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Linguística textual
Fundamentos dos estudos do texto
Prof.ª Dr.ª Wéllem A. de Freitas Semczuk
Linguística textual
Fundamentos dos estudos do texto
Prof.ª Dr.ª Wéllem A. de Freitas Semczuk
Unidade de Ensino: 01
Competência da Unidade: Conhecer conceitos de texto e a trajetória dos
estudos textuais nas últimas décadas.
Resumo: Inicialmente, abordaremos o conceito de texto para, em seguida,
abordá-lo na perspectiva da Linguística Textual. Após, estudaremos as fases da
Linguística Textual, o que é contexto e, por fim, os modelos mentais que nos
auxiliam na produção e compreensão textual.
Palavras-chave: texto; linguística textual; contexto.
Título da Teleaula: Fundamentos dos estudos do texto.
Teleaula nº: 01
Contextualização
• O que é texto para a Linguística Textual?
• Quais as fases de estudos da Linguística Textual?
• Qual a importância da virada pragmática para os
estudos do texto?
• O que é contexto?
• Quais as contribuições da virada cognitivista para
a compreensão dos sentidos de um texto?
O que é um texto?
O que é um texto?
Um amontoado de palavras e frases? 
Fonte: Shutterstock Fonte: Shutterstock
Fonte: Shutterstock
O que todos eles têm em comum?
Todos esses exemplos constituem-se em
diferentes tipos de textos; cada um deles possui
uma linguagem própria, mas o que todos eles
mantêm em comum é a presença da relação
entre os elementos significativos no seu
interior e a relação entre o texto e um
contexto, necessários para a produção do
sentido.
Linguagem
 O nosso mundo é construído pela linguagem e toda a
comunicação humana é realizada por meio de
linguagens verbais e não verbais.
 Linguagem
 Habilidade que nos diferencia dos outros animais;
 Capacidade de nos comunicar e construir um universo
linguístico;
 Comunicação: só acontece porque identificamos as
relações existentes entre os signos linguísticos e o
contexto complexo em que eles estão inseridos.
Texto
 Chama a atenção de pesquisadores de diversas áreas
das ciências humanas e sociais.
Para a Linguística Textual:
o texto é compreendido em seu ato de comunicação,
como um evento comunicativo, com a ocorrência de
operações linguísticas, sociais e cognitivas.
A trajetória da 
Linguística Textual
Fases da Linguística Textual
 Divisão Conceitual e Cronológica
1ª fase
• Análise 
Transfrástica
2ª fase
• Gramáticas do 
texto 
3ª fase
• Teoria do texto
Os diferentes conceitos que o texto recebeu ao longo da
história da linguística textual e a sua evolução desde o
início até os dias mais atuais.
1ª Fase: Análise Transfrástica
 Parte da frase para o texto;
 Compreende TEXTO como uma unidade de sentido construída pelas
relações entre as frases que o constituem;
 Tenta ir além do limite da frase;
 Sofre influências dos estudos estruturalistas, funcionalistas e gerativistas.
O texto, nessa perspectiva, é conceitualizado a
partir dos critérios gramaticais frasais.
2ª Fase: Gramática do Texto
 Parte-se do texto em direção às unidades menores;
 Gramática: sistema de regras finito e recorrente, que todos os falantes de
uma determinada língua partilham;
 Competência textual: Esse sistema de regras habilitaria os usuários a
identificar se uma dada sequência de frases constitui (ou não) um texto e
se esse texto é bem formado.
O texto, nessa perspectiva, é a unidade linguística
mais elevada e o objeto central da Linguística.
3ª Fase: Teoria do Texto
 Propõe-se a investigar a constituição, o funcionamento, a produção e a
compreensão dos textos em uso;
 O texto passa a ser visto como um processo em construção;
 Noções como interação, textualidade, contexto, intertexto passam a
ser o centro das preocupações dos linguistas dessa área.
O que está em evidência nessa última
conceitualização do texto é o contexto, em seu
sentido mais amplo, o contexto situacional,
sociocognitivo e cultural.
Virada Pragmática
Teoria do texto
 Não previa mais um falante idealizado, mas a preocupação recaía sobre a
constituição, o funcionamento, a produção e a compreensão do texto no
seu uso real.
O texto é visto como [...] uma manifestação verbal 
constituída de elementos linguísticos selecionados e 
ordenados pelos falantes, durante a atividade verbal, 
de modo a permitir aos parceiros, na interação, não 
apenas a depreensão de conteúdos semânticos, 
como também a interação (ou atuação) de acordo 
com práticas socioculturais. (KOCH, 1992, p. 9) 
Virada Pragmática
 Quando os pesquisadores passaram a compreender o texto dentro do seu
contexto pragmático.
Pragmática 
nos estudos 
da linguística 
textual 
Pesquisas sobre o texto que 
compreendem do texto ao 
contexto, isto é, do texto até 
as condições externas que 
permitem sua produção, 
recepção e compreensão.
Na virada pragmática, a noção de texto passa a
considerar:
1. Os atos de fala: ações que são praticadas pelos falantes no ato de produzir
um texto. (Nesse caso, o que está em jogo é o contexto).
2. A atividade verbal consciente: o falante tem uma intenção ao falar ou
escrever, ele faz o uso de certos elementos linguísticos, que causam
diferentes efeitos de sentido.
3. A atividade interacional: quem escreve um texto faz isso
com a intenção de que alguém leia e só é possível ler um
texto que alguém tenha escrito.
Princípio dos Atos de Fala
Quando o alocutário
interpreta o enunciado 
deve levar em 
consideração todo o 
conteúdo proposicional 
presente no contexto da 
comunicação. 
Quando um 
locutor
pronuncia um 
enunciado há 
um contexto 
específico e 
determinados 
atos.
Fonte: Pixels. 
Situação-problema
Situação-problema
Leonardo é um leitor assíduo e, após ler uma notícia sobre os dados da
desigualdade social no Brasil, resolveu escrever um artigo de opinião sobre
essa temática e enviar ao jornal para publicação. Depois de organizar todo o
texto, seguindo a estrutura pedida com introdução, desenvolvimento e
conclusão, Leonardo pensou consigo mesmo: será que todo texto precisa
ter título? Formular um título é parte da produção de texto?
O que você pensa sobre isso?
Resolução da Situação-Problema
 O título de um texto faz parte da produção desse
texto;
 Segundo Charolles (1983), na fase das gramáticas do
texto, a criação de um título faz parte da
competência transformativa do falante, a mesma que
permite que tenhamos a capacidade de resumir,
parafrasear e sintetizar um texto;
 Quando criamos um título, usamos diferentes
habilidades cognitivas e textuais, pois precisamos ser
criativos, concisos, coerentes etc.
Atividade de 
interação 
Atividade de interação 1
• Sobre o conceito de texto.
Uma partitura musical é 
considerada um texto?
Fonte: Pexels
Contexto
Contexto
 Substitui a noção de competência.
 Contexto: conjunto sociocultural e histórico comum a todos os membros
inseridos em uma sociedade e, também, o espaço de interação construído
pelos próprios sujeitos na atividade interacional.
O texto só pode ser compreendido em sua 
relação com o contexto. O sentido é fruto desse 
último, o que permite que tenhamos a tríade: 
Texto – Contexto – Sentido. 
Sentido
 Só pode ocorrer dentro de um determinado contexto. 
Texto
Contexto
Caráter 
social da 
linguagem
Fora do 
contexto não há 
texto. 
Contexto – Hymes (1974) 
SPEAKING
S Situação
P Participantes 
E Fins, propósito 
A Sequência de atos 
K Códigos 
I Instrumentos 
N Normas 
G Gêneros 
Texto
Contexto
Fonte: Shutterstock
Exemplo
Virada cognitiva
Ato de Leitura de um Texto
 A leitura do texto exige mais do que compreender uma palavra, uma
frase, um parágrafo - compreendemos o mundo e, por consequência, o
sentido de um texto.
Não temos acesso ao sentido de forma
direta. É preciso mobilizar outros elementos
para que possamos chegar a ele.
conhecimento de mundo experiências
O texto...
 não é um produto acabado, mas um processo;
 no processo de leitura, o texto continua a ser
construído;
 ao ler um texto, o leitor faz hipóteses, previsões,
reconhece informações, acrescentaoutras;
 um mesmo texto jamais será compreendido da
mesma forma por todos os seus leitores.
[...] o leitor não é uma entidade
passiva, mas autônoma, ativa e criativa.
Leitura de um texto
[...] pessoas que leem mais compreendem
melhor um texto. Quanto mais você lê, mais
conhecimento prévio você terá para relacionar
com as ideias presentes no texto no processo da
leitura e mais produtivas serão as conexões
estabelecidas nesse momento. Se, por um lado,
o leitor contribui para a construção dos
significados, por outro, o texto assume um
caráter de mediador entre o autor e o leitor.
Modelos Mentais
Modelos Mentais
 Os modelos mentais são apreendidos durante a vida e
são determinados pelo contexto sociocultural em que
estamos inseridos.
planos scriptsesquemas frames
São esses modelos mentais que possibilitam a
compreensão do sentido de um texto dentro de
um contexto específico.
Esquemas
 São as estruturas cognitivas que se inter-relacionam
com o conhecimento que temos, considerando as
sequências temporais ou casuais.
Exemplo: um marido diz para a sua esposa:
“Há um acidente grave na esquina, pois uma 
ambulância e o carro de polícia estão parados lá”. 
Planos
 Conjunto de conhecimentos sobre como devemos agir
para alcançar determinados objetivos preestabelecidos;
 Todos os elementos estão numa ordem previsível e
conduzem a um fim planejado.
Exemplo: um filho fala para o pai:
“Pai, você é o melhor pai do mundo... Bem que 
poderia aumentar a minha mesada, né?” 
Scripts
 Tratam-se de ações estereotipadas que têm como
principal característica a dinamicidade.
Exemplos: a imagem do Brasil e do brasileiro no exterior:
“É o país do futebol, do carnaval e das belas praias.”
“Brasileiro é um povo acolhedor.”
Frames
 É todo o conhecimento que temos sobre
determinados assuntos, os quais são organizados em
forma de estruturas globais e armazenados em nossa
memória.
Exemplo: quando alguém diz:
“Maio é o mês das noivas.”
Situação-problema
Situação-problema
Ao chegar ao trabalho, você encontra o seguinte bilhete na sua mesa:
“me encontre!”. 
Você não faz ideia de quem escreveu o bilhete e se ele é realmente para
você. Caso a pessoa que escreveu o bilhete pudesse reescrevê-lo, quais
elementos ela deveria acrescentar e por quê?
Resolução da Situação-Problema
 Pedido de um encontro: é preciso que alguns
elementos do contexto sejam comuns aos dois
locutores.
 O autor compartilhar pelo menos alguns elementos do
contexto com o leitor: sua identidade, o local, a
data e o horário para o encontro.
 Sem que haja um contexto, do qual esse texto faça
parte e que seja reconhecido, quem lê não poderá
cumprir com o que se pede, porque o texto não fará
sentido para ele.
Atividade de 
interação
Atividade de interação 2
• Sobre leitura e compreensão textual. 
A compreensão textual depende em grande 
medida do conhecimento de mundo do leitor? 
Fonte: Shutterstock
Revisão final
Revisão final
• Conceito de Texto;
• Fases da Linguística Textual;
• O que é contexto e quais aspectos devem ser
considerados;
• A relação entre sentido e contexto;
• O que envolve a leitura de um texto;
• Os modelos mentais;
• Compreensão textual para a Linguística Textual.
Referências
FÁVERO, L. Leonor. Coesão e Coerência Textuais. 9. ed. São Paulo: Ática, 2002. 
KOCH, I; ELIAS, V. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 
2007. 
KOCH, I. G. V. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1992. 
______ Introdução à linguística textual: trajetórias e grandes temas. São Paulo: 
Martins Fontes, 2004.
______. Linguística textual: retrospecto e perspectivas. Alfa, São Paulo, 41. 1997a, 
p.67-78. 
______. Lingüística textual: uma entrevista com Ingedore Villaça Koch. Revista 
Virtual de Estudos da Linguagem – ReVEL, [S.l.], vol. 1, n. 1, ago. 2003. Disponível em: 
<https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/117442/mod_resource/content/1/ENTREVIST
A%20 INGEDORE%20VILLA%C3%87A%20KOCH%20-%20REVEL%20(1).pdf>. Acesso 
em: 10 jun. 2017. 
______. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 1997b.

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