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INSTRUMENTAÇÃO, BIOSSEGURANÇA E MEIOS DE 
CONTRASTE 
 
 
SUMÁRIO 
1. INTRODUÇÃO 4 
2. GERENCIAMENTO DE RISCO E DESCARTE DE PRODUTOS 7 
BIOLÓGICOS 7 
3. PRINCIPAIS AGENTES INFECCIOSOS, FORMA DE TRANSMISSÃO E 
PREVENÇÃO 9 
4. LIMPEZA 14 
5. ESTERILIZAÇÃO 15 
6. DESINFECÇÃO 16 
7. TIPOS DE RESÍDUOS 21 
8. MANEJO DOS RSS 22 
9. GESTÃO DE RESÍDUOS 25 
10. BIOSSEGURANÇA NO USOS DE RADIOISÓTOPOS 26 
11. FUNDAMENTOS FÍSICOS 28 
SERVIÇOS DE SAÚDE E IMAGEM COMO UNIDADES DEENSINO E PESQUISA E 
SEUS RISCOS 34 
12. EMISSÕES RADIOATIVAS 40 
13. MEIOS DE CONTRASTE 52 
14. MATERIAIS E MÉTODOS 55 
CONCLUSÃO 57 
REFERÊNCIAS 58 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em 
atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com 
isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível 
superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no 
desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de 
promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem 
patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras 
normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e 
eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. 
Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de 
cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do 
serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Trabalhar em um ambiente seguro e longe das variações acerca de acidentes, 
deve ser idealizada não apenas pelos gestores de empresas, mas compete a aqueles 
que atuam nestas instituições, potencializar a existência de adequada performance 
de atuação, respeitando as orientações administrativas e ambiente em que estes 
aplicam suas atividades laborais. Dessa forma, a importância da Segurança no 
Trabalho, faz-se continuamente necessária como um fator de prevenção de acidentes 
e conscientização por parte de todos os colaboradores pertencentes as empresas, 
independente do seu segmento. 
A importância da segurança no trabalho deve ser valorizada e potencializada 
diariamente pelas empresas e levada em consideração por meio do respeito por parte 
de seus colaboradores, haja visto a sua relevância. Cada vez mais, as empresas vêm 
adotando e implementando suas práticas (rotinas de trabalho), pautando-se no termo 
segurança no trabalho e ambiente seguro, primando pela diminuição dos índices de 
acidentes de trabalho (NAVARRO; CARDOSO, 2009). 
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), na visão de Machado 
e Gomez (1994) e Meleu e Massaro (2017), todo dia, em qualquer parte do mundo, 
cerca de 5 a 8 mil pessoas perdem suas vidas em decorrência de acidentes de 
trabalho durante sua atividade laboral. Baseado neste alto índice e com foco de 
garantir a segurança e prevenir a existência de doenças e acidentes durante a 
atividade de trabalho, as empresas devem contar com equipes de profissionais que 
estejam a frente quanto à interpretação do que permeia e orienta a legislação sobre 
segurança no ambiente de trabalho, suas vantagens, relacionado a questões de 
ordem social. Investir na segurança dos trabalhadores ou equipe, é uma forma ou 
estratégia que deve ser encarada como um investimento no material humano das 
empresas, contribuindo para o não distanciamento ou afastamento de seus 
colaboradores, não impedindo a produtividade e servindo como motivador aos 
respectivos profissionais, pois estes, certamente se sentirão, além de protegidos, 
incentivados a desenvolver a percepção de motivação (COSTA; COSTA, 2010). 
Quando a prevenção ao acidente se torna prioridade dentro do ambiente de 
trabalho, o ambiente fica mais leve, harmonioso, produtivo, engajado e as pessoas se 
sentem valorizadas, aumentando as estatísticas de participação do sucesso da 
empresa a qual fazem parte. Isso proporciona, também, melhora na relação do elo 
 
 
entre os empregados, empregadores e seus afazeres. Quando um colaborador 
percebe que há melhorias no ambiente de trabalho que atua, este, passa a sentir mais 
integrado a empresa, passa a confiar mais nos propósitos, objetivos e missão da 
empresa e, ainda, a ter mais carinho e respeito com relação aos seus líderes. Tais 
fatores possivelmente contribuíram para a aquisição de resultados mais favoráveis, 
distanciando a existência do insucesso. 
Antes de abordarmos especificamente as questões acerca da biossegurança, 
faz-se necessário enfatizarmos a existência de uma reflexão sobre a relevância da 
atual inovação. A capacidade de se inovar diariamente, diante das necessidades de 
mercado, independente do segmento que venhamos a atuar, assume o papel central 
na definição do sucesso ou insucesso das empresas e instituições. Inovar é gerar, 
produzir, transmitir uma mensagem, propiciar a facilitação para algo e explorar de 
modo sustentável e seguro, novas ideias e/ou ideologias e novos conceitos. A 
inovação é demandada em todas as áreas do conhecimento e segmentos e/ou ramos 
de atividade. 
Para garantir um ou vários diferenciais estratégicos, todas as empresas, 
independente do seu segmento, devem seguir as tendências de mercado e investir 
maciçamente em treinamentos, equipamentos e na segurança de seus colaboradores. 
A produção de novas tecnologias é mais rápida a cada dia e a avaliação de sua 
utilidade e segurança se torna mais complexa, onerosa e extensa no tempo. Para 
decidir sobre a utilidade e a segurança de novas tecnologias, as informações não 
podem mais serem tratadas individualmente, sendo necessário construir redes de 
informações multidisciplinares, abrangentes, redundantes, interligadas e, sobretudo, 
confiáveis do ponto de alta qualidade. Nascem assim, as redes de laboratórios, que 
precisam ter procedimentos padronizados e seguros, para que não haja riscos à 
saúde e ao ambiente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1 
 
 
Anos, bem como não há formação de recursos humanos sem o amparo de 
informações e atualizações, sendo estas fundamentais, atualmente, em que há uma 
profusão de saberes sobre praticamente tudo. As obras de referência, produzidas por 
autores e editores experientes, devem ter, como missão, ir além da informação. A 
construção do conhecimento, envolve a seleção e o descarte de informações. Por 
isso, deve ser conduzido por pessoas e instituições qualificadas e imparciais que 
tenham por objetivo único, contribuir para o desenvolvimento econômico, social e 
sustentável, perfeitamente aplicáveis na biossegurança. 
Com o aumento de complexidade, quanto aos procedimentos diversos em 
atividades técnicas, as quais exigem cuidados especiais e equipamentos compatíveis 
para a proteção dos colaboradores, a fim de evitar danos e aos que utilizam do serviço 
circunstantes (pacientes/clientes), bem como ao próprio ambiente em geral, a 
Biossegurança torna-se uma disciplina cada vez mais presente e necessária. Embora 
a palavra Biossegurança, seja usada pelo leigo quase como sendo um sinônimo de 
atividades a organismos geneticamente modificados, o termo é aplicável a todas as 
atividades humanas, laboratoriais ou industriais que envolvam riscos, mínimos ou 
aqueles de grande significância, na segurança alimentar, na manipulação de micro-
organismos, células em cultivo, substâncias químicas, substância tóxicas, explosivos, 
investigações clínicas por meio de laboratórios de imagens, dentre outros (BOSI, 
2015). 
O autor, supracitado, ainda descreve que o termo risco, é função da 
probabilidade de ocorrênciade efeito adverso e da severidade do respectivo efeito, 
este efeito pode ser compreendido como dano. Não há atividade alguma em que o 
 
 
risco seja zero. Por isso, a adoção de medidas preventivas que minimizem a incerteza 
e a educação em serviço, se fazem necessária a fim de identificar, medir, mitigar e 
minimizar os riscos e suas ocorrências. 
 
2. GERENCIAMENTO DE RISCO E DESCARTE DE PRODUTOS 
BIOLÓGICOS 
 
O gerenciamento de risco e o descarte de produtos contaminados com material 
biológico, envolve diretamente a aplicação da biossegurança, ou seja, a condição de 
segurança alcançada por um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, 
minimizar e/ou eliminar os riscos inerentes às atividades que possam vir a 
comprometer a saúde humana, animal, vegetal e do meio ambiente. 
A avaliação de risco, incorpora as ações que objetivam o reconhecimento e/ou 
a identificação dos agentes biológicos contaminados com micro-organismos, os quais 
por suas características de maior virulência ou concentração, podem apresentar risco 
de infecção a aqueles que a manipulam, no caso, a equipe de trabalhadores da área 
da saúde. 
Dessa forma, existe a necessidade de se fazer avaliação cuidadosa acercados 
agentes infecciosos que possam estar presentes, para classificá-los e manuseá-los 
de forma segura, utilizando e estando provido de Equipamentos de Proteção Individual 
(EPI) e/ou Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC). Para tanto, os locais de 
trabalho devem ser classificados de acordo com o nível de segurança, com os 
respectivos instrumentos e ambientes de trabalho apropriados em termos de 
segurança biológica. 
O descarte de material biológico, também deve ser de forma adequada, 
evitando-se contaminação do local (ambiente de trabalho em saúde) e do meio 
ambiente. As normas de segurança devem ser rigorosamente seguidas para propiciar 
melhor saúde a todos os que estão envolvidos. Todo serviço de saúde deve contar e 
estar munido com instrumentos como a Norma Regulamentadora n° 32, a qual traduz 
os riscos existentes através da orientação correta. Poderá ser obtida em manuais de 
biossegurança ou com a comissão de biossegurança interna (BRASIL, 2011). 
 
 
 
 
RISCOS BIOLÓGICOS 
 
Rambauske, Cardoso e Navarro (2014) e Machi Junior et al. (2014) descrevem 
que os riscos biológicos são decorrentes da exposição aos agentes do reino animal e 
vegetal e, ainda, proveniente de micro-organismo ou de seus subprodutos. Entre os 
agentes de risco biológico, é possível citar, como sendo os mais importantes: 
bactérias, fungos, vírus, protozoários, metazoários, dentre outros. Tais agentes e/ou 
micro-organismos podem estar presentes sob diversas formas, as quais oferecem 
risco biológico às pessoas que entram em contato com estes, tais como aerossóis, 
poeira, alimentos, instrumentos de laboratório, água, cultura celulares, amostras 
biológicas (sangue, urina, escarro, secreções), equipamentos médicos, dentre outros. 
Os autores supracitados mencionam que os respectivos agentes ou micro-organismos 
infecciosos podem ser divididos em grupos de risco, tais como: 
• Grupo de risco 1 (nenhum ou baixo risco individual e coletivo): microrganismo com 
muito baixa probabilidade de causar doenças no homem ou em animais. 
• Grupo de risco 2 (risco individual moderado ou risco coletivo baixo): agente 
patogênico que pode causar doença no homem ou em animais, mas que é improvável 
que constituam perigo grave às equipes que atuam nos ambientes de investigação 
clínica (laboratorial e de imagens), aos animais ou ao ambiente. 
A exposição aos agentes infecciosos nesses ambientes, podem causar ou gerar 
infecção grave, entretanto, existe tratamento eficaz para tal, além da necessidade de 
aplicação de medidas de prevenção contínua, e o risco de propagação infecção 
tornar-se-á limitado. 
• Grupo de risco 3 (alto risco individual baixo risco coletivo): agente patogênico que, 
geralmente, causa doença grave no homem ou no animal, mas que não se propaga 
habitualmente de uma pessoa para a outra. Existe tratamento eficaz, podendo ser 
aplicadas medidas de prevenção. 
• Grupo de risco 4 (alto risco individual e coletivo): agente patogênico que, geralmente, 
causa uma doença grave no homem ou no animal e que pode ser transmitido 
facilmente de uma pessoa para outra, direta ou indiretamente. 
Nem sempre está disponível tratamento eficaz ou medidas de prevenção. 
 
 
 
 
 
TRANSMISSÃO DE AGENTES INFECCIOSOS ATRAVÉSDO AMBIENTE 
 
Infecções associadas ao ambiente de investigação clínica, segundo o 
entendimento de Oliveira e Maruyama (2008), podem ser ocasionadas e transmitidas 
de forma direta ou indiretamente à equipe que lá atua, por meio de fontes ambientais, 
por exemplo, o ar, os materiais contaminados, os instrumentais(pinças), 
equipamentos de uso compartilhado e os aerossóis formados durante o 
processamento de amostras biológicas em laboratórios de análises clínicas. 
Segundo os autores supracitados, felizmente, as infecções associadas ao 
ambiente de investigação podem ser consideradas raras, porque há uma série de 
requisitos necessários para impedir que essa transmissão ocorra. Esse evento é 
denominado cadeia de infecção, em geral, determinado por: presença de patógeno 
de virulência suficiente, dose infectante elevada do patógeno. É um mecanismo de 
transmissão do patógeno a partir do ambiente para o hospedeiro, ou seja, a existência 
de uma porta de entrada correta para um hospedeiro suscetível. 
Para que a transmissão de uma fonte ambiental seja bem-sucedida, Arantes et 
al. (2015), apontam dizendo que todos os requisitos da cadeia de infecção devem 
estar presentes. A ausência de qualquer elemento impede a transmissão. Além disso, 
os agentes patogênicos, em questão, devem superar estresses ambientais para 
manter sua viabilidade, virulência e capacidade de iniciar infecção no hospedeiro. 
 
 
3. PRINCIPAIS AGENTES INFECCIOSOS, FORMA DE TRANSMISSÃO E 
PREVENÇÃO 
 
Os principais agentes que podem causar ou ocasionar infecção aos 
trabalhadores de laboratório de ensino e pesquisa, assim como indústrias que 
manipulam organismos vivos para a produção de medicamentos ou insumos, são 
apresentados a seguir, de forma sucinta. Os agentes patogênicos, muitas vezes, 
estão em níveis elevados no ambiente de saúde, porém, o processo de limpeza 
convencional, muitas vezes, já é suficiente para evitar que ocorra a transmissão 
mediada pelo ambiente, bem como a aplicação de hábitos como a higienização das 
mãos que são benéficos. No entanto, é prática geral em serviços investigativos de 
 
 
saúde usar métodos de esterilização para a remoção da transmissão em potencial de 
agentes infecciosos dos seus utensílios, como instrumentais (ARANTES et al., 2015). 
 
Risco de infecção por agentes bacterianos 
O manuseio de agentes infecciosos nos setores de saúde sempre haverá 
algum fator de risco para os que lá atuam, principalmente os que trabalham com a 
assistência direta. É importante observar as precauções referente a cada agente e o 
risco, atrelado a cada momento em que a assistência em saúde venha ser requisitada, 
para que esta seja executada dentro das normas de segurança requeridas. Segundo 
Arantes et al. (2015), é possível classificar as fontes de 
Infecção em dois tipos: 
1. manuseio de um agente conhecido, para o qual se sabem as medidas de 
precaução; 
2. manuseio de agentes desconhecidos, particularmente, quando estes são 
manipulados em laboratórios de pesquisa. Os chamados agentes novos inesperados, 
cujas medidas de proteção adequada não estão bem estabelecidas pelo pouco 
conhecimento acerca dele. 
Mesmo sabendo da existência dessas fontes de infecção, se faz necessário 
estabelecer as precauções a serem tomadas, independente da classificação de risco. 
Em setores de assistência em saúde, segundo o pensamento de Boretti et al. 
(2014), a equipe deve estar muito bem entrosada acercadas suas competências e do 
seu papel, para evitar a propagação de germes no ambiente em que há a presença 
de pacientes que possam estar colonizados. O ser humano está susceptível à 
aquisição de alguns germes, os quais podem potencializar alguns agravos à saúde 
destes, colocando em risco a vida do homem, tais como: Staphylococcus spp., 
Streptococcusspp, Enterobacteriaceae e Vibrionaceae – membros dos gêneros 
Campylobacter (Bactérias entéricas que causam diarreia), Mycobacterium 
tuberculosis. Staphylococcus spp. 
Os estafilococos são bactérias piogênicas altamente adaptáveis que se 
apresentam em várias espécies, principalmente o Staphylococcus aureus, 
considerado como o mais patogênico, com via de entrada por meio da pele lesada ou 
mucosa, sobretudo por profissionais que atuam em laboratórios e profissionais da 
área de assistência à saúde. Os estafilococos podem causar a chamada síndrome do 
choque tóxico, na qual envolve bacteremia, septicemia e pneumonia em um terço das 
 
 
vítimas. O estafilococo piogênico está presente na pele normal às margens de tecidos 
lesados. O S. saprophyticus, ao contrário, encontra-se mais relacionada a infecções 
do trato urinário. O S. aureus pode causar lesões bastante graves no homem como a 
osteomielite e a endocardite, em casos de bacteremias. 
Além disso, produz toxinas e enzimas, incluindo as coagulases associadas a 
sua patogenia (BORETTI et al., 2014). 
Segundo os autores supracitados, os estafilococos podem sobreviver às 
condições ambientais de forma resistente, podendo alojar-se em alimentos, o que se 
justifica a utilização de proteção das mãos daqueles que trabalham na manipulação 
de alimentos. As bactérias podem ser carregadas por contato manual, secreções de 
pessoas contaminadas ou portadores nasais. A Enterotoxina Estafilocócica (SE), é 
um grupo de toxinas intimamente relacionada à proteína extracelular, produzidas por 
conjuntos distintos de genes encontrados em uma ampla variedade de linhagens de 
S. aureus. As toxinas SE ativas, podem estar presentes em amostras clínicas, fluidos 
de lesão, secreções respiratórias ou tecidos de animais de experimentação 
infectados. 
A intoxicação por SE poderá ocorrer com resultado da auto exposição 
acidental, tanto das mucosas como pelo contato das mãos contaminadas no rosto e 
nos olhos. Dessa forma, as mãos devem ser lavadas com frequência e com cuidado 
e, ainda, o ambiente de trabalho deve passar por rigorosa limpeza(descontaminação) 
das superfícies onde os pacientes entraram em contato. 
Dependendo da avaliação de risco da operação, o uso de máscaras 
descartáveis pode ser uma medida interessante e necessária para evitar ingestão 
acidenta l (BORETTI et al., 2014). 
 
Streptococcus spp. 
Estreptococos segundo Rossi et al. (2012), são um grupo de bactérias que 
podem ser facilmente carregadas pelas mãos e pela boca e, ainda, transmitidas por 
aerossóis e por alimentos contaminados. Os Streptococcus pneumonias e produzem 
infecções localizadas e/ou sistêmicas, principalmente em crianças, caracterizadas por 
resposta inflamatória aguda. Os pneumococos são responsáveis por cerca de1,5 
milhão de casos de pneumonia por ano nos Estados Unidos, sobretudo entre os que 
estão acima dos 40 e abaixo de 5 anos de idade. 
 
 
O ser humano é reservatório do S. pneumonia e. A colonização ocorre na 
nasofaringe de indivíduos que o carregam como portadores sadios, não apresentando 
sinais clássicos de infecção. Os micro-organismos se disseminam de pessoa para 
pessoa, sendo os pacientes com anemia falciforme, tumores linfáticos, alcoolista, 
esplenectomizados (removeram o baço) ou infectados pelo vírus da imunodeficiência 
humana (HIV), aqueles que ficam mais suscetíveis a infecções mais graves (FIOLO 
et al., 2012; ROSSI et al., 2012) 
 
Bactérias entéricas que causam diarreia 
Diarreia é uma das doenças mais comuns em crianças de países 
subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, como o Brasil. A presença da diarreia no 
humano ocorre quando há existência de falha na absorção ou há excesso de secreção 
dos fluidos gastrointestinais. Cerca de 5 milhões de crianças morrem a cada ano por 
infecção intestinal e desidratação associadas a má nutrição. 
As bactérias entéricas, ou presentes em amostras de fezes, podem contaminar 
facilmente quando manipuladas de forma inadequada. As principais bactérias que 
causam diarreia são as da família Enterobacteriaceae e Vibrionaceae e membros dos 
gêneros Campylobacter, bem como a Escherichia coli, Salmonella spp., 
Clostridiumperfringens tipo C; de origem viral como Rotavírus e Coronavírus, dentre 
outros (PRAXEDES et al., 2013). 
Praxedes et al. (2013) fortalecem dizendo que, independentemente do agente 
causador da diarreia, a sintomatologia clínica é semelhante para a maioria dos casos, 
com alteração do aspecto das fezes, desidratação, apatia, anorexia, queda de peso, 
desidratação e, muitas vezes, podendo levar ao óbito. 
 
Mycobacterium tuberculosis 
Mycobacterium tuberculosis é transmitida de forma mais comum de pessoa a 
pessoa por aerossóis ou, mais casualmente, por ingestão e via percutânea. É uma 
bactéria intracelular que se multiplica nos macrófagos. A tuberculose em si pode ser 
primária ou secundária. A primária é mais limitada, sendo a secundária, recrudescente 
de uma tuberculose primária. Profissionais que atuam nos mais variados serviços da 
área da saúde como ambulatórios, hospitais, clínicas, farmácias, consultórios e outros, 
estão intimamente expostos a contaminação por M. tuberculosis, se não tomarem os 
 
 
devidos cuidados e não se protegerem com todos os EPIs recomendados e, desde 
que estejam íntegros (ROGERIO et al., 2015). 
 
Risco de infecção por vírus 
As infecções por vírus mais frequentes estão relacionadas à contaminação com 
vírus transmitidos pela via respiratória (aérea). O trabalho em locais com alta 
densidades de vírus, podem ser uma fonte importante de contaminação 
(FERRONATO; GILIO; VIEIRA, 2013). Na área de saúde, é possível a contaminação 
por acidente com agulhas e material perfuro cortante com os vírus da hepatite B (HBV) 
e C (HCV) e, ainda, em alguns casos, contaminação pelo Vírus da Imunodeficiência 
Humana (HIV), embora a contaminação por acidentes, na maioria dos casos, seja 
pouco frequente, sobretudo, com o advento da utilização de materiais totalmente 
descartáveis e tubos de coletas e seringas de polipropileno plástico de alta resistência 
(SOARES; ARMINDO; ROCHA, 2014; NUNES et al.,2017). Historicamente, a hepatite 
viral tem sido relatada como uma das infecções mais comuns adquiridas entre 
profissionais que atuam na área da saúde. Entre as hepatites virais, cinco são as mais 
comumente adquiridas, a saber: hepatite A, B, C, D e E. 
As hepatites do tipo B, C e D são transmitidas, mais comumente, por 
contaminação via material biológico, principalmente aqueles que entraram em contato 
com sangue contaminado. Já, as hepatites do tipo A e E, são aquelas adquiridas por 
via oral. A maior precaução deve ser tomada com relação às hepatites B, C e E, pois, 
levam ao acometimento (doença) crônico, muitas vezes à cirrose e até mesmo ao 
câncer de fígado. Os cuidados básicos ao trabalhar com portadores dos respectivos 
vírus, com amostras de sangue ou com procedimentos que envolvam material perfuro 
cortante, fezes e urina de pacientes com suspeita de hepatite e outras doenças 
altamente perigosas, os profissionais devem ter em mente a importância da utilização 
de EPIs como avental com manga comprida e elástico no punho, luvas resistentes e 
em duplicata, máscara, gorro, óculos de proteção. Tomar cuidado ao manusear 
materiais perfurocortantes e descarta-los em recipientes adequados e jamais 
reencapar agulhas, bisturis e outros materiais perfurocortantes. Orientações e 
instruções como estas devem ser reforçadas pela comissão que compõem a equipe 
da Biossegurança do serviço (NUNES et al., 2017).LIMPEZA, ESTERILIZAÇÃO, DESINFECÇÃO E DESCONTAMINAÇÃO 
 
Para a implementação de um programa de biossegurança, é importante 
compreender os princípios de descontaminação, limpeza, esterilização e desinfecção. 
Um local de trabalho adequadamente limpo e organizado reduz os riscos biológicos 
aos manipuladores. A utilização correta dos produtos de limpeza para cada finalidade, 
também é um bom início para evitar os riscos biológicos. A seguir, são descritas as 
definições de limpeza, esterilização, desinfecção, assepsia, desinfecção e 
higienização, para que possamos estar familiarizados com os respectivos termos. 
 
 
4. LIMPEZA 
 
O processo de limpeza é um passo crucial para tornar os instrumentos inócuos 
e descontaminados. A limpeza manual enérgica com água corrente e sabão líquido 
ou detergente (neutro), auxilia na eliminação do material biológico tais como, sangue, 
secreções orgânicas e resíduos teciduais. Os instrumentos devem ser limpos o quanto 
antes depois do uso para se evitara impregnação consistente (formação de crostas). 
Quando se deixa material biológico, este pode atuar como um meio propício para 
proliferação de micro-organismos residuais, protegendo-os dos efeitos da desinfecção 
e da esterilização total (FROTA et al., 2017). 
A limpeza manual, quando aplicada de forma minuciosa junto aos instrumentos, 
com água e detergente (sabão neutro) para eliminar todo o material orgânico, depois 
de descontaminação na solução de cloro a 0,5% durante 10 minutos ou deve ser 
aplicado posteriormente solução alcóolica 70% por meio de flanelas ou compressas, 
contribuindo na eliminação dos germes existentes nas superfícies e/ou bancadas, 
bem como em equipamentos administrativos, como computadores, os quais são 
altamente manipulados. Com relação aos instrumentais, estes devem receber pré-
lavagem e, posteriormente, devem ser encaminhados a Central de Materiais 
Esterilizados para receberem processamento auto clavado, visando a eliminação total 
dos germes existentes nestes instrumentos. Deve-se usar uma escova para esfregar 
os instrumentos e remover a matéria orgânica, devendo ser limpos o quanto antes e 
depois do uso, uma vez que estes criam um meio propício para a proliferação de 
 
 
micro-organismos. Para lavar os instrumentos, devem ser utilizados EPI adequados 
para autoproteção, como luvas, óculos de proteção, avental e outros. Os instrumentos 
devem ser enxutos para eliminação dos resíduos detergentes (SANTOS JUNIOR et 
al., 2018). 
 
5. ESTERILIZAÇÃO 
 
O termo esterilização é definido como o processo de destruição de todos os 
micro-organismos existentes em um instrumento, mediante a exposição a agentes 
físicos ou químicos. O processo elimina todas as formas de vida microbiana, inclusive 
os esporos bacterianos. Na prática, considera-se que a esterilidade foi obtida se a 
probabilidade de 1 em 1 milhão. O processo de esterilização é fundamental para 
reutilização e inócua dos instrumentos usados na atenção clínica. Quando não existe 
equipamento de esterilização disponível ou o instrumento não pode ser esterilizado, 
usa-se a esterilização química (desinfecção de alto nível) (OURIQUES; MACHADO, 
2013). 
Qualquer item, dispositivo ou solução é considerado estéril quando estiver 
completamente livre de todos os micro-organismos, incluindo os vírus. 
A definição é categórica e absoluta, ou seja, um item é estéril ou não é. O 
procedimento de esterilização é aquele que elimina todos os micro-organismos, 
incluindo um elevado número de endósporos bacterianos (processo que visa garantir 
a sobrevivência da bactéria por períodos de estresse ambiental “falha no processo de 
limpeza e esterilização”) (OURIQUES; MACHADO, 2013). 
A esterilização pode ser realizada por calor, gás óxido de etileno, gás, água 
oxigenada, plasma, ozônio e radiação (na indústria ou em produtos químicos). 
Em contraste, o procedimento é definido como um processo que é aplicado em 
instrumentos os quais possuem a probabilidade da existência de algum micro-
organismo, a fim de evitar que estes germes sobrevivam em algum artigo. Isso é 
conhecido como nível de garantia de “esterilidade”. Outro meio de esterilização é a 
esterilização química, a qual poderá ser feita pela imersão de dispositivos, que não 
toleram altas temperaturas, em soluções contendo glutaraldeído a 2-4%, por 8 a 10 
horas ou em formaldeído a 8%, por um período de 24 horas, podendo ser uma opção, 
a esterilização a vapor. Ela requer manuseio especial com luvas e, assim, os 
 
 
instrumentos esterilizados devem ser enxaguados com água estéril antes do uso, já 
que esses produtos químicos deixam resíduos nos instrumentos (GIL; CAMELO; 
LAUS, 2013). 
 
6. DESINFECÇÃO 
 
Com relação ao termo desinfecção, este é geralmente um processo menos letal 
do que a esterilização. Este processo elimina quase todos os micro-organismos 
patogênicos reconhecidos, mas não necessariamente todas as formas microbianas, 
por exemplo: os esporos de bactérias ou fungos em objetos inanimados. Referente ao 
significado de objetos inanimados, estes são os que podem carregar algum agente ou 
micro-organismo infeccioso que é capaz de possibilitar a colonização e infecção aos 
pacientes. Essas fontes podem ser consideradas como um potencial importante de 
riscos microbiológicos para os profissionais da saúde. São exemplos desses meios: 
bancadas, aparelhos telefônicos, teclados de computadores, glicosímetros, aparelho 
de eletrocardiograma, estetoscópios, aparelhos depressão arterial, termômetros, 
prontuários físicos (pranchetas), dentre outros. A desinfecção não garante o exagero 
e, portanto, não tem a margem de segurança obtida por meio de processos de 
esterilização (FERREIRA et al., 2015). 
Os autores supracitados reforçam dizendo que o processo de desinfecção, é 
um procedimento que reduz o nível de contaminação microbiana, mas há amplo leque 
de atividades que se estendem desde a esterilidade em um extremo a uma redução 
mínima do número de agentes contaminantes microbianos. Desinfetantes não 
esporicidas podem diferir em sua capacidade de realizar desinfecção ou 
descontaminação. 
Alguns germicidas podem matar rapidamente apenas as formas vegetativas de 
uma bactéria comum, como estafilococos e estreptococos, algumas formas de fungos 
e lipídios que possam conter vírus, enquanto outros, são eficazes contra os micro-
organismos relativamente resistentes, como Mycobacterium tuberculosisvar. bovis, 
vírus não lipídico e a maioria dos fungos. Quanto ao processo de desinfecção, este 
pode ser subdividido em: desinfecção de nível alto; desinfecção de nível intermediário; 
e desinfecção de nível baixo 
 
 
 
Desinfecção de nível alto 
Conforme descrevem Ferreira et al. (2015), este procedimento mata micro-
organismos vegetativos e inativa vírus, mas não necessariamente um elevado número 
de esporos bacterianos. Tais desinfetantes são capazes de esterilizar, quando o 
tempo de contato é relativamente longo, por exemplo, por um período de 6 a 10 horas. 
Como desinfetantes de alto nível, eles são usados por períodos relativamente curtos, 
entre 10 a 30 minutos. Trata-se de germicidas químicos esporicidas potentes. São 
formulados para o uso (aplicados) em dispositivos médicos, mas não são superfícies 
ambientais como bancadas ou pisos de laboratórios. 
 
Desinfecção de nível intermediário 
Referente à desinfecção de nível intermediário, este procedimento visa eliminar 
micro-organismos vegetativos, incluindo M. tuberculosis e fungos e, ainda, inativa a 
maioria dos vírus. Germicidas químicos utilizados neste processo, muitas vezes, são 
aprovados pela Environmental Protection Agency (EPA) para uso como desinfetantes 
hospitalares, que são também tuberculocidas. Comumente, são usados para 
desinfecção de bancadas de laboratório e como parte da composição de germicidas 
e detergentes utilizados para fins de limpeza. 
 
Desinfecção de nível baixoPerante a desinfecção de nível baixo, este refere-se a procedimentos os quais 
visam eliminar, preferencialmente, os germes (bactérias) vegetativas, exceto M. 
tuberculosis, inativando alguns fungos e vírus. A EPA, aprova germicidas químicos, 
utilizados nesse processo, nos Estados Unidos, como desinfetantes hospitalares e 
higienizadores. 
A falta de implementação efetiva, adequada estrutura física, falta de recursos 
materiais, sem apoio dos supervisores engajados e de um programa de segurança no 
ambiente de trabalho, pode propiciar um ambiente desconfortável e desfavorável para 
a atuação profissional, desencadeando o surgimento de uma atmosfera propicia a 
contaminação, deixar vulnerável a proteção da equipe, corroborando para a 
potencialização de riscos à saúde de todos os trabalhadores que lá atuam. A falta de 
gestão em segurança de trabalho, de instalações adequadas e treinamento do 
pessoal, gera um ambiente de alto risco, colocando em perigo outros canais que não 
têm relação direta com o trabalho desenvolvido. A redução da exposição aos riscos, 
 
 
depende do planejamento e da organização das atividades aplicadas por lá, 
conhecimento de agentes e situações de riscos que podem ou não estar evidentes, 
medidas de controle e proteção, práticas e procedimentos seguros, e capacitação 
continuada de toda a equipe “do administrativo ao operacional”. Esta deve ser uma 
preocupação constante dos responsáveis. 
 
ENFERMAGEM NO PROCESSO DE ESTERILIZAÇÃODE MATERIAIS 
O Centro de Materiais e Esterilização (CME) possui uma história que vem 
acompanhando os procedimentos cirúrgicos, a fim de zelar por melhores condições 
de cirurgia e procedimentos invasivos nos cuidados pós-cirúrgicos. 
Esse setor atua visando à prevenção de infecções, mesmo que indiretamente, 
articulando ciência, segurança e qualidade, por meio da equipe de enfermagem. 
O paciente internado dificilmente não necessitará de um procedimento invasivo. 
A maioria dos micro-organismos que penetra na ferida operatória é transmitida nos 
setores críticos, como o Centro Cirúrgico (CC), proveniente de um reservatório ou 
fonte presente no campo operatório. Dessa forma, quase toda infecção é adquirida 
durante o período do transoperatório onde, consequentemente, existe maior 
exposição do paciente. 
Percebe-se a importância do CME no controle das infecções hospitalares, 
tendo em vista que a infecção de sítio cirúrgico é uma das principais complicações 
causadas em pacientes que necessitam de procedimentos cirúrgicos, representando 
um desafio para os hospitais no controle e na prevenção. Assim, o instrumental a ser 
utilizado no paciente deve ser processado adequadamente, a fim de que esse material 
não se torne uma fonte de contaminação e transmissão de micro-organismos. 
Para que se possam processar adequadamente os artigos – de forma a garantir 
a segurança do paciente – é necessário implementar programas de educação 
permanente em saúde que alcancem todos os profissionais que atuam nessa área, 
buscando mudanças no processo de trabalho por meio da sensibilização, 
engajamento, compartilhamento e aplicação do conhecimento científico na prática 
profissional, como fator fundamental para o reconhecimento e a valorização dos 
profissionais e no combate à infecção, pois a saúde tem sido influenciada pelos 
avanços tecnológicos e indicadores da qualidade dos processos, sendo que os 
trabalhadores precisam acompanhar essas mudanças e se tornarem mais 
capacitados, subsidiados por valores políticos, culturais e éticos. 
 
 
A educação permanente em saúde é uma proposta essencial para mudança 
nos processos de trabalho e suas relações no setor, oferecendo melhorias na 
assistência de enfermagem, buscando o desenvolvimento e o aperfeiçoamento dos 
profissionais. Este projeto amplia os espaços de aprendizagem para o próprio setor 
de trabalho. O trabalho do enfermeiro do CME é bastante complexo, pois acumula 
características técnico assistenciais, como a gestão de pessoas e da área física, 
atividades privativas ao setor, manuseio de novas tecnologias, além da capacidade 
de visualizar as necessidades de outras áreas que dependem do seu trabalho. 
A comunicação e a colaboração da equipe são indispensáveis para o 
desenvolvimento de práticas seguras de trabalho. Neste sentido, os profissionais 
devem assumir papéis complementares, compartilhando saberes e responsabilidades 
na resolução de problemas e tomada de decisão. 
O desenvolvimento de ações de educação permanente em saúde visa diminuir 
possíveis falhas ocorridas nos processos de trabalho, pois a capacitação técnica em 
uma área específica facilita a inserção dos trabalhadores e desenvolve a prática 
profissional no ambiente de trabalho, contribuindo para a reflexão sobrea importância 
de seu trabalho. Compreende-se que a educação permanente é uma estratégia para 
que os indivíduos reflitam sobre suas ações e as possibilidades de exercer o cuidado 
sem fragmentá-lo em tarefas. Através da educação permanente em saúde é possível 
maior capacitação construída dentro do mundo do trabalho, mediado por valores 
políticos, culturais e éticos. 
Através da educação permanente em saúde é possível maior capacitação 
construída dentro do mundo do trabalho, mediado por valores políticos, culturais e 
éticos. A educação permanente torna-se parte do processo de cuidado do sujeito-
cuidador. Assim, é necessário existir adesão das instituições de saúde para essa 
proposta, bem como o envolvimento pessoal e profissional de cada sujeito. 
Nesse sentido, refletirá na qualidade de vida desse profissional e despertará os 
potenciais de cada sujeito, resultando em produtividade com qualidade e satisfação 
do trabalho desenvolvido. 
O CME é um setor com diversas peculiaridades, sendo difícil manter a equipe 
em sincronia, e uma forma de prevenir essa situação é o desenvolvimento de 
programas contínuos de treinamento e aperfeiçoamento dos trabalhadores. 
Diante disso, evidencia-se que as atividades envolvidas no trabalho em CME, 
podem ser simples, contudo, é essencial para a prestação da assistência de 
 
 
qualidade, e requer a união de vários conhecimentos, tais como: microbiologia, 
fisiologia e química. Para que o material esteja adequadamente preparado precisa-se 
pensar como aquele cuidado será́ realizado. 
O trabalho da enfermagem em CME tem por objetivo o cuidado indireto, ao 
processar, armazenar e distribuir artigos a quem presta o cuidado direto aos 
pacientes. Para que isso ocorra, precisa- se de instrumentos de trabalho, tais como: 
equipamentos, materiais, técnicas, normas, capacidade de comunicação, 
gerenciamento e conhecimentos científicos, visando disponibilizar artigos seguros. O 
enfermeiro, como responsável pelo setor e pela sua equipe, deve realizar ações de 
educação permanente em saúde, a fim de minimizar possíveis falhas no processo de 
limpeza, preparo, desinfecção, esterilização e acondicionamento dos artigos, pois 
influenciam em riscos de infecção hospitalar aos pacientes. 
A participação qualificada do enfermeiro no CME é fundamental para fomentar 
a produção de conhecimento na área, a fim de promover a transformação e 
crescimento profissional, sendo necessário ter base teórica, pedagógica e de 
relacionamento interpessoal. Entretanto, a produção científica em CME nos últimos 
anos é escassa, ao passo que os avanços tecnológicos e científicos aumentam a 
qualidade e complexidade de informações a todo o momento. Diante do exposto, é 
importante refletir que para o enfermeiro alcançar a valorização profissional, 
transformar seu espaço de trabalho em um ambiente agradável, onde toda a equipe 
possa sentir-se segura, deve ter seu olhar voltado para valorização do cuidado, 
humanização e estar fundamentado em pesquisas científicas e ações efetivas de 
educação permanente em saúde. 
O CME tem papel fundamental no combate às infecçõeshospitalares. Para 
tanto, é necessária a operacionalização adequada desse setor para que se garanta a 
qualidade da assistência indireta prestada ao paciente. Assim, esse estudo permitiu a 
análise do processo de trabalho dos profissionais de enfermagem atuantes no CC e 
CME, quanto à esterilização de material cirúrgico e à valorização profissional. 
Considerando o processo de esterilização do material cirúrgico é possível 
perceber que alguns profissionais mostram ter algumas informações sobre as etapas 
envolvidas no processo, pois não souberam detalha-las. Nota-se que emergem 
dúvidas e inseguranças durante o processo, assim como a certeza de que o ambiente 
não é adequado para o desenvolvimento do trabalho, comprometendo seriamente a 
eficácia da esterilização. 
 
 
A importância do enfermeiro na qualificação do trabalho de esterilização de 
materiais e na identificação das necessidades de sua equipe, quanto as suas dúvidas 
sobre o processo de trabalho no CME, garantem a eficácia dos processos, além de 
contribuir para a prevenção de infecções hospitalares. 
 
7. TIPOS DE RESÍDUOS 
 
 Segundo Brasil (2005), o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), 
através da Resolução n° 358 de 29 de abril de 2005, recomenda-se a autoclavação 
ou incineração para tratamento de produtos infecciosos antes do descarte, uma vez 
que podem gerar e/ou ocasionar dano ao homem e ao meio ambiente. 
 
GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS DE SERVIÇOS DESAÚDE 
Conforme a Resolução da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária/ Anvisa – RDC n° 306, de 7 de dezembro de 2004, os resíduos do 
Grupo A, podem conter agentes biológicos que, por suas características e 
especificidades, possivelmente apresentam risco de infecção. O gerenciamento de 
resíduos de serviços de saúde (RSS) constitui-se em um conjunto de procedimentos 
de gestão, planejados e implantados com base em dados científicos e técnicos, 
normativos e legais, com o objetivo de minimizar a produção de resíduos e 
proporcionar aos resíduos gerados, um encaminhamento seguro, de forma eficiente, 
visando à proteção dos trabalhadores e à preservação da saúde pública, dos recursos 
naturais e do meio ambiente (BRASIL, 2004b). 
Sanches et al. (2018) descrevem que o gerenciamento de resíduos, 
provenientes dos ambientes de saúde, devem abranger todas as etapas de 
planejamento dos recursos físicos e materiais, e da capacitação dos recursos 
humanos envolvidos no manejo dos RSS. Todo gerador deve elaborar um plano de 
gerenciamento de resíduos de serviços de saúde (PGRSS), baseado nas suas 
características e na classificação dos resíduos gerados, estabelecendo as diretrizes 
de manejo dos RSS. O PGRSS a ser elaborado, deve ser compatível com as normas 
locais relativas à coleta, ao transporte e à disposição final dos RSS, de acordo coma 
legislação vigente. 
 
 
8. MANEJO DOS RSS 
 
Sanches et al. (2018) apontam que o manejo do RSS é entendido como a ação 
de gerenciar os resíduos em seus aspectos intra e extra estabelecimento, desde a 
geração até a disposição final, devendo ser incluso as seguintes etapas: 
Segregação, Acondicionamento e Identificação. Os respectivos termos 
encontram-se descritos a seguir, para que possamos melhor compreendê-los. 
• Segregação: consiste na separação dos resíduos no momento e no local de sua 
geração, de acordo com as características físicas, químicas, biológicas, seu estado 
físico e os riscos envolvidos. 
• Acondicionamento: consiste no ato de embalar os resíduos segregados em sacos 
ou recipientes que evitem vazamentos e resistam às ações de punctura (punção, 
perfurante. Abertura cortante com profundidade, entretanto, com diâmetro mínimo) e 
ruptura. A capacidade de acondicionamento dos recipientes deve ser compatível com 
a geração diária de cada tipo de resíduo. 
 Os resíduos sólidos devem ser acondicionados em saco, constituído de 
material resistente à ruptura e vazamento, impermeável, baseado na NBR 9.919/2000 
da ABNT, respeitados os limites de peso de cada saco(embalagem), sendo proibido 
seu esvaziamento e/ou seu reaproveitamento. 
Os sacos (embalagens), devem estar contidos em recipientes de material 
lavável, resistente a punctura, ruptura e vazamento, com tampa provida de sistema 
de abertura sem contato manual, com os cantos arredondados, e ser resistente ao 
tombamento. 
 Os recipientes de acondicionamento existentes nas salas de cirurgia e nas 
salas de parto, não necessitam de tampa para vedação, conforme sinalizado na 
legislação de 13/11/2009. 
 Os resíduos, quando líquidos, devem ser acondicionados em recipientes 
constituídos de material compatível com o líquido armazenado, resistentes, rígidos e 
estanques, com tampa rosqueada e vedante; 
• Identificação: consiste no conjunto de medidas que permite o reconhecimento dos 
resíduos contidos nos sacos e recipientes, fornecendo informações para o correto 
manejo dos RSS. 
 A identificação deve estar visível nos sacos de acondicionamento, nos 
recipientes de coleta interna e externa, nos recipientes de transporte interno e externo 
 
 
e nos locais de armazenamento, em local de fácil visualização, de forma indelével, 
utilizando-se símbolos, cores e frases, atendendo aos parâmetros referenciados na 
norma NBR 7.500 da ABNT, além de outras exigências relacionadas à identificação 
de conteúdo e ao risco específico de cada grupo de resíduos. 
 A identificação dos sacos de armazenamento e dos recipientes de transporte 
poderá ser feita por adesivos, desde que seja garantida sua resistência aos processos 
normais de manuseio dos sacos (embalagens) e dos recipientes. 
O grupo A é identificado pelo símbolo de substância infectante constante na 
NBR 7.500 da ABNT, com rótulos de fundo branco, desenho e contornos pretos. 
 
Figura 2: Símbolos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Embalagem Substância Infectante: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3 
 
 
Quanto à segregação dos resíduos biológicos, potencialmente infecciosos, 
devem ser considerados a partir dos seguintes critérios, a saber: 
• Qualquer material que contenha ou esteja contaminado com patógenos humanos. 
• Qualquer material que contenha ou esteja contaminado com agentes patogênicos 
de origem animal. 
• Qualquer material que contenha ou esteja contaminado com patógenos de plantas. 
• Qualquer material que contenha ou esteja contaminado com DNA recombinante ou 
organismos recombinantes. 
 
 
Para tanto, resíduos laboratoriais e clínicos contendo produtos derivados do 
sangue e de tecido, culturas de células e outro material potencialmente infeccioso 
humano ou de primatas, incluindo todas as culturas contendo resíduos infecciosos de 
laboratório potencialmente infecciosos, deverão ser inativados. Um método 
recomendado é a esterilização a vapor via autoclave. Apesar da incineração ser usada 
para peças anatômicas e animais infectados ou inativação química como o tratamento 
do lixo doméstico. O armazenamento de resíduo infectante não inativados, deverá 
estar restrito apenas a laboratórios geradores. Resíduos infecciosos ou patogênicos, 
devem ser apenas armazenados em recipientes fechados ou cobertos como 
bioresíduos e não podem ser armazenados por um período maior do que 24h. 
Recipientes contendo resíduo biológico e caixas cheias, ou parcialmente cheias, não 
devem ser mantidas por mais de 30 dias (MENDES et al., 2015). 
9. GESTÃO DE RESÍDUOS 
 
Com relação ao termo resíduo, este pode ser caracterizado por resíduos 
sólidos e resíduos biológicos. A gestão dos resíduos sólidos urbanos nas cidades 
brasileiras elaboradas pelo homem, vem se tornando um desafio do ponto de vista 
ambiental em largas proporções, uma vez que é perceptível a presença de exaustão 
quanto à vida útil dos aterros sanitários utilizados, geração de poluição e 
contaminação do ar, crescente presença de catadores autônomos em lixões, os quais 
ficamexpostos e vulneráveis a acidentes, a multiplicação de vetores como ratos, cães 
e gatos, tornando-se proliferadores de doenças, a escassez quanto à disponibilidade 
de áreas para a utilização e/ou criação de aterros alternativos, bem como a falta de 
consciência para o não desperdício, dentre outros. Os exemplos citados 
anteriormente, são alguns dos indicativos palpáveis que sinalizam a necessidade de 
revisão quanto ao modo do agir e da forma como devemos direcionar os resíduos 
produzidos nos lares (domicílios) ou mesmo, aqueles produzidos pelas indústrias 
(RIBEIRO et al., 2014). 
Quanto ao atendimento de resíduos biológicos, autores como Ribeiro et al. 
(2014) descrevem que tais produtos podem ser considerados como sendo uma 
importante fonte de contaminação, capazes de gerar e desencadear doenças, 
comprometendo a integridade do meio ambiente e a saúde pública. Dessa forma, são 
necessários a instituição de procedimentos especiais para o seu controle, tratamento 
 
 
e eliminação. Geralmente, os resíduos biológicos são oriundos de hospitais, clínicas 
de atendimento em saúde, laboratórios, dentre outros estabelecimentos. 
O gerenciamento dos resíduos biológicos requer um conjunto de 
procedimentos que devem ser cuidadosamente planejados e implementados. 
Dessa forma, é possível prevenir a propagação de doenças, minimizar os 
impactos ambientais e permanecer em conformidade aos regulamentos e as leis 
aplicáveis. 
 
10. BIOSSEGURANÇA NO USOS DE RADIOISÓTOPOS 
 
Usos, aplicações e efeitos das radiações, têm sido muito estudados desde fim 
do Século XIX, com a descoberta da radioatividade. Assim, o Século XX presenciou 
desde os horrores da bomba atômica até a multiplicação da utilização de 
radioisótopos, tanto em diagnósticos in vitro como nos Ensaios de Ligação 
Competitiva e/ou chamados de Imunoensaios (são baseados nos princípios 
deque antígenos específicos estimularão reações imunológicas muito específicas e 
de que proteínas serão produzidas pela reação e ação imunológica), in vitro em 
medicina nuclear e em tratamentos (especialmente na área de cancerologia). 
Em consequência disso, os efeitos biológicos das radiações foram 
identificados, e medidas de proteção radiológica foram adotadas nas várias situações 
no uso de radioisótopos. Uma postura profissional que envolvam conhecimento das 
normas e as razões pelas quais foram estabelecidas, é fundamental para que 
possamos usufruir dos benefícios desse uso e reduzir, ao máximo, seu risco 
(SILVEIRA; GUILAM; OLIVEIRA, 2013). 
A medicina nuclear é uma especialidade médica que abrange e emprega 
materiais radioativos, tendo como finalidade a realização de diagnósticos e fins 
terapêuticos. A quantidade de materiais radioativos empregados (radio fármacos), são 
consideradas mínimas e seu uso é bastante seguro desde que respeitados alguns 
preceitos que regulam tais serviços. No caso da medicina nuclear diagnóstica, os 
radiofármacos são introduzidos no corpo do paciente/cliente por ingestão (oral), 
inalação (inspiração) ou injeção (administração parenteral). Estes radiofármacos 
(emissores de raios gama ou pósitrons), produzem raios gama com energias 
suficientes para atravessar o corpo do paciente/cliente e chegara um conjunto de 
 
 
detectores externos ao paciente, por exemplo, a câmara gama ou câmera de 
cintilação (Figura 9). O radiofármaco é processado por algum órgão ou tecido 
específico e, portanto, fornece informação sobre a função do órgão e não 
especificamente sobre sua anatomia. Além disso, os radiofármacos possuem meias-
vidas física e biológica curtas, de forma a serem rapidamente eliminados do corpo do 
paciente (SAPIENZA; MARONE; CHIATTONE, 2001). 
 
Cintilômetro: 
 
Figura 4 
 
 
Da mesma forma Pozzo et al. (2014, p. 142), ainda descrevem acerca da 
medicina nuclear no Brasil, ofertada através do Sistema Único de Saúde (SUS): 
Esta é uma especialidade médica que tem como característica principal o uso 
de emissores de radiação ionizante, na forma não selada. Estes devem ser ligados a 
moléculas de interesse biológico, compondo substâncias chamadas de 
radiofármacos, que são administradas aos pacientes para diagnóstico ou terapia. Se 
o radionuclídeo usado for emissor de radiação eletromagnética (gama) ou de 
 
 
pósitrons, é possível mapear a distribuição do material dentro do corpo do paciente 
usando um detector externo chamado de câmara de cintilação (gama câmara) ou um 
tomógrafo por emissão de pósitrons (PET). Se o radionuclídeo usado for emissor de 
partículas, como o 131I, que é emissor de partículas beta, é possível realizar terapias 
específicas para muitos tipos de tumores. Em alguns casos também é possível 
detectar a radiação de freamento dessas partículas para compor uma imagem 
adquirida com câmara de cintilação para seguimento da terapia, por exemplo. 
Para que a especialidade seja aplicada é necessária uma equipe multi e 
interdisciplinar composta por médicos, tecnólogos ou biomédicos, físicos-médicos, 
radiofarmacêuticos e equipe de enfermagem treinada para o trabalho com fontes de 
radiação não seladas. 
 
11. FUNDAMENTOS FÍSICOS 
 
Para desenvolver os aspectos de biossegurança relacionados ao uso de 
radioisótopos, devemos considerar o átomo com dimensão de 10-8 cm, construído de 
um núcleo positivo (de 10-13 cm) e uma camada eletrônica. O núcleo do átomo é 
formado de prótons e nêutrons, sendo uma espécie nuclear identificada pelo seu 
número atômico (Z) ou, número de prótons pelo número de nêutrons N e sua massa 
pela soma de nêutrons e prótons ou, o número de massa (A). A princípio, existem 
cerca de 104 elementos químicos conhecidos, 300 isótopos estáveis e, 
aproximadamente, mil isótopos radiativos. Assim, a maioria dos elementos 
encontrados na natureza possuem mais de um isótopo. Os isótopos de um elemento 
têm as mesmas propriedades químicas, pois possuem o mesmo número de elétrons 
na coroa eletrônica. Contudo, têm propriedades físicas e nucleares diferentes 
(BRAND; FONTANA; SANTOS, 2011). 
As forças que mantêm prótons e nêutrons ligados são de natureza diferente 
das gravitacionais e eletromagnéticas. Muito intensas e independentes da carga 
elétrica (são capazes de unir partículas da mesma carga, como os prótons), essas 
forças atuam apenas dentro do núcleo. Nesse sentido, a radioatividade é considerada 
como sendo um fenômeno nuclear, originado da desintegração espontânea de 
núcleos atômicos. A probabilidade por unidade de tempo de que um nuclídio (é uma 
espécie atômica caracterizada pelo número de protões, neutrões e estado energético 
 
 
do núcleo) se desintegre (emita partículas), depende somente do nuclídio e é 
independente de tempo. 
Esta probabilidade é representada pela constante de decaimento (λ) (BRAND; 
FONTANA; SANTOS, 2011). 
No organismo humano ou animal, a probabilidade total de decaimento de um 
radioisótopo é a soma das probabilidades de decaimento biológico (pelo metabolismo) 
e físico (por desintegração radioativa) (NEVES; COSTA; DREXLER, 2010). 
 
EMISSÕES RADIOATIVAS 
As emissões dos núcleos radioativos podem ser de três tipos: partícula α, 
partícula β e radiação gama. A partícula α, constituída por 2 prótons e 2 nêutrons, tem 
carga 2+ e massa igual ao núcleo do átomo de hélio, é representada como 42 αou 42 
He. A partícula beta é um elétron criado no núcleo, no momento da emissão. Pode ter 
carga negativa (0-1 β) ou positiva (0+1 β). Quando o pósitron é emitido e encontra um 
elétron do meio, ocorre a reação de aniquilação. Há transformação de massa em 
energia e o aparecimento de duas radiações gama de mesma direção e sentidos 
opostos e de energia igual a 0,51 Mev, resultante da transformação da massa do 
elétron em repouso, na equação E = mc2. Normalmente, uma emissão de radiação 
gama. A radiação gama é de natureza eletromagnética e comprimento de onda, 
geralmente menor do que os raios X. Sua emissão acompanha as daspartículas alfa 
e beta (XAVIER et al., 2007). 
 
INTERAÇÃO DA RADIAÇÃO COM A MATÉRIA 
As radiações emitidas por um elemento radioativo em determinado meio, 
interagem tanto com as camadas eletrônicas quanto aos núcleos dos átomos que 
compõem esse meio, em um processo probabilístico que depende do tipo de partícula, 
de sua energia e das características do meio. Dessa interação, resulta a chamada 
absorção de radiação, ou seja, o resultado da transferência de energia da radiação 
para o meio. Esse mecanismo serve de base de proteção radiológica (XAVIER et al., 
2007). 
Os mesmos autores supracitados mencionam que a partícula alfa pode produzir 
ionizações (retirada de elétrons da camada eletrônica) e excitação (levar o elétron a 
uma camada mais energética). Define-se como alcance da partícula alfa, o espaço 
percorrido pela partícula até que pare, ou seja, que perca toda sua energia. 
 
 
 
MOLÉCULAS MARCADAS E RADIOFÁRMACOS 
Molécula marcada é aquela em que um ou mais átomos radioativos, de maneira 
que podem ser distinguidas das demais, não marcadas. Radiofármaco é a molécula 
marcada, utilizada in vivo, para diagnósticos e tratamentos em medicina nuclear, 
sendo, portanto, sujeita aos controles necessários a um fármaco. Em geral, o símbolo 
de isótopo é colocado entre chaves antes do nome químico e, quando necessário, é 
indicada sua posição na molécula. Exemplo: [2 – 14C] timidina. A atividade radioativa 
de um composto marcado ou de um radiofármaco é expressa em unidades de 
atividade (Bq) por unidade de massa (g), denominada atividade específica, ou por 
unidade de volume (L), denominada concentração radioativa (OLIVEIRA et al., 2006). 
O tipo de molécula e seu uso, definem o radionuclídeo utilizado para sua 
marcação. É levada em conta a diferença de massa que ocorre na molécula ao se 
introduzir um átomo radioativo nela. O tipo e a energia de emissão são também 
importantes. Quando se pensa na utilização de um radioisótopo para uso in vitro, 
procura-se um com T1/2 longa e que não tenha energia muito alta para não levar a 
exposições desnecessárias. Exemplos de isótopos com essas características são o 
14C (beta menos, T1/2 5700 a) e 3H (beta menos, T1/2 12 a). 
Para o mapeamento de um órgão, procuram-se elementos T1/2 curta e 
emissores de radiação gama com energia suficiente para que sejam detectados fora 
do organismo (OLIVEIRA et al., 2006). 
 
 
PROTEÇÃO RADIOLÓGICA E DOSIMETRIA 
O termo proteção radiológico, refere-se à proteção contra radiações, a higiene, 
a segurança e o controle no manuseio de materiais radioativos. Visa não somente a 
proteção adequada às pessoas que trabalham com radiação como também à 
população em geral que, de alguma forma, pode estar exposta. Sua finalidade é 
proteger contra os perigos potenciais dessa exposição e possibilitar o usufruto de seus 
benefícios. 
Até a descoberta dos raios X e da radioatividade, a exposição do ser humano 
à radiação ionizante limitou-se, quase que exclusivamente, às fontes naturais e à 
radiação cósmica, que constituem a chamada radiação natural de fundo, em nível 
considerado muito baixo 2. 
 
 
Os primeiros profissionais que se preocuparam com as normas de proteção 
radiológica foram os radiologistas. A primeira unidade de dose de radiação foi 
denominada Roentgen (R) e definida como a quantidade de raios X que pode provocar 
certa ionização num volume bem definido de ar nas condições normais de temperatura 
e pressão (CNTP). 
Paralelamente, veio a recomendação de que a exposição de um profissional se 
mantivesse em um nível de 1R/d (MOURA; BACCHIM NETO, 2015). Moura e Bacchim 
Neto (2015) apontam que a evolução dos estudos dos efeitos biológicos de radiação 
(EBR), mostrou que os níveis máximos de 1 R/deram muito altos e que existiam outros 
fatores que alteravam a relação dose x efeito: tipo de radiação, volume irradiado e 
outros. A unidade Roentgen (R), sendo definida apenas para o ar, não servia de 
parâmetro para inferir os efeitos biológicos advindos de determinada dose de 
exposição. 
Em 1953, foi introduzida a unidade rad (radiation absorbed dose) equivalente à 
absorção de 100 erg de energia por grama de material irradiado, medindo, portanto, 
a dose absorvida pelo tecido e abrangendo todos os tipos de radiações. 
As unidades Roentgen e rad consideram, respectivamente, a energia absorvida 
no ar e no tecido, mas não dão a dimensão dos danos biológicos produzidos. Embora 
hoje já existam estudos que descrevem acerca de procedimentos realizados por 
mecanismos robóticos em cirurgia endovascular, por exemplo, o que sinaliza a 
presença de uma importante evolução. Entretanto, tal método ainda necessita ser 
mais bem explorado (desenvolvido), bem como carece de ajustes acerca do seu 
custo, o que provavelmente será muito mais elevado, logo, no futuro. Sem contar que 
levará anos para que seja implantado como rotina em todos os ambientes que 
promovem ações de cuidado assistencial. Da mesma forma, cabe destacar que 
poucos artigos em nosso meio científico, são publicados discutindo sobre os riscos da 
radiação provocados pelos equipamentos radiológicos, tanto os de angiografia 
Como os da angiotomografia (LEYTON et al., 2014; MOURA; BACCHIM 
NETO,2015). Os mesmos autores, ainda indagam o seguinte questionamento: Até 
que ponto devemos nos preocupar com isso? 
Foi necessária a introdução da unidade rem (Roentgen equivalent in man) que, 
além de considerar a dose absorvida, leva em conta fatores como o tipo e a energia 
da radiação e sua distribuição em diferentes tecidos, para que os possíveis danos 
biológicos possam ser inferidos. O conceito de fator de qualidade “Q” foi introduzido 
 
 
e, assim, o rem é igual à dose em rad multiplicada pelo Q. Para a radiação 
eletromagnética esse fator é igual a 1 e, para a partícula alfa, é igual a10. Se tivermos 
a mesma dose em rad de um emissor alfa e de um emissor gama, teremos doses, em 
rem, 10 vezes maiores no caso de exposição à partícula alfa (LIMA; AFONSO; 
PIMENTEL, 2009). 
Segundo Brasil (2019), há três parâmetros fundamentais quando se pensa em 
proteção radiológica (CNEN NE- 3.01), a saber: 
• distância da fonte radioativa ao operador; 
• tempo de exposição do operador à radiação; 
• blindagem interposta entre a fonte e o operador. 
Da mesma forma, Brasil (2014c) descreve que a proteção radiológica abrange 
um campo muito vasto que inclui desde, por exemplo, o estudo do local adequado de 
construir uma usina nuclear até a disposição final de resíduos radioativos, devendo 
existir adequada distribuição dos espaços que prestam cuidados em saúde, por meio 
da instituição de exames e intervenções radiológicas (CNEN NE 6.02). 
Trabalhos que envolvam níveis altos de atividade radioativa (da ordem de 10 4 
Bq), como a produção de radiofármacos para uso em Medicina Nuclear ou a marcação 
de moléculas para radioimunoensaios, devem ser desenvolvidos em cabines de 
segurança especialmente destinadas para esse fim, com as seguintes características 
conforme orienta Brasil (2019): 
• Blindagem – adequada para o radioisótopo que está sendo manuseado. Deve 
manter a exposição do operador abaixo de 1 mSv/semana. 
• Exaustão – a cabine deve ter compressão menor do que a do ambiente do 
laboratório. O ar exaurido, deve passar por filtros adequados e ser monitorado antes 
de ser liberado no meio ambiente. 
• Manuseio – com ferramentas adequadas que permitam o trabalho a distância e não 
prejudiquem a sua precisão. 
• Resíduos – precisam ser retirados sem que entrem em contato com o meio ambiente. 
E, dependendo do seu resultado, cuidados ou exames médicos posteriores. 
 
AÇÕES DE BIOSSEGURANÇA NO CONTEXTO DE GESTÃO DE 
QUALIDADE 
Biossegurança é a ciência voltada para o controle e minimização de riscos 
advindos da prática de diferentes tecnologias, tanto em laboratório quanto aplicadas 
 
 
ao meio ambiente. O fundamento básico da biossegurança éassegurar o avanço dos 
processos tecnológicos e proteger a saúde humana, animal e o meio ambiente. 
É possível e desejável, por estar explícita ou implicitamente incertas, considerar 
ações de biossegurança no contexto da gestão de qualidade, cuja finalidade é garantir 
que atividades, produtos e serviços gerados em uma organização tenham a 
adequação esperada. Com isso, o resultado, certamente, será o do desempenho da 
biossegurança com maior competência e melhor qualidade. Há na literatura, 
abordagens que envolvem a biossegurança em relação à qualidade, dando motivação 
para que o assunto seja mais objetiva e amplamente discutido. 
Para que metas e objetivos da biossegurança possam estar elencados 
internamente em uma empresa e seus objetivos serem apropriadamente atingidos, 
considera-se ideal e necessário que exista um programa de qualidade adequado e 
que seja implantado, baseado em princípios e valores previamente definidos pela 
empresa. Em situações em que a implantação formal não esteja cogitada, princípios 
que regem programas de qualidade devem, ao menos, ser aproveitados como base e 
benefício para o cumprimento de metas e objetivos da biossegurança pelo menos, 
para que a equipe não fique ou esteja exposta. Vários programas de qualidade 
existentes, possuem graus diferentes de complexidade durante a sua implantação e 
manutenção. A implantação desses programas, qualquer que seja o ramo de atividade 
ou segmento de organização das empresas devem possuir como base algumas 
vertentes, tais como a educação, o treinamento, a motivação e o engajamento 
deliberado de todas as pessoas envolvidas (líderes e liderados), em todos os níveis 
hierárquicos, a começar pelo mais alto mandatário (PINTO; CARVALHO; HO, 2006). 
Cabe destacar que a matéria-prima mais importante é a humana, dessa forma, 
as lideranças devem sempre manter seus colaboradores participativos e ativos nas 
decisões da empresa ou pelo menos, devem ser ouvidos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5 
 
Existe, atualmente, por boa parte dos serviços de prestadores de assistência, 
grande preocupação acerca de como ofertar serviços com qualidade e segurança. Tal 
metodologia, prima pela garantia, monitorização e melhoria da qualidade dos serviços 
prestados, os quais devem ser um dos grandes objetivos de cada instituição de saúde 
(radiológica) face às atuais diversidades. A maioria dos compradores de serviços, 
sejam aqueles diretos (clientes pagantes) ou indiretos, ao buscarem por respostas 
frente aos seus problemas de saúde e na radiologia, em particular, esperam receber 
o que há de melhor, seja um resultado laboratorial eficaz, pontual e fidedigno, e ainda, 
aguardam receber por parte destes serviços, o que há de melhor quanto ao 
atendimento humano e níveis de qualidade em todos os locais. 
 
SERVIÇOS DE SAÚDE E IMAGEM COMO UNIDADES DEENSINO E 
PESQUISA E SEUS RISCOS 
 
As unidades de ensino de nível técnico, faculdades ou universidades, sempre 
mantêm seus códigos de conduta e de ética como uma de suas bases principais. A 
ética tem como base, entre vários princípios, o não prejuízo ao próximo. Considerando 
o local de trabalho, isso se traduz em garantir a segurança e a saúde aos 
trabalhadores. Segundo a Organização Internacional do Trabalho(OIT) e a 
Organização Mundial da Saúde (OMS), são entendidas como lesões e doenças em 
ambiente de trabalho, aquelas que são formalmente registradas. 
 
 
Considerando o número de pessoas que trabalham de maneira informal, deve 
haver bem mais ocorrências de que se tem conhecimento por meio das estatísticas 
mundiais (MONTENEGRO et al., 2016). 
Enquanto promovedores da assistência, seja da área preventiva e da curativa, 
devemos evidenciar e/ou instigar a existência de alguns objetivos consolidados dentro 
de todas as instituições, ou seja, primar a elaboração de planos de ações globais, aos 
quais devem estar norteadas em objetivos básicos, porém, essenciais, são eles: 
1. elaborar e implementar instrumentos de políticas e normas para a saúde dos 
trabalhadores; 
2. proteger e promover a saúde no ambiente de trabalho; 
3. promover o desempenho e o acesso aos serviços de saúde ocupacionais; 
4. fornecer e divulgar evidências, objetivando a ação e a prática; 
5. incorporar a saúde dos trabalhadores em outras políticas; 
6. despertar o sentimento de proteção e motivação entre os membros da equipe; 
7. potencializar a existência de um ambiente propício e/ou adequado para promover 
adequada assistência; 
8. propiciar assistência segura e otimizadora; 
9. aplicar assistência humanizada em todos os aspectos durante o assistir. 
Para cumprir tais objetivos, Costa e Costa (2010) discorrem que as instituições 
devem contar com atividades, como as que se encontram descritas, contando com 
ações intermediadas pela Comissão Interna de Prevenção de 
Acidentes (CIPA) e das Comissões de Biossegurança (CB). Essas duas 
comissões possuem como papel principal e fundamental, atuar na guarda da conduta 
ética relacionada à definição da política e de efetiva prática para a melhoria da saúde 
no ambiente de trabalho, viabilizando e potencializando a proteção de todos os seus 
colaboradores. 
Relacionado ao investimento em treinamentos, formações e em equipamentos, 
por parte de muitas empresas que seguem os preceitos de biossegurança de forma 
adequada, é perceptível que estas têm alcançado resultados bem-sucedidos, 
apresentando maiores taxas de manutenção dos funcionários e menores 
distanciamentos das suas jornadas laborais, o que permite a produtividade. Há que 
se considerar que os custos investidos maciçamente na prevenção, são menores 
quando comparados aos custos em decorrência de acidentes. Visto que, relacionado 
a acidentes, estes não se tornam negativos apenas pelo distanciamento do 
 
 
colaborador, mas nos efeitos psicológicos que estes também podem acarretar a estes 
sujeitos. Ribeiro, Pires e Scherer (2016) descrevem que essas consequências, 
relacionadas à presença de acidentes no ambiente de trabalho, tornam-se onerosas 
por gerarem as chamadas violações legais, refletindo na falta de investimentos na 
saúde do trabalhador. 
Com o advento da nova era da comunicação, possibilitando que nos 
comuniquemos de Norte a Sul em tempo real, a biossegurança deve ser adaptada às 
necessidades de prevenção perante os novos riscos em termos práticos, ou seja, o 
meio digital pode ser usado como uma ferramenta integradora e multiplicadora de 
saberes diante das novidades relacionadas a proteção dos integrantes de uma 
empresa. Em consequência, a exposição a riscos ergométricos e o impacto de fatores 
psicológicos têm aumentado, como a angústia pelo trabalho não terminado, pela 
menor demanda de tempo para finalizar determinada atividade e o uso de horário de 
trabalho irregular para o cumprimento de tarefas, o que torna o controle complexo, 
propicia a elevação de índices de acidentes, gerando a desmotivação de 
colaboradores, desertando a presença do estresse e o surgimento de doenças 
mentais como a depressão, dificultando o gerenciamento. 
No campo da exposição há produtos e materiais biológicos, também é 
perceptível a mudança no perfil de agentes infecciosos, os quais, cada vez mais, 
tornam-se resistentes ao tratamento medicamentoso que, até então, não era 
complexo, exigindo de tratamentos coadjuvantes para eliminar determinado germe e 
viabilizar a recuperação daqueles que se encontravam enfermos ou colonizados, 
exigindo, assim, a necessidade de reclassificação de risco, instigando, nos dias atuais, 
que estes sejam realizados de forma dinâmica e proporcional à evolução das diversas 
espécies com relação a presença de risco. 
Portanto, o ensino e a pesquisa possuem, como responsabilidade, estar à 
frente dessas demandas e, sem dúvida, colaborar com o estabelecimento de novas 
diretrizes da biossegurança. Por essa razão, os profissionais dessas áreas ou aqueles 
queatuam junto a arte do cuidar, são sempre as equipes que exercem funções 
fronteiriças, seja como professor, seja como cientista ou técnico, dentre outros 
profissionais e agentes de apoio, os quais necessitam ter criatividade, flexibilidade, 
mente aberta e alto poder de improvisação, visão para aplicar o cuidado e a 
sensibilidade. Na prática, estes atores criam, estabelecem metas, gerenciam, 
executam, concluem e, finalmente, modificam através das suas experiências as 
 
 
condutas para melhores condições de saúde da equipe que levam adiante, também, 
a evolução na qualificação profissional. Têm, em suas atividades, a verdadeira arte 
de induzir novos raciocínios e propor despertares, estabelecer mudanças em 
paradigmas e abrir a mente para algo novo e melhor para a saúde da humanidade. 
Considerando um profissional que cuida, independente do seu segmento, é 
bem mais fácil deduzir que a organização deve ser muito bem estabelecida, planejada 
e descrita de forma clara, com detalhes. Os materiais a serem utilizados por estes, 
devem ser muito bem identificados e ter organização cronológica bem estabelecida. 
Assim, o termo biossegurança deve ser adotado como a ciência voltada para o 
controle e a minimização de riscos advindos da prática de diferentes tecnologias, seja 
em laboratórios de análises clínicas, unidades de saúde, seja em biotérios, no meio 
ambiente, ou ainda, em laboratórios de investigação por imagens (MONTENEGRO et 
al., 2016). 
O fundamento básico da biossegurança é assegurar o avanço dos processos 
tecnológicos e proteger a saúde humana, animal e o meio ambiente (Ministério do 
Meio Ambiente). Em função desta atividade dinâmica, alguns fatores importantes 
ocasionam certa preocupação, tais como: pouco investimento em pesquisadores na 
educação e formação continuada, poucas pesquisas e publicações em 
biossegurança, assim como a ausência de discussões acerca do referido tema em 
fóruns nas universidades, como a contaminação ambiental e o estresse do trabalho 
na sociedade contemporânea. Cabe aos gestores das empresas, a execução de 
adequado planejamento, por meio da concepção de projetos preventivos até o 
estabelecimento de todas as etapas (prevenção, notificação, avaliação e suporte), 
propondo a educação continuada e preocupando-se com a saúde como um único 
universo. 
Acredita-se que a integração do setor administrativo com as áreas específicas, 
possam trazer benefícios a todos os envolvidos, pois o alvo de todo o trabalho 
preventivo está dirigido tanto para a segurança de núcleos menores quanto maiores, 
como laboratórios, departamentos, unidades, universidades, municípios, estados e 
federações. Com relação a infraestrutura física, quando bem planejada e construída, 
condiciona trabalho mais organizado e de forma adequada, prevenindo a existência 
de exposição indevida a agentes considerados de risco à saúde, certamente 
reduzindo intercorrências e a acidentes ocupacionais. 
 
 
Esses procedimentos, no campo da pesquisa experimental, são denominados 
Boas Práticas (BP) (BRASIL, 2004; NEIVA, 2018; KUNSCH, 2011). 
As práticas de biossegurança baseiam-se na necessidade de proteção do 
operador, de seus auxiliares e da comunidade local, contando com o local de trabalho 
seguro, dos instrumentos e equipamentos e do meio ambiente, contra riscos que 
possam prejudicar a saúde. O manuseio com biossegurança de produtos químicos 
que prejudicam a saúde e dos organismos considerados contaminantes, é regido por 
leis federais, estaduais e municipais. Como exemplo, 
cita-se a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) que regula o 
manuseio de radioisótopos, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança 
(CTNBio) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que normatiza o 
manuseio de agentes infecciosos de alta periculosidade, tais como: os vírus da 
Hepatite B(HBV), Hepatite C (HCV), da Imunodeficiência Humana (HIV) e Ebola, 
assim como as bactérias resistentes e/ou multirresistentes ao tratamento por falta de 
uso racional de antibióticos, dentre outros (MOLENTO, 2017). 
Os órgãos internacionais também se preocupam com o risco de exposições a 
tais agentes, por isso se empenham em estabelecer normativas e diretrizes sobreo 
manuseio de agentes de risco e instituem os mecanismos de proteção à saúde 
humana, animal e ambiental, além de oferecer treinamentos de forma contínua. A 
identificação correta é uma forma importante de prevenir o manuseio inadequado de 
agentes infecciosos e substâncias químicas perigosas. Existem normas bem 
estabelecidas de rótulo, transporte e armazenamento para todas as substâncias 
químicas, medicamentos, agentes infecciosos e materiais biológicos, assim como 
para as fontes potenciais de contaminação (MOLENTO, 2017). 
A necessidade e o hábito de ler o rótulo de todo material de trabalho, assim 
como a constante utilização de equipamento de proteção individual e coletiva 
adequados para cada procedimento, são as principais formas de prevenir acidentes e 
se proteger e, sem dúvida, o treinamento sistemático é primordial e muito importante. 
Por exemplo, segundo Molento (2017), o correto armazenamento de solventes, 
reagentes e vidrarias, utilizando locais previamente definidos e adequadamente 
identificados com simbologia preconizada, minimiza os riscos inerentes aos acidentes 
de trabalho. Sem dúvida, o controle de descarte de produtos considerados agressores 
ao meio ambiente, devem ser cuidadosamente monitorados para preservar o meio 
ambiente em que se vive, evitando o descarte inadequado de materiais passíveis de 
 
 
reciclagem, adotando a coleta seletiva consciente, possibilitando economia e proteção 
ambiental para o bem-estar da população e humanidade. 
 
CLASSIFICAÇÃO DE RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE 
Através da NBR n° 12.808 de 1993, a Associação Brasileira de Normas 
Técnicas (ABNT, 2015), dispõe instrução sobre como deve ser realizada a 
classificação e dispensação dos resíduos utilizados nos ambientes de saúde os quais 
são popularmente conhecidos como resíduos hospitalares. Após o seu uso, estes 
devem ser descartados em recipientes que estejam devidamente identificados 
conforme sua origem (Exemplo: resíduo químico, resíduo comum, perfurocortantes, 
dentre outros), pois, para cada produto a um tipo específico de símbolo para facilitar 
a destinação correta, conforme representado pela Figura 2, tais como: 
• Tipo A – resíduo biológico. 
• Tipo B – resíduo químico. 
• Tipo C – resíduo radioativo. 
• Tipo D – lixo comum. 
• Tipo E – Perfurocortantes. 
 
Figura 6 
 
 
 
Tais especificações, se aplicadas de forma correta, sinalizam positivamente um 
dos principais processos acerca da reciclagem e destinação correta destes materiais 
e do gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde (RSS). 
 A caracterização e classificação dos RSS são o ponto de partida para a 
realização de uma coleta, transporte, tratamento e disposição final mais seguros para 
o homem e o meio ambiente. Os estabelecimentos geradores devem averiguar se o 
gerenciamento dos RSS está́ ou não está atendendo a essas legislações, 
principalmente quanto à segregação correta na fonte de geração e destinação final, 
conforme sua classificação (ABNT, 2004a). 
 
12. EMISSÕES RADIOATIVAS 
 
As emissões dos núcleos radioativos podem ser de três tipos: partícula α, 
partícula β e radiação gama. A partícula α, constituída por 2 prótons e 2 nêutrons, tem 
carga 2+e massa igual ao núcleo do átomo de hélio, é representada como 42 αou 42 
He. A partícula beta é um elétron criado no núcleo, no momento da emissão. 
Pode ter carga negativa (0-1 β) ou positiva (0+1 β). Quando o pósitron é emitido 
e encontra um elétron do meio, ocorre a reação de aniquilação. Há transformação de 
massa em energia e o aparecimento de duas radiações gama de mesma direção e 
sentidos opostos e de energia igual a 0,51 Mev, resultante da transformação da massa 
do elétronem repouso, na equação E = mc2. Normalmente, uma emissão de radiação 
gama. A radiação gama é de natureza eletromagnética e comprimento de onda, 
geralmente menor do que os raios X. Sua emissão acompanha as das partículas alfa 
e beta (XAVIER et al., 2007). 
 
INTERAÇÃO DA RADIAÇÃO COM A MATÉRIA 
As radiações emitidas por um elemento radioativo em determinado meio, 
interagem tanto com as camadas eletrônicas quanto aos núcleos dos átomos que 
compõem esse meio, em um processo probabilístico que depende do tipo de partícula, 
de sua energia e das características do meio. Dessa interação, resulta a chamada 
absorção de radiação, ou seja, o resultado da transferência de energia da radiação 
para o meio. Esse mecanismo serve de base de proteção radiológica (XAVIER et al., 
2007). 
 
 
Os mesmos autores supracitados mencionam que a partícula alfa pode produzir 
ionizações (retirada de elétrons da camada eletrônica) e excitação (levar o elétron a 
uma camada mais energética). Define-se como alcance da partícula alfa, o espaço 
percorrido pela partícula até que pare, ou seja, que perca toda sua energia. 
 
 
MOLÉCULAS MARCADAS E RADIOFÁRMACOS 
Molécula marcada é aquela em que um ou mais átomos radioativos, de maneira 
que podem ser distinguidas das demais, não marcadas. Radiofármaco é a molécula 
marcada, utilizada in vivo, para diagnósticos e tratamentos em medicina nuclear, 
sendo, portanto, sujeita aos controles necessários a um fármaco. 
 Em geral, o símbolo de isótopo é colocado entre chaves antes do nome 
químico e, quando necessário, é indicada sua posição na molécula. Exemplo: [2 – 
14C] timidina. A atividade radioativa de um composto marcado ou de um radiofármaco 
é expressa em unidades de atividade (Bq) por unidade de massa (g), denominada 
atividade específica, ou por unidade de volume (L), denominada concentração 
radioativa (OLIVEIRA et al., 2006). 
O tipo de molécula e seu uso, definem o radionuclídeo utilizado para sua 
marcação. É levada em conta a diferença de massa que ocorre na molécula ao se 
introduzir um átomo radioativo nela. O tipo e a energia de emissão são também 
importantes. Quando se pensa na utilização de um radioisótopo para uso in vitro, 
procura-se um com T1/2 longa e que não tenha energia muito alta para não levar a 
exposições desnecessárias. Exemplos de isótopos com essas características são o 
14C (beta menos, T1/2 5700 a) e 3H (beta menos, T1/2 12 a). 
Para o mapeamento de um órgão, procuram-se elementos T1/2 curta e 
emissores de radiação gama com energia suficiente para que sejam detectados fora 
do organismo (OLIVEIRA et al., 2006). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROTEÇÃO RADIOLÓGICA E DOSIMETRIA 
 
 
 
 
 
Figura 7 
 
O termo proteção radiológico, refere-se à proteção contra radiações, a higiene, 
a segurança e o controle no manuseio de materiais radioativos. Visa não somente a 
proteção adequada às pessoas que trabalham com radiação como também à 
população em geral que, de alguma forma, pode estar exposta. Sua finalidade é 
proteger contra os perigos potenciais dessa exposição e possibilitar o usufruto de seus 
benefícios. 
Até a descoberta dos raios X e da radioatividade, a exposição do ser humano 
à radiação ionizante limitou-se, quase que exclusivamente, às fontes naturais e à 
radiação cósmica, que constituem a chamada radiação natural de fundo, em nível 
considerado muito baixo. Os primeiros profissionais que se preocuparam com as 
normas de proteção radiológica foram os radiologistas. A primeira unidade de dose de 
radiação foi denominada Roentgen (R) e definida como a quantidade de raios X que 
pode provocar certa ionização num volume bem definido de ar nas condições normais 
de temperatura e pressão (CNTP). 
Paralelamente, veio a recomendação de que a exposição de um profissional se 
mantivesse em um nível de 1R/d (MOURA; BACCHIM NETO, 2015). Moura e Bacchim 
Neto (2015) apontam que a evolução dos estudos dos efeitos biológicos de radiação 
 
 
(EBR), mostrou que os níveis máximos de 1 R/deram muito altos e que existiam outros 
fatores que alteravam a relação dose x efeito: tipo de radiação, volume irradiado e 
outros. A unidade Roentgen (R), sendo definida apenas para o ar, não servia de 
parâmetro para inferir os efeitos biológicos advindos de determinada dose de 
exposição. 
Em 1953, foi introduzida a unidade rad (radiation absorbed dose) equivalente à 
absorção de 100 erg de energia por grama de material irradiado, medindo, portanto, 
a dose absorvida pelo tecido e abrangendo todos os tipos de radiações. 
As unidades Roentgen e rad consideram, respectivamente, a energia absorvida 
noar e no tecido, mas não dão a dimensão dos danos biológicos produzidos. Embora 
hoje já existem estudos que descrevem acerca de procedimentos realizados por 
mecanismos robóticos em cirurgia endovascular, por exemplo, o que sinaliza a 
presença de uma importante evolução. Entretanto, tal método ainda necessita ser 
mais bem explorado (desenvolvido), bem como carece de ajustes acerca do seu 
custo, o que provavelmente será muito mais elevado, logo, no futuro. Sem contar que 
levará anos para que seja implantado como rotina em todos os ambientes que 
promovem ações de cuidado assistencial. Da mesma forma, cabe destacar que 
poucos artigos em nosso meio científico, são publicados discutindo sobre os riscos da 
radiação provocados pelos equipamentos radiológicos, tanto os de angiografia como 
os da angiotomografia (LEYTON et al., 2014; MOURA; BACCHIM NETO,2015). Os 
mesmos autores, ainda indagam o seguinte questionamento: Até́ que ponto devemos 
nos preocupar com isso? 
Foi necessária a introdução da unidade rem (Roentgen equivalent in man) que, 
além de considerar a dose absorvida, leva em conta fatores como o tipo e a energia 
da radiação e sua distribuição em diferentes tecidos, para que os possíveis danos 
biológicos possam ser inferidos. O conceito de fator de qualidade “Q” foi introduzido 
e, assim, o rem é igual à dose em rad multiplicada pelo Q. Para a radiação 
eletromagnética esse fator é igual a 1 e, para a partícula alfa, é igual a10. Se tivermos 
a mesma dose em rad de um emissor alfa e de um emissor gama, teremos doses, em 
rem, 10 vezes maiores no caso de exposição à partícula alfa (LIMA; AFONSO; 
PIMENTEL, 2009). 
Segundo Brasil (2019), há três parâmetros fundamentais quando se pensa em 
proteção radiológica (CNEN NE- 3.01), a saber: 
• distância da fonte radioativa ao operador; 
 
 
• tempo de exposição do operador à radiação; 
• blindagem interposta entre a fonte e o operador. 
Da mesma forma, Brasil (2014c) descreve que a proteção radiológica abrange 
um campo muito vasto que inclui desde, por exemplo, o estudo do local adequado de 
construir uma usina nuclear até a disposição final de resíduos radioativos, devendo 
existir adequada distribuição dos espaços que prestam cuidados em saúde, por meio 
da instituição de exames e intervenções radiológicas (CNEN NE 6.02). 
Trabalhos que envolvam níveis altos de atividade radioativa (da ordem de 10 4 
Bq), como a produção de radiofármacos para uso em Medicina Nuclear ou a marcação 
de moléculas para radioimuno ensaios, devem ser desenvolvidos em cabines de 
segurança especialmente destinadas para esse fim, com as seguintes características 
conforme orienta Brasil (2019): 
• Blindagem – adequada para o radioisótopo que está sendo manuseado. Deve 
manter a exposição do operador abaixo de 1 mSv/semana. 
• Exaustão – a cabine deve ter compressão menor do que a do ambiente do 
laboratório. O ar exaurido, deve passar por filtros adequados e ser monitorado antes 
de ser liberado no meio ambiente. 
• Manuseio – com ferramentas adequadas que permitam o trabalho a distância e não 
prejudiquem a sua precisão. 
• Resíduos – precisam ser retirados sem que entrem em contato com o meio ambiente. 
 
DOSIMETRIA 
A facilidade em medir a radioatividade com precisão e a sensibilidade que 
permitea avaliação de sua distribuição nos vários compartimentos orgânicos, fazem 
dos traçadores radioativos, um potente instrumento de investigação científica. Os 
radioisótopos são amplamente utilizados em medicina nuclear, em estudos de 
bioquímica, nutrição, fisiologia e de biologia em geral. Entretanto, ouso dos 
radioisótopos exige algumas precauções, que têm de ser consideradas quanto a sua 
manipulação e a seu armazenamento. As partículas e radiações dissipam sua energia 
ao interagirem com moléculas da estrutura celular e provocam danos que podem 
comprometer a saúde de quem se expõe a elas, porém o conhecimento desses riscos 
permite o seu uso seguro (LEYTO Net al., 2014). Moura e Bacchim Neto (2015, p. 
167), ainda fortalecem dizendo que: 
 
 
A limitação da dose é uma prática bem definida na proteção radiológica dos 
indivíduos ocupacionalmente expostos (IOEs). Cada IOE deve ser monitorado 
mensalmente para assegurar que não irá receber doses ocupacionais acima dos 
limites. A monitoração frequente das doses recebidas pelos profissionais pode indicar 
praticas relacionadas a altas exposições ocupacionais e, assim, determinar 
estratégias de proteção radiológica mais eficientes e objetivas. Para aumentar a 
acurácia dado simetria pessoal, a Comissão Internacional de Proteção 
Radiológica(ICRP) recomenda que sejam usados dois dosímetros na altura do tórax, 
sendo um sobre as proteções e outro por baixo destas. Desta maneira, será 
proporcionada uma estimativa mais segura das doses recebidas por esses 
profissionais. Dosímetros adicionais podem ser utilizados para medir as doses 
recebidas pelos cristalinos e pelas extremidades dos profissionais. 
Dados provenientes da radioterapia, dos acidentes nucleares ou da 
contaminação, devido à ocupação profissional, mostram que as radiações produzem 
alterações gênicas e cromossômicas que aumentam a taxa de mutações de células 
dos indivíduos das gerações subsequentes. Por outro lado, as mutações induzidas 
pelas radiações ionizantes podem, também, ocorrer em células somática e essas não 
são transmitidas à descendência dos indivíduos irradiados ( LEYTONet al., 2014). 
Figura 8 
 
 
 
 
A radiação ionizante pode provocar malformações congênitas, esterilidade, 
reduzir a fertilidade, provocar câncer, leucemia, catarata; acelerar o envelhecimento e 
causar a morte. No entanto, como qualquer outro agente a que o ser humano está 
exposto, os riscos da exposição à radiação devem ser dimensionados. Riscos 
genéticos e somáticos associados às radiações ionizantes, mostram que os efeitos 
produzidos dependem de fatores que serão discutidos a seguir (VALVERDE et al., 
2000). 
 
QUALIDADE DA RADIAÇÃO 
A intensidade dos efeitos biológicos das radiações ionizantes depende do tipo 
de radiação (se particulada ou eletromagnética), de sua energia, de sua massa ou de 
sua carga e, principalmente, do rendimento de transferência linear da energia por 
milímetro de percurso (LET) no tecido orgânico. Radiações eletromagnéticas, como 
os raios X e os raios gama, são pouco eficientes para transferir sua energia para o 
tecido, sendo, por isso, menos mutagênicas que a partícula alfa. Esta, mostra alta 
eficiência na transferência de energia para os compostos orgânicos (VALVERDE et 
al., 2000; LEYTON et al., 2014). 
 
INTERAÇÃO DA RADIAÇÃO NOS TECIDOS E A PRODUÇÃO DE RADICAIS 
LIVRES 
A ação deletéria da radiação sobre as células ocorre, predominantemente, por 
processos indiretos, ou seja, não é o impacto direto da radiação que danifica a célula, 
mas os produtos tóxicos gerados secundariamente no seu interior. Sendo a água o 
principal constituinte do corpo humano e da célula, correspondendo a cerca de ¾ da 
massa corpórea, é nesse compartimento que ocorre a maior quantidade das 
interações primárias da radiação. Quando a radiação interage com moléculas da 
água, desencadeia-se uma série de fenômenos físico-químicos que geram os radicais 
livres ionizados e, energeticamente excitados (spins elevados a níveis singletos e 
tripletos), os quais produzem os danos celulares irreparáveis 
(TEIXEIRA; GUARIENTO, 2010). A radiação, interage, inicialmente, por 
processos físicos com os átomos dos tecidos orgânicos e, na sequência, ocorre a 
transferência da energia da radiação para os constituintes do corpo. 
 
 
 
 
 RELAÇÃO RISCO/BENEFÍCIO NO USO DE MATERIAS RADIOATIVOS 
Os organismos internacionais como a ICRP, padronizam o limite máximo 
permitido de radiação ionizante para trabalhadores por um ano em 50 mSv, para 
ingestão ou inalação do material radioativo. Essa estimativa de dose baseia-se no 
homem – padrão, com características fisiológicas e anatômicas definidas na 
publicação da ICRP n° 2324 que leva em conta a possibilidade de a radiação produzir 
câncer e doenças hereditárias. Doses superiores a 4 Sv, conhecidas como doses 
letais 50% (DL50), são fatais para 50% de uma população exposta. Doses acima de 
7 Sv são praticamente fatais (NAVARRO et al., 2008; NAVARRO, 2009). 
Para a regularização de seu funcionamento, o laboratório ou unidade de 
medicina nuclear deve cumprir certas regras básicas em função da sua classificação. 
A norma CNEN n° 3.01 (CNEN NE – 3.01), que descreve as Diretrizes Básicas 
de 
Proteção Radiológica, define: 
Acidente – é o desvio inesperado e significativo das condições normais de 
operação de uma instalação que possa resultar em danos à propriedade e ao meio 
ambiente ou em exposições de trabalhadores e de indivíduos do público, acima dos 
limites primários de dose equivalente estabelecidos pela CNEN (BRASIL, 2014c). 
Áreas restritas têm de ser claramente identificadas, monitoradas, conforme 
norma específica da CNEN. Devem ser sinalizadas com o símbolo internacional de 
radiação, bem como todas as blindagens ou embalagens das fontes radioativas, e 
providas, para orientação em caso de acidente, de instrumentação e procedimentos 
apropriados sempre afixados em paredes, quadros e outros lugares bem visíveis 
(BRASIL, 2014c). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 9 
 
 
CONTROLE RADIOLÓGICO DE TRABALHADORES 
A empresa, isto é, os responsáveis pela instalação onde se utiliza material 
radioativo, devem manter registro de cada colaborador/trabalhador. Nesse registro 
deve ser anotada toda e qualquer ocorrência que acarrete ao profissional exposição 
à dose de 1/10 (um décimo) do limite anual (que é de 50 mSv/ano, por exemplo, para 
o corpo inteiro). Os trabalhadores envolvidos com atividades em áreas controladas 
devem ser, individualmente, monitorados de acordo com as normas específicas CNEN 
(BRASIL, 2014c). 
Relacionado à atividade laboral dos profissionais que atuam na radiologia, 
Brand, Fontana e Santos (2011), descrevem que os referidos trabalhadores devem 
ser submetidos a controle periódico do ponto de vista médico, a incluir os seguintes 
exames, acerca da manutenção da sua segurança: 
1. Exame pré-ocupacional: a fim de verificar se está em condições normais de saúde 
para iniciar a sua ocupação, incluindo uma análise do seu histórico médico e 
radiológico sobre exposições anteriores. 
2. Exame periódico: de acordo com a natureza da função e com a dose recebida pelo 
trabalhador. 
3. Exame especial: para trabalhadores que tenham recebido doses superiores aos 
limites primários estabelecidos na norma CNEN n° 3.01, ou quando o médico julgar 
necessário 
 
 
4. Exame pós – ocupacional: logo após o término da ocupação e, dependendo do seu 
resultado, cuidados ou exames médicos posteriores. 
 
QUALIDADE TOTAL 
Para tanto, recomenda-se que as unidades de radiologia evoluam de 
programas de controle da qualidade para programas de gestão da qualidade total. A 
qualidade no setor saúde é entendida como a sistematização de todos os processos, 
em todas as áreas e esferas da gestão, na busca da perfeição ao nível ético e técnico. 
A qualidade deixa de ser um aspecto de um produto ou serviço, tornando-sea base 
para um sistema de gestão abrangente e dinâmico, o qual conta com alguns setores, 
tornando-se os pilares para o sucesso de uma empresa. 
São estes: sistema de gestão da qualidade e inserção da biossegurança. 
 
EVOLUÇÃO DA QUALIDADE 
O controle da qualidade era exercido, antigamente, somente com relação ao 
produto acabado. Havia apenas inspeção ou fiscalização final que, na concepção 
atual, é de resultado insatisfatório. Após, houve a evolução para o 
Controle Estatístico de Processo – cuja ênfase era a segurança e o “zero 
defeito”, em seguida, para a Garantia da Qualidade ou Controle de Qualidade – 
baseada em normas e procedimentos formais – e, finalmente, para a Qualidade Total 
– a qual contempla a satisfação dos clientes e a competitividade (PINTO; CARVALHO; 
HO, 2006; MACEDO; RODRIGUES, 2009). Qualidade Total é o conceito expresso em 
princípios pelos quais uma organização pode sobreviver e desenvolver-se em um 
ambiente competitivo. 
 
 
GESTÃO PELA QUALIDADE TOTAL 
A Qualidade Total tem complexidade de implantação muito maior que ade 
outros programas da qualidade, como o 5S, mas isso não impede que possa ser 
implantada em qualquer situação, independentemente do tamanho da organização– 
micro, pequena, média ou grande (Figura 14). Para atender ao consumidor de maneira 
adequada e eficaz, as empresas vêm buscando desenvolver programa se estratégias 
que primam pela qualidade. Esses programas passaram a ser uma das estratégias 
capazes de gerar competitividade por meio da diferenciação e agregação de valor aos 
 
 
produtos e serviços, fornecendo vantagem competitiva a quem tem sucesso em sua 
implementação (PERTENCE; MELLEIRO, 2010). 
Os 5S são derivados de palavras japonesas, iniciadas pela letra “S” e que 
expressam princípios fundamentais de uma determinada organização que a utiliza. 
Inicialmente, integravam o método 9 “esses”: SEIRI, SEITON, SEISO, SEIKETSU e 
SHITSUKE, SETSUYAKO, SEKININ, SHITSUKOKU e SHUKAN. 
Entretanto, Lapa (1998), descreve que os cinco primeiros “S” já expressam os 
princípios de um determinado segmento, os quais são definidos a seguir: 
1. SEIRI – Senso de utilização, arrumação, organização, seleção. 
2. SEITON – Senso de ordenação, sistematização, classificação. 
3. SEISO – Senso de limpeza, zelo. 
4. SEIKETSU – Senso de asseio, higiene, saúde, integridade. 
5. SHITSUKE – Senso de autodisciplina, educação, compromisso. 
O sucesso na implementação dos programas de qualidade depende de se fazer 
adequada Gestão Eficiente de Qualidade. Para tanto, deve-se preparara organização 
para a implantação de um Sistema de Gestão da Qualidade, tendo o Programa 5S 
como uma boa opção e um forte aliado para preparação das organizações que 
pretendem iniciar tal processo. A Qualidade Total é um sistema gerencial para 
atender, principalmente, à sobrevivência e à prosperidade da organização, mediante 
a satisfação das necessidades das pessoas. Como pessoas, devem ser estendidos 
os clientes, os acionistas, o governo e a sociedade como um todo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 10 
 
 
Essa gestão da qualidade se faz em todos os processos, por meio de ações 
científicas sistemáticas desenvolvidas por toda a organização. A tendência atual é que 
as organizações – micros, pequenas, médias ou grandes – a do tema Qualidade Total 
como filosofia de trabalho, para garantir a qualidade dos produtos e /ou serviços que 
produzem. As que vierem a ficar à margem desse movimento, correm o risco de deixar 
o mercado por falta de competitividade. A Gestão pela Qualidade Total implica que 
todos os processos estejam monitora dose sob controle. Essa é a base para que tudo 
o que é produzido, não apresente defeito (ARENA et al., 2011). 
A implantação da Qualidade Total é iniciada pela vontade explícita de 
mudanças da administração da organização, visando melhorias. Os fundamentos do 
programa devem ser introduzidos de forma orientada, tendo as pessoas –
administradores e funcionários – como alvo, vindo depois da fase de treinamento 
(REGO; PORTO, 2005). Arena et al. (2011) descrevem que é possível avaliar o 
estágio em que determinada organização se encontra com relação à qualidade e, com 
isso, indicar o caminho da obtenção da Qualidade Total. Desse modo, faz-se 
necessárias mudanças e busca de melhoria na qualidade do produto ou serviço 
quando: 
• os clientes não são ouvidos, por não serem considerados importantes; 
 
 
• não há estímulo ao trabalho em equipe, a solução de problemas e a tomada de 
decisões são de competência exclusiva de chefias; 
• os recursos humanos não são valorizados e as necessidades das pessoas, em 
termos de manifestação de suas opiniões, não são satisfeitas; 
• faltam objetivos claros e isso resulta em esforços dispersos e ações descontínuas; 
• em virtude de estar dando certo, não há aperfeiçoamento contínuo; 
• cada setor atua isolado dos demais, não fazendo parte do processo que compõe o 
todo; 
• a decisão é centralizada e falta autonomia para as pessoas; 
• os objetivos da organização não são informados e disseminados internamente e, por 
isso, cada pessoa conhece só aquilo com que trabalha; 
• não há padronização e documentação dos processos; 
• os erros gerados nos processos e transferidos para os produtos e /ou serviços são 
apontados, principalmente, pelo consumidor final. 
 
PROTEÇÃO RADIOLÓGICA DO PROFISSIONAL 
Esta proteção se refere a todos os indivíduos ocupacionalmente expostos a 
radiação ionizante, trabalhando com exames de imagens para diagnóstico. Os 
principais riscos são as possibilidades de ocorrerem doses altas e o acúmulo de 
exposições durante a vida do trabalhador que podem ser grandes. Portanto, é 
importante manter as doses mais baixas possíveis e também manter o histórico de 
doses recebidas, através dos laudos emitidos mensalmente pelo laboratório que 
fornece o serviço de dosimetria. Para Okuno (2013), reduzir a possível exposição dos 
profissionais é possível, para tanto, são necessários alguns parâmetros, os quais 
devem ser considerados e respeitados: 
 
 
 
13. MEIOS DE CONTRASTE 
 
Os meios de contraste radiológicos são compostos introduzidos no organismo 
por diferentes vias, que permitem aumentar a definição das imagens radiográficas, 
graças ao aumento de contraste provocado por eles, possibilitando, desse modo, a 
 
 
obtenção de imagens de alta definição e, com isso, maior precisão em exames de 
diagnóstico por imagem. A utilização de compostos com a finalidade de melhorar a 
qualidade das imagens radiológicas é bastante antiga, cerca de mais de meio século. 
Desde então, reações adversas resultantes da introdução de uma substância estranha 
ao corpo humano, administrada via oral ou intravenosa, têm sido relatadas, uma vez 
que nem sempre estas substâncias são inofensivas e algumas vezes podem alterar a 
circulação sanguínea causando reações inesperadas. Partindo deste princípio, 
diversas precauções devem ser tomadas tanto com os pacientes, como no preparo e 
armazenamento dos meios de contraste. 
 
Todos os meios de contraste iodados usados atualmente são derivados do 
ácido-triiodobenzóico. São classificados com base nas suas características físico-
químicas, incluindo sua estrutura química, as modalidades, viscosidade, quantidade 
de átomos de iodo na estrutura, propriedades biológicas, capacidade de ionização em 
solução, hidrossolubilidade, lipofilia e toxicidade. Os meios de contraste iônicos são 
aqueles capazes de se dissociar em soluções aquosas formando íons cátions e 
ânions, enquanto os não iônicos não se dissociam (Figura 1), porém interagem com 
moléculas de água por meio de interações intermoleculares. Alguns cuidados no 
armazenamento e assepsia dos meios de contraste são imprescindíveis, incluindo 
armazená-los ao abrigo de luz, uma vez que são fotossensíveis, e distantes da 
incidência de raios X, pela possibilidade da radiaçãoionizante causar a degradação 
das moléculas, alterando assim a estrutura do meio de contraste e, com isso, suas 
propriedades de contraste nas imagens radiológicas. Além disso, é importante mantê-
los na temperatura de 15 a 25ºC, uma vez que em baixas temperaturas pode ocorrer 
a formação de cristais, verificar prazos de validade e não utilizar os frascos e ampolas 
abertos por mais de 24 horas, devido ao risco de contaminação por micro organismos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 10: Estrutura molecular dos meios de contraste iodados avaliados 
 
 
No presente trabalho foi investigada a influência da radiação ionizante de raios 
X e gama sobre a estabilidade da estrutura molecular de diversos meios de contraste 
comerciais amplamente usados na radiologia em exames de diagnóstico por imagem 
de raios X e tomografia computadorizada, por meio da espectroscopia de ressonância 
magnética nuclear (RMN) de 1H e 13C. Buscou-se avaliar possíveis alterações nas 
estruturas moleculares dos meios de contraste, pela incidência da radiação, o que 
 
 
poderia causar mudanças nas suas propriedades físico-químicas e biológicas, bem 
como na toxicidade, comprovando assim os resultados presentes da literatura. 
 
14. MATERIAIS E MÉTODOS 
 
Amostras 
Oito diferentes meios de contraste iodados, sendo três iônicos e cinco não 
iônicos, foram cedidos por quatro fabricantes que os disponibilizam no Brasil. Os 
contrastes, e respectivos fabricantes, são: Iopamiron 300 e Pielograf 76% (Bayer 
Schering Pharma; Berlim, Alemanha), Ominipaque e Visipaque (Farmasa; São Paulo, 
Brasil), Henetix e Telebrix (Guerbet; Paris, França), Optiray 320 e Optiray 350 
(Mallinckrodt; Saint Louis, EUA). De cada meio de contraste, oito alíquotas foram 
tomadas, das quais quatro foram submetidas à radiação por raios X, duas à radiação 
por raios gama e duas foram mantidas para controle, não sendo expostas a nenhuma 
radiação. Para proceder a irradiação dos meios de contraste, estes foram dispostos 
em tubos de microcentrífuga contendo 1,7 ml de cada meio, identificados por letras, 
para evitar que o operador dos instrumentos soubesse a origem deles. O preparo das 
amostras foi realizado no Laboratório de Química da Universidade Tecnológica 
Federal do Paraná (UTFPR), seguindo normas de assepsia para cada frasco aberto e 
aspirado. 
 
Irradiação por raios X 
 
A irradiação das amostras por raios X foi realizada no Setor de Radioterapia do 
Hospital, utilizando-se um monitor de radiação Radcal 9010 (Radcal Corp; Monrovia, 
EUA) e uma câmara de ionização Radcal 10X5-6 (Radcal Corp.; Monrovia, EUA), com 
volume sensível de 6 cm3 calibrados para faixa de energia de radiodiagnóstico, 
determinando-se a radiação exata que as amostras estavam recebendo. Como fonte 
de radiação foi utilizado tubo de raios X de um simulador de tratamentos de 
radioterapia RMX 625 R (Raytheon Medical Systems; Melrose Park, EUA), de filtração 
inerente equivalente a 0,5 mm de alumínio. As amostras foram expostas a diferentes 
doses de radiação por raios X, variando-se de 9,85 a 10.200 mR, a uma distância de 
50 cm da fonte e tensão de 90 kV. 
 
 
 
Irradiação por raios gama 
 
A irradiação das amostras por raios gama foi realizada utilizando-se a energia 
média de 1,25 MeV, proveniente de uma fonte de cobalto-60 instalada em uma 
máquina de teleterapia Theratron 780 C (MDS Nordion; Ontário, Canadá), 
empregando bolus de 0,5 cm de espessura de gel sobre as amostras. A distância 
fonte–superfície adotada foi de 50 cm e o rendimento a esta distância foi de 5 Gy/min. 
As amostras foram expostas a duas doses de radiação: 0,1 e 10 Gy. Em ambos os 
equipamentos as amostras foram irradiadas em um campo de 8 × 8 cm2. 
 
Análises de RMN 
Os espectros de RMN de 1H e 13C{1H} foram adquiridos em um espectrômetro 
Bruker Avance 400 (Bruker; Karlsruhe, Alemanha) de campo magnético de 9,4 tesla, 
instalado no Laboratório de RMN da Universidade Federal do Paraná, observando-se 
os núcleos de 1H e 13C a 400,13 e 100,62 MHz, respectivamente, em D2O (água 
deuterada) à temperatura ambiente de aproximadamente 22ºC em uma sonda 
multinuclear de observação direta de 5 mm. Para isso, alíquotas de 0,2 ml de cada 
meio de contraste foram filtradas em algodão diretamente para tubos de RMN de 5 
mm, com auxílio de pipetas Pasteur, os quais foram completados com 0,4 ml de D2O 
contendo 2,2,3,3-tetradeutério-3-trimetilsililpropionato (TMSP-d4 – referência interna) 
(11). Os espectros de RMN de 1H foram adquiridos com a sequência de pulsos zg, 
acumulando-se quatro varreduras, 64 K pontos (1 K = 1.024) e janela espectral de ~13 
ppm. Em algumas amostras foi necessária a pré-saturação do sinal da água, 
utilizando-se a sequência de pulsos zgpr. Por sua vez, os espectros de RMN de 
13C{1H} foram adquiridos com a sequência de pulsos zgpg30, acumulando-se 1.024 
varreduras, 32 K pontos e janela espectral de ~255 ppm. Ambos os espectros de RMN 
de 1H e 13C{1H} foram processados com auxílio do programa TopSpin (Bruker; 
Karlsruhe, Alemanha), aplicando-se multiplicações exponenciais dos free induction 
decays (FIDs) por fatores de 0,3 e 3,0 Hz para a construção dos espectros de RMN 
de 1H e 13C com 64 K e 32 K pontos, respectivamente. Os deslocamentos químicos 
em ambos os espectros de RMN de 1H e 13C{1H} foram calibrados em relação ao 
sinal do TMSP-d4 em 0,0 ppm. 
 
 
 
CONCLUSÃO 
 
A evolução da imagem do sistema analógico (aquisição baseado em filme) para 
o formato digital tem sido impulsionado pelas necessidades de redução de custos, 
com rendimento eficiente e fluxo de trabalho na gestão e visualização de uma 
proliferação crescente no número de imagens produzidas. Assim como as imagens 
em formato digital tornam passíveis de metodologias de processamento de imagem 
para o realce, análise de exibição, o armazenamento e interpretação mesmo 
aumentada. Por causa da onipresença de imagens em biomedicina, a disponibilidade 
crescente de imagens em formato digital, a ascensão do hardware de alta potência 
computador e redes e, a comunhão de soluções de processamento de imagem, 
imagens digitais tornaram-se um tipo de dados central que deve ser considerada em 
muitas aplicações informática biomédica. A criação de um padrão internacional para 
imagens médicas e informações relacionadas, o DICOM (Digital Imaging and 
Communications in Medicine) que define os formatos das imagens médicas 
padronizaram a forma de armazenamento de informações de uso clínico. 
Na medicina moderna, imagiologia médica tem sofrido grandes avanços. Hoje, 
essa capacidade de obter informações sobre o corpo humano tem muitas aplicações 
clínicas úteis. Ao longo dos anos, diferentes tipos de imagens médicas foram 
desenvolvidos, com suas próprias vantagens e desvantagens. Há métodos baseados 
em raios-X convencionais, tomografia computadorizada (TC) e mamografia. Para 
melhorar a imagem de raios X, os agentes de contraste podem ser utilizados, por 
exemplo, para exames de angiografia. A imagiologia molecular é utilizada na medicina 
nuclear e utiliza uma variedade de métodos para visualizar os processos biológicos 
que ocorrem nas células dos organismos. Pequenas quantidades de marcadores 
radioativos, chamados produtos radiofarmacêuticos, são utilizados para imagiologia 
molecular. Outros tipos de imagens médicas são a ressonância magnética (MRI) e 
imagens por ultrassom. Ao contrário dos raios-X convencionais, CT e Molecular 
Imaging, a ressonância magnética e o ultrassom operam sem radiação ionizante. A 
RM utiliza campos magnéticos fortes, que não produzem efeitos biológicos 
irreversíveis conhecidos nos seres humanos 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
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