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É o acúmulo de líquido dentro do escroto, que é a bolsa externa de pele que contém os testículos. É uma doença benigna comum em recém nascidos e normalmente não provoca dor ou qualquer outro sintoma além do inchaço que pode afetar um ou os dois testículos. Geralmente desaparece em torno de um ano de idade, sem necessitar de tratamento. Caso o inchaço se torne muito intenso, pode surgir uma dor leve e desconforto na região escrotal. FISIOPATOLOGIA Ao redor das 20 a 28 semanas de gestação, ocorre a passagem do testículo através do canal inguinal devido à abertura do processo vaginal. Este, geralmente fechará após essa passagem. Entretanto, na hidrocele comunicante, não ocorre a obliteração do processo vaginal, o que explica a ocorrência de tal patologia. A túnica vaginal é uma camada fascial que encapsula um espaço potencial que abrange os dois terços anteriores do testículo. Diferentes tipos de líquido podem se acumular dentro da túnica vaginal, como líquido peritoneal na hidrocele. Já a hidrocele não comunicante consiste na presença de líquido na bolsa escrotal sem comunicação com a cavidade peritoneal, podendo ser idiopática ou secundária. CLÍNICA O principal quadro clínico na hidrocele é de um abaulamento indolor na região escrotal, que apresenta aumento volumétrico pior durante o dia. A presença de dor e incapacidade geralmente se relacionam com o tamanho. Sinais flogísticos falam a favor de condições subjacentes, como epididimite e torção testicular. O exame físico é marcado pela transiluminação positiva da região escrotal, sendo a técnica auxiliar mais comum no diagnóstico de hidrocele. Enquanto em neonatos são de origem congênita, associada a um processo vaginal patente que permite a passagem de líquido peritoneal para o escroto, nas crianças mais velhas, adolescentes e adultos, a hidrocele é usualmente adquirida e relacionada a processos inflamatórios, torção testicular, trauma, tumor, mas também pode ser idiopática. Transiluminação: exame do interior de uma cavidade natural do corpo mediante uma forte luz que a ilumina por dentro e passa através de suas paredes; demonstra a passagem da luz através da coluna líquida comparado com a não transmissão através de um testículo ou massa sólida. DIAGNÓSTICO A ultrassonografia é o exame adicional de primeira escolha na avaliação da bolsa testicular, e coleções são encontradas frequentemente nestes exames. TRATAMENTO A maioria das hidroceles não requer intervenção na maioria dos indivíduos, pois, em geral, a hidrocele tende a reabsorver espontaneamente neste período. O tratamento fica reservado em pacientes sintomáticos com dor ou sensação de pressão ou quando a integridade da pele escrotal está comprometida por irritação crônica. Entretanto, alguns especialistas recomendam a cirurgia em casos de hidroceles volumosas ou comunicantes (abordagem inguinal aberta através da ligadura alta da persistência do conduto peritônio-vaginal). Nos casos de hidroceles não comunicantes, mas que são volumosas e sintomáticas, o procedimento cirúrgico mais comum é a excisão do saco da hidrocele. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Hérnia inguinal; Tumor testicular; Hematocele