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TNL em Radiologia Pós graduada em TC e RM Atua como Tecnóloga em Mamografia, Densitometria Óssea, Ressonância e Tomografia Professora Supervisora de estágio – Saber X HISTÓRIA DA MAMOGRAFIA EMENTA História da mamografia Evolução dos mamógrafos O que é mamografia? A mamografia é um exame de imagem que faz uso de raios-x para examinar as mamas com a finalidade de detectar precocemente lesões que podem ser malignas, mesmo em mulheres que não possuam sintomas Origem do câncer De acordo com a publicação A mulher e o câncer de mama no Brasil, do Ministério da Saúde, foram os egípcios e gregos que fizeram os primeiros registros de tumores nas mamas A palavra câncer foi utilizada pela primeira vez por Hipócrates para denominar uma massa com formato de caranguejo enterrada sob a pele Origem do câncer Nessa época não se tinha idéia da importância do diagnóstico precoce. Somente nos meados do século XVII é que verificaram a importância da detecção precoce de um câncer de mama Henry François, sugeriu que o câncer de mama era uma doença localizada e se espalhava para a circulação linfática De acordo com alguns autores esse conceito serviu para estabelecer que um tratamento local adequado e mais precoce poderia levar à cura do câncer de mama PRINCIPAIS EVENTOS HISTÓRICOS QUE MARCARAM A EVOLUÇÃO DA MAMOGRAFIA Dr. Albert Salomon, um cirurgião alemão, utilizou RX para radiografar 3.000 amostras de mamas mastectomizadas e encontrou pequenos pontos denominados “microcalcificações” Observou a disseminação tumoral para linfonodos axilares 1913 Fonte: BASSETT, Lawrence W.; JACKSON, Valerie P. Doenças na Mama - Diagnóstico e Tratamento. Editora Revinter, 2000 1930 Foi realizada a primeira mamografia na incidência médio-lateral in vivo, por Stafford Warren, em Nova York, utilizando a técnica: 50 a 60 kVp, 70mA, 63cm e 2,5s Fonte: BASSETT, Lawrence W.; JACKSON, Valerie P. Doenças na Mama - Diagnóstico e Tratamento. Editora Revinter, 2000 Mamografia obtida por Warren (aproximadamente em 1939) de uma mama densa normal. Fonte: (Cortesia de Stafford L. Warren, MD, Los Angeles, CA) Paul Seabold (USA) relatou aspectos mamográficos de mamas normais em vários estágios fisiológicos (puberdade até menopausa) 1931 Walter Vogel na Alemanha reporta pesquisas com radiologia mamária, apresentando resultados das diferenças de lesões na mama benígnas e malígnas 1932 Albert Strickler (USA) relatou características mamográficas em função da idade e da condição menstrual da mulher. 1938 Dr. Raúl Leborgne, no Uruguai, percebeu a presença de microcalcificações em alguns tipos de tumores de câncer de mama após destacar a importância de mamografias com maior qualidade 1950 Dr Raúl Leborgne verificou que se alterasse alguns parâmetros técnicos no equipamento, poderia obter melhor contraste nas imagens, e sugeriu: Redução na tensão (kVp) no tubo de RX Colimação com cone extenso Necessidade de imagens com alto contraste Compressão da mama COMPRESSÃO Diminui a espessura da mama Menor dose de radiação Espalha mais os tecidos da mama Reduz o movimento da paciente Aumenta o contraste e nitidez Posicionamento de Leborgne da paciente para uma mamografia em crânio-caudal e lateral Fonte: Livro - Doenças da Mama Diagnóstico e Tratamento -Bassett.Jackson. Jahan. Fu. Gold Fonte: BASSETT, Lawrence W.; JACKSON, Valerie P. Doenças na Mama - Diagnóstico e Tratamento. Editora Revinter, 2000 Imagem de mamografia demonstrando a compressão da mama e as microcalcificações 1960 Baixo kV Alto mAs + Resolução de imagem Robert Egan 1962 Robert Egan publicou 53 casos de carcinoma oculto detectados em 2000 exames de mamografia e criou uma equipe de médicos e técnicos treinados e especializados em mamografia. 1963 Gerald Dodd, foi o primeiro a realizar a localização de uma lesão não palpável, tornando as retiradas de tecido mamário menor 1963 à 1966 Phillip Strax, Louis Venet e Sam Shapiro observaram a redução de mortalidade em 1/3, rastreando as pacientes com exames clínicos e radiológicos 1965 Charles Gros, na França, desenvolve a primeira unidade dedicada para Mamografia, engenhosamente este aparelho apresentava tubo de raios X de molibdênio com 0,7mm de ponto focal, diferenciando as estruturas da mama 1966 A GE cria a primeira máquina para realizar mamografia. Era um tripé com uma câmara especial. Fonte: Radioinmama 1967 - Uma equipe da GE projeta uma unidade básica, incorporando um espectro de raios X mais específico e um tubo para obter melhor foco no tecido Por meio da implementação de um filtro de molibdênio (um componente metálico resistente) essa máquina produziu imagens de melhor qualidade do que as mamografias improvisadas que eram obtidas por aparelhos de raios X da época. O primeiro modelo comercial do "Senographe" (pintura do seio em francês) Fonte: Livro - Doenças da Mama Diagnóstico e Tratamento -Bassett.Jackson. Jahan. Fu. Gold Price e Butler, utiliza ecrans de alta definição e filmes industriais, conseguem reduzir níveis de radiação. Neste aspecto a Kodak e a Dupont proporcionam grande contribuição técnica 1970 A história da mamografia no Brasil está intimamente associada ao Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC) 1971 Dr. João Sampaio Góes Jr. e Dr. João Sampaio Góes trouxeram o primeiro mamógrafo ao Brasil e consequentemente a técnica de realização do exame de mamografia (eles foram para França e aprenderam sobre a mamografia diretamente com Charles Gross 1971 Fonte: Mamografia - Posicionamentos Radiológicos, Nancy de Oliveira Costa Myron Moskowitz e seus colaboradores, apresentam resultados preliminares sobre rastreamento mamográfico e chamam a atenção sobre a capacidade da mamografia em diagnosticar câncer em sua fase inicial 1974 1980 A GE desenvolveu os primeiros equipamentos motorizados para compressão 1980 Kopans e DeLuca descrevem o método do sistema de marcação pré-operatória com agulhamento metálico de lesões não palpáveis na mamografia. As agulhas utilizadas recebem o nome de agulhas de Kopans. 1983 A FujiFilm desenvolve o primeiro CR do mundo 1985 Tabár e colaboradores descrevem os resultados obtidos com rastreamento de 134.867 mulheres, entre 40 e 79 anos, com uma única imagem obtida em posicionamento oblíqua-medio-lateral, verificaram uma redução de 31% de mortalidade 1989 Azevedo e Svane na Suécia, publicam os primeiros casos utilizando a punção por agulha fina orientada pela estereotaxia 1992 A GE lançou em seus equipamentos um filtro de Ródio, um elemento usado no tubo de raios-X, que permite melhor penetração no tecido mamário com menos exposição. A tecnologia do Ródio é especialmente útil em mamas densas Lança o primeiro sistema de biopsia a vácuo MAMMOTOME, desenvolvido por Parker e associados, permitindo excelentes resultados na obtenção de amostra de tecidos para estudo histopatológicos 1996 Desenvolve-se um cassete único, que permite a troca de imagem de cassete (em filme ecrans) para ponto digital em uma maquina 1998 Anos 2000 Nesse período as empresas produtoras de Mamógrafos aprimoram seus equipamentos dando origem a equipamentos CR (radiografia computadorizada) e DR (digital) A finalidade do desenvolvimento desses equipamentos foi para otimizar a obtenção da imagem e minimizar as repetições O Senographe 2000 D é aprovado pela FDA. O equipamento de mamografia digital de aquisição direta (DR) é composto por um gerador de raios X com características semelhantes ao do sistema convencional Na mamografia digital direta (DR), o detector de raios x transforma a radiação incidente em imagem digital, que étransmitida imediatamente ao computador Na mamografia digital é lançado o aparelho de tomossíntese, onde além das imagens habituais são adquiridas imagens em múltiplos ângulos, que são reconstruídas em cortes finos de alta resolução que podem ser estudadas individualmente ou em modo cine A tomossíntesse promove um aumento da sensibilidade da mamografia e permite a distinção entre imagens verdadeiramente suspeitas e aquelas provocadas por sobreposição de estruturas. Também conhecida como mamografia tomográfica ou mamografia tridimensional (3D), foi descrita pela primeira vez em 1985 e aprovada pelo FDA em 2011 (Hologic) Atualmente com outros mais três fabricantes aprovados e disponíveis no mercado (GE Healthcare, Siemens, Fujifilm). Atualmente, várias empresas se dedicam ao desenvolvimento e comercialização de mamógrafos digitais, sistemas auxiliares de diagnóstico por computação (CAD) e tomossíntese mamária PRINCIPAIS FABRICANTES DE MAMÓGRAFOS Evolução da imagem mamográfica Em 1976, ensaios clínicos apontaram que a cirurgia conservadora de mamas, acompanhada da radiação, poderia ter resultados similares à mastectomia radical Em 1993, é descoberto o gene BRCA1, ligado também ao câncer de mama MARCOS HISTÓRICOS NO MUNDO O Programa de Qualidade em Mamografia (PQM) teve início com um projeto-piloto, desenvolvido pelo INCA em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Colégio Brasileiro de Radiologia – CBR Ao final do projeto, identificou-se a necessidade de prosseguir com as ações de controle da qualidade da mamografia em todo o país como um programa nacional PNQM – Programa Nacional de Qualidade em Mamografia Assim, foi instituído em 2012 o Programa Nacional de Qualidade em Mamografia (PNQM) Implementar ações nacionais com a finalidade de aprimorar a qualidade das mamografias, no contexto das ações de detecção precoce do câncer de mama Elaborar e implementar instrumentos de garantia da qualidade da imagem, do laudo/diagnóstico e da dose de radiação empregada Os objetivos do Programa são: Elaborar critérios para o credenciamento e monitoramento contínuo dos serviços de mamografia públicos ou privados, vinculados ou não ao SUS Qualificar os recursos humanos para contribuir com a qualidade dos serviços de mamografia Os objetivos do Programa são: Este movimento começou nos Estados Unidos, onde vários estados tinham ações isoladas referente ao câncer de mama e mamografia no mês de outubro Posteriormente com a aprovação do Congresso Americano, o mês de Outubro se tornou o mês nacional (americano) de prevenção do câncer de mama OUTUBRO ROSA O laço rosa foi criado pela Fundação Susan Komen e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura realizada em NY em 1990 Conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do Câncer de Mama através do autoexame e mamografia Proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade OBJETIVO DA CAMPANHA No Brasil, o movimento se iniciou a partir de 2002, quando a primeira iluminação rosa no Obelisco do Ibirapuera em São Paulo encantou toda a população Cataratas Catedral em Brasília Cristo Redentor Torre Eiffel A mamografia se tornou o método padrão ouro para diagnosticar precocemente o câncer de mama A evolução dos aparelhos foi primordial para se obter imagens de maior qualidade e detectar lesões em sua fase inicial CONSIDERAÇÕES BIBLIOGRAFIA Mamografia: Uma história de sucesso e de entusiasmo científico, José Michel Kalaf (SCIELO) História da mamografia – Radioinmama Mamografia Posicionamentos Radiológicos – Nancy de Oliveira Costa BASSETT, Lawrence W.; JACKSON, Valerie P. Doenças na Mama - Diagnóstico e Tratamento. Editora Revinter, 2000 KOPANS, Daniel B.; BERTUOL, Mauro. Imagem da mama 2ª edição. Editora MEDSI, 2000 Costa, NO, Mamografia Posicionamento Radiológico, 2011, Ed Corpus, SP https://fundacaolacorosa.com/conheca-a-historia-do-cancer-de-mama/