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Vitor Fernando De Castro Araújo Prof. Everton Baptista 06/03/2023 S.P 1.4 – Será que posso? · Termos desconhecidos: -Não tem · Pontos importantes: -Menstruação atrasada -Idade da paciente -Gravidez na adolescência -Conhecimento de métodos anticonceptivos -Falta de conhecimento dos pais e comunicação familiar -Moral X Ética: Aborto -Acolhimento e escuta Paralelo entre S.P 1.2 e 1.4 Empatia · Objetivos: 1. Compreender e comparar Moral e Ética (relacionado ao aborto); 2. Aprender sobre o atendimento médico do ECA; 3. Correlacionar o ECA com a situação problema; 4. Entender os tipos de sigilo; - Compreender sigilo médico paciente enfatizando o sigilo médico X pais; - Compreender sigilo estudante e paciente regras, como relatar o caso; 5. Buscar sobre educação sexual nas escolas; 6. Compreender a rede de assistência- integralidade do cuidado com a adolescente; (Políticas públicas para confrontamento dessas situações); 7. Buscar dados oficiais sobre incidência de gravidez na adolescência; 8. Buscar entender a subnotificação de abortos; 1) Compreender e comparar Moral e Ética (relacionado ao aborto); (Mackenzie) Os termos ética e moral se referem ao comportamento humano em sociedade e, nesse sentido, se completam. A moral é um conjunto de regras específico que determina o que é certo e errado e assegura a boa convivência em uma sociedade. Dentro de uma mesma comunidade, a moral é mutável ao longo do tempo, e as mudanças ocorrem por influência externa e interna, através de imposições governamentais ou demandas populares. Dentro de uma mesma comunidade, a moral é mutável ao longo do tempo, e as mudanças ocorrem por influência externa e interna, através de imposições governamentais ou demandas populares. A ética é o conjunto de valores que compõem o modo particular de ser do indivíduo, é a reflexão a respeito da moral vigente e das interações humanas de modo geral. Racionalizando as normas sociais, os valores éticos são estruturantes ou desestruturastes da moral e comumente chamados de “princípios”, um código de conduta pessoal. Algo pode ser moralmente errado em uma comunidade, mas ser considerado eticamente bom por algumas pessoas nesse mesmo lugar, e vice-versa. Relacionando com a situação problema, percebe-se que moralmente o aborto é considerado um crime, quando não se encaixa nos casos permitidos por lei, como nas situações de estupro, em caso de risco de morte para a mãe e em casos de gravidez com feto anencefálico, entretanto o número de abortos realizados em clínicas clandestinas tem crescido bastante. Logo, é possível perceber que apesar de ser considerado um crime, a prática dele tem crescido, pois os princípios estão sempre em mudança. Dessa maneira, em relação ao tema, as opiniões são bem adversas sobre e partem dos princípios de cada um. Médicos e pessoas mais conservadoras e religiosas são contra, enquanto, médicos e cidadãos mais progressistas são adeptos da legalização, participando até mesmo de tais clínicas clandestinas. https://drauziovarella.uol.com.br/entrevistas-2/aborto-e-etica-entrevista/ 2) Aprender sobre o atendimento médico do ECA; (Material da Prefeitura de São Paulo) Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a adolescência vai dos 12 aos 18 anos. Para o ECA, pacientes de 0 anos a 12 anos incompletos são consideradas crianças e devem, indispensavelmente, ser acompanhamentos de um responsável para consultas e exames. Já para menores com idade entre 12 e 17 anos, a presença se faz necessária somente para exames invasivos. Artigo 3º) A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se lhes por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. Art. 11) É assegurado atendimento médico à criança e ao adolescente, através do Sistema Único de Saúde, garantindo o acesso universal e igualitário às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde. Art. 15) A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis. Art. 16 – O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: I – Ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais; VII – buscar refúgio, auxílio e orientação. Art. 17) O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais. A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência. O ECA ressalva o direito da criança e do adolescente em defender seus direitos quando seus interesses venham a colidir com os de seus pais ou responsável. RECOMENDAÇÕES DO MS Qualquer exigência, como a obrigatoriedade da presença de um responsável para acompanhamento no serviço de saúde, que possa afastar ou impedir o exercício pleno do adolescente de seu direito fundamental à saúde e à liberdade, constitui lesão ao direito maior de uma vida saudável. Caso a equipe de saúde entenda que o usuário não possui condições de decidir sozinho sobre alguma intervenção em razão de sua complexidade, deve, primeiramente, realizar as intervenções urgentes que se façam necessárias, e, em seguida, abordar o adolescente de forma clara a necessidade de que um responsável o assista e o auxilie no acompanhamento. Havendo resistência fundada e receio que a comunicação ao responsável legal, implique em afastamento do usuário ou dano à sua saúde, se aceite pessoa maior e capaz indicada pelo adolescente para acompanhá-lo e auxiliar a equipe de saúde na condução do caso. Na questão do abortamento, recomenda-se que, caso ocorra divergência entre a vontade da vítima e do seu responsável legal, que prevaleça a vontade da adolescente. Porém, considerando o grau de complexidade da questão, a equipe deve encaminhar o caso para o Conselho Tutelar ou Promotoria da Infância e Juventude que deverão, por intermédio do devido processo legal, solucionar o impasse. Recomendações gerais FEBRASGO (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia) 1. O médico deve reconhecer o adolescente como indivíduo progressivamente capaz e atendê-lo de forma diferenciada. 2. O médico deve respeitar a individualidade de cada adolescente, mantendo uma postura de acolhimento, centrada em valores de saúde e bem-estar do jovem. 3. O adolescente, desde que identificado como capaz de avaliar seu problema e de conduzir-se por seus próprios meios para solucioná-lo, tem o direito de ser atendido sem a presença dos pais ou responsáveis no ambiente da consulta, garantindo-se a confidencialidade e a execução dos procedimentos diagnósticos e terapêuticos necessários. Dessa forma, o jovem tem o direito de fazer opções sobre procedimentos diagnósticos, terapêuticos ou profiláticos, assumindo integralmente seu tratamento. Os pais ou responsáveis somente serão informados sobre o conteúdo das consultas como, por exemplo, nas questões relacionadas à sexualidade e prescrição de métodos contraceptivos, com o expresso consentimento do adolescente. 4. A participação da família no processo de atendimento do adolescente é altamente desejável. Os limites desse envolvimento devem ficar claros para a família e para o jovem. O adolescente deve ser incentivado a envolver a família no acompanhamento dos seus problemas. 5. A ausência dos pais ou responsáveis não deve impedir o atendimento médico do jovem, seja em consulta de matrícula ou nos retornos. 6. Em situações consideradas de risco (por exemplo:gravidez, abuso de drogas, não adesão a tratamentos recomendados, doenças graves, risco à vida ou à saúde de terceiros) e frente à realização de procedimentos de maior complexidade (por exemplo, biópsias e intervenções cirúrgicas), torna-se necessária a participação e o consentimento dos pais ou responsáveis. 7. Em todas as situações em que se caracterizar a necessidade da quebra do sigilo médico, o adolescente deve ser informado, justificando-se os motivos para essa atitude. 3) Correlacionar o ECA com a situação problema; Os questionamentos feitos por Mariana, estudante de Medicina, sobre o que a doutora Marcela deveria fazer pode ser relacionado com o artigo 17 do ECA, que conta sobre o direito ao respeito da criança e do adolescente, que consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais. Além disso, é garantido pelo ECA, o direito à vida e à saúde, onde o Estado se compromete com o acompanhamento à gestante a todo momento de sua gravidez, mesmo que ela deseje entregar o bebê para a adoção ou esteja em situação de privação de liberdade e também deve promover, junto de entidades do terceiro setor responsáveis, uma série de campanhas para evitar gravidez na infância; 4) Entender os tipos de sigilo; (Site da IPEMED) A área da medicina é regida por preceitos éticos. Entre os princípios mais rígidos e respeitados pelos profissionais atuantes, está o sigilo médico, ou segredo médico, como também é chamado. Regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina, Código de Ética Médica, Constituição Federal e Código Penal, ele tem o objetivo de proteger a intimidade dos pacientes, impedindo que informações pessoais cheguem ao conhecimento de terceiros sem permissão. Por ser um dever legal, é válido ressaltar que não há possibilidade de exercer a profissão sem manter o segredo médico nos atendimentos. O sigilo profissional trata de uma informação a ser protegida, impõe uma relação entre privacidade e publicidade, cujo dever profissional se estabelece desde a se ater ao estritamente necessário ao cumprimento de seu trabalho, a não informar a matéria sigilosa. Em algumas áreas específicas da medicina a confidencialidade se apresenta não apenas como questão inerente da profissão, mas como pedra fundamental na construção de confiança com o paciente. A conversa do médico com o indivíduo sobre o sigilo é uma das principais estratégias para estabelecer uma boa comunicação e o estabelecimento de um quadro realista de saúde, o que impacta até mesmo a tratamento. O sigilo profissional é especialmente importante para as categorias médicas que tratam pacientes vulneráveis, com danos severos e com condições de saúde consideradas tabus na sociedade. Na prática médica não faltam exemplos de como a confidencialidade é fundamental para a prática profissional. Há categorias como a ginecologia e a urologia, por exemplo, em que o sigilo é argumento chave da retórica do profissional com o paciente. Homens e mulheres que chegam ao consultório destes médicos esperam de antemão que o atendimento ocorra da forma mais sigilosa possível, uma vez que ainda existe na sociedade estigmas e preconceitos relacionados ao cuidado com determinados órgãos e partes do corpo. É o que acontece quando uma adolescente chega ao consultório de ginecologia pela primeira vez e espera do médico um ambiente confortável e seguro por meio da comunicação do sigilo das informações que irão compartilhar no atendimento. Essa atenção à confidencialidade deve acontecer desde o momento da recepção, com a devida instrução de todo o corpo profissional da clínica sobre o sigilo do paciente. Mesmo jovens com certa experiência de visitas ao ginecologista podem ter dificuldade de se expressar dependendo da sua condição de saúde, como a ocorrência de uma gravidez indesejada ou a descoberta de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis. Embora a confidencialidade seja uma cláusula ética e moral da profissão, existem situações em que sua violação é justificável por diferentes motivos, embora ainda ocorram enormes debates sobre a prática da quebra do sigilo. A violação, entretanto, deve ser evitada ao máximo e, quando necessária, comunicada ao paciente com antecedência para que ele não seja pego de surpresa. A primeira situação - e mais simples - ocorre quando o próprio paciente autoriza por escrito o médico a compartilhar as informações obtidas no atendimento. Essa possibilidade é aberta, por exemplo, a casos em que os dados colhidos pelo médico podem auxiliar estudos técnicos-científicos, políticas corporativas de planos de saúde ou de esfera pública. Essa autorização nem sempre é fácil de ser obtida, o que demanda do médico a apresentação de argumentos que convençam o paciente de que os dados colhidos no atendimento vão, por exemplo, auxiliar centenas ou milhares de outras pessoas com problemas de saúde parecidos. Fatores para avaliar a quebra de sigilo profissional: 1. Alta probabilidade de ocorrer grave dano: o paciente pode afligir dano grave a si mesmo ou terceiros? O risco deve ser real e iminente. 2. Pessoa específica e determinada: o paciente coloca em risco alguma pessoa específica? 3. Benefício real: a quebra de sigilo vai impedir que o dano grave se consume? 4. Último recurso: a quebra de sigilo é seu último recurso? Todos os outros recursos já foram tentados ou avaliados? 5. Generalização: a quebra do sigilo ou não deve ser generalizável, ou seja, a mesma decisão será tomada independentemente de quem forem os protagonistas do caso. A confidencialidade pode ser violada também quando a Justiça determina baseada em argumentos legais. Em alguns casos as informações obtidas pelo médico durante o atendimento podem ser de interesse do conjunto da sociedade e ocorre a solicitação legal para o acesso aos dados. A Justiça pode ainda determinar a quebra do sigilo em uma situação que coloca em risco o próprio paciente, terceiros ou a toda a sociedade, como nos casos de crimes violentos, além de violência infantil e doméstica. Conflitos éticos do sigilo profissional Existe ainda um grande debate na comunidade médica que envolve as motivações para quebra do sigilo profissional. Há inúmeros casos reais e situações hipotéticas que provocam reflexão e devem ser analisadas caso a caso. Um exemplo: uma jovem menor de idade é atendida sozinha no consultório de ginecologia e fornece informações que podem ser de interesse dos pais, como uma gravidez indesejada e mesmo o desejo de realizar um aborto. O médico deve informar os pais? Em primeira análise, o médico deve estabelecer um pacto de confiança com a paciente, de forma que ela tenha ciência do seu direito ao sigilo. Contudo, é importante que ele reafirme que em algum momento esse pacto pode ser violado se ele sentir que é necessário. Código de Ética Médica – Res. (1931/2009) – Capítulo IX – Sigilo profissional É vedado ao médico: Art. 73. Revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão, salvo por motivo justo, dever legal ou consentimento, por escrito, do paciente. Art. 74. Revelar sigilo profissional relacionado a paciente menor de idade, inclusive a seus pais ou representantes legais, desde que o menor tenha capacidade de discernimento, salvo quando a não revelação possa acarretar dano ao paciente. Art. 75. Fazer referência a casos clínicos identificáveis, exibir pacientes ou seus retratos em anúncios profissionais ou na divulgação de assuntos médicos, em meios de comunicação em geral, mesmo com autorização do paciente. Art. 76. Revelar informações confidenciais obtidas quando do exame médico de trabalhadores, inclusive por exigência dos dirigentes de empresas ou de instituições, salvo se o silêncio puser em risco a saúde dos empregados ou da comunidade. Art. 77. Prestar informações a empresas seguradoras sobre as circunstâncias da morte do paciente sob seus cuidados, além das contidas na declaração de óbito. Art. 78. Deixar de orientarseus auxiliares e alunos a respeitar o sigilo profissional e zelar para que seja por eles mantido. Art. 79. Deixar de guardar o sigilo profissional na cobrança de honorários por meio judicial ou extrajudicial. 5) Buscar sobre educação sexual nas escolas; (Matéria do Estadão, publicada pela Carolina Delboni) Uma matéria sobre porque a educação sexual é um assunto fundamental para as escolas. Na Austrália decidiu ensinar consentimento a seus alunos. Consentimento faz parte de um movimento que nasceu impulsionado por uma estudante que perguntou em sua rede social se alguém já tinha sido agredido sexualmente dentro da escola. Foram mais de 200mil respostas contando casos e a partir daí, Chanel Contos abriu uma petição para exigir do governo que educação sexual fosse pautar obrigatória dentro das escolas. O governo acredita que este tipo de educação permite crianças a identificarem quando um toque é inadequado ou descreverem situações de abuso, além de se sentirem mais confiantes uma vez que têm informações sobre seu próprio corpo. O mesmo pensa o governo inglês que tem educação sexual instituída no currículo das escolas como uma obrigatoriedade. Pautado por pesquisas e índices de violência sexual no país, a cada trimestre são determinados assuntos que deverão ser abordados nas escolas de maneira direta. Mas e por aqui, as escolas falam sobre educação sexual? Recentemente uma manchete chamou atenção: "menina assiste palestra sobre educação sexual em escola e denuncia primo". Não é a primeira, mas é mais recente. Alertas sobre crianças e adolescentes que denunciam violências sexuais após palestras ou conversas nas escolas costumam ser frequentes e acabam por reforçar a importância do tema existir dentro dos espaços de educação. Primeiro porque ele ensina, é uma ferramenta didática. Segundo porque previne - ou pode prevenir tanto violências quanto gravidez precoce e outros. E terceiro, porque quando se trata de adolescentes, o assunto vem junto com eles para a escola. Educação sexual é um assunto fundamental para ser falado, regularmente, dentro das instituições. Seja de maneira dirigida e didática, seja de maneira transversal. A abordagem não só pode colocar fim a diversas violências sofridas por crianças e adolescentes, como pode permitir que os mesmos façam denúncias. O que parece já ser um consenso em escolas europeias e anglo-saxônicas. Entende-se que este é o melhor caminho para prevenir doenças sexualmente transmissíveis, gravidez precoce, abusos e exploração, além da violência de gênero e homofobia. No entanto, no Brasil não há ainda uma política instituída nesta direção. Em 2020, o atual Governo chegou a lançar uma campanha incentivando jovens a fazerem abstinência sexual como prevenção a gravidez precoce. Para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil, aprofundar o debate sobre sexualidade e gênero contribui para uma educação mais inclusiva, equitativa e de qualidade, não restando dúvida sobre a necessidade de a legislação brasileira e os planos de educação incorporarem perspectivas de educação em sexualidade e gênero. Os impactos da internet nas descobertas da vida sexual dos jovens já é um dado concreto no Brasil e uma das grandes questões por trás do teclado é que nas redes a conversa, muitas vezes, é mediada por desconhecidos. Discutir, falar e provocar temas relacionados a educação sexual de maneira complexa - e completa - é um tópico que merece, e deve, estar nas escolas direta e transversalmente. Para Maria da Cruz Santos, gestora escolar da EMEB Demétrio Rodrigues Pontes, em Cajamar, apesar da rede não ter nada sistematizado, a escola conseguiu mapear as experiências dos alunos para refletir sobre pontos pertinentes e urgentes, como a gravidez precoce, homofobia e respeito a diversidade, que segundo Maria são pautas recentes. "Nos últimos 3 anos, temos visto a gravidez na adolescência ocorrer entre nossos estudantes causando impactos em suas vidas e muitas vezes mudando a trajetória escolar, trazendo limites que estes jovens pais e mães não teriam que enfrentar se a educação/ orientação sexual estivesse funcionado, pela sociedade ou pela escola". De 2020 para cá, a escola teve pelo menos uma jovem gestante por ano, o que os encorajou a rever o plano pedagógico e buscar parcerias para estabelecer conversas e atividades permanentes com os jovens. "O intuito da escola é fomentar a discussão destes temas junto a estes órgãos de acompanhamento e controle e assim, contribuir na discussão da promoção de políticas públicas para o enfretamento dos problemas relacionados especialmente a gravidez na adolescência, uma vez que interfere forte e diretamente no acesso e permanência destes estudantes na escola", explica. "Quando a gravidez ocorre evasão e/ou abandono dos estudos para a busca pelo trabalho. Aqui, nenhuma adolescente que engravidou conseguiu dar prosseguimento aos estudos de forma adequada e evadiu". No Brasil, uma menina entre 10 e 14 anos se torna mãe a cada 24 minutos, segundo estudo da Secretaria de Saúde de São Paulo. E segundo a Fundação Abrinq, 30% delas não concluem o ensino médio por se tornarem mães. Maria da Cruz aponta outra questão que os preocupa que é o preconceito de gênero e a homofobia. E ainda que não tenhamos políticas públicas claras e direcionadas à educação sexual de jovens dentro das escolas, fica evidente a importância do tema existir e ser discutido no ambiente. Educação sexual é assunto fundamental para as escolas, assim como é para toda e qualquer família. Porque escola é um organismo vivo e assim como nós seres humanos, precisa de uma correlação direta e intrínseca entre cada órgão que forma esse grande corpo. 6) Compreender a rede de assistência- integralidade do cuidado com a adolescente; (Políticas públicas para confrontamento dessas situações); (Governo do Estado do Rio Grande do Sul) No atendimento a adolescentes nos serviços de saúde, é necessário propor a integralidade do cuidado, visando a ampliação do acesso aos diferentes profissionais da equipe e à criação de vínculos, independente do motivo de sua entrada na atenção primária. Portanto, o acolhimento só ganha sentido se for entendido como uma linha de cuidado, como uma ação contínua em todos os locais e momentos do processo de produção de saúde, diferenciando-se da triagem tradicional. A qualidade do acolhimento, a escuta competente e afetiva, a amplitude das relações estabelecidas por profissionais de saúde com usuários e usuárias, a facilidade do acesso às ações de saúde oferecidas e as linhas de cuidado definidas por gestores, serviços e usuários/as garantem a atenção necessária às crianças e adolescentes. A promoção da saúde, pressuposto da atenção básica, reforça a exigência de um movimento integrador na construção de consensos e sinergias e na execução das agendas governamentais, a fim de que as políticas públicas sejam cada vez mais favoráveis à saúde e à vida, estimulando o protagonismo de cidadãos e cidadãs, por meio da gestão compartilhada. Os serviços devem possuir espaços físicos que permitam privacidade e propiciem ambiente em que o/a adolescente se sinta à vontade, garantindo o direito de ser atendido sozinho/a; sempre que possível, oferecer dia e/ou horário exclusivos para atendimento de adolescentes e proporcionar a realização de grupos de adolescentes. Uma abordagem adequada visa o estabelecimento de vínculo de confiança, atitude de respeito e imparcialidade, através de escuta atenta e sensível, garantindo a confidencialidade do atendimento e respeito à autonomia, no melhor interesse de adolescentes. Eixo 1: Crescimento e Desenvolvimento Saudáveis; Ampliação do acesso de adolescentes à atenção básica; Acompanhamento sistemático do crescimento e desenvolvimento; Monitoramento da situação vacinal: hepatite B, dTpa (gestantes), HPV, febre amarela, tríplice viral, dT, meningite meningocócica C; Avaliação da saúde bucal e acuidade visual; Orientação para alimentação saudável e atividade física; Promoção de hábitos saudáveis;Eixo 2: Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva; Consolidação dos Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos de adolescentes, considerando a diversidade sexual e de gênero; Estímulo à participação de adolescentes como promotores/as de saúde sexual e reprodutiva; Acesso ao teste rápido de gravidez na AB, com acolhimento; Acesso a métodos contraceptivos, preservativos e planejamento familiar, incluindo anticoncepção de emergência; Assistência à adolescente grávida, atendendo suas necessidades específicas; Ações educativas visando paternidade responsável; Atenção especial à adolescente no puerpério visando evitar uma segunda gestação não planejada; Acesso a teste rápido para HIV e Sífilis com aconselhamento; Identificação, notificação e atenção aos casos de violência sexual; Eixo 3: Redução da Morbimortalidade por Causas Externas; Contribuição para a redução da morbimortalidade por causas externas em adolescentes em articulação com outros programas e políticas; Ações intersetoriais com foco na prevenção a agravos relacionados ao uso indevido de substâncias psicoativas; Implantação da linha de atenção integral à saúde de pessoas vítimas de violência (identificação, notificação e atendimento de casos de violência contra adolescentes); PRESSUPOSTOS PARA A ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DE ADOLESCENTES 1- Identificação da população de adolescentes no território, para o adequado planejamento de ações, a partir das necessidades específicas; 2 - Promoção de saúde nos territórios, articulando e potencializando os diversos espaços e equipamentos comunitários, especialmente a escola. 3 - Articulação de canais junto à população adolescente que facilitem a sua expressão e o reconhecimento de suas potencialidades por meio de atividades artísticas, esportivas e culturais. 4 - Articular ações intra e intersetoriais fortalecendo uma intervenção mais coletiva, capaz de promover o desenvolvimento saudável de adolescentes e favorecer ambientes protetores. 5 – Fortalecimento da participação de adolescentes na solução de problemas que impactam efetivamente a saúde pública no âmbito de suas comunidades e na promoção da educação em saúde entre pares para uma melhor qualidade de vida. 6- Articulação de parcerias para promoção, junto às famílias, de atividades de educação e saúde relacionadas ao crescimento e desenvolvimento de adolescentes, à alimentação e hábitos de vida saudáveis, à saúde sexual e reprodutiva, à prevenção de violências e acidentes, à promoção da cultura de paz, à redução do uso abusivo de álcool e outras drogas. 7- Vigilância à saúde para identificação de fatores de risco e de proteção às doenças e agravos, identificando as desarmonias do crescimento, os distúrbios nutricionais e comportamentais, as incapacidades funcionais, as doenças crônicas e a cobertura vacinal, o uso abusivo de álcool e outras drogas e a exposição às violências e acidentes, encaminhando o adolescente, quando necessário, para os serviços de referência e para a rede de proteção social. 8 – Desenvolvimento de ações educativas relacionadas à saúde sexual e reprodutiva baseadas nas demandas e necessidades trazidas pelos adolescentes criando ambientes participativos de discussões em grupo que favoreçam o exercício das relações afetivas e fortaleçam o autoconhecimento, o autocuidado e o cuidado com o outro para tomadas de decisões esclarecidas e responsáveis. 9- Desenvolvimento de estratégias sistemáticas de busca ativa de adolescentes grávidas no território, acolhendo-as e realizando atendimento pré-natal considerando as especificidades e necessidades deste grupo etário, envolvendo os parceiros e os familiares no atendimento. 10 – Articulação para o desenvolvimento de ambientes protetores às adolescentes grávidas, mães e pais adolescentes, na garantia da sua permanência na escola, do acesso à profissionalização e ao primeiro emprego e do fortalecimento dos laços familiares. 11- Identificação no território de adolescentes em situação de vulnerabilidade social e pessoal e egressos da FASE, articulando as políticas sociais básicas e a sociedade para uma ampla intervenção que favoreça a melhoria da qualidade de vida e promova ações de apoio, inclusão social, proteção e garantia de direitos. 12- Construção de espaços para troca de experiências, atualizações e estudos entre os profissionais, incluindo a supervisão dos casos. 7) Buscar dados oficiais sobre incidência de gravidez na adolescência; (Segundo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania) Desde 2019, o número de mães com idades entre 10 e 19 anos diminuíram, em média, 18%. É o que aponta levantamento do Sistema de Informações de Nascidos Vivos, do Governo Federal. Os casos registrados em 2018 foram de 456,1 mil, enquanto em 2020 foram 380,7 mil gestações nesta fase da vida. Em comparação a 2010, a redução foi de 31% (552,6 mil registros). Para contribuir mais com essa redução, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), em articulação com os Ministérios da Saúde, da Educação e da Cidadania, abraçou o desafio de ampliar a política nacional para impulsionar iniciativas de prevenção à iniciação sexual prematura e à gravidez na adolescência. Entre elas, está o lançamento do Plano Nacional de Prevenção Primária do Risco Sexual Precoce e Gravidez de Adolescentes. No Brasil, a taxa de nascimentos de crianças filhas de mães entre 15 e 19 anos é 50% maior do que a média mundial — a taxa mundial é estimada em 46 nascimentos por cada 1 mil meninas, enquanto no Brasil estão estimadas 68,4 gestações nesta fase da vida. A situação ainda é mais preocupante quando é analisado o recorte de crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. Em 2020, foram registradas 17,5 mil mães nesta idade. Na última década, a Região Nordeste foi a que mais teve casos de gravidez com este perfil: foram 61,2 mil, seguido pelo Sudeste, com 42,8 mil. 01 a 08/02 – Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência. A data, instituída pela Lei nº 13.798/2.019, tem o objetivo de disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da incidência da gravidez na adolescência. 8) Buscar entender a subnotificação de abortos; (RadioAgenciaNacional, material publicado em 2018) Levantamento aponta subnotificação de mortes em decorrência de aborto inseguro no Brasil. Dados apontam subnotificação de mortes por aborto inseguro. Analisando os dados do Datasus, pesquisadores apontam que os casos de morte de mulheres relacionadas com complicações por aborto inseguro podem ser maiores do que os registrados oficialmente pelo Ministério da Saúde. A pesquisa é inédita e foi encomendada pela ONG Global Health Strategies à Fiocruz. Entre 2006 e 2015, o Ministério da Saúde contabilizou 770 óbitos de mulheres por complicações de aborto. A pesquisa revela que pelo menos outros 195, ou seja, 30% a mais, foram subnotificados. A análise ainda está em andamento e deve ser concluída no ano que vem. Rodolfo Pacagnella, presidente da Comissão de Mortalidade Materna da Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia, teve acesso aos dados e comenta como a subnotificação acontece. Ele menciona que, em países com leis mais liberais sobre a interrupção da gravidez, as mulheres têm acesso a medicamentos para reverter as complicações; enquanto, no Brasil, elas chegam ao sistema de saúde já em condição grave, por causa do risco de serem denunciadas à polícia. Em nota, o Ministério da Saúde confirmou que o aborto é a 4ª causa de mortalidade materna no país. E esclarece que a mulher em condição de abortamento pode ser atendida de forma humanizada nos estabelecimentos públicos de saúde que possuam serviços de obstetrícia. A nota diz ainda que a redução das hospitalizações por aborto está restrita à legislação atual, que limita a assistência. A redução da mortalidade materna foi uma das poucas metas do milênio estabelecidas pela ONU que o Brasil não conseguiu cumprir até o prazo, que terminou em 2015. Em 2016, foram registrados 1.463 casos, 203 em decorrência de abortoinseguro.