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VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS SUMÁRIOSUMÁRIO JANEIRO E FEVEREIRO 5 MARÇO 37 ABRIL 90 MAIO 111 JUNHO 133 JULHO 152 AGOSTO 183 SETEMBRO 244 OUTUBRO 291 NOVEMBRO 337 DEZEMBRO 358 VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS SUMÁRIO Como é difícil se manter atualizado e atualizada com a profusão de atos legislativos no Brasil, não é verdade? Pensando nisso, o Curso Ênfase presenteia você com um material incrível: o Vade Mecum Comentado de Novidades Legislativas. São mais de 400 páginas, com as principais inovações normativas do ano de 2021, agrupadas por mês e, dentro de cada um, separadas por disciplina, dentre as seguintes: • Direito Administrativo • Direito Ambiental • Direito Civil • Direito Constitucional • Direito da Pessoa com Deficiência • Direito do Consumidor • Direito do Trabalho • Direito Educacional • Direito Eleitoral • Direito Empresarial • Direito Financeiro • Direitos Humanos • Direito Internacional • Direito Penal • Direito Previdenciário • Direito Processual Civil • Direito Processual do Trabalho • Direito Processual Penal • Direito Tributário • Direitos Difusos e Coletivos • Legislação Penal e Processual Penal Extravagante APRESENTAÇÃO VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS SUMÁRIO Nosso Vade Mecum traz para você as novidades legislativas que importam para a sua futura prova e, ainda, cada uma delas é apresentada de maneira pensada para a sua preparação, pois tem: a) Ficha Normativa: nela constam as informações básicas da norma como ementa, data de publicação e início de vigência, o link para o texto legal e os destaques, parte que fornece uma visão geral sobre os pontos principais do novo ato; b) Comentário: aqui nosso time de especialistas discorre sobre o que há de mais relevante no novo ato normativo, trazendo, inclusive, trechos literais dele; c) Questão inédita: por fim, para simular como a novidade pode ser cobrada no seu próximo concurso, há uma questão inédita sobre ela e, melhor, comentada! Trata-se de material riquíssimo para a sua preparação, que nós do Curso Ênfase elaboramos para você, pois, com ele, além de ficar em dia com as novidades legislativas do ano de 2021, você antevê como elas podem ser questionadas no seu concurso. E, assim como nós, você sabe que as bancas adoram cobrar inovações. Então, use muito o Vade Mecum Comentado de Novidades Legislativas como o seu novo aliado na busca pela sua aprovação e, principalmente, dentro do número de vagas nos concursos de alto desempenho. Lembre-se: vamos com você até a posse! Bons estudos! APRESENTAÇÃO Janeiro e Fevereiro 2021 VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS6 1. Lei Complementar (LC) nº 179/2021 - Objetivos do Banco Central do Brasil (BACEN) 1.1. Ficha normativa LC Nº 179/2021 Ementa: Define os objetivos do Banco Central do Brasil (BACEN) e dispõe sobre sua autonomia e sobre a nomeação e a exoneração de seu Presidente e de seus Diretores; e altera artigo da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Data de publicação: 25.02.2021 Início de vigência: 25.02.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp179.htm> Destaques: • A lei prevê expressamente que o objetivo fundamental do BACEN é assegurar a esta- bilidade dos preços e elenca outros objetivos possíveis. • Confere autonomia ao BACEN. • Define que a diretoria colegiada do BACEN será composta por nove membros, nomeados pelo Presidente da República, após aprovação pelo Senado Federal, com mandato de quatro anos, observando-se a escala e as hipóteses de recondução e exoneração previstas na lei. • Dispõe que as metas de política monetária serão estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e que compete privativamente ao BACEN conduzir a política monetária necessária para o cumprimento dessas metas que foram estabelecidas pelo CMN. 1.2. Comentário Em 25.02.2021 foi publicada a LC nº 179, com início imediato de vigência. De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “define os objetivos do Banco Central do Brasil e dispõe sobre sua autonomia e sobre a nomeação e a exoneração de seu Presidente e de seus Diretores; e altera artigo da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964”. O BACEN é uma autarquia federal criada pela Lei nº 4.595/1964, cujo objetivo fundamental é assegurar a estabilidade de preços. Embora este seja o escopo principal de qualquer Banco Central de um país, o art. 1º da LC nº 179/2021 traz previsão expressa nesse sentido, prevendo também que “sem prejuízo de seu objetivo fundamental, o BACEN também tem por objetivos zelar pela estabilidade e pela eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego”. DIREITO ADMINISTRATIVO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp179.htm VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS7 A principal inovação do diploma normativo em comento foi conferir, expressamente, autonomia ao BACEN, o que se deu com a previsão de que o Banco deixa de ter vinculação com ministérios e seus dirigentes passam a ser definidos através de mandatos fixos a cada quatro anos sem que este período seja coincidente com o do presidente da República, conforme dispõe o art. 6º da lei: Art. 6º O Banco Central do Brasil é autarquia de natureza especial caracterizada pela ausência de vinculação a Ministério, de tutela ou de subordinação hierárquica, pela autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira, pela investidura a termo de seus dirigentes e pela estabilidade durante seus mandatos, bem como pelas demais disposições constantes desta Lei Complementar ou de leis específicas destinadas à sua implementação. (Grifos nossos.) Quanto à nomeação dos dirigentes, de acordo com o art. 3o da LC nº 179/2021, a “Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil terá 9 (nove) membros, sendo um deles o seu Presidente, todos nomeados pelo Presidente da República entre brasileiros idôneos, de reputação ilibada e de notória capacidade em assuntos econômico-financeiros ou com comprovados conhecimentos que os qualifiquem para a função”. Em complemento, o art. 4o prevê que estes dirigentes “serão indicados pelo Presidente da República e por ele nomeados, após aprovação de seus nomes pelo Senado Federal”. Os mandatos serão, como já mencionado, fixos, com duração de quatro anos, sendo que o do Presidente terá início no dia 1º de janeiro do terceiro ano de mandato do Presidente da República, e o dos demais Diretores observarão a seguinte escala, prevista no § 2º do art. 4o da lei: I - 2 (dois) Diretores terão mandatos com início no dia 1º de março do primeiro ano de mandato do Presidente da República; II - 2 (dois) Diretores terão mandatos com início no dia 1º de janeiro do segundo ano de mandato do Presidente da República; III - 2 (dois) Diretores terão mandatos com início no dia 1º de janeiro do terceiro ano de mandato do Presidente da República; e IV - 2 (dois) Diretores terão mandatos com início no dia 1º de janeiro do quarto ano de mandato do Presidente da República. Além disso, de acordo como § 3º do mesmo dispositivo “o Presidente e os Diretores do Banco Central do Brasil poderão ser reconduzidos 1 (uma) vez, por decisão do Presidente da República”. DIREITO ADMINISTRATIVO VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS8 Outra garantia dos dirigentes que reforça a autonomia do BACEN é a previsão de que o Presidente da República não poderá demitir um dirigente do Banco por vontade própria sem a validação do Senado, o que reduz as chances de interferências políticas na condução da política monetária. Veja, nesse sentido, a redação do art. 5º da LC nº 179/2021: Art. 5º O Presidente e os Diretores do Banco Central do Brasil serão exonerados pelo Presidente da República: I - a pedido; II - no caso de acometimento de enfermidade que incapacite o titular para o exercício docargo; III - quando sofrerem condenação, mediante decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, pela prática de ato de improbidade administrativa ou de crime cuja pena acarrete, ainda que temporariamente, a proibição de acesso a cargos públicos; IV - quando apresentarem comprovado e recorrente desempenho insuficiente para o alcance dos objetivos do Banco Central do Brasil. § 1º Na hipótese de que trata o inciso IV do caput deste artigo, compete ao Conselho Monetário Nacional submeter ao Presidente da República a proposta de exoneração, cujo aperfeiçoamento ficará condicionado à prévia aprovação, por maioria absoluta, do Senado Federal. (Grifos nossos.) Por fim, importante ressaltar que a autonomia conferida ao BACEN não é sinônimo de independência, já que, conforme determina o art. 2º da lei em comento, “as metas de política monetária serão estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, competindo privativamente ao Banco Central do Brasil conduzir a política monetária necessária para cumprimento das metas estabelecidas”. Assim, o BACEN deverá perseguir as metas definidas pelo CMN. 1.3. Questão inédita comentada Relativamente ao BACEN, autarquia federal que tem por objetivo fundamental assegurar a estabilidade de preços, assinale a alternativa incorreta: A) O BACEN é uma autarquia de natureza especial, dotada de autonomia administrativa e financeira. B) Os dirigentes do BACEN não podem ser exonerados livremente pelo Presidente da República. C) O mandato de todos os membros da Diretoria Colegiada do BACEN tem a mesma duração e início simultâneo. D) O BACEN é uma autarquia especial, vinculada ao Ministério da Economia. E) Cabe ao BACEN, privativamente, conduzir a política monetária necessária para cumprimento das metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. DIREITO ADMINISTRATIVO VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS9 Alternativa correta: letra D. Nos termos do art. 6º da LC nº 179/2021, o “Banco Central do Brasil é autarquia de natureza especial caracterizada pela ausência de vinculação a Ministério, de tutela ou de subordinação hierárquica, pela autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira, pela investidura a termo de seus dirigentes e pela estabilidade durante seus mandatos, bem como pelas demais disposições constantes desta Lei Complementar ou de leis específicas destinadas à sua implementação”. Demais alternativas: Alternativa A. A afirmação está correta porque, nos termos do contido no art. 6º da LC nº 179/2021, o “Banco Central do Brasil é autarquia de natureza especial caracterizada pela ausência de vinculação a Ministério, de tutela ou de subordinação hierárquica, pela autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira”. Alternativa B. A competência para exonerar o presidente e os diretores do Banco Central do Brasil é do Presidente da República. Porém, não se admite a livre-exoneração e, nesse sentido, as hipóteses de exoneração estão expressas no art. 5º, incisos I a IV, da LC nº 179/2021, e são as seguintes: “I - a pedido; II - no caso de acometimento de enfermidade que incapacite o titular para o exercício do cargo; III - quando sofrerem condenação, mediante decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, pela prática de ato de improbidade administrativa ou de crime cuja pena acarrete, ainda que temporariamente, a proibição de acesso a cargos públicos; IV - quando apresentarem comprovado e recorrente desempenho insuficiente para o alcance dos objetivos do Banco Central do Brasil”. Alternativa C. A duração dos mandatos dos diretores é a mesma, qual seja, quatro anos. Todavia, não há simultaneidade no início porque os incisos I a IV do § 2º do art. 4º estabelecem uma escala: “I - 2 (dois) Diretores terão mandatos com início no dia 1º de março do primeiro ano de mandato do Presidente da República; II - 2 (dois) Diretores terão mandatos com início no dia 1º de janeiro do segundo ano de mandato do Presidente da República; III - 2 (dois) Diretores terão mandatos com início no dia 1º de janeiro do terceiro ano de mandato do Presidente da República; e IV - 2 (dois) Diretores terão mandatos com início no dia 1º de janeiro do quarto ano de mandato do Presidente da República”. Alternativa E. A afirmação está correta, conforme estabelece o art. 2º da LC nº 179/2021, cujo teor é o seguinte: “As metas de política monetária serão estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, competindo privativamente ao Banco Central do Brasil conduzir a política monetária necessária para cumprimento das metas estabelecidas”. DIREITO ADMINISTRATIVO VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS10 1. Lei nº 14.119, de 13 de janeiro de 2021 - Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.119, DE 13 DE JANEIRO DE 2021 Ementa: Institui a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais; e altera as Leis nºs 8.212, de 24 de julho de 1991, 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e 6.015, de 31 de dezembro de 1973, para adequá-las à nova política. Data de publicação: 14.01.2021 e retificada em 15.01.2021 Início de vigência: 15.01.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Lei/L14119.htm> Destaques: • A lei disciplina importantes instrumentos de preservação ambiental, de forma sistemati- zada, instituindo o Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais, concretizando o art. 225 da CF/1988 por meio da atividade de fomento do Poder Público. • Além de trazer novos conceitos, como o de pagador e provedor de serviços ambientais, trata das modalidades de pagamento, como os títulos verdes (green bonds) e as cotas de reserva ambiental (CRA). • Traz um rol explicitando os casos que podem ser objeto do Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais, em seu art. 8º, merecendo destaque as terras indígenas, os territórios quilombolas e outras áreas legitimamente ocupadas por populações tradicionais, mediante consulta prévia, nos termos da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais. 1.2. Comentário Em 14.01.2021 foi publicada a Lei nº 14.119, com texto retificado em 15.01.2021, passando a viger a partir de sua publicação. De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “institui a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais; e altera as Leis nºs 8.212, de 24 de julho de 1991, 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e 6.015, de 31 de dezembro de 1973, para adequá-las à nova política”. Trata-se de mais um importante passo do Estado brasileiro em direção à concretização do art. 225 da CF/1988, notadamente o direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, preservando-a para as presentes e futuras gerações. DIREITO AMBIENTAL http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14119.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14119.htm VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS11 A Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais funcionará de forma integrada às demais políticas já existentes, nos termos do § 1º do art. 4º da lei: § 1º A PNPSA deverá integrar-se às demais políticas setoriais e ambientais, em especial à Política Nacional do Meio Ambiente, à Política Nacional da Biodiversidade, à Política Nacional de Recursos Hídricos, à Política Nacional sobre Mudança do Clima, à Política Nacional de Educação Ambiental, às normas sobre acesso ao patrimônio genético, sobre a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado e sobre a repartição de benefícios para conservação e uso sustentável da biodiversidade e, ainda, ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e aos serviços de assistência técnica e extensão rural. A lei traz as diretrizes, delimita o objeto, explicita o funcionamento do Programa Federal de Pagamento Ambiental (PFPSA), menciona as ações a serem implementadas,traz os critérios de aplicação menciona o contrato de pagamento por serviços ambientais, dentre outras questões. Desses pontos, o objeto do PFPSA e as modalidades de pagamento pelos serviços ambientais merecem maior atenção. Art. 8º Podem ser objeto do PFPSA: I - áreas cobertas com vegetação nativa; II - áreas sujeitas a restauração ecossistêmica, a recuperação da cobertura vegetal nativa ou a plantio agroflorestal; III - unidades de conservação de proteção integral, reservas extrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável, nos termos da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000; IV - terras indígenas, territórios quilombolas e outras áreas legitimamente ocupadas por populações tradicionais, mediante consulta prévia, nos termos da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais; V - paisagens de grande beleza cênica, prioritariamente em áreas especiais de interesse turístico; VI - áreas de exclusão de pesca, assim consideradas aquelas interditadas ou de reservas, onde o exercício da atividade pesqueira seja proibido transitória, periódica ou permanentemente, por ato do poder público; VII - áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade, assim definidas por ato do poder público. DIREITO AMBIENTAL VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS12 § 1º (VETADO). § 2º Os recursos decorrentes do pagamento por serviços ambientais pela conservação de vegetação nativa em terras indígenas serão aplicados em conformidade com os planos de gestão territorial e ambiental de terras indígenas, ou documentos equivalentes, elaborados pelos povos indígenas que vivem em cada terra. § 3º Na contratação de pagamento por serviços ambientais em áreas de exclusão de pesca, podem ser recebedores os membros de comu- nidades tradicionais e os pescadores profissionais que, historicamente, desempenhavam suas atividades no perímetro protegido e suas adjacências, desde que atuem em conjunto com o órgão ambiental competente na fiscalização da área. Cabe ressaltar, todavia, que sua eficácia interna ocorrerá apenas após o decreto do presidente da República, na forma do art. 84, IV, da CF/1988. As modalidades de pagamento pelos serviços ambientais são assim explicitadas no art. 3º da lei: Art. 3º São modalidades de pagamento por serviços ambientais, entre outras: I - pagamento direto, monetário ou não monetário; II - prestação de melhorias sociais a comunidades rurais e urbanas; III - compensação vinculada a certificado de redução de emissões por desmatamento e degradação; IV - títulos verdes (green bonds); V - comodato; VI - Cota de Reserva Ambiental (CRA), instituída pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. § 1º Outras modalidades de pagamento por serviços ambientais poderão ser estabelecidas por atos normativos do órgão gestor da PNPSA. § 2º As modalidades de pagamento deverão ser previamente pactuadas entre pagadores e provedores de serviços ambientais. DIREITO AMBIENTAL VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS13 1.3. Questão inédita comentada Em 14.01.2021, publicou-se a Lei nº 14.119/2021, que instituiu a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais. Em relação a ela, não podemos afirmar com correção que: A) Traz como modalidade de pagamento os chamados green bonds (títulos verdes). B) Pessoas físicas poderão se beneficiar de recursos públicos por serviços ambientais, ainda que inadimplentes em relação a termo de ajustamento de conduta. C) Podem ser objeto do Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais áreas cobertas com vegetação nativa. D) De acordo com a lei, serviços ecossistêmicos são benefícios relevantes para a sociedade gerados pelos ecossistemas, em termos de manutenção, recuperação ou melhoria das con- dições ambientais. E) Uma das modalidades de pagamento por serviços ambientais é o comodato. Alternativa correta: letra B, porquanto a questão pede a incorreta. Nos termos do art. 10, I, fica vedado nesse caso. Art. 10. É vedada a aplicação de recursos públicos para pagamento por serviços ambientais: I - a pessoas físicas e jurídicas inadimplentes em relação a termo de ajustamento de conduta ou de compromisso firmado com os órgãos competentes com base nas Leis nos 7.347, de 24 de julho de 1985, e 12.651, de 25 de maio de 2012; II - referente a áreas embargadas pelos órgãos do Sisnama, conforme disposições da Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Alternativa A. Sim, em seu art. 3º, IV. Art. 3º São modalidades de pagamento por serviços ambientais, entre outras: I - pagamento direto, monetário ou não monetário; II - prestação de melhorias sociais a comunidades rurais e urbanas; DIREITO AMBIENTAL VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS14 DIREITO AMBIENTAL III - compensação vinculada a certificado de redução de emissões por desmatamento e degradação; IV - títulos verdes (green bonds); V - comodato; VI - Cota de Reserva Ambiental (CRA), instituída pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. § 1º Outras modalidades de pagamento por serviços ambientais poderão ser estabelecidas por atos normativos do órgão gestor da PNPSA. § 2º As modalidades de pagamento deverão ser previamente pactuadas entre pagadores e provedores de serviços ambientais. (Grifos nossos.) Alternativa C. Sim, conforme o art. 8º, I. Art. 8º Podem ser objeto do PFPSA: I - áreas cobertas com vegetação nativa; II - áreas sujeitas a restauração ecossistêmica, a recuperação da cobertura vegetal nativa ou a plantio agroflorestal; III - unidades de conservação de proteção integral, reservas extrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável, nos termos da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000; IV - terras indígenas, territórios quilombolas e outras áreas legitimamente ocupadas por populações tradicionais, mediante consulta prévia, nos termos da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais; V - paisagens de grande beleza cênica, prioritariamente em áreas especiais de interesse turístico; VI - áreas de exclusão de pesca, assim consideradas aquelas interditadas ou de reservas, onde o exercício da atividade pesqueira seja proibido transitória, periódica ou permanentemente, por ato do poder público; VII - áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade, assim definidas por ato do poder público. § 1º (VETADO). § 2º Os recursos decorrentes do pagamento por serviços ambientais pela conservação de vegetação nativa em terras indígenas serão aplicados em conformidade com os planos de gestão territorial e ambiental de terras indígenas, ou documentos equivalentes, elaborados pelos povos indígenas que vivem em cada terra. VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS15 § 3º Na contratação de pagamento por serviços ambientais em áreas de exclusão de pesca, podem ser recebedores os membros de comunidades tradicionais e os pescadores profissionais que, historicamente, desem- penhavam suas atividades no perímetro protegido e suas adjacências, desde que atuem em conjunto com o órgão ambiental competente na fiscalização da área. (Grifos nossos.) Alternativa D. Sim, conforme o art. 2º, II, abrangendo as espécies de serviços de provisão, de suporte, de regulação e culturais. Art. 2º Para os fins desta Lei, consideram-se: I - serviços ecossistêmicos: benefícios relevantes para a sociedade gerados pelos ecossistemas, em termos de manutenção, recuperação ou melhoria das condições ambientais, nas seguintes modalidades: a) serviços de provisão: os que fornecem bens ou produtos ambientais utilizados pelo ser humano para consumo ou comercialização, tais como água, alimentos, madeira, fibras e extratos, entre outros; b) serviços de suporte: os que mantêm a perenidade da vida na Terra, tais como a ciclagem de nutrientes, a decomposição de resíduos, a produção, a manutenção ou a renovação da fertilidade do solo, a polinização, a dispersão de sementes, o controle de populações depotenciais pragas e de vetores potenciais de doenças humanas, a proteção contra a radiação solar ultravioleta e a manutenção da biodiversidade e do patrimônio genético; c) serviços de regulação: os que concorrem para a manutenção da estabilidade dos processos ecossistêmicos, tais como o sequestro de carbono, a purificação do ar, a moderação de eventos climáticos extremos, a manutenção do equilíbrio do ciclo hidrológico, a minimização de enchentes e secas e o controle dos processos críticos de erosão e de deslizamento de encostas; d) serviços culturais: os que constituem benefícios não materiais providos pelos ecossistemas, por meio da recreação, do turismo, da identidade cultural, de experiências espirituais e estéticas e do desenvolvimento intelectual, entre outros; Alternativa E. Exatamente, nos termos do art. 3º, V. Art. 3º São modalidades de pagamento por serviços ambientais, entre outras: V - comodato; (...). (Grifos nossos.) DIREITO AMBIENTAL VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS16 1. Lei nº 14.118/2021 - Programa Casa Verde e Amarela 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.118/2021 Ementa: Institui o Programa Casa Verde e Amarela; altera as Leis nºs 8.036, de 11 de maio de 1990, 8.100, de 5 de dezembro de 1990, 8.677, de 13 de julho de 1993, 11.124, de 16 de junho de 2005, 11.977, de 7 de julho de 2009, 12.024, de 27 de agosto de 2009, 13.465, de 11 de julho de 2017, e 6.766, de 19 de dezembro de 1979; e revoga a Lei nº 13.439, de 27 de abril de 2017. Data de publicação: 13.01.2021 Início de vigência: 13.01.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Lei/L14118.htm> Destaques: • A lei possui a finalidade de promover o direito à moradia a famílias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a famílias residentes em áreas rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais). • Disciplina o objetivo do programa em ampliar e promover a melhoria do estoque de moradias; estimular a modernização do setor da construção e a inovação tecnológica; promover o desenvolvimento institucional e a capacitação dos agentes públicos e privados responsáveis pela promoção do programa; estimular a inserção de microempresas, de pequenas empresas e de microempreendedores individuais do setor da construção civil e de entidades privadas sem fins lucrativos. • Disponibiliza as unidades habitacionais aos beneficiários sob a forma de cessão, doação, locação, comodato, arrendamento ou venda, mediante financiamento ou não, em contrato subsidiado ou não, total ou parcialmente. • Determina que o contrato e o registro do imóvel serão feitos, preferencialmente, em nome da mulher. Se for chefe de família não necessitará da concordância do marido. Na dissolução de união estável, separação ou divórcio, o título de propriedade do imóvel será registrado em nome da mulher ou a ela transferido, independentemente do regime de bens aplicável, excetuadas as operações firmadas com recursos do FGTS, e na hipótese da guarda dos filhos exclusiva do homem. Eventuais prejuízos sofridos decorrentes da regra serão solucionados em demandas indenizatórias. • Estabelece no prazo máximo de cinco dias da ciência do ato de turbação ou esbulho do empreendimento habitacional, que poderão ser empregados atos de defesa ou de desforço diretos, inclusive por meio do auxílio de força policial. • Considerou amplamente o rol de responsáveis para fins de parcelamento do solo urbano e permitiu a prorrogação, por igual período, do prazo de quatro anos para a execução das obras necessárias ao loteamento. DIREITO CIVIL http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14118.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14118.htm VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS17 1.2. Comentário Em 13.01.2021, em razão da conversão da Medida Provisória nº 996/2020, foi publicada a Lei nº 14.118, com início imediato de vigência. De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “institui o Programa Casa Verde e Amarela; altera as Leis nºs 8.036, de 11 de maio de 1990, 8.100, de 5 de dezembro de 1990, 8.677, de 13 de julho de 1993, 11.124, de 16 de junho de 2005, 11.977, de 7 de julho de 2009, 12.024, de 27 de agosto de 2009, 13.465, de 11 de julho de 2017, e 6.766, de 19 de dezembro de 1979; e revoga a Lei nº 13.439, de 27 de abril de 2017”. Em seu art. 1º a lei estabeleceu a sua principal “finalidade de promover o direito à moradia a famílias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a famílias residentes em áreas rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais), associado ao desenvolvimento econômico, à geração de trabalho e de renda e à elevação dos padrões de habitabilidade e de qualidade de vida da população urbana e rural”. Ainda, a lei relacionou os objetivos do Programa Casa Verde e Amarela, nos incisos do seu art. 3º, in verbis: Art. 3º São objetivos do Programa Casa Verde e Amarela: I - ampliar o estoque de moradias para atender às necessidades habita- cionais, sobretudo da população de baixa renda; II - promover a melhoria do estoque existente de moradias para reparar as inadequações habitacionais, incluídas aquelas de caráter fundiário, edilício, de saneamento, de infraestrutura e de equipamentos públicos; III - estimular a modernização do setor da construção e a inovação tecno- lógica com vistas à redução dos custos, à sustentabilidade ambiental e à melhoria da qualidade da produção habitacional, com a finalidade de ampliar o atendimento pelo Programa Casa Verde e Amarela; IV - promover o desenvolvimento institucional e a capacitação dos agentes públicos e privados responsáveis pela promoção do Programa Casa Verde e Amarela, com o objetivo de fortalecer a sua ação no cumprimento de suas atribuições; e V - estimular a inserção de microempresas, de pequenas empresas e de microempreendedores individuais do setor da construção civil e de entidades privadas sem fins lucrativos nas ações do Programa Casa Verde e Amarela. DIREITO CIVIL VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS18 Por sua vez, a lei definiu que “as unidades habitacionais produzidas pelo Programa Casa Verde e Amarela poderão ser disponibilizadas aos beneficiários sob a forma de cessão, de doação, de locação, de comodato, de arrendamento ou de venda, mediante financiamento ou não, em contrato subsidiado ou não, total ou parcialmente, conforme previsto em regulamento”, nos termos do que dispõe o art. 8º, § 6º. Será vedada a concessão de subsídios econômicos para aquisição de unidade habitacional por pessoa física, titular de contrato de financiamento obtido com recursos do FGTS ou para pessoa que seja proprietária, promitente compradora ou titular de direito de aquisição, de arrendamento, de usufruto ou de uso de imóvel residencial, ou ainda que tenha recebido, nos últimos dez anos, benefícios similares, dispositivo tratado no art. 12 da lei: Art. 12. É vedada a concessão de subvenções econômicas com a finalidadede aquisição de unidade habitacional por pessoa física que: I - seja titular de contrato de financiamento obtido com recursos do FGTS ou em condições equivalentes às do Sistema Financeiro da Habitação, emqualquer parte do País; II - seja proprietária, promitente compradora ou titular de direito de aqui- sição, de arrendamento, de usufruto ou de uso de imóvel residencial, regular, com padrão mínimo de edificação e de habitabilidade definido pelas regras da administração municipal, e dotado de abastecimento de água, de solução de esgotamento sanitário e de atendimento regular de energia elétrica, em qualquer parte do País; ou III - tenha recebido, nos últimos 10 (dez) anos, benefícios similares oriundos de subvenções econômicas concedidas com o orçamento geral da União e com recursos do FAR, do FDS ou de descontos habitacionais concedidos com recursos do FGTS,excetuados as subvenções ou os descontos destinados à aquisição de material de construção ou o Crédito Instalação, disponibilizados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na forma prevista em regulamento. § 1º O disposto no caput deste artigo, observada a legislação específica relativa à fonte de recursos, não se aplica à família que se enquadre em uma ou mais das seguintes hipóteses: I - tenha tido propriedade de imóvel residencial de que se tenha desfeito, por força de decisão judicial, há pelo menos 5 (cinco) anos; DIREITO CIVIL VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS19 II - tenha tido propriedade em comum de imóvel residencial, desde que dele se tenha desfeito, em favor do coadquirente, há pelo menos 5 (cinco) anos; III - tenha propriedade de imóvel residencial havida por herança ou doação, em condomínio, desde que a fração seja de até 40% (quarenta por cento), observada a regulamentação específica da fonte de recurso que tenha financiado o imóvel; IV - tenha propriedade de parte de imóvel residencial, em fração não supe- rior a 40% (quarenta por cento); V - tenha tido propriedade anterior, em nome do cônjuge ou do compa- nheiro do titular da inscrição, de imóvel residencial do qual se tenha desfeito, antes da união do casal, por meio de instrumento de alienação devidamente registrado no cartório competente; e VI - tenha nua propriedade de imóvel residencial gravado com cláusula de usufruto vitalício e tenha renunciado a esse usufruto. § 2º O disposto no caput deste artigo não se aplica às subvenções econômicas destinadas a: I - realização de obras e serviços de melhoria habitacional para assistênciaa famílias; II - atendimento de famílias envolvidas em operações de reassentamento, de remanejamento ou de substituição de moradia; e III - atendimento de famílias desabrigadas que tenham perdido o seu único imóvel em razão de situação de emergência ou de estado de calamidade pública reconhecidos pela União. Cabe ressaltar que o art. 13 da lei estabeleceu que “os contratos e os registros efetivados no âmbito do Programa Casa Verde e Amarela serão formalizados, preferencialmente, em nome da mulher e, na hipótese de esta ser chefe de família, poderão ser firmados independentemente da outorga do cônjuge, afastada a aplicação do disposto nos arts. 1.647, 1.648 e 1.649 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil)”. No mesmo sentido, estabeleceram os arts. 14 e 15, que seguem: Art. 14. Nas hipóteses de dissolução de união estável, separação ou divórcio, o título de propriedade do imóvel adquirido, construído ou regularizado pelo Programa Casa Verde e Amarela na constância do casamento ou da união estável será registrado em nome da mulher ou a ela transferido, independentemente do regime de bens aplicável, excetuadas as operações de financiamento habitacional firmadas com recursos do FGTS. DIREITO CIVIL VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS20 Parágrafo único. Na hipótese de haver filhos do casal e a guarda ser atribuída exclusivamente ao homem, o título da propriedade do imóvel construído ou adquirido será registrado em seu nome ou a ele transferido, revertida a titularidade em favor da mulher caso a guarda dos filhos seja a ela posteriormente atribuída. Art. 15. Os prejuízos sofridos pelo cônjuge ou pelo companheiro em razão do disposto nos arts. 13 e 14 desta Lei serão resolvidos em perdas e danos. A citada preferência já constava da Lei nº 11.977/2009 (posteriormente alterada pela Lei nº 12.693/2012), mas foi reproduzida com a intenção de promover o bem-estar da família. Insta frisar que há quem defenda a inconstitucionalidade do regramento por favorecer a mulher, violando o art. 5º, inciso I, da Constituição Federal (CF) de 1988. A lei também destaca que “para garantia da posse legítima dos empreendimentos habitacionais adquiridos ou construídos pelo Programa Casa Verde e Amarela ainda não alienados aos beneficiários finais que venham a sofrer turbação ou esbulho, poderão ser empregados atos de defesa ou de desforço diretos, inclusive por meio do auxílio de força policial”, nos termos do que dispõe seu art. 16, bem como disciplinam os §§ 1º e 2º, in verbis: § 1º O auxílio de força policial a que se refere o caput deste artigo poderá estar previsto no instrumento firmado ou em outro que venha a ser estabelecido entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. § 2º Os atos de defesa ou de desforço a que se refere o caput deste artigo não poderão ir além do indispensável à manutenção ou à restituição da posse e deverão ocorrer no prazo máximo de 5 (cinco) dias, contado da data de ciência do ato de turbação ou de esbulho. Por fim, a nova legislação também trouxe alterações à Lei nº 6.766/1979, passando a considerar amplamente o rol de responsáveis para fins de parcelamento do solo urbano, bem como permitiu a prorrogação, por igual período, do prazo de quatro anos para a execução das obras necessárias ao loteamento, nos termos do que dispõe o seu art. 24. 1.3. Questão inédita comentada A Lei nº 14.118/2021 instituiu o Programa Casa Verde e Amarela, visando promover o direito à moradia a famílias residentes em áreas urbanas e rurais. Quanto à renda das famílias, assinale a alternativa correta: VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS21 A) O Programa Casa Verde e Amarela tem a finalidade de promover o direito à moradia a famí- lias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a famílias residentes em áreas rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais). B) O Programa Casa Verde e Amarela tem a finalidade de promover o direito à moradia a famí- lias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 10.000,00 (dez mil reais) e a famílias residentes em áreas rurais com renda mensal de até R$ 15.000,00 (quinze mil reais). C) O Programa Casa Verde e Amarela tem a finalidade de promover o direito à moradia a famí- lias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 10.000,00 (dez mil reais) e a famílias residentes em áreas rurais com renda mensal de até R$ 64.000,00 (sessenta e quatro mil reais). D) O Programa Casa Verde e Amarela tem a finalidade de promover o direito à moradia a famí- lias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e a famílias residentes em áreas rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais). E) O Programa Casa Verde e Amarela tem a finalidade de promover o direito à moradia a famí- lias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a famílias residentes em áreas rurais com renda mensal de até R$ 15.000,00 (quinze mil reais). Alternativa correta: letra “A”. Conforme dispõe o art. 1º da Lei nº 14.118/2021, o Programa Casa Verde e Amarela foi instituído com o objetivo de promover o direito à moradia a famílias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a famílias residentes em área rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais), associado ao desenvolvimento econômico, à geração de renda e de trabalho bem como a elevação dos padrões de habitabilidade e da qualidade de vida da população rural e urbana. Alternativa B. Está incorreta, tendo em vista o que dispõe o art. 1º da Lei nº 14.118/2021. O Programa Casa Verde e Amarela foi instituído com o objetivo de promover o direito à moradia a famílias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a famílias residentes em área rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais), associado ao desenvolvimento econômico, à geração de renda e de trabalho bem como a elevação dos padrões de habitabilidade e da qualidade de vida da população rural e urbana. DIREITO CIVIL VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS22 AlternativaC. Está incorreta. Conforme dispõe o art. 1º da Lei nº 14.118/2021. O Programa Casa Verde e Amarela foi instituído com o objetivo de promover o direito à moradia a famílias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a famílias residentes em área rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais), associado ao desenvolvimento econômico, à geração de renda e de trabalho bem como a elevação dos padrões de habitabilidade e da qualidade de vida da população rural e urbana. Alternativa D. Está incorreta, pois, segundo o art. 1º da Lei nº 14.118/2021, o Programa Casa Verde e Amarela foi instituído com o objetivo de promover o direito à moradia a famílias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a famílias residentes em área rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais), associado ao desenvolvimento econômico, à geração de renda e de trabalho bem como a elevação dos padrões de habitabilidade e da qualidade de vida da população rural e urbana. Alternativa E. Está incorreta, pois está em desacordo com o que dispõe a literalidade do o art. 1º da Lei nº 14.118/2021. O Programa Casa Verde e Amarela foi instituído com o objetivo de promover o direito à moradia a famílias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 7.000,00 (sete mil reais) e a famílias residentes em área rurais com renda anual de até R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais), associado ao desenvolvimento econômico, à geração de renda e de trabalho, bem como a elevação dos padrões de habitabilidade e da qualidade de vida da população rural e urbana. DIREITO CIVIL VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS23 1. Medida Provisória (MP) nº 1.029, de 10 de fevereiro de 2021 - Exercício da profissão de tripulante de aeronave 1.1. Ficha normativa MP Nº 1.029, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2021 Ementa: Altera a Lei nº 13.475, de 28 de agosto de 2017, que dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave, denominado aeronauta. Data de publicação: 10.02.2021 Início de vigência: 10.02.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Mpv/mpv1029.htm> Destaque: • A Medida Provisória (MP) nº 1.029/2021, acrescentou um parágrafo ao art. 20 da Lei nº 13.475/17 (Lei do Aeronauta), para admitir a terceirização dos tripulantes a bordo de aeronave quando o operador da aeronave for órgão ou entidade da administração pública, no exercício de missões institucionais ou de poder de polícia. 1.2. Comentário A Lei nº 13.475/2017 (Lei do Aeronauta) dispõe sobre o exercício das profissões de piloto de aeronave, comissário de voo e mecânico de voo, denominados aeronauta. O art. 20 estabelece que o contrato de trabalho dos tripulantes a bordo deve ser firmado diretamente com o operador da aeronave, obrigatoriamente. No entanto, a MP nº 1.029, de 2021, acrescentou um parágrafo ao art. 20 da Lei do Aeronauta, estabelecendo que o disposto acima “não se aplica quando o operador da aeronave for órgão ou entidade da administração pública, no exercício de missões institucionais ou de poder de polícia”. Com isso, possibilita a terceirização de tripulantes quando o operador da aeronave for órgão ou entidade da administração pública, no exercício de missões institucionais ou de poder de polícia. As alterações promovidas admitem que, nesse caso, o contrato de trabalho seja firmado não com o órgão público contratante, chamado na lei de “operador”, mas, sim, diretamente com as empresas donas da aeronave. DIREITO DO TRABALHO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1029.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1029.htm VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS24 1.3. Questão inédita comentada Sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave, denominado aeronauta, é correto afirmar: A) A função remunerada dos tripulantes a bordo de aeronave deverá ser sempre formalizada por meio de contrato de trabalho firmado diretamente com o operador da aeronave. B) Nos casos em que o operador da aeronave é órgão ou entidade da administração pública, no exercício de missões institucionais, a função remunerada dos tripulantes deve ser formalizada por meio de contrato de trabalho firmado diretamente com o operador da aeronave. C) Nos casos em que o operador da aeronave é órgão ou entidade da administração pública, no exercício de poder de polícia, a função remunerada dos tripulantes deve ser formalizada por meio de contrato de trabalho firmado diretamente com o operador da aeronave. D) Nos casos em que o operador da aeronave for órgão ou entidade da administração pública, no exercício de missões institucionais ou de poder de polícia, a função remunerada dos tripulantes a bordo de aeronave deve ser formalizada por meio de contrato de trabalho firmado diretamente com a empresa dona da aeronave. Alternativa correta: letra D (responde a todas as alternativas). Nos termos do art. 20, § 4º, da Lei nº 13.475/2017, nos casos em que o operador da aeronave for órgão ou entidade da administração pública, no exercício de missões institucionais ou de poder de polícia, a função remunerada dos tripulantes a bordo de aeronave deverá sempre ser formalizada por meio de contrato de trabalho firmado diretamente com a empresa dona da aeronave, e não mais com o órgão público contratante: Art. 20. A função remunerada dos tripulantes a bordo de aeronave deverá, obrigatoriamente, ser formalizada por meio de contrato de trabalho firmado diretamente com o operador da aeronave. (...) § 4º O disposto neste artigo não se aplica quando o operador da aeronave for órgão ou entidade da administração pública, no exercício de missões institucionais ou de poder de polícia. (Incluído pela MP nº 1.029, de 2021.) DIREITO DO TRABALHO VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS25 1. Lei Complementar (LC) nº 178 - Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal e Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal 1.1. Ficha normativa LC Nº 178 Ementa: Estabelece o Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal e o Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal; altera a LC nº 101, de 4 de maio de 2000, a LC nº 156, de 28 de dezembro de 2016, a LC nº 159, de 19 de maio de 2017, a LC nº 173, de 27 de maio de 2020, a Lei nº 9.496, de 11 de setembro de 1997, a Lei nº 12.348, de 15 de dezembro de 2010, a Lei nº 12.649, de 17 de maio de 2012, e a MP nº 2.185-35, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Data de publicação: 13.01.2021 Início de vigência: 13.01.2021 Diferenciada: Art. 51 da LC nº 101/2000 – vigência a partir de 2022 Art. 42 da LC nº 101/2000 – vigência a partir de 2023 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm#art16> Destaques: • Os entes federativos que ultrapassem o teto de limite de gastos com pessoal devem realizar a redução em 10% anualmente a partir de 2023 do excesso no dispêndio laboral. • Com relação ao cálculo com despesa de pessoal a LC nº 178/2021 alterou a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) definindo que o cálculo deve ser realizado adotando-se o regime de competência independentemente de empenho, e a referida apuração da renda bruta total com pessoal não contabiliza dedução ou retenção, salvo o valor que extrapola o teto salarial do funcionalismo público. • Tratou também das deduções brutas com os pensionistas desde que custo esteja coberto pelos recursos pertencentes ao regime próprio de previdência. E em caso de desequilíbrio no Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) a transferência de aportes atuariais à entidade ou fundo são obrigatórios, com posterior e gradativo desconto na forma definida pelo Ministério da Previdência. • Os entes podem alterar a finalidade da operação de crédito sem a necessidade de nova verificação pelo Ministério da Economia. • Realização de consulta públicaprévia para que os entes se manifestem sobre alteração de metodologia com relação à classificação da capacidade de pagamento pelos entes. • Com relação à fiscalização da gestão fiscal o diploma legal considerou que os controles interno e externo fiscalizarão a gestão fiscal considerando a padronização do Conselho Nacional de Gestão Fiscal. DIREITO FINANCEIRO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm#art16 VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS26 1.2. Comentário Em 13.01.2021, a LC nº 178 foi publicada pela Lei nº 14.065, com início imediato de vigência, ressalvados os arts. 42 e 51. O art. 42 tem vigência prevista para o ano 2023, enquanto o art. 51 tem vigência prevista para o ano de 2022, conforme o disposto no art. 32 da LC nº 178. De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo autoriza “Estabelece o Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal e o Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal; altera a Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, a Lei Complementar nº 156, de 28 de dezembro de 2016, a Lei Complementar nº 159, de 19 de maio de 2017, a Lei Complementar nº 173, de 27 de maio de 2020, a Lei nº 9.496, de 11 de setembro de 1997, a Lei nº 12.348, de 15 de dezembro de 2010, a Lei nº 12.649, de 17 de maio de 2012, e a Medida Provisória nº 2.185-35, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências”. Trata-se de lei que objetiva estabelecer o Programa de Ajuste Fiscal e com o agravamento das contas públicas causado pelo advento da pandemia da Covid-19, o referido programa visa oportunizar o reequilíbrio das contas. Dentre os pontos transformadores trazidos pelo diploma, neste momento abordaremos as inovações que tocam o direito financeiro, de forma especial, as alterações geradas na LRF. Em relação à despesa pública com pessoal, estabelece alteração nos arts. 18, §§ 2º e 3º; 19, VI, c e § 3º; 20, § 7º; e 23, § 3º, III. Em primeiro momento, o ente federativo que extrapolar o teto de gasto com o regime de pessoal deverá realizar a redução em 10% anualmente a partir de 2023 do excesso no dispêndio laboral. E as penalidades pelo não ajuste das contas passam a ser aplicados no ano de 2023. Dentre as penalidades encontram-se: não recebimento de transferência voluntária; impossibilidade de contratar operações de crédito e rejeição do balanço anual. Esta previsão está esculpida no art. 15 da LC nº 178. Art. 15. O Poder ou órgão cuja despesa total com pessoal ao término do exercício financeiro da publicação desta Lei Complementar estiver acima de seu respectivo limite estabelecido no art. 20 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, deverá eliminar o excesso à razão de, pelo menos, 10% (dez por cento) a cada exercício a partir de 2023, por meio da adoção, entre outras, das medidas previstas nos arts. 22 e 23 daquela Lei Complementar, de forma a se enquadrar no respectivo limite até o término do exercício de 2032. DIREITO FINANCEIRO https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11247310/artigo-20-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/102628/lei-de-responsabilidade-fiscal-lei-complementar-101-00 https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11245982/artigo-22-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000 https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11245674/artigo-23-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000 VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS27 § 1º A inobservância do disposto no caput no prazo fixado sujeita o ente às restrições previstas no § 3º do art. 23 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. § 2º A comprovação acerca do cumprimento da regra de eliminação do excesso de despesas com pessoal prevista no caput deverá ser feita no último quadrimestre de cada exercício, observado o art. 18 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. § 3º Ficam suspensas as contagens de prazo e as disposições do art. 23 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, no exercício financeiro de publicação desta Lei Complementar. § 4º Até o encerramento do prazo a que se refere o caput, será considerado cumprido o disposto no art. 23 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, pelo Poder ou órgão referido no art. 20 daquela Lei Complementar que atender ao estabelecido neste artigo.(Grifos nossos.) Por outro lado, a LC nº 178/2021, ainda ao tratar da despesa de pessoal, desconsiderou do cálculo da renda bruta dedução ou retenção, ressalvado os valores que ultrapassarem ao teto do funcionalismo público previsto no art. 37, XI, da CF/1988. Ademais, o cálculo deve ser realizado adotando-se o regime de competência independentemente de empenho. Por fim, com relação às deduções de renda bruta referentes aos pensionistas, há previsão da cobertura dos recursos pertencentes ao regime próprio de previdência e aportes em caso de desequilíbrio no RPPS. Os Poderes possuem o dever de apurar a aplicação dos limites de gastos independentemente de o custeio estar a cargo de outro Poder ou órgão. Então, sobre a despesa com pessoal, as alterações encontram-se nos dispositivos da LC nº 101/2000: Art. 18. Para os efeitos desta Lei Complementar, entende-se como despesa total com pessoal: o somatório dos gastos do ente da Federação com os ativos, os inativos e os pensionistas, relativos a mandatos eletivos, cargos, funções ou empregos, civis, militares e de membros de Poder, com quaisquer espécies remuneratórias, tais como vencimentos e vantagens, fixas e variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria, reformas e pensões, inclusive adicionais, gratificações, horas extras e vantagens pessoais de qualquer natureza, bem como encargos sociais e contribuições recolhidas pelo ente às entidades de previdência. (...) DIREITO FINANCEIRO https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11245551/par%C3%A1grafo-3-artigo-23-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000 https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11245674/artigo-23-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/102628/lei-de-responsabilidade-fiscal-lei-complementar-101-00 https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11248133/artigo-18-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/102628/lei-de-responsabilidade-fiscal-lei-complementar-101-00 https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11245674/artigo-23-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/102628/lei-de-responsabilidade-fiscal-lei-complementar-101-00 https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11245674/artigo-23-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/102628/lei-de-responsabilidade-fiscal-lei-complementar-101-00 https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11247310/artigo-20-lc-n-101-de-04-de-maio-de-2000 VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS28 § 2º A despesa total com pessoal será apurada somando-se a realizada no mês em referência com as dos 11 (onze) imediatamente anteriores, adotando-se o regime de competência, independentemente de empenho. (Redação dada pela LC nº 178, de 2021.) § 3º Para a apuração da despesa total com pessoal, será observada a remuneração bruta do servidor, sem qualquer dedução ou retenção, ressalvada a redução para atendimento ao disposto no art. 37, inciso XI, da Constituição Federal. (Incluído pela LC nº 178, de 2021.) Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da Constituição, a despesa total com pessoal, em cada período de apuração e em cada ente da Federação, não poderá exceder os percentuais da receita corrente líquida, a seguir discriminados: (...) VI - com inativos e pensionistas, ainda que pagas por intermédio de unidade gestora única ou fundo previsto no art. 249 da Constituição Federal, quanto à parcela custeada por recursos provenientes: (Redação dada pela LC nº 178, de 2021.) (...) c) de transferências destinadas a promover o equilíbrio atuarial do regime de previdência, na forma definida pelo órgão do Poder Executivo federal responsável pela orientação, pela supervisão e pelo acompanhamento dos regimes próprios de previdência social dosservidores públicos. (Redação dada pela LC nº 178, de 2021.) (...) § 3º Na verificação do atendimento dos limites definidos neste artigo, é vedada a dedução da parcela custeada com recursos aportados para a cobertura do déficit financeiro dos regimes de previdência.(Incluído pela LC nº 178, de 2021.) Art. 20. A repartição dos limites globais do art. 19 não poderá exceder os seguintes percentuais: (...) § 7º Os Poderes e órgãos referidos neste artigo deverão apurar, de forma segregada para aplicação dos limites de que trata este artigo, a integralidade das despesas com pessoal dos respectivos servidores inativos e pensionistas, mesmo que o custeio dessas despesas esteja a cargo de outro Poder ou órgão. (Incluído pela LC nº 178, de 2021.) (Grifos nossos.) DIREITO FINANCEIRO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS29 Por sua vez, os entes podem alterar a finalidade da operação de crédito dos estados, Distrito Federal e municípios, sem que para tanto haja nova verificação pelo Ministério da Economia se houver autorização prévia na lei orçamentária ou lei específica. Neste caso, será necessário demonstrar o interesse econômico e social da alteração. É o previsto no novo parágrafo do art. 32 da LRF: § 7º Poderá haver alteração da finalidade de operação de crédito de Estados, do Distrito Federal e de Municípios sem a necessidade de nova verificação pelo Ministério da Economia, desde que haja prévia e expressa autorização para tanto, no texto da lei orçamentária, em créditos adicionais ou em lei específica, que se demonstre a relação custo-benefício e o interesse econômico e social da operação e que não configure infração a dispositivo desta Lei Complementar. (Incluído pela LC nº 178, de 2021.) Ademais, a nova lei exige a realização de consulta pública prévia para alteração de metodologia com relação à classificação da capacidade de pagamento pelos entes. Veja! Art. 40. Os entes poderão conceder garantia em operações de crédito internas ou externas, observados o disposto neste artigo, as normas do art. 32 e, no caso da União, também os limites e as condições estabelecidos pelo Senado Federal e as normas emitidas pelo Ministério da Economia acerca da classificação de capacidade de pagamento dos mutuários. (Redação dada pela LC nº 178, de 2021.) (...) § 11 A alteração da metodologia utilizada para fins de classificação da capacidade de pagamento de Estados e Municípios deverá ser precedida de consulta pública, assegurada a manifestação dos entes. (Incluído pela LC nº 178, de 2021.) Por fim, no exercício da fiscalização da gestão fiscal o controle interno e externo precisa considerar a padronização do Conselho Nacional de Gestão Fiscal. Art. 59. O Poder Legislativo, diretamente ou com o auxílio dos Tribunais de Contas, e o sistema de controle interno de cada Poder e do Ministério Público fiscalizarão o cumprimento desta Lei Complementar, consideradas as normas de padronização metodológica editadas pelo conselho de que trata o art. 67, com ênfase no que se refere a: (Redação dada pela LC nº 178, de 2021.) DIREITO FINANCEIRO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp178.htm VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS30 1.3. Questão inédita comentada Conforme estabelece a LRF sobre a despesa de pessoal é correto afirmar: A) A apuração da despesa total de pessoal depende de empenho. B) Na apuração da despesa total de pessoal são observadas as reduções decorrentes do excedente do teto remuneratório do funcionalismo público. C) Na apuração do limite com despesa de pessoal são computadas as despesas com inativos e pensionistas ainda que pago por unidade gestora. D) O Ministério Público não pode de forma segregada do Poder Judiciário apurar o limite de gastos com pessoal. E) A parcela custeada com recursos aportados para a cobertura do déficit financeiro dos regimes de previdência não entra no cálculo da verificação do limite das despesas com pessoal. Alternativa correta: letra B. Nos termos da nova redação do § 3º, art. 18, incluído pela LC nº 178/2021, no qual, para a apuração da despesa total com pessoal, será observada a remuneração bruta do servidor sem qualquer dedução ou retenção, ressalvada a redução para atendimento ao disposto no art. 37, inciso XI, da CF/1988. Alternativa A. A LRF prevê independe de empenho a apuração de despesa total com pessoal (art. 18, § 2º, com redação dada pela LC nº 178/2021). Art. 18. Para os efeitos desta Lei Complementar, entende-se como despesa total com pessoal: o somatório dos gastos do ente da Federação com os ativos, os inativos e os pensionistas, relativos a mandatos eletivos, cargos, funções ou empregos, civis, militares e de membros de Poder, com quaisquer espécies remuneratórias, tais como vencimentos e vantagens, fixas e variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria, reformas e pensões, inclusive adicionais, gratificações, horas extras e vantagens pessoais de qualquer natureza, bem como encargos sociais e contribuições recolhidas pelo ente às entidades de previdência. § 2º A despesa total com pessoal será apurada somando-se a realizada no mês em referência com as dos 11 (onze) imediatamente anteriores, adotando-se o regime de competência, independentemente de empenho. (Redação dada pela Lei Complementar nº 178, de 2021.) DIREITO FINANCEIRO VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS31 Alternativa C. Quanto à apuração do limite de despesa de pessoal, não serão computadas as despesas com os inativos e pensionistas, ainda que o pagamento seja realizado por unidade gestora única ou fundo (art. 19, § 1º, VI, da LRF, com redação dada pela LC nº 178/2021). Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da Constituição, a despesa total com pessoal, em cada período de apuração e em cada ente da Federação, não poderá exceder os percentuais da receita corrente líquida, a seguir discriminados: § 1º Na verificação do atendimento dos limites definidos neste artigo, não serão computadas as despesas: VI - com inativos e pensionistas, ainda que pagas por intermédio de unidade gestora única ou fundo previsto no art. 249 da Constituição Federal, quanto à parcela custeada por recursos provenientes: (Redação dada pela Lei Complementar nº 178, de 2021.) Alternativa D. O Ministério Público deve realizar a fiscalização da gestão fiscal e tem independência para tanto (art. 59 da LRF, com redação dada pela LC nº 178/2021). Art. 59. O Poder Legislativo, diretamente ou com o auxílio dos Tribunais de Contas, e o sistema de controle interno de cada Poder e do Ministério Público fiscalizarão o cumprimento desta Lei Complementar, consideradas as normas de padronização metodológica editadas pelo conselho de que trata o art. 67, com ênfase no que se refere a: (Redação dada pela Lei Complementar nº 178, de 2021.) Alternativa E. Fica vedada a dedução dos recursos aportados para a cobertura do déficit financeiro dos regimes de previdência na verificação do atendimento do limite com despesa de pessoal (art. 19, § 3º, da LRF, com redação dada pela LC nº 178/2021). Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da Constituição, a despesa total com pessoal, em cada período de apuração e em cada ente da Federação, não poderá exceder os percentuais da receita corrente líquida, a seguir discriminados: § 3º Na verificação do atendimento dos limites definidos neste artigo, é vedada a dedução da parcela custeada com recursos aportados para a cobertura do déficit financeiro dos regimes de previdência. (Incluído pela Lei Complementar nº178, de 2021.) DIREITO FINANCEIRO VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS32 1. Decreto Legislativo CN nº 01/2021 - Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância 1.1. Ficha normativa DECRETO LEGISLATIVO CN Nº 01/2021 Ementa: Aprova o texto da Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, adotada na Guatemala, por ocasião da 43ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos, em 5 de junho de 2013. Data de publicação: 19.02.2021 Início de vigência: 19.02.2021 Link do texto normativo: <https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-legislativo-30 4416057> Destaques: • A Convenção foi aprovada na forma do § 3º do art. 5º da Constituição Federal (CF/1988), e terá status de emenda constitucional. • O texto segue para ratificação pelo presidente da República nos termos do art. 84, IV, da CF/1988, passando a ter força cogente no plano interno a partir daqui. • Ao lado das Convenções de Nova York sobre Pessoas com Deficiência e do Tratado de Marraqueche sobre inclusão de pessoas com deficiência visual, será o terceiro tratado de direitos humanos aprovado na forma qualificada do § 3º do art. 5º da CF/1988: aprovação por 3/5 em cada uma das Casas do Congresso Nacional, em dois turnos. 1.2. Comentário Em 19.02.2021 foi promulgado pelo Congresso Nacional o Decreto Legislativo nº 01, de 2021. De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “aprova o texto da Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, adotada na Guatemala, por ocasião da 43ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos, em 5 de junho de 2013”. Trata-se de mais um importante passo do Estado brasileiro no combate ao racismo, crimina- lizado no plano interno por meio da Lei nº 7.716/1989, a partir de mandamento de criminalização presente na própria CF/1988, art. 5º, XLII: “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”; além de representar, o combate ao racismo, um princípio da República Federativa do Brasil em suas relações internacionais, nos termos do inciso VIII do art. 4º. DIREITO INTERNACIONAL https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-legislativo-304416057 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-legislativo-304416057 VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS33 O Brasil já é signatário da Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial, no âmbito da Organização das Nações Unidas, internalizada por meio do Decreto nº 65.810/1969, ostentando status supralegal, nos termos do Recurso Extraordinário nº 466.343, por ser tratado de direitos humanos não internalizado nos termos do art. 5º, § 3º, da CF/1988, assim como o Pacto de São José da Costa Rica. A Convenção ora aprovada pelo Poder Legislativo faz parte do Sistema Regional Interame- ricano, ao passo que a Convenção aprovada anteriormente faz parte do Sistema Global ou Onusiano. Desse modo, a proteção de direitos humanos, em específico quanto às questões raciais, ganha mais um reforço expresso, somando-se de forma salutar a todo o arcabouço normativo já existente. A Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância é importantíssimo instrumento para a proteção dos direitos humanos e está a um passo de ser incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro. O decreto legislativo em comento corporifica a aprovação pelo Congresso Nacional, nos termos do art. 49, I, da CF/1988, faltando agora a ratificação pelo presidente da República e, em consequência, a publicação do decreto presidencial, quando será considerada internalizada ao direito brasileiro. Em relação à mencionada Convenção, dois pontos merecem maior atenção: a forma de sua aprovação e seu conceito de discriminação racial. Quanto à forma de aprovação, ela se deu como previsto no art. 5º, § 3º, da CF/1988, cujo teor é o seguinte: Art. 5º (...) § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. O conceito de discriminação racial da Convenção Interamericana é bastante largo, envolvendo quaisquer áreas da vida pública ou privada, a exemplo da orientação sexual, em que pese o enfoque principal diga respeito a raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica, conforme deixa entrever a parte final do artigo 1.1. Artigo 1. Para os efeitos desta Convenção: 1. Discriminação racial é qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência, em qualquer área da vida pública ou privada, cujo propósito ou efeito seja anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em condições de igualdade, de um ou mais direitos humanos e liberdades fundamentais consagrados nos instrumentos internacionais aplicáveis aos Estados Partes. DIREITO INTERNACIONAL VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS34 A discriminação racial pode basear-se em raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica. (Grifos nossos.) 1.3. Questão inédita comentada Em 19.02.2021, o Congresso Nacional, por meio do Decreto nº 01/2021, aprovou o texto da Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, adotada na Guatemala, por ocasião da 43ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos, em 5 de junho de 2013, nos termos do § 3º do art. 5º da CF/1988. Assim, podemos afirmar com correção que: A) O texto aprovado considera-se automaticamente promulgado no âmbito interno. B) Por se tratar de Convenção sobre Direitos Humanos, ostentará status supralegal, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 466.344. C) Já produz efeitos para o Brasil em âmbito internacional. D) Passa a substituir a Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial, promulgada pelo Decreto Presidencial nº 65.810/1969, vez que trata do mesmo tema, sendo posterior. E) Não poderá sofrer controle de convencionalidade em âmbito interno, ainda que devidamente internalizado. Alternativa correta: letra C. Nos termos do art. 49, I, da CF/1988, uma vez aprovadas pelo Congresso Nacional, as Convenções que acarretem encargos ao Brasil passam a ostentar validade no âmbito internacional, produzindo efeitos para o Brasil em relação aos compromissos assumidos. Alternativa A. Para que seja promulgado, ostentando cogência no plano interno, necessita de um decreto presidencial, na forma do art. 84, IV, CF/1988, vez que o Brasil adota a Teoria Dualista Moderada. Alternativa B. O STF entendeu no recurso extraordinário referido pelo status supralegal da Convenção Interamericana de Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), vez que não aprovado na forma do § 3º do art. 5º da CF/1988, mas por tratar de direitos humanos. Alternativa D. Não substitui, mas se soma a ela na proteção aos direitos humanos, porquanto coexistentes os sistemas de proteção global e regionais de direitos humanos. Alternativa E. Não somente poderá, como deverá servir de parâmetro para as normas internas em controle de convencionalidade. DIREITO INTERNACIONAL VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS35 1. Medida Provisória (MP) nº 1.023 - Benefício de prestação continuada 1.1. Ficha normativa MP Nº 1.023 Ementa: Altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, para dispor sobre o benefício de prestação continuada. Data de publicação: 31.12.2020 Início de vigência: 01.01.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/ Mpv/mpv1023.htm> Destaque: • A medida provisória trata do requisito da renda familiar para fins de obtençãodo benefício do amparo assistencial. 1.2. Comentário Em 31.12.2020, a MP nº 1.023/2020 foi publicada, com início de vigência em 01.01.2021. De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “Altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, para dispor sobre o benefício de prestação continuada”. Trata-se de mais uma inovação legal promovida na Lei da Assistência Social (LOAS). O benefício de prestação continuada é devido às pessoas portadoras de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. No ano de 2020 o critério objetivo de renda mensal per capita mensal da família para fins do benefício foi alvo de muitas mudanças. Em relação à renda per capita mensal familiar para fins de obtenção do benefício, atualmente a referida MP, estabelece no art. 20, § 3º, I, da LOAS, que: § 3º Considera-se incapaz de prover a manutenção da pessoa com deficiência ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja: I - inferior a um quarto do salário mínimo; DIREITO PREVIDENCIÁRIO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Mpv/mpv1023.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Mpv/mpv1023.htm VADE MECUM COMENTADO DE NOVIDADES LEGISLATIVAS36 De modo sistemático, observe a evolução legislativa sobre o critério objetivo da renda per capita: Redação original da Lei nº 8.742/1993 Art. 20, § 3º Renda mensal per capita inferior a 1/4 do salário mínimo Redação dada pela Lei nº 13.981/2020 Art. 20, § 3º Renda mensal per capita inferior a 1/2 do salário mínimo Redação dada pela Lei nº 13.982/2020 Art. 20, § 3º, I Renda mensal per capita igual ou inferior a 1/4 do salário mínimo até 31.12.2020 Redação dada pela MP nº 1.023/2020 Art. 20, § 3º, I Renda mensal per capita inferior a 1/4 do salário mínimo Portanto, guarde a tratativa legal do critério objetivo de renda per capita familiar para fins da concessão do benefício assistencial levando em consideração que estamos diante de uma MP que pode ser ou não convertida em lei. 1.3. Questão inédita comentada O benefício de prestação continuada que garante um salário mínimo mensal à pessoa porta- dora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de tê-la provida por sua família, exigindo-se, a comprovação de renda per capita familiar: A) 1/6 do valor do salário mínimo; B) igual a 1/4 do salário mínimo; C) inferior a 1/4 do salário mínimo; D) igual a 1/4 do salário mínimo; E) inferior a 1/3 do salário mínimo. Alternativa correta: letra C (responde a todas as alternativas). Nos termos da atual redação do art. 20, § 3º, I, da Lei nº 8.742/1993, o valor da renda per capita familiar deve ser inferior a 1/4 do salário mínimo. DIREITO PREVIDENCIÁRIO Caderno de novidades legislativas SUMÁRIO Março 2021 Caderno de novidades legislativas38 1. Lei nº 14.124/2021 – Medidas excepcionais destinadas à vacinação contra Covid-19 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.124/2021 Ementa: Dispõe sobre as medidas excepcionais relativas à aquisição de vacinas e de insumos e à contratação de bens e serviços de logística, de tecnologia da informação e comunicação, de comunicação social e publicitária e de treinamentos destinados à vacinação contra a Covid-19, e sobre o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. Data de publicação: 10.03.2021 Início de vigência: 10.03.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Lei/L14124.htm> Destaques: • A lei autoriza dispensa de licitação para que a Administração Pública direta e indireta celebre contratos de aquisição de vacinas e insumos para vacinação contra a Covid-19, mesmo que antes do registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ou autorização temporária de uso emergencial. • Autoriza dispensa de licitação para que a Administração Pública direta e indireta celebre contratos de bens e serviços necessários para implementação da vacinação contra a Covid-19. • Autoriza compra, distribuição e aplicação de vacinas contra a Covid-19 por estados, Distrito Federal e municípios, caso a União tenha atuação intempestiva. • Autoriza, de forma excepcional e temporária, a importação e distribuição de vacinas, medicamentos e outros insumos para combate à Covid-19 sem registro na Anvisa, desde que haja aprovação ou registro por outras autoridades sanitárias, entre outros requisitos. 1.2. Comentário No dia 10.03.2021 foi publicada e entrou em vigor a Lei nº 14.124/2021, com o objetivo de auxiliar o enfrentamento à pandemia. Conforme ementa da lei, o novel texto legislativo trata “sobre as medidas excepcionais relativas à aquisição de vacinas e de insumos e à contratação de bens e serviços de logística, de tecnologia DIREITO ADMINISTRATIVO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14124.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14124.htm Caderno de novidades legislativas39 da informação e comunicação, de comunicação social e publicitária e de treinamentos destinados à vacinação contra a Covid-19 e sobre o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19”. Tendo em vista a Covid-19 como medida excepcional, a lei autoriza a dispensa de licitação para aquisição de vacinas, insumos para vacinação e para contratação de bens e serviços necessários para implementação da vacinação. Art. 2º Fica a administração pública direta e indireta autorizada a celebrar contratos ou outros instrumentos congêneres, com dispensa de licitação, para: I ‒ ‒ a aquisição de vacinas e de insumos destinados à vacinação contra a Covid-19, inclusive antes do registro sanitário ou da autorização temporária de uso emergencial; e II ‒ ‒ a contratação de bens e serviços de logística, de tecnologia da informação e comunicação, de comunicação social e publicitária, de treinamentos e de outros bens e serviços necessários à implementação da vacinação contra a Covid-19. Em relação à formalização da contratação direta, o art. 2º, § 1º, da lei dispõe que a dispensa de licitação “não afasta a necessidade de processo administrativo que contenha os elementos técnicos referentes à escolha da opção de contratação e à justificativa do preço ajustado” (grifos nossos). Todas as aquisições ou contratações feitas com base na nova lei deverão ser publicizadas, no prazo máximo de 5 dias úteis, “contado da data da realização do ato em sítio oficial da internet” (art. 2º, § 2º), devendo haver a divulgação de todas as informações elencadas nesse dispositivo: Art. 2º (...) I ‒ o nome do contratado e o número de sua inscrição na Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil do Ministério da Economia ou identificador congênere no caso de empresa estrangeira que não funcione no País; II ‒ o prazo contratual, o valor e o respectivo processo de aquisição ou de contratação; III ‒ o ato que autoriza a contratação direta ou o extrato decorrente do contrato; IV ‒ a discriminação do bem adquirido ou do serviço contratado e o local de entrega ou de prestação do serviço; DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas40 V ‒ o valor global do contrato, as parcelas do objeto, os montantes pagos e o saldo disponível ou bloqueado, caso exista; VI ‒ as informações sobre eventuais aditivos contratuais; VII ‒ a quantidade entregue ou prestada em cada ente federativo durante a execução do contrato, nas contratações de bens e serviços; e VIII ‒ as atas de registros de preços das quais a contratação se origine, se houver. A fim de justificar a situação de dispensa, o legislador presumiu, no art. 3º, a presunção da comprovação da “ocorrência de situação de emergência em saúde pública de importância nacional decorrente do coronavírus responsável pela Covid-19 (SARS-CoV-2)”; “necessidade de pronto atendimento à situação de emergência em saúde pública de importâncianacional decorrente do coronavírus responsável pela Covid-19 (SARS-CoV-2)”. Além da dispensa, também prevê a lei a contratação direta por inexigibilidade no caso de fornecedor exclusivo do bem ou serviço “inclusive no caso da existência de sanção de impedimento ou de suspensão para celebração de contrato com o poder público” (§ 3º), sendo, nesse caso, obrigatória a prestação de garantia até o limite de 10%. Estabelece a lei, ainda, diversas outras disposições referentes à licitação e ao regramento dos contratos administrativos e, em relação ao primeiro caso, por exemplo, o art. 8º prevê, no caso de pregão, a redução dos prazos pela metade. Por sua vez, quanto aos contratos administrativos decorrentes das aquisições e contratações descritas na lei, merece destaque o art. 9º, prevendo que “a administração pública direta e indireta poderá estabelecer cláusula com previsão de que os contratados ficam obrigados a aceitar, nas mesmas condições contratuais iniciais, acréscimos ou supressões ao objeto contratado limitados a até 50% (cinquenta por cento) do valor inicial atualizado do contrato.” Além das disposições referentes à contratação direta, à licitação e aos contratos administrativos, importante mencionar que a nova lei prevê, no art. 13, § 3º, a autorização para a compra, a distribuição e a aplicação de vacinas contra a Covid-19 por estados, Distrito Federal e municípios, caso a União “não realize as aquisições e a distribuição tempestiva de doses suficientes para a vacinação dos grupos previstos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19” (grifos nossos). DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas41 Nesse caso, as vacinas devem estar: i. registradas (na Anvisa); ou ii. autorizadas para uso emergencial (pela Anvisa); ou iii. autorizadas excepcionalmente para importação. A última hipótese mencionada, autorização excepcional para importação, foi prevista no art. 16 da Lei nº 14.124/2021, e significa que vacinas e medicamentos contra a Covid-19 não registrados na Anvisa podem ser autorizados para importação pela agência caso preencham os seguintes requisitos: i. possuam estudos clínicos de fase três concluídos ou resultados provisórios de um ou mais estudos clínicos; ii. sejam considerados essenciais para o combate da doença; iii. sejam registrados ou autorizados para uso emergencial por autoridades sanitárias estrangeiras listadas na lei; iv. sejam autorizados à distribuição no respectivo país da autoridade sanitária que registrou ou autorizou o uso emergencial. Para materiais, equipamentos e insumos da área de saúde sujeitos à vigilância sanitária e não registrados na Anvisa, dispensa-se apenas o requisito listado no item “i”, uma vez que ele é aplicável às vacinas e medicamentos contra a Covid-19. Como exemplo de autoridades sanitárias estrangeiras previstas na lei (item iii), cita-se a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos da América, e a European Medicines Agency (EMA), da União Europeia. 1.3. Questão inédita comentada Nos termos da Lei nº 14.124/2021, assinale a alternativa incorreta: A) A Administração Pública direta e indireta fica autorizada a celebrar contratos ou outros instrumentos congêneres, com dispensa de licitação, para aquisição de vacinas contra a Covid-19. DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas42 B) A Administração Pública direta e indireta fica autorizada a celebrar contratos ou outros instrumentos congêneres, com dispensa de licitação, para contratação de bens e serviços de logística necessários à implementação da vacinação contra a Covid-19. C) Os estados, os municípios e o Distrito Federal ficam autorizados a adquirir, distribuir e aplicar as vacinas contra a Covid-19, caso a União não realize as aquisições e a distribuição tempestiva de doses suficientes para a vacinação de toda a população. D) Autoriza de forma excepcional e temporária a importação e distribuição de vacinas e medicamentos contra a Covid-19 sem registro na Anvisa, desde que registrados ou autorizados para uso emergencial por autoridades sanitárias estrangeiras e autorizados à distribuição em seus respectivos países, entre outros requisitos. E) A Administração Pública direta e indireta fica autorizada a celebrar contratos ou outros instrumentos congêneres, com dispensa de licitação, para compra de insumos destinados à vacinação contra a Covid-19. Alternativa correta: letra C. Nos termos do art. 13, § 3º, da Lei nº 14.124/2021,“a aplicação das vacinas contra a Covid-19 deverá observar o previsto no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, ou naquele que vier a substituí-lo. § 3º Os Estados, os Municípios e o Distrito Federal ficam autorizados a adquirir, a distribuir e a aplicar as vacinas contra a Covid-19 registradas, autorizadas para uso emergencial ou autorizadas excepcionalmente para importação, nos termos do art. 16 desta Lei, caso a União não realize as aquisições e a distribuição tempestiva de doses suficientes para a vacinação dos grupos previstos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19.” (Grifos nossos.) Demais alternativas: Alternativa A. Alternativa em consonância com o art. 2º, inciso I, da Lei nº 14.124/2021: “Fica a administração pública direta e indireta autorizada a celebrar contratos ou outros instrumentos congêneres, com dispensa de licitação, para: I ‒‒ a aquisição de vacinas e de insumos destinados à vacinação contra a Covid-19, inclusive antes do registro sanitário ou da autorização temporária de uso emergencial; e”. DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas43 Alternativa B. Alternativa em consonância com o art. 2º, inciso I, da Lei nº 14.124/2021: “Fica a administração pública direta e indireta autorizada a celebrar contratos ou outros instrumentos congêneres, com dispensa de licitação, para: II ‒ a contratação de bens e serviços de logística, de tecnologia da informação e comunicação, de comunicação social e publicitária, de treinamentos e de outros bens e serviços necessários à implementação da vacinação contra a Covid-19.” Alternativa D. Alternativa em consonância com o art. 16, caput, da Lei nº 14.124/2021: “A Anvisa, conforme estabelecido em ato regulamentar próprio, oferecerá parecer sobre a autorização excepcional e temporária para a importação e a distribuição e a autorização para uso emergencial de quaisquer vacinas e medicamentos contra a Covid-19, com estudos clínicos de fase 3 concluídos ou com os resultados provisórios de um ou mais estudos clínicos, além de materiais, equipamentos e insumos da área de saúde sujeitos à vigilância sanitária, que não possuam o registro sanitário definitivo na Anvisa e considerados essenciais para auxiliar no combate à Covid-19, desde que registrados ou autorizados para uso emergencial por, no mínimo, uma das seguintes autoridades sanitárias estrangeiras e autorizados à distribuição em seus respectivos países: (...)”. Alternativa E. Alternativa em consonância com o art. 2º, inciso I, da Lei nº 14.124/2021: “Fica a administração pública direta e indireta autorizada a celebrar contratos ou outros instrumentos congêneres, com dispensa de licitação, para: I ‒- a aquisição de vacinas e de insumos destinados à vacinação contra a Covid-19, inclusive antes do registro sanitário ou da autorização temporária de uso emergencial; e”. 2. Lei nº 14.125/2021 ‒ ‒ Responsabilidade civil relativa a eventos adversos pós-vacinação contra a Covid-19 2.1. Ficha normativa LEI Nº 14.125/2021 Ementa: Dispõe sobre a responsabilidade civil relativa a eventos adversos pós-vacinação contra a Covid-19 e sobre a aquisição e distribuição de vacinas por pessoas jurídicas de direito privado. Data de publicação: 10.03.2021 Início de vigência: 10.03.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/ lei/L14125.htm> DIREITOADMINISTRATIVO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14125.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14125.htm Caderno de novidades legislativas44 Destaques: • A lei autoriza a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios a adquirirem vacinas contra a Covid-19, caso em que assumirão a responsabilidade civil por eventos adversos pós-vacinação, desde que a Anvisa tenha concedido o respectivo registro ou autorização temporária de uso emergencial. • Prevê que os entes poderão constituir garantias ou contratar seguro privado para a cobertura dos riscos relativos aos eventos adversos pós-vacinação. • Autoriza a aquisição de vacinas contra a Covid-19 por pessoas jurídicas de direito privado, desde que sejam integralmente doadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de serem utilizadas no âmbito do Programa Nacional de Imunizações (PNI), até o término da imunização dos grupos prioritários. Após, poderão distribuir e administrar as vacinas adquiridas livremente, desde que pelo menos 50% das doses sejam, obrigatoriamente, doadas ao SUS, e as demais sejam utilizadas de forma gratuita. 2.2. Comentário Em 10.03.2021, foi publicada a Lei nº 14.125, com início imediato de vigência. De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo dispõe sobre a “responsabilidade civil relativa a eventos adversos pós-vacinação contra a Covid-19 e sobre a aquisição e distribuição de vacinas por pessoas jurídicas de direito privado”. Trata-se de mais uma inovação legal destinada ao enfrentamento da pandemia da Covid-19, podendo ser destacada a autorização, prevista em seu art. 1º, para que a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios adquiram vacinas e assumam os riscos referentes à responsabilidade civil, nos termos do instrumento de aquisição ou fornecimento de vacinas celebrado, em relação a eventos adversos pós-vacinação, desde que a Anvisa tenha concedido o respectivo registro ou autorização temporária de uso emergencial. Tendo em vista que podem ocorrer efeitos adversos pelo uso das vacinas destinadas ao combate da Covid-19, houve exigência por parte das empresas farmacêuticas de que o ente público comprador se responsabilize por qualquer indenização referente a efeitos colaterais indesejados ocasionados pelas vacinas. DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas45 Essa pretensão foi acolhida, e a Lei nº 14.125/2021 trouxe previsão legal nesse sentido em seu art. 1º: Art. 1º Enquanto perdurar a Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin), declarada em decorrência da infecção humana pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), ficam a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios autorizados a adquirir vacinas e a assumir os riscos referentes à responsabilidade civil, nos termos do instrumento de aquisição ou fornecimento de vacinas celebrado, em relação a eventos adversos pós- vacinação, desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenha concedido o respectivo registro ou autorização temporária de uso emergencial. (Grifos nossos.) Importante ressaltar que, para a Copa do Mundo de 2014, havia previsão semelhante na Lei nº 12.663/2012 (art. 23), dispositivo que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou constitucional no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4.976. Mas, diferente desse dispositivo, que tratava apenas da responsabilidade da União, o previsto na Lei nº 14.125/2021 trata também sobre a responsabilidade dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, o que pode gerar discussões. Quanto à responsabilização do ente adquirente pelos eventos adversos pós- vacinação, merece atenção o disposto nos parágrafos do art. 1º. Estabelece o § 1º do art. 1º que a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios poderão constituir garantias ou contratar seguro privado, nacional ou internacional, em uma ou mais apólices, para a cobertura dos riscos de que trata o caput deste artigo. Além disso, deve-se ressaltar que a assunção dos riscos relativos à responsabilidade civil pelos efeitos adversos restringe-se às aquisições feitas pelo respectivo ente público (§ 2º do art. 1º). Como exemplo, a União não assume responsabilidade por doses compradas por particulares. Por sua vez, o § 3º impõe medidas de transparência aos entes que adquirirem as vacinas, especificamente quanto: § 3º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios adotarão medidas efetivas para dar transparência: I ‒ ‒ à utilização dos recursos públicos aplicados na aquisição das vacinas e dos demais insumos necessários ao combate à Covid-19; II ‒ ‒ ao processo de distribuição das vacinas e dos insumos. DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas46 DIREITO ADMINISTRATIVO Ainda nesse ponto, destaca-se a previsão contida no art. 3º da Lei nº 14.125/2021, pela qual o Poder Executivo federal poderá instituir procedimento administrativo próprio para a avaliação de demandas relacionadas a eventos adversos pós-vacinação. Outro ponto de destaque no diploma normativo em análise é a autorização para que pessoas jurídicas de direito privado adquiram vacinas contra a Covid-19 que tenham autorização temporária para uso emergencial, autorização excepcional e temporária para importação e distribuição ou registro sanitário concedidos pela Anvisa. No entanto, na forma do art. 2º, caput, da Lei nº 14.125/2021, as vacinas adquiridas por essas pessoas de direito privado deverão, em um primeiro momento, ser integralmente doadas ao SUS, a fim de serem utilizadas no âmbito do PNI. De acordo com o art. 2º, caput, da lei, que é seu outro ponto de destaque, as pessoas jurídicas de direito privado ficam autorizadas a comprar vacinas contra a Covid-19, desde que as vacinas “tenham autorização temporária para uso emergencial, autorização excepcional e temporária para importação e distribuição ou registro sanitário concedidos pela Anvisa.” Apesar dessa previsão, a distribuição e administração das vacinas pelas pessoas jurídicas de direito privado que as adquirirem é limitada pela lei, conforme o seguinte quadro: Antes do término da imunização dos grupos prioritários previstos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. As vacinas devem ser integralmente doadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Após o término da imunização dos grupos prioritários previstos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. Pelo menos 50% (cinquenta por cento) das doses devem ser, obrigatoriamente, doadas ao SUS, e as demais devem ser utilizadas de forma gratuita. Somente após o término da imunização dos grupos prioritários previstos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, as referidas pessoas jurídicas de direito privado poderão, atendidos os requisitos legais e sanitários, adquirir, distribuir e administrar vacinas livremente, desde que (§ 1º do art. 2º): a) pelo menos 50% das doses sejam, obrigatoriamente, doadas ao SUS; e b) as demais sejam utilizadas de forma gratuita. Caderno de novidades legislativas47 Respeitados esses requisitos, as vacinas “poderão ser aplicadas em qualquer estabelecimento ou serviço de saúde que possua sala para aplicação de injetáveis autorizada pelo serviço de vigilância sanitária local, observadas as exigências regulatórias vigentes, a fim de garantir as condições adequadas para a segurança do paciente e do profissional de saúde” (art. 2º, § 2º, da Lei nº 14.125/2021). Por último, destaca-se que as pessoas jurídicas de direito privado deverão fornecer ao Ministério da Saúde, na forma de regulamento, de modo tempestivo e detalhado, todas as informações relativas à aquisição, incluindo os contratos de compra e doação, e à aplicação das vacinas contra a Covid-19, na forma do § 3º do art. 2º da lei. 2.3. Questão inédita comentada Acerca da compra de vacinas para o combate à Covid-19, de acordocom o que dispõe a Lei nº 14.125/2021, assinale a alternativa correta: A) Apenas a União Federal pode comprar vacinas de fabricantes no exterior, a fim de uniformizar o PNI. B) Os estados, o Distrito Federal e os municípios podem comprar vacinas, ainda que não registradas ou autorizadas temporariamente para uso emergencial pela Anvisa, desde que destinem a totalidade das doses à União, para centralização do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. C) Eventuais efeitos adversos advindos da vacinação contra a Covid-19 são de inteira responsa- bilidade do vacinado ou seu responsável. D) As pessoas jurídicas de direito privado, desde que integrantes da Administração Pública, podem adquirir vacinas, caso em que deverão doar integralmente ao SUS, para utilização no PNI. E) Após o término da imunização dos grupos prioritários previstos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, as pessoas jurídicas de direito privado poderão distribuir e administrar vacinas livremente, desde que pelo menos 50% das doses sejam doadas ao SUS e as demais sejam utilizadas de forma gratuita. Alternativa correta: letra E. É o que prevê o art. 2º, caput e § 1º, da Lei nº 14.125/2021: “Pessoas jurídicas de direito privado poderão adquirir diretamente vacinas contra a Covid-19 que tenham autorização temporária para uso emergencial, autorização excepcional e temporária para importação DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas48 e distribuição ou registro sanitário concedidos pela Anvisa, desde que sejam integralmente doadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de serem utilizadas no âmbito do Programa Nacional de Imunizações (PNI). § 1º Após o término da imunização dos grupos prioritários previstos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, as pessoas jurídicas de direito privado poderão, atendidos os requisitos legais e sanitários, adquirir, distribuir e administrar vacinas, desde que pelo menos 50% (cinquenta por cento) das doses sejam, obrigatoriamente, doadas ao SUS e as demais sejam utilizadas de forma gratuita”. Demais alternativas: Alternativa A. Errada. O art. 1º da Lei nº 14.125/2021 autoriza expressamente, além da União, os estados, o Distrito Federal e os municípios a adquirir vacinas e a assumir os riscos referentes à responsabilidade civil, nos termos do instrumento de aquisição ou fornecimento de vacinas celebrado, em relação a eventos adversos pós-vacinação, desde que a Anvisa tenha concedido o respectivo registro ou autorização temporária de uso emergencial. Alternativa B. Errada. Só podem ser adquiridas vacinas desde que a Anvisa tenha concedido o respectivo registro ou autorização temporária de uso emergencial, na forma do art. 1º, caput, da Lei nº 14.125/2021. Alternativa C. Errada. Os riscos dos efeitos adversos são de responsabilidade do ente adquirente da vacina, na forma do art. 1º, caput, da Lei nº 14.125/2021. Alternativa D. Errada. O art. 2º, caput, que autoriza a compra de vacinas por pessoas jurídicas de direito privado, não restringe a autorização às pessoas integrantes da Administração Pública. 3. Lei nº 14.129/2021 ‒ ‒ Princípios, regras e instrumentos para o Governo Digital 3.1. Ficha normativa LEI Nº 14.129/2021 Ementa: Dispõe sobre princípios, regras e instrumentos para o Governo Digital e para o aumento da eficiência pública, e altera a Lei nº 7.116, de 29 de agosto de 1983, a Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação), a Lei nº 12.682, de 9 de julho de 2012, e a Lei nº 13.460, de 26 de junho de 2017. DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas49 Data de publicação: 30.03.2021 Início de vigência: Esta Lei entra em vigor após decorridos: I ‒‒ 90 (noventa) dias de sua publicação oficial, para a União; II ‒‒ 120 (cento e vinte) dias de sua publicação oficial, para os Estados e o Distrito Federal; III ‒‒ 180 (cento e oitenta) dias de sua publicação oficial, para os Municípios. Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/ lei/L14129.htm> Destaques: • A Lei nº 14.129/2021, publicada em 30 de março de 2021, dispõe sobre princípios, regras e instrumentos para o aumento da eficiência da administração pública, especialmente por meio da desburocratização, da inovação, da transformação digital e da participação do cidadão. • Sua aplicação se dará aos órgãos da administração pública direta federal, às entidades da administração pública indireta federal e às administrações diretas e indiretas dos demais entes federados. • A lei terá como princípios e diretrizes do Governo Digital e da eficiência pública a desburocratização, a modernização, o fortalecimento e a simplificação da relação do poder público com a sociedade, a disponibilização em plataforma única do acesso às informações e aos serviços públicos, a possibilidade aos cidadãos, às pessoas jurídicas, a transparência na execução dos serviços públicos e o monitoramento da qualidade desses serviços, dentre outros. • Quanto aos serviços prestados pelo Governo Digital, ocorrerão por meio de tecnologias de amplo acesso pela população, inclusive pela de baixa renda ou residente em áreas rurais e isoladas, sem prejuízo do direito do cidadão a atendimento presencial. • No que se refere ao acesso da prestação digital dos serviços públicos, será disponibilizado por meio do autosserviço. Tendo a participação da administração da consolidação da Estratégia Nacional de Governo Digital. • Será considerada a garantia dos direitos dos usuários quanto à prestação digital de serviços públicos, inclusive os que constarem da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). • A lei determinou que é de competência de cada ente federado dispor sobre informações dos serviços prestados, das Cartas de Serviços ao Usuário e da Base Nacional de Serviços Públicos, em formato aberto e interoperável. DIREITO ADMINISTRATIVO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14129.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14129.htm Caderno de novidades legislativas50 3.2. Comentário Em 30.03.2021, foi publicada a Lei nº 14.129, com vigência determinada pelo art. 55. Art. 55. Esta Lei entra em vigor após decorridos: I ‒ ‒ 90 (noventa) dias de sua publicação oficial, para a União; II ‒ ‒ 120 (cento e vinte) dias de sua publicação oficial, para os Estados e o Distrito Federal; III ‒ ‒ 180 (cento e oitenta) dias de sua publicação oficial, para os Municípios. De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo dispõe sobre “princípios, regras e instrumentos para o Governo Digital e para o aumento da eficiência pública e altera a Lei nº 7.116, de 29 de agosto de 1983, a Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação), a Lei nº 12.682, de 9 de julho de 2012, e a Lei nº 13.460, de 26 de junho de 2017”. Trata-se de inovação legal em consonância com a tendência de desburocratização da Administração Pública, a fim de que esta possua um caráter gerencial e focado nos resultados, o que já vem sendo implementado desde a Reforma Administrativa promovida pela Emenda Constitucional (EC) nº 19/1998. Inicialmente, cumpre mencionar que a lei se aplica, a princípio, apenas aos órgãos da Administração Pública direta federal e às entidades da Administração Pública indireta federal, incluídas as empresas públicas e sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas, que prestem serviço público, autarquias e fundações públicas (art. 2º, I e II). Há previsão, todavia, de aplicação da lei também às Administrações diretas e indiretas dos demais entes federados, desde que adotem os comandos desta lei por meio de atos normativos próprios. De acordo com disposto na referida lei, no § 1º do art. 2º, esta não será aplicada a empresas públicas e sociedades de economia mista, incluindo suas subsidiárias e controladas, que nãoprestem serviço público. No art. 3º da lei é listada uma série de princípios e diretrizes do Governo Digital e da eficiência pública. O rol é bastante extenso, mas, em síntese, a lei preconiza a desburocratização, a modernização, o fortalecimento e a simplificação da relação do poder público com a sociedade, mediante serviços digitais, acessíveis, inclusive, por dispositivos móveis (inciso I); a transparência na execução dos serviços públicos, com o uso de linguagem clara e compreensível a qualquer cidadão (inciso VII), e o monitoramento da qualidade desses serviços (inciso IV), inclusive com o incentivo à participação social no controle e na fiscalização da Administração Pública (inciso V). DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas51 Art. 3º São princípios e diretrizes do Governo Digital e da eficiência pública: I ‒‒ a desburocratização, a modernização, o fortalecimento e a simplificação da relação do poder público com a sociedade, mediante serviços digitais, acessíveis inclusive por dispositivos móveis; II ‒‒ a disponibilização em plataforma única do acesso às informações e aos serviços públicos, observadas as restrições legalmente previstas e sem prejuízo, quando indispensável, da prestação de caráter presencial; III ‒‒ a possibilidade aos cidadãos, às pessoas jurídicas e aos outros entes públicos de demandar e de acessar serviços públicos por meio digital, sem necessidade de solicitação presencial; IV ‒‒ a transparência na execução dos serviços públicos e o monitoramento da qualidade desses serviços; V ‒‒ o incentivo à participação social no controle e na fiscalização da administração pública; VI ‒‒ o dever do gestor público de prestar contas diretamente à população sobre a gestão dos recursos públicos; VII ‒‒ o uso de linguagem clara e compreensível a qualquer cidadão; VIII ‒‒ o uso da tecnologia para otimizar processos de trabalho da administração pública; IX ‒‒ a atuação integrada entre os órgãos e as entidades envolvidos na prestação e no controle dos serviços públicos, com o compartilhamento de dados pessoais em ambiente seguro quando for indispensável para a prestação do serviço, nos termos da Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), e, quando couber, com a transferência de sigilo, nos termos do art. 198 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), e da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001; X ‒‒ a simplificação dos procedimentos de solicitação, oferta e acompanhamento dos serviços públicos, com foco na universalização do acesso e no autosserviço; XI ‒‒ a eliminação de formalidades e de exigências cujo custo econômico ou social seja superior ao risco envolvido; XII ‒‒ a imposição imediata e de uma única vez ao interessado das exigências necessárias à prestação dos serviços públicos, justificada exigência posterior apenas em caso de dúvida superveniente; DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas52 XIII ‒‒ a vedação de exigência de prova de fato já comprovado pela apresentação de documento ou de informação válida; XIV ‒‒ a interoperabilidade de sistemas e a promoção de dados abertos; XV ‒‒ a presunção de boa-fé do usuário dos serviços públicos; XVI ‒‒ a permanência da possibilidade de atendimento presencial, de acordo com as características, a relevância e o público-alvo do serviço; XVII ‒‒ a proteção de dados pessoais, nos termos da Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais); XVIII ‒‒ o cumprimento de compromissos e de padrões de qualidade divulgados na Carta de Serviços ao Usuário; XIX ‒‒ a acessibilidade da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, nos termos da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência); XX ‒ ‒ o estímulo a ações educativas para qualificação dos servidores públicos para o uso das tecnologias digitais e para a inclusão digital da população; XXI ‒‒ o apoio técnico aos entes federados para implantação e adoção de estratégias que visem à transformação digital da administração pública; XXII ‒‒ o estímulo ao uso das assinaturas eletrônicas nas interações e nas comunicações entre órgãos públicos e entre estes e os cidadãos; XXIII ‒‒ a implantação do governo como plataforma e a promoção do uso de dados, preferencialmente anonimizados, por pessoas físicas e jurídicas de diferentes setores da sociedade, resguardado o disposto nos arts. 7º e 11 da Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), com vistas, especialmente, à formulação de políticas públicas, de pesquisas científicas, de geração de negócios e de controle social; XXIV ‒‒ o tratamento adequado a idosos, nos termos da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso); XXV ‒‒ a adoção preferencial, no uso da internet e de suas aplicações, de tecnologias, de padrões e de formatos abertos e livres, conforme disposto no inciso V do caput do art. 24 e no art. 25 da Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014 (Marco Civil da Internet); e XXVI ‒‒ a promoção do desenvolvimento tecnológico e da inovação no setor público. DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas53 Em seguida, a lei traz uma série de orientações e procedimentos para a digitalização da Administração Pública e a prestação digital de serviços públicos, o que é denominado amplamente como “Governo Digital”. O art. 5º dispõe que “a Administração Pública utilizará soluções digitais para a gestão de suas políticas finalísticas e administrativas e para o trâmite de processos administrativos eletrônicos”. Assim, tem-se que a utilização de soluções digitais e processos administrativos eletrônicos deverá ser adotada preferencialmente, sempre que possível. O parágrafo único do mesmo artigo contém importante previsão acerca dos documentos eletrônicos produzidos na prestação dos serviços digitais, dispondo que “entes públicos que emitem atestados, certidões, diplomas ou outros documentos comprobatórios com validade legal poderão fazê-lo em meio digital, assinados eletronicamente, na forma do art. 7º desta lei e da Lei nº 14.063, de 23 de setembro de 2020” (grifo nosso). Nesse ponto, o art. 11 da Lei nº 14.129/2021 determina que os documentos nato-digitais assinados eletronicamente na forma do art. 7º são considerados originais para todos os efeitos legais. Ainda acerca da implementação do Governo Digital, especificamente no que se refere ao seu acesso pelos cidadãos, prevê o art. 14 da lei que “a prestação digital dos serviços públicos deverá ocorrer por meio de tecnologias de amplo acesso pela população, inclusive pela de baixa renda ou residente em áreas rurais e isoladas, sem prejuízo do direito do cidadão a atendimento presencial” (grifos nossos). Nesse sentido, ainda, o art. 50 da lei determina que o acesso e a conexão para o uso de serviços públicos poderão ser garantidos total ou parcialmente pelo Governo, com o objetivo de promover o acesso universal à prestação digital dos serviços públicos e a redução de custos aos usuários, nos termos da lei. A previsão de que ocorra a promoção dos dados abertos (art. 3º, XIV) não é irrestrita e, por isso, o art. 25 menciona que as Plataformas de Governo Digital devem dispor de ferramentas de transparência e de controle do tratamento de dados pessoais, que sejam claras e facilmente acessíveis, e que permitam ao cidadão o exercício dos direitos previstos na LGPD (Lei nº 13.709/2018). O art. 29, caput, a seu turno, determina que, observado o disposto na LGPD, os dados disponibilizados pelos prestadores de serviços públicos, bem como qualquer informação de transparência ativa, são de livre utilização pela sociedade, estabelecendo o § 1º desse dispositivo que, na promoção da transparência ativa de dados, o poder público deverá observar os seguintes requisitos: DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas54 I ‒‒ observância da publicidadedas bases de dados não pessoais como preceito geral e do sigilo como exceção; II ‒ ‒ garantia de acesso irrestrito aos dados, os quais devem ser legíveis por máquina e estar disponíveis em formato aberto, respeitadas as Leis nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação), e 13.709, de 14 de agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais); III ‒ ‒ descrição das bases de dados com informação suficiente sobre estrutura e semântica dos dados, inclusive quanto à sua qualidade e à sua integridade; IV ‒ ‒ permissão irrestrita de uso de bases de dados publicadas em formato aberto; V ‒ ‒ completude de bases de dados, as quais devem ser disponibilizadas em sua forma primária, com o maior grau de granularidade possível, ou referenciar bases primárias, quando disponibilizadas de forma agregada; VI ‒‒ atualização periódica, mantido o histórico, de forma a garantir a perenidade de dados, a padronização de estruturas de informação e o valor dos dados à sociedade e a atender às necessidades de seus usuários; VII ‒ ‒ (VETADO); VIII ‒ ‒ respeito à privacidade dos dados pessoais e dos dados sensíveis, sem prejuízo dos demais requisitos elencados, conforme a Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais); IX ‒ ‒ intercâmbio de dados entre órgãos e entidades dos diferentes Poderes e esferas da Federação, respeitado o disposto no art. 26 da Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais); e X ‒‒ fomento ao desenvolvimento de novas tecnologias destinadas à construção de ambiente de gestão pública participativa e democrática e à melhor oferta de serviços públicos. Por fim, um último tópico relevante do novo diploma legal é referente aos instrumentos de governança, gestão de riscos, controle e auditoria previstos na lei. De acordo com o parágrafo único do art. 47, os mecanismos, as instâncias e as práticas de governança incluirão, no mínimo: I ‒ ‒ formas de acompanhamento de resultados; II ‒ ‒ soluções para a melhoria do desempenho das organizações; III ‒ ‒ instrumentos de promoção do processo decisório fundamentado em evidências. DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas55 Além disso, o art. 48 determina que os órgãos e as entidades submetidos à lei em comento deverão estabelecer, manter, monitorar e aprimorar sistema de gestão de riscos e de controle interno com vistas à identificação, à avaliação, ao tratamento, ao monitoramento e à análise crítica de riscos da prestação digital de serviços públicos que possam impactar a consecução dos objetivos da organização no cumprimento de sua missão institucional e na proteção dos usuários, observados os princípios constantes dos seus incisos. 3.3. Questão inédita comentada A Lei nº 14.129/2021, que dispõe sobre princípios, regras e instrumentos para o Governo Digital e para o aumento da eficiência pública, não se aplica: A) aos órgãos da Administração Pública direta federal, abrangendo os Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, incluído o Tribunal de Contas da União (TCU), e o Ministério Público da União (MPU). B) às entidades da Administração Pública autárquica e fundacional federal. C) às empresas públicas e sociedades de economia mista federais, suas subsidiárias e controladas, que prestem apenas atividades econômicas stricto sensu. D) às empresas públicas e sociedades de economia mista federais, suas subsidiárias e controladas, que prestem serviço público. E) às Administrações diretas e indiretas dos Estados, Distrito Federal e Municípios que adotem os comandos da Lei nº 14.129/2021 por meio de atos normativos próprios. Alternativa correta: letra C. Na forma do art. 2º, § 1º, da Lei nº 14.129/2021, esta lei não se aplica a empresas públicas e sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas, que não prestem serviço público. Demais alternativas: Alternativa A. Errada. A Lei nº 14.129/2021, nos termos do art. 2º, I, aplica-se a todos os órgãos da administração direta federal, incluindo-se, portanto, os órgãos do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário e, também, os órgãos com autonomia constitucional como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público da União (MPU). DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas56 Alternativa B. Errada. Conforme estabelece o art. 2º, II, da Lei nº 14.129/2021, ela se aplica às autarquias federais e às fundações públicas federais. Alternativa D. Errada. Em relação às empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias, a nova lei a elas se aplica quando prestarem serviço público (art. 2º, II). Alternativa E. Errada. Não serão aplicadas as disposições da nova lei na hipótese das empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias não atuarem na prestação de serviço público, nos termos do inciso III do art. 2º. DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas57 1. Medida Provisória (MP) nº 1.040/2021 ‒‒ Facilitação para abertura de empresas 1.1. Ficha normativa MP Nº 1.040/2021 Ementa: Dispõe sobre a facilitação para abertura de empresas, a proteção de acionistas minoritários, a facilitação do comércio exterior, o Sistema Integrado de Recuperação de Ativos, as cobranças realizadas pelos conselhos profissionais, a profissão de tradutor e intérprete público, a obtenção de eletricidade e a prescrição intercorrente na Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 ‒ ‒Código Civil (CC). Data de publicação: 30.03.2021 Início de vigência: ‒ 360 dias, contados da data de sua publicação, quanto à parte do art. 5º que altera o § 3º do art. 138 da Lei nº 6.404, de 1976: • ‒no primeiro dia útil do primeiro mês após a data de sua publicação, quanto aos arts. 8º a 12, e incisos III ao XV, XVII, XXII e XXVI do caput do art. 33; • ‒90 dias, contados da data de sua publicação, quanto ao art. 7º; • na data de sua publicação, quanto aos demais dispositivos. Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Mpv/mpv1040.htm> 1.2. Comentário Em relação ao direito civil, a MP nº 1.040/2021 traz como inovação a inclusão do art. 206-A ao CC, dispondo sobre o prazo da prescrição intercorrente. Entretanto, para concentrar a abordagem das inovações veiculadas por esse novo ato normativo, a sua análise encontra-se em direito empresarial. DIREITO CIVIL http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1040.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1040.htm Caderno de novidades legislativas58 1. Lei nº 14.126/2021 ‒ ‒ Visão monocular como deficiência sensorial 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.126/2021 Ementa: Classifica a visão monocular como deficiência sensorial, do tipo visual, dispondo a respeito da avaliação biopsicossocial da visão monocular para fins de reconhecimento da condição de pessoa com deficiência. Data de publicação: 23.03.2021 Início de vigência: 23.03.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/ lei/L14126.htm> Destaques: • Classifica a visão monocular como deficiência sensorial, do tipo visual, para todos os efeitos legais. • Dispõe que o instrumento para avaliação de deficiência a ser criado pelo Poder Executivo se aplicará a estes casos. 1.2. Comentário Em 23.03.2021, foi publicada a Lei nº 14.126, com início imediato de vigência. De acordo com sua ementa, passa a ser classificada como deficiência visual, do tipo sensorial, a visão monocular. Classifica a visão monocular como deficiência sensorial, do tipo visual. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Fica a visão monocular classificada como deficiência sensorial, do tipo visual, para todos os efeitos legais. (Vide.) Parágrafo único. O previsto no § 2º do art. 2º da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), aplica-se à visão monocular, conforme o dispostono caput deste artigo. Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 22 de março de 2021; 200º da Independência e 133º da República. Este texto não substitui o publicado no DOU de 23.3.2021. DIREITO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14126.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14126.htm Caderno de novidades legislativas59 Trata-se de uma salutar inovação, na mesma linha de intelecção da Súmula nº 377 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que já classificava a visão monocular como deficiência para o fim de a pessoa concorrer, em concursos públicos, às vagas reservadas às pessoas deficientes. Enunciado nº 377 da Súmula do STJ: O portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso público, às vagas reservadas aos deficientes. A lei ainda menciona expressamente que à visão monocular aplica-se o previsto no § 2º do art. 2º da Lei nº 13.146/2015, o Estatuto da Pessoa com Deficiência, que, em apertada síntese, dispõe que o Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da deficiência. Da leitura do art. 2º do Estatuto da Pessoa com Deficiência, denota-se que se trata de avaliação biopsicossocial, que deverá ser realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, devendo ser considerados os seguintes aspectos, conforme incisos do § 1º: I ‒ ‒ os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo; II ‒ ‒ os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais; III ‒‒ a limitação no desempenho de atividades; e IV ‒‒ a restrição de participação. No mesmo dia foi editado o Decreto nº 10.654/2021, que dispõe sobre a avaliação biopsicossocial da visão monocular para fins de reconhecimento da condição de pessoa com deficiência, explicitando que a avaliação se dará na forma não apenas do § 2º, mas também do § 1º do art. 2º do Estatuto da Pessoa com Deficiência. DECRETO Nº 10.654, DE 22 DE MARÇO DE 2021 Dispõe sobre a avaliação biopsicossocial da visão monocular para fins de reconhecimento da condição de pessoa com deficiência. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº 14.126, de 22 de março de 2021, DECRETA: Art. 1º Este Decreto dispõe sobre a avaliação biopsicossocial da visão monocular para fins de reconhecimento da condição de pessoa com deficiência. Art. 2º A visão monocular, classificada como deficiência sensorial, do tipo visual, pelo art. 1º da Lei nº 14.126, de 22 de março de 2021, será avaliada na DIREITO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Caderno de novidades legislativas60 forma prevista nos § 1º e § 2º do art. 2º da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, para fins de reconhecimento da condição de pessoa com deficiência. Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 22 de março de 2021; 200º da Independência e 133º da República. JAIR MESSIAS BOLSONARO Paulo Guedes João Inácio Ribeiro Roma Neto Damares Regina Alves Este texto não substitui o publicado no DOU de 23.3.2021. Em relação à verificação biopsicossocial da deficiência visual, ela irá implicar diretamente a qualificação da pessoa em relação à aposentadoria especial da pessoa com deficiência (Lei Complementar ‒‒ LC nº 142/2013), ou mesmo em relação à qualidade de dependente à pensão por morte, caso seja constatado tratar-se de deficiência grave, bem como no preenchimento do requisito deficiência para o fim de concessão de benefício assistencial previsto na Lei nº 8.742/1993: Art. 20. O benefício de prestação continuada é a garantia de um salário- mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família. (...) § 2º Para efeito de concessão do benefício de prestação continuada, considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. Cabe ressaltar, ainda, que há previsão de flexibilização da renda per capita para fins de concessão de benefício assistencial em se tratando de pessoa com deficiência, a depender do grau de deficiência, enquadrando-se, doravante, a visão monocular como apta ao exame, nos termos do art. 20-A da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS). Art. 20-A. Em razão do estado de calamidade pública reconhecido pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020, e da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19), o critério de aferição da renda familiar mensal per capita previsto no inciso I do § 3º do art. 20 poderá ser ampliado para até 1/2 (meio) salário-mínimo. (Incluído pela Lei nº 13.982, de 2020.) DIREITO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Caderno de novidades legislativas61 § 1º A ampliação de que trata o caput ocorrerá na forma de escalas graduais, definidas em regulamento, de acordo com os seguintes fatores, combinados entre si ou isoladamente: (Incluído pela Lei nº 13.982, de 2020.) I ‒ ‒ o grau da deficiência; (Incluído pela Lei nº 13.982, de 2020.) II ‒‒ a dependência de terceiros para o desempenho de atividades básicas da vida diária; (Incluído pela Lei nº 13.982, de 2020.) III ‒ ‒ as circunstâncias pessoais e ambientais e os fatores socioeconômicos e familiares que podem reduzir a funcionalidade e a plena participação social da pessoa com deficiência candidata ou do idoso; (Incluído pela Lei nº 13.982, de 2020.) IV ‒ ‒ o comprometimento do orçamento do núcleo familiar de que trata o § 3º do art. 20 exclusivamente com gastos com tratamentos de saúde, médicos, fraldas, alimentos especiais e medicamentos do idoso ou da pessoa com deficiência não disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ou com serviços não prestados pelo Serviço Único de Assistência Social (Suas), desde que comprovadamente necessários à preservação da saúde e da vida. (Incluído pela Lei nº 13.982, de 2020.) § 2º O grau da deficiência e o nível de perda de autonomia, representado pela dependência de terceiros para o desempenho de atividades básicas da vida diária, de que tratam, respectivamente, os incisos I e II do § 1º deste artigo, serão aferidos, para a pessoa com deficiência, por meio de índices e instrumentos de avaliação funcional a serem desenvolvidos e adaptados para a realidade brasileira, observados os termos dos §§ 1º e 2º do art. 2º da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. (Incluído pela Lei nº 13.982, de 2020.) 1.3. Questão inédita comentada A visão monocular, nos termos da legislação em vigor: A) Não é considerada deficiência para nenhum fim. B) É considerada deficiência apenas para o fim de concorrer às vagas reservadas. C) É considerada deficiência sensorial, do tipo visual, para todos os efeitos legais. D) É considerada deficiência física, do tipo visual, para todos os efeitos legais. E) É considerada deficiência sensorial, do tipo visual para o fim de benefício assistencial, mas não em relação às vagas reservadas em concursos públicos. DIREITO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Caderno de novidades legislativas62 Alternativa correta: letra C (responde a todas as alternativas). A visão monocular, nos termos do art. 1º da Lei nº 14126/2021, é classificada como deficiência sensorial, do tipo visual, para todos os efeitos legais. DIREITO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Caderno de novidades legislativas63 1. Medida Provisória (MP) nº 1.036/2021 ‒ ‒ Crise decorrente da pandemia da Covid-19 nos setores de turismo e de cultura 1.1. Ficha normativa MP Nº 1.036/2021 Ementa: A MP nº 1.036, publicada em 18 de março de 2021, altera a Lei nº 14.046, de 24 de agosto de 2020, para dispor sobre medidas emergenciais para atenuar os efeitos da crisedecorrente da pandemia da Covid-19 nos setores de turismo e de cultura. Data de publicação: 18.03.2021 Início de vigência: 18.03.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/ Mpv/mpv1036.htm> Destaques: • A MP nº 1.036, publicada em 18 de março de 2021, alterou a Lei nº 14.046, de 24 de agosto de 2020, para dispor sobre medidas emergenciais que atenuem os efeitos da crise decorrente da pandemia da Covid-19 nos setores de turismo e de cultura. • Havendo ocorrência de adiamento ou de cancelamento de serviços, de reservas e de eventos, incluídos shows e espetáculos, o prestador de serviços ou a sociedade empresária não será obrigado a reembolsar os valores pagos pelo consumidor, desde que seja assegurada a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados, ou, ainda, seja disponibilizado o crédito para uso ou abatimento na compra de outros serviços, reservas e eventos disponíveis nas respectivas empresas. • A medida provisória dispõe que as operações que se fizerem necessárias, referentes a remarcação ou disponibilidade de créditos, ocorrerão sem custo adicional, taxa ou multa ao consumidor, com datas predeterminadas. 1.2. Comentário A medida provisória alterou a Lei nº 14.046, de 24 de agosto de 2020, para dispor sobre medidas emergenciais que atenuem os efeitos da crise decorrente da pandemia da Covid-19 nos setores de turismo e de cultura. Nos casos em que houver necessidade de adiamento ou cancelamento de serviços, em decorrência da pandemia, o prestador de serviços, ou a sociedade empresária, não será obrigado a reembolsar os valores pagos pelo consumidor, mas deverá assegurá-lo por meio das garantias estabelecidas no art. 2º da referida medida. DIREITO DO CONSUMIDOR http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1036.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1036.htm Caderno de novidades legislativas64 Art. 2º A Lei nº 14.046, de 2020, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 2º Na hipótese de adiamento ou de cancelamento de serviços, de reservas e de eventos, incluídos shows e espetáculos, até 31 de dezembro de 2021, em decorrência da pandemia da Covid-19, o prestador de serviços ou a sociedade empresária não será obrigado a reembolsar os valores pagos pelo consumidor, desde que assegure: I ‒ ‒ a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados; ou II ‒ ‒ a disponibilização de crédito para uso ou abatimento na compra de outros serviços, reservas e eventos disponíveis nas respectivas empresas. Em se tratando do art. 2º, a Lei nº 14.046/2020 fixou que estas operações se darão sem custo adicional com data prevista, como disposto no § 1º do referido artigo: Art. 2º (...) § 1º As operações de que trata o caput deste artigo ocorrerão sem custo adicional, taxa ou multa ao consumidor, em qualquer data a partir de 1º de janeiro de 2020, e estender-se-ão pelo prazo de 120 (cento e vinte) dias, contado da comunicação do adiamento ou do cancelamento dos serviços, ou 30 (trinta) dias antes da realização do evento, o que ocorrer antes. E não havendo manifestação do consumidor dentro do prazo definido, o fornecedor fica desobrigado de qualquer forma de ressarcimento, salvo nos casos de falecimento, internação ou força maior, sendo estes prazos reestabelecidos (§§ 2º e 3º do art. 2º da lei): § 2º Se o consumidor não fizer a solicitação a que se refere o § 1º deste artigo no prazo assinalado de 120 (cento e vinte) dias, por motivo de falecimento, de internação ou de força maior, o prazo será restituído em proveito da parte, do herdeiro ou do sucessor, a contar da data de ocorrência do fato impeditivo da solicitação. § 3º O fornecedor fica desobrigado de qualquer forma de ressarcimento se o consumidor não fizer a solicitação no prazo estipulado no § 1º ou não estiver enquadrado em uma das hipóteses previstas no § 2º deste artigo. Quanto a crédito a ser utilizado pelo consumidor, este terá o prazo de até 31.12.2022 para utilizá- lo. Sendo que os valores e as condições dos serviços originalmente contratados também terão data fixada de até 31.12.2022, para remarcar os serviços adiados, e ainda deverá restituir o consumidor no caso de impossibilidade de remarcação dos serviços, conforme disposto no art. 2º, §§ 4º, 5º e 6º. DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas65 § 4º O crédito a que se refere o inciso II do caput poderá ser utilizado pelo consumidor até 31 de dezembro de 2022. § 5º Na hipótese prevista no inciso I do caput deste artigo, serão respeitados: I ‒ ‒ os valores e as condições dos serviços originalmente contratados; e II ‒ ‒ a data-limite de 31 de dezembro de 2022, para ocorrer a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados. § 6º O prestador de serviço ou a sociedade empresária deverá restituir o valor recebido ao consumidor até 31 de dezembro de 2022, somente na hipótese de ficar impossibilitado de oferecer a remarcação dos serviços ou a disponibilização de crédito referidas nos incisos I e II do caput. A lei estende aos artistas, palestrantes ou outros profissionais, contratados até 31.12.2021, a obrigação de não reembolsar imediatamente estes profissionais, desde que o evento seja remarcado e respeitada a data-limite para a sua realização. Na hipótese dos cancelamentos decorrentes das medidas de isolamento social adotadas para o combate à pandemia da Covid-19, as multas por cancelamentos dos contratos serão anuladas, desde que tenham sido emitidas até 31.12.2021, de acordo com o texto do art. 4º, caput e § 2º: Art. 4º Os artistas, os palestrantes ou outros profissionais detentores do conteúdo, contratados até 31 de dezembro de 2021, que forem impactados por adiamentos ou por cancelamentos de eventos em decorrência da pandemia da Covid-19, incluídos shows, rodeios, espetáculos musicais e de artes cênicas, e os profissionais contratados para a realização desses eventos não terão obrigação de reembolsar imediatamente os valores dos serviços ou cachês, desde que o evento seja remarcado, respeitada a data-limite de 31 de dezembro de 2022 para a sua realização. (...) § 2º Serão anuladas as multas por cancelamentos dos contratos de que trata este artigo, que tenham sido emitidas até 31 de dezembro de 2021, na hipótese de os cancelamentos decorrerem das medidas de isolamento social adotadas para o combate à pandemia da Covid-19. DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas66 1.3. Questão inédita comentada No que se refere às medidas emergenciais para atenuar os efeitos da crise decorrente da pandemia da Covid-19 nos setores de turismo e de cultura, assinale a alternativa correta: A) Na hipótese de adiamento ou de cancelamento de serviços, de reservas e de eventos, incluídos shows e espetáculos, até 31 de dezembro de 2021, em decorrência da pandemia da Covid-19, o prestador de serviços ou a sociedade empresária não será obrigado a reembolsar os valores pagos pelo consumidor, em nenhuma hipótese. B) As operações de adiamento ou de cancelamento de serviços, de reservas e de eventos ocorrerão sem custo adicional, taxa ou multa ao consumidor, em qualquer data a partir de 1º de janeiro de 2020, e estender-se-ão pelo prazo de 180 dias, contados da comunicação do adiamento ou do cancelamento dos serviços, ou 30 dias antes da realização do evento, o que ocorrer antes. C) O fornecedor fica desobrigado de qualquer forma de ressarcimento se o consumidor não fizer a solicitação dentro do prazo estipulado, ainda que a solicitação seja por motivo de falecimento, de internação ou de força maior. D) Na hipótese de remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados serão respeitados os valores e as condições dos serviços originalmente contratados e a data-limite de 31 de dezembro de 2021, para ocorrer a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados. E) O prestador de serviço ou a sociedadeempresária deverá restituir o valor recebido ao consumidor até 31 de dezembro de 2022, somente na hipótese de ficar impossibilitado de oferecer a remarcação dos serviços ou a disponibilização de crédito. Alternativa correta: letra E. Está de acordo com a Lei nº 14.046/2020, alterada pela MP nº 1.036/2021, que diz em seu art. 2º, § 6º: “O prestador de serviço ou a sociedade empresária deverá restituir o valor recebido ao consumidor até 31 de dezembro de 2022, somente na hipótese de ficar impossibilitado de oferecer a remarcação dos serviços ou a disponibilização de crédito referidas nos incisos I e II do caput”. DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas67 Demais alternativas: Alternativa A. Errada. A alternativa trata sobre a não obrigação de reembolsar os valores pagos pelo consumidor, em nenhuma hipótese, mas não é isso que diz a Lei nº 14.046/2020, alterada pela MP nº 1.036/2021, em seu art. 2º: “Art. 2º Na hipótese de adiamento ou de cancelamento de serviços, de reservas e de eventos, incluídos shows e espetáculos, até 31 de dezembro de 2021, em decorrência da pandemia da Covid-19, o prestador de serviços ou a sociedade empresária não será obrigado a reembolsar os valores pagos pelo consumidor, desde que assegure: I ‒‒ a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados; ou II ‒‒ a disponibilização de crédito para uso ou abatimento na compra de outros serviços, reservas e eventos disponíveis nas respectivas empresas” (grifos nossos). Alternativa B. Errada. A alternativa trata sobre a extensão do prazo por 180 dias, mas não é o que diz a Lei nº 14.046/2020, alterada pela MP nº 1.036/2021, que diz em seu art. 2º, § 1º: “As operações de que trata o caput deste artigo ocorrerão sem custo adicional, taxa ou multa ao consumidor, em qualquer data a partir de 1º de janeiro de 2020, e estender-se-ão pelo prazo de 120 (cento e vinte) dias, contado da comunicação do adiamento ou do cancelamento dos serviços, ou 30 (trinta) dias antes da realização do evento, o que ocorrer antes” (grifos nossos). Alternativa C. Errada. A alternativa trata o não reembolso no caso de solicitação fora do prazo ainda que por motivo de falecimento, de internação ou de força maior, mas não é o que diz a Lei nº 14.046/2020, alterada pela MP nº 1.036/2021, que diz em seu art. 2º, § 2º: “Se o consumidor não fizer a solicitação a que se refere o § 1º deste artigo no prazo assinalado de 120 (cento e vinte) dias, por motivo de falecimento, de internação ou de força maior, o prazo será restituído em proveito da parte, do herdeiro ou do sucessor, a contar da data de ocorrência do fato impeditivo da solicitação” (grifos nossos). Alternativa D. Errada. A alternativa trata sobre a data-limite ser 31.12.2021, mas não é o que diz a Lei nº 14.046/2020, alterada pela MP nº 1.036/2021, que diz em seu art. 2º, § 5º: “Na hipótese prevista no inciso I do caput deste artigo, serão respeitados: I ‒ ‒ os valores e as condições dos serviços originalmente contratados; e II ‒ ‒ a data-limite de 31 de dezembro de 2022, para ocorrer a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados” (grifos nossos). DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas68 1. Lei nº 14.128/2021 ‒ ‒ Compensação financeira a ser paga pela União aos profissionais e trabalhadores de saúde 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.128/2021 Ementa: Dispõe sobre compensação financeira a ser paga pela União aos profissionais e trabalhadores de saúde que, durante o período de emergência de saúde pública de importância nacional decorrente da disseminação do novo coronavírus (SARS- CoV-2), por terem trabalhado no atendimento direto a pacientes acometidos pela Covid-19, ou realizado visitas domiciliares em determinado período de tempo, no caso de agentes comunitários de saúde ou de combate a endemias, tornarem- se permanentemente incapacitados para o trabalho, ou ao seu cônjuge ou companheiro, aos seus dependentes e aos seus herdeiros necessários, em caso de óbito; e altera a Lei nº 605, de 5 de janeiro de 1949. Data de publicação: 26.03.2021 Início de vigência: 26.03.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Lei/L14128.htm> 1.2. Comentário Em relação ao direito do trabalho, a Lei nº 14.128/2021 traz como inovação a alteração da Lei nº 605/1949, que dispõe sobre o repouso semanal remunerado e o pagamento de salário nos dias de feriados civis e religiosos. Entretanto, para concentrar a abordagem das inovações veiculadas por esse novo ato normativo, a sua análise encontra-se em direito previdenciário. DIREITO DO TRABALHO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14128.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14128.htm Caderno de novidades legislativas69 1. Medida Provisória (MP) nº 1.040/2021 ‒ ‒ Facilitação para abertura de empresas 1.1. Ficha normativa MP Nº 1.040/2021 Ementa: Dispõe sobre a facilitação para abertura de empresas, a proteção de acionistas minoritários, a facilitação do comércio exterior, o Sistema Integrado de Recuperação de Ativos, as cobranças realizadas pelos conselhos profissionais, a profissão de tradutor e intérprete público, a obtenção de eletricidade e a prescrição intercorrente na Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 ‒ ‒ Código Civil (CC). Data de publicação: 30.03.2021 Início de vigência: ‒ 360 dias, contados da data de sua publicação, quanto à parte do art. 5º, que altera o § 3º do art. 138 da Lei nº 6.404, de 1976; • ‒ no primeiro dia útil do primeiro mês após a data de sua publicação, quanto aos arts. 8º a 12, e incisos III ao XV, XVII, XXII e XXVI do caput do art. 33; • ‒ 90 dias, contados da data de sua publicação, quanto ao art. 7º; e • ‒ na data de sua publicação, quanto aos demais dispositivos. Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Mpv/mpv1040.htm> Destaques: • A MP tem como objetivo a “facilitação para abertura de empresas, a proteção de acionistas minoritários, a facilitação do comércio exterior, o Sistema Integrado de Recuperação de Ativos (Sira), as cobranças realizadas pelos conselhos profissionais, a profissão de tradutor e intérprete público, a obtenção de eletricidade e a prescrição intercorrente na Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (CC). • Estabelece as diretrizes e os procedimentos para a simplificação e integração do processo de registro e legalização de empresários e de pessoas jurídicas, e cria a Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (REDESIM). • Altera diversos dispositivos da Lei nº 8.934/1994, que dispõe sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e atividades afins, e dá outras providências. • Disciplina quanto à proteção de acionistas minoritários, modificando a Lei nº 6.404/1976. • Dispõe sobre a facilitação do comércio exterior, e altera a Lei nº 12.546/2011. DIREITO EMPRESARIAL http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1040.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1040.htm Caderno de novidades legislativas70 • Autoriza o Poder Executivo Federal a instituir, sob a governança da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, o Sira. • Confere nova regulamentação à profissão de tradutor e intérprete público, revogando o Decreto nº 13.609/1943. • Estabelece prazo para o Poder Público autorizar a execução de obras de extensão de redes de distribuição de energia elétrica. • Altera a Lei nº 10.406/2002 (CC), para prever no art. 206-A que a prescrição intercorrente observará o mesmo prazo de prescrição da pretensão. 1.2. Comentário Em 30.03.2021, foi publicada no Diário Oficial da União a MP nº 1.040/2021, com o objetivo de favorecer o ambiente de negócios e melhorar a posição do Brasil no ranking Doing Business, do Banco Mundial. As alterações legislativas visam promover a “abertura de empresas, a proteção de acionistas minoritários,a facilitação do comércio exterior, o Sistema Integrado de Recuperação de Ativos ‒ Sira, as cobranças realizadas pelos conselhos profissionais, a profissão de tradutor e intérprete público, a obtenção de eletricidade e a prescrição intercorrente na Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 ‒ Código Civil”, nos termos do que dispõe o seu art. 1º. O seu art. 2º disciplinou as alterações da Lei nº 11.598/2007, que estabelece as diretrizes e os procedimentos para a simplificação e integração do processo de registro e legalização de empresários e de pessoas jurídicas, e cria a REDESIM. Por sua vez, o art. 3º da MP modificou diversos dispositivos da Lei nº 8.934/1994, que dispõe sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e atividades afins, e dá outras providências, tendo como destaque a inclusão do inciso X ao art. 4º da mencionada lei, em que estabelece as atribuições do Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração (Drei), com a seguinte competência, in verbis: Art. 4º (...) X ‒ instruir, examinar e encaminhar os pedidos de autorização para nacionalização ou instalação de filial, agência, sucursal ou estabelecimento no País por sociedade estrangeira, ressalvada a competência de outros órgãos federais; (...) DIREITO EMPRESARIAL Caderno de novidades legislativas71 Ainda, a MP disciplinou em seu art. 5º as alterações quanto à proteção de acionistas minoritários, modificando a Lei nº 6.404/1976, que dispõe sobre as sociedades por ações, realizando as seguintes alterações: Art. 122. Compete privativamente à assembleia geral: (...) VIII ‒ deliberar sobre transformação, fusão, incorporação e cisão da companhia, sua dissolução e liquidação, eleger e destituir liquidantes e julgar-lhes as contas; IX ‒ autorizar os administradores a confessar falência e a pedir recuperação judicial; e X ‒ deliberar, quando se tratar de companhias abertas, sobre: a) a alienação ou a contribuição para outra empresa de ativos, caso o valor da operação corresponda a mais de 50% (cinquenta por cento) do valor dos ativos totais da companhia constantes do último balanço aprovado; e b) a celebração de transações com partes relacionadas que atendam aos critérios de relevância a serem definidos pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. Em caso de urgência, a confissão de falência ou o pedido de recuperação judicial poderá ser formulado pelos administradores, com a concordância do acionista controlador, se houver, hipótese em que a assembleia geral será convocada imediatamente para deliberar sobre a matéria. Vale mencionar que as sociedades anônimas de capital aberto terão novos prazos a serem observados quanto à Convocação da Assembleia Geral, nos seguintes termos: Art. 124. (...) § 1º (...) II ‒ na companhia aberta, o prazo de antecedência da primeira convocação será de 30 (trinta) dias e o da segunda convocação será de 8 (oito) dias. (...) § 5º (...) I ‒ declarar quais documentos e informações relevantes para a deliberação da assembleia geral não foram tempestivamente disponibilizados aos acionistas e determinar o adiamento da assembleia por até 30 (trinta) dias, contado da data de disponibilização dos referidos documentos e informações aos acionistas; e (...) DIREITO EMPRESARIAL http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm#art124%C2%A75i.0 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm#art124%C2%A75i.0 Caderno de novidades legislativas72 Por sua vez, o art. 5º da MP incluiu ao art. 138 da mencionada lei os §§ 3º e 4º, com a seguinte redação: Art. 138. (...) § 3º É vedada, nas companhias abertas, a acumulação do cargo de presidente do conselho de administração e do cargo de diretor-presidente ou de principal executivo da companhia. § 4º A Comissão de Valores Mobiliários poderá excepcionar a vedação de que trata o § 3º para as companhias com menor faturamento, nos termos de sua regulamentação. No entanto, prevendo prazo de vacância específico de 360 dias, contado da data de sua publicação, quanto à parte do art. 5º que altera o § 3º do art. 138 da Lei nº 6.404/1976, conforme o art. 34, I, da MP. Ainda, a MP incluiu os §§ 1º e 2º ao art. 140 da mencionada lei, que assim dispõem sobre a matéria: Art. 140. (...) § 1º O estatuto poderá prever a participação no conselho de representantes dos empregados, escolhidos pelo voto destes, em eleição direta, organizada pela empresa, em conjunto com as entidades sindicais que os representam. § 2º Na composição do conselho de administração das companhias abertas, é obrigatória a participação de conselheiros independentes, nos termos e nos prazos definidos pela Comissão de Valores Mobiliários. Por sua vez, o Capítulo IV da MP trata da facilitação do comércio exterior, alterando a Lei nº 12.546/2011 e cuidando especificamente das licenças, autorizações ou exigências administrativas para importações ou exportações, bem como do comércio exterior de serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, das pessoas jurídicas ou dos entes despersonalizados. Cabe ressaltar que o art. 13 da MP autoriza o Poder Executivo federal a instituir, sob a governança da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, o Sira, “constituído por conjunto de instrumentos, mecanismos e iniciativas destinados a facilitar a identificação e a localização de bens e devedores”, ainda promovendo “a constrição e a alienação de ativos”. DIREITO EMPRESARIAL http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm#art138%C2%A73 Caderno de novidades legislativas73 A MP, em seu Capítulo VII, confere nova regulamentação à profissão de tradutor e intérprete público, revogando o Decreto nº 13.609/1943. Destaca-se que “o tradutor e intérprete público poderá optar por se organizar na forma de sociedade unipessoal”, nos termos do que dispõe o seu art. 28. Visando fomentar o acesso à eletricidade, o texto estabelece prazo para o Poder Público autorizar a execução de obras de extensão de redes de distribuição de energia elétrica, conforme disciplina o art. 31, in verbis: Art. 31. Na execução de obras de extensão de redes aéreas de distribuição de responsabilidade da concessionária ou permissionária de serviço público de distribuição de energia elétrica, a licença ou autorização para realização de obras em vias públicas, quando for exigida e não houver prazo estabelecido pelo Poder Público local, será emitida pelo órgão público competente no prazo de cinco dias úteis, contado da data de apresentação do requerimento. A seu turno, o art. 32 da nova legislação traz alteração pontual na Lei nº 10.406/2002 (CC), que incluiu o art. 206-A, in verbis: “Art. 206-A. A prescrição intercorrente observará o mesmo prazo de prescrição da pretensão”. Em relação a essa alteração, conforme a exposição de motivos da medida provisória, o objetivo da alteração legislativa é fortalecer a segurança jurídica e, para tanto, realiza-se a “alteração pontual no Código Civil para cristalizar o instituto da prescrição intercorrente já consagrado pelo Supremo Tribunal Federal na Súmula nº 150”. Por fim, é importante observar que a MP nº 1.040/2021 ainda será analisada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. 1.3. Questão inédita comentada De acordo com a MP nº 1.040/2021, que alterou Lei nº 6.404/1976, analise as assertivas e marque a opção incorreta: A) Compete privativamente à assembleia geral deliberar sobre transformação, fusão, incorporação e cisão da companhia, sua dissolução e liquidação, eleger e destituir liquidantes e julgar-lhes as contas. B) Compete privativamente à assembleia geral autorizar os administradores a confessar falência e a pedir recuperação judicial. DIREITO EMPRESARIAL Caderno de novidades legislativas74 C) Compete privativamente à assembleia geral deliberar, quando se tratar de companhias fechadas, sobre a alienação ou a contribuição para outra empresa de ativos, caso o valor da operaçãocorresponda a mais de 60% do valor dos ativos totais da companhia constantes do último balanço aprovado. D) Na companhia aberta, o prazo de antecedência da primeira convocação da Assembleia Geral será de 30 (trinta) dias e o da segunda convocação será de 8 (oito) dias. E) A Comissão de Valores Mobiliários poderá, a seu exclusivo critério, mediante decisão fundamentada de seu Colegiado, a pedido de qualquer acionista, e ouvida a companhia declarar quais documentos e informações relevantes para a deliberação da assembleia geral não foram tempestivamente disponibilizados aos acionistas e determinar o adiamento da assembleia por até 30 (trinta) dias, contado da data de disponibilização dos referidos documentos e informações aos acionistas. Alternativa correta: letra C. O enunciado da alternativa “c” está incorreto, pois contraria a literalidade do que dispõem a alínea “a” e inciso X do art. 122 da Lei nº 6.404/1976, incluídos pela MP nº 1.040/2021, nos seguintes termos: “Compete privativamente à assembleia geral: (...) X ‒ deliberar, quando se tratar de companhias abertas, sobre: a) a alienação ou a contribuição para outra empresa de ativos, caso o valor da operação corresponda a mais de 50% (cinquenta por cento) do valor dos ativos totais da companhia constantes do último balanço aprovado”. Demais alternativas: Alternativa A. O enunciado da alternativa “A” está correto, tendo em vista o que dispõe o inciso VIII do art. 122 da Lei nº 6.404/1976, modificado pela MP nº 1.040/2021, nos seguintes termos: “Compete privativamente à assembleia geral: (...) VIII ‒ deliberar sobre transformação, fusão, incorporação e cisão da companhia, sua dissolução e liquidação, eleger e destituir liquidantes e julgar-lhes as contas; (...) Alternativa B. O enunciado da alternativa “B” está correto, tendo em vista o que dispõe a literalidade do inciso IX do art. 122 da Lei nº 6.404/1976, modificado pela MP nº 1.040/2021, nos seguintes termos: “IX ‒ autorizar os administradores a confessar falência e a pedir recuperação judicial”. DIREITO EMPRESARIAL Caderno de novidades legislativas75 Alternativa D. O enunciado da alternativa “D” está correto, tendo em vista o que dispõe a literalidade do inciso II do § 1º do art. 124 da Lei nº 6.404/1976, modificado pela MP nº 1.040/2021, nos seguintes termos: “§ 1º A primeira convocação da assembleia-geral deverá ser feita: (...) II ‒‒ na companhia aberta, o prazo de antecedência da primeira convocação será de 30 (trinta) dias e o da segunda convocação será de 8 (oito) dias”. Alternativa E. O enunciado da alternativa “E” está correto, tendo em vista o que dispõe a literalidade do inciso I do § 5º do art. 124 da Lei nº 6.404/1976, modificado pela MP nº 1.040/2021, nos seguintes termos: “§ 5º A Comissão de Valores Mobiliários poderá, a seu exclusivo critério, mediante decisão fundamentada de seu Colegiado, a pedido de qualquer acionista, e ouvida a companhia: I ‒ ‒ declarar quais documentos e informações relevantes para a deliberação da assembleia geral não foram tempestivamente disponibilizados aos acionistas e determinar o adiamento da assembleia por até 30 (trinta) dias, contado da data de disponibilização dos referidos documentos e informações aos acionistas”. DIREITO EMPRESARIAL Caderno de novidades legislativas76 1. Lei nº 14.132/2021 ‒ ‒ Crime de perseguição 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.132/2021 Ementa: Acrescenta o art. 147-A ao Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal ‒ CP), para prever o crime de perseguição, e revoga o art. 65 do Decreto-Lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 (Lei das Contravenções Penais). Data de publicação: 1º.04.2021 Início de vigência: 1º.04.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/ lei/L14132.htm> Destaques: • A lei acrescenta o art. 147-A ao CP, para prever o crime de perseguição, nos seguintes termos: “Perseguição. Art. 147-A. Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade”. • Revoga o art. 65 do Decreto-Lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 (Lei das Contravenções Penais), que assim previa: “Art. 65. Molestar alguém ou perturbar-lhe a tranquilidade, por acinte ou por motivo reprovável: (...)”. 1.2. Comentário Em 1º.04.2021 foi publicada a Lei nº 14.132, de 31.03.2021, com início imediato de vigência. De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo acrescenta: “o art. 147-A ao Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (CP), para prever o crime de perseguição”, além disso “revoga o art. 65 do Decreto-Lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 (Lei das Contravenções Penais)”. De acordo com sua ementa, passa a ser prevista como crime a ação de perseguição. Perseguição Art. 147-A. Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade. DIREITO PENAL http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14132.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14132.htm Caderno de novidades legislativas77 Pena ‒ reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. § 1º A pena é aumentada de metade se o crime é cometido: I ‒ ‒ contra criança, adolescente ou idoso; II ‒ ‒ contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste Código; III ‒ ‒ mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas ou com o emprego de arma. § 2º As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência. § 3º Somente se procede mediante representação. Art. 3º Revoga-se o art. 65 do Decreto-Lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 (Lei das Contravenções Penais). Trata-se de uma novatio legis in pejus, um tipo penal novo, englobando ainda condutas que antes se enquadravam como contravenção penal, não podendo retroagir neste particular. O crime de stalking (perseguição) é uma resposta a casos cada vez mais crescentes de stalkers (perseguidores), especialmente por meio das redes sociais. O crime consiste no ato do agente que persegue alguém, de forma reiterada, exigindo-se, assim, a habitualidade em seu agir. Além disso, a perseguição pode ocorrer por qualquer meio (presencialmente, por exemplo, comparecendo todos os dias no trabalho da vítima; virtualmente, nas diversas redes sociais, e-mail etc.; ou por qualquer outra forma, como envio de cartas, no intuito de: (1) ameaçar a integridade física ou psicológica da vítima; (2) restringir a capacidade de locomoção da vítima; ou (3) invadir ou perturbar, de qualquer forma, a esfera de liberdade ou privacidade da vítima. Cuida-se de infração de menor potencial ofensivo, uma vez que a pena para o crime é de 6 meses a 2 anos e multa, passível, portanto, do procedimento nos Juizados Especiais Criminais e de aplicação de institutos descarcerizadores, como a transação penal e a suspensão condicional do processo. DIREITO PENAL Caderno de novidades legislativas78 O novo tipo penal estabelece causas de aumento de pena (aumentada de metade) se o crime é cometido: contra criança, adolescente ou idoso, mediante concurso de duas ou mais pessoas ou com o emprego de arma ou contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 do Código Penal (CP). Segundo o citado parágrafo, considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve: I ‒ ‒ violência doméstica e familiar; II ‒ ‒ menosprezo ou discriminação à condição de mulher. As penas previstas para o crime são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência, e somente se procede mediante representação, ou seja, deve haver manifestação inequívoca da vítima ou de seu representantelegal a respeito da intenção de se instaurar a persecução penal, não havendo forma específica de apresentação dessa representação, podendo ser, inclusive, de forma verbal ao delegado de polícia ou membro do Ministério Público, por exemplo. 1.3. Questão inédita comentada Segundo o art. 147-A do Decreto-Lei nº 2.848, de 07.12.1940 (CP, acrescentado pela Lei nº 14.132, de 31.03.2021), o crime de perseguição: A) Não exige habitualidade. B) Tem pena mínima de detenção de dois anos. C) Tem pena aumentada em 1/4 se o crime é cometido contra criança, adolescente ou idoso. D) Tem pena aumentada pela metade se o crime é cometido contra mulher por razões da condição de sexo feminino. E) Não tem previsão de aumento de pena se é cometido com o emprego de arma. Alternativa correta: letra D. Nos termos do art. 147-A, § 1º, II, do CP, o crime de perseguição tem a pena aumentada de metade se o crime for cometido contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 do CP. DIREITO PENAL Caderno de novidades legislativas79 Demais alternativas: Alternativa A. Errada. O crime consiste no ato criminoso do agente que persegue alguém, de forma reiterada, exigindo-se, assim, a habitualidade em seu agir. Alternativa B. Errada. Cuida-se de infração de menor potencial ofensivo, uma vez que a pena para o crime é de 6 meses a 2 anos, e multa. Alternativa C. Errada. A pena é aumentada de metade se o crime é cometido contra criança, adolescente ou idoso, nos termos do § 1º, I, art. 147-A do CP. Alternativa E. Errada. O inciso III, do § 1º, do art. 147-A do CP prevê o caso de aumento de pena no caso de emprego de arma. DIREITO PENAL Caderno de novidades legislativas80 1. Lei nº 14.126/2021 ‒ ‒ Visão monocular como deficiência sensorial 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.126/2021 Ementa: Classifica a visão monocular como deficiência sensorial, do tipo visual, dispondo a respeito da avaliação biopsicossocial da visão monocular para fins de reconhecimento da condição de pessoa com deficiência. Data de publicação: 23.03.2021 Início de vigência: 23.03.2021 Link do texto normativo:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/ L14126.htm> 1.2. Comentário Em relação ao direito previdenciário, a Lei nº 14.126/2021 traz como inovação a classificação da visão monocular como deficiência sensorial, do tipo visual, o que repercutirá por conta, especialmente, do benefício de prestação continuada. Entretanto, para concentrar a abordagem das inovações veiculadas por esse novo ato normativo, a sua análise encontra-se em direito da pessoa com deficiência. 2. Lei nº 14.128/2021 ‒ ‒ Compensação financeira a ser paga pela União aos profissionais e trabalhadores de saúde 2.1. Ficha normativa LEI Nº 14.128/2021 Ementa: Dispõe sobre compensação financeira a ser paga pela União aos profissionais e trabalhadores de saúde que, durante o período de emergência de saúde pública de importância nacional decorrente da disseminação do novo coronavírus (SARS- CoV-2), por terem trabalhado no atendimento direto a pacientes acometidos pela Covid-19, ou realizado visitas domiciliares em determinado período de tempo, no caso de agentes comunitários de saúde ou de combate a endemias, tornarem- se permanentemente incapacitados para o trabalho, ou ao seu cônjuge ou companheiro, aos seus dependentes e aos seus herdeiros necessários, em caso de óbito; e altera a Lei nº 605, de 5 de janeiro de 1949. DIREITO PREVIDENCIÁRIO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14126.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14126.htm Caderno de novidades legislativas81 Data de publicação: 26.03.2021 Início de vigência: 26.03.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Lei/L14128.htm> Destaques: • Cria compensação financeira a ser paga pela União aos profissionais e trabalhadores de saúde que, durante o período de emergência de saúde pública de importância nacional decorrente da disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2), por terem trabalhado no atendimento direto a pacientes acometidos pela Covid-19, ou realizado visitas domiciliares em determinado período de tempo, no caso de agentes comunitários de saúde ou de combate a endemias, tornarem-se permanentemente incapacitados para o trabalho, ou ao seu cônjuge ou companheiro, aos seus dependentes e aos seus herdeiros necessários, em caso de óbito. • Altera a Lei nº 605/1949, que dispõe sobre o repouso semanal remunerado e o pagamento de salário nos dias de feriados civis e religiosos. 2.2. Comentário Em 26.03.2021, foi publicada a Lei nº 14.128, com início imediato de vigência. De acordo com sua ementa, será devida uma compensação financeira a ser paga pela União aos profissionais e trabalhadores de saúde que, durante o período de emergência de saúde pública de importância nacional decorrente da disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2), por terem trabalhado no atendimento direto a pacientes acometidos pela Covid-19, ou realizado visitas domiciliares em determinado período de tempo, no caso de agentes comunitários de saúde ou de combate a endemias, tornarem-se permanentemente incapacitados para o trabalho, ou ao seu cônjuge ou companheiro, aos seus dependentes e aos seus herdeiros necessários, em caso de óbito; e altera a Lei nº 605, de 5 de janeiro de 1949. Interessante mencionar que o projeto desta lei foi vetado pelo presidente da República sob o seguinte argumento: Apesar do mérito da propositura e a boa intenção do legislador em determinar o pagamento de indenização pela União para familiares de profissionais de saúde que atuam diretamente no combate à pandemia e venham a falecer, bem como para aqueles que ficaram incapacitados permanentemente para o trabalho, a proposta, ao impor o apoio financeiro na forma do projeto, contém os seguintes óbices jurídicos. DIREITO PREVIDENCIÁRIO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14128.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14128.htm Caderno de novidades legislativas82 A proposta viola o art. 8º da recente Lei Complementar nº 173, de 2020, por se estar prevendo benefício indenizatório para agentes públicos e criando despesa continuada em período de calamidade no qual tais medidas estão vedadas. O segundo óbice está na falta de apresentação de estimativa do impacto orçamentário e financeiro, em violação às regras do art. 113 do ADCT. Ademais da violação ao art. 113 do ADCT, tendo em vista que o período do benefício supera o prazo de 31.12.2020 (Art. 1º do Decreto Legislativo nº 6 de 2020), revela-se incompatível com os arts. 15, 16 e 17 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cuja violação pode acarretar responsabilidade para o Presidente da República. O terceiro problema é a inconstitucionalidade formal, por se criar benefício destinado a outros agentes públicos federais e a agentes públicos de outros entes federados por norma de iniciativa de parlamentar federal, a teor do art. 1º e art. 61, § 1º, da Constituição. Por fim, ao dispor que durante o período de emergência decorrente da Covid- 19, a imposição de isolamento dispensará o empregado da comprovação de doença por 7 (sete) dias, veicula matéria análoga ao do PL nº 702/2020, o qual foi objeto de veto presidencial, por gerar insegurança jurídica ao apresentar disposição dotada de imprecisão técnica, e em descompasso com o conceito veiculado na Portaria nº 356, de 2020, do Ministério da Saúde, e na Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, que tratam situação análoga como isolamento. O Congresso Nacional derrubou o veto presidencial em sessão realizada no dia 17.03.2021. Então, no dia 26.03.2021 o projeto foi promulgado e publicado. Por sua vez, a legislação define quem é o trabalhador ou profissional de saúde para fins do recebimento da compensação financeira. É o previsto no art. 1º, parágrafo único, I, da Lei nº14.128/2021: Art. 1º Esta Lei dispõe sobre compensação financeira a ser paga pela União aos profissionais e trabalhadores de saúde que, durante o período de emergência de saúde pública de importância nacional decorrente da disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2), por terem trabalhado no atendimento direto a pacientes acometidos pela Covid-19, ou realizado visitas domiciliares em determinado período de tempo, no caso de agentes comunitários de saúde ou de combate a endemias, tornarem-se permanentemente incapacitados para o trabalho, ou ao seu cônjuge ou companheiro, aos seus dependentes e aos seus herdeiros necessários, em caso de óbito. DIREITO PREVIDENCIÁRIO Caderno de novidades legislativas83 Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se: I ‒ ‒ profissional ou trabalhador de saúde: a) aqueles cujas profissões, de nível superior, são reconhecidas pelo Conselho Nacional de Saúde, além de fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais e profissionais que trabalham com testagem nos laboratórios de análises clínicas; b) aqueles cujas profissões, de nível técnico ou auxiliar, são vinculadas às áreas de saúde, incluindo os profissionais que trabalham com testagem nos laboratórios de análises clínicas; c) os agentes comunitários de saúde e de combate a endemias; d) aqueles que, mesmo não exercendo atividades-fim nas áreas de saúde, auxiliam ou prestam serviço de apoio presencialmente nos estabelecimentos de saúde para a consecução daquelas atividades, no desempenho de atribuições em serviços administrativos, de copa, de lavanderia, de limpeza, de segurança e de condução de ambulâncias, entre outros, além dos trabalhadores dos necrotérios e dos coveiros; e e) aqueles cujas profissões, de nível superior, médio e fundamental, são reconhecidas pelo Conselho Nacional de Assistência Social, que atuam no Sistema Único de Assistência Social; (...) Trata-se de uma previsão justa e merecida, para minimizar a incapacidade ou perda de um profissional que está na linha de frente no combate à pandemia. A lei delimita o momento que gera a percepção da compensação financeira, desta forma, a atuação desses profissionais deve ter ocorrido no Espin-Covid-19. O Espin-Covid-19 é o estado de emergência de saúde pública de importância nacional em decorrência da infecção humana pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). Este estado foi criado juridicamente com a Portaria nº 188/2020, do Ministério da Saúde. Importante destacar que o estado de emergência, com fulcro no art. 1º, caput, §§ 2º e 3º, da Lei nº 13.979/2020, só se encerrará com a publicação de novo ato do Ministro de Estado da Saúde. Em um primeiro momento, analisaremos os aspectos legais da concessão da compensação financeira ao profissional acometido pela incapacidade permanente. Aqui, o legislador se referiu a dois grupos: i) ao profissional ou trabalhador de saúde que ficar incapacitado permanentemente para o trabalho em decorrência da Covid-19 (art. 2º, I, da Lei nº 14.128/2021); e ao ii) agente comunitário de saúde e de combate a endemias que ficar incapacitado permanentemente para o trabalho em DIREITO PREVIDENCIÁRIO Caderno de novidades legislativas84 decorrência da Covid-19, por ter realizado visitas domiciliares em razão de suas atribuições durante o Espin-Covid-19 (art. 2º, II, da Lei nº 14.128/2021). Nesses casos, a incapacidade permanente provocada pela Covid-19 deve ser comprovada. O legislador gerou a presunção de que a Covid-19 foi causa incapacitante quando houver o nexo temporal entre a data de início da doença e a ocorrência da incapacidade permanente para o trabalho ou óbito, se houver: “I ‒‒ diagnóstico de Covid-19 comprovado mediante laudos de exames laboratoriais; ou II ‒‒ laudo médico que ateste quadro clínico compatível com a Covid-19” (art. 2º, § 1º, da Lei nº 14.128/2021). Ou seja, em relação ao nexo de causalidade, há previsão expressa no sentido de se presumir a covid como causa, ainda que não exclusiva, se presente o nexo temporal com o diagnóstico da doença ou laudo atestando o quadro clínico com ela compatível. Ademais, a presença de comorbidades não afasta o direito ao recebimento da compensação financeira. Ainda, o profissional incapacitado estará sujeito à avaliação de perícia médica realizada por servidores integrantes da carreira de Perito Médico Federal (art. 2º, § 3º). Em segundo momento, imperioso mencionar que o evento morte do profissional de saúde decorrente da infecção pelo vírus gera o direito à compensação financeira aos dependentes (art. 2º, III). Nesta esteira, em caso de morte deste profissional ou trabalhador de saúde a lei faz referência ao rol dos dependentes previstos no art. 16 da Lei nº 8.213/1991. Vamos rememorar! 1ª Classe • Cônjuge. • Companheiro (hétero ou homoafetivo). • Filho menor de 21 anos, desde que não tenha sido emancipado. • Filho inválido (não importa a idade). • Filho com deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave (não importa a idade). Dependência econômica presumida e afasta os demais dependentes. 2ª Classe • Pais. Dependência econômica deve ser comprovada. DIREITO PREVIDENCIÁRIO Caderno de novidades legislativas85 3ª Classe • Irmão menor de 21 anos, que não tenha sido emancipado. • Irmão inválido (não importa a idade). • Irmão com deficiência intelectual ou mental, ou deficiência grave (não importa a idade). Dependência econômica deve ser comprovada. O marco temporal para o pagamento da compensação financeira em caso de incapacidade permanente e óbito depende da prévia análise e deferimento do benefício na forma do regulamento (art. 4º da Lei nº 14.128/2021). Esse regulamento ainda não foi publicado, portanto, é importante acompanhar. Art. 4º A compensação financeira de que trata esta Lei será concedida após a análise e o deferimento de requerimento com esse objetivo dirigido ao órgão competente, na forma de regulamento. A lei prevê que será devida a compensação inclusive nas hipóteses de óbito ou incapacidade permanente para o trabalho anterior à data de publicação da Lei nº 14.128/2021, desde que a infecção pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) tenha ocorrido durante o Espin-Covid-19 (art. 2º, § 4º). E, ainda, a compensação financeira será devida inclusive nas hipóteses de óbito ou incapacidade permanente para o trabalho superveniente à declaração do fim do Espin-Covid-19, desde que a infecção pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) tenha ocorrido durante o Espin-Covid-19 (art. 2º, § 4º, da Lei nº 14.128/2021). A compensação financeira está prevista no art. 3º da Lei nº 14.128/2021. Vamos sistematizar! I ‒ ‒ 1 (uma) única prestação em valor fixo de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). Pago ao profissional ou trabalhador de saúde incapacitado permanentemente. Em caso de morte, o valor será pago ao seu cônjuge ou companheiro, aos seus dependentes e aos seus herdeiros necessários. II ‒ 1 (uma) única prestação de valor variável paga a cada um dos dependentes do profissional ou trabalhador de saúde falecido. A prestação de valor variável será devida a: • dependente menor de 21 anos; • dependente menor de 24 anos (se cursando curso superior); • dependente com deficiência (independentemente da idade). DIREITO PREVIDENCIÁRIO Caderno de novidades legislativas86 Cálculo: Aplica-se o rateio entre os beneficiários, em partes iguais (art. 3º, § 2º, da Lei nº 14.128/2021). Cálculo: o valor será calculado mediante a multiplicação da quantia de R$ 10.000,00 (dez mil reais) pelo número de anos inteiros e incompletos que faltarem, para cada um deles, na data do óbito do profissional ou trabalhador de saúde, para atingir a idade de 21 anos completos, ou 24 anos se cursando curso superior. Atenção! O cálculo para o dependente com deficiência (art. 3º, § 1º, da Lei nº 14.128/2021) é diferente. O valor da prestação variável decorre da multiplicação da quantia de R$ 10.000,00 (dez mil reais) pelo número mínimode 5 (cinco) anos. O legislador buscou dar tratamento mais favorável ao dependente deficiente ao receber, no mínimo, as parcelas referentes a 5 (cinco) anos. Outro aspecto relevante desta legislação é agregar ao valor da compensação financeira, em caso de óbito do profissional ou trabalhador de saúde, o valor relativo às despesas de funeral (art. 3º, § 4º, da Lei nº 14.128/2021). O legislador permitiu que a União realize o parcelamento da compensação financeira. É o disposto no art. 3º, § 3º, da Lei nº 14.128/2021: Art. 3º A compensação financeira de que trata esta Lei será composta de: (...) § 3º A integralidade da compensação financeira, considerada a soma das parcelas devidas, quando for o caso, será dividida, para o fim de pagamento, em 3 (três) parcelas mensais e sucessivas de igual valor. (Grifos nossos). Cabe ressaltar, ainda, que o recebimento da indenização não prejudica o direito a benefícios previdenciários, a exemplo dos benefícios por incapacidade temporária e definitiva, além de eventual pensão por morte. Art. 5º A compensação financeira de que trata esta Lei possui natureza indenizatória e não poderá constituir base de cálculo para a incidência de imposto de renda ou de contribuição previdenciária. Parágrafo único. O recebimento da compensação financeira de que trata esta Lei não prejudica o direito ao recebimento de benefícios previdenciários ou assistenciais previstos em lei. DIREITO PREVIDENCIÁRIO Caderno de novidades legislativas87 Além de criar uma compensação financeira, a ser paga pela União aos profissionais e trabalhadores de saúde que trabalham no atendimento direto a pacientes acometidos pela Covid-19, a Lei nº 14.128/2021 alterou a Lei nº 605/1949, que dispõe sobre o repouso semanal remunerado, acrescentando os §§ 4º e 5º ao art. 6º. O art. 6º estabelece que não é devida remuneração do repouso semanal remunerado quando, sem motivo justificado, o empregado não tiver trabalhado durante toda a semana anterior, cumprindo integralmente o seu horário de trabalho, salvo motivos justificados, trazidos no § 1º da Lei nº 605/1949: Art. 6º (...) § 1º São motivos justificados: a) os previstos no artigo 473 e seu parágrafo único da Consolidação das Leis do Trabalho; b) a ausência do empregado devidamente justificada, a critério da administração do estabelecimento; c) a paralisação do serviço nos dias em que, por conveniência do empregador, não tenha havido trabalho; d) a ausência do empregado, até três dias consecutivos, em virtude do seu casamento; e) a falta ao serviço com fundamento na lei sobre acidente do trabalho; f) a doença do empregado, devidamente comprovada. No entanto, a nova norma estabeleceu que, “durante o período de emergência em saúde pública decorrente da Covid-19, a imposição de isolamento dispensará o empregado da comprovação de doença por 7 (sete) dias”, conforme art. 7º da Lei nº 14.128/2021, que acrescentou o § 4º ao art. 6º da Lei nº 605/1949. Além disso, em caso de imposição de isolamento em razão da Covid-19, “o trabalhador poderá apresentar como justificativa válida, no oitavo dia de afastamento, documento de unidade de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) ou documento eletrônico regulamentado pelo Ministério da Saúde”, conforme o art. 7º da Lei nº 14.128/2021, que acrescentou o § 5º ao art. 6º da Lei nº 605/1949. DIREITO PREVIDENCIÁRIO Caderno de novidades legislativas88 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 2.3. Questão inédita comentada A Lei nº 14.128/2021 dispõe sobre compensação financeira a ser paga pela União aos profissionais e trabalhadores de saúde que, durante o período de emergência de saúde pública de importância nacional decorrente da disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2). Em relação ao disposto nessa lei, julgue os itens a seguir e assinale a alternativa correta: I – Não se considera profissional ou trabalhador de saúde, para os fins previstos na lei, o assistente social. II – A compensação prevista na lei tem valor entre R$ 30.000,00 a R$ 50.000,00, a depender da gravidade da incapacidade. III – O recebimento da compensação financeira de que trata esta Lei não prejudica o direito ao recebimento de benefícios previdenciários ou assistenciais previstos em lei. Está correto o que se afirma em: A) I B) II C) III D) I e II E) II e III Alternativa correta: letra C. Apenas o item III está correto. Item I: Errado. Nos termos do art. 1º, parágrafo único, I, considera-se profissional ou trabalhador de saúde: “a) aqueles cujas profissões, de nível superior, são reconhecidas pelo Conselho Nacional de Saúde, além de fisioterapeutas, nutricionistas, n e profissionais que trabalham com testagem nos laboratórios de análises clínicas; b) aqueles cujas profissões, de nível técnico ou auxiliar, são vinculadas às áreas de saúde, incluindo os profissionais que trabalham com testagem nos laboratórios de análises clínicas; c) os agentes comunitários de saúde e de combate a endemias”. Caderno de novidades legislativas89 Item II: Errado. Conforme o art. 3º, I, a compensação financeira prevista na lei será composta de uma “única prestação em valor fixo de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), devido ao profissional ou trabalhador de saúde incapacitado permanentemente para o trabalho ou, em caso de óbito deste, ao seu cônjuge ou companheiro, aos seus dependentes e aos seus herdeiros necessários, sujeita, nesta hipótese, a rateio entre os beneficiários”. Item III: Correto. A compensação financeira possui natureza indenizatória e não poderá constituir base de cálculo para a incidência de imposto de renda ou de contribuição previdenciária, consoante o art. 5º da nova lei. DIREITO PREVIDENCIÁRIO Caderno de novidades legislativas SUMÁRIO Abril 2021 Caderno de novidades legislativas91 1. Lei nº 14.133/2021 – Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.133/2021 Ementa: Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Data de publicação: 1º.04.2021 Início de vigência: 1º.04.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/ lei/L14133.htm> Destaques: • Revoga, imediatamente, os arts. 89 a 108 da Lei nº 8.666/1993 e mantém seus demais dispositivos vigentes por um período de dois anos, promovendo um regime de transição. • Mantém, também em regime de transição bienal, a Lei nº 10.520/2002, que trata da modalidade de licitação pregão, bem como os arts. 1º a 47-A da Lei nº 12.462/2011, que trata do Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC). • Consagra novos princípios, como o princípio da segregação de funções. • Incorpora técnicas e institutos de sistemas de contratação anteriores, como o RDC e o pregão (ex.: inversão de fases e orçamento sigiloso). • Extingue a tomada de preços e o convite, e cria a modalidade diálogo competitivo. • Permite, de forma expressa, a adoção de matriz de risco pelos contratantes. 1.2. Comentário Em 1º de abril de 2021 foi finalmente publicada a Lei nº 14.133, a Nova Lei Geral de Licitações e Contratos, que vai substituir a obsoleta Lei nº 8.666/1993. Importa ressaltar, preliminarmente, que a Lei nº 8.666/1993 continuará, em parte, em vigor por um período de dois anos, a fim de que os entes possam se adaptar às novas regras estabelecidas na Lei nº 14.133/2021. Apenas os arts. 89 a 108 da Lei nº 8.666/1993 – referentes aos crimes de licitação e do processo e procedimento judiciais – estão desde já revogados. DIREITO ADMINISTRATIVO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/L14065.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/L14065.htm Caderno de novidades legislativas92 A Lei nº 14.133/2021 também manteve em regime de transição bienal a Lei nº 10.520/2002, que trata da modalidade de licitação pregão, bem como os arts. 1º a 47-A da Lei nº 12.462/2011, que trata do RDC. Assim, de acordo com o art. 190, o contrato assinado antes da vigência danova lei continuará regido integralmente e até seu termo final pela legislação anterior, ainda que de trato contínuo, produzindo efeitos mesmo após o prazo de dois anos previsto para a transição, não se operando, portanto, a chamada retroatividade, ainda que mínima. Para além disso, o art. 191 permite que a administração escolha licitar de acordo com a lei que melhor lhe aprouver, durante o período de transição de dois anos. Não é objeto deste material esmiuçar todas as novidades operadas pela Lei nº 14.133 no regime de contratações públicas, mas abordaremos, a seguir, seus principais destaques. Uma primeira alteração relevante é a previsão, no art. 5º da lei, do princípio da segregação de funções, o qual é diretamente relacionado ao Compliance, protetor da probidade administrativa. Trata-se de vedação da designação do mesmo agente público para atuação em mais de uma função suscetível a riscos de ocultação de erros e ocorrência de fraudes. Além disso, foram incorporadas diversas técnicas e institutos já utilizados em outros sistemas de contratação anteriores, como o RDC e o pregão, tais como a inversão das fases de habilitação e julgamento como regra (assim, somente haverá a verificação da habilitação do licitante vencedor após o julgamento) e o orçamento sigiloso. O orçamento sigiloso pode ser mais bem compreendido a partir da leitura do art. 18, IV, combinado com o art. 24, I. Art. 18. A fase preparatória do processo licitatório é caracterizada pelo planejamento e deve compatibilizar-se com o plano de contratações anual de que trata o inciso VII do caput do art. 12 desta Lei, sempre que elaborado, e com as leis orçamentárias, bem como abordar todas as considerações técnicas, mercadológicas e de gestão que podem interferir na contratação, compreendidos: (...) IV – o orçamento estimado, com as composições dos preços utilizados para sua formação; Art. 24. Desde que justificado, o orçamento estimado da contratação poderá ter caráter sigiloso, sem prejuízo da divulgação do detalhamento dos quantitativos e das demais informações necessárias para a elaboração das propostas, e, nesse caso: I – o sigilo não prevalecerá para os órgãos de controle interno e externo; (...) (Grifos nossos.) DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas93 Outras importantes alterações em relação à Lei nº 8.666/1993 foram a extinção da tomada de preços e do convite, e a criação da modalidade diálogo competitivo, restando, ainda, vedada a criação de outras modalidades de licitação ou a combinação delas, conforme disposto no art. 28, § 2º. Ademais, consagra a modalidade pregão, incorporando-a em seu texto. O diálogo competitivo é, nos termos do art. 6º, XLII, da nova lei, “modalidade de licitação para contratação de obras, serviços e compras em que a Administração Pública realiza diálogos com licitantes previamente selecionados mediante critérios objetivos, com o intuito de desenvolver uma ou mais alternativas capazes de atender às suas necessidades, devendo os licitantes apresentar proposta final após o encerramento dos diálogos”. Por fim, cabe ressaltar, em matéria de contratos administrativos, a consagração da matriz de riscos, a ser prevista como cláusula contratual no edital. Por esta cláusula, poderão as partes alocar, de forma mais eficiente, os riscos de cada contrato e estabelecer a responsabilidade que caiba a cada parte contratante, bem como os mecanismos que afastem a ocorrência do sinistro e mitiguem os seus efeitos, caso este ocorra durante a execução contratual. Nesse sentido, o art. 103, §§ 4º e 5º, da lei: Art. 103. O contrato poderá identificar os riscos contratuais previstos e presumíveis e prever matriz de alocação de riscos, alocando-os entre contratante e contratado, mediante indicação daqueles a serem assumidos pelo setor público ou pelo setor privado ou daqueles a serem compartilhados. (...) § 4º A matriz de alocação de riscos definirá o equilíbrio econômico- -financeiro inicial do contrato em relação a eventos supervenientes e deverá ser observada na solução de eventuais pleitos das partes. § 5º Sempre que atendidas as condições do contrato e da matriz de alocação de riscos, será considerado mantido o equilíbrio econômico-financeiro, renunciando as partes aos pedidos de restabelecimento do equilíbrio relacionados aos riscos assumidos, exceto no que se refere: I – às alterações unilaterais determinadas pela Administração, nas hipóteses do inciso I do caput do art. 124 desta Lei; II – ao aumento ou à redução, por legislação superveniente, dos tributos diretamente pagos pelo contratado em decorrência do contrato. DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas94 1.3. Questão inédita comentada É modalidade de licitação prevista na Lei nº 14.133/2021: A) Pregão. B) Registro de preços. C) Procedimento de manifestação de interesse. D) Tomada de preços. E) Convite. Alternativa correta: letra A. Nos termos do art. 28, I, da Lei nº 14.133/2021, o pregão é uma modalidade de licitação consagrada na nova Lei Geral de Licitações. Art. 28. São modalidades de licitação: I - pregão; II - concorrência; III - concurso; IV - leilão; V - diálogo competitivo. Demais alternativas: Alternativa B. Errada. O registro de preços é um procedimento auxiliar das licitações e das contratações, previsto nos arts. 82 e segs. da Lei nº 14.133/2021. Alternativa C. Errada. O procedimento de manifestação de interesse é um procedimento auxiliar das licitações e das contratações, previsto no art. 81 da Lei nº 14.133/2021. Alternativa D. Errada. Essa modalidade foi extinta na nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021). Alternativa E. Errada. Essa modalidade foi extinta na nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021). DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas95 1. Lei nº 14.138/2021 – Exame de DNA em sede de Ação de Investigação de Paternidade 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.138/2021 Ementa: Acrescenta o § 2º ao art. 2º-A da Lei nº 8.560, de 29 de dezembro de 1992, para permitir, em sede de ação de investigação de paternidade, a realização do exame de pareamento do código genético (DNA) em parentes do suposto pai, nos casos em que especifica. Data de publicação: 19.04.2021 Início de vigência: 19.04.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Lei/L14138.htm> Destaques: • A lei autoriza a realização do exame de pareamento do código genético (DNA) em parentes consanguíneos do suposto pai na ação de investigação de paternidade, quando este houver falecido ou não existir notícia de seu paradeiro. • Nestas hipóteses, a lei dispõe que a recusa dos parentes em participarem do exame implica presunção da paternidade, a ser apreciada em conjunto com o contexto probatório. 1.2. Comentário No dia 19.04.2021 foi publicada e entrou em vigor a Lei nº 14.138/2021, que, conforme sua ementa: Acrescenta o § 2º ao art. 2º-A da Lei nº 8.560, de 29 de dezembro de 1992, para permitir, em sede de ação de investigação de paternidade, a realização do exame de pareamento do código genético (DNA) em parentes do suposto pai, nos casos em que especifica. Com efeito, a lei trata sobre o exame de DNA em ações de investigação de paternidade, tema da Súmula nº 301 do STJ: “Em ação investigatória, a recusa do suposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz presunção juris tantum de paternidade.” DIREITO PROCESSUAL CIVIL Caderno de novidades legislativas96 O novel texto legislativo consolida posição do STJ, que possui precedentes no sentido de que a presunção de paternidade se aplica também quando parentes, e não apenas o pai, se contrapõem à paternidade e se negam a realizar o exame. Com a Lei nº 14.138/2021, não restam dúvidas sobre essa possibilidade na hipótese de o suposto pai ter falecido ou não existir notícia de seu paradeiro, conforme o acréscimo efetivado:Se o suposto pai houver falecido ou não existir notícia de seu paradeiro, o juiz determinará, a expensas do autor da ação, a realização do exame de pareamento do código genético (DNA) em parentes consanguíneos, preferindo-se os de grau mais próximo aos mais distantes, importando a recusa em presunção da paternidade, a ser apreciada em conjunto com o contexto probatório. (§ 2º do art. 2º-A da Lei nº 8.560/1992, incluído pela Lei nº 14.138/2021.) Portanto, a presunção de paternidade pela recusa a se submeter ao exame aplica-se ao suposto pai e aos parentes consanguíneos deste nas hipóteses destacadas, desde que em consonância com as demais provas do processo. 1.3. Questão inédita comentada Nos termos da Lei nº 14.138/2021, julgue a seguinte assertiva: Se o suposto pai houver falecido ou não existir notícia de seu paradeiro, o juiz determinará, a expensas do autor da ação, a realização do exame de pareamento do código genético (DNA) em parentes consanguíneos, preferindo-se os de grau mais próximo aos mais distantes, importando a recusa em presunção da paternidade, independente do contexto probatório. CERTO ( ) ERRADO ( ) O item está correto. Há erro na parte final da assertiva, nos termos do art. 2º-A, § 2º, da Lei nº 8.560/1992: Se o suposto pai houver falecido ou não existir notícia de seu paradeiro, o juiz determinará, a expensas do autor da ação, a realização do exame de pareamento do código genético (DNA) em parentes consanguíneos, preferindo-se os de grau mais próximo aos mais distantes, importando a recusa em presunção da paternidade, a ser apreciada em conjunto com o contexto probatório. (Incluído pela Lei nº 14.138, de 2021.) (Grifos nossos.) DIREITO PROCESSUAL CIVIL Caderno de novidades legislativas97 1. Medida Provisória (MP) nº 1.045/2021 – Institui o Novo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda 1.1. Ficha normativa MP Nº 1.045/2021 Ementa: Institui o Novo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda e dispõe sobre medidas complementares para o enfrentamento das consequências da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19) no âmbito das relações de trabalho. Data de publicação: 28.04.2021 Início de vigência: 28.04.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Mpv/mpv1045.htm> Destaques: • A medida provisória cria o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que será pago em duas situações: redução proporcional de jornada de trabalho e de salário e suspensão temporária do contrato de trabalho. • Autoriza a redução proporcional de jornada de trabalho e de salário de empregados pelo prazo de até 120 dias, que poderá ser prorrogado por ato do Poder Executivo. A pactuação poderá ocorrer por meio de coletiva de trabalho, acordo coletivo de trabalho ou acordo individual escrito entre empregador e empregado. • Autoriza a suspensão temporária do contrato de trabalho pelo prazo de até 120 dias, que poderá ser prorrogado por ato do Poder Executivo. A pactuação também poderá ocorrer por meio de coletiva de trabalho, acordo coletivo de trabalho ou acordo individual escrito entre empregador e empregado. 1.2. Comentário Em 28.04.2021, a MP nº 1.045 foi publicada, com início de vigência na data de sua publicação. De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “Institui o Novo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda e dispõe sobre medidas complementares para o enfrentamento das consequências da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19) no âmbito das relações de trabalho”. DIREITO DO TRABALHO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1045.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1045.htm Caderno de novidades legislativas98 Trata-se de ato legislativo do presidente da República que instituiu o Novo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda e criou o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda. De acordo com a medida provisória, o Novo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda tem como objetivos (art. 2º) “preservar o emprego, garantir a continuidade das atividades laborais e empresariais e reduzir o impacto social decorrente das consequências da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19)”. Trata-se, assim, de mais uma tentativa do governo federal de amenizar os efeitos que a pandemia da Covid-19 tem causado nas relações trabalhistas. De acordo com o art. 3º da MP, são medidas do Novo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda: I ‒ o pagamento do Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda; II ‒ a redução proporcional de jornada de trabalho e de salários; e III ‒ a suspensão temporária do contrato de trabalho. Em relação ao Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que será custeado com recursos da União, deve-se destacar que ele será devido ao trabalhador que tenha sido atingido por uma das seguintes situações: redução proporcional de jornada de trabalho e de salário ou suspensão temporária do contrato de trabalho. O benefício terá como base de cálculo o valor da parcela do seguro-desemprego a que o empregado teria direito. Seu valor, por outro lado (art. 6º, incisos I e II): a) na hipótese de redução de jornada de trabalho e de salário, será calculado com a aplicação do percentual da redução sobre a base de cálculo; e b) na hipótese de suspensão temporária do contrato de trabalho: I ‒ como regra, terá valor mensal equivalente a cem por cento do valor do seguro-desemprego a que o empregado teria direito; II ‒ porém, caso o empregador tenha auferido, no ano-calendário de 2019, receita bruta superior a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais) terá valor mensal equivalente a setenta DIREITO DO TRABALHO Caderno de novidades legislativas99 DIREITO DO TRABALHO por cento do valor do seguro-desemprego. Nesta hipótese, caberá à empresa o pagamento de ajuda compensatória mensal no valor de 30% do valor do salário do empregado. No entanto, quanto à possibilidade de redução proporcional de jornada de trabalho e de salário de seus empregados, a sua validade está condicionada à observância de determinados requisitos (art. 7º, incisos I e II): a) preservação do valor do salário-hora de trabalho; e b) pactuação, por convenção coletiva de trabalho, acordo coletivo de trabalho ou acordo individual escrito entre empregador e empregado; Com efeito, o acordo individual escrito será válido nas seguintes situações: a) redução da jornada e do salário no percentual de 25%: para todos os empregados; b) redução da jornada e do salário nos percentuais de 50% e 70%: somente para empregados com salário igual ou inferior a R$ 3.300,00 (três mil e trezentos reais) ou hipersuficientes. Além disso, admite-se o contrato individual escrito (ainda que ausente convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho) quando do acordo não resultar diminuição do valor total recebido mensalmente pelo empregado, independentemente do percentual. Já sobre a suspensão temporária do contrato de trabalho, a MP, em seu art. 12, permite que sua implementação seja realizada por meio de acordo individual escrito ou de negociação coletiva aos seguintes empregados: I - com salário igual ou inferior a R$ 3.300,00 (três mil e trezentos reais); ou II - com diploma de nível superior que percebam salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. Apesar disso, o § 1º do dispositivo legal dispõe que, para os trabalhadores que não se enquadrem nas hipóteses acima, a suspensão somente pode ser estabelecida por convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, com exceção daqueles que não sofrerem diminuição do valor total percebido mensalmente,casos em que se admite o acordo individual escrito. Sobre o tema, é importante destacar, ainda, a previsão contida no § 6º do art. 8º da MP nº 1.045/2021: “A empresa que tiver auferido, no ano-calendário de 2019, receita bruta superior a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais) somente poderá suspender o contrato de Caderno de novidades legislativas100 trabalho de seus empregados mediante o pagamento de ajuda compensatória mensal no valor de trinta por cento do valor do salário do empregado, durante o período de suspensão temporária do contrato de trabalho pactuado, observado o disposto neste artigo e no art. 9º”. Por fim, oportuno salientar que a norma em comento cria uma nova espécie de garantia provisória no emprego ao empregado que receber o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda. Trata-se do art. 10 da MP nº 1.045/2021. De acordo com o dispositivo, como regra, esta garantia tem duração enquanto estiver vigente o pacto de redução da jornada de trabalho e do salário ou de suspensão temporária do contrato de trabalho e perdura, após o fim das restrições, por período equivalente ao acordado para a redução ou suspensão. Para fins previdenciários, será abordado o aspecto de natureza assistencial da medida. Não obstante, o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda é medida do governo para amenizar os impactos econômicos gerados pela pandemia de Covid-19. O “novo” benefício visa substituir o auxílio emergencial pago no ano de 2020. Quem terá direito ao novo benefício? O benefício será pago aos indivíduos que tiveram a redução de jornada de trabalho e salário e aos trabalhadores com a suspensão temporária do contrato de trabalho. O benefício será custeado integralmente com recursos da União, e será pago ao trabalhador a partir da data do início da redução da jornada de trabalho e do salário ou da suspensão temporária do contrato de trabalho. O pagamento do benefício será mensal (art. 5º, § 2º). Para que o trabalhador receba o benefício, o empregador deve comunicar ao Ministério da Economia a redução da jornada de trabalho e do salário ou a suspensão temporária do contrato de trabalho (inciso I do § 2º do art. 5º). Essa comunicação deve ocorrer no prazo de 10 dias, contado da data da celebração do acordo entre empregado e empregador. No entanto, se o empregador não comunicar no prazo previsto a suspensão ou a redução de jornada de trabalho, ele fica responsável pelo pagamento da remuneração no valor anterior à redução da jornada de trabalho e do salário ou à suspensão temporária do contrato de trabalho do empregado. Aqui, são cobrados encargos trabalhistas e previdenciários (inciso I do § 3º do art. 5º). DIREITO DO TRABALHO Caderno de novidades legislativas101 A União tem prazo de 30 dias, contado da data da celebração do acordo para realizar o pagamento do benefício (inciso II do § 2º do art. 5º). Quanto à duração do benefício, ele será pago exclusivamente enquanto durar a redução da jornada de trabalho e do salário ou a suspensão temporária do contrato de trabalho. O empregado que tiver mais de um vínculo trabalhista tem direito a receber cumulativamente o benefício correspondente a cada vínculo formal de trabalho (§ 3º do art. 6º). Uma informação interessante: o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda será operacionalizado e pago pelo Ministério da Economia (§ 7º do art. 5º). O valor desse auxílio terá como base de cálculo o valor da parcela do seguro-desemprego a que o empregado teria direito. E, para ter direito ao benefício, não pode ser imposto nenhum período de carência. Sendo assim, independe de tempo de vínculo empregatício, número de salários recebidos e cumprimento de qualquer período aquisitivo (art. 6º, caput, I, II e § 1º). O benefício não será pago ao indivíduo que ocupou cargo ou emprego público, cargo em comissão ou titular de mandato eletivo. Também não poderá receber o benefício o indivíduo que estiver em gozo do LOAS, do seguro-desemprego, do benefício de qualificação profissional e o contratado na modalidade de trabalho intermitente (§§ 2º e 5º do art. 6º). A empregada gestante tem direito ao benefício até que tenha ocorrido o evento caracterizador do início do benefício de salário-maternidade. Neste momento o benefício será interrompido, e o salário-maternidade será pago de acordo com o previsto na Lei nº 8.213/1991, ou seja, a remuneração será integral ou como último salário de contribuição (empregada doméstica). Ademais, a segurada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção também faz jus a este direito (art. 13, §§ 1º e 2º). A Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil S.A. ficam responsáveis para operacionalizar o pagamento do Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (art. 22). Por fim, o empregador e empregado poderão, a qualquer tempo, em comum acordo, optar pelo cancelamento de aviso-prévio em curso e optar pela redução da jornada de trabalho ou pela suspensão do contrato de trabalho (art. 19). DIREITO DO TRABALHO Caderno de novidades legislativas102 1.3. Questão inédita comentada João trabalha na empresa X há mais de cinco anos, auferindo remuneração de R$ 2.7000,00 por mês. Ocorre que a empresa está passando por sérias dificuldades financeiras em razão da pandemia do coronavírus. Nesta hipótese, considerando as disposições contidas na MP nº 1.045/2021, assinale a alternativa INCORRETA: A) Poderá ser pactuado acordo individual escrito entre empregador e empregado que estabeleça a suspensão temporária do contrato de trabalho. B) Caso fique acordada uma redução de jornada de trabalho e de salário no percentual de 25%, o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda será de 25%, calculado sobre o valor do seguro-desemprego a que João teria direito. C) Caso fique acordada a suspensão do contrato de trabalho, João fará juz ao Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que é custeado pelo empregador. D) Poderá ser pactuado acordo individual escrito entre empregador e empregado que estabeleça a redução proporcional de jornada de trabalho e de salário. E) Caso João receba o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, fará jus a uma garantia provisória no emprego. Alternativa correta: letra C. Nos termos do art. 5º, § 1º, da MP nº 1.045/2021, o “Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda será custeado com recursos da União”. Demais alternativas: Alternativa A. Errada. Como João aufere renda inferior a R$ 3.300,00, é possível pactuar acordo individual escrito com o empregador que estabeleça a suspensão temporária do contrato de trabalho, conforme art. 12, inciso I, da MP nº 1.045/2021. Art. 12. As medidas de que trata o art. 3º serão implementadas por meio de acordo individual escrito ou de negociação coletiva aos empregados: I - com salário igual ou inferior a R$ 3.300,00 (três mil e trezentos reais); ou Alternativa B. Errada. É o que dispõe o art. 6º, inciso I, da MP nº 1.045/2021. DIREITO DO TRABALHO Caderno de novidades legislativas103 Art. 6º O valor do Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda terá como base de cálculo o valor da parcela do seguro-desemprego a que o empregado teria direito, nos termos do disposto no art. 5º da Lei nº 7.998, de 1990, observadas as seguintes disposições: I - na hipótese de redução de jornada de trabalho e de salário, será calculado com a aplicação do percentual da redução sobre a base de cálculo; e Alternativa D. Errada. Como João aufere renda inferior a R$ 3.300,00, é possível pactuar acordo individual escrito com o empregador que estabeleça a redução proporcional de jornada de trabalho e de salário, conforme o art. 12, inciso I, da MP nº 1.045/2021. Art. 12. As medidas de que trata o art. 3º serão implementadas por meio de acordo individual escrito ou de negociação coletiva aos empregados: I - comsalário igual ou inferior a R$ 3.300,00 (três mil e trezentos reais); ou Alternativa E. Errada. É o que dispõe o art. 10, caput, da MP nº 1.045/2021. Art. 10. Fica reconhecida a garantia provisória no emprego ao empregado que receber o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, de que trata o art. 5º, em decorrência da redução da jornada de trabalho e do salário ou da suspensão temporária do contrato de trabalho de que trata esta Medida Provisória, nos seguintes termos: (…). 2. MP nº 1.046/2021 – Institui medidas para o enfrentamento dos efeitos causados pela pandemia do coronavírus nos contratos de trabalho 2.1. Ficha normativa MP Nº 1.046/2021 Ementa: Dispõe sobre as medidas trabalhistas para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19). Data de publicação: 28.04.2021 Início de vigência: 28.04.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/ Mpv/mpv1046.htm> DIREITO DO TRABALHO Caderno de novidades legislativas104 Destaques: • A medida provisória traz uma série de medidas que podem ser adotadas pelos empregadores para o enfrentamento dos efeitos econômicos decorrentes da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19) e a preservação do emprego e da renda. • Autoriza a alteração do regime de trabalho presencial para teletrabalho, trabalho remoto ou outro tipo de trabalho a distância, independentemente da existência de acordos individuais ou coletivos. • Autoriza a antecipação das férias, independentemente de concordância do empregado, a concessão de férias coletivas e a antecipação do gozo de feriados. • Autoriza a constituição de regime especial de compensação de jornada, por meio de banco de horas, em favor do empregador ou do empregado, estabelecido por meio de acordo individual ou coletivo escrito. • Autoriza a suspensão de exames médicos ocupacionais para trabalhadores em teletrabalho, trabalho remoto ou a distância. • Determina a suspensão da exigibilidade do recolhimento do FGTS pelos empregadores, referente às competências de abril, maio, junho e julho de 2021, com vencimento em maio, junho, julho e agosto de 2021, respectivamente. 2.2. Comentário Em 28 de abril de 2021 foi publicada no DOU a MP nº 1.046/2021, com início imediato de vigência. Referida medida provisória, conforme o art. 1º, “dispõe sobre as medidas trabalhistas que poderão ser adotadas pelos empregadores, durante o prazo de cento e vinte dias, contado da data de sua publicação, para a preservação do emprego, a sustentabilidade do mercado de trabalho e o enfrentamento das consequências da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19) relacionadas a trabalho e emprego”. DIREITO DO TRABALHO Caderno de novidades legislativas105 Nesses termos, segundo o art. 2º da MP, os empregadores poderão adotar, entre outras, as seguintes medidas: I ‒ o teletrabalho; II ‒ a antecipação de férias individuais; III ‒ a concessão de férias coletivas; IV ‒ o aproveitamento e a antecipação de feriados; V ‒ o banco de horas; VI ‒ a suspensão de exigências administrativas em segurança e saúde no trabalho; e VII ‒ o diferimento do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS. Em relação ao teletrabalho, a MP permite que o empregador, a seu critério, altere o regime de trabalho presencial para teletrabalho, trabalho remoto ou outro tipo de trabalho a distância, independentemente da existência de acordos individuais ou coletivos. Nesta situação, o trabalhador será notificado com antecedência mínima de 48 horas sobre a alteração (art. 3º, caput, § 2º). Além disso, o ato normativo admite a antecipação das férias do empregado, que deverá ser notificado com, no mínimo, 48 horas de antecedência, com a indicação do período a ser gozado pelo empregado. As férias não poderão ser gozadas em períodos inferiores a cinco dias corridos e poderão ser concedidas ainda que não transcorrido o prazo do período aquisitivo (art. 5º, caput, § 1º). Nesse caso, é importante destacar que o pagamento do período poderá ser efetuado até o quinto dia útil do mês subsequente ao início do gozo das férias, não se aplicando, assim, a multa prevista no art. 145 da Consolidação das Leis do Trabalho ‒ CLT (art. 9º). No entanto, o empregador poderá, a seu critério, conceder férias coletivas a todos os empregados ou a setores da empresa. Com efeito, os trabalhadores beneficiados deverão ser comunicados com, no mínimo, 48 horas de antecedência. Autoriza-se a concessão de férias coletivas por prazo superior a 30 dias (art. 11). Outra medida que pode ser adotada pelo empregador é a antecipação do gozo de feriados. Neste caso, os trabalhadores devem ser notificados com antecedência mínima de 48 horas (art. 14). DIREITO DO TRABALHO Caderno de novidades legislativas106 Permite-se, ainda, a constituição de regime especial de compensação de jornada, por meio de banco de horas, em favor do empregador ou do empregado. De acordo com a MP, o banco de horas pode ser pactuado por meio de negociação coletiva ou acordo individual escrito, para a compensação no prazo de até 18 meses, contado da data de encerramento do período de restrição nela previsto. A compensação de tempo para recuperação do período interrompido poderá ser realizada inclusive aos finais de semana (art. 15, caput, § 1º). Ressalte-se que, nos termos do art. 15, § 2º, da MP nº 1.046/2021, a “compensação do saldo de horas poderá ser determinada pelo empregador independentemente de convenção coletiva ou de acordo individual ou coletivo”. Ademais, determinou-se a suspensão da obrigatoriedade na realização dos exames médicos ocupacionais, clínicos e complementares, exceto dos exames demissionais, dos trabalhadores que estejam em regime de teletrabalho, trabalho remoto ou trabalho a distância (art. 16). Saliente-se, no entanto, que a realização de exames ocupacionais e de treinamentos periódicos aos trabalhadores da área de saúde e das áreas auxiliares em efetivo exercício em ambiente hospitalar continuou obrigatória (§ 1º do art. 16). Nos termos do art. 20, caput, da MP nº 1.046/2021, também ficou suspensa “a exigibilidade do recolhimento do FGTS pelos empregadores, referente às competências de abril, maio, junho e julho de 2021, com vencimento em maio, junho, julho e agosto de 2021, respectivamente”. Na realidade, a MP autorizou o pagamento de forma parcelada (em até quatro parcelas mensais) de tais depósitos, com vencimento a partir de setembro de 2021, sem a incidência da atualização, da multa e dos encargos moratórios (art. 21, caput, § 1º). Por fim, os estabelecimentos de saúde, por meio de acordo individual escrito, inclusive para as atividades insalubres e para a jornada de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso, podem (art. 27): I ‒ prorrogar a jornada de trabalho, nos termos do disposto no art. 61 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1943; e II ‒ adotar escalas de horas suplementares entre a décima terceira e a vigésima quarta hora do intervalo interjornada, sem que haja penalidade administrativa, garantido o repouso semanal remunerado nos termos do disposto no art. 67 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1943. DIREITO DO TRABALHO Caderno de novidades legislativas107 2.3. Questão inédita comentada Em relação às medidas trabalhistas para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19) previstas na MP nº 1.046/2021, assinale a alternativa incorreta: A) O empregador poderá, a seu critério, durante o prazo de vigência da MP, determinar a alteração do regime de trabalho presencial para teletrabalho, independentemente da existência de acordos individuais ou coletivos. B) Autoriza-se, durante o prazode vigência da MP, a constituição de banco de horas, estabelecido por meio de acordo individual ou coletivo escrito. Por outro lado, a compensação do saldo de horas poderá ser determinada pelo empregador independentemente de convenção coletiva ou de acordo individual ou coletivo. C) Nos estabelecimentos de saúde, durante o prazo de vigência da MP, fica permitido, para as jornadas 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso a adoção de escalas de horas suplementares entre a décima terceira e a vigésima quarta hora do intervalo interjornada, sem que isso configure penalidade administrativa. D) Durante o prazo de vigência da MP, fica suspensa a exigibilidade do recolhimento do FGTS pelos empregadores, referente às competências de abril, maio, junho e julho de 2021. Nesta situação, os depósitos devem ser realizados em até quatro parcelas mensais, com vencimento a partir de setembro de 2021. E) A MP autoriza que o empregador antecipe as férias do empregado. Neste caso, porém, é necessário que tenha transcorrido o período aquisitivo relativo às férias antecipadas. Alternativa correta: letra E. Mesmo que não tenha transcorrido o período aquisitivo, admite-se a antecipação, conforme o art. 5º, § 1º, II, da MP nº 1.046/2021. DIREITO DO TRABALHO Caderno de novidades legislativas108 Art. 5º O empregador informará ao empregado, durante o prazo previsto no art. 1º, sobre a antecipação de suas férias com antecedência de, no mínimo, quarenta e oito horas, por escrito ou por meio eletrônico, com a indicação do período a ser gozado pelo empregado. § 1º As férias antecipadas nos termos do disposto no caput: II ‒ poderão ser concedidas por ato do empregador, ainda que o período aquisitivo a elas relativo não tenha transcorrido. Demais alternativas: Alternativa A. É o que dispõe o art. 3º, caput, da MP nº 1.046/2021. Art. 3º O empregador poderá, a seu critério, durante o prazo previsto no art. 1º, alterar o regime de trabalho presencial para teletrabalho, trabalho remoto ou outro tipo de trabalho a distância, além de determinar o retorno ao regime de trabalho presencial, independentemente da existência de acordos individuais ou coletivos, dispensado o registro prévio da alteração no contrato individual de trabalho. Alternativa B. É o que dispõe o art. 15, caput, § 2º, da MP nº 1.046/2021. Art. 15. Ficam autorizadas, durante o prazo previsto no art. 1º, a interrupção das atividades pelo empregador e a constituição de regime especial de compensação de jornada, por meio de banco de horas, em favor do empregador ou do empregado, estabelecido por meio de acordo individual ou coletivo escrito, para a compensação no prazo de até dezoito meses, contado da data de encerramento do período de que trata o art. 1º. Alternativa C. É o que dispõe o art. 27, inciso II, da MP nº 1.046/2021. Art. 27. Fica permitido aos estabelecimentos de saúde, durante o prazo definido no art. 1º, por meio de acordo individual escrito, inclusive para as atividades insalubres e para a jornada de doze horas de trabalho por trinta e seis horas de descanso: II - adotar escalas de horas suplementares entre a décima terceira e a vigésima quarta hora do intervalo interjornada, sem que haja penalidade administrativa, garantido o repouso semanal remunerado nos termos do disposto no art. 67 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1943. DIREITO DO TRABALHO Caderno de novidades legislativas109 Alternativa D. É o que dispõem os arts. 20, caput, e 21, § 1º, ambos da MP nº 1.046/2021. Art. 20. Fica suspensa a exigibilidade do recolhimento do FGTS pelos em- pregadores, referente às competências de abril, maio, junho e julho de 2021, com vencimento em maio, junho, julho e agosto de 2021, respectivamente. Art. 21. O depósito das competências de abril, maio, junho e julho de 2021 poderá ser realizado de forma parcelada, sem a incidência da atualização, da multa e dos encargos previstos no art. 22 da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990. § 1º Os depósitos referentes às competências de que trata o caput serão realizados em até quatro parcelas mensais, com vencimento a partir de se- tembro de 2021, na data do recolhimento mensal devido, conforme disposto no caput do art. 15 da Lei nº 8.036, de 1990. DIREITO DO TRABALHO Caderno de novidades legislativas110 1. Medida Provisória (MP) nº 1.045/2021 – Institui o Novo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda 1.1. Ficha normativa MP Nº 1.045/2021 Ementa: Institui o Novo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda e dispõe sobre medidas complementares para o enfrentamento das consequências da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19) no âmbito das relações de trabalho. Data de publicação: 28.04.2021 Início de vigência: 28.04.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Mpv/mpv1045.htm> Destaques: • A medida provisória cria o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que será pago em duas situações: redução proporcional de jornada de trabalho e de salário e suspensão temporária do contrato de trabalho. • Autoriza a redução proporcional de jornada de trabalho e de salário de empregados pelo prazo de até 120 dias, que poderá ser prorrogado por ato do Poder Executivo. A pactuação poderá ocorrer por meio de coletiva de trabalho, acordo coletivo de trabalho ou acordo individual escrito entre empregador e empregado. • Autoriza a suspensão temporária do contrato de trabalho pelo prazo de até 120 dias, que poderá ser prorrogado por ato do Poder Executivo. A pactuação também poderá ocorrer por meio de coletiva de trabalho, acordo coletivo de trabalho ou acordo individual escrito entre empregador e empregado. 1.2. Comentário Em relação ao direito previdenciário, a MP nº 1.045/2021 traz como inovação o “Novo Auxílio Emergencial”, destacando seu aspecto assistencial e impondo outros requisitos para a percepção deste e novos valores. Entretanto, para concentrar a abordagem das inovações veiculadas por esse novo ato normativo, a sua análise encontra-se em direito do trabalho. DIREITO PREVIDENCIÁRIO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1045.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1045.htm Caderno de novidades legislativas SUMÁRIO Maio 2021 Caderno de novidades legislativas112 1. Medida Provisória (MP) nº 1.047/2021 – Medidas excepcionais para a aquisição de bens e a contratação de serviços e insumos destinados ao enfrentamento da pandemia da Covid-19 1.1. Ficha normativa MP Nº 1.047/2021 Ementa: Dispõe sobre as medidas excepcionais para a aquisição de bens e a contratação de serviços, inclusive de engenharia, e insumos destinados ao enfrentamento da pandemia da Covid-19. Data de publicação: 04.05.2021 Início de vigência: 04.05.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Mpv/mpv1047.htm> Destaques: • ‒Autoriza dispensa de licitação para a aquisição de bens e a contratação de serviços, inclusive de engenharia, e insumos destinados ao enfrentamento da pandemia da Covid-19. • Autoriza a utilização do sistema de registro de preços e autoriza a Administração Pública federal a aderir ao registro de preços estadual, distrital ou municipal. • Admite a previsão de cláusula contratual que estabeleça o pagamento antecipado. • Dispensa estudos preliminares quando se tratar de bens e serviços comuns. • Admite termo de referência simplificado ou projeto básico simplificado nas aquisições ou contratações de que trata a medida provisória. • Permite a contratação por valores superiores ao estimado decorrentes de oscilações ocasionadas pela variação de preços, desde que observadas as condições legais. • Dispensa alguns requisitos de habilitação na hipótese de haver restrição de fornecedores ou de prestadores de serviço. • Autoriza a contrataçãode fornecedor sujeito à sanção de impedimento ou de suspensão de contratar com o Poder Público quando for o único fornecedor do bem ou prestador do serviço, desde que prestada garantia. • Prevê percentual de 50% para acréscimos ou supressões obrigatórias nos contratos decorrentes dos procedimentos previstos na MP. DIREITO ADMINISTRATIVO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1047.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Mpv/mpv1047.htm Caderno de novidades legislativas113 1.2. Comentário Em 04.05.2021, foi publicada a MP nº 1.047/2021, com início imediato de vigência. De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo prevê “medidas excepcionais para a aquisição de bens e a contratação de serviços, inclusive de engenharia, e insumos destinados ao enfrentamento da pandemia da Covid-19”. Trata-se de mais uma inovação legal destinada ao enfrentamento da pandemia da Covid-19 através da flexibilização dos procedimentos para aquisição de bens e a contratação de serviços, inclusive de engenharia, e insumos destinados ao enfrentamento da pandemia da Covid-19, para os quais fica autorizada a dispensa de licitação, nos termos do art. 2º da MP. A MP replica medidas que constavam das Leis nºs 13.979/2020 e 14.065/2020, que também previam medidas excepcionais para a aquisição de bens e a contratação de serviços, inclusive de engenharia, e insumos destinados ao enfrentamento da pandemia, mas que perderam vigência no final de 2021. Importante ressaltar que, nos termos do parágrafo único do art. 1º da MP nº 1.047, a aquisição de vacinas e insumos e a contratação de bens e de serviços necessários à implementação da vacinação contra a Covid-19 são regidas pelo disposto na Lei nº 14.124/2021, não pela medida provisória em comento. Uma das regras de flexibilização para as licitações previstas na MP é a possibilidade de a administração pública prever cláusula contratual que estabeleça o pagamento antecipado, desde que (art. 7º): I – represente condição indispensável para obter o bem ou assegurar a prestação do serviço; ou II – propicie significativa economia de recursos. Esses pagamentos deverão ser previstos em edital e exigirão a devolução integral do valor antecipado, caso haja inexecução, hipótese em que o montante da devolução será atualizado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), na forma do art. 7º, § 1º, II, da MP. Além disso, o § 3º do mesmo artigo veda o pagamento antecipado na hipótese de prestação de serviços com regime de dedicação exclusiva de mão de obra. Além disso, a MP dispensa a elaboração de estudos preliminares, quando se tratar de bens e de serviços comuns (art. 8º, I) e permite a apresentação de termo de referência simplificado ou de projeto básico simplificado (art. 8º, III), que conterão as informações previstas no § 1º do art. 8º. DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas114 Importante também a previsão contida no § 3º do art. 8º, referente às oscilações de preços: § 3º Os preços obtidos a partir da estimativa de preços de que trata o inciso VI do § 1º não impedem a contratação pelo Poder Público por valores superiores decorrentes de oscilações ocasionadas pela variação de preços, desde que observadas as seguintes condições: I – negociação prévia com os demais fornecedores, segundo a ordem de classificação, para obtenção de condições mais vantajosas; e II – fundamentação, nos autos do processo administrativo da contratação correspondente, da variação de preços praticados no mercado por motivo superveniente. O art. 9º da MP dispensa, ainda, o cumprimento de um ou mais requisitos de habilitação “na hipótese de haver restrição de fornecedores ou de prestadores de serviço”, desde que “excepcionalmente e mediante justificativa” da autoridade competente, ressalvados a exigência de apresentação de prova de regularidade trabalhista e o cumprimento do disposto no inciso XXXIII do caput do art. 7º e do § 3º do art. 195 da Constituição. O art. 12, por sua vez, autoriza “a contratação de fornecedor exclusivo de bem ou de serviço de que trata esta Medida Provisória, inclusive no caso da existência de inidoneidade declarada ou de sanção de impedimento ou de suspensão para celebração de contrato com o Poder Público”, desde que prestada garantia nas modalidades previstas no art. 56 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, que não poderá exceder 10% do valor do contrato, na forma do parágrafo único do mesmo artigo. Outra importante diferença prevista para as contratações de que trata a MP é em relação ao percentual de acréscimos ou supressões obrigatórias. Nos termos do art. 13 da MP nº 1.047/2021: Art. 13. Para os contratos celebrados nos termos desta Medida Provisória, a administração pública poderá estabelecer cláusula com previsão de que os contratados ficam obrigados a aceitar, nas mesmas condições contratuais iniciais, acréscimos ou supressões ao objeto contratado, limitados a até cinquenta por cento do valor inicial atualizado do contrato. Por fim, a MP dispõe que: na hipótese de dispensa de licitação a que se refere o caput, quando se tratar de compra ou de contratação por mais de um órgão ou entidade, poderá ser utilizado o sistema de registro de preços previsto no inciso II do caput do art. 15 da Lei nº 8.666, de 1993 (art. 4º). DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas115 Prevendo, ainda, que: os órgãos e entidades da administração pública federal poderão aderir à ata de registro de preços gerenciada por órgão ou entidade estadual, distrital ou municipal (...) até o limite, por órgão ou entidade, de cinquenta por cento dos quantitativos dos itens do instrumento convocatório e registrados na ata de registro de preços para o órgão gerenciador e para os órgãos participantes (art. 6º). 1.3. Questão inédita comentada Com relação às medidas especiais para a aquisição de bens e a contratação de serviços e insumos destinados ao enfrentamento da pandemia da Covid-19 previstas na MP nº 1.047/2021, é incorreto afirmar: A) Na situação excepcional de, comprovadamente, haver um único fornecedor do bem ou prestador do serviço, será permitida a sua contratação, independentemente da existência de sanção de impedimento ou de suspensão de contratar com o Poder Público. B) As medidas excepcionais de contratação previstas na MP nº 1.047/2021 são aplicáveis à aquisição de vacinas e insumos e à contratação de bens e de serviços necessários à implementação da vacinação contra a Covid-19. C) Na hipótese de dispensa de licitação, quando se tratar de compra ou de contratação por mais de um órgão ou entidade, poderá ser utilizado o sistema de registro de preços. D) Não será exigida a elaboração de estudos preliminares, quando se tratar de bens e de serviços comuns. E) Será admitida a apresentação de termo de referência simplificado ou de projeto básico simplificado. Alternativa correta: letra B. Nos termos do art. 1º, parágrafo único, da MP nº 1.047/2021, “a aquisição de vacinas e insumos e a contratação de bens e de serviços necessários à implementação da vacinação contra a Covid-19 são regidas pelo disposto na Lei nº 14.124, de 10 de março de 2021”. Demais alternativas: Alternativa A: Alternativa em consonância com o art. 12 da MPV nº 1.047/2021: “Fica autorizada a contratação de fornecedor exclusivo de bem ou de serviço de que trata esta Medida Provisória, inclusive no caso da existência de inidoneidade declarada ou de sanção de impedimento ou de suspensão para celebração de contrato com o Poder Público.” DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas116 Alternativa C. Alternativa em consonância com o art. 4º da MPV nº 1.047/2021: “Na hipótese de dispensa de licitação de que trata o inciso I do caput do art. 2º, quando se tratar de aquisição ou de contratação por mais de um órgão ou entidade, poderá ser utilizado o sistema de registro de preçosprevisto no inciso II do caput do art. 15 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.” Alternativa D. Alternativa em consonância com o art. 8º, I, da MPV nº 1.047/2021: “No planejamento das aquisições e das contratações de que trata esta Medida Provisória, a administração pública deverá observar as seguintes condições: I - fica dispensada a elaboração de estudos preliminares, quando se tratar de bens e serviços comuns.” Alternativa E. Alternativa em consonância com o art. 8º, III, da MPV nº 1.047/2021: “No planejamento das aquisições e das contratações de que trata esta Medida Provisória, a administração pública deverá observar as seguintes condições: (...) IIII - será admitida a apresentação de termo de referência simplificado ou de projeto básico simplificado.” DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas117 1. Lei nº 14.151, de 12 de maio de 2021 – Afastamento da empregada gestante das atividades de trabalho presencial em razão da pandemia do novo coronavírus 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.151/2021 Ementa: Dispõe sobre o afastamento da empregada gestante das atividades de trabalho presencial durante a emergência de saúde pública de importância nacional decorrente do novo coronavírus. Data de publicação: 13.05.2021 Início de vigência: 13.05.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/ L14151.htm> Destaques: • A lei estabelece o afastamento da empregada gestante das atividades de trabalho presencial, sem prejuízo de sua remuneração, durante a pandemia do coronavírus. • Prevê, ainda, que a empregada afastada das atividades presenciais ficará à disposição para exercer as atividades em seu domicílio, por meio de teletrabalho, trabalho remoto ou outra forma de trabalho a distância. 1.2. Comentário Em 13 de maio de 2021, foi publicada no DOU a Lei nº 14.151/2021, com início imediato de vigência. A lei, de apenas dois artigos, prevê que: Art. 1º Durante a emergência de saúde pública de importância nacional decorrente do novo coronavírus, a empregada gestante deverá permanecer afastada das atividades de trabalho presencial, sem prejuízo de sua remuneração. Parágrafo único. A empregada afastada nos termos do caput deste artigo ficará à disposição para exercer as atividades em seu domicílio, por meio de teletrabalho, trabalho remoto ou outra forma de trabalho a distância. Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. DIREITO DO TRABALHO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14151.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14151.htm Caderno de novidades legislativas118 Inicialmente, deve-se salientar que as disposições da lei estão condizentes com as orientações do Ministério da Saúde, no sentido de que as gestantes fazem parte do chamado grupo de risco. Dessa forma, enquanto perdurar o estado de emergência em saúde pública nacional decorrente do novo coronavírus, a empregada gestante deverá ser afastada do trabalho presencial. Apesar disso, a própria lei, no parágrafo único do art. 1º, prevê que a trabalhadora afastada deverá permanecer à disposição do empregador para exercer as atividades em seu domicílio, por meio de teletrabalho, trabalho remoto ou outra forma de trabalho a distância. Destaque-se que a lei assegura que o afastamento ocorrerá sem prejuízo da remuneração da empregada. Dentro desse contexto, questiona-se: Caso não seja possível a adoção de qualquer das medidas de trabalho a distância, quem será o responsável pelo pagamento da remuneração da gestante durante o período de afastamento? A legislação não esclarece esta circunstância. Diante da celeuma, há quem entenda que a responsabilidade pelo pagamento será do Estado, tendo como fundamento o disposto no art. IV, item 8, da Convenção nº 103 da Organização Internacional do Trabalho (OIT): “Em hipótese alguma, deve o empregador ser tido como pessoal- mente responsável pelo custo das prestações devidas às mulheres que ele emprega”. Por outro lado, existe posição no sentido de que a responsabilidade será do empregador, pois não há previsão, neste caso, de benefício previdenciário à gestante (como ocorre, por exemplo, na licença-maternidade). Além disso, a lei utiliza a expressão “sem prejuízo de sua remuneração”, o que induz ao entendimento de que será do empregador a obrigação pelo pagamento. Contudo, apesar da divergência de entendimentos, uma conclusão é inafastável: a empregada gestante deve ser afastada do trabalho presencial. 1.3. Questão inédita comentada Nos termos da Lei nº 14.151/2021, que dispõe sobre o afastamento da empregada gestante das atividades de trabalho presencial durante a emergência de saúde pública de importância nacional decorrente do novo coronavírus, assinale a alternativa correta: A) A lei expressamente estabelece que a responsabilidade pelo pagamento da remuneração da empregada gestante afastada será do Estado. B) Considerando tratar-se de pessoa integrante do grupo de risco, a empregada gestante afastada do trabalho presencial não poderá ficar à disposição do empregador para exercer as atividades por meio de trabalho remoto. DIREITO DO TRABALHO Caderno de novidades legislativas119 C) O afastamento previsto na legislação em comento é assegurado apenas durante a emergência de saúde pública de importância nacional decorrente do novo coronavírus. D) A lei expressamente estabelece que a responsabilidade pelo pagamento da remuneração da empregada gestante afastada será do empregador. E) A lei faculta à empregada gestante o afastamento das atividades de trabalho presencial. Alternativa correta: letra C. É o que dispõe a primeira parte do art. 1º, caput, da lei: “Durante a emergência de saúde pública de importância nacional decorrente do novo coronavírus, a empregada gestante deverá permanecer afastada das atividades de trabalho presencial, sem prejuízo de sua remuneração”. Demais alternativas: Alternativa A. A lei é silente quanto à responsabilidade pelo pagamento da remuneração da empregada gestante afastada. Alternativa B. De acordo com o parágrafo único do art. 1º da lei, ela ficará à “disposição para exercer as atividades em seu domicílio, por meio de teletrabalho, trabalho remoto ou outra forma de trabalho a distância”. Alternativa D. A lei é silente quanto à responsabilidade pelo pagamento da remuneração da empregada gestante afastada. Alternativa E. Trata-se de uma obrigação, conforme art. 1º, caput, da lei: “Durante a emergência de saúde pública de importância nacional decorrente do novo coronavírus, a empregada gestante deverá permanecer afastada das atividades de trabalho presencial, sem prejuízo de sua remuneração”. DIREITO DO TRABALHO Caderno de novidades legislativas120 DIREITO FINANCEIRO 1. Lei Complementar (LC) nº 181/2021 – Alterações legislativas para permitir o enfrentamento da pandemia da Covid-19 pelos estados, pelo DF e pelos municípios 1.1. Ficha normativa LC Nº 181/2021 Ementa: Altera a Lei Complementar (LC) nº 172, de 15 de abril de 2020, e a Lei nº 14.029, de 28 de julho de 2020, para conceder prazo para que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios executem atos de transposição e de transferência e atos de transposição e de reprogramação, respectivamente; altera a LC nº 156, de 28 de dezembro de 2016, para conceder prazo adicional para celebração de aditivos contratuais e permitir mudança nos critérios de indexação dos contratos de refinanciamento de dívidas; altera a LC nº 159, de 19 de maio de 2017, para permitir o afastamento de vedações durante o Regime de Recuperação Fiscal, desde que previsto no Plano de Recuperação Fiscal; altera a LC nº 178, de 13 de janeiro de 2021, para conceder prazo adicional para celebração de contratos e disciplinar a apuração de valores inadimplidos de Estado com Regime de Recuperação Fiscal vigente em 31 de agosto de 2020; e revoga o art. 27 da LC nº 178, de 13 de janeiro de 2021.Data de publicação: 07.05.2021 Início de vigência: 07.05.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp181.htm> Destaque: • A LC visa dar ajuda financeira aos estados e municípios para o enfrentamento da pandemia causada pela Covid-19. 1.2. Comentário Em 07.05.2021, a LC nº 181 foi publicada, com início de vigência na data de sua publicação. De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo: Altera a Lei Complementar nº 172, de 15 de abril de 2020, e a Lei nº 14.029, de 28 de julho de 2020, para conceder prazo para que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios executem atos de transposição e de transferência e atos de transposição e de reprogramação, respectivamente; altera a Lei Complementar nº 156, de 28 de dezembro de 2016, para conceder prazo adicional para celebração de aditivos contratuais e permitir mudança nos critérios de indexação dos contratos de refinanciamento de dívidas; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp181.htm Caderno de novidades legislativas121 altera a Lei Complementar nº 159, de 19 de maio de 2017, para permitir o afastamento de vedações durante o Regime de Recuperação Fiscal desde que previsto no Plano de Recuperação Fiscal; altera a Lei Complementar nº 178, de 13 de janeiro de 2021, para conceder prazo adicional para celebração de contratos e disciplinar a apuração de valores inadimplidos de Estado com Regime de Recuperação Fiscal vigente em 31 de agosto de 2020; e revoga o art. 27 da Lei Complementar nº 178, de 13 de janeiro de 2021. Trata-se de ato legislativo que alterou os seguintes diplomas visando dar suporte financeiro aos entes federativos para enfrentamento da pandemia causada pela Covid-19. Foram alterados os seguintes diplomas: 1. LC nº 172/2020: a LC nº 181/2021 alargou o prazo da transposição e a transferência de saldos financeiros dos entes federativos. Na vigência da LC nº 172/2020 foi possível a aplicação de transposição e transferência de saldos durante a vigência do estado de calamidade pública de que tratou o Decreto Legislativo nº 06/2020. Portanto, aplicados até dia 31 de dezembro de 2020. No entanto, para viabilizar a reprogramação dos saldos em 2021, a LC nº 172 foi alterada. Agora, esta autorização concedida aos entes federativos para utilizarem, em serviços de saúde, saldos financeiros remanescentes de anos anteriores dos fundos que tenham origem em repasses do Ministério da Saúde aplicam-se até o final do exercício financeiro de 2021. Art. 1º O art. 5º da Lei Complementar nº 172, de 15 de abril de 2020, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 5º A transposição e a transferência de saldos financeiros de que trata esta Lei Complementar aplicam-se até o final do exercício financeiro de 2021. (NR) 2. LC nº 156/2016: a LC nº 181/2021 permitiu a concessão de prazo adicional para celebração de aditivos contratuais. Ademais, permitiu a mudança de critérios de indexação dos contratos de refinanciamento de dívidas. Art. 3º A Lei Complementar nº 156, de 28 de dezembro de 2016, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 4º-C Fica a União impedida, até 31 de dezembro de 2021, de aplicar as penalidades decorrentes do descumprimento da limitação de despesas do § 1º do art. 4º desta Lei Complementar e de exigir a restituição prevista no § 2º do referido artigo. (NR) Art. 12-A. (...) DIREITO FINANCEIRO Caderno de novidades legislativas122 § 8º Aplicam-se aos contratos de que trata a Lei referida no caput deste artigo, a partir da data de assinatura do termo aditivo, a redução da taxa de juros e a mudança de índice de atualização monetária, quando indexado ao Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), para as condições previstas nos incisos I e II do caput do art. 2º da Lei Complementar nº 148, de 25 de novembro de 2014. (NR) 3. LC nº 159/2017: a LC nº 181/2021 passou a permitir o afastamento de vedações impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) durante o Regime de Recuperação Fiscal, com uma condição de estar previsto no Plano de Recuperação Fiscal. Art. 4º O art. 8º da Lei Complementar nº 159, de 19 de maio de 2017, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 8º (...) § 2º As vedações previstas neste artigo poderão ser: (...) II - afastadas, desde que previsto expressamente no Plano de Recuperação Fiscal em vigor (...). (NR) 4. LC nº 178/2021: a LC nº 181/2021 passou a conceder prazo adicional para celebração de contratos e disciplinar a apuração de valores inadimplidos de Estado com Regime de Recuperação Fiscal vigente em 31.08.2020. Por fim, revogou o art. 27 da referida norma. Art. 5º A Lei Complementar nº 178, de 13 de janeiro de 2021, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 21. (...) § 1º (...) I - incidência dos encargos contratuais de normalidade sobre cada valor inadimplido, desde a data de sua exigibilidade até a data de homologação do primeiro Regime de Recuperação Fiscal, no caso de obrigações decorrentes da redução extraordinária integral das prestações relativas aos contratos de dívidas administrados pela Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Economia concedida em razão da primeira adesão ao Regime de Recuperação Fiscal; II - incidência da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para os títulos federais sobre cada valor inadimplido, desde a data de sua exigibilidade até a data de homologação do primeiro Regime de Recuperação Fiscal, no caso de obrigações inadimplidas referentes a operações de crédito com o sistema financeiro e instituições multilaterais contratadas em data anterior à homologação do pedido da primeira adesão ao Regime de Recuperação Fiscal e cujas contragarantias não tenham sido executadas pela União. DIREITO FINANCEIRO Caderno de novidades legislativas123 (...) § 6º Os valores não pagos em decorrência da retomada progressiva de pagamentos prevista na primeira adesão ao Regime de Recuperação Fiscal, relativos às dívidas administradas pela Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Economia e às obrigações inadimplidas referentes a operações de crédito com o sistema financeiro e instituições multilaterais contratadas em data anterior à homologação do pedido da primeira adesão ao Regime de Recuperação Fiscal e cujas contragarantias não tenham sido executadas pela União, serão capitalizados nas condições do art. 2º da Lei Complementar nº 148, de 25 de novembro de 2014, e sua regulamentação, e incorporados ao saldo do contrato de que trata o art. 9º-A da Lei Complementar nº 159, de 19 de maio de 2017. (NR) Art. 23. É a União autorizada a celebrar com os Estados, até 30 de junho de 2022, contratos específicos com as mesmas condições financeiras do contrato previsto no art. 9º-A da Lei Complementar nº 159, de 19 de maio de 2017, com prazo de 360 (trezentos e sessenta) meses, para refinanciar os valores inadimplidos em decorrência de decisões judiciais proferidas em ações ajuizadas até 31 de dezembro de 2020 que lhes tenham antecipado os seguintes benefícios da referida Lei Complementar: (...). (NR) Por fim, é importante trazer um conceito básico sobre o que são a transposição e a transferência de saldos financeiros. A transposição consiste na alocação de recursos financeiros entre programas de trabalho, desde que no âmbito do orçamento de um mesmo órgão. A transposição permite mudança entre categorias programáticas de um mesmo órgão orçamentário. Por outro lado, a transferência corresponde à realocação de recursos financeiros entre categorias econômicas, dentro do mesmo órgão e do mesmo programa de trabalho. 1.3. Questão inédita comentada Julgue se o item é verdadeiro ou falso: A transposição de saldo financeiro consiste na realocação de recursos financeiros entre categorias econômicas. CERTO ( ) ERRADO ( ) O item é falso. A transposição de saldo financeiro consiste na alocação de recursos financeiros entre programas de trabalho, desde que no âmbitodo orçamento de um mesmo órgão. DIREITO FINANCEIRO Caderno de novidades legislativas124 1. Lei nº 14.154/2021 – Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.154/2021 Ementa: Altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente — ECA), para aperfeiçoar o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), por meio do estabelecimento de rol mínimo de doenças a serem rastreadas pelo teste do pezinho; e dá outras providências. Data de publicação: 27.05.2021 Início de vigência: Após 365 dias da publicação. Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/ lei/L14154.htm> Destaques: • Lei que estabelece um rol mínimo de doenças a serem rastreadas pelo teste do pezinho, em cinco etapas. • Altera o art. 10 do ECA, que prevê as obrigações dos hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, incluindo quatro parágrafos que tratam de forma pormenorizada o rol de doenças e outras providências em relação ao teste do pezinho. • Prevê a revisão periódica do rol de doenças rastreáveis pelo teste do pezinho, com base em parâmetros definidos pela própria lei, no § 2º do art. 10 do ECA (Lei nº 8.069/1990). • Durante os atendimentos de pré-natal e de puerpério imediato, os profissionais de saúde devem informar a gestante e os acompanhantes sobre a importância do teste do pezinho e sobre as eventuais diferenças existentes entre as modalidades oferecidas no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede privada de saúde. 1.2. Comentário Em 27.05.2021 foi publicada a Lei nº 14.154/2021, com vacatio legis de 365 dias. De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (ECA), para aperfeiçoar o PNTN, por meio do estabelecimento de rol mínimo de doenças a serem rastreadas pelo teste do pezinho, e dá outras providências. Trata-se de mais uma inovação legal destinada à proteção do neonato, na medida em que alarga o rol de doenças a serem precocemente detectadas por meio de um dos mais importantes instrumentos médicos disponíveis aos recém-nascidos, o teste do pezinho. DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14154.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14154.htm Caderno de novidades legislativas125 Desses pontos, os dois últimos merecem maior atenção. As doenças serão detectadas em cinco etapas: § 1º Os testes para o rastreamento de doenças no recém-nascido serão disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde, no âmbito do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), na forma da regulamentação elaborada pelo Ministério da Saúde, com implementação de forma escalonada, de acordo com a seguinte ordem de progressão: I – etapa 1: a) fenilcetonúria e outras hiperfenilalaninemias; b) hipotireoidismo congênito; c) doença falciforme e outras hemoglobinopatias; d) fibrose cística; e) hiperplasia adrenal congênita; f) deficiência de biotinidase; g) toxoplasmose congênita; II – etapa 2: a) galactosemias; b) aminoacidopatias; c) distúrbios do ciclo da ureia; d) distúrbios da betaoxidação dos ácidos graxos; III – etapa 3: doenças lisossômicas; IV – etapa 4: imunodeficiências primárias; V – etapa 5: atrofia muscular espinhal. Cabe ressaltar, todavia, que esse rol pode ser alargado pelo Poder Público, de acordo com o § 3º do art. 10 do ECA, acrescentado pela referida lei. Por sua vez, o § 2º, acrescentado ao art. 10, prevê os parâmetros para a revisão periódica do rol, dentre eles: doenças com maior prevalência no país. § 2º A delimitação de doenças a serem rastreadas pelo teste do pezinho, no âmbito do PNTN, será revisada periodicamente, com base em evidências científicas, considerados os benefícios do rastreamento, do diagnóstico e do tratamento precoce, priorizando as doenças com maior prevalência no País, com protocolo de tratamento aprovado e com tratamento incorporado no Sistema Único de Saúde. DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Caderno de novidades legislativas126 § 3º O rol de doenças constante do § 1º deste artigo poderá ser expandido pelo poder público com base nos critérios estabelecidos no § 2º deste artigo. Por fim, traz o dever de informação no § 4º: § 4º Durante os atendimentos de pré-natal e de puerpério imediato, os profissionais de saúde devem informar a gestante e os acompanhantes sobre a importância do teste do pezinho e sobre as eventuais diferenças existentes entre as modalidades oferecidas no Sistema Único de Saúde e na rede privada de saúde. (NR) 1.3. Questão inédita comentada De acordo com recente alteração no ECA, por meio da Lei nº 14.154/2021, a respeito do teste do pezinho, marque a alternativa CORRETA. A) A lei alterou o ECA alargando o rol de doenças detectáveis pelo teste do pezinho, com vigência a partir da sua publicação. B) A detecção de doenças por meio do teste do pezinho seguirá em quatro etapas. C) Somente durante o estado de puerpério imediato deverão os médicos informarem as gestantes a respeito da importância do teste do pezinho. D) O rol não poderá ser alterado, senão por nova lei ordinária. E) A expansão do rol de doenças constante no novo rol deverá seguir os parâmetros também estabelecidos pela Lei nº 14.154/2021. Alternativa correta: letra E. Nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 10 do ECA, na nova redação dada pela Lei nº 14.154/2021. § 2º A delimitação de doenças a serem rastreadas pelo teste do pezinho, no âmbito do PNTN, será revisada periodicamente, com base em evidências científicas, considerados os benefícios do rastreamento, do diagnóstico e do tratamento precoce, priorizando as doenças com maior prevalência no País, com protocolo de tratamento aprovado e com tratamento incorporado no Sistema Único de Saúde. § 3º O rol de doenças constante do § 1º deste artigo poderá ser expandido pelo poder público com base nos critérios estabelecidos no § 2º deste artigo. DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Caderno de novidades legislativas127 Demais alternativas: Alternativa A. Errada. Vacatio legis de 365 dias, conforme art. 2º da Lei nº 14.154/2021. Art. 2º Esta Lei entra em vigor após decorridos 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias de sua publicação oficial. Alternativa B. Errada. São cinco etapas, segundo o art. 1º, que conferiu nova redação ao art. 10, 1º, do ECA. I – etapa 1: a) fenilcetonúria e outras hiperfenilalaninemias; b) hipotireoidismo congênito; c) doença falciforme e outras hemoglobinopatias; d) fibrose cística; e) hiperplasia adrenal congênita; f) deficiência de biotinidase; g) toxoplasmose congênita; II – etapa 2: a) galactosemias; b) aminoacidopatias; c) distúrbios do ciclo da ureia; d) distúrbios da betaoxidação dos ácidos graxos; III – etapa 3: doenças lisossômicas; IV – etapa 4: imunodeficiências primárias; V – etapa 5: atrofia muscular espinhal. Alternativa C. Errada. Também durante o pré-natal, conforme art. 1º da Lei nº 14.154/2021, que conferiu nova redação ao § 4º do art. 10 do ECA. § 4º Durante os atendimentos de pré-natal e de puerpério imediato, os profissionais de saúde devem informar a gestante e os acompanhantes sobre a importância do teste do pezinho e sobre as eventuais diferenças existentes entre as modalidades oferecidas no Sistema Único de Saúde e na rede privada de saúde. Alternativa D. Errada. Poderá ser expandido pelo Poder Público, portanto, por meio de decreto, conforme art. 1º da Lei nº 14.154/2021, que conferiu nova redação ao § 3º do art. 10 do ECA. § 3º O rol de doenças constante do § 1º deste artigo poderá ser expandido pelo poder público com base nos critérios estabelecidos no § 2º deste artigo. DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Caderno de novidades legislativas128 1. Lei nº 14.155/2021 – Gravidade dos crimes de violação de dispositivo informático, furto e estelionato cometidos de forma eletrônica ou pela internet 1.1. Fichanormativa LEI Nº 14.155/2021 Ementa: Altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para tornar mais graves os crimes de violação de dispositivo informático, furto e estelionato cometidos de forma eletrônica ou pela internet; e o Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), para definir a competência em modalidades de estelionato. Data de publicação: 28.05.2021 Início de vigência: 28.05.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/ L14155.htm> Destaques: • Promoveu alterações no crime de violação de dispositivo informático (art. 154-A do Código Penal — CP) modificando a redação do caput, ampliando a incidência do tipo penal e majorando: (a) a pena do crime na sua forma básica (caput do art. 154-A); (b) os limites da causa de aumento de pena do § 2º; e (c) a pena da qualificadora do § 3º. • Promoveu alterações no crime de furto (art. 155, CP) inserindo o § 4º-B, que prevê a qualificadora de furto mediante fraude cometido por meio de dispositivo eletrônico ou informático e acrescentou o § 4º-C, com duas causas de aumento de pena relacionadas com o § 4º-B. • Promoveu alterações no crime de estelionato (art. 171, CP) onde inseriu o § 2º-A, prevendo a qualificadora do estelionato mediante fraude eletrônica, bem como acrescentou o § 2º- B, fixando uma causa de aumento de pena relacionada com o § 2º-A; e, por fim, modificou a redação da causa de aumento de pena do § 4º. 1.2. Comentário Foi publicada em 28 de maio de 2021 a Lei nº 14.155/2021, que alterou o CP, para tornar mais graves os crimes de violação de dispositivo informático, furto e estelionato cometidos de forma eletrônica ou pela internet. A lei entrou em vigor na data da sua publicação. O crime de violação de dispositivo informático (art. 154-A do CP) está no último artigo do grupo de crimes relacionados à liberdade individual. Trata-se de um dispositivo acrescentado ao CP em 2012 pela Lei nº 12.737 (conhecida como “Lei Carolina Dieckmann”, por conta de a atriz ter sido DIREITO PENAL http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14155.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14155.htm Caderno de novidades legislativas129 vítima de tal conduta poucos meses antes da publicação da lei). O delito foi fruto do desenvolvi- mento tecnológico e da necessidade de adaptação da legislação penal à evolução da sociedade. A Lei nº 14.155/2021 promoveu alterações no crime de violação de dispositivo informático (art. 154-A do CP) modificando a redação do caput, ampliando a incidência do tipo penal e majorando: (a) a pena do crime na sua forma básica (caput do art. 154-A); (b) os limites da causa de aumento de pena do § 2º; e (c) a pena da qualificadora do § 3º. As alterações podem ser sistematizadas da seguinte forma: ANTES DA LEI Nº 14.155 DEPOIS DA LEI Nº 14.155 Art. 154-A. Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. Art. 154-A. Invadir dispositivo informático de uso alheio, conectado ou não à rede de computadores, com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do usuário do dispositivo ou de instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita: Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. § 2º Aumenta-se a pena de um sexto a um terço se da invasão resulta prejuízo econômico. § 2º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se da invasão resulta prejuízo econômico. § 3º Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo de comunicações eletrônicas pri- vadas, segredos comerciais ou industriais, informações sigilosas, assim definidas em lei, ou o controle remoto não autorizado do dispositivo invadido: Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não constitui crime mais grave. § 3º Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo de comunicações eletrônicas pri- vadas, segredos comerciais ou industriais, informações sigilosas, assim definidas em lei, ou o controle remoto não autorizado do dispositivo invadido: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Esse crime se insere no grupo de crimes cibernéticos. Vale dizer que o Direito Digital ou Cibernético é atualmente considerado como um ramo do Direito, em que se é possível cate- gorizar os crimes a partir da ideia da sua ligação com a tecnologia e com o ciberespaço. Assim, os crimes cibernéticos são aqueles praticados no ciberespaço, tendo infinitas possibilidades, DIREITO PENAL Caderno de novidades legislativas130 especialmente em face da importância que o espaço cibernético adquiriu. Veja que hoje é possível conversar, fazer vídeos, enviar arquivos, realizar transações bancárias, ofender pessoas etc., através da internet, o que faz com que vários crimes possam ser praticados por este meio. Os crimes cibernéticos podem ser divididos entre próprio ou impróprio quanto ao meio em que ocorrem, em que a distinção está no fato de se o crime somente poder ser caracterizado no meio cibernético (próprio) ou também poder ser praticado tanto neste contexto como fora dele (impróprio). Com base nesta classificação, o art. 154-A do CP é um crime cibernético próprio. Ademais, a conduta deve ser animada pela finalidade de obter, adulterar ou destruir os dados ou informações inseridas no dispositivo sem a autorização do usuário. Existe também a finalidade específica de instalar malwares (programas maliciosos). Em relação ao sujeito ativo, podemos dizer que é crime comum, pois qualquer pessoa pode invadir ou violar dispositivo informático alheio. Já em relação ao sujeito passivo, a vítima pode ser qualquer pessoa física ou pessoa jurídica. Insta dizer que a finalidade específica não precisa ser atingida para que o crime se consume, pois o crime é formal, e admite tentativa. Ademais, existe a hipótese de absorção pelo crime-fim, se a invasão for crime-meio para a prática de um crime mais grave, como no furto mediante fraude e na interceptação clandestina de telemática (quando alguém instala um vírus para fazer o espelhamento de conversas de e-mail de terceiro). A Lei nº 14.155 também promoveu alterações no crime de furto (art. 155, CP) inserindo o § 4º-B, que prevê a qualificadora de furto mediante fraude cometido por meio de dispositivo eletrônico ou informático e acrescentou o § 4º-C, com duas causas de aumento de pena rela- cionadas com o § 4º-B. Após a Lei nº 14.155/2021, passou a existir um tipo penal específico para tratar sobre furto mediante fraude cometido por meio de dispositivo eletrônico ou informático. Trata-se do art. 155, § 4º-B, do CP: Art. 155. (...) § 4º-B A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se o furto mediante fraude é cometido por meio de dispositivo eletrônico ou informático, conectado ou não à rede de computadores, com ou sem a violação de mecanismo de segurança ou a utilização de programa malicioso, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. DIREITO PENAL Caderno de novidades legislativas131 E o § 4º-C instituiu causas de aumento de pena, nos seguintes termos: Art. 155. (...) § 4º-C. A pena prevista no § 4º-B deste artigo, considerada a relevância do resultado gravoso: I – aumenta-se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante a utilização de servidor mantido fora do território nacional; II – aumenta-se de 1/3 (um terço) ao dobro, se o crime é praticado contra idoso ou vulnerável. Assim, a pena é aumentada em razão de o fato representar uma ameaça à soberania nacional, mediante a utilização de servidor mantidofora do território nacional, ou se o crime é praticado contra idoso (art. 1º da Lei nº 10.741/2003) ou vulnerável (art. 217-A, caput e § 1º, do CP). Por fim, a lei promoveu alterações no crime de estelionato (art. 171, CP) onde inseriu o § 2º-A, prevendo a qualificadora do estelionato mediante fraude eletrônica, bem como acrescentou o § 2º- B, fixando uma causa de aumento de pena relacionada com o § 2º-A; e, por fim, modificou a redação da causa de aumento de pena do § 4º. Os §§ 2º-A e 2º-B foram inseridos no contexto da fraude eletrônica, o § 2º-A, prevê o seguinte: Art. 171. (...) § 2º-A A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se a fraude é cometida com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. O delito consiste na conduta do agente obter vantagem ilícita por meio de informações da vítima que ele obteve da própria vítima ou de um terceiro que foram induzidos em erro, sendo a atuação do agente realizada por meio eletrônico. Já o § 2º-B prevê causa de aumento de pena, nesta linha: Art. 171. (...) § 2º-B A pena prevista no § 2º-A deste artigo, considerada a relevância do resultado gravoso, aumenta-se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante a utilização de servidor mantido fora do território nacional. DIREITO PENAL Caderno de novidades legislativas132 Houve também uma mudança na causa de aumento de pena do § 4º do art. 171: ANTES DA LEI Nº 14.155 DEPOIS DA LEI Nº 14.155 Estelionato contra idoso § 4º Aplica-se a pena em dobro se o crime for cometido contra idoso. Estelionato contra idoso ou vulnerável § 4º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) ao dobro, se o crime é cometido contra idoso ou vulnerável, considerada a relevância do resultado gravoso. Agora a pena aumenta-se de 1/3 (um terço) ao dobro, se o crime é cometido contra idoso ou vulnerável, considerada a relevância do resultado gravoso. Antes, a pena deveria ser sempre dobrada se o crime fosse cometido contra idoso. 1.3. Questão inédita comentada Aquele que invadir dispositivo informático de uso alheio, conectado ou não à rede de computadores, com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do usuário do dispositivo ou de instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita estará sujeito a pena de: A) reclusão, de 3 (três) meses a 4 (quatro) anos, e multa. B) reclusão, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. C) reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. D) detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. E) detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Alternativa correta: letra C (responde as demais alternativas). Nos termos do art. 154-A do CP, a pena para aquele que invadir dispositivo informático de uso alheio, conectado ou não à rede de computadores, com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do usuário do dispositivo ou de instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita estará sujeito a pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa. DIREITO PENAL Caderno de novidades legislativas SUMÁRIO Junho 2021 Caderno de novidades legislativas134 1. Lei nº 14.171/2021 – O auxílio emergencial da mulher provedora de família monoparental 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.171/2021 Ementa: Altera a Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020, para estabelecer medidas de proteção à mulher provedora de família monoparental em relação ao recebimento do auxílio emergencial de que trata o seu art. 2º, e dá outras providências. Data de publicação: 11.06.2021 Início de vigência: 11.06.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/ Lei/L14171.htm> Destaque: A lei institui auxílio emergencial ao provedor de família monoparental. 1.2. Comentário Em 11.06.2021, a Lei nº 14.171 foi publicada, com início de vigência na data de sua publicação. De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “Altera a Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020, para estabelecer medidas de proteção à mulher provedora de família monoparental em relação ao recebimento do auxílio emergencial de que trata o seu art. 2º; e dá outras providências”. A nova lei prevê o pagamento de duas cotas de auxílio emergencial ao provedor de família monoparental, independentemente do gênero. O que é família monoparental? A família monoparental é aquela em que apenas uma pessoa assume a parentalidade dos filhos. Neste sentido, a referida lei, ao não fazer distinção entre os gêneros, proporcionou maior proteção. Desta feita, buscou dar a máxima efetividade à proteção das famílias, sendo possível o pagamento do auxílio emergencial ao pai de família monoparental e ao homoafetivo. O diploma legal busca dar maior priorização à proteção da mulher no sistema de auxílio emergencial, o qual objetiva combater a violência e o dano patrimonial que envolverem o recebimento desse benefício. DIREITO PREVIDENCIÁRIO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14171.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14171.htm Caderno de novidades legislativas135 A lei altera a Lei nº 13.982/2020 no seu art. 2º, que estabelece que benefício emergencial será de duas cotas no valor de R$ 600,00. Quando não conviverem os pais no mesmo lar e houver duplicidade na indicação de dependente nos cadastros do genitor e da genitora, por meio de autodeclaração na plataforma digital, prevalece o cadastro feito pela mulher, ainda que posterior ao efetuado pelo genitor. No entanto, se o genitor tiver a guarda unilateral do menor ou for responsável por sua criação, poderá contestar o recebimento prioritário pela genitora, sob pena de ser punido pela falsidade na prestação de informações sobre a composição do seu núcleo familiar. Conforme o exposto até aqui, veja as alterações promovidas na Lei nº 13.982/2020: Art. 2º (...) § 3º A pessoa provedora de família monoparental receberá 2 (duas) cotas do auxílio emergencial, independentemente do sexo, observado o disposto nos §§ 3º-A, 3º-B e 3º-C deste artigo. § 3º-A Quando o genitor e a genitora não formarem uma única família e houver duplicidade na indicação de dependente nos cadastros do genitor e da genitora realizados em autodeclaração na plataforma digital de que trata o § 4º deste artigo, será considerado o cadastro de dependente feito pela mulher, ainda que posterior àquele efetuado pelo homem. § 3º-B No caso de cadastro superveniente feito pela mulher na forma prevista no § 3º-A deste artigo, o homem que detiver a guarda unilateral dos filhos menores ou que, de fato, for responsável por sua criação poderá manifestar discordância por meio da plataforma digital de que trata o § 4º deste artigo, devendo ser advertido das penas legais em caso de falsidade na prestação de informações sobre a composição do seu núcleo familiar. § 3º-C Na hipótese de manifestação de que trata o § 3º-B deste artigo, o trabalhador terá a renda familiar mensal per capita de que trata o inciso IV do caput deste artigo calculada provisoriamente, considerados os dependentes cadastrados para aferir o direito a uma cota mensal do auxílio emergencial de que trata o caput deste artigo, e receberá essa cota mensal, desde que cumpridos os demais requisitos previstos neste artigo, até que a situação seja devidamente elucidada pelo órgão competente. DIREITO PREVIDENCIÁRIO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Lei/L13982.htm#art1%C2%A73.0 Caderno de novidades legislativas136 Outra medida protetiva da mulher é a previsão de que a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) estará equipada com atendimento específico para lidar com denúncias de mulheres que tiverem o auxílio emergencial subtraído, retido ou recebido indevidamentepor outra pessoa, o que configura violência patrimonial. Segundo a lei: Art. 3º A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, de que trata o Decreto nº 7.393, de 15 de dezembro de 2010, disponibilizará opção de atendimento específico para denúncias de violência e de dano patrimonial, para os casos em que a mulher tiver o auxílio emergencial de que trata o art. 2º da Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020, subtraído, retido ou recebido indevidamente por outrem. O pagamento de auxílio emergencial realizado em duplicidade em decorrência de informações falsas ou usurpação em prejuízo do real provedor de família monoparental deve ser ressarcido ao erário por quem o deu causa. Àquele genitor que teve seu benefício emergencial subtraído ou recebido indevidamente pelo outro genitor em razão de conflito de informações sobre a guarda de dependentes em comum a lei garante o pagamento retroativo das cotas a que teria direito. Diante de todo o exposto, o auxílio emergencial monoparental representou específica proteção às famílias monoparentais mais vulneráveis. 1.3. Questão inédita comentada Julgue o item: O auxílio emergencial pode ser pago ao genitor e à genitora que seja responsável por família monoparental. CERTO ( ) ERRADO ( ) O item está certo. O auxílio emergencial monoparental é medida legislativa que busca dar assistência financeira ao protagonista da família monoparental responsável pela guarda dos filhos. Embora a Lei nº 14.171/2021 tenha dado maior proteção para a mulher, ela não deixou de reconhecer a DIREITO PREVIDENCIÁRIO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7393.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Lei/L13982.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Lei/L13982.htm#art2 Caderno de novidades legislativas137 existência de família monoparental chefiada por homens. Desta forma, uma vez preenchidos os requisitos legais para a percepção do benefício, o gênero não afasta o seu recebimento, segundo o art. 2º do diploma legal. Art. 2º O art. 2º da Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 2º (...) § 3º A pessoa provedora de família monoparental receberá 2 (duas) cotas do auxílio emergencial, independentemente do sexo, observado o disposto nos §§ 3º-A, 3º-B e 3º-C deste artigo”. (Grifos nossos). 2. Lei nº 14.176/2021 – O auxílio-inclusão e o critério para auferir a miserabilidade no amparo assistencial 2.1. Ficha normativa LEI Nº 14.176/2021 Ementa: Altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, para estabelecer o critério de renda familiar per capita para acesso ao benefício de prestação continuada, estipular parâmetros adicionais de caracterização da situação de miserabilidade e de vulnerabilidade social e dispor sobre o auxílio-inclusão de que trata a Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência); autoriza, em caráter excepcional, a realização de avaliação social mediada por videoconferência; e dá outras providências. Data de publicação: 23.06.2021 Início de vigência: 1º.01.2022 – Quanto ao art. 1º, na parte que acrescenta o § 11-A ao art. 20, e o art. 20-B na Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. 1º.10.2021 – Quanto ao art. 2º, que institui o auxílio-inclusão. 23.06.2021 – Quanto aos demais dispositivos. Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/ Lei/L14176.htm> DIREITO PREVIDENCIÁRIO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Lei/L13982.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Lei/L13982.htm#art1%C2%A73.0 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm Caderno de novidades legislativas138 Destaques: • Manteve, regra geral, o critério de ¼ do salário-mínimo. • Permissão para ampliação do limite de renda para ½ salário-mínimo, por meio de regulamento, nos casos de pessoas com deficiência, trazendo as balizas para uma avaliação mais aprofundada. • Previsão do chamado auxílio-inclusão previsto no art. 94 do Estatuto da Pessoa com Deficiência. 2.2. Comentário Em 23.06.2021, a Lei nº 14.176 foi publicada, com início de vigência na data de sua publicação. Exceto quanto ao art. 1º, que terá vigência em 1º.01.2022, e o art. 2º, o qual passa a ter vigência em 1º.10.2021. De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo “Altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, para estabelecer o critério de renda familiar per capita para acesso ao benefício de prestação continuada, estipular parâmetros adicionais de caracterização da situação de miserabilidade e de vulnerabilidade social e dispor sobre o auxílio-inclusão de que trata a Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência); autoriza, em caráter excepcional, a realização de avaliação social mediada por meio de videoconferência; e dá outras providências”. O novo diploma legal tem grande relevância para os benefícios de natureza assistencial. Em nome da melhor didática, em primeiro momento abordaremos os impactos da legislação no amparo assistencial regulamentado pela Lei nº 8.742/1993 (Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS) e, posteriormente, a regulamentação dada pela lei ao auxílio-inclusão que trata o Estatuto da Pessoa com Deficiência. a) Amparo assistencial e a renda per capita familiar O amparo assistencial é um benefício de natureza assistencial previsto no art. 203, V, da Constituição Federal (CF/1988). A Lei nº 8.742/1993 (LOAS), em seus arts. 20 a 21-A, disciplinou como seria pago esse benefício. O amparo assistencial é também conhecido como benefício de prestação continuada (BPC) ou benefício assistencial. DIREITO PREVIDENCIÁRIO Caderno de novidades legislativas139 O benefício corresponde ao pagamento de um salário-mínimo pago à pessoa com deficiência ou ao idoso com 65 anos ou mais. Ademais, o benefício apenas será pago a estes indivíduos desde que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família. O BPC tem natureza assistencial, por isto, independe de contribuição à seguridade social. Este benefício assistencial visa garantir o mínimo existencial a este grupo em situação de vulnerabilidade. A lei impõe critérios para a concessão do amparo assistencial. São eles: ser deficiente; idoso com 65 anos ou mais; e não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família. Trata-se de critérios objetivos impostos pelo legislador. Aqui, a Lei nº 14.176/2021 vem tratar em especial do critério objetivo da miserabilidade para a concessão do benefício de prestação continuada. Este critério utiliza dois conceitos fundamentais: família e renda familiar per capita. Como o legislador compreende estes conceitos? A LOAS considera família para os fins da renda familiar o requerente, o cônjuge ou companheiro, os pais e, na ausência de um deles, a madrasta ou o padrasto, os irmãos solteiros, os filhos e enteados solteiros e os menores tutelados, desde que vivam sob o mesmo teto (art. 20, § 1º, da LOAS). Art. 20. O benefício de prestação continuada é a garantia de um salário- -mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família. § 1º Para os efeitos do disposto no caput, a família é composta pelo requerente, o cônjuge ou companheiro, os pais e, na ausência de um deles, a madrasta ou o padrasto, os irmãos solteiros, os filhos e enteadossolteiros e os menores tutelados, desde que vivam sob o mesmo teto. A renda familiar per capita corresponde à soma de todos os rendimentos dos membros da família que moram na mesma casa que o requerente do benefício. Depois este valor é dividido pelo número de familiares. Neste ponto, a Lei nº 14.176/2021, fruto da conversão da Medida Provisória (MP) nº 1.023/2020, deu redação ao art. 20, § 3º, da LOAS, considerando a renda familiar per capita igual ou inferior à ¼ do salário-mínimo. Art. 20. (...) § 3º Observados os demais critérios de elegibilidade definidos nesta Lei, terão direito ao benefício financeiro de que trata o caput deste artigo a pessoa com deficiência ou a pessoa idosa com renda familiar mensal per capita igual ou inferior a 1/4 (um quarto) do salário-mínimo. (Redação dada pela Lei nº 14.176, de 2021.) DIREITO PREVIDENCIÁRIO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art1 Caderno de novidades legislativas140 O § 3º, art. 20 da LOAS foi objeto de constantes alterações legislativas que modificam muitas vezes esse critério objetivo de renda per capita familiar para considerar a miserabilidade do requerente. De modo sistematizado veja a evolução legislativa sobre o critério objetivo de miserabilidade: Lei nº 12.435/2011 Lei nº 13.981/2020 Lei nº 13.982/2020 Lei nº 14.176/2021 § 3º Considera-se incapaz de prover a manutenção da pessoa portadora de deficiência ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4 (um quarto) do salário- -mínimo. § 3º Considera-se incapaz de prover a manutenção da pessoa com deficiência ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/2 (meio) salário- -mínimo. § 3º Considera-se incapaz de prover a manutenção da pessoa com deficiência ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja: I – igual ou inferior a 1/4 (um quarto) do salário-mínimo, até 31 de dezembro de 2020; II – (VETADO). (Conversão da MP nº 1.023/2020) § 3º Observados os demais critérios de elegibilidade definidos nesta Lei, terão direito ao benefício financeiro de que trata o caput deste artigo a pessoa com deficiência ou a pessoa idosa com renda familiar mensal per capita igual ou inferior a 1/4 (um quarto) do salário- -mínimo. Renda mensal per capita Renda mensal per capita Renda mensal per capita Renda mensal per capita Inferior a 1/4 do salário- -mínimo Inferior a 1/2 do salário- -mínimo Igual ou inferior a 1/4 do salário- -mínimo até 31.12.2020 Igual ou inferior a 1/4 (um quarto) do salário-mínimo (sem termo final) DIREITO PREVIDENCIÁRIO Caderno de novidades legislativas141 Importante! A Lei nº 14.176/2021 possibilitou que o Poder Executivo federal, por meio de decreto, amplie o limite de renda mensal familiar per capita para até 1/2 salário-mínimo. É o que prevê o § 11-A do art. 20 da LOAS. Esta previsão apenas entra em vigor em 1º.01.2022. Art. 20. (...) § 11-A O regulamento de que trata o § 11 deste artigo poderá ampliar o limite de renda mensal familiar per capita previsto no § 3º deste artigo para até 1/2 (meio) salário-mínimo, observado o disposto no art. 20-B desta Lei. Além da regulamentação pelo decreto presidencial, a Lei nº 14.176/2021 condicionou a eficácia do art. 20, § 11-A às regras orçamentárias e de responsabilidade fiscal. Ademais, a norma permitiu a utilização de outros elementos probatórios da condição de miserabilidade e da situação de vulnerabilidade do grupo familiar a ser regulamentado por meio de decreto presidencial. Art. 6º (...) Parágrafo único. A ampliação do limite de renda mensal de 1/4 (um quarto) para até 1/2 (meio) salário-mínimo mensal, de que trata o § 11-A do art. 20 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, mediante a utilização de outros elementos probatórios da condição de miserabilidade e da situação de vulnerabilidade do grupo familiar, na forma do art. 20-B da referida Lei, fica condicionada a decreto regulamentador do Poder Executivo, em cuja edição deverá ser comprovado o atendimento aos requisitos fiscais. (Grifos nossos.) Os aspectos que permitem a ampliação dos critérios de miserabilidade do núcleo familiar do requerente do amparado assistencial são balizados segundo elenco exposto pelo legislador no art. 20-B da LOAS, o qual apenas entra em vigor em 1º.01.2022. Veja os critérios: Art. 20-B. Na avaliação de outros elementos probatórios da condição de miserabilidade e da situação de vulnerabilidade de que trata o § 11 do art. 20 desta Lei, serão considerados os seguintes aspectos para ampliação do critério de aferição da renda familiar mensal per capita de que trata o § 11-A do referido artigo: I – o grau da deficiência; II – a dependência de terceiros para o desempenho de atividades básicas da vida diária; e DIREITO PREVIDENCIÁRIO Caderno de novidades legislativas142 DIREITO PREVIDENCIÁRIO III – o comprometimento do orçamento do núcleo familiar de que trata o § 3º do art. 20 desta Lei exclusivamente com gastos médicos, com tratamentos de saúde, com fraldas, com alimentos especiais e com medicamentos do idoso ou da pessoa com deficiência não disponibilizados gratuitamente pelo SUS, ou com serviços não prestados pelo Suas, desde que comprovadamente necessários à preservação da saúde e da vida. § 1º A ampliação de que trata o caput deste artigo ocorrerá na forma de escalas graduais, definidas em regulamento. § 2º Aplicam-se à pessoa com deficiência os elementos constantes dos incisos I e III do caput deste artigo, e à pessoa idosa os constantes dos incisos II e III do caput deste artigo. § 3º O grau da deficiência de que trata o inciso I do caput deste artigo será aferido por meio de instrumento de avaliação biopsicossocial, observados os termos dos §§ 1º e 2º do art. 2º da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), e do § 6º do art. 20 e do art. 40-B desta Lei. § 4º O valor referente ao comprometimento do orçamento do núcleo familiar com gastos de que trata o inciso III do caput deste artigo será definido em ato conjunto do Ministério da Cidadania, da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia e do INSS, a partir de valores médios dos gastos realizados pelas famílias exclusivamente com essas finalidades, facultada ao interessado a possibilidade de comprovação, conforme critérios definidos em regulamento, de que os gastos efetivos ultrapassam os valores médios. (Grifos nossos.) Outro aspecto de inovação abordado pela Lei nº 14.176/2021 é a possibilidade de revisão do benefício assistencial, tenha sido ele concedido na via judicial ou administrativa, segundo inclusão do § 5º ao art. 21 da LOAS. Art. 21. (...) § 5º O beneficiário em gozo de benefício de prestação continuada concedido judicial ou administrativamente poderá ser convocado para avaliação das condições que ensejaram sua concessão ou manutenção, sendo-lhe exigida a presença dos requisitos previstos nesta Lei e no regulamento. Caderno de novidades legislativas143 O Estatuto da Pessoa com Deficiência assevera que a avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar e considerará: os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo; os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais; a limitação no desempenho de atividades; e a restrição de participação (art. 2º, § 1º, do Estatuto da Pessoa com Deficiência). Ademais, indica, no art. 2º, § 2º, do referido Estatuto, que o Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da deficiência. Não obstante, a Lei nº 14.176/2021 apreende a concepção do Estatuto da Pessoa com Deficiência e incluiu o art. 20-B ao LOAS: Art. 20-B. Na avaliação de outros elementos probatórios da condição de miserabilidade e da situação devulnerabilidade de que trata o § 11 do art. 20 desta Lei, serão considerados os seguintes aspectos para ampliação do critério de aferição da renda familiar mensal per capita de que trata o § 11-A do referido artigo: (Vigência) (Vide Lei nº 14.176, de 2021.) I – o grau da deficiência; § 3º O grau da deficiência de que trata o inciso I do caput deste artigo será aferido por meio de instrumento de avaliação biopsicossocial, observados os termos dos §§ 1º e 2º do art. 2º da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), e do § 6º do art. 20 e do art. 40-B desta Lei. (Grifos nossos.) No entanto, ainda não houve a devida regulamentação da avaliação da deficiência. Por isso, o legislador, na Lei nº 14.176/2021, acrescentou o art. 40-B à Lei nº 8.742/1993, abordando a lacuna: Art. 40-B. Enquanto não estiver regulamentado o instrumento de avaliação de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 2º da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), a concessão do benefício de prestação continuada à pessoa com deficiência ficará sujeita à avaliação do grau da deficiência e do impedimento de que trata o § 2º do art. 20 desta Lei, composta por avaliação médica e avaliação social realizadas, respectivamente, pela Perícia Médica Federal e pelo serviço social do INSS, com a utilização de instrumentos desenvolvidos especificamente para esse fim. A respeito da Covid- 19,o art. 3º da Lei nº 14.176/2021 confere regras excepcionais com relação aos anos de 2020 e 2021, diante da necessidade de adaptações nos procedimentos administrativos em razão da pandemia. Então, foram adotadas duas regras transitórias sobre a análise de pedidos de BPC neste período. DIREITO PREVIDENCIÁRIO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8742.htm#art20b http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art6 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art6p http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art2%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art2%C2%A71 Caderno de novidades legislativas144 Art. 3º Para avaliação da deficiência que justifica o acesso, a manutenção e a revisão do benefício de prestação continuada de que trata o art. 20 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, fica o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) autorizado a adotar as seguintes medidas excepcionais, até 31 de dezembro de 2021: I – realização da avaliação social, de que tratam o § 6º do art. 20 e o art. 40-B da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, por meio de videoconferência; e II – concessão ou manutenção do benefício de prestação continuada aplicado padrão médio à avaliação social, que compõe a avaliação da deficiência de que trata o § 6º do art. 20 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, desde que tenha sido realizada a avaliação médica e constatado o impedimento de longo prazo. § 1º É vedada a utilização da medida prevista no inciso II do caput deste artigo para indeferimento de requerimentos ou para cessação de benefícios. § 2º Os requisitos para aplicação das medidas previstas no caput deste artigo serão definidos em ato conjunto do Ministério da Cidadania, da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia e do INSS. § 3º O prazo de aplicação das medidas previstas no caput deste artigo poderá ser prorrogado mediante ato conjunto do Ministério da Cidadania, da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia e do INSS. b) Auxílio-inclusão A Lei nº 14.176/2021 acrescentou a Seção VI no Capítulo IV da Lei nº 8.742/1993, para incluir os arts. 26-A a 26-H na LOAS, que tratam da disciplina de um benefício assistencial previsto no art. 94 do Estatuto da Pessoa com Deficiência. Este é um benefício pago às pessoas com deficiência, chamado de auxílio-inclusão, o qual foi regulamentado pela Lei nº 14.176/2021. O auxílio-inclusão só foi implementado agora, pois carecia de regulamentação no Estatuto da Pessoa com Deficiência. E apenas tem início de vigência no dia 1º.10.2021. A gestão deste auxílio compete ao Ministério da Cidadania e, ao Instituto Nacional da Seguridade Socia (INSS), a sua operacionalização e pagamento (art. 26-F da LOAS). As despesas de seu pagamento provêm do orçamento do Ministério da Cidadania (art. 26-G da LOAS). DIREITO PREVIDENCIÁRIO Caderno de novidades legislativas145 A Lei nº 14.176/2021 vem para permitir que a pessoa com deficiência que receba o benefício de prestação continuada possa trabalhar. Desta forma, mitiga a vedação da atividade remunerada previsto no art. 20 da LOAS. Apenas os deficientes com deficiência moderada ou grave podem ter direito ao auxílio-inclusão (art. 26-A da LOAS). A nova lei exige alguns requisitos para a fruição do auxílio-inclusão. Então, guarde os requisitos (art. 26-A da LOAS): Art. 26-A. Terá direito à concessão do auxílio-inclusão de que trata o art. 94 da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), a pessoa com deficiência moderada ou grave que, cumulativamente: I – receba o benefício de prestação continuada, de que trata o art. 20 desta Lei, e passe a exercer atividade: a) que tenha remuneração limitada a 2 (dois) salários-mínimos; e b) que enquadre o beneficiário como segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social ou como filiado a regime próprio de previdência social da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios; II – tenha inscrição atualizada no CadÚnico no momento do requerimento do auxílio-inclusão; III – tenha inscrição regular no CPF; e IV – atenda aos critérios de manutenção do benefício de prestação continuada, incluídos os critérios relativos à renda familiar mensal per capita exigida para o acesso ao benefício, observado o disposto no § 4º deste artigo. § 1º O auxílio-inclusão poderá ainda ser concedido, nos termos do inciso I do caput deste artigo, mediante requerimento e sem retroatividade no pagamento, ao beneficiário: I – que tenha recebido o benefício de prestação continuada nos 5 (cinco) anos imediatamente anteriores ao exercício da atividade remunerada; e II – que tenha tido o benefício suspenso nos termos do art. 21-A desta Lei. § 2º O valor do auxílio-inclusão percebido por um membro da família não será considerado no cálculo da renda familiar mensal per capita de que trata o inciso IV do caput deste artigo, para fins de concessão e de manutenção de outro auxílio-inclusão no âmbito do mesmo grupo familiar. DIREITO PREVIDENCIÁRIO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8742.htm#art26a http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art94 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art94 Caderno de novidades legislativas146 § 3º O valor do auxílio-inclusão e o da remuneração do beneficiário do auxílio-inclusão de que trata a alínea “a” do inciso I do caput deste artigo percebidos por um membro da família não serão considerados no cálculo da renda familiar mensal per capita de que tratam os §§ 3º e 11-A do art. 20 desta Lei para fins de manutenção de benefício de prestação continuada concedido anteriormente a outra pessoa do mesmo grupo familiar. § 4º Para fins de cálculo da renda familiar per capita de que trata o inciso IV do caput deste artigo, serão desconsideradas: I – as remunerações obtidas pelo requerente em decorrência de exercício de atividade laboral, desde que o total recebido no mês seja igual ou inferior a 2 (dois) salários-mínimos; e II – as rendas oriundas dos rendimentos decorrentes de estágio supervisionado e de aprendizagem. (Grifos nossos.) O valor do auxílio-inclusão corresponde a 50% do valor do benefício de prestação continuada (art. 26-B da LOAS). Ademais, o auxílio não pode sofrer desconto de qualquer contribuição e não gera direito a pagamento de abono anual (art. 26-E da LOAS). Ao realizaro requerimento do auxílio-inclusão, o beneficiário que recebe BPC autorizará a suspensão deste nos termos do art. 21-A LOAS, conforme prevê o art. 26-B, parágrafo único, da LOAS. Por fim, a data de recebimento (DIB) é a data do seu requerimento. Atenção! Vedação de cumulação do auxílio-inclusão com (art. 26-C da LOAS): benefício de prestação continuada; prestações a título de aposentadoria, de pensões ou de benefícios por incapacidade pagos por qualquer regime de previdência social; e seguro-desemprego. A cessão do pagamento do auxílio-inclusão ocorrerá em duas situações (art. 26-D da LOAS): i) deixar de atender aos critérios de manutenção do benefício de prestação continuada; ii) deixar de atender aos critérios de concessão do auxílio-inclusão. Por fim, a novel legislação viabiliza a cobrança administrativa de valores indevidamente recebidos pelos beneficiários de benefício de prestação continuada ou auxílio-inclusão. Veja o disposto no art. 40-C da LOAS: Art. 40-C. Os eventuais débitos do beneficiário decorrentes de recebimento irregular do benefício de prestação continuada ou do auxílio-inclusão poderão ser consignados no valor mensal desses benefícios, nos termos do regulamento. DIREITO PREVIDENCIÁRIO Caderno de novidades legislativas147 2.3. Questão inédita comentada Considere as inovações promovidas pela Lei nº 14.176/2021 e assinale a alternativa correta. A) O auxílio-inclusão será devido a todo deficiente físico. B) O auxílio-inclusão corresponde a 50% do valor do benefício de prestação continuada. C) O auxílio-inclusão pode ser recebido de forma conjunta com o seguro-desemprego. D) O deficiente servidor público não pode receber auxílio-inclusão. E) O auxílio-inclusão tem vigência imediata por ser norma de natureza assistencial. Alternativa correta: letra B. É o disposto no art. 26-B da LOAS. Art. 26-B. O auxílio-inclusão será devido a partir da data do requerimento, e o seu valor corresponderá a 50% (cinquenta por cento) do valor do benefício de prestação continuada em vigor. Demais alternativas: Alternativa A. Errada. A Lei nº 14.176/2021 restringe o recebimento do auxílio-inclusão a pessoa deficiente com deficiência moderada ou grave, segundo o art. 26-A da LOAS. Art. 26-A. Terá direito à concessão do auxílio-inclusão de que trata o art. 94 da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), a pessoa com deficiência moderada ou grave que, cumulativamente: (...) Alternativa C. Errada. Em desacordo com o disposto no art. 26-C, III, da LOAS. Art. 26-C. O pagamento do auxílio-inclusão não será acumulado com o pagamento de: III – seguro-desemprego. Alternativa D. Errada. Este servidor deficiente pode receber o auxílio-inclusão desde que preencha os demais requisitos, conforme o art. 26-A da LOAS. Art. 26-A. Terá direito à concessão do auxílio-inclusão de que trata o art. 94 da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), a pessoa com deficiência moderada ou grave DIREITO PREVIDENCIÁRIO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8742.htm#art26a http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art94 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art94 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8742.htm#art26c Caderno de novidades legislativas148 que, cumulativamente: I – receba o benefício de prestação continuada, de que trata o art. 20 desta Lei, e passe a exercer atividade: a) que tenha remuneração limitada a 2 (dois) salários-mínimos; e b) que enquadre o beneficiário como segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social ou como filiado a regime próprio de previdência social da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios; (Grifos nossos.) Alternativa E. Errada. As regras da Lei nº 14.176/2021 que tratam sobre o auxílio-inclusão somente entram em vigor no dia 1º.10.2021. Art. 6º (...) II – em 1º de outubro de 2021, quanto ao art. 2º, que institui o auxílio-inclusão; e (...) DIREITO PREVIDENCIÁRIO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14176.htm#art2 Caderno de novidades legislativas149 1. Lei nº 14.163, de 9 de junho de 2021 – Altera a Lei nº 13.475, de 28 de agosto de 2017, que dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.163/2021 Ementa: Altera a Lei nº 13.475, de 28 de agosto de 2017, que dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave. Data de publicação: 10.06.2021 Início de vigência: 10.06.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/ Lei/L14163.htm> Destaque: • A lei promove uma alteração em relação ao contrato de trabalho do aeronauta. 1.2. Comentário Em 10 de junho de 2021, foi publicada no DOU a Lei nº 14.163, com início imediato de vigência. A lei, de apenas dois artigos, prevê que: Art. 1º O art. 20 da Lei nº 13.475, de 28 de agosto de 2017, passa a vigorar acrescido do seguinte § 3º: “Art. 20. ...............................................................................…….......... § 3º O disposto neste artigo não se aplica quando o operador da aeronave for órgão ou entidade da administração pública, no exercício de missões institucionais ou de poder de polícia.” (NR) Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. DIREITO DO TRABALHO Caderno de novidades legislativas150 Inicialmente, insta salientar que o art. 20, caput, da Lei nº 13.475/2017 expressamente estabelece que “A função remunerada dos tripulantes a bordo de aeronave deverá, obrigatoriamente, ser formalizada por meio de contrato de trabalho firmado diretamente com o operador da aeronave”. Em outras palavras, como regra, os aeronautas devem ser empregados dos operadores da aeronave. Apesar disso, de acordo com a exposição de motivos da Lei nº 14.163/2021 (conversão da Medida Provisória nº 1.029, de 2021), o referido dispositivo legal não levava em consideração a “peculiaridade das operações aéreas realizadas por órgãos e entidades da Administração Pública no exercício de suas missões institucionais, a exemplo das operações de proteção ao meio ambiente, destinadas a exercer o poder de polícia ambiental e a executar ações da Política Nacional do Meio Ambiente para permitir que a administração pública possa operar voos com tripulantes terceirizados, em contraste com a norma vigente”. Dessa forma, foi acrescentado o § 3º ao artigo, estabelecendo que os aeronautas não precisam ser empregados do operador da aeronave, quando este for órgão ou entidade da administração pública, no exercício de missões institucionais ou de poder de polícia. Com efeito, é possível afirmar que a alteração legislativa ocorreu para permitir que a administração pública, em casos específicos, possa operar voos com tripulantes terceirizados, em contraste com o disposto no caput do artigo. 1.3. Questão inédita comentada De acordo com a lei do aeronauta (Lei nº 13.475/2017), analise e julgue a proposição a seguir: A função remunerada dos tripulantes a bordo de aeronave deverá, necessariamente, ser formalizada por meio de contrato de trabalho firmado diretamente com o operador da aeronave, inclusive nos casos em que este for órgão ou entidade da administração pública. CERTO ( ) ERRADO ( ) A proposição está errada. Conforme o § 3º do art. 20 da Lei nº 13.475/2017, “quando o operador da aeronave for órgão ou entidade da administração pública, no exercício de missões institucionais ou de poder de polícia” não é necessário que a função remunerada dos tripulantes a bordo de aeronave seja formalizada por meio de contrato de trabalho com o operador da aeronave. DIREITO DO TRABALHO Caderno de novidades legislativas151 Julho 2021 Caderno de novidades legislativas153 1. Medida Provisória (MP) nº 1.059/2021 – Prorroga o período de aplicação da Lei nº 14.124/2021 enquanto durar a declaração de emergência em saúde públicade importância nacional 1.1. Ficha normativa MP Nº 1.059/2021 Ementa: Altera a Lei nº 14.124, de 10 de março de 2021, que dispõe sobre as medidas excepcionais relativas à aquisição de vacinas e de insumos e à contratação de bens e serviços de logística, de tecnologia da informação e comunicação, de comunicação social e publicitária e de treinamentos destinados à vacinação contra a Covid-19 e sobre o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. Data de publicação: 30.07.2021 Início de vigência: 30.07.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/ Mpv/mpv1059.htm> Destaque: • Prorroga o período de aplicação da Lei nº 14.124/2021 enquanto durar a declaração de emergência em saúde pública de importância nacional. 1.2. Comentário No dia 30.07.2021, foi publicada e entrou em vigor a MP nº 1.059/2021, que prorroga o período de aplicação da Lei nº 14.124. Conforme ementa da MP, o novel texto legislativo modifica “a Lei nº 14.124, de 10 de março de 2021, que dispõe sobre as medidas excepcionais relativas à aquisição de vacinas e de insumos e à contratação de bens e serviços de logística, de tecnologia da informação e comunicação, de comunicação social e publicitária e de treinamentos destinados à vacinação contra a Covid-19 e sobre o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19”. A Lei nº 14.124/2021 entrou em vigor em 10.03.2021, com o objetivo de auxiliar o enfrentamento da pandemia. Como medida excepcional, a lei autoriza a dispensa de licitação para aquisição de vacinas, insumos para vacinação e para contratação de bens e serviços necessários para implementação da vacinação. DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas154 Além da dispensa de licitação, o art. 13, § 3º, da Lei nº 14.124/2021 autoriza a compra, distribuição e aplicação de vacinas contra a Covid-19 por estados, Distrito Federal e municípios, caso a União “não realize as aquisições e a distribuição tempestiva de doses suficientes para a vacinação dos grupos previstos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19.” Para que tais medidas possam ser tomadas, a Lei nº 14.124/2021 trouxe uma série de requisitos, como a limitação temporal – no sentido de que seus dispositivos somente seriam aplicáveis “aos atos praticados e aos contratos ou instrumentos congêneres firmados até 31 de julho de 2021, independentemente do seu prazo de execução ou de suas prorrogações” (redação anterior do art. 20). Tendo em vista que a pandemia não foi controlada até 31.07.2021, a MP nº 1.059/2021 precisou ser editada, prorrogando o período de aplicação da Lei nº 14.124/2021, nos termos da nova redação do art. 20: Esta Lei aplica-se aos atos praticados e aos contratos e instrumentos congêneres firmados enquanto durar a declaração de emergência em saúde pública de importância nacional, independentemente do seu prazo de execução ou de suas prorrogações. (Redação dada pela Medida Provisória nº 1.059, de 2021.) Ou seja, a partir da publicação da MP nº 1.059/2021, a Lei nº 14.124/2021 passa a ser aplicável aos atos praticados e aos contratos e instrumentos congêneres firmados enquanto durar a declaração de emergência em saúde pública de importância nacional, o que independe do prazo de execução ou de prorrogação dos contratos firmados nos seus termos. 1.3. Questão inédita comentada Nos termos da Lei nº 14.124/2021, julgue a seguinte assertiva: Esta lei aplica-se aos atos praticados e aos contratos ou instrumentos congêneres firmados até 31.07.2021, independentemente do seu prazo de execução ou de suas prorrogações. CERTO ( ) ERRADO ( ) O item está errado. Há erro na parte final da assertiva, nos termos do art. 20 da Lei nº 14.124/2021 com a redação dada pela MP nº 1.059/2021: DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas155 Esta Lei aplica-se aos atos praticados e aos contratos e instrumentos congêneres firmados enquanto durar a declaração de emergência em saúde pública de importância nacional, independentemente do seu prazo de execução ou de suas prorrogações. (Redação dada pela Medida Provisória nº 1.059, de 2021.) Caso referida MP não tivesse alterado o dispositivo, a assertiva estaria correta. DIREITO ADMINISTRATIVO Caderno de novidades legislativas156 1. Lei nº 14.188/2021 – Estabelece medida protetiva de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.188/2021 Ementa: Define o programa de cooperação Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica como uma das medidas de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher previstas na Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha), e no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), em todo o território nacional; e altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para modificar a modalidade da pena da lesão corporal simples cometida contra a mulher por razões da condição do sexo feminino e para criar o tipo penal de violência psicológica contra a mulher. Data de publicação: 29.07.2021 Início de vigência: 29.07.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Lei/L14188.htm> Destaques: • A lei define o Programa de Cooperação Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica como mais uma medida de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher, acirrada nos tempos da pandemia da Covid-19, estabelecendo intercâmbio entre as instituições públicas e privadas e órgãos de segurança pública integrantes do sistema de assistência e segurança à vítima. • Além do Programa Sinal Vermelho, a lei em comento alterou a Lei nº 11.340/2006 acerca do afastamento do lar imediato do agressor em caso de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar. • Referido ato normativo ainda recrudesce a pena do crime de lesão corporal, prevista no art. 129 do Código Penal, quando praticado contra a mulher por razões do sexo feminino. • A lei estabelece ainda novo tipo penal, o da violência psicológica contra a mulher, previsto no art. 147-B do Código Penal(CP). 1.2. Comentário Em 28.07.2021, foi editada a Lei nº 14.188 como mais uma medida de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher, prevista na Lei nº 11.340/2006. Destacam-se as diversas alterações legislativas que a Lei nº 11.340/2006 (“Lei Maria da Penha”) sofreu no período da LEGISLAÇÃO PENAL E PROCESSUAL PENAL EXTRAVAGANTE Caderno de novidades legislativas157 pandemia e que podem ser cobradas nos concursos públicos de diversas carreiras jurídicas, dada a transversalidade do assunto. A inovação legislativa reforça a necessidade de cooperação entre o Poder Executivo, Poder Judiciário, Defensoria Pública, Ministério Público, órgãos de segurança pública e entidades privadas na assistência e defesa da mulher vítima da violência doméstica e familiar, prevista nos arts. 3º, § 1º, 8º, I, e 9º da Lei nº 11.340/2006. Nesse sentido, conclama tais instituições para cooperarem entre si e efetivarem o programa Sinal Vermelho por meio de canais de comunicação em todo o país para viabilizar assistência à vítima. Para tanto, é definido um código “sinal em formato X”, feito preferencialmente na mão e na cor vermelha. Veja as disposições legais relacionadas: Art. 2º Fica autorizada a integração entre o Poder Executivo, o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública, os órgãos de segurança pública e as entidades privadas, para a promoção e a realização do programa Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica como medida de ajuda à mulher vítima de violência doméstica e familiar, conforme os incisos I, V e VII do caput do art. 8º da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Parágrafo único. Os órgãos mencionados no caput deste artigo deverão estabelecerum canal de comunicação imediata com as entidades privadas de todo o País participantes do programa, a fim de viabilizar assistência e segurança à vítima, a partir do momento em que houver sido efetuada a denúncia por meio do código “sinal em formato de X”, preferencialmente feito na mão e na cor vermelha. Noutro giro, a lei em comento também promoveu alterações no Código Penal relacionadas ao tema da violência doméstica e familiar contra a mulher. Inicialmente, recrudesceu a pena do tipo penal da lesão corporal se praticada em detrimento da mulher por razões do sexo feminino, in verbis: Art. 4º O Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 129. (...) § 13 Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste Código: Pena — reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos). LEGISLAÇÃO PENAL E PROCESSUAL PENAL EXTRAVAGANTE http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art129%C2%A713 Caderno de novidades legislativas158 E, finalmente, o legislador estabeleceu o novo tipo penal denominado “violência psicológica contra a mulher”, incluído no CP, art. 147-B, a seguir transcrito: Art. 4º O Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), passa a vigorar com as seguintes alterações: “Violência psicológica contra a mulher Art. 147-B. Causar dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento ou que vise a degradar ou a controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação: Pena — reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não constitui crime mais grave.” Por fim, a lei alterou a redação do art. 12-C da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha), para incluir o risco à integridade psicológica como um ato que permite o imediato afastamento do agressor do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida: Redação antes da Lei nº 14.188 Redação após a Lei nº 14.188 Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física da mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes, o agressor será imediatamente afastado do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida. Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes, o agressor será imediatamente afastado do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida. (Grifos nossos.) Verifica-se, pois, importantes alterações legislativas que podem ser alvo de provas de concursos públicos, nas mais diversas carreiras jurídicas, que abordem o tema da violência doméstica e familiar contra a mulher. 1.3. Questão inédita comentada A pandemia do novo Coronavírus estabeleceu profundas alterações legislativas nos mais diversos setores da economia e da saúde para o seu enfrentamento, entre elas, a Lei nº 11.340/2006. LEGISLAÇÃO PENAL E PROCESSUAL PENAL EXTRAVAGANTE http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art147b Caderno de novidades legislativas159 Dessa forma, julgue os itens que se seguem e assinale a alternativa correta: I – Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes, deve a autoridade policial representar à autoridade judicial para que haja o afastamento do lar. II – Não há previsão penal acerca da violência psicológica à mulher vítima de violência doméstica e familiar, estando sua proteção apenas prevista nas medidas protetivas previstas na Lei nº 11.340/2006 ou nos crimes contra a honra ou a integridade física da legislação penal. III – O Programa de Cooperação Sinal Vermelho é exclusivo das instituições públicas, a fim de estabelecer um melhor intercâmbio de informações relacionadas às medidas protetivas e assistenciais da mulher vítima de violência doméstica e familiar. IV – O Programa de Cooperação Sinal Vermelho constitui um código em sinal no formato “X”, preferencialmente feito na mão e na cor preta. A) I, II e III B) I e II C) Todas as alternativas estão incorretas. D) II e III E) I, II e IV Alternativa correta: letra C (responde as demais alternativas). I – Incorreto. A Lei nº 14.188/2021 determinou que nos casos de risco atual ou iminente no contexto da violência doméstica e familiar contra a mulher, o agressor será imediatamente afastado do lar, não dependendo de prévia representação. Tal afastamento prioritariamente deverá se dar pela autoridade judicial, e, não sendo possível, poderá se dar pelo delegado de polícia, quando o Município não for sede de comarca ou pelo policial, quando o Município não for sede de comarca e não houver delegado disponível no momento da denúncia, sendo que estas duas últimas hipóteses deverão ser comunicadas ao juiz em até 24 horas, que decidirá sobre a manutenção ou a revogação da medida aplicada pelo delegado ou pelo policial. Redação do art. 12-C da Lei nº 11.340/2006, alterado seu caput pela Lei nº 14.188/2021, in verbis: LEGISLAÇÃO PENAL E PROCESSUAL PENAL EXTRAVAGANTE Caderno de novidades legislativas160 Art. 12-C. Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes, o agressor será imediatamente afastado do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida. II – Incorreto. A Lei nº 14.188/2021 expressamente alterou o Código Penal para prever o tipo da violência psicológica contra a mulher como mais uma medida de proteção, nos termos do art. 147-B do CP: Violência psicológica contra a mulher Art. 147-B. Causar dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento ou que vise a degradar ou a controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação: Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não constitui crime mais grave. III – Incorreto. O Programa Sinal Vermelho, trazido pela Lei nº 14.188/2021, abrange não somente instituições públicas como também privadas, nos termos do art. 2º do referido ato normativo: Art. 2º Fica autorizada a integração entre o Poder Executivo, o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública, os órgãos de segurança pública e as entidades privadas, para a promoção e a realização do programa Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica como medida de ajuda à mulher vítima de violência doméstica e familiar, conforme os incisos I, V e VII do caput do art. 8º da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. IV – Incorreto. Nos termos do art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 14.188/2021, o Programa Sinal Vermelho é um código em formato de X, na cor vermelha e não na cor preta. Quanto à sua localização, sim, preferencialmente na mão. Nesse sentido, o referido dispositivo legal: Art. 2º (...) Parágrafo único. Os órgãos mencionados no caput deste artigo deverão estabelecer um canal de comunicação imediata com as entidades privadas de todo o País participantes do programa, a fim de viabilizar assistência e segurança à vítima, a partir do momento em que houver sido efetuada a denúncia por meio do código “sinal em formato de X”, preferencialmente feito na mão e na corvermelha. LEGISLAÇÃO PENAL E PROCESSUAL PENAL EXTRAVAGANTE Caderno de novidades legislativas161 1. Lei nº 14.190/2021 – Inclui no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 outros grupos como prioritários 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.190/2021 Ementa: Altera a Lei nº 14.124, de 10 de março de 2021, para determinar a inclusão como grupo prioritário no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 de gestantes, puérperas e lactantes, bem como de crianças e adolescentes com deficiência permanente, com comorbidade ou privados de liberdade. Data de publicação: 30.07.2021 Início de vigência: 30.07.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/ L14190.htm> Destaques: • A lei estabelece grupos prioritários para vacinação contra a pandemia da Covid-19 com reflexos indiretos e secundários na legislação de proteção à criança e ao adolescente e no Estatuto da Pessoa com Deficiência. • Referido ato normativo coloca as gestantes, puérperas e lactentes, com ou sem comorbidades, no Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19, tendo reflexos indiretos no Estatuto da Criança e do Adolescente no que estabelece a defesa do direito à vida da mãe e do nascituro, constituindo mais uma lei dentro do arcabouço legislativo que foi construído para o enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus e que pode ter incidência em provas de concursos públicos em caráter transversal e multidisciplinar. • A lei estabelece ainda como grupo prioritário na imunização contra o novo Coronavírus as crianças e adolescentes com deficiência permanente, comorbidades ou privados de liberdade. 1.2. Comentário Em 30.07.2021, como mais um ato normativo integrante do arcabouço legislativo para o enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus, foi publicada a Lei nº 14.190, com vigência na data de sua publicação. DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Caderno de novidades legislativas162 De acordo com sua ementa, o novel texto legislativo altera a Lei nº 14.124, de 10.03.2021, sobre a aquisição de vacinas e insumos destinados à vacinação contra a Covid-19 e seu respectivo Plano Nacional de Vacinação, para incluir gestantes, puérperas e lactantes com ou sem comorbidades, bem como crianças, adolescentes com deficiência permanente, comorbidades ou privados de liberdade como grupos prioritários para fins de imunização. Trata-se de mais uma inovação legal destinada ao enfrentamento da pandemia da Covid-19, cuja abordagem em provas pode ser cobrada em temas transversais relacionados aos direitos humanos, criança e adolescente, pessoas com deficiência. Lei curta e objetiva apenas para estabelecer tais pessoas como grupos prioritários, não havendo temas a serem aprofundados, bastando mera ciência da referida lei. 1.3. Questão inédita comentada Em 11.03.2020, a Organização Mundial de Saúde caracterizou a infecção provocada pelo novo Coronavírus, SARS-CoV2, como pandemia (Covid-19). Nesse sentido, vários atos normativos foram editados no Brasil com o intuito de enfrentar os reflexos da pandemia nos mais diversos setores da economia e da saúde. A partir do ano de 2021, o Brasil iniciou o Plano Nacional de Imunização, estabelecendo diversos grupos prioritários para que a vacinação pudesse controlar a disseminação do vírus. Dessa forma, sobre o Plano de Imunização é correto afirmar que as gestantes, lactantes, independentemente da existência de comorbidades, bem como crianças e adolescentes privados de liberdade, foram incluídos como pessoas de interesse prioritário na imunização da pandemia da Covid-19. CERTO ( ) ERRADO ( ) O item está certo. A Lei nº 14.190/2021 expressamente estabeleceu tais pessoas como grupos prioritários para a imunização contra a pandemia da Covid-19 em seu art. 1º, o qual acrescenta os §§ 4º e 5º do art. 13 da Lei nº 14.124/2021. DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Caderno de novidades legislativas163 Art. 1º O art. 13 da Lei nº 14.124, de 10 de março de 2021, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4º e 5º: “Art. 13. (...) § 4º As gestantes, as puérperas e as lactantes, com ou sem comorbidade, independentemente da idade dos lactentes, serão incluídas como grupo prioritário no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, nos termos do regulamento. § 5º As crianças e os adolescentes com deficiência permanente, com comorbidade ou privados de liberdade serão incluídos como grupo prioritário no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, nos termos do regulamento, conforme se obtenha registro ou autorização de uso emergencial de vacinas no Brasil para pessoas com menos de 18 (dezoito) anos de idade.” (NR) DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Caderno de novidades legislativas164 1. Lei nº 14.181/2021 – Lei do Superendividamento 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.181/2021 Ementa: Altera a Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), e a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso), para aperfeiçoar a disciplina do crédito ao consumidor e dispor sobre a prevenção e o tratamento do superendividamento. Data de publicação: 02.07.2021 Início de vigência: 02.07.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/ lei/L14181.htm> Destaques: • Insere na Política Nacional das Relações de Consumo princípios para educação e prevenção ao superendividamento do consumidor, bem como institui mecanismos extrajudiciais e judiciais para buscar uma solução para essas situações. • Institui novos direitos básicos para proteger o consumidor do superendividamento, modificando o art. 6º da Lei Federal nº 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor - CDC). • Obriga os fornecedores a prestar informações adicionais prévias, de forma clara e resumida, quando da contratação de operação de crédito ou de venda a prazo. • Estabelece que a desobediência às exigências dos arts. 52 a 54-C do CDC poderá ensejar a redução dos juros, dos encargos ou de qualquer acréscimo ao principal e a dilação do prazo de pagamento previsto no contrato para que o consumidor pague a dívida, conforme a gravidade da conduta do fornecedor e as possibilidades financeiras do consumidor. • Determina que são conexos, coligados ou interdependentes o contrato de fornecimento de produtos ou serviços e o contrato acessório de crédito para a aquisição daqueles, determinando que o exercício do direito de arrependimento ou a inexecução do fornecedor de qualquer dos contratos implica a resolução do outro. • Estabelece a possibilidade de o consumidor contestar compra realizada pelo cartão de crédito, à qual, durante o período da resolução da contestação, fica vedado ao fornecedor cobrar o valor contestado, podendo, inclusive, ser realizado crédito de confiança na fatura, em favor do consumidor. DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas165 • Institui o procedimento de conciliação no superendividamento pelo qual o consumidor poderá requerer ao juiz o início do processo de repactuação de dívidas, apresentando proposta de pagamento com prazo máximo de cinco anos. No processo, a ausência injustificada do fornecedor na audiência de conciliação acarreta a suspensão da exigibilidade do débito, a interrupção dos encargos da mora e a sujeição compulsória ao plano de pagamento apresentado pelo consumidor. • Institui o processo por superendividamento para revisão e integração dos contratos e repactuação de dívidas, espécie de “recuperação judicial” do consumidor, no qual o juiz fixa plano judicial compulsório para pagamento das dívidas do consumidor, sendo os credores chamados para participar do processo. 1.2. Comentário Em função de relevantes discussões sobre o problema do superendividamento no Brasil e fundando-se na necessidade de se garantir o mínimo existencial e a dignidade humana, foi promulgada a Lei nº 14.181/2021, que “alteraa Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), e a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso), para aperfeiçoar a disciplina do crédito ao consumidor e dispor sobre a prevenção e o tratamento do superendividamento”. A denominada “Lei do Superendividamento” modifica substancialmente o Código de Defesa do Consumidor (CDC) ao adicionar novos princípios à Política Nacional das Relações de Consumo, ao impor novos direitos básicos do consumidor e ao estabelecer diversos critérios específicos a serem seguidos pelos fornecedores, no que tange às operações de crédito, bem como ao criar um novo tratamento processual compulsório para a repactuação de dívidas do consumidor. Nesse sentido, a lei adiciona os incisos IX e X ao art. 4º do CDC, colocando como princípios da Política Nacional das Relações de Consumo o “fomento de ações direcionadas à educação financeira e ambiental dos consumidores” e a “prevenção e tratamento do superendividamento como forma de evitar a exclusão social do consumidor”. Por sua vez, adiciona ao art. 5º do Código dois novos instrumentos para efetivação da Política Nacional das Relações de Consumo, quais sejam: a “instituição de mecanismos de prevenção e tratamento extrajudicial e judicial do superendividamento e de proteção do consumidor pessoa natural” e a “instituição de núcleos de conciliação e mediação de conflitos oriundos de superendividamento”. No que se relaciona aos conhecidos direitos básicos do consumidor, há, agora, especificamente os seguintes direitos adicionados ao art. 6º do CDC: DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas166 Art. 6º (...) XI — a garantia de práticas de crédito responsável, de educação financeira e de prevenção e tratamento de situações de superendividamento, preservado o mínimo existencial, nos termos da regulamentação, por meio da revisão e da repactuação da dívida, entre outras medidas; XII — a preservação do mínimo existencial, nos termos da regulamentação, na repactuação de dívidas e na concessão de crédito; XIII — a informação acerca dos preços dos produtos por unidade de medida, tal como por quilo, por litro, por metro ou por outra unidade, conforme o caso. Como se verifica, os incisos adicionados são direitos básicos eminentemente protetivos que visam à educação financeira do consumidor com vista a evitar as situações de superendividamento e a garantir o mínimo existencial para que o consumidor não tenha seu orçamento mensal inteiramente comprometido por dívidas contratadas, ficando impossibilitado de adquirir o básico para sua subsistência. Outrossim, cabe destacar o conceito de superendividamento positivado pela lei, por meio do novo art. 54-A, § 1º, do CDC: “entende-se por superendividamento a impossibilidade manifesta de o consumidor pessoa natural, de boa-fé, pagar a totalidade de suas dívidas de consumo, exigíveis e vincendas, sem comprometer seu mínimo existencial, nos termos da regulamentação”. Nessa esteira, é possível identificar alguns requisitos para o enquadramento do consumidor na condição de “superendividado” para que possa ter acesso aos benefícios trazidos pela legislação. Portanto, apenas se enquadram no tratamento específico da lei o consumidor pessoa natural e que agiu com boa-fé na realização dos negócios jurídicos que, por infortúnio, o fizeram ficar em situação de impossibilidade de pagar as suas dívidas de consumo. O § 3º do referido art. 54-A exclui expressamente do tratamento especial conferido pela lei os consumidores cujas dívidas tenham sido contratadas mediante fraude, má-fé ou oriundas de contratos celebrados, desde o início, sem a verdadeira intenção de adimplemento ou que decorram da aquisição ou contratação de produtos e serviços de luxo de alto valor. Visando à educação do consumidor e trazendo uma responsabilidade específica aos fornecedores para que colaborem com os novos princípios da Política Nacional das Relações de DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas167 Consumo, a lei estabeleceu, no art. 54-B do CDC, obrigações específicas, as quais os fornecedores devem seguir quando fornecerem crédito ou realizarem venda a prazo aos consumidores. Dentre essas obrigações, destaca-se o dever de informar o consumidor, prévia e adequadamente, no momento da oferta, sobre: I — o custo efetivo total e a descrição dos elementos que compõem a operação de crédito; II — a taxa efetiva mensal de juros, bem como a taxa dos juros de mora e o total de encargos, de qualquer natureza, previstos para o atraso no pagamento; III — o montante das prestações e o prazo de validade da oferta, que deve ser, no mínimo, de 2 (dois) dias; IV — o nome e o endereço, inclusive o eletrônico, do fornecedor; V — o direito do consumidor à liquidação antecipada e não onerosa do débito, nos termos do § 2º do art. 52 do CDC e da regulamentação em vigor. Essas disposições visam a dar ao consumidor clareza da operação de crédito que está sendo realizada para que tenha ciência do custo total que envolve a contratação com a concessão do crédito e sem a concessão do crédito, possibilitando um melhor cálculo do consumidor e, em especial, daqueles mais vulneráveis, acerca do que está sendo contratado. Ressalta-se que o art. 54-C da lei estabelece a vedação de algumas práticas comuns que têm o potencial de prejudicar o consumidor, como: a realização de oferta de crédito e financiamento indicando que ela pode ser realizada sem consulta aos cadastros de proteção ao crédito, o que facilita que um consumidor já endividado contrate nova dívida, dando ases ao superendividamento; o assédio ou pressão a consumidores idosos, analfabetos, doentes ou em estado de vulnerabilidade agravada para que contratem produto, serviço ou crédito; e o condicionamento de atender demandas do consumidor, como a própria renegociação de dívidas, por exemplo, à desistência de demandas judiciais e/ou ao pagamento de honorários advocatícios e a realização de depósito judicial. DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas168 Caso os fornecedores não cumpram as obrigações estabelecidas entre os arts. 52 e 54-C do CDC, ficarão sujeitos a uma decisão judicial que poderá determinar a redução compulsória de juros, dos encargos e de eventuais outros acréscimos ao valor principal, bem como a dilação do prazo o qual o consumidor teria para pagar o débito. Esses ônus estão positivados pelo art. 54-D do CDC, o qual também estabelece, em seu inciso I, a obrigação de o fornecedor informar detalhadamente o consumidor sobre a modalidade de crédito que foi oferecida, bem como sobre todos os custos e as consequências em caso de inadimplemento. Interessante disposição da lei que já é bastante tratada na doutrina diz respeito aos contratos coligados. Desse modo, a lei considerou que são conexos, coligados ou interdependentes o contrato principal de fornecimento de produtos ou serviços e o contrato de concessão de crédito para a aquisição dos respectivos produtos ou serviços. Nesse contexto, o novo art. 54-F do CDC determina que serão considerados conexos/coligados/interdependentes o contrato principal e o de crédito quando o fornecedor de crédito: Art. 54-F. São conexos, coligados ou interdependentes, entre outros, o contrato principal de fornecimento de produto ou serviço e os contratos acessórios de crédito que lhe garantam o financiamento quando o fornecedor de crédito: I — recorrer aos serviços do fornecedor de produto ou serviço para a preparação ou a conclusão do contrato de crédito; II — oferecer o crédito no local da atividade empresarial do fornecedor de produto ou serviço financiado ou onde o contrato principal for celebrado. Dessa forma, por exemplo, quando uma instituição financeira atua em parceria com o fornecedor de produtos ou serviços, dentro de uma loja online ou física, para possibilitar a aquisição dos produtos ou serviços vendidos naloja, por meio de financiamento dirigido ao consumidor, o contrato de crédito será considerado coligado ao contrato principal. Isso implica que, por exemplo, caso o consumidor deseje exercer o direito de arrependimento sobre qualquer um dos dois contratos, o outro será diretamente afetado por essa decisão, sendo ambos os contratos resolvidos de pleno direito. Ademais, na hipótese de inexecução das obrigações do fornecedor de produto ou serviço, o consumidor poderá requerer a rescisão do contrato também contra o fornecedor de crédito. Assim, o inadimplemento da obrigação de entregar um bem, por exemplo, confere o direito de o consumidor rescindir tanto o contrato principal, da compra do bem, quanto o contrato de crédito, do financiamento concedido para a aquisição do bem (art. 54-F e seus §§ 1º e 2º, do CDC). DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas169 Destaca-se, ainda, uma conduta que já era administrativamente realizada por várias operadoras de cartão de crédito, mas que, agora, está positivada no CDC em benefício do consumidor. O novo art. 54-G, I, do CDC, determina que quando o consumidor contestar uma compra realizada por meio do cartão de crédito, o fornecedor do produto ou serviço fica proibido de realizar ou proceder à cobrança do valor em sua fatura enquanto não for solucionada a controvérsia. Para isso, o consumidor deve notificar a administradora do cartão de crédito com, ao menos, 10 dias de antecedência da data do vencimento da fatura. Ainda, caso o consumidor só reconheça parcialmente o valor cobrado, deverá ser permitido que ele realize o pagamento parcial do valor indicado na fatura. Ademais, é facultado ao emissor do cartão lançar um “crédito de confiança” na fatura do consumidor de valor idêntico ao da transação contestada enquanto não for encerrada a apuração administrativa da contestação realizada. Por fim, destaca-se o estabelecimento de um procedimento judicial específico para tratar dos litígios que envolvam o superendividamento. Nesse contexto, o art. 104-A do CDC traz o direito de o consumidor requerer ao juízo a instauração de um processo de repactuação de dívidas. Em uma primeira abordagem, esse processo pode estabelecer a realização de uma audiência de conciliação inicial com a presença de todos os credores de dívidas do consumidor. Para essa conciliação, o consumidor deve apresentar um plano inicial para pagamento de suas dívidas com prazo máximo de cinco anos, preservando um valor mínimo para sua subsistência, considerando seus rendimentos. Importante notar que o pedido realizado pelo consumidor não importa na declaração de insolvência civil e somente pode ser realizado novamente após o prazo de dois anos contados da liquidação das obrigações previstas no plano de pagamento homologado. Além disso, nos termos do art. 104-C do CDC, não só o juízo, mas também todos os órgãos públicos integrantes do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor poderão realizar a fase conciliatória e preventiva do processo de repactuação de dívidas. Poderá ocorrer dentro desses órgãos, como, por exemplo, nos PROCONs, audiência global de conciliação com todos os credores. Ressalta-se que quando for firmado o acordo perante esses órgãos deverá ser indicada a data na qual o consumidor terá seu nome excluído dos órgãos de proteção ao crédito e que isso estará condicionado ao consumidor se abster de praticar condutas que agravem a sua situação de superendividamento, em especial, a de contrair novas dívidas. DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas170 Nesse processo de repactuação de dívidas, cabe destacar que não podem ser inclusas dívidas oriundas de contratos de crédito com garantia real, de financiamento de imóveis e de crédito rural. Também ficam excluídos do processo contratos nos quais se demonstre que o consumidor os pactuou, desde o início, sem o objetivo de adimpli-los. Na impossibilidade de conciliação, o art. 104-B do CDC cria o “processo por superendividamento para revisão e integração dos contratos e repactuação de dívidas”. Trata-se quase de uma “recuperação judicial” do consumidor. Por meio desse processo, o juízo estabelece um plano judicial compulsório para o pagamento das dívidas do consumidor. Os credores do consumidor ficam obrigados a aceitar o plano, mas lhes é garantido o recebimento de, ao menos, o valor principal devido, atualizado monetariamente por índices oficiais. O plano judicial compulsório não pode estabelecer prazo maior que cinco anos para o pagamento das dívidas e a primeira parcela deve ser paga no prazo máximo de 180 dias, contado da data da homologação do plano. 1.3. Questão inédita comentada Durante vários anos, Geraldo trabalhava em uma boa empresa, que lhe pagava um salário razoável. Nesse contexto, durante a sua vida, contraiu alguns financiamentos e obteve empréstimos junto a cinco diferentes instituições financeiras. O primeiro financiamento é o de sua casa, o segundo, de seu carro, ambos em alienação fiduciária em garantia. Os outros três empréstimos foram obtidos na modalidade CDC (Crédito Direto ao Consumidor) para pagar diversas despesas do cotidiano, como a escola de seus filhos, despesas de saúde, entre outras. Ao longo de vários anos, Geraldo pagou adequadamente as prestações de seus financiamentos e empréstimos. Contudo, devido a uma forte crise ocorrida, que afetou as atividades da empresa em que trabalhava, Geraldo foi demitido e apenas conseguiu um outro emprego que lhe pagava um salário muito inferior ao anterior. Diante dessa situação, Geraldo ficou sem poder arcar regularmente com os financiamentos e empréstimos obtidos sem que isso prejudicasse suas despesas domésticas básicas. Considerando a situação de Geraldo, assinale a alternativa INCORRETA: A) Geraldo pode ser considerado superendividado nos termos da lei, por ser consumidor, pessoa natural, de boa-fé, que está com impossibilidade manifesta de pagar as suas dívidas de consumo. B) Caso na contratação de quaisquer dos empréstimos e financiamentos obtidos por Geraldo o fornecedor do crédito não o tiver informado e esclarecido adequadamente sobre a natureza e a modalidade do crédito oferecido e os custos incidentes, ele poderá obter a redução judicial dos juros, encargos e de outros acréscimos, bem como dilação do prazo para pagar a dívida. DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas171 C) Por meio do processo por superendividamento para revisão e integração dos contratos e repactuação de dívidas, Geraldo poderá obter Plano Judicial para o pagamento de todos os seus financiamentos, cuja aceitação é compulsória para os credores. D) O Plano Judicial instituído pelo processo por superendividamento para revisão e integração dos contratos e repactuação de dívidas é compulsório para os credores e poderá prever medidas de dilação de prazo para pagamento e de redução dos encargos da dívida ou da remuneração do fornecedor. E) Caso Geraldo realize o pedido de instauração de processo de repactuação de dívidas e seja homologado o plano de pagamento, apenas poderá realizar novo pedido após decorridos dois anos, contados da data da liquidação das obrigações previstas no plano. Alternativa incorreta: letra C. Em que pese as dívidas dos empréstimos na modalidade “Crédito Direto ao Consumidor” de Geraldo poderem fazer parte do plano para repactuação de dívidas, o art. 104-A, § 1º, do CDC, exclui expressamente do processo as dívidas com garantia real e de financiamentos imobiliários, as quais Geraldo possui relativas ao seu carro (garantia real) e à sua casa (financiamento imobiliário). Art. 104-A. (...) § 1º Excluem-se do processo de repactuação as dívidas, ainda que decorrentes de relações de consumo, oriundas de contratos celebrados dolosamente sem o propósito de realizar pagamento, bem como as dívidas provenientes de contratos de crédito com garantia real, de financiamentos imobiliáriose de crédito rural. Demais alternativas: Alternativa A. Correta. Nos termos do art. 54-A do CDC: “entende-se por superendividamento a impossibilidade manifesta de o consumidor pessoa natural, de boa-fé, pagar a totalidade de suas dívidas de consumo, exigíveis e vincendas, sem comprometer seu mínimo existencial, nos termos da regulamentação.” DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas172 Alternativa B. Correta. O parágrafo único do art. 54-D do CDC determina que o descumprimento de qualquer dos deveres impostos nos arts. 52 e 54-C do CDC poderá acarretar judicialmente a redução dos juros, dos encargos ou de qualquer acréscimo ao principal e a dilação do prazo de pagamento previsto no contrato original. Dentre os deveres a serem cumpridos pelo fornecedor, destaca-se o previsto no art. 54-D, I, de “informar e esclarecer adequadamente o consumidor, considerada sua idade, sobre a natureza e a modalidade do crédito oferecido, sobre todos os custos incidentes, observado o disposto nos arts. 52 e 54-B deste Código, e sobre as consequências genéricas e específicas do inadimplemento”. Art. 54-D. Na oferta de crédito, previamente à contratação, o fornecedor ou o intermediário deverá, entre outras condutas: I - informar e esclarecer adequadamente o consumidor, considerada sua idade, sobre a natureza e a modalidade do crédito oferecido, sobre todos os custos incidentes, observado o disposto nos arts. 52 e 54-B deste Código, e sobre as consequências genéricas e específicas do inadimplemento; (...) Parágrafo único. O descumprimento de qualquer dos deveres previstos no caput deste artigo e nos arts. 52 e 54-C deste Código poderá acarretar judicialmente a redução dos juros, dos encargos ou de qualquer acréscimo ao principal e a dilação do prazo de pagamento previsto no contrato original, conforme a gravidade da conduta do fornecedor e as possibilidades financeiras do consumidor, sem prejuízo de outras sanções e de indenização por perdas e danos, patrimoniais e morais, ao consumidor. Alternativa D. Correta. Da leitura conjunta dos arts. 104-A e 104-B do CDC, verifica-se que o plano judicial para pagamento dos débitos é compulsório para o credor e pode prever “medidas de dilação dos prazos de pagamento e de redução dos encargos da dívida ou da remuneração do fornecedor, entre outras destinadas a facilitar o pagamento da dívida” (art. 104-A, § 4º, I). Ademais, destaca-se que no plano judicial compulsório deve ser assegurado aos credores, no mínimo, o valor do principal devido corrigido monetariamente por índices oficiais e o prazo máximo para liquidação do débito em até cinco anos, contados da data da homologação (art. 104-B, § 4º). Alternativa E. Correta. O § 5º do art. 104-A, do CDC, estabelece que “o pedido do consumidor a que se refere o caput deste artigo não importará em declaração de insolvência civil e poderá ser repetido somente após decorrido o prazo de 2 (dois) anos, contado da liquidação das obrigações previstas no plano de pagamento homologado, sem prejuízo de eventual repactuação”. DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas173 2. Lei nº 14.186/2021 - Altera a Lei nº 14.046/2020, para dispor sobre medidas emergenciais para atenuar os efeitos da crise decorrente da pandemia da Covid-19 nos setores de turismo e de cultura 2.1. Ficha normativa LEI Nº 14.186/2021 Ementa: Altera a Lei nº 14.046, de 24 de agosto de 2020, para dispor sobre medidas emergenciais para atenuar os efeitos da crise decorrente da pandemia da Covid-19 nos setores de turismo e de cultura. Data de publicação: 16.07.2021 Início de vigência: 16.07.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/ Lei/L14186.htm> Destaques: • Fica prorrogado para o dia 31.12.2022 o prazo para que o consumidor utilize o crédito disponibilizado pelo prestador de serviços em caso de adiamento ou cancelamento de reservas e de eventos, incluídos shows e espetáculos, que estavam marcados para ocorrer entre os dias 01.01.2020 e 31.12.2021. • A restituição dos valores aos consumidores, por parte das sociedades empresárias ou prestadores de serviço deverá ser efetuada até o dia 31 de dezembro de 2022 apenas na hipótese em que não seja possível oferecer a remarcação dos serviços ou disponibilizado crédito. • Os artistas, palestrantes e outros profissionais, incluindo-se aqueles contratados para shows, rodeios e espetáculos de música e arte e outros eventos que ocorreriam entre 01.01.2020 e 31.12.2021 não terão obrigação de reembolsar imediatamente os valores dos serviços ou cachês, desde que o evento seja remarcado até o dia 31.12.2022. • Ficam anuladas as multas impostas em decorrência de cancelamento dos contratos de palestrantes, artistas e outros profissionais, que tratam o art. 4º da lei, desde que o cancelamento tenha ocorrido em razão da pandemia de Covid-19. DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas174 2.2. Comentário Em função de ter emergido a pandemia de Covid-19, que acometeu todo o mundo, com relevante impacto nos setores de turismo e cultura, foi promulgada e publicada, no dia 26.03.2021, a Lei nº 14.046/2020. A referida lei dispõe sobre medidas afetas ao direito do consumidor e ao direito civil para atenuar as repercussões econômicas da pandemia nos setores de turismo e cultura. Assim, em decorrência do amplo cancelamento ou adiamento de viagens e eventos, os prestadores de serviços, como hotéis, empresas aéreas, casas de shows e até mesmo alguns profissionais autônomos, como palestrantes, cantores e artistas, se viram em uma situação de, eventualmente, ter de devolver imediatamente a todos os consumidores e contratantes valores já recebidos, antecipadamente, pelos serviços que seriam prestados. Caso isso fosse levado a cabo, provavelmente, haveria grande quebra generalizada de muitos dos prestadores de serviços, uma vez que não havia qualquer previsibilidade para a ocorrência de um fato tão peculiar no planeta como a Covid-19 e suas consequências. Nesse contexto, o ponto principal da lei foi estabelecer que, quando cancelados os contratos, não era obrigatória, por parte dos prestadores de serviços, a devolução em dinheiro aos consumidores e outros contratantes dos valores eventualmente já recebidos. Para isso, os prestadores de serviço deveriam disponibilizar aos consumidores um crédito a ser utilizado até as datas estabelecidas na lei ou a remarcação para data posterior das reservas e dos eventos adiados. A Lei Federal nº 14.046/2020 foi resultado da conversão da Medida Provisória nº 948/2020, publicada no dia 08.04.2020. Com o passar do tempo e a manutenção da pandemia, foram necessárias algumas atualizações na lei para que os prazos inicialmente estabelecidos pudessem ser prorrogados e a lei mantivesse sua eficácia, de acordo com a verdadeira situação que permeia a sociedade. Desse modo, foi publicada no dia 18.03.2021 a Medida Provisória nº 1.036/2021, que, por conseguinte, foi convertida na Lei nº 14.186/2021, publicada no dia 16.07.2021. Conforme a ementa desta lei, ela “altera a Lei nº 14.046, de 24 de agosto de 2020, para dispor sobre medidas emergenciais para atenuar os efeitos da crise decorrente da pandemia da covid-19 nos setores de turismo e de cultura.” DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas175 A primeira mudança que a Lei nº 14.186/2021 trouxe para a Lei nº 14.046/2021 foi prorrogar para o dia 31.12.2022 o prazo para que o consumidor utilize o crédito disponibilizado pelo prestador de serviços em caso de adiamento ou cancelamento de reservas e de eventos, incluídos shows e espetáculos, que estavam marcados para ocorrer entre os dias 01.01.2020 e 31.12.2021. A redação inicial da lei, ao fazer referência ao Decreto Legislativo nº 06/2020, estabelecia que o prazo era até o dia 31.12.2020. Agora, por exemplo, caso o consumidor tenha tido uma viagem ou evento cancelado ou adiado emdecorrência da pandemia, poderá utilizar o seu crédito para marcar uma nova viagem ou participar de um evento até o dia 31.12.2022. A prorrogação da data aplica-se, inclusive, para casos em que o evento ou viagem já havia sido remarcado em razão da pandemia, mas, pela sua manutenção no tempo, teve de ser novamente adiado. Ademais, o referido prazo passa também a ser o limite para que o prestador de serviço reembolse o consumidor em dinheiro quando o prestador não consiga oferecer a remarcação ou o crédito para ser posteriormente utilizado. Vejamos a nova redação dos parágrafos e incisos alterados pela lei, grifados: Art. 2º Na hipótese de adiamento ou de cancelamento de serviços, de reservas e de eventos, incluídos shows e espetáculos, de 1º de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19, o prestador de serviços ou a sociedade empresária não serão obrigados a reembolsar os valores pagos pelo consumidor, desde que assegurem: I — a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados; ou II — a disponibilização de crédito para uso ou abatimento na compra de outros serviços, reservas e eventos disponíveis nas respectivas empresas. § 1º As operações de que trata o caput deste artigo ocorrerão sem custo adicional, taxa ou multa ao consumidor, em qualquer data a partir de 1º de janeiro de 2020, e estender-se-ão pelo prazo de 120 (cento e vinte) dias, contado da comunicação do adiamento ou do cancelamento dos serviços, ou 30 (trinta) dias antes da realização do evento, o que ocorrer antes. § 2º Se o consumidor não fizer a solicitação a que se refere o § 1º deste artigo no prazo assinalado de 120 (cento e vinte) dias, por motivo de falecimento, de internação ou de força maior, o prazo será restituído em proveito da parte, do herdeiro ou do sucessor, a contar da data de ocorrência do fato impeditivo da solicitação. DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas176 § 3º O fornecedor fica desobrigado de qualquer forma de ressarcimento se o consumidor não fizer a solicitação no prazo estipulado no § 1º ou não estiver enquadrado em uma das hipóteses previstas no § 2º deste artigo. § 4º O crédito a que se refere o inciso II do caput deste artigo poderá ser utilizado pelo consumidor até 31 de dezembro de 2022. § 5º Na hipótese prevista no inciso I do caput deste artigo, serão respeitados: I — os valores e as condições dos serviços originalmente contratados; e II — a data-limite de 31 de dezembro de 2022 para ocorrer a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados. § 6º O prestador de serviço ou a sociedade empresária deverão restituir o valor recebido ao consumidor até 31 de dezembro de 2022, somente na hipótese de ficarem impossibilitados de oferecer a remarcação dos serviços ou a disponibilização de crédito referidas nos incisos I e II do caput deste artigo. § 7º Os valores referentes aos serviços de agenciamento e de intermediação já prestados, tais como taxa de conveniência e/ou de entrega, serão deduzidos do crédito a ser disponibilizado ao consumidor, nos termos do inciso II do caput deste artigo, ou do valor a que se refere o § 6º deste artigo. § 8º As regras para adiamento da prestação do serviço, para disponibilização de crédito ou, na impossibilidade de oferecimento da remarcação dos serviços ou da disponibilização de crédito referidas nos incisos I e II do caput deste artigo, para reembolso aos consumidores, aplicar-se-ão ao prestador de serviço ou à sociedade empresária que tiverem recursos a serem devolvidos por produtores culturais ou por artistas. § 9º O disposto neste artigo aplica-se aos casos em que o serviço, a reserva ou o evento adiado tiver que ser novamente adiado, em razão de não terem cessado os efeitos da pandemia da covid-19 referida no art. 1º desta Lei na data da remarcação originária, e aplica-se aos novos eventos lançados no decorrer do período sob os efeitos da pandemia da covid-19 que não puderem ser realizados pelo mesmo motivo. § 10 Na hipótese de o consumidor ter adquirido o crédito de que trata o inciso II do caput deste artigo até a data de publicação da Medida Provisória nº 1.036, de 17 de março de 2021, o referido crédito poderá ser usufruído até 31 de dezembro de 2022. (Grifos nossos.) DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas177 Um ponto importante da lei diz respeito aos palestrantes, profissionais e artistas que já haviam sido contratados e pagos para realização e apresentação em eventos cancelados ou adiados também em razão da pandemia. Nesses casos, ficou prorrogado para o dia 31.12.2022 o prazo para que os eventos sejam remarcados e realizados ou que esses profissionais reembolsem os contratantes se o evento não for remarcado até a referida data. Uma outra alteração relevante relaciona-se com o cancelamento das multas atinentes aos contratos de prestação de serviços desses profissionais, palestrantes e artistas. O § 2º do art. 4º da Lei nº 14.046/2020, também foi alterado para indicar que serão anuladas as multas impostas pelo cancelamento desses contratos até o dia 31.12.2021. Desse modo, mesmo que prevista multa contratual para o cancelamento do contrato de prestação de serviços, essa multa não poderá ser aplicada caso o contrato tenha sido cancelado em razão dos efeitos da Covid-19. Vejamos, portanto, em negrito, as novas alterações realizadas no art. 4º da lei: Art. 4º Os artistas, os palestrantes ou outros profissionais detentores do conteúdo contratados de 1º de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2021 que forem impactados por adiamentos ou por cancelamentos de eventos em decorrência da pandemia da covid-19, incluídos shows, rodeios, espetáculos musicais e de artes cênicas, e os profissionais contratados para a realização desses eventos não terão obrigação de reembolsar imediatamente os valores dos serviços ou cachês, desde que o evento seja remarcado, respeitada a data-limite de 31 de dezembro de 2022 para a sua realização. § 1º Na hipótese de os artistas, os palestrantes ou outros profissionais detentores do conteúdo e os demais profissionais contratados para a realização dos eventos de que trata o caput deste artigo não prestarem os serviços contratados no prazo previsto, o valor recebido será restituído, atualizado monetariamente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E), até 31 de dezembro de 2022, observadas as seguintes disposições: I — o valor deve ser imediatamente restituído, na ausência de nova data pactuada de comum acordo entre as partes; e II — a correção monetária prevista neste parágrafo deve ser aplicada de imediato nos casos delimitados no inciso I deste parágrafo em que não for feita a restituição imediata. § 2º Serão anuladas as multas por cancelamentos dos contratos de que trata este artigo, que tenham sido emitidas até 31 de dezembro de 2021, na hipótese de os cancelamentos decorrerem das medidas de isolamento social adotadas para o combate à pandemia da covid-19. (Grifos nossos.) DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas178 2.3. Questão inédita comentada Helena e sua família possuíam uma viagem de férias para a Europa, marcada com bastante antecedência, para o dia 30.08.2020. Todavia, no início do ano de 2020, a pandemia de Covid-19 acometeu diversos países, fazendo com que ficasse inviável a realização de passeios turísticos. Assim, no dia 20.02.2020, Helena foi comunicada sobre o cancelamento de suas reservas. Diante da situação, Helena entrou em contato e pediu para a Passeios Turísticos Ltda. o reembolso imediato do valor de R$ 15.000,00 que havia desembolsado com a compra das passagens e hospedagem. Considerando a situação, assinale a alternativa CORRETA. A) Em razão da impossibilidade da prestação de serviços e das disposições do Código de Defesa do Consumidor (CDC), a Passeios Turísticos Ltda. deverá reembolsar Helena integralmente e imediatamente ovalor total pago. B) A Passeios Turísticos Ltda. poderá se recusar a realizar o reembolso imediato do valor pago por Helena, desde que lhe ofereça um crédito no mesmo valor que poderá ser utilizado por ela até o dia 31.12.2022. C) Helena poderá requerer que a Passeios Turísticos Ltda. lhe conceda um crédito a ser utilizado até o dia 31.12.2022, desde que faça o pedido até o dia 20.07.2020. D) Caso a Passeios Turísticos Ltda. não possa disponibilizar a Helena o crédito no mesmo valor pago ou a possibilidade de remarcar a viagem, terá até o dia 31.12.2023 para realizar a restituição do valor integral pago por Helena. E) Se Helena tivesse optado por remarcar a viagem para o dia 30 de agosto de 2021 e a viagem tivesse de ser novamente adiada, em razão da pandemia, a Passeios Turísticos Ltda. ficaria desobrigada de realizar o reembolso ou disponibiliza crédito para Helena. Alternativa correta: letra B. Nos termos do art. 2º da Lei nº 14.046/2020: Na hipótese de adiamento ou de cancelamento de serviços, de reservas e de eventos, incluídos shows e espetáculos, de 1º de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19, o prestador de serviços ou a sociedade empresária não serão obrigados DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas179 a reembolsar os valores pagos pelo consumidor, desde que assegurem: I - a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados; ou II - a disponibilização de crédito para uso ou abatimento na compra de outros serviços, reservas e eventos disponíveis nas respectivas empresas. Portanto, uma vez que a viagem de Helena ocorreria no dia 30.08.2020, a Passeios Turísticos Ltda. não estava obrigada a reembolsar Helena em dinheiro e imediatamente, desde que lhe concedesse o crédito, no mesmo valor pago, que poderia ser utilizado até o dia 31.12.2022, conforme prevê o § 4º do mesmo dispositivo: “§ 4º O crédito a que se refere o inciso II do caput deste artigo poderá ser utilizado pelo consumidor até 31.12.2022”. Demais alternativas: Alternativa A. Incorreta. Nos termos do art. 2º da Lei nº 14.046/2020: Na hipótese de adiamento ou de cancelamento de serviços, de reservas e de eventos, incluídos shows e espetáculos, de 1º de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19, o prestador de serviços ou a sociedade empresária não serão obrigados a reembolsar os valores pagos pelo consumidor, desde que assegurem: I - a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos adiados; ou II - a disponibilização de crédito para uso ou abatimento na compra de outros serviços, reservas e eventos disponíveis nas respectivas empresas. Portanto, desde que a Passeios Turísticos Ltda. disponibilizasse a Helena crédito a ser utilizado ou a remarcação da viagem a ser efetuada até o dia 31.12.2022, não fica a fornecedora de serviços obrigada a restituir a Helena o valor pago. Alternativa C. Incorreta. Nos termos do art. 2º da Lei nº 14.046/2020, de fato, Helena poderia requerer que a Passeios Turísticos Ltda. lhe concedesse um crédito a ser posteriormente utilizado, até o dia 31 de dezembro de 2022. Todavia, os §§ 1º e 3º do art. 2º da lei assim dispõem, respectivamente, que: As operações de que trata o caput deste artigo ocorrerão sem custo adicional, taxa ou multa ao consumidor, em qualquer data a partir de 1º de janeiro de 2020, e estender-se-ão pelo prazo de 120 (cento e vinte) dias, contado da comunicação do adiamento ou do cancelamento dos serviços, ou 30 (trinta) dias antes da realização do evento, o que ocorrer antes e o fornecedor fica desobrigado de qualquer forma de ressarcimento se o consumidor não fizer a solicitação no prazo estipulado no § 1º ou não estiver enquadrado em uma das hipóteses previstas no § 2º deste artigo. DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas180 Dessa forma, tendo Helena sido comunicada do cancelamento de suas reservas no dia 20.02.2020, tinha até o dia 19.06.2020 para realizar o pedido do crédito ou da remarcação da viagem. Tendo realizado o pedido somente do dia 20.07.2020, a Passeios Turísticos Ltda. fica desobrigada de realizar qualquer ressarcimento, como a disponibilização do crédito, a Helena. Alternativa D. Incorreta. O art. 2º, § 6º, da Lei nº 14.046/2020, assim dispõe: “o prestador de serviço ou a sociedade empresária deverão restituir o valor recebido ao consumidor até 31 de dezembro de 2022, somente na hipótese de ficarem impossibilitados de oferecer a remarcação dos serviços ou a disponibilização de crédito referidas nos incisos I e II do caput deste artigo”. Nesses termos, o prazo para restituir o valor recebido do consumidor na hipótese de impossibilidade de a Passeios Turísticos Ltda. oferecer o crédito ou a remarcação do serviço é até o dia 31.12.2022 e não 31.12.2023. Alternativa E. Incorreta. O art. 2º, § 9º, da Lei nº 14.046/2020, dispõe que: O disposto neste artigo aplica-se aos casos em que o serviço, a reserva ou o evento adiado tiver que ser novamente adiado, em razão de não terem cessado os efeitos da pandemia da covid-19 referida no art. 1º desta Lei na data da remarcação originária, e aplica-se aos novos eventos lançados no decorrer do período sob os efeitos da pandemia da covid-19 que não puderem ser realizados pelo mesmo motivo. Portanto, caso Helena tivesse remarcado sua viagem para o dia 30.08.2021 e, novamente, em razão da pandemia, a viagem tivesse de ser cancelada ou adiada, Helena teria novo direito ao crédito ou à remarcação da viagem, nos termos da lei. DIREITO DO CONSUMIDOR Caderno de novidades legislativas181 1. Lei nº 14.188/2021 – Estabelece medida protetiva de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.188/2021 Ementa: Define o programa de cooperação Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica como uma das medidas de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher previstas na Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha), e no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), em todo o território nacional; e altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para modificar a modalidade da pena da lesão corporal simples cometida contra a mulher por razões da condição do sexo feminino e para criar o tipo penal de violência psicológica contra a mulher. Data de publicação: 29.07.2021 Início de vigência: 29.07.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Lei/L14188.htm> Destaques: • A lei define o Programa de Cooperação Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica como mais uma medida de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher, acirrada nos tempos da pandemia da Covid-19, estabelecendo intercâmbio entre as instituições públicas e privadas e órgãos de segurança pública integrantes do sistema de assistência e segurança à vítima. • Além do Programa Sinal Vermelho, a lei em comento alterou a Lei nº 11.340/2006 acerca do afastamento do lar imediato do agressor em caso de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar. • Referido ato normativo ainda recrudesce a pena do crime de lesão corporal, prevista no art. 129 do Código Penal, quando praticado contra a mulher por razões do sexo feminino. • A lei estabelece ainda novo tipo penal, o da violência psicológica contra a mulher, previsto no art. 147-B do Código Penal. DIREITO PENAL Caderno de novidades legislativas182 1.2. Comentário Em relação ao Direito Penal, a Lei nº 14.188 recrudesce a pena do crime de lesão corporal, prevista no art. 129 do Código Penal, quando praticado contra a mulher por razões do sexo feminino, e estabelece novo tipo penal previsto no art. 147-B do Código Penal. Entretanto, para concentrar a abordagem das inovações veiculadas por esse novo ato normativo, asua análise encontra-se em Legislação Penal e Processual Penal Extravagante. DIREITO PENAL Agosto 2021 Caderno de novidades legislativas184 1. Lei nº 14.195/2021 – Altera dispositivos do Código de Processo Civil 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.195/2021 Ementa: Dispõe sobre a facilitação para abertura de empresas, sobre a proteção de acionistas minoritários, sobre a facilitação do comércio exterior, sobre o Sistema Integrado de Recuperação de Ativos (Sira), sobre as cobranças realizadas pelos conselhos profissionais, sobre a profissão de tradutor e intérprete público, sobre a obtenção de eletricidade, sobre a desburocratização societária e de atos processuais e a prescrição intercorrente na Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil); altera as Leis nºs 11.598, de 3 de dezembro de 2007, 8.934, de 18 de novembro de 1994, 6.404, de 15 de dezembro de 1976, 7.913, de 7 de dezembro de 1989, 12.546, de 14 de dezembro 2011, 9.430, de 27 de dezembro de 1996, 10.522, de 19 de julho de 2002, 12.514, de 28 de outubro de 2011, 6.015, de 31 de dezembro de 1973, 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), 4.886, de 9 de dezembro de 1965, 5.764, de 16 de dezembro de 1971, 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e 13.874, de 20 de setembro de 2019, e o Decreto-Lei nº 341, de 17 de março de 1938; e revoga as Leis nºs 2.145, de 29 de dezembro de 1953, 2.807, de 28 de junho de 1956, 2.815, de 6 de julho de 1956, 3.187, de 28 de junho de 1957, 3.227, de 27 de julho de 1957, 4.557, de 10 de dezembro de 1964, 7.409, de 25 de novembro de 1985, e 7.690, de 15 de dezembro de 1988, os Decretos nºs 13.609, de 21 de outubro de 1943, 20.256, de 20 de dezembro de 1945, e 84.248, de 28 de novembro de 1979, e os Decretos-Lei nºs 1.416, de 25 de agosto de 1975, e 1.427, de 2 de dezembro de 1975, e dispositivos das Leis nºs 2.410, de 29 de janeiro de 1955, 2.698, de 27 de dezembro de 1955, 3.053, de 22 de dezembro de 1956, 5.025, de 10 de junho de 1966, 6.137, de 7 de novembro de 1974, 8.387, de 30 de dezembro de 1991, 9.279, de 14 de maio de 1996, e 9.472, de 16 de julho de 1997, e dos Decretos-Lei nºs 491, de 5 de março de 1969, 666, de 2 de julho de 1969, e 687, de 18 de julho de 1969; e dá outras providências. Data de publicação: 27.08.2021 Início de vigência: Art. 58. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação e produzirá efeitos: I ‒ em 3 (três) anos, contados da data de sua publicação, quanto ao inciso I do caput do art. 36, podendo a Aneel determinar a antecipação da produção de efeitos em cada área de concessão ou permissão; II ‒ em 360 (trezentos e sessenta) dias, contados da data de sua publicação, quanto à parte do art. 5º que altera o § 3º do art. 138 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; DIREITO PROCESSUAL CIVIL Caderno de novidades legislativas185 III ‒ em 180 (cento e oitenta) dias, contados da data de sua publicação, quanto ao § 3º do art. 8º; IV ‒ no primeiro dia útil do primeiro mês subsequente ao da data de sua publicação, quanto aos arts. 8º, 9º, 10, 11 e 12 e aos incisos III a XV, XVIII, XXIII e XXXI do caput do art. 57; e V ‒ na data de sua publicação, quanto aos demais dispositivos. Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Lei/L14195.htm> Destaques: • Determina que é dever das partes informar e manter atualizados seus dados cadastrais perante os órgãos do Poder Judiciário e da Administração tributária para citações e intimações. • Dispõe que é considerado dia do começo do prazo o quinto dia útil seguinte à confirmação, na forma prevista na mensagem de citação, do recebimento da citação realizada por meio eletrônico. • Decreta que a citação será efetivada em até 45 (quarenta e cinco) dias a partir da propositura da ação. • Estipula que a citação será feita preferencialmente por meio eletrônico, no prazo de até dois dias úteis, contados da decisão que a determinar, por meio dos endereços eletrônicos indicados pelo citando no banco de dados do Poder Judiciário, conforme regulamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). • Dispõe que as empresas públicas e privadas são obrigadas a manter cadastro nos sistemas de processo em autos eletrônicos, para efeito de recebimento de citações e intimações, as quais serão efetuadas preferencialmente por esse meio. Tratando-se de micro e pequenas empresas, somente se sujeitam a esta obrigação quando não possuírem endereço eletrônico cadastrado no sistema integrado da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim). • Determina que a ausência de confirmação, em até três dias úteis, contados do recebimento da citação eletrônica, implicará a realização da citação por outros meios. • Estabelece que é considerado ato atentatório à dignidade da justiça, passível de multa de até 5% (cinco por cento) do valor da causa, deixar de confirmar no prazo legal, sem justa causa, o recebimento da citação feito por meio eletrônico. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Caderno de novidades legislativas186 • Decreta que na exibição de documento ou coisa, o pedido formulado pela parte conterá a descrição, tão completa quanto possível, do documento ou da coisa, ou das categorias de documentos ou de coisas buscados, a finalidade da prova, com indicação dos fatos que se relacionam com o documento ou com a coisa, ou com suas categorias e as circunstâncias em que se funda o requerente para afirmar que o documento ou a coisa existe, ainda que a referência seja a categoria de documentos ou de coisas, e se acha em poder da parte contrária. • Estipula que a execução é suspensa quando não for localizado o executado ou bens penhoráveis, atualizando disposição legal acerca da prescrição intercorrente. 1.2. Comentário No dia 27.08.2021 foi publicada e entrou em vigor, na parte que altera o Código de Processo Civil (CPC), a Lei nº 14.195/2021. A lei alterou diversas leis anteriores, como o Código Civil (CC), o CPC, entre outras, e dispõe acerca de assuntos variados. Conforme ementa da lei, ela trata sobre a facilitação para abertura de empresas, sobre a proteção de acionistas minoritários, sobre a facilitação do comércio exterior, sobre o Sistema Integrado de Recuperação de Ativos (Sira), sobre as cobranças realizadas pelos conselhos profissionais, sobre a profissão de tradutor e intérprete público, sobre a obtenção de eletricidade, sobre a desburocratização societária e de atos processuais e a prescrição intercorrente na Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil); altera as Leis (...). Nesse texto, vamos analisar as principais alterações implementadas no CPC, que visam a racionalização processual, tornando o processo mais coerente. A primeira alteração de que vamos tratar diz respeito a mais um dever processual que foi imposto às partes e a todos que participem do processo. Segundo o art. 77 do CPC: Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de seus procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma participem do processo: (...) VII ‒ informar e manter atualizados seus dados cadastrais perante os órgãos do Poder Judiciário e, no caso do § 6º do art. 246 deste Código, da Administração Tributária, para recebimento de citações e intimações. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Caderno de novidades legislativas187 A partir da vigência da lei, as partes e todos aqueles que participem do processo têm como obrigação informar e manter atualizados seus dados cadastrais perante os órgãos do Poder Judiciário e da Administração Tributária, para recebimento de citações e intimações. Outra alteração é em relação ao dia do começo do prazo na citação por meio eletrônico (não trata da intimação por meio eletrônico). A lei prevê que será assim considerado “o quinto dia útil seguinte à confirmação, na forma prevista na mensagem de citação, do recebimento da citação realizada por meio eletrônico”,conforme dispõe o art. 231, IX, do CPC, inserido pela Lei nº 14.195/2021. Como exemplo, recebida e confirmada a citação por meio eletrônico no dia 09.09.2021, o início da contagem do prazo será no dia 17.09.2021 (dia subsequente ao quinto dia útil seguinte à confirmação do recebimento da citação – conforme o art. 4º, § 4º, da Lei nº 11.419/2006). Ainda acerca da citação, dispõe a lei que deverá ser efetivada “em até 45 (quarenta e cinco) dias a partir da propositura da ação” (art. 238, parágrafo único, do CPC). Trata-se de um prazo imposto ao juiz, impróprio, portanto, não havendo nenhuma consequência, como regra, caso não seja cumprido. Redação anterior do art. 238 do CPC Redação do art. 238 do CPC, após a Lei nº 14.195/2021 Art. 238. Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado para integrar a relação processual. Art. 238. Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado para integrar a relação processual. Parágrafo único. A citação será efetivada em até 45 (quarenta e cinco) dias a partir da propositura da ação. Além disso, a citação será feita preferencialmente por meio eletrônico, no prazo de até 2 (dois) dias úteis, contado da decisão que a determinar, por meio dos endereços eletrônicos indicados pelo citando no banco de dados do Poder Judiciário, conforme regulamento do Conselho Nacional de Justiça (art. 246 do CPC – grifos nossos). DIREITO PROCESSUAL CIVIL Caderno de novidades legislativas188 Antes da alteração, o CPC não dispunha como deveria ocorrer a citação por meio eletrônico. Com a mudança, o próprio CPC passou a dispor que a citação eletrônica ocorre por endereço eletrônico indicado pelo citando. Na sequência, assevera a lei que as “empresas públicas e privadas são obrigadas a manter cadastro nos sistemas de processo em autos eletrônicos, para efeito de recebimento de citações e intimações, as quais serão efetuadas preferencialmente por esse meio (art. 246, § 1º, do CPC). No que tange a essa obrigação em relação às micro e pequenas empresas, somente se sujeitam “quando não possuírem endereço eletrônico cadastrado no sistema integrado da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim) (art. 246, § 5º, do CPC). Em outras palavras, as microempresas e pequenas empresas somente são obrigadas a manter cadastro no sistema de processo em autos eletrônicos (para receberem citações e intimações), caso não possuam endereço eletrônico cadastrado na Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim). Caso não haja confirmação em até três dias úteis, contados do recebimento da citação eletrônica, a citação será realizada por outros meios, segundo o art. 246, § 1º-A, do CPC: Art. 246. (...) §1º-A A ausência de confirmação, em até 3 (três) dias úteis, contados do recebimento da citação eletrônica, implicará a realização da citação: I ‒ pelo correio; II ‒ por oficial de justiça; III ‒ pelo escrivão ou chefe de secretaria, se o citando comparecer em cartório; IV ‒ por edital. Na hipótese de o réu ser citado por uma dessas formas, dispõe a lei que ele deverá, na primeira oportunidade de falar nos autos, apresentar justa causa para a ausência de confirmação do recebimento da citação enviada eletronicamente (art. 246, § 1º-B, do CPC). Passa a ser considerado ato atentatório à dignidade da justiça, “passível de multa de até 5% (cinco por cento) do valor da causa, deixar de confirmar no prazo legal, sem justa causa, o recebimento da citação recebida por meio eletrônico” (art. 246, § 1º-C, do CPC – grifos nossos). DIREITO PROCESSUAL CIVIL Caderno de novidades legislativas189 Portanto, o citando tem o prazo legal de três dias úteis (conforme o art. 246, § 1º-A, do CPC) para confirmar a citação recebida por meio eletrônico; caso não haja confirmação, deve apresentar justificativa pela ausência de confirmação na primeira oportunidade de falar nos autos – sob pena de multa de até 5% do valor da causa por ato atentatório à dignidade da justiça. Redação anterior do art. 246 do CPC Redação do art. 246 do CPC, após a Lei nº 14.195/2021 Art. 246. A citação será feita: I ‒ pelo correio; II ‒ por oficial de justiça; III ‒ pelo escrivão ou chefe de secretaria, se o citando comparecer em cartório; IV ‒ por edital; V ‒ por meio eletrônico, conforme regulado em lei. (Grifos nossos.) § 1º Com exceção das microempresas e das empresas de pequeno porte, as empresas públicas e privadas são obrigadas a manter cadastro nos sistemas de processo em autos eletrônicos, para efeito de recebimento de citações e intimações, as quais serão efetuadas preferencialmente por esse meio. § 2º O disposto no § 1º aplica-se à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios e às entidades da administração indireta. Art. 246. A citação será feita preferencialmente por meio eletrônico, no prazo de até 2 (dois) dias úteis, contado da decisão que a determinar, por meio dos endereços eletrônicos indicados pelo citando no banco de dados do Poder Judiciário, conforme regulamento do Conselho Nacional de Justiça. (Grifos nossos.) § 1º As empresas públicas e privadas são obrigadas a manter cadastro nos sistemas de processo em autos eletrônicos, para efeito de recebimento de citações e intimações, as quais serão efetuadas preferencialmente por esse meio. § 1º-A A ausência de confirmação, em até 3 (três) dias úteis, contados do recebimento da citação eletrônica, implicará a realização da citação: I ‒ pelo correio; II ‒ por oficial de justiça; III ‒ pelo escrivão ou chefe de secretaria, se o citando comparecer em cartório; IV ‒ por edital. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Caderno de novidades legislativas190 § 3º Na ação de usucapião de imóvel, os confinantes serão citados pessoalmente, exceto quando tiver por objeto unidade autônoma de prédio em condomínio, caso em que tal citação é dispensada. § 1º-B Na primeira oportunidade de falar nos autos, o réu citado nas formas previstas nos incisos I, II, III e IV do § 1º-A deste artigo deverá apresentar justa causa para a ausência de confirmação do recebimento da citação enviada eletronicamente. § 1º-C Considera-se ato atentatório à dignidade da justiça, passível de multa de até 5% (cinco por cento) do valor da causa, deixar de confirmar no prazo legal, sem justa causa, o recebimento da citação recebida por meio eletrônico. § 2º O disposto no § 1º aplica-se à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios e às entidades da administração indireta. § 3º Na ação de usucapião de imóvel, os confinantes serão citados pessoalmente, exceto quando tiver por objeto unidade autônoma de prédio em condomínio, caso em que tal citação é dispensada. § 4º As citações por correio eletrônico serão acompanhadas das orientações para realização da confirmação de recebimento e de código identificador que permitirá a sua identificação na página eletrônica do órgão judicial citante. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Caderno de novidades legislativas191 § 5º As microempresas e as pequenas empresas somente se sujeitam ao disposto no § 1º deste artigo quando não possuírem endereço eletrônico cadastrado no sistema integrado da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim). § 6º Para os fins do § 5º deste artigo, deverá haver compartilhamento de cadastro com o órgão do Poder Judiciário, incluído o endereço eletrônico constante do sistema integrado da Redesim, nos termos da legislação aplicável ao sigilo fiscal e ao tratamento de dados pessoais. A lei também dispõe sobre mudanças no procedimento para exibição de documento ou coisa, conforme observa-se no seguinte quadro: Redação anterior do art. 397 do CPC Redação do art.397 do CPC, após a Lei nº 14.195/2021 O pedido formulado pela parte conterá: I ‒ a individuação, tão completa quanto possível, do documento ou da coisa; II ‒ a finalidade da prova, indicando os fatos que se relacionam com o documento ou com a coisa; III ‒ as circunstâncias em que se funda o requerente para afirmar que o documento ou a coisa existe e se acha em poder da parte contrária. O pedido formulado pela parte conterá: I ‒ a descrição, tão completa quanto possível, do documento ou da coisa, ou das categorias de documentos ou de coisas buscados; II ‒ a finalidade da prova, com indicação dos fatos que se relacionam com o documento ou com a coisa, ou com suas categorias; III ‒ as circunstâncias em que se funda o requerente para afirmar que o documento ou a coisa existe, ainda que a referência seja a categoria de documentos ou de coisas, e se acha em poder da parte contrária. (Grifos nossos.) DIREITO PROCESSUAL CIVIL Caderno de novidades legislativas192 A nova redação autoriza que a parte não se refira mais a um documento ou coisa, mas, sim, a uma categoria de documentos ou coisas. Amplia-se o que é possível requerer no procedimento para exibição de documento ou coisa, não sendo mais necessário especificar exatamente o que a parte quer. Por fim, a última mudança importante no CPC ocorreu no art. 921, que antes dispunha como hipótese de suspensão da execução quando o executado não tivesse bens penhoráveis. Além desta hipótese, com a Lei nº 14.195/2021, o dispositivo passa a contar com a previsão de que a suspensão também ocorre quando o executado não for localizado: Art. 921. Suspende-se a execução: III ‒ quando o executado não possuir bens penhoráveis; III ‒ quando não for localizado o executado ou bens penhoráveis; (...) (Grifos nossos.) Assim, com a mudança, passa a existir previsão legal no sentido de que a falta de localização do executado implica suspensão da execução, caso em que é possível ocorrer a prescrição intercorrente no processo executivo se o credor permanecer inerte. Sobre o tema, dispõe a lei que o “termo inicial da prescrição no curso do processo será a ciência da primeira tentativa infrutífera de localização do devedor ou de bens penhoráveis, e será suspensa, por uma única vez” pelo prazo máximo de um ano (art. 921, § 4º, do CPC ‒ grifos nossos). Portanto, caso não haja a localização do devedor ou de bens penhoráveis na execução, o juiz suspende a prescrição por um ano, o que somente pode ocorrer uma única vez (art. 921, § 4º, do CPC). Demais disposições da Lei nº 14.195/2021 acerca da prescrição intercorrente, constam dos seguintes dispositivos: Art. 921. (...) § 4º-A A efetiva citação, intimação do devedor ou constrição de bens penhoráveis interrompe o prazo de prescrição, que não corre pelo tempo necessário à citação e à intimação do devedor, bem como para as formalidades da constrição patrimonial, se necessária, desde que o credor cumpra os prazos previstos na lei processual ou fixados pelo juiz. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Caderno de novidades legislativas193 § 5º O juiz, depois de ouvidas as partes, no prazo de 15 (quinze) dias, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição no curso do processo e extingui-lo, sem ônus para as partes. § 6º A alegação de nulidade quanto ao procedimento previsto neste artigo somente será conhecida caso demonstrada a ocorrência de efetivo prejuízo, que será presumido apenas em caso de inexistência da intimação de que trata o § 4º deste artigo. § 7º Aplica-se o disposto neste artigo ao cumprimento de sentença de que trata o art. 523 deste Código. (Grifos nossos.) Essas foram as principais alterações promovidas pela Lei nº 14.195/2021 no CPC, sendo importante que o aluno não confunda as alterações promovidas nos dispositivos referentes à citação, com os dispositivos em relação à intimação em processos eletrônicos (como os previstos na Lei nº 11.419/2006 – que não sofreram alterações). Como exemplo, caso não haja consulta à intimação em até 10 dias corridos em processo eletrônico, automaticamente é considerada realizada a intimação na data do término desse prazo (art. 5º, § 3º, da Lei nº 11.419/2006). Assim, na intimação há presunção automática de seu recebimento, o que não ocorre na citação conforme visto – porque serão realizadas as outras modalidades de citação ‒ que não a citação na forma eletrônica (art. 246, § 1º-A, do CPC). 1.3. Questão inédita comentada Nos termos da Lei nº 14.195/2021, assinale a alternativa incorreta: A) São deveres das partes, de seus procuradores, e de todos aqueles que participem do processo, informar e manter atualizados seus dados cadastrais perante os órgãos do Poder Judiciário. B) Salvo disposição em sentido diverso, considera-se dia do começo do prazo o quinto dia útil seguinte à confirmação, na forma prevista na mensagem de citação, do recebimento da citação realizada por meio eletrônico. C) A citação será feita preferencialmente por meio eletrônico, no prazo de até 2 (dois) dias corridos, contado da decisão que a determinar, por meio dos endereços eletrônicos indicados pelo autor da ação. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Caderno de novidades legislativas194 D) A citação será efetivada em até 45 (quarenta e cinco) dias a partir da propositura da ação. E) Suspende-se a execução quando não for localizado o executado ou bens penhoráveis. Alternativa incorreta: letra C. Alternativa em desacordo com o art. 246 do CPC. Art. 246. A citação será feita preferencialmente por meio eletrônico, no prazo de até 2 (dois) dias úteis, contado da decisão que a determinar, por meio dos endereços eletrônicos indicados pelo citando no banco de dados do Poder Judiciário, conforme regulamento do Conselho Nacional de Justiça. (Grifos nossos.) Demais alternativas: Alternativa A. Errada. Alternativa em consonância com o art. 77 do CPC. Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de seus procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma participem do processo: (...) VII ‒ informar e manter atualizados seus dados cadastrais perante os órgãos do Poder Judiciário e, no caso do § 6º do art. 246 deste Código, da Administração Tributária, para recebimento de citações e intimações. Alternativa B. Errada. Alternativa em consonância com o art. 231 do CPC. Art. 231. Salvo disposição em sentido diverso, considera-se dia do começo do prazo: (...) IX ‒ o quinto dia útil seguinte à confirmação, na forma prevista na mensagem de citação, do recebimento da citação realizada por meio eletrônico. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021.) Alternativa D. Errada. Alternativa em consonância com o art. 238, parágrafo único, do CPC. Art. 238, parágrafo único. A citação será efetivada em até 45 (quarenta e cinco) dias a partir da propositura da ação. Alternativa E. Errada. Alternativa em consonância com o art. 921 do CPC. Art. 921. Suspende-se a execução: (...) III ‒ quando não for localizado o executado ou bens penhoráveis. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Caderno de novidades legislativas195 1. Lei nº 14.193/2021 – Institui a Sociedade Anônima do Futebol 1.1. Ficha normativa LEI Nº 14.193/2021 Ementa: Institui a Sociedade Anônima do Futebol e dispõe sobre normas de constituição, governança, controle e transparência, meios de financiamento da atividade futebolística, tratamento dos passivos das entidades de práticas desportivas e regime tributário específico; e altera as Leis nºs 9.615, de 24 de março de 1998, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil). Data de publicação: 09.08.2021 Início de vigência: 09.08.2021 Link do texto normativo: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/ Lei/L14193.htm> Destaques: • Institui um novo tipo societário, denominado Sociedade Anônima do Futebol (SAF), cujo objeto social consiste no fomento, no desenvolvimento e na exploração de atividades relacionadas à prática do futebol, obrigatoriamente, nasmodalidades feminina e masculina. A SAF é regulada subsidiariamente pela Lei nº 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas) e pela Lei nº 9.615/1998 (Lei Pelé). • A SAF pode ser constituída por três formas distintas: (i) pela transformação do clube ou da pessoa jurídica original neste tipo societário; (ii) pela cisão do departamento de futebol do clube ou da pessoa jurídica original; ou (iii) pela iniciativa de pessoa natural ou jurídica ou de fundo de investimento. • Se a SAF for constituída por meio de cisão de departamento de futebol, é obrigatória a emissão de Ações Classe A, que serão subscritas exclusivamente pelo clube ou pela pessoa jurídica original que a constituiu. Essas ações conferem ao clube ou à pessoa jurídica instituidora direitos especiais de voto e veto sobre determinadas deliberações, que não poderão ser consideradas aprovadas sem a anuência do detentor das referidas ações. • O acionista controlador da SAF não pode deter participação, direta ou indireta, em outra SAF. Ela deverá ter obrigatoriamente conselho de administração e conselho fiscal, e seus diretores deverão ter dedicação exclusiva à administração da companhia. DIREITO EMPRESARIAL Caderno de novidades legislativas196 • Em regra, a SAF não responderá pelas obrigações do clube ou da pessoa jurídica que a constituiu, excluídas aquelas que forem diretamente transferidas ao seu patrimônio, por meio de cisão, relacionadas ao seu objeto social. Todavia, uma parte das receitas da SAF ou dos dividendos a serem pagos ao clube ou à pessoa jurídica instituidora deverá ser regularmente repassada pela SAF a elas, com a finalidade de pagamento de obrigações anteriores à sua constituição, sob pena de responsabilização pessoal e solidária dos administradores da SAF. • O clube ou a pessoa jurídica instituidora poderá pagar suas dívidas por meio do Regime Centralizado de Execuções, ora instituído pela lei, ou poderá requerer Recuperação Judicial ou Extrajudicial na forma da Lei Federal nº 11.101/2005. • A SAF poderá emitir valores mobiliários e, em especial, uma espécie de debênture, denominada “debênture-fut”. Esta não poderá ter remuneração inferior ao rendimento da caderneta de poupança, deverá ter prazo igual ou superior a dois anos, e é vedada a sua recompra pela SAF ou por partes relacionadas. • A SAF deverá fomentar e promover medidas em favor da educação, por meio do futebol, e, do futebol, por meio da educação. Nesse sentido, a lei faz referência à obrigação da companhia de instituir um Programa de Desenvolvimento Educacional e Social a ser desenvolvido em convênio com instituição pública de ensino. 1.2. Comentário O regime jurídico ao qual estavam vinculados os clubes de futebol no Brasil, há um tempo, é alvo de relevantes controvérsias, em especial, atinentes ao seu financiamento e à possibilidade de manutenção adequada de suas atividades, uma vez que, em regra, eram constituídos sob a forma de associação civil, o que impossibilitava o aporte de capital de investidores que desejassem obter rendimentos com a atividade do clube. Essa limitação parecia impedir o fomento financeiro desses clubes, uma vez que, no ordenamento jurídico brasileiro, é vedado às associações distribuir dividendos ou outra forma de remuneração aos seus associados, por ter finalidades eminentemente “não econômicas” (Código Civil ‒ CC, art. 53). Portanto, não haveria interesse em alocar recurso em forma de “equity” nessas associações, uma vez que não era possível o retorno ao investidor do capital investido, ao contrário do que ocorre no regime jurídico das sociedades (CC, art. 981). Nessa seara, por diversos fatores, vários clubes nacionais, inclusive de grande renome, estão hoje em uma situação de insolvência perante o Fisco, instituições financeiras e outras pessoas naturais e jurídicas, com dívidas de alto valor e das mais diversas origens. Esse regime jurídico se contrapunha ao panorama de vários países estrangeiros, com forte atividade futebolística, nos quais as entidades de futebol já podiam, ou sempre puderam, ser constituídas sob a forma de sociedade empresária e similares. DIREITO EMPRESARIAL Caderno de novidades legislativas197 Assim, após variadas discussões, foi aprovado o projeto de lei que propôs a criação de um novo tipo societário, denominado “Sociedade Anônima do Futebol” (SAF), materializado pela Lei Federal nº 14.193/2021, que: Institui a Sociedade Anônima do Futebol e dispõe sobre normas de constituição, governança, controle e transparência, meios de financiamento da atividade futebolística, tratamento dos passivos das entidades de práticas desportivas e regime tributário específico; e altera as Leis nºs 9.615, de 24 de março de 1998, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil). Para melhor compreender o texto da lei, ela traz em seu art. 1º, § 1º a definição dos termos “clube”, “pessoa jurídica original” e “entidade de administração”. Vejamos: Art. 1º (...) § 1º Para os fins desta Lei, considera-se: I ‒ clube: associação civil, regida pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), dedicada ao fomento e à prática do futebol; II ‒ pessoa jurídica original: sociedade empresarial dedicada ao fomento e à prática do futebol; e III ‒ entidade de administração: confederação, federação ou liga, com previsão na Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, que administra, dirige, regulamenta ou organiza competição profissional de futebol. Quanto à constituição da SAF, seu objeto social é tipificado pela lei, de modo que poderá abarcar as seguintes atividades descritas em seu art. 1º, § 2º: Art. 1º (...) § 2º O objeto social da Sociedade Anônima do Futebol poderá compreender as seguintes atividades: I ‒ o fomento e o desenvolvimento de atividades relacionadas com a prática do futebol, obrigatoriamente nas suas modalidades feminino e masculino; II ‒ a formação de atleta profissional de futebol, nas modalidades feminino e masculino, e a obtenção de receitas decorrentes da transação dos seus direitos desportivos; III ‒ a exploração, sob qualquer forma, dos direitos de propriedade intelectual de sua titularidade ou dos quais seja cessionária, incluídos os cedidos pelo clube ou pessoa jurídica original que a constituiu; IV ‒ a exploração de direitos de propriedade intelectual de terceiros, relacionados ao futebol; DIREITO EMPRESARIAL Caderno de novidades legislativas198 V ‒ a exploração econômica de ativos, inclusive imobiliários, sobre os quais detenha direitos; VI ‒ quaisquer outras atividades conexas ao futebol e ao patrimônio da Sociedade Anônima do Futebol, incluída a organização de espetáculos esportivos, sociais ou culturais; VII ‒ a participação em outra sociedade, como sócio ou acionista, no território nacional, cujo objeto seja uma ou mais das atividades mencionadas nos incisos deste parágrafo, com exceção do inciso II. Ressalta-se, ainda, que, assim como ocorre no âmbito das sociedades anônimas, das sociedades limitadas, dentre outras, a denominação da SAF deverá conter a expressão “Sociedade Anônima do Futebol”, ou sua forma abreviada, “SAF” (Lei Federal nº 14.193/2021, art. 1º, § 3º). Ademais a Sociedade Anônima do Futebol se enquadra no conceito de entidade de prática desportiva, para efeitos da Lei Federal nº 9.615/1998 (Lei Pelé). O art. 2º da Lei Federal nº 14.193/2021 estipula como poderá ocorrer a constituição da Sociedade Anônima do Futebol. Nesse sentido, ela poderá se dar de três formas distintas: Art. 2º (...) I ‒ pela transformação do clube ou pessoa jurídica original em Sociedade Anônima do Futebol; II ‒ pela cisão do departamento de futebol do clube ou pessoa jurídica original e transferência do seu patrimônio relacionado à atividade futebol; III ‒ pela iniciativa de pessoa natural ou jurídica ou de fundo de investimento. Na hipótese I ocorrerá a transformação do tipo de pessoa jurídica de direito privado, ou societário, do clube (associação civil) ou da pessoa jurídica