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UNIDADE II 
Biossegurança: 
Gerenciamento
Drª. Paula Moiana da Costa
Introdução Unidade 2
VÍDEO
Apresentação da Unidade 2:
1
CENÁRIO PRÁTICO
Olá, prezado(a) estudante!
Lidar com agentes de risco diversos, resíduos tóxicos e/ou infectantes, produtos
geneticamente modificados, acidentes, e ainda entregar um serviço de qualidade com
o menor custo possível e de forma sustentável. Não é nada fácil ser um profissional de
saúde, não é mesmo?
Todos esses riscos que rodeiam nossa área exigem gerenciamento. Gerenciamento
nada mais é do que organizar as atividades para que o processo de trabalho seja
facilitado.
Entenda, nesta unidade, como gerenciamos os aspectos críticos do processo de
trabalho na área de saúde.
2
Biossegurança e OGM
Os Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) são uma realidade, ainda que haja uma
forte polêmica atual em torno de sua utilização.
Se, por um lado, os transgênicos oferecem riscos potenciais, principalmente no âmbito
ambiental, por outro, os transgênicos oferecem várias vantagens associadas a seu uso. Menor
custo e maior produção de alimentos e medicamentos, organismos que degradam poluentes,
são alguns dos exemplos.
Portanto, é preciso equilibrar os dois lados. Não se pode barrar avanços tecnológicos
vantajosos, ao mesmo tempo em que não podemos permitir que produtos com alto potencial
alergênico, ou que possam causar perdas ambientais importantes, sejam livremente
manipulados.
Por isso, há legislação específica para a regulação e gerenciamento da produção de
transgênicos no Brasil e no mundo, e esforços conjuntos no sentido de determinar se os riscos
em potencial são efetivos e/ou podem se concretizar a longo prazo.
Ao final desta aula, você será capaz de:
Aula 01
Introdução
3
Compreender os riscos e necessidades de pesquisa em biossegurança de plantas
transgênicas.
Compreender os riscos e necessidades de pesquisa em biossegurança de microrganismos
geneticamente modificados.
A biotecnologia é definida por Capalbo et al. (2009, p. 190) como o “conjunto de processos
tecnológicos que permitem a utilização de material biológico para obtenção de bens e/ou
serviços com finalidade econômica”.
Nesse contexto, vemos que a biotecnologia tem um papel importante na ciência atual, e na
resolução de problemas associados à forma de vida da sociedade, como a sustentabilidade,
otimização da produção de recursos, biorremediação de poluentes e resíduos tóxicos,
produção de produtos biodegradáveis, e redução de custos com a matéria-prima. Ainda, a
biotecnologia trouxe novas fontes energéticas, medicamentos, e uma série de outros
benefícios.
Assim, os produtos da biotecnologia já são parte de nossa realidade, e trazem consigo
empregos e investimentos.
No Quadro 1, apresentado abaixo, podemos observar alguns dos setores mais beneficiados
pela biotecnologia, nos últimos 30 anos.
Biotecnologia
VÍDEO
Assista a videoaula a seguir:
4
SETORES TIPOS DE PRODUTOS OU SERVIÇOS
Energia Etanol, biogás e outros combustíveis (a partir de biomassa).
Indústria
Butanol, acetona, glicerol, ácidos, vitaminas etc. Numerosas enzimas para outras indústrias
(têxtil, de detergentes etc.)
Meio
Ambiente
Recuperação de petróleo, biorremediação (tratamento de águas servidas e de lixo, eliminação
de poluentes).
Agricultura
Adubo, silagem, biopesticidas, biofertilizantes, mudas de plantas livres de doenças, mudas de
árvores para reflorestamento. Plantas com características novas incorporadas (transgênicas):
maior valor nutritivo, resistência a pragas e condições de cultivo adversas (seca, salinidade, etc.).
Pecuária
Embriões, animais com características novas (transgênicos), vacinas e medicamentos para uso
veterinário.
Alimentação
Panificação (pães e biscoitos), laticínios (queijos, iogurtes e outras bebidas lácteas), bebidas
(cervejas, vinhos e bebidas destiladas) e aditivos diversos (shoyu, monoglutamato de sódio,
adoçantes etc.); proteína de célula única (PUC) para rações, alimentos de origem transgênica
com propriedades novas.
Saúde
Antibióticos e medicamentos para diversas doenças, hormônios, vacinas, reagentes e testes
para diagnóstico, tratamentos novos etc.
Tabela 1 –Principais setores beneficiados pela biotecnologia nos últimos 30 anos
Fonte: Malajovich (2011)
Entretanto, por ser uma tecnologia recente e pouco compreendida por grande parcela da
população, a biotecnologia divide opiniões e levanta debates acirrados. Em razão disso, é
essencial percebermos que a biotecnologia é uma realidade, e compreendermos seus
benefícios, limites, legislação e avaliação de risco.
Nesta aula, traremos do enfoque dos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), por
serem um dos maiores focos da biossegurança legal na atualidade.
5
O Sistema Nacional de Biossegurança de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) foi
criado pela Lei nº 11.105, de 2005. O Ministério da Saúde, nesta lei, é designado como um dos
Órgãos e Entidades de Registro e Fiscalização (OERF).
O Decreto 5.991, de 2005, atrelado à Lei nº 11.105/2005, coloca em seu artigo 53 que cabe a
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), “a emissão das autorizações e registros e a
fiscalização de produtos e atividades com OGM e seus derivados destinados a uso humano,
farmacológico, domissanitário e áreas afins”, e, pelo artigo 82, a Anvisa é designada como “a
autoridade competente para lavrar auto de infração, instaurar processo administrativo e
indicar as penalidades cabíveis “.
A Anvisa utiliza a NR-01, de 2006 e a NR-02, de 2006 da CTNBio (Comissão Técnica Nacional
de Biossegurança), as quais determinam as condições para as atividades de pesquisa com
OGM, como requisito para as fiscalizações. Essa fiscalização se dá especialmente em pesquisas
com OGM destinados ao uso humano, que atuam com nível de Biossegurança NB-2 e NB-3.
Outras fiscalizações se dão pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Legislação
ATENÇÃO
A fiscalização de OGMs verifica as características estruturais e de procedimentos da
pesquisa, com atenção às medidas de contenção adotadas e as condições ambientais
relacionadas.
Figura 1 - Procedimentos de pesquisa.
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Legislação
O Sistema Nacional de Biossegurança de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) foi
criado pela Lei nº 11.105, de 2005. O Ministério da Saúde, nesta lei, é designado como um dos
Órgãos e Entidades de Registro e Fiscalização (OERF).
O Decreto 5.991, de 2005, atrelado à Lei nº 11.105/2005, coloca em seu artigo 53 que cabe a
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), “a emissão das autorizações e registros e a
fiscalização de produtos e atividades com OGM e seus derivados destinados a uso humano,
farmacológico, domissanitário e áreas afins”, e, pelo artigo 82, a Anvisa é designada como “a
autoridade competente para lavrar auto de infração, instaurar processo administrativo e
indicar as penalidades cabíveis “.
A Anvisa utiliza a NR-01, de 2006 e a NR-02, de 2006 da CTNBio (Comissão Técnica Nacional
de Biossegurança), as quais determinam as condições para as atividades de pesquisa com
OGM, como requisito para as fiscalizações. Essa fiscalização se dá especialmente em pesquisas
com OGM destinados ao uso humano, que atuam com nível de Biossegurança NB-2 e NB-3.
Outras fiscalizações se dão pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
SAIBA MAIS
O Brasil possui um documento intitulado “Marco Legal Brasileiro sobre Organismos
Geneticamente Modificados”. Esse documento, produzido pelo Ministério da Saúde e
de divulgação livre, pode ser encontrado na íntegra lendo o QRCode a seguir .
Plantas transgênicas
A biotecnologia tem sido utilizada especialmente na agricultura, mas não somente nela. Ela 
vem sendo usada desde o início do século XX, o que trouxe diversas mudanças área. Temos 
hoje, por exemplo, plantas mais produtivas, resistentes a pragas, resistentes a condições 
ambientais adversas, ou com crescimento acelerado. Há plantas nutricionalmente mais ricas, 
que demoram mais a apodrecer, outras que tiveramEntenda mais sobre os acidentes acessando este link: leia o QRCode a seguir .
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http://www.rbmt.org.br/details/6/pt-BR/acidente-de-trabalho-com-material-perfurocortante-envolvendo-profissionais-e-estudantes-da-area-da-saude-em-hospital-de-referencia
Os outros exames são sorologia para HIV, HBV e HCV, que devem ser realizados novamente
em um prazo de seis meses.
Todos os acidentes de trabalho devem ser registrados e protocolados, com as informações a
seguir:
- Dados do profissional acidentado
Nome  
Ocupação
Idade
Uso de medicamentos imunossupressores
Histórico de doenças imunossupressoras
- Dados do acidente
Data e hora do acidente
Instrumento do acidente
Forma de exposição (mucosa, perfuração etc.)
Tipo de fluido biológico (considerar a presença de sangue)
Descrição do acidente
- Dados do paciente-fonte
Histórico clínico
Informações sobre o motivo da coleta de amostra, ou intervenção médica
Dados sobre exames sorológicos (caso haja)
- Dados sobre os protocolos seguidos após a exposição
Notificação de acidentes
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Datas de coleta e resultados dos exames do acidentado
Uso de quimioprofilaxia e reações adversas (caso tenha usado e caso tenha      ocorrido)
Procedimentos realizados após o acidente
Acompanhamento após a exposição
O profissional acidentado, caso trabalhe em instituição privada, deve informar o acidente
ocupacional em até 24 horas, por meio do CAT. O CAT é o formulário de Comunicação de
Acidente de Trabalho.
O profissional acidentado, caso trabalhe em instituição pública, deve registrar o acidente em
até 10 dias após o incidente, pelo RJU (Regime Jurídico Único) do local onde se encontra.
VÍDEO
Assista ao vídeo deste link para aprender como elaborar uma CAT:
SAIBA MAIS
Obtenha mais informações a respeito de acidentes de trabalho neste link: leia o
QRCode a seguir .
 Tem mais conteúdo aqui. Leia o QRCode a seguir .
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http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-03/mpt-cada-quatro-horas-e-meia-uma-pessoa-morre-vitima-de-acidente-no-brasil
https://www.folhavitoria.com.br/saude/noticia/04/2019/abril-verde-a-cada-48-segundos-ocorre-um-acidente-de-trabalho-no-brasil
Quando há a exposição, há a avaliação do risco da exposição, que levanta informações
importantes sobre como proceder.
De posse dessas informações, o Ministério da Saúde recomenda os seguintes procedimentos:
No caso do paciente-fonte ser portador de HIV, ou de não existirem informações e ele se
recusar a fazer o teste, ou, ainda, se o paciente-fonte não for conhecido, é importante que se
inicie imediatamente a quimioprofilaxia. Essa decisão deve ser tomada de forma imediata, pois
a quimioprofilaxia deve ter início em até 72 horas após o acidente. Quanto antes iniciar-se,
mais eficaz ela é.
A quimioprofilaxia Pós Exposição Ocupacional (PEP) consiste de uma medida profilática com o
uso de medicamentos. Ou seja, quando há um acidente com risco de infecção, o tratamento,
quando disponível, é fornecido de imediato, como uma medida para evitar que a infecção se
instale após a contaminação.
A PEP para o HIV é feita com medicamentos retrovirais combinados entre si, para otimizar o
mecanismo de ação. Esses tratamentos são realizados durante 28 dias.
O profissional acidentado deve ser informado que a eficácia da PEP não é 100% e que há
efeitos adversos reconhecidos, principalmente para o AZT – ainda que a toxicidade para
indivíduos não infectados não seja muito bem conhecida para os retrovirais. Também deve ser
esclarecido que é direito do acidentado não realizar a PEP, bem como os procedimentos de
acompanhamento e testes sorológicos. Nesse caso, ele deverá assinar um documento no qual
afirma que conhece os riscos da exposição e os riscos e benefícios do procedimento pós
exposição que lhe foi indicado.
Procedimentos após a exposição
a) HIV
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A vacinação para o HBV, no esquema de três doses, é obrigatória para profissionais de saúde,
ou quaisquer pessoas que estejam em contato com amostras biológicas, inclusive, estagiários e
estudantes. Assim, o teste de avaliação da imunidade é uma conduta realizada em casos de
contaminação, a fim de verificar se a vacina efetivamente promoveu a reação imunológica
esperada e essa reação persistiu até o momento do acidente.
Caso seja verificado, no teste, que a imunização não ocorreu, ou se o profissional não for
vacinado, a conduta é realizar testes sorológicos para HBV logo após o acidente e seis meses
após.
A PEP para o HBV é realizada com imunoglobulina hiperimune contra hepatite B, dentro de 24
a 48 horas após a exposição, no máximo. É importante lembrar que quanto mais cedo a PEP for
iniciada, mais eficaz ela é. Não há garantias, entretanto, de sua efetividade em todos os casos.  
Figura 21 - O AZT faz parte dos PEPs indicados para acidentes com possibilidade de contaminação
por HIV
Fonte: https://tinyurl.com/yxdngo4l
b) Hepatites
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https://tinyurl.com/yxdngo4l
O Ministério da Saúde indica que, independentemente do tipo de acidente e as variáveis que o
acompanham, inclusive os próprios resultados sorológicos do paciente-fonte, todo profissional
acidentado deve ser acompanhado por seis a 12 semanas após o incidente, e nova avaliação
sorológica deve ser realizada seis meses após. Se, nesse período de seis meses após o ocorrido,
a sorologia do profissional acidentado for positiva para hepatites ou HIV, o acompanhamento
deverá ser continuado por um ano.
Esse acompanhamento consiste na avaliação dos exames sorológicos e na quimioprofilaxia,
bem como em exames clínicos periódicos.
Acompanhamento
SAIBA MAIS
Conheça as PEPs recomendadas pelo Ministério da Saúde acessando este link: leia o
QRCode a seguir .
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http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-profilaxia-pos-exposicao-pep-de-risco
Para evitar este tipo de acidentes, os EPIs adequados devem ser sempre utilizados. É comum
que profissionais de saúde estejam habituados a realizarem suas atividades, e essa segurança
traga algum desleixo no uso de EPIs. Também ocorre que um número muito grande de
pacientes simultaneamente, em conjunto com o estresse e a pressão associados a esse tipo de
trabalho, levem ao esquecimento do uso destes equipamentos.
Entretanto, é importante que isso se torne um hábito. Acidentes podem ocorrer até mesmo
com os profissionais mais experientes.
Segundo Gir et al., 2004:
em relação ao vírus do HIV, o risco de contaminação está sempre presente, e gira em torno de
0,3% após exposição percutânea ao sangue contaminado, podendo chegar a 1 ou 2% no caso
dos cirurgiões e trabalhadores de serviços de emergência. A situação é ainda mais alarmante
no caso da hepatite B, pois o risco da aquisição do vírus é estimado em até 30%, quando
nenhuma medida profilática é adotada.
Lembre-se de que os EPIs necessários são: luvas, máscaras, toucas e óculos de proteção, jaleco,
calças compridas e calçados completamente fechados.
Biossegurança
SAIBA MAIS
O Ministério da Saúde tem uma publicação de 1999 disponível na Biblioteca Virtual
em Saúde, gratuito e de uso público, intitulado “Manual de Condutas: exposição
ocupacional à material biológico: hepatite e HIV”.
Para saber mais a respeito das condutas relacionadas à exposição a agentes
biológicos, acesse este manual aqui: leia o QRCode a seguir .
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http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/04manual_acidentes.pdf
A manipulação de perfurocortantes também é um fator importante dentro dos quesitos de
prevenção desse tipo de acidentes. As recomendações são as seguintes:
Ao realizar procedimentos com perfurocortantes, tenha atenção, ainda que você esteja
habituado a realizar esses procedimentos.
Não coloque os dedos próximos ao local onde será realizado o procedimento, como forma
de apoio. Por exemplo, ao realizar uma punção venosa, não mantenha seus dedos
próximos ao local puncionado, ainda que isso facilite o processo.
Ao descartar uma agulha, esta não deve ser manuseada. Ou seja, não reencape a agulha
com as mãos, tampouco as retire da seringa ou as dobre.As agulhas podem ser
reencapadas, caso deseje, apoiando a tampa sobre uma superfície e pescando essa tampa
com a própria agulha. A fixação da tampa deve ser feita apoiando-a sobre a mesma
superfície, até que se encaixe na base da agulha, longe de seus dedos. Entretanto, não é
necessário que as agulhas sejam reencapadas para descartá-las.
Os coletores para descarte de material perfurante devem estar sempre próximos ao local
de realização do procedimento, e estes devem ser preenchidos até o máximo de 2/3 de
sua capacidade.
O material perfurocortante que não for descartado, pois será esterilizado
posteriormente, deve ser colocado imediatamente após o uso em recipiente resistente
com tampa, contendo hipoclorito de sódio a 2%.
VÍDEO
Veja aqui como deve ocorrer o descarte correto de perfurocortantes:
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Figura 22 - Caixa Coletora de perfurocortantes
Fonte: https://tinyurl.com/y67gxmf3
AMPLIE SEU CONHECIMENTO
O filme Código de Honra, de 2012, conta a história de uma enfermeira que sofre um
acidente com uma agulha contaminada, e se torna portadora de HIV. O filme se
desenrola com a patente de uma seringa que se inutiliza após o uso, e, na busca por
vender esse equipamento, se descobre um esquema que envolve companhias
medicas poderosas.
O filme é baseado em fatos reais. Leia mais sobre ele aqui: Clique aqui.
Observe como ocorre o acidente com a enfermeira, e perceba como, em algumas
situações, mesmo os melhores profissionais estão expostos a riscos. Pense nos
impactos que a seringa criada poderia ocasionar, pensando em gerenciamento de
riscos e de resíduos.
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https://tinyurl.com/y67gxmf3
http://www.aescotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/codigo-de-honra-mark-kassen-critica/
NA PRATICA
Um enfermeiro sofreu um acidente com agulha ao realizar os cuidados em um
paciente da UTI.
Ele recebeu o PEP mas, após alguns dias, morreu de infecção generalizada, logo após
o paciente-fonte vir a óbito da mesma forma. Após análise, constatou-se que ambos,
tanto o profissional acidentado, como o paciente-fonte vieram a falecer de febre
maculosa.
A febre maculosa é uma doença causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida
pelo carrapato. Se descoberta rapidamente, tem uma cura simples, com o uso de
antibióticos.
Esse caso nos mostra a necessidade de uma análise caso a caso. Os procedimentos
regulamentados e as PEPs se referem ao HIV e hepatites por serem doenças
infecciosas comuns que podem causar danos graves, irreversíveis e até a morte, sem
tratamento que promova a cura. Entretanto, é importante analisar o paciente-fonte
como um todo, pensando no motivo de sua presença na unidade de saúde, e
realizando um acompanhamento efetivo do profissional acidentado.
Assista a esta notícia: Clique aqui.
ou, se preferir, leia clicando aqui.
Aqui temos uma notícia do laudo: Clique aqui.
Para mais detalhes acerca da febre maculosa, acesse este link: Clique aqui.
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https://www.youtube.com/watch?v=TSLlfmzuw44
http://varelanoticias.com.br/enfermeiro-morre-apos-ser-infectado-com-agulha-contaminada-em-hospital/
https://www.forumat.net.br/at/?q=node/1886
https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/febre-maculosa/
A melhor forma de evitar contaminações são as medidas profiláticas contra riscos de
acidentes. Entretanto, falhas são sempre passíveis de ocorrer.
É importante que saibamos como proceder nesses casos, para minimizar os danos associados.
Ao final desta aula, você foi capaz de:
Identificar a exposição provável a agentes biológicos.
Compreender os procedimentos a serem tomados se houver a exposição potencial a
agentes biológicos.
ESTUDO DE CASO
Assista ao vídeo abaixo, do tempo de 00:22 a 1:07, com muita atenção: Clique aqui.
Esse vídeo foi desenvolvido pela equipe de segurança do trabalho de um hospital,
para demonstrar que os profissionais tendem a se habituar a realizar os
procedimentos, e acabam por não perceber os riscos a que estão submetidos.
Imagine que você está fazendo uma análise de risco deste setor do hospital, e as
cenas que você assistiu no vídeo tenham sido presenciadas por você.
Qual seria o tipo de risco ao qual a profissional estaria exposta?
Quais seriam suas recomendações?
Caso ela sofresse um acidente com perfuração naquele procedimento, quais seriam
as atitudes a serem tomadas?
Fechamento
74
https://www.youtube.com/watch?v=Mj_dA5OX9VY
Referências
Unidade 2
AQUINO, A. M. Fauna do Solo e sua Inserção na Regulação Funcional do Agroecossistema.
Biota, EMBRAPA 2006.
BRANCO FILHO, J. R. C. Tolerância zero em infecção hospitalar. Prática Hospitalar. v. 69, p. 34,
2010.
BRANCO FILHO, J. R. C. Construindo um modelo de segurança do paciente. Prática
Hospitalar, ano XIII, n. 74, mar.-abr., p. 8-9, 2010.
BAHIA. Secretaria da Saúde. Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde. Diretoria de
Vigilância e Controle Sanitário. BRASIL. Universidade Federal da Bahia. Instituto de Ciências
da Saúde. Manual de Biossegurança. Salvador, 2001.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Portaria n 3.214, de 08 de junho de 1978. Aprova a
Norma Regulamentadora NR 06 – Equipamentos de Proteção Individual. Diário Oficial da
União 1978.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n 2.616 de 12 de maio de 1998. Diretrizes e normas
para a prevenção e controle das infecções hospitalares. Diário Oficial da União.
75
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Manual de condutas: exposição
ocupacional a material biológico: hepatite e HIV. Brasília; Ministério da Saúde; 1999.
BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n. 283. Tratamento e a destinação
final dos resíduos dos serviços de saúde. Diário Oficial da República Federativa do Brasil,
Brasília, DF, 12 de julho de 2001.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Portaria n 485, de 11 de novembro de 2005.
Aprova a Norma Regulamentadora NR 32 – Segurança e saúde no trabalho em serviços de
saúde. Diario Oficial da União 2005.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos.
Departamento do Complexo Industrial e Inovação em Saúde. Classificação de Riscos dos
Agentes Biológicos. Editora MS. 2010.
BRASIL. Lei n° 12.305, de 02 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos
Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 e dá outras providências. Diário
Oficial da União.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Especializada. Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados. Hematologia e hemoterapia:
guia de manejo de resíduos / Hematology and hemoterapy: waste management guide. Brasília,
Ministério da Saúde, 2. ed., 2012
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção
Especializada e Temática Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados. 2. ed., 2019 .
CAPALBO, Deise M. F. et al. OGM e biossegurança ambiental. In: COSTA, Marco Antonio F. da;
COSTA, Maria de Fátima Barrozo da (Org.). Biossegurança de OGM: uma visão integrada. Rio
de Janeiro: Publit, 2009. p. 190-219.  
CARDOSO, D. R. Biossegurança em surtos e epidemias de origem natural, acidental ou
deliberada: as ações dos profissionais de hospitais públicos de referência no município do Rio
de Janeiro, Brasil. 2011. Dissertação (Mestrado em Pesquisa Clínica e Doenças Infecciosas) –
Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas, Pós-Graduação em Pesquisa Clínica em
Doenças Infecciosas, 2011.
CONAMA. Resolução 05, de 5 de agosto de 1993. Dispõe sobre o plano de gerenciamento,
tratamento e destinação final de resíduos sólidos de serviços de saúde, portos, aeroportos,
terminais rodoviários e ferroviários. Diário Oficial da União 1993.
76
CONAMA. Resolução 283, de 12 de julho de 2001. Dispõe sobre o tratamento e a destinação
final dos resíduos dos serviços de saúde. Diário Oficial da União 2001.
CONAMA. Resolução 358 de 29 de abril de 2005. Dispõe sobre o tratamento e a disposição
final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União2005.
GIR E. et al. Biossegurança em DST/AIDS: condicionantes da adesão do trabalhador de
Enfermagem às medidas de precaução. Rev. Esc. Enferm. USP, 2004, set, n. 38, v. 3, p. 245-253.
MALAJOVICH, M. A. Biotecnologia 2011. Rio de Janeiro, Edições da Biblioteca Max Feffer do
Instituto de Tecnologia ORT, 2012
MARIANI, E. J. As normas ISO. Revista Científica de Administração, ano VI, n. 10, junho de
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PLEBANI, M. Exploring the iceberg of errors in laboratory medicine. Clin Chim Acta, v. 404, p.
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TEIXEIRA, P.; VALLE, S. Biossegurança: uma abordagem multidisciplinar. Rio de Janeiro: Ed.
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VIEIRA, K. F. et al. A utilidade dos indicadores da qualidade no gerenciamento de laboratórios
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Med Lab, v. 47, n. 3, p. 201-210, junho de 2011.
Sugestão de leitura:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12808. Resíduos de serviços de
saúde. Rio de Janeiro, 1993.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12809. Manuseio de resíduos de
serviços de saúde. Rio de Janeiro, 1993.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9191. Sacos plásticos para
acondicionamento de lixo – requisitos e métodos de ensaio. Rio de Janeiro, 2002.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10004. Resíduos sólidos.
Classificação. Rio de Janeiro, 2004.
77
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7500. Identificação para o
transporte terrestre, manuseio, movimentação e armazenamento de produtos. Rio de Janeiro,
2004.
78
	capa_unidade2
	Introdução Unidade 2
	Aula 2-1
	Aula 2-2
	Aula 2-3
	Aula 2-4
	Aula 2-5
	Referências Unidade 2alérgenos excluídos. Ainda, algumas 
plantas passaram a ser produtoras de medicamentos ou vacinas.
7
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/marco_legal_organismos_geneticamente_modificados.pdf
Todas essas modificações tiveram como objetivo minimizar a necessidade de atividades 
químicas (agrotóxicos, por exemplo) e mesmo mecânicas que agridem o meio ambiente, além 
de tornar o uso dos recursos naturais mais eficiente, diminuir custos e melhorar a qualidade 
nutricional dos alimentos.
Assim, vemos que, por um lado, o Brasil tem um grande potencial de desenvolvimento nessa 
área. Mas, por outro lado, ainda são necessárias mais informações acerca dessas novas 
tecnologias e de seu impacto no ambiente, na saúde humana e de animais.
A verificação de biossegurança para OGM, enfatizando-se as plantas transgênicas, considera a 
segurança ambiental e a segurança alimentar de forma interligada.
Resistência a Herbicidas
Principais benefícios das plantas geneticamente
modificadas
ATENÇÃO
Quando citamos as diferentes transformações das plantas transgênicas, é importante
ressaltar que não há uma única espécie transgênica que reúna em si todas as
transformações.Por exemplo, o milho Bt, desenvolvido pela Embrapa, produz toxinas
que agem especificamente contra a Lagarta-do-cartucho-do-milho, a Lagarta-da-
espiga-do-milho, e a Broca-da-cana-de-açúcar.
Um algodão, também desenvolvido pela Embrapa, é resistente à seca.As plantas que
apresentam várias características combinadas, como tolerância a dois herbicidas, são
novidade no mercado. Ainda assim, são combinações bastante restritas.
Quando há uma plantação, é comum o crescimento de plantas daninhas e invasoras, entre as 
variedades semeadas para produção. Estas não são interessantes para o agricultor, porque elas 
competem pelos nutrientes do solo, e dificultam a colheita.
Para reduzir o problema, a prática utilizada é a aplicação de herbicidas como preparo para o 
plantio, o que prejudica o solo. Claro, não é possível aplicar herbicidas em uma plantação já 
estabelecida, pois eliminaria não apenas as plantas daninhas e invasoras, mas as próprias 
plantas que se intenciona produzir.
8
Por isso, um dos OGM mais comercializados no mundo são as sementes tolerantes a 
herbicidas, que permitem que seja aplicado o herbicida após a germinação.
Resistência a pragas
Um dos maiores problemas na produção da agricultura são os insetos. Além de reduzirem 
drasticamente as safras, eles também deixam ferimentos nas plantas que são comumente 
contaminadas com fungos.
Para realizar o controle desses insetos, os agrotóxicos são utilizados em larga escala, trazendo 
consequências para o meio ambiente e para a saúde humana. Como uma alternativa a tal 
prática, as plantas transgênicas resistentes possuem o gene de uma toxina produzida por uma 
bactéria do solo, que mata insetos e lagartas quando ingerido.
Essa toxina não tem efeito sobre o ser humano, e é utilizada entre os produtores de alimentos 
orgânicos há décadas. As vantagens são a eliminação ou enorme redução do uso de 
agrotóxicos, e a redução das toxinas provenientes de fungos que costumam contaminar as 
plantas danificadas por insetos.
Existem, também, plantas modificadas que possuem resistência a doenças, principalmente 
virais, que atingem variedades de interesse na agricultura.
Teor nutricional melhorado
Muitas variedades de plantas transgênicas receberam modificações que transformam e 
melhoram a qualidade nutricional. Alguns exemplos são: o arroz com alto teor de ferro, o milho 
enriquecido com aminoácidos, a batata com alto teor de proteínas. Todos eles são 
desenvolvidos após processos de pesquisa.
O maior exemplo desses alimentos, entretanto, é o golden rice (arroz dourado, em português). 
Esse arroz foi geneticamente modificado para que ele possua altos teores de vitamina A. A 
hipovitaminose A é um problema de saúde pública mundialmente importante, especialmente 
nas regiões pobres, onde há um grande consumo de arroz.
9
Há, ainda, plantas transgênicas com a redução de possíveis alérgenos, aumento do tempo de
conservação, melhoria do sabor, redução de gordura trans em oleaginosas, e várias outras que
ainda estão em pesquisa.
Biofábricas
Outras pesquisas em andamento são as relacionadas com as fábricas biológicas, que produzem
plásticos, vacinas e fármacos.
A Embrapa conseguiu desenvolver uma variedade de soja que produz a cianovirina, molécula
capaz de impedir a multiplicação do HIV no organismo humano.
SAIBA MAIS
O projeto golden rice é considerado um empreendimento humanitário, e várias
empresas envolvidas nesse projeto cederam seus direitos de patente para que a
produção ocorra em países em desenvolvimento.Você pode saber mais a respeito no
site oficial do projeto: leia o QRCode a seguir .
Em português, há uma reportagem que explica o projeto no site do Conselho de
Informações sobre Biotecnologia (CIB): leia o QRCode a seguir .
SAIBA MAIS
Conheça mais sobre as biofábricas e a pesquisa da Embrapa com a cionovirina aqui:
leia o QRCode a seguir .
10
http://www.goldenrice.org/
http://www.goldenrice.org/
https://cib.org.br/arroz-dourado/
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/3624041/fabricas-biologicas
Segundo Dale et al. (2002), os possíveis impactos ambientais das plantas transgênicas são os
seguintes:
Resistência a pragas e doenças
Algumas plantas transgênicas produzem toxinas contra pragas. São exemplos de pragas: vírus,
bactérias, fungos, ervas daninhas ou insetos, que ataquem as plantas, produzam doenças ou,
de alguma forma, reduzam seu crescimento e produtividade. É interessante esclarecer que
essas pragas e doenças vitimam as plantas, não os seres humanos.
Um possível impacto dessas variedades de OMG é o desenvolvimento de resistência dessas
pragas. Assim, pragas que hoje são controláveis, ainda que com a utilização de produtos
químicos, podem, potencialmente, se tornar de difícil eliminação.
A outra possibilidade são consequências associadas aos compostos expressos por essas
plantas no solo. Segundo Aquino (2006), o solo possui, além de microrganismos, uma
microfauna específica, constituída por invertebrados como protozoários e nematoides. Esses
animais, em conjunto com as bactérias e fungos, possuem um papel importante na regulação
da matéria orgânica, e influenciam em várias características do solo.
Esse ecossistema delicado proporciona um ambiente saudável para o crescimento da
vegetação. Se as toxinas contra pragas produzidas por esses OMGs reduzirem ou eliminarem
essa importante fauna, teremos a formação de áreas inviáveis para a agricultura.
Ainda, uma vez que essas toxinas alcancem o solo, é possível que possam encontrar lençóis de
água, contaminando-os.
Redução da biodiversidade
Algumas plantas transgênicas possuem alterações que trazem resistência a adversidades
ambientais. Estas podem ser resistência à seca, ao calor, ao frio, a inundações, a solos pobres
ATENÇÃO
O OGM pode se espalhar e colonizar ambientes diferentes. Como as alterações são
diferentes, cada uma possui uma possível consequência também distinta.
Principais riscos das plantas geneticamente modificadas
11
em nitrogênio, e assim por diante.
Os impactos dessas variedades estão associados a suas vantagens adaptativas. Se uma planta
com essa resistência se dissemina no ambiente natural, ela pode rapidamente dominar a
região, extinguindo as plantas nativas e reduzindo a biodiversidade.
Ainda, há possíveis influências sobre outros organismos e sua biodiversidade
Estudos concluídos recentemente com plantas melhoradas por cruzamento, sem a inserção de
genes exógenos, para enfrentar ao ataque de pragas, têm indicado que mudanças na
constituição química, como aumento na concentração de algumas substâncias, ou mudanças
morfológicas, tais como crescimento aumentado de pelos, podem atingir outros organismos
que interagem com as plantas. Por serem situações semelhantes, indica-se esse tipo de estudo
para plantas transgênicas por questões de verificação de biossegurança.Mas o que isso significa?
Abelhas, minhocas e aves que comam os frutos daquela planta, por exemplo, podem sofrer com
a toxicidade de uma toxina que tem como objetivo proteger a planta de lagartas, ou com a
ingestão de um medicamento expresso pela planta, por exemplo.-
No caso da alimentação humana, a preocupação maior é de modificações secundárias de
substâncias presentes nas plantas que possam levar a casos de toxicidade e, principalmente,
alergias não previstas.
Os experimentos para análise desses fatores são feitos em ambiente controlado. É importante
que sejam tomados alguns cuidados na elaboração desse tipo de pesquisa, para que se exponha
outros organismos possivelmente presentes em uma plantação desse tipo de planta e, assim,
se possa ter conclusões bem fundamentadas.
Cruzamento com plantas daninhas e invasoras
ATENÇÃO
Veja que os riscos ambientais das plantas transgênicas são possibilidades que devem
ser avaliadas caso a caso.
12
Plantas de espécies semelhantes podem se cruzar, mesmo a distância, por causa dos
polinizadores, como as abelhas. Se uma planta alterada geneticamente for cruzada com uma
planta daninha, ou uma planta invasora, pode haver a transferência das características
melhoradas para estas.
Isso poderia levar à formação de plantas daninhas ou invasoras com resistência a pragas e a
situações ambientais adversas, por exemplo, tornando muito difícil reduzir sua população.
Resistência no controle de plantas invasoras
Algumas plantas transgênicas possuem a expressão de toxinas que evitam que plantas
invasoras se desenvolvam ao seu redor. Com o tempo, isso pode selecionar as plantas
invasoras resistentes a herbicidas, e isso pode dificultar muito o controle delas.  
Após as plantas, os organismos mais comumente submetidos a modificações genéticas são os
microrganismos. Vários deles, especialmente bactérias, já sofreram a inserção de genes com
interesse médico, como o gene responsável pela expressão da insulina humana, por exemplo.
Entretanto, esses microrganismos são confinados em laboratórios e, desde que as barreiras de
contenção estejam corretamente utilizadas, há poucas chances desses microrganismos se
dispersarem no ambiente.
Microrganismos Geneticamente
Modificados (MGM)
ATENÇÃO
Os possíveis riscos causados pelas plantas geneticamente modificadas relacionam-se
com a existência do DNA exógeno neste vegetal, tanto no que se refere a
consequências dos próprios resultados calculados, como à resistência a determinada
praga, como também de resultados não intencionais que possam ocorrer. Por
exemplo, alterações morfológicas na planta, ou mudança na composição química, que
poderia potencialmente ampliar a toxicidade ou alergenicidade.
13
Contudo, existem diversos Microrganismos Geneticamente Modificados (MGM) que são
manipulados especificamente para a introdução no ambiente. São, por exemplo, bactérias
capazes de produzir uma enzima que degrade um poluente, ou bactérias fixadoras de
nitrogênio inseridas junto às raízes de plantas para melhorar sua produção, entre tantos
outros.
Os riscos ambientais dos MGM são semelhantes aos considerados para as plantas
transgênicas:
* possibilidade de transmissão do gene introduzido para outras bactérias no ambiente;
* possibilidade de contaminação do solo e da água;
* potencial de redução da biodiversidade de bactérias do solo por vantagem competitiva;
* potencial expansão desses MGM para plantas invasoras ou daninhas, aumentando a
resistência e capacidade de crescimento destas.
Os organismos geneticamente modificados podem ser de diferentes espécies. Existem, por
exemplo, mosquitos modificados e soltos no ambiente que portam genes letais, impedindo o
nascimento de machos e, assim, extinguindo a população de mosquitos portadores de doenças.
Outros organismos geneticamente
modificados
SAIBA MAIS
Quer saber mais sobre transgênicos? Leia esta reportagem: leia o QRCode a seguir
.
14
http://www.mpf.mp.br/pgr/noticias-pgr/transgenicos-pesquisadores-expoem-argumentos-pros-e-contras-e-esclarecem-duvidas-de-procuradores-sobre-o-assunto
Há, também, pesquisas com modificações genéticas em animais de interesse agropecuário,
com objetivos de melhorar a produção, a absorção de nutrientes, produção de leite, entre
outras características.
Ainda é incipiente a ideia de um plano de ações atenuadoras para possíveis imprevistos no uso
de OGM, que surjam após anos de utilização. Entretanto, esta ideia está cada vez mais se
fortalecendo no âmbito da biossegurança, com o acúmulo de resultados obtidos por pesquisas
na área.
Quanto mais estudados os OGM, mais informações são geradas, de forma que as
possibilidades decorrentes da utilização dos OGM poderão ser melhor delineadas. A
existência dessas informações permite prever e elaborar medidas que possam ser adotadas
para causar o menor impacto ambiental e alimentar possível
Ao final desta aula, você foi capaz de:
Compreender os riscos e necessidades de pesquisa em biossegurança de plantas
transgênicas.
Compreender os riscos e necessidades de pesquisa em biossegurança de microrganismos
geneticamente modificados.
Fechamento
15
Gerenciamento de Resíduos
O descarte inadequado de resíduos provenientes de indústrias, laboratórios, hospitais e
demais unidades de saúde pode trazer consequências importantes para a população e o meio
ambiente, sendo âmbito de preocupação de saúde pública.
O profissional de saúde, tanto aquele que gerencia quanto aquele que presta serviços a
unidades de saúde, precisa conhecer e executar as regras a respeito da destinação de rejeitos,
principalmente aqueles contaminados com agentes biológicos e químicos.
Ao final desta aula, você será capaz de:
Compreender a classificação dos resíduos.
Conhecer a principal legislação pertinente à destinação dos resíduos.
Entender os princípios básicos para a elaborado de um Plano de Gerenciamento de
resíduos.
Aula 02
Introdução
16
Quanto à origem
Os resíduos sólidos podem ter as seguintes origens:
Resíduos sólidos urbanos
Os resíduos sólidos urbanos consistem nos rejeitos dispensados pelas residências e pelos
serviços de limpeza urbana. São, assim, todo o lixo produzido em uma casa, que inclui
fundamentalmente restos de comida e dejetos dos lixos de banheiro, entre outras infinitas
possibilidades, e os encontrados nas ruas e lixeiras públicas das cidades.
Os resíduos sólidos urbanos devem ser separados para posterior reciclagem.
Resíduos sólidos
Classificação dos resíduos sólidos
VÍDEO
Assista a videoaula a seguir:
17
Resíduos dos serviços públicos de saneamento básico
Resíduos descartados nos sistemas de esgoto.
Resíduos industriais
Os resíduos industriais podem ser constituídos de inúmeros produtos diferentes, dependendo
do tipo de atividade desenvolvido por esta indústria. Na maioria das vezes, esses resíduos
constituem-se de diversas combinações de produtos químicos, mas não de forma estrita. Veja
que indústrias alimentícias produzem também resíduos biológicos, por exemplo.
Figura 2 - Lixeiras de coleta seletiva de lixo
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Reciclagem
18
https://pt.wikipedia.org/wiki/Reciclagem
Resíduos de serviços de saúde
Os resíduos de serviços de saúde são aqueles provenientes de estabelecimentos que oferecem
prestação de serviços na área de saúde. Incluem-se nessa classificação os estabelecimentos de
prestação de serviços no setor de beleza, quando estes geram resíduos biológicos.
Resíduos de construção civil
Figura 3 - Resíduos industriais são, geralmente, repletos de agentes químicos, mas podem conter
produtos biológicos e artefatos dos mais diferentes tipos.
Figura 4 - Resíduos hospitalares podem estar contaminados com agentes biológicos.
19
São os rejeitos originados em construções como um todo, incluindo reformas e pequenos
reparos, e demolições. Constituem-se de restos de tijolos, cerâmica, cimento, fios, tinta e
outros similares.
Resíduos agrossilvipastoris
Resíduos agrossilvipastoris são aqueles provenientes, conforme o nome nos informa,de
agricultura, de silvicultura e de pasto. Ou seja, são os resíduos produzidos na agropecuária,
madeireiras e na recuperação de matas.
Figura 5 - Resíduos da construção civil podem ser originados de construções e demolições.
20
Resíduos de serviços de transporte
Os resíduos de serviços de transporte são compostos por restos de óleo, combustível, pneus e
outros rejeitos associados aos serviços prestados em portos, aeroportos, rodoviária e
estações. Não se incluem aqui os rejeitos que se classificam como saneamento básico ou são
relacionados com a limpeza urbana.
Figura 6- Entre os resíduos agrossilvipastoris, podem estar agrotóxicos
Fonte: https://tinyurl.com/yxqxk5pp
21
https://tinyurl.com/yxqxk5pp
Resíduos de estabelecimentos comerciais
Compreendem todos os resíduos produzidos especificamente em comércios, incluindo os
prestadores de serviços. Não se incluem aqui os rejeitos dos serviços de transporte e de
atendimento à saúde, bem como os rejeitos que se classificam como saneamento básico ou são
relacionados com a limpeza urbana.  
Figura 7 - Alguns resíduos de serviços de transportes podem ser reciclados
Fonte: https://tinyurl.com/y3sen4tw
22
https://tinyurl.com/y3sen4tw
O gerenciamento dos resíduos sólidos é regulamentado pela Lei No. 12.305, de 2010, que
institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Apesar de existirem outras legislações
que regulamentem esses resíduos, a PNRS é a principal a atuar especificamente nesse sentido.
Como tudo o que se aplica a questões de biossegurança, a prevenção e a precaução são os
princípios fundamentais da PNRS.
SAIBA MAIS
Nem todos os locais realizam o manejo de resíduos de forma adequada, causando
acidentes, contaminação e risco à população e ao meio ambiente. Ainda, pode haver
descaso em relação ao uso de EPIs. Esses locais são multados, processados e,
dependendo da circunstância, podem ser fechados.
Confira algumas notícias sobre esse tipo de irresponsabilidade, pertinho da gente:
Leia o QRCode a seguir .
Leia o QRCode a seguir .
Leia o QRCode a seguir .
Legislação pertinente
23
https://www.bonde.com.br/saude/noticias/mulher-contaminada-com-hepatite-ao-manusear-lixo-hospitalar-sera-indenizada-326790.html
https://luzilandiapiaui.com.br/wp/2019/06/27/hgcb-se-envolve-em-escandalo-com-lixo-hospitalar-diretora-responde-denuncias-confira/
https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2019/06/28/vistoria-em-hospitais-do-df-identifica-lixo-a-ceu-aberto-e-riscos-a-seguranca-de-funcionarios.ghtml
A PNRS assevera que aplica uma visão sistêmica dos fatores envolvidos no gerenciamento de
resíduos, uma vez que considera pontos relacionados ao ambiente e suas variáveis possíveis,
mas também analisa e leva em consideração aspectos sociais e econômicos no processo de
gestão, e as diferenças regionais devem ser refletidas nos planos de gerenciamento.
Assim, a política para gestão de resíduos sólidos envolve vários aspectos que extrapolam a
destinação desses resíduos somente. É considerada a necessidade de desenvolvimento
produtivo no Brasil, mas esse desenvolvimento deve ser sustentável, com o estímulo a
fabricação de produtos de forma produtiva, mas com a otimização do uso de recursos e a busca
pela geração do mínimo de resíduos associados.
Na PNRS é colocado, também, o compartilhamento da responsabilidade pelo ciclo dos
produtos entre diferentes setores do poder público, empresas, comércio e população. Ainda,
há a visão do resíduo sólido reciclável com valor agregado em termos econômicos, uma vez
que gera trabalho e renda, bem como o respeito aos princípios da razoabilidade e
proporcionalidade.
Os objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos são fundamentalmente os seguintes:
Proteção a comunidade e ao ambiente.
Estimular a produção e consumo sustentáveis.
Estimular o desenvolvimento e adoção de tecnologias limpas.
Promover e estimular a redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos
sólidos, bem como a destinação adequada.
Articular o setor empresarial e o poder público para promover cooperação técnica e
financeira.
Promover a capacitação continuada no que se refere a práticas sustentabilidade e
destinação de resíduos, incluindo desenvolvimento de pesquisas e tecnologias.
VÍDEO
Veja a Lei No. 12.305, de 2010, que define a Política Nacional de Resíduos
Sólidos, comentada aqui:
24
Incentivar o desenvolvimento de cooperativas de catadores.
Realizar o monitoramento e fiscalização.
Promover a educação ambiental.
Na área de saúde, a RDC ANVISA 222, de 2018, orienta a construção do Plano de
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS). Segundo esse documento da
ANVISA, o PGRSS:
(…) aponta e descreve todas as ações relativas ao gerenciamento dos resíduos de serviços de
saúde, observadas suas características e riscos, contemplando os aspectos referentes à
geração, identificação, segregação, acondicionamento, coleta, armazenamento, transporte,
destinação e disposição final ambientalmente adequada, bem como as ações de proteção à
saúde pública, do trabalhador e do meio ambiente. (ANVISA, 2018)
SAIBA MAIS
O Ministério da Saúde tem uma publicação de 2019 disponível na Biblioteca Virtual
em Saúde, gratuito e de uso público, intitulado “Plano de Gerenciamento de Resíduos
de Serviços de Saúde”.
Apesar de ser direcionado para hematologia e hemoterapia, pode ser utilizado para
qualquer ambiente N-2 e/ou que trabalhe com amostras biológicas envolvendo
sangue. Você pode acessar esse documento neste link: leia o QRCode a seguir .
25
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/plano_residuos_hematologia_hemoterapia_2ed.pdf
Caro(a) estudante, agora você pode estar se perguntando como elaborar o PGRSS. Aqui vão
algumas orientações:
a) Definindo os objetivos do PGRSS da instituição
Defina seus objetivos. Os objetivos de qualquer PGRSS devem estar em torno dos eixos
principais: minimização de resíduos, manejo seguro dos resíduos, segurança e saúde
ocupacional e proteção do ambiente.
Para construir um PGRSS, é importante analisar a instituição, seus processos e pensar em
formas de realizar ações que atendam aos eixos preconizados pela ANVISA. Um dos objetivos
pode ser, por exemplo, reduzir a utilização de insumos de Imunologia clínica em 30% através da
otimização do processo no setor e controle de estoque.
b) Definindo responsabilidades
É importante que exista um gestor responsável pela elaboração e implantação do PGRSS. Pode
ser terceirizado esse serviço, mas deve haver um responsável interno pelo acompanhamento e
fiscalização.
c) Programa de educação continuada
SAIBA MAIS
A RDC ANVISA 222, de 2018, pode ser encontrada aqui: leia o QRCode a seguir
.
VÍDEO
Estude mais sobre o PGRSS aqui:
26
http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/3427425/RDC_222_2018_.pdf/c5d3081d-b331-4626-8448-c9aa426ec410
A RDC 222 de 2018 exige que a instituição tenha um programa de educação continuada para
todos os funcionários, incluindo os terceirizados. É obrigatório que esse programa seja
pensado, desenvolvido e descrito no PGRSS.
É interessante que a capacitação seja focada nas atividades desenvolvidas pelos profissionais.
Essa educação continuada trata-se de capacitação para a realização, dentro da empresa, dos
quatro eixos do PGRSS. Por exemplo: profissionais de coleta e transporte de resíduos podem
ser treinados quanto à forma correta de descarte de EPI.
d) O Manejo de resíduos de saúde
O manejo de resíduos de saúde inclui várias etapas:
separação dos resíduos;
acondicionamento;
identificação;
transporte interno;
armazenamento temporário;
armazenamento externo;
coleta interna;
transporte externo;
destinação;
Figura 8 - A educação continuada é essencial no PGRSS. Sem a capacitação, a equipe não tem
subsídios de conhecimento para cooperação.
Fonte: https://torange.biz/pt/medical-education-19850
27
https://torange.biz/pt/medical-education-19850
disposição final ambientalmente adequada.
d.1) Os Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) devem ser separados, acondicionadose
identificados de acordo com a classificação preconizada pela RDC 222, de 2018, da ANVISA,
conforme informações organizadas no Quadro 2.
Grupo
A
Resíduos potencialmente contaminados com agentes biológicos
Grupo
B
Resíduos com substâncias químicas que possam apresentar risco à população ou ao ambiente
Grupo
C
Resíduos com materiais radioativos
Grupo
D
Resíduos que não apresentam risco biológico, químico ou radiológico. Esses resíduos são aqueles
semelhantes aos resíduos residenciais
Grupo
E
Materiais perfurocortantes
Quadro 2 –Orientações de separação de resíduos conforme a RDC 222, de 2018
Fonte: elaboração do autor
A identificação deve ser feita com a classificação do RSS e sua respectiva simbologia de risco,
em todos os recipientes, sacos, carros ou locais de armazenamento de RSS, de acordo com o
Quadro 3.
28
d.2) Acondicionamento dos RSS
- Resíduos sólidos comuns
Resíduos comuns, que pertençam à classe D, devem ser acondicionados em sacos plásticos
resistentes, separados em recicláveis e não recicláveis.
O saco plástico preto deve acondicionar não recicláveis. O saco vermelho destina-se a
plásticos, o azul, a papéis, o amarelo, a metais e, o verde, a vidro.
- Resíduos sólidos com material biológico
Os resíduos com material biológico, do grupo A, devem ser preferencialmente autoclavados
antes do descarte, e acondicionados em saco branco leitoso apropriado. Deve ser identificado
de acordo com o risco.
As lixeiras devem ser arredondadas, lisas, laváveis, resistentes e com tampa que não necessite
de abertura manual. Tanto o saco quanto a lixeira devem ser identificados.
Subgrupo A1: resíduos com maior quantidade de matéria orgânica e microrganismos e
com microrganismos mais infecciosos.
Subgrupo A2: materiais anatômicos, como carcaças, órgãos e outros resíduos de animais
experimentais inoculados com microrganismos ou suspeitos de contaminação.
Quadro 3 - Classificação de RSS e respectiva simbologia de risco
Fonte: Ministério da Saúde (2019)
29
Subgrupo A3: materiais anatômicos humanos.
Subgrupo A4: resíduos com menor quantidade de matéria orgânica e microrganismos e
sem microrganismos mais infecciosos.
Subgrupo A5: materiais de origem biológica com suspeita de contaminação por prions.
A coleta desse tipo de lixo deve ser feita por pessoal capacitado, com EPIs luvas de borracha,
máscara e botas. O saco deve ser fechado e transportado em carro coletor fechado, também
identificado. O transporte externo deve ser realizado em caminhão fechado, autorizado e
identificado.
Os resíduos devem ser autoclavados ou incinerados. Finalmente, os resíduos são dispostos em
aterro sanitário ou vala séptica, em locais autorizados.
- Resíduos Líquidos
Quaisquer resíduos líquidos devem ser colocados em recipientes resistentes ao material
contido, com tampa e a prova de vazamentos. Deve ser identificado com o grupo ao qual
pertence.
- Resíduos químicos
Resíduos químicos, do grupo B, devem ser diluídos e colocados em recipientes resistentes ao
material contido, com tampa e a prova de vazamentos. O recipiente pode ser preenchido até o
máximo de 2/3 de sua capacidade.
Esses resíduos devem ser classificados segundo o perigo que representam, de acordo com o
enquadramento orientado pela RDC 306/2004, da ANVISA, e a Resolução 358/2005, do
Conama. Os não perigosos podem ser tratados como grupo D (lixo comum). Os resíduos
químicos não devem ser misturados, para evitar possíveis reações.
ATENÇÃO
Alguns resíduos, como os biológicos, podem ser incinerados. Entretanto, esta não
pode ser a destinação de todo e qualquer resíduo. Agentes químicos, por exemplo,
podem ser bastante perigosos se incinerados.
30
Esse tipo de resíduo deve ser armazenado externamente ao local gerador, em um abrigo de
resíduos químicos de alvenaria, especificamente construído para esse fim.
Seu destino final é o aterro industrial.
- Resíduos radioativos
Os resíduos radioativos, do grupo C, possuem legislação própria e de acordo com cada tipo e
radioatividade associada, definida pela CNEN.
- Resíduos perfurocortantes
Os resíduos perfurocortantes, do grupo E, devem ser alocados em recipientes rígidos,
resistentes, e identificados de acordo com o risco. Geralmente, se utiliza o descarpack, próprio
para esses resíduos, mas também é possível utilizar recipientes de plástico duro, resistente, e
com tampa hermeticamente fechada.
Para segregação, deve ser considerada a classificação relacionada à contaminação desses
resíduos, e sua destinação final depende dessa classificação.
Figura 9 - Resíduos radioativos são muito específicos, e tratados pela CNEN com especial atenção.
31
ATENÇÃO
Resíduos perfurocortantes contaminados devem ser descartados,
preferencialmente, em descarpacks.
Figura 10 - Descarpack.
Fonte: https://tinyurl.com/yxzosaun
SAIBA MAIS
A destinação final de resíduos especiais é um problema. Afinal, os locais onde eles são
descartados, como aterros sanitários, são contaminados por tempo indeterminado,
mesmo após toda a degradação dos resíduos – o que levaria um bom tempo.
Por isso, há um projeto na Câmara dos deputados que incentiva a produção de
energia a partir de resíduos. Veja mais detalhes neste link: leia o QRCode a seguir
.
Ficou curioso(a) sobre o tempo de degradação de resíduos? Confira mais informações
neste link: leia o QRCode a seguir .
32
https://tinyurl.com/yxzosaun
Fechamento
O lixo é um problema em nossa sociedade. A geração de lixo ocorre em uma proporção muito
maior do que o tempo necessário para que ocorra a decomposição média da maior parte dos
materiais que compõem o lixo. Assim, cada vez mais, locais são utilizados para o descarte de
resíduos.
Quando se trata de resíduos especiais, como os que estudamos nessa aula, o conflito é ainda
maior. Lixo químico, radioativo e biológico contaminam o local onde são descartados
indefinidamente. Mas, da mesma forma que o lixo comum, esses resíduos também são
produzidos em uma proporção que ultrapassa, em muito, o tempo de decomposição média.
Quanto mais aterros sanitários e setores específicos para a destinação desse tipo de resíduos
nós tivermos, mais locais contaminados existirão.
Veja que a questão dos resíduos especiais é muito importante. Além dos cuidados necessários
para evitar acidentes e a contaminação local da população e ambiente, a redução na geração
de lixo é algo essencial.
Ao final desta aula, você foi capaz de:
Compreender a classificação dos resíduos.
Conhecer a principal legislação pertinente à destinação dos resíduos.
Entender os princípios básicos para a elaborado de um Plano de Gerenciamento de
resíduos.
33
https://odocumento.com.br/comissao-aprova-incentivo-a-geracao-de-energia-a-partir-de-residuos/
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/quanto-tempo-leva-para-nossas-coisas-se-decomporem/
Gestão da Qualidade
Introdução
A ideia de gestão da qualidade surgiu no início do século XX durante a Primeira Guerra
Mundial, quando as indústrias bélicas precisavam aumentar a produção de armamentos e, ao
mesmo tempo, garantir que eles funcionassem adequadamente.
Na área de saúde, a lógica da gestão da qualidade é a mesma. O serviço prestado precisa ser
adequado, ao mesmo tempo em que há uma complexidade associada a essa prestação de
serviços e um grande número de usuários, além da demanda por um processo sustentável,
seguro e economicamente acessível.
Indicadores de qualidade são utilizados na gestão de laboratórios, hospitais, clínicas e
unidades de saúde de uma forma geral, com a finalidade de verificar as falhas nos processos e
corrigi-las.
Ao final desta aula, você será capaz de:
Compreender a importância dos indicadores de qualidade.
Encontrar subsídios para elaborar indicadores de qualidade.
Compreender os subsídios para gestão da qualidade e gestão de risco.
Aula 03
34
Indicadores de qualidade
No serviço de saúde, há dois elementos fundamentais na qualidade: o operacional, que se trata
do processo em si, e a percepção, que indica como o usuário percebe o serviço. Para mensuraresses elementos, utilizamos indicadores da qualidade. A constatação dessa qualidade se dá
pela certificação ou acreditação.
A certificação reconhece que o serviço prestado é realizado de acordo com requisitos
específicos de qualidade. Na acreditação, os serviços são reconhecidos como de qualidade
superior aos requisitos necessários.
VÍDEO
Assista a videoaula a seguir:
VÍDEO
Aprenda mais sobre sistemas de gestão em laboratórios nesta aula:
35
A ideia dos indicadores é a comparação interna e externa com serviços semelhantes, de
referência, que são chamados de itens de controle. Um indicador é, segundo Plebani (2009):
(…) informação de natureza qualitativa ou quantitativa, associada a um evento, processo ou
resultado, sendo possível avaliar as mudanças durante o tempo e verificar ou definir objetivos
ou utilizá-lo para a tomada de decisões ou escolhas.
De forma específica para laboratórios, temos também a definição de Ricós et al. (2004) para
indicadores:
(…) medidas numéricas de erros ou falhas de determinado processo em relação a seu número
total (acertos e erros). São especificações da qualidade, pois o desempenho de um processo é
considerado satisfatório se estiver nos limites estabelecidos nos indicadores. Seu objetivo não
é prover respostas, mas indicar problemas potenciais que necessitam de ações preventivas.
Não há uma normativa, ou mesmo regra estabelecida, que determine os indicadores de um
local. É preciso pensar em qual é a missão e objetivos do local e serviços prestados, sua
complexidade e tamanho da empresa.
Dados da literatura levantados por Vieira et al. (2011), podem nos orientar quanto aos
indicadores mais utilizados pelos laboratórios, e qual o limite aceito para estes. É evidente que
os indicadores dependem dos objetivos a serem realizados pelo setor, e podem ser definidos
de acordo com esses objetivos.
Em laboratórios, os indicadores se dão nas etapas de realização de exames, a saber:
- Fase pré-analítica
Nesta fase se encontram itens que não dependem exclusivamente do laboratório. Trata-se da
escolha do local pelo médico e/ou o cliente, e a solicitação de exames adequados ao
VÍDEO
e também nesta:
36
diagnóstico. Processamento, identificação, coleta, transporte e recepção das amostras
também podem ser inclusos.
Perceba que mesmo as fases que não dependem exclusivamente do laboratório podem ter seu
processo melhorado por ação deste. Assim, é importante que sejam elaborados indicadores
para todas as fases
Na fase pré-analítica, os indicadores mais frequentes são:
orientações fornecidas pelo laboratório sobre o preparo do paciente para a coleta;
identificação da amostra e do cadastro do paciente;
coleta de informações sobre o paciente, que são necessárias para a correta interpretação
dos resultados, como idade, sexo, uso de medicamentos;
processos de coleta, identificação e transporte da amostra;
processamento da amostra, que envolve a centrifugação e divisão em alíquotas.
Figura 11 - A recepção de exames e coleta fazem parte da fase pré-analítica.
Fonte: https://tinyurl.com/y6hau9k9
37
https://tinyurl.com/y6hau9k9
- Fase analítica
A fase analítica se refere aos exames realizados pelo laboratório, incluindo tudo o que envolve
esse processo. A fidedignidade dos exames, a efetividade e eficiência dos processos, economia
no uso de recursos, minimização de resíduos, destinação correta desses resíduos, métodos de
limpeza e desinfecção, uso de EPCs e EPIs adequados, laudos e entregas de resultados, e assim
por diante.
- Fase pós-analítica
Figura 12 - A execução da análise laboratorial faz parte da fase analítica
Fonte: https://tinyurl.com/yxljmshq
SAIBA MAIS
Você sabia que em torno de 58% dos erros cometidos em laboratórios se dão na fase
pré-analítica? Isso porque os processos relacionados com a atividade-fim, ou seja, os
protocolos e processos de segurança que regularizam as atividades de análises
laboratoriais, são considerados prioritários pelas equipes. Entretanto, uma análise
bem-feita em uma amostra biológica do paciente errado, por exemplo, acarreta em
uma prestação de serviços com muita pouca qualidade.
38
https://tinyurl.com/yxljmshq
Esta fase também não depende apenas do laboratório, estando associada à interpretação do
resultado laboratorial pelo médico.
Em qualquer instituição de saúde, a lógica da divisão de fases para análise da qualidade é a
mesma da exemplificada em laboratórios. Ou seja, os processos que ocorrem antes da
atividade-fim, a própria atividade-fim e todos os processos que a envolvem, e a entrega desta
atividade-fim em forma de serviço prestado. Assim, de forma similar, os demais
estabelecimentos de saúde precisam elaborar indicadores que sirvam como uma sinalização
de falhas nos processos, para que estes possam ser corrigidos e otimizados.
Figura 13 - A entrega dos resultados dos exames faz parte da fase analítica.
Fonte: https://tinyurl.com/y44kpq8e
VÍDEO
Assista esta aula sobre gestão da qualidade em saúde:
39
https://tinyurl.com/y44kpq8e
Gestão da qualidade e gerenciamento de
riscos
É realmente importante que um estabelecimento de saúde tenha um sistema de prevenção de
riscos como parte do gerenciamento de qualidade. Esse sistema de prevenção deve
fundamentalmente obter informações seguras para a tomada de decisões, envolvendo o
diagnóstico dos pontos falhos nos processos, acompanhamento, minimização e profilaxia de
incidentes.
As normas ISO dão as diretrizes sobre a gestão de riscos, de uma forma geral. Segundo Mariani
(2006, p. 04):
As Normas ISO são produzidas por um consenso mundial com o intuito de criar um padrão
global de qualidade para produtos e serviços. O conjunto de normas forma um sistema de
gestão da qualidade aplicável a qualquer organização, sem considerar seu tamanho, ou se a
companhia é pública ou privada.
Figura 14 - O gerenciamento de riscos é parte importante da gestão de qualidade.
40
O gerenciamento de riscos exige a definição de uma equipe de gestão da qualidade. Pode ser
uma equipe específica, ou uma comissão multidisciplinar. O importante é que a equipe seja
capaz de analisar e reconhecer as possibilidades de riscos, e consiga usar as dúvidas dos
profissionais, acidentes e erros já ocorridos de uma forma construtiva, como fonte de
informação.
SAIBA MAIS
Conheça mais detalhes das normas ISO neste link: leia o QRCode a seguir .
ATENÇÃO
Toda instituição tem uma estrutura e processos. O que isso significa?
Os processos são a organização do serviço. A estrutura é a organização da empresa,
ou seja, as funções de cada um, com suas metas e indicadores previamente
determinados.
Por exemplo: no Restaurante da Vovó, o garçom vai até sua mesa com o menu, você
escolhe o prato, ele anota, leva a um funcionário no balcão, que entrega ao assistente
de cozinha. O assistente de cozinha pendura os pedidos na ordem em que eles foram
realizados, em um painel de cortiça destinado a isso. Lá na cozinha, tem um
funcionário que prepara os legumes, outro que prepara as carnes, outro que organiza
o prato.
Quando está pronto, quem organiza o prato passa para o assistente, que coloca na
janelinha do balcão e toca uma campainha. O funcionário do balcão chama o garçom
da mesa, ele pega e leva até você.
O processo compreende toda essa logística, que impede que você vá diretamente à
cozinha pedir sua refeição para o cozinheiro. O processo é chamar o garçom, e tudo o
que ocorre depois, até receber seu prato na mesa.
A estrutura são as funções. Veja que o garçom tem suas funções, que são diferentes
da do funcionário do balcão, e assim por diante.
41
https://www.normastecnicas.com/iso/
a) Riscos ao paciente/cliente
De forma intrínseca à gestão da qualidade, cada vez mais as instituições de cuidado à saúde
têm se concentrado nas questões relacionadas à segurança de seus pacientes/clientes, tanto
no sentido do cuidado básico em hospitais quanto na geração de resultados e serviços
confiáveis e com as devidas precauções relacionadas à exposição.
Para se realizar ogerenciamento de riscos, é necessária a implementação da cultura de se
buscar brechas nos processos, estrutura e organização, de forma a revisar as medidas e
verificar quais seriam viáveis para uma ação de reformulação que possam evitar novas falhas,
sobretudo as que possam trazer danos permanentes ou morte dos pacientes. Ou seja, na
prevenção de riscos, é preciso identificar e analisar a origem da falha, para que ações
preventivas possam ser articuladas, ao invés de se buscar soluções somente após os incidentes
ocorrerem.
A construção de uma forma organizada de gerenciamento de riscos no estabelecimento é uma
maneira de se obter um controle e acompanhamento de processos mais eficiente.
Segundo Branco Filho (2010), as falhas nos processos, na estrutura destes processos e,
principalmente, a ausência de ações que transformem as práticas em vigor, são os pontos que
acarretam em eventos que causam danos permanentes e/ou óbito. Em hospitais, esse tipo de
evento ocorre na proporção de 1:10 internações, em média.
Em laboratórios, os riscos para os pacientes se dão principalmente através de pontos no
processo que se relacionem a emissão errônea de laudos, como falhas técnicas, erros de
identificação, e até mesmo erros de registro que levem à interpretação errônea do laudo pelo
médico.
Assim, o gerenciamento de riscos para o paciente é essencial na avaliação da qualidade, que
não deve restringir-se à sustentabilidade, produtividade e baixo custo, mas à confiabilidade do
serviço prestado.
ATENÇÃO
O gerenciamento da qualidade e o gerenciamento de riscos são muito específicos a
cada local e tipo de atividade desenvolvida, ainda que se considerando apenas as
instituições de atendimento à saúde. Os indicadores, assim, devem ser elaborados
considerando-se as atividades realizadas e os processos que são adotados como um
todo.
42
b) Riscos à equipe
Os riscos à equipe também devem ser considerados em um programa de gestão da qualidade.
De forma geral, os procedimentos para elaboração de um plano de gestão de riscos conseguem
ser resumidos em alguns aspectos fundamentais a serem considerados:
Programas de segurança descritos pela Portaria 3.214 do Ministério do Trabalho e
Emprego.
Verificação dos possíveis acidentes passíveis de transcorrer na instituição de saúde.
Classificação de agentes potencialmente danosos (agentes químicos, físicos, biológicos
etc.).
Reconhecimento dos fatores comportamentais e estruturais (referentes aos processos)
que acarretam incidentes.
Capacitação sobre uso de EPIs e EPCs.
Elaboração e difusão dos POPs (Procedimentos Operacionais Padrão, na forma de
manuais) dos locais onde há a realização de procedimentos, bem como para a limpeza e
esterilização.
Organização do Manual de Segurança do Laboratório, incluindo procedimentos em caso
de acidentes.
Programa de gerenciamento de resíduos detalhado.
Organização de Fichas de Informações de Produtos Químicos (FIPQs), conforme a
Norma NBR 14.725.
Plano de contenção de incêndios.
ATENÇÃO
A Norma NBR 14.725, da ABNT, pode ser encontrada aqui: Clique aqui.
43
A implantação de um plano de gestão de riscos adequado tem diversas utilidades, mas a mais
importante delas, sem dúvida, é a melhoria da segurança da equipe. Entretanto, quando feito
de forma eficaz, o plano de gestão de riscos traz à equipe a percepção da importância de
observar e reparar os riscos encontrados, otimiza a própria capacidade de verificação desses
riscos, aumenta o atendimento às normas legais, leva ao fortalecimento da segurança ao
executar procedimentos e ao melhor aproveitamento dos recursos.
Porém, é preciso explicitar que elaborar um plano de gestão de riscos não é o equivalente a
adotar as leis vigentes. Seguir as leis associadas é um dever, e possibilita, em certo nível, uma
administração e gerenciamento dos riscos. Mas um plano de gestão de riscos vai além disso.
Ele permite a adoção de uma metodologia própria, que possibilita controlar os riscos
específicos e de forma mais completa, uma vez que se refere àquela instituição em particular.
VÍDEO
Saiba mais sobre gerenciamento de riscos acessando este link:
SAIBA MAIS
A Portaria 3.214 do Ministério do Trabalho e Emprego dispõe as normas
regulamentadoras, relativas à segurança e medicina do trabalho. Outras foram
aprovadas depois, mas é interessante saber a que se referem, para tornar mais prática
sua busca e utilização.
Acesse a Portaria aqui:   leia o QRCode a seguir .
44
Fechamento
O gerenciamento da qualidade em ambientes de prestação de serviços à saúde permite a
entrega responsável de um bom serviço prestado. É importante lembrar que a qualidade em
saúde se relaciona à vida, de forma que os cuidados devem ser redobrados.
Ao final desta aula, você foi capaz de:
Compreender a importância dos indicadores de qualidade.
Encontrar subsídios para elaborar indicadores de qualidade.
Compreender os subsídios para gestão da qualidade e gestão de risco.
45
http://www.trtsp.jus.br/geral/tribunal2/ORGAOS/MTE/Portaria/P3214_78.html
Mapeamento de Risco
O mapa de risco é um estudo qualitativo que teve início no Brasil na década de 1970, com a
finalidade de analisar as circunstâncias que envolviam as atividades laborais, para garantir os
direitos dos trabalhadores e melhorar suas condições de trabalho.
Hoje, o mapa de risco é obrigatório em vários países, inclusive, no Brasil, a partir da Portaria
No. 5, de 1992, do Departamento Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador (DNSST), do
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Atualmente, as normas para elaboração do mapa de
risco também se encontram na NR-5, que remete à Comissão Interna de Prevenção de
Acidentes (CIPA) de cada empresa essa responsabilidade, com o envolvimento de todos.
Nesta aula, daremos ênfase ao Mapa de Risco elaborado em unidades de saúde.
Ao final desta aula, você será capaz de:
Compreender como se elabora um mapa de risco.
Identificar os dados que necessitam ser levantados para a documentação do mapa de
risco.
Entender a forma gráfica do mapa de risco.
Aula 04
Introdução
46
O Mapa de Risco é definido pela Portaria No. 5 do MTE como “uma representação gráfica do
reconhecimento dos riscos existentes nos diversos locais de trabalho”.
De fato, o Mapa de Risco é uma planta baixa do local de trabalho com sinais que representam
os diferentes riscos presentes. Mas, também, a elaboração do mapa de risco é um processo que
traz muitos benefícios para a equipe, uma vez que exige uma colaboração entre os membros
dessa equipe, o conhecimento de todos os processos de trabalho que ocorrem no local, e,
O mapa de risco
Figura 15 - Mapa de risco.
Fonte: https://tinyurl.com/y69k9jw6
VÍDEO
Assista a videoaula a seguir:
47
https://tinyurl.com/y69k9jw6
ainda, é uma experiência de aprendizado, em que os membros da equipe podem pensar sobre
suas atividades e analisar o ambiente em que se encontram.  
Para organizar e elaborar um mapa de risco é necessário, antes, integrar alguns dados e
informações que descrevem de forma pormenorizada toda a equipe, equipamentos, produtos
e atividades, com todos os detalhes possíveis, bem como a identificação dos riscos associados.
a) Observação e organização do sistema de trabalho
Esta etapa exige o levantamento de dados acerca dos seguintes aspectos:
Descrição do sistema de trabalho
O sistema de trabalho, ou processo de trabalho, consiste na organização do serviço em si.
Quando se faz o delineamento de todo o processo que ocorre na cadeia produtiva, é possível
perceber em quais partes determinados fatores de risco aparecem.
O sistema de trabalho pode ser descrito na forma de texto em itens, ou na forma de
fluxograma. O importante é que os principais passos necessários para que o serviço final seja
entregue sejam inseridos.
Descrição dos equipamentos e instalações
Levantamento de informações
ATENÇÃO
Elaborar um Mapa de Risco não é uma tarefa simples. É um trabalho que exige um
enorme levantamento de dados, e uma intensa sistematização para que essas
informaçõesfaçam sentido. Assim, sempre que for elaborar um mapa de risco, divida
as informações por setor e subsetor, se for possível, não se esquecendo de deixar
claras as interações entre eles. Assim, ficará mais fácil analisar as informações.
48
Neste ponto, deve ser realizado o levantamento dos equipamentos e instalações, divididos por
setor. Cada um desses equipamentos e instalações devem ser descritos em detalhes, incluindo
os riscos gerados, a ergonomia, dispositivos de segurança, as habilidades que são necessárias
para operar, estado de conservação, EPIs necessários, tipo de material processado e sua
classificação. Enfim, absolutamente todos os detalhes referentes ao equipamento e/ou
instalação, seu funcionamento e execução devem ser relacionados.
Descrição dos insumos, reagentes, materiais e resíduos
Todos os tipos de produtos utilizados no local devem ser descritos, em todas as suas formas,
com todos os detalhes, separados por setor.
Considere o tipo de produto, sua classificação, toxicidade, características físico-químicas (ele é
explosivo? É volátil?), quantidade em estoque, quantidade utilizada por dia ou semana,
quantidade utilizada em cada procedimento, concentração utilizada em cada procedimento,
EPIs necessários para sua manipulação, onde eles são armazenados, se são manipulados em
capela ou em bancada, como seus resíduos são descartados, como ocorre o descarte (ele é
tratado antes? Colocado em vidro?). Enfim, todas as características referentes a cada produto
e seus resíduos devem ser detalhadas.  
49
Descrição da equipe
Dividindo por setor, e, se possível, por equipamento ou local de trabalho, descreva os membros
da equipe e dos terceirizados. Identifique o vínculo empregatício (CLT ou terceirizado), tempo
de trabalho naquele setor, experiência naquele tipo de atividade, e todas as informações
pertinentes ao serviço. Descreva também o perfil de cada um: sexo, idade, escolaridade,
doenças anteriores, vacinação, doenças atuais, acidentes etc.
Descrição das atividades laborais
ATENÇÃO
Segundo a Portaria No. 5 do MTE, todos os equipamentos, instalações, materiais,
insumos e produtos utilizados devem ser descritos detalhadamente, bem como as
equipes e atividades laborais. Posteriormente, os riscos devem ser identificados.
Essas descrições compõem documentos que devem ser anexados à representação
gráfica do Mapa de Risco.
50
Para cada membro da equipe, descreva as atividades realizadas, local onde são realizadas,
duração, qual a frequência com que cada atividade é executada, bem como turno, quantas
horas trabalhadas por dia, e todas as informações referentes às atividades.
Identificação dos fatores de risco
Os fatores de risco devem ser identificados por grupos de risco, com o estabelecimento de
suas fontes, sinais e sintomas que podem ser atribuídos àquele fator, os acidentes ou doenças
decorrentes, e as recomendações para minimizar os riscos. Essa descrição deve ser colocada
de forma gráfica em um quadro, para melhor visualização, conforme exposto no Quadro 4.
51
Grupo de risco Fatores Sinais/Sintomas Acidentes/Doenças Recomendações
Risco Físico
1. Vibração
Centrífuga (vibração nas
mãos do trabalhador ao
segurar a centrífuga para
permitir seu
funcionamento)
Tremores nas
mãos/
dormência nas
mãos e nos
braços
Distúrbios
circulatórios (dedo
branco) e sensoriais
e motores
Manutenção do
equipamento e
colocação de
amortecedores
na base do
equipamento e da
bancada
2. Ruído Ar condicionado Irritabilidade Estresse
Manutenção do
aparelho ou
substituição por
outro menos
ruidoso
3. Frio Ar condicionado
Coriza e
ardência na
garganta
Rouquidão e
resfriados
Controle da
temperatura
através da
regulagem do
aparelho
Risco Químico
4. Vapores e
aerossóis
Reagentes e
anticoagulantes
Tosse e
irritações no
aparelho
respiratório
Intoxicações
Sistemas de
ventilação e
exaustão
localizado
5. Líquidos
Reagentes e
anticoagulantes
Irritação das
mucosas oral e
nasal
Reações alérgicas e
dermatológicas
Uso de luvas,
máscara e óculos
Risco Biológico
6. Amostras de
sangue com
microrganismos
patogênicos
Tubo de ensaio
Infecções por
microrganismos
Doenças
infecciosas
veiculadas para o
sangue
Uso de luvas e
treinamento
técnico e das
normas de
biossegurança
7. Acúmulos de
hecomponentes
Bancada e piso Odores e
contaminação
Infecção e
contaminação
Limpeza
periódica do local
e plano de
52
gerenciamento
de resíduos
Risco Ergonômico
8. Postura de
trabalho
Bancada (em pé)
Cãibras e dores
musculares
Varizes
Colocação de
cadeiras com
altura regulável
9. Jornada
excessiva
Organização
Falência geral
com extenuaçõa
e fadiga
Hipovigilia
Contratação de
mão de obra e
redução da
jornada
Quadro 4 - Identificação dos fatores de risco.
Fonte: Mattos e Santos (2010)
A coluna Grupos de risco diz respeito ao tipo de agente causador: risco físico, químico,
biológico, ergonômico e de radiações. Dentro dos grupos de risco, identifique o nível do risco.
A coluna Fontes se refere à fonte geradora do risco. São locais, como setores ou postos de
trabalho, ou materiais, equipamentos ou instrumentos utilizados onde os fatores de risco têm
origem.
A coluna Sinais e sintomas deve ter suas informações obtidas na literatura.
A coluna Acidentes e doenças se relaciona às possíveis consequências dos fatores de risco.
A coluna Recomendações se refere a quais medidas podem ser tomadas para minimizar os
riscos. Podem ser EPIs e EPCs, ou a própria organização, com atenção a treinamentos,
estrutura física, métodos etc.
VÍDEO
Aprofunde seu conhecimento acerca da importância da análise de risco aqui:
53
O mapa de risco tem o objetivo final de se realizar uma representação gráfica sobre a planta
baixa do local de trabalho, com a indicação do mobiliário, equipamentos, instalação de água,
eletricidade e outras informações importantes. Com essa planta, marca-se com círculos
coloridos de acordo com a classificação da NR-5 o grupo de risco, o número de trabalhadores
expostos, a fonte do risco e a gravidade do risco.
a) Grupo de risco
Grupo 1 Riscos físicos, na cor verde
Grupo 2 Riscos químicos, na cor vermelhas
Grupo 3 Riscos biológicos, na cor marrom
Grupo 4 Riscos ergonômicos, na cor amarela
Grupo 5 Riscos de acidentes, na cor azul
Representação gráfica
VÍDEO
Estude mais sobre os riscos físicos e químicos aqui:
VÍDEO
Para saber mais a respeito dos riscos ergonômicos e de acidentes, assista o
vídeo a seguir:
54
b) Gravidade dos riscos
Na NR-5 não há um critério para se estabelecer a gradação da gravidade dos riscos, de forma
que este deve ser feito a partir do consenso entre a equipe que elabora o mapa de risco. Os
critérios para se identificar a gravidade são: possibilidade de morte, ocorrência de acidentes e
doenças com lesões irreversíveis e quantidade de pessoas expostas aos riscos.
A gravidade dos riscos deve ser indicada no mapa de risco de acordo com o tamanho dos
círculos:
Círculo menor: Gravidade pequena (proporção 1)
Círculo médio: Gravidade média (proporção 2)
Círculo grande: Gravidade grande (proporção 4)
Ou seja, para indicar uma pequena gravidade, utiliza-se um círculo-base pequeno. Para se fazer
a indicação da média gravidade usa-se um círculo com o dobro da proporção da pequena
gravidade. Por fim, para grande gravidade, adota-se um círculo com o quádruplo da proporção
da pequena.
Se houver uma fonte de risco que origine riscos diferentes, pode ser feito um único círculo, e
dentro dele, listar-se a divisão com as cores relacionadas aos riscos.
Se em um local houver diversas fontes que originem um mesmo risco, é possível fazer o círculo
na margem do mapa de risco, de forma a indicar que aquele risco se refere a todo o ambiente.
Um exemplo pode ser gases ou ruídos, que se espalham por toda a área. O mesmo se deve fazer
quando não há uma fonte física. Por exemplo, quando o risco está relacionado ao processo de
trabalho como um todo.
O número de trabalhadores expostos deve ser anotado dentrodo círculo.
55
Figura 16 - Legenda do mapa de riscos
Fonte: https://tinyurl.com/y5hzns9y
Figura 17 - Exemplo de mapa de risco de uma unidade transfusional.
Fonte: Mattos e Santos (2010)
56
https://tinyurl.com/y5hzns9y
Organizamos um resumo da classificação de risco para agentes biológicos no Quadro 5.
Figura 18 - Exemplo de mapa de risco com divisão de riscos num mesmo local
Fonte: https://tinyurl.com/y4645xf3
Vamos recordar?
VÍDEO
Aprenda mais sobre o mapa de risco assistindo ao vídeo:
57
https://tinyurl.com/y4645xf3
Risco
individual
Risco de disseminação
Classe de risco
1
Baixo Baixo
Classe de risco
2
Moderado Limitado
Classe de risco
3
Alto Moderado
Classe de risco
4
Alto Alto
Classe de risco
especial
Agentes não registrados em território nacional ou não patogênicos para humanos, mas com
potencial de danos na agricultura e pecuária.
Quadro 5 - Principais características das classes de risco de agentes biológicos
O mapa de risco é de elaboração trabalhosa, mas permite conhecer o local de trabalho e
identificar os fatores de risco e sua gravidade, oportunizando mudanças, sejam elas
estruturais, de processo ou de capacitação, que permitam minimizar esses riscos.
Ao final desta aula, você foi capaz de:
Compreender como se elabora um mapa de risco.
Fechamento
VÍDEO
Estude mais sobre a classificação de risco biológico neste link:  
58
Identificar os dados que necessitam ser levantados para a documentação do mapa de
risco.
Entender a forma gráfica do mapa de risco.
59
Gerenciamento de Acidentes
Ainda que não seja o único, o principal risco ocupacional para profissionais de saúde envolve a
contaminação com agentes biológicos potencialmente patogênicos. Por esse motivo, nesta
aula, estudaremos como avaliar o risco de exposição, como deve-se fazer a notificação caso
ocorra um acidente, e como trabalhamos após a exposição.
Ao final desta aula, você será capaz de:
Identificar a exposição provável a agentes biológicos.
Compreender os procedimentos a serem tomados se houver a exposição potencial a
agentes biológicos.
Aula 05
Introdução
60
Entre profissionais de saúde, os acidentes envolvendo materiais potencialmente contaminados
por agentes biológicos são os mais comuns, principalmente os que envolvem perfurocortantes.
Entretanto, os objetos perfurocortantes, após o contato com fluidos biológicos, são os mais
perigosos. Acidentes com eles são passíveis de contaminação por diversos patógenos
importantes, incluindo o HIV (Vírus da síndrome da imunodeficiência adquirida humana,
causador da AIDS), o vírus da hepatite B (HBV) e o vírus da hepatite C (HCV), consideradas as
infecções mais graves e não raras nessas situações.  
Avaliação do risco de transmissão
Figura 19 - O HIV está entre os riscos de contaminação em acidentes com exposição a materiais
biológicos.
VÍDEO
Assista a videoaula a seguir:
61
Entretanto, esse risco de transmissão não se restringe a acidentes com perfuração, mas a
diversas formas de exposição. De qualquer forma, os acidentes relacionados à exposição, e
possível contaminação, por agentes biológicos, devem ser considerados emergências médicas.
Por isso, o primeiro cuidado é a limpeza do local atingido. Em se tratando de acidente com
perfurocortante, essa limpeza deve ser realizada com água corrente e sabão. No caso de o local
atingido serem mucosas, elas devem ser lavadas abundantemente com soro fisiológico.
O risco de transmissão não é absoluto, mesmo após um acidente com perfurocortantes. Ele
depende da profundidade da perfuração (em caso de perfurocortantes), do tipo de exposição,
do tipo e volume de fluido biológico associado ao acidente, da presença de sangue nesses
fluidos, o volume de sangue caso presente, condições clínicas e sorológicas do indivíduo de
onde veio a amostra biológica, condições clínicas e sorológicas do profissional que sofreu o
acidente.
A partir de agora, vamos saber como devemos proceder em caso de acidentes. Vamos lá?
a) Identifique o material envolvido
O material orgânico envolvido no acidente deve ser identificado e classificado como
potencialmente infectante ou como potencialmente não infectante.
Os fluidos biológicos com maior potencial de transmissão de infecções perigosas,
especialmente quando se considera hepatites e HIV, são: sangue, sêmen, secreções vaginais
líquor, líquido pleural, líquido amniótico, líquido cerebrospinal, e outros líquidos corporais.
SAIBA MAIS
Os riscos de contaminação não estão apenas em laboratórios e hospitais. Veja este
artigo sobre acidentes com perfurocortantes no setor de beleza e estética: leia o
QRCode a seguir .
62
http://www.sbmt.org.br/medtrop2016/wp-content/uploads/2016/12/10202-Acidentes-com-materiais-perfurocortantes-e-o-risco-de-transmissa%CC%83o....pdf
Os fluidos biológicos com menor potencial infeccioso são suor, saliva, fezes e urina, desde que
não contenham sangue. Qualquer fluido orgânico no qual haja a presença de sangue deve ser
considerado como potencialmente infectante.
Esse tipo de análise considera especialmente os riscos para transmissão de HIV, HBV e HCV,
por se tratarem de doenças infecciosas, potencialmente letais, transmissíveis em acidentes
com perfurocortantes, e sem tratamento eficaz que possa trazer a remissão completa dos
quadros adquiridos. Observe, contudo, o tipo de exame/análise ou tratamento que esteve
sendo realizado durante a exposição, pois este pode dar pistas de outros contaminantes em
potencial.
b) Verifique a forma de exposição
As formas de exposição mais perigosas quanto ao risco de contaminação são:
Acidentes com instrumentos perfurocortantes.
Acidentes com exposição do fluido biológico em mucosas, como olho, nariz, boca e
genitais.
Acidentes com exposição em feridas, ou seja, contato do fluido com qualquer setor de
pele não íntegra, inclusive, pequenas superfícies.
Os fatores que tornam a exposição mais grave se relacionam à maior quantidade de sangue no
fluido de exposição, à existência e profundidade de perfurações e a presença de sangue no
instrumento contaminante (caso haja). Se o acidente for com perfurocortantes, ainda, os casos
Figura 20 - O sangue é o fluido biológico com maior potencial infeccioso em acidentes.
63
mais importantes no que se refere ao potencial de contaminação são acidentes com agulhas
utilizadas em punção de vasos, especialmente as de maior calibre. Isso porque, quanto maior o
calibre da agulha, maior a possibilidade de gotículas de sangue estarem aderidas em sua luz,
após um procedimento de punção arterial ou venosa.
c) Avalie o paciente fonte
O paciente-fonte é o indivíduo de onde se originaram as amostras biológicas envolvidas no
acidente. É importante que as condições clínicas e sorológicas desse paciente sejam avaliadas,
A avaliação do paciente-fonte é realizada a partir de dados de prontuário médico ou quaisquer
dados informativos disponíveis à equipe da unidade de atendimento à saúde onde ocorreu o
acidente. Em caso de não existirem dados sobre possíveis infecções ou exames já realizados
para HIV, HBV e HCV, a equipe pode solicitar a realização desses exames para o paciente-
fonte, desde que de forma gratuita. Este, entretanto, não é obrigado a aceitar.
Nesse caso, a amostra proveniente do paciente-fonte deve ser tratada como infectada por HIV,
HBV e HCV, utilizando o princípio da precaução, fundamental nas decisões que envolvem a
biossegurança.
Pacientes-fontes com diagnóstico de HIV podem possuir diferentes características
sorológicas. Entretanto, mesmo que a viremia, ou carga viral desse paciente esteja muito baixa,
ainda assim há uma alta possibilidade de transmissão na presença de sangue, ainda que em
pequenas quantidades.
d) Avalie o profissional acidentado
O profissional acidentado deve ser submetido a exames sorológicos. Um deles é a verificação
de imunização contra HBV, caso ele tenha sido vacinado, pelo exame anti-HBs. Se ele não tiver
sido vacinado, não é necessário realizar esse exame, uma vez que a não-imunidade é clara.
SAIBA MAIS

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