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Aula 12 Alcenos e alcinos: Reações de adição 1 Funções e Reações Orgânicas NHT4025-15 - Professor Célio F. F. Angolini celio.fernando@ufabc.edu.br Reações de adição à C=C 2 • A reação característica de alcenos é a adição: adição síntese de haletos de alquila síntese de álcoois síntese de dihaloalcanos Entendendo as reações de adição à C=C 3 1- A reação é favorável porque 1 ligação e uma ligação são convertidas em 2 ligações , que são mais fortes do que : Ligação Ligação Ligação Ligação Representação da MPE e orbitalar dos elétrons do eteno 4 2- Os elétrons da ligação dupla estão expostos. Têm lóbulos acima e abaixo do plano da ligação C-C. Eles são a fonte de reatividade (nucleofilicidade) de alcenos: MPE C=C Mecanismo da adição eletrofílica de alcenos 5 3 – Alcenos reagem como nucleófilos com ácidos de Bronsted e ácidos de Lewis (eletrófilos), segundo o mecanismo: eletrófilo nucleófilo Etapa 1: Adição eletrofílica Etapa 2: ataque nucleofílico ao carbocátion X = F, Cl, Br ou I eletrófilo nucleófilo Reações de adição de H-X à C=C: mecanismo e regra de Markovnikov 6 • Haletos de hidrogênio (ácidos) se adicionam à ligação C=C: • A ordem de reatividade de HX à ligação dupla é: Reações de adição de H-X à C=C: mecanismo e regra de Markovnikov 7 • A adição de HBr a um alceno assimétrico poderia ocorrer de 2 maneiras, mas ocorre apenas de uma maneira majoritariamente: + Minoritário + Majoritário MinoritárioMajoritário a) b) Reações de adição de H-X à C=C: mecanismo e regra de Markovnikov 8 Vladimir Vasilevich Markovnikov (1938-1904) • Vladmir Markovnikov observou muitos exemplos de adição à alcenos, e formulou o que hoje é conhecido como a regra de Markovnikov: Quando há adição de HX à um alceno, o H é adicionado ao átomo de C que está ligado ao maior número de átomos de H Átomo de carbono Com maior número de H Curva de energia potencial da reação de adição de HX à ligação C=C 9 Mecanismo da reação de adição de HX à ligação C=C 10 Etapa 2 (rápida): nucleófilo reage com o carbocation: Mecanismo Etapa 1 (lenta): Formação de carbocátion Comparação das energias livres de reações de adição de HX à ligação C=C 11 Carbocátion primário Menos estável Carbocátion secundário Mais estável Reações Regiosseletivas 12 • Reações regioseletivas: São reações em que mais de um isômero constitucional pode ser formado, mas apenas 1 é formado predominantemente. • A regra de Markovnikov define que a adição de HX à C=C é uma reação regioseletiva: + Minoritário Majoritário Exercício 13 1 – Dê o mecanismo e indique o produto majoritário da adição de HBr aos seguintes compostos: a) b) 2 – Dê o mecanismo que explica as seguintes observações: a) b) Estereoquímica das reações de adição à ligação C=C 14 • Quando um centro estereogênico pode ser formado em uma reação de adição C=C, não há preferência por um ou outro estereoisômero (não é estereoseletiva), ex: Adição de H2O à alcenos 15 • É possível obter-se álcoois a partir da hidratação de alcenos, adicionando-se água em um meio ácido: A reação é regioseletiva e segue a regra de Markovnikov. Exemplo: Adição de H2O à alcenos 16 Mecanismo • Etapa 1: (lenta) formação de carbocátion pela adição de H ao átomo de C mais hidrogenado: • Etapa 2: (rápida) Adição de água ao carbocátion formado: Adição de H2O à alcenos 17 Mecanismo Etapa 3: (rápida) Transferência de um próton do álcool protonado para a água (solvente): Exercício 18 1 – Dê o mecanimo e o(s) produto(s) para a seguinte reação: Rearranjos 19 Produto majoritário • Sempre que há formação de carbocátion e um rearranjo levar à um carbocátion mais estável, o produto principal vai ser o resultado do rearranjo: • Como seria o mecanismo que leva ao produto principal? Exercício 20 1 – Forneça o mecanismo que explica a obtenção do seguinte produto de hidratação de alceno: Hidratação vs Desidratação 21 • Reações de hidratação de alcenos ou desidratação de álcoois estão em um equilíbrio, se o equilíbrio é deslocado para um ou outra direção, depende das condições: Desidratação Hidratação • Uso de alta concentração do ácido e temperatura • Uso de ácido diluído em água Outras maneiras de se hidratar alcenos 22 Oximercuração-desmercuração: Hidroboração • A reação ocorre segundo a regra de Markovnikov e não ocorre rearranjo. • A reação forma o produto anti-Markovnikov, sem rearranjo • A adição é syn (estereoseletiva). Oximercuração-desmercuração 23 • Etapa 1: Oximercuriação • A reação de oximercuração-desmercuração ocorre em 2 etapas: • Etapa 2: desmercuriação Acetato de mercúrio Alceno (hidroxialquil)mercúrio • Ambas etapas podem ser conduzidas “no mesmo pote”. Oximercuração-desmercuração 24 • Regioseletividade • Na oximercuração-desmercuração a adição dos elementos da H2O (H- e – OH) segue de acordo com a regra de Markovnikov. Exemplos: 1-penteno 2-pentanol 1-metilciclopenteno 1-metilciclopentanol Oximercuração-desmercuração 25 • Rearranjos são evitados na reação de desmercuração: 3,3-dimetil-1-buteno 3,3-dimetil-2-butanol • Para desvendar essa characterística da reação, é necessário entender o seu mecanismo. Oximercuração-desmercuração 26 Mecanismo da oximercuração Etapa 1: Dissociação do acetato de mercúrio (rápida): Etapa 2: formação do carbocátion em ponte com o mercúrio (lenta): íon-mercurínio3,3-dimetil-1-buteno • “Carbocátion” deslocaliza sua carga positiva no átomo de Hg, fazendo com que o rearranjo não ocorra. Oximercuração-desmercuração 27 Mecanismo da oximercuração Etapa 3: A água ataca o C do íon mercurínio que melhor consegue acomodar a carga postiva (rápida): Etapa 4: reação ácido-base (rápida) Adição anti Oximercuração-desmercuração 28 Desmercuração NaBH4,OH - • Mecanismo da desmercuração não é completamente elucidado e envolve radicais. • Embora o ataque da H2O no íon-mercurínio seja anti ao Hg na etapa 3 da oximercuração, a reação de desmercuração não é estereocontrolada. • Portanto, é regioseletiva, mas não é estereoseletiva Adição Markovnikov Exercício 29 1 - Escreva a estrutura do alceno apropriado e especifique os reagentes necessários para a síntese dos seguintes álcoois por oximercuração- desmercuração: Hidroboração-oxidação 30 • A hidratação anti-Markovnikov de uma ligao dupla pode ser atingida através da utilização do diborano (B2H6) ou uma solução de borano em tetrahidrofurano (BH3:THF). • A reação ocorre via adição syn: 1-metilcilopenteno 3 3 anti-Markovnikov + enantiômero Hidroboração-oxidação 31 • A hidroboração pode ser realizada com B2H6, que é um gás. Mais conveniente é dissolver B2H6 em THF, para formar um complexo ácido-base de Lewis: • A reação geralmente é executada em éteres tais como dietiléter ou diglima Cuidado: Deve-se ter muita cautela no manuseio do diborano e alquilboranos, porque eles se inflamam espontaneamente no ar (produzindo uma chama verde). Hidroboração-oxidação 32 • A reação ocorre com adição de três equivalentes de alcenos ao BH3: tripropilborano • Em cada etapa de adição, o átomo de B fica ligado ao átomo de C menos substituído da ligação C=C, e um átomo de H é transferido para o átomo de C mais substituído da ligação C=C. Mais substituído Menos substituído Hidroboração-oxidação 33 • Mecanismo é concertado: Representação orbitalar CC pB BH CH CB Adição syn TS é concertado e assíncrono Hidroboração-oxidação 34 • Uma vez que a reação é concertada, ocorre com adição do átomo de H e átomo de B do mesmo lado da ligação C=C (adição syn): • A reação forma o produto anti-Markovnikov, sem rearranjo • A adição é syn (estereoespecífica). • Como mostrado anteriormente, um exemplo específico: + enantiômero 3 3 Hidroboração-oxidação 35 • O alquilborano formado pode ser oxidado e hidrolizado à álcool no mesmo pote da reação de hidroboração: • As etapas de oxidação e hidrólise ocorrem com retençãoda configuração. Oxidação Sequência repete duas vezes Intermediário Instável Trialquil-borana Mecanismo da oxidação Éster borato Hidroboração-oxidação 36 Mecanismo da Hidrólise Éster borato Ânion alcóxido deixa a molécula Reação ácido-base Essa sequência se repete mais duas vezes Álcool • A hidrólise mantém a regioseletividade e estereoespecificidade da reação Exercício 37 1 – Mostre o mecanismo, a regioquímica e a estereoquímica da hidroboração da 1-metilcicloexeno. Resumo dos métodos de conversão de alcenos à álcoois 38 Reação Condições Regioquímica Estereoquímica Rearranjo 1. Hidratação catalisada por ácido HA cat., H2O Markovnikov Não é controlada Ocorre 2. Oximercuração- desmercuração 1.Hg(Oac)2, THF-H2O 2. NaBH4, HO - Markovnikov Não é controlada Não-ocorre 3. Hidroboração- oxidação 1. BH3:THF 2. H2O2, HO - Anti- Markovnikov Estereoespecífica: adição syn Não-ocorre Adição de Cl2 e Br2 à Alcenos 39 • Cl2 e Br2 adicionam-se à ligação dupla para formar dialetos vicinais: • A adição é anti na ligação dupla: CCl4 CCl4 Identificação de alcenos com Br2 40 • O Br2 tem uma coloração vermelho-tijolo e perde a coloração após à adição à ligação dupla. Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=PE1CDR1S5pk • Isso pode ser usado para se identificar insaturações visualmente a partir de uma amostra desconhecida. Vermelho tijolo Incolor alceno alcano Mecanismo da adição de Br2 41 Mecanismo • Sabendo que a adição é anti (estereoseletiva) e leva à formação do estereoisômero trans • O mecanismo poderia ser representado assim? trans cis + Não observado Mecanismo da adição de Br2 42 Mecanismo • O mecanismo ocorre na verdade com a formação de um íon bromônio: Etapa 1: A ligação dupla polariza o Br2 e ataca o Br parcialmente positivo, ao mesmo tempo o Br doa um par de elétrons ao carbono, que formaria um carbocátion, formando o íon bromônio: Íon bromônio brometo Mecanismo da adição de Br2 43 Mecanismo Etapa 2: O ânion do Br- formado ataca qualquer dos carbonos pelo lado oposto do íon bromônio por uma reação SN2: Enantiômero Íon bromônio brometo Dibrometo vicincal Mecanismo da adição de Br2 44 íon bromônio cíclico brometo Etapa 1 Etapa 2 íon bromônio cíclico Ataque em C1 Ataque em C2 • Mesmo mecanismo representado com o ciclopenteno como substrato: Exercício 45 1 – Dê o mecanismo e o(s) produto(s) da reação de cicloexeno com Br2: Estereoespecificidade da adição de Br2 à ligação C=C 46 • A adição de Br2 à C=C é estereoespecífica: estereoespecífica é uma reação que um estereoisômero do material de partida fornece um estereoisômero específico dos produtos. trans (2R,3S)-2,3-dibromobutano (meso)cis trans-2-buteno cis-2-buteno CCl4 CCl4 Estereoespecificidade da adição de Br2 à ligação C=C 47 Mecanismo Íon-bromônio 2R,3S 2R,3S trans-2-buteno Estereoespecificidade da adição de Br2 à ligação C=C 48 Mecanismo Íon-bromônio 2R,3R 2S,3S cis-2-buteno Formação de haloidrina 49 • Quando a reação de adição de halogênio é executada em água ao invés de um solvente não-nucleofílico, o produto é uma haloidrina: Alceno X = Cl ou Br Haloidrina (majoritário) Dihaleto Vicinal (minoritário) Formação de haloidrina 50 Mecanismo Etapa 1: formação do íon halônio Etapas 2 e 3: ataque nucleofílico da água e reação ácido-base Íon halônio Exercício 51 1 – Dê o mecanismo para explicar a seguinte reação: Mistura racêmica 2 – Quando o gás etileno é passado para uma solução aquosa contendo bromo e cloreto de sódio, os produtos da reação são os seguintes: Desenhe mecanismos que mostram a formação de cada produto Formação de haloidrina 52 • Se o alceno não é simétrico, o átomo de halogênio fica ligado ao átomo de C com maior número de átomos de H no produto • O átomo de C mais substituído é o mais positivo (pode acomodar melhor carga positiva) e tem maior propensão em sofrer ataque nucleofílico. Íon-bromônio Oxidação de alcenos: dihidroxilação syn-1,2 53 • Algumas reações de oxidação de alcenos, que utilizam tetróxido de ósmio ou permanganato de potássio para sintetizar dióis: 1 - Reação com tetróxido de ósmio: 2 - Reação com permanganato de potássio em meio básico: alceno 1,2-propanodiol Oxidação de alcenos: dihidroxilação syn-1,2 54 Mecanismo • O mecanismo envolve uma espécie cíclica que faz uma adição syn à ligação C=C: 1 - Reação com tetróxido de ósmio: Clivagem oxidativa de alcenos 55 1 - Oxidação com KMnO4 a quente • Alcenos com átomos de carbono monosubstituídos são clivados à ácidos carboxílicos e sais de ácidos carboxílicos: cis ou trans Íon acetato • Alcenos dissubstituídos são clivados oxidativamente à acetonas e alcenos não- substituídos são oxidados à dióxido de carbono (CO2): Clivagem oxidativa de alcenos 56 1 - Oxidação com KMnO4 a quente • Pode-se utilizar essa reação para identificação de duplas (ou triplas) ligações, uma vez que a solução de KMnO4, que é roxa, forma um precipitado marrom de MnO2 após a reação. Vídeo da reação: https://www.youtube.com/watch?v=U80OkC046_4 Positivo Negativo Exercício 57 1 – Qual a estrutura do alceno (C8H16), que fornece 2 ácidos carboxílicos, um contendo 3 átomos de carbono e o outro cinco átomos de carbono, quando reage com KMnO4 em meio básico à quente? Ácido propanóico Ácido pentanóico Clivagem oxidativa de alcenos 58 2 – Ozonólise • A reação de ozonólise consiste em se borbulhar ozônio em uma solução de um alceno em CH2Cl2 à -78 ºC, seguido de tratamento da solução com dimetil sulfeto (ou zinco em H2O). O resultado é o seguinte: • Assim, na ozonólise, cada carbono da dupla fica ligado à uma ligação dupla com um átomo de O. (ou Zn/H2O) Clivagem oxidativa de alcenos 59 2 – Ozonólise • Alguns exemplos específicos de ozonólise: 2-metil-2-buteno acetona Acetaldeído 3-metil-1-buteno isobutiraldeído Aldeído Exercício 60 1 – Dê os produtos das seguintes reações de ozonólise: Clivagem oxidativa de alcenos 61 2 – Ozonólise Mecanismo • Etapa 1: A reação se inicia com a formação de um ozonídeo inicial, que é bastante instável e se dissocia em 2 fragmentos: Ozonídeo Inicial Fragmentos iniciais Clivagem oxidativa de alcenos 62 2 – Ozonólise Mecanismo • Etapa 2: A reação se inicia com a formação de um ozonídeo, que é bastante instável e se dissocia em 2 fragmentos: Fragmentos se recombinam Ozonídeo Aldeídos e/ou cetonas Clivagem oxidativa de alcenos 63 2 – Ozonólise • Usando H2O2 ao invés de Me2S leva à formação de cetonas e ácidos carboxílicos: • Me2S e Zn/H2O são condições redutivas enquanto H2O2 é uma condição oxidativa.