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TAP- Tópicos de Atuação Profissional PDF’s Sara
Prática Baseada em Evidências
Definições:
É uma metodologia para a prática clínica difundida entre os profissionais de saúde. Consiste na utilização
de evidências científicas, produzidas por estudos desenvolvidos com rigor metodológico, para tomada de
decisões sobre as melhores condutas frente a cada caso.
“uma abordagem para o cuidado clínico e para o ensino, fundamentada no conhecimento e qualidade da
evidência”
“ O elo entre a melhor ciência disponível e a melhor prática clínica possível”
Integração das melhores evidências de pesquisas científicas de qualidade com a habilidade clínica e a
preferência do paciente
A formação de uma evidência científica segue alguns passos: formulação de uma questão clínica, busca de
evidências, avaliação crítica da evidência encontrada e tomada de decisão com base nessa evidência
auxiliará o enfermeiro na tomada de decisão
avanços tecnológicos: é necessário compreender o impacto que estes apresentam no cuidado, no sentido
de validar conhecimentos e produzir evidências que subsidiem sua aplicação.
comprovem a efetividade das intervenções atuais, tornando-as mais confiáveis
decisão : princípios científicos
conduz a tomada de decisão no consenso das informações mais relevantes para o melhor cuidar
Incorpora : a competência clínica do profissional e as preferências do cliente para a tomada de decisão
sobre a assistência à saúde
finalidade de promover a qualidade dos serviços de saúde e a diminuição dos custos operacionais
interliga: resultados de pesquisas na prática profissional e sua aplicação na prática
Na Enfermagem, a PBE envolve a definição de um problema, a averiguação e avaliação crítica das
evidências disponíveis, a implementação destas na prática e apreciação dos resultados, por meio da
integração de três elementos:
1. melhor evidência científica: pesquisa clínica relevante, focada no paciente, aprimorar medidas de
diagnóstico, indicadores de prognóstico e tratamento, reabilitação e prevenção.
Os achados das investigações clínicas substituem as condutas previamente aceitas por
informações mais seguras, acuradas e eficazes.
2. habilidades/Experiência clínicas Individual: a capacidade de utilizar conhecimentos clínicos e as
experiências prévias na identificação do estado de saúde e diagnóstico, bem como os riscos
individuais e os possíveis benefícios das intervenções propostas.
3. preferência/Valores do paciente: valores, expectativas e preocupações sejam considerados no
cuidado e cabe ao profissional integrá-los às decisões clínicas, quando lhe forem úteis.
Além dessa tríade, as decisões são baseadas também em conhecimento tácito, experiências, valores e
habilidades do profissional, adquiridos durante a observação e prática
1950 ocorreu a incorporação de saberes de diversas ciências para a construção de um corpo próprio de
conhecimentos.
Resta-nos a inquietação de como a Enfermagem correlaciona os conhecimentos explícitos (pesquisas) aos
conhecimentos empíricos (prática) no processo de avaliação crítica das informações. Isto implica na forma
como o cuidado é planejado e implementado, pois se apreende que o conhecimento empírico ainda
fundamenta determinadas práticas de cuidar. Por outro lado, o enfermeiro se depara com certos processos
complexos, que exigem uma abordagem diferenciada e, por vezes, emergem dúvidas na tomada de decisão
Prática profissional: necessidade de validação dos conhecimentos gerados pelas pesquisas sistemáticas,
aliados a competência clínica do avaliador e os princípios da epidemiologia clínica, princípios integrados
pela PBE.
DESAFIO: utilização de resultados de pesquisas na prática assistencial; Implica: disseminação e a
aplicação do novo conhecimento científico à prática, bem como a avaliação deste conhecimento pela equipe
de saúde, paciente e familiares, incluindo a relação custo/benefício
Passos para a aplicação da PBE:
● no slide: gente tava em espanhol
1. Reconhecer Problema
2. Formular hipóteses
3. Experimento para confirmar ou destacar
4. Conclusão
TAP- Tópicos de Atuação Profissional PDF’s Sara
Passos para a aplicação da PBE:
➔ Formulação de uma questão clínica/Problema que possa ser respondida: necessidade de um
cuidado.
Boa questão clínica deve ser formulada englobando a estratégia PICO:
● Paciente ou problema;
● Intervenção ou indicador;
● Comparação de intervenções ou controle;
● Outcomes ou desfecho.
Além disso, deve ser específica, com a delimitação de todos os elementos que a compõem
➔ Busca de evidências
A busca deve ser feita em fontes primárias e secundárias de busca.
As fontes primárias são bancos de dados on-line, como CINAHL, MEDLINE, EMBASE, COCHRANE
LIBRARY.
-revisões sistemáticas já realizadas sobre o tema e estudos compatíveis metodologicamente com a
evidência
-seleção dos artigos: seguir critérios de inclusão e de exclusão, os quais devem ser definidos anteriormente
ao início da busca dos mesmos, a fim de evitar viés
➔ Avaliação crítica da validade e da relevância da evidência encontrada
Atenção: é fundamental, pois caso a evidência não seja relevante ou o avaliador utilize suas
experiências e opiniões na formulação da recomendação clínica, esta poderá ser incompleta ou
enganosa e causar danos ao paciente
avaliar um estudo ou diretriz devemos considerar os seguintes pontos:
1. questão clara;
2. usuários bem definidos;
3. busca abrangente de evidências;
4. descrição dos critérios de seleção e combinação da evidência;
5. descrição dos métodos de formulação da recomendação;
6. consideração dos riscos e efeitos colaterais na sua formulação;
7. registro de identificação das principais recomendações;
8. registro de conflito de interesse dos organizadores;
9. atualização da diretriz
O ensaio clínico controlado randomizado é a abordagem quantitativa que fornece a melhor evidência
possível para avaliar a eficácia de intervenções de saúde.
Outras metodologias empregadas para formação de evidências científicas são a revisão sistemática e a
revisão integrativa de literatura, que consiste em revisões de literatura que empregam um método
criterioso de seleção dos artigos e compilação dos dados sobre um assunto específico
*A identificação desta hierarquia auxilia a análise crítica das evidências realizadas pelo enfermeiro para
aplicação ou não na prática profissional.
➔ Tomada de decisões com base na evidência encontrada
a implementação da evidência clínica encontrada na prática profissional
Para que isso ocorra é preciso:
1. conhecimento e competência do enfermeiro para interpretar os resultados das pesquisas;
2. cultura gerencial e organizacional da instituição que favoreça a utilização de pesquisas;
3. recursos humanos e financeiros compatíveis com o necessário;
4. os achados da pesquisa a ser implementada precisam estar de acordo com a preferência dos
pacientes e de seus familiares
Dificuldades listadas:
evidências reconhecidas e acertadas estão disponíveis, em sua maioria, em outros idiomas e a importância
do enfermeiro pesquisa, ser capaz de obter, interpretar e integrar as evidências para orientar a tomada de
decisão e, consequentemente, planejar o cuidado
distanciamento destes na prática: pesquisa e cuidado dificulta efetivação da PBE= há necessidade de
ampliar o desenvolvimento da pesquisa no âmbito da Enfermagem
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PBE representa o elo entre a pesquisa e a prática profissional, como ferramenta para a capacitação e
inserção do profissional no cotidiano de trabalho, uma vez que permite a aquisição e validação de
conhecimentos. Para tanto é necessário o retorno dos resultados dos estudos à prática assistencial e que
os temas atendem a necessidade e aplica ao cotidiano
PBE: requer capacitação do enfermeiro em buscar estratégias para o desenvolvimento e a utilização de
pesquisas na prática.É preciso que o profissional tenha conhecimento sobre epidemiologia clínica,
bioestatística e sobre informática em saúde.
O processo deve ter início na graduação por meio da inclusão de disciplinascurriculares, as quais busquem
desenvolver nos estudantes a compreensão da importância da pesquisa para a enfermagem, do processo
de pesquisa e da utilização de resultados de pesquisas para a melhoria da assistência prestada ao cliente.
necessidade de ampliar a concepção da pesquisa na prática: ver como ferramenta do processo de trabalho
A aplicação da PBE na prática profissional do enfermeiro esbarra em alguns obstáculos:
1. jornada de trabalho exaustiva
2. cultura institucional que não apóia o desenvolvimento de pesquisas
3. tempo escasso
4. o fato de que as evidências produzidas com maior rigor estão na maioria das vezes em outro
idioma e foram testadas em outra realidade
5. inabilidade em pesquisar e aplicar os seus resultados
Barreiras:
1. falta de preparo do enfermeiro(compreensão do processo de pesquisa e na avaliação crítica de
resultados de pesquisas)
2. não percepção da pesquisa como parte integrante do seu cotidiano
3. falta de tempo e suporte organizacional (recursos humanos, materiais e financeiros).
Para a implementação da prática baseada em evidências tornar-se realidade na enfermagem, são
necessárias mudanças nas esferas educacional, organizacional e individual.(tituições de ensino devem
introduzir disciplinas na grade curricular)
A implementação da prática baseada em evidências poderá melhorar a qualidade do cuidado prestado ao
cliente e intensificar o julgamento clínico; os profissionais de saúde devem saber como obter, interpretar e
integrar as evidências oriundas de pesquisas com os dados do paciente e as observações clínicas. Quando
o cuidado é prestado tendo como eixo norteador essa abordagem, as intervenções tornam se mais efetivas
e seus resultados proporcionam a melhoria da assistência;
Os enfermeiros são constantemente desafiados na busca de conhecimento científico a fim de promoverem
a melhoria do cuidado ao paciente.Um dos propósitos da Prática Baseada em Evidências (PBE) é encorajar
a utilização de resultados de pesquisa junto à assistência à saúde prestada nos diversos níveis de atenção,
reforçando a importância da pesquisa para a prática clínica (Mendes et al., 2008)
PARA CADA OBJETIVO PROPOSTO EXISTE UM TIPOS DE ESTUDO A SER DESENVOLVIDO:
● Diagnóstico : Estudos de acurácia
● Tratamento : Ensaios clínicos randomizados
● Prognóstico : Estudos coortes
● Profilaxia : Ensaios clínicos randomizados
Objetivo de estabelecer evidências:
Evidências de: EFICÁCIA EFETIVIDADE EFICIÊNCIA SEGURANÇA Nas decisões em saúde
INTERVENÇÃO - TIPOS DE ESTUDOS
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Base de Dados: Lilacs, Cinahl, Embase.com, PubMed, Medline etc…
Biblioteca Virtual: Scielo
ESTRATÉGIA DE BUSCA:
IDENTIFICAÇÃO DOS TERMOS
➔ MESH – Medical Subject Headings
➔ DECS – Descritores em Ciências da Saúde
E aí? Tipos de estudo • Tipos de análise • Sujeito, amostra, população • Aspectos éticos • Coleta de dados
TIPOS DE ESTUDO:
● Revisões
➔ Integrativa
1. Qualitativos
2. Quantitativos
➔ Sistemática
-Ensaio Clínico
● Opiniões de experts
QUALITATIVOS
• Trabalham com a qualidade das informações
• Características
• Ambiente natural como fonte direta de dados e o pesquisador como instrumento fundamental;
• Caráter descritivo;
• O significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida como preocupação do investigador;
• Enfoque indutivo.
QUANTITATIVOS
• Trabalham com hipóteses, respostas a uma determinada pergunta
• Utilizam análise estatística
• Podem ser: • Descritivos • Ensaio clínico controlado randomizado • Metanálise • Correlacional •
Observacional • Coorte • Caso-controle
O primeiro passo para o enfermeiro utilizar pesquisas na prática: desenvolver a habilidade de leitura de
artigos: Buscar antigos, compartilhar as informações com outros colegas e promover reuniões para
discuti-las, participação em eventos onde pesquisas são apresentadas, discutidas e o enfermeiro pode
realizar questionamentos,inserção em projetos de pesquisa.
BONUS PBE NA PRATICA: Alliance (Capital Area Alliance for Nursing Research and Research Utilization): Grupo dos EUA identifica
ações que podem promover e proporcionar a melhoria da saúde. encontra-se mensalmente para o planejamento e implementação de
atividades que contemplam os seguintes objetivos: expandir a prática baseada em evidências para garantir a melhoria da assistência
prestada ao paciente; fomentar a colaboração na condução e utilização de pesquisas; criar uma cultura na enfermagem de condução
de pesquisas; assegurar a transferência de resultados de pesquisa para a prática assistencial e o ensino; e estimular a disseminação
da prática baseada em evidências. realiza diferentes estratégias que possibilitam a implementação da prática baseada em evidências,
a saber: programas educativos; conferência anual; eventos onde os pesquisadores locais são convidados para a apresentação e
discussão das pesquisas realizadas; e o desenvolvimento de um site na internet, onde existe uma lista para contato com cada membro
desta organização, e a chamada para a participação na conferência anual. Dentre estas estratégias, destacamos o programa educativo
para enfermeiros e estudantes de enfermagem, no qual os participantes desenvolvem habilidades para a utilização de pesquisas
(incorporação das evidências na prática) e para a condução de pesquisas (desenvolvimento de estudos que geram novas evidências).
O programa educativo é composto de quatro reuniões, cada uma com duração aproximada de uma hora e ocorrem mensalmente, Para
cada programa educativo, uma equipe de enfermeiros que atuam numa determinada área do hospital; dois artigos são selecionados
para serem avaliados nas próximas duas reuniões. A segunda e a terceira reuniões são destinadas ao aprendizado da avaliação crítica
de pesquisas;reunião inicia-se com a apresentação dos principais conceitos da prática baseada em evidências e depois o trabalho da
equipe de enfermeiros previamente convidada é apresentado como exemplo de utilização desta abordagem na enfermagem; avaliação
de forma escrita pelos participantes, os quais apontam os aspectos positivos, negativos e sugestões para a melhoria do programa.
Ética
ATUAÇÃO ÉTICA DO ENFERMEIRO FRENTE AOS ERROS DE MEDICAÇÃO
§ Mapeamento de erros e notificação
§ Revisão de POP de medicação (funcionário e equipe)
§ Capacitação da equipe com desenvolvimento de programas e treinamentos hospitalares
§ Indicadores
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. Resultados: a atuação ética do enfermeiro frente aos erros de medicação inclui a tomada de decisão em
relação às intercorrências com o paciente; ações educativas com a equipe de enfermagem; registro do erro
e aplicação de penalidades. Conclusão: considera-se imprescindível a educação permanente dos
profissionais para a prevenção e redução de erros de medicamentos, possibilitando a segurança do
paciente e qualificação do serviço.
Os erros de medicação são eventos complexos, envolvendo procedimentos, profissionais e múltiplas etapas
relacionados à prescrição, dispensação e administração do medicamento.
O processo de medicação percorre um longo caminho iniciando na produção, segue com a prescrição,
dispensação e a administração.
A administração de medicamentos compreende o processo de checagem, diluição, preparação e
administração no paciente. A enfermagem atua diretamente na administração de medicamentos, sendo que
sua atuação é crucial para evitar erros
Dilemas éticos envolvendo situações levando e conta gravidade, tipo de erro e medicamentos envolvidos
temos:
● o registro do erro no prontuário
● comunicação entre os profissionais
● revelação do erro para o paciente ou familiares, causando danos ou não.
enfermeiros: gerenciam e respondem legalmente por erros cometidos pela equipe de enfermagem,
Os erros de medicação não devem ser banalizados, nem magnificados, e devem ser adequadamente
abordados em todas as suas repercussões pessoais, profissionais e institucionais. O reconhecimento da
possibilidade real de sua ocorrência, a avaliação dos riscos, a revisão das etapas do sistema de medicação,a implementação de políticas institucionais para notificação, captação e revelação de erros de medicação
são os caminhos a seguir
Para a segurança do paciente em relação à administração de medicamentos faz-se necessário:
● capacitação contínua da equipe de enfermagem
● desenvolvimento de programas de avaliação
● prevenção de erros nas instituições hospitalares
Os tipos de erros que ocorrem na administração de medicamentos estão vinculados à:
● via e à dose;
● preparo da medicação;
● horários;
● troca de paciente e de medicação;
● dispensação
P1 - “Troca de pacientes, dosagens, diluições e reconstituições erradas, vias, contaminações.” P2 - “Erros de horários, dose,
medicamento, diluição, tempo de administração.” P3 -“Erro de medicação, via errada, horário, dose.” P4 - “Dose incorreta, via de
medicação errada, preparo de medicamento, medicamentos misturados que precipitam, prontuário ilegível, dispensação do
medicamento. Não realizado às nove certezas.” P5 - “Inúmeros são os tipos que podem ocorrer, desde a dispensação, distribuição,
preparo, prescrição e administração.” P9 - “Os erros comuns de acontecerem são os de não cumprimento da regra das 5 certezas
(paciente certo, via certa, dose certa, hora certa, medicação certa).”
Os fatores relacionados ao erro na administração de medicamentos:
● *falta de atenção e conhecimento
● *sobrecarga de trabalho
● erros na prescrição médica
● dispensação errada do medicamento e o próprio sistema.
Os fatores relacionados ao erro de medicamentos:
● associado aos procedimentos e técnicas inadequadas ou incorretas
● falta de identificação do paciente, leito, medicamento
● hora e via;
● letra ilegível
● conversas na sala de medicações e desatenção
● falhas na prescrição médica
● falhas na comunicação
● não observação da equipe de enfermagem quanto a possíveis reações medicamentosas
● sobrecarga de trabalho
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P1; P3 - “Falta de atenção, falta de qualificação, sobrecarga (horário de trabalho, número de pacientes por profissional, etc).” P4 -
“Falta de atenção, excesso de trabalho, despreparo científico e técnico do profissional, falta de comprometimento com o paciente e a
instituição.” P6 - “Desatenção e falta de leitura da prescrição.” P7 - “Falta de conhecimento, falta de acompanhamento, falta de
atenção, negligência.”
Atuação ética do enfermeiro frente aos erros de medicação:
● a tomada de decisão em relação às intercorrências com o paciente; ações educativas com a equipe
de enfermagem; registro do erro e aplicação de penalidades
são realizadas a partir da tomada de decisão em relação às intercorrências com o paciente; avaliando e
controlando os efeitos adversos advindo do erro.
A avaliação e controle de intercorrências no paciente em virtude de erro de medicação foram ressaltados
pelos enfermeiros 1 e 2, sendo que o registro do caso também foi citado
P1 -“[...] comunicar os profissionais necessários (equipe), conversar com o profissional causador do erro e tomar as devidas
providências conforme rotinas e gravidade do erro.” P2 - “Avaliar o paciente (ver possíveis danos), comunicar o médico assistente
(saber as medidas a serem tomadas).” P3 - “Chamar o funcionário, orientar e advertir se for o caso. Controlar os efeitos adversos que o
erro possa vir a ocasionar.” P5 - “[...] tentar tomar medidas, educativas ou sistemáticas, para evitar novos possíveis “erros”.” P7 - “[...]
registrar a ocorrência.” P8 - “Realizar uma advertência por escrito e orientar o modo correto de fazer.” P9 - “Realizar mais supervisão,
avaliar o profissional, discutir e ajudar a esclarecer dúvidas, realizar capacitação, conferir prescrição médica.” P10 - “Conversar com o
funcionário[...].”
Destaca-se no relato dos enfermeiros a importância da capacitação contínua da equipe de enfermagem
para prevenir o erro de medicação, devendo ser baseada em procedimentos operacionais e protocolos da
área segundo os enfermeiros
P4 - “Treinamento interno, orientação, supervisão e auxílio no preparo e na administração do medicamento. Esclarecimento de dúvidas
através dos PSP 'S e protocolos de segurança do paciente.” P5 - “[...] tentar tomar medidas, educativas ou sistemáticas, para evitar
novos possíveis “erros”.
O papel ético do enfermeiro frente aos erros : desde a orientação do profissional, advertência ou
suspensão, dependendo da gravidade do caso; registro no prontuário com comunicação do paciente e
equipe; registro do caso no livro de ocorrência, com comunicação ao superior e relato do caso à Comissão
de Segurança; Ética e COREN. papel enquanto educador da equipe e, dependendo da gravidade do caso,
a tomada de decisão a respeito do erro. a comunicação do paciente e o registro no prontuário.
Para orientação e supervisão da equipe é necessário :
● aperfeiçoamento e qualificação do enfermeiro sobre erro de medicação
● papel primordial do enfermeiro na educação continuada da equipe, realizando supervisão;
observação; orientação; correção de prescrição de medicamentos, para evitar os possíveis erros
● participação ativa do profissional na organização e supervisão dos padrões operacionais e
protocolos institucionais, baseados nas certezas objetivando a segurança do paciente e da própria
equipe de enfermagem:
Os erros de medicação são passíveis de prevenção e o uso das certezas no processo de administração é
fundamental para minimizar os incidentes com erros. Paciente certo, medicamento certo, dose certa, via
certa, hora certa, tempo certo, validade certa, abordagem e resposta certa, registro certo, são o roteiro que
os profissionais precisam dominar para prestar uma assistência livre de danos
É imprescindível que a equipe de enfermagem possua conhecimento técnico atualizado sobre o mecanismo
de ação, interações e reações adversas dos medicamentos para a segurança do paciente e da equipe a fim
de reduzir os eventos adversos
A prevenção do erro de medicação deve ser discutida por todos os profissionais envolvidos no sistema de
medicação
As condutas adotadas pela equipe de enfermagem perante o erro de medicação envolve comunicar o
incidente ocorrido aos supervisores, com adoção de ações prudentes no processo de trabalho com
conferências preventivas da medicação e das certezas no preparo e administração das medicações.
Notificar, mensurar e analisar a ocorrência do erro de medicação e o grau de dano ao paciente pode
subsidiar ações de prevenção e controle do evento adverso.
A elaboração de protocolos juntamente com a equipe de enfermagem e a educação permanente são
medidas essenciais
Medidas como treinamento sobre erros de medicação, adoção de relatórios de ocorrência de erros sem
consequentes :mudar velhos hábitos dos profissionais e garantir uma assistência de enfermagem segura e
livre de danos punições aos envolvidos, organização de medidas administrativas voltadas ao planejamento
do sistema de medicação : segurança para o paciente, qualificação e integralidade do cuidado
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Cabe à instituição como empregadora e responsável por seus profissionais incentivar a prática da educação
permanente sobre a atuação ética do enfermeiro frente aos erros de medicação, oferecendo recursos para
tal, melhorando a qualidade técnico-científico de seus profissionais e garantindo a qualidade na assistência
prestada na instituição e a segurança do paciente.
PROCESSO ÉTICO DE ENFERMAGEM
§Aumento do número de profissionais expostos a processos éticos, dentre os quais destaca-se o enfermeiro
§ A maioria dos processos está relacionada ao exercício ilegal da profissão
§ O enfermeiro foi o profissional que apresentou o maior número de infrações, dentre elas destaca—se as
iatrogenias, associadas a imprudências, negligências e imperícias
§ Maior número de advertências verbais seguidas de multas, suspensão e cassação
profissão de enfermagem é regida pela Lei nº 5.905/73, que criou o Conselho Federal de Enfermagem
(Cofen) e Conselho Regional de Enfermagem (Coren) em cada estado : autarquia vinculado ao Ministério do
Trabalhoe a Previdência Social = com a missão de órgão disciplinador do exercício dos profissionais de
enfermagem.
Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (CEPE): normas que asseguram a segurança na
assistência de enfermagem.
A ética é essencial ao ser humano, conduz ao senso moral do que é certo e do que é errado e, para exercer
a enfermagem, é fundamental que o profissional tenha conhecimento científico e científico do CEPE.
OBS: Diferença entre ética e moral :Moral representa os hábitos e costumes de uma sociedade, enquanto
ética é um comportamento moral individual racionalizado e uma espécie de filosofia da moral.
Lembrando que :
Iatrogenia: consiste em um estado de doença, efeitos adversos ou alterações patológicas causados ou
resultantes de um tratamento de saúde correto e realizado dentro do recomendável, que são previsíveis,
esperados ou inesperados, controláveis ou não, e algumas vezes inevitáveis.
Negligência: é a falta da atenção devida, resultado da omissão do indivíduo (profissional), assim como a
passividade em uma situação que origina determinado resultado, sendo que era esperado dele a realização
de alguma ação. Algumas definições também consideram como negligência a falta de cuidado ou a
desatenção na execução de uma determinada tarefa, assim como a indiferença;
Imprudência: é a conduta precipitada. Enquanto em uma situação de negligência o erro está em ser
omisso (não fazer), na imprudência o erro está justamente na ação realizada, porém sem a devida cautela e
sensatez que a situação exige. O risco envolvido é conhecido, mas as medidas de segurança ou não são
tomadas ou são realizadas sem o rigor necessário. Ou seja, a equipe de enfermagem exerce suas práticas
assistenciais sem o devido cuidado que a situação requer.
Imperícia: refere-se à falta de habilidade técnica. Assim como nas situações de imprudência, quando
existe a imperícia o ato condenável está na ação, e não na omissão. A imperícia é verificada quando uma
atividade é realizada por um profissional sem a devida qualificação e treinamento, teórica ou prática. Sendo
assim, ele assume um risco a ele e às outras pessoas. A imperícia gera responsabilidade civil e criminal ao
profissional que realizou as ações.
Problemas éticos vivenciados, muitas vezes decorrentes de :
● dificuldades pessoais e profissionais
● formação acadêmica insuficiente.
Dificuldade na execução das práticas relacionada a :a sobrecarga de trabalho afeta a assistência e contribui
para a formação de um profissional descompromissado, além de interferir na assistência de qualidade ao
paciente
Os profissionais devem compreender a importância do erro como um dispositivo de cuidado para prevenção
e planejamento de modo a garantir uma assistência segura ao paciente
Indispensável que os profissionais de enfermagem avaliem com atenção os riscos que envolvem assistência
e os danos que podem suceder de circunstâncias previsíveis, a partir da compreensão da falha humana
Alguns Assunto/denúncia comentados no artigo:Exercício ilegal da profissão ;Exercício irregular da
profissão;Negligência no atendimento; Assédio moral ;Cumplicidade do exercício ilegal da profissão; Maus
tratos a pacientes;Administração incorreta de medicamentos ;Desvio de conduta ;Deixar constar o nome na
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escala e não comparecer no plantão ;Indisciplina e quebra de hierarquia ;Calúnia, injúria e difamação;
Administração de medicamentos sem prescrição médica;Aborto cometido ;Manifestação com termos
pejorativos contra o Conselho Regional de Enfermagem-CE ;Furtos a pertences de pacientes; Desrespeito
às normas institucionais;Abandono de plantão;Omissão de socorro;Desacato
OBS: Conforme as leis tem-se como penalidade a advertência verbal, multa, censura, suspensão do
exercício profissional e a mais grave de todas que é a cassação do direito ao exercício profissional.
A advertência verbal é quando a pessoa é advertida e registrada no prontuário do mesmo, na presença de
duas testemunhas. A censura é uma repressão que vai ser divulgada nas publicações oficiais e também nos
jornais de grande circulação e o seu nome sai em rede nacional mostrando que você cometeu uma infração
ética. Suspensão é quando o profissional é proibido por um determinado período de exercer a Enfermagem.
Informação do artigo: No que diz respeito às penalidades dos Processos Éticos, a advertência verbal
apresenta a maior frequência, seguida das multas.
Sabe-se que em muitas realidades brasileiras, os profissionais de enfermagem, muitas vezes, são coagidos
a prestar assistência que não lhes compete na ausência de outros profissionais, aspecto relevante para a
ocorrência dessas infrações, levando, assim, o profissional a infringir o CEPE. O Artigo 33 do CEPE enuncia
que é proibido ao profissional de enfermagem realizar qualquer serviço que compete a outro profissional,
exceto em caso de emergência.
Conforme o Artigo 118 - inciso 1º, do CEPE, a advertência verbal consiste na admoestação ao infrator, de
forma reservada, que será registrada no prontuário do mesmo, na presença de duas testemunhas. Já a
multa, penalidade aplicada a 18 (30,5%) processos, implica no pagamento obrigatório de uma a 10 vezes o
valor da anuidade da categoria profissional à qual pertence o infrator(2). Em nossa pesquisa, o assédio
moral foi motivo para quatro (6,7%) processos, apesar de ser considerada uma infração leve(2)
Com isso, defende-se que a moral não é a submissão a uma norma imposta pela sociedade ou pelas
instituições normalizadoras, e sim a disposição do indivíduo a agir em conformidade com a essência
natural(11)
Vale ressaltar a importância da promoção da cultura de segurança
O profissional de enfermagem deve prestar uma assistência de enfermagem livre de danos decorrentes de
imperícia, negligência ou imprudência à pessoa, família e coletividade.
É necessário que sejam realizadas orientações aos profissionais de enfermagem envolvidos em infrações
éticas, devem apresentar um caráter educativo e não punitivo.
Uma estratégia interessante e inovadora(14) para favorecer a tomada de decisão ética e, possivelmente,
contribuir para a diminuição dos processos éticos foi a participação de estudantes de enfermagem em
experiências com dilemas éticos, situações práticas como o enfermeiro atuaria na realidade com a
finalidade de adotarem uma postura conforme o recomendado no CEPE.
O enfermeiro deve ter a consciência de que sua atuação deve fundamentar-se na ética/bioética.
Ressalta-se, ainda, que é inaceitável o desconhecimento das leis que regem a profissão e possivelmente, a
grande maioria das infrações éticas decorre da má interpretação do conteúdo do CEPE. Existe a
necessidade de reflexão sobre o processo de formação e a sua continuidade nas instituições de saúde, em
que devem ser discutidos os problemas vivenciados.
Conclusoes: verificou-se que a infração exercício ilegal da profissão teve maior frequência, seguida do
exercício irregular da profissão, sendo os enfermeiros os profissionais com maior numero. considera-se
relevante o estímulo para reflexão dos profissionais de enfermagem quanto aos erros cometidos, infrações e
penalidades atribuídas, de modo que zelem pelo cuidar, livre de negligência, imprudência e imperícia,
resultando em uma assistência de enfermagem eficaz e segura ao cliente.aumento da produção científica
sobre esse tema e a contínua capacitação dos profissionais de enfermagem podem trazer benefícios não
apenas para a segurança do paciente, mas também para o profissional.educação permanente embasada no
CEPE pode contribuir para melhorar as deficiências do sistema de saúde, bem como o desenvolvimento
profissional
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Vulnerabilidades
CONCEITO VULNERABILIDADE PELA ENFERMAGEM
§ Vulnerabilidade está ligada à saúde e a problemas de saúde (mais vulnerável – maiores chances de
adoecimento)
§ Identificar indivíduos com maior índice desses agravos (baixa renda, etnia, baixa escolaridade)
§ Propor ações de intervenção considerando as 3 dimensõesda vulnerabilidade
§ Utilizar modelos teóricos sobre o conceito de vulnerabilidade entre enfermeiros e pesquisadores com a
finalidade de aprimorar, saberes e a prática de enfermagem.
Vulnerabilidade: desastre e perigo. Derivada do Latim, do verbo vulnerar, quer dizer “provocar um dano,
designar suscetibilidade das pessoas a problemas e danos de saúde''.
Definições:
a) Grau de suscetibilidade ou de risco a que está exposta uma população de sofrer danos por um desastre
natural;
b) Relação existente entre a intensidade do dano resultante e a magnitude de uma ameaça, evento adverso
ou acidente e
c) Probabilidade de uma determinada comunidade ou área geográfica ser afetada por uma ameaça ou risco
potencial de desastre, estabelecida a partir de estudos técnicos (Material III - Ministério da Ação Social,
1992). Grau de perda (de 0 a 100 por cento) como resultado de um fenômeno potencialmente danoso .
: a) Um setor da população, especialmente as crianças, mulheres grávidas e ou que estão amamentando,
os velhos, os sem-teto, que estão mais sujeitos à doenças e deficiências nutricionais. São os que mais
sofrem em situações de desastre e, b) Grupo de pessoas que a possibilidade de escolha é severamente
limitada, sujeitas frequentemente à coerção em sua decisão.
● faz referência a pessoas que apresentam alguma alteração de uma situação de “normalidade”
biológica, referida ao seu ciclo de vida ou a sua condição social e, desta forma, os grupos a que
pertencem são entendidos como deficitários ou que foram de alguma forma prejudicados na sua
“forma de andar a vida”.
● em epidemiologia buscam identificar nas pessoas, características que as colocam sob maior ou
menor risco de exposição, com comprometimento de ordem física, psicológica e/ou social.
Calcula-se a probabilidade e as chances maiores ou menores de grupos populacionais de adoecer
ou morrer por algum agravo de saúde
● Segundo assinalam, o risco nos estudos tradicionais em epidemiologia tem uma identidade
bastante sólida, com caráter eminentemente analítico(associados a eventos ou condições,
patológicos ou não). Já a vulnerabilidade, como um conceito emergente, está mais voltada ao
caráter sintético(2).
● o risco epidemiológico é a probabilidade de que um indivíduo de qualquer grupo exposto a um
determinado agravo ou condição venha a também a pertencer a outro grupo, o dos “afetados”(
● Já a vulnerabilidade tem como propósito a busca da “síntese”, ou seja, trazer os elementos
abstratos associados e associáveis aos processos de adoecimentos para planos de elaboração
teórica mais concreta e particularizada, onde os nexos e mediações entre esses fenômenos sejam o
objeto do conhecimento sobre vulnerabilidade, “A vulnerabilidade quer expressar os potenciais de
adoecimento/não adoecimento relacionados a todo e cada indivíduo que vive em certo conjunto de
condições”Na perspectiva da vulnerabilidade, a exposição a agravos de saúde e mesmo
acometimento que leva a morte resulta tanto de aspectos individuais como de contextos ou
condições coletivas que produzem maior suscetibilidade aos agravos e morte em questão e,
simultaneamente, a possibilidade e os recursos para o seu enfrentamento
epidemia de aids foi um fenômeno determinante para que pesquisadores e profissionais de saúde
pudessem repensar o conceito de risco e avançar nas discussões sobre vulnerabilidade. a epidemia seja
interpretada segundo a interação de três dimensões:
● individual
● programática
● social
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a chance de exposição das pessoas ao adoecimento é resultante de um conjunto de aspectos não apenas
individuais, mas também coletivos, contextuais, que acarretam maior suscetibilidade à infecção e ao
adoecimento e, de modo inseparável, maior ou menor disponibilidade de recursos de todas as ordens para
se proteger de ambos.
No mesmo processo de vulnerabilidade encontra-se a capacidade de luta e de recuperação dos
indivíduos e grupos para o seu enfrentamento
Sugere-se que a vulnerabilidade seja compreendida como a integração de três dimensões:
1. a do entitlement, referente ao direito das pessoas
2. do empowerment, ou seja, quanto a sua participação política e institucional
3. e a da política econômica, referente à organização estrutural-histórica da sociedade e suas
decorrências
No conceito de vulnerabilidade, não há como desconsiderar o seu caráter interdisciplinar. No modelo de
análise baseado na identificação de três níveis para se realizar a leitura de vulnerabilidade das pessoas ao
vírus HIV compreendem a intersecção entre as dimensões sócio-estrutural e sócio-simbólica com os níveis
de trajetória social, interação e contexto social. Na dimensão sócio-estrutural, na intersecção com a
trajetória social, toma-se o ciclo de vida, a mobilidade social e a identidade social entre outros. Nesta
mesma dimensão na interseção com o nível de interação têm-se características do parceiro (idade, status
sorológico, etc), espaço onde esta interação ocorre, etc. E por fim, ainda na dimensão sócio estrutural em
sua interseção com o contexto social consideram-se as normas sociais vigentes, as normas institucionais,
as relações de gênero, a iniqüidade, etc(8).
Agora, tomando a dimensão sóciosimbólica, em sua interseção com a trajetória social, compreendem-se as
subjetividades, projeto de vida, percepção do futuro, etc. Na interseção entre esta dimensão e o nível de
interação se refere à representação subjetiva que se tem do parceiro, a percepção da utilização do condom
em função do status sorológico, etc. E na interação entre a dimensão simbólica com o contexto social que
compreende a percepção subjetiva das normas, a interpretação pessoal e a expectativa de punição, etc.
Este modelo traz importante contribuição no sentido de dar visibilidade à dimensão social e da subjetividade
na questão da vulnerabilidade de homens frente ao HIV/AIDS, apontando inclusive algumas possibilidades
de intervenção.
Vulnerabilidade no brasil: termo origina Direitos humanos: grupos ou indivíduos fragilizados, jurídica ou
politicamente, na promoção, proteção ou garantia dos seus direitos de cidadania, a vulnerabilidade
antecede ao risco e determina os diferentes riscos de se infectar, adoecer e morrer.
No caso da aids: Considerando que o caminho que leva o indivíduo a se infectar é determinado por um
conjunto de condições, dentre as quais o comportamento é apenas uma, não há como pensar intervenções
voltadas somente para o indivíduo, sem dar conta das situações que interferem em seus comportamentos
privados e sem acessar os elementos externos - políticos, econômicos, culturais e de oferta de serviços de
saúde - que podem apoiar e direcionar as pessoas numa perspectiva de maior ou menor autoproteção.
A vulnerabilidade neste aspecto pode ser analisada segundo três dimensões interdependentes: individual,
programática e social:
a) Vulnerabilidade individual, que diz respeito à ação individual de prevenção frente a uma situação de
risco. Envolve aspectos relacionados a características pessoais (idade, sexo, raça, etc), ao desenvolvimento
emocional, percepção do risco e atitudes voltadas à adoção de medidas de autoproteção; bem como a
atitudes pessoais frente à sexualidade, conhecimentos adquiridos sobre doenças transmissíveis e
aids;vivência da sexualidade e habilidades de negociar práticas sexuais seguras, crenças religiosas etc;
b) Vulnerabilidade programática que se refere a políticas públicas de enfrentamento do HIV/AIDS, metas
e ações propostas nos programas de DST/AIDS e organização e distribuição dos recursos para prevenção e
controle.
c) Vulnerabilidade social que se refere à estrutura econômica, políticas públicas, em especial de educação
e saúde, a cultura, ideologia e relações de gênero que definem a vulnerabilidade individual e programática.
O questionamneto do conceito de vulnerabilidade permite ter a percepção social da desigualdade e
injustiça, o preconceito e a discriminação, a opressão, exploração e violência da sociedade. A
vulnerabilidade social relacionaseà processos de exclusão, discriminação ou enfraquecimento dos grupos
sociais, e sua capacidade de reação.
Vulnerabilidade na saúde.
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Ajuda a melhor reconhecimento das suas reais necessidades(dessa população vulnerável),
assegurando-lhes maior proteção.
** A vulnerabilidade é definida como um processo dinâmico estabelecido pela interação dos elementos que
a compõem, tais como idade, raça, etnia, pobreza, escolaridade, suporte social e presença de agravos à
saúde. Admite-se que cada pessoa possui um limiar de vulnerabilidade que, quando ultrapassado, resulta
em adoecimento.A vulnerabilidade é definida não só pelas características pessoais, mas também pelas
condições adquiridas no decorrer da vida ou resultantes do estilo de vida, do desenvolvimento de
estratégias e habilidades para enfrentar trauma e doença.
Considera-se que o grau de vulnerabilidade se altera a depender da modificação na condição ou ambiente
social.
Quem é a população vulnerável?
Estudos tratam de caracterizar como vulneráveis, as mulheres, os adolescentes, as pessoas com
deficiências e outros grupos vivendo em exclusão social e alguns estudos consideram que alguns
segmentos da sociedade são mais vulneráveis ao adoecimento e a morte do que outros, como jovens e
idosos, mulheres, minorias raciais, pessoas com pouco suporte social, pouco ou nenhum acesso à
educação, baixa renda e desempregados e que sua vulnerabilidade é afetada grandemente pela percepção
que cada um possui sobre o processo saúde-doença e sobre a vida.Alguns estudos propõem como
variáveis para análise, a idade, o sexo, a etnia, o apoio social, a escolaridade, a renda, o estilo de vida e os
fatores de risco modificáveis e não modificáveis.
modelo analítico: representado por um triângulo eqüilátero, baseia-se na identificação dos componentes
individual e social da vulnerabilidade.
A avaliação da vulnerabilidade pode ser útil para identificar características ou condições para potencializar
os recursos disponíveis para o enfrentamento da doença.
A identificação de condições, características e situações de proteção e fortalecimento dos indivíduos e
grupos contra o adoecimento constituem um dos diferenciais do conceito de vulnerabilidade
A análise da vulnerabilidade permite conhecer e compreender as diferenças como cada um individualmente
e em grupo vivencia e enfrenta o processo saúde-doença. Propõe-se a construção de marcadores que
podem ser utilizados para avaliar as condições de vida e saúde de indivíduos e grupos para subsidiar a
intervenção orientada para os determinantes do estado de vulnerabilidade
Dessa forma, para a interpretação do processo saúde-doença, considera-se que, enquanto o risco indica
probabilidades, a vulnerabilidade é um indicador da iniqüidade e da desigualdade social
Um dos alcances do conceito é dado pelo seu potencial de ampliação sobre a compreensão dos fenômenos
da saúde, resultante do entrecruzamento de comportamento e vivências individuais, subjetivas, condições
sociais, políticas e culturais, juntamente com as ações de saúde voltadas para a prevenção e controle dos
agravos. Outro alcance é a possibilidade de conferir maior integralidade às ações de saúde, ao fortalecer a
proposta de intervenções que considerem as três dimensões da vulnerabilidade, incorporando as influências
exercidas pelos seus componentes. Na perspectiva da determinação social da saúde-doença e da
vulnerabilidade, está implícito o seu caráter multidisciplinar, o que é fundamental quando se trata de
problemas ou de necessidades de saúde, na medida em que a complexidade do objeto da saúde requer
diferentes aportes teórico metodológicos, sob pena de reduzir as ações à “tarefas” pontuais, de caráter
emergencial que não modificam a estrutura da teia de causalidade.
A operacionalização do conceito de vulnerabilidade pode contribuir para renovar as práticas de
enfermagem. Ao apresentar diferentes modelos para se discutir vulnerabilidade, entende-se que a
enfermagem precisa ter instrumentos e modelos teóricos que direcionam suas práticas de pesquisa e de
intervenção em saúde. Contudo, estes modelos teóricos não devem ser entendidos como uma estrutura
rígida e imutável. De uma perspectiva dialética, os modelos teóricos são instrumentos para se recortar o
objeto de estudo que está sempre em construção.
Sugerir que a enfermagem utilize modelos teóricos apresentados acima contribui para que a enfermagem
possa partilhar e debater mais amplamente o conceito de vulnerabilidade. A utilização de modelos teóricos
assemelhados possibilitaria a interlocução do conhecimento sobre vulnerabilidade entre
enfermeiras/pesquisadoras de diferentes países, com a finalidade de aprimorar os saberes e a prática de
enfermagem
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VULNERABILIDADE FAMILIAR DE CRIANÇAS E CUIDADOS
§ Eixos da vulnerabilidade – social, individual e programática
§ O impacto da vulnerabilidade na família e no ciclo social
§ Falta de implementação e avaliação em políticas públicas
§ Identificação das vulnerabilidades para mobilizar e articular recursos, planejamento e acompanhamento
do usuário
Crianças com Necessidades Especiais de Saúde (CRIANES): em condições limítrofes de vida e que
nasceram prematuras, com malformações congênitas, síndromes ou condições crônicas de saúde. em
conjunto ou de forma isolada, demanda para quatro tipos de cuidados: de desenvolvimento,
medicamentoso, tecnológico e/ou habituais modificados.
Subgrupo de CRIANES:crianças com necessidades especiais de cuidados múltiplos, complexos e contínuos
apresentam maiores limitações em seu desenvolvimento neuropsicomotor e necessitam de tecnologias para
manutenção das atividades diárias básicas.
Pontos que determinam situações de vulnerabilidade individual e familiar:
familiar é o principal responsável pela realização dos cuidados no domicílio
➔ responsabilidades são contínuas e exigem que a família organize sua dinâmica e rotina para
exercer os cuidados com a criança
➔ precariedade no acesso aos serviços de saúde
➔ exclusão social
➔ busca pela garantia dos direitos como cidadãs
➔ preconceito da sociedade diante da condição da criança
➔ profissionais de saúde não as reconhecem em seu contexto de vulnerabilidade
➔ não possuem acesso a serviços de qualidade
➔ a necessidade de um dos familiares parar de trabalhar para assumir os cuidados, tornando as
famílias mais vulneráveis devido ao comprometimento dos recursos financeiros
➔ educação especial para criança para auxiliá-las em seu desenvolvimento
Obs do Artigo:
● hospitalização da criança impacta de forma negativa no cotidiano da família: sofrimentos,
reorganizar suas rotinas
● Benefício da Prestação Continuada (BPC): é a garantia de um salário mínimo por mês ao idoso
com idade igual ou superior a 65 anos ou à pessoa com deficiência de qualquer idade.
● as crianças possuíam pelo menos três das quatro demandas de cuidados que caracterizam uma
CRIANES
● s (58,8%) não recebia visitas ou acompanhamento da equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF)
● reduzida ou nenhuma autonomia sobre as suas próprias necessidades de cuidados
● Índice de vulnerabilidade das famílias leva em consideração: Adequação do domicílio , Perfil e
composição familiar , Acesso a trabalho e renda na família , Condições de escolaridade , Índice de
Vulnerabilidade Familiar ;
● O maior grau de vulnerabilidade das famílias participantes do estudo foi observado na dimensão
acesso a trabalho e renda familiar
● Evidencia-se ainda que as crianças com condições crônicas, em especial aquelas com
necessidades especiais de cuidados múltiplos, complexos e contínuos, estão em situação de
vulnerabilidade programática, pois não existe um sistema de informação que possibilite a
localização das mesmas nos serviços de saúde ou mesmo um cadastro que forneça informações
sobre os dados das crianças e suas famílias, além de atualização das demandas de cuidados e
condições de saúde das mesmas.
● . Identificou-se, ainda, notória vulnerabilidade individualdevido à fragilidade clínica da criança,
social pela exclusão e programática relacionada à precariedade de acesso aos serviços de saúde.
Dimensões mais comprometidas e que evidenciaram mais correlação com o índice geral de vulnerabilidade
das famílias:
1. acesso ao trabalho e renda na família
2. condições de escolaridade
(quanto maior a escolaridade, maior a renda familiar)
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Fatores evidenciam a necessidade de identificação da vulnerabilidade das famílias que partilham dessa
situação no âmbito da ESF:
1. mudança do perfil epidemiológico de saúde em todas as faixas etárias da população
2. aumento de pessoas com incapacidades
Condições que caracterizam a vulnerabilidade dos indivíduos de forma individual, no contexto social e
programático:
● condições socioeconômicas apresentadas pelas famílias
● demandas de cuidados das crianças
● falta de orientação aos pais
● acesso fragilizado e o precário acompanhamento no âmbito da atenção básica
Vulnerabilidade: pode abarcar fatores individuais, coletivos e contextuais que predispõem as pessoas ao
adoecimento.
Três eixos do modelo conceitual para vulnerabilidade proposto por Ayres :
a) individual, que consiste na existência de fatores do próprio indivíduo que propiciam a ocorrência do
agravo;
b) programática, que leva em conta o acesso aos serviços de saúde, sua organização, a relação entre os
profissionais e usuários, os planos de prevenção e de controle de agravos e os recursos ofertados para
atender a população;
c) social, referente às condições ambientais e econômicas a que o indivíduo está subordinado.
fatores que intensificam a vulnerabilidade da família:
1. saneamento básico;
2. baixa escolaridade dos pais;
3. condições de trabalho e renda;
4. presença de pessoas que demandam mais cuidados na família – idosos e pessoas com deficiência.
Vulnerabilidade programática
Refere-se à falta de elaboração, implementação e avaliação de políticas públicas e programas voltados para
essas crianças e suas famílias nos serviços de saúde
necessário: adequado gerenciamento de recursos provenientes da atenção básica, investir na formação de
profissionais de saúde capazes de intervir junto às famílias vulneráveis, a fim de garantir atendimento de
qualidade e acesso ao serviço de saúde.
Ações diante as situações e a vulnerabilidade:
1. Faz-se necessário que as redes de atenção à saúde sejam avaliadas por seus gestores, a fim de
proporcionar acesso e atendimentos a essa população. Destaca-se a importância de investir na
formação de profissionais qualificados para atuarem na atenção primária, que compreendam o
contexto das famílias e valorizem a vulnerabilidade das mesmas na implementação de ações de
cuidado
2. atender às necessidades individuais e coletivas, por meio de ações direcionadas e adequadas à
complexidade de cada caso
3. A formação de vínculos empático, longitudinal e integral entre o profissional e os familiares
possibilita identificar as necessidades das famílias e, em conjunto, subsidiar as possíveis soluções
para o problema, amenizar sobrecargas e ampliar o acesso aos serviços de saúde numa
perspectiva de cuidado centrado na família. Ter postura apoiadora e pelo contato contínuo e
horizontal com os dispositivos ofertados pela rede de atenção à saúde e intersetorial.
4. importância de avaliar a vulnerabilidade de crianças, abordando aspectos como o compromisso das
instâncias governamentais em relação ao planejamento e execução de políticas, a inserção da
família no âmbito social de modo a ofertar acesso aos seus direitos de cidadania, relações
sustentadoras da estrutura familiar e proteção à saúde da criança.
5. articulação e a mobilização de recursos existentes na rede intersetorial de serviços, o que abarca a
educação, o serviço social e a mobilidade (deslocamento até os serviços inseridos no itinerário das
famílias)
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6. faz-se necessária a elaboração de ações para reduzir o desgaste da família e direcionar recursos
existentes na atenção básica para que as famílias sejam atendidas de forma integral,
7. necessário que a equipe multiprofissional de saúde conheça o conceito de vulnerabilidade e
identifique situações reais em seu território de atuação, de modo a transformar sua prática e
direcionar as práticas para as necessidades das famílias
8. Assim, identificar e conhecer a quais tipos de vulnerabilidade as crianças com necessidades
especiais de cuidados múltiplos, complexos e contínuos e suas famílias estão expostas no contexto
da comunidade fornecerá aos profissionais subsídios para elaboração do plano terapêutico de
acordo com as necessidades destes indivíduos, além de promover apoio às famílias e atuar na
prevenção de agravos.
9. a atuação da equipe multiprofissional no âmbito da ESF, com a participação ativa do enfermeiro
para educação em saúde, acompanhamento fonoaudiológico, fisioterápico, pedagógico e de terapia
ocupacional, poderia possibilitar mais desenvolvimento e independência da criança, em especial na
fase precoce da doença, aumentando autonomia para o autocuidado, além do suporte psicológico e
de assistência social às famílias, a fim de diminuir sua exposição às vulnerabilidades sociais
10. propor intervenções de saúde e também subsidiar o gerenciamento de políticas públicas que sejam
congruentes com as reais necessidades das crianças e famílias. Além disso, considera-se
importante investir na formação de profissionais qualificados para atuar na atenção primária, que
compreendam e efetuem o cuidado centrado na família.
Práticas de prevenção e promoção da saúde
POLÍTICA NACIONAL DE PROMOÇÃO DA SAÚDE – Potencialidades
§ Identificar singularidades territoriais para o desenvolvimento de políticas, programas e intervenções,
amplia as ações de promoção à saúde e contribuindo para fortalecer as identidades regionais.
§ Possibilita a articulação e cooperação intra e intersetorial. Dessa forma, permite que exista o
compartilhamento de planos, metas, recursos e objetivos entre diferentes setores.
§ Cuidado humanizado e integridade do cuidado:
§ A abordagem de políticas públicas para a produção e disseminação de conhecimento, com isso seu
processo de implementação das várias esferas de gestão do SUS como setor sanitários, setores de
políticas públicas e da sociedade, provocando mudanças no modo de organizar, planejar, realizar, analisar e
avaliar o trabalho em saúde.
§ Objetivo geral – promover a equidade, melhoria das condições e do modo de viver e ampliando a
potencialidade da saúde individual e coletiva.
➔ Ela ratificou o compromisso do Estado brasileiro com a ampliação e a qualificação de ações de
promoção da saúde nos serviços e na gestão do SUS;
➔ foi inserida na agenda estratégica dos gestores do SUS e nos Planos Nacionais de Saúde
subsequentes a PNPS, ampliando as possibilidades das políticas públicas existentes
➔ Aprovada em 2006, na Comissão Intergestores Tripartite
➔ Visa: enfrentamento dos desafios de produção da saúde e à qualificação contínua das práticas
sanitárias e do sistema de saúde.
➔ Institucionalização no SUS (2005) com a criação do Comitê Gestor da Política, pela Portaria MS/GM
nº 1.190, de 14 de julho de 2005, deveria:consolidar a proposta da Política Nacional de Promoção
da Saúde, definir a condução da implantação nas diferentes Secretarias do MS, e articular e integrar
as ações de promoção da saúde no âmbito do SUS.
➔ Foi apresentada e ajustada nos Grupos de Trabalho da Vigilância em Saúde, da Atenção à Saúde e
de Gestão, bem como na Comissão Intergestores Tripartite (CIT) e no Conselho Nacional de Saúde
(CNS).
➔ processo de implementação nas várias esferas de gestão do SUS e na interação entre o setor
Sanitário e os demais setores das políticas públicas e da sociedade : provocar mudanças nos
modos de organizar, planejar, realizar, analisar e avaliar o trabalho em saúde.
➔ propor mudanças no trabalho em saúde: conformidade com a Declaração de Adelaide (2010) e
com a Declaração de Helsinquesobre Saúde em Todas as Políticas (2013): mais fácil alcançar os
objetivos do governo quando todos os setores incorporam a saúde eo bem- -estar como
componentes centrais no desenvolvimento de políticas
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➔ gestores, trabalhadores e usuários do setor Saúde e dos demais setores aceitem o convite de
envolvimento ativo na construção coletiva do bem comum para a redução das iniquidades e para a
promoção dos direitos humanos fundamentais.
➔ a importância de incluir novos elementos indutores para a sua concretização, como a explicitação
de valores, a definição de temas transversais e de eixos operacionais, bem como a adequação e a
atualização dos temas prioritários da política.
➔ reconhece a constante necessidade de qualificar e atualizar as ações e os serviços prestados pelos
gestores e pelos trabalhadores do SUS
➔ Traz a necessidade de estabelecer relação com as demais políticas públicas conquistadas pela
população.
Discussão sobre Promoção à Saúde :
- agendas sociais coordenadas pela Casa Civil da Presidência da República;
- Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável – RIO +20;
- Estratégia Global para Alimentação, Atividade Física e Saúde.
- 8ª Conferência Internacional de Promoção da Saúde, com a Declaração de Helsinque com o tema Saúde em Todas as
Políticas;
- Plano Brasil Sem Miséria;
- Plano da Década de Segurança Viária – 2011 a 2020;
- Fórum Econômico Mundial, com a discussão sobre o desafio de enfrentar as doenças crônicas não transmissíveis.
Mudanças na legislação, incluindo a publicação do Decreto nº 7.508, de 2011, que regulamentou a Lei Orgânica da Saúde (Lei nº
8.080/1990), dispondo sobre a articulação interfederativa, com ênfase na equidade entre as regiões de saúde; e a publicação da Lei
Complementar nº 141, de 2012, que normatiza a Emenda Constitucional nº 29 e estabeleceu os critérios de rateio e de transferência de
recursos na saúde, além das normas de fiscalização, avaliação e controle das despesas com saúde nas três esferas de governo.
Composição:
● Entidades e órgãos vinculados ao Ministério da Saúde(vem assumindo novas demandas e novos
compromissos nacionais e internacionais para cumprimento de suas atribuições )
● Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass)
● Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems)
● Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)
novos desafios e compromissos que motivaram o aprimoramento e a atualização da PNPS:
● processo de revisão:Ministério da Saúde e coordenado pela Secretaria de Vigilância em Saúde, por
meio do Comitê Gestor da Política, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde
(Opas) e com o Grupo Temático de Promoção da Saúde da Associação Brasileira de Saúde
Coletiva (Abrasco) – ocorreu de forma ampla, democrática e participativa, com o envolvimento de
gestores, trabalhadores, conselheiros, representantes de movimentos sociais e profissionais de
instituições de ensino superior, além da participação de representantes de instituições fora do setor
Saúde comprometidos com ações de promoção da saúde das cinco regiões brasileiras.
A nova versão:
➔ a toma por fundamento o próprio SUS
➔ traz em sua base o conceito ampliado de saúde
➔ referencial teórico da promoção da saúde
➔ resultados de suas práticas desde a sua institucionalização
➔ aponta a necessidade de articulação com outras políticas públicas para fortalecê-la
➔ imperativo da participação social e dos movimentos populares
Promoção da Saúde:
● 8ª Conferência Nacional de Saúde(marco da luta pela universalização do sistema de saúde e
pela implantação de políticas públicas em defesa da vida): tornando a saúde um direito social
irrevogável, como os demais direitos humanos e de cidadania.
● Constituição Federal de 1988: assegurar o acesso universal dos cidadãos às ações e aos serviços
de saúde, a integralidade da assistência com igualdade, sem preconceitos ou privilégios de
qualquer espécie e com ampla participação social, capaz de responder pela promoção, prevenção,
proteção e recuperação da saúde, conforme as necessidades das pessoas.
● Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990: conceito ampliado de saúde resultante dos modos de
vida, de organização e de produção em um determinado contexto histórico, social e cultural,
buscando superar a concepção da saúde como ausência de doença, centrada em aspectos
biológicos
Operar a política de saúde é necessária:consolidação de práticas voltadas para indivíduos e coletividades,
em uma perspectiva de trabalho multidisciplinar, integrado e em redes, de forma que considere as
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necessidades em saúde da população, em uma ação articulada entre os diversos atores, em um
determinado território.
RAS= organização das ações e dos serviços de saúde: a formação de rede regionalizada e hierarquizada
com diferentes densidades tecnológicas formadas por pontos de atenção à saúde, denominada de Rede de
Atenção à Saúde.
↳ necessita articular suas ações com as demais redes, como a de proteção social, da qual a saúde faz
parte, com a assistência e com a previdência social. Pois demais setores e instituições são fundamentais
para a produção de saúde e do seu cuidado.
Definição : Cartas das Conferências Internacionais
Promoção à saúde: conjunto de estratégias e formas de produzir saúde, no âmbito individual e coletivo,
que se caracteriza pela articulação e cooperação intrassetorial e intersetorial e pela formação da Rede de
Atenção à Saúde, buscando se articular com as demais redes de proteção social, com ampla participação e
amplo controle social. Assim, reconhece as demais políticas e tecnologias existentes visando à equidade e
à qualidade de vida, com redução de vulnerabilidades e riscos à saúde decorrentes dos determinantes
sociais, econômicos, políticos, culturais e ambientais.
Obs: deve considerar a autonomia e a singularidade dos sujeitos, das coletividades e dos territórios, pois as
formas como eles elegem seus modos de viver, como organizam suas escolhas e como criam
possibilidades de satisfazer suas necessidades dependem não apenas da vontade ou da liberdade
individual e comunitária, mas estão condicionadas e determinadas pelos contextos social, econômico,
político e cultural em que eles vivem.
Integralidade na promoção da saúde : estratégia de produção de saúde que respeita as especificidades e
as potencialidades na construção de projetos terapêuticos, de vida e na organização do trabalho em saúde,
por meio da escuta qualificada dos trabalhadores e dos usuários, de modo a deslocar a atenção da
perspectiva estrita do adoecimento para o acolhimento de suas histórias e condições de vida.
O processo saúde-adoecimento é decorrente de múltiplos e complexos aspectos:
- papel do setor a visibilidade destes fatores
- articulação intersetorial deve estimular e impulsionar os demais setores a considerar, na construção
de suas políticas específicas, os fatores e as condições de vulnerabilidade, os riscos e as
potencialidades da saúde que afetam a vida da população, responsabilizando, assim, todos os
setores e fazendo com que a saúde componha as agendas de todas as políticas públicas
intervenções tem como objetivo como objeto os problemas e as necessidades de saúde e seus
determinantes e condicionantes, de modo que a organização da atenção e do cuidado envolva, ao mesmo
tempo, as ações e os serviços que operem sobre a saúde e o adoecimento, com um olhar para além dos
muros das unidades de saúde e do sistema de saúde, incidindo sobre as condições de vida e favorecendo a
ampliação de escolhas saudáveis.
Saúde exige a participação ativa de todos os sujeitos na análise e na formulação de ações que visem à sua
promoção.
↳ desenvolvimento de políticas públicas e para a produção e disseminação de conhecimentos e práticas de
saúde de forma compartilhada e participativa.
↳ Bases da saúde : encontram-se fora do setor Saúde, sendo formadas social e economicamente
↳ Necessidade de Novo contrato social entretodos os setores para ampliar o desenvolvimento humano, a
sustentabilidade e a equidade, assim como para melhorar as condições de saúde.
Valores e princípios:
Fundamentais de todas as práticas e ações no campo de atuação da promoção da saúde.
a) reconhece a subjetividade das pessoas e dos coletivos no processo de atenção e cuidado em defesa da
saúde e da vida;
b) considera a solidariedade, a felicidade, a ética, o respeito às diversidades, a humanização, a
corresponsabilidade, a justiça e a inclusão social como valores fundantes no processo de sua
concretização;
c) adota como princípios a equidade, a participação social, a autonomia, o empoderamento, a
intersetorialidade, a intrasetorialidade, a sustentabilidade, a integralidade e a territorialidade.
Objetivo geral:
Promover a equidade e a melhoria das condições e dos modos de viver, ampliando a potencialidade da
saúde individual e coletiva e reduzindo vulnerabilidades e riscos à saúde decorrentes dos determinantes
sociais, econômicos, políticos, culturais e ambientais.
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PROVAVELMENTE NÃO VAI CAIR NA PROVA, MAS VAI QUE CAI ;)
Objetivos específicos:
I. Estimular a promoção da saúde como parte da integralidade do cuidado na Rede de Atenção à Saúde, articulada às
demais redes de proteção social.
II. Contribuir para a adoção de práticas sociais e de saúde centradas na equidade, na participação e no controle social,
a fim de reduzir as desigualdades sistemáticas, injustas e evitáveis, respeitando as diferenças de classe social, de
gênero, de orientação sexual e a identidade de gênero; entre gerações; étnico-raciais; culturais; territoriais; e
relacionadas às pessoas com deficiências e necessidades especiais. III. Favorecer a mobilidade humana e a
acessibilidade; o desenvolvimento seguro, saudável e sustentável. IV. Promover a cultura da paz em comunidades,
territórios e municípios.
V. Apoiar o desenvolvimento de espaços de produção social e ambientes saudáveis, favoráveis ao desenvolvimento
humano e ao bem-viver.
VI. Valorizar os saberes populares e tradicionais e as práticas integrativas e complementares.
VII. Promover o empoderamento e a capacidade para a tomada de decisão, e também a autonomia de sujeitos e de
coletividades, por meio do desenvolvimento de habilidades pessoais e de competências na promoção e defesa da
saúde e da vida.
VIII. Promover processos de educação, de formação profissional e de capacitação específicos em promoção da saúde,
de acordo com os princípios e os valores expressos nesta Política, para trabalhadores, gestores e cidadãos.
IX. Estabelecer estratégias de comunicação social e de mídia direcionadas tanto ao fortalecimento dos princípios e das
ações em promoção da saúde quanto à defesa de políticas públicas saudáveis.
X. Estimular a pesquisa, a produção e a difusão de conhecimentos e de estratégias inovadoras no âmbito das ações de
promoção da saúde.
XI. Promover meios para a inclusão e a qualificação do registro de atividades de promoção da saúde e da equidade nos
sistemas de informação e de inquéritos, permitindo a análise, o monitoramento, a avaliação e o financiamento das
ações.
XII. Fomentar discussões sobre os modos de consumo e de produção que estejam em conflito de interesses com os
princípios e com os valores da promoção da saúde e que aumentem vulnerabilidades e riscos à saúde.
XIII. Contribuir para a articulação de políticas públicas inter e intrassetorial com as agendas nacionais e internacionais.
Diretrizes
Compreendidas como linhas que fundamentam as ações e explicitam as suas finalidades, são diretrizes da PNPS:
I. O estímulo à cooperação e à articulação intrassetorial e intersetorial para ampliar a atuação sobre determinantes e
condicionantes da saúde.
II. O fomento ao planejamento de ações territorializadas de promoção da saúde com base no reconhecimento de
contextos locais e no respeito às diversidades, a fim de favorecer a construção de espaços de produção social,
ambientes saudáveis e a busca da equidade, da garantia dos direitos humanos e da justiça social.
III. O incentivo à gestão democrática, participativa e transparente para fortalecer a participação, o controle social e as
corresponsabilidades de sujeitos, coletividades, instituições e de esferas governamentais e da sociedade civil.
IV. A ampliação da governança no desenvolvimento de ações de promoção da saúde que sejam sustentáveis nas
dimensões política, social, cultural, econômica e ambiental.
V. O estímulo à pesquisa, à produção e à difusão de experiências, conhecimentos e evidências que apoiem a tomada
de decisão, a autonomia, o empoderamento coletivo e a construção compartilhada de ações de promoção da saúde.
VI. O apoio à formação e à educação permanente em promoção da saúde para ampliar o compromisso e a capacidade
crítica e reflexiva dos gestores e trabalhadores de saúde, bem como o incentivo ao aperfeiçoamento de habilidades
individuais e coletivas para fortalecer o desenvolvimento humano sustentável.
VII. A incorporação das intervenções de promoção da saúde no modelo de atenção à saúde, especialmente no cotidiano
dos serviços de atenção básica em saúde, por meio de ações intersetoriais.
VIII. A organização dos processos de gestão e de planejamento das variadas ações intersetoriais, como forma de
fortalecer e promover a implantação da PNPS na Rede de Atenção à Saúde (RAS), de modo transversal e integrado,
compondo compromissos e corresponsabilidades para reduzir a vulnerabilidade e os riscos à saúde vinculados aos
determinantes sociais.
Temas transversais Os temas transversais são referências para a formulação de agendas de promoção da saúde e para
a adoção de estratégias e temas prioritários, operando em consonância com os princípios e os valores do SUS e da
PNPS.
I. Determinantes Sociais da Saúde (DSS), equidade e respeito à diversidade
II. Desenvolvimento sustentável
III. Produção de saúde e cuidado
IV. Ambientes e territórios saudáveis
V. Vida no trabalho
VI. Cultura da paz e direitos humanos
Eixos operacionais:estratégias para concretizar ações de promoção da saúde, respeitando os valores, os princípios, os
objetivos e as diretrizes da PNPS.
I. Territorialização
II. Articulação e cooperação intrassetorial e intersetorial
III. Rede de Atenção à Saúde
IV. Participação e controle social
V. Gestão
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VI. Educação e formação
VII. Vigilância, monitoramento e avaliação
VIII. Produção e disseminação de conhecimentos e saberes
IX. Comunicação social e mídia
Financiamento: Comissão Intergestores Tripartite (CIT)
Temas prioritários:
I. Formação e educação permanente
II. Alimentação adequada e saudável
III. Práticas corporais e atividades físicas
IV. Enfrentamento ao uso do tabaco e de seus derivados
V. Enfrentamento do uso abusivo de álcool e de outras drogas
VI. Promoção da mobilidade segura
VII. Promoção da cultura da paz e dos direitos humanos
VIII. Promoção do desenvolvimento sustentável
POLÍTICA NACIONAL DE PROMOÇÃO DA SAÚDE – Fragilidades
§Baixa precisão do que seja promoção a saúde
§ Pouca clareza da APS em relação a suas ações e objetivos
§ Escassez das iniciativas de avaliação sobre o que pensa e faz a APS, e no que se refere
Cresce debate internacional em torno da promoção da saúde desde:
Relatório Lalonde e Conferência de Alma Ata
↳perspectiva política de abordagem das intervenções sobre a saúde
↳a articulação da saúde com as condições de vida e a necessidade de intervenções globais sobre seus
determinantes.
Carta de Ottawa
↳ promoção da saúde firmou como proposição de natureza política a ser incorporada como diretriz na
formulação de políticas públicas de saúde de diversos países
Brasil:
Políticas de Atenção Primária à Saúde (APS)
↳importância da atuação sobre os territórios pautada em análises de situação de saúde e definição de
problemas com protagonismo das populações locais, ações voltadas para as famílias em seus domicílios,
enfim, um conjunto de medidas que deveriam orientar o trabalho das equipes de APS na perspectivade
mudança do modelo de atenção vigente até então, um dos aspectos mais relevantes da agenda da Reforma
Sanitária Brasileira
Em que pese o aparente consenso em torno da ideia de incorporação da promoção da saúde no âmbito das
políticas, a compreensão do que isso significa e como se traduz em operações concretas no âmbito das
práticas de saúde é bastante diversa. As várias conceituações disponíveis podem ser agrupadas em dois
blocos:
1. Ações de promoção da saúde são reduzidas a atividades voltadas para a mudança de estilos de
vida dos indivíduos, os quais, em uma visão reducionista, estariam sob seu controle.
2. a importância dos determinantes gerais das condições de saúde, propondo atividades mais voltadas
ao coletivo dos indivíduos e ao ambiente, com destaque para a importância da ação intersetorial e
de políticas públicas coerentes
Importância das doenças crônicas não transmissíveis: valores crescentes dos indicadores de
morbimortalidade e representando 70% da carga atual = Debate sobre a promoção da saúde, passando-se
a associá-la a medidas preventivas, sobre o ambiente físico e sobre estilos de vida, não estando mais
voltadas exclusivamente para indivíduos e famílias com enfoque biomédico(só na doença).
Inovações propostas para o trabalho dos profissionais que compõem as equipes de Saúde da
Família:
● inserção de práticas de promoção da saúde(individual e coletivo)
↳ ações de educação e comunicação em saúde dirigidas ao incentivo a mudanças comportamentais
e a determinados hábitos e estilos de vida de indivíduos mediante a participação das equipes em
ações intersetoriais voltadas para intervenções sobre determinantes sociais que interferem na
qualidade de vida da população adscrita às unidades de saúde.
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Alguns problemas relacionados às ações de promoção na APS:
sistemas de informação em saúde não contemplam o registro sistemático de ações de promoção, atestando
o grande vazio de conhecimento e a pouca expressão concreta das práticas de promoção no cotidiano dos
serviços de saúde.
importância das informações produzidas pelo Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da
Atenção Básica (PMAQ-AB) criado em 2011 por iniciativa do governo federal com o objetivo de induzir a
ampliação do acesso e a melhoria da qualidade dos serviços de Atenção Básica através de incentivo
financeiro destinado às gestões municipais de saúde, condicionado à pactuação de compromissos e
avaliação de indicadores firmados entre as equipes de Atenção Básica, os gestores municipais e o
Ministério da Saúde
baixa precisão na definição do que seja, de fato, promoção da saúde; segundo, há pouca clareza do que se
espera que as equipes de atenção primária desenvolvem quanto à promoção da saúde;
escassas as iniciativas de avaliação sobre o que se pensa e o que se faz em Atenção Primária à Saúde no
que se refere à promoção da saúde.
Alguns dados importantes sobre o artigo:
No Brasil, mais de 70% das equipes referiram realizar ações de promoção da saúde e de prevenção de doenças
crônicas dirigidas a mulheres (82,1%), homens (87,4%), diabetes (89,5%), autocuidado (89,6%), alimentação (71,7%),
hipertensão (74,6%) e atividades nas escolas (75,3%); mais de 60% (61,0%) realizavam ações dirigidas ao incentivo a
atividades físicas; e menos de 50% realizavam ações dirigidas aos idosos (36,5%), práticas corporais (42,7%), detecção
precoce de HAS nas escolas (75,3%), e avaliação antropométrica (26,2%) e nutricional (21,4%) nas escolas.Em relação
ao número de ações realizadas, 1,9% das equipes informaram que não realizavam nenhuma das atividades
selecionadas . 96,0% das equipes referiram que realizavam pelo menos uma ação (conjunto de nove ações) de
promoção da saúde ou prevenção de doenças crônicas, Entretanto, apenas 16,1% apresentaram documento que
comprovava tal realização. Analisando-se, especificamente, ações realizadas nas escolas para detecção precoce de
HAS, avaliação antropométrica e avaliação nutricional, que compreendem avaliações de caráter clínico, o percentual de
equipes que referiram realizar pelo menos uma dessas ações, no Brasil, caiu para 49,1% e nenhuma equipe em dez
unidades federadas apresentou documento de comprovação da realização dessas ações.
Atividades com escolares foram referidas por 75% das equipes no Brasil. Entretanto, ações específicas de detecção
precoce de hipertensão ou atividades como avaliação antropométrica e nutricional foram informadas por poucas equipes
e comprovadas por quase nenhuma delas. Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), que incluem educador físico e
nutricionista, foram incorporados desde 2008 à APS (BRASIL, 2008) e deveriam oferecer um suporte especial às
equipes na promoção de práticas de alimentação saudável e atividade física.
Resultados :
:( incipiência da realização de ações de promoção da saúde e prevenção de doenças pelas equipes de
APS
:( baixa institucionalização de ações de promoção da saúde
:(valores percentuais das taxas de comprovação foram muito baixos.
:( Pode ser que alguns problemas podem estar relacionados a imperfeições do instrumento utilizado na
captura das informações desejadas e discrepância verificada entre as ações de promoção da saúde
informadas e comprovadas pelas equipes respondentes indique um problema meramente de insuficiência
de instrumentos ou formas de registro
escassez de ações específicas dirigidas aos idosos e à detecção de problemas entre escolares
:) grande interesse em relação às doenças crônicas não transmissíveis: de um lado, pela vulnerabilidade
biológica e social (idoso), de outro, pela oportunidade perdida de uma intervenção precoce entre crianças e
jovens, grupos que vêm apresentando, nos últimos anos, expressivo aumento de indicadores de obesidade
e inatividade física.
:( bloco de promoção à saúde, não existem questões específicas sobre intersetorialidade, a, sem nenhuma
informação mais consistente sobre a natureza da ação realizada.
:( o treinamento dos entrevistadores e o controle do trabalho de campo não foram objeto de uma
padronização sistemática entre as distintas instituições que realizaram a avaliação externa, o que pode
comprometer a confiabilidade dos instrumentos de investigação, sobretudo em questões onde não há
formulações consensualmente aceitas, como é o caso da promoção da saúde.
Ações para APS maximizar sua contribuição é a forte atuação nos territórios e entre as populações
saudáveis ou de não-doentes. As intervenções de promoção da saúde assumem como objetivo uma
mudança no estilo de vida coletivo, cujas ações devem ser direcionadas mais para os contextos ou settings,
como nas escolas e comunidades em que os indivíduos se situam.
Prevenção primária dos fatores de risco:
promoção da atividade física, desencorajamento do tabagismo, estímulo a práticas de alimentação
saudáveis, dentre outras mudanças em fatores comportamentais, exige um compromisso sustentado ao
longo do tempo e baseia-se em escolhas individuais que são determinadas pela organização social, como a
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disponibilidade de alimentos saudáveis, a existência de locais para realizar atividades físicas, o preço e
disponibilidade de cigarros etc.
Atenção : “ contato regular com um prestador de serviços de APS está associado com o aumento do
compromisso dos indivíduos de aderir a planos de mudança de comportamento”
PMAQ-AB(Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica)é um projeto
bastante ambicioso de iniciativa nacional que alia incentivos financeiros e avaliação de processos locais, o
que significa pôr em operação uma logística complexa com toda uma rede de relações que extrapolam,
inclusive, a dimensão técnica de uma mensuração de qualidade do trabalho das equipes de APS. Espera-se
que a análise cuidadosa dessa primeira investida, inclusive o mergulho analítico e crítico nos dados
produzidos, sirva para melhorar investigações posteriores e, especialmente, a qualidade das ações
desenvolvidas na Atenção Primáriaà Saúde.
Finalizando concluimos:
incipiência da realização de ações de promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas pelas equipes
de atenção primária no país.
↳ necessidade premente a adoção de medidas, pelos gestores, que visem a alterar essa realidade, ademais
do estímulo, pelos organismos financiadores, a processos investigativos que explorem as razões pelas
quais ainda estejamos neste patamar.
Inclusão social e saúde
Organização das práticas de atenção primária em saúde no contexto dos processos de
exclusão/inclusão social
§ Buscar as articulações possíveis no que tange à noção da vida e da saúde, identificar grupos sociais em
situações de vulnerabilidade e organizar o serviço na perspectiva da equidade.
§ Não existe modelo programático posto que viabilize soluções imediatas.
§ Importante lembrar que a equidade é tratar de forma privilegiada os mais desprovidos, ou seja, não tratar
de forma igual os desiguais.
§ Na atenção primária pode-se utilizar de agentes de saúde, visitas domiciliares, campanhas... Além de
dividir por territórios, há necessidades individuais e diferentes níveis de pobreza e segregação.
§ Ações a serem realizadas: responder, encaminhar as demandas de saúde, resolver os problemas
psíquicos e biológicos, assistência social, vagas específicas para esses grupos, tratar de forma diferenciada
e prioritária, realizar consultórios de rua.
SUS: garantiu em termos legais o acesso universal, igualitário e integral aos serviços e ações de saúde.
↳ é resultado do movimento social que estava lutando por uma sociedade menos desigual, combatendo as
iniqüidades no acesso às ações e aos serviços de saúde: na perspectiva da prevenção da doença e na
promoção da saúde, esta entendida como direito do cidadão e dever do Estado para todos
↳ Concluindo que para alcançar seus objetivos, é necessário implementar políticas e correspondentes
programas que contemplem as várias dimensões envolvidas no processo saúde-doença: habitação,
transporte, alimentação, trabalho, lazer, entre outros
Desafios: justiça social em tempos de transformações e rearticulações sociais, políticas e econômicas
sociedade brasileira acumula anos de políticas públicas conservadoras, que a democracia ainda é um
objetivo a ser atingido e que são necessárias lutas sociais cada vez mais amplas e articuladas com os
canais de participação política para que os direitos sejam alcançados. Promover a inclusão social significa
tomar como recurso teórico-conceitual a categoria eqüidade.
“Cidadania concedida” denominação da concessão dada pelo Estado a grupos específico
Problema :A conquista da legitimação do SUS, expresso na Constituição de 1988, ainda não representou
uma real efetivação de programas que transformem os padrões de morbi-mortalidade pretendidos por meio
das ações de saúde voltadas à população em geral, embora deva ser considerado um avanço na esfera
jurídico legal.
procura de novas maneiras de organização tecnológica do trabalho em saúde,
na perspectiva da implementação de políticas
setorial e intersetorial equânimes e com fortes
traços de discriminação positiva.
TAP- Tópicos de Atuação Profissional PDF’s Sara
Equidade : não tratar de forma igual os desiguais, uma vez que a ideia de igualdade não se sustenta em si,
mas é impregnada de valores morais e historicamente contextualizada.
↳ promoverá ações aos grupos diferenciados em suas demandas e necessidades de diferentes maneiras,
organizando programas que privilegiam alguns grupos populacionais identificados como mais despossuídos
↳ DESAFIO:
1. acordar no conjunto dos trabalhadores do serviço e nos usuários, em geral, ações que privilegiem
alguns grupos sociais em detrimento de outros;
2. manter o preceito constitucional da universalidade na assistência;
3. manejar um instrumental teórico e metodológico para identificar quais os grupos populacionais a ser
atingidos;
4. Formular tecnologias adequadas para suas necessidades.
Atenção Primária à Saúde
APS: desenvolvimento e incorporação de novas formas de organização da assistência à saúde, sendo a
APS a estratégia de reorientação dos sistemas de saúde.
Especificidade tecnológica do trabalho em saúde na atenção primária: importante processo de produzir
saúde: espaço onde há possibilidade mais efetiva da promoção da autonomia do cuidado em saúde, visto
que essa modalidade de serviço está menos aprisionada ao trabalho médico restrito
APS: ainda que muitas vezes instituídas sem o acompanhamento de processos avaliativos, outras
experiências em atenção pri
● RAS: grau de incorporação de tecnologia material e de especialização de seus recursos humanos,
sendo a APS a instância de menor grau de incorporação destes elementos.
Programa de agentes comunitários de saúde e o programa de saúde da família
↳ Tentativa de estender ações básicas em saúde aos segmentos da população até então sem acesso aos
serviços de saúde. Realizam projetos regionais e, posteriormente, municipais, assumindo configurações
variadas dentro da orientação de privilegiar as necessidades em saúde de cada localidade ou região do
país, segundo os princípios constitucionais.
O contexto urbano – território de inclusão e exclusão social
A definição de cidade está nas origens dos fenômenos de urbanização que pressupõem a construção de
áreas centrais e periféricas, nas quais as pessoas vivem, trabalham, moram, adoecem e morrem. Diferentes
classes sociais e atividades econômicas
questão urbana e a problemática dos segmentos que convivem no mesmo espaço reforçada com a
preocupação com a cidadania, com a democratização e, principalmente, com o aumento da violência e da
pobreza nas cidades, seja pela moradia ou pelo trabalho, incluindo a busca de conhecimentos sobre as
estratégias de sobrevivência dos vários grupos que vivenciam processos amplos de exclusão econômica,
social, política e cultural.
SP e Santos:
acentuada fragmentação social expressa em uma composição populacional diferenciada e que abriga a
convivência de diversas formas de produção, distribuição e consumo.
inúmeros conflitos
características evidentes de popularização, empobrecimento e diversificação
sinais de deterioração, com a presença do comércio informal, da violência e da pobreza.
situação de extrema heterogeneidade entre os vários grupos sociais que ali convivem no dia-a-dia e que
demandam serviços aos recursos existentes no local e nas áreas mais próximas (
A presença marcante de cortiços como importante característica habitacional da região e os núcleos
recentes de favelas e de população de rua. Esses são alguns aspectos que marcam definitivamente
situações de exclusão social
Coexistência cujos sentidos confundem se com os interesses pela ocupação de espaços públicos
, com a delimitação dos espaços privados, com as trocas comerciais, com a prestação de uma infinidade de
serviços.
Cultura:caráter fragmentário, de justaposição conflituosa e para o sincretismo cultural
A heterogeneidade e deterioração determinam, por sua vez, uma segregação espacial entre pobres e ricos,
centro e periferia, e uma divisão de “pedaço” entre os diversos grupos
denominam de “tribos”, estabelecendo redes de relações sociais e tornando possível a própria cidade.
Nesses “pedaços”, as necessidades individuais conjugam-se às expectativas e às possibilidades de
inserção social, levando à construção de “identidades” em meio às privações e desigualdades de
oportunidades
TAP- Tópicos de Atuação Profissional PDF’s Sara
IMPORTANTE: As desigualdades sócio-econômicas, a incongruência entre os anseios e as condições
concretas para satisfazê-los, além de influenciar as diferentes experiências de adoecer e morrer entre
grupos populacionais, são ainda responsáveis pelas condições de estresse e problemas de saúde mental
Problema : No conjunto da população local, chega-se a definir grupos prioritários para a atenção,
considerando sua maior vulnerabilidade às patologias, mas não se chega a constituir modelos de atenção
que articulem respostas diferentes às demandas de grupos sociais heterogêneos, que dividem omesmo
espaço territorial, econômico e cultural.
PROVAVELMENTE NÃO CAI: Apontamentos sobre as condições de vida na área central da Cidade de São Paulo
Ranking do Mapa da Exclusão:
(a) melhores condições – Bela Vista, Cambuci e Consolação;
(b) médias condições – Bom Retiro, Liberdade, Pari e Santa Cecília;
(c) piores condições – Brás, República e Sé.
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em três grupos:
1. médio (Consolação, Bela Vista, Liberdade e Santa Cecília)
2. baixo (Bom Retiro, Brás, República e Cambuci)
3. muito baixo (Sé e Pari).
O CSEBF: características do serviço e de sua área de abrangência
objetivos:
1. prestar assistência à saúde
2. formar e capacitar recursos humanos em saúde
3. desenvolver investigações voltadas para o campo da saúde coletiva(formulação de novas
tecnologias em atenção primária em saúde principalmente)
A separação em distritos administrativos obedece a uma divisão formal, pois as áreas citadas são
contíguas, tendo dinâmicas sócio-urbanas semelhantes. Neste sentido, a região central da cidade de São
Paulo desponta como espaço de destaque na análise e diagnóstico para o planejamento e as ações de
saúde do serviço, procurando, desse modo, entender as diferentes demandas e as várias possibilidades de
identificação das necessidades em saúde a ser trabalhadas.
CSEBF:assistida os segmentos da população que habita a região, assim como trabalhadores do comércio,
serviços e indústria existentes na área.
Importante: aparecimento de novos grupos sociais, tais como moradores de rua, imigrantes bolivianos,
ambulantes e profissionais do sexo, tem suscitado a necessidade de formular novas abordagens (individuais
e coletivas) em saúde.conduzem, necessariamente, a mudanças internas na organização, afirmação
evidenciada, primeiramente, pela criação de um conjunto de reflexões com os agentes de saúde,
especialmente sobre as mudanças na dinâmica social, isto é, sobre as novas formas de interação e
sociabilidade que vão se desenvolvendo na área central da cidade e suas conseqüências para a saúde da
população.
1968 fez um censo demográfico e instalou o modelo assistencial de “programação em saúde”.Onde a
população-alvo das ações em saúde eram os moradores da região.
A partir da segunda metade da década de 80, uma nova realidade : empresas do setor terciário da
economia passaram a ocupar os espaços outrora habitados por antigos moradores: empresas do setor
terciário da economia passaram a ocupar os espaços outrora habitados por antigos moradores.
Assim moradores e trabalhadores do mercado formal são os dois grandes grupos populacionais que o
CSEBF.Usuários que não se enquadram em um desses dois grupos são assistidos no prontoatendimento
(PA): aumentado no PA a demanda oriunda de população não matriculada – moradores de rua, migrantes
em situação irregular no país, profissionais do sexo, entre outros: heterogeneidade de necessidades de
saúde desses grupos tem exigido respostas diferenciadas por parte de um serviço
o modelo estruturado não possibilita a inserção dos segmentos acima citados. Neste sentido, um conjunto
de atividades que possibilitaram a reflexão sobre as especificidades de cada segmento social, e o
encaminhamento das demandas e necessidades colocadas ao serviço passou a ser desenvolvido na
unidade
Importante: Diante da realidade sócio-demográfica da área de inserção do serviço, tem-se elaborado modos
de organização do trabalho em saúde, cuja grande preocupação é poder compreender e dar respostas aos
problemas de saúde dos vários grupos populacionais inseridos desigualmente na estrutura social. Assim a
problematização da noção de exclusão social tem-se colocado como central nesse processo, buscando seu
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melhor entendimento para que se possa formular novos modos de organização das práticas que resultem
em eficácia social.
“Exclusão/inclusão social” e modos de organização do trabalho em saúde
exclusão social: inserções desfavoráveis na estrutura social
modos diferenciados de acesso aos bens sociais
limitações perde-se a oportunidade de ampliar o potencial explicativo da noção, já que a mesma encerra
um caráter generalizador ao entendimento de processos que conduzem alguns segmentos sociais menos
favorecidos a viver em condições precárias, seja em decorrência da diminuição dos níveis de renda, seja
pela perda de vínculos societários que mantêm o elo de ligação entre familiares e outras formas
associativas da vida social.
Classifica a exclusão em três formas de expressão:
1. discriminação de qualquer ordem – racial, sexual, religiosa, entre outras;
2. exclusão de direitos – os desempregados, os trabalhadores do mercado informal etc.
3. Nova exclusão – população de rua, grupos populacionais sem assistência nenhuma, entre outros.
“(...) o nosso processo de desenvolvimento tende a produzir um novo tipo de exclusão social, cujo resultado
será a transformação do incluído incômodo, o pobre que alcançou o estatuto de eleitor, no excluído
perigoso, desnecessário do ponto de vista da economia (...) e ameaçador, do ponto de vista social, pois
transgressor das leis”
desenvolvimento de novas formas de atendimento que incorpora dinâmicas sociais peculiares a cada
segmento e, ainda, passaram a ser construídos e executados alguns projetos de pesquisa que ampliassem
os conhecimentos
Um dos grupos que mais se destacam no debate sobre a exclusão social é a população de rua.
Ainda que a questão econômica seja a principal explicação para o fato de estarem vivendo na rua, havendo
hoje famílias morando em logradouros públicos, várias causas de ordem familiar e de doença também
contribuem para a trajetória de ir para a rua. Define-se como população em situação de rua aqueles que
utilizam a rua como lugar de trabalho e moradia
Na saúde: m iniqüidades bastante claras no acesso à assistência, tais como: exigência de comprovante de
residência para matrícula em serviços de saúde, maus tratos no atendimento em decorrência de aspectos
relacionados à ausência de cuidados de higiene pessoal e ao alcoolismo, dificuldade para internações em
hospitais de retaguarda por não possuírem famílias que se responsabiliza por eles, entre outras
E temos as mulheres que se prostituem.
Duas situações que ilustram certas particularidades desses grupos:
1. a maneira de lidar com situações de agravos à saúde : percebe-se a valorização, ou não, de certas
enfermidades ou riscos de adoecer, desde que não impeçam a locomoção, no caso da população
de rua. No caso das profissionais do sexo, desde que os agravos não atrapalhem suas atividades
de trabalho, quando apresentam doenças sexualmente transmissíveis sentidas.
2. a utilização dos serviços de saúde: seguem as propostas terapêuticas de maneira assistemática e
esporádica. Como exemplo desta situação, há o não comparecimento aos atendimentos efetuados
na unidade de saúde e, também, o uso irregular da medicação prescrita.
Moradores da Favela: características nos chamam a atenção: é um agrupamento habitacional que reúne
grupos heterogêneos; moram em uma área de invasão, com precárias condições sanitárias e sem
infra-estrutura de urbanização, constituindo uma área de risco; apresentam processos de rupturas sociais
muito visíveis, com sérias ocorrências de casos de violência urbana, motivadas, principalmente, pelo tráfico
de drogas.
Para esses três grupos sociais, a organização da assistência à saúde pelo CSEBF tem sido realizada de
maneira que se possa responder e/ou encaminhar as demandas de saúde apresentadas por eles, ou
identificadas no momento da interação entre nossa equipe de saúde e indivíduos portadores de alguma
queixa.
Ou seja, procura-se resolver, o máximo possível, o problema, seja nas esferas do psíquico e do biológico –
aplicação de medicamentos, coleta de exames, atendimentos individuais, entre outros –, seja na esfera da
assistência social – encaminhamentos para equipamentos sociais, orientação previdenciária etc.
Também foram organizadas inserções nas agendas dos profissionais para que seprivilegiasse as
oportunidades de contato com o serviço, possibilitando, dessa maneira, a criação de vagas, o que não
TAP- Tópicos de Atuação Profissional PDF’s Sara
ocorre, em geral, com os outros segmentos populacionais, que têm de agendar consultas, caso não seja de
urgência.
Assim, o acolhimento desses grupos populacionais configura uma forma diferenciada e prioritária, quando
comparada àquela realizada com a maioria dos usuários da unidade, os quais entram na rotina do
agendamento na forma tradicional do trabalho comumente organizada no serviço de saúde pública.
É Necessário:
● Buscar as articulações possíveis, no que tange à noção de valor da vida e da saúde nesse contexto
singular.
● Algo que permita que a ação de saúde não seja apenas pontual, no sentido de avaliar um
sofrimento agudo, mas, principalmente, uma ação de saúde que sirva de instrumento de resgate do
valor da vida e da saúde, da cidadania, da dignidade humana e do centro afetivo-intelectual do
indivíduo.
● Identificar grupos sociais em situação de vulnerabilidade e organizar o serviço na perspectiva da
eqüidade do acesso por meio da discriminação positiva
:( alerta para a elevação do grau de cristalização de preconceitos, estigmas ou mesmo o risco de não ser
desenvolvida a autonomia de indivíduos e grupos, tornando-os dependentes de políticas compensatórias.
CAMINHO HISTÓRICO DA INCLUSÃO SOCIAL:
Revolução industrial
Construção e estruturação da população desigual
População carente, sem água, esgoto, coleta de lixo, higiene
§ “Trabalhador doente, não trabalha” – preocupação com índices de saúde.
§ Construção do Sistema Previdenciário da Europa
§ 30 e 40 – Seguro social(responsável pelos pagamentos das aposentadorias e demais benefícios dos
trabalhadores brasileiros que contribuem com a Previdência Social) e Modelo de saúde
OBS: Era Vargas ocorreram os seguintes fatos: a Saúde pública foi institucionalizada pelo Ministério da
Educação e Saúde Pública; a Previdência social e saúde ocupacional institucionalizada pelo Ministério do
Trabalho, Indústria e Comércio; criou-se os Institutos de Aposentadoria e Pensão (IAP) que estendem a
previdência social à maior parte dos trabalhadores urbanos (1933-38).
§ 1947 – ONU – Conceito ampliado de Saúde
estado de mais completo bem-estar físico, mental e social e não apenas ausência de enfermidade
§ 1976 – Poder pertence à elite / Subordinação / Menor autonomia do paciente sob sua saúde
§ 1975 – Iatrogenias médicas
"a sociedade precisa evitar a medicalização da vida, voltar à natureza, aprender a viver com a dor e
suportar a morte..."
§ 1979 – Discussões sobre terapias e prevenção (Paciente x Profissional – vínculo e confiança)
diferentes ângulos apontando para a melhoria das condições de saúde segundo medidas preventivas e
terapêuticas, ou mesmo, a ascensão da Medicina enquanto um esforço organizado para tornar-se um
poderoso grupo técnico-profissional capaz de oferecer proteção ao paciente e dele receber confiança.
§ 1987 – Avanços na prevenção, promoção da saúde e tratamento
Ainda no século XX pudemos assistir aos avanços das Ciências Biológicas e Médicas, bem como nas áreas
dos Recursos Tecnológicos, Clínicos, Cirúrgicos, Terapêuticos, nos âmbitos da Saúde Pública e Privada. No
entanto, tal evolução ainda está muito longe de ser encerrada, pois os desafios e controvérsias surgidos
naquele momento permanecem sem respostas.
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No que se refere aos avanços científicos do século XX na área da Saúde Pública, devemos apontar alguns
resultados que são descritos por SCLIAR (1987) como forma de buscar soluções para o desequilíbrio entre
os estados de saúde e doença:
• a descoberta de novas vacinas e o aperfeiçoamento das já existentes;
• a descoberta de novos antibióticos e quimioterápicos eficazes contra a tuberculose, as doenças
sexualmente transmissíveis, a hanseníase, a pneumonia bacteriana, as doenças causadas por
estreptococo;
• drogas parasiticidas e os antimaláricos;
• a disponibilidade de vacinas e drogas, possibilitando programas de massa a nível nacional e internacional;
• as grandes obras de saneamento básico;
• a fluoretação da água de abastecimento e o uso do flúor por outros métodos;
• a introdução da Terapia de Reidratação Oral e valorização do aleitamento materno;
• a realização de estudos epidemiológicos permitindo a adoção de novos comportamentos e cuidados com a
saúde;
• a demonstração de que o uso da Talidomida em gestantes gerava defeitos na progênie
; • melhores cuidados às gestantes e às crianças, em termos de cuidado pré-natal, parto hospitalar,
alojamento conjunto visando facilitar o aleitamento, com o objetivo de diminuir a mortalidade materna e
infantil;
• a criação do Serviço Nacional de Saúde inglês e os êxitos dos programas de Saúde Pública em países
socialistas, mostrando que se pode obter bons resultados em saúde e assistência médica a custos
relativamente baixos.
O aperfeiçoamento das tecnologias médicas para a busca da cura é revelador do próprio processo de crise
da saúde para a população mundial, pois, na medida em que busca-se por ações terapêuticas, condutas
básicas, vigilância sanitária, ressalta-se a existência de uma multiplicidade de fatores não exclusivamente
biológicos que demonstram o quanto sociedades inteiras têm se arriscado pela saúde no jogo desigual e
injusto das doenças!
Resultado disso: a população mundial sofreu, nos últimos anos, um processo de explosão demográfica em
velocidade insuspeitável, urbanizou-se como pôde, excluiu camponeses, selecionou elites, estilos e modas,
distinguiu minorias, criou periferias, marginalizou os homens das cidades, gerou expropriados, concentrou o
capital econômico multifacetado o capital cultural, eliminou distinções entre classes sociais com promessas
do porvir garantindo, em contrapartida, subalternidades.
A hegemonia(supremacia, influência preponderante exercida por cidade, povo, país etc. sobre
outros)torna-se a arma ideal para garantir a imutabilidade das condições de vida e do estado de bem-estar,
produzindo um sujeito aprisionado, sem saber e sem poder!
o controle das doenças numa determinada região poderia propiciar o desenvolvimento socioeconómico ou
mesmo tornar-se um de seus fatores coadjuvantes. Historicamente, o que assistimos, tem sido o contrário.
O usuário é ainda caracterizado como sendo o proprietário e portador do corpo adoecido que perambula
pelos Serviços Públicos de Saúde, buscando por especialidades médicas, idealizadas (para ele!) como
sendo possivelmente salvadoras! Sem autonomia sobre sua saúde.
É assim que, ao longo de todo o século XX, o binômio saúde/doença ganhou lugar no cenário das Ciências
Biomédicas e mereceu atenção crítico-interpretativa por parte de vários outros domínios científicos, com
destaque para as Ciências Sociais. Assim, conotar saúde enquanto condição de estado de não doença, ou
mesmo da ausência de doenças, tem sido uma constante, revelando a dificuldade que os próprios sujeitos
encontram para a expressão do seu corpo sentido/pensado
A consciência veiculada entre corpo x ameaça de riscos ou doenças ou morte tem delineado imaginários e
representações dos sujeitos já inseridos no conhecido processo de Educação para a doença
Em decorrência dos interesses da população envolvida em diversos movimentos sociais que visam à
conquista da cidadania, teorias educacionais gerais e, notadamente, em saúde, foram sendo propostas nos
últimos anos.
TAP- Tópicos de Atuação Profissional PDF’s Sara
Homens de ciência procedentes de diferentes domínios, têm colaborado com tal proposta investindo na
multidisciplinaridade necessária à compreensão ampliada do processo de educação em saúde, acumulando
conhecimentos e constituindo projetos que se estendem para as sociedades, para a cultura nelas instaladas
e alcança os sujeitos em seus cotidianos. Porém, na medida em que a superioridade dos homens em
relação ao conhecimento e ao saber vai se desenvolvendo em busca do domínio sobre a natureza e sobre o
próprio homem,são geradas, concomitantemente, hierarquia e coação, colocando os projetos de Educação
em saúde em um plano secundário e não significativo.
Neste sentido, tanto a Saúde Pública quanto a crítica das Ciências Sociais têm assistido, nos últimos anos,
a discussões que apontam para a ineficiência sobre as tradicionais ações autoritárias sobre o que
verdadeiramente se pretende conceber como eqüidade e acesso à saúde.
§ 1988 – 8ª Conferência de saúde
Assim concebidas as formas de controle social, no geral estabelecidas pelas Políticas Públicas - sempre em
nome da boa higiene e do estado de salubridade ideal e desejado por todos-, somos levados a deduzir, no
caso da Saúde Pública, que os sujeitos sociais, a nível individual e/ou coletivo, temendo pelas sanções
advindas do não cumprimento das imposições expressas pelas regras, adotam, como padrão incontestável
de conduta, diretrizes propostas por outrem que não os próprios interessados: eles mesmos. Dentre as
justificativas comumente proferidas pelas esferas políticas, teria sido o temor pela eficácia do controle social
uma das causas reais do não total sucesso obtido pelos movimentos populares que reivindicavam saúde
numa concepção ampliada a partir das discussões da 8§ Conferência Nacional de Saúde em 1986.
§1990 – SUS em prática – define a APS como porta de entrada
IMPORTANTE: § 1993 – Determinantes além do biológico impactando na saúde
interesse científico atual no sentido de buscar pela compreensão da condição de saúde está além das
condições imediatamente oferecidas pelos dados subjetivos das doenças (sintomas) ou até mesmo os
objetivos (sinais), reveladores de sua simples presença ou ausência o que faz reconhecer que a experiência
do corpo poderá nortear-se entre dois pólos (o de saúde e o de doença). No entanto, seus determinantes
não serão necessariamente ditados pela exclusividade do acometimento biológico, mas também pelas
condições culturais e simbólicas que configuram sua ampla e complexa identidade.
§ 1994 – Processo de educação
No que se refere ao processo de Educação Sanitária, o de Educação para a Saúde tem sido elaborado
segundo um recorte paternalista e autoritário e, por tal razão, "as formas de manifestação corpórea
obedecem a uma ressonância social onde a rede simbólica traduz a especificidade da relação que o
indivíduo faz com o mundo"
Quando o esperado seria: educadas, as pessoas adotariam medidas para evitar a doença e manter a
saúde. O mesmo acontece com outros tantos programas propostos pela Saúde Pública. Nestas condições,
ficam estabelecidas as relações mais amplas do processo de dominação/subordinação capazes de garantir
a manutenção da estrutura social tradicionalista e dos esquemas autoritários que aprisionam os indivíduos
dentro dos limites da originalidade do status quo visto como imutável e eternizado.
§ 2000 – Rotinização da conduta – percepção de que não só o biológico afeta a saúde -> desigualdades,
determinantes sociais.
§ Atualmente – o paciente é o autor da sua saúde / Corresponsabilização
Devemos: Pensar os indivíduos como sujeitos autônomos é considerá-los como protagonistas nos coletivos
de que participam, co-responsáveis pela produção de si e do mundo em que vivem. Sendo um dos valores
norteadores da Política Nacional de Humanização é a produção de sujeitos autônomos, protagonistas e
co-responsáveis pelo processo de produção de saúde.

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