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Pedro Santos 
 
AVALIAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA 
Risco Cirúrgico 
A – Exames 
Os exames pré-operatórios devem ser solicitados, criteriosamente, de acordo com as condições clínicas 
do paciente e o porte cirúrgico, mas não devem ser requeridos com o intuito de realizar diagnósticos. 
 
B – Avaliação Anestésica 
A American Society of Anesthesiologists (ASA) criou a estratificação de pacientes conforme o seu status 
clínico pré-operatório e o risco anestésico. 
 
Em situações de emergência, considera-se o dobro do risco cirúrgico. Diversas outras escalas de risco são 
empregadas na avaliação pré-operatória. Destas, uma das mais difundidas é a escala de Goldman e 
colaboradores (1977) para avaliação do risco cardíaco, que associa dados clínicos e laboratoriais a uma 
pontuação; esta permite estratificar o risco de complicação cardiovascular no pós-operatório. 
 
Pedro Santos 
 
 
É importante investigar, nos antecedentes do paciente, casos de hipertermia maligna. A hipertermia é uma 
condição fisiopatológica associada diretamente à anestesia que é rapidamente fatal caso não seja tratada 
prontamente. Os agentes precipitantes são todos os inalatórios e todos os relaxantes musculares 
despolarizantes (succinilcolina e decametônio). Clinicamente, ocorrem hipermetabolismo, rigidez 
muscular, lesões musculares teciduais e aumento da resposta do sistema nervoso simpático. O 
hipermetabolismo é refletido pela elevada produção de dióxido de carbono que precede o aumento da 
temperatura corpórea. As medidas iniciais consistem em suspender os anestésicos inalatórios, aplicar 
ventilação rápida para eliminar essas drogas e administrar dantroleno 1mg/kg IV. 
Preparos Especiais 
A – Dieta e Medicações 
O jejum deve ser de, pelo menos, 8 horas, para diminuir o risco de broncoaspiração. Apesar de haver 
algumas evidências favoráveis ao consumo de líquidos claros até 2 horas antes do procedimento, essa 
prática ainda não é considerada padrão na maioria dos serviços. O cirurgião deve também estar atento às 
medicações de uso habitual do paciente no pré-operatório. 
 
Hipoglicemiantes orais devem ser substituídos por insulina regular ou NPH na véspera do ato cirúrgico. 
Pacientes em uso de NPH podem receber metade da dose habitual na manhã da cirurgia, seguida de infusão 
de soro glicosado a 5%, ou substituí-la por insulina regular na véspera. Em ambos os casos, é necessário 
o controle com a glicemia capilar. No 1ª dia de pós-operatório, pode ser retomado o esquema habitual. 
B - Antibióticos 
O uso de antibióticos depende da classificação da cirurgia em limpa, potencialmente contaminada, 
contaminada e infectada. O risco de infecção cirúrgica gira em torno das normas adequadas de assepsia e 
antissepsia. 
Pedro Santos 
 
 
C - Reserva de sangue e hemoderivados 
A reserva de sangue e hemoderivados deve ser solicitada conforme o porte cirúrgico e as comorbidades 
do paciente. 
 
Uma unidade de sangue total eleva a hemoglobina em aproximadamente 1g/dL, e o hematócrito, em 3%, e 
cada unidade deve ser infundida num tempo inferior a 4 horas. Cada unidade de concentrado de plaquetas 
eleva a contagem em cerca de 5.000 a 10.000 células/mm3, sendo a dose usual um concentrado para cada 
10kg de peso corpóreo. 
Dieta e suporte nutricional 
A má nutrição aumenta o risco de mortalidade operatória, e podem ser empregadas as nutrições enteral 
ou parenteral. Logo, o apoio nutricional está indicado a pacientes em quem se tenha confirmada uma perda 
de peso involuntária de 10% num período de 6 meses, 7% em 3 meses ou 5% em 1 mês. Como a massa 
muscular é consumida juntamente com os depósitos de gordura durante a desnutrição, o grau de perda de 
peso é significativo entre obesos e magros. A escolha da maneira ideal de fornecer apoio nutricional 
depende de alguns fatores. As formas preferenciais devem ser a orientação dietética adequada e o suporte 
oral. Entretanto, em muitas situações, isso não é possível, como naquelas em que a via enteral deve ser 
sempre preferencial. Pode ser realizada em domicílio, por sonda tipo nasoenteral ou gastro/jejunostomia, 
o que evita internações prolongadas e diminui o risco de infecções hospitalares. A Nutrição Parenteral Total 
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(NPT) deve ser utilizada nas contraindicações à dieta enteral, como em casos de íleo prolongado, fístulas 
do aparelho digestivo, pancreatite e doenças inflamatórias intestinais. Podem ocorrer complicações 
metabólicas (hiperglicemia), infecciosas e pelo procedimento de cateterização de veia central, de modo que 
indivíduos em NPT devem ser vigiados rigorosamente. O uso de dietas enteral e parenteral simultâneas só 
está indicado no desmame da NPT, até haver consumo calórico adequado.

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