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VADE
MECUM
COMENTADO
DE NOVIDADES
LEGISLATIVAS
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS
SUMÁRIOSUMÁRIO
JANEIRO E FEVEREIRO 5
MARÇO 37
ABRIL 90
MAIO 111
JUNHO 133
JULHO 152
AGOSTO 183
SETEMBRO 244
OUTUBRO 291
NOVEMBRO 337
DEZEMBRO 358
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS
SUMÁRIO
Como é difícil se manter atualizado e atualizada com a profusão de atos legislativos no 
Brasil, não é verdade?
Pensando nisso, o Curso Ênfase presenteia você com um material incrível: o Vade 
Mecum Comentado de Novidades Legislativas.
São mais de 400 páginas, com as principais inovações normativas do ano de 2021, 
agrupadas por mês e, dentro de cada um, separadas por disciplina, dentre as 
seguintes:
• Direito Administrativo
• Direito Ambiental
• Direito Civil
• Direito Constitucional
• Direito da Pessoa com Deficiência
• Direito do Consumidor
• Direito do Trabalho
• Direito Educacional
• Direito Eleitoral
• Direito Empresarial
• Direito Financeiro
• Direitos Humanos
• Direito Internacional
• Direito Penal
• Direito Previdenciário
• Direito Processual Civil
• Direito Processual do Trabalho
• Direito Processual Penal
• Direito Tributário
• Direitos Difusos e Coletivos
• Legislação Penal e Processual Penal Extravagante
APRESENTAÇÃO
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS
SUMÁRIO
Nosso Vade Mecum traz para você as novidades legislativas que importam para a sua 
futura prova e, ainda, cada uma delas é apresentada de maneira pensada para a sua 
preparação, pois tem: 
a) Ficha Normativa: nela constam as informações básicas da norma como ementa, 
data de publicação e início de vigência, o link para o texto legal e os destaques, parte 
que fornece uma visão geral sobre os pontos principais do novo ato; 
b) Comentário: aqui nosso time de especialistas discorre sobre o que há de mais 
relevante no novo ato normativo, trazendo, inclusive, trechos literais dele; 
c) Questão inédita: por fim, para simular como a novidade pode ser cobrada no seu 
próximo concurso, há uma questão inédita sobre ela e, melhor, comentada!
Trata-se de material riquíssimo para a sua preparação, que nós do Curso Ênfase 
elaboramos para você, pois, com ele, além de ficar em dia com as novidades legislativas 
do ano de 2021, você antevê como elas podem ser questionadas no seu concurso. 
E, assim como nós, você sabe que as bancas adoram cobrar inovações. 
Então, use muito o Vade Mecum Comentado de Novidades Legislativas como o seu 
novo aliado na busca pela sua aprovação e, principalmente, dentro do número de 
vagas nos concursos de alto desempenho.
Lembre-se: vamos com você até a posse!
Bons estudos!
APRESENTAÇÃO
Janeiro e Fevereiro 
2021
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS6
1. Lei Complementar (LC) nº 179/2021 - Objetivos do Banco Central do 
Brasil (BACEN)
1.1. Ficha normativa
LC Nº 179/2021
Ementa: Define os objetivos do Banco Central do Brasil (BACEN) e dispõe sobre sua 
autonomia e sobre a nomeação e a exoneração de seu Presidente e de seus 
Diretores; e altera artigo da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964.
Data de publicação: 25.02.2021
Início de vigência: 25.02.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp179.htm>
Destaques:
• A lei prevê expressamente que o objetivo fundamental do BACEN é assegurar a esta-
bilidade dos preços e elenca outros objetivos possíveis.
• Confere autonomia ao BACEN.
• Define que a diretoria colegiada do BACEN será composta por nove membros, nomeados 
pelo Presidente da República, após aprovação pelo Senado Federal, com mandato de quatro 
anos, observando-se a escala e as hipóteses de recondução e exoneração previstas na lei. 
• Dispõe que as metas de política monetária serão estabelecidas pelo Conselho Monetário 
Nacional (CMN) e que compete privativamente ao BACEN conduzir a política monetária 
necessária para o cumprimento dessas metas que foram estabelecidas pelo CMN.
1.2. Comentário
Em 25.02.2021 foi publicada a LC nº 179, com início imediato de vigência.
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “define os objetivos do Banco Central do 
Brasil e dispõe sobre sua autonomia e sobre a nomeação e a exoneração de seu Presidente e de seus 
Diretores; e altera artigo da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964”.
O BACEN é uma autarquia federal criada pela Lei nº 4.595/1964, cujo objetivo fundamental é 
assegurar a estabilidade de preços. Embora este seja o escopo principal de qualquer Banco Central 
de um país, o art. 1º da LC nº 179/2021 traz previsão expressa nesse sentido, prevendo também 
que “sem prejuízo de seu objetivo fundamental, o BACEN também tem por objetivos zelar pela 
estabilidade e pela eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível de atividade 
econômica e fomentar o pleno emprego”.
DIREITO ADMINISTRATIVO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp179.htm
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS7
A principal inovação do diploma normativo em comento foi conferir, expressamente, autonomia 
ao BACEN, o que se deu com a previsão de que o Banco deixa de ter vinculação com ministérios e 
seus dirigentes passam a ser definidos através de mandatos fixos a cada quatro anos sem que este 
período seja coincidente com o do presidente da República, conforme dispõe o art. 6º da lei:
Art. 6º O Banco Central do Brasil é autarquia de natureza especial caracterizada 
pela ausência de vinculação a Ministério, de tutela ou de subordinação 
hierárquica, pela autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira, 
pela investidura a termo de seus dirigentes e pela estabilidade durante 
seus mandatos, bem como pelas demais disposições constantes desta Lei 
Complementar ou de leis específicas destinadas à sua implementação. 
(Grifos nossos.)
Quanto à nomeação dos dirigentes, de acordo com o art. 3o da LC nº 179/2021, a “Diretoria 
Colegiada do Banco Central do Brasil terá 9 (nove) membros, sendo um deles o seu Presidente, 
todos nomeados pelo Presidente da República entre brasileiros idôneos, de reputação ilibada e 
de notória capacidade em assuntos econômico-financeiros ou com comprovados conhecimentos 
que os qualifiquem para a função”. Em complemento, o art. 4o prevê que estes dirigentes “serão 
indicados pelo Presidente da República e por ele nomeados, após aprovação de seus nomes pelo 
Senado Federal”.
Os mandatos serão, como já mencionado, fixos, com duração de quatro anos, sendo que o do 
Presidente terá início no dia 1º de janeiro do terceiro ano de mandato do Presidente da República, e 
o dos demais Diretores observarão a seguinte escala, prevista no § 2º do art. 4o da lei:
I - 2 (dois) Diretores terão mandatos com início no dia 1º de março do 
primeiro ano de mandato do Presidente da República;
II - 2 (dois) Diretores terão mandatos com início no dia 1º de janeiro do 
segundo ano de mandato do Presidente da República;
III - 2 (dois) Diretores terão mandatos com início no dia 1º de janeiro do 
terceiro ano de mandato do Presidente da República; e
IV - 2 (dois) Diretores terão mandatos com início no dia 1º de janeiro do 
quarto ano de mandato do Presidente da República.
Além disso, de acordo como § 3º do mesmo dispositivo “o Presidente e os Diretores do Banco 
Central do Brasil poderão ser reconduzidos 1 (uma) vez, por decisão do Presidente da República”. 
DIREITO ADMINISTRATIVO
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS8
Outra garantia dos dirigentes que reforça a autonomia do BACEN é a previsão de que o 
Presidente da República não poderá demitir um dirigente do Banco por vontade própria sem a 
validação do Senado, o que reduz as chances de interferências políticas na condução da política 
monetária. Veja, nesse sentido, a redação do art. 5º da LC nº 179/2021:
Art. 5º O Presidente e os Diretores do Banco Central do Brasil serão 
exonerados pelo Presidente da República:
I - a pedido;
II - no caso de acometimento de enfermidade que incapacite o titular para 
o exercício docargo;
III - quando sofrerem condenação, mediante decisão transitada em julgado 
ou proferida por órgão colegiado, pela prática de ato de improbidade 
administrativa ou de crime cuja pena acarrete, ainda que temporariamente, 
a proibição de acesso a cargos públicos;
IV - quando apresentarem comprovado e recorrente desempenho 
insuficiente para o alcance dos objetivos do Banco Central do Brasil.
§ 1º Na hipótese de que trata o inciso IV do caput deste artigo, compete 
ao Conselho Monetário Nacional submeter ao Presidente da República 
a proposta de exoneração, cujo aperfeiçoamento ficará condicionado à 
prévia aprovação, por maioria absoluta, do Senado Federal. (Grifos nossos.)
Por fim, importante ressaltar que a autonomia conferida ao BACEN não é sinônimo de 
independência, já que, conforme determina o art. 2º da lei em comento, “as metas de política 
monetária serão estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, competindo privativamente 
ao Banco Central do Brasil conduzir a política monetária necessária para cumprimento das metas 
estabelecidas”. Assim, o BACEN deverá perseguir as metas definidas pelo CMN. 
1.3. Questão inédita comentada
Relativamente ao BACEN, autarquia federal que tem por objetivo fundamental assegurar a 
estabilidade de preços, assinale a alternativa incorreta:
A) O BACEN é uma autarquia de natureza especial, dotada de autonomia administrativa e financeira.
B) Os dirigentes do BACEN não podem ser exonerados livremente pelo Presidente da República.
C) O mandato de todos os membros da Diretoria Colegiada do BACEN tem a mesma duração e 
início simultâneo.
D) O BACEN é uma autarquia especial, vinculada ao Ministério da Economia. 
E) Cabe ao BACEN, privativamente, conduzir a política monetária necessária para cumprimento 
das metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. 
DIREITO ADMINISTRATIVO
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS9
Alternativa correta: letra D. Nos termos do art. 6º da LC nº 179/2021, o “Banco Central do Brasil 
é autarquia de natureza especial caracterizada pela ausência de vinculação a Ministério, de tutela 
ou de subordinação hierárquica, pela autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira, pela 
investidura a termo de seus dirigentes e pela estabilidade durante seus mandatos, bem como 
pelas demais disposições constantes desta Lei Complementar ou de leis específicas destinadas à 
sua implementação”. 
Demais alternativas:
Alternativa A. A afirmação está correta porque, nos termos do contido no art. 6º da LC nº 
179/2021, o “Banco Central do Brasil é autarquia de natureza especial caracterizada pela ausência 
de vinculação a Ministério, de tutela ou de subordinação hierárquica, pela autonomia técnica, 
operacional, administrativa e financeira”.
Alternativa B. A competência para exonerar o presidente e os diretores do Banco Central 
do Brasil é do Presidente da República. Porém, não se admite a livre-exoneração e, nesse sentido, 
as hipóteses de exoneração estão expressas no art. 5º, incisos I a IV, da LC nº 179/2021, e são as 
seguintes: “I - a pedido; II - no caso de acometimento de enfermidade que incapacite o titular para 
o exercício do cargo; III - quando sofrerem condenação, mediante decisão transitada em julgado ou 
proferida por órgão colegiado, pela prática de ato de improbidade administrativa ou de crime cuja 
pena acarrete, ainda que temporariamente, a proibição de acesso a cargos públicos; IV - quando 
apresentarem comprovado e recorrente desempenho insuficiente para o alcance dos objetivos do 
Banco Central do Brasil”.
Alternativa C. A duração dos mandatos dos diretores é a mesma, qual seja, quatro anos. 
Todavia, não há simultaneidade no início porque os incisos I a IV do § 2º do art. 4º estabelecem uma 
escala: “I - 2 (dois) Diretores terão mandatos com início no dia 1º de março do primeiro ano de mandato 
do Presidente da República; II - 2 (dois) Diretores terão mandatos com início no dia 1º de janeiro do 
segundo ano de mandato do Presidente da República; III - 2 (dois) Diretores terão mandatos com início 
no dia 1º de janeiro do terceiro ano de mandato do Presidente da República; e IV - 2 (dois) Diretores 
terão mandatos com início no dia 1º de janeiro do quarto ano de mandato do Presidente da República”.
Alternativa E. A afirmação está correta, conforme estabelece o art. 2º da LC nº 179/2021, cujo 
teor é o seguinte: “As metas de política monetária serão estabelecidas pelo Conselho Monetário 
Nacional, competindo privativamente ao Banco Central do Brasil conduzir a política monetária 
necessária para cumprimento das metas estabelecidas”.
DIREITO ADMINISTRATIVO
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS10
1. Lei nº 14.119, de 13 de janeiro de 2021 - Política Nacional de 
Pagamento por Serviços Ambientais
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.119, DE 13 DE JANEIRO DE 2021
Ementa: Institui a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais; e altera as Leis 
nºs 8.212, de 24 de julho de 1991, 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e 6.015, de 31 de 
dezembro de 1973, para adequá-las à nova política.
Data de publicação: 14.01.2021 e retificada em 15.01.2021
Início de vigência: 15.01.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Lei/L14119.htm>  
Destaques:
• A lei disciplina importantes instrumentos de preservação ambiental, de forma sistemati-
zada, instituindo o Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais, concretizando 
o art. 225 da CF/1988 por meio da atividade de fomento do Poder Público. 
• Além de trazer novos conceitos, como o de pagador e provedor de serviços ambientais, 
trata das modalidades de pagamento, como os títulos verdes (green bonds) e as cotas de 
reserva ambiental (CRA). 
• Traz um rol explicitando os casos que podem ser objeto do Programa Federal de Pagamento 
por Serviços Ambientais, em seu art. 8º, merecendo destaque as terras indígenas, os 
territórios quilombolas e outras áreas legitimamente ocupadas por populações tradicionais, 
mediante consulta prévia, nos termos da Convenção nº 169 da Organização Internacional 
do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais.
1.2. Comentário
Em 14.01.2021 foi publicada a Lei nº 14.119, com texto retificado em 15.01.2021, passando a viger 
a partir de sua publicação. 
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “institui a Política Nacional de Pagamento 
por Serviços Ambientais; e altera as Leis nºs 8.212, de 24 de julho de 1991, 8.629, de 25 de fevereiro de 
1993, e 6.015, de 31 de dezembro de 1973, para adequá-las à nova política”. 
Trata-se de mais um importante passo do Estado brasileiro em direção à concretização do art. 
225 da CF/1988, notadamente o direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, 
preservando-a para as presentes e futuras gerações. 
DIREITO AMBIENTAL
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14119.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14119.htm
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS11
A Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais funcionará de forma integrada às 
demais políticas já existentes, nos termos do § 1º do art. 4º da lei:
§ 1º A PNPSA deverá integrar-se às demais políticas setoriais e ambientais, 
em especial à Política Nacional do Meio Ambiente, à Política Nacional da 
Biodiversidade, à Política Nacional de Recursos Hídricos, à Política Nacional 
sobre Mudança do Clima, à Política Nacional de Educação Ambiental, às 
normas sobre acesso ao patrimônio genético, sobre a proteção e o acesso 
ao conhecimento tradicional associado e sobre a repartição de benefícios 
para conservação e uso sustentável da biodiversidade e, ainda, ao Sistema 
Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e aos serviços de 
assistência técnica e extensão rural.
A lei traz as diretrizes, delimita o objeto, explicita o funcionamento do Programa Federal 
de Pagamento Ambiental (PFPSA), menciona as ações a serem implementadas,traz os critérios de 
aplicação menciona o contrato de pagamento por serviços ambientais, dentre outras questões.
Desses pontos, o objeto do PFPSA e as modalidades de pagamento pelos serviços ambientais 
merecem maior atenção. 
Art. 8º Podem ser objeto do PFPSA:
I - áreas cobertas com vegetação nativa;
II - áreas sujeitas a restauração ecossistêmica, a recuperação da cobertura 
vegetal nativa ou a plantio agroflorestal;
III - unidades de conservação de proteção integral, reservas extrativistas e 
reservas de desenvolvimento sustentável, nos termos da Lei nº 9.985, de 18 
de julho de 2000;
IV - terras indígenas, territórios quilombolas e outras áreas legitimamente 
ocupadas por populações tradicionais, mediante consulta prévia, nos 
termos da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) 
sobre Povos Indígenas e Tribais;
V - paisagens de grande beleza cênica, prioritariamente em áreas especiais 
de interesse turístico;
VI - áreas de exclusão de pesca, assim consideradas aquelas interditadas ou 
de reservas, onde o exercício da atividade pesqueira seja proibido transitória, 
periódica ou permanentemente, por ato do poder público;
VII - áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade, assim definidas 
por ato do poder público.
DIREITO AMBIENTAL
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS12
§ 1º (VETADO).
§ 2º Os recursos decorrentes do pagamento por serviços ambientais pela 
conservação de vegetação nativa em terras indígenas serão aplicados em 
conformidade com os planos de gestão territorial e ambiental de terras 
indígenas, ou documentos equivalentes, elaborados pelos povos indígenas 
que vivem em cada terra.
§ 3º Na contratação de pagamento por serviços ambientais em áreas 
de exclusão de pesca, podem ser recebedores os membros de comu-
nidades tradicionais e os pescadores profissionais que, historicamente, 
desempenhavam suas atividades no perímetro protegido e suas adjacências, 
desde que atuem em conjunto com o órgão ambiental competente na 
fiscalização da área. 
Cabe ressaltar, todavia, que sua eficácia interna ocorrerá apenas após o decreto do presidente 
da República, na forma do art. 84, IV, da CF/1988.
As modalidades de pagamento pelos serviços ambientais são assim explicitadas no art. 3º da lei: 
Art. 3º São modalidades de pagamento por serviços ambientais, entre 
outras:
I - pagamento direto, monetário ou não monetário;
II - prestação de melhorias sociais a comunidades rurais e urbanas;
III - compensação vinculada a certificado de redução de emissões por 
desmatamento e degradação;
IV - títulos verdes (green bonds);
V - comodato;
VI - Cota de Reserva Ambiental (CRA), instituída pela Lei nº 12.651, de 25 de 
maio de 2012.
§ 1º Outras modalidades de pagamento por serviços ambientais poderão ser 
estabelecidas por atos normativos do órgão gestor da PNPSA.
§ 2º As modalidades de pagamento deverão ser previamente pactuadas 
entre pagadores e provedores de serviços ambientais.
DIREITO AMBIENTAL
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS13
1.3. Questão inédita comentada
Em 14.01.2021, publicou-se a Lei nº 14.119/2021, que instituiu a Política Nacional de Pagamento 
por Serviços Ambientais. 
Em relação a ela, não podemos afirmar com correção que:
A) Traz como modalidade de pagamento os chamados green bonds (títulos verdes).
B) Pessoas físicas poderão se beneficiar de recursos públicos por serviços ambientais, ainda que 
inadimplentes em relação a termo de ajustamento de conduta.
C) Podem ser objeto do Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais áreas cobertas 
com vegetação nativa.
D) De acordo com a lei, serviços ecossistêmicos são benefícios relevantes para a sociedade 
gerados pelos ecossistemas, em termos de manutenção, recuperação ou melhoria das con-
dições ambientais.
E) Uma das modalidades de pagamento por serviços ambientais é o comodato. 
Alternativa correta: letra B, porquanto a questão pede a incorreta. Nos termos do art. 10, I, fica 
vedado nesse caso. 
Art. 10. É vedada a aplicação de recursos públicos para pagamento por 
serviços ambientais:
I - a pessoas físicas e jurídicas inadimplentes em relação a termo de 
ajustamento de conduta ou de compromisso firmado com os órgãos 
competentes com base nas Leis nos 7.347, de 24 de julho de 1985, e 12.651, 
de 25 de maio de 2012;
II - referente a áreas embargadas pelos órgãos do Sisnama, conforme 
disposições da Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012.
Alternativa A. Sim, em seu art. 3º, IV. 
Art. 3º São modalidades de pagamento por serviços ambientais, entre 
outras:
I - pagamento direto, monetário ou não monetário;
II - prestação de melhorias sociais a comunidades rurais e urbanas;
DIREITO AMBIENTAL
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS14
DIREITO AMBIENTAL
III - compensação vinculada a certificado de redução de emissões por 
desmatamento e degradação;
IV - títulos verdes (green bonds);
V - comodato;
VI - Cota de Reserva Ambiental (CRA), instituída pela Lei nº 12.651, de 25 
de maio de 2012.
§ 1º Outras modalidades de pagamento por serviços ambientais poderão ser 
estabelecidas por atos normativos do órgão gestor da PNPSA.
§ 2º As modalidades de pagamento deverão ser previamente pactuadas 
entre pagadores e provedores de serviços ambientais. (Grifos nossos.)
Alternativa C. Sim, conforme o art. 8º, I. 
Art. 8º Podem ser objeto do PFPSA:
I - áreas cobertas com vegetação nativa;
II - áreas sujeitas a restauração ecossistêmica, a recuperação da cobertura 
vegetal nativa ou a plantio agroflorestal;
III - unidades de conservação de proteção integral, reservas extrativistas e 
reservas de desenvolvimento sustentável, nos termos da Lei nº 9.985, de 18 
de julho de 2000;
IV - terras indígenas, territórios quilombolas e outras áreas legitimamente 
ocupadas por populações tradicionais, mediante consulta prévia, nos 
termos da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) 
sobre Povos Indígenas e Tribais;
V - paisagens de grande beleza cênica, prioritariamente em áreas especiais 
de interesse turístico;
VI - áreas de exclusão de pesca, assim consideradas aquelas interditadas ou 
de reservas, onde o exercício da atividade pesqueira seja proibido transitória, 
periódica ou permanentemente, por ato do poder público;
VII - áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade, assim definidas 
por ato do poder público.
§ 1º (VETADO).
§ 2º Os recursos decorrentes do pagamento por serviços ambientais pela 
conservação de vegetação nativa em terras indígenas serão aplicados em 
conformidade com os planos de gestão territorial e ambiental de terras 
indígenas, ou documentos equivalentes, elaborados pelos povos indígenas 
que vivem em cada terra.
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS15
§ 3º Na contratação de pagamento por serviços ambientais em áreas de 
exclusão de pesca, podem ser recebedores os membros de comunidades 
tradicionais e os pescadores profissionais que, historicamente, desem-
penhavam suas atividades no perímetro protegido e suas adjacências, desde 
que atuem em conjunto com o órgão ambiental competente na fiscalização 
da área. (Grifos nossos.)
Alternativa D. Sim, conforme o art. 2º, II, abrangendo as espécies de serviços de provisão, de 
suporte, de regulação e culturais. 
Art. 2º Para os fins desta Lei, consideram-se: 
I - serviços ecossistêmicos: benefícios relevantes para a sociedade gerados 
pelos ecossistemas, em termos de manutenção, recuperação ou melhoria 
das condições ambientais, nas seguintes modalidades:
a) serviços de provisão: os que fornecem bens ou produtos ambientais 
utilizados pelo ser humano para consumo ou comercialização, tais como 
água, alimentos, madeira, fibras e extratos, entre outros;
b) serviços de suporte: os que mantêm a perenidade da vida na Terra, tais 
como a ciclagem de nutrientes, a decomposição de resíduos, a produção, 
a manutenção ou a renovação da fertilidade do solo, a polinização, a 
dispersão de sementes, o controle de populações depotenciais pragas e de 
vetores potenciais de doenças humanas, a proteção contra a radiação solar 
ultravioleta e a manutenção da biodiversidade e do patrimônio genético;
c) serviços de regulação: os que concorrem para a manutenção da estabilidade 
dos processos ecossistêmicos, tais como o sequestro de carbono, a purificação 
do ar, a moderação de eventos climáticos extremos, a manutenção do equilíbrio 
do ciclo hidrológico, a minimização de enchentes e secas e o controle dos 
processos críticos de erosão e de deslizamento de encostas;
d) serviços culturais: os que constituem benefícios não materiais providos 
pelos ecossistemas, por meio da recreação, do turismo, da identidade 
cultural, de experiências espirituais e estéticas e do desenvolvimento 
intelectual, entre outros;
Alternativa E. Exatamente, nos termos do art. 3º, V.
Art. 3º São modalidades de pagamento por serviços ambientais, entre 
outras:
V - comodato; (...). (Grifos nossos.)
DIREITO AMBIENTAL
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS16
1. Lei nº 14.118/2021 - Programa Casa Verde e Amarela
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.118/2021
Ementa: Institui o Programa Casa Verde e Amarela; altera as Leis nºs 8.036, de 11 de maio de 
1990, 8.100, de 5 de dezembro de 1990, 8.677, de 13 de julho de 1993, 11.124, de 16 
de junho de 2005, 11.977, de 7 de julho de 2009, 12.024, de 27 de agosto de 2009, 
13.465, de 11 de julho de 2017, e 6.766, de 19 de dezembro de 1979; e revoga a Lei nº 
13.439, de 27 de abril de 2017.
Data de publicação: 13.01.2021
Início de vigência: 13.01.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Lei/L14118.htm>
Destaques:
• A lei possui a finalidade de promover o direito à moradia a famílias residentes em áreas 
urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a famílias residentes em 
áreas rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais).
• Disciplina o objetivo do programa em ampliar e promover a melhoria do estoque de 
moradias; estimular a modernização do setor da construção e a inovação tecnológica; 
promover o desenvolvimento institucional e a capacitação dos agentes públicos e privados 
responsáveis pela promoção do programa; estimular a inserção de microempresas, de 
pequenas empresas e de microempreendedores individuais do setor da construção civil e 
de entidades privadas sem fins lucrativos.
• Disponibiliza as unidades habitacionais aos beneficiários sob a forma de cessão, doação, 
locação, comodato, arrendamento ou venda, mediante financiamento ou não, em contrato 
subsidiado ou não, total ou parcialmente.
• Determina que o contrato e o registro do imóvel serão feitos, preferencialmente, em 
nome da mulher. Se for chefe de família não necessitará da concordância do marido. Na 
dissolução de união estável, separação ou divórcio, o título de propriedade do imóvel será 
registrado em nome da mulher ou a ela transferido, independentemente do regime de 
bens aplicável, excetuadas as operações firmadas com recursos do FGTS, e na hipótese da 
guarda dos filhos exclusiva do homem. Eventuais prejuízos sofridos decorrentes da regra 
serão solucionados em demandas indenizatórias.
• Estabelece no prazo máximo de cinco dias da ciência do ato de turbação ou esbulho 
do empreendimento habitacional, que poderão ser empregados atos de defesa ou de 
desforço diretos, inclusive por meio do auxílio de força policial.
• Considerou amplamente o rol de responsáveis para fins de parcelamento do solo urbano 
e permitiu a prorrogação, por igual período, do prazo de quatro anos para a execução das 
obras necessárias ao loteamento.
DIREITO CIVIL
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14118.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14118.htm
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS17
1.2. Comentário
Em 13.01.2021, em razão da conversão da Medida Provisória nº 996/2020, foi publicada a Lei nº 
14.118, com início imediato de vigência.
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “institui o Programa Casa Verde e Amarela; 
altera as Leis nºs 8.036, de 11 de maio de 1990, 8.100, de 5 de dezembro de 1990, 8.677, de 13 de julho 
de 1993, 11.124, de 16 de junho de 2005, 11.977, de 7 de julho de 2009, 12.024, de 27 de agosto de 
2009, 13.465, de 11 de julho de 2017, e 6.766, de 19 de dezembro de 1979; e revoga a Lei nº 13.439, de 
27 de abril de 2017”.
Em seu art. 1º a lei estabeleceu a sua principal “finalidade de promover o direito à moradia 
a famílias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a 
famílias residentes em áreas rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil 
reais), associado ao desenvolvimento econômico, à geração de trabalho e de renda e à elevação dos 
padrões de habitabilidade e de qualidade de vida da população urbana e rural”.
Ainda, a lei relacionou os objetivos do Programa Casa Verde e Amarela, nos incisos do seu 
art. 3º, in verbis:
Art. 3º São objetivos do Programa Casa Verde e Amarela:
I - ampliar o estoque de moradias para atender às necessidades habita-
cionais, sobretudo da população de baixa renda;
II - promover a melhoria do estoque existente de moradias para reparar as 
inadequações habitacionais, incluídas aquelas de caráter fundiário, edilício, 
de saneamento, de infraestrutura e de equipamentos públicos;
III - estimular a modernização do setor da construção e a inovação tecno-
lógica com vistas à redução dos custos, à sustentabilidade ambiental e à 
melhoria da qualidade da produção habitacional, com a finalidade de ampliar 
o atendimento pelo Programa Casa Verde e Amarela;
IV - promover o desenvolvimento institucional e a capacitação dos agentes 
públicos e privados responsáveis pela promoção do Programa Casa Verde 
e Amarela, com o objetivo de fortalecer a sua ação no cumprimento de suas 
atribuições; e
V - estimular a inserção de microempresas, de pequenas empresas e de 
microempreendedores individuais do setor da construção civil e de entidades 
privadas sem fins lucrativos nas ações do Programa Casa Verde e Amarela.
DIREITO CIVIL
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS18
Por sua vez, a lei definiu que “as unidades habitacionais produzidas pelo Programa Casa Verde 
e Amarela poderão ser disponibilizadas aos beneficiários sob a forma de cessão, de doação, de 
locação, de comodato, de arrendamento ou de venda, mediante financiamento ou não, em contrato 
subsidiado ou não, total ou parcialmente, conforme previsto em regulamento”, nos termos do que 
dispõe o art. 8º, § 6º.
Será vedada a concessão de subsídios econômicos para aquisição de unidade habitacional por 
pessoa física, titular de contrato de financiamento obtido com recursos do FGTS ou para pessoa 
que seja proprietária, promitente compradora ou titular de direito de aquisição, de arrendamento, 
de usufruto ou de uso de imóvel residencial, ou ainda que tenha recebido, nos últimos dez anos, 
benefícios similares, dispositivo tratado no art. 12 da lei:
Art. 12. É vedada a concessão de subvenções econômicas com a finalidadede 
aquisição de unidade habitacional por pessoa física que:
I - seja titular de contrato de financiamento obtido com recursos do FGTS 
ou em condições equivalentes às do Sistema Financeiro da Habitação, 
emqualquer parte do País;
II - seja proprietária, promitente compradora ou titular de direito de aqui-
sição, de arrendamento, de usufruto ou de uso de imóvel residencial, regular, 
com padrão mínimo de edificação e de habitabilidade definido pelas regras 
da administração municipal, e dotado de abastecimento de água, de solução 
de esgotamento sanitário e de atendimento regular de energia elétrica, em 
qualquer parte do País; ou
III - tenha recebido, nos últimos 10 (dez) anos, benefícios similares oriundos 
de subvenções econômicas concedidas com o orçamento geral da União e 
com recursos do FAR, do FDS ou de descontos habitacionais concedidos 
com recursos do FGTS,excetuados as subvenções ou os descontos 
destinados à aquisição de material de construção ou o Crédito Instalação, 
disponibilizados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária 
(Incra), na forma prevista em regulamento.
§ 1º O disposto no caput deste artigo, observada a legislação específica 
relativa à fonte de recursos, não se aplica à família que se enquadre em uma 
ou mais das seguintes hipóteses:
I - tenha tido propriedade de imóvel residencial de que se tenha desfeito, 
por força de decisão judicial, há pelo menos 5 (cinco) anos;
DIREITO CIVIL
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS19
II - tenha tido propriedade em comum de imóvel residencial, desde que dele 
se tenha desfeito, em favor do coadquirente, há pelo menos 5 (cinco) anos;
III - tenha propriedade de imóvel residencial havida por herança ou doação, 
em condomínio, desde que a fração seja de até 40% (quarenta por cento), 
observada a regulamentação específica da fonte de recurso que tenha 
financiado o imóvel;
IV - tenha propriedade de parte de imóvel residencial, em fração não supe-
rior a 40% (quarenta por cento);
V - tenha tido propriedade anterior, em nome do cônjuge ou do compa-
nheiro do titular da inscrição, de imóvel residencial do qual se tenha desfeito, 
antes da união do casal, por meio de instrumento de alienação devidamente 
registrado no cartório competente; e 
VI - tenha nua propriedade de imóvel residencial gravado com cláusula de 
usufruto vitalício e tenha renunciado a esse usufruto.
§ 2º O disposto no caput deste artigo não se aplica às subvenções econômicas 
destinadas a:
I - realização de obras e serviços de melhoria habitacional para assistênciaa 
famílias;
II - atendimento de famílias envolvidas em operações de reassentamento, 
de remanejamento ou de substituição de moradia; e
III - atendimento de famílias desabrigadas que tenham perdido o seu único 
imóvel em razão de situação de emergência ou de estado de calamidade 
pública reconhecidos pela União.
Cabe ressaltar que o art. 13 da lei estabeleceu que “os contratos e os registros efetivados no 
âmbito do Programa Casa Verde e Amarela serão formalizados, preferencialmente, em nome da 
mulher e, na hipótese de esta ser chefe de família, poderão ser firmados independentemente da 
outorga do cônjuge, afastada a aplicação do disposto nos arts. 1.647, 1.648 e 1.649 da Lei nº 10.406, 
de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil)”.
No mesmo sentido, estabeleceram os arts. 14 e 15, que seguem:
Art. 14. Nas hipóteses de dissolução de união estável, separação ou divórcio, 
o título de propriedade do imóvel adquirido, construído ou regularizado 
pelo Programa Casa Verde e Amarela na constância do casamento ou 
da união estável será registrado em nome da mulher ou a ela transferido, 
independentemente do regime de bens aplicável, excetuadas as operações 
de financiamento habitacional firmadas com recursos do FGTS.
DIREITO CIVIL
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS20
Parágrafo único. Na hipótese de haver filhos do casal e a guarda ser 
atribuída exclusivamente ao homem, o título da propriedade do imóvel 
construído ou adquirido será registrado em seu nome ou a ele transferido, 
revertida a titularidade em favor da mulher caso a guarda dos filhos seja a 
ela posteriormente atribuída.
Art. 15. Os prejuízos sofridos pelo cônjuge ou pelo companheiro em razão 
do disposto nos arts. 13 e 14 desta Lei serão resolvidos em perdas e danos.
A citada preferência já constava da Lei nº 11.977/2009 (posteriormente alterada pela Lei nº 
12.693/2012), mas foi reproduzida com a intenção de promover o bem-estar da família. Insta frisar 
que há quem defenda a inconstitucionalidade do regramento por favorecer a mulher, violando o art. 
5º, inciso I, da Constituição Federal (CF) de 1988.
A lei também destaca que “para garantia da posse legítima dos empreendimentos habitacionais 
adquiridos ou construídos pelo Programa Casa Verde e Amarela ainda não alienados aos beneficiários 
finais que venham a sofrer turbação ou esbulho, poderão ser empregados atos de defesa ou de 
desforço diretos, inclusive por meio do auxílio de força policial”, nos termos do que dispõe seu art. 16, 
bem como disciplinam os §§ 1º e 2º, in verbis:
§ 1º O auxílio de força policial a que se refere o caput deste artigo poderá estar 
previsto no instrumento firmado ou em outro que venha a ser estabelecido 
entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.
§ 2º Os atos de defesa ou de desforço a que se refere o caput deste artigo 
não poderão ir além do indispensável à manutenção ou à restituição da 
posse e deverão ocorrer no prazo máximo de 5 (cinco) dias, contado da data 
de ciência do ato de turbação ou de esbulho.
Por fim, a nova legislação também trouxe alterações à Lei nº 6.766/1979, passando a considerar 
amplamente o rol de responsáveis para fins de parcelamento do solo urbano, bem como permitiu a 
prorrogação, por igual período, do prazo de quatro anos para a execução das obras necessárias ao 
loteamento, nos termos do que dispõe o seu art. 24.
1.3. Questão inédita comentada
A Lei nº 14.118/2021 instituiu o Programa Casa Verde e Amarela, visando promover o direito 
à moradia a famílias residentes em áreas urbanas e rurais. Quanto à renda das famílias, assinale a 
alternativa correta:
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS21
A) O Programa Casa Verde e Amarela tem a finalidade de promover o direito à moradia a famí- 
lias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a famílias 
residentes em áreas rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais).
B) O Programa Casa Verde e Amarela tem a finalidade de promover o direito à moradia a famí- 
lias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 10.000,00 (dez mil reais) e a famílias 
residentes em áreas rurais com renda mensal de até R$ 15.000,00 (quinze mil reais).
C) O Programa Casa Verde e Amarela tem a finalidade de promover o direito à moradia a famí- 
lias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 10.000,00 (dez mil reais) e a famílias 
residentes em áreas rurais com renda mensal de até R$ 64.000,00 (sessenta e quatro mil reais).
D) O Programa Casa Verde e Amarela tem a finalidade de promover o direito à moradia a famí- 
lias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e a famílias 
residentes em áreas rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais).
E) O Programa Casa Verde e Amarela tem a finalidade de promover o direito à moradia a famí- 
lias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a famílias 
residentes em áreas rurais com renda mensal de até R$ 15.000,00 (quinze mil reais).
 Alternativa correta: letra “A”. Conforme dispõe o art. 1º da Lei nº 14.118/2021, o Programa Casa 
Verde e Amarela foi instituído com o objetivo de promover o direito à moradia a famílias residentes em 
áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a famílias residentes em área 
rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais), associado ao desenvolvimento 
econômico, à geração de renda e de trabalho bem como a elevação dos padrões de habitabilidade 
e da qualidade de vida da população rural e urbana.
Alternativa B. Está incorreta, tendo em vista o que dispõe o art. 1º da Lei nº 14.118/2021. 
O Programa Casa Verde e Amarela foi instituído com o objetivo de promover o direito à moradia 
a famílias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) 
e a famílias residentes em área rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil 
reais), associado ao desenvolvimento econômico, à geração de renda e de trabalho bem como a 
elevação dos padrões de habitabilidade e da qualidade de vida da população rural e urbana.
DIREITO CIVIL
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS22
AlternativaC. Está incorreta. Conforme dispõe o art. 1º da Lei nº 14.118/2021. O Programa Casa 
Verde e Amarela foi instituído com o objetivo de promover o direito à moradia a famílias residentes em 
áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a famílias residentes em área 
rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais), associado ao desenvolvimento 
econômico, à geração de renda e de trabalho bem como a elevação dos padrões de habitabilidade e 
da qualidade de vida da população rural e urbana.
Alternativa D. Está incorreta, pois, segundo o art. 1º da Lei nº 14.118/2021, o Programa Casa Verde 
e Amarela foi instituído com o objetivo de promover o direito à moradia a famílias residentes em áreas 
urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a famílias residentes em área rurais 
com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais), associado ao desenvolvimento 
econômico, à geração de renda e de trabalho bem como a elevação dos padrões de habitabilidade e 
da qualidade de vida da população rural e urbana.
Alternativa E. Está incorreta, pois está em desacordo com o que dispõe a literalidade do o art. 
1º da Lei nº 14.118/2021. O Programa Casa Verde e Amarela foi instituído com o objetivo de promover 
o direito à moradia a famílias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 
(sete mil reais) e a famílias residentes em área rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e 
quatro mil reais), associado ao desenvolvimento econômico, à geração de renda e de trabalho, bem 
como a elevação dos padrões de habitabilidade e da qualidade de vida da população rural e urbana.
DIREITO CIVIL
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS23
1. Medida Provisória (MP) nº 1.029, de 10 de fevereiro de 2021 - 
Exercício da profissão de tripulante de aeronave
1.1. Ficha normativa
MP Nº 1.029, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2021
Ementa: Altera a Lei nº 13.475, de 28 de agosto de 2017, que dispõe sobre o exercício da 
profissão de tripulante de aeronave, denominado aeronauta.
Data de publicação: 10.02.2021
Início de vigência: 10.02.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Mpv/mpv1029.htm>
Destaque:
• A Medida Provisória (MP) nº 1.029/2021, acrescentou um parágrafo ao art. 20 da Lei nº 
13.475/17 (Lei do Aeronauta), para admitir a terceirização dos tripulantes a bordo de 
aeronave quando o operador da aeronave for órgão ou entidade da administração pública, 
no exercício de missões institucionais ou de poder de polícia. 
1.2. Comentário
A Lei nº 13.475/2017 (Lei do Aeronauta) dispõe sobre o exercício das profissões de piloto de 
aeronave, comissário de voo e mecânico de voo, denominados aeronauta.
O art. 20 estabelece que o contrato de trabalho dos tripulantes a bordo deve ser firmado 
diretamente com o operador da aeronave, obrigatoriamente.
No entanto, a MP nº 1.029, de 2021, acrescentou um parágrafo ao art. 20 da Lei do Aeronauta, 
estabelecendo que o disposto acima “não se aplica quando o operador da aeronave for órgão ou 
entidade da administração pública, no exercício de missões institucionais ou de poder de polícia”. 
Com isso, possibilita a terceirização de tripulantes quando o operador da aeronave for órgão 
ou entidade da administração pública, no exercício de missões institucionais ou de poder de polícia. 
As alterações promovidas admitem que, nesse caso, o contrato de trabalho seja firmado não com o 
órgão público contratante, chamado na lei de “operador”, mas, sim, diretamente com as empresas 
donas da aeronave.
DIREITO DO TRABALHO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1029.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1029.htm
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS24
1.3. Questão inédita comentada
Sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave, denominado aeronauta, é 
correto afirmar:
A) A função remunerada dos tripulantes a bordo de aeronave deverá ser sempre formalizada por 
meio de contrato de trabalho firmado diretamente com o operador da aeronave.
B) Nos casos em que o operador da aeronave é órgão ou entidade da administração pública, no 
exercício de missões institucionais, a função remunerada dos tripulantes deve ser formalizada 
por meio de contrato de trabalho firmado diretamente com o operador da aeronave.
C) Nos casos em que o operador da aeronave é órgão ou entidade da administração pública, no 
exercício de poder de polícia, a função remunerada dos tripulantes deve ser formalizada por meio 
de contrato de trabalho firmado diretamente com o operador da aeronave.
D) Nos casos em que o operador da aeronave for órgão ou entidade da administração pública, no 
exercício de missões institucionais ou de poder de polícia, a função remunerada dos tripulantes a 
bordo de aeronave deve ser formalizada por meio de contrato de trabalho firmado diretamente 
com a empresa dona da aeronave.
Alternativa correta: letra D (responde a todas as alternativas). Nos termos do art. 20, § 4º, da 
Lei nº 13.475/2017, nos casos em que o operador da aeronave for órgão ou entidade da administração 
pública, no exercício de missões institucionais ou de poder de polícia, a função remunerada dos 
tripulantes a bordo de aeronave deverá sempre ser formalizada por meio de contrato de trabalho 
firmado diretamente com a empresa dona da aeronave, e não mais com o órgão público contratante:
Art. 20. A função remunerada dos tripulantes a bordo de aeronave deverá, 
obrigatoriamente, ser formalizada por meio de contrato de trabalho firmado 
diretamente com o operador da aeronave. (...)
§ 4º O disposto neste artigo não se aplica quando o operador da aeronave 
for órgão ou entidade da administração pública, no exercício de missões 
institucionais ou de poder de polícia. (Incluído pela MP nº 1.029, de 2021.)
DIREITO DO TRABALHO
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS25
1. Lei Complementar (LC) nº 178 - Programa de Acompanhamento e 
Transparência Fiscal e Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal
1.1. Ficha normativa
LC Nº 178
Ementa: Estabelece o Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal e o Plano de 
Promoção do Equilíbrio Fiscal; altera a LC nº 101, de 4 de maio de 2000, a LC nº 156, 
de 28 de dezembro de 2016, a LC nº 159, de 19 de maio de 2017, a LC nº 173, de 27 
de maio de 2020, a Lei nº 9.496, de 11 de setembro de 1997, a Lei nº 12.348, de 15 de 
dezembro de 2010, a Lei nº 12.649, de 17 de maio de 2012, e a MP nº 2.185-35, de 24 
de agosto de 2001; e dá outras providências.
Data de publicação: 13.01.2021
Início de vigência: 13.01.2021
Diferenciada:
Art. 51 da LC nº 101/2000 – vigência a partir de 2022
Art. 42 da LC nº 101/2000 – vigência a partir de 2023
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm#art16> 
Destaques:
• Os entes federativos que ultrapassem o teto de limite de gastos com pessoal devem realizar 
a redução em 10% anualmente a partir de 2023 do excesso no dispêndio laboral.
• Com relação ao cálculo com despesa de pessoal a LC nº 178/2021 alterou a Lei de 
Responsabilidade Fiscal (LRF) definindo que o cálculo deve ser realizado adotando-se o 
regime de competência independentemente de empenho, e a referida apuração da renda 
bruta total com pessoal não contabiliza dedução ou retenção, salvo o valor que extrapola 
o teto salarial do funcionalismo público. 
• Tratou também das deduções brutas com os pensionistas desde que custo esteja coberto 
pelos recursos pertencentes ao regime próprio de previdência. E em caso de desequilíbrio 
no Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) a transferência de aportes atuariais à 
entidade ou fundo são obrigatórios, com posterior e gradativo desconto na forma definida 
pelo Ministério da Previdência.
• Os entes podem alterar a finalidade da operação de crédito sem a necessidade de nova 
verificação pelo Ministério da Economia.
• Realização de consulta públicaprévia para que os entes se manifestem sobre alteração de 
metodologia com relação à classificação da capacidade de pagamento pelos entes. 
• Com relação à fiscalização da gestão fiscal o diploma legal considerou que os controles 
interno e externo fiscalizarão a gestão fiscal considerando a padronização do Conselho 
Nacional de Gestão Fiscal.
DIREITO FINANCEIRO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm#art16
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS26
1.2. Comentário
Em 13.01.2021, a LC nº 178 foi publicada pela Lei nº 14.065, com início imediato de vigência, 
ressalvados os arts. 42 e 51. O art. 42 tem vigência prevista para o ano 2023, enquanto o art. 51 tem 
vigência prevista para o ano de 2022, conforme o disposto no art. 32 da LC nº 178. 
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo autoriza “Estabelece o Programa de 
Acompanhamento e Transparência Fiscal e o Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal; altera a Lei 
Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, a Lei Complementar nº 156, de 28 de dezembro de 
2016, a Lei Complementar nº 159, de 19 de maio de 2017, a Lei Complementar nº 173, de 27 de maio 
de 2020, a Lei nº 9.496, de 11 de setembro de 1997, a Lei nº 12.348, de 15 de dezembro de 2010, a Lei 
nº 12.649, de 17 de maio de 2012, e a Medida Provisória nº 2.185-35, de 24 de agosto de 2001; e dá 
outras providências”.
Trata-se de lei que objetiva estabelecer o Programa de Ajuste Fiscal e com o agravamento 
das contas públicas causado pelo advento da pandemia da Covid-19, o referido programa visa 
oportunizar o reequilíbrio das contas.
Dentre os pontos transformadores trazidos pelo diploma, neste momento abordaremos as 
inovações que tocam o direito financeiro, de forma especial, as alterações geradas na LRF.
Em relação à despesa pública com pessoal, estabelece alteração nos arts. 18, §§ 2º e 3º; 19, VI, 
c e § 3º; 20, § 7º; e 23, § 3º, III.
Em primeiro momento, o ente federativo que extrapolar o teto de gasto com o regime de 
pessoal deverá realizar a redução em 10% anualmente a partir de 2023 do excesso no dispêndio 
laboral. E as penalidades pelo não ajuste das contas passam a ser aplicados no ano de 2023. Dentre 
as penalidades encontram-se: não recebimento de transferência voluntária; impossibilidade de 
contratar operações de crédito e rejeição do balanço anual. Esta previsão está esculpida no art. 15 
da LC nº 178.
Art. 15. O Poder ou órgão cuja despesa total com pessoal  ao término do 
exercício financeiro da publicação desta Lei Complementar estiver acima 
de seu respectivo limite  estabelecido no  art.  20  da Lei Complementar 
nº 101, de 4 de maio de 2000, deverá eliminar o excesso à razão de, pelo 
menos, 10% (dez por cento) a cada exercício a partir de 2023, por meio da 
adoção, entre outras, das medidas previstas nos arts. 22 e 23 daquela Lei 
Complementar, de forma a se enquadrar no respectivo limite até o término 
do exercício de 2032.
DIREITO FINANCEIRO
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11247310/artigo-20-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/102628/lei-de-responsabilidade-fiscal-lei-complementar-101-00
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11245982/artigo-22-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11245674/artigo-23-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS27
§ 1º A inobservância do disposto no caput no prazo fixado sujeita o ente às 
restrições previstas no § 3º do art. 23 da Lei Complementar nº 101, de 4 de 
maio de 2000.
§ 2º A comprovação acerca do cumprimento da regra de eliminação do 
excesso de despesas com pessoal prevista no caput deverá ser feita no último 
quadrimestre de cada exercício, observado o art. 18 da Lei Complementar 
nº 101, de 4 de maio de 2000.
§ 3º Ficam suspensas as contagens de prazo e as disposições do art. 23 da 
Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, no exercício financeiro de 
publicação desta Lei Complementar.
§ 4º Até o encerramento do prazo a que se refere o caput, será considerado 
cumprido o disposto no art. 23 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 
2000, pelo Poder ou órgão referido no art. 20 daquela Lei Complementar 
que atender ao estabelecido neste artigo.(Grifos nossos.)
Por outro lado, a LC nº 178/2021, ainda ao tratar da despesa de pessoal, desconsiderou do 
cálculo da renda bruta dedução ou retenção, ressalvado os valores que ultrapassarem ao teto 
do funcionalismo público previsto no art. 37, XI, da CF/1988. Ademais, o cálculo deve ser realizado 
adotando-se o regime de competência independentemente de empenho. Por fim, com relação 
às deduções de renda bruta referentes aos pensionistas, há previsão da cobertura dos recursos 
pertencentes ao regime próprio de previdência e aportes em caso de desequilíbrio no RPPS. 
Os Poderes possuem o dever de apurar a aplicação dos limites de gastos independentemente de 
o custeio estar a cargo de outro Poder ou órgão. Então, sobre a despesa com pessoal, as alterações 
encontram-se nos dispositivos da LC nº 101/2000:
Art. 18.  Para os efeitos desta Lei Complementar, entende-se como 
despesa total com pessoal: o somatório dos gastos do ente da Federação 
com os ativos, os inativos e os pensionistas, relativos a mandatos eletivos, 
cargos, funções ou empregos, civis, militares e de membros de Poder, com 
quaisquer espécies remuneratórias, tais como vencimentos e vantagens, 
fixas e variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria, reformas e pensões, 
inclusive adicionais, gratificações, horas extras e vantagens pessoais de 
qualquer natureza, bem como encargos sociais e contribuições recolhidas 
pelo ente às entidades de previdência.
(...)
DIREITO FINANCEIRO
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11245551/par%C3%A1grafo-3-artigo-23-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11245674/artigo-23-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/102628/lei-de-responsabilidade-fiscal-lei-complementar-101-00
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11248133/artigo-18-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/102628/lei-de-responsabilidade-fiscal-lei-complementar-101-00
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11245674/artigo-23-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/102628/lei-de-responsabilidade-fiscal-lei-complementar-101-00
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11245674/artigo-23-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/102628/lei-de-responsabilidade-fiscal-lei-complementar-101-00
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11247310/artigo-20-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS28
§ 2º A despesa total com pessoal será apurada somando-se a realizada 
no mês em referência com as dos 11 (onze) imediatamente anteriores, 
adotando-se o regime de competência, independentemente de empenho.
(Redação dada pela LC nº 178, de 2021.)
§ 3º Para a apuração da despesa total com pessoal, será observada a 
remuneração bruta do servidor, sem qualquer dedução ou retenção, 
ressalvada a redução para atendimento ao disposto no art. 37, inciso XI, da 
Constituição Federal. (Incluído pela LC nº 178, de 2021.)
Art. 19.  Para os fins do disposto no  caput  do art. 169 da Constituição, a 
despesa total com pessoal, em cada período de apuração e em cada ente da 
Federação, não poderá exceder os percentuais da receita corrente líquida, 
a seguir discriminados:
(...)
VI - com inativos e pensionistas, ainda que pagas por intermédio de unidade 
gestora única ou fundo previsto no art. 249 da Constituição Federal, quanto 
à parcela custeada por recursos provenientes:  (Redação dada pela LC nº 
178, de 2021.)
(...)
c) de transferências destinadas a promover o equilíbrio atuarial do regime 
de previdência, na forma definida pelo órgão do Poder Executivo federal 
responsável pela orientação, pela supervisão e pelo acompanhamento dos 
regimes próprios de previdência social dosservidores públicos.  (Redação 
dada pela LC nº 178, de 2021.)
(...)
§ 3º Na verificação do atendimento dos limites definidos neste artigo, é 
vedada a dedução da parcela custeada com recursos aportados para a 
cobertura do déficit financeiro dos regimes de previdência.(Incluído pela 
LC nº 178, de 2021.)
Art. 20.  A repartição dos limites globais do art. 19 não poderá exceder os 
seguintes percentuais: 
(...)
§ 7º Os Poderes e órgãos referidos neste artigo deverão apurar, de forma 
segregada para aplicação dos limites de que trata este artigo, a integralidade 
das despesas com pessoal dos respectivos servidores inativos e pensionistas, 
mesmo que o custeio dessas despesas esteja a cargo de outro Poder ou 
órgão. (Incluído pela LC nº 178, de 2021.) (Grifos nossos.)
DIREITO FINANCEIRO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS29
Por sua vez, os entes podem alterar a finalidade da operação de crédito dos estados, Distrito 
Federal e municípios, sem que para tanto haja nova verificação pelo Ministério da Economia se houver 
autorização prévia na lei orçamentária ou lei específica. Neste caso, será necessário demonstrar o 
interesse econômico e social da alteração. É o previsto no novo parágrafo do art. 32 da LRF:
§ 7º Poderá haver alteração da finalidade de operação de crédito de Estados, 
do Distrito Federal e de Municípios sem a necessidade de nova verificação 
pelo Ministério da Economia, desde que haja prévia e expressa autorização 
para tanto, no texto da lei orçamentária, em créditos adicionais ou em 
lei específica, que se demonstre a relação custo-benefício e o interesse 
econômico e social da operação e que não configure infração a dispositivo 
desta Lei Complementar. (Incluído pela LC nº 178, de 2021.)
Ademais, a nova lei exige a realização de consulta pública prévia para alteração de metodologia 
com relação à classificação da capacidade de pagamento pelos entes. Veja!
Art. 40. Os entes poderão conceder garantia em operações de crédito 
internas ou externas, observados o disposto neste artigo, as normas do art. 
32 e, no caso da União, também os limites e as condições estabelecidos pelo 
Senado Federal e as normas emitidas pelo Ministério da Economia acerca 
da classificação de capacidade de pagamento dos mutuários. (Redação 
dada pela LC nº 178, de 2021.)
(...)
§ 11 A alteração da metodologia utilizada para fins de classificação da 
capacidade de pagamento de Estados e Municípios deverá ser precedida 
de consulta pública, assegurada a manifestação dos entes. (Incluído pela 
LC nº 178, de 2021.)
Por fim, no exercício da fiscalização da gestão fiscal o controle interno e externo precisa 
considerar a padronização do Conselho Nacional de Gestão Fiscal.
Art. 59. O Poder Legislativo, diretamente ou com o auxílio dos Tribunais 
de Contas, e o sistema de controle interno de cada Poder e do Ministério 
Público fiscalizarão o cumprimento desta Lei Complementar, consideradas 
as normas de padronização metodológica editadas pelo conselho de que 
trata o art. 67, com ênfase no que se refere a: (Redação dada pela LC nº 178, 
de 2021.)
DIREITO FINANCEIRO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS30
1.3. Questão inédita comentada
Conforme estabelece a LRF sobre a despesa de pessoal é correto afirmar:
A) A apuração da despesa total de pessoal depende de empenho.
B) Na apuração da despesa total de pessoal são observadas as reduções decorrentes do excedente 
do teto remuneratório do funcionalismo público.
C) Na apuração do limite com despesa de pessoal são computadas as despesas com inativos e 
pensionistas ainda que pago por unidade gestora. 
D) O Ministério Público não pode de forma segregada do Poder Judiciário apurar o limite de gastos 
com pessoal.
E) A parcela custeada com recursos aportados para a cobertura do déficit financeiro dos regimes de 
previdência não entra no cálculo da verificação do limite das despesas com pessoal. 
Alternativa correta: letra B. Nos termos da nova redação do § 3º, art. 18, incluído pela LC nº 
178/2021, no qual, para a apuração da despesa total com pessoal, será observada a remuneração 
bruta do servidor sem qualquer dedução ou retenção, ressalvada a redução para atendimento ao 
disposto no art. 37, inciso XI, da CF/1988.
Alternativa A. A LRF prevê independe de empenho a apuração de despesa total com pessoal 
(art. 18, § 2º, com redação dada pela LC nº 178/2021).
Art. 18. Para os efeitos desta Lei Complementar, entende-se como 
despesa total com pessoal: o somatório dos gastos do ente da Federação 
com os ativos, os inativos e os pensionistas, relativos a mandatos eletivos, 
cargos, funções ou empregos, civis, militares e de membros de Poder, com 
quaisquer espécies remuneratórias, tais como vencimentos e vantagens, 
fixas e variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria, reformas e pensões, 
inclusive adicionais, gratificações, horas extras e vantagens pessoais de 
qualquer natureza, bem como encargos sociais e contribuições recolhidas 
pelo ente às entidades de previdência.
§ 2º A despesa total com pessoal será apurada somando-se a realizada 
no mês em referência com as dos 11 (onze) imediatamente anteriores, 
adotando-se o regime de competência, independentemente de empenho. 
(Redação dada pela Lei Complementar nº 178, de 2021.)
DIREITO FINANCEIRO
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS31
Alternativa C. Quanto à apuração do limite de despesa de pessoal, não serão computadas as 
despesas com os inativos e pensionistas, ainda que o pagamento seja realizado por unidade gestora 
única ou fundo (art. 19, § 1º, VI, da LRF, com redação dada pela LC nº 178/2021). 
Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da Constituição, a 
despesa total com pessoal, em cada período de apuração e em cada ente da 
Federação, não poderá exceder os percentuais da receita corrente líquida, 
a seguir discriminados: 
§ 1º Na verificação do atendimento dos limites definidos neste artigo, não 
serão computadas as despesas: 
VI - com inativos e pensionistas, ainda que pagas por intermédio de unidade 
gestora única ou fundo previsto no art. 249 da Constituição Federal, quanto 
à parcela custeada por recursos provenientes: (Redação dada pela Lei 
Complementar nº 178, de 2021.)
Alternativa D. O Ministério Público deve realizar a fiscalização da gestão fiscal e tem 
independência para tanto (art. 59 da LRF, com redação dada pela LC nº 178/2021). 
Art. 59. O Poder Legislativo, diretamente ou com o auxílio dos Tribunais 
de Contas, e o sistema de controle interno de cada Poder e do Ministério 
Público fiscalizarão o cumprimento desta Lei Complementar, consideradas 
as normas de padronização metodológica editadas pelo conselho de 
que trata o art. 67, com ênfase no que se refere a: (Redação dada pela Lei 
Complementar nº 178, de 2021.)
Alternativa E. Fica vedada a dedução dos recursos aportados para a cobertura do déficit 
financeiro dos regimes de previdência na verificação do atendimento do limite com despesa de 
pessoal (art. 19, § 3º, da LRF, com redação dada pela LC nº 178/2021).
Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da Constituição, a 
despesa total com pessoal, em cada período de apuração e em cada ente da 
Federação, não poderá exceder os percentuais da receita corrente líquida, 
a seguir discriminados:
§ 3º Na verificação do atendimento dos limites definidos neste artigo, é 
vedada a dedução da parcela custeada com recursos aportados para a 
cobertura do déficit financeiro dos regimes de previdência. (Incluído pela 
Lei Complementar nº178, de 2021.)
DIREITO FINANCEIRO
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS32
1. Decreto Legislativo CN nº 01/2021 - Convenção Interamericana 
contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas 
de Intolerância
1.1. Ficha normativa
DECRETO LEGISLATIVO CN Nº 01/2021
Ementa: Aprova o texto da Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação 
Racial e Formas Correlatas de Intolerância, adotada na Guatemala, por ocasião da 
43ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos, 
em 5 de junho de 2013.
Data de publicação: 19.02.2021
Início de vigência: 19.02.2021
Link do texto normativo: <https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-legislativo-30 
4416057>
Destaques:
• A Convenção foi aprovada na forma do § 3º do art. 5º da Constituição Federal (CF/1988), e 
terá status de emenda constitucional.
• O texto segue para ratificação pelo presidente da República nos termos do art. 84, IV, da 
CF/1988, passando a ter força cogente no plano interno a partir daqui. 
• Ao lado das Convenções de Nova York sobre Pessoas com Deficiência e do Tratado de 
Marraqueche sobre inclusão de pessoas com deficiência visual, será o terceiro tratado de 
direitos humanos aprovado na forma qualificada do § 3º do art. 5º da CF/1988: aprovação 
por 3/5 em cada uma das Casas do Congresso Nacional, em dois turnos. 
1.2. Comentário
Em 19.02.2021 foi promulgado pelo Congresso Nacional o Decreto Legislativo nº 01, de 2021. 
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “aprova o texto da Convenção 
Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, 
adotada na Guatemala, por ocasião da 43ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral da Organização 
dos Estados Americanos, em 5 de junho de 2013”.
Trata-se de mais um importante passo do Estado brasileiro no combate ao racismo, crimina-
lizado no plano interno por meio da Lei nº 7.716/1989, a partir de mandamento de criminalização 
presente na própria CF/1988, art. 5º, XLII: “a prática do racismo constitui crime inafiançável e 
imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”; além de representar, o combate ao 
racismo, um princípio da República Federativa do Brasil em suas relações internacionais, nos termos 
do inciso VIII do art. 4º. 
DIREITO INTERNACIONAL
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-legislativo-304416057
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-legislativo-304416057
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS33
O Brasil já é signatário da Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas 
de Discriminação Racial, no âmbito da Organização das Nações Unidas, internalizada por meio 
do Decreto nº 65.810/1969, ostentando status supralegal, nos termos do Recurso Extraordinário 
nº 466.343, por ser tratado de direitos humanos não internalizado nos termos do art. 5º, § 3º, da 
CF/1988, assim como o Pacto de São José da Costa Rica. 
A Convenção ora aprovada pelo Poder Legislativo faz parte do Sistema Regional Interame-
ricano, ao passo que a Convenção aprovada anteriormente faz parte do Sistema Global ou Onusiano. 
Desse modo, a proteção de direitos humanos, em específico quanto às questões raciais, ganha mais 
um reforço expresso, somando-se de forma salutar a todo o arcabouço normativo já existente. 
A Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de 
Intolerância é importantíssimo instrumento para a proteção dos direitos humanos e está a um passo 
de ser incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro. O decreto legislativo em comento corporifica 
a aprovação pelo Congresso Nacional, nos termos do art. 49, I, da CF/1988, faltando agora a 
ratificação pelo presidente da República e, em consequência, a publicação do decreto presidencial, 
quando será considerada internalizada ao direito brasileiro.
Em relação à mencionada Convenção, dois pontos merecem maior atenção: a forma de sua 
aprovação e seu conceito de discriminação racial.
Quanto à forma de aprovação, ela se deu como previsto no art. 5º, § 3º, da CF/1988, cujo teor é 
o seguinte:
Art. 5º (...)
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que 
forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, 
por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às 
emendas constitucionais.
O conceito de discriminação racial da Convenção Interamericana é bastante largo, envolvendo 
quaisquer áreas da vida pública ou privada, a exemplo da orientação sexual, em que pese o enfoque 
principal diga respeito a raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica, conforme deixa entrever 
a parte final do artigo 1.1.
Artigo 1. Para os efeitos desta Convenção: 1. Discriminação racial é 
qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência, em qualquer área 
da vida pública ou privada, cujo propósito ou efeito seja anular ou restringir 
o reconhecimento, gozo ou exercício, em condições de igualdade, de um 
ou mais direitos humanos e liberdades fundamentais consagrados nos 
instrumentos internacionais aplicáveis aos Estados Partes.
DIREITO INTERNACIONAL
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS34
A discriminação racial pode basear-se em raça, cor, ascendência ou origem 
nacional ou étnica. (Grifos nossos.)
1.3. Questão inédita comentada
Em 19.02.2021, o Congresso Nacional, por meio do Decreto nº 01/2021, aprovou o texto 
da Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de 
Intolerância, adotada na Guatemala, por ocasião da 43ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral da 
Organização dos Estados Americanos, em 5 de junho de 2013, nos termos do § 3º do art. 5º da CF/1988. 
Assim, podemos afirmar com correção que:
A) O texto aprovado considera-se automaticamente promulgado no âmbito interno.
B) Por se tratar de Convenção sobre Direitos Humanos, ostentará status supralegal, conforme 
decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 466.344.
C) Já produz efeitos para o Brasil em âmbito internacional.
D) Passa a substituir a Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de 
Discriminação Racial, promulgada pelo Decreto Presidencial nº 65.810/1969, vez que trata do 
mesmo tema, sendo posterior.
E) Não poderá sofrer controle de convencionalidade em âmbito interno, ainda que devidamente 
internalizado. 
Alternativa correta: letra C. Nos termos do art. 49, I, da CF/1988, uma vez aprovadas pelo 
Congresso Nacional, as Convenções que acarretem encargos ao Brasil passam a ostentar validade 
no âmbito internacional, produzindo efeitos para o Brasil em relação aos compromissos assumidos.
Alternativa A. Para que seja promulgado, ostentando cogência no plano interno, necessita de um 
decreto presidencial, na forma do art. 84, IV, CF/1988, vez que o Brasil adota a Teoria Dualista Moderada. 
Alternativa B. O STF entendeu no recurso extraordinário referido pelo status supralegal da 
Convenção Interamericana de Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), vez que não 
aprovado na forma do § 3º do art. 5º da CF/1988, mas por tratar de direitos humanos. 
Alternativa D. Não substitui, mas se soma a ela na proteção aos direitos humanos, porquanto 
coexistentes os sistemas de proteção global e regionais de direitos humanos. 
Alternativa E. Não somente poderá, como deverá servir de parâmetro para as normas internas 
em controle de convencionalidade.
DIREITO INTERNACIONAL
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS35
1. Medida Provisória (MP) nº 1.023 - Benefício de prestação continuada
1.1. Ficha normativa
MP Nº 1.023
Ementa: Altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, para dispor sobre o benefício de 
prestação continuada.
Data de publicação: 31.12.2020
Início de vigência: 01.01.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/
Mpv/mpv1023.htm>
Destaque:
• A medida provisória trata do requisito da renda familiar para fins de obtençãodo benefício 
do amparo assistencial. 
1.2. Comentário
Em 31.12.2020, a MP nº 1.023/2020 foi publicada, com início de vigência em 01.01.2021.
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “Altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 
1993, para dispor sobre o benefício de prestação continuada”.
Trata-se de mais uma inovação legal promovida na Lei da Assistência Social (LOAS). O benefício 
de prestação continuada é devido às pessoas portadoras de deficiência e ao idoso que comprovem 
não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. No ano de 
2020 o critério objetivo de renda mensal per capita mensal da família para fins do benefício foi alvo 
de muitas mudanças. 
Em relação à renda per capita mensal familiar para fins de obtenção do benefício, atualmente 
a referida MP, estabelece no art. 20, § 3º, I, da LOAS, que:
§ 3º Considera-se incapaz de prover a manutenção da pessoa com 
deficiência ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja:
I - inferior a um quarto do salário mínimo;
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Mpv/mpv1023.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Mpv/mpv1023.htm
VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS36
De modo sistemático, observe a evolução legislativa sobre o critério objetivo da renda per capita:
Redação 
original da Lei nº 
8.742/1993
Art. 20, § 3º
Renda mensal 
per capita inferior 
a 1/4 do salário 
mínimo
Redação dada 
pela Lei nº 
13.981/2020
Art. 20, § 3º
Renda mensal 
per capita inferior 
a 1/2 do salário 
mínimo
Redação dada 
pela Lei nº 
13.982/2020
Art. 20, § 3º, I
Renda mensal 
per capita igual 
ou inferior a 1/4 
do salário mínimo 
até 31.12.2020
Redação dada 
pela MP nº 
1.023/2020
Art. 20, § 3º, I
Renda mensal 
per capita 
inferior a 1/4 do 
salário mínimo 
Portanto, guarde a tratativa legal do critério objetivo de renda per capita familiar para fins da 
concessão do benefício assistencial levando em consideração que estamos diante de uma MP que 
pode ser ou não convertida em lei.
1.3. Questão inédita comentada
O benefício de prestação continuada que garante um salário mínimo mensal à pessoa porta-
dora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e 
nem de tê-la provida por sua família, exigindo-se, a comprovação de renda per capita familiar:
A) 1/6 do valor do salário mínimo;
B) igual a 1/4 do salário mínimo;
C) inferior a 1/4 do salário mínimo;
D) igual a 1/4 do salário mínimo;
E) inferior a 1/3 do salário mínimo.
Alternativa correta: letra C (responde a todas as alternativas). Nos termos da atual redação 
do art. 20, § 3º, I, da Lei nº 8.742/1993, o valor da renda per capita familiar deve ser inferior a 1/4 do 
salário mínimo. 
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Caderno de novidades legislativas
SUMÁRIO
Março
2021
Caderno de novidades legislativas38
1. Lei nº 14.124/2021 – Medidas excepcionais destinadas à vacinação 
contra Covid-19
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.124/2021
Ementa: Dispõe sobre as medidas excepcionais relativas à aquisição de vacinas e de insumos 
e à contratação de bens e serviços de logística, de tecnologia da informação e 
comunicação, de comunicação social e publicitária e de treinamentos destinados 
à vacinação contra a Covid-19, e sobre o Plano Nacional de Operacionalização da 
Vacinação contra a Covid-19.
Data de publicação: 10.03.2021
Início de vigência: 10.03.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Lei/L14124.htm>
Destaques:
• A lei autoriza dispensa de licitação para que a Administração Pública direta e indireta 
celebre contratos de aquisição de vacinas e insumos para vacinação contra a Covid-19, 
mesmo que antes do registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ou 
autorização temporária de uso emergencial.
• Autoriza dispensa de licitação para que a Administração Pública direta e indireta celebre 
contratos de bens e serviços necessários para implementação da vacinação contra a 
Covid-19.
• Autoriza compra, distribuição e aplicação de vacinas contra a Covid-19 por estados, 
Distrito Federal e municípios, caso a União tenha atuação intempestiva.
• Autoriza, de forma excepcional e temporária, a importação e distribuição de vacinas, 
medicamentos e outros insumos para combate à Covid-19 sem registro na Anvisa, desde 
que haja aprovação ou registro por outras autoridades sanitárias, entre outros requisitos.
1.2. Comentário
No dia 10.03.2021 foi publicada e entrou em vigor a Lei nº 14.124/2021, com o objetivo de auxiliar 
o enfrentamento à pandemia. 
Conforme ementa da lei, o novel texto legislativo trata “sobre as medidas excepcionais relativas 
à aquisição de vacinas e de insumos e à contratação de bens e serviços de logística, de tecnologia 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14124.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14124.htm
Caderno de novidades legislativas39
da informação e comunicação, de comunicação social e publicitária e de treinamentos destinados à 
vacinação contra a Covid-19 e sobre o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a 
Covid-19”.
Tendo em vista a Covid-19 como medida excepcional, a lei autoriza a dispensa de licitação para 
aquisição de vacinas, insumos para vacinação e para contratação de bens e serviços necessários 
para implementação da vacinação. 
Art. 2º Fica a administração pública direta e indireta autorizada a celebrar 
contratos ou outros instrumentos congêneres, com dispensa de licitação, 
para:
I ‒ ‒ a aquisição de vacinas e de insumos destinados à vacinação contra a 
Covid-19, inclusive antes do registro sanitário ou da autorização temporária 
de uso emergencial; e
II ‒ ‒ a contratação de bens e serviços de logística, de tecnologia da informação 
e comunicação, de comunicação social e publicitária, de treinamentos e de 
outros bens e serviços necessários à implementação da vacinação contra a 
Covid-19.
Em relação à formalização da contratação direta, o art. 2º, § 1º, da lei dispõe que a dispensa de 
licitação “não afasta a necessidade de processo administrativo que contenha os elementos técnicos 
referentes à escolha da opção de contratação e à justificativa do preço ajustado” (grifos nossos).
Todas as aquisições ou contratações feitas com base na nova lei deverão ser publicizadas, no 
prazo máximo de 5 dias úteis, “contado da data da realização do ato em sítio oficial da internet” (art. 
2º, § 2º), devendo haver a divulgação de todas as informações elencadas nesse dispositivo:
Art. 2º (...)
I ‒ o nome do contratado e o número de sua inscrição na Secretaria Especial 
da Receita Federal do Brasil do Ministério da Economia ou identificador 
congênere no caso de empresa estrangeira que não funcione no País;
II ‒ o prazo contratual, o valor e o respectivo processo de aquisição ou de 
contratação;
III ‒ o ato que autoriza a contratação direta ou o extrato decorrente do 
contrato;
IV ‒ a discriminação do bem adquirido ou do serviço contratado e o local de 
entrega ou de prestação do serviço;
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas40
V ‒ o valor global do contrato, as parcelas do objeto, os montantes pagos e 
o saldo disponível ou bloqueado, caso exista;
VI ‒ as informações sobre eventuais aditivos contratuais;
VII ‒ a quantidade entregue ou prestada em cada ente federativo durante a 
execução do contrato, nas contratações de bens e serviços; e
VIII ‒ as atas de registros de preços das quais a contratação se origine, se 
houver.
A fim de justificar a situação de dispensa, o legislador presumiu, no art. 3º, a presunção da 
comprovação da “ocorrência de situação de emergência em saúde pública de importância nacional 
decorrente do coronavírus responsável pela Covid-19 (SARS-CoV-2)”; “necessidade de pronto 
atendimento à situação de emergência em saúde pública de importâncianacional decorrente do 
coronavírus responsável pela Covid-19 (SARS-CoV-2)”.
Além da dispensa, também prevê a lei a contratação direta por inexigibilidade no caso de 
fornecedor exclusivo do bem ou serviço “inclusive no caso da existência de sanção de impedimento 
ou de suspensão para celebração de contrato com o poder público” (§ 3º), sendo, nesse caso, 
obrigatória a prestação de garantia até o limite de 10%.
Estabelece a lei, ainda, diversas outras disposições referentes à licitação e ao regramento dos 
contratos administrativos e, em relação ao primeiro caso, por exemplo, o art. 8º prevê, no caso de 
pregão, a redução dos prazos pela metade. 
Por sua vez, quanto aos contratos administrativos decorrentes das aquisições e contratações 
descritas na lei, merece destaque o art. 9º, prevendo que “a administração pública direta e indireta 
poderá estabelecer cláusula com previsão de que os contratados ficam obrigados a aceitar, nas 
mesmas condições contratuais iniciais, acréscimos ou supressões ao objeto contratado limitados a 
até 50% (cinquenta por cento) do valor inicial atualizado do contrato.” 
Além das disposições referentes à contratação direta, à licitação e aos contratos administrativos, 
importante mencionar que a nova lei prevê, no art. 13, § 3º, a autorização para a compra, a distribuição e 
a aplicação de vacinas contra a Covid-19 por estados, Distrito Federal e municípios, caso a União “não 
realize as aquisições e a distribuição tempestiva de doses suficientes para a vacinação dos grupos 
previstos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19” (grifos nossos).
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas41
Nesse caso, as vacinas devem estar: 
i. registradas (na Anvisa); ou
ii. autorizadas para uso emergencial (pela Anvisa); ou 
iii. autorizadas excepcionalmente para importação. 
A última hipótese mencionada, autorização excepcional para importação, foi prevista no art. 16 
da Lei nº 14.124/2021, e significa que vacinas e medicamentos contra a Covid-19 não registrados na 
Anvisa podem ser autorizados para importação pela agência caso preencham os seguintes requisitos:
i. possuam estudos clínicos de fase três concluídos ou resultados provisórios de um ou mais 
estudos clínicos; 
ii. sejam considerados essenciais para o combate da doença;
iii. sejam registrados ou autorizados para uso emergencial por autoridades sanitárias estrangeiras 
listadas na lei;
iv. sejam autorizados à distribuição no respectivo país da autoridade sanitária que registrou ou 
autorizou o uso emergencial.
Para materiais, equipamentos e insumos da área de saúde sujeitos à vigilância sanitária e não 
registrados na Anvisa, dispensa-se apenas o requisito listado no item “i”, uma vez que ele é aplicável 
às vacinas e medicamentos contra a Covid-19.
Como exemplo de autoridades sanitárias estrangeiras previstas na lei (item iii), cita-se a Food 
and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos da América, e a European Medicines Agency 
(EMA), da União Europeia.
1.3. Questão inédita comentada
Nos termos da Lei nº 14.124/2021, assinale a alternativa incorreta:
A) A Administração Pública direta e indireta fica autorizada a celebrar contratos ou outros 
instrumentos congêneres, com dispensa de licitação, para aquisição de vacinas contra a Covid-19.
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas42
B) A Administração Pública direta e indireta fica autorizada a celebrar contratos ou outros 
instrumentos congêneres, com dispensa de licitação, para contratação de bens e serviços de logística 
necessários à implementação da vacinação contra a Covid-19.
C) Os estados, os municípios e o Distrito Federal ficam autorizados a adquirir, distribuir e aplicar 
as vacinas contra a Covid-19, caso a União não realize as aquisições e a distribuição tempestiva de 
doses suficientes para a vacinação de toda a população.
D) Autoriza de forma excepcional e temporária a importação e distribuição de vacinas e 
medicamentos contra a Covid-19 sem registro na Anvisa, desde que registrados ou autorizados 
para uso emergencial por autoridades sanitárias estrangeiras e autorizados à distribuição em seus 
respectivos países, entre outros requisitos.
E) A Administração Pública direta e indireta fica autorizada a celebrar contratos ou outros 
instrumentos congêneres, com dispensa de licitação, para compra de insumos destinados à 
vacinação contra a Covid-19.
Alternativa correta: letra C. Nos termos do art. 13, § 3º, da Lei nº 14.124/2021,“a aplicação das 
vacinas contra a Covid-19 deverá observar o previsto no Plano Nacional de Operacionalização da 
Vacinação contra a Covid-19, ou naquele que vier a substituí-lo. § 3º Os Estados, os Municípios e 
o Distrito Federal ficam autorizados a adquirir, a distribuir e a aplicar as vacinas contra a Covid-19 
registradas, autorizadas para uso emergencial ou autorizadas excepcionalmente para importação, 
nos termos do art. 16 desta Lei, caso a União não realize as aquisições e a distribuição tempestiva de 
doses suficientes para a vacinação dos grupos previstos no Plano Nacional de Operacionalização 
da Vacinação contra a Covid-19.” (Grifos nossos.)
Demais alternativas:
Alternativa A. Alternativa em consonância com o art. 2º, inciso I, da Lei nº 14.124/2021: “Fica 
a administração pública direta e indireta autorizada a celebrar contratos ou outros instrumentos 
congêneres, com dispensa de licitação, para: I ‒‒ a aquisição de vacinas e de insumos destinados à 
vacinação contra a Covid-19, inclusive antes do registro sanitário ou da autorização temporária de 
uso emergencial; e”.
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas43
Alternativa B. Alternativa em consonância com o art. 2º, inciso I, da Lei nº 14.124/2021: “Fica 
a administração pública direta e indireta autorizada a celebrar contratos ou outros instrumentos 
congêneres, com dispensa de licitação, para: II ‒ a contratação de bens e serviços de logística, de 
tecnologia da informação e comunicação, de comunicação social e publicitária, de treinamentos e 
de outros bens e serviços necessários à implementação da vacinação contra a Covid-19.”
Alternativa D. Alternativa em consonância com o art. 16, caput, da Lei nº 14.124/2021: “A 
Anvisa, conforme estabelecido em ato regulamentar próprio, oferecerá parecer sobre a autorização 
excepcional e temporária para a importação e a distribuição e a autorização para uso emergencial 
de quaisquer vacinas e medicamentos contra a Covid-19, com estudos clínicos de fase 3 concluídos 
ou com os resultados provisórios de um ou mais estudos clínicos, além de materiais, equipamentos 
e insumos da área de saúde sujeitos à vigilância sanitária, que não possuam o registro sanitário 
definitivo na Anvisa e considerados essenciais para auxiliar no combate à Covid-19, desde que 
registrados ou autorizados para uso emergencial por, no mínimo, uma das seguintes autoridades 
sanitárias estrangeiras e autorizados à distribuição em seus respectivos países: (...)”.
Alternativa E. Alternativa em consonância com o art. 2º, inciso I, da Lei nº 14.124/2021: “Fica 
a administração pública direta e indireta autorizada a celebrar contratos ou outros instrumentos 
congêneres, com dispensa de licitação, para: I ‒- a aquisição de vacinas e de insumos destinados à 
vacinação contra a Covid-19, inclusive antes do registro sanitário ou da autorização temporária de 
uso emergencial; e”.
2. Lei nº 14.125/2021 ‒ ‒ Responsabilidade civil relativa a eventos 
adversos pós-vacinação contra a Covid-19
2.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.125/2021
Ementa: Dispõe sobre a responsabilidade civil relativa a eventos adversos pós-vacinação 
contra a Covid-19 e sobre a aquisição e distribuição de vacinas por pessoas 
jurídicas de direito privado.
Data de publicação: 10.03.2021
Início de vigência: 10.03.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/
lei/L14125.htm>
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14125.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14125.htm
Caderno de novidades legislativas44
Destaques:
• A lei autoriza a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios a adquirirem vacinas 
contra a Covid-19, caso em que assumirão a responsabilidade civil por eventos adversos 
pós-vacinação, desde que a Anvisa tenha concedido o respectivo registro ou autorização 
temporária de uso emergencial.
• Prevê que os entes poderão constituir garantias ou contratar seguro privado para a 
cobertura dos riscos relativos aos eventos adversos pós-vacinação.
• Autoriza a aquisição de vacinas contra a Covid-19 por pessoas jurídicas de direito privado, 
desde que sejam integralmente doadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de 
serem utilizadas no âmbito do Programa Nacional de Imunizações (PNI), até o término 
da imunização dos grupos prioritários. Após, poderão distribuir e administrar as vacinas 
adquiridas livremente, desde que pelo menos 50% das doses sejam, obrigatoriamente, 
doadas ao SUS, e as demais sejam utilizadas de forma gratuita.
2.2. Comentário
Em 10.03.2021, foi publicada a Lei nº 14.125, com início imediato de vigência.
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo dispõe sobre a “responsabilidade civil 
relativa a eventos adversos pós-vacinação contra a Covid-19 e sobre a aquisição e distribuição de 
vacinas por pessoas jurídicas de direito privado”.
Trata-se de mais uma inovação legal destinada ao enfrentamento da pandemia da Covid-19, 
podendo ser destacada a autorização, prevista em seu art. 1º, para que a União, os estados, o Distrito 
Federal e os municípios adquiram vacinas e assumam os riscos referentes à responsabilidade 
civil, nos termos do instrumento de aquisição ou fornecimento de vacinas celebrado, em relação 
a eventos adversos pós-vacinação, desde que a Anvisa tenha concedido o respectivo registro ou 
autorização temporária de uso emergencial. 
Tendo em vista que podem ocorrer efeitos adversos pelo uso das vacinas destinadas ao 
combate da Covid-19, houve exigência por parte das empresas farmacêuticas de que o ente público 
comprador se responsabilize por qualquer indenização referente a efeitos colaterais indesejados 
ocasionados pelas vacinas.
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas45
Essa pretensão foi acolhida, e a Lei nº 14.125/2021 trouxe previsão legal nesse sentido em 
seu art. 1º:
Art. 1º Enquanto perdurar a Emergência em Saúde Pública de Importância 
Nacional (Espin), declarada em decorrência da infecção humana pelo novo 
coronavírus (SARS-CoV-2), ficam a União, os Estados, o Distrito Federal 
e os Municípios autorizados a adquirir vacinas e a assumir os riscos 
referentes à responsabilidade civil, nos termos do instrumento de aquisição 
ou fornecimento de vacinas celebrado, em relação a eventos adversos pós-
vacinação, desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) 
tenha concedido o respectivo registro ou autorização temporária de uso 
emergencial. (Grifos nossos.)
Importante ressaltar que, para a Copa do Mundo de 2014, havia previsão semelhante na Lei nº 
12.663/2012 (art. 23), dispositivo que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou constitucional no 
julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4.976. Mas, diferente desse dispositivo, 
que tratava apenas da responsabilidade da União, o previsto na Lei nº 14.125/2021 trata também sobre 
a responsabilidade dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, o que pode gerar discussões.
Quanto à responsabilização do ente adquirente pelos eventos adversos pós- vacinação, merece 
atenção o disposto nos parágrafos do art. 1º. 
Estabelece o § 1º do art. 1º que a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios poderão 
constituir garantias ou contratar seguro privado, nacional ou internacional, em uma ou mais 
apólices, para a cobertura dos riscos de que trata o caput deste artigo.
Além disso, deve-se ressaltar que a assunção dos riscos relativos à responsabilidade civil pelos 
efeitos adversos restringe-se às aquisições feitas pelo respectivo ente público (§ 2º do art. 1º). Como 
exemplo, a União não assume responsabilidade por doses compradas por particulares.
Por sua vez, o § 3º impõe medidas de transparência aos entes que adquirirem as vacinas, 
especificamente quanto: 
§ 3º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios adotarão medidas efetivas 
para dar transparência:
I ‒ ‒ à utilização dos recursos públicos aplicados na aquisição das vacinas e 
dos demais insumos necessários ao combate à Covid-19;
II ‒ ‒ ao processo de distribuição das vacinas e dos insumos.
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Caderno de novidades legislativas46
DIREITO ADMINISTRATIVO
Ainda nesse ponto, destaca-se a previsão contida no art. 3º da Lei nº 14.125/2021, pela qual o 
Poder Executivo federal poderá instituir procedimento administrativo próprio para a avaliação de 
demandas relacionadas a eventos adversos pós-vacinação.
Outro ponto de destaque no diploma normativo em análise é a autorização para que pessoas 
jurídicas de direito privado adquiram vacinas contra a Covid-19 que tenham autorização temporária 
para uso emergencial, autorização excepcional e temporária para importação e distribuição ou 
registro sanitário concedidos pela Anvisa. 
No entanto, na forma do art. 2º, caput, da Lei nº 14.125/2021, as vacinas adquiridas por essas 
pessoas de direito privado deverão, em um primeiro momento, ser integralmente doadas ao SUS, 
a fim de serem utilizadas no âmbito do PNI.
De acordo com o art. 2º, caput, da lei, que é seu outro ponto de destaque, as pessoas jurídicas 
de direito privado ficam autorizadas a comprar vacinas contra a Covid-19, desde que as vacinas 
“tenham autorização temporária para uso emergencial, autorização excepcional e temporária para 
importação e distribuição ou registro sanitário concedidos pela Anvisa.”
Apesar dessa previsão, a distribuição e administração das vacinas pelas pessoas jurídicas de 
direito privado que as adquirirem é limitada pela lei, conforme o seguinte quadro:
Antes do término da imunização dos 
grupos prioritários previstos no Plano Nacional 
de Operacionalização da Vacinação contra a 
Covid-19.
As vacinas devem ser integralmente 
doadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Após o término da imunização dos 
grupos prioritários previstos no Plano Nacional 
de Operacionalização da Vacinação contra a 
Covid-19.
Pelo menos 50% (cinquenta por cento) 
das doses devem ser, obrigatoriamente, 
doadas ao SUS, e as demais devem ser 
utilizadas de forma gratuita.
Somente após o término da imunização dos grupos prioritários previstos no Plano Nacional 
de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, as referidas pessoas jurídicas de direito 
privado poderão, atendidos os requisitos legais e sanitários, adquirir, distribuir e administrar vacinas 
livremente, desde que (§ 1º do art. 2º):
a) pelo menos 50% das doses sejam, obrigatoriamente, doadas ao SUS; e 
b) as demais sejam utilizadas de forma gratuita.
Caderno de novidades legislativas47
Respeitados esses requisitos, as vacinas “poderão ser aplicadas em qualquer estabelecimento 
ou serviço de saúde que possua sala para aplicação de injetáveis autorizada pelo serviço de vigilância 
sanitária local, observadas as exigências regulatórias vigentes, a fim de garantir as condições 
adequadas para a segurança do paciente e do profissional de saúde” (art. 2º, § 2º, da Lei nº 14.125/2021).
Por último, destaca-se que as pessoas jurídicas de direito privado deverão fornecer ao Ministério 
da Saúde, na forma de regulamento, de modo tempestivo e detalhado, todas as informações relativas 
à aquisição, incluindo os contratos de compra e doação, e à aplicação das vacinas contra a Covid-19, 
na forma do § 3º do art. 2º da lei.
2.3. Questão inédita comentada
Acerca da compra de vacinas para o combate à Covid-19, de acordocom o que dispõe a Lei nº 
14.125/2021, assinale a alternativa correta:
A) Apenas a União Federal pode comprar vacinas de fabricantes no exterior, a fim de uniformizar o 
PNI.
B) Os estados, o Distrito Federal e os municípios podem comprar vacinas, ainda que não registradas 
ou autorizadas temporariamente para uso emergencial pela Anvisa, desde que destinem a totalidade 
das doses à União, para centralização do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra 
a Covid-19.
C) Eventuais efeitos adversos advindos da vacinação contra a Covid-19 são de inteira responsa-
bilidade do vacinado ou seu responsável. 
D) As pessoas jurídicas de direito privado, desde que integrantes da Administração Pública, podem 
adquirir vacinas, caso em que deverão doar integralmente ao SUS, para utilização no PNI.
E) Após o término da imunização dos grupos prioritários previstos no Plano Nacional de 
Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, as pessoas jurídicas de direito privado poderão 
distribuir e administrar vacinas livremente, desde que pelo menos 50% das doses sejam doadas ao 
SUS e as demais sejam utilizadas de forma gratuita.
Alternativa correta: letra E. É o que prevê o art. 2º, caput e § 1º, da Lei nº 14.125/2021: “Pessoas 
jurídicas de direito privado poderão adquirir diretamente vacinas contra a Covid-19 que tenham 
autorização temporária para uso emergencial, autorização excepcional e temporária para importação 
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas48
e distribuição ou registro sanitário concedidos pela Anvisa, desde que sejam integralmente doadas 
ao Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de serem utilizadas no âmbito do Programa Nacional de 
Imunizações (PNI). § 1º Após o término da imunização dos grupos prioritários previstos no Plano 
Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, as pessoas jurídicas de direito 
privado poderão, atendidos os requisitos legais e sanitários, adquirir, distribuir e administrar vacinas, 
desde que pelo menos 50% (cinquenta por cento) das doses sejam, obrigatoriamente, doadas ao 
SUS e as demais sejam utilizadas de forma gratuita”.
Demais alternativas:
Alternativa A. Errada. O art. 1º da Lei nº 14.125/2021 autoriza expressamente, além da União, 
os estados, o Distrito Federal e os municípios a adquirir vacinas e a assumir os riscos referentes 
à responsabilidade civil, nos termos do instrumento de aquisição ou fornecimento de vacinas 
celebrado, em relação a eventos adversos pós-vacinação, desde que a Anvisa tenha concedido o 
respectivo registro ou autorização temporária de uso emergencial.
Alternativa B. Errada. Só podem ser adquiridas vacinas desde que a Anvisa tenha concedido o 
respectivo registro ou autorização temporária de uso emergencial, na forma do art. 1º, caput, da Lei 
nº 14.125/2021.
Alternativa C. Errada. Os riscos dos efeitos adversos são de responsabilidade do ente 
adquirente da vacina, na forma do art. 1º, caput, da Lei nº 14.125/2021.
Alternativa D. Errada. O art. 2º, caput, que autoriza a compra de vacinas por pessoas jurídicas 
de direito privado, não restringe a autorização às pessoas integrantes da Administração Pública. 
3. Lei nº 14.129/2021 ‒ ‒ Princípios, regras e instrumentos para o Governo 
Digital
3.1. Ficha normativa 
LEI Nº 14.129/2021
Ementa: Dispõe sobre princípios, regras e instrumentos para o Governo Digital e para o 
aumento da eficiência pública, e altera a Lei nº 7.116, de 29 de agosto de 1983, a Lei 
nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação), a Lei nº 12.682, 
de 9 de julho de 2012, e a Lei nº 13.460, de 26 de junho de 2017.
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas49
Data de publicação: 30.03.2021
Início de vigência: Esta Lei entra em vigor após decorridos:
I ‒‒ 90 (noventa) dias de sua publicação oficial, para a União;
II ‒‒ 120 (cento e vinte) dias de sua publicação oficial, para os Estados e o Distrito Federal;
III ‒‒ 180 (cento e oitenta) dias de sua publicação oficial, para os Municípios.
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/
lei/L14129.htm>
Destaques:
• A Lei nº 14.129/2021, publicada em 30 de março de 2021, dispõe sobre princípios, regras 
e instrumentos para o aumento da eficiência da administração pública, especialmente 
por meio da desburocratização, da inovação, da transformação digital e da participação 
do cidadão.
• Sua aplicação se dará aos órgãos da administração pública direta federal, às entidades da 
administração pública indireta federal e às administrações diretas e indiretas dos demais 
entes federados.
• A lei terá como princípios e diretrizes do Governo Digital e da eficiência pública a 
desburocratização, a modernização, o fortalecimento e a simplificação da relação do 
poder público com a sociedade, a disponibilização em plataforma única do acesso às 
informações e aos serviços públicos, a possibilidade aos cidadãos, às pessoas jurídicas, a 
transparência na execução dos serviços públicos e o monitoramento da qualidade desses 
serviços, dentre outros.
• Quanto aos serviços prestados pelo Governo Digital, ocorrerão por meio de tecnologias 
de amplo acesso pela população, inclusive pela de baixa renda ou residente em áreas 
rurais e isoladas, sem prejuízo do direito do cidadão a atendimento presencial.
• No que se refere ao acesso da prestação digital dos serviços públicos, será disponibilizado 
por meio do autosserviço. Tendo a participação da administração da consolidação da 
Estratégia Nacional de Governo Digital.
• Será considerada a garantia dos direitos dos usuários quanto à prestação digital de 
serviços públicos, inclusive os que constarem da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 
(LGPD).
• A lei determinou que é de competência de cada ente federado dispor sobre informações 
dos serviços prestados, das Cartas de Serviços ao Usuário e da Base Nacional de Serviços 
Públicos, em formato aberto e interoperável.
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Caderno de novidades legislativas50
3.2. Comentário 
Em 30.03.2021, foi publicada a Lei nº 14.129, com vigência determinada pelo art. 55.
Art. 55. Esta Lei entra em vigor após decorridos:
I ‒ ‒ 90 (noventa) dias de sua publicação oficial, para a União;
II ‒ ‒ 120 (cento e vinte) dias de sua publicação oficial, para os Estados e o 
Distrito Federal;
III ‒ ‒ 180 (cento e oitenta) dias de sua publicação oficial, para os Municípios.
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo dispõe sobre “princípios, regras e 
instrumentos para o Governo Digital e para o aumento da eficiência pública e altera a Lei nº 7.116, de 
29 de agosto de 1983, a Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação), a Lei 
nº 12.682, de 9 de julho de 2012, e a Lei nº 13.460, de 26 de junho de 2017”.
Trata-se de inovação legal em consonância com a tendência de desburocratização da 
Administração Pública, a fim de que esta possua um caráter gerencial e focado nos resultados, o que já 
vem sendo implementado desde a Reforma Administrativa promovida pela Emenda Constitucional 
(EC) nº 19/1998. 
Inicialmente, cumpre mencionar que a lei se aplica, a princípio, apenas aos órgãos da 
Administração Pública direta federal e às entidades da Administração Pública indireta federal, 
incluídas as empresas públicas e sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas, que 
prestem serviço público, autarquias e fundações públicas (art. 2º, I e II). Há previsão, todavia, de 
aplicação da lei também às Administrações diretas e indiretas dos demais entes federados, desde 
que adotem os comandos desta lei por meio de atos normativos próprios.
De acordo com disposto na referida lei, no § 1º do art. 2º, esta não será aplicada a empresas 
públicas e sociedades de economia mista, incluindo suas subsidiárias e controladas, que nãoprestem 
serviço público.
No art. 3º da lei é listada uma série de princípios e diretrizes do Governo Digital e da eficiência 
pública. O rol é bastante extenso, mas, em síntese, a lei preconiza a desburocratização, a 
modernização, o fortalecimento e a simplificação da relação do poder público com a sociedade, 
mediante serviços digitais, acessíveis, inclusive, por dispositivos móveis (inciso I); a transparência na 
execução dos serviços públicos, com o uso de linguagem clara e compreensível a qualquer cidadão 
(inciso VII), e o monitoramento da qualidade desses serviços (inciso IV), inclusive com o incentivo à 
participação social no controle e na fiscalização da Administração Pública (inciso V). 
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas51
Art. 3º São princípios e diretrizes do Governo Digital e da eficiência pública:
I ‒‒ a desburocratização, a modernização, o fortalecimento e a simplificação 
da relação do poder público com a sociedade, mediante serviços digitais, 
acessíveis inclusive por dispositivos móveis;
II ‒‒ a disponibilização em plataforma única do acesso às informações e aos 
serviços públicos, observadas as restrições legalmente previstas e sem 
prejuízo, quando indispensável, da prestação de caráter presencial;
III ‒‒ a possibilidade aos cidadãos, às pessoas jurídicas e aos outros entes 
públicos de demandar e de acessar serviços públicos por meio digital, sem 
necessidade de solicitação presencial;
IV ‒‒ a transparência na execução dos serviços públicos e o monitoramento 
da qualidade desses serviços;
V ‒‒ o incentivo à participação social no controle e na fiscalização da 
administração pública;
VI ‒‒ o dever do gestor público de prestar contas diretamente à população 
sobre a gestão dos recursos públicos;
VII ‒‒ o uso de linguagem clara e compreensível a qualquer cidadão;
VIII ‒‒ o uso da tecnologia para otimizar processos de trabalho da 
administração pública;
IX ‒‒ a atuação integrada entre os órgãos e as entidades envolvidos na 
prestação e no controle dos serviços públicos, com o compartilhamento 
de dados pessoais em ambiente seguro quando for indispensável para 
a prestação do serviço, nos termos da Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 
2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), e, quando couber, com 
a transferência de sigilo, nos termos do art. 198 da Lei nº 5.172, de 25 de 
outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), e da Lei Complementar nº 
105, de 10 de janeiro de 2001;
X ‒‒ a simplificação dos procedimentos de solicitação, oferta e 
acompanhamento dos serviços públicos, com foco na universalização do 
acesso e no autosserviço;
XI ‒‒ a eliminação de formalidades e de exigências cujo custo econômico ou 
social seja superior ao risco envolvido;
XII ‒‒ a imposição imediata e de uma única vez ao interessado das exigências 
necessárias à prestação dos serviços públicos, justificada exigência posterior 
apenas em caso de dúvida superveniente;
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas52
XIII ‒‒ a vedação de exigência de prova de fato já comprovado pela 
apresentação de documento ou de informação válida;
XIV ‒‒ a interoperabilidade de sistemas e a promoção de dados abertos;
XV ‒‒ a presunção de boa-fé do usuário dos serviços públicos;
XVI ‒‒ a permanência da possibilidade de atendimento presencial, de acordo 
com as características, a relevância e o público-alvo do serviço;
XVII ‒‒ a proteção de dados pessoais, nos termos da Lei nº 13.709, de 14 de 
agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais);
XVIII ‒‒ o cumprimento de compromissos e de padrões de qualidade 
divulgados na Carta de Serviços ao Usuário;
XIX ‒‒ a acessibilidade da pessoa com deficiência ou com mobilidade 
reduzida, nos termos da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da 
Pessoa com Deficiência);
XX ‒ ‒ o estímulo a ações educativas para qualificação dos servidores públicos 
para o uso das tecnologias digitais e para a inclusão digital da população;
XXI ‒‒ o apoio técnico aos entes federados para implantação e adoção de 
estratégias que visem à transformação digital da administração pública;
XXII ‒‒ o estímulo ao uso das assinaturas eletrônicas nas interações e nas 
comunicações entre órgãos públicos e entre estes e os cidadãos;
XXIII ‒‒ a implantação do governo como plataforma e a promoção do uso 
de dados, preferencialmente anonimizados, por pessoas físicas e jurídicas 
de diferentes setores da sociedade, resguardado o disposto nos arts. 7º e 11 
da Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados 
Pessoais), com vistas, especialmente, à formulação de políticas públicas, de 
pesquisas científicas, de geração de negócios e de controle social;
XXIV ‒‒ o tratamento adequado a idosos, nos termos da Lei nº 10.741, de 1º de 
outubro de 2003 (Estatuto do Idoso);
XXV ‒‒ a adoção preferencial, no uso da internet e de suas aplicações, de 
tecnologias, de padrões e de formatos abertos e livres, conforme disposto 
no inciso V do caput do art. 24 e no art. 25 da Lei nº 12.965, de 23 de abril de 
2014 (Marco Civil da Internet); e
XXVI ‒‒ a promoção do desenvolvimento tecnológico e da inovação no 
setor público.
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas53
Em seguida, a lei traz uma série de orientações e procedimentos para a digitalização da 
Administração Pública e a prestação digital de serviços públicos, o que é denominado amplamente 
como “Governo Digital”. 
O art. 5º dispõe que “a Administração Pública utilizará soluções digitais para a gestão de suas 
políticas finalísticas e administrativas e para o trâmite de processos administrativos eletrônicos”. 
Assim, tem-se que a utilização de soluções digitais e processos administrativos eletrônicos deverá 
ser adotada preferencialmente, sempre que possível. 
O parágrafo único do mesmo artigo contém importante previsão acerca dos documentos 
eletrônicos produzidos na prestação dos serviços digitais, dispondo que “entes públicos que emitem 
atestados, certidões, diplomas ou outros documentos comprobatórios com validade legal poderão 
fazê-lo em meio digital, assinados eletronicamente, na forma do art. 7º desta lei e da Lei nº 14.063, 
de 23 de setembro de 2020” (grifo nosso). Nesse ponto, o art. 11 da Lei nº 14.129/2021 determina 
que os documentos nato-digitais assinados eletronicamente na forma do art. 7º são considerados 
originais para todos os efeitos legais.
Ainda acerca da implementação do Governo Digital, especificamente no que se refere ao seu 
acesso pelos cidadãos, prevê o art. 14 da lei que “a prestação digital dos serviços públicos deverá 
ocorrer por meio de tecnologias de amplo acesso pela população, inclusive pela de baixa renda ou 
residente em áreas rurais e isoladas, sem prejuízo do direito do cidadão a atendimento presencial” 
(grifos nossos). Nesse sentido, ainda, o art. 50 da lei determina que o acesso e a conexão para o uso 
de serviços públicos poderão ser garantidos total ou parcialmente pelo Governo, com o objetivo de 
promover o acesso universal à prestação digital dos serviços públicos e a redução de custos aos 
usuários, nos termos da lei.
A previsão de que ocorra a promoção dos dados abertos (art. 3º, XIV) não é irrestrita e, por 
isso, o art. 25 menciona que as Plataformas de Governo Digital devem dispor de ferramentas de 
transparência e de controle do tratamento de dados pessoais, que sejam claras e facilmente 
acessíveis, e que permitam ao cidadão o exercício dos direitos previstos na LGPD (Lei nº 13.709/2018).
O art. 29, caput, a seu turno, determina que, observado o disposto na LGPD, os dados 
disponibilizados pelos prestadores de serviços públicos, bem como qualquer informação de 
transparência ativa, são de livre utilização pela sociedade, estabelecendo o § 1º desse dispositivo que, 
na promoção da transparência ativa de dados, o poder público deverá observar os seguintes requisitos:
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas54
I ‒‒ observância da publicidadedas bases de dados não pessoais como 
preceito geral e do sigilo como exceção;
II ‒ ‒ garantia de acesso irrestrito aos dados, os quais devem ser legíveis por 
máquina e estar disponíveis em formato aberto, respeitadas as Leis nº 12.527, 
de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação), e 13.709, de 14 de 
agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais);
III ‒ ‒ descrição das bases de dados com informação suficiente sobre estrutura 
e semântica dos dados, inclusive quanto à sua qualidade e à sua integridade;
IV ‒ ‒ permissão irrestrita de uso de bases de dados publicadas em formato 
aberto;
V ‒ ‒ completude de bases de dados, as quais devem ser disponibilizadas 
em sua forma primária, com o maior grau de granularidade possível, ou 
referenciar bases primárias, quando disponibilizadas de forma agregada;
VI ‒‒ atualização periódica, mantido o histórico, de forma a garantir a 
perenidade de dados, a padronização de estruturas de informação e o valor 
dos dados à sociedade e a atender às necessidades de seus usuários;
VII ‒ ‒ (VETADO);
VIII ‒ ‒ respeito à privacidade dos dados pessoais e dos dados sensíveis, sem 
prejuízo dos demais requisitos elencados, conforme a Lei nº 13.709, de 14 de 
agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais);
IX ‒ ‒ intercâmbio de dados entre órgãos e entidades dos diferentes Poderes 
e esferas da Federação, respeitado o disposto no art. 26 da Lei nº 13.709, de 
14 de agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais); e
X ‒‒ fomento ao desenvolvimento de novas tecnologias destinadas à 
construção de ambiente de gestão pública participativa e democrática e à 
melhor oferta de serviços públicos.
Por fim, um último tópico relevante do novo diploma legal é referente aos instrumentos de 
governança, gestão de riscos, controle e auditoria previstos na lei. De acordo com o parágrafo único 
do art. 47, os mecanismos, as instâncias e as práticas de governança incluirão, no mínimo:
I ‒ ‒ formas de acompanhamento de resultados;
II ‒ ‒ soluções para a melhoria do desempenho das organizações;
III ‒ ‒ instrumentos de promoção do processo decisório fundamentado em 
evidências.
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas55
Além disso, o art. 48 determina que os órgãos e as entidades submetidos à lei em comento 
deverão estabelecer, manter, monitorar e aprimorar sistema de gestão de riscos e de controle 
interno com vistas à identificação, à avaliação, ao tratamento, ao monitoramento e à análise crítica 
de riscos da prestação digital de serviços públicos que possam impactar a consecução dos objetivos 
da organização no cumprimento de sua missão institucional e na proteção dos usuários, observados 
os princípios constantes dos seus incisos. 
3.3. Questão inédita comentada
A Lei nº 14.129/2021, que dispõe sobre princípios, regras e instrumentos para o Governo Digital 
e para o aumento da eficiência pública, não se aplica: 
A) aos órgãos da Administração Pública direta federal, abrangendo os Poderes Executivo, Judiciário 
e Legislativo, incluído o Tribunal de Contas da União (TCU), e o Ministério Público da União (MPU).
B) às entidades da Administração Pública autárquica e fundacional federal.
C) às empresas públicas e sociedades de economia mista federais, suas subsidiárias e controladas, 
que prestem apenas atividades econômicas stricto sensu.
D) às empresas públicas e sociedades de economia mista federais, suas subsidiárias e controladas, 
que prestem serviço público.
E) às Administrações diretas e indiretas dos Estados, Distrito Federal e Municípios que adotem os 
comandos da Lei nº 14.129/2021 por meio de atos normativos próprios.
Alternativa correta: letra C. Na forma do art. 2º, § 1º, da Lei nº 14.129/2021, esta lei não se aplica 
a empresas públicas e sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas, que não 
prestem serviço público.
Demais alternativas:
Alternativa A. Errada. A Lei nº 14.129/2021, nos termos do art. 2º, I, aplica-se a todos os órgãos 
da administração direta federal, incluindo-se, portanto, os órgãos do Poder Executivo, Legislativo e 
Judiciário e, também, os órgãos com autonomia constitucional como o Tribunal de Contas da União 
(TCU) e o Ministério Público da União (MPU).
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas56
Alternativa B. Errada. Conforme estabelece o art. 2º, II, da Lei nº 14.129/2021, ela se aplica às 
autarquias federais e às fundações públicas federais.
Alternativa D. Errada. Em relação às empresas públicas, sociedades de economia mista e suas 
subsidiárias, a nova lei a elas se aplica quando prestarem serviço público (art. 2º, II).
Alternativa E. Errada. Não serão aplicadas as disposições da nova lei na hipótese das empresas 
públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias não atuarem na prestação de serviço 
público, nos termos do inciso III do art. 2º. 
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas57
1. Medida Provisória (MP) nº 1.040/2021 ‒‒ Facilitação para abertura de 
empresas
1.1. Ficha normativa
MP Nº 1.040/2021
Ementa: Dispõe sobre a facilitação para abertura de empresas, a proteção de acionistas 
minoritários, a facilitação do comércio exterior, o Sistema Integrado de 
Recuperação de Ativos, as cobranças realizadas pelos conselhos profissionais, a 
profissão de tradutor e intérprete público, a obtenção de eletricidade e a prescrição 
intercorrente na Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 ‒ ‒Código Civil (CC).
Data de publicação: 30.03.2021
Início de vigência: ‒ 360 dias, contados da data de sua publicação, quanto à parte do art. 
5º que altera o § 3º do art. 138 da Lei nº 6.404, de 1976:
• ‒no primeiro dia útil do primeiro mês após a data de sua publicação, quanto aos arts. 8º a 12, 
e incisos III ao XV, XVII, XXII e XXVI do caput do art. 33;
• ‒90 dias, contados da data de sua publicação, quanto ao art. 7º; 
• na data de sua publicação, quanto aos demais dispositivos.
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Mpv/mpv1040.htm>
1.2. Comentário
Em relação ao direito civil, a MP nº 1.040/2021 traz como inovação a inclusão do art. 206-A ao 
CC, dispondo sobre o prazo da prescrição intercorrente.
Entretanto, para concentrar a abordagem das inovações veiculadas por esse novo ato 
normativo, a sua análise encontra-se em direito empresarial.
DIREITO CIVIL
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1040.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1040.htm
Caderno de novidades legislativas58
1. Lei nº 14.126/2021 ‒ ‒ Visão monocular como deficiência sensorial
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.126/2021
Ementa: Classifica a visão monocular como deficiência sensorial, do tipo visual, dispondo 
a respeito da avaliação biopsicossocial da visão monocular para fins de 
reconhecimento da condição de pessoa com deficiência.
Data de publicação: 23.03.2021
Início de vigência: 23.03.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/
lei/L14126.htm> 
Destaques:
• Classifica a visão monocular como deficiência sensorial, do tipo visual, para todos os efeitos 
legais.
• Dispõe que o instrumento para avaliação de deficiência a ser criado pelo Poder Executivo 
se aplicará a estes casos.
1.2. Comentário
Em 23.03.2021, foi publicada a Lei nº 14.126, com início imediato de vigência.
De acordo com sua ementa, passa a ser classificada como deficiência visual, do tipo sensorial, 
a visão monocular. 
Classifica a visão monocular como deficiência sensorial, do tipo visual.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional 
decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Fica a visão monocular classificada como deficiência sensorial, do tipo 
visual, para todos os efeitos legais. (Vide.)
Parágrafo único. O previsto no § 2º do art. 2º da Lei nº 13.146, de 6 de julho 
de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), aplica-se à visão monocular, 
conforme o dispostono caput deste artigo.
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 22 de março de 2021; 200º da Independência e 133º da República.
Este texto não substitui o publicado no DOU de 23.3.2021.
DIREITO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14126.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14126.htm
Caderno de novidades legislativas59
Trata-se de uma salutar inovação, na mesma linha de intelecção da Súmula nº 377 do Superior 
Tribunal de Justiça (STJ), que já classificava a visão monocular como deficiência para o fim de a 
pessoa concorrer, em concursos públicos, às vagas reservadas às pessoas deficientes. 
Enunciado nº 377 da Súmula do STJ: O portador de visão monocular 
tem direito de concorrer, em concurso público, às vagas reservadas aos 
deficientes.
A lei ainda menciona expressamente que à visão monocular aplica-se o previsto no § 2º do art. 
2º da Lei nº 13.146/2015, o Estatuto da Pessoa com Deficiência, que, em apertada síntese, dispõe que 
o Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da deficiência. 
Da leitura do art. 2º do Estatuto da Pessoa com Deficiência, denota-se que se trata de avaliação 
biopsicossocial, que deverá ser realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, devendo ser 
considerados os seguintes aspectos, conforme incisos do § 1º: 
I ‒ ‒ os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo;
II ‒ ‒ os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais;
III ‒‒ a limitação no desempenho de atividades; e
IV ‒‒ a restrição de participação.
No mesmo dia foi editado o Decreto nº 10.654/2021, que dispõe sobre a avaliação biopsicossocial 
da visão monocular para fins de reconhecimento da condição de pessoa com deficiência, explicitando 
que a avaliação se dará na forma não apenas do § 2º, mas também do § 1º do art. 2º do Estatuto da 
Pessoa com Deficiência. 
DECRETO Nº 10.654, DE 22 DE MARÇO DE 2021
Dispõe sobre a avaliação biopsicossocial da visão monocular para fins de 
reconhecimento da condição de pessoa com deficiência.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o 
art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei 
nº 14.126, de 22 de março de 2021,
DECRETA:
Art. 1º Este Decreto dispõe sobre a avaliação biopsicossocial da visão 
monocular para fins de reconhecimento da condição de pessoa com 
deficiência.
Art. 2º A visão monocular, classificada como deficiência sensorial, do tipo 
visual, pelo art. 1º da Lei nº 14.126, de 22 de março de 2021, será avaliada na 
DIREITO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
Caderno de novidades legislativas60
forma prevista nos § 1º e § 2º do art. 2º da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, 
para fins de reconhecimento da condição de pessoa com deficiência.
Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 22 de março de 2021; 200º da Independência e 133º da República.
JAIR MESSIAS BOLSONARO
Paulo Guedes
João Inácio Ribeiro Roma Neto
Damares Regina Alves
Este texto não substitui o publicado no DOU de 23.3.2021.
Em relação à verificação biopsicossocial da deficiência visual, ela irá implicar diretamente 
a qualificação da pessoa em relação à aposentadoria especial da pessoa com deficiência (Lei 
Complementar ‒‒ LC nº 142/2013), ou mesmo em relação à qualidade de dependente à pensão por 
morte, caso seja constatado tratar-se de deficiência grave, bem como no preenchimento do requisito 
deficiência para o fim de concessão de benefício assistencial previsto na Lei nº 8.742/1993:
Art. 20. O benefício de prestação continuada é a garantia de um salário-
mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 (sessenta e 
cinco) anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria 
manutenção nem de tê-la provida por sua família. (...)
§ 2º Para efeito de concessão do benefício de prestação continuada, 
considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de 
longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em 
interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena 
e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
Cabe ressaltar, ainda, que há previsão de flexibilização da renda per capita para fins de 
concessão de benefício assistencial em se tratando de pessoa com deficiência, a depender do grau 
de deficiência, enquadrando-se, doravante, a visão monocular como apta ao exame, nos termos do 
art. 20-A da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS).
Art. 20-A. Em razão do estado de calamidade pública reconhecido pelo 
Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020, e da emergência de saúde 
pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19), 
o critério de aferição da renda familiar mensal per capita previsto no inciso 
I do § 3º do art. 20 poderá ser ampliado para até 1/2 (meio) salário-mínimo. 
(Incluído pela Lei nº 13.982, de 2020.)
DIREITO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
Caderno de novidades legislativas61
§ 1º A ampliação de que trata o caput ocorrerá na forma de escalas graduais, 
definidas em regulamento, de acordo com os seguintes fatores, combinados 
entre si ou isoladamente: (Incluído pela Lei nº 13.982, de 2020.)
I ‒ ‒ o grau da deficiência; (Incluído pela Lei nº 13.982, de 2020.)
II ‒‒ a dependência de terceiros para o desempenho de atividades básicas 
da vida diária; (Incluído pela Lei nº 13.982, de 2020.)
III ‒ ‒ as circunstâncias pessoais e ambientais e os fatores socioeconômicos 
e familiares que podem reduzir a funcionalidade e a plena participação 
social da pessoa com deficiência candidata ou do idoso; (Incluído pela Lei 
nº 13.982, de 2020.)
IV ‒ ‒ o comprometimento do orçamento do núcleo familiar de que trata 
o § 3º do art. 20 exclusivamente com gastos com tratamentos de saúde, 
médicos, fraldas, alimentos especiais e medicamentos do idoso ou da 
pessoa com deficiência não disponibilizados gratuitamente pelo Sistema 
Único de Saúde (SUS), ou com serviços não prestados pelo Serviço Único 
de Assistência Social (Suas), desde que comprovadamente necessários à 
preservação da saúde e da vida. (Incluído pela Lei nº 13.982, de 2020.)
§ 2º O grau da deficiência e o nível de perda de autonomia, representado 
pela dependência de terceiros para o desempenho de atividades básicas 
da vida diária, de que tratam, respectivamente, os incisos I e II do § 1º deste 
artigo, serão aferidos, para a pessoa com deficiência, por meio de índices 
e instrumentos de avaliação funcional a serem desenvolvidos e adaptados 
para a realidade brasileira, observados os termos dos §§ 1º e 2º do art. 2º da 
Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. (Incluído pela Lei nº 13.982, de 2020.)
1.3. Questão inédita comentada
A visão monocular, nos termos da legislação em vigor: 
A) Não é considerada deficiência para nenhum fim.
B) É considerada deficiência apenas para o fim de concorrer às vagas reservadas.
C) É considerada deficiência sensorial, do tipo visual, para todos os efeitos legais.
D) É considerada deficiência física, do tipo visual, para todos os efeitos legais.
E) É considerada deficiência sensorial, do tipo visual para o fim de benefício assistencial, mas não 
em relação às vagas reservadas em concursos públicos.
DIREITO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
Caderno de novidades legislativas62
Alternativa correta: letra C (responde a todas as alternativas). A visão monocular, nos termos 
do art. 1º da Lei nº 14126/2021, é classificada como deficiência sensorial, do tipo visual, para todos 
os efeitos legais.
DIREITO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
Caderno de novidades legislativas63
1. Medida Provisória (MP) nº 1.036/2021 ‒ ‒ Crise decorrente da 
pandemia da Covid-19 nos setores de turismo e de cultura
1.1. Ficha normativa
MP Nº 1.036/2021
Ementa: A MP nº 1.036, publicada em 18 de março de 2021, altera a Lei nº 14.046, de 24 de 
agosto de 2020, para dispor sobre medidas emergenciais para atenuar os efeitos 
da crisedecorrente da pandemia da Covid-19 nos setores de turismo e de cultura.
Data de publicação: 18.03.2021
Início de vigência: 18.03.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/
Mpv/mpv1036.htm>
Destaques:
• A MP nº 1.036, publicada em 18 de março de 2021, alterou a Lei nº 14.046, de 24 de 
agosto de 2020, para dispor sobre medidas emergenciais que atenuem os efeitos da crise 
decorrente da pandemia da Covid-19 nos setores de turismo e de cultura.
• Havendo ocorrência de adiamento ou de cancelamento de serviços, de reservas e de 
eventos, incluídos shows e espetáculos, o prestador de serviços ou a sociedade empresária 
não será obrigado a reembolsar os valores pagos pelo consumidor, desde que seja 
assegurada a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados, ou, ainda, seja 
disponibilizado o crédito para uso ou abatimento na compra de outros serviços, reservas e 
eventos disponíveis nas respectivas empresas. 
• A medida provisória dispõe que as operações que se fizerem necessárias, referentes a 
remarcação ou disponibilidade de créditos, ocorrerão sem custo adicional, taxa ou multa 
ao consumidor, com datas predeterminadas.
1.2. Comentário
A medida provisória alterou a Lei nº 14.046, de 24 de agosto de 2020, para dispor sobre medidas 
emergenciais que atenuem os efeitos da crise decorrente da pandemia da Covid-19 nos setores de 
turismo e de cultura.
Nos casos em que houver necessidade de adiamento ou cancelamento de serviços, em 
decorrência da pandemia, o prestador de serviços, ou a sociedade empresária, não será obrigado 
a reembolsar os valores pagos pelo consumidor, mas deverá assegurá-lo por meio das garantias 
estabelecidas no art. 2º da referida medida.
DIREITO DO CONSUMIDOR
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1036.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1036.htm
Caderno de novidades legislativas64
Art. 2º A Lei nº 14.046, de 2020, passa a vigorar com as seguintes alterações:
Art. 2º  Na hipótese de adiamento ou de cancelamento de serviços, de 
reservas e de eventos, incluídos shows e espetáculos, até 31 de dezembro 
de 2021, em decorrência da pandemia da Covid-19, o prestador de serviços 
ou a sociedade empresária não será obrigado a reembolsar os valores pagos 
pelo consumidor, desde que assegure:   
I ‒ ‒ a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados; ou 
II ‒ ‒ a disponibilização de crédito para uso ou abatimento na compra de 
outros serviços, reservas e eventos disponíveis nas respectivas empresas. 
Em se tratando do art. 2º, a Lei nº 14.046/2020 fixou que estas operações se darão sem custo 
adicional com data prevista, como disposto no § 1º do referido artigo:
Art. 2º (...)
§ 1º As operações de que trata o caput deste artigo ocorrerão sem custo 
adicional, taxa ou multa ao consumidor, em qualquer data a partir de 1º de 
janeiro de 2020, e estender-se-ão pelo prazo de 120 (cento e vinte) dias, 
contado da comunicação do adiamento ou do cancelamento dos serviços, 
ou 30 (trinta) dias antes da realização do evento, o que ocorrer antes. 
E não havendo manifestação do consumidor dentro do prazo definido, o fornecedor fica 
desobrigado de qualquer forma de ressarcimento, salvo nos casos de falecimento, internação ou 
força maior, sendo estes prazos reestabelecidos (§§ 2º e 3º do art. 2º da lei):
§ 2º Se o consumidor não fizer a solicitação a que se refere o § 1º deste artigo 
no prazo assinalado de 120 (cento e vinte) dias, por motivo de falecimento, 
de internação ou de força maior, o prazo será restituído em proveito da 
parte, do herdeiro ou do sucessor, a contar da data de ocorrência do fato 
impeditivo da solicitação. 
§ 3º  O fornecedor fica desobrigado de qualquer forma de ressarcimento 
se o consumidor não fizer a solicitação no prazo estipulado no § 1º ou não 
estiver enquadrado em uma das hipóteses previstas no § 2º deste artigo. 
Quanto a crédito a ser utilizado pelo consumidor, este terá o prazo de até 31.12.2022 para utilizá-
lo. Sendo que os valores e as condições dos serviços originalmente contratados também terão data 
fixada de até 31.12.2022, para remarcar os serviços adiados, e ainda deverá restituir o consumidor no 
caso de impossibilidade de remarcação dos serviços, conforme disposto no art. 2º, §§ 4º, 5º e 6º.
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas65
§ 4º O crédito a que se refere o inciso II do caput poderá ser utilizado pelo 
consumidor até 31 de dezembro de 2022. 
§ 5º Na hipótese prevista no inciso I do caput deste artigo, serão respeitados: 
I ‒ ‒ os valores e as condições dos serviços originalmente contratados; e 
II ‒ ‒ a data-limite de 31 de dezembro de 2022, para ocorrer a remarcação dos 
serviços, das reservas e dos eventos adiados. 
§ 6º  O prestador de serviço ou a sociedade empresária deverá restituir o 
valor recebido ao consumidor até 31 de dezembro de 2022, somente na 
hipótese de ficar impossibilitado de oferecer a remarcação dos serviços ou 
a disponibilização de crédito referidas nos incisos I e II do caput. 
A lei estende aos artistas, palestrantes ou outros profissionais, contratados até 31.12.2021, a 
obrigação de não reembolsar imediatamente estes profissionais, desde que o evento seja remarcado 
e respeitada a data-limite para a sua realização. Na hipótese dos cancelamentos decorrentes das 
medidas de isolamento social adotadas para o combate à pandemia da Covid-19, as multas por 
cancelamentos dos contratos serão anuladas, desde que tenham sido emitidas até 31.12.2021, de 
acordo com o texto do art. 4º, caput e § 2º:
Art. 4º  Os artistas, os palestrantes ou outros profissionais detentores do 
conteúdo, contratados até 31 de dezembro de 2021, que forem impactados 
por adiamentos ou por cancelamentos de eventos em decorrência da 
pandemia da Covid-19, incluídos shows, rodeios, espetáculos musicais e de 
artes cênicas, e os profissionais contratados para a realização desses eventos 
não terão obrigação de reembolsar imediatamente os valores dos serviços 
ou cachês, desde que o evento seja remarcado, respeitada a data-limite de 
31 de dezembro de 2022 para a sua realização. (...)
§ 2º  Serão anuladas as multas por cancelamentos dos contratos de que 
trata este artigo, que tenham sido emitidas até 31 de dezembro de 2021, 
na hipótese de os cancelamentos decorrerem das medidas de isolamento 
social adotadas para o combate à pandemia da Covid-19.
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas66
1.3. Questão inédita comentada
No que se refere às medidas emergenciais para atenuar os efeitos da crise decorrente da 
pandemia da Covid-19 nos setores de turismo e de cultura, assinale a alternativa correta:
A) Na hipótese de adiamento ou de cancelamento de serviços, de reservas e de eventos, incluídos 
shows e espetáculos, até 31 de dezembro de 2021, em decorrência da pandemia da Covid-19, o 
prestador de serviços ou a sociedade empresária não será obrigado a reembolsar os valores pagos 
pelo consumidor, em nenhuma hipótese. 
B) As operações de adiamento ou de cancelamento de serviços, de reservas e de eventos ocorrerão 
sem custo adicional, taxa ou multa ao consumidor, em qualquer data a partir de 1º de janeiro de 
2020, e estender-se-ão pelo prazo de 180 dias, contados da comunicação do adiamento ou do 
cancelamento dos serviços, ou 30 dias antes da realização do evento, o que ocorrer antes. 
C) O fornecedor fica desobrigado de qualquer forma de ressarcimento se o consumidor não fizer 
a solicitação dentro do prazo estipulado, ainda que a solicitação seja por motivo de falecimento, de 
internação ou de força maior. 
D) Na hipótese de remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados serão respeitados os 
valores e as condições dos serviços originalmente contratados e a data-limite de 31 de dezembro de 
2021, para ocorrer a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados. 
E) O prestador de serviço ou a sociedadeempresária deverá restituir o valor recebido ao consumidor 
até 31 de dezembro de 2022, somente na hipótese de ficar impossibilitado de oferecer a remarcação 
dos serviços ou a disponibilização de crédito. 
Alternativa correta: letra E. Está de acordo com a Lei nº 14.046/2020, alterada pela MP nº 
1.036/2021, que diz em seu art. 2º, § 6º: “O prestador de serviço ou a sociedade empresária deverá 
restituir o valor recebido ao consumidor até 31 de dezembro de 2022, somente na hipótese de ficar 
impossibilitado de oferecer a remarcação dos serviços ou a disponibilização de crédito referidas nos 
incisos I e II do caput”.  
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas67
Demais alternativas:
Alternativa A. Errada. A alternativa trata sobre a não obrigação de reembolsar os valores pagos 
pelo consumidor, em nenhuma hipótese, mas não é isso que diz a Lei nº 14.046/2020, alterada pela 
MP nº 1.036/2021, em seu art. 2º: “Art. 2º Na hipótese de adiamento ou de cancelamento de serviços, 
de reservas e de eventos, incluídos shows e espetáculos, até 31 de dezembro de 2021, em decorrência 
da pandemia da Covid-19, o prestador de serviços ou a sociedade empresária não será obrigado a 
reembolsar os valores pagos pelo consumidor, desde que assegure: I ‒‒ a remarcação dos serviços, 
das reservas e dos eventos adiados; ou II ‒‒ a disponibilização de crédito para uso ou abatimento 
na compra de outros serviços, reservas e eventos disponíveis nas respectivas empresas” (grifos 
nossos).
Alternativa B. Errada. A alternativa trata sobre a extensão do prazo por 180 dias, mas não é o que 
diz a Lei nº 14.046/2020, alterada pela MP nº 1.036/2021, que diz em seu art. 2º, § 1º: “As operações 
de que trata o caput deste artigo ocorrerão sem custo adicional, taxa ou multa ao consumidor, em 
qualquer data a partir de 1º de janeiro de 2020, e estender-se-ão pelo prazo de 120 (cento e vinte) 
dias, contado da comunicação do adiamento ou do cancelamento dos serviços, ou 30 (trinta) dias 
antes da realização do evento, o que ocorrer antes” (grifos nossos). 
Alternativa C. Errada. A alternativa trata o não reembolso no caso de solicitação fora do prazo 
ainda que por motivo de falecimento, de internação ou de força maior, mas não é o que diz a Lei nº 
14.046/2020, alterada pela MP nº 1.036/2021, que diz em seu art. 2º, § 2º:  “Se o consumidor não 
fizer a solicitação a que se refere o § 1º deste artigo no prazo assinalado de 120 (cento e vinte) dias, 
por motivo de falecimento, de internação ou de força maior, o prazo será restituído em proveito 
da parte, do herdeiro ou do sucessor, a contar da data de ocorrência do fato impeditivo da 
solicitação” (grifos nossos).
Alternativa D. Errada. A alternativa trata sobre a data-limite ser 31.12.2021, mas não é o que 
diz a Lei nº 14.046/2020, alterada pela MP nº 1.036/2021, que diz em seu art. 2º, § 5º: “Na hipótese 
prevista no inciso I do caput deste artigo, serão respeitados: I ‒ ‒ os valores e as condições dos 
serviços originalmente contratados; e II ‒ ‒ a data-limite de 31 de dezembro de 2022, para ocorrer a 
remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados” (grifos nossos).
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas68
1. Lei nº 14.128/2021 ‒ ‒ Compensação financeira a ser paga pela União 
aos profissionais e trabalhadores de saúde
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.128/2021
Ementa: Dispõe sobre compensação financeira a ser paga pela União aos profissionais e 
trabalhadores de saúde que, durante o período de emergência de saúde pública 
de importância nacional decorrente da disseminação do novo coronavírus (SARS-
CoV-2), por terem trabalhado no atendimento direto a pacientes acometidos pela 
Covid-19, ou realizado visitas domiciliares em determinado período de tempo, no 
caso de agentes comunitários de saúde ou de combate a endemias, tornarem-
se permanentemente incapacitados para o trabalho, ou ao seu cônjuge ou 
companheiro, aos seus dependentes e aos seus herdeiros necessários, em caso de 
óbito; e altera a Lei nº 605, de 5 de janeiro de 1949.
Data de publicação: 26.03.2021
Início de vigência: 26.03.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Lei/L14128.htm>
1.2. Comentário
Em relação ao direito do trabalho, a Lei nº 14.128/2021 traz como inovação a alteração da Lei nº 
605/1949, que dispõe sobre o repouso semanal remunerado e o pagamento de salário nos dias de 
feriados civis e religiosos.
Entretanto, para concentrar a abordagem das inovações veiculadas por esse novo ato 
normativo, a sua análise encontra-se em direito previdenciário.
DIREITO DO TRABALHO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14128.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14128.htm
Caderno de novidades legislativas69
1. Medida Provisória (MP) nº 1.040/2021 ‒ ‒ Facilitação para abertura de 
empresas
1.1. Ficha normativa
MP Nº 1.040/2021
Ementa: Dispõe sobre a facilitação para abertura de empresas, a proteção de acionistas 
minoritários, a facilitação do comércio exterior, o Sistema Integrado de Recuperação 
de Ativos, as cobranças realizadas pelos conselhos profissionais, a profissão de 
tradutor e intérprete público, a obtenção de eletricidade e a prescrição intercorrente 
na Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 ‒ ‒ Código Civil (CC).
Data de publicação: 30.03.2021
Início de vigência: ‒ 360 dias, contados da data de sua publicação, quanto à parte do art. 5º, 
que altera o § 3º do art. 138 da Lei nº 6.404, de 1976;
• ‒ no primeiro dia útil do primeiro mês após a data de sua publicação, quanto aos arts. 8º a 12, 
e incisos III ao XV, XVII, XXII e XXVI do caput do art. 33;
• ‒ 90 dias, contados da data de sua publicação, quanto ao art. 7º; e
• ‒ na data de sua publicação, quanto aos demais dispositivos.
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Mpv/mpv1040.htm>
Destaques:
• A MP tem como objetivo a “facilitação para abertura de empresas, a proteção de acionistas 
minoritários, a facilitação do comércio exterior, o Sistema Integrado de Recuperação de 
Ativos (Sira), as cobranças realizadas pelos conselhos profissionais, a profissão de tradutor 
e intérprete público, a obtenção de eletricidade e a prescrição intercorrente na Lei nº 
10.406, de 10 de janeiro de 2002 (CC).
• Estabelece as diretrizes e os procedimentos para a simplificação e integração do processo 
de registro e legalização de empresários e de pessoas jurídicas, e cria a Rede Nacional para 
a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (REDESIM).
• Altera diversos dispositivos da Lei nº 8.934/1994, que dispõe sobre o Registro Público de 
Empresas Mercantis e atividades afins, e dá outras providências. 
• Disciplina quanto à proteção de acionistas minoritários, modificando a Lei nº 6.404/1976.
• Dispõe sobre a facilitação do comércio exterior, e altera a Lei nº 12.546/2011.
DIREITO EMPRESARIAL
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1040.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1040.htm
Caderno de novidades legislativas70
• Autoriza o Poder Executivo Federal a instituir, sob a governança da Procuradoria-Geral da 
Fazenda Nacional, o Sira.
• Confere nova regulamentação à profissão de tradutor e intérprete público, revogando 
o Decreto nº 13.609/1943.
• Estabelece prazo para o Poder Público autorizar a execução de obras de extensão de redes 
de distribuição de energia elétrica.
• Altera a Lei nº 10.406/2002 (CC), para prever no art. 206-A que a prescrição intercorrente 
observará o mesmo prazo de prescrição da pretensão.
1.2. Comentário
Em 30.03.2021, foi publicada no Diário Oficial da União a MP nº 1.040/2021, com o objetivo 
de favorecer o ambiente de negócios e melhorar a posição do Brasil no ranking Doing Business, do 
Banco Mundial. As alterações legislativas visam promover a “abertura de empresas, a proteção de 
acionistas minoritários,a facilitação do comércio exterior, o Sistema Integrado de Recuperação de 
Ativos ‒ Sira, as cobranças realizadas pelos conselhos profissionais, a profissão de tradutor e intérprete 
público, a obtenção de eletricidade e a prescrição intercorrente na Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 
2002 ‒ Código Civil”, nos termos do que dispõe o seu art. 1º.
O seu art. 2º disciplinou as alterações da Lei nº 11.598/2007, que estabelece as diretrizes 
e os procedimentos para a simplificação e integração do processo de registro e legalização de 
empresários e de pessoas jurídicas, e cria a REDESIM. Por sua vez, o art. 3º da MP modificou 
diversos dispositivos da Lei nº 8.934/1994, que dispõe sobre o Registro Público de Empresas 
Mercantis e atividades afins, e dá outras providências, tendo como destaque a inclusão do inciso 
X ao art. 4º da mencionada lei, em que estabelece as atribuições do Departamento Nacional de 
Registro Empresarial e Integração (Drei), com a seguinte competência, in verbis:
Art. 4º (...)
X ‒ instruir, examinar e encaminhar os pedidos de autorização para 
nacionalização ou instalação de filial, agência, sucursal ou estabelecimento 
no País por sociedade estrangeira, ressalvada a competência de outros 
órgãos federais; (...)
DIREITO EMPRESARIAL
Caderno de novidades legislativas71
Ainda, a MP disciplinou em seu art. 5º as alterações quanto à proteção de acionistas 
minoritários, modificando a Lei nº 6.404/1976, que dispõe sobre as sociedades por ações, realizando 
as seguintes alterações:
Art. 122. Compete privativamente à assembleia geral: (...)
VIII ‒ deliberar sobre transformação, fusão, incorporação e cisão da 
companhia, sua dissolução e liquidação, eleger e destituir liquidantes e 
julgar-lhes as contas;
IX ‒ autorizar os administradores a confessar falência e a pedir recuperação 
judicial; e
X ‒ deliberar, quando se tratar de companhias abertas, sobre:
a) a alienação ou a contribuição para outra empresa de ativos, caso o valor 
da operação corresponda a mais de 50% (cinquenta por cento) do valor dos 
ativos totais da companhia constantes do último balanço aprovado; e
b) a celebração de transações com partes relacionadas que atendam 
aos critérios de relevância a serem definidos pela Comissão de Valores 
Mobiliários.
Parágrafo único. Em caso de urgência, a confissão de falência ou o pedido 
de recuperação judicial poderá ser formulado pelos administradores, com 
a concordância do acionista controlador, se houver, hipótese em que a 
assembleia geral será convocada imediatamente para deliberar sobre a 
matéria.
Vale mencionar que as sociedades anônimas de capital aberto terão novos prazos a serem 
observados quanto à Convocação da Assembleia Geral, nos seguintes termos:
Art. 124. (...)
§ 1º (...)
II ‒ na companhia aberta, o prazo de antecedência da primeira convocação 
será de 30 (trinta) dias e o da segunda convocação será de 8 (oito) dias. (...)
§ 5º (...)
I ‒ declarar quais documentos e informações relevantes para a deliberação 
da assembleia geral não foram tempestivamente disponibilizados aos 
acionistas e determinar o adiamento da assembleia por até 30 (trinta) 
dias, contado da data de disponibilização dos referidos documentos e 
informações aos acionistas; e (...)
DIREITO EMPRESARIAL
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm#art124%C2%A75i.0
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm#art124%C2%A75i.0
Caderno de novidades legislativas72
Por sua vez, o art. 5º da MP incluiu ao art. 138 da mencionada lei os §§ 3º e 4º, com a seguinte 
redação:
Art. 138. (...) 
§ 3º  É vedada, nas companhias abertas, a acumulação do cargo de 
presidente do conselho de administração e do cargo de diretor-presidente 
ou de principal executivo da companhia.
§ 4º A Comissão de Valores Mobiliários poderá excepcionar a vedação de 
que trata o § 3º para as companhias com menor faturamento, nos termos de 
sua regulamentação.
No entanto, prevendo prazo de vacância específico de 360 dias, contado da data de sua 
publicação, quanto à parte do art. 5º que altera o § 3º do art. 138 da Lei nº 6.404/1976, conforme o art. 
34, I, da MP.
Ainda, a MP incluiu os §§ 1º e 2º ao art. 140 da mencionada lei, que assim dispõem sobre a 
matéria:
Art. 140. (...)
§ 1º O estatuto poderá prever a participação no conselho de representantes 
dos empregados, escolhidos pelo voto destes, em eleição direta, organizada 
pela empresa, em conjunto com as entidades sindicais que os representam.
§ 2º Na composição do conselho de administração das companhias abertas, 
é obrigatória a participação de conselheiros independentes, nos termos e 
nos prazos definidos pela Comissão de Valores Mobiliários.
Por sua vez, o Capítulo IV da MP trata da facilitação do comércio exterior, alterando a Lei nº 
12.546/2011 e cuidando especificamente das licenças, autorizações ou exigências administrativas 
para importações ou exportações, bem como do comércio exterior de serviços, intangíveis e outras 
operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, das pessoas jurídicas ou dos 
entes despersonalizados.
Cabe ressaltar que o art. 13 da MP autoriza o Poder Executivo federal a instituir, sob a governança 
da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, o Sira, “constituído por conjunto de instrumentos, 
mecanismos e iniciativas destinados a facilitar a identificação e a localização de bens e devedores”, 
ainda promovendo “a constrição e a alienação de ativos”.
DIREITO EMPRESARIAL
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm#art138%C2%A73
Caderno de novidades legislativas73
A MP, em seu Capítulo VII, confere nova regulamentação à profissão de tradutor e intérprete 
público, revogando o Decreto nº 13.609/1943. Destaca-se que “o tradutor e intérprete público poderá 
optar por se organizar na forma de sociedade unipessoal”, nos termos do que dispõe o seu art. 28.
Visando fomentar o acesso à eletricidade, o texto estabelece prazo para o Poder Público 
autorizar a execução de obras de extensão de redes de distribuição de energia elétrica, conforme 
disciplina o art. 31, in verbis:
Art. 31.  Na execução de obras de extensão de redes aéreas de distribuição 
de responsabilidade da concessionária ou permissionária de serviço 
público de distribuição de energia elétrica, a licença ou autorização para 
realização de obras em vias públicas, quando for exigida e não houver prazo 
estabelecido pelo Poder Público local, será emitida pelo órgão público 
competente no prazo de cinco dias úteis, contado da data de apresentação 
do requerimento.
A seu turno, o art. 32 da nova legislação traz alteração pontual na Lei nº 10.406/2002 (CC), que 
incluiu o art. 206-A, in verbis: “Art. 206-A. A prescrição intercorrente observará o mesmo prazo de 
prescrição da pretensão”.
Em relação a essa alteração, conforme a exposição de motivos da medida provisória, o objetivo 
da alteração legislativa é fortalecer a segurança jurídica e, para tanto, realiza-se a “alteração pontual 
no Código Civil para cristalizar o instituto da prescrição intercorrente já consagrado pelo Supremo 
Tribunal Federal na Súmula nº 150”. 
Por fim, é importante observar que a MP nº 1.040/2021 ainda será analisada pela Câmara dos 
Deputados e pelo Senado.
1.3. Questão inédita comentada
De acordo com a MP nº 1.040/2021, que alterou Lei nº 6.404/1976, analise as assertivas e 
marque a opção incorreta:
A) Compete privativamente à assembleia geral deliberar sobre transformação, fusão, incorporação 
e cisão da companhia, sua dissolução e liquidação, eleger e destituir liquidantes e julgar-lhes as 
contas.
B) Compete privativamente à assembleia geral autorizar os administradores a confessar falência e 
a pedir recuperação judicial.
DIREITO EMPRESARIAL
Caderno de novidades legislativas74
C) Compete privativamente à assembleia geral deliberar, quando se tratar de companhias 
fechadas, sobre a alienação ou a contribuição para outra empresa de ativos, caso o valor da operaçãocorresponda a mais de 60% do valor dos ativos totais da companhia constantes do último balanço 
aprovado.
D) Na companhia aberta, o prazo de antecedência da primeira convocação da Assembleia Geral 
será de 30 (trinta) dias e o da segunda convocação será de 8 (oito) dias.
E) A Comissão de Valores Mobiliários poderá, a seu exclusivo critério, mediante decisão fundamentada 
de seu Colegiado, a pedido de qualquer acionista, e ouvida a companhia declarar quais documentos 
e informações relevantes para a deliberação da assembleia geral não foram tempestivamente 
disponibilizados aos acionistas e determinar o adiamento da assembleia por até 30 (trinta) dias, contado 
da data de disponibilização dos referidos documentos e informações aos acionistas.
Alternativa correta: letra C. O enunciado da alternativa “c” está incorreto, pois contraria a 
literalidade do que dispõem a alínea “a” e inciso X do art. 122 da Lei nº 6.404/1976, incluídos pela MP 
nº 1.040/2021, nos seguintes termos: “Compete privativamente à assembleia geral: (...) X ‒ deliberar, 
quando se tratar de companhias abertas, sobre: a) a alienação ou a contribuição para outra empresa 
de ativos, caso o valor da operação corresponda a mais de 50% (cinquenta por cento) do valor dos 
ativos totais da companhia constantes do último balanço aprovado”.
Demais alternativas:
Alternativa A. O enunciado da alternativa “A” está correto, tendo em vista o que dispõe o 
inciso VIII do art. 122 da Lei nº 6.404/1976, modificado pela MP nº 1.040/2021, nos seguintes termos: 
“Compete privativamente à assembleia geral: (...) VIII ‒ deliberar sobre transformação, fusão, 
incorporação e cisão da companhia, sua dissolução e liquidação, eleger e destituir liquidantes e 
julgar-lhes as contas; (...)
Alternativa B. O enunciado da alternativa “B” está correto, tendo em vista o que dispõe a 
literalidade do inciso IX do art. 122 da Lei nº 6.404/1976, modificado pela MP nº 1.040/2021, nos 
seguintes termos: “IX ‒ autorizar os administradores a confessar falência e a pedir recuperação judicial”.
DIREITO EMPRESARIAL
Caderno de novidades legislativas75
Alternativa D. O enunciado da alternativa “D” está correto, tendo em vista o que dispõe a 
literalidade do inciso II do § 1º do art. 124 da Lei nº 6.404/1976, modificado pela MP nº 1.040/2021, 
nos seguintes termos: “§ 1º A primeira convocação da assembleia-geral deverá ser feita: (...) II ‒‒ na 
companhia aberta, o prazo de antecedência da primeira convocação será de 30 (trinta) dias e o da 
segunda convocação será de 8 (oito) dias”.
Alternativa E. O enunciado da alternativa “E” está correto, tendo em vista o que dispõe a 
literalidade do inciso I do § 5º do art. 124 da Lei nº 6.404/1976, modificado pela MP nº 1.040/2021, nos 
seguintes termos: “§ 5º A Comissão de Valores Mobiliários poderá, a seu exclusivo critério, mediante 
decisão fundamentada de seu Colegiado, a pedido de qualquer acionista, e ouvida a companhia: 
I ‒ ‒ declarar quais documentos e informações relevantes para a deliberação da assembleia geral não 
foram tempestivamente disponibilizados aos acionistas e determinar o adiamento da assembleia por 
até 30 (trinta) dias, contado da data de disponibilização dos referidos documentos e informações 
aos acionistas”.
DIREITO EMPRESARIAL
Caderno de novidades legislativas76
1. Lei nº 14.132/2021 ‒ ‒ Crime de perseguição
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.132/2021
Ementa: Acrescenta o art. 147-A ao Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código 
Penal ‒ CP), para prever o crime de perseguição, e revoga o art. 65 do Decreto-Lei 
nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 (Lei das Contravenções Penais).
Data de publicação: 1º.04.2021
Início de vigência: 1º.04.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/
lei/L14132.htm>
Destaques:
• A lei acrescenta o art. 147-A ao CP, para prever o crime de perseguição, nos seguintes 
termos: “Perseguição. Art. 147-A. Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, 
ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de 
locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou 
privacidade”.
• Revoga o art. 65 do Decreto-Lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 (Lei das Contravenções 
Penais), que assim previa: “Art. 65. Molestar alguém ou perturbar-lhe a tranquilidade, por 
acinte ou por motivo reprovável: (...)”.
1.2. Comentário
Em 1º.04.2021 foi publicada a Lei nº 14.132, de 31.03.2021, com início imediato de vigência.
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo acrescenta: “o art. 147-A ao Decreto-Lei nº 
2.848, de 7 de dezembro de 1940 (CP), para prever o crime de perseguição”, além disso “revoga o art. 
65 do Decreto-Lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 (Lei das Contravenções Penais)”.
De acordo com sua ementa, passa a ser prevista como crime a ação de perseguição. 
Perseguição
Art. 147-A. Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, 
ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a 
capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando 
sua esfera de liberdade ou privacidade.
DIREITO PENAL
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14132.htm
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Caderno de novidades legislativas77
Pena ‒ reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
§ 1º A pena é aumentada de metade se o crime é cometido:
I ‒ ‒ contra criança, adolescente ou idoso;
II ‒ ‒ contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do 
§ 2º-A do art. 121 deste Código;
III ‒ ‒ mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas ou com o emprego de 
arma.
§ 2º As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes 
à violência.
§ 3º Somente se procede mediante representação.
Art. 3º Revoga-se o art. 65 do Decreto-Lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 
(Lei das Contravenções Penais).
Trata-se de uma novatio legis in pejus, um tipo penal novo, englobando ainda condutas que 
antes se enquadravam como contravenção penal, não podendo retroagir neste particular. 
O crime de stalking (perseguição) é uma resposta a casos cada vez mais crescentes de stalkers 
(perseguidores), especialmente por meio das redes sociais. 
O crime consiste no ato do agente que persegue alguém, de forma reiterada, exigindo-se, 
assim, a habitualidade em seu agir. Além disso, a perseguição pode ocorrer por qualquer meio 
(presencialmente, por exemplo, comparecendo todos os dias no trabalho da vítima; virtualmente, nas 
diversas redes sociais, e-mail etc.; ou por qualquer outra forma, como envio de cartas, no intuito de: 
(1) ameaçar a integridade física ou psicológica da vítima; (2) restringir a capacidade de locomoção da 
vítima; ou (3) invadir ou perturbar, de qualquer forma, a esfera de liberdade ou privacidade da vítima.
Cuida-se de infração de menor potencial ofensivo, uma vez que a pena para o crime é de 6 meses 
a 2 anos e multa, passível, portanto, do procedimento nos Juizados Especiais Criminais e de aplicação 
de institutos descarcerizadores, como a transação penal e a suspensão condicional do processo.
DIREITO PENAL
Caderno de novidades legislativas78
O novo tipo penal estabelece causas de aumento de pena (aumentada de metade) se o crime 
é cometido: contra criança, adolescente ou idoso, mediante concurso de duas ou mais pessoas ou 
com o emprego de arma ou contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do 
§ 2º-A do art. 121 do Código Penal (CP). Segundo o citado parágrafo, considera-se que há razões de 
condição de sexo feminino quando o crime envolve:
I ‒ ‒ violência doméstica e familiar;
II ‒ ‒ menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
As penas previstas para o crime são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência, 
e somente se procede mediante representação, ou seja, deve haver manifestação inequívoca da 
vítima ou de seu representantelegal a respeito da intenção de se instaurar a persecução penal, não 
havendo forma específica de apresentação dessa representação, podendo ser, inclusive, de forma 
verbal ao delegado de polícia ou membro do Ministério Público, por exemplo. 
1.3. Questão inédita comentada
Segundo o art. 147-A do Decreto-Lei nº 2.848, de 07.12.1940 (CP, acrescentado pela Lei nº 
14.132, de 31.03.2021), o crime de perseguição:
A) Não exige habitualidade.
B) Tem pena mínima de detenção de dois anos.
C) Tem pena aumentada em 1/4 se o crime é cometido contra criança, adolescente ou idoso.
D) Tem pena aumentada pela metade se o crime é cometido contra mulher por razões da condição 
de sexo feminino.
E) Não tem previsão de aumento de pena se é cometido com o emprego de arma.
Alternativa correta: letra D. Nos termos do art. 147-A, § 1º, II, do CP, o crime de perseguição 
tem a pena aumentada de metade se o crime for cometido contra mulher por razões da condição de 
sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 do CP.
DIREITO PENAL
Caderno de novidades legislativas79
Demais alternativas:
Alternativa A. Errada. O crime consiste no ato criminoso do agente que persegue alguém, de 
forma reiterada, exigindo-se, assim, a habitualidade em seu agir.
Alternativa B. Errada. Cuida-se de infração de menor potencial ofensivo, uma vez que a pena 
para o crime é de 6 meses a 2 anos, e multa.
Alternativa C. Errada. A pena é aumentada de metade se o crime é cometido contra criança, 
adolescente ou idoso, nos termos do § 1º, I, art. 147-A do CP.
Alternativa E. Errada. O inciso III, do § 1º, do art. 147-A do CP prevê o caso de aumento de pena 
no caso de emprego de arma.
DIREITO PENAL
Caderno de novidades legislativas80
1. Lei nº 14.126/2021 ‒ ‒ Visão monocular como deficiência sensorial
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.126/2021
Ementa: Classifica a visão monocular como deficiência sensorial, do tipo visual, dispondo 
a respeito da avaliação biopsicossocial da visão monocular para fins de 
reconhecimento da condição de pessoa com deficiência.
Data de publicação: 23.03.2021
Início de vigência: 23.03.2021
Link do texto normativo:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/
L14126.htm> 
1.2. Comentário
Em relação ao direito previdenciário, a Lei nº 14.126/2021 traz como inovação a classificação da 
visão monocular como deficiência sensorial, do tipo visual, o que repercutirá por conta, especialmente, 
do benefício de prestação continuada.
Entretanto, para concentrar a abordagem das inovações veiculadas por esse novo ato 
normativo, a sua análise encontra-se em direito da pessoa com deficiência.
2. Lei nº 14.128/2021 ‒ ‒ Compensação financeira a ser paga pela União 
aos profissionais e trabalhadores de saúde
2.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.128/2021
Ementa: Dispõe sobre compensação financeira a ser paga pela União aos profissionais e 
trabalhadores de saúde que, durante o período de emergência de saúde pública 
de importância nacional decorrente da disseminação do novo coronavírus (SARS-
CoV-2), por terem trabalhado no atendimento direto a pacientes acometidos pela 
Covid-19, ou realizado visitas domiciliares em determinado período de tempo, no 
caso de agentes comunitários de saúde ou de combate a endemias, tornarem-
se permanentemente incapacitados para o trabalho, ou ao seu cônjuge ou 
companheiro, aos seus dependentes e aos seus herdeiros necessários, em caso de 
óbito; e altera a Lei nº 605, de 5 de janeiro de 1949.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14126.htm
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Caderno de novidades legislativas81
Data de publicação: 26.03.2021
Início de vigência: 26.03.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Lei/L14128.htm>
Destaques:
• Cria compensação financeira a ser paga pela União aos profissionais e trabalhadores de 
saúde que, durante o período de emergência de saúde pública de importância nacional 
decorrente da disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2), por terem trabalhado 
no atendimento direto a pacientes acometidos pela Covid-19, ou realizado visitas 
domiciliares em determinado período de tempo, no caso de agentes comunitários de 
saúde ou de combate a endemias, tornarem-se permanentemente incapacitados para o 
trabalho, ou ao seu cônjuge ou companheiro, aos seus dependentes e aos seus herdeiros 
necessários, em caso de óbito.
• Altera a Lei nº 605/1949, que dispõe sobre o repouso semanal remunerado e o pagamento 
de salário nos dias de feriados civis e religiosos.
2.2. Comentário
Em 26.03.2021, foi publicada a Lei nº 14.128, com início imediato de vigência.
De acordo com sua ementa, será devida uma compensação financeira a ser paga pela União 
aos profissionais e trabalhadores de saúde que, durante o período de emergência de saúde pública 
de importância nacional decorrente da disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2), por 
terem trabalhado no atendimento direto a pacientes acometidos pela Covid-19, ou realizado visitas 
domiciliares em determinado período de tempo, no caso de agentes comunitários de saúde ou de 
combate a endemias, tornarem-se permanentemente incapacitados para o trabalho, ou ao seu 
cônjuge ou companheiro, aos seus dependentes e aos seus herdeiros necessários, em caso de 
óbito; e altera a Lei nº 605, de 5 de janeiro de 1949.
Interessante mencionar que o projeto desta lei foi vetado pelo presidente da República sob o 
seguinte argumento: 
Apesar do mérito da propositura e a boa intenção do legislador em determinar 
o pagamento de indenização pela União para familiares de profissionais de 
saúde que atuam diretamente no combate à pandemia e venham a falecer, 
bem como para aqueles que ficaram incapacitados permanentemente para 
o trabalho, a proposta, ao impor o apoio financeiro na forma do projeto, 
contém os seguintes óbices jurídicos.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14128.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14128.htm
Caderno de novidades legislativas82
A proposta viola o art. 8º da recente Lei Complementar nº 173, de 2020, por 
se estar prevendo benefício indenizatório para agentes públicos e criando 
despesa continuada em período de calamidade no qual tais medidas estão 
vedadas.
O segundo óbice está na falta de apresentação de estimativa do impacto 
orçamentário e financeiro, em violação às regras do art. 113 do ADCT.
Ademais da violação ao art. 113 do ADCT, tendo em vista que o período 
do benefício supera o prazo de 31.12.2020 (Art. 1º do Decreto Legislativo 
nº 6 de 2020), revela-se incompatível com os arts. 15, 16 e 17 da Lei de 
Responsabilidade Fiscal, cuja violação pode acarretar responsabilidade 
para o Presidente da República.
O terceiro problema é a inconstitucionalidade formal, por se criar benefício 
destinado a outros agentes públicos federais e a agentes públicos de outros 
entes federados por norma de iniciativa de parlamentar federal, a teor do 
art. 1º e art. 61, § 1º, da Constituição.
Por fim, ao dispor que durante o período de emergência decorrente da Covid-
19, a imposição de isolamento dispensará o empregado da comprovação 
de doença por 7 (sete) dias, veicula matéria análoga ao do PL nº 702/2020, 
o qual foi objeto de veto presidencial, por gerar insegurança jurídica ao 
apresentar disposição dotada de imprecisão técnica, e em descompasso 
com o conceito veiculado na Portaria nº 356, de 2020, do Ministério da 
Saúde, e na Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, que tratam situação 
análoga como isolamento.
O Congresso Nacional derrubou o veto presidencial em sessão realizada no dia 17.03.2021. 
Então, no dia 26.03.2021 o projeto foi promulgado e publicado. 
Por sua vez, a legislação define quem é o trabalhador ou profissional de saúde para fins 
do recebimento da compensação financeira. É o previsto no art. 1º, parágrafo único, I, da Lei 
nº14.128/2021:
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre compensação financeira a ser paga pela 
União aos profissionais e trabalhadores de saúde que, durante o período 
de emergência de saúde pública de importância nacional decorrente da 
disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2), por terem trabalhado 
no atendimento direto a pacientes acometidos pela Covid-19, ou realizado 
visitas domiciliares em determinado período de tempo, no caso de 
agentes comunitários de saúde ou de combate a endemias, tornarem-se 
permanentemente incapacitados para o trabalho, ou ao seu cônjuge ou 
companheiro, aos seus dependentes e aos seus herdeiros necessários, em 
caso de óbito.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Caderno de novidades legislativas83
Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se:
I ‒ ‒ profissional ou trabalhador de saúde:
a) aqueles cujas profissões, de nível superior, são reconhecidas pelo Conselho 
Nacional de Saúde, além de fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes 
sociais e profissionais que trabalham com testagem nos laboratórios de 
análises clínicas;
b) aqueles cujas profissões, de nível técnico ou auxiliar, são vinculadas às 
áreas de saúde, incluindo os profissionais que trabalham com testagem nos 
laboratórios de análises clínicas;
c) os agentes comunitários de saúde e de combate a endemias;
d) aqueles que, mesmo não exercendo atividades-fim nas áreas de saúde, 
auxiliam ou prestam serviço de apoio presencialmente nos estabelecimentos 
de saúde para a consecução daquelas atividades, no desempenho de 
atribuições em serviços administrativos, de copa, de lavanderia, de limpeza, 
de segurança e de condução de ambulâncias, entre outros, além dos 
trabalhadores dos necrotérios e dos coveiros; e
e) aqueles cujas profissões, de nível superior, médio e fundamental, são 
reconhecidas pelo Conselho Nacional de Assistência Social, que atuam no 
Sistema Único de Assistência Social; (...)
Trata-se de uma previsão justa e merecida, para minimizar a incapacidade ou perda de um 
profissional que está na linha de frente no combate à pandemia.
A lei delimita o momento que gera a percepção da compensação financeira, desta forma, a 
atuação desses profissionais deve ter ocorrido no Espin-Covid-19. O Espin-Covid-19 é o estado de 
emergência de saúde pública de importância nacional em decorrência da infecção humana pelo 
novo coronavírus (SARS-CoV-2). Este estado foi criado juridicamente com a Portaria nº 188/2020, 
do Ministério da Saúde. Importante destacar que o estado de emergência, com fulcro no art. 1º, 
caput, §§ 2º e 3º, da Lei nº 13.979/2020, só se encerrará com a publicação de novo ato do Ministro 
de Estado da Saúde. 
Em um primeiro momento, analisaremos os aspectos legais da concessão da compensação 
financeira ao profissional acometido pela incapacidade permanente. Aqui, o legislador se referiu a 
dois grupos: i) ao profissional ou trabalhador de saúde que ficar incapacitado permanentemente 
para o trabalho em decorrência da Covid-19 (art. 2º, I, da Lei nº 14.128/2021); e ao ii) agente comunitário 
de saúde e de combate a endemias que ficar incapacitado permanentemente para o trabalho em 
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Caderno de novidades legislativas84
decorrência da Covid-19, por ter realizado visitas domiciliares em razão de suas atribuições durante 
o Espin-Covid-19 (art. 2º, II, da Lei nº 14.128/2021). 
Nesses casos, a incapacidade permanente provocada pela Covid-19 deve ser comprovada. 
O legislador gerou a presunção de que a Covid-19 foi causa incapacitante quando houver o nexo 
temporal entre a data de início da doença e a ocorrência da incapacidade permanente para o 
trabalho ou óbito, se houver: “I ‒‒ diagnóstico de Covid-19 comprovado mediante laudos de exames 
laboratoriais; ou II ‒‒ laudo médico que ateste quadro clínico compatível com a Covid-19” (art. 2º, § 1º, 
da Lei nº 14.128/2021). 
Ou seja, em relação ao nexo de causalidade, há previsão expressa no sentido de se presumir 
a covid como causa, ainda que não exclusiva, se presente o nexo temporal com o diagnóstico da 
doença ou laudo atestando o quadro clínico com ela compatível.
Ademais, a presença de comorbidades não afasta o direito ao recebimento da compensação 
financeira. Ainda, o profissional incapacitado estará sujeito à avaliação de perícia médica realizada 
por servidores integrantes da carreira de Perito Médico Federal (art. 2º, § 3º).
Em segundo momento, imperioso mencionar que o evento morte do profissional de saúde 
decorrente da infecção pelo vírus gera o direito à compensação financeira aos dependentes (art. 2º, 
III). Nesta esteira, em caso de morte deste profissional ou trabalhador de saúde a lei faz referência ao 
rol dos dependentes previstos no art. 16 da Lei nº 8.213/1991. Vamos rememorar!
1ª Classe
• Cônjuge.
• Companheiro (hétero ou homoafetivo).
• Filho menor de 21 anos, desde que não tenha sido emancipado.
• Filho inválido (não importa a idade).
• Filho com deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave (não importa 
a idade).
Dependência econômica presumida e afasta os demais dependentes.
2ª Classe
• Pais.
Dependência econômica deve ser comprovada. 
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Caderno de novidades legislativas85
3ª Classe
• Irmão menor de 21 anos, que não tenha sido emancipado.
• Irmão inválido (não importa a idade).
• Irmão com deficiência intelectual ou mental, ou deficiência grave (não 
importa a idade).
Dependência econômica deve ser comprovada.
O marco temporal para o pagamento da compensação financeira em caso de incapacidade 
permanente e óbito depende da prévia análise e deferimento do benefício na forma do regulamento 
(art. 4º da Lei nº 14.128/2021). Esse regulamento ainda não foi publicado, portanto, é importante 
acompanhar. 
Art. 4º A compensação financeira de que trata esta Lei será concedida após 
a análise e o deferimento de requerimento com esse objetivo dirigido ao 
órgão competente, na forma de regulamento.
A lei prevê que será devida a compensação inclusive nas hipóteses de óbito ou incapacidade 
permanente para o trabalho anterior à data de publicação da Lei nº 14.128/2021, desde que a 
infecção pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) tenha ocorrido durante o Espin-Covid-19 (art. 2º, § 
4º). E, ainda, a compensação financeira será devida inclusive nas hipóteses de óbito ou incapacidade 
permanente para o trabalho superveniente à declaração do fim do Espin-Covid-19, desde que a 
infecção pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) tenha ocorrido durante o Espin-Covid-19 (art. 2º, § 4º, 
da Lei nº 14.128/2021). 
A compensação financeira está prevista no art. 3º da Lei nº 14.128/2021. Vamos sistematizar!
I ‒ ‒ 1 (uma) única prestação em valor fixo de 
R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).
Pago ao profissional ou trabalhador de 
saúde incapacitado permanentemente.
Em caso de morte, o valor será pago 
ao seu cônjuge ou companheiro, aos 
seus dependentes e aos seus herdeiros 
necessários. 
II ‒ 1 (uma) única prestação de valor 
variável paga a cada um dos dependentes 
do profissional ou trabalhador de saúde 
falecido.
A prestação de valor variável será devida a: 
• dependente menor de 21 anos;
• dependente menor de 24 anos (se 
cursando curso superior);
• dependente com deficiência 
(independentemente da idade).
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Caderno de novidades legislativas86
Cálculo: Aplica-se o rateio entre os 
beneficiários, em partes iguais (art. 3º, § 2º, 
da Lei nº 14.128/2021). 
Cálculo: o valor será calculado mediante a 
multiplicação da quantia de R$ 10.000,00 
(dez mil reais) pelo número de anos inteiros 
e incompletos que faltarem, para cada um 
deles, na data do óbito do profissional ou 
trabalhador de saúde, para atingir a idade de 
21 anos completos, ou 24 anos se cursando 
curso superior.
Atenção! O cálculo para o dependente com 
deficiência (art. 3º, § 1º, da Lei nº 14.128/2021) 
é diferente. O valor da prestação variável 
decorre da multiplicação da quantia de 
R$ 10.000,00 (dez mil reais) pelo número 
mínimode 5 (cinco) anos. O legislador 
buscou dar tratamento mais favorável 
ao dependente deficiente ao receber, no 
mínimo, as parcelas referentes a 5 (cinco) 
anos. 
Outro aspecto relevante desta legislação é agregar ao valor da compensação financeira, em 
caso de óbito do profissional ou trabalhador de saúde, o valor relativo às despesas de funeral (art. 3º, 
§ 4º, da Lei nº 14.128/2021).
O legislador permitiu que a União realize o parcelamento da compensação financeira. É o 
disposto no art. 3º, § 3º, da Lei nº 14.128/2021:
Art. 3º A compensação financeira de que trata esta Lei será composta de: (...) 
§ 3º A integralidade da compensação financeira, considerada a soma das 
parcelas devidas, quando for o caso, será dividida, para o fim de pagamento, 
em 3 (três) parcelas mensais e sucessivas de igual valor. (Grifos nossos).
Cabe ressaltar, ainda, que o recebimento da indenização não prejudica o direito a benefícios 
previdenciários, a exemplo dos benefícios por incapacidade temporária e definitiva, além de eventual 
pensão por morte.
Art. 5º A compensação financeira de que trata esta Lei possui natureza 
indenizatória e não poderá constituir base de cálculo para a incidência de 
imposto de renda ou de contribuição previdenciária.
Parágrafo único. O recebimento da compensação financeira de que trata 
esta Lei não prejudica o direito ao recebimento de benefícios previdenciários 
ou assistenciais previstos em lei.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Caderno de novidades legislativas87
Além de criar uma compensação financeira, a ser paga pela União aos profissionais e 
trabalhadores de saúde que trabalham no atendimento direto a pacientes acometidos pela Covid-19, 
a Lei nº 14.128/2021 alterou a Lei nº 605/1949, que dispõe sobre o repouso semanal remunerado, 
acrescentando os §§ 4º e 5º ao art. 6º.
O art. 6º estabelece que não é devida remuneração do repouso semanal remunerado 
quando, sem motivo justificado, o empregado não tiver trabalhado durante toda a semana anterior, 
cumprindo integralmente o seu horário de trabalho, salvo motivos justificados, trazidos no § 1º da Lei 
nº 605/1949:
Art. 6º (...)
§ 1º São motivos justificados:
a) os previstos no artigo 473 e seu parágrafo único da Consolidação das Leis 
do Trabalho;
b) a ausência do empregado devidamente justificada, a critério da 
administração do estabelecimento;
c) a paralisação do serviço nos dias em que, por conveniência do empregador, 
não tenha havido trabalho;
d) a ausência do empregado, até três dias consecutivos, em virtude do seu 
casamento;
e) a falta ao serviço com fundamento na lei sobre acidente do trabalho;
f) a doença do empregado, devidamente comprovada.
No entanto, a nova norma estabeleceu que, “durante o período de emergência em saúde pública 
decorrente da Covid-19, a imposição de isolamento dispensará o empregado da comprovação de 
doença por 7 (sete) dias”, conforme art. 7º da Lei nº 14.128/2021, que acrescentou o § 4º ao art. 6º da 
Lei nº 605/1949.
Além disso, em caso de imposição de isolamento em razão da Covid-19, “o trabalhador poderá 
apresentar como justificativa válida, no oitavo dia de afastamento, documento de unidade de saúde 
do Sistema Único de Saúde (SUS) ou documento eletrônico regulamentado pelo Ministério da 
Saúde”, conforme o art. 7º da Lei nº 14.128/2021, que acrescentou o § 5º ao art. 6º da Lei nº 605/1949.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Caderno de novidades legislativas88
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
2.3. Questão inédita comentada
A Lei nº 14.128/2021 dispõe sobre compensação financeira a ser paga pela União aos profissionais 
e trabalhadores de saúde que, durante o período de emergência de saúde pública de importância 
nacional decorrente da disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2). Em relação ao disposto 
nessa lei, julgue os itens a seguir e assinale a alternativa correta:
I – Não se considera profissional ou trabalhador de saúde, para os fins previstos na lei, o assistente 
social.
II – A compensação prevista na lei tem valor entre R$ 30.000,00 a R$ 50.000,00, a depender 
da gravidade da incapacidade. 
III – O recebimento da compensação financeira de que trata esta Lei não prejudica o direito ao 
recebimento de benefícios previdenciários ou assistenciais previstos em lei.
Está correto o que se afirma em:
A) I
B) II
C) III
D) I e II
E) II e III
Alternativa correta: letra C. Apenas o item III está correto. 
Item I: Errado. Nos termos do art. 1º, parágrafo único, I, considera-se profissional ou trabalhador 
de saúde: “a) aqueles cujas profissões, de nível superior, são reconhecidas pelo Conselho Nacional 
de Saúde, além de fisioterapeutas, nutricionistas, n e profissionais que trabalham com testagem 
nos laboratórios de análises clínicas; b) aqueles cujas profissões, de nível técnico ou auxiliar, são 
vinculadas às áreas de saúde, incluindo os profissionais que trabalham com testagem nos laboratórios 
de análises clínicas; c) os agentes comunitários de saúde e de combate a endemias”. 
Caderno de novidades legislativas89
Item II: Errado. Conforme o art. 3º, I, a compensação financeira prevista na lei será composta de 
uma “única prestação em valor fixo de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), devido ao profissional ou 
trabalhador de saúde incapacitado permanentemente para o trabalho ou, em caso de óbito deste, 
ao seu cônjuge ou companheiro, aos seus dependentes e aos seus herdeiros necessários, sujeita, 
nesta hipótese, a rateio entre os beneficiários”.
Item III: Correto. A compensação financeira possui natureza indenizatória e não poderá 
constituir base de cálculo para a incidência de imposto de renda ou de contribuição previdenciária, 
consoante o art. 5º da nova lei.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Caderno de novidades legislativas
SUMÁRIO
Abril
2021
Caderno de novidades legislativas91
1. Lei nº 14.133/2021 – Nova Lei de Licitações e Contratos 
Administrativos
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.133/2021
Ementa: Lei de Licitações e Contratos Administrativos.
Data de publicação: 1º.04.2021
Início de vigência: 1º.04.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/
lei/L14133.htm> 
Destaques:
• Revoga, imediatamente, os arts. 89 a 108 da Lei nº 8.666/1993 e mantém seus demais 
dispositivos vigentes por um período de dois anos, promovendo um regime de transição. 
• Mantém, também em regime de transição bienal, a Lei nº 10.520/2002, que trata da 
modalidade de licitação pregão, bem como os arts. 1º a 47-A da Lei nº 12.462/2011, que 
trata do Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC).
• Consagra novos princípios, como o princípio da segregação de funções.
• Incorpora técnicas e institutos de sistemas de contratação anteriores, como o RDC e o 
pregão (ex.: inversão de fases e orçamento sigiloso).
• Extingue a tomada de preços e o convite, e cria a modalidade diálogo competitivo.
• Permite, de forma expressa, a adoção de matriz de risco pelos contratantes.
1.2. Comentário
Em 1º de abril de 2021 foi finalmente publicada a Lei nº 14.133, a Nova Lei Geral de Licitações e 
Contratos, que vai substituir a obsoleta Lei nº 8.666/1993. 
Importa ressaltar, preliminarmente, que a Lei nº 8.666/1993 continuará, em parte, em vigor por 
um período de dois anos, a fim de que os entes possam se adaptar às novas regras estabelecidas na 
Lei nº 14.133/2021. Apenas os arts. 89 a 108 da Lei nº 8.666/1993 – referentes aos crimes de licitação 
e do processo e procedimento judiciais – estão desde já revogados. 
DIREITO ADMINISTRATIVO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/L14065.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/L14065.htm
Caderno de novidades legislativas92
A Lei nº 14.133/2021 também manteve em regime de transição bienal a Lei nº 10.520/2002, 
que trata da modalidade de licitação pregão, bem como os arts. 1º a 47-A da Lei nº 12.462/2011, que 
trata do RDC. 
Assim, de acordo com o art. 190, o contrato assinado antes da vigência danova lei continuará 
regido integralmente e até seu termo final pela legislação anterior, ainda que de trato contínuo, 
produzindo efeitos mesmo após o prazo de dois anos previsto para a transição, não se operando, 
portanto, a chamada retroatividade, ainda que mínima. Para além disso, o art. 191 permite que a 
administração escolha licitar de acordo com a lei que melhor lhe aprouver, durante o período de 
transição de dois anos.
Não é objeto deste material esmiuçar todas as novidades operadas pela Lei nº 14.133 no regime 
de contratações públicas, mas abordaremos, a seguir, seus principais destaques. 
Uma primeira alteração relevante é a previsão, no art. 5º da lei, do princípio da segregação de 
funções, o qual é diretamente relacionado ao  Compliance,  protetor da probidade administrativa. 
Trata-se de vedação da designação do mesmo agente público para atuação em mais de uma função 
suscetível a riscos de ocultação de erros e ocorrência de fraudes.  
Além disso, foram incorporadas diversas técnicas e institutos já utilizados em outros sistemas 
de contratação anteriores, como o RDC e o pregão, tais como a inversão das fases de habilitação 
e julgamento como regra (assim, somente haverá a verificação da habilitação do licitante vencedor 
após o julgamento) e o orçamento sigiloso. O orçamento sigiloso pode ser mais bem compreendido 
a partir da leitura do art. 18, IV, combinado com o art. 24, I. 
Art. 18. A fase preparatória do processo licitatório é caracterizada pelo 
planejamento e deve compatibilizar-se com o plano de contratações anual 
de que trata o inciso VII do caput do art. 12 desta Lei, sempre que elaborado, 
e com as leis orçamentárias, bem como abordar todas as considerações 
técnicas, mercadológicas e de gestão que podem interferir na contratação, 
compreendidos: (...)
IV – o orçamento estimado, com as composições dos preços utilizados 
para sua formação;
Art. 24. Desde que justificado,  o orçamento estimado da contratação 
poderá ter caráter sigiloso, sem prejuízo da divulgação do detalhamento 
dos quantitativos e das demais informações necessárias para a elaboração das 
propostas, e, nesse caso: 
I – o sigilo não prevalecerá para os órgãos de controle interno e externo; 
(...) (Grifos nossos.)
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas93
Outras importantes alterações em relação à Lei nº 8.666/1993 foram a extinção da tomada 
de preços e do convite, e a criação da modalidade diálogo competitivo, restando, ainda, vedada 
a criação de outras modalidades de licitação ou a combinação delas, conforme disposto no art. 28, 
§ 2º. Ademais, consagra a modalidade pregão, incorporando-a em seu texto. 
O diálogo competitivo é, nos termos do art. 6º, XLII, da nova lei, “modalidade de licitação para 
contratação de obras, serviços e compras em que a Administração Pública realiza diálogos com 
licitantes previamente selecionados mediante critérios objetivos, com o intuito de desenvolver uma 
ou mais alternativas capazes de atender às suas necessidades, devendo os licitantes apresentar 
proposta final após o encerramento dos diálogos”.
Por fim, cabe ressaltar, em matéria de contratos administrativos, a consagração da matriz de 
riscos, a ser prevista como cláusula contratual no edital. Por esta cláusula, poderão as partes alocar, 
de forma mais eficiente, os riscos de cada contrato e estabelecer a responsabilidade que caiba a cada 
parte contratante, bem como os mecanismos que afastem a ocorrência do sinistro e mitiguem os seus 
efeitos, caso este ocorra durante a execução contratual. Nesse sentido, o art. 103, §§ 4º e 5º, da lei:
Art. 103. O contrato poderá identificar os riscos contratuais previstos e 
presumíveis e prever matriz de alocação de riscos, alocando-os entre 
contratante e contratado, mediante indicação daqueles a serem assumidos 
pelo setor público ou pelo setor privado ou daqueles a serem compartilhados. 
(...) 
§ 4º A matriz de alocação de riscos definirá o equilíbrio econômico- 
-financeiro inicial do contrato em relação a eventos supervenientes e deverá 
ser observada na solução de eventuais pleitos das partes. 
§ 5º Sempre que atendidas as condições do contrato e da matriz de alocação 
de riscos, será considerado mantido o equilíbrio econômico-financeiro, 
renunciando as partes aos pedidos de restabelecimento do equilíbrio 
relacionados aos riscos assumidos, exceto no que se refere: 
I – às alterações unilaterais determinadas pela Administração, nas hipóteses 
do inciso I do caput do art. 124 desta Lei; 
II  –  ao aumento ou à redução, por legislação superveniente, dos tributos 
diretamente pagos pelo contratado em decorrência do contrato. 
 
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas94
1.3. Questão inédita comentada
É modalidade de licitação prevista na Lei nº 14.133/2021:
A) Pregão.
B) Registro de preços.
C) Procedimento de manifestação de interesse.
D) Tomada de preços.
E) Convite. 
Alternativa correta: letra A. Nos termos do art. 28, I, da Lei nº 14.133/2021, o pregão é uma 
modalidade de licitação consagrada na nova Lei Geral de Licitações. 
Art. 28. São modalidades de licitação:
I - pregão;
II - concorrência;
III - concurso;
IV - leilão;
V - diálogo competitivo.
Demais alternativas:
Alternativa B. Errada. O registro de preços é um procedimento auxiliar das licitações e das 
contratações, previsto nos arts. 82 e segs. da Lei nº 14.133/2021. 
Alternativa C. Errada. O procedimento de manifestação de interesse é um procedimento 
auxiliar das licitações e das contratações, previsto no art. 81 da Lei nº 14.133/2021.
Alternativa D. Errada. Essa modalidade foi extinta na nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021).
Alternativa E. Errada. Essa modalidade foi extinta na nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021). 
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas95
1. Lei nº 14.138/2021 – Exame de DNA em sede de Ação de 
Investigação de Paternidade
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.138/2021
Ementa: Acrescenta o § 2º ao art. 2º-A da Lei nº 8.560, de 29 de dezembro de 1992, para 
permitir, em sede de ação de investigação de paternidade, a realização do exame 
de pareamento do código genético (DNA) em parentes do suposto pai, nos casos 
em que especifica.
Data de publicação: 19.04.2021
Início de vigência: 19.04.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Lei/L14138.htm>
Destaques:
• A lei autoriza a realização do exame de pareamento do código genético (DNA) em 
parentes consanguíneos do suposto pai na ação de investigação de paternidade, quando 
este houver falecido ou não existir notícia de seu paradeiro.
• Nestas hipóteses, a lei dispõe que a recusa dos parentes em participarem do exame 
implica presunção da paternidade, a ser apreciada em conjunto com o contexto 
probatório.
1.2. Comentário
No dia 19.04.2021 foi publicada e entrou em vigor a Lei nº 14.138/2021, que, conforme sua 
ementa: 
Acrescenta o § 2º ao art. 2º-A da Lei nº 8.560, de 29 de dezembro de 1992, 
para permitir, em sede de ação de investigação de paternidade, a realização 
do exame de pareamento do código genético (DNA) em parentes do 
suposto pai, nos casos em que especifica. 
Com efeito, a lei trata sobre o exame de DNA em ações de investigação de paternidade, tema 
da Súmula nº 301 do STJ: “Em ação investigatória, a recusa do suposto pai a submeter-se ao exame 
de DNA induz presunção juris tantum de paternidade.” 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Caderno de novidades legislativas96
O novel texto legislativo consolida posição do STJ, que possui precedentes no sentido de que a 
presunção de paternidade se aplica também quando parentes, e não apenas o pai, se contrapõem à 
paternidade e se negam a realizar o exame.
Com a Lei nº 14.138/2021, não restam dúvidas sobre essa possibilidade na hipótese de o suposto 
pai ter falecido ou não existir notícia de seu paradeiro, conforme o acréscimo efetivado:Se o suposto pai houver falecido ou não existir notícia de seu paradeiro, 
o juiz determinará, a expensas do autor da ação, a realização do exame 
de pareamento do código genético (DNA) em parentes consanguíneos, 
preferindo-se os de grau mais próximo aos mais distantes, importando a 
recusa em presunção da paternidade, a ser apreciada em conjunto com o 
contexto probatório. (§ 2º do art. 2º-A da Lei nº 8.560/1992, incluído pela Lei 
nº 14.138/2021.)
Portanto, a presunção de paternidade pela recusa a se submeter ao exame aplica-se ao suposto 
pai e aos parentes consanguíneos deste nas hipóteses destacadas, desde que em consonância com 
as demais provas do processo.
1.3. Questão inédita comentada
Nos termos da Lei nº 14.138/2021, julgue a seguinte assertiva:
Se o suposto pai houver falecido ou não existir notícia de seu paradeiro, o juiz determinará, a 
expensas do autor da ação, a realização do exame de pareamento do código genético (DNA) em 
parentes consanguíneos, preferindo-se os de grau mais próximo aos mais distantes, importando a 
recusa em presunção da paternidade, independente do contexto probatório.
CERTO ( ) ERRADO ( ) 
O item está correto. Há erro na parte final da assertiva, nos termos do art. 2º-A, § 2º, da Lei nº 
8.560/1992:
Se o suposto pai houver falecido ou não existir notícia de seu paradeiro, 
o juiz determinará, a expensas do autor da ação, a realização do exame 
de pareamento do código genético (DNA) em parentes consanguíneos, 
preferindo-se os de grau mais próximo aos mais distantes, importando a 
recusa em presunção da paternidade, a ser apreciada em conjunto com o 
contexto probatório. (Incluído pela Lei nº 14.138, de 2021.) (Grifos nossos.)
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Caderno de novidades legislativas97
1. Medida Provisória (MP) nº 1.045/2021 – Institui o Novo Programa 
Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda
1.1.  Ficha normativa
MP Nº 1.045/2021
Ementa: Institui o Novo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda e 
dispõe sobre medidas complementares para o enfrentamento das consequências 
da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do 
coronavírus (Covid-19) no âmbito das relações de trabalho.
Data de publicação: 28.04.2021
Início de vigência: 28.04.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Mpv/mpv1045.htm>
Destaques:
• A medida provisória cria o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da 
Renda, que será pago em duas situações: redução proporcional de jornada de trabalho e 
de salário e suspensão temporária do contrato de trabalho.
• Autoriza a redução proporcional de jornada de trabalho e de salário de empregados 
pelo prazo de até 120 dias, que poderá ser prorrogado por ato do Poder Executivo. A 
pactuação poderá ocorrer por meio de coletiva de trabalho, acordo coletivo de trabalho 
ou acordo individual escrito entre empregador e empregado.
• Autoriza a suspensão temporária do contrato de trabalho pelo prazo de até 120 dias, que 
poderá ser prorrogado por ato do Poder Executivo. A pactuação também poderá ocorrer 
por meio de coletiva de trabalho, acordo coletivo de trabalho ou acordo individual escrito 
entre empregador e empregado.
1.2. Comentário
Em 28.04.2021, a MP nº 1.045 foi publicada, com início de vigência na data de sua publicação.
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “Institui o Novo Programa Emergencial de 
Manutenção do Emprego e da Renda e dispõe sobre medidas complementares para o enfrentamento 
das consequências da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do 
coronavírus (Covid-19) no âmbito das relações de trabalho”.
DIREITO DO TRABALHO 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1045.htm
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Caderno de novidades legislativas98
Trata-se de ato legislativo do presidente da República que instituiu o Novo Programa 
Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda e criou o Benefício Emergencial de 
Manutenção do Emprego e da Renda. 
De acordo com a medida provisória, o Novo Programa Emergencial de Manutenção do 
Emprego e da Renda tem como objetivos (art. 2º) “preservar o emprego, garantir a continuidade 
das atividades laborais e empresariais e reduzir o impacto social decorrente das consequências da 
emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19)”. 
Trata-se, assim, de mais uma tentativa do governo federal de amenizar os efeitos que a pandemia da 
Covid-19 tem causado nas relações trabalhistas.
De acordo com o art. 3º da MP, são medidas do Novo Programa Emergencial de Manutenção 
do Emprego e da Renda:
I ‒ o pagamento do Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e 
da Renda; 
II ‒ a redução proporcional de jornada de trabalho e de salários; e 
III ‒ a suspensão temporária do contrato de trabalho.
Em relação ao Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que será 
custeado com recursos da União, deve-se destacar que ele será devido ao trabalhador que tenha 
sido atingido por uma das seguintes situações: redução proporcional de jornada de trabalho e de 
salário ou suspensão temporária do contrato de trabalho.
O benefício terá como base de cálculo o valor da parcela do seguro-desemprego a que o 
empregado teria direito. Seu valor, por outro lado (art. 6º, incisos I e II):
a) na hipótese de redução de jornada de trabalho e de salário, será calculado com a aplicação 
do percentual da redução sobre a base de cálculo; e
b) na hipótese de suspensão temporária do contrato de trabalho:
I ‒ como regra, terá valor mensal equivalente a cem por cento do valor do seguro-desemprego 
a que o empregado teria direito;
II ‒ porém, caso o empregador tenha auferido, no ano-calendário de 2019, receita bruta superior 
a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais) terá valor mensal equivalente a setenta 
DIREITO DO TRABALHO 
Caderno de novidades legislativas99
DIREITO DO TRABALHO 
por cento do valor do seguro-desemprego. Nesta hipótese, caberá à empresa o pagamento de ajuda 
compensatória mensal no valor de 30% do valor do salário do empregado.
No entanto, quanto à possibilidade de redução proporcional de jornada de trabalho e de salário 
de seus empregados, a sua validade está condicionada à observância de determinados requisitos 
(art. 7º, incisos I e II):
a) preservação do valor do salário-hora de trabalho; e
b) pactuação, por convenção coletiva de trabalho, acordo coletivo de trabalho ou acordo 
individual escrito entre empregador e empregado; 
Com efeito, o acordo individual escrito será válido nas seguintes situações:
a) redução da jornada e do salário no percentual de 25%: para todos os empregados;
b) redução da jornada e do salário nos percentuais de 50% e 70%: somente para empregados 
com salário igual ou inferior a R$ 3.300,00 (três mil e trezentos reais) ou hipersuficientes.
Além disso, admite-se o contrato individual escrito (ainda que ausente convenção coletiva 
ou acordo coletivo de trabalho) quando do acordo não resultar diminuição do valor total recebido 
mensalmente pelo empregado, independentemente do percentual.
Já sobre a suspensão temporária do contrato de trabalho, a MP, em seu art. 12, permite que sua 
implementação seja realizada por meio de acordo individual escrito ou de negociação coletiva aos 
seguintes empregados:
I - com salário igual ou inferior a R$ 3.300,00 (três mil e trezentos reais); ou
II - com diploma de nível superior que percebam salário mensal igual ou superior a duas vezes 
o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social.
Apesar disso, o § 1º do dispositivo legal dispõe que, para os trabalhadores que não se enquadrem 
nas hipóteses acima, a suspensão somente pode ser estabelecida por convenção coletiva ou acordo 
coletivo de trabalho, com exceção daqueles que não sofrerem diminuição do valor total percebido 
mensalmente,casos em que se admite o acordo individual escrito.
Sobre o tema, é importante destacar, ainda, a previsão contida no § 6º do art. 8º da MP nº 
1.045/2021: “A empresa que tiver auferido, no ano-calendário de 2019, receita bruta superior a R$ 
4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais) somente poderá suspender o contrato de 
Caderno de novidades legislativas100
trabalho de seus empregados mediante o pagamento de ajuda compensatória mensal no valor de 
trinta por cento do valor do salário do empregado, durante o período de suspensão temporária do 
contrato de trabalho pactuado, observado o disposto neste artigo e no art. 9º”.
Por fim, oportuno salientar que a norma em comento cria uma nova espécie de garantia 
provisória no emprego ao empregado que receber o Benefício Emergencial de Manutenção do 
Emprego e da Renda. Trata-se do art. 10 da MP nº 1.045/2021. 
De acordo com o dispositivo, como regra, esta garantia tem duração enquanto estiver vigente 
o pacto de redução da jornada de trabalho e do salário ou de suspensão temporária do contrato de 
trabalho e perdura, após o fim das restrições, por período equivalente ao acordado para a redução 
ou suspensão.
Para fins previdenciários, será abordado o aspecto de natureza assistencial da medida.
Não obstante, o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda é medida do 
governo para amenizar os impactos econômicos gerados pela pandemia de Covid-19. O “novo” 
benefício visa substituir o auxílio emergencial pago no ano de 2020.
Quem terá direito ao novo benefício?
O benefício será pago aos indivíduos que tiveram a redução de jornada de trabalho e salário e 
aos trabalhadores com a suspensão temporária do contrato de trabalho.
O benefício será custeado integralmente com recursos da União, e será pago ao trabalhador a 
partir da data do início da redução da jornada de trabalho e do salário ou da suspensão temporária 
do contrato de trabalho. O pagamento do benefício será mensal (art. 5º, § 2º).
Para que o trabalhador receba o benefício, o empregador deve comunicar ao Ministério da 
Economia a redução da jornada de trabalho e do salário ou a suspensão temporária do contrato de 
trabalho (inciso I do § 2º do art. 5º).
Essa comunicação deve ocorrer no prazo de 10 dias, contado da data da celebração do acordo 
entre empregado e empregador. No entanto, se o empregador não comunicar no prazo previsto a 
suspensão ou a redução de jornada de trabalho, ele fica responsável pelo pagamento da remuneração 
no valor anterior à redução da jornada de trabalho e do salário ou à suspensão temporária do contrato 
de trabalho do empregado. Aqui, são cobrados encargos trabalhistas e previdenciários (inciso I do § 
3º do art. 5º).
DIREITO DO TRABALHO 
Caderno de novidades legislativas101
A União tem prazo de 30 dias, contado da data da celebração do acordo para realizar o 
pagamento do benefício (inciso II do § 2º do art. 5º).
Quanto à duração do benefício, ele será pago exclusivamente enquanto durar a redução da 
jornada de trabalho e do salário ou a suspensão temporária do contrato de trabalho. O empregado 
que tiver mais de um vínculo trabalhista tem direito a receber cumulativamente  o benefício 
correspondente a cada vínculo formal de trabalho (§ 3º do art. 6º).
Uma informação interessante: o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da 
Renda será operacionalizado e pago pelo Ministério da Economia (§ 7º do art. 5º).
O valor desse auxílio terá como base de cálculo o valor da parcela do seguro-desemprego a que 
o empregado teria direito. E, para ter direito ao benefício, não pode ser imposto nenhum período de 
carência. Sendo assim, independe de tempo de vínculo empregatício, número de salários recebidos 
e cumprimento de qualquer período aquisitivo (art. 6º, caput, I, II e § 1º).
O benefício não será pago ao indivíduo que ocupou cargo ou emprego público, cargo em 
comissão ou titular de mandato eletivo. Também não poderá receber o benefício o indivíduo que 
estiver em gozo do LOAS, do seguro-desemprego, do benefício de qualificação profissional e o 
contratado na modalidade de trabalho intermitente (§§ 2º e 5º do art. 6º).
A empregada gestante tem direito ao benefício até que tenha ocorrido o evento caracterizador 
do início do benefício de salário-maternidade. Neste momento o benefício será interrompido, e o 
salário-maternidade será pago de acordo com o previsto na Lei nº 8.213/1991, ou seja, a remuneração 
será integral ou como último salário de contribuição (empregada doméstica). Ademais, a segurada 
que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção também faz jus a este direito (art. 13, §§ 1º 
e 2º).
A Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil S.A. ficam responsáveis para operacionalizar o 
pagamento do Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (art. 22).
Por fim,  o empregador e empregado poderão, a qualquer tempo, em comum acordo, optar 
pelo cancelamento de aviso-prévio em curso e optar pela redução da jornada de trabalho ou pela 
suspensão do contrato de trabalho (art. 19).
DIREITO DO TRABALHO 
Caderno de novidades legislativas102
1.3. Questão inédita comentada
João trabalha na empresa X há mais de cinco anos, auferindo remuneração de R$ 2.7000,00 
por mês. Ocorre que a empresa está passando por sérias dificuldades financeiras em razão 
da pandemia do coronavírus. Nesta hipótese, considerando as disposições contidas na MP nº 
1.045/2021, assinale a alternativa INCORRETA:
A) Poderá ser pactuado acordo individual escrito entre empregador e empregado que estabeleça a 
suspensão temporária do contrato de trabalho.
B) Caso fique acordada uma redução de jornada de trabalho e de salário no percentual de 25%, 
o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda será de 25%, calculado sobre o 
valor do seguro-desemprego a que João teria direito.
C) Caso fique acordada a suspensão do contrato de trabalho, João fará juz ao Benefício Emergencial 
de Manutenção do Emprego e da Renda, que é custeado pelo empregador.
D) Poderá ser pactuado acordo individual escrito entre empregador e empregado que estabeleça a 
redução proporcional de jornada de trabalho e de salário.
E) Caso João receba o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, fará jus a 
uma garantia provisória no emprego.
Alternativa correta: letra C. Nos termos do art. 5º, § 1º, da MP nº 1.045/2021, o “Benefício 
Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda será custeado com recursos da União”.
Demais alternativas:
Alternativa A. Errada. Como João aufere renda inferior a R$ 3.300,00, é possível pactuar 
acordo individual escrito com o empregador que estabeleça a suspensão temporária do contrato de 
trabalho, conforme art. 12, inciso I, da MP nº 1.045/2021.
Art. 12. As medidas de que trata o art. 3º serão implementadas por meio de 
acordo individual escrito ou de negociação coletiva aos empregados:
I - com salário igual ou inferior a R$ 3.300,00 (três mil e trezentos reais); ou
Alternativa B. Errada. É o que dispõe o art. 6º, inciso I, da MP nº 1.045/2021.
DIREITO DO TRABALHO 
Caderno de novidades legislativas103
Art. 6º O valor do Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da 
Renda terá como base de cálculo o valor da parcela do seguro-desemprego 
a que o empregado teria direito, nos termos do disposto no art. 5º da Lei nº 
7.998, de 1990, observadas as seguintes disposições:
I - na hipótese de redução de jornada de trabalho e de salário, será calculado 
com a aplicação do percentual da redução sobre a base de cálculo; e
Alternativa D. Errada. Como João aufere renda inferior a R$ 3.300,00, é possível pactuar 
acordo individual escrito com o empregador que estabeleça a redução proporcional de jornada de 
trabalho e de salário, conforme o art. 12, inciso I, da MP nº 1.045/2021.
Art. 12. As medidas de que trata o art. 3º serão implementadas por meio de 
acordo individual escrito ou de negociação coletiva aos empregados:
I - comsalário igual ou inferior a R$ 3.300,00 (três mil e trezentos reais); ou
Alternativa E. Errada. É o que dispõe o art. 10, caput, da MP nº 1.045/2021.
Art. 10. Fica reconhecida a garantia provisória no emprego ao empregado 
que receber o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da 
Renda, de que trata o art. 5º, em decorrência da redução da jornada de 
trabalho e do salário ou da suspensão temporária do contrato de trabalho 
de que trata esta Medida Provisória, nos seguintes termos: (…).
2. MP nº 1.046/2021 – Institui medidas para o enfrentamento dos 
efeitos causados pela pandemia do coronavírus nos contratos de 
trabalho
2.1. Ficha normativa
MP Nº 1.046/2021
Ementa: Dispõe sobre as medidas trabalhistas para enfrentamento da emergência de 
saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19).
Data de publicação: 28.04.2021
Início de vigência: 28.04.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/
Mpv/mpv1046.htm>
DIREITO DO TRABALHO 
Caderno de novidades legislativas104
Destaques:
• A medida provisória traz uma série de medidas que podem ser adotadas pelos 
empregadores para o enfrentamento dos efeitos econômicos decorrentes da emergência 
de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19) e a 
preservação do emprego e da renda.
• Autoriza a alteração do regime de trabalho presencial para teletrabalho, trabalho remoto 
ou outro tipo de trabalho a distância, independentemente da existência de acordos 
individuais ou coletivos.
• Autoriza a antecipação das férias, independentemente de concordância do empregado, 
a concessão de férias coletivas e a antecipação do gozo de feriados.
• Autoriza a constituição de regime especial de compensação de jornada, por meio de 
banco de horas, em favor do empregador ou do empregado, estabelecido por meio de 
acordo individual ou coletivo escrito.
• Autoriza a suspensão de exames médicos ocupacionais para trabalhadores em 
teletrabalho, trabalho remoto ou a distância.
• Determina a suspensão da exigibilidade do recolhimento do FGTS pelos empregadores, 
referente às competências de abril, maio, junho e julho de 2021, com vencimento em 
maio, junho, julho e agosto de 2021, respectivamente.
2.2. Comentário
Em 28 de abril de 2021 foi publicada no DOU a MP nº 1.046/2021, com início imediato de 
vigência.
Referida medida provisória, conforme o art. 1º, “dispõe sobre as medidas trabalhistas que 
poderão ser adotadas pelos empregadores, durante o prazo de cento e vinte dias, contado da data 
de sua publicação, para a preservação do emprego, a sustentabilidade do mercado de trabalho e o 
enfrentamento das consequências da emergência de saúde pública de importância internacional 
decorrente do coronavírus (Covid-19) relacionadas a trabalho e emprego”.
DIREITO DO TRABALHO 
Caderno de novidades legislativas105
Nesses termos, segundo o art. 2º da MP, os empregadores poderão adotar, entre outras, as 
seguintes medidas:
I ‒ o teletrabalho;
II ‒ a antecipação de férias individuais;
III ‒ a concessão de férias coletivas;
IV ‒ o aproveitamento e a antecipação de feriados;
V ‒ o banco de horas;
VI ‒ a suspensão de exigências administrativas em segurança e saúde no 
trabalho; e
VII ‒ o diferimento do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de 
Serviço – FGTS.
Em relação ao teletrabalho, a MP permite que o empregador, a seu critério, altere o regime 
de trabalho presencial para teletrabalho, trabalho remoto ou outro tipo de trabalho a distância, 
independentemente da existência de acordos individuais ou coletivos. Nesta situação, o trabalhador 
será notificado com antecedência mínima de 48 horas sobre a alteração (art. 3º, caput, § 2º).
Além disso, o ato normativo admite a antecipação das férias do empregado, que deverá ser 
notificado com, no mínimo, 48 horas de antecedência, com a indicação do período a ser gozado 
pelo empregado. As férias não poderão ser gozadas em períodos inferiores a cinco dias corridos e 
poderão ser concedidas ainda que não transcorrido o prazo do período aquisitivo (art. 5º, caput, § 1º).
Nesse caso, é importante destacar que o pagamento do período poderá ser efetuado até o 
quinto dia útil do mês subsequente ao início do gozo das férias, não se aplicando, assim, a multa 
prevista no art. 145 da Consolidação das Leis do Trabalho ‒ CLT (art. 9º).
No entanto, o empregador poderá, a seu critério, conceder férias coletivas a todos os 
empregados ou a setores da empresa. Com efeito, os trabalhadores beneficiados deverão ser 
comunicados com, no mínimo, 48 horas de antecedência. Autoriza-se a concessão de férias coletivas 
por prazo superior a 30 dias (art. 11).
Outra medida que pode ser adotada pelo empregador é a antecipação do gozo de feriados. 
Neste caso, os trabalhadores devem ser notificados com antecedência mínima de 48 horas (art. 14).
DIREITO DO TRABALHO 
Caderno de novidades legislativas106
Permite-se, ainda, a constituição de regime especial de compensação de jornada, por meio de 
banco de horas, em favor do empregador ou do empregado. De acordo com a MP, o banco de horas 
pode ser pactuado por meio de negociação coletiva ou acordo individual escrito, para a compensação 
no prazo de até 18 meses, contado da data de encerramento do período de restrição nela previsto. 
A compensação de tempo para recuperação do período interrompido poderá ser realizada inclusive 
aos finais de semana (art. 15, caput, § 1º).
Ressalte-se que, nos termos do art. 15, § 2º, da MP nº 1.046/2021, a “compensação do saldo de 
horas poderá ser determinada pelo empregador independentemente de convenção coletiva ou de 
acordo individual ou coletivo”.
Ademais, determinou-se a suspensão da obrigatoriedade na realização dos exames médicos 
ocupacionais, clínicos e complementares, exceto dos exames demissionais, dos trabalhadores que 
estejam em regime de teletrabalho, trabalho remoto ou trabalho a distância (art. 16).
Saliente-se, no entanto, que a realização de exames ocupacionais e de treinamentos periódicos 
aos trabalhadores da área de saúde e das áreas auxiliares em efetivo exercício em ambiente hospitalar 
continuou obrigatória (§ 1º do art. 16).
Nos termos do art. 20, caput, da MP nº 1.046/2021, também ficou suspensa “a exigibilidade do 
recolhimento do FGTS pelos empregadores, referente às competências de abril, maio, junho e julho 
de 2021, com vencimento em maio, junho, julho e agosto de 2021, respectivamente”. Na realidade, a 
MP autorizou o pagamento de forma parcelada (em até quatro parcelas mensais) de tais depósitos, 
com vencimento a partir de setembro de 2021, sem a incidência da atualização, da multa e dos 
encargos moratórios (art. 21, caput, § 1º).
Por fim, os estabelecimentos de saúde, por meio de acordo individual escrito, inclusive para as 
atividades insalubres e para a jornada de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso, podem (art. 27):
I ‒ prorrogar a jornada de trabalho, nos termos do disposto no art. 61 da 
Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 
1943; e
II ‒ adotar escalas de horas suplementares entre a décima terceira e a 
vigésima quarta hora do intervalo interjornada, sem que haja penalidade 
administrativa, garantido o repouso semanal remunerado nos termos do 
disposto no art. 67 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo 
Decreto-Lei nº 5.452, de 1943.
DIREITO DO TRABALHO
Caderno de novidades legislativas107
2.3. Questão inédita comentada
Em relação às medidas trabalhistas para enfrentamento da emergência de saúde pública de 
importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19) previstas na MP nº 1.046/2021, 
assinale a alternativa incorreta:
A) O empregador poderá, a seu critério, durante o prazo de vigência da MP, determinar a alteração 
do regime de trabalho presencial para teletrabalho, independentemente da existência de acordos 
individuais ou coletivos.
B) Autoriza-se, durante o prazode vigência da MP, a constituição de banco de horas, estabelecido 
por meio de acordo individual ou coletivo escrito. Por outro lado, a compensação do saldo de horas 
poderá ser determinada pelo empregador independentemente de convenção coletiva ou de acordo 
individual ou coletivo.
C) Nos estabelecimentos de saúde, durante o prazo de vigência da MP, fica permitido, para as 
jornadas 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso a adoção de escalas de horas suplementares 
entre a décima terceira e a vigésima quarta hora do intervalo interjornada, sem que isso configure 
penalidade administrativa.
D) Durante o prazo de vigência da MP, fica suspensa a exigibilidade do recolhimento do FGTS pelos 
empregadores, referente às competências de abril, maio, junho e julho de 2021. Nesta situação, 
os depósitos devem ser realizados em até quatro parcelas mensais, com vencimento a partir de 
setembro de 2021.
E) A MP autoriza que o empregador antecipe as férias do empregado. Neste caso, porém, é 
necessário que tenha transcorrido o período aquisitivo relativo às férias antecipadas.
Alternativa correta: letra E. Mesmo que não tenha transcorrido o período aquisitivo, admite-se 
a antecipação, conforme o art. 5º, § 1º, II, da MP nº 1.046/2021.
DIREITO DO TRABALHO
Caderno de novidades legislativas108
Art. 5º O empregador informará ao empregado, durante o prazo previsto no 
art. 1º, sobre a antecipação de suas férias com antecedência de, no mínimo, 
quarenta e oito horas, por escrito ou por meio eletrônico, com a indicação 
do período a ser gozado pelo empregado.
§ 1º As férias antecipadas nos termos do disposto no caput:
II ‒ poderão ser concedidas por ato do empregador, ainda que o período 
aquisitivo a elas relativo não tenha transcorrido.
Demais alternativas:
Alternativa A. É o que dispõe o art. 3º, caput, da MP nº 1.046/2021.
Art. 3º O empregador poderá, a seu critério, durante o prazo previsto no 
art. 1º, alterar o regime de trabalho presencial para teletrabalho, trabalho 
remoto ou outro tipo de trabalho a distância, além de determinar o retorno 
ao regime de trabalho presencial, independentemente da existência de 
acordos individuais ou coletivos, dispensado o registro prévio da alteração 
no contrato individual de trabalho.
Alternativa B. É o que dispõe o art. 15, caput, § 2º, da MP nº 1.046/2021.
Art. 15. Ficam autorizadas, durante o prazo previsto no art. 1º, a interrupção 
das atividades pelo empregador e a constituição de regime especial 
de compensação de jornada, por meio de banco de horas, em favor do 
empregador ou do empregado, estabelecido por meio de acordo individual 
ou coletivo escrito, para a compensação no prazo de até dezoito meses, 
contado da data de encerramento do período de que trata o art. 1º.
Alternativa C. É o que dispõe o art. 27, inciso II, da MP nº 1.046/2021.
Art. 27. Fica permitido aos estabelecimentos de saúde, durante o prazo 
definido no art. 1º, por meio de acordo individual escrito, inclusive para as 
atividades insalubres e para a jornada de doze horas de trabalho por trinta e 
seis horas de descanso:
II - adotar escalas de horas suplementares entre a décima terceira e a 
vigésima quarta hora do intervalo interjornada, sem que haja penalidade 
administrativa, garantido o repouso semanal remunerado nos termos do 
disposto no art. 67 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo 
Decreto-Lei nº 5.452, de 1943.
DIREITO DO TRABALHO 
Caderno de novidades legislativas109
Alternativa D. É o que dispõem os arts. 20, caput, e 21, § 1º, ambos da MP nº 1.046/2021.
Art. 20. Fica suspensa a exigibilidade do recolhimento do FGTS pelos em-
pregadores, referente às competências de abril, maio, junho e julho de 2021, 
com vencimento em maio, junho, julho e agosto de 2021, respectivamente.
Art. 21. O depósito das competências de abril, maio, junho e julho de 2021 
poderá ser realizado de forma parcelada, sem a incidência da atualização, da 
multa e dos encargos previstos no art. 22 da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990.
§ 1º Os depósitos referentes às competências de que trata o caput serão 
realizados em até quatro parcelas mensais, com vencimento a partir de se-
tembro de 2021, na data do recolhimento mensal devido, conforme disposto 
no caput do art. 15 da Lei nº 8.036, de 1990.
DIREITO DO TRABALHO 
Caderno de novidades legislativas110
1. Medida Provisória (MP) nº 1.045/2021 – Institui o Novo Programa 
Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda
1.1.  Ficha normativa
MP Nº 1.045/2021
Ementa: Institui o Novo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda e 
dispõe sobre medidas complementares para o enfrentamento das consequências 
da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do 
coronavírus (Covid-19) no âmbito das relações de trabalho.
Data de publicação: 28.04.2021
Início de vigência: 28.04.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Mpv/mpv1045.htm>
Destaques:
• A medida provisória cria o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da 
Renda, que será pago em duas situações: redução proporcional de jornada de trabalho e 
de salário e suspensão temporária do contrato de trabalho.
• Autoriza a redução proporcional de jornada de trabalho e de salário de empregados 
pelo prazo de até 120 dias, que poderá ser prorrogado por ato do Poder Executivo. A 
pactuação poderá ocorrer por meio de coletiva de trabalho, acordo coletivo de trabalho 
ou acordo individual escrito entre empregador e empregado.
• Autoriza a suspensão temporária do contrato de trabalho pelo prazo de até 120 dias, que 
poderá ser prorrogado por ato do Poder Executivo. A pactuação também poderá ocorrer 
por meio de coletiva de trabalho, acordo coletivo de trabalho ou acordo individual escrito 
entre empregador e empregado.
1.2. Comentário
Em relação ao direito previdenciário, a MP nº 1.045/2021 traz como inovação o “Novo Auxílio 
Emergencial”, destacando seu aspecto assistencial e impondo outros requisitos para a percepção 
deste e novos valores.
Entretanto, para concentrar a abordagem das inovações veiculadas por esse novo ato 
normativo, a sua análise encontra-se em direito do trabalho. 
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1045.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1045.htm
Caderno de novidades legislativas
SUMÁRIO
Maio
2021
Caderno de novidades legislativas112
1. Medida Provisória (MP) nº 1.047/2021 – Medidas excepcionais para a 
aquisição de bens e a contratação de serviços e insumos destinados ao 
enfrentamento da pandemia da Covid-19
1.1. Ficha normativa
MP Nº 1.047/2021
Ementa: Dispõe sobre as medidas excepcionais para a aquisição de bens e a contratação 
de serviços, inclusive de engenharia, e insumos destinados ao enfrentamento da 
pandemia da Covid-19.
Data de publicação: 04.05.2021
Início de vigência: 04.05.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Mpv/mpv1047.htm>
Destaques:
• ‒Autoriza dispensa de licitação para a aquisição de bens e a contratação de serviços, inclusive 
de engenharia, e insumos destinados ao enfrentamento da pandemia da Covid-19.
• Autoriza a utilização do sistema de registro de preços e autoriza a Administração Pública 
federal a aderir ao registro de preços estadual, distrital ou municipal.
• Admite a previsão de cláusula contratual que estabeleça o pagamento antecipado.
• Dispensa estudos preliminares quando se tratar de bens e serviços comuns.
• Admite termo de referência simplificado ou projeto básico simplificado nas aquisições ou 
contratações de que trata a medida provisória. 
• Permite a contratação por valores superiores ao estimado decorrentes de oscilações 
ocasionadas pela variação de preços, desde que observadas as condições legais.
• Dispensa alguns requisitos de habilitação na hipótese de haver restrição de fornecedores 
ou de prestadores de serviço.
• Autoriza a contrataçãode fornecedor sujeito à sanção de impedimento ou de suspensão 
de contratar com o Poder Público quando for o único fornecedor do bem ou prestador do 
serviço, desde que prestada garantia.
• Prevê percentual de 50% para acréscimos ou supressões obrigatórias nos contratos 
decorrentes dos procedimentos previstos na MP.
DIREITO ADMINISTRATIVO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1047.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1047.htm
Caderno de novidades legislativas113
1.2. Comentário
Em 04.05.2021, foi publicada a MP nº 1.047/2021, com início imediato de vigência.
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo prevê “medidas excepcionais para a 
aquisição de bens e a contratação de serviços, inclusive de engenharia, e insumos destinados ao 
enfrentamento da pandemia da Covid-19”.
Trata-se de mais uma inovação legal destinada ao enfrentamento da pandemia da Covid-19 
através da flexibilização dos procedimentos para aquisição de bens e a contratação de serviços, 
inclusive de engenharia, e insumos destinados ao enfrentamento da pandemia da Covid-19, para os 
quais fica autorizada a dispensa de licitação, nos termos do art. 2º da MP. 
A MP replica medidas que constavam das Leis nºs 13.979/2020 e 14.065/2020, que também 
previam medidas excepcionais para a aquisição de bens e a contratação de serviços, inclusive de 
engenharia, e insumos destinados ao enfrentamento da pandemia, mas que perderam vigência no 
final de 2021.
Importante ressaltar que, nos termos do parágrafo único do art. 1º da MP nº 1.047, a aquisição 
de vacinas e insumos e a contratação de bens e de serviços necessários à implementação da 
vacinação contra a Covid-19 são regidas pelo disposto na Lei nº 14.124/2021, não pela medida 
provisória em comento.
Uma das regras de flexibilização para as licitações previstas na MP é a possibilidade de a 
administração pública prever cláusula contratual que estabeleça o pagamento antecipado, desde 
que (art. 7º): 
I – represente condição indispensável para obter o bem ou assegurar a 
prestação do serviço; ou
II – propicie significativa economia de recursos.
Esses pagamentos deverão ser previstos em edital e exigirão a devolução integral do valor 
antecipado, caso haja inexecução, hipótese em que o montante da devolução será atualizado pelo 
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), na forma do art. 7º, § 1º, II, da MP. Além 
disso, o § 3º do mesmo artigo veda o pagamento antecipado na hipótese de prestação de serviços 
com regime de dedicação exclusiva de mão de obra.
Além disso, a MP dispensa a elaboração de estudos preliminares, quando se tratar de bens e 
de serviços comuns (art. 8º, I) e permite a apresentação de termo de referência simplificado ou de 
projeto básico simplificado (art. 8º, III), que conterão as informações previstas no § 1º do art. 8º.
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas114
Importante também a previsão contida no § 3º do art. 8º, referente às oscilações de preços:
§ 3º Os preços obtidos a partir da estimativa de preços de que trata o inciso 
VI do § 1º não impedem a contratação pelo Poder Público por valores 
superiores decorrentes de oscilações ocasionadas pela variação de preços, 
desde que observadas as seguintes condições: 
I – negociação prévia com os demais fornecedores, segundo a ordem de 
classificação, para obtenção de condições mais vantajosas; e
II – fundamentação, nos autos do processo administrativo da contratação 
correspondente, da variação de preços praticados no mercado por motivo 
superveniente.
O art. 9º da MP dispensa, ainda, o cumprimento de um ou mais requisitos de habilitação 
“na hipótese de haver restrição de fornecedores ou de prestadores de serviço”, desde que 
“excepcionalmente e mediante justificativa” da autoridade competente, ressalvados a exigência de 
apresentação de prova de regularidade trabalhista e o cumprimento do disposto no inciso XXXIII do 
caput do art. 7º e do § 3º do art. 195 da Constituição.
O art. 12, por sua vez, autoriza “a contratação de fornecedor exclusivo de bem ou de serviço de 
que trata esta Medida Provisória, inclusive no caso da existência de inidoneidade declarada ou de 
sanção de impedimento ou de suspensão para celebração de contrato com o Poder Público”, desde 
que prestada garantia nas modalidades previstas no art. 56 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, 
que não poderá exceder 10% do valor do contrato, na forma do parágrafo único do mesmo artigo. 
Outra importante diferença prevista para as contratações de que trata a MP é em relação ao 
percentual de acréscimos ou supressões obrigatórias. Nos termos do art. 13 da MP nº 1.047/2021:
Art. 13. Para os contratos celebrados nos termos desta Medida Provisória, a 
administração pública poderá estabelecer cláusula com previsão de que os 
contratados ficam obrigados a aceitar, nas mesmas condições contratuais 
iniciais, acréscimos ou supressões ao objeto contratado, limitados a até 
cinquenta por cento do valor inicial atualizado do contrato.
Por fim, a MP dispõe que:
na hipótese de dispensa de licitação a que se refere o caput, quando se tratar 
de compra ou de contratação por mais de um órgão ou entidade, poderá ser 
utilizado o sistema de registro de preços previsto no inciso II do caput do art. 
15 da Lei nº 8.666, de 1993 (art. 4º).
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas115
Prevendo, ainda, que:
os órgãos e entidades da administração pública federal poderão aderir à ata 
de registro de preços gerenciada por órgão ou entidade estadual, distrital 
ou municipal (...) até o limite, por órgão ou entidade, de cinquenta por cento 
dos quantitativos dos itens do instrumento convocatório e registrados 
na ata de registro de preços para o órgão gerenciador e para os órgãos 
participantes (art. 6º). 
1.3. Questão inédita comentada
Com relação às medidas especiais para a aquisição de bens e a contratação de serviços e 
insumos destinados ao enfrentamento da pandemia da Covid-19 previstas na MP nº 1.047/2021, é 
incorreto afirmar:
A) Na situação excepcional de, comprovadamente, haver um único fornecedor do bem ou prestador 
do serviço, será permitida a sua contratação, independentemente da existência de sanção de 
impedimento ou de suspensão de contratar com o Poder Público.
B) As medidas excepcionais de contratação previstas na MP nº 1.047/2021 são aplicáveis à aquisição 
de vacinas e insumos e à contratação de bens e de serviços necessários à implementação da 
vacinação contra a Covid-19. 
C) Na hipótese de dispensa de licitação, quando se tratar de compra ou de contratação por mais de 
um órgão ou entidade, poderá ser utilizado o sistema de registro de preços. 
D) Não será exigida a elaboração de estudos preliminares, quando se tratar de bens e de 
serviços comuns. 
E) Será admitida a apresentação de termo de referência simplificado ou de projeto básico 
simplificado.
Alternativa correta: letra B. Nos termos do art. 1º, parágrafo único, da MP nº 1.047/2021, “a 
aquisição de vacinas e insumos e a contratação de bens e de serviços necessários à implementação 
da vacinação contra a Covid-19 são regidas pelo disposto na Lei nº 14.124, de 10 de março de 2021”.
Demais alternativas: 
 Alternativa A: Alternativa em consonância com o art. 12 da MPV nº 1.047/2021: “Fica autorizada 
a contratação de fornecedor exclusivo de bem ou de serviço de que trata esta Medida Provisória, 
inclusive no caso da existência de inidoneidade declarada ou de sanção de impedimento ou de 
suspensão para celebração de contrato com o Poder Público.”
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas116
Alternativa C. Alternativa em consonância com o art. 4º da MPV nº 1.047/2021: “Na hipótese 
de dispensa de licitação de que trata o inciso I do caput do art. 2º, quando se tratar de aquisição 
ou de contratação por mais de um órgão ou entidade, poderá ser utilizado o sistema de registro de 
preçosprevisto no inciso II do caput do art. 15 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.”
Alternativa D. Alternativa em consonância com o art. 8º, I, da MPV nº 1.047/2021: “No 
planejamento das aquisições e das contratações de que trata esta Medida Provisória, a administração 
pública deverá observar as seguintes condições: I - fica dispensada a elaboração de estudos 
preliminares, quando se tratar de bens e serviços comuns.”
Alternativa E. Alternativa em consonância com o art. 8º, III, da MPV nº 1.047/2021: “No 
planejamento das aquisições e das contratações de que trata esta Medida Provisória, a administração 
pública deverá observar as seguintes condições: (...) IIII - será admitida a apresentação de termo de 
referência simplificado ou de projeto básico simplificado.”
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas117
1. Lei nº 14.151, de 12 de maio de 2021 – Afastamento da empregada 
gestante das atividades de trabalho presencial em razão da pandemia 
do novo coronavírus
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.151/2021
Ementa: Dispõe sobre o afastamento da empregada gestante das atividades de trabalho 
presencial durante a emergência de saúde pública de importância nacional 
decorrente do novo coronavírus.
Data de publicação: 13.05.2021
Início de vigência: 13.05.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/
L14151.htm>  
Destaques:
• A lei estabelece o afastamento da empregada gestante das atividades de trabalho 
presencial, sem prejuízo de sua remuneração, durante a pandemia do coronavírus.
• Prevê, ainda, que a empregada afastada das atividades presenciais ficará à disposição para 
exercer as atividades em seu domicílio, por meio de teletrabalho, trabalho remoto ou outra 
forma de trabalho a distância.
1.2. Comentário
Em 13 de maio de 2021, foi publicada no DOU a Lei nº 14.151/2021, com início imediato de 
vigência.
A lei, de apenas dois artigos, prevê que:
Art. 1º Durante a emergência de saúde pública de importância nacional 
decorrente do novo coronavírus, a empregada gestante deverá permanecer 
afastada das atividades de trabalho presencial, sem prejuízo de sua 
remuneração.
Parágrafo único. A empregada afastada nos termos do caput deste artigo 
ficará à disposição para exercer as atividades em seu domicílio, por meio de 
teletrabalho, trabalho remoto ou outra forma de trabalho a distância.
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
DIREITO DO TRABALHO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14151.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14151.htm
Caderno de novidades legislativas118
Inicialmente, deve-se salientar que as disposições da lei estão condizentes com as orientações 
do Ministério da Saúde, no sentido de que as gestantes fazem parte do chamado grupo de risco.
Dessa forma, enquanto perdurar o estado de emergência em saúde pública nacional decorrente 
do novo coronavírus, a empregada gestante deverá ser afastada do trabalho presencial. Apesar disso, 
a própria lei, no parágrafo único do art. 1º, prevê que a trabalhadora afastada deverá permanecer à 
disposição do empregador para exercer as atividades em seu domicílio, por meio de teletrabalho, 
trabalho remoto ou outra forma de trabalho a distância.
Destaque-se que a lei assegura que o afastamento ocorrerá sem prejuízo da remuneração 
da empregada. Dentro desse contexto, questiona-se: Caso não seja possível a adoção de qualquer 
das medidas de trabalho a distância, quem será o responsável pelo pagamento da remuneração da 
gestante durante o período de afastamento? A legislação não esclarece esta circunstância.
Diante da celeuma, há quem entenda que a responsabilidade pelo pagamento será do 
Estado, tendo como fundamento o disposto no art. IV, item 8, da Convenção nº 103 da Organização 
Internacional do Trabalho (OIT): “Em hipótese alguma, deve o empregador ser tido como pessoal-
mente responsável pelo custo das prestações devidas às mulheres que ele emprega”.
Por outro lado, existe posição no sentido de que a responsabilidade será do empregador, pois 
não há previsão, neste caso, de benefício previdenciário à gestante (como ocorre, por exemplo, na 
licença-maternidade). Além disso, a lei utiliza a expressão “sem prejuízo de sua remuneração”, o que 
induz ao entendimento de que será do empregador a obrigação pelo pagamento.
Contudo, apesar da divergência de entendimentos, uma conclusão é inafastável: a empregada 
gestante deve ser afastada do trabalho presencial.
1.3. Questão inédita comentada
Nos termos da Lei nº 14.151/2021, que dispõe sobre o afastamento da empregada gestante das 
atividades de trabalho presencial durante a emergência de saúde pública de importância nacional 
decorrente do novo coronavírus, assinale a alternativa correta:
A) A lei expressamente estabelece que a responsabilidade pelo pagamento da remuneração da 
empregada gestante afastada será do Estado.
B) Considerando tratar-se de pessoa integrante do grupo de risco, a empregada gestante afastada 
do trabalho presencial não poderá ficar à disposição do empregador para exercer as atividades 
por meio de trabalho remoto.
DIREITO DO TRABALHO
Caderno de novidades legislativas119
C) O afastamento previsto na legislação em comento é assegurado apenas durante a emergência 
de saúde pública de importância nacional decorrente do novo coronavírus.
D) A lei expressamente estabelece que a responsabilidade pelo pagamento da remuneração da 
empregada gestante afastada será do empregador.
E) A lei faculta à empregada gestante o afastamento das atividades de trabalho presencial.
Alternativa correta: letra C. É o que dispõe a primeira parte do art. 1º, caput, da lei: “Durante a 
emergência de saúde pública de importância nacional decorrente do novo coronavírus, a empregada 
gestante deverá permanecer afastada das atividades de trabalho presencial, sem prejuízo de sua 
remuneração”.
Demais alternativas:
Alternativa A. A lei é silente quanto à responsabilidade pelo pagamento da remuneração da 
empregada gestante afastada.
Alternativa B. De acordo com o parágrafo único do art. 1º da lei, ela ficará à “disposição para 
exercer as atividades em seu domicílio, por meio de teletrabalho, trabalho remoto ou outra forma de 
trabalho a distância”.
Alternativa D. A lei é silente quanto à responsabilidade pelo pagamento da remuneração da 
empregada gestante afastada.
Alternativa E. Trata-se de uma obrigação, conforme art. 1º, caput, da lei: “Durante a emergência 
de saúde pública de importância nacional decorrente do novo coronavírus, a empregada gestante 
deverá permanecer afastada das atividades de trabalho presencial, sem prejuízo de sua remuneração”.
DIREITO DO TRABALHO
Caderno de novidades legislativas120
DIREITO FINANCEIRO
1. Lei Complementar (LC) nº 181/2021 – Alterações legislativas para 
permitir o enfrentamento da pandemia da Covid-19 pelos estados, 
pelo DF e pelos municípios
1.1. Ficha normativa
LC Nº 181/2021
Ementa: Altera a Lei Complementar (LC) nº 172, de 15 de abril de 2020, e a Lei nº 14.029, 
de 28 de julho de 2020, para conceder prazo para que os Estados, o Distrito 
Federal e os Municípios executem atos de transposição e de transferência e atos 
de transposição e de reprogramação, respectivamente; altera a LC nº 156, de 28 
de dezembro de 2016, para conceder prazo adicional para celebração de aditivos 
contratuais e permitir mudança nos critérios de indexação dos contratos de 
refinanciamento de dívidas; altera a LC nº 159, de 19 de maio de 2017, para permitir 
o afastamento de vedações durante o Regime de Recuperação Fiscal, desde que 
previsto no Plano de Recuperação Fiscal; altera a LC nº 178, de 13 de janeiro de 
2021, para conceder prazo adicional para celebração de contratos e disciplinar a 
apuração de valores inadimplidos de Estado com Regime de Recuperação Fiscal 
vigente em 31 de agosto de 2020; e revoga o art. 27 da LC nº 178, de 13 de janeiro 
de 2021.Data de publicação: 07.05.2021
Início de vigência: 07.05.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp181.htm>
Destaque:
• A LC visa dar ajuda financeira aos estados e municípios para o enfrentamento da pandemia 
causada pela Covid-19. 
1.2. Comentário
Em 07.05.2021, a LC nº 181 foi publicada, com início de vigência na data de sua publicação.
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo: 
Altera a Lei Complementar nº 172, de 15 de abril de 2020, e a Lei nº 14.029, 
de 28 de julho de 2020, para conceder prazo para que os Estados, o Distrito 
Federal e os Municípios executem atos de transposição e de transferência 
e atos de transposição e de reprogramação, respectivamente; altera a Lei 
Complementar nº 156, de 28 de dezembro de 2016, para conceder prazo 
adicional para celebração de aditivos contratuais e permitir mudança 
nos critérios de indexação dos contratos de refinanciamento de dívidas; 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp181.htm
Caderno de novidades legislativas121
altera a Lei Complementar nº 159, de 19 de maio de 2017, para permitir o 
afastamento de vedações durante o Regime de Recuperação Fiscal desde 
que previsto no Plano de Recuperação Fiscal; altera a Lei Complementar nº 
178, de 13 de janeiro de 2021, para conceder prazo adicional para celebração 
de contratos e disciplinar a apuração de valores inadimplidos de Estado com 
Regime de Recuperação Fiscal vigente em 31 de agosto de 2020; e revoga 
o art. 27 da Lei Complementar nº 178, de 13 de janeiro de 2021.
Trata-se de ato legislativo que alterou os seguintes diplomas visando dar suporte financeiro 
aos entes federativos para enfrentamento da pandemia causada pela Covid-19. Foram alterados os 
seguintes diplomas:
1. LC nº 172/2020: a LC nº 181/2021 alargou o prazo da transposição e a transferência de saldos 
financeiros dos entes federativos. Na vigência da LC nº 172/2020 foi possível a aplicação 
de transposição e transferência de saldos durante a vigência do estado de calamidade 
pública de que tratou o Decreto Legislativo nº 06/2020. Portanto, aplicados até dia 31 de 
dezembro de 2020. No entanto, para viabilizar a reprogramação dos saldos em 2021, a LC 
nº 172 foi alterada. Agora, esta autorização concedida aos entes federativos para utilizarem, 
em serviços de saúde, saldos financeiros remanescentes de anos anteriores dos fundos 
que tenham origem em repasses do Ministério da Saúde aplicam-se até o final do exercício 
financeiro de 2021. 
Art. 1º O art. 5º da Lei Complementar nº 172, de 15 de abril de 2020, passa a 
vigorar com a seguinte redação:
Art. 5º A transposição e a transferência de saldos financeiros de que trata 
esta Lei Complementar aplicam-se até o final do exercício financeiro de 
2021. (NR)
2. LC nº 156/2016: a LC nº 181/2021 permitiu a concessão de prazo adicional para celebração de 
aditivos contratuais. Ademais, permitiu a mudança de critérios de indexação dos contratos 
de refinanciamento de dívidas.
Art. 3º A Lei Complementar nº 156, de 28 de dezembro de 2016, passa a 
vigorar com as seguintes alterações:
Art. 4º-C Fica a União impedida, até 31 de dezembro de 2021, de aplicar as 
penalidades decorrentes do descumprimento da limitação de despesas do 
§ 1º do art. 4º desta Lei Complementar e de exigir a restituição prevista no § 
2º do referido artigo. (NR)
Art. 12-A. (...)
DIREITO FINANCEIRO
Caderno de novidades legislativas122
§ 8º Aplicam-se aos contratos de que trata a Lei referida no caput deste 
artigo, a partir da data de assinatura do termo aditivo, a redução da taxa de 
juros e a mudança de índice de atualização monetária, quando indexado ao 
Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), para as condições previstas 
nos incisos I e II do caput do art. 2º da Lei Complementar nº 148, de 25 de 
novembro de 2014. (NR)
3. LC nº 159/2017: a LC nº 181/2021 passou a permitir o afastamento de vedações impostas 
pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) durante o Regime de Recuperação Fiscal, com 
uma condição de estar previsto no Plano de Recuperação Fiscal.
Art. 4º O art. 8º da Lei Complementar nº 159, de 19 de maio de 2017, passa a 
vigorar com a seguinte redação:
Art. 8º (...)
§ 2º As vedações previstas neste artigo poderão ser:
(...)
II - afastadas, desde que previsto expressamente no Plano de Recuperação 
Fiscal em vigor (...). (NR)
4. LC nº 178/2021: a LC nº 181/2021 passou a conceder prazo adicional para celebração de 
contratos e disciplinar a apuração de valores inadimplidos de Estado com Regime de 
Recuperação Fiscal vigente em 31.08.2020. Por fim, revogou o art. 27 da referida norma. 
Art. 5º A Lei Complementar nº 178, de 13 de janeiro de 2021, passa a vigorar 
com as seguintes alterações:
Art. 21. (...)
§ 1º (...)
I - incidência dos encargos contratuais de normalidade sobre cada valor 
inadimplido, desde a data de sua exigibilidade até a data de homologação 
do primeiro Regime de Recuperação Fiscal, no caso de obrigações 
decorrentes da redução extraordinária integral das prestações relativas aos 
contratos de dívidas administrados pela Secretaria do Tesouro Nacional do 
Ministério da Economia concedida em razão da primeira adesão ao Regime 
de Recuperação Fiscal;
II - incidência da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de 
Custódia (Selic) para os títulos federais sobre cada valor inadimplido, desde 
a data de sua exigibilidade até a data de homologação do primeiro Regime 
de Recuperação Fiscal, no caso de obrigações inadimplidas referentes a 
operações de crédito com o sistema financeiro e instituições multilaterais 
contratadas em data anterior à homologação do pedido da primeira adesão 
ao Regime de Recuperação Fiscal e cujas contragarantias não tenham sido 
executadas pela União.
DIREITO FINANCEIRO
Caderno de novidades legislativas123
(...)
§ 6º Os valores não pagos em decorrência da retomada progressiva de 
pagamentos prevista na primeira adesão ao Regime de Recuperação Fiscal, 
relativos às dívidas administradas pela Secretaria do Tesouro Nacional do 
Ministério da Economia e às obrigações inadimplidas referentes a operações 
de crédito com o sistema financeiro e instituições multilaterais contratadas 
em data anterior à homologação do pedido da primeira adesão ao Regime 
de Recuperação Fiscal e cujas contragarantias não tenham sido executadas 
pela União, serão capitalizados nas condições do art. 2º da Lei Complementar 
nº 148, de 25 de novembro de 2014, e sua regulamentação, e incorporados 
ao saldo do contrato de que trata o art. 9º-A da Lei Complementar nº 159, de 
19 de maio de 2017. (NR)
Art. 23. É a União autorizada a celebrar com os Estados, até 30 de junho 
de 2022, contratos específicos com as mesmas condições financeiras do 
contrato previsto no art. 9º-A da Lei Complementar nº 159, de 19 de maio 
de 2017, com prazo de 360 (trezentos e sessenta) meses, para refinanciar 
os valores inadimplidos em decorrência de decisões judiciais proferidas em 
ações ajuizadas até 31 de dezembro de 2020 que lhes tenham antecipado 
os seguintes benefícios da referida Lei Complementar: (...). (NR)
Por fim, é importante trazer um conceito básico sobre o que são a transposição e a transferência 
de saldos financeiros. A transposição consiste na alocação de recursos financeiros entre programas 
de trabalho, desde que no âmbito do orçamento de um mesmo órgão. A transposição permite 
mudança entre categorias programáticas de um mesmo órgão orçamentário.
Por outro lado, a transferência corresponde à realocação de recursos financeiros entre 
categorias econômicas, dentro do mesmo órgão e do mesmo programa de trabalho. 
1.3. Questão inédita comentada
Julgue se o item é verdadeiro ou falso:
A transposição de saldo financeiro consiste na realocação de recursos financeiros entre 
categorias econômicas. 
CERTO ( ) ERRADO ( )
 O item é falso. A transposição de saldo financeiro consiste na alocação de recursos financeiros 
entre programas de trabalho, desde que no âmbitodo orçamento de um mesmo órgão.
DIREITO FINANCEIRO
Caderno de novidades legislativas124
1. Lei nº 14.154/2021 – Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN)
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.154/2021
Ementa: Altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente 
— ECA), para aperfeiçoar o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), por 
meio do estabelecimento de rol mínimo de doenças a serem rastreadas pelo teste 
do pezinho; e dá outras providências.
Data de publicação: 27.05.2021
Início de vigência: Após 365 dias da publicação.
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/
lei/L14154.htm>
Destaques:
• Lei que estabelece um rol mínimo de doenças a serem rastreadas pelo teste do pezinho, 
em cinco etapas. 
• Altera o art. 10 do ECA, que prevê as obrigações dos hospitais e demais estabelecimentos 
de atenção à saúde de gestantes, incluindo quatro parágrafos que tratam de forma 
pormenorizada o rol de doenças e outras providências em relação ao teste do pezinho.
• Prevê a revisão periódica do rol de doenças rastreáveis pelo teste do pezinho, com base 
em parâmetros definidos pela própria lei, no § 2º do art. 10 do ECA (Lei nº 8.069/1990).
• Durante os atendimentos de pré-natal e de puerpério imediato, os profissionais de saúde 
devem informar a gestante e os acompanhantes sobre a importância do teste do pezinho 
e sobre as eventuais diferenças existentes entre as modalidades oferecidas no Sistema 
Único de Saúde (SUS) e na rede privada de saúde.
1.2. Comentário
Em 27.05.2021 foi publicada a Lei nº 14.154/2021, com vacatio legis de 365 dias.
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 
1990 (ECA), para aperfeiçoar o PNTN, por meio do estabelecimento de rol mínimo de doenças a 
serem rastreadas pelo teste do pezinho, e dá outras providências.
Trata-se de mais uma inovação legal destinada à proteção do neonato, na medida em que 
alarga o rol de doenças a serem precocemente detectadas por meio de um dos mais importantes 
instrumentos médicos disponíveis aos recém-nascidos, o teste do pezinho. 
DIREITO DA CRIANÇA E DO 
ADOLESCENTE
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14154.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14154.htm
Caderno de novidades legislativas125
Desses pontos, os dois últimos merecem maior atenção. 
As doenças serão detectadas em cinco etapas:
§ 1º Os testes para o rastreamento de doenças no recém-nascido serão 
disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde, no âmbito do Programa 
Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), na forma da regulamentação 
elaborada pelo Ministério da Saúde, com implementação de forma 
escalonada, de acordo com a seguinte ordem de progressão:
I – etapa 1:
a) fenilcetonúria e outras hiperfenilalaninemias;
b) hipotireoidismo congênito;
c) doença falciforme e outras hemoglobinopatias;
d) fibrose cística;
e) hiperplasia adrenal congênita;
f) deficiência de biotinidase;
g) toxoplasmose congênita;
II – etapa 2:
a) galactosemias;
b) aminoacidopatias;
c) distúrbios do ciclo da ureia;
d) distúrbios da betaoxidação dos ácidos graxos;
III – etapa 3: doenças lisossômicas;
IV – etapa 4: imunodeficiências primárias;
V – etapa 5: atrofia muscular espinhal.
Cabe ressaltar, todavia, que esse rol pode ser alargado pelo Poder Público, de acordo com o 
§ 3º do art. 10 do ECA, acrescentado pela referida lei. 
Por sua vez, o § 2º, acrescentado ao art. 10, prevê os parâmetros para a revisão periódica do rol, 
dentre eles: doenças com maior prevalência no país.
§ 2º A delimitação de doenças a serem rastreadas pelo teste do pezinho, no 
âmbito do PNTN, será revisada periodicamente, com base em evidências 
científicas, considerados os benefícios do rastreamento, do diagnóstico e do 
tratamento precoce, priorizando as doenças com maior prevalência no País, 
com protocolo de tratamento aprovado e com tratamento incorporado no 
Sistema Único de Saúde.
DIREITO DA CRIANÇA E DO 
ADOLESCENTE
Caderno de novidades legislativas126
§ 3º O rol de doenças constante do § 1º deste artigo poderá ser expandido 
pelo poder público com base nos critérios estabelecidos no § 2º deste artigo.
Por fim, traz o dever de informação no § 4º:
§ 4º Durante os atendimentos de pré-natal e de puerpério imediato, os 
profissionais de saúde devem informar a gestante e os acompanhantes 
sobre a importância do teste do pezinho e sobre as eventuais diferenças 
existentes entre as modalidades oferecidas no Sistema Único de Saúde e na 
rede privada de saúde. (NR)
1.3. Questão inédita comentada
De acordo com recente alteração no ECA, por meio da Lei nº 14.154/2021, a respeito do teste 
do pezinho, marque a alternativa CORRETA. 
A) A lei alterou o ECA alargando o rol de doenças detectáveis pelo teste do pezinho, com vigência 
a partir da sua publicação.
B) A detecção de doenças por meio do teste do pezinho seguirá em quatro etapas. 
C) Somente durante o estado de puerpério imediato deverão os médicos informarem as gestantes 
a respeito da importância do teste do pezinho.
D) O rol não poderá ser alterado, senão por nova lei ordinária.
E) A expansão do rol de doenças constante no novo rol deverá seguir os parâmetros também 
estabelecidos pela Lei nº 14.154/2021.
Alternativa correta: letra E. Nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 10 do ECA, na nova redação dada 
pela Lei nº 14.154/2021. 
§ 2º A delimitação de doenças a serem rastreadas pelo teste do pezinho, no 
âmbito do PNTN, será revisada periodicamente, com base em evidências 
científicas, considerados os benefícios do rastreamento, do diagnóstico e do 
tratamento precoce, priorizando as doenças com maior prevalência no País, 
com protocolo de tratamento aprovado e com tratamento incorporado no 
Sistema Único de Saúde. 
§ 3º O rol de doenças constante do § 1º deste artigo poderá ser expandido 
pelo poder público com base nos critérios estabelecidos no § 2º deste artigo.
DIREITO DA CRIANÇA E DO 
ADOLESCENTE
Caderno de novidades legislativas127
Demais alternativas:
Alternativa A. Errada. Vacatio legis de 365 dias, conforme art. 2º da Lei nº 14.154/2021. 
Art. 2º Esta Lei entra em vigor após decorridos 365 (trezentos e sessenta e 
cinco) dias de sua publicação oficial.
Alternativa B. Errada. São cinco etapas, segundo o art. 1º, que conferiu nova redação ao art. 10, 
1º, do ECA. 
I – etapa 1: 
a) fenilcetonúria e outras hiperfenilalaninemias; 
b) hipotireoidismo congênito; 
c) doença falciforme e outras hemoglobinopatias; 
d) fibrose cística; 
e) hiperplasia adrenal congênita; 
f) deficiência de biotinidase; 
g) toxoplasmose congênita; 
II – etapa 2: 
a) galactosemias; 
b) aminoacidopatias; 
c) distúrbios do ciclo da ureia; 
d) distúrbios da betaoxidação dos ácidos graxos; 
III – etapa 3: doenças lisossômicas; 
IV – etapa 4: imunodeficiências primárias; 
V – etapa 5: atrofia muscular espinhal.
Alternativa C. Errada. Também durante o pré-natal, conforme art. 1º da Lei nº 14.154/2021, que 
conferiu nova redação ao § 4º do art. 10 do ECA. 
§ 4º Durante os atendimentos de pré-natal e de puerpério imediato, os 
profissionais de saúde devem informar a gestante e os acompanhantes 
sobre a importância do teste do pezinho e sobre as eventuais diferenças 
existentes entre as modalidades oferecidas no Sistema Único de Saúde e na 
rede privada de saúde.
Alternativa D. Errada. Poderá ser expandido pelo Poder Público, portanto, por meio de decreto, 
conforme art. 1º da Lei nº 14.154/2021, que conferiu nova redação ao § 3º do art. 10 do ECA. 
§ 3º O rol de doenças constante do § 1º deste artigo poderá ser expandido 
pelo poder público com base nos critérios estabelecidos no § 2º deste artigo.
DIREITO DA CRIANÇA E DO 
ADOLESCENTE
Caderno de novidades legislativas128
1. Lei nº 14.155/2021 – Gravidade dos crimes de violação de dispositivo 
informático, furto e estelionato cometidos de forma eletrônica ou 
pela internet
1.1. Fichanormativa
LEI Nº 14.155/2021
Ementa: Altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para tornar 
mais graves os crimes de violação de dispositivo informático, furto e estelionato 
cometidos de forma eletrônica ou pela internet; e o Decreto-Lei nº 3.689, de 3 
de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), para definir a competência em 
modalidades de estelionato.
Data de publicação: 28.05.2021
Início de vigência: 28.05.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/
L14155.htm> 
Destaques:
• Promoveu alterações no crime de violação de dispositivo informático (art. 154-A do 
Código Penal — CP) modificando a redação do caput, ampliando a incidência do tipo penal 
e majorando: (a) a pena do crime na sua forma básica (caput do art. 154-A); (b) os limites da 
causa de aumento de pena do § 2º; e (c) a pena da qualificadora do § 3º.
• Promoveu alterações no crime de furto (art. 155, CP) inserindo o § 4º-B, que prevê a 
qualificadora de furto mediante fraude cometido por meio de dispositivo eletrônico ou 
informático e acrescentou o § 4º-C, com duas causas de aumento de pena relacionadas 
com o § 4º-B.
• Promoveu alterações no crime de estelionato (art. 171, CP) onde inseriu o § 2º-A, prevendo 
a qualificadora do estelionato mediante fraude eletrônica, bem como acrescentou o § 2º-
B, fixando uma causa de aumento de pena relacionada com o § 2º-A; e, por fim, modificou 
a redação da causa de aumento de pena do § 4º.
1.2. Comentário
Foi publicada em 28 de maio de 2021 a Lei nº 14.155/2021, que alterou o CP, para tornar mais 
graves os crimes de violação de dispositivo informático, furto e estelionato cometidos de forma 
eletrônica ou pela internet. A lei entrou em vigor na data da sua publicação.
O crime de violação de dispositivo informático (art. 154-A do CP) está no último artigo do 
grupo de crimes relacionados à liberdade individual. Trata-se de um dispositivo acrescentado ao CP 
em 2012 pela Lei nº 12.737 (conhecida como “Lei Carolina Dieckmann”, por conta de a atriz ter sido 
DIREITO PENAL
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14155.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14155.htm
Caderno de novidades legislativas129
vítima de tal conduta poucos meses antes da publicação da lei). O delito foi fruto do desenvolvi-
mento tecnológico e da necessidade de adaptação da legislação penal à evolução da sociedade.
A Lei nº 14.155/2021 promoveu alterações no crime de violação de dispositivo informático (art. 
154-A do CP) modificando a redação do caput, ampliando a incidência do tipo penal e majorando: 
(a) a pena do crime na sua forma básica (caput do art. 154-A); (b) os limites da causa de aumento 
de pena do § 2º; e (c) a pena da qualificadora do § 3º. As alterações podem ser sistematizadas da 
seguinte forma:
ANTES DA LEI Nº 14.155 DEPOIS DA LEI Nº 14.155
Art. 154-A. Invadir dispositivo informático 
alheio, conectado ou não à rede de 
computadores, mediante violação indevida 
de mecanismo de segurança e com o fim 
de obter, adulterar ou destruir dados ou 
informações sem autorização expressa ou 
tácita do titular do dispositivo ou instalar 
vulnerabilidades para obter vantagem ilícita: 
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) 
ano, e multa. 
Art. 154-A. Invadir dispositivo informático 
de uso alheio, conectado ou não à rede de 
computadores, com o fim de obter, adulterar 
ou destruir dados ou informações sem 
autorização expressa ou tácita do usuário do 
dispositivo ou de instalar vulnerabilidades 
para obter vantagem ilícita: 
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, 
e multa.
§ 2º Aumenta-se a pena de um sexto a 
um terço se da invasão resulta prejuízo 
econômico.
§ 2º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) 
a 2/3 (dois terços) se da invasão resulta 
prejuízo econômico.
§ 3º Se da invasão resultar a obtenção de 
conteúdo de comunicações eletrônicas pri-
vadas, segredos comerciais ou industriais, 
informações sigilosas, assim definidas em 
lei, ou o controle remoto não autorizado do 
dispositivo invadido: 
Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) 
anos, e multa, se a conduta não constitui 
crime mais grave.
§ 3º Se da invasão resultar a obtenção de 
conteúdo de comunicações eletrônicas pri-
vadas, segredos comerciais ou industriais, 
informações sigilosas, assim definidas em 
lei, ou o controle remoto não autorizado do 
dispositivo invadido: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, 
e multa.
Esse crime se insere no grupo de crimes cibernéticos. Vale dizer que o Direito Digital ou 
Cibernético é atualmente considerado como um ramo do Direito, em que se é possível cate-
gorizar os crimes a partir da ideia da sua ligação com a tecnologia e com o ciberespaço. Assim, 
os crimes cibernéticos são aqueles praticados no ciberespaço, tendo infinitas possibilidades, 
DIREITO PENAL
Caderno de novidades legislativas130
especialmente em face da importância que o espaço cibernético adquiriu. Veja que hoje é possível 
conversar, fazer vídeos, enviar arquivos, realizar transações bancárias, ofender pessoas etc., através 
da internet, o que faz com que vários crimes possam ser praticados por este meio.
Os crimes cibernéticos podem ser divididos entre próprio ou impróprio quanto ao meio em 
que ocorrem, em que a distinção está no fato de se o crime somente poder ser caracterizado no 
meio cibernético (próprio) ou também poder ser praticado tanto neste contexto como fora dele 
(impróprio). Com base nesta classificação, o art. 154-A do CP é um crime cibernético próprio. 
Ademais, a conduta deve ser animada pela finalidade de obter, adulterar ou destruir os dados ou 
informações inseridas no dispositivo sem a autorização do usuário. Existe também a finalidade 
específica de instalar malwares (programas maliciosos).
Em relação ao sujeito ativo, podemos dizer que é crime comum, pois qualquer pessoa pode 
invadir ou violar dispositivo informático alheio. Já em relação ao sujeito passivo, a vítima pode ser 
qualquer pessoa física ou pessoa jurídica.
Insta dizer que a finalidade específica não precisa ser atingida para que o crime se consume, 
pois o crime é formal, e admite tentativa. Ademais, existe a hipótese de absorção pelo crime-fim, se 
a invasão for crime-meio para a prática de um crime mais grave, como no furto mediante fraude e na 
interceptação clandestina de telemática (quando alguém instala um vírus para fazer o espelhamento 
de conversas de e-mail de terceiro).
A Lei nº 14.155 também promoveu alterações no crime de furto (art. 155, CP) inserindo o 
§ 4º-B, que prevê a qualificadora de furto mediante fraude cometido por meio de dispositivo 
eletrônico ou informático e acrescentou o § 4º-C, com duas causas de aumento de pena rela-
cionadas com o § 4º-B.
Após a Lei nº 14.155/2021, passou a existir um tipo penal específico para tratar sobre furto 
mediante fraude cometido por meio de dispositivo eletrônico ou informático. Trata-se do art. 155, 
§ 4º-B, do CP: 
Art. 155. (...)
§ 4º-B A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se o 
furto mediante fraude é cometido por meio de dispositivo eletrônico ou 
informático, conectado ou não à rede de computadores, com ou sem a 
violação de mecanismo de segurança ou a utilização de programa malicioso, 
ou por qualquer outro meio fraudulento análogo.
DIREITO PENAL
Caderno de novidades legislativas131
E o § 4º-C instituiu causas de aumento de pena, nos seguintes termos:
Art. 155. (...)
§ 4º-C. A pena prevista no § 4º-B deste artigo, considerada a relevância do 
resultado gravoso:
I – aumenta-se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado 
mediante a utilização de servidor mantido fora do território nacional;
II – aumenta-se de 1/3 (um terço) ao dobro, se o crime é praticado contra 
idoso ou vulnerável.
Assim, a pena é aumentada em razão de o fato representar uma ameaça à soberania nacional, 
mediante a utilização de servidor mantidofora do território nacional, ou se o crime é praticado contra 
idoso (art. 1º da Lei nº 10.741/2003) ou vulnerável (art. 217-A, caput e § 1º, do CP).
Por fim, a lei promoveu alterações no crime de estelionato (art. 171, CP) onde inseriu o § 2º-A, 
prevendo a qualificadora do estelionato mediante fraude eletrônica, bem como acrescentou o § 2º-
B, fixando uma causa de aumento de pena relacionada com o § 2º-A; e, por fim, modificou a redação 
da causa de aumento de pena do § 4º.
Os §§ 2º-A e 2º-B foram inseridos no contexto da fraude eletrônica, o § 2º-A, prevê o seguinte:
Art. 171. (...)
§ 2º-A A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se a fraude 
é cometida com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por 
terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos 
ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou por qualquer outro meio 
fraudulento análogo.
O delito consiste na conduta do agente obter vantagem ilícita por meio de informações da 
vítima que ele obteve da própria vítima ou de um terceiro que foram induzidos em erro, sendo a 
atuação do agente realizada por meio eletrônico.
Já o § 2º-B prevê causa de aumento de pena, nesta linha: 
Art. 171. (...) 
§ 2º-B A pena prevista no § 2º-A deste artigo, considerada a relevância 
do resultado gravoso, aumenta-se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), 
se o crime é praticado mediante a utilização de servidor mantido fora do 
território nacional.
DIREITO PENAL
Caderno de novidades legislativas132
Houve também uma mudança na causa de aumento de pena do § 4º do art. 171:
ANTES DA LEI Nº 14.155 DEPOIS DA LEI Nº 14.155
Estelionato contra idoso 
§ 4º Aplica-se a pena em dobro se o crime for 
cometido contra idoso.
Estelionato contra idoso ou vulnerável 
§ 4º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) ao 
dobro, se o crime é cometido contra idoso 
ou vulnerável, considerada a relevância do 
resultado gravoso.
Agora a pena aumenta-se de 1/3 (um terço) ao dobro, se o crime é cometido contra idoso ou 
vulnerável, considerada a relevância do resultado gravoso. Antes, a pena deveria ser sempre dobrada 
se o crime fosse cometido contra idoso.
1.3. Questão inédita comentada
Aquele que invadir dispositivo informático de uso alheio, conectado ou não à rede de 
computadores, com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização 
expressa ou tácita do usuário do dispositivo ou de instalar vulnerabilidades para obter vantagem 
ilícita estará sujeito a pena de:
A) reclusão, de 3 (três) meses a 4 (quatro) anos, e multa.
B) reclusão, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. 
C) reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
D) detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. 
E) detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Alternativa correta: letra C (responde as demais alternativas). Nos termos do art. 154-A do 
CP, a pena para aquele que invadir dispositivo informático de uso alheio, conectado ou não à rede 
de computadores, com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização 
expressa ou tácita do usuário do dispositivo ou de instalar vulnerabilidades para obter vantagem 
ilícita estará sujeito a pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa.
 
DIREITO PENAL
Caderno de novidades legislativas
SUMÁRIO
Junho
2021
Caderno de novidades legislativas134
1. Lei nº 14.171/2021 – O auxílio emergencial da mulher provedora de 
família monoparental
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.171/2021
Ementa: Altera a Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020, para estabelecer medidas de proteção 
à mulher provedora de família monoparental em relação ao recebimento do auxílio 
emergencial de que trata o seu art. 2º, e dá outras providências.
Data de publicação: 11.06.2021
Início de vigência: 11.06.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/
Lei/L14171.htm> 
Destaque: A lei institui auxílio emergencial ao provedor de família monoparental.
1.2. Comentário
Em 11.06.2021, a Lei nº 14.171 foi publicada, com início de vigência na data de sua publicação.
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “Altera a Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020, 
para estabelecer medidas de proteção à mulher provedora de família monoparental em relação ao 
recebimento do auxílio emergencial de que trata o seu art. 2º; e dá outras providências”.
A nova lei prevê o pagamento de duas cotas de auxílio emergencial ao provedor de família 
monoparental, independentemente do gênero. 
O que é família monoparental? 
A família monoparental é aquela em que apenas uma pessoa assume a parentalidade dos filhos. 
Neste sentido, a referida lei, ao não fazer distinção entre os gêneros, proporcionou maior proteção. 
Desta feita, buscou dar a máxima efetividade à proteção das famílias, sendo possível o pagamento 
do auxílio emergencial ao pai de família monoparental e ao homoafetivo. 
O diploma legal busca dar maior priorização à proteção da mulher no sistema de auxílio 
emergencial, o qual objetiva combater a violência e o dano patrimonial que envolverem o recebimento 
desse benefício.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14171.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14171.htm
Caderno de novidades legislativas135
A lei altera a Lei nº 13.982/2020 no seu art. 2º, que estabelece que benefício emergencial será 
de duas cotas no valor de R$ 600,00.
Quando não conviverem os pais no mesmo lar e houver duplicidade na indicação de dependente 
nos cadastros do genitor e da genitora, por meio de autodeclaração na plataforma digital, prevalece 
o cadastro feito pela mulher, ainda que posterior ao efetuado pelo genitor. 
No entanto, se o genitor tiver a guarda unilateral do menor ou for responsável por sua criação, 
poderá contestar o recebimento prioritário pela genitora, sob pena de ser punido pela falsidade na 
prestação de informações sobre a composição do seu núcleo familiar.
Conforme o exposto até aqui, veja as alterações promovidas na Lei nº 13.982/2020: 
Art. 2º (...)
§ 3º  A pessoa provedora de família monoparental receberá 2 (duas) cotas 
do auxílio emergencial, independentemente do sexo, observado o disposto 
nos §§ 3º-A, 3º-B e 3º-C deste artigo.
§ 3º-A   Quando o genitor e a genitora não formarem uma única família e 
houver duplicidade na indicação de dependente nos cadastros do genitor 
e da genitora realizados em autodeclaração na plataforma digital de que 
trata o § 4º deste artigo, será considerado o cadastro de dependente feito 
pela mulher, ainda que posterior àquele efetuado pelo homem.
§ 3º-B No caso de cadastro superveniente feito pela mulher na forma 
prevista no § 3º-A deste artigo, o homem que detiver a guarda unilateral 
dos filhos menores ou que, de fato, for responsável por sua criação poderá 
manifestar discordância por meio da plataforma digital de que trata o § 4º 
deste artigo, devendo ser advertido das penas legais em caso de falsidade 
na prestação de informações sobre a composição do seu núcleo familiar.
§ 3º-C  Na hipótese de manifestação de que trata o § 3º-B deste artigo, o 
trabalhador terá a renda familiar mensal  per capita  de que trata o inciso 
IV do  caput  deste artigo calculada provisoriamente, considerados os 
dependentes cadastrados para aferir o direito a uma cota mensal do auxílio 
emergencial de que trata o caput deste artigo, e receberá essa cota mensal, 
desde que cumpridos os demais requisitos previstos neste artigo, até que a 
situação seja devidamente elucidada pelo órgão competente.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Lei/L13982.htm#art1%C2%A73.0
Caderno de novidades legislativas136
Outra medida protetiva da mulher é a previsão de que a Central de Atendimento à 
Mulher  (Ligue 180) estará equipada com atendimento específico para lidar com denúncias de 
mulheres que tiverem o auxílio emergencial subtraído, retido ou recebido indevidamentepor outra 
pessoa, o que configura violência patrimonial. Segundo a lei: 
Art. 3º    A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, de que trata 
o  Decreto nº 7.393, de 15 de dezembro de 2010, disponibilizará opção de 
atendimento específico para denúncias de violência e de dano patrimonial, 
para os casos em que a mulher tiver o auxílio emergencial de que trata o art. 
2º da Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020, subtraído, retido ou recebido 
indevidamente por outrem.
O pagamento de auxílio emergencial realizado em duplicidade em decorrência de informações 
falsas ou usurpação em prejuízo do real provedor de família monoparental deve ser ressarcido ao 
erário por quem o deu causa. 
Àquele genitor que teve seu benefício emergencial subtraído ou recebido indevidamente pelo 
outro genitor em razão de conflito de informações sobre a guarda de dependentes em comum a lei 
garante o pagamento retroativo das cotas a que teria direito. 
Diante de todo o exposto, o auxílio emergencial monoparental representou específica proteção 
às famílias monoparentais mais vulneráveis. 
1.3. Questão inédita comentada
Julgue o item:
O auxílio emergencial pode ser pago ao genitor e à genitora que seja responsável por família 
monoparental. 
CERTO ( ) ERRADO ( )
O item está certo.
O auxílio emergencial monoparental é medida legislativa que busca dar assistência 
financeira ao protagonista da família monoparental responsável pela guarda dos filhos. Embora 
a Lei nº 14.171/2021 tenha dado maior proteção para a mulher, ela não deixou de reconhecer a 
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7393.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Lei/L13982.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Lei/L13982.htm#art2
Caderno de novidades legislativas137
existência de família monoparental chefiada por homens. Desta forma, uma vez preenchidos os 
requisitos legais para a percepção do benefício, o gênero não afasta o seu recebimento, segundo o 
art. 2º do diploma legal.
Art. 2º O art. 2º da Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020, passa a vigorar com a 
seguinte redação:
“Art. 2º  (...)
§ 3º A pessoa provedora de família monoparental receberá 2 (duas) cotas 
do auxílio emergencial, independentemente do sexo, observado o 
disposto nos §§ 3º-A, 3º-B e 3º-C deste artigo”. (Grifos nossos).
2. Lei nº 14.176/2021 – O auxílio-inclusão e o critério para auferir a 
miserabilidade no amparo assistencial
2.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.176/2021
Ementa: Altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, para estabelecer o critério de renda 
familiar  per capita  para acesso ao benefício de prestação continuada, estipular 
parâmetros adicionais de caracterização da situação de miserabilidade e de 
vulnerabilidade social e dispor sobre o auxílio-inclusão de que trata a Lei nº 13.146, 
de 6 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência); autoriza, em caráter 
excepcional, a realização de avaliação social mediada por videoconferência; e dá 
outras providências.
Data de publicação: 23.06.2021
Início de vigência: 1º.01.2022 – Quanto ao art. 1º, na parte que acrescenta o § 11-A ao art. 
20, e o art. 20-B na Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. 
1º.10.2021 – Quanto ao art. 2º, que institui o auxílio-inclusão. 
23.06.2021 – Quanto aos demais dispositivos. 
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/
Lei/L14176.htm>
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Lei/L13982.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Lei/L13982.htm#art1%C2%A73.0
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm
Caderno de novidades legislativas138
Destaques:
• Manteve, regra geral, o critério de ¼ do salário-mínimo. 
• Permissão para ampliação do limite de renda para ½ salário-mínimo, por meio de 
regulamento, nos casos de pessoas com deficiência, trazendo as balizas para uma avaliação 
mais aprofundada.
• Previsão do chamado auxílio-inclusão previsto no art. 94 do Estatuto da Pessoa com 
Deficiência.
2.2. Comentário
Em 23.06.2021, a Lei nº 14.176 foi publicada, com início de vigência na data de sua publicação. 
Exceto quanto ao art. 1º, que terá vigência em 1º.01.2022, e o art. 2º, o qual passa a ter vigência em 
1º.10.2021. 
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “Altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 
1993, para estabelecer o critério de renda familiar per capita para acesso ao benefício de prestação 
continuada, estipular parâmetros adicionais de caracterização da situação de miserabilidade e de 
vulnerabilidade social e dispor sobre o auxílio-inclusão de que trata a Lei nº 13.146, de 6 de julho 
de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência); autoriza, em caráter excepcional, a realização de 
avaliação social mediada por meio de videoconferência; e dá outras providências”.
O novo diploma legal tem grande relevância para os benefícios de natureza assistencial. Em 
nome da melhor didática, em primeiro momento abordaremos os impactos da legislação no amparo 
assistencial regulamentado pela Lei nº 8.742/1993 (Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS) e, 
posteriormente, a regulamentação dada pela lei ao auxílio-inclusão que trata o Estatuto da Pessoa 
com Deficiência. 
a) Amparo assistencial e a renda per capita familiar
O amparo assistencial é um benefício de natureza assistencial previsto no art. 203, V, da 
Constituição Federal (CF/1988). A Lei nº 8.742/1993 (LOAS), em seus arts. 20 a 21-A, disciplinou 
como seria pago esse benefício. O amparo assistencial é também conhecido como benefício de 
prestação continuada (BPC) ou benefício assistencial. 
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Caderno de novidades legislativas139
O benefício corresponde ao pagamento de um salário-mínimo pago à pessoa com deficiência 
ou ao idoso com 65 anos ou mais. Ademais, o benefício apenas será pago a estes indivíduos desde que 
comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família. 
O BPC tem natureza assistencial, por isto, independe de contribuição à seguridade social. Este 
benefício assistencial visa garantir o mínimo existencial a este grupo em situação de vulnerabilidade. 
A lei impõe critérios para a concessão do amparo assistencial. São eles: ser deficiente; idoso 
com 65 anos ou mais; e não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por 
sua família. Trata-se de critérios objetivos impostos pelo legislador. 
Aqui, a Lei nº 14.176/2021 vem tratar em especial do critério objetivo da miserabilidade para a 
concessão do benefício de prestação continuada. Este critério utiliza dois conceitos fundamentais: 
família e renda familiar per capita. Como o legislador compreende estes conceitos?
A LOAS considera família para os fins da renda familiar o requerente, o cônjuge ou companheiro, 
os pais e, na ausência de um deles, a madrasta ou o padrasto, os irmãos solteiros, os filhos e enteados 
solteiros e os menores tutelados, desde que vivam sob o mesmo teto (art. 20, § 1º, da LOAS).
Art. 20. O benefício de prestação continuada é a garantia de um salário-
-mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 (sessenta e 
cinco) anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria 
manutenção nem de tê-la provida por sua família.                
§ 1º  Para os efeitos do disposto no  caput, a família é composta pelo 
requerente, o cônjuge ou companheiro, os pais e, na ausência de um deles, 
a madrasta ou o padrasto, os irmãos solteiros, os filhos e enteadossolteiros e 
os menores tutelados, desde que vivam sob o mesmo teto. 
A renda familiar per capita corresponde à soma de todos os rendimentos dos membros da 
família que moram na mesma casa que o requerente do benefício. Depois este valor é dividido pelo 
número de familiares. Neste ponto, a Lei nº 14.176/2021, fruto da conversão da Medida Provisória 
(MP) nº 1.023/2020, deu redação ao art. 20, § 3º, da LOAS, considerando a renda familiar per capita 
igual ou inferior à ¼ do salário-mínimo. 
Art. 20. (...)
§ 3º  Observados os demais critérios de elegibilidade definidos nesta Lei, 
terão direito ao benefício financeiro de que trata o  caput  deste artigo a 
pessoa com deficiência ou a pessoa idosa com renda familiar mensal  per 
capita igual ou inferior a 1/4 (um quarto) do salário-mínimo. (Redação dada 
pela Lei nº 14.176, de 2021.)
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art1
Caderno de novidades legislativas140
O § 3º, art. 20 da LOAS foi objeto de constantes alterações legislativas que modificam 
muitas vezes esse critério objetivo de renda per capita familiar para considerar a miserabilidade do 
requerente. 
De modo sistematizado veja a evolução legislativa sobre o critério objetivo de miserabilidade:
Lei nº 12.435/2011 Lei nº 13.981/2020 Lei nº 13.982/2020 Lei nº 14.176/2021
§ 3º Considera-se 
incapaz de prover 
a manutenção da 
pessoa portadora de 
deficiência ou idosa 
a família cuja renda 
mensal per capita 
seja inferior a 1/4 (um 
quarto) do salário- 
-mínimo.
§ 3º Considera-se 
incapaz de prover 
a manutenção 
da pessoa com 
deficiência ou idosa 
a família cuja renda 
mensal per capita 
seja inferior a 1/2 
(meio) salário- 
-mínimo.
§ 3º Considera-se 
incapaz de prover 
a manutenção 
da pessoa com 
deficiência ou idosa 
a família cuja renda 
mensal per capita 
seja:
I – igual ou inferior a 
1/4 (um quarto) do 
salário-mínimo, até 
31 de dezembro de 
2020;
II – (VETADO).
(Conversão da MP 
nº 1.023/2020)
§ 3º Observados 
os demais critérios 
de elegibilidade 
definidos nesta 
Lei, terão direito ao 
benefício financeiro 
de que trata o caput 
deste artigo a pessoa 
com deficiência ou 
a pessoa idosa com 
renda familiar mensal 
per capita igual ou 
inferior a 1/4 (um 
quarto) do salário- 
-mínimo.
Renda mensal per 
capita
Renda mensal per 
capita
Renda mensal per 
capita
Renda mensal per 
capita
Inferior a 
1/4 do salário- 
-mínimo
Inferior a 
1/2 do salário- 
-mínimo
Igual ou inferior
a 1/4 do salário-
-mínimo até 
31.12.2020
Igual ou inferior
a 1/4 (um quarto) do 
salário-mínimo (sem 
termo final)
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Caderno de novidades legislativas141
Importante! A Lei nº 14.176/2021 possibilitou que o Poder Executivo federal, por meio de 
decreto, amplie o limite de renda mensal familiar per capita para até 1/2 salário-mínimo. É o que 
prevê o § 11-A do art. 20 da LOAS. Esta previsão apenas entra em vigor em 1º.01.2022.
Art. 20. (...)
§ 11-A O regulamento de que trata o § 11 deste artigo poderá ampliar o limite 
de renda mensal familiar per capita previsto no § 3º deste artigo para até 1/2 
(meio) salário-mínimo, observado o disposto no art. 20-B desta Lei.
Além da regulamentação pelo decreto presidencial, a Lei nº 14.176/2021 condicionou a eficácia 
do art. 20, § 11-A às regras orçamentárias e de responsabilidade fiscal. Ademais, a norma permitiu 
a utilização de outros elementos probatórios da condição de miserabilidade e da situação de 
vulnerabilidade do grupo familiar a ser regulamentado por meio de decreto presidencial.
Art. 6º (...)
Parágrafo único. A ampliação do limite de renda mensal de 1/4 (um quarto) 
para até 1/2 (meio) salário-mínimo mensal, de que trata o § 11-A do art. 20 
da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, mediante a utilização de outros 
elementos probatórios da condição de miserabilidade e da situação de 
vulnerabilidade do grupo familiar, na forma do art. 20-B da referida Lei, 
fica condicionada a decreto regulamentador do Poder Executivo, em cuja 
edição deverá ser comprovado o atendimento aos requisitos fiscais. (Grifos 
nossos.)
Os aspectos que permitem a ampliação dos critérios de miserabilidade do núcleo familiar do 
requerente do amparado assistencial são balizados segundo elenco exposto pelo legislador no art. 
20-B da LOAS, o qual apenas entra em vigor em 1º.01.2022. Veja os critérios:
Art. 20-B.    Na avaliação de outros elementos probatórios da condição de 
miserabilidade e da situação de vulnerabilidade de que trata o § 11 do art. 
20 desta Lei, serão considerados os seguintes aspectos para ampliação do 
critério de aferição da renda familiar mensal per capita de que trata o § 
11-A do referido artigo:
I – o grau da deficiência;
II – a dependência de terceiros para o desempenho de atividades básicas 
da vida diária; e
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Caderno de novidades legislativas142
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
III – o comprometimento do orçamento do núcleo familiar de que trata 
o § 3º do art. 20 desta Lei exclusivamente com gastos médicos, com 
tratamentos de saúde, com fraldas, com alimentos especiais e com 
medicamentos do idoso ou da pessoa com deficiência não disponibilizados 
gratuitamente pelo SUS, ou com serviços não prestados pelo Suas, desde 
que comprovadamente necessários à preservação da saúde e da vida.
§ 1º A ampliação de que trata o caput deste artigo ocorrerá na forma de 
escalas graduais, definidas em regulamento.
§ 2º Aplicam-se à pessoa com deficiência os elementos constantes dos 
incisos I e III do caput deste artigo, e à pessoa idosa os constantes dos incisos 
II e III do caput deste artigo.
§ 3º O grau da deficiência de que trata o inciso I do caput deste artigo será 
aferido por meio de instrumento de avaliação biopsicossocial, observados 
os termos dos §§ 1º e 2º do art. 2º da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 
(Estatuto da Pessoa com Deficiência), e do § 6º do art. 20 e do art. 40-B 
desta Lei.
§ 4º O valor referente ao comprometimento do orçamento do núcleo 
familiar com gastos de que trata o inciso III do caput deste artigo será 
definido em ato conjunto do Ministério da Cidadania, da Secretaria Especial 
de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia e do INSS, a partir de 
valores médios dos gastos realizados pelas famílias exclusivamente com 
essas finalidades, facultada ao interessado a possibilidade de comprovação, 
conforme critérios definidos em regulamento, de que os gastos efetivos 
ultrapassam os valores médios. (Grifos nossos.)
Outro aspecto de inovação abordado pela Lei nº 14.176/2021 é a possibilidade de revisão do 
benefício assistencial, tenha sido ele concedido na via judicial ou administrativa, segundo inclusão 
do § 5º ao art. 21 da LOAS.
Art. 21. (...)
§ 5º O beneficiário em gozo de benefício de prestação continuada concedido 
judicial ou administrativamente  poderá ser convocado para avaliação das 
condições que ensejaram sua concessão ou manutenção, sendo-lhe exigida 
a presença dos requisitos previstos nesta Lei e no regulamento.
Caderno de novidades legislativas143
O Estatuto da Pessoa com Deficiência assevera que a avaliação da deficiência, quando 
necessária, será biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar e considerará: 
os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo; os fatores socioambientais, psicológicos 
e pessoais; a limitação no desempenho de atividades; e a restrição de participação (art. 2º, § 1º, do 
Estatuto da Pessoa com Deficiência). Ademais, indica, no art. 2º, § 2º, do referido Estatuto, que o 
Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da deficiência.
Não obstante, a Lei nº 14.176/2021 apreende a concepção do Estatuto da Pessoa com Deficiência 
e incluiu o art. 20-B ao LOAS:
Art. 20-B.   Na avaliação de outros elementos probatórios da condição de 
miserabilidade e da situação devulnerabilidade de que trata o § 11 do art. 
20 desta Lei, serão considerados os seguintes aspectos para ampliação do 
critério de aferição da renda familiar mensal per capita de que trata o § 11-A 
do referido artigo: (Vigência) (Vide Lei nº 14.176, de 2021.)
I – o grau da deficiência;
§ 3º  O grau da deficiência de que trata o inciso I do caput deste artigo 
será aferido por meio de instrumento de avaliação biopsicossocial, 
observados os termos dos §§ 1º e 2º do art. 2º da Lei nº 13.146, de 6 de 
julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), e do § 6º do art. 20 
e do art. 40-B desta Lei. (Grifos nossos.)
No entanto, ainda não houve a devida regulamentação da avaliação da deficiência. Por isso, 
o legislador, na Lei nº 14.176/2021, acrescentou o art. 40-B à Lei nº 8.742/1993, abordando a lacuna:
Art.    40-B. Enquanto não estiver regulamentado o instrumento de 
avaliação de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 2º da Lei nº 13.146, de 6 de 
julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), a concessão do 
benefício de prestação continuada à pessoa com deficiência ficará 
sujeita à avaliação do grau da deficiência e do impedimento de que trata 
o § 2º do art. 20 desta Lei, composta por avaliação médica e avaliação 
social realizadas, respectivamente, pela Perícia Médica Federal e pelo 
serviço social do INSS, com a utilização de instrumentos desenvolvidos 
especificamente para esse fim.
A respeito da Covid- 19,o art. 3º da Lei nº 14.176/2021 confere regras excepcionais com relação 
aos anos de 2020 e 2021, diante da necessidade de adaptações nos procedimentos administrativos 
em razão da pandemia. Então, foram adotadas duas regras transitórias sobre a análise de pedidos de 
BPC neste período. 
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8742.htm#art20b
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art6
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art6p
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art2%C2%A71
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art2%C2%A71
Caderno de novidades legislativas144
Art. 3º Para avaliação da deficiência que justifica o acesso, a manutenção 
e a revisão do benefício de prestação continuada de que trata o art. 20 da 
Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, fica o Instituto Nacional do Seguro 
Social (INSS) autorizado a adotar as seguintes medidas excepcionais, até 31 
de dezembro de 2021:
I – realização da avaliação social, de que tratam o § 6º do art. 20 e o art. 40-B 
da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, por meio de videoconferência; e
II – concessão ou manutenção do benefício de prestação continuada 
aplicado padrão médio à avaliação social, que compõe a avaliação da 
deficiência de que trata o § 6º do art. 20 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro 
de 1993, desde que tenha sido realizada a avaliação médica e constatado o 
impedimento de longo prazo.
§ 1º É vedada a utilização da medida prevista no inciso II do caput deste artigo 
para indeferimento de requerimentos ou para cessação de benefícios.
§ 2º Os requisitos para aplicação das medidas previstas no caput deste artigo 
serão definidos em ato conjunto do Ministério da Cidadania, da Secretaria 
Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia e do INSS.
§ 3º O prazo de aplicação das medidas previstas no caput deste artigo 
poderá ser prorrogado mediante ato conjunto do Ministério da Cidadania, 
da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia 
e do INSS.
b) Auxílio-inclusão
A Lei nº 14.176/2021 acrescentou a Seção VI no Capítulo IV da Lei nº 8.742/1993, para incluir 
os arts. 26-A a 26-H na LOAS, que tratam da disciplina de um benefício assistencial previsto no art. 
94 do Estatuto da Pessoa com Deficiência. Este é um benefício pago às pessoas com deficiência, 
chamado de auxílio-inclusão, o qual foi regulamentado pela Lei nº 14.176/2021. 
O auxílio-inclusão só foi implementado agora, pois carecia de regulamentação no Estatuto da 
Pessoa com Deficiência. E apenas tem início de vigência no dia 1º.10.2021. A gestão deste auxílio 
compete ao Ministério da Cidadania e, ao Instituto Nacional da Seguridade Socia (INSS), a sua 
operacionalização e pagamento (art. 26-F da LOAS). As despesas de seu pagamento provêm do 
orçamento do Ministério da Cidadania (art. 26-G da LOAS).
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Caderno de novidades legislativas145
A Lei nº 14.176/2021 vem para permitir que a pessoa com deficiência que receba o benefício 
de prestação continuada possa trabalhar. Desta forma, mitiga a vedação da atividade remunerada 
previsto no art. 20 da LOAS. Apenas os deficientes com deficiência moderada ou grave podem ter 
direito ao auxílio-inclusão (art. 26-A da LOAS). 
A nova lei exige alguns requisitos para a fruição do auxílio-inclusão. Então, guarde os requisitos 
(art. 26-A da LOAS):
Art. 26-A. Terá direito à concessão do auxílio-inclusão de que trata o art. 94 
da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), 
a pessoa com deficiência moderada ou grave que, cumulativamente:
I – receba o benefício de prestação continuada, de que trata o art. 20 desta 
Lei, e passe a exercer atividade:
a) que tenha remuneração limitada a 2 (dois) salários-mínimos; e
b) que enquadre o beneficiário como segurado obrigatório do Regime 
Geral de Previdência Social ou como filiado a regime próprio de previdência 
social da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios;
II – tenha inscrição atualizada no CadÚnico no momento do requerimento 
do auxílio-inclusão;
III – tenha inscrição regular no CPF; e
IV – atenda aos critérios de manutenção do benefício de prestação 
continuada, incluídos os critérios relativos à renda familiar mensal  per 
capita  exigida para o acesso ao benefício, observado o disposto no § 4º 
deste artigo.
§ 1º O auxílio-inclusão poderá ainda ser concedido, nos termos do inciso I 
do  caput  deste artigo, mediante requerimento e sem retroatividade no 
pagamento, ao beneficiário:
I – que tenha recebido o benefício de prestação continuada nos 5 (cinco) 
anos imediatamente anteriores ao exercício da atividade remunerada; e
II – que tenha tido o benefício suspenso nos termos do art. 21-A desta Lei.
§ 2º O valor do auxílio-inclusão percebido por um membro da família 
não será considerado no cálculo da renda familiar mensal per capita  de 
que trata o inciso IV do  caput  deste artigo, para fins de concessão e de 
manutenção de outro auxílio-inclusão no âmbito do mesmo grupo familiar.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8742.htm#art26a
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art94
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art94
Caderno de novidades legislativas146
§ 3º  O valor do auxílio-inclusão e o da remuneração do beneficiário 
do auxílio-inclusão de que trata a alínea “a” do inciso I do  caput  deste 
artigo percebidos por um membro da família não serão considerados no 
cálculo da renda familiar mensal per capita de que tratam os §§ 3º e 11-A 
do art. 20 desta Lei para fins de manutenção de benefício de prestação 
continuada concedido anteriormente a outra pessoa do mesmo grupo 
familiar.
§ 4º Para fins de cálculo da renda familiar per capita de que trata o inciso IV 
do caput deste artigo, serão desconsideradas:
I – as remunerações obtidas pelo requerente em decorrência de exercício 
de atividade laboral, desde que o total recebido no mês seja igual ou inferior 
a 2 (dois) salários-mínimos; e
II – as rendas oriundas dos rendimentos decorrentes de estágio 
supervisionado e de aprendizagem. (Grifos nossos.)
O valor do auxílio-inclusão corresponde a 50% do valor do benefício de prestação continuada 
(art. 26-B da LOAS). Ademais, o auxílio não pode sofrer desconto de qualquer contribuição e não 
gera direito a pagamento de abono anual (art. 26-E da LOAS). 
Ao realizaro requerimento do auxílio-inclusão, o beneficiário que recebe BPC autorizará 
a suspensão deste nos termos do art. 21-A LOAS, conforme prevê o art. 26-B, parágrafo único, da 
LOAS. Por fim, a data de recebimento (DIB) é a data do seu requerimento. 
Atenção! Vedação de cumulação do auxílio-inclusão com (art. 26-C da LOAS): benefício 
de prestação continuada; prestações a título de aposentadoria, de pensões ou de benefícios por 
incapacidade pagos por qualquer regime de previdência social; e seguro-desemprego.
A cessão do pagamento do auxílio-inclusão ocorrerá em duas situações (art. 26-D da LOAS): 
i) deixar de atender aos critérios de manutenção do benefício de prestação continuada; ii) deixar de 
atender aos critérios de concessão do auxílio-inclusão.
Por fim, a novel legislação viabiliza a cobrança administrativa de valores indevidamente 
recebidos pelos beneficiários de benefício de prestação continuada ou auxílio-inclusão. Veja o 
disposto no art. 40-C da LOAS: 
Art. 40-C. Os eventuais débitos do beneficiário decorrentes de recebimento 
irregular do benefício de prestação continuada ou do auxílio-inclusão 
poderão ser consignados no valor mensal desses benefícios, nos termos do 
regulamento. 
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Caderno de novidades legislativas147
2.3. Questão inédita comentada
Considere as inovações promovidas pela Lei nº 14.176/2021 e assinale a alternativa correta. 
A) O auxílio-inclusão será devido a todo deficiente físico.
B) O auxílio-inclusão corresponde a 50% do valor do benefício de prestação continuada.
C) O auxílio-inclusão pode ser recebido de forma conjunta com o seguro-desemprego.
D) O deficiente servidor público não pode receber auxílio-inclusão. 
E) O auxílio-inclusão tem vigência imediata por ser norma de natureza assistencial.
Alternativa correta: letra B. É o disposto no art. 26-B da LOAS.
Art. 26-B. O auxílio-inclusão será devido a partir da data do requerimento, e o seu valor 
corresponderá a 50% (cinquenta por cento) do valor do benefício de prestação continuada em vigor.
Demais alternativas:
Alternativa A. Errada. A Lei nº 14.176/2021 restringe o recebimento do auxílio-inclusão a pessoa 
deficiente com deficiência moderada ou grave, segundo o art. 26-A da LOAS. 
Art. 26-A. Terá direito à concessão do auxílio-inclusão de que trata o art. 94 da Lei nº 13.146, de 6 
de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), a pessoa com deficiência moderada ou grave 
que, cumulativamente: (...)
Alternativa C. Errada. Em desacordo com o disposto no art. 26-C, III, da LOAS.
Art. 26-C. O pagamento do auxílio-inclusão não será acumulado com o pagamento de:
III – seguro-desemprego.
Alternativa D. Errada. Este servidor deficiente pode receber o auxílio-inclusão desde que 
preencha os demais requisitos, conforme o art. 26-A da LOAS. 
Art. 26-A. Terá direito à concessão do auxílio-inclusão de que trata o art. 94 da Lei nº 13.146, de 6 
de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), a pessoa com deficiência moderada ou grave 
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8742.htm#art26a
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art94
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art94
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8742.htm#art26c
Caderno de novidades legislativas148
que, cumulativamente:
I – receba o benefício de prestação continuada, de que trata o art. 20 desta Lei, e passe a exercer 
atividade:
a) que tenha remuneração limitada a 2 (dois) salários-mínimos; e
b) que enquadre o beneficiário como segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência 
Social ou como filiado a regime próprio de previdência social da União, dos Estados, do Distrito 
Federal ou dos Municípios; (Grifos nossos.)
Alternativa E. Errada. As regras da Lei nº 14.176/2021 que tratam sobre o auxílio-inclusão 
somente entram em vigor no dia 1º.10.2021.
Art. 6º (...)
II – em 1º de outubro de 2021, quanto ao art. 2º, que institui o auxílio-inclusão; e (...)
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art2
Caderno de novidades legislativas149
1. Lei nº 14.163, de 9 de junho de 2021 – Altera a Lei nº 13.475, de 28 de 
agosto de 2017, que dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante 
de aeronave
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.163/2021
Ementa: Altera a Lei nº 13.475, de 28 de agosto de 2017, que dispõe sobre o exercício da 
profissão de tripulante de aeronave.
Data de publicação: 10.06.2021
Início de vigência: 10.06.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/
Lei/L14163.htm>
Destaque:
• A lei promove uma alteração em relação ao contrato de trabalho do aeronauta.
1.2. Comentário
Em 10 de junho de 2021, foi publicada no DOU a Lei nº 14.163, com início imediato de vigência.
A lei, de apenas dois artigos, prevê que:
Art. 1º O art. 20 da Lei nº 13.475, de 28 de agosto de 2017, passa a vigorar 
acrescido do seguinte § 3º:
“Art. 20. ...............................................................................……..........
§ 3º O disposto neste artigo não se aplica quando o operador da aeronave 
for órgão ou entidade da administração pública, no exercício de missões 
institucionais ou de poder de polícia.” (NR)
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
DIREITO DO TRABALHO
Caderno de novidades legislativas150
Inicialmente, insta salientar que o art. 20, caput, da Lei nº 13.475/2017 expressamente estabelece 
que “A função remunerada dos tripulantes a bordo de aeronave deverá, obrigatoriamente, ser 
formalizada por meio de contrato de trabalho firmado diretamente com o operador da aeronave”. 
Em outras palavras, como regra, os aeronautas devem ser empregados dos operadores da aeronave.
Apesar disso, de acordo com a exposição de motivos da Lei nº 14.163/2021 (conversão da Medida 
Provisória nº 1.029, de 2021), o referido dispositivo legal não levava em consideração a “peculiaridade 
das operações aéreas realizadas por órgãos e entidades da Administração Pública no exercício de 
suas missões institucionais, a exemplo das operações de proteção ao meio ambiente, destinadas a 
exercer o poder de polícia ambiental e a executar ações da Política Nacional do Meio Ambiente para 
permitir que a administração pública possa operar voos com tripulantes terceirizados, em contraste 
com a norma vigente”.
Dessa forma, foi acrescentado o § 3º ao artigo, estabelecendo que os aeronautas não precisam 
ser empregados do operador da aeronave, quando este for órgão ou entidade da administração 
pública, no exercício de missões institucionais ou de poder de polícia.
Com efeito, é possível afirmar que a alteração legislativa ocorreu para permitir que a 
administração pública, em casos específicos, possa operar voos com tripulantes terceirizados, em 
contraste com o disposto no caput do artigo.
1.3. Questão inédita comentada
De acordo com a lei do aeronauta (Lei nº 13.475/2017), analise e julgue a proposição a seguir:
A função remunerada dos tripulantes a bordo de aeronave deverá, necessariamente, ser 
formalizada por meio de contrato de trabalho firmado diretamente com o operador da aeronave, 
inclusive nos casos em que este for órgão ou entidade da administração pública.
CERTO ( ) ERRADO ( )
A proposição está errada.
Conforme o § 3º do art. 20 da Lei nº 13.475/2017, “quando o operador da aeronave for órgão 
ou entidade da administração pública, no exercício de missões institucionais ou de poder de polícia” 
não é necessário que a função remunerada dos tripulantes a bordo de aeronave seja formalizada por 
meio de contrato de trabalho com o operador da aeronave.
DIREITO DO TRABALHO
Caderno de novidades legislativas151
Julho 
2021
Caderno de novidades legislativas153
1. Medida Provisória (MP) nº 1.059/2021 – Prorroga o período de 
aplicação da Lei nº 14.124/2021 enquanto durar a declaração de 
emergência em saúde públicade importância nacional
1.1. Ficha normativa
MP Nº 1.059/2021
Ementa: Altera a Lei nº 14.124, de 10 de março de 2021, que dispõe sobre as medidas 
excepcionais relativas à aquisição de vacinas e de insumos e à contratação de 
bens e serviços de logística, de tecnologia da informação e comunicação, de 
comunicação social e publicitária e de treinamentos destinados à vacinação contra 
a Covid-19 e sobre o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a 
Covid-19.
Data de publicação: 30.07.2021
Início de vigência: 30.07.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/
Mpv/mpv1059.htm>
Destaque:
• Prorroga o período de aplicação da Lei nº 14.124/2021 enquanto durar a declaração de 
emergência em saúde pública de importância nacional.
1.2. Comentário
No dia 30.07.2021, foi publicada e entrou em vigor a MP nº 1.059/2021, que prorroga o período 
de aplicação da Lei nº 14.124. Conforme ementa da MP, o novel texto legislativo modifica “a Lei nº 
14.124, de 10 de março de 2021, que dispõe sobre as medidas excepcionais relativas à aquisição de 
vacinas e de insumos e à contratação de bens e serviços de logística, de tecnologia da informação e 
comunicação, de comunicação social e publicitária e de treinamentos destinados à vacinação contra 
a Covid-19 e sobre o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19”.
A Lei nº 14.124/2021 entrou em vigor em 10.03.2021, com o objetivo de auxiliar o enfrentamento 
da pandemia. Como medida excepcional, a lei autoriza a dispensa de licitação para aquisição 
de vacinas, insumos para vacinação e para contratação de bens e serviços necessários para 
implementação da vacinação.
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas154
Além da dispensa de licitação, o art. 13, § 3º, da Lei nº 14.124/2021 autoriza a compra, distribuição 
e aplicação de vacinas contra a Covid-19 por estados, Distrito Federal e municípios, caso a União “não 
realize as aquisições e a distribuição tempestiva de doses suficientes para a vacinação dos grupos 
previstos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19.” 
Para que tais medidas possam ser tomadas, a Lei nº 14.124/2021 trouxe uma série de requisitos, 
como a limitação temporal – no sentido de que seus dispositivos somente seriam aplicáveis “aos 
atos praticados e aos contratos ou instrumentos congêneres firmados até 31 de julho de 2021, 
independentemente do seu prazo de execução ou de suas prorrogações” (redação anterior do art. 20).
Tendo em vista que a pandemia não foi controlada até 31.07.2021, a MP nº 1.059/2021 precisou 
ser editada, prorrogando o período de aplicação da Lei nº 14.124/2021, nos termos da nova redação 
do art. 20:
Esta Lei aplica-se aos atos praticados e aos contratos e instrumentos 
congêneres firmados enquanto durar a declaração de emergência em 
saúde pública de importância nacional, independentemente do seu 
prazo de execução ou de suas prorrogações. (Redação dada pela Medida 
Provisória nº 1.059, de 2021.)
Ou seja, a partir da publicação da MP nº 1.059/2021, a Lei nº 14.124/2021 passa a ser aplicável aos 
atos praticados e aos contratos e instrumentos congêneres firmados enquanto durar a declaração de 
emergência em saúde pública de importância nacional, o que independe do prazo de execução ou 
de prorrogação dos contratos firmados nos seus termos.
1.3. Questão inédita comentada
Nos termos da Lei nº 14.124/2021, julgue a seguinte assertiva:
Esta lei aplica-se aos atos praticados e aos contratos ou instrumentos congêneres firmados até 
31.07.2021, independentemente do seu prazo de execução ou de suas prorrogações.
CERTO ( ) ERRADO ( )
O item está errado. 
Há erro na parte final da assertiva, nos termos do art. 20 da Lei nº 14.124/2021 com a redação 
dada pela MP nº 1.059/2021:
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas155
Esta Lei aplica-se aos atos praticados e aos contratos e instrumentos 
congêneres firmados enquanto durar a declaração de emergência em saúde 
pública de importância nacional, independentemente do seu prazo de 
execução ou de suas prorrogações. (Redação dada pela Medida Provisória 
nº 1.059, de 2021.)
Caso referida MP não tivesse alterado o dispositivo, a assertiva estaria correta. 
DIREITO ADMINISTRATIVO
Caderno de novidades legislativas156
1. Lei nº 14.188/2021 – Estabelece medida protetiva de enfrentamento 
da violência doméstica e familiar contra a mulher
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.188/2021
Ementa: Define o programa de cooperação Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica 
como uma das medidas de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra 
a mulher previstas na Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha), 
e no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), em todo 
o território nacional; e altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 
(Código Penal), para modificar a modalidade da pena da lesão corporal simples 
cometida contra a mulher por razões da condição do sexo feminino e para criar o 
tipo penal de violência psicológica contra a mulher.
Data de publicação: 29.07.2021
Início de vigência: 29.07.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Lei/L14188.htm>
Destaques: 
• A lei define o Programa de Cooperação Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica 
como mais uma medida de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a 
mulher, acirrada nos tempos da pandemia da Covid-19, estabelecendo intercâmbio entre 
as instituições públicas e privadas e órgãos de segurança pública integrantes do sistema 
de assistência e segurança à vítima. 
• Além do Programa Sinal Vermelho, a lei em comento alterou a Lei nº 11.340/2006 acerca 
do afastamento do lar imediato do agressor em caso de risco atual ou iminente à vida ou à 
integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar.
• Referido ato normativo ainda recrudesce a pena do crime de lesão corporal, prevista no 
art. 129 do Código Penal, quando praticado contra a mulher por razões do sexo feminino.
• A lei estabelece ainda novo tipo penal, o da violência psicológica contra a mulher, previsto 
no art. 147-B do Código Penal(CP).
1.2. Comentário
Em 28.07.2021, foi editada a Lei nº 14.188 como mais uma medida de enfrentamento da 
violência doméstica e familiar contra a mulher, prevista na Lei nº 11.340/2006. Destacam-se as 
diversas alterações legislativas que a Lei nº 11.340/2006 (“Lei Maria da Penha”) sofreu no período da 
LEGISLAÇÃO PENAL E PROCESSUAL PENAL 
EXTRAVAGANTE
Caderno de novidades legislativas157
pandemia e que podem ser cobradas nos concursos públicos de diversas carreiras jurídicas, dada a 
transversalidade do assunto.
A inovação legislativa reforça a necessidade de cooperação entre o Poder Executivo, Poder 
Judiciário, Defensoria Pública, Ministério Público, órgãos de segurança pública e entidades privadas 
na assistência e defesa da mulher vítima da violência doméstica e familiar, prevista nos arts. 3º, § 1º, 8º, 
I, e 9º da Lei nº 11.340/2006.
Nesse sentido, conclama tais instituições para cooperarem entre si e efetivarem o programa 
Sinal Vermelho por meio de canais de comunicação em todo o país para viabilizar assistência à 
vítima. Para tanto, é definido um código “sinal em formato X”, feito preferencialmente na mão e na 
cor vermelha. Veja as disposições legais relacionadas:
Art. 2º Fica autorizada a integração entre o Poder Executivo, o Poder 
Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública, os órgãos de 
segurança pública e as entidades privadas, para a promoção e a realização 
do programa Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica como medida de 
ajuda à mulher vítima de violência doméstica e familiar, conforme os incisos 
I, V e VII do caput do art. 8º da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006.
Parágrafo único. Os órgãos mencionados no  caput  deste artigo deverão 
estabelecerum canal de comunicação imediata com as entidades privadas 
de todo o País participantes do programa, a fim de viabilizar assistência e 
segurança à vítima, a partir do momento em que houver sido efetuada a 
denúncia por meio do código “sinal em formato de X”, preferencialmente 
feito na mão e na cor vermelha.
Noutro giro, a lei em comento também promoveu alterações no Código Penal relacionadas ao 
tema da violência doméstica e familiar contra a mulher.
Inicialmente, recrudesceu a pena do tipo penal da lesão corporal se praticada em detrimento 
da mulher por razões do sexo feminino, in verbis:
Art. 4º O Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), 
passa a vigorar com as seguintes alterações:
Art. 129. (...)
§ 13 Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do 
sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste Código:
Pena — reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos).
LEGISLAÇÃO PENAL E PROCESSUAL PENAL 
EXTRAVAGANTE
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art129%C2%A713
Caderno de novidades legislativas158
E, finalmente, o legislador estabeleceu o novo tipo penal denominado “violência psicológica 
contra a mulher”, incluído no CP, art. 147-B, a seguir transcrito:
Art. 4º O Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), 
passa a vigorar com as seguintes alterações:
“Violência psicológica contra a mulher
Art. 147-B. Causar dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe 
seu pleno desenvolvimento ou que vise a degradar ou a controlar 
suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, 
constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, 
ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que 
cause prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação:
Pena — reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não 
constitui crime mais grave.”
Por fim, a lei alterou a redação do art. 12-C da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria 
da Penha), para incluir o risco à integridade psicológica como um ato que permite o imediato 
afastamento do agressor do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida:
Redação antes da Lei nº 14.188 Redação após a Lei nº 14.188
Verificada a existência de risco atual ou iminente 
à vida ou à integridade física da mulher em 
situação de violência doméstica e familiar, 
ou de seus dependentes, o agressor será 
imediatamente afastado do lar, domicílio ou 
local de convivência com a ofendida.
Verificada a existência de risco atual ou iminente 
à vida ou à integridade física ou psicológica da 
mulher em situação de violência doméstica e 
familiar, ou de seus dependentes, o agressor 
será imediatamente afastado do lar, domicílio 
ou local de convivência com a ofendida. (Grifos 
nossos.)
Verifica-se, pois, importantes alterações legislativas que podem ser alvo de provas de concursos 
públicos, nas mais diversas carreiras jurídicas, que abordem o tema da violência doméstica e familiar 
contra a mulher.
1.3. Questão inédita comentada
A pandemia do novo Coronavírus estabeleceu profundas alterações legislativas nos mais 
diversos setores da economia e da saúde para o seu enfrentamento, entre elas, a Lei nº 11.340/2006.
LEGISLAÇÃO PENAL E PROCESSUAL PENAL 
EXTRAVAGANTE
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art147b
Caderno de novidades legislativas159
Dessa forma, julgue os itens que se seguem e assinale a alternativa correta:
I – Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica 
da mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes, deve a autoridade 
policial representar à autoridade judicial para que haja o afastamento do lar.
II – Não há previsão penal acerca da violência psicológica à mulher vítima de violência 
doméstica e familiar, estando sua proteção apenas prevista nas medidas protetivas previstas na Lei 
nº 11.340/2006 ou nos crimes contra a honra ou a integridade física da legislação penal.
III – O Programa de Cooperação Sinal Vermelho é exclusivo das instituições públicas, a fim 
de estabelecer um melhor intercâmbio de informações relacionadas às medidas protetivas e 
assistenciais da mulher vítima de violência doméstica e familiar.
IV – O Programa de Cooperação Sinal Vermelho constitui um código em sinal no formato “X”, 
preferencialmente feito na mão e na cor preta.
A) I, II e III
B) I e II
C) Todas as alternativas estão incorretas.
D) II e III
E) I, II e IV
Alternativa correta: letra C (responde as demais alternativas).
I – Incorreto. A Lei nº 14.188/2021 determinou que nos casos de risco atual ou iminente no contexto 
da violência doméstica e familiar contra a mulher, o agressor será imediatamente afastado do lar, não 
dependendo de prévia representação. Tal afastamento prioritariamente deverá se dar pela autoridade 
judicial, e, não sendo possível, poderá se dar pelo delegado de polícia, quando o Município não for sede de 
comarca ou pelo policial, quando o Município não for sede de comarca e não houver delegado disponível 
no momento da denúncia, sendo que estas duas últimas hipóteses deverão ser comunicadas ao juiz em 
até 24 horas, que decidirá sobre a manutenção ou a revogação da medida aplicada pelo delegado ou pelo 
policial. Redação do art. 12-C da Lei nº 11.340/2006, alterado seu caput pela Lei nº 14.188/2021, in verbis:
LEGISLAÇÃO PENAL E PROCESSUAL PENAL 
EXTRAVAGANTE
Caderno de novidades legislativas160
Art. 12-C.   Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou 
à integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência 
doméstica e familiar, ou de seus dependentes, o agressor será imediatamente 
afastado do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida.
II – Incorreto. A Lei nº 14.188/2021 expressamente alterou o Código Penal para prever o tipo da 
violência psicológica contra a mulher como mais uma medida de proteção, nos termos do art. 147-B do CP:
Violência psicológica contra a mulher
Art. 147-B.  Causar dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe 
seu pleno desenvolvimento ou que vise a degradar ou a controlar suas ações, 
comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, 
humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação 
do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à sua saúde 
psicológica e autodeterminação:
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não 
constitui crime mais grave.
III – Incorreto. O Programa Sinal Vermelho, trazido pela Lei nº 14.188/2021, abrange não 
somente instituições públicas como também privadas, nos termos do art. 2º do referido ato normativo:
Art. 2º   Fica autorizada a integração entre o Poder Executivo, o Poder 
Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública, os órgãos de 
segurança pública e as entidades privadas, para a promoção e a realização 
do programa Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica como medida de 
ajuda à mulher vítima de violência doméstica e familiar, conforme os incisos 
I, V e VII do caput do art. 8º da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006.
IV – Incorreto. Nos termos do art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 14.188/2021, o Programa Sinal 
Vermelho é um código em formato de X, na cor vermelha e não na cor preta. Quanto à sua localização, 
sim, preferencialmente na mão. Nesse sentido, o referido dispositivo legal:
Art. 2º (...) 
Parágrafo único. Os órgãos mencionados no  caput  deste artigo deverão 
estabelecer um canal de comunicação imediata com as entidades privadas 
de todo o País participantes do programa, a fim de viabilizar assistência e 
segurança à vítima, a partir do momento em que houver sido efetuada a 
denúncia por meio do código “sinal em formato de X”, preferencialmente 
feito na mão e na corvermelha.
LEGISLAÇÃO PENAL E PROCESSUAL PENAL 
EXTRAVAGANTE
Caderno de novidades legislativas161
1. Lei nº 14.190/2021 – Inclui no Plano Nacional de Operacionalização 
da Vacinação contra a Covid-19 outros grupos como prioritários
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.190/2021
Ementa: Altera a Lei nº 14.124, de 10 de março de 2021, para determinar a inclusão como 
grupo prioritário no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a 
Covid-19 de gestantes, puérperas e lactantes, bem como de crianças e adolescentes 
com deficiência permanente, com comorbidade ou privados de liberdade.
Data de publicação: 30.07.2021
Início de vigência: 30.07.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/
L14190.htm>
Destaques: 
• A lei estabelece grupos prioritários para vacinação contra a pandemia da Covid-19 com 
reflexos indiretos e secundários na legislação de proteção à criança e ao adolescente e no 
Estatuto da Pessoa com Deficiência.
• Referido ato normativo coloca as gestantes, puérperas e lactentes, com ou sem 
comorbidades, no Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19, tendo reflexos 
indiretos no Estatuto da Criança e do Adolescente no que estabelece a defesa do direito 
à vida da mãe e do nascituro, constituindo mais uma lei dentro do arcabouço legislativo 
que foi construído para o enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus e que pode 
ter incidência em provas de concursos públicos em caráter transversal e multidisciplinar.
• A lei estabelece ainda como grupo prioritário na imunização contra o novo Coronavírus 
as crianças e adolescentes com deficiência permanente, comorbidades ou privados de 
liberdade.
1.2. Comentário
Em 30.07.2021, como mais um ato normativo integrante do arcabouço legislativo para o 
enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus, foi publicada a Lei nº 14.190, com vigência na 
data de sua publicação.
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Caderno de novidades legislativas162
De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo altera a Lei nº 14.124, de 10.03.2021, sobre 
a aquisição de vacinas e insumos destinados à vacinação contra a Covid-19 e seu respectivo Plano 
Nacional de Vacinação, para incluir gestantes, puérperas e lactantes com ou sem comorbidades, 
bem como crianças, adolescentes com deficiência permanente, comorbidades ou privados de 
liberdade como grupos prioritários para fins de imunização.
Trata-se de mais uma inovação legal destinada ao enfrentamento da pandemia da Covid-19, 
cuja abordagem em provas pode ser cobrada em temas transversais relacionados aos direitos 
humanos, criança e adolescente, pessoas com deficiência.
Lei curta e objetiva apenas para estabelecer tais pessoas como grupos prioritários, não havendo 
temas a serem aprofundados, bastando mera ciência da referida lei.
1.3. Questão inédita comentada
Em 11.03.2020, a Organização Mundial de Saúde caracterizou a infecção provocada pelo novo 
Coronavírus, SARS-CoV2, como pandemia (Covid-19).
Nesse sentido, vários atos normativos foram editados no Brasil com o intuito de enfrentar os 
reflexos da pandemia nos mais diversos setores da economia e da saúde. A partir do ano de 2021, o 
Brasil iniciou o Plano Nacional de Imunização, estabelecendo diversos grupos prioritários para que a 
vacinação pudesse controlar a disseminação do vírus.
Dessa forma, sobre o Plano de Imunização é correto afirmar que as gestantes, lactantes, 
independentemente da existência de comorbidades, bem como crianças e adolescentes privados 
de liberdade, foram incluídos como pessoas de interesse prioritário na imunização da pandemia 
da Covid-19.
CERTO ( ) ERRADO ( )
O item está certo.
A Lei nº 14.190/2021 expressamente estabeleceu tais pessoas como grupos prioritários para a 
imunização contra a pandemia da Covid-19 em seu art. 1º, o qual acrescenta os §§ 4º e 5º do art. 13 da 
Lei nº 14.124/2021.
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Caderno de novidades legislativas163
Art. 1º O art. 13 da Lei nº 14.124, de 10 de março de 2021, passa a vigorar 
acrescido dos seguintes §§ 4º e 5º:
“Art. 13. (...)
§ 4º As gestantes, as puérperas e as lactantes, com ou sem comorbidade, 
independentemente da idade dos lactentes, serão incluídas como grupo 
prioritário no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a 
Covid-19, nos termos do regulamento.
§ 5º As crianças e os adolescentes com deficiência permanente, com 
comorbidade ou privados de liberdade serão incluídos como grupo 
prioritário no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra 
a Covid-19, nos termos do regulamento, conforme se obtenha registro ou 
autorização de uso emergencial de vacinas no Brasil para pessoas com 
menos de 18 (dezoito) anos de idade.” (NR)
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Caderno de novidades legislativas164
1. Lei nº 14.181/2021 – Lei do Superendividamento
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.181/2021
Ementa: Altera a Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), 
e a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso), para aperfeiçoar a 
disciplina do crédito ao consumidor e dispor sobre a prevenção e o tratamento do 
superendividamento.
Data de publicação: 02.07.2021
Início de vigência: 02.07.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/
lei/L14181.htm>
Destaques: 
• Insere na Política Nacional das Relações de Consumo princípios para educação e prevenção 
ao superendividamento do consumidor, bem como institui mecanismos extrajudiciais e 
judiciais para buscar uma solução para essas situações.
• Institui novos direitos básicos para proteger o consumidor do superendividamento, 
modificando o art. 6º da Lei Federal nº 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor - 
CDC).
• Obriga os fornecedores a prestar informações adicionais prévias, de forma clara e resumida, 
quando da contratação de operação de crédito ou de venda a prazo.
• Estabelece que a desobediência às exigências dos arts. 52 a 54-C do CDC poderá ensejar 
a redução dos juros, dos encargos ou de qualquer acréscimo ao principal e a dilação do 
prazo de pagamento previsto no contrato para que o consumidor pague a dívida, conforme 
a gravidade da conduta do fornecedor e as possibilidades financeiras do consumidor.
• Determina que são conexos, coligados ou interdependentes o contrato de fornecimento 
de produtos ou serviços e o contrato acessório de crédito para a aquisição daqueles, 
determinando que o exercício do direito de arrependimento ou a inexecução do fornecedor 
de qualquer dos contratos implica a resolução do outro.
• Estabelece a possibilidade de o consumidor contestar compra realizada pelo cartão de 
crédito, à qual, durante o período da resolução da contestação, fica vedado ao fornecedor 
cobrar o valor contestado, podendo, inclusive, ser realizado crédito de confiança na fatura, 
em favor do consumidor.
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas165
• Institui o procedimento de conciliação no superendividamento pelo qual o consumidor 
poderá requerer ao juiz o início do processo de repactuação de dívidas, apresentando 
proposta de pagamento com prazo máximo de cinco anos. No processo, a ausência 
injustificada do fornecedor na audiência de conciliação acarreta a suspensão da 
exigibilidade do débito, a interrupção dos encargos da mora e a sujeição compulsória ao 
plano de pagamento apresentado pelo consumidor. 
• Institui o processo por superendividamento para revisão e integração dos contratos e 
repactuação de dívidas, espécie de “recuperação judicial” do consumidor, no qual o juiz 
fixa plano judicial compulsório para pagamento das dívidas do consumidor, sendo os 
credores chamados para participar do processo.
1.2. Comentário
Em função de relevantes discussões sobre o problema do superendividamento no Brasil 
e fundando-se na necessidade de se garantir o mínimo existencial e a dignidade humana, foi 
promulgada a Lei nº 14.181/2021, que “alteraa Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código 
de Defesa do Consumidor), e a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso), para 
aperfeiçoar a disciplina do crédito ao consumidor e dispor sobre a prevenção e o tratamento do 
superendividamento”. 
A denominada “Lei do Superendividamento” modifica substancialmente o Código de Defesa 
do Consumidor (CDC) ao adicionar novos princípios à Política Nacional das Relações de Consumo, 
ao impor novos direitos básicos do consumidor e ao estabelecer diversos critérios específicos a 
serem seguidos pelos fornecedores, no que tange às operações de crédito, bem como ao criar um 
novo tratamento processual compulsório para a repactuação de dívidas do consumidor. 
Nesse sentido, a lei adiciona os incisos IX e X ao art. 4º do CDC, colocando como princípios 
da Política Nacional das Relações de Consumo o “fomento de ações direcionadas à educação 
financeira e ambiental dos consumidores” e a “prevenção e tratamento do superendividamento 
como forma de evitar a exclusão social do consumidor”. Por sua vez, adiciona ao art. 5º do 
Código dois novos instrumentos para efetivação da Política Nacional das Relações de Consumo, 
quais sejam: a “instituição de mecanismos de prevenção e tratamento extrajudicial e judicial do 
superendividamento e de proteção do consumidor pessoa natural” e a “instituição de núcleos de 
conciliação e mediação de conflitos oriundos de superendividamento”.
No que se relaciona aos conhecidos direitos básicos do consumidor, há, agora, especificamente 
os seguintes direitos adicionados ao art. 6º do CDC:
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas166
Art. 6º (...)
XI — a garantia de práticas de crédito responsável, de educação financeira 
e de prevenção e tratamento de situações de superendividamento, 
preservado o mínimo existencial, nos termos da regulamentação, por meio 
da revisão e da repactuação da dívida, entre outras medidas;
XII — a preservação do mínimo existencial, nos termos da regulamentação, 
na repactuação de dívidas e na concessão de crédito;
XIII — a informação acerca dos preços dos produtos por unidade de medida, 
tal como por quilo, por litro, por metro ou por outra unidade, conforme o 
caso.
Como se verifica, os incisos adicionados são direitos básicos eminentemente protetivos que 
visam à educação financeira do consumidor com vista a evitar as situações de superendividamento 
e a garantir o mínimo existencial para que o consumidor não tenha seu orçamento mensal 
inteiramente comprometido por dívidas contratadas, ficando impossibilitado de adquirir o básico 
para sua subsistência.
Outrossim, cabe destacar o conceito de superendividamento positivado pela lei, por meio do 
novo art. 54-A, § 1º, do CDC: “entende-se por superendividamento a impossibilidade manifesta de 
o consumidor pessoa natural, de boa-fé, pagar a totalidade de suas dívidas de consumo, exigíveis 
e vincendas, sem comprometer seu mínimo existencial, nos termos da regulamentação”. Nessa 
esteira, é possível identificar alguns requisitos para o enquadramento do consumidor na condição 
de “superendividado” para que possa ter acesso aos benefícios trazidos pela legislação. 
Portanto, apenas se enquadram no tratamento específico da lei o consumidor pessoa natural 
e que agiu com boa-fé na realização dos negócios jurídicos que, por infortúnio, o fizeram ficar em 
situação de impossibilidade de pagar as suas dívidas de consumo. O § 3º do referido art. 54-A exclui 
expressamente do tratamento especial conferido pela lei os consumidores cujas dívidas tenham 
sido contratadas mediante fraude, má-fé ou oriundas de contratos celebrados, desde o início, 
sem a verdadeira intenção de adimplemento ou que decorram da aquisição ou contratação de 
produtos e serviços de luxo de alto valor.
Visando à educação do consumidor e trazendo uma responsabilidade específica aos 
fornecedores para que colaborem com os novos princípios da Política Nacional das Relações de 
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas167
Consumo, a lei estabeleceu, no art. 54-B do CDC, obrigações específicas, as quais os fornecedores 
devem seguir quando fornecerem crédito ou realizarem venda a prazo aos consumidores. Dentre 
essas obrigações, destaca-se o dever de informar o consumidor, prévia e adequadamente, no 
momento da oferta, sobre:
I — o custo efetivo total e a descrição dos elementos que compõem a 
operação de crédito;
II — a taxa efetiva mensal de juros, bem como a taxa dos juros de mora e o total 
de encargos, de qualquer natureza, previstos para o atraso no pagamento;
III — o montante das prestações e o prazo de validade da oferta, que deve 
ser, no mínimo, de 2 (dois) dias;
IV — o nome e o endereço, inclusive o eletrônico, do fornecedor;
V — o direito do consumidor à liquidação antecipada e não onerosa do 
débito, nos termos do § 2º do art. 52 do CDC e da regulamentação em vigor.
Essas disposições visam a dar ao consumidor clareza da operação de crédito que está sendo 
realizada para que tenha ciência do custo total que envolve a contratação com a concessão do 
crédito e sem a concessão do crédito, possibilitando um melhor cálculo do consumidor e, em 
especial, daqueles mais vulneráveis, acerca do que está sendo contratado.
Ressalta-se que o art. 54-C da lei estabelece a vedação de algumas práticas comuns 
que têm o potencial de prejudicar o consumidor, como: a realização de oferta de crédito e 
financiamento indicando que ela pode ser realizada sem consulta aos cadastros de proteção 
ao crédito, o que facilita que um consumidor já endividado contrate nova dívida, dando ases 
ao superendividamento; o assédio ou pressão a consumidores idosos, analfabetos, doentes 
ou em estado de vulnerabilidade agravada para que contratem produto, serviço ou crédito; 
e o condicionamento de atender demandas do consumidor, como a própria renegociação de 
dívidas, por exemplo, à desistência de demandas judiciais e/ou ao pagamento de honorários 
advocatícios e a realização de depósito judicial.
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas168
Caso os fornecedores não cumpram as obrigações estabelecidas entre os arts. 52 e 54-C 
do CDC, ficarão sujeitos a uma decisão judicial que poderá determinar a redução compulsória 
de juros, dos encargos e de eventuais outros acréscimos ao valor principal, bem como a dilação 
do prazo o qual o consumidor teria para pagar o débito. Esses ônus estão positivados pelo art. 
54-D do CDC, o qual também estabelece, em seu inciso I, a obrigação de o fornecedor informar 
detalhadamente o consumidor sobre a modalidade de crédito que foi oferecida, bem como sobre 
todos os custos e as consequências em caso de inadimplemento.
Interessante disposição da lei que já é bastante tratada na doutrina diz respeito aos contratos 
coligados. Desse modo, a lei considerou que são conexos, coligados ou interdependentes o contrato 
principal de fornecimento de produtos ou serviços e o contrato de concessão de crédito para a 
aquisição dos respectivos produtos ou serviços. Nesse contexto, o novo art. 54-F do CDC determina 
que serão considerados conexos/coligados/interdependentes o contrato principal e o de crédito 
quando o fornecedor de crédito:
Art. 54-F. São conexos, coligados ou interdependentes, entre outros, o 
contrato principal de fornecimento de produto ou serviço e os contratos 
acessórios de crédito que lhe garantam o financiamento quando o 
fornecedor de crédito:
I — recorrer aos serviços do fornecedor de produto ou serviço para a 
preparação ou a conclusão do contrato de crédito;
II — oferecer o crédito no local da atividade empresarial do fornecedor de 
produto ou serviço financiado ou onde o contrato principal for celebrado.
Dessa forma, por exemplo, quando uma instituição financeira atua em parceria com o 
fornecedor de produtos ou serviços, dentro de uma loja online ou física, para possibilitar a aquisição 
dos produtos ou serviços vendidos naloja, por meio de financiamento dirigido ao consumidor, 
o contrato de crédito será considerado coligado ao contrato principal. 
Isso implica que, por exemplo, caso o consumidor deseje exercer o direito de arrependimento 
sobre qualquer um dos dois contratos, o outro será diretamente afetado por essa decisão, sendo 
ambos os contratos resolvidos de pleno direito. Ademais, na hipótese de inexecução das obrigações 
do fornecedor de produto ou serviço, o consumidor poderá requerer a rescisão do contrato também 
contra o fornecedor de crédito. Assim, o inadimplemento da obrigação de entregar um bem, por 
exemplo, confere o direito de o consumidor rescindir tanto o contrato principal, da compra do bem, 
quanto o contrato de crédito, do financiamento concedido para a aquisição do bem (art. 54-F e seus 
§§ 1º e 2º, do CDC).
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas169
Destaca-se, ainda, uma conduta que já era administrativamente realizada por várias operadoras 
de cartão de crédito, mas que, agora, está positivada no CDC em benefício do consumidor. O novo 
art. 54-G, I, do CDC, determina que quando o consumidor contestar uma compra realizada por 
meio do cartão de crédito, o fornecedor do produto ou serviço fica proibido de realizar ou proceder 
à cobrança do valor em sua fatura enquanto não for solucionada a controvérsia. 
Para isso, o consumidor deve notificar a administradora do cartão de crédito com, ao menos, 
10 dias de antecedência da data do vencimento da fatura. Ainda, caso o consumidor só reconheça 
parcialmente o valor cobrado, deverá ser permitido que ele realize o pagamento parcial do valor 
indicado na fatura. Ademais, é facultado ao emissor do cartão lançar um “crédito de confiança” na 
fatura do consumidor de valor idêntico ao da transação contestada enquanto não for encerrada a 
apuração administrativa da contestação realizada.
Por fim, destaca-se o estabelecimento de um procedimento judicial específico para tratar dos 
litígios que envolvam o superendividamento. 
Nesse contexto, o art. 104-A do CDC traz o direito de o consumidor requerer ao juízo a 
instauração de um processo de repactuação de dívidas. Em uma primeira abordagem, esse 
processo pode estabelecer a realização de uma audiência de conciliação inicial com a presença de 
todos os credores de dívidas do consumidor. Para essa conciliação, o consumidor deve apresentar 
um plano inicial para pagamento de suas dívidas com prazo máximo de cinco anos, preservando 
um valor mínimo para sua subsistência, considerando seus rendimentos. Importante notar que o 
pedido realizado pelo consumidor não importa na declaração de insolvência civil e somente pode 
ser realizado novamente após o prazo de dois anos contados da liquidação das obrigações previstas 
no plano de pagamento homologado.
Além disso, nos termos do art. 104-C do CDC, não só o juízo, mas também todos os órgãos 
públicos integrantes do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor poderão realizar a fase 
conciliatória e preventiva do processo de repactuação de dívidas. Poderá ocorrer dentro desses 
órgãos, como, por exemplo, nos PROCONs, audiência global de conciliação com todos os 
credores. Ressalta-se que quando for firmado o acordo perante esses órgãos deverá ser indicada 
a data na qual o consumidor terá seu nome excluído dos órgãos de proteção ao crédito e que isso 
estará condicionado ao consumidor se abster de praticar condutas que agravem a sua situação de 
superendividamento, em especial, a de contrair novas dívidas.
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas170
Nesse processo de repactuação de dívidas, cabe destacar que não podem ser inclusas dívidas 
oriundas de contratos de crédito com garantia real, de financiamento de imóveis e de crédito 
rural. Também ficam excluídos do processo contratos nos quais se demonstre que o consumidor os 
pactuou, desde o início, sem o objetivo de adimpli-los. 
Na impossibilidade de conciliação, o art. 104-B do CDC cria o “processo por superendividamento 
para revisão e integração dos contratos e repactuação de dívidas”. Trata-se quase de uma 
“recuperação judicial” do consumidor. Por meio desse processo, o juízo estabelece um plano judicial 
compulsório para o pagamento das dívidas do consumidor. Os credores do consumidor ficam 
obrigados a aceitar o plano, mas lhes é garantido o recebimento de, ao menos, o valor principal 
devido, atualizado monetariamente por índices oficiais. O plano judicial compulsório não pode 
estabelecer prazo maior que cinco anos para o pagamento das dívidas e a primeira parcela deve ser 
paga no prazo máximo de 180 dias, contado da data da homologação do plano.
1.3. Questão inédita comentada
Durante vários anos, Geraldo trabalhava em uma boa empresa, que lhe pagava um salário 
razoável. Nesse contexto, durante a sua vida, contraiu alguns financiamentos e obteve empréstimos 
junto a cinco diferentes instituições financeiras. O primeiro financiamento é o de sua casa, o segundo, 
de seu carro, ambos em alienação fiduciária em garantia. Os outros três empréstimos foram obtidos 
na modalidade CDC (Crédito Direto ao Consumidor) para pagar diversas despesas do cotidiano, 
como a escola de seus filhos, despesas de saúde, entre outras. Ao longo de vários anos, Geraldo 
pagou adequadamente as prestações de seus financiamentos e empréstimos. Contudo, devido a 
uma forte crise ocorrida, que afetou as atividades da empresa em que trabalhava, Geraldo foi demitido 
e apenas conseguiu um outro emprego que lhe pagava um salário muito inferior ao anterior. Diante 
dessa situação, Geraldo ficou sem poder arcar regularmente com os financiamentos e empréstimos 
obtidos sem que isso prejudicasse suas despesas domésticas básicas.
Considerando a situação de Geraldo, assinale a alternativa INCORRETA:
A) Geraldo pode ser considerado superendividado nos termos da lei, por ser consumidor, pessoa 
natural, de boa-fé, que está com impossibilidade manifesta de pagar as suas dívidas de consumo.
B) Caso na contratação de quaisquer dos empréstimos e financiamentos obtidos por Geraldo o 
fornecedor do crédito não o tiver informado e esclarecido adequadamente sobre a natureza e a 
modalidade do crédito oferecido e os custos incidentes, ele poderá obter a redução judicial dos 
juros, encargos e de outros acréscimos, bem como dilação do prazo para pagar a dívida.
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas171
C) Por meio do processo por superendividamento para revisão e integração dos contratos e 
repactuação de dívidas, Geraldo poderá obter Plano Judicial para o pagamento de todos os seus 
financiamentos, cuja aceitação é compulsória para os credores. 
D) O Plano Judicial instituído pelo processo por superendividamento para revisão e integração 
dos contratos e repactuação de dívidas é compulsório para os credores e poderá prever medidas 
de dilação de prazo para pagamento e de redução dos encargos da dívida ou da remuneração do 
fornecedor.
E) Caso Geraldo realize o pedido de instauração de processo de repactuação de dívidas e seja 
homologado o plano de pagamento, apenas poderá realizar novo pedido após decorridos dois anos, 
contados da data da liquidação das obrigações previstas no plano.
Alternativa incorreta: letra C. Em que pese as dívidas dos empréstimos na modalidade 
“Crédito Direto ao Consumidor” de Geraldo poderem fazer parte do plano para repactuação de 
dívidas, o art. 104-A, § 1º, do CDC, exclui expressamente do processo as dívidas com garantia real 
e de financiamentos imobiliários, as quais Geraldo possui relativas ao seu carro (garantia real) e à sua 
casa (financiamento imobiliário).
Art. 104-A. (...) 
§ 1º Excluem-se do processo de repactuação as dívidas, ainda que 
decorrentes de relações de consumo, oriundas de contratos celebrados 
dolosamente sem o propósito de realizar pagamento, bem como as dívidas 
provenientes de contratos de crédito com garantia real, de financiamentos 
imobiliáriose de crédito rural.
Demais alternativas:
Alternativa A. Correta. Nos termos do art. 54-A do CDC: “entende-se por superendividamento 
a impossibilidade manifesta de o consumidor pessoa natural, de boa-fé, pagar a totalidade de suas 
dívidas de consumo, exigíveis e vincendas, sem comprometer seu mínimo existencial, nos termos da 
regulamentação.”
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas172
Alternativa B. Correta. O parágrafo único do art. 54-D do CDC determina que o 
descumprimento de qualquer dos deveres impostos nos arts. 52 e 54-C do CDC poderá acarretar 
judicialmente a redução dos juros, dos encargos ou de qualquer acréscimo ao principal e a dilação 
do prazo de pagamento previsto no contrato original. Dentre os deveres a serem cumpridos pelo 
fornecedor, destaca-se o previsto no art. 54-D, I, de “informar e esclarecer adequadamente o 
consumidor, considerada sua idade, sobre a natureza e a modalidade do crédito oferecido, sobre 
todos os custos incidentes, observado o disposto nos arts. 52 e 54-B deste Código, e sobre as 
consequências genéricas e específicas do inadimplemento”.
Art. 54-D. Na oferta de crédito, previamente à contratação, o fornecedor ou 
o intermediário deverá, entre outras condutas:
I - informar e esclarecer adequadamente o consumidor, considerada sua 
idade, sobre a natureza e a modalidade do crédito oferecido, sobre todos os 
custos incidentes, observado o disposto nos arts. 52 e 54-B deste Código, e 
sobre as consequências genéricas e específicas do inadimplemento;
(...)
Parágrafo único. O descumprimento de qualquer dos deveres previstos 
no caput deste artigo e nos arts. 52 e 54-C deste Código poderá acarretar 
judicialmente a redução dos juros, dos encargos ou de qualquer acréscimo 
ao principal e a dilação do prazo de pagamento previsto no contrato original, 
conforme a gravidade da conduta do fornecedor e as possibilidades 
financeiras do consumidor, sem prejuízo de outras sanções e de indenização 
por perdas e danos, patrimoniais e morais, ao consumidor.
Alternativa D. Correta. Da leitura conjunta dos arts. 104-A e 104-B do CDC, verifica-se que 
o plano judicial para pagamento dos débitos é compulsório para o credor e pode prever “medidas 
de dilação dos prazos de pagamento e de redução dos encargos da dívida ou da remuneração do 
fornecedor, entre outras destinadas a facilitar o pagamento da dívida” (art. 104-A, § 4º, I). Ademais, 
destaca-se que no plano judicial compulsório deve ser assegurado aos credores, no mínimo, 
o valor do principal devido corrigido monetariamente por índices oficiais e o prazo máximo para 
liquidação do débito em até cinco anos, contados da data da homologação (art. 104-B, § 4º).
Alternativa E. Correta. O § 5º do art. 104-A, do CDC, estabelece que “o pedido do consumidor 
a que se refere o caput deste artigo não importará em declaração de insolvência civil e poderá ser 
repetido somente após decorrido o prazo de 2 (dois) anos, contado da liquidação das obrigações 
previstas no plano de pagamento homologado, sem prejuízo de eventual repactuação”.
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas173
2. Lei nº 14.186/2021 - Altera a Lei nº 14.046/2020, para dispor sobre 
medidas emergenciais para atenuar os efeitos da crise decorrente da 
pandemia da Covid-19 nos setores de turismo e de cultura
2.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.186/2021
Ementa: Altera a Lei nº 14.046, de 24 de agosto de 2020, para dispor sobre medidas 
emergenciais para atenuar os efeitos da crise decorrente da pandemia da Covid-19 
nos setores de turismo e de cultura.
Data de publicação: 16.07.2021
Início de vigência: 16.07.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/
Lei/L14186.htm>
Destaques: 
• Fica prorrogado para o dia 31.12.2022 o prazo para que o consumidor utilize o crédito 
disponibilizado pelo prestador de serviços em caso de adiamento ou cancelamento de 
reservas e de eventos, incluídos shows e espetáculos, que estavam marcados para ocorrer 
entre os dias 01.01.2020 e 31.12.2021.
• A restituição dos valores aos consumidores, por parte das sociedades empresárias ou 
prestadores de serviço deverá ser efetuada até o dia 31 de dezembro de 2022 apenas na 
hipótese em que não seja possível oferecer a remarcação dos serviços ou disponibilizado 
crédito. 
• Os artistas, palestrantes e outros profissionais, incluindo-se aqueles contratados para 
shows, rodeios e espetáculos de música e arte e outros eventos que ocorreriam entre 
01.01.2020 e 31.12.2021 não terão obrigação de reembolsar imediatamente os valores dos 
serviços ou cachês, desde que o evento seja remarcado até o dia 31.12.2022.
• Ficam anuladas as multas impostas em decorrência de cancelamento dos contratos 
de palestrantes, artistas e outros profissionais, que tratam o art. 4º da lei, desde que o 
cancelamento tenha ocorrido em razão da pandemia de Covid-19.
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas174
2.2. Comentário
Em função de ter emergido a pandemia de Covid-19, que acometeu todo o mundo, com 
relevante impacto nos setores de turismo e cultura, foi promulgada e publicada, no dia 26.03.2021, 
a Lei nº 14.046/2020. 
A referida lei dispõe sobre medidas afetas ao direito do consumidor e ao direito civil para atenuar 
as repercussões econômicas da pandemia nos setores de turismo e cultura. Assim, em decorrência 
do amplo cancelamento ou adiamento de viagens e eventos, os prestadores de serviços, como hotéis, 
empresas aéreas, casas de shows e até mesmo alguns profissionais autônomos, como palestrantes, 
cantores e artistas, se viram em uma situação de, eventualmente, ter de devolver imediatamente a 
todos os consumidores e contratantes valores já recebidos, antecipadamente, pelos serviços que 
seriam prestados. Caso isso fosse levado a cabo, provavelmente, haveria grande quebra generalizada 
de muitos dos prestadores de serviços, uma vez que não havia qualquer previsibilidade para a 
ocorrência de um fato tão peculiar no planeta como a Covid-19 e suas consequências.
Nesse contexto, o ponto principal da lei foi estabelecer que, quando cancelados os contratos, 
não era obrigatória, por parte dos prestadores de serviços, a devolução em dinheiro aos consumidores 
e outros contratantes dos valores eventualmente já recebidos. Para isso, os prestadores de serviço 
deveriam disponibilizar aos consumidores um crédito a ser utilizado até as datas estabelecidas na lei 
ou a remarcação para data posterior das reservas e dos eventos adiados.
A Lei Federal nº 14.046/2020 foi resultado da conversão da Medida Provisória nº 948/2020, 
publicada no dia 08.04.2020. Com o passar do tempo e a manutenção da pandemia, foram 
necessárias algumas atualizações na lei para que os prazos inicialmente estabelecidos pudessem 
ser prorrogados e a lei mantivesse sua eficácia, de acordo com a verdadeira situação que permeia 
a sociedade. Desse modo, foi publicada no dia 18.03.2021 a Medida Provisória nº 1.036/2021, que, 
por conseguinte, foi convertida na Lei nº 14.186/2021, publicada no dia 16.07.2021. Conforme a 
ementa desta lei, ela “altera a Lei nº 14.046, de 24 de agosto de 2020, para dispor sobre medidas 
emergenciais para atenuar os efeitos da crise decorrente da pandemia da covid-19 nos setores de 
turismo e de cultura.”
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas175
A primeira mudança que a Lei nº 14.186/2021 trouxe para a Lei nº 14.046/2021 foi prorrogar 
para o dia 31.12.2022 o prazo para que o consumidor utilize o crédito disponibilizado pelo prestador 
de serviços em caso de adiamento ou cancelamento de reservas e de eventos, incluídos shows e 
espetáculos, que estavam marcados para ocorrer entre os dias 01.01.2020 e 31.12.2021. A redação 
inicial da lei, ao fazer referência ao Decreto Legislativo nº 06/2020, estabelecia que o prazo era até 
o dia 31.12.2020. 
Agora, por exemplo, caso o consumidor tenha tido uma viagem ou evento cancelado ou adiado 
emdecorrência da pandemia, poderá utilizar o seu crédito para marcar uma nova viagem ou participar 
de um evento até o dia 31.12.2022. A prorrogação da data aplica-se, inclusive, para casos em que 
o evento ou viagem já havia sido remarcado em razão da pandemia, mas, pela sua manutenção no 
tempo, teve de ser novamente adiado. Ademais, o referido prazo passa também a ser o limite para 
que o prestador de serviço reembolse o consumidor em dinheiro quando o prestador não consiga 
oferecer a remarcação ou o crédito para ser posteriormente utilizado.
Vejamos a nova redação dos parágrafos e incisos alterados pela lei, grifados:
Art. 2º Na hipótese de adiamento ou de cancelamento de serviços, de 
reservas e de eventos, incluídos shows e espetáculos, de 1º de janeiro de 
2020 a 31 de dezembro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19, 
o prestador de serviços ou a sociedade empresária não serão obrigados a 
reembolsar os valores pagos pelo consumidor, desde que assegurem:
I — a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados; ou
II — a disponibilização de crédito para uso ou abatimento na compra de 
outros serviços, reservas e eventos disponíveis nas respectivas empresas.
§ 1º  As operações de que trata o  caput  deste artigo ocorrerão sem custo 
adicional, taxa ou multa ao consumidor, em qualquer data a partir de 1º de 
janeiro de 2020, e estender-se-ão pelo prazo de 120 (cento e vinte) dias, 
contado da comunicação do adiamento ou do cancelamento dos serviços, 
ou 30 (trinta) dias antes da realização do evento, o que ocorrer antes.
§ 2º Se o consumidor não fizer a solicitação a que se refere o § 1º deste artigo 
no prazo assinalado de 120 (cento e vinte) dias, por motivo de falecimento, 
de internação ou de força maior, o prazo será restituído em proveito da 
parte, do herdeiro ou do sucessor, a contar da data de ocorrência do fato 
impeditivo da solicitação.
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas176
§ 3º O fornecedor fica desobrigado de qualquer forma de ressarcimento 
se o consumidor não fizer a solicitação no prazo estipulado no § 1º ou não 
estiver enquadrado em uma das hipóteses previstas no § 2º deste artigo.
§ 4º O crédito a que se refere o inciso II do caput deste artigo poderá ser 
utilizado pelo consumidor até 31 de dezembro de 2022.
§ 5º Na hipótese prevista no inciso I do  caput  deste artigo, serão 
respeitados:
I — os valores e as condições dos serviços originalmente contratados; e
II — a data-limite de 31 de dezembro de 2022 para ocorrer a remarcação 
dos serviços, das reservas e dos eventos adiados. 
§ 6º O prestador de serviço ou a sociedade empresária deverão restituir 
o valor recebido ao consumidor até 31 de dezembro de 2022, somente 
na hipótese de ficarem impossibilitados de oferecer a remarcação dos 
serviços ou a disponibilização de crédito referidas nos incisos I e II 
do caput deste artigo. 
§ 7º Os valores referentes aos serviços de agenciamento e de intermediação 
já prestados, tais como taxa de conveniência e/ou de entrega, serão 
deduzidos do crédito a ser disponibilizado ao consumidor, nos termos do 
inciso II do caput deste artigo, ou do valor a que se refere o § 6º deste artigo.
§ 8º As regras para adiamento da prestação do serviço, para disponibilização 
de crédito ou, na impossibilidade de oferecimento da remarcação dos 
serviços ou da disponibilização de crédito referidas nos incisos I e II 
do  caput  deste artigo, para reembolso aos consumidores, aplicar-se-ão 
ao prestador de serviço ou à sociedade empresária que tiverem recursos a 
serem devolvidos por produtores culturais ou por artistas.
§ 9º O disposto neste artigo aplica-se aos casos em que o serviço, a reserva 
ou o evento adiado tiver que ser novamente adiado, em razão de não terem 
cessado os efeitos da pandemia da covid-19 referida no art. 1º desta Lei 
na data da remarcação originária, e aplica-se aos novos eventos lançados 
no decorrer do período sob os efeitos da pandemia da covid-19 que não 
puderem ser realizados pelo mesmo motivo. 
§ 10 Na hipótese de o consumidor ter adquirido o crédito de que trata 
o inciso II do  caput  deste artigo até a data de publicação da  Medida 
Provisória nº 1.036, de 17 de março de 2021, o referido crédito poderá ser 
usufruído até 31 de dezembro de 2022. (Grifos nossos.)
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas177
Um ponto importante da lei diz respeito aos palestrantes, profissionais e artistas que já haviam 
sido contratados e pagos para realização e apresentação em eventos cancelados ou adiados também 
em razão da pandemia. Nesses casos, ficou prorrogado para o dia 31.12.2022 o prazo para que 
os eventos sejam remarcados e realizados ou que esses profissionais reembolsem os contratantes se 
o evento não for remarcado até a referida data.
Uma outra alteração relevante relaciona-se com o cancelamento das multas atinentes aos 
contratos de prestação de serviços desses profissionais, palestrantes e artistas. O § 2º do art. 4º 
da Lei nº 14.046/2020, também foi alterado para indicar que serão anuladas as multas impostas 
pelo cancelamento desses contratos até o dia 31.12.2021. Desse modo, mesmo que prevista multa 
contratual para o cancelamento do contrato de prestação de serviços, essa multa não poderá ser 
aplicada caso o contrato tenha sido cancelado em razão dos efeitos da Covid-19.
Vejamos, portanto, em negrito, as novas alterações realizadas no art. 4º da lei:
Art. 4º Os artistas, os palestrantes ou outros profissionais detentores do 
conteúdo contratados de 1º de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2021 
que forem impactados por adiamentos ou por cancelamentos de eventos em 
decorrência da pandemia da covid-19, incluídos shows, rodeios, espetáculos 
musicais e de artes cênicas, e os profissionais contratados para a realização 
desses eventos não terão obrigação de reembolsar imediatamente os valores 
dos serviços ou cachês, desde que o evento seja remarcado, respeitada a 
data-limite de 31 de dezembro de 2022 para a sua realização. 
§ 1º Na hipótese de os artistas, os palestrantes ou outros profissionais 
detentores do conteúdo e os demais profissionais contratados para a 
realização dos eventos de que trata o caput deste artigo não prestarem 
os serviços contratados no prazo previsto, o valor recebido será 
restituído, atualizado monetariamente pelo Índice Nacional de Preços 
ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E), até 31 de dezembro de 2022, 
observadas as seguintes disposições:      
I — o valor deve ser imediatamente restituído, na ausência de nova data 
pactuada de comum acordo entre as partes; e
II — a correção monetária prevista neste parágrafo deve ser aplicada de 
imediato nos casos delimitados no inciso I deste parágrafo em que não for 
feita a restituição imediata.
§ 2º Serão anuladas as multas por cancelamentos dos contratos de que 
trata este artigo, que tenham sido emitidas até 31 de dezembro de 2021, 
na hipótese de os cancelamentos decorrerem das medidas de isolamento 
social adotadas para o combate à pandemia da covid-19. (Grifos nossos.)
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas178
2.3. Questão inédita comentada
Helena e sua família possuíam uma viagem de férias para a Europa, marcada com bastante 
antecedência, para o dia 30.08.2020. Todavia, no início do ano de 2020, a pandemia de Covid-19 
acometeu diversos países, fazendo com que ficasse inviável a realização de passeios turísticos. 
Assim, no dia 20.02.2020, Helena foi comunicada sobre o cancelamento de suas reservas. Diante da 
situação, Helena entrou em contato e pediu para a Passeios Turísticos Ltda. o reembolso imediato do 
valor de R$ 15.000,00 que havia desembolsado com a compra das passagens e hospedagem.
Considerando a situação, assinale a alternativa CORRETA.
A) Em razão da impossibilidade da prestação de serviços e das disposições do Código de Defesa 
do Consumidor (CDC), a Passeios Turísticos Ltda. deverá reembolsar Helena integralmente e 
imediatamente ovalor total pago.
B) A Passeios Turísticos Ltda. poderá se recusar a realizar o reembolso imediato do valor pago por 
Helena, desde que lhe ofereça um crédito no mesmo valor que poderá ser utilizado por ela até o dia 
31.12.2022.
C) Helena poderá requerer que a Passeios Turísticos Ltda. lhe conceda um crédito a ser utilizado até 
o dia 31.12.2022, desde que faça o pedido até o dia 20.07.2020.
D) Caso a Passeios Turísticos Ltda. não possa disponibilizar a Helena o crédito no mesmo valor pago 
ou a possibilidade de remarcar a viagem, terá até o dia 31.12.2023 para realizar a restituição do valor 
integral pago por Helena. 
E) Se Helena tivesse optado por remarcar a viagem para o dia 30 de agosto de 2021 e a viagem tivesse 
de ser novamente adiada, em razão da pandemia, a Passeios Turísticos Ltda. ficaria desobrigada de 
realizar o reembolso ou disponibiliza crédito para Helena. 
Alternativa correta: letra B. Nos termos do art. 2º da Lei nº 14.046/2020:
Na hipótese de adiamento ou de cancelamento de serviços, de reservas 
e de eventos, incluídos shows e espetáculos, de 1º de janeiro de 2020 
a 31 de dezembro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19, o 
prestador de serviços ou a sociedade empresária não serão obrigados 
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas179
a reembolsar os valores pagos pelo consumidor, desde que assegurem: 
I - a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados; ou II - a 
disponibilização de crédito para uso ou abatimento na compra de outros 
serviços, reservas e eventos disponíveis nas respectivas empresas. 
Portanto, uma vez que a viagem de Helena ocorreria no dia 30.08.2020, a Passeios Turísticos 
Ltda. não estava obrigada a reembolsar Helena em dinheiro e imediatamente, desde que lhe 
concedesse o crédito, no mesmo valor pago, que poderia ser utilizado até o dia 31.12.2022, conforme 
prevê o § 4º do mesmo dispositivo: “§ 4º O crédito a que se refere o inciso II do caput deste artigo 
poderá ser utilizado pelo consumidor até 31.12.2022”.
Demais alternativas:
Alternativa A. Incorreta. Nos termos do art. 2º da Lei nº 14.046/2020: 
Na hipótese de adiamento ou de cancelamento de serviços, de reservas 
e de eventos, incluídos shows e espetáculos, de 1º de janeiro de 2020 
a 31 de dezembro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19, o 
prestador de serviços ou a sociedade empresária não serão obrigados 
a reembolsar os valores pagos pelo consumidor, desde que assegurem: 
I - a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados; ou II - a 
disponibilização de crédito para uso ou abatimento na compra de outros 
serviços, reservas e eventos disponíveis nas respectivas empresas. 
Portanto, desde que a Passeios Turísticos Ltda. disponibilizasse a Helena crédito a ser utilizado 
ou a remarcação da viagem a ser efetuada até o dia 31.12.2022, não fica a fornecedora de serviços 
obrigada a restituir a Helena o valor pago.
Alternativa C. Incorreta. Nos termos do art. 2º da Lei nº 14.046/2020, de fato, Helena poderia 
requerer que a Passeios Turísticos Ltda. lhe concedesse um crédito a ser posteriormente utilizado, até o 
dia 31 de dezembro de 2022. Todavia, os §§ 1º e 3º do art. 2º da lei assim dispõem, respectivamente, que: 
As operações de que trata o  caput  deste artigo ocorrerão sem custo 
adicional, taxa ou multa ao consumidor, em qualquer data a partir de 1º de 
janeiro de 2020, e estender-se-ão pelo prazo de 120 (cento e vinte) dias, 
contado da comunicação do adiamento ou do cancelamento dos serviços, 
ou 30 (trinta) dias antes da realização do evento, o que ocorrer antes e o 
fornecedor fica desobrigado de qualquer forma de ressarcimento se o 
consumidor não fizer a solicitação no prazo estipulado no § 1º ou não estiver 
enquadrado em uma das hipóteses previstas no § 2º deste artigo. 
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas180
Dessa forma, tendo Helena sido comunicada do cancelamento de suas reservas no dia 
20.02.2020, tinha até o dia 19.06.2020 para realizar o pedido do crédito ou da remarcação da viagem. 
Tendo realizado o pedido somente do dia 20.07.2020, a Passeios Turísticos Ltda. fica desobrigada de 
realizar qualquer ressarcimento, como a disponibilização do crédito, a Helena.
Alternativa D. Incorreta. O art. 2º, § 6º, da Lei nº 14.046/2020, assim dispõe: “o prestador 
de serviço ou a sociedade empresária deverão restituir o valor recebido ao consumidor até 31 de 
dezembro de 2022, somente na hipótese de ficarem impossibilitados de oferecer a remarcação dos 
serviços ou a disponibilização de crédito referidas nos incisos I e II do caput deste artigo”. Nesses 
termos, o prazo para restituir o valor recebido do consumidor na hipótese de impossibilidade de a 
Passeios Turísticos Ltda. oferecer o crédito ou a remarcação do serviço é até o dia 31.12.2022 e não 
31.12.2023.
Alternativa E. Incorreta. O art. 2º, § 9º, da Lei nº 14.046/2020, dispõe que: 
O disposto neste artigo aplica-se aos casos em que o serviço, a reserva ou 
o evento adiado tiver que ser novamente adiado, em razão de não terem 
cessado os efeitos da pandemia da covid-19 referida no art. 1º desta Lei 
na data da remarcação originária, e aplica-se aos novos eventos lançados 
no decorrer do período sob os efeitos da pandemia da covid-19 que não 
puderem ser realizados pelo mesmo motivo. 
Portanto, caso Helena tivesse remarcado sua viagem para o dia 30.08.2021 e, novamente, em 
razão da pandemia, a viagem tivesse de ser cancelada ou adiada, Helena teria novo direito ao crédito 
ou à remarcação da viagem, nos termos da lei.
DIREITO DO CONSUMIDOR
Caderno de novidades legislativas181
1. Lei nº 14.188/2021 – Estabelece medida protetiva de enfrentamento 
da violência doméstica e familiar contra a mulher
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.188/2021
Ementa: Define o programa de cooperação Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica 
como uma das medidas de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra 
a mulher previstas na Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha), 
e no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), em todo 
o território nacional; e altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 
(Código Penal), para modificar a modalidade da pena da lesão corporal simples 
cometida contra a mulher por razões da condição do sexo feminino e para criar o 
tipo penal de violência psicológica contra a mulher.
Data de publicação: 29.07.2021
Início de vigência: 29.07.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Lei/L14188.htm>
Destaques: 
• A lei define o Programa de Cooperação Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica 
como mais uma medida de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a 
mulher, acirrada nos tempos da pandemia da Covid-19, estabelecendo intercâmbio entre 
as instituições públicas e privadas e órgãos de segurança pública integrantes do sistema 
de assistência e segurança à vítima. 
• Além do Programa Sinal Vermelho, a lei em comento alterou a Lei nº 11.340/2006 acerca 
do afastamento do lar imediato do agressor em caso de risco atual ou iminente à vida ou à 
integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar.
• Referido ato normativo ainda recrudesce a pena do crime de lesão corporal, prevista no 
art. 129 do Código Penal, quando praticado contra a mulher por razões do sexo feminino.
• A lei estabelece ainda novo tipo penal, o da violência psicológica contra a mulher, previsto 
no art. 147-B do Código Penal.
DIREITO PENAL
Caderno de novidades legislativas182
1.2. Comentário
Em relação ao Direito Penal, a Lei nº 14.188 recrudesce a pena do crime de lesão corporal, 
prevista no art. 129 do Código Penal, quando praticado contra a mulher por razões do sexo feminino, 
e estabelece novo tipo penal previsto no art. 147-B do Código Penal.
Entretanto, para concentrar a abordagem das inovações veiculadas por esse novo ato 
normativo, asua análise encontra-se em Legislação Penal e Processual Penal Extravagante.
DIREITO PENAL
Agosto
2021
Caderno de novidades legislativas184
1. Lei nº 14.195/2021 – Altera dispositivos do Código de Processo Civil
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.195/2021
Ementa: Dispõe sobre a facilitação para abertura de empresas, sobre a proteção de acionistas 
minoritários, sobre a facilitação do comércio exterior, sobre o Sistema Integrado 
de Recuperação de Ativos (Sira), sobre as cobranças realizadas pelos conselhos 
profissionais, sobre a profissão de tradutor e intérprete público, sobre a obtenção 
de eletricidade, sobre a desburocratização societária e de atos processuais e a 
prescrição intercorrente na Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil); 
altera as Leis nºs 11.598, de 3 de dezembro de 2007, 8.934, de 18 de novembro de 
1994, 6.404, de 15 de dezembro de 1976, 7.913, de 7 de dezembro de 1989, 12.546, de 
14 de dezembro 2011, 9.430, de 27 de dezembro de 1996, 10.522, de 19 de julho de 
2002, 12.514, de 28 de outubro de 2011, 6.015, de 31 de dezembro de 1973, 10.406, 
de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), 13.105, de 16 de março de 2015 (Código 
de Processo Civil), 4.886, de 9 de dezembro de 1965, 5.764, de 16 de dezembro 
de 1971, 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e 13.874, de 20 de setembro de 2019, e 
o Decreto-Lei nº 341, de 17 de março de 1938; e revoga as Leis nºs 2.145, de 29 de 
dezembro de 1953, 2.807, de 28 de junho de 1956, 2.815, de 6 de julho de 1956, 3.187, 
de 28 de junho de 1957, 3.227, de 27 de julho de 1957, 4.557, de 10 de dezembro de 
1964, 7.409, de 25 de novembro de 1985, e 7.690, de 15 de dezembro de 1988, os 
Decretos nºs 13.609, de 21 de outubro de 1943, 20.256, de 20 de dezembro de 1945, 
e 84.248, de 28 de novembro de 1979, e os Decretos-Lei nºs 1.416, de 25 de agosto 
de 1975, e 1.427, de 2 de dezembro de 1975, e dispositivos das Leis nºs 2.410, de 29 
de janeiro de 1955, 2.698, de 27 de dezembro de 1955, 3.053, de 22 de dezembro 
de 1956, 5.025, de 10 de junho de 1966, 6.137, de 7 de novembro de 1974, 8.387, de 
30 de dezembro de 1991, 9.279, de 14 de maio de 1996, e 9.472, de 16 de julho de 
1997, e dos Decretos-Lei nºs 491, de 5 de março de 1969, 666, de 2 de julho de 1969, 
e 687, de 18 de julho de 1969; e dá outras providências.
Data de publicação: 27.08.2021
Início de vigência: 
Art. 58. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação e produzirá 
efeitos:
I ‒ em 3 (três) anos, contados da data de sua publicação, quanto ao 
inciso I do caput do art. 36, podendo a Aneel determinar a antecipação 
da produção de efeitos em cada área de concessão ou permissão;
II ‒ em 360 (trezentos e sessenta) dias, contados da data de sua 
publicação, quanto à parte do art. 5º que altera o § 3º do art. 138 da 
Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976;
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Caderno de novidades legislativas185
III ‒ em 180 (cento e oitenta) dias, contados da data de sua publicação, 
quanto ao § 3º do art. 8º;
IV ‒ no primeiro dia útil do primeiro mês subsequente ao da data de 
sua publicação, quanto aos arts. 8º, 9º, 10, 11 e 12 e aos incisos III a XV, 
XVIII, XXIII e XXXI do caput do art. 57; e
V ‒ na data de sua publicação, quanto aos demais dispositivos.
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Lei/L14195.htm>
Destaques: 
• Determina que é dever das partes informar e manter atualizados seus dados cadastrais 
perante os órgãos do Poder Judiciário e da Administração tributária para citações e 
intimações.
• Dispõe que é considerado dia do começo do prazo o quinto dia útil seguinte à confirmação, 
na forma prevista na mensagem de citação, do recebimento da citação realizada por meio 
eletrônico.
• Decreta que a citação será efetivada em até 45 (quarenta e cinco) dias a partir da propositura 
da ação.
• Estipula que a citação será feita preferencialmente por meio eletrônico, no prazo de até 
dois dias úteis, contados da decisão que a determinar, por meio dos endereços eletrônicos 
indicados pelo citando no banco de dados do Poder Judiciário, conforme regulamento do 
Conselho Nacional de Justiça (CNJ).  
• Dispõe que as empresas públicas e privadas são obrigadas a manter cadastro nos sistemas 
de processo em autos eletrônicos, para efeito de recebimento de citações e intimações, 
as quais serão efetuadas preferencialmente por esse meio.  Tratando-se de micro e 
pequenas empresas, somente se sujeitam a esta obrigação quando não possuírem endereço 
eletrônico cadastrado no sistema integrado da Rede Nacional para a Simplificação do 
Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim).
• Determina que a ausência de confirmação, em até três dias úteis, contados do recebimento 
da citação eletrônica, implicará a realização da citação por outros meios.
• Estabelece que é considerado ato atentatório à dignidade da justiça, passível de multa de 
até 5% (cinco por cento) do valor da causa, deixar de confirmar no prazo legal, sem justa 
causa, o recebimento da citação feito por meio eletrônico.  
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Caderno de novidades legislativas186
• Decreta que na exibição de documento ou coisa, o pedido formulado pela parte conterá 
a descrição, tão completa quanto possível, do documento ou da coisa, ou das categorias 
de documentos ou de coisas buscados, a finalidade da prova, com indicação dos fatos 
que se relacionam com o documento ou com a coisa, ou com suas categorias e as 
circunstâncias em que se funda o requerente para afirmar que o documento ou a coisa 
existe, ainda que a referência seja a categoria de documentos ou de coisas, e se acha em 
poder da parte contrária.
• Estipula que a execução é suspensa quando não for localizado o executado ou bens 
penhoráveis, atualizando disposição legal acerca da prescrição intercorrente.
1.2. Comentário
No dia 27.08.2021 foi publicada e entrou em vigor, na parte que altera o Código de Processo 
Civil (CPC), a Lei nº 14.195/2021. A lei alterou diversas leis anteriores, como o Código Civil (CC), o 
CPC, entre outras, e dispõe acerca de assuntos variados.
Conforme ementa da lei, ela trata
sobre a facilitação para abertura de empresas, sobre a proteção de acionistas 
minoritários, sobre a facilitação do comércio exterior, sobre o Sistema 
Integrado de Recuperação de Ativos (Sira), sobre as cobranças realizadas 
pelos conselhos profissionais, sobre a profissão de tradutor e intérprete 
público, sobre a obtenção de eletricidade, sobre a desburocratização 
societária e de atos processuais e a prescrição intercorrente na Lei nº 10.406, 
de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil); altera as Leis (...).
Nesse texto, vamos analisar as principais alterações implementadas no CPC, que visam a 
racionalização processual, tornando o processo mais coerente. 
A primeira alteração de que vamos tratar diz respeito a mais um dever processual que foi 
imposto às partes e a todos que participem do processo. Segundo o art. 77 do CPC: 
Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de 
seus procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma participem 
do processo: (...)
VII ‒ informar e manter atualizados seus dados cadastrais perante os 
órgãos do Poder Judiciário e, no caso do § 6º do art. 246 deste Código, da 
Administração Tributária, para recebimento de citações e intimações.
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Caderno de novidades legislativas187
A partir da vigência da lei, as partes e todos aqueles que participem do processo têm como 
obrigação informar e manter atualizados seus dados cadastrais perante os órgãos do Poder Judiciário 
e da Administração Tributária, para recebimento de citações e intimações.
Outra alteração é em relação ao dia do começo do prazo na citação por meio eletrônico (não 
trata da intimação por meio eletrônico). A lei prevê que será assim considerado “o quinto dia útil 
seguinte à confirmação, na forma prevista na mensagem de citação, do recebimento da citação 
realizada por meio eletrônico”,conforme dispõe o art. 231, IX, do CPC, inserido pela Lei nº 14.195/2021.
Como exemplo, recebida e confirmada a citação por meio eletrônico no dia 09.09.2021, o 
início da contagem do prazo será no dia 17.09.2021 (dia subsequente ao quinto dia útil seguinte à 
confirmação do recebimento da citação – conforme o art. 4º, § 4º, da Lei nº 11.419/2006). 
Ainda acerca da citação, dispõe a lei que deverá ser efetivada “em até 45 (quarenta e cinco) dias 
a partir da propositura da ação” (art. 238, parágrafo único, do CPC). Trata-se de um prazo imposto ao 
juiz, impróprio, portanto, não havendo nenhuma consequência, como regra, caso não seja cumprido.
Redação anterior do art. 238 do CPC
Redação do art. 238 do CPC, após a Lei nº 
14.195/2021
Art. 238. Citação é o ato pelo qual 
são convocados o réu, o executado ou 
o interessado para integrar a relação 
processual. 
Art. 238. Citação é o ato pelo qual são 
convocados o réu, o executado ou o interessado 
para integrar a relação processual. 
Parágrafo único. A citação será efetivada em 
até 45 (quarenta e cinco) dias a partir da propositura 
da ação. 
Além disso, a citação
será feita preferencialmente por meio eletrônico, no prazo de até 2 (dois) 
dias úteis, contado da decisão que a determinar, por meio dos endereços 
eletrônicos indicados pelo citando no banco de dados do Poder Judiciário, 
conforme regulamento do Conselho Nacional de Justiça (art. 246 do CPC 
– grifos nossos).
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Caderno de novidades legislativas188
Antes da alteração, o CPC não dispunha como deveria ocorrer a citação por meio eletrônico. 
Com a mudança, o próprio CPC passou a dispor que a citação eletrônica ocorre por endereço 
eletrônico indicado pelo citando. 
Na sequência, assevera a lei que as “empresas públicas e privadas são obrigadas a manter 
cadastro nos sistemas de processo em autos eletrônicos, para efeito de recebimento de citações e 
intimações, as quais serão efetuadas preferencialmente por esse meio (art. 246, § 1º, do CPC).
No que tange a essa obrigação em relação às micro e pequenas empresas, somente se sujeitam 
“quando não possuírem endereço eletrônico cadastrado no sistema integrado da Rede Nacional 
para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim) (art. 246, § 5º, 
do CPC).
Em outras palavras, as microempresas e pequenas empresas somente são obrigadas a manter 
cadastro no sistema de processo em autos eletrônicos (para receberem citações e intimações), caso 
não possuam endereço eletrônico cadastrado na Rede Nacional para a Simplificação do Registro e 
da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim).
Caso não haja confirmação em até três dias úteis, contados do recebimento da citação 
eletrônica, a citação será realizada por outros meios, segundo o art. 246, § 1º-A, do CPC: 
Art. 246. (...)
§1º-A A ausência de confirmação, em até 3 (três) dias úteis, contados do 
recebimento da citação eletrônica, implicará a realização da citação:     
I ‒ pelo correio;    
II ‒ por oficial de justiça;
III ‒ pelo escrivão ou chefe de secretaria, se o citando comparecer em 
cartório;     
IV ‒ por edital.
Na hipótese de o réu ser citado por uma dessas formas, dispõe a lei que ele deverá, na primeira 
oportunidade de falar nos autos, apresentar justa causa para a ausência de confirmação do 
recebimento da citação enviada eletronicamente (art. 246, § 1º-B, do CPC).
Passa a ser considerado ato atentatório à dignidade da justiça, “passível de multa de até 5% (cinco 
por cento) do valor da causa, deixar de confirmar no prazo legal, sem justa causa, o recebimento da 
citação recebida por meio eletrônico” (art. 246, § 1º-C, do CPC – grifos nossos).
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Caderno de novidades legislativas189
Portanto, o citando tem o prazo legal de três dias úteis (conforme o art. 246, § 1º-A, do CPC) 
para confirmar a citação recebida por meio eletrônico; caso não haja confirmação, deve apresentar 
justificativa pela ausência de confirmação na primeira oportunidade de falar nos autos – sob pena de 
multa de até 5% do valor da causa por ato atentatório à dignidade da justiça.
Redação anterior do art. 246 do CPC Redação do art. 246 do CPC, após a Lei nº 
14.195/2021 
Art. 246. A citação será feita:
I ‒ pelo correio; 
II ‒ por oficial de justiça; 
III ‒ pelo escrivão ou chefe de secretaria, 
se o citando comparecer em cartório; 
IV ‒ por edital; 
V ‒ por meio eletrônico, conforme 
regulado em lei. (Grifos nossos.)
§ 1º Com exceção das microempresas e 
das empresas de pequeno porte, as empresas 
públicas e privadas são obrigadas a manter 
cadastro nos sistemas de processo em autos 
eletrônicos, para efeito de recebimento de 
citações e intimações, as quais serão efetuadas 
preferencialmente por esse meio.
§ 2º O disposto no § 1º aplica-se à União, 
aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios 
e às entidades da administração indireta. 
Art. 246. A citação será feita 
preferencialmente por meio eletrônico, no prazo 
de até 2 (dois) dias úteis, contado da decisão 
que a determinar, por meio dos endereços 
eletrônicos indicados pelo citando no banco 
de dados do Poder Judiciário, conforme 
regulamento do Conselho Nacional de Justiça. 
(Grifos nossos.)
§ 1º As empresas públicas e privadas são 
obrigadas a manter cadastro nos sistemas de 
processo em autos eletrônicos, para efeito de 
recebimento de citações e intimações, as quais 
serão efetuadas preferencialmente por esse 
meio.   
§ 1º-A A ausência de confirmação, em até 
3 (três) dias úteis, contados do recebimento 
da citação eletrônica, implicará a realização da 
citação:   
I ‒ pelo correio;    
II ‒ por oficial de justiça;    
III ‒ pelo escrivão ou chefe de secretaria, se 
o citando comparecer em cartório;     
IV ‒ por edital.     
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Caderno de novidades legislativas190
§ 3º Na ação de usucapião de imóvel, 
os confinantes serão citados pessoalmente, 
exceto quando tiver por objeto unidade 
autônoma de prédio em condomínio, caso em 
que tal citação é dispensada. 
§ 1º-B Na primeira oportunidade de falar 
nos autos, o réu citado nas formas previstas nos 
incisos I, II, III e IV do § 1º-A deste artigo deverá 
apresentar justa causa para a ausência de 
confirmação do recebimento da citação enviada 
eletronicamente.    
§ 1º-C Considera-se ato atentatório à 
dignidade da justiça, passível de multa de até 
5% (cinco por cento) do valor da causa, deixar 
de confirmar no prazo legal, sem justa causa, 
o recebimento da citação recebida por meio 
eletrônico.    
§ 2º O disposto no § 1º aplica-se à União, 
aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios 
e às entidades da administração indireta. 
§ 3º Na ação de usucapião de imóvel, os 
confinantes serão citados pessoalmente, exceto 
quando tiver por objeto unidade autônoma de 
prédio em condomínio, caso em que tal citação 
é dispensada. 
§ 4º As citações por correio eletrônico serão 
acompanhadas das orientações para realização 
da confirmação de recebimento e de código 
identificador que permitirá a sua identificação na 
página eletrônica do órgão judicial citante.     
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Caderno de novidades legislativas191
§ 5º As microempresas e as pequenas 
empresas somente se sujeitam ao disposto no § 
1º deste artigo quando não possuírem endereço 
eletrônico cadastrado no sistema integrado da 
Rede Nacional para a Simplificação do Registro 
e da Legalização de Empresas e Negócios 
(Redesim).    
§ 6º Para os fins do § 5º deste artigo, deverá 
haver compartilhamento de cadastro com o 
órgão do Poder Judiciário, incluído o endereço 
eletrônico constante do sistema integrado da 
Redesim, nos termos da legislação aplicável ao 
sigilo fiscal e ao tratamento de dados pessoais.    
A lei também dispõe sobre mudanças no procedimento para exibição de documento ou coisa, 
conforme observa-se no seguinte quadro:
Redação anterior do art. 397 do CPC Redação do art.397 do CPC, após a Lei nº 
14.195/2021
O pedido formulado pela parte conterá:
I ‒ a individuação, tão completa quanto 
possível, do documento ou da coisa;
II ‒ a finalidade da prova, indicando os 
fatos que se relacionam com o documento ou 
com a coisa;
III ‒ as circunstâncias em que se funda 
o requerente para afirmar que o documento 
ou a coisa existe e se acha em poder da parte 
contrária.
O pedido formulado pela parte conterá:
I ‒ a descrição, tão completa quanto 
possível, do documento ou da coisa, ou das 
categorias de documentos ou de coisas 
buscados;  
II ‒ a finalidade da prova, com indicação 
dos fatos que se relacionam com o documento 
ou com a coisa, ou com suas categorias; 
III ‒ as circunstâncias em que se funda o 
requerente para afirmar que o documento ou 
a coisa existe, ainda que a referência seja a 
categoria de documentos ou de coisas, e se acha 
em poder da parte contrária. (Grifos nossos.)
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Caderno de novidades legislativas192
A nova redação autoriza que a parte não se refira mais a um documento ou coisa, mas, sim, 
a uma categoria de documentos ou coisas. Amplia-se o que é possível requerer no procedimento 
para exibição de documento ou coisa, não sendo mais necessário especificar exatamente o que a 
parte quer.
Por fim, a última mudança importante no CPC ocorreu no art. 921, que antes dispunha como 
hipótese de suspensão da execução quando o executado não tivesse bens penhoráveis. Além desta 
hipótese, com a Lei nº 14.195/2021, o dispositivo passa a contar com a previsão de que a suspensão 
também ocorre quando o executado não for localizado:
Art. 921. Suspende-se a execução: 
III ‒ quando o executado não possuir bens penhoráveis; 
III ‒ quando não for localizado o executado ou bens penhoráveis; (...) (Grifos 
nossos.)
Assim, com a mudança, passa a existir previsão legal no sentido de que a falta de localização do 
executado implica suspensão da execução, caso em que é possível ocorrer a prescrição intercorrente 
no processo executivo se o credor permanecer inerte.
Sobre o tema, dispõe a lei que o “termo inicial da prescrição no curso do processo será a 
ciência da primeira tentativa infrutífera de localização do devedor ou de bens penhoráveis, e será 
suspensa, por uma única vez” pelo prazo máximo de um ano (art. 921, § 4º, do CPC ‒ grifos nossos).
Portanto, caso não haja a localização do devedor ou de bens penhoráveis na execução, o juiz 
suspende a prescrição por um ano, o que somente pode ocorrer uma única vez (art. 921, § 4º, do CPC).
Demais disposições da Lei nº 14.195/2021 acerca da prescrição intercorrente, constam dos 
seguintes dispositivos:
Art. 921. (...)
§ 4º-A A efetiva citação, intimação do devedor ou constrição de bens 
penhoráveis interrompe o prazo de prescrição, que não corre pelo 
tempo necessário à citação e à intimação do devedor, bem como para as 
formalidades da constrição patrimonial, se necessária, desde que o credor 
cumpra os prazos previstos na lei processual ou fixados pelo juiz.    
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Caderno de novidades legislativas193
§ 5º O juiz, depois de ouvidas as partes, no prazo de 15 (quinze) dias, poderá, 
de ofício, reconhecer a prescrição no curso do processo e extingui-lo, sem 
ônus para as partes.    
§ 6º A alegação de nulidade quanto ao procedimento previsto neste artigo 
somente será conhecida caso demonstrada a ocorrência de efetivo prejuízo, 
que será presumido apenas em caso de inexistência da intimação de que 
trata o § 4º deste artigo.
§ 7º Aplica-se o disposto neste artigo ao cumprimento de sentença de 
que trata o art. 523 deste Código. (Grifos nossos.)
Essas foram as principais alterações promovidas pela Lei nº 14.195/2021 no CPC, sendo 
importante que o aluno não confunda as alterações promovidas nos dispositivos referentes à citação, 
com os dispositivos em relação à intimação em processos eletrônicos (como os previstos na Lei nº 
11.419/2006 – que não sofreram alterações).
Como exemplo, caso não haja consulta à intimação em até 10 dias corridos em processo 
eletrônico, automaticamente é considerada realizada a intimação na data do término desse prazo 
(art. 5º, § 3º, da Lei nº 11.419/2006).
Assim, na intimação há presunção automática de seu recebimento, o que não ocorre na citação 
conforme visto – porque serão realizadas as outras modalidades de citação ‒ que não a citação na 
forma eletrônica (art. 246, § 1º-A, do CPC).
1.3. Questão inédita comentada
Nos termos da Lei nº 14.195/2021, assinale a alternativa incorreta:
A) São deveres das partes, de seus procuradores, e de todos aqueles que participem do processo, 
informar e manter atualizados seus dados cadastrais perante os órgãos do Poder Judiciário.
B) Salvo disposição em sentido diverso, considera-se dia do começo do prazo o quinto dia útil 
seguinte à confirmação, na forma prevista na mensagem de citação, do recebimento da citação 
realizada por meio eletrônico. 
C) A citação será feita preferencialmente por meio eletrônico, no prazo de até 2 (dois) dias corridos, 
contado da decisão que a determinar, por meio dos endereços eletrônicos indicados pelo autor da ação.
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Caderno de novidades legislativas194
D) A citação será efetivada em até 45 (quarenta e cinco) dias a partir da propositura da ação. 
E) Suspende-se a execução quando não for localizado o executado ou bens penhoráveis.
Alternativa incorreta: letra C. Alternativa em desacordo com o art. 246 do CPC. 
Art. 246. A citação será feita preferencialmente por meio eletrônico, no 
prazo de até 2 (dois) dias úteis, contado da decisão que a determinar, 
por meio dos endereços eletrônicos indicados pelo citando no banco de 
dados do Poder Judiciário, conforme regulamento do Conselho Nacional 
de Justiça. (Grifos nossos.)
Demais alternativas:
Alternativa A. Errada. Alternativa em consonância com o art. 77 do CPC. 
Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de 
seus procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma participem 
do processo: (...)
VII ‒ informar e manter atualizados seus dados cadastrais perante os 
órgãos do Poder Judiciário e, no caso do § 6º do art. 246 deste Código, da 
Administração Tributária, para recebimento de citações e intimações.
Alternativa B. Errada. Alternativa em consonância com o art. 231 do CPC. 
Art. 231. Salvo disposição em sentido diverso, considera-se dia do começo 
do prazo: (...)
IX ‒ o quinto dia útil seguinte à confirmação, na forma prevista na mensagem 
de citação, do recebimento da citação realizada por meio eletrônico. 
(Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021.)
Alternativa D. Errada. Alternativa em consonância com o art. 238, parágrafo único, do CPC.
Art. 238, parágrafo único. A citação será efetivada em até 45 (quarenta e 
cinco) dias a partir da propositura da ação.
Alternativa E. Errada. Alternativa em consonância com o art. 921 do CPC. 
Art. 921. Suspende-se a execução: (...) 
III ‒ quando não for localizado o executado ou bens penhoráveis.
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Caderno de novidades legislativas195
1. Lei nº 14.193/2021 – Institui a Sociedade Anônima do Futebol
1.1. Ficha normativa
LEI Nº 14.193/2021
Ementa: Institui a Sociedade Anônima do Futebol e dispõe sobre normas de constituição, 
governança, controle e transparência, meios de financiamento da atividade 
futebolística, tratamento dos passivos das entidades de práticas desportivas 
e regime tributário específico; e altera as Leis nºs 9.615, de 24 de março de 1998, e 
10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil).
Data de publicação: 09.08.2021
Início de vigência: 09.08.2021
Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/
Lei/L14193.htm>
Destaques: 
• Institui um novo tipo societário, denominado Sociedade Anônima do Futebol (SAF), cujo 
objeto social consiste no fomento, no desenvolvimento e na exploração de atividades 
relacionadas à prática do futebol, obrigatoriamente, nasmodalidades feminina e masculina. 
A SAF é regulada subsidiariamente pela Lei nº 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas) 
e pela Lei nº 9.615/1998 (Lei Pelé). 
• A SAF pode ser constituída por três formas distintas: (i) pela transformação do clube ou da 
pessoa jurídica original neste tipo societário; (ii) pela cisão do departamento de futebol do 
clube ou da pessoa jurídica original; ou (iii) pela iniciativa de pessoa natural ou jurídica ou 
de fundo de investimento.
• Se a SAF for constituída por meio de cisão de departamento de futebol, é obrigatória a 
emissão de Ações Classe A, que serão subscritas exclusivamente pelo clube ou pela pessoa 
jurídica original que a constituiu. Essas ações conferem ao clube ou à pessoa jurídica 
instituidora direitos especiais de voto e veto sobre determinadas deliberações, que não 
poderão ser consideradas aprovadas sem a anuência do detentor das referidas ações. 
• O acionista controlador da SAF não pode deter participação, direta ou indireta, em outra 
SAF. Ela deverá ter obrigatoriamente conselho de administração e conselho fiscal, e seus 
diretores deverão ter dedicação exclusiva à administração da companhia.
DIREITO EMPRESARIAL
Caderno de novidades legislativas196
• Em regra, a SAF não responderá pelas obrigações do clube ou da pessoa jurídica que a 
constituiu, excluídas aquelas que forem diretamente transferidas ao seu patrimônio, por 
meio de cisão, relacionadas ao seu objeto social. Todavia, uma parte das receitas da SAF 
ou dos dividendos a serem pagos ao clube ou à pessoa jurídica instituidora deverá ser 
regularmente repassada pela SAF a elas, com a finalidade de pagamento de obrigações 
anteriores à sua constituição, sob pena de responsabilização pessoal e solidária dos 
administradores da SAF.
• O clube ou a pessoa jurídica instituidora poderá pagar suas dívidas por meio do Regime 
Centralizado de Execuções, ora instituído pela lei, ou poderá requerer Recuperação 
Judicial ou Extrajudicial na forma da Lei Federal nº 11.101/2005. 
• A SAF poderá emitir valores mobiliários e, em especial, uma espécie de debênture, 
denominada “debênture-fut”. Esta não poderá ter remuneração inferior ao rendimento da 
caderneta de poupança, deverá ter prazo igual ou superior a dois anos, e é vedada a sua 
recompra pela SAF ou por partes relacionadas.
• A SAF deverá fomentar e promover medidas em favor da educação, por meio do futebol, 
e, do futebol, por meio da educação. Nesse sentido, a lei faz referência à obrigação da 
companhia de instituir um Programa de Desenvolvimento Educacional e Social a ser 
desenvolvido em convênio com instituição pública de ensino.
1.2. Comentário
O regime jurídico ao qual estavam vinculados os clubes de futebol no Brasil, há um tempo, 
é alvo de relevantes controvérsias, em especial, atinentes ao seu financiamento e à possibilidade 
de manutenção adequada de suas atividades, uma vez que, em regra, eram constituídos sob a 
forma de associação civil, o que impossibilitava o aporte de capital de investidores que desejassem 
obter rendimentos com a atividade do clube. Essa limitação parecia impedir o fomento financeiro 
desses clubes, uma vez que, no ordenamento jurídico brasileiro, é vedado às associações distribuir 
dividendos ou outra forma de remuneração aos seus associados, por ter finalidades eminentemente 
“não econômicas” (Código Civil ‒ CC, art. 53). Portanto, não haveria interesse em alocar recurso em 
forma de “equity” nessas associações, uma vez que não era possível o retorno ao investidor do capital 
investido, ao contrário do que ocorre no regime jurídico das sociedades (CC, art. 981). 
Nessa seara, por diversos fatores, vários clubes nacionais, inclusive de grande renome, estão 
hoje em uma situação de insolvência perante o Fisco, instituições financeiras e outras pessoas 
naturais e jurídicas, com dívidas de alto valor e das mais diversas origens. Esse regime jurídico se 
contrapunha ao panorama de vários países estrangeiros, com forte atividade futebolística, nos quais 
as entidades de futebol já podiam, ou sempre puderam, ser constituídas sob a forma de sociedade 
empresária e similares.
DIREITO EMPRESARIAL
Caderno de novidades legislativas197
Assim, após variadas discussões, foi aprovado o projeto de lei que propôs a criação de um novo 
tipo societário, denominado “Sociedade Anônima do Futebol” (SAF), materializado pela Lei Federal 
nº 14.193/2021, que:
Institui a Sociedade Anônima do Futebol e dispõe sobre normas de 
constituição, governança, controle e transparência, meios de financiamento 
da atividade futebolística, tratamento dos passivos das entidades de práticas 
desportivas e regime tributário específico; e altera as Leis nºs 9.615, de 24 de 
março de 1998, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil).
Para melhor compreender o texto da lei, ela traz em seu art. 1º, § 1º a definição dos termos 
“clube”, “pessoa jurídica original” e “entidade de administração”. Vejamos: 
Art. 1º (...)
§ 1º Para os fins desta Lei, considera-se:
I ‒ clube: associação civil, regida pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 
(Código Civil), dedicada ao fomento e à prática do futebol;
II ‒ pessoa jurídica original: sociedade empresarial dedicada ao fomento e à 
prática do futebol; e
III ‒ entidade de administração: confederação, federação ou liga, com 
previsão na Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, que administra, dirige, 
regulamenta ou organiza competição profissional de futebol.
Quanto à constituição da SAF, seu objeto social é tipificado pela lei, de modo que poderá 
abarcar as seguintes atividades descritas em seu art. 1º, § 2º:
Art. 1º (...)
§ 2º O objeto social da Sociedade Anônima do Futebol poderá compreender 
as seguintes atividades:
I ‒ o fomento e o desenvolvimento de atividades relacionadas com a prática 
do futebol, obrigatoriamente nas suas modalidades feminino e masculino;
II ‒ a formação de atleta profissional de futebol, nas modalidades feminino 
e masculino, e a obtenção de receitas decorrentes da transação dos seus 
direitos desportivos;
III ‒ a exploração, sob qualquer forma, dos direitos de propriedade intelectual 
de sua titularidade ou dos quais seja cessionária, incluídos os cedidos pelo 
clube ou pessoa jurídica original que a constituiu;
IV ‒ a exploração de direitos de propriedade intelectual de terceiros, 
relacionados ao futebol;
DIREITO EMPRESARIAL
Caderno de novidades legislativas198
V ‒ a exploração econômica de ativos, inclusive imobiliários, sobre os quais 
detenha direitos;
VI ‒ quaisquer outras atividades conexas ao futebol e ao patrimônio da 
Sociedade Anônima do Futebol, incluída a organização de espetáculos 
esportivos, sociais ou culturais;
VII ‒ a participação em outra sociedade, como sócio ou acionista, no território 
nacional, cujo objeto seja uma ou mais das atividades mencionadas nos 
incisos deste parágrafo, com exceção do inciso II.
Ressalta-se, ainda, que, assim como ocorre no âmbito das sociedades anônimas, das sociedades 
limitadas, dentre outras, a denominação da SAF deverá conter a expressão “Sociedade Anônima do 
Futebol”, ou sua forma abreviada, “SAF” (Lei Federal nº 14.193/2021, art. 1º, § 3º). Ademais a Sociedade 
Anônima do Futebol se enquadra no conceito de entidade de prática desportiva, para efeitos da Lei 
Federal nº 9.615/1998 (Lei Pelé).
O art. 2º da Lei Federal nº 14.193/2021 estipula como poderá ocorrer a constituição da Sociedade 
Anônima do Futebol. Nesse sentido, ela poderá se dar de três formas distintas: 
Art. 2º (...)
I ‒ pela transformação do clube ou pessoa jurídica original em Sociedade 
Anônima do Futebol;
II ‒ pela cisão do departamento de futebol do clube ou pessoa jurídica 
original e transferência do seu patrimônio relacionado à atividade futebol;
III ‒ pela iniciativa de pessoa natural ou jurídica ou de fundo de investimento.
Na hipótese I ocorrerá a transformação do tipo de pessoa jurídica de direito privado, ou 
societário, do clube (associação civil) ou da pessoa jurídica

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