores determinantes da arquitetura e também da cidade.
Essa declaração, além de seu conteúdo e de sua discussão inovadora, 
destacou-se também por algumas outras particularidades que diferenciavam 
esse manifesto daqueles tradicionais anteriores. Conforme Ramos (2013), a 
primeira particularidade deu-se pelo fato de que o documento foi escrito em 
inglês, com o intuito principal de quebrar o domínio francês da estrutura 
dos Congressos, que permaneceu entre a primeira e a segunda geração de 
urbanistas. A segunda particularidade foi a introdução de um termo latino 
Estudo das formas urbanas: Le Corbusier e a Carta de Atenas8
demonstrado ainda por Le Corbusier no VIII CIAM, “[…] assim, o docu-
mento servia aos interesses de vários grupos que de fato eram antagônicos, 
o que o transformava num “cavalo de Troia” plantado às portas do X CIAM” 
(RAMOS, 2013, p. 161).
A terceira particularidade é que esse manifesto tinha duas versões, a De-
claração do Habitat e o Manifesto de Doorn. Mesmo diferentes com relação 
à sua forma, os dois documentos têm textos muito parecidos: a Declaração 
apresenta quatro pontos principais, e o Manifesto, oito. Ambos os documentos 
trazem esclarecimentos dos membros do Team 10 referentes à construção do 
ambiente humano, que vai desde a casa até a cidade. Eles afirmavam ainda 
que o modelo de casa depende do ambiente (MUMFORD, 2000).
Para validar essa afirmação, os integrantes do Team 10 adaptaram um 
diagrama do urbanista escocês Patrick Geddes com diferentes agrupamentos 
humanos em diversos estágios de produção, relacionando-os com o seu meio 
ambiente. Com isso, os integrantes do Team 10 “[…] imaginaram uma nova 
organização do diagrama, que apresenta a casa rural, vinculada à produção 
agrícola, passando pela vila pré-industrial até a cidade industrial, que era a 
maior conquista da civilização e ficava no eixo do vale” (RAMOS, 2013, p. 162).
Esse estudo permitiu que uma nova visão do urbanismo fosse concebida, 
na medida em que se vincula ao estudo da cidade, relacionado aos diferen-
tes graus de complexidade e considerando diferentes realidades. Todos os 
congressos e discussões levantadas nos CIAMs foram fundamentais para o 
surgimento de novas maneiras de se pensar as cidades. Um desses exemplos 
foi o movimento New Urbanism, que conectou algumas ideias do Team 10 a 
novos pensamentos.
Conforme destaca Andrade, Domeneghini e Morando (2013), o New Urba-
nism surgiu nos Estados Unidos, no século XX, por iniciativa de um grupo de 
urbanistas, a fim de responder à suburbanização e ao espraiamento americano, 
além de integrar o usuário com a cidade. Esse movimento resultou em um 
documento denominado Carta do Novo Urbanismo Norte-americano, com 
pontos relacionados à preservação do patrimônio e de todo o meio urbano, 
considerando tanto as áreas construídas como as áreas naturais. 
O documento datado do ano de 1996, serviu como referência para os 
profissionais arquitetos e urbanistas que pretendiam requalificar o meio am-
biente ou relacionar porções da cidade à sua área global, buscando também 
integrar as periferias que estavam presentes nas cidades e se conformavam 
como porções isoladas no território. “Todavia, o novo urbanismo não deve 
ser confundido com um estilo de projetar, nem com uma metodologia oriunda 
de um projeto urbano sustentável. O novo urbanismo busca a adequação de 
9Estudo das formas urbanas: Le Corbusier e a Carta de Atenas
projetos arquitetônicos de forma integrada ao meio natural ou urbano onde 
está inserido” (ANDRADE; DOMENEGHINI; MORANDO, 2013, p. 2). 
O movimento teve como influência os ideais modernistas porque buscava 
as áreas verdes e livres, porém em uma escala mais adequada aos pedestres, 
evitando dispersões exageradas no território (Figura 3). Macedo (2007) res-
salta que essa vertente prioriza o equilíbrio entre as construções, para que 
possam atender às necessidades humanas e ao ambiente natural, buscando a 
preservação do patrimônio histórico e também a participação da comunidade 
na gestão sobre as áreas dos bairros.
O New Urbanism era imbuído de grande reflexão sobre os espaços e bus-
cava compreender a sociedade em seus mais variados âmbitos a fim de propor 
projetos coerentes para cada área, “[…] pensando no desenvolvimento que 
esta terá, preparando-a com uma infraestrutura para acomodar um aumento 
populacional que esta possa receber” (ANDRADE; DOMENEGHINI; MO-
RANDO, 2013, p. 3). Ascher (2010) complementa que o novo urbanismo pode 
ser compreendido como uma forma de gestão estratégica das cidades, para 
reduzir as incertezas sobre o futuro e marcar uma aceleração no mercado 
econômico. Assim, a Carta do Novo Urbanismo pode ser entendida a partir 
de alguns pontos principais (LUCCHESE, 2008):
  facilidade para pedestres, a partir da simplificação de caminhos e da 
criação de vias rápidas;
  conectividade entre os bairros da cidade, por meio dos transportes 
públicos e outras alternativas;
  uso misto e diversidade, a fim de melhorar o aproveitamento dos espa-
ços, evitando setorização e áreas isoladas, facilitando o atendimento 
às necessidades dos usuários sem precisar de grandes deslocamentos;
  diversificação de moradias, para facilitar a interação entre as diferentes 
classes sociais, permitindo a criação de vínculos;
  qualidade do projeto arquitetônico e urbanístico, por meio da análise 
do contexto e previsão do futuro;
  estrutura tradicional de bairro, com quadras tradicionais, projetos de vizi-
nhança, diversos tipos de funções e desenvolvimento de forma equilibrada;
  aumento da densidade e diminuição dos espaços;
  transporte público ambientalmente adequado, sem interferir no trânsito 
e prejudicar o fluxo;
  princípios sustentáveis com reutilização da água, resíduos, iluminação, 
entre outros;
  busca pelo bem-estar e pela qualidade de vida dos usuários das cidades.
Estudo das formas urbanas: Le Corbusier e a Carta de Atenas10
Figura 3. Monumentos, arquitetura, circulações e jardins adequados à escala 
do pedestre.
Fonte: Tiesdell (2016, documento on-line).
O objetivo era trabalhar todos esses princípios isoladamente ou em con-
junto, buscando novas formas de melhorar a vida nas cidades. Dessa maneira, 
é possível perceber que o movimento moderno foi um precursor no que diz 
respeito à reflexão sobre os espaços das cidades, demonstrando a importância 
de conceber novas visões e entender o quanto o espaçourbano influencia a 
vida das pessoas. Esse movimento foi, de certa forma, revolucionário, porque 
demonstrou ideias diferenciadas e, muitas vezes, utópicas, mas que tiveram uma 
função como referência para questionamentos e debates, além de proporcionar 
o surgimento de novos pensamentos e vertentes. 
ANDRADE, G. M.; DOMENEGHINI, J.; MORANDO, J. P. S. K. Princípios do novo urbanismo 
no desenvolvimento de bairros sustentáveis brasileiros. In: SEMINÁRIO NACIONAL 
DE CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS, 2., 2013, Passo Fundo. Anais [...]. Passo Fundo, RS: 
IMED, 2013. Disponível em: https://www.imed.edu.br/Uploads/Princ%C3%ADpios%20
do%20Novo%20Urbanismo%20no%20desenvolvimento%20de%20bairros%20
sustent%C3%A1veis%20brasileiros.pdf. Acesso em: 20 jan. 2020.
ASCHER, F. Os novos princípios do urbanismo. São Paulo: Romano Guerra, 2010. (Coleção 
RG bolso, 4).
11Estudo das formas urbanas: Le Corbusier e a Carta de Atenas
Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
CARTA de Atenas. 1933. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/
arquivos/Carta%20de%20Atenas%201933.pdf. Acesso em: 20 jan. 2020.
CASTELNOU, A. Urbanismo moderno. 2013. 1 apresentação em powerpoint. Disponí-
vel em: http://istoecidade.weebly.com/uploads/3/0/2/0/3020261/ta447_aula13a.pdf. 
Acesso em: 20 jan. 2020.
GURGEL, A. P. Carta de Atenas: os aportes do urbanismo modernista. 2019. (Apostila 
de Curso — Disciplina de Arquitetura e Urbanismo da Sociedade Industrial, Depar-
tamento de Teoria e História em Arquitetura e Urbanismo, Faculdade de Arquitetura 
e Urbanismo da Universidade de Brasília). Disponível em: https://aprender.ead.unb.
br/pluginfile.php/204238/mod_resource/content/1/CARTA%20DE%20ATENAS.pdf. 
Acesso em: 20 jan. 2020.
LUCCHESE, C. O novo urbanismo. 2008. Disponível em: https://theurbanearth.wordpress.
com/2008/06/05/sala-de-leitura-o-novo-urbanismo-the-new-urbanism/. Acesso em: 
20 jan. 2020.
MACEDO, A. C. A carta do novo urbanismo norte-americano. Arquitextos, ano 7, n. 
082.03, mar. 2007. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arqui-
textos/07.082/262. Acesso em: 20 jan. 2020.
MUMFORD, E. P. The CIAM discourse on urbanism: 1928–1960. Cambridge, MA: MIT 
Press, 2000.
PANERAI, P.; CASTEX, J.; DEPAULE, J.-C. Formas urbanas: a dissolução da quadra. Porto 
Alegre: Bookman, 2013.
RAMOS, F. V. Team 10: Manifesto de Doorn. Arq.urb — Revista Eletrônica de Arquite-
tura e Urbanismo, n. 9, p. 159–168, 2013. Disponível em: http://www.usjt.br/arq.urb/
numero-09/14-team-10.pdf. Acesso em: 20 jan. 2020.
SPELLMAN, C.; UNGLAUB, K. (ed.). Peter Smithson, conversaciones con estudiantes: un 
espacio para nuestra generación. Barcelona: Gustavo Gili, 2004.
TIESDELL, S. New urbanism Seaside Florida. 2016. 1 fotografia. Disponível em: https://
www.archdaily.com/545722/spotlight-andres-duany/57cf5914e58ece9657000079-
-spotlight-andres-duany-photo. Acesso em: 20 jan. 2020.
Estudo das formas urbanas: Le Corbusier e a Carta de Atenas12
Dica do professor
A Carta de Atenas foi um documento importante formulado no ano de 1933 que trouxe novas 
visões sobre as cidade e o urbanismo do período após a Revolução Industrial, demonstrando novos 
conceitos e formas de pensar a cidade.
Assista ao vídeo da Dica do Professor e perceba como esses temas foram fundamentais para o 
estudo do urbanismo, das teorias, dos instrumentos e dos documentos atuais.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/f17acd9548f3263bd5d41264410a199b
Na prática
O movimento moderno foi importante porque trouxe uma nova visão para o urbanismo, por meio 
da introdução de temas, análises do espaço e diversos documentos que demonstram sua superação 
na criação de ideias para aquele momento.
O New Urbanismo foi um movimento que usou como base alguns dos preceitos modernistas, 
incorporando outros e evoluindo. Neste Na Prática, veja mais sobre esse movimento.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/4566cfee-9bcf-4afc-bb30-90883cc4af06/f4f4c54d-edc7-4e4f-840d-82123ee89f71.jpg
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Os 5 pontos da arquitetura moderna por Le Corbusier
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
La città ideale
As ideias que originaram ao urbanismo modernista surgiram a partir da ideia utópica de criação de 
cidade perfeitas. Leia uma matéria que trata desse assunto.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Da antiga à nova Carta de Atenas - em busca de um paradigma 
espacial de sustentabilidade
Nas últimas décadas surge a emergente necessidade da incorporação da sustentabilidade na 
sociedade e em sua formação. Leia nesse artigo o que a Nova Carta de Atenas sugere para que se 
atenda a essa necessidade.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://www.archademy.com.br/blog/5-pontos-da-arquitetura-moderna/
https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/20.234/7569
https://pdfs.semanticscholar.org/8974/dcf78e99e6afcbcbebc3d7fbbf9626a44ace.pdf
Estudo das formas urbanas: 
Revolução Industrial e século XIX
Apresentação
A Revolução Industrial foi extremamente importante para os avanços das cidades, pois ocasionou 
uma imigração populacional em massa e um consequente caos urbano – com edificações 
insalubres, inexistência de sistemas de esgoto e água e condições precárias de moradia. Porém, 
essas transformações negativas trouxeram reflexões e impulsionaram o estudo do urbanismo, de 
modo que ele fosse repensado com o intuito de gerar maior qualidade de vida para a população.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você entenderá como eram as cidades no período da Revolução 
Industrial, objetivando compreender as principais características e o contexto histórico dessa 
revolução. Você também identificará quais foram as grandes reformas desse período, que surgiram 
com o intuito de melhorar a realidade das cidades, além de assimilar as críticas sobre o urbanismo 
higienista.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer a cidade da Revolução Industrial.•
Identificar as grandes reformas do século XIX.•
Demonstrar as críticas ao modelo higienista.•
Infográfico
As cidades na Revolução Industrial foram marcadas por acontecimentos que influenciaram 
diretamente vários aspectos da vida urbana, pois esse período foi um grande divisor de águas na 
história da humanidade e também na história do urbanismo.
Neste Infográfico, veja algumas características das cidades antes e depois da Revolução Industrial, 
buscando compreender esse importante momento de transição urbana.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/e4e3cd76-e95c-4979-94f4-25959f93b9cd/22cadab0-be08-46b9-a674-a723e76f0b02.png
Conteúdo do livro
Os espaços urbanos nas grandes cidades foram se transformando e se adequando às necessidades 
da população. No caso das cidades da Revolução Industrial, elas não estavam adequadas para 
receber a população do campo, as fábricas e as novas condições de vida urbana, o que 
ocasionou conflitos sociais agravados pela falta de infraestrutura e planejamento urbano. Nesse 
momento, percebeu-se a necessidade de organizaros centros urbanos para torná-los apropriados, 
proporcionando maior qualidade de vida para a população residente.
No Capítulo Estudo das formas urbanas: Revolução Industrial e século XIX, da disciplina Estudo da 
Cidade, você vai compreender as grandes mudanças ocasionadas pela Revolução Industrial em seus 
mais diversos aspectos, entendendo como esse momento gerou o caos urbano e a necessidade de 
repensar profundamente a organização das cidades. Você também vai identificar algumas reformas 
propostas nesse período, assimilando conceitos sobre o urbanismo higienista e as críticas feitas a 
esse pensamento.
Boa leitura.
ESTUDO 
DA CIDADE 
Vanessa Guerini Scopell
Estudo das formas 
urbanas: Revolução 
Industrial e século XIX
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Reconhecer a cidade da Revolução Industrial.
  Identificar as grandes reformas do século XIX.
  Demonstrar as críticas ao modelo higienista.
Introdução
As cidades foram evoluindo com o passar dos anos e conforme as con-
tribuições de cada civilização em seu momento da história. Assim, os 
espaços urbanos adquiriram importância e se tornaram grandes núcleos 
estruturadores dos avanços e das tecnologias. A Revolução Industrial foi 
um marco para a história do mundo e das cidades em seus mais diversos 
aspectos, e as transformações desse momento resultaram em muitos 
problemas urbanos pelo fato de que as cidades não estavam preparadas 
para todos esses avanços.
Neste capítulo, você compreenderá o que foi a Revolução Industrial e 
como esse momento da história influenciou a vida das cidades. Também 
identificará as mudanças ocasionadas pelo industrialismo e as grandes re-
formas que surgiram nesse período com o intuito de melhorar as cidades. 
Além disso, entenderá o urbanismo higienista e as críticas a esse pensamento.
1 Cidade da Revolução Industrial
O processo de urbanização das cidades acompanhou a própria evolução da 
sociedade, crescendo junto com as civilizações em cada um dos seus momentos. 
Cada comunidade, ao longo dos anos, a partir de suas necessidades de criar e 
organizar espaços adequados para as suas funções de descanso, alimentação 
e higiene, foi percebendo e aprimorando técnicas construtivas e ideias que 
resultaram em diversos tipos e estilos de cidades. Todas as cidades e modelos 
de urbanização sempre estiveram diretamente ligadas ao contexto histórico 
de cada momento.
Assim, o urbanismo foi se desenvolvendo por meio da ordenação das 
cidades, dos sistemas de esgoto e abastecimento de água, da organização das 
quadras e da delimitação das vias de circulação. Desde o período neolítico, 
de quando datam as primeiras aglomerações que se assemelham às atuais 
cidades, as comunidades se organizavam com o objetivo comercial e também 
para se protegerem contra os inimigos.
As primeiras civilizações que evoluíram o conceito de cidade, organizando 
esses espaços como os centros da vida política, social e econômica, foram a 
grega e a romana. Os gregos, por meio de suas cidades-estados, possuíam uma 
organização própria, além de uma independência nos aspectos social, político 
e econômico. Já os romanos eram mais práticos e técnicos, e suas cidades já 
apresentavam sistemas de abastecimento de água e de esgoto (ALBUQUER-
QUE, 2017). Além disso, suas cidades eram planejadas de forma ortogonal, 
ligadas às vias pavimentadas. 
Com o passar dos anos, as cidades medievais, desenvolvidas entre os séculos 
V e XV, destacaram-se na evolução do urbanismo. Segundo Silva (c2020), 
essas cidades surgiram em virtude da fragmentação do Império Romano no 
Ocidente, passando por um longo período de invasões e destruições. Por conta 
disso, muitas pessoas se abrigaram nas zonas rurais. Aos poucos, os espaços 
foram se reconstituindo e se desenvolvendo. Somente a partir do século XI 
que surgiram inovações técnicas, como a adoção do arado animal e a rota-
ção das colheitas, que permitiram o desenvolvimento agrário e o aumento 
populacional. Esse aumento da população ocorreu pelo fortalecimento das 
produções e também das trocas, melhorando a economia. 
Para Araújo (c2020), com o renascimento das cidades e as relações de 
comércio estabelecidas, o feudalismo (sistema de comércio controlado pelo 
Estado e por alguns nobres) passou a ser substituído pelo capitalismo (sistema 
econômico que se caracteriza pela propriedade privada dos meios de produção 
e pela liberdade de iniciativa dos próprios cidadãos), provocando grandes 
mudanças na sociedade e nas cidades. A Revolução Industrial foi um dos 
marcos do urbanismo, pois, por meio dela, a população das cidades aumentou 
consideravelmente, resultando em diversos problemas urbanos.
Estudo das formas urbanas: Revolução Industrial e século XIX2
A maioria das cidades do mundo, após a ascensão do feudalismo, eram pe-
quenas em termos de população, sendo que em 1500, existiam somente apro-
ximadamente duas dúzias de cidades com mais do que cem mil habitantes. 
Em 1700, este número era pouco menor do que quarenta, um número que 
pularia para 300 em 1900, graças à Revolução Industrial (ARAÚJO, c2020, 
documento on-line).
A Revolução Industrial, ao final do século XVIII, ocasionou mudanças na 
Europa e depois em cidades de outras regiões do mundo. As cidades passaram 
a concentrar as atividades econômicas, voltadas para a acumulação de capital, 
buscando o lucro. Nesse período, surgiram as máquinas a vapor e os teares 
mecânicos, impulsionando a vinda da população do campo para a cidade em 
busca do emprego assalariado. 
Entre os principais aspectos da cidade da Revolução Industrial (Figura 1), 
pode-se citar o aumento da população, que passou a se espalhar pela área da 
cidade, redistribuindo os habitantes no território urbano, a ampliação da oferta 
de bens e serviços, o desenvolvimento dos meios de comunicação, além da 
rapidez com relação às transformações da paisagem urbana. Nesse período, 
houve uma tendência para o pensamento político ligado ao desenvolvimento 
do liberalismo econômico e, conforme Choay (1965, p. 4), “[...] uma nova 
ordem é criada, segundo o processo tradicional de adaptação da cidade à 
sociedade que nela habita”.
Figura 1. Paisagem da cidade industrial.
Fonte: Benevolo (1983, p. 553).
3Estudo das formas urbanas: Revolução Industrial e século XIX
Benevolo (1983) ressalta que, nesse período, houve a ruptura da morfolo-
gia da cidade tradicional através de uma nova estrutura urbana que passou 
a dividir o núcleo central da cidade e a periferia. As classes mais abastadas 
passaram a ocupar as periferias da cidade, onde tinham um território livre, 
enquanto os mais pobres foram morar no centro, em edificações mais velhas. 
Diante dessa nova realidade, a homogeneidade social e arquitetônica presente 
na cidade antiga foi se perdendo.
Com o avanço da indústria e diante da pouca infraestrutura das cidades, 
que não estavam preparadas para receber tantos moradores, diversos outros 
problemas foram surgindo (Figura 2). De acordo com Benevolo (1983), os 
bairros mais pobres começaram a surgir em locais inadequados, e as casas dos 
operários das fábricas não tinham condições e qualidade de habitabilidade. 
Com isso, a cidade desse momento era caracterizada por um espaço bastante 
desordenado e insalubre, propagando doenças e epidemias que atingiam todos 
os grupos sociais da época. 
Figura 2. Gravura representando a desordem da cidade industrial.
Fonte: Benevolo (1983, p. 554).
Estudo das formas urbanas: Revolução Industrial e século XIX4
Este processo de crescimento transforma os núcleos estabelecidos das cidades 
existentes num novo organismo e cria, consequentemente, em redor deste nú-
cleo central, uma nova faixa construída: a periferia. Sendo que o núcleo central 
das cidades já tem uma estrutura formada, não se torna possível albergar um 
aglomerado humano muito maior: as ruas são demasiado estreitas para conter 
o trânsito em aumento, as casas são demasiado pequenas e compactas para 
hospedarsem inconvenientes uma população mais densa. Assim, as classes 
privilegiadas estabelecem-se gradualmente nestas periferias, longe das zonas 
comerciais e industriais, do caos das fábricas e das condições miseráveis 
vividas pelo resto da população (FONSECA, 2010, p. 35).
Engels (1979) descreve que as cidades desse momento baseavam-se em ruas 
estreitas e tortuosas, as casas eram velhas, situadas em locais com pouca higiene, 
além de as circulações serem estreitas para se chegar a vielas e pátios. As casas 
e demais edificações eram locadas de forma amontoada, sem áreas livres, com 
pouca ventilação e iluminação natural e desprovidas de rede de esgoto.
A partir desse momento, ocorreram diversas inovações nas cidades, que 
precisaram se adequar para atender às grandes populações. Com isso, começou 
a se pensar sobre urbanismo e planejamento das cidades, a fim de estudar e 
melhorar os centros urbanos para que pudessem atender com qualidade os 
habitantes. Além disso, a fim de melhorar as cidades, surgiram diversos planos 
urbanísticos, que acreditavam que serviriam como referência para uma cidade 
ideal. Nenhum deles, naquele momento, consolidou-se como a solução para 
todos os problemas, mas eles serviram para demonstrar como o urbanismo 
era importante para o desenvolvimento das cidades. 
O início da Revolução Industrial ocorreu na Inglaterra, no século XVIII — apelidado 
como Século das Luzes por surgirem ideias iluministas e a primeira máquina a vapor. 
A Revolução se expandiu e ganhou força no século XIX, apresentando não apenas um 
caráter comercial, mas também influenciando a agricultura, as ideias sociais e econômicas 
e os meios de transporte e comunicação. Nesse momento, nasceram doutrinas que 
constituíram a base ideológica desse movimento, com o intuito de um desenvolvimento 
industrial e capitalista e de uma subdivisão do trabalho. Pode-se afirmar que a Revolução 
Industrial foi um conjunto de transformações em todos os setores da economia que 
firmaram o sistema capitalista, tornando-o dominante (FONSECA, 2010).
5Estudo das formas urbanas: Revolução Industrial e século XIX
2 Grandes reformas do século XIX
A Revolução Industrial mexeu com todos os sistemas das cidades, ocasio-
nando rápidas transformações, sem o cuidado e a organização adequados. 
Não somente as edifi cações sofreram com essas mudanças, mas o sistema 
de transporte também demandava reformas. A industrialização, segundo 
Fonseca (2010), dependia do transporte das mercadorias tanto para a aquisição 
de matéria-prima, como para a distribuição do produto fi nal. Assim, o desen-
volvimento dos meios de transporte também ditou a organização territorial e 
a dimensão do industrialismo.
Diante da nova realidade ocasionada pela Revolução Industrial, surgiu 
a necessidade de estudar as cidades e pensá-las de forma organizada por 
meio do planejamento urbano. De acordo com Fonseca (2010, p. 23), “[...] o 
planejamento das cidades começou assim por ser um conjunto de experiências 
urbanísticas e medidas interventivas que trouxessem alguma ordem ao caos 
instaurado nos núcleos industriais formados nas grandes cidades”. O planeja-
mento urbano é um instrumento de organização das cidades, seja no âmbito 
físico-territorial, social, ambiental ou habitacional. Tem sua preocupação em 
analisar, sob diversos aspectos, a realidade das cidades a fim de melhorar o 
seu funcionamento.
Diante dessa realidade e da preocupação em melhorar as cidades, surgiram 
algumas ideias, já em meados do século XIX, para torná-las mais salubres, que 
incluíam um trabalho de demolições e obras de saneamento básico. Conforme 
destaca Fonseca (2010), além das reinvindicações dos sindicatos, surgiram 
algumas iniciativas privadas para o melhoramento das cidades. Entre os 
pensamentos para a reforma dos centros urbanos, algumas ideias de urbanismo 
tiveram destaque, como as descritas a seguir.
Urbanismo culturalista: a partir das cidades-jardim de Ebenezer Howard 
(Figura 3), baseava-se em uma forma urbana diferenciada, rompendo a concep-
ção urbana existente. Esse modelo consistia em unidades urbanas autônomas, 
com atividades econômicas e equipamentos coletivos, mas com um número 
limitado de área e de habitantes. Tinha em sua forma o objetivo de estabelecer 
uma relação entre campo e cidade, aproveitando as vantagens de cada um e 
excluindo suas desvantagens. O modelo integrava:
Estudo das formas urbanas: Revolução Industrial e século XIX6
[…] núcleos de seis cidades-jardim ligadas entre si e à cidade central. O seu 
conjunto formaria a chamada ‘Cidade Social’. O esquema feito para a cidade 
assume uma estrutura radial, sendo composto por seis grandes boulevards 
que cruzam a estrutura territorial desde o centro até a periferia, dividindo-a 
em seis partes iguais (FONSECA, 2010, p. 41). 
Essa porção era dividida em setores, interligados por vias.
Figura 3. Esquema da cidade-jardim.
Fonte: Fonseca (2010, p. 41).
Urbanismo progressista: seus representantes tinham como base a crença 
do progresso e a busca absoluta pelo comportamento racional. Seu modelo 
referia-se ao urbanismo com espaços abertos e grandes áreas livres, a fi m de 
melhorar a higiene do local. O espaço urbano era traçado conforme setores 
e funções, de forma organizada e regular. Esse modelo recusa qualquer he-
rança artística, desconsiderando a parte existente das cidades e sua história, 
submetendo-se a leis geométricas e edifi cações defi nidas e padronizadas.
7Estudo das formas urbanas: Revolução Industrial e século XIX
Urbanismo higienista: baseava-se em ações sanitárias para combater as 
epidemias, tratar os aspectos de pobreza e levar a limpeza para as cidades, por 
meio de um desejo utópico de progresso. Com isso, defendiam um modelo de 
cidade que nega sua identidade e sua beleza, privilegiando-se de formas que 
escondem a realidade social. 
Das grandes reformas ocorridas no século XIX, duas cidades são bons 
exemplos de um pensamento higienista: Barcelona, na Espanha, e Paris, no 
território francês. Em Paris, capital da França, o projeto urbanístico para 
melhorar a salubridade do espaço urbano contou, segundo Oliveira Sobrinho 
(2013), com a ideia de modernidade vinculada à modificação da paisagem 
urbana existente. A reforma de Paris teve como base a “[…] negação dos pobres, 
a higienização dos espaços públicos e o sonho de limpeza e disciplinamento 
das condições de vida dos mais pobres” (OLIVEIRA SOBRINHO, 2013, 
p. 217). Esse projeto deu-se em uma concepção da burguesia, apoiada nos ideais 
de ordem e progresso, a partir da proposta de Georges Eugène Haussmann, 
prefeito da cidade na época. 
Segundo Rouanet (1992), a proposta tinha como ponto primordial a 
disseminação de largas perspectivas através das avenidas, a fim de não só 
melhorar a ventilação e a iluminação como também facilitar a movimen-
tação das tropas, dificultando a construção de barricadas em virtude do 
alargamento das vias. As vias deviam ser pensadas também do ponto de 
vista paisagístico (Figura 4), o que representou, na época, uma inovação 
urbana e um ponto de partida para a modernidade. Para Oliveira Sobrinho 
(2013), essa invenção possibilitou a desarticulação da rua como espaço de 
organização dos trabalhadores, significando novas maneiras de estabelecer 
o poder e demarcação do território.
Os bulevares representam apenas uma parte do amplo sistema de planejamento 
urbano, que incluía mercados centrais, pontes, esgotos, fornecimento de água, 
a Ópera e outros monumentos culturais, uma grande rede de parques […]. 
Os bulevares de Napoleão e Haussmann criaram novas bases – econômicas, 
sociais, estéticas – para reunir um enorme contingente de pessoas. No nível 
da rua, eles se enfileiravam em frente a pequenos negócios e lojas de todos 
os tipos e, em cada esquina, restaurantes com terraços e cafés nas calçadas 
[…] (BERMAN, 2007, p. 180–181).
Estudo das formas urbanas: Revolução Industrial e século XIX8
Figura 4. Bulevares de Paris.
Fonte: jplenio/Pixabay.com.
Em Barcelona,diante do crescimento demográfico, no ano de 1840, tiveram 
início as renovações urbanas, começando pela demolição das muralhas da 
cidade antiga. Com seu núcleo histórico sendo estendido e com a ocupação 
gradual do seu território, conforme Debrassi (2006), houve a escassez do solo na 
área intramuros e viu-se a necessidade de incorporar um novo bairro à cidade. 
Apesar disso, a urbanização na porção antiga foi intensificada, aumentando 
as alturas e as densidades das edificações. 
Mesmo com reformas pontuais, foi somente no ano de 1854, diante de 
demandas políticas e econômicas e do grande crescimento da população — que 
passou de 150 mil no ano de 1850 para 600 mil em 1900 —, que autorizaram 
a demolição das fortificações para que fosse elaborado um plano geral de 
desenvolvimento. Esse plano foi realizado por Ildefonso Cerdá “[…] e consistia 
na combinação do planejamento radial e reticular da cidade antiga medieval 
com o novo traçado proposto para sua expansão” (DEBRASSI, 2006, p. 76). 
O projeto de Cerdá tinha como base uma proposta ideal da cidade, através de 
uma projeção perfeita (Figura 5) e de um conceito higienista. A ideia era que o 
espaço urbano se tornasse um meio terapêutico contra os males da sociedade, 
com um valor curativo. 
9Estudo das formas urbanas: Revolução Industrial e século XIX
Nele, a urbanização perfeita seria o resultado da junção ideal da natureza humana 
e do progresso técnico e científico. Sua cidade deve assegurar um máximo de 
higiene pública preservando a independência da moradia; deve facilitar as relações 
sociais graças a um sistema eficaz de comunicações (BRESCIANI, 1998, p. 6).
Cerdá estabeleceu uma estrutura de quadrícula dez vezes a superfície que 
Barcelona tinha naquela época e criou um sistema de coleta de água. Além 
disso, abriu ruas, exigiu zonas verdes dentro das quadras, definiu alturas 
máximas, assegurou equipamentos comunitários a certas distâncias e zonas 
industriais mais afastadas (LÓPEZ DE ABERASTURI, 1979).
Figura 5. Projeto de Cerdá para Barcelona.
Fonte: López de Aberasturi (1979, p. 20).
Ildefonso Cerdá determinou características para as vias públicas: primei-
ramente, definiu as quadras e, depois, suas combinações, para então começar 
a delimitar os bairros. Ele deixou evidente a estrutura viária do conjunto, 
prevendo quatro vias de comunicação, além de uma grande rede de saneamento 
(LÓPEZ DE ABERASTURI, 1979).
Tanto a reformulação de Paris quanto a de Barcelona tinham como base a 
abertura de vias, a implantação de sistemas de esgoto e de água, a priorização 
de iluminação e ventilação, além da implantação de vegetações nos espaços 
públicos. Essas transformações, com o intuito de melhorar a salubridade e 
a higiene das cidades, foram um marco para esse momento do urbanismo.
Estudo das formas urbanas: Revolução Industrial e século XIX10
3 Críticas ao modelo higienista
O modelo de urbanismo higienista surgiu no século XIX buscando modifi car 
e prover melhoramentos nas condições urbanas, além de terminar com as 
epidemias e doenças ocasionadas pela falta de saneamento básico, vegetações, 
iluminação e ventilação nas edifi cações. Para isso, seus planos de reformulação 
das cidades incluíam a criação de sistemas de esgoto e o alargamento das vias, 
além da busca pelo melhoramento estético das paisagens. 
O viés estético sempre foi muito criticado por pesquisadores e historiadores 
porque, segundo Oliveira Sobrinho (2013), esse desejo era algo almejado pela 
burguesia da época, que tinha por intuito romper com o espaço público utili-
zado pelos pobres e para manifestações. Nesse sentido, melhorar a aparência 
das ruas criando bulevares tornaria o espaço público mais privado, ou seja, 
um lugar de socialização para a classe burguesa. Oliveira Sobrinho (2013, 
p. 219) afirma ainda que “[...] assim, separam-se os sujeitos desprovidos das 
qualidades burguesas necessárias ao uso e ocupação do espaço, pelas rupturas 
como demolições, novas construções e contrastes entre riqueza e pobreza. 
Observa-se o espetáculo da miséria no centro”.
O alargamento das vias e a criação de artérias de circulação eram ideias 
modernas para a época, algo inimaginável até o momento. Para buscar essas 
transformações, houve a eliminação de algumas habitações miseráveis para 
abrir espaços, deixando-os livres. Essa reforma possibilitaria a expansão de 
negócios locais que ajudavam a custear as mudanças e empregariam dezenas de 
trabalhadores (OLIVEIRA SOBRINHO, 2013). Outro objetivo do alargamento 
era evitar manifestações das classes mais pobres, facilitando o deslocamento 
das tropas, o que excluía ainda mais essa porção da população. De certa forma, 
os objetivos por trás das reformas eram alimentar os ideais burgueses e manter 
as outras classes distantes e escondidas.
O planejamento urbanístico explorou as contradições da modernidade. 
Foi um projeto burguês que visou mascarar os conflitos de classes, as lutas e 
reivindicações sociais das ruas, ou seja, acalmar o povo. Tirando as multidões 
das ruas, procurando manter as mentes distantes e camuflando as desigual-
dades sociais, introduziu o modo de vida burguesa, ainda que pelo desejo de 
ser burguês (OLIVEIRA SOBRINHO, 2013).
O urbanismo higienista demonstrava ser para todos e com o objetivo maior 
de melhorar as cidades, porém, tinha suas preferências. O trânsito nas vias 
alargadas era permitido, contudo, vigiado, e muitos moradores das cidades 
não tinham condições aos bens e serviços. As classes mais baixas eram loca-
das longe do centro, justamente para não influenciar a área nova da cidade. 
11Estudo das formas urbanas: Revolução Industrial e século XIX
Oliveira Sobrinho (2013, p. 221) salienta que “[...] essa foi a grande lição da 
revolução urbanística: explorar os espaços por meio das pessoas, do sentimento 
e desejo individual de ser burguês. Inaugurou uma nova maneira de vida em 
sociedade”. Esse modo de reforma gerou novos tipos de relações tanto políticas 
e econômicas quanto urbanísticas e sociais, configurando o mundo burguês 
como um sistema fechado. 
A modernidade, concebida como espaço de aglutinação com as tradições, 
especialmente no campo ideológico, mistura o antigo com o novo, já que o 
processo de construção humana é dialético. Nos padrões da modernidade 
e suas contradições, brutal violência, desigualdade e intolerância, também 
existe uma ordem, tanto do ponto de vista econômico, social, como político. 
É a ordem burguesa em formação e o incipiente capitalismo industrial e 
financeiro. Esses valores e tradições, “modernos” na forma, mas “antigos” 
em conteúdo, podem ser estabelecidos numa estética, mas adaptados às con-
dições concretas do tempo e espaço de cada país e cultura no Ocidente. Um 
processo massivo, de vigilância constante do modo de vida dos trabalhadores 
(OLIVEIRA SOBRINHO, 2013, p. 222).
Diante dessa explanação, é possível perceber que, por trás do desejo de 
melhoramento das cidades, oferecendo a elas uma infraestrutura urbana melhor, 
gerando uma paisagem mais bonita e acolhedora, existiam também interesses 
de classes que influenciavam esse tipo de urbanismo e suas políticas, como 
uma ideologia de progresso, mas que acabavam beneficiando apenas alguns 
privilegiados da sociedade.
De qualquer forma, foi nesse período que os sistemas políticos e econômicos 
avançaram, gerando mudanças muito profundas nas estruturas das sociedades, 
incrementando hábitos, incorporando necessidades e mudando a forma de 
viver nos centros urbanos. A paisagem urbana foi outro aspecto que mudou 
consideravelmente, incorporando circulações, vias para diferentes tipos de 
transporte, além das grandes fábricas até então inexistentes. 
Além disso, os aspectos sociais entre as classes foram elementos que 
trouxeram muitos debates relacionados ao urbanismo, principalmente, pela 
expulsão das classes mais baixas das áreas centrais, gerando espaços ainda 
menos planejados, distantes, com nenhuma infraestrutura e organização. 
Esse contexto influenciou o desenhourbano, trazendo mais debates sobre a 
necessidade de interligação de áreas e do acesso igual a todos, evidenciado o 
urbanismo no século XX.
Estudo das formas urbanas: Revolução Industrial e século XIX12
ALBUQUERQUE, M. Roma: cidades e fundamentos urbanos. 2017. Disponível em: https://
historiaartearquitetura.com/2017/05/06/roma-cidades-e-fundamentos-urbanisticos/. 
Acesso em: 13 jan. 2020.
ARAÚJO, T. S. História das cidades. c2020. Disponível em: https://www.portalsaofrancisco.
com.br/historia-do-brasil/historia-das-cidades. Acesso em: 13 jan. 2020.
BENEVOLO, L. História da cidade. São Paulo: Perspectiva, 1983.
BERMAN, M. Tudo que é sólido desmancha no ar. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
BRESCIANI, M. S. Leituras da cidade: a formação de um saber e de uma disciplina, o 
urbanismo. Campinas, 1998. Mimeografado.
CHOAY, F. O urbanismo. São Paulo: Perspectiva, 1965. 
DEBRASSI, T. M. F. B. Paradigmas e teorias da cidade: das reformas urbanas ao urbanismo 
contemporâneo — o caso de Barcelona. 2006. 206 p. Dissertação (Mestrado em Urba-
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ENGELS, F. A questão da habitação. Belo Horizonte: Aldeia Global, 1979.
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sidade da Beira Interior - UBI, Portugal, 2010. Disponível em: https://ubibliorum.ubi.pt/
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LÓPEZ DE ABERASTURI, A. Ildefonso Cerdá — La théorie générale de l´urbanisation. Paris: 
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OLIVEIRA SOBRINHO, A. S. São Paulo e a ideologia higienista entre os séculos XIX e XX: 
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Acesso em: 13 jan. 2020.
13Estudo das formas urbanas: Revolução Industrial e século XIX
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sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
Estudo das formas urbanas: Revolução Industrial e século XIX14
Dica do professor
Em decorrência dos problemas urbanos gerados a partir do rápido processo de industrialização, 
como a diminuição da qualidade de vida dos habitantes e o aumento da proliferação de doenças, foi 
criada uma vertente de planejamento urbano denominada de higienista.
Na Dica do Professor, veja mais sobre o movimento higienista, compreendendo quais reformas ele 
propôs e qual a importância desse pensamento para a melhoria das grandes cidades.
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Na prática
Algumas reformas surgiram no século XIX, após as transformações da Revolução Industrial, visando 
melhorar a aparência e a qualidade de vida nas grandes cidades, visto que elas não foram 
preparadas para receber uma demanda populacional tão grande vinda do campo.
Neste Na Prática, veja o exemplo da reforma realizada em Paris e como poderia ser sua aplicação 
com base no urbanismo contemporâneo.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
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código para acessar.
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Da cidade industrial segregada à cidade pós-industrial 
fragmentada: reflexões sobre a (re)produção do espaço urbano 
na cidade de Pelotas-RS
A Revolução Industrial transformou profundamente as cidades e a qualidade de vida dos centros 
urbanos. Entenda mais sobre essas transformações na cidade de Pelotas-RS por meio da leitura 
deste artigo:
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Revolução Industrial
A Revolução Industrial foi tão profunda que transformou as cidades, os sistemas de economia, o 
comércio e as relações sociais. Entenda mais sobre essas mudanças neste link:
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
http://www.revistas.usp.br/geousp/article/view/89283/124685
https://www.youtube.com/embed/qpxaj1XEPko
Produção do espaço, planejamento e 
políticas públicas
Apresentação
A ação de planejamento das cidades é considerada uma atividade tão complexa que influencia e 
depende de vários aspectos. Assim como o planejamento está relacionado à produção do espaço 
urbano, podendo promovê-lo, incentivá-lo ou controlá-lo, ele só se efetiva por meio das políticas 
públicas.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar sobre o funcionamento e o surgimento dos 
espaços urbanos, relacionando o planejamento a esse fenômeno das cidades. Além disso, vai poder 
assimilar a influência das políticas públicas no processo de planejamento das cidades. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer como ocorre a produção do espaço urbano.•
Relacionar o planejamento e a produção do espaço.•
Evidenciar o impacto das políticas públicas no processo de planejamento urbano.•
Infográfico
A produção do espaço urbano se dá por diversos agentes. Alguns deles produzem o espaço urbano 
por meio de ações voluntárias, como o Estado, ou por seus interesses, como os proprietários e 
promotores imobiliários.
Já os grupos sociais excluídos produzem o espaço urbano numa ação não organizada, pois para eles 
qualquer pedaço de terra já é o suficiente para se estabelecer.
Confira o Infográfico.
Conteúdo do livro
A produção do espaço urbano é uma ação que pode ser voluntária ou involuntária, pensada 
estrategicamente ou não, que pode ocorrer a partir de um planejamento ou simplesmente a partir 
da ação de grupos da sociedade.
Nesse sentido, é muito importante que as políticas públicas governamentais deem suporte para que 
o planejamento possa cumprir sua função de organizar o território e prever a produção do espaço 
urbano de forma consciente e equilibrada.
Na obra Planejamento Urbano, leia o capítulo Produção do espaço, planejamento e políticas 
públicas, base teórica desta Unidade de Aprendizagem.
Boa leitura.
PLANEJAMENTO 
URBANO 
Vanessa Scopel
Produção do espaço, 
planejamento e 
políticas públicas
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer como ocorre a produção do espaço urbano.
 � Relacionar o planejamento à produção do espaço.
 � Evidenciar o impacto das políticas públicas no processo de planeja-
mento urbano.
Introdução
A ação de planejamento das cidades é considerada uma atividade tão 
complexa que influencia e depende de vários aspectos. Assim como o 
planejamento está relacionado à produção do espaço urbano, podendo 
promovê-lo, incentivá-lo ou controlá-lo, ele só se efetiva por meio das 
políticas públicas.
Neste capítulo, você estudará sobre o funcionamento e o surgimento 
dos espaços urbanos, relacionando o planejamento a este fenômeno das 
cidades. Além disso, poderá assimilar a influência das políticas públicasno processo de planejamento das cidades.
A produção do espaço urbano
Quando se fala em produção do espaço, é preciso pensar em como os locais 
surgem nas sociedades e por meio do que. Alguns autores importantes discor-
rem sobre a produção do espaço urbano em seus livros, explicando um pouco 
U N I D A D E 2
sobre como esse fenômeno ocorre. Henri Lefrebvre, David Harvey e Karl Marx 
defendem a ideia de que o espaço é produzido a partir das relações sociais. 
Para Carlos (1994), esse fenômeno tem a ver com questões que vão além da 
necessidade das pessoas, envolvendo, também, relações de capital, de modo 
que a produção do espaço urbano é “[...] produto de contradições emergentes 
do conflito entre as necessidades da reprodução do capital e as necessidades 
da sociedade como um todo [...]” (CARLOS, 1994, p. 14).
Santos (2008, p. 63) considera a produção do espaço como algo “[...] formado 
por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório de sistemas 
de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como 
o quadro único no qual a história se dá [...]”. Segundo o autor, os espaços 
estão sempre interagindo com as pessoas, condicionando ações, adquirindo 
funcionalidade. Dessa maneira, Santos (2008) vê o espaço produzido como 
uma totalidade que está sempre em constante movimento: “É o espaço que, 
afinal, permite a sociedade global realizar-se como fenômeno” (SANTOS, 
2008, p. 119).
Sendo assim, é importante pensar sobre a produção do espaço urbano 
levando em consideração aspectos como as relações de poder nas comunida-
des, as relações de troca e as apropriações e os domínios dos espaços. Esses 
espaços produzidos pelas relações da sociedade são a expressão dos povos, 
mas também têm grande influência sobre a reprodução da sociedade.
Para Lefebvre (2008, p. 26), o espaço como produto de uma sociedade é 
“[...] um modo e um instrumento, um meio e uma mediação. [...] O espaço é 
um instrumento político intencionalmente manipulado, mesmo se a intenção 
se dissimula sob as aparências coerentes da figura espacial [...]” . Isso quer 
dizer que quando analisamos um espaço que é produto das ações de pessoas 
sobre uma determinada área, podemos tirar dessa análise conclusões sobre 
como as pessoas se sentem em relação àquela porção da cidade. Soja (1993, 
p. 38) acrescenta, ainda, que: 
O espaço social e político tornou-se cada vez mais reconhecido como uma 
força material (e não material, isto é, ideológico) influente, ordenando e re-
ordenando as próprias relações sociais produtivas. Longe de ser um reflexo 
passivo, incidental, um “espelho”, a espacialidade tornou-se ativa como uma 
estrutura concreta e repositório de contradições e conflitos, um campo de luta 
e estratégia política. As relações sociais e espaciais, a divisão social e espacial 
do trabalho, a práxis social e espacial estão, deste modo, interativamente 
engajadas e concatenadas, ao invés de reduzidas a simples gênese-reflexo, 
causa inicial e efeito subsequente.
Produção do espaço, planejamento e políticas públicas2
Thrift (2007) destaca que a produção dos espaços urbanos é contínua 
e acontece através da ordenação das coisas, a partir das necessidades das 
pessoas. Segundo o autor, o espaço é “[...] visto como um receptáculo no qual 
o mundo avança, mas também como coproduto dos processos, ressaltando a 
importância de se entender o espaço como construção da sociedade e que, 
consequentemente, tem influência sobre esta [...]” (THRIFT, 2007, p. 96).
Lefebvre (2008) ressalta, também, que o espaço urbano tem um papel ativo 
e passivo com relação à reprodução da sociedade. Pode ser considerado passivo 
porque está em segundo plano, tendo em vista as relações sociais que ocorrem 
nestes espaços; por outro lado, também pode ser considerado um local ativo, 
pois exerce forte papel no cotidiano da sociedade.
A produção do espaço, portanto, engloba a materialidade, a subjetividade, 
o real e o imaginado, os objetos e as ações, sempre vistos de forma interligada; 
é esse o espaço que nos serve aqui, o espaço do movimento das sociedades. 
Sendo assim, a cidade pode ser considerada uma produção permanente das 
sociedades, que materializa, nas paisagens, diferentes períodos e fases de 
relações sociais. 
Em resumo, quando se fala em produção do espaço, considera-se as 
influências das ações das pessoas sobre as áreas urbanas. Por exemplo, a 
ocupação de áreas para habitação resulta em espaços que podem ser bons 
locais para viver, mas também podem se tornar um problema para as cidades 
por estarem localizados em áreas insalubres e perigosas. Outro exemplo 
comum é quando vendedores de artesanato se estabelecem em praças ou 
vias das cidades, transformando esses locais em espaços de troca e comer-
cialização. Nas nossas cidades, temos diversos exemplos da produção do 
espaço urbano que podem ter como agentes não somente a sociedade, mas 
o Estado, entidades, entre outros.
O termo Placemaking está relacionado à valorização de áreas públicas surgidas a partir 
do uso e da apropriação das pessoas. Ou seja, quando grupos sociais se estabelecem 
em determinadas áreas, produzindo espaços urbanos, promovendo, nesse sentido, 
o encontro e a interação entre as pessoas, esses espaços, a partir da prática do Place-
making, podem ser valorizados. Entenda um pouco mais sobre o que é Placemaking 
lendo o texto “O que é placemarking?” (PLACEMAKING BRASIL, 2017).
3Produção do espaço, planejamento e políticas públicas
Planejamento e produção do espaço
O processo de produção do espaço urbano é fragmentado, articulado de acordo 
com as necessidades, não sendo homogêneo. Da mesma forma, a produção 
do espaço urbano é desigual, pois reflete as ações de cada grupo social em 
detrimento de uma área: “Cada sociedade produz e reproduz sua existência 
de modo determinado, deixando no espaço as marcas de suas características 
históricas específicas [...]” (CARLOS, 1994, p. 26).
Considerando essa influência da sociedade na produção dos espaços ur-
banos, esses locais tornam-se áreas de “batalhas”, que se constituem pelos 
diferentes agentes do espaço na briga pelo solo urbano. Nesse sentido, segundo 
Carlos (1994, p. 291), “[...] estabelece-se, portanto, um conflito entre o espaço 
abstrato, concebido pelos interesses e necessidades do capital, e o espaço 
vivido, fragmentado pelas estratégias dos diferentes atores sociais, percebido 
pelo indivíduo através de sua vida cotidiana [...]”.
A produção do espaço se dá no plano da vida cotidiana e se determina entre 
os diferentes agentes responsáveis pela reprodução deste espaço urbano. 
Nesse sentido, existem diversos atores sociais responsáveis pela reprodução 
do espaço urbano, cada um atuando de acordo com seus interesses de classe. 
“Os agentes responsáveis pela produção do espaço urbano, de forma geral, 
são os proprietários dos meios de produção, os proprietários fundiários e 
usuários de moradia, os promotores imobiliários, o Estado e as instituições 
governamentais, e os grupos sociais excluídos” (HARVEY, 1980, p. 139). 
Na contemporaneidade, a produção do espaço urbano se caracteriza por 
ações, relações e processos. Para Piccinato Junior (2014, p. 249),
[...] os agentes sociais, que podem ser entendidos como aqueles que são vistos 
como indivíduos, como as empresas, as parcerias público-privadas, as orga-
nizações sociais, culturais e econômicas, etc., agem diretamente na definição 
do que é espaço, entretanto, há várias formas de entender o espaço em razão 
das diversas escalas de lugares que são (re)estruturados. Para fundamentar 
a reflexão acerca dos caminhos possíveis de serem traçados para construir 
uma ideia de produção do espaço urbano, quanto mais complexas as divi-
sões do trabalho, maior a diversificação e complexificação dos agentes e de 
suas ações. Em outras palavras, tomando a perspectiva do lugar e de seus 
habitantes, a espacialidade se constrói a partir de articulações financeiras e 
socioculturais distantes e estranhas, mas que, de certa maneira,acabam se 
impondo à consciência daqueles que irão viver sob essa ação. 
Produção do espaço, planejamento e políticas públicas4
Esses agentes que interferem e produzem o espaço urbano têm estratégias 
diferenciadas, de acordo com seus respectivos interesses, podendo conflitar 
entre si ou, em algumas situações, unir-se para agir em busca de um mesmo 
interesse. Portanto, a apropriação do solo, dos espaços da cidade, das áreas e 
terras, torna-se um objeto de conflito, disputado por esses agentes. É nesse 
sentido que o planejamento urbano deve entrar e se impor, a fim de organizar 
as políticas, analisar situações e viabilizar o que for do interesse de todos ou 
da grande maioria, afinal, o espaço público é um bem comum da sociedade. 
É importante destacar que o Estado deve se impor no sentido da ação de 
planejar, evitando conflitos e benefícios a privilegiados, mas isso não significa 
que essa tarefa represente uma hierarquia de poder em relação aos demais 
agentes. O Estado tem papel fundamental na produção dos espaços, pois é 
ele que decide por quê, quando, como e onde intervir, considerando também 
a opinião dos cidadãos, sempre levando em conta a distribuição igual dos 
benefícios e áreas, assim como dos investimentos. Afinal, os espaços urbanos 
são a garantia da manutenção da vida, do solo como moradia e como fonte de 
riqueza; eles têm, portanto, um valor importante para as cidades, devendo ser 
geridos de maneira eficaz e apropriada.
Um exemplo de intervenção do Estado na produção do espaço urbano é 
uma proposta para a cidade de Madri. O espaço anteriormente ocupado pela 
rodovia M-30, construída na década de 1970, ganhou, em 2011, um novo rosto 
e uma nova função (Figura 1). A gestão do prefeito Alerto Ruiz–Gallardón 
resolveu devolver à população o espaço que antes era ocupado apenas por 
carros, transformando essa via em um parque com 9 km de extensão. A avenida, 
que antes poluía e separava bairros e pessoas, agora é o ponto de encontro de 
muitos madrilenhos que redescobriram uma área quase abandonada do centro. 
Figura 1. Vista aérea da rodovia M-30, em Madri, antes e depois da intervenção.
Fonte: Cantanhede (2012).
5Produção do espaço, planejamento e políticas públicas
Atualmente, é notório que este espaço se tornou ponto de encontro para a 
população de Madri, que passou a redescobrir uma área que, anteriormente, 
estava inacessível, quase abandonada. O Parque Madrid Río, como foi chamado, 
segue um plano de integração completo, une fisicamente bairros e tem estações 
de metrô e trem que conectam zonas da periferia ao centro da cidade (Figura 2). 
Figura 2. Intervenções realizadas em Madri.
Fonte: The City Fix Brasil (2017).
O que acontece atualmente é que, ainda, às vezes, o planejamento urbano 
não consegue ser justo e igualitário, refletindo, assim, as diferenças sociais, 
que, com certeza, não têm a ver apenas com essa atividade, mas contemplam 
infinitos aspectos que devem ser considerados para a resolução dessa situação. 
Conforme expõe Harvey (1980, p. 61):
A atuação dos incorporadores imobiliários, dos proprietários e do Estado 
determina a distribuição das benfeitorias (infraestrutura urbana) e das ex-
ternalidades de forma diferenciada, o que vai gerar diferentes valores do solo 
urbano. A atuação desses grupos determina espaços diferenciados, com valores 
de solo diferenciados, determinando também o direcionamento da população 
para cada área da cidade. Como esses grupos possuem os recursos necessá-
rios e, consequentemente, grande poder de barganha política, são capazes de 
determinar a disposição final dos recursos e da infraestrutura urbana, o que 
contribui para reforçar a desigualdade social na cidade.
Essa desigualdade fica expressa na paisagem urbana (Figura 3), basta 
observar diferentes áreas das cidades para entender quais são aquelas áreas 
Produção do espaço, planejamento e políticas públicas6
privilegiadas e supervalorizadas e quais são os pontos que foram quase es-
quecidos pelos investidores e pelos planos das cidades. Conforme Ribeiro 
(2004, p. 27), “[...] a segregação social expressa na paisagem urbana reflete 
também a distribuição do poder social na sociedade [...]”. Isso é resultado das 
ações dos diferentes agentes junto ao Estado e da capacidade diferenciada de 
algumas classes na obtenção de recursos e investimentos.
Figura 3. Cenário da desigualdade e segregação na paisagem urbana.
Fonte: Esquerda Online (2017).
Nota-se, com isso, que o planejamento urbano está diretamente relacionado 
à produção do espaço urbano, de modo que a atividade de planejar tem o 
poder de induzir, limitar e direcionar investimentos, opções e usos de forma 
distribuída por todo o território da cidade, de maneira a evitar ao máximo 
possível as desigualdades sociais, muitas vezes intensificadas pela influência 
dos agentes nos órgãos públicos e na sociedade em geral.
As políticas públicas no processo 
de planejamento
Atualmente, discute-se muito o papel das políticas públicas nos governos 
locais e como cada vez mais se tornam importantes para o aperfeiçoamento 
da qualidade de vida. Considera-se política pública uma ação do governo 
que influencia a vida dos cidadãos, assim como uma diretriz elaborada para 
enfrentar algum problema de caráter público. A essência das políticas públi-
7Produção do espaço, planejamento e políticas públicas
cas é a discussão de ideias e interesses. Segundo Souza (2006, p. 32), “[...] a 
definição mais conhecida continua sendo a de que decisões e análises sobre 
política pública implicam, em linhas gerais, responder as questões: quem ganha 
o quê, por quê e que diferença faz [...]”. Na maioria das vezes, as políticas 
públicas são elaboradas com o intuito de criar ações para tratar ou resolver 
alguma situação imperfeita.
As políticas públicas são elaboradas por meio de leis, projetos, campanhas, 
programas, entre outros. Porém, para que se possa implantar uma política 
pública com qualidade, é necessário organizar todo um esquema de implemen-
tação, iniciando pelos objetivos daquela política, até a maneira de implantar, 
monitorar e controlar sua eficácia. 
Dessa forma, podem estar voltadas para diversos segmentos da sociedade, 
mas, em geral, a maioria das políticas públicas abrange aspectos que, de uma 
maneira ou de outra, dizem respeito ao planejamento urbano e influenciam 
diretamente o funcionamento das cidades. 
Portanto, a relação entre a atividade do planejamento urbano está estrita-
mente ligada às políticas públicas, de maneira que, para que se possam resolver 
os problemas das cidades, são necessárias a formulação e a implementação 
dessas políticas que têm a ver com as alternativas e ações para a resolução das 
disfunções urbanas. O planejamento urbano não se torna eficaz nem aplicável 
senão pelo desenvolvimento destes planos, projetos e leis.
O grande problema relacionado a essa questão de planejamento e de políticas 
públicas é que, em nosso país, esse processo é ainda bastante burocrático e 
requer uma aplicação bastante técnica na formulação de planos e projetos que, 
muitas vezes, nem saem do papel. Então, por mais que exista a necessidade de 
resolver um problema e a intenção para se implantar essas políticas, isso esbarra 
em etapas penosas que empatam a aplicabilidade da proposta. Além disso, os 
recursos disponíveis são muitas vezes precários, limitando projetos de qualidade.
Assim como o planejamento é um processo, a elaboração e a implemen-
tação de uma política pública também deve ser. Portanto é preciso haver um 
diálogo entre essas partes, de maneira que a produção da mesma deve prever 
e analisar também sua aplicabilidade no contexto. Para Fausto Ancona (2011), 
A preocupação com o planejamento, principalmente em políticas públicas, já 
não é de hoje. Desde a década de 70, um grupo de estudiosos já se preocupava 
com os problemas que a falta de se esquematizar um plano poderia trazer. 
Escritores norte-americanos, como Jeffrey Pressman e Aaron Wildavisky, em 
1973, optarampor desenvolver essa temática, após ficarem impressionados 
com a falta de informação sobre o assunto. Desde então, muitos autores vêm 
desenvolvendo esse assunto de forma a melhorar cada vez mais o processo 
Produção do espaço, planejamento e políticas públicas8
de se planejar com qualidade. Essas obras, em sua grande maioria, propõem 
identificar as possíveis falhas nos projetos e em suas implementações, pautados 
em três aspectos: Político-institucional, Econômico e Técnico.
Conforme Ancona (2011), em função de o Brasil ser uma democracia 
recente, constatam-se falhas em suas políticas públicas no que diz respeito ao 
aspecto político institucional, de maneira que não houve tamanha evolução 
na Constituição de 1988, o que influencia diretamente as maneiras de fazer 
política pública no Brasil. Considerando o ponto de vista econômico, 
[...] notou-se, nos últimos anos, um aumento significativo da receita do governo 
brasileiro, mas muito desse dinheiro é oriundo de arrecadação de impostos 
e serve exclusivamente para pagamento da dívida pública e de rombos da 
previdência, não deixando uma quantia suficiente para se elaborar planos de 
qualidade ou faltar recursos quando a implementação não é pensada (AN-
CONA, 2011).
E no que se refere ao viés técnico, porque o nosso país é bastante buro-
cratizado, existe uma grande dificuldade na implantação de projetos, o que 
torna essa ação ainda mais complicada.
Embora existam aspectos que dificultem a implementação das políticas 
públicas, é de extrema importância pensar o planejamento urbano em conso-
nância com essas aplicações, pois isso é uma maneira de assegurar, mesmo 
que aos poucos, uma sociedade mais justa, equilibrada e com qualidade de 
vida para todos. Conforme Ancona (2011), 
[...] não se pode ver o planejamento como forma de controle da economia e da 
sociedade, mas, sim, como colaboração dos diversos atores envolvidos. [...] 
Deve-se empregar tecnicidade, reconhecendo-se limites para formulação de 
políticas públicas de qualidade, de maneira justa, ética e responsável, como o 
próprio autor frisa no texto. É preciso que se pense e que se planeje não só bons 
projetos, mas como eles serão aplicados e como contribuirão para a sociedade.
Portanto, o planejamento urbano está intimamente ligado à produção do 
espaço urbano, não de maneira a impedi-lo, afinal ele é resultado muitas vezes 
das ações involuntárias da sociedade, mas de organizá-lo e incentivá-lo de uma 
forma mais justa e igualitária; no entanto, também está totalmente conectado 
com as políticas públicas, já que sem elas o planejamento se torna ineficaz, 
pois não completa seu processo de ação até o fim. 
É relevante entender que a produção do espaço, o planejamento e as políticas 
públicas são itens interligados que, se considerados em conjunto na elabora-
9Produção do espaço, planejamento e políticas públicas
ção de planos e na resolução de problemas, podem trazer os mais variados 
benefícios para a população das cidades.
Como exemplo de política pública voltada ao planejamento urbano, pode-se citar 
a Lei nº 12.1587/2012 (Lei da Mobilidade Urbana Sustentável), que pode ser definida 
como o resultado de um conjunto de políticas de circulação e transporte que tem por 
objetivo proporcionar o acesso amplo e democrático ao espaço urbano por meio da 
priorização de modos de transporte não motorizados e coletivos (Figura 4).
Figura 4. Exemplo de cidade que privilegia a mobilidade sustentável 
com corredores de ônibus e ciclovias.
Fonte: Haus (2016).
1. Podemos considerar o processo 
de produção do espaço 
urbano como uma ação:
a) desarticulada.
b) heterogênea.
c) homogênea.
d) desvinculada.
e) desassociada.
2. Podemos considerar como 
atores sociais responsáveis pela 
reprodução do espaço urbano:
a) os comerciantes.
b) as instituições educacionais.
c) os grupos sociais excluídos.
d) as instituições filantrópicas.
e) os fazendeiros.
Produção do espaço, planejamento e políticas públicas10
3. O que são políticas públicas?
a) Ações do governo que 
influenciam positivamente 
a vida dos cidadãos.
b) Diretrizes elaboradas para 
enfrentar algum problema 
de caráter privado.
c) Ações voltadas para a resolução 
dos problemas do governo.
d) Instrumentos de valorização 
do patrimônio público.
e) Ações voltadas para resolver 
problemas de segmentos 
privilegiados da sociedade.
4. A dificuldade de implementação das 
políticas públicas no Brasil acontece 
por ele ser considerado um país:
a) desorganizado.
b) burocrático.
c) de terceiro mundo.
d) pouco desenvolvido.
e) atrasado.
5. Com relação à produção involuntária 
do espaço urbano, o planejamento 
urbano deve tomar uma atitude:
a) passiva, deixando livre a 
produção do espaço.
b) compreensiva, entendendo os 
interesses privados dos agentes.
c) repreensiva, aplicando 
multas para aqueles que 
estiverem envolvidos na 
produção do espaço.
d) autoritária, dando a entender 
que o Estado, sozinho, é 
que pode tomar decisões 
sobre os espaços urbanos.
e) impositiva, a fim de organizar 
as políticas e os espaços.
ANCONA, F. A importância do planejamento nas políticas públicas. Observa-
tório da Gestão Pública, 18 nov. 2011. Disponível em: <http://www.igepri.org/
observatorio/?p=5117>. Acesso em: 10 dez. 2017.
BRASIL. Lei nº 12.587, de 3 de janeiro de 2012. Institui as diretrizes da Política Nacional de 
Mobilidade Urbana; revoga dispositivos dos Decretos-Leis nos 3.326, de 3 de junho 
de 1941, e 5.405, de 13 de abril de 1943, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), 
aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e das Leis nos 5.917, de 10 
de setembro de 1973, e 6.261, de 14 de novembro de 1975; e dá outras providências. 
Brasília: Presidência da República, 2012. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12587.htm>. Acesso em: 10 dez. 2017.
CANTANHEDE, L. Ao invés de enterrar um rio, enterrem as rodovias. [S.l.]: Dose de sus-
tentabilidade, 2012. Disponível em: <http://dosedesustentabilidade.blogspot.com.
br/2012/10/Parque-Linear-Madrid-Rio.html>. Acesso em: 10 dez. 2017.
CARLOS, A. F. A. A cidade. São Paulo: Contexto, 1994.
ESQUERDA ONLINE. 2017: Aumenta a desigualdade social no Brasil. [S.l.]: Esquerda 
Online, 2017. Disponível em: <https://esquerdaonline.com.br/2017/02/19/desigual-
dadesocial/>. Acesso em: 10 dez. 2017.
11Produção do espaço, planejamento e políticas públicas
HARVEY, D. A justiça social e a cidade. São Paulo: Hucitec, 1980.
HAUS. Mobilidade Urbana Sustentável será tema de palestra na sede do CAU. Gazeta do 
Povo, 23 mar. 2016. Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/haus/eventos/
mobilidade-urbana-sustentavel-sera-tema-de-palestra-na-sede-do-conselho-de-
-arquitetura/>. Acesso em: 10 dez. 2017.
LEFEBVRE, H. Espaço e política. Belo Horizonte: UFMG, 2008.
PICCINATO JUNIOR, D. A produção do espaço urbano: agentes e processos, escalas 
e desafios. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, Recife, v. 16, n. 2, p. 246-
249, nov. 2014.
RIBEIRO, L. C. Q. O futuro das metrópoles: desigualdades e governabilidade. Rio de 
Janeiro: Revan, 2004.
SANTOS, M. Técnica, espaço, tempo: globalização e meio técnico-científico informa-
cional. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008.
SOJA, E. W. Geografias pós-modernas: a reafirmação do espaço na teoria social crítica. 
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.
SOUZA, C. Política públicas: uma revisão da literatura. Sociologias, Porto Alegre, n. 
16, p. 20-45, jun./dez. 2006.
THE CITY FIX BRASIL. Site. [S.l.]: The City Fix Brasil, 2017. Disponível em: <http://theci-
tyfixbrasil.com/>. Acesso em: 10 dez. 2017.
THRIFT, N. Space: the fundamental stuff of human geography. In: HOLLOWAY, S. L.; 
RICE, S. P.; VALENTINE, G. (Ed.). Key concepts in geography. 6. ed. London: Sage, 2007.
Leitura recomendada
ABREU, M.; VAZ, L. Sobre as origens da favela. In: Encontro Nacional da ANPUR, 4.,1991, 
Salvador. Anais... Salvador: [s.n.], 1991.
Produção do espaço, planejamento e políticas públicas12Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Conteúdo:
Dica do professor
Na Dica do Professor, você vai entender as relações entre o planejamento, ou a falta dele, na 
produção dos espaços urbanos e a sua importância para a criação de locais adequados para a 
população.
Assista.
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Na prática
As políticas públicas são um instrumento determinante no processo de planejamento das cidades, 
contribuindo para a elaboração dos objetivos e a execução destes.
Elas são uma resposta do Estado às necessidades da coletividade, que, por meio do 
desenvolvimento de ações e programas, objetivam o bem comum e a diminuição da desigualdade 
social.
Essas ações precisam ser estruturadas de maneira funcional e sequencial para tornar possíveis a 
produção e a organização do projeto.
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Este vídeo fala sobre o que são as políticas públicas. Para saber 
mais, acesse o link a seguir.
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As políticas públicas podem ser divididas em três tipos. Esta 
matéria explica um pouco melhor do que se trata cada um 
desses tipos de políticas públicas.
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Este vídeo aprofunda sobre o conceito de mobilidade urbana. A 
mobilidade está prevista na Lei no 12.587, Lei da Mobilidade 
Urbana Sustentável, que é uma política pública relacionada ao 
planejamento urbano. Acesse o link.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://www.youtube.com/embed/ehLZKqU1QQw?rel=0
http://www.okconcursos.com.br/apostilas/apostila-gratis/134-politicas-publicas/1156-tipos-de-politicas-publicas#.Why5u1WnHIU
https://www.youtube.com/embed/CX6Krvv7ss8?rel=0
A cidade como um organismo vivo, 
seguro e saudável 
Apresentação
Espaços pouco estimulantes visualmente acabam se tornando entediantes e pouco atrativos para 
os pedestres. Isso ocorre porque a percepção do ser humano evoluiu, percebendo ameaças e 
atrativos a partir de pistas visuais. Atualmente, os urbanistas dispõem de uma série de estratégias 
para garantir que as ruas sejam atrativas ao nível dos olhos. Tornam, assim, as cidades mais 
atrativas e seguras para seus usuários.
Parte dos problemas das cidades contemporâneas está justamente no planejamento setorizado, 
que não leva em conta a escala humana em sua concepção. Dessa maneira, o projeto que parte das 
dimensões do corpo humano, garantindo a vitalidade urbana, apresenta vantagens quando em 
comparação com argumentos como a criação de vias expressas.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai entender o que torna uma cidade atrativa ao nível dos 
olhos e a importância disso. Também, conhecerá os atributos que garantem a vitalidade urbana, por 
meio de exemplos bibliográficos e de espaços urbanos transformados por projetos.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer a cidade ao nível dos olhos.•
Identificar fatores de vitalidade urbana.•
Exemplificar a utilização de fatores de vitalidade. •
Infográfico
No planejamento urbano, é muito comum que seja dada bastante atenção para elementos públicos, 
como vias de rodagem, calçadas e parques. No entanto, as atividades que acontecem ao longo das 
vias, como o comércio e as residências, têm bastante impacto na vitalidade e na segurança dos 
espaços urbanos.
Neste Infográfico, você vai conhecer exemplos de como os usos e o desenho dos pavimentos 
térreos adjacentes às calçadas podem potencializar a qualidade do espaço urbano, fazendo com 
que os pedestres circulem pelas calçadas de maneira mais lenta e aumentando a segurança de 
todos.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
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https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/9dd660d0-94b5-4d88-a566-b40624109132/0898d948-14cb-429e-b458-2bf5fc2690f2.jpg
Conteúdo do livro
Hoje, as cidades são lar de mais da metade da população mundial. Pela primeira vez na história da 
humanidade, mais pessoas habitam ambientes urbanos do que rurais. Por isso, modificações nestes 
espaços têm potencial de transformar a vida de bilhões de pessoas. Para garantir que as 
intervenções urbanísticas tenham os melhores resultados possíveis, é preciso que os planejadores 
conheçam os modos como as pessoas percebem o espaço urbano, para propor projetos adequados 
a esses dados.
No capítulo A cidade como um organismo vivo, seguro e saudável, da obra Estudo da cidade, você 
vai conhecer o que é percebido por uma pessoa transitando pelas calçadas de uma cidade e como 
essa percepção é influenciada pela vitalidade da rua. Nesse sentido, verá alguns exemplos de 
cidades que satisfazem a seus moradores e visitantes.
Boa leitura.
ESTUDO DA 
CIDADE
Anna Carolina Manfroi Galinatti
A cidade como um 
organismo vivo, 
seguro e saudável
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Reconhecer a cidade ao nível dos olhos.
  Identificar fatores de vitalidade urbana.
  Exemplificar a utilização de fatores de vitalidade.
Introdução
O ser humano percebe o seu entorno a partir da perspectiva de quem 
caminha, ou seja, aproximadamente, 1,70 m de altura movimentando-se 
a 5 km/h. As cidades que são percebidas como as mais agradáveis têm 
características que as tornam prazerosas por esse modo de percepção.
Neste capítulo, você perceberá a cidade a partir do nível dos olhos e 
conhecerá os fatores que influenciam a vitalidade urbana a partir desse 
ponto de vista. Também verá alguns exemplos de centros urbanos que 
exploraram essa característica com sucesso.
1 Cidade ao nível dos olhos
Imagine que você está caminhando em uma calçada de uma rua bastante 
agradável. Que imagem vem à sua cabeça? Pessoas aproveitando a sombra das 
árvores? Crianças brincando nos recuos de jardins dos edifícios? Talvez uma 
ou outra senhora abanando para você da janela de seus apartamentos? Essas 
são características de um espaço urbano otimizado para a escala humana, 
em que a principal forma de percepção é a de uma pessoa caminhando em 
velocidade moderada.
Agora, imagine que você está em uma rua desagradável para quem ca-
minha. Provavelmente, a imagem que vem à sua mente é a de uma calçada 
com muito sol e calor, certo? Também deve pensar em uma via barulhenta, 
com muitos carros passando em alta velocidade, fazendo com que a calçada 
pareça ainda mais estreita. Ao olhar para os edifícios, a única visão é a de um 
paredão contínuo com poucas aberturas, sem pessoas aproveitando o espaço. 
Nesse exemplo, o que temos é uma cidade desenhada para quem está em um 
veículo, em velocidade muito mais alta do que a de um pedestre.
As cidades tradicionais, cujas ruas e calçadas evoluíram lentamente ao longo 
das gerações, em geral, apresentam-se bem adaptadas aos pedestres. Por outro 
lado, algumas cidades planejadas, em especial, aquelas projetadas no século XX, 
em muitos casos, não levaram em conta como os espaços seriam percebidos 
por uma pessoa caminhando em velocidade moderada pela cidade. Segundo o 
urbanista dinamarquês Jan Gehl, é na “[…] pequena escala, na paisagem de 5 
km/h, que as pessoas se relacionam intimamente com a cidade” (GEHL, 2010, 
p. 118, tradução nossa). É nessa velocidade que a maiorparte das pessoas frui 
a cidade e, portanto, os esforços de planejamento devem ocorrer no sentido de 
tornar essa experiência agradável. As atividades realizadas nos espaços públicos 
das cidades podem ser divididas em caminhar, ficar em pé, sentar, escutar e 
conversar. Todas essas atividades podem ser enquadradas nas ações que são 
beneficiadas por cidades agradáveis ao nível dos olhos (GEHL, 2010).
Cidades boas para caminhar
Gehl (2010, p. 119, tradução nossa) afi rma que:
É um grande dia quando […] uma criança dá o primeiro passo. […] O pequeno 
caminhante pode ver muito mais e mover-se mais rapidamente. A partir de 
agora o mundo da criança — campo de visão, perspectiva, velocidade, flexi-
bilidade e oportunidade — se moverá em um plano mais rápido e alto. Todos 
os momentos importantes da vida a partir de agora serão experienciados em 
pé, seja caminhando ou parado.
O caminhar é uma das atividades que define o ser humano. Segundo Yuval 
Noah Harari, o fato de as pessoas caminharem de maneira ereta sobre duas pernas 
é um traço humano singular que nos permitiu “[…] realizar tarefas complexas com 
as mãos” (HARARI, 2015, p. 14). Jan Gehl defende que uma das características 
que torna a cidade agradável para os pedestres é ter espaço para caminhar, ou seja, 
ter espaço suficiente nas calçadas para transitar sem desviar de outras pessoas ou 
objetos no caminho (GEHL, 2010). Além disso, as distâncias percorridas pelos 
A cidade como um organismo vivo, seguro e saudável2
pedestres devem ser pequenas o suficiente para permitir o deslocamento eficiente 
e confortável. Em seu livro, Jan Gehl traz um mapa mostrando como os centros 
de cidades notoriamente agradáveis se inserem em um raio de até 500 metros, 
permitindo a caminhabilidade para a maioria das pessoas. A Figura 1 mostra a 
sobreposição dos centros de quatro cidades com o raio de 500 m.
Figura 1. Centros urbanos e escala humana.
Fonte: Adaptada de Gehl (2010).
Para que uma cidade seja agradável ao nível dos olhos, é preciso que ela 
tenha a infraestrutura necessária para que as pessoas possam ficar paradas 
realizando alguma atividade — como vendas — ou até mesmo esperando 
alguém sem propósito definido. As cidades agradáveis devem apresentar 
elementos que facilitem e encorajem a permanência. A Figura 2 demonstra 
uma cafeteria cujas mesas são colocadas em duas fileiras independentes, com 
espaço para caminhar entre elas.
3A cidade como um organismo vivo, seguro e saudável
Figura 2. Café com mesas na calçada.
Fonte: María Teresa Martínez/Pixabay.com.
Cidades boas para o encontro
Segundo Gehl (2010, p. 148, tradução nossa):
Encontros nos espaços urbanos se dão em vários níveis. Encontros ao acaso 
e oportunidades de ver e ouvir a vida urbana representam uma forma despre-
tensiosa e não obrigatória de contato. Ver e ser visto é, de longe, a maneira 
mais difundida de encontro entre pessoas.
Para permitir o encontro entre seus moradores, as cidades devem possuir um 
conjunto de características complementares que as tornarão um espaço agradável 
e propício para esse tipo de interação involuntária. A primeira delas é que os 
espaços urbanos devem ter visuais agradáveis, que façam com que as pessoas 
permaneçam por mais tempo, potencializando, assim, as chances de encontros 
não planejados. Os encontros entre desconhecidos são potencializados pela 
possibilidade de interação entre pessoas que estão dentro de espaços fechados e 
aqueles que transitam pelas calçadas. Para isso, os térreos dos edifícios devem ser 
porosos o suficiente para que essas interações aconteçam de maneira espontânea. 
Assim, os espaços urbanos agradáveis ao nível dos olhos são aqueles 
que são pensados para satisfazer a necessidade de uma pessoa caminhando 
a, aproximadamente, 5 km/h. Esses espaços devem permitir, obviamente, o 
A cidade como um organismo vivo, seguro e saudável4
trânsito desses pedestres, mas também devem apresentar oportunidades para 
que essas pessoas possam ficar paradas para verem e serem vistas por outros 
em encontros não planejados. 
2 Fatores de vitalidade urbana
As cidades são entidades complexas e mutáveis, o que torna o entendimento 
de seu sucesso um assunto bastante complicado. A maneira mais assertiva 
que os planejadores têm para garantir o sucesso de novos empreendimentos 
urbanos é analisar os acertos e os erros daquelas cidades que já são ocupadas 
há bastante tempo.
Nesse sentido, a jornalista americana Jane Jacobs escreveu, nos anos de 
1960, um livro que se tornou um clássico do planejamento urbano: Morte e 
vida das grandes cidades. Em seu livro, Jacobs narra as qualidades de bairros 
com bastante vitalidade, demonstrando os elementos que esses espaços têm 
em comum. Ao mesmo tempo, traz algumas experiências malsucedidas de 
intervenções urbanas realizadas após a Segunda Guerra para demonstrar como 
um planejamento ineficaz pode destruir a vitalidade de uma rua.
Uma das grandes contribuições de Jacobs para a disciplina do planejamento 
urbano foi a identificação de quatro atributos, os quais ela chamou de geradores 
de diversidade que, em conjunto, podem tornar os espaços da cidade mais mo-
vimentados e interessantes. As quatro condições são, segundo Jacobs, o ponto 
mais importante de sua obra. No entanto, ela alerta que “[…] nem todos os bairros 
irão produzir diversidade equivalente” (JACOBS, 1992, p. 151, tradução nossa), 
mas que a adoção dessas táticas farão com que “[…] o bairro atinja o seu melhor 
potencial, qualquer que este seja” (JACOBS, 1992, p. 151, tradução nossa).
As quatro condições apontadas por Jacobs são: encorajar a adoção de 
diferentes usos nos edifícios; ter cuidado com o tamanho das quadras, que 
devem ser relativamente curtas; evitar que existam apenas edifícios novos; e 
garantir uma densidade mínima de habitantes na área. 
Necessidade de uso misto
Os edifícios de um bairro devem apresentar, preferencialmente, mais de um uso, 
por exemplo, uma loja no térreo e apartamentos nos andares superiores. Para 
Jacobs, em uma situação ideal, um bairro teria ainda mais diversidade. O exemplo 
apresentado pela autora é o seu bairro, o Greenwich Village, em Nova York, que 
apresenta, segundo a autora, um verdadeiro balé de funções ao longo do dia.
5A cidade como um organismo vivo, seguro e saudável
Para entender como o uso misto pode tornar um espaço mais movimentado, 
pense em uma rua onde as pessoas saem para trabalhar entre 7h e 9h da manhã. 
Se existirem apenas casas ou apartamentos nesse bairro, esse será o único 
horário em que haverá movimento nas calçadas. No entanto, se o bairro que 
estamos imaginando abrigar fruteiras, mercados e outros tipos de comércio, 
mais pessoas circularão pelas ruas durante o dia. Ainda, se alguns bares e 
restaurantes se instalarem na região, o movimento se estenderá para a noite, 
garantindo um fluxo contínuo de pessoas nas calçadas na maior parte do dia.
Necessidade de quadras curtas
Quadras muito longas diminuem as possibilidades de trajetos de um ponto para 
outro. As pessoas que moram em edifícios construídos em quadras muito longas 
tendem a tomar o mesmo caminho sempre, diminuindo as potencialidades de 
animação das calçadas. Desse modo, essas ruas tornam-se pouco atrativas 
para o comércio, que demanda movimento constante de pedestres. A Figura 
3 traz uma ilustração apresentada por Jane Jacobs que demonstra em forma 
de diagrama como as quadras mais curtas facilitam a tomada de caminhos 
alternativos de um ponto para outro, aumentando a animação das ruas.
Figura 3. Comparativo entre quadras longas e curtas.
Fonte: Jacobs (1992, p. 179 e 181).
A cidade como um organismo vivo, seguro e saudável6
Necessidade de edifícios antigos
Esse critério parece pouco objetivo e um pouco arbitrário, mas trata-se de um 
argumento econômico. Edifícios antigos tendem a ter preços de aluguéis mais 
baratos do que os lançamentos imobiliários e, por isso, essas construções atraem 
um conjunto de moradores que não teria condições de pagar por espaços maiscaros. Dessa maneira, a diversidade de edifícios traz consigo uma variedade 
de moradores, o que cria padrões de movimento diferenciados ao longo do dia. 
A Figura 4 mostra como o contraste entre os edifícios traz benefícios visuais 
para a cidade, tornando a experiência mais rica.
Figura 4. Edifício antigo e edifício moderno.
Fonte: Sinuswelle/Shutterstock.com.
Necessidade de densidade
Para garantir a vitalidade urbana, é preciso que exista vida na cidade. Para 
isso, os bairros devem ter uma densidade relativamente alta de moradores 
por metro quadrado. No entanto, esse número deve ser equilibrado para 
7A cidade como um organismo vivo, seguro e saudável
não gerar um espaço urbano muito denso, onde as infraestruturas como 
transporte, esgoto e eletricidade acabem entrando em colapso. Além do 
número de moradores de um bairro, os dados de densidade devem levar 
em consideração as pessoas que utilizam as ruas em diferentes horários, 
como trabalhadores de um edifício de escritórios ou consumidores em um 
shopping center. A Figura 5 demonstra como a densidade das cidades se 
modifi cou ao longo dos anos.
Figura 5. Transformação da densidade ao longo do tempo.
Fonte: Adaptada de Gehl (2010).
As cidades são fenômenos humanos extremamente complexos, muitas vezes, 
encaradas como entidades incontroláveis pelas autoridades. Os exemplos de 
Jacobs e Gehl nos demonstram, no entanto, que as cidades bem-sucedidas do 
passado podem servir de guia para novas intervenções urbanas. 
A cidade como um organismo vivo, seguro e saudável8
3 Exemplos de cidades com vitalidade
“Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira” 
(TOLSTÓI, 2017). A descrição das famílias russas feita pelo Conde Liev Tolstói 
no clássico Anna Kariênina, publicado originalmente em 1877, pode ser facil-
mente adaptada às cidades. Os exemplos de espaços urbanos bem-sucedidos 
compartilham um conjunto de soluções que se repetem ao longo de todo o mundo, 
adaptando-se às necessidades locais. Em Cidades para pessoas, Jan Gehl demons-
tra esse princípio ao mostrar quatro exemplos de fachadas porosas que permitem 
que as pessoas fi quem paradas com conforto e segurança no espaço, cada um em 
uma localidade com cultura distinta. A Figura 6 mostra pessoas se apoiando em 
recessos de térreos de edifícios na Espanha, Portugal, México e Canadá.
Figura 6. Pessoas utilizando recessos em edifícios.
Fonte: Gehl (2010, p. 140).
9A cidade como um organismo vivo, seguro e saudável
Orla de Chicago
A revitalização da orla de Chicago é um exemplo claro de apropriação das 
potencialidades do entorno. Nesse projeto, os arquitetos da prefeitura da cidade 
americana utilizaram o desnível entre calçada e rio para criar escadarias que 
funcionam como arquibancadas, gerando vitalidade e usos espontâneos ao longo 
do dia. Na Figura 7, é possível observar como essas atrações, somadas à mistura 
de edifícios novos e antigos com densidade adequada, geram vitalidade no espaço.
Figura 7. Orla de Chicago.
Fonte: Adaptada de Departamento de Transporte de Chicago (2016).
Outro atributo interessante desse projeto é a reutilização de armazéns 
antigos para funções diversas como lojas e restaurantes, complementando a 
mistura de usos do entorno. Desse modo, esses espaços servem tanto para 
quem mora e trabalha no local quanto para outros visitantes. 
Caminho em Pilar de la Horadada
Esse singelo projeto de requalifi cação urbana na Espanha toma partido dos usos 
e fl uxos existentes para potencializar a vitalidade do espaço urbano. Em vez de 
tentar criar comportamentos inexistentes, os projetistas levaram em conta as 
atividades já realizadas no local, aumentando o conforto dos usuários. Na Figura 
8, é possível observar como as calçadas abrigam espaços de estar confortáveis, 
deixando uma faixa livre para a movimentação de pedestres. Nas ruas desse 
espaço, já existiam condições de vitalidade, como a mistura de usos e de idades 
dos edifícios — nesse caso, coube aos arquitetos contemplar esses usos.
A cidade como um organismo vivo, seguro e saudável10
 Figura 8. (a) Calçada do Caminho em Pilar de la Horadada. (b) 
Adaptação dos espaços urbanos para usos que gerem vitalidade.
Fonte: Adaptada de Bañón (2014).
As experiências bem-sucedidas de outras cidades podem servir de guia 
para a criação de espaços urbanos que preencham os potenciais de vitalidade 
do bairro que se está projetando. Para isso, é preciso conhecer tanto as teorias 
e análises urbanas quanto os exemplos de lugares onde as pessoas se sentem 
seguras e felizes nas ruas. 
BAÑÓN, J. A. Caminho em Pilar de la Horadada. 2014. Disponível em: https://www.
archdaily.com.br/br/01-187757/caminho-em-pilar-de-la-horadada-slash-joaquin-alvado-
-banon. Acesso em: 4 fev. 2020.
DEPARTAMENTO DE TRANSPORTE DE CHICAGO. Chicago riverwalk. 2016. Disponível 
em: https://www.archdaily.com.br/br/794654/chicago-riverwalk-departamento-de-
-transporte-de-chicago. Acesso em: 4 fev. 2020.
GEHL, J. Cities for people. Washington: Island, 2010.
HARARI, Y. N. Sapiens: uma breve história da humanidade. 3. ed. Porto Alegre: L&PM, 2015.
JACOBS, J. Death and life of great American cities. New York: Vintage Books, 1992.
TOLSTOY, L. Anna Kariênina. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.
11A cidade como um organismo vivo, seguro e saudável
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
A cidade como um organismo vivo, seguro e saudável12
Dica do professor
Você já caminhou por uma rua se sentindo inseguro ou desconfortável? Já caminhou por outra se 
sentindo abrigado pelo espaço urbano? A diferença qualitativa entre esses exemplos é medida pela 
caminhabilidade. Esse índice é a classificação dos espaços urbanos quanto à facilidade do 
deslocamento de pedestres por suas ruas. Atualmente, existem índices que medem essa 
característica de acordo com padrões de qualidade identificados em cidades ao redor do mundo.
Nesta Dica do Professor, você vai aprender sobre esse conceito por meio da metodologia do 
Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento do Brasil (ITDP), que desenvolveu uma 
ferramenta capaz de medir a caminhabilidade de um espaço urbano adaptada à realidade brasileira.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/bc35c26592239186a3a947acb30f3f74
Na prática
Algumas cidades modernistas planejadas no período pós segunda guerra possuem características 
que as tornam pouco atrativas para os pedestres – resultado da priorização do transporte por 
veículos automotores. No Brasil, o exemplo mais claro disso é a cidade de Brasília, na qual os 
deslocamentos diários são geralmente feitos por vias de alta velocidade, deixando poucos espaços 
para a vida ao ar livre. Com o passar do tempo, foi necessário adaptá-las às necessidades da 
sociedade do século XXI, como o desejo de se movimentar pela cidade a pé ou de bicicleta.
Acompanhe, Na Prática, mudanças que um arquiteto propôs para as passagens sob o Eixão, a 
principal via de transporte de Brasília, em um concurso promovido pelo governo do Distrito 
Federal. Sua proposta se baseia na priorização dos pedestres frente aos carros, garantindo 
vitalidade e uma boa experiência ao nível dos olhos.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/3cca56f9-42d9-45a7-8dd4-81c902f70c49/037b350f-bc8f-4a9d-8c03-9175dac9491c.jpg
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:Jeff Speck: quatro maneiras de tornar cidades mais 
caminháveis (em inglês)
A caminhabilidade é uma das maneiras que os urbanistas têm para medir o conforto que os 
pedestres sentem nas cidades. Para melhorar esse índice, podem ser utilizadas estratégias de 
desenho. A seguir, confira uma palestra do urbanista Jeff Speck, que apresenta o conceito de 
caminhabilidade, junto a algumas estratégias para tornar as cidades mais atrativas para quem 
caminha. Ative as legendas em Português.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
7 cidades que transformaram seus rios em novos atrativos 
urbanos
Muitas vezes, o trabalho dos urbanistas reside na transformação de centros urbanos consolidados. 
Atualmente, uma das frentes mais atrativas para o trabalho é a revitalização dos cursos d'água que 
correm por cidades. Neste artigo, Constanza Martínez Gaete demonstra exemplos de intervenções 
urbanas bem-sucedidas em cidades com rios. Boa leitura.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Carros versus pedestres: entrevista exclusiva com Janette Sadik-
Khan
A cidade de Nova Iorque é um dos exemplos mais bem-sucedidos de espaço urbano qualificado 
para pedestres, com transporte público de qualidade e calçadas confortáveis. A seguir, confira uma 
https://www.youtube.com/embed/6cL5Nud8d7w
https://www.archdaily.com.br/br/794544/7-cidades-que-estao-transformando-seus-rios-em-novos-atrativos-urbanos
entrevista com a secretária de transportes de Nova Iorque, que mostra as ações da cidade para 
melhorar a mobilidade.
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Cidade, centralidade e configuração
Neste seminário, você vai ver ideias e conteúdos bem interessantes sobre cidades, centralidade e 
suas configurações, que ajudam a enxergar os espaços e as cidades de outra maneira.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://caosplanejado.com/carros-vs-pedestres-entrevista-exclusiva-com-janette-sadik-khan/
https://www.youtube.com/embed/mAmxhUHcsG0
A dimensão humana e os sentidos 
de escala
Apresentação
As cidades antigas surgiram, cresceram e se modificaram gradualmente ao longo de séculos, 
sempre de maneira lenta e orgânica, respeitando 
as dimensões otimizadas para os seres humanas. A necessidade de crescimento rápido que a 
revolução industrial trouxe às cidades fez com que fosse preciso criar novos bairros rapidamente, 
algumas vezes sem muito sucesso, uma vez que a escala humana acabou ficando sem prioridade 
nesses planos.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você entenderá porque a escala humana deve ser o principal guia 
para a criação de formas urbanas. 
Para tanto, conhecerá diferentes escalas de percepção do espaço, dependendo do nível de 
intimidade entre os envolvidos. Finalmente, 
verá alguns exemplos de projetos urbanos que utilizam a escala 
humana de maneira correta.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer a escala humana como geradora da forma urbana.•
Demonstrar as diferentes escalas de percepção.•
Exemplificar o bom uso da escala humana.•
Infográfico
As interações entre os seres humanos são otimizadas de acordo com 
a distância entre os participantes. Para que elas possam acontecer 
em toda sua potencialidade, é necessário que os espaços em que 
essas conversas acontecem sejam dimensionados de acordo com 
o tipo de interação.
Neste infográfico, você conhecerá quatro diferentes escalas de interação, desde as mais íntimas, 
em que é possível que os participantes se toquem, até a pública, em que as pessoas podem se 
sentir à vontade com estranhos. 
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/89679d24-27f7-41cc-b3e6-4b408f2cf743/362d12b6-d9de-4e62-9652-f277cbc21efa.jpg
Conteúdo do livro
A escala humana esteve presente na evolução das antigas cidades, uma vez que seu crescimento 
ocorria de modo lento e orgânico, modificando-se ao longo dos séculos para abrigar novas funções. 
Com a necessidade de novos bairros e cidades, tornou-se necessário aos planejadores o 
conhecimento das dimensões otimizadas para cada tipo de atividade.
No capítulo, A dimensão humana e os sentidos de escala, da obra, Estudo da cidade, você entenderá 
como a escala humana pode ser utilizada como geradora das formas da cidade, por meio do 
conhecimento das diferentes escalas de percepção do espaço. Poderá, finalmente, conhecer alguns 
exemplos do uso da escala humana em projetos urbanos.
Boa leitura. 
ESTUDO 
DA CIDADE 
Anna Carolina Manfroi Galinatti
A dimensão humana 
e os sentidos de escala
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Reconhecer a escala humana como geradora da forma urbana.
  Demonstrar as diferentes escalas de percepção.
  Exemplificar o bom uso da escala humana.
Introdução
As cidades surgiram há cerca de 5 mil anos graças à agricultura, que 
permitiu que as populações se mantivessem por bastante tempo em 
um mesmo local. De modo geral, até a Revolução Industrial, as cidades 
cresceram de maneira lenta em resposta a necessidades reais. Entretanto, 
o aumento exponencial das cidades a partir do século XIX fez com que 
fosse necessária a criação de novos centros que, em alguns casos, igno-
raram a escala humana para dar lugar à otimização do tráfego veicular.
Neste capítulo, você entenderá por que as cidades devem ser criadas 
a partir das dimensões do ser humano e de suas escalas de percepção 
do espaço, respeitando as diferentes zonas de intimidade. Também co-
nhecerá alguns exemplos bem-sucedidos de projetos urbanos que têm 
por princípio o respeito à escala humana.
1 Escala humana como geradora 
da forma urbana
Os seres humanos iniciaram a sua caminhada em direção à sedentarização 
ao mesmo tempo em que as técnicas de cultivo de alimentos permitiram a 
Revolução Agrícola há cerca de 10 mil anos (HARARI, 2015). O cultivo do 
solo levou ao crescimento dos agrupamentos humanos, que já contavam com 
ferramentas para colaborarem entre si. Harari (2015) afi rma que as primeiras 
cidades, no entanto, surgiram apenas por volta do ano 3000 a.C., como resultado 
da complexidade dos agrupamentos iniciais dessas sociedades primitivas. Ao 
agrupar em um mesmo espaço uma grande quantidade de pessoas, as cidades 
permitiram a especialização das ocupações humanas, levando à divisão do 
trabalho que conhecemos hoje.
O historiador italiano Leonardo Benevolo apresenta a cidade não como 
uma aldeia que cresceu, mas como uma nova categoria espacial derivada das 
possibilidades surgidas nos grandes agrupamentos humanos. Em seu livro 
História da cidade, Benevolo (2015, p. 23) afirma que a cidade: 
[…] nasce da aldeia, mas não é uma aldeia que cresceu. Ela se forma […] quando 
as indústrias e os serviços já não são executados pelas pessoas que cultivam 
a terra, mas por outras que não têm esta obrigação, e que são mantidas pelas 
primeiras com o excedente do produto total.
As cidades, portanto, se formaram de maneira lenta, gradual e orgânica, 
absorvendo em seu desenho as necessidades imediatas dos moradores. Ao 
longo dos séculos, a evolução dos centros urbanos permitiu que soluções menos 
adequadas fossem naturalmente eliminadas com o passar dos anos, enquanto 
aquelas soluções que se provaram úteis e confortáveis são replicadas e mantidas 
por diversas gerações. O resultado são cidades eficientes e otimizadas para as 
funções que permanecem por bastante tempo. No entanto, são espaços pouco 
flexíveis, que admitem poucas mudanças rápidas. O crescimento dessas cidades 
também é limitado, uma vez que a evolução dessas áreas é gradual e lenta.
Esse limitante levou ao surgimento do planejamento urbano: a necessidade 
de criar dispositivos que garantamo crescimento ordenado e controlado das 
cidades em intervalos de tempo mais curtos. Esse processo foi acentuado após a 
Revolução Industrial, período em que uma quantidade significativa de pessoas 
fez o deslocamento do campo para as cidades, levando ao rápido aumento 
populacional e ao surgimento de inúmeros problemas sociais e sanitários.
O escritor britânico Charles Dickens é conhecido mundialmente por ser 
um dos mais fiéis narradores da situação das cidades europeias no período 
A dimensão humana e os sentidos de escala2
Pós-Revolução Industrial, narrando os problemas enfrentados pela classe 
trabalhadora em Londres. Em seu livro Grandes Esperanças, publicado em 
1860, o inglês descreve Londres como uma cidade feia, torta, estreita e suja 
(DICKENS, 2012). A Figura 1 traz uma representação da habitação da classe 
trabalhadora londrina nesse período.
Figura 1. Cortiços de Londres: gravura de Gustave Dore (1850).
Fonte: Everett Historical/Shutterstock.com.
O saneamento dessas mazelas levou ao planejamento sanitarista do final do 
século XIX, que tem como exemplo máximo as reformas realizadas por Haus-
smann em Paris, posteriores ao planejamento urbano moderno preconizado 
por Le Corbusier no período entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. 
Tanto o modelo sanitarista quanto o urbanismo modernista tinham como base 
um projeto fundamentado em um planejamento que inicia em macroescala, 
delimitando os grandes eixos e zonas antes de compreender a relação dos 
moradores com o espaço da cidade. O resultado, em muitos casos, foram 
cidades ou regiões onde os deslocamentos diários a pé eram desencorajados, 
e a vivência urbana foi prejudicada pela falta de atrativos.
Na segunda metade do século XX, teve início uma série de movimentos 
críticos ao planejamento moderno, entendido então como prescritivo e desatento 
3A dimensão humana e os sentidos de escala
à vida dos moradores das cidades. O planejamento urbano assumiu uma posição 
oposta àquela praticada até então: as primeiras decisões do plano deveriam ser 
pautadas pela vida diária dos usuários, na escala dos moradores, e não em planos 
e grelhas abstratas que pouca relação mantêm com a realidade da vida urbana.
O urbanista dinamarquês Jan Gehl chamou de “síndrome de Brasília” o 
conjunto de efeitos nocivos que o planejamento urbano moderno trouxe às 
cidades. Segundo Gehl (2010), esse tipo de planejamento é feito “de cima 
e de fora”, alcançando desenhos bonitos quando vistos de um satélite, mas 
que resultam em espaços demasiadamente grandes para serem percebidos 
pelas pessoas que o habitam. A Figura 2 mostra como Brasília apresenta uma 
geometria interessante e agradável vista de cima.
Figura 2. Brasília vista do alto de uma torre de telefonia.
Fonte: mbastosbr/Pixabay.com.
Gehl (2010, p. 194, tradução nossa) critica que, ao contrário da vista aérea, 
ao nível do pedestre, a cidade fica pouco convidativa e sem atrativos para quem 
está caminhando: “A paisagem humana de Brasília é uma falha objetiva. Os 
espaços urbanos são muito grandes e majoritariamente pouco convidativos, 
muito longos, retos e desinteressantes; além disso, carros estacionados impedem 
caminhadas agradáveis nas outras partes da cidade”.
Na Figura 3, é possível observar algumas imagens selecionadas por Gehl 
(2010) para ilustrar o seu argumento.
A dimensão humana e os sentidos de escala4
Figura 3. Paisagem de Brasília vista por um pedestre.
Fonte: Gehl (2010, p. 194).
Gehl (2010) defende que o planejamento urbano seja feito levando em conta 
três momentos distintos e sucessivos: primeiramente, a vida, depois, os espaços 
e, por fim, os edifícios. Desse modo, a vitalidade da cidade, atrelada diretamente 
à quantidade de pessoas circulando, é o ponto de partida para a criação de espa-
ços agradáveis que, finalmente, definirão onde serão implantados os edifícios. 
2 Escalas de percepção
As cidades tradicionais são o resultado da evolução lenta e constante ao longo 
dos anos, e esse tipo de crescimento leva a espaços urbanos otimizados para 
as funções que são mais necessárias. No entanto, quando é preciso fazer uma 
cidade nova, ou expandir uma cidade já existente com um loteamento novo, 
é necessário empregar estratégias de projeto que atinjam resultados similares 
aos da evolução ao longo das décadas.
Em seu livro Cidades para pessoas (2010), Jan Gehl postula que, ao con-
trário do que foi praticado em grande parte do século XX, o ponto ideal para 
iniciar o projeto de cidades é a mobilidade dos sentidos humanos “[…] porque 
estes dão a base biológica para as atividades, comportamento e comunicação 
no espaço urbano” (GEHL, 2010, p. 33, tradução nossa). Logo, o entendimento 
das relações dimensionais é essencial para o bom desenho de cidades.
A percepção visual é apontada por Gehl (2010) como um dos sentidos mais 
evoluídos, responsável por grande parte da apreensão do espaço urbano pelas 
pessoas. Como a visão é um dos sentidos distantes — ao contrário do tato e do 
5A dimensão humana e os sentidos de escala
paladar, visão, audição e olfato prescindem de contato físico –, nossos corpos 
evoluíram para perceber objetos a distâncias consideráveis. Por exemplo, uma 
pessoa pode ser vista a mais de 100 metros de distância, mas a imagem será 
apenas uma silhueta, sendo impossível distinguir expressões faciais. Apenas 
quando estamos a 50 metros de outra pessoa é que conseguimos ouvir gritos, e 
são necessários 35 metros para podermos compreender a fala em volume alto. 
Conversas, no entanto, só podem acontecer a menos de 10 metros, distância 
que também permite distinguir expressões faciais detalhadas. A Figura 4 
mostra uma comparação de uma pessoa a diferentes distâncias do observador.
Figura 4. Comparação de detalhes percebidos a diferentes distâncias.
Fonte: Gehl (2010, p. 34).
A dimensão humana e os sentidos de escala6
Em resumo, Gehl (2010, p. 35, tradução nossa) observa que: 
Pouca coisa é percebida em distâncias entre 100 e 25 metros, depois disso a 
riqueza de detalhes e comunicação se intensifica dramaticamente metro por 
metro. Finalmente, entre sete e zero metros, todos os sentidos podem ser uti-
lizados, todos os detalhes percebidos e os mais intensos sentimentos trocados.
Um modelo claro dessa escala de percepção são as praças, cujos melhores 
exemplos apresentam dimensões dentro do domínio de 100 por 25 metros, 
suficientemente pequenas para que uma pessoa seja vista ao longe e, ao mesmo 
tempo, grande o bastante para que diversos grupos possam conviver a dis-
tâncias que permitam a conversa entre si. A Figura 5 traz a praça São Marco, 
em Veneza, onde é possível observar diversos grupos de pessoas separados 
de modo a garantir privacidade.
 Figura 5. Praça São Marco (Veneza).
Fonte: StockSnap/Pixabay.com.
7A dimensão humana e os sentidos de escala
Entre as escalas que permitem troca de informação entre pessoas, Ching 
e Binggeli (2019) citam três diferentes zonas que variam de maior a menor 
intimidade. Essas zonas são relativas às distâncias que as pessoas se sentem à 
vontade para conviver com outros. Na Figura 6, observe como essa dimensão 
varia desde relações de grande intimidade até uma distância pública.
Figura 6. Zonas de intimidade.
Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 56).
Portanto, a distância entre o observador e outras pessoas modifica a percep-
ção e as possibilidades de contato entre eles. Essa distância pode ser calibrada 
no desenho dos espaços urbanos, permitindo, como no exemplo da Praça São 
Marco, diferentes escalas de percepção em um mesmo espaço. 
3 Exemplos de uso adequado da escala humana
As cidades projetadas ou adaptadas para responder positivamente à escala 
humana são mais agradáveis para todas as pessoas que transitam por suas 
ruas. O resultado dessa preocupação é o aumento da quantidade de pessoas 
circulando, que resulta em uma melhor percepção de segurança e bem-estar 
para todos.
A dimensão humana e os sentidos de escala8
Uma cidade conhecida mundialmente como exemplo de adaptaçãobem-
-sucedida é Copenhague, capital da Dinamarca. A cidade recebe projetos de 
melhoria urbana desde os anos de 1960, com foco no conforto de pedestres e 
ciclistas, objetivando o aumento da quantidade de pessoas circulando pelas 
ruas de seu centro histórico. A Figura 7 apresenta um gráfico que demonstra o 
aumento na quantidade de atividades nas ruas da cidade ao longo das décadas.
Figura 7. Atividades ao ar livre em Copenhague.
Fonte: Gehl (2010, p. 12).
Segundo Gehl (2010), de 1962 a 2005, a área dedicada a pedestres e vida 
urbana no centro de Copenhague cresceu sete vezes, aumentando de 15 para 
100 mil m2 no período. A consequência foi o aumento exponencial de pessoas 
circulando a pé pelas ruas. Uma das estratégias adotadas pela cidade escandi-
nava foi o encorajamento de fachadas ativas, onde atividades internas podem 
ser vistas do exterior e vice-versa. Segundo Gehl (2010, p. 79, tradução nossa):
Na frente de fachadas abertas e ativas, existe uma tendência perceptível de 
os pedestres diminuírem a velocidade e olharem para as fachadas. […] É 
possível demonstrar que, com a mesma quantidade de pessoas nos segmentos 
ativos ou não da rua, a quantidade de pessoas que param na frente de fachadas 
ativas é sete vezes maior.
O parque Domino, em Nova York, projetado pelo escritório James Corner 
Field Operations, é um bom exemplo de como um grande espaço urbano 
pode ser dividido em zonas menores adequadas à escala humana (PINTOS, 
2019). Trata-se de um grande parque às margens de um rio, onde os arquitetos 
criaram uma série de praças menores, cada uma com sua função específica, 
como você pode ver na Figura 8.
9A dimensão humana e os sentidos de escala
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A dimensão humana e os sentidos de escala10
Na Figura 9, observe como uma grande quantidade de atividades distintas 
acontece simultaneamente nesse espaço urbano. No primeiro plano, é possível 
ver pais com filhos fazendo refeições junto a um degrau enquanto observam 
outras crianças brincando próximo aos chafarizes. Atrás desse espaço, junto ao 
rio, outro conjunto de pessoas está sentada em bancos visualizando a paisagem.
Figura 9. Cena do Parque Domino (Nova York).
Fonte: Doherty (2018).
O Parque Domino é um exemplo claro de como um espaço grande pode ser 
subdividido em zonas menores adequadas às diferentes escalas de percepção 
humana. A seguir, analisaremos um pequeno projeto de intervenção urbana 
em São Paulo, realizado pelo escritório Zoom. Trata-se da “Calçada de todas 
as cores”, projeto de qualificação de uma passagem urbana no centro da maior 
cidade brasileira (PEREIRA, 2019). O projeto consiste na criação de espaços 
de interesse ao longo do passeio público, possibilitando que diferentes ativi-
dades aconteçam simultaneamente pela calçada. A Figura 10 mostra como o 
desenho da calçada se abre em diferentes pontos para abrigar as atividades, 
com arquibancadas e jardins. 
11A dimensão humana e os sentidos de escala
Figura 10. Calçada de todas as cores.
Fonte: Adaptada de Zoom Urbanismo Arquitetura e Design e Lao Engenharia & Design (2018).
O resultado são espaços urbanos convidativos que, por seu interesse in-
trínseco, levam as pessoas a permanecerem neles e a assistirem atividades 
externas, como apresentações artísticas ou até mesmo outras pessoas que 
transitam pelo espaço. A Figura 11 traz um desses espaços de permanência, 
uma arquibancada semicoberta. É possível observar pelo menos dois grupos 
distintos de usuários utilizando o espaço ao mesmo tempo.
A dimensão humana e os sentidos de escala12
Figura 11. Usuários da “Calçada de todas as cores”.
Fonte: Eiko (2018).
O desenho para a escala humana pode parecer um conceito complicado 
inicialmente. No entanto, ao observar a maneira como as pessoas ocupam de 
modo natural os espaços da cidade, é possível encontrar padrões de uso que 
podem ser potencializados pelo desenho urbano. Assim, cidades agradáveis 
para os pedestres tendem a atrair mais pessoas para as calçadas o que, por 
sua vez, aumenta a sensação de segurança de todos.
13A dimensão humana e os sentidos de escala
BENEVOLO, L. História da cidade. São Paulo: Perspectiva, 2015.
CHING, F. D. K.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. 4. ed. Porto Alegre: Book-
man, 2019.
DICKENS, C. Grandes esperanças. São Paulo: Penguin; Companhia das Letras, 2012.
DOHERTY, B. Parque Domino. 2018. 1 fotografia. Disponível em: https://www.archdaily.
com.br/br/917748/parque-domino-james-corner-field-operations/5ca8cfc4284dd113c
9000bc4-domino-park-james-corner-field-operations-photo. Acesso em: 03 fev. 2020.
EIKO, S. Calçada de todas as cores. 2018. 1 fotografia. Disponível em: https://www.
archdaily.com.br/br/912054/calcada-de-todas-as-cores-zoom-urbanismo-arquitetura-
-e-design-plus-lao-engenharia-and-design/5c703638284dd1facd00015c-calcada-de-
-todas-as-cores-zoom-urbanismo-arquitetura-e-design-plus-lao-engenharia-and-
-design-foto. Acesso em: 03 fev. 2020.
GEHL, J. Cities for people. Washington: Island Press, 2010.
HARARI, Y. N. Sapiens: uma breve história da humanidade. Porto Alegre: L&PM, 2015.
JAMES CORNER FIELD OPERATIONS. Parque Domino: planta baixa. 2018. 1 imagem 
de planta arquitetônica. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/917748/
parque-domino-james-corner-field-operations/5ca8cfea284dd1149400003d-domino-
-park-james-corner-field-operations-plan. Acesso em: 03 fev. 2020.
PEREIRA, M. Calçada de todas as cores: Zoom Urbanismo Arquitetura e Design e Lao 
Engenharia & Design. 2019. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/912054/
calcada-de-todas-as-cores-zoom-urbanismo-arquitetura-e-design-plus-lao-engenha-
ria-and-design. Acesso em: 03 fev. 2020.
PINTOS, P. Parque Domino: James Corner Field Operations. 2019. Disponível em: https://
www.archdaily.com.br/br/917748/parque-domino-james-corner-field-operations. 
Acesso em: 03 fev. 2020.
ZOOM URBANISMO ARQUITETURA E DESIGN; LAO ENGENHARIA & DESIGN. Calçada de 
todas as cores: axonométrica. 2018. 1 imagem de projeção axonométrica. Disponível em: 
https://www.archdaily.com.br/br/912054/calcada-de-todas-as-cores-zoom-urbanismo-
-arquitetura-e-design-plus-lao-engenharia-and-design/5c70350f284dd1facd000156-
-calcada-de-todas-as-cores-zoom-urbanismo-arquitetura-e-design-plus-lao-engenha-
ria-and-design-axonometrica. Acesso em: 03 fev. 2020.
A dimensão humana e os sentidos de escala14
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
15A dimensão humana e os sentidos de escala
Dica do professor
O dimensionamento das cidades, tanto de suas edificações quanto de seus espaços abertos, 
impacta diretamente no cotidiano dos usuários. 
A proximidade da cidade com a escala dos usuários, a escala humana, tem sido cada vez mais 
defendida pelos urbanistas contemporâneos, que procuram incentivar o desenvolvimento de 
espaços saudáveis e seguros para a convivência.
 
Na Dica do Professor, você verá a importância do adequado dimensionamento das cidades, 
identificando alguns pontos 
nos quais a escala pode ser facilmente observada e que exercem influência no uso do espaço. 
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
 
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/dcdb1919c1ebcd8ff41bebb4b9121b4b
Na prática
As cidades brasileiras apresentam diversos atributos complexos 
no tocante a interfaces entre patrimônio histórico e hábitos 
populares. Em muitos casos, é preciso trabalhar de maneira 
pontual e precisa para acomodar todasas expectativas sem 
prejudicar o patrimônio construído.
Veja, Na Prática, o projeto da Ladeira da Barroquinha, do escritório paulista Metro Associados, 
construído em Salvador. Trata-se de uma passagem de pedestres com declive acentuado de 
terreno. Os arquitetos utilizaram um sistema de escadas, patamares e rampas para adequar esse 
espaço à escala humana, sem prejudicar o funcionamento do comércio local e melhorando a relação 
com o patrimônio histórico.
 
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Jane Jacobs e a humanização da cidade
A humanização das cidades tem sido um fenômeno bastante discutido entre os urbanistas 
contemporâneos, e está relacionado em tornar os espaços adequados aos usuários. Neste artigo, o 
arquiteto Martín Marcos discorre a respeito do trabalho da jornalista Jane Jacobs e da sua relação 
com a humanização das cidades.
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O urbanismo se paga?
Questões como o design dos espaços e a integração urbana entre o público e o privado são 
considerados valores intangíveis para o mercado financeiro. No entanto, seu valor econômico é 
perceptível, na medida em que ele valoriza os ativos imobiliários por meio da diferenciação. Confira 
este artigo de Rafael Birmann a respeito dos benefícios de investir em qualidade urbana em novos 
empreendimentos.
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https://portal.aprendiz.uol.com.br/2018/07/24/jane-jacobs-e-humanizacao-da-cidade/
https://caosplanejado.com/o-urbanismo-se-paga/
Análise da cidade contemporânea
Apresentação
O planejamento urbano torna-se cada vez mais importante para garantir a sustentabilidade do 
planeta, visto que a maior parte da população habita cidades pouco ou mal planejadas. Os 
resultados são o crescente número de mortes e doenças causadas pela poluição ambiental dos 
centros urbanos, que poderiam ser consideravelmente minimizados se houvesse um planejamento 
efetivo na constituição dessas cidades.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você será apresentado a exemplos de cidades construídas do 
zero na China, com maior ou menor grau de sucesso. Também poderá entender quais são os 
principais desafios ambientais das cidades contemporâneas e como algumas localidades européias 
solucionaram seus problemas a partir do investimento em um planejamento a longo prazo.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer as novas cidades chinesas.•
Identificar os desafios ambientais das grandes cidades.•
Exemplificar boas soluções de urbanismo contemporâneo.•
Infográfico
Um dos maiores desafios ambientais das grandes cidades é o desenvolvimento do transporte 
saudável. Ainda que o deslocamento a pé ou através de meios de transporte mais sustentáveis, 
como a bicicleta, esteja sendo bastante incentivado atualmente, ainda observa-se, na grande 
maioria do países, a priorização dos veículos motorizados individuais em detrimento do demais 
meios de transporte. 
No Infográfico a seguir, você identificará os problemas associados ao transporte urbano e as 
principais tendências de transporte no mundo, analisando a diferenças entre cidades com baixa, 
média e alta renda.
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Conteúdo do livro
Um dos maiores desafios da contemporaneidade é a criação de cidades mais sustentáveis, as 
quais possam abrigar uma crescente população urbana sem causar problemas ambientais que 
devastam o ecossistema e levam à morte de um número cada vez maior de pessoas e espécies.
No Capítulo Análise da cidade contemporânea, da obra Estudo da Cidade, você verá como os 
desafios ambientais contemporâneos estão diretamente ligados ao planejamento urbano e como o 
trabalho sério e continuado feito em algumas cidades ajudou a aliviar os efeitos negativos do 
aumento da densidade populacional. Também irá observar como o crescimento exponencial da 
população na China levou à construção rápida de cidades onde antes não havia urbanização.
Boa leitura.
ESTUDO DA 
CIDADE 
Anna Carolina Manfroi Galinatti 
Análise da cidade 
contemporânea
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Reconhecer as novas cidades chinesas.
  Identificar desafios ambientais nas grandes cidades.
  Exemplificar boas soluções de urbanismo contemporâneo.
Introdução
As cidades de hoje abrigam mais de 50% da população mundial, refle-
tindo uma mudança de paradigma inédita na história humana. Por causa 
disso, torna-se essencial o estudo e entendimento do funcionamento 
desses organismos complexos, para que o planejamento urbano seja 
feito de maneira efetiva e sustentável, garantindo a saúde e o bem-estar 
da população.
Neste capítulo, você conhecerá algumas experiências de planeja-
mento urbano em larga escala na China que acabaram não atingindo 
o seu potencial. Também será capaz de comparar esses exemplos aos 
bem-sucedidos planos de longo prazo de algumas cidades europeias 
para satisfazer os desafios ambientais da cidade contemporânea.
1 Cidades-fantasma na China contemporânea
Uma das principais motivações que trazem as pessoas às cidades é a expectativa 
de uma vida melhor. Seja por melhores condições de emprego, maior oferta 
de moradia ou facilidade em obter educação, as cidades concentram mais 
oportunidades em várias áreas das necessidades humanas quando comparadas 
com o ambiente rural. Essa grande promessa fez com que mais da metade 
da população mundial ocupasse áreas urbanas, de acordo com o relatório da 
Organização das Nações Unidas de 2018 (THE SPEED of urbanization ..., 
2018) — na década de 1950, esse percentual era de 30%. Esse é o resultado 
da inclinação humana em buscar o melhor para si e para sua família.
A diáspora rural, como é conhecido o movimento de abandono do campo 
em direção às cidades em busca de condições melhores de vida, geralmente, 
tem como destino os grandes centros urbanos já desenvolvidos. É nessas 
cidades que está a maior parte das oportunidades de trabalho com poder de 
transformar a vida dos antigos camponeses. No Brasil, o termo retirante (Figura 
1) foi utilizado na primeira metade do século XX para designar os habitantes 
da região Nordeste do país que abandonaram a sua terra fugindo da seca. Seu 
destino principal foram as grandes cidades do Sudeste brasileiro, em especial, 
Rio de Janeiro e São Paulo. Esse fenômeno foi um dos grandes responsáveis 
pelo aumento exponencial que esses centros tiveram no período pós-guerra.
Figura 1. Retirantes, obra de Candido Portinari (1944).
Fonte: Musa (1962).
Análise da cidade contemporânea2
A China passou por um processo semelhante ao final do século XX, 
quando uma grande quantidade de moradores das regiões rurais do país 
migrou para as cidades em busca de oportunidades de trabalho na indústria, 
que havia se desenvolvido fortemente com a abertura do mercado econômico 
do gigante asiático. A maioria dos aparatos eletrônicos e industrializados 
do mundo é fabricada na China, o que exige uma quantidade considerável 
de mão de obra.
O crescimento da população urbana na China aconteceu em um ritmo 
vertiginoso. Se a população urbana era de 26% em 1990, em 2014, os chineses 
que moravam em cidades correspondiam a quase 55% do total da população 
(CHINA urban population, c2020). Esse aumento de 100% seria impressionante 
em qualquer país, contudo, com uma população de mais de um bilhãode 
pessoas, um aumento de 29% corresponde a, aproximadamente, 300 milhões 
de pessoas, ou seja, mais do que a população de todos os países do mundo, 
com exceção de China, Índia e Estados Unidos.
O crescimento da população urbana levou ao aumento do poder de compra 
das famílias de classe média chinesas que, na falta de opções de investi-
mento e de um sistema bancário transparente, tendem a investir em imóveis 
(CALTHORPE, 2013). Esse fato, somado à política expansionista do governo 
daquele país, levou à construção de grandes loteamentos nos arredores das 
cidades existentes.
Segundo Calthorpe (2013), o governo chinês planeja abrigar 250 milhões 
de novos moradores de cidades entre 2010 e 2030 e, para isso, será necessário 
construir uma infraestrutura urbana capaz de receber esse considerável contin-
gente humano. Uma das alternativas encontradas para financiar essa expansão 
foi a eliminação dos impostos sobre propriedades, tornando o investimento 
em imóveis ainda mais atrativo para a classe média chinesa, que pode comprar 
apartamentos sem se preocupar em pagar imposto sobre eles.
A Paris chinesa foi um caso que ficou conhecido mundialmente. Esse 
loteamento, chamado Tianducheng, foi construído na província de Zhejiang, no 
entorno da cidade de Hangzhou. Na região, grandes edifícios foram constru-
ídos com até 700 unidades com fachadas que simulam as da capital francesa. 
Embora tenha capacidade para receber centenas de milhares de moradores, o 
loteamento conta com pouco mais de dois mil habitantes. A Figura 2 mostra 
o distrito de Tianducheng em 2013.
3Análise da cidade contemporânea
Figura 2. Tianducheng — a Paris Chinesa.
Fonte: Baratto (2013, documento on-line).
A necessidade de abrigar grande quantidade de pessoas leva à construção 
de loteamentos com características, muitas vezes, antagônicas aos preceitos 
das cidades agradáveis para os pedestres. Calthorpe (2013) destaca que um 
dos maiores problemas das novas cidades chinesas é que, por seu projeto, 
dificilmente elas se tornarão centros urbanos efetivos: 
[...] a maior parte dos empreendimentos chineses é feita no modelo de superqua-
dras, com torres em condomínios-parque fechados. As quadras possuem mais 
de quatrocentos metros de largura e geralmente são separadas por vias com oito 
pistas veiculares (CALTHORPE, 2013, documento on-line, tradução nossa). 
Desse modo, mesmo que ocorra a ocupação efetiva das unidades residenciais, 
é provável que as ruas sigam desertas, ocupadas apenas por carros. Exemplos 
ao redor do mundo mostram que cidades onde os deslocamentos a pé não são 
facilitados tornam-se menos seguras e menos atrativas.
Os exemplos chineses demonstram a dificuldade em criar espaços urbanos 
do zero para grandes populações. Criar habitação para centenas de milhares de 
pessoas é um enorme desafio urbanístico porque parte das características que 
tornam os centros urbanos atrativos e seguros é justamente o seu crescimento 
orgânico, variedade de usos e idade dos edifícios, atributos que são muito 
difíceis de criar em cidades novas. 
Análise da cidade contemporânea4
2 Desafios ambientais nas grandes cidades
As cidades de hoje são habitadas por mais da metade da população mundial. 
Embora o cidadão de uma cidade ocupe relativamente menos área que os 
moradores das zonas rurais, os gastos energéticos presentes na vida urbana são 
muito maiores que aqueles das regiões mais afastadas. Isso se deve ao maior 
consumo possibilitado pela vida em centros com densidades altas. 
Segundo a OMS (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE/WORLD 
HEALTH ORGANIZATION — WHO, 2009, documento on-line, tradução 
nossa), uma das razões para os problemas ambientais dos centros urbanos é o 
crescimento não planejado, o que leva a riscos tanto para o meio ambiente quanto 
para a saúde dos habitantes: “[...] com o crescimento das populações, a qualidade 
do ambiente urbano ganhará um papel crescentemente importante na saúde 
pública […] em questões como eliminação de resíduos sólidos, abastecimento 
de água limpa e saneamento”. A qualidade do ambiente urbano pode causar 
problemas de saúde e, em alguns casos, levar à morte. A Figura 3 demonstra 
como as mortes causadas pela poluição das cidades são distribuídas pelo mundo.
Figura 3. Mortes por 1 milhão de habitantes causadas pela poluição.
Fonte: Adaptada de WHO (2009).
Uma das maneiras de mitigar o impacto ambiental dos grandes centros 
urbanos com projetos urbanísticos é o desenvolvimento de infraestrutura 
para uso de modais de transporte menos poluentes, como transporte público 
eficiente e uso de meios de transporte de propulsão humana, como bicicletas. 
5Análise da cidade contemporânea
Segundo a OMS (WHO, 2009, documento on-line, tradução nossa), “[…] o 
transporte é responsável por alguns dos mais sérios danos ambientais e de 
saúde presentes nas cidades”. Portanto, a aplicação de políticas públicas que 
mitiguem esses impactos é de grande importância.
O urbanista dinamarquês Jan Gehl defende em seu clássico livro Cidade 
para Pessoas publicado em 2010 que as cidades devem ser planejadas a partir 
da escala humana, ou seja, suas dimensões e atributos devem ser pensados, 
inicialmente, para satisfazerem uma pessoa caminhando na calçada. Partindo 
desse princípio, os espaços urbanos tendem a se tornar mais animados, seguros 
e, em consequência, menos poluídos. Na macroescala, Gehl (2010) defende 
que as cidades devem ser planejadas com o objetivo de agregar pessoas, ao 
invés de dispersar. Para garantir essa característica, o urbanista lista cinco 
princípios de projeto que facilitam a agregação de pessoas nos espaços públicos. 
A seguir, estão descritos esses princípios (GEHL, 2010).
  Localização: as funções da cidade devem estar a pequenas distâncias 
entre si para garantir uma massa considerável de pessoas e eventos.
  Integração: as funções devem ser integradas para garantir versatili-
dade, riqueza de experiências, sustentabilidade social e sentimento de 
segurança nos bairros.
  Projeto: os espaços urbanos devem ser convidativos e seguros para 
pedestres e ciclistas.
  Abertura: os edifícios devem ser permeáveis para a cidade, permitindo 
que as vidas externa e interna coexistam.
  Permanência: as permanências prolongadas devem ser encorajadas para 
manter movimento constante nas ruas.
Uma vez atendidos os princípios anteriores, é preciso entender como fun-
ciona a relação entre tráfego veicular e qualidade urbana. A OMS (WHO, 2009) 
coloca o transporte como um dos principais contribuidores para a poluição 
das cidades, portanto, a resolução desse problema é essencial para termos uma 
cidade realmente sustentável.
A utilização de modelos centrados no transporte veicular causou grandes 
problemas urbanos, como a abertura de enormes viadutos cruzando as cidades, 
levando à degradação das áreas sob esses equipamentos. Esse foi o caso do 
Elevado Presidente João Goulart, conhecido popularmente como Minhocão, 
localizado no centro de São Paulo. Essa obra foi construída na década de 1970 
para ligar a Praça Roosevelt, no centro da cidade, ao Largo Padre Péricles, 
Análise da cidade contemporânea6
na Barra Funda. O viaduto foi construído muito próximo aos edifícios do 
entorno, causando dois problemas: por um lado, os carros passam a poucos 
metros das janelas dos moradores dos edifícios lindeiros; por outro, o espaço 
sob o viaduto fica totalmente escuro e obstruído, aumentando a sensação de 
insegurança. A Figura 4 aponta o quão próximo aos prédios o viaduto passa.
 Figura 4. Elevado Presidente João Goulart (Minhocão).
Fonte: Lukaaz (2008).
Os problemas do Minhocão foram tão maiores que seus benefícios que no 
Plano Diretor Estratégico de 2016 a cidade optou por transformar a infraes-
trutura em um parque urbano. Atualmente, a circulação de carros no viaduto 
é permitida apenas de segunda à sexta-feira, das 7h às 20h, com exceção 
de feriados. Fora dessa janela, o espaço é ocupado por pedestres, ciclistas e 
atividades culturais.
Parte dos problemas das cidadescontemporâneas é ocasionada por dois 
fenômenos contrastantes: a falta de planejamento, apontada pela OMS (WHO, 
2009) como uma das causas da poluição urbana, e o planejamento centrado no 
carro realizado na metade do século XX, que favoreceu os veículos particulares 
em detrimento ao uso de modais mais sustentáveis. 
7Análise da cidade contemporânea
3 Soluções de urbanismo contemporâneo
O urbanismo contemporâneo tem como foco o conforto dos usuários. Grande 
parte dos esforços de projeto visa à qualidade do espaço urbano para os pe-
destres, pois, como afi rma Jacobs (2009), a presença de pessoas nas ruas é a 
maior geradora de vitalidade e segurança. Segundo Caccia e Pacheco (2019), 
a caminhabilidade, ou facilidade do pedestre em se locomover utilizando 
apenas o próprio corpo, é um dos fatores que mais infl uencia a presença ou 
não de pessoas nas calçadas. As autoras destacam dois pontos principais para 
garantir um índice de caminhabilidade satisfatório: “[...] o primeiro ponto a ser 
observado é a possibilidade de acessar, caminhando, áreas de lazer, comércio 
e entretenimento, como parques, lojas, restaurantes, museus, entre outras 
atividades sociais e culturais que as cidades oferecem” (CACCIA; PACHECO, 
2019, documento on-line).
O acesso às funções urbanas vai ao encontro dos princípios de agregação 
citados por Jan Gehl (2010), que coloca a integração de usos e permeabi-
lidade de fachadas como atributos importantes da vitalidade. O segundo 
ponto das autoras leva em conta o caminho percorrido: “[...] nesse sentido, 
a percepção que temos do ato de caminhar — nossa predisposição para 
optar por essa forma de deslocamento em detrimento de outras — também 
está intimamente ligada à qualidade das calçadas” (CACCIA; PACHECO, 
2019, documento on-line).
Assim, em uma cidade onde as calçadas são projetadas pensando no 
pedestre, estas devem ser confortáveis e trazer atrativos ao longo do des-
locamento. O grande pulo de qualidade urbana ocorre quando o caminho 
do ponto A para o ponto B torna-se tão interessante quanto o destino que 
o pedestre deseja alcançar. Desse modo, quem caminha tende a se deslocar 
mais lentamente, aumentando o tempo de permanência na rua e, conse-
quentemente, a sensação de segurança do espaço urbano. Os exemplos mais 
bem-sucedidos de cidades onde o pedestre é o protagonista estão na Europa, 
com destaque para os países nórdicos, como Dinamarca e Finlândia. Essas 
regiões realizaram planos urbanísticos focados em sustentabilidade desde 
1960, quando a maioria dos países ainda estava apostando na construção de 
infraestrutura urbana para o transporte veicular.
Análise da cidade contemporânea8
Copenhague (Dinamarca)
Copenhague é um dos exemplos mais conhecidos quando o assunto é ur-
banismo sustentável. A capital dinamarquesa teve seu primeiro projeto de 
humanização do espaço urbano ainda na década de 1960, período a partir do 
qual a cidade focou o uso da bicicleta como meio de transporte metropolitano 
por excelência. A infraestrutura urbana de qualidade para ciclistas permite 
que até mesmo pais com fi lhos pequenos possam utilizar as bicicletas para 
o transporte urbano.
O urbanista Jan Gehl (2010) trabalhou nos planos urbanos de Copenhague. 
Caccia e Pacheco (2019, documento on-line) sintetizam as preocupações 
do planejamento de Copenhague da seguinte forma: “[...] a priorização do 
pedestre, dos trajetos a pé e da mobilidade ativa é um dos primeiros passos 
para melhorar a mobilidade, equilibrar a distribuição do espaço e construir 
uma cidade mais justa para as pessoas”.
Helsinque (Finlândia)
Outra cidade escandinava que merece menção é Helsinque, na Finlândia, 
onde o planejamento urbano segue a lógica de “[…] quanto mais pessoas na 
cidade, menos carros serão permitidos nas ruas” (CACCIA; PACHECO, 2019, 
documento on-line). Essa afi rmação está contida em um plano urbanístico 
que pretende densifi car os bairros enquanto aumenta a caminhabilidade e a 
conexão entre eles até 2050. 
Zurique (Suíça)
Em Zurique, os deslocamentos diários são divididos em três grupos principais, 
cada um correspondente a um terço dos habitantes: ciclistas e pedestres, 
motoristas de carros individuais e usuários de transporte público. Esse fato é 
refl exo do planejamento urbano multimodal e integrado, que permite que os 
habitantes utilizem mais de um modo de transporte de maneira confortável 
e efi ciente. Na Figura 5, é possível observar como é a divisão entre os tipos 
de transporte em Zurique.
9Análise da cidade contemporânea
Figura 5. Modais de transporte em Zurique.
Fonte: Physical Activity Through Sustainable Trans-
port Approaches — PASTA (2017, documento on-line).
A realidade atual da cidade suíça é reflexo de um planejamento em prática 
desde 1996, quando foi abolida a criação de novos estacionamentos, onde é 
permitida apenas a substituição de garagens já existentes, “[...] desde então, 
grande parte dos estacionamentos construídos foi colocada abaixo do nível do 
solo, e o espaço desocupado na superfície foi destinado à criação de praças, 
espaços públicos e zonas exclusivas para os pedestres” (CACCIA; PACHECO, 
2019, documento on-line).
O planejamento urbano é parte importante da qualidade de vida da po-
pulação mundial. Atualmente, as cidades são o habitat de mais da metade 
das pessoas e, portanto, mudanças urbanas têm o poder de afetar um número 
considerável de pessoas. Se o planejamento chinês leva à construção de grandes 
cidades que acabam abandonadas, os exemplos de planejamento a longo prazo 
de algumas cidades europeias podem servir de modelo para possíveis soluções 
para os problemas ambientais contemporâneos.
Análise da cidade contemporânea10
BARATTO, R. Uma Paris fantasma na China. 2013. Disponível em: https://www.archdaily.
com.br/br/01-133307/uma-paris-fantasma-na-china. Acesso em: 23 jan. 2020.
CACCIA, L.; PACHECO, P. 5 exemplos de caminhabilidade. 2019. Disponível em: https://wri-
brasil.org.br/pt/blog/2019/10/5-exemplos-de-caminhabilidade. Acesso em: 23 jan. 2020.
CALTHORPE, P. The real problem with China’s ghost towns. Metropolis, 1 Sept. 2013. 
Disponível em: https://www.metropolismag.com/cities/planning-cities/the-real-
-problem-with-chinas-ghost-towns/. Acesso em: 23 jan. 2020.
CHINA urban population: 1960–2020. c2020. Disponível em: https://www.macrotrends.
net/countries/CHN/china/urban-population. Acesso em: 23 jan. 2020.
GEHL, J. Cidade para pessoas. São Paulo: Perspectiva, 2010.
JACOBS, J. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
LUKAAZ. O minhocão em São Paulo. 2008. 1 fotografia. Disponível em: https://commons.
wikimedia.org/wiki/File:Minhoc%C3%A3o_%27.JPG. Acesso em: 23 jan. 2020.
MUSA, J. Retirantes: Candido Portinari, 1944. 1962. 1 fotografia. Disponível em: https://
masp.org.br/acervo/obra/retirantes. Acesso em: 23 jan. 2020.
PHYSICAL ACTIVITY THROUGH SUSTAINABLE TRANSPORT APPROACHES – PASTA. Facts 
on active mobility: Zurich/Switzerland. 2017. Disponível em: https://pastaproject.eu/
fileadmin/editor-upload/sitecontent/Publications/documents/AM_Factsheet_Zu-
rich_WP2.pdf. Acesso em: 23 jan. 2020.
THE SPEED of urbanization around the world. Population Facts, n. 1, Dec. 2018. Disponível 
em: https://population.un.org/wup/Publications/Files/WUP2018-PopFacts_2018-1.
pdf. Acesso em: 22 jan. 2020.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). The urban environment. 2009. Disponível em: 
https://www.who.int/heli/risks/urban/urbanenv/en/. Acesso em: 23 jan. 2020.
Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
11Análise da cidade contemporânea
 
Dica do professor
Os planos diretores são as leis que organizam e dispõem sobre o crescimentoe desenvolvimento 
das cidades. No Brasil, eles são regidos desde 2010 pelo Estatuto das Cidades, que recomenda a 
sua revisão a cada dez anos para acompanhar as mudanças urbanas. Uma das principais 
preocupações contemporâneas nas cidades brasileiras é o transporte, que causa poluição e mal-
estar aos habitantes.
Nesta Dica do Professor, você conhecerá um guia, elaborado por uma organização sem fins 
lucrativos, para ajudar prefeituras e corpos técnicos a criar planos diretores que priorizem modos 
sustentáveis de transporte. 
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https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/5ecb9b86cf4b9f5b22a35a20ef6c39d6
Na prática
A divisão do solo de uma cidade em superquadras é, há tempos, questionada por importantes 
estudiosos do urbanismo, como Jane Jacobs e Jan Gehl. Quadras com dimensões muito grandes 
podem se tornar um grande empecilho para o funcionamento de uma cidade. Na China, observa-se, 
por exemplo, esse comportamento nas chamadas cidades-fantasmas.
Você vai conhecer, neste Na Prática, o caso da cidade chinesa Chenggong, um exemplo típico de 
cidade fantasma planejada na qual os problemas de funcionamento estão associados ao desenho 
urbano. Você será apresentado a um novo plano urbanístico que redesenha a cidade e pretende, 
por meio da combinação de diversas ações e novos princípios, reativar a cidade.
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
DOTS nos Planos Diretores
Guia para inclusão do Desenvolvimento Orientado ao Transporte Sustentável (DOTS) no 
planejamento urbano.
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O urbanismo se paga?
Artigo de Rafael Birmann sobre os benefícios de investir em qualidade urbana nos novos 
empreendimentos.
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Da utopia à realidade: os desafios da prática urbana no Brasil
Artigo de Camilla Ghisleni sobre os principais desafios no campo do urbanismo no Brasil.
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https://wribrasil.org.br/pt/publicacoes/dots-nos-planos-diretores
https://caosplanejado.com/o-urbanismo-se-paga/
https://www.archdaily.com.br/br/928300/da-utopia-a-realidade-os-desafios-da-pratica-urbana-no-brasil?v=1915896192
Cidades modernas no Brasil
Apresentação
O movimento moderno, de abrangência mundial, também esteve presente em planos para cidades 
brasileiras, sendo um marco no que diz respeito ao desenvolvimento do estudo do urbanismo e da 
organização das cidades.
No Brasil, o modernismo teve como maior referência a construção de Brasília, que foi projetada e 
executada com base nos princípios desse pensamento. A cidade foi pensada tanto com relação ao 
seu aspecto urbano quanto a sua arquitetura, para que ambos estivessem conectados e 
representando uma mesma linguagem.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai entender quais são as características do urbanismo 
modernista encontradas nos planos urbanos brasileiros, conhecendo mais sobre a maior expressão 
modernista do país, a cidade de Brasília. Você ainda vai poder relacionar algumas obras de 
arquitetura brasileira com os princípios modernos.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar características do urbanismo modernista no Brasil.•
Reconhecer a relevância de Brasília no contexto mundial.•
Relacionar a arquitetura modernista brasileira com os preceitos urbanísticos.•
Infográfico
No Brasil, assim como no mundo todo, o urbanismo modernista foi pautado por alguns 
princípios advindos de discussões que resultaram na Carta de Atenas, do ano de 1933. Esses 
princípios estão presentes em todos os planos urbanos elaborados por urbanistas modernistas.
Neste Infográfico, veja umas das principais características do movimento modernista no Brasil 
e compreenda melhor cada uma delas. 
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Conteúdo do livro
No Brasil, a introdução do urbanismo modernista passou por algumas etapas, sendo incorporado 
aos poucos, através de algumas características, desde os anos 20. Ao longo dos anos, planos 
urbanos de melhoramento foram surgindo com base em alguns dos princípios da Carta de Atenas 
de 1933. Esse urbanismo foi sendo percebido pelos estudiosos brasileiros, através de suas novas 
visões sobre a organização das cidades.
O auge desse movimento no país se deu através da construção de Brasília, que foi totalmente 
baseada nos princípios modernistas, tanto para o urbanismo como no âmbito da arquitetura.
Com isso, pode-se perceber que o urbanismo moderista pode ser diretamente relacionado a sua 
arquitetura na medida em que as caracteristicas de suas cidades e de suas edificações se fundem e 
se complementam, relacionando-se entre si e enfatizando ainda mais esse movimento.
No Capítulo Cidades Modernas no Brasil, do livro Estudo da Cidade, base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem, você vai entender como o urbanismo modernista foi sendo introduzido no Brasil e 
quais foram as principais características desse movimento no país. Além disso, você vai conhecer a 
relevância do projeto e da construção de Brasília para o cenário modernista mundial, identificando 
também as relações entre a arquitetura e o urbanismo moderno.
Boa leitura.
ESTUDO DA 
CIDADE 
Vanessa Guerini Scopell
Cidades modernas no Brasil
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identificar características do urbanismo modernista no Brasil.
  Reconhecer a relevância de Brasília no contexto mundial.
  Relacionar a arquitetura modernista brasileira com os preceitos 
urbanísticos.
Introdução
O urbanismo modernista foi uma vertente de pensamento que se consoli-
dou no mundo e no Brasil, trazendo para o país seus princípios e preceitos 
e incorporando ações de planejamento urbano, reforma, revitalização e 
melhoramentos para diversas cidades brasileiras. No Brasil, o modernismo 
teve seu ápice a partir da construção de Brasília, que foi um marco para o 
desenvolvimento do país e serviu como referência mundial de urbanismo 
e arquitetura moderna.
Neste capítulo, você identificará as características do urbanismo 
modernista no Brasil, compreendendo a importância e o significado 
da construção de Brasília para o país e para o mundo todo. Também 
relacionará a arquitetura modernista brasileira aos preceitos urbanísticos, 
entendendo como as edificações e os planos para as cidades conseguem 
representar uma mesma linguagem. 
1 Urbanismo modernista no Brasil
O modernismo foi um movimento comandado pelo urbanista Le Corbusier no 
início do século XX voltado para o planejamento urbano. Surgiu como uma 
tentativa de salvar as cidades de um período de problemas relacionados ao 
trânsito, às moradias precárias e à insalubridade. Sabbag (2012) destaca que 
o urbanismo moderno pode ser compreendido como o tipo de planejamento 
urbano adotado no Brasil entre os anos de 1970 e 1980 que esteve alicerçado nas 
quatro funções estabelecidas pela Carta de Atenas de 1933, que são trabalhar, 
circular, habitar e recrear. Esse tipo de urbanismo, com caráter racionalista 
e funcionalista, caracteriza-se pelo poder centralizador do Estado e de inter-
venções urbanas de renovação.
Del Rio e Gallo (2000) afirmam que, no Brasil, mais do que em outros locais,o urbanismo modernista foi bastante emblemático e significativo. Segundo 
os autores, na década de 1920, as expressões plásticas e construtivas desse 
movimento já estavam presentes no território, ganhando força e consistência 
após a implementação do Estado Novo, tornando-se parte da cultura nacional 
e atingindo o seu ápice com a construção de Brasília. Pode-se afirmar que o 
movimento encontrou respaldo no cenário brasileiro e “[…] serviu a gerações 
de jovens arquitetos, e ainda deixa marcas nítidas em todas as cidades brasi-
leiras” (DEL RIO; GALLO, 2000, documento on-line).
O denominado Estado Novo foi o período da terceira e última fase da Era Vargas, que 
ocorreu entre os anos de 1937 e 1945, sucedendo as fases do Governo Provisório, de 1930 
a 1934, e do Governo Constitucional, de 1934 a 1937. O Estado Novo foi caracterizado 
por ser um regime inspirado no modelo nazifascista da Europa, que era bastante rígido 
e tinha o Estado como grande detentor de poderes (FERNANDES, 2020).
A ideia modernista mundial também foi expressa no Brasil, segundo Del Rio 
e Gallo (2000), com a intenção de construir uma sociedade mais justa e igualitá-
ria, além de substituir a estética historicista por uma nova estética, de máquina 
e industrialização. Esse momento também foi caracterizado pelo surgimento 
da classe operária e pela transformação de um país rural em majoritariamente 
urbano. Os autores ainda complementam que essa intenção de progresso coin-
cide com a referência de ordem e progresso expressa pela bandeira brasileira, 
apoiando as expressões urbanísticas e arquitetônicas modernistas.
Entre os anos de 1930 e 1940, os modelos urbanísticos adotados no Brasil, 
conforme Del Rio e Gallo (2000), ainda se misturavam entre os urbanismos cul-
turalista e progressista. O urbanismo progressista foi consolidado pelo arquiteto e 
urbanista Lucio Costa, autor do projeto de Brasília. Com os planos e intervenções 
desse período no Brasil, que tinham como base ainda um modelo culturalista, é 
possível destacar os planos urbanos de Alfred Agache, que são conhecidos como os 
Cidades modernas no Brasil2
planos de remodelação urbana para a cidade do Rio de Janeiro, elaborados ao final 
dos anos de 1920, bem como alguns loteamentos inspirados nas cidades-jardim 
de Ebenezer Howard, localizados no Rio de Janeiro e em São Paulo. 
A maioria destes projetos culturalistas, particularmente os loteamentos volta-
dos para as classes mais altas, possuía baixa densidade, a ocupação dos lotes 
residenciais dava-se em meio a espaços densamente arborizados, as ruas eram 
tortuosas, bucólicas e adaptadas à topografia. Hoje, estes chamados bairros 
jardins residenciais são muito procurados e valorizados e muitos encontram-
-se protegidos como patrimônio histórico em seu traçado e volumetria (DEL 
RIO; GALLO, 2000, documento on-line).
Aos poucos, o modelo progressista expresso pelo urbanismo moderno foi 
incorporado também nos planos urbanos em porções das cidades, tornando-se 
hegemônico. Alguns importantes projetos que expressam esse pensamento 
são o Conjunto da Pampulha e o Parque Ibirapuera, que foram implantados 
aos poucos e em parcelas no espaço urbano, além da construção de Brasília ao 
final dos anos de 1950, que foi a expressão máxima do movimento moderno 
no Brasil, construída em sua totalidade de uma só vez. 
O Conjunto da Pampulha, elaborado por Oscar Niemeyer e construído nos anos 
de 1940, foi pensado com o intuito de buscar a modernização arquitetônica da 
cidade de Belo Horizonte. O projeto é composto pela Casa do Baile, pelo Iate Clube, 
pela edificação e pelo jardim do Cassino, pela Igreja São Francisco, pelo espelho 
d´água e pela orla da Lagoa que articula o conjunto. O local causou grande impacto 
na vida da população de Belo Horizonte, que pôde usufruir desse novo espaço 
de lazer para a cidade. Ao passar dos anos, as residências implantadas nessa área 
também seguiram as tendências arquitetônicas desse momento (Figuras 1a e 1b). 
O Parque Ibirapuera também foi um exemplar do urbanismo modernista 
no Brasil. Após diversos estudos, ao longo de muitos anos, Niemayer e sua 
equipe projetaram a área no ano de 1952, determinando edificações unidas 
por marquises e ladeadas por um lago como concepção inicial. Ao longo do 
estudo, o espaço do conjunto cresceu proporcionalmente, e o projeto final 
contou com edificações espalhadas pela área, conectadas por caminhos e por 
grandes áreas verdes com caráter monumental (Figuras 1c e 1d). 
Outro exemplo de urbanismo modernista implantado em uma porção da cidade 
do Rio de Janeiro é o Parque do Flamengo. O local foi projetado no ano de 1961 e 
tombado no mesmo ano. A ideia era de um parque público com atividades lúdicas 
e paisagens entrelaçadas com os principais monumentos da cidade, respeitando 
ao máximo as questões naturais. Seu extenso programa contava com 46 itens, 
permitindo que as necessidades da população fossem atendidas (Figura 1e).
3Cidades modernas no Brasil
Figura 1. (a) Conjunto da Pampulha, Belo Horizonte (obra edificada). (b) Croqui de Oscar 
Niemeyer. (c) Parque Ibirapuera, São Paulo (esboço do anteprojeto de Niemeyer). (d) 
Vista do parque. (e) Parque do Flamengo, Rio de Janeiro (vista do parque). 
Fonte: (a) Antonio Salaverry/Shutterstock.com; (b) Niemeyer (2016); (c) Arquivo Municipal Whashington 
Luis (1953, documento on-line); (d) By Drone Photos Videos/Shutterstock.com.
Del Rio e Gallo (2000) demonstram que a implantação do modelo mo-
dernista no Brasil foi facilitada por dois motivos: por estar imbuído dentro 
de um modelo maior de novo estado e de uma nova nação, que buscava uma 
identidade própria e internacionalizada; e por representar um passo para o 
pensamento racionalista. Com isso, o passado é negado e: 
[…] substituído pela experiência própria, à luz da razão, desprezando o legado 
histórico, sobre o qual o modernismo se afirma por negação, numa cidade 
zonificada e fisicamente sadia para o seu perfeito funcionamento: habitar, 
trabalhar, circular e cultivar o corpo e o espírito (DEL RIO; GALLO, 2000, 
documento on-line). 
Cidades modernas no Brasil4
Com a compatibilidade de interesses e com as políticas de desenvolvimento 
e de habitação, o modelo moderno se consolidou ainda mais nos anos de 1950 
e 1960.
Assim, a ideologia modernista inseriu-se no cotidiano das cidades brasileiras, 
não apenas através da atuação de arquitetos modernistas no setor privado e 
em todos os níveis de governo, mas também através das ideologias explíci-
tas dos agentes institucionais, tais como o Banco Nacional da Habitação, o 
Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFHAU) e as Companhias de 
Habitação, e dos instrumentos reguladores do desenvolvimento urbano, tais 
como planos diretores, projetos-cura, leis de uso e ocupação do solo, códigos 
de obras, etc. (DEL RIO; GALLO, 2000, documento on-line).
No Brasil, assim como no mundo, as características do urbanismo mo-
dernista se devem à grande densidade dos conjuntos habitacionais, à rígida 
divisão de setores, ao predomínio de zoneamentos e à negação das edificações 
e dos conjuntos históricos. Pode-se citar também as áreas verdes e livres de 
grandes dimensões, juntamente com os conjuntos arquitetônicos padronizados, 
a ampliação de vias e a simplificação funcional. Assim, os projetos e planos 
modernistas no país se definem por preocupações estéticas urbanas, pela mo-
dernização de portos marítimos e fluviais, por vastos projetos de saneamento, 
por reformas e intervenções em áreas centrais de algumas capitais e cidades 
importantes, bem como pelo desenvolvimento de bairros. 
Del Rio e Gallo (2000), afirmam que o sucesso do modelo modernista no 
Brasil se deu porque estava ancorado na ideia de maximizar lucros, por meio da 
densificação e verticalização das edificações e da simplicidade dos programas, 
tanto urbanos quanto arquitetônicos. O modernismo, assim como representou 
ao mundo todo, trouxe ao Brasil novas formas de pensar, contribuindo para 
revitalizações e reformasem grandes cidades brasileiras, demonstrando a 
importância do planejamento urbano.
2 Relevância de Brasília
Brasília é o maior exemplo de urbanismo moderno no Brasil e foi construída a 
partir de um concurso lançado no ano de 1956 pelo então presidente do Brasil 
Juscelino Kubitschek. A cidade, localizada na região central do país, segundo 
Sabbag (2012), foi construída em um sítio estrategicamente escolhido, considerando 
critérios naturais, em um momento de desenvolvimento político e integração 
nacional, com o objetivo de ilustrar o novo momento econômico que o país vivia.
5Cidades modernas no Brasil
Conforme Sabbag (2012, p. 61), Brasília é o maior exemplo do urbanismo 
modernista brasileiro porque foi totalmente projetada a partir dos princípios 
dessa vertente, uma cidade extremamente funcional, racional e setorizada, “[…] 
um símbolo do progresso e da modernidade nacional, um monumento a céu 
aberto, um marco da entrada, pelas mãos do Estado, no capitalismo no espaço 
nacional”. A cidade foi pensada por Lucio Costa, ganhador do concurso, para 
abrigar 500 mil habitantes, com planos de expansão ordenada, a fim de que 
todas as suas partes crescessem harmoniosamente, com espaços e ligações que 
proporcionassem esse fenômeno de forma equilibrada. Sabbag (2012) ainda 
complementa que Brasília foi pensada para ser subordinada às necessidades 
da região em que foi inserida, além de suas funções e importância política 
para o país, uma cidade destinada a abrigar as quatro principais funções 
elencadas na Carta de Atenas de 1933, conectadas com o uso governamental, 
não resultando de iniciativas acidentais (Figura 2). 
Figura 2. Brasília (DF).
Fonte: 061 Filmes/Shutterstock.com.
A cidade obteve importância no contexto mundial como uma forte repre-
sentante desse urbanismo de uma maneira global, porque aplica os princípios 
do modernismo de forma muito fiel em seu planejamento, adaptando-o à 
topografia local, considerando a autonomia das quatro funções principais da 
cidade, incorporando-as aos costumes, clima e contexto.
Segundo Sabbag (2012), o seu planejamento demonstra a aptidão de Lucio 
Costa e a sua familiaridade com o movimento moderno, porque ele definiu 
Cidades modernas no Brasil6
eixos no plano urbanístico de Brasília, abrigando cada uma das funções sepa-
radamente, mas com interligações. As superquadras de 280 × 280 metros são 
organizadas a partir de uma nova interpretação das cidades-jardim. Pistas de 
tráfego de alta velocidade e grandes espaços livres demonstram ainda mais o 
pensamento modernista para a cidade (Figura 3). Xavier (2007, p. 278) destaca 
as próprias palavras do autor do projeto, que diz que:
A solução da cidade é de fácil apreensão, pois se caracteriza pela simplicidade e 
clareza do risco original, o que não exclui a variedade no tratamento das partes, 
resultando daí a harmonia de exigências de aparências contraditórias. É assim que 
sendo monumental é também cômoda, eficiente, acolhedora e íntima. É, ao mesmo 
tempo, derramada e concisa, bucólica e urbana, lírica e funcional. O tráfego de 
automóvel se processa sem cruzamentos e se restitui o chão, na justa medida, ao 
pedestre. E, por ter o arcabouço, uma plataforma, suas pistas largas no sentido, 
uma rodovia que poderá ser construída por partes […]. As instalações teriam 
sempre campo livre nas faixas verdes contíguas às pistas de rolamentos. […] De 
uma parte, técnica rodoviária; de outra, técnica paisagística de parques e jardins).
Figura 3. Plano piloto de Brasília.
Fonte: Sabbag (2012, p. 76).
A construção de Brasília ocorreu durante três anos, e a cidade foi inaugurada 
em 1960, tornando-se uma referência para o planejamento urbano adotado nos 
40 anos seguintes. Por meio de seu traçado e organização urbana, e também 
em virtude de suas edificações monumentais, a capital pôde alcançar um 
nível arquitetônico superior a algumas cidades do mundo. As obras da cidade 
7Cidades modernas no Brasil
se diferenciam de outras obras ornamentais encontradas no mundo porque 
demonstram o moderno e o futurista, a partir da personalidade de Lucio Costa 
para a parte urbana e de Oscar Niemeyer para a arquitetura. 
Oliveira (2008) complementa que a cidade teve importância no contexto 
mundial também porque serviu para consolidar e elucidar os princípios mo-
dernistas, deixando-os mais claros e entendíveis para a comunidade e para os 
estudiosos, ou seja, tornou-se uma experiência única entre as raras referências 
internacionais. Foi uma expressão do desenvolvimento, empolgando os países 
latino-americanos e promovendo relações comerciais e econômicas. 
Brasília é um exemplo tão representativo do urbanismo modernista brasi-
leiro e mundial que foi reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade, 
no ano de 1987, e também no livro do Tombo do Instituto de Patrimônio 
Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no ano de 1990. Percebe-se que 
Brasília, assim como o urbanismo modernista, representou os princípios 
desse movimento, o crescimento e o desenvolvimento do Brasil, tornando-se 
uma referência mundial por ser uma cidade totalmente nova, construída do 
zero, em poucos anos, com estratégias muito bem justificadas, zoneamentos, 
funções, circulações e novos olhares sobre o planejamento urbano. 
3 Arquitetura modernista brasileira 
e preceitos urbanísticos
O movimento moderno incorporou não somente o estudo das cidades, mas 
também trouxe princípios à arquitetura, com estratégias e intenções que estão 
relacionadas ao urbanismo e que formam um todo entre edifi cação e espaço 
urbano. Le Corbusier, que foi o representante do urbanismo modernista, 
também foi a fi gura da arquitetura dessa vertente. Além de contribuir para a 
criação da Carta de Atenas, que demonstra os pontos importantes para um 
urbanismo modernista, também criou os cinco pontos da arquitetura moderna 
que, juntamente com o planejamento urbano, deveriam ser incorporados aos 
planos das cidades. Le Corbusier, conforme Mendonça (2011), elaborou cinco 
pontos fundamentais da arquitetura moderna, descritos a seguir.
  Planta livre: proporcionando espaços amplos e flexíveis, com a ideia 
de modificar os espaços sem mexer na estrutura da edificação. Nesse 
caso, os pilares estruturais, juntamente com as vigas, ficam aparentes, 
e há uma integração entre os espaços de uma edificação.
Cidades modernas no Brasil8
  Fachada livre: pode ser projetada em diversos formatos, mas não possui 
vedações e divisórias, formando grandes panos envidraçados, buscando 
a conexão com a parte exterior.
  Pilotis: são utilizados para garantir uma construção mais livre, possi-
bilitando a permeabilidade visual do pavimento. A ideia também é que 
os pavimentos sob pilotis possam ser permeáveis fisicamente também, 
para que os pedestres possam caminhar por esses locais.
  Terraço-jardim: a ideia é utilizar a área dos telhados para ser ocupada 
também com jardins, melhorando as condições climáticas e represen-
tando um espaço propício para os momentos de lazer.
  Janela em fita: tem por objetivo ampliar a iluminação das edificações, 
podendo apresentar diferentes geometrias.
Alguns pontos da arquitetura moderna podem ser identificados em edi-
ficações brasileiras, relacionados às ideias urbanísticas desse movimento. 
O Edifício Copan, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer na década de 
1950, é um exemplo de edificação moderna que utiliza, além da fachada 
livre, princípio da arquitetura, a alta densidade e a verticalização, elementos 
priorizados no urbanismo dessa vertente. O edifício, hoje, ainda ocupado 
e em funcionamento, conta com 1.160 apartamentos distribuídos em seis 
blocos. Ele ainda contém uma área comercial em seu pavimento térreo com 
cerca de 72 lojas, 20 elevadores e mais de 200 vagas de estacionamento 
(Figura 4a). 
O Palácio Capanema é outra obra modernista que, através de seu térreo sob 
pilotis, um dos pontos da arquitetura moderna, integra-se à ideia urbanista de 
permeabilidade física e visual, além de permitir a integraçãodo pedestre com 
a parte exterior da cidade. A edificação foi construída entre os anos de 1937 e 
1945, o projeto foi liderado por Lucio Costa, mas contou com a participação 
de outros profissionais. O prédio tem 16 andares e um pavimento sob pilotis 
de 10 metros de altura (Figura 4b). O Palácio Capanema também conta com 
um terraço-jardim, promovendo áreas livres, ajardinadas e paisagisticamente 
tratadas para os moradores das cidades (Figura 4c).
As edificações da cidade de Brasília também estão relacionadas ao urba-
nismo e aos seus princípios. Um bom exemplo é o Congresso Nacional, que 
conta com as janelas em fita, priorizando ainda mais a insolação natural e 
contribuindo para a salubridade dos cidadãos, tão almejada pelos urbanistas 
modernos (Figuras 4d e 4e). As edificações monumentais espalhadas por 
grandes áreas livres, a simplicidade de elementos, a ausência de ornamentos, 
9Cidades modernas no Brasil
as linhas retas e as alturas também são elementos que se relacionam com o 
urbanismo, que sempre buscou essa personalidade, aliada a uma atmosfera 
mais limpa e leve.
Figura 4. (a) Edifício Copan (SP). (b) Edifício Gustavo Capanema (RJ). (c) Terraço-jardim 
do Palácio Capanema. (d) Congresso Nacional (Brasília). (e) Palácio da Alvorada (Brasília).
Fonte: (a) Tanaka (2009); (b) Liberal (2019); (c) Viana (2016); (d) Lommiz/Pixabay.com; (e) Renne (c2018).
O urbanismo modernista esteve presente no desenvolvimento das cidades 
brasileiras e no melhoramento de seus espaços. Inicialmente, foi apresentado 
por meio de propostas específicas para porções das cidades, que aliavam o 
urbanismo, o paisagismo e a arquitetura e, após a sua aceitação e notorie-
Cidades modernas no Brasil10
dade no território, consolidou-se a partir da cidade de Brasília, que é o mais 
significativo exemplar modernista do Brasil, uma referência mundial desse 
tipo de urbanismo. 
Esse tipo de urbanismo foi importante para o Brasil porque trouxe novas 
visões, demonstrando por meio de seus planos de melhoramento ideias dife-
renciadas para os espaços urbanos, possibilitando a criação de novas paisa-
gens e espaços de lazer para as cidades brasileiras. Além disso, sua relação 
com a arquitetura intensifica ainda mais a sua importância, de modo que o 
projeto contempla em sua totalidade um mesmo conceito. A partir desses 
elementos, é possível perceber que a arquitetura modernista já andava junto 
com o urbanismo, e os dois se complementavam para formar as cidades com 
as características desse movimento. Ambos utilizam uma mesma linguagem 
e têm as mesmas intenções, demonstrando os ideais desse movimento com 
autenticidade e personalidade.
ARQUIVO MUNICIPAL WASHINGTON LUIS. Projeto final da equipe de Niemeyer para 
o parque do Ibirapuera. 1953. Disponível em: http://docomomo.org.br/wp-content/
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DEL RIO, V.; GALLO, H. O legado do urbanismo moderno no Brasil. Paradigma realizado 
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FERNANDES, C. O que foi o Estado Novo? Disponível em: https://brasilescola.uol.com.
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MENDONÇA, D. M. Arquitetura do Movimento Moderno enquanto estratégia de rede-
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BRASIL INTERDISCIPLINARIDADE E EXPERIÊNCIAS EM DOCUMENTAÇÃO E PRESERVAÇÃO 
DO PATRIMÔNIO RECENTE, 9., 2011, Brasília. Anais [...]. Brasília: DOCOMONO, 2011. Dis-
ponível em: http://docomomo.org.br/wp-content/uploads/2016/01/153_PB_OR-Ar-
quiteturadoMovimentoModerno-ART_dafne_mendonca.pdf. Acesso em: 29 jan. 2020.
11Cidades modernas no Brasil
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cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
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NIEMEYER, O. Croqui do Conjunto da Pampulha. 2016. 1 croqui. Disponível em: ht-
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VIANA, M. Terraço do Palácio Gustavo Capanema. 2016. 1 fotografia. Disponível em: http://
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XAVIER, A. (org.). Lucio Costa: sobre arquitetura. 2. ed. Porto Alegre: UniRitter, 2007.
Cidades modernas no Brasil12
Dica do professor
O modernismo no Brasil começou a ser introduzido por meio de intervenções pontuais. No 
entanto, após a construção de Brasília, a cidade ficou conhecida como a maior representante do 
movimento, reconhecida como referência mundial.
Na Dica do Professor, veja como o movimento moderno foi implantado no Brasil, assim como a 
importância de Brasília no cenário mundial e a possibilidade de utilizar os princípios modernistas 
nos dias atuais.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
 
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Na prática
Aponte a câmera para o 
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Para que o pensamento modernista fique evidente em uma cidade inteira ou somente em uma 
porção dela, é importante que a arquitetura e o urbanismo apresentem a mesma linguagem 
arquitetônica, com princípios que se complementem.
Neste Na Prática, veja como é possível projetar uma edificação a partir dos princípios 
modernistas que esteja de acordo com a porção urbana do local onde ela estará inserida.
 
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Exemplares arquitetônicos modernos no Brasil
No período modernista, a arquitetura também conseguiu ser referência e deixar marcas nas cidades 
brasileiras. Veja, nesta matéria, alguns desses exemplares na cidade de Santa Maria - RS.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Superquadras e Brasília
As superquadras são um elemento muito marcante na cidade de Brasília, sendo um dos princípios 
do urbanismo moderno. Leia mais sobre o assuntoneste artigo.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
A arquitetura de Brasília
As edificações de Brasília foram pensadas com o objetivo de transmitir os mesmos conceitos e 
ideias do seu urbanismo e hoje se misturam à arquitetura contemporânea. Veja mais sobre essas 
arquiteturas neste vídeo.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/19.219/7096
http://docomomo.org.br/wp-content/uploads/2016/01/077.pdf
https://www.youtube.com/embed/cQPU02fTeDo

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