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APG – INFLAMAÇÃO (SEM. 9ªA) Objetivos: • Diferenciar a inflamação aguda e crônica e seus mecanismos. • Compreender a resposta inflamatória correspondente a cada inflamação. Inflamação: é uma resposta de defesa não especifica do organismo à lesão tecidual, ou seja, a inflamação é uma resposta dos tecidos vascularizados às infecções e aos danos teciduais que recruta células e moléculas do sistema de defesa do hospedeiro da circulação para os locais onde são necessários, a fim de eliminar os agentes agressores. Os mediadores dessa defesa incluem os leucócitos fagocíticos, anticorpos e proteínas do complemento. A maioria deles, em geral, circula no sangue, de onde são sequestrados para que não haja danos aos tecidos normais, mas podem ser rapidamente recrutados para qualquer local do corpo. O processo inflamatório libera leucócitos e proteínas que são direcionados contra os agentes estranhos, como microrganismos e tecidos lesados ou necróticos, e ativam as células e moléculas recrutadas que, em seguida, exercem suas funções com a finalidade de eliminar as substâncias prejudiciais ou indesejadas. Sem a inflamação, infecções não seriam reconhecidas, feridas nunca cicatrizariam e tecidos lesados permaneceriam constantemente purulentos. FIGURA 3.1 Sequência de eventos em uma reação inflamatória. Os macrófagos e outras células dos tecidos reconhecem os microrganismos e as células danificadas e liberam mediadores, que desencadeiam as reações vasculares e celulares da inflamação. O recrutamento de proteínas plasmáticas a partir do sangue não é mostrado. A reação inflamatória típica desenvolve-se por meio de uma série de etapas sequenciais: • O agente agressor, localizado nos tecidos extravasculares, é reconhecido pelas células e moléculas do hospedeiro. • Leucócitos e proteínas plasmáticas são recrutados da circulação para o local onde o agente agressor está localizado. • Leucócitos e proteínas são ativados e trabalham em conjunto para destruir e eliminar o agente lesivo. • A reação é controlada e encerrada. • O tecido danificado é reparado. Existem dois tipos de inflamação: aguda e crônica. Inflamação Aguda: A resposta inicial rápida às infecções e aos danos teciduais. Em geral, se desenvolve dentro de minutos ou horas e é de curta duração, entre algumas horas ou alguns dias. As suas características principais são a exsudação de líquido e proteínas plasmáticas (edema) e emigração de leucócitos, predominantemente neutrófilos (também chamados leucócitos polimorfonucleares). Quando a inflamação aguda atinge o objetivo de eliminar os agentes agressores, a reação diminui e a lesão residual é reparada. No entanto, se a resposta inicial não conseguir eliminar o estímulo desencadeador, a reação progride. Inflamação Crônica: é um tipo de inflamação mais prolongada. A inflamação crônica pode seguir a inflamação aguda ou surgir de novo. É uma reação de maior duração e está associada à maior destruição tecidual, presença de linfócitos e macrófagos, bem como proliferação de vasos e fibrose. Manifestações externas da inflamação: são os sinais cardinais: calor, rubor (vermelhidão), tumor (tumefação), dor e perda de função. Embora normalmente protetora, em algumas situações, a reação inflamatória torna- se a causa da doença, e os danos produzidos constituem a sua característica predominante. As reações inflamatórias são a base das doenças crônicas comuns, tais como artrite reumatoide, aterosclerose e fibrose pulmonar, assim como às reações de hipersensibilidade, com risco de vida, associadas a picadas de insetos, fármacos e toxinas. Etapas da resposta inflamatória _ CINCO Rs _ 1. Reconhecimento do agente prejudicial; 2. Recrutamento de leucócitos; 3. Remoção do agente; 4. Regulação (controle) da resposta; e 5. Resolução (reparo). Causas da inflamação As reações inflamatórias podem ser desencadeadas por vários tipos de estímulos: • Infecções (bacterianas, virais, fúngicas, parasitárias) e toxinas microbianas estão entre as causas mais comuns e clinicamente importantes da inflamação. Diferentes agentes patogênicos infecciosos provocam respostas inflamatórias distintas, desde uma inflamação aguda leve, que causa pouco ou nenhum dano duradouro e erradica com sucesso a infecção, até reações sistêmicas graves que podem ser fatais, ou reações crônicas prolongadas que causam lesão tecidual extensa. • A necrose tecidual provoca inflamação independentemente da causa da morte celular, que pode ser por isquemia (fluxo sanguíneo reduzido, a causa do infarto do miocárdio), trauma e lesão física e química (p. ex., lesão térmica, como em queimaduras ou congelamento; irradiação; exposição a alguma substância química do meio ambiente). Várias moléculas liberadas a partir das células necróticas são conhecidas por desencadear inflamação. • Corpos estranhos (estilhaços, sujeira, suturas) induzir a inflamação por lesões traumáticas nos tecidos ou por carregarem microrganismos. Substâncias endógenas substâncias incluem os cristais de urato (na gota) e os cristais de colesterol (na aterosclerose). • Reações imunes (também chamadas hipersensibilidade) são reações nas quais o sistema imune, normalmente protetor, danifica os próprios tecidos do indivíduo. As respostas imunes prejudiciais podem ser dirigidas contra autoantígenos, causando doenças autoimunes. Como os estímulos para as respostas inflamatórias nas doenças autoimunes e alérgicas (autoantígenos e antígenos ambientais) não podem ser eliminados, essas reações tendem a ser persistentes e difíceis de curar, associadas à inflamação crônica. Inflamação Aguda A inflamação aguda apresenta três componentes principais: (1) dilatação de vasos pequenos, o que desencadeia aumento no fluxo sanguíneo; (Guyton – Vasodilatação dos vasos sanguíneos com o consequente aumento do fluxo sanguíneo). (2) aumento da permeabilidade da microvasculatura, permitindo que proteínas plasmáticas e leucócitos deixem a circulação; (Guyton: aumento da permeabilidade dos capilares, permitindo a saída de grande quantidade de liquido para os espaços intersticiais); (3) emigração dos leucócitos da microcirculação, que se acumulam no foco da lesão e são ativados a fim de eliminar o agente agressor; (Guyton: migração de grande quantidade de granulócitos e monócitos para os tecidos). As reações vasculares da inflamação aguda consistem em alterações no fluxo sanguíneo e na permeabilidade dos vasos, ambos destinados a maximizar o movimento das proteínas plasmáticas e dos leucócitos para fora da circulação em direção ao local da infecção ou lesão. Exsudação: extravasamento de líquidos, proteínas e células sanguíneas do sistema vascular para tecidos intersticiais ou cavidades corporais. Exsudato: líquido extravascular com alta concentração de proteína e detritos celulares. Indica que há aumento na permeabilidade de pequenos vasos sanguíneos, geralmente durante a reação inflamatória. Transudato é um líquido com baixo teor de proteínas, pouco ou nenhum material celular e baixa gravidade específica. Edema: excesso de líquido no tecido intersticial ou cavidades serosas; pode ser um exsudato ou um transudato. Pus, ou exsudato purulento, é um exsudato inflamatório rico em leucócitos (principalmente neutrófilos), detritos de células mortas e, em muitos casos, microrganismos. FIGURA 3.2 Formação de exsudatos e transudatos. (A) A pressão hidrostática normal (seta azul) é de cerca de 32 mmHg na terminação arterial de um leito capilar e de 12 mmHg na terminação venosa; a pressão osmótica coloidal média dos tecidos é de aproximadamente 25 mmHg (seta verde), que é igual à pressão capilar média. Portanto, o fluxo de fluido através do leito vascular é quase nulo. (B) Um exsudato é formado durante a inflamação porque a permeabilidade vascular aumenta, como resultado da retraçãodas células endoteliais e surgimento de espaços através dos quais o fluido e as proteínas podem passar. (C) Um transudato é formado quando há extravasamento de fluido para o exterior por causa de maior pressão hidrostática ou diminuição da pressão osmótica. As alterações no fluxo e no calibre vascular iniciam-se rapidamente após a lesão: • Vasodilatação induzida por histamina, no músculo liso dos vasos _ inicia nas arteríolas e, leva à abertura de novos leitos capilares na área, aumentando o fluxo sanguíneo, que causa o calor e a vermelhidão (eritema) no local da inflamação. • A vasodilatação é seguida rapidamente pelo aumento da permeabilidade da microvasculatura, com extravasamento de fluido rico em proteínas (um exsudato) nos tecidos extravasculares. • A perda de líquido e o aumento do diâmetro do vaso desencadeiam lentidão no fluxo sanguíneo, concentração de hemácias em vasos pequenos e aumento da viscosidade do sangue. Resultam em estase do fluxo sanguíneo, engurgitamento de pequenos vasos cheios de hemácias que se movem lentamente, características observadas histopatologicamente como congestão vascular e, externamente, como vermelhidão localizada (eritema) do tecido envolvido. • À estase se desenvolve, leucócitos sanguíneos, principalmente neutrófilos, acumulam-se ao longo do endotélio vascular. As células endoteliais são ativadas por mediadores produzidos nos locais de infecção e de dano tecidual, e expressam níveis aumentados de moléculas de adesão. Os leucócitos aderem ao endotélio e em seguida migram através da parede vascular para o tecido intersticial. Aumento da Permeabilidade Vascular (Extravasamento Vascular). Aumento da Permeabilidade Vascular (Extravasamento Vascular). • A retração das células endoteliais que resulta na abertura de lacunas interendoteliais é o mecanismo mais comum de extravasamento vascular. É desencadeada por histamina, bradicinina, leucotrienos e outros mediadores químicos. Ocorre rapidamente após a exposição ao mediador (em 15 a 30 minutos) e geralmente é de curta duração; é denominada como uma resposta transitória imediata. Os principais locais deste rápido aumento da permeabilidade vascular são as vênulas pós-capilares. • Lesão endotelial, resultando em necrose e destacamento de células endoteliais. O dano direto ao endotélio é encontrado em lesões graves (p. ex., nas queimaduras) ou é induzido pela ação de microrganismos e toxinas microbianas que apresentam como alvo as células endoteliais. Os neutrófilos que aderem ao endotélio durante a inflamação também podem lesar as células endoteliais e assim amplificar a reação. Na maioria dos casos, o extravasamento inicia-se imediatamente após a lesão e é mantido por várias horas até que os vasos danificados sejam trombosados ou reparados. • Aumento do transporte de líquidos e proteínas, chamada transcitose. Respostas de Vasos Linfáticos e Linfonodos ✔ Os vasos linfáticos também participam de inflamação aguda. O fluxo linfático torna-se aumentado para ajudar a drenar o líquido do edema que se acumula devido ao aumento da permeabilidade vascular. Além dos fluidos, leucócitos e detritos celulares, bem como microrganismos, podem encontrar a via para a linfa. Os vasos linfáticos, assim como os vasos sanguíneos, proliferam durante reações inflamatórias para lidar com o aumento da carga. Os linfáticos podem se tornar secundariamente inflamados (linfangite), assim como os linfonodos drenantes (linfadenite). Os linfonodos inflamados, muitas vezes, estão ampliados devido ao aumento da celularidade. Esta constelação de alterações patológicas é denominada linfadenite reativa, ou inflamatória. ✔ Os leucócitos que são recrutados para locais de inflamação desempenham a função-chave de eliminar os agentes ofensivos. Os neutrófilos e macrófagos são os leucócitos mais importantes nas reações inflamatórias típicas, pois, fazem fagocitose. ✔ Os neutrófilos são produzidos na medula óssea e rapidamente recrutados para locais de inflamação; os macrófagos respondem de forma mais lenta. As principais funções desses tipos de células diferem de maneira sutil, mas importantes – os neutrófilos usam rearranjos do citoesqueleto e montagem de enzimas para construir respostas rápidas e transitórias, enquanto os macrófagos, de vida longa, montam respostas mais lentas, mas mais prolongadas, que frequentemente dependem de uma nova transcrição gênica. ✔ Esses leucócitos ingerem e destroem bactérias e outros microrganismos, como tecido necrótico e substâncias estranhas. Os macrófagos produzem fatores de crescimento que ajudam no reparo. A potência defensiva dos leucócitos quando fortemente ativados, podem induzir danos teciduais e prolongar a inflamação, porque os produtos leucocitários que destroem os microrganismos e ajudam a “limpar” os tecidos necróticos e podem produzir “danos colaterais” aos tecidos normais do hospedeiro. Quando há ativação inflamatória sistêmica, em uma invasão da corrente sanguínea por bactérias, a resposta inflamatória sistêmica resultante pode ser letal. Mediadores da inflamação Os mediadores da inflamação são as substâncias que iniciam e regulam as reações inflamatórias. ✔ Os mediadores podem ser produzidos pelas células no local da inflamação, ou podem circular no plasma como precursores inativos que são ativados no local da inflamação. Os principais tipos de células que produzem mediadores de inflamação agudam são os macrófagos teciduais, as células dendríticas e os mastócitos, mas plaquetas, neutrófilos, células endoteliais e a maioria dos epitélios também podem ser induzidos a elaborar alguns mediadores. ✔ Mediadores ativos são produzidos somente em resposta a várias moléculas que estimulam a inflamação, incluindo produtos microbianos e substâncias liberadas a partir de células necróticas ✔ A maioria dos mediadores apresenta meia-vida curta. ✔ Um mediador pode estimular a liberação de outros mediadores. Histamina e a serotonina: principais aminas vasoativas, assim denominadas porque executam ações importantes nos vasos sanguíneos. Armazenadas como moléculas pré-formadas nas células, os primeiros mediadores a serem liberados durante a inflamação. As fontes mais ricas de histamina são os mastócitos, que normalmente estão presentes no tecido conjuntivo adjacente aos vasos sanguíneos. A histamina também é encontrada em basófilos do sangue e plaquetas. Ela é armazenada em grânulos nos mastócitos e liberada por degranulação em resposta a vários tipos de estímulos, incluindo: 1. Lesão física, tais como trauma, frio, calor ou por meio de mecanismos desconhecidos; 2. ligação de anticorpos aos mastócitos, que está na base das reações de hipersensibilidade imediata (alérgicas); e 3. Produtos do complemento chamados anafilatoxinas (C3a e C5a). Os anticorpos e os produtos do complemento ligam-se a receptores específicos nos mastócitos e ativam as vias de sinalização que induzem a degranulação rápida. Os neuropeptídeos (p. ex., substância P) e citocinas (IL-1, IL-8) também podem desencadear a liberação de histamina. A histamina provoca a dilatação das arteríolas e aumenta a permeabilidade das vênulas. É considerada o principal mediador da fase transitória imediata de aumento da permeabilidade vascular, produzindo lacunas interendoteliais nas vênulas pós-capilares. Os seus efeitos vasoativos são mediados principalmente através da ligação a receptores, denominados receptores H1, em células endoteliais microvasculares. Os fármacos anti-histamínicos que são comumente utilizados para tratar algumas reações inflamatórias, como alergias, são antagonistas do receptor H1 e se ligam e bloqueiam o receptor. A histamina também causa contração de alguns músculos lisos, mas os leucotrienos, são muito mais potentes e relevantes como causa de espasmosdos músculos brônquicos, ex. na asma. ✔ A serotonina (5-hidroxitriptamina) é um mediador vasoativo pré-formado presente nas plaquetas e em certas células neuroendócrinas, como no trato gastrointestinal. Sua função principal é a de neurotransmissor no trato gastrointestinal. Também é um vasoconstritor. ✔ Ácido Araquidônico: Os mediadores lipídicos prostaglandinas e leucotrienos são produzidos a partir do ácido araquidônico e estimulam reações vasculares e celulares na inflamação aguda. O ácido araquidônico é um ácido graxo poli-insaturado de 20 carbonos derivado da dieta ou da conversão do ácido graxo essencial ácido linoleico. Estímulos mecânicos, químicos e físicos ou outros mediadores (p. ex., C5a) desencadeiam a liberação de ácido araquidônico a partir das membranas por meio da ativação de fosfolipases celulares, principalmente a fosfolipase A2. Após liberado da membrana, o ácido araquidônico é rapidamente convertido em mediadores bioativos. Tais mediadores, também chamados eicosanoides, são sintetizados por duas principais classes de enzimas: cicloxigenases (que geram prostaglandinas) e lipoxigenases (que produzem leucotrienos e lipoxinas). Os eicosanoides se ligam aos receptores acoplados à proteína G em muitos tipos celulares e podem mediar praticamente todos as etapas da inflamação. ✔ Prostaglandinas (PGs): São produzidas por mastócitos, macrófagos, células endoteliais e muitos outros tipos celulares, e estão envolvidas nas reações vasculares e sistêmicas da inflamação. A PGD2 é a principal prostaglandina produzida por mastócitos; juntamente com a PGE2 (mais amplamente distribuída), causa vasodilatação e aumenta a permeabilidade das vênulas pós-capilares, potencializando assim a exsudação e o edema resultante. A PGD2 também é um agente quimiotático para neutrófilos. São denominadas de acordo com suas características estruturais codificadas por uma letra (p. ex., PGD, PGE, PGF, PGG e PGH) e um nº (p. ex., 1, 2), que indica o número de ligações duplas no composto. As prostaglandinas mais importantes na inflamação são PGE2, PGD2, PGF2a, PGI2 (prostaciclina) e TXA2 (tromboxano A2), cada uma delas se origina a partir da ação de uma enzima específica em um intermediário na via. Prostaglandinas estão envolvidas na patogenia da dor e da febre, duas manifestações sistêmicas comuns de inflamação. A PGE2 torna a pele hipersensível a estímulos dolorosos e causa febre durante infecções. ✔ Leucotrienos Produzidos por leucócitos e mastócitos por meio da ação da lipoxigenase e estão envolvidos nas reações vasculares e dos músculos lisos e no recrutamento de leucócitos. O leucotrieno LTC4 contendo cisteinil e seus metabólitos, LTD4 e LTE4, são produzidos principalmente em mastócitos e causam vasoconstricção intensa, broncospasmo (importante na asma) e aumento da permeabilidade das vênulas. ✔ Lipoxinas: geradas a partir do ácido araquidônico pela via da lipoxigenase, mas, ao contrário das prostaglandinas e dos leucotrienos, as lipoxinas suprimem a inflamação inibindo o recrutamento de leucócitos. ✔ Citocinas: Proteínas secretadas por muitos tipos celulares (principalmente linfócitos ativados, macrófagos e células dendríticas, mas também por células endoteliais, células epiteliais e do tecido conjuntivo) que medeiam e regulam reações imunes e inflamatórias. Fator de Necrose Tumoral e Interleucina-1 Participam do recrutamento de leucócitos, promovendo a adesão ao endotélio e migração através dos vasos. O TNF é produzido por linfócitos T e mastócitos, e algumas células epiteliais também produzem IL-1. Produtos microbianos, corpos estranhos, células necróticas e outros estímulos inflamatórios desencadeiam a secreção de TNF e IL-1. A produção de TNF é induzida por sinais através de TLRs e outros sensores microbianos, e a síntese de IL-1 é estimulada pelos mesmos sinais, mas a geração da forma biologicamente ativa desta citocina é dependente do inflamassomo. As ações do TNF e da IL-1 contribuem para as reações locais e sistêmicas da inflamação, principais funções: • Ativação endotelial. Promove o aumento da expressão de moléculas de adesão endotelial, principalmente E- e P-selectinas e ligantes para integrinas leucocitárias; aumento da produção de vários mediadores, incluindo outras citocinas e quimiocinas, e eicosanoides; e aumento da atividade procoagulante do endotélio. • Ativação de leucócitos e outras células. O TNF aumenta a resposta dos neutrófilos a outros estímulos, como uma endotoxina bacteriana, e estimula a atividade microbicida dos macrófagos. A IL-1 ativa fibroblastos para sintetizar colágeno e estimula a proliferação de células sinoviais e outras células mesenquimais. IL-1 e IL-6 e estimulam a geração de um subconjunto de células T auxiliares CD4+ chamadas células TH17. • Resposta sistêmica de fase aguda. IL-1 e TNF (bem como IL-6) induzem as respostas sistêmicas de fase aguda associadas à infecção ou lesão, incluindo a febre. Eles estão envolvidos na patogenia da síndrome da resposta inflamatória sistêmica (systemic inflammatory response syndrome – SIRS), resultante de infecção bacteriana disseminada (sepse) e outras condições graves, descritas posteriormente. • O TNF regula o equilíbrio energético por meio da promoção do catabolismo lipídico e proteico e pela supressão do apetite. Portanto, a produção sustentada de TNF contribui para a caquexia, um estado patológico caracterizado por perda de peso, atrofia muscular e anorexia que acompanha algumas infecções crônicas e cânceres. Quimiocinas Constituem a família de proteínas pequenas (8-10 kD) que atuam como quimiotáticos para tipos específicos de leucócitos. Foram identificadas cerca de 40 quimiocinas diferentes e 20 receptores diferentes para quimiocinas. São classificadas em quatro grupos principais, de acordo com o arranjo dos resíduos de cisteína (C) nas proteínas: ]• Quimiocinas C-X-C: atuam principalmente em neutrófilos. • Quimiocinas C-C: apresentam os dois primeiros resíduos de cisteína adjacentes conservados. Atuam principalmente como agentes quimiotáticos para monócitos, eosinófilos, basófilos e linfócitos. • Quimiocinas C não possuem a primeira e a terceira das quatro cisteínas conservadas. As quimiocinas C (p. ex., linfotactina, XCL1) são relativamente específicas para linfócitos. • Quimiocinas CX3C contêm três aminoácidos entre as duas primeiras cisteínas. O único membro conhecido desta classe é chamado fractalkine (CX3CL1). Derivada da proteólise da proteína ligada à membrana, que apresenta uma potente atividade quimiotática para as mesmas células. Funções principais das quimiocinas: • Inflamação aguda. Algumas quimiocinas estimula a adesão do leucócito ao endotélio atuando nos leucócitos para aumentar a afinidade das integrinas e servem como agentes quimiotáticos, guiando os leucócitos para locais de infecção ou lesão tecidual. Como medeiam algumas etapas da reação inflamatória, às vezes são chamadas quimiocinas inflamatórias. Sua produção é induzida por microrganismos e outros estímulos. • Manutenção da arquitetura do tecido. Algumas quimiocinas são produzidas constitutivamente pelas células estromais nos tecidos e às vezes são chamadas quimiocinas homeostáticas. Estas organizam vários tipos celulares em diferentes regiões anatômicas dos tecidos, como os linfócitos T e B em áreas distintas do baço e dos linfonodos. Embora o papel das quimiocinas na inflamação esteja bem estabelecido, tem sido difícil desenvolver antagonistas de quimiocinas que suprimam a inflamação, talvez por causa da redundância das funções dessas proteínas. Sistema Complemento No processo de ativação do complemento, são elaborados vários produtos da clivagem de proteínas do complemento que causam aumento da permeabilidade vascular, quimiotaxia e opsonização. Todas as três vias de ativação do complemento levam à formação de umaenzima chamada C3 convertase, que divide C3 em dois fragmentos funcionalmente distintos, C3a e C3b. C3a é liberado e C3b torna-se covalentemente ligado à célula ou molécula onde o complemento está sendo ativado. Mais C3b então se liga aos fragmentos gerados anteriormente para formar a C5 convertase, que cliva C5 para liberar C5a e deixa C5b aderido à superfície celular. O C5b liga os componentes tardios (C6-C9), culminando na formação do complexo de ataque à membrana (MAC, composto por múltiplas moléculas C9). A atividade enzimática das proteínas do complemento fornece uma amplificação tão intensa que milhões de moléculas de C3b podem se depositar na superfície de um microrganismo dentro de 2 ou 3 minutos! O sistema complemento apresenta três funções principais: • Inflamação. C5a e, em menor grau, C4a e C3a, são produtos da clivagem dos componentes correspondentes do complemento que estimulam a liberação de histamina a partir de mastócitos e assim aumentam a permeabilidade vascular e causam vasodilatação. Além disso, C5a ativa a via da lipoxigenase do metabolismo do ácido araquidônico em neutrófilos e monócitos, causando a liberação de mais mediadores inflamatórios. • Opsonização e fagocitose. C3b e seu produto de clivagem iC3b (C3b inativo), quando fixados à parede celular microbiana, atuam como opsoninas e promovem a fagocitose por neutrófilos e macrófagos. • Lise celular. A deposição de MAC nas células cria poros na membrana celular, tornando as células permeáveis a água e íons, o que resulta na sua morte osmótica (lise). Padrões morfológicos da inflamação aguda Os marcos morfológicos das reações inflamatórias agudas são a dilatação de pequenos vasos sanguíneos e o acúmulo de leucócitos e fluidos no tecido extravascular. Inflamação Serosa: é marcada pela exsudação de fluidos pobres em células em espaços criados pelas lesões na superfície epitelial ou nas cavidades do corpo revestidas por peritônio, pleura ou pericárdio. Inflamação Fibrinosa: Um exsudato fibrinoso se desenvolve quando os extravasamentos vasculares são grandes ou há um estímulo procoagulante local. Há grande aumento na permeabilidade vascular, proteínas de alto peso molecular no sangue, como o fibrinogênio, atravessam a barreira epitelial e há formação de fibrina, que é depositada no espaço extracelular. Inflamação Purulenta (Supurativa), Abscesso: é caracterizada pela produção de pus, um exsudato constituído por neutrófilos, debris liquefeitos das células necróticas e líquido de edema. A causa mais frequente de inflamação purulenta (também chamada supurativa) é a infecção por bactérias que causam necrose tecidual liquefativa, como os estafilococos; esses agentes patogênicos são denominados bactérias piogênicas (produtoras de pus). Úlceras: é um defeito local, ou escavação, da superfície de um órgão ou tecido que é produzido pela destruição (descamação) de tecido necrótico inflamado. Resultados da inflamação aguda _ geralmente apresentam um dos três resultados: 1. Resolução completa. é o resultado observado quando a lesão é limitada ou de curta duração, ou quando houve pequena destruição tecidual e as células parenquimatosas danificadas puderam se regenerar. A resolução envolve a remoção de debris celulares e microrganismos por macrófagos e a reabsorção do líquido do edema pelos vasos linfáticos. 2. Cura por substituição de tecido conjuntivo (cicatrização ou fibrose). Ocorre após a destruição substancial de tecido, quando a lesão inflamatória envolve tecidos que são incapazes de regenerar, ou quando há abundante exsudação de fibrina no tecido ou em cavidades serosas (pleura, peritônio) que não podem ser adequadamente removidas. Em todas essas situações, o tecido conjuntivo cresce na área da lesão ou exsudato, convertendo-o em uma massa de tecido fibroso. 3. Progressão da resposta para inflamação crônica. A transição de inflamação aguda para crônica ocorre quando a resposta inflamatória aguda não pode ser resolvida, como resultado da persistência do agente prejudicial ou de alguma interferência no processo normal de cicatrização. Inflamação Crônica A inflamação crônica é uma resposta de duração prolongada (semanas ou meses), na qual inflamação, lesão tecidual e tentativas de reparo coexistem em diferentes combinações. Pode suceder a inflamação aguda, ou pode começar de forma insidiosa, como um processo latente, progressivo, sem sinais de uma reação aguda precedente. Causas da Inflamação Crônica • Infecções persistentes por microrganismos que são difíceis de erradicar, tais como microbacterianas e certos vírus, fungos e parasitas. Esses organismos geralmente provocam uma reação imune chamada hipersensibilidade do tipo tardio. A resposta inflamatória às vezes apresenta um padrão específico chamada inflamação granulomatosa. Em outros casos, a inflamação aguda não resolvida evolui para a inflamação crônica, como quando uma infecção bacteriana aguda pulmonar avança para um abscesso pulmonar crônico. • Doenças de hipersensibilidade. A inflamação crônica desempenha um papel importante em um grupo de doenças causadas por ativação excessiva e inadequada do sistema imune. Nas doenças autoimunes, os autoantígenos evocam uma reação imune auto perpetuante que resulta em inflamação crônica e danos teciduais; ex. dessas doenças são a artrite reumatoide e a esclerose múltipla. Nas doenças alérgicas, a inflamação crônica é o resultado de respostas imunes excessivas contra substâncias ambientais comuns, como na asma brônquica. Tais doenças podem apresentar padrões morfológicos de inflamação aguda e crônica mista porque são caracterizadas por episódios repetidos de inflamação. A fibrose pode predominar nos estágios avançados. • Exposição prolongada a agentes potencialmente tóxicos, exógenos ou endógenos. Ex. de agente exógeno é a sílica particulada, um material inanimado não degradável que, quando inalado por períodos prolongados, resulta em uma doença pulmonar inflamatória chamada silicose. A aterosclerose é um processo inflamatório crônico que afeta a parede arterial, na qual acredita-se que seja induzida, pelo menos em parte, pela produção excessiva e deposição tecidual de colesterol endógeno e outros lipídeos. • Algumas formas de inflamação crônica podem ser importantes na patogenia de doenças que não são convencionalmente consideradas distúrbios inflamatórios. Estas incluem doenças neurodegenerativas, como doença de Alzheimer, síndrome metabólica e diabetes tipo 2 associado, e certos tipos de câncer nos quais as reações inflamatórias promovem o desenvolvimento tumoral. Características Morfológicas Ao contrário da inflamação aguda, que se manifesta por alterações vasculares, edema e infiltração predominantemente neutrofílica, a inflamação crônica caracteriza-se por: • Infiltração de células mononucleares, que incluem macrófagos, linfócitos e plasmócitos. • Destruição tecidual induzida pelo agente ofensivo persistente ou pelas células inflamatórias. • Tentativas de cura pela troca do tecido danificado por tecido conjuntivo, pela angiogênese (proliferação de pequenos vasos sanguíneos) e, em particular, pela fibrose. Células e Mediadores da Inflamação Crônica: A combinação de infiltração leucocitária, lesão tecidual e fibrose que caracterizam a inflamação crônica é o resultado da ativação local de vários tipos de células e da produção de mediadores. Papel dos Macrófagos: participam das reações inflamatórias crônicas, que contribuem para a reação através da secreção de citocinas e fatores de crescimento que atuam sobre várias células, destruindo invasores e tecidos estranhos e ativando outras células, principalmente os linfócitos T. Os macrófagos são fagócitos que atuam como filtros para partículas, microrganismos e células senescentes. Funcionam como células efetoras que eliminam os microrganismos nas respostas imunescelulares e humorais. Nas reações inflamatórias, as células progenitoras na medula óssea dão origem aos monócitos, que entram no sangue, migram para vários tecidos e se diferenciam em macrófagos. A entrada dos monócitos sanguíneos nos tecidos é coordenada pelos mesmos fatores que estão envolvidos na emigração dos neutrófilos, como moléculas de adesão e quimiocinas. A meia-vida dos monócitos sanguíneos é de cerca de 1 dia, enquanto a vida útil dos macrófagos teciduais é de vários meses ou anos. Os macrófagos, é a população de células predominante nas reações inflamatórias dentro de 48 horas após o seu início. Os macrófagos que residem nos tecidos em estado estacionário (na ausência de lesão tecidual ou inflamação), como a micróglia, as células de Kupffer e os macrófagos alveolares, originam-se do saco vitelino ou do fígado fetal muito cedo durante a embriogênese, povoam os tecidos, permanecem por longos períodos e são reabastecidos principalmente pela proliferação das células residentes. Principais vias de ativação de macrófagos: via clássica e alternativa. A via escolhida por um determinado macrófago depende da natureza dos sinais de ativação. • A ativação clássica dos macrófagos induzida por produtos microbianos, como uma endotoxina, que envolvem os TLRs, e por sinais provenientes das células T, como a importante citocina IFN- γ nas respostas imunes. Os macrófagos classicamente ativados (também chamados M1) produzem NO e ROS e suprarregulam as enzimas lisossômicas, o que aumenta sua capacidade de eliminar organismos ingeridos e secretar citocinas que estimulam a inflamação. Esses macrófagos são importantes na defesa do hospedeiro contra microrganismos e em muitas reações inflamatórias. • A ativação dos macrófagos pela via alternativa é induzida por citocinas como a IL-4 e a IL-13, produzidas por linfócitos T e outras células. A função principal dos macrófagos ativados alternativamente (M2) está no reparo tecidual. Eles secretam fatores de crescimento que promovem a angiogênese, ativam fibroblastos e estimulam a síntese de colágeno. FIGURA 3.19 Ativação dos macrófagos pela via clássica e alternativa. Diferentes estímulos ativam monócitos/macrófagos que se diferenciam em populações funcionalmente distintas. Os macrófagos ativados classicamente são induzidos por produtos microbianos e citocinas, particularmente o IFN-γ. Eles fagocitam e destroem microrganismos e tecidos mortos e podem potencializar as reações inflamatórias. Macrófagos ativados de forma alternativa são induzidos por outras citocinas e são importantes no reparo tecidual e na resolução da inflamação. Papel dos Linfócitos Microrganismos e outros antígenos ambientais ativam os linfócitos T e B, que amplificam e propagam a inflamação crônica. Quando ativadas, a inflamação tende a ser persistente e grave. Algumas reações inflamatórias crônicas mais fortes, como a inflamação granulomatosa, dependem das respostas dos linfócitos. Por causa da capacidade de secretar citocinas, os linfócitos T CD4+ promovem a inflamação e influenciam a natureza da reação inflamatória. As células T amplificam a reação inflamatória inicial que é induzida pelo reconhecimento de microrganismos e células mortas como parte da resposta imune inata. Subconjuntos de células T CD4+ que secretam citocinas distintas e provocam diferentes tipos de inflamação. • As células TH1 produzem a citocina IFN-γ, que ativa os macrófagos pela via clássica. • As células TH2 secretam IL-4, IL-5 e IL-13, que recrutam e ativam eosinófilos e são responsáveis pela via alternativa de ativação de macrófagos. São importantes na defesa contra parasitas helmintos e na inflamação alérgica • As células TH17 secretam IL-17 e outras citocinas, que induzem a secreção de quimiocinas responsáveis pelo recrutamento de neutrófilos na reação. Outras Células na Inflamação Crônica • Eosinófilos são abundantes nas reações imunomediadas por IgE e nas infecções parasitárias. • Mastócitos estão amplamente distribuídos no tecido conjuntivo e participam das reações inflamatórias agudas e crônicas (secretam uma infinidade de citocinas). • Neutrófilos são característicos da inflamação aguda, muitas formas de inflamação crônica, com duração de meses, continuam a exibir um grande número de neutrófilos, induzidos por microrganismos persistentes ou por citocinas e outros mediadores produzidos por macrófagos ativados e linfócitos T. Na infecção bacteriana crônica óssea (osteomielite), um exsudato neutrofílico pode persistir por muitos meses. Os neutrófilos também são importantes na lesão crônica pulmonar induzida pelo tabagismo e outros estímulos irritantes. Esse padrão de inflamação é chamado agudo e crônico. Inflamação Granulomatosa: inflamação crônica caracterizada por coleções de macrófagos ativados, muitas vezes com linfócitos T, e às vezes associadas à necrose central. • Granulomas imunes são causados por vários agentes capazes de induzir resposta imune mediada por células T persistentes. Provoca a formação de granulomas geralmente quando o agente incitador não pode ser facilmente eliminado, como um microrganismo persistente ou um antígeno próprio. • Granulomas de corpo estranho são encontrados na resposta a corpos estranhos relativamente inertes, na ausência de resposta imunomediada por células T. Os granulomas formam-se em torno de materiais como o talco (associado ao uso abusivo de drogas intravenosas), suturas ou outras fibras que são grandes o suficiente para impossibilitar a fagocitose por um macrófago, mas não são imunogênicos. As células epitelioides e as células gigantes são direcionadas para a superfície do corpo estranho. O material estranho geralmente pode ser identificado no centro do granuloma, particularmente se observado sob luz polarizada, podendo aparecer refringente. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: KUMAR, Vinay. Robbins Patologia Básica. Rio de Janeiro - RJ: Grupo GEN, 2018. E-book. ISBN 9788595151895. Disponível em:https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151895/. Acesso em: 27 set. 2022. Hall, John, E. e Arthur C. Guyton. Guyton & Hall Fundamentos de Fisiologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (13th edição). Grupo GEN, 2017. Tortora, Gerard, J. e Bryan Derrickson. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016.